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Lucas Macalister

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Reputação

5 Neutra
  1. Nunca descrevi minha trip pela América do Sul aqui. Em dezembro de 2015 fiz uma road trip junto com dois amigos. Saímos de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul a bordo de um Gol 1.0 com o objetivo de conhecer a maior quantidade de lugares em 30 dias gastando o mínimo possível, os dias que parávamos para dormir eram na maioria pra acampar em campings, postos de combustível ou até mesmo em um lugar qualquer no meio do nada, foram poucas vezes que nos hospedamos. Fazíamos nossa própria comida, foi uma experiência bem roots como se fosse um caminhoneiro, aliás eles nos ajudaram muito, ficamos sem gasolina na Patagônia e eles nos doaram Querosene para colocar no carro na qual conseguimos andar 30km até o próximo posto. Ushuaia na Argentina foi uma experiência incrível, aqueles picos nevados, o pôr do sol as 22hrs e nascer as 4:30hrs, demais. El Chaltén na Argentina, capital nacional do Treeking ficamos em um hostel na qual estava com ocupação máxima e conseguimos lugar para acampar no pátio, a noite fomos socializar com o pessoal ao lado de uma lareira tomando um chima e um Bulldog querendo carinho junto às hóspedes, do lado de fora muito frio, pessoal preparando os equipamentos para escalada e um grupo cantando e tocando violão ao redor de uma fogueira. Próximo destino foi Torres del Paine no Chile, lugar mais lindo de toda a trip, lugar de trilhas com as melhores paisagens que já vi, lugar que acho o mais indispensável de conhecer na Patagônia. Passamos por diversos lugares no caminho, estradas com paisagens magnificas, Bariloche linda demais. No dia 30 de dezembro vimos que daria pra passar o ano novo em Santiago no Chile, lembro que chegamos na Aduana Argentina/Chile pelas 18 hrs e estava fechado, só pela manhã, acampamos ao pé do Vulcão Lanín, ao lado de um lago um repleto de peixes e vários coelhos em volta da barraca, no outro dia mesmo atrasados aquilo que aconteceu foi demais, logo depois começou nossa viagem puxada até Santiago, chegamos 23hrs no centro da cidade, não conhecíamos nada, diversas ruas bloqueadas por causa do ano novo até que um guarda viu que estávamos perdidos, abriu o bloqueio e deixou a gente estacionar perto da praça que teria os shows de fogos, Ano novo foi demais, conhecemos muita gente e fizemos várias festas juntos pela cidade. Dias seguintes conhecemos a capital, Vinã del Mar e Valparaiso. Próximo destino era Deserto do Atacama, quando chegamos em San Pedro de Atacama parecíamos que estávamos em Marte, lugar com uma geologia estranha, deserto mais alto do mundo, clima seco demais, dias com calor de 40 graus e noites com frio de 5 graus, por falar em noite, lá é onde você vai ver o céu mais estrelado, e lá onde tem o a maior rede de telescópios do mundo, o ALMA. Encontramos um camping muito esquisito, parecia que estávamos num alojamento do exército no Iraque , conhecemos pessoas de várias partes do mundo. O próximo destino era Cuzco no Peru, viajar de carro pelo peru é demais, campos e montanhas, vilarejos numa imensidão e verde e azul, estar em Cuzco te deixa com uma vibe espiritual muito boa, sei lá, não sei explicar, a capital do império inca te insere num contexto cultural incrível. Numa certa noite resolvemos ir numa balada aos redores da Plaza de Armas no Centro Histórico de Cuzco, chegando lá encontrei um amigo da minha primeira viagem ao Peru, que estava com um grupo de brasileiros, no dia estava frio e deixamos nossos casacos em uma mesa junto com dos demais do grupo, quando decidimos ir embora nossos casacos aviam sumidos e com a chave do carro dentro . Foi onde começou o desespero, não encontrávamos um chaveiro para nos ajudar, depois de dois dias com a ajuda do Harry Corrimayta, um amigo e proprietário hostel que estávamos hospedados conseguimos um chaveiro para fazer uma chave que era codificada. Saindo de Cuzco com boas e más lembranças a próxima parada foi o Lago Titicaca em Puno no Peru, lago navegável mais alto do mundo, onde o povo Uros vive até hoje em ilhas artificiais feitas de capim. Depois de conhecer o local o próximo destino era a Bolívia, na manhã de começar a viagem novamente pegamos nossas bagagens e colocamos no carro que estava estacionado em frente ao hostel, uma rua movimentada cheia de comerciantes na rua e andamos de a pé até uma padaria para comprarmos nosso café da manhã, demoramos 10 minutos e no retorno começou o desespero parte 2, arrombaram nosso carro e roubaram nossas compras, um notebook, um tablet, uma camera profissional e uma esportiva com todas as fotos da trip que já eram milhares de fotos e vídeos dos mais de 20 dias percorridos. Ficamos muito desanimados, perdemos 1 dia na delegacia e la conhecemos um casal de brasileiros que também haviam sido roubados levando todos seus documentos e uma família de colombianos que haviam roubado suas bagagens na qual conversamos muito na delegacia, estavam fazendo uma trip parecida, tinha passado pelo Salar de Uyuni na qual era nosso um dos próximos destinos e nos falou que as condições das estradas até la eram péssimas e a partir daquele momento decidimos encerrar a trip. Conhecemos rapidamente pela Bolívia a capital La Paz, Cochabamba e Santa Cruz de La Sierra e até chegarmos finalmente entrar no Brasil em Corumbá no Mato Grosso do Sul e comer aquele Xis tudo para comemorar que havíamos conseguido sair da Bolívia depois de ter que pagar diversas propinas para que os policiais corruptos nos deixassem prosseguir para casa. Fiz esse resumo da trip para ficar guardado neste post o que passamos, foram 30 dias, mais de 18 mil quilômetros de muitos perrengues, mas não me arrependo de nenhum dia, conhecemos algumas das paisagens mais lindas que devido ao roubo de quase todas nossas fotos vão ficar guardadas apenas nestas recordações que somente podem ser contadas. Agradeço a os meus amigos de trip que me aguentaram viajar junto com “poucas” brigas e também as pessoas que nos ajudaram pelo caminho. Desejo que este post inspire algumas pessoas a viajar, que mostre que não precise o melhor carro, ser rico, ser formado, estar casado... para poder viajar. *as fotos postadas são as poucas que conseguimos salvar em nossos celulares.
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