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Wilson Iwazawa

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Wilson Iwazawa venceu a última vez em Maio 19

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Reputação

60 Excelente

1 Seguidor

Sobre Wilson Iwazawa

  • Data de Nascimento 26-07-1980

Outras informações

  • Lugares que já visitei
    Pico da Bandeira
    Trilha Inca
    Caminho de Santiago
    Travessia Petrópolis - Teresópolis
    Tour du Mont Blanc
    Travessia Alto Palácio - Serra dos Alves
  • Próximo Destino
    Monte Roraima
    Campo base do Everest
  • Meus Relatos de viagem
    http://www.mochileiros.com/pico-da-bandeira-pelo-lado-mineiro-20-06-2014-primeira-trilha-t119162.html

    http://www.mochileiros.com/caminho-de-santiago-de-compostela-caminho-frances-maio-junho-de-2016-t144384.html

    https://www.mochileiros.com/topic/84928-tour-du-mont-blanc-junho-de-2018
  • Ocupação
    Arquiteto/Ilustrador
  • Meu Blog
  • Localização
    Rua Pilar, 215, Belo Horizonte, Minas Gerais, 30431225, Brasil

Últimos Visitantes

382 visualizações
  1. @casal100 Há trechos onde é permitido acampar e outros onde não. Em geral, camping selvagem é proibido. Porém alguns abrigos tem área de camping (você paga uma taxa menor, relativa ao camping, que pode incluir banho - em alguns o banho não é incluso nem para quem dorme no abrigo - e tem as taxas opcionais para meia pensão - café e jantar). Como não acampei, não vou saber te informar exatamente quais as áreas apropriadas. Mas vocês podem tentar fazer um misto (ficando em refugios quando o camping for inviável). PS: vocês tem relato sobre o circuito O? Pretendo fazer ano que vem!
  2. @ffabioh Como eu sempre digo pros chegados: "vou cansar o corpo pra descansar a cabeça" Fique a vontade! No que eu puder ajudar, o farei.
  3. @casal100 No site http://www.autourdumontblanc.com/en/ dá pra planejar as etapas, ver os preços e reservar por lá a maioria
  4. Obrigado @casal100 O cambio realmente foi e está um problema. Em geral a hospedagem + meia pensão (café e jantar) ficava em torno de 50 euros. Uma cerveja de 250 ml custava 4 euros. E eu não fiquei comendo em restaurante, mas entre 12 e 15 euros um almoço.
  5. Olá adorei seu relato do TMB. Vce foi em que mês, teve que reservar previamente os refúgios? Como reservou? Utilizou qual guia?

    Obrigada. Parabéns pela grande aventura!

    1. Wilson Iwazawa

      Wilson Iwazawa

      Oi Sueli,

      Fui no final de Junho. Fiz as reservas com uma antecedência de 3 meses. No site http://www.autourdumontblanc.com/en/ você consegue planejar as etapas e dá pra fazer a maior parte das reservas online (alguns cobram sinal, outros não). Lá também tem o contato dos abrigos que não reservam pelo sistema (enviei e-mail para esses). Há outros refúgios para reservar em https://www.ffcam.fr/reserver-votre-refuge-en-ligne.html 

  6. @Adren-Aline de forma geral, recomenda a agência? Como foi a experiência com eles?
  7. @José Luiz Gonzalez Obrigado! Tive sorte com o tempo sim, inclusive moradores da região disseram que era muito raro uma sequência de tempo aberto tão grande. E aproveitavam pra passear pelas trilhas, vi muita criança, idoso....
  8. DIA 11 - Refuge La Flegere a Les Houches (16,2 km) Já estava acostumado em acordar cedo todos os dias, arrumar a mochila e caminhar. Mas o costume não torna a trilha fácil. Hoje foi uma prova disso. O dia começou nublado e com uma chuva leve. Na trilha, pouco se via à frente, devido à neblina. Me perdi algumas vezes, mas graças ao GPS achei o caminho novamente. Não dá para confiar somente na sinalização local. Logo no início, a trilha terminava de repente em um monte de pedras que haviam deslizado montanha abaixo. Subi por um caminho que contrariava o GPS, porém, lá em cima, consegui ver que a trilha continuava após as pedras. Retornei e encontrei uma passagem meio escondida no meio delas. Deixei uma marcação para quem passasse por ali posteriormente. O percurso seguia quase plano, com exceção de uma subida por encostas estreitas cruzadas muitas vezes com ajudas de correntes fixadas aos paredões. Após algum tempo, cheguei até a estação de teleféricos de Plan Praz. Alguns grupos guiados iniciavam a caminhada do dia por ali, tendo pernoitado provavelmente em Chamonix e subido por este transporte. Confesso que acelerei um pouco o passo, pois logo após a estação, uma trilha estreita e íngreme seguia para do passo do Brevént. E eu não queria ter a passagem fechada pelos lentos grupos de caminhantes guiados. O passo do Brevent é famoso por providenciar a vista mais bonita do Mont Blanc de todo o tour. Infelizmente o tempo fechado me negou esta experiência. Mas tudo bem, eu já havia recebido tantas outras tão espetaculares. E caminhar nesta trilha com mau tempo seria um desafio interessante à esta altura do campeonato. Aliás, este dia me pareceu mais como uma prova final de um curso. Tive um pouco de cada dia anterior. Subidas por bosques, por rochas, travessias em campos de neve, vias ferratas, tudo isso somado à chuva, o que tornava tudo um pouco mais difícil. Um teste à ferro e fogo (ou à gelo). Consegui cumprir os desafios utilizando as habilidades adquiridas nos dias anteriores. A neve, que me causava receio nos primeiros dias, hoje escorregava devido à chuva. Mas foi transposta com confiança e segurança (finalmente justificando o uso dos spikes em alguns trechos mais tensos). Alcancei o ponto mais alto do dia e lá parei para um breve descanso. O tempo estava tão fechado que não enxerguei a estação do Le Brevent, onde alguns caminhantes paravam para um café. Logo segui em frente, cruzando alguns campos de neve mais complicados. Muitos em descida, o que para mim era algo mais difícil. Caso eu enxergasse o final e a inclinação não fosse exagerada, não raro eu escorregava sentado, me divertindo um pouco. Após os campos de neve, uma longa descida pelas pedras até o refúgio de Bellachat. Mas passei batido por este também, provavelmente por algum desvio. O caminho a partir dali consistiu em uma longa e tediosa descida através de um bosque até Les Houches. Haviam muitas bifurcações, e a maioria indicava o mesmo destino (Chamonix ou Les Houches). Eu simplesmente escolhia aleatoriamente e continuava. Não vi mais nenhum caminhante a partir dali, o que me levantou dúvidas se estaria no caminho certo, apesar das placas. E nunca mais encontrei as pessoas que eu havia conhecido e divido uma cerveja em alguns momentos do tour. Ao fim da trilha pelo bosque, cheguei finalmente à área urbana de Les Houches. Após uma curta caminhada pelas ruas, alcancei finalmente o ponto que eu havia estabelecido como término do tour (que também havia sido o início do mesmo para mim), a oficina de turismo da cidade. Chegando lá, nenhuma recepção especial, nenhum aplauso, nem um marco oficial. Só uma selfie solitária em frente à oficina como lembrança. Mas a conquista interna estava estabelecida. E, como acontece com frequência em nossas vidas, se nos colocamos em ação apenas na esperança de reconhecimento externo, aplausos e recompensas, é certo que iremos nos desapontar. Quando encontramos a real motivação interior, o destino, com seus marcos e confetes, se torna secundário frente às grandes vivências e aprendizados do caminho em si. Grande abraço a quem teve paciência de ler até aqui! E até as próximas!
  9. DIA 10 - Le Tour a Refuge La Flegere (10,9 km) O dia amanheceu nublado. Depois de tanto tempo com o céu aberto e ensolarado, finalmente a chuva veio. A caminhada prometia ser curta em distância, porem tecnicamente difícil por conta das árduas subidas. É nesta etapa que estão instaladas as "vias ferratas", escadas de aço que transpõem subidas em rochas verticais. Quem tem medo de altura tem a opção de seguir por uma variante um pouco mais longa, que dá a volta pelos picos. Mas o único medo que eu tinha era da fatura do cartão que estava por vir. Então bora lá ativar um pouco de adrenalina. As escadas ficam em um passo de montanha bem alto, de onde se avista o vale e as cidades de Chamonix e arredores. O risco é claro: um vacilo e a queda será longa. Mas tendo cuidado e firmeza, é bem tranquilo de se fazer. Todos ali estavam mais preocupados em tirar fotos do processo. E são várias escadas para subir. Após a via ferrata, segui o caminho para o famoso Lac Blanc, um lago no topo de um passo de montanha. Até lá os campos de neve ainda dominavam a trilha. E eu estava atravessando um desses campos, uma subida inclinada e escorregadia, quando um grupo de uns 20 chineses (ou coreanos) surgiu em fila no topo, seguindo uma guia. Seguiam o caminho inverso, ou seja, iriam descer por onde eu estava subindo. A guia, em um momento de falta de noção, os estimula a descer esquiando/escorregando campo abaixo, sendo a primeira a fazê-lo como exemplo. O grupo, achando o procedimento divertido, começa com as tentativas de imitá-la. Porém, como estavam em fila atravessando o topo, o que aconteceu foi uma verdadeira avalanche de orientais escorregando de bunda ou rolando neve abaixo. E eu ali embaixo pensando: “me lasquei, vou ser derrubado e rolar morro abaixo, me machucando pra valer”. Por sorte, e alguma destreza, consegui desviar dos que vinham pra cima de mim. Outras 2 mulheres à minha frente também tiveram sucesso em não serem atingidas. Enquanto isso, eu praguejava tudo o que era possível, uma pena que não entenderiam o português. Enfim, após algumas subidas íngremes e escorregadias pela neve, cheguei até o refúgio do Lac Blanc. Mas este fora desativado alguns meses antes e estava fechado. E o lago ainda não havia se descongelado completamente. Somando com o tempo fechado e chuvoso, as expectativas de ser um dos locais mais bonitos do tour não foram cumpridas. O tempo frio e o vento não estimularam uma permanência prolongada. Sorte que justo hoje resolvi comprar um sanduíche e levar na mochila, então teria algo para comer por ali. Durante a subida até o Lac Blanc, não conseguia evitar a preocupação com o caminho de volta, caso ele fosse tão íngreme e escorregadio quanto a ida. Felizmente a descida seria por outro caminho, bem menos complicada que a subida. A partir dali a chuva foi aumentando de volume, nos últimos km até o destino do dia, o refúgio de La Flegere. E, quase chegando lá, ainda caminhei sob uma chuva de granizo. O refúgio fica anexo à uma estação de teleférico. Muitos terminam o TMB por ali, descendo por este transporte até Chamonix. Mas o meu objetivo era caminhar até o exato ponto de início da trilha no dia seguinte. O último dia no Tour du Mont Blanc.
  10. DIA 9 - Trient a Le Tour (14,1 km) "Ando devagar porque já tive pressa..." Logo pela manhã descobri o motivo da caminhada do dia anterior ter sido pesada para mim. Uma sombra que me derrubou no Caminho de Santiago e tentava novamente. Uma bolha. No mesmo pé, na mesma posição e com a dor familiar. Apareceu de vez hoje de manhã apesar de estar se manifestando a um tempo. Tenho convicção de que ela, como da vez anterior, surgiu por conta da pressa de chegar ao destino. A passada fica ruim e o suor completa o serviço. Talvez pelo tédio pelos intermináveis bosques de pinheiros, subindo e descendo através das montanhas suíças. Ou pela alimentação exagerada do ego ao ultrapassar os outros caminhantes. Queria chegar logo ao destino e corria. E o castigo veio. Então nesta manhã decidi andar devagar. Procurei mudar a pisada. E assim segui, pegando uma subida pesada logo de início até o passo de Balme. E, de repente, estava lá em cima, sem me cansar ou sentir dores. Assim como na vida, às vezes precisamos mudar a estratégia e recomeçar devagar para atravessar alguma adversidade. Após cruzar o passo, me despedi dos intermináveis bosques suíços e voltei para o território nevado e rochoso da França. Estava de bom humor e com energia. O clima do dia correspondia. A previsão de tempo nublado e possibilidade de chuva acabou não se concretizando, mas a frente fria trouxe uma brisa fresca para substituir os dias quentes e penosos que me torturava. Até o Mont Blanc, sempre cheio de nuvens cobrindo seu cume, aparecia limpo, imponente na vista durante boa parte do percurso. E, pelo alto da trilha, pude enxergar toda a extensão do vale onde as cidades de Argentiere, Chamonix e Les Houches se localizavam. Deixando o Refúgio de Balme, há algumas opções de caminho a se tomar: Uma descida direto à Le Tour ou Argentiere, descer via teleférico até estas cidades ou seguir a variante pelo pico Aiguilette des Posettes. Como eu estava me sentindo bem, decidi por esta última. Opção acertada, pois logo após a última subida do dia, alcancei um dos pontos mais bonitos do tour. Do pico, é possível avistar todo o vale, o Mont Blanc e glaciares em volta. Fiquei por ali por um bom tempo curtindo aquela visão. E depois segue-se uma longa descida até Le Tour. Somando a sorte do bom tempo com a mudança do modo de andar, a caminhada de hoje foi bastante agradável. E um exemplo de como um obstáculo pode te levar a novos aprendizados e vivências. E compreender que o que importa mesmo é ir tocando em frente....
  11. DIA 8 - Champex a Trient (15,5 km) O tempo nublado pela manhã ameaçava a caminhada com a possibilidade de chuva. Apesar dos cuidados extras com os equipamentos impermeáveis, até que ela seria bem-vinda. Um descanso para a pele já descamando sob o sol inclemente dos alpes. Andei pelos bosques de sempre, conversando com um grupo de israelenses que conheci nos dias anteriores. Mas logo já estava sozinho. Os diferentes ritmos de caminhada, somado à dificuldade técnica não favorecem socializações muito longas no Tour (algo que era muito comum no Caminho de Santiago em suas trilhas quase planas). Após uma descida suave, alcancei um vale com os seus típicos chalés rurais. A partir dali, uma longa e íngreme subida seguiria até a fazenda Alpage du Bovine. Sem problemas, pois a única subida que me amedrontava nesta viagem era a do Euro. Ali há um rústico chalé de pedra, onde os trilheiros podem descansar nas mesas externas, tomando um café com tortas variadas, enquanto curtem a vista do vale abaixo. Fiquei lá por quase uma hora, relaxando e batendo papo com alguns conhecidos. O sol continuava castigando, e o calor do meio dia chegava ao seu máximo. Não raro avistava algum coreano caminhando com sombrinhas. Para eles, o bronzeamento da pele é algo encarado de forma negativa. A descida após o Bovine prometia ser suave, de acordo com o gráfico de altitude. Mas acredito que a soma do calor, da longa subida anterior, e do peso da mochila, me causavam um certo incômodo nos pés naquele dia. E descidas, ao contrário do que se imagina pelo senso comum, não raro são mais penosas para o caminhante que as subidas, pois geram um impacto maior. Essa dor nos pés me era familiar e me gerava um pouco de apreensão pela sua causa. Algumas pessoas tinham como destino o albergue de Col de La Forclaz, quase no final do percurso. Para quem planeja fazer a variante do dia seguinte, é o local ideal para pernoitar, pois o caminho se divide por ali, obrigando a quem fica em Trient a retornar. Mas eu não tinha a intenção de fazer este caminho, devido ao inesperado cansaço que me abatera no dia. Desci então para o vilarejo, por uma trilha íngreme e com alguns trechos interditados por recentes desmoronamentos, obrigando a tomar alguns desvios. Passei o restante da tarde no albergue, pois não notei nada de muito interessante no vilarejo para se conhecer. Só a rotina de sempre mesmo: banho, lavar algumas roupas, uma cerveja, jantar e cama
  12. DIA 7 - La Fouly a Champex (16,9 km) Sr Park, o coreano que eu havia conhecido no primeiro albergue, estava no mesmo quarto que eu. E falava dormindo. Se fosse somente pelo barulho, não me incomodaria. Mas a entonação estava engraçada e eu segurava o riso, sem conseguir dormir. Outras pessoas no quarto tentaram acordá-lo, mas sem sucesso. No guia que usei como referência, o caminho de hoje era descrito como o mais fácil de todo o Tour. Comprovei a veracidade. A trilha não subiu para os usuais passos de montanhas, e sim seguiu cortando pelo vale, em meio aos intermináveis bosques de pinheiros suíços. E, no terço final, caminhei por outro desses típicos vilarejos suíços, com os já familiares chalés de madeira e seus paredões de lenha para o inverno. E claro, muitas flores enfeitando-os. Dali até Champex, o destino do dia, a trilha segue uma subida um pouco mais pesada, passando por um bosque onde esculturas de animais cavadas nos troncos de árvores cortadas, enfeitavam o bosque. O vilarejo localiza-se às margens do lago de mesmo nome. O dia estava bonito e ensolarado e as pessoas curtiam a tarde pescando ou praticando esportes aquáticos. Havia, porém, um pequeno problema no meu planejamento deste dia: havia reservado um abrigo 2 km após Champex, no caminho para a variante que seguia até o passo chamado Fenêtre d’Arpette. Mas, por conta de deslizamentos de encostas, a passagem por esta variante estava fechada. Eu teria que retornar ao vilarejo no dia seguinte para seguir pelo caminho oficial. Depois de uma subida pesada (os últimos km sempre parecem intermináveis e difíceis), cheguei cedo para o check-in do albergue, que só poderia ser feito dali a 1h. Mas me deixaram tomar banho e lavar minhas roupas, o que acabei adiantando. No decorrer da tarde vi algumas vans e ônibus trazendo grupos guiados para se hospedarem ali. Acho que eu era um dos poucos no local que fazia o caminho por conta própria. E é um pouco mais difícil interagir com as pessoas desses grupos já estabelecidos. No abrigo não havia tv ou sinal de internet. E haveria mais um jogo da seleção brasileira pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Não sou muito fã de futebol. Mas não havia nada para fazer naquele local. Mais cedo, um irlandês com o qual eu fizera amizade, havia me convidado para assistir ao jogo em um bar em Champex. Mas isso significava pegar uma trilha de 2 km até lá, e imediatamente após o jogo, voltar para chegar a tempo para o jantar. Mas deixei a preguiça de lado e resolvi encarar a caminhada bônus. Felizmente fui compensado pelo esforço com uma vitória da seleção. E claro, tomando uma boa cerveja. Subi rapidamente a trilha para o refúgio após o término da partida. Começara a chover e eu temia pelas roupas no varal. Felizmente consegui chegar a tempo de recolhê-las antes de um estrago maior. Após o jantar, fui dormir cedo, às 21h. E no dia seguinte, às 6h, despertaria para mais outro dia de caminhada.
  13. DIA 6 - Rifugio Bonatti a La Fouly (19,8 km) Depois do trajeto tranquilo do dia anterior, o mapa de altitude prometia um dia mais pesado para hoje. Um sobe-desce de respeito. Mas creio que o corpo já se acostumou, pois achei o percurso bem tranquilo. O único percalço, bem no início, foi uma ponte de gelo perigosamente fina, sobre um riacho. Optei por passar pela água (com bota molhada eu sei lidar, com risco de queda do gelo, não...). Os anos da adolescência jogando Super Mario se justificaram e consegui pular de pedra em pedra sem molhar os pés. Alguns corajosos arriscavam cruzar a ponte de gelo. Faziam um desvio para cima, na esperança da mesma estar menos fina. Mas não havia como se certificar. Era arriscado. A subida do dia foi bem íngreme. Mas subi com tranquilidade, tentando ultrapassar alguns grupos que caminhavam em fila. Uma cerveja no refúgio Elena, no meio do percurso, ajudou a dar um gás. Chegando ao passo Ferret, parei para ficar de bobeira e tirar fotos. Ali era também a fronteira entre Itália e Suíça. Continuando para o lado suíço, a trilha agora constituía em uma longa descida até o vilarejo de La Fouly. Logo no início, um campo de gelo que parecia assustadoramente íngreme se revelou como apenas uma ilusão de perspectiva. E eu já estava me acostumando com o caminhar no gelo. Fiquei tão confortável que levei o primeiro tombo, felizmente em uma parte sem perigo algum. Vi algumas pessoas mancando e descendo de lado, reclamando de dor nos joelhos. E eu com minhas joelheiras aposentadas, guardadas dentro da mochila. E apesar de estar andando por locais cercados por montanhas cobertas de neve, faz muito calor durante o dia e o sol está de rachar. Estou com queimaduras piores do que quando vou à praia, apesar de parar sempre para reaplicar protetor. Quem diria que sairia do Brasil para pegar um bronze nos Alpes. La Fouly é um vilarejo suíço bem característico, com chalés de madeira, flores coloridas nos jardins e varandas e claro, a cadeia de montanhas nevadas em volta. Há uma pequena estrutura com caixa eletrônico, mercado e uma loja de equipamento esportivo. Os dormitórios coletivos dos hotéis seguem o padrão dos refúgios, com colchões dispostos lado a lado, colados uns aos outros. Isso geralmente não representava problema para mim, até esta noite em especial.
  14. DIA 5 - Courmayeur a Rifugio Bonatti (12,2 km) Acordei tarde para aproveitar o café da manhã do hotel. Tenho comido relativamente pouco se contar o esforço físico. As comidas dos refúgios sao bem regradas, e não é raro eu caminhar por 8 horas somente com o café da manhã no estômago. Hoje resolvi seguir a trilha comum, no lugar da variante. De Cormayeur, uma subida íngreme pelo bosque, que levou cerca de 2 horas, terminava no Refugio Bertone. De lá, o caminho bifurca para a trilha oficial ou para a variante pelos passos de montanha. O caminho que segui era praticamente plano a partir dali, seguindo pelas encostas das montanhas que cercavam o vale. Um cenário bem diferente do dia anterior, com muitos campos floridos, resquícios da primavera que mal terminara. A vista por todo o percurso era sensacional. Cruzei com muitos habitantes das cidades ao redor, que aproveitavam o bom tempo (me disseram por lá que uma sequência de dias de tempo aberto como aqueles era bem raro por ali) para subir a trilha e aproveitar o sol. Muita gente de roupa de banho lá em cima, deitados na grama ou fazendo piquenique. Também vi muitos corredores que treinavam para a ultramaratona que ocorre anualmente por ali. O ponto negativo da trilha mais “fácil” foi a presença massiva de grupos de caminhantes. Dá para diferenciá-los pelas roupas caras e muito limpas, mochilas pequenas e a tendência bizarra de andarem sempre em bando, colados uns aos outros, com velocidade reduzida. Isso causava um certo congestionamento no caminho, pois é difícil ultrapassá-los nas trilhas estreitas. Seria legal se as agências/guias reforçassem algumas boas práticas de trilha, como ceder passagem e não fazer tanto barulho. O caminho foi tão tranquilo que demorei a chegar ao destino do dia, pois ficava enrolando sentado curtindo a paisagem. Como esse semi-descanso poupei as minhas pernas, pois o dia seguinte prometia ser pesado. No refúgio Bonatti, onde pernoitei, novamente vi muitas pessoas que claramente eram habitantes dos vilarejos em ao redor, que faziam pequenos trechos em bate-volta para curtir o local. Este refúgio possui, na minha opinião, uma das mais espetaculares vistas da trilha, com um paredão de montanhas nevadas (incluindo o Mont Blanc) à frente. Pena que não me permitiam ficar do lado de fora depois das 22, pois eu pretendia tirar algumas fotos do céu estrelado e o dia estava muito propício. Paciência...
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