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Fayson Merege

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Sobre Fayson Merege

  1. Auschwitz - Birkenau Lembre-se que Auschwitz - Birkenau não é "apenas" um museu, mas, um memorial em homenagem as pessoas que morreram lá. Eu preferi visitar ambos os campos de concentração sozinho, sem guia ou agência. Fui no começo de outubro, com tempo frio, chuvoso, nublado e talvez o "cenário perfeito" para "sentir" o lugar. Não consigo ver cor em um lugar sombrio como esse e andar entre os prédios é doloroso. Sem dúvida é o lugar mais triste e deplorável que já fui. A visita fica marcada na alma. Era aqui que os prisioneiros deportados tinham seus destinos selados após chegarem nos trens lotados. Tanto homens quanto mulheres eram avaliados e os aptos para o trabalho forçado ganhavam alguns dias a mais servindo nos campos. Os considerados inúteis, que na maioria eram as mulheres, idosos, crianças e deficientes; eram enviados para morrer na câmara de gás. (Pelos meus cálculos após ler as placas, estimo que as mulheres conseguiam sobreviver aproximadamente 1 mês, enquanto os homens entre 2 e 3 meses). Isso acontecia por dois motivos: o primeiro é que, depois desse tempo, os presos já estavam fracos demais para dar conta das atividades, mas, talvez, a principal razão era que eles testemunhavam tudo o que acontecia aqui dentro e, portanto, deveriam ser eliminados. arbeit macht frei – ‘o trabalho liberta’ Essa frase é uma tremenda ilusão quando você entende um pouco sobre tudo o que aconteceu ali dentro. Ao passar pelo portão, minha vida se transformou em "antes/depois" de Auschwitz. O ambiente horrível e pesado me fez pensar e (re)pensar em como o ser humano foi capaz de fazer tanta barbaridade, crueldade e ter tanta frieza (principalmente) com inocentes por uma ideologia. A IDEOLOGIA NAZISTA LIDERADA POR ADOLF HITLER "Minha mãe foi levada entre as mulheres. Arrancaram um pedaço do meu coração. Eu tinha uma esperança de encontrá-la algum dia, não queria acreditar que minha mãe morreu tão estupidamente. A troco de nada.Eu sempre estava ameaçado de morte. Uma vez um capo (judeus que colaboraram com os nazistas e tinha um pouco mais de liberdade nos campos de concentração) me levou para acabar comigo, mas apareceu outro, do nada, e pediu para ele ajuda-lo. E ele me deixou. Mais uma vez, tive sorte." - Aleksander Henryk Laks, sobrevivente do Holocausto A passos lentos e tentando observar tudo o que era possível, vou percebendo como era a vida (se é que posso dizer "ter vida" em um lugar como esse) dentro dos muros e cercas de Auschwitz. Mesmo com algumas "melhorias", as condições sempre foram subumanas. A palavra conforto e privacidade não tem significado por aqui. Os blocos são similares e o bloco 11 era a "prisão", onde os prisioneiros rebeldes recebiam suas punições. Ao total são 30 prédios que o compõem e você pode entrar nos alojamentos 4,5,6,7 e 11. Além disso, conhecerá a câmara de gás, o crematório e o escritório do exército nazista que comandava todo o campo. Ao adentrar nos blocos, a impressão que tinha era ter sempre alguém me "observando". Talvez por estar sozinho (na maior parte do tempo) e ouvir o som dos meus próprios passos. O silêncio é assustador quando se caminha só por entre os corredores. Meu coração ficava angustiado a cada saída dos blocos e ir conhecendo mais sobre as atrocidades. Dois lugares são marcantes e foram os mais difíceis pra mim. Na câmara de gás eu chorei e na "prisão" me senti sufocado. Corredor do Bloco 11 (A prisão) Andar por esses corredores foi difícil. As paredes são úmidas e não tem muito oxigênio. Era aqui que as torturas aconteciam aos suspeitos de sabotagem ou aqueles que quebravam as regras. "Celas Escuras" Alguns prisioneiros eram obrigados a passar noites seguidas nas "celas verticais", medindo cerca de 1,5m². Como se não bastasse a cela ser pequena, eram colocados 4 ao mesmo tempo e tinham que passar a noite toda em pé. No porão do bloco fica as "celas da fome": os aprisionados ali ficavam sem água/comida até morrer. Aqui também fica as piores celas (pra mim), as "celas escuras". A cela tem apenas um pequeno espaço na parede para respirar e portas sólidas. Os guardas da SS acendiam velas para fazer o oxigênio acabar mais rápido e consequentemente fazê-los morrer lentamente sufocados. E muitos ali dentro eram suspensos com as mãos amarradas para trás por horas ou mesmo dias, fazendo com que suas clavículas fossem deslocadas. Câmara de gás Trancados numa sala mal iluminada, o gás invadia cada canto do ambiente. Quando o veneno começava a fazer efeitos, os prisioneiros tentavam fugir dos pontos de onde ele saia e, assim, eram esmagados por causa do pânico e pela super lotação. Estima-se que em torno de 20 minutos o gás interferia na respiração e a morte vinha em forma de sufocamento, crises compulsivas, sangramento e perda de sentidos. Um grupo de prisioneiros que trabalhava no crematório – o sonderkommando – eram encarregado de limpar a câmara deixando tudo pronto para o próximo grupo. Originalmente, esse prédio foi construído para abrigar um necrotério e os fornos de incineração, mas, como precisavam encontrar uma forma mais rápida de eliminar os judeus, os nazistas começaram a fazer experimentos utilizando o Zyklon B, um potente pesticida capaz de matar um número maior de prisioneiros sem muito trabalho. O teste inicial com o gás Zyklon B matou 850 prisioneiros polacos e russos. A experiência foi considerada um sucesso e utilizada no campo em 1941 e 1942. A câmara de gás se tornou um modelo também para os outros campos de concentração. De todos os prisioneiros que por ali passaram, apenas 300 conseguiram fugir. Praticamente a visita em Auschwitz I "termina" aqui e após sair da câmara de gás, eu sentei ao lado de uma cerca e comecei a chorar. Algumas poucas pessoas passaram por mim e me olharam estranhamente. É doloroso demais presenciar tudo isso. Por outro lado é uma experiência enriquecedora e transformadora. Ao passar pelas cercas eletrificadas, me veio a cena do filme "o menino do pijama listrado". "Então você não pode sair desse lugar? Porque? O que você fez? EU SOU JUDEU" - respondeu Assim como o muro de Berlim, essa cerca separou muitas vidas. Fazendo uma analogia para os dias atuais, deveríamos pensar quais os muros e cercas que ainda nos separam. E ouso dizer que existem muitos muros e cercas para serem derrubados. Além das doenças e dos assassinatos, a morte alcançava Aschuwitz-Birkenau por meio do suicídio: atormentados e sem esperança, muitos prisioneiros se lançavam contra as cercas elétricas e, quando não morriam por causa do choque, eram fuzilados pelos guardas que faziam a segurança do campo. Funcionando dia e noite, esse processo de produção de defuntos incluía também outras formas de assassinato: todas as noites, 70 mulheres eram fuziladas com um tiro na nuca e lançadas em valas comuns. Injeções letais e envenenamento com soda cáustica também estavam na lista de opções dos nazistas para acabar com a vida dos inocentes. Saí de Auschwitz I por volta das 6:15pm junto a outras poucas pessoas que lentamente caminhavam em direção ao ponto de ônibus. Antes de passar pela catraca, olhei para trás por alguns segundos e pensei comigo mesmo: "Certamente não há nada bonito para ser visto por aqui. O tempo nublado deixou o ambiente sombrio e tenebroso. Mas acredito que aprender com os erros do passado talvez nos faça ser melhores pessoas no futuro. Confrontar-se com o pior lado do ser humano no faz rever valores, convida a refletir sobre os limites da ganância e do poder. E quem sabe nos faça correr numa direção contrária ao pior capítulo da história da humanidade. Eu nunca mais esquecerei desse dia. Está marcado na minha alma pra sempre" Fayson Merege @faysonmerege
  2. Praga: A cidade mais bonita da Europa

    @Luis Felipe Zambiasi Caero Fico feliz em ajudar Luis. Tenho absoluta certeza de que não irá se arrepender de visitar e conhecer Praga!
  3. Praga: A cidade mais bonita da Europa

    @João Rosenthal Exatamente João! Como eu falei, eu particularmente não gosto de ir em restaurantes. Eu amo cozinhar (e sou vegetariano), então pra mim é mais viável. E também sempre estou em couchsurfing, difícil eu ficar em hostels. Obrigado pelas dicas ao nosso companheiro
  4. Praga: A cidade mais bonita da Europa

    Sobre a moeda 1 EURO = 0,25 CZK (com a casa de câmbio pagando o melhor preço). Os preços em Praga são variáveis e você encontrará muita coisa barata nos bairros próximos e lugares longe do turismo. Nessa parte eu sempre fico devendo, porque, eu não costumo comer em restaurantes. Eu sempre prefiro comprar a comida e fazer no hostel ou junto aos meus couchsurfings. Eu experimentei o melhor sorvete de Praga e paguei 4,50 euros. Comprei um pedaço de Pizza na estação de metro e paguei 1,25 euros.
  5. Praga: A cidade mais bonita da Europa

    Entre todas as cidades europeias, Praga era a número 1 entre as TOP 10 na minha lista de favoritas. Nem nos meus melhores sonhos eu esperava chegar nessa cidade com uma apresentação medieval na Praça Venceslau (Mustek), uma das mais importantes na história recente. Era dia 28/09/2017, numa quinta feira nublada às 11am no qual me via diante de uma cidade que já sobreviveu em duas grandes guerras deste século. Os primeiros momentos eu não conseguia parar de olhar e admirar a arquitetura dos prédios, museus, casas e o maior castelo da medieval do Mundo. Talvez não haja outra cidade no mundo, onde você possa viver e tocar a história inteira da Europa como Praga (ou PRAHA). Agora entendo a frase do escritor Franz Kafka quando ele dizia: “Praga não deixa a gente ir embora, esta velha tem garras”. Cada rua é um atrativo diferente. Cada esquina tem um artista de rua tocando seu violino ou cantando cânticos tchecos. Pra quem gosta de história como eu, com certeza você irá se apaixonar por essa cidade medieval de um charme sem igual. Caminhar pelas ruas é como voltar 600 anos no tempo. De todas as capitais europeias que conheço, Praga me chamou a atenção também pelas pessoas nas ruas. Não sei se são imigrantes ou locais que hora ou outra você encontra pedindo (ou implorando) uma “esmola”. Algumas cenas me cortavam o coração (como na imagem acima). É difícil você ver alguém prostrado totalmente humilhando-se para aos turistas que passam e fingem não vê-los. Seja na praça ou perto da ponte Charles Bridge. De maneira alguma eu quero desmotiva-lo sobre Praga. Não, não e não! Apenas quero mostrar uma realidade que não é mostrada porque talvez seja “feia”. E ninguém gosta da parte “feia”, não é mesmo? Esse contraste me chama a atenção porque eu gosto de andar pelas ruas das cidades e, parar para observar e fotografar. Embora seja delicado fotografar isso e muitas vezes eu mesmo me coloco em xeque (fotografo ou não?), é nelas que entendo um modo de vida diferente. É tudo sobre se meter em situações diferentes e transformá-las em experiências surpreendentes. Viajar é também entender (ou tentar) os problemas sociais, contextos, política, geografia, cultura e etc. E talvez assim como eu, você possa sentar em algum lugar depois de caminhar pelas ruas e vielas e pensar sobre tudo isso enquanto é agraciado pelo pôr do sol. Ponte Charles Bridge sobre o Rio Moldava Praga sempre foi, e ainda é, uma cidade de contradições. É conhecida pelas suas extraordinárias obras de arte, tento históricas como atuais: pinturas, esculturas, literatura, música, desenho e arquitetura. Em algum teatro sempre haverá concertos musicais clássicos para se ouvir e admirar. Porém, em meio a tudo isso, a cidade que até meados de 1989 era mal frequentada, “vendeu-se” ao turismo. Não se espante em encontrar a cada esquina uma casa de câmbio, milhares de lojas com souvenir’s, restaurantes sofisticados e milhares de pessoas andando pelas ruas com os tours free ou guiados. Tudo em nossa vida haverá dualidades. E talvez, após visitar a capital da República Tcheca você até possa reclamar e dizer: “A cidade é linda, porém, cheia de turistas fazendo selfies a todo instante. Eu mal conseguia caminhar pelas ruas sem esbarrar em alguém”. E é muito provável que você vá encontrar isso estando por lá. Eu nunca gostei de cidades turísticas justamente pelos motivos citados acima. Sem contar que muitas vezes encontramos preços exorbitantes justamente porque as pessoas pagam por eles. Não estou te contando isso para te deixar em Pânico e dizer: “Não viaje para Praga”. Praga é uma cidade apaixonante em qualquer hora do dia e estação do ano. Ruas de paralelepípedos, catedrais e castelos em arquitetura gótica e renascentista. Absolutamente tudo o que se imagina em filmes medievais é possível se viver aqui. A cada passo que dava me sentia inserido neles, ainda mais quando encontrava algum cavaleiro pelas ruas. O conto de fadas é real... A minha relação com Praga foi assim: Apaixonei-me por ela à primeira vista e não sei dizer por que, mas sei que para mim ela se tornou a cidade mais linda que visitei até agora. Senti-me à vontade caminhando pelas ruas, feliz como em nenhum outro lugar. Até o idioma checo, com suas consoantes em sequência, era charmoso aos meus ouvidos. O clima de outono agradável fez o impossível, deixar Praga ainda mais charmosa e elegante. Outono é a estação mais charmosa na minha concepção e eu não poderia escolhido melhor época pra ir. Um detalhe a ser observado é a elegância tanta das mulheres quantos homens. Tocas, cachecóis, botas, sorrisos, olhares em meio à temperatura de 10º a 12º onde o sol aquece do ar gélido. Caminhe pelas ruas até se perder entre as vielas. Se afaste do centro por algumas horas e se aventure pelos bairros próximos nos quais verá prédios lindos e parques. Os lugares mais turísticos de Praga lotam durante o dia, porém, são completamente diferentes no nascer do sol, enquanto apenas alguns bêbados perdidos e alguns poucos turistas passeiam por ali, permitindo que você realmente aproveite a beleza da paisagem em paz total. No findar do dia eu caminhava lentamente e olhava atentamente os detalhes nas minhas últimas horas antes de deixa-la. A mochila nas costas, câmera guardada e apenas os olhos fotografando e salvando na memória as melhores imagens de Praga. Já era noite e no Parque Letná eu pude ver toda a cidade com suas luzes em tons amarelos, sob a lua nova que aos poucos iniciara a iluminar o rio enquanto alguns barcos ainda faziam seus tours. Praga às 7am Praga às 9:30pm Combina em PB também E essas construções apaixonantes? E esse pôr do sol então? Praga foi única, inesquecível e deixou o desejo de voltar sempre a qualquer hora, mês ou estação do ano. Se quiser saber um pouco mais sobre mim, minhas fotos e viagens, acompanhe-me no insta @faysonmerege ou no FB Fayson Merege
  6. Salve mochileiros de plantão! Venho aqui contar um pouco sobre minha viagem minimalista pela Europa. Meu projeto documental é caminhar de Paris - Munique, MAS, não numa linha reta apenas. Projetei o caminho passando pelo leste Françês, norte da Suíça, sul da Alemanha e 2 vilarejos da Áustria (é possível depois eu fazer o caminho Viena - Bratislava a pé também). O planejamento para a viagem toda são 32 dias, considerando paradas maiores em alguns lugares para maior descanso e ter tempo com meus couchsurfing's também. Acredito que somente de caminhada, serão 22 dias. Uma média entre 25km a 30km por dia, consequentemente 8h caminhando e 4h entre os intervalos de descanso, hidratação, fotos e vídeos. Pela França eu passei por mais de 100 cidades e vilarejos, ficando em couch nas cidades de Provins, Troyes, Chaumont e Belfort. Foram 15 dias caminhando por lá e a maior distância, sendo 430km. Pela Suíça acredito ter passado por umas 40 cidades e vilarejos, tendo couch em Basel, Baden e Zurique. Foram 8 dias de caminhada e 150km. Estou na Alemanha no momento, faltando praticamente 7 dias para chegar em Munique. Passei por mais de 15 cidades e vilarejos em 2 dias de caminhada. Tive couch em Konstanz e agora em Oy-Mittelberg. Sigo para Füssen e então para Munique, ficando no meu último couch da viagem/projeto. Chegando em Füssen, ficarei em um couch na Áustria, em uma cidade há 10km da mesma. No total já são 26 dias de viagem e muita história pra contar. A caminhada na França muitas vezes foi por rodovias movimentadas e perigosas. Outras vezes por estradas solitárias entre plantações de milho ou por parques regionais. Suíça contornei praticamente todo o Rio Reno e Limmat. Por fim na Alemanha, a caminhada tem sido entre montanhas e lagos. Quer saber um pouco mais sobre mim, minha viagem e minha forma de enxergar o mundo através das minhas lentes? Siga @faysonmerege ou Fayson Merege no facebook. Acampando em algum lugar na França, entre os milharais. Andando às margens do Rio Limmat, entre Baden - Zurique Alpsse Lake na Alemanha Konstanz, com o 3ª maior lago da Europa. O lago faz parte da tríplice fronteira entre Alemanha, Suíça e Áustria Estrada em algum Parque Florestal na França Atravessando o Bodensee entre Konstanz - Lindau
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