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MallêGomes

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Sobre MallêGomes

  • Data de Nascimento 06-12-1989

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    Capelinha/MG, Felício dos Santos/MG, Belo Horizonte/MG
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  1. Ahhh, que maravilha! Seja muito bem vinda! Gratidão pela companhia! Te esperamos no face, no insta e no blog! E quando vier a MG, quem sabe a gente não se esbarra pra um café? Beijo da família toda! Sent from my SM-J120H using Mochileiros mobile app
  2. Cidade 001: Capelinha 07/07/2017 a 22/07/2017 Nossa primeira parada nessa viagem de 853 destinos foi a cidade de Capelinha/MG. Gilberto e eu nascemos aqui; já para Thiago, era tudo novo. Começar nossa Expedição por aqui teve um enorme significado. Grande parte de nós ainda vê a própria cidade com um olhar banalizado. A grama do vizinho ainda é mais verde! Constantemente, repetimos que nossa cidade não tem nada. E ficamos ansiosos por aquela Eurotrip, a foto na janela do avião, o passaporte lotado de carimbos... Claro que tudo isso tem seu valor, sua magia. Mas é preciso reconhecer que há muito do nosso ego envolvido; quanto mais quilômetros rodados, maior o “status agregado”. Comigo não foi diferente: foi preciso que eu vivesse longe pra então passar a valorizar o lugar de onde vim. Mesmo tendo morado em Capelinha por mais de vinte anos, percebi que eu não sabia nada sobre a cidade. Quando fui apresentá-la ao Thiago, me deu aquele estalo: e agora? O que é que a cidade tem?? E este foi o primeiro grande presente que a Expedição Pão de Queijo me deu: aprender a enxergar de verdade; abrir os olhos e nunca mais deixar que qualquer detalhe escapasse! No fim das contas, havia tanta coisa pra fazer que faltou tempo. Vivemos grandes experiências! Não foi tudo novo só para o Thiago... CAPELINHA Capelinha é uma cidade jovem, com seus 100 anos recém completados. Tem cerca de 40 mil habitantes e ares bem interioranos. Um terço de sua população vive na zona rural, e as atividades ligadas ao campo são bem comuns. A cidade está localizada no Vale do Jequitinhonha, uma região bastante estigmatizada. Chamado de Vale da Pobreza, da Miséria e da Fome, já não é mais este o cenário encontrado há mais de década! Mas ainda é o que a mídia veicula... Quando Thiago falou em Petrópolis que viajaria para o Vale, seus amigos o advertiram para que viesse preparado para um cenário difícil, já imaginando o chão trincado e os ossinhos de vaca... Algumas cidades ainda enfrentam dificuldades devido ao clima e à localização geográfica, mas o Jequi é terra rica e próspera (teremos a oportunidade de mostrar isso aos poucos, o que também é parte do nosso objetivo com a Expedição). Capelinha é a prova disso. Conhecida como Cidade do Café, tem clima ideal para o cultivo do grão (isso também poucas pessoas sabem, pois a produção da bebida no estado sempre é associada ao Triângulo Mineiro e ao Sul de Minas). São inúmeras fábricas e torrefações, além de lavouras para todo lado que se olha! Do ponto de vista geral, Capelinha não é uma cidade turística, o que não quer dizer que não haja coisas para serem descobertas e visitadas! O que fizemos em Capelinha? Nossa estadia em Capelinha durou 16 dias. Caminhamos pelas ruas, conversamos com pessoas, aprendemos um pouco sobre o lugar pela ótica de quem vive aqui, e bebemos muito café, claro! Aliás, aqui tudo (ou quase tudo) gira em torno do café! Grande parte da economia do município gira em torno disso. Como apreciadores da bebida, mergulhamos nesse universo, numa oportunidade de aprendizado incrível! Visita à Fábrica de Café Acompanhamos, durante um dia, todo o processo pelo qual o grão passa, desde a remoção das impurezas até o momento em que sai para o comércio. O estoque armazena pilhas gigantescas de sacas do café que é comprado dos produtores locais. Dali, ele é colocado em uma máquina que faz a limpeza dos grãos. Este é o único momento em que os funcionários entram em contato com o produto. A máquina se encarrega de tudo: limpa, torra, mói, empacota. Quando ele chega novamente às mãos dos funcionários, já está no saquinho, e eles apenas organizam em fardos de 5kg, como é levado aos mercados. Pensa no cheirinho bom de café torrando? Conhecemos uma lavoura em época de colheita... Estávamos no final de julho, quando algumas colheitas ainda estavam acontecendo. Decidimos ir até uma lavoura de café para conhecer de perto a rotina de quem está no início de todo o ciclo (do plantio à colheita). Uma manhã congelante! Frio de doer os ossos. Ganhamos uma carona até a fazenda que nos autorizou fazer os registros. Chegamos lá por volta das 5h da manhã. Aproveitamos que ainda não havia ninguém e fomos assistir o nascer do sol do alto do morro onde ficava a plantação. Um visual incrivelmente lindo! Logo começaram a chegar os trabalhadores. Subiam entre os pés de café, e logo desapareciam. Quem conversou com a gente foi seu Raimundo, que ainda colhe do modo antigo: com as mãos. Sua pele já está bastante calejada. Quando questionado, ele diz que já nem sente... Há tantos anos trabalhando na roça, a mão grossa já está resistente aos brotos dos galhos. Muita gente utilizava máquina, que é como um cabo de vassoura, com um motor em uma extremidade e, na outra, uma peça plástica que se assemelha a duas mãos abertas com dos dedos esticados. Seu Raimundo disse que quem tem a máquina faz muito mais dinheiro, já que recebem por cada saco cheio que entregam no dia. Além disso, a colheita hoje dura menos tempo. O que antes se estendia por até 4 meses, termina agora em 1 mês e meio. E eles ficam sem trabalho depressa. Quando questionado sobre ter uma máquina, respondeu que é cara para ele que tem família para sustentar. Muito simpático, nos ofereceu um pouco do café em sua garrafa térmica, depois foi sumindo em meio às fileiras de café... Viemos embora com a promessa de que agradeceríamos mais vezes pelos tantos “Raimundos” que trabalham duro pra que tenhamos tudo em nossas mesas. Feira Livre A Feira Livre é um ícone de Capelinha! Quando chegamos, todas as pessoas que nos viam com as câmeras nas mãos ficavam curiosas. “O que fazem por aqui?”. Quando respondíamos, logo nos recomendavam ir até a feira para conhecer e fotografar. A feira acontece aos sábados pela manhã. Bem cedinho, antes mesmo de o sol nascer, vão chegando os ônibus que buscam os trabalhadores na zona rural. Eles expõem seus produtos em banquinhas de madeira que ficam dentro do Mercado Municipal (um grande galpão coberto). Tem de tudo um pouco: mel, cachaça, fumo de rolo, palha, frutas, verduras, feijão, ovos caipira, farinha, urucum, biscoitos, etc. Tudo é produzido por eles, que muitas vezes têm apenas uma horta pequena. Os capelinhenses se orgulham muito da feira, e marcam presença todo final de semana! Além do prestígio aos conterrâneos, também preferem comprar ali, por saberem que grande parte não utiliza defensivos e agrotóxicos no cultivo, ao contrário do que vem de grandes distribuidoras para os supermercados. O sorriso está sempre estampado no rosto de quem fica por trás das banquinhas! Seu Dodô proseou com a gente por alguns minutos e contou um pouco de sua história. Hoje com 68 anos de idade, já soma 65 só de feira! Quando era criança, já sentava no chão do Mercado acompanhando o pai, com quem trabalhou a vida toda e de quem herdou o amor pela profissão. Vila Dom João Antônio Pimenta Durante o final de semana, fomos disfrutar um pouquinho da zona rural. Conhecemos a Vila Dom João Antônio Pimenta, uma comunidade rural pequenininha há 10km da cidade. Sua igrejinha é sua marca, e pode ser vista por quem passa pela BR. Aprendemos como se faz queijo, visitamos uma horta com legumes enormes, brincamos com os bichos, e comemos o melhor da culinária mineira (se continuarmos assim, as últimas cidades do estado visitaremos rolando!). Sarau Para nos despedir de Capelinha, estivemos em um Sarau na Casa de Cultura da cidade. Ficamos impressionados com a organização do evento! Uma molecada de 12 a 18 anos extremamente engajada com os movimentos culturais da cidade, e que está inclusive promovendo festival de teatro por conta própria! Teve música ao vivo, poesia, crônicas, tudo isso em um ambiente intimista e aconchegante, todo decorado com artesanato mineiro local. - Não importa o quão pequeno um lugar seja, ele terá sempre algo pra nos ensinar, alguma coisa pra gente viver e aprender. Capelinha surpreendeu pelas tantas coisas que nos ofereceu. Tantas que até faltou tempo: descobrimos uma porção de coisas para fazer, mas já estava na hora de partir para outro destino. Ainda assim, ficamos muito felizes com o resultado da nossa "viagem piloto". Estreamos a Expedição da melhor forma possível! A conexão com as pessoas, a forma como nos receberam, como partilharam um pouco de suas vidas... E o mais valioso: o despertar do olhar e o abrir da mente! NOTA É bastante difícil resumir tudo assim, em um texto breve. Dá vontade de contar cada história que ouvimos, descrever detalhadamente as paisagens... e às vezes dá vontade de conseguir mostrar os aromas que sentimos do café torrando, das folhas de café molhadas pelo orvalho da manhã... Infelizmente não dá! As fotos também são muuuuuitas! Nossos HD's e cartões de memória estão lotados! Mas não dá pra encher o relato com tantas. Além disso, algumas fotos não estamos conseguindo postar, porque dá erro (já entramos em contato com o pessoal aqui do site pra tentar resolver). O texto anterior ficou sem imagens por isso! Mas pra quem se interessar em saber mais sobre o nosso projeto, temos as redes sociais. No blog da Expedição tem os textos e relatos mais completos, com mais informações caso alguém precise/queira. No Instagram tem mais fotos, e no Facebook tem os bastidores das nossas viagens (e as fotos "maravilhosas" de making of! hahaha). Qualquer dúvida, a gente responde aqui nos comentários, ou por direct/messenger/sinal de fumaça!
  3. DIA 02 - SEGUINDO VIAGEM Trechos retirados do nosso diário de viagens: (Utilizamos o app VOLO como diário de viagens!) Quinta-feira, 06 de julho de 2017. Acordamos cedo. A cama estava deliciosamente quentinha e confortável! Os sacos de dormir deram mesmo conta do recado! Renato já havia levantado e estava na cozinha. Ele nos disse que sairia cedo pra trabalhar. Então, nos apressamos para ajeitar tudo pra seguir (ainda faltavam mais de 300km). Deixamos os telefones carregando um pouquinho, arrumamos as bolsas, guardamos os sacos de dormir, demos notícias aos nossos familiares, etc. Logo sentimos aquele cheirinho de café. Hummm... Se tem uma coisa que a gente ama é café! E Renato ainda fez um pão com castanhas maravilhoso! Saímos com ele, que nos daria carona até o Campus da UFVJM onde trabalha. Ali em frente, muitos estudantes pedem carona. Então, seria tranquilo. Embora estivesse em cima da hora, Renato ainda fez questão de nos levar até o alto do Cruzeiro, de onde se tem uma vista maravilhosa da cidade! Seguimos para a Universidade. Nos despedimos. Ele entrou para trabalhar e nós fomos para um quebra-molas logo em frente pra tentar a sorte (às 8:40h). Primeira Carona do Dia Não demorou muito para aparecer uma carona. Mas ela quase não foi! O moço parou, dissemos que precisávamos ir sentido Turmalina, e ele disse que seguiria para Montes Claros (direções diferentes). Ele foi. A 100m de nós, havia um posto da Polícia Rodoviária. Decidimos passar dele para facilitar a carona. Lá, o moço com quem conversamos havia sido parado, e então perguntamos se ele poderia nos adiantar a viagem. Ele ofereceu de nos levar até o trevo onde desviaria para MOC, e nos informou que nesse ponto havia um posto de combustível. Feito! Daniel nos levou até lá. Ele seguiu sua rota, e fomos buscar um papelão no posto pra fazer plaquinha (às 9:40). Segunda Carona Pegamos a caixa de papelão e fizemos plaquinha com o nosso carvão. Estávamos no Posto Seabra, em frente ao trevo que vai para Bocaiuva e Montes Claros. Ali era um ponto estratégico, onde conseguiríamos abordar quem viesse de Diamantina, de MOC, e também quem estivesse saindo do posto. Ainda assim, o fluxo de carros era pouco. Às 10:50h, parou um carro. Carlos nos daria carona até o trevo de Minas Novas, onde estaríamos a apenas 40 km do nosso destino. Uhuuuu! Terceira Carona Não sabemos quantas horas eram quando pegamos a terceira carona. Não deu tempo de ver. Aliás, não deu tempo de nada! Paramos, descemos do carro e colocamos as mochilas no chão. Enquanto Carlos voltava para o carro para sair, pegamos as bolsas para colocar num cantinho. Carlito parou o caminhão antes que a carona anterior sumisse na curva! Foi tão rápido que ele disse ter nos visto descendo do carro, e já foi encostando. Com Carlito fomos até Capelinha, nosso destino final, ou inicial, já que ali começaríamos nossos primeiros registros pela Expedição Pão de Queijo.
  4. O GRANDE DIA Mesmo com tantas dúvidas, inseguranças, falta de dinheiro e de programação, tínhamos um grande "Uhuuuuu" dentro do peito! Ainda mais porque conseguiríamos partir na data programada! Quando o despertador tocou naquela manhã de quarta-feira, nem sei o que pensamos! Me lembro de estar anestesiada pelo frio de Petrópolis! Mas sei que o coração estava quase saindo pela boca. Pelo início do projeto, pela saudade do Beto... Saímos de Petrópolis/RJ para Capelinha/MG. Toda a viagem (cerca de 900km) seria feita pegando carona na estrada. Estávamos Thiago e eu. Ao todo, levamos um dia e meio. Fizemos 600km apenas no primeiro dia, com 6 caronas e 1 hospedagem pelo Couchsurfing. DIA 01 - A PARTIDA Trechos retirados do nosso diário de viagens: (Utilizamos o app VOLO como diário de viagens!) Quarta-feira, 05 de julho de 2017. Chegou o dia de cair na estrada! Corações acelerados! O ponto de partida foi nossa casa em Petrópolis/RJ, rumo à cidade de Capelinha, no norte mineiro. Lá é a casa dos meus pais, onde o Gilberto nos esperava. Era preciso buscá-lo para seguir na estrada. Então, éramos apenas nós dois (Thiago e eu) neste momento. A distância a ser percorrida era de 912 km! Muito chão pela frente. E nossa forma de viajar: carona! Na estrada, com nossas mochilas, plaquinhas e dedões esticados. Ainda estava escuro. Um frio de doer os ossos! O despertador tocaria às 7h, mas uma hora antes perdi o sono. Às 6:30 levantei. Ajeitei o café da manhã, verifiquei as bagagens, e pegamos nossas coisas. Uma ansiedade absurda! Esta seria a viagem piloto da Expedição Pão de Queijo. Saímos de casa às 7:30h. Fomos andando até o ponto de ônibus. Aguardamos 20 minutos até que ele chegasse. Pegamos a linha 122 (Fazenda Inglesa, R$ 3,90), que nos deixou na BR-040 às 8:35h. Caminhamos um pouquinho até um paredão de pedra (acima de uma entradinha com placa indicando Mosela). Nosso ponto preferido de carona, saindo de Petrops. De Petrópolis a BH Frio de 12°C, e aquele vento cortando o rosto igual lâmina! Por sorte, conseguimos nossa primeira carona com apenas 20 minutos de espera, às 8:55h, com o Leonardo, que nos levou em seu carro até Itaipava/RJ (distrito de Petrópolis), onde chegamos às 9:07h. Ficamos em um posto de gasolina. Exatos 18 minutos depois, parou a segunda carona! Flávio nos levaria em seu caminhão até Três Rios. Mas chegando no posto da PRF, ele foi barrado e tivemos que descer (10h). Uma pena... Estávamos a poucos metros do posto de gasolina onde ele nos deixaria para tentarmos a próxima carona. Ficamos em um trecho ruim, onde as pessoas retornam para ir sentido São Paulo. Tivemos que caminhar, com a mochila nas costas até encontrar um ponto melhor. Cristiano nos salvou: ainda estávamos longe do posto de gasolina, em um trecho onde os carros passavam muito rápido e sem acostamento. Intercalávamos entre esticar o dedo e caminhar. Até que, lá na frente, beeeeem lá na frente, um caminhão parou e fez sinal pra nós. Olha, correr 500 metros com a mochila nas costas é difícil. Mas valeu muito a pena: carona diretona até BH! E com o caminhão descarregado, vamos mais rápido! Apesar da chuva, seguimos bem. A chuva deu uma trégua, mas bateu a fome. Bem, a fome do caminhoneiro, a nossa não. Paramos em Ressaquinha/MG. O caminhoneiro pediu um mexidão, prato servido no barzinho onde comeríamos. Thiago não sabia o que era. Expliquei que se tratava de comida mineira: arroz, feijão, carne, couve, tudo misturado. Decidimos pedir um pra nós dois dividirmos. Pagamos R$8,00 em uma marmita que tinha, no mínimo, meio quilo de comida! E ainda veio com um ovo e um pedaço de linguiça por cima! Fomos com as marmitas para o caminhão e seguimos viagem. Confesso: fiquei aflita com o caminhoneiro comendo e dirigindo ao mesmo tempo. Passamos várias vezes pertinho das valetas na lateral da pista... Coisas de viagem. Barriga cheia (muito cheia), comida deliciosa e barata (saiu a R$4,00 pra cada). Seguimos. Ainda faltava um bom pedaço de chão até BH. Pelo horário, já começávamos a nos planejar para dormir lá. Chegamos a BH. Já era possível perceber o início do horário de rush. Fluxo intenso de carros no anel rodoviário. O caminhoneiro havia nos dito que nos deixaria na saída da BR-040 sentido Brasília, pra seguirmos viagem. Mas pela hora que chegamos, ele mudou os planos pois ficaria agarrado no trânsito. Nos deixou bem antes, a cerca de 6km do viaduto onde precisaríamos entrar. Começamos a andar. Esticamos o dedo, mas nada! Os carros passavam rápido demais. E mais uma vez, sem acostamento. No meio da pista, achamos um papelão. Já havíamos guardado um pedaço de carvão na bolsa. Thiago fez uma plaquinha escrito "Brasília". Nada de ninguém parar. Pedimos informações, e decidimos pegar um ônibus (R$ 4,05) até a BR. O ônibus nos deixou um quarteirão depois do viaduto. O trocador nos informou que poderíamos voltar àquele mesmo ponto, caso não conseguíssemos pegar carona, e pegar o bus Borba Gato, que nos levaria até a BR-381 (lá, tínhamos a casa de um amigo onde poderíamos pernoitar). Subimos o viaduto já pedindo carona. Nada! Fim de tarde. Logo anoiteceria. Precisávamos tomar uma decisão: ir para a casa de nosso amigo ou tentar seguir? Seguir sempre! Retroceder jamais! Optamos por tentar carona na BR-040 mesmo, até Sete Lagoas e dormir na barraca num posto de gasolina pra seguir viagem. Caminhamos até sair da confusão dos pontos de ônibus. Fiz uma nova plaquinha escrito "Sete Lagoas", pois a outra não estava dando frutos. Estávamos ali tentando... tentando... E uma vista linda do pôr do sol nos fazendo companhia. E então, às 17:45h, parou Darlan. Ele iria para Sete Lagoas. Nos deixaria 500m antes do Posto Três Poderes (um maior, que funciona 24h, onde pensamos em dormir). Fomos nós. Mais um pedacinho de estrada. Darlan nos deixou próximo à entrada de Sete Lagoas/MG. Lá na frente, vimos o posto onde tentaríamos manguear alguma comida e um cantinho pra armar a barraca. Mas até lá, andaríamos um bocado! Já que estávamos na estrada, em um trecho bem iluminado, fomos andando e pedindo carona. Fizemos mais uma placa. Dessa vez, escrito "Curvelo". Já era tarde, mas não custava tentar. E não é que deu certo? Seu Pedro tem 61 anos. É caminhoneiro há mais de 40! Parou pra nós, pra nos levar até um posto de gasolina onde abasteceria, na entrada de Curvelo/MG. Mal acreditamos! Havíamos colocado Curvelo como meta daquele dia, mas com muito otimismo. E chegaríamos mesmo lá! Seu Pedro demonstrou muita experiência ao volante. Disse nunca ter se acidentado em todo esse tempo de carreira. Até corre, mas transmite segurança. Além de ter sido muito gentil em nos dar carona, é simpaticíssimo! Adiantou muito a nossa viagem e ainda nos deu a dica de que onde ficaríamos, existem muitos carros que param no restaurante. Poderíamos até tentar seguir viagem. Chegada ao posto de Curvelo, às 20:12h. Vimos um segurança e fomos conversar com ele para saber onde poderíamos armar barraca sem causar nenhum transtorno. Ele mostrou. Agradecemos. Antes de armar a barraca, fomos até o restaurante. Haviam muitos carros parados: ônibus de viagem, vans, carros de família, caminhões... Avistamos uma van da prefeitura de Couto Magalhães de Minas, mas o motorista não estava lá. Sentamos na calçada. Dividimos uma bolacha água e sal que tínhamos, compartilhando com um cãozinho que passava por perto. Um policial nos viu, puxou assunto, perguntou se vendíamos artesanato (nossa cara de hippies...rs). Depois falou para aproveitarmos que naquele fim de semana haveria o Forró de Curvelo, pra vendermos nosso artesanato na festa, uma vez que já estávamos na cidade. Muito simpático, se despediu e foi! Apareceu o motorista da van. Perguntamos se ele nos levaria até Diamantina. Muito seco, não disse nada. Nem que sim nem que não. Abriu o bagageiro, enfiou nossas bolsas e nos levou. Saímos do posto às 20:32h. Chegamos em Diamantina/MG! Às 22:31, chegamos a Diamantina. Agradecemos ao motorista da van. Começamos a tentar contato com alguém. Enviei mensagem ao Lucas, um amigo que mora na cidade. Thiago tentou o Couchsurfing. Minha internet parou. Mas, "para noooooossa alegria", o contato do Thi respondeu. Passou o telefone. Ligamos, pegamos o endereço e pontos de referência. Começamos a andar. Pergunta dali, pergunta daqui, nada do Google Maps abrir, vento gelado cortando o rosto... Thiago conseguiu abrir o Maps. Ótimo, porque pelo horário e pelo frio, não havia quase ninguém na rua para nos ajudar! Enfim, a moça do GPS disse que chegamos (depois disso, ainda erramos uma rua!). Quando Renato abriu a porta de casa, sorrimos, nos abraçamos, e entramos... Renato é um cara muito bacana! Aceitou nos receber em sua casa mesmo com nosso pedido inconveniente: em cima da hora, quase meia noite! Apesar do horário, ainda bateu um bom papo conosco. Ele e Thiago se entenderam bem: os dois são apaixonados por cerveja artesanal! Eu estava mais de ouvinte, por não entender nada de cerveja e pelo cansaço. Renato disponibilizou sua sala com um colchão focinho, e nos deixou bem à vontade! Toda gratidão é pouca pra tamanha prestatividade, atenção e cuidado que ele teve por nós! Sem contar que ele nos salvou daquele frio! Ele foi deitar, pois teria que trabalhar bem cedo. Nós também, pois o dia foi daqueles: muito produtivo (muito além das nossas expectativas, rodamos por cerca de 600km em um dia, de carona!). Foi só encostar na cama que apagamos!
  5. PREPARATIVOS PARA A PARTIDA Infelizmente, junho não foi um mês fácil! Passei um bom tempo no hospital e isso nos tirou o foco. Com a saúde já restabelecida, há poucos dias da data que determinamos, tivemos que nos apressar com os preparativos, do contrário, perderíamos uma grande oportunidade! Há apenas três dias para partir, fomos correr atrás de tudo o que precisávamos. Não queríamos adiar: mantivemos os planos para sair dia 05/07/2017. No dia 03, pegamos os sacos de dormir do Thiago que estavam com uma amiga dele. No dia 04, fomos encontrar um amigo de mochilagem nosso. Ele nos emprestaria uma barraca, que seria nossa casa durante esta primeira etapa da Expedição caso não conseguíssemos Couchsurfing. A barraca do Thi não suporta muita chuva. Além disso, havia alerta de friaca máxima em Minas Gerais para julho. Precisaríamos estar melhor preparados, ainda mais agora com criança na trip! Nesse mesmo dia, ainda fomos colocar crédito nos celulares, arrumar as mochilas... Fomos dormir tarde e exaustos! Mas nada superava a expectativa! Partiríamos pela manhã. Minas Gerais, aí vamos nós!
  6. O COMEÇO A Expedição Pão de Queijo é um sonho antigo. Nasceu em janeiro de 2014, quando eu estava longe do meu filho Gilberto, fazendo faculdade. Ele, em Capelinha, morando com os avós até que eu concluísse os estudos em Belo Horizonte. A estrada era nosso ponto de encontro. Aproveitávamos as férias, feriados e finais de semana pra matar a saudade. Dessa forma, fomos colecionando fotos e destinos. Daí veio a vontade de viajar mais: significava mais encontros! Nosso projeto de viagens teve outros nomes, mas foram interrompidos por diversos fatores. Em 2017, conheci Thiago: petropolitano, mochileiro, fotógrafo. Juntamos os panos, as mochilas, e os sonhos viajantes. Tínhamos uma paixão em comum: Minas Gerais. Decidimos, então, que conheceríamos o Estado inteiro! Assim nasceu a Expedição, tal e qual é hoje. Uma viagem de descobertas. Mais do que a passagem de nós três pelas cidades, uma vivência intensa de cada uma delas em suas peculiaridades e detalhes. Sem pressa. O PLANEJAMENTO A vida acadêmica já estava em tempo de me enlouquecer! Pelo bem da minha saúde mental, em abril/2017, decidi trancar o curso pela segunda vez (já havia parado no quarto período pelo mesmo motivo). Fiquei dois meses com o Gilberto e de lá, em junho/2017, fui para Petrópolis. Durante as semanas que passei no Rio, Thiago e eu conversamos muito e decidimos dar início ao projeto logo, sem mais rodeios. Sairíamos de lá em julho/2017 rumo a Capelinha/MG para buscar o Gilberto. Começaríamos nossa "viagem sem fim". Com o calendário em mãos, buscamos a data mais próxima, já que estávamos bastante empolgados com a ideia e não aguentaríamos esperar muito mais. Chegamos em um consenso: partiríamos no dia 05/07/2017. Tiago estaria de férias do trabalho, Gilberto em suas férias escolares. Teríamos até agosto, quando eu também retomaria a faculdade. Nesse tempo, faríamos as "viagens piloto" da Expedição; o "teste drive"! Bem, agora tínhamos uma lista de 853 cidades para conhecer. Não tinhamos um roteiro definido com uma sequência, até porque, fazer isso era praticamente impossível devido ao tamanho da brincadeira! Apesar disso, nosso primeiro destino era certo: aproveitaríamos nossa passagem obrigatória por Capelinha (a cidade em que eu e Gilberto nascemos, e onde o pequeno morava até então) e a registraríamos. Uma ótima forma de aprendermos o que de fato queríamos com este mochilão. REDES SOCIAIS Uma questão sempre recorrente era o fato de tornar ou não a viagem pública. Chegamos à conclusão de que era preciso! Minas tem cenários incríveis e estes precisavam ser mostrados. As histórias de sua gente simples e sofrida precisavam ser contadas. Estávamos certos de que seria uma experiência tão rica que precisaríamos registrar, contar, fotografar... e seria de um egoísmo tamanho manter todo esse material escondido em nossas gavetas e álbuns, apenas ao nosso alcance... Assim, criamos Facebook, insta, blog, mesmo sem saber ainda como alimentaríamos as plataformas.
  7. Olá, @casal100 ! Tem sido uma experiência fantástica! Gratidão!
  8. MallêGomes

    Guaratinguetá - São Paulo

    Parque bem bonito! Vai ficar na lista pra quando formos a São Paulo!
  9. Com dimensões continentais, Minas Gerais tem incontáveis paisagens, vegetações, crenças, pratos típicos, arquiteturas, lendas e vocabulários. O quarto maior estado brasileiro em extensão territorial é também o que possui o maior número de cidades: são 853 ao todo. Apesar dos números, quase sempre se ouve falar dos mesmos destinos. Minas é Ouro Preto, Belo Horizonte, Capitólio, Tiradentes e São Thomé das Letras. Mas é também cada um dos pequenos municípios por trás das montanhas, entre as curvas de poeira vermelha. Minas é o barro do Vale do Jequitinhonha, a Mantiqueira ao sul, os sertões ao norte. Foi em busca destas tantas Minas Gerais que decidimos colocar os pés na estrada. Para descobrir cada dialeto e sua origem. Saber o que se come, como se faz, do que se faz. Olhar nos olhos em meio as rugas de idade e ouvir causos da sabedoria e do imaginário populares. Mergulhar nas cachoeiras, na cultura e na história. Depois de muito sonhar, colocamos tudo no papel para estudarmos as possibilidades de realizar uma expedição por todas as cidades mineiras, além de alguns distritos e vilas. Números, prazos, datas, distâncias... Uma infinidade de informações que nos desanimavam, fazendo parecer cada vez mais distante e impossível. Abandonamos os planejamentos e decidimos simplesmente ir! Talvez nunca chegasse ao fim, mas o abismo entre querer e começar seria vencido. Faríamos quantas cidades fossem possíveis. E a cada passo dado, conheceríamos um pouquinho mais da tão amada Minas! OS EXPEDICIONÁRIOS Viajamos em três pessoas: Tiago - apaixonado pela simplicidade do povo acolhedor e sempre disposto a uma boa prosa; Gilberto - em sua infância cheia de energia, pronto para ganhar o mundo; e eu, Mallê, que nasci em terras mineiras e enchi os olhos com as cores dos grupos de cultura popular desde pequena. Nós três, um estado, infinitas possibilidades! ACOMPANHE A VIAGEM! Temos divulgado um pouco da viagem através das nossas redes sociais. - Instagram: onde postamos as melhores fotos da nossa expedição (@expedicao.paodequeijo); - Facebook: nosso diário de bordo, onde postamos o "Making Of" da viagem (Expedição Pão de Queijo). - Blog: nossos textos onde contamos nossas experiências, falamos um pouco mais sobre os destinos e roteiros ( http://bit.ly/2xpJx1K ). ESTE FÓRUM É certo que essa nossa viagem levará anos, sabe-se lá quanto tempo! Por isso, este é um fórum dinâmico. As atualizações da viagem serão acrescentadas sempre que possível. Um abraço, um beijo e um queijo!
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