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Paulo Rito

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  1. Obrigado pela leitura, espero que incentive você a percorrer a Carretera toda. Gratidão.
  2. CARRETERA AUSTRAL 2017 EXPEDIÇÃO DOIS IRMÃOS COYHAIQUE a VILLA O’HIGGINS – 20 a 31 OUT 2017 1. ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DA VIAGEM - PASSAGENS AÉREAS IDA Guarulhos – Santiago – 20 Out 17 às 19 hr Santiago – Balmaceda – 21 Out 17 às 07 hr VOLTA Balmaceda – Santiago – 30 Out 17 às 17:18 hr Santiago – Guarulhos – 31 Out 17 às 04 hr Valor por pessoa R$ 1.345,00 com as taxas - ALUGUEL DE VEÍCULO Camionete S-10 DMAX pela Europcar (cabine dupla – Gas) 21 Out 10:30 hr até 30 Out 10:30 hr Valor do aluguel R$ 1.680,00 - CÂMBIO DE MOEDA (OUT/2017) Peso chileno em espécie 400.000 (equivalente a R$ 2.200,00) Dólar americano U$ 500 (equivalente a R$ 1.655,00) - RESERVA DE HOSPEDAGENS Não fizemos - BAGAGEM Uma mala de viagem com roupa de frio para suportar até -10C, dois calçados tipo tênis, uma calça impermeável, artigos pessoais, 2 blusas de lã, gorro, luvas...uma bagagem de mão tipo mochila. 2. RELATO DA VIAGEM Eu e Rogério, meu irmão, decidimos dar continuidade a viagem pela Carretera Austral que fizemos em 2014 e que está relatada no endereço https://www.tripadvisor.com.br/ShowTopic-g294291-i1357-k7953189-Viagem_de_carro_alugado_pela_carretera_austral_no_sul_do_chi-Chile.html. Só que desta vez iríamos ser só nós dois, já que os demais não poderiam ir. A ideia era terminar o percurso de 2014 chegando até Villa O’Higgins, onde termina a Carretera 7, chamada de Carretera Austral, no sul do Chile. 20 OUT 17 - SEXTA Nos encontramos em SP no dia 20 Out 17, já que moro em Brasília e ele em Mogi Guaçu-SP, pegamos o vôo até Santiago regado a cerveja, vinho e whisky, acompanhado de um pequeno mas suficiente jantar, já sabíamos que a escala na capital chilena seria demorada, e pior, sem chance de sair do aeroporto por ser de noite e não valer a pena, já que tivemos de retirar as bagagens por conta da imigração, aliada à falta de transporte rápido e de massa naquele terminal, à semelhança de Guarulhos, Brasília e nossas principais capitais. Sendo assim, jantamos num dos restaurantes do aeroporto mesmo, após o jantar e terminada a primeira das muitas garrafas de vinho que tomaríamos, nos deitamos nos bancos acolchoados de uma área fechada do próprio restaurante e cochilamos até as 2 da manhã, pois a LAN só permite despachar as bagagens 3 horas antes do vôo. 21 OUT 17 - SÁBADO Despachamos as malas e continuamos a cochilar próximo ao portão de embarque. Vôo tranquilo e bonito até Balmaceda, aconselho a sentar na janela porque a paisagem é desbundante e não tem nada pra fazer. Há, o serviço de bordo é pago. Desembarque feito, passamos para o processo de pegar o carro no totem da Europcar dentro do terminal, onde o atendimento do Marcos foi simples, rápido e eficiente. É sempre bom tirar fotos do carro na hora do recebimento, principalmente da pintura, pneus, para brisas e lentes dos faróis e luzes traseiras, já que iríamos percorrer estrada de rípio, um tipo de cascalho, na maior parte do trajeto. COYHAIQUE Se você olhar no mapa, de Balmaceda já dá pra seguir direto rumo ao sul sem passar por Coyhaique, porém, como em Balmaceda não tem nada além do aeroporto e de um restaurante, fomos à capital da XI Região Chilena – Región de Aysén – para abastecer de víveres (cerveja e vinho) e completar o tanque de diesel, pois alugamos a S-10 a gasolina mas nos deram uma a diesel, são adoráveis esses chilenos. Coyhaique é a Capital da Região, mas nada parecida com nenhuma Capital brasileira, pequena, arrumada, limpa e organizada, tem um grande supermercado e vários outros bem menores, parecidos com as nossas mercearias de bairro; opera o único hospital de toda a XI Região (que abriga cerca de 150.000 almas, 1/5 desses habitantes residindo em Coyhaique) e uns 03 postos de combustível que competem mais ou menos nesses preços: Gasolina 93 octanagem – 767 pesos chilenos (R$ 4,22) Gasolina 95 octanagem – 800 pesos chilenos (R$ 4,40) Gasolina 97 octanagem – 833 pesos chilenos (R$ 4,58) Diesel – 541 pesos chilenos (R$ 2,97) Por volta das 13 hr seguimos rumo sul em direção à Villa Cerro Castillo, distante 93 km, numa Carretera asfaltada que passa pela Reserva Nacional de Cerro Castillo; esse percurso é lindo por conta das montanhas nevadas que a estrada cruza tão próxima que dá pra por a cerveja no gelo que se acumula perto do acostamento; pela possibilidade de avistar os tais Huemul, animais parecidos com cervos só que bem maiores e ameaçados de extinção; além de durar somente cerca de uma hora. VILLA CERRO CASTILLO Cerro Castillo é um vilarejo onde residem umas 500 pessoas, mas tem uns 4 ou 5 restaurantes, várias cabanas pra alugar e algumas mercearias ou mini mercados, como eles chamam. Estivemos lá na viagem de 2014, onde nos hospedamos nas cabanas do Tropero, do seu Eduardo e dona Eliana, mas dessa vez pretendíamos chegar logo a Villa O’Higgins e deixamos Cerro Castillo após um bom almoço de carne com batatas. Pra você que é fã de comida e bebida como nós, no sul do Chile se come sempre uma proteína (carne de gado, frango, porco ou peixe, menos oferecido e quase sempre salmão) e um carbohidrato (quase sempre batata), mas que em alguns lugares dá pra substituir por salada (alface e tomate). VILLA PUERTO RIO TRANQUILO Saímos de Cerro por volta das 14:30 hr e seguimos para Villa Puerto Rio Tranquilo, a 120 km de estrada de rípio, na sua maior parte larga e lisa que percorremos em cerca de 2 horas, vislumbrando montanhas congeladas, rios bravios e lagos serenos de águas límpidas e cristalinas, principalmente o Lago General Carrera, um dos maiores da América do Sul. Em Puerto Rio Tranquilo procuramos por cabanas (chalés aqui no Brasil) e alugamos uma por 30.000 pesos chilenos (R$ 150,00) a diária pra duas pessoas. Clima frio, perto de 0C, fogo na lareira, saca rolhas na mão e paisagem do lago General Carrera na frente de casa. Mais tarde comemos uma pizza num trailer com o sugestivo nome de “Truco e Mate” que seduziu esses dois mineiros, onde a anfitriã Helena demonstrou toda a simpatia e bom acolhimento dos chilenos a nós brasileiros (a pizza custou 9.000 pesos chilenos – cerca de R$ 45,00 – e é você que escolhe os ingredientes). 22 OUT 17 - DOMINGO Cordamos cedo, após um pernoite quentinho dentro da cabana aquecida pela lareira a lenha, ouvindo o forte vento que soprou noite adentro e alguns locais borrachos batendo papo até tarde na bodega ao lado, porém só levantamos por volta das 8 horas; café tomado, abasteci novamente a S-10, por 621 pesos chilenos o litro de diesel, pagamos pela hospedagem e pé na estrada com destino a Caleta Tortel, distante 238 km em estrada totalmente de rípio. PASSANDO POR COCHRANE Percorremos uns 115 km e chegamos a Cochrane, Capital da Província de Capitán Pratt, pertencente também à Região de Aisén, ondem residem mais ou menos 3.000 habitantes, conta com posto de combustível (onde completamos o tanque a 618 pesos chilenos o litro) alguns mini mercados, um mercado um pouco maior, bonita e grande escola, banco, padaria, açougue, etc. Mas decidimos não ficar por ainda ser 10:30 hr e para adiantarmos a viagem, na volta exploraríamos a cidade com calma. CALETA TORTEL – CIDADE SEM RUAS De Cochrane a Caleta Tortel foram 130 km, chegamos às 13 hr debaixo de uma chuva fina e inconstante e um frio de 3C. Nessa pequena vila, onde moram cerca de 600 pessoas, não circula carro, pois as ruas são feitas de passarelas de uma madeira. No início, o Ciprés (Cipreste Chileno) ou Alerce da Patagônia, era abundante e foi um dos motivos da ocupação humana do local, pela sua extração, sendo também muito utilizado como material para a construção de Tortel; agora, já bastante explorado, as casas e passarelas estão bastante desgastadas e são reformadas e construídas com madeira menos nobre. Deixamos a S-10 no estacionamento central e público e fomos percorrer a vila em busca de paisagens, comida, bebida e local para pernoitar. Sobe e desce danado percorrendo as várias escadarias de madeira que nos deixaram de boca aberta e suando, apesar do frio, mas as fotos valeram o esforço. Acabamos por encontrar um pitoresco e agradável restaurante com vista para a baía, onde pedimos cerveja das mais baratas, já que as artesanais à venda eram caras demais; ficamos bebericando e nada do cara voltar a nos atender, vimos duas mesas cheias com uns oficiais da Armada chilena que aguardavam o almoço solicitado momentos antes da gente chegar, eles eram do navio que víramos na chegada a Tortel. Acontece que o garçom também era o cozinheiro e o dono do lugar, percebemos que ele estava na merda, bebemos as bandidas e fomos atrás de lugar pra ficar. Depois de percorrer a vila toda, literalmente, optamos pela hospedaria da Marcella Cruces, que só tem duas suítes, mais sala de jantar e sala de TV integradas. Alugamos uma suíte por 35.000 pesos chilenos (R$ 192,00), buscamos a bagagem, nos alojamos e voltamos pro El Mirador, o restaurante pitoresco que nos agradou. Agora já mais calmo e sem as autoridades pra servir, o Diego nos atendeu pedindo desculpas e apresentando a esposa Sílvia que tinha chegado pra dar uma mão. Eles tinham arrendado o lugar fazia 03 dias e ainda estavam se adaptando ao serviço. Comemos carne com batatas e salada, que nos foi oferecida como cortesia, vinho chileno que o Diego nos ensinou o modo certo de ser servido, bom bate papo com o dono bebendo conosco, calor da lareira, afago no estômago e na alma. Depois disso, sobe e desce nas escadas, chegada na hospedaria, cuja porta fica destrancada dia e noite, e bons sonhos. 23 OUT – SEGUNDA Dormimos até tarde, pois estava chovendo e fazia frio, além do mais, para chegar no nosso próximo destino, Villa O’Higgins, teríamos que atravessar uma balsa que só sai 02 vezes por dia na baixa estação, ao meio dia e às 15 hr, retornando às 13 e às 16 hr. Tomamos nosso café da manhã, nada mais que pão, manteiga, presunto, queijo, café e leite, juntamos as coisas e partimos. PUERTO YUNGAI A estrada nessa parte da Carretera fica muito mais estreita, sinuosa e perigosa, se bem que a probabilidade de encontrar um veículo em sentido contrário é baixa, pois não tem cidades antes da balsa, mesmo assim demos de cara duas vezes com carros no sentido contrário, deviam ser moradores das poucas e pequenas propriedades existentes. De Caleta a Puerto Yungai, de onde sai a tal balsa, são 43 km, mas reserve de 60 a 90 minutos por causa da estrada. Chegamos às 10:40 hr e ficamos aguardando o embarque que só seria próximo ao meio dia. Travessia tranquila, 40 minutos de navegação de graça, serviço subsidiado pelo Governo. Mas atenção, a balsa embora limpa, conservada e super arrumada, só atende 14 carros por travessia, no máximo. Melhor chegar cedo e esperar, senão somente na viagem das 15 hr e concorrendo com os caminhões. Há, na alta estação, que vai de Dez a Mar, tem mais uma saída às 10 hr com retorno às 11 hr. O desembarque é feito em Puerto Rio Bravo, que também não oferece nenhum serviço, só tem um casa de madeira, sem banheiro. Em Puerto Yungai tem um bar/restaurante que só deve abrir na alta estação. VILLA O’HIGGINS Percorremos mais 110 km e, por volta das 14 hr, chegamos na cidade mais ao sul da viagem – Villa O’Higgins. Entramos no restaurante San Gabriel, pedimos o prato de sempre e um bom tinto. O preço praticado foi o normal pra toda a viagem, entre 6 a 10.000 pesos chilenos por pessoa (R$ 33 a 55) e os vinhos desde 2.300 pesos nos mercados (R$ 12,00), até 12.000 pesos nos restaurantes (R$ 66,00), sendo que o normal era pagarmos 30.000 pesos chilenos (R$ 165,00) por refeição para dois, incluindo o vinho e a gorjeta. No entanto existem opções mais baratas como pizza, lanches, cozinhar nas cabanas que são completas e até mesmo economizar nas bebidas. Depois do lauto almoço, fomos atrás de lugar pra ficar e achamos as Cabanas San Gabriel a 40.000 pesos chilenos a diária (R$ 200,00). Como iríamos permanecer 02 dias, decidimos ficar à toa no resto da tarde, passeando de carro até o embarcadouro 3 km ao sul da cidade, onde realmente termina a Carretera Austral. Dali em diante nada de estrada no sul do Chile, somente ruas e estradas vicinais em Punta Arenas, nosso objetivo havia sido alcançado e estávamos felizes e gratos por isso. Voltamos à cidade e passamos no mercado San Gabriel (sic), parece que muita coisa pertence ao mesmo dono...vinho na cabana já aquecida pela lareira, futebol americano na TV e cama. 24 OUT – TERÇA Amanheceu frio, mas com tempo bom e só um pouquinho nublado, bom para uma caminhada, já que ir ao Glaciar O’Higgins estava fora de cogitação pelo preço cobrado (U$ 250 por pessoa) e por somente ter saída aos sábados. Optamos por ir a pé, e de graça, até o sendero Mirador Del Vale, cuja entrada fica dentro do Parque Nacional, bem atrás da Plaza de Armas da cidade, tudo pertinho, fácil de encontrar e trilha muito bem sinalizada. Não se assuste ao ver as placas dizendo que o percurso dura de 1 ½ hora a 2 ½ horas, eu e Rogério subimos em 40 minutos e estamos bem fora de forma. A vista lá de cima é magnífica, vê-se toda a cidade (o que não é tão difícil assim), os lagos, o rio e o canal de degelo que ele faz, as montanhas próximas...até neve caiu enquanto tomávamos uma Escudo, cerveja chilena de boa aceitação e custo. Dá ainda pra seguir adiante e ir até o Glaciar Mosco, que dizem ser imperdível, mas a placa nos assustou informando o percurso de 21 km e 1 ½ dia de caminhada, desistimos porque só tínhamos levado Escudo suficientes pra chegar até ali. Descemos e conjecturamos entre subir ao Mirador La Bandera (mais uma hora de subida e meia hora pra descer), ou ir ao restaurante San Gabriel, que nos aguardava com comida e bebida, essa segunda opção ganhou sem resistência. Passamos antes na biblioteca pra tentar contato com a família, pois somente lá tem wi-fi público e de graça. Contatos feitos, biblioteca aquecida, limpa, arrumada, com atendentes agradáveis e atenciosos, o Chile é adorável e o modo de vida da sua gente também. Almoçamos e tiramos um belo cochilo no calor da cabana. O resto do dia e à noite também permanecemos curtindo a cabana e o lugar que almejáramos estar desde tanto tempo...melhor só se as mulheres tivessem ido. 25 OUT – QUARTA Como a balsa só sairia às 13 hr, acordamos preguiçosamente, botei mais lenha na lareira, tomamos café e ficamos de bate papo. Pagamos a Cabana San Gabriel no restaurante de mesmo nome e às 10:30 hr saímos rumo norte. TRAVESSIA PUERTO RIO BRAVO – PUERTO YUNGAI Às 11:50 hr e aguardamos a balsa chegar junto com mais 03 camionetes e 01 caminhão pequeno. Meia hora depois foram chegando mais 03 carros, uma Van e por último um caminhão caçamba enorme. Comento com Rogério que se chegar mais alguém pode dar rolo. A balsa chega lotada, os diversos veículos desembarcam e começa o embarque das 13 hr por ordem de chegada, todos respeitando quem chegou primeiro numa civilidade de dar inveja. Na nossa vez o funcionário da balsa pede pra esperarmos e darmos a vez pra uma Van de passageiros, eu como brasileiro já achando que iria ser passado pra trás, sabe como é, o cara da Van é conhecido e deve ter algum arranjo com os da balsa. Fico esperto e posiciono a S-10 pra não dar chance a mais ninguém ser embarcado logo depois da Van a não ser nós. Bobagem minha, era só por questão de balanceamento da carga, no final couberam todos, até mesmo o caminhão enorme que lotou o carregamento. Ainda fico imaginando se aparecessem mais veículos o que ocorreria. E se alguém resolve furar a fila? Pensamentos típicos de um brasileiro acostumado a viver num país sem respeito dos seres humanos aos seus próprio pares, deixa pra lá. Mais 40 minutos de travessia e desembarcamos em Puerto Yungai, dali até Cochrane, nosso destino naquele dia, seriam mais 120 km. COCHRANE Chegamos por volta das 15 hr e fomos logo abastecer a S-10 e buscar cabana pra alugar. Escolhemos as Cabanas Rogeri, pelo sugestivo nome, pelo preço de 40.000 pesos chilenos a diária e por ficar bem no centro dessa pequena comuna. Comemos umas empanadas na padaria, um tipo de pastel, trocamos U$ 200 no banco só pra garantir, fomos ao mercado, e ficamos bebericando e lendo na cabana, já que o ritmo deles é diferente do nosso. Normalmente o povo acorda tarde (acho que por causa do frio), o comércio só abre às 10 hr, almoço a partir das 13 hr, no meio da tarde tem o excelente costume da siesta, vida noturna a partir das 21 hr. Pelo que vi, é assim que funciona por lá. Depois das 21 hr fomos ao Pub em frente à cabana – um dos motivos de termos escolhido o pernoite ali – jantamos boa comida regada a vinho, embora eles produzam a sua própria cerveja. Local agradável, ambiente interno decorado com madeira, como é em todo restaurante que fomos, aquecimento à lenha, serviço bem feito e preço justo, pagamos 33.000 pesos chilenos. 26 OUT – QUINTA Rumo norte, mas sem destino pré-definido, na ida tínhamos passado por um vilarejo chamado Puerto Bertrand, 48 km a norte de Cochrane, onde vimos algumas opções de hospedagem bem atraentes margeando o rio Baker e queríamos dar uma olhada nos tais Lodges. CONFLUÊNCIA RIOS BAKER E NEFF Uns 30 km entre Cochrane e Puerto Bertrand tem uma pequena entrada, sinalizada com uma placa, que indica a confluência dos rios Baker e Neff. Aproveitamos o tempo disponível e paramos na porteira ao lado do acostamento. Caminhada de 15 minutos por entre uma larga e plana trilha e demos de cara com um rio engolindo outro. O rio Baker, muito maior, com águas de degelo e corredeiras nervosas, recebe e assimila sem esforço o rio Neff, de águas marrons e mais tranquilas. Lindo lugar pra tirar fotos e sentir a exuberância da natureza na Patagônia. LODGES EM PUERTO BERTRAND Seguimos adiante e, bem próximo a Puerto Bertrand entramos nos tais Lodges pra sondar o preço, U$ 138 a diária pra dois em uma cabana bem bonita e elegante. Fomos em outro Lodge, 90.000 pesos chilenos a diária pra dois, mas a cabana era simples. Tudo bem, ainda nem era meio dia, fomos no vilarejo e vimos que não tinha movimento algum, que tal irmos a Puerto Guadal? PUERTO GUADAL Seguimos rumo norte uns 35 km de Bertrand, passando a entrada pra Guadal e Chile Chico, pra darmos uma olhada em outros Lodges à beira de um bonito lago chamado Lago Negro. A Hacienda Tres Lagos é uma propriedade linda e charmosa, com preço nada elegante, 100.000 pesos chilenos a diária de uma cabana. Voltamos e entramos pra Guadal, vilarejo um pouco maior que Bertrand à beira do Lago General Carrera, lugar bonito, mas com infra estrutura ainda a desejar; até paramos num Lodge chamado El Mirador de Guadal pra sondar o preço e, como não apareceu ninguém pra nos atender, decidimos ir embora, passando no mercado local pra abastecer dos víveres que já nos faltavam. PATAGÔNIA BAKER LODGE – PUERTO BERTRAND Como é bom sair sem destino marcado, optamos por voltar no Patagônia Baker Lodge, perto de Bertrand. Tínhamos U$ 400 cada um pra torrar e um presente pra carcaça sempre é bem vindo. Decisão pra lá de acertada, o Lodge vale o preço por conta da estrutura montada naqueles locais tão isolados. Nos alojamos, tiramos várias fotos do lugar, aquela mão no rio Baker pra sentir a temperatura da água, rafting nem pensar, canoagem fora de cogitação, tirolesa pra quê? Esquece! Essa viagem foi bolada pra dois irmãos passarem um tempo juntos, sozinhos, apreciando a comida e a bebida e conhecendo os lugares sem stress. O preço do jantar no Lodge era salgado demais, U$ 25 por pessoa com bebidas à parte, daí que vamos ao vilarejo e paramos num dos 03 restaurantes abertos de Bertrand, a dona/garçonete/cozinheira nos diz que só abre às 20 hr, ainda eram umas 18:30 hr, dissemos que iríamos querer comer uma carne de vacuno (boi) e cerdo (porco) mas que voltaríamos às 20 hr, assim despretensiosamente. Descemos a ladeira em direção ao rio Baker, compramos um vinho no mercadinho e fomos sentar num banco perto do rio. A dona do mercado disse que não poderíamos ficar degustando nosso tinto na frente do estabelecimento porque era considerado local público e, se os carabineiros passassem nos levaríamos presos, só que a 20 metros dali, debaixo da árvore naquele banco pode...vai entender, né! O vinho estava delicioso. Voltamos ao tal restaurante às 20:15 hr e, pra nossa surpresa, os pratos que havíamos sugeridos comer já estavam no final do preparo!!! Olhamos um pro outro, risadas contidas, garfo e faca na mão e bora comer. 27 OUT – SEXTA Feriado no Chile, perguntamos de quê era e ninguém sabia, rs. Depois de uma olhada na folhinha no escritório do Lodge vimos que era dia de São Gustavo, o nome do filho do Rogério e meu sobrinho, legal, vamos aproveitar o dia. VALE DOS EXPLORADORES – PUERTO TRANQUILO Saímos do Lodge já perto das 11 hr, depois do café da manhã que estava incluso na diária, seguimos rumo norte direto pra Puerto rio Tranquilo. De Bertrand a Tranquilo são uns 60 km, bem pertinho, e é lá que fica a entrada para o Vale dos Exploradores, local onde tem um Glaciar que queríamos dar uma olhada. Em Rio Tranquilo tomamos uma sinuosa e estreita estradinha de terra/rípio por exatos 52 km para poder chegar ao Parque Nacional dos Exploradores; nossa ideia era observar o Glaciar dos Exploradores e tirar fotos, talvez caminhar sobre ele. Dirigindo nessa estradinha por cerca de 01 hora, vislumbrando paisagens de lagos semi congelados, línguas de gelo descendo das montanhas, cachoeiras de águas cristalinas, pinheiros e ciprestes, margeando sempre um rio bravio pelo degelo, chegamos, sendo muito bem recebidos pelo guarda parque que nos explicou o funcionamento. Para caminhar sobre o gelo do glaciar, as saídas ocorrem das 09 às 11 hr e o retorno tem que ser até as 17 horas, com a presença obrigatória de guias cadastrados que podem ser contratados em Rio Tranquilo. São 02 horas de caminhada até o glaciar, 02 hr caminhando sobre o gelo e 02 horas pro retorno. Já eram 13 hr, como nós nem queríamos mesmo andar em cima de gelo, nos contentamos em seguir por 20 minutos em uma picada na mata densa e úmida e chegar num mirante que, pra nós foi suficiente. Pra mim passeios de graça me deixam sempre mais contente; o cara ainda disponibilizou um estagiário pra nos levar até o mirante, tratamento VIP. VILLA CERRO CASTILLO Fotos tiradas, retorno sossegado até Tranquilo, pizza na Helena de novo e pé na estrada pra Cerro Castillo, onde chegamos por volta das 17 hr. Era festa de aniversário de 50 anos do vilarejo e o lugar estava lotado (pros padrões patagônicos), iria até haver uma festa no ginásio novinho. Demoramos um tempão pra conseguir uma cabana, o Sr Amim nos alugou uma ainda por terminar por 40.000 pesos chilenos. Deixamos as coisas na cabana e fomos ver a tal festa que começou às 20 hr e tinha danças típicas chamadas de rancheiras, todos dançarinos vestidos à caráter, bonito de se ver e de se ouvir. Ficamos uma meia hora e, com sede, fomos jantar e tomar aquele tinto, já que no ginásio não se vendia bebidas alcoólicas, só que pela quantidade de jovens meio borrachos eu desconfio que eles camuflam o goró em algum lugar...essas leis só servem pra proibir o que é bom! 28 OUT – SÁBADO Choveu e nevou a noite inteira, mas como dormimos no quentinho da cabana e sua lareira a todo vapor, nem sentimos o frio que fazia lá fora. Café da manhã tomado e partimos rumo a Coyhaique, eram 10 hr. COYHAIQUE A S-10 atravessou de novo o Parque Nacional de Cerro Castillo, só que dessa vez a paisagem era bem mais congelada e bonita, fazendo com que essa dupla de mineiros do sul de MG descesse do carro e desse uma boa caminhada sobre o gelo e neve que se acumulou ali bem ao lado da estrada. Sensação boa essa de andar sobre a neve fofa, nem precisa dos tais grampões de que ouvimos falar, na verdade nossos calcanhares afundavam o tempo todo e, quando o pé começou gelar e a brincadeira ficar sem graça voltamos pro carro, deixa isso pra quem estiver mais bem preparado. Chegamos a Coyhaique ao meio dia. Depois de uma hora percorrendo a cidade, seguimos em direção ao aeródromo da cidade e encontramos um argentino de Santa Cruz que tem uma propriedade chamada Cabañas Don Joaquin. Alugamos uma a 45.000 pesos chilenos a diária pra dois e foi a melhor opção que encontramos, pois está na beira do rio Simpson, é arrumada, limpa, completa e o atendimento super afável mesmo pra um argentino. Já alojados, seguimos a indicação do Sr Joaquim e fomos almoçar ali perto mesmo, e foi a melhor carne que comemos em toda a viagem, costela de gado muito bem cozida e temperada por um casal de idosos donos de um restaurante que esqueci o nome, mas que fica ao lado do restaurante El Conejo, a verdadeira indicação do Joaquim, não tem errada. À noite fomos no El Tropero, uma cervejaria que fabrica suas próprias birras e serve umas hamburguesas muito boas, embora o preço seja um tanto salgado. 29 OUT – DOMINGO Mais um dia pra ficar à toa, fomos ao mercado, compramos carne (que não é muito boa, acho que por causa da raça do gado) e arriscamos um churrasco na varanda da cabana pra mostrar pro argentino como é que se faz isso direito, hehe. Embora mineiro, morei no sul do Brasil por algum tempo e acho que aprendi a queimar uma carne! Passamos o dia entre a comida, bebida e os causos do Joaquim. À noite fomos de pizza na cabana mesmo. Dia de descanso total pra enfrentar a maratona que seria a viagem de volta. 30 OUT – SEGUNDA Saímos às 9 hr da cabana deixando o pagamento e as chaves debaixo da porta do Joaquim, que devia estar dormindo ainda. Teríamos que devolver o carro até as 10:30 hr no aeroporto de Balmaceda, distante 01 hr. Ao chegar no aeroporto, não havia ninguém no totem da Europcar, os caras só aparecem mais perto dos vôos que chegam o que, naquela manhã, só aconteceria às 12:30 hr. Tudo bem, nosso vôo só seria às 17:18 hr mesmo. Matamos o tempo ficando no hall do aeroporto conversando com estrangeiros, até tentamos comer e beber algo, mas os preço eram abusivos. Entregamos o carro sem problemas e sem muita burocracia, de mão, conseguimos adiantar o vôo para as 15:00 hr, chegando em Santiago às 18 hr, onde comemos bem e degustamos a derradeira garrafa de tinto no Chile, pelo menos nessa viagem. Ficamos no mesmo restaurante da ida e também descansamos um pouco no mesmo banco acolchoado. Às 4 da manhã embarcamos de volta pro Brasil. Esse relato objetiva encorajar principalmente brasileiros a sair do turismo tradicional e de massa que as operadoras divulgam o tempo todo. Evitar as grandes metrópoles que nos roubam o tempo no trânsito sempre caótico, o movimento estressado da enorme população residente e os mesmos locais que já estão por demais batidos na mídia. Inspirar as pessoas para visitar lugares de gente acolhedora, simples e honesta. As paisagens que presenciamos e o convívio com esse povo agradável valeram cada centavo gasto. No final, utilizei R$ 6.000,00 por 10 dias no sul do Chile, com um excelente carro alugado, vivendo em cabanas mobiliadas e completas, comendo e bebendo sem ter que olhar muito no lado direito do cardápio, mas também sem ser imprudente. Percorremos exatos 1.594,3 km numa das regiões mais inóspitas e interessantes do nosso continente e, o melhor de tudo, acompanhado dessa figura que amo tanto, meu irmão Rogério ao qual agradeço pela iniciativa e os ótimos momentos passados. Gratidão a todos vocês que tiveram paciência pra ler. Deixo meu e-mail pra contato e mais alguma informação que queiram: [email protected]
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