Ir para conteúdo

diegosolamito

Membros
  • Total de itens

    23
  • Registro em

  • Última visita

Reputação

0 Neutra

Bio

  • Ocupação
    cozinheiro

Últimos Visitantes

O bloco dos últimos visitantes está desativado e não está sendo visualizado por outros usuários.

  1. diegosolamito

    Jalapão

    Olá, tenho grande interesse em conhecer o Jalapão. Mas tenho 2 sérias restrições: 1) Iria sozinho. 2) Não quero ir com guia. Já li muitos relatos, mas todos incluem um carro 4x4 (seja alugado ou com guia). Eu gostaria de saber se existe algum roteiro de 4 ou 5 dias que eu poderia fazer conhecendo bons pontos de interesse apena andando? Estilo uma travessia de 5 dias. ou não existe nenhum apanhado de atrativos que se encaixaria nisso?
  2. Fumacinha, a Intocável A Fumacinha era um destino certo desde a primeira vez que eu comecei a namorar a Chapada Diamantina, ainda nos planos, ainda nos sonhos. Quando fui a primeira vez à Chapada, no entanto, não tinha nem como cogitá-la, pois eu ainda não sabia como as coisas funcionavam por lá na Chapada, não planejei alugar carro, e foi então que descobri que a Fumacinha estava bem escondidinha, lá no Sul do Parque. Eu sabia, então, que ela requisitava um estudo e planejamento só pra ela. Um ano mais tarde, eu voltei à Chapada, isso já em 2014, com a ideia certa de conhecer, em uma viagem só, de 5 dias, a Fumaça por Baixo (passeio de 3 dias) e a Fumacinha (passeio pesado de 1 dia só). Mas aconteceu o que acontece com seres humanos: não aguentamos o tranco: fizemos a Fumaça por baixo, mas arregamos em fazer a Fumacinha - As energias estavam esgotadas quando chegou a vez dela. E agora, depois de ter feito a Fumacinha em 2015, eu e Paulo (amigo que me acompanhou nesse grande reconhecimento da Chapada durante já 3 expedições em 3 anos) chegamos a conclusão que fizemos uma excelente decisão em ter postergado esse passeio para 1 ano depois: Jun/2015. A Fumacinha requisita um planejamento, mas não só isso: ela requisita que você poupe energias para conquistá-la. Sem gasto de energia você não vai conseguir. Então foi que dessa terceira vez que planejei a Fumacinha, todo o planejamento da viagem rodou ao redor dela. O planejamento foi todo feito em cima dela, de forma a que nada pudesse atrapalhar a sua realização. Desde o aluguel do carro, desde o posicionamento da trilha em um dia em que estívessemos descansados, o planejamento do translado até Baixão e a possibilidade de acampar já adiantados na trilha, próximos a Baixão. Saiba que Fumacinha não é um desses passeios que se faz de improviso. É preciso sim deixar as coisas prontas e planejadas, caso contrário você tem muitas chances de não obter sucesso, ou abortar o passeio - talvez mesmo antes de começar. Programamos o aluguel do carro, programamos o que faríamos no dia anterior, e onde estaríamos na véspera do Dia D. A ideia era dormir em Baixão e começar o passeio o mais cedo possível. A Fumacinha é um passeio que não dá pra você só falar da trilha em si, é necessário falar de toda a programação do dia anterior (...como se a trilha por si só não bastasse. Se basta…) Então a nossa jornada começa no dia 05 de Junho, uma sexta-feira, fizemos um passeio light na Cachoeira Buracão (que já tínhamos visitado em 2014), saímos de Buracão direto para Baixão. A vantagem dessa logística é que o Parque de Buracão fica na metade do caminho entre Fumacinha e Ibicoara. Poupamos uma viagem de ida e volta para Ibicoara além do que iriamos começar o passeio muito mais cedo (dormindo em Baixão) do que quem dorme em Ibicoara (a 30km de estrada de terra do início). Tudo isso para evitar o fracasso de uma trilha que, já sabíamos, seria difícil. Antes de pegar essa estrada, é necessário um flashback importante…. No dia anterior (dia 04 de junho, quinta feira) quando chegamos à Ibicoara, já tínhamos um guia contratado para fazer Buracão conosco na sexta-feira. Mas , assim que chegamos a Ibicoara o guia nos sugeriu trocar o passeio de Buracão com Fumacinha (isto é, fazer Fumacinha primeiro pra depois fazer Buracão). Ele sugeriu isso por duas razões: pois ele sabia que nossa prioridade era Fumacinha (ele já sabia que conhecíamos Buracão) e porque ele havia nos informado que a previsão para sexta era nublado, mas que para sábado era de chuva. O que acontece é que a Fumacinha com chuva é um passeio bem complicado. Recebemos a notícia apreensivos, mas… o que podíamos fazer? Dia 04 de Junho - A Véspera do Dia D Nesse dia 04 que chegamos à noite em Ibicoara tinha sido o dia em que tínhamos vindo direto desta trilha - a trilha mais estressante de todos os tempos. Não estávamos cansados só fisicamente, mas também psicologicamente. Era impraticável cogitar a ideia de emendar Fumacinha já no outro dia por causa da previsão de chuva. Se uma chuva no sábado atrapalhava os planos, o nosso estado na quinta feira simplesmente inviabilizava a troca dos passeios Buracão e Fumacinha. Foi por essa razão que apesar de o universo estar conspirando contra todos os nossos passeios nesse reconhecimento 3 , em 2015, da Chapada, nós batemos o pé e mantivemos o nosso planejamento: TINHA que ser Buracão na sexta (pra relaxar e abastecer o tanque) e Fumacinha no sábado quando estivéssemos 100% novamente, apesar da provável chuva. Na sexta-feira fizemos o passeio de Buracão, tranquilos e sem pressa, a trilha é curta e usamos o passeio mais pra “descansar” (Apesar que ficar curtindo a Buracão é algo cansativo, pois é um poço com muita correnteza e muito gelado - se gasta muita energia também). Mas depois de curtir a Buracão ficamos um tempo na Cachoeira das Orquídeas (cachoeira anterior a Buracão). Esta, muito mais tranquila, com poço raso, sem correnteza, com sol batendo, e locais para se descansar. Ficamos um pouco lá (com o nosso guia morrendo de fome, doido pra voltar pra sede do parque enquanto a gente nadava e tirava fotos) acumulando energia para o dia que estava por vir. Saímos cedo ainda do complexo do Buracão, algo próximo as 16h, porque queríamos chegar ainda com luz do dia na bucólica vila de Baixão. A Bucólica vila de Baixão Confesso que eu estava muito curioso para chegar nessa vila. Uma vila esquecida pela tecnologia, sem telefone, sem internet, com apenas TRINTA habitantes (segundo a dona Bia que mora lá), palco de um dos maiores tesouros do Brasil. Eu queria chegar cedo em Baixão também porque eu não sabia muito bem como as coisas funcionavam lá. Eu sabia apenas que era uma vila pequena, que tinha alguém lá que oferecia comida e TALVEZ estadia. Estávamos preparados (MAIS OU MENOS) para dormir em barracas, de qualquer forma. O “mais ou menos” se deve ao fato de eu não ter podido levar o meu cartucho de gás para esquentar nossa comida, (pois fui de avião) e acabamos esquecendo de comprar esse cartucho em Salvador - ao que parece, único local no circuito Salvador-Andaraí-Mucuge-Ibicoara que vende esse item de camping. Não havia esse item disponível nessas cidades que passamos. Tínhamos a tiracolo apenas barras de cereais, biscoitos e um tolosco de mortadela (salvadora mortadela!) para o caso de nenhuma comidinha caseira ser oferecida para nós na tão esperada vila: Baixão. O Tote, o nosso guia que tivemos contato em Ibicoara nos indicou a Bia: segundo ele, ela iria nos oferecer comida e estadia (não é hotel, nem pousada, nem albergue) é apenas a casa dela que tem quartos sobrando, e ela oferece os quartos por uma quantia a combinar com ela. Como eu sabia que era uma vila pequena, sabia que a luz do sol deveria ditar bastante os horários por ali. Então eu temia chegar após as 18h e encontrar todo mundo dormindo, inclusive a Bia. Isso significaria dormir na barraca (ok, dá pra aguentar) comendo mortadela (morrer a gente não morria, mas quanto vale uma comidinha caseira e um colchãozinho gostoso?) Se fossemos pensar bem, até mesmo isso impactava no sucesso de Fumacinha no outro dia. Uma boa noite de sono era fundamental! Mesmo porque, de fato Tote estava certo, consultando o climatempo (isso antes de ir a Buracão, porque depois de chegar em Buracão ficamos desconectados do mundo) indicava dia nublado o dia todo e chuva a qualquer hora para o sábado dia 06, o dia D que escolhemos para nos curvarmos à Fumacinha. “Chuva a qualquer hora” era melhor do que “chove o dia todo”, mas com certeza não era o melhor dos cenários. Saímos tranquilos, então, de Buracão, direto em direção a Fumacinha. O Tote nos deu essas dicas pra tornar possível essa logística favorável e foi por isso que contratamos um guia para Buracão diretamente la na porta do parque - é que se ele tivesse vindo conosco de desde Ibicoara, nós teríamos que voltar a Ibicoara para deixá-lo lá de volta (a maioria dos guias ficam em Ibicoara) e então retornar a Baixão. Tendo contratado um guia na porta de Buracão, não demos nenhuma volta, saímos do parque e fomos direto para Baixão (sem precisar voltar à Ibicoara). Tenho que admitir que, apesar dos pesares dessa viagem, o dia da véspera à Fumacinha saiu perfeitamente perfeito. Tudo conforme o esperado. Er, bem, quase tudo. Tirando o fato de que arranhamos o carro depois de uma derrapada fora dos planos na estrada de terra do Buracão (e sofremos até o final da viagem achando que íamos pagar o olho da cara - mas não pagamos o/ [não corra na estrada de terra!]) e o fato de na saída de Buracão eu ter esquecido a minha carteira no teto do carro, saímos fora e de repente eu vejo uma coisa preta voando ao lado da janela? Não sei como eu chutei que era alguma coisa minha mesmo. Recuperei a carteira, eta carteira aventureira!!! Mas tirando esses dois insanos itens, sim, foi tudo perfeito! E chegamos em Baixão aproximadamente às 17h. A estrada não é complicada, qualquer um consegue te explicar, são poucas as bifurcações confusas. Não precisamos parar nenhuma vez no meio para perguntar outras pessoas. Passamos o Brejão e então chegamos à Baixão. Chegando lá, vimos 3 senhores de mais idade sentados na “calçada” em frente a algum comércio qualquer (o único da vila, obviamente). Paramos ali e perguntamos por Bia. Eles logo apontaram para trás e disseram que era “naquela casa amarela”. Bem, não tinha muito como errar por ali. Na direção apontada só havia uma casa, não era amarela, mas estava na direção que eles apontaram. Era a primeira (ou quase, eu acho..) casa da vila. De lá saia uma animada e sertaneja-brega música. Pelo jeito deveria ser lá, pois na porta da casa tinha algumas mesas de plástico como se ali fosse uma espécie de bar, mas sem nenhum cliente por ali. Será que aquilo enchia mais tarde? Afinal , era sexta-feira! Chegamos e logo Bia apareceu à porta. Muito simpática, parece que já esperando por visitantes de Fumacinha. Não é uma cachoeira que fica entupida de gente - talvez porque ainda é pouco conhecida e porque é difícil de chegar - mas ao que parecia Bia estava acostumada a receber visitantes. Ela logo comentou o que tinha a oferecer: como Tote havia comentado, realmente havia a tão sonhada comidinha caseira (se fosse só a comidinha já era meio caminho andado!) mas ela disse também que realmente oferecia quartos para dormir. Nós não tínhamos planejado esse gasto, mas eu decidi que ali seria um bom momento para realizar o “gasto surpresa” , aquele gasto que vc esquece do bolso e faz com gosto, pelo bem do passeio. Se existia um passeio em que eu queria investir para que ele saísse o melhor possível era a Fumacinha. Eu perguntei qual era o preço para Bia, pois eu não tinha ideia de o quanto ela cobraria por ali. E a princípio ela me ofereceu quartos por um preço muito alto. Eu prontamente tive que declinar, lhe disse que por aquele preço não dava. Eu não estava querendo ser chato e não estava barganhando, apenas era um preço aquém do que o meu “esquecimento de bolso” poderia arcar. A gente esquece, mas tudo tem um limite. Eu confesso que esperava que ela fizesse uma contra-proposta mesmo. Ela comentou que na vila existem mais duas casas que oferecem estadia. Eu perguntei curioso “é mesmo? mas percebi prontamente que ela ficou preocupada com a minha curiosidade e ofereceu um preço muito mais em conta para os quartos na mesma hora. Eu juro que não perguntei “é mesmo” como chantagem do tipo “se você não abaixar o preço vou para outra casa então!” Juro que não foi! Mas sem querer soou assim, eu fiquei um pouco sem graça, e lhe comentei que nós estávamos preparados para dormir na barraca, que não queria incomodá-la, e que se não fosse possível fazer aquele preço mais acessível (e que eu podia pagar) que não haveria problema algum, ficaríamos, já, muito satisfeitos só com a comida caseira, seria o máximo! Mas ela insistiu e disse que não tinha nada, continuou 100% simpática, e que ali não tinha disso não, que o que pudéssemos contribuir estava valendo! Tudo se ajeitou assim então, ela nos mostrou o quarto, em sua singela casa, grandinha até, com quartos sem porta, só uma cortininha: coisas que só em uma vila de 30 pessoas você vai ver. Tiramos algumas coisas do carro, curtimos o visual da vilinha nas últimas horas de sol, babando principalmente no paredão típico da Serra do Espinhaço, aquele que te dá vontade de tirar fotos sem parar. Lá pelas 17h, a gente escutou que a Bia estava mexendo na cozinha e não deu nem 17h30min ela perguntou: “já querem jantar?” Consultei 3 vezes o relógio, mas era isso mesmo. Janta às 17h30min!!! Ok, eu sabia que as coisas eram mais cedo na roça, mas eu não sabia que era tanto! Falei com ela que gostaríamos de jantar um pouquiiiinho mais tarde (isso pra mim equivalia no mínimo as 20h), mas eu sabia que não ia dar pra segurar tanto, pelo jeito Dona Bia ia dormir cedinho todo dia hein. Arrumamos nossas coisas, e depois de mais duas chamadas pra jantar, conseguimos postergar a janta para às 19h30min (já foi uma boa vitória). Sentamos à cozinha, experimentamos uma deliciosa comidinha caseira, simples, mas gostosa, com direito a cuscuz (é isso mesmo, Paulo?) e um bifão de carne (há alguns dias que não víamos isso). Tinha um gostoso suco natural e já as 20h estávamos quase pronto era pra dormir mesmo. Acho que lá pras 21h Bia já se preparava para dormir, acompanhamos o balaio, visto que no outro dia 6h em ponto deveríamos estar de pé, e botar o pé na trilha no máximo, estourando, as 7h da manhã. Não tive uma boa noite de sono, porque havia muitos mosquitos ali (aliás, sofri a viagem toda em todos os destinos com mosquitos) mas dessa vez, na casa da Bia foi de besteira: no quarto tinha um mosquiteiro, mas eu esqueci de usar! De qualquer forma, deu pra descansar e então as 6h da manhã o despertador tocou. O Dia D acordou feio - Quase começando a trilha Acordei. Durante a noite escutei chover muito. Tomara que tenha chovido tudo que tem pra chover - pensei. Saí do quarto e abri a porta da casa enquanto a dona Bia já arrumava o nosso café da manhã - dentro do pacote combinado. Olhei pro céu, mas nem precisou levantar a vista muito : céu completamente nublado com muita neblina, nuvens carregadas de garoa. Not good… Parece que chutamos o pau da barraca, porque a essa altura do campeonato, mesmo que já sabendo que a previsão era ruim, acho que acreditamos que ela poderia errar. Mas agora tendo visto que a previsão não errou, já estávamos nos sentindo no estilo “estamos no inferno abracemos o capeta” ou na mais literal de suas concepções: “se estamos na chuva, vamos então nos molhar!” Não sei aonde foi parar o meu maior medo nessa trilha, o de uma tromba d’água. Mas talvez esse medo tenha se amenizado um pouco quando Tote, quando ainda em Ibicoara, nos deu alguns toques e recomendações. Eu lhe comentei sobre o meu medo de enfrentar uma tromba d’água, mas ele olhou pra mim e disse: “Tromba d´’agua?? Ah nãão… relaxa! Lá durante a trilha tem lugares laterais de escape. Só dá problema mesmo se você estiver no ponto ‘bla’”. Ele falou o que era esse ponto blá, mas eu não me lembro mais qual era esse ponto e não tive tempo ou nem me atentei para tentar identificar qual era a parte da trilha onde essa questão era crítica. A questão é que ele disse é que havia apenas um trecho onde uma tromba d'água poderia ser fatal, de fato. E isso só aconteceria com muito muito azar. Foi uma boa notícia, pois uma das coisas que mais temia nessa trilha era de fazê-la com chuva. Segundo Tote, o maior risco mesmo era de tombos e fraturas durante a expedição pelo leito do rio. Eu já havia feito uma trilha sobre leito de rio em época chuvosa, o famoso Canion do Peixe Tolo e sua sombria cachoeira, há muitos anos atrás quando eu ainda nem sabia o que era uma tromba d’água. Mas agora em Fumacinha, muitos anos depois, eu sabia bem, e nunca me sai da cabeça aquele vídeo de uma tromba d´água em algum país oriental (Índia?) Matando uma família inteirinha. Eu sempre tenho na minha cabeça que ou eu morro de cobra ou eu morro de tromba d’água. Não sei qual dos dois prefiro mais… Enfim, o comentário do Tote havia me deixado mais tranquilo, e sobre a caminhada sobre leito do rio, eu achava que ia tirar isso de letra. Modéstia a parte, eu tenho uma boa habilidade em andar em pedras, eu considero que é uma das minhas maiores habilidades em trilha. Não que seja difícil, mas acho que isso foi o que mais treinei em toda a minha história de trilheiro, digamos assim - se aqui conto todos os anos desde moleque onde corria o rio da Cachoeira Véu da Noiva, da parte debaixo até a parte de cima, várias vezes em um mesmo dia… Tomamos o café então, com frutas, suco, um café com leite gostoso e quentinho pra começar a esquentar aquele dia… porque tava frio. Não terrivelmente, mas algo em torno de 20 graus. uma chuvinha fina…. A Trilha As 7h em ponto nos despedimos da Dona Bia, deixamos o carro estacionado ao lado da casa dela (ela estava indo pra Ibicoara no fim de semana mas falou que podia deixar o carro lá estacionado tranquilo) e começamos a andar em direção à Fumacinha. Da casa da Bia até o início da trilha são 1,41km de estrada de terra tranquila. Decidimos fazer esse pedaço a pé também por pura muquiranice, pois a Dona Bia nos disse que lá onde se deixa o carro, o carinha que mora ao lado costuma cobrar uma taxa. Indo a pé não tem taxa. A bia falou que eram 10 minutinhos até o inicio da trilha, então achamos que pagava a caminhada a mais. Esses 1,41km dá um pouquinho mais que 10min (que a Bia falou), mas mesmo assim é tranquilo, estrada plana. Começamos caminhando de boa, mas já de cara com chuva, chuva fraquinha, apenas botando um medinho sobre a possibilidade de não conseguirmos completar. Liguei o GPS e apesar do tempo horrivelmente feio e fechado, o meu bom e velho Garmin aguentou o tranco e conseguiu, durante esses 1,41km iniciais encontrar os satélites e começar a me guiar. Um pouco antes de chegar até a porteira onde a trilha se inicia um carro passou por nós, e era de Salvador, muito provavelmente - pensei então - não seríamos os únicos malucos a fazer aquela trilha naquele feio dia. Isso era uma boa notícia, pois sofrer um acidente no meio da Fumacinha, sem gente pra apoiar, não deve ser das coisas mais agradáveis. Eu tinha o track da trilha, passada por um amigo meu (ainda difícil encontrar esse track na internet) e então começamos bem. Logo chegamos na cancela que a Bia havia informado que tínhamos que virar. Batia com o que estava no GPS mas mesmo assim confirmamos com um senhor que estava na casa ao lado (provavelmente o cara que cobra a estadia de carros) e ele confirmou a passagem. Não era uma cancela, era uma porteira. mas vai saber, devem chamar cancela e porteira tudo igual. Esses primeiros metros da trilha eram uma trilha com muito mato, era uma passagem de carro mas visivelmente há muito tempo não usada. Até mesmo para andarilhos o mato estava alto. A lembrança da cascavél da trilha de 2 dias atrás ainda reinava minha mente, assim que fomos com calma. Mas esse matinho chato durou pouco, só até encontrar com outro braço da trilha já logo nesse início. E nesse braço encontramos certinho com o grupo do Carro de Salvador, como previsto. Isso foi bem no comecinho mesmo. Eu achei ótimo termos companhia, pois podíamos precisar sim. Desde os primeiros segundos já tinha dado pra perceber que era um guia que estava à frente do grupo, devido a seu linguajar e palavras de incentivo ao resto do grupo, formado por mais 3 pessoas (um casal de jovens , e uma mulher de uns 30 e tantos, me parece). Nós ficamos na frente do grupo e então íamos ouvindo/pescando algumas coisas que o guia ia falando sobre a tirlha. Disse ele que eram 3km de trilha normal antes de começar a pular pedra. E ele estava indo num ritmo bom, então assim fomos também em um ritmo forte nesse começo até que chegamos na primeira travessia do rio. Importante comentar que a primeira travessia do rio é uma quebrada de trilha à direita que pode sim confundir. Não há placas, e desavisados podem seguir direto (como quase nós seguimos - só não , por causa do GPS e confirmação do grupo com guai que vinha logo atrás). Acredito que a trilha que segue direto deve ir a outra cachoeira, muito provavelmente a Cachoeira Véu da Noiva (mas nõa tenho certeza.) Chegamos ao rio e aí veio um primeiro testinho, uma passagem pelo rio, mas molhando os pés. Tiramos os tênis e atravessamos ele com uma pequena dificuldade. Não estava cheio o rio, mas também não vazião. O grupo com o guia teve alguma dificuldade para atravessar, nós passamos mais rápido e seguimos viagem. Não queríamos que parecesse que estávamos bicando o guia, pois nós não pagamos, e eu acharia falta de educação fazer isso. Estávamos lá por conta própria. Nesses primeiros minutos de contato com o grupo, deu pra perceber que o guia não estava muito aberto a nos ajudar, de fato. Pelo menos isso foi o que ficou transparecendo. Logo depois da travessia do rio, andamos mais um pouco de trilha e então chegamos mais uma vez ao leito do rio. Chegamos antes do grupo e eu presumi que ali já tínhamos que atravessar o rio novamente. Cruzamos sobre pedras mas logo chegou o grupo atrás e o guia tomou outra direção, subindo o leito do rio rente a borda direita mesmo, sem atravessá-lo. Bobos que não somos prontamente voltamos para a borda direita do rio (nessa parte não molhava os pés, pois tinha muitas pedra altas) e subimos mais um pouco. Aqui aconteceu algo que se repetiu algumas vezes durante o passeio. O guia dava uma paradinha qualquer dizendo que o grupo tinha que olhar não sei o que, ou pra descansar, ou pra tirar alguma foto, e nos deixava passar dizendo que “estávamos em um passo melhor e mais rápido”. De fato estávamos mais rápidos mesmo. Mas na segunda vez, aconteceu de novo que tentamos investir em uma passagem pelo rio que não estava dando resultado e um pouquinho mais a frente o grupo nos alcançava de novo e então o guia mostrava algum canto muito mais rápido de se ir. Nós parávamos , voltávamos a segui-lo. Então o guia parava o grupo, deixava a gente passar e íamos por conta própria à frente novamente. A sensação que tínhamos é que o guia não queria nos mostrar o caminho correto. Pois ocorreu algumas vezes de estarmos bem a vista dele, ele ver claramente que estávamos indo pra algum lado errado, ele nada falava e então só sabíamos que estávamos errados porque ele já estava indo com o grupo por outro lado. É importante salientar que nesse comecinho de investida no leito do rio, ainda há alguns pedaços onde há algumas trilhinhas significativas na parte direita do rio que podem ajudar a ganhar um tempinho. Mas isso é só mais no comecinho mesmo. Quando falo “lado errado”, não pense que existem muitos lados pra se ir. Na verdade, chegado o segundo encontro com o rio, não tem muito pra onde fugir. É só seguir o leito do rio. Mas isso dito assim pra quem imagina a trilha abstratamente, imagina um leito bonitinho onde é só ir subindo sem nenhum problema. Mas não é bem assim. No começo erramos 2 vezes antes de chegarmos ao nosso primeiro grande erro. O 1o. grande erro Dai, um pouquinho mais a frente chegamos em um primeiro ponto importante da trilha. Um super poço, grandão, onde na parte direita havia um paredão de pedras - impossível passar - e a parte esquerda que parecia oferecer uma passagem. Não pensamos duas vezes, e atravessamos então o rio para a parte esquerda, para tentar atravessar o poção - primeiro obstáculo significativo da trilha. Fomos indo, subindo pedra, passando pela lateral, até que….. fim da linha. Chegamos em um ponto alto, uma pedrona grande e alta, que não permitia continuar de forma segura até o fim do poção. Enquanto isso, imagina o que acontece..? Isso mesmo. O grupo com o guia nos alcançou novamente e começa a atravessar o poço por onde…. ? Pelo impossível paredão da direita. COMO??? (pensamos ambos ali, estupefatos enquanto voltávamos pernadas atrás para corrigir o erro). Assim... não foi nada demaaais esse erro, mas começamos a perceber que cada errinho em cada parte do leito do rio ia acumulando, e isso podia custar muito caro ao passeio. O que estava me deixando completamente tranquilo é, que se o grupo do guia - que estava muito mais lento - ia chegar, nós com certeza também íamos chegar, então não tinha tanto problema assim. Perdemos 10minutos nessa brincadeira de tentar atravessar o poção pela esquerda, voltamos e alcançamos o grupo no começo do paredão à direita. Mas eu estava muito curioso pra saber como é que ele ia fazer pra atravessar a segunda parte do paredão que simplesmente não oferecia apoio pra continuar sem que se nadasse no poço. Será que era nadando???? Eu não lembrava disso nos relatos, mas parece que ia ser assim! Em uma parte do paredão era preciso se agachar e era preciso ir com bastante cuidado pra não cair na água. Não era perigoso, pois qualquer coisa caía no poço, mas era bem perigoso pra todos os meus itens eletrônicos . De jeito nenhum que eu poderia cair! Logo depois dessa passagem pela “pedra rachada” (ponto clássico da trilha) chegou a hora H! Quero ver passar agora, seu guia! (pensei eu). E então ele diz: Agora é só pisar aqui: PLEC. Tchanaaaaam! Mas o que???? Quem diria?? Colado ao paredão, tinha um chão “secreto” submerso, mas invisível, porque a água de fumacinha é muito escura e não permitia ver. Só mesmo conhecendo aquele pedaço pra saber que tinha um chão fininho, uma espécie de passarela colado ao paredão, tipo, poucos metros, cerca de 10 metros de chão invisivel submerso, certinho pra atravessar o resto do poço!!! Nessa hora eu pensei comigo mesmo: “Como eu ia saber que era aqui ??? NUNCA!” Foi nessa hora que tive raiva do meu amigo Wiliam que não me falou desses trechos complicados da trilha?? Segundo relatos que li , todos diziam “é só seguir o leito do rio”. Como assim “só”? É 1 rio só mesmo. Mas não é simples. Pelo menos não estava sendo! Como se o leito do rio fosse uma passarela?? A questão é que cada errinho daqueles impactava no passeio. Bom, mas o pior não era isso. O pior era ter constatado que se aquele guia não estivesse ali, teríamos gastado MUUUUITO mais tempo pra ter descoberto aquela passagem secreta! Sério. Pra mim, aquela passagenzinha foi tipo um empurrão em uma parede no jogo Wolfeistein 3D, achando uma passagem secreta! Muito difícil de ver! Enfim, ultrapassamos o guia de novo na já conhecida tática dele de nos deixar passar. Passamos pelo poço, subimos uma seguinte passagem onde havia uma corda para ajudar a subir a pequena queda d’água daquele poço e continuamos subindo. Logo depois, matutando com os meus botões, de repente, me veio algo a mente. É que eu percebi que estávamos muito lentos, muito mesmo, afinal estava chovendo fraco e todas as pedras estavam totalmente molhadas e bem escorregadias, não dava pra botar quinta marcha. Eu julguei que NUNCA que aquele grupo chegaria a tempo em um dia só. Foi aí que eu comecei a desconfiar que aquele grupo não iria fazer um bate- volta para Fumacinha, mas sim que iriam dormir no meio do caminho. Nessa hora eu confesso: me bateu um desespero. É porque eles poderiam estar preparados para pernoitar por ali, mas nós não estávamos.. Então se eles àquela velocidade iam pernoitar, nós precisávamos andar a uma velocidade muito maior do que a deles! Sei lá se foi isso que de repente fez a gente errar menos. A questão é que depois deste grande erro no primeiro poção da trilha nós disparamos na frente. Ficamos calculando eu e Paulo se eles de fato iriam acampar? Não estava com cara! Porque nenhum deles estava levando muita coisa e o único que estava levando um mochilão era o guia, mas mesmo assim não tinha muita coisa. Parecia apenas uma mochila um pouco maior com alguns primeiros socorros. Só se eles fossem acampar em algum lugar sem mochila! (só ao teto do luar, estilo tinham feito os pernambucanos na Toca da Capivara, 1 ano antes, la na trilha da Fumaça…) Pelos meus cálculos, era isso aí. Qualquer hipótese estava um pouco estranha: tanto o guia ter uma barraca mágica a tiracolo que cabia 4 pessoas, tanto quanto aquele grupo topar acampar sem barraca (o grupo não estava com cara que ia encarar esse tipo de coisa) tanto quanto chegar a tempo pra só um bate-volta! A aquela velocidade, sério: eles não iam chegar nunca! Mas nós vamos! E foi assim que continuamos, então, rio acima! Depois desse poção seguimos, lentos, mas seguimos. Tivemos mais alguns pequenos erros. Mas aquele grande erro no primeiro poção nos deixou mais ligadões, eu acho. Para duas coisas importantes: A primeira é olhar com mais cautela antes de tentar o que parecia mais óbvio “Nem tudo que reluz é ouro”. E o segundo acreditar que o que parecia impossível talvez não fosse. Erramos pouco e assim seguimos bem por uma boa parte do leito do rio, sem mais surpresas. E depois que passamos o primeiro poção, não teve outras trilhinhas significativas não. Foi tudo mais ou menos em cima do leito do rio mesmo e aos poucos eu já estava percebendo uma coisa que eu já suspeitava desde o princípio: o GPS não ajudava muita coisa sobre o leito, devido a uma necessária micro-localização, dentro de um canion e com o dia nublado? Sem chance. Não tinha micro-localização. A única coisa pra que o GPS servia naquele momento era pra confirmar que estávamos no rio certo (heheheheheheheh - mas iremos lembrar desta risada mais tarde). Mesmo assim, virava e mexia eu dava uma olhadela no GPS pra confirmar que estava tudo ok por enquanto. Já eram 9h30min e ainda estávamos muito, muito longe de Fumacinha. Pelos meus cálculos, apesar de nossa bela velocidade, não ia dar tempo. Cada vez mais eu me convencia que apesar da improvável hipótese, ela é que parecia ser mais provável: o grupo do guia TINHA que acampar por ali, pois não iam conseguir de jeito nenhum! Numa dessas olhadelas no GPS, bateu um levezinho desespero quando percebi que por alguma razão que não sabia qual, a última parte do track até Fumacinha não tinha subido (ou o GPS tinha dado pau). Nada demais já que era só seguir o leito do rio A NÃO SER Pelo fato de que eu sabia que mais adiante o rio se dividia em dois! Sim o rio se divide. Eu sabia que sim! Tinha até marcado o lindo ponto “Bifurcação Y” no track, mas o ponto sem linha nada informava! Eu tinha estudado a bifurcação no mapa. Só queee… so queeee… eu não sabia pra qual dos dois lados eu deveria ir. Não não não mesmo! Não decorei porque “pra decorar se eu tinha o track!” Bateu sim um levinho desespero mas decidi omitir essa informação do Paulo, porque eu precisava do otimismo de alguém na trilha visto que o meu , minuto a minuto estava começando a morrer. Eram 9h50min, e ainda estávamos muito longe do destino final. Pelo meus cálculos, nós deveriámos estar na Fumacinha no MÁXIMO até as 11h da manhã. Isso daria 4h de trilha, botando + 4h pra voltar, isso nos daria o privilégio de 1h curtindo a Fumacinha e assim chegando ainda com luz do dia em Baixão as 17h , tranquilos. Eu confesso que antes de começar a andar no rio, achei que íamos estar muito mais rápidos do que de fato estávamos indo. Eu estimava que íamos sim conseguir a trilha em 3h30min, abaixo da média 4h que se ouve por aí. Mas pelo andar da carruagem, não era bem isso que estava se desenhando. Apesar do meu otimismo estar morrendo de gota em gota, tipo a chuva que não parava de cair, continuamos muito bem e num ritmo forte, apesar de lentos, pois estávamos sobre um leito de rio com pedras grandes, molhadas e bem escorregadias. Levamos alguns tombos, mas poucos, e nenhum deles significativo. Eu ia descalço e Paulo de meias, acho que a melhor forma de encarar esse rio. Ir calçado não é a melhor estratégia, pelo menos penso eu. A Bifurcação do Rio Foi então chegada a hora de encarar o unidunitê. Bem.. não foi exatamente um unidunitê porque felizmente o GPS deu uma noção mais ou menos da direção que eu tinha que tomar. Só que não havia track pra lá. Eu parei, esperei o GPS “estabilizar”, pois àquela altura do campeonato eu já tinha percebido que o GPS estava perdendo o sinal de satélite várias vezes XXX foto. Então agora era torcer pra que naquele momento da decisão ele estivesse OK e não apontando uma direção errada - o que não era tão impossível assim. Também, pela vazão de água, parecia mais provável que a queda estivesse a esquerda mesmo. Falei para o Paulo: “vamos para a esquerda” e então fomos. Eu não estava muito confiante. Eram 10h30min. Eu não tinha a ideia precisa de quantos quilômetros faltavam para Fumacinha (nem parei pra ver na hora), mas no olho eu sabia que faltava muito. (Agora, no pós viagem olhando o mapa, eu medi que faltavam 1,46km). Sim, uma distância ainda incrível para uma trilha sobre leito de rios. Se bem se lembram , uma média de velocidade geral que se faz sobre leito de rios é 1km/h. A velocidade de alguém em condições normais sobre um leito de rio é essa aí (mais ou menos a nossa também). Então, 10h30min + 1,46h de trilha, a gente não ia chegar antes de meio dia. Só isso. Aliada a essa ideia de que ainda faltava muito estava a descrença de que eu tinha escolhido o lado certo. Isso porque a cada hora que eu olhava o GPS pra confirmar a direção correta, o GPS ficava louco e desenhava qualquer coisa. O GPS estava perdido, perdendo freqüentemente o sinal dos satélites. Uma coisa que deu um certo ânimo nessa segunda parte sobre o leito do rio foi que a trilha ficou mais rápida, numa parte do rio onde dava quase pra correr, tava fácil e plano. Poucos metros assim, mas deu uma adiantada. Logo apareceu um poção grande e uma queda significativa e conseguimos passar rápido por ela, pela direita (se bem me lembro). Paulo perguntou se eu não queria tirar fotos? Eu falei que não. Realmente eu estava bem preocupado com o horário. Na verdade, eu estava pronto pra desistir a qualquer momento. Não é drama. É porque eu sabia que tava longe. Era mais de 1km, eu sabia que não havia a menor possibilidade de chegarmos lá as 11h. E quanto mais eu olhava pro GPS mais eu agonizava. Sempre parecia que a gente tinha escolhido errado. Paulo continuou forçando pra seguirmos. Eu perguntei a ele se ele estava preparado para más notícias? - Eu estou preparado sim, bora! Eu tive certeza aquela hora que se eu estivesse sozinho, eu não teria conseguido. O Paulo me puxou naquela hora que eu tava quase desistindo mesmo. A minha moral e o meu psicológico começaram a definhar, isso porque quanto mais eu olhava pro GPS e pro horizonte a frente, mais eu tinha certeza que eu tinha errado o unidunitê. É que o canion parecia que estava se ABRINDO. NENHUM sinal de que ele estava se fechando como mandava o figurino! Eu lembrava a todo momento do relato feito pelo Antonio, amigo meu, dizendo que aos poucos a Fumacinha ia aparecendo ao fundo, com o canion se afunilando. Mas cade o canion se afunilando?? O canion tá se abrindo! Esses próximos 200m eu já estava preparado para dar um pulo naquela queda intermediária como um premio de consolação. Mas eu estava disposto a tentar Fumacinha de novo no domingo, agora acertando o lado que eu tinha amargamente errado! Falei pra Paulo que o nosso tempo estava começando a chegar em uma fase crítica. Ainda havia tempo, mas agora era chegar ou chegar. Fim da linha Eu tentaria mais 15 minutos e daria por finalizada a tentativa de chegar a Fumacinha. Até que chegamos ao segundo poção depois da bifurcação. Uma respeitável cachoeira com uma vazão interessante. Em condições normais de pressão e temperatura eu teria já pulado no poço e tirado muitas fotos. mas tínhamos que passar. E cogitamos ir pela direita. Fomos passando até que…. FIM. Havia uma passagem possível, mas bem perigosa, pelo menos pelos meus cálculos, onde era necessário se pendurar em uma pedra com o poço a direita com algumas pedras. Cair era um belo tombo capaz de terminar com qualquer brincadeira. Sério, pra mim era o fim da linha. Dadas todas as condições do trajeto naquele momento, para mim infelizmente a brincadeira tinha acabado. Eu já estava pensando na tentativa do dia seguinte ou até mesmo na próxima expedição em 2016. Nada feliz, é claro. O meu psicológico morreu ali mesmo. Mesmo mesmo. Paulo estava vivo ainda. Pendurou na agarra da pedra e conseguiu subir com facilidade até, para a pedra que levava para o além, do poço, TEORICAMENTE. Perguntei se ele estava vendo Fumacinha, ele disse que não, que ia ver se dava pra atravessar o poço por ali. E que voltava já. Assim que ele andou, eu não tinha mais ângulo de visão para avistar o que ele estava tentando, mas tudo bem então. Me contentei em esperar um pouco, certo de que ele voltaria dizendo que talvez daria, mas que não tinha certeza, pra mim seria o suficiente para eu sepultar de vez a ideia e voltarmos, é claro, sem moral alguma, já esperando encontrar o guia na bifurcação, rindo de nossa cara pois havíamos errado o que nunca poderia ter sido errado: só a bifurcação mais importante e mais fácil da trilha. Ou talvez quem sabe ainda daria pra seguir eles? Ou veríamos eles armando a barraca antes da bifurcação e teríamos que dizer que não chegamos? Vai se saber, de qualquer forma seria bem chato.. Passaram-se sei lá, 3 ou 5 minutos, mas parecia mais, e o Paulo não voltou. A única coisa que eu pensava agora é que pra completar o fiasco da tentativa é que Paulo, na sede de chegar, tivesse caído em algum lugar e agora estava gritando e eu não podia escutá-lo. Bateu um desespero e então eu decidi ir atrás dele. Eu tirei a mochila das costas pois tinha noção da dificuldade que seria subir aquela agarra para a pedra de cima. Eu logo pendurei na agarra, mas já com a experiência de perrengues passados onde quase levei tombos fatais em pedras, eu calculei se eu conseguiria voltar sozinho para de onde estava vindo? E já parecia um tanto ruim. Hesitei demais, e pulei de volta para a pedra inclinada que era o único que me parava antes do chão. Caí de cotovelo me ralei todo indo parar, na parte certa, mas caí de costas, apenas um pequeno susto. Só que eu tinha hesitado. Agora não sabia mais o que fazer. Alguns minutos depois o Paulo voltou e disse: -Eu acho que é por aqui - disse Paulo. -Você consegue DESCER de volta? - perguntei provavelmente com um semblante muito negativo. Eu tinha a certeza absoluta que ali não passava ninguém, ERA perigoso, e fiquei com medo de Paulo ter dificuldades de voltar. Eu só iria se primeiro ele testasse a volta. Ele desceu com alguma certa dificuldade devido a altura, mas deu certinho o pé. Tendo ele testado a descida então, subiu de volta e me convenceu - quase que a contragosto - de continuarmos por ali. Eu não estava acreditando que a passagem para Fumacinha apresentava aquele grau de dificuldade. Ainda não conseguia conceber a ideia que aquele grupo atrás de nós em uma velocidade e habilidades muito menores iriam ter que passar…. AQUI?? Nesse lugar que eu estou hesitando? Era mais que certo que sozinho ali eu já teria desistido a muito tempo. Entreguei a minha mochila ao Paulo. Subi pela agarra sem pensar na volta e agora estava na pedra de cima. Era agora. A Reta Final Não tinha como ser por ali. Eu tinha certeza que aquela empreitada final não ia dar em nada. Combinamos agora mais 15 minutos de tentativa ou voltaríamos, tendo já estourado o nosso tempo. Já eram aproximadamente 11h20min e nada de Fumacinha a vista! Depois dessa parte difícil, a trilha continuou no leito do rio, não difícil, só lento como sempre. As 11h40min, então, avistamos o afunilamento. De bem longe dava pra ver ela caindo. Eu juro que não acreditei. Já fazia mais de meia hora que eu tinha perdido completamente as esperanças. Eu ia sendo puxado pelo Paulo arrastando o meu psicológico morto pelas pernas. E daí quando eu vi a Fumacinha lá no fundo o psicológico ressuscitou. O tempo tava completamente estourado, mas não tinha como parar ali, é óbvio. Falei que ainda íamos demorar 30min pra chegar até a base dela, e foi quase isso. Continuamos, agora já querendo tirar um milhão de fotos daquela visão: estonteante, é claro. A gente já sabia que ia ser estonteante, e aquilo não decepciona de jeito nenhum. No afunilamento final, havia uma subida de pedras inclinada que investimos. Eu tive a impressão que não era por ali mesmo, foi um pequeno erro final. Voltamos e reinvestimos no meio do leito do rio até que chegamos. A chegada em Fumacinha é triunfal. Sim, eu fiquei arrepiado. Por tudo o passado até aquele momento, e por aquela chegada magnifica. Continuava chovendo, até pareceu que tinha começado a chover mais forte. Eu pensei que será que era ali o ponto fatal para tromba d’água? Mas até que não. Quase na base da fumacinha existe essa subida lateral esquerda que pode ser usada caso o rio suba. A parte fatal deve ser mais pra trás, mas eu não me lembro onde era, não consegui detectar essa parte. Nos últimos 50metros, até chegar a base de fumacinha, tem uma passagem lateral por pedras que apresenta alguma pequena dificuldade, mas nada comparado ao vencido até ali. Só tira uns preciosos minutinhos mesmo. Eram 12h05min. 5h05min de trilha!!!!! Inacreditável! Eu achei que daria pra fazer em 3h30min, ou em 4h no pior dos casos - errei feio, errei rude! Com a natureza não se brinca! Fizemos num tempo limite relatado pela “literatura cachoeirística”. Nos relatos o que eu tinha visto era algo entre 4h e 5h. Fizemos nesse limite. Já estourados no que eu tinha calculado de tempo com margem de segurança. A margem já estava sendo gasta agora. Fizemos tudo muito rápido. Tiramos muitas fotos. Fiquei só de sunga rápido e pulei naquela poçãozão inóspito, gelado, sem sol quase sempre e com uma pancada de água caindo. Não tive tempo pra sentir frio. Pulei sem acostumação primeiro. Cumprimentei a Fumacinha. Tentei me aproximar dela, mas ela não deixou. Forte, poderosa, imponente, estava brava. Cumprimentei-a de longe. Fumacinha, a Intocável. Eu estava radiante. Somando tudo do passeio: a dificuldade + a recompensa: aquilo era uma vitória e tanto. Depois recuamos os 50m pra comer algum lanche forte pra volta. 5h de ida e 5h de volta, pra ficar 40 minutinhos na cachoeira. Não é algo leve. O que tínhamos para o almoço? Um pão de sal e um tolosco de mortadela: huuuuuuuuuuuumn. Sr. Gourmet! DETONAMOS a mortadela. Comi uns biscoitos , tomamos muita água e….. 13h, bora! Sabíamos que ia cansar, mas tinha que voltar! Obrigado, Fumacinha Começamos a volta no mesmo ritmo da ida. Forte. Depois de 100 metros, com quem é que encontramos? O grupo com o guia! Eu nem olhei pra cara dele, pra falar a verdade. Tomei antipatia. E senti assim como se a nossa chegada por conta própria fosse a nossa revanche pela não-simpatia que ele teve conosco. As vezes pode ser que eu esteja sendo injusto, mas essa foi a sensação. Os outros passaram. Achei bizarro ele estarem chegando à queda as 13h! Era muito tarde!!! Eles tinham começado no mesmo horário que nós. Se demoraram 6h pra voltar, mesmo que ficassem apenas 1minuto na cachoeira iam chegar as 19h em Baixão! Supondo que ficassem meia hora, que já é pouco la.. faça as contas da luz do sol! Realmente não sei qual foi o truque do guia pra voltar. Talvez pararam menos na volta, sei lá. Sei que quando passou a menina, ultima do grupo eu perguntei: “vcs vão acampar aqui?” E ela respondeu “Não, vamos voltar pra Ibicoara”. Pensei num “boa sorte” mas não falei. Era certo que os ultimos quilômetros iam ser feito a noite, por eles. A ultima travessia do rio era bem no inicio da trilha. Não deve ser muito bom atravessá-lo de noite. Mais 100 metros a frente, cruzamos com mais dois grupos! Um grupo de 3 caras, sendo que um parecia um guia mais experiente. Ele perguntou se havia outro guia a frente? Respondi que sim. Esse guia estava com a cara fechada, como se estivesse ali a contra-gosto. Ele falou “eu nem queria vir, mas eles insistiram” (se referindo a um casal de amigos logo atrás) “nós só vamos dar uma cuspida ali e voltamos. “ - fazendo referência ao tempo estouradíssimo e apertado, dando tempo suficiente apenas pra acenar pra Fumacinha e voltar. De fato, chegar as 13h é um pouco pesado demais. (eu já achei pesado chegar as 12!) Logo depois um grupo de mais 3 pessoas, a mulher me perguntou que horas eu tinha começado a trilha, parecia também um pouquinho preocupada. Mas pelo menos havia, no total, 10 pessoas na Fumacinha, mais nós 2, que estávamos voltando. Um número considerável para uma trilha pesada dessas, ainda mais em um dia chuvoso e fechado. Lamentei um pouco pensando que poderia ter curtido mais tempo na cachoeira, se soubesse que havia 10 pessoas atrás de nós. Mas deu pra curtir relativamente bem (40 minutos lá). Voltamos num pé bom. A volta pela pedra da agarra foi feita com muita cautela, mas não tivemos problemas em voltar. Tudo estava mais calmo agora. Só precisávamos fazer a última travessia do rio com luz do sol, o resto (2km e pouco) poderíamos fazer com lanterna, não tinha problema. Voltamos bem, e praticamente sem erros. Chegamos à bifurcação Y novamente, demos uma breve paradinha ali naquela parte amena e plana. Comemos e bebemos rapidamente e continuamos. Seguimos praticamente sem paradas. Algumas partes da trilha nós não lembrávamos direito onde tínhamos passado na ida. No poço anterior ao “poço da pedra rachada” fizemos uma passagem perigosa pela esquerda (e só depois nos lembramos que era pela direita). mas não aconteceu nenhum problema. Mais pro final da trilha o sol apareceu pela primeira vez e deu a breve gentileza de secar algumas pedras. Era MUITO melhor ir com as pedras secas, deu pra sentir. Pena que foi só no final. Chegamos no poço da pedra rachada, gravamos e fotografamos a parte difícil, passamos com tranquilidade. Achamos a trilha à esquerda saindo do rio. Paulo desenhou setas sinalizando a trilha (muito mal sinalizada em quase toda a sua totalidade). Botamos as botas, andamos rápido já aí às 17h20min aproximadamente. Finalmente chegamos à ultima travessia do rio. Tiramos as botas e percebemos que o rio estava significativamente mais alto, batendo na altura da cintura (na ida estava na altura das canelas). Penso que existe o risco de se ficar preso ali caso chova muito. Mas passamos sem dificuldades. Depois disso, fizemos os 2km finais fáceis frente à um longo trecho de leito de rio. Andamos bem e terminamos à trilha exatamente as 18h já com o fim da luz do sol, chegando em Baixão. Ainda chovia. Chegamos no escuro na vendinha ainda aberta naquele sabadão (fechava às 19h). Na vendinha havia uma senhora, um pai com o seu filho bebê em cima da mesa de sinuca jogada por ninguém e o dono da venda onde tínhamos comprado um biscoito de morango no dia anterior. Pedi meio sem esperanças uma coca-cola. TEM. Gelada! Pedimos duas! Nos sentamos no bar, abrimos o pacote de biscoito de morango e brindamos a coca-cola felizes. Pedimos informações de como chegar à Itaetê, praticamente sem energias, mas tínhamos que ir pra lá. O bebê olhava pra nosso biscoito. Oferecemos um. A menina tinha algum problema com doces, não podia comer muito. O pai aceitou o biscoito, agradeceu, e disse ao bebê: “mas só esse, tá??”, e a criança comeu. Agradecemos, saímos da venda no escuro total - em Baixão não há luzes na rua. Chegamos no carro, já tiramos as botas inutilizáveis quase como nossos pés, botamos os chinelos. Carro ligado e partimos pra Itaetê. ----- Um agradecimento especial ao Paulo pelo apoio e muito positivismo que foi indispensável pro sucesso desta difícil trilha. Agradecimento tortuoso ao guia do grupo 1 também, que apesar da má vontade, acabou mostrando alguns trechos complicados de se achar passagem. Obrigado Fumacinha, e até um dia! Este relato está no artigo com todos os detalhes pra fazer este passeio, no blog dos Caçadores: http://trilhados.blogspot.com.br/2015/09/cachoeira-fumacinha-por-baixo-chapada.html
  3. Ix... foi mal vir tão atrasado aqui. eu fiz a fumacinha agora em junho de 2015. em breve vou postar detalhes no meu blog, mas quem quiser o track, só entrar em contato! abraços
  4. Detalhes sobre como fazer essa trilha aqui: http://trilhados.blogspot.com.br/2015/08/cachoeira-3-barras-e-cachoeira-dos.html Começamos acordando as 7h30min da manhã, não tão cedo assim, porque não conseguimos deixar de lado a regalia de tomar o café da manhã da simpática pousada Art Hostel, em Igatu, que saía só as 8 da manhã. Sem contar que o clima em Igatu é ótimo, uma charmosa e pequena vilinha escondida dentro das pedras da Chapada Diamantina ,entre Andaraí e Mucugê. Tomamos o café, conversamos com uma mulher nos pareceres de seus idos 50 e tantos, aparentemente solteira, viajando por esse Brasilsão. Na mesa, eu Paulo e essa mulher, ela do Sul, eu do Sudeste e ele do Nordeste, conversávamos sobre diferenças nas palavras e cultura. Enquanto cuzcuz em nordestinês era um negócio amarelo parecendo farofa, no sudeste e sul é aquele bolinho que parece maria mole ou algo parecido, com côco em cima. Em nordestinês esse cuzcuz tinha outro nome que já me esqueci, e isso também acontecia com a canjica que no Nordeste é outra coisa que não me lembro mais. Aquilo virou uma sopa de letras e resolvi terminar de comer a rabanada nordestina que, diga-se, estava deliciosa naquele hotel. Perdemos um pouquinho a hora, então acertamos as contas e saímos rápido do hotel em direção ao início da trilha para a Cachoeira dos 3 Barras, Cristais e da Fenda. Minha meta era fazer as 3 cachoeiras naquele dia. Uma meta razoavelmente ousada dado que eu não possuía o exato track da trilha de aproximadamente 8km de ida, mas apenas um desenho no mapa feito a mão de acordo com o relato que os Pobres Mochileiros haviam feito. Tenho que dizer que o relato estava muito bem detalhado, e foi isso que me motivou a fazer esse passeio. Pra falar a verdade eu estava bem confiante que o passeio ia ser bem tranquilo. Mas...Você sabe como são essas trilhas… nunca - mas nunca mesmo - as coisas saem como o planejado… --- Apesar da minha confiança de que íamos conseguir, eu já saí da pousada um pouco tenso por causa do horário. De acordo com o relato d’os Pobres Mochileiros, ia dar tempo, mas como a gente ia ter que decifrar o relato ou acreditar no meu desenho feito a mão no GPS, existia um risco embutido. O Paulo estava dirigindo, saindo da cidade devagar, encantado com as pedras e casas da charmosa vila, e eu estava querendo que ele acelerasse pra não perdermos mais tempo. Acabamos então saindo rápido da charmosa vilinha em direção ao quilômetro 191 da estrada entre Andaraí e Mucugê. Eu também havia perguntando pra dona da pousada algumas direções, e ela havia comentado que eu deveria pegar a estrada como se estivesse indo para Andaraí mesmo (de onde havíamos vindo) e então , uma vez na estrada principal, virar a direita, em direção a Mucugê. A confusão estava em que, quando saímos da estrada principal e pegamos a estradinha de pedra pra Igatu, quase chegando na vila vimos uma saída alternativa para Mucugê, então ficamos em dúvida de qual era, e o relato dos Pobres (vou chamá-los de Pobres a partir de agora, só pra abreviar) não deixava isso claro. Depois de uns 20 minutos chegamos, então, na estrada e viramos a direita no asfalto, a procura do quilometro 191 e a placa a azul, como mandava o roteiro. Logo que vimos a primeira placa de quilometragem, vi que a dona da pousada tinha se enganado. Isso porque a primeira placa que vi indicava algo em torno de 161km, ou seja, 30km anteriores ao início da trilha. E juntando isso ao fato de que os Pobres falavam que demoraram cerca de 10 minutos do Bar de Igatu (de onde nós tínhamos saído também) até o início da trilha, calculei que a dona da pousada tinha sim se enganado (e que teria sido melhor ter pegado a saída alternativa em direção a Mucugê). Isso me deixou um pouquinho mais tenso porque significava a perda de mais meia hora disponíveis para realizar a trilha, aproximadamente. Mas pois bem, no pior dos casos - eu pensava comigo mesmo - era só tirar alguma cachoeira do roteiro: eram 3, então essa trilha tinha essa vantagem de, caso o tempo estivesse curto, tirar uma cachoeira da reta, no pior piooor dos casos visitar apenas 1, a primeira delas na trilha: A Cachoeira 3 Barras: e pra falar a verdade, de qualquer jeito, era essa, a das 3, a que eu estava botando mais fé de ser legal e bonita. É porque do que havíamos visto até então das paisagens ao redor, os rios pareciam secos, e eu sabia que a Cachoeira dos Cristais (segunda na linha da trilha) tinha uma baixa vazão de água, boas chances de ela estar completamente seca, assim como já tinha visto nesta foto XXX - inserir foto em outro relato. Faltando poucos quilômetros para chegar ao famigerado quilometro 191 (segundo o relato) passamos pela saída alternativa para Mucugê (aquela que deveríamos ter pegado mas que não pegamos porque a dona da pousada nos sugeriu a outra) e constatamos que teria sido muito melhor ter saído por ali mesmo - teria sido um atalho. Aceitado o segundo atraso acumulado, fomos ainda tranquilos seguindo a estrada, mas aí foi faltando tipo uns 5km que me veio a segunda preocupação, que eu não tinha pensado nem planejado. Ao que parecia, aquela trilha ia começar assim, no meio da estrada, no meio do nada. Não tinha parque, não tinha entrada, era assim no meio do nada mesmo. E…. onde iriamos estacionar o carro??? Os Pobres não respondiam isso em seu relato, pois eles pegaram uma carona até o início da trilha, então ele não tinham tido que lidar com essa preocupação. Dividi essa preocupação com Paulo e combinamos, então, que se não desse pra parar o carro ali, íamos seguir mais adiante até o Parque onde ficava a Cachoeira Andorinhas (um pouco mais adiante, perto de Mucugê). A grande questão é que o carro era alugado, então tínhamos que ter essa preocupação. Era meio tenso parar o carro no acostamento e deixá-lo ali. Fomos acompanhando as plaquinhas azuis da estrada, o maior indicativo de onde é que se iniciaria a trilha. E então, quando chegamos na plaquinha 189km , fiquei de olhos abertos olhando para a lateral esquerda (contrária que a que estávamos indo) treinando os olhos para tentar detectar algum início de trilha. Assim que a plaquinha 191km chegou, fiquei de olho, pois segundo o relato a entrada da trilha ficava entre o quilometro 191 e 192. Fomos indo indo e indo até que….. UMA ENTRADA. Tinha uma entrada de carro, ao lado de torres de celular. Só poderia ser ali. Era logo depois de uma curva, como dizia o relato, apesar de que não havia visto a placa azul depois da curva, como também dizia o relato. E também achei muito estranho que o narrador do relato não tivesse citado as torres tão evidentes ali na entrada da trilha. Eu imaginei que as torres deviam ter sido implantadas APÓS o relato, única explicação para que elas não tivessem sido citadas - afinal, uma referência tão chamativa para o início da tirlha assim, seria proibitivo não citá-las - pensei eu. Pois bem, ao menos a preocupação de estacionar o carro estava resolvida, pois ao lado da casinha das torres, havia bastante lugar para parar o carro, atrás de arbustos, ficando o carro invisível a partir da estrada (evitando olhares de possíveis ladrões). Eu rapidamente peguei o GPS e comecei a guiar o mais rápido que pude. Parecia ok, e então comecei a tentar achar onde a trilha se iniciava de fato. Já passava das 9h30min então eu estava um pouco afoito. Apressei o Paulo. Comecei a andar, mas não deu 10 metros e a trilha rareou e começou a ficar mato. Como parecia estar tudo ok no GPS, eu prossegui do jeito que dava, fui dando os passos e quebrando o mato de qualquer jeito sem nem pestanejar, tendo a certeza que a trilha logo continuaria, afinal de contas, os Pobres tinham informado que o início da trilha era muito tranquilo, sem nem olhar direito onde eu pisava, mas então….. -UMA COBRA, UMA COBRA! Gritou Paulo. Eu nem dei muita atenção no início, afinal, ver cobras pequenas e inofensivas, que saem correndo é muitíssimo comum e eu estava muito acostumado a isso (Paulo, nem tanto). Mas não foi bem assim. Quando virei pra trás para vê-la Paulo disse: -É uma cascavél! Se ele tivesse dito que era uma coral, ou outra coisa, eu poderia achar que era a falsa coral, ou alguma não peçonhenta. Mas ela tinha cerca de 1 metro e tinha o inconfundível chocalho em sua cauda. Eu estava a apenas UM METRO dela. Sério mesmo. UM METRO. E naquele momento eu não tinha nem como passar para frente sem dificuldades, pois havia mato a minha frente. Se eu tentasse correr, a cobra teria MUITO MAIS sucesso em me alcançar do que eu em fugir. Eu fiquei completamente paralisado: aquela era a segunda vez que eu me deparava com uma cobra peçonhenta de forma muito muito próxima em uma trilha. A primeira vez foi, coincidentemente, no primeiro relato deste blog, quando fomos à Cachoeira Farofa por cima. E esta foi a segunda. Eu confesso que caguei nas calças, enquanto Paulo repetia que era uma cascavél e que deveríamos sair dali IMEDIATAMENTE - fácil dizer pra você que consegue correr para o carro (pensei eu) - eu não conseguia correr em direção alguma, a não ser para o próprio lado da cobra - único disponível para eu correr. Foi por essa razão que não movi nem um fio de cabelo e esperei a cobra dar o próximo passo. Era fato que se ela viesse em minha direção eu estaria completamente acuado e frito. Naquela hora pensei no que faria se fosse picado. Paulo teria que me levar pro hospital mais próximo, eu mal sabia se Mucugê ou Andaraí teria a melhor estrutura pra atender um recém picado na perna com muita, muita dor. Minha vida não passou na frente dos meus olhos em poucos segundos como diz a literatura que acontece quando você vê a morte de perto, mas acho que exatamente porque eu não esperava uma morte, mas esperava uma picada violenta, uma dor incalculável e o fim da nossa viagem ali mesmo, sem nem mesmo começar a primeira trilha. Seria insano e deprimente. Eu chutava que Andaraí teria uma estrutura melhor, qualquer coisa Paulo me levaria pra lá, a 40km dali mais ou menos. Será que 40km dava tempo de eu receber o soro? Será que ia ter o soro em Andaraí?? Esses pensamento todos foram muito rápidos, não demorou nem 10 segundos pra cobra sair de fininho bem lentamente pela lateral, muito respeitosamente, devo dizer, e ter poupado a minha vida, ou pelo menos a minha perna e a nossa viagem. Ela quebrou um galho pra mim, só isso. Ela tendo saído pela tangente, eu recuei prontamente voltamos para perto do carro. Os dois tremendo bastante. Paulo comentou que não queria mais fazer trilha. Bem, tínhamos começado a viagem com o pé esquerdo, e bota esquerdo nisso! Ah, esqueci de contar que logo que saí do carro (antes de dar de frente com a cobra) percebi que a minha mochila estava toda molhada e melecada. Eu tinha deixado o shampoo no fundo, solto , e ele abriu e molhou tudo. Ok, nem fichinha frente à cascável respeitosa que a gente tinha acabado de se curvar - mas eu só queria incluir mais esse item no nosso pacote completo de azares para uma trilha que estávamos saboreando naquela difícil manhã. Pra completar o pé-esquerdismo deste início de trilha, aquela cascavél não só tinha poupado a minha viagem como me fez respirar fundo e olhar novamente para o GPS. Quando eu olhei mais atentamente ao GPS eu percebi que a direção que eu estava tentando encontrar a trilha estava COMPLETAMENTE equivocada. COMPLETAMENTE. Foi a primeira vez que eu havia errado TANTO ASSIM na leitura do GPS. O que tinha ocorrido é que eu estava tão afoito em encontrar aquele início de trilha que eu fiz uma leitura totalmente errada, devido a um zoom-out muito grande para um necessário zoom-in requisitado para leitura de partes pontuais de trilhas (Essa, pelo menos, foi a conclusão que consegui chegar tentando achar uma justificativa para meu grosso erro). Enquanto eu comunicava isso (o grosseiro erro) ao Paulo que, por sua vez, não parava de falar da cascavél e da vontade de abortar o passeio, nos dirigíamos para dentro do carro pois eu havia informado que estávamos no lugar errado, simplesmente não era ali. Enquanto falávamos emboladamente sobre a cascável e sobre como o tempo estava passando, improvisamos rápida e confusamente a decisão de voltar alguns quilômetros na estrada a procura da entrada da trilha que tínhamos acabado de descobrir que não estávamos nela. Eu tinha certeza que SÓ poderia ser mais adiante, porque aquelas antenas estavam exatamente IMEDIATAMENTE após a plaquinha que demarcava o quilometro 191 da estrada, e isso estava tão bem refinado e claro no relato dos Pobres, que não poderiam estar errados, isto é, não poderia ser ANTES de onde estávamos, tinha que ser DEPOIS. Paulo sugeriu, então, de voltarmos até a plaquinha de 191 e olharmos com mais calma. A entrada deveria ser em outro lugar. Enquanto ele voltava, eu percebi como eu havia errado grosseiramente a minha leitura no GPS, eu não conseguia nem acreditar que eu tinha errado tanto assim dessa forma - pensava enquanto olhava para o GPS tentando entender esse meu erro. Vi que enquanto Paulo dirigia de volta, aí sim estávamos nos aproximando do que eu havia desenhado no GPS. A questão é que o ponto inicial estava marcado ANTES da plaquinha de 191. Havia algo errado nessa história toda: ou o meu mapa, ou o relato: só não tinha como os 2 estarem certos. Paulo então seguiu naquela reta entre o km 190 e 191, agora em direção a Andaraí , pra conseguir fazer uma manobra abaianada ali no meio da estrada para voltar novamente à direção correta, para Mucugê. Ele estava procurando um bom ponto para fazer a manobra, quando surgiu, bem lá trás, uma especie de entradinha de terra…. Estradinha de terra….. bati o olho no gps! PONTOS CONECTADOS. SÓ PODIA SER ALI , pensei, gritei e olhei para o GPS tudo ao mesmo tempo. Agoar sim, batia MUITO com o mapa que eu havia desenhado, mas definitivamente não estava batendo com o relato! Ali era o km 190 , e não o 191-192 como dizia o relato! Podem se perguntar que “porra diego, mas entre 190 e 191 não tem tanta diferença assim”. A questão é que o relato dizia que era EXATAMENTE entre o km191 e 192, então foi um pouco difícil aceitar que essa informação, tão precisa no relato, estava errada. Eu decidi, dessa vez, confiar mais no meu mapa do que no relato, e paramos o carro ali. Novamente houve essa pequena sorte, havia um lugarzinho atrás de arbustos para parar o carro, e deixamos ele ali. Já passavam de 10h20min, eu já estava completamente atônito, sabendo que a gordura de erro para trilha toda já tinha ido pelo ralo, e que deveríamos fazer um tempo muito bom pra compensar o pacote completo de revezes vividos até ali - isso, contanto, é claro, que NADA MAIS desse errado dali pra frente - o que era altamente improvável, ainda mais depois de tudo que tinha acontecido até ali em tão pouco tempo! A questão é que essa trilha, PELO MENOS, estava MUITO MELHOR do que a pseudo-trilha enganativa que tínhamos achado apenas 1km adiante, perto das torres-antenas. SÓ PODIA SER ALI. Realmente, apesar de a trilha começar no meio do NADA, só podia ser ali, tava com muita cara de trilha. Apesar de minha aflição com o tempo, as minhas esperanças foram reavivadas. Paulo estava ainda impressionado com a Cascavél, eu confesso que eu também estava, e com medo, principalmente por não saber onde era o Hospital mais próximo - erro primário hein… Mas eu estava tão afoito para ter sucesso naquela trilha, que esse sentimento se sobrepunha ao terror de encontrar mais alguma cascável ou similar. Além disso, havia outro algo que me ajudou a abstrair da cascável: agora, a ~nova~ trilha que íamos tentar não estava “mato”, estava era bem batida (assim como dizia o relato) e, então , aproximadamente as 10h30min, iniciamos, DE FATO, a trilha. Eu tinha 2 trilhas desenhadas no GPS. Eu não estava EXATAMENTE em cima do que eu havia desenhado, mas a medida que fui andando, estava andando PARALELO as duas linhas, o que era um EXCELENTE SINAL. Sinal verde! Só que….. com uns 50 metros de trilha, SÓ uns 50 (não deu nem pra ficar feliz por 10 segundos!!!!), chegamos em uma clareira de pedras. Sim, o terror das trilhas. Um dos piores cenários (talvez só perdendo pra uma floresta densa de samambaias) para quem não sabe por onde prosseguir. Eu tentei fazer o óbvio, tentei seguir reto, e até parecia ser, mas um pouquinho depois a trilha começou a rarear. E aí era foda, já estávamos sem tempo, e tínhamos fresco em nossa memória uma cascavelzinha que nos travava o cérebro. Isso impedia que eu saísse quebrando mato sem nem ver onde pisava. Eu até quebrava, mas em uma velocidade 5 vezes menor do que alguém que não viu uma cascável há só 15 minutos. Consultava o mato a frente 5 vezes antes de pisar. Isso impactava DEMAIS na procura pela continuação da trilha. Eu estava tão afoito, que comecei a andar em círculos e me perdi um pouco nessa clareira que nos tirou preciosos 10 minutos. Custei a voltar ao cenário de pedras inicial, achei incrível (incrivelmente desesperador) e foi uma das primeiras vezes que me vi dominado pela falta de razão no meio de uma trilha, eu senti claramente a razão sendo esmagada pelo desespero de não conseguir desenvolver a trilha. Eu não estava conseguindo raciocinar sobre as informações do GPS. Eu tinha consciência disso. Mas não conseguia sair desse labirinto. Parei, respirei fundo e conseguimos, AO MENOS, voltar para a clareira de pedras original. Já passava das 10h40min e eu confesso que nessa hora eu já tinha desistido de fazer essa trilha. Eu já tinha aceitado o fracasso, e me contentaria em fazer a Andorinhas que era dentro de um parque, mais a frente… É que calculei que ,depois de essa enxurrada de revezes, aliado ao fato de em apenas 50 metros a trilha tinha ficado confusa e sem indicativos bons de continuação, imagine o que viria pelos próximos 8km de trilha? Parecia simplesmente inimaginável acreditar que aquela trilha teria alguma chance de sucesso. Foi aí que os ventos começaram a mudar seus rumos. Os meus olhos estavam viciados no GPS na tentativa de continuar relativamente paralelo ao desenho que tinha feito. Já, Paulo, me vendo rodar como uma barata tonta, aumentou seu escopo de busca, algo que por vezes só quem está livre do escravizador GPS consegue ter e tentou procurar alguma direção ou alguma coisa que nos indicasse uma continuação. Bendita experiência com a expedição de Fumaça do ano anterior, Paulo tinha seus olhos treinados para um indicativo de trilha que reaviva a alma quando é visto. Depois desses 15 minutos de rodeio sem sucesso, devo dizer, ESTRESSANTES MESMO, Paulo achou a primeira coisa boa dessa trilha até o momento: UMA SETA. -Uma seta! Uma seta! Muito melhor ouvir esse grito do que ouvir o grito de “uma cascável!” não é? A seta estava na outra ponta da clareira, não era intuitivo. E a seta só existia para a SAÍDA da clareira, mas não tinha uma seta no inicio da clareira. Se pelo meno soubéssemos desde o início que a trilha tinha setas marcadas nas pedras, teria sido mais fácil e rápido. Mas bem… apesar disso tudo , de todos os revezes, isso NOVAMENTE reacendeu as esperanças. Eram 10h40min, ainda dava tempo, se a trilha estivesse minimamente sinalizada com essas setas, de PELO MENOS conhecer a Cachoeira 3 Barras (apesar de que as outras 2 estariam bem próximas da 3 Barras). Assim que entramos na trilha depois dessa clareira, ligamos o motor a jato e praticamente não tivemos mais nenhuma dúvida de trilha. Parecia simplesmente inacreditável que depois do pior e mais azarado início de trilha de TODOS OS TEMPOS na história da minha vida trilheira, que fossemos conseguir chegar a algum destino bom. Antes de chegar ao rio, a clareira dos 50m iniciais foi a parte mais difícil da trilha .Andamos em um ritmo MUITO BOM, seguindo direto, quase sempre relativamente retos em direção ao rio. Nem paramos para nada, nem no mirante (11h17min passamos por ele). Só damos uma leve respirada quando chegamos no rio. (11h34min chegamos no leito do rio, pela primeira vez - são varias passagens por ele) Quando chegamos no rio, consultei mais uma vez o relato d’os Pobres, e ele dizia que devíamos atravessar o rio. Aqui, a trilha começa a ficar um pouco confusa devido a algumas travessias do rio. De forma grosseira, é só seguir o leito do rio, porém, não é um leito tão trivial de se seguir. Gastamos uns 5 minutos pra entender por onde deveríamos prosseguir, pois o leito do rio era bem largo e aberto, difícil de enxergar alguma seta que nos conduzisse à “saída”. Depois de muitas suposições, acabei encontrando, dessa vez pelo lado mais intuitivo possível, a saída. Era só seguir reto , perpendicularmente ao rio, e continuar pelo outro lado. A trilha continua de boa por alguns metros, mas logo depois chega-se ao leito do rio novamente e essa parte no rio é um tanto confusa. O que acontece é que aqui ocorre um encontro de dois rios que deixa a navegação bastante complicada pra quem não tiver noção de onde está. Não sei precisar muito bem como encontramos por onde continuar. Eu me guiei pelo desenho do GPS e deu mais ou menos certo. Achamos onde atravessar o rio e continuamos pela margem direita dele. Me lembro que o relato falava que iriamos ver uma ponte de tronco, rústica, mas não vimos essa ponte, o que deixou essa parte um pouco complicada. Após a travessia desse encontro de rios, passando para o lado direito chegamos, não muito tempo depois, sem mais nenhum contratempo (acho que a cota de contratempos já tinha vencido há muito!) à Cachoeira 3 Barras. (Chegamos aqui às 12h30min). Como, apesar de todos os contratempos e o universo conspirando totalmente contra o nosso passeio, conseguimos chegar em um excelente tempo na primeira queda, ainda conseguiríamos facilmente chegar pelo menos na segunda cachoeira: a Cachoeira dos Cristais. Foi por isso que ficamos apenas 20 minutos em 3 Barras. O meu plano era, chegar em Cristais e se não estivesse muito bom lá, ou mesmo se não estivéssemos conseguindo chegar nela, bastaria voltar e curtir a Cachoeira 3 Barras que já estava de excelente tamanho! Fizemos um merecido lanche rápido. Confesso que estávamos um pouco abatidos, ainda, devido a todos os problemas que tínhamos enfrentado até então. A dose de estresse foi significativa até ali. Mesmo com o sucesso das ultimas 2 horas, ainda nos encontrávamos um pouco “mais ou menos”, mas, seguindo a pequena maré de sorte, prosseguimos subindo. Fomos pela direita, como mandava o roteiro d’os Pobres e, dessa vez, nesta segunda parte da triha, o relato estava fiel ao que a trilha apresentava. Subimos pela direita, pelas pedras, encontrando a cachoeira seca, subindo e continuando pela direita como dizia exatamente o relato. Depois dessa subida devagar, existe uma trilha sobre pedras bem marcada, que não causa dúvidas e que segue tranquila até a Cachoeira dos Cristais. Chegamos na Cachoeira dos Cristais sem maiores problemas aproximadamente às 13h40min. O nosso tempo estava muito bom, mas não o suficiente para continuar o caminho. Nós decidimos, àquela altura do campeonato, abrir mão da Cachoeira da Fenda (apesar que pela foto parece ser muito bonita, dentro de cânion, uma versão miniatura da Fumacinha) mas se decidíssemos ir atrás dela, não iriamos curtir o poço de nenhuma delas. Não era um perde-ganha lucrativo. Melhor era abrir mão de uma delas, mas curtir o poço das duas conquistadas até então. Abrindo mão da Cachoeira da Fenda, curtimos por cerca de 1h a Cachoeira dos Cristais, explorando cada canto de seu ao redor e depois voltando para a Cachoeira 3 Barras e curtindo mais cerca de 40 min por ali também. Acabamos nos atrasando na volta, devido a agradabilidade do poço de 3 Barras, muito aconchegante e gostoso, tiramos muitas fotos. Nos últimos minutos nos empolgamos tanto tirando fotos e nadando no poço que estouramos o tempo disponível que tínhamos calculado. Já passavam das 16h, não havia muito mais tempo de manobra disponivel. Acabamos nos atrasando e saindo aproximadamente as 16h30min. Precisávamos fazer um bom tempo na volta também, para não terminarmos no escuro. A minha maior preocupação na volta era apenas conseguir atravessar a última travessia do rio, aquela mais larga. Passado isso, a trilha era bem mais tranquila, apesar que não veríamos as setas que nos ajudaram em alguns momentos na ida. Toda vez que encontrávamos uma clareira ou um local onde a passagem não era óbvia , Paulo tornou-se o “Gerenciador de Setas” oficial da dupla, e, enquanto eu direcionava o lugar correto fazendo o trackback do GPS, ele marcava setas indicativas ainda inexistentes na trilha. Deixamos a trilha melhor sinalizada, apesar de que são sinais nas pedras, que desaparecem com o tempo, mas calculo que Paulo deve ter desenhado cerca de 15 novas setas, principalmente após a última travessia do rio (na volta). Apertamos o passo e voltamos bem. Passamos pela ultima passagem do rio por volta de 17h, ainda com bastante luz do dia. Quando alcançamos o mirante era algo perto de 17h20min e começamos a nos preocupar com a luz do dia, apesar que ainda tínhamos uns 40minutos de luz. Apertamos ainda mais o passo, já quase nos esquecendo de coisas como.. “cascavéis”. Nada perto do terror matinal aconteceu agora na volta, mas lá pelas tantas, no finalzinho da trilha, passo batido por mais uma cobra, toda enroladinha e marrom bem no meio da trilha. Não era tão grande como a cascável da manhã, e nem deu pra ver se era peçonhenta, mas tinha um tamanho considerável e estava fácil de pisar nela. Paulo me alertou novamente, uma vez que depois que eu passei a cobra se moveu e se desenrolou um pouco. Paulo contornou a cobra e continuamos, agora quase já sem luz, redobrando os cuidados pra ver onde pisávamos. Faltando cerca de 600m pra chegar, eu calculei errado no GPS e achei que faltavam apenas 200m, falando para Paulo que chegaríamos ainda com luz do dia, isso já era próximo de 17h40min. Havia luz, mas uma luz de soslaio, que não permitia mais “ver por onde se anda” : cobras marrons são quase invisíveis a essa luz do dia se você está a um passo rápido - o nosso caso. Depois de 5 minutos eu percebi meu novo erro no GPS, e vi que ainda faltavam, na verdade, 400 metros. Os últimos 200 metros foram feitos com a minha pequena lanterna de testa e o Paulo usando a lanterna de dínamo. Apesar da escuridão iminente, terminamos a trilha tranquilos. Terminar a trilha no escuro não foi nem cosquinha pra tudo que tínhamos passado nas primeiras horas do dia. O carro estava nos aguardando pra nos levar para o nosso próximo destino: A cidade de Ibicoara. Nós merecíamos um dia de “descanso” em Buracão, depois dessa trilha que posso considerar a mais estressante da minha história de trilheiro. Com toda a certeza esta trilha foi um marco no currículo deste blog, um desafio, com muito aprendizado, muito estresse, mas com duas cachoeiras incluídas no currículo que seriam dignas de um troféu com muito esmero. Eu preciso deixar aqui um Agradecimento especial ao Paulo por ter suportado os meus momentos muito ranzinzas durante as 2 primeiras horas deste inesquecível dia e agradecer por ter tornado possível o sucesso da trilha, pois sem ele eu não teria enxergado as setas que foram responsáveis pelo desenvolvimento da trilha nos 50 metros iniciais - o momento mais crítico desta trilha. Também foi ele o responsável, ainda que sem querer, por encontrar a estradinha de terra inicial da trilha que nos reacendeu as esperanças no início da manhã, descoberta essa que parece ter reavivado das cinzas algo que uma cascável educada e tranquila quase matou. Esta trilha , sem sombras de dúvidas, fica marcada para todo o sempre.
  5. Cheguei na ilha com um tempo estupendo - 100% de sol, melhor mesmo, só se tivesse uma nuvenzinha básica pra sofrer menos na trilha em momentos sem sombra. Mas, ao que tudo indicava do que tinha lido sobre a trilhaparecia ser uma onde quase sempre haveria sombra. No primeiro dia conheci a Cachoeira do Veloso, na parte sul da ilha, mas com trilha simples, só pra me ambientar, ver em que solo estva pisando e qual clima estava respirando, no fim das contas, um passeio pra relaxar mesmo e concentrar para o primeiro dia da meia volta do outro dia. Eu acordei cedo, mas decidi esperar o café da manhã do Albergue Bonnsventos onde fiquei hospedado, pra sair com o bucho cheio e preparado para o primeiro dia. O primeiro dia estava no papo, não ia ser dificil, mas queria fazer essa primeira parte bem tranquilo, sem pressa e aproveitando as paradas que sabia que havia durante a trilha. Eu sabia que ia ser tranquila, porque não era uma distância absurda (aproximadamente 10km) e porque sabia que era uma trilha bem marcada, na verdade, uma antiga estrada que acabou virando uma trilha larga até Bonete (ja não passam [ou nunca passaram (?)] carros por ali). Tomei o café no hostel, e as 8:30 como planejado, rumei para o ponto de ônibus. Achei chato, na ilha, que não haja linhas de ônibus que passem tanto na parte Norte como na Parte Sul da Ilha (em um itinerário só) então isso me obrigou a caminhar 1,7km do Albergue (que fica na parte Norte) até o ponto da Balsa, onde saia o ônibus para a parte sul da ilha. Dei uma certa sorte, pois o ônibus passou em 10 minutos depois que cheguei no ponto, sendo que a linha que leva até Borrifos (último ponto onde o ônibus chega) só passa de 1 em 1 hora. A tarifa era de R$3,40, paguei e fiquei de boa no ônibus , primeira fase mega light da trilha, hehehe. São aproximadamente 18km de deslocamento, desde o ponto da balsa até o fim da estrada asfaltada - inicio da estrada de terra, no meio do nada. Quando desci do ônibus, percebi que a trilha que eu havia pegado na internet marcava o início da trilha um bocado mais pra frente, no fim da linha para carros. Isso aumentava em 2km a minha caminhada daquele dia, passando de 10 pra 12km, mas tudo bem. Comecei a andar tranquilo e com tempo bom pela estrada de terra até chegar ao início da trilha. Entrada do parque? Não sei muito bem se aquela entrada é mantida pelo parque ou se por particulares. Na hora que cheguei havia duas pessoas familiares da Fazenda da Laje, particular que fica ao lado da cachoeira. Eles me informaram que eu poderia pegar um atalho na trilha se passasse pela fazenda, só não me informaram que eu iria pagar por isso. É importante salientar que a Trilha até o Bonete é livre, grátis, não se paga. Mas é que próximo a Cachoeira da Lage existe uma cachoeira, e parte do leito do rio passa ao lado de uma fazenda. Realmente passando pela fazenda você corta uma parte do caminho, pagando R$5,00 por isso. Eu decidi pegar o atalho, eram só R$5,00 mesmo. FIquei um pouco incomodado com a mulher tendo falado para eu pegar o atalho mas sem avisar que eu teria que pagar. Mas por outro lado, a placa que indicava o atalho para a fazenda deixava muito claro que se passasse por ali deveria-se pagar uma taxa, então achei ok. Eu ficaria muito puto se a placa não informasse isso. A descida para a Fazenda era bem forte, se comparada a trilha em que eu estava andando até então e fiquei um pouco receoso de ter recebido uma informação errada, e depois ter que subir aquilo de volta. Mas enfim, eu já tinha andado uma boa centena de metros e então decidi ir até o fim. Acabei chegando em uma casa com uma varanda e vista incríveis. Já gostei de lá, já tinha esquecido toda aquela descida forte. Buraco do Cação É um canion-aquático, digamos. Um canion, mas onde la embaixo a água do mar entra, causando sulcos. Na Trilha do Bonete você vê esse canion por cima, tendo uma bela visão. Mas não dá pra ir na parte debaixo dele aqui não. Altura: ? Ficabilidade no Local: Não é um lugar pra se ficar. é tipo um mirante mesmo, você tira umas fotos, vê o local de cima e continua a jornada. Vista perto do Buraco do Cação - nessa foto não dá pra ver o canion em si, mas ele está bem pertinho daí. Eu não cheguei a ver o Buraco de perto (passei direto por causa de tempo) Logo fui avistado pela dona Nice, a simpática felizarda dona daquela casa que recebia hóspedes e visitantes. A Fazenda da Lage. Lá nada mais é do que a morada dessa simpática senhora, ela aproveita pra ganhar um sustentinho oferecendo bebidas e lanches e para os mais afortunados, acomodação: camping ou suites (estas últimas por R$50,00). São quartos compartilhados tipo albergues. O Lugar é mágico, vale a pena uma parada por ali, além do que você vai poupar um trechinho da trilha (mais detalhes de distancia no artigo deste relato - acima). Logo percebi que a Dona Nice gostava de uma prosa, eu papeei com ela enquanto secava minhas longas gotas de suor, apesar de ainda ater andado poucos quilometros do total do dia. Ela comentou sobre as grandes chuvas que vinham acontecido e como ela ficava isolada nesses tempos, a luz acabava, e a estrada ficava intransitável para os esparsos 4x4 que se aventuravam por ali (como o de seu filho que vinha lhe trazer bebidas, cigarros e mantimentos em geral ) Nice me falou o que eu poderia visiar ali perto da sede da fazenda, e enquano isso me contava alguns casos, me contava de seus filhos, me contava de como foi o natal isolado do mundo depois uma forte chuva que acometeu o litoral norte de SP e por aí ia. Eu não pude escutar tudo que ela teria a contar, pois isso renderia pelo menos uma noite por lá, tive que pausar nossa prosa, para descer, então, até o Lago Dourado, uma das atrações da Fazenda. Comprei uma água geladinha para recompor o suor perdido, deixei o mochilão aos olhos de Dona Nice, cuidados na varanda da Fazenda, e fui conhecer o Lago Dourado. Que lugar? Lago Dourado É mais poço que queda. A queda é bem singela, baixinha e rasteira. O poço também é pequeno. O que vale mais aqui mesmo é a bela visão do rio encontrando com o mar, por entre as pedras. Belo e calmo local. Altura: 1m Tamanho do Poço: 5mx3m Profundidade do Poço: 1,5m Pulabilidade no Poço: Básica. É um poço pequeno, não é pra pular muito. Nadabilidade: Boa. Poço pequeno, mas bem agradável pra entrar e refrescar. Ficabilidade debaixo da queda: Não. A queda é quase inexistente. Ficabilidade no Local: Muito boa. Consideramos esse o melhor lugar pra você gastar um tempinho, dentre os atrativos, de todos os conhecidos indo pra Bonete. Capacidade: 6 pessoas Eu não sei o que foi, se foi o tempo abafado, ou se já esstava muito cansado do peso da mochila, mas aquele lugar pra mim foi paixão a primeira vista. Assim, talvez nada demais mesmo frente a tantas cachoeiras que já conheci, tratava-se apenas de uma porção do leito do Rio da Cachoeira da Laje (mas essa porção ficava mais abaixo da cachoeira), e ali tinha alguma quedinhas (pequenas) e poços MUITO agradáveis para se nadar. Além disso, dava pra ver lá embaixo o rio se encontrando com o mar. Que lugar insanamente bonito. Eu já havia visto outros encontros de rio com o mar, só que esse era diferente, porque o rio encontrava lá embaixo tipo , seguindo um rio de pedras até o fim, uma cena bem diferente e muito bela mesmo. Rendeu algumas fotos legais. Eu me recuperei 100% com aquele banho em temperatura muito agradável, de água doce, e depois de 40minutos voltei a sede da Fazenda. Estava um pouquinho atrasado, segundo o meu plano, por causa daqueles 2km iniciais. Comprei mais uma água com Dona Nice e botei a mochila nas costas. Ela me perguntou então, quantos dias eu iria passar em Bonete? Eu respondi: -Só 1, porque no outro dia vou pra castelhanos. -O queee?? Não vai não. É muito periogoso você não pode fazer isso você é doido e a chuva e os raios não faz isso [desatou a falar sem parar] -Nossa... mas é tão perigoso assim? -Faz o seguinte, tinha 3 caras acampados aqui hoje de manhã eles sairam também em direção a Bonete, procura eles lá, que eles também vão a Castelhanos! Não vai sozinho não! Os raios são muito perigosos! Confesso que fiquei um pouco abismado com o tanto de medo que a senhora demosntrou quando disse que iria encarar sozinho a trilha para Castelhanso. Realmente eu sabia que era uma trilha com uma erta dificuldade, pois todos os relatos que tinha lido falavam sobre um trecho confuso com bambuzais e que havia muitas travessioas de rio. A chuva poderia complicar tudo de fato. Eu tinha um protocolo a ser seguido , no entanto, eu só iria se não chovesse. Com chuva eu cancelaria o plano. Não queria passar mal bocados em travessias de rio. Depois de um pouco dei adeus a Dona Neide, com certeza voltaria ali, mas se tudo desse certo, seria apenas numa próxima oportunidade, pois eu daria meia volta na ilha, não voltando por ali. Sai e continuei a trilha, muito bem refrescado depois de um banho no Lago Dourado, cortei a Cachoeira da Laje onde havia muitas pessoas escorregando pelo tobogã e segui as orientações de Neide para cortar reto o rio , segundo ela eu pouparia mais uma parte da trilha. Eu tive certa dificuldade para ver onde a trilha continuava do outro lado do rio . Na verdade não continua mesmo, é porque a estrada está bem próxima à cachoeira, depois de alguns poucos passos estava de volta à estrada, feliz com a parada que valeu demais os R$7,00 que gastei comprando duas águas e segui adiante com o mochilão nas costas. A Cachoeira da Lage é uma cachoeira simples e de fácil acesso, com uma queda pequena (corredeira pequena), e um poço bacana pra se nadar. Altura: 1m Tamanho do Poço: 5mx3m Profundidade do Poço: Raso Pulabilidade no Poço: Básico. Poço pequeno. Nadabilidade: Média. Ficabilidade no Local: Boa. FIca próxima da Fazenda da Lage, bom local. Eu tinha caminhado a primeira parte dessa trilha de forma bem tranquila, apesar do tempo muito abafado que fazia. Logo depois da Cachoeira da Lage, a trilha dá uma pequena ~esquentada~. Cachoeira da Lage Convencionei chamar o trecho entre Cachoeira da Lage e Cachoeira Areado de "Montanha Russa de Pedras". Não é que tenha nada demais nesse trecho, mas é um trecho que apesar de não parecer, é bem cansativo. Uma sequencia de subidas e descidas agora com muitas pedras pelo caminho vão te levando sem erro, mas com cansaço visível até Areado. São aproximadamente 3,63km de distância entre as duas cachoeiras. 3,63km de muita pedra sobes e desces. Não há inclinações que requeiram escalaminhaa não, nada disso. mas são subidas e descidas que vão te deixar bastante morto. Acho que esse foi um dos passeios em que mais suei em toda a trilha. É sério: tinha alguns trechos da trilha que eu tinha uma CACHOEIRA de suor nas minhas costas e nas minhas laterais. Sério. Era muita água saindo do meu corpo. Eu tinha a impressão eu ia secar a qualquer instante. Uma coisa que me chamou muito a atenção na Ilhabela foi a quantidade de água doce que descia das montanhas. Talvez eu tenha descoberto o mistério desse fenômeno. Com tanta água perdida através de suor, eu não duvido nada que um lençol freático seja formado só com o suor dos trilheiros que seguem por ali... Cheguei bastante extenuado em Areado, confesso, já com bastante vontade de chegar à Bonete. Mas eu tinha feito uma pernada muito boa e recuperado todo o tempo que tinha atrasado nas paradas anteriores. é por isso que me dei ao luxo de parar 1h inteirinha em Areado. havia um casal de mulheres com um guia por ali, mas que logo sairam. Eu aproveitei o rio de Areado e fiquei lá saboreando seu frescor enquanto examinavan seus arredores, principalmente um pouco pra cima. Eu tinha lido em um site que recentemente haviam encontrado uma cachoeira muito alta (mais de 100m) subindo esse rio, mas com certeza isso é um mito a ser desvendado em outra época. não tinha tempo e nem plano de parar ali pra subir aquele rio pouco conhecido. Rio Areado A região do Areado é conhecida por muitos como Cachoeira Areado, fato é que essa porção do rio em que se atravessa não tem cachoeira, só o leito do rio mesmo, mas é um ponto muito bom pra se nadar. Eu aproveitei bastante a 1h ali, comi um lanche reforçado (meu almoço) pra então sair dali bem refrescado. Quando eu estava explorando parte do Rio Areado um pouco acima da linha da trilha, avistei chegando um cara, parecia também um trilheiro solitário como eu. Vi que ele estava procurando um jeito de atravessar sem molhar. Eu não tive essa paciencia, molhei os pés e atravessei (com certa dificuldade). Enquanto ele passava o alcancei e trocamos uma rápida ideia. areadoComo todos ali, ele também estava indo para Bonete, forte sotaque paulista. Nos cumprimentamos, mas ele ainda saiu antes que eu, pelo que se via, estava com pressa de chegar à Bonete. Devido a sua busca de um ponto pra se passar sem molhar, eu percebi que ele tinha uma boa experiência em trilhas. Mais alguns minutos, e saí de Areado, um pouco atrás de Alan, o outro trilheiro solitário. Foto tirada na volta de Bonete O Rio tinha subido significativamente. Na ida a água batia no joelho, nesse dia estava batendo na cintura. Depois de Areado, a trilha volta a ficar um pouco mais fácil, com os mesmos sobes e desces de antes, mas com menos pedras, pelo menos essa era a minha impressão, ou talvez fosse apenas o sol começando a ficar mais fraco. Eram 15h, o pior tinha passado. Um pouco mais adiante no topo de uma subida, encontrei com o ALan, que estava fazendo um lanche improvisado, depois de muito suor. Como eu já tinha descansado bastante em Areado, só troquei uma ideia rapida com ele, desejei bom resto de trilha , mesmo porque mais tarde provavelmente iriamos nos esbarrar em Bonete mesmo. Não demorei muito pra chegar até um mirante que tem um pouco fora da trilha, com uma excelente vista da praia. Fiquei ali por alguns instantes, tirei algumas fotos e depois voltei pra trilha. Mirante de Bonete, ao fim da trilha (chegando) Era a descida derradeira. Fui tranquilo, até, agora com o tempo meio nublado. Passei pela Cachoeira do Saquinho, uma cachoeira de passagem mesmo, sem poço, bem no finzinho da trilha, E agora às XXX horas pisava na areia de Bonete. Praia do Bonete A Praia do Bonete é uma praia isolada da civilização, só acessível via trilha ou via embarcação. Possui uma vila de moradores, vila muito simples. A Luz elétrica não chegou a Bonete, e a vila tem energia elétrica através de um gerador, que funciona apenas em alguns horários determinados. A vila possui algumas vendinhas simples e alguns poucos restaurantes. A praia possui em seu lado esquerdo (quem está olhando para o mar) um rio que desemboca em sua praia. Rio muito limpo. A primeira impressão da Praia não é tão bonita assim. Não é uma praia com areia clarinha, e você tem a impressão de que é uma praia suja. O que ocorre é que o rio que desagua na praia é bem largo então ele desemboca muitos "restos de natureza" e então as ondas trazem esses restos pra areia. Fica impressão de que a praia é suja, mas não é. Ela não é , apenas 'visualmente limpa'. Placa graciosa em Bonete Assim que pisei na praia, vi que a vila era maior do que eu achava. Eu achei que lá tinha tipo só 2 campings e uma pousada e pronto, mais nada de casas, mas a vila até que era grandinha (pro que eu estava esperando). Pequei em não ter anotado o nome dos campings que eu tinha lido a respeito. É porque eu queria ficar no camping "mais seguro" segundo diziam. E não queria correr o risco de chegar no camping "menos seguro" , não gostar de lá e ter que dar alguma desculpa esfarrapada pro dono pra sair de lá. Essa situação é meio chata. Chegando na vila, avistei de novo sem querer o Alan, lendo uma placa na entrada da vila, na verdade um mapa informativo da região, com alguns pontos marcados. Ele me perguntou onde eu iria ficar e eu disse que estava como ele, sem saber direito. poderia ser uma pousada, poderia ser um camping. A principio eu estava querendo mais uma pousada, mais caro, mas eu ia descansar melhor para o próximo dia que era a parte mais dificil da trilha. Mas com o Alan ali como novo companheiro "sem querer", acabou que a animação pra camping aumentou um pouco. Apesar disso, nos separamos novamente e combinamos que se alguém descobrisse alguma coisa sobre o camping, falaríamos um pro outro. Perguntando um pouco pelas vielas da vila, acabei descobrindo o Camping do Sr. Eugenio, que ficava mais escondido, lá pra trás, e mais pra parte esquerda da vila (esquerda de quem está olhando para o mar de desde a faixa de areia). Eu entrei no camping, estava vazio. Não tive uma excelente impressão de lá, não porque era feio. Estava organizado, na verdade uma casinha simples com um grande quintal, mas um quintal sem grama, e isso foi que me desanimou um pouco.. mas oferecia banho, inclusive com banho quente (teoricamente) e uma pequena área coberta com fogão a lenha (nem usei). Perguntei o preço, era R$10,00 por pessoa, assim que terminei de perguntar, Alan também já havia descoberto o caminho das pedras para chegar até ali. Ele perguntou algumas coisas também e logo começou a olhar um lugar pra montar sua barraca (mais rápido que eu). Visivelmente o Alan estava muito mais determinado do que eu pra dormir em um camping, hehehehe. É que aquele solo de areia estava me incomodando um pouco, ainda mais com nuvens no céu. Só que a certeza do Alan de ficar por ali me deu força de vontade de também ficar por ali. Afinal de contas, depois de uma troca de ideia, ele também comentou que pensava em ir a Castelhanos, então não seria nada mal ter um backup ao lado, mesmo porque eu não havia encontrado o trio que a Nice havia comentado que estava indo para lá no outro dia. Depois de cerca de meia hora no Camping com tudo montado já, chega um trio de caras no camping em que estávamos. De alguma forma, nao sei muito bem como, o trio que a Nice tinha me comentado chegou depois que nós (se perderam em algum lugar (?)) e montaram por ali também. Eram mais jovens e estavam mais da doideira que eu e Alan, Trocamos alguma ideia, mas logo vi que os grupos Alan , Diego, Trio era de alguma forma individualistas (se tratamos o trio como um indivíduo também ). Eu aproveitei a luz do dia do horário de verão para conhecer uma Cachoeira que havia na vila, que descobri que existia por acaso, vendo algumas plaquinhas informativas dentro da vila mesmo (nenhum relato tinha citado-as). Andei conforme as indicações e em 15 minutos estava no ponto dado como Cachoeira. Mais uma vez, não é uma cachoeeeeeira mesmo, é apenas uma parte do leito do rio que banha a vila (e que desemboca lá no mar deixando a praia 'visualmente suja'). Mas tinha um poço muito bom. Mais uma vez, assim como Areado, mais um rio surpreendentemente largo para uma ilha (algo que não tinha visto nem em Florianópolis nem na Ilha Grande e nem em Morro de São Paulo, as 3 ilhas que já havia conhecido). Deu pra curtir o bom poço (Poção) de lá, e voltar para o Camping. Como sempre, como não consigo deixar de cumprir, aproveitei estar numa vilhinha e decidi comer um prato fora. Sempre é bem mais caro do que fazer a própria comida, mas eu realmente não resisto a esse nível de preguiça, adoro sentar numa mesa e pedir um pratão. Acontece que em Bonete as coisas são bem , digamos..... SALGADAS no preço. Eu pesquisei toda a vila, passei pelo restaurante da Pousada Canto bravo (o mais caro do local), passei pelas duas vendinhas que vendiam pasteis e finalmente na Pousada da Rosa (a mais famosa por ali), e era tudo beeeeem carinho mesmo. Apesar do preço, fui pedir uma pizza la na Pousada da Rosa mesmo (não tinha PF, só pizza). O pior que eles vendiam só uma pizza inteira de oito pedaços. Eu pedi pra ser meia mas não aceitaram. Não sou um bom pechinchador, então acabou ficando por isso mesmo. Pedi uma pizza inteira mesmo e uma coca, aaaah... uma coca gelada, como isso é bom, em um dia tão calorento e abafado... A pizza saiu por não-bagatelas R$24,00 (!!! muito caro - eu já comprei sabendo do preço, não resisti) e o refrigerante (uma latinha) temíveis R$6,00. O mais barato que vc conseguia achar ali era R$5,00 (não tinha mais barato ue isso). Água? R$4,00 - cartel, isso mesmo, (só 4 lugares vendiam comidas e bebidas, todos com preços iguais nas bebidas). Chutei o balde pro bolso, e gastei pelo bel prazer de comer uma comidinha e uma coquinha no restaurante. É muito bom chutar o balde de vez em quando hehe. além do mais, eu planejava ficar na pousada da rosa, ia gastar no mínimo R$60,00 por um quarto (NO MINIMO) então tinha um dinheiro "sobrando" pra aquela janta. Comi agradavelmente por ali e lá para umas 21h30min voltei para o Camping. Hora de dormir! Deitei até que confortavelmente na minha barraca, cama de areia e me preparei pra dormir, mas quem disse? Exatamente as 22h começou a chover, fraco por enquanto mas...... pouco depois estava caindo só um diluvio, só. Eu estava tranquilo porque sabia que a minha barraca estava preparada para o que desse e viesse. Mas.... Quem disse?? EM dado momento tanto chovia que a água começou a passar debaixo da barraca. "Bem, é impermeável" - pensei, não vai dar galho. Mas....... Barracas são semi-impermeáveis, aprendam essa lição! Elas tem um limite de quantidade de água que podem aguentar. E vcs podem imaginar que o limite da minha foi testado, e ultrapassou o limite. A água ultrapassou a barraca e começou a molhar.... MUITO. Rapidamente guardei tudo dentro da mochila, não depois de ter bastante coisa molhada, a primeira coisa que salvei foi meu saco de dormir, unico item dormível que eu possuia. EM dado momento não dava mais pra ficar dentro da barraca, não estava só umido, estava com alguns milimetros de água já la dentro. Tirei tudo da barraca e me salvei em um teto, local da churrasqueira, no camping. Imaginei que daqui a poucos minutos o Alan e o trio das outras barracas iriam sair de suas respectivas também, né possível ue a minha poderosa barraca seria a única a ficar inundada. Foi por isso que rapidamente verifiquei onde seria o melhor pra dormir fora da barraca. ENcontrei um cantinho debaixo da churrasqueira, o lugar mais protegido da água possível. não que fosse super, o teto tinha apenas uns 6 metros quadrados, ali era o unico local intocado. Com sorte, ia dar pra espremer 5 pessoas debaixo daquele teto. Passa 1 minuto, 2, 5, 10. NInguem sai das barracas! Pelo jeito, só a minha cara e top barraca ficou inundada, enquanto que as outras que pareciam barracas comuns não ficaram inundadas, bela merda hein! Mais alguns minutos a chuva diminui um pouco. Eu estou sentado no banco só vendo a chuva e me lamentando pela barraca inundada, mas ia dar pra dormir bem debaixo daquele tetinho. Eu só tinha um medo de alguma cobra vir a noite. Aí, no escuro, eu acendo a miha lanterna de testa e miro para o saco de dormir ali no cantinho no chaõ e vejo o que??????? Um siri do tamanho da minha mão, azul, bonito, mas é um SIRI, em cima do meu saco de dormir, PQP!!!!!!! Com um cabo de vassoura assustei o bicho e ele saiu de cima, mas comé dormir com siris vindo em cima de voce???? Mais alguns outros minutos e o Alan chega correndo, ele estava num bar com os caiçaras, heuaheuaheuaheua. todo molhado, falou que tava ilhado la no bar. Os riozinhos cercando a vila encheram e ele teve que se molhar bastante até chegar ao camping. Falei dele da barraca inundada. ele foi correndo ver como a dele estava. A dele estava intacta!!!! Maldita minha barraca cara a única que não aguentou nada! Grandes merda hein ~~ O Alan fez uma janta ali, ficamos conversando bastante e por sorte a chuva diminuiu muito, ficou apenas chuviscando. eu fui lá ver qual era o estado da minha barraca: Dormível. Úmida mas dormível. O Resultado dessa brincadeira foi quase que a totalidade da minha roupa molhada (ou úmida) com exceção da roupa de emergencia colocada em um saco plastico. Livro molhado e amassado, carregador solar todo molhado e mp4 perda total. Ao menos agora dava pra dormir na barraca. Prefiria trocar o chão 100% seco mas com riscos de siris mordendo meu nariz pela minha barraca um pouco molhada mas mais segura, heheheh. Deu pra dormir até umas 4h. quando...começou a chover muito forte de novo. Tive que recolher o saco de dormir (o resto ja tava na mochila preparado pra esse tipo de momento) e ficar de cócoras, a posição em que eu fazia o menor contato possível com o chão da barraca, minimizando a quantidade de água entrada. Pelo menos ja eram 4h, mesmo se a chuva não parasse, eu já teria descansado um minimo possível pra ser alguem na vida no outro dia. Pra minha sorte, o chuvão durou só uns 20 minutos, possibilitando depois de um tempinho que eu deitasse novamente com as minimas condições e dormisse até umas 7h.. Rio cheio após uma forte chuva O dia amanheceu muito feio, muito nublado e com muita chuva. O passeio para Castelhanhos era um incógnita. Eu, na verdade, nme teria cogitado ir pra la, mas tendo conhecido o Alan, talvez ainda poderiamos tentar. Ele acordou e falou que até tentaria, mas teriamos que perguntar para os caiçaras primeiro pra ver o que eles sugeririam. O trio acordou com um de seus componentes passando muito mal, muito pálido, febre e vomitando muito. O Alan era médico, deu algumas recomendações e deu um remédio a tiracolo que ele tinha levado. O menino tomou, enquanto isso Alan e eu olhavamos para o céu e para o relógio, nessa corrida conttra o tempo até ver onde o céu nos permitiria deixar sair para Castelhanos. Só que o dia não melhorou, ficou muito chuvoso e bem dificil o dia. Quando bateram os relógios às 11h30min, nós declaramos oficial o cancelamento da empreitada até lá, ficaria para a próxima. Eu já havia desmontado minha barraca, pois mais uma noite dormindo numa piscina é que eu não ia passar. Precisava de uma boa noite. Estávamos isolados na ilha. Não dava nem pra ir pra Castelhanos, nem voltar - muito provavelmente - pra vila, pois o Rio Areado já era meio dificiinho de se passar no tempo bom, imagina com chuva? O dia foi quase que todo parado, devido a chuva. Eu ainda fiz uma pequena investida até a Praia de Enchovas (a próxima depois de Bonete). A praia estava muito feia (não sei se é sempre feia?) sem faixa de areia e o tempo totalmente nublado. Fui ao mirante de Bonete pelo lado esquero tirei belas fotos, exatamente na hora em que começou a cair um novo temporal. Paciencia. Mirante do Lado Esquerdo Eu tinha achado uma vaga na Pousada Margarida (a mais barata da vila Bonete). Um quarto simples, com luz e banho quente, servindo o café da manha. Mais do que suficiente para eu tirar uma bela noite de sono naquela vila isolada. O relato termina mesmo, inacabado. A empreitada até Castelhanos não foi completada, ficando suspensa até a proxima tentativa pra la. No outro dia eu não tinha mais tempo disponivel suficiente para ir a Castelhanos, mas só mesmo de voltar para a Vila pela trilha do Bonete. O tempo não estava bom, mas um pouco melhor do que no dia anterior. Encontrei com Alan no camping e combinamos horário para voltar juntos. VOltamos num ritmo bom, o tempo estava mais agradável pra fazer a trilha. Foi muito bom termos voltado juntos, pois o Rio Areado estava na altura do peitoral. Seria possível voltar sozinho, mas bem complicado. Para atravessar o rio, passamos uma mochila por vez. Um de nós pegava a mochila "no colo", enquanto o outro se posicionava 2 passos mais a frente, pegava a mochila das mãos do outro, no colo, e esperava o outro passar mais 2 passos adiante repetindo o processo até chegar do outro lado com segurança. Deu pra suar, o rio tem cerca de 10 metros de largura a serem atravessados. Foi uma bela expedição, com alguns bons desafios, bastante chuva no meio e uma boa parceria com o Alan, trilheiro solitário paulista, quem sabe na próxima não nos encontraremos pelo mundo pra conquistar a famosa Castelhanos, via trilha. É minha primeira contribuição de relato ao fórum. Um agradecimento ao forum Mochileiros, que ajudou com bastante informação em minha primeira visita à Ilha. Link do relato no blog dos Caçadores de Cachoeira: http://trilhados.blogspot.com.br/2015/06/trilha-do-bonete-do-centro-da-ilha-ate_20.html
  6. Olá pessoal, incrivelmente não consigo achar o track da Cachoeira Fumacinha na internet. Parece que ninguem ainda disponibilzou! Irei fazer essa trilha sozinho (sem guia) e vai ajudar muito se a tiver. Alguém tem esse track e poderia disponibilizar..? Desde já eu agradeço, []s Diego
  7. Opa, muito legal o relato! e bom saber que tem gente que fez de Lençois pra Capão, pois é o que pretendo também. Dúvidas: 1) Vocês levaram gps para essa trilha? (se sim, vcs tem o .gpx dela?) 2) Não entendi a logística de volta de vcs, de Vale do Capão para Lençois. o que é esse rural? e o que é esse gol 95???? heheeh. Eu vou fazer tal trilha e preciso voltar para Lençois (local de origem). Como vocês fizeram? Valeu!
  8. Olá, vou ser objetivo... tenho 2 questões cruciais pra decisão do meu roteiro que não estou achando resposta em canto algum. 1) A Trilha pra Cachoeira Fumaça por baixo: Ela pode ser feita iniciando e terminando em Lençóis? (demora quanto?) 2) Existe condução de Salvador pra Vale do Capão? Todos falam sobre a real expresso, mas quando pesquiso por horários de busu desse trecho, diz que NAO TEM. 3) Existe condução-bus de Lençois pra Ibicoara? Obrigado pessoal..
  9. Olá, eu pesquisei bastante essa informação , mas não consegui uma resposta satisfatória. Estou pensando em um roteiro de 7 dias - Em Lençóis + Ibicoara. Mas ainda não consegui achar um transporte entre lençóis e Ibicoara (não vou de carro). Existe onibus que faz esse trajeto? Muito obrigado!!
  10. diegosolamito

    Lima

    Oi lucasbraganca, valeu..! vou de bus pra huaraz sim. pois é, tb nao tou vendo outra solução, a nao ser deixar minha mochila em algum albergue por uma módica taxa, hehehe. se alguem tiver alguma ideia ... é só dizer, brigado!
  11. diegosolamito

    Lima

    Olá, estou indo a Peru no dia 21 de outubro agora. Meu vôo desce em Lima, mas pretendo de lá ir para Huaraz. A principio pensei passar uma noite em LIma, para conhecer la um pouco e no fim do segundo dia la, ir para Huaraz. Porém, de tudo que li, estou pensando em apenas passar o dia na cidade e de noite já pegar um onibus para Huaraz (sem passar nenhuma noite em Lima). O problema é meu mochilão. Alguém sabe como eu poderia fazer para deixá-la em algum lugar, equanto faço um passeio durante o dia pela cidade? []s
  12. OI Carla, obrigado. Eu estou tentando obter algumas informações de Huaraz, mas estou enfrentando dificuldades. Umas perguntinhas: -Todas as trilhas famosas de Huaraz se iniciam do mesmo ponto? -O inicio da trilhas ficam longe da cidade de fato? Isto é, eu tenho que alugar onibus / van/ taxi? -Você possui track gps dessas trilhas? Não consigo achar na net!
  13. Olá Carla, agradeço enormemente por ter disponibilizado esse relato. Foi o que me fez descobrir essa cidade que está simplesmente me encantando, mesmo antes de conhecê-la. Estava planejando ir a outros lugares e não consegui acreditar que existe essa cidade e é tão pouco falada em relação as outras. Pra quem gosta de Trekking, parece um paraíso! No entanto, tenho uma duvida. Eu estarei no Peru de 20 a 30 de outubro. Nessa época, os lugares que vc conheceu ainda tem neve ou glaciares? É porque tenho medo de fazedr trilhas por lá em tal época e não estar tão bonito quanto esteve em sua viagem (vi pelos seus postais). Sabe informar? Obrigado, um abraço!
  14. e valeu pelo seu relato! estou me saciando com ele. relatos muito bons!!! parabens (gosto desse estilo)
×
×
  • Criar Novo...