Ir para conteúdo
  • Cadastre-se

MarisaBrugnara

Membros
  • Total de itens

    35
  • Registro em

  • Última visita

Reputação

26 Excelente

Sobre MarisaBrugnara

  • Data de Nascimento 26-11-1992

Outras informações

  • Lugares que já visitei
    Bolívia, Alemanha, Portugal, República Tcheca, Grécia, Croácia, Espanha, Marrocos, Holanda, Dinamarca, Suíça, Hungria, Vaticano, Eslovênia, Irlanda, Itália, Áustria, Chile, Argentina e por aí vai
  • Próximo Destino
    qualquer um!
  • Meus Relatos de viagem
    https://www.mochileiros.com/topic/80594-pra-quem-quer-estradas-de-curitiba-ao-atacama-de-uno-10-20-dias-5500km-r2200/
  • Ocupação
    www.territorioonline.com.br
  • Meu Blog
  • Localização
    Vicente Machado 2855, CURITIBA, Paraná, 80440020, Brasil

Últimos Visitantes

O bloco dos últimos visitantes está desativado e não está sendo visualizado por outros usuários.

  1. MarisaBrugnara

    Alemanha - Ajuda com Roteiro de 31 dias

    @WilKyo Então, sobre essa rota dos Alpes não tenho muito conhecimento. Mas quando estava na Alemanha, fiz a minha própria rota dos Alpes hahaha Estava lá com mais 4 amigos, alugamos um carro e, sem planejar muito, fomos passando pelas montanhas e estradas bonitas dos Alpes Italianos, Suíços e Austríacos. Isso foi na virada do ano de 2015 pra 2016. Fizemos quase 3000 km em 4 dias. Levamos praticamente toda a comida pra consumir na viagem e por isso foi super barato e deu pra ver muita, mas muita coisa bonita. Recomendo muito alugar carro na Alemanha pq é bem barato, sem contar que vc vai querer parar em todo lugar pra apreciar a vista. É uma viagem totalmente viável que vc mesmo pode escolher por onde quer passar, sempre tem um hostel no meio do caminho mesmo não sendo a "rota x" ou "rota y" que já é engessada pro turismo convencional. E na Europa é tudo muito perto, as estradas não tem pedágio e tem posto de combustível por toda parte. Não me lembro muito bem, mas a rota foi mais ou menos essa: Essa cidadezinha Rothenburg ob der Tauber é imperdível! É super medieval. Essa região do Lago di Garda é o lugar mais bonito que eu conheci na Itália até hoje. Tem aquelas estradas surreais que passam em túneis dentro das montanhas e vão serpenteando o lago (que mais parece um mar, de tão grande). Depois, tem essa região da Cortina d'Ampezzo. Não sei nem o que dizer desse lugar. Tenho pouquíssimas fotos dali, de tão hipnotizante que é a paisagem. É só montanha e pista de Ski até onde a vista alcança. Rochas imensas e tem muita, muita curva. Vc sobe 2000m, desce 2000m o tempo todo. Recomendo demais! Acho que dá pra encaixar na sua viagem. O norte da Itália é um mundo totalmente diferente de Veneza e Roma.
  2. MarisaBrugnara

    Alemanha - Ajuda com Roteiro de 31 dias

    Oi! Se vc gosta de natureza, acho que não pode deixar de fora de jeito nenhum a região da Schwarzwald (aos arredores de Freiburg), a Sächsische Schweiz (aos arredores de Dresden) e de Broken im Harz (aos arredores de Hannvoer). - Sobre a Schwarzwald comentei nesse post esses dias: - De Dresden (que na minha opinião é a cidade mais bonita de toda a Alemanha - e dá pra passear de Schwebebahn, um dos trens suspensos mais antigos do mundo), vc leva 1 hora e pouquinho de trem pra chegar na Bastei. O caminho já é maravilhoso. Essa linha inclusive faz parte de umas das estradas férreas mais bonitas do mundo (e é um trem interestadual normal, preço normal). Não deixe de ir pra lá, é impressionante de lindo! - De Hannover (ótima escolha: a cidade é enorme e tem muita coisa massa pra ver, mas sem aquela muvuca de Berlin e Munique. Tem o Herrenhausen Gärten, um jardim enorme e lindo; tem Linden, o bairro alternativo, tem o Maschsee que fica lindo no pôr do sol...), vc leva 1 hora e pouquinho também de trem pra chegar em Broken im Harz. É a única montanha do norte da Alemanha se não me engano, e é um lugar beeem alemão raiz, fica dentro de um parque nacional. Dê uma olhada nesse site https://www.ndr.de/ratgeber/reise/harz_suedniedersachsen/index.html Espero ter ajudado!
  3. @Getulio Zborowski obrigada!! Era um quarto compartilhado. Tinham 4 beliches (8 camas), e um banheiro dentro pras pessoas do quarto usarem. Ás vezes fazia um pouco de fila pro banho, mas nada fora do normal hahaha Complicado teria sido se eu não tivesse levado saco de dormir e uma boa segunda pele, pois fez bastante frio de madrugada e a coberta que o hostel fornecia não deu conta.
  4. @Fil.sva Olá! Então, além da tua CNH, a Carta Verde pra circular na Argentina e o Soapex pra circular no Chile, sei que vc precisa de um documento chamado "Permiso" que a própria locadora de carros faz pra vc apresentar nas aduanas. Não sei quanto custa, mas lendo alguns relatos parece que não fica muito barato. Quanto a fazer a travessia do Atacama pra Uyuni, não recomendo ir por conta própria. A estrada é pra 4x4, e até guias experientes se perdem no salar. Não sou a favor de pacotes de viagem ou contratar tours, mas essa é uma exceção haha No Atacama tem mil agências que vendem esse pacote. Dá pra pechinchar bastante! Quando fui pra Bolívia, contratei um tour por lá mesmo pra fazer esse trecho e acho que fica até mais barato. Até hoje não descobri por onde o guia se baseia pra não errar o caminho, pq naquela região realmente não tem nada além de sal. Espero ter ajudado!
  5. MarisaBrugnara

    Voos na europa

    Sites obrigatórios: https://www.ryanair.com/pt/pt/: é vôo low cost. Tente montar seu roteiro pra comprar as passagens com antecedência! Jamais deixe pra comprar no aeroporto! Cheguei a pagar 10 euros ida e volta de Frankfurt pra roma (comprei com mais de 1 mês de antecedência). MUITA ATENÇÃO: os aeroportos de vôos low cost são na maioria esmagadora das vezes beeem longe do seu destino. Pesquise bem o endereço antes de ir. Exemplo: o aero dos vôos de Frankfurt fica na verdade em Frankfurt Hahn (125km de Frankfurt am Main). Ou seja, vc vai gastar tempo e dinheiro com o transfer do aero da Ryanair até o centro da cidade que vc deseja ir. Sem contar que tem vôos bem baratos mas com horários péssimos, que te obrigam a dormir no aero. https://www.goeuro.com/: ele pesquisa o que é mais barato entre trem, ônibus e avião. Facilita muito a vida! Às vezes ir por terra gasta menos tempo e menos dinheiro do que ir de avião, pq ambos sempre param no centro (ou bem perto do centro) do seu destino. Cheguei a pagar 1 euro em passagens comprando com antecedência também. A empresa de ônibus Flixbus é ótima, usei muuuuito, e funciona pela Europa toda. Vira e mexe tem promoção só pra quem é usuário do app. Espero ter ajudado! Abraços, Marisa
  6. MarisaBrugnara

    Toalhas de Secagem Rápida

    Tek Towel da Sea to Summit! Elas tem a textura bem parecida com uma toalha de banho mesmo. Não são iguais aquelas toalhas de natação que só espalham a água de um lado pro outro no corpo. Um pouco caras, mas são as top de linha. Tem tamanho P, M, G, são super compactas, secam rápido e não pegam cheiro. É pra comprar 1 e não comprar mais, pq duram muito. Daí veio a Azteq (a marca técnica da Nautika), "copiou" as tek towels e fez as Toalhas Azteq Soft. Elas são menos da metade do preço, não tão compactas (mas continuam sendo bem pequenas), e tão boas quanto! Tem a mesma textura das tek towels, também secam rápido e não pegam cheiro. Tamanho P, M e G também. Marisa da https://www.territorioonline.com.br/
  7. @rlorensi Oi! R$2200,00 foi o gasto total da viagem por pessoa, incluindo tudo! O gasto só com a gasolina foi R$1300,00 (para os 2, daí seria R$650,00 por pessoa). Abraços!
  8. @rlorensi que massa! adorei as fotos! Então, esse trecho é o único ruim da viagem toda, uns 20km. Tem asfalto, mas tá beem esburacado. Na verdade, não achei muito diferente de umas estradas que passo aqui pelo Brasil ahhahaha estamos acostumados. Mas é só ir devagar e desviar dos buracos maiores que dá tudo certo. Esse trecho costuma ter pouco movimento de carros/caminhões e não lembro de ter visto ninguém parado na estrada por causa de pneu furado. Depois desses 20km, a estrada volta a ser um tapete. Ir de fusca com certeza vai ser uma experiência beeem diferente do que ir de excursão, recomendo muito! Abraços!
  9. @Juliana Champi Não desista! É sossegadíssimo dirigir pela Argentina. Realmente, tem muita polícia. Mas a corrupção rola só ali perto da tríplice fronteira Brasil/Uruguai/Argentina, dentro do país é só fiscalização de rotina... na maioria das vezes nem pediram pra gente parar. Em Jujuy, ficamos 2 dias na ida e na volta paramos só pra descansar no hostel (1 noite). Dá pra fazer tudo por conta em San Pedro. Nos passeios, quase sempre tem que pagar entrada, aí é só ir por conta e pagar quando chegar lá. Dos passeios famosos, fomos pro Valle de la Luna, Valle de la Muerte, Piedra del Coyote (Mirador de Kari), Valle de Jere, Laguna Tebinquinche. Ojos del Salar não paga, pq fica no meio da estrada. Se quiser, dá pra ir de carro até a Bolívia e ver o salar de Uyuni - a fronteira fica pertinho de San Pedro, do lado do Licancabur. Não quisemos arriscar ir pras Lagunas Altiplanicas, pq não tínhamos muito tempo e todo mundo que foi pra lá furou pelo menos 1 pneu (e né, vimos lagunas maravilhosas beirando a estrada pelo caminho todo). Não quisemos ir também pra laguna Cejar - a que dá pra tomar banho - pq além da entrada ser caríssima, acho que esse tipo de interação polui/estraga demais aquele tipo de ambiente. E tem muito mais lugares pra conhecer além desses! Vai sem medo que não tem segredo - e tem muito brasileiro gente fina trabalhando por lá pra dar dicas ótimas (tanto na Argentina quanto no Chile). Abraços!
  10. @Elder Walker exatamente! Eu queria muuito ter feito algo parecido com esse caminho que vc fez, mas não tinha muito tempo disponível (nem muito dinheiro). Ainda volto pro Chile pra conhecer os lugares "menos favoritos", pq sei que é só assim que conhecemos o país realmente como ele é. Que sacrifício vou fazer de voltar pro Chile! hahahahah Tenho que voltar praqueles lados pra subir o Licancabur
  11. @geovanih Foi agora em setembro! O 12 pra 1 eu peguei do outro lado da fronteira de Dionízio Cerqueira com os tiozinhos da rua mesmo. Uns que ficavam quase na frente de uma casa de câmbio que fica na esquina inclusive (é a primeira coisa que vc enxerga depois que atravessa a fronteira). Imagino que agora deve estar melhor ainda, pois em setembro o dólar tava altíssimo.
  12. MarisaBrugnara

    Floresta Negra: quais cidades visitar?

    Oi! Morei 1 ano em Freiburg, a cidade é muuito bonitinha e tem bastante coisa pra ver! Tem parques por toda parte, árvores e montanhas por todo lado. Todas as cidadezinhas ao redor são lindas também. Pena que vão depois do natal, e o Weihnachtsmarkt (Mercado de Natal) já vai estar fechado... Pegue um trem e desça na Bertoldsbrunnen e ande a pé por ali, é tudo pertinho. Veja o Altstadt, suba o Schlossberg pra ter uma vista panorâmica da cidade e veja todo o comércio - é uma cidade bem barata. Pra ir pro Vauban - um dos bairros mais ecológicos do mundo - é legal ir de trem. O clima da cidade é muito aconchegante! Um passeio que não pode faltar de jeito nenhum é ir de trem para o Titisee e o Schluchsee. O caminho é maravilhoso! Passa por meio de montanhas de pedra, dá pra avistar uma estátua de um veado no topo de uma das montanhas, e chega nesses 2 lagos. No verão a gente ia tomar banho neles, mas no inverno o frio é sinistro. Ali tem padarias que vendem a torta floresta negra original. É um dos caminhos mais bonitos que fiz na Alemanha. Em Feldberg que é no caminho, tem muita coisa pra ver também! O site explica melhor do que eu: https://www.hochschwarzwald.de/Winter. Vale muuito a pena conheçer essa região, recomendo demais! Sem contar que dá pra fazer um bate volta em Colmar, que já é na França. Mas Freiburg e seus arredores são demais. Qualquer dúvida, só perguntar! Abraços, Marisa
  13. Destino: Deserto do Atacama. Vontade: dirigir por várias das estradas mais bonitas e inóspitas da nossa América do Sul. Além disso, a gente só sabia que ia passar pela fronteira por Dionísio Cerqueira e ir seguindo o caminho mais curto que o GPS nos deu até lá. Não reservamos hostel, muito menos passeios. A pesquisa sobre documentação do carro, itens obrigatórios, clima e alguns destinos foi suficiente. O resto, o destino deu conta: uma rota sem roteiro. Antes de atravessar a fronteira, decidimos dormir em Francisco Beltrão que fica a 470 km de Curitiba, só pra descansar. Atravessamos a fronteira entre Dionísio Cerqueira e Bernardo de Irigoyen pra fazer o câmbio de reais para pesos e a Carta Verde já no lado argentino. Só é necessário preencher uma ficha de imigração na aduana informando seus dados pessoais e destino. GUARDE ESSA FICHA! Não cobram nenhuma taxa e não revistam o carro. O câmbio paralelo vale muito mais a pena do que o câmbio das casas de câmbio. 1 real = 12 pesos – paralelo 1 real = 8,5 pesos – casas de câmbio Carta verde: só existem 2 opções: 15 ou 30 dias. Pagamos (em reais mesmo) 100 reais pra 30 dias. Pedem o documento do carro, do motorista e tiram uma foto do carro. Os postos de gasolina ali aceitam reais ou pesos (enchemos o tanque em reais, pois valeu mais a pena). As estradas são ótimas na Argentina, e os pedágios quase inexistentes são baratos. Foram 4 ao todo, o mais barato 10 pesos e o mais caro 60 pesos. Recomendo parar em Ituzaingó pra dormir e abastecer o porta-malas com macarrão e empanadas, pois os mercados e lanchonetes são bem baratos. Além disso, é uma cidadezinha quente e “praiana” no meio do continente. O Rio Paraná passa por lá dividindo a Argentina e o Paraguai, e é usado como praia, muitos gaúchos preferem ir pra lá no verão ao invés de subir pras praias de Santa Catarina. Depois de Ituzaingó a viagem realmente começou. Assim que saímos da RN 12 e entramos na reta infinita da RN 16 a cor da bandeira da Argentina começa a fazer sentido. Um céu de azul imenso onde não se consegue enxergar o fim daquela terra encharcada pelos Chacos, tudo ainda a 200m do nível do mar. Vários povoados, algumas cidades grandes, muitas fazendas e várias opções de postos de combustível, ainda. As estradas são lisas e pouco movimentadas. Tivemos que ultrapassar caminhões pouquíssimas vezes, o cuidado maior é com animais atravessando a pista. Ambulantes vendem morangos gigantes e suculentos na estrada por apenas 80 pesos o kg. Decidimos parar para dormir em Monte Quemado, ponto de parada quase obrigatória para os motoqueiros. Tem apenas um hotel na beira da estrada que serve almoço e jantar, mas preferimos cozinhar macarrão com nosso fogareiro portátil. Economizamos muitos pesos com isso. A única parte ruim e esburacada da estrada dura uns 20km na saída de Monte Quemado. A partir daqui, já é possível enxergar a silhueta das montanhas que escondem as tão esperadas curvas. Depois da ferradura do mapa, começa o trecho mais surreal da viagem. Entramos na RN 9 – sem dúvidas, a rodovia mais bonita do norte da Argentina - e só o que se vê são montanhas. Por todos os lados. Secas, rochosas, com cactos, nevadas, de pedras, coloridas, rachadas, de todos os tipos possíveis. Alpacas, Vicunhas, Lhamas e Guanacos atravessam a rodovia e uma paisagem totalmente diferente aparece a cada km. Foto nenhuma é capaz de registrar essa imensidão. San Salvador de Jujuy é uma cidade enorme e barata. Perto dali ficam Purmamarca, Tilcara e Humahuaca: os passeios turísticos oferecidos por eles. Fique esperto com o horário de funcionamento do comércio: tudo fecha antes das 13 e reabre depois das 17. Encha o tanque em San Salvador de Jujuy. Depois dali, não há sinal de celular e o próximo posto fica a 200 km, em Susques. Mas não conte com isso! Um posto que fica a 3896 m de altitude nem sempre tem combustível. Não confie em todos os postos que aparecem no gps. Meu gps mostrou um numa cidade a 20 km de Jujuy. Chegamos lá, e era um posto desativado. Decidimos voltar a Jujuy para encher o tanque e garantir a viagem, foi a melhor decisão que tomamos. Dali pra frente, quase não há civilização. Então, conte com o trecho Jujuy > Paso de Jama = 330 km. Não é necessário levar combustível extra. No hostel em Jujuy, fizemos o seguro de carro obrigatório para entrar no Chile: o Soapex. É feito pelo site mesmo, custou 12 dólares para 10 dias. Aqui, foi a primeira vez que reservamos um hostel, queríamos garantir pelo menos a primeira noite no Atacama pra decidir o que fazer nos outros dias. Encontramos 3 mineiros que estavam voltando do Atacama de moto. 1 deles, passou por algum objeto na pista e isso quebrou o cárter da moto, ele estava esperando o guincho pra voltar ao Brasil. (Não é preciso ir até Humahuaca pra ver montanhas coloridas, elas estão por toda parte. Essa é a estrada entre San Salvador de Jujuy e Purmamarca) Perguntamos a eles quanto tempo levaria nesse trecho Jujuy/ Atacama. Eles disseram que não faziam ideia, pois pararam tanto pra tirar foto de estrada, pedrinha verde, pedrinha amarela, plantinhas, nuvem, salares, curvas... que perderam as contas. E é fato, tambem não fazemos ideia de quanto tempo levamos. A cada km, a cada fim de curva, uma surpresa. Pra esse trecho, saia cedo e aproveite o dia todo. Tínhamos pensado em parar em Susques pra dormir, mas conversando com eles vimos que não valia a pena, é um vilarejo com pouquíssimos hotéis caros e faz muito, muito frio. Depois de 2.000m de altitude, pisar no acelerador não é a mesma coisa. O carro vai perder potência, a luz do motor vai acender, o aviso de neve na pista vai aparecer. Mas quem fizer essa viagem vai entender que andar acima de 60km/h não é necessário – e nem é possível com tantas curvas de 180 graus. Lagunas e montanhas de cores inexplicáveis por todo caminho. Atenção para a fronteira da Argentina com o Chile, o Paso de Jama: como fica a 4800m de altitude, às vezes fecha por condições meteorológicas. Conferir antes de sair nesse site: https://pasosfronterizos.com/paso-jama.php Ali em Jama, deixamos o carro estacionado e fomos fazer os trâmites aduaneiros. O frio, o vento e a altitude aceleram o coração e nos dão uma falta de ar repentina. Na aduana, pedem apenas nossas identidades, documento do carro, carteira de motorista do condutor e AQUELA FICHA que preenchemos na fronteira do Brasil com a Argentina. Isso acontece várias vezes em vários guichês diferentes. Carros particulares tem preferência na fila J (escapamos das filas enormes dos ônibus de turistas e do raio-x das malas). GUARDE TODOS OS PAPÉIS QUE A ADUANA TE ENTREGAR, eles serão devolvidos na volta. Depois, tivemos que parar o carro debaixo de uma parte coberta no meio da pista na saída da aduana, tirar tudo de dentro e colocar sobre uma mesa para o guarda abrir e apalpar todas as mochilas/sacolas/sacos de dormir e ver se não estávamos levando nada perecível – o controle deles é muito rígido com frutas e legumes, por isso levamos apenas macarrão, molho e enlatados para passar a fronteira. Se precisar, ali tem um posto de combustível, mas tocamos direto até o Atacama ainda com a gasolina de Jujuy. Depois de Jama, há uma declive imenso de uns 2500m de altitude durante 150 km até o Atacama, sempre vigiados pelo imponente vulcão Licancabur. Do lado direito, fica a Bolívia, e por todos os lados, cadeias de montanhas e vulcões. O vento forte dificulta a direção e quase tira o carro do chão quando carros passam do outro lado da pista. O ATACAMA O destino viajante veio a nosso favor mais uma vez. O hostel que havíamos reservado – Valle del Desierto - ficava retirado do centro da cidade (escolhemos assim pra ter um lugar seguro para deixar o carro, pois no centro é tudo muito apertado e não tem estacionamento) e era cuidado por um casal de brasileiros, o Gabriel e a Carol. Foi o melhor lugar que podíamos ter achado, com direito a churrasco brasileiro, fogueira nas noites mais frias e uma vista do Licancabur, que ficava em tons rosados todos os dias na hora do pôr do sol. Haviam várias kombis viajantes estacionadas e gente do mundo todo, pois era véspera do feriado das festas pátrias – do dia 14 ao dia 19 – e vários intercambistas de Santiago sobem para o deserto. Ficamos cerca de 10 dias ali, na primeira semana aproveitamos o sossego, nos últimos 2 dias os banhos que eram ótimos já começaram a ficar frios devido ao feriado (o hostel e a cidade ficaram lotados!). A cidade é bem pequena, e só há comércio voltado para o turismo. Há várias vendinhas, quitandas e sorveterias espalhadas pela cidade. Usamos várias, pois cozinhamos bastante no hostel. Nas vendinhas não há bebidas alcoólicas, pois elas só podem ser compradas em Botillerías por motivos de legislação. É seguro tomar água da torneira quando a cidade está vazia, quando está cheia, prefira água engarrafada. Como nem só de macarrão vive o viajante, comemos muitas empanadas, que são bem grandes, tem quase em todas as vendinhas e custam sempre cerca de 1500 pesos. Também tomamos muito chá de coca, que é um ótimo digestivo. Nem procure restaurantes, vá direto ao Los Carritos. A comida é MUITO boa e é o melhor custo benefício da cidade. Peça os nomes mais esquisitos e se surpreenda com o que vai vir. Pra quem está com fome: 2500 pesos. Pra quem está com muita fome: 3800 pesos. Tem opções vegetarianas também. Os sorvetes, a Chicha Cocida (que é uma bebida alcoólica) e o Mote com Huesilhos têm sabores muito diferentes de qualquer coisa que você já tenha comido. As pêras são mais suculentas, os cactos tem frutos e aquelas árvores com florzinhas amarelas deixam cair ao chão castanhas duras e doces. Guarde esses nomes e se surpreenda com os sabores: ayrampo, chañar, rica rica, algarrobo, pomelo rosado, llucuma. Como em setembro é o final do inverno, pegamos vários tipos de clima. O sol é a única certeza. Os narizes sangraram nos dias de 4% de umidade e nuvens apareceram no céu quando uma frente fria se aproximou. Nesses dias, já não era possível colocar shorts e camiseta durante o dia sem um corta-vento e as noites eram salvas pelas segundas peles e o saco de dormir usado sob as cobertas. Importante: leve pelo menos um conjunto de segunda pele, 1 par de meias de inverno e um saco de dormir simples, mesmo que seja no verão. Eles salvaram a minha vida. Durante algumas madrugadas, fizeram temperaturas negativas – mesmo não sendo típico da época do ano – e tive que dormir de segunda pele, dentro do saco de dormir, debaixo das cobertas do hostel! Quando esfriava assim durante a madrugada, dava pra perceber quando saíamos de manhã que os vulcões estavam mais brancos de neve que no dia anterior. Ir de carro traz liberdade, economia e a certeza de que é o caminho que faz a viagem valer a pena. Os passeios oferecidos pelas agências são bem caros e engessados. Como não tínhamos horário para sair e chegar, íamos pegando dicas com quem conversávamos pra decidir o próximo destino. San Pedro fica no centro do Atacama, e é impressionante como a paisagem muda ao redor, mesmo num raio de poucos quilômetros. (Onde está o Uno?) Sal encrustado em rochas que parecem lunares e dunas gigantescas brilhando ao pôr do sol no Valle de la Luna, lugares jamais pisados pelo homem no Valle de Marte, uma vista surreal de montanhas intercaladas por outras montanhas na Piedra del Coyote, uma estrada com vento salgado e quente que termina na Laguna Tebinquinche, onde a vida parece não existir, mas existe. De repente, numa estrada que corta uma laguna seca, duas crateras cheias de água não tão salgada assim formam os Ojos del Salar. A surpresa maior fica com Toconao, a cidade vizinha que abriga o Valle de Jere - desconhecido até mesmo por alguns moradores de San Pedro – um oásis em meio ao nada, que foi habitado por alguns dos povos que deram origem a bandeira Wiphala e deixaram suas marcas nas rochas. Esses são os destinos mais bonitos e de estradas mais alucinantes de até 3000 pesos por pessoa para serem visitados ao redor de San Pedro. Há quem prefira mergulhar literalmente nas atrações naturais desse lugar. Para esses, existe a laguna Cejar por exemplo, onde é possível boiar em suas águas mais salgadas do que as do mar morto, por um preço que é tão salgado quanto ela (apenas a entrada é 15.000 pesos). Dispensamos também o passeio das Lagunas Altiplânicas - que custaria uns 80.000 pesos sem incluir as entradas – pois no caminho passamos por lagunas por toda parte e em todas as altitudes. Ah, o céu: não é preciso andar mais do que 2 metros na rua – ou no quintal do hostel mesmo -para conseguir enxergar todas as constelações, planetas, galáxias, estrelas cadentes. Ele faz valer a pena boca e nariz ressecados da baixa umidade, do sal, do sol e do frio. No hostel, um hóspede tinha um telescópio. Conseguimos ver a Lua e vênus em questão de segundos. ___________________________________________________ Voltar pelo mesmo caminho da ida dá uma perspectiva totalmente diferente de todos os lugares que havíamos passado. Leve tudo que quiser, pois na fronteira por Jama do Chile pra Argentina não fazem revista no carro. Pegamos um clima tão diferente que a estrada parecia outra. Mais vento, mais neve. Tivemos o prazer de ver uma raposa chilena e um tatu atravessando a rua. Só ficamos devendo a Vizcacha, que com certeza passamos por várias, mas não conseguimos enxergar nenhuma. Na Argentina, há muita polícia rodoviária. Éramos parados em quase todas as saídas das cidades. Em uma das únicas duas vezes que pediram nossos documentos, demos carona a um policial – é bem normal pedirem carona nas estradas argentinas. Procuramos evitar por segurança, mas como era um policial, e íamos tocar direto até perto da fronteira, aceitamos. Na outra que fomos parados, estava acontecendo um protesto de caminhoneiros: o policial pediu pra verificar os 2 triângulos e o extintor. Não é mito, levem! Há muitos relatos de polícia corrupta na Argentina, mas é mais ao sul da RN 14 onde o país se aproxima com o Uruguai. Antes de ir, havia conversado com um amigo Argentino e evitamos a fronteira por Uruguaiana exatamente por causa disso. Como queríamos entrar mais ao sul do Brasil do que na ida, passamos por São Borja. Eles pedem apenas os documentos, não revistam o carro, e cobram uma taxa de 450 pesos ou 57 reais por pessoa. IR DE AVIÃO NÃO TERIA A MENOR GRAÇA. VÁ DE CARRO! Resumo de infos mais importantes: Dinheiro na Argentina - Trocar reais por pesos na fronteira com a Argentina vale bem mais a pena do que no Brasil; - Não troque dinheiro em Jujuy, a cotação é péssima; Dinheiro no Chile - Em San Pedro de Atacama a cotação de reais para chilenos é ótima (para setembro desse ano: 1 real = 150 pesos chilenos, sendo que em Santiago estavam pagando 1 real = 158 pesos chilenos); - Não tem como indicar uma casa de câmbio, tem uma rua só pra elas e todo dia os valores mudam. O jeito é sair perguntando de uma em uma e negociar; - Deixar para trocar reais para pesos argentinos (para gastar na volta) no Atacama não é uma boa opção, a cotação é bem ruim; Carro - Evite estacionar o carro perto das esquinas das ruas. Escapamos de um acidente que teria dado PT no carro por pouco. Como o hostel não tinha estacionamento, deixamos o carro parado na rua ao lado na vaga perto da esquina. Um motorista argentino foi fazer a curva e perdeu o controle, passou raspando por nós e bateu no carro estacionado do outro lado da rua, que ficou com o eixo dianteiro totalmente quebrado e teve que ser guinchado. - Os itens obrigatórios são: extintor de incêndio e 2 triângulos. Cambão rígido, mortalha e etc é MITO. - A gasolina tanto na Argentina quanto no Chile custa praticamente o mesmo que pagamos no Brasil, as vezes até um pouco mais caro. Mas como é bem mais pura que a daqui rende MUITO mais. Na Argentina, usamos sempre a Super e no Chile, sempre a 93. Essas são as mais baratas. Documentos - Identidade com menos de 10 anos de expedição ou passaporte, ou um ou outro, tanto faz - Se o carro estiver no nome do motorista, apenas o documento do carro. - Fizemos a PID (permissão internacional para dirigir), mas em nenhum momento foi solicitada - Carta Verde: seguro obrigatório para o carro na Argentina. Não foi solicitada em nenhum momento também, nem na aduana. - Soapex: seguro obrigatório para o carro no Chile. Não foi solicitada em nenhum momento também, nem na aduana. Água - É tirada de poços. Tomamos direto da torneira sem problemas, só recomendamos comprar engarrafada se a cidade estiver cheia – muita gente polui a água -. Custa cerca de 1800 pesos o garrafão de 6l. Carro: Fiat Uno 1.0 2016/2017 Km rodados: 5.500 270 litros de gasolina: R$1.300,00 Autonomia: 20km/l Pneus Furados: 0 Troca de óleo feita antes da viagem Gps usado: Sygic Pouso mais caro/barato: 600 pesos por pessoa (Argentina) / 250 pesos por pessoa (Argentina) Gasolina mais cara/barata: 862 pesos (Chile) / 38 pesos (Argentina) Frase mais dita: “Olha essa estrada!” Gasto: aproximadamente R$2200,00 por pessoa. Levamos apenas reais em dinheiro vivo. Usamos cartão de crédito Nubank apenas para reservar hostel e fazer o Soapex. Duração: 20 dias
×