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BrunaKC

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BrunaKC venceu a última vez em Setembro 29

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  1. @D FABIANO impossível não sentir saudades da Patagônia, não é?
  2. @casal100 muuuuuito obrigada!
  3. Alô pessoal!! Demorei, mas voltei com meu relato pela Patagônia!! Depois de caminhar por pouco mais de 20 km no dia anterior, partir do Camping Francés rumo ao Camping Los Cuernos seria como ir ali comprar pão na padaria. Confesso que saber que teria o dia todo para descansar, me encheu de alegria. Eu precisava descansar, mesmo. Do Camping Francés até Los Cuernos são 3 km, mas o caminho é puxado. Tem bastante descida e subida, alguns pontos bem íngremes e com aquela terra solta que só contribui para você levar um escorregão. Por isso, mais uma vez, os bastões de trekking foram os heróis do dia! haha Mas tudo, absolutamente TUDO o que eu passei no dia anterior - e que ainda iria passar - foi recompensado nesse dia aqui. Você acredita em amor à primeira vista? Sabe quando você bate o olho em alguém pela primeira vez e te falta o ar? Já sentiu isso? Bom, essa seria a minha 2ª vez. Eu estava caminhando entre árvores mais altas e o caminho me levou até um descampado. Quando eu cheguei ali, fui caminhando mais um pouquinho, meio perdida, porque a trilha ficou meio confusa, uma trilha que não era bem uma trilha... foi então que eu o vi - de perto - pela primeira vez: o Lago Nordernskjöld. O sol, as montanhas e aquela água num dos 347 novos tons de azul - que também pode ser verde - que descobri nessa viagem... Eu parei e sorri. E ele me sorriu de volta. Caminhei até a beira do lago, parecia uma "prainha", com pedras no lugar de areia. Já caminhou sobre o cascalho? Se eu fechar meus olhos agora e ficar no silêncio, eu consigo ouvir o som das minhas botinhas andando sobre as pedras e o barulinho das ondas que o vento formava na margem do lago. São os sons do silêncio. Eu tive um sonho quando eu era criança, que eu nunca me esqueci. Eu devia ter uns 7 ou 8 anos, mas o que me marcou foi uma frase que ali me foi dita: "ouça a voz do silêncio". Isso nunca me saiu da cabeça e foi o primeiro pensamento quando eu me sentei na beira do lago naquele dia. O silêncio tem sons maravilhosos. Tirei as minhas botinhas assassinas, coloquei os pés - muito - machucados na água. Por cerca de 5 ou 6 segundos, foi o máximo que aguentei. Sentei na beira do lago, almocei o meu último sneakers - aquele chocolate que realmente vale por uma refeição, bendito seja! - e esvaziei a cabeça. Dali a pouco chegou um grupo com quatro meninos, e os quatro entraram na água. Cara.... deve ter doído.... hahaha. Eles se foram e eu fiquei. Fiquei mais de uma hora ali, fotografei, fiquei assistindo o vento ficar cada vez mais forte, trazer nuvens cada vez mais pesadas e começar a levar o sol embora. Com vontade de ficar, me levantei e fui. Segui a caminhada rumo ao acampamento. Quando retornei a trilha, teve um pouco de subida, atravessei um rio nervosinho que caía em cascata no lago e lá o sol voltou a brilhar forte. Caminhei e a mochila começou a ficar realmente pesada de novo. Depois de um tempo - e de muito vento forte - cheguei no acampamento, fiz o check in e fui para a minha barraca. O Refúgio Los Cuernos tem algumas opções a mais: tem a área do camping, do refúgio e dos domos. Havia uma quantidade considerável de pessoas confraternizando na área do refeitório, tomando cerveja, fazendo amizade e conversando. Como eu não sou esse tipo de pessoa - - eu simplesmente fui pra minha barraca. E tirei uma boa soneca. Levantei para tomar um banho - os banheiros são bons e o chuveiro também - e fui jantar. Obrigatoriamente, quando você reserva uma barraca no camping, você paga pelas refeições, já que nesse camping é proibido fazer fogo. Quando você faz o check in, você escolhe os horários das refeições, é bem organizado, o refeitório não acomoda todas as pessoas ao mesmo tempo. Fui jantar no primeiro horário, sentei na janela, tinha uma vista bem bonita. Na mesa conversei com duas senhoras norte americanas e uma moça, que se eu não me engano, era da República Checa. Pessoas com um astral muito bom. As refeições são muito boas. Tem uma entrada, o prato principal e a sobremesa. Eu poderia ter ficado olhando as estrelas depois do jantar, mas lá escurece tarde e geralmente tem muitas nuvens. Então fui pra barraca descansar. Durante a noite eu passei um frio monstruoso e o barulho do vento foi assustador. A barraca balançou bastante. Nessa noite meus pés não esquentavam de jeito nenhuma. Peguei todas as roupas do meu mochilão e coloquei dentro do saco de dormir. Vesti as luvas e a touca, cobri o rosto com o cachecol. Apertei mais o ajuste do saco de dormir em torno da cabeça e coloquei o mochilão embaixo dos meus pés. Eu me encolhi tanto dentro do saco de dormir que nem sei como encontrei a saída na manhã seguinte! Assim que amanheceu eu levantei, arrumei tudo, fui tomar café e encontrei quem? Hmm? Quem você acha que eu encontrei?? A Grace, lógico! hahaha Ela, mais uma vez, foi um amor comigo e arrumou um jeito de eu sentar na mesa dela. Comi rapidinho, me despedi antes do café da manhã acabar e parti. Ia rumo ao Camping Chileno, passaria minha última noite no parque. Eu sabia que não seria fácil, seriam cerca de 15 km até lá. Eu havia lido que existia um "atalho" para o Camping Chileno, para quem vinha de Los Cuernos, e eu ia procurar por ele. Afinal, é um "atalho", certo? O que eu posso te adiantar é que eu encontrei o tal atalho e escolhi ir por ele. Ah, e eu também cheguei ao Camping Chileno no fim do dia, e mais uma vez, eu encontrei pessoas incrivelmente gentis pelo caminho... Mas os detalhes eu te conto no próximo post! Importante: ➸ A trilha para Los Cuernos segue pela beira do lago Nordernskjöld. Continue caminhando pela margem até o fim, que você encontra a continuação da trilha. ➸ Apesar do trajeto entre o Francés e Los Cuernos ser curto, achei uma boa ideia ter esse dia de descanso. Dá pra passar o dia na beira do lago e vale totalmente a pena! Por enquanto é isso. No próximo post, sigo para meu penúltimo dia de Torres del Paine. Muitas emoções a caminho! Até breve, aventureiro! Bruna.
  4. @apprim1 Muito obrigada por ler!!
  5. @[email protected] Puxa, muito obrigada!!! Desejo de todo o coração que sua viagem seja incrível! Eu imagino sua ansiedade! Você tá indo pra um dos lugares mais lindos dessa Terra!!
  6. @hs22 Eu utilizei uma Sony DSC e a câmera do celular, um Motorola G4 (que foi roubado quando voltei ). A paisagem lá faz todo o serviço! hahaha Abração e obrigada por ler!
  7. @Eduardo Melo Ferreira Primeiro, desculpe a demora para responder! Muuuuito obrigada pela sua mensagem! Espero que sua viagem com sua esposa tenha sido fantástica!! Um abração pra vocês!!
  8. Pessoal que está acompanhando o relato: ainda não acabou! Minhas férias é que acabaram e o meu tempo está curto! hahaha Semana que vem eu volto! Abraços!
  9. @samir.oliveira Cara, que sufoco! Obrigada por compartilhar, isso é utilidade pública!!
  10. @Kellycwb Kelly, vocês vão amar mais ainda!! Fazer com uma amiga deve ser ainda mais divertido!! Precisando de dicas, estou por aqui! Um abração e obrigada por ler!
  11. Depois de ter passado a noite - ou desmaiado, como preferir - no Refugio Grey, era hora de partir e continuar meu caminho pelo circuito W inverso. Minha próxima parada era o Camping Francés. A primeira parte do percurso, que se iniciou às 7 hs da manhã, era na verdade o caminho de volta do Refugio Grey até Paine Grande. Bom, além de ver aquela paisagem maravilhosa mais uma vez, eu precisei subir todo aquele "penhascão" que eu havia descido. Nesse ponto, eu ainda não tinha conseguido ajustar o mochilão corretamente. Os meus ombros estavam bem doloridos do dia anterior e o calcanhar - meu Deus! - nem se fala.... Na noite anterior, antes de dormir, tomei um dorflex. Deve ter ajudado... hahaha. No meio do percurso, Grace (lembra da Grace?) me alcançou. Ela saiu do Refugio Grey uma hora depois de mim. Conversamos um pouco e ela seguiu antes de mim. Foi a milionésima vez que eu repeti a mim mesma: "chegando em casa você vai começar a fazer exercícios, fofinha". Depois que terminei o percurso que vai do refugio até o Mirador Lago Grey, o caminho foi bem mais leve. Eram mais descidas, então aliviava muito o atrito entre o calcanhar machucado e a bota. Já mais adiante, assim que passei a área do mirante (sentido Paine Grande), o vento me pegou de surpresa e tive uma enorme dificuldade em me equilibrar, comecei a rir sozinha. Foi divertido andar contra o vento. O vento começa contra você e no instante seguinte, muda de direção, te empurrando para a frente. A sensação aqui foi boa, eu não estava na beirada do penhasco, então tinha bastante espaço pra eu cair sem me estabacar (hahaha). Passei por um grupo com uns três casais, pessoas de idade mais madura. Um senhor passou por mim, subindo na pedra ofegante, enquanto eu descansava sentada - pensando "Graças a Deus que toda subida uma hora vira descida" hahaha - parou bem cansado e sorrindo disse "Como vai você?". Eu respondi, rindo: "Cansada". Ele riu e foi a minha vez de motivar alguém: "Você está quase chegando! Vai valer a pena!". Cheguei em Paine Grande por volta das 11:30 hs da manhã. Dali pegaria a outra trilha, agora em direção ao Camping Francés. Mas nesse ponto, encontrei a Barbara (lembra da Barbara?). Ela fez o passeio bate e volta, tinha acabado de iniciar a trilha, iria até o mirante, ver o Glaciar Grey e voltaria para Puerto Natales no mesmo dia. Conversamos uma meia hora, ela disse que eu parecia exausta (e eu estava!) e também disse como foi bom nos conhecermos! Ela teve aquela mesma sensação de "amigas de infância" que eu. Como é bom conhecer gente boa, né?! Só voltei a falar com ela quando retornei para casa, e ela conseguiu fazer tudo como planejado, deu tempo de ir até o Grey e retornar para pegar o último catamarã para Pudeto, às 19 hs. Nos despedimos e segui para a segunda parte do meu dia. Eu havia percorrido 11 km, mas ainda havia muito chão pela frente. Meu destino final nesse dia era o Camping Francés, mas no meio do caminho, eu teria a opção de subir até o Mirador Francés, Mirador Britânico e, obrigatoriamente, passaria dentro do Camping Italiano. Então fui caminhando nessa direção. Caminhei, caminhei, caminhei.... e quando apareceu uma placa, eu só havia caminhado uns 2 km. Nossa, eu estava cansada... que dia longo! Aqui eu já havia, finalmente, conseguido ajustar o mochilão nas costas. Que diferença absurda! Ah se eu soubesse disso no dia anterior!! No meio do caminho, conheci a Serena. Serena é uma artista plástica coreana, e estava fazendo a trilha sozinha também. O que mais me chamou a atenção foi o fato de seu mochilão parecer ter o dobro de seu tamanho, e ainda assim, ela andava como se não fosse nada demais. Nos encontramos em vários pontos da trilha, uma passando pela outra sempre. Conversamos, rimos um pouco falando de como estávamos cansadas, tiramos fotos uma para a outra e seguimos. Ela iria mais adiante, até o Camping Cuernos, 3 km além da minha parada. Reencontrei a Serena, por puro acaso, no fim da minha viagem, em Ushuaia. Dividimos o mesmo quarto no hostel. (Mas só nos reconhecemos depois, quando eu já havia retornado para casa. Ela colocou no Facebook uma foto que eu tirei para ela na trilha. Você tem que levar em conta que estávamos de boné, descabeladas, exaustas, cheias de penduricalhos, não é tão fácil de reconhecer assim hahaha). O caminho aqui não é tão pesado, mas venta bastante. Em um dos momentos que sentei para descansar os ombros, vi um redemoinho se formar no Lago Sköttsberg. Foi incrível. Chegando próximo ao Camping Italiano, encontrei a Grace! Chessus, como é possível ela andar tão rápido?? hahahaha. A Grace estava VOLTANDO sabe de onde? Do Mirador Francés! Eu nem havia chegado lá! A Grace ia passar a noite no Refugio Paine Grande, então tinha deixado o mochilão por lá e estava voltando para descansar. Eu ri toda vez que encontrei ela daqui pra frente. E ela também. Grace é um doce de pessoa, ela disse pra mim que eu já estava perto, só pra me animar. (hahaha!) Ela subiu até o Mirador Francés, mas teve que descer logo, porque a neblina caiu muito forte. Então, também não conseguiu ir até o Mirador Británico, que fica acima do Francés. Ou seja, eu não subi nenhum dos dois. O clima não permitiu, mas acho que na condição em que meu pé estava, eu não teria subido de qualquer maneira. Li muitos relatos - antes de viajar - sobre a dificuldade de chegar no Mirador Británico, pois o tempo fecha ali com muita facilidade, pela altitude. Num ponto mais adiante, a ventania veio forte novamente, num lugar onde haviam árvores numa altura mediana cercando a trilha. O vento parecia furioso e soprava em todas as direções. Precisei sentar no chão - segurando numa placa que estava ali - e esperar acalmar. Encontrei um grupo de chilenos aqui, duas moças e um rapaz, que se reuniram mais adiante comigo, no acampamento. Foram gentis, como todos que encontrei no caminho. Em certo ponto, chegando no Camping Francés, eu estava muito cansada. Não estava mais aguentando andar, de verdade.Para seguir caminho até o Camping Francés, segui a trilha dentro do Camping Italiano e continuei minha jornada, já que não conheceria o Mirador Francés dessa vez. Sentei num ponto da trilha e um casal passou por mim. Eles então retornaram e perguntaram se estava tudo bem. O caminho todo é assim. As pessoas passam por você, sorriem, conversam um pouco. Isso traz uma sensação de gratidão muito grande. Aquece o coração. Finalmente cheguei no acampamento, quase 19 hs. Fiz o check in e o rapaz da recepção perguntou de onde eu estava vindo (provavelmente porque eu estava com uma cara de "Jesus, me acuda!"). Quando disse que vinha do Grey, ele fez questão de me cumprimentar com um aperto de mão. Fiquei bem orgulhosa. Fui para a minha barraca, que ficava ao lado do riacho. O rapaz que me atendeu na recepção me mostrou onde ficavam os banheiros e duchas, a área para lavar a louça e também onde há uma mini mercearia. No camping Francés não há serviço de refeição inclusa, como nos outros refúgios, então se você for acampar aqui, é importante que você leve um fogareiro (aqui é permitido fazer fogo na plataforma) e alimentos para cozinhar. Coloquei a mochila na barraca, peguei o que precisava e fui tomar um banho. O chuveiro é ótimo e só precisei esperar uns 10 minutos, porque todas as duchas estavam ocupadas. Deve haver umas 5 duchas, se não me engano (a área masculina é separada). Voltei para a barraca e ainda não sentia fome. Durante os 20,5 km de percurso nesse dia, tudo o que eu comi foi um pacote de amendoim com cobertura de açúcar. Um pacotinho de 500g. Ia andando e comendo aos poucos. Ou seja, fazia quase dois dias que eu não comia direito. No dia anterior, no caminho para o Grey, "almocei" um Snikers. E só. Mas eu entendi que isso era exaustão. E que se eu não me alimentasse, mesmo sem vontade para isso, no dia seguinte eu não teria energia nenhuma. Então acendi meu fogãozinho - que ganhei de presente de natal dos meus queridos pais - fui até o riozinho ao lado da barraca encher minha panela de água - fresquinha e totalmente potável - e fiz um arroz à grega misturado com atum. Enquanto o arroz cozinhava - Tio João, vem duas porções no saquinho, é só colocar o saquinho na água - eu comi uma lata inteira de sardinha crua. Pelo visto eu me enganei. Eu estava morrendo de fome. M-E-L-H-O-R-A-R-R-O-Z-C-O-M-A-T-U-M-D-A-V-I-D-A! Mas eu estava tão cansada que comia um pouco, com os olhos fechando, e deitava. Daí levantava, comia e deitava. Fiz isso umas 4 vezes, até que o sono venceu. Nesse dia não passei frio. Meu saco de dormir aguentou bem (temperatura conforto de -7°C). O vento durante toda a noite foi um pouco assustador, porque você fica imaginando em que momento a sua barraca vai sair voando. Fora isso, foi uma das melhores noites da minha vida. Isso é viver. Com certeza é. No dia seguinte teria um dia bem leve. Iria até o Refugio Los Cuernos, apenas 3 km adiante, e segundo o mapa, 2 hs de caminhada (mas pra mim, é sempre o dobro). Dormi feliz, satisfeita, orgulhosa, feliz, em paz, leve, feliz. Já disse como me sentia feliz de estar ali? hahaha. O ar, a paisagem, o vento, o céu, as nuvens, os lagos, os pássaros, as montanhas, o silêncio e o assobio do vento... é indescritível. Esse dia foi um desafio, em muitos sentidos. Aquela sensação de solidão que me visitava de tempos em tempos, a exaustão, as dores físicas. Mas eu sorri muito nesse dia. Cruzei o caminho de pessoas de bem. Vi paisagens de tirar o fôlego. A sensação de contentamento quando deitei na minha barraca não tem descrição. Informação importante: ➼ A trilha para o Mirador Francés se inicia dentro do Camping Italiano. E a trilha para o Mirador Británico parte do Mirador Francés. ➼ O Camping Italiano é um camping gratuito, mas também exige reserva antecipada. Aqui não há serviço de aluguel, portanto você leva tudo, barraca, saco de dormir, fogareiro, tudo. Você faz a reserva entrando em contato com a Conaf, que é responsável por sua administração. ➼ O pessoal que vai até os Miradores Francés e Británico, mas não acampa no Italiano, deixa as mochilas no camping pra aliviar a subida. Eu vi muita gente fazendo isso, sem medo de roubo ou coisa assim. Também não encontrei qualquer relato sobre roubos nos campings. Parece ser bem seguro mesmo. O que aprendi até aqui: como é importante se desafiar. Como é importante se superar. Como é importante acreditar em si. No próximo post, sigo caminho para o Camping Los Cuernos, e apesar do caminho ser mais curto, passei por um dos lugares mais indescritíveis dessa trilha. Então, vejo você em breve! Até logo, aventureiro! Bruna.
  12. @Carol Maya Oi Carol! Desculpe a demora para responder, eu não havia visto sua mensagem! Então, você precisa obrigatoriamente fazer as reservas antes de ir. Qual circuito você vai fazer? Se você fizer o circuito W (ou W inverso) você pode alugar tudo lá. Se você for fazer o Circuito O, você vai ter que levar suas coisas, por parte do circuito é em camping selvagem e a travessia é mais puxada. Eu fiz o W inverso e levei meu saco de dormir, aluguei a barraca com plataforma lá. Mas sinceramente? Quanto menos peso você puder carregar, melhor! Acho que vale a pena alugar a barraca e o saco de dormir por lá mesmo. No momento em que você faz a reserva, você já faz essa opção. Por outro lado, o saco de dormir é algo bem particular né, as pessoas dormem dentro dele, nem todos tem os mesmos hábitos de higiene e não sei se eles são lavados, ou como funciona isso... hahaha. O meu era bem leve. Comprei um da Nautika, com temperatura de conforte de -7 graus. Eu dormi duas noites sem isolante térmico, e passei muito frio. Frio a ponto de colocar todas as minhas roupas dentro do saco de dormir pra aquecer. E eu fui no auge do verão. Então, se for levar um saco de dormir daqui, leve um para temperaturas ainda mais baixas. Quanto à barraca, alugue lá. O vento lá é fenomenal, então tem que ser "a" barraca pra não sair voando. E chegando no camping, já está tudo no jeito, é só você entrar e descansar. Espero que tenha ajudado. Estou aqui para o que precisar! Abração! Bruna
  13. @felipenedo Oi Felipe! Faz sentido sim! Muita gente faz esse bate e volta até às Torres e volta para Puerto Natales. Dica: pegue o ônibus na rodoviária, no primeiro horário (quando fui, era às 7hs) e quando chegar no parque, pegue o transfer até o Hotel Las Torres. O transfer só aceita pagamento em dinheiro. Leve dois bastões de trekking, faz toda a diferença. Para o segundo dia: o camping italiano é "selvagem". Não tem aluguel de barracas, plataformas ou qualquer material. Então, sugiro você ficar no francés. Mas aí é importante você lembrar que o camping francés não tem refeições inclusas, então é bom você levar um fogareiro de camping para poder jantar. Claro que se você optar por levar lanches, você vai sobreviver tranquilo sem comer comida quentinha uma única noite! Lá também tem uma mercearia, mas eu não entrei, então não sei te dizer como é. No terceiro dia, acordando cedinho, dá tempo sim de você chegar em Paine Grande e pegar o barco. Vá preparado para o frio, a noite na barraca é muito gelada. Leve apenas o necessário, não leve peso a toa. Quanto a comida, leve algo que te sustente bem. Amendoim, chocolate, um pacote pequeno de pão, uma peça de salame (pq é salgadinho e não estraga sem refrigeração), uma lata de atum se você gostar de comer frio (caso não leve o fogareiro), frutas secas (isso dá uma energia danada!). Coisas assim. Não esqueça de levar, pelo menos, duas garrafinhas de 500ml para água. No mais, divirta-se muito! Espero ter ajudado. Precisando, tô por aqui, é só perguntar! abração, Bruna.
  14. Como eu disse no último post, no meu primeiro dia de Torres del Paine, meu objetivo era chegar até o Refugio Grey. De Paine Grande - onde eu desci do catamarã e iniciei minha caminhada - até o Refugio Grey são 11 km. Que eu deveria ter feito em 3,5 hs. Deveria. D-E-V-E-R-I-A. Mas, como eu gosto de emoção, eu levei 7 horas. Eu não chamaria aquilo de caminhada, eu diria mais é que eu me arrastei até lá. Um à zero para o sedentarismo. No início da caminhada, a trilha passa por uma grande área que sofreu com um incêndio causado por um turista descuidado, anos atrás. É triste. Nesse ponto se faz silêncio, parece que nem o vento faz barulho. A natureza está se reconstruindo, mas ainda vai levar muitos anos para que tudo volte a ser verde ali. Depois desse ponto, você chega na Laguna Los Patos. Tem um mirante e um pessoal almoçando. Nesse ponto eu encontrei uma família de brasileiros, mãe, pai e dois meninos com cerca de 10 anos. Achei lindo. Mas me deu uma saudade enorme de casa. Me senti sozinha de novo. Muita gente faz esse percurso como bate e volta, apenas para ver o Glaciar Grey, que é realmente um espetáculo. Do Refugio Paine Grande até o Mirador Lago Grey são 4,5 km. A partir dali, até o refugio, são mais 6 km de caminhada descendo rochas. E na volta, toda descida vira........ subida! Isso mesmo, parabéns! (hahaha) To rindo, mas é de desespero. Acho que não te falei, mas você desembarca do catamarã, em Paine Grande, por volta das 11hs da manhã. Então se você for fazer um bate e volta no Lago Grey, e voltar para Puerto Natales no mesmo dia, tome cuidado com o último horário que o catamarã retorna para Pudeto. Segundo a indicação da placa, são 4,5 km para chegar até o mirante, então considere o tempo de volta, o tempo de parada e contemplação e as pausas para descanso. Deixa eu te contar então o que eu fiz, pra você fazer diferente. Primeiro, lembra que eu deixei para amaciar minhas lindas botinhas fazendo a trilha da Laguna de los Três, lá em El Chaltén? Pois então, anote: erro nº 1. Isso esfolou meu calcanhar de uma forma que a tendência seria piorar. E piorou? Claro. Eu cuidei do machucado, que graças a Deus era só no pé esquerdo. Eu levo uma "farmacinha" comigo em qualquer viagem que eu faça, então eu estava preparada para o caso de precisar fazer um curativo (ou vários, como você vai ver a seguir). Pois esse foi o meu primeiro mochilão na vida. Então, claro, minha mochila era nova. Obviamente eu a testei em casa, coloquei todo o peso dentro dela e aprendi a ajustá-la corretamente no meu corpo, evitando dores nos ombros e costas, bem como a sobrecarga nos joelhos. Ah, não se iluda amiguinho! A essa altura do campeonato você já me conhece o suficiente para saber que eu fiz o contrário do que é recomendado. Erro nº 2. Eu coloquei a mochila nas costas e ela estava tão pesada - ou eu estava tão desacostumada ao peso - que todas as vezes que eu precisei tirá-la das costas, tinha que procurar uma pedra ou uma encosta para me apoiar, porque senão eu caía. Era engraçado (e ridículo haha). Mas o pior mesmo não era o peso, eu realmente levei apenas o que precisava para passar os dias. O problema todo aqui foi a falta de ajuste. Esse tipo de mochila é preparado para se ajustar ao seu corpo. Portanto, você precisa encontrar o ajuste que a deixe confortável em você. No meu caso, eu só fui perceber o que deveria fazer no dia seguinte. Então camarada, quando você for utilizar um mochilão, ajuste ele ao seu corpo, utilize a barrigueira - que é a fivela que prende o mochilão entorno da sua cintura - e cuide para ficar confortável nos ombros. Dessa forma, você distribui o peso do mochilão e sua caminhada não se torna um martírio. Outra dica: guarde seus pertencer na mochila de forma que o mais pesado fique na parte inferior. Hoje, se eu fosse fazer de novo, eu teria me hospedado em Paine Grande, pego apenas uma mochila de ataque - aquelas mochilinhas pequenas apenas para passar o dia - teria ido até o mirante (mirador) e voltado, passaria a noite ali e no dia seguinte seguiria meu rumo. Ir até o Refugio Grey é mandatório para quem faz o Circuito O. Mas no meu caso, não havia necessidade. O Refugio Grey não faz parte do circuito W, então são 6 km - com muita subida e descida - de brinde. O caminho é lindo, mas é extremamente puxado. Você pode conferir as diferenças de altitude em uma das fotos que estou anexando aqui. Tire suas conclusões. Claro que, se eu não estivesse com o pé machucado e o mochilão desajustado nas costas (e fizesse exercícios no dia a dia), a minha percepção seria diferente. Então, leve em consideração que essas dicas aqui estão sendo dadas por uma marinheira de primeira viagem. Absorva só o que te for útil. Não pense você que eu não havia lido - em um milhão de sites diferentes - o que eu deveria ter feito para me prevenir desses erros estúpidos que eu cometi. Eu li as recomendações de todos os aventureiros do planeta, e elas são bem simples: não deixe para amaciar as botas na viagem, teste seu mochilão em casa, se prepare fisicamente para esse tipo de viagem, leve uma farmacinha com você... mas como você pode perceber, eu só levei a sério a história da farmacinha. Eu poderia mesmo escrever uma manual do que NÃO fazer pra se dar bem. Mas, voltando para o que interessa mesmo, depois de 4,5 km de caminhada, você encontra o Mirador Lago Grey e aquela vista estonteante do Glaciar Grey. No fim do ano passado, um pedaço considerável da geleira se soltou, o que é alarmante. Eu havia lido em alguns blogs o seguinte comentário: "se você viu o Perito Moreno, você não precisa ver o Grey". Comentário absolutamente descabido, na minha opinião. São experiências completamente diferentes. O ambiente em Torres del Paine é absolutamente outro. O Parque Nacional Los Glaciares, onde está o Perito Moreno, é completamente "urbano" se comparado à Torres del Paine. Então, se puder, vá e conheça ambos. Te garanto que vai valer a pena. Você já ouviu falar que em Torres del Paine venta loucamente, não é? Mas eu posso te afirmar que venta mais do que isso aí que você está imaginando. Eu tentei chegar no meio da pedra grande do mirante, mas o vento não deixou. Fiquei uns minutos encostada numa pedra enquanto tentava tirar uma foto, sem perder a máquina fotográfica para a ventaria. Você não tem mais nem expressão facial nessa hora, porque o vento estica tudo. É um belo lifting. Quem é que precisa de Renew, meu bem? hahaha. Eu vi um grupo de pessoas que conseguiu chegar mais adiante, e foram deitados até lá, pra você ter uma ideia. É nesse ponto que as pessoas se separam. A maioria retorna para Paine Grande, mas alguns poucos, como eu, seguem até o Refugio Grey. O caminho para o refugio é uma aventura a parte. Uma parte é trilha de terra, a outra parte é pedra. Então você desce pelas pedras, algumas vezes acompanhadas de um rio. Existem pontos extremamente íngremes e é importante você cuidar para não torcer um tornozelo ou os joelhos aqui. Eu levei um par de joelheiras e usei todos os dias, depois desse. Pode ser efeito placebo, mas te dá uma sensação de segurança maior. Como havia muita descida, um terreno muito íngreme e meu calcanhar pedindo socorro, eu comecei a chutar pedras. Era sem querer, eu juro. Mas acho que o cansaço, que já estava se tornando exaustão, não me deixava levantar os pés direito pra andar. Perdi uma unha. Eu estava com um bastão de trekking, mas deveria ter levado dois. Te dá um excelente apoio. O meu bastão é o mais baratinho da Decathlon. Paguei 50 reais e ele não me deixou na mão em nenhum momento. Foi mais resistente do que eu imaginei. Nesse dia eu encontrei a Grace pelo caminho. Acho que você ainda não conhece a Grace. A conheci na hora que fui dormir, lá naquele hostel em Puerto Natales. Ela é da Lituânia (terra da minha bisa, por parte de pai), mas mora em Londres. Ela havia estado no Rio de Janeiro no mês anterior. Pessoa super simpática. A Grace saiu depois de mim do hostel, mas me passou na trilha - parou um pouco para conversar comigo e saber se eu estava bem - e chegou duas horas antes de mim no refugio. Grace não é sedentária. Em um outro momento da trilha, eu sentei num tronco de árvore caído, e um grupo com uns 4 rapazes - que acredito serem mexicanos - passaram por mim. Me deram o maior apoio moral pra continuar: "vamos, já estamos chegando, força!". Enquanto eu tentava acomodar o mochilão nas costas, proteger o calcanhar da bota, não cair com a ventania, e segurar a minha língua que estava quase arrastando no chão, eu vi as paisagens mais incríveis da minha vida (até aqui). Ah, essa perna do circuito W é bem gelada, viu? Vá bem agasalhado, mas no sistema "cebola". Paulistas conhecem bem: você coloca várias camadas de roupa para ir tirando ao longo das várias temperaturas no decorrer do dia. Pra finalizar, vou te contar uma coisa que me deixou bem intrigada: fui a última a chegar no Refugio Grey e fui encaminhada para um quarto compartilhado, com duas beliches. Apenas uma cama estava ocupada. A outra seria a minha. Para conseguir uma cama nesse refúgio foi uma guerra, contei num post. E quando cheguei lá, surpresa: duas camas vagas. Tirando o problema de organização com as reservas, o refugio é excelente. Tomei um banho bem quentinho, lavei o que dava para lavar no chuveiro, voltei para o quarto e desmaiei. Eu levei comida, mas eu não sentia fome. Eu peguei um pão tipo hambúrguer, que havia comprado em Puerto Natales, e comi metade. Não eram nem 19hs. Fiz um curativo no pé, que havia piorado um pouco, dormi e acordei no dia seguinte, às 6hs da manhã. O refugio fica sem energia elétrica a partir das 22hs e retorna às 6hs. Acordei, me ajeitei, ajeitei minha mochila, deixei um pacote de nhoque - que não precisava de refrigeração - e um saquinho de molho pra trás (na esperança de fazer a mochila pesar menos). Não comi nada. Meu estômago estava enjoado e eu não sentia fome. Às 7hs já estava fazendo a trilha de volta, agora seguia para o Camping Francés. Seria um longo dia. Loooooongo. Mas essa história eu te conto no próximo post. O que levei desse pedaço de trilha: apesar de todo o perrengue, cada vez que eu via algum capricho da natureza, eu esquecia das dores no pé ou nas costas e só pensava "valeu totalmente a pena". Enquanto caminhava sozinha, eu tinha muito tempo pra conversar comigo mesma, pensar na vida, refletir. Chorei um pouco e pensei o quanto mudaria algumas coisas. A solidão é um santo remédio pra quem tem a cabeça cheia e o coração cansado. Recomendo. Até logo, viajante! Bruna.
  15. @top_dog Rafa, meu amigo querido! Que bom ver você aqui! Com certeza vou passar aí pra tomar esse café e conhecer sua linda família! Vocês vão amar a Patagônia! Conte comigo para o que precisar! Vou ler seus relatos também, com certeza! Um abração!
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