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victor.mesquita

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  1. Primeiro Dia - de São Paulo a São José do Barreiro Saímos de São Paulo, da rodoviária do Tietê, até Guaratinguetá com o ônibus da Pássaro Marrom (passagem aproximadamente R$ 44). Tem ônibus toda hora, mas aconselhamos comprar a passagem com um pouco de antecedência porque fomos comprar em cima da hora e pegamos os últimos lugares disponíveis. Calculamos para chegar em Guaratinguetá a tempo de pegar o último ônibus Guará-São José do Barreiro (o das 18h50, se não nos enganamos). A passagem custa R$ 23. Ao chegar em SJB ficamos andando pela cidade procurando um lugar legal para acampar, aproveitamos pra tomar um caldinho verde no rancho (em frente à Igreja Matriz), custou R$ 9, é grande, tava quente e delicioso, ideal pra aquele dia frio. Como tinhamos que pegar as autorizações para entrar no parque, decidimos acampar em frente ao ICMBIO (debaixo da placa mesmo). Só pra não criar problema, conversamos com o vigilante que fica lá à noite pra ver se podia, ele achou estranho mas disse que tudo bem. Conversando com ele, descobrimos que saia uma kombi escolar todo dia às 05h-05h30 e dava pra pegar carona com ela até a entrada do parque, assim aproveitariamos pra ir na cachoeira do Santo Isidoro até que as autorizações chegassem (só pra essa primeira cachoeira não precisa de autorização, é bem pertinho). Segundo Dia - de SJB até a Cachoeira das Posses Quando acordamos, descobrimos que a kombi não ia passar porque era o primeiro dia de férias. Como a gente tava na boca da estrada, com tudo arrumado, decidimos começar subir a pé por volta das 5h30. A subida toda é bem puxada, porque a cidade de SJB fica a 530m de altitude e a entrada do parque a 1500m, ou seja, 1000m de subida em 26 km. Em 3hrs de caminhada nenhum carro passou (era bem cedo ainda), mas a vista da estrada é bem bonita. Por volta dos 13,5km a gente parou pra descansar e por muita sorte, passou um carro de uma família que estava indo pra entrada do parque pra fazer a trilha também. Chama atenção o número reduzido de pessoas que encontramos na trilha (cerca de 10 no total), apesar de julho ser "alta temporada"por causa do menor volume de chuvas. Ao chegar no parque, nossas autorizações ainda não estavam lá, mas o guarda liberou a nossa entrada porque tinhamos uma cópia do e-mail que enviamos ao ICMBIO (o envio deve ser feito com antecedência de uma semana). Na entrada do parque não há nenhum mapa passa ser levado, então aconselhamos levar um croqui (nós imprimimos em casa os do relato do Raffa (trilha-do-ouro-parque-nacional-da-bocaina-t79101.html). A trilha é bem aberta nesse primeiro trecho, caminhamos até a cachoeira do Santo Isidoro, parada obrigatória pra apreciar uma bela vista. Ficamos um bom tempo lá, até demos uma cochiladinha. A próxima parada foi na cachoeira das posses, até chegar lá caminhamos um tanto, uma dica importante é que existe um atalho no meio do caminho, ele é um pouco grande, mas economiza 2km segundo o Tião (já vamos falar dele). Um pouco antes da cachoeira existe um local para acampar no meio do mato ou dentro de uma casinha. Optamos por ficar dentro da casinha (apesar de ser um pouco macabra) por causa da umidade da cachoeira e do frio. Normalmente as pessoas caminham até a Fazenda da Barreirinha e acampam lá no primeiro dia de trilha, mas como estavamos cansados por causa da caminhada na estrada, ficamos na casinha perto da cachoeira das Posses mesmo. Terceiro Dia - Da cachoeira das Posses até a cachoeira do Veado Acordamos cedo, arrumamos as coisas e saimos. Até aqui a trilha é relativamente tranquila. Apesar de ser teoricamente uma descida até o mar, existem subidas e descidas no caminho todo e nesta parte especialmente, tem um trecho de subida forte. Neste caminho vimos pegadas de onça! Quanto à água, na maior parte do caminho ela é abundante, a trilha fica no máximo uns 3km sem ter uma cachoeirinha pra abastecer as garrafinhas. Depois de dois dias sem comida quente, paramos na fazenda da Barreirinha só pra almoçar. Quando chegamos ainda não tinha almoço pronto, mas depois de meia hora admirando os muitos beija-flores que ficam por lá, eles vieram nos chamar pra almoçar. Arroz, feijão, frango empanado e saladinha, tudo muito gostoso. Eles cobram R$ 30 o almoço, considerando que eles são os únicos na trilha que fazem almoço e que chegamos com muita fome lá, valeu a pena. O Tião nos deu um mapa mais atualizado da casa dele até o Perequê (Pq. Mambucaba). Ele diz que tem que sempre se manter à direita, mas não é bem assim, tem um trecho de pasto (pousada trilha do ouro - dona palmira) que tem que cair pra esquerda, por exemplo. Seguindo a trilha, que tem muitas araucárias, alguns laguinhos e vacas, começam a aparecer os primeiros trechos de calçamento de pedra da antiga trilha dos tropeiros (da onde vem o nome trilha do ouro - a descida de Ouro Preto até Angra-Paraty) Chegamos a uma parte bem plana, por onde passa o Rio Mambucaba, aproveitamos pra dar uma descansada e tomar um banho no rio (a água tava terrivelmente gelada, mas foi bem revigorante). Seguimos até a Cachoeira do Veado, onde chegamos no finzinho da tarde, só a tempo de tirar umas fotos. Voltamos com a lanterna até uma casinha abandonada perto do rio, num morrinho, onde dormimos. Quarto Dia - Da Cachoeira do Veado até o Perequê Esse terceiro dia da trilha é o mais difícil, sem dúvida. Começamos atravessando o rio Mambucaba sem calça pra não molhar, foi relativamente tranquilo apesar do frio. Sabiamos que dava pra atravessar por uma tal de gaiolinha de um outro Tião que mora por ali, mas ele não estava lá e a gaiolinha tava presa na pousada dele do outro lado do rio. Também em alguns relatos mais antigos aparece uma ponte, mas não conseguimos achá-la. Aqui começa o trecho de mata bem fechada com pedras cheias de limo bem escorregadias e com muita lama (mesmo sem chover há 3 dias pelo menos). Andamos, caímos, nos sujamos, vimos uma falsa-coral, caímos, nos sujamos muito e chegamos no fim da trilha! YES! Tem até um pé de amora pra comemorar, mas não tinha muita amora madura e também não tinha fim certo, não tem nenhuma demarcação. Você só percebe que é o fim da trilha porque aparece uma estrada de terra (do sertãozinho do perequê) e começam a aparecer os sítios. Aí começam os tais 14km até o campo da gringa (onde tem o primeiro ponto de ônibus - Bonfim, que leva até o centro de Angra). Não tem sinal de celular estável ainda, apenas alguns pontos onde a Vivo pega. Do meio pro fim do caminho, conseguimos uma carona com um dono do sítio que ficou reclamando do IBAMA e dos benefícios que o sítio do Henrique Valle tinha por ser um dos caras mais ricos de Angra e por causa das suas influencias políticas. Chegamos no campo da gringa e lá já tinhamos quem nos buscasse. FIM O que levamos: Capas de chuva pra nós e para as mochilas, lanternas, vela, isqueiro, canivete, botas (o Tião prefere galocha com duas meias bem grossas, rs). Alimentos: Pão sírio, nutella, polenguinho, castanha do pará e castanha de caju, sardinha, atum, cenoura, maça, barrinha de cereal (levem várias!). Considerações: Contrate alguém para subir até a entrada do parque, é caro, mas dá pra negociar e se quiser se preservar pra trilha, vale a pena. Ou então, vá de carro até a entrada do parque e quando estiver dormindo na Barreirinha (camping ou quarto), combine com o Tião para ele buscar seu carro e deixar no final, no Perequê e encontra você no caminho para devolver a chave, não lembramos quanto ele cobra, em outros relatos tem o telefone de contato dele.
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