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Trip-se!

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Tudo que Trip-se! postou

  1. @Mônica Ferreira Lima Obrigada pela dica, Mônica. Esperamos voltar para fazer a travessia de 10 dias. Que sonho!
  2. Cusco > Ollantaytambo Inúmeros meios ligam essas duas cidades tão energéticas. Para se conectar intensamente com o arredor, o melhor deles sempre é o que os habitantes usam. E assim, de mochila nas costas e ímpeto exploratório, caminhamos até a parte baixa de Cusco, de onde saem as vans que, só quando completam todos os lugares, saem em direção a Ollantaytambo. Uma viagem de cerca de 1h30 por uma estrada por vezes sinuosa, que muito sobe. Lá do alto, uma vista fascinante. Flores amarelas altas margeando toda a estrada. A Cordilheira dos Andes ao fundo, com seus cumes brancos reluzentes e raios de sol rasgantes, que parecem ir, aos poucos, nos envolvendo numa espécie de dança contemporânea fugaz, esticando as montanhas, dobrando-as ao meio em cada curva e abrindo-as, de repente, em fendas, deixando o sol nos cegar. Uma paisagem de cores pastéis, chão bege, horizonte marrom, e filtro sépia pintado pelo sol nos coloca dentro de um quadro, que de tanta energia emergindo, torna óbvia a constatação de termos adentrado o Vale Sagrado. E tivéssemos mais dentro da delicadeza do tempo real, e não do relógio, teríamos ali parado e visitado cada um dos sítios no caminho, que, pouco a pouco, vão discorrendo uma história tão envolvente e fantástica que, em lapsos de instantes, confundimos a era em que estamos. E nesse intervalo paralisado entre memória construída e realidade duvidosa, chega-se ao vilarejo mais charmoso e místico de todo o Vale, um lugar que mexe tanto com nossos instintos naturais que nos faz sentir dentro de um imenso útero enigmático e faz jus à mãe que chamamos de Terra. instagram.com/trip_se_
  3. @Rezzende Que relato bacana! Viajei de volta com você. O Uyuni realmente é de uma beleza chocante. Estive lá em dezembro de 2011 e me lembro de ficar impactada com aquela paisagem. A diferença para as tuas fotos é que quando fui, estava espelhado. De todo jeito é lindo demais, um dos lugares onde quero voltar. Vendo o trekking de Colca, só me acende mais a vontade de conhecê-lo e poder descer e subir a trilha. Assim como você, as montanhas também me fascinam. Ah, que saudade de tudo, das paisagens impressionante e quase irreais do Atacama (dos lugares que mais amo no mundo!), da energia secular, tão forte e misteriosa do Peru, do salar e do deserto boliviano. Quero tudo de novo! rs. E agora? Quais os planos pós pandemia? Por onde quer se perder e se achar?
  4. @Rezzende Ah, que maravilha que você gostou do relato. Ficamos felizes porque o que mais gostamos de descrever são as sensações que cada lugar por onde passamos nos desperta e é lindo quando isso toca alguém. Queremos muito voltar (e em tempos de pandemia, parece que viajar vira quase uma obsessão, né?), principalmente em Arequipa, onde ficou tanto por ver, e em Ollantaytambo (já estive lá 2 vezes, mas não me canso e sinto essa energia que você sentiu na Plaza de Armas em Cusco). Também gostaríamos de voltar com mais tempo para conhecer novos lugares. Há tanto para se ver e sentir. Haja tempo para tanto mundo! Oba! Vamos ler já o seu relato pra passear contigo na sua viagem.
  5. @FlavioToc Realmente foi uma pena, Flavio. Voltaremos a Arequipa com certeza e o Monastério não ficará de fora, assim como muitos outros lugares que não visitamos e ficamos na vontade. Tempo, tempo, tempo... Logo postaremos sobre Ollantaytambo - que amamos, Aguas Calientes e Machu Picchu.
  6. @D FABIANO É uma cultura cheia de crenças e mistérios. O que mais nos atrai são as questões com o tempo, com a cosmologia, com Pachamama. Também a organização com plantio e colheita e a impressionante arquitetura. Mas tem muita coisa que não é dita. O império inca também foi um "colonizador", exerceu uma dominação sob outros povos, cobrando impostos, dominando territórios, tinham uma pegada capitalista selvagem e escravocrata. Em Cusco vimos muitos guias contando só a parte boa da história, os inegáveis avanços para a época, os cultos, a beleza, os hábitos, as vestes, os rituais. Tudo muito lindo. Mas sempre tem o outro lado.
  7. @D FABIANO Não nos aventuramos. Tinha uma espera de 40 minutos e pessoas saiam descontentes demais. Fomos só ao Museu, mas sem estrutura e muito simples. Tem até muita informação interessante, mas não é um museu convidativo. Pequeno, claustro. Que pena. A estátua de Pachacutec nós não fomos visitar. Achamos que não era o caso. A da Plaza de Armas já estava ali fazendo as honras.
  8. Parte 2 Sitios Arqueológicos de Cusco Para visitar os sítios arqueológicos, é essencial não fazer de Cusco um local de breve passagem. O contrário do que fizemos. Cusco era das últimas paradas de uma viagem de mais de vinte dias iniciada em Santiago, no Chile. O número reduzido de dias e o cansaço nos impediram o mergulho tão necessário numa cultura que exige de nós, dedicação, estudo, memória, atenção, energia, paciência. E o sempre rei, precioso, maior reverenciado dos incas: tempo. Tínhamos pouco e, assim, tivemos que fazer um passeio que nos levou para os sítios Sacsayhuamán, Q’enqo, Pukapukara e Tambomachay, todos numa tarde. Fizemos desse jeito porque era nossa única opção, mas jamais faríamos novamente. É preciso tempo para entender o próprio tempo inca. Dentro de cada sítio, é primordial sentir o tamanho e a grandiosidade de uma civilização que prezava tanto pelo equilíbrio. E isso não é nem a metade de um belíssimo circuito que traceja os passos, ainda que com inúmeras incertezas, de um povo primoroso e genial. Qorikancha é o sítio arqueológico no centro de Cusco, que, para ser visitado, é preciso pagar a entrada separada do Convento Santo Domingo, construído em cima do Templo, como a maioria das construções pós-Império Inca. E por ser ali, é o mais cheio. Uma fila de mais de 40 minutos do lado de fora e pessoas saindo infelizes pelo excesso de gente. Optamos por não visitá-lo. Seguimos para um museu subterrâneo ali ao lado, que contava um pouco da cultura inca. Pouca estrutura, bastante história. As construções incas são arrebatadoras. A altura das paredes, o esmero dos encaixes das pedras e a energia dos lugares são sempre muito impressionantes. Acredita-se que Sacsayhuamán foi uma fortaleza, com rochas inacreditáveis de até cinco metros de altura. De lá, pode-se ver a cidade de Cusco inteira. Dizem que há até um túnel que a conecta a Qorikancha, onde muitas pessoas entraram e nunca mais saíram. Conta-se também que ali eram realizadas as cerimônias de passagem de ano, sempre com o sacrifício de um animal à meia-noite, quando o coração era arrancado com o bicho ainda vivo. Se continuasse a bater do lado de fora, era a profecia de um ano próspero. As histórias dos sítios arqueológicos são inúmeras, algumas com a probabilidade comprovada pela ciência e pelos anos de estudos de arqueólogos, outras com tamanha força do imaginário coletivo que acaba dando sentido ao, muitas vezes, inexplicável. Q’enqo pertence ao Vale Sagrado dos Incas. Um labirinto, um observatório do céu, um anfiteatro, um templo. A genialidade inca surpreende a cada segundo. A incidência de sol sobre uma rocha em determinada época do ano indica tempo de colheita. Uma pedra imensa lapidada dentro de uma caverna com a temperatura bem abaixo da externa, com passagens de ar e calhas de água nos cantos, minuciosamente planejadas, explicaria o local onde eram realizadas as cerimônias de mumificação, o sacrifício de homens e animais, e até, alguns acreditam, as primeiras tentativas de cirurgia na Terra. A facilidade com que se une espiritualidade e a lógica da natureza é das lições mais preciosas, tão óbvia para os povos indígenas e tão brutalmente ignorada pela modernidade. Pukapukara, a Fortaleza Vermelha. Uma espécie de forte militar, com vista panorâmica das entradas para Cusco. Conta-se que, devido às divisões de salas, o local teria sido uma alfândega, por onde pessoas e produtos passavam e eram taxados. A altura, os arredores com muito verde e a luz do sol ali são tão grandiosos quanto a precisão das pedras. Um instante de olhos fechados e o transporte para outra era é imediato. O inevitável é pensar que a necessidade burocrática e a hierarquia resultante dela são, de fato, intrínsecas ao homem. Algo triste, pois o caminho para a selvageria do capitalismo é evidente. É pura realidade que “a vida só pode ser compreendida, olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para frente”. Mas, quando a história já foi vivida e contada, qual é a nossa desculpa? Tambomachay é conhecido como o templo das águas. Um sistema sofisticado de aquedutos canaliza águas que correm há mais de 25km de distância, com tantas perguntas sem respostas que só resta ao povo a crença na obviedade do milagre. Embora a água da fonte, proibida ao toque, fique próxima às mãos, a promessa de juventude eterna desagua diante dos olhos e segue seu curso, na tentativa de eternizar, assim, uma natureza que tanto clama pela sobrevivência. E jamais aquele que, incansável, a dilacera. Fato é que a sagacidade inca transformou um povo numa civilização moderna. Água em abundância, plantio inteligente, precisão arquitetônica, leitura apurada da natureza, crença na ancestralidade, certeza de que não estamos sozinhos por aqui. O Condor, animal sagrado que fazia a conexão com o mundo dos deuses, acima de nós; a Puma, símbolo de força e sabedoria do mundo dos vivos, tal qual o próprio formato da cidade de Cusco; e a Serpente, representação do infinito e, portanto, do mundo dos mortos, fazem da trilogia inca, encontrada em quase todos os sítios, a compreensão humana do indecifrável aos olhos. PS: Ao chegarmos em Cusco, a primeira coisa que fizemos foi comprar o Boleto Turístico del Cusco, entrada para os sítios arqueológicos, algo completamente essencial. Não há como comprar na entrada dos sítios. Em alguns, é possível adquirir a entrada unitária, que é muito mais cara. Mas a maioria exige o Boleto (ou pelo menos exigia em 2018). instagram.com/trip_se_
  9. @D FABIANO Dá vontade de morar dentro dessa foto de Bariloche.
  10. @Torres Rafa Alugam sim, Rafa. Pelo que vi, você consegue alugar equipamento na praia da Ponta, na enseada dos Patos e nos Currais.
  11. @D FABIANO Uau, que viagem linda! Os lugares são belíssimos e parece tudo muito especial. Quero fazer essa rota um dia.
  12. @D FABIANO Europa. É que tô com a cabeça em Portugal. Viver no Brasil tá difícil demais, com esse desgoverno escroto de direita, essa gentalha podre que tá aniquilando o país. Só penso em me mandar daqui tão logo essa pandemia regrida.
  13. @D FABIANO Puxa, fiquei sensibilizada com sua história, não posso imaginar o que você sentiu ao acordar... A vida é mesmo uma viagem incerta. Agora você vive no Algarve? Vem sempre à América?
  14. CUSCO Parte 1 De Arequipa seguimos para Cusco. A partir dali até Machu Picchu, o clima e a altitude não são mais tão delicados com a raça humana. O céu azul é invadido por uma névoa baixa no fim da tarde, e o frio vai se tornando bastante cruel com o passar das horas do dia. Como vínhamos do Atacama, não sofremos de soroche — o mal de altitude, uma sensação de mal-estar ao sairmos do nível do mar para uma altitude alta. Mas nem por isso deixamos de seguir bebendo chá de coca todos os dias. Dica preciosa: balas toffee de coca. Não são as balinhas duras nem os caramelos, são as balas toffee! Fomos direto para San Blas, onde ficaríamos pelos próximos dois dias. San Blas é um bairro agradável e silencioso. O Mercado de San Blas não é muito grande, mas é um local bem interessante, com simpáticas mulheres fazendo sucos e sanduíches bem gostosos. Além da comida, o papo também é muito bom por lá. O bairro abriga uma pracinha com feira de artesanato local e artistas com trabalhos bastante especiais. Cusco, “umbigo do mundo” em quechua, é cheia de praças, algo bastante providencial, pois é uma cidade em que estamos constantemente cansados. Muitas ladeiras e a brusca diferença de altitude nos deixa ofegantes a cada leviano passo mais rápido. O corpo começa a ser atingido e é muito necessário respeitá-lo. Parar, beber água e chá de coca, descansar, para poder seguir adiante com olhos e ouvidos atentos. A antiga capital do Império Inca vai, aos poucos, revelando a grande mistura religiosa e cultural em que se transformou após a invasão espanhola. A arquitetura colonial sobre antigos arcos de pedra confundem os olhos, e não sabemos ao certo como apreciar algo que nos parece tão violentamente imposto. A Plaza de Armas é um imenso respiro entre ruelas e calçadas estreitas. Enorme e toda rodeada pelas ruas de paralelepípedo do centro histórico, a praça tem duas imponentes igrejas com grande semelhança arquitetônica, ambas construídas sobre palácios incas e, diz-se, com pedras roubadas dos templos. É um certo alívio, portanto, ver a estátua de Pachacutec, o mais importante imperador Inca, no topo da fonte, fazendo o equilíbrio tão necessário com os arredores. Naquele ponto zero ensolarado e sedutor, é possível passar boa parte do dia nos bancos, observando a força de uma civilização que se recusou a ser esquecida. O Mercado Central de San Pedro é uma bagunçada preciosidade. É enorme, com dezenas de corredores e todo tipo de tudo à venda. O único problema dali é também o que faz o mercado prosperar: nós, humanos, em excesso. Mas, como sempre, a visita ao principal mercado da cidade é a melhor forma de entendê-la em minúcias. Resquício do muro de um dos antigos palácios incas, a pedra de doze ângulos costuma estar constantemente com turistas tirando fotos. Mas a paciência e a resiliência em voltarmos até ela em diferentes momentos, na tentativa de ouvir com as mãos uma história que foto nenhuma poderia contar, e no nosso tempo, compensaram cada investida frustrada. A perfeição dos entalhes e a precisão de cada encaixe nos fazem divagar se seres de carne, osso e sangue seriam realmente capazes de realizar tamanho primor. E essa foi uma sensação crescente e latejante em cada minuto seguinte dessa viagem. - Onde ficamos: Ficamos num Airbnb em San Blas. Quarto duplo, chuveiro quente, quintal para relaxar e lavar roupas, e casal anfitrião gentil e amável. Café da manhã simples. Bom custo-benefício. https://www.airbnb.com.br/rooms/15344620? - Onde comemos: Justina Pizza y Vinos - Calle Palacio 110 Nessa primeira etapa em Cusco, não comemos muito bem, nada que valha ser mencionado, a não ser a Justina, que tem uma pizza bem saborosa. Voltamos pós Machu Picchu e aí sim, descobrimos delícias. Daremos as dicas no post que falarmos desse retorno. - Onde fomos: Plaza de Armas - Calle Plateros 326 Plaza Regocijo - Plaza Regocijo Plazoneta San Blas - Cuesta de San Blas Mercado San Blas - Pumapaccha 231 Mercado San Pedro - Thupaq Amaru 477 Pedra dos 12 ângulos - Calle Hatunrumiyoc 480 No próximo post falaremos dos passeios que fizemos nos sítios arqueológicos de Cusco e arredores e o que sentimos em cada um deles. Próximo post: Parte 2 - Sitios arqueológicos de Cusco. https://www.instagram.com/trip_se_/
  15. @D FABIANO O Monastério Santa Catalina realmente deu uma dorzinha no coração de não termos tido a paciência de lidar com a imensa fila, ainda mais que era um dos lugares marcados em nosso caderninho. Mas Arequipa é uma das cidades onde queremos voltar e aí não perderemos a oportunidade de conhecê-lo, assim como Cânion del Colca. 2 dias não foram suficientes para tanto que gostaríamos de conhecer. Falta tanta coisa do Peru. Chan Chan, Nazca, Puno, Trujillo, Iquitos. @Torres Rafa Foi isso mesmo. Nos sentimos inseguras por ser a primeira vez ali, por ser madrugada, e por sermos mulheres, o que infelizmente nos coloca numa posição de alerta constante.
  16. AREQUIPA Arequipa já estava nos planos antes mesmo de Machu Picchu. Um grande amigo que morou no Peru tinha dito que era um lugar imperdível, onde poderíamos entender muito da cultura e da culinária peruanas. E o Bob tinha toda razão. As construções claras de silla, pedra vulcânica da região, que carinhosamente batizaram Arequipa de “ciudad blanca”, e a riqueza dos detalhes de cada prédio do centro histórico charmoso são o mais marcante dessa cidade solar e estruturalmente elegante. A imponência da neoclássica Catedral Basílica de Santa Maria, com suas duas torres altivas observando a cidade, emanam uma energia muito forte, e embora a religião seja católica, a emoção é totalmente ecumênica. e o tour oferecido pelo Museu da Catedral de Arequipa torna-se um programa essencial quando por ali. Lá dentro, um dos maiores órgãos da América latina e a vista do terraço das torres são lembranças que ficam, de onde avistamos a cidade inteira e o imenso vulcão Misti, no pé do qual Arequipa foi construída. Em 2001, um terremoto fortíssimo, de 6,9 graus, atingiu bruscamente a cidade, derrubando a torre esquerda da igreja e danificando o órgão, ambos rapidamente reconstruídos. Foi um marco para o monumento que possui a mesma data de fundação que a cidade, 15 de agosto de 1540. Na frente da igreja, a Plaza de Armas mais bonita e harmoniosa do Peru. Árvores altas, flores raras, pássaros cantando e inúmeros bancos circundam uma pequena fonte e formam um agradabilíssimo local de descanso e um grande observatório do dia a dia dos moradores e turistas. Em Arequipa, comemos o melhor ceviche de toda a nossa vida. Porções muito bem servidas num restaurante sem pompa e frescura, comida boa de raiz. Fory Fay é o nome dessa jóia, que ainda serve um copinho de leite de tigre de entrada como cortesia. É uma pequena prova do deleite que está por vir. Outro lugar muito marcante foi a pequena tratoria de massas artesanais, Pasta Canteen, com somente duas opções de prato do dia, sempre acompanhados de um pão da casa quentinho e uma salada deliciosa no pote, que você mesmo chacoalha para temperar. Aconchegante, charmoso e muito gostoso. Não se pode deixar de visitar o Mercado Central de qualquer cidade que o tenha. E o daqui, Mercado San Camilo, não poderia ser diferente. Um jeito realista de entender a cultura, o cheiro, o paladar, o povo. É enorme e vale o passeio por cada ruela. Dos inúmeros museus que a cidade oferece, os que mais nos seduziram nos poucos dias que tínhamos ali foram: MUSA, Museu Santuários Andinos, onde está Juanita, a múmia da jovem que teria nascido entre os anos 1440 e 1450 depois de Cristo, encontrada em 1995 no topo do vulcão sagrado Apu Ampato, com o corpo em perfeito estado de conservação. Uma imagem muito forte de se ver e presenciar. Um dos descobrimentos arqueológicos mais importantes do século passado. Complejo Cultural Chaves de La Rosa, um centro de arte belíssimo com exposições fixas e itinerantes, uma construção estonteante, desses lugares em que entramos e decidimos passar o dia inteiro. Um jardim interno sedutor, todo aberto, com bancos, plantas e silêncio. Arcos de passagens entre as salas, portas e janelas imensas, história e arte. Completamente imperdível. No penúltimo dia na cidade, vivemos o momento mais inusitado da viagem. No meio da madrugada, acordamos assustadas, ouvindo um barulho que parecia um urro vindo de debaixo da terra. Enquanto tentávamos decifrar o que poderia ser aquilo, sentimos a cama tremer. Com certa descrença e sem querer verbalizar o que estávamos vivendo, acendemos o abajur e nos deparamos com a água de dentro do copo sacudindo de um lado para o outro. O medo e a maravilhança de vivermos nosso primeiro terremoto. Foi breve. Nenhum sinal de outros hóspedes alarmados no corredor. Voltamos a dormir. Duas horas depois, dessa vez sem a voz da terra, acordamos tremendo mais do que da primeira vez e por um tempo maior, com a água vivendo uma pequena tormenta dentro do copo. Mais um terremoto, dessa vez mais forte. Ficamos paradas, esperando passar, pois não sabíamos que outra coisa deveríamos fazer. No fim, era exatamente o que deveríamos ter feito. Fomos pesquisar e descobrimos que, de fato, foram dois tremores bem altos na escala Richter. Durou poucos segundos, mas suficientes para causar mudanças nos nossos corpos no dia seguinte: uma completamente mareada, como se tivesse voltado de uma jangada à deriva, e a outra estática, com os pêlos dos braços ouriçados, como uma criança na frente da TV, e dando choque. Uma experiência muito especial para nós e completamente comum para os arequipenhos, que de tão acostumados com os sismos, não conseguiam entender nosso arrebatamento com algo que não tinha, nem de longe, interrompido seus sonhos. Faltou muito em Arequipa. O Mosteiro de Santa Catalina, que estivemos na porta, mas a fila enorme e o ingresso caro acabaram nos desanimando; Museu Arqueológico da Universidad San Agustín; os miradores da cidade; o Cânion del Colca, imperdoável não termos ido, um arrependimento pra duas trilheiras, mas eram 160km de estrada e realmente não teríamos esse tempo; a casa de Mario Vargas Llosa. E muitos outros lugares. A cidade é cheia de atrativos, museus, passeios. No fundo, a cidade branca não pode ser passagem. Ela tem que ser o destino. - Onde ficamos: Ficamos no El Caminante Class. Hostel super bem localizado, a metros da Plaza de Armas. Ficamos num quarto duplo, amplo, com chuveiro quente, serviço de lavanderia e uma equipe muito gentil e solícita. Excelente custo-benefício. El Caminante Class - Santa Catalina 207, Arequipa 04001, Peru / Telefone: +51 54 203444 - http://www.booking.com/Share-izFn2G - Onde comemos: Cevicheria Fory Fay - Thomas 221 Pasta Canteen - Calle Puente Grau, 300 La Pizzeria (lugar pequenino, mas muito simpático. Pizza artesanal deliciosa) - San Francisco Solano 117 / Telefone: +51 54 318825 Mamut (sanduicheria barata e gostosa, no coração de Arequipa) - Calle Mercaderes 111 - Onde fomos: Complejo Cultural Chaves de La Rosa - Santa Catalina 101 Plaza de Armas Museu Santuários Andinos - Calle la Merced 110 / Telefone: +51 54 286613 - https://www.facebook.com/MuseoSantuariosAndinos Museu de La Catedral de Arequipa - Plaza de Armas Mercado San Camilo - Calle San Camilo - https://www.facebook.com/MercadoSanCamilooficial/ De Arequipa seguimos para Cusco. https://www.instagram.com/trip_se_/
  17. TACNA > AREQUIPA Embarcamos no ônibus da Oltursa das 13:30, na ampla e iluminada rodoviária de Tacna rumo a Arequipa, numa viagem que levaria 6 horas. O conforto do ônibus e a quantidade reduzida de pessoas prometiam uma viagem tranquila e agradável. O que não sabíamos é que entraríamos numa estrada estreita, de descida de serra, com paisagens estonteantes, céu colorido e um horizonte que nos manteve o tempo inteiro tão vidradas que mais parecíamos crianças excitadas, seduzidas por um caleidoscópio impressionante de cores vivas e formatos improváveis. Até que, em meio a nossa troca de olhares lacrimejados e breves, já que o lado de fora das janelas nos arrebatava a cada segundo imperdível, o ônibus tornou-se um breu. Uma camada fina de escuridão envelopou nossa vista, encobriu nosso quadro mutante ao longe, e nos deixou com aquela suspensão comum que o medo causa, da necessidade de um olhar cúmplice pra amenizar a solidão do sentimento. Um balanço breve e repentino ofegou nosso ar. Foi quando percebemos que passávamos por dentro de uma tempestade de areia. Uma sensação de olhos abertos no fundo de um mar agitado. Barulho de chuva de cristal, de ouvido grudado na concha. Uma cena completamente inesquecível, cuja emoção atordoante as fotos, infelizmente, não conseguiriam registrar. Ao sairmos de mais esse fenômeno interplanetário, já estávamos no pé da serra, numa estrada longa e plana que se transformava de um cenário desértico para um terreno fértil, com plantações de milho e pastos repletos de vacas e ovelhas soltas. E voltava abruptamente para a seca do deserto. Esse intercalado de cenas de filmes distintos nos embalou até nossa chegada na branca e resistente Arequipa. - Onde e Como ir: Rodoviária de Tacna - Terminal Terrestre Internacional Manuel A. Odria - Carr. Panamericana Sur, 12. Ônibus Oltursa - https://www.oltursa.pe/ Próximo post: Arequipa. https://www.instagram.com/trip_se_/
  18. Muito bacana a tua viagem, @Yunes . Itália e Croácia são dois países apaixonantes mesmo. Que saudade de viajar!
  19. Muito bacana o seu relato, @Vanessa Suk . Tenho muita vontade de fazer o Caminho Português, mas sempre pesquiso mais sobre o da costa. Fizemos o Caminho Francês em 2016, mas infelizmente tive uma tendinite na pata de ganso e fui obrigada a deixar o caminho em Logroño, depois de 160km. Agora planejamos voltar e recomeçar e terminar o percurso em Finisterre, onde a terra mergulha no mar.
  20. Que relato bacana, @Anderson Paz. E as imagens são deslumbrantes! Tenho loucura para conhecer essa região da Argentina. Conheço o Atacama e o Uyuni e desde ano ano passado tenho pensado numa viagem por lá. Agora com o teu relato, só despertou ainda mais a vontade. Oba!
  21. Geralmente traçamos nossas viagens em função do clima. Como a nossa preferência é por viagens de natureza, o clima é fundamental. Quando temos um mês específico em que conseguiremos viajar, pesquisamos os melhores destinos para visitar naquele período. Se escolhemos um destino antes de qualquer coisa, pesquisamos o mês ideal para conhecê-lo. Esse equilíbrio é essencial para aproveitarmos a viagem ao máximo e evitarmos frustrações. Por exemplo, ano passado tínhamos julho para visitar, e pesquisando sobre os melhores destinos nessa época, chegamos nos Lençóis Maranhenses, que tem as lagoas cheias entre junho e setembro, quando começam a secar. E assim fizemos a travessia de 4 dias dos Lençóis. Lagoas cheias e deslumbrantes, céu estrelado maravilhoso, sem chuva e sem calor escaldante. Foi perfeito. Também nos ligamos muito na culinária de cada lugar que visitamos. Gostamos de provar os pratos típicos, ingredientes da região, indicação dos locais. Como a @samanthavasques disse, em questão de segurança, a gente tira de letra. No Brasil nos sentimos mais expostas à situações estranhas e perigosas do que em outros países. Pelo menos em outros países por onde andamos, nunca tivemos nenhum problema, medo ou insegurança. Acho que o brasileiro já fica mais ligado e mais atento naturalmente. Infelizmente. Para os deslocamentos, também optamos via água ou terra. Se tem barco, trem ou ônibus, tá maravilhoso. Avião só mesmo para chegar e sair. Gostamos de percorrer os lugares caminhando e sem muito planejamento, mais livre e soltas, mudando o destino no meio, se parecer convidativo.
  22. Era a Quechua MH100. Percorri 160km com ela e começou a abrir um pouco a costura do lado. E a Timberland é a Black Forest, super confortável.
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