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Suzana VAAEJV

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  1. Oi edtrindade! Os mochileiros que sabem apreciar essas aventuras são os mais felizes. Abraço.
  2. Oi mizoio! Vai adorar conhecer esses países. Que bom que pode tirar proveito do relato. Boa viagem!
  3. Oi Ligia! Sim, sempre faço uma planilha para saber quanto vou gastar. No meu blog tem dicas de planejamento de viagem e também um modelo de planilha de gastos. Se quiseres dar uma olhada ou fazer download para adaptar fique a vontade. Os preços atualizados dos itens tu podes pesquisar nos relatos mais recentes ou entrando em contato com os lugares. http://vouatealiejavolto.blogspot.com.br/2015/01/planejando-viagem.html
  4. Oi Gleydson! Que bom que gostaste do relato. Já faz mais de um ano que fui para a Bolívia e não posso ajudá-lo com as dúvidas referentes a horários de barcos e de ônibus, pois é possível que já tenha havido mudanças. Busque informações com quem esteve lá recentemente. O que posso te dizer é que na época em que fui muitas pessoas conseguiam sair da Isla del Sol, ir a Puno, fazer o passeio por Uros e seguir para Cuzco no mesmo dia. Acredito que se fores somente para Uros dá tempo de fazer tudo isso, porque esses passeios saem a todo instante e o passeio não é tão demorado. Boa viagem!
  5. Oi Chryca! Eu é que agradeço por prestigiar meu relato. Andei visitando o teu blog e gostei muito, principalmente da parte do intercâmbio. Parabéns! Te desejo uma ótima viagem para a AC e México, com certeza será uma aventura e tanto. Abração.
  6. Olá Helderzito! Fico feliz em saber que o meu relato está ajudando. De fato, as informações que hoje encontramos na internet fazem muita diferença na hora de planejar uma viagem e as fotos nos ajudam a escolher os lugares que tem mais a ver com a gente. Por outro lado, elas acabam com o efeito surpresa. Por isso, de vez em quando, é bom fugir dos roteiros "manjados" e descobrir algum lugar que poucos visitaram ou que ninguém fotografou. Qualquer dúvida estou a disposição.
  7. 27/09/2014 Acordei lá pelas 10:30 e fui caminhar pela cidade. O mercado municipal fica bem em frente ao hostal, foi só atravessar a rua e entrar nesse espaço que ocupa um quarteirão inteiro com uma miscelânea de coisas. Sucre é a capital constitucional da Bolívia e foi declarada patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO. Muito limpa e tranquila, nem parece uma capital. Não tem a agitação e o trânsito desordenado de La Paz. Em uma curta caminhada é possível ver várias igrejas e prédios históricos, quase todos brancos. Tem um centro de informações turísticas perto da Plaza 25 de Mayo na Calle Audiência, lá peguei algumas dicas de passeios. Quase ao lado tem uma associação de artesãos, a Inca Pallay, que reúne diversos trabalhos de tecelões dos grupos étnicos Jalq’a e Yampara. No pequeno espaço é possível aprender um pouco sobre a forma rudimentar, e ao mesmo tempo rica em imaginação, como são realizados esses trabalhos. A associação visa conservar a identidade cultural e ajudar os povos indígenas que vivem nas áreas rurais em situação de pobreza. Depois do almoço peguei um ônibus(linha 4) ao lado do mercado para ir até o Castillo de La Glorieta, que fica a 5Km do centro de Sucre. O castelo foi construído por Dom Francisco de Argandoña e sua esposa Clotilde Urioste, representantes da aristocracia de Sucre. O casal não podia ter filhos e adotaram muitas crianças órfãs. Por esse trabalho filantrópico e pelo grande poder econômico, eles receberam do Papa Leão XIII, o título de príncipes de La Glorieta. Atualmente o castelo não tem mais o glamour do passado. Os diversos cômodos estão vazios, não há móveis e os objetos de valor há muito tempo foram saqueados. O enorme jardim está abandonado e com algumas partes queimadas. Apesar da cobrança de Bs 20, o lugar está mal conservado. Talvez por isso seja mal-assombrado, certamente os Argandoña ficariam tristes ao ver sua casa tão decadente. 28/09/2014 Hoje resolvi ir a Tarabuco, um vilarejo próximo a Sucre que aos domingos atrai muitos visitantes por causa da feira de artesanato, especialmente produtos têxteis. Peguei um táxi em até o local de onde saem as vans para Tarabuco (Bs 10). Não é um terminal de ônibus é uma rua em um bairro afastado do centro, na esquina da Av. Manco Capac e Av. Benito Maria de Moxos. As vans(Bs 10) saem a todo momento e levam 1 hora e meia para chegar. Também há uma opção mais cômoda para ir até Tarabuco: ônibus que saem da Plaza 25 de Mayo, mas tem que reservar com antecedência e custam um pouquinho mais caro. Como o movimento de vans é grande, eles te deixam em ruas próximas a praça principal e tem que caminhar um pouco até chegar na feira. Para voltar a Sucre é melhor perguntar na hora de onde partem as vans. A feira é muito legal, além das peças belíssimas que encontramos a venda, também é interessante observar as pessoas que circulam por ali. Em sua maioria são pessoas muito pobres, mas que mantém a tradição nas vestes, ainda que muito gastas e empoeiradas. Visitei o mercado público que fica nas proximidades e almocei um frango frito com batatas na companhia de alguns moradores da região. Na volta para o centro de Sucre tive uma certa dificuldade para conseguir transporte. Nenhum dos táxis ia para o centro e não havia muitos ônibus circulando. Depois de muito tempo consegui pegar uma van. 29/09/2014 Dia do aniversário de Sucre, 476 anos. A cidade parou para prestar as homenagens. A praça principal estava lotada para assistir o desfile militar, com direito a banda e autoridades. Eu passei para dar olhadinha e logo segui para La Recoleta. Um passeio digno dessa data, afinal esse foi o local da fundação de Sucre. Para chegar lá é preciso encarar uma subidinha, nada muito exaustivo. No alto há um grande pátio, uma igreja antiga, um mosteiro franciscano e o mirante que oferece uma bela vista da cidade. Almocei em um restaurante no centro e em seguida peguei a linha “A” ao lado do mercado até o terminal de ônibus para comprar a passagem para Aiquile (Bs 50). Eu esperava sair de Sucre no dia seguinte pela manhã e chegar em Aiquile ainda de dia, para poder conhecer um pouco da cidade. Mas o primeiro horário seria somente às 16:30 chegando lá às 20:30. 30/09/2014 Como eu teria bastante tempo livre até a hora de pegar o ônibus, fui visitar a Casa de La Liberdad. A edificação com mais de 300 anos já foi palco de grandes eventos acadêmicos e importantes assembléias que culminaram na libertação do país. Hoje abriga um acervo de objetos, documentos e retratos de personagens que marcaram a história da Bolívia. Vale a pena fazer uma visita guiada. Fui almoçar no restaurante Los Balcones em frente a Plaza 25 de Mayo. O ambiente é bem agradável e o ideal é sentar-se na varanda com vista para a praça. O menu do dia era sopa de mani(amendoim), saladas, Ckoko de Pollo e pudim de sobremesa(Bs 60). O Ckoko de Pollo é um prato típico da região feito com frango cozido na chicha(aguardente de milho), Procurei por esse prato em vários restaurantes, mas em todos eles o frango é cozido no vinho e não na chicha. Não encontrei explicação para isso, já que a chicha é uma bebida facilmente encontrada na Bolívia. A viagem para Aiquile transcorreu normalmente. Chegando lá, desembarquei em uma avenida bastante movimentada e sai em busca de uma hospedagem. Não me preocupei em escolher muito, porque já era tarde e seria só para passar a noite, pois na manhã seguinte eu partiria para Cochabamba. Fiquei no Hostel Rosita e acabei me arrependendo de não ter procurado algo melhor. O quarto em que fiquei era minúsculo, apenas uma cama de solteiro e uma mesinha, tudo caindo aos pedaços. O quarto ficava muito perto da entrada do hostel e a campainha tocou várias vezes durante a noite. 01/10/2014 Apesar de não ter dormido bem, acordei animada e ansiosa para iniciar a viagem de buscarril. Perguntei a várias pessoas sobre o buscarril e ninguém sabia da existência dele. No centro de informações turísticas de Sucre, eu já havia perguntado sobre o buscarril de Aiquile e os atendentes só sabiam da linha entre Sucre e Potosi. Ficaram surpresos com a informação de que havia uma linha entre Aiquile e Cochabamba e, mais surpresos ainda, com o meu interesse. O recepcionista do Hostel Rosita também desconhecia e apenas me indicou a direção da estação de trem. Tive receio que o serviço já estivesse desativado ou que as informações da internet estivessem equivocadas. Cheguei na estação antes das 7:00 e para meu alívio lá estava o buscarril, estacionado ao lado da plataforma. Na parede da estação uma placa com os horários e pontos de parada. A viagem a partir de Aiquile só acontece às quartas, sextas e domingos, saindo às 8:00. Como ainda era cedo fui procurar um lugar para tomar café e entrei no mercado municipal. No andar de cima havia muita gente sentada em volta de grandes mesas. Pedi um café puro, uma empanada e um pãozinho, este último para levar na viagem. Lamentei não ter tempo para conhecer melhor Aiquile, a capital do charango. O charango é um pequeno instrumento de cordas, originalmente feito da carapaça do tatu (que dó...) e que atualmente é feito com madeira. No mês de novembro acontece um festival que reúne charanguistas famosos e muita gente que aprecia esse instrumento . Na cidade há o Museu do Charango que eu gostaria de ter visitado. Quando retornei a estação já havia algumas pessoas aguardando o embarque. Esse transporte ainda é utilizado pela população mais pobre, que tem uma opção bem mais barata que o ônibus (Bs 20 até Cochabamba). O motorista, que também atua como mecânico, estava fazendo alguns ajustes na parte de baixo do veículo, enquanto o cobrador ficava no bagageiro subindo as sacolas dos passageiros. Por dentro o buscarril é igual a um micro ônibus. Me sentei no primeiro banco e me senti como uma criança que ia andar pela primeira vez na montanha russa. E a sensação é bem parecida, a gente sente a trepidação sobre os trilhos e aquele barulhinho de trem velho. Ao longo da ferrovia o veículo vai parando para as pessoas subirem ou descerem. É difícil embarcar fora das plataformas, porque o veículo é bem alto e eu vi muitas pessoas idosas encarando esse desafio. A parte inicial da viagem não tem paisagens muito empolgantes, mas não chega a ser monótona. O cenário é muito árido, ainda mais nessa época, final da estação seca. Passamos por muitos paredões rochosos e alguns túneis. Depois de duas horas e meia de viagem é que a paisagem começa a mudar. A ferrovia contorna montanhas e vales, revela cascatas e riachos. Fiquei imaginando com seria linda essa viagem em época chuvosa, com um volume maior de águas nas cascatas, a vegetação mais verde e mais flores pelo caminho. Passada a região de montanhas, a poucos metros da estação de Sacabamba, o buscarril saiu dos trilhos. A traseira deslizou para o lado, sacudiu e por pouco o veículo não tombou. Muita gritaria, um grande susto, mas estávamos todos bem. Descemos com a dúvida se seria possível prosseguir, faltando 80 km para chegar a Cochabamba. Muitos curiosos vieram ver o que estava acontecendo. Entre eles o Juan, um funcionário do setor de saúde de Cochabamba que estava participando de um treinamento no hospital do vilarejo. Muito simpático, ficou de papo comigo enquanto o pessoal tentava recolocar o buscarril sobre os trilhos. As rodas dianteiras estavam sobre os trilhos, mas as rodas traseiras não. Arrasta daqui, empurra dali, coloca pedras e, uma hora depois, conseguiram. Comemoração precipitada, pois o eixo estava danificado e havia um risco muito grande de descarrilar novamente. Não restou outra alternativa ao condutor, a não ser dizer aos passageiros que buscassem outra forma de chegar ao seu destino. No local não havia ônibus, nem táxi, mas a sorte estava ao meu lado: o Juan me ofereceu uma carona até Cochabamba, só teria que esperar uns 15 minutos, até o pessoal que estava com ele concluir o treinamento. Peguei a minha mochila e fui com Juan até o hospital. Sentei em um banco no pátio e fiquei aguardando. O hospital era muito limpo, com ambulância na porta e, enquanto eu esperava, chegou um homem com o pé machucado sendo carregado por dois rapazes. Nem precisou esperar, foi prontamente atendido. Que bom se fosse assim no Brasil... Não demorou muito e Juan apareceu com mais dois rapazes e uma moça. Embarcamos em um jipe e fomos pra Cocha. Chegando lá, eles me deixaram em uma avenida próxima ao centro e Juan me orientou a pegar um táxi identificado com uma letra(que agora não me lembro qual era). A maioria dos táxis são compartilhados e uma letra no parabrisa indica o trajeto. Paguei Bs2 no táxi e desci muito perto do Hostal Central onde eu tinha uma reserva. O dormitório com banheiro privativo era limpo e confortável (Bs 90). À noite, enquanto eu bebia uma cerveja Taquiña, fiquei pensando por quanto tempo ainda o buscarril irá resistir. Será que dará lugar a um novo sistema de trens, ou o serviço será completamente extinto? Se a linha fosse modernizada, talvez atraisse mais turistas, porém deixaria de ser uma opção para as populações mais pobres. Por outro lado seria um desperdício paisagens tão lindas se tornarem inacessíveis. Me senti privilegiada por ter desfrutado dessa viagem (ainda que incompleta), mas triste por saber que em pouco tempo o valente buscarril deixará de circular. 02/10/2014 Acordei cedo e fui para o terminal de ônibus a fim de seguir para meu último destino antes de retornar ao Brasil: Santa Cruz de La Sierra. Quando eu cheguei ao balcão me disseram que a estrada estava bloqueada sem previsão de liberação. Não acreditei. De novo! Procurei outra empresa para tentar uma passagem pela estrada velha. Mesmo com um dia de antecedência, eu fiquei com receio de não conseguir embarcar para o Brasil. Comprei uma passagem para o primeiro horário que eu consegui (Bs 66) e logo estava na estrada. Acredito que o valor que eu paguei pela passagem estava bem acima do normal, mas fazer o quê? Lei da oferta e da procura, na hora do sufoco tem que encarar. O ônibus era velho e os bancos mal reclinavam. Não havia mais assentos disponíveis, mas mesmo assim algumas pessoas embarcaram no meio da viagem, inclusive uma senhora muita doente acompanhada de duas filhas. O corredor ficou lotado de pessoas em pé e trouxas enormes. A idosa viajou deitada no corredor. Com muita dor ela não podia ficar sentada, então não adiantava ceder o lugar, ainda mais naqueles bancos que não inclinavam. Foi muito estranho ver aquela pessoa deitada no chão, coberta com um lençol branco da cabeça aos pés. Ela não se movia nem emitia qualquer som, cheguei a pensar que tivesse morrido ali. O chato era durante as paradas para fazer lanche /ir ao banheiro ou quando tinha revista anti narcóticos. O povo não tem paciência para esperar e muita gente passou por cima da mulher. Em um determinado momento, o ônibus parou na estrada. Olhei para o lado e vi uma cachoeira muito familiar. Reconheci o lugar no acostamento onde o pessoal assou os peixes. Não é possível! Paramos exatamente no mesmo lugar onde, no início da viagem pela Bolívia, fiquei plantada durante 18 horas. Ai bateu o desespero... ãã2::'> Se tivesse que esperar tanto tempo, iria perder o voo e a mulher doente, com certeza, morreria. Felizmente após 40 minutos pudemos seguir. Dessa vez foi uma manutenção na estrada que impediu o tráfego. Chegamos a Santa Cruz de La Sierra depois das 21:00. Eu resolvi me hospedar perto do centro para poder dar uma passeadinha rápida no dia seguinte antes de ir para o aeroporto. Peguei um táxi até o Hostel Âmbar onde eu tinha uma reserva. Li muitos relatos contando dos assaltos e da violência praticados por taxistas, mas nessa viagem eu tive muita sorte. Não só não aconteceu nada, como eles foram muito zelosos comigo. Por diversas vezes tive que pegar táxi à noite e, em todas as vezes, o motorista ficava esperando alguém vir me atender para depois ligar o carro e ir embora. O hostel não era lá essas coisas, tudo velho, quarto sufocante. Ainda bem que seria só por uma noite. Apesar de ser barato para os padrões de SCLS, quarto com banheiro compartilhado (Bs 60), não recomendo. No entorno há só pollo com papas para se comer. A única vantagem é que fica a 3 quadras do ponto de onde saem as vans para o aeroporto(esquina da Av. Cañoto com La Riva), bem mais barato que pagar táxi(Bs 6). 03/10/2014 Últimas horas na Bolívia. O meu voo rumo a São Paulo partiria às 13:50. Antes disso um café da manhã e uma voltinha no centro da cidade. Fui caminhando até a Plaza 24 de Septiembre e entrei em uma lanchonete bem pequena, mas que tinha várias opções de salgados, tortas e sanduíches. Pedi uma empanada e um mocochinchi (um refresco feito com pêssego seco e canela). A bebida gelada caiu muito bem, pois o calor estava demais. Depois andei um pouco pela praça e pelas ruas do centro e logo voltei para o hostel. Peguei minha mochila e caminhei até o local de onde saem as vans para o aeroporto. A van demorou para sair e o trajeto levou mais ou menos meia hora para ser percorrido. É bom chegar com bastante antecedência ao aeroporto, porque o andamento da fila de imigração é bastante lento, devido a revista de pessoas e bagagens de mão. Alguns passageiros precisam passar por uma máquina de raio x. Quando foi a minha vez não foi necessário passar no raio x, mas não escapei de abrir a mochila e tirar tudo de dentro. As coisas estavam bem arrumadas e compactas na mochila e eu passei o maior sufoco para colocar tudo de volta. O zíper não fechava de jeito nenhum. O policial fez uma cara feia e eu já esperava levar um xingão, mas ele acabou me ajudando. Acomodada no avião, aguardando a decolagem, eu agradeci aos deuses pela proteção e pela oportunidade de conhecer paisagens e pessoas tão lindas durante essa viagem pela Bolívia. Para quem ainda não conhece a Bolívia, eu deixo um recado: Vá. E vá sem medo, basta ir com o coração e mente abertos, com respeito. Isso faz toda a diferença, na Bolívia e em qualquer lugar. Até a próxima.
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