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aculpaedofuso

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Outras informações

  • Lugares que já visitei
    ASIA: Cingapura, Malásia, Tailândia, Laos, Camboja, Vietnã, Myanmar, Nepal, Sri Lanka, Indonesia, Japão, China.
    EUROPA: França, Espanha, Itália, Alemanha, Finlândia, República Tcheca.
    AMÉRICAS: Brasil, Chile, Argentina, Bolívia, Peru, EUA.
  • Próximo Destino
    Laos
  • Meus Relatos de viagem
    O projeto "A Culpa é do Fuso" foi criado por dois brasileiros radicados em Cingapura. Trata-se de uma série de curta-documentários produzidos ao redor da Ásia, mostrando como é viajar por lugares tão belos e exóticos e também com cultura, sociedade e história tão distintas. Bom para conhecer novos destinos e planejar a próxima trip pela Ásia! A série está disponível no site www.aculpaedofuso.com. Espero que gostem!
    *****
    O projeto foi criado por acreditarmos que, assim como nós, existem viajantes que percorrem o mundo no seu tempo e a sua maneira. Que gostam de conhecer não apenas lugares, mas também pessoas. E que, acima de tudo, têm consciência de que suas escolhas como turistas influenciam o meio ambiente e a vida das comunidades por onde passam. Acreditamos ser possível fazer conteúdo audiovisual de qualidade que traga informação e inspiração para ajudar a construir uma geração de bons viajantes e colocá-los no seu devido lugar: na estrada.
    Aproveitando a localização privilegiada em que nos encontramos - vivemos em Cingapura desde 2013 - e munidos apenas de uma câmera Canon 5D e uma sempre versátil GoPro, conseguimos cair na estrada com frequência para realizar uma produção de baixo orçamento e alta qualidade. O resultado são vídeos com forte apelo estético e sensorial que, com ajuda de trilha sonora com pegada de folk e rock, vem inspirando nossos espectadores em busca da próxima aventura ou que sonham com um estilo de vida mais livre.
    Através de episódios semanais de no máximo dez minutos de duração e produzidos especialmente para a web, a série já mostrou nossa passagem por países como Myanmar, Laos, China, Tailândia, Indonésia e, é claro, Cingapura.
  • Ocupação
    "A Culpa é do Fuso" é uma web serie de documentários que relata a vida do outro lado do mundo na visão de uma brasileira que caiu de paraquedas no oriente e se viu isolada da família e dos amigos por morar no fuso horário "invertido". Viajante independente, fotógrafa e roteirista, ela encontrou uma maneira de compensar essa distância ao registrar toda a sua experiência e transfromá-la em uma história que vale a pena acompanhar!

Últimos Visitantes

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  1. aculpaedofuso

    10 DIAS NO IRÃ - 2017

    Voltamos da nossa viagem ao Irã com boas histórias pra contar, muitas fotos, vídeos e, acima de tudo, vontade de inspirar todo mundo a visitar esse país que transpira cultura, paisagens incríveis e milênios de heranças espalhadas por mesquitas, palácios e jardins. Quando decidimos viajar para lá, fomos bombardeados de perguntas, como se fôssemos loucos pela escolha do destino da vez. Os anos de embargo comercial não foram boa publicidade para o país e fazer parte do infame "eixo do mal" criado por Bush, menos ainda. Percebi, através de alguns comentários, como o Oriente Médio é reduzido a uma só história, mesmo em toda a sua diversidade. Além do mais, as notícias que chegam sobre os conflitos na Síria e no Iraque, assustam as pessoas, mesmo que o Irã seja outro país e que esteja em tempos de paz. Por essas e outras, voltei dessa viagem com uma vontade ainda maior de espalhar por aí como é seguro e fácil viajar pelo Irã. A verdade é que, quem decidir parar pra me escutar, não vai se arrepender. O país ainda está começando a explorar seu potencial turístico e a hora para visitar não podia ser melhor. Já é possível contar com uma boa infra estrutura turística e ao mesmo tempo aproveitar as atrações sem a concorrência das multidões que vemos invadindo as cidades mais famosas do mundo. TEERÃ O ponto de partida do nosso roteiro foi a capital, Teerã, onde tiramos nosso visto "on arrival" no aeroporto. Apesar de demorado, o processo foi simples e entramos no país sem maiores problemas (saiba mais como tirar o visto para o Irã aqui). Infelizmente ficamos apenas duas noites na cidade que, apesar de não ter as atrações dos destinos seguintes, traz o lado mais moderno e liberal do país e uma janela para observar outros aspectos da sociedade iraniana. Adoramos bater perna, ver homens e mulheres a caminho do trabalho ou socializando nas casas de chá e nos parques. O bairro que escolhemos ficar era descolado e frequentado por estudantes, artistas, cineastas, o que tornou a experiência na capital ainda mais interessante. Apesar do tempo curto, conseguimos visitar bazares e museus - inclusive o imperdível National Jewelry Treasury - experimentar os bons restaurantes da cidade e bater papo com os locais na companhia de chá e shisha. KASHAN Depois de deixar a capital Teerã pra trás, nos deparamos com uma pequena cidade chamada Kashan, à beira do deserto de Kavir. O lugar tem ares de oásis com suas construções cor de terra e calor abafado. Mansões tradicionais construídas por ricos mercadores no século 19, quando a cidade era um ponto importante na rota comercial da região, foram preservadas e estão abertas para visitação esbanjando jardins, vitrais, mosaicos e espelhos. Algumas se transformaram em hotéis pitorescos onde vale a pena se hospedar! Nós ficamos na Morshedi House e adoramos a experiência!! Kashan foi uma bela surpresa logo no começo da viagem! ISFAHAN O ponto alto dos nossos dias no Irã foi a cidade de Isfahan, um museu a céu aberto de onde uma construção mais linda que a outra brota a cada esquina. A praça principal do centro histórico, patrimônio da UNESCO, é uma das maiores do mundo e está longe de ser apenas um ponto turístico. Ali também é ponto de encontro da população local que curte o fim de tarde em família com enormes piqueniques com direito a botijão de gás, panelões, shisha, tapetes e muita conversa até altas horas. A ponte Si-o-se-pol, construída em 1599, é outro lugar querido entre eles, mesmo com o rio completamente seco nessa época. Soma-se a isso mesquitas, palácios e bazares centenários, pessoas simpáticas, ótimos cafés e hotéis para completar a experiência de viagem perfeita. Saímos de lá com o coração já apertado de saudade... YAZD O quarto destino da viagem foi YAZD, uma cidade espremida entre dois desertos no centro do país e cercada por montanhas áridas. O centro histórico parece cenário de cinema com suas casas cor de barro e labirintos de becos e vielas. Para fugir do calor da tarde, explorávamos o lugar de manhã bem cedo, antes mesmo do café da manhã, quando as ruas estavam desertas e em silêncio, como se paradas no tempo. Os primeiros assentamentos em Yazd datam de 5 mil anos atrás e não faltam heranças deixadas por povos e culturas que passaram por ali ao longo dos séculos. Com os dias quentes e secos, não faltou por do sol pra gente admirar no deserto ou no rooftop de algum hotel charmoso na cidade. Um destino imperdível pra quem curte história e aventura! SHIRAZ Depois de passar por Teerã, Kashan, Isfahan e Yazd, nossa viagem chegou ao seu destino final em Shiraz. A cidade dos poetas e da literatura exibe orgulhosa os ecos de um passado glorioso quando acumulou mesquitas, palácios, praças e jardins cheios de romantismo. Teria tudo para ser um reduto boêmio dos mais charmosos, não tivesse a tradição milenar de produzir vinho na região terminado com a revolução islâmica. Shiraz também é ponto de partida para visitar as ruínas de Persépolis, uma das mais famosas cidades do antigo império Persa e hoje um sítio arqueológico patrimônio da UNESCO. Dos seus mais de 2500 anos de história restaram escadarias, colunas e impressionantes paredes esculpidas ainda cheia de detalhes. Não muito longe dali, está a Necropolis com os gigantescos túmulos dos imperadores Darius e Xerxes. Demos uma esticadinha até Pasárgada, mas não valeu a visita, pois da cidade persa restou apenas o túmulo de Ciro, o grande, e algumas colunas. A passagem por Shiraz foi uma deliciosa aula de história e literatura (que, não conta pra ninguém, cairia muito bem com um vinhozinho local...) e encerrou a nossa "aventura persa" com chave de ouro. Pegamos o avião de volta à Turquia de lá mesmo após 12 dias inesquecíveis de uma viagem segura, fácil e confortável. Para mais conteúdo sobre o Irã, dicas para tirar visto, como se vestir, fotos e vídeos da aventura, acesse: www.aculpaedofuso.com/ira
  2. aculpaedofuso

    Irã - Perguntas e Respostas

    Acabei de voltar do Irã e deu tudo super certo com a viagem a começar pelo visto, que tiramos no aeroporto mesmo! Basta levar os documentos necessários e apresentar no guichê no aeroporto (tiramos em Teerã). Conto o passo a passo para tirar o visto aqui: https://www.aculpaedofuso.com/single-post/como-planejar-viagem-ira Quem precisar de alguma ajuda, é só falar comigo! Recomendo muito o Irã como destino de viagem! Quem vai nunca se arrepende!!!
  3. aculpaedofuso

    SUDESTE ASIÁTICO FEVEREIRO DE 2017

    Quanto tempo de duração terá a sua viagem? Serão muitos voos, já que você está considerando visitar 6 países. Apenas lembre-se de que mesmo com vôos curtos, você precisa encarar trânsito pro aeroporto (que em algumas cidades ficam bem longe, como KL e BKK), fila de imigração e visto... Pode acabar perdendo muito tempo se deslocando de um lugar ao outro. Se isso não for problema pra você, tudo bem. Mas tenha isso em mente na hora de planejar sua viagem. Às vezes reduzir o número de vôos ou focar a sua trip em menos países pode ser uma boa solução... Bjs
  4. aculpaedofuso

    1 mês na Indonésia!

    Olá! Sobre UBUD, acho o lugar mais legal de Bali para passar um tempo, comer bem, fazer trilhas, andar de moto, visitar templos, fazer massagem e yoga. Há hotéis de todas as faixas de preço, desde retiros de yoga a hotéis de luxo. É possível alugar scooter e percorrer a região sozinho, na minha opinião a melhor maneira! Vale lembrar que longe da loucura de Kuta e das praias mais badaladas, o trânsito melhora consideravelmente e se você tomar os cuidados necessários não terá problemas. No meu site tem alguns roteiros do que fazer em UBUD tanto a pé quanto DE SCOOTER. Dá uma olhada e baixa em pdf pra levar com você! http://www.aculpaedofuso.com/guia-de-bali Se tiver alguma dúvida é só falar! Bjs
  5. EPISÓDIO: Kathmandu EPISÓDIO: Pokhara EPISÓDIO: Vale do Kathmandu (Patan & Baktaphur) Sobre "A Culpa é do Fuso": Nosso projeto foi criado por acreditarmos que, assim como nós, existem viajantes que percorrem o mundo no seu tempo e a sua maneira. Que gostam de conhecer não apenas lugares, mas também pessoas. E que, acima de tudo, têm consciência de que suas escolhas como turistas influenciam o meio ambiente e a vida das comunidades por onde passam. Acreditamos ser possível fazer conteúdo audiovisual de qualidade que traga informação e inspiração para ajudar a construir uma geração de bons viajantes e colocá-los no seu devido lugar: na estrada! Ficou curioso para ver o que produzimos em outros destinos da Ásia? Dá um pulo no nosso site: http://www.aculpaedofuso.com
  6. CIRCUITO KINNAUR - SPITI: UMA VIAGEM PELAS ESTRADAS MAIS PERIGOSAS DA ÍNDIA (E DA ÁSIA) Considerada uma das melhores road trips da Ásia, o CIRCUITO KINNAUR-SPITI, no norte da Índia, atrai, verão após verão, motociclistas, mountain bikers e motoristas off road de todo mundo. A estrada, que corta os profundos vales das montanhas do Himalaia na fronteira com o Tibet, encabeça a lista das mais traiçoeiras do mundo e é a porta de entrada para uma das regiões mais remotas do país. A influência budista acompanha toda a viagem - das coloridas bandeiras de mantra aos monastérios centenários que brotam no alto de penhascos - e as vilas medievais que hospedam os visitantes são uma janela para antigas comunidades que há séculos encaram a dura vida acima dos 4 mil metros. O circuito tem duas cidades principais que servem de base para a partida ou chegada dos motoristas, dependendo da direção do circuito. São elas SHIMLA, antigo refúgio dos ingleses para os meses quentes do verão em Delhi, e MANALI, o paraíso dos mochileiros no norte da Índia. Nestas duas cidades é possível alugar e comprar motos ou fechar uma expedição completa de 4x4 com motorista experiente e guia local para quem for realizar trekkings pelo caminho. Aos que vão encarar o percurso de forma independente e mais em conta, existem mini ônibus ligando as vilas principais, mas eles partem apenas uma vez por dia e podem deixar sua viagem ainda mais lenta (a melhor solução para quem está com orçamento baixo é tentar fechar um grupo para rachar um jeep) Saindo de Shimla, a estrada vai gradativamente ganhando altitude… e se deteriorando. A partir dali começa a emblemática Hindustan - Tibetan Road, rodovia que começou a ser construída na encosta vertical das altas montanhas do Himalaia em 1850 com o objetivo de facilitar o transporte de mercadorias até o Tibet e, como é de se esperar, custou a vida de muitos operários. Com suas curvas fechadas, desfiladeiros, túneis precários e constantes deslizamentos de terra, a estrada não é feita para motoristas inexperientes nem passageiros de coração frágil. Para compensar os momentos de sufoco - na direção ou no banco do carona - o visual que acompanha a viagem é de tirar o fôlego. Lá embaixo, o vale verde exala ares de verão depois de um longo e tenebroso inverno e o rio Spiti corre rápido com a força das águas do degelo da neve das montanhas. Os maciços do Himalaia estão tão perto, que é possível identificar as gigantescas geleiras no topo dos picos nevados despontando contra o céu azul. À noite, viajantes cobertos de pó e cansados da estrada se cruzam nas vilas de contos de fadas que parecem congeladas no tempo com suas casas de pedra, templos centenários, ovelhas, vacas, idosos trabalhando no campo e crianças tímidas. Pousadas e homestays estão preparadas para recebê-los com simplicidade e a sempre deliciosa gastronomia local. Estamos no verão e ainda assim a temperatura é negativa durante a noite, o que faz pensar como é a vida nas montanhas quando o inverno chega e isola aquelas comunidades do resto do país soterrando a já precária estrada de neve. Para chegar e sair, apenas com helicóptero do exército. Dia após o outro, jeeps, motos e algumas poucas bicicletas se cruzam pelo caminho trazendo viajantes que buscam os tesouros escondidos do Vale do Spiti como, por exemplo, o monastério de Tabo, o mais antigo da Índia e um dos mais antigos do mundo fundado em 996 DC. Para esticar as pernas e dar um tempo na estrada, há uma infinidade de trilhas que levam a templos, vilas, picos e lagos. O sagrado Chandratal Lake está no fim de uma dessas trilhas e marca a última noite dos viajantes que começam o cricuito em Shimla. O pernoite aos 4270m em um acampamento no coração do Himalaia é uma despedida a altura da aventura. No dia seguinte, o exaustivo trecho final de estrada leva a Manali, um oásis mochileiro onde os viajantes podem encontrar pousadas confortáveis, boa comida, cerveja gelada e wifi, este último ítem absolutamente ausente ao longo dos quase dez dias percorrendo o vale do Spiti. --->> Para quem se animou com essa história de penhascos, curvas perigosas, picos nevados e monastérios centenários, se liga no passo a passo desse circuito que é considerado uma das mais belas e perigosas roadtrips da Ásia e comece a planejar essa viagem! CIRCUITO KINNAUR - SPITI, PASSO A PASSO: O circuito completo pelo Vale do Spiti leva no mínimo 6 dias, mas nós recomendamos pelo menos 8 dias para poder percorrer as estradas sem pressa e também ter tempo de fazer trilhas, explorar vilas e templos. Nós levamos 9 dias de jeep, saindo de SHIMLA e chegando em MANALI, e o circuito ficou assim: DIA 1: de Shimla a Sarahan O primeiro dia na estrada é um dos mais tranquilos, com asfalto bom, pouca poeira no ar e muita disposição. No meio do dia, parada para uma trilha de aclimatação até o Hatu Peak, a 3400m. O pernoite foi na pequena vila de Sarahan, porta de entrada de Kinnaur, onde chegamos a tempo de fazer uma visita ao belo templo Bhimakali e comer os primeiros, de muitos, momos. DIA 2: de Sarahan a Chitkul Sarahan foi o ponto de partida para mais uma trilha, dessa vez até Bashal Peak. O trekking é puxado com subidas bastante íngremes, mas o caminho é bonito e percorre uma densa floresta de pinheiros onde cruzamos com pastores e famílias nômades da montanha. De volta a estrada, penhascos e curvas de gelar o sangue até chegar a Chitkul, a última vila antes da fronteira com o Tibet. A vila é uma das mais belas de todo o percurso e fica ainda mais bonita no por do sol. DIA 3: de Chitkul a Kalpa O dia começa com uma parada em Sangla para visitar o antigo Kamru Fort e o pitoresco Bering Nag Temple. De lá seguimos para um trekking ao Kanda Peak, 3600m. A trilha, apesar de fácil, é bastante demorada e o vento seco carregado de poeira deixa a subida bastante cansativa. O pernoite foi em Kalpa, outra vila deliciosa de se percorrer no fim de tarde. DIA 4: de Kalpa a Nako Gastamos um tempo da nossa manhã para conhecer a vila de Kalpa e tomar um preguiçoso café da manhã, afinal ninguém tem pressa nas montanhas. Precisamos fazer uma parada estratégica em Reckong Peo para emitir o INNER LINE PERMIT obrigatório para cruzar o Vale do Spiti. Chegamos a Nako a tempo de admirar mais um por do sol. Do heliponto é possível ver as casas ao longe no vale junto às plantações (obs: logo ao lado há uma Wine Store, o que na Índia quer dizer "lojinha que vende cerveja"). O pernoite foi no Lake View Hotel, o mais confortável de todo o percurso. DIA 5: de Nako a Tabo Em Nako fizemos o trekking mais bonito de todos, acompanhando as encostas áridas adornadas por uma infinidade de bandeirinhas budistas coloridas. A imensidão do Himalaia já se faz presente com força neste trecho do percurso. Ao longo do caminho também paramos para ver a estranha múmia do monastério de Giu, mas o ponto alto do dia foi o sereno e ao mesmo tempo poderoso monastério de Tabo, o mais antigo da Índia. Aos que meditam, vale a pena investir um tempo neste lugar. DIA 6: de Tabo a Kaza Pela manhã, visitamos as cavernas de meditação nas encostas que cercam a vila de Tabo. No caminho para nosso destino final, uma parada no incrível Dhankar Monastery, construído no topo de penhascos. Ainda foi possível fazer uma trilha ao Dhankar Lake próximo dali. Ao cair da tarde, chegamos em Kaza, a capital da província mas, ainda assim, uma pequena e charmosa vila. Lá encontramos as melhores opções de restaurante e o primeiro wifi de todo o percurso (mas bastante precário). DIA 7: Kaza Como o plano era dormir mais uma noite em Kaza, tiramos o dia para explorar os arredores, como o monastério de Key (ou Kee) e a vila de Kibber. Aproveitamos as noites em Kaza para comer nos dois restaurantes da Ecosphere, instituição que procura preservar o turismo sustentável na região. Além da causa nobre, a comida é fantástica. DIA 8: de Kaza a Chandratal O oitavo dia passa lento na estrada, que neste trecho está em condições bastante precárias. Prepare-se para ainda mais poeira, mas também para os cenários mais incríveis do trajeto. O ponto final é o acampamento que fica a 3km do lago sagrado de Chandratal, a uma altitude de 4300m. Os últimos quilômetros são percorridos a pé por uma bela trilha pelo vale até chegar ao belíssimo lago cercado pelas gigantes montanhas do Himalaia. O pernoite no acampamento é confortável, com barracas em bom estado, comida surpreendentemente boa e um céu estrelado digno de uma noite de despedida. DIA 9: de Chandratal Lake a Manali O último dia na estrada é puxado, apesar da distância percorrida ser curta. A estrada é péssima e o ritmo é muito lento. O lado bom? Além da bela paisagem, a birosca no meio da estrada serve o melhor Thali de toda a viagem. Chegamos em Manali por volta das 18h bastante cansados e aproveitamos os próximos dias para descansar nesse oásis mochileiro, que é imperdível. DICAS ÚTEIS: - Dinheiro: apesar de ser uma região isolada, encontramos caixas eletrônicos em vilas como Sangla, Reckong Peo e Tabo. - Comida: como horas seguidas são passadas dentro do carro em lugares muito ermos, não conte com uma loja de conveniência na estrada. Abasteça a mochila nas vilas onde fará o pernoite, a maioria delas tem pelo menos uma vendinha com batatas, chocolate e algum biscoito. Na hora das refeições, não tenha medo de encarar a culinária local, pois ela será a mais fresca e saborosa do cardápio. - Água: Spiti aboliu as sacolas plásticas, mas ainda precisa lidar com as garrafas pet. Para diminuir a venda na região, muitas pousadas e restaurantes oferecem refil de água mineral aos turistas. Mas como água é um assunto sensível na Índia e pode rolar uma desconfiança da procedência do galão, pastilhas de clorin vão garantir o seu sossego. Outra opção é o life straw, que vimos a venda em diversas cidades da Índia. - Higiene: A poeira será seu maior companheiro nessa viagem, então lencinhos umidecidos são indispensáveis para se limpar ao longo do dia. Álcool em gel é necessidade, não apenas nesse trecho, mas durante toda a viagem. Papel higiênico é fundamental, já que nenhum hotel em que paramos disponibilizava um. Hidratante e filtro solar também não podem faltar, pois o clima seco e sol forte da montanha vão fazer um estrago na sua pele. Para os males da altitude, um bom remédio para dor de cabeça faz diferença. - Roupa: Durante o dia faz bastante calor, então uma bermuda / legging e camiseta seguram o rojão. Para as trilhas, lembre-se sempre de ter um anorak corta vento a mão e botas de trekking nos pés. Para a viagem de carro, chinelos são confortáveis e práticos. A noite pede casacos e roupas térmicas, pois as temperaturas caem abaixo de zero e as hospedagens não oferecem aquecedor. E lembre-se: mantenha as roupas "de descanso" bem guardadas dentro da mochila, depois que a viagem começa, a poeira toma conta do carro. - Comunicação: Conseguimos wifi apenas em Kaza e mesmo assim bastante precário. Quem quiser continuar conectado ao longo da viagem pode comprar um ship local uma vez que grande parte do trajeto tem cobertura 3G. (Mas a experiência de ficar dez dias sem contato com o mundo "lá fora" foi bem interessante...) (ARTIGO ORIGINAL NO SITE http://WWW.ACULPAEDOFUSO.COM)
  7. aculpaedofuso

    Guia de Viagem para o Sudeste Asiátivo (livro-guia)

    Eu sou fã dos guias LP, acho a visão deles e as opiniões sobre os destinos bem parecidas com as minhas, além de ter uma preocupação com turismo sustentável e consciente. O problema é que o LP Southeast Asia engloba uma região muito grande e acaba sendo muito vago, assim como o LP Europa e o LP América do Sul (além de pesadíssimo pra levar na mochila). O que eu recomendo é que você arrume os e-books no site que te permite comprar apenas os capítulos do seu interesse, o que vem a calhar em uma viagem que engloba vários países. Aí baixa tudo para um tablet, que é leve e não ocupa espaço! Ah, pra complementar as pesquisas na internet, tenho usado bastante o travelfish.org ultimamente e gosto muito. E sugiro também (ops, olha o jabá) os nossos MINI GUIAS PARA GRANDE DIAS (NA ÁSIA), que trazem maneiras autênticas, independentes, criativas e também boêmias de viver dias incríveis na Ásia. Pode baixar online! -> http://www.aculpaedofuso.com/#!guiasnaasia/c1z3a
  8. Quando soube pela primeira vez de mochileiros que exploravam de moto o emblemático Bolaven Plateau, no sul do Laos, imaginei um grupo de experientes motociclistas percorrendo estradas íngrimes, esburacadas e isoladas do mundo. Jamais pensei que tamanha aventura estivesse ao alcance de uma viajante como eu, que considera um rolé de scooter por algumas horas o cúmulo da radicalidade das minhas adanças pela Ásia. Porém, minha visita a Luang Prabang, a charmosa cidade ao norte do país que é patrimônio da UNESCO e destino da maioria dos turistas estrangeiros, e à capital Vientiane havia me instigado a conhecer outras regiões do Laos. Voltei pra casa com alguns nomes na cabeça que surgiram em conversas com amigos mochileiros que fizemos pelo caminho: Vang Vieng, Si Phan Don e ele, o tal do Bolaven Plateau. Passei os dois anos seguintes explorando outros cantos da Ásia, mas sem esquecer das histórias do legendário rio Mekong e suas ilhas, das cachoeiras, da pitorescas vilas e das longas viagens sob o sol. O feriadão de fim de ano surgiu como a oportunidade perfeita para tirar a aventura do papel e a ideia de percorrer de moto uma região absolutamente desconhecida pra mim soava assustadora e irresistível. Eu, o membro prudente e caxias do casal, tratei de devorar guias e mergulhar em blogs e fóruns onde viajantes compartilhavam suas experiências pelo "loop", como é chamado o roteiro percorrido pelos motoqueiros que exploram o Bolaven Plateau. Enquanto isso, o namorado, a face destemida da dupla, analisou mapas, calculou distâncias e deu o veredito final: um sonoro SIM à expedição. Entramos no Laos por terra vindo de Phnom Penh, capital do Camboja, em uma viagem de dez horas de ônibus até Si Phan Don, região conhecida como "as 4 mil ilhas" do Mekong. Passamos a noite de Natal na sonífera e charmosa ilha de Don Det, uma das quatro mil, e, após alguns dias acumulando energia, seguimos de ônibus até Pakse, porta de entrada para o Bolaven Plateau e cidade hospedeira de centenas de viajantes que chegam para encarar "the loop". Mas, afinal, o que a região tem de tão especial para fomentar a sede de aventura de mochileiros pelo mundo? Coberto por uma flora exuberante, o planalto chega a 1300m acima do nível do mar e seus rios formam dezenas de cachoeiras espetaculares. Em época de seca, os dias trazem céu azul escuro e temperaturas amenas e a falta de chuva mantém as rodovias em boas condições. Plantações de café e pequenas comunidades locais acompanham o percurso e deixam as estradas incrivelmente cênicas. Para completar o sonho de consumo dos viajantes, o aluguel de motos em Pakse é barato (em média 7 dólares a diária) e descomplicado. Tudo o que você precisa para encarar a aventura são alguns trocados, energia para passar de 2 a 4 dias na estrada e bom humor para encarar alguns perrengues inevitáveis pelo caminho. A rua principal do centro de Pakse agrega uma infinidade de pousadas e agências que oferecem motos automáticas e semiautomáticas, mapas da região e se disponibilizam a guardar sua bagagem pelo tempo que for necessário. Enquanto buscávamos a nossa companheira de viagem, não pude deixar de notar que muitos viajantes ali se preparavam para pilotar uma moto pela primeira vez e eu ainda não tinha certeza se os considerava autoconfiantes, corajosos ou tolos. Já eu decidi fazer o percurso na garupa do namorado e assim poder me revezar entre gravar as imagens para a nossa websérie, acompanhar o GPS e simplesmente curtir a paisagem (minha função favorita). Fomos aconselhados a escolher a moto semi automática por conta das estradas íngremes e o dono da agência não se mostrou nem um pouco preocupado quando avisamos que só tínhamos experiência com a automática. "Não há o que temer, é quase a mesma coisa!", ele nos garantiu enquanto ensinava uma turista alemã a dar partida a uma scooter. Com um mapa mal impresso na mão, celular com GPS na outra e uma pequena mochila com roupas limpas e câmeras nas costas, deixamos Pakse logo após o café da manhã para tentar fugir do sol forte que, ainda assim, nos pegou em cheio no meio do percurso. Nossa missão era percorrer os 320km do "big loop" em 3 dias parando pelo caminho para mergulhar nas cachoeiras, conhecer as plantações de café e explorar as vilas ao longo da estrada. O objetivo do primeiro dia era pernoitar em Tad Lo, uma pequena vila famosa por suas hospedagens baratas e lindas cachoeiras. Conforme prometido, a estrada estava em condições decentes e o movimento dos bodes, bois e galinhas era maior do que o de carros e caminhões. Conseguimos a façanha de furar o pneu logo nas primeiras horas de viagem e o que poderia ter sido um perrengue sem fim acabou sendo resolvido em poucos minutos com a carona providencial de uma caminhonete e o trabalho rápido de um simpático borracheiro. Chegamos ao fim do percurso com folga, a tempo de dar um mergulho e encontrar uma pousada bastante acolhedora pra passar a noite, que, em Tad Lo, se transforma em um agradável encontro de dezenas de mochileiros empoeirados compartilhando suas experiências na estrada entre goles de cerveja local. O segundo dia traz estradas ainda mais cênicas e a sensação de isolamento é mais forte. Nosso plano era pernoitar em Sekong, que aparecia no nosso mapa como o melhor ponto para encontrar pousadas naquele dia. A cidade, porém, era desinteressante e praticamente nos obrigou a seguir viagem e a esticar consideravelmente nosso dia na estrada. Cruzamos com um sueco pelo caminho que nos guiou a um camping aos pés de mais uma cachoeira com banheiros limpos e comida boa, mas como ainda havia algumas horas de sol pela frente, por que não seguir um pouco mais? O sueco, mais uma vez, sacou seu mapa e nos mostrou o próximo destino: Tad Tayicsua, uma cachoeira sobre qual tínhamos pouquíssimas informações. Dali pra frente, a estrada ficou cada vez mais estreita, esburacada e empoeirada. A luz do dia enfraquecia, assim como a promessa de encontrar um canto pra dormir e a ideia de encarar aquela estradinha isolada do mundo na escuridão da noite era assustadora. Nossos companheiros de estrada não passavam de cabritos, porcos e, vez ou outra, uma viva alma que não falava uma palavra de inglês. Faltando pouco para a noite cair, uma moto trazendo um casal de gringos se aproximou como uma miragem e garantiu que a poucos metros dali havia acampamento, comida e banheiros. Nittaya, a dona do camping com ares de mãezona riporonga, nos recebeu com a maior simpatia e também outro casal de motoqueiros que chegou ainda mais tarde trazendo, assim como nós, olhar aliviado, roupas imundas, dores nas costas e sorriso no rosto. Ela nos garantiu ser dona de todo o terreno, que inclui nada menos que onze cachoeiras além de árvores raríssimas e valiosas, e nos contou entristecida como chineses haviam invadido suas terras para cortá-las. Uma bela contadora de histórias que também se esforça para fazer de Tad Tayicsua um oásis para os viajantes. Enquanto degustávamos uma Lao Beer gelada e confraternizávamos com nossos companheiros de estrada, Nittaya distribuía cobertores pelas barracas, pois a noite seria fria. Foi difícil resistir à vontade de ficar mais um dia naquele lugar e deixar a estrada para outra hora. Pela manhã tínhamos uma lista de onze cachoeiras na região para explorar, todas acessíveis por trilhas marcadas na mata fechada, umas mais fáceis, outras nem tanto. Tad Tayicsua, a primeira a ser avistada ao longe, despenca do alto de um penhasco coberto por uma floresta exuberante. Outros vinte minutos de descida pela trilha enlamaçada e alcançamos a segunda cachoeira, a mais bela que vimos em todo o big loop pelo Bolaven Plateau. Cercada por flores cor de rosa e borboletas amarelas, Tad Incy poderia facilmente ser habitada por fadas e gnomos cantantes. O vapor das águas que caem com força na lagoa esverdeada completa o cenário de filme de fantasia com um arco-íris bem definido que nos hipnotizou por longos minutos. A terceira cachoeira foi também a última que visitamos e a primeira onde encontramos outras pessoas além de nós. Com muitas pedras e quedas d'águas, ela é um convite para o descanso da trilha e refresco pro sol, que aquela altura já estava forte e nos avisava que era hora de voltar pra estrada. As outras oito cachoeiras tiveram que ficar para uma próxima viagem... As últimas horas em cima da moto foram as mais monótonas. O cenário ia lentamente se transformando, as árvores dando lugar aos prédios, bois e bodes a outras motos, crianças acenando aos trabalhadores cansados. Em Pakse, o comércio fechava as portas antes da hora e as calçadas eram invadidas por cadeiras plásticas e cheiro de churrasco. Famílias se preparavam para comemorar a virada do ano dali a poucas horas e eu sonhava apenas com um bom banho. O dia 31 ainda começava no Brasil quando meia dúzia de fogos coloridos estouraram no céu de Pakse e nós nos despedimos de 2015, do Laos e de uma das mais memoráveis aventuras da nossa vida de mochileiros. E você? Ficou com vontade de cair na estrada? LEIA o nosso guia completo para encarar o big loop pelo Bolaven Plateau, no Laos: http://www.aculpaedofuso.com/#!mglaos/crns
  9. aculpaedofuso

    relato Explorando o BOLAVEN PLATEAU de moto (LAOS)

    Quando soube pela primeira vez de mochileiros que exploravam de moto o emblemático Bolaven Plateau, no sul do Laos, imaginei um grupo de experientes motociclistas percorrendo estradas íngrimes, esburacadas e isoladas do mundo. Jamais pensei que tamanha aventura estivesse ao alcance de uma viajante como eu, que considera um rolé de scooter por algumas horas o cúmulo da radicalidade das minhas adanças pela Ásia. Porém, minha visita a Luang Prabang, a charmosa cidade ao norte do país que é patrimônio da UNESCO e destino da maioria dos turistas estrangeiros, e à capital Vientiane havia me instigado a conhecer outras regiões do Laos. Voltei pra casa com alguns nomes na cabeça que surgiram em conversas com amigos mochileiros que fizemos pelo caminho: Vang Vieng, Si Phan Don e ele, o tal do Bolaven Plateau. Passei os dois anos seguintes explorando outros cantos da Ásia, mas sem esquecer das histórias do legendário rio Mekong e suas ilhas, das cachoeiras, da pitorescas vilas e das longas viagens sob o sol. O feriadão de fim de ano surgiu como a oportunidade perfeita para tirar a aventura do papel e a ideia de percorrer de moto uma região absolutamente desconhecida pra mim soava assustadora e irresistível. Eu, o membro prudente e caxias do casal, tratei de devorar guias e mergulhar em blogs e fóruns onde viajantes compartilhavam suas experiências pelo "loop", como é chamado o roteiro percorrido pelos motoqueiros que exploram o Bolaven Plateau. Enquanto isso, o namorado, a face destemida da dupla, analisou mapas, calculou distâncias e deu o veredito final: um sonoro SIM à expedição. Entramos no Laos por terra vindo de Phnom Penh, capital do Camboja, em uma viagem de dez horas de ônibus até Si Phan Don, região conhecida como "as 4 mil ilhas" do Mekong. Passamos a noite de Natal na sonífera e charmosa ilha de Don Det, uma das quatro mil, e, após alguns dias acumulando energia, seguimos de ônibus até Pakse, porta de entrada para o Bolaven Plateau e cidade hospedeira de centenas de viajantes que chegam para encarar "the loop". Mas, afinal, o que a região tem de tão especial para fomentar a sede de aventura de mochileiros pelo mundo? Coberto por uma flora exuberante, o planalto chega a 1300m acima do nível do mar e seus rios formam dezenas de cachoeiras espetaculares. Em época de seca, os dias trazem céu azul escuro e temperaturas amenas e a falta de chuva mantém as rodovias em boas condições. Plantações de café e pequenas comunidades locais acompanham o percurso e deixam as estradas incrivelmente cênicas. Para completar o sonho de consumo dos viajantes, o aluguel de motos em Pakse é barato (em média 7 dólares a diária) e descomplicado. Tudo o que você precisa para encarar a aventura são alguns trocados, energia para passar de 2 a 4 dias na estrada e bom humor para encarar alguns perrengues inevitáveis pelo caminho. A rua principal do centro de Pakse agrega uma infinidade de pousadas e agências que oferecem motos automáticas e semiautomáticas, mapas da região e se disponibilizam a guardar sua bagagem pelo tempo que for necessário. Enquanto buscávamos a nossa companheira de viagem, não pude deixar de notar que muitos viajantes ali se preparavam para pilotar uma moto pela primeira vez e eu ainda não tinha certeza se os considerava autoconfiantes, corajosos ou tolos. Já eu decidi fazer o percurso na garupa do namorado e assim poder me revezar entre gravar as imagens para a nossa websérie, acompanhar o GPS e simplesmente curtir a paisagem (minha função favorita). Fomos aconselhados a escolher a moto semi automática por conta das estradas íngremes e o dono da agência não se mostrou nem um pouco preocupado quando avisamos que só tínhamos experiência com a automática. "Não há o que temer, é quase a mesma coisa!", ele nos garantiu enquanto ensinava uma turista alemã a dar partida a uma scooter. Com um mapa mal impresso na mão, celular com GPS na outra e uma pequena mochila com roupas limpas e câmeras nas costas, deixamos Pakse logo após o café da manhã para tentar fugir do sol forte que, ainda assim, nos pegou em cheio no meio do percurso. Nossa missão era percorrer os 320km do "big loop" em 3 dias parando pelo caminho para mergulhar nas cachoeiras, conhecer as plantações de café e explorar as vilas ao longo da estrada. O objetivo do primeiro dia era pernoitar em Tad Lo, uma pequena vila famosa por suas hospedagens baratas e lindas cachoeiras. Conforme prometido, a estrada estava em condições decentes e o movimento dos bodes, bois e galinhas era maior do que o de carros e caminhões. Conseguimos a façanha de furar o pneu logo nas primeiras horas de viagem e o que poderia ter sido um perrengue sem fim acabou sendo resolvido em poucos minutos com a carona providencial de uma caminhonete e o trabalho rápido de um simpático borracheiro. Chegamos ao fim do percurso com folga, a tempo de dar um mergulho e encontrar uma pousada bastante acolhedora pra passar a noite, que, em Tad Lo, se transforma em um agradável encontro de dezenas de mochileiros empoeirados compartilhando suas experiências na estrada entre goles de cerveja local. O segundo dia traz estradas ainda mais cênicas e a sensação de isolamento é mais forte. Nosso plano era pernoitar em Sekong, que aparecia no nosso mapa como o melhor ponto para encontrar pousadas naquele dia. A cidade, porém, era desinteressante e praticamente nos obrigou a seguir viagem e a esticar consideravelmente nosso dia na estrada. Cruzamos com um sueco pelo caminho que nos guiou a um camping aos pés de mais uma cachoeira com banheiros limpos e comida boa, mas como ainda havia algumas horas de sol pela frente, por que não seguir um pouco mais? O sueco, mais uma vez, sacou seu mapa e nos mostrou o próximo destino: Tad Tayicsua, uma cachoeira sobre qual tínhamos pouquíssimas informações. Dali pra frente, a estrada ficou cada vez mais estreita, esburacada e empoeirada. A luz do dia enfraquecia, assim como a promessa de encontrar um canto pra dormir e a ideia de encarar aquela estradinha isolada do mundo na escuridão da noite era assustadora. Nossos companheiros de estrada não passavam de cabritos, porcos e, vez ou outra, uma viva alma que não falava uma palavra de inglês. Faltando pouco para a noite cair, uma moto trazendo um casal de gringos se aproximou como uma miragem e garantiu que a poucos metros dali havia acampamento, comida e banheiros. Nittaya, a dona do camping com ares de mãezona riporonga, nos recebeu com a maior simpatia e também outro casal de motoqueiros que chegou ainda mais tarde trazendo, assim como nós, olhar aliviado, roupas imundas, dores nas costas e sorriso no rosto. Ela nos garantiu ser dona de todo o terreno, que inclui nada menos que onze cachoeiras além de árvores raríssimas e valiosas, e nos contou entristecida como chineses haviam invadido suas terras para cortá-las. Uma bela contadora de histórias que também se esforça para fazer de Tad Tayicsua um oásis para os viajantes. Enquanto degustávamos uma Lao Beer gelada e confraternizávamos com nossos companheiros de estrada, Nittaya distribuía cobertores pelas barracas, pois a noite seria fria. Foi difícil resistir à vontade de ficar mais um dia naquele lugar e deixar a estrada para outra hora. Pela manhã tínhamos uma lista de onze cachoeiras na região para explorar, todas acessíveis por trilhas marcadas na mata fechada, umas mais fáceis, outras nem tanto. Tad Tayicsua, a primeira a ser avistada ao longe, despenca do alto de um penhasco coberto por uma floresta exuberante. Outros vinte minutos de descida pela trilha enlamaçada e alcançamos a segunda cachoeira, a mais bela que vimos em todo o big loop pelo Bolaven Plateau. Cercada por flores cor de rosa e borboletas amarelas, Tad Incy poderia facilmente ser habitada por fadas e gnomos cantantes. O vapor das águas que caem com força na lagoa esverdeada completa o cenário de filme de fantasia com um arco-íris bem definido que nos hipnotizou por longos minutos. A terceira cachoeira foi também a última que visitamos e a primeira onde encontramos outras pessoas além de nós. Com muitas pedras e quedas d'águas, ela é um convite para o descanso da trilha e refresco pro sol, que aquela altura já estava forte e nos avisava que era hora de voltar pra estrada. As outras oito cachoeiras tiveram que ficar para uma próxima viagem... As últimas horas em cima da moto foram as mais monótonas. O cenário ia lentamente se transformando, as árvores dando lugar aos prédios, bois e bodes a outras motos, crianças acenando aos trabalhadores cansados. Em Pakse, o comércio fechava as portas antes da hora e as calçadas eram invadidas por cadeiras plásticas e cheiro de churrasco. Famílias se preparavam para comemorar a virada do ano dali a poucas horas e eu sonhava apenas com um bom banho. O dia 31 ainda começava no Brasil quando meia dúzia de fogos coloridos estouraram no céu de Pakse e nós nos despedimos de 2015, do Laos e de uma das mais memoráveis aventuras da nossa vida de mochileiros. E você? Ficou com vontade de cair na estrada? LEIA o nosso guia completo para encarar o big loop pelo Bolaven Plateau, no Laos: http://www.aculpaedofuso.com/#!mglaos/crns
  10. aculpaedofuso

    ROTEIRO Tailandia / Cambodia / Vietnam / Laos - 3 semanas mochilando Sozinha !!!

    Oi, Aline! Minha dica é: fique longe das atividades que envolvam animais, principalmente na Tailândia. Em Chiang Mai, aproveite o tempo para explorar o centro histórico que é repleto de templos milenares da época da fundação da cidade. O night market também é ótimo para passear e experimentar o melhor Pad Tai da Tailândia! Ah, e quanto a Siem Reap, acho que vale a pena colocar mais um tempo por lá no seu roteiro. Senão, você estará pegando um avião só para ir ao Camboja pra passar um dia. Além do país ter muita história pra contar e difícil de absorver em tão pouco tempo, são muitas ruínas para explorar em apenas um dia (não subestime o calor que faz nessa terra! rsrsrs). Beijos e boa viagem!
  11. aculpaedofuso

    Tailândia 01/2016

    Se for visitar algum santuário de preservação, faça uma boooooa pesquisa prévia para saber a autenticidade dos mesmos! Na dúvida, não vá. Por toda a Ásia se espalham campos onde os animais são explorados para que os turistas tirem suas selfies. Lembre-se: turismo com animais selvagens estimula o comércio ilegal, a valorização (e caça) de filhotes, maus tratos e exploração. Desde o macaquinho que posa no ombro de alguém ao elefante que te leva pra passear. E boa viagem!
  12. Obrigada, Eduardo! Ficamos muito felizes que tenha gostado!! Você pode conferir todos os episódios no nosso site: www.aculpaedofuso.com Abs, Clarissa & André
  13. aculpaedofuso

    relato YANGON & BAGAN - Myanmar (A Culpa é do Fuso / Vídeo)

    Nosso projeto nasceu do sonho de produzir conteúdo audiovisual de qualidade que trouxesse informação e inspiração para ajudar a construir uma geração de bons viajantes e colocá-los no seu devido lugar: NA ESTRADA. EPISÓDIO 2: YANGON EPISÓDIO 11: BAGAN
  14. Valeu, Marcos! Ficamos felizes que tenha curtido!! Lá no nosso site tem todos os episódios, se quiser conferir! Abs! www.aculpaedofuso.com
  15. aculpaedofuso

    relato A Culpa é do Fuso: Ep. CINGAPURA

    Oi, Julia!! Fico muito, muito feliz que esteja curtindo a série! Fazemos tudo com o maior carinho e amor pela estrada mesmo! Beijos! Clarissa http://www.aculpaedofuso.com
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