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JoaoPMarques

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1 Neutra
  1. Olá Se prepara porque não é fácil passear por ali. Agora te garanto . Você vai adorar. Abraço J.Pauo
  2. CAMPO CONCENTRAÇÃO DACHAU Acessível através de carro desde Munique aproximadamente 20 m. TRAM desde Munique aproximadamente 40 m Parque estacionamento: 3 Euros http://www.Kz-gedenkstaette-dachau.de Plano do Campo Concentração de DACHAU Em visita a Munique , este era um dos locais que considerava imperdíveis não só pelo carga histórica que comporta mas também porque é viver um Passado muito Presente. Assim e para ter tempo de recuperar caso fosse necessário decidimos que DACHAU seria a primeira paragem. Como poderão constatar, muitas das fotos estão a preto e branco. A razão pela qual decidi tratá-las assim tem a ver com uma pequena homenagem que gostava de fazer a todos aqueles que pereceram neste campo. Fotos a preto e branco estão ligadas ao passado e à dor, fotos a cores têm a ver com o DACHAU presente e com a esperança de que o que ali se passou não se volte a repetir. O Campo de Concentração de DACHAU foi inaugurado em 22 de Março de 1933 após a chegada dos primeiros prisioneiros e apenas algumas semanas depois de Adolf Hitler ter sido nomeado Chanceler. Foi assim o primeiro campo a ser construído pelo novo governo nazista e foi descrito por Heinrich Himmler como sendo “o primeiro campo de concentração para prisioneiros políticos“ A primeira maquete do Campo de Concentração. Era assim em 1933 Durante o 1º ano de funcionamento teve 4.800 prisioneiros sendo a sua maioria alemães comunistas, sindicalistas e outros adversários políticos do regime. Este campo serviu de modelo para outros campos de concentração, sendo que mais tarde foi a “Escola de Violência“ dos homens das S.S Durante os doze anos da sua existência, mais de 200.000 pessoas provenientes de toda a Europa estiveram presas aqui ou em campos secundários. Numa lista que se encontra no museu pude observar que estiveram aqui presos 4 portugueses. O edifício onde se situa a entrada principal do campo chama-se “JOURHAUS“ e além de entrada principal do campo foi também utilizado para os escritórios dos oficiais e pessoal das S.S. A entrada no campo é feita através de um pequeno túnel protegido por uma porta com barras de ferro e onde está inscrito (como em todos os campos) a frase “ARBEIT MACHT FREI“ ou seja “O trabalho liberta“, através da qual todos os novos presos entravam no campo . Esta porta separava os presos do mundo exterior. O lema “ARBEIT MACHT FREI“ reflectia a propaganda alemã de tentar banalizar perante os estrangeiros os campos de concentração querendo dar a ideia de que se tratavam de campos de “trabalho e re-educaçã “. Também se pode considerar que se tratou de um lema das S.S que implementava o trabalho forçado como método de tortura e como uma extensão do terror no dia a dia de um campo de concentração Em 1933, Theodor Eicke foi nomeado Comandante do Campo de Concentração. Foi ele que desenvolveu o plano organizativo e legal que seria mais tarde aplicado a todos os campos de concentração. Foi também dele a decisão de dividir DACHAU em duas áreas distintas: o campo de prisioneiros, rodeado por uma grande variedade de instalações de segurança e torres de vigilância; e de uma outra zona onde se situavam os edifícios administrativos e os quartéis das S.S Mais tarde quando foi nomeado Inspector Geral de todos os campos, Eicke estabeleceu DACHAU como modelo para todos os outros campos e também como escola de assassinato das S.S No inicio de 1937 as S.S. iniciaram a construção de um enorme complexo de camaratas utilizando o trabalho forçado dos prisioneiros. Esta construção foi terminada em 1938 e permaneceu inalterada até 1945 , mostrando assim que DACHAU esteve em pleno funcionamento durante todo o período de duração do Terceiro Reich. Os primeiros prisioneiros eram opositores políticos ao regime nazi, comunistas, sociais democratas , sindicalistas e membros do partido conservador e do partido liberal. Os primeiros presos judeus foram enviados para DACHAU por oposição política ao regime e não por perseguição étnica. Nos anos seguintes novos grupos foram deportados para DACHAU entre eles homossexuais, ciganos, testemunhas de Jeová e também sacerdotes. Na noite de 10 para 11 de Novembro , a chamada “Reichskristallnacht“ (“Noite dos vidros quebrados“) mais de 10.000 judeus foram aprisionados em DACHAU. A partir de Março de 1939, a agressão nazi que agora se dirigia também a outros países europeus, originou a chegada a DACHAU de prisioneiros de guerra provenientes da Polónia , Noruega, Bélgica, Holanda, França, etc. Os prisioneiros alemães tornaram-se assim numa pequena minoria sendo que o grupo mais importante correspondia aos presos Polacos e Russos. Hoje em dia, a fantástica exposição que retrata a história do campo de concentração está situada no chamado “Edifício de Manutenção“. Este edifício tem também o seu lado histórico pois além de diversos escritórios, armazéns, cozinha e lavandaria,era aqui que se situava o “ Banho dos Prisioneiros “ onde tiveram lugar os degradantes procedimentos para o registo de novos prisioneiros. Era aqui que o prisioneiro perdia toda a sua identidade como ser humano pois era despojado de toda a sua roupa, aneis, pulseiras, relógios, etc, mas mais importante era aqui que perdia a sua liberdade e a sua autonomia. Os banhos eram a ultima estação do procedimento de admissão. Rapavam a cabeça , eram desinfectados , tomavam duche , vestiam a farda de prisioneiro eram enviados para a respectiva camarata. Uma cerca de arame farpado electrificada , uma trincheira e um muro com 7 torres de vigia rodeavam o campo. Existia o que os soldados das S.S. definiam como zona de proibição e que consistia em um relvado antes da trincheira. Os prisioneiros sabiam que a entrada nesta zona constituía a morte pois os soldados posicionados sobre as torres de vigilância disparavam a matar. Muitos foram os prisioneiros que correram em direcção á zona proibida para que pudessem pôr termo ao sofrimento que lhes era aplicado. O Campo de Dachau estava dividio em 2 secções : a área das camaratas e a área do crematório. A área das camaratas era constituída por 34 blocos sendo que 32 se destinavam aos presos , 1 era destinado aos sacerdotes cristãos presos por se oporem ao regime e o outro estava reservado a “ Experiências médicas “ . As camaratas hoje existentes são uma réplica desses tempos. Mesmo assim ainda é possível imaginar as condições desumanas em que estes presos viviam. Não estavam autorizados a tocar nas camas dos dormitórios. Se após medição efectuada pelos guardas houvesse distâncias ou diferenças superiores a alguns milímetros todos os presos dessa camarata sofriam pesadas torturas. O número de camaratas destinadas a “ fins médicos “ foi crescendo ao longo dos anos chegando a alcançar 9 camaratas situadas no lado direito. A atenção médica no Campo era nula . Estas camaratas foram utilizadas pelos médicos das S.S. para efectuar experiências brutais em seres humanos. Ao regressar a DACHAU em 1955 o prisioneiro italiano Nico Rost recorda estas experiências : “ Ainda hoje , alguns anos depois da libertação , fico paralisado de medo quando passo no cruzamento do que antes era a camarata 3 .Esta era a camarata de presos que mais temia , era o reino do Dr. Rascher . As atrocidades que aqui foram cometidas ultrapassavam em muito todas as outras crueldades levadas a cabo em outros campos de concentração alemães. Os médicos abusavam dos prisioneiros indefesos . Aqui os prisioneiros eram colocados em água gelada até á congelação , eram efectuados transplantes de medula , ensaios de tuberculose , hipotermia e ensaios de novas drogas que terminavam numa morte agonizante depois de terríveis sofrimentos “ Em 1942 foi construída uma nova área de crematório pois o antigo já não dava para cremar todos os prisioneiros mortos neste campo. O novo crematório possuía já uma câmara de gás . Na construção do novo Crematório nada foi deixado ao acaso e num único edifício foram criadas 4 salas que em sequência permitiriam o extermínio em massa da população de prisioneiros. A primeira sala tratava-se de uma zona de desinfecção da roupa que era deixada pelos prisioneiros . Toda a roupa era tratada , desinfectada para ser posteriormente reutilizada. Na sequência das 3 salas seguintes , a primeira sala , designada como “ Sala de Espera “ , onde os prisioneiros eram informados que iriam “tomar duche “ , tal como a própria inscrição sobre a porta o indicava “ BRAUSEBAD “. Na realidade essa porta dava acesso á câmara de gás , de pequenas dimensões , com capacidade para cerca de 150 prisioneiros ( segundo informação no local ). A sala seguinte destinava-se á colocação dos cadáveres antes de serem recolhidos para serem cremados o que acontecia na sala contigua onde existiam 3 fornos . Na mesma área do crematório mas em zona separada , encontra-se o “ Antigo crematório “ de pequena dimensão e que já não dava saída a todos os mortos do campo. O número de prisioneiros em DACHAU entre 1933 e 1945 chegou a ultrapassar os 200.000. Foram assassinados cerca de 45.000 prisioneiros , mais uma quantidade grande que não estavam registados. De salientar que aquando da libertação do Campo de DACHAU pelas tropas Norte Americanas em 29 de Abril de 1945 ,foram ainda encontrados cerca de 30 vagões lotados com corpos em adiantado estado de decomposição. Na altura da libertação havia 67.665 prisioneiros registados . Destes 43.350 foram classificados como presos políticos , 22.100 como judeus e os restantes foram divididos em outras categorias. CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DE DACHAU NO PRESENTE No topo do Campo existe uma escultura da autoria de Nandor Glid . Um esqueleto humano presta homenagem a todos os prisioneiros que num acto de desespero saltaram para a zona proibida. A morte no campo de concentração era comum e corrente. A escultura está demarcada nas laterias por dois postes de cimento que pertenciam á instalação de segurança que existia no campo. Foi acrescentado ao campo uma fila com a réplica do que seriam as camaratas . Ao longo da alameda que vai desde o edifício de manutenção até á zona do crematório , foram devidamente delineadas as posições das outras 34 filas de camaratas , sendo que cada uma está numerada. De forma a honrar as vítimas de diversas religiões que aqui pereceram ,foram construídas quatro igrejas e memoriais : A CAPELA DA AGONIA DE CRISTO Esta Capela foi o primeiro monumento religioso a ser construído no Campo pós a libertação. A sua inauguração oficial teve lugar a 5 de Agosto de 1960. A sua forma circular aberta simboliza o cativeiro de Cristo . A IGREJA EVANGÉLICA DA RECONCILIAÇÃO A Igreja protestante da Reconciliação foi inaugurada a 30 de Abril de 1967. Está situada abaixo do nível do solo do campo. Uma rampa conduz o visitante a uma entrada estreita e escura que depois se abre num pátio interior muito iluminado. No ponto onde as trevas e a luz se reúnem encontra-se uma porta de aço com a inscrição do salmo 17ª , “ Esconde-me sobre a sombra das tuas asas “. MEMORIAL JUDAICO Este memorial encontra-se á direita da Capela da Agonia de Cristo e foi inaugurado em 7 de Maio de 1967. A estrutura foi fabricada com lava de basalto negro e inclina-se em direcção ao solo como uma rampa. No seu ponto mais baixo existe um pátio onde através de uma pequena abertura no tecto entra a luz.No seu interior existe uma chama , a “ Ner Tamid “ ou seja “ A luz eterna “. CAPELA RUSSA ORTODOXA A Capela Russa Ortodoxa “ A Ressureição de Nosso Senhor “ está junto do forno crematório. É o monumento religioso mais recente e foi inaugurado em 29 de Abril de 1995. A Capela construída de blocos de madeira tem uma forma octogonal e está construída sobre uma pequena colina criada com terra da Ex União Sovietica. O seu ícono principal mostra Cristo ressuscitado que leva os prisioneiros para fora do campo. No chamado edificio de manutenção existe uma exposição permanente onde em cerca de 65 paineis , 5 videos e muitos objectos pessoais é contada a história real de DACHAU. Um espaço ímperdivel para quem pretende saber um pouco mais deste espaço cheio de mistério, cheio de terror, cheio de raiva e dor e um lugar onde a sensação da morte e sofrimento está sempre presente. Para mim foi um privilégio poder visitar este lugar e poder sentir e viver uma história muito recente, onde ainda se ouvem os ecos da xenofobia e da descriminação racial levada ao seu extremo. Ainda no "Memorial" tirei uma foto que para mim resume toda esta visita. A foto é esta: A mensagem que quero deixar para as gerações vindouras que poderão ler este report é: "Que a luz deste candeeiro seja capaz de iluminar o caminho daqueles que percorrem a alameda da paz e consiga manter ás escuras aquela torre de observação que quando aberta e funcional voltará a trazer a miséria , a dor e a morte." Frio, angustiante e arrepiante, foi assim que senti o CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DE DACHAU. Visitem-no Abraço a todos João Paulo
  3. Olá Juliana Está no mesmo maciço da Serra da Estrela . Toda a Serra é muito bonita ( Manteigas , Foz da Égua , Folgosinho , Etc ). Se tiver dúvidas diz J.Paulo
  4. Olá a todos Acabei de me registar no vosso ( nosso ) forum. Sou o João Paulo , vivo em Lisboa , tenho 50 anos e adoro viajar E porque Portugal não é só Lisboa e o Porto ,mostro-vos uma aldeia muito tipica de Portugal , talvez a mais tipica e a mais bela e chama-se PIODÃO “Abrigada no coração da Serra do Açor, une-se com a natureza de tal forma, que por detrás de cada pedra erguida se esconde uma história.” Por diversas vezes tinha ouvido falar do Piodão , mas sempre que visitei a zona da Serra da Estrela , não sei bem porque razão , sempre fazíamos a volta normal de Manteigas , Torre , Covilhã , nunca dando muita atenção á vizinha Serra do Açor que veio a mostrar-se tão ou ainda mais interessante . Assim numa manhã de sábado de Páscoa , partimos para uma visita à Serra do Açor e à Serra da Estrela. A volta que escolhemos foi a ida pelo A1 ( Lisboa ) , seguimos pela IP3 até à saída para Arganil, passamos por Coja , Benfeita, Fraga da Pena seguindo depois pela estrada bem sinalizada até ao Piódão. As estradas sinuosas e estreitas serpenteiam as encostas xistosas da Serra do Açor. Qualquer que seja a altura do ano, qualquer que seja o caminho tomado, a natureza não pára de surpreender com as suas cores improváveis, num mundo vestido a cinza de betão. O branco da neve e a transparência das cascatas que escorrem dos socalcos íngremes da serra no Inverno dão lugar, na Primavera, ao amarelo das giestas e das carquejas e ao lilás das Urzes. As rochas estão salpicadas por líquens e musgos de cor verde oliva. Ao longe vemos manchas de pinheiros, carvalhos e castanheiros. São frequentes as ruínas do que outrora foram casas de xisto de agricultores agora abandonadas e desgastadas pelo tempo e que são hoje apenas parte da paisagem e da história deste lugar. No meio das exuberantes escarpas e vales profundos situam-se pequenos povoados que se fundem na paisagem. Rasgando os céus encontrará o Açor, uma ave de rapina que deu nome a esta maravilhosa e colorida serra. Corujas do mato e gaviões também são habitantes locais. O Javali e a Geneta são exemplos dos mamiferos de grande porte que habitam a região. Depois de uma hora passeando pela Serra, encontramos o Piódão no seu ninho de verdura, tal uma tela cubista imobilizada no tempo. As suas casas de pedra descem de socalco em socalco ao sabor do monte, oferecendo-se ao olhar incrédulo de quem julga ter encontrado uma povoação encantada em plena Serra do Açor. Assim nos surgiu o Piódão, uma das dez Aldeias Históricas de Portugal, que sobreviveu aos rigores de muitos Invernos e Verões da Beira para nos fazer recordar um país quase esquecido Há muitos anos atrás , lá no cimo da colina , existia um lugar chamado “ Casal de Piodam” . Piodam queria dizer “a gente ou o povo que anda a pé” . Um dia, contam os anciães, uma “praga de formigas” obrigou a povoação a abandonar o local do qual somente ficou o nome : Piodão Velho. Os poucos habitantes refugiaram-se no fundo da encosta .Este recatado lugar viria a ser o ponto de partida para a fundação de uma nova aldeia de beleza ímpar : PIODÃO NOVO. De qualquer modo, as duas aldeias partilham uma história muito mais antiga: os habitantes de ambas descendem dos Lusitanos, os mais antigos povoadores dos Montes Hermínios . Ao longo dos tempos, as populações foram criando condições para a subsistência, conquistando à serra com suor, cada pequena eira cultivada em socalcos. Viveram durante séculos do mel, do azeite, do queijo, do centeio e do milho. Curavam as maleitas com responsos e mezinhas e quebravam o isolamento com grandes caminhadas (são deliciosas as histórias, por exemplo, das “galinheiras”, mulheres que calcorreavam caminhos até à Covilhã, de cesta à cabeça, em dias de neve ou calor abrasador, recolhendo ovos pelos montes que depois vendiam na cidade ) para venderem os seus produtos nas feiras e mercados das aldeias e cidades vizinhas. Era bem dura a vida dos piodenses. A Natureza não cedia facilmente os seus tesouros . Tiveram de construir as casas com lousa , xisto , argila e madeira de castanheiro. Como aliado na lavoura e nos transporte dos produtos agrícolas , tinham o “ macho “ , um intrigante animal fruto do cruzamento do cavalo e do burro . Como recompensa do trabalho passado na lavoura , o povo ambicionava ter uma capela . Segundo os ditos populares a primeira foi construída com base no suor e nas poupanças dos aldeões. Um deles, diz-se ter caminhado durante quatro dias para conseguir a autorização do Bispo de Coimbra para esta obra. É desta forma que o Piodão aparece referenciado pela primeira vez em 1676 como freguesia. Só que as dificuldades deixaram um dia de fazer sentido, perante o estilo de vida das grandes cidades e, a partir de meados do século XX, a maioria emigrou para outros países ou para o litoral. Repare-se que a estrada de Piódão só foi construída em 1972 e a instalação de energia eléctrica, meia dúzia de anos depois. Demasiado tarde para fixar as gentes de Piódão à sua terra, agora ressuscitada, graças ao número crescente de visitantes que viajam, através desta aldeia remota, pela história de um Portugal quase esquecido. A disposição das casas numa encosta abrigada é típica de um povoamento medieval de montanha, que certamente cresceu à medida que a população ia aumentando. Actualmente, a povoação consiste num amontoado de casas de xisto semelhantes entre si (parecem ter sido todas construídas de uma só vez), que se espraia pelo morro em forma de altar ou anfiteatro, com todas as suas ruelas empedradas em xisto ou talhadas na rocha. Pelo meio passa uma levada, onde a água corre por força da gravidade. A exploração deste lugar é nada mais nada menos que uma aula sobre os modos de vida de outros tempos, já que a maioria das casas guarda a estrutura de antigamente. São compostas por dois pisos, sendo o térreo destinado à arrecadação das alfaias agrícolas, arcas dos cereais e salgadeiras, onde se guardava e conservava a carne de porco. No primeiro piso encontramos a habitação propriamente dita . As janelas azuis cobertas por lindas cortinas de renda trabalhada à mão , não permitem ver o interior que se diz sóbrio e de pouca opulência. A homogeneidade da cor com que as portas e os frisos das janelas foram pintadas, azul magrebino, é mais uma consequência do isolamento a que o Piódão esteve sujeito . A razão segundo consta, é que na altura a única lata de tinta que tinha chegado á mercearia da aldeia tinha esta cor. Por cima de muitas das portas existem ainda pequenas cruzes que, acredita-se, afastam as trovoadas. No Domingo de Ramos os fiéis levam um ramo de oliveira para benzer e, nas noites de tempestade, fazem com ele uma cruz que colocam em cima das brasas da lareira ou da entrada de casa, invocando, deste modo, a protecção de Santa Bárbara. Esta a ser feito um grande trabalho de recuperação nas casa da aldeia , mas deveriam dar mais atenção a pequenos pormenores tais como as antenas de televisão ou os cabos de energia que tiram em muitos casos a beleza natural desta vila. O maior monumento de Piódão é a aldeia no seu todo, mas a Igreja Matriz (século XVII), dedicada a N. Sr.ª da Conceição, é um edifício interessantíssimo que testemunha a religiosidade dos habitantes. Pensa--se que, no local onde está actualmente edificada, teria existido uma pequena capela, da qual resta uma imagem calcária de N. Sr.ª da Conceição, colocada no exterior da actual igreja. Esta última sofreu várias obras de beneficiação, uma vez que os retábulos interiores datam do século XVIII e as obras de talha são da transição do século XIX para o XX, altura em que foi ampliada e remodelada e a sua frontaria construída e planeada pelo Cónego Nogueira. Ameaçava ruir e o restauro foi feito ao sabor do neo-barroco, ecléctico e romântico, muito comum na época. Poucas são as aldeias históricas em Portugal que não tenham uma lenda popular . O Piodão não foge à regra e porque a achei simpática e cativante gostaria também de a partilhar com todos vós. Lenda da Aldeia Histórica de Piódão Dois Reis enganados por um mendigo Esta é uma história baseada em factos reais. Os três nobres que assassinaram D. Inês de Castro refugiaram-se em Castela, após os fatídicos acontecimentos. O Rei de Castela considerou que o crime cometido em Portugal não lhe dizia respeito e acolheu-os com honras de grandes senhores e garantiu-lhes protecção. Com a morte de seu pai, D. Pedro subiu ao trono e jurou vingar a morte da sua amada Inês. Propôs então ao Rei de Castela um pacto: trocariam entre si criminosos fugidos à justiça. O Rei aceitou o pacto a mandou prender e entregar a D. Pedro os homens a quem tinha garantido protecção. No entanto um deles, Diogo Lopes Pacheco, logrou escapar de tal sorte. Ajudado por um pobre mendigo, de seu nome Garcia, a quem tinha em tempos ajudado e dado protecção, que o avisou da combinação entre Castela e Portugal, conseguiu enganar os guardas que em vão o procuraram. Assim que soube que o Rei de Castela procurava o seu amigo, Garcia partiu ao seu encontro. E assim que o avistou, depois de lhe contar o que se passava, contou-lhe do seu plano para que pudesse escapar. Por conselho do pobre Garcia, o nobre trocou as suas faustosas roupas de caça por velhos farrapos, aos quais sobrepôs um hábito de frade. Com o capuz pela cabeça, seria impossível reconhece-lo. E devia partir, na companhia de almocreves, fingindo pedir esmola. O nobre achou o plano brilhante, notável, de tão simples. Antes de partir, porem, depositou nas mãos de Garcia, um punhado de moedas de ouro, dizendo-lhe que ele seria, por certo, o único amigo verdadeiro que tinha nesta vida. E partiu. Partiu rumo a uma encosta inacessível de um vale isolado, onde só de longe em longe apareciam pastores ou fora-da-lei. Diz a lenda que é nesse lugar que se ergue a aldeia de Piódão e que quem lá vai mesmo que não conheça estas histórias antigas sente mesmo assim, o envolvimento numa atmosfera cheia de segredos. Cada um de nós que visite o Piodão tire as suas conclusões. Eu tenho a minha !!!!! Não era tarde quando nos despedimos do Piodão. Afinal ainda tínhamos bastante mais para ver e muitos quilómetros em estrada de serra a fazer , mas , ficou em mim aquela sensação estranha de imaginar o que seria fotografar o Piodão numa escura noite de Inverno. Ficará para uma outra oportunidade pois tenho a certeza de que quem visitar o Piodão voltará sempre. E para terminar gostava de vos dizer que o fascínio e a beleza não estão unicamente na fantástica aldeia que é o PIODÃO , mas está também em muitos dos seus habitantes. Um deles é este simpático e imaculado " GATO BRANCO " que de cabeça pendurada na sua varanda observa atentamente cada um dos visitantes que por ali passa.... bonito não é ? Espero que tenham gostado tanto quanto nós. Abraço a todos J.Paulo
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