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Flavius Neves Jr.

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Tudo que Flavius Neves Jr. postou

  1. Chegou de líder, guri! Estou planejando uma road trip para Machu Picchu também, talvez saia no ano que vem. Uma pergunta: não temos nenhum seguro veicular contra roubo no Peru? Abraço!
  2. Dia 16 e dia 17 – domingo e segunda-feira, 26 e 27 de março de 2017. De Ituazingó até o interior do Paraná e, no último dia, chegada em casa. Fim de viagem; que tristeza. Percorremos a Ruta 12 até a fronteira com o Brasil, em Foz do Iguaçu. Em Puerto Iguazú, não sei como, nós nos perdemos novamente do Alcivar; mas dessa vez, o achamos logo em seguida. Paramos por ali, na rodovia mesmo, e nos despedimos. Algumas horas depois o Alcivar enviaria uma foto deles almoçando num restaurante self-service. Enquanto isso, nós paramos no Duty Free de Puerto Iguazu, aonde compramos praticamente nada. Alfajores, que eu muito queria, não tinha. A Carol não achou o que queria e depois quis descontar em nós, que supostamente a apressamos para ir embora. O resultado melancólico foi que brigamos e acabamos ficando de cara fechada um com outro até o último dia de viagem. O importante é que, depois dessa situação lamentável, fizemos as esperadas pazes. No último dia, 27 de março, a Dionízia dirigiu até Caldas Novas-GO, num percurso de cerca de 1.000 quilômetros; eu dormi o trajeto inteiro. Chegamos em nossas casas no período da noite. Viajar para o Deserto do Atacama, e conhecendo também o Noroeste da Argentina, foi uma experiência edificante, que valeu muito a pena! Guardamos para nós, além das fotos, as boas e, quiçá, eternas lembranças.
  3. Dia 15 – sábado, 25 de março de 2017. Retorno para casa: De General Guemes a Ituazingó. Saímos cedo novamente. Rodaríamos hoje cerca de 800 quilômetros até a cidade de Corrientes. Já na Ruta 16, paramos para abastecer, por volta da cidade de El Quebrachal. Enquanto abastecíamos, um caminhoneiro argentino mostrou para o Alcivar que uma peça do amortecedor do motor-home estava solta. Prestativamente, o mesmo caminhoneiro consertou a pequena avaria. Demos uma gratificação em pesos merecida para aquele solidário caminhoneiro. Durante esse percurso, fomos parados duas vezes pelos guardas rodoviários. O primeiro, um jovem rapaz, apenas perguntou para onde estávamos indo, e nem ao menos solicitou nenhum documento. O segundo guarda apenas nos parou para pedir, de maneira muito educada, uma carona para um senhor que estava por ali sentado; dizemos que o carro estava cheio e ele nos liberou sem problemas. Final da tarde, ainda era dia quando chegamos por Corrientes. Mais uma vez, seguimos viagem. Dessa vez, decidimos tocar até a pequena cidade de Ituazingó, aonde por fim chegamos já a noite. Ficamos no Hotel Cassino Manantiales, que mostrou ser caro para o que serve.
  4. Dia 14 – sexta-feira, 24 de março de 2017. Retorno para casa: de Antofagasta a General Guemes. Acordamos as 4h30 da manhã e fomos organizando as malas no Corolla. Enquanto isso, o funcionário de plantão do hotel (um colombiano) ficou espantado de saber que tínhamos vindo de carro do Brasil e que assim também voltaríamos, com previsão de chegar em casa na próxima segunda-feira. As 5h00 encontramos com o Alcivar e Maria, com o motor-home já ligado, na frente do Mc´Donalds. Pegamos a avenida beira-mar, entramos na Av. Salvador Allende e, enfim, deixamos Antofagasta. Retornamos pelo mesmo caminho do qual havíamos vindo. A diferença é que, dessa vez, não tínhamos reservado com nenhum hotel. A intenção era pernoitarmos em San Salvador de Jujuy. Algo que estava me intrigando durante esse trajeto, assim como o trajeto da vinda, foi o fato de cruzar com vários caminhões cegonha com placas do Paraguai carregados de carros usados. Lembrei então que, em 2011, tinha ido na Ciudad del Leste com uns amigos. Teve uma hora que pegamos um táxi lá dentro e, percebemos que o painel do carro estava todo esquisito. Quando perguntado sobre aquilo, o motorista paraguaio respondeu que aquele carro tinha vindo de países ricos da Ásia e, como lá eles dirigem no lado esquerdo do veículo, era necessário fazer um “pequeno” ajuste no carro para trocar a posição do volante e pedais. Ele complementou dizendo que isso era comum no Paraguai. Enfim... Descobri dias depois, pelo Google, que de fato esses caminhões cegonha que eu havia visto pegavam os carros asiáticos usados no porto de Iquique e o levavam até ao Paraguai, onde então são comercializados. Curioso. Já havíamos passado por Calama e cruzado a bela San Pedro de Atacama. Chegamos, novamente, na aduana, onde os procedimentos são os mesmos do que quando entramos no Chile. O guarda nos dá um papelinho que é todo carimbado nos respectivos guichês. Tivemos a sorte de chegar um pouco antes de um ônibus cheio de passageiros. Teoricamente, teríamos que esperar todos os passageiros terem os seus documentos verificados pelos agentes. Na verdade, quando chegamos nos guichês, já haviam uns três passageiros do ônibus sendo atendidos. O motorista queria que nós ficássemos no final da gigantesca fila que estava se formando ainda. O Alcivar não concordou com o pedido indecente do motorista e ficamos por ali mesmo, onde tudo ocorreu bem. Já em solo argentino, enchemos os tanques no posto do Paso Jama e seguimos estrada adentro. Almoçamos pão com queijo, presunto e tomate dentro do carro mesmo. O arrependimento ficou por conta das garrafas de suco Del Valle chileno que eu comprei de monte no dia anterior. O suco é intragável de tão doce que é. Nas Salinas Grandes, paramos para o Alcivar descansar um pouco. Final da tarde, ainda era dia quando chegamos em San Salvador de Jujuy. Ficamos com preguiça de entrar na cidade para procurar algum hotel e seguimos mais um pouco de viagem. Passamos então, numa das cidades mais feias que eu já vi na vida: General Guemes (não havíamos passado por ela na viagem de ida). A cidade era imunda de sujeira, e a população no geral também é bem esqusita. Entretanto, ainda nessa cidade macabra, encontramos, por muita sorte, um hotel excelente na beira da rodovia: Hotel Alto de Camino (o hotel poderia muito bem se chamar Oásis). Não dava para acreditar que uma cidade tão feia como aquela tinha um hotel tão bom. Não tivemos dúvidas e por ali ficamos mesmo. O Alcivar também pôde estacionar o seu motor-home no amplo estacionamento do hotel. Como o hotel estava praticamente vazio, as meninas começaram a achar que o local tratava-se de lavagem de dinheiro. Mas eu acredito que o público alvo do estabelecimento são executivos e/ou representantes comerciais. Para nós quatro, pagamos pela pernoite a quantia de 2.250,00 pesos argentinos (R$ 472,50) por um amplo quarto contendo uma cama de casal e duas de solteiro. Rodamos cerca de 850 quilômetros no dia de hoje. Cansado, eu fui dormir, enquanto o restante da turma jantou no restaurante do hotel.
  5. Dia 13 – quinta-feira, 23 de março de 2017. Passeios em Antofagasta - Plaza Colón e La Portada. Tomamos um café da manhã assim que acordamos. Em seguida, pegamos o carro (que ficou estacionado em cima da calçada na frente do hotel) e fomos encontrar o Alcivar e a Maria no Mc´Donalds. Para a locomoção ficar mais fácil, fomos todos dentro do Corolla para fazer os pequenos passeios em Antofagasta. Seguimos pela avenida beira-mar (que, segundo o Google Maps, é a própria Ruta 1, ou Av. Grécia) até a calle Arturo Prat, onde fica a Plaza Colón. Chegamos na praça, mas não havia lugar para estacionar. Achamos melhor, então, estacionar o carro no estacionamento do shopping Mall Plaza, que fica bem perto da Plaza Colón. A praça, assim como muitas praças sul-americanas, é um charme. É bem cuidada e bem florida. A pequena torre com um relógio talvez seja a sua principal atração. Também tem um coreto e alguns pequenos comércios. Dali, tem um calçadão de comércio, que é bem movimentada, tendo também os típicos músicos locais. Achamos não só o ambiente, mas como toda a cidade, muito segura. Plaza Colón. Em uma banquinha de livros, cheguei a pegar um livro que falava sobre a Guerra do Pacífico, conflito esse ocorrido entre Chile e Bolívia (e o Peru também) no século XIX. Antofagasta, até então, pertencia a Bolívia. Os bolivianos perderam a guerra e, consequentemente, o seu único acesso ao mar. Arrependi um pouco de não ter adquirido o livro, mas a verdade é que eu não ia dar conta de ler um livro todo em espanhol. Voltamos então para a avenida beira-mar, mas dessa vez fomos até a um mercadão de peixes. Não entendi o motivo de termos ido até lá (rsrs); serviu apenas para adquirirmos um imã de geladeira. Entre a Plaza Colón e esse mercadão de peixes tem, no meio da avenida beira-mar, uma bandeira do Chile gigantesca hasteada no meio da avenida. O frango frito gorduroso e a pizza gordurosa que eu havia comido no dia anterior passaram a fazer-me um efeito indigesto; eu já havia passado por efeitos colaterais durante a noite. Voltamos então para o hotel, onde eu descansei um pouco. A Dionísia, Carol e Lidiane almoçaram num agradável restaurante chinês perto do hotel. Elas gostaram muito da comida, e também do atendimento dos proprietários, que eram realmente chineses. Na parte da tarde, nos reunimos de novo para visitar a atração mais bonita de Antofagasta: La Portada, uma pedra furada que fica situada na beira-mar. A Lidiane queria que eu ficasse descansando no hotel, visto que amanhã iríamos embora em viagem de retorno para casa. Mas, não era uma simples dor de barriga que ia me impedir de conhecer a La Portada. Seguimos, então, pela Ruta 1 até a atração, que fica um pouco mais de 20 quilômetros distante do centro da cidade. Com muita facilidade – até por ser bem sinalizado – achamos a última das nossas atrações. O ambiente estava vazio. Todos se maravilharam quando avistaram a bela paisagem: o mar de um azul marinho lindo, contrastando com as belas falésias brancas e, um pouco dentro do mar, o La Portada em si. Tiramos boas e belas fotografias daquela paisagem espetacular. O acesso para a parte de baixo, a beira-mar, é proibido; mas também não há necessidade – o local permitido vale a experiência! La Portada. Retornamos para a cidade, todos muito felizes, até ao balneário municipal, o mesmo que fica ao lado do Mc´Donalds onde estava estacionado o motor-home do Alcivar. A Carol fez questão de tomar um banho de mar do Pacífico. Enquanto isso, no Mc´Donalds, eu tomava um sundae com calda de kiwi. Também conversei um pouco com um chileno que por ali estava – falamos sobre futebol e sobre o trágico acidente aéreo da Chapecoense. Depois, eu e o Alcivar fomos até a um estádio de futebol que tem ali por perto, mas o mesmo estava fechado. Balneário artificial de Antofagasta. Por fim, fomos até ao hipermercado que fica anexo ao shopping Mall Plaza, onde compramos suprimentos para a viagem do dia seguinte de retorno para casa. O Alcivar e Maria compraram bastante garrafas de vinhos chilenos. A noite, organizamos as malas e eu acertei as nossas contas no hotel. A intenção seria sair bem cedo na manhã seguinte. Pôr do Sol no Pacífico.
  6. Dia 12 – quarta-feira, 22 de março de 2017. De San Pedro do Atacama a Antofagasta. Tomamos um gostoso café da manhã no Takha Takha, na companhia do cachorro do hotel. A funcionária do estabelecimento foi super atenciosa com a gente. Fizemos um pouco de contas para ver o quanto de pesos chilenos ainda usaríamos, visto que passaríamos mais três dias no Chile. A Dionízia me passou alguns dólares e eu saí rumo a calle Toconao para efetuar o câmbio. Ao sair da recepção do hotel, me deparei com duas jovens, visivelmente turistas, andando a cavalo. San Pedro, realmente, tem passeios para todos os gostos. Na calle Toconao, não achei a casa de câmbio Gambarte aberta. Decidi então dar uma pequena volta na Caracoles. Nesse meio tempo, acabei encontrando o Alcivar. E, não muito tempo depois, encontramos a Carolina correndo na calle Caracoles juntamente com outra turista. Perguntei para ela o que tinha acontecido, e ela explicou que aquela turista que estava com ela juntamente com sua amiga, ambas dos Estados Unidos, estavam andando a cavalo, até que uma delas veio a cair e ficou visivelmente ferida e em estado de choque. Nenhuma das duas falava espanhol, e parece que o guia também não falava inglês. Como o acidente foi em frente ao Takha Takha, a Carol presenciou o pós-acidente e, então, acabou por ajudar a outra americana. Nesse instante em que nos encontramos a ambulância já havia chego e levado a americana acidentada para o hospital local. Coitadas, ficamos com muita pena delas. A casa de câmbio Gambarte não abria e, como tínhamos que ir embora, decidi trocar os dólares da Dionízia em outra casa de câmbio mesmo. Tínhamos combustível suficiente para chegar até Antofagasta, assim como o motor-home do Alcivar. Quando a Carol voltou do hospital, nos despedimos da bela San Pedro de Atacama, rumo a Antofagasta, seguindo Ruta 23 adentro. No percurso fizemos uma breve reflexão de como um turismo em San Pedro pode ser perigoso: altas altitudes, subir um vulcão sem um mínimo de preparo (isso pode incluir o guia), águas ardentes dos geyseres que podem ocasionar queimaduras de terceiro grau, placas de sal nas lagunas que podem cortar profundamente os nossos pés, quedas de cavalos... No caminho, passamos no meio de uma área extensa onde haviam instaladas aquelas hélices gigantescas geradoras de energia eólica. Chegando em Calama, pegamos a Ruta 25 sentido Antofagasta; não houve necessidade de entrar na cidade. Passamos por um posto policial rodoviário que, assim como é costume no Brasil, não havia policiais. Cruzamos a cidade de Sierra Gorda. Encontramos ainda nesse percurso, na beira da rodovia, algumas ruínas do que parecia ser uma vila; mesmo não sabendo do que se tratava, paramos brevemente ali e a Carol tirou algumas fotos. E, antes de chegar a Antofagasta, passa-se por um pedágio, onde paga-se algo em torno de 2.000,00 pesos chilenos. Durante todo esse trajeto, reparei em uns modelos diferentes – e muito bonitos – de caminhões que cruzavam por nós, modelos esses que não existem no Brasil. Chegamos enfim no nosso destino do dia. Entramos na cidade de Antofagasta pela Avenida Salvador Allende, onde já podíamos ver o mar do Oceano Pacífico; é algo surreal essa paisagem deserto-mar. Já na avenida, encontramos um posto Copec, e o Alcivar aproveitou para estacionar o seu motor-home por ali e verificar se poderia deixar o veículo para pernoite. Enquanto isso, nós fomos procurar o nosso hotel. Antofagasta, geograficamente falando é – tal como o Chile – estreita e comprida. O município tem o mar de um lado, a cidade no meio e montes desérticos do outro lado. Sem muitas dificuldades, chegamos na nossa estadia: o Victoria Hotel. Tivemos duas ingratas surpresas: primeiro, que o Corolla não passava pela rampa da garagem do hotel e, segundo, que nós tínhamos que pagar o IVA, imposto esse que turistas estrangeiros não pagam se efetuarem a transação em dólares. E, realmente, quando fiz a reserva pelo Booking, não constava nada que eles isentariam esse valor. Saliento que não foi fácil achar hotéis baratos em Antofagasta, pelo menos procurando pelo Booking, como nós fizemos. Pagamos, por um quarto de casal, a quantia de aproximadamente R$ 466,00, já com o IVA incluso (que foi de aproximadamente R$ 74,00) Fora esses detalhes, a nossa estadia nesse estabelecimento, que aparenta ser novo, foi muito boa, incluindo o atendimento dos funcionários, que sempre foram muito solícitos. Retornamos para o centro da cidade pela avenida beira-mar da cidade. Percebemos também que a locomoção em Antofagasta é muito simples. Aproveitei para parar em um outro posto para encher o tanque do carro. Pagamos pelo litro da gasolina a quantia de 736 pesos chilenos, o que equivale, segundo as transações cambiais que realizei (compramos o dólar a R$ 3,38 e, a cada 1 dólar adquirimos 658 pesos chilenos), a quantia de R$ 3,78 o litro – praticamente o mesmo valor praticado no Brasil. Enquanto isso, a Dionísia e a Carol haviam visto um condomínio horizontal ali perto, local propício para o Alcivar pernoitar com o seu motor-home, e então elas foram para lá. Passaram-se mais de 15 minutos e elas não voltaram. Eu e a Lidiane ficamos seriamente aflitos, visto que elas estavam sem celular. A cidade parecia ser muito calma, mas queira ou não, não a conhecíamos. Finalmente, depois de quase uns 10 minutos de preocupação, elas voltaram. Combinamos, então, de não nos separarmos novamente em tais circunstâncias: cidade do qual não conhecemos, fora do nosso país, sem celular e duas mulheres sozinhas. O motivo da demora foi que elas procuraram outros locais por ali perto para o Alcivar deixar o motor-home, mas sem sucesso. O Alcivar não pôde ficar no posto Copec. Fomos então até ao Shopping da cidade, o Mall Plaza, que fica na avenida beira-mar. O Alcivar deixou o motor-home estacionado ali por perto (não cabia no estacionamento do shopping). Almoçamos, por volta das 16h00, na praça de alimentação do shopping: frangos fritos da rede KFC e pizza da rede Pizza Hut (a pizza estava bem gordurosa). Converti rapidamente o preço do Big Mac chileno, e acabei constatando que está o mesmo valor praticado no Brasil. Não raro encontrávamos colombianos trabalhando no comércio chileno (restaurantes, postos de gasolina, hotel). Já no final da tarde, estacionamos os nossos veículos na avenida beira-mar. Aqui, sentimos o cheiro bem característico do mar. Sentamos na mureta do calçadão e, então, voltados para o mar, contemplamos o belo pôr do sol da região. O Alcivar conversou com um flanelinha e conseguiu deixar o seu veículo no estacionamento do Mc´Donalds, que também fica ali na avenida beira-mar, ao lado de um balneário artificial. Cansados, decidimos não sair a noite. Sendo assim, cada um de nós ficou na sua estadia – eu, Lidiane, Carol e Dionísia no hotel e o Alcivar e Maria no motor-home.
  7. Dia 11 – terça-feira, 21 de março de 2017. Dia "3 do 3" em San Pedro do Atacama - Geyseres del Tatio e Lagunas Escondidas. Acordamos por volta das 4h00 da manhã. Estava bem escuro e frio. Não estava aquele frio insuportável, mas estava frio. No horário combinado, 4h30, a van da agência 123 Andes passa em frente ao nosso hotel. O motorista, um chileno casado com uma brasileira, e muito cheio da graça, nos recepcionou muito bem. Ele já havia pegado previamente o Alcivar e a Maria. Como eu ainda estava com muito sono, voltei a dormir. Quando chegamos aos Geyser del Tatio, o dia ainda estava escuro, mas passou a clarear bem logo em seguida. A van parou na entrada no parque e, sem seguida, o motorista foi recebendo 10.000,00 pesos chilenos (cerca de R$ 50,00) de cada passageiro, que era o pagamento para a entrada no parque. Antes de sairmos da van, o nosso motorista frisou muito bem de que não deveríamos ultrapassar as famosas pedras sinalizadoras do Atacama ali naquele ambiente, para não corrermos o risco de sermos fortemente queimados pelas águas dos geyseres. Daí ele contou uma daquelas histórias de um turista teimoso, que não obedeceu a orientação e que quase morreu pela sua desobediência. Saindo da van, deu para sentir que o frio estava bem mais rigoroso. Sempre caminhando pelos perímetros estabelecidos pelas pedras ao chão, fomos conhecendo os geyseres de perto, o que foi muito gratificante. Geyser del Tatio. Castigados pelo frio, voltamos para dentro da van, onde então conversamos um pouco com os nossos pares: um jovem casal do Rio Grande do Sul e uma jovem da Alemanha, muito bonita por sinal. O rapaz, diabético, iria subir no outro dia um dos vulcões das redondezas. A Lidiane, que tem um primo diabético, perguntou preocupadamente ao gaúcho se ele havia avisado ao pessoal da agência que ele contratou para subir o vulcão de que ele tinha diabete. Ele não avisou, preferindo correr o risco. O Alcivar riu da situação, dizendo que os nativos do Atacama gostam demais de um dinheirinho para se preocupar com a diabete do rapaz. Quanto a alemã bonita, conversa vai e conversa vem, descobrimos que ela não viaja para o Brasil por medo da falta de segurança. Mal sabia ela que praticamente um mês após a nossa viagem, já em terras tupiniquins, a Dionísia seria assaltada a mão armada e teria o seu Toyota Corolla roubado. Depois, ainda nos geyseres, tomamos um gostoso café da manhã. O nosso motorista estava cheio da graça pra cima da moça da Alemanha. Enquanto isso, alguns turistas corajosos entravam na pequena laguna de águas termais que tem por ali. Em seguida, seguimos o nosso rumo até o Pueblo de Machuca. Durante o trajeto, quando avistava algum animal nativo por perto, o motorista parava a van e nos dava uma breve explicação do animal e dos seus respectivos costumes. Pueblo Machuca é um pequeno vilarejo visivelmente parado no tempo. Ficamos ali por um tempo. Conhecemos uma velha igrejinha do vilarejo, que foi construída em 1930. Lá dentro estava muito feio, nem cheguei a entrar. A propósito, quem abriu a igreja para nós foi uma velha índia trajada com vestes típicas – ela cobrava alguns mil pesos para quem quisesse tirar uma foto com ela. Enquanto isso, o Alcivar e a Carol degustavam, respectivamente, um espetinho de carne de lhama e uma empanada de queijo. De volta a San Pedro, almoçamos novamente no famigerado restaurante Picada del Indio (14.300,00 pesos por casal, ou R$ 73,45). Em seguida, cada um foi para o seu canto e eu aproveitei para voltar em uma casa de cambio da calle Toconao a fim de comprar algumas garrafas de 2 litros do – no mínimo curioso – refrigerante Inka Cola. Eu já havia ouvido falar desse singular refrigerante peruano de cor amarela; não pensei duas vezes em levar essa raridade para o Brasil. Paguei 1.450,00 pesos (R$ 7,44) por cada garrafa. E a bebida é gostosinha, hein! É docinho; parece que você está bebendo uma goma de mascar. Lembrei na hora do também peculiar guaraná Jesus, do Maranhão – mas esse é rosa. A propósito, ambos os refrigerantes, de tanto sucesso local que promoveram, foram comprados pela Coca-Cola. Enfim... Agora iríamos para o nosso último passeio no Atacama: as Lagunas Escondidas. No horário combinado pela agência Mitampi, 14h55, estávamos todos lá – eu, Lidiane, Carol, Dionízia, Alcivar e Maria. Para a minha surpresa, a agência estava fechada. Mas logo encontramos uns maloqueiros que pareciam trabalhar para a agência, que informaram que a van chegaria as 15h30. Nesse meio tempo o Luis, suposto dono da agência, chegou e eu fiquei mais tranquilo. Enquanto isso, as meninas tomavam um sorvete ali ao lado, na Heladeria Babalu. Encontramos também um jovem casal de brasileiros que fariam o mesmo passeio. Um pouco depois das 15h30, a nossa van chega. Era um veículo maior que o usual, e ele estava cheio. O coordenador da “barca” era um suposto jamaicano (pra mim ele era um haitiano que inventou que era da Jamaica) alto, bombado mesmo, que parecia ter saído do filme O Predador, estrelado por Arnold Scwarzenegger. Estava na cara que ele não era chileno. Aliás, dentro daquela van tinha gente de tudo quanto é lugar do mundo. Os únicos lugares da van que sobraram para nós foram os de trás. E, então, seguimos viagem, via Ruta 23, sentido Oeste. Percorremos por um bom tempo naquela rodovia, até que, enfim, a van entrou numa estrada não pavimentada. Pensei, então, que já estávamos perto das Lagunas Escondidas, mas me enganei redondamente. A viagem por aquela estrada não pavimentada realmente demorou. E, aí, vieram as complicações: 1° - havia uma outra van na frente da nossa, que consequentemente formava uma forte poeira sobre nós; 2° - como a nossa van não tinha ar-condicionado, o coordenador da van (o jamaicano-haitiano bombado do filme O Predador) solicitou que ninguém abrisse as janelas para que a poeira não entrasse na van; 3° - o clima estava quente, tão quente que o motorista, um nativo do Atacama, pegava garrafas de água e a derramava sobre a sua cabeça (eu pensei que tal atitude era decorrente pelo calor que o motorista sentia, mas a Maria viu a cena e nos confirmou que na verdade o motorista estava era com sono. “Que cilada, Bino!”). Esses três fatores fizeram com que o Alcivar perdesse a paciência e pedisse para que um dos passageiros abrisse a janela. Um senhor – que depois descobriríamos que era de Brusque-SC – abriu a sua janela, mas acabou se arrependendo, visto que os raios solares passaram a refletir mais fortemente em seu seu rosto (os vidros da van eram protegidos por insulfim). O motorista da van também abriu a sua janela, mas o resultado também foi desalentador: a poeira entrava diretamente na van, castigando os passageiros. O Alcivar ficou brabo e queria tirar satisfação com o jamaicano-haitiano, mas ninguém animou em topar aquela empreitada com ele – nem um argentino, também “grandão”, que estava sentado na nossa frente. Nós só ríamos. Mesmo sozinho, o Alcivar chamou o jamaicano-haitiano que, após ouvir o Alcivar, acabou se mostrando pacífico, mas mesmo assim, nada fez para melhorar a situação dos passageiros (até porque não tinha o que fazer mesmo). Após mais ou menos uma hora, finalmente chegamos nas Lagunas Escondidas. A entrada no ambiente, por pessoa, custou 5.000,00 pesos chilenos (cerca de R$ 25,00). Perto da primeira laguna, e só naquela, há uma barraca com mesas e bancos, onde o pessoal deixa as suas mochilas para poderem entrar nas águas do atrativo. Enquanto alguns iam em direção às outras lagunas, eu já fui tirando a roupa de cima (já estava vestido com a roupa de banho) e entrando na laguna salgada. Eu estava tão empolgado quanto àquela pessoa que viveu anos sem nunca ter visto e entrado no mar e agora tem a oportunidade de fazê-lo. A laguna tem uma parte que é rasa e, depois, a parte que é funda. A água estava fria, mas não gelada a ponto de desencorajar o vivente. Eu já sabia que tinha que ter cuidado para não molhar os olhos, para que o sal da água não o ardesse fortemente. Mas, mesmo assim, eu pulei tão empolgado na laguna que um pouco de água acabou respingando no meu olho – e posso afirmar que ardeu mesmo. Fiquei rindo e batendo as pernas e braços aleatoriamente, até acostumar e perceber que a única preocupação ali é ficar flutuando e tomar cuidado para a água não entrar no olho. A Lidiane demorou um bocado para entrar pelo fato de água estar fria; se eu não tivesse insistido muito, ela não teria entrado. Depois nós saímos um pouco para visitar as outras lagunas, mas acabamos encontrando um pessoal que estava voltando e dizendo que não valia a pena ir até lá, visto que as lagunas do início do trajeto estavam mais bonitas. Voltei, então, imediatamente para a primeira laguna em que estava, para boiar novamente e satisfatoriamente. Estava feliz igual pinto no lixo! Eu e Lidiane boiando na Laguna Escondida. Fazendo graça. Nós, após sair da laguna; sal grudado no corpo. O Alcivar, assim como alguns “tiozões”, não havia trago roupa de banho. Por isso, ficaram lá na barraca, sentados, jogando conversa fora. Descobrimos então que aqueles senhores eram de Brusque-SC, e que sempre viajavam juntos em uma van personalizada por um dos integrantes da trupe. Infelizmente, a hora de ir embora havia chegado. Tomamos um banho para tirar o sal que fica grudado no nosso corpo. Achei as duchas muito boas. Enquanto isso, o nosso motorista dormia (se lembram da afirmação da Maria ao ver o motorista jogando água sobre a cabeça?) em cima das mochilas daquele casal de brasileiros que pegou a van junto conosco. Todos a bordo, seguimos o trajeto de retorno a San Pedro de Atacama – dessa vez, mais tranquila, já que não havia mais o calor e nem a poeira. O Alcivar teve boas conversas com os “tiozões” de Brusque que, inclusive, insistiram para que nós fôssemos para Iquique, aproveitar a zona franca que tem por lá, ao invés de irmos para Antofagasta. Após cerca de mais uma hora de viagem, paramos em um local na beira da Ruta 23, antes de San Pedro. Ali, o jamaicano-haitiano armou uma mesinha do lanche: bolachinhas, pisco e um suco artificial de morango, docíssimo. Aliás, deu para perceber que os chilenos gostam de sucos artificiais bem doces. A ideia de parar ali era para admirarmos o por do sol atacamenho – várias outras vans faziam a mesma parada. Como recordação, o Alcivar decidiu tirar uma foto com os “tiozões” de Brusque. Daí ele teve a ideia de pedir para o nosso motorista fazer a gentileza. O nativo se posicionou, pediu para o grupo ir para um lado, para o outro, deu aquela enrolada e, finalmente, deu o clique fotográfico. Quando o Alcivar viu o resultado, ele riu demais e veio me mostrar a foto. A foto que o nosso motorista demorou a bater: Alcivar, de vermelho, juntamente com os "tiozões" de Brusque-SC. E assim havia terminado o nosso último dia de passeios em San Pedro de Atacama. Todos nós nos demos por satisfeitíssimos pelo roteiro escolhido. Eu, da minha parte, pretendo voltar, com a intenção de aproveitar mais a pequena cidade em si – vivenciar mais o dia a dia, assim como a vida noturna (sentar num restaurante e beber uma cerveja chilena, por exemplo – algo que não fiz). A ideia de levar uma barraca e acampar num camping, como o local onde o Alcivar ficou (Camping Casa Campestre), por exemplo, me agrada muito. Eu e a Lidiane em San Pedro de Atacama: vai deixar saudades!
  8. Dia 10 – segunda-feira, 20 de março de 2017. Dia "2 do 3" em San Pedro de Atacama - Piedras Rojas, Lagunas Miscanti e Miñiques e tour astronômico. Quando eu fiz o acerto do passeio do Geyser del Tatio na agência 123 Andes com a Bianca, ela nos disse que, para visitar as Piedras Rojas, era bom chegar mais cedo, a fim de evitar a aglomeração de outros turistas. Seguimos o conselho dela e saímos das nossas respectivas hospedagens às 6h40. Ainda estava escuro. Com os meus mapas impressos do Google Maps, contendo todas as respectivas distâncias e alguns pontos de referência (tudo isso por medo de se perder no deserto e ter que aturar as consequentes reclamações), adentramos na Ruta 23 e fomos rumo a Paso Sico. Dessa vez, cada um foi no seu veículo: nós com o Corolla e o Alcivar com o seu motorhome. Após 30 quilômetros rodados, cruzamos o pequeno vilarejo de Toconao. Um pouco mais de 50 quilômetros depois, chegamos ao vilarejo Socaire. Não paramos em nenhum deles. Após mais 21 quilômetros, chegamos na entrada que dá acesso para as Lagunas Miscanti e Miñiques – passamos reto, visto que a intenção era visita-los na volta. Todo o percurso até aqui é pavimentado com asfalto. Roda-se mais alguns quilômetros e, então, o asfalto acaba. Rodamos, então, uns 30 quilômetros em estrada de rípio que, aliás, estava bem ruim, contendo muitas “costelas de vaca” – mas dá pra ir tranquilo (lembre-se que estávamos com um Corolla e um motorhome). Se eu não em engano, o relógio marcava umas 9h00 quando avistamos de longe as Piedras Rojas. Eu vi a cena e, acreditem, fiquei um pouco decepcionado (mas foi uma decepção momentânea) – afinal, as águas não estavam azuis claras como nas diversas fotos que eu havia visto. Seguimos reto, pois o objetivo era conhecer primeiro a menos conhecida Laguna Tuyajito, que fica a uns 10 quilômetros das Piedras Rojas. Chegamos enfim, à Laguna Tuyajito e, infelizmente, as águas da laguna não estavam azuis claras como nas fotos. As meninas falaram-me que o pessoal adicionavam filtros nas fotos. Recusei-me a acreditar nisso. Imaginei que a coloração das águas poderia alterar de acordo com o horário, considerando a incidência dos raios solares. Ficamos ali um pouco, batemos algumas fotos, desci até perto da laguna, avistei uma van de turistas chegando de longe e, por fim, retornamos para os nossos veículos rumo às Piedras Rojas. Alcivar apresentando a Laguna Tuyajito. No nosso retorno, quando avistamos novamente as Piedras Rojas, fiquei muito empolgado! A minha teoria da alteração das cores das águas estava certa: dessa vez, ao contrário de uma coloração sem graça, as águas das Piedra Rojas encontravam-se numa cor azul clara, que contrastava com as belas pedras vermelhas do local. O Alcivar, que dessa vez estava na frente, seguiu uma van turística, o que fez com que a gente chegasse no ponto exato para apreciarmos o local – se bem que, na verdade, acredito que qualquer lugar ali é ideal para isso. O relógio marcava umas 9h30 ou 10h00. Se as cores das águas visualmente mudaram de cor por causa do horário, conforme penso eu, o ideal é não chegar muito cedo nas Piedras Rojas. Foi muito gratificante estar ali. Tiramos muitas fotos e, como recordação adicional, levei duas pedras vermelhas. Piedras Rojas. Depois de um tempo naquele lugar espetacular, tomamos o caminho de volta, com destino às Lagunas Miscanti e Miñiques. Quando chegamos ao acesso que dá para o parque, o Alcivar e a Maria decidiram voltar sozinhos para San Pedro. Nós continuamos o nosso passeio. O acesso às Lagunas Miscanti e Miñiques também é de estrada de chão. Na nossa frente tinha um motorhome com placa da Europa que estava “descendo o cacete” naquela estrada ruim, fazendo um forte contraste com todo o cuidado que o Alcivar tem com o seu veículo. Quando chegamos na portaria do parque, descobrimos que dentro daquele motorhome europeu estava uma família de franceses com duas crianças; dentro do veículo encontrava-se uma bagunça enorme – viagem animada o daquela família (rsrs). A entrada do parque custou 3.000,00 pesos por pessoa (R$ 15,00). Mais uma vez, percebe-se que a administração do mesmo é feita pelos nativos. O cenário daquelas lagunas é espetacular! Vale muito a pena o passeio. Todos os caminhos do parque são “protegidos” por pedras enfileiradas no chão, não sendo permitido passar por aquelas pedras. Eu, junto com um dos nativos atacamenhos que realizam a segurança do parque das Lagunas Miscanti e Miñiques. Lagunas Miscanti e Miñiques. Satisfeitíssimos pelos passeios realizados, tomamos o nosso rumo de volta para San Pedro de Atacama. Decidimos parar em Toconao para comprar damascos, mas não havia, pois não era a época. Chegamos a San Pedro por volta de umas 15h00. Almoçamos novamente no restaurante Picada del Índio. Destaco a boa comida e o bom preço desse restaurante: eu mais a Lidiane pagamos em torno de R$ 40,00 pelo nosso almoço. Depois eu fui trocar mais alguns dólares por pesos. Fomos então até ao camping aonde o Alcivar estava hospedado e, para o nosso espanto, não achamos ele lá. Perguntamos sobre ele para a recepcionista, que nos respondeu que não havia visto eles durante o dia. “Será que ele se perdeu?” – indagaram as meninas. “Mas não tinha como ele se perder” – respondi. E não tinha mesmo, visto que o caminho é muito fácil – é só “seguir reto toda a vida.” Depois de um tempo preocupados, enfim encontramos o Alcivar e a Maria em seu motorhome. Ele foi procurar um posto de combustível para abastecer e, como já era sabido por mim, foi muito difícil de achar o estabelecimento, que parece ser o único da cidade. Eu e a Carol havíamos ido até a agência Space, responsável pelo tour astronômico e recomendadíssima por todos, e fechamos o tal passeio, que sempre tem que ser feito no dia que será realizado o tour. Pagamos a bagatela de 20.000,00 pesos chilenos por pessoa, algo em torno de R$ 100,00. Quando chegou a noite, fomos até ao ponto de espera da van que nos levaria até ao tour astronômico. Pegamos a van numa esquina da Caracoles, ali perto do nosso hotel, às 21h50. Eu havia comprado umas empadas por ali mesmo, que serviriam como nossa janta, visto que o passeio acabaria tarde. O Alcivar e a Maria optaram em não ir. O veículo da agência, que já estava com um bom número de turistas, pegou outros pela cidade e, depois, saiu da cidade, rodou alguns poucos quilômetros e entrou numa área perto da rodovia, que estava bem escura, não havendo nenhuma luz. Fomos recepcionados por um alegre cachorrinho que tinha usava uma coleira de led. Daí, fomos guiados até um local aonde estava a nossa guia, que deu então início aos trabalhos do tour, ao explicar sobre as estrelas e as constelações usando uma daquelas lanternas de luz verde que alguns torcedores usam em estádios para atrapalhar a visão dos jogadores de futebol. Ficamos ali, em pé, ouvindo em espanhol a nossa guia. Não demorou muito e nós quatro acabamos ficando cansados, mesmo a visão do céu noturno sendo espetacular. Esperamos para usar os binóculos, mas, quando o usamos, acabamos nos decepcionando. Como o passeio iria demorar mais e, além do mais, teríamos que acordar muito cedo no outro dia para fazer o passeio dos Geyseres del Tatio, decidimos unanimemente em abandonar o tour astronômico. Por sorte, achamos quatro vagas em uma van que levaria um grupo de franceses de volta para San Pedro.
  9. Dia 9 – domingo, 19 de março de 2017. Dia "1 do 3" em San Pedro de Atacama - Observatório ALMA e Vale de la Luna. Após uma gostosa noite de descanso na confortável cama do hotel Takha Takha, acordamos e tomamos um também gostoso café da manhã nas dependências do hotel. Havíamos combinado de nos encontrar na frente do hotel por volta de umas 8h00, para então cruzar de uma ponta a outra a calle Caracoles para, por fim, procurar o ponto de encontro de onde partiria, pontualmente às 9h00, o ônibus do Observatório Alma. E foi isso o que fizemos. Fazia um bonito dia de sol. O endereço do ponto de encontro – calle Tumisa, esquina com Av. Pedro de Valdivia, em frente ao “Pueblo de los Artesanatos” – é bem detalhado no documento (tipo um “voucher”) que o Observatório Alma lhe envia por e-mail assim que você finaliza o seu cadastro no site da instituição. Eu havia reservado tranquilamente para as 6 pessoas da nossa turma, isso no final do mês de dezembro de 2016. O passeio é gratuito, e só pode ser feito aos sábados e domingos. Chegamos ao tal local, mas não soubemos identificá-lo de imediato. Perambulamos pelas redondezas do local, perguntando para um grupo e outro de pessoas sobre a visita ao Alma, até que achamos uma família de chilenos que também estavam procurando o mesmo ponto que o nosso. Não demorou muito e eu achei um rapaz francês trajado com uma jaqueta do Observatório Alma – ele era um dos guias. Perto do horário combinado começou a chegar vários turistas e, as 9h00, chega o ônibus que nos levaria ao Alma. O guia coordena, de maneira muito gentil e educada, a entrada dos passageiros: entram primeiro aqueles que tinham em mãos a confirmação da visita, depois entram os que estariam numa “fila de espera” e, por ultimo, se sobrar vagas, entram quem não fez nenhuma reserva. Felizmente, todos que estavam ali, algo em torno de 40 pessoas, conseguiram entrar. O ônibus era novo e muito limpo, o que me impressionou por ser uma visita gratuita (eu até estava imaginando que o nosso meio de transporte seria uma van). O ônibus pega a ruta 23, a mesma que leva ao Paso Sico, Piedras Rojas e Lagunas Miscanti e Miñiques. Uns 40 quilômetros depois, chega-se ao pórtico de entrada do Observatório Alma. Reforço o lembrete de que não pode-se fazer qualquer tipo de visita a esse local que não seja por esse meio oficial (de ônibus), ou seja, não pode-se pegar um carro ou moto, por exemplo, e aparecer por lá – mesmo que você tenha agendado a visita pela internet. Após passar pelo pórtico, rodamos mais alguns quilômetros e enfim chegamos ao nosso destino. Ao desembarcamos no pátio do observatório, somos divididos em dois grupos: um para a língua inglesa e outro para a língua espanhola. Ambos os grupos são guiados por um guia específico. Ali no pátio mesmo, o guia leva uns 30 minutos para se apresentar e explicar um pouco sobre a instituição, da rotina dos funcionários, dos países envolvidos no projeto (Chile, EUA, Japão e alguns países da Europa) e dos critérios (alta altitude e baixa umidade) para a escolha do local onde seriam instaladas as gigantescas 66 antenas. De antemão, ele já avisa – sempre de modo amigável – que o Alma, por motivos de segurança, não libera a visitação dessas antenas, que estão localizadas a alguns quilômetros dali, a mais de 5.000 metros de altitude; o máximo que podemos conhecer é uma antena ou outra que de vez em quando descem para manutenção. Pátio externo do Alma, com vulcão ao fundo. Em seguida, entramos em um dos prédios e, em um corredor do andar de cima, o guia “Marquinho” (apelido que eu coloquei nele por ser um tanto parecido com um amigo meu) nos dá uma pequena aula de física sobre como as antenas ali instaladas conseguem visualizar ondas de luz a fim de captar imagens do espaço sideral (como não sou bom em física, não sei se usei os termos corretos, mas foi isso que eu entendi). Nesse corredor há duas maquetes de Lego, montadas por universitários, sendo uma maquete da antena padrão usada pelo Alma e a outra maquete de um veículo que foi projetado exclusivamente para transportar essas antenas. Descemos então para outro corredor, onde ali conhecemos separados por uma vidraça, alguma parte de todo o maquinário científico ali usado. Em um certo momento, um cientista deixou o que estava fazendo, veio até ao nosso grupo e deu um broche do Observatório Alma para a única criança entre nós – confesso que queria um também (rsrs). Na sequência, assistimos a um pequeno vídeo institucional e então fomos para uma sala de computadores, onde trabalhavam três cientistas. Numa lousa branca, estava escrito, em espanhol, a célebre frase do Chaves: “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena.” Por fim, saímos do prédio e seguimos para onde fica estacionado o gigantesco veículo que transporta as antenas e, onde ficam também, as antenas que necessitam de manutenção. Nesse dia, estava ali presente um dos técnicos responsável pela manutenção das antenas que, por meio do seu “modesto” notebook, movimentava a engenhosa antena. Qual não foi a nossa alegria quando ele deixou, para quem quisesse, movimentar a antena. Ele perguntava para qual lado queria direcionar a antena e, então, ele explicava as latitudes e longitudes. Adicionávamos então as tais coordenadas no notebook e, após um simples toque no botão Enter, a gigantesca antena se movimentava para a posição escolhida. Muito legal! Da nossa turma, somente eu e a Carol tivemos a curiosidade de manusear aquele caríssimo aparelho. Ao fundo, uma das antenas em manutenção. Eu e Alcivar com o nosso simpático guia "Marquinho". Fim do passeio, voltamos a San Pedro com o mesmo ônibus e, no horário previsto – 13h00 – fomos deixados no mesmo lugar que havíamos embarcado. Passando pela Caracoles, aproveitamos para comprar alguns souvenires: imãs de geladeira (1.500 pesos cada), patches bordados (1.500,00 pesos cada), um colar para a Lidiane (2.000 pesos) e um chapéu para mim (3.000,00 pesos). Seguindo as sugestões do nosso amigo Filipe Rocha, aqui do site Mochileiros.com (https://www.mochileiros.com/topic/52300-atacama-7-dias-out-2016-passeios-dicas-e-toda-informa%C3%A7%C3%A3o-que-voce-precisa-saber-fotos/), escolhemos sem demora o restaurante Picada del Índio, situado na calle Tocopilla, para o nosso almoço. Pedi o prato lomo a lo pobre (que é praticamente a mesma coisa que o chorrillama – não recordo se a diferença fica por conta do tipo da carne ou do modo como ela é servida), que acaba servindo duas pessoas. Juntamente com os outros pratos servidos, a conta ficou, por casal, a quantia de R$ 46,40 (9.033,33 pesos). Após o almoço, na calle Caracoles, tomamos um gostoso sorvete na Heladeria Babalu, que contém sorvetes com sabores de frutas típicas atacamenhas. A casca com uma bola custa algo em torno de R$ 10,00. Restaurante Picada del Índio. Descansamos um pouco nas nossas hospedagens e, mais tarde, seguimos, todos juntos no Corolla, para o Valle de La Luna. Logo que sai de San Pedro, pela Ruta 23, pega-se a entrada a esquerda, também pavimentada de asfalto. Só que o mané aqui não viu a placa indicativa e achou que era mais pra frente – embora eu tenha pesquisado exaustivamente o trajeto pelo Google Street View. Fomos parar na entrada para o Vale da Muerte; lá, as nativas nos explicaram o caminho do Valle de La Luna. Superando o pequeno percalço, chegamos tranquilamente no Valle de La Luna. Ali já ficou claro para nós que quem manda em todos os parques nas redondezas de San Pedro de Atacama são os índios. São sempre eles que recebem o dinheiro das entradas. Segundo o tíquete que recebemos após o pagamento, o nome oficial do parque é “Asociación Indígena Valle de La Luna”. A propósito, a entrada custou 6.000,00 pesos chilenos por casal (R$ 30,00). Seguimos parque adentro e a nossa primeira parada foi na Caverna do Sal. Entramos nela, andamos um pouco, mas quando a coisa começou a ficar escura e necessitou ter que se agachar demais, as meninas acharam perigoso e decidiram voltar – e assim o fizemos. Pelo que entendemos, a saída do caminho fica ali perto da entrada do mesmo. Continuamos o nosso passeio pelo parque e paramos um pouco para algumas fotos. Nisso, o chapéu da Carolina voou e eu fiz questão de ir atrás dele. O chapéu foi rolando duna abaixo, e o vento não o deixava parar. Finalmente consegui pegar o chapéu e, para subir de volta, foi aquele sofrimento. Nossa penúltima parada foi nas formações rochosas Três Marias, onde batemos algumas fotos. Aqui, como em todo o parque, várias pedras são enfileiradas no chão para delimitarem até aonde nós podemos chegar, sendo proibido ultrapassar aquele limite. Formação rochosa Três Marias, no Valle de la Luna. Valle de la Luna. Por fim, subimos a pé um dos dois morros que servem como mirantes para apreciar o famoso por do sol do Valle de La Luna. Subimos tranquilamente e, uma vez lá em cima, contemplamos aquele lindo cenário. Alguns turistas europeus tiveram a boa idéia de levarem lá para cima um suposto bom vinho que eles degustavam enquanto apreciaram o famoso por do sol do Valle de La Luna. Fica a dica. Após o acontecido, alguns nativos funcionários do parque já ficavam por perto a fim de mandar o pessoal embora – talvez eles não deixam o pessoal ficar por lá a noite para evitar algazarras. Voltamos para San Pedro, já a noite, chegamos no hotel, tomamos um banho e saímos para jantar. Só fomos eu mais a Lidiane, a Dionízia e a Carolina – o Alcivar e a Maria optaram em descansar no motorhome. A Lidiane viu num aplicativo, não sei qual, um food truck chamado Burger Garden, situado na calle Tocopilla, que serve sanduíches. Bem carinho ele, mas foi muito bom. Achamos engraçado que dentro do food truck havia um chileno branco e um chileno índio. O chileno índio era o único que trabalhava, enquanto o chileno branco – um rapaz novo, que já havia morado na Austrália – apenas dançava ao ritmo da música do estabelecimento. Quando o chileno índio, que era o cozinheiro, acabava de preparar o sanduíche, ele passava o mesmo para o chileno branco que, então, para não dizer que não fazia nada, espetava o sanduíche ao meio com um palito grande de madeira. Esse foi o cômico ritual que nós presenciamos no preparo dos quatro sanduíches que pedimos – o meu demorou mais a chegar, pois o chileno dançante esqueceu de anotar o pedido. Quanto ao lanche, ele é muito gostoso e muito bem servido. Como acompanhante, vem uma batata rústica ou uma porção de cebolas fritas, ambas de muito bom gosto. O preço para dois sanduíches (o meu e o da Lidiane) e três refrigerantes ficou em torno de R$ 83,00, ou exatos 16.150,00 pesos chilenos.
  10. Dia 8 – sábado, 18 de março de 2017. De Tilcara a San Pedro de Atacama, passando por Salinas Grandes. Acordamos cedo, por volta de umas 7h00, tomamos café e partimos rumo a San Pedro de Atacama, uma viagem curta de 436 quilômetros. Segundo o Google Maps, a viagem, sem paradas, duraria cerca de cinco horas. Mas, como pararíamos nas Salinas Grandes e no Paso Jama, esse tempo aumentaria. A intenção era chegar em San Pedro não muito tarde, pois a nossa agenda de turismo ficou cheia – tínhamos que chegar na cidade e, no mesmo dia, fazer o câmbio e quitar os passeios que havíamos agendado. Nossa programação ficou assim: 1º dia – visitar o Observatório Alma (passeio gratuito) na parte da manhã e, a tarde, conhecer o Valle de La Luna; 2° dia – conhecer Piedras Rojas, laguna Tuiajito e Lagunas Miscanti e Miñiques (todos por nossa conta) e, a noite, tour astronômico (com a agência Space); 3° dia – de manhã conhecer o Geyser del Tatio e, a tarde, Lagunas Escondidas (ambos com agências). O tempo estava ótimo, ensolarado. Adentramos na Ruta 52, passamos por Purmamarca e, alguns quilômetros depois, começamos a subir os Andes em zigue-zague. O motor-home do Alcivar sentiu mais a subida, não conseguindo passar dos 40 km/h; o Corolla não sentiu nada. Após muitas curvas e depois de subir muito, avistamos uma pedra que marcava a altitude em que estávamos: 4.000 e poucos. Quando passamos a descer, a Lidiane disse que havia avistado um lago lá embaixo. Eu não vi, pois estava com um olho nas curvas e outro no retrovisor, acompanhando o motor-home. Mais adiante, avistei uma grande área branca na nossa frente. “Eu acho que ali é o salar.” – mencionei. E a Lidiane retrucou: “Ah, foi esse o ‘lago’ que eu vi!” A rodovia passa por entre as Salinas Grandes. Logo no começo tem um ponto de parada a esquerda, com duas esculturas grandes feitas de sal e uma bandeira da Argentina e outra da Wiphalla hasteadas. Decidimos parar ali. Quando descemos e chegamos bem perto do salar, tivemos uma grata surpresa: o sal tinha derretido o suficiente para formar um lindo espelho da água, que refletia toda a paisagem! Como não poderia ser diferente, ficamos fascinados com aquela paisagem espetacular; um privilégio estar ali. Salinas Grandes, Argentina. Depois de ficarmos um bom tempo no salar e de tirarmos muitas fotos, voltamos à estrada rumo ao desconhecido. O cenário agora passa a ficar desértico. Rodamos alguns quilômetros, cruzamos Susques e, uns 120 quilômetros depois chegamos ao Paso Jama. Antes de passar pela aduana, paramos num posto YPF que tem por ali – conforme explicou um dos nossos amigos aqui do Mochileiros.com. Aqui foi, realmente, o litro da gasolina mais cara que eu já paguei na vida: R$ 4,89! Pedimos para encher o tanque de ambos os veículos. Enquanto esperávamos pelo serviço – o que demorou um certo tempo, visto que havia somente um frentista de pouca prática – eu fui consultar com alguns motoqueiros brasileiros, que também esperavam pelo abastecimento, sobre o seguro Soapex: eles nem sabiam o que era isso. Deu tempo ainda de consultar uns caminhoneiros, também brasileiros, sobre o tal seguro: eles também de nada sabiam. Lembro a vocês que tentei fazer ainda no Brasil esse suposto seguro obrigatório para transitar no Chile, mas o site dava erro na hora de pagar. Como ninguém tinha conhecimento do Soapex – nem mesmo o frentista solitário de pouca prática – decidimos seguir rumo a aduana. Antes, porém, tive que emprestar alguns pesos para o Alcivar, já que o sistema do posto não passava cartão de crédito/débito com chip. Ao chegar na aduana, somos abordados por um policial argentino, que nos entrega um pequeno papel retangular e nos informa que devemos estacionar no prédio oficial, a esquerda, para então efetuar os trâmites burocráticos. Dentro do prédio encontramos uma sala com 6 guichês. Devemos passar em todos eles – a cada guichê, um carimbo é dado no papel retangular que recebemos do policial argentino na entrada da aduana. Pelo que eu lembre, um guichê é para carimbar no passaporte a saída da Argentina, o outro carimba a entrada no Chile e tem um que solicita o documento do veículo. Nesse, eu aproveitei para perguntar do Soapex e, surpreendentemente, ele não soube informar nada de concreto. Continuando com os guichês...: um deles entrega um formulário que solicita que você anote o que está levando para o Chile. Para andar mais rápido, eu pedi ajuda para o oficial, que me atendeu prontamente (esse documento fica conosco e deve ser devolvido quando sairmos do país). Lembro também que temos que informar para que local do país que estamos indo. E foi isso. Passados todos os guichês, é hora da vistoria nas bagagens e no carro. Um oficial muito solícito e educado foi responsável pela nossa vistoria. Primeiro ele pede que abra o porta malas e, então, ele solicita que abramos cada mala para ele poder verificar, superficialmente, o que há dentro delas. É um processo um pouco cansativo (rsrs). Depois, ele dá uma pequena verificada dentro do carro. Nesse processo, algumas frutas foram confiscadas. No motorhome do Alcivar foi confiscada um pote de mel. Aliás, eu pensei que a vistoria no motorhome iria demorar um bocado, visto que ele tem inúmeros compartimentos. Mas o vistoriador não fez muita questão – só verificou o básico e os liberou. Finalizadas as vistorias, hora de continuar com a viagem. Ao sair da aduana, um policial pede aquele papel retangular, que agora está com todos os carimbos dos seis guichês. Poucos metros após a aduana chega-se a linha da fronteira, com a clássica placa rodoviária. Eu queria bater uma foto ali, mas ela estava quebrada bem na parte onde ficava a bandeira do Chile. Seguimos viagem. Ali já estávamos no Deserto do Atacama. Para mim, era a realização de um sonho. Muito gratificante. Podíamos observar algumas pequenas lagunas que contrastavam com o deserto, formando belos cenários. Também podíamos ver vários vulcões e montes com os seus picos nevados. Corolla e o motor-home do Alcivar, já no Deserto do Atacama. Da esquerda para a direita, no vislumbrante Deserto do Atacama: Maria, Alcivar, eu, Lidiane e Dionísia. A alguns poucos quilômetros de San Pedro, há um mirante (ou mais), na beira da rodovia, que fica em frente ao vulcão Licancabur, vulcão este bem visível da cidade. Deve ser ótimo para tirar fotos daquele mirante, mas acabei passando despercebidamente por ele – só o notei na viagem de volta. Do Paso Jama até San Pedro, rodamos pouco mais do que 150 quilômetros. E, enfim, chegávamos na movimentada, porém pequena, cidade de San Pedro de Atacama. Eram umas duas ou três horas da tarde – agora não lembro. Logo na entrada da cidade há uma aduana. Perguntei para uma oficial dali se havia necessidade de parar para apresentar algum documento, mas ela respondeu que aquela aduana serve apenas para quem chega do Paso Sico. Fomos então encontrar o nosso hotel. Não demorou muito e já deu para perceber que os chilenos são intensamente irritados quando estão ao volante: uma leve parada já é o suficiente para você tomar um buzinaço. Considerando isso, mais com o fato de que não é fácil manobrar um motor-home em qualquer cidade que seja, resolvemos deixar o motor-home estacionado (juntamente com os seus proprietários) em uma rua larga e fomos atrás do nosso hotel. Meu mapa impresso do Google Maps pouco ajudou na nossa procura do hotel. Também não era muito fácil pedir informações, visto que a maioria das pessoas que estão ali são turistas. Por sorte, entrei em uma rua que deu em uma praça, aonde havia um ponto de informações ao turista. O atendente gentilmente nos forneceu um mapa da cidade e desenhou o trajeto que devíamos fazer para chegar ao nosso destino. Em poucos minutos chegávamos ao Hotel e Camping Takha Takha, estabelecimento que havia reservado pelo Booking.com. O hotel fica situado na extremidade sentido Oeste da calle Caracoles. No check-in é informado que devemos pagar as diárias adiantado. Como havíamos levado dólares, pagamos sem o imposto chileno de 19%. Pagamos, cada dupla, o total de 328,00 dólares por 4 diárias em 1 quarto de casal. Como não havia vaga no camping para o motor-home do Alcivar, as meninas foram procurar outro local para eles ficarem. Enquanto isso, eu fui até a calle Toconao para trocar os nossos dólares por pesos chilenos. Quando nós estávamos em Salta, 1 dólar valia 666,00 pesos chilenos. Cotei as moedas em pelo menos cinco casas, e os preços realmente variam bastante – o que é engraçado, já que uma casa fica literalmente no lado da concorrente. A título de exemplo, na primeira casa em que entrei, o dólar estava 650,00 pesos e o real 185,00, na outra 655,00/165,00, na penúltima em que entrei 652,00/188,00 e, por último, entrei na casa de câmbio Gambarte: 1 dólar = 658,00 pesos chilenos (1 real = 190,00 pesos), sem dúvida a melhor cotação! Dois dias depois, quando fui trocar mais dinheiro nessa mesma casa, um brasileiro na fila me disse que poucos dias antes eles estavam pagando o dólar em uma cotação um pouco melhor. Voltei ao Takha Takha e encontrei as meninas, que tinham achado um ótimo camping para que o Alcivar e a Maria pernoitassem com o seu motor-home: Camping Casa Campestre, situado a alguns poucos metros do Takha Takha, sentido Oeste, ao fim da calle Caracoles. O Alcivar e a Maria pagariam 22,00 dólares por dia nessa estadia, mais alguns dólares a cada abastecimento de água e energia elétrica (não lembro dos valores exatos). A área do camping, em si, é visualmente melhor do que a área do camping do Takha Takha – mais organizado. Todos estavam felizes por encontrarem um local tão aconchegante para o casal Alcivar e Maria. Enquanto a turma conversava, eu acabei observando uma placa de um determinado motor-home, que tinha o logo da Euro. Cheguei mais perto e constatei: a placa realmente era da Europa. Não acreditei no que tinha visto! Coincidentemente os donos de tal motor-home, um casal, haviam acabado de chegar ao camping, vindo de um mercadinho, e a Carol começou a conversar com eles em inglês. Ela era turca e o senhor era alemão. Ficamos sabendo que eles viajam pelo mundo com o seu veículo. Obviamente, eles vieram da Europa via navio. Fiquei pasmado, pois não sabia que esse tipo de transporte era possível – rodar com um carro europeu em países sulamericanos. Depois, acabaríamos encontrando vários motor-homes com placas da Europa pelo Atacama. Ainda nesse camping, conhecemos um outro cara que também veio com o seu motor-home: ele era brasileiro, veio de Uberlândia-MG e, segundo o que nos contou, já era a oitava vez que ele vinha para o Atacama. Nós, no Camping Campestre, onde o Alcivar e Maria ficaram hospedados em seu motor-home. O casal que está conosco são europeus: ele alemão e ela turca - viajam o mundo também de motor-home. Eu e a Lidiane deixamos o pessoal conversando e voltamos para a Caracolles para procurar as agências 123Andes e Turismo Mitampi, a fim de acertar os passeios do Geyser del Tatio e Lagunas Escondidas, respectivamente. O sol ainda raiava no final da tarde em San Pedro de Atacama. A agência 123Andes fica ali perto do Takha Takha, mas encontrava-se fechada. Seguimos então Caracolles adentro à procura da agência Turismo Mitampi. A calle Caracoles, principal rua de San Pedro, é bem rústica e, naquele horário, já havia bastante turistas andando por ela. O que chamou a atenção também era a presença de inofensivos cachorros de grande porte, que andam soltos pela rua. As pessoas lhe oferecem passeios e também fazem convites para entrarem em seus restaurantes. Concluí comigo mesmo que foi a melhor coisa eu ter agendado esses dois passeios com antecedência, pois não haveria tempo hábil para cotar passeio por passeio naquele curto espaço de tempo. Já na outra ponta da calle Caracoles, encontramos a agência Turismo Mitampi. O Luis Frias nos atendeu – parece que ele é o dono da agência. Eu havia agendado o passeio das Lagunas Escondidas no mês passado, e havia pago 25% do valor total do passeio como entrada, via Pay Pal, por cartão de crédito. Ao pagar o restante do passeio em seu escritório, o Luis ofereceu se nós não queríamos trocar o passeio das Lagunas Escondidas pelo passeio da Laguna Cejar. Mantive a minha escolha e paguei a quantia de 90.000 pesos chilenos referente a 75% do passeio para 6 pessoas. Trocando em miúdos, o valor total do passeio ficou em um pouco mais do que R$ 100,00 por pessoa. Voltando para o nosso hotel, encontramos a agência 123Andes aberta. Essa é uma agência de brasileiros feita para atender brasileiros. Quem nos atendeu foi a Bianca, uma simpática jovem que tem, como um dos seus objetivos, ir morar em Hong Kong (ela trabalharia temporariamente em San Pedro para depois ir morar em Cusco, no Peru). Ela nos deu muitas dicas enquanto eu fazia o acerto do passeio Geyser del Tatio. Eu também já havia acertado uma quantia correspondente a 20% do valor total com antecedência, dessa vez, por transferência bancária. Agora eu acertava o restante, pagando a quantia de 120.000 pesos chilenos referente ao passeio para a nossa turma: 6 pessoas. Para cada pessoa, o passeio custou um pouco mais do que R$ 125,00. Agora farei um breve relato sobre a Laguna Cejar e Lagunas Escondidas. Eu queria muito fechar o passeio da Laguna Cejar com a 123Andes, laguna essa que tem como maior atrativo entrar nela e ficar boiando naturalmente, fenômeno causado pelo alto índice de sal encontrado nela. Entretanto, em meados de novembro de 2016, vi aqui no Mochileiros.com a informação de que essa laguna estava fechada por conta de contaminação de arsênio, informação essa confirmada, via e-mail, pela Camilla Duarte da agência 123Andes. Fiquei triste, mas não desisti, até que descobri que as Lagunas Escondidas, um passeio relativamente novo, oferecia o mesmo atrativo. Perguntei desse passeio para a Camilla, mas ela me respondeu que a 123Andes não oferecia esse passeio visto que as Lagunas Escondidas estariam também contaminadas por arsênio. Daí eu fiquei magoado mesmo! Entretanto, algumas semanas depois, uma moça fez um relato aqui no Mochileiros.com de uma viagem que fez ao Atacama e, surpreendentemente, ela não só conheceu as Lagunas Escondidas, como também entrou em uma delas. Mas não estaria ela contaminada? Perguntei para ela, e a resposta foi de que algumas lagunas estariam contaminadas, já outras não. Pesquisei no Tripadvisor as agências que faziam o passeio das Lagunas Escondidas e, depois de alguns e-mails enviados fazendo as cotações, fechei com a agência Turismo Mitampi. Agora, na agência 123Andes, a Lidiane aproveitou a simpatia da Bianca e perguntou: “As Lagunas Escondidas não estão contaminadas?” (ela estava com medo e não queria deixar eu entrar). E a resposta da Bianca foi de que , nem as Lagunas Escondidas e nem a Laguna Cejar estavam contaminadas. O problema todo foi causado, ela explicou, por uma briga política envolvendo os nativos que administram os parques e a prefeitura (ou as agências de turismo, não recordo exatamente). Os nativos fecharam a Laguna Cejar e, então, inventou-se essa história da contaminação. Mas agora já estava aberta novamente. Quanto ao arsênio, a Bianca concluiu: - “As duas lagunas possuem arsênio na água, mas você só vai morrer contaminado por ela se nadar na laguna todos os dias durante 10 anos.” San Pedro de Atacama. A noite, saímos todos para jantar, e escolhemos o tradicional restaurante Adobe. Pedi o típico prato chorillama, que consiste em carnes picadas acompanhado de ovo frito e batatas fritas – muito gostoso. A conta ficou aproximadamente R$ 70,00 por casal. Acabamos indo embora bem na hora que um animado grupo andino começou a tocar umas animadas músicas tradicionais – estávamos bem cansados. Quanto à conversão, adotei o seguinte método. Ainda no Brasil, comprei o dólar a R$ 3,38. Em San Pedro do Atacama, o dólar estava sendo comprado na casa de câmbio Gambarte por 658 pesos chilenos. A janta no Adobe, por exemplo, ficou em 13.433,33 pesos chilenos por casal. Então eu divido 13.433,33 por 658 = 20,41 dólares. 20,41 dólares x R$ 3,38 = R$ 68,98. Confuso? hehehe... Pra facilitar, cada 1.000 pesos chilenos (cédulas verdes) equivalem a praticamente R$ 5,00; cada 10.000 pesos chilenos (cédulas azuis) equivalem a praticamente R$ 50,00. Importante fixar bem a diferença entre essas duas cédulas para não fazer confusão – a Dionísia, por exemplo, em um dado momento estava pensando que as suas cédulas de 10.000 eram 1.000 pesos. Ainda bem que o pior não ocorreu. Também há as cédulas de 2.000 pesos (roxas), 5.000 pesos (rosa) e 20.000 (laranja).
  11. Dia 7 – sexta-feira, 17 de março de 2017. Passeios em Tilcara e Purmamarca. O dia amanheceu ensolarado. Sendo assim, por volta das 9h00, partimos de Tilcara e seguimos para Purmamarca para conhecer o Cerro 7 Colores. Chegamos à pequena cidade e, ainda na rodovia, já é possível vislumbrar o belo cenário do cerro. Procurei algum bom mirante para tirar algumas fotografias, mas não achei por ali. Então entramos na cidade e fomos em direção ao cerro. Chegamos em determinado ponto da pequena cidade, estacionamos o carro e continuamos o nosso passeio a pé. Chegando perto do cerro, tem um pequeno morro em frente a ele. Ali é um bom mirante, mas havia placas avisando que é proibido subir o mesmo. Decidimos obedecer ao aviso e continuamos seguindo o nosso caminho. Enfim, chegamos ao Cerro 7 Colores e batemos diversas fotos – só havia nós e mais três argentinos. Bem em frente ao cerro havia um amontoado de pedras, em forma de pirâmide: não sei o que era aquilo, mas certamente deve ter algum cunho religioso local. Esses amontoados de pedras – em tamanhos menores – se tornaria algo facilmente encontrado daqui para frente em nossa viagem. Cerro 7 Colores, Purmamarca. Saindo dali, encontramos um nativo vendendo artesanato em uma pequena mesa. Foi aí que descobrimos que ali era a entrada do “morro mirante” que tinha as placas de “proibido subir” – estávamos agora do outro lado do morro. O nativo cobrava parcos 5,00 pesos (R$ 1,05) por pessoa para subir o morro. Lá em cima tiramos mais fotos. Retornamos ao carro e seguimos em direção ao Paseo Colorado. Chegamos perto do local e fomos informados por um policial que não era possível entrar de carro em conseqüência das fortes chuvas já citadas. Para ir a pé, levaria cerca de uma hora, ida e volta: o pessoal não quis encarar a “empreitada”. Saindo da cidade, paramos no acostamento, onde havia alguns cidadãos locais vendendo artesanato. Uma mulher estava com um “bebê” lhama enfeitado, muito bonitinho. Aproveitamos para alimentar e tirar muitas fotos desse animalzinho tão dócil. A mulher não quis cobrar nada, mas mesmo assim eu dei a ela 60,00 pesos (R$ 12,60). Foi então que percebi que ali era, da rodovia, o melhor local para tirar fotos do Cerro 7 Colores. Voltamos para Tilcara e demos uma parada no El Molle, uma pequena loja situada na calle Belgrano que vende alfajores artesanais. Comprei alguns alfajores e um pote de doce de leite. Em seguida, fomos para o Pucará de Tilcara, um dos sítios arqueológicos pré-hispânicos que se distribuem ao longo da Quebrada de Humahuaca. “Pucará” é uma palavra quéchua que significa “fortaleza”. Chegando perto desse sítio já é possível avistar alguns mochileiros. A entrada custou 100,00 pesos (R$ 21,00) por pessoa; argentinos pagam meia entrada. Fomos conhecer o local sozinhos, sem guia (também não foi nos dada essa opção, mas acredito que tenha); recebemos apenas um guia impresso em espanhol. Eu, ao lado das bandeira da Argentina e da bandeira Whipalla, um dos símbolos dos povos andinos. Tiramos algumas fotos dos cactus de tamanho considerável e, obviamente, das construções antigas dos índios. Subimos até ao polêmico monumento do Pucará: uma pirâmide construída em 1935 em homenagem aos primeiros arqueólogos que trabalharam no sítio. “Lamentavelmente, para sua edificação, destruíram-se numerosas habitações, oficinas e uma praça principal, esta última ocupada durante o momento incaico.” – informa o guia impresso. Por fim, ficamos lá em cima do Pucará vislumbrando o belo cenário do local, além de tirar mais fotos. Da esquerda para a direita: Carol, Dionízia e Lidiane; ao fundo, a polêmica pirâmida do Pucará de Tilcara. Decidimos almoçar novamente no restaurante Los Puestos. Dessa vez pedimos uma napolitana, uma costela, uma salada, duas empanadas de queijo e, para beber, água. Destaque para a costela, que estava ótima, muito boa mesmo! O total da conta ficou em 775,00 pesos, ou R$ 54,25 por casal. Fiquei impressionado do tanto que esse restaurante é bom e barato! Recomendadíssimo! Dali, seguimos para uma praça da cidade, central, onde fica uma feira artesanal. Em comparação com Salta e San Pedro de Atacama, achei o artesanato de Tilcara muito fraco, sem muitas opções. Rua típica de Tilcara. Deixei o pessoal na feira e segui – com a ajuda de um mapa que recebemos no hotel – para a igreja central da cidade, a Iglesia Virgen del Rosario y San Francisco de Asis. Já que gosto muito de futebol, queria conhecer a tal “santa maldita”. A história é engraçada. A seleção de futebol da Argentina fez a preparação para a Copa do Mundo de 1986 em Tilcara, pois ali eles encontrariam uma região parecida com a qual encontrariam no México, o então país sede. Como não poderia ser diferente, a seleção argentina foi muito bem tratada pelo povo de Tilcara. Diz que foi uma festa só! Mas, antes de deixarem a cidade, o falastrão técnico argentino ficou sabendo de uma “santa milagreira” e, por isso, levou junto todos os seus comandados – incluindo o craque Maradona – até a tal santa para pedir a "bença" e prometeu que, se eles ganhassem a Copa, voltariam para Tilcara com o objetivo de agradecê-la. O resultado? A Argentina ganhou a Copa, mas a pacata Tilcara nunca mais viu nem a sombra da seleção argentina. E, desde então, a Argentina nunca mais ganhou uma Copa do Mundo! Essa curiosa história é conhecida como “A Maldição de Tilcara”, e foi relembrada pelo jornalista Ariel Palacios às vésperas da final da Copa do Mundo de 2014, entre Alemanha e Argentina. http://sportv.globo.com/site/SporTV-na-Copa/noticia/2014/07/maldicao-por-promessa-nao-cumprida-assombra-argentina-lembra-escritor.html Não acredito em santos, mas gostei desse “causo” e queria tirar uma foto com essa santa para mostrar para alguns amigos que também gostam de futebol. O problema é que provavelmente a santa da igreja em que eu fui não era a santa maldita de Tilcara . Ao sair da igreja, perguntei para um rapaz nativo que estava trajado com um uniforme do Real Madrid sobre essa maldição, e ele não soube me responder. Eu acho que o povo local de cidades que possuem esses tipos de causos ficam com vergonha dessas histórias. Em 2012, em Bariloche, eu perguntei em um centro de informação ao turista, que fica no centro da cidade, onde era a suposta casa de Adolf Hitler, pois eu tinha visto um documentário no canal National Geographic sobre uma teoria maluca de que o líder nazista não havia suicidado no final da Segunda Guerra Mundial, e sim havia fugido de submarino para a Patagônia argentina e teria morado, até a sua velhice e respectiva morte, em San Carlos de Bariloche (rsrsrs). A mulher fechou a cara pra mim e disse não saber de nada. Ah, e pra constar, eu também não acredito que Hitler morou em Bariloche; mas que o causo é engraçado, isso é (rsrsrsrs). Do meu “turismo religioso”, segui para o hotel. O pessoal chegou logo em seguida. Eram umas 15h00. As outras opções de turismo que tínhamos era a Garganta del Diablo, porém, só poderia ser feito a pé, pois, mais uma vez, a chuva deteriorou o caminho em que os carros passavam. Como era uma caminhada muito longa, ninguém animou de ir. E, a outra opção, era ir até Humahuaca, a uns 40 quilômetros de Tilcara. O pessoal não mostrou muito ânimo e, como eu sabia que no Atacama a “pegada” seria mais forte, não quis forçar muito. Tem também o pequeno vilarejo de Iruya, mas esse passeio é muito mais longo e acredito que teria que separar um dia só para ele. Então, descansamos e, a noite, acabamos apenas lanchando um prato de frios no hotel. O dia seguinte prometia ser intenso: cruzar a Cordilheira dos Andes, Salinas Grandes, fronteira Argentina-Chile pelo Paso Jama e Deserto do Atacama. A Carol ficou assustadíssima com uma informação de um suposto fechamento do Paso Jama em vista das condições climáticas. Ela me perguntou se haveria outro caminho e eu respondi que só haveria o Paso Sico, caminho que exigiria voltar para Salta e pegar muita estrada de chão (ou rípio), o que certamente atrasaria em um dia a nossa viagem. Ela pediu para a recepcionista do hotel ligar para a Polícia Caminera, que não souberam responder sobre essa possível interdição. Mais tarde, os ânimos se acalmaram quando a Carol viu no Facebook relatos de pessoas que chegaram no final da tarde daquele mesmo dia em San Pedro do Atacama, passando pelo Paso Jama. Enfim, não sei se o Paso Jama é fechado ou não em condições climática adversas.
  12. Dia 6 – quinta-feira, 16 de março de 2017. De Salta a Tilcara. Hoje iríamos embora de Salta e faríamos uma viagem curta até Tilcara. O tempo estava fechado, um pouco nublado e chuvoso. Uma pena, pois a idéia era entrar em Purmamarca e visitar o Cerro 7 Colores. Fomos pelo caminho da “cornisa”, um trecho de faixas simples e demasiadamente sinuoso – rodávamos entre 40 a 60 quilômetros por hora. Quanto ao caminho em si, não achei nada de mais – não encontramos nenhum atrativo. Outro caminho possível é ir pela cidade de General Guemes que, segundo o Google Maps, acaba ficando mais rápido – mesmo sendo poucos quilômetros mais distante. Em San Salvador de Jujuy, paramos para abastecer: paguei R$ 4,29 o litro da gasolina. Seguimos viagem e, como ainda chovia e fazia frio, além de estar um pouco nublado, decidimos não entrar para o acesso a Purmamarca. Uns 20 quilômetros depois chegamos a Tilcara. Chegando em Tilcara. Almoçamos no ótimo restaurante Los Puestos, situada na calle (ou avenida) Belgrano, esquina com a calle Padilla. O prato Napolitana, que consiste numa porção de carne a parmegiana, serve bem três pessoas. Como não sabíamos, pedimos duas Napolitanas, uma de carne e outra de frango, e acabou sobrando muito. A Dionísia pediu um salmão e a Carol uma lasanha vegetariana. Para beber, foi pedido água e eu mais o Alcivar pedimos a cerveza artesanal Tilcara, do qual eu não gostei, por ser muito forte. A conta fechou em 1.105,00 pesos, ou R$ 77,35 por casal. Ainda pedimos para levar “para viagem” as muitas sobras da Napolitana. Depois, tivemos uma certa dificuldade para chegar ao hotel – principalmente o Alcivar com o seu motorhome, visto que as ruas de Tilcara são bem estreitas. Como havia chovido muito, algumas áreas estavam intransitáveis. Por fim, conseguimos chegar ao nosso hotel: o Las Marías, um hotel muito bom (e também muito caro) escolhido pela Carol. Aproveitei o luxo do hotel para relaxar em um banho de banheira. Nossa recepção no Hotel Las Marías. Ficamos sabendo mais tarde que as fortes chuvas que caíram sobre Tilcara ocasionaram a destruição total e parcial de algumas casas locais. O poder público não se omitiu e convocou diversos policiais – tanto da Província de Jujuy como os Camineros federais – que estavam espalhados pelas ruas tilcarenses. O Alcivar tinha estacionado o motorhome na rua em frente ao hotel, mas as recepcionistas ficaram com medo de um novo deslizamento e pediram para ele estacionar o seu veículo em uma rua paralela a aquela, perto de um estacionamento alternativo do hotel. À noite acabamos jantando no motorhome do Alcivar o que restou do almoço, acompanhado de vinho e uma boa e gelada Coca-Cola. Fomos dormir torcendo para que a previsão do tempo estivesse certa para o dia de amanhã: sol, sem nuvens e sem chuvas.
  13. Dia 5 – quarta-feira, 15 de março de 2017. Passeios em Salta. Entrada do Posada de Las Nubes, agradável hotel aonde ficamos hospedados em Salta. Após uma ótima noite de descanso, nos levantamos e tomamos o café da manhã. O dia estava nublado e fazia um certo friozinho. Fomos tirar o Corolla do estacionamento para irmos até a Plaza 9 de Julio, porém um senhor nos disse que compensaria ir andando, visto que a praça era perto dali e que seria muito difícil acharmos uma vaga para estacionar. Decidimos seguir o conselho do prestativo senhor. Com o meu mapa em mãos, fomos andando pela calle Bartolome Mitre, rua paralela a calle Balcarce, rumo a Plaza 9 de Julio. São apenas seis quadras até a praça e, por isso, chegamos rapidinho, caminhando sem pressa. A Carol ia tirando fotos das construções antigas. Chegamos na simpática praça e, o primeiro local que fomos conhecer foi a Catedral Basílica, construída no século XIX. Depois passeamos pela Plaza 9 de Julio em si. Já se percebe que a população local tem traços indígenas mais marcantes. Em seguida, fomos até ao Museo de Arqueologia de Alta Montaña, que também fica ali, ao lado da praça. Como o museu só abriria às 11h00, decidimos passar o tempo passeando pelo comercio local: não compramos nada, só olhamos. Catedral Basílica da Plaza 9 de Julio. Interior da Catedral Basílica. Plaza 9 de Julio. Assim que o relógio marcou 11h00, voltamos para o museu, que tem como o ponto alto da visita as exposições das múmias de crianças incas: são três, sendo expostas uma de cada vez, alternando-as de tempos em tempos. A que vimos foi a Niña de Rayo. Como é proibido tirar fotos das mesmas, tirei para vocês uma foto do informativo do museu contendo a foto e descrição de cada múmia. A entrada do museu custou 100 pesos por pessoa (R$ 21,00). Múmias de crianças do Museo Alta Montaña (é proibido tirar fotos da múmia que fica exposta no museu). Quando saímos do museu, sentimos a mudança do clima: o tempo abriu e fazia um certo calor. Como a Carol tinha esquecido a sua Go Pro no hotel, decidimos voltar todos para o estabelecimento e aproveitamos para colocarmos roupas mais frescas. Seguimos então – a pé novamente – para um restaurante muito bem conceituado pelo TripAdvisor: Él Charrua, situado na calle (ou avenida) Caseros, perto da Plaza 9 de Julio. Achamos facilmente o estabelecimento, mais uma vez com a ajuda do meu mapa impresso do Google Maps (rsrs). Eu e a Lidiane pedimos um bife de picanha com papas fritas, o Alcivar e a Maria idem, e a Carol mais a Dionízia pediram um macarrão de espinafre; bebemos água e mais uma garrafa de 1 litro da cerveza Salta. A conta da mesa ficou em 915,00 pesos, ou R$ 64,05 por casal. Achei barato – esperava uma conta bem mais salgada, até porque comemos muito bem. Depois de comermos satisfatoriamente muita carne (com exceção da Carolina), seguimos até ao Teleférico San Bernardo, que fica há umas duas ou três quadras dali. Chegamos ao parque onde fica o teleférico e visitamos a feira local. A Lidiane e a Maria compraram alguns lenços. Quando fomos comprar os tickets para o teleférico, a mulher perguntou para nós: “Ida e volta?” Eu e o Alcivar pensamos a mesma coisa e rimos da situação. Daí a mulher explicou que pode-se descer por uma trilha, que sai não sei aonde. Depois, quando chegamos lá em cima, também vi que algumas pessoas sobem de carro. O preço do teleférico, ida e volta, saiu a 150,00 pesos por pessoa (R$ 31,50). Conforme subíamos, já podíamos visualizar uma boa paisagem da cidade. Particularmente, gosto muito de teleféricos – gosto mais daqueles de cadeirinhas. A paisagem em si não tem nada demais, pois é somente a visão da cidade. Lá em cima tem um pequeno parque com algumas cascatas. Tem também um mirante (ou mais, não lembro), uma lanchonete e umas barraquinhas de artesanatos. Aproveitei para comprar uma camisa nativa, que paguei 200,00 pesos (R$ 42,00), e uma touca, que paguei 75,00 pesos (R$ 15,75). Compramos também um presente para minha mãe e alguns imãs de geladeira. Quanto aos descontos, os vendedores não são muito afeitos a essa prática – o máximo que consegui foi dois imãs de geladeira que ganhei quando comprei a minha camisa. Na parte de cima do teleférico San Bernardo. Escrevendo esse diário agora, me bateu um arrependimento de não ter comprado mais uma camisa nativa... Outra coisa que acho muito legal são aqueles jogos de xadrez com as peças personalizadas para a cultura local (algo muito comum no Nordeste brasileiro também): nas feirinhas de Salta tinham bastante desses jogos, assim como também em San Pedro de Atacama. Mas, como não sou um exímio xadrezista e, não tendo muito espaço para colocá-lo na nossa casa, acabei não comprando. Passeio feito, compras feitas, hora de voltar para o hotel. As meninas ficaram com preguiça de voltar a pé; decidimos então pegar dois táxis, que saíram a um custo de 50,00 pesos (R$ 10,50) para cada carro. A Dionízia, que já estava intrigada com o comércio local que parecia estar sempre fechado, perguntou o motivo para o taxista. Ele respondeu que o costume local é trabalhar até as 11h00 ou 12h00 e, depois, aproveitar a “siesta” (aquele sono gostoso depois do almoço). O comércio, então, reabre a partir das 16h00, e funciona até umas 20h00. Eu, que sou adepto da sesta, gostei muito desse costume. Ao chegar ao hotel, o pessoal foi dormir. Eu aproveitei para fazer algumas anotações e calcular os custos da viagem. Depois fui a um supermercado comprar alfajores e uma cerveza Salta litrão para um amigo. Já era noite e começou a chuviscar. Interior da Posada de Las Nubes. Depois, fomos jantar no restaurante ao lado do hotel: Jovi Dos. Essa janta foi “engraçada”. Pedimos empolgados uma parrillada simples, pois tínhamos visto no almoço de hoje um grupo de argentinos comendo uma parrillada com a “boca boa”, que consiste em vários pedaços de carnes servidos na brasa. O problema era os tais pedaços de carne... Ao chegar o prato, peguei um pedaço de carne meio amarelada. Ao colocá-lo na boca, senti um gosto horrível. Pensei que era carne de porco mal passada. E acabei engolindo aquilo. Passei para a Lidiane experimentar, já que ela gosta de porco. Ela acabou cuspindo o pedaço de carne no seu prato. O Alcivar ficou curioso e também experimentou. Foi aí que ele diagnosticou que carne era aquela (o Alcivar trabalhou muitos anos no ramo frigorífico): “teta” de vaca. Na nossa parrillada tinha também tripas. O Alcivar, corajoso, experimentou uma e, muito discretamente, acabou cuspindo a tal tripa num guardanapo. E a nossa janta foi assim: a cada pedaço esquisito de carne, era uma emoção diferente . O Alcivar queria reclamar com a garçonete pelo fato de ela não ter avisado que a parrillhada incluía tais pedaços exóticos para nós brasileiros. Desaconselhamos ele a fazer isso (rsrs). Ficamos imaginando se tivéssemos pedido uma “parrillada super”, e demos boas risadas da situação. Não lembrava de outra ocasião de ter pedido uma parrillada, mas então a Carol me recordou que uma vez, em Buenos Aires, pedi uma e, ao cortar uma morsilha (só pra ver como era, pois não comi), ela quase vomitou (rsrsrs). O total da janta ficou em 785,00 pesos, que incluiu, além da parrillada, um prato de nhoquis, papas fritas, purê de papas e água mineral = R$ 55,00 por casal. O restaurante é bom, nós é que pedimos o prato errado. Depois caminhamos pela calle Balcarce no sentido contrário a Plaza 9 de Julio e acabamos descobrindo que ela tem um centro de barzinhos e restaurantes muito bacanas. Todos empolgados quando a parrillada foi servida - pelo semblante da Dionízia, parecia que ela já previa a cilada da qual entraríamos.
  14. Dia 4 – terça-feira, 14 de março de 2017. De Corrientes a Salta. O objetivo do dia seria rodar até Salta, uma viagem “mediana” que totalizaria 836 quilômetros. Sendo assim, acordamos mais cedo, por volta de umas 7h00. Tomamos o café da manhã – que não é farto como o café da manhã brasileiro – e deixamos o hotel para encontrar o Alcivar, a Maria e o motorhome deles. Fazia um bonito dia de sol. Encontramos o Alcivar não tão longe dali e partimos rumo a saída da cidade. O relógio marcava umas 8h00 e, por isso, o trânsito estava um pouco intenso. Entramos numa “rotonda” e eu saí dela logo em seguida. O Alcivar, não. Encostei e liguei o pisca alerta para esperar ele sair de lá. De repente ouvimos buzinas e eu vi pelo retrovisor carros parando – inclusive o motorhome – e motoristas saindo dos seus veículos. “Ah não... o Alcivar bateu em alguém!” – pensei. A Carol saiu do nosso carro para auxiliar o Alcivar naquela situação tensa. Logo em seguida eu também fui lá, e por fim a Dionízia também foi. Quando cheguei ao local, vi um argentino batendo boca com o Alcivar. Quando perguntei pra Carol o que tinha acontecido, ela respondeu: - “Foi o argentino que bateu no Alcivar.” Fiquei aliviadíssimo. O problema era que o argentino queria chamar a polícia e, obviamente, o Alcivar não queria, pois (1) iria atrasar em muito a nossa viagem e (2) não aconteceu praticamente nada em nenhum dos dois veículos. Também entrei na briga, mas para evitar problemas maiores, fornecemos o número do seguro carta verde do Alcivar e mais o número dos seus documentos (o Alcivar obviamente não queria fazer isso, pois daí o argentino encrenqueiro poderia fazer o B.O. do jeito que ele queria. Mas decidimos correr esse risco, até porque não aconteceu praticamente nada! Provavelmente o argentino queria acionar o seguro dele... vai saber...). Enquanto isso, a Maria olhava desconsoladoramente para o farolzinho verde que ficava na lateral do motorhome, que foi a única coisa que estragou no acidente. E a Dionízia ficou conversando com a mulher do argentino, que também parecia estar com “preguiça” daquela situação. O carro do argentino deu uma leve amassada, ou arranhado, como vocês podem ver na foto. Tiramos fotos dos documentos do argentino, assim como também da placa do seu carro, e fomos embora dali. A esposa do argentino barbeiro apontando para o "estrago" do carro deles. Pegamos um pouco de engarrafamento, cruzamos a ponte, passamos por Resistencia e entramos na Ruta 16 (ou já havíamos entrado, não sei). Passamos por Província de la Plaza, Quitilipi, Saenz Peña e, em Pampa del Infierno, abastecemos e paramos um pouco para o Alcivar descansar. Paguei no litro da gasolina a quantia de 22,15 pesos (R$ 4,65). Durante esse percurso, “almoçamos” sanduíche de queijo e tomate, acompanhado de uma boa e gelada Coca-Cola. Após o descanso do Alcivar, continuamos a viagem, cruzando Los Frentones, Los Pirpintos e Monte Quemado. Se não me engano, é após essa Monte Quemado que a rodovia dá uma boa piorada, contendo alguns buracos significativos. Alguns quilômetros antes de Joaquín V. Gonzales – se não me engano, em El Quebrachal – abasteci o carro com a gasolina argentina mais barata da viagem: 19,50 pesos (R$ 4,09). Rodamos mais alguns quilômetros e agora entramos na Ruta 9, e seguimos rumo ao Norte cruzando Rio Piedras, Palomitas e Cabeza de Buey. Daí entramos na rodovia que dá acesso a Salta (não lembro o número da Ruta) e, por fim, chegamos a cidade destino por volta das 19h45. Eu já estava com os meus mapas “posicionados” e com o Waze acionado. Já havia caído a noite. O Alcivar parou e me disse que queria encontrar um camping para encostar o motorhome. Não concordei com a idéia dele e mandei ele me seguir, pois acreditava que ele pudesse deixar o seu veículo no estacionamento do hotel que ficaríamos, ou pelo menos ali perto. Encontramos o nosso hotel sem problemas, até porque ele fica localizado bem perto do centro da cidade. O motorhome, por ser muito maior que um carro convencional, demorava um pouco em certas curvas da cidade, e isso resultava em “buzinassos” de motoristas argentinos. Obviamente, isso desgastou o Alcivar, que já estava cansado pelo dia de viagem. O hotel escolhido para ficarmos em Salta foi o Posada de las Nubes, um simpático hotel familiar que fica situado na calle Balcarce nº 639. O custo, para duas diárias, ficou por volta de R$ 360,00 (havíamos pago adiantado pelo Booking, o que não é aconselhável, visto que praticamente todo hotel argentino dá desconto se o pagamento for em “efectivo”). O hotel é recomendadíssimo. Atendimento 10, localização 10, roupa de cama 10 (segundo a Lidiane, Carol e Dionízia, foi a melhor roupa de cama que pegamos em toda a viagem – e olha que ficamos num hotel muito mais caro em Tilcara. A roupa de cama é super macia e limpa). O estacionamento é pago separadamente: cerca de R$ 25,00 por dia. O café da manhã é super simples, mas achei algo normal tratando-se de Argentina. O motorhome não passava pela entrada do estacionamento do hotel. A solução, então, foi deixá-lo em frente ao hotel. O único custo era o da “Área Azul”: cerca de R$ 30,00 para ficar estacionado o dia inteiro. Cansado, acabei indo dormir sem jantar. A Lidiane ficou comigo. A Carol e Dionízia foram jantar num bom restaurante que fica ao lado do hotel.
  15. Dia 3 – segunda-feira, 13 de março de 2017. De Foz do Iguaçu a Corrientes. O objetivo do dia de hoje era fazer uma viagem curta até Corrientes, na Argentina: 621 quilômetros. Planejamos de antemão essa distância para a viagem não ficar muito cansativa. Levantamos por volta das 7h00. Fazia um bonito dia de sol. Tomamos café e colocamos as malas no carro. O Alcivar ainda levou uma meia hora para consertar um cano que ficava abaixo do motorhome. Partimos rumo a fronteira, mas antes o Alcivar teve que parar numa borracharia para colocar um pino especial nos pneus traseiros do seu veículo, que são trucados. Levou mais uns 40 minutos. Dali retomamos o nosso rumo e, antes de entrar na aduana, o Alcivar encostou num estabelecimento, que fica ali perto da aduana mesmo, para fazer o seu seguro carta-verde. Nós já havíamos feito o nosso. O procedimento para fazer o seguro foi rápido. Então, o que era para ser um começo de viagem tranqüila, virou um certo caos. Chegamos na aduana e, primeiro, o Alcivar parou onde não era necessário. Eu fiquei esperando e, como ele não vinha, fui atrás dele. Resolvido o mal entendido, continuamos a nossa jornada atrapalhada. O Alcivar entrou numa fila e eu entrei atrás dele. Quando estava chegando a nossa vez, um agente da aduana nos informou que eu havia pego a fila errada, que eram de veículos de grande porte. Lá fui eu novamente refazer o caminho. Entrei na fila correta, um agente perguntou para onde estávamos indo, carimbou os nossos passaportes e nos mandou seguir “adelante”. Logo em seguida teria a vistoria dos veículos. O nosso agente estava estressado, talvez pelo fato de termos chegado ali logo na hora em que ele estava tomando o seu chimarrão. Perguntou para onde estávamos indo e mandou eu abrir o porta-malas. Deu uma olhada nas malas e pediu o seguro carta-verde. Entreguei o documento pra ele e, como eu temia, ele perguntou o por quê de o seguro estar no nome da Dionísia e não no nome da Carolina, que era a proprietária do carro. Nesse momento, eu tive vontade de me teletransportar até a agência de seguros e “grudar” no pescoço da corretora responsável pelo documento assim como o Homer Simpson faz com o Bart. Voltemos há uns 15 dias atrás. Mandamos fazer o carta-verde com a mesma corretora que já faz o seguro normal do carro e da casa da Dionísia. Quando ela entregou o carta-verde no nome da Dionísia e não no nome da Carolina, eu questionei com as meninas. As meninas questionaram com ela. E ela veio com uma “conversinha” fiada de que o seguro normal do carro já estava no nome da Dionísia e por isso o carta verde tinha que sair no nome dela também. Eu não engoli essa conversa. Cheguei a dizer na época: “Não é ela que vai ter que lidar com a Polícia Caminera!” Mas daí, “é o Flavinho que é enjuado”, “o Flavinho é isso”, “o Flavinho é aquilo”. E, como eu já havia insistido com o cambão, não queria comprar outra briga. E assim deixamos. E agora estávamos com um pepino nas mãos. Voltando ao agente estressado... Mantive a calma e expliquei com firmeza para ele o que a corretora explicou. Não adiantou. O cara levantou ainda mais a voz e começou a brigar comigo. Mas mesmo assim ele nos liberou, mas não parava de enfatizar que estávamos errados. Eu entrei no carro, reclamei o óbvio com a Lidiane e o agente bateu a minha porta. Nisso o Alcivar passou um rádio perguntando se havia dado algum problema. Eu respondi pra ele o que havia acontecido e ele falou para seguirmos a viagem. Ele seguiu com o seu motorhome e eu fiquei parado, perguntando para as meninas se voltávamos para fazer um seguro novo naquele mesmo local onde o Alcivar tinha feito o dele. Ficou todo mundo indeciso. E o Alcivar nos chamando pelo rádio... Decidimos seguir em frente. Daí, sem sabermos o motivo, o Alcivar entrou em Puerto Iguazu! Eu, que já estava atordoado com toda aquela situação, indaguei-me por que motivos o Alcivar tinha entrado ali. Encostamos para esperar ele voltar e, inacreditavelmente, vimos ele adentrar mais ainda na cidade que não tinha nada a ver com o planejado do roteiro! Aquilo foi a deixa para eu decidir sozinho voltar e fazer um seguro carta verde novo. Psicologicamente, aquilo não foi fácil. Mas era necessário, afinal, se aquele agente já havia se estressado todo, imagina um policial caminero corrupto!!! Voltamos e, por sorte, acabou não demorando. Explicamos para um policial que estávamos saindo para fazer o seguro e ele nos mandou por uma passagem onde não era necessário pegar fila. Chegamos ao estabelecimento em questão e, como não havia mais ninguém lá, fizemos rapidamente o seguro carta verde, ao custo de R$ 80,00. E, assim, voltamos novamente para a aduana. Mais uma vez não pegamos fila e, na hora da vistoria do veículo, pegamos uma mocinha tímida, que simplesmente perguntou para onde estávamos indo e se tínhamos o tal seguro. Respondemos que sim e ela nos mandou seguir, sem vistoriar carro e nem documentação. Conclusão que eu tirei? Toda uma dor de cabeça causada por PREGUIÇA da corretora que não quis trocar uma droga de nome no documento!!! Passado o imbróglio, a Carolina disse: “1 x 0 pro Flavinho.” Chegamos então no mesmo local onde o Alcivar se perdeu de nós. Acreditávamos que ele estaria esperando por ali nas margens da rodovia, o que não aconteceu. Já era quase 11h00 e nem havíamos saído do lugar! Decidi sozinho, seguir viagem rumo a Ruta 12, acreditando que encontraria o Alcivar em algum ponto da viagem. As meninas estavam apreensivas. Eu, estava irritado com toda aquela situação. Rodamos uns 20 quilômetros. “Será que voltamos para procurar o Alcivar em Puerto Iguazu?” – perguntou uma das meninas. “Isso não faz sentido.” – respondi. Chegamos então a um grande posto da Polícia Caminera. Um guarda nos parou, pediu os documentos e pediu que abrisse o porta malas. Deu uma olhada superficial na bagagem e nos liberou sem problemas. Resolvemos então encostar o carro (num local em que os mesmos policiais não causassem problemas) para perguntar a eles se haviam visto um motorhome, ou um trailer, passar por ali. Tive que perguntar para uns três policiais, até que teve um que disse que viu passar um motorhome por ali. Retomamos o nosso rumo e, uns 20 quilômetros depois, encontramos de longe o motorhome do Alcivar na entrada de um posto Shell. Todos, de ambos os veículos, ficaram “emocionados”, ou aliviados. Nem fiz questão de parar o carro (pois senão ficaríamos mais tempo parados perguntando isso e aquilo, etc...) e fiz sinal para o Alcivar no seguir. E, agora sim, estávamos seguindo a nossa viagem tranquilamente, sempre pela Ruta 12. Já na parte da parte, por volta de umas 15h00, passamos por Posadas e decidimos entrar em Ituazingó para almoçar no mesmo cassino que eu e a Lidiane havíamos almoçado em 2012. Entramos na cidade, achamos o cassino facilmente (Hotel Cassino Manantiales) e descobrimos que agora o restaurante do estabelecimento só funcionava a noite. O Alcivar disse que ele e a Maria já haviam lanchado um pouco antes e, como nós também estávamos petiscando alguma coisa, decidimos tocar direto até Corrientes. De Foz do Iguaçu até Corrientes pegamos uns três pedágios, e o valor total que pagamos em todos eles foi menos do que uns vinte reais – preço de um único pedágio paranaense. Antes de chegar a Corrientes, paramos num posto para abastecer e comprar refrigerantes, croissants e alfajores. Paguei no litro da gasolina a quantia de 22,99 pesos argentinos, ou R$ 4,82 o litro – acredito que foi a gasolina mais cara que paguei durante toda a viagem. Chegamos em Corrientes por volta das 18h00 e conseguimos encontrar facilmente o nosso hotel – com a ajuda dos meus mapas impressos do Google Maps e do aplicativo Waze. O hotel escolhido foi o Corrientes Plaza Hotel, mesmo hotel que já havíamos ficado em 2012 (não sei se vocês já perceberam, mas eu sou um cara nostálgico rsrs). Gostei dele por estar encravado bem no centro e no calçadão da cidade, podendo fazer assim tudo a pé mesmo. Dessa vez – e assim seria na maior parte da viagem – eu e a Lidiane ficamos num quarto e a Carol mais a Dionísia ficaram em outro. Cada dupla pagou pelo quarto a quantia de 1.125,00 pesos (R$ 236,25) e, o estacionamento, a quantia de 150,00 pesos (R$ 31,50). Havia esquecido de ver essa questão do estacionamento na hora de reservar o hotel, mas eles já haviam avisado de antemão por e-mail. O Alcivar demorou um pouco mais (umas 3 horas) para encontrar um local adequado para encostar o seu motorhome. Fizemos mais algumas compras de suprimentos no supermercado e, depois que reencontramos o Alcivar (que havia pego um táxi), fomos jantar em algum restaurante ali do calçadão – já era umas 22h30. Estávamos cansados e não ficamos escolhendo muito o restaurante. Escolhemos um qualquer e jantamos razoavelmente por R$ 44,10 por casal. Depois fomos embora descansar, pois amanhã a viagem seria mais longa.
  16. Pessoal, postei essa viagem em Relatos de Viagem, América do Sul, dois países ou mais. Segue o link: viagem-de-carro-para-san-pedro-de-atacama-passando-por-salta-tilcara-e-antofagasta-t142464.html Abraços!!!
  17. Dia 2 – Domingo, 12 de março de 2017. Passeio nas Cataratas do Iguaçu. Acordamos pela manhã e tomamos um gostoso café da manhã. O Alcivar não queria tirar o seu motorhome do local onde estava estacionado, logo decidimos ir para as Cataratas somente com o Corolla. Era um bonito domingo ensolarado. Quando chegamos ao parque, o cenário não poderia ser outro: estava cheio! Uma fila muito grande! Fiquei receoso com o tempo de espera na fila, mas não estressei, afinal eram férias. O estacionamento, próprio do parque, custou R$ 22,00. Quando chegamos na fila, tivemos a sorte de contar com a fila preferencial para pessoas com mais de 60 anos. O Alcivar entrou nela e comprou todas as nossas entradas: R$ 38,30 por pessoa. Agora, pegamos a fila – que não estava grande – para pegar o ônibus até as cataratas. Tivemos sorte mais uma vez: conseguimos pegar um ônibus com a parte de cima ao lar livre, onde escolhemos ficar. Durante esse trajeto, o veículo para poucas vezes para pessoas que vão fazer os passeios não convencionais, como trilhas, por exemplo. Chegando ao seu destino, o ônibus para em frente a um bonito hotel rosa e, em frente ao hotel, do lado em que descemos, fica o início do caminho para as cataratas. Assim que descemos, já somos recepcionados pelos engraçados quatis. Todo mundo fica encantando com esses bichinhos até que, chega outro ônibus qualquer, e eles vão “recepcionar” os agora novos visitantes. Na verdade, o que acontece é o seguinte: eles vêm atrás de nós em busca de comida; como ninguém dá nada (é até desaconselhável ou proibido fazer isso), eles – interesseiros – vão atrás dos novos turistas. E assim segue a rotina deles (rsrsrs). Assim que adentramos no caminho das cataratas, já somos agraciados com as belas paisagens. É muito gratificante vislumbrar aquele cenário criado por Deus. Conforme íamos seguindo o caminho, parávamos nos mirantes para tirar fotos e mais fotos. O parque estava cheio, mas nada que atrapalhasse o passeio. Eu já estava todo suado – a umidade era muito alta. Quando chegamos lá embaixo, nas passarelas que chegam mais perto das cataratas, já estava todo molhado de suor – parecia que eu tinha jogado intensivamente uma partida de futebol. Logo, passar por aquelas passarelas é uma boa pedida. Da esquerda para a direita: Dionízia, Maria, Alcivar, Lidiane e eu. Da esquerda para a direita: Carolina, Dionízia, Lidiane, eu e Alcivar. Na saída, subimos umas poucas escadas e já estávamos no ponto de espera do ônibus de retorno. Parece que tem um elevador também, mas a fila para entrar nele estava muito enrolada. Durante o passeio, encontramos não poucos turistas argentinos, paraguaios, bolivianos, japoneses e uns mochileiros que não consegui identificar se eram norte-americanos ou europeus. Quando saímos do parque, o relógio já marcava um pouco mais de 13h00. Passamos em frente ao Museu de Cera, mas eu já havia olhado algumas fotos de quem tinha ido e não gostei do que vi. Estávamos todos com fome e por isso ninguém fez muita questão de visitá-lo. O clima havia mudado drasticamente: de um forte sol e céu limpo, passou para ventos fortes e nuvens escuras. Dali, seguimos direto para o Marco das Três Fronteiras, onde a intenção era, além de visitar o local, almoçar no restaurante Cabeza de La Vaca. Não deu. Chegamos lá e fomos informados pelo segurança que o local abriria as 14h00. Faltavam 20 minutos. Daí eu fui dar uma espiada e verifiquei que o restaurante estava vazio, sem nenhum funcionário trabalhando. Perguntei novamente ao segurança como é que funcionava o esquema. Então ele explicou que a visitação ali é forte nos finais da tarde, onde o pessoal visita o local para apreciar o por do sol e assistir a um espetáculo de danças tradicionais. Fomos embora dali com a intenção de voltar mais tarde. Como não achávamos restaurantes abertos e, o Alcivar querendo almoçar numa churrascaria e a Carolina sendo vegetariana, decidimos almoçar numa democrática praça de alimentação de shopping. Escolhemos o shopping do centro. Todos escolheram comida a quilo e eu encarei um sanduíche do Burger King. Depois do almoço, voltamos ao hotel e descansamos um pouco. As 18h00 eu e o Alcivar fomos fazer o câmbio. Eu já havia feito as cotações por telefone durante a semana que antecedeu a viagem e, a melhor cotação que encontrei foi na rede Scappini (www.scappinicambio.com.br), que possui várias lojas espalhadas pela cidade de Foz. A cotação deles era 1 Peso argentino = R$ 0,21. O peso argentino, no valor comercial, valia R$ 0,20. Escolhemos procurar um dos estabelecimentos da Scappini na Avenida Juscelino Kubitschek, e entramos na primeira que encontramos: uma loja dentro do Supermercado Muffato (tem uma no Big também, na mesma avenida). Pelas minhas pesquisas, julguei ser necessário trocar R$ 4.000,00 em pesos argentinos, o que acabou sendo muito e, só não sobrou bastante no final da viagem, pois os poucos pesos que o Alcivar trocou acabaram durante a viagem e eu tive que emprestar pra ele (o Alcivar confiou demais na “tarjeta”, que muitos lugares não aceitavam). Enfim, com os R$ 4.000,00 que eu troquei, mais com os R$ 3.000,00 da Dionísia e da Carol, gerou a bagatela de 33.333,33 pesos argentinos! A conferência do dinheiro ficou por conta de uma máquina de contar cédulas. Meu amigo, pense no montante de notas de 100,00 pesos (equivalentes a R$ 21,00) que eu coloquei na mochila! Parecia operação de tráfico de drogas (rsrsrs). Recebi também algumas poucas notas de 500 pesos, que são novas. A maluca da Cristina Kirchner não queria lançar essas notas para não admitir a forte inflação que assolou a Argentina... Com o câmbio realizado, aproveitamos e fizemos algumas compras no supermercado para a viagem de amanhã: chocolates, bolachas, salgadinhos, refrigerantes, águas e outras coisas desse tipo. Na volta para o hotel, parei num posto e enchi o tanque do carro, pois já sabia que a gasolina estava mais cara na Argentina. Chegamos ao hotel, encontramos o pessoal ainda com preguiça e então decidimos pedir uma pizza e jantar no quarto mesmo. E assim, dessa maneira pacata, acabou o nosso segundo dia de viagem.
  18. Dia 1 – Sábado, 11 de março de 2016. De Caldas Novas-GO a Foz do Iguaçu-PR. Acordamos um pouco antes das 4h00 da manhã. O dia seria longo: rodar mais de 1.300 quilômetros até a cidade fronteiriça Foz do Iguaçu-PR. Sabíamos que, mesmo saindo muito cedo, chegaríamos lá no início da noite. Deixamos todas as malas prontas no dia anterior, mas mesmo assim conseguimos partir de Caldas Novas somente as 4h30. A Dionísia foi dirigindo no começo, enquanto eu tentei dormir um pouco mais. Não deu: estava muito animado com a viagem! Já em Itumbiara-GO, assumi o volante. Entramos no Triângulo Mineiro e o cruzamos, passando pela região de Prata e Frutal. Impressionante como a BR-153 melhorou depois que se tornou pedagiada. Antigamente era virada num bagaço, cheia de enormes crateras e sem acostamentos. Brasil, né! Ou privatiza, ou não tem jeito... Atravessamos o Estado de São Paulo passando por São José do Rio Preto, Lins, Marília e Assis. Nessa última cidade paramos num posto onde tinha um restaurante e lanchonete muito bom (Tucuman é o nome do estabelecimento). A Lidiane comeu por quilo, que saiu por volta de R$ 20,00. Eu pedi um x-salada, que era uns R$ 11,00, mas acho que o chapeiro (que era um “véio” de bigode, provavelmente o dono do estabelecimento) fez um x-tudo, que sairia por uns R$ 15,00. A Dionísia acabou pagando a conta. Na saída, perguntei ao chapeiro quantos quilômetros tinha até Foz do Iguaçu. “600 quilômetros” – foi a resposta. Confesso que dei uma desanimadinha. Um detalhe: tem uma das tecnologias modernas da qual eu não faço uso corriqueiro, como a grande maioria o faz. É o uso do GPS. Prefiro os mapas, de papel mesmo, para o desespero do meu pai, que ama os GPS´s! Ano passado fizemos juntos uma viagem de motorhome, de Goiás até Natal-RN e de Natal-RN até Itapema-SC. A viagem foi toda guiada pelo GPS do motorhome. A cada vez que eu pegava o mapa Guia 4 Rodas, eu tomava uma “bronca” (rsrs). Referente a essa viagem, o que eu fiz foi o seguinte: nas rodovias, usei somente o mapa físico. Dentro das cidades, usava o mapa impresso do Google Maps (imprimi os trajetos necessários, como, por exemplo, da entrada da cidade até o hotel, do hotel até determinado ponto turístico e assim por diante) e, como auxílio, o aplicativo Waze, que funciona sem internet. Voltando a viagem do dia: rodamos o interior do Paraná, passando por Londrina, Maringá, Campo Mourão, Cascavel e, por fim, Foz do Iguaçu. O relógio marcava 20h00. Chegamos na cidade e facilmente achamos o nosso hotel escolhido: Vivaldi Cataratas, um hotel muito bom, novo, que fica na beira da rodovia, logo na entrada da cidade. Pagamos R$ 356,80 por um quarto com uma cama de casal e duas de solteiro, por duas pernoites. Não tivemos o que nos queixar do hotel. Chegando lá, já encontramos o motorhome do Alcivar estacionado na frente do hotel – eu havia previamente passado o endereço e foto do hotel para o Alcivar. Eles estavam lá já fazia uns dois dias, e estavam fazendo compras no Paraguai (sendo enganados pelos paraguaios rsrsrs). Achamos melhor fazer primeiro o check-in, colocar as malas para dentro do quarto, para depois cumprimentarmos o Alcivar e a Maria, que ficaram muito felizes de nos reencontrar. Cansados, apenas tomamos banho e fomos dormir. Antes, porém, já combinamos de ir passear no outro dia pela manhã para as Cataratas do Iguaçu. O Alcivarainda queria que fôssemos para o Paraguai. Ninguém animou – para a minha alegria.
  19. Preparativos necessários para a viagem. Assim como havia feito na minha lua de mel, decidi pesquisar e reservar os hotéis das cidades em que passaríamos e ficaríamos. Acho muito cansativo viajar o dia inteiro e, no final do dia, ter que ficar rodando uma cidade a procura de hotel. Com a tecnologia que temos hoje, acho isso desnecessário. Quem fazia isso eram os meus pais há 20 anos atrás, numa época que a internet brasileira estava nascendo e não existiam sites como Booking, Decolar, etc. A propósito, “viajante raiz” é quem viajava de carro pelo Nordeste brasileiro, com quatro crianças, sem internet e sem GPS – meus pais, por exemplo. Hoje, acredito, somos todos “viajantes Nutella” (rsrsrs). Para reservar os hotéis é necessário ter um roteiro detalhado em mãos contendo os dias de viagem e os dias de passeios. E, para conseguir isso, pesquisei exaustivamente muitos relatos aqui do Mochileiros.com. Tomei como ponto de partida a cidade de San Pedro de Atacama. Decidimos ficar três dias por lá (achava que era um tempo mais do que suficiente, mas depois vimos que a agenda ficou bem apertada). Pesquisamos e pesquisamos vários hotéis. Todos os estabelecimentos são bem rústicos. Um pouco de melhorias estéticas e o preço já sobe abruptamente. Depois de muitas pesquisas e debates, optamos pelo hotel e camping Takha Takha, situado na badalada calle Caracoles. Escolhemos dois quartos com banheiros privativos. A partir daí já tínhamos a data de partida e de volta. Agora tínhamos que pesquisar os hotéis das “cidades coadjuvantes”. Estávamos no mês de outubro de 2016 quando reservamos os primeiros hotéis. O roteiro ficou assim: 1º dia: Caldas Novas-GO a Foz do Iguaçu-PR (1.320kms); 2º dia: Foz do Iguaçu; 3º dia: Foz do Iguaçu a Corrientes-ARG (621kms); 4º dia: Corrientes a Salta (837kms); 5º dia: Salta; 6º dia: Salta a Tilcara (202kms); 7º dia: Tilcara; 8º dia: Tilcara a San Pedro de Atacama (436kms); 9º dia: San Pedro de Atacama; 10º dia: San Pedro de Atacama; 11º dia: San Pedro de Atacama; 12º dia: San Pedro de Atacama a Antofagasta (312kms); 13º dia: Antofagasta; 14º dia: Antofagasta a Salta (909kms); 15º dia: Salta a Corrientes (837kms); 16º dia: Corrientes a Foz do Iguaçu (621kms); 17º dia: Foz do Iguaçu a Caldas Novas-GO (1.320kms). Com muito planejamento e, mais uma vez, com a ajuda do Mochileiros.com, conseguimos executar quase que perfeitamente esse cronograma. A exceção ficou por conta da volta, onde acabamos trocando algumas cidades. Detalhe: reservamos todos os hotéis até Antofagasta. Para o percurso de volta, não agendamos hotel nenhum. Esqueci de mencionar quem foi nessa viagem. Os integrantes originais foram eu, minha esposa Lidiane, minha cunhada Carolina e minha sogra Dionízia (que não sabia que iria). Nós quatro viajamos com o carro da Dionízia: um Toyota Corolla. Já com os hotéis reservados, ou seja, com a viagem marcada, andamos convidando um monte de gente. Entretanto, quem apenas aceitou a empreitada foram os nossos amigos de Itapema-SC: “Comissário” Alcivar e sua esposa Maria. Eles viajaram com o seu motorhome. E, por fim, acredito ser necessário informar sobre a documentação que levamos – algo que também pesquisei bastante no Mochileiros.com e na internet em geral. - Documentos de carro financiado: era o nosso caso. Pesquisei na internet e li relatos de gente que pediu uma autorização da financiadora para viajar com o veículo no exterior. Fizemos isso – no nosso caso, pelo banco Itaú. Já vou adiantando que os funcionários do banco nem sabem o que é isso; você tem que explicar. E, se possível, peça para um funcionário de sua confiança, senão são grandes as chances de o seu pedido ser engavetado. No nosso caso, do pedido à entrega do documento, levou uma semana ou um pouquinho a mais. Daí, depois, você precisa ir a um cartório que faça o tal “apostilamento” no documento da autorização da financiadora – não são todos os cartórios que fazem, mas também não é nenhum suplício achar um que faça. Até a pouco tempo atrás, precisava-se de um carimbo da embaixada ou consulado nessa autorização. Hoje, não mais. O que vale é o tal do apostilamento. Então, pra resumir: primeiro, peça a autorização para viajar com o carro financiado no exterior para o banco que financiou o seu veículo. Depois que você tem em mãos esse documento, leve-o num cartório que faça o “apostilamento” (que nada mais é do que um “carimbasso” do cartório). Feito isso, você já está autorizado para viajar com o seu carro financiado. O mais engraçado vem agora: depois de toda essa explicação, de todos esses trâmites realizados, sabe o que nos aconteceu durante a viagem? Nada! Ninguém cogitou, ou sequer pensou em solicitar esse documento! Na verdade, o que eu acredito é o seguinte: as autoridades muito provavelmente solicitam esses documentos quando o carro está sob o leasing, situação em que “proprietário” do veículo é o banco, e não você. Quando é um financiamento normal, consta o seu nome como proprietário do veículo e apenas uma pequena observação no documento, algo que os guardas não percebem. Outro detalhe: o carro em que viajamos estava no nome da Carolina, o que não gerou problemas por obviamente ela estar junto conosco. - CNH: somente a normal serve. Ouvi alguma coisa dizendo que no Chile era necessário levar a PID – carteira internacional. Receoso, acabei fazendo. Pedi para minha irmã fazer em Santa Catarina, onde paguei menos do que cem reais. Em Goiás, onde temos um dos IPVAs mais caros do Brasil (isso se não for realmente o mais caro), a taxa era absurda, beirando uns quinhentos reais. Enfim: também não foi necessário. Ninguém solicitou esse documento, que nada mais é do que uma cadernetinha bem simples, contendo a sua habilitação impressa e algumas informações escritas em algumas línguas. Aliás, em todo o Chile, não fomos parados por nenhum guarda de trânsito. - Cambão: esse é um assunto polêmico. Ou seria “chato”??? Vou começar esse relato pelo final: ninguém solicitou a desgraça desse cambão! Mas, meus amigos, eu insisti em ter esse pedaço de ferro no nosso carro. E o motivo, eu lhes explico agora. O ano era 2012. Estava eu e minha esposa desfrutando de uma bela lua de mel pela Argentina. Entramos pelo país portenho por Foz do Iguaçu, de carro, e fomos até Bariloche, parando por algumas cidades. Eu já sabia da exigência do cambão, mas, como não havia achado para comprar, não levei. E assim seguimos a nossa viagem satisfeitos. Os guardas nos paravam, solicitavam os documentos muito cordialmente, e muito cordialmente nos liberavam. Estava tudo muito bem, muito lindo, literalmente uma lua de mel! Até que, na volta, passamos por aquela região próxima a Buenos Aires. Foi ali que um guarda “filho da mãe”, depois de verificar os documentos, começou a solicitar kit de primeiros socorros (que tínhamos), “mata-fuego” (tínhamos também), dois triângulos (tínhamos, mas daí eu comecei a estranhar...) e, por último (ele quaaaase nos libera, mas daí ele lembrou...) ... “Cambão, cambão” – solicitou o guarda corrupto, com um sorriso no rosto. Expliquei que havia viajado até Bariloche, diversos guardas nos haviam parado e ninguém havia solicitado. Não adiantou. Sem fazer rodeios, ele disse que a multa era 600 pesos (R$ 300,00 na época) ou poderia negociar a propina. Tremendamente assustado com aquela situação, acabamos pagando 300 pesos para o guarda corrupto que, como se não bastasse, me fez entregar o dinheiro escondido e ainda depois fez um sinal de positivo para os outros guardas corruptos, que abriram os seus salafrários sorrisos. Saindo dali, fomos parados por mais uns três guardas corruptos, que seguiram o mesmo script, esquecendo “apenas” do grand-finale: exigir o cambão. Só depois eu fiquei sabendo que naquela ruta em específico, perto de Buenos Aires, é que os policiais camineros são os mais corruptos e propineiros possíveis. Enfim... passei uma raiva e um medo do qual não queria passar de novo. Por isso, esforcei-me em ter esse cambão no carro. Não foi fácil achá-lo. Estávamos um dia em Goiânia e decidimos ligar para várias auto-peças solicitando o dito cujo. A maioria das reações eram: “O que é isso, moço?” Os poucos que sabiam o que eram nos alertavam: “Moço, isso é proibido de usar.” De uns 15 estabelecimentos que ligamos, somente um tinha o tal cambão: R$ 200,00. Já íamos pedindo para fazer a entrega, quando, a Lidiane decide pesquisar um pouco mais. Um senhor atencioso atendeu a ligação dela, ela perguntou do cambão, e o senhor respondeu: “Moça, eu tenho um aqui, mas não está a venda. Eu pedi pra um serralheiro fazer pra mim; porquê você não faz o mesmo?” Agora, a parte cômica: a Dionísia, que estava junto conosco, lembrou que era proprietária de uma loja de materiais de construção e que, no depósito da loja, havia vários canos de ferro galvanizado, de vários tamanhos. Ela também tinha o maquinário necessário para cortar os canos e mão de obra disponível. Pronto: estava resolvido o problema do cambão! Foram cortados três pedaços de 50 centímetros cada e colocados parafusos e correntes nos ferros. Kit de primeiros socorros, dois triângulos, extintor de incêndio: não pediram, mas, se um dia voltar, levarei outra vez. Seguros carta-verdes: obviamente, faça o seguro no nome do proprietário do veículo! Não fizemos isso (não por falta de insistência minha) e acabamos tendo um contra-tempo no terceiro dia de viagem, do qual explicarei mais adiante. Para a Argentina, o seguro carta-verde normal. Para o Chile, disseram por aqui que é necessário o seguro Soapex. Tentei fazer pelo site, como indicado também aqui pelo Mochileiros.com, mas dava erro na hora de efetuar o pagamento. A nossa seguradora acabou fazendo o seguro carta verde para o Chile também. Lá na aduana do Chile, não nos foi solicitado nenhum seguro. Também, como já mencionei, não fomos parados por nenhum guarda chileno durante a nossa viagem. Ainda na aduana, perguntei do seguro Soapex para um dos agentes, que respondeu-me sem titubear que não era necessário. Enfim, fiquei sem entender. O Alcivar, que gosta de fazer o seguro na aduana, acabou não encontrando ninguém que o fizesse e por fim entrou no Chile sem seguro nenhum. Outros detalhes: o Alcivar entrou com o motorhome contendo um engate traseiro (aquela bola), que parece que é proibido usar na Argentina. Como ele sempre andava atrás de nós, acabou sendo parado poucas vezes pela polícia (comparado com a nossa viagem de 2012, acredito que fomos parados bem menos vezes). Nas poucas vezes em que foi parado, os policiais não falaram nada sobre o tal engate. O seu motorhome já tinha também aquele indicador de velocidade máxima na traseira do veículo. Detalhe: o adesivo era bem pequeno em comparação com os que usualmente são usados nas camionetes argentinas. Também não teve problemas com isso. Moedas: para trocar os seus reais por pesos argentinos é melhor efetuar o câmbio em uma das diversas lojas de Foz do Iguaçú, onde são mais vantajosas. O melhor câmbio que eu achei foi na rede Scappini Câmbio (www.scappinicambio.com.br). Tem também uma loja pequena, a KM Câmbio e Turismo, em que o peso estava ainda mais barato do que na Scappini, mas não troquei lá pois eles não abrem aos domingos. Quanto aos pesos chilenos, a dica é levar dólares e trocá-los pela moeda local em San Pedro de Atacama, na famosa calle Toconao, rua transversal com a calle Caracoles, onde ali há diversas casas de câmbio. A que eu troquei chama-se Gambarte, que estava com a melhor cotação em nível disparado. Não teime: compensa trocar reais por dólares e dólares por pesos chilenos do que apenas trocar reais por pesos chilenos. Informações que li a respeito: http://www.viajenaviagem.com/2015/09/viagem-cambio-dicas http://www.mochileiros.com/atacama-7-dias-out-2016-passeios-dicas-e-toda-informacao-que-voce-precisa-saber-fotos-t135115.html Informações a respeito dos valores eu passarei mais adiante. Enfim...,acho que foi isso.
  20. Preâmbulo. O pacato Flavinho era um adolescente e estava na escola, quando, numa aula de Geografia, ouviu falar pela primeira vez sobre o deserto mais seco do mundo: o Deserto do Atacama. E o que lhe chamou a atenção foi saber que esse lugar ficava no norte do Chile, ou seja, não ficava muito longe da nossa realidade. Considerando que esse rapaz já havia tido o privilégio de conhecer, junto com os seus pais, a região sul do Chile, ele acabou colocando na cabeça que agora era a hora de conhecer a região, até então desconhecida por ele, desse país tão surreal como é o Chile. Tempos depois, Flavinho acabou encontrando uma revista National Geografhic do seu pai, e nela viu com entusiasmo as fotos do Deserto do Atacama em uma determinada matéria. Agora ele estava determinado: “vou viajar e conhecer essa região!” A pergunta era: “mas quando?” O problema era sempre o mesmo: a falta de companheiros que quisessem empreitar essa aventura. “O que vamos fazer em um deserto??” – era o tipo de resposta que o insistente Flavinho mais ouvia. Passaram-se uns 10 anos. Flavinho ainda não tinha visitado o Atacama, mas o sonho tampouco teria acabado. Agora ele via imagens do Deserto pelo Google Earth, assim como as fotos que os viajantes postavam no mesmo programa. Ele já tinha colocado na cabeça uma idéia de viagem: ir de carro, cruzando a Argentina por Córdoba, Mendoza, cruzando a Cordilheira dos Andes e, ao chegar ao Chile, cruzar o deserto acima até chegar a uma tal cidade chamada San Pedro de Atacama. Passaram-se mais uns 2 anos e agora o pacato Flavinho já era um homem casado. Acabou passando uma lua de mel muito boa, diga-se de passagem: viajaram de carro de Goiás até San Carlos de Bariloche. Esse insistente rapaz agora sabia que tinha uma companheira de viagem à altura: a sua esposa. E quanto ao Atacama? Bem, o sonhador Flavinho acabou conhecendo o Mochileiros.com e, nele começou a ler e separar para si alguns relatos de viajantes que foram conhecer, de carro, esse deserto. Daí ele ficou sabendo que o caminho mais convencional e, que despendia menos tempo, era ir pelo norte da Argentina, passando por uma cidade chamada Salta (a mesma cidade que uma argentina tão bem falou para ele e para sua esposa em Bariloche) e cruzar a Cordilheira dos Andes rumo a San Pedro de Atacama. Então, estava concretizado: esse era o roteiro. Passaram-se mais ou menos uns 3 anos e as oportunidades de viajar para o Atacama acabavam escapando, as vezes por falta de tempo, de dinheiro e as vezes por causa de alguns imprevistos. Até que, numa determinada tarde do mês de outubro do ano de 2016, Flavinho conversou com a sua esposa (isso depois de anos de conversa sobre o mesmo tema), também com a sua cunhada, e decidiram marcar essa tão esperada viagem para o mês de março de 2017. O roteiro contendo as cidades que visitariam já estava pronto. Entraram no Booking.com e começaram a pesquisar os hotéis. O primeiro hotel foi escolhido e, por engano, não só reservaram o quarto como também acabaram pagando adiantado o estabelecimento. É, a viagem já estava marcada...
  21. Boa tarde, pessoal! Segue adiante o meu relato de uma viagem de carro para o Deserto do Atacama, que durou 17 dias. Na minha programação, contei com muita ajuda aqui do pessoal do Mochileiros.com. Sendo assim, agora é hora de retribuir! Se você está planejando uma viagem parecida, ou se a mesma já está marcada, e quer contar com algum tipo de ajuda, pergunte por aqui. Um abração!!!
  22. Pode deixar que eu já estou preparado para fazer a postagem (tomara que seja boa). Estou me preparando bastante e, acabei arrependendo de não ter agendado para ficar mais dias. Se tudo sair como o planejado, chegaremos a San Pedro do Atacama na tarde do dia 18 de março, num sábado. Daí ficaremos mais três dias e então iremos embora na quarta-feira seguinte. Minha idéia é, ao chegar em San Pedro, já procurar uma agência para fazer o passeio das Lagunas Escondidas. O passeio para os Geysers já fechei por aqui, para economizar tempo. No domingo de manhã agendamos para visitar o Observatório Alma. Esse passeio é gratuito, mas é necessário se inscrever pelo site deles; e só funciona aos finais de semana (estou com medo de ser uma furada, mas os comentários no Tripadvisor foram positivos). Na parte da tarde, a intenção é visitar - por conta - o Valle da Luna e, se der tempo, o Valle da Muerte. Na segunda-feira ficou reservado para a grande aventura: visitar as Lagunas Miscanti e Miñiques, Piedras Rojas e, um pouquinho mais longe, a Laguna Tuyaito. Todos por conta, de carro. O meu medo é o pessoal que vai comigo amarelar e não quererem ir sozinhos. Mas eu acho que isso não vai acontecer. Para isso, usei bastante o recurso Street View do Google. Para a manhã de terça-feira, marquei o passeio para os Geyser del Tatio, com agência 123Andes. Com isso, me sobraram a tarde do mesmo dia para conhecer as Lagunas Escondidas (eu quero flutuar rsrsrs) ou a manhã de quarta-feira. Vamos que vamos! O amigo vai passar em Salta, na Argentina? Abraço!
  23. Pessoal, voltei do atacama semana passada. Laguna Cejar continua proibido. Lagunas escondidas estava liberado. Abraço! Thiago, você foi para as Lagunas Escondidas? Se foi, com qual agência, e que valor pagou? Abraço!
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