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camilandarilha

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Tudo que camilandarilha postou

  1. Estou planejando o clássico mochilão pela Bolívia, Chile e Peru do mês de dezembro ao mês de fevereiro (com esperança que as fronteiras vão estar normalizadas e os quatro estarão com as duas doses da vacina) e três colegas toparam a ideia de ir nessa viagem. Pegaremos carona na estrada para economizar, mas em questão de hospedagem, estou na dúvida se ainda vale a pena ficar em hostel como opção barata para o grupo, ou se ficar em AirBnB daria no mesmo, financeiramente falando. O que acham?
  2. Massa demais! Topo ir até o Chile também. Se a gente fosse nessa direção, tu toparia subir até o Peru?
  3. Olá mochileiros de plantão! Entro de férias na segunda semana de dezembro, e quero viajar por cerca de um mês/2 meses, descendo de Pernambuco até Ushuaia na Argentina somente "hacendo dedo", roots mesmo. No meio do caminho a gente pede comida, faz uma grana vendendo comida e artesanato e nos viramos tenho uma barraca em caso de emergência, mas você deve ter a sua também, caso a gente durma em algum posto, quintal ou na natureza mesmo O destino pode mudar de acordo com o que a gente sentir! Mas a ideia inicial é Argentina mesmo porém, estou disposta a conhecer outros destinos! Quem topa?
  4. Olá! Depende de para onde no nordeste você está indo. Por exemplo, se você quer ir para o Maranhão, a melhor época é agora em agosto (caso você tenha planos de visitar os lençóis maranhenses). Se você quer visitar as praias de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e RN, a partir de novembro à março é certeza que o clima está fantástico. Mas é bem relativo, porquê por exemplo, julho é um mês frio, mas no litoral do Ceará é como se o inverno não existisse (pelo menos foi o que senti em Fortaleza). E mulher, sobre roteiro, depende muito do que tu busca (tudo depende hahaha) mas vou presumir que tu tá mais em busca de praias. Então Alagoas: Japaratinga, Maragogi, Praia do Francês (Alagoas). Pernambuco: São José da Coroa Grande, Porto de Galinhas, Calhetas, Praia do Sossego. Paraíba: Coqueirinho, Tambaba. RN: Pipa, Baía dos Golfinhos, Praia do Amor, Praia do Madeiro. E ainda tem muito mais, (como a Rota das Emoções no CE/PI/MA) são muitas opções haha! De rolês culturais, Marco Zero do Recife e centro histórico de Olinda (são os que tenho mais contato, mas com certeza tem muito mais rolê cultural incrível por aí. Depende se tu vai querer conhecer o interior dos estados ou vai ficar só no litoral. No interior de PE tem o Vale do Catimbau, que é INCRÍVEL). Protetor solar sempre! E hostels, só consigo te recomendar três: Zilli Hostel e Ramon Hostel, ambos em Recife e Lagarto na Banana, em Pipa. Mas dá uma pesquisada e vê o quanto tu quer gastar! Qualquer coisa pode me mandar uma mensagem, abraço e boa viagem
  5. Se for viajar sem grana, se mantendo no caminho vendendo comida, artesanato e etc, é mais fácil conseguir uma dupla; mas um grupo é realmente difícil (especialmente se pra economizar, tu for pegar carona na estrada). Fica tranquilo que se tem uma coisa que viajante roots faz com facilidade, é amizade. Você provavelmente terá grupos com você, mas sempre grupos diferentes em cada lugar! Falo por experiência própria fui sozinha e com o orçamento diário de quase zero, e quando não estava em grupo, estava em dupla (sempre com pessoas diferentes).
  6. Olá aventureiros! Estou indo para o Maranhão por 6 dias, e nesse tempo, dormirei uma noite em Barreirinhas (02/08) e outra noite em Atins (03/08), junto a uma amiga. Gostaria de sugestões de camping ou até hostels mais acessíveis obrigada desde já!
  7. Concordo com o Davi; espera mais um pouquinho. Contudo, se você tiver tempo extra, poderia fazer como alguns viajantes fizeram para ir à Europa; quarentena de 14 dias em um país que não está com as fronteiras fechadas para brasileiros (vi um cara indo pro México antes de ir pro Reino Unido e deu bom, sendo que ele precisou de mais 14 dias de quarentena na Inglaterra). Presumo que tu não possa estender tua viagem, então resta aguardar mais um pouco.
  8. Não, não paguei. Não deu pra fazer diferente por conta da condição financeira que eu tava, mas não recomendo fazer igual porquê se a pessoa for pega, paga uma bela de uma multa.
  9. Capítulo 8: Thetford e família Costa Quando estava indo para a Inglaterra, planejava passar um tempo em Londres, usando Couchsurfing e Worldpackers – contudo, eu havia contatado Valdeiza, uma amiga de meu pai que mora na Inglaterra, pedindo ajuda quanto à carta convite. Ela me mandou, e se ofereceu para me buscar no aeroporto. Aceitei, muitíssimo grata à oferta e à carta. Em Londres, passei 40 minutos na imigração por dizer que só tinha 200 euros e ia viajar usando couchsurfing e pegando carona na estrada. Depois de muita conversa, o oficial falou bem seriamente: olhe garota, não quero ver nenhuma notícia sobre você no jornal! Disse que ele não ouviria falar de mim e passei. Finalmente, Inglaterra! Esperei um pouco pela Valdeiza e quando nos encontramos, ela perguntou se eu não gostaria de passar um tempo com a família dela no interior. Pareceu-me uma ótima ideia, visto que ainda não tinha planos concretos. Quando chegamos à Thetford, conheci seu marido português, o Luís, mas não consegui conversar muito, pois estava morta de sono. Perguntei onde poderia dar um cochilo e capotei. Dormi por 16 horas! Lembro bem da voz da Valdeiza depois desse longo “cochilo”: menina achei que você tinha morrido! Na casa também havia o Samuel, o filho deles: uma criança serelepe e travessa, e ainda sim, extremamente cativante, sendo impossível não gostar daquela criatura traquina. Passei o mês na casa deles e vivi muitas coisas lá. Conheci muita gente da família, e inclusive mais tarde a Wânia e o Elson, irmãos da Valdeiza, iriam me abrigar em Oxford. Fui alguns sábados para a igreja adventista com eles, e lá, tinha a oportunidade de praticar inglês (foi bem difícil no início entender o culto e conversar com as pessoas, por conta do sotaque britânico), mas foram tantas coisas que se eu escrever sobre tudo, passarei tempo demais falando dessa primeira parte na Inglaterra. Mas fico muito feliz por todos que conheci. Fico feliz de ter participado um pouco da vida daquelas pessoas. Ah, e nesse mês em Thetford, pude fazer alguns bate-voltas: conheci Bury St Edmunds, Norwich, Colchester, Cambridge... Agora, algumas anotações que fiz durante a viagem: “Ajudei em um evento da igreja deles, e me senti bastante útil. Lembro-me de passar horas cortando e plastificando coisas. Foi um evento dos desbravadores. Ajudei bastante na casa, e a Deiza me ajudou muito. Por conta dela, consegui minhas primeiras 100 libras (lembrando que cheguei na Inglaterra tendo só 200 euros) . Ela me conseguiu trabalho como pintora artística em uma festa infantil, fiz brigadeiro e ajudei em bastante coisa da festa também. Eu dormia no quarto com o Samuel. Lembro que uma vez ele se deitou na cama comigo, e a Deiza veio para tira-lo. Fofo. Outra vez ele sentou no meio da noite e falou algo como “i will take you to hell” (vou te levar para o inferno) Fiquei com o c* na mão na hora e rezei (e olha que não sou religiosa); no outro dia dei risada sobre isso. Conheci a dona Izilda e seu marido, um casal fofo de portugueses. Ela tricotou sapatinhos para mim; essas gentilezas inesperadas mexem comigo. Acredito que com todos. Fomos para uma floresta e caminhamos bastante. Em uma delas estávamos com a Kristen, seu marido e os meninos, e fizemos um piquenique. Na outra, estávamos com a Lu, e era um lugar lindo. Deitamos na grama. Acho que foi o mesmo lugar. Um carneirinho escapou da cerca e estava chorando, a mãe dele também chorava. O Luís conseguiu pega-lo e colocar de volta junto com a mãe. O Lucas, filho da Lu, caiu no chão e chorou Lembro-me de sentir frio, e a Lu também sentia. Ficamos dentro do carro. Conversei sobre meio ambiente com a Kristen, e sobre como as mulheres alemãs já não querem ter filhos. Fizemos um piquenique em Thetford. Saí para caminhar com o Thiago. Ele me comprou doces de 1 libra, e fomos em uma biblioteca. Peguei três livros. Não cheguei a terminar nenhum. O Samuel me deu um ukulele que estava parado em seu quarto, e comecei a aprender. Lembro-me de estar um dia do lado de fora, admirando a lua e tocando para ela. A brisa era fria, mas agradável.” “04/04/2019 Você já tá no teu caminho, não precisa ficar se planejando pra quando voltar. Estava conversando com o meu pai, e eu sou muito grata pelo suporte que ele e a minha me dão. Ele disse que quando perguntam sobre mim, ele enche a boca pra falar que estou na Inglaterra. E que eu estou seguindo a minha intuição. Aqui eu tenho muito tempo para pensar, e notei que gasto muito tempo pensando em como vai ser a minha vida quando eu voltar. Mas eu já estou seguindo. Estava caindo na mesma armadilha de ficar planejando o futuro. Claro que devo planejar. Mas poxa, olha o agora que eu tenho. Eu vim para o presente que eu queria e eu não quero gastar o meu presente planejando o meu futuro. Embora um dos principais motivos dessa viagem seja descobrir o que eu quero fazer da minha vida, eu já estou fazendo o que eu quero da minha vida agora. Estou sentindo e absorvendo o reflexo desse processo. E é difícil, o processo de autoconhecimento pode ser por vezes, doloroso. Não dá pra fugir de si mesmo. Como meu amigo Guilherme me lembrou "fui fugir de mim, mas pra onde eu ia, eu estava lá". Acho que a intenção sempre foi me colocar em um beco sem saída comigo mesma. Compreender-me. Ontem fui a uma reserva florestal, e em um determinado momento eu deitei na grama, fiquei acariciando-a e encarando o céu, dizendo baixinho várias vezes "obrigada". Não sei exatamente a quem exatamente eu estava agradecendo. Talvez fosse ao universo, à terra, à alguma divindade ou até à mim mesma. Hoje voltando de outra reserva florestal, paramos pra tirar uma foto em um campo de canola. Corri em direção ao campo, gritando de alegria, sem saber exatamente o porquê. Pela beleza daquele lugar? Pela vida? E ainda ontem à noite, estava triste e mais uma vez, sem saber a razão. Estou começando a notar que tá tudo bem não racionalizar as minhas emoções sempre. As vezes, tudo que a gente precisa, é sentir. É o sentir.” Bem, e assim foi um pouco do meu tempo no condado de Norfolk. Um mês mais calmo e Family friend. Infelizmente não estou conseguindo adicionar imagens no momento, mas logo mais, adiciono algumas fotos tiradas em Bury St. Edmunds. Próxima parada: Oxford e caronas até Edimburgo!
  10. Obrigada por ler e pelo toque, Rafael! Graças aos céus, não fiquei nenhum dia sem comer. Poderia não ser um almoço propriamente dito, mas sempre aparecia alguma coisa. E essas coisas de higiene básica eu geralmente pedia às pessoas; ou elas me ofereciam antes. Houve também uma vez em que fiz um trabalho de cleaner em Brighton (cena dos próxima capítulos), e as coisas que eram deixadas nos Airbnb's que limpavamos, eram jogadas fora. (Mas na verdade os cleaners sempre pegam o que ainda está bom) Em um dos apartamentos, haviam deixado uma pasta de dente cheia; a usei até a volta para o Brasil (e até um pouco depois, na verdade).
  11. Eu animo também! Vou estar por lá na primeira semana de agosto, planeja fazer a travessia a pé?
  12. Capítulo 7: Uma semana maravilhosa em Viena! A minha host não estava no Airbnb quando cheguei, então fiquei esperando-a na frente de uma cafeteria. Parecia que tudo que eu tinha vivido naquele dia, tinha sido há eras. Estava agora na Áustria, e estava com um bom pressentimento sobre a minha estadia lá. Quando Luyi chegou, subimos para o Airbnb e deixei minhas coisas. Ela me mostrou o apartamento, e que lugar maravilhoso que era! Fiquei muito feliz quando recebi sua oferta no Couchsurfing. Ela estava na Europa a passeio, e tinha vindo sozinha da Austrália: disse-me que achava um desperdício ficar naquele Airbnb lindo e espaçoso sozinha, então perguntou se eu gostaria de dormir lá. Aceitei prontamente, mesmo que ela tivesse apenas duas referências no Couchsurfing. Por ser uma mulher e por ter sentido apenas sinceridade na mensagem, sabia que seria tranquilo. Depois de deixar a minha mochila, saímos ao encontro de uma austríaca que a Luyi tinha conhecido também pelo couchsurfing. Jantamos pizza enquanto a esperávamos. Pouco tempo depois, chega a Sonja acompanhada de um amigo, o Sebastian. Que pessoinhas mais animadas que eles eram ❤️ demos muita risada juntos, e andamos um pouco pela noite de Viena. Acabamos em um bar, onde fiquei praticamente dormindo na mesa de tão cansada que estava! E o único drink que tomei também ajudou no sono. Voltamos de metrô (que não tem catraca, então é facinho de não pagar) e fomos descansar para o dia seguinte. Mas antes disso, tomei um belo banho quente de banheira, que foi mais do que merecido depois das desventuras e aventuras daquele dia! Foi a recompensa pelos perrengues de Budapeste, aquele banho e a saída com os três. No dia seguinte, acordei renovada. Fui tomar café da manhã com a Luyi (que bancou todas as minhas refeições quando estava com ela, valeu Luyi!) e fomos explorar a cidade. Fomos a um bairro super fofo, cheio de arte e prédios com design diferenciado. Almoçamos guioza, e todo o pedido foi feito em mandarim, adorei presenciar aquilo. Depois disso, fomos até o Palácio de Schönbrunn, que é considerado o Palácio de Versalhes de Viena. A visita vale muito a pena, e o passeio pelos jardins é gratuito. Batemos bastante perna! Viena em si é um lugar que vale muito a pena. É tão linda que você não precisa nem ir a museus, pois a cidade em si, parece um museu a céu aberto! Diverti-me muito na companhia de Luyi. Lembro-me de termos comparado os animais da Austrália com Pokémons e de rirmos muito de um banco chamado “Die Bank”. Também em um momento no metrô, eu estava bem distraída quando de repente, Luyi me puxa para fora do vagão (não era a nossa parada). -O que houve?? -Estavam checando tickets! Não consegui me conter e caí na gargalhada. Senti aquela adrenalina de matar aula na época da escola, sabe? Só que nesse caso, envolveria prejuízo financeiro rs. Espero reencontrar a Luyi algum dia. Ok, voltamos para o AirBnB e recebemos um convite da Sonja e do Sebastian para irmos para um pub algumas horas depois. Fui encontra-los e Luyi ficou, dizendo que nos alcançava depois. Fui até o apartamento onde os dois moravam, e adorei a energia daquele lugar logo de cara! Eram pelo menos oito universitários morando ali, e o lugar tinha uma decoração bastante caótica e única, como se refletisse os espíritos deles e a diversão de morar ali. Levei meu cantil de Rakia, e trocamos goles das bebidas que tínhamos. Depois de um tempo, saímos rumo ao pub, Sonja, Sebastian e eu. Chegamos e pouco tempo depois, a Luyi juntou-se a nós. Quando cansamos da música daquele ambiente, as meninas e eu fomos atrás de um espaço diferente, e achamos um lugar com decoração chinesa que estava tocando música latina! Aquela noite foi perfeita. Depois de sairmos dali e encontrarmos o Sebastian novamente, cantamos a abertura de Bob Esponja em português, espanhol, alemão e inglês haha! Me diverti muito na companhia deles. No outro dia, Luyi me chamou para ir ao Lentos Museum, que fica em Linz, uma cidade que fica há mais ou menos 1h de trem. Disse que não podia pagar, e ela disse que pagaria, como se aquilo já estivesse implícito no convite. Fiquei feliz, pois estava gostando muito da companhia dela, e ela da minha. Luyi iria embora no dia seguinte. Fomos ao museu, vimos exposições modernas, pegamos chuva! Foi ótimo. Tinha gostado muito de Viena, e estava querendo ficar um pouco mais, inclusive para decidir o que faria a seguir. Estava ainda bastante frio para pegar carona, e teria que ficar três meses fora do espaço Schengen, se quisesse voltar no verão. Mandei mensagem para a Sonja, perguntando se poderia passar os próximos dias lá, e ela disse que não teria problema. Luyi foi embora pela manhã. Nos despedimos, e dissemos que nos encontraríamos novamente. Talvez no Brasil, talvez na Austrália, quem sabe! Os dias na casa de Sonja e Sebastian foram muito agradáveis, e todos foram bastante gentis. Estava gostando tanto da companhia daquelas pessoas que me estendi um pouco. O plano eram 3 dias em Viena, acabei ficando quase uma semana lá. Depois de pensar um pouco, decidi ir para o Reino Unido. Poderia ficar por lá até esquentar um pouco mais, e por três meses, tempo suficiente para zerar meus dias no espaço Schengen. A passagem de Viena para Londres custou apenas 20 euros, pela Ryanair! Eu não tinha cartão para comprar a passagem, mas sabia que uma solução apareceria. No meu último dia na capital austríaca, fui a um hangouts com uns couchsurfers. Diverti-me demais. Havia um italiano apaixonado por Istambul, um francês, um brasileiro, um sírio e uma turca. Diverti-me muito na companhia daquelas pessoas, sinto que aprendi bastante também. Estava comentando com o brasileiro sobre estar tentando comprar uma passagem para Londres, quando ele disse que eu poderia entregar para ele os 20 euros, e ele compraria a passagem no cartão dele. Fui salva e na madrugada seguinte, iria para o aeroporto de Viena. Antes de ir embora, fui em um protesto e também fui na Decathlon resolver o problema da mochila e dos sapatos. Gastei 150 euros nos dois, e agora me restavam 200 euros para os seis meses seguintes. De meia-noite, me despedi do pessoal e fui rumo ao metrô; meu vôo seria às 5h. Estava morrendo de medo de me perder (e de ser pega, pois não estava pagando o metrô) quando uma moça que estava caminhando perto de mim, começou a falar comigo em português! Ela me tranquilizou e fomos juntas para o aeroporto; disse-me que poderia procura-la caso necessário, pois trabalhava ali. Nessas horas que me dou conta da quantidade de pessoas que me ajudaram. Essa é a prova de que tem mais gente bem-intencionada do que mal-intencionada no mundo. Lembre-se, caro leitor, de sempre confiar bastante no teu sexto sentindo: desconfiar de todos não vai te ajudar, o que vai te ajudar é trabalhar tua intuição: assim, tu sentirás facilmente em quem não confiar, pois a energia da pessoa vai gritar exatamente a intenção dela (como foi no caso do caminhoneiro romeno; não senti uma energia perigosa, só de babaca: dito e feito.) Por volta das 7h30, cheguei a Londres. Mal sabia eu quanta coisa iria viver no Reino Unido... Sebastian e Sonja, a divertida dupla dinâmica! A maravilhosa Luyi! Foto tirada no LENTOS MUSEUM.
  13. Lamento que isso tenha ocorrido com sua família, mas acho que acreditar ou não em igreja, não vem muito ao caso no nosso assunto, meu caro. Confesso que era mais ingênua nessa época da viagem (tinha 19, e vou fazer 22 em julho) mas se o senhor não quiser ver o resultado de acreditar nos outros, sugiro que não continue a leitura: pois essa viagem só foi possível porquê acreditei no que há de bom nos outros, e segui a minha intuição. Passei 9 meses tendo que contar com a bondade das pessoas, e se estou aqui hoje, é porquê deu certo confiar em desconhecidos. Mas sei que o mundo não é cor-de -rosa e cheio de arco-íris, afinal, provei do mundo, passei perrengues por não ter confiado na minha intuição. Como já disse no comentário anterior, não faria igual se fosse hoje. Mas por ter feito do jeito que fiz, aprendi coisas que não teria aprendido se não confiasse nas pessoas.
  14. Capítulo 6: Loucuras e perrengues em Budapeste. Nunca havia escutado nada parecido com o idioma húngaro, é fenomenal! Já havia me acostumado tanto a ouvir o idioma dos Balkans ao meu redor que até estranhei de primeira. Pedi informação em um posto de gasolina e logo descobri que precisaria andar por pelo menos uma hora até o parlamento Húngaro, pois ia ficar hospedada ali por perto. Respirei fundo, me preparando para enfrentar a longa caminhada com a mochila e fui. Não havia andado nem cinco metros, quando um rapaz passa a caminhar do meu lado e pergunta em português: -Brasileira? Aah, que festa que eu fiz! Colocar uma bandeirinha do Brasil na mochila foi realmente útil afinal. Começamos a conversar e contei sobre a minha viagem. Ele me contou que estava fazendo intercâmbio ali e se ofereceu para carregar a minha mochila, já que ela estava aparentemente bem pesada. Que alegria vivenciar essas gentilezas inesperadas! Entreguei-lhe minha mochila, e coloquei a dele nas costas (que estava bem mais leve que a minha). Estávamos os dois indo até o parlamento, que coincidência maravilhosa que foi nos encontrarmos! Aquele brasileiro me atualizou sobre alguns acontecimentos políticos (como Bolsonaro ter perguntado no Twitter, o que era golden shower) e conversamos muito sobre nossa vida amorosa. Ele me contou que tinha um namorado no Brasil, e contei a ele algumas histórias minhas. Fazia um bom tempo que eu não conversava com alguém da minha idade sobre um assunto mais “básico”, e foi extremamente agradável. Quando chegamos à avenida principal, senti um êxtase. Já conseguíamos ver o Parlamento Húngaro! Andamos até a frente daquele edifício majestoso e tiramos fotos um do outro. Que alegria que estava sentindo por estar ali! Ele precisou ir embora, então agradeci a companhia e nos despedimos. Ainda fiquei lá por um tempo, observando em volta; havia muitos turistas por ali, principalmente chineses. Um relógio soou, e fiquei encarando o rio Danúbio enquanto ouvia aquele toque. Estava me sentindo em um filme. Resolvi sair dali antes de escurecer, e não demorei a achar o apartamento da minha host. Andi era uma húngara gente boa, extremamente apaixonada por ciclismo. Conversamos, bebemos chá, comemos e pude colocar algumas roupas para lavarem. Essa inclusive é uma dúvida para aqueles que não estão acostumados com uma viagem mais roots. “Como você lava roupa?” meus hosts sempre ofereciam a máquina de lavar, simples assim gente . O flat dela era bem pequenino, ideal para uma pessoa. Andi me ofereceu o sofá e dormiu em um colchão no chão. Foi uma noite tranquila. No dia seguinte, ela saiu bem cedo, e disse-me para que ficasse bem à vontade, que eu podia comer o que quisesse. Depois do café, arrumei minhas roupas e liguei o hangouts do Couchsurfing. Consegui combinar um rolê com um rapaz da Tunísia. E agora outra dica importante, principalmente para mulheres: saibam o tempo certo de ir para casa. Quando nos encontramos, ele foi bem simpático e gentil. Disse-me que queria passear em um daqueles barcos turísticos que ficam circulando pelo Danúbio, que pagaria para mim e que eu iria adorar. De fato, adorei o passeio! Foi incrível, e conversamos muito sobre nossas culturas. Falou como seu país estava depois da Primavera Árabe e contou como era ser mulçumano. Depois do passeio, ele disse que poderíamos jantar em sua casa e depois, poderíamos ir para um pub mexicano muito popular do lado de Peste. (Buda é o lado que a minha host mora e Peste é atravessando a ponte, o lado onde fica o Parlamento). Aceitei, pois ele estava sendo agradável e nós sairíamos para o Pub. Ainda daria tempo de voltar para casa! Foi o que eu pensei. Quando chegamos a seu apartamento, demoramos um pouco para fazer a comida, pois estávamos compartilhando música. Mostrei-lhe música brasileira, e ele me pediu para fazer o “brazilian twerk.” Neguei. Comecei a ficar desconfortável por estar ali sozinha, mas tentei permanecer calma. Quando terminamos de jantar, era mais de 23h e estava fazendo muito frio do lado de fora. É, notei que o rolê para o pub tinha miado. E eu estava a uma distância de quarenta minutos a pé da minha host. Merda. Ele disse que eu passasse a noite em sua casa. Disse-lhe que dormiria no sofá, e ele pediu para que eu fosse para a cama também, pois ela era grande o suficiente. Com um pouco de medo de contraria-lo, fui. Deitei do lado contrário, com os meus pés do lado da cabeça dele. -Tá tudo bem, deita desse lado! Fui, apreensiva. Ele não parecia ser um cara agressivo, mas eu estava ali sozinha, e queria mostrar a ele que eu estava tranquila (quando claramente, não estava). -Me conta uma das histórias que tu viveu nessa viagem. -Bem, peguei uma carona incrível na Sérvia... Daí parei de falar. Ele havia segurado a minha mão, e entrelaçado os dedos dele nos meus. Soltei minha mão da dele da maneira mais tranquila que eu podia. - Por favor, não faça isso. Eu não gosto que segurem na minha mão, principalmente em uma situação como essa. Ele riu, e se virou do outro lado para dormir. Quando vi que ele estava adormecido, desci da cama silenciosamente e fui para o sofá. O sofá ficava embaixo da cama, que era bem alta, próxima ao teto. De lá, conseguiria ver caso ele acordasse. Fiquei entre cochilos, pois estava com medo de dormir completamente. Ele acordou no meio da noite para ir ao banheiro, e perguntou o que tinha de errado. -Eu realmente não estou confortável em ficar na cama. Ele entendeu e voltou a dormir. Consegui relaxar um pouco depois disso. De manhã, tomamos café e pelo que lembro, ele pediu desculpas pelo ocorrido. Sugeriu me encontrar depois do trabalho. Disse que tudo bem, mas quando saí de sua casa, tinha plena consciência de que nunca mais iria encontra-lo. Andei um pouco pelo lado de Peste, deslumbrada com a paisagem. Passei por uma exposição de arte a céu aberto e depois, voltei para a casa da minha host. Mais tarde nesse mesmo dia, marquei de sair com uma garota, a Liliána. Ela estava com seu cachorro, e demos algumas voltas, novamente pelo lado de Peste. Comemos falafel e quando dei por mim, já estava bem tarde novamente. Ela disse que eu poderia passar a noite em sua casa, e que eu não teria com o que me preocupar (eu havia contado a ela o ocorrido da noite anterior). Passei a noite em sua casa, e me senti extremamente segura e confortável. Quando saí da casa de Liliána no dia seguinte, era meu último dia na capital húngara. Eu já estava com uma host garantida em Viena, então só precisava me preparar e descansar para encarar a estrada no dia seguinte. Nesse dia, Andi me doou algumas roupas, para que ficasse mais protegida do frio. Deixei algumas outras para trás, e reparei em dois problemas: meus sapatos estavam com furos e minha mochila, com a alça rasgada. Não comprem Nautika! A garantia é só de três meses, e a minha mochila (45L) realmente só ficou inteira durante esse tempo. Mas bem, dormi, e no outro dia, me despedi da Andi. Simbora conseguir carona para Viena! Eu realmente não sei quantas caronas nessa viagem, mas a única carona ruim que peguei, foi a desse percurso. Foi extremamente difícil pegar carona na Hungria, passei umas boas horas tentando. E ainda fui parada pela polícia. Estava andando no acostamento, à procura de um lugar melhor para pedir carona. Como no Brasil já havia presenciado pessoas andando por esse cantinho, achei que era permitido (perigoso, mas permitido). A polícia parou e disse-me que eu não podia estar ali. Entrei na viatura para que eles me deixassem em outra estrada (sim, eu peguei carona com a polícia) e eles pediram meu passaporte. Julguem-me, mas achei muito emocionante mostrar meu documento para as autoridades kk. Tudo certo, eles me deixaram em uma estrada HORRÍVEL, e tive que caminhar muuuito para conseguir encontrar a estrada que ia de fato para Viena. Achei um posto de gasolina e pedi carona a várias pessoas que passaram por lá; nada. Quando avistei um homem jovem e de terno, sabia que era aquele que me ajudaria! O cumprimentei da maneira mais simpática possível e contei-lhe a situação. Ele aceitou me ajudar de bom grado e inclusive me deu uma maçã. Victor o nome dele. Valeu, Victor! Ele me deixou em um posto de gasolina e pouco tempo depois, um caminhão parou para mim. Olhei a cara do motorista, e captei uma energia estranha. Energia de homem babaca, mas, não de perigoso. Como não tinha muita escolha naquele momento, subi no veículo. Ele era um romeno que não sabia nada de inglês. Não conseguia entende-lo muito bem, mas entendi o suficiente quando ele me ofereceu passar a noite ali. Gesticulei em negativo; -No no no, Vienna! Coloquei o maps no meu celular, para ver se ele estava mesmo indo na direção certa. Essa é uma dica bem importante: o GPS continua funcionando, mesmo sem internet. É só marcar o lugar, e prestar atenção na bolinha azul, que é a sua localização. Eu sabia que não poderia dormir naquela carona, mas como estava extremamente cansada, cochilei por um breve momento. E JURO À VOCÊS: Acordei com algo beliscando a minha perna! Era impossível que o motorista tivesse feito aquilo, até porquê, o beliscão foi na perna que estava mais próxima da porta. E não tinha mais ninguém no caminhão! Eu sou bem cética, e sei que deve ter alguma explicação plausível, entretanto... Aquilo foi proteção. Não sei se foi divina, mas foi proteção, com certeza! Chegamos ao nosso destino, um posto de caminhoneiros em Viena! Estava aliviada. Desci do caminhão, e o motorista desceu junto. Ele abriu os braços, e fiquei confusa. Ele queria me abraçar? Fui desconfiadíssima até ele, e ele segurou o meu queixo, para que meu rosto encontrasse o dele. Porra nenhuma, meu chapa! Baixei a cabeça com tudo e fui para trás. Eu conseguia sentir a raiva emanando dos meus poros. Minha mochila! Ela ainda estava no caminhão! O romeno pegou a mochila. Segurou-a com uma mão e com a outra, colocou o indicador nos lábios. Como se dissesse “dou a mochila se você me der um beijo!” Marchei até ele e gritei em sua cara: -NÃOOOOOO!!!!!!!!!! Arranquei a mochila dele e saí correndo em direção à conveniência do posto. O trajeto ainda não tinha acabado: precisava de uma carona para o centro. Avisei à Luyi, a chinesa que ia me hospedar e ela me disse que se eu não conseguisse uma carona, ela mandaria um Uber. Fiquei mais tranquila com aquilo. Passei meia hora pedindo carona, e estava me sentindo exausta. Quando vi um homem com uma criancinha, pensei: é agora! -Moço, você está indo para o centro de Viena?- Falei, com um leve tom de desespero na voz. Por obséquio meu senhor! - Estou sim! - Você pode me levar, por favor? -Claro! - Ai que bom, obrigada, obrigada! Coloquei minha mochila na mala, e ele colocou o filho na cadeirinha. Conversamos um pouco, e ele me disse que era da Alemanha. Em pouco tempo, o alemão me deixou exatamente onde eu ia dormir, e eu não tinha nem palavras para expressar a quão agradecida eu estava. Sinto-me agradecida só de lembrar. Após um dia de perrengue, cheguei viva e inteira em Viena: a maravilhosa capital austríaca! Saindo da casa da Andi rumo à Viena. Mal sabia eu a loucura que seria aquele percurso!
  15. Que coisa boa ler isso! E te entendo completamente... Planejava viajar pela América do Sul esse ano, mas acho que só vai rolar depois da vacina também Não deixe que essas borboletas morram! Espero que o resto das histórias te motivem mais ainda a cair no mundo ❤️
  16. Confiaria sim! Pois bondade/maldade são coisas que estão em todos, independente da nacionalidade hoje em dia eu não faria de maneira tão hardcore assim, o plano é pegar carona acompanhada. Mas, conheci uma menina do Espírito Santo que foi até o Rio Grande do Norte de carona sozinha, e deu certo! (ela foi preparada com uma arma de choque, mas não houve necessidade de utilizar.) É completamente possível no nosso país, pois também há muitas pessoas solícitas aqui!
  17. Capítulo 5: Parada acidental em Kikinda e acreditar nas pessoas: a carona mais importante da viagem. Quando entrei na minha segunda carona, a conversa fluiu muito mais, pois aquele senhor sérvio tinha um inglês básico. Em pouco tempo de viagem, ele me falou que tinha duas filhas, que era instrutor de boxe, e que tinha sido combatente na Guerra Civil da Iugoslávia! Lembro-me de perguntar como ele se sentia sobre isso, e ele disse que ainda tinha pesadelo às vezes, e chorava quando lembrava. Perguntei se acreditava em algo divino. Ele balançou a cabeça, negando. -Mas você acredita em alguma coisa? - Acredito nas pessoas. Lembro-me do olhar dele nessa hora. Senti que nos entendemos nesse olhar. Paramos em uma grande Service Station, que parecia um shopping. Ele disse que eu podia escolher qualquer coisa para almoçar, e enquanto estávamos comendo, ele contou que estava indo para Novi Sad, para um congresso de boxe. Convidou-me para ir e pensei, por que não? Chegamos em Novi Sad pouco tempo depois, e ele disse para os outros instrutores que eu era uma boxeadora dele do Brasil hahaha, achei isso um máximo! Não entendi nada do congresso, mas foi interessante estar ali. O encontro terminou por volta das 16h, e o céu já estava começando a fechar; precisava conseguir uma carona para Budapeste antes de anoitecer, ou estaria com problemas. Pedi para o senhor sérvio me deixar na estrada, e ele disse que eu poderia ir para casa dele. Eu disse que não, que queria ir para Budapeste. Quando ele estacionou no acostamento, notei que os carros estavam indo rápido demais; sabia que dificilmente eles iriam parar ali. Ele ficou preocupado. -Você tem certeza que quer ficar aqui?? -Tenho, não se preocupe! Detalhe, eu disse isso, mas estava estampado na minha cara que eu não sabia exatamente o que ia fazer e estava um pouco amedrontada. Mas eu queria me sentir corajosa. Queria sentir que iria resolver aquilo. Ele assentiu, e foi embora. Quando o carro dele sumiu de vista pensei “é, acho que vou dormir na estrada hoje. Mas eu vou sobreviver!” Eu estava sendo meio sem noção, mas já havia pensado que qualquer coisa, poderia pedir ajuda no primeiro posto de gasolina ou em alguma casa. Atravessei e comecei a caminhar, decidida a encontrar um abrigo. Mas para a minha surpresa, em menos de cinco minutos depois, vejo um carro estacionado na estrada. Eu conhecia aquele carro! O senhor sérvio saiu do lado do motorista e começou a sinalizar para que eu fosse até ele. Atravessei e estendi as palmas das mãos para cima, fazendo uma expressão confusa. - Venha comigo, meu problema! Eu não posso deixar você aqui, eu tenho duas filhas, você entende isso? Você vai para casa, vai tomar um banho, comer, dormir e amanhã você vai para a fronteira da Hungria, você está me entendendo?! O tom dele era de um pai brigando com uma filha. Concordei com a cabeça e entrei no carro. -Obrigada. -Cala a boca! Silêncio. Os dois estavam com os olhos cheios de lágrimas. Ficamos um tempo assim. Depois de poucos minutos, ele quebrou o gelo: - Ei garota. Eu fiquei muito feliz por ver que você ainda estava lá quando voltei. Assenti. Estava extremamente grata por ele ter voltado, por ele ter se preocupado comigo sem nem me conhecer. Ele morava em Kikinda, cidade próxima à fronteira com a Romênia. Quando chegamos a sua casa, a esposa dele nos recebeu. Ela cruzou os braços e perguntou se meus pais sabiam que eu estava ali. Disse que sim, que nos falávamos todos os dias. -Eu não acredito em você! Diga-me seu nome pra eu te pesquisar no Google e ver se você não está desaparecida! Confesso que achei um pouco de graça daquilo, mas disse que não havia necessidade; disse que iria ligar para os meus pais para que ela os visse. Conversamos muito, principalmente sobre perigos e zona de conforto. Ela me disse que carona era perigoso. Mas por eu estar ali, por conta de uma carona, senti que eu realmente não tinha o que temer. Tinha que sentir, e confiar na minha intuição. Saí com a filha mais velha do senhor sérvio, e fomos com dois amigos dela, para uma espécie de pagode versão leste europeu na quadra de uma escola. Demos bastante risada, éramos uns dos poucos jovens que estavam ali. De volta para casa, comemos omelete (na verdade ela me fez comer um omelete com seis ovos hahaha) tomamos banho e capotamos. Pela manhã, acordamos cedo e antes de eu descer para tomar café, ela me entregou uma blusa e disse que era um presente. Era uma camisa branca com a bandeira do país, com uma grande águia de duas cabeças no meio. Senti meu coração aquecer e apertar um pouquinho. Antes de irmos para a estrada, o senhor parou em uma farmácia e comprou lenços, chicletes, chocolate e água pra mim. Ele e suas duas filhas me levaram até a fronteira da Hungria, para que fosse mais fácil na hora de conseguir uma carona. Abracei as meninas, e quando senhor sérvio me abraçou, foi um abraço extremamente apertado e sincero. Parecia que tínhamos nos conhecido há tempos, mas não fazia nem 24 horas! Eu tinha ido para a estrada no dia anterior, pedindo apenas uma carona; mas ganhei uma família por um dia. Recebi muito mais do que havia pedido. Acreditar nas pessoas fazia ainda mais sentido naquele momento. Infelizmente não tenho nenhuma foto ou vídeo com eles, mas nunca irei esquecê-los. Ainda tenho contato com a filha mais velha pelo Instagram até hoje. Mas enfim, ali rapidamente consegui uma carona com dois senhores muito legais em uma van e em pouco, estava no meu destino primário: Budapeste! A camisa...
  18. Capítulo 4: Hospitalidade sérvia e primeira carona da minha vida! Quando enviei meu pedido para passar duas noites na casa da Lena, só havia uma única frase em seu perfil: "Eu não estou aqui conversar, só me mande mensagem se estiver precisando de um lugar para dormir". Sem descrições sobre ela, nada. Como geralmente as pessoas explicam quem elas são e o que elas esperam do Couchsurfing, esperava uma pessoa que não falasse muito e fosse e séria. Julguei totalmente errado. Nunca há como saber como será o seu host; isso pode ser negativo, mas com certeza pode te proporcionar agradáveis surpresas! Desde o momento em que cheguei em sua casa, em uma área um pouco distante do centro de Belgrado, fui tratada como uma irmã mais nova. (ela inclusive ficou dizendo depois que eu era sua irmã mais nova e brasileira <3) Ela me recebeu alegremente, me mostrou o sofá onde dormiria (o melhor sofá que já dormi na minha vida) e me deu uma explicação sobre o seu apartamento. Me deu uma chave, disse que eu poderia comer qualquer coisa da geladeira, cozinhar qualquer coisa, usar seus produtos de beleza que estavam no banheiro, e até usar suas roupas! Eu com certeza não esperava por tudo isso, e nem pelo carinho dela pela cultura brasileira! Lembro de ela colocar "Mina do Condomínio" de Seu Jorge quando estávamos no carro, e ela ria e tentava cantar em português. Uma fofinha!! Lena era jornalista, e me levou ao lugar onde ela trabalhava. Um lugar grande e colorido, que parecia combinar com a personalidade dela. Tomamos um café e depois demos uma volta pelo centro de Belgrado. A capital da Sérvia é uma mistura de confusão e beleza, prédios destruídos com vizinhos de arquitetura moderna. A cidade emana uma energia boa e caótica, com muita arte e história em qualquer paisagem. Belgrado com certeza, é aquele tipo de lugar que você ama, ou odeia. Eu amei aquele lugar, e as pessoas bondosas dali. Naquele mesmo dia, fomos jantar na casa da mãe dela. Um amigo da Lena foi junto, ela tentou encoraja-lo a falar inglês. Toda vez que ele falava algo em sérvio, eu soltava aquele "english, please!" para encorajar também haha e não ficar de fora da conversa. A família dela foi muito gentil e solícita, mesmo sem conseguirem se comunicar comigo. Comi muito bem naquela noite, e nos despedimos com abraços. Elas falando em sérvio e eu agradecendo em português, pois conseguimos transmitir o que estávamos sentindo, apesar da barreira linguística. Acho esse tipo de comunicação sensacional. Não é o inglês que é a língua universal, são as emoções! No dia seguinte, dei um passeio sozinha pela cidade (pois Lena tinha ido trabalhar). Fui em um city tour gratuito no parque Kalemegdan e ganhei um copinho de shot para beber Rakia, pois fui a única pessoa do city tour a dizer três palavras em sérvio. Inclusive, achei insana a criatividade da galera dos Balkans na hora de xingar alguém! "Idi u tri pičke materine" é a frase mais ofensiva que você vai ouvir naquela região. O significado? Vá f*der três b**etas da sua mãe. Absurdamente pesado e criativo. Não sei vocês, mas sou daquelas pessoas que se diverte muito quando aprende a xingar em outros idiomas 😅. Quando voltei para casa da Lena, dei um passeio com seus dois cachorros (à pedido dela) e esperei a noite cair. Algumas horas depois, estava na mesa com a Lena, e dois amigos dela. Um deles tirou cartas de tarô para mim. A conversa entre nós quatro naquela noite, acabou sendo mais profunda do que eu imaginava que seria. Na hora de dormir, estava planejando como seria o dia seguinte. Pensava em pegar carona para a Romênia, em direção à Bucareste. Analisando o mapa e quantas vezes precisaria trocar de rota, achei que seria melhor tomar um caminho mais fácil, já que seria a primeira vez que ia para a estrada com uma plaquinha. Resolvi então de última hora, ir para Budapeste! Pela manhã, me despedi da Lena e o rapaz que tirou as cartas de tarô pra mim, disse que ia me deixar em um ônibus para conseguir chegar na estrada. Ele foi comigo até certo ponto, depois nos despedimos. Fiquei grata por ele ter me colocado no caminho certo. Ah, os ônibus na Sérvia são muito fáceis de burlar. Basicamente não tem cobrador, você só tem que passar um cartão ou comprar um bilhete na mesma maquininha. É você e sua consciência. Eu não paguei nenhuma vez. Quando estava no ônibus em direção à saída da cidade, estava muito feliz e animada! Finalmente iria pegar carona, finalmente iria ter aquela experiência! Queria muito compartilhar com alguém, e comecei a olhar em volta. Haviam três pessoas perto de mim, e decidi puxar conversar com um cara que estava com uma expressão séria. Perguntei se o ônibus estava indo na direção que eu queria, depois disse à ele que era brasileira e que estava indo pegar carona na estrada. Ele ficou interessado e falou que ouvia música brasileira! Disse que amava Kevinho e perguntou o que significa "cê acredita?" HAHAHA eu fiquei tão feliz! Então, ele perguntou se eu estava com pressa. Disse que não, e ele me chamou para tomar um café. Também disse que compraria uma boa caneta para eu fazer uma plaquinha, pois a minha estava horrível e com o nome "Budapest" pouco visível. Na cafeteria, conversamos sobre sentido da vida, viagem e universidade. Fizemos a minha plaquinha, trocamos facebook e então, nos despedimos. Não havia chegado na estrada ainda e já estava indo bem! Comecei a andar, a procura de um bom lugar para estender o meu polegar. Não foi nem preciso: um homem em uma caminhonete viu a plaquinha, e ofereceu a carona! Após meia hora, ele me deixou na estrada, em um lugar com um bom espaço e onde os carros não passariam em alta velocidade. Uns 10 minutos depois, um senhor parou para mim. E esse senhor, seria responsável por me fazer acreditar ainda mais na bondade das pessoas. A parte mais louca da aventura estava para começar! Ativando o modo hitchhiker! O homem da caminhonete. 20190308_114617.mp4
  19. Obrigada meu caro, concordo com você! A recordação de que fizemos o que queríamos é o que importa. E fico feliz, imagino que deva ter sido incrível (e que você tenha evitado muitos perrengues por ter dinheiro hahaha ) um abraço!
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