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morganriva

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Sobre morganriva

  • Data de Nascimento 15-02-1991

Outras informações

  • Lugares que já visitei
    Itália (Roma/Firenze)
    Espanha (Barcelona/Sevilla/Málaga/Madrid)
    Peru (Lima/Cusco/MachuPicchu/Puno/Islas Amantaní-Taquile/Arequipa/Canion del Colca/Paracas/Huacachina)
    Foz do Iguaçu(BRA)/Iguazú(ARG)
    Bolívia (Santa Cruz/Sucre/Uyuni/La Paz/Copacabana/Isla del Sol/Cochabamba)
  • Próximo Destino
    Cuba
  1. Infelizmente não posso nessas datas, mas estou com passagem comprada para 05 de novembro (até 26 de novembro). Ainda não fiz nenhum roteiro e a princípio vou sozinho. Se alguém estiver por lá nessa época, grita aí!
  2. DIA 9 - COPACABANA/ISLA DEL SOL | Na Ilha do Sol, quem ganhou foi a Lua Às 6h meu relógio despertou. Incrivelmente eu estava me sentindo muito bem, nada parecido com a noite anterior! Levantei e fui arrumar minhas mochilas. Porque estava passando mal na noite anterior e com a perspectiva de nem viajar de manhã, tinha deixado tudo desarrumado. Arrastei todas as bugigangas e as mochilas pro corredor do hostel, já que todos no quarto estavam dormindo e eu não queria acordar ninguém com a arrumação (aliás, acho esse um importante hábito de etiqueta em hostels). Como a ideia era passar um noite na Isla del Sol e atravessá-la caminhando no dia seguinte, arrumei a mochila pequena com o básico pra dois dias e amontoei o resto no mochilão, pra deixar no storage do Loki. Desci, fiz check-out, deixei a mochila no storage e já fiz uma reserva pra noite seguinte, dessa vez em um quarto de 4 pessoas, que provavelmente seria mais organizado. Basicamente o que eu levei na mochila: - toalha de banho; - roupas de baixo; - duas bermudas; - duas camisetas; - um fleece; - câmeras e carregadores; - protetor solar; - chocolates e água. Saí do Loki e fui caminhando para o Terminal. Cheguei bem antes das 8h, então troquei o voucher do dia anterior pela passagem de fato e fui ao banheiro. Depois fiquei esperando onde o ônibus deveria sair. Aos poucos, mais pessoas foram se aglomerando no lugar, mas nada que lotasse um ônibus. Uma menina veio falar comigo. Ele me reconheceu do ônibus da Todo Turismo. Era a menina que estava sentada do meu lado e depois trocou de lugar pra sentar com uma amiga. Ela era do Canadá e estava morando em Arequipa, fazendo um curso de produção de chocolates (?!). Tirou uma semana de férias pra conhecer o Salar e agora estava a caminho de Arequipa, antes passando por Copa. Não sabia que as pessoas iam pra Arequipa pra aprender a fazer chocolate. Aparentemente a cidade é um polo dos doces no Peru. Se eu soubesse disso quando estive no Peru em 2013, teria aproveitado melhor a cidade... O ônibus partiu atrasado, por volta das 8h15 (sem surpresas). Meu assento ficava bem na frente e eu tinha bastante espaço pra esticar as pernas. O ônibus segue por El Alto até sair da área urbana de La Paz e percorre uma estrada asfaltada e bem conservada por cerca de 3h, até chegar ao Lago Titicaca. Desse ponto, todos devem descer do ônibus e pegar uma balsa pra atravessar o Lago. Para a balsa é necessário comprar um bilhete de 2Bs. As pessoas atravessam em uma balsa e os ônibus em outra. São vários ônibus ao mesmo tempo, e as balsas que carregam as pessoas chegam bem mais rápido que as dos ônibus, de modo que tivemos que esperar uns 15 minutos do outro lado. Nesse tempo eu procurei ficar de olho no nosso ônibus e nas pessoas que estavam nele, pra não correr o risco de ser abandonado ali. O único controle que os motoristas têm é a contagem das pessoas na saída e na entrada do ônibus. Nesse ponto, dos dois lados do lago, há várias vendinhas e tendas pra comprar comida e água. Embarcamos novamente, sem sobressaltos, e partimos para Copa. Em cerca de 1h chegamos na cidadezinha, que estava toda enfeitada, pois era 03 de Maio, dia da famosa Festa da Cruz em Copacabana. Eu pretendia ver alguma coisa da festa, que é um dos feriados religiosos mais comemorados na Bolívia, mas aparentemente já tinha acabado tudo, ou estava em “pausa” para almoço. Desci do ônibus, que para em uma rua qualquer, e segui em direção às embarcações para comprar um bilhete para a Isla del Sol para as 13h30. São várias opções de barcos e os turistas são incansavelmente abordados, mas aparentemente todos cobram 20Bs pela viagem. Comprei o bilhete com um senhorzinho que apontou para o fundo do píer, onde estava o barco que deveria me levar. Eram uns 20 barcos enfileirados. Eu fingi que entendi qual era o meu e fui almoçar. Subi por uma ladeira cheia de restaurantes, bares e pousadas dos dois lados. Entrei em um restaurante que parecia bem arrumadinho e estava cheio de turistas e pedi o prato que parecia mais confiável do menu, um frango à milanesa e uma Coca-Cola. Como já tinha ouvido falar, os preços dos restaurantes em Copacabana são bem salgados se comparados ao resto da Bolívia. Esse prato custava 50Bs. E pensei que tivesse bastante tempo ainda, não eram nem 12h30, mas o prato demorou um pouco pra chegar e tive que comer bem rápido. Saí do restaurante e percebi que meu intestino não estava bem novamente, então entrei em uma farmácia pra ver se encontrava o remédio que o Newton tinha me indicado. Encontrei mas era caríssimo, 12Bs. por comprimido. Comprei só 4, porque se comprasse mais arriscaria ficar sem bolivianos. Por isso recomendo: LEVEM REMÉDIOS PARA A FLORA INTESTINAL DO BRASIL! http://www.floratil.com.br/produto/ Fui para a margem do lago e encontrei o senhorzinho que me vendeu a passagem. Ele me explicou qual era o barco novamente e eu fui até ele. Embarquei com um casal de franceses e dois alemães. O barco saiu quase no horário combinado, e todos subimos para o teto para ter uma vista melhor. A Isla del Sol não fica muito distante de Copacabana, olhando pro horizonte ela parece bem próxima. Mas as embarcações são MUITO LENTAS. Tipo, IM-PRES-SIO-NAN-TE-MEN-TE lentas. Eu já tinha considerado lentos os barcos no lado peruano que levam até as Ilhas Amantaní e Taquile, mas esses definitivamente superavam na lentidão. Era um barco para 30 pessoas com dois motores que barquinho de pesca. Fui as quase 2h de viagem na parte de cima do barco e, iludido pelo friozinho que estava fazendo, passei protetor solar só no rosto. Resultado: fiquei com as pernas (estava de bermuda) e as mãos torradas. O barco para no lado sul da ilha onde descemos. Eram já 15h passadas, e o Sol já estava escondido do outro lado da ilha. O sul é o lado mais povoado da ilha e tem muitas opções visíveis de hostels, pousadas e pequenos restaurantes. Andei um pouco pela margem e decidi começar a subida pela ilha em busca de um lugar para passar a noite. A subida pode ser feita por uma escadaria de pedra bem íngreme, que é ladeada por um pequeno canal de água corrente e vários tipos de flores, tudo muito bem conservado. A subida é um pouco difícil, especialmente por se estar a mais de 3.500m de altitude. Quanto mais alto se sobe, mais bonita é a vista do Titicaca e da cordilheira ao fundo. Depois de subir por uns quinze minutos, tendo cruzado já com umas dez crianças carregando suas lhamas (pra tirar fotos, mediante gorjeta), cheguei até algumas casas com placas de “Pousada”. Entrei em uma delas e perguntei o preço. Eram 40Bs. por um quarto individual, com banho quente. A pousada era uma construção bem simples e aparentemente nova, sem pintura e com reboco à vista, tinha dois pisos com cerca de 10 quartos, todos de frente para o lago. Na frente dos quartos havia um terraço (ou laje, para brasileiros) com algumas mesas, onde se tinha uma vista ótima do lago. Decidi ficar ali mesmo e já paguei para o dono. Deixei minha mochila no quarto e os eletrônicos carregando (sim, tem energia elétrica!) e saí para uma caminhada. A pousada em que eu fiquei ainda não estava no topo da ilha, e tive que subir bastante pela trilha. Dos dois lados da trilha eu ia passando por vários restaurantes e pizzarias e afins, o que foi me dando água na boca. Caminhei devagar por uma meia hora até um ponto em que cheguei à conclusão que já era a trilha para o lado norte da Isla. Sentei um pouco pra contemplar o outro lado do lago e depois voltei pelo mesmo caminho. Arrumei minhas coisas e fui tomar um banho, quente, conforme prometido. Quando escureceu, saí novamente pela trilha em busca de um restaurante. Todos aqueles que pareciam muito promissores já não pareciam mais, porque estavam todos completamente vazios. O único que tinha gente dentro parecia estar lotado por um grupo de pessoas que estavam viajando juntas, então não quis entrar. Chateado com perspectiva de ter que jantar Pringles com Twix de sobremesa, voltei para a pousada. PORÉM, logo que eu cheguei na pousada, minha tristeza foi rapidamente substituída por encantamento. Era noite de Lua cheia, e naquela hora ela estava emergindo do Titicaca bem na frente do meu quarto. Esse foi um dos momentos mais mágicos da viagem, sem dúvidas! Nunca me considerei um hippie ou um bicho grilo, do tipo que aplaude pôr do sol, abraça árvore e coisa e tal, mas a Lua daquela noite foi um dos maiores espetáculos que eu vi na minha vida! Eu estava na Ilha do Sol, mas uma vez por mês a protagonista é a Lua. Arrastei uma cadeira e fiquei ali sentado no terraço por mais de uma hora, sozinho e pensando na vida, sem me importar muito com o frio que estava fazendo. Não sou um exímio fotógrafo, e tirar foto da Lua exige alguma habilidade, mas eis uma foto que eu curti muito: : Quando a Lua já estava bem no alto, voltei para o meu quarto para dormir. Não lembro que horas eram, mas ainda era cedo. No dia seguinte pretendia acordar cedo para ver o Sol nascer e começar logo a trilha, então coloquei meu relógio para despertar às 6h30. Com toda a atenção que eu dei para a Lua, acabei indo dormir sem comer nada. Mais fotos:
  3. Carnaval 2016!!

    Estou indo pra Alter do Chão! Alguém vai pra lá?
  4. Oi, Elaine! Particularmente eu iria pra Copacabana, gostei mais! Especialmente se for pra passar uma noite na Isla del Sol... Boa viagem! Já já continuo, o próximo dia já está escrito!
  5. DIA 8 - LA PAZ | Explorando a cidade O ônibus chegou em La Paz por volta das 6h30, quando ainda estava amanhecendo. Os ônibus da Todo Turismo param no Terminal de Ônibus de La Paz, mas do lado de fora, na rua mesmo. Enquanto esperávamos para pegar a bagagem, uma horda de taxistas se juntou ao nosso redor. Combinei com um deles para me levar até o Loki por 15Bs. Falei com o Martin pra dividirmos, mas o bicho tava morrendo de medo de ir com aquele taxista porque não sabia se ele era “oficial”. Eu tentei argumentar que era perto e que não tinha problema nenhum, mas ele ficou com medo MESMO e decidiu procurar outro taxista (não sei onde). Não posso condenar o Martin, porque na verdade o medo dele é compreensível. Já ouvi várias histórias de pessoas que entraram em um táxi qualquer na Bolívia e acabaram sendo assaltadas e largadas em alguma ruela sinistra de El Alto. Aqui no Mochileiros inclusive tem um relato sobre isso. Então cuidado! Eu fiquei tranquilo porque estava em lugar movimentado bem ao lado do Terminal, mas de repente eu estava tranquilo demais. No fim das contas o meu taxista não era nenhum assassino estuprador e me deixou direitinho no Loki. O único problema é que ele cobrou 15Bs. e o hostel fica a 500m do Terminal... se eu soubesse teria ido a pé (depois vi que é tranquilo) ou negociado um valor menor. Entrei no Loki e já tive uma boa impressão. O hostel fica em um prédio bem grande, de 7 andares e é bem ajeitadinho. Tem um funcionário controlando a entrada pra que só entrem hóspedes ou pessoas que vão fazer check-in. ENTÃO. Na curtíssima distância entre a porta e a recepção, no máximo 10 passos, tive uma epifania daquelas BEM deprimentes. Tinha feito minha reserva para duas noites pelo Hostelworld e me dei conta que havia reservado como primeira noite a noite ANTERIOR, que passei no ônibus, por engano. De verdade, só percebi naquela hora, segundos antes de chegar na recepção. O rapaz que me atendeu disse que como eu não tinha chegado no dia anterior a minha reserva foi cancelada, e que eu teria que esperar até as 14h pra VER SE TINHA VAGA e aí fazer check-in. Não eram nem 7h. Na verdade eu deveria ter reservado só uma noite, a partir daquele dia (no dia seguinte já estava planejando ir para Copacabana). Deixei meu nome na recepção para ter preferência e deixei meu mochilão no storage deles. O hostel tem uma área comum com vários sofás e eu fiquei lá sentado pensando no que ia fazer. Pensei em sair andando pela cidade a procura de outros hostels, mas imaginei que pelo horário a maioria ainda pudesse estar sem check-in aberto. Decidi esperar ali mesmo, tomando um chazinho, carregando os eletrônicos e organizando minhas fotos. Depois de 1h de profundo tédio, adivinha quem chega no hostel? A Beatriz! O ônibus dela levou 1h a mais pra chegar em La Paz, mas ela disse que a viagem foi confortável. Não sei qual o parâmetro de “confortável” dela, mas acho que isso quer dizer que é possível ir de Uyuni a La Paz pagando menos e sem passar por muito perrengue, pelo menos. Como ela também não tinha reserva, deixou o nome na recepção e mochila no storage. Ela me disse que quando chegava em uma cidade nova gostava de sair andando a esmo pelas ruas, pra reconhecer o ambiente. Pedimos umas informações na recepção e saímos para a rua. Eram cerca de 8h30, o dia estava bem ensolarado e agradável, acho que por volta de uns 15°C. Apesar de ser sábado as ruas já estavam bem movimentadas, cheias de tendas, ambulantes, trabalhadores... A primeira impressão ao caminhar por La Paz é que o tempo parou por lá. Eu não vivi no Brasil dos anos 70, mas tenho impressão que as ruas eram bem parecidas com as de La Paz atualmente. Os prédios históricos, os ambulantes vendendo refrescos, o povo humilde na rua ine do trabalhar, tudo dá à cidade um grande ar de melancolia. Andamos pela Calle Mercado, que é um calçadão comercial repleto de lojas e restaurantes, a procura da Calle Jaen, que o rapaz da recepção disse que era uma rua muito bonita. Estávamos com um mapa, mas mesmo assim tivemos dificuldade pra encontrar a rua. Antes nos deparamos com a famosa Plaza Murillo, que fica em frente ao Palacio del Gobierno da Bolívia e da Catedral. Entramos rapidinho na catedral e depois tiramos umas fotos na praça. Seguimos em busca da Calle Jaen, até finalmente encontrarmos. De fato é uma rua muito bonita. É bem estreita e não passam carros. É cercada por prédios antigos, pintados em cores vibrantes, onde funcionam várias oficinas de artesanato e pequenos museus. Vale a pena dar uma passada. Como era ainda muito cedo, todas as lojas estavam fechadas. Descendo a Calle Jaen passamos por um museu (não lembro o nome), onde estava rolando uma exposição do pintor boliviano (não lembro o nome). Como era de graça, entramos. Circulamos por lá por uns bons 20 minutos e depois fomos andar mais um pouco. A Beatriz parou em uma lojinha pra comprar cartões de memória pra que eu passasse todas as fotos de Uyuni pra ela, sem precisar fazer upload. Enquanto ela usava uma cabine telefônica para ligar para a família dela na Colômbia (anos 70, eu não disse?), decidi quebrar a minha regra de não comer nada na rua e comprei uma salteña de uma barraquinha. A salteña é uma espécie de empanada argentina, só que o recheio é em geral mais “líquido”, quase uma sopa. Comi uma de pollo e achei bem boa. Não a ponto de ficar tentado de quebrar minha regra novamente, mas gostei. Não poderia sair da Bolívia sem comer salteñas, que é uma das principais iguarias do país! Terminada a ligação da Beatriz, saímos pra mais uma caminhada. Fomos à Catedral de San Francisco, ao Mercado Lanza (parece um camelódromo, mas se encontra de tudo lá, de loja de eletrônicos a açougue - daqueles bem higiênicos) e à Calle de Las Brujas. Essa é uma ruazinha CHEIA de lojas de artesanato e lembrancinhas típicas da Bolívia. É sem dúvidas o melhor lugar pra fazer compras desse tipo na Bolívia (e no Peru também), porque tem muitas opções. Tem feto de llama, ponchos, blusas de lã, chaveiros, camisetas, mate de coca, velas, incensos, monolitos em miniatura, colchas, bolsas, tecidos, gorros, luvas... tudo no famoso colorido andino. Tão colorido que quem sofre de epilepsia não deveria passear por essa rua. A Beatriz queria comprar uma toalha, então pesquisamos os preços por algumas lojas. Eu decidi deixar pra comprar essas coisas só no meu último dia em La Paz, pra não ter que carregar peso na mochila sem necessidade. Compramos as toalhas e voltamos para o hostel, porque já havia passado do meio dia. Enquanto esperávamos na recepção, passei todas as fotos para o cartão de memória da Beatriz. Ainda antes das 14h conseguimos fazer check-in. Várias pessoas fizeram na nossa frente, e quando chegou a minha vez quase fiquei sem vaga! Arrumaram a última cama disponível pra mim, em um quarto com 8 camas. Eu e Beatriz nos despedimos, agora cada um seguia o seu caminho. Minha cama só iria ficar pronta as 15h, então decidi sair para o Terminal de ônibus para comprar passagens para Copacabana no dia seguinte. Como eu disse antes, o Loki fica bem próximo ao Terminal, são menos de 15 minutos a pé. Procurei pelo terminal e não foi difícil de achar uma empresa com ônibus diários pra Cobacabana. O nome era bem sugestivo: Copacabana. Pela foto, o ônibus parecia bem razoável. Comprei a passagem para o dia seguinte, às 8h da manhã. A viagem até Copa leva cerca de 4h, então deveria chegar lá ao meio dia. No caminho para o Loki procurei algum restaurante para almoçar, mas nenhum me convenceu no quesito custo-benefício/não morrer. Decidi ver o que tinha para comer no bar do hostel. Cheguei no Loki e fui para o quarto, que já estava pronto. Bom, a cama estava pronta, porque o quarto... Não tirei nenhuma foto, mas estava tipo assim: A galera que estava naquele quarto devia estar lá há muito tempo, porque aquela quantidade de bagunça não seria humanamente exequível em menos de 2 meses. Quase não dava pra andar, de tanta mochila jogada no chão. As camas todas desarrumadas, roupas sujas espalhadas... os lockers estavam todos ocupados, alguns só com umas tralhas dentro. Ou seja, fiquei sem locker. Deixei minha mochila na cama (porque não tinha mais espaço no chão também) e fui tomar um banho. Em seguida subi para o bar, que fica no último andar do Loki. É um bar bem legal, típico de hostels, com uma vista bem bacana de La Paz e do Illimani: Pedi uma massa, indicação do cara do bar, e uma Paceña. Sentei em uma mesa com um outro cara. Eu estava com uma camiseta do Grêmio, e aí rolou aquele momento de conhecimento tupiniquim: “Brasileiro?” ALELUIAAAA CONVERSAR EM PORTUGUÊÊÊÊSSSSS!!!!!!!! Já estava cheio de (tentar)falar em español com a Beatriz o dia todo! O cara se chamava Newton, mineiro que mora no Paraná, e estava viajando pela segunda vez para a Bolívia, dessa vez com o pai dele (seu Newton também, que estava no quarto descansando). Eles também tinham chegado de Uyuni, se não me engano no dia anterior. Achei muito legal a viagem dos dois, pai e filho na Bolívia. Não consigo sequer imaginar meu pai viajando comigo e passando perrengue na Bolívia! Rsrs Ficamos conversando e chegamos no assunto “aparelho digestivo”, quando o Newton me contou que também teve “problemas” durante a viagem, e me indicou um remédio que estava tomando pra flora intestinal. Cheguei nessa hora à conclusão que nós brasileiros não estamos preparados para a comida boliviana, porque todos acabam passando mal, de um jeito ou de outro. Conversa vai conversa vem, já tinha anoitecido quando atraímos outro brasileiro com o nosso português. O Fernando, também do Paraná, estava viajando sozinho e já ia embora no dia seguinte, caso conseguisse sacar dinheiro. Ele estava quase sem dinheiro e só tinha como sacar do cartão do BB. Acontece que os terminais da agência do BB em La Paz (sim, tem uma agência do Banco do Brasil em La Paz) não estavam funcionando no sábado, e ele ia tentar de novo no domingo. O Newton-Pai chegou logo depois, e passamos horas conversando, regadas a muitas Paceñas. Já eram umas 23h (eu ia acordar às 6h) e decidimos mudar de cerveja, pedimos duas Autenticas que estavam mais baratas. Além de ser bem ruim, padrão Kaiser, a Autentica estava quente... Eu tomei o primeiro copo e aquilo não desceu legal... meu estômago não estava de boa, aí rega com cerveja quente... Comecei a ficar bem enjoado e parei de beber. Como já estava tarde, nos despedimos e fomos cada um pro seu quarto. Eu estava bem mal... fui pro banheiro várias vezes mas não conseguia vomitar. Pra ajudar, os “problemas intestinais” voltaram. Fiquei mais de 1h me revirando na cama, tentando dormir, mas tendo que levantar a cada pouco (pra piorar estava na cama de cima do beliche). Ia viajar cedo no dia seguinte, mas estava decidido a desistir caso não melhorasse. Na verdade eu tinha certeza que não ia melhorar. Aí lembrei que tinha levado Dramin, que talvez pudesse ajudar. Tomei um comprimido e deitei. Um pouco depois peguei no sono. Algumas fotos do dia:
  6. Polyyyyyyyyy!!!!!!!! Valeu! Agora com esse recesso de final de ano consegui escrever mais um pouco... logo logo mais dias de viagem!
  7. DIA 7 - UYUNI | The long way back... Meu relógio despertou às 4h e ao contrário de todo mundo me pus de pé logo, cheio de disposição Get uuup, bit****, let's see the geysers!!!. Já tinha deixado tudo mais ou menos arrumando na noite anterior, então não tive que ajeitar muita coisa. Fui tomar café (o mesmo de sempre), mas esperei a galerê pra comermos juntos. O pessoal do refúgio já tinha madrugado e deixado tudo pronto. O Miguel chegou logo em seguida (até hoje não sei onde ele dormiu, não foi em nenhum quarto perto do nosso) e partimos pra arrumar as coisas no carro. Estava bem frio, provavelmente menos de 0ºC, talvez uns -5ºC. O céu estava limpo e incrivelmente estrelado! Tirei uma foto das estrelas, que ficou ótima: Enquanto eu imaginava como a minha foto ficaria na capa da National Geographic, partimos por volta das 5h30. Estava ainda escuro e o nosso sono foi sendo sacudido na estrada de chão. Dessa vez fui no banco de trás (do meio) e fiquei um pouco mais confortável que nos dias anteriores. Como o carro do Miguel não tinha rádio, o Peter botou o iPhone dele pra tocar. Descobri que ele é um belga que gosta de rap. Não sei quanto tempo de viagem foi, mas acho que foi mais de 1h30. Estava amanhecendo quando chegamos na região dos gêiseres e o lugar já estava cheio de carros e turistas por lá. O Miguel nos deixou próximos do gêiser maior e nos deu 20min pra encontrarmos ele do outro lado. Primeiro tiramos umas fotos no gêiser "principal", botando a mão no vapor (pode pôr, não é tão quente), pulando no meio, posando do lado... o cheiro de ovo podre (enxofre) dominava. Depois fomos caminhando pelo meio do terreno fumacento, que parecia cena de outro planeta (dá pra ver bem no 3:11 do meu vídeo). Não consegui tirar fotos muito boas lá. Quando liguei minha Nikon apareceu que estava sem bateria. Acho que foi por causa do frio, porque mais tarde eu liguei ela de novo e funcionou o dia todo. Encontramos o Miguel (acho que uma meia hora depois) e partimos para a piscina de águas termais. Chegamos lá por volta das 7h30. O Sol já tinha nascido, mas ainda deveria estar 0ºC. Esse era o visual: Eu tinha botado na minha cabeça que ia entrar naquela piscina (ou banheira, como queiram) NO MATTER WHAT! Tinha até vestido sunga por baixo. MAS Quando chegamos o Miguel disse que estávamos atrasados e que tínhamos vinte minutos (rapaz apressado). Eu fiquei pensando em entrar no vestiário, tirar as 36 camadas de roupa, entrar na piscina, ficar 1 minuto e ter que sair, me secar no ar congelante, vestir as 36 camadas de roupa de novo... Deu uma preguiça... OK EU AMARELEI, ME CONDENEM. Mas ninguém mais entrou, exceto o Sam, que estava há dois dias sem tomar banho. Ele foi entrando, pé ante pé, tremendo com o frio de fora mas sem coragem de entrar no calor da água, que aparentemente estava muito quente. Eu fiquei circulando, tirando fotos. Fui ao banheiro, mas constatei que ele não tinha os... digamos... instrumentos necessários para as minhas necessidades. Meu intestino estava ainda em motim contra as comidas estranhas da Bolívia. O Miguel já estava nos chamando pra sair de novo, tinha horário pra chegar na fronteira, mas o Sam ainda estava na água. Ele tinha encontrado a Alice e o Tobias lá (que ele já conhecia e eu conheci no primeiro dia, lembram?). Momento cumadre: mais tarde a Alice e o Sam seguiram viagem juntos e eles estão namorando hoje, a contar pelas fotos do Facebook. Apressamos o Sam pra sair e seguimos viagem de novo. Fizemos uma parada rápida na Laguna Verde e seguimos para a fronteira, onde o Chris, o Andreas e o Peter iam seguir para o Chile. No caminho encontramos um bichinho muito curioso na beira da estrada, no meio do nada. Parecia um cachorro selvagem, ou uma raposa, ainda não sei que espécie é. O bicho parecia que não tinha muito medo da gente, chegou até bem perto, mas quando nos aproximamos pra tirar fotos saiu correndo. Muito bacana. Não consegui tirar uma foto boa, mas o Peter tirou essa que ficou ótima. Segue: Chegamos na fronteira por volta das 9h30-10h e posso dizer que a aduana Chile-Bolívia é um lugar bem peculiar. Fica no meio do nada, no sopé da montanha, uma casinha precária de pedra: Tinha dezenas de carros lá, tanto dos turistas que vinham de Uyuni quanto daqueles que vinham de San Pedro do Atacama. A Beatriz, o Sam e eu, que iríamos voltar para Uyuni, iríamos trocar de carro e voltar com um outro guia, porque o Miguel ia pegar mais uma galera pra fazer o tour no sentido contrário (essa é a vida repetitiva de um guia do Salar de Uyuni). O resto da galera embarca em um bus e atravessa a fronteira até San Pedro. Ali no meio tinha alguém servindo café da manhã (pão, chá, café, biscoitos...). Não sei se era pra gente também, mas atacamos! Encontrei um casal de brasileiros de Salvador ali, estavam vindo de San Pedro e iriam começar o tour pelo Salar naquele dia. Foi um alívio poder falar português de novo, já estava sentindo falta. Hora de seguir caminho. Nos despedimos, trocamos e-mail, Facebook... Fiquei de mandar as minhas fotos pra eles. Chris, Andreas e Peter seguiram pro Chile e Beatriz e eu entramos no outro carro pra voltar pra Uyuni. Mas o Sam, que voltaria com a gente, simplesmente desapareceu! Procuramos por ele por todo o lado, mas quase todos os carros tinham partido já, então chegamos à conclusão que ele tinha voltado no carro com a Alice e o Toby (sem nos avisar). Fiquei preocupado pensando que ele provavelmente morreria naquele deserto se ficasse sozinho. Mas seria um bom castigo por sumir sem avisar. Enfim, seria uma longa viagem de volta! Partimos sem Sam mesmo. O carro era bem parecido, mas esse tinha rádio. Além de nós dois estavam no carro mais um casal de franceses (bem caladões) e dois alemães (esqueci completamente os nomes deles...). Pelo menos 1h depois fizemos uma parada rápida em mais uma laguna (Blanca?) e seguimos viagem. Meu sistema digestivo estava em ação! Um pouco depois paramos em um ponto da estrada para o almoço, mas como estava ventando muito decidimos seguir viagem novamente. Chegamos então em um pequeno vilarejo, que ficava em uma planície verdejante cercada por montanhas e cortada por um riacho, onde lhamas e alpacas bebiam água tranquilamente. Parece bonito, não é? FOD*-**, eu tava pouco me lixando pra paisagem, queria logo é encontrar um banheiro!!! A princípio fiquei animado, porque estávamos em uma vila ( = civilização), e provavelmente eu iria encontrar uma vendinha com um banheiro disponível (mediante propina, claro). Mas não era meu dia de sorte: era feriado (1º de maio) e estava tudo fechado. FUCK Enquanto o motora preparava o almoço, fiquei andando pelo lugar fingindo que tirava fotos das lhamas. Na verdade eu estava mesmo é procurando por um cantinho ~seguro~. Como não achei nenhum lugar ~seguro~, voltei para o carro e, glória à Pacha Mama, meu intestino relaxou. Nesse almoço decidi aderir ao GO VEGAN! e só comi os vegetais, porque não tava a fim de comer picolé de frango mais uma vez. Conversei pela primeira vez com os franceses caladões. Depois de Uyuni eles também iriam para La Paz. Perguntei se eles também iam de Todo Turismo, mas eles disseram que iam de avião. Seguimos caminho mais uma vez. (depois de um “Síííí” uníssono quando o motora perguntou se tínhamos gostado da comida. Aham). Alguns quilômetros depois o motorista decidiu parar em um lugar da estrada que ele disse que normalmente os outros motoristas não paravam. Era uma região (que eu não lembro o nome), com umas formações rochosas bem peculiares. Ficamos lá por cerca de meia hora, tiramos muitas fotos (a Beatriz tirou várias fotos péssimas com a minha câmera) e seguimos viagem. Nessa hora já estava superzen e tinha chegado à conclusão que conseguiria aguentar até o próximo banheiro. De fato aguentei. Quando eram cerca de 17h chegamos em uma cidadezinha próxima a Uyuni, um lugar bem pequeno e pobre, cuja economia depende de uma mineradora japonesa que extrai metais da região, e paramos para esticar as pernas & ir ao banheiro. UFA. Aquele foi provavelmente o banheiro mais sujo que fui na vida (sério), entrei na ponta dos pés pensando NÃO RELA EM NADA NÃO TOCA EM NADA PASSOS DE GATO, mas não reclamei, pelo menos era um banheiro. Tinha que pagar 0,50, mas como eu não tinha troco o tiozinho da “bilheteria” deixou por assim mesmo. Não tirei foto do banheiro (claro), mas era mais ou menos assim: Voltei pro carro feliz e realizado para seguirmos para Uyuni. Chegamos por volta das 17h30, em frente à agência. Nos despedimos do pessoal e seguimos Beatriz e eu pra comprar uma passagem pra La Paz. Enquanto andávamos encontramos ADIVINHA QUEM? O Sam! O fdp de fato tinha ido com o carro do Toby e da Alice sem nos avisar... Eles iam passar a noite em Uyuni e depois seguir viagem, se não me engano para Sucre. Chegamos na Todo Turismo e por acaso tinha um assento vago, de uma pessoa que havia cancelado, mas a Beatriz achou muito caro e decidiu procurar nas outras empresas próximas. Acabou comprando uma bem mais barata, acho que 80 Bs. Não lembro o nome da companhia, mas deve ser algo do tipo “Perrengue Turismo”. A Beatriz só iria ficar um dia em La Paz, porque tinha voo para Bogotá na manhã seguinte, mas ainda não tinha hostel onde ficar lá. Passei os dados do Loki pra ela, e ela disse que talvez ficasse por lá mesmo. De qualquer forma nos despedimos, caso não nos encontrássemos em La Paz. Segui para o Piedras Blancas, em busca do tão esperado banho quente e com água abundante! Paguei pelo banho quente com água abundante e pelo Wi-Fi (15 Bol), embora o último não tenha funcionado muito bem. Mas o banho foi ótimo. Botei roupas limpinhas e sequinhas, passei no mercadinho pra comprar comida e segui pro escritório da Todo Turismo. Faltava ainda uma hora pro bus sair, então fiquei lá aproveitando o wi-fi e o mate de coca grátis. Uns 15 minutos antes das 20h começaram a chamar as pessoas para o ônibus porque seria servido o jantar (YEEY!!!). Quando estava entrando no ônibus encontrei o Martin (lembra, o alemão de Sucre!). Não nos encontramos no Salar mas nos encontramos no bus pra La Paz! Ele não tinha hostel pra ficar, mas ia procurar vagas no Loki ou no Wild Rover, então combinamos de rachar o táxi quando chegássemos em La Paz. A comida do ônibus era simples mas gostosa: um purê de batatas com um empanado de frango e legumes no vapor, servido em uma marmitex tipo aqueles de avião, E ESTAVA QUENTEEEEE!!!!11!!!!! Melhor refeição dos últimos dias! O Martin ficou sentado na minha frente, então fomos conversando um pouco, e do meu lado estava uma menina canadense que, quando o ônibus partiu, trocou de lugar pra sentar com uma amiga. O assento do meu lado ficou vazio (o assento vago que a Beatriz não quis comprar) e deu pra largar minha mochila e me esparramar bem. Tentei usar o Wi-Fi do ônibus mas não estava funcionando, só foi funcionar em La Paz. A Todo Turismo oferece cobertor e travesseiro e o banco reclina razoavelmente, mas achei um pouco apertado. O Martin reclinou todo o banco na minha frente e eu fiquei bem espremido. Pensei que não fosse conseguir dormir, mas peguei no sono e quando acordei já estava em La Paz! Algumas fotos do dia:
  8. Huayna Potosi (13 dias na região de La Paz)

    Show, João! Ainda não li todo o seu relato, mas pulei pra parte de Huayna. Parabéns pela perseverança! Parece clichê, mas de fato nesses momentos a vontade de conseguir supera quase todas as limitações físicas! :'> :'> :'>
  9. Fiquei muito tempo sem escrever, sorry! Mas tô de volta! Mudei de cidade, de trabalho, de vida, mas agora tô instalado e tenho até um escrivaninha pra digitar! Aí vai! DIA 6 - UYUNI | Lagunas de todas as cores Eu acabei ajustando meu relógio de pulso pra despertar as 6h, então acordei antes de todo mundo. Quando deu 6h30 e o relógio da Beatriz despertou eu já estava em pé e tinha tudo arrumado. Esperei o pessoal para tomarmos café da manhã juntos. Foram só uns pães secos com geleia, cream crackers, chá e café (solúvel). Nada demais, mas por incrível que pareça eu gostei muito dos pães secos da Bolívia! Alguns grupos já tinham saído e outros não tinham nem começado a tomar café ainda, acho que os guias combinam uma agenda de horário de partida, pra não saírem todos juntos. Saímos do hotel de sal com as nossas mochilas por volta das 7h45,um pouco depois do combinado, e ainda levou um bom tempo pra o Miguel arrumar tudo em cima da 4x4, de modo que partimos só depois das 8h. Estava um friozinho suportável e a manhã já estava bem ensolarada. Fui novamente no banco da frente. Antes de sair do vilarejo o Miguel perguntou se queríamos parar no armazém para comprarmos água e snacks. Todos concordamos. Não sabia que tinha um armazém por perto. Foi uma surpresa boa, porque o meu estoque de água já estava no fim. Achei engraçado o nome do mercadinho, comentei com o pessoal, mas só a Beatriz entendeu o trocadilho: Seguimos pela estrada poeirenta que margeava os trilhos do trem. Depois de uns 45 minutos, paramos em um ponto e tiramos algumas fotos nos trilhos. Às vezes alguns grupos nos ultrapassavam, às vezes ultrapassávamos alguns grupos. Depois dessa parada andamos por mais cerca de 1 hora. Em um ponto a estrada de chão fazia uma intersecção com uma rodovia maior, onde naquela hora estavam passando muitos caminhões. Acabamos ficando atrás deles e pegamos MUITA poeira, a ponto de não ser possível enxergar 10 metros a frente. O Miguel teve que reduzir bastante a velocidade. Em poucos minutos fizemos mais uma parada, dessa vez no mirador do Vulcão Ollage. O vulcão ficava relativamente longe do mirador, mas era possível ver a fumaça que sai constantemente das suas fumarolas. Estávamos a mais de 4.100m de altitude e o topo do vulcão fica a 5.870m. Ficamos lá por cerca de meia hora. Embarcamos novamente e seguimos caminho, dessa vez para as lagunas. Nesse trecho da estrada você entende por que é preciso de tração nas quatro rodas pra fazer o tour. A estrada (se é que se pode chamar aquilo de estrada) é um amontoado de pedras, cheia de sobes e desces, que percorremos bem devagar. O motorista tem que conhecer muito bem o caminho pra não deslizar e ficar com a roda presa em algum buraco. Depois de chacoalharmos muito por cerca de 1 hora, chegamos a primeira laguna, a Laguna Hedionda. Linda, azulada, refletindo as montanhas e os vulcões, cheia de flamingos. Um pouquinho fedida, porém. Como já era quase meio dia, decidimos almoçar por lá mesmo. A comida foi parecida com a do dia anterior, arroz, salada, carne e coca-cola. (Tudo frio, menos a coca-cola). De sobremesa, maçã farelenta. Almoçamos sentados nas pedras apreciando a vista da laguna. São muitas lagunas nesse segundo dia e é um pouco difícil lembrar o nome de todas elas, mas a próxima parada foi, se não me engano, na Laguna Blanca. Essa é a famosa laguna com uma plaquinha de "wi-fi" no meio do nada. Sempre pensei que fosse piada, inclusive no dia, mas me contaram depois que realmente tem wi-fi e que realmente funciona. É preciso pagar alguma coisa pra usar, se não me engano 15 Bs. O Miguel nos deixou na beira da Laguna e fomos andando pela margem, tirando fotos, pra encontrarmos ele na casinha onde fica a "administração" e os banheiros. Ficamos lá por uns 15min, não mais do que isso. Em seguida fizemos uma breve parada na Laguna Honda, só pra tirar umas fotos. Pouco depois das 15h chegamos no Árbol de Piedra. O árbol é uma formação rochosa esculpida pelo vento em forma de árvore. Ficamos cerca de meia hora lá, tiramos muitas fotos, escalamos algumas rochas e eu aproveitei pra ir no banheiro (tem um banheiro lá). Há um tempo atrás as pessoas escalavam o árbol, mas hoje em dia isso é proibido. Não que exista alguém cuidando, mas tem uma placa lá. Em seguida partimos para aquela que seria nossa última parada: a tão esperadaLaguna Colorada. O Miguel explicou que a laguna tem essa cor por causa de uma espécie de alga que vive na água, mas que só as algas não são suficientes. Para se ver bem a cor vermelha é preciso que haja vento, e o melhor horário pra ter vento é no final da tarde. Eu estava torcendo por um furacão, porque já soube de várias pessoas que foram para lá e, por falta de vento, só viram a Laguna Rosa-bebê. Quando estávamos chegando na Laguna o Sam começou a fazer várias perguntas SEM NOÇÃO pro Miguel, e a gente riu demais! Primeiro ele perguntou "por que a Laguna era vermelha?". Ok, essa o Miguel respondeu. Aí ele perguntou "por que essas algas que dão a coloração vermelha só estão nessa laguna e não estão nas outras?". . O Miguel riu e disse que em 15 anos como guia nunca ninguém tinha perguntado isso. Naturalmente ele não sabia a resposta. Não satisfeito, ele perguntou "por que alguns flamingos eram mais cor-de-rosa e outros menos?" Acho que essa o Miguel chutou e respondeu que era por causa da alimentação deles. Então o Sam fechou com chave de ouro e perguntou ''quantos flamingos ao todo vivem nas lagunas?" Nessa hora já estava todo mundo gargalhando. O Miguel despistou e disse pra ele perguntar pro pessoal lá da Laguna Colorada, porque eles deveriam saber. . Chegamos na Laguna e ela estava IMPRESSIONANTEMENTEVERMELHAAAA!!! Tinha bastante vento e estava bem friozinho. Era um dos lugares que eu estava mais ansioso pra conhecer na Bolívia e fiquei muito feliz que as condições estavam boas. É algo difícil de imaginar, uma lagoa com água vermelha, encarnada como sangue. Com certeza é um dos pontos altos do tour pelo Salar. Ficamos uns bons 20 minutos circulando a laguna e tirando fotos. Assumi meu papel de fotógrafo oficial da equipe e tirei fotos pra Beatriz e pro Sam. Em seguida voltamos para o carro, já eram cerca de 16h30. Enquanto tirávamos fotos o Sam aproveitou para passar no postinho turístico da Laguna e perguntar quantos flamingos vivem nas região. 400.000, foi o que disseram pra ele. Aposto que só inventaram um número pra ele, só pra satisfazer o guri. Ninguém deve saber isso. A Laguna Colorada era a última parada do dia. Antes de ir para os alojamentos, todos os grupos têm que passar no posto de controle do Parque Nacional pra conferir os boletos. Rola um certo congestionamento de pessoas nessa hora, porque o posto é bem pequeno pra tanto turista. Saímos do posto e partimos para o refúgio onde iríamos passar a noite. Entramos em um pequeno vilarejo, vazio, desolado, e paramos em um dos refúgios. O Miguel desceu para conversar com os responsáveis, mas já estava lotado. Acho que o Miguel (e todos os outros guias) tinha preferência por aquele, provavelmente porque era mais barato. Pelo que eu entendi tem várias opções de alojamento e os guias precisam ir procurando vagas. Eles devem dar preferência para os mais baratos. Partimos para um segundo, e este estava vazio. Fiquei muito feliz porque tinha uma placa de "Ducha Caliente - 15Bs" na frente! Sempre tinha lido que não tinha banho quente na segunda noite... Entramos e arrumamos nossas coisas no quarto. Não anotei que horas eram, mas acho que era por volta de 17h., ainda demorou um tempo até anoitecer. O quarto era bem grande, tinha sete camas, de modo que dormimos todos juntos. A Beatriz e eu fomos imediatamente conseguir informações sobre a ducha caliente com os donos do refúgio. Os gringos, claro, não estavam nem ligando pro banho. A Beatriz foi pro banho antes e voltou superfeliz com os seus cabelos molhados e cheirosos. Como acabou a água quente, tive que esperar uma meia hora até que aquecessem de novo. Enquanto isso, o Sam e o Peter preparavam um jogo de poker. Como não tinham fichas, pegaram uns pedacinhos de papel e escreveram os valores neles. Não é só brasileiro que faz gambiarra! A moça do refúgio foi me chamar, meu banho estava pronto. Fui para o banheiro, um cômodo grande, escuro, com dois boxes e piso de concreto. Tirei a roupa tremendo, corri pro chuveiro, mas quando virei o registro não saiu um pingo de água. Estava com muito frio e sem roupa, e o banheiro ficava longe da cozinha, onde estava a moça do refúgio, então não tinha como chamá-la sem me vestir de novo. Imaginei que ela tivesse fechado algum registro quando foi esquentar a água e depois esquecido de abrir. Não deu outra. Me pendurei em cima do forno que esquentava a água e abri o único registro que eu vi. Funcionou. Tinha água quente, mas era só um fio finíssimo! A maior parte do corpo ficava no ar gelado do banheiro e eu tinha que ficar o tempo todo numa dança frenética embaixo do chuveiro. Um minuto depois apareceu a moça do refúgio correndo no banheiro, porque tinha esquecido de abrir o registro para mim. Eu disse que tinha percebido e já tinha resolvido o problema rsrs. Como não estivesse adiantando a dança embaixo d'água, fechei logo o registro e comecei a me secar. Nessa hora achei que fosse morrer de hipotermia, quase congelei! Definitivamente me arrependi desse banho, não valeu a pena. Quando voltei o pessoal estava terminando de jogar o seu poker, que aparentemente não foi muito emocionante. Esperávamos que fossem aparecer mais grupos no refúgio, mas não, estávamos sozinhos. Passamos um tempo conversando sobre nossas vidas "fora do deserto", até chegar o jantar. Foi um espaguete com molho de tomate bem gostoso. Depois o Miguel apareceu com uma garrafa de vinho para nós (eu já estava ansioso por essa garrafa!!!). Convidamos ele pra beber com a gente, mas ele disse que não podia, porque tinha que dirigir no dia seguinte. Comprometido, né? Na verdade não duvido que depois ele tenha se reunido com os outros guias no vilarejo pra tomar umas pinga, mas quem sabe né? O que importa é que na manhã seguinte ele estava inteiraço. Uma garrafa pra 6 é bem pouco, deu menos de meio copo descartável pra cada um, mas enfim. As 20h as luzes iam ser apagadas, e como não tinha nada mais interessante pra fazer e tínhamos que acordar as 4h na manhã seguinte, fomos dormir. Quase todo mundo dormiu nos sacos de dormir, mas eu confiei nas cobertas e deixei o saco guardado. Não me arrependi, foi tranquilo. Apesar de ter levantado duas vezes no frio e no escuro pra atender as necessidades do meu intestino em revolução, foi uma boa noite de sono. Próximo dia: gêiseres e volta pra Uyuni! Aí vão as fotos:
  10. Pessoal, desculpem a ausência! Logo logo posto o próximo dia! Enquanto isso algumas respostas: Prisilva Resolvi que tbm vou ao Huayna Potosi. Kd vc pra relatar a sua experiência, amigo? Eu vou com calma, sabe. Dependendo da reação do meu corpo diante da altitude e como será meu rendimento nos dois primeiros dias no rolê do Huayna, vou tentar ir até o topo mas, vou respeitar os meus limites. Provavelmente vou contratar um guia só pra mim, pra não prejudicar ngm, já que será minha primeira aventura nesse tipo de subida. Pri, Que legal! Recomendo muito a subida. Já que você decidiu subir Huayna, recomendo que faça uma boa aclimatação antes, que é o fator mais importante pra chegar ao topo. Não chegue na Bolívia e vá logo pra montanha, passe pelo menos uns 7 ou 10 dias em altitude superior a 3.000m. Quanto ao guia, ter um só para você é também muito importante. Eu fui assim, mas foi por sorte. Recomendo que você procure uma agência que ofereça isso mais usualmente. É mais caro, mas vale a pena com certeza! Se você tiver que desistir não atrapalha a subida de ninguém, e se alguém tiver que desisitir não atrapalha a sua subida. Agências que ouvi falar muito bem: Altitude6000 e Refúgio Huayna Potosí. viniciusgomez Morgan vi que vc levou uma Nikon D3100 e gostaria de saber qual lente você levou para fazer os registros? Valeu a pena levar a Gopro e a câmera? Estou na dúvida se levo as duas tbm ou só uma. Parabéns pelo relato e estou no aguardo pela continuação. Abraços Oi, Vinicius Levei a lente 18-55, padrão da câmera. Achei que valeu a pena levar as duas sim. A GoPro com o bastão foi muito útil para as selfies (rsrs), pro downhill (acoplada no capacete), pra escalada (por ser leve), e também tira boas fotos de paisagem por causa da lente grande angular. Mas quanto à qualidade de imagem nada como a Nikon... Confesso que fiquei com medo por questões de segurança, mas correu tudo bem! Thiagopvix A minha dúvida é: vc so conseguiu onibus direto de Sucre para Uyuni as 9:30 da manha??? Porque pra mim seria melhor passar o dia em Sucre e tentar um onibus noturno chegando de manha em Uyuni para economizar com hospedagem e aproveitar melhor o dia. Aguardo resposta, parabens pelo relato! Thiago Thiago, Desculpa a demora para responder. Tem ônibus direto noturno sim, se não me engano sai às 20h30 e chega em Uyuni antes do amanhecer, se tudo der certo.
  11. Prometo que logo continuo, pessoal! E respondo as perguntas também. É que estou mudando de emprego/cidade/VIDA agora, então tá meio difícil de achar tempo pra escrever... Próximo dia são as lagunas altiplânicas!
  12. Pessoal, foi mal a demora! Mas prometo não abandonar o relato! Devagar eu termino... Segue o baile! DIA 5 - UYUNI | Branco, Branco & Branco Acordei às 7h. É HOJEEEEEEEEeeEEEEeeEeeeEeEeEEEeeeEEeeEEEEEEEE!!! Levantei cedo porque tinha que tinha que tomar banho, tomar café da manhã e sair para procurar um agência. Estava bem friozinho e fui correndo pro chuveiro. Tomei café da manhã rapidinho, fiz check-out e saí pra rua por volta das 8h30. A rua estava quase vazia, a maior parte dos estabelecimentos ainda estava fechada, mas na Avenida Ferroviaria, onde ficam localizadas quase todas as agências, já tinha um bom movimento. Tem um monte de gente na rua abordando os turistas e oferecendo os tours para o Salar. Pra quem não sabe, os tours para o Salar podem ser de 1 dia ou 3 dias. - O tour de 1 dia é um bate-volta. Sai de Uyuni, vai para o Salar e volta - sem pernoite. Geralmente faz esse tour quem não tem muito tempo sobrando na viagem (embora eu ache que o Salar deva ser prioridade em qualquer viagem pela Bolívia/Peru, né?) ou então pra quem vai para lá nos meses de Janeiro e Fevereiro, época de chuvas, em que às vezes, devido ao acúmulo de água, não é possível passar por um trecho do Salar. - O tour de 3 dias tem o seguinte roteiro: Dia 1: Cemitério de Trens, povoado de Colchani, deserto de sal, Isla del Pescado. Dia 2: Lagunas Altiplânicas: Hedionda, Honda, Blanca, Colorada... Dia 3: Gêiseres, "piscina" de águas termais, Laguna Verde. Fronteira com o Chile*. Retorno a Uyuni. Chegada por volta das 17h30. *Aqui há a opção de seguir para o Chile (San Pedro de Atacama) ou voltar para Uyuni, depende do planejamento de cada um. Fechei o tour com a agência Cordillera, pelo valor de 850,00Bs. Não. Façam. Isso. Não que seja ruim, foi tudo direitinho, mas o preço não compensa. Tinha cotado com várias agências, todas elas ofereciam por 750,00Bs. ou até 700,00Bs. Mas já tinha ouvido falar bem dessa agência, e na noite anterior conversei com umas meninas francesas que estavam no hostel e tinham voltado do Salar naquele dia, e elas me recomendaram veementemente que fechasse com a Cordillera, porque o carro era mais novo e confortável, o serviço melhor etc etc etc. No final das contas o carro era igual aos outros e o "serviço" pretty much the same. Inclusive fui em um carro com pessoas que tinham fechado com outras agências, o que aparentemente é bem normal, e que provavelmente tinham pago menos que eu. Só não perguntei quanto tinham pago pra não me emputecer. Quando entrei no escritório da Cordillera o primeiro preço que ela me deu foi 950Bs., mas aí dei aquela chorada, disse que tinham me oferecido por 700,00Bs., que era brasileiro, pobre, latinoamericano e tal, aí ela baixou pra 850,00Bs. Não foi tão caro, mas dá pra conseguir por bem menos. Por volta de 10h30 os primeiros 4x4 começam a sair da frente das agências. O meu não tinha nem chegado ainda. Eu estava sozinho na agência (acho que fui o único que fechei com a Cordillera) e já deduzi que iam me encaixar com outro grupo. O carro chegou perto das 11h. Carregamos as mochilas e conheci o motorista/guia, Miguel, e os meus colegas pelos próximos dias: o Peter, da Bélgica, e o Andreas e o Cristopher, cipriotas (dú-vi-do que vocês conheçam alguém do Chipre, eu conheço dois agora ) que moram em Londres. Os três estavam viajando juntos há alguns meses. O Andreas e o Cristopher já eram amigos em Londres (até o segundo dia pensei que fossem irmãos, mas não), e o Peter se agregou à dupla durante a viagem. Fiquei faceiro porque no carro que cabem 7 iam só 5 pessoas, espaço & conforto) mas em pouco tempo minha faceirice foi por terra (depois verão por que). Fui no banco da frente pela lógica de que o banco da frente é o mais confortável, mas no caso não era, se revelou bem apertado. Ainda mais porque a minha mochila "pequena" não era tão pequena assim e ocupava um espação embaixo das minhas pernas. Mas ao longo da viagem fomos revezando os lugares. A primeira parada é no Cemitério de Trens. Fica a poucos quilômetros de Uyuni e não leva mais do que 10min para chegar. É um descampado onde estão abandonadas as sucatas de várias locomotivas que passavam pela ferrovia que cruza a região, que teve seus dias de glória no final do século XIX e início do século XX. Os trens enferrujados rendem boas fotos. Uma pena que os outros 400 turistas pensam a mesma coisa e que por isso seja difícil tirar uma foto sem que apareça pelo menos um pau-de-selfie alheio no seu enquadramento. Dá pra subir nos trens e caminhar por cima deles, bem divertido. Se tropeçar morre de tétano. Também tem um "balanço" muito famoso onde a galera gosta de tirar umas fotos, que ficam bem legais. De novo, tétano é um risco real. Andamos ao redor dos trens por uns 20min e voltamos em direção aos carros. Quando chegamos lá, quem disse o Miguel estava lá? Ótimo, abandonados no deserto. Perguntamos sobre o Miguel pra um outro guia que estava lá, ele fez uma ligação e nos disse que o Miguel tinha voltado para Uyuni pra buscar um outro turista que tinha se atrasado. Um pouco depois chegou o Miguel com o Sam, da Inglaterra. Gente boa. Quando falava usava Fantasitic! ou Brilliant! como vírgula. Demos mais um volta pelo cemitério para que o Sam pudesse tirar umas fotos, o que foi bom, porque a maioria das pessoas já tinha ido embora e as fotos ficaram menos poluídas. Voltamos para o 4x4, agora com 6 pessoas, e partimos para o próximo destino, o povoado de Colchani. Não tem nada pra ver lá e eu já esperava por isso, é basicamente uma rua com uma feira de artesanato, com aquelas coisas que se pode comprar em toda a Bolívia (e Peru). Eu não comprei nada porque não vale a pena comprar essas coisas no início da viagem. Só serve pra pesar na mochila. O melhor lugar para comprar artesanías na Bolívia é em La Paz, na Calle de Brujas. Mais tarde falo mais sobre ela. Como já era meio-dia, o Miguel perguntou se nós queríamos almoçar ali mesmo ou se preferíamos esperar para almoçar no deserto de sal. Fomos unânimes em dizer que queríamos almoçar no deserto, óbvio. Embarcamos e até o deserto foi cerca de meia hora, se não me engano. Paramos primeiro bem no início, em um ponto onde estão vários montinhos de sal enfileirados, feitos pelos trabalhadores que o extraem para venda. Nessa região o branco no chão ainda não é absoluto, mas já dá para ter uma boa ideia do que está por vir. Tiramos algumas fotos e provamos o sal dos montinhos, pra checar se era sal mesmo. Então, era. Fiquei meia hora com a sensação de que tinha engolido água do mar. Voltamos em direção ao carro e... cadê? Sumiu de novo o Miguel. Esperamos uns minutos, meio perdidos, procurando pelo carro entre os que estavam parados (porque todos são parecidos) mas enfim vimos ele chegando lá longe. Estava trazendo mais um pessoa que tinha se atrasado. Como eu disse antes, acabou minha faceirice de um carro com espaço & conforto, agora éramos 7. A nova coleguinha era a Beatriz, uma dentista colombiana de uns 40 e poucos anos que estava viajando sozinha. Por que ela se atrasou: ela estava em Potosí no dia anterior e esqueceu a sua bolsa dentro de um táxi, com os documentos da Colômbia e a câmera dentro (bad total). Pelo menos o passaporte e o dinheiro ela estava carregando na doleira. Ela tinha duas opções: ou ia atrás da bolsa e perdia a oportunidade de fazer o tour de 3 dias em Uyuni (porque estava nos últimos dias da viagem), ou desencanava e partia pra Uyuni sem bolsa e sem câmera. Ela optou pela segunda opção, pelo espírito de aventura, e quando chegou em Uyuni na manhã daquele dia perdeu um tempão a procura de uma câmera para comprar. As digitais estavam fora do orçamento e ela acabou comprando duas câmeras daquelas descartáveis, com 32 fotos em cada Como ela só falava espanhol e eu era o único que (tipo)conseguia conversar com ela, acabei virando o fotógrafo oficial da Beatriz durante os 3 dias. Ela fazia a pose e eu tirava 1 foto com a câmera hi-tech dela e 1 com a minha câmera. Depois passei todas as fotos pra ela em um cartão de memória. Embarcamos novamente e saímos em direção ao Salar. Lá estava enfim o tão esperado branco para todos os lados! As poucas montanhas que se podem ver no horizonte estão a mais de 80km de distância, segundo o nosso guia. O visual é indescritível, mas as fotos conseguem captar um pouco desse espetáculo da natureza. Paramos para almoçar no lugar onde está localizado o antigo Hotel de Sal, que hoje serve apenas para visitação. Em frente ao hotel está o monumento do Rally Dakar, que há alguns anos está passando pelo Salar de Uyuni. Ao lado do hotel estão os famosos mastros com bandeiras de vários países tremulando. Ficamos tirando fotos enquanto o Miguel preparava o almoço. Eu não esperava muita coisa do almoço, então não fiquei surpreso quando constatei que a comida estava fria. Tinha arroz, bife, tomates e pepinos, coca-cola e maçã de sobremesa. Eu sou meio chato pra comida, mas comi tudinho porque sou um bom menino. Agradecemos o Miguel pela comida “muy rica” (aham) e a aguardamos enquanto ele arrumava as coisas para sairmos. Eram 14h30 quando seguimos caminho. A partir daí o branco era cada vez mais branco e o horizonte cada vez mais distante. Demais! Andamos por 1h, sempre Salar adentro, e paramos duas vezes no caminho para tirar fotos. Esse é o melhor momento para tirar as famosas fotos em perspectiva. Olha só, é bem difícil [=D]. O Sam, a Beatriz e eu ficamos uns 15 minutos tentando tirar uma foto com a lata gigante de Pringles antes de conseguirmos uma aceitável. Até lá foi uma bela sequência de FAILS: Muitos flashes depois, partimos para a Isla del Pescado. Já estava ficando tarde, se não me engano foi mais meia hora no carro, e chegamos na Isla às 17h. A Isla del Pescado é de fato uma ilha, só que no meio do “mar” de sal. É preciso pagar 30Bs. para entrar e fazer a trilha, mas não é obrigatório. O Sam, a Beatriz e eu fomos, e o Cristopher, o Andreas e o Peter ficaram para tirar mais fotos no Salar. Recomento MUITO subir, porque a vista lá de cima é sensacional, incomparável, a melhor de todasl! Eu achei a subida tranquila, até porque a cada pouco parávamos para tirar fotos – e consequentemente respirar – mas encontramos uma menina da Malásia no caminho que estava sozinha e quase desmaiando, tadinha. Dei toda a minha água pra ela, porque ela disse que achava que estava “fortemente desidratada”. Às 17h40 chegamos no carro novamente e saímos com pressa porque já estava anoitecendo e queríamos ter uma boa vista do pôr-do-sol no Salar. Éramos um dos últimos grupos, já que a maioria dos guias procura sair do Salar antes de escurecer. Mas o Peter & Companhia já haviam combinado previamente na agência que queriam ver o pôr-do-sol no Salar, então o Miguel programou o tempo pra isso. Assim, fica a dica, se quiserem ver o Sol se pôr no deserto já peçam na agência na hora de fechar negócio - e depois se certifiquem que isso foi passado para o guia. Andamos mais uma meia hora até pararmos. Nesse trajeto eu estava sentado na frente, do lado do Miguel, e percebi que várias vezes ele deu uma “pescada”, quase dormindo. Cada vez que ele fechava o olho eu dava uma tossida discreta rsrs. Mas também não condeno, difícil não dormir dirigindo todos os dias por esse mesmo caminho. Descemos quando faltavam uns 15min para o Sol se pôr. Tirei várias fotos, gravei alguns vídeos e tentei aproveitar um pouco o visual. Oportunidade de ver o pôr-do-sol no Salar de Uyuni é uma vez na vida e olha lá! Depois que escureceu, o dia que estava bem quente começou a esfriar bastante. Não há nenhuma estrada demarcada no Salar e fiquei impressionado que o Miguel conseguia se guiar lá sem GPS e no breu total. Ele disse que já sabia de cor a direção depois de 15 anos no mesmo trabalho. 15 anos, segundo ele, trabalhando diariamente, com raríssimos dias de folga, sem final de semana, sem feriado, sem férias... Saindo do Salar entramos em uma estrada de chão com centenas de curvas e dezenas de bifurcações até que chegamos ao nosso refúgio. Acho que eram mais ou menos 19h. Este refúgio é bem simples, o chão é todo de areia e as paredes todas de sal, mas é bem arrumadinho. Já estava quase cheio porque fomos o último grupo a chegar. Cada quarto tinha duas camas e eu dividi com a Beatriz. Paguei os 10Bs. e fui correndo pra tomar a minha ducha caliente. O chão do banheiro era GELAAAAAAADO mas a água estava muito boa. No finalzinho do banho a água começou a esfriar. Achei que fosse porque o meu tempo tivesse acabado, mas depois descobri que era porque a água quente tinha acabado mesmo! Quem tentou tomar banho quente depois não conseguiu. Os gringos, claro, nem ligaram, mas a Beatriz doida tomou banho gelado! (considere que fazia uns 5ºC!) A janta estava bem melhor que o almoço, a começar porque estava QUENTE. A entrada foi uma sopa de quinoa com legumes (adoro sopa de quinoa) e depois o Miguel levou pra mesa um pratão bem bonito e colorido com várias coisas misturadas, carne, batatas, cebola, pimentão e otras cositas más. Perguntei como se chamava o prato e o Miguel respondeu que era “come callado”. A Beatriz riu. Eu disse “Ah, OK”. Achei que era o nome da comida mesmo... Demoraram ainda uns 10s pra cair a ficha. Como perdi o timing da piada tive que rir sozinho rs. Para beber tinha chá e coca-cola. A mesa do lado tinha váááárias comidas que pareciam bem apetitosas. O guia deles inclusive levou uma cesta de torradas pra eles! O Peter ficou se mordendo de inveja e começou a reclamar que tava com fome, a Beatriz se compadeceu e chegou na outra mesa perguntando “Ei, será que vocês podem dar uma dessas torradas pro meu amigo aqui?” rsrsrs Eles disseram que não tinha problema e o Peter, que tava vermelho de vergonha, pegou a torrada e agradeceu. Aqui cabe uma observação sobre a agência. Como eu disse, foi tudo certo com a Cordillera, mas definitivamente não vale a pena pagar a mais por essa agência. Ela está estritamente na média das outras: a comida é a mesma, os refúgios são os mesmos, o carro é semelhante aos outros. Mais tarde conversando com outras pessoas soube que existem algumas agências que oferecem de fato um serviço diferenciado, como um motorista e um guia (pessoas diferentes rs) e refúgios privados, mas caso você queira/precise disso (o que não era o meu caso), o valor é bem maior, pelo menos 1.200Bs.. Conversamos mais um pouco e fomos dormir. A Beatriz dormiu no saco de dormir, mas eu achei que as cobertas eram suficientes. E foram. Não senti um pingo de frio, inclusive passei calor no começo da noite. No dia seguinte combinamos de tomar café da manhã às 7h e sair às 7h30. Ajustamos os despertadores para as 6h30. Era o dia de conhecer as lagunas altiplânicas. Mais fotos do dia:
  13. DIA 4 - SUCRE - UYUNI | Piolho, barraco & "banheiro" Nesse dia meu ônibus para Uyuni partiria às 9h30, então acordei às 7h30, tomei um banho, arrumei minha mochila silenciosamente pra não acordar os coleguinhas e fui tomar café da manhã. Fiz check-out e antes das 8h30 já estava na rua para pegar um táxi. Parei o primeiro que passou e perguntei quanto custava até o terminal de ônibus. Ele me disse que custava 5 bolivianos. Achei que tivesse entendido errado, mas entrei no táxi mesmo assim. Talvez fosse 15, ou então o caminho era mais curto do que eu imaginava. Na verdade o percurso levou uns 15 minutos, e quando chegamos perguntei de novo o preço. "5 bolivianos". OK... Povo, muito barato! 5 bolivianos são R$2,00!!! Por uma corrida de 15min! Em POA já daria R$30,00! Tá certo que a gasolina lá é mais barata do que aqui (porque é altamente subsidiada), mas não justifica. Enfim. Entrei no terminal e fui procurar o guichê da 6 de Octubre. Não foi difícil, fica bem na entrada. Troquei o voucher que me deram na agência pela passagem de fato e constatei que havia pago 25Bs. pelo serviço. Daí fui para frente do box de onde sairia o ônibus. Eram ainda 8h30, então teria que esperar lá por 1h ainda... O terminal de Sucre é bem antigo e precário, parece que parou no tempo. Me sentia nos anos 70. Importante: antes de embarcar deve-se pagar uma taxa de 2,50Bs. (varia de terminal para terminal) referente ao uso da rodoviária. Isso existe no mundo todo, só que em geral já está incluído no preço da passagem. Mas na Bolívia e no Peru funciona desse jeito. O ônibus chegou um pouco atrasado, já eram 9h40. Ele era razoavelmente novo e os bancos eram relativamente confortáveis, embora tivessem um cheirão de mofo. Na lataria do ônibus tinha uma "arte" intrigante, que eu adoraria se alguém me ajudasse a entender: Bom. Entrei no ônibus, me acomodei confortavelmente no meu assento (se é que isso é possível, porque eu tenho 1,90m e não me acomodo confortavelmente em transporte público nenhum do mundo) e esperei o busu partir. Quando eram 9h50 e o motora enfim ligou o motor chegou correndo um cidadão gritando: (imaginem em espanhol) Cidadão: ''É o ônibus pra Potosí??!!" Motorista: ''Sim!" Cidadão: "Belê, tenho 3 passagens!" Motorista: "Entra ae." Bom, nesse momento fiquei indignado, porque aparentemente o ônibus passaria em Potosí, e eu tinha comprado uma passagem DIRETA. Mas a minha indignação foi substituída rapidiiiinho, porque o cidadão das 3 PASSAGENS entrou no ônibus, seguido pela mulher, 3 FILHOS e, claro, um gato. Sim, um gato. Numa caixa, mas era um gato. Nada contra gatos, até gosto, mas então compra uma passagem pro bichano! E pelo menos duas pros barrigudinho! Ainda bem que o ônibus não estava cheio. Bom. Os SEIS se acomodaram CONFORTAVELMENTE nos seus TRÊS assentos logo na minha frente e o ônibus partiu (às 9h55). Uns quilômetros depois, ainda antes de sair da zona urbana de Sucre, o bus parou no posto de gasolina para abastecer (???). Como se já não estivesse atrasado. Mas confesso que eu não me surpreendi. Nesse momento, enquanto esperávamos no posto, percebi um movimento estranho no assento da frente, onde estavam sentados o cidadão e uma das filhas. Parecia que ele estava catando piolho da cabeça da menina. Me aproximei e observei pela fresta entre os bancos e percebi que, sim, ELE ESTAVA CATANDO PIOLHO DA CABEÇA DA MENINA!!! Paaaaaaara esse ônibuuuuuuus!!!!!! (opa já tava parado). O cara fuçava no cabelo, pegava um piolhinho, espremia, jogava no canto. Pegava outro piolhinho, espremia, jogava no canto. Coisa linda essa demonstração de afeto entre pai e filha. Minha cabeça já tava coçando só de ver. Era SOL que me faltava pegar piolho na Bolívia. Nunca tive piolho na vida, nem quando dava infestação no colégio, será que ia ser agora?? Enfim. Pra concluir o "tratamento", claro, o pinta passou um pente fino na cabeça da pirralha. Gente. Eu ria pra não chorar. Não acreditam? Pois bem, eu filmei: Depois disso a menina pegou no sono, o cara botou ela de lado e eu enfim consegui esquecer os piolhos que saltitavam por aquele ônibus. No caminho até Potosí entraram algumas pessoas, algumas desceram, mais algumas entraram... Nada do meu conceito de ÔNIBUS DIRETO. Quando chegamos em Potosí, em uma rua qualquer dos arredores da cidade, o ônibus parou, o motorista desceu, abriu a porta dos passageiros e gritou que quem ia pra Potosí poderia descer ali. PRA QUÊ. O moço do piolho se emputeceu. Começou a gritar com o motorista dizendo que tinha comprado passagem até o terminal de Potosí, que aquele não era o terminal, que ele só ia descer no terminal, que ia chamar a polícia etc etc etc etc. Uma hora ele gritou: "Eu comprei 3 passagens!!!! Tenho direito!!!" OK parça tu compro 3 passagens pra 6 seres vivo troca o argumento que esse não tá bom não Alguns turistas que iam descer em Potosí não estavam entendendo nada da zoeira. Aí um dos turistas entendeu o que tava rolando e se enfureceu também, começou a xingar o motorista de tudo que era nome. Os dois, na verdade, em coro. Não entendi quase nada, mas aparentemente em espanhol tem alguma coisa com a expressão "la torre" que não quer dizer boa coisa. Foi "la torre" pra tudo que era lado. Barraco, amiguinhos, barraco. Enfim o cidadão do piolho cumpriu a promessa, pegou o celular de um outro passageiro e ligou pra polícia. Quando ele começou a explicar a situação pra pessoa do outro lado da linha o motorista ligou o ônibus e partiu, aí ele disse que "aparentemente a situação estava resolvida" e desligou. No fim das contas fomos para a estação de buses de Potosí. Sim, no meu ônibus DIRETO mais caro. Chegamos na estação. O casal e as lêndeas, digo, os filhos, desceram satisfeitos, bem como alguns outros passageiros. Nesse momento uma gringa que ia seguir viagem desceu e perguntou pro motora se tinha banheiro ali, porque ela precisava. Ele disse que não, mas que poderia parar mais a frente. A menina não ficou muito feliz. O ônibus seguiu viagem e ela ficou parada na porta, em pé, do meu lado. Se retorcia que dava dó. Ela aparentemente precisava MUITO ir no banheiro. Fazia caras e bocas. Eu já tava vendo a coitada se mijar ali do meu lado. O bus andou mais uns 10min e enfim parou. O motorista desceu, abriu a porta e gritou "QUEM QUERIA IR NO BANHEIRO??". A gringa saiu correndo e perguntou onde era. O motora apontou pro barranco na beira da estrada. Sério, a cara dela foi impagável!!! Ela baixou a cabeça e desceu o barranco, afinal não tava em condição de protestar. Atrás dela foram mais umas quatro meninas que deveriam estar bem apertadas também. Minutos depois voltaram todas pro ônibus com uma expressão que era um misto de alívio e vergonha. Tadinhas. Tudo isso é pra dizer: pessoal, antes de entrar em um ônibus na Bolívia, ALIVIEM BEM A BEXIGA!!!. 99% dos ônibus não têm banheiro e frequentemente as viagens são longas e sem paradas. E, se parar, pode ser no barranco! Se liguem. O caminho para Uyuni seguiu sem mais percalços. Não conseguia dormir, então fiquei admirando a paisagem, que é linda!!! Tirei trocentas fotos, mas nenhuma conseguiu captar a beleza do lugar. Foto em veículo em movimento sempre fica meio escrotinha. Mas são uns longos vales com montanhas ao fundo, relvas verdejantes, ricos mananciais, árvores frondosas... coisa mairrlinda! Recomendo que sentem do lado esquerdo do ônibus como eu sentei. Enfim dormi um pouquinho e só acordei quando já estávamos entrando em Uyuni. Não anotei a hora, mas acho que eram cerca de 17h30. Desci do ônibus, peguei minha mochila e parti a procura do hostel que havia reservado, o Piedra Blanca. Não foi difícil de achar. Tinha salvo um mapa offline da cidade no Google Maps, mas no final das contas era só seguir reto pela rua. Fiz um mapa (abaixo) com as informações mais importantes de Uyuni. Como vocês podem ver, não tem muitas informações importantes em Uyuni. É só isso mesmo. Cheguei no hostel, fiz o check-in e me acomodei no meu quarto. Depois de deixar minhas coisas no quarto, saí para a rua para jantar e para comprar snacks para os 3 dias no Salar. Ia dar uma olhada nas agências já, mas desisti porque já tinha anoitecido e era capaz de encontrar preços melhores de manhã, com mais gente. Comprei uma Pringles, muitOs chocolates, e 2 litros de água, além de um rolo de papel higiênico, que é essencial. Os refúgios não têm. Além disso, meu intestino já estava sentindo os efeitos da comida mexicana Ouvi mais de uma pessoa dizer que tinha comido pizzas ÓÓÓÓÓTEMASS em uyuni, então fui atrás das pizzas. Nessa rua do hostel, Plaza Arce, tem diversos restaurantes, então escolhi pela cara mesmo e entrei em um que estava tocando Natiruts bem alto. Pedi uma pizza de mussarela e uma coca zero, porque não tinha como errar nessa pedida. Resultado: 1. A Coca Zero na Bolívia tem um gosto horrível de adoçante, parecia que grudava na boca; 2. A pizza de mussarela que eu pedi veio com um temperinho de brinde, alguma coisa que parecia muito com o gosto de vegemite (que é basicamente a pior coisa do mundo), e eu quase não consegui comer até o fim. E olha que pra eu não gostar de uma pizza tem que estar MUITO RUIM. Paguei a conta e saí decepcionadíssimo com o meu jantar. Voltei pro hostel e tentei alucinadamente conectar com o Wi-Fi. Aos trancos e barrancos consegui, muito devagar. Precisava muito da internet, porque eu tinha que enviar a minha declaração de IRPF. Brasileiro que sou, deixei pro último dia MESMO, já que nos próximos ia estar no meio do Salar. Consegui! Fiquei um tempo no pátio conversando com uma menina sueca simpática e com um cara alemão meio carrancudo. A menina me contou várias histórias sobre o inverno sueco e sobre como as pessoas realmente se suicidam lá nessa época do ano. Depois desse papo alto astral, ficou muito frio lá fora e fomos dormir. Para o dia seguinte? ERA O GRANDE DIA!!! O DIA DE CONHECER O SALAR DE UYUNI!!! Hora de dormir. Mas ansiedade mil! Volto em breve! PS1.: realmente dá um trabalhão escrever um relato mais completo. Vou tentar manter o ritmo, mas é difícil! PS2.: Sorry, mas quase não tenho fotos desse dia. Como disse, as do caminho ficaram péssimas...
  14. diogenezzz e chacalgbi Valeu! Estou tentando postar 1 dia a cada dia. Mas dá um trabalhão! haha Grande abraço!
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