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Paula (Mochilão Sabático)

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Sobre Paula (Mochilão Sabático)

  • Data de Nascimento 29-01-1976

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  1. Dois dias antes de chegar em Cochamó, nunca tínhamos ouvido falar nesta cidade chilena litorânea. Vimos um planfeto no Hostal em Pucón, e nos interessamos em uma travessia que começa no Chile e termina na Argentina, passando pelo vale de Cochamó. Fomos ver pessoalmente e não nos arrependemos. Cochamó é uma pequena cidade localizada na região dos Lagos, onde fica um lindo vale, com montanhas e grandes paredes de pedra, bordeando o claro rio Cochamó. Faz parte da Patagônia chilena, e as temperaturas oscilam entre 0 e 20°C. Resumo do trekking País: Chile Distância entre cidades: Santiago (1160 km), Puerto Montt (116 km) Área: Valle de Cochamó Distância percorrida: 46 km Duração: 5 dias Subida acumulada: 2113 metros Descida acumulada: 2044 metros Altitude máxima: 1121 metros Previsão do tempo: Windguru Sinal de celular: sem sinal de celular Período do trekking: início de novembro de 2017 Dificuldade: Moderada. Não indicada para iniciantes. Necessário bom condicionamento físico. Como chegamos Nossa última localização era Pucón. Saímos de Pucón e após uma viagem de 5 horas de ônibus chegamos em Puerto Montt. No terminal de Puerto Montt há duas empresas, que disponibilizam ônibus diariamente, passando por Cochamó. Segue a grade de horários, saindo de Puerto Montt: 2a feira a sábado: 7h45 / 11h30 / 12h15 / 14h00 / 15h30 / 16h00 domingos e feriados: 7h45 / 12h00 / 16h30 Quando entrar no ônibus, importante pedir para te deixarem em Valle de Cochamó. São 2h50min de viagem. O ônibus te deixa em uma ponte, que dá acesso a uma estrada de terra. Esta estrada termina no início da trilha. Campings No total foram 5 noites acampando: 1 noite no camping Campo Aventura, perto da ponte, na parada de ônibus 4 noites no camping La Junta, no vale Camping Campo Aventura Chegamos no final da tarde em Cochamó e optamos por dormir em algum camping perto da ponte. O motorista do ônibus nos indicou o camping Campo Aventura. No camping fomos recebidos por Miguel, um americano que vive 17 anos no Chile. Ele nos recomendou não tentarmos a travessia que estávamos planejando para Argentina. Nos deu dois motivos: havia muita neve dificultando a visualização da trilha e o nível de água dos rios pode subir, tornando-os perigosos ao tentar atravessá-los. O ideal é fazer essa travessia entre janeiro e fevereiro, que são meses mais secos e os rios estão mais baixos. O camping é simples e como o chuveiro não estava funcionando, nos deram $CLP 1000,00 de desconto por pessoa. O banheiro parecia ser novo e era bem limpinho. O Campo Aventura fica ao lado do rio Cochamó, no lado oposto à estrada de terra que leva à La Junta. Do camping à ponte são 15 minutos andando. Camping La Junta O camping La Junta fica bem no meio do vale. É um lugar muito lindo e vale a pena ser conhecido. Para chegar ao camping deve-se percorrer uma trilha de 5 horas. Também é possível chegar em cavalos. Foi o primeiro camping que passamos e o único aberto em novembro. Em novembro ainda é baixa temporada. No verão, na alta temporada, é necessário reservar com antecedência. O camping é bem espaçoso e conta com uma boa infraestrutura, levando em consideração que não há eletricidade e saneamento básico. Os banheiros são bem limpos e quase inodoros. Há um esquema para separar a urina das fezes, mantendo o ambiente sempre seco. Há chuveiro frio, pia para lavar roupa e local comunitário para refeições. O gramado está sempre aparado pelos cavalos. Se precisar de comida, são vendidas algumas verduras. Outro ponto positivo é que não é muito alto e as noites não são tão frias. Em La Junta, além do caminho que cruza a Argentina, também há algumas trilhas de 1 dia, para trekkers e escaladores. Trilhas [googlemaps https://www.google.com/maps/d/embed?mid=1ZvZzklNcc8y8Ga1y2sUSDdcY25hC0UFE&w=640&h=480] Ponte de Cochamó a La Junta Para chegar a La Junta há duas etapas para seguir: 1. Estrada de terra até início da trilha Resumo estrada terra Total percorrido Tempo Subida Descida Altitude máxima Dificuldade 6 km 1:30 47 metros 6 metros 50 metros Leve São 6 km de estrada de terra sempre subindo. Dessa vez não conseguimos carona e tivemos que encará-la caminhando. Foram 1,5 hora de subida. Na estrada há algumas opções de hospedagens e pelo que me informaram cada ano que passa, há cada vez mais construções. Em 2010 haviam somente 2 casas nesses 6 km que separam a ponte ao início da trilha. Mas o volume de turistas está crescendo rapidamente. 2. Trilha até La Junta Resumo La Junta Total percorrido Tempo Subida Descida Altitude máxima Dificuldade 12 km 5:30 377 metros 111 metros 328 metros Moderada A estrada de terra termina no início da trilha que vai até La Junta. A trilha percorre um bosque sempre ao lado esquerdo do rio e é bem protegida do Sol. Não é necessário carregar muita água, pois há vários lugares para coletar a água do rio. Até Las Juntas todos os grandes cruzamentos de rios há pontes. Também há alguns riachos para cruzar, mas com a ajuda de algumas pedras não se molha os pés. A trilha tem muita lama, que com um pouco de ginástica, sobrevive-se sem muitos estragos. Após 2h30 de trilha, há uma placa para nos lembrar que devemos descansar. Essa placa indica praticamente a metade do caminho. No total foram 5h30min de trilha para ir até La Junta. Para voltar fomos mais rápidos e fizemos o mesmo percurso em 4h15min. O caminho é bem demarcado e não tem como errar. Na dúvida é só seguir as pegadas de homens e cavalos. Ao chegar em La Junta há 4 opções de campings: La Junta, Trewe, outra unidade do Campo Aventura e Vista Hermosa. Para esses dois últimos é necessário cruzar o rio com um carrinho-tiroleza. Sendero Cerro Arco Íris Resumo Arco Íris Total percorrido Tempo Subida Descida Altitude máxima Dificuldade 5 km 2:30 555 metros 549 metros 853 metros Moderada Leve O objetivo do dia era chegar no mirante do cerro Arco Íris. A trilha começa atrás do camping e é totalmente dentro do bosque, protegido do Sol. Em alguns pontos era possível ver uma linda paisagem e o camping abaixo. Subimos 1h10 até chegarmos em uma parede com corda. A partir deste ponto achamos muito perigoso continuarmos e voltamos. Na volta passamos por uma cachoeira. Havia outra trilha saindo pela cachoeira, mas a ponte que atravessava o rio, caiu. Ida e volta resultou em 2h30min de caminhada. Tobogã A 10 minutos do camping fica uma queda d'água chamada Tobogã, onde o pessoal escorrega. O único problema é ter que atravessar o rio com água gelada pelas canelas, para chegar lá. Mas quem tiver o objetivo de se refrescar no tobogã, isso não será um problema. base cerro Trinidad Resumo Trinidad Total percorrido Tempo Subida Descida Altitude máxima Dificuldade 12 km 6:00 1023 metros 1001 metros 1121 metros Moderada Pesada Saindo do acampamento La Junta há um tipo de tiroleza com um carrinho pendurado para as pessoas atravessarem o rio. Do outro lado do rio há o camping Vista Hermosa e as trilhas que levam para os cerros Trinidad, Anfiteatro e cachoeiras. Fomos até a base do cerro Trinidad. É uma trilha no meio do bosque, sempre subindo. Fitas rosas e amarelas marcam o caminho. Mas mesmo assim, na primeira hora ficamos 45 minutos perdidos. Até que decidimos ignorar algumas fitas e seguir o GPS. E conseguimos encontrar o caminho novamente. Não é necessário carregar muita água, pois tem pontos de água no caminho. Após 3h00 de caminhada, saímos do bosque e um lindo paredão de rocha aparece. É a base do cerro Trinidad. Parecia que a trilha terminava por ali. Mas seguindo o vale à direita, encontramos a continuação do caminho. Subimos por um rio, passamos por uma placa, passamos ao lado de outro rio e a trilha não acabava. Andamos mais 50 minutos e como estava ficando tarde, voltamos sem chegar até o fim. No total foram 6 horas de caminhada. Outros atrativos Além da travessia para Argentina vimos outras placas indicando trilhas para outras montanhas e cachoeiras próximos. Poderíamos ficar mais 2 dias acampando para conhecer mais os arredores. Mas tivemos que ir embora por causa da chuva e estoque de comida. Custos Custos em pesos chilenos para 1 pessoa: Ônibus Puerto Montt a Cochamó, ida: $ 3500,00 Camping Campo Aventura, diária individual: $ 4000,00 Camping La Junta, diária individual: $ 4000,00 Cotação em 12/10/2017: US$ 1,00 = R$ 3,17 = $ chilenos 623,88 Dicas Em Cochamó não há caixas eletrônicos e são pouco os lugares que aceitam cartão de crédito. Leve dinheiro suficiente para sua viagem. Se for em alta temporada, entre janeiro e fevereiro, reserve sua estadia nos campings com antecedência. Para o trecho na estrada de terra, é possível pagar para te levarem de carro até o início da trilha. Se informe em Cochamó. Janeiro e fevereiro são os meses propícios para a travessia à Argentina, pelo paso El León. Dados sabáticos 560 km trilhados 54 noites acampando 22 cidades 14 áreas naturais 5 meses 2 países Quer mais? Nós, Paula Yamamura e Ramon Quevedo, estamos curtindo uma vida sabática, focando no que mais gostamos de fazer: viajar trilhando. Nos acompanhe também em: www.mochilaosabatico.com Facebook Instagram YouTube
  2. Acabamos de visitar os refúgios de El Bolsón. Abaixo tem um link, no nome dos refúgios, com mais informações: O refúgio Los Laguitos é o mais lindo, com um lago em frente. Logo de manhã, quando não tem vento, fica um lindo espelho d´água. O refúgio Hielo Azul é o mais organizado. Fiquei um dia lá, só descansando. Muito bom. Não conseguimos ir no glaciar, por perigo de avalanche. Mas se programe para ficar 1 dia lá, só para ir ao glaciar. O refúgio Piltriquitrón é o mais fácil de chegar. E o legal é fazer o cume na montanha, que está bem perto. Boa viagem!
  3. Oi Gi, Não sei quantos dias você ficará no Sul do Chile. Estou viajando por essas bandas... Começamos em Santiago e fomos descendo até Cochamó. Seguem alguns lugares interessantes (deixei o link do meu blog, caso você queira ver mais detalhes): Parque Radal Siete Tazas (258 km de Santiago): lindas quedas d'água. Altos de Lircay: fica ao lado de Radal Siete Tazas. Além das trilhas, o mais legal é ver uma raposa no acampamento. Ela aparecia todo final de tarde e chegava bem perto de nós. Parque Conguillio (700 km de Santiago): sem precisar fazer muitas trilhas, você passa ao lado do vulcão Llaima e de lindas lagunas. Vale muito a pena. Vulcão Sollipulli (806 km de Santiago): é possível contratar um guia (ou ir sem) e em 7 horas, fazer o cume do vulcão e voltar. Parque Huerquehue (821 km de Santiago): em uma trilha de 12 km, você passa por vários lagos. Dá para ir de ônibus de manhã, saindo de Pucón, e voltar no mesmo dia. Cochamó (1160 km de Santiago): lindo vale. Mas esse é para quem gosta de trilhas e acampar. Muito lindo mesmo. Boa viagem!
  4. Oi Renato, Se você gostar de acampar e de trekking, vale conhecer o Parque Yerba Loca que fica em Santiago, no caminho que vai para Farellones (centros de ski). Fui em setembro e passei dias muito agradáveis por lá. Mais detalhes em https://mochilaosabatico.com/2017/09/30/yerba-loca/
  5. Oi Liana, Desculpe a demora no retorno. Estava viajando. Infelizmente eu não lembro mais dos contatos que fiz em Peru. E também não anotei. Sorry...
  6. Eu tentei ir para o Farol Castelhanos duas semanas atrás. Mas não deu certo, pois acabamos esquecendo o lanche e acabamos voltando. Mas fomos de Pouso até a praia de Castelhanos, faltando cerca de 2 km para chegar no Farol. Até a praia de Castelhanos achei a trilha bem demarcada, sem erros para se perder. Acredito que até o Farol a trilha deva seguir igual. Me falaram que precisa de sorte para subir no Farol. Irá depender do humor do guarda que estiver por lá. Uma dica é evitar chegar na hora do almoço. Demos a volta completa na Ilha, dá uma olhada na minha viagem em: https://mochilaosabatico.com/2017/08/04/ilha-grande/ Lá tem o mapa que fizemos, com km rodados, tempo, altitude, fotos... Abs
  7. A Zona Reservada Cordillera de Huayhuash fica a 400 km ao norte de Lima, capital do Peru. Fomos em setembro de 2014 e uma característica marcante deste circuito é que em toda nossa travessia ficamos em uma altitude média de 4100 metros, chegando ao máximo de 5041 metros. Quanto mais alto, menos oxigênio tem o ar e acima de 3 mil metros uma pessoa pode passar mal, caso não tenha se acostumado com o novo ambiente. Para evitar os males da altitude, é necessário se submeter a um processo conhecido como aclimatação. Nós nos aclimatamos fazendo alguns trekkings perto da cidade de Huaraz em altitudes de até 5000 metros e voltávamos para dormir na cidade a 3000 metros. Fizemos no total 3 trilhas e em uma delas eu passei muito mal. Mas isso faz com que seu corpo se acostume mais rápido a esse novo ambiente. Me recuperei e fiz Huayhuash sem nenhum problema. Infelizmente Ramon e nosso amigo Wagner não puderam dizer o mesmo... No Peru também se encontra a La Rinconada, que é considerada a cidade mais alta do mundo a 5.100 metros de altitude. O topo mais alto do mundo é o Everest com 8.848 metros de altitude, em uma região onde os tibetanos vivem em altitudes médias de 4.500 metros. Estudos mostram que os tibetanos tem artérias e capilares mais largos para levar o oxigênio aos órgãos e músculos, e assim, evitar os males de altitudes. Como chegamos De Lima pegamos um ônibus até Huaraz, e em Huaraz contratamos mulas e cavalos para carregar nossa babagem e um operador de mulas, chamado de arrieiro. A maioria dos turistas, além do arrieiro e mulas, também contratam guia, barracas, cozinha com cozinheiro, comida e ajudantes. Tipo all inclusive. Nós optamos ir com nosso GPS e levar nossas barracas, quer dizer, colocar nossas barracas em cima das mulas para elas levarem. Por segurança contratamos um cavalo, caso fosse necessário, por alguma emergência, sairmos da Cordilheira com agilidade. Fomos eu, Ramon e mais dois amigos: Wagner e Ricardo. Compramos comida para nós quatro e para o arrieiro; e levamos 3 barracas: 1 para eu e Ramon, 1 para Wagner e Ricardo e 1 para o arrieiro dormir junto com a comida. Dia 1: Huaraz - Matacancha Chegamos no final do dia e acampamos no meio da 'multidão' em Matacancha. Haviam vários grupos acampando para iniciar a travessia no dia seguinte. Combinamos de encontrar o operador de mulas (arrieiro), que nunca vimos antes, naquele lugar lotado de turistas. De algum modo ele nos encontrou. Provavelmente éramos as únicas barracas sem a supervisão de um guia. Dia 2: Matacancha - paso Cacananpunta - laguna Mitucocha O primeiro dia foi bem chuvoso e tivemos que começar a andar embaixo de chuva. Foram cerca de 5 horas de caminhada por onde passamos pelo paso Cacananpunta (4693 metros de altitude) até chegarmos na laguna Mitucocha. A trilha em si não é uma caminhada difícil, mas devido à altitude e falta de oxigênio no ar, tudo fica mais lento. Aliás, apesar das altas altitudes, nós não fizemos nenhum cume de montanha, os lugares mais altos deste circuito são chamados de 'pasos', que nada mais são que passagens no meio da trilha. Esse foi um dia nublado e chuvoso. E mais um dia dentro da barraca esperando a chuva passar. Dia 3: laguna Mitucocha - passo Carhuac - laguna Carhuacocha Acordamos com o céu limpo e felizmente deu para tirar uma foto da bela paisagem do acampamento, com vista para as montanhas Jirishanca, Yerupaja e Yerupaja Chico. Neste dia passamos pelo paso Carhuac (4631 de altitude), também conhecido como Yanapunta. Se o tempo estiver bom, é possível ver as montanhas Yerupaja e Siula. Dormimos ao lado da laguna Carhuacocha, onde o arrieiro pescou um peixe para comermos. Não sei se tem algo haver, mas o Ramon e Wagner começaram a passar mal nos dias seguintes. Eu comi pouco peixe e fiquei bem. Dia 4: laguna Carhauacocha - 3 lagunas - paso Siula - acampamento Huayhuash Esse foi um dia bem cansativo, andamos cerca de 15 km em 9 horas. Mas sempre nos esforçávamos para tirar uma foto quando víamos uma bela paisagem, como a magnífica paisagem das 3 lagunas: Gangrajanca, Siulacocha e Quesillococha. Nesse dia passamos no paso Siula (4843 metros de altitude), e foi onde chegamos mais perto da montanha Siula Grande, onde Joe Simpson e Simon Yates foram protagonistas de quase uma tragédia fatal narrada no excelente filme Touching the voide. Depois de conquistarem o cume, Joe Simpson quebrou sua perna no Siula Grande, e Simon tentou ajudá-lo na descida. Mas durante uma tempestade, Joe acabou caindo de um penhasco. Seu companheiro de escalada não o encontrou e achou que ele tinha morrido, então continuou tristemente sua descida sozinho. Mas o mais inacreditável aconteceu, Joe com a perna quebrada sobreviveu à queda e conseguiu descer o Siula Grande por 2 dias, sem água e comida, se rastejando no solo irregular e em um lugar inóspito a baixa temperatura. E em uma mistura de sorte e azar, Simpson conseguiu chegar no acampamento, onde seu colega Simon ainda estava. Simon quase foi embora no dia anterior, mas ele decidiu ficar mais um dia. Vimos o Siula de longe, imaginando alguém dado como morto, sozinho com a perna quebrada nessa montanha coberta de neve e gelo... Dia 5: acampamento Huayhuash - Portachuelo pass - termas Atuscancha Acordamos embaixo de neve, e para nós brasileiros é só festa. Teve até boneco de neve. As trilhas da cordilhera de Huayhuash são as trilhas mais cagadas que já pisei. Tem vários animais fazendo o trabalho: cachorro, mulas, cavalos, coelhos, vicunas, vacas, pássaros... Se souber reconhecer as fezes de uma mula, você jamais irá se perder nesse circuito... Como a gente andava mais devagar e sempre tinha alguém na nossa frente, a neve facilitou reconhecermos a trilha toda pisada. E seguimos para o paso Portachuelo (4790 metros de altitude) e depois para as águas termais. Nesse dia chegamos em um dos melhores lugares dessa trilha. Onde foi possível tomar banho! Haviam 3 banheiras coletivas. A primeira era tipo um ofurô, redondo e com a água mais quente. Fomos os últimos a chegar, então a água deste ofurô estava, digamos, pouco translúcida. Todo mundo passa na primeira banheira, se ensaboa e como já tinha passado muita gente, o sabão ficou por lá. Mas depois de 5 dias sem tomar banho, foi uma delícia!!! A água é quase pelando, por volta de 40ºC, e no lado de fora estava por volta de 5ºC. Depois da primeira banheira, vamos para uma segunda banheira, que já é bem maior, e é quase uma piscina, com a temperatura um pouco mais amena, onde tiramos o sabão. E depois vamos para terceira piscina com uma temperatura perfeita. E lá todos ficamos curtindo, e tomando um refrigerante. O Ramon estava bem mal nesse dia, chegou na barraca com calafrios. Mas quando viu as piscinas no lado de fora saindo fumacinha... criou coragem, saiu da barraca e foi dar um ti-bum. Essa noite foi a última noite que nossos amigos Wagner e Ricardo ficaram conosco. O Wagner também não estava bem devido à altitude e o Ricardo estava com o pé um pouco machucado, então eles decidiram pegar uma rota de fuga. Levaram o cavalo, que acabou sendo útil, e algumas mulas com eles e partiram rumo à civilização. Dia 6: termas Atuscancha - paso Cuyoc - vale Huanacpatay Subimos na maior altitude da caminhada: 5041 metros, no Paso Cuyoc. Este passo fica entre as montanhas Kuyuq e Pumarinri. Depois do paso descemos no vale Huanacpatay e chegamos em um acampamento, que foi todo nosso nessa noite. Dia 7: vale Huanacpatay - paso Santo Antonio Hoje foi um dia tranquilo. Ficamos acampados no mesmo lugar e fomos até o Paso Santo Antonio (5017 metros de altitude) e voltamos. No paso é possível ver as montanhas Carnicero, Jurao, Siula Grande e Yerupaja. Foi o dia com a segunda maior altitude alcançada: 5017 metros. Dia 8: vale Huanacpatay - vila Huayllapa - Huatiac Nesse dia descemos o vale e passamos perto no vilarejo Huayllapa. Seria possível descer até o povoado Huayllapa, mas decidimos dormir no meio do caminho no acampamento Huatiac, entre Huayllapa e o paso Tapush. Foi um dia bem cansativo, pois percorremos o equivalente a quase uma meia maratona. Dia 9: Huatiac, paso Tapush punta, acampamento Gashcapampa, Angocancha Todos os dias o arrieiro desmontava nossas barracas, ia na frente com as mulas carregando nossas coisas e quando chegávamos no acampamento, as barracas já estavam montadas. Apesar de parecer um luxo, fomos no modo econômico, a maioria dos turistas contratam uma agência com arrieiro, mulas, cavalos, cozinheiro, comida e barracas. Chegavam no acampamento, descansavam na barraca enquanto aguardavam o cozinheiro preparar a refeição. Nós tivemos que cozinhar para nós e para o arrieiro. Seguimos até Tapush Punta (4788 metros de altitude), onde pode-se observar uma parte da Cordilheira Blanca. Passamos pelo acampamento Gashcapampa e seguimos até Angocancha para acamparmos. Dia 22: Angocancha, paso Yaucha, Llaucha, Laguna Jahuacocha Nesse dia passamos pelo paso Yaucha (4848 metros de altitude) e seguimos para a laguna Jahuacocha para acamparmos, onde a silhueta de Yerupajá domina a paisagem. O dia de caminhada foi o mais rápido de todos, andamos por 3,5 horas. Dia 11: laguna Jahuacocha - pampa Llámac - povoado Llámac - Huaraz Esse foi o último dia e teríamos que pegar um ônibus em LLámac. Como andamos muito devagar, o arrieiro nos orientou para iniciarmos a trilha antes do nascer do Sol, com lanternas na cabeça, assim não corríamos risco de perder o ônibus. Foi uma longa descida com leve desnível na maior parte do tempo e se intensificando no final. Conhecendo nosso ritmo e com medo de perder o ônibus, não perdemos o foco e fizemos 15 km em 5 horas, chegando ao ponto de ônibus com certa folga. Resumo circuito Huayhuash Cidades próximas: Huaraz (138 km) e Lima (3756km) Início: Matacancha Fim: Llámac Distância total: 109 km Duração: 10 dias Pontos de água: nos acampamentos e durante o percurso Elevação acumulada: subimos 6.433 metros e descemos 7.345 metros Altitude máxima: 5.041 metros Dificuldade: com o acúmulo de 10 dias caminhando em altas altitudes, consideramos o circuito pesado. Mas para quem não sentir o efeito da altitude, a trilha fica bem mais fácil. Quer mais? Para ver mapa, distâncias, tempo e altitudes de cada dia, assim como fotos, acesse os detalhes em: http://https://mochilaosabatico.com/2017/07/23/huayhuash/
  8. O saco de Mamanguá, Paraty Mirim e a Reserva Ecológica Estadual da Juatinga pertencem à Área de Proteção Ambiental (APA) de Cairuçu, localizada na cidade litorânea Paraty no Rio de Janeiro. Paraty tem uma população estimada de 41 mil habitantes e apesar da alta temporada ser no verão, fomos em junho e o clima estava ótimo, com poucos turistas e praias quase desertas. Abaixo segue o roteiro que fizemos a pé e de barco. COMO CHEGAMOS Saindo de São Paulo, pegamos um ônibus da Reunidas na rodoviária Tietê, para Paraty. Foram 7 horas de viagem com 2 paradas de 30 minutos. Saímos às 8h00 e chegamos às 15h00 em Paraty. Almoçamos e voltamos para Rodoviária, ficamos 1h20 esperando o ônibus que vai para Paraty Mirim. Depois descobrimos que esse ônibus parte a cada 2 horas, pois só tem um ônibus fazendo esse trajeto. Saímos de nossa casa em São Paulo às 6h30 e chegamos em Paraty Mirim 18h45. Ou seja, um dia só para chegar. Acampamos no Camping do Jesus que fica ao lado de um campo de futebol. Como era baixa temporada, tínhamos um gramado enorme só para nós. DIA 1 - Paraty Mirim, Saco do Mamanguá, praia do Cruzeiro Acordamos e fomos para o começo da trilha, que fica um pouco antes do pier de Paraty Mirim. Neste primeiro dia saímos de Paraty Mirim e fomos andando até o final do saco de Mamanguá. Tem uma boa subida no começo e depois a trilha fica mais amena. Neste pedaço a trilha é bem demarcada, pois tem muitas casas de veraneio e até pousadas. Percebemos que quando não tem casas de veraneio a trilha ficava bem rústica. A última praia era habitada por caiçaras. A energia elétrica chegou lá em 2013. Até então eles usavam outros tipos de energia, como a solar. Encontramos na travessia caiçaras que estavam felizes com chegada da eletricidade, outros ansiosos para a energia chegar em seus cantinhos e outros felizes com sua energia solar e não desejando que os postes de luz se aproximem. Nesta praia especificamente, eles estavam bem felizes com a eletricidade. E provavelmente as crianças e professores da escola desta praia também estavam. É possível acampar lá por R$ 30,00 (preço de baixa temporada). Mas acabamos pagando um barquinho para atravessar o saco para o outro lado, rumo à Reserva Ecológica Estadual da Juatinga e acampar em um camping mais estruturado. Chegando na praia do Cruzeiro, acampamos no Camping do Sr Orlando, com energia elétrica e com um delicioso banho quente. Essa é uma das vantagens da eletricidade para nós urbanos. Este Camping é bem estruturado, com vista para o mar e servem refeições com peixes recém pescados. Infelizmente fomos com dinheiro contado e não saboreamos um pescado nesta viagem. E não encontramos nenhum local que aceitasse cartões. Snif, snif... Resumo do dia 1: Total percorrido: 7,8 km Tempo: 4h30min Pontos de água: vários Elevação: subimos 521 metros e descemos 554 metros Altitude máxima: 211 metros Dificuldade: Leve DIA 2 - praia do Cruzeiro, pico do Pão de Açúcar, praia do Engenho, praia Grande da Cajaíba A idéia deste dia era seguir até Martim de Sá. Mas não tivemos pernas e tivemos que pernoitar antes. Isso porque não resistimos ao Pico do Pão de Açúcar que fica ao lado da praia do Cruzeiro, e nos desviamos um pouquinho do caminho. Isso nos atrasou. Levamos uma hora para chegar no Pico no Pão do Açúcar, a 435 metros de altitude, onde é possível apreciar o belo Saco de Mamanguá. O Saco do Mamanguá é o único fiorde tropical da costa brasileira, um enorme vale formado por rochas e inundado de água, que se estende por 8 Km até se encerrar no manguezal da Baía da Ilha Grande. Valeu a pena desviar o caminho. Mais uma hora e descemos de volta para trilha. A trilha estava bem demarcada neste trecho. Mas depois de 720 metros ficamos um pouco confusos por onde seguir, pois no meio da trilha tinha uma casa, com uma placa pendurada "Propriedade Particular". Por sorte chegou o caseiro e ele nos guiou até a trilha, que passa no quintal do fundo da casa. Na verdade a casa é que passa pela trilha e por isso, apesar da propriedade ser particular o dono não pode obstruir a passagem. A trilha segue até a praia do Engenho. Da praia do Cruzeiro até a praia do Engenho foram 3,7 km. Neste trecho a trilha é parcialmente coberta do Sol e o caminho bem marcado, deve ter muita circulação de pessoas, e as casas de veraneio devem ajudar na manutenção da trilha. Descansamos embaixo de uma árvore na praia do Engenho, lanchamos e nos abastecemos de água. Depois da praia do Engenho a trilha é totalmente coberta do Sol e um pouco fechada. É um sobe-e -desce, bem parecida com a trilha que vai ao Pico do Pão de Açúcar. Como é puxada devido ao desnível, acredito que poucas pessoas andam por lá. Demoramos quase 4 horas (parando para descansar no topo) para andar esse trecho de 4,3 km com altitude máxima igual ao Pico do Pão de Açúcar de 435 metros. Depois de sobe-e-desce chegamos na Praia Grande da Cajaíba às 17h20. Para nosso alívio tinham dois Campings na praia Grande da Cajaíba. Desde Cruzeiro não tínhamos visto mais nenhum Camping. Ficamos logo no primeiro que vimos, no Camping da Dona Dica que cabem poucas barracas. Na verdade ficamos no quintal da casa dela, que é uma mistura de casa, bar, restaurante e camping. Tudo no pé da areia. Mas tudo muito bem organizado e aconchegante. A dona Dica é uma caiçara que está ansiosa para que a luz chegue lá. Sem energia elétrica, tomamos banho frio, que estava uma delícia. Apesar de irmos em junho, estava um Sol de rachar, calor gostoso para quem estava de biquíni na praia e uma sauna insuportável para quem estava fazendo a trilha. Nem precisava entrar no mar para ficarmos com o corpo salgado. Foi uma suadeira só. Imagina no verão. Não quero nem imaginar. Resumo do dia 2: Total percorrido: 10,4 km Tempo: 7h10min Pontos de água: vários Elevação: subimos 1141 metros e descemos 1128 metros Altitude máxima: 435 metros Dificuldade: Moderada DIA 3 - Praia Grande da Cajaíba, Itaoca, Calhaus, Itanema, pouso de Cajaíba, Martim de Sá, Cairuçu das Pedras Saímos da Praia Grande da Cajaíba e continuamos nosso trajeto. Nos próximos 2,5km passamos por 3 praias: Itaoca, Calhaus e Itanema. E fomos para o sobe-e-desce novamente. Chegamos na praia Martim de Sá onde está o Camping do Maneco. Esse camping é bem grande e organizado. Ai que vontade de comer um PF com peixe fresquinho e frito. Pena não ter levado dinheiro. Aliás, se tivéssemos dinheiro teríamos ficado por lá. O camping custa R$20,00. Mas para isso teríamos que reembolsar R$ 100,00 por pessoa para pegar um barco até Paraty. Não tínhamos dinheiro e não tínhamos tempo. Então tivemos que seguir caminhando até o próximo Camping, na praia de Cairuçu. A praia de Cairuçu das Pedras é minúscula e bela. Tem até uma piscina artificial para capturar a água doce de alguma nascente. Camping bem simples. Sem energia e portanto com água fria. Uma pequena família mora neste local. E como quase todos os caiçaras, vivem conforme o Sol, dormindo ao anoitecer e acordando um pouco antes do nascer do Sol. Resumo do dia 3: Total percorrido: 11,7 km Tempo: 6h10min Pontos de água: vários Elevação: subimos 849 metros e descemos 824 metros Altitude máxima: 292 metros Dificuldade: Leve Moderada DIA 4) Cairuçu das Pedras, Ponta Negra, Galhetas, Antiguinhos, Antigos, Sono, Laranjeiras, Paraty, São Paulo Saindo de Cairuçu das Pedras, tivemos que adentrar 5,5 km mata adentro, encarar uma bela subida (maior que o Pico do Pão de Açúcar), para chegar na praia de Ponta Negra, em uma trilha um pouco mais fechada que vai se abrindo no final. Descansamos um pouco em Ponta Negra, uma praia com muitos pescadores, onde é possível fazer uma refeição e tomar algo. Nesta praia a energia ainda não chegou, mas segundo caiçara que encontramos deve chegar em dezembro de 2017. Ao lado de Ponta Negra está a praia das Galhetas. Depois de Galhetas, pegamos mais 1,5km de trilha e chegamos na praia dos Antiguinhos e logo depois na praia dos Antigos. E vamos novamente para trilha, mais 1,5 km e chegamos na última praia da travessia, a praia do Sono. Essa praia tem vários campings e boa infraestrutura, que deve lotar em alta temporada. Por isso que fomos no outono-inverno, para fugir da muvuca. Saindo da praia do Sono, pega-se a última trilha muito bem demarcada, pelo alto fluxo de caminhantes, até Laranjeiras. Nem deu tempo de conhecer a praia, chegamos bem na hora que estava saindo o ônibus das 17h10. Se perdêssemos teríamos que esperar 1 hora o próximo ônibus. Chegamos em Paraty, tomamos um banho em um hostel, jantamos e voltamos para São Paulo no ônibus das 23h40. Resumo do dia 4: Total percorrido: 13,3 km Tempo: 7h10min Pontos de água: vários Elevação: subimos 1068 metros e descemos 1060 metros Altitude máxima: 565 metros Dificuldade: Moderada CUSTOS POR PESSOA Ônibus de São Paulo para Paraty: R$ 77,10 Ônibus circular de Paraty para Paraty Mirim: R$ 4,25 Camping do Jesus em Paraty Mirim: R$ 30,00 Barco de Mamanguá pra Cruzeiro: R$ 40,00 Camping do Sr Orlando em Cruzeiro: R$ 30,00 Camping da Dona Dica em Praia Grande: R$ 20,00 Camping em Cairuçu das Pedras: R$ 20,00 Ônibus circular de Laranjeiras para Paraty: R$ 4,25 Ônibus de Paraty para rodoviária Tietê em São Paulo: R$ 77,70 Comida: levamos toda nossa comida Observação: preços de junho de 2017 Total por pessoa: R$ 303,30 DICAS Dependendo de onde você estiver, talvez seja necessário dedicar um dia só para chegar no início da travessia. Ônibus de Paraty pra Paraty Mirim demora muito. Veja o horário assim que chegar na rodoviária pra se programar. Leve dinheiro extra para alguma emergência, caso seja necessário pagar um barco. Não deixe de comer peixe fresco. Acordou? Primeira coisa a fazer é passar repelente. Não quer andar? É possível conhecer todas as praias com barco. RESUMO TRAVESSIA MAMANGUÁ - JUATINGA Aeroporto mais próximo: Galeão RJ (240 km) Início: Paraty Mirim Fim: Laranjeiras Distância: 43 km Duração: 4 dias Pontos de água: vários Elevação: subimos 3579 metros e descemos 3566 metros Altitude máxima: 565 metros Dificuldade: moderada QUER MAIS? Se quiser ver fotos, mapas, altitudes, acesse: https://mochilaosabatico.com/2017/06/19/paraty-mamangua-juatinga/ Se quiser se aventurar em uma travessia bem mais simples, tente o Pico da Onça em São Francisco Xavier (https://mochilaosabatico.com/2017/06/09/pico_da_onca/) ou o circuito na Serra do Lopo em Extrema/MG (https://mochilaosabatico.com/2014/11/16/extrema/) Para um trekking de um dia, o Parque Estadual do Pico do Jaraguá (https://mochilaosabatico.com/2017/05/28/pico-do-jaragua/) é uma boa opção e tem uma bela vista da cidade de São Paulo. E para uma experiência internacional, a sugestão é o Parque Nacional Nahuel Huapi, em Bariloche na Argentina (https://mochilaosabatico.com/2015/02/08/bariloche-nahuel-huapi-cerro-catedral/).
  9. OI Mioto, Você chegou a comprar o SPOT? Também estou pensando em comprá-lo, mas gostaria de saber se você o achou útil. Obrigada!
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