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Wesley Felix

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  1. Tem sim @joao alexandre , mas tô meio enrolado, bem na verdade, mas acho que já percebeu né pelo tempo que não posto, tenho que pedir desculpas até, mas essa semana vou dar prosseguimento aos relatos e muito obrigado pelo comentário, incentivou bastante a continuar, forte abraço.
  2. O SALAR Quando entrei no carro dei de cara com o grupo que seriam meus companheiros pelos próximos dias de viagem pelo salar, o motorista Carlos, boliviano que ganha à vida trabalhando como guia já a um bom tempo, no princípio um tanto calado e na dele, mas foi fundamental para todo o passeio ter transcorrido perfeitamente, além de mandar bem na cozinha foi o responsável por nossas fotos panorâmicas em perspectiva, além da melhor playlist possível. Ao seu lado o navegador Renato, brazuca, que não era bem um navegador como num rally, ele era turista igual nós, mas um cara com uma energia lá em cima, muito viajado e comunicativo, e com uma força de palavra muito grande. Como fui ao meio atrás, ao meu lado tive a companhia de duas mulheres incríveis, a Sinara – moradora da capital paulista super conectada e pró ativa – e a Neuza, uma portuguesa que estava em um mochilão de oito meses até então, começou pela Ásia e terminaria no Brasil, quando então voltaria para casa, todos falantes da língua portuguesa, quando nos demos conta da mais que feliz coincidência foi uma alegria geral, não só porque éramos todos lusófonos, mas nosso grupo estava em uma energia muito bacana, na mesma sintonia mesmo, tanto que não tivemos nenhum tipo de problema de interação nem convivência, pelo contrário, viramos amigos de infância e viagem, pelo menos enquanto durou, ainda haviam dois integrantes que iriam se juntar a nós nesse dia ao longo do salar, um casal francês de amigos, e que foram uma grata surpresa, mais a frente revelo o por quê do grata. O primeiro ponto de parada foi o cemitério de trens, um lugar aos arredores da cidade onde ficaram depositados vários vagões e locomotivas já em avançado estado de deterioração devido estarem expostos às intempéries, apesar de não ter nada de especial na atração e não haver por parte dos guias nenhuma explicação voluntária do porque daquilo tudo, é um bom lugar para tirar algumas fotos, mesmo estando repleto de turistas, tipo, muitos mesmo, vale o registro e é uma primeira forma de interação do grupo. Nesse momento me dei conta que havia deixado meu celular carregando na agência, por sorte ainda estávamos perto da cidade e o dono da agência prontamente atendeu ao pedido de Carlos para trazer o celular até ali, mas isso era só um prenuncio do que aguardava meu parceiro de viagem. Acabou que ainda deu tempo de tirar umas fotos do lugar e não deixar passar em branco. De volta ao carro agora era hora de começarmos a adentrar o salar, num primeiro momento de transição é uma mistura das cores de terra e o branco do sal, mas quanto mais avançamos mais o branco vai dominando a paisagem até que a sensação é como se estivéssemos em meio a mais pura neve até onde a vista alcança. Primeiro fizemos uma rápida parada obrigatória em um vilarejo onde se vendem de tudo para turistas com um pouco mais de grana, coisa obrigatória mesmo e tão logo olhamos por olhar uns suvenires e tiramos algumas fotos, já demos seguimento à viagem. Ainda em meio a essa área de transição paramos rapidamente para observarmos uma espécie de mina d’água em meio ao deserto de sal, com propriedades curativas, mas não recomendáveis, claro que como bons turistas que somos aproveitamos mais do que a explicação de Carlos e provamos para ver se a água que brotava era salgada mesmo, e é era, tipo de parar os rins e cair à língua, mas estamos todos vivos para contar a história. Depois dessa rápida experiência que pode nem ser vivida a depender do motorista, a próxima parada era um ponto de apoio onde faríamos nossa refeição de almoço, o local é muito bacana, conta com banheiros e mesas onde cada grupo é servido, o preparo da comida fica por conta do guia que nos liberou para conhecer os arredores enquanto ele preparava tudo. Nesse ponto há um monumento do Rally Dakar, além da praça das bandeiras de todos os países que por ali, alguém passou, e claro que a brasileira estava mais que presente, e apesar da concorrência e disputa, deu pra todo mundo fazer seu registro, nem que para isso tenha que ser no grito e correria, ainda bem que estava muito bem acompanhado porque não sou muito disso, ou melhor, não era. A comida era simples e gostosa, acho que pela primeira vez comi carne de lhama, mesmo o guia tendo dito que não, com um riso sínico na cara, mas a menos que os bois da região – que nem existem, diga-se de passagem – mudem de gosto devido a altitude, aquilo era lhama, e como comi lhama sabendo que era lhama depois, aquilo era lhama, ou melhor, alpaca. A tarde foi para conhecer o salar, agora já éramos um ponto naquele infinito branco, em dado momento começamos a puxar assunto com nosso motorista calado, ai nosso navegador de bordo indagou o que ocorreria se ocorresse algum imprevisto como um pneu furado – já que estávamos em meio a um deserto de verdade, mas ao invés de areia como logo pensaríamos, era sal que tínhamos em nosso arredor – acho que deu tempo para o Carlos responder e bingo, um pneu furou, não foi por acaso que disse que Renato tem um grande poder de palavra, apesar de um constrangimento inicial e muito riso, rapidamente nosso motorista resolveu o problema com a ajuda de outro carro que estava por perto, tática que eles usam para evitar problemas como de se perderem na imensidão do salar. Problema resolvido, demos seguimento ao passeio pelo deserto branco, até que paramos para fazer a tomada de fotos obrigatória desse momento, por ser muito plano e só ter o azul do céu e o branco do sal como tela de fundo, basta um pouco de imaginação e um bom fotografo para criarmos vários cenários diferentes e brincar com as perspectivas e objetos a mão, no nosso caso, o Carlos desempenhou as funções de fotografo já que estávamos apanhando um bocado para pegar as manhas, e ainda usamos um dinossauro de brinquedo e um rolo de papel higiênico, não sei quanto tempo durou toda aquela brincadeira, mas acredito ter sido para todos do grupo, o ponto alto do passeio naquele dia, claro que vimos muita coisa linda, paisagens de tirar o folego, mas essa interação em grupo foi algo simplesmente sensacional. DICA: Capriche no protetor solar, protetor labial e não esqueça os óculos de sol, apesar de ventar muito e dar uma sensação de frio constante, o sol também não da trégua e queima, muito. Fotos tiradas, agora seguimos para o próximo ponto de parada, a Isla Incahuasi, também conhecida como ilha dos cactos gigantes, é um lugar muito intrigante, onde algumas plantas conseguem se desenvolver há algumas centenas de anos, o local é o topo de um vulcão que ficou submerso no processo de formação do salar. Depois de pagarmos a entrada para a trilha e que também da acesso aos banheiros, podemos percorrer um caminho demarcado que leva no seu ponto mais alto ao mirante da Plaza 1º de Agosto, de lá podemos ver todo o salar e a cordilheira ao fundo, além da Ilha do Pescado, os carros e pessoas na entrada, outros carros ao longe cruzando a imensidão do salar, enfim, o caminho é muito tranquilo e o guia nos dá o tempo necessário para percorrermos o percurso no nosso ritmo até voltar a base, junto a trilha também há estruturas que lembram ou são corais petrificados, muito interessantes e que provam as transformações que nosso planeta sofreu e continua sofrendo no seu processo de formação. Nesse ponto recebemos a companhia do casal de franceses que completariam nosso grupo, no começo eles estavam meio na deles, mas tem que ser muito chato pra não se contagiar com um bando de brasileiros juntos, e bingo, eles estavam vibrando na mesma sintonia que nós, apesar do idioma ser uma barreira, com exceção de mim, todos arranhavam um inglês então deu pra fazer uma comunicação bacana e interagirmos mutuamente. Quando disse lá atrás sobre eles serem uma grata surpresa, é pela fama que os franceses carregam de serem um tanto metidos para nossos padrões tupiniquins, o que não era o caso, pelo menos não com eles. Da Ilha dos cactos seguimos para outro ponto no salar para apreciar o pôr do sol, momento de mais fotos, tentar brincar com o sol em perspectiva, mas sem o Carlos para nos guiar, acabou que a tentativa de segurar o sol ou relembrar o Dragon Ball Z não ficou das melhores, mas rendeu muitas risadas. Depois que o sol se pôs, fomos conhecer nossa hospedagem onde passaríamos a noite, um hotel de sal em meio ao salar, agora não me recordo se tudo era de sal, mas o quarto era desde o chão até á cama. Uma vez instalados, além de uma deliciosa refeição que incluiu vinho, salsichas com batata e sopa, pode-se pagar por um banho quente, o que é aconselhável, tendo em vista que na noite seguinte essa opção se quer existe. O dia começou cedo, café da manhã tomado, mochilões em cima da caminhonete e começamos o segundo dia pelo salar, na verdade a partir desse ponto já começamos deixar o branco do salar para avançarmos em direção a Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, o primeiro ponto de parada foram os trilhos de trem que um dia já cortaram toda a região, rápido momento para fotos e para apreciarmos os picos que circundam toda a paisagem, depois fomos convidados a explorar algumas formações rochosas esculpidas pela erosão do vento, a visão dos vários picos de montanhas e vulcões com o céu e sol logo acima dão uma perspectiva de dimensões únicas, nesse dia também começou a visita nas lagoas da região, são várias, no entanto estavam já bem secas devido a época do ano, o período de chuvas só teria início na próxima estação e os picos das montanhas quase já não tinham mais neve que após o período de chuvas são responsáveis por manterem os lagos cheios de água e vida devido ao degelo. Nosso almoço foi junto à Laguna Hedionda, nela havia um bom grupo de flamingos, além do cheiro forte por conta dos elementos minerais que compõe toda sua formação, na verdade são a misturas de diferentes elementos que dão as diferentes colorações as lagoas da região, além da lagoa, o local conta com uma estrutura receptiva aos turistas, o que inclui restaurantes, banheiros e locais para pernoite, tudo muito colorido, nesse dia nada de lhama, o almoço foi frango e acho que tivemos arroz também, comida boa e deliciosa e o melhor, sem dores de barriga. Depois do almoço descansamos um pouco em algum ponto longe do sol que castigava, ou simplesmente fomos apreciar a vista da enorme lagoa. À tarde o ponto alto do passeio foi a Arbol de Piedra no deserto de Siloli, já próximo a entrada da Reserva, ali além do monumento principal, podemos escalar as formações ao redor e tirar algumas fotos, antes, no trajeto ao longo do deserto, nosso motorista nos incentivou a descer e caminhar por um “labirinto de pedras” onde além das enormes rochas de ambos os lados, encontramos gelo, tipo do nada e derretendo ao sol da tarde, e também roedores conhecidos como Vizcachas, que nos rendeu boas fotos e risadas. Tiveram outras lagoas das quais não vou me lembrar do nome, tanto neste dia quanto na manhã seguinte, mas são várias mesmo, no entanto o destaque fica para as principais, já as fotos não, qualquer poça – e se tinha um flamingo então – já era motivo de uma paradinha pra esticarmos as pernas e dar utilidade aos nossos celulares, já que sinal não existe. Por fim chegamos ao posto de controle de entrada das pessoas para acesso a Reserva, ali todos descem, pagam a entrada e podem carimbam o passaporte, já que é de graça, por que não. Depois seguimos até chegarmos ao ponto onde dormiríamos, junto a esse ponto fica a Laguna Colorada, de um vermelho lindo e nessa altura misturada ao branco de algum elemento mineral que estava aparente devido a seca, ao longe haviam alguns flamingos e o que o grupo foi fazer – descansar como os demais é que não foi – seguindo a liderança dos franceses, fomos um a um atrás do outro, a princípio a ideia era contornar a lagoa, mas chegamos em um terço dela e logo o sol iria se pôr, como ainda tínhamos que voltar, fomos um a um retornando – na verdade subestimamos seu tamanho e tivemos que admitir a derrota, além do que o vento forte e cada vez mais frio era bem convincente – de volta aos alojamentos, podemos enfim descansar um pouco até a hora do jantar, óbvio que como bons brasileiros que somos, pensamos em fazer uma fogueira ou pelo menos uma festa – coisa da Sinara, eu só dei o apoio imoral necessário –, mas essa possibilidade logo foi frustrada por nosso guia, dormir cedo era a única opção possível já que antes das cinco deveríamos estar em pé para iniciarmos o último dia de passeio. Foi a noite mais fria de toda a viagem, menos dez Celsius, apesar de não ter sentido o frio, passamos uma noite bem agasalhados e saímos preparados para o primeiro ponto do passeio – os Gêiseres Sol de Mañana, o motivo de sairmos tão cedo é que a atividade dos gêiseres é mais intensa pela manhã, antes do sol nascer –, ainda no local de pernoite tomamos um quente café da manhã e nos preparamos para dividir o grupo, como Renato e nosso casal francês não seguiria para o Chile eles iriam em outro carro, neste primeiro momento apenas seus mochilões, nossa separação só ocorreria depois. Nosso caminho até os gêiseres foi ao som de musica brasileira dos anos 90 e 2000, axé, sertanejo e Gabi Amarantos, acho que aqueles europeus nunca viram um bando de gente mais sem futuro que nós brasileiros, até prometer de fazer a coreografia da Joelma se tocasse Calipso foi prometido – não preciso nem dizer de quem partiu as ideias e animação, meu apoio era apenas imoral mesmo. O caminho até os gêiseres é feito mais ou menos em comboio pelos motoristas, e mesmo assim a chance de errar era grande, mas logo chegamos ao ponto de apreciação desse interessante fenômeno, apesar de estar bem escuro e não podermos avançar muito por entre as rochas esfumaçantes, foi muito valida essa experiência. Depois seguimos em direção aos banhos termais, que é opcional para cada um, dessa vez não entrei, apenas as meninas, e foi nesse ponto onde nosso grupo se dividiu, nos despedimos de nossos amigos de Salar que retornariam para Uyuni enquanto nós continuaríamos em direção ao Chile, eles ainda percorreriam os mesmos pontos que nós antes de encerrar o passeio, mas devido a logística, em outro carro que não iria até a fronteira. De volta ao carro, seguimos agora na companhia de duas belgas para o Desierto de Dalí, o pintor espanhol – algumas de suas obras lembram muito as magnificas paisagens locais, mesmo ele nunca tendo estado ali. Um dos últimos pontos de parada antes da fronteira foi a Laguna Verde, aos pés do Vulcão Licancabur que divide Bolívia e Chile, a vista é indescritível de verdade, passados o momento de contemplação já era hora de começarmos a preparar os espíritos para a despedida dessa jornada, agora era encarar os tramites fronteiriços entre os dois países e seguir para uma nova etapa da viagem, San Pedro do Atacama. DICA: O processo de saída da Bolívia é relativamente simples, antes de irmos em direção as vans que nos levam da fronteira para a cidade chilena, temos que dar baixa da nossa entrada no país, o escritório boliviano é bem simples, e o processo é apenas de carimbar o documento emitido na entrada, no entanto o agente de imigração boliviano cobra uma taxa para tal baixa, essa pratica é irregular, uma vez que tal cobrança não existe nem para a entrada, nem para a saída, em nenhum país por qual passei, diga-se de passagem. Como havia lido a respeito dessa ação já bem conhecida, combinei com a Sinara que não pagaríamos e que até falaríamos que éramos jornalistas se fosse necessário, algo que não foi preciso, no entanto fica a dica, apesar de ser um valor muito baixo, quinze bolivianos a época, o ato é ilegal e um exemplo claro de corrupção contra estrangeiros. MOMENTO DESABAFO: A Sinara estava na minha frente no momento de passar pela imigração, dentro do escritório forma-se uma fila de quatro ou cinco pessoas, a desculpa dela para não pagar foi exigir um comprovante do pagamento da taxa, algo que se quer se cogita existir, pois é irregular, segundo ela o agente coçou a cabeça e a mandou embora sem pagar a taxa. Como fui logo em seguida, entreguei o passaporte e o papel de entrada emitido pela imigração em Guayaramerín, o agente sequer olha pra conferir se a gente é a gente mesmo, apenas pede o dinheiro enquanto prepara os papéis, como resposta ao seu pedido eu disse que era brasileiro e que minha embaixada não havia instruído em nada sobre pagamentos para saída da Bolívia – em um espanhol relativamente entendível e preparado com muita calma, mano – nesse momento o agente me fuzilou com os olhos e se levantou da cadeira, eu só pensei, tô fu****, vou ficar preso nos confins da Bolívia por conta de míseros quinze bolivianos. O agente foi até a fila e mandou todos esperarem do lado de fora e só entrarem um por vez após a saída de quem estava lá dentro – foram os segundos mais tensos de toda a viagem, naquele momento tinha certeza que seria preso ou no mínimo levaria umas cacetadas –, mas ele apenas se sentou com ódio, carimbou meu passaporte e mandou-me sumir dali, assim que voltei a respirar consegui sacar um sorriso de alívio na minha cara. Na verdade o que ele queria era que ninguém mais ouvisse para evitar novas recusas em pagar a propina. Mas além desse relato, acabei por ler outro onde um brasileiro quase fora preso por policiais bolivianos em meio ao trajeto por uma das estradas do país, mesmo estando com toda a documentação correta, o que os policiais queriam eram dinheiro para não criar problemas, enfim, ter sorte também é necessário para evitar esses tipos de situação na viagem por países com problemas institucionalizados de corrupção, depois desse momento, só torço para que nossos agentes de polícia e fronteira não ajam como alguns de nossos vizinhos, nem contra nós brasileiros – algo que nunca vi – e ainda menos contra estrangeiros, porque é o momento de maior fragilidade e impotência de um turista, estar no meio do nada, sem acesso aos meios de comunicação ou imprensa e ter que lidar com pessoas de baixo valor moral e humano. GASTOS: Dia 20.09 (quinta-feira). Entrada Isla Incahuasi = Bs 30,00 Banho Quente = Bs 10,00 GASTOS: Dia 21.09 (sexta-feira). Entrada Reserva Eduardo Avaroa = Bs 150,00 GASTOS: Dia 22.09 (sábado pela manhã). Bs 0,00 TOTAL DOS GASTOS – Bs 190,00 / R$ 122,85 no Salar. Cemitério de Trens. Nascente d'água em meio ao salar. Praça das bandeiras. Interior do ponto de parada para o primeiro dia de almoço. Bastidores das fotografias em meio ao salar. Ilha dos cactos. Vista do salar a partir do mirante no topo da Ilha. Pôr do sol na companhia do melhor grupo possível (a esquerda o casal de amigos franceses, ao fundo a portuguesa Nelza, e os brasileiros Renato e Sinara. Vista da Laguna Hedionda. Vizcacha do deserto. Arbol de Piedra. Laguna Colorada. Gêiseres Sol de Mañana Nascer do sol junto as termas. Laguna Verde e o Vulcão Licancabur ao fundo.
  3. UYUNI Ainda no terminal de La Paz estava sentindo um frio absurdo que só foi aumentando dentro do ônibus, então logo após terminar minha pequena refeição e no apagar das luzes dei um jeito de vestir meu conjunto segunda pele, calça moletom, minha camisa, a blusa fleece, gorro e luvas, era tudo o que tinha na mochila de ataque, pois havia deixado minha jaqueta no mochilão acreditando que não faria tanto frio dentro do ônibus, mas pelo amor de todos os santos, eu estava simplesmente tremendo, e fui alternando entre dormir e tremer de frio, quando acordava tremendo conseguia ainda olhar a excelente estrada e sua vista – escolhi a poltrona três com visão panorâmica, mas logo dava um jeito de cair no sono de novo, assim tinha menos percepção do frio, que insistia em me acordar – e foi essa luta o caminho todo até chegarmos à pequena Uyuni antes das sete da manhã, quando o ônibus parou já estávamos sob a luz do sol há um tempo, minha esperança era que ele começasse a aquecer o ar logo, mas a sensação de frio só aumentava e quando desci do ônibus só fazia tremer e soltar fumaça pela boca, nariz e acho que até orelhas. Chegou um momento que estava na fila para pegar o mochilão e não conseguia mais controlar de tanto que tremia, me afastei até a calçada – não há terminal de ônibus na cidade – e soltei o meu inseparável garrafão de água, nesse momento um senhor me abordou para fechar o passeio para o salar – super normal, o pessoal fica há espera dos ônibus que vem lotados de mochileiros e turistas e ficam em cima da gente que nem agentes de turismo mesmo –, acho que meu cérebro congelou por um minuto e só disse que iria pegar meu mochilão e esperar uns amigos brasileiros para irmos juntos – apesar de congelando, lembrei das dicas de não aceitar o primeiro que aparecesse, mas a dica quase correta é, perguntar o preço e depois ver se há alguém mais barato – no momento essa foi a única desculpa que consegui pensar, e não era totalmente mentira, ainda no ônibus havia ouvido um sotaque português muito nítido, minha esperança era encontrá-los enquanto pegava meu mochilão, mas após fazê-lo e não ouvir nada, fui indo em direção ao meu garrafão, que sempre permaneceu no meu campo de visão, e depois de pegá-lo, já me afastando um pouco da multidão, nesse momento um outro senhor aparece diante de mim e pergunta se eu já tinha agência, só falei que não e dessa vez perguntei seu preço, quando ouvi que estava abaixo das minhas referências de relato abri um sorriso, mas ainda havia outra questão a perguntar e antes de abrir a boca ele já emendou, vamos até a agência que lá tem um aquecedor e depois vou te levar em uma cafeteria pra que possa comer algo quente, se ele tivesse dito isso antes de falar o preço eu já teria ido com ele de cara, mas mesmo tremendo igual uma vara verde (nunca vi, mas minha avó sempre usa essa comparação) ainda estava raciocinando bem, e morrer de frio parecia a coisa mais urgente a se evitar no momento, a questão do passeio poderíamos ver depois. DICA: A travessia do salar é feita por várias agências, procure sempre as diretas ao invés das intermediárias, a mais conhecida é a Esmeralda Tours, mas a operadora em que fechei o pacote foi a Ever Green Travel, acabei dando muita sorte, pois o meu pacote incluía o passeio pelo salar de três dias e duas noites, as refeições, acomodações de pernoite e o transfer da fronteira até San Pedro do Atacama já no Chile, tudo por Bs 750,00 – enquanto que outras pessoas no meu grupo que fecharam diretamente tiveram que pagar cinquenta bolivianos a mais pelo mesmo pacote. Segundo o dono da agência faltava apenas uma pessoa para fechar a “cota” dele, e essa cara era eu. Existem várias modalidades de passeio, desde apenas um dia, dois e uma noite, e mais que três dias e duas noites, apesar deste ser o mais popular por fazer a ligação entre a Bolívia e Chile, a faixa de preços vai variar conforme o nível de experiência e personalização que estiver disposto a vivênciar, os passeios são fechados em grupos de seis pessoas mais o motorista, que será o responsável pelo grupo durante todo o tempo, desde a questão das refeições, rotas, lugares de parada, ajuda com as fotos em perspectiva, e horários. Quando disse mais acima que a dica quase correta era ver o preço de várias agências antes de fechar com a mais barata, o “quase” fica por conta da qualidade do serviço que também deve ser levado em consideração, preços muito abaixo dos encontrados em relatos, por exemplo, podem envolver veículos em péssimas condições, problemas com os motoristas, entre outros, por isso procure agências referenciadas, já que ter problemas nesse tipo de passeio pode ser algo bem complicado. Outra dica é fazer o passeio a partir da Bolívia para o Chile, ele acaba sendo em média, vinte por cento mais barato do que o caminho inverso, tudo no Chile é mais caro – tudo. Quando li os relatos da chegada em Uyuni, não me lembro de ler sobre essa abordagem das agências, acho que justamente por que o pessoal chegava no primeiro horário a cidade, entre quatro e cinco da manhã, nesse caso o pessoal descia dos ônibus e iam direto para as cafeterias em busca de fugir da morte congelante – isso é unanimidade, mas só me apercebi quando estava lá – e uma vez lá dentro são abordados ou conseguem formas grupos e se organizar para ir em busca das agências e fechar os passeios. Já o meu caso foi diferente, após seguir com o senhor para seu veículo e depois para a agência, ele ligou o aquecedor e foi me mostrando como seria o passeio, todos os pontos de passagem, o transfer incluso, o modelo de veículo, os valores que deveria ter disponível para fazer a travessia, entre outras coisas – mas só de estar em um lugar quente eu já estava bem mais feliz, como o preço estava abaixo do que esperava, fiquei um pouco preocupado com a qualidade do serviço, mas só poderia confirmar depois que começasse o passeio – a única coisa que pedi com um pouco de ênfase foi a possibilidade de me encaixar em um grupo que tivesse algum brasileiro ou falante de português, e ele disse que conseguiria fazer esse encaixe, mas precisaria sair pra confirmar antes, e me deixaria aguardando um pouco na agência para depois me levar a cafeteria. MOMENTO DESABAFO: Essa viagem foi muito abençoada, quando me levantei com meu garrafão de água, o agente da Ever Green parecia que estava me observando, só aguardando para me abordar, apesar do frio fiquei receoso de que pudesse ser algum golpe, cara a gente tá sozinho, entrando em um carro com um completo desconhecido, acho que o Brasil cria uma paranoia tão grande na gente que tudo pensamos ser algum tipo de golpe, ou coisa de serial killer, quando não é, ou oremos pra não ser né. No mais se ele não tivesse aparecido, sinceramente não tinha muita noção do que fazer, nos relatos base para o meu, o pessoal ia em direção as cafeterias, mas no momento ficamos muito perdidos, é muito frio mesmo, por isso procure, se possível, alguma companhia, vá muito bem aquecido, e se conseguir falar, pergunte onde ficam os lugares para comer algo, a cidade é bem pequena, uma vez nesses ambientes tem wi-fi e aquecimento, dai pra resolver qualquer problema é um pulo. Assim que paguei o passeio ele me levou até a cafeteria para que pudesse comer alguma coisa enquanto ele agilizaria os preparativos para o passeio, agora já não estava mais tão frio e na sua ausência me livrei do conjunto segunda pele, à medida que o sol vai aquecendo o ar, tudo fica mais suportável, mas aquela madrugada havia feito dois graus negativos, por isso de todo aquele frio que senti. Já na cafeteria tomei um café americano e antes de sair usei a casa de banho do estabelecimento, já que durante o passeio acesso a banheiro só nas paradas ou na hospedagem ao fim do dia. De volta à agência, agora aberta, ainda demoraríamos mais uma hora para partir, então pedi algumas dicas para chegar a uma casa de câmbio, já que tinha o dinheiro contado para finalizar o passeio, mas precisava compra mais algumas coisas, além do que queria conhecer um pouco da pequena cidade, agora muito simpática aos meus olhos, com o sol no céu e sem aquele frio tremulante. Tirei fotos da praça e outros monumentos, depois aproveitei para comprar uma meia de lã grossa, nem tanto pelo frio, mas por conta do coturno que engolia minhas meias à medida que ia andando e como ele seria meu parceiro de caminhada pelos próximos três dias – tínhamos que nos acertar de um modo ou de outro, triste ilusão –, como já estava lá aproveitei pra comprar um cachecol também, achei muito colorido como tudo na Bolívia, mas era bacaninha. Depois continuei minha jornada em busca das casas de câmbio, só achei uma aberta e o preço era o pior de toda a viagem, troquei o básico apenas para garantir que teria dinheiro boliviano até minha chegada ao Chile. DICA: Apesar de não ter levado dólares e do real estar no pior momento do ano devido às incertezas da eleição, deveria ter me atentado mais para a questão cambial, cidades muito turísticas são péssimas pra troca de moeda, Uyuni e posteriormente San Pedro foram prova disto, enquanto em La Paz paguei R$ 1,00 por cada Bs 1,60 – em Uyuni por cada real só consegui Bs 1,40. A diferença no Chile foi mais ou menos parecida, a cada R$ 1,00 consegui apenas S 140,00 - 145,00 – enquanto a cotação do dia marcava para cada real S 160,00 (pesos chilenos). Se tivesse sido um pouco mais esperto, teria comprado a moeda chilena em La Paz mesmo. Para ter certeza basta interagir nos fóruns e comunidades de viajantes e perguntar como está a cotação nessas cidades mais turísticas e procurar a cotação do dia na internet, nas grandes cidades e capitais fora do país de origem, a variação negativa ocorre, mas é bem menor do que em cidades turísticas dentro do próprio país, uma mochileira que encontrei em San Pedro havia cambiado dinheiro em La Paz com uma cotação em pesos chilenos muito melhor do que eu estava pagando em San Pedro, dentro do próprio Chile. E por ultimo, nem todas as casas de câmbio aceitam a moeda brasileira, logo quanto menos concorrência, menor a oferta e maior o custo. Na volta aproveitei pra comprar mais água e um refrigerante, o motivo da água era para ter uma garrafa menor durante a viagem já que ficar com o garrafão o tempo todo era de mais também, quando retornei na agência estava tudo pronto, terminei de pegar o que usaria no dia e coloquei na mochila de ataque – o mochilão vai em cima do carro muito bem amarado e coberto, então pegue o que vai necessitar porque depois só na parada pela noite – o principal a não se esquecer são os lenços umedecidos, protetor solar, papel higiênico pra ficar tranquilo e uma blusa de frio, estou contando que nesse momento você já estará apenas de camiseta e com óculos de sol no rosto. Como ainda faltavam alguns minutos coloquei o telefone pra carregar e esperamos mais um pouco enquanto a caminhonete havia ido buscar o pessoal do meu grupo em uma das cafeterias, depois de voltar para a agência iriamos seguir direto para o primeiro ponto do passeio – o cemitério de trens. GASTOS: Dia 20.09 (quinta-feira). Passeio Salar de Uyuni (três dias e duas noites + refeições + pernoites + transfer até San Pedro do Atacama) = Bs 750,00 Café Americano (dois pães, geléia, café com leite e um copo de suco) = Bs 23,00 Uma meia de lã e cachecol = Bs 45,00 Bebidas (agua 2l + Sprite 500 ml) = Bs 12,00 Troca de moeda (R$ 1,00 = Bs 1,40) – R$ 50,00 = Bs 70,00 TOTAL DOS GASTOS – Bs 830,00 / R$ 518,75 em Uyuni Prédio público em Uyuni. Prédio do relógio na praça principal. Monumento Dakar. Antes de viver do turismo a cidade era essencialmente mineira, e seu surgimento teve forte ligamento com uma linha ferroviária, na rua onde se encontram boa parte das agência, inclusive a Ever Green, há vários monumentos recontando essa história.
  4. CHACALTAYA E VALLE DE LA LUNA Na manhã de meu último dia em La Paz despertei novamente com uma forte dor de barriga, mas dessa vez como havia comido mais no dia anterior as consequências também foram maiores, como havia despertado mais cedo para terminar de aprontar minha mochila de ataque, foi o tempo de ir e voltar no banheiro algumas vezes. Sai do hostel as 07h50min e optei por nem pegar minhas frutas na geladeira e nem tomar café da manhã, apenas um suco rápido, fiz meu check-out já com o mochilão nas costas, me despedi dos funcionários do hostel e desci a ladeira até a Catedral, na descida tudo é ótimo, comprei um garrafão de água de seis litros e consegui estar no ponto de encontro dez minutos antes do horário previsto, as oito e meia. Dessa vez estava bem agasalhado, durante esses dias em que estive em La Paz as manhas começavam com 5º C e sensação um pouco mais baixa, ainda assim não sentia tanto frio, as roupas foram recomendações por conta da montanha que subiríamos logo cedo, amarrei minha jaqueta na cintura e me sentei aos pés das escadas em frente a igreja. A van atrasou um bom tempo, até o momento que chegou um casal de mochileiros em um táxi, apesar do inglês inexistente de minha parte, consegui arrancar a nacionalidade israelense deles e indicar um café a frente, ao contrário de um casal de franceses que também chegaram depois, os israelenses eram simpáticos e pareciam mais perdidos que eu, quando isso ocorre a gente se dá conta que não somos os únicos nessa situação e isso é até encorajador, não olhando pelos desafios dos outros, mas simplesmente por saber que todo mundo tá no mesmo barco e quem têm mais experiência é por que já passou pelo que estamos vivendo agora. MOMENTO DESABAFO: Esse casal de Israel foi bem interessante, quando o taxista retirou as mochilas deles do porta malas, deu pra entender ele dizendo “essa é a igreja que vocês têm que esperar” o homem franzino claramente não entendia espanhol como constatei depois, foi ai que o taxista olhou pra mim e disse: - Olha, eles devem ir no mesmo passeio que você, fica perto deles e ajuda no embarque. Eu só sorri afirmativamente. A princípio eles ficaram bem receosos, na deles mesmo, depois o homem tirou uma moeda do bolso e deu para um dos mendigos que estavam no alto da escadaria junto à porta de entrada da igreja, nesse momento a fila de idosos ao lado ainda era pequena, notei que ele comentou algo com sua mulher e era no sentido de surpresa diante daquela pobreza toda, foi então que puxei assunto com ela, o básico de inglês a gente sabe – apesar de demorar em entender a nacionalidade deles – depois disso tudo, fluiu, indiquei o café do outro lado da rua e vi que iriamos no mesmo passeio. Quando falamos que somos brasileiros eles abrem um sorriso muito bacana de se ver, é bem legal mesmo. Depois fiquei pensando, a gente se acha louco, mas imagina um casal de israelenses, sem falar nada do idioma local, e sem ter noção da realidade local, porque o modo como ele se impressionou com aquele pedinte, foi no mínimo interessante de se observar, no mais, se aquele taxista fosse um mal caráter, ele poderia sacanear ou dar um golpe tranquilamente em ambos, acho que o universo é muito bom para nós mochileiros, porque se fossemos pensar mesmo, não sairíamos do nosso bairro e a vida nem valeria a pena. Quando nossa van chegou foi uma luta pra entrar com mochilão, mochila e garrafa d’água, parecia uma sardinha dentro, éramos um grupo bem grande de pessoas, em torno de quinze creio, e a maior parte brasileiros, foi uma festa só, ao longo do caminho passamos pela cidade de El Alto, quando subi com Rodrigo pelo teleférico ele passou algumas informações sobre a cidade, mas disse que não havia muitos pontos de interesse para se conhecer, as impressões que tive é que o transito é ainda mais intenso que o de La Paz e as feiras de rua ainda maiores. À medida que as duas cidades vão ficando para traz é possível notar a imensidão urbana que ambas formam, e a medida que nos aproximamos da montanha, a vista do caminho, uma estradinha íngreme – onde não passam dois veículos lado a lado, com muitas pedras e neve – e que vai serpenteando a montanha em curvas e mais curvas é sensacional, logo acima podemos avistar os cumes das várias montanhas que rodeiam La Paz, todos ainda com neve, é uma imagem indescritível, mesmo. DICA: Deixe para fazer a subida à montanha no seu último na cidade, para assim auxiliar a aclimatização devido a grande altitude em que está se encontra, a base de onde partimos para o cume está a 5.300 metros de altitude, sendo que a subida para o topo é bem íngreme, de 300 metros, com seu ponto final nos 5.421metros de altitude. O modo mais fácil e seguro para chegar a Chacautaya é por intermédio das agências, elas oferecem o transporte, guia e incluem o Valle de La Luna no passeio, pelo menos na No Fear não havia diferença de preços com ou sem o Valle, então fechei o pacote dos dois passeios pelos mesmos cem bolivianos, mais as entradas que possuem ingresso pago a parte. Pra quem quer fazer de modo independente também é possível, basta contratar um táxi e pagar a entrada, esse trajeto de descida da base pela estrada de acesso é feito também por ciclistas em busca de muita emoção, pois não há defensas para salvar pessoas tipo eu, que saem capotando por ai, por fim o preço acaba sendo maior, no entanto não haverá limite de tempo para ficar na montanha nem a convivência com outras pessoas, caso prefira. Por fim, agora sim, também há como personalizar o passeio na própria agência, mas isso depende de um grande numero de pessoas no grupo ou desembolsar um valor maior, assim além de ficar mais tempo, ainda existe a opção de caminhar até o outro lado da montanha, onde o carro da agência recolhe os aventureiros. E independente do modo como vai, leve roupas de frio, venta muito no topo e dependendo de como for sua caminhada e do grupo, você poderá passar mais tempo lá, óculos de sol é indispensável assim como protetor solar, água e algo que de energia rápido como chocolate, alguma fruta ou barras de cereais. A sede da estação está completamente abandonada, assim sendo não havia muito que ver nesse espaço, logo iniciamos a subida e foi ai que eu senti a altitude de vez, o coração dispara, tropeça quase para, só pode que o Tiago Iorc foi compor lá essa música, porque é assim mesmo, simplesmente a gente puxa e não vem oxigênio, o coração palpita muito forte e falta força pra continuar a subida, o frio também vem forte com o vento, acabou que fui ficando para traz, e precisava parar a cada dez passos no começo. Além de mim outro brasileiro também estava bem cansado, mas nem de longe ofegante como eu, e ainda aproveitava para parar e tirar um monte de fotos, a israelense não conseguiu dar continuidade, em compensação o marido dela acompanhou ela até o terço da montanha, me ultrapassou correndo, foi até a metade, voltou para vê-la e depois voltou a me ultrapassar já na metade do caminho, Nossa Senhora que fôlego e eu que não dava um boliviano por ele, acabou que eu e o outro brasileiro fomos um incentivando o outro, quando cheguei na metade parava a cada vinte passos e quando já dava pra ver o topo a cada trinta, acaba que a gente vai pegando o ritmo com passadas mais curtas e ritmadas, mas o incentivo ajuda muito além de um pouco de chocolate que tinha levado (ainda do downhill), só depois de comê-lo que consegui ter mais um pouco de forças, quando chegamos ao topo, valeu de mais tudo, é uma sensação de superação sem igual, ventava muito, mas a vista era magnífica, ao horizonte, bem longe é possível ter um vislumbre do Titicaca, além das várias outras montanhas que cercam La Paz e que são muito mais desafiadoras como a Huayana Potosí, que o Rodrigo era guia e me convidou para escalar em uma próxima oportunidade. Tão logo chegamos, já iniciamos a descida, nosso grupo estava só nos esperando mesmo e torcendo por nós – isso é muito bacana –, estava usando meu coturno e tirando a parte que machucava os dedos, ele deu conta do recado, fui o primeiro a chegar à base, para surpresa de todos, o segredo é saber onde pisar, pois há muitas pedras soltas e tínhamos que manter uma distância de quem ia a nossa frente para evitar acidentes, já disse que na descida todo santo ajuda e graças a Deus não ocorreu nada de errado com ninguém do grupo. Quando voltamos à base é que a maioria do pessoal começou a sentir os efeitos da altitude, algo que agora não ocorria comigo, as principais reclamações eram de dor de cabeça e tontura, momento de dividirmos água, algumas folhas de coca que sobraram e irmos para a van, onde o pessoal mais afetado poderia descansar. A descida da base pela estrada de acesso foi bem mais emocionante que a subida, mas o motorista era fera e deu conta tranquilo, mesmo tendo um momento onde todos congelaram, pois a neve havia derretido um pouco e invadido ainda mais a estreita pista, mas fora isso foi tranquilo, muito mais de que ter que voltar a La Paz e cruzar toda a cidade em horário de pico para irmos ao Valle de la Luna. Se ver o caótico trânsito de La Paz era engraçado, estar nele era horrível, acho que demoramos quase quatro horas para atravessar toda a cidade, por mais que o motorista escolhesse ruas alternativas, sempre tinha que voltar para alguma via principal, e ai era espera e mais espera, todos já estavam impacientes dentro da van, até os paulistanos acostumados aos engarrafamentos da metrópole brasileira, aproveitei pra conhecer melhor o pessoal, só não me pergunte o nome deles, mas de resto eram tudo gente boa. Já haviam feito Cusco e então fui pegando umas dicas, principalmente para a Montanha Colorida, acabou que fiquei completamente desanimado, o mesmo parceiro que subiu em ritmo mais lento para fazer a Chacaltaya comigo mais cedo, havia feito a Rainbow Mountain e me relatou da dificuldade que teve, idêntico a mim mais cedo – apesar de ir lentamente, ele não sentiu a falta de ar – a diferença entre as montanhas, segundo ele, é que a Chacaltaya é mais íngreme, no entanto nós já a iniciamos praticamente no topo, já a Rainbow tem um percurso de oito quilômetros para serem vencidos em mais ou menos oito horas, se for por agência, sendo que seu início se da nos 4.000 metros de altitude e termina nos 5.200 de altitude, ou seja, é muito mais desgastante, mas isso era coisa para se preocupar depois, em Cusco. Pois bem, vencido o trânsito, chegamos ao famoso Valle de la Luna, o lugar possui uma estrutura massa, pagamos a entrada e logo tivemos acesso aos banheiros, e depois começamos o passeio, a geologia do lugar é realmente muito diferente, possível de ser notada em alguns paredões que circundam a cidade, mas ali podemos ver de perto, tocar e caminhar pelas passarelas entre os diferentes terrenos, segundo o guia, o americano Neil Armstrong foi quem comparou o lugar ao terreno lunar ao conhecer La Paz ainda na década de sessenta do século passado. E realmente é muito diferente de tudo que já havia visto, mas confesso que imaginava a lua diferente, mas enfim, quem sou eu. DICA: Se quiser fazer o passeio ao Valle por conta, é mais que possível, ele fica a menos de trinta minutos do centro e é possível chegar de ônibus ou táxi – pagar a entrada que é em separado mesmo até pelas agências –, a diferença é que a agência disponibiliza um guia que vai explicando algumas curiosidades no caminho, acredito muito que compense fazer o passeio casado por agência, Chacaltaya e Valle, é só ir preparado para enfrentar uma temperatura negativa no topo da montanha e depois alternar para mais de 30º C durante o passeio a tarde em um ambiente desértico, que tudo dará certo. Durante nosso passeio encontrei o Lucas e americana, diga-se de passagem, eles estavam por conta, como a maioria dos passeios que estavam fazendo nos seus mochilões, mesmo trocando contato, acabou que não conseguimos nos falar mais, mas foram grandes amigos durante o período em que estivemos juntos, tipo aquele lance de atrair quem está na mesma sintonia que a gente, gratidão. Acabado o passeio, a van me deixou em frente à No Fear, me despedi do grupo que seguiria para o Brasil – como pessoas normais que eram, La Paz é geralmente o ponto final dos mochileiros –, já eu estava apenas no início de meu mochilão e agora iria caminhando em direção a rodoviária, as dicas do Rodrigo já tinham se ido da minha cabeça a tempo, estava confiando nos aplicativos do celular, mas como queria um caminho menos movimentado que a avenida principal, tentei seguir pelas ruas paralelas, tentei me organizar sentado em um movimentado ponto de ônibus na praça da Igreja São Francisco, o objetivo era mentalizar os mapas para evitar ficar sacando o telefone a todo momento, um mochilão, uma mochila, um garrafão de água, aqueles coturnos e a rodoviária que parecia tão perto no mapa, só parecia mesmo. Atravessei a avenida para ir em direção a rodoviária, mas era uma passagem subterrânea um tanto estranha, pensamos, “se não formos roubados agora, depois que não seremos mais”. Acabou que nem foi tão perigoso assim, é só fazer cara de mal e sair gritando, eu sou Zé Pequeno porra, as pessoas respeitam a gente. Mas voltando a falar sério, sai em uma rua muito estranha, então fui subindo para uma mais movimentada logo acima, aquele dia eu não estava nada bem, a cada meia quadra eu tinha que fazer uma parada pra descansar, tipo sentar e descansar mesmo, não tinha fôlego para encarar nem as descidas mais longas, quando pensei em pegar um táxi o preço cobrado era o mesmo que no dia em que fui da rodoviária para o hostel, pensei com meu eu, “deve ser essa cara de doença sua”, porque não era possível, pra variar meu mapa no telefone não estava abrindo agora, os créditos haviam acabado e eu não sabia que tinha que salvar os mapas com antecedência para ter acesso off, Windows Phone, perfeito. Fui tentando me comunicar com as pessoas, pra pegar a direção correta, não tenho certeza quantos pares de vezes ouvi falarem, desce mais quatro quadras que é logo ali, depois mandavam voltar ou ir direção completamente oposta, continuei seguindo por onde achava certo, desci para ruas paralelas sempre que achei que podia estar ficando perigoso, e ia olhando o teleférico, ele era uma referência mais confiável, mas nessa altura sabia que estava bem longe da rodoviária, foi quando estava sentado nas escadarias em frente a saída de uma igreja que uma senhora muito distinta me olhou como se eu não fosse um mendigo e sorriu – certeza que foi um anjo que Deus mandou –, antes de responder por onde deveria ir, ela quis saber se estava bem ou precisava de ajuda, apesar de sentir uma fraqueza e falta de ar, estava bem inteiro, acho que o ódio pelo coturno me manteve vivo, depois que ela indicou certinho o trajeto, tive que andar mais um quilômetro, mas agora já reconhecia os pontos que o Rodrigo me indicou, quando cheguei na esquina que da de frente ao terminal foi um grande alívio, depois dessa estava pronto pra outra como viesse, ah tá. Cheguei ao terminal pouco depois das quatro da tarde, fui à procura das agências que vendem a passagem para Uyuni, o pessoal na entrada fica gritando o tempo todo anunciando os destinos e tentando captar os passageiros que chegam, dei uma volta por todo o lado direito e depois fui voltando pelo esquerdo, já perto do meio da estação encontrei duas agências que faziam o trajeto para Uyuni, escolhi a Titicaca (Trans Titicaca Bolívia), não estava esperando muito do ônibus apesar da fotografia estampada na parede – só perguntei se teria banheiro e ela prontamente afirmou que sim –, marquei meu assento, preenchi a burocracia toda a mão, na hora de pagar a moça não tinha troco, então aproveitei para ir comprar umas frutas e trocar o dinheiro pra ela, paguei a passagem, depois o ticket de uso do terminal e fui aguardar o embarque que só ocorreria as 22h00min, mas tinha que estar na plataforma de embarque trinta minutos antes, a outra agência tinha previsão de saída as oito da noite, mas chegaria as cinco da manhã em Uyuni, nos relatos era isso mesmo, mas optei por chegar mais tarde, ainda bem por isso. Quando deu o 21h30min fui em direção ao embarque, o ônibus já estava na plataforma, pelo menos no terminal da capital os horários são cumpridos a risca com muita organização, e surpresa, foi o melhor ônibus que andei na vida, três poltronas leito por fileira, jantar, que comi tudo, diga-se de passagem, no entanto no banheiro só se pode urinar, só fui descobrir depois de me encher de banana e do leve jantar oferecido, bom que não precisei usá-lo para outros fins, depois de conferirem que todos haviam pagado a taxa de uso do terminal, fomos liberados para seguir viagem pela noite que passaria mais frio em minha vida, pelo menos até o presente momento dessa escrita. GASTOS: Dia 19.09 (quarta-feira). Água 6 litros = Bs 16,00 Entrada Chacaltaya = Bs 15,00 Gorjeta para o guia (ele foi muito atencioso na subida da montanha) = Bs 20,00 Entrada Valle de la Luna = Bs 15,00 Passagem para Uyuni (Titicaca) = Bs 130,00 Uma caixa de suco de maçã e 05 bananas = Bs 9,00 Taxa de uso do terminal = Bs 1,50 Balas, caneta e moedas para cholas = Bs 5,00 TOTAL DOS GASTOS – Bs 211,50 / R$ 133,00 na saída de La Paz. Observando o movimento da cidade enquanto aguardava a van para irmos a Chacaltaya. Caminho para Chacaltaya. Estação de sky desativada e ponto de partida para o cume. Enfim no topo. É neve mesmo. Entrada de Valle de la Luna. E olha quem encontrei no passeio, minha dupla preferida. Valle de la Luna, segundo o guia, Armstrong revelou ser essa geologia similar a da lua, com exceção da vegetação e vida. Agência Titicaca, já no terminal rodoviário.
  5. @Diego MoierGrato sou eu irmão, de verdade, teu relato foi a base para montar toda a minha trip, espero sinceramente que o universo lhe retribua toda disponibilidade e humildade em que viveu e depois descreveu tudo, se o roteiro tiver se aproximado do seu e do @rodrigovix, já me dou por satisfeito, muita luz pra vocês rapazes, abraço.
  6. DOWNHILL Como disse anteriormente, ouvi falar do Downhill lendo um dos relatos para a viagem, como todos dizem ser obrigatório, confirmei com Rodrigo se não era uma furada e ele afirmou que não, não tinha muita noção de como seria, só estava preocupado se não haveria muitas subidas, porque apesar de fazer, algumas vezes, ciclismo urbano na minha cidade, não tinha um dos melhores condicionamentos físicos que conheço. O bom da No Fear, é que ela é uma agência prestadora de serviço direta, logo o custo é menor por não haver intermediários. Quando fui fechar o passeio, a atendente foi muita simpática e solicita, mesmo se não estivesse na companhia de Rodrigo conseguiria ter fechado o passeio sem maiores problemas, o bom de ter ele por perto foi que pude tirar todas as dúvidas de forma mais simples e rápida, no momento estavam sendo oferecidas quatro tipos de bike (a mais simples tinha um custo de Bs 380,00; as duas intermediárias, uma de menor amortecimento e a outra com amortecimento traseiro estavam custando Bs 400,00 e Bs 420,00 – mas ela faria a melhor no mesmo preço que a de menor qualidade – e por fim a bike mais top tinha um custo de Bs 450,00), escolhi a intermediária de melhor qualidade, no passeio estavam inclusos todos os equipamentos, café da manhã, almoço ao final do passeio, banho de piscina e transporte para o ponto de início do passeio e volta para La Paz com entrega no hostel. Como disse na dica do hostel, tem que se levar em consideração a localidade, por um lado a localização do meu hostel era muito boa, mas por ser longe do centro a van da agência não passava por ele, assim tive que sair as sete da manhã para estar na sede da agência as oito, quando iniciaria os preparativos para o passeio. Já havia deixado tudo pronto na noite anterior, acordei quinze minutos antes das sete só para trocar de roupa e escovar os dentes, mas ocorreu o que temia desde o início da viagem, acordei com uma senhora diarreia, como só havia comido as saltenhas, uma banana e algumas uvas, não tinha muito mais o que sair do corpinho haha, então tomei um banho e mesmo apreensivo fui para a agência, optei por não tomar nenhum remédio que havia levado e como previ não ocorreu mais nenhuma manifestação do meu intestino pelo resto do dia. DICA: O café da manhã do hostel era das 07h30min até as 09h30min, e se por algum motivo você tiver a necessidade de sair antes do início do café, pode-se deixar avisado na recepção, que na maioria dos hosteis a equipe prepara algo para que possamos levar ou comer na hora, neste primeiro momento não sabia disso, mas neste hostel eles também faziam esse serviço, então fica a dica pra vocês. O caminho até a agência foi relativamente tranquilo, apesar de ir apresado com medo de me atrasar, as dicas do Rodrigo ajudaram bastante, mas precisei do meu telefone pra ter certeza que não me perderia, acabou que cheguei dez minutos antes das oito e o mercado das bruxas nem tinha aberto ainda. Na agência fui o primeiro a chegar, eles deram as roupas para provar e optei por tirar a calça jeans que estava e coloquei meu short, além de não sentir todo o frio que os outros aparentavam sentir, durante o passeio sairíamos do clima frio da altitude e entraríamos no clima tropical da floresta, a descida sai dos 5.000 metros de altitude e termina nos 3.000, por isso essa mudança de clima e temperatura, e para não ter que fazer a troca durante o passeio já fui pronto da agência mesmo, além da bike, compõe os equipamentos, luvas, cotoveleiras, joelheiras, um conjunto calça e jaqueta de couro e capacete. Não preciso nem dizer pra levar óculos de sol e um sapato fechado, esses por sua conta. O pessoal que foi pego pela van só começou a chegar as 08h30min, depois de todos prontos e vestidos fomos em duas vans até o ponto de partida, aos pés das montanhas que cercam La Paz, uma paisagem mais que bela, tirando o lixo que alguns insistem em jogar no local. Ali são conferidos os itens de cada um, passado as informações mais importantes pelos guias e fazemos um test drive nas bikes para pegarmos o ritmo delas. Nosso grupo ficou dividido entre quem falavam inglês e os que falavam espanhol, ainda bem que não havia um para os que não falavam nem um idioma nem outro, mas deu pra entender tudo e depois das recomendações passadas demos início a descida. Acho que nenhum dos adjetivos que possa usar vão descrever o que vi e senti nesse passeio, é tudo muito, mas muito, mas muito lindo, rápido e emocionante. Pegamos uma velocidade incrível nesse percurso de asfalto, cheio de curvas, e com o céu relativamente nublado deixando as montanhas com seus picos em neve ainda mais belas, como a rodovia é muito boa, em alguns momentos onde não há transito, podemos simplesmente esquecer a estrada e observar a paisagem, é uma emoção única, de verdade, vale muito tudo aquilo, inclusive o termo de responsabilidade que assinamos onde retiramos qualquer tipo de culpa e ajuda por parte da agência, afinal não leva o nome de estrada da morte por acaso. Antes de concluir esse percurso por asfalto, há um túnel, e ao seu lado uma passagem das bicicletas, passagem essa de terra e cascalho, como entrei embalado nele, quase atropelo o ciclista a minha frente e ocorre o primeiro acidente, por sorte de centímetros não foi dessa vez, mas serviu para mostra o que estava por vir. Logo em seguida após a passagem do túnel, a van de apoio nos espera para levar até a próxima estrada e continuarmos o percurso. Nesse meio caminho aonde vamos de carro existem algumas subidas, por isso não seguimos de bicicleta e eles aproveitam para servir o café da manhã – pão com ovo, água ou Coca-Cola e uma banana – mesmo estando com medo de ocorrer alguma ação adversa ao ingerir alguma comida, ativei o modo f***-se e comi tudo, além de estar com um pouco de fome, sabia que ia precisar de energia mesmo sendo descida o restante do caminho. O restante do passeio é em estrada de terra, muito parecida com o percurso de chegada em La Paz quando vim de ônibus, havia chovido e apesar de seca havia trechos ainda molhados. Para iniciar essa parte da descida tirei o conjunto de roupas dado pela agência e guardei junto com minha mochila de ataque dentro da van, esse foi o único momento da viagem que senti falta de um repelente, mas acabou que o protetor solar deu conta de espantar os mosquitos, por isso acabei por não listá-lo nos itens para levar na viagem, mas se tivesse feito à trilha Salkantay em Cusco teria de tê-lo comprado, já que parte dessa trilha envolve floresta também. A paisagem nesse trecho não tem muitas variações, nem por isso deixa de ser menos magnífica, mas a concentração aumenta muito na estrada, logo de cara presenciei o primeiro acidente, e olha que teve vários, nenhum que justificasse o nome da estrada que fica em uma placa logo no início do trilha. A dica é nunca usar só um freio e deixar o espirito de competitividade em casa, não é uma corrida pra ver quem chega primeiro e sim um passeio pra ver quem chega vivo, no mais, na descida todo santo ajuda, então usar os freios e controlar a velocidade é vital. MOMENTO DESABAFO: Durante o percurso acabou que minha bike perdeu o freio traseiro, mano do céu, quando estava em uma das curvas, no embalo, cadê o freio, ai por instinto acionei o dianteiro com mais força, alta velocidade mais freio dianteiro é igual a capote na certa, por sorte havia as defensas ou guard-rails impedindo que fosse jogado abismo abaixo e consegui bater de lado num primeiro momento só capotando num 360º completo seguindo a proteção metálica, sério pessoal, no momento minha coluna estralou todos os ossos que possui, tipo “Snickers – mata sua fome”, eu só pensei, estou paraplégico, mas a adrenalina é tão grande que a gente só pensa em se levantar rápido pra ninguém ver nossa vergonha, quando vi que estava inteiro, sem um único aranhão e com a bike completa, só agradeci a todos os santos e deuses e universos e simbora de novo, como estava bem pensei, vou controlar melhor a velocidade e moderar no freio dianteiro, ledo engano, a gente pega uma velocidade tão grande que se não tiver os dois freios não damos conta, já na próxima curva quase me esborracho no paredão de pedra e na outra novamente outro capote, dessa vez um 180º, de novo a defensa de proteção me salvou do abismo, mais uma vez sem um aranhão, então resolvi captar o sinal e esperei o apoio pra tentarmos arrumar o freio traseiro, acabou que o guia optou por trocar de bike comigo pra não ter muito atraso até a próxima parada de apoio. Não preciso nem dizer que a bike deles são as melhores, e acredite, só quando tu anda nelas e senti a diferença, da pra entender como vale a pena investir um pouco mais na melhor, não que não consigamos concluir de boa o percurso mesmo com as bikes mais inferiores, mas a diferença é muito grande. Pra quem puder e quiser, fica a dica. Depois que paramos insisti em voltar pra minha bicicleta, mas ele achou melhor que seguisse na dele – já que insiste – terminamos o percurso por volta das três horas da tarde, à medida que avançamos vamos nos deparando com algumas vilas e povoados, a paisagem sempre linda e de momento em momento paramos para tirar algumas fotos para o álbum que a agência nos envia depois. Já no momento da chegada após passarmos por uma queda d’água no meio da estrada (creio que por causa das chuvas), tem um pequeno trecho plano e com leves subidas, nada que impeça qualquer pessoa de concluir com êxito o passeio. DICA: No nosso grupo haviam pessoas de todos os lugares do mundo, de vários tipos físicos e idades, um australiano com quem consegui trocar algumas palavras em inglês já era um senhor de quase oitenta anos, e deu um banho em mim diga-se de passagem, já que na chegada tem uma subida interessante, eu era o quarto a chegar, mas desci para empurrar a bike enquanto ele tomou minha posição e ainda tirou onda. Então se o seu receio for por conta do condicionamento físico, vá sem medo porque é muito tranquilo. Depois de concluído o trajeto, vem o merecido descanso. O ponto final é uma parada as margens de um rio com piscinas naturais creio – na verdade não fui até elas porque minha coluna deu sinal de vida assim que acabou a descida então preferi ficar deitado em um banco até a partida –, e além das piscinas todos ganhamos uma camisa da agência e podemos almoçar a vontade no restaurante, além de tomar um banho decente nos banheiros. Talvez a essa altura você esteja pensando que não comi nada, erouuu (lembre do meme do Faustão), parti pra cima sem dó, e estava muito bom todo aquele banquete, comida muito gostosa. Barriga cheia e banho tomado, era hora de voltarmos pra La Paz, em um percurso longo e lento, já que agora teríamos que subir de volta aos quase 4.000 de altitude e mesmo a rodovia sendo um tapete, o excesso de curvas não permite imprimir uma grande velocidade. DICA: Muitos passeios podem ser feitos sem o intermédio de agências, com um bom mapa, relatos e condicionamento físico é perfeitamente possível fazer por conta os badalados trajetos. Essa era minha intenção em Cusco diga-se de passagem, fazer a trilha Salkantay até Machu Picchu, seguindo o relato do @victor machado aqui do site, Salkantay Trek Completo, sem guia. Mas no caso do Dawnhill não recomendo, primeiro porque é necessário ter os equipamentos e o mínimo de apoio se algo der errado, além do que a volta para La Paz vai exigir muito condicionamento já que é subir quase 1.500 metros de altitude pedalando, no mais o preço dos alugueis de bike e proteção devem ficar muito próximos do gasto com a agência, então nesse caso vale considerar o custo beneficio. A maioria do pessoal apagou na volta, mas a vista era estupenda e as músicas que tocavam pra todos ouvirem era a mais pura popular boliviana, pense numa sofrência doída, deixa qualquer Pablo no chinelo. Quando chegamos a La Paz já era mais de oito da noite, a van foi deixando parte do pessoal nos seus hosteis e eu fiquei na agência já que o motorista não iria ao meu por ser muito fora de mão. Como precisava mesmo acertar os detalhes de horário e ponto de saída no passeio do dia seguinte, pois quando o comprei ainda não estava certo se fechariam um grupo para a Chacaltaya ou se teria que me encaixar em outra agência, acabou que fui encaixado mesmo, e como a van iria direto, o ponto de encontro mais viável foi a Catedral Maria Auxiliadora, qual já conhecia o caminho. O retorno para o hostel foi dramático, ao tentar seguir as referencia que o Rodrigo havia passado – indo pelas ruas mais movimentadas, já que o caminho pelo qual vim de manhã era mais seguro só a luz do dia –, terminei por me perder, e feio, quando vi já tinha avançado quase um quilômetro a frente de onde deveria entrar para o meu hostel, e o ar começou a faltar e o frio a chegar. Nesse momento parei perto de um grupo de jovens me sentei e saquei meu telefone, não sei se olhava mais pro mapa ou pros lados com medo de alguém levá-lo, refiz o percurso na minha cabeça, no qual deveria seguir até uma praça de referencia, me perdi mais um pouco, mas consegui chegar, depois foi só alegria quando fui reconhecendo o caminho para o hostel. Ao chegar encontrei no quarto Juan, um francês que hablava um pouco de espanhol, nos cumprimentamos, mas ele não queria muito papo – francês. O que foi bom, pois além de um bom banho tinha que arrumar meu mochilão ainda, queria muito fazer o Titicaca, mas isso significaria sair de La Paz e depois retornar para ir a Uyuni, e como já tinha decidido que não passaria duas vezes por um mesmo lugar optei a ir direto para o salar, assim já perdi as contas de quantos motivos tenho para regressar a esta cidade. DICA: Todos os hosteis por qual passei, permitem que deixemos nossas coisas mesmo que com a diária encerrada, no geral os check-out’s enceram-se às onze horas ou meio dia, mas se tiver um passeio que só termine pela tarde, podemos fazer o check-out antes de sair para o passeio e deixar o mochilão guardado para pegá-lo na volta. Dessa vez não foi meu caso, uma porque não sabia, e mesmo que soubesse a essa altura, não seria interessante voltar do ponto de parada final do passeio e retornar ao hostel só para pegar o mochilão, já que pretendia ir para a rodoviária de pé dois ao invés de pegar um táxi. Se me arrependo, não perca o próximo capítulo, neste mesmo horário, neste mesmo canal, haha, não contavam com minha astúcia, não é. GASTOS: Dia 18.09 (terça-feira). Nenhum centavo = Bs 0,00 No Fear Adventure, eles promovem uma série de passeios, pra conseguir um bom desconto o ideal é fechar um grupo com várias pessoas e um pacote de passeios cada. Corre até uma lágrima dos olhos deles. Paisagem no ponto de partida para o passeio. Vista durante a primeira parte do trajeto. Tudo pronto, e lá vamos nozes. Uma das paradas do grupo já na segunda parte do percurso. Felicidade define, essa americana estava há dois meses mochilando, sem falar nada de espanhol, mas com um alto-astral contagiante. Acabou que formamos um trio, o de capacete é um brasileiro, Lucas, há mais de seis meses mochilando.
  7. LA PAZ, A CIDADE LARANJA Quando finalmente entramos no perímetro urbano da cidade sede do poder executivo boliviano, eu fiquei completamente extasiado, as paisagens naturais vistas da janela do ônibus até chegar na cidade eram sublimes, e a paisagem urbana não deixa por menos, a pobreza é impactante, a ocupação desordenada, a marcas de deslizamentos nas encostas verticais dos morros onde as pessoas insistem habitar, os sobrados e casas alaranjados por estarem no tijolo aparente se espalham por toda a borda da geografia local, embaixo no centro está a parte desenvolvida e visivelmente mais abastada, tudo isso ligado por linhas, os famosos teleféricos que estampam a fotografia do presidente Evo Morales em todas as portas de cabines, um trânsito caótico como nunca havia visto e não falo de engarrafamento apenas, a frota mescla carros muito antigos com os mais modernos e caros da atualidade, um raspando o outro com fechadas e buzinas que não paravam, a gente andina de traços e cultura muito forte, La Paz é uma cidade única, como poucas no mundo, e detalhe, mesmo sendo considerada capital do país, constitucionalmente é Sucre quem detêm essa oficialidade. Assim que descemos do ônibus passei a sentir a realidade social mais de perto, mas só a notaria mesmo no outro dia, naquele momento estava preocupado apenas em chegar ao hostel e ficar em segurança, a viagem tinha sido longa, um tanto cansativa e a aclimatação ainda tinha que ocorrer. Parte das reclamações dos viajantes que torcem o nariz para La Paz, se deve em muito as acomodações de hospedagem, e nessa parte não tiro a razão de alguns, sair de uma casa confortável, e no caso de alguns deles, de apartamentos requintados de São Paulo ou Rio de Janeiro e cair em prédios antigos e ruas estreitas e tumultuadas é muito impactante em um primeiro momento – pra qualquer pessoa que nunca teve contato com uma realidade mais simples de um interior do Brasil, por exemplo, qualquer outra realidade é impactante, e La Paz não é diferente, com exceção de uma pequena parte do centro, o restante da capital com quase um milhão de pessoas é muito desigual – ainda mais quando se viaja para curtir férias como era o caso dessa maioria. Já eu não posso dizer o mesmo, não por que estava em um mochilão e teoricamente pronto para o que aparecesse, mas por que meu hostel ficava na parte mais nobre da capital e era uma edificação nova e muito confortável, logo, para mim, a surpresa foi positiva e a experiência melhor ainda. DICA: A escolha de hosteis é o modo mais econômico de hospedagem, ali também você vai poder encontrar viajantes do mundo todo e interagir com diferentes culturas, a combinação perfeita de hostel é juntar preço baixo com a proximidade do centro e principais pontos turísticos, conforme o caso. Em boa parte das cidades os terminais rodoviários estão no centro evitando a necessidade de longas conduções até os hosteis e assim gastos com transporte, no centro está tudo que é necessário para nós turistas, restaurantes, casas de câmbio, bons hosteis, opções de transporte e segurança. Em minhas pesquisas sempre usei Booking por oferecer as ofertas mais baratas, mas na hora de bater o martelo também é bom ver as comodidades oferecidas assim como avaliações de usuários e verificar a sua localização de acordo com pontos de interesse (metro, rodoviária, restaurantes, etc), a maioria dos hosteis oferecem o café da manhã incluso no preço final, mas transporte e locomoção são itens a serem sempre considerados. Uma rede de hosteis presentes em boa parte das cidades na América do Sul e que são de confiança e ótimo custo beneficio são os definidos como B&B (Bed and Breakfast ou cama e café da manhã em português), durante a viagem tive duas experiências nesse tipo de hostel, La Paz e Arequipa, e foram os melhores do ponto de vista econômico e de custo beneficio. O idioma ainda era um pouco difícil pra mim, quando cheguei ao hostel fui super bem atendido, mas quando a moça me falou o preço custava três vezes mais do que o anunciado no site, perguntei se havia um quarto mais barato e ela disse que não, fechei por uma noite e iria procurar outro hostel no dia seguinte, quando cheguei ao quarto era individual e com banheiro privativo, ai perguntei se não havia um quarto coletivo, só então ela entendeu a confusão que eu havia feito, esse hostel possuía dois prédios diferentes na mesma quadra só que distantes alguns metros, um era mais requintado como um hotel por assim dizer e o outro mais popular no estilo hostel mesmo, só então ela entendeu o por que de não encontrar a minha reserva e me levou para o outro prédio que em nada devia ao anterior, a mudança era relacionada aos quartos que ali eram compartilhados assim como os banheiros, agora sim o preço estava dentro do combinado e paguei as três diárias que pretendia ficar, a equipe era muito solicita, e depois de tudo acertado e arrumado os ditames burocráticos, fui apresentado as acomodações, terminei por escolher o dormitório masculino no piso subterrâneo, que estava sem ninguém alojado até então, naquele momento queria um pouco mais de privacidade e como não haviam brasileiros hospedados, apenas gringos dos quais não entenderia uma vírgula, achei que seria a melhor opção. Quando me olhei no espelho do banheiro não sei como eles não me expulsaram do hostel assim quando entrei, acho que se fosse no Brasil o teriam feito, estava coberto de poeira da viagem até onde era possível ver. MOMENTO DESABAFO: Depois da constatação feita, olhei pra mim e falei mentalmente sorrindo: - Cara f***-se, tu tá em outro país, com gente que nem conhece, sai pelado pela rua gritando e dando cambalhota, essa é a hora. Isso é pra vocês saberem o quanto sofro com esse meu inconsciente que também chamo de “meu eu”, ele é um péssimo conselheiro às vezes, mas é o melhor também, não vivo sem ele. Banho tomado, desfiz minha mochila e separei as roupas que usaria pelos próximos dias em cima da cama, apesar do cansaço ainda fui escrever os principais pontos da viagem pra vir postar agora, comi os restos de biscoito que sobraram, água e folha de coca, e um comprimido de dor de cabeça, acredito que por conta da altitude. De maneira geral estava feliz, meu plano era acordar ao meio dia e sair pra conhecer La Paz, o mercado das bruxas estava a dois quilômetros do hostel, depois tentaria ir à igreja principal e aos teleféricos assim como achar uma agência para fazer os passeios, Down Hill e Chacaltaya, mas apesar dos mapas e tudo estava bem perdido, no outro dia tentaria pegar umas dicas e informações na recepção, haja visto que o dono falava português e estaria atendendo pela manhã. De repente entra pela porta um rapaz da limpeza, sorri e o cumprimentei – apreenda a falar o básico da língua onde pretende se aventurar, isso é o mínimo –, mas não sei por que ele logo sacou que era brasileiro haha, e foi admiração à primeira vista – de maneira geral, durante toda a viagem, não encontrei um estrangeiro que não gostasse de nós brasileiros, principalmente os sul americanos –, ele logo quis saber de onde era e fomos desenvolvendo um papo bom porque ele falava razoavelmente bem português, me passou um monte de dicas e cuidados e acabou por me convidar pra me guiar em um passeio pela cidade na manhã do dia seguinte, seriam só nós dois e ele não iria cobrar nada, no segundo seguinte ao convite “meu eu” tentou falar algo, mas eu nem dei tempo pra nada, só sorri, agradeci e topei, marcamos para o outro dia as nove, pouco antes de acabar o horário do café da manhã, ofereci umas bolachas e um pouco de suco que ainda tinha e depois de comer e terminar de varrer o chão, nos despedimos e ele foi embora. MOMENTO DESABAFO: Óbvio que tive que ouvir de mim mesmo que estava louco, que aquilo deveria ser um golpe aplicado contra pessoas idiotas e bestas, que poderia ser assaltado, assassinado, sequestrado e tudo que ocorre no Brasil de forma geral, mas não havia sido o “meu eu” a me aconselhar a fazer tudo o que tinha vontade? Então toquei o f***-se novamente e nem pensei muito, acho que instinto vale muito nessas horas ou não, mas o fato é que simpatizei muito com aquele boliviano e seguindo minha filosofia de vida agradeci por tê-lo encontrado, pois aparentemente ele seria a solução dos meus problemas já que também, pasmem, contei que precisava trocar dinheiro e marcar os passeios que queria, logo, se ele fosse um mal intencionado poderia ter ainda mais motivos para me fazer mal. E claro, na conversa tentei observá-lo, fazer algumas perguntas de quem era, o que fazia, enfim. Sai do Brasil com muito medo da violência de modo geral, isso foi inclusive algo que comentei com o Diego enquanto o questionava sobre seu mochilão, mas tanto a impressão dele quanto, agora, a minha, é que é muito tranquilo os nossos países vizinhos, não que não haja violência, mas não são como aqui aonde se vierem duas pessoas em uma moto nós temos que nos jogar no chão e fingir de morto, o mais perigoso são os furtos, onde só nos damos conta depois de levarem nossos pertences, além de outros golpes nesse intuito, no mais, como brasileiros – e no meu caso, que já estive em grandes centros como Manaus e São Paulo também – é mais fácil ficarmos ligados o tempo todo e perceber as intenções e abordagens das pessoas, como disse lá no começo, não tive nenhum problema relacionado a isso durante o mochilão todo e em circunstâncias normais teria recusado de cara o convite feito, mas por algum motivo – que só você poderá dizer quando viver uma experiência assim – eu aceitei e adianto, foi ótimo. No outro dia levantei sem nenhuma dor de cabeça, mas durante a noite acordei algumas vezes apesar do cansaço, fez muito frio, tanto que na manhã ás 08h30min marcava 4º C, ainda bem que as cobertas deram conta perfeitamente porque a impressão é que pelo fato do quarto ser subterrâneo a sensação de frio no ambiente era ainda maior, impressão esta verdadeira diga-se de passagem. Assim que arrumei minha cama, escovei os dentes, mandei mensagem pra família e me vesti com uma calça jeans, uma camisa e minha jaqueta, depois subi para o desayuno, suco, pão com ovo, manteiga e geleia, estava com tanta fome que aquilo foi o melhor café da manhã que comi em dias. Rodrigo chegou meia hora depois do combinado, às 9h30min quando terminava o horário do café da manhã, começamos andar pelas ruas do bairro em direção a calle de las brujas, Rodrigo é um cara muito dispostos e conectado, logo começou a me passar os pontos de referencia para que pudesse andar por La Paz sozinho sem depender de transporte, como um mochileiro raiz deve ser, no mais ele andava em ritmo acelerado, tirei minha jaqueta e fui acompanhar seus passos como um paceño original e não fiz feio, apesar de ter que respirar fundo o tempo todo, pelo caminho ele indicava mercados e restaurantes bons para comer, logo chegamos a rua das bruxas, sinceramente esperava mais deste mercado a céu aberto, mas não passa de uma meia quadra com menos de uma dezena de barracas onde as cholas vendem toda a arte de crendices populares oriundas ainda da cultura antepassada dos povos indígenas andinos, optei por não tirar fotos do local – algo recorrente se tratando de mim, mas que acaba por fazer falta no relato –, e se quer parei para olhar melhor os fetos de lhama expostos, como teria que voltar ali nos outros dias deixei para fazê-lo depois, o que terminou por não ocorrer. Junto a rua de encontro do mercado das bruxas está a calle Santa Cruz, em sua extensão principal, da praça Marcelo Quiroga até a praça San Francisco estão as principais agencias de passeios e casas de câmbio, além de hosteis que ficam bem próximos ao centro e principais pontos turísticos, pra quem não se importa tanto com luxo nas acomodações, é um bom lugar pra ficar na cidade, foi nessa rua que o Rodrigo me levou na melhor casa de câmbio da qual ele tinha conhecimento, e também em duas das melhores agências para fechar os passeios, acabei por escolher a No Fear Adventure por ser de sua indicação e ter os preços mais em conta já que a outra agência era mais cara e luxuosa também. Inclusive a No Fear esta localizada dentro de um hostel e possui uma casa de câmbio em seu interior, pra quem tiver interesse é um três em um. Figura: Imagem do Google Maps, o traço em preto é a rua das bruxas, os círculos apontam: a casa de câmbio um pouco acima da rua das bruxas e agência No Fear abaixo, sentido praça San Francisco do lado esquerdo de quem desce, ambas na rua Santa Cruz. Enquanto trocava dinheiro e pagava os passeios, o Rodrigo se quer ficou por perto, ele só fez o meio de campo e tradução automática e me esperou do lado de fora, definitivamente já tinha ganhado minha confiança. Depois me levou até a Igreja de San Francisco e sua praça, era a primeira vez que adentrava em uma Catedral católica, e era linda, não só a parte exterior, mas também todos os seus ornamentos internos, em pensar que na época de seu auge era adornada em ouro, agora apenas representado em uma pintura dourada, estar ali é reviver algo que só imaginamos em livros. A praça repleta de turistas, vendedores, pessoas comuns passando e pombos, era um complemento a todo aquele caldeirão urbano, e ter o Rodrigo ao meu lado tornou tudo muito melhor, a cada passo ele explicava os detalhes de tudo, recontava a história, as curiosidades e me fazia entender o porquê de cada aspecto das coisas, foi assim no mercado das bruxas, na igreja, depois no mercado popular onde ele me pagou um gelado, ou sorvete típico deles com muitas frutas, biscoito e um creme, depois fomos andando até a Calle Jaén, um ponto muito importante para a história boliviana, repleta de museus e casas de cultura, ainda nesta rua há a galeria de arte Mamani, vale muito conhecer o espaço e se deixar encantar pela pintura e arte incríveis, é um espetáculo de cores e formas. Essa rua fica próximo à rodoviária e após me mostrar certinho como chegar lá, fomos andar na rede de teleféricos de La Paz, andamos em duas linhas, a laranja e a vermelha (roja), o sistema de teleféricos da cidade é o maior do mundo e ainda está em expansão, gerido pelo governo central, custava na época Bs 3,00 o ingresso e além de muito popular é muito organizado, moderno e se encaixa perfeitamente a geografia da cidade que não pode comportar linhas de metrô – acho que um dos poucos serviços ofertados pelo poder público que deixa qualquer estrangeiro de queixo caído –, as fotos de Evo Morales estampam as portas e indicam a força do presidente do país mais pobre da América do Sul e o que mais cresce também, isso me chamou muito a atenção, a Bolívia inteira está em obras e ver a onipresença de Morales através de sua imagem era uma disparidade em relação ao Brasil, por mais que os nossos governantes estampem suas marcas nas placas de obras públicas, ver a imagem de um político daquele modo nunca passou pela minha cabeça, ao mesmo tempo que é absurdo também é genial. A linha roja leva até a ciudad del Alto, uma extensão de La Paz onde se encontra o aeroporto da capital, mesmo Alto sendo outra cidade administrativamente falando, nela se encontra a parcela mais pobre das pessoas que frequentam a metrópole andina e se encontra a incríveis 4.000 metros de altitude, ficamos um tempo olhando a vista da cidade abaixo, infelizmente não observei o por do sol deste mirante – pronto, já tenho um motivo para voltar a La Paz agora. Depois retornamos, ainda fomos caminhar por várias feiras populares no caminho de volta para o hostel, ali é possível ver a realidade da cidade, sem o glamour – que não existe – dos pontos turísticos mais famosos. Tudo isso em quatro horas de passeio, terminamos e dei um valor simbólico pra ele, mesmo se recusando a receber, não era pelo valor, era pela pessoal incrível e extremamente disponível que ele era, acabou que sequer tirei uma foto com ele, mas anotei o número de telefone e contato, quando voltar espero poder encontrá-lo de novo, onde estiver muito obrigado irmão. Chegando ao hostel pensei em aproveitar o resto da tarde para dormir, mas dormir eu já fazia no Brasil, então bora colocar os pulmões pra funcionar e fui em direção ao centro da capital, nesse momento tudo era descida e o primeiro ponto de parada foi em uma loja de pães, não era uma padaria como as do Brasil, mas tinha uns pães na porta que me chamaram a atenção, acabou que não resisti e comprei duas saltenhas de pollo, no momento pensei que pollo seria porco e fiquei pensando, se o porco já é porco, imagina um porco boliviano – olha as ideias –, mas depois da primeira mordida, que se lascasse o pollo ou o que fosse aquilo, era sublime e delicioso, só depois fui descobrir que pollo era frango, ainda bem. Descendo mais um pouco cheguei a Avenida 16 de Julio que corta a cidade, nela há várias opções de restaurantes tipo fast food, assim como um dos centros de informações ao turista, no qual peguei um mapa da cidade e só então pude perceber quantos museus La Paz oferece, mas como meu tempo estava meio curto e precisava de outro motivo para retornar futuramente a cidade, fui apenas visitar a Catedral Maria Auxiliadora, de arquitetura moderna e bem perto de onde estava. Da igreja segui pela avenida fotografando alguns monumentos de personalidades importantes na independência boliviana, fui passando por algumas praças até chegar ao Parque Plaza Bolívia que fica ao lado da Embaixada do Brasil, depois subi até o Parque Laikakota, que estava com seu mirador em reforma, entre outros espaços, acabei tomando uma bronca dos funcionários por tentar fotografar dois monumentos, mas consegui, bronca tomada era hora de voltar, acabei que me perdi, mas depois de descer e subir cheguei na rua de acesso ao hostel, uma subida que não é de Deus, aproveitei para parar em uma barraquinha de frutas e comprei algumas uvas e bananas além de água pra aguentar os próximos dias, e subida, só sei que tive que parar e me sentar nos degraus que as pessoas fazem nas calçadas devido ao grande desnível, de resto me perdi mais um pouco até que me acertei com meu mapa e cheguei no hostel a tempo de ver o por do sol chegando, o bairro é muito bom e seguro, e proporciona um belíssima vista do centro mais abaixo e dos paredões de casas que circundam a cidade. Encerrei o dia lavando minhas roupas da viagem até La Paz no hostel e tomando um bom banho, o outro dia começaria cedo para iniciar o Down Hill – passeio que havia visto em outros relatos e que só sabia que era descer de bicicleta alguns quilômetros por uma estrada chamada de “estrada da morte”, não tinha a mínima noção do que me esperava apesar do nome e acredite, ninguém têm essa noção até cair nessa estrada, é absurdamente sem palavras. GASTOS: Dia 16.09 (domingo). Táxi – Bs 30,00 Hostel Landscape – (Bs 45,00 por dia) = Bs 135,00. GASTOS: Dia 17.09 (segunda-feira). Troca de moeda (R$ 1,00 = Bs 1,60) – R$ 1.000,00 = Bs 1.600,00 Passeio Down Hill (No Fear Adventure) – Bs 400,00 Passeio Chacaltaya + Valle de la Luna (No Fear Adventure) – Bs 100,00 Ingressos teleférico – Bs 20,00 Valor simbólico para o Rodrigo – Bs 100,00 Saltenhas de pollo (duas, saltenhas de verdade, não igual as que a gente vê por aqui no Brasil) – Bs 10,00 Frutas (seis bananas e meio quilo de uvas) – Bs 14,00 Água 2l – Bs 6,00 TOTAL DOS GASTOS – Bs 650,00 / R$ 401,75 em La Paz. (O total de gastos em Real leva em consideração os diferentes câmbios, de Guayaramerín e La Paz) Fachada do Hostel Landscape, onde fiquei hospedado em La Paz. Vista do bairro onde se encontra o hostel. Igreja de San Francisco, a partir de seu entorno nasceu La Paz. Praça da Igreja de San Francisco, logo a frente fica o Mercado Lanza, "mercadão municipal pra nós brasileiros". Placa na Calle Jáen Vista da cidade a partir do teleférico laranja. A cidade laranja vista do teleférico rojo, que também leva a Ciudad del Alto. Aqui fica um mirador a mais de 4.000 metros de altitude, de onde se vê toda a cidade de La Paz, o pôr do sol dessa vista é sensacional. Catedral Maria Auxiliadora. Monumento no Parque Laikakota, pelo qual levei uma bronca, mesmo sem entender, a gente sabe quando é uma bronca. Feira livre nas calles. Nessas feiras se encontra todo o tipo de comidas, massas, pães, frutas, verduras, flores, elas se estendem em diversas ruas e é uma maneira informal de sobrevivência dos paceños. La Paz, maravilhosa.
  8. @Daiane Ferreira @RicardoRM Obrigado pela companhia de vocês ao acompanharem o relato, sei que estou meio em falta com a regularidade das postagens, mas vou tentar acelerar agora, qualquer dica ou duvida é só falarem.
  9. A SURPREENDENTE BOLÍVIA Antes de iniciar devo avisar que essa parte do relato deverá ser a mais extensa, quase como no livro, isso porque esse trajeto é pouco conhecido e citado, então tentei detalhar o máximo possível, também quis apresentar uma pessoa que conheci na viagem, nos outros relatos não farei isso, pois foi muita gente, mas ela é escritora como verão adiante, e pensei que seria bacana se vocês leitores pudessem e quisessem conferir os trabalhos dela, são muito bons e valem a pena. Deixando o Brasil e já do lado boliviano existe uma grande escadaria que leva até o terminal portuário de Guayara, adentrando a direita está à sala onde funciona a imigração do país, quase não consigo passar pela porta com o mochilão e tudo, é bem apertado o espeço lá dentro, mas os agentes foram muito bacanas, pediram o passaporte, deram entrada no sistema, perguntaram qual o motivo da viagem, quantos dias pretendia ficar e quais cidades visitaria, depois me entregaram um documento – documento –, documento este que deveria apresentar quando da saída da Bolívia junto com o passaporte agora carimbado por eles, e ainda desejaram boa viagem – apesar de novamente, quase levar a porta junto ao passar por ela e sentir balançar toda a parede do escritório deles – conhecendo a Bolívia esperava algo menos, mas me surpreendi positivamente com nosso vizinhos. Mal coloquei o pé pra fora da sala e fui avançado por três ou quatro motoristas de tuk-tuk, um triciclo adaptado para levar pessoas e bagagens como em um carro, mas com a eficiência de uma moto, acabei por dispensá-los, mas logo após descer as escadarias já chamei outro que aguardava mais afastado, precisava trocar moeda, ir até a rodoviária e encontrar um hotel, acabou que ele foi a salvação da lavoura, apesar de estar sempre com um pé atrás, ele me levou em um bar/casa de câmbio com a melhor cotação que encontrei em toda a viagem, inclusive melhor que na capital, e não era dinheiro falso, é pra glorificar de pé igreja. Na rodoviária ele também passou as dicas de qual o melhor ônibus pegar para La Paz e por fim me deixou em um hotel barato e perto do centro, mas confiável como havia pedido. DICA: Essa é bem básica, e serve inclusive pro Brasil, sempre evite pegar transportes como táxis nas imediações, se for possível e seguro, se afaste um pouco e sempre conseguirá preços mais baixos, nunca deixe de perguntar o preço das corridas que pretende fazer, se deixar para só fazê-lo quando chegar ao seu destino não terá como não pagar o valor pedido e creia, em países como o Chile, não é incomum uma chuva de reclamações por parte dos turistas, de abusos cometidos por taxistas e outros motoristas de aplicativos, ao perceberem que se trata de turista, mesmo combinando os valores na partida, ao final da corrida acabam desconversando e cobrando sempre a mais, por último, mantenha sempre o olho aberto quando for entregar e receber o dinheiro, muitas vezes eles simplesmente dizem que o valor recebido foi abaixo do valor real entregue e quando devolvem o troco misturam notas falsas junto a verdadeiras ou faltando valores, por isso sempre que possível ande com outra pessoa que possa ser testemunha, quando não, repita claramente os valores a ser cobrado, entregues e devolvidos, também é bom entrar nos sites dos bancos centrais dos países de destino e conferir as marcas de segurança do dinheiro referido, e por fim evite notas muito velhas e rasgadas seja de quem e onde for, as casas de câmbio eviram receber papel moeda em condições ruins. Pra isso sempre procure grupos nas redes sociais, sempre terá alguém indo ao mesmo destino que você, disposto a rachar um táxi e fazer passeios em comum, apesar de sair sozinho pra mochilar, foi difícil o tempo que fiquei realmente só, e se tivesse procurado nos grupos com antecedência, teria encontrado muita gente nos destinos escolhidos, como em Cusco, mas mudei tudo de última hora. O hotel ficava bem perto da avenida principal, que há está hora já começava a fechar as portas de seus comércios, ainda era cedo para mim, creio que entre oito e nove horas da noite, e apesar de confirmar com o recepcionista do hotel que era seguro andar pela cidade, não me sentia em nada seguro, os bolivianos são bem desconfiados em relação a nós em um primeiro momento e pouco receptivos, ajuda também o fato de ver as motos brasileiras, que não vou dizer aqui a origem, rodando livremente pelas ruas da cidade, isso trás uma impressão de impunidade ou conivência com o mal feito, além de que, tirando a avenida principal, as ruas paralelas estavam pouco iluminadas e movimentadas – cidades como Guayaramerín são de forma geral segura para nós brasileiros, pois dependem muito dos compradores do outro lado da fronteira, mas nunca é de mais lembrar que não estamos no Brasil, então nossos direitos ficam no outro lado do rio junto com nosso país, por isso é bom não dar chance ao azar, andar na linha e ficar de olho aberto sempre. Descendo duas quadras consegui encontrar um mercado ainda aberto, estava com fome, já havia trocado dinheiro, comprado à passagem para o outro dia de manhã com destino a La Paz e só queria uma noite de sono naquela caminha quente, de calor mesmo, do hotel. A passagem estava marcada para as 08h45min da manhã de sábado, na noite anterior arrumei meu mochilão e mochila de ataque colocando os produtos que peguei em Porto Velho, comecei a amaldiçoar a ideia de ter comprado aquele desconfortável coturno, enchi a barriguinha haha, fiz uma reserva em um hostel em La Paz, printei o seu endereço e outros detalhes e na sacola os produtos deram lugar as bolachas e comida para a viagem do dia seguinte. Acordei as 06h30min para tomar um banho e me preparar, as sete já estava fazendo o check-out – chique não? – e fui andando até a praça central, aquela que as pessoas ficam dando voltas de carro e moto, e acredite já tinha gente fazendo isso sendo que o comércio nem havia aberto ainda, isso é Bolívia. Entre as pessoas dando voltas na praça estava um motorista de tuk-tuk, dei sinal e lá fomos nós, com exceção da rua e entrada do terminal, a fachada e saguão de espera é bem moderno e limpo, existem dois guichês principais, um de cada lado da entrada principal de acesso para a área de embarque, é neles que são vendidas as passagens para La Paz e outros destinos, a imagem gráfica dos ônibus que estampam os guichês são de cair o queixo, muito modernos e lindos, melhores que os do meu estado, a dois horários de saída diários para a capital boliviana, o preço das passagens era muito barato se comparado ao Brasil, na hora de comprar a passagem eles pediram o documento de entrada no país assim como o papel entregue pela imigração, o mesmo foi feito no hotel – e você ai pensando que é tudo bagunçado o sistema –, o bilhete de passagem foi preenchido a mão e a única exigência explicita repetida três vezes pela atendente foi que estivesse no terminal para fazer o embarque trinta minutos antes do horário de saída do ônibus. Como havia chegado bem antes fui comprar uma água e um chip de telefone celular, esse simples fato consumiu todo o horário até a hora do embarque, primeiro eles não tinham chip, depois arrumaram um vendedor, mas não tinham crédito, depois tentaram fazer meu cadastro e não conseguiram, como já estava em cima da hora, falei que eu mesmo resolveria o problema e fui para a área de embarque. DICA: Não sejam bestas – óbvio mais uma vez – mas sério, não é só aqui que algumas pessoas querem tirar vantagem em tudo, o motorista de tuk-tuk me cobrou muito mais caro do que se eu tivesse feito às viagens de forma fatiada e olha que pretendia lhe dar um agradecimento em dinheiro por ter sido tão disponível. Depois no mercadinho onde fiz as compras de alguns produtos, no momento de passar o troco, à senhora que me atendia acabou por cobrar dez bolivianos a mais, seu filho pequeno (11 anos) que estava ao lado lhe chamou a atenção e ela desconversou com o garoto, no momento eu apenas sorri e deixei passar fingindo que não havia entendido nada e fui embora, não desejei mal a ela, apenas um dedo quebrado ou algo do tipo, aparentemente ela precisava muito daqueles dez bolivianos então que ficasse com eles. Já na rodoviária a moça da lanchonete depois de idas e voltas me vendeu o chip de celular por dez bolivianos e pediu mais dez para carregá-lo e me ajudar com o cadastro, ao final como não conseguia cadastrar e já estava na hora da partida ela simplesmente disse que o crédito cairia depois que fizesse o cadastro, nesse momento a dona do lugar chegou e tentou ajudar no cadastro também, ao ver que não conseguiria lhe indaguei sobre o crédito, já percebendo o golpe da atendente, está por sua vez deu um sorriso amarelo e me devolveu os dez bolivianos de crédito uma vez que a dona dissera que sequer eles tinham recarga naquele momento. Sei que pode parecer pouco, mas qualquer dinheiro faz falta ao fim da viagem, e não é só pelos valores monetários, mas sim pelo desaforo, parece que por ser estrangeiro tu tem uma tarja de idiota escrita na testa e por vezes em solidariedade ou temor deixamos passar, não tenha medo de perguntar e repetir o que estão dizendo até entender e se necessário chamar alguém, de forma geral isso intimida quem está fazendo algo errado, apesar de frequentemente ocorrer isso, inclusive nas outras vezes que estive na Bolívia, as pessoas em volta tem de forma geral uma desaprovação com estes tipos de comportamento que visam enganar os turistas, algo muito semelhante com o Brasil. Hora do embarque, agora entendi o porquê de termos que chegar com tanta antecedência, os fundos do guichê onde se compra a passagem ficam na área de embarque, a mesma moça que atende coloca uma marcação feita a mão nos pertences dos viajantes, e ali vai de tudo, tudo mesmo, então isso leva um bom tempo. Outro fato importante é que você precisará pagar em separado a taxa de embarque e uso do terminal, e não é só na Bolívia, para isso existe um guichê em separado, apenas para esse fim, se não apresentar o comprovante de pagamento o ônibus não sai, quem faz a conferencia arma o maior barraco e tu passa a maior vergonha, pelo menos é o que dizem. Quando o ônibus chegou não me surpreendi nem um pouco, até porque o ônibus da outra empresa também estava embarcando seus passageiros, e ambos eram iguais apesar de pertencerem a empresas diferentes, não possuíam ar condicionado, as janelas obviamente iam abertas independente da estrada de terra empoeirada ou se chovesse, não havia banheiro, água, e nem inclinação nos bancos, cinto de segurança então esquece. A verdade é que aquilo não era surpresa pra mim, o Ronaldo já havia deixado bem claro como era a viagem, o melhor é que eu estava indo e voltando tentando falar com alguém para entender o próximo passo, uma vez marcado sua bagagem você pode depositá-la no interior do ônibus, não há divisões nem aberturas externas, simplesmente o espaço abaixo do assoalho onde estão as poltronas de passageiros, só fui perceber isso quando uma mulher me abordou, de cara eu era o único brasileiro e mochileiro ali, ela chegou e perguntou em um bom portunhol se eu era brasileiro – não sei por quê, mas acho que o sotaque me denunciou – ela logo emendou que era venezuelana e que gostaria de viajar comigo, ao meu lado mais precisamente, pois não confiava nos bolivianos e não tiro a razão dela, eles nos olhavam como estranhos, não que não fossemos, afinal estávamos claramente fora de nossa realidade e eu muito mais que ela. Depois que entramos ela escolheu os lugares mais a frente, disse que não precisávamos obedecer às marcações de passagem – eu ainda desconfiado dela, logo pensei que deveria ser algum tipo de golpe desses que a gente acorda sem os rins em uma banheira de gelo no outro dia, mas tirando o fato de não falar o idioma dos demais presentes, estava com minha mochila de ataque e comidas no colo e minha doleira junto ao corpo, de resto era só gritar. Logo os donos da poltrona chegaram e começaram a falar em um idioma que eu nem fazia ideia qual era, saímos e fui para minha poltrona, por incrível que pareça a passagem dela marcava a poltrona ao meu lado, rimos da coincidência e troquei de lugar com ela, para que fosse à janela e afastada do corredor, apesar da impressão inicial de achar que poderia ser um golpe, logo relaxei e começamos a conversar, acabou que até a chegada em La Paz ela foi minha companheira de viagem e a primeira amiga que fiz no mochilão. JOSLEMAR N.: Passada a primeira impressão, logo iniciamos uma conversa sobre tudo, Joslemar não foi à única venezuelana que conheci na viagem fugindo da terrível crise que se instalara em seu país, seu destino era o Chile onde parte da família já estava trabalhando, na Venezuela ela deixou o pai e sua pequena filha, assim que entrasse no Chile tentaria trazer a pequena para junto de si, o pai já idoso e doente não tinha intensão de deixar o país para se aventurar em uma nova vida. Seu bom portunhol se devia ao fato de ter cruzado o Brasil por um tempo até chegar à Bolívia e por lá tentaria adentrar a fronteira chilena, um refugio para vários imigrantes devido à oportunidade de melhorar de vida e ganhar dinheiro, muito melhor que o Brasil, diga-se de passagem. Ao longo das trinta e duas horas de viagem ainda falamos de uma das paixões da vida dela, a escrita, no Amazon.com ela mantem o perfil de escritora com o nome de Miranda Wess e até então tinha publicado três obras: Yo soy tu candidato, Amor em contiende e Silla presidencial. A paixão como ela descreveu suas histórias e personagens era muito bom, apesar de tudo por que passou, ela emanava uma energia muito boa, apaixonada por arte e cultura, com inúmeros sonhos que a motivavam a permanecer forte e vibrante, o amor por seu país era outro fato perceptível, como qualquer nacional que se preze, ao descrever as inúmeras belezas e lembranças dos lugares que conheceu e viveu nos tempos de prosperidade, um brilho enchia seus olhos assim como o sonho de poder retornar e retomar a vida que lhe foi tirada de forma tão autoritária e cruel. Quando chegamos a nosso destino final, a acompanhei até a rodoviária de La Paz apenas para poder lhe dar um forte abraço de despedida e anotar seu nome e algum contato, mais uma vez ela me implorou pra que tivesse cuidado e atenção, disse que nem todo mundo era bom como eu, não sei o porquê mais ouvi o mesmo conselho de outras pessoas várias vezes e nessas horas sempre lembrava do que o Diego escreveu em seu relato de mochilão “O universo nos devolve sempre que tentamos ser pessoas melhores e fazer o bem.”, apesar disso, também entendia o porquê dos conselhos, ela durante toda a jornada saindo de seu país, atravessando o Brasil, Bolívia e futuramente metade do Chile, viu e viveu muita coisa, tendo a pensar que muito mais coisas ruins ou difíceis do que boas e alegres, o mundo não é um lugar acolhedor e afetuoso a menos que tenha dinheiro, mas cabe a nós tentar deixá-lo melhor para todos. Ainda no ônibus ela conheceu outra venezuelana que também voltava para o Chile, mas outra cidade, e já conhecia a rota, agora ela seria sua parceira de viagem, apesar de desconfiado em um primeiro instante, fiquei feliz por ela, era notório seu medo de ficar só e ter outra mulher lhe fazendo companhia era o cenário ideal, ainda mais uma que podia conversar e ser completamente entendida, porque por vezes me vi balançando a cabeça positivamente e sorrindo, mas sem entender nada do que ela falava, e tenho a impressão que o mesmo ocorreu com ela, na empolgação falamos rápido e com termos e gírias próprias que só nós nativos entendemos, então se lembre, despacio, despacito, e não me refiro à música do Luis Fonsi. Seguindo com o mochilão, a nossa primeira parada foi em Riberalta, duas horas após iniciar a viagem, nesse trecho só alegria, a estrada era asfaltada e o calor amenizado pelo vento que entrava pelas janelas, a parada era para o almoço já, o interior da Bolívia é muito pobre, mesmo para os padrões brasileiros, a rodoviária repleta de gente muito simples, tudo era muito diferente do que estava acostumado a ver, mesmo não sendo completamente inédito. Tentei comprar crédito pro telefone, mas não havia, então me sentei junto com a Jos em uma mesa acompanhados por uma chola que estava no mesmo ônibus e por um simpático senhor que se achegou depois. A conversa foi inevitável, enquanto os três almoçavam uma tigela de caldo de quinoa com carne e junto tomavam um suco de limão gelado, também observava o processo de preparo da comida que era visível a todos, coragem e estomago não eram para mim ainda – apesar de ter experimentado um espécie de massa de tapioca que Jos nos ofereceu –, a senhora queria saber dos preços de móveis e panelas no Brasil e se surpreenderam como era barato, na opinião deles, esses produtos aqui, já com o preço da comida também se surpreenderam, só que espantosamente agora, o tempo passou rápido e logo estávamos de volta no ônibus para o trecho mais longo e difícil da viagem. A partir de então a estrada passou a ser de terra, creio que por pouco tempo, pois uma empresa chinesa está operando a pavimentação de todo o percurso, uma obra realmente grandiosa, pois compreende um bom pedaço da Amazônia boliviana e adentra a região dos andes, na verdade a Bolívia inteira por onde passei é um canteiro de obras, uma imagem muito diferente da que tinha em mente. A outra parada só ocorreu à noite, na cidade de Santa Rosa de Yacuma, a cada vila que passava eu rezava a todos os santos para que ali fosse à parada, acho que sabia de onde vinha o cheiro forte daqueles bancos, um verdadeiro exercício para segurar a bexiga, no meu caso só ela mesmo. No mais a paisagem compensava a viagem desconfortável, e como havia caído uma chuva leve não havia tanta poeira e nem muito calor. Quando chegamos ao terminal rodoviário da cidade todos foram procurar o banheiro, pagamos um valor simbólico que pelo amor de Deus, aquilo parecia mais a ante sala do inferno, não só os banheiros, mas todo o local, depois de usarmos aquilo que chamavam banheiro, atravessamos a rua de chão e fomos olhar as barraquinhas de comida do outro lado, o cheiro era até bom devido a fome já presente, mas tanto eu quanto a Jos optamos por apenas tomar algo. Acredito que estávamos em Yucumo já pelas três da madrugada quando o ônibus parou, achei que deveria ser por conta da chuva e neblina, e porque já estávamos começando a subir rumo a La Paz, e porque aquele motorista era o mesmo desde o inicio da viajem, então olhei pela janela e vi que parecia um ferro velho, ai o coração acelerou, devíamos estar sendo assaltados ou sequestrados ou o motorista ia nos levar para ser assaltados, mas o ônibus foi desligado completamente e nada de movimentação estranha, então fiquei com a primeira hipótese formulada com relação ao clima mesmo, abri a janela com cuidado para não acordar as cholas a nossa frente e comentei com a Jos o que tinha pensado, e voltei a dormir. Passou-se mais uma meia hora e uma das passageiras, também chola saiu porta afora e voltou tempo depois reclamando de algo que não entendi nada, mas ela estava bem brava, então a Jos também foi ver o que ocorria, e depois eu porque já estava apertado de novo. Ao fim ficamos parados até o dia amanhecer quando o posto de gasolina da cidade é aberto e o motorista conseguiu encher um galão para depois levar o ônibus até o posto e dar prosseguimento a viagem, no total perdemos umas quatro horas e o motivo foi simplesmente falta de combustível, com exceção da chola, ninguém reclamou, chamou a polícia, ameaçou de processo, virou o ônibus e ateou fogo, nada. No fim acredito que fora melhor assim, viajar pelos desfiladeiros que vimos já a luz do dia não devia ser uma boa ideia a noite. E desfiladeiros com abismos são o que não faltam a partir desse ponto da viagem, a estrada mescla partes asfaltadas, esburacadas e sem asfalto, vamos margeando um rio enquanto iniciamos a subida para a capital em maior altitude do mundo e é uma paisagem estupenda, montanhas cobertas por vegetação ainda amazônica e de transição, essa vista por si só já valia todo o sofrimento até então. Isso tudo embaixo de muita chuva e neblina, tenho que tirar o boné para o motorista, porque em alguns pontos da estrada de terra nas montanhas não creio ter mais que três metros de largura a pista, mesmo apreensivo, não posso dizer que tive medo, mais por uma filosofia de vida que qualquer outra coisa. Paramos em uma pequena vila por volta da dez horas, é uma subida e aos pés das montanhas com o rio próximo, além do banheiro nessa parada aproveitei para comprar umas folhas de coca e finalmente achei o crédito pro meu celular. Quando chegamos a La Paz já era quase as 17h00min, o ônibus não para na estação rodoviária de La Paz e sim em um ponto comum para os veículos naquelas condições em uma rua um tanto distante. Descemos, pegamos nossas coisas e mochilas e eu tentei me localizar com os mapas no telefone, mas esse primeiro momento me fez ver que ser mochileiro tem seus desafios, não conseguia me localizar e logo iria começar escurecer, acho que se estivesse sozinho teria entrado em desespero – a essa altura a Jos já havia conhecido a outra venezuelana, elas se encontraram na parada por falta de gasolina do ônibus – resolvi seguir as meninas junto com outras pessoas que iriam para a rodoviária, durante o percurso de pouco mais que umas sete quadras a altitude bateu forte, mais nas meninas do que em mim, mas a falta de ar vem com força, ainda mais empilhados de coisas como estávamos. Depois que me despedi delas sentei e consegui abrir o mapa e me localizar com calma, o simples fato de estar em um lugar público, cercado de gente e protegido ajuda muito, o trajeto parecia muito longo então resolvi pegar um taxi ali nas imediações, mas fora da rodoviária, chorei no preço e fomos até o local do meu hostel, sempre acompanhando o percurso pelo telefone, quando finalmente chegamos, paguei com gosto a corrida, não só pela distância, mas o tanto de subidas por que passamos teria me custado quatro ou cinco pulmões novos. GASTOS: Dia 14.09 (sexta-feira). Troca de moeda (R$ 1,00 = Bs 1,65) – R$ 500,00 = Bs 828,00 Passagem de Guayaramerín para La Paz (Flota Vaca Díez) – Bs 180,00 Tuk-Tuk – Bs 50,00 Hotel Novo Horizonte – Bs 70,00 Mercado (Tem o mesmo preço que no Brasil, garrafa de suco de uva, água mineral, bolachas recheadas, pacote grande de salgadinhos, sabonete, papel higiênico e alguma outra coisa que não lembro, e a mulher me levou 10 Bols a mais) – Bs 73,00 GASTOS: Dia 15.09 (sábado). Tuk-tuk (da praça até a rodoviária, não tinha bolivianos trocados então paguei o mesmo valor só que em reais, ele ficou super contente) – R$ 4,00 Chip Tigo – Bs 10,00 Água mineral – Bs 4,00 Taxa de uso do terminal – R$ 2,00 Banheiro em Santa Rosa de Yacuma – Bs 1,00 Bebidas (1 Coca-Cola 600 ml e 1 água mineral 500 ml) – Bs 11,00 GASTOS: Dia 16.09 (domingo). Crédito celular – Bs 10,00 Água mineral Grande – Bs 8,00 Banheiro – Bs 1,00 Pacote de folhas de coca – Bs 1,00 TOTAL DOS GASTOS – R$ 259,00 até a chegada em La Paz. Plaza de armas Germán Busch Becerra - Guayaramerín. Flota Vaca Díez, no Terminal Rodoviário de Guayaramerín. Barracas de comida em frente ao Terminal Rodoviário de Santa Rosa de Yacuma. Folhas de coca. Trecho da Carratera de Yungas, também chamada de Estrada da Morte, liga a amazônia boliviana ao altiplano onde está La Paz.
  10. PLAY Antes de prosseguirem, devo avisar que na época, agosto de 2018, tinha montado um roteiro saindo de Rondônia ondo moro, depois seguiria até Cusco no Peru pelo Acre, então faria Ayacucho, Ica, Arequipa e Puno – Peru, atravessando o Titicaca e já em terras bolivianas tinha pretensão de fazer Cobacabana, La Paz, Potosi e Uyuni onde atravessaria o salar até chegar ao Chile para fazer o Atacama e terminaria em Santiago onde já havia me aplicado como worldpackers para o começo de outubro pelo período de um mês, até então não tinha ideia de como voltaria para o Brasil, mas para iniciar a viagem marquei a data quase para o fim de agosto, tinha a intensão de ficar dois meses viajando, mas na verdade não tinha data certa pra voltar, ela seria quando o dinheiro, R$ 7.000,00, chegasse ao fim, mas o que ocorreu foi bem diferente do que “planejei” inicialmente. A viajem durou 45 dias e o roteiro foi bem mais enxuto, pode parecer loucura mas além de acreditar em algo como “o destino” haha, as coisas estaticamente planejadas nunca funcionaram muito bem pra mim, hoje depois de meses findados o mochilão, não alteraria em nada o que fiz, mas não recomendo a ninguém que saia sem um norte bem definido pra países onde não dominam a língua e costumes, tenha em mente um bom e detalhado planejamento que tudo ficará muito mais seguro e fácil. Foi na manhã de 13 de setembro, uma quente quinta-feira, que acordei decidido, comprei minha mochila de ataque, já que a quê escolhida na internet ainda não havia chegado – acabei comprando uma mochila porta notebook com três repartições, uma para os remédios, a outra para os produtos de higiene e a maior para roupas, minha pasta de papéis e documentos além do caderno –, como a previsão de entrega dela e de outras duas blusas de frio estavam marcadas apenas para a próxima semana, resolvi que aquele seria o dia de iniciar o mochilão, pois cada vez mais as chances de pegar Machu Picchu sem chuvas diminuíam e tinha data marcada para estar em Santiago, ao chegar em casa foi o tempo de montar o mochilão e a mochila seguindo uma lista já determinada em outros relatos, tomar um bom banho, recontar o dinheiro e colocar na doleira presa ao corpo, calçar o coturno ainda bem desengonçado e pedir pro meu irmão me levar até a rodoviária logo após o almoço. Enquanto ele dirigia, e só nesse momento, bateu aquela incerteza e eu exclamei em voz alta: - Mano o que eu estou fazendo! O coração deu aquela acelerada básica, mas meu sorriso não conseguia desaparecer dos lábios, acho que no fundo, sabemos que é algo pleno, realmente mochilar é único e incrível. Cheguei à rodoviária por volta das 13h30min, o objetivo era pegar o primeiro ônibus rumo a capital Porto Velho, tinha que parar por lá para pegar um embrulho com uma amiga, nele estavam minha jaqueta corta vento, o gorro e as luvas – como só na capital tem uma loja física de uma grande rede de produtos esportivos no qual fiz o pedido pela internet, e a retirada na loja incluía frete grátis e rápido, já entenderam a escolha, – achei que conseguiria arranjar tudo até as 21h00min no máximo, quando pretendia sair de Porto Velho rumo a Rio Branco e de lá em outro ônibus rumo a Assis Brasil, divisa com o Peru, de Assis iria para Iñapari de moto-táxi e de lá para Porto Maldonado, aonde em outro ônibus chegaria a Cusco ao amanhecer, (esse roteiro de Rio Branco para Cusco vou explicar com detalhes só ao fim do mochilão, porque meus planos se alteraram completamente). Extremamente ao contrário do que ocorre com frequência, não havia ônibus saindo com horários quase imediatos para a capital, o próximo ônibus só sairia às 15h30min e era o que fazia o percurso mais longo por conta das paradas, muito bem, as coisas ainda não estavam completamente perdidas, pois de Rio Branco para Assis poderia pegar um táxi e conseguiria compensar o tempo perdido. Quando cheguei à capital eram 22h30min, mandei mensagem pra minha amiga e nada, ela estava em um tratamento onde os remédios muito fortes a faziam apagar por completo, tinha a opção de seguir sem os produtos e sem minha identidade, que tinha deixado com ela para poder fazer a retira na loja, ou esperar e esperar e esperar mais um pouco, e foi o que eu fiz. Não posso dizer que dormi na rodoviária, mas quase, quando amanheceu só consegui falar com minha amiga as 07h00min, as 07h20min estava na casa dela pegando tudo e já retornei pra rodoviária, antes passei no banco pra fazer um depósito de R$ 400,00, já prevendo que precisaria ter alguns centavos na conta pra quando voltasse ao Brasil, olha um quase planejamento ai de novo, mas acho que era mais instinto mesmo. Pois bem, ainda durante a noite tinha avaliado a situação, eram duas opções coerentes e uma nem tanto, na primeira poderia seguir para a fronteira e pousar por lá mesmo, uma vez que só chegaria a Assis Brasil a noite, então seguiria para o Peru e depois Cusco onde deveria chegar apenas no sábado pelo anoitecer, algo do qual não me atraia nem um pouco, não só por ser de noite, mas também, pelo fato de ter que excluir parte das cidades que queria conhecer no Peru e Bolívia, uma vez que tinha data certa para estar em Santiago e a perda de alguns dias com o atraso em começar a viagem já me tinham feito cortar Ayacucho, Puno e Potosí do roteiro original, agora teria que novamente readaptar o roteiro e cortar alguns dias em La Paz ou no Atacama, detalhe, se quer havia comprado as entradas para Machu Picchu, pois esperava deixar para ir à cidade perdida dos incas nos dois últimos dias, dos nove, que pretendia ficar em Cusco. Mas isso era muito arriscado, porque em determinadas épocas do ano há uma grande procura pelos bilhetes que também são vendidos pela internet, e há um limite diário de pessoas que podem adentrar a cidadela junto com uma das montanhas – que era meu objetivo – se quer uma noção, os bilhetes para subir conjuntamente a montanha de Machu Picchu já estavam reservados até o mês de outubro, só restando à possibilidade de encontrar ingressos conjunto para Huayna Picchu. Dica: Desde o começo deste ano, 1 de janeiro de 2019, novas regras entraram em vigor para a entrada em Machu Picchu e arredores, por isso informe-se antes da viagem em sites e relatos atualizados, pois essas mudanças ocorrem frequentemente, logo um relato de dois ou três anos atrás talvez não sirva mais como base para conseguir os ingressos e acessar a cidadela e arredores, neste link do site Viaje na Janela há informações das mudanças recentes, vale muito a pena conferir. A segunda opção, ainda dentro dessa lógica, era chegar a Cusco pela manhã de domingo, mas ao invés de ir trocando de ônibus e parando em Rio Branco, Assis, Iñapari e Porto Maldonado até chegar a Cusco, poderia esperar até as 22h00min e pegar o Expresso Ormeño, um ônibus que sai do Rio de Janeiro e corta o Brasil de leste a oeste passando por Rondônia e Cusco até parar em Lima, é a mais longa viagem de ônibus do mundo, no entanto ainda há poucas informações por parte da própria empresa que é peruana, e que possui poucos guichês em rodoviárias pontuais apenas, Rio de Janeiro, São Paulo, Campo Grande, Cuiabá, Porto Velho e Rio Branco, sendo que em Porto Velho não consegui localizar o espaço físico deles, apenas o número para contato, também a uma Pagina no Facebook e o home page com domínio peruano, ainda assim os relatos que li sobre a empresa e as condições da viagem não eram os mais favoráveis, acabou que nem segui adiante com a ideia de pegar o ônibus, por isso não posso detalhar sobre valores, condições e nem sobre a estrutura da viagem. A terceira e última opção era a mais absurda e coincidentemente atrativa para mim, antes de detalhá-la vou me justificar, nessa altura estávamos acabando de iniciar a campanha eleitoral e o dólar subia a galope desvalorizando ainda mais o real, meu único compromisso fixo era em Santiago, não havia comprado os ingressos pra Machu Picchu, e já estava batendo de ombros para a época de chuvas, e por fim, ao invés de começar minha viagem pelo Peru agora teria a opção de terminar ela por esse país, assim não precisaria cortar as cidades que tinha listado e conseguiria fazer um percurso de volta para o Brasil, mais ou menos de forma triangular, ao invés de uma linha não reta, mas que findaria em Santiago e de lá teria que me virar para voltar e certamente não teria dinheiro para isso, a solução era óbvia, se ao invés de iniciar minha viagem pelo Peru eu o fizesse pela Bolívia, eu resolveria todos os problemas de uma única vez, e por acaso, uma semana antes essa possibilidade se tornou viável, mesmo que se quer eu a cogitasse então. Em uma das pesquisas sobre La Paz, descobri o @Ronaldo Buh – obrigado por postar seu relato mano – um mochileiro aqui do meu estado que havia feito a rota a partir da fronteira de Rondônia até a capital boliviana – até então eu nem imaginava que isso era possível – claro que não há almoço grátis, e o relato do Ronaldo era bem realista e intimidador a princípio, uma estrada de terra, ônibus nada confortáveis, aliados a curvas e abismos interessantes no mínimo, mas isso me parecia muito tentador, então não é nem preciso dizer que não pensei muito e fui até o guichê de uma das duas empresas que faziam a rota para a cidade fronteiriça com a Bolívia a leste do estado, assim como também baixei rapidinho o relato para refrescar a memória e servir de base, o ônibus só partiria as 10h00min com previsão de chegada em Guajará Mirim as 16h00min, enquanto não dava o horário de partida, partiu tomar um café da manhã e esperar. Ao chegar à rodoviária de Guajará-mirim estava ainda bem atrapalhado com o mochilão, a mochila de ataque e a sacola com os produtos que peguei com minha amiga e não consegui arrumar nas mochilas, de cara um taxista se ofereceu pra me levar até o porto, e o gênio aceitou na hora, sem pelo menos sair dos arredores e pegar um táxi fora da rodoviária, já sabem a facada que foi, mas de boa. Chegando ao terminal portuário a uma sala reservada para a Polícia Federal, assim como para a Receita, mas a Polícia ainda não havia se transferido para lá, muito bem, voltei para o ponto e peguei um moto-táxi até o a delegacia da PF, por sorte ainda estava em funcionamento, já eram quase seis horas da tarde – na delegacia entreguei meu passaporte e a identidade, o procedimento é rápido e gratuito, acredito que para fins de controle apenas, é informado no sistema e carimbado a data no passaporte –, com o mesmo moto-táxi retornei para o porto comprei o bilhete e fiz a travessia em um dos barcos até o lado boliviano, onde agora não estava como comprador de fim de semana ou paciente de consulta médica, pela primeira vez desde que comecei a viagem, me sentia um mochileiro de verdade, passaporte carimbado, e prestes a entrar em terras não brasileiras, a aventura estava apenas começando. GASTOS: Dias 13.09 e 14.09 Passagem de Ji-Paraná para Porto Velho – R$ 102,00 Lanche (rodoviária de Ariquemes) – R$ 7,50 Óculos de sol e cadeado (na pressa esqueci meu óculos de sol em casa e precisava de um cadeado pro mochilão, o jeito foi comprar ambos em uma lojinha na rodoviária aos quarenta e cinco do segundo tempo) – R$ 50,00 Guarda volumes (além da espera na rodoviária, não ia até a casa da minha amiga – até então sem saber onde era – com o mochilão nas costas) – R$ 5,00 Água – R$ 3,00 Caridade (leia-se uma travesti muito pimpona que queria fugir comigo) = 7,00 Café da manhã – R$ 15,00 Passagem de Porto Velho para Guajará-Mirim – R$ 70,00 Táxi da rodoviária de Guajará até o terminal portuário – R$ 20,00 Moto-táxi do terminal portuário até o posto da PF e da PF ao terminal – R$ 10,00 Bilhete de travessia pluvial para Guayaramerín – R$ 8,00 Total dos gastos – R$ 297,50 até a chegada na Bolívia.
  11. Mochilão Mochilão La Paz, Uyuni (BOL) – Salta, Córdoba (ARG) – San Pedro do Atacama, Santiago (CHL) - Arequipa, Cusco (PER) “Não tenha medo de morrer feliz, tenha medo de viver triste”. – (Jeison Morais) Porque mochilão? Quando disse para minha família e amigos que iria fazer uma viagem com uma mochila cargueira nas costas ao invés de malas, sozinho, pelo Peru, Bolívia e Chile, e sem data pra voltar, a grande maioria duvidou que eu realmente a faria, essa maioria também questionou os destinos escolhidos e o restante embarcou na ideia dizendo o quanto isso era incrível e como gostariam de fazê-lo, quando retornei alguns quilos mais magro e moreno de sol, mas com aquele brilho nos olhos que só quem viveu um mochilão conhece, o que ouvi de todos foi o quanto era corajoso, louco e como devia ter sido incrível toda a experiência. Acho que pra embarcar em um mochilão nós temos que estar em um modo diferente de ver o mundo e creio que todos os mochileiros, independente do nível de experiência, irão fazer uma mesma constatação, essa forma de viajar única vai te colocar em situações frequentemente mais desafiadoras que outras, em contato com pessoas reais em seus ambientes reais, e se você não estiver minimamente conectado e inclinado psicologicamente para isso, toda a experiência será muito frustrante. Penso que qualquer pessoa pode ser colocada em uma viagem de luxo em um cruzeiro internacional e com um mínimo de disposição será maravilhosa essa experiência, mas nem todo mundo pode fazer um mochilão se não estiver realmente disposto a experimentar o que isso significa. Definitivamente mochilão não é pra gente fresca. O meu primeiro mochilão, mesmo que ainda não tivesse noção que o era, aconteceu por um acaso no começo de 2017 em um relato que já postei aqui no site e vocês podem conferir no clicando no link Conhecendo Manaus, através dele creio que também terão uma noção melhor de quem sou e como essa viagem foi importante pra adquirir uma nova visão de mundo que desembocou nessa aventura pela América do Sul. Antes de prosseguirem devo avisar que na época, agosto de 2018, tinha montado um roteiro saindo de Rondônia ondo moro, e seguiria até Cusco no Peru pelo Acre, depois faria Ayacucho, Ica, Arequipa e Puno – Peru, em território boliviano tinha pretensão de fazer Cobacabana, La Paz, Potosi e Uyuni onde atravessaria o salar até chegar ao Chile para fazer o Atacama e terminaria em Santiago onde já havia me aplicado como worldpackers para o começo de outubro durante um mês, até então não tinha ideia de como voltaria para o Brasil, mas para iniciar a viagem marquei a data quase para o fim de agosto, tinha a intensão de ficar dois meses viajando, mas na verdade não tinha data certa pra voltar, ela seria quando o dinheiro, R$ 7.000,00, chegasse ao fim, mas o que ocorreu foi bem diferente do que “planejei” inicialmente, a viajem durou 45 dias e o roteiro foi bem mais enxuto, quanto ao dinheiro, esse não teve salvação, foi todo e a viagem não poderia ter sido melhor, pode parecer loucura mas além de acreditar em algo como “o destino” haha, as coisas estaticamente planejadas nunca funcionaram muito bem pra mim, hoje depois de três meses findados o mochilão, não alteraria em nada do que fiz, mas não recomendo a ninguém que saia sem um norte bem definido pra países onde não dominam a língua e costumes, tenha em mente um bom e detalhado planejamento, obvio que as coisas podem sair do rumo esperado, faz parte, mas se seguir as dicas de todos os mochileiros decentes que conheço e conheci, as chances de dar errado são mínimas, quanto a mim só posso agradecer ao universo, Deus, aos deuses, a sorte e o que mais acredite por ter colocado pessoas tão incríveis no meu caminho e por tudo ter dado tão certo, desde antes da viagem, quanto durante ela. Durante o relato vou tentar descrever os passeios, locais de visitação, meios de transporte, custos e sempre que necessário, em separado, as dicas e macetes que achei úteis. Também pretendo publicar um livro, a parte, com detalhes do mochilão mais voltados para as experiências e pessoas que conheci durante essa viagem, quando tiver concluído, pra quem tiver interesse, aviso com mais detalhes, nele deverão estar presentes todas as informações que vou passar neste relato pro Mochileiros, mas como o que nos interessa aqui são informações mais voltadas para custos e dicas do que sensações em si, lá vamos nós. GRATIDÃO E PLANEJAMENTO Com o acesso a internet e a vários sites e grupos online de mochileiros que compartilham seus relatos e experiências de viagens, ficou muito mais fácil planejar um mochilão para qualquer destino já percorrido por alguém neste planeta. Quando estava na fase de me maravilhar com os relatos, a ideia inicial era ir de ônibus percorrendo toda a costa oeste do Brasil até o sul, e prosseguir pelo Uruguai, cruzar a Argentina e por fim subir o Chile até o Atacama, neste primeiro momento o Chile seria o único destino de parada, tendo apenas as paisagens dos outros dois países sul americanos como complemento da viagem – aqui início os meus agradecimentos, primeiramente ao @Gedielson quem fez esse percurso e depois um relato repleto de detalhes além da disponibilidade de outras informações nos comentários, gratidão a ti mano, a diferença é que ele saiu do sul do Brasil – depois de adiar o mochilão já no começo do ano acabei por encontrar outro mochileiro aqui no site, o @Diego Moier, um parceiro muito solicito que iniciou suas postagens sobre um famigerado roteiro pela Bolívia, Chile e Peru, no começo de junho, nesse momento já havia adiado duas das três vezes minha viagem remarcando tudo para agosto, de maneira que pude acompanhar ansioso cada postagem que o Diego fazia sobre sua jornada, a partir de então meus planos se alteraram completamente, e um novo roteiro começava se desenhar na minha mente, meu mochilão estava apenas começando. Devo dizer que o relato do Diego é muito completo e detalhado, tu é fera mano, e ele teve outras duas inspirações principais por assim dizer, uma delas, o @rodrigovix, também serviu para inspirar a minha viagem com um relato muito top, detalhado e engraçado – Rodrigo não te conheço cara, mas lendo sua história era como se estivesse vendo tudo na minha frente com os olhos brilhando – devo dizer muito, mais muito obrigado mesmo pela disponibilidade de vocês Diego e Rodrigo por postarem seus relatos, isso inspirou, guiou e foi a base do meu mochilão, mesmo que no fim tenha percorrido outros destinos que alteraram em parte o roteiro inicial, mas isso é assunto pra depois, por hora, gratidão a vocês e a todos que compartilham suas aventuras aqui, espero poder contribuir e inspirar alguém também em fazer algo incrível como mochilar haha, e antes de prosseguir peço desculpas pelo atraso em começar a postagem, mas depois que a gente larga tudo pra viajar, ainda tem uma vida repleta de boletos nos esperando, mas prometo fazer as postagens o mais rápido possível a partir de agora. Durante semanas parte do meu tempo livre se resumia em ler e buscar informações dos destinos que pretendia percorrer pela viagem, as informações que não tinha no relato dos meninos eu ia buscando em outros relatos, e acredite, relatos super detalhados e repletos de dicas é o que não faltam na rede, agradeço mais uma vez todos que desbravaram não só novos territórios físicos e geográficos como também compartilharam suas experiências na internet, sem vocês tudo teria sido muito mais difícil e talvez nem ocorrido teria, então muito obrigado. Voltando do momento gratidão, a síntese pra quem se dispõe a cair na estrada é ter uma boa operadora de internet para poder navegar e encontrar muita informação e conselhos detalhados de gente que já fez esses percursos, eles são uma base segura para montar sua viagem e planejar os roteiros, passeios, gastos com alimentação, costumes, dicas de lugares para comer, dormir, se divertir, o que levar, o que não levar, cuidados que se deve ter e muito mais, e mesmo que tenha preguiça de ler tudo, lhe garanto que a fase de se maravilhar vai te impedir de fazer outra coisa que não ler e ler e reler todos os relatos e dicas que possa achar. Viajar por países andinos, em qualquer época do ano, vai lhe exigir o mínimo de roupas de frio, como moro na Amazônia brasileira, roupas de frio é item em falta em meu guarda roupas, então, se esse também for seu caso, comece por uma lista de roupas que irão te livrar de virar um picolé brasileiro em terras estrangeiras, o segredo para isso é se vestir em camadas, no mínimo um conjunto segunda pele térmica, depois uma blusa de frio fleece e por ultimo uma jaqueta corta vento, três camadas devem ser suficientes para enfrentar até menos dez graus que foi a temperatura mais baixa que enfrentei durante a viagem e estou aqui com todos os dedos para contar a história, no entanto é possível que enfrente temperaturas ainda mais baixas dependendo da estação do ano, no mais a sensação de frio varia de pessoa pra pessoa, então nesse caso menos não é mais. Por outro lado um mochilão, apesar do nome no aumentativo, não é uma mala nem um mini guarda roupas, poucas coisas cabem dentro dele, ainda mais se tratando de roupas de frio que tendem ser mais volumosas, assim sendo, é importante que tenha bom senso na hora de montar sua lista e mais bom senso ainda na hora de montar seu mochilão e não se preocupe, ao final da viagem você vai ver que não precisava ter levado tudo que colocou nele, não porque irá adotar o habito de algumas nações de não tomar banho todos os dias – e não estou falando dos sul americanos –, e sim porque há serviços de lavanderia em boa parte dos hostéis ou cidades por onde vai passar, então não compensa carregar metade de seu guarda roupas nas costas. Leve roupa pra passar de uma a uma semana e meia, isso deverá ser o suficiente para se virar, até porque repetir roupas é algo mais que comum nestas viagens o importante será passar pelo teste do olfato, se aprovado, é o que tem até o próximo banho. Por isso é importante ter noção de para onde se está indo, em qual época, os passeios que pretende fazer, é nesta base que poderá montar sua mochila, de forma eclética, talvez não tenha pretensão de ir para um lugar frio, mas vai que durante a sua passagem o tempo mude e a temperatura caia para menos vinte célsius, é bom ter aquele agasalho que sua mãe tanto fala, tudo bem que você vai morrer de qualquer jeito, mas vai morrer mais quentinho pelo menos. Como tinha pretensão de fazer alguns trekkings, e pelo menos um ao certo, investi em um coturno impermeável, não façam isso, pelo menos não de última hora, hoje ele está muito confortável, mas durante a viagem eu amaldiçoei cada segundo do momento que tive a ideia de compra-lo, além do que, mesmo que não impermeáveis, existem calçados mais apropriados para trilhas que um coturno – a menos que você seja um militar e assim como eles muito mal pagos pra sofrer – aconselho que invista até mesmo em um bom tênis de corrida e caminhada que será mais confortável e inteligente, uma vez que o outro calçado que levei foi um tênis já bem gasto com o qual fazia minhas caminhadas pela cidade e foi ele quem me salvou de ter um ataque do coração, acabou que só usava o coturno quando estava me deslocando em algum transporte entre as cidades porque se coloca-se no mochilão teria que me livrar de três quartos das minhas roupas, risos de raiva. Mas antes das roupas e calçados, antes de pensar em viajar, tenha sempre em dias seus documentos atualizados e prontos, já havia tirado meu passaporte um ano antes e foi este documento que usei para sair do Brasil – mesmo que atualmente a maioria dos países sul americanos exijam apenas a carteira de identidade com menos de dez anos de expedição, o passaporte é o melhor documento para viagens – também é importante ter conhecimento das condições necessárias para entrada e/ou permanência nos destinos escolhidos, para tanto o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, disponibiliza na web uma pagina onde constam os documentos e procedimentos necessários, como documentos exigidos, necessidade de visto e moeda, vacinação, alertas para turistas, entre outros, esse tipo de planejamento é muito importante porque a retirada de documentos geralmente ocorre de forma lenta em determinadas regiões do país, como a minha por exemplo e pode atrasar sua viagem em meses. No mais é importante ter em mente que as atualizações referentes a procedimentos de entrada em outros países se alteram com frequência, por isso é importante estar sempre de olho em possíveis mudanças como a necessidade de vacinação para entrar em outras nações, quando exigido, a comprovação só é feita através do Certificado Nacional de Vacinação, documento expedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em seus escritórios regionais e locais, mas é possível que nem todo município disponha do serviço, o mesmo vale para a confecção de passaportes e vistos. Tendo os documentos prontos é importante também pensar em ter uma cobertura mínima em caso de possíveis problemas, ter seguros de toda espécie é uma boa opção, mas um fundamental é o seguro saúde uma vez que em terras estrangeiras qualquer procedimento que exija atendimento hospitalar vai lhe custar muito dinheiro fora a medicação e outros possíveis gastos, então invista em uma cobertura deste tipo tendo em vista os lugares em que vai se aventurar e passeios que pretenda fazer. Hoje existem diversas opções de bons planos que fornecem uma ótima cobertura com valores bem acessíveis a todos os bolsos e gostos, e lembre-se, ninguém pensa em morrer – bate na madeira – mas se ficar doente no exterior já é ruim, partir pra outra é ainda pior, o custo e burocracia são infernais, claro que não estará aqui para ver isso, mas em muitos planos um auxilio translado também está incluso no preço final, por isso olhe bem tudo que está incluso e compare, tem planos com mais opções e preços mais baixos, basta pesquisar. Pra terminar seu planejamento, você irá necessitar de uma mochila de ataque, certamente você a carregará na frente enquanto estiver com seu mochilão e é nela que estarão seus itens de higiene pessoal, acessórios e eletrônicos, remédios, tipo uma farmácia mesmo e umas roupas básicas pra sobreviver, e comida, e água, e lenços umedecidos, e acho que é só, então segue uma lista do que eu levei pro meu mochilão, aqui não vou passar os valores porque nesse quesito o que conta é a pesquisa e disponibilidade de produtos e serviços que terão, já falei que moro no norte, então só de frete pra cá se vai metade dos custos dos produtos, quando não mais. Haaaa, acaba que minha lista ficou mais enxuta que a lista em que me baseei, @Diego Moier pra variar, então vale muito ler o relato dele e de quem inspirou ele também, porque se fores alguém mais detalhista, a lista deles é bem mais completa, no mais eles tem boas dicas referentes a moeda, dindin, dinheiro mesmo, uma vez que eles levaram dólar para aumentar o poder de negociação, já eu levei apenas nossa desvalorizadíssima moeda nacional na época (no auge da campanha eleitoral), e apenas reais, nada de cartão de credito internacional, cartão pré-pago ou qualquer outra forma de dinheiro, unicamente porque as taxas pra sacar ou usar essas formas de pagamento no exterior são muito ruins para nós, então preferi tentar a sorte e trocar moeda nas casas de cambio de lá mesmo, pra quem puder trocar reais por dólares antes da viagem, a depender da cotação, é sempre bom, pois é a moeda forte em qualquer lugar, assim como o euro, quanto as outras formas de pagamento/dinheiro, é recomendável ter uma outra opção em caso de furto ou roubo, mas nesse quesito ao menos os países que visitei são muito mais tranquilos e seguros que o Brasil, no mais se tu não for assaltado aqui não é lá que será, apesar da infinidade de golpes que aplicam contra turistas, tem que ficar de olhos bem abertos todo o tempo. DOCUMENTOS: Passaporte, Carteira de Identidade, Certificado Internacional de Vacinação e vou incluir aqui o Seguro Viagem. Dica: Caso tenha feito reservas de hospedagem e outros serviços como seguro saúde, leve os comprovantes impresso e também tenha registros dos documentos e comprovantes em formato digital no celular e e-mail. OBJETOS: 01 Mochila Náutica 60 l (recomendo, é muito boa e saiu por uns R$ 350,00 no Mercado Livre). 01 Mochila (para notebook, com três compartimentos, ela serviu como mochila de ataque); 01 Celular, cartão de memória, carregador e fone de ouvido (que também serviu como câmera, mas se puder invista em uma câmera profissional, a menos que o seu telefone seja o top das galáxias fotográficas); 01 Money Belt (também conhecida como doleira, para guardar seus trocados e documentos junto ao corpo e não largar nunca); 01 Cadeado (pelo menos um); 01 Lanterna (não usei, mas é útil a depender do roteiro, como subir as escadarias para Machu Picchu ainda de madrugada ou trekkings noturnos); 01 Pasta (para guardar todos os papéis possíveis e impossíveis que estou encontrando agora); 01 Caderno e caneta (gosto de escrever e desenhar). CALÇADOS: 01 Coturno Impermeável (já falei sobre isso); 01 Tênis (também já falei); 01 Chinelo de dedo Rider (depois quero receber pelo merchandising). ROUPAS: 01 Toalha de banho (se puder invista em uma de secagem rápida, microfibras); 01 Toalha de rosto; 07 Pares de meias; 01 Sunga; 12 Cuecas; 02 Calças jeans; 01 Bermuda jeans; 01 Bermuda moletom; 06 Camisetas (03 foram suficientes); 02 Camisetas de manga longa; 01 Conjunto segunda pele térmica; 02 Blusas fleece; 01 Jaqueta corta vento; 02 Calças moletom (se puder invista em uma corta vento); 01 Capa de chuva; 01 Óculos de sol (invista em um bom); 01 Par de luvas de frio, 01 gorro e 01 boné; 01 Cachecol e 01 Meia de lã grande (comprei durante a viagem para travessia do salar); ITENS DE HIGIENE PESSOAL OBRIGATÓRIOS E ESSENCIAIS: Escova, pasta de dentes e fio dental; Lenços umedecidos (não sei como vivi sem saber da existência deles até esse mochilão, e sim eles irão salvar sua vida, ou a vida dos seus companheiros pelo menos); Sabonete e shampoo; Hidrante corporal e hidratante labial; Protetor solar; Desodorante e perfume; Pente e creme para pentear (a menos que seja careca); Papel higiênico. Dica: não é necessário entupir sua mochila de ataque com muitos e grandes itens, você poderá compra-los nas cidades que passar, mas em geral esses itens são muito mais caros principalmente no Chile e Argentina, se comparados aqui com o Brasil, leve apenas o básico e se for necessário compre algo por lá. REMÉDIOS: Algo para diarreia (tendo em vista a quantidade de reclamações, principalmente na Bolívia); Algo para o fígado (caso houvesse uma infecção intestinal e necessitasse dar uma ajuda ao nosso órgão responsável por eliminar toxinas); Algo para azia e má digestão (já percebeu que o medo com as comidas internacionais foi grande); Algo para febre, dor de cabeça e gripe (três em um mesmo); Algo para dor muscular (além de comprimidos, também comprei na forma de emplasto); Curativos (curativo adesivo, esparadrapo e gaze); E algo para amenizar o mal da altitude, o famoso soroche. Dica: De todos os itens da minha farmácia particular, não usei nenhum dos relacionados para o estomago, no entanto eles serviram para uma companheira de viagem no Atacama, ela passou muito mal e os remédios ajudaram a aliviar os sintomas, os restantes foram todos usados, adicionados uma aspirina (ácido acetilsalicílico - ASS) que comprei no Chile em virtude de uma inflamação nas amidalas, e deu pra quebrar o galho até chegar ao Brasil. Quanto ao usado para o mal de altitude, o escolhido foi o Diamox, seguindo algumas dicas de outros mochileiros, no meu caso tive que parar de usa-lo no terceiro dia, pois estava me fazendo muito mal, talvez seja mais aconselhável o uso de pastilhas que são vendidas no Peru chamadas Sorojchi Pills e que prometem resolver o problema, como são indicadas especificamente para essa finalidade, é melhor que o Diamox que pode ajudar a combater o soroche, mas não foi feito para essa finalidade. Por fim, automedicação não é algo a ser recomendado ou encorajado, fármacos podem gerar efeitos colaterais adversos, por isso passe em um médico ou no mínimo converse com um farmacêutico sobre alguns remédios para melhorar a imunidade e ajudar em possíveis casos de adversidade na viagem. APLICATIVOS: Com poderosos smartphones temos a mão uma infinidade de aplicativos que podem potencializar as experiências de viagem, no meu caso, o Windows Phone não mantem uma boa e atualizada base dos mesmos, mas se você possui sistemas mais comprometidos com seus usuários vai encontrar bons apps para facilitar sua vida no mochilão. Booking / HostelWorld (para descobrir hostéis e hotéis com preços bons e avaliações de usuários); Maps Me / Mapas da Microsoft (com eles você baixa mapas que poderão ser usados off-line, possuem boa precisão e riqueza de detalhes e informações como pontos turísticos, acomodações, restaurantes, avaliações de usuários, etc.); Google Tradutor (dispensa apresentações, o app possui uma série de funcionalidades muito uteis pra quem ainda não domina completamente outros idiomas); TripAdvisor (pra quem procura detalhes de pontos turísticos a partir da interação dos usuários, considero o app mais confiável); Dropbox / Google Drive / One Drive (apps para backups, e sim, você pode acidentalmente entrar com celular em um lago salgado no meio do Atacama e perder tudo, mas se tiver salvado na nuvem, pelo menos suas fotos estarão preservadas); Skyscanner / Google Flights / Rome2Rio (esses apps são para quem busca passagens aéreas principalmente, o Rome2Rio também indica passagens de ônibus, trem e barcas e vem cheio de informações como horários, itinerários e preços); Oanda / XE Currency (apps gratuitos para conversão de moedas); Movit / Citymapper (te mostra às linhas e itinerários de trens, metrô e ônibus e qual é o caminho mais rápido pra chegar ao seu destino, tendo aplicação em mais de 1.000 cidades deste mundão velho de meu Deus); Mochileiros (app aqui do Mochileiros.com que disponibiliza os relatos e o fórum pra conversa com outros viajantes). Ainda existem outras infinidades de apps, como os de hospedagem nas mais variadas formas, Airbnb, Gamping, Couchsurfing; para encontrar companhias de viagem, no caso o Tourlina é apenas para as meninas que estão na estrada, já o Tongr é para uma maior interação com os locais, enfim apps não faltam, pena nem sempre estarem disponíveis em todos os sistemas operacionais. Com tudo pronto, partiu mochilão.
  12. @Samuel Meireles Acredito que já tenha visto esse relato, mas se não, de uma olhada, ta meio desatualizado (2013) mas vale como guia: https://www.mochileiros.com/topic/43592-salkantay-trek-completo-sem-guia-p/
  13. Que massa Samuel, infelizmente não vou fazer Huaraz nessa trip, vai ficar pra uma próxima. O importante é estar bem preparado e com o psicológico lá em cima, com certeza tu vai tirar de letra, quanto a trilha em si, apesar de difícil os relatos aqui de quem fez solo, dizem ser tranquilo quanto aos acampamentos e com sorte encontramos algum mochila no caminho até lá, com uma boa companhia é muito melhor, tudo de bom pra gente brother, e se eu concluir com sucesso e tu quiser umas dicas, só manter contato, abraço.
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