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Alan Rafael Kinder

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  1. @Saul_Wagner Daí Saul, boa noite. Perdoe-me intrometer no teu planejamento, mas a respeito do Perito Moreno - se tu fizeres o Minitrekking (que é a opção que também escolhi) você já estará com o passeio de barco pela geleira incluso. Eu sei que eles oferecem apenas o passeio, e que ele faz um outro caminho, mas sinceramente não acho que valha o investimento - como eu disse, você já passeará se optar pelo Minitrekking (ou Big Ice). Abraços!
  2. Eu utilizei uma Quechua Forclaz MH500 20L para viajar 10 dias em El Calafate e El Chaltén (não acampei) - custou apenas R$ 359,99. Além dela usei uma Quechua 10L 'como artigo pessoal' (aquela mochilinha que podes carregar entre as pernas) - custou cerca de 40 reais. Ambas atendem as especificações da Aerolineas Argentinas (altura x largura x profundidade / peso máximo). Em todos os voos não precisei despachar a bagagem, e reparei que muita gente estava com mochilas e malas muito maiores, e ainda assim conseguiam carregar como 'bagagem de mão'. Para mim ela serviu com folga, ocupei 2/3 do espaço interno dela, e perto de 3kg. Na mochila maior levei as roupas, e na menor eletrônicos e documentos. Como minha viagem basicamente se resumiu em trilhas, a Quechua Forclaz MH500 20L foi extraordinária - possui barrigueira, ajustes de peito, de fácil acesso a compartimentos e tem as redes laterais para colocar um squeeze ou garrafa de até 1L. Resiste a garoa e chuvas fracas, mas também vem com uma sacola impermeável no compartimento inferior no caso de necessidade. Também conta com estrutura e rede para afasta-la das costas, reduzindo consideravelmente o calor. * Precisei editar o nome e a litragem da mochila (tinha me confundido).
  3. DESPESAS COMPILADAS Eu tentei manter um controle de nossas despesas antes e durante a viagem, mas infelizmente algumas coisas passaram batidas. Todos os valores estão na proporção 'por pessoa'. Estacionamento (PareBem) 11 dias: BRL 36,30 (cartão). Aéreo (Aerolíneas Argentinas): BRL 1.409,81 (cartão). Hospedagem (Folk Hostel) 2 dias: ARS 3.272,73 (cartão). Minitrekking (Hielo y Aventura): ARS 9.000,00 (cartão). Entrada (Parque Nacional Los Glaciares): ARS 800,00 (espécie). Transfer (Laguna del Desierto) + Entrada (Glaciar Huemul): ARS 1.700,00 (espécie). Transfer (Estancia Los Huemules): ARS 550,00 (espécie). Entrada (Estancia Los Huemules): ARS 800,00 (espécie). Transfer (Hosteria El PIllar): ARS 500,00 (espécie). Remis (Aeroporto > Folk Hostel): ARS 400,00 (espécie). Onibus (Chalten Travel) de El Calafate até El Chaltén: ARS 1.000,00 (cartão). Onibus (Chalten Travel) de El Chaltén até o aeroporto: ARS 1.000,00 (cartão). Hospedagem (Nothofagus Bed & Breakfest) 7 dias: USS 700,00 (cartão). Seguro de viagem (Allianz): BRL 64,84. Dinheiro em espécie (18.000 pesos argentinos): BRL 1.280,00. Todas as compras que fiz durante a viagem, e em todos os momentos que precisei usar dinheiro em espécie, usei desse montante aqui. No final das contas, cada um estava com um saldo de quase 5.000,00 pesos argentinos. Eu gastei tudo com souvenirs. Enfim, como não registrei todas as despesas, não tenho como dar um valor exato, mas posso dizer que aproximadamente gastei pouco menos de R$ 5.000,00 com toda a viagem. ANÁLISE FINAL E DICAS GERAIS Eu poderia ter feito as mesmas coisas (sem mudar quase nada, apenas economizando em 'excessos') com R$ 4.200,00. Se eu pudesse fazer essa viagem novamente, teria optado por um hostel com cozinha compartilhada em El Chaltén, e teria feito minha própria comida. Acredito que isso reduziria as minhas despesas para R$ 3.500,00 sossegado (sem deixar de fazer qualquer passeio ou trilha). Eu tinha a sensação que a região toda era 'desabastecida', com poucas opções de alimentação. Não! Tanto El Calafate quanto El Chaltén vivem de turismo, e contam com diversas opções de cardápios e serviços. Eu achei a quantidade de dias e a forma que foram distribuídos aceitável para o meu perfil. Naturalmente há muitas outras coisas que poderiam ser feitas naquela região. Mas não sinto ter esquecido nada que desejaria muito fazer. Tão quanto, mesmo com diversos dias com clima ruim, conseguímos fazer tudo que estava planejado, sem nenhum dia vazio. O Minitrekking custa caro, mas se você tem condições de fazê-lo, eu devo incentivá-lo - não sei até quando teremos a chance de curtir uma experiência tão majestosa como essa. Eu não fiz o BigIce, mas não sinto ter perdido nada por ter optado pelo Minitrekking. Façam todas as trilhas principais de El Chaltén: Laguna de Los Três, Cerro Torre e Loma del Piegle Tumbado. Cada uma delas tem características únicas. Definitivamente passar menos de quatro dias líquidos em El Chaltén soa absurdo, não tem cabimento você ir para lá e não aproveitar o mínimo aceitável. Se você gosta de trekking, inclua a visita para a Estancia Los Huemules e pretigie a Laguna Azul - definitivamente a paisagem mais linda que pude presenciar em toda a minha viagem. Enquanto pesquisava, li diversos relatos sobre 'quanto tempo demora fazer tal trilha', ao menos para mim, todas elas demoraram muito menos (cerca de 50% do tempo anunciado), mas acredito que isso possa ser algo muito individual (desempenho). É frio, e venta muito! O clima é bem instável. Usem roupas que secam rápido e que cortem o vento. As extremidades do corpo sofrem bastante (dedos, lábios e nariz). Vai ter momentos do dia que você vai andar de camisa de manga curta e vai sentir calor, mas basta nublar um pouco ou garoar que a temperatura cai horrores, e se de quebra começar a ventar (o que é super comum), multiplica a queda.
  4. 10º DIA (17/02/2020) – RETORNO Esse último dia foi praticamente em trânsito. Acordamos bem cedo, tínhamos nossas coisas arrumadas, e logo tomamos nosso café da manhã que gentilmente havia sido feito antes a nosso pedido (havia um casal, também saindo, qual nos fez companhia). Saímos pela cidade em direção a rodoviária, estava clareando, e ventava bastante até (mas até já havíamos acostumado com isso). Chegando na rodoviária, nos informamos com os vouchers e aguardamos na raia indicada. Havia um ônibus da Patagônia Travel estacionado lá, entretanto nossos bilhetes apontavam Chalten Travel. Ficamos aguardando e dado certo momento, o motorista nos chamou, pedindo para que mostrássemos nossos vouchers. Ele logo os viu e disse que esse era o ônibus correto (apesar do nome não coincidir). Era um ônibus de dois andares, leito, extremamente confortável, mas dessa vez sem filme. Aproveitamos para descansar, já que o retorno seria longo. Como esperado, o ônibus nos levou diretamente para o aeroporto, onde desembarcamos e seguimos para dentro. O saguão estava meio vazio ainda, então aproveitamos para fazer um lanche em um restaurante lá dentro, e depois achamos uns bancos para aguardar nosso voo. Demorou um bocado, foi um belo chá de cadeira – fizemos o checkin online, mas por desencargo de consciência, nos dirigimos até os guichês para fazer o checkin presencial (o que foi sábio, pois era necessário segundo a atendente). Não tivemos nenhuma dificuldade com nossas bolsas, apenas foi solicitado (diferente de quando viemos), pesá-las e etiqueta-las. A atendente explicou que o embarque seria feito com o celular, mas eu não encontrava a opção de emitir o ticket de embarque digital, então novamente para não me estressar depois, abordei uma funcionária da Aerolineas Argentinas qual foi extremamente prestativa e providenciou tickets físicos para todas as etapas de nosso retorno. Nesse momento o aeroporto já fervilhava de pessoas, era meio dia passado, então ao sinal do embarque no telão, seguimos para o segundo pavimento. Como sempre, passamos pelo raio-x e aguardamos no portão de embarque – percebemos que o embarque foi autorizado com meia hora de antecipação. Não demorou muito e finalmente estávamos novamente dentro do avião que nos levaria até Buenos Aires, para então seguir até Curitiba – assim como o embarque, o voo saiu meia hora antes do previsto. Enquanto entrávamos no avião, vimos aquele senhor gaúcho que tivemos a oportunidade de conhecer no 8º dia, junto de sua família. Nos cumprimentamos e seguimos até nossos assentos. Foi um voo tranquilo, mas chegando em Buenos Aires o clima estava fechado e chuvoso, a ponto de pegarmos uma leve turbulência quando pousávamos. Estávamos cientes, conforme foram as instruções de quando providenciei a mudança do itinerário de retorno, lá no primeiro dia de viagem, que essa conexão em Buenos Aires seria bem curta, e o próprio atendente havia dito que deveríamos correr. Desta forma, assim que pousamos, logo nos levantamos para sair e seguimos até o ônibus que nos levou até a imigração. Assim como quando chegamos na Argentina, os agentes apenas perguntaram nosso destino e pediram o número do voo que tomaríamos a seguir. Depois disto, logo estávamos no saguão de embarques – o processo é todo direcionado, então nem tínhamos como sair do terminal. No final das contas, devido a termos chego antes, e o voo de conexão estava atrasado, toda nossa pressa foi desnecessária. Já de noite e chovendo, embarcamos no último voo da viagem em direção a Curitiba. Logo que entramos no avião, os comissários de bordo nos entregaram um formulário de imigração, mas como éramos brasileiros, não havia a necessidade de preenche-los. Chegando em Curitiba, passamos pela imigração (apenas quatro guichês, e no início só dois estavam ocupados) – demorou um bocado para sermos atendimentos. Percebi que no caso de brasileiros os agentes faziam uma breve consulta e carimbavam o passaporte – já para os estrangeiros o processo era mais demorado. Passamos pelo raio-x e outros controles de segurança e finalmente estávamos no primeiro pavimento do aeroporto de Curitiba – logo saímos em direção ao estacionamento e fomos até onde deixamos o carro. A mudança de temperatura não foi tão grande em Curitiba, mas conforme voltávamos para Santa Catarina, o clima esquentava progressivamente. Nosso retorno tomou o dia todo, teríamos chego perto da meia noite em casa, porém paramos no caminho para jantar.
  5. 9º DIA (16/02/2020) – LOMA DEL PIEGLE TUMBADO Havia ventado muito durante a noite anterior, porém, quando levantamos, o dia se mostrava muito lindo, quase sem vento. Tomamos nosso café da manhã e nos dirigimos para a Loma del Piegle Tumbado. Enquanto caminhávamos em direção ao Centro de Informações Turísticas (essa trilha inicia no mesmo local que a que leva ao Mirador de Los Condores e de Las Águilas), observamos que as montanhas ao redor da cidade estavam com seus picos todos brancos (e definitivamente não estava assim no dia anterior). O caminho que leva a um dos mirantes mais lindos de El Chalten é basicamente uma subida de dez quilômetros, com pouquíssimas partes planas, o que faz dela uma trilha bem cansativa (ainda mais em um dia ensolarado com o que pegamos). A parte inicial e a final são as mais exigentes, com aclives mais acentuados, porém a final ainda conta com o solo irregular de pedras e muito, mas muito frio e vento. No começo passamos por um pasto, com vacas selvagens soltas (ela vem pra cima se não forem com a sua cara – como foi o caso do Diego), e depois do pasto em uma região de floresta média, com galhos entrelaçados e eventualmente pequenos riachos (evitamos de pegar água destes pontos porque ainda haviam sinais – bosta – das vacas selvagens). A floresta ficava cada vez mais fechada e baixa, e conforme chegávamos mais acima, tivemos os primeiros relances de neve onde o sol ainda não havia batido. Do nada, a floresta se abria e logo se tornava alta e ampla, com árvores mais velhas e resistentes – sempre com muito aclive no caminho. Depois de muita subida chegamos em uma clareira com uma placa avisando que estávamos em um mirante, porém claramente não era o lugar certo. Tinha acúmulos razoáveis de neve em pontos específicos e alguns poucos trilheiros sentados fazendo seus lanches. Decidimos seguir, e aqui a trilha mudava completamente, passando agora por pedras soltas e chapas de cascalho, sem nenhuma vegetação. A partir deste ponto, só existem mais dois riachos (com águas limpas) e conforme a mesma segue, mais neve acumulada pode ser vista. Essa pegada final é exigente, e nos leva para uma área aberta, sem trilha, apenas com algumas varas sinalizando o caminho correto, até chegarmos efetivamente no mirante da Loma del Piegle Tumbado. É um lugar mágico, e haviam muitas pessoas lá em cima descansando. Avançamos até encontrarmos umas pedras que se destacavam e subimos nelas para capturar as melhores fotos. Alguns poucos trilheiros faziam uma subida próxima que levava até o cume de uma montanha, totalmente nevada, e absurdamente inclinada (sério) – estimamos que, se quiséssemos subi-la, teríamos que reservar umas três horas só para esse curto trajeto. Parece que de lá é possível fazer fotos panorâmicas de toda região. Não ficamos muito tempo aí, pois o frio era muito intenso – as pontas dos dedos doíam, e minha boca estava cheia de feridas devido ao vento cortante. O problema aqui era o frio mesmo. Retornamos até aquela placa que mencionei antes, e logo depois dela, já dentro da floresta, achamos alguns galhos onde nos sentamos e fizemos nosso almoço. Depois retornamos até a cidade, eu conseguia descer rápido, mas meu irmão e meu amigo sentiam os joelhos na descida, então eventualmente parava e curtia a paisagem enquanto esperava por eles. Antes de chegarmos ao hotel, paramos em uma loja de souvenires e gastamos praticamente tudo que tínhamos em chocolates e outras coisinhas. Depois deixamos tudo no hotel e buscamos algum lugar para jantar e beber. Seguimos pela avenida e paramos em uma sorveteria chamada Domo Blanco – era um lugar muito bonito e aconchegante (tinha até uma fonte com moedas dentro), e estava lotado. Iríamos fazer nosso pedido e comer por aí, mas por acaso havia um casal que estava hospedado no mesmo hotel que nós – e eu já havia conversado com a senhora em outro momento. Eles estavam acabando de se servir e fizeram a gentileza de ceder seus lugares para nós, então aproveitamos o sorvete dentro da sorveteria. A opção 1/4 no Domo Blanco, com três sabores, saiu por ARS 250,00. Depois seguimos ainda pela avenida principal e decidimos parar em um restaurante chamado Monte Rojo, lá pegamos algumas cervejas (ARS 200,00 a unidade, acompanha um pouco de batatas fritas) e experimentei um Bife de Chorizo com Guarnicíon (o prato custou 850 pesos, mas era enorme) – a carne vem em uma fatia larga e quase nada temperada (nem com sal), e de acompanhamento escolhi salada (poderia ter pego fritas). Estava muito bom o prato, apesar de ser diferente, e infelizmente era muito para mim e acabei sobrando – ninguém estava com mais fome e ficou assim mesmo. Depois disso voltamos para o hotel para ajeitar nossas coisas, e nos preparar para acordarmos cedo no próximo dia. No hotel combinei com a atendente de nos deixar um café da manhã feito mais cedo, já que tínhamos que estar na rodoviária as 07:30 horas para pegar nosso ônibus de volta para o aeroporto.
  6. 8º DIA (15/02/2020) – LAGUNA DEL DIABLO / LAGUNA VERDE / LAGUNA AZUL Como sempre, acordamos cedo, tomamos o café e aguardamos o transfer na entrada do hotel – meu amigo ainda não tinha saído quando a van chegou, mas o motorista aguardou bem de boas. Já tínhamos ido com essa mesma empresa (e motorista) no primeiro dia em El Chalten (quando fizemos a trilha para o Fitz Roy). Como de costume, a van passou para pegar mais passageiros, mas tinha apenas mais um – que descobrimos depois ser um gaúcho, qual estava com a família e pegou o transfer até a Hosteria El Pillar onde havia deixado o carro no dia anterior. Seguimos o mesmo trecho de ontem, nos despedimos do homem quando o mesmo desceu na Hosteria El Pillar, e depois de mais alguns minutos o motorista nos deixou no acesso a Estância Los Huemules, nesse momento também nos deu instruções de como ocorreria o retorno ao final da tarde. Seguimos pelo acesso até a portaria do local, onde fomos recebidos por uma guardaparque, qual nos deu instruções diversas sobre o lugar – que é uma propriedade privada, e que é considerada parte do parque nacional, mesmo estando fora dos limites dele. Assinamos uma lista de presença, a guardaparque pediu quais as trilhas desejávamos fazer (não é possível fazer todas em um único dia), pagamos a entrada de 800 pesos por pessoa, e seguimos para o início da trilha que nos levava até a Laguna del Diablo. O início da trilha nos obriga passar pelas estradas internas do loteamento que faz parte do lugar, vimos dezenas de lebres que ficavam na beira da estrada pegando sol e corriam ao nos perceber. Não demorou para chegarmos no início efetivo da trilha, devidamente sinalizada, e por lá seguimos. As trilhas de El Chalten são muito bem cuidadas e sinalizadas, mas o trabalho que foi feito nessa propriedade privada extrapolava isso – tudo parecia melhor mantido, e não bastasse isso, a paisagem local era diferente. A trilha seguia inicialmente o curso do rio, e estava garoando, mesmo assim pudemos ver diversos pássaros, em especial uns pica-paus que fazia um escândalo quando nos aproximávamos. O caminho envolvia diversas lombas, e muitos pontos de água e pontilhões que auxiliavam a passagem. O solo aqui era mais rico e escuro, e a vegetação mais similar a florestas úmidas – mas longe das nossas do Brasil. Mais adiante, a trilha se afastava do curso do rio, e nos levava para um caminho de manutenção (onde possivelmente passavam quadriciclos) – me sentia no primeiro filme do Jurrasic Park – e depois nos propiciava uma visão extraordinária do vale (era realmente lindo, diferente, único). Depois passamos por uma floresta extremamente alta e escura, com galhos mortos, porém tinham uma coloração mais vivaz que os cenários similares de El Chalten. E por fim, quase chegando na Laguna del Diablo, subimos até uma intersecção qual levava para a laguna, e o outro caminho por uma ponte até o Posto Cagliero (um lugar no outro lado da laguna, onde ofereciam café por 500 pesos) – decidimos não ir para lá, e seguimos direto até a laguna. Ventava horrores e o céu estava muito fechado. Não era possível enxergar bem o glaciar, mas acho que entendi o porquê do nome – onde o glaciar fica parecia uma enorme boca, e de lá saiam nuvens baixas simulando uma porta para as profundezas (sim, muita imaginação). A água da laguna não era das mais lindas de se ver, e como o clima estava terrível (com eventuais rajadas com chuva), retornei até um lugar mais protegido e esperei meu irmão e meu amigo retornarem (eles queriam avançar um pouco mais – aparentemente tem uma pequena queda da água próxima de um bosque lá). Retornando pelo mesmo caminho de antes, basicamente no primeiro quilometro da trilha, tinha uma intersecção que levava para a Laguna Verde. Estávamos procurando um lugar para nosso almoço, e tínhamos visto uma mesa e bancos num lugar no início da trilha (mas já dentro dela cerca de meio quilometro). Não conseguimos comer lá pois, além de estar tudo molhado, a chuva caia forte naquele lugar. Então seguimos para a Laguna Verde e pouco antes de termos de passar por uma ponte pênsil sobre um grande vão, havia outra mesa e bancos, dessa vez mais protegidas, e então ficamos por lá para almoçar. Depois seguimos pelo caminho, que logo após a ponte pênsil mudava drasticamente de cenário – de novo Jurrasic Park (a parte dos velociraptors) – com um aclive entre um capim que chegava até nossa cintura, e impedia de vermos por onde a trilha passava a frente. Andamos sempre atentos em busca de Huemules ou outros animais, mas tirando os pássaros, não tivemos mais sorte. Caminhando por um aclive suave chegamos até a Laguna Verde, qual possui um pequeno mirante se for sair para a esquerda (tem placas) – é uma espécie de deck elevado próximo da água – muito lindo. Voltamos e seguimos pela trilha que agora nos levaria até a Laguna Azul (é a mesma trilha) – era uma conexão bem curta, porém muito alta, com um aclive bem acentuado que ziguezagueava até o topo. A Laguna Azul fica do lado da Laguna Verde, porém tem um desnível com muitos metros. Chegando então nesse topo, nos deparamos com a Laguna Azul – que foi a paisagem mais linda que eu pude presenciar em toda a minha viagem. Nesse ponto inicial, é possível ver as duas lagunas, lado a lado, apenas dando alguns passos. Seguimos pelo caminho que percorria o topo da costa da Laguna Azul, e passava entre pedras e árvores coloridas (também tinha flores e muitos pássaros). Em certa parte, havia um pequeno lago a nossa esquerda, com uma pedra enorme circular ao centro e algumas plantas que cresciam dentro da água – chamava muito a atenção pois contrastava muito com as outras paisagens que eventualmente víamos. Quando estávamos bem próximos da calha da laguna, onde toda a sua água escoava, o vento começou a se intensificar ao ponto de eu ter que me agachar e me apoiar em uma pedra – só esperando as rajadas passarem. O problema, além de ser um vento forte a ponto de segurar o movimento, é que ele é totalmente inconsistente – hora vem de um lado, outras vezes de outro, mudando rapidamente sua direção. Estava um pouco a frente do demais, então os aguardei e, observando nosso horário, decidimos que ainda seria possível visitarmos a Playita – assim, um pouco a frente, onde surge a interseção que retorna até a recepção do local, temos a opção de atravessar uma pequena ponte (ela é firme, mas bem simplória) que leva até uma praia no lado oposto da laguna. Parece que é perto, e não dá de ver certo por onde a trilha passa, mesmo assim seguimos o único caminho possível. Depois de um bocado, tem uma intersecção que leva ao Rio Eléctrico e o outro caminho para a Playita – seguimos, e logo percebemos por onde a trilha passava: rente a montanha, com muita inclinação e um penhasco que levava direto para a Laguna Azul. É um trecho delicado, o caminho é apertado, e eventualmente precisa-se dar passos longos – sempre com o penhasco ao lado. Depois de passar dessa parte – que apesar de tudo é muito bonita – a trilha nos levou para uma floresta alta, com árvores de troncos largos e de uma copa mais verde e viva. Eventualmente era possível ver pequenos galhos com partes raspadas, que segundo a guardaparques, é uma marcação dos Huemules machos, que a usam para demarcar o território. Logo adiante a trilha volta para a margem da laguna, já no mesmo nível, e então chegamos na Playita, que é de onde vem a água que alimenta a Laguna Azul (mais pra cima tem uma cachoeira, mas não havia formas de chegar lá sem sair da trilha). A Playita é extraordinária, conseguimos chegar bem perto da água e perceber quão límpida ela é, e eventualmente, pequenas lufadas formavam ondinhas sobre o lago. Tivemos ainda mais sorte de o clima abrir e o sol refletir na água. Curtimos o lugar, mas logo voltamos porque percebemos que essa nossa visita nos custou mais tempo do que o esperado. O restante do caminho é muito similar ao trecho inicial, apesar de voltarmos por outro acesso, e no fim, chegamos até o Centro de Visitantes novamente (portaria). Na verdade, chegamos muito cedo – a guardaparques tinha mencionado que esse trecho final tomaria cerca de duas horas, mas fizemos ele em menos de trinta minutos. Ao chegar lá, a guardaparque pediu se vimos algum animal nas trilhas, em especial Huemules, eu mencionei apenas as lebres, e daí assinamos novamente o livro de controle. Aguardamos no Centro de Visitantes (lá tem um museu que é aberto, e conta a história de região e diversos fatos curiosos) e quando estávamos próximos do horário de retorno, voltamos até o acesso da estância. Enquanto aguardávamos próximos da Ruta 23, veio uma garota e sentou no lado oposto do acesso – estávamos conversando em português e de repente ela se aproximou e falou em português conosco também. Ela inclusive pegou o mesmo transfer de volta para a cidade que nós. Enquanto conversamos, ela comentou sobre um local bacana que havia jantado, e decidimos ir lá também – ela foi conosco. O restaurante se chamava La Mafia Trattoria, e trabalhava especificamente com massas e vinhos – e também com reservas. Tivemos uma sorte anormal quando chegamos lá (sem reservas) e havia uma mesa disponível para quatro pessoas. Fizemos nossos pedidos, conversamos um pouco mais, e saímos. Enquanto íamos para o hotel, dado o momento, nos despedimos da garota e seguimos nosso caminho. Já no hotel, descansamos e nos preparamos para o último dia líquido da viagem. Mas antes disso, verifiquei nossas economias e descobri que – ou gastamos muito pouco, ou levamos muito dinheiro para a viagem (acho que os dois) – então combinamos de comprar mais alguns souvenires no próximo dia, já que não era uma boa trazer tantos pesos argentinos de volta para o Brasil (e a conversão era horrível). Peguei uma garrafinha suco de laranja com 600ml no hotel por 75 pesos (no outro dia aumentaram para 80 pesos).
  7. 7º DIA (14/02/2020) – GLACIAR HUEMUL / LAGO DEL DESIERTO / CHORRILLO DEL SALTO Acordamos cedo como sempre, tomamos nosso café da manhã, separei o voucher do transfer que nos levaria até o Lago del Desierto, e aguardamos no lado de fora do hotel. Precisamente as 08:00 horas surgiu uma caminhoneta adaptava para turismo, qual nos levou por toda a Ruta 23 em direção ao Lago del Desierto – antes de sairmos, ela passou por outras ruas pegando outros passageiros. A caminhoneta contava com sistema de áudio que nos dava informações interessantes conforma passávamos pelos pontos (em espanhol e inglês), e tivemos também duas paradas no caminho para fotografias – uma em um ponto com corredeiras ao lado da estrada, e outra num marco histórico onde as tropas chilenas fizeram suas defesa contra as argentinas durante a disputa destas terras (a décadas atrás) – é muito bacana ouvir a história do lugar, e o marco registra os nomes da resistência chilena, como uma homenagem e uma lembrança, para que isso nunca volte a acontecer. Conforme nos aproximávamos do fim da estrada, haviam alguns lagos (parecia um mangue) com uma vegetação bem bonita, que contrastava com a água transparente de lá – infelizmente o veículo não parava aí por perto, se não eu teria me aproximado para fotografar. Por fim, ao final da Ruta 23, chegamos ao Lago del Desierto (que era muito diferente do que eu estava imaginando) – todo local era muito bem estruturado, e havia realmente um porto lá (não apenas um píer mal cuidado). Logo que chegamos nos dirigimos até o guichê de entrada para a propriedade particular que dá acesso ao Glaciar Huemul (a entrada na hora custa 400 pesos, mas nós pegamos o pacote com a agência de turismo) – apresentei o voucher e entramos. O lugar contava com mesas para fazer lanches, tinha banheiros (bem cuidados – se você não pagava a entrada, precisava pagar um valor para usá-los), e também tinha um restaurante (que não entrei). Enfim, seguimos logo para o início da trilha – a previsão para fazê-la é de cerca de 30 minutos (no máximo 45 minutos) – o trajeto consiste na parte inicial percorrendo uma floresta muito limpa, mas escura devido a copa extremamente fechada, e com um riacho de águas cianas correndo forte. Também era possível ver diversos rostos nos musgos (obviamente, não era natural), e isso trazia uma sensação diferente para esse lugar. A segunda parte do caminho consistia em um aclive muito acentuado, com diversas saídas para mirantes simplórios daquele mesmo rio (placas apontavam para essas saídas como cascatas, mas parecia apenas uma corredeira). O caminho é bem definido e conta com cordas para auxiliar na subida em trechos mais íngremes – é bom notar que o solo aqui era mais fofo e escorregadio que o das trilhas de El Chalten. Chegando quase ao final, a paisagem muda drasticamente – a floresta fechada dá lugar para as pedras e alguns poucos arbustos com aspecto resistente. O caminho segue por um leve aclive e logo é possível ver uma das imagens mais extraordinárias que pude presenciar em minha viagem – a laguna em frente ao Glaciar Huemul – é simplesmente fantástica! Não desmerecendo tudo o que vi antes, mas felizmente desta vez tivemos a sorte do clima estar a nosso favor e isso definitivamente contribuiu muito para a experiência. Andando um pouco mais (e pegando mais uma lomba acentuada), é possível subir pela lateral e chegar sobre algumas pedras (requer um pouco de esforço) que nos dão uma visão panorâmica do vale da Ruta 23, do Glacial Huemul e do Lago del Desierto visto por cima. Aparentemente era possível chegar até o Glaciar Vespignani por aqui, porém havia uma placa alertando e proibindo o acesso devido aos riscos. Depois de curtimos muito o lugar, retornamos pela trilha até as mesas onde fizemos nosso almoço – demoramos cerca de 45 minutos para fazer tudo por lá (porque extrapolamos subindo a lateral que dá acesso àquele mirante). Como ainda tínhamos tempo até o transfer retornar para nos buscar, decidimos fazer uma trilha que contorna todo o Lago del Desierto (sabíamos que não seria possível concluir o trajeto todo, mas faríamos até onde dava). De início pegamos o caminho errado que levava até o porto – a trilha tem início através de uma pequena ponte pênsil (onde eu fiz um belo corte no meu dedo). É sem dúvidas um caminho muito lindo e diferente, a paisagem parece antiga, mesclando pedras maiores que as que costumamos ver, e troncos velhos com musgos caídos sobre o caminho, obrigando por vezes desviarmos ou passarmos por cima. Sem contar que tem o lago logo ao lado contribuindo muito para a paisagem. Essa trilha leva até o lado oposto do Lago del Desierto, onde muitas pessoas e ciclistas pegam outra trilha de diversos dias até a Villa O’Higgins, que fica no Chile, e é o começo da famosa Carreteira Austral (uma espécie de BR-101 deles). Depois de termos percorrido um bom tanto dessa trilha, voltamos e, como ainda era cedo, decidimos aguardar o transfer em uns bancos que haviam na área central em frente ao guichê da trilha que levava ao Glaciar Huemul. Aí encontramos um ciclista chileno, que havia esquecido suas sapatilhas no acampamento no outro lado do lago, e estava aguardando um amigo traze-las. Enquanto esperávamos, ficamos conversando – ele já tinha passado alguns meses no Rio de Janeiro, por isso tinha alguma facilidade com o nosso idioma. Passado mais um tempo, surgiram dois ciclistas que haviam pago pelo transfer de barco do outro lado do lago (se não me falha a memória, custa 2.000 pesos argentinos por pessoa, só não sei se esse preço é com as bicicletas ou apenas para a pessoa). Alguns optam por enviar as bicicletas de barco e fazem a trilha lateral – economizando alguns trocados e curtindo o passeio. De toda forma, a mulher (do casal de ciclistas) se aproximou quando o chileno conversou com ela, e não demorou para percebermos que ela era brasileira (de São Paulo, casada com um espanhol – qual estava na outra bicicleta). Conversamos mais um tanto, e depois que chegou nosso transfer nos despedimos e retornamos para a cidade. Pedimos para o motorista nos deixar no acesso para o Chorrillo del Salto (que fica próximo da cidade, pela Ruta 23), e fizemos o caminho até a cachoeira – bonita, porém tinha muita gente e não faziam questão de dar vez aos outros para fotografar. Vimos que havia um acesso lateral que subia com muito aclive até o topo da cachoeira (o próprio motorista do transfer havia indicado a presença de algumas poças na parte superior). Lá de cima, com bastante cuidado (fiquei afastado das bordas da cachoeira) dava de ter uma visão bacana do panorama local – seguimos um pouco ainda por caminhos diversos que se cruzavam e decidimos descer novamente para começar o retorno até a cidade. Pegamos uma trilha diferente daquela que utilizamos para subir, e acabamos saindo em um outro ponto que até nos deixou confusos por uns instantes, mas logo nos localizamos e seguimos até a Ruta 23. A trilha que leva até a cidade passa pelas laterais da estrada, cruzando duas vezes a via (é possível fazê-la de bicicleta) – ela é bonita e relativamente curta – o trecho final obriga caminhar pela própria estrada por um tempo e bem no fim junta-se novamente até onde começa a trilha para a Laguna Capri (no estacionamento que é o ponto de início da trilha, já na cidade). Aí nesse momento começou a ventar um monte, e daí caminhamos em direção ao hotel, mas observando algum lugar diferente para comermos algo – bem próximos do hotel, vimos um PUB chamado Cayetano, e decidimos ver o que tinha por lá. O ambiente era pequeno, e tinha uma decoração focada em rock internacional (vinis e pôsteres de diversas bandas e cantores). Fizemos nosso pedido (ARS 490,00, um pão com hamburguer), e a sagrada cerveja (ARS 190,00, meio aguada). Depois voltamos para o hotel com o vento a favor – cada passo valia por dois. Ao entrar no hotel, a atendente avisou que a agência e turismo havia ligado para lembrar sobre o transfer do próximo dia – achei bacana. Nos ajeitamos e preparamos as coisas, e daí caímos na cama.
  8. 6º DIA (13/02/2020) – LAGUNAS MADRE Y HIJA / MIRADOR FITZ ROY Assim como no dia anterior, nos levantamos as 07:00 horas, entretanto a temperatura havia caído um monte! O céu estava encoberto e parecia que poderia chover a qualquer momento. Antes de mais nada, nos dirigimos até aquela agência de turismo que havíamos parado no dia anterior, e contratamos dois serviços: transfer até o Lago del Desierto com entrada para o Glaciar Huemul para o próximo dia (ARS 1.700,00 por pessoa); e depois o transfer até a entrada da Estancia Los Huemules (ARS 550,00 por pessoa, ida e volta, entrada de ARS 800,00 paga na hora em espécie). Depois seguimos novamente até o início da trilha para a Laguna Cerro Torre – mas dessa vez, diferente de ontem, a cidade estava muito mais quieta (ainda dormindo) e mal se viam pessoas buscando as trilhas. Além disso, ventava horrores – é incrível isso, o vento reduz a sensação térmica pra caramba, além de eventualmente te empurrar ou segurar teus passos. Fizemos tudo como no dia anterior, até chegarmos aquela intersecção que dava início a trilha que levava para as Laguna Madre y Hija. A partir desse trecho, já era perceptível que estávamos seguindo um caminho bem menos utilizado – afinal, essa conexão costuma ser utilizada apenas pelos campistas que buscam alternar entre o Poincenot e o D’Agostini – a trilha em si não nos leva até um glaciar, mas sim em duas lagunas enormes que se formam entre a Laguna de Los Tres e a Laguna Cerro Torre (mesmo assim, essa conexão tem 08km). Optamos por fazê-la ao contrário, e não demorou muito para entrarmos em uma floresta enorme (até então a maior em proporção que tínhamos visto) – o caminho seguia bem visível cortando uma enorme lomba, qual criava um aclive rigoroso e constante, com pouquíssimas áreas planas. Eu havia lido sobre isso, mas não imaginava a dimensão. Naturalmente subimos intercalando pausas para descanso – e em uma dessas pausas percebemos um caminhante vindo em passos rápidos na mesma direção que nós – reconhecemos ele ao se aproximar e nos cumprimentamos. Tratava-se do guardaparque que nos havia dado as instruções em inglês no primeiro dia em El Chalten. O interessante é que ele caminhava com roupa comum e aparentemente, pelo seu equipamento, iria acampar em algum ponto (muito provavelmente é algo que os guardaparques fazem com frequência para assegurar que os demais trilheiros estejam obedecendo as regras do parque). Ele disparou na frente, habituado com as trilhas do parque – não havia a menor chance de seguir aquele ritmo. Ainda havia muita subida pela frente, mas mantemos nosso passo até o topo (esse trecho tem cerca de 02kms de distância). A parte boa é que não há mais nenhum aclive rigoroso depois deste – você pode simplesmente caminhar e curtir a paisagem. Diferente das demais trilhas, essa aqui nos trouxe dois cenários novos: um de floresta densa com vegetação baixa entre árvores; e também uma área extensa de campos invernais e planos, protegidos por uma enorme parede de árvores e muitos galhos secos no chão. Nestes períodos o clima amenizou um pouco e tivemos alguns breves instantes de aberturas com o sol. Também posso dizer que é, sem dúvidas, das trilhas gratuitas de El Chalten, a que mais tem presença de pássaros. Supostamente é onde se pode ver Huemules, entretanto, não tiver qualquer sorte em vê-los (dizem que você não os vê, mas eles sempre estão te vendo). Conforme avançávamos o clima voltou a piorar (e muito), ao ponto de termos ventos ainda mais fortes, e depois, uma garoa incessante que congelava onde quer que encostasse. Foi assim que tivemos o primeiro contato com as Lagunas Madre y Hija. Me afastei um pouco da trilha e cheguei até a margem da Laguna Madre (a maior), em um de seus extremos – havia praticamente uma praia de cascalho escuro em chapas. O vento era absurdo mesmo nesse momento. Interessante apontar que vimos pouquíssimos trilheiros em todo trajeto desta conexão – realmente quase ninguém passava por esses quilômetros (especialmente neste dia chuvoso). Seguimos pela trilha e decidimos buscar um refúgio natural onde pudéssemos almoçar, o que era praticamente impossível, pois a vegetação na costa da Laguna Madre era de pedras e árvores médias (basicamente tufos) isoladas – e muito musgo no chão. Achamos um ponto onde haviam três dessas árvores formando uma parede de meio círculo, e tanto musgo no chão que até dava pra sentar confortavelmente – e foi aí que almoçamos. Certo momento enquanto comíamos, uma garota passava na direção oposta nossa, e assim não conseguia nos ver parados onde estávamos – sempre que pegávamos uma bolacha do pacote, dava um barulho de plástico embrulhando (mais estridente do que o fim do mundo que a ventania fazia de barulho) – e isso deu um susto enorme na garota, que colocou a mão no peito e depois suspirou sorrindo. Também percebi nesse momento que furei (não sei onde) minha jaqueta – triste. Devidamente almoçados, seguimos pelo caminho que logo começou a subir, afastando-se brevemente da Laguna Madre. Andamos por uma área de árvores similares a pinos, porem de porte médio, e o chão estava encharcado devido a garoa constante. Mais uma vez – o vento continuava incessante e terrivelmente gelado. Não demorou muito chegamos em um tope onde podemos ver as Lagunas Madre y Hija de um mirante natural – infelizmente o clima estava péssimo e não deu de ficar muito tempo por lá. Seguimos caminho e felizmente, mais adiante, depois de andarmos por um bocado de tempo onde o vento nos chicoteava – surgiu uma floresta com troncos altos e copa bem fechada. O caminho foi curto por ela, e prestes a sair da proteção dela para seguir a trilha em um descampado rochoso que circulava um moro, notamos que a garoa havia se transformado em chuva. Decidimos voltar uns metros e nos preparar – tiramos os sacos de chuva para as mochilas e apertamos nossas roupas (luvas, gorro, botões e zíperes). Eu não sei explicar – mas era terrível. O vento ficava tirando meu capuz, e a chuva entrava por todos os cantos (mesmo com equipamento impermeável e algumas peças resistentes à água). Decidimos que era melhor correr ao invés de caminhar – então íamos aos pulos evitando as poças que se formavam no caminho. A chuva vinha de frente devido ao vento, então eu tentava correr com a cabeça baixa e uma mão segurando o capuz. Foi assim por um bom tempo, eventualmente parando em áreas cobertas de pequenos agrupamentos de árvores – acabamos passando rapidamente da intersecção que levava para o acampamento Poincenot ou o caminho que decidimos tomar, que levava até a Laguna Capri. Curiosamente, após este ponto, o caminho percorre a lateral da montanha levando ao outro lado (qual já tínhamos passado da última vez, mas devido a chuva, tudo estava diferente) e dessa forma não ventava mais tanto, e também aqui a chuva mal podia ser considerada uma garoa. Sorrimos de nervoso por termos saído da chuvarada, e demos uma checada nas nossas roupas e mochilas pra ver quão molhadas elas ficaram. Continuamos pelo caminho até aquela intersecção que levava para as margens da Laguna Capri, e ao Mirador Fitz Roy, qual foi a escolha desta vez. Por mais que agora apenas garoava, o céu continuava totalmente nublado, e quando chegamos no mirante, não foi possível ver absolutamente nada além de uma grande massa de névoa. Foi, num contexto geral, um dia muito feio – mas mesmo assim concluímos a trilha felizes. Como retornamos cedo da trilha, decidimos ir para o hotel relaxar um pouco e aguardar entardecer para ir atrás de algum lugar para jantar. Dessa vez, deixamos as mochilas e as jaquetas no hotel e fomos apenas de fleece – não chovia e já tínhamos tomado banho. A ideia era parar no La Zorra, mas o lugar estava lotado, então atravessamos a rua até o La Birra – conseguimos um cantinho para nós ainda. Interessante que o clima mudou e o sol queimava nossas costas dentro do estabelecimento (apesar que se olhássemos para o horizonte, era possível ver nuvens negras) – decidimos nos levantar e ir em outra mesa, qual não batia sol. Pegamos nossas cervejas (ARS 130,00 a unidade, no Happy Hour) e a comida (ARS 350,00, mas não lembro o que peguei), e depois, ao sair, meu amigo se deu conta que havia esquecido seu gorro na mesa anterior (qual agora já estava ocupada). Foi então lá procurar e não achou mais nada – alguém possivelmente pegou ele, enfim azar. Conforme voltávamos para o hotel, novamente já era possível sentir a mudança de clima – fortes ventos vinham pelas costas e não demorou para começar a chover, o que acabou molhando um bocado nossos fleeces. Durante a volta, paramos em uma loja de roupas e souvenires para o Diego escolher uma touca nova (ARS 500,00), e depois continuamos até o hotel.
  9. 5º DIA (12/02/2020) – MIRADOR CERRO TORRE / LAGUNA CERRO TORRE Hoje, novamente levantamos às 07:00 horas, tomamos nosso café da manhã e seguimos a pé até o início da segunda trilha mais famosa de El Chalten. Estava um dia ensolarado e bonito, porém o Fitz Roy (como sempre) ficava escondido entre as diversas nuvens que o circundavam. Já era possível ver diversos outros trilheiros se dirigindo para suas caminhadas. O início da trilha para o Cerro Torre era próximo de nosso hotel, ficava no meio da cidade, e começava com um aclive bem acentuado e ramificado. Eu particularmente achei essa trilha muito mais bonita e compensatória que a do Fitz Roy (analisando o esforço empregado e as belezas que os cenários nos propiciavam). Após o aclive inicial, o caminho seguia por bastante tempo alternando em a predominância das planícies, e alguns poucos montes que não apresentavam qualquer desafio. Há um mirante bem simplório no caminho que permite ver a Cascada Margarita, porém eu realmente não achei interessante – a visão da queda da água ficava muito distante. Eu estava ciente que havia um segundo acesso a essa trilha (ao menos assim os mapas marcavam), mas não parecia que isso estava sinalizado – de toda forma, havia um ponto específico que memorizei onde um caminho seguia para outra direção. Decidimos que no retorno passaríamos por ele. Não muito distante do início da trilha, logo chegamos no Mirador Cerro Torre (estava lotado de grupos aguardando sua vez no melhor lugar de fotos) – é um canto realmente bonito, com alguns bancos e um daqueles banheiros. Mas sinceramente, se você seguir pelo caminho vais ter muitas outras oportunidades de fotografar paisagens similares. Novamente, no decorrer do caminho tivemos a oportunidade de curtir diversos cenários distintos – muitos recordavam coisas que já havíamos visto no dia anterior, mas de alguma forma esse caminho parecia nos acolher melhor. Não convém descrever toda a trilha, mas posso assegurar que valeu muito a pena passar por ela – mesmo. Em especial, um momento você percorre a costa de uma montanha, e a sua esquerda você vê um panorama lindo, composto pelo Cerro Torre ao fundo e uma floresta morta abaixo. E também há uma larga área de vegetações baixas onde o caminho ramifica incontáveis vezes entre pequenas pedras. Em certo ponto também passamos pela intersecção que permite o acesso ao caminho que leva até as Lagunas Madre y Hija, conta com um banheiro e é agradável para descansar – mas seguimos direto. Estava um dia quente (o último), e chegamos a fazer praticamente tudo apenas de camiseta. Apenas quando estávamos próximo do Glaciar Grande, e também quando subimos pelo Mirador Maestri que foi super necessário se encasacar por completo novamente (como já havia dito antes, esfriava horrores perto desses blocos de gelo – e sempre ventava muito). A água do Glaciar Grande é mais barrenta, e por mais que o dia estava lindo, o Cerro Torre estava parcialmente encoberto. A visão ao chegar aos pés da Laguna Cerro Torre já é bonita, mas naturalmente, seguimos pelo caminho que levava ao Mirador Maestri. Esse caminho é absurdamente exigente – muito vento (que te empurra mesmo) e pedras soltas, sem contar que diferente dos demais lugares, o caminho parecia mais uma picada, e também o constante aclive tornavam esse trecho final num desafio memorável. Mas é claro que, deste mirador tínhamos a melhor visão do Glaciar Grande – isso porque existe uma formação de rochas que impede com que você veja todo ele apenas da laguna, e lá de cima você tem uma visão panorâmica do cenário. Fuçamos um pouco naquele ponto e descemos, pelo lado oposto, para dentro de uma floresta (havia vagamente uma trilha) – e encontramos uma pequena cascata. Decidimos fazer nosso almoço aí mesmo, pois ventava muito no mirador, e lá estávamos em uma baixada. Abastecemos nossas garrafas e retornamos até a laguna. Peguei a melhor recordação que podia neste lugar – uma pequena pedra com detalhes em quartzo que estava mergulhada na laguna. Como estávamos aí, decidimos visitar o acampamento D’Agostini, que ficava logo ao lado da laguna, mas diferente dos outros, fora do caminho. Muito similar ao Poincenot, todavia o cenário em si era diferente – aqui as copas das árvores eram mais brandas, permitindo que mais raios solares passassem (e possivelmente chuvas), e o solo era mais arenoso. Todos os acampamentos sempre tinham pessoas e barracas. Depois disso, voltamos pela trilha e fizemos aquele caminho que havia memorizado na vinda. Em um momento inicial, ficamos preocupados que não se tratasse de um retorno, mas sim um acesso para outra região que desconhecíamos. Esse trajeto iniciou com um aclive forte, e curvava por vezes fazendo com que nós parecíamos estar retornando a laguna (mas não era verdade). Entendi o porque dele não estar sinalizado como opção de retorno: o caminho envolvia um declive extremamente acentuado, com áreas que era necessário se agachar e sentar para descer – mas nada muito complicado ou arriscado. Entretanto, esse caminho nos proporcionou a possibilidade de vermos cenários bem específicos (como uma enorme pedra rachada ao meio – e com alguns garotos fumando por lá) e ironicamente, logo a frente, o Monumento ao Viajante Distraído, que trata-se de uma árvore enorme e isolada, toda queimada, com um memorial em frente dizendo que foi uma bituca de cigarro que havia causado isso. Esse retorno nos devolveu a cidade em um ponto bem mais ao norte, e ao chegarmos na cidade, passamos em frente de uns paredões onde alguns grupos praticavam escalada. Como sempre, vale destacar que o vento constante deixava tudo muito frio, e já estávamos andando com nossas jaquetas – mesmo o dia todo tendo sido quente. Chegamos na cidade cedo, e decidimos ir logo procurar um lugar para comer – dessa vez optamos pelo La Zorra (qual havíamos visitado em El Calafate). O Happy Hour começava mais cedo, então pegamos nossas cervejas (ARS 130,00 a unidade no Happy Hour) e eu escolhi um sanduíche quente (Piggy's, ARS 420,00, acompanha algumas batatas). Depois de comer voltamos para o hotel, mas no caminho paramos em uma agência de turismo para nos informarmos a respeito do Glaciar Huemul e da Estancia Los Huemules, e também em uma farmácia para comprar um anti-inflamatório e um daqueles batons de manteiga, e também uma voltinha em uma loja de camping pra ver os custos de capas de chuva – pois eu havia consultado o Wind Guru e a previsão para o próximo dia não seria nada boa (não pegamos as capas), e por fim, chegando ao hotel fizemos o de praxe.
  10. 4º DIA (11/02/2020) – MIRADOR PIEDRAS BLANCAS / LAGUNA DE LOS TRES / LAGUNA CAPRI Acordamos as 07:00 horas, como já deixamos as mochilas arrumadas no dia anterior, foi só mesmo tomar o café da manhã e usar o banheiro. Um detalhe desse hotel é que eles servem o café da manhã apenas a partir das 07:30 horas. No início, pensamos que isso poderia comprometer nossas trilhas, pois segundo o que eu havia pesquisado ainda no Brasil, alguns trajetos poderiam demorar até 12 horas (gente do céu, só se for se arrastando). A verdade é que, a trilha que tomou mais de nosso tempo foi exatamente essa de hoje – mas quanto a isso, digo que nos dias que seguiram já estávamos mais habituados a região, às caminhadas e nossa alimentação alinhada. Isso tudo certamente contribuiu para termos um desempenho favorecido, e sendo assim, penso que se tivéssemos feito essa trilha por último, possivelmente teríamos feito-a mais rapidamente. Mas voltando ao relato, após o café da manhã, aguardamos na frente do hotel a empresa do transfer nos buscar, qual não demorou muito para aparecer (todas as vezes que trabalhamos com horários, as empresas envolvidas eram muito pontuais). Embarcamos na van, que passou pelo resto da cidade pegando outros passageiros, e então nos dirigimos pela Ruta 23 em direção ao Lago del Desierto (a Hosteria El Pillar fica no caminho, bem no inicio). É um passeio agradável, entre o pula-pula da estrada irregular (cheia de pedras), é bem bacana observar o Rio de las Vueltas à direita, e sua coloração deslumbrante. A manhã estava meio nublada, eventualmente algumas gotas avulsas caiam quando chegamos no acesso a Hosteria El Pillar – de lá andamos um pouco pela estrada até o início do ‘Sendero Pillar’. A sensação de andar por essa trilha é muito boa (tudo ainda era novidade), o formato das árvores, os enormes galhos secos no chão, a forma que o caminho serpenteava entre baixadas e pequenas elevações, quase sempre sob a proteção da copa do bosque. A trilha em si era bem fácil, entre subidas e descidas, poucas vezes tivemos aclives acentuados no caminho. Vimos diversos grupos com guias, quais explicavam tudo que havia pela frente. Como imaginado, água era algo que nunca faltava. O clima realmente não estava muito bom, e era possível, conforme avançávamos, ouvir o uivar do vento acima de nós, entre os galhos mais altos – felizmente, perto do chão, ele quase nunca nos tocava. Dado um tempo, chegamos no Mirador Piedras Blancas (já era possível vê-lo em alguns pontos antes) – infelizmente, estava absurdamente nublado, mesmo assim conseguimos ter uma noção de quão enorme eram esses glaciares. Não ficamos muito tempo aí, havia um grupo grande fotografando no mirante. Nesse ponto, o caminho passava por áreas mais altas, e já era possível sentir o vento e as eventuais gotas que caiam (eram geladas). Continuamos seguindo, já em campo mais aberto e plano, mas como sempre, fácil de localizar o caminho, até chegarmos em uma bifurcação com uma placa acusando que estávamos chegando no acampamento Poincenot (a outra opção era a Laguna Capri). O acampamento fica dentro de um bosque com árvores altas, que fornecem uma proteção extra contra os ventos e chuvas patagônicos, além de servir diversos pontos para armar sua barraca. Conta também com uma infraestrutura mínima, para não dizer miserável haha, mas faz parte. Caminhando por ele, você segue em direção ao rio (onde abastecemos nossas garrafas de água pela última vez antes de encarrar a subida do Fitz Roy) e atravessa ele em direção a outra margem (super tranquilo, com pequenas pontes improvisadas, água bem rasa). Vale dizer que aqui já era possível sentir uma queda brusca na temperatura – eu sempre usei touca porque os ventos facilmente me davam dor de cabeça, mas nesse momento valia o uso de luvas pra dar uma amenizada nas pontas dos dedos. Na margem oposta, você caminha um trecho, já com um aclive mais acentuado (mas nada ainda perto do que está por vir) e chega até uma espécie de abrigo (também com banheiros – mas eu os evitaria). Depois disso, podemos dizer que efetivamente começa o ‘ataque’ a Laguna de Los Três. Logo que começa, as árvores somem e você percebe que a trilha percorre uma ‘ferida’ até o topo da montanha, com muito cascalho e pedras soltas no chão. O clima havia piorado muito desde antes, e pequenos filetes de água corriam deixando tudo enlameado – mesmo assim, uma quantidade absurda de pessoas subiam em direção ao cume. Eu confesso que minha maior dificuldade com trilhas são aclives com degraus (e apenas para subir, de resto me viro super bem) – e foi exatamente isso que veio pela frente: a trilha ziguezagueava pela ferida na montanha, cheia de degraus que variavam entre uma breve levantada de perna até vezes que se fazia necessário dobrar todo joelho. E isso persistia, sem fim. Curioso foi ver alguns rapazes mais jovens subindo apenas de camiseta e shorts (daqueles de time de futebol), como se não fosse nada. Sei lá se esse pessoal tem super resistência, mas não fazia o menor sentido. Não se deixem enganar – é frio! Conforme subíamos, mais o vento nos agredia com gotas mais espessas e frias. A temperatura em si também havia caído muito – estávamos mais perto de um enorme bloco de gelo afinal. Por vezes o vento destampava minha cabeça empurrando a touca embutida do casaco para trás, e os degraus se tornavam mais exigentes ainda. Fizemos uma breve parada durante a subida para fazer nosso almoço – enquanto isso, pessoas e mais pessoas continuavam o trajeto (a grande maioria, confesso, com melhor desempenho que o meu). Depois disso, ainda havia muita subida e, quando você pensa que chegou no topo, há uma breve área plana e depois mais uma última subida. Note que essa parte, pelo menos conosco, foi terrível. A área parecia um funil entre as montanhas, e dessa forma, era um canal de vento muito forte – as pessoas paravam de andar quando vinham as rajadas para não se desequilibrarem. Eu realmente não sei dizer se é assim todos os dias, mas para mim o vento aí só ficou atrás da Laguna Azul (que foi mais para frente, no final da viagem). Passada a área plana e subindo a última parte, me encontrei com Diego, que havia acelerado na frente durante a subida, e estava abrigado próximo de uma pedra para tentar se proteger do vento. Estava muito frio mesmo, e era horrível o clima lá em cima, mesmo assim era impossível não curtir aquele lugar. Foi uma pena que o Fitz Roy se escondia nas nuvens. Fizemos algumas fotos, uns vídeos, subimos mais um trecho que permitia ver a Laguna Sucia por cima – muito linda também, com diversas pequenas quedas da água vindo da geleira alimentando o fluxo de água do lago. No final das contas, não ficamos muito tempo lá (não dava), e então retornamos até o acampamento. Durante a descida pudemos curtir alguns arco-íris que surgiam devido a garoa. Chegando próximo ao acampamento, decidimos tentar chegar até a Laguna Sucia – eu havia pesquisado e via que era uma opção que alguns pouquíssimos trilheiros faziam – e ao redor do acampamento haviam diversos caminhos menos batidos que aparentemente não levavam a lugar algum. Sem nenhuma placa para nos indiciar o caminho, decidimos seguir um deles que aparentemente seguia o fluxo do rio que vinha da Laguna Sucia. Logo no início nos deparamos com três trilheiros, perguntei para a moça se esse caminho levava para a Laguna Sucia, mas ela disse que não sabia, pois havia ido até certo ponto e retornado. Decidimos continuar mesmo assim. Era um caminho bem menos demarcado, e por vezes tínhamos que parar e observar para onde ir (algo comum em Santa Catarina, as trilhas menos badaladas daqui são por vezes praticamente invisíveis). vançamos significativamente entre pedras até chegarmos a um caminho bem demarcado, mas aparentemente pouco utilizado. Seguimos por ele até a margem do rio, que não dava de ser visto, pois era basicamente uma larga porção de pedras. Andamos entre as pedras e então sim conseguimos ver onde a água corria, com força, impossibilitando a travessia sem que nos molhássemos quase por completo. Tentamos seguir por uma possível passagem que margeava o rio, mas daí paramos e observamos nosso objetivo – aparentemente era necessário continuar seguido entre as pedras até uma montanha, razoavelmente longe, e daí não era possível ver mais nada (mas estávamos certos que atrás disso tudo chegaríamos na Laguna Sucia). Entretanto, analisamos o horário, e calculamos que para concluir isso teríamos que dedicar cerca de quase duas horas, então decidimos retornar ao acampamento. A trilha que pegamos para retornar não era exatamente a mesma, mas felizmente levava ao acampamento também, lá abastecemos novamente nossas garrafas, e seguimos nosso caminho de volta para El Chalten, mas desta vez pela trilha que passava pela Laguna Capri. De volta aquela bifurcação de antes, pegamos a rota para a Laguna Capri e andamos um bom tempo por uma área aberta, bem diferente das demais até vistas, com o caminho feito de areia e diversos ‘lagos de areia’ – eu não conseguia imaginar como eles surgiam (não consigo explicar – só vendo mesmo). Depois de certo tempo, chegamos a uma espécie de praia, bem à frente corria um rio com águas nervosas, mas não sabíamos por onde ir (mais tarde caiu a ficha: bastava ter olhado as pegadas no chão). Pois bem, confusos quanto ao caminho, vimos um pequeno grupo de jovens que nos observava de longe. Me aproximei e perguntei se eles sabiam onde era o caminho, e a garota respondeu sorrindo que estava esperando alguém passar pois também não sabia por onde era o caminho. Ela também disse que seus pais estavam vindo, mas ficaram um pouco para trás, então decidimos espera-los. Não demorou muito, surgiu um casal grisalho (mas com passos rápidos) do caminho que viemos. Logo que o grupo os avistou, deram sinal e então se aproximaram. Nos cumprimentamos e depois de explicarmos a situação, decidimos seguir por um caminho (eles também não faziam ideia do caminho correto). Ninguém sentia que esse caminho era o realmente correto, e dado uns poucos passos, olhei para trás e vi dois trilheiros passando – determinados – em direção à margem do rio. Nesse instante, chamei a atenção do nosso recém formado grupo, e falei que possivelmente aqueles lá sabiam o que estavam fazendo. Decidimos retornar e seguir o mesmo caminho, nesse instante a senhora grisalha sorriu e me disse: ‘realmente, esse caminho parece ser um pipiroom’ (em inglês, mas acredito que eram alemães). Avançamos pelo caminho, composto por áreas de mata fechada, outras com árvores altas, e por vezes regiões mais abertas com diversas rochas. Depois de certo tempo, chegamos em um mangue, com passarelas simplórias de madeira sobre pequenas poças e tufos de capim (nada de mosquitos haha), logo aí havia a intersecção que permitia o acesso ao caminho para as Lagunas Madre y Hija, e tão quanto o caminho que tomamos para a Laguna Capri. O caminho continuava, e então chegamos em outra interseção devidamente sinalizada – tínhamos a opção de seguir o caminho até o mirante do Fitz Roy, ou o outro que levava às margens da Laguna Capri e o acampamento (de mesmo nome) – qual foi o que tomamos. Já havíamos acelerado o passo e a família que nos acompanhava antes ficou para trás. Aqui encontramos um casal brasileiro que puxou conversa conosco – como estávamos em três brasileiros, conversávamos entre nós em português, e isso era um chamariz para outros brasileiros. Trocamos algumas palavras, nos perguntaram sobre nosso roteiro até então, mas como era nosso primeiro dia líquido em El Chalten, não conseguimos contribuir de forma significativa. Nos despedimos e avançamos. A Laguna Capri é um outro lugar lindo – é estranho ver uma massa tão grande água isolada no meio de tantas montanhas, sem contar que a água é cristalina. Seguindo pela margem, há um pequeno aclive que leva a um mirante da laguna, e depois continuamos pelo caminho por um bom trecho, passamos pelo acampamento Capri (com algumas pessoas acampando), até chegarmos na outra interseção – assim como antes, o nosso caminho agora se juntava com aquele que levava ao mirador Fitz Roy (decidimos que faríamos ele em outro dia – quando faríamos o caminho para as Lagunas Madre y Hija). O restante do caminho era basicamente repetições dos cenários anteriores, com a predominância de florestas de árvores robustas e galhos mortos no chão – mas isso não fazia desse trecho menos bonito. Aproximando-se da cidade, o cenário se tornou um descampado com um declive constante, percorrendo as laterais das montanhas até culminar no início da trilha (sim, pois optamos por fazê-la ao contrário). Essa é sem dúvidas a trilha mais cheia de pessoas (frente a frente com a que leva ao Cerro Torre). O fim da trilha nos deixa basicamente em um extremo da cidade, onde a Ruta 23 segue para o Lago del Desierto. Essa é a região que encontramos bons PUBs para nossa janta (La Birra e La Zorra). Hoje, conforme seguíamos em direção a nosso hotel, ficamos de olho nas opções que tinham no caminho, e decidimos visitar o La Birra – um estabelecimento muito bonito e aconchegante. Incrivelmente havia lugares disponíveis ainda (mesmo que tenhamos chegado aí pelas 19:00 horas), pois nos demais dias o lugar sempre estava lotado nesse horário. Nos acomodamos, sorrimos por termos chego bem no horário do Happy Hour, pedimos nossas cervejas (ARS 130,00 a unidade em Happy Hour) e cada um o seu hamburguer (ARS 550,00). Eu estava morrendo de fome, mas conforme fiquei sentado aguardando o pedido, meu corpo começou a adoecer devido ao excesso de esforço físico desse primeiro dia, e quando o hamburguer chegou, demorei um monte para conseguir comê-lo (mas depois de uns 30 minutos eu já estava novo em folha). O curioso desse fato é que nos demais dias eu estava super disposto e não senti nenhuma dificuldade em fazer as trilhas, dia após dia, nenhuma dor ou lesão. Sinto que esse mal-estar que me acometeu foi uma transição, onde o corpo entendeu qual era meu propósito em estar em El Chalten. Depois de comermos, estávamos todos cansados, e retornamos até o hotel. A polícia é bem presente na cidade, onde os guardas andam em trios pelas ruas observando o movimento – e posso dizer que são gentis também – pois enquanto voltávamos para o hotel, em certo momento eu dei um passo em falso ao descer de uma calçada, e dei aquela bamboleada. Um dos guardas que estava passando por perto viu, e me chamou, quando olhei, o mesmo apenas disse sorrindo: ‘Watch your step’. Depois disso, toda vez que alguém do grupo dava um tropicão nas trilhas, utilizávamos o jargão. Chegamos no hotel, arrumamos nossas coisas, tentei lavar algumas peças de roupa enquanto tomava meu banho, mas percebi que apenas as camisas dryfit efetivamente secavam durante a noite – minhas cuecas e meias infelizmente permaneciam úmidas (por isso, mais adiante decidi levar algumas coisas na lavanderia).
  11. 3º DIA (10/02/2020) – EL CALAFATE / EL CHALTÉN / SENDERO DE LAS AGUILAS E LOS CONDORES Acordamos de boas, sem pressa, e pegamos o café da manhã. Decidimos dar uma boa volta pelo centrinho de El Calafate durante a manhã. Antes disso, arrumamos nossas coisas e já fizemos o checkout do hostel. Conversamos com a atendente e deixamos nossas coisas em um guarda volume, poderíamos utilizar ainda o espaço do hostel até o horário que teríamos que ir para a rodoviária. Nosso objetivo era parar no mercado para comprar algumas coisinhas para levar para El Chalten (mais bolachas COQUITAS e geléias), tentar achar uma sorveteria que servisse o sorvete do sabor Calafate, e também procurar alguns souvenirs para trazer para o Brasil. Foi bem bacana passear pela cidade – ela fica no meio do deserto, mas todos tentam de alguma forma manter o que for possível de vegetação (há diversos lugares com sprinklers para umedecer a área). Como sempre, muitos dogs pelas ruas, todos grandes – não vi nenhum de pequeno porte. Andamos um bocado, vendo as vitrines, e desde o primeiro momento, entrando em lojinhas em busca de souvenirs. Gente, eu li em diversos fóruns e postagens de blogs que El Chalten é mais caro que El Calafate – em toda a minha experiência por lá, eu digo que é mentira. Os preços de El Chalten são iguais ou até mais baratos que El Calafate. Na parte de alimentação é equivalente, mas nessa parte de souvenirs, é um absurdo. Quanto mais perto do centrinho da cidade, mais caro é. Por exemplo, bem no centro, existe uma loja com uma fachada bem chamativa, e basicamente vende presentinhos. O preço de um badge de mochila lá ficava na faixa de 500 pesos (por unidade). Se você andar cerca de 10 minutos saindo do centro, vais encontrar uma lojinha chamada Tribus del Sur, lá comprei uma pulseira (ARS 398,00) e um badge (ARS 340,00). Mas só para vocês terem alguma noção, depois, no último dia da viagem, acabamos indo em uma lojinha de presentes em El Chalten, e tinha badge por 150 pesos (e de excelente qualidade). O ponto aqui é o seguinte – compre os presentinhos em El Chalten. Depois de acharmos algumas coisinhas para trazer para o Brasil (ainda inocentes quanto ao dinheiro – digo isso pois pensava que não teríamos nem para comer, no fim sobrou 1/3 de tudo que levamos). Seguimos em busca do sorvete de sabor Calafate. Com ajuda do Google Maps (lembrando que baixei os mapas offline), fiz uma pesquisa por sorveterias e nos dirigimos a mais próxima. Era realmente uma sorveteria, toda decoração do lugar sugeria isso, entretanto, ao perguntar para a atendente se serviam esse sabor específico, a mesma disse que apenas uma outra sorveteria artesanal tinha o sabor Calafate no cardápio. Beleza, fomos em busca da tal sorveteria artesanal, e não foi difícil acha-la. Além dela, no mesmo local havia uma chocolataria e uma sanduicheria. Havia uma oferta bem ampla de sabores, e opções como picolés elaborados e outras coisinhas. Os preços também eram bem convidativos. O que sinceramente deixou a desejar foi a atendente, e eu não entendi o porquê. Nós três decidimos pegar a opção de potinho 1/4 (que é uma quantidade ótima), nessa opção você podia escolher até dois sabores. Ok. Ela pediu e eu respondi: ‘El Calafate’. Ela me corrigiu ‘Calafate’ e eu confirmei sorrindo. Dai me pediu o segundo sabor, eu falei ‘Calafate’. Nisso ela me olhou e fez uma careta, daí resmungou algo para si e fez o meu pedido. Eu sinceramente não entendi nada. Não é como se esse sabor estivesse acabando lá para eles. O Diego fez exatamente o mesmo pedido, nossa, mais uma careta – foi muito descortês. Meu irmão decidiu pegar Calafate e um outro sabor que não recordo. Na hora pensamos que esse sabor poderia ser terrivelmente ruim pelas caretas dela e os nossos pedidos. De toda forma, apesar do atendimento, o sorvete era de extrema qualidade, muito cremoso e o sabor de Calafate é bem agradável. Vale a experiência, e certamente o valor que foi pago. Depois disso, tínhamos ainda pouco mais de uma hora, e daí decidimos retornar até o hostel, com passos lentos, vendo as lojas e apreciando a voltinha. Paramos na Vila dos Gnomos – um lugarzinho diferente – mas não entramos nas lojas. Chegando no hostel, só retiramos nossas mochilas que estavam no guarda-volumes coletivo, e nos dirigimos até a rodoviária que ficava bem próxima. Percebemos diversas outras pessoas fazendo o mesmo enquanto caminhávamos. Lá na rodoviária, fui até o guichê da Chalten Travel para confirmar se os vouchers que eu tinha impresso eram válidos – a atendente foi simpática, confirmou e indicou a vaga que deveríamos aguardar. E foi o que fizemos. Optamos pelo ônibus leito, as passagens eram um pouco mais caras que o normal (1000 pesos, a outra opção sairia por 800 pesos), mas como nós três somos grandes, isso nos trouxe um pouco mais de conforto. Aqui rolou uma confusão haha, mas no final tudo se resolveu. Enquanto esperávamos conforme as instruções da atendente, chegou um ônibus da Chalten Travel (eram 12:15 horas) – logo que ele abriu a porta, um monte de gente que estava aguardando se levantou e fez uma fila para entrar nele. Ok. Nos olhamos e decidimos: é esse aí o ônibus. Entramos na fila, quando chegou nossa vez de entrar, apresentei o voucher, o motorista o viu, conferiu que eram três passageiros e nos deixou entrar. Como os assentos são marcados, tínhamos que nos dirigir exatamente aos bancos reservados (e quando comprei tomei o cuidado de pegar assentos do lado do motorista – tinham a melhor visão – tanto do Lago Argentino quanto do Fitz Roy quando estivéssemos perto de El Chalten). Questão é que chegando nos nossos assentos, os mesmos estavam ocupados. Gentilmente conversei com a menina que ocupava o assento, e ela também muito gentil, nos mostrou o comprovante que aquele assento pertencia a ela. Poxa vida. Os assentos da frente estavam desocupados, então nos acomodamos neles, entretanto, não demorou muito chegaram alguns rapazes com os comprovantes que aqueles assentos eram deles. Poxa vida mesmo. Os rapazes foram também educados, e conversando com eles decidi me dirigir até o motorista para tentar esclarecer a situação. O motorista me ouviu e disse que eventualmente situações desse tipo poderiam ocorrer – pois os vouchers comprados pela internet nem sempre são compatíveis com os vendidos na hora pelo guichê. Obviamente essa resposta me incomodou horrores, mas né, fazer o que. O motorista então viu que haviam assentos disponíveis ainda no final no ônibus, e disse para nos acomodarmos neles – ele também não tinha culpa, e foi uma solução razoável. Enquanto aguardávamos a saída do ônibus, passado um tempo, o motorista veio até nós novamente, e disse que o ônibus que estávamos era o errado – o certo ainda não havia chegado, e nos devolveu os vouchers. Enquanto saímos, conversei com a garota e os rapazes de antes, e expliquei a situação – todos foram novamente gentis e então saímos deste ônibus. Pessoal, tomem nota que não havia nenhuma marcação ou sinal que identificava os ônibus – exceto pela marca Chalten Travel. Era impossível distinguir qual dos dois levava para qual lugar, e além disso, no voucher que é apresentado ao motorista ao embarcar, consta para onde estamos indo, logo, o motorista ao pegar nossos vouchers não checou corretamente os dados deles. De toda forma, quando desembarcamos do onibus errado, aguardamos o ônibus correto (que há javia chegado) permitir a entrada dos passageiros, e dessa vez deu tudo certo! A viagem até El Chalten demorou um pouco mais daquilo anunciado no site, sendo que no caminho o ônibus fez uma breve parada na Estância La Leona (você pode sair e comprar algo por lá caso deseje). Nós decidimos ficar aguardando dentro do ônibus. Realmente, ter reservado os assentos do lado do motorista propiciou um passeio bem mais agradável, era possível curtir o Lago Argentino e o Lago Viedma (ao invés de apenas a vastidão desolada do outro lado). Nosso ônibus contava com televisores, o que achei bacana, pois por mais que de início seja interessante observar a paisagem, com o tempo a repetição cansa. Pude assistir ‘Unstopable’ e ‘Secretariat’ (esse não deu de ver até o fim). Naturalmente, quando nos aproximamos de El Chalten (especificamente quando o ônibus entra na Ruta 23), comecei a me ater a paisagem em busca do Fitz Roy. A vontade de fazer as trilhas era tão grande que, mesmo sabendo que nos próximos dias eu teria melhores oportunidades de fotografa-lo, fiquei diversas vezes, nas curvas, tentando fazer uma boa captura. Mas a Ruta 23 corre diretamente para o Fitz Roy, de forma que, não importa o lado que você estiver, você dificilmente vai conseguir vê-lo bem quando estiver próximo. Mesmo assim, os ânimos já ficaram lá pra cima! El Calafate é uma cidade linda, e conhecer o Perito Moreno foi sem dúvidas algo inexplicável, não existem formas de expressar o que é estar naquele lugar – as fotos não conseguem transmitir, nem de longe, o frio na barriga que dá ao se deparar com tudo aquilo. Mas, conforme eu me aproximava de El Chalten, eu sentia uma outra sensação, ainda mais forte, de um prazer único por estar tão próximo de realizar algo que desejei por tanto tempo. Chegando em El Chalten, pouco antes de atravessar a ponte que leva a cidade, o ônibus irá parar no Centro de Informações Turísticas dos Guardaparques, e lá você precisará assistir – obrigatoriamente – uma palestra (bem curta) a respeito das regras do parque, e também informações bem interessantes sobre as opções de trilhas. Por mais que seja obrigatório, é muito bacana poder ouvir o guardaparque explicando as coisas. Você tem a opção de ouvir a palestra em espanhol ou em inglês (optamos pelo inglês), e no final você receberá um mapa do parque na respectiva língua. Após a palestra, todos retornam para o ônibus, que segue brevemente até a rodoviária da cidade. Chegando na rodoviária, nos ajeitamos e partimos em direção ao hotel – Nothofagus Bed & Breakfast – que ficava relativamente perto (na verdade, você consegue visitar tudo na cidade a pé). Entramos no hotel, fomos recepcionados pela atendente (ela nos deu dicas diversas sobre a cidade e instruções breves sobre a hospedagem), perguntamos também como poderíamos assegurar um transfer até a Hosteria El Pillar no dia seguinte, para que pudéssemos fazer a trilha até a Laguna de los Tres e ver o Fitz Roy de perto – ela disse que poderia providenciar isso para nós. Enquanto estávamos no quarto ajeitando nossas coisas para os próximos dias na cidade, ela apareceu com um voucher garantindo nosso transfer as 08:00 horas, o preço foi de 500 pesos por pessoa, e poderia ser pago no checkout (é possível encontrar esse mesmo transfer por 400 pesos na cidade, porém não sabíamos disso naquele momento, e também foi prático fazer dessa forma – tínhamos garantido nossa programação para o próximo dia). Como ainda era cedo, e assim como em El Calafate, o dia ficava claro até quase 22:00 horas, decidimos fazer a trilha para o ‘Mirador de las Águilas e de los Condóres’, qual é acessada na entrada da cidade, ao lado do Centro de Informações Turísticas dos Guardaparques. Como já havia dito, nós fazemos eventualmente trilhas em Santa Catarina, dos mais variados níveis. Dito isso, arrisco dizer que somos caminhantes regulares, com boa disposição física (resistência). Essa trilha é simplória, inicia com um aclive bem acentuado, mas o caminho é bem largo e com poucos degraus. Era um dia quente (para os padrões de lá), então fizemos tudo apenas de camiseta e calça jeans (não queríamos trocar para a roupa de trilha). O primeiro mirante é o dos condores, entretanto, decidimos nos dirigir para o das águias na primeira bifurcação (tem sinalização). É um caminho super tranquilo e agradável, basicamente plano e com algumas saídas que levam a pontos próximos de interesse (como um lago escondido entre árvores). A todo momento é possível olhar para trás e ver o Fitz Roy (caso não esteja oculto entre as nuvens). O mirante das águias nos dá uma visão panorâmica do vale (e da Ruta 23 – bem pequeninha) e no horizonte o Lago Viedma – é uma visão realmente magnífica. Deste mirante, é possível seguir por um caminho com uma leve elevação (entre rochas, mas bem demarcado) que nos proporciona outras visões do mesmo cenário. Por ele, você segue e tem a chance de se deparar pela primeira vez com pontos característicos dessa região, como pequenas clareiras com árvores e galhos secos, e também formações curiosas de pedras (você vai ver muito disso nas outras trilhas, mas era nossa primeira impressão do lugar todo). Ainda seguindo por ele, você chegará até o mirador dos condores, qual nos dá a chance de ver El Chalten de cima. É interessante que nessa conexão entre os dois mirantes pudemos ver alguns grupos e pessoas sozinhas apenas ‘curtindo’ o lugar, bebendo de suas cuias, conversando, e até mesmo dormindo. Não vimos nenhuma águia ou condor por aí, mas especificamente no mirante dos condores vinham diversas lufadas que nos empurravam – foi o primeiro contato com essa outra característica da região: as rajadas de vento intermitentes que praticamente te derrubam (é realmente sério haha – nos próximos dias houveram situações a respeito disso). Conhecemos um francês que nos pediu para tirar algumas fotos, e também se ofereceu para fazer isso por nós (estávamos abusando do timer de 10 segundos). E aí tem outro ponto que acho bacana destacar logo: assim como neste momento, diversas vezes nos próximos dias tivemos a chance de nos esbarrar com pessoas sozinhas ou em grupos, que são quase sempre gentis e solícitos (raras vezes haviam pessoas incovenientes). Nós sempre fazíamos as trilhas sorrindo e conversando, o que possivelmente dava margem para outros se aproximarem. Ainda na linha do parágrafo anterior, apesar de estarmos em território argentino, arrisco dizer que, de cada dez pessoas que víamos, uma era realmente argentina. Todos soltavam o cumprimento padrão 'holla', que por vezes saíam carregados com a pronúncia alemã, outras vezes o toque latino, e haviam muitos orientais também tentando o inglês. Quando pesquisei a respeito dessa trilha, tive a impressão de ser algo absurdamente fácil, mas a verdade é que ela oferece um grau curioso de desafio devido os eventuais aclives que surgem – vimos algumas pessoas não completando o percurso. Mas ainda assim, sem dúvida alguma, a trilha mais fácil e curta de todas que fizemos. Depois de concluirmos nossa volta, retornamos para a cidade e paramos em uma padaria (La Roti Food Store). Pegamos uns empanados (ARS 140,00 a unidade) e um copo de cerveja (ARS 170,00 no Happy Hour, ARS 200,00 normal). Depois voltamos para o hotel e nos preparamos para encarar o Fitz Roy e a Laguna de los Tres no próximo dia.
  12. 2º DIA (09/02/2020) – PERITO MORENO / MINITREKKING Acordamos cedo (foi colocado alarme). Como deixamos tudo ajeitado na noite anterior, apenas levantei e fui ao banheiro, e depois seguimos até a área comum do hostel para tomar nosso café da manhã – qual era satisfatório, tinha variedade e servia ao seu propósito. Estava previsto que nosso transfer chegaria as 08:30 no hostel. Mas enquanto estávamos ainda comendo, apareceu uma van com a logomarca da Hielo y Aventura (a operadora oficial do Minitrekking), e o motorista entrou no hostel, chamou algumas pessoas, que se apresentaram, e seguiram seu caminho. Obviamente, fiquei preocupado, eram 08:10 – será que haviam esquecido de nós? Terminei de comer apressado e fui até a atendente do hostel, e tentei me comunicar (haha). Falei que estávamos esperando o transfer, e pedi se esse que partiu poderia ter esquecido de nós. Ela logo sorriu e me acalmou, falando que um outro transfer ainda viria. De cara eu não entendi ao certo, mas depois pude perceber que esse é o formato de organização da Hielo y Aventura, afinal, eles oferecem, além do Minitrekking, o Safári Náutico, o Big Ice, e o passeio pelas passarelas. Então eles separam seus clientes em grupos. Não demorou muito, e apareceu um micro ônibus, o motorista saiu e nos chamou (e uma garota que também estava hospedada). O motorista solicitou o voucher que você recebe ao efetuar a compra do serviço (pode ser físico ou o PDF no celular). Entramos e seguimos viagem embarcando outras pessoas, todas optantes pelo Minitrekking, e depois de certo momento, o micro ônibus seguiu em direção ao Perito Moreno – durante o passeio até lá, eventualmente recebíamos informações a respeito do lugar em diferentes línguas pelo sistema de som. Um pouco após entrar no parque, o micro ônibus fez uma parada para que as pessoas pudessem usar alguns banheiros disponíveis (e esticar as pernas). Não muito depois, havia uma outra parada onde um fiscal do parque entrava, e efetuava a cobrança da entrada do parque. E mais adiante uma última parada em um mirante que permitia ver o Perito Moreno da rodovia de acesso. O preço para nós foi de 800 pesos por pessoa, a fiscal pergunta de onde você é, e pede para ver o passaporte (ou documento de identificação). As entradas tem preços diferentes dependendo da tua nacionalidade. É importante tomar nota que aceitam apenas pesos argentinos nesse momento, e em espécie, por isso é fundamental que você tenha uma pequena reserva. Depois disso, seguimos até as passarelas onde tivemos cerca de 01:40 horas para aproveitar como quiséssemos. As passarelas são enormes, e são bem sinalizadas – a área central possuía a coloração amarela, e, segundo a guia que nos acompanhou, era possível de ser feita no tempo que nos haviam dado (as demais rotas tomariam mais tempo). Bom, aproveitamos da melhor forma possível as passarelas, fizemos toda a área amarela, e sim, a guia tinha razão – seria impossível tentar fazer as outras rotas em tão pouco tempo. Realmente tivemos que correr no final pra chegar a poucos minutos do combinado (sério, correr, suar). Talvez para quem vai com mais tempo de folga, dá pra curtir com mais paz essa paisagem absurdamente linda. Mas para outros que como nós, optarem pelo Minitrekking, eu sugiro que, no início do passeio pelas passarelas, a guia vai juntar o grupo e dar informações genéricas (nada realmente importante) – nós logo que percebemos isso, corremos pelo lado oposto do trajeto correto, dessa forma, chegaríamos nos ‘locais de foto’ sem ter um grupo enorme atrapalhando. Na boa, foi uma excelente decisão, porque você não vai conseguir uma foto super bacana com 30 pessoas na tua frente, ou tu vais perder todo teu tempo tentando tirar uma única foto. Pois bem, após retornarmos ao micro ônibus, seguimos até o Puerto Bajo de las Sombras, onde nos dirigimos até o barco (com outros grupos – pessoas que vieram com seus próprios carros e compraram o passeio do Minitrekking) e embarcamos. Para embarcar você precisa apresentar o voucher que você recebe ao efetuar a compra do serviço (pode ser físico ou o PDF no celular). O passeio de barco percorre o lago em direção ao refúgio que serve de base para as atividades em cima da geleira. Durante a navegação, recebemos informações em diversas línguas e em determinado momento é autorizado ir na parte superior externa do barco para fotografar. É um negócio meio caótico, porque todo mundo faz isso, e meio que não cabe a galera toda lá, então resta ter paciência – de toda forma, não vi a possibilidade de tirar boas fotos nesse momento (mas já é possível sentir o frio da geleira caso você saia na parte externa). Chegando ao outro lado, no pé da geleira, os guias formam dois grupos: uma para a língua inglesa e outro para a espanhola; e assim cada um vai indo em direção ao grupo desejado. Nós decidimos esperar que todas as pessoas escolhessem seus grupos, e olhamos para o que tinha menos idosos ou pessoas que poderiam atrasar o passeio. E escolhemos o oposto. Também é uma decisão razoável, visto que o passeio sob o gelo tem horário definido, e se alguém tem muita dificuldade para fazê-lo, todo o grupo acaba tendo que aguardar o mais lento, e assim menos paradas para fotografar (os guias pedem para não utilizar o celular enquanto se caminha, apenas nos momentos de parada, pois caso você venha a cair, poderá arremessar o aparelho para um local impossível de resgatá-lo – eu decidi carrega-lo na minha mão mesmo assim). Depois de ter os grupos definidos, seguimos até o refúgio, onde nos é dado um tempo para comer algo e utilizar os banheiros – também podemos deixar bolsas e outros itens em um guarda volumes dentro do refúgio (observe que não há chaves, logo não é sábio deixar coisas de valor). Aqui também é possível pegar luvas emprestadas, caso você tenha esquecido (quando você contrata o serviço, são informados itens necessários – a luva é um destes itens). Você é obrigado a usar! E sim, é super razoável – é bem frio em cima do gelo, mesmo! Chegado o horário combinado, os grupos seguem por trilhas curtas até uma praia de cascalho, e lá recebemos mais informações sobre a geleira (coisinhas bem interessantes de serem ouvidas), e depois segue-se até um ponto para fotografias. Nesse momento, novamente são feitos grupos – conseguimos ficar no primeiro, e então cada grupo é levado até um local onde são colocados grampos em nossas botas. Nos é pedido para firmarmos nossos calçados (caso estejam meio soltos). Esses grampos são estranhos no início, atrapalham para caminhar no cascalho (mas no gelo é extraordinário) – e pesam um monte! Também devemos pegar um capacete e utilizá-lo. Com todo o grupo equipado, seguimos o guia por uma trilha lateral até chegarmos no gelo. Lá o guia (sempre aguardando todos) passa instruções de como caminhar sobre o gelo – novamente dicas valiosas, parece brincadeira, mas os caras sabem o que estão falando. Após isso, é feita a caminhada sobre o gelo. Dois guias, um no começo da fila, e outro ronda o grupo por fora, verificando áreas de risco. São feitas diversas paradas para fotografias, e os guias eventualmente nos explicam as coisas que estamos vendo. São super parceiros, e sempre buscam ajudar – mas também agem caso alguém esteja ‘passando dos limites’. É uma experiência única, muito agradável, e acredito que logo não teremos mais a possibilidade de curtir coisas desse tipo. Houve um tempo que também era possível fazer a caminhada sobre o Glaciar Viedma, porém, devido ao degelo, se tornou muito perigoso e então foi fechado ao público. O trajeto do Minitrekking é o ideal – não curto, nem longo demais. Serve para o propósito. Você vai ter a oportunidade de sentir o que é caminhar sobre o gelo, vai ver paisagens magníficas, e além da caminhada em si – a oportunidade de ir nas passarelas e o passeio de barco agregam muito ao programa. De fato, é um valor elevado, mas todo serviço é prestado de forma bem profissional, e sabendo respeitar os horários, não haverá qualquer incômodo. Pagamos R$ 2.238,68 reais pelo MiniTrekking, dividindo em três ficou R$ 746,23 por pessoa (ARS 9.000,00, IOF 134,26, dólar em R$ 4,29, pago em 16 de outubro por cartão de crédito). Tentei negociar por email para que pagássemos em pesos argentinos lá mesmo (evitando o IOF e as conversões), mas a resposta que recebi foi que se eu quisesse assegurar a vaga, eu deveria pagar antecipadamente. No fim da caminhada ainda rola um presente não tão secreto assim – quem quiser saber de antemão que pesquise! Haha. E depois retornamos, retiramos os grampos, devolvemos os capacetes, e pegamos uma trilha alternativa até o refúgio (bem bonita). Nós pegamos um dia meio nublado, mesmo assim o gelo brilha um monte. Acredito que em um dia de sol você realmente precisará de óculos de sol para não ficar totalmente cego por lá. Chegando no refúgio, temos que aguardar nosso barco retornar – como são diversos grupos, é necessário ficar atento qual é o barco correto. Qualquer coisa, basta perguntar a qualquer um dos diversos funcionários da Hielo y Aventura que tem lá (tá cheio de gente). Pegando o barco, voltamos até o micro ônibus, dai ele parte em direção a cidade e nos devolve onde nos pegou. Chegando na cidade, decidimos ir logo no La Zorra novamente. Dessa vez pegamos um guisado de cordeiro patagônico (a menina do caixa até brincou pois achava curioso alguém pedir sopa em um dia ‘tão quente’, eu expliquei que queria experimentar a carne de cordeio patagônico) e também algumas cervejas. Dessa vez aproveitamos o Happy Hour e pagamos apenas 120 pesos as cervejas. O Guiso de Cordeiro Patagônico saiu por 420 pesos. Como era relativamente cedo, e o dia fica claro até praticamente as 22:00 horas, decidimos dar uma volta até a Laguna Nimez. Seguimos o Google Maps – parecia que ele estava nos levando para um abatedouro, mas no final das contas, estava certo. Salvamos um doguinho com uma patinha machucada de outros três que estavam acuando-o. Ele nos fez companhia até a Laguna Nimez, lá nos sentamos à beira da estrada e curtimos um pouco a paisagem (de fora, não entramos na reserva). Logo surgiu uma outra doguinha, no tag dela constava ‘Evita’. Os dois ficaram conosco descansando um pouco, e depois seguimos pela rodovia por um caminho diferente de volta ao hostel. Novamente o Google Maps nos jogou numas ruas bem estranhas, parecia que estávamos conhecendo os subúrbios da cidade. Não havia vegetação, e tinha muito lixo pelos cantos, mas né, turismo rodoviário kkk. Meu celular tinha apenas 2% de bateria e me abandonou antes de chegarmos no destino. Os doguinhos tinham desistido de nos seguir fazia um tempo já, no mínimo pensaram ‘onde esses loucos tão indo’. Mas no final das contas, conseguimos nos localizar e retornar ao hostel – mas confesso que me senti perdido por instantes. No hostel cada um tomou seu banho, ajeitou suas coisas e nos preparamos para o próximo dia.
  13. 1º DIA (08/02/2020) – AEROPORTO CWB.EZE.FTE / EL CALAFATE Nós moramos no interior de Santa Catarina, mas como nosso voo saía de Curitiba/PR, no dia anterior fizemos parte da viagem até nossa casa de praia, passamos o dia por lá, fizemos o restante da viagem até o aeroporto apenas de noite. Foram cerca de 04 horas de viagem de carro ao total, mas compensou muito comprar as passagens saindo de CWB. Eu comprei a reserva de estacionamento antecipadamente, então assim que chegamos foi só utilizar o QRCODE no terminal. Pegamos no estacionamento oficial do aeroporto - PareBem - no Bloco C (que fica a 200m do terminal de embarque) por 11 dias no valor de R$ 108,90 (dividindo por três ficava R$ 36,30 para cada um). Detalhe, fiz a reserva das datas do estacionamento com folga de horários. Quando retornamos, ao final da viagem, chegamos muito mais cedo do que o previsto devido a mudança nos horários dos voos. Mesmo que havia um aviso alertando sobre saídas antecipadas (até 03 horas de tolerância), não tivemos qualquer problema em sair do estacionamento – o QRCODE foi reconhecido normalmente e a cancela abriu automaticamente. Chegamos bem cedo no aeroporto (04 horas antes do voo), o que foi absurdamente oportuno, visto que nosso voo de volta estava inconsistente (um dos voos de conexão pousava após o voo que deveríamos pegar estaria decolando – basicamente impossibilitando pegá-lo). Aproveitei e fui até o guichê da Aerolínias Argentinas e consegui – após 45 minutos – resolver o problema. Não teríamos mais tantas conexões para retornar, entretanto, o tempo em Buenos Aires diminuiu drasticamente, e dessa forma, teríamos que correr para embarcar no voo. Aqui realmente havia um problema com a passagem de retorno. Como compramos as passagens a muitos meses atrás, houveram diversas mudanças no itinerário - o que acabou ocasionando essa 'incoscistência'. Basicamente, o vôo de EZE para POA aterrisava uma hora após o vôo de POA para GRU, que tínhamos que embarcar. Quando o atendende da Aerolinas Argentinas viu isso, logo começou a tomar as providências para corrigir nossa situação - por isso que digo que foi extremamente oportuno termos chegado mais cedo e conferido a situação. No final das contas, não passaríamos mais por POA ou GRU, nosso vôo saíria de EZE direto para CWB. Embarcar em Curitiba foi super fácil, bastou apresentar o ticket de embarque, passar pelo Raio X e passar pela Receita Federal, e já estávamos no portão aguardando o avião. O voo foi tranquilo (foi oferecido um bolinho doce e bebida a escolha durante este voo). Ficamos confusos quando chegamos no Ezeiza em Buenos Aires – era muito grande lá – e demoramos para descobrir que tínhamos que trocar de terminal para nosso próximo voo. A regra de ouro aqui é ‘quem tem boca vai a Roma’. Sério gente, se tiver confuso, procura alguém, qualquer pessoa, e pede ajuda. Eu fiz isso tantas vezes e não me envergonho nada. Bom, basicamente, ao pousar, saímos do avião onde um ônibus aguardava os passageiros e nos levava até o portão apropriado, de lá, era fácil ver os guichês da imigração (e haviam placas instruindo os passageiros, que são divididos por grupos: Argentinos, Mercosul, e estrangeiros). A imigração foi demorada, tinha muita fila, porém o atendimento em si é bem direto: apenas perguntam onde você vai ficar e qual é o número do teu próximo voo (eu basicamente mostrei os documentos para o agente). Sinceramente, o procedimento todo é muito simples, é praticamente impossível você se ‘perder’ no meio dele. Depois da imigração, passamos entre o Tax Free e as esteiras para retirar as malas (não tínhamos nenhuma despachada, então apenas aceleramos em busca de instruções). Como havia dito, estávamos confusos quanto ao o que fazer, então entre ir e vir perguntando para qualquer pessoa o que se devia fazer, descobrimos que era necessário sair do Terminal A e nos dirigir até o Terminal C. Para sair, era necessário passar as mochilas e pertences no Raio X (o que foi super sossegado – eles pedem apenas para tirar casacos grossos e os cintos). No final das contas, após toda a correria, encontramos nosso portão de embarque, e esperamos abrir o embarque de nosso voo (quando fizemos o checkin em CWB, já nos deram os tickets dessa conexão, então não precisamos fazer um novo checkin). Mesmo com toda essa enrolação, chegamos com folga no portão de embarque – conseguímos usar o banheiro e relaxar um tantinho nas cadeiras. Depois seguimos para o avião. Para outros que vão viajar pela primeira vez, e são grandes como nós (mais de 185cm) – os bancos que ficam nas saídas de emergência tem alguns centímetros a mais para as pernas, porém eles não reclinam. Fora isso, a aeromoça vai pedir se você sabe os procedimentos em caso de emergência (abrir a porta e o que fazer – tem uma cartilha em inglês e espanhol explicando tudo). Entre reclinar e ter esse espaço extra para as pernas, ficamos com a segunda opção. A aterrissagem em Calafate FTE foi bem divertida, tem tanto vento lá que o avião ficava balançando anormalmente – inclusive, após pousar meio de lado, a tripulação do avião seguiu com uma salva de aplausos (não sei, mas deve ter sido uma aterrissagem bem complicada). Nos foi oferecido um pacotinho com grãos e sementes e bebida a escolha durante o voo. Já no aeroporto de El Calafate, saímos (sem ter nada despachado bastava colocar a mochila e andar) e buscamos algum transfer que pudesse nos levar até a cidade (que fica a 12km de distância). Dentro do aeroporto existem empresas oferecendo esse serviço – perguntei a uma atendente e a mesma anunciou que seriam 1.000 pesos por pessoa (Vespatagônia), e que seria de van, mas teria que aguardar a mesma encher. Nossa. Eu havia lido em outros relatos que essa corrida era muito mais barata, então agradeci a atendente e fui em busca de outras ofertas. Saindo efetivamente do aeroporto existem taxis à disposição (lá se chamam Remis), e o preço da corrida era de 1.200 pesos, porém, não por pessoa, e sim por corrida. Pensa na alegria! Como estávamos em três, ficou por 400 pesos por cabeça. E ainda ganhei um voucher com desconto caso desejasse retornar da cidade até o aeroporto por 800 pesos a corrida (mas não o utilizei). Na saída do aeroporto, antes de pegar o taxi, foi preciso passar as mochilas e coisas de metal no Raio X (como sempre). Eu não sei o que havia acontecido em El Calafate, mas era um dia absurdamente quente. O taxista até mesmo fechou os vidros e ligou o ar condicionado devido ao calor. Destaque para o senhorzinho, super gentil conosco. Chegando no FOLK HOSTEL, agradecemos ao taxista e pagamos a corrida. Na entrada do hostel, um doguinho estava deitado, recepcionando as pessoas. Aparentemente os comerciantes locais alimentam os dogs e colocam ‘coleiras coletivas’ neles. É possível ver nos estabelecimentos diversas jarras com ‘tips’ para os dogs. Fizemos o checkin (eu já havia pago antecipadamente pelos dois dias que ficaríamos hospedados aí), o recepcionista nos passou as regras gerais e nos levou até nosso quarto – era um quarto triplo (na verdade compartilhado, porém como estávamos em três foi uma mão na roda). Foram dois dias no Folk Hostel, em um quarto para três pessoas, sem toalhas, banheiro coletivo, e café da manhã adequado. Tudo muito limpo e organizado. Pagamos R$ 255,19 (ficou R$ 85,06 por pessoa) em 11 de outubro de 2019, por cartão de crédito (ARS 3.272,73, IOF R$ 15,30, dólar em R$ 4,25). Deixamos nossas coisas no quarto e decidimos ir até o mercado La Anonima que fica a alguns minutos de distância. Fizemos as compras essenciais, meu amigo pegou uma toalha (pois não havia levado) por cerca de 805 pesos (teve desconto promocional e saiu por 483 pesos) – no hostel podia-se alugar por 100 pesos ao dia, porém não sabíamos se haveria toalha no hotel em El Chalten, então na dúvida, asseguramos a compra. Além disso, como não levamos absolutamente nada do Brasil, tivemos que comprar shampoo (ARS 245,00), sabonetes (ARS 103,20, três unidades), desodorante (ARS 158,00), escovas (ARS 123,20, três unidades) e pasta de dente (ARS 112,00), papel higiênico (ARS 49,70) – e também nosso ‘almoço’ de trilha: bolachinhas COQUITAS (ARS 234,00, três unidades) e geleia de morango (ARS 91,00). Pegamos também um cacho de bananas por 228,98 pesos (ARS 129,00 ao kg). Outra coisa que optamos foi de não trazermos squeezes do Brasil, mas comprar garrafinhas de água no mercado – e foi também muito sensato – pois havia uma garrafa de 1L com aqueles bicos específicos para tomar água, e era absurdamente barato (ARS 210,00, três unidades). Eu havia lido que é muito incomum os estabelecimentos entregarem sacolas por lá, então havia levado três sacolas plásticas do Brasil – e realmente foram úteis para carregar as compras (no mercado até haviam caixas a disposição de clientes). Demos um pulinho também na farmácia onde compramos um protetor solar – a maior facada de toda a viagem – pelo preço de 1.520 pesos. Realmente é importante usar protetor solar (não é porque é frio que não queima), entretanto, como a maioria do corpo fica protegida por roupas, você possivelmente gastará muito pouco do protetor, dessa forma, compre um potinho menor. O nosso protetor (tamanho grande) sobrou bastante, e quando voltamos ao Brasil deixamos ele no hotel. Depois das compras, retornamos para o hostel, e fizemos um breve lanche (as bananas de antes). Como estava muito quente, e não tivemos a oportunidade de tomar uma ducha desde que chegamos, estava eu e o Diego sem camisa na área comum do hostel, e não demorou para o responsável chegar até nós e alertar ‘T-Shirt! T-Shirt!’ hahaha. Ok, não pode ficar sem camisa na área comum! O legal foi um outro rapaz também comendo mais afastado em um canto, sem camisa, que ao ouvir a nossa bronca, prontamente colocou a camisa também. Beleza, depois da bronca e do lanchinho, cada um foi tomar um banho, e aproveitamos para ajeitar nossas coisas. Após isso, saímos novamente do hostel em busca de um lugar para comer algo. Era início de viagem, e eu estava preocupado com a quantidade de dinheiro que levamos, então ficava toda hora fazendo cálculos para não correr o risco de zerar tudo (na verdade, sobrou grana, mas nesse momento eu não sabia disso). Encontramos um lugarzinho super bacana e receptivo – La Zorra – e realmente foi uma excelente opção para nossa janta. Praticamente todos os estabelecimentos lá tem o ‘Happy Hour – HH’, que é um período do dia que algumas cervejas oferecidas tem preços promocionais. Nesse primeiro dia, infelizmente não chegamos a tempo de aproveitar a promoção – um copo de 500ml de Golden Ale sairia por 120 pesos (mas pagamos o preço normal de 190 pesos). Não posso reclamar das cervejas desse lugar, todas boas, e nossa, são 500ml, mal tomamos o segundo copo. Eles oferecem gratuitamente amendoim como acompanhamento para a cerveja. Para comer, decidimos pegar pizza (uma para cada). No cardápio não aparecia a gramatura dela, nem havia uma foto para nos basearmos – mas decidimos arriscar – e foi, para nossa surpresa, mais do que o suficiente – era um pedaço generoso e bem recheado. Também pegamos batatas fritas. A Pizza com Bacon saiu por 290 pesos, as Papas Galas (Batata Frita com Bacon) também por 290 pesos. Depois de comermos, voltamos para o hostel, era cerca de 21:00 horas, e o céu ainda estava claro (começando a escurecer), e temperatura havia caído significativamente – estávamos apenas de camisetas, e já não era mais confortável ficar apenas com elas (não ventava – isso é importante). Chegamos no hostel, ajeitamos nossas mochilas para o próximo dia, e caímos na cama – foi um tombo só.
  14. INTRODUÇÃO Bom pessoal, eu sou o Alan, e recentemente fiz a primeira viagem internacional da minha vida (e também a primeira vez que voei com um avião). Comigo, também foram meu irmão (Fabian) e um amigo (Diego). Esse relato foi uma forma de compensar por todo o auxílio que obtive, em especial, aqui neste fórum, com dicas e informações preciosas que permitiram que eu tivesse essa viagem extraordinária. Eu tentei elaborar esse relato com calma, e por isso acabei demorando um bocado pra chegar nessa versão final – fazem 56 dias que eu chegava de volta ao Brasil! É importante destacar que, sempre que foi possível, evitamos ‘programas fechados’, que envolvessem guias ou horários pré-estabelecidos – queríamos ter a liberdade de curtir cada momento no nosso próprio tempo. E também, como nós temos o hábito de fazer caminhadas por trilhas aqui de nossa região, decidimos que o foco de nossa viagem seria o trekking, logo, tudo girou em torno dessa ideia. Como foi a primeira viagem de todos nós, haviam certas incertezas em todas as decisões – desde o voo (como proceder com o embarque, o que poderia ser levado) até questões de dinheiro (onde trocar, quanto vale) e praticidade (alugar um carro, hotel ou hostel, quão frio é por lá). No final das contas, nosso planejamento foi uma mistura de segurança com economia (os planos mudaram diversas vezes). Meu propósito com esse relato é de tentar ajudar pessoas que, assim como eu, não tem nenhuma experiência com viagens desse gênero – por isso, tentarei enriquecer o máximo possível com informações relevantes (e talvez tudo fique muito extenso para ser lido). Tomem nota que, quando eu descrevo as trilhas, tento focar mais nos detalhes que mais me chamaram a atenção – mas todas elas tomaram horas de caminhada. PLANEJAMENTO DA VIAGEM Inicialmente, o desejo de conhecer a Patagônia Argentina surgiu no final de 2018, onde eu e o Diego conversávamos em um PUB da região enquanto bebíamos e assistíamos o canal OFF. Daquele momento em diante, decidi reservar um tempo e montar um itinerário – fiz diversas pesquisas pelo Google em busca de atrações e programas naquela região (naquela época ainda não sabia da existência de El Chalten). A primeira versão da viagem envolvia conhecer Ushuaia, e estávamos fortemente considerando alugar um carro naquela região para ter mais mobilidade. Entretanto, conforme fui ampliando minha pesquisa sobre o assunto, fui de encontro com a ‘Capital Nacional do Trekking da Argentina’ – El Chalten – e logo me apaixonei pela possibilidade de conhece-la (ainda mais estando tão próxima de El Calafate com seu Glaciar Perito Moreno). No início de maio de 2019 encontrei uma promoção de passagens para ir e vir de El Calafate (um valor bem abaixo dos demais – estive acompanhando semana a semana a variação deles) – apenas teríamos que aumentar dois dias de viagem (inicialmente eram apenas oito) e a saída seria de Curitiba/PR. Logo que compartilhei com os demais, decidimos comprar as passagens naquele mesmo dia. Passagem de CWB para FTE (conexão em EZE com troca de avião), valor de R$ 1.409,81 por pessoa, ida e volta, sem bagagem adicional, comprada diretamente do site da Aerolineas Argentinas em 02 de maio de 2019. A partir deste momento, tínhamos um período definido para nossa viagem, e com isso, fizemos alterações relevantes nos planos: desistimos de ir para Ushuaia (ficaria para uma próxima) e não alugaríamos mais um carro. Desistindo de visitar Ushuaia, asseguramos uma economia nas despesas, porém, mais que isso, mais dias para curtir El Chalten (e foi uma decisão extraordinária)! Percebemos que, tendo apenas El Calafate e El Chalten nos planos, ter um carro se mostrava desnecessário – era possível fazer as trocas de cidade e eventuais corridas com serviços oferecidos na região (e novamente, foi muito mais barato que alugar um carro e dividir as despesas). Finalmente, na última versão da viagem, decidimos trocar o último dia de passeio em El Calafate por El Chalten, de forma que ficaríamos um sétimo dia (seis líquidos) para nossas caminhadas. Por segurança e praticidade, tudo que pudemos comprar com antecedência aqui do Brasil foi feito – não sei dizer ao certo se isso foi o mais sábio em termos de economia, mas estar com as coisas definidas permitia com que curtíssimos mais o que era importante, ao invés de ficar correndo e negociando coisas. Também não compramos chip de planos de dados para internet. Sinceramente não achei necessário. Você conseguia acesso via wifi em praticamente qualquer estabelecimento, incluindo o hostel/hotel. A conexão é normalmente boa, raríssimas vezes não funcionava (em El Chalten teve um dia que ventou demais e pareceu que estava interferindo). Mas conseguíamos fazer chamadas de vídeo sem problema algum. Quanto ao celular, visto que não teria plano de dados, eu baixei os mapas da região para consulta offline (isso foi realmente importante) e sempre que não precisava conectar ao wifi, mantinha a opção ‘modo avião’ e ‘economia de energia’ ativos – isso dava até cinco vezes mais bateria para o celular. EQUIPAMENTOS Apesar de fazermos trilhas aqui pela região com bastante frequência, estávamos cientes que o clima da Patagônia era muito diferente do nosso, e por isso, foi necessário comprar algumas coisas – ainda mais que decidimos fazer a viagem sem despachar malas. Nosso limite era de 08kg na bagagem de mão (que você guarda em cima do teu assento no avião) e até 03kg no artigo pessoal (aquela mochilinha que tens que colocar entre seus pés no chão) – essas eram as regras da Aerolínias Argentinas (logo, dependendo das empresas que operarem teu voo, tens que observar as regulamentações específicas). Bom, cada um de nós fez suas próprias compras, mas de uma forma geral, os mesmos itens eram comprados. Com os relatos de ser uma região muito fria, decidimos nos preparar para isso. Fora isso, tínhamos que considerar que tudo que fosse comprado teria que caber dentro das mochilas. Segue relação dos itens que foram levados dentro das mochilas: 1x Casaco fleece 2x Camisa manga curta dryfit 1x Camisa manga longa dryfit 1x Camisa segunda pele 1x Calça de trilha com resistência a água 1x Calça moletom 1x Calça segunda pele 1x Touca 1x Luvas 1x Toalha dryfit 5x Cuecas 4x Meias cano longo de trilha 1x Meia de algodão 1x Chinelo 1x Powerbank 20.000mah Documentos e comprovantes Além destes, algumas coisas vesti e carreguei durante os voos: 1x Casaco com resistência a água 1x Camisa manga curta de tecido 1x Calça jeans 1x Bota impermeável de trilha 1x Celular No final das contas, todos os itens comprados couberam com relativa folga de volume, e muita folga de peso, na mochila maior. Na mochila menor levei os eletrônicos e documentos, e também ficou folgada. A verdade é que nem precisávamos levar tanta coisa (devido nossas escolhas durante a viagem). Tínhamos pensado em lavar nossas roupas enquanto tomávamos banho – e isso até foi possível com alguns itens – entretanto, conforme estávamos lá, percebemos que iríamos precisar mandar lavar algumas peças em lavanderias (e fizemos isso duas vezes – custava entre 300 a 400 pesos dependendo do peso). Isso acresceu um pequeno custo ao total de despesas, mas valeu muito a pena. As despesas com esses itens comprados não fazem parte das da viagem, pois apesar de ter comprado muita coisa específica, posso usá-las em outros momentos.
  15. To saíndo pra El Calafate e El Chaltén semana que vem também (com outras duas pessoas). Nós compramos cada um duas mochilas, uma Quechua 20L de ataque (bagagem de mão), e outra Arpenaz 10L (artigo pessoal). Fizemos essa compra pois ambas possuem as medidas exatas para cada opção (conforme a Aerolineas Argentinas), de forma que não teremos que despachar nada. Não vamos acampar, porém passaremos 10 dias lá, praticamente todos os dias fazendo trilhas.
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