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gino arduini

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Reputação

0 Neutra
  1. Fui ao consulado brasileiro saber das condições para me repatriarem: voltaria num avião da FAB que saísse quando saísse, pagaria os gastos no Brasil e ficaria 10 anos sem visitar certos países. Negócio da China! Então vendi parte da minha roupa no Mercado das Bruxas, aceitei os 100 dólares do pai da Solange e peguei o ônibus para Santa Cruz. Comprei um saco enorme de pães, enchi meu cantil, e era o que tinha até o destino. Fiz a viagem com uma infecção num dente molar, que me derrubou. No ônibus, uma mestiça gordinha de uns 40 anos, com tantos assentos vazios, veio de sentar ao meu lado... Est
  2. As paisagens mais impressionantes estavam reservadas pra essa parte da viagem. O grande lago, majestoso como poucas obras da natureza, é fonte de vida, lendas e beleza. Mas foram as condições do povo curtido por sol, frio e trabalho impiedoso que mais me chamaram a atenção. ₪₪₪ The most striking landscapes were waiting for me in this part of the trip. The great lake, majestic as few works of nature can be, is source of life, legends and beauty. But it it was the folk's conditions, a people battered by sun, cold and hard work what appealed to me the most.
  3. QUIJARRO-SANTA CRUZ- ALTIPLANO-LA PAZ Quijarro era feia e triste. Fiquei em uma pousada barata, tocada pela mãe e suas filhas. Fui à estação de trem comprar passagem para Santa Cruz, mas as notícias não eram boas: o trem tinha descarrilado e outro só dali a dois, três, cinco dias... Por algum motivo, os ônibus também não sairíam. Solução: ir à estação todos os dias para tentar comprar passagem. A estação de trem era uma plataforma rasa, com um pequeno guichê. Lá conheci Alex, um capixaba ex-morador de Londres que tinha viajado bastante por Europa e Marrocos. Conversávamos quando o chileno O
  4. ITANHAÉM-SP-BAURU-MATO GROSSO-PUERTO QUIJARRO Saí de Itanhaém rumo à Estação da Luz, em São Paulo, para pegar um trem para Bauru com destino a Corumbá, atravessando o Pantanal. No trem, escutávamos nos radinhos a pilha os jogos do Brasil na Copa de 1986. No Pantanal, do trem eu via bandos enormes de pássaros, formigueiros de mais de metro e um que outro veado campeiro observando desconfiado o trem barulhento. À noite o vento cortante passava pelas frestas das janelas emperradas, gelando até os ossos. Lá fora, a Via Láctea se exibia magnificamente naquele canto esquecido do Brasil. Cansados,
  5. Nos anos 1980 viajar para o exterior era um privilégio para poucos brasileiros. Economizar dinheiro não era fácil e seguros de viagem, cartões internacionais e roteiros fora do eixo Argentina-Europa-EUA eram um acontecimento. Então, em 1984, decidi visitar a Bolívia e o Peru, destinos acessíveis por terra e ao meu bolso. Bancário, investindo no finado “overnight” pra combater uma inflação de 200% ao ano, eu penava para juntar dinheiro pra viajar. Em meados de 1986, porém, um milagre: o Plano Cruzado reduziu a inflação, valorizou a moeda, e, como a Bolívia vivia um período inflacionário trágico
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