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raquelmorgado

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raquelmorgado venceu a última vez em Setembro 23 2018

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  1. A cidade andaluz celebra em 2019 o V Centenário da 1ª Volta ao Mundo. A 10 de agosto desse ano 329 marinheiros da cidade saíram para Sanlúcar de Barrameda, de onde a expedição partiria a 20 de setembro do mesmo ano. Tinham o objetivo de encontrar uma nova rota para a India que respeitasse o Tratado de Tordesilhas com Portugal. Não é por isso que visitámos Sevilha. Escolhemos a cidade porque fica a caminho do Caminito del Rey e, apesar de ser um destino repetido para ambos, já nenhum se recordava bem da cidade. Outrora foi uma cidade algo perigosa, suja, mas soube lavar-se da má fama e tornar-se uma atração para além da Feria de Abril, onde mulheres vestidas a rigor não faltam. A Raquel lembra-se do espaço abandonado onde foi a Expo’92 e do calor abrasador de julho. O Tiago lembra-se da vista do topo da Giralda e do parque de diversões Isla Mágica. A influência árabe é evidente, principalmente na arquitetura. Fernando III pode ter conquistado a cidade, mas felizmente não lhe conseguiu retirar o que os árabes construíram. Dessa época encontra-se a Giralda, o Alcazar e a igreja de são Marcos. Tem grandes influências na cidade de outros impérios e culturas, como a romana, visigoda, moura e judia. Torna-se uma grande cidade quando Colombo chega à américa, passando a ser o centro do comércio do império. Era aqui que se controlava o que vinha do novo continente e que se dirigiam as viagens. Mais tarde, quando os barcos deixam de navegar no rio Guadalquivir, começa a queda de Sevilha, perdendo estatuto para Cadiz. A cidade cheira a laranjas e flores de laranjeiras, cheira a sol e a bom tempo. Mas não vamos mentir, também cheira a cavalo, já que uma das atrações turísticas principais é o passeio de charrete. No entanto, todas as madrugadas entram em ação equipas que lavam as ruas da cidade para que Sevilha amanheça limpa e agradável. O que visitar: Bairro de Santa Cruz: os pátios e as ruas estreitas atraem turistas. Também é chamado de Judiaria, de onde noutros tempos os judeus foram expulsos e o bairro abandonado. Está cheio de casas com pátios interiores. Catedral de santa Maria da Sede: de influência árabe, é “só” a maior igreja gótica do mundo. Muitos vão-vos dizer que é a terceira maior catedral do mundo, pondo como 1º São Pedro de Roma e 2° São Paulo de Londres. Se todas as igrejas fossem reconhecidas pelo Vaticano como catedrais, a maior seria na Costa do Marfim e a basílica do Rio de Janeiro também entraria na lista, confundindo este podium. Fica aqui a Torre Giralda, a segunda torre mais alta da cidade, atrás da Torre de Sevilha, construída em 2015. Dica: visitar de manhã, assim que abre, e subir logo à Giralda para conseguir uns 10 minutos (mais) sozinhos no miradouro. Preço: 9€ e funciona das 11h às 17h de segunda-feira a sábado e das 14:30h às 18h aos domingos. Há visitas guiadas pela cobertura a 15€. La Giralda, antigo minarete da mesquita que deu origem à catedral. Vejam o Giraldillo (deusa Nike), no topo da torre, ou, mais próximo, a réplica que está na entrada da catedral. Tem 24 sinos e 110m de altura, percorridos numa subida em rampa com 17% de inclinação equivalente a 35 andares (mais 17 degraus) para chegar a uma das melhores vistas da cidade. Túmulo de Cristovão Colombo: veio de Cuba quando esta se tornou independente e é um dos pontos altos da visita à catedral. Temos pena de não se poder ver também de cima (fica a sugestão de umas escadinhas). Pátio de los Naranjos: não dissemos que a cidade cheirava a flor de laranjeira? Puerta del Perdon: a vistosa porta permite sair da catedral pelo pátio das laranjeiras. Real Alcázar: de estética mourisca, está construído sobre ruínas romanas. Os seus jardins foram cenário para Dorne na Guerra dos Tronos. A família real espanhola ainda fica aqui quando visita a cidade, sendo por isso o palácio mais antigo do mundo ainda em utilização. Para celebrar o V Centenário estão disponíveis visitas noturnas teatralizadas. Estas decorrem até 31 de outubro, às quintas e sextas, e também aos sábados, em julho e agosto. Os quartos da família real fazem parte de um bilhete à parte. Comprámos os bilhetes antes, por planearmos visitar num feriado (custaram mais 2€ por serem comprados online, o que achamos injusto). Dica: visitar à tarde (a partir das 16h tem menos fila). Preço: 11,50€ / visitas noturnas – 14€ / Quartos reais – 4,5€ Archivo General de Indias: se gostam de história e principalmente da época dos descobrimentos, guardam-se ali alguns documentos originais, como o Tratado de Tordesillas, assinado a 7 de junho de 1494. Comemoram-se os 525 anos da sua assinatura e esteve também exposto em Tordesillas, temporariamente. Entrada grátis, fecha às segundas-feiras. Real Fábrica de Tabacos: Sevilha caiu perante Cádis, mas manteve o comércio do tabaco durante muitos anos. Foi a primeira fábrica de tabaco da Europa, o aumento da procura fez com que se introduzisse a mulher na produção. Descobriu-se que eram menos exigentes no salário, e mais produtivas. As mãos mais pequenas enrolavam o tabaco mais rápido. A figura da cigarreira nasce assim, imortalizada na ópera Carmen. Na fachada a escultura de topo representa Fama. Existem alguns mitos urbanos associados à escultura. Hoje a antiga fábrica é a reitoria da universidade. Entrada grátis. Abre à sexta e sábado, para visitas guiadas, marcadas. Palacio San Telmo: vistoso, distingue-se bem ao chegar à Praça de Espanha. Começou por ser o Seminário e foi residência oficial dos Duques Montpensier. Tinha embarcadouro direto para o rio e chegava até ao que é hoje o Parque de María Luisa. Desde 1992 é a sede da Presidencia de la Junta de Andalucía. Entrada grátis. Abre às quintas, sábados e domingos, com reserva prévia. Parque de María Luisa: o verão é tórrido na cidade, então 34 hectares de parque verde ajudam a refrescar e a descansar à sombra. O parque, até ser doado, pertencia ao palácio San Telmo. Plaza de España: quando, em 1929, acontece a Exposição Ibero-americana, constrói-se esta praça emblemática. Gonzalez queria representar a metrópole a abraçar as ex-colónias. As quatro pontes sobre os canais onde é possível navegar de barco representam o reino. As bancadas em painéis de azulejo simbolizam as províncias espanholas e dão cor à praça. Todas as 46 províncias estão representadas (excepto Sevilha). Para os amantes de Star Wars, já foi cenário de um dos filmes. Formando uma praça em formato semi-circular, o edifício central une-se aos laterais, terminando em duas torres. Podem subir até ao primeiro andar de alguns dos edifícios e apreciar a vista das janelas. É imponente e um dos mais visitados pontos da cidade. Foi construído para ser o pavilhão de Espanha e hoje alberga os serviços de migração e mais alguns serviços públicos. Pertinho temos o Consulado Português, assustadoramente vazio quando ousámos entrar pelos portões. Passeios de barco: 6€ de barco a remo / 12€ a motor – 35 minutos Bairro Encarnácion Metropol Parasol: é a maior estrutura de madeira do mundo e forma algo que apenas conseguimos descrever como uma espécie de mega-cogumelo. Jürgen Mayer renovou a Plaza de la Encarnación com este projeto em 2011. O miradouro é visitável das 9:30 às 23h e custa 3€. Comprámos com antecedência, com direito a uma bebida, e escolhemos a horas da visita pelo pôr do sol. No bar de cima o vale de bebida só direito a 1€ de desconto, enquanto no bar do piso 0 passa a oferta. Fecha às 23h, por isso aconselhamos visitar durante a golden hour (subam perto das 20:30h no verão). Mas cuidado, pode ter fila. Também têm em baixo o Antiquarium, umas ruínas visitáveis até as 20:30h, por 2,10€ . Bairro Museo Museo de Bellas Artes de Sevilla: dos maiores do país, a seguir ao Prado, de Madrid. Fica num antigo convento, o Convento de la Merced Calzada. Custa 1,5€, mas é grátis para cidadãos da UE. Bairro Arenal Plaza del Cabildo: uma praça interior pouco conhecida, em formato semi-circular. Ao domingo de manhã forma-se o mercado dos selos, onde vagueiam e conversam os amantes da filatelia e da numismática. O edifício que dá forma à praça foi construído sobre as ruínas do Colégio de S. Miguel. Postigo del Aceite ou Arco del Postigo: acesso à cidade através das antigas muralhas da cidade. Rio Guadalquivir e Torre del Oro: a Torre del Oro foi construída em 1220 para proteger a cidade. Atualmente Museo da Armada, as visitas têm a duração de 20 minutos e custam 3€. Plaza Nueva: na praça localizava-se o antigo convento franciscano que estava em ruínas. Foi destruído em 1811 na época da ocupação francesa. Apesar de ter sido reconstruído acabou por ser desmantelado anos mais tarde. Ayuntamento: começa a ser habitual estarmos em Espanha nos feriados religiosos, desta vez foi o Corpus Christy, uma tradição belga importada que tivemos oportunidade de assistir no feriado. O edifício é renascentista, dos primeiros em Espanha, onde, tal como em Portugal, tudo chegava tarde. Com a chegada de D. Carlos I ao trono, educado em Flandres, atual Bélgica e Países Baixos, veio o estilo da época na europa. Depois, D. Carlos I, primeiro rei de espanha, casa-se em Sevilha com Isabel de Portugal, filha de D. Manuel. Então, temos um edifício neoclássico do lado da Plaza Nueva, renascentista na Plaza San Francisco e, para terminar, também moderno, como símbolo de que ficou por acabar devido à crise económica. Este rei D. Carlos é o mesmo do Mosteiro de Yuste, de que falámos aqui. Teatro Coliseu: construído em 1928 para a exposição Ibero-americana, serviu como teatro até 1955, passou a cinema, e agora é o Ministério da Economia. Tanto este edifício como o hotel Alfonso XIII recriam a arquitetura típica sevilhana antiga. Bairro de Triana e Puente de Triana: a casa mãe do flamenco. É um bairro na outra margem da cidade, a zona ideal para jantar, comer tapas ou beber um copo. Grandes casas de flamenco, menos turísticas, são aqui. Falamos de um bairro tipo Lapa no Brasil ou Alfama em Portugal. Saímos às 2h do bairro para regressarmos ao Airbnb, com máquina fotográfica em punho, e foi seguro (escondemos só o cartão de memória por precaução). Corral Herrera: Não sabemos se é visitável, ou seja, se as visitas são bem-vindas, porque continuam a ser casas privadas, mas em Triana há uns pátios de vizinhos. O edifício de vários apartamentos dava para um pátio central. Ali, vizinhos ficavam na palheta (jogar conversa fora) pela noite dentro, eram ajudados e celebravam juntos. Vive-se aqui um ambiente muito familiar, com festas, batismos e casamentos celebrados em comunidade. Este corral tem mais de 100 anos e foi todo renovado em 1994. Não haverá mais de 30 em Sevilha. Dizem que fazem grandes festas durante a Feria de Abril. Faz lembrar o que se conta dos bairros típicos de Lisboa e do Porto, e também aqui a população jovem quis recuperar o espírito e quer morar nestes locais, fazendo disparar os preços dos arrendamentos. Mais uma vez, uma coisa criada por vizinhos que viviam com dificuldades, agora tornou-se a moda, e a moda encarece as coisas. Bairro La Cartuja Isla Mágica: Para quem adora um bom parque de diversões, tem de ir aqui. A temática do parque é a história da cidade, dos descobrimentos espanhóis, o Novo Mundo e as lendas do El Dorado e da Fonte da Juventude. Tem graça, porque as atrações têm nome de locais que conhecemos na américa. Preço: Custa entre 14 e 32€ por adulto, dependendo do dia. Centro Andaluz de Arte Contemporáneo: fica no edifício do Monasteiro de la Cartuja de Santa Maria de las Cuevas. Aqui encontrou-se a imagem de uma virgem de 1248 e nasce o mosteiro. Cristovão Colombo esteve aqui “sepultado” durante 30 anos, depois do corpo ser trazido de Cuba, porque era assíduo frequentador do mosteiro. D. Filipe II também usou as instalações para retiro espiritual. Napoleão quando chega invade o mosteiro e utiliza-o como quartel. Os monges fogem para Portugal. De 1841 a 1982 foi uma fábrica de porcelana chinesa. Fecha às segundas. Não fomos por falta de tempo. Preço: Custa 1,8€ para ver o monumento e 3€ a visita total. Sábados das 11-21h e terças a sextas é grátis das 19 às 21h. Torre Sevilha: a torre de 180,5m destronou Giralda e é a torre mais alta de Sevilha, mas também da Andalucia. Vê-se bem junto às margens do rio ou de qualquer ponto mais alto, como Giralda ou Metropol. É um shopping e um hotel. Enclave Monumental San Isidoro del Campo: fica mais afastado da cidade. O mosteiro foi construído onde se pensa que foi sepultado o santo. Entrada grátis. Fecha à segunda-feira. Onde dormir: Hotel EME Catedral Hotel: se querem uma estadia central e especial é aqui. Tem piscina, rooftop, vista para a catedral e é vistoso por dentro. Preços variam entre 240 e 664€ nas datas em que procurámos. Vista de Giralda sobre o Hotel Eme Hotel Alfonso XIII: o hotel é provavelmente o mais bonito da cidade, é luxuoso e foi construído para a Exposição Ibero-americana. Agora pertence à cadeira Marriott. Foi neste hotel que se hospedaram embaixadores e os atores para as filmagens dos diversos filmes. Preços variam entre os 360 e os 1017€ nas mesmas datas que acima. Eurostars Torre Sevilla: ocupa os últimos 19 andares da torre, por isso tem uma vista previlegiada sobre a cidade. Preços variam entre os 268 e os 2298€ nas mesmas datas. Nós escolhemos um airbnb. Uma casa típica andaluza, com portões antigos de madeira. Um pátio interior. O pequeno-almoço apesar de ser industrializado é servido em loiça inglesa e talheres de prata. Marieta, descobrimos mais tarde, é uma estilista conhecida de trajes sevilhanos e já nos prometeu que nos prepara a rigor se quisermos voltar na altura da Feria de Abril. O problema destas casas é que não há suites e ouve-se quando alguém conversa perto dos quartos. Onde comer: Gelados: Bolas, há várias. Nós comprámos no mais perto da catedral. Aconselhamos la Medina (laranja, gengibre e canela) e o kitkat, que tem pedaços. Uma taça com dois sabores são 3,80€. Viemos comer o gelado na Plaza del Salvador, na escadaria da igreja, a apreciar o ambiente de rua. No centro histórico encontram várias opções: Mercado Lonja del Barranco: procurem por tapas e sangria. Senza: pareceu-nos o sítio da moda. O espaço é giríssimo, estava quase todo reservado, os funcionários são eficientes e dão-vos um shot no fim. Gastámos, com sobremesa partilhada, 40€. A sala interior é mais interessante. Taberna Manolo Cateca. Passámos à porta e pareceu-nos muito apelativo. António Romero Bodeguitas. Peçam nos montaditos piripi, peçam bochecha de porco, a mini hambúrguesa. Gastámos 20€. Atravessando a ponte de Triana, para irem atrás do flamenco encontram vários espaços como: Las Golondrinas. Aqui bebemos uma cerveja enquanto fazíamos tempo antes da abertura da Casa Anselma, as tapas têm bom ar. Cerveceria La Grande. Fica na rua principal de Triana (Calle San Jacinto), seguindo a ponte. Não tem um ar fancy ou fotografável, mas só tinha espanhóis na esplanada. A montra de marisco também nos pareceu bem. Devem comer tapas, nós não somos um bom exemplo porque nem sempre vamos para a comida típica. Cuidado com a rua junto à universidade. Come-se relativamente barato, mas vão ter sempre gente a tentar pedir-vos gorjeta em troca de performances. Não são obrigados a dar, mas a pressão é enorme e incomoda o almoço. Onde ver flamenco Várias sugestões surgem na internet, ir ao Museo del Baile Flamenco com os seus espetáculos pagos a 25€. Também surgem opções mais naturais, como La Carboneria, Academia de Baile Tronío e a Casa Anselma, em que só pagam o consumo. Sair à noite Junto à margem do rio encontram vários bares onde não faltam despedidas de solteiro e gente a desfrutar da noite amena sevilhana. O que estava mais cheio era o Pinzon. Atenção que a sexta feira é uma noite animada. Os espanhóis gostam de beber cerveja, tinto de verano ou sangria a porta dos bares, cervejarias mesmo em pé. Às vezes picam umas tapas, mas nem sempre. As espanholas levam o sair à noite como uma oportunidade para saírem produzidas. Saírem vestidos como backpackers vai-vos fazer destoar. https://365diasnomundo.com/2019/07/24/sevilha-espanha/
  2. A maior atração do local é o Desfiladero los Gaitanes, com 300m de profundidade e menos de 10m de largura. O rio Guadalhorce cruza o desfiladeiro e as pombas aproveitam-se da zona mais estreita para, sozinhas e a salvo de predadores, o povoarem. Já na zona mais larga habitam aves de rapina e outros animais. O turismo não surge no Caminito para contemplar o leito do rio, mas com um propósito profissional de manutenção. Este percurso, ao ser desativado mais tarde, foi-se deteriorando, e passou a ser procurado por aventureiros em busca de adrenalina. Rafael Benjumea Burín, nomeado conde de Guadalhorce pelo rei, criou o Salto Hidroelétrico del Chorro em 1903, aproveitando-se do percurso natural do rio em declive para produzir energia, como já se fazia no norte do país. O Salto del Gaitanejo e o Salto del Chorro pertenciam à Sociedade Hidroelétrica da região e era preciso um percurso que as unisse. O caminho foi construído de 1901 a 1905, a 100 metros sobre o rio, com 3km de comprimento de Ardales a El Chorro. Chamava-se Balconillos de los Gaitanes, pelas “varandas” presas às rochas, ainda hoje visíveis. Famílias inteiras utilizavam o caminho no seu dia a dia, este que já foi considerado o mais perigoso do mundo. O percurso atravessava o desfiladeiro próximo da linha de caminhos de ferro que une Málaga a Córdoba, bastante mais antiga. Mais tarde, em 1921, o rei Afonso XIII visitou o Pantano del Chorro (hoje Embalse Conde del Guadalhorce). Hoje ainda é possível ver o local onde o rei assinou a acta que declara o terminar da obra a 21 de maio de 1921, o Sillón del Rey. Apenas nos anos 50 o nome foi mudado para Caminito del Rey. O rei acabou por não fazer grande percurso (dizem), pedindo para regressar de comboio numa ponte que ainda hoje existe. Por isso o título deste artigo, que também se poderia chamar de Caminito que El Rey não percorreu. O percurso divide-se em vários momentos. São 2,9km em passadiços e 4,8km em trilha. A primeira parte é chegar até ao check-in onde encontram a entrada controlada por leitura de código de barras. Nesta fase, é só seguir a trilha e desfrutar. São 30 a 40 minutos a caminhar. A distância depende da entrada que utilizarem, podem ser 2,7km ou 1,5km, num percurso em floresta. Terminado o percurso inicial, chega-se à zona de check-in. Convém levar os bilhetes impressos, como dizemos no artigo de dicas. A cor dos capacetes indica se os visitantes estão em tour, em visita livre, se são guias ou funcionários do Caminito. Após o controle de entradas, o primeiro percurso é a chegada até aos passadiços. É preciso passar uns torniquetes e estamos no ponto 0. Vê-se a estação hidroelétrica desativada e o início do desfiladeiro, muito estreito. Pode-se ver-se pequenas zonas de erosão da rocha que formam cavidades (cambutas). Estamos nos primeiros passadiços construídos sobre os antigos. Passam-se dois canhões, a ponte do rei (para ele chegar ao comboio), que também era usada para descarregar material que chegava pela linha férrea, e chega-se ao miradouro das pedras planas. Para já, os passadiços terminam e aproveita-se para descansar e aprender sobre a fauna. A segunda parte é em terra firme. Estamos no Valle del Hoyo. O rio do silêncio corre brilhante e azul turquesa, cor conferida pelos minerais que o compõem. Há uma zona de descanso com sombra e bancos. Vêem a alfarrobeira e aprendem com o guia que a palavra quilate surge por pesar as pedras e metais preciosos com número equivalente de sementes da alfarroba, por estas serem muito constantes em “peso” (exemplo: um diamante de 24 quilates pesa o equivalente a 24 sementes). À esquerda estão as ruínas da Casa del Hoyo, abandonada nos anos 70. Aqui viveu uma família vários anos, de forma independente, pois o único acesso era o percurso. Nesta zona existe hoje um heliporto para evacuações de emergência. Vê-se o canal onde circulava a água, à direita, hoje vazio. Circulavam 10.000l/s (1/50 do caudal do rio tejo) num desnível de 100m, produzindo energia. Chega-se à comporta do canal e ao refúgio dos morcegos, que adoram o Caminito. Voltamos aos passadiços. Já se percorreram 2500m e, agora sim, estamos na parte mais interessante, o desfiladeiro está mais largo e a parede que tantos usaram para escalada está à nossa frente. Aqui encontra-se um memorial para o alpinista suíço que morreu em 2010, vê-se a linha de comboio, o caminho antigo, e abusa-se nas fotografias. Chega-se à varanda de vidro. É sempre importante seguir as regras. No máximo 3 pessoas, com o segurança 4. A vantagem da presença do segurança é ele tirar a fotografia. Não façam como vimos fazer, alguém achou que era giro pular em cima do vidro, para testar a resistência. É possível ver abutres no ar. Ouvir a natureza, ver a gama de cores que surgem à nossa frente. Na grande curva após a varanda de cristal encontram-se fósseis de amonite na rocha. Chegou a altura de trocar de lado. A última parte, com mais adrenalina, é a passagem na ponte suspensa de metal de 35m. Ao lado vêem a ponte antiga, onde agora corre água. Formam-se borboletas de água, ou gotas que caem e brilham com a luz. Há placas em memória dos que faleceram antes da reabilitação do percurso, a pedido dos familiares. Depois da ponte está a saída, ou entrada sul, também com torniquetes. Finalmente estamos do outro lado do desfiladeiro. Daqui vê-se a linha do comboio, o vale, o rio e a nova central hidroelétrica. Faltam 2100 metros em terra até chegar ao parque de estacionamento (estes já custam às articulações). À esquerda vê-se uma casa de três andares que era a residência de Rafael. Também se vê a Puente de la Josefona. Ao chegar ao ponto de saída devolvem-se os capacetes e já encontram casas de banho e cafés. Existe também a possibilidade de parar aqui o carro e seguir até Ardales de autocarro para começar o percurso (o inverso do que nós fizemos, que utilizámos o autocarro no fim do percurso). A paragem de autocarro é um pouco mais à frente. A trilha foi-se danificando com o tempo ao ponto de ficar perigosa, a parede de escalada atrai curiosos e morreram cinco pessoas entre 1993 e 2000. Em 1993, numa atividade do campo de férias, um aventureiro em 1999, caindo. Já em 2000, 3 jovens morreram ao utilizar um cabo de aço velho que rompeu e os entregou ao desfiladeiro. Nesse ano o acesso foi vedado. Continuou a ser utilizada à revelia e morreu um sexto jovem em 2010. Reabriu em 2015 com um percurso quase todo por cima do original, com guardas laterais e totalmente seguro. Há funcionários pelo percurso e um permanente no miradouro de vidro. No fim do caminho, ao regressar de autocarro, podem mergulhar no rio, refrescar a alma depois daquela vista estonteante. A casa que se vê na fotografia é a do Conde de Guadalhorce. É importante dizer que não é um trilho livre. O percurso só se pode fazer num sentido, de Ardales para El Chorro. São 7,7km e cerca de 2,5 horas para o completar. Como reservar os bilhetes: Reserva-se no site, muito intuitivo e funcional, tendo de escolher a data, hora e tipo de visita. Definem o número de visitantes e decidem se querem com ou sem bilhete de autocarro (1,55€). Preenchem os dados e tudo é enviado por e-mail. Visita guiada ou livre? Confessamos, escolhemos visita guiada porque era a única opção disponível para a data selecionada. Então, se fosse hoje, o que faríamos? Visita guiada Desvantagens: têm de andar ao ritmo do guia, mas acima de tudo, do grupo, que pode ir até às 40 pessoas. No site diz 25, não confere; apesar de terem auriculares e rádio para ouvirem as explicações do guia, muitas vezes, quando se aproximarem de outro grupo, vão passar a ouvir com interferência do grupo próximo (pode ser que tenha uma explicação mais interessante); vão-se sentir pressionados a avançar e terão mais dificuldades em tirar fotografias sem gente ao lado. Vantagens: ficam a saber a história, curiosidades e fauna e flora da trilha; há alguém que zela pela vossa segurança e que vos pode tirar fotografias; Preço – 18€ Visita livre Desvantagens: ninguém vos conta a história nem curiosidades; não recebem informações sobre a fauna e flora, a não ser que percebam do assunto não sabem o que estão a ver; vão perder pontos importantes que estão algo escondidos. Vantagens: o vosso ritmo, as vossas paragens; se sentirem que a trilha está demasiado concorrida é só acelerar ou abrandar o passo até ficarem afastados dos grupos. Preço – 10€ Como chegar até à entrada: Podem chegar de carro (aconselhamos), autocarro ou comboio. O comboio pára em El Chorro (acesso sul), mas podem ir de autocarro até Ardales. De Sevilha, a viagem demora quase 3 horas de comboio e custa 16€ (i/v). De Málaga, o percurso tem a duração de 1 hora e custa 5€ (i/v). De autocarro, é possível sair da Gare do Oriente em Lisboa e chegar a El Chorro trocando de rota (pelo menos) uma vez. A viagem fica cara (cerca de 100€). De carro será sempre mais confortável. Não sabemos se compensa, mas outra solução é voar até Sevilha ou Málaga e depois seguir de comboio. A entrada no percurso é feita pela zona norte, Ardales. É o habitual ponto de partida e/ou de chegada para o Caminito, onde os viajantes costumam ficar uma noite. Foi o sítio onde gastámos menos dinheiro em refeições (desde a viagem à américa latina). De Ardales até à entrada do Caminito são 15 minutos de carro. Há dois acessos à entrada, os dois identificados como Caminito del Rey. O primeiro fica junto ao parque de estacionamento (a 100-150m) e o Google Maps identifica como Túnel Largo (1,5km). O segundo fica junto ao Kiosko e está identificado como Túnel Pequeño (2,7km), apesar de o acesso ser bastante mais largo que o outro túnel. O caminho mais longo vai-vos dar a sensação que estão perdidos, mas não, é o percurso mais longo, mas também chega ao mesmo sítio. Tanto num como no outro é só seguir a identificação/sinalética. Túnel largo Vão identificar a entrada pelas placas, barreiras, casas de banho (banheiro) e máquinas de venda automática. Ninguém entra antes da hora do bilhete e sem receber um capacete. Quem tem visita guiada tem que esperar pelo guia e receber o rádio. O percurso: São duas horas e meia de percurso. Fácil, seguro, e com uma vista estonteante sobre o desfiladeiro Los Gaitanes. É constituído por passadiços, pontes e percurso em floresta. Os passadiços e as pontes são todos novos, construídos sobre ou próximos dos percursos originais, estes já muito danificados. Em El Chorro há casas de banho, cafés e a paragem de autocarro para regressar a Ardales. Há quem prefira deixar o carro aqui, ir de autocarro até Ardales e regressar de carro no fim do percurso. Nós gostamos da viagem de autocarro no fim, para descansar um bocadinho. Dicas: no verão a trilha é mais fresca de tarde, porque está à sombra. Nós fomos às 16h e estava ótimo; levar boas botas de caminhada, roupa confortável e água; não há casas de banho nem cafés durante o percurso; esqueçam os chapéus volumosos, a trilha é feita de capacete, optem por lenços ou golas; estacionem no parque, o autocarro de regresso deixa-vos lá; levem fato de banho no verão (há praias fluviais perto para antes ou após o percurso); crianças menores de 8 anos não entram, não tentem contornar o sistema, é pedida identificação com data de nascimento; nada de bastões de caminhada; atenção ao e-mail que vão receber com as regras, leiam-nas; os bilhetes devem ir impressos, no autocarro o motorista rasga a parte dele. Onde dormir em Ardales: Nós ficámos no apartamento Virgen de Villa Verde. Recomendamos, fomos recebidos com toda a simpatia e dicas. Nenhuma das dicas que a senhora nos deu sobre os restaurantes falhou. Onde comer em Ardales: No topo da Calle Fray Juán temos o bar Millan e o bar Paco, os dois super baratos. Millan é mais barato, vende cada tapa a 1€. Paco está aberto com um horário mais alargado. Nos dois locais são muito simpáticos e dão-vos boas dicas para as escolhas. https://365diasnomundo.com/2019/08/17/caminito-del-rey-dicas/
  3. Junho é o melhor mês do ano em Lisboa. Há a Feira do Livro, começa o verão e é o mês dos Santos Populares, dos arraiais e dos casamentos de santo António. Se milhares de turistas visitam a cidade todo o ano, muitos portugueses vêm a Lisboa neste mês para as festas da cidade. A capital portuguesa veste-se de todas as cores, de música, de sardinhas, caldo verde, cerveja, arroz doce e manjericos. Quem conhece a cidade das 7 colinas sabe que há bairros ainda muito tradicionais, em que a boa vizinhança é lei e onde (ainda) “toda” a gente se conhece. Falamos em “ainda” e em “toda”, porque o espírito bairrista acabou por conquistar estrangeiros que se têm mudado para prédios reabilitados ou para alojamentos locais estrategicamente localizados. Se, por um lado, temos turistas e novos residentes apaixonados pela cidade, por outro, temos alguns antigos moradores indignados com a exploração da sua cidade amada e com o elevar dos preços. Nós achamos que gente nova a circular pela cidade é sempre bom. Então, o que acontece em junho na capital portuguesa? Geralmente, já se anda de roupa de verão, bronzeado a surgir com as primeiras idas à praia, noites mais longas e amenas. 2018 não foi bem assim, mas o português adora reclamar e discutir meteorologia, não deixando nunca de aproveitar as festas. 2019 foi mais tradicional. O feriado municipal é a 13 de junho, com a noite de Santo António a ser comemorada de 12 para 13. Mas a cidade achou que uma noite era pouco e adotou a festa para todo o mês. Afinal, falamos do santo casamenteiro, com um role de histórias românticas de sucesso. Durante o mês há arraiais espalhados pela capital portuguesa. É muito fácil identificar um arraial pelas fitas de cores penduradas entre prédios e postes de luz, os palcos e barraquinhas de comes e bebes. Vários bairros têm festa todo o mês, alguns só aos fins de semana e no feriado. Também encontram uma programação recheada de concertos, com fado no castelo de S. Jorge – podem encontrar a programação aqui. Bares e restaurantes decoram-se para a temática e organizam também eles festas de santos populares. Os bairros que participam nas marchas acabam por ser os mais famosos, ou não fossem as marchas transmitidas na TV. E o que são as marchas? Cada bairro marcha na Avenida da Liberdade (e nos dias anteriores no Altice Arena) com uma música, coreografia original e as suas roupas cheias de brilho. Se querem mais pormenor façam uma pesquisa, vejam videos, a nossa explicação não lhes faria jus, mas é uma espécie de desfile de carnaval sem ser ao ritmo do samba, mas de música tradicional portuguesa. É habitual escolher-se padrinhos famosos, desde cantores, actores, modelos ou apresentadores de televisão. Nos bairros mais tradicionais é um privilégio participar nas marchas e vários moradores dedicam muito tempo precioso a este evento, seja com ensaios, seja a preparar o figurino, seja na organização da própria festa do bairro. Em 2018 participaram 23 marchas, e todas desceram a Avenida da Liberdade desde a rotunda do Marquês de Pombal até à Praça dos Restauradores. Para quem não conhece, é nesta praça o ponto alto do desfile, pois é aqui que se pára para atuar perante o júri. A bem da verdade, vê-se melhor pela televisão, mas o ambiente só se pode sentir estando presente. Acaba por haver letras que ficam no ouvido (Ié ié ié, Alfama é que é) e quase toda a gente fica a saber que ganhou Alfama, mais uma vez. A derradeira noite de Santo António começa num qualquer bairro da baixa lisboeta, onde se deve jantar sardinha ou bifanas. A melhor hora para chegar é o mais cedo possível, para fugir ao trânsito. Aliás, nesta noite/final de dia, os transportes públicos ou as motas são as únicas escolhas viáveis. Se querem comer sardinha, esta deve ser servida em cima de broa e comida à mão. No fim, come-se a fatia de broa embebida no molho da sardinha grelhada. Seja sardinha ou carne, a bebida é “sempre” cerveja, a grande patrocinadora da festa. Recomendamos que façam uma subida a pé até até ao Castelo, passando pela Sé, pelo menos uma vez na vida. Ou podem ir para a Bica, que, tal como Alfama, está sempre a abarrotar, mas não é uma verdadeira noite de Santo António se durante o trajeto não perderem parte do grupo, reencontrarem outros amigos/conhecidos ou fizerem novos. Para quem acha que a noite de 12 para 13 é demasiado confusa, podem sempre aproveitar os fins de semana ou as outras vésperas de feriados do mês. Nestas alturas a festa acaba por ser mais nacional e menos turística. Nós, o ano passado, andámos pelos Santos até fartar. Fomos comer sardinhas ao Pateo 13 no fim de semana anterior, para o Tiago ser introduzido com calma e sem grandes confusões, passeámos no domingo à tarde de máquina fotográfica na mão para assistir à preparação e regatear imperiais (ou finos), e passámos a noite de 12 para 13 numa festa de bairro bem organizada que, lamentamos, mas não vamos publicitar, para não estragar, porque queremos repetir. E fomos no fim de semana seguinte à famosa Vila Berta, vibrar no meio da confusão, num dos espaços mais típicos. Também assistimos ao concerto do Camané no Castelo, com os pais da Raquel, e jantámos na Morgadinha de Alfama. Um mês em cheio! Este ano não fomos à Vila Berta, mas andámos em S. Vicente, na Lapa e fomos à Bica. É uma festa de rua, com muita música, comida e cerveja. Temos de falar no evento de fado que decorre nesta altura no castelo de São Jorge. O Fado no Castelo é uma série de concertos gratuitos, que começam às 22h, com lugares limitados e sentados. Em 2018 aconteceu de 14 a 16 de junho e todos os dias esgotou rápido. Os bilhetes são levantados presencialmente a partir das 20h, no castelo ou no Museu do Fado, até dois por pessoa. Recomendamos porquê? Porque os fadistas são sempre grandes nomes nacionais (este ano, 2019, vai, por exemplo, Ana Moura) e a vista é fenomenal. Lisboa tem vários miradouros, mas poucos terão uma vista tão privilegiada como o castelo. Falámos acima dos casamentos de santo António, acontecem anualmente no dia 12 de junho, desde 1958, organizados pela CM Lisboa. As inscrições decorrem no início do ano e servem para permitir que noivos que desejam casar pela igreja, mas que não têm as condições certas, o possam fazer. Já foi um evento maior, tem perdido um pouco da grandeza porque cada vez é mais comum não casar. Os casamentos de Santo António fazem parte das festas de Lisboa e dão o pontapé de saída para a festa principal. Estava (Raquel) à espera de uma festa já algo alterada para agradar a turistas, afinal os meus últimos santos foram em 2012, ano em que me mudei para Luanda, intencionalmente só após os Santos. Muita gente diz que sim, que está diferente. Eu não achei, ainda vi uma festa muito bairrista, tradicional, à portuguesa e barata (calma, também acho uma sardinha a 2,5€ cara, mas conseguimos beber uma imperial a 1€). Adoro aquela festa de bairro de vizinhos, de partilha de quadras e de comida, de invadir a casa do vizinho para poder ir à casa de banho, de dançar com desconhecidos, de fazer o muito tuga comboio… e isso ainda existe! Ainda se escrevem as tradicionais quadras a Santo António, o santo casamenteiro, para pedir que faça das suas e arranje um par a quem escrever. Nos últimos anos tem sido uma tradição já levada para o lado cómico, afinal, no tempo dos millennials, quem quer admitir que precisa de um santo para casar? Santo António, Santo António És o santo casamenteiro Arranja-me um homem para casar Mas que tenha dinheiro Há várias músicas que ficaram famosas por celebrarem a cidade, como: Olha o castelo velhinho, que é coroa Desta Lisboa sem par! Abram, rapazes, caminho, Que passar vai a Lisboa! (Lá vai Lisboa, imortalizada nas vozes de Amália Rodrigues e Beatriz Costa, mas escrito por Norberto de Araújo). Como podem perceber, nós aconselhamos toda a gente a vir pelo menos uma vez na vida a Lisboa em época de Santos Populares. https://365diasnomundo.com/2019/06/08/vai-lisboa-portugal/
  4. Na semana santa fomos visitar a Extremadura, uma região que conhecíamos mal. Decidimos ver, não só as cidades grandes, mas também fazer alguns desvios para conhecer atrações naturais ou mosteiros. Foi assim que parámos em Cuacos de Yuste, num mosteiro onde viveu o rei D. Carlos I, de Espanha, até morrer. O edifício foi construído em 1402 para servir de casa para os eremitas de la pobre vida, mais tarde designada por Ordem de São Jerónimo. O que deu fama a este mosteiro foi D. Carlos, rei de Espanha, que em 1556 decidiu que os seus últimos anos de vida seriam passados em reclusão. Carlos era herdeiro de várias casas reais europeias, foi rei de Espanha (Carlos I, primeiro rei de Espanha) e imperador do Sacro Império Romano Germânico (Carlos V). Nesta altura era o monarca mais importante da Europa, governador de um território gigante. Passou todo o reinado em guerra para conseguir manter o território e a religião, apesar de ser pouco ambicioso em conquistar novos terrenos. Abdicou do trono para o filho e do império para o irmão, motivado pelo cansaço e doença. Foi nessa altura que partiu para Yuste, obrigando o mosteiro a renovações, acabando por morrer em 1558. Para que o rei pudesse viver confortavelmente em Yuste e para que a sua equipa pessoal tivesse espaço, acabou por se acrescentar à igreja uma casa de dois andares para o rei. Cada piso com 4 divisões. O quarto do rei tem a particularidade de ter vista directamente para o altar, provavelmente para que este pudesse assistir às cerimónias do quarto nos dias em que estava mais debilitado. A ala oposta dá para a horta e para um tanque. O quarto é escuro, forrado a cortinas de veludo escuras. Tem algumas mobílias do rei e alguns quadros que representam os seus últimos dias. A sua presença no mosteiro trouxe vários visitantes ilustres, inclusive o seu filho, Filipe II, rei de Espanha. Voltando um pouco atrás no tempo, Yuste surge como mosteiro de 1408 a 1414 pelas mãos do Infante Don Fernando. Tem dois claustros, um gótico e um renascentista, e uma igreja. A igreja está unida ao claustro gótico do século XV. Tem em exposição alguns objetos sagrados, como quadros e esculturas. O refeitório é visitável e podem-se sentar para sentir como era almoçar ali nas mesas corridas. Na guerra pela independência o mosteiro foi incendiado e os monges expulsos. O mosteiro acabou por ser leiloado e ainda hoje é possível ver nas paredes fotografias de como estava em mau estado. É reconstruído de raiz e considerado bem de interesse cultural, principalmente por D. carlos ter morrido nas instalações. É a casa da Academia Europeia de Yuste que organiza o Prémio Europeu Carlos V. O jardim é muito bonito, e cuidado, todo florido, mas não visitável. Vê-se muita gente a caminhar porque esta é uma zona de trilhos, que vão do mosteiro até às aldeias circundantes. Visitar: Abre às 10h da manhã. Fecha às segundas-feiras, 1 e 6 de janeiro, 1 de maio, 24, 25 e 31 de dezembro. O bilhete custa uns justos 7€ (2019). Nos dias 18 de maio, 12 de outubro, quartas e quintas-feiras à tarde, para cidadãos da UE ou da américa latina, a entrada é gratuita. Os horários grátis variam com a época do ano. Os bilhetes podem ser comprados nas bilheteiras eletrónicas e há cacifos para que se guarde as mochilas mais volumosas. 365 dias no mundo estiveram na Extremadura de 17 a 20 de abril de 2019 https://365diasnomundo.com/2019/07/17/mosteiro-yuste-espanha/
  5. Tem ônibus até bem próximo do aqueduto, metro não tem. para os outros museus também tem ônibus e metro. O guia não está incluído, nós fomos com guia através de tour privado.
  6. raquelmorgado

    ISTAMBUL (TURQUIA)

    O que fazer em Istambul? TUDO!!! Comecemos pelo óbvio, a cidade é gigante, tem dezenas de mesquitas, museus, bazares e outras atrações, conforme a disponibilidade, gosto pessoal e vontade de cada um. Nós temos por hábito esgotar o tempo diário, principalmente diurno, de forma a fazer e ver o máximo possível, o que é muito cansativo, mas não nos arrependemos de fazer este tipo de férias mais culturais. Apesar de regressarmos cansados, voltamos de cabeça fresca. Vamos dividir as atrações por bairros. Sultanahmet - é um bairro com mais atrações, mais cultural, mais calmo. Aqui encontram a história da cidade: Mesquita Azul (em obras, mas aberta) Hagia Sophia (em obras, mas aberta) Grande Bazar Cisterna Basílica (em obras, mas aberta) Palácio Topkapi (em obras, mas aberto) Hipódromo Eminönü - o bairro junto ao mar, onde se encontra a ponte Galata: Bazar das Especiarias Ponte Galata Mesquita Süleymaniye Mesquita Rüstem Pasa (fechada para obras até meados de 2019) Fatih: Museu Chora (em obras, com visitas condicionadas) Igreja Ortodoxa Beyoglu - o bairro mais cosmopolita, para quem gosta de conhecer a vida noturna da cidade: Torre Galata Praça Taksim Museu de Arte Moderna Museu Madame Tussauds Rua Istiklal Besiktas - a zona da cidade onde fica o terminal de ferries Kabatas e o nosso monumento preferido. É bastante acessível de transporte público da praça Taksim: Estádio e museu do Besiktas Mesquita Dolmabahçe Palácio Dolmabahçe Harem do Palácio Dolmabahçe Torre do Relógio Üsküdar e Kadiköy - do lado asiático há muitas atrações ignoradas pela maioria dos turistas. É a zona mais recente da cidade e apenas percebemos isso no dia em que atravessámos a região para chegar ao aeroporto: Mesquita Mihimah Sultan Mesquita Rumi Mehmed Pasha Palácio Beylerbeyi Estádio Sükr Saraçoglu do Fenerbahçe Esta é apenas uma listagem das principais atrações, mas existem muito mais, a maioria abrangidas pelo Museum Pass. Aí vão consultar centenas de locais que podem ser visitados. Prometemos falar sobre isso noutro post. 365 dias no mundo estiveram 15 dias na Turquia, de 30 de setembro a 14 de outubro de 2018 https://365diasnomundo.com/2018/11/07/atividades-istambul/
  7. Quando regressámos da viagem pelas américas trouxemos connosco a mesma vontade de conhecer coisas novas e acabámos por transportar isso para as cidades portuguesas. Em outubro fomos viver para Lisboa e começou a caça às atividades giras, preferencialmente gratuitas. Foi dessa forma que a Raquel, pelo Facebook, encontrou as visitas guiadas ao aqueduto de águas livres que se realizam ao sábado de manhã. Nenhum de nós tinha visitado o museu da água e apenas conhecíamos o aqueduto visto da estrada, em trânsito. Quem leu em adolescente os livros da coleção Uma Aventura quase de certeza não falhou o que se passa no aqueduto – Uma Aventura em Lisboa. Se forem como nós, desde essa altura têm uma vontade de atravessar o aqueduto. Por ser algo garantido, não se valoriza devidamente o acesso a água canalizada, que está sempre ali, à espera que se abram as torneiras. Pelo contrário, quem, como nós, viveu alguns meses sem água canalizada, a ter de comprar cisternas de água para encher depósitos, sabe como este é um bem precioso. O museu da água (EPAL) tem a função de consciencializar a população para o racionamento desse bem precioso, uma coisa que tem sido muito falada. O caso mais mediático é o da Cidade do Cabo, na África do Sul, em que há vários meses se fala no Day Zero, o dia em que a água vai deixar de correr nas torneiras devido à seca extrema. Esse dia foi sucessivamente adiado por medidas de poupança cumpridos à risca, redução do horário de fornecimento, proibição de desperdício e atribuição de um rácio de água por habitante. Mesmo em Portugal, em 2017, houve dias assustadores, com diversas barragens abaixo do recomendado e duas pontes outrora completamente submersas a surgirem de novo na paisagem. Nós fomos à procura de uma delas e o cenário é realmente desolador. Muitos criticam os preços que a EPAL cobra pela água, acima da média europeia, mas nem tudo é mau nesta empresa. Estes sabem que têm um papel na vida lisboeta que vai além da tarefa diária de manter a água a correr nas torneiras, dando valor ao património histórico e cultural, sendo um dos exemplos o museu da água aberto ao público. Houve tentativa de criação de museu em 1919, mas só em 1987 foi instalada uma exposição permanente. O museu tem um preço acessível, recebendo também concertos grátis e pagos. É constituído por: aqueduto das águas livres; reservatório da mãe d’água; reservatório patriarcal; estação elevatória a vapor dos Barbadinhos; Galeria do Loreto; Aqueduto das águas livres Os arcos que o compõem são uma das imagens de marca de Lisboa, visíveis da Avenida de Ceuta, Monsanto, Campolide, e até para quem chega de avião. O aqueduto foi construído recorrendo a um imposto especial aplicado aos bens essenciais, como azeite, vinho e carne, por determinação real de D. João V, em 1731, plena época de império português, onde circula ouro, diamantes, especiarias, tecidos e madeiras finas. Tempo de esbanje e de mostrar aos países vizinhos que temos tudo em grande, então, por que não fazer um aqueduto à sua imagem? Estes 14 quilómetros de aqueduto resistiram ao terramoto de 1755, mantendo-se inabaláveis os 127 arcos, inclusive o maior arco de pedra do mundo. O sistema completo percorria quase 60 quilómetros, trazendo água de 58 nascentes, tendo sido utilizado até 1967. Voltando ao início, em 1744, diz a EPAL que ao som de avé-marias, circulou primeira vez água de Belas (Sintra) até às Amoreiras, onde fica a mãe d’água. Fornecia 1300m3 de água, reforçados em 1880 com a inauguração do aqueduto do Alviela. É monumento nacional desde 1910. Foi cenário de diversas histórias e lendas, como a do célebre ladrão Diogo Alves, que atirava do topo do aqueduto as vítimas que roubava. Foi muito pela agitação criada por estas mortes que se fechou o aqueduto. Diogo é célebre por ser o último condenado à morte em Portugal, enforcado a 19 de fevereiro de 1841. Há um filme, estreado em 1911, sobre a sua história, e a sua cabeça encontra-se na Faculdade de Medicina de Lisboa, tendo sido estudada para perceber de onde vinha tanta malvadez. Voltando ao aqueduto, tem 941 metros abertos ao público, sobre o Vale de Alcântara. É uma caminhada fácil, agradável, com uma boa vista sobre a cidade, e com pouca gente em simultâneo. Tem um bebedouro junto ao portão de entrada onde podem encher garrafas que levem vazias. Reservatório da Mãe D’água Dois dos seus arquitetos morreram antes da finalização do projecto, que foi sendo alterado com as sucessivas trocas de responsável. Começou a funcionar em 1746, sem que o projeto estivesse finalizado. Passaram mais 80 anos, 7 reis, invasões francesas e o terramoto até que durante o reinado de D.Maria II, com alteração da imagem inicial, este ficasse concluído. Tem um certo misticismo, sendo amplo e luminoso. Arquitetonicamente é muito mais do que uma cisterna de água. Tem um terraço com vista sobre a cidade, um tanque de 5500m3, quatro colunas e é utilizado para receber exposições, algo que já tínhamos visto na Argentina, em Mar del Plata, uma Torre de Água que também é museu. Tem uma pequena loja com produtos alusivos à EPAL, é um espaço bastante interessante, merece que se fique ali a olhar para a cascata que sai da boca dum golfinho e para o tanque. Reservatório da Patriarcal Em pleno Príncipe Real, por baixo da praça D. Pedro V, existe um reservatório que era abastecido pelo novo aqueduto da Alviela. É um espaço imponente, também misterioso, onde se fazem desfiles e concertos. Os dois tanques têm uma capacidade próxima de 900m3 e foi construído para reduzir a pressão da água entre as Amoreiras (Reservatório da Mãe D’água) e a baixa da cidade. Tem um 31 pilares e abóbadas que sustentam o lago que permite o arejar das águas. São visíveis as três galerias que partem dali. Uma vai até à Galeria do Loreto, outra até à Rua da Alegria e a última até à Rua de S. Marçal. Partem daqui as visitas pela Galeria do Loreto, podendo ver-se os capacetes de segurança dispostos no início do túnel. Todas as sextas-feiras, às 19h, recebe concertos de fado, em parceria com a Real Fado. Estação Elevatória a Vapor do Barbadinhos Chegou um momento na história em que era preciso mais água, o sistema existente não dava conta do recado, por isso foi preciso encontrar outra solução. Entre 1871 e 1880 construiu-se o Aqueduto da Alviela, que trazia água a 114 quilómetros de distância. O reservatório foi construído junto a um extinto convento, foi desativado a 1928, mas ainda conserva as máquinas a vapor e uma exposição permanente. Nota: A nossa viagem não incluiu os Barbadinhos. Galeria do Loreto O sistema tem várias galerias, como a das Necessidades, Campo Santana, Rato, Esperança e Loreto. Esta é a única visitável, com guia, em duas partes: 1) do Reservatório Patriarcal até ao miradouro de S. Pedro de Alcântara; e 2) do reservatório até à Rua do Século. Todo o sistema da galeria do Loreto tem 2835 metros. Dizem que vale a pena a visita, mas tem sido difícil enquadrar os nossos fins de semana em Lisboa com as visitas guiadas. Preços: Os reservatórios, a estação elevatória e o aqueduto são grátis todos os fins de semana de 2018. Nos restantes dias, os preços variam, de 1 a 10€, dependendo do que forem ver. As únicas visitas mais restritas são as da Galeria do Loreto, que exigem marcação prévia. Vale a pena: Aproveitando os bilhetes grátis ao fim de semana devem visitar o museu. Mesmo pagando, por 15€ conseguem ter acesso a tudo. O ideal é encontrar um dia não muito quente para ir ao aqueduto. Tanto faz sentido ir em visita guiada, para receber o contexto histórico, como sozinhos, para calmamente apreciar e passear nos aquedutos e os reservatórios. R. Alviela 12, 1170-012 Lisboa, Portugal https://365diasnomundo.com/2018/09/19/agua-lisboa/
  8. Chegando a Peniche no porto há várias empresas que fazem a viagem. Nós fizemos bate e volta, e fomos de Lisboa, foi uma hora e meia mas fomos na nacional. Fica mais a norte de Lisboa, perto de Óbidos. Sei que no inverno o mar fica muito agitado e a viagem de barco é dura, mas penso que não funciona só na época alta.
  9. BERLENGAS, UMA ILHA ALI TÃO PERTO (PORTUGAL) Anos e anos passados em Portugal e nenhum de nós se lembra de ter ido às Berlengas. Já tínhamos reserva feita para as galegas Cíes e não quisemos deixar o arquipélago português para trás. Bem mais fácil e rápido de lá chegar e preparar a visita. Bastou procurar uma empresa que fizesse a travessia, escolher o dia e fazer a viagem de pouco mais de uma hora de Lisboa a Peniche. A viagem de barco foi feita pela Viamar, mas também se pode ir pela AOMT. O arquipélago é reserva da biosfera da UNESCO desde 2011. É habitat natural de diversas espécies de aves e répteis, que não devem ser incomodados. Fomos em Agosto, num fim de semana de calor horroroso em qualquer ponto de Portugal, o que se revelou uma decisão inteligente. Estava muito mais fresco na ilha! Como chegar: Chegar a Peniche, estacionar gratuitamente no parque junto aos bombeiro e caminhar até ao cais. Na marina, vão à empresa onde reservaram antecipadamente, pagam e levantam os bilhetes. Se gostarem de arriscar e não tenham reservado, podem sempre procurar empresas que ainda tenham bilhetes disponíveis. A viagem de barco demora 40 minutos. No nosso dia o mar estava calmo, mas a fama e os sacos para vómito distribuídos no início da viagem são um pronúncio de que não é sempre tão fácil fazer os cerca de quinze quilómetros que separam as ilhas do continente. O que fazer: Praia: logo ao sair do cais há uma praia com um tamanho inversamente proporcional à afluência, agravado em maré cheia; Trilhos: estão bem assinalados e são acessíveis, não muito extensos nem íngremes (as estimativas de duração dos percursos estão folgadas): Trilho da Berlenga: 3km e 3h, permite passar pelo farol e pelo forte. Até ao forte consegue-se ir, mas o farol não é acessível; Trilho da Ilha Velha: 1,5km e 1h30, parte do bairro de pescadores, passa por Buzinas e pelo Carreiro dos Cações; Forte S. João Baptista: à chegada, basta subir seguindo pela esquerda, em direcção farol, e continuar o percurso, até ver o magnífico forte. Para quem não puder ou não quiser caminhar, também pode ir de barco; Visitar as grutas: há um passeio de barco pelas principais grutas (6€), não muito longo (1h). Existem diversas opções de barcos, alguns até com fundo de vidro; Desportos aquáticos: paddle, pesca, snorkeling, tudo pode ser feito. Onde dormir: Parque de campismo: chamar-lhe parque de campismo é talvez demasiado, porque é bastante simples, mas tem uma vista! Forte S. João Baptista: o forte está renovado e é possível dormir lá. Não vimos as condições, mas estava quase cheio. Mais um sítio com uma vista fantástica, literalmente em cima do mar; Pavilhão Mar e Sol: com um restaurante com o mesmo nome, este espaço tem alguns quartos pequeninos junto ao restaurante. Onde comer: Levar alguma coisa para comer é sempre mais barato, mas há alguns espaços que servem refeições: Restaurante Mar e Sol: consta que é caro, mas os pratos (principalmente a caldeirada) têm bom aspecto; Micromercado Castelinho. Notas: Não há multibanco (alguns sítios aceitam cartão); Só recebe 350 visitas/dia; É preciso seguir nos caminhos assinalados; O gerador é desligado às 23h; Deve-se trazer o lixo de volta, ou pelo menos até aos contentores no bairro dos pescadores; As gaivotas são territoriais junto aos ninhos, não atacam, mas não gostam de visitas junto das crias. A nossa opinião: Ir em Agosto, financeiramente falando, não é a melhor altura (bilhetes 7€ mais caros). É uma escapadela cara, mas continua a valer a visita. Pelo menos uma vez na vida devem ir, ver o verde translúcido das águas, o forte digno de cenário da Guerra dos Tronos, o farol, os trilhos, apreciar a vista e o domínio selvático das gaivotas, enfim, sentir um paraíso natural aqui tão perto. A água é fria, mas suportável. Talvez a praia fique demasiado cheia. Enquanto dormitámos ficámos demasiado encostados a malta que se sentou depois. Mas podem aventurar-se “praias” rochosas junto ao forte. Para quem vai para conhecer não achamos vantajoso dormir na ilha, porque não é grande, vê-se toda num só dia (6h entre as duas viagens de barco). Para quem gosta de campismo ou vai mesmo de férias já é outra história. E deve ter um céu estrelado excelente. O nosso conselho é ir a um dia de semana, em junho ou julho, para poupar, mas escolham uma altura de muito calor e sem vento. 365 dias no mundo estiveram 1 dia nas Berlengas, a 5 de agosto de 2018
  10. Fizemos as duas coisas, fomos ver o museu no fim da visita à arte rupestre. Gostávamos de ter feito a visita noturna também, mas não deu.
  11. Argentina, Chile, França, África do Sul e Portugal são considerados países com bom vinho. Em Portugal, há duas grandes regiões de vinho: o Alentejo e o Douro. Existem outras, como a região da Bairrada, zona da Raquel, onde um bom espumante acompanha o leitão assado à moda da região. O que torna especial a região do Douro para a produção de vinho é também o que a torna única e imperdível de ser visitada. A região pode ser visitada de carro, barco ou comboio. Pode-se fazer uma viagem apenas com o intuito de conhecer os vinhos da região, com a maioria das quintas de produção de vinho bem preparadas para receber visitantes, algumas até com alojamentos e restaurantes. Pode-se também fazer uma viagem com a ideia de visitar as praias fluviais, e são muitas, ou pode-se ir em busca de comida tradicional “da boa”. Nós somos fãs de tudo isto, portanto, nada como conciliar programas, ou visitar a região várias vezes. Já fomos de comboio (The Presidential), um projecto fascinante, onde se faz a viagem num antigo e ainda atual comboio presidencial, acompanhada de uma refeição com um chef de topo. No nosso caso, em 2016, com o chef Dieter Koschina do Villa Joya, de duas estrelas Michellin. Esta refeição, claro está, é servida com uma cuidada seleção de vinhos do douro, seguindo viagem com os participantes o enólogo responsável, explicando cada escolha. Há uma paragem na Quinta Vesúvio onde se faz uma prova de vinhos do porto. Este evento foi considerado em 2017 pela BeaWorld como o melhor evento público do mundo. Já fomos de carro, atravessando a Volta a Portugal, percorrendo praias fluviais, vendo quedas de meteoritos em aldeias remotas e comprando vinho em adegas. Também já fomos atrás das pinturas rupestres, em Foz Coa, e a provas de vinho em quintas de famílias tradicionais inglesas. Falta-nos subir o rio Douro de barco. Um dia… O que recomendamos fazer: Ir de comboio: sabemos que um evento como The Presidential não é uma escolha consensual. Nem todos gostamos de comida gourmet e nem todos valorizamos um evento deste tipo ao ponto de pagar o que custa. Para quem não quer perder a viagem de comboio junto ao rio douro há uma solução mais em conta, da CP, a MiraDouro, de São Bento à Régua, e da Régua ao Tua, com paragem no Pinhão, o Comboio Histórico do Douro. Ir de barco: não temos nenhuma experiência. Sabemos que se fala muito na Douro Azul, que há outras empresas, como a Douro. Também há várias opções, como fazer as 6 pontes ou subir e descer até à Régua, e durações variadas, normalmente em cruzeiros de 2 e 3 dias. Ir a uma quinta de produção de vinho: fazer uma prova de vinhos é obrigatório, mas podem também fazer visitas guiadas, picnics, passeios, etc.. Algumas sugestões: Quinta da Pacheca (Lamego); Quinta da Rôeda (Pinhão); Quinta de La Rosa (Pinhão); Quinta do Bonfim (Pinhão) da família Symington, os mesmos donos da Quinta do Vesúvio; Quinta da Pôpa (Tabuaço); Quinta do Panascal (Valença do Douro); Quinta do Seixo (Valença do Douro). As provas de vinho têm diversos preços dependendo do pretendido. Mas rondam os 10-20€. Museus Ir ao Côa ao museu e ver as pinturas rupestres. As visitas devem ser marcadas previamente no site. Podem ser feitas em três zonas e até há visitas noturnas, em que dizem que é mais fácil ver o traçado das pinturas. É preciso alguma criatividade para ver alguns desenhos, em algumas rochas, mas noutras vê-se bem. Para nós faz sentido fazer a visita guiada para compreender melhor como tudo se processou. Afinal ia ser construída uma barragem que inundaria as zonas de arte rupestre. Quanto ao museu é bastante interessante seja pelo conteúdo ou pelo edifício em si, mas como portugueses sente-se que a obra é demasiada grandiosa para o público alvo, disseram-nos o custo mensal em eletricidade e achámos um exagero. Custo entre os 6 e os 20€. Museu do Douro no Peso da Régua. Fica na reabilitada casa da Companhia e foi inaugurado em 2008. Pretende divulgar a região do Douro, tanto a sua história e tradição como os seus artistas. Tem vários tipos de programas e por isso o preço varia entre os 7,5 e os 30€ (com almoço). Visitar as praias fluviais: Praia Fluvial de Porto de Rei (Resende); Praia Fluvial da Lomba Praia Fluvial de Zebreiros (Gondomar); Praia da Congida (Freixo de Espada à Cinta); Praia Fluvial de Bitetos (Marco de Canaveses); Praia Fluvial do Peredo da Bemposta; Praia Fluvial de Pedorido e Praia Fluvial do Castelo (Castelo de Paiva). Ir aos Miradouros: Miradouro de São Leonardo da Galafura, onde encontram um poema de Miguel Torga; Miradouro Casal dos Loivos, uma vista já reconhecida como uma das mais bonitas do mundo; Miradouro de Alto de Vargelas; Miradouro São Salvador do Mundo; Achamos que todos são muito especiais e viajando de forma independente de carro faz sentido passar em todos. Comer: Restaurante Vindouro (Lamego): na nossa última visita ao Douro decidimos ir a este restaurante que nos aparecia no The Fork, uma App que usamos muito. O restaurante é sofisticado, até na forma como apresenta os pratos. A comida era de qualidade. Restaurante São Leonardo (miradouro com o mesmo nome): tentámos ir o verão passado, mas estava cheio (recomenda-se reserva). Restaurante DOC (Sabrosa): é um restaurante para quem aprecia uma culinária de autor. Do Chef Paula; Restaurante Ponte de Pedra: com uma vista fantástica para o rio Tâmega e a ponte de pedra onde passa a N108; Havia um casamento e chegámos tarde o que nos deixou limitados na ementa, mas fomos super bem servidos. Restaurante A Repentina (Peso da Régua): este é O restaurante onde devem ir se querem comer cabrito; Restaurante Dallas (Foz Côa): foi-nos recomendado, mas estava fechado; Restaurante Foz Caffé (Foz Côa): foi o que encontrámos aberto em alternativa ao Dallas, comemos uma ótima costeleta de novilho. Assistir às vindimas: a época principal começa agora. Nem todas as quintas abrem a atividade ao público, mas há umas que aproveitam para atrair os curiosos com programas que incluem a estadia, as refeições, participação ativa na apanha da uva e prova de vinhos. Algumas até permitem pisar as uvas. O Douro é sempre um bom destino e passar por lá é sempre uma boa ideia!!!
  12. No nosso caso, fomos a partir de Luanda. O voo não é muito longo, apenas cerca de 2 horas de viagem, mas ter parte do avião sem ar condicionado não abonou muito a favor do conforto. Mas o Tiago não se pôde queixar: nas datas que queríamos só conseguíamos um lugar em económica, tendo o outro “desgraçado” de ir em executiva. Como o Tiago tinha mais milhas na TAAG, lá foi ele em executiva, sem autorização para trocarmos de lugares e partilharmos as regalias (um na ida e outro no regresso). Já vos dissemos que tínhamos tudo organizado a partir de Luanda, algo que foi fácil, a partir da internet, onde encontrámos os Serviços Turísticos de São Tomé e a Marta Freitas. A Marta fez um trabalho excelente, foi paciente na nossa procura pelo pacote ideal, e acabamos por contratar um serviço com carro e motorista/guia durante os dias que necessitávamos. Foi através dela que conhecemos o Arcelino, o guia que nos acompanhou durante toda a viagem, exceto no Ilhéu das Rolas. Todas as manhãs, ia buscar-nos à guesthouse e guiava-nos pelo percurso planeado para o dia, sempre com paragens para almoço, conhecer roças, descansar nas praias, etc.. Temos sugerido a Marta a todas as pessoas que nos dizem que vão a São Tomé porque ela é incansável, tendo ido receber-nos ao aeroporto (e nós chegámos bem depois do previsto) e explicado como seriam os nossos dias seguintes. Um dos dias, até nos foi levar e buscar ao restaurante onde fomos jantar. A Marta é portuguesa, apaixonada por São Tomé, e é por existirem pessoas como ela que achamos que não é necessário que se vá para este belo país num pacote tudo incluído de agência de viagens, como é tão comum para quem viaja a partir de Portugal. Também é possível alugar só o carro, mas nós recomendamos que inclua o guia. Uma pessoa local consegue resolver qualquer problema muito mais facilmente, e os caminhos e carros de São Tomé têm tendência para dar problemas. Portanto, se querem uma estadia ao bom ritmo são tomense “leve-leve“, se querem conhecer aquela cascata que está num terreno privado com segurança, se querem visitar os fornos onde se torrava o cacau, mas que estão fechados, ou se não querem pagar gorjetas acima do “suposto”, então optem por ter um guia. Atenção: como sempre, esta é uma opinião pessoal, se preferem ir em pacotes tudo incluído, mesmo sabendo que vos vai custar muito mais, ou não ter um guia, não criticamos, são opções perfeitamente válidas. De Lisboa, pela TAP, a viagem dura cerca de 8 horas, com escala em Accra. No entanto, com base nas nossas pesquisas recentes, o percurso mais barato é Lisboa-Luanda-São Tomé-Luanda-Lisboa, pela TAAG (cerca de 17h de viagem). A STP Airways tem dois voos semanais diretos, mas costumam ser caros (apenas 6h de viagem). O ideal é recorrer ao Skyscanner para escolherem a vossa melhor opção. À data de hoje, uma reserva de ida e volta a partir de Lisboa, com escalas, de 20 a 27 de outubro, custaria 293€ (um achado). E como partir de São Tomé? São Tomé e Príncipe cobra uma taxa turística diária e uma outra aeroportuária. São 75.000 dobras/dia (aproximadamente 3€) pela primeira, cobrada pelos hotéis, navios cruzeiro ou agências de viagem, e 20€ pela segunda, incluída no pacote das agências de turismo. Na altura em que fomos, a cobrança era feita à saída. No momento em que se dirigiam à entrada do aeroporto eram desviados para a fila de liquidação dessa taxa, só sendo depois autorizados a entrar no terminal. Ainda não voltámos desde 2016, mas na altura o aeroporto era rudimentar, com pesagem “manual” das malas. Sabemos que o aeroporto está nesta altura em obras. Como chegar ao Príncipe: Já vos dissemos que não fomos, mas ainda pesquisámos os voos. A companhia que faz as viagens diárias é STP Airways e cada percurso custa cerca de 100€. Já vos explicámos o nosso plano financeiro da altura, e acabámos por não conseguir encaixar este extra. Numa visita mais longa e com um orçamento maior, sabemos que ir ao Príncipe é obrigatório. Afinal, é reserva da biosfera. A oferta de alojamentos também está a aumentar. Dobra: A moeda são-tomense é o Dobra (STD), que tem um câmbio para o Euro nada simpático (1€ = 24.470 STD), o que pode dificultar a noção dos preços. Uma boa referência é: 100.000 STD = 4€. Nós não levámos kwanzas, mas na altura era relativamente fácil trocar kwanzas por dobras no mercado informal, o que teria sido uma vantagem para nós. Só percebemos ao notar que os são-tomenses residentes em Angola apenas traziam kwanzas. Pagámos o possível com os nossos cartões de crédito, como os alojamentos, pagámos os tours através de transferência bancária e trocámos alguns euros. Em São Tomé não existem caixas multibanco que aceitem cartões internacionais. Vacinação: Países como Angola e Brasil (endémicos de febre amarela) obrigam a que os seus cidadãos ou residentes entrem com o boletim internacional de vacinação e a vacina da febre amarela em dia. Recomenda-se também a profilaxia da malária. Nós, por residirmos em Angola na altura, não precisámos. Vistos: Países do espaço Schengen, EUA e Canadá, não precisam de visto, mas têm de apresentar um passaporte válido com duração superior a seis meses. Visitantes de outros países, mas com visto para um dos países indicados acima, também não precisam de visto. Isto é válido para estadias turísticas até 15 dias. Se necessitarem de visto, pede-se aqui. Deambular à noite pela cidade de São Tomé: Nós chegámos a andar a pé pela cidade, de noite, para regressar de um jantar. Não nos sentimos confortáveis, não por nos sentirmos inseguros, mas pela falta de iluminação, pouco movimento na rua, e por andarmos meio à deriva. Durante o dia, exceto em destinos específicos, como o Ilhéu das Rolas ou Praia Inhame, andámos sempre com o nosso guia. Ir ao Ilhéu das Rolas São Tomé e Príncipe tem uma ilha mais pequena, atravessada pela linha do Equador, o Ilhéu das Rolas. Habitado por locais, mas um destino de turistas que se hospedam no único hotel da ilha, do grupo Pestana, o que a torna quase um resort. Toda a nossa estadia foi organizada por nós, com sugestões da Marta, uma portuguesa que vive em São Tomé, ligada ao turismo, a pessoa ideal para sugerir um plano para a estadia. Decidimos dormir uma noite no Pestana do ilhéu, numa estadia que incluía as três refeições. Não é económico, mas podemos dizer que vale o preço. Devemos salientar que, apesar de ser um Pestana, não apresenta a mesma qualidade que outros hotéis do grupo em geografias diferentes. O Ilhéu é pequeno e é fácil dar a volta a pé completa, coisa que o hotel incentiva, com as suas walking tours acompanhadas por funcionários. Vêem-se as praias acessíveis só de barco, a floresta onde a Raquel foi atacada fortemente pelos mosquitos, apesar de ter repelente, bebe-se água de coco pelo caminho, passa-se pela aldeia onde vivem cerca de 200 pessoas, e vai-se até ao Marco do Equador. O marco é uma atracção local onde se tira a típica fotografia com um pé em cada hemisfério. Lamentavelmente, este está já bastante degradado, merecendo um restauro. Chegámos à ilha ao final da manhã e fomos brindados com um simpático upgrade ao quarto. O quarto era espaçoso e agradável, com vista para a piscina. O hotel está junto à costa voltada para São Tomé, com uma extensa praia e uma piscina infinita de água salgada. Nota-se que o hotel já sofreu com o passar dos anos e começa a precisar de uma manutenção/refresh mais pesada. A estadia inclui, como já dissemos, as três refeições, em regime buffet, mas com uma variedade de pratos mais reduzido que o habitual para um hotel de 4*. Nota-se que tentam agradar aos turistas, tentando oferecer uma culinária europeia, mas estamos num local onde o peixe deveria ser rei. Oferecem também um ou dois pratos típicos e uma zona onde podemos pedir massas ao nosso gosto. Algo que também não falha é a simpatia dos funcionários. Não estava muita gente hospedada durante a nossa estadia (daí o upgrade), o que acrescentou romantismo à estadia, talvez até demais, porque nem beber um copo no bar era fácil, os funcionários só lá iam quando chamados. O hotel tem também um centro de mergulho, onde se pode, além de agendar mergulhos com garrafa, levantar material de snorkeling e alugar canoas. Nós fizemos logo a primeira coisa que nos foi aconselhada a não fazer pelo hotel: comer na praia um almoço preparado por locais, que já tínhamos reservado com o nosso capitão do bote. O rececionista falou em intoxicações alimentares, de não estar garantida a higiene na confeção dos alimentos, e nós ouvimos, mas ignorámos (os nossos estômagos já têm calo), e ainda bem. Esperámos na praia pelo nosso almoço, mergulhando e vendo como carregam os cocos em sacos, para envio para Angola. Aproveitámos para conhecer as nossas colegas de mesa, também portuguesas, que regressavam a São Tomé depois de almoço. Para quem se quiser aventurar: saindo do hotel, é só seguir pela praia para o lado esquerdo, que alguém vos irá abordar para o almoço. As praias do ilhéu são muito bonitas, verdadeiramente paradisíacas, podendo mesmo ser partilhadas com os ninhos eleitos pelas tartarugas para a desova. Tenham apenas algum cuidado, porque algumas têm rochas. Algumas praias são inacessíveis a pé e exclusivas para quem chega de barco. A praia a não perder é a praia Café, tanto pela envolvente natural, como por ter uma aldeia perto, sendo fácil encontrar porcos e galinhas a deambularem junto à praia. Como ir: O meio de transporte oficial sai de Ponta Baleia, o ancoradouro em Porto Alegre. Pelas fotos, o barco é confortável. Nós preferimos o formato mais local (e económico). Fomos ver as praias do sul e fomos de bote pela praia Inhame. A viagem foi atribulada no regresso, com uma chuvada torrencial tipicamente tropical e um mar agitado a animar a malta. Onde comer: A estadia de uma noite incluiu três refeições, portanto, o jantar do dia de chegada e o pequeno-almoço e almoço do dia da partida. Deixamos a opção de ir mais cedo e almoçar na praia ao critério de cada um. Nós fomos e gostámos muito, mas percebemos quem nos diga que acha um risco. O almoço na praia foi servido à mesa, uma refeição completa de bifes de atum grelhados, com acompanhamentos e fruta, direito a toalha de mesa, loiça e bebidas. Há simpatia e podem aproveitar para conhecer outras pessoas. Como reservar: Fizemos a reserva directamente no site do Grupo Pestana. Os preços rondam sempre os 200€, às vezes um bocadinho mais. https://365diasnomundo.com/2018/08/17/como-chegar-e-viajar-por-sao-tome/ https://365diasnomundo.com/2018/08/08/ilheu-rolas/ https://365diasnomundo.com/2018/07/29/sao-tome/
  13. raquelmorgado

    Nova Iorque - Manhattan

    MANHATTAN DOWNTOWN Lower Manhattan fica a sul da Rua 14 até ao limite da ilha (na junção dos dois rios, a baía de NY). Aqui ficam o Financial District, Little Italy, World Trade Center, SoHo e o local de partida de ferry para Staten Island. Wall Street: A maior bolsa do mundo e alguns bancos ficam nesta rua. Pertence ao que se chama o Financial District, pois a Bolsa, bancos e sedes de repartições públicas estão aqui sediados. O touro de Wall Street, da autoria de Arturo di Modica, foi colocado em 1989 em frente ao edifício do Mercado da Bolsa de Nova Iorque. A estátua representa a virilidade após a queda da bolsa de 1986, e encontra-se no cruzamento da Broadway com a Morris. É visitado como um amuleto e alvo de toques inusitados em busca de sorte. Bowling Green: Casa atual do Charging Bull (o touro referido acima), um pequeno parque que fica a caminho de Battery Park. Vimos aqui um concerto fora do vulgar de gaitas de fole. Trinity Church Wall Street: Engloba as igrejas Trinity Church e St. Paul Chapel. Ficam próximas uma da outra. A primeira, de estilo gótico, pode ser visitada em tour nos dias úteis, às 14h. A segunda celebrou 250 anos em 2016. Memorial e Museu 11 de Setembro: Residem junto ao One World Trade Center, a torre construída depois do ataque e queda das torres gémeas em 2001, que também pode ser visitada. Aqui vão facilmente sentir um aperto no estômago e o coração partido. Os americanos colocaram toda a sua capacidade para homenagearem as vítimas e o museu é efetivamente impressionante, bem conseguido e motivo de orgulho. Tem testemunhos de familiares, de sobreviventes que não morreram por casualidades, de bombeiros, são expostos objectos que perduraram e mostrados vídeos do ataque e dos dias seguintes. Além de tudo isto, é construído junto às fundações das antigas torres, que se mantiveram. Deixamos-nos impressionar pelas caras e histórias de quem morreu. Ver a fotografia, saber o nome, a idade, a vida que tinham as vítimas, dá cara à tragédia e não permite esquecer. O espaço tem uma tremenda solenidade e sente-se que as pessoas respeitam o local. No exterior, o memorial são dois lagos gigantes, o negativo de cada torre, no exato local onde estas se erguiam. No seu contorno é possível ler o nome de cada pessoa falecida, sentir o constante movimento de água e deixar flores de homenagem. Preço: 24-44$ Battery Park: Podem encontrar aqui um miradouro para a Estátua da Liberdade, o Castle Clinton e a estátua The Immigrants. Estão também aqui os pontos de acesso ao ferry para Liberty Island (ilha onde está a estátua) e Staten Island. Este último é particularmente importante, porque é grátis e uma alternativa ao cruzeiro da Circle Lines de que falámos em Midtown. City Hall Park: O parque alberga os edifícios da câmara da cidade (City Hall) e a atual sede do Ministério da Educação, no edifício Tweed Courthouse, de 1881. Brooklyn Bridge: é mais uma das imagens de marca da cidade e onde quase todos os turistas tiram a foto da praxe. Inaugurada em 1883, é um símbolo nacional. Nós aconselhamos caminhar também por baixo da ponte, na rua junto à margem do rio, pelo menos até Manhattan Bridge. MIDTOWN Empire State Building: Fomos a pé, descontraídos, gelados, chegámos e trocámos o nosso voucher pelo NY CityPass. Não estava lotado, mas está organizado para permitir uma espera QB agradável em dias de grande fila. Há maquetes, descrições e vídeos que explicam como tornaram o edifício eco friendly, o que se torna engraçado quando pensamos que estávamos no mês em que o novo presidente tomaria posse. Falamos nisso porque é mais uma contradição nos Estados Unidos, com um presidente e sua falange de apoio não acreditando no aquecimento global, e um dos edifícios mais icónicos do país defendendo e publicitando a redução das emissões de carbono, produzindo grande parte da energia que consome. Os decks são nos 86º e 102º andares. Pode ser visitado das 8h às 2h da manhã e de quinta a sábado há um saxofonista que toca das 21h à 1:30h. Preço: 37-57$. Com CityPass é permitido entrar uma segunda vez no mesmo dia e visitar o deck do 86º andar. Top of the Rock Observation Deck: O Rockefeller Center é mais um edifício extraordinário. Está a par com o Empire State Building (ESB) em termos de vista, só que este tem um deck aberto, no 70º andar, onde é possível sentir NYC, ver o ESB e ver as luzes de Times Square, se forem de noite, como nós fizemos. O deck tem três níveis, um fechado, onde é a loja, e dois ao ar livre (o último andar é no 70º). Os americanos são super organizados nas visitas a estes edifícios, vão ter filas que funcionam, zonas de espera confortáveis e funcionários eficientes. Abre às 8h e fecha à meia-noite. Preço: a partir de 36$. Times Square: Quantos filmes viram na vossa vida onde esta praça surge? Quantas vezes viram na TV a passagem de ano com a bola gigante? Times Square é a praça central da cidade. Há projecções gigantes por todo o lado, publicidade para todos os gostos e múltiplas cores. Há grupos de dança, animadores de rua, vendedores, entregadores de folhetos, gente que prega o fim do mundo, e muito mais teríamos para escrever. Basta parar nesta praça para sentir NY, com a Broadway ali tão perto, restaurantes por todo o lado, e grandes pontos turísticos a escassos metros. Se o vosso hotel/hostel/airbnb/etc for próximo, não se percam numa grande visita, porque terão que a cruzar múltiplas vezes. Broadway: Há diversas peças em cena nos vários teatros desta avenida, no designado Theatre District. Estão sempre em cena algumas delas, podem assistir às típicas, como CATS, Lyon King, The Book of Mormon, etc, ou às novidades. Os bilhetes não são baratos, mas é possível encontrar promoções para o próprio dia na TKTS. Nós dispensámos porque encontrámos uma forma de substituir o evento. Muitos dirão que fizemos mal, provavelmente, mas como pretendemos voltar um dia, não nos arrependemos de não ter ido. Hell’s Kitchen: Vai da 8ª avenida até ao Rio Hudson. Se já foi um bairro problemático, agora não faltam restaurantes da moda e diversas zonas residenciais. Junto ao rio encontra-se a zona de embarque da Circle Line Sightseeing Cruises, cujo bilhete está incluído no NY CityPass. Fomos de autocarro desde Times Square até à paragem mais próxima (uma zona de construções pouco movimentada) e fizemos o resto a pé. A cidade tem sempre gente na rua, mas confessamos que andámos neste dia com algum respeito, por ser de noite e ser uma zona menos movimentada. O cruzeiro vale a pena, faz-se o percurso pelas pontes, tem guia, e no nosso caso, inverno, não estava muito concorrido. Como é ao final do dia não prejudica as típicas atividades “diurnas”. É uma bela forma de ver a Estátua da Liberdade e ter aquele primeiro impacto de que afinal é bastante mais pequena do que parece. Sede da ONU: Do lado do East River fica a sede da Organização das Nações Unidas. Pode ser visitada de segunda a sexta-feira, mas os bilhetes têm de ser reservadoscom antecedência. Deve-se chegar uma hora antes da hora marcada para a visita (de 60 minutos) e tem que se ter um documento de identificação com fotografia. Preço: 22$ Grand Central Terminal: Provavelmente a maior estação do mundo. O edifício, além de muito bonito, é também imagem de marca de inúmeros filmes. Os seus relógios (o do ponto de informação e o da fachada da Rua 42), o candelabro, o mapa do Zodíaco pintado no tecto (renovado em 1990) merecem ser observados. Para além da estação tem um mercado, uma zona de restauração, um shopping, um clube de ténis, e recebe eventos. Nós ficámos aqui bastante tempo a aproveitar o momento. Biblioteca Nacional: Em plena 5ª avenida, no cruzamento com a Rua 42, fica a Biblioteca Nacional, no Edifício Stephen A. Schwzarman. Aberta em 1911, é a representação do livre acesso ao conhecimento e recebe milhões de visitantes, pois, mesmo as visitas “turísticas”, são grátis, às 11h e às 14h, de segunda-feira a sábado. Tours em grupo têm um custo de 10$ e devem ser marcadas com 8 semanas de antecedência. Os visitantes têm de ter em mente que estão dentro de uma biblioteca e que se encontram no meio de utilizadores das instalações que procuram silêncio para trabalhar. Há sempre exibições e exposições. Bryant Park: Fica nas traseiras da biblioteca nacional. Foi aberto em 1934, mas reestruturado em 1992 para o aspecto atual. Recebe mais de 1000 eventos por ano, diversos jogos e desportos podem ser ali realizados. MoMa ou Museu de Arte Moderna: Mesmo que não gostem ou não entendam nada de arte, faz todo o sentido visitar o museu e observar obras de grandes artistas que são geralmente replicadas em livros. Há obras de Picasso, Matisse, Miró, Warhol, Monet, Cézanne e muito mais. É neste espaço que Marina Abramovic “expôs” A MINUTE OF SILENCE. Ela, sentada junto a uma mesa, e várias pessoas a sentarem-se em frente e ficarem em silêncio, juntos, inclusive o seu ex-marido Ulay. Fomos num dia de pay what you wish (sextas-feiras, das 16h às 20h, pagam o que quiserem para entrar). Claro que isto faz do museu uma espécie de local de entretenimento, mais do que um espaço de observação e análise de arte. O segundo edifício do museu (PS1) fica em Queens e custa 10$. Preço: 25$. UPTOWN Central Park: Inaugurado em 1857. É obrigatório passear no parque. Nós assistimos a um pedido de casamento com mariachis. Pouco tem de natural, mas foi criado para destoar do ambiente envolvente de arranha-céus da cidade. São famosos os passeios de charrete pelo parque. Permite a circulação de carros em algumas zonas. Museu Guggenheim: Tivemos azar!!! Estava grande parte do edifício fechado, para renovação de exposições, no dia da nossa visita. Cobraram menos, mas também não vimos grande coisa. Fica junto ao Central Park e a sua arquitetura (obra de Frank Lloyd Wright) salta à vista. Conseguimos assistir a uma visita guiada focada numa das exposições, mas mesmo assim não nos encheu as medidas. O dia de pay what you wish é aos sábados das 17:45 às 19:45. Não temos referido isso, mas em todos os museus somos obrigados a deixar no bengaleiro mochilas e passamos por uma revista, cujo grau de complexidade depende do local. Preço: 25$. Museu Americano de História Natural: Aqui está um museu onde se pode ir uma semana inteira e de certeza que não se vê tudo. Gente, já vimos muitos museus de história natural por esse mundo fora e não há nada como este. Nada é comparável. Vêem-se famílias inteiras a visitar o museu. "Perdemos-nos" varias vezes um do outro porque escolhíamos caminhos diferentes. É impressionante o esqueleto da baleia pendurado, o space show, etc. Tem uma zona de restauração que é o caos, ou não fosse um local frequentado por MUITAS crianças. Pay what you wish disponível nas bilheteiras. Preço: 23-33$. The MET: Ainda há pouco tempo decorreu a gala deste museu, famosa pela quantidade de excentricidade entre os famosos que seguem o dress code à risca. Este é dos museus que não podem perder. É fantástico e completíssimo. Há concertos, esporadicamente, visitas guiadas, e possui inúmeros restaurantes e cafetarias. Está dividido em três edifícios espalhados pela cidade, na Madison Ave (The MET Breuer) e no Fort Tryon Park (The MET Cloisters). Preço: 25$, neste momento só há pay what you wish para residentes de NYC, mas o bilhete é válido durante 3 dias. 365 dias no mundo estiveram 7 dias em Nova Iorque, de 14 a 21 de janeiro de 2017 Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ Preços: elevados Categorias: cidade, cultura, música, arquitetura, compras, teatro Essencial: Central Park, Guggenheim Museum, The MET, American Natural History Museum, Broadway, MoMa, Empire State Building, Times Square, 5th Ave, Brooklyn Bridge, Estátua da Liberdade, Top of The Rock, etc Estadia Recomendada: mínimo de 5 dias www.365diasnomundo.com
  14. Europe/Lisbon Abril 17Europe/Lisbon 2018 MANÁGUA, A MARCA DO QUE SE DESMORONA QUANDO O CHÃO TREME (NICARÁGUA) Nicarágua não estava no nosso roteiro inicial, em que o plano era seguir da Costa Rica para o México. Depois de conhecermos viajantes que tinham passado três meses no México, percebemos que ficar só uns dias, e numa época de chuvas, nos ia saber a pouco, então desistimos, ou melhor, adiámos. A escolha de incluir Manágua nestes cinco meses teve a ver com a ligação mais barata a Miami, cidade de onde regressaríamos a Portugal. Quando decidimos ir sabíamos que havia zonas muitos mais interessantes, como Granada, San Juan del Sur (tínhamos visto um hostel ótimo), a ilha de Ometepe, as Ilhas del Maíz, Léon, entre outras, mas Manágua era a cidade de onde partiríamos e nesta altura não queríamos arriscar grandes aventuras. Chegámos a Manágua cedo, cansados, e sem muita vontade de aturar taxistas. O terminal era a 800m do hostel, mas os taxistas começaram a dizer que o bairro é perigoso e não recomendam a caminhada. O que se faz? Arrisca-se? Epá, não chegámos até à última semana de viagem pela América para algo correr mal agora. Negociou-se com o taxista (1 USD cada um de nós) e ele lá nos deixou à porta do hostel. A viagem foi curta e a paisagem é a de uma pequena cidade, com prédios baixos, muito comércio de rua, não a típica capital que estamos habituados. Depois de descansarmos (já não temos vida para aguentar palmilhar uma cidade quando não descansamos convenientemente), vamos então passear pela cidade. Caminhámos, de dia é seguro, de noite deve-se regressar de táxi. Temos de confessar que a cidade não nos impressionou, não como capital do país. A cidade até tem potencial, fica junto a um lago gigante, onde encontramos alguma vida, mas muito cara para o que oferece. Parece estranho, não é? É cara, estávamos à espera de outros preços. Manágua fica na margem sul do lago Manágua e dizem que é a capital por ficar entre León e Granada. Foi criada por indígenas como vila de pescadores e o seu nome deriva de mana-ahuac, ou seja, cercado de água. Durante todo o período colonial foi tratada pelos espanhóis com desinteresse. Após a independência do país, em 1821, houve intenções de a tornar capital, mas, só em 1846 é que se tornou cidade e em 1852 finamente foi nomeada capital. O que fazer? Para ter uma vista panorâmica da cidade tem que se entrar no Parque Histórico Nacional “Loma de Tiscapa”. Para estrangeiros custa 1 USD, pode-se entrar de carro/autocarro, mas cada opção tem um preço diferente. Sobe-se a encosta e vai-se até à zona onde era o Palácio Presidencial, inaugurado em janeiro de 1931. Onde era e já não é, porque após o primeiro terramoto (1931) ficou parcialmente destruído, mas foi reconstruído. Após o segundo terramoto (1972) decidiu-se deixar assim e não voltar a reconstruir. Este palácio faz parte da história do país, não só por ter sido usado como palácio, mas porque a sua cave foi utilizada para torturar pessoas. No edifício conhecido como “La Curva” morava o chefe da Guarda Nacional. Também ficava na mesma zona, junto à cratera do vulcão, o lago de Tiscapa. Os calabouços onde eram torturados e mantidos os presos eram chamados de “El Chipote”. Em julho de 2017 estavam duas exposições nos calabouços, um pouco confusas para quem não conhece a historia do país. Uma sobre as noites de tortura, outra sobre a história da cidade, principalmente a destruição causada pelo último terramoto. O Puerto Salvador Allende é uma zona moderna, junto ao lago, onde cobram 2 USD de entrada, dando acesso a uma zona de restauração, espaço de eventos e pista de karts. É das zonas mais caras para jantar. O Tiago pediu uma mechilada em vez de só cerveja e sentiu que tinha estragado a cerveja. Se não sabem o que é, um dia explicamos. Passear pela cidade de noite de táxi, passar nas principais ruas para ver as iluminações. Na praça Hugo Chavez há um busto desta personagem, iluminado, e umas árvores gigantes coloridas, também iluminadas, que vão até à margem do lago, dando um efeito engraçado à cidade. A Catedral de Santiago, em ruínas desde o terramoto de 1972. O Palacio Nacional tem agora no primeiro andar um museu onde exibe a cultura nahuatl. A biblioteca é grátis e o museu custa 5 USD. Fica na mesma praça que a Catedral, a Plaza de La Revolución. Junto ao Palácio está La Glorieta (Templo de la Musica) e a estátua homenagem a Ruben Dario, poeta. O Museo Sítio Huellas de Acahualinca exibe as marcas deixadas por povos ancestrais na região do lago preservadas por uma erupção (4 USD). A Catedral Metropolitana de la Puríssima Concepción foi concluída em setembro de 1993 e a visita é gratuita. Agrada a alguns pela diferença. O Parque La Paz e o Parque Luis Alfonso Velasquez, onde procurámos sombra e descansámos. Junto aos parques encontra-se o Centro de Convenciones Olof Palme. Como circular: Os táxis não têm taxímetro. Até ao aeroporto são 120 NIO (3,1€) e para sair do centro até ao hostel custou-nos 60 NIO. De dia percorremos a cidade a pé, ao anoitecer sempre de táxi, os privados. Os collectivos são tipo autocarros, param para apanhar clientes até não haver mais lugares, ou melhor, até não caber mais uma alma lá dentro. Onde comer: Comemos a maioria das refeições no Centro Comercial Managua, mesmo o pequeno-almoço. Também fomos ao porto, mas achámos caro, como já referimos. Não temos nenhum sítio que se tenha evidenciado. Onde dormir: Casa Liz, era um hostel limpinho, simpático, barato, com quarto particular. Tem um terraço com umas hamacas que dão belas sestas. Vale a pena? É uma cidade nostálgica, onde é evidente a destruição dos terramotos de 1931 e 1972, porque muita coisa não foi reconstruída. Não é das cidades mais seguras onde estivemos, sendo recomendado não abrir os vidros dos táxis, mas não temos razão de queixa, tomando todas as medidas necessárias. 365 dias no mundo estiveram 3 dias em Manágua, de 2 a 4 de julho de 2017 Classificação: ♥ ♥ Preços: médio Categorias: cidade, cultura Essencial: Catedral, Loma de Tiscapa, Puerto Salvador Allende Estadia Recomendada: 2 dias
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