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Henrique B

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Tudo que Henrique B postou

  1. Utilizei o relato do Alessandro para minha viagem. Muito importante pra ter uma pequena idéia de uma surftrip na Costa Rica. Resolvi também dar meu relato buscando ajudar as pessoas que estão indo para lá, assim como o Alessandro me ajudou. Antes de mais nada, queria destacar alguns pontos importantes sobre a Costa Rica, caso não esteja com vontade de ler todo o relato: 1) O povo costariquenho é muito, mas muito simpático e amigável. Eles deixam de fazer as coisas deles para te ajudar. Então você será muito bem recebido lá e todas as informações que solicitar serão respondidas com muitos detalhes; 2) O espanhol é importante, mas o inglês é muito falado lá. Por ter minha cara de gringo, eles sempre tentavam falar em inglês comigo, mesmo que durante a mesma conversa eu tenha falado não só uma vez: "En español tico. En español". Eles falam um pouco em espanhol e já trocam para o inglês; 3) O cartão de crédito mais aceito é o Visa e Mastercard. Em alguns lugares aceitam American Express e Dinners. Não façam como eu. Não arrisquem levar uma tarjeta diferente de Visa e Mastercard, pois poderá passar por apuros. A maioria dos hostels e hotéis não aceitam cartão de crédito. Se informe antes; 4) Colones não é tão importante. Praticamente em todos os lugares aceitam dólares. Quando cheguei no aeroporto, troquei 100 dólares em Colones. É mais do que o suficiente. Utilizei basicamente para transporte público. Hostels, supermercado, taxis, restaurantes e até o mercadinho da vila mais inóspita aceita dólares como pagamento. A conversão deles é simples (nesta época que fui): 500 colones = 1 dolar. É mais do que a cotação na época que fui, pois a casa de câmbio estava 460 colones o dólar. 5) Sim, você pode fazer toda a viagem de bus e confortavelmente. Claro que terá que se programar bem com os horários para não perder nenhum bus, pois poderá ficar 2 horas esperando o próximo; 6) Não. A Costa Rica não é perigosa. Quem diz isso conhece o Brasil através de condomínios fechados e seus carros com insulfilm preto. Não senti nenhum perigo. Não fui nem de perto ameaçado por alguém com cara estranha. Claro que deve manter o mínimo de cuidado. Não deixe seu carro em qualquer lugar, não deixe pertences visíveis, não dê mole... se não até no condomínio de luxo do Brasil será roubado; 7)Costa Rica tem muita onda. Ondas que jamais imaginou. Se está aprendendo, este é o lugar perfeito. Tente ficar longe de praias com fundo de pedra, pois se não conhece marés ou errar um drop feio, poderá ter alguns problemas. Poucas praias possuem fundo de pedra. Fique ligado. Fui no período de entre-safra de ondas (novembro-dezembro). A melhor época é dezembro, janeiro e fevereiro (segundo os próprios locais). Se você está aprendendo, fique longe desta época, pois dependendo do swell pegará um mar grande e com muito Crowd. Ouvi relatos de brigas e até um cara que jogou uma pedra na prancha de outro. Esta época tem ótimas ondas e muitos americanos. Imagina tu sendo um local, que quando realmente tem onda precisa dividir elas com um noob que não sabe nem dropar e que fica rabeando todo mundo? Paciência tem limite. Ok, todo mundo tem que aprender, então vá em época com menos gente; 9) Na época que fui tinha gente na água, mas não consideraria um crowd. Tem onda para todo mundo, pois ela é frequente e ondas perfeitas é o que mais tem. Se disputou a onda, deixe ela para o cara, logo atrás vai vir uma outra igual. Crowd é a prainha do RJ em dias bons. Lá o que tem é bastante gente aprendendo e gente na água. Vai sentir um pouco nas praias pequenas tipo Santa Teresa, mas é de boa. As outras praias são grandes e pode se posicionar em locais sem tanta gente, para surfar sozinho. Não vai pegar "a melhor onda" onde estão os locais, mas tenho certeza que serão as ondas de sua vida. 10) O aluguel de carro é absurdamente caro, não o aluguel, mas o seguro. Você pesquisa e pensa: que barato. Não... quando pagar o seguro vai sentir. Cerca de R$ 1.500,00 queriam me cobrar para 8 dias. O combustível é caríssimo. Cerca de U$ 7 o galão. Veja quanto vale o seu conforto. Fiz a viagem de bus e foi inesquecível. Cada viagem é uma aventura e curto muito isso. Quer alugar um carro? Tem a Correcaminhos em Jaco. Lá é bem mais barato. Não são carros novos como uma Alamo, mas que irão te economizar um bom valor. Cerca de U$ 50 o dia, já como seguro completo. O depósito de garantia era somente U$ 600. Se for ficar com o carro bastante tempo, pode até negociar. O dono é muito gente boa; 11) Você precisa pagar uma taxa de U$ 30 para sair do país. Não esqueça disso; 12) Se for levar prancha, a Avianca cobra U$ 50 por viagem. Acho que é a única cia que cobra; 13) Se quiser alugar lá, toda as cidades e locais possuem pranchas para locação. Cerca de U$ 15 o dia. De repente pode ir na primeira cidade, olhar as pranchas, testar elas e quando achar a que gosta, negocie para a trip inteira e leve ela junto. Já que o quiver das lojas pode variar e de repente não achar uma do seu gosto. Eu levei a minha. Não ia deixar minha pranchinha mágica em casa; 14) Você pode comprar um chip GSM da Costa Rica, pré-pago. O cara me indicou um da Kobi, pois solicitei o que tivesse melhor cobertura. Realmente é excelente e melhor do que o Brasil. Aquela operadora pegava simplesmente em TODOS os lugares e tinha acesso a internet de alta velocidade em qualquer lugar. Coloquei 20 dólares nele, mas não precisava, pois somente 3 dólares já era o suficiente. Coloquei 20 dólares porque tinha entendido que me cobrariam conforme o uso, mas não foi bem assim... eu ganhava acesso a internet por vários dias, quando vencia, pegava um pouco do valor do pré-pago e eu tinha internet por outros vários dias. Confesso que não entendi e que não fui atrás para entender melhor. U$ 20 para acessar internet em qualquer lugar e com boa velocidade? Tava pouco me importando se tinha créditos demais no meu chip; 15) Sua viagem pode ser muito barata se economizar na comida. Procure sempre por restaurantes simples que tenham o Casado (é o nosso PF), pois normalmente achará por 2.500 colones com suco incluso (U$ 5). Há muitos restaurantes para gringos, então enfiam a faca (U$ 20 - U$ 30). Em supermercado o suco é caro, queijo, presunto, tudo é caro. Fique de olho. Se é uma viagem econômica, cuide no que comprar. Leve seu próprio protetor e em grande quantidade, pois se precisar comprar lá é muito caro (U$40 o pote pequeno); 16) A água é quente. Pode ir para o mar no pelo. Só cuide com o sol. Utilize protetor 50 e em grande quantidade. O sol queima, mas não muito. Fica vermelho, doi um pouco, mas no outro dia já está melhor. Para escapar, indico usar camiseta. Tinha uma camiseta branca que usava quando estava queimado. Branca porque o sol é forte e ela não esquenta. Preta irá te fritar. Bom, depois dessas considerações, vamos para meu relato. Saí do Brasil sem nenhum hostel ou hotel reservado. Fiquei para decidir lá, pois queria ver in loco para onde iria, conversar com os locais, tirar minhas próprias conclusões. Se você for no final de dezembro, janeiro, fevereiro e páscoa, isso pode ser um pouco arriscado, pois é alta temporada e as boas pousadas não estarão disponíveis. Chegando no aeroporto, primeiro fiz o câmbio de U$ 100 dólares para colones (olhe a consideração 4) logo no desembarque (lá tem uma casa de câmbio antes de sair da sala de desembarque). Depois me dirigi até o escritório da Alamo para pegar o carro que tinha reservado. Fizeram o traslado até a Alamo no centro de San Jose. Na Alamo, verifiquei os valores (bem diferente do que tinha visto no site, principalmente do seguro) e mesmo assim aceitei (não ia ser louco de ficar a pé). Pedi então para colocarem em dois cartões. O aluguel no VISA (que o valor era menor) e a reserva/depósito de U$ 1,000 (no Dinners). O que o cara fez... tudo ao contrário. Colocou a reserva no Visa e depois o aluguel no Dinners... quando ia colocar no Dinners, olhou para o cartão e disse: não aceitamos este aqui. Fiquei puto da cara, pois o cara usou todo o meu limite restante do VISA e só depois me avisou do Dinners. Resumo: estava sem carro e sem cartão. Pedi para o cara cancelar a reserva que tinha feito no Visa e ele disse que em até 48h estaria liberado. Bom. Sem carro, sem crédito e sem ter a menor idéia de onde estava. A sorte que tinha wifi na Alamo... fui pesquisar. Descobri que existe um terminal Coca-Cola e que de lá saem ônibus para todas as cidades. Naquele momento decidi meu destino: iria para Jaco, pois sabia que era somente 1:30h de viagem e chegaria no começo da noite. Comecei a usar meu espanhol. Perguntei para o motorista do traslado da Alamo se havia algum ônibus que saía do Aeroporto para este tal terminal. Ele disse que sim e me deixou no aeroporto. Então funciona assim: você sai do aeroporto e logo na frente dele tem uma parada de ônibus. Lá você pega um ônibus que vai até o Schotlandbank / hospital da criança. Para minha sorte havia um ônibus parado e consegui perguntar para o motorista qual deveria pegar... e era exatamente aquele. Durante a viagem de ônibus perguntei para as pessoas onde era esse tal terminal e se poderiam me avisar quando chegasse perto do Hospital. Fizeram melhor. Uma mulher se prontificou a me levar até lá (olha onde chega a bondade das pessoas na Costa Rica). Descemos na parada que comentei antes, dobramos a esquina do banco, descemos duas ruas, dobramos a esquerda e andamos mais 100m. Lá estava o terminal. Fui até a bilheteria (não sabia que exisitia, mas um senhor viu que eu era de fora e perguntou: ja comprou seu ticket e me indicou onde comprava - olha a bondade desse povo) e a próxima viagem era em 2h. Comprei minha passagem por 2.400 colones e mais 1000 colones pela prancha (uns U$ 6. Olha a barbada para uma viagem de quase 2h). Como tinha tempo, fui até uma lojinha do lado onde comprei o chip gsm (ver consideração 14) e carreguei meu celular. Aí já vi que a minha ponteira do carregador não servia nas tomadas deles e que precisava de um adaptador. O cara tinha e só por 500 colones (U$ 1). Fui na loja do lado e comi um Pollo, com molho, arroz e banana verde frita (típico de lá e é ótimo). Tudo dando certo. Peguei o ônibus e na viagem reservei meu hostel em Jaco. Hostel ótimo, tinha um quarto com 4 camas, mas só eu tinha reservado. Estava em casa. Jaco é uma das praias mais desenvolvidas. Desenvolvimento é: asfalto, tem supermercado grande, Subway, KFC e locadoras de automóveis. Se desenvolveu mais por ser muito perto da capital San Jose. Indico Jaco. Foi uma decisão muito acertada, pois lá pode-se usar como base para visitar outras praias. Há um transporte público muito bom e te leva para todos os lugares. Acordei cedo no outro dia, mas como não estava acostumado, acordei na maré errada. Lá as ondas tem muita influência com a maré. A maioria delas tem boas ondas no crescimento ou na descida da maré. Leve um relógio com tabua ou baixe o Magicseaweed no seu celular. Aí poderá olhar tamanho de onda e exatamente os horários de maré cheia e baixa. Como perdi a maré, fui conhecer a praia. Não é muito bonita, mas diferente. Tirei algumas fotos, fiz alguns vídeos, almocei num restaurante de comida caribenha por apenas 5 dólares, prato da casa com suco incluso. Procure sempre comer em restaurantes pequenos, simples e que tenha Casado, que é o prato típico deles (nosso PF), pois irá economizar muuuuito. Evite os restaurantes com cara de gringo, pois eles enfiam a faca. Você pode comer muito barato (ver consideração 15) se souber pesquisar. Não tenha vergonha de entrar, pedir cardápio, agradecer e sair. Voltei para o Hostel e pedi informações das praias para o dono do Hostel, um argentino muito simpático e que me ajudou muito, falando sobre as praias entre um mate e outro (bebida típica dos gaúchos argentinos e do Rio Grande do Sul). Me indicou conhecer Playa Hermosa. Havia uma parada de ônibus em frente ao hostel (que barbada), mas como sairia dentro de 1h, perderia de novo a maré. Resolvi ir de taxi por ridículos U$ 6. A praia é de areia preta por causa de atividades vulcânicas. Um tanto curioso. Levei uma pequena sacola para guardar os poucos dólares da volta e meu chinelo. Você pode deixar em algum restaurante para cuidarem para vocês (desde que não tenha nada valioso eles aceitam), mas parei do lado de um terreno baldio. Me certifiquei que não havia ninguém em volta, entrei nele e coloquei minha sacola bem escondido entre as plantas. Fui para o mar. Uma onda cavada, forte (não tanto, mas tende a ser tubular com o crescimento do swell) e perfeita, abrindo para os dois lados. Digo com certeza que foi a melhor onda para mim (isso é muito pessoal). Sei que é difícil escolher a melhor onda, mas essa me conquistou. Colocava para baixo, te dava velocidade para manobrar nela, te dava tempo. Era constante. Evoluí muito nela. Saí da água 17:30 (anoitece neste horário), troquei de roupa e fui para a parada de ônibus de Playa Hermosa (a parada da volta não tem casinha, mas fica em frente a casinha do outro lado). Passou as 18:05 e me cobrou ridículos 500 colones (U$ 1). Me deixou na frente do Hostel. De noite fui até o mercado comprar pão, queijo, presunto e água (mais para ter o vasilhame, pois a água é potável e pode preencher novamente com água da torneira). Cuidado no mercado. Olhe preço. A imitação de queijo é muito mais barata e tem o mesmo gosto, proteínas e etc. Por mais que comida industrializada não faça tão bem, neste caso estava buscando economia. Segundo dia acordei cedo para ir surfar Jaco. Uma onda para longboarders. Menor, menos cavada e mais fraca que Hermosa, mas igualmente divertida. Você pega ela com facilidade, em qualquer ponto (Hermosa precisa pegar onde inicia a arrebentar, pois só ali ela te leva com velocidade) e abre como que dizendo: quer brincar? Relaxei ao meio dia e decidi ir para Esterillos. Ficava a 35 min de ônibus. Ele partia as 14h. Saí correndo, em cima do horário e antes de chegar na parada o argentino me chamou e perguntou em que lugar de Esterillos eu iria. Disse que não sabia. Ele indicou o Oeste, que tinha menos gente e a onda era melhor, mas antes devia perguntar para o motorista se a estrada era muito longe da beira da praia. Nisto o ônibus passou... tentamos parar ele, mas era tarde demais. Olhei com uma cara triste... e disse: que se foda, chama um taxi. Tava louco para ir para a Hermosa. Mais um taxi e mais uma volta de ônibus. No terceiro e último em Jaco (fiquei um dia a mais, queria ficar só dois), queria acordar as 6h para ir a Esterillos. Não acordei. Somente as 6:30, bem no horário que o onibus partiu. Fui surfar em Jaco. Voltei, arrumei minhas coisas e antes de sair fui procurar o aluguel de um carro. Entrei na Correcaminhos. Não tem site, não tem várias unidades, mas é o mais barato. Me cobraria U$ 50 por dia um Vitara 4x4(com tudo incluso) + U$ 600 de garantia. Tentamos passar o cartão e o Visa ainda não estava liberado. Não aceitavam Dinners. Aí vi que minha viagem seria toda de bus mesmo. Para você que tem mais tempo e organização, usando Jaco como base, você pode ir para Playa Hermosa, Quepos, Esterillos, Herradura e Punta Leone (a tal escondido). Se tiverem ondas, porque Quepos e Herradura precisa de bom swell para funcionar. De lá pode ir para Dominical, dizem ser uma ótima onda e fica perto de Pavones, a maior/ ou segunda maior/ esquerda do mundo (também precisa de swell bom pra funcionar) Entre um mate e outro no dia anterior o amável argentino me indicou Santa Teresa. Tinha ouvido falar que era um povoado que não queria evoluir, era contra asfalto e tal... mas não aparecia no mapa das boas ondas que tinha pesquisado. Ele me garantiu, tinham ótimas ondas. Estava programado para ir a Tamarindo (estava programado desde que saí do aeroporto que seria meu primeiro destino), mas mudei para Santa Teresa. Pensei: é no caminho, um pouco mais acima é Tamarindo. Não imagina o quanto estava errado. Depois de tentar alugar o carro, voltei para o hostel e peguei o próximo destino. Para ir a Santa Teresa, você precisa ir a Puntarenas, pegar um ferry, depois pegar um bus, pegar mais um bus. Saí para Puntarenas no ônibus das 13h. Torcendo para levar a 1:30 prometida, pois o ferry partiria as 15h e o próximo seria só as 19h (acho). Até levou o tempo prometido, o problema é que ele passou as 13:30h (só o ônibus para Esterillos é pontual). Cheguei as 15h no terminal de Puntarenas. Mantive a calma e esperei um taxi. Me levou até o Ferry por outros ridículos U$ 3. Para minha sorte o Ferry havia atrasado e ainda estava tirando os carros. Deu tempo para comprar a passagem (U$ 1,5) e ir para a fila. A viagem foi ótima, relaxante, bonita... muito legal. Vale a pena. Chegamos até Paquera. Lá desembarcamos e vários ônibus nos esperavam. Como em um aeroporto, taxistas mesclando um espanhol e inglês ofereciam "barbadas" para ir até Santa Teresa por "apenas" U$15. Fiquei na minha, perguntei qual onibus iria para Santa Teresa, me explicaram que teria que ir até Cobano e lá pegar um bus para Santa Teresa. Fiquei na fila do ônibus e nisso vem mais um taxista chato juntando grupos de gringos para irem com eles U$ 15 de cada... imagina. O cara queria U$60 para ir até Santa Teresa. Ficou falando que teria que pegar dois ônibus e etc... como não tinha pressa pra chegar lá, não tinha porque gastar mais. Seria burrice. De tanto que o cara me irritou falei pra ele: U$15 para economizar 30 min. Dois ônibus economizo U$ 13. Nisso ele perdeu 2 dos 3 clientes que tinha conseguido (U$ 13 são duas jantas galera). Na viagem reservei em Hostel. Aí comecei a ter a realidade americana na Costa Rica. Santa Teresa é tomada por gringos. O hostel que fiquei nem o atendente falava espanhol. Santa Teresa é uma praia rústica. Quem conhece a Praia do Rosa, em Imbituba-SC, multiplica por 3. Cheio de gente, carros passando, poeira... mas uma praia linda, limpa, preservada. Lajes de pedras, pequenas pedras no fundo, misturado com areia. Em algumas partes, onde há mais acúmulo de pedras, você ouve o barulho quando o mar recolhe, como se fosse uma sinfonia de chocalhos. Cuidado. Todo os hostels vendem que estão em Santa Teresa. A praia de Santa Teresa fica a 20 min da entrada (onde tem agência da Budget, farmácia e negócios locais). Logo no início é Playa Carmem, depois vem Playa Banana e só bem depois vem Santa Teresa. Dormi no hostel e acordei bem cedo para o surf (já estava adaptado com a tábua de marés. Acordar 5:30, 6h) Primeiro fui na Carmem. Um surf muito bom, onda de ótima formação, nada cavado, onda lenta, que abre bastante. Um playground. Confesso que amei a formação dela, um doce para surfar, mas faltava aquela força que Hermosa tinha. Na tarde, quando a maré voltou a encher, fui na Playa Banana, achando que era Santa Teresa. Onda igual, só é preservada por dois molhes naturais de pedra, que devem manter mais o fundo de pedra e areia. A onda parecia levemente melhor. Nisso fechou minha reserva. Teria que sair no outro dia as 10h, destino Tamarindo. Fui me informar. Não tem como ir a Tamarindo pela estrada interna. Teria que dar uma mega volta pela Costa Rica. Não conseguia entender. Olhava no mapa e Tamarindo estava a uns 150km... como não tinha ônibus para lá? Descobri que há um shuttle para Tamarindo que faz esta viagem. Em 4h. Só que era U$ 50. No outro dia fui surfar em Banana. Quando voltei descobri que o único shuttle sai as 8h. Já era 8h. Peguei minhas coisas e tentei fazer de ônibus. Vocês podem fazer isso, mas no sentido Santa Teresa -> Tamarindo é mais difícil, por causa do Ferry. Ele viaja em poucos horários, então você teria que pegar o das 9h para conseguir pegar um bus em Putarenas com destino a Tamarindo. Deu tudo errado. Peguei o bus as 11>30h, tinha um acidente, então não consegui pegar a tempo o segundo onibus para Paquera (onde iria pegar o ferry). O segundo ônibus passaria as 14h, só poderia pegar o ferry das 17h, chegaria noite em Puntarenas, não sabia o horário que tinha de ônibus para Tamarindo, então tinha tudo para dar errado. Resolvi em Cobano, voltar para Santa Teresa, a tempo de fazer meu surf da tarde. Peguei outro hostel e lá fui informado onde era a real localização da playa (que hostel. Quase que fiquei o resto dos meus dias lá). Fui surfar e deu tempo. Que onda!!! Onda forte, boa formação como a Carmem, mas mais cavada, linda de surfar. Realmente todos tinham razão: Playa Santa Teresa tem uma p... onda. Nisso fiquei indeciso se desistiria de Tamarindo, ficaria mais um dia alí, depois voltaria para o sul para conhecer Esterillos e Dominical. Acordei cedo (5:30 - o que a maré não faz com o cara), fui surfar aquela super onda e pensar na vida. Voltei as 7:15 decidido: queria ir para Tamarindo, vou ir. Liguei para o shuttle e ainda dava tempo para reservar a viagem. Ufaaa. Fui informado que só tinha 35 min para arrumar as coisas. Que correria. Foram U$ 50 muito bem pagos. A viagem foi tranquila, muito bonita, não quis dormir nenhum momento para ver as paisagens, só tinham 3 pessoas na van e viajamos o tempo todo com ar condicionado. Cheguei 13h em Tamarindo. Também reservei o hostel em cima da hora. Muito bem estruturado, ótimas camas, muito limpo. O melhor de todos, mas até descobrir que o problema não era o hostel, mas a cidade. É um lixo, barulhenta, muitas drogas, muita vagabundagem. Não oferecem risco, mas te enchem o saco, pedem cigarro, ficam te oferecendo cocaína, maconha, gritam no meio da rua. Tamarindo é uma praia com asfalto, vários hotéis, restaurantes, lojas para comprar lembranças (o melhor lugar para comprar as lembranças pra familia), tem festa, mas também barulhenta, tem vagabundagem, taxista incomodando. Talvez a pior melhor cidade que visitei. Pior pelas drogas e barulho, melhor pelas opções, pessoas que conheci, alegria (são mais festeiros, conheci Stefano - um italoriquenho que falava 7 linguas!!! Fluentes. Fiquei impressionado com a fluência). Foi a única cidade que ouvi o famoso "Pura Vida". Nessa região usam para tudo, o tempo todo, mas é o único lugar. Me parece que se acostumaram por ser turística, então devem falar para fazer onda e acabaram se acostumando, pois em nenhuma outra cidade tinham falado Pura Vida (em Santa Teresa ouvi uma vez). Incrível que pareça, não possuem onibus. Não tem como ir a Playa Grande, Avellanas, Playa Negra de ônibus. Como cheguei cedo, consegui aproveitar a maré. Ela estava baixando. Tamarindo não tem onda, então fui caminhando (2 km) até Langosta. Quando não tem swell é uma praia para principiantes, mas quando cheguei, vi alguns locais na água no canto das pedras. Vi um saindo e perguntei. Me disse que era perigoso, o fundo era lage de pedra e que haviam desníveis. Mais para dentro era fundo e não tinha problema. Entrei com extrema dificuldade pisando cuidadosamente entre as pedras. Quando me joguei já achando que estava no fundo, dei umas remadas e senti de novo as pedras. Tinha mais uma bancada. Alí dei uma lascada nas minhas quilhas e cortei bem pouco a mão. Passando isso só alegria. Me juntei com os locais (que são amistosos) e começamos esperar a série. A primeira da série deixava para os locais e pegava a próxima. Aquele fundo de pedra era milagroso. Enquanto o swell estava para 0.5 m, aquela onda subia uns 1.5m de face e abria cavado.. Um drop cavado que te jogava com velocidade. Abrindo para manobra. Lindo de ver. Juro que quase chorei. Foram 30 min de altas ondas até os locais irem embora. Não tinha entendido. É que a maré havia trocado e as ondas acabaram. A cada 5min aparecia uma... fui embora quando caí no final da onda e dei de cotovelo na laje de pedra. Vi que estava ficando perigoso. Segundo e último dia da viagem tinha que aproveitar. Queria conhecer Avellanas e Playa Negra. Negociei na noite anterior com um taxista e já tinha uma base. Minha oferta era a seguinte: Iria as 8h para Avellanas. O Taxista me deixaria lá. Aproveitaria a subida da maré. Descansaria e as 14h, na baixada da maré me pegaria em Avellanas, levaria para Playa Negra e me esperaria 1:40 até irmos embora. Começaram as ofertas (pechinche)... U$100. Mínimo que consegui. Acordei cedo e as 8h fui de novo falar com os taxistas. Conheci Alberto ([email protected] - +506 84959560 - Diga que Delmar, do Brasil, indicou e que faz um bom preço. Vai te atender bem, fizemos uma boa amizade). Muito simpático e aceitou fazer por U$ 80. Recomendo. O cara é muito legal. Então fomos para Avellanas. Linda a praia. Linda. Levei tudo: celular, gopro, dinheiro... queria tirar fotos, aproveitar. Tirei fotos da Lolita (procura no Google que vai saber quem é), da praia, das redes. Guardei minhas coisas em uma sacola impermeável. Há somente um restaurante lá, o Lola. Eles aceitam que deixem as coisas, mas não se responsabilizam. Como não queria arriscar e a praia estava pouco movimentada, me desloquei até o pico onde achei que estavam as melhores ondas, então fui no matinho, cavei um buraco, coloquei minhas coisas e coloquei areia por cima. Ninguém viu. Mesmo que tivesse visto, estava na minha frente. A pessoa não iria desenterrar sem eu perceber. A onda tem boa formação, mas o swell estava baixo. Vinha uma ondinha, mas muito pequena. Só para brincar. Me diverti por 2h. Com swell grande há relatos de ondas de 3m de face... tubular. Não consigo imaginar aquilo lá assim, mas deve ser difícil de machucar, pois tem fundo de areia bem macia. Almocei no Lola. Ótimo restaurante. Muito bem estruturado, na rua, vendo o mar. Coisa de cinema. Pensei: único restaurante e bonito, deve ser caríssimo. Não é. Tirando alguns casos, na Costa Rica eles não se aproveitam de turistas. Era somente U$8 o prato. Melhor coisa que fiz. Nisso, pontualmente Alberto me esperava as 14h para irmos a Playa Negra aproveitar a baixa da maré. Praia tão bonita quanto Avellanas, mas menos visitada, vazia, quase deserta. Fundo de pedra... pedra mesmo, laje. Por tudo. Com água cristalina, você vê as pedras do fundo. Depende a onda que pegar, fica a somente a 1.5m do fundo. Acho difícil se machucar, só se a onda estiver muito grande ou você ser muito principiante (daqueles que levam vacas históricas). Praticamente não tem areia. E o fundo mágico de pedras funciona muito bem. Começaram a vir ondas perfeitas de esquerda e direita. Lindo!!!! Você pegava aquela parede lisinha como um cristal, com velocidade. Pena eu não ser melhor no surf, apenas um intermediário, senão eu espancava aquela onda de tanta rasgada e cut back. Nisso ouço o idioma português... brasileiros! Primeira vez da viagem. Primeiro lugar que fui e não vejo brasileiros. Só no último dia. Comecei a conversar com eles e quando vi... Murilo Benício. O mr Marraphone foi curtir as férias e aprender a surfar nas águas calientes da Costa Rica. Fiquei o máximo que dava e quando fechou a 1:40h peguei a onda da minha vida... um presente da Costa Rica para que eu queira voltar o quanto antes. Voltei para o hotel, fiquei acordado até as 5h para pegar o bus Tamarindo/San Jose. Você compra esta passagem no terminal El Faro. Te liga que tem somente 3 ônibus por dia. Em San Jose, desci no mesmo Terminal Coca-Cola, fui até o Hospital da Criança/esquina do banco, me informaram que era somente pegar a esquerda na avenida, a primeira a direita e primeira esquerda (vai ver que tem uma praça no tamanho de uma quadra). bem alí tem um prédio com saída de ônibus. É uma linha especial que vai até ao aeroporto. Só perguntar o ônibus e ir. Te deixa na parada em frente ao aeroporto. Barbada. Ah, ia esquecendo, se você pegar o ônibus das 3h, ele te deixa no aeroporto. O das 5h, que peguei, te deixa no terminal. Fiz a viagem em 8 dias. Precisaria de uns 10 dias para conhecer todo o litoral (faltou o sul e Roca Bruja-Ollies que estava sem Swell). Tem mais o Caribe, então calcula uns 15 dias. Decisão acertada ir a Tamarindo. Por mais populosa que seja, tem boas ondas e um clima de turismo e festa. Indicaria iniciar em Jaco, depois ficar em Dominical, conhecer todo o sul, subir para Santa Teresa e por último Tamarindo ou faça o movimento contrário. Só que se começar com Tamarindo, irá se decepcionar com a Costa Rica, depois vai mudando de opinião quando for descendo para o sul. Espero ter ajudado. Se você leu até o final, parabéns. Qualquer dúvida, só perguntar.
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