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Bibi Junges

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  1. Apesar de já termos feitos diversas viagens de carro para alguns países da América do Sul, nunca postei relato por falta de tempo...essa viagem foi feita na metade de setembro de 2019, já faz algum tempo, mas como ela tem um roteiro diferente dos relatos que já li por aqui e teve algumas particularidades, resolvi postar mesmo assim. Espero que no futuro quando as coisas voltarem pelo menos um pouco ao normal, possa servir de alguma ajuda aos futuros viajantes! Viajantes: eu e o maridão. Dias de viagem: 10 Carro utilizado: Sandero 1.6 Roteiro: o roteiro original era para ter sido: 1º dia Aviá Teraí, 2º dia Humahuaca, 3º e 4º dia Uyuni, 5º dia Salta, 6º dia Cafayate, 7º dia Villa Unión, 8º dia Córdoba, 9º e 10º dia retorno. Porém, tivemos que fazer uma mudança, pelo motivo que relato abaixo, e no fim passamos o 3º dia em Sucre na Bolívia. Documentos que levamos: Passaporte, carta verde, leis de trânsito da Bolívia e Argentina, certificado de vacinação internacional, PID (documentos que levo em uma pasta organizadora sanfonada para agilizar caso precise de algum). Equipamentos que levamos: 2 triângulos e extintor de incêndio (obrigatórios), colete amarelo, cambão, kit primeiros socorros (não são obrigatórios, mas já viajamos diversas vezes pela Argentina e parados muitas vezes, nunca pagamos propina, multa...enfim, mas já pediram tudo o que é tipo de utensílio e documento, o cambão e o colete são itens baratos e não totalmente inúteis, vale a pena ter e não ter que pagar sabe-se lá quanto para os policiais e não se incomodar. Realmente pelas nossas experiências e pelo que li, os únicos lugares que ainda fazem esse tipo de abordagem é em Pampa de Los Guanacos, San Jaime de La Frontera e em Chajarí. Nas outras regiões da Argentina os policiais são inclusive bem simpáticos. Ajuda ligar o pisca alerta quando avistar um, reduzir a velocidade, baixar os vidros e saber o destino, eles costumam perguntar isso sempre. Nunca precisei usar, mas além das leis de trânsito levo o reporte de incidentes, que já foi citado neste post Não colocarei os gastos reais porque na época eu não anotei. Preço do combustível na Argentina dá para ver nesse site: https://preciosensurtidor.minem.gob.ar/index/mapa-busqueda-v2 A gente costuma fazer uma quilometragem bem alta por dia. Para isso, sempre saímos da hospedagem antes das 6h da manhã, é muito mais tranquilo dirigir pela manhã, o movimento é bem menor. Também costumamos fazer sanduíches de almoço, além da economia de dinheiro, a economia de tempo é enorme, em muitos lugares a distância entre postos de gasolina ou qualquer tipo de civilização é grande, às vezes não é tão simples achar um lugar que venda comida. Para fazer o roteiro sempre faço uma pesquisa das condições da estrada, preços da gasolina, pedágio, reservo todos as hospedagens com antecedência, localização de mercados e restaurantes, baixo mapas off-line pelo google maps, vejo se é feriado onde vamos estar, preço e horários das atrações que queremos ver, enfim, passo um bom tempo pesquisando porque como normalmente não temos muito tempo disponível para a viagem, é importante que a viagem seja, pelo menos quase, igual ao roteiro, pois assim conseguimos ver muito mais coisa. Ginkgo biloba: Quando fomos até Santiago do Chile de carro em outra viagem, fomos conhecer o Parque Aconcágua, que está a 3 mil metros de altitude, primeira viagem num lugar com altitude, e sentimos seu efeito, ficamos com dor de cabeça, sonolentos, nada que não deu para administrar, mas sentimos sim. Depois, ao planejar nossa viagem para o Atacama em 2018, fiquei com medo que passássemos realmente mal, pois só o Paso de Jama fica a 4.200 metros de altitude. Li em alguns lugares que o Gingko ajudava, também li que não adiantava nada, mas resolvi testar igual. Um mês antes da viagem começamos a tomar uma cápsula por dia (120mg) e realmente para nós funcionou, o único efeito que sentimos foi a falta de ar, que em relação a isso não tem o que fazer...de resto ficamos super bem em todos os passeios que fomos. Quando fomos em setembro para a Bolívia fizemos o mesmo “tratamento”, e novamente não sentimos nada. Enfim, recomendo. Dia 1, 12/09 Chapecó - Aviá teraí (hotel Las Curiosas): 13h30min, 1052km. Primeiro dia de viagem, passamos pela aduana de Dionísio Cerqueira. Uma dica que quem mora na região sabe, dependendo de onde vocês vão estar, o google maps indica ir até São Miguel do Oeste e entrar a direita passando por São José do Cedro, em Km realmente é menos, porém, em São José do Cedro a estrada está no pior estado possível, além de ter muito movimento de caminhões. A melhor opção é ir por Modelo, Campo Erê, Flor da Serra do Sul até Dionísio. A estrada não é a melhor do mundo, mas o pior trecho não chega nem perto do de São José do Cedro e o movimento é bem menor, leva bem menos tempo. Antes de passar a aduana abastecemos em Dionísio Cerqueira. A Aduana é tranquila, a única coisa que eles pedem é o destino e uma hospedagem de referência (normalmente eu imprimo o papel da reserva e entrego para eles conferirem). Em relação a revista, até hoje só pediram para abrir o porta malas e alguma bagagem. Até Aviá Teraí a estrada está em ótimas condições, a única observação é que depois de Eldorado até Posadas a polícia está fazendo fiscalização com radar, se avistar um furgão preto parado ao lado da ruta já pode desconfiar, pois eles ficam dentro desses furgões com os radares na mão. De resto a maioria da estrada é uma reta interminável, com várias capelinhas do Gauchito Gil, um santo local, até chegar no hotel Las Curiosas. É um bom hotel, bem simples, que atende o básico, tem banheiro privativo, Wi-fi, TV a cabo, ar condicionado, estacionamento e café da manhã (que nunca experimentamos porque sempre saímos cedo). Possui um restaurante também. Dia 2, 13/09 Dia de passarmos por mais retas intermináveis. Nesse dia passamos também a polícia caminera de Pampa de Los Guanacos, famosa pela corrupção, porém, nunca tivemos o “prazer” de sermos abordados por essa polícia, pois, como saímos sempre muito cedo, passamos pelo posto deles antes das 7h da manhã, nessa hora pelo jeito eles trocam de turno, que foi o que deu para perceber nas duas vezes que passamos por ali. Aqui a surpresa ficou por conta do trecho de Monte Quemado a Taco Pozo, que, quem já passou por ali sabe, está em estado deplorável. Em Setembro/2019 haviam começado a reparação da Ruta e tiraram todo o asfalto. Ainda havia muitos buracos, mas a probabilidade de rasgar um pneu ficou muito menor, deu para em alguns trechos atingir até 60km/h!! Infelizmente pelo que andei lendo em Dezembro suspenderam a obra pois estavam investigando uma suspeita de fraude...não sei como está agora o estado dela. Imagino que se estiver chovendo sem o asfalto fique bem complicado de dirigir, mas se o tempo estiver a alguns dias seco, melhor que antes com certeza ainda está. Depois desse trecho as retas se estendem por km, é preciso ter cuidado porque alguns animais atravessam a pista. Dessa vez quando entramos na ruta 9, que vai em direção a Salta, haviam diversos peregrinos, pois a festa do Señor y Virgen del Milagro em Salta é de 13 a 15 de setembro todo ano. Os peregrinos saem de várias regiões até Salta, alguns de bicicleta, outros a pé, existem pontos de apoio para eles poderem descansar, se hidratar e comer...realmente a devoção deles é emocionante de ver. Para quem tiver curiosidade de saber mais: https://www.360meridianos.com/especial/festa-de-senor-y-virgen-del-milagro-em-salta. Depois de tanta reta e postos bem pequenos sem muita infraestrutura, um posto grande fica à direita na rótula de entrada para a ruta que segue em direção a Salta à esquerda. Depois de San Salvador de Jujuy, está o Mirante do Río Grande, no lado direito da Ruta, rende umas boas fotos. Na outra viagem que fomos até o Atacama, já havíamos visto algumas atrações da região. Recomendo conhecer o Cerro de los siete colores em Purmamarca e Pukará de Tilcara em Tilcara. Em Tilcara para comprar artesanato é bem barato, vale a pena. Dessa vez fomos conhecer o Relógio de Sol, que marca a linha do Trópico de Capricórnio. Indo de Tilcara a Uquía, o relógio solar pode ser visto à esquerda a poucos metros do cartaz que anuncia Huacalera. É meio pega turista, mas não custa nada dar uma parada rápida para conhecer. Chegando em Humahuaca, decidimos ir direto para o Mirador da Quebrada de Humahuaca, Cerro de los 14 colores, pois já passava um pouco das 16h e queríamos ver antes de escurecer. Para chegar são 25 kms de rípio, em bom estado. Não tem muito erro, mas existem algumas bifurcações no caminho, é só seguir sempre reto. No final do caminho a subida é um pouco mais íngreme, vimos alguns carros menores tendo mais dificuldade para subir. Pagamos em torno de 70 pesos para entrar. Quando chegamos estava quase nevando, com muito vento. Os tons de terra ficaram mais escuros, mas ainda assim lindos. Se estiver em condições siga a pequena trilha até a melhor vista do cerro, a ida é só descida, mas vá preparado para o vento e o frio e volte caminhando devagar, pois a subida a 4.000m de altitude pode castigar os desavisados. Voltando a Humahuaca, estacionamos em uma ruela e fomos a pé até a praça, onde está o Cabildo, a Iglesia de la Candelária e uma escadaria que leva até o Monumento a los Héroes da la Independencia. Depos de Tilcara, só existe posto de gasolina em Humahuaca e em La Quiaca. Neste dia ficamos em uma hospedagem bem simples e confortável, a El reposo de mandinga cabañas temáticas, com banheiro privativo, Wi-fi, estacionamento, cozinha compartilhada e aquecimento, mas sem TV nem ar condicionado. Aqui preciso destacar um percalço que tivemos nesta viagem. Algumas semanas antes de qualquer viagem eu tenho o costume de olhar as notícias recentes dos lugares que vamos ir pelo google. Assim, umas 2 semanas antes de viajar, li uma notícia em um site da região que haviam fechado as fronteiras da cidade de Uyuni, porque os locais queriam que alguns conselheiros municipais renunciassem. Ninguém podia entrar nem sair, inclusive os turistas. Porém ainda faltavam alguns dias para a nossa viagem, pensei que resolveriam o problema até lá. Reabriram a cidade em 2 dias. Mas...infelizmente, 4 dias antes da nossa viagem, 08/09, fecharam as fronteiras novamente. Entrei em contato com o hotel que iríamos ficar lá e disseram que provavelmente em poucos dias eles iriam abrir a cidade novamente, o que não aconteceu. Fiquei lendo as notícias diariamente e vendo que as negociações estavam difíceis e aqui quero ressaltar como foi importante ter lido as notícias locais. No Brasil, elas só apareceram no dia 13/09, depois da primeira notícia que li, pois alguns turistas brasileiros já estavam a dias sem tomar banho e comer porque estavam presos lá. Então, isso vale para qualquer viagem, seja de carro, de avião...se puder antes de viajar ler as notícias de algum site local recomendo, pode evitar dor de cabeça. Fomos viajar sem saber se iríamos conseguir visitar Uyuni ou não. Tínhamos que decidir porque no outro dia seguiríamos direto para a Bolívia. Chegando na hospedagem fui ver novamente as notícias e estavam dizendo que iriam abrir a cidade no dia seguinte, falei com o hotel de lá e disseram que realmente era o que estavam comentando, mas que não podiam confirmar se realmente iriam abrir tudo. Como estava muito em cima, e com medo de até conseguirmos entrar em Uyuni mas não conseguir sair, decidimos abortar o passeio e ir até Sucre, conhecer a capital constitucional da Bolívia. Tive que baixar todos os mapas em pouco tempo, pois Sucre fica mais distante que Uyuni, nossa viagem assim aumentou em mais de 700km, pesquisei pontos turísticos e fomos dormir ansiosos pelo dia seguinte. As intermináveis retas Mirante do Río Grande Relógio de Sol Estrada para o mirante do Cerro de los 14 colores Dia 3, 14/09 Mais uma vez saímos cedinho. Rumo à Bolívia. Estrada em ótimas condições até La Quiaca, com alguns vilarejos no caminho e muitas lhamas. Chegando em La Quiaca, abastecemos no YPF que fica um pouco antes da aduana. Para quem não sabe, na Bolívia o preço do combustível é diferente para turistas e estrangeiros, e tabelado pelo governo. Para os estrangeiros é mais que o dobro do preço, e nem todos os postos abastecem para estrangeiros, pois para abastecer legalmente eles precisam de um sistema que registra os dados do veículo. Já outros postos abastecem sem o registro e fazem por um preço menor. Na Bolívia abastecemos 3 vezes, uma na ida em Betanzos, um povoado entre Potosí e Sucre, e duas na volta, uma em Potosí e outra em Villazon. Na aduana entre La Quiaca e Villazon os trâmites são: estacionar o carro (tem um pessoal da gendarmería da Argentina no local que orienta). Primeiro no posto da Imigração Argentina se carimba a saída no passaporte (fica na esquerda de quem está indo em direção à Bolívia). Do outro lado da rua está a Imigração Boliviana. Se preenchem alguns papéis para a entrada no país. Eles entregam a ¨Declaracion Jurada¨, que é a permissão para trafegar de carro pela Bolívia. Sem esse documento o veículo pode ser retido sob a acusação de entrada ilegal no país. Não precisa do seguro SOAT para dirigir na Bolívia. E eles não dão carimbo no passaporte. Depois de entregar a papelada o mesmo funcionário foi conferir o carro. Nós nos adiantamos e já fomos abrindo as portas e o porta-malas do carro, ele só deu uma olhada e disse que estávamos liberados. No nosso caso foi tudo muito rápido pois chegamos quando a aduana estava abrindo e só havia uma pessoa na nossa frente. Depois da aduana, na mesma rua, estão diversas casas de câmbio, trocamos toda a quantia que provavelmente iríamos gastar e seguimos viagem. Outro detalhe são os postos de pedágio na Bolívia. A maioria já é “moderna”. Antes só haviam casinhas na beira da estrada com um cordão no meio da pista. Só vimos 2 assim, um em Yotala, quase chegando em Sucre e outro em Atocha, entre Uyuni e Tupiza. Nesses precisa parar o carro antes do cordão, sair do carro e pagar o valor do pedágio na casinha, outro funcionário depois tira a cordinha e libera a passagem. Agora a maioria dos pedágios são os mesmos dos nossos. A casinha fica no meio da pista, é só parar o carro e pagar o valor. Em relação ao valor, em ambos na hora da cobrança o funcionário vai perguntar o destino. Os valores são definidos por trechos, normalmente entre os departamentos da Bolívia. Se aparecer outro posto de pedágio e você já tiver pago por ele, é só mostrar o ticket que eles irão dar no primeiro posto e eles liberam para você passar. Já sabíamos dessa informação ao entrar na Bolívia, mas, ao ver a placa de estrangeiro, no primeiro pedágio que paramos o funcionário foi bem atencioso e fez questão de explicar tudo e ressaltar várias vezes para não perdermos o ticket para não precisar pagar os trechos novamente. A estrada que percorremos de Villazon até Sucre está em perfeito estado. Passamos vários vilarejos, dá para ver que as pessoas vivem com pouco, mas todas que tivemos contato foram muito simpáticas. Na época alguns trechos inteiros de pista e umas casinhas estavam pintados com azul, preto e branco e o slogan de Evo Morales, pois era ano de eleição. Não dava para imaginar toda a confusão que iria acontecer depois e que ele iria renunciar. De Tupiza até Potosí subimos muito. As montanhas, algumas ainda com neve na época, se espalham ao redor. É realmente muito bonito. Chegando em Potosí, a paisagem muda. A altitude é altíssima, se nota os efeitos da extração da prata no ambiente. A rodovia que vai até Sucre passa na parte alta da cidade, o transito é meio caótico, e do lado esquerdo dá para ver que a maior parte de Potosí fica no meio de um enorme buraco, cercado de montanhas. Passando Potosí a estrada começa a descer e se torna um emaranhado de curvas. A paisagem começa a mudar, aparecem mais tons de verde e chegando em Sucre se percebe, pelo menos ali, que a qualidade de vida é melhor. Chegando em Sucre, era em torno de 15h, fomos direto procurar uma hospedagem. Fomos pegos de surpresa pelo intenso movimento na cidade. Trânsito quase parado perto do centro e muita gente nas ruas. Acabamos ficando no Hotel Sucre, bem perto do centro, com estacionamento, café da manhã, banheiro privativo, TV. Se não me engano pagamos R$ 150,00 por uma noite. E foi barato, afinal chegamos bem no dia da festa da Virgem de Guadalupe. Nem sabíamos da festa, o pessoal do hotel que comentou com a gente assim que chegamos se tínhamos vindo até Sucre para ver a festa. Fomos até a rua principal ver os desfiles. São vários grupos que se apresentam. A festa é linda, cheia de cor, trajes típicos, música e dança. Vale muito a pena. Depois fomos ver as principais atrações turísticas do centro a pé, prédios históricos, igrejas, praças. Sucre é chamada de cidade branca porque a maioria dos prédios históricos estão pintados com essa cor. Sugiro que comprem umas empanadas em uma das padarias da cidade, são deliciosas. A dica alcoólica fica por conta da cerveja Paceña e dos vinhos finos produzidos na região de Tarija, sul da Bolívia. Chegando no hotel, fomos ver as notícias e realmente Uyuni havia reaberto, assim, resolvemos ir até o salar no dia seguinte. As simpáticas lhamas Propaganda do Evo Morales As incríveis montanhas bolivianas Mirante no caminho até Sucre Sucre...a cidade branca! A festa da Virgem de Guadalupe Dia 4, 15/09 Mais uma vez saímos cedo. Voltamos pela mesma estrada até Potosí, e dessa vez tivemos que passar no meio da cidade. Não pegamos trânsito porque era cedo da manhã. De Potosí até Uyuni a estrada também está em perfeito estado e passa por alguns vilarejos. As paisagens mais uma vez encantam e, chegando em Uyuni a estrada começa uma descida, ao longe já se avista o imenso Salar, é de arrepiar. Chegando em Uyuni, se pega a rodovia em direção a Colchani, que é onde se encontra o Salar. Nessa estrada colocaram um pedágio há pouco tempo e o asfalto está novíssimo. Logo após o pedágio está Colchani. É só entrar a esquerda na rodovia, passar o povoado e ir sempre reto para chegar ao salar. Quando planejei a viagem íamos contratar um passeio para conhecer o Salar, mas indo com o nosso próprio carro decidimos ir apenas até as atrações do começo do Salar, pois sem guia é perigoso adentrar muito o deserto de sal. Mas para as atrações que fomos é simples, tem a indicação até no google maps. Na dúvida siga os carros ou as marcas de pneu, elas estão bem fundas, e, após alguns km já dá para avistar o hotel de sal ao longe. Ficamos nas atrações ao redor do hotel, que é o marco das bandeiras e o monumento em homenagem ao rally dakar. E aproveitamos para tirar diversas fotos em perspectiva. Sorte que havia visto algumas ideias na internet para ter uma noção de como fazer. Ficamos um tempão nos divertindo tirando as fotos e admirando o salar. É uma paisagem impressionante. Como não íamos dormir em Uyuni por medo de talvez fecharem a cidade mais uma vez, seguimos em direção ao cemitério de trens para conhecê-lo e depois seguir viagem. O cemitério fica em Uyuni, é uma atração boa para tirar algumas fotos, mas nada espetacular. Perto das 14 horas seguimos em direção a Tupiza. O começo da estrada está ótima e também passa por umas paisagens lindas. Depois de Atocha, na época em que fomos ainda estavam terminando de asfaltar um lado, mas faltava bem pouco para terminarem a obra. O único problema é que, chegando em Tupiza, nem começaram a fazer a ponte para atravessar o rio Tupiza, assim, tivemos que atravessar o meio do rio, ainda bem que ele estava com um nível baixo hehe A notícia mais recente da obra entre Uyuni e Tupiza que descobri é essa: http://www.abc.gob.bo/?p=10347 Ou seja, ainda falta 1km para asfaltar a rodovia e fazerem toda a ponte. Decidimos passar a fronteira e dormir em La Quiaca. Assim, voltamos para a estrada que havíamos passado no dia anterior e, chegando em Villazon, vimos pela primeira vez um policial usando controlador de velocidade móvel na estrada. Dessa vez, para sair, havia mais movimento e, antes de estacionarmos o carro para fazer os trâmites, um policial da Bolívia nos indicou um local para estacionar e um escritório deles em que deveríamos ir. Fomos até o local indicado, ele pediu para entrarmos numa sala, entrou junto e fechou a porta. Pediu o passaporte e a declaración jurada, deu uma olhada e disse que a gente precisava dar uma contribuição para a polícia. Eu, com a maior calma do mundo disse, em espanhol, que havia gasto todos os bolivianos que tinha e só possuía meu cartão de crédito no momento. Ele não gostou nada, mas, não discutiu e nos liberou sem maiores complicações, ainda bem. Depois fizemos os trâmites para entrar na Argentina, inclusive dessa vez passamos a bagagem pelo raio X. Depois, fomos procurar um hotel em La Quiaca. Não foi muito fácil mas conseguimos um hotel bem aconchegante e barato numa rua só para pedestres, a Hostería La Quiaca, que tinha TV, banheiro privativo, estacionamento e café da manhã. Estrada de Potosí a Uyuni Uyuni e o salar ao longe Da rodovia de Uyuni a Colchani as construções em cima do salar parecem flutuar Caminho dentro do salar Marco das bandeiras Dá-lhe tricolor hehe Monumento ao Rally Dakar Foto em perspectiva Cemitério de Trens Estrada de Uyuni a Tupiza Dia 5, 16/09 Nesse dia aproveitamos para descansar um pouco mais. Tomamos café-da-manhã no hotel e saímos às 8h em direção a Salta, que já conhecíamos. Fomos direto no Cerro San Bernardo, que tem uma bela vista para a cidade de Salta. Para chegar pode-se usar o teleférico ou ir de carro mesmo, que foi o que fizemos. Depois fomos dar uma volta no centro histórico. Ao redor da Praça 9 de Julho se encontra a catedral, o cabildo e o Museu de Arquelogía de Alta Montaña (como era segunda-feira estava fechado, mas já havíamos conhecido o museu em outra oportunidade, é imperdível). Outras igrejas ficam a poucas quadras da praça. Após o passeio fomos para o apartamento que reservamos pelo airbnb. Cerro San Bernardo Vista do cerro Iglesia La Viña Cabildo Catedral Iglesia San Francisco Dia 6, 17/09 Dia de sair cedo pois tínhamos várias atrações pela frente. Da outra vez que fomos de Salta até Cafayate passamos pela Quebrada de las conchas, que é um caminho lindo, com atrações imperdíveis como a Garganta del Diablo e o Anfiteatro. Dessa vez queríamos conhecer a Cuesta del Obispo e a Quebrada de las flechas. Saindo de Salta, em El Carril entramos à direita na Ruta 33, passamos pela região chamada de Quebrada do Rio Escoipe e paramos algumas vezes para tirar fotos. Logo depois começa uma subida e um pequeno trecho de rípio, que é onde está a cuesta del obispo, cheia de curvas. Chegando no topo (3340m), a estrada volta a ser asfaltada e é onde está a Piedra del Molino e a capilla de San Rafael. Estávamos ansiosos para chegar no topo e tirar a foto da cuesta com suas curvas intermináveis, mas a natureza nos presenteou com uma surpresa maravilhosa, ficamos acima das nuvens, que taparam a vista da cuesta, mas que se estendiam até o horizonte e pareciam água escorrendo pelas paredes das montanhas. Muito lindo. Logo após está o Mirador Los Secretos Del Cardonal, de onde se tem a vista dos cactos do Parque Los Cardones. O parque está na beira da rodovia e é gratuito. Neste trecho também está a recta del Tin Tin, que é do período Inca. É incrível pensar em como conseguiram deixar o traçado perfeitamente reto sem a tecnologia de hoje, apenas usando fogueiras para servir como marcos alinhados. Passamos Payogasta e Cachi e a estrada passou a ser de rípio. O rípio não está no melhor estado, então é preciso dirigir com cuidado. Foi difícil passar do 60km/h. Mas valeu a pena pelo cenário. A quebrada de las flechas tem uma paisagem surpreendente. No caminho estão alguns mirantes para apreciar o cenário. A ruta volta a ser asfaltada em San Carlos. Chegando em Cafayate, fomos em duas vinícolas, a Piatelli e a Domingo Hermanos, ambas têm um atendimento muito bom. Já tínhamos ido em algumas da outra vez, e, como bons apreciadores de vinho, não podíamos deixar de ir em alguma vinícola de novo. Cafayate é uma cidade pequena, fácil de se locomover e localizar, tem vários restaurantes ao redor da praça. Dessa vez ficamos novamente em um apartamento pelo airbnb. Subindo a cuesta del obispo Paisagem maravilhosa Vicunhas Vista do Mirador Los Secretos Del Cardonal...ao fundo a recta del Tin Tin Passando a recta del Tin Tin Parque los Cardones Em direção a Payogasta Quebrada de las Flechas Dia 7, 18/09 Saímos cedo mais uma vez. De Cafayate até o Parque Ischigualasto as estradas estão em geral bem conservadas, todos os trechos estão asfaltados. Pegamos movimento na estrada só quando passamos La Rioja, que é uma cidade maior e com mais infraestrutura. No restante do tempo poucos carros nas Rutas, principalmente depois de Patquía, quase chegando no Parque. Chegamos no Parque Ischigualasto às 14h30 e fomos logo comprar os bilhetes para o passeio. Bem no estacionamento um zorro já nos deu as boas-vindas. Como o nosso tour só saía as 15 horas, aproveitamos para ver as casinhas que vendem artesanato e o museu, que possui alguns dos fósseis de dinossauro que foram encontrados no local (o parque está em uma das áreas de fósseis mais ricas do planeta), além da representação de todas as espécies de animais que viveram no local. O tour sai a cada hora (o último é as 16h), tem 3h de duração e se faz com o próprio carro, percorrendo os 40km de estrada de rípio do parque. O guia vai na frente em uma moto própria e para em 5 atrações. Antigamente a visitação podia ser feita sem guia, mas, devido à depredação do local pelos turistas, eles tornaram a presença do guia obrigatória. Se consegue ver do parque uma parte do Parque Talampaya, que acabamos não indo conhecer. O circuito é dividido assim: 1ª parada Valle Pintado; 2ª parada La Esfinge e La Cancha de Bochas (o número de pedras era bem maior há alguns anos, os turistas acabaram levando várias); 3ª parada El Submarino; 4ª parada Museo de Sitio William Sill, que explica um pouco do paleontólogo que fez o Parque Ischigualasto ser reconhecido no mundo e demonstra como é feito o trabalho de escavação; 5ª parada El Hongo. Em cada parada o guia faz uma explicação bem completa da atração que está sendo vista. A paisagem é única, vale muito a pena. Terminamos o tour às 18h e fomos até Villa Unión, onde ficamos no Hotel Valle Colorado, bom e simples, que tem banheiro privativo, frigobar, TV a cabo, ar-condicionado, estacionamento, micro-ondas, chaleira e café da manhã. Para quem gosta de vinhos, não deixem de ir em um dos mercados de Villa Unión e comprar um dos vinhos da região. Os vinhos riojanos não são tão fáceis de encontrar como os de Mendoza e de Cafayate, e são excelentes. Um zorro Fósseis do museu do parque 1ª parada - Valle Pintado 2ª parada La Cancha de Bochas Ainda na 2ª parada La Esfinge Fundos do Parque Talampaya 3ª parada El Submarino 4ª parada Museo de Sitio William Sill 5ª parada El Hongo Dia 8, 19/09 Saímos cedo novamente. De Villa Unión até Córdoba as estradas estão em ótimo estado. Depois de Capilla del Monte o movimento de carros aumenta bastante e passando Valle Hermoso a estrada vai subindo uma serra muito bonita. Vale a pena passar por esse caminho. Chegando em Córdoba o movimento é intenso. Fomos direto para o apto reservado pelo Airbnb, que ficava bem pertinho do centro, arrumamos nossas coisas e fomos aproveitar a cidade a pé.Passamos pela Manzana Jesuítica, a Plaza San Martín e a Catedral, todos os lugares muito bem conservados. Também passamos no Museu da memória, que fica na Calle San Jerónimo, que possui um grande acervo contando a história e dando nome e rosto para as pessoas que sofreram com a ditadura militar da Argentina. É um museu com um clima pesado pelo tema, mas super completo e necessário para esse triste momento da história nunca ser esquecido. Depois fomos no Paseo del Buen Pastor, um complexo cultural onde antigamente era uma capela e, pertinho dali está a Paróquia do Sagrado Coração dos Capuchinhos, linda igreja de estilo neogótico. Manzana Jesuitica Catedral de Córdoba Museu da memória Paseo del Buen Pastor Paróquia do Sagrado Coração dos Capuchinhos Dia 9, 20/09 Nesse dia saímos às 5h porque teríamos muita estrada pela frente. Até a fronteira com o Brasil as estradas estão em ótimo estado, apenas alguns trechos na ruta 127 estão um pouco esburacadas. Passamos pela policia caminera de San Jaime de la Frontera e, dessa vez, não fomos parados. Sempre entramos no Brasil por Uruguaiana, mas, como de Uruguaiana até São Borja a estrada está muito ruim, decidimos pagar o caríssimo pedágio de Santo Tome (+-R$ 50,00) e entrar por São Borja. Pelas condições da estrada e a economia de tempo que tivemos valeu a pena, a viagem rendeu muito mais. Em Ijuí ficamos no Hotel 44, que fica bem na rodovia. É um hotel muito bom, com estacionamento, banheiro privativo, TV a cabo, e um café da manhã excelente (esse nós aproveitamos). Além disso, a tarifa nos finais de semana é mais barata. Dia 10, 21/09 Último dia de viagem. Depois do café, direto pra casa. De Ijuí a Panambi a estrada está em estado razoável. De Panambi até Palmeira das Missões a rodovia tem uns trechos bem ruins e de Sarandi a Chapecó ela está ótima, acabaram de asfaltar. E essa foi nossa aventura, espero que tenham aproveitado esse relato. Foi incrível ter relembrado tudo, é viajar de novo. Apesar do percalço de Uyuni, no fim da viagem ficamos felizes com o que aconteceu, pois ter conhecido Sucre foi maravilhoso. Fica a torcida para que a pandemia passe logo e nós, viajantes, possamos continuar desbravando esse mundo enorme e cheio de surpresas!
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