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heder.rocha

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  1. E aqui segue a segunda parte do relato da nossa viagem de 32 dias pela Patagônia (Chilena e Argentina) e Tierra del Fuego. Aproveitamos o embalo e criamos um blog chamado "o quinto diário (mochileiro)"! Bom, quando vocês chegarem na parte do Ushuaia vocês vão entender essa história de "quinto"... Aproveita e entra lá dar uma olhada também, é só clicar aqui. PARTE 2: PUERTO NATALES, PUNTA ARENAS E USHUAIA Puerto Natales Dia 06 de Janeiro de 2017. Terminamos o trekking de nossas vidas no Torres del Paine e seguimos para Puerto Natales, como havíamos planejado: um trecho de +- 110 Km de distância. Uns 30km antes de chegar em Puerto Natales existe um acesso para a Cueva del Milodon, não fomos... Na hora estávamos cansados e só queríamos chegar no Hostel que tínhamos reservado alguns meses antes, fizemos umas contas e chegamos a conclusão que não compensava ir, principalmente, por que o horário estava complicado. Seguimos e encontramos fácil o Hostel Lili (aqui está o link), que acabou sendo eleito um dos melhores lugares em que ficamos na viagem toda! O preço da diária foi de Ch$ 12.500,00 com café da manhã (ou ~ R$ 60,00 - sim, o sul do Chile não é um lugar barato) e olha que descobrimos que esse hostel é um dos mais baratos da cidade! Mas o lugar é super aconchegante e a equipe show de bola! Sabe aquele lugar que vale o preço, então. Eles também tem o serviço de lavagem de roupa, uma facilidade tremenda, uma vez que estávamos com a roupa suja do Paine (15 dias... pois é!). A lavagem da nossa roupa (4 kg) deu Ch$ 4.000,00 (~ R$ 20,00) e sentir aquele cheiro de roupa limpa foi sensacional! Essa era a vista da nossa rua: Puerto Natales é a capital da província (o equivalente aos nossos estados, no Brasil) de Última Esperanza, no Chile. Está localizada no Golfo Almirante Montt, o qual a liga com o Ocenano Pacífico - logo após um monte de canais! A cidade é pequena e todo um charme, tendo cerca de 20.000 habitantes é a porta de entrada para quem vai visitar o P.N. Torres del Paine. A nossa foi El Calafate, mas logisticamente e economicamente, essa opção é mais interessante, pois um dos pontos centrais da economia de Puerto Natales é o turismo relacionado com as Torres del Paine, isso facilita um pouco as coisas, como o câmbio, por exemplo. Chegamos a noite, tomamos banho e logo fomos procurar algum lugar para comer, afinal de contas ainda tínhamos o suficiente de pesos chilenos para uma refeição econômica. Nesse dia nos dividimos e a Dani e eu fomos em um restaurante que ainda estava aberto (era sexta feira e as coisas fecham as 22h), pedimos uma pizza de lomo e uma "birra" Austral. No outro dia aproveitamos para conhecer a cidade. Saímos cedo e fomos buscar algum lugar para cambiar os dólares que o resto do pessoal tinha levado e conseguir pesos chilenos. Encontramos uma papelaria que fez cambio por um valor sem vergonha, mas como não tínhamos opção, acabamos trocando dinheiro ali mesmo. Definitivamente, Puerto Natales não é uma cidade boa para cambiar dinheiro (ATENÇÃO: poucos lugares aceitam reais!!) Fomos até o supermercado fazer uma compra para um Estrogonofe coletivo, que ficou sensacional! Era sábado, então nossas possibilidades de passeios estavam complicadas... Mesmo assim, durante a tarde, nós saímos dar uma volta pela orla, que tem o monumento ao vento e dá pra fazer umas fotos legais com o movimento dos barcos, sentar e relaxar com a paisagem. Andando pelas ruas de Puerto Natales, nós encontramos um museu (A página do museu é essa) que estava quase fechando, tínhamos apenas 1/2 h para visitar as 4 salas!! Acabou que eles deixaram a gente visitar sem cobrar nada! Muito legal! O museu era pequeno, mas fantástico! Basicamente contava um pouco da história do genocídio dos povos originários daquelas terras (os Aónikenk y Kawésqar, parentes dos Selk'nam da Isla Grande de Tierra del Fuego, que eram conhecidos como Patagones, daí o nome Patagônia) pelos colonos britânicos, argentinos e chilenos. Vale muito a pena conhecer. Dia 8 de Janeiro! Aniversário do Hugo! Festejamos um pouco durante o café da manhã e perto do meio dia seguimos com destino a Punta Arenas. A foto abaixo é do Hostel Casa Lili. Punta Arenas 224 km de distância nos esperavam. O mate, as músicas e o papo estavam preparados e seguimos em direção a Punta Arenas, uma cidade portuária que para nós (e para muita gente) era mais de passagem do que para curtir mesmo. Tínhamos a indicação de dois hostels que a Casa Lili nos havia passado. Punta Arenas é uma cidade média de ~ 160.000 habitantes que vive da atividade portuária e de serviços, capital da província de Magallanes. É base de partida de muitos roteiros para a região antártica e patagônica, pois concentra um porto e um aeroporto importante. Chegamos, sem muitas complicações, no meio da tarde e a cidade nos pareceu muito pouco receptiva, para ser gentil. Não tínhamos reservas em hostel a partir daqui, o que foi um erro. Batemos no Hostel Chiloé, da indicação de Puerto Natales e eles até tinham vaga, mas achamos caro os Ch$ 12.000,00 sem café da manhã. Saímos em busca de onde dormir, paramos em uns 4 ou 5 hostels pela região central e nada, ou era caro demais ou estava lotado - isso quando nos recebiam! Acabamos voltando ao Hostal Chiloé e ficando por lá mesmo. Ah, ele fica na frente do Partido Comunista de Punta Arenas! O hostal é bacana, tem garagem, os quartos são limpos e as camas boas. Acabamos ficando em um quarto para seis pessoas, que o Cláudio (gerente) fechou para nós cinco - pela privacidade e talz. Ah, tinha banheiro no quarto e o hostel tem uma cozinha grande, que obviamente utilizamos. O cardápio desse dia foi um picado de carne com arroz, purê de batatas e uma salada. Nosso rolê por Punta Arenas se resumiu em caminhar pelo bairro histórico do centro no sentido do supermercado, fazer as compras do almoço, da cerveja e voltar pro hostel. Fomos dormir cedo e ansiosos pelo dia seguinte, Ushuaia, fim do mundo bebe! USHUAIA Dia 9 de Janeiro de 2017. Acordamos cedo, tomamos um café da manhã bem reforçado com frutas, iogurte e com direito a omelete! haha Regime de engorda pós Torres del Paine no modo on! Bom, como é possível ver acima, 622 km e uma balsa (pelo Canal de Magallanes) nos esperavam. O plano do dia era mais ou menos esse: 8h – Saída de Punta Arenas 10h - Balsa: 20 min com o preço de Ch$ 15.000,00 por automóvel leve (o preço inclui os passageiros ) 18h – Chegada em Ushuaia Saímos as 9:30 e chegamos na Balsa as 12h. Esperamos mais ou menos uma hora até embarcar e chegamos em Ushuaia as 21h, sem reserva em hostel. Link da empresa da balsa: http://www.tabsa.cl/portal/index.php/es/servicios/2-cruce-primera-angostura Pegar a balsa é um procedimento bem tranquilo. Funciona assim: Você sai de Punta Arenas pela Ruta 9, pega a 255 e depois a 257 até dar de cara com uma fila de carros que estarão entrando na balsa, não tem erro. Quando chegou nossa vez subimos com o classic guerreiro e estacionamos. Quando a gente desse do carro já é preciso ir para uma fila para pagar a taxa de transporte. Depois disso é só desfrutar do passeio. Dá pra subir na parte superior da balsa e aproveitar a cena, afinal de contas, não é todo dia que cruzamos o Estreito de Magalhães. Hugo e Dani tirando onda... Quando vamos nos aproximando do porto na Tierra del Fuego o povo já vai indo para os carros e nessa hora é preciso ficar esperto, por que quando a balsa chega e atraca a galera vai ficando nervosa pra sair. Descer na Isla Grande de Tierra del Fuego é uma coisa emocionante! Só de pensar que estávamos no fim do mundo já dava aquela emoção gostosa. A paisagem toda muda e começa a aparacer aquela vegetação rasteira bem avermelhada, típica de lá. Nesse momento pensávamos que o nome "Terra do Fogo" era em relação à essa vegetação. Os guanacos também estavam presentes e de vez em quando cruzavam a nossa frente. Bom, o trecho até o Paso San Sebastian, fronteira com a Argentina, é de aprox. 120km, desses, apenas os 50km iniciais eram em asfalto... Depois, só fomos encontra-lo de volta no acesso a RN 3 argentina, um pouco depois do Paso San Sebastin. Chegamos em Ushuaia as 21h, um chuvisco e tudo meio cinza e com um frio tremendo. Descemos do carro tirar umas fotos no famoso cartaz do Fim do Mundo, mas começou a cair uma chuva esparsa com uns pedaços de gelo no meio e de repente fez muito frio, mas muito mesmo! Decidimos rodar e procurar um lugar pra dormir... Aí a coisa começou a complicar e o primeiro perrengue nervoso aconteceu! Simplesmente a capacidade hoteleira da cidade estava saturada. Não encontrávamos vaga para dormir em nenhum hotel, hostel, pensão, albergue, pousada, cabana. Tínhamos ainda duas opções: P.N. Tierra del Fuego e Camping Municipal. O P.N. Tierra del Fuego era a opção inicial, mas como sabíamos que no parque o camping seria selvagem, pois o parque não oferece estrutura nenhuma de camping, nem de banheiro, e também teve a questão do horário. A pior coisa seria chegar no parque e dar de cara com ele fechado. Como o frio estava assustador, decidimos que não estávamos preparados para camping naquelas condições de frio - avaliamos isso em relação ao que ocorreu no acampamento Italiano do Torres del Paine, que fez muito frio também. Bom, a ideia então era rodar mais um pouco pelos hostels e hotéis da cidade e esgotar todas as possibilidades. Depois de uns 20 estabelecimentos chegamos em um hotel. Descemos Fernando e eu, falamos com a atendente e ela resolver ligar para um ou dois Hotéis que tinha recebido a informação de que talvez tivessem vagado algumas reservas. (não entendo disso direito, mas parece que existe um sistema entre hotéis em Ushuaia). Ela ligou para o Hotel Mônaco e realmente havia vagado algumas reservas, pedimos para segurar e fomos para lá. Chegando lá, meus amigos, nós contamos a história da nossa vida para a gerente e graças a um cancelamento de voo da LATAM haviam algumas vagas 4 para ser mais específico, mas como estávamos em 5 precisávamos de mais uma. Nós propomos então que o quinto elemento poderia dormir nos colchões infláveis que tínhamos, que não teria problema. Ela então cobrou as quatro diárias e mais uns 20% do quinto elemento. Quando estávamos saindo para comer, ela nos chamou e disse que haviam cinco reservas disponíveis e que estava tudo certo, que poderíamos todos dormir em um quarto. Perguntei se teriam camas para os 5 e ela respondeu que sim, mas que era só por uma noite e que teríamos que deixar o hotel até as 10h do outro dia. Maravilha! Imediatamente saímos comer uma pizza para comemorar!! - já era quase meia noite. Dica de lugar econômico para comer a noite em Ushuaia: Mc Pipi! Sempre tem promoções! Voltamos e era outra pessoa na recepção, beleza, afinal de contas estava tudo pago! Ela nos deu duas chaves e falou que a nossa reserva estava para dois quartos, perguntamos se estava correto e ela disse que sim, que haviam remanejado. Bom, pegamos as chaves dos quartos e subimos, Dani, Hugo e eu em um dos quartos, Fernando e Aline no outro. 20 min depois aparece Aline e Fernando na nossa porta falando que foram expulsos do quarto!!!! Como o meu espanhol era o mais aceitável eu desci para tentar resolver com a moça. Parece que rolou uma confusão entre as reservas e no fim das contas eles não sabiam o que fazer com o quinto elemento. Ficamos em uma discussão por uns 10 minutos até que a moça lembra que existia uma cama reserva em algum lugar para esses casos. Resumo da história: o hotel estava full, um voo foi cancelado, ele liberam os quartos que já estavam pagos para nós, eles fazem confusão com as reservas, eles milagrosamente descolam uma cama. Nesse momento surgiu a história do quinto elemento como uma entidade que ajuda xs michileirxs naquele momento de desolação! E o pior de tudo é que a partir desse momento as coisas conspiraram muito ao nosso favor durante toda a viagem. Foi daí também que tiramos a ideia do nome do nosso blog, o quinto diário (clica aqui pra conhecer). Dormimos e esse dia gelado enfim chegava ao fim. Dia 10 de Janeiro de 2017. Levantamos umas 8h, descemos para o café da manhã e comemos como se não houvesse amanhã (e realmente até aquele momento não tinha, por que a cidade estava lotada), fizemos até um campeonato para ver quem comia mais medialunas (um croissant típico argentino)! Quando estávamos saindo do café da manhã eu resolvi passar na recepção e perguntar se havia aberto vagas e conversar com a gerente sobre o mal entendido da noite anterior. Advinha? Poderíamos ficar o hotel pelos dias que quiséssemos!!! E eles não cobrariam o quinto elemento, uma vez que o quarto era para 4 e estávamos em 5 com uma pessoa dormindo em um colchão no chão (para nós aquilo era melhor do qualquer coisa que já tínhamos dormido durante a trip). Fechamos os outros 3 dias. A felicidade tomou conta do time! Subimos, nos trocamos e fomos para o Centro de Informações Turísticas (CIT) que fica bem pertinho do Hotel Mónaco, lá eles possuem uma estrutura fantástica de apoio ao turista. Tivemos atendimento personalizado em Português, os passaportes carimbados com o famoso selo do "Fim do Mundo" e acabamos decidindo por dois rolês: Parque Nacional Tierra del Fuego e Cueva de Hielo/Laguna Esmeralda (Glaciar Vinciguerra). Decidimos não fazer a navegação do Canal Beagle pelo preço: ARS 600,00 por pessoa, o mais simples. Ushuaia é uma cidade média para os padrões brasileiro, mas é a capital da província de Tierra del Fuego, Argentina e nela vivem cerca de 60 mil pessoas. O turismo é um setor econômico importantíssimo para a cidade que tem investido pesado no ramo, a partir do slogan "Ciudad más Austral del Mundo" e realmente você percebe isso por lá. Tem muito museu, agências de viagem, passeios, expedições para ver pinguim e leão marinho, navegar o canal beagle e por aí vai. Essa região em que ficamos é fantástica. A av. San Martin, a av. Maipú e a av. Prefectura Natal, entre Calles Patagonia e Calle Yaganas concentra praticamente tudo que você vai precisar em sua estadia por Ushuaia: Hostels, todos os tipos de restaurantes, lojas, agências de turismo, cartaz do fim do mundo, CIT, etc. Pra você não perder muito tempo, já no CIT peça para eles indicarem algumas agências para você consultar os preços dos tours que mais te agradem. Uma dica: Logo ao lado, tem umas cabanas que vendem os pacotes de vários tours, se você falar com o "preso" (sim é esse o apelido dele e como ele se veste) ele consegue o menor preço (que mesmo assim nos pareceu caro). Voltamos pro carro e pra nossa infelicidade tomamos uma multa por estacionar em local proibido... Seguimos para o mercado e depois para o P.N. Tierra del Fuego por um trecho de ~10km, sendo 5km de rípio, pela Ruta Nacional 3, não tem como errar. O link do parque é esse. ATENÇÃO! No parque é possível acampar, mas eles não disponibilizam nenhuma estrutura e quando falo nenhuma eu quero dizer que nem banheiro tem, é um camping bem selvagem e desgraçado de frio. Chegando no parque, logo na portaria você paga e recebe um mapa, uns folders sobre a fauna e cultura local e os tickets. O mapa é esse: No parque você tem várias opções de trilhas e travessias, mas como ainda estávamos nos recuperando do Torres del Paine, fizemos apenas uma caminhada curta que está destacada em amarelo, no mapa acima. O que está em laranja fizemos de carro e foi super tranquilo. Você entra no parque pela parte direita do mapa, aonde tem o "i" é a portaria, seguimos até o primeiro cruzamento e entramos para a direita, sentido área de camping, mas como vimos que não chegaria em lugar algum paramos nos trilhos do "Tren del Fin del Mundo" para tirar umas fotos e eis que começa a nevar! Sim, neve, pela segunda vez na vida e na viagem, mas dessa vez ela caia do céu mesmo! haha Curtimos um pouco aquela neve rala, voltamos pro carro e seguimos em direção ao muelle, que é onde está a unidade do Correos Argentinos e é a agência de correiros mais austral do mundo. Quando estávamos estacionando o carro começou a nevar de verdade, mas muita neve!!!! E com ela um frio destruidor! Sério, eu tirava fotos e filmava tudo aquilo mas minhas mãos estavam congelando. Quando estávamos molhados e não aguentávamos mais entramos na agência do correio que é um café também, bem simples, mas quentinha. Esperamos um tempo até secar e nisso parou a chuva/neve. Seguimos até o fim da RN3 que segundo a lenda une Ushuaia com o Alaska: E caminhamos um pouco até o "Fim do Mundo". Foi toda uma emoção pra Dani, já que ela é Bióloga. Voltamos pro carro e o frio estava insuportável! Isso por que estávamos com roupas "adequadas" e impermeáveis! Retornamos para Ushuaia e a nossa meta era comer um "bife de chorizo", que é um corte de carne bovina típica da argentina. Achamos o Mustachio, na av. San Martin, mas na boa, não recomendo não! A carne estava boa, o preço era mediano, mas o atendimento foi uma Dia 11 de Janeiro de 2017 Acordamos quase no fim do café da manhã, mas deu tempo de comer como se não houvesse amanhã novamente! haha O roteiro de hoje era conhecer a Cueva de Hielo no Glaciar Vinciguerra. Nós não esperávamos muito, já que tínhamos lido aqui no mochileiro que se tratava de uma caverna pequena, mas que a trilha era muito legal. Bom, como todas as pessoas do grupo fazem parte de um grupo de espeleologia em Ponta Grossa - PR, esse era um ponto alto para a nossa viagem! A indicação era sair até as 12h, pois a trilha até o Glaciar era pesada. Bom, saímos era umas 11h e não tivemos muita dificuldade para encontrar a porteira que dá acesso a trilha e onde deixamos o carro. Não é difícil achar, mas não tem sinalização alguma indicando o início da trilha para a Cueva, Lagunas ou mesmo o Glaciar. Durante a trilha sim, existe sinalização. Bom, nessa trilha você pode conhecer: duas lagunas (Témpranos e Esmeralda), turfeiras (depósitos de turfa), Glaciar (e caminhar nele), dique de castores (isso mesmo!) e uma caverna de gelo. A trilha é essa aqui e você chega de carro até aqui, o ponto final é uma porteira, você pode deixar o carro por aqui mesmo, mas desde Ushuaia você pode pegar uma van que deixa nessa mesma porteira, se chama "tranquera". A trilha é de +- 8km de ida com ~600m de desnível/subida. Os últimos 2km são destruidores com uma subida bem ingrime! Mas os 6km iniciais são relativamente tranquilos e você caminha pelo vale deixado pelo Glaciar Vonciguerra que recuou. Logo no início é possível caminhar pelos depósitos de turfa, depois entramos nos bosques fueguinos e por último nas lagunas do glaciar. Voltamos para Ushuaia e a ideia era conhecer o Museu Marítimo e Ex Presídio de Ushuaia, mas chegamos tarde e tinha acabado de fechar. Ficou para a próxima. Dia 12 de Jan de 2017 Acordamos cedo e nos dividimos. Hugo, Aline e Dani foram ao mercado comprar as coisas que precisaríamos para os 2 ou 3 dias seguintes que seriam de acampamento no Parque Nacional Pali Aike, na fronteira do Chile com a Argentina. Fernando e eu fomos pagar a multa de estacionamento que tomamos... Aqui morreram ARS 350,00 e cerca de 1h na fila. DICA DE OURO: Não estacione em locais inadequados na cidade de Ushuaia, eles multam. Voltamos para o mercado pegar o pessoal e zarpar para a estrada. A partir daqui começa a parte 3 do relato que logo logo eu posto por aqui e pelo blog O QUINTO DIÁRIO!
  2. Que bom que o relato possa te ajudar! Bom, a data está perfeita! Porque você foge da turistada "fast food". Só fique esperto com os agendamentos em Torres del Paine, por que eles abrem no começo de Outubro. Velho, sobre o nosso condicionamento: Eu fiz uma preparação meia boca nos três meses que antecederam a viagem. Falo meia boca por que intenso mesmo foi no último mês antes da partida. Minha preparação foi basicamente corrida (5km/dia) e em 3 dias da semana exercícios de calistenia (flexão, abdominal, barra, etc) em casa mesmo. Mas isso por que eu estava um pouco acima do peso, a Dani, minha esposa, fez exercícios funcionais em casa, no último mês. Olha, os trekkings (torres del paine, el chalten, ushuaia, monte léon e Lago Jeinimeni) que fizemos praticamente não apresentaram dificuldades técnicas (como escalada por ex), mas de nós 5 apenas 1 pessoa não tinha experiência em trekkings e na verdade em trekking longo, ninguém tinha. Mas, como disse no relato, nossa equipe era formada por 3 geógrafos, 1 bióloga e 1 farmacêutica. Todos fazemos parte de um grupo de pesquisa em cavernas na região dos campos gerais, paraná, então essa é uma questão bem relativa, por que estamos acostumados com acampamentos e trekkings. Pense na preparação física da seguinte forma: quanto mais em dia com o seu corpo, menos você sofrerá nos trekkings longos... Agora, o que é fundamental na patagônia é o equipamento! Nessa época que pretendem ir ainda se encontra muita neve por lá. Hoje mesmo eu soube que dois escaladores morreram em El Chaltén por conta de uma nevasca e olha que acaba de começar o Outono. Então, no início de Outubro ainda faz muuuito frio por lá. Abraço e boa sorte com a viagem, em breve publico as outras partes do meu relato... Heder
  3. Olá Lilia, que bom que você gostou! Fico feliz que o relato te ofereceu outras possibilidades na patagônia. Na verdade essa região oferece uma diversidade bem grande em relação à forma que gente escolhe por conhecê-la. Seja no conforto de um hotel 5 estrelas ou em uma barraca sob um céu com bilhões delas! hahaha Abraço!
  4. Olá Maykon, tudo bem? Realmente, as paisagens na patagônia e terra do fogo se destacam! São poucos os lugares no mundo onde você está no deserto e ao fundo pode ver os andes todos nevados, por exemplo, ou mesmo, uma cidade como ushuaia. Sobre o idioma você não terá problemas. É claro que dominar o idioma de seu destino vai lhe ajudar em qualquer viagem, mas no caso da patagônia, especificamente nessas cidades mais turísticas, o português não é uma barreira. Até porque o sotaque argentino do sul não é tão carregado como em Buenos Aires e no Chile, me pareceu até mais fácil de entender... Em ushuaia, inclusive, muitos hotéis possuem atendentes que falam português. Agora se você fugir dessas cidades mais turísticas e nunca ter ouvido alguém falar espanhol, vai ficando mais complicado, realmente. Faça seu planejamento com bastante tempo, estude muito a rota que irá fazer e seja feliz! Passar esses perrengues fazem parte de uma experiência única e te fazem crescer um montão! Abração, Heder
  5. Olá Caio! Fico feliz que tenha gostado do relato, em breve liberamos as outras partes. Que beleza! Já avisei o pessoal, não costumam negar cerveja! haha Eu moro na Argentina, então quando estiver por aqui avisa. Faça mesmo, a patagônia é uma loucura. Se precisar de mais detalhes para o seu planejamento avisa aí! É como eu disse no relato, se não fosse o Mochileiros.com nós teríamos tido bastante dificuldade na viagem. Abraço
  6. Introdução "Rumbo al culo del mundo", não me pergunte como chegamos a este nome... Iniciamos a busca por informação em Janeiro ou Fevereiro de 2016, para a viagem que só ocorreu entre os dias 25/12/2016 a 28/01/2017, então sim, tivemos quase um ano de planejamento e isso foi fundamental para que tudo desse certo. Decidi fazer esse relato para retribuir ao site Mochileiros, pois as discussões daqui foram fundamentais para todos os momentos de nossa trip: planejamento da rota, escolha e compra dos equipamentos, escolha de pontos de interesse, dicas em relação à caminhos, etc. Digo "nossa" porque fomos em 5 amigos de longa data: Eu (Heder), Dani (minha esposa), Fernando, Aline, e Hugo. Aproveitamos o embalo criativo e criamos um blog para contar essa trip e algumas outras que já fizemos, confere lá! O blog se chama O QUINTO DIÁRIO e para conhecê-lo é só clicar aqui. Tentarei fazer um relato que seja bastante detalhado e que privilegie as informações que nós não encontramos na internet. Vou colocar bastante foto aqui, mas se quiser ver mais a gente está colocando aos poucos nos nossos perfis do instagram, entrá lá! @danifranzoia @instadoheder Começo então por dois detalhes importantes que delimitaram o "estilo" da nossa viagem: O perfil do grupo e o orçamento. Eu penso que isso pode ajudar a você que está lendo esse relato no sentido de continuar a ler ou não... Eu falo isso porque cada pessoa possui um determinado sentido de conforto e abertura à riscos quando vai fazer uma viagem. No nosso caso, fizemos todo o planejamento e execução no sentido de não depender de agencias de turismo, tentar baratear tudo ao máximo e estar abertos à imprevistos. De um lado, cada ponto de parada e cada lugar visitado foi pensado previamente, mas por outro, não fizemos reservas em hotéis e estávamos abertos à possibilidade de dormir na estrada. Nesse ponto, cabe dizer que a nossa "equipe" era formada por 3 geógrafos, 1 bióloga e 1 farmacêutica. Devo dizer, também, que nós fizemos um esforço gigantesco durante todo o ano de 2016 para guardar dinheiro. Foram muitos meses sem jantar fora, comprando equipamentos parcelados em 1.000.000 de vezes, ao invés de comprar aquele sapato bacana ou aquela blusinha linda, comendo simples e evitando gastar mesmo! A gente pensava duas vezes em todos os gastos, por exemplo, QUE VONTADE DE COMER PIZZA = vamos fazer em casa! Os exemplos são muitos e é incrível como se encontra pontos em que é possível economizar, basta um tanto de esforço e disciplina. O relato estará dividido em algumas partes, mas inicialmente vamos para alguns dados estatísticos e de informação: - 5.000 km rodados em um classic em 5 pessoas. - ~460 litros de bagagem dividido em 5 mochilas cargueiras - 18 cidades conhecidas e 10 em que dormimos - 17 dias de camping - ~280 litros de gasolina - condições climáticas vividas: neve, granizo, ventos de 70km/h, sol, chuva, muito frio, muito calor - geografia: andes, deserto patagônico, bosques patagônicos e andinos, canal beagle, estepes, montanhas, falésias, praias, glaciares, lagos de degelo, campos de gelo, vulcões e derrames de lava, dobramentos, vales de erosão glaciar, estreito, ilhas, península, etc. E o mais impressionante: ~240 km de trilhas feitos na bota, uma boa parte com uma mochila de 18kg nas costas. O relato está organizado em 4 partes: PARTE 1: EL CALAFATE E TORRES DEL PAINE (La O) PARTE 2: PUERTO NATALES, PUNTA ARENAS E USHUAIA PARTE 3: P. N. PALI AIKE, P. N. MONTE LEÓN E LOS ANTÍGUOS. PARTE 4: CAPILLAS DE MARMÓL (MARBLE CAVES), CHILE CHICO E RESERVA LAGO JEINIMENI PARTE 5: EL CHALTEN (Cerro Torre e Fitz Roy) Sobre a rota A nossa rota foi essa: Ela está disponível aqui: https://drive.google.com/open?id=1dAAa-3XBMqDDmtnBNla9IOhFgew&usp=sharing A: El Calafate (2 dias) B: Parque Nacional Torres del Paine (10 dias) C: Puerto Natales (2 dias) D: Punta Arenas (2 dias) E: Ushuaia (4 dias) F: Parque Nacional Monte León/Cidade Comandante Piedrabuena (2 dias) G: Los Antíguos (1 dia) H: Puerto Río Tranquillo (2 dias) I: Reserva Nacional Lago Jeinemeni (3 dias) J: El Chaltén (4 dias) Dos equipamentos: Essa foi a quantidade de equipamento, dividido em duas mochilas cargueiras de 80L: Os equipamentos levados e que considero essencial são os que estão listados abaixo, obviamente que você pode optar por outras marcas, mas se possível leve como mínimo essa listagem: - 1 mochila de 80L Nautika Rush ( dazantiga!! Foi comprada em 2008, quando estava na graduação e fiz questão de fazer essa viagem com ela) e 1 mochila de 75L da Nord (sim aquela da centauro! ). Assim, elas quebraram o galho, mas se você puder investir em uma Deuter, Quechua, Osprey, vale a pena. - 2 isolantes AZTEQ - 1 Aquaflex Curtlo de 3L (tipo camelback) - 2 bastões de trekking (1 quechua simples e 1 argentino) - 1 barraca Quechua QuickHicker T2. (Fantástica!!!! Aguentou firme os ventos patagudos e as chuvas). Nesse equipamento você precisa investir e gastar um tempo aprendendo a montá-la decentemente, vimos muitas barracas simples quebradas por conta do vento e muitas barracas "de marca" quebradas da mesma forma. - NUNCA esqueça das cordas para amarrar a barrada (todas elas). - 2 conjuntos de roupa 3x1 (parte de baixo e de cima) para trekking (Segunda pele, Fleece, Anorak), um da Quechua e outro da Conquista. - 2 calças de trekking da Hard. - 1 bota Finisterre da Vento (que morreu no torres del paine, mas ressuscitei com Silvertape e foi até o fim da trip) - 2 sacos de dormir, um Trilhas e Rumos Inverno (extremo -5) e um Nexxt (extremo -5). Sério, não brinque com isso, você precisa levar um saco de dormir decente para a patagônia, com pelo menos um nível de conforto em 0º e que aguente -5 ou -10. - 12 saquinhos feitos em casa com castanhas e frutos secos. Em trilhas como a do Torres del Paine isso é fundamental! - 14 refeições de comida liofilizada (Usadas no Torres del paine e em El Chalten). Você pode achar bobagem, mas a quantidade de peso que você alivia utilizando esses alimentos é assustadora! Além de ter uma refeição saudável. - Canivete, fogareiro AZTEQ, gorro, lenço para cobrir a boca e queixo, bússola, capa de mochila, lanterna e pilhas, aquecedores de emergência, etc - 1 Nikon D3100 e duas baterias. Do aluguel do carro, documentos, câmbio e dos gastos gerais Alugamos um carro em El calafate pela empresa DUBROVNIK RENT A CAR. Super recomendamos essa empresa, mas El Calafate foi a cidade mais cara de toda a viagem! É possível alugar em outras cidades, por exemplo, Com. Rivadávia, Puerto Natales, Punta Arenas, Río Gallegos, etc. Basta você reprogramar o ponto de início/fim, porque essa rota é circular. Nós negociamos o preço do carro três meses antes da viagem e saiu muuuuito mais barato do que alugar na hora, até porque estávamos em alta temporada. Tivemos que pagar 20% para garantir a reserva, mas atenção, se o valor for negociado em dólares você terá que pagar o restante em dólares quando chegar pra retirar o carro, caso contrário eles te cobram no cambio do dia e você pode sair perdendo grana! Além do valor do carro as empresas costumam cobrar um valor de franquia que fica bloqueado no cartão de crédito, que neste caso foi o do Hugo e o valor foi de ARS 7.000. Com os documentos fique esperto, você precisa conferir se te entregaram junto com o carro os seguintes documentos: - doc. do carro - seguro do carro - ficha de controle para aduanas (em cada paso de fronteira você precisa apresentar esse papel para que eles carimbei sua entrada e saída, no caso de Arg e Chi) - contrato de aluguel A melhor coisa para a Patagônia é você levar dólares ou trocar seus reais em Buenos Aires se tiver a oportunidade. O cambio por lá é terrível para quem vem do Brasil... Pegamos no máximo 4,50 ARS por cada 1 BRL e somente em El Calafate, porque nas outras cidades as casas de cambio não recebem reais e você precisa ficar procurando algum restaurante que aceite a 4/1 ou 3.50/1... é complicado, já te adianto. E no Chile é a mesma coisa, os bancos só trocam dólares por pesos chilenos. No meu caso eu estava mais tranquilo em relação à isso, pois vivo em Buenos Aires com a Dani. Em relação à parte financeira eu vou colocar nesse relato o que Dani e eu gastamos + os gastos divididos por todos. Os valores são aproximados, ok? Total geral por 32 dias: R$ 8.800 (para dois incluindo aéreo desde BsAs até El calafate) Gastos gerais: - Passagens aéreas de BsAs - El Calafate: +-R$ 2.300,00 (para dois, ida e volta) - Aluguel do Classic 2016 por 32 dias: 22.000 ARS ou R$ 4.400,00 (dividido em 5) - A Dani e eu decidimos que tínhamos AR$ 700,00 por dia e para os dois durante toda a viagem, +- R$150,00 para pagar hotel, alimentação, gasolina e passeios - ficamos dentro do orçamento!!! Pode parecer muito o que gastamos, mas essa região do planeta é cara pra caramba e acredite, essa foi uma viagem econômica! Se você pode baratear!? Claro que sim! Você pode pegar caronas, comer macarrão instantâneo direto e mais um monte de coisa... Os valores de hotel, alimentação, passeios e outras coisas, eu vou informando em cada parte, ok!? Como trabalhamos com 4 moedas durante a viagem, as siglas serão essas: USD para Dólar, ARs para Pesos Argentinos, R$ para reais e Ch$ para Pesos Chilenos. Para saber +- quanto vale em reais, divida Ar$ por 5, Ch$ por 200 e o USD estava 3,20. PARTE 1 - EL CALAFATE e TORRES DEL PAINE. De 25/12/2016 até 06/01/2017 El Calafate Saímos de casa para o Aeroparque as 8 da manhã e chegamos em El Calafate junto com o fim do dia. Cabe dizer que nessa época do ano o sol nasce as 5am e se põe as 11pm na patagônia, então fim do dia é as 10pm. Era dia 25/12/16, natal e passamos um nervoso desgraçado porque cancelaram o nosso voo que estava programado para sair as 10am, ele foi sair as 6pm... Escolhemos esse dia porque era muito mais barato. Enfim chegamos em El Calafate e fomos comer uma pizza com o resto do povo que já estava por lá, aliás, eles pegaram uma promoção da Latam, saindo de Crtba, que deu direito de viajar em 1ª classe!!! Coisa que nunca me aconteceu, mas o que me conforta é que eles comeram por mim, disso tenho certeza! No dia 26/12/16 ( Dia 1 oficial) fomos fazer cambio e buscar o carro na locadora DUBROVNIK SRL. Passamos aquele nervoso de acertar os valores e os documentos, mas depois de uma meia hora saímos com o guerreiro Classic para o hostel. Ficamos hospedados no "Camping & Hostal El Ovejero" em El Calafate, pagamos AR$ 150,00 por pessoa/por dia. Sinceramente, não fique hospedado aqui. O atendimento é horrível, as camas não são confortáveis e eles fazem umas trapaças nos valores do café da manhã, onde você paga por um café completo mas recebe uma xícara de café com uma fatia de bolo seco. A única coisa que prestou nesse lugar foi o banheiro, porque nem a internet funcionava direito... El Calafate tem outras opções, tão econômicas quanto, por exemplo a "Hospedaje Guerrero", onde ficamos na volta e é uma hospedagem familiar muito mais agradável. Continuando... Pegamos o carro, passamos no hostel e fomos para o Parque Nacional de los Glaciares visitar o famoso Glaciar Perito Moreno. Aqui está o link do parque. Atenção porque a tarifa de entrada é paga em pesos argentinos! No parque fizemos várias trilhas e ficamos deslumbrados com o glaciar e tiramos centenas de fotos (mal sabíamos que veríamos muitos glaciares durante a viagem). Mas de fato, o glaciar Perito Moreno tem a frente de degelo mais imponente dos campos de gelo (acessíveis) da patagônia. A cidade de El Calafate nos surpreendeu em relação ao alto custo de tudo, é muito caro!! Pior é que tínhamos decido comprar o gás para nossos fogareiros nessa cidade, pois no dia 27 iniciaríamos o Torres del Paine. Resultado: pagamos Ar$ 250 por "botella" grande, enquanto no Torres del Paine estava Ar$150. Pagamos cerca de R$ 60,00 em uma pizza grande, com 1 quilmes de litro e 1 refri pequeno... isso era uma promoção e em um lugar econômico. Torres del Paine 13h – Saída de El Calafate 22h – Chegada na área de acampar do Hotel Las Torres no Parque Nacional Torres del Paine Informações gerais: Fizemos o Circuito Macizo Paine ou "La O + W" como também é conhecido, se resume em contornar o macizo Torres del Paine em um circuito que contempla +- 130 km de Trekking. Do acampamento Serón até o acampamento Grey é a parte mais selvagem do parque e do Paine Grande até o Hotel Las Torres é a parte mais turística e frequentada. Nós entramos no parque pela Portaria Laguna Amarga. Aqui você pode entrar no site do parque nacional. Os acampamentos são administrados por duas empresas e pelo CONAF. ATENÇÃO!!! Para os acampamentos administrados pelo CONAF (autoridade ambiental do chile) você precisa agendar os dias e acampamentos em um sistema de reserva no site deles. Vimos inúmeras pessoas sendo barradas nas guaritas de controle porque não tinham reserva! Os acampamentos do CONAF são gratuitos e essa medida existe por conta da gigantesca procura e para a redução de danos ambientais nas trilhas. As duas empresas são: http://www.fantasticosur.com/pt/ http://www.verticepatagonia.com/es Entrada no parque cobrada pelo CONAF nas portarías: Ch$ 21.000,00 ou 36 USD 27 de Dez – Chegada no Paine, campamento central FANTASTICO SUR 28 de Dez – Camp Central para Serón, FANTÁSTICO SUR 29 de Dez – Serón para Camp Dickson, VERTICE 30 de Dez – Dickson para Camp Los Perros, VERTICE 31 de Dez – Los Perros para Camp Paso, CONAF 1 de Janeiro – Paso para Camp Grey, VERTICE 2 de Janeiro – Grey para Paine Grande VERTICE 3 de Janeiro – paine grande para Camp Italiano, CONAF 4 de Janeiro – Italiano para MIRADOR BRITANICO e depois campamento frances, FANTÁSTICO SUR 5 de Janeiro – frances para camp central, FANTÁSTICO SUR 6 de Janeiro - Ataque para Las Torres – retorno para camp. central e saída. Esse roteiro você pode trabalhar dentro do que acredita que poderá caminhar por dia com uma cargueira de quase 20kg nas costas... O valor das diárias nos acampamentos do paine começa em torno de Ch$9.500,00 os mais baratos, que são da fantástico sur e vão até Ch$12.500,00 os da Vértice. Sim, é caro. Mas você deve considerar que está no meio do nada e ter um banho +- depois de um dia inteiro de trilha é uma benção divina ! Esse é o circuito que fizemos: CAMP. CENTRAL - CAMP. SERÓN (28 de Dez) A área de acampar Las Torres, ou camp. Central tem uma ótima estrutura e provavelmente os melhores banheiros... É a porta de entrada do parque e muita gente só conhece este acampamento. Nós saímos as 11 am e chegamos perto das 7 pm, ou seja caminhamos +- 6h, sendo que a distancia indicada no mapa impresso que recebemos era de 13km, com um desnível de 300 m e um tempo de +-4h de trilha, mas isso não batia com as placas que encontrávamos pelo caminho. Em quase todos os trechos do Paine nós fizemos um tempo de 30% a 50% maior que o indicado, então fique atento com isso. Foi o primeiro dia de trekking e ficamos destruídos, a sensação era de que não aguentaríamos... mas com o passar dos dias percebemos que foi um dos dias mais fáceis. O trecho inicia com uma subida destruidora e quando você chega na parte mais alta, já percebe a potencia dos ventos patagônicos... A Aline que o diga, quase levantou voo!! Logo depois, quando começa a descer os 300m que subiu, o vento é insuportável! Ele te obriga a parar e esperar, várias e várias vezes... É a parte mais alta do trecho e de onde é possível ver o Rio Paine. Logo depois disso o terreno volta a ficar plano e você caminha em meio as margaridas até chegar ao Serón. Nessa parte, a calmaria e as margaridas vão te deixando desesperado, mas calma que logo logo você chega O acampamento Serón tem uma estrutura muito boa, então aproveite. Outra coisa, escolha bem o lugar que vai armar a barraca, se possível, abrigado por alguma coisa (o refúgio Serón, o Banheiro, uma árvore, etc) porque o vento é bem forte. Eles tem uma pequena loja onde é possível comprar alguns alimentos e itens de limpeza pessoal. CAMP. SERÓN para CAMP. DICKSON (29 de Dez) ATENÇÃO! Se você não tiver reserva daqui em diante é melhor nem se arriscar, lhe digo isso porque o CONAF tem um posto de controle entre esses dois acampamentos e eles irão te barrar. Nós saímos as 9:30 am nesse dia. A previsão era de 18km, em +-6h, com uma elevação de 200m. Só esquecemos de perceber que essa elevação era um morro destruidor e que era preciso subir e descer os 200m em 5km. A vista é sensacional! Logo depois da descida passamos no posto de controle Coirón, apresentamos as reservas, assinamos e seguimos para o Dickson. A chegada ao Dickson é uma das paisagens mais bonitas do circuito, porque nela podemos ver ao fundo o Glaciar Dickson, o lago de degelo, o Rio Paine, seu vale e o acampamento. Esse dia foi tranquilo no fim das contas. O acampamento Dickson tem uma estrutura bacana, a área de acampar é bastante abrigada do vento porque fica bem na beira do lago. Tem uma pequena loja onde você pode comprar chocolates, macarrão, molho de tomate, pasta de dente, etc. Aqui tem um refúgio com uma estrutura muito bacana, onde eles oferecem cama, refeições decentes e talz. Obviamente não ficamos nele... CAMP. DICKSON para CAMP. LOS PERROS (30 de Dez) Nesse dia a previsão de caminhada era de 5hrs (11km) com um desnível de 400m. A gente caminha seguindo o Rio Los Perros, na maior parte do tempo em uma trilha super tranquila, bem demarcada e em meio à mata. Na verdade aqui já iniciamos a subido para o temido Paso John Gardner, que será no outro dia. Demoramos quase 8h nesse dia e chegamos bem cansados. Nesse dia o psicológico pegou a Dani porque não estava conseguindo fazer um ritmo rápido e também estava muito cansada. Mas, depois de baixar um pouco o ritmo, comer mais vezes durante a trilha, chegamos!! E de fato esse trecho é complicado, porque é só subida. Quase chegando na Laguna Los Perros o Hugo encontrou uma menina que estava voltando porque desistiu de fazer o circuito, o que era estranho porque o acampamento ficava cerca de 1km da laguna e nesse ponto do circuito, a gente já havia caminhado cerca de 1/3 do "O". Mas como eu disse, esse é um trecho bom para afetar o psicológico da gente. Chegamos na laguna e o Fernando com a Aline estavam esperando a gente. Ficamos lá até o Hugo chegar e seguimos para o camp. Em relação ao acampamento, a única coisa boa foi a área de cozinhar, que tem uma baita estrutura, porque o resto (banheiro e área de acampar) é bem precário! Esse foi o primeiro dia que sentimos forte o frio! E olha que o acampamento fica no meio de uma mata. Ah, nesse dia conhecemos uns indianos muito legais! Demos um pouco de farofa para eles experimentarem e eles adoraram! Um pouco antes, em outra mesa, tinham uns americanos e uns lugares vagos na mesa, eu fui buscar água e a dani foi sentar lá para esperar... Aconteceu que os americanos meio que "expulsaram" ela do lugar, porque "eles haviam reservado". Dá pra acreditar? Fizeram isso com uns chilenos e com uns argentinos também... Acabou que quando eu voltei e a dani me contava o que aconteceu, os indianos livraram uma mesa e nos convidaram para chegar junto. Resumo: a maioria dos gringos (homens) europeus e norte americanos que encontramos eram escrotos, arrogantes e com síndrome de superioridade. Dentre esses gringos, encontramos alguns, poucos, que eram suuuper gente boa, principalmente os italianos. Fomos dormir perto das 9h com o som do gerador de luz, que ficou ligado a noite toda... CAMP. LOS PERROS para CAMP. PASO (31 de Dez) ATENÇÃO! No acampamento Los Perros existe um horário limite para sair e esse horário é as 8 am. Acordamos cedo, dia 31 de Dezembro, saímos no horário indicado com destino ao temível Paso John Gardner. Nesse dia a previsão de caminhada era de 6hrs (8km), com um desnível onde você sobe 600m e desce 800m, sim assustador e desumano. Para a nossa surpresa (Dani e eu), a subida foi muito tranquila, na verdade um dos trechos mais tranquilos na nossa experiência. Agora, a descida... Foi tenso! Antes de se chegar ao topo do Paso nós tivemos o primeiro contato da vida com a neve e obviamente que brincamos como crianças, com direito à bonecos e guerra de neve. Quando se chega ao topo do Paso, é possível ver o gigantesco Glaciar Grey e todo o vale onde ele está entalhado. É uma das coisas mais bonitas que já pude ver na vida. Em relação ao psicológico do time, durante a descida dos 800m, ficou bem abalado. Isso porque demoramos muito para chegar e como as mochilas estavam ainda muito pesadas, os joelhos ficaram destruídos por conta dos degraus. As placas de sinalização também não ajudavam, porque não batiam em nada com os mapas. Mas depois de 12h, chegamos! Montamos acampamento, jantamos e fizemos até um amigo secreto! No outro dia percebemos que a moral do time estava altíssima e renovada com a conquista do paso, mas só percebemos isso depois. Nesse dia tivemos a visita de um zorro gris (raposa) perto da nossa barraca e a equipe do CONAF fez uma costelada para comemorar o ano novo. Esse acampamento é gratuito e o mais selvagem de todo o parque, o banheiro era "cabuloso", acho que essa palavra resume bem. Mas enfim, se está em um lugar como o acampamento Paso, o banheiro é o que menos vai te preocupas... Esqueci de mencionar, esse já era o segundo dia sem chuveiro e consequentemente, sem banho... Até aqui nós encontrávamos pouca gente nas trilhas e rolava sempre uma cumplicidade e respeito entre quem se encontrava, cumprimentávamos, perguntávamos se estavam bem e se precisava de algo. O contrário também ocorria. Nós ficamos um pouco preocupados em relação ao que viria pela frente, pois sabíamos que a partir daqui encontraríamos muito mais gente pelas trilhas. CAMP. PASO para CAMP GREY (01 de Jan) Muita gente não fica no camp. Paso e faz direto o trecho Los Perros - Grey. Isso ocorre porque a estrutura do Paso não é das melhores, por querer fazer o circuito no menor tempo possível, por um montão de coisas. Nós optamos por ficar em todos os acampamentos para que fosse possível descansar e ter tempo para fazer os trechos no nosso ritmo, e essa foi a melhor coisa que fizemos. Nesse dia chegamos no tempo previsto que era de de 5hrs (6km) em uma trilha relativamente plana, que tem umas pontes suspensas iradas. Nesse dia conhecemos um brasileiro, o Tiagão. Ele era viciado em café, levou alguns kg de café e uma cafeteira italiana! Acabou que ficamos amigos e trocamos altas ideias. O acampamento Grey é um dos melhores acampamentos de todo o Paine, os banheiros são sensacionais, o mercado é grande e a equipe que trabalha lá é show de bola! Esse dia minha bota vento não aguentou e descolou a parte da frente... Tive que pedir emprestado um "silvertape" do pessoal que trabalha no refúgio e dar um jeito nela. Na hora da janta rolou uma confusão feia com o Tiago e duas canadenses. Como chegamos cedo, fomos jantar cedo também, por perto das 18h, as 21h a gente já estava dormindo. Depois que terminamos a janta o Tiago pediu emprestado o fogareiro do Fernando, porque o dele tinha estragado, enquanto isso a gente lavava a louça e esperava ele do lado de fora pra tomar aquele café esperto! Deu um tempo e lá vem o Tiago e sua esposa para devolver o fogareiro e tomar o tão esperado café... Na mesma hora vieram as canadenses atras dele: - Hey, hey, you take my gas!!! The gas is mine!!!! E o Tiago nervoso: - O gás é meu p*##@!! Se não vai levar meu gás!!! E as canadenses insistindo que ele tinha pego o gás delas e nessa o povo juntando em volta, cercando para ver o brasileiro que certamente tentou roubar o gás das pobres canadenses. Elas, por sua vez, continuavam incisivas na acusação. Quando tínhamos praticamente todos os mochileiros em volta, o Tiago - muito paciente - resolve dar o gás pra ela e acabar com a cena, mas na mesma hora uma outra amiga delas surge e lembra que esqueceram o gás na barraca... Eu nunca vi alguém passar tanta vergonha na vida, a moça recebeu uma vaia monumental!! É preciso dizer que depois de uns 15min ela veio pedir desculpas e ofereceu uma barra de Milka para fazer as pazes, foi bonito e todxs aplaudiram a cena. Ficamos relembrando disso por todo o resto do Paine, principalmente porque encontrávamos a guria pela trilha. Ela morria de vergonha todas as vezes que isso acontecia. Penso que o aprendizado dela foi gigantesco com essa situação toda. Em relação ao movimento das trilhas foi impressionante o aumento na quantidade de gente e consequentemente o impacto nas trilhas. CAMP. GREY para CAMP. PAINE GRANDE (02 de Jan) A previsão de caminhada nesse dia era de 10km e segundo o folheto do CONAF demoraríamos 3,5h... Fizemos em 4,5h, mas ficamos felizes porque chegamos cedo e daria para almoçar decentemente, tomar um banho longo e ficar de boa durante a maior parte do dia!!! O acampamento e refúgio Paine Grande é um resort se comparado com os outros. Muita gente encerra nesse ponto a trilha, pois a partir dali é possível pegar um catamarã até a "Cafetería Pudeto" e voltar de ônibus para a "Portaría Laguna Amarga" e para o "Hotel Las Torres", ou até mesmo ir embora direto pela administração. É só você se localizar no folheto do conaf que pode ser baixado aqui. Nós tínhamos lido em um tópico do Mochileiros que os ventos castigam as barracas nesse acampamento e tratamos de armar as nossas com todos os cordeletes disponíveis e atrás da caixa d'água - em uma tentativa de se abrigar do vento que deu certo. Não tivemos problemas, mas novamente foi possível ver várias barracas quebrando... A trilha desse trecho é relativamente plana - sobe 200m e desce 200m - e não apresenta muita dificuldade, vamos acompanhando o Lago Grey de um lado e o Cerro Paine Grande (3050m), na altura da Laguna de los Patos o vento é fortíssimo! Pegamos chuva nesse dia também! O mercado, o terreno para camping e o refeitório do Paine Grande são excelentes! Acabamos fazendo duas refeições nesse dia, a nossa liofilizada (lentilha, arroz e batatinha) e um macarrão ao sugo que compramos no mercado (macarrão, molho de tomate e queijo ralado). Para beber, acho que esqueci de falar, levamos sucos Tang para todos os dias e consideramos que foi um grande repositor isotônico! (Os médicos do fórum que me corrijam se estiver errado... haha) Enquanto comíamos eu aproveitei e carreguei as baterias da nikon. O acampamento Paine Grande fica ao lado do Lago Pehoé e de onde armamos a barraca tínhamos essa vista do "Cuernos del Paine" e de um pedaço do Cerro Paine Grande: CAMP. PAINE GRANDE para CAMP. ITALIANO (03 de Jan) O acampamento Italiano é do CONAF e quando saímos do Paine Grande já demos de cara com o posto de controle do CONAF, onde é preciso apresentar as reservas do acampamento Italiano (no celular ou em papel). Tínhamos para esse dia 7,5km que pelo mapa seria feito em 2,5h, com uma subida leve de 200m. Acabou que fizemos um ótimo ritmo nesse dia e chegamos no acampamento Italiano em um tempo de trilha bom, armamos as barracas e quando deitamos para descansar um pouco: uma tempestade de granizo! Sim, primeira vez que pego granizo com a barraca, mas por sorte, o acampamento fica em uma área abrigada por mata... A barracas aguentaram bem e dormimos umas 2 ou 3 horas. Lá pelas 20h fomos jantar no refúgio (precário, mas reconfortante) que estava cheio de gente e disputadíssimo. Os banheiros desse acampamento são muito bons, mas não tem chuveiro disponível, ou seja, mais um dia sem banho. Ah, a Dani teve infecção urinária nesse dia... Quando estávamos voltando pra barraca começou a chuva que se estendeu por toda a noite. Depois que saímos para jantar sentimos um ar muito frio!!! Gelou pra caramba e do nada! Ou melhor, depois do granizo. Essa, definitivamente, foi a noite mais fria de todo o nosso circuito! Chegamos à conclusão de que facilmente a temperatura chegou a graus negativos durante a noite. O acampamento fica ao lado de um rio que está encravado no Vale do Francés e é possível visualizar o Cerro Paine Grande logo na chegada ao acampamento, imponente! E depois da tempestade do dia anterior ele ficou coberto de neve, mais impressionante ainda. No outro dia, depois da noite congelante, nós acordamos com tudo molhado e tivemos que esperar as barracas secarem... A ideia nesse dia era fazer o Mirador Francés e quem sabe o Mirador Británico, voltar e seguir para o Acampamento Francés. Então, desarmamos tudo e montamos as mochilas que ficaram junto ao posto do CONAF (aqui a maior parte das pessoas que fazem a trilha para o mirador Francés deixam as mochilas largadas no chão mesmo, para não ter que subir com o peso) enquanto a gente subia para o Mirador. As mochilas ficam na frente dessa casa e os guarda-parques tomam conta delas. A trilha para o Mirador Británico carece de informações, portanto eu deixo aqui o mapa que está no posto do CONAF: A gente não chegou até o Mirador Británico, fomos somente até o mirador Francés (Mirador Francés e Acampamento Francés são pontos diferentes) e pra gente valeu super a pena! É um trecho de subida forte e nesse momento já estávamos tão cansados que na conta que fizemos não daríamos conta de chegar no Británico. Outra questão é que nesse momento já começávamos a nos irritar com a quantidade de gente nas trilhas, pois essa é uma das "pernas" do circuito W e consequentemente, mais povoado de gente. No Mirador FRANCÉS nevou!!! Foi super legal e a primeira vez que vimos neve em nossas vidas!!! Ficamos um tempo ali, admirando as costas das Torres del Paine, do Cerro Mascara, dos Cuernos del Paine e do Paine Grande. Mas a infecção urinária da Dani pegou forte e descemos correndo todo o trecho!! Foi divertido fazer esse downhill a pé! Chegamos no Italiano e seguimos para o Acampamento Francés em um trecho que demorou cerca de 2h +-, com uma trilha bem agradável. A Aline sentiu as costas nesse dia e teve de descer bem tranquila a trilha. Ainda bem que não seguimos para o Británico! :'> CAMP. ITALIANO para CAMP. FRANCÉS (04 de Jan) Muita gente vai direto do Italiano para o Acampamento Chileno, na outra perna do W ou mesmo para o Acampamento do Hotel Las Torres. Entre eles ainda existe o Refúgio Los Cuernos, mas nele você precisa comprar todo o serviço de refeição para poder acampar... Nós seguimos para o Francés cuja distância era de 2km realizados em 30min conforme a placa de sinalização no Italiano. Penso que essa placa estaca coerente, porque chegamos em 40min, armamos a barraca e fomos logo para o banho! Siiiim tem chuveiro e, definitivamente, foi eleito o melhor banho de todo o parque! Nesse acampamento existem plataformas de madeira para se armar as barracas. Foi minha sorte, pois meu isolante havia furado... Jantamos e fomos dormir cedo de volta para repor as energias, porque no outro dia a caminhada seria muuuito longa. CAMP. FRANCÉS para CAMP. HOTEL LAS TORRES/CENTRAL (05 de Jan) Daqui nós tínhamos duas opções: seguir para o Chileno ou para o Central. Optamos pelo segundo para que no outro dia pudéssemos subir leve para o ataque para as Torres del Paine, ou seja, sem as cargueiras que nessa altura do campeonato já era tipo um suplício! Saímos as 8h da manhã para encarar a trilha de 17km, que pelo folheto seria feita em quase 8h. Acho que nós demoramos umas 10h... Mas isso porque quando estávamos na beira do Lago Nordernskjöld decidimos parar um tempo em uma praia fantástica e ficar apreciando a vista do lago. A Dani e eu chegamos na frente e vimos um casal de gringos chegar, tirar toda a roupa e nadar pelados no lago! A água estava trincando de gelada!! Mas tem louco pra tudo nesse mundo! Bom, ficamos quase 2h ali e fizemos um campeonato de arremesso de pedras, de quicadas de pedras na água, de acertar pedras no ar, etc. Depois percebemos que essa não foi uma boa estratégia, acabamos perdendo muito tempo no lago e no fim, o Hotel Las Torres e a área de acampar não chegavam nunca. Esse trecho da trilha é um sobe e desce desesperador, o desnível máximo é de 200m, mas o que mata é a extensão da trilha... Essa foto da Dani traduz bem o que sentimos esse dia: Chegamos no acampamento central depois do Fernando e da Aline, que já estavam se preparando para ir pro banho. Procuramos um lugar abrigado e erguemos as barracas, logo depois chegou o Hugo e junto com ele uma chuva com muuuuito vento. Deu uma trégua na chuva e decidimos sair para tomar banho e jantar, mas isso já era perto das 21h e o que vimos de barracas (MSR, NatureHike, Hannah, Doite) quebradas no caminho foi de assustar, mas novamente, as nossas (e as The North Face) estavam intactas. Nessa noite o Fernando começou a passar mal e teve desidratação. CAMP. HOTEL LAS TORRES para TORRES DEL PAINE (06 de Jan) Pelo mapa esse trecho teria 18km, sendo 9 de ida e 9 de volta, que seriam realizados em 4,5h cada trecho. Como estávamos leves pensamos que era possível encarar o trecho e o desnível de quase 800m para subir e depois para descer!!! Decidimos sair mais tarde nesse dia, as 10h da manhã. Acabou que o Fernando e a Aline decidiram não ir por conta da desidratação do dia anterior e o Hugo também não foi por conta do seu joelho, que estava pegando. Bom, deixamos as coisas no carro que já estava ali no acampamento e subimos - já era quase meio dia! Chegamos exatamente no tempo indicado no folheto: 4,5h. São duas partes complicadas nesse trecho, a primeira subida, logo de cara e no fim, a subida fortíssima que dá acesso as Torres, depois do acampamento Torres do CONAF de +- 1Km. Mas quando chegamos nas torres podemos contemplar isso: A volta nós fizemos em 3,5h, mas porque decidimos descer correndo - onde considerávamos que fosse seguro. Esse dia estava muito quente e um sol lindo, eu suei feito um cavalo!! Tomamos os 3l do Aquaflex por duas vezes! É possível abastecer a água no Refúgio Chileno, como também almoçar, ir no banheiro, etc. É um refúgio muito bonito e com uma estrutura super! Dali é possível contratar cavalgadas, guias, alugar equipamentos, outros passeios, etc. Como nós vinhamos do circuito "O" achamos um pouco esquisita a quantidade de gente nesse setor do parque. Essa perna do "W" é a mais acessível, então, muita gente vai para o Paine apenas para fazer essa parte da trilha e realizar o registro fotográfico com as Torres. Mas para nós que já tínhamos caminhado mais de 100km, passado vários dias sem banho, vários dias andando em trilhas sem encontrar ninguém, vivenciando a fauna local, os elementos rochosos, com as marcas da cargueira nos ombros, processando o frio que passamos ainda, enfim, aquela paisagem toda, entrar em contato com aquele "turismo consumidor" foi uma experiência diferente. Retornamos e os meninos já estavam esperando a gente perto do Hotel com o nosso Corsinha guerreiro. É isso aí! Completamos o Torres del Paine!!! No fim, todos fomos vencedores e cada um teve a sua conquista própria! A Aline, com seus problemas na coluna, o Hugo e eu com os quilinhos a mais, o Fernando com a asma e a Dani com o sedentarismo! Fizemos mais de 100km de trekking em 10 dias! Logo depois seguimos para Puerto Natales, mas essa será a segunda parte do relato.
  7. Olá Podemos nos encontrar pelo caminho!! hahaha Eu minha companheira estamos programando um mochilao pelo chile/argentina mais ou menos nas datas em que estarão por lá, vamos utilizar ônibus/trem. Bom, o nosso roteiro é este até agora: Nossa cidade, Curitiba, Santiago (Valp-Vina) - 4 dias, Chillan (concepcion) - 3 dias, Pucon - 4 dias, Puerto Varas (Frutillar, Puerto Montt, Castro) - 3 dias, San Carlos de Bariloche - 4 dias, Viedma - 1 dia, Bahia Blanca-Buenos Aires - 4 dias, Curitiba. A viagem ao todo já está dando um total de 29 dias, distribuídos nestes pontos aí. Iniciamos agora o contato com os Hostels pois queremos pagar a hospedagem de forma antecipada e ver se conseguimos algum desconto. Em Pucon e Puerto Varas vimos muita coisa e estamos esperando resposta dos hostels. Em Pucon, gostamos deste: http://www.paradisepucon.com/html_portugues/hostal_portugues.htm e em Puerto Varas tem muita coisa na internet e aqui no fórum mesmo. Bom, vamos conversando! Abraço, Heder e Dani!
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