Ir para conteúdo

rafael_santiago

Membros de Honra
  • Total de itens

    319
  • Registro em

  • Última visita

  • Dias Ganhos

    4

rafael_santiago venceu a última vez em Novembro 3 2019

recebeu vários likes pelo conteúdo postado!

Reputação

90 Excelente

Links para Redes Sociais

Outras informações

Últimos Visitantes

O bloco dos últimos visitantes está desativado e não está sendo visualizado por outros usuários.

  1. Oi, Ricardo Sim, tem que ir para Pokhara. Dá pra ir de avião com a Tara Air (www.yetiairlines.com) ou de ônibus. Como eu coloquei no relato (www.mochileiros.com/topic/83308-trekking-do-campo-base-do-annapurna-e-poon-hill-nepal-dez18) a viagem de ônibus é bem tranquila pois todo o caminho é de asfalto (duração de 8h). Abs
  2. Oi, Leonardo Não tenha dúvida, feche o trekking com uma agência em Huaraz. No final do relato eu coloquei uma lista de agências que encontrei em 2015 na cidade. Algumas podem ter fechado e outras surgido, mas certamente a oferta é grande pois a cidade vive do serviço de trekking e escalada. Os preços com certeza vão ser MUITO mais baixos do que você pagaria aqui no Brasil. Agosto é alta temporada e haverá muitos grupos saindo. Outra dica: na negociação pessoalmente, olho no olho, você consegue preços ainda melhores do que combinando tudo por e-mail. Boas trilhas!
  3. Oi, Ricardo, tudo bem? Primeiro é melhor chamar a atenção para um detalhe: o trekking que eu fiz e relatei aqui é do Campo Base do Annapurna (ABC, em inglês). Há um outro trekking muito famoso no Nepal chamado Circuito Annapurna, fica na mesma região mas é um roteiro bem diferente. Vamos às suas dúvidas: 1. passagem aérea com melhor custo benefício? Eu fui com a Turkish Airlines pois estava com o melhor preço, mas sempre vale a pena comparar pelos sites de busca Skyscanner e Decolar. Recomendo a Turkish, é uma ótima companhia, e a parada de 5 dias em Istambul na volta foi o complemento perfeito para a minha viagem. 2. melhor contratar um guia ou dá pra ir sozinho? Essa pergunta é sempre difícil de responder pois cada um tem uma experiência de caminhada diferente. O que posso dizer é que quase todos que estavam fazendo esse trekking naqueles dias o faziam de forma independente, sem guia. Há sinalização pelo caminho e onde não há sinalização sempre tem alguém para perguntar pois há vilarejos e muitos trilheiros fazendo a caminhada nos dois sentidos. Mas esteja sempre atento aos sintomas do Mal Agudo da Montanha e pare (ou mesmo desça de volta) se começar a se sentir mal. Eu escrevi sobre isso aqui nesse guia. 3. Os lodges/guest houses precisam ser reservadas com antecedência? Os lodges não divulgam números de telefone e não têm reserva pela internet. Eu não me preocupei com isso pois queria deixar o roteiro livre e dormir onde conseguisse chegar. Nesse período em que fiz o ABC (fim de novembro/início de dezembro) sempre consegui encontrar uma cama para dormir. Mesmo quem chegou bem depois de mim também encontrou. Se você for em outubro ou início de novembro pode ter algum problema se chegar muito tarde aos vilarejos. Mas sempre haverá um lugar para dormir, nem que seja na sala de refeição de um dos lodges caso todos estejam lotados. Dica: evite dormir no vilarejo Himalaya pois tem apenas dois lodges e lotam facilmente. 4. É melhor trocar o dinheiro em Kathmandu, certo? Correto. No Thamel, em Kathmandu, você encontra muitas casas de câmbio e pode comparar as cotações. Em Pokhara deve haver câmbio também mas em menor quantidade (mais difícil de encontrar e menor concorrência). 5. Estou pensando em comprar a mochila Deuter - vale a pena? A Deuter tem seus fãs e seus críticos, a Osprey a mesma coisa. Eu nunca tive uma cargueira da Osprey então não posso dizer quanto à qualidade e conforto, mas estou bem contente com a minha Deuter ACT Lite 50+10, que me acompanha nas trilhas há vários anos. Se ainda tiver dúvidas pode mandar. Um abraço e boas trilhas!
  4. Passarelas de madeira por todo o caminho 11º DIA - 11/09/19 - de Pårte a Kvikkjokk Distância: 15,6km Maior altitude: 586m Menor altitude: 330m no Refúgio Kvikkjokk Fjällstation Resumo: esse dia foi em sua maior parte nivelado na faixa dos 500m a 580m de altitude. O único desnível significativo foi uma descida de 187m no final do dia. A barraca amanheceu molhada da chuva da noite, mas felizmente saiu um solzinho tímido para ajudar a secá-la. Voltei ao refúgio para tirar algumas fotos do Lago Sjabatjakjaure, conversei um pouco mais com a anfitriã (faltam 12 dias para todos eles voltarem para casa) e pus o pé na trilha às 9h43. O caminho será o dia todo pela mata de bétulas e pinheiros, com pouca visão da paisagem ao redor. Mas as bétulas cada vez mais amarelas e as plantas rasteiras avermelhadas darão o colorido desse dia. Às 10h36 atravessei um rio mais largo por uma ponte de madeira. Às 11h07 cruzei um portão de ferro numa cerca e 4 minutos depois uma porteira de ripas, onde conversei com um casal francês que parou para um lanche. Às 11h27 me deparei com o enorme Lago Stuor Dahta - a trilha vai para a esquerda e o margeia. Esse trecho é bem ruim de caminhar porque tem muitas pedras e estavam escorregadias pelos chuviscos ocasionais. Às 13h08 fui à esquerda numa bifurcação em que os dois lados levam a Kvikkjokk, mas o da direita é o caminho de inverno. Às 13h17 atravessei uma ponte grande de madeira e a trilha quebra para a direita. Volta e meia vinha uma chuva fraca e era preciso vestir a jaqueta impermeável, depois esquentava e tinha de parar de novo para tirá-la. Às 14h47 surgiu uma bifurcação sem placas, mas segui pela direita pois o caminho da esquerda pareceu ser o de inverno. O avanço se tornou mais rápido quando as passarelas de madeira ficaram mais longas. Às 15h23 a trilha teve fim numa estradinha de cascalho onde segui para a esquerda. Com mais 420m cheguei a um grande estacionamento à esquerda e mais 180m ao Refúgio Kvikkjokk Fjällstation, às 15h34. Esse refúgio, assim como o Abisko Turiststation e o Saltoluokta, é uma estação de montanha com todo o conforto. Há um restaurante que serve as três refeições e ainda sanduíches, bolos e cafés. Há sauna e um mercadinho bastante variado. Pode-se utilizar uma cozinha reservada aos hóspedes. E para minha surpresa podia acampar em qualquer lugar sem pagar a taxa, usando os banheiros de dentro do refúgio pois não há banheiro fora. Me indicaram uma grande área de acampamento a 100m do refúgio, mas o terreno não era plano e ventava muito ali. Preferi voltar um pouco pela estradinha por onde cheguei e armar a barraca numa das muitas clareiras que havia. Mas antes usei o wifi do refúgio (SEK 50 = US$ 5,34 ilimitado) para comprar a passagem de ônibus+trem de volta a Estocolmo (o próximo wifi só iria encontrar na rodoviária de Jokkmokk, mas queria comprar a passagem com antecedência de pelo menos um dia). O ônibus para Jokkmokk só sairia às 5h20 do dia seguinte, então passei o resto do dia explorando os arredores. O Rio Kamajokk passa atrás do refúgio e forma cachoeiras e corredeiras muito bonitas. Altitude de 330m no Refúgio Kvikkjokk Fjällstation. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 12ºC Cachoeiras e corredeiras no Rio Kamajokk 12/09/19 - de Kvikkjokk a Jokkmokk e Estocolmo Tive de acordar de madrugada para pegar o ônibus e estava chovendo. Arrumei a mochila dentro da barraca e já estava pronto para desmontá-la na chuva quando de repente parou. Embrulhei bem o sobreteto da barraca pois estava ensopado. Desci até a igreja do vilarejo, ponto final do ônibus, a 300m do refúgio, e lá reencontrei o casal de Luxemburgo. Quando comprei a passagem de trem para Estocolmo (www.sj.se/en/home.html) não consegui incluir esse primeiro ônibus, apenas o segundo (não sei por quê), então paguei esse ônibus avulso (SEK 197 = US$ 21). Tive de pagar com cartão de crédito, o motorista não aceitou dinheiro. Curioso é que não precisei digitar a senha do cartão, ele disse que até SEK 200 não há necessidade da senha. Cheguei a Jokkmokk às 7h50 e tinha ainda que esperar até 15h10 para tomar outro ônibus para Älvsbyn. Usei o wifi da rodoviária para dar sinal de vida e quando a chuva parou saí para conhecer a cidade e comprar comida no supermercado (há dois mercados grandes). Às 15h10 tomei o segundo ônibus e desembarquei em Älvsbyn às 17h15. Esperei até 18h14 para pegar o trem para Estocolmo, chegando às 7h15 do dia seguinte à capital sueca. Informações adicionais: . para saber os preços de hospedagem e refeições nos refúgios da STF consulte os valores atualizados em www.swedishtouristassociation.com/our-accommodation-types/stay-stf-mountain-cabin e www.swedishtouristassociation.com/our-accommodation-types/stay-stf-mountain-station . segundo o site www.swedishtouristassociation.com todos os refúgios por que eu passei nessa caminhada aceitam pagamento com cartão de crédito e débito, exceto Pårte . mapa da Kungsleden com as trilhas e refúgios: www.swedishtouristassociation.com/app/uploads/sites/2/2016/06/kungsleden-stor.jpg . barco de Teusajaure à margem sul do lago: de 20/06 a 1/9 - 7h, 9h, 16h e 18h de 2/9 a 22/9 - 9h e 16h Preço: SEK 100 (US$ 10,69) para membros e SEK 150 (US$ 16) para não-membros da STF . barco de Kebnats a Saltoluokta: de 14/06 a 30/06 - 10h20 e 16h05 de 01/07 a 01/09 - 10h20, 11h20 e 16h05 de 02/09 a 22/09 - 11h20 e 15h35 Preço: SEK 140 (US$ 14,96) para membros e SEK 200 (US$ 21,37) para não-membros da STF . barco de Sitojaure a Svine: 9h e 17h Preço: SEK 400 (US$ 42,74) . barco de Aktse a Laitaure: de 20/06 a 22/09 - 9h e 17h Preço: SEK 200 (US$ 21,37) . para informações atualizadas sobre horários de barcos consulte www.swedishtouristassociation.com/boats-in-the-mountains . para se tornar membro da STF: www.swedishtouristassociation.com/join-stf . quase todas as travessias de barco podem ser feitas com barco a remo também, o próprio trilheiro remando, mas nesse caso pelo menos um barco precisa ficar ancorado em cada lado do lago. Isso significa que se você tiver o azar de encontrar apenas um barco a remo ancorado, terá de cruzar o lago três vezes para rebocar outro barco para o lado onde iniciou a travessia. . ônibus Vakkotavare-Kebnats-Gällivare: 14/06 a 01/09 - 14h35 01/07 a 22/09 - 9h50 ou seja, somente de 01/07 a 01/09 há dois horários por dia Preço: SEK 95 (US$ 10,15) de Vakkotavare a Kebnats . ônibus de Kvikkjokk a Jokkmokk: seg a sex - 5h20 sáb, dom e feriados - 14h (de 19/08 a 22/09) Preço: SEK 197 (US$ 21), só com cartão . trens na Suécia: www.sj.se/en/home.html . nesse percurso há supermercado apenas em Abisko, distante 2,4km do início da trilha. A maioria dos refúgios tem mercadinho básico com preços de no mínimo o dobro do que nas cidades (justificado pela dificuldade do transporte). Os refúgios Abisko, Saltoluokta e Kvikkjokk servem refeições (café da manhã, almoço e jantar). Rafael Santiago agosto-setembro/2019 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  5. Base da montanha Skierfe 9º DIA - 09/09/19 - de Skierfe a Aktse Distância: 7,6km Maior altitude: 1184m no Skierfe Menor altitude: 519m onde acampei, abaixo do Refúgio Aktse Resumo: nesse dia desci da montanha Skierfe para o Refúgio Aktse num desnível de 665m Desmontei acampamento e escondi a mochila para subir novamente o Skierfe e ver tudo lá do alto com outra luz pela posição diferente do sol. Esse dia eu reservei para isso, para relaxar e curtir a paisagem desse lugar especial. Assim como na tarde anterior, fiquei surpreso nesse dia também pelo tempo perfeito, sem nenhum sinal de chuva em todo o horizonte. Coisa rara! Às 15h deixei o cume, peguei a mochila na base e iniciei o retorno à trilha principal pelo mesmo caminho. Peguei mais água no riacho próximo à base. A volta foi um pouco demorada pois parei muitas vezes para comer blueberries ao lado da trilha. Atravessei o lamaçal e alcancei a trilha principal às 18h06, descendo à direita. Entrei na floresta de bétulas e pinheiros e o único lugar plano para a barraca já estava ocupado. Até que cheguei à famosa placa "além deste ponto você deverá pagar a taxa de acampamento", 100m antes do Refúgio Aktse. Como os lugares ali eram ruins (inclinados) fui até o refúgio. Cheguei às 18h32. O anfitrião que me recebeu ganhou o troféu de mau humor e estupidez. Me disse para acampar de graça naquelas clareiras inclinadas ou abaixo do refúgio bem longe. O refúgio tem sauna e mercadinho - aproveitei para comprar grão-de-bico em caixinha e pão sueco. Fiz o que ele mandou e acampei no início da mata de bétulas a caminho do ancoradouro do barco. Quando voltei para pegar água na bica do refúgio, ele fez questão de vir me dizer que eu estava proibido de entrar em qualquer dependência do refúgio pois eu não estava pagando para isso. Que sujeito ridículo! Na Suécia as pessoas baseiam as relações na confiança mútua, esse sujeito destoa disso e acha que o visitante é um esperto que só quer se aproveitar. Voltei para a minha barraca pois deu para ver que ali eu não era bem-recebido, pelo menos por esse anfitrião que está na profissão errada. De boas-vindas ali só mesmo o suquinho de lingonberry. Altitude de 552m no Refúgio Aktse. Do refúgio ao píer de onde sai o barco para Laitaure a distância é de 1,1km. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: -1,1ºC Lago Sjabatjakjaure, onde se encontra o Refúgio Pårte 10º DIA - 10/09/19 - de Aktse a Pårte Distância: 20,4km Maior altitude: 870m Menor altitude: 493m perto do Refúgio Pårte Resumo: nesse dia subi desde o Lago Laitaure um desnível de 368m, em seguida desci 373m até o Refúgio Pårte. Cruzei a extremidade sudeste do Parque Nacional Sarek, criado em 1910. Acordei com chuva... e eu tinha de desmontar a barraca para pegar o barco das 9h para Laitaure, do outro lado do lago de mesmo nome. Às 8h30 estava 5ºC e chovia, que delícia... Arrumei a mochila dentro da barraca e já estava preparado para desmontá-la sob chuva quando por sorte ela deu uma trégua. Caminhei até o ancoradouro e era o mal-humorado quem ia pilotar o barco de 8 pessoas. Paguei na hora em dinheiro os SEK 200 (US$ 21,37). A travessia durou 9 minutos e não era possível ver o Skierfe, ocultado por densas e baixas nuvens. Esse dia todo foi cinzento e de nuvens carregadas, parecia que ia voltar a chover a qualquer momento. Laitaure fica na margem sul do lago. Não é um vilarejo, mas tem um abrigo de emergência com banheiro próximo, depois de um portão de ferro. A trilha inicia após esse portão e corre através da floresta de bétulas e pinheiros que não permite visão da paisagem ao redor. Comecei a caminhar às 9h41. Altitude de 502m. Em algum lugar por volta de 10h10 (a cerca de 2km do abrigo de emergência e do lago) eu entrei na área do Parque Nacional Sarek, mas não há nenhuma placa dando essa informação no local. Esse parque foi criado em 1910 e é um dos mais antigos da Europa. Porém cruzei apenas a extremidade sudeste dele e à tarde já sairia dos seus limites. Às 10h50 atravessei por uma ponte metálica o primeiro riacho do dia, com uma clareira de acampamento logo a seguir. Subi bastante e ao sair do limite das árvores às 11h29 continuei sem visão por causa da neblina. Caminhei por uma encosta e cruzei com bastante gente fazendo no sentido contrário. Esse pessoal deve caminhar só dois dias até o Skierfe e voltar. Ao reentrar na mata passei por clareiras de acampamento e um abrigo de emergência (com banheiros) de nome Jågge às 12h14. Ao sair das árvores caminhei muito sem ter idéia de como é a paisagem por causa da neblina. Cruzei uma ponte suspensa bem grande e alta às 12h46 e atingi a maior altitude do dia às 13h13 (870m). Reentrei definitivamente na mata de bétulas às 13h28 e na descida com muitas pedras molhadas (pela garoa) escorreguei e caí, mas nada sério. Apenas deu pra ver que o solado Contagrip da Salomon não é confiável para pedras molhadas. Depois de descer bastante as pedras foram diminuindo e pude andar mais rápido. Às 14h11 cruzei um rio por uma ponte suspensa de nome Gállakjåhkå. Tive de vestir a capa porque a chuva voltou. Às 14h51 encontrei um painel de informação sobre o Parque Nacional Sarek ao lado de um rio. Eu já estava saindo da área do parque. Cruzei um último riacho e cheguei a Pårte (se pronuncia pôrte) às 15h15, sendo bem recebido pela idosa anfitriã. Pårte não tem sauna nem mercadinho. Fica numa península do bonito Lago Sjabatjakjaure, ligeiramente fora da trilha. Para não pagar é preciso acampar fora da península, ao longo da trilha, e há várias clareiras já abertas, porém algumas inclinadas. Tratei de montar a barraca antes que a chuva chegasse, aproveitando um local plano e espaçoso que encontrei. Peguei água corrente no último riacho que havia cruzado (a 500m do refúgio e 180m de onde acampei) e logo começou a chover. Altitude de 497m no Refúgio Pårte. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 10,1ºC
  6. Renas 7º DIA - 07/09/19 - de Saltoluokta a Svine Distância: 19km Maior altitude: 780m Menor altitude: 400m no Refúgio Saltoluokta Resumo: nesse dia subi do Refúgio Saltoluokta a um extenso vale num desnível de 380m. Caminhei por esse vale e desci 148m até o Lago Kaskajaure. Às 6h35 da manhã estava 0ºC. Deixei o acampamento às 10h33 e retomei a travessia no rumo sul, o qual manteria quase sem variações durante o dia todo. De Saltoluokta a Sitojaure são 19km, segundo as placas. A trilha sai do refúgio por uma mata de bétulas e pinheiros. Segui as placas nas bifurcações e as marcas vermelhas pintadas nas pedras e árvores e subi até sair da sombra das árvores, local que já é um bonito mirante para o Lago Langas. Às 10h55 segui à esquerda numa bifurcação com placa e continuei subindo. A paisagem se amplia e fica cada vez mais bonita (num dia de sol). Às 11h22 fui à esquerda em outra bifurcação sinalizada. As árvores vão ficando mais espaçadas até que no alto não há mais, apenas vegetação baixa. Avisto à direita montanhas nevadas distantes e, subindo mais um pouco, passo a caminhar por um largo vale. Altitude de 729m, desnível de 329m desde o refúgio. Cruzo alguns riachos e aparecem mais renas pastando. Às 13h29 chego a um abrigo de emergência chamado Autsutjvagge e um papel ali já dá o preço e os horários do barco de Sitojaure a Svine: 9h e 17h ao custo de SEK 400 (US$ 42,74). Esse barco é caro assim porque é particular, não é operado pela STF. Já havia caminhado 8km desde Saltoluokta e faltavam 11km para Sitojaure. Os banheiros ao lado estavam limpos. O tempo estava bom, até com um sol tímido, mas lembrei da previsão de chuva para essa noite e toda a manhã seguinte, então achei melhor pegar o barco da tarde em lugar do barco da manhã seguinte (com chuva). Mas para alcançar o barco precisei acelerar o passo. A caminhada por esse vale foi absolutamente monótona e sem graça. Às 15h33 apareceram algumas lagoas à esquerda mas a essa altura o dia já estava todo cinzento. Às 16h04 fui à esquerda numa bifurcação e em 10 minutos já avistava o Lago Kaskajaure após uma longa e suave descida. Mas olhando para a direita não gostei do panorama: nuvens escuras sobre as montanhas nevadas me deixavam em dúvida se estava chovendo ou nevando naquela direção. Continuei meu passo rápido, reentrei na mata de bétulas e às 16h38 fui à direita numa bifurcação que apontava Aktse, barco e refúgio nessa direção. Se quisesse acampar desse lado do lago (como era meu plano inicial) esse seria o local limite para não pagar a taxa. Essa bifurcação para a direita me levou em 400m diretamente ao vilarejo sami, de onde sai o barco. Como cheguei às 16h44, faltando apenas 16 minutos para a saída, não tive tempo de conhecer o Refúgio Sitojaure, acessível a partir dali ou da esquerda na bifurcação anterior. Esperando também o barco estavam um casal de Luxemburgo com quem conversei em Saltoluokta e um húngaro que cumprimentei na trilha à tarde. Disseram que o refúgio não tem mercadinho nem sauna. E ali na vila sami também não havia comida para vender. O pagamento de SEK 400 (US$ 42,74) do barco é só em dinheiro. O homem que nos levou era da etnia sami, alto e forte, de pouca (ou nenhuma) conversa. Saímos no horário e em 14 minutos cruzamos o Lago Kaskajaure e o Lago Kåbtajaure (parece um lago só mas são dois ligados por uma parte mais estreita). Essa travessia é interessante porque o barco precisa seguir marcadores vermelhos fincados, navegando por um corredor cheio de curvas. O lago é raso e o barco pode encalhar se fizer um trajeto errado. Comporta 6 pessoas. O problema foi que eu não me precavi com corta-vento e tomei a ventania gelada toda no rosto e peito, o que me causou uma tosse que me acompanhou por mais de 40 dias. Durante a travessia sentimos pingos de chuva fraca e ao desembarcar em Svine resolvemos dormir no abrigo de emergência Svijnne. O húngaro quis montar sua barraca mas voltou correndo para o abrigo porque disse que viu/ouviu um animal rondando, talvez um alce. Depois vimos que era uma rena, mas ele dormiu no abrigo mesmo assim. Ao lado havia um banheiro só, mas por sorte estava limpo. A água para beber e cozinhar eles encontraram num riacho próximo pois não quisemos pegar a do lago. Altitude de 636m. Vista da montanha Skierfe 8º DIA - 08/09/19 - de Svine a Skierfe Distância: 13,6km Maior altitude: 1184m no Skierfe Menor altitude: 636m no abrigo de emergência Svijnne Resumo: nesse dia saí do Lago Kåbtajaure e atravessei um platô num desnível positivo de 325m. Na descida tomei a trilha para a montanha Skierfe, subindo mais 416m até seu cume. Comecei a caminhar às 9h33, bem depois dos meus companheiros de abrigo e também depois da chegada do barco de Sitojaure trazendo os trilheiros que dormiram no refúgio. A previsão do yr.no quase acertou, o dia estava encoberto e cinzento, mas sem garoa. Continuando a caminhada na direção sudoeste, a matinha de bétulas termina e passo por um ponto de água corrente, a 1,1km do abrigo. Logo vem uma subida mais íngreme por uma encosta de pedras desmoronadas (scree), mas sem dificuldade. No alto às 10h50 passo a caminhar por um outro platô com montanhas nevadas à direita, bem distantes. Mais renas pastando. Atingi o topo do platô às 11h05 (961m) e iniciei a descida com vista para enormes lagos. Às 11h32 avisto a pontinha da montanha Skierfe à direita (oeste). Meu plano era acampar nela (no cume ou na base) para curtir o visual à tarde e de manhã já que deveria ser o grande momento desse trekking. Descendo, às 11h41 cheguei a uma placa quase completamente apagada apontando Skierfe para a direita, e é para lá que eu fui. Altitude de 768m. Para minha sorte (e graças ao meu minucioso planejamento baseado no Yr) o tempo melhorou e o sol apareceu. Parei para um lanche com vista para o Lago Laitaure e para a ponta do Skierfe. A trilha atravessa um trecho de cerca de 150m de muita lama, continua percorrendo a encosta e sobe. No caminho muitas moitinhas de blueberry (mirtilo), com frutos, mas são bem pequenos e pouco doces. No meio do blueberry (preto) há pezinhos de lingonberry (vermelho) também. Na subida o terreno se torna mais pedregoso e quase sem vegetação. No alto avisto uma belíssima cordilheira nevada a oeste e a encosta do Skierfe à esquerda dela. Mas antes desci um pouco, cruzei um riacho às 13h58 (peguei água para a noite pois é a única fonte de água corrente) e na base do Skierfe cruzei com os meus parceiros do abrigo já descendo para dormir em Aktse. Disseram que não havia lugar plano e sem pedras para acampar mais para cima então escondi a mochila e subi o Skierfe só com mochila de ataque. Cheguei ao topo às 14h50. Foram só 16 minutos de subida desde a base mas como queria ficar bastante tempo no cume tirando fotos e curtindo o visual levei lanche e água. E todos os agasalhos pois, apesar do sol, estava bastante frio. Sem dúvida esse lugar valeu pelos cinco dias de caminhada a mais (mesmo sob chuva, como aconteceria depois) e pelo gasto extra com os barcos. O mirante é simplesmente espetacular. É uma visão aérea do Rio Rapa desaguando no Lago Laitaure em forma de delta, com canais que formam ilhas pontilhadas de lagoas e são delimitados por matas ciliares, tudo verdejante. Esse delta é o maior da Suécia. A noroeste, direção oposta ao lago, se destaca no horizonte a bela cordilheira de cumes nevados onde nasce o Rio Rapa. No cume, lugar plano e livre de pedras para acampar é quase impossível. Além disso, completamente exposto ao vento. Na subida havia um ou outro lugar que daria para colocar uma barraca bem pequena, mas com pedras ao redor. Melhor mesmo foi ficar na base, onde é possível encontrar alguns lugares planos e com menos pedras. O Skierfe se encontra na extremidade leste do Parque Nacional Sarek, mas não há nenhuma placa informando isso. Altitude na base: 1051m Altitude no cume: 1184m Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 2ºC
  7. Mata de bétulas amarelando às margens do Rio Tjäktjajåkka 5º DIA - 03/09/19 - de Singi a Teusajaure Distância: 22km Maior altitude: 788m no platô entre os refúgios Kaitumjaure e Teusajaure Menor altitude: 499m no Refúgio Teusajaure Resumo: nesse dia desci do Refúgio Singi ao Refúgio Kaitumjaure num desnível de 105m acompanhando o Rio Tjäktjajåkka. Em seguida atravessei um platô numa subida de 203m e descida de 289m ao Refúgio Teusajaure. Logo cedo lebres corriam entre as casas do refúgio. Felizmente o vento gelado da tarde anterior cessou e o sol da manhã espantou o friozão. Conversei mais um pouco com os simpáticos anfitriões e deixei o local às 11h03. Seriam 13km diretamente para o sul até Kaitumjaure e depois, numa guinada para sudoeste, mais 9km até Teusajaure. Continuo acompanhando o Rio Tjäktjajåkka. No caminho uma garota solitária colhia berries e me mostrou algumas que eu não conhecia, dando o nome de cada uma. Foi aí que eu descobri qual era a lingonberry dos sucos dos refúgios. Às 13h05, após passar entre duas belas montanhas rochosas, o vale se abre e a trilha desce às margens do rio, que também se alarga. Mais abaixo ressurgem as árvores, que eu não via desde o segundo dia de caminhada. Às 13h52 cruzei por uma ponte suspensa o Rio Tjäktjajåkka e a paisagem mudou bastante. Às margens do rio aparece uma linda mata de bétulas com as folhas amareladas pelo final do verão. Descendo avisto à esquerda (sudeste) o grande e verdíssimo Lago Padje Kaitumjaure e me despeço do Rio Tjäktjajåkka, que vinha acompanhando desde o Passo Tjäktja no dia anterior, pois ele deságua nesse lago. Alcanço o Refúgio Kaitumjaure às 14h54 e sou efusivamente recebido pela comunicativa Mônica, que me ofereceu suco (de lingonberry, claro), me explicou todo o meu futuro trajeto no mapa e me informou a respeito dos barcos que eu teria de tomar a partir de Teusajaure. Seriam quatro barcos até meu destino final, Kvikkjokk, num total de SEK 900 (US$ 96). A travessia estava começando a pesar no bolso... Altitude de 612m nesse refúgio, que tem sauna e mercadinho, mas não tinha pão sueco nesse dia. Comprei uma lata de almôndegas que comi com pão sueco (que tinha na mochila) ali mesmo nas mesinhas de piquenique. Não era boa a almôndega mas a fome é o melhor tempero. A garota das berries fez seu lanche ali também. Ela era americana. Deixei o refúgio às 16h26 para mais 9km até Teusajaure, de agora em diante para sudoeste, me afastando do bonito lago. Desci até o Rio Kaitumjåkka e o atravessei por uma ponte suspensa às 16h52. Segui-o por sua margem direita verdadeira por cerca de 900m e no caminho cruzei uma inusitada porteira de varas. A trilha se afasta do rio e começo a subir a encosta, o que me levou a um extenso platô que atravessei ainda na direção sudoeste. A chuva me pegou nesse platô e tive de vestir toda a roupa impermeável. Muita pedra nesse trecho. Alcancei o topo do platô (788m) às 18h14 e em menos de 10 minutos iniciei a descida. Às 18h55 cruzo um rio e passo a acompanhá-lo. Quando a descida para Teusajaure se torna bastante inclinada esse rio forma bonitas cachoeiras. Ignorei o aviso de "Último ponto de acampamento gratuito. Taxa de acampamento a partir daqui" que vi na descida e cheguei ao Refúgio Teusajaure às 19h19. A chuva havia parado. Esse refúgio fica às margens do Lago Teusajaure e tem sauna e mercadinho. Fui muito bem recebido novamente pelo anfitrião Roland mas tive de me afastar do refúgio para acampar sem pagar a taxa de SEK 250 (US$ 26,71) (ao sul de Singi vale uma outra tabela de preços, um pouco mais barata). As últimas cachoeiras da descida do platô são visíveis do refúgio e a água que bebemos vem delas, coletada atrás das casas. Reencontrei a Lílian, a americana das berries, e acampamos perto um do outro. Altitude de 499m no Refúgio Teusajaure. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 6,6ºC Barco para cruzar o Lago Teusajaure 6º DIA - 04/09/19 - de Teusajaure a Vakkotavare Distância: 13km Maior altitude: 938m no platô entre os refúgios Teusajaure e Vakkotavare Menor altitude: 451m no Lago Akkajaure Resumo: nesse dia cruzei um extenso platô num desnível positivo de 439m e negativo de 487m. Caminhei dentro da área do Parque Nacional Stora Sjöfallet. Desmontei a barraca logo cedo, antes até de tomar o café, pois ameaçava chover de novo. Comprei mais pão sueco no mercadinho e às 9h estava no píer para tomar o barco para a outra margem do Lago Teusajaure. Além dos trilheiros que estavam no refúgio apareceu um grupo de 17 outros que acamparam lá no alto, antes da descida do platô. O barco comporta só 4 pessoas por vez e é conduzido pelo anfitrião do refúgio, o Roland, que teve de fazer várias viagens. Esse grupo de 17 pessoas era de Malta! A travessia dura apenas 2 minutos no barco a motor. Ela pode ser feita com barco a remo também, o próprio trilheiro remando, mas nesse caso pelo menos um barco precisa ficar ancorado em cada lado do lago. Isso significa que se você tiver o azar de encontrar apenas um barco a remo ancorado, terá de cruzar o lago três vezes para rebocar outro barco para o lado onde iniciou a travessia. Ao cruzar o lago estava entrando na área do Parque Nacional Stora Sjöfallet, criado em 1909, um dos primeiros parques nacionais da Europa. Do outro lado tomei o café da manhã e pus o pé na trilha às 9h41. O caminho começa no rumo oeste mas logo dá uma guinada para o sul e se mantém assim até Vakkotavare, distante 13km. Já inicia com uma subida pela mata. Em apenas 100m há uma trilha saindo para a esquerda com a placa "Raststuga 75m" (algo como abrigo de descanso). Fui xeretar e encontrei um abrigo de emergência de nome Dievssajávri. Estava menos limpo que os anteriores mas daria para passar a noite. Voltei à trilha principal e a retomei para a esquerda, subindo ainda. Essa subida foi suave mas constante até o topo de um extenso platô, a 5,4km dali. Logo no início, ao sair da floresta de bétulas avisto o Lago Teusajaure ficando para trás e a chuva chegando. Parei para vestir a capa de chuva, mas felizmente o vento levou a chuva pela extensão do lago, de oeste para leste, e eu estava me afastando para o sul. Parei para guardar a capa de chuva... de novo. Às 11h alcancei uma bifurcação com uma lacônica placa "Bro" (= ponte, mas eu não sabia) apontando para a direita. O gps dava os dois caminhos como possíveis sendo o da esquerda mais curto - continuei subindo por esse lado. Logo a trilha desceu para cruzar um rio. O desvio à direita, por ter uma ponte, certamente era mais fácil, mas por ali também não foi complicado, bastando procurar o local com mais pedras para não ter de tirar as botas. Com esse atalho, passei quase todos os que estavam à minha frente. Subi até o ponto mais alto do grande platô (938m) e já iniciei a suave descida às 11h31. Cruzo um riacho. O caminho é bastante pedregoso também. A sudoeste avisto uma bela cadeia de montanhas nevadas com os cumes encobertos por nuvens. Uma delas é o Pico Sarektjåkkå, terceiro mais alto da Suécia depois dos cumes norte e sul do Kebnekaise. Cachoeira na chegada a Vakkotavare Nesse trecho de descida a Vakkotavare pelo platô foi onde vi o maior número de renas. Eram muitas, muitos grupos espalhados pelo extenso campo verdejante. Como eu tinha passado todos os outros e estava na dianteira, tive a oportunidade de vê-las mais de perto, ainda não assustadas com a presença de gente. Às 13h14 a paisagem muda. Visualizo o grande Lago Akkajaure à minha frente e até ele uma longa descida forrada por uma floresta de bétulas. Na descida cada vez mais íngreme me aproximo de um rio, que despenca em lindas cachoeiras à esquerda da trilha. Já dentro da mata cruzo o rio e sou o primeiro a chegar a Vakkotavare, às 13h49. A primeira impressão não foi tão boa porque o refúgio fica na beira de uma rodovia... voltar à civilização depois de oito dias na montanha é sempre um choque, mas fui muito bem recebido pela simpática e sorridente Birgitta e seu marido Anders, porém sem suco dessa vez. O refúgio tem mercadinho mas não tem sauna e é o primeiro com essa configuração (todos os outros tinham sauna e mercadinho, ou nenhum dos dois). O rio das cachoeiras passa bem ao lado e é a principal fonte de água. A Lílian foi a segunda a chegar e se decepcionou ao saber que não havia ônibus à tarde para Kebnats, para a continuidade da travessia. A partir de 02/09 só circula o ônibus das 9h50 (não mais o das 14h35). Ela andou rápido à toa e agora teria que aguardar o ônibus do dia seguinte. Eu já tinha essa informação desde o Refúgio Kaitumjaure, dada pela Mônica. Esse ônibus vai de Ritsem a Gällivare e pode ser uma rota de fuga da Kungsleden, se necessário, pois em Gällivare há trem para Estocolmo. Como sempre, acampar ao lado do refúgio implicava pagar uma taxa (SEK 250 = US$ 26,71), então o Anders nos indicou bons lugares para acampar de graça às margens do Lago Akkajaure, do outro lado da rodovia, protegidos do vento pela mata. Não tinha pão sueco no mercadinho, comprei feijão em caixinha. Altitude de 459m no Refúgio Vakkotavare. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 3,7ºC O Refúgio Saltoluokta tem os banheiros mais criativos 05/09/19 - de Vakkotavare a Saltoluokta Esse foi um dia de deslocamento em ônibus e barco até o Refúgio Saltoluokta. Lá não dei continuidade à caminhada por causa da chuva incessante. Aliás ninguém continuou a caminhada por esse motivo. Em Vakkotavare tive de novo de desmontar a barraca às pressas pois a chuva estava chegando. Corri para o refúgio com a barraca na mão e organizei a mochila na oficina do Anders pois não poderia entrar no refúgio sem pagar o day visit. Às 9h50 eu, a Lílian, o grupo de 17 pessoas de Malta e várias outros trilheiros pegamos o ônibus para Kebnats sob chuva fraca. Custo da passagem: SEK 95 (US$ 10,15). O ônibus tinha tomadas para recarregar o celular, mas não tinha wifi. O motorista fez uma parada no Hotel Stora Sjöfallet e pude usar o wifi aberto para dar notícias de que estava vivo. No mercadinho comprei pão sueco e queijo com camarão em bisnaga. Descemos na beira da estrada ainda sob chuva em Kebnats às 11h15 e caminhamos 400m até o píer para pegar o barco das 11h20 para cruzar o Lago Langas. Como lotou foi preciso fazer uma segunda viagem, na qual fomos eu, a Lílian e 3 pessoas que ficaram do grupo de 17 de Malta. Custo do barco: SEK 200 (US$ 21,37), podendo pagar com cartão de crédito. Travessia de 11 minutos. O Refúgio Saltoluokta é uma estação de montanha da STF. Ali você encontra um público totalmente diferente dos outros refúgios. A grande maioria vai para descansar no fim de semana ou participar de eventos ou simplesmente saborear a comida especial preparada pelos ótimos cozinheiros (o jantar é bem caro). Nesse dia estava acontecendo um grande evento e o refúgio estava lotado. Eu já estava desacostumado de tanta movimentação, mesmo assim fiz questão de almoçar pois já estava cansado de pão sueco e comida industrializada. Mas antes fui procurar um lugar distante do refúgio o suficiente para não pagar a taxa de acampamento de SEK 250 (US$ 26,71) e montei a barraca numa curta trégua que a chuva deu. O almoço era um buffet à vontade por um preço bem camarada, SEK 120 (US$ 12,82). Choveu o resto do dia. Esse refúgio é muito antigo. O primeiro refúgio em Saltoluokta foi contruído em 1912! Atualmente tem sauna, mercadinho, loja de roupas e souvenirs. Mas por conta desse excesso de gente o atendimento é muito ruim, as garotas são estressadas e atendem com má vontade. Os banheiros (gratuitos mesmo em estação de montanha) são os mais criativos da Kungsleden, cada cabine decorada com um tema diferente. Na travessia de barco de Kebnats a Saltoluokta eu saí dos limites do Parque Nacional Stora Sjöfallet, no qual havia entrado na travessia de barco em Teusajaure no dia anterior. Altitude de 400m no Refúgio Saltoluokta. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 4,3ºC Igreja sami em Saltoluokta 06/09/19 - Saltoluokta Permaneci acampado em Saltoluokta porque o tempo ainda não estava bom, céu carregado, podia voltar a chover a qualquer momento. Confesso que pensei em parar a travessia nesse dia e ir embora. A combinação de dias cinzentos, chuvas repentinas e frequentes, paisagem sem nada de espetacular e bastante frio estava me tirando o ânimo de continuar. O gasto de SEK 600 (US$ 64) nos dois barcos seguintes também estava pesando contra. Conversei com outros trilheiros no refúgio sobre os planos de cada um, consultei o yr.no e resolvi continuar a travessia, mas só no dia seguinte. Isso porque a única razão de eu continuar era para subir a montanha Skierfe e eu queria estar lá com sol (ou pelo menos sem chuva). E o Yr previa tempo bom para daí a dois dias, justamente quando eu chegaria lá. Almocei no refúgio e aproveitei o resto do dia para conhecer o vilarejo sami próximo dali, com sua singular igrejinha. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: -0,1ºC
  8. Delta formado pelo Rio Alesätno (ou Aliseatnu) 3º DIA - 01/09/19 - de Alesjaure ao Passo Tjäktja Distância: 16,5km Maior altitude: 1140m no Passo Tjäktja Menor altitude: 779m na ponte suspensa sobre o Rio Alesätno Resumo: esse dia foi uma subida quase constante e sem dificuldade do Refúgio Alesjaure ao Passo Tjäktja, num desnível positivo de 361m Os dias 30 e 31/08 foram de muita chuva. Esperei o tempo melhorar para dar continuidade à travessia. Na noite do dia 31 coloquei a cabeça para fora da barraca às 2h e vi fachos de luz branca no céu que apareciam e sumiam lentamente, mas durou pouco tempo. Isso foi o máximo que vi da aurora boreal, que quando fica mais intensa adquire várias cores. O dia 01/09 amanheceu bonito. Ainda bem, pois não dava mais para ficar parado ali. Porém à tarde a coisa ia mudar radicalmente... Como fiquei dois dias além do previsto meu estoque de comida baixou. Não tinha certeza quanto ao abastecimento dos mercadinhos à frente então tratei de fazer uma comprinha no refúgio antes de voltar à trilha. Experimentei o queijo com carne de rena (em bisnaga) e gostei. Deixei o acampamento às 10h52. Do refúgio se tem uma visão privilegiada para o Lago Alesjaure ao norte (de onde vim) e para o delta formado pelo Rio Alesätno (ou Aliseatnu) ao sul (para onde vou). Desci do refúgio no rumo sul, cruzei a ponte suspensa sobre o Rio Alesätno e o segui pela margem direita verdadeira. Grande parte do trajeto é sobre passarelas de madeira e o vento lateral era tão forte que queria me derrubar delas. Às 12h08 cruzei um riacho mais largo pelas pedras e 13 minutos depois cheguei a outro Meditationsplats. Um simpático casal sueco já bem idoso ao me ver fotografando a pedra arredondada com as inscrições fez questão de traduzir para mim o que estava escrito. A frase era realmente para parar e meditar: "mas do além, algo preenche meu ser com a possibilidade de sua origem". Em seguida cruzei uma ponte suspensa e a água do rio era cinza turva de degelo dos nevados ao sul. Às 14h10, para cruzar um outro rio largo, tive de desviar vários metros para a esquerda. Subi mais e avistei o Refúgio Tjäktja (se pronuncia chékcha) à direita, após um rio. Seu acesso principal é por uma ponte suspensa mais à frente mas eu tomei um atalho na sua direção, tendo de cruzar o rio pelas pedras. Cheguei a ele às 15h05. Esse é um refúgio bem menor que os anteriores e com isso a recepção do anfitrião foi mais hospitaleira. Pudemos conversar um pouco e me abriguei do vento forte e gelado atrás da casa para tomar um lanche. Numa mesa entre as casas do refúgio havia uma jarra grande com suco de lingonberry para dar as boas-vindas. Gostei do sistema de lavagem das mãos com economia de água: você despeja um pouco da água do balde num copo fixo com um furo no fundo e lava as mãos no jato que sai. Meditationsplats e a pedra redonda com as inscrições O vento estava bem forte mas algumas pessoas estavam conseguindo montar suas barracas, que tinham que ser bastante resistentes e bem ancoradas. Ainda faltavam 12km para o Refúgio Sälka (se pronuncia sélka) e eu continuei às 16h08, saindo pelo acesso principal, pela ponte suspensa. Encontrei o casal idoso do Meditationsplats e eles me alertaram para a chuva que viria à noite. Iam pernoitar naquele refúgio. Retomei a trilha principal para a direita e fui em direção ao Passo Tjäktja, a 3,4km dali. Porém a chuva da noite chegou bem antes do previsto. Era chuva com vento forte bem na minha cara. E o terreno foi se tornando cada vez mais pedregoso e ruim de andar, mas com passarela de madeira nos trechos piores. A subida final ao passo é uma ladeirinha simples. Resolvi parar no abrigo de emergência que há ali às 17h17 para esperar a ventania passar ou ao menos ficar mais fraca. E a pequena casinha estava lotada de gente esperando pelo mesmo. Ali do alto a visão para o sul não era nada animadora, tudo cinzento e escuro. A chuva às vezes dava uma trégua mas o vento não. Seria muito difícil montar uma barraca sozinho naquelas condições. E fomos ficando todos ali. A temperatura caiu bastante mas o aquecedor parecia estar com a saída entupida e toda a fumaça voltava para dentro do abrigo. Teve que ser apagado. Por fim resolvemos passar a noite no abrigo, eu, uma alemã caminhando sozinha e quatro belgas. Jantamos e nos ajeitamos como pudemos, alguns nos bancos, outros no chão. O banheiro ao lado foi o mais sujo (talvez o único realmente sujo) que encontrei nessa caminhada. Banheiros de abrigo de emergência são os únicos que não têm papel disponível, todos os outros costumam ter. Esse abrigo de emergência se chama Tjäktjapasset e no livro de registro vi a assinatura recente de dois brasileiros: um mineiro de BH e uma baiana de Salvador. Assim como essa alemã, vi muitas outras mulheres fazendo a Kungsleden sozinhas, algo raro mesmo para a Escandinávia. Altitude de 1140m. Refúgio Sälka e vale do Rio Tjäktjajåkka 4º DIA - 02/09/19 - do Passo Tjäktja a Singi Distância: 20,6km Maior altitude: 1140m no Passo Tjäktja Menor altitude: 710m no Refúgio Singi Resumo: esse dia foi uma descida constante do Passo Tjäktja ao Refúgio Singi acompanhando o Rio Tjäktjajåkka, num desnível de 430m Fui o último a sair do abrigo de emergência, às 8h35, e nem sinal da ventania da tarde anterior. Nesse dia a trilha toma o rumo sul quase sem variações. A descida do passo para o sul é mais empinada do que foi a subida pelo lado norte. Logo avisto o largo vale por onde caminharia todo o dia, com o Rio Tjäktjajåkka serpenteando e a trilha bem marcada em sua margem esquerda (na verdade vou acompanhar esse rio até ele desaguar no Lago Padje Kaitumjaure no dia seguinte). No meio da descida um Meditationsplats, mas parar ali para contemplar ou meditar seria pedir para virar picolé pois o frio estava pegando. Às 9h20 cruzei pelas pedras o primeiro riacho do dia. Cheguei ao Refúgio Sälka às 11h31 e só o avistei quando estava bem próximo pois fica escondido pelos morrotes. Parei para comer mas o vento frio estava incomodando. O refúgio tem mercadinho e sauna. O mercadinho tinha mais variedade de comida do que o de Alesjaure e até itens de higiene pessoal. Comprei mais pão sueco por precaução (esse é o único tipo de pão vendido nos refúgios). O abastecimento durante a temporada de verão é feito por helicóptero... só em país rico mesmo! Mas o abastecimento mais completo é feito no inverno com snowmobiles. Perguntei sobre acampamento ao anfitrião e ele disse que se pode acampar de graça depois da ponte seguinte (que fica a mais de 200m de distância). Dei continuidade à caminhada às 12h50 e tinha 12km até o Refúgio Singi, segundo a placa. Cruzei a ponte. Saí com blusa e corta-vento por causa do vento frio mas logo saiu o sol e tive de tirar o corta-vento. É assim, um tira-e-põe de roupa o tempo todo. Continuo para o sul pela margem esquerda do Rio Tjäktjajåkka e surgem bonitos lagos em ambos os lados da trilha. Às 13h28 avisto à direita o Pico Sälka e sua geleira. Às 13h49 cruzei uma ponte suspensa e 4 minutos depois atravessei outra, essa uma das mais longas. Cruzei um portão numa cerca (!?) e 200m depois passei por um Meditationsplats. Às 14h12 placas apontam para a direita os refúgios Hukejaurestugan (17km) e Gautelishytta (31km, já na Noruega) - esse é o ponto onde a trilha Nordkalottleden se separa da Kungsleden. Nordkalottleden é um trekking de 800km entre Noruega, Suécia e Finlândia. De Abisko a Sälka os dois trekkings compartilham o mesmo caminho. Vale do Rio Tjäktjajåkka Mais à frente, avistei finalmente as primeiras renas dessa caminhada. Eram duas e cruzaram a trilha subindo a colina. Elas são muito ariscas e quando se sentem ameaçadas fogem para as partes mais altas. Às 14h46 pude ver à esquerda algumas montanhas com neve. As nuvens não deixavam visualizar seus topos, mas uma delas era o cume norte do Kebnekaise, montanha mais alta da Suécia (a segunda mais alta é o cume sul). Às 15h06 cruzei outra ponte suspensa e 10 minutos depois parei para lanchar no abrigo de emergência Kuoperjåkka (Kebnekåtan), igual ao abrigo em que passei a noite, com banheiro ao lado. Às 16h35 uma bifurcação importante: à esquerda se vai ao Kebnekaise Fjällstation, refúgio que é base para a subida do Kebnekaise. Como essa subida não estava nos meus planos para essa travessia, segui para a direita. Às 16h58 avistei do alto um vilarejo sami (sem ninguém) e logo depois as casas do Refúgio Singi mais à esquerda, aonde cheguei às 17h36. Ali tive a recepção mais calorosa de toda a caminhada. Os anfitrões eram um sueco muito simpático e atencioso, Jörgen, e sua esposa chilena, Sybil, extremamente simpática também. Fui recebido com o tradicional suco de lingonberry e depois me deram um pedaço de pão amassado (típico chileno) que estava saindo do forno. Esse refúgio não tem mercadinho nem sauna. Tem duas casas com quartos, cozinha e refeitório em cada uma. A água é coletada no riozinho que passa no meio delas. Tive de novo de procurar um lugar abrigado do vento para a barraca e a montei atrás de uma pedra grande. A temperatura medida pelo meu termômetro no final da tarde estava 8ºC mas o vento fazia a sensação térmica ser muito abaixo disso. Aproveitei para saborear o pão quentinho que ganhei de presente. Nesse dia também havia muitas pedras na trilha mas com passarela de madeira onde era só campo de pedras. Em Singi o Caminho Peregrino Dag Hammarskjöld se separa da Kungsleden, tomando o rumo leste. Esse caminho tem 105km e vai de Abisko a Nikkaluokta. De Abisko a Singi as duas trilhas coincidem. Altitude de 717m no Refúgio Singi. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 0ºC
  9. Rio Abiskojokk (ou Abiskojåkka) 1º DIA - 28/08/19 - de Abisko ao Lago Abiskojaure Distância: 9,6km Maior altitude: 510m no Lago Abiskojaure Menor altitude: 373m no início da trilha Resumo: nesse primeiro dia de caminhada subi o vale do Rio Abiskojokk num desnível positivo (imperceptível) de 137m até o Lago Abiskojaure. Caminhei dentro da área do Parque Nacional Abisko. No dia 27/08 deixei Estocolmo em direção à pequena cidade de Abisko, ao norte do Círculo Polar Ártico, em plena Lapônia sueca. São no total 20 horas de viagem por terra, numa combinação de trem mais ônibus (passagens em www.sj.se/en/home.html). Também é possível ir de avião a Kiruna e depois tomar um ônibus a Abisko. Tomei o trem das 20h em Estocolmo. Vagão de segunda classe, de poltronas. Os vagões de primeira classe têm camas em forma de beliche retrátil. Desembarquei em Boden no dia seguinte (28/08) às 10h23 e tomei um trem bem menor até a cidade de Gällivare, onde peguei um ônibus para Abisko às 13h10. Todos esses trechos estavam incluídos numa única passagem, bastando mostrar o bilhete ao fiscal do trem ou motorista do ônibus. O ônibus fez uma parada na cidade de Kiruna e às 16h25 desembarquei em Abisko Turiststation, num ponto na beira da estrada E10. A cidade propriamente dita havia ficado 2,4km para trás, mas me interessava mesmo descer junto ao Refúgio Abisko Turiststation, onde inicia a Kungsleden. Conheci o centro de visitantes do Parque Nacional Abisko, lanchei nas mesinhas em frente ao refúgio e voltei à margem da estrada, ao portal novo da Kungsleden. Às 17h06 dei início à longa travessia de 182,4km entrando num corredor de madeira com plaquinhas dando as distâncias até cada um dos refúgios da travessia toda. São 443km dali até Hemavan, o último deles (413,9km segundo o guia Trekking the Kungsleden, de Mike Laing). Altitude de 383m ali. Cerca de 160m depois há um museu (Museu de Defesa da Fronteira) e uma tenda cônica típica do povo dessa região, meu primeiro contato com a cultura sami (ou lapões, como costumamos chamar). Uns 50m depois, numa bifurcação, desviei alguns metros à direita para ver o cânion formado pelo Rio Abiskojokk. A placa informa que são 14km dali ao Refúgio Abiskojaure (jaure = lago, em idioma sami). Seguindo à esquerda na bifurcação passei pelo túnel embaixo da rodovia, em seguida sob dois viadutos, já tomando o rumo sul. Fui à direita numa bifurcação com placa que aponta "Viste/Sami Camp 500m" à esquerda. Passo a seguir o Rio Abiskojokk (ou Abiskojåkka) pela margem direita verdadeira e logo aparecem as famosas passarelas de madeira que serão constantes ao longo de toda essa travessia. Elas servem mais ao propósito de preservação do solo e seu ecossistema do que propriamente ao conforto dos trilheiros... mas não deixa de ser um grande conforto! Casa tradicional do povo sami Às 17h28 cheguei a uma trilha mais larga e com mais sinalização, mostrando que é o caminho principal. Como comecei a trilha no corredor com as plaquinhas não passei pelo portal mais conhecido da Kungsleden. Se você quiser tirar a clássica foto iniciando a Kungsleden no portal mais antigo, em lugar de entrar no corredor com as plaquinhas cruze a rodovia, passe pelo túnel sob a linha férrea, vire à direita e depois à esquerda, onde fica o portal. Tomei a trilha principal para a direita. A sinalização são pinturas vermelhas nas pedras e árvores (para o verão) e postes com um grande X vermelho no alto (para o inverno, quando a neve cobre tudo). Nesse trecho inicial, a trilha, bem larga, cruza uma mata de bétulas já amarelando com o final do verão. Às 17h55 cheguei ao primeiro Meditationsplats, que costumam ser lugares com uma vista privilegiada para contemplação. Têm sempre uma grande pedra arredondada com frases gravadas em sueco e num idioma sami (há mais de dez idiomas sami). As frases são do escritor sueco Dag Hammarskjöld. Esse Meditationsplats está numa bifurcação em que fui em frente (direita), descendo. Cruzei o primeiro riacho da caminhada com bonita vista para as montanhas à esquerda (leste) e fui à esquerda na bifurcação. Logo apareceu uma clareira de acampamento mas ainda era muito cedo para parar. Fui à direita nas duas bifurcações sinalizadas e cruzei a primeira ponte suspensa da travessia às 18h32. Em 2 minutos cheguei ao acampamento Nissonjokk, com banheiros (até com papel). Um painel avisa que por ser área do Parque Nacional Abisko só é permitido acampar ali ou no Refúgio Abiskojaure. Continuando, às 19h03 atravessei outra ponte suspensa. Ao final dela uma bifurcação sem placa - fui à direita seguindo as passarelas de madeira. Entroncou uma trilha larga vindo da esquerda e em seguida fui à direita na bifurcação. Às 19h49 passei por um banheiro isolado à esquerda da trilha. Fico admirado com esses recursos e essa preocupação ambiental, os suecos conseguem superar até os noruegueses nisso. Às 20h04 a trilha dá uma quebrada para a esquerda. Dois minutos depois avistei algumas casas fechadas à direita já às margens do Lago Abiskojaure, ao lado do qual passo a caminhar. Resolvi parar para acampar por ali pois o Refúgio Abiskojaure ainda estava 4km distante e o sol já havia se posto, porém estava ventando muito e eu tinha pouca água. Caminhei até o próximo riacho e voltei até as casas fechadas para acampar num lugar abrigado do vento forte. O sol se põe por volta de 19h30 nessa época, mas a noite cai lentamente. Fiquei das 23h à meia-noite do lado de fora da barraca para tentar ver algum sinal da aurora boreal, mas nada! O céu estava um pouco claro. Parece que a melhor época é do final de setembro até março, mas algumas pessoas ao longo da travessia disseram ter visto. Altitude de 498m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 8,9ºC Lago Alesjaure 2º DIA - 29/08/19 - do Lago Abiskojaure a Alesjaure Distância: 24,5km Maior altitude: 827m Menor altitude: 491m no Refúgio Abiskojaure Resumo: nesse dia saí do vale do Rio Abiskojokk (e do Parque Nacional Abisko) e subi a um grande platô com diversos lagos. Desnível de 317m nessa subida. Caminhei até a extremidade sul desse conjunto de lagos, onde está o Refúgio Alesjaure. Comecei a caminhar às 9h13 e percorri toda a margem sudeste do Lago Abiskojaure até avistar o Refúgio Abiskojaure do outro lado. Ele está cerca de 300m fora da trilha principal mas fui conhecê-lo mesmo assim. Ao final do lago tomei a direita na bifurcação, cruzei a ponte suspensa e cheguei ao refúgio às 10h32. Altitude de 491m. Conversei um pouco com o anfitrião, que me disse que havia ali sauna e mercadinho, mas que o estoque de comida estava baixo. O uso do banheiro é gratuito, como em todos os refúgios, e tinha papel. Saí de lá às 11h e retornei à trilha principal cruzando de volta a ponte suspensa. Depois dela o caminho gera um pouco de dúvida. Há um caminho largo em forma de passarela de madeira para a direita (oeste) mas não é por aí. Deve-se tomar uma trilha mais estreita em frente (sul) para retomar a principal. São 20km até Alesjaure, segundo a placa. A trilha sobe suavemente e às 11h44 alcancei uma placa de "bem-vindo ao Parque Nacional Abisko" virada para o outro lado, sinalizando que eu estava saindo dos limites do parque. Dali em diante o acampamento é permitido em qualquer lugar. Subi mais um pouco e cruzei às 11h57 uma ponte suspensa sobre o Rio Siellajohka (alguns metros antes há um outro banheiro isolado e uma área de acampamento). Subirei agora pelo vale desse rio. O dia estava cinzento, com céu encoberto, e logo após essa ponte começou a chover. Tive de parar para vestir a roupa impermeável e pôr capa na mochila, mas em seguida começou uma longa subida que me fez sentir calor com aquela roupa. A chuva passou logo. Foi só o trabalho de vestir a roupa para em seguida tirar de novo. E isso se repetiu durante os onze dias de caminhada: chuvisco, veste a roupa de chuva, para de chover, esquenta, tira a roupa de chuva. A subida foi mesmo bem longa. O largo vale do Rio Kamajokk (ou Kamajåkka), com árvores, fica para trás e subo pelo vale do Rio Siellajohka agora. Quando a subida pareceu ter fim passei por outro Meditationsplats, parecido com o anterior, com a pedra arredondada com as inscrições. Mas ainda havia muito para subir, agora pela encosta da margem esquerda (verdadeira) de um outro rio, afluente do Siellajohka. As últimas árvores ficam para trás. A subida só teve fim às 13h46, num grande platô com um lago à esquerda e montanhas ao fundo (808m). À direita avisto a distância um acampamento sami, mas não parecia haver ninguém. Cruzo uma cerca por uma escada de madeira às 14h30 e 190m à frente passo por um ponto de água. Depois disso tive sorte: o tempo começou a melhorar e surgiu um bonito céu azul que os enormes lagos à minha esquerda refletiam. A paisagem mais bonita da travessia até aquele momento. Refúgio Alesjaure Às 16h55 alcancei a margem do Lago Alesjaure e ali há uma cabana e um pequeno píer onde para um barco que leva até o Refúgio Alesjaure em quatro horários por dia no verão por SEK 350 (US$ 37,40) por pessoa. O refúgio fica na outra extremidade do lago. É possível chamar o barco para uma viagem extra usando o walkie talkie disponível dentro de uma caixa (sim, ninguém rouba o aparelho). Mas não há necessidade nenhuma de tomar esse barco pois a trilha é tranquila até lá. O caminho continua pela margem oeste do Lago Alesjaure e às 17h54 avisto na margem oposta um povoado sami. O refúgio já está próximo. Às 18h08 cruzo um rio mais largo pelas pedras e 12 minutos depois avisto o refúgio no final do lago. Já começam a aparecer as barracas montadas ao longo da trilha e eu procuro um lugar plano e abrigado do vento forte para armar a minha, sempre numa distância tal que não precise pagar a taxa de acampamento. Encontrei um bom lugar 350m antes do refúgio e tratei logo de me instalar ali antes que outro o fizesse, às 18h41. Havia um riacho bem perto. Depois fui conhecer o refúgio, que tem sauna, mercadinho e três casas para hospedagem, cada uma com sua cozinha e refeitório. Não há luz e água encanada. À noite acendem velas. A água para cozinhar e lavar a louça normalmente deve ser coletada com baldes no rio, mas como esse refúgio fica num lugar alto, longe das fontes de água, há contêineres de água disponíveis. O anfitrião me disse que eu deveria ficar a pelo menos 300m do refúgio para não pagar a taxa de acampamento. A taxa para acampar ao lado dos refúgios é muito cara, SEK 300 (US$ 32), e o único recurso do refúgio que eu fazia questão de usar era o banheiro para não contaminar o ambiente. Os outros recursos como cozinha, refeitório e sala de estar para mim eram completamente dispensáveis. A disponibilidade de comida nos mercadinhos dos refúgios também foi fundamental para a realização dessa travessia. Altitude de 807m no Refúgio Alesjaure. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 4,3ºC
  10. Vista da montanha Skierfe Início: Abisko Final: Kvikkjokk Distância: 182,4km (incluindo o desvio de 12,8km de ida e volta ao Skierfe) Duração: 11 dias Maior altitude: 1184m no Skierfe Menor altitude: 330m no Refúgio Kvikkjokk Fjällstation Dificuldade: fácil para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. Os desníveis não são grandes, a maior subida tem desnível de 439m. Kungsleden significa Trilha do Rei em sueco. Esse longo e tradicional caminho tem no total 414km e é dividido pela STF em cinco setores: 1. de Abisko a Nikkaluokta 2. de Nikkaluokta a Vakkotavare 3. de Saltoluokta a Kvikkjokk 4. de Kvikkjokk a Ammarnäs 5. de Ammarnäs a Hemavan STF (Svenska Turistföreningen = Associação Sueca de Turismo) (www.swedishtouristassociation.com) é a organização sem fins lucrativos responsável pela manutenção das trilhas, passarelas, pontes e refúgios de montanha na Suécia. Foi criada em 1885! E a marcação da Kungsleden começou em 1899! Como estamos atrasados no Brasil em termos de montanhismo!!! A Kungsleden é um caminho orientado de norte a sul situado em plena Lapônia sueca, no extremo norte do país, acima do Círculo Polar Ártico. A ponta norte da Kungsleden está na cidade de Abisko, distante 1300km de Estocolmo, o que demanda uma viagem de 20 horas de trem mais ônibus (ou avião mais ônibus). A Kungsleden não está dentro dos limites de um único parque nacional, mas atravessa três parques nacionais diferentes no trecho que eu percorri (de Abisko a Kvikkjokk): Parque Nacional Abisko, Parque Nacional Stora Sjöfallet e Parque Nacional Sarek. A STF tem dois tipos de alojamento de montanha: refúgio (mountain cabin) e estação de montanha (mountain station, como Abisko, Saltoluokta e Kvikkjokk, que servem as três refeições). Há também os abrigos de emergência, que são casinhas com apenas um cômodo pequeno para se proteger da chuva mais forte ou vendaval. Lago Alesjaure Todos os refúgios da STF têm cozinha e refeitório que se pode utilizar desde que o visitante se hospede no refúgio (SEK 600 = US$ 64) ou acampe na área designada (SEK 300 = US$ 32) ou pague uma taxa de visita (day visit) (SEK 100 = US$ 10,69) ou seja membro da STF (SEK 295 = US$ 31,52 por 12 meses). Sem essas condições não se pode entrar no refúgio para descansar ou para se aquecer do frio, por exemplo. A entrada gratuita só é permitida para comprar comida no mercadinho do refúgio, se houver. A maioria dos refúgios que conheci na Kungsleden tem mercadinho com enlatados, macarrão, pão sueco (não há pão de forma ou outro tipo), queijo em bisnaga, feijão em caixinha, biscoitos, algumas bebidas, etc. Todos os refúgios que eu conheci têm anfitrião (ou vários funcionários se for maior) de 14/06 a 22/09 e o pagamento é feito diretamente a eles em dinheiro ou cartão de crédito (exceto em Pårte). Ao sul do Refúgio Singi esses preços caem para: hospedagem SEK 500 (US$ 53,43) e camping SEK 250 (US$ 26,71). Nos três setores do norte da Kungsleden (de Abisko a Kvikkjokk) é opcional levar barraca já que a distância entre os refúgios não é tão grande. Muita gente caminha apenas com uma mochila de ataque, dormindo nos refúgios, porém com um custo bastante alto. Na região central da trilha (entre Kvikkjokk e Ammarnäs) a distância entre os refúgios aumenta e a barraca passa a ser necessária. Para quem está com barraca, em toda a Suécia vale na teoria a regra do "allemansrätt" ou Direito de Acesso Público, que diz que uma pessoa tem o direito de caminhar e acampar em qualquer lugar, exceto nas imediações de uma residência, em terras cultivadas e jardins particulares. Para mais informações sobre o "allemansrätt": www.swedishepa.se/Enjoying-nature/The-Right-of-Public-Access/This-is-allowed1 Na Kunsleden o que vale na prática é o seguinte: acampar perto do refúgio da STF custa SEK 300 ou SEK 250 (US$ 32 ou US$ 26,71) e dá direito de usar a cozinha, o refeitório, o banheiro e a sauna se houver. Acampar a mais de 200m ou 300m do refúgio é gratuito e dá direito de usar apenas o banheiro. Se você quiser acampar nas imediações do refúgio mas sem pagar a taxa é sempre bom perguntar ao anfitrião onde deve fazer isso (distância mínima) para não ser cobrado depois. O uso do banheiro é livre para todos, mesmo para os que acampam de graça, o que é ambientalmente mais inteligente do que as regras restritivas de muitos dos refúgios da Noruega. O banheiro é do tipo seco, uma casinha separada, com uma bancada e o assento sobre ela. O assento e a tampa normalmente são de isopor. Costumam ter papel higiênico e alguns têm álcool para higiene das mãos. No Refúgio Kvikkjokk o banheiro é normal e interno. Lago Langas O maior problema do trekking na Suécia (assim como na Noruega) é o alto índice de chuva. Essa caminhada durou 11 dias mas na verdade eu fiquei 15 dias na trilha, os outros 4 dias parado esperando a chuva passar. Chuva que durava o dia inteiro. Mas não escapei dela, não. Caminhei muitos dias com chuva também. Dos meses de julho, agosto e setembro o guia Trekking the Kungsleden, de Mike Laing, informa que o mais chuvoso é julho e o menos chuvoso é setembro. Os refúgios costumam ter um cartaz com a previsão do tempo para o dia seguinte. Outro incômodo são os insetos no pico do verão, por isso se recomenda levar um bom repelente (lá é vendido um chamado Mygga) ou um chapéu com rede que se encontra nas lojas. No finalzinho de agosto eu já não tive esse problema. Por estar situada na Zona Polar Ártica, ou seja, ao norte do Círculo Polar Ártico, a melhor época para a Kungsleden é o verão, com temperaturas mais agradáveis (não tão frio ou um frio suportável) e ausência de neve pelo caminho. De 20/06 a 22/09 todos os refúgios estão abertos e todos os barcos a motor estão operando (essas datas mudam ligeiramente a cada ano, confira em www.swedishtouristassociation.com/our-accommodation-types/stay-stf-mountain-cabin e www.swedishtouristassociation.com/boats-in-the-mountains). Fora desse período se pode acampar ou usar a parte do refúgio que fica aberta fora de temporada, sem o anfitrião. Para cruzar os lagos fora desse período há a opção do barco a remo, mas eles só estão disponíveis quando os lagos descongelam completamente, o que acontece a partir de meados de junho. Dos cinco setores em que a Kungsleden é dividida eu optei por percorrer os três mais ao norte apenas. Por quê? Achei que não valia a pena fazer a travessia inteira e colocar quase um mês de viagem numa única trilha, que poderia se tornar monótona. Acho que acertei nisso pois nos 11 dias que caminhei considerei a trilha monótona em muitos trechos, com apenas alguns lugares se destacando pela beleza. Considero que a Kungsleden é uma trilha mais para se isolar e se afastar de tudo do que para curtir um visual incrível. Sim, há bastante gente na trilha no verão e há os refúgios muito bem equipados, mas também se pode acampar em qualquer lugar distante e permanecer longe de tudo o tempo que quiser já que não há cidades ou estradas num raio de muitos quilômetros. Para quem considerar a Kungsleden turística demais, a Lapônia tem trilhas mais aventureiras nos parques nacionais Padjelanta e Sarek, ambos muito próximos da Kungsleden. Para quem optar por fazer a Kungsleden inteira, além de separar um mês de viagem para isso, precisa se precaver com a questão da comida e levar uma barraca já que os refúgios da região central da trilha (entre Kvikkjokk e Ammarnäs) são bem mais distantes entre si e quase não há mercadinhos. E também deve estar preparado para remar um pequeno barco numa travessia de 500m num dos lagos do caminho pois mesmo no verão não há barco motorizado nesse local. No trecho inicial, a Kungsleden tem seu trajeto compartilhado com dois outros caminhos de longa distância: . Trekking Nordkalottleden: de Abisko a Sälka (59km). Essa trilha tem 800km e atravessa Noruega, Suécia e Finlândia . Caminho Peregrino Dag Hammarskjöld: de Abisko a Singi (71km). Essa trilha tem 105km e vai de Abisko a Nikkaluokta. Por conta desse caminho de peregrinação existem os Meditationsplats, lugares de meditação com frases de autoria do escritor sueco Dag Hammarskjöld (daí o nome do caminho) gravadas em pedra Não há problema de escassez de água nesse percurso de 11 dias que eu fiz e nem todos os riachos e fontes estão descritos no texto pois são muitos. Todas as distâncias informadas são dos trechos caminhados, excluídos os percursos feitos de barco.
  11. Lago Nesbøvatnet Início: Finse Final: Vassbygdi Duração: 3 dias Maior altitude: 1643m Menor altitude: 89m em Vassbygdi Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. A maior subida tem desnível de 419m. O Parque Nacional Hallingsskarvet é um parque pequeno ao norte do platô Hardangervidda, maior platô de montanha do norte da Europa. Ele se situa ao norte da famosa estrada de ferro Oslo-Bergen, próximo à estação de Finse, a cerca de 190km de Oslo e 120km de Bergen (em linha reta). Nesse trekking eu percorri de sul a norte o parque e emendei com a caminhada do Cânion Aurlandsdalen, bastante famoso por lá pela incrível beleza. Para saber sobre trekking na Noruega sugiro a leitura da introdução do relato www.mochileiros.com/topic/89222-travessia-do-parque-nacional-hardangervidda-noruega-jul19. O problema do trekking na Noruega e na Escandinávia em geral é o alto índice de chuva. Eu tive três dias seguidos de sol nessa caminhada e isso foi uma grande sorte. Não há problema de escassez de água nesse percurso e nem todos os riachos e fontes estão descritos no texto pois são muitos. Lagos parcialmente congelados mesmo no verão 1º DIA - 01/08/19 - de Finse ao Refúgio Geiterygghytta Duração: 5h20 (descontadas as paradas) Maior altitude: 1643m Menor altitude: 1219m Resumo: esse dia tem um desnível considerável de 419m de subida e depois de 424m de descida mas não é cansativo pois é bastante gradual No dia 29/07 eu interrompi a longa travessia do Parque Nacional Hardangervidda ao Parque Nacional Hallingsskarvet no 7º dia do percurso (relato em www.mochileiros.com/topic/89222-travessia-do-parque-nacional-hardangervidda-noruega-jul19) por causa da chuva que chegou e ainda duraria mais dois dias. Fui de trem para a cidade de Geilo, me hospedei no Hostel HI e esperei a melhora no tempo prevista no yr.no. Nesse dia, 01/08, voltei de trem a Finse e retomei a caminhada com tempo bom. Finalizada a etapa do Parque Nacional Hardangervidda, agora ia entrar no Parque Nacional Hallingsskarvet. Embarquei em Geilo às 13h e desci na estação de Finse às 13h38. Altitude de 1228m. Cruzei a estrada de ferro e segui a placa de Geiteryggen após o portão de madeira. Subi pela rua principal de cascalho e segui a sinalização do T vermelho entrando numa trilha à direita, cerca de 300m depois da linha férrea. Subi a colina ao norte, passei pelo local onde acampei no dia 29 e parei por 13 minutos para contemplar a magnífica Geleira Hardangerjøkulen, a sexta maior da Noruega. Ao cruzar o primeiro riacho, às 14h20, estava entrando nos limites do Parque Nacional Hallingsskarvet. Continuei no rumo norte, cruzei uma ponte suspensa e em seguida outro riacho pelas pedras às 14h43. Voltei a subir e a vegetação, que era só rasteira, some de vez, ficando só o terreno de pedras, mas sem dificuldade para caminhar. Às 15h32 começam a aparecer as manchas de neve que tenho de cruzar, com largura de 30m a 70m, mas sem problema de escorregar. A bota impermeável é importante nessa hora também. Cruzando campos de neve Às 15h57 alcancei o Refúgio Klemsbu, particular e trancado. Fiz uma pausa ali. Algumas pessoas que caminhavam sem mochila (e até com cachorro) tomaram ali uma trilha para o norte e subiram o Pico Sankt Pål. Eu continuei às 16h39 para nordeste (direita na bifurcação) e subi cruzando mais duas manchas de neve até atingir a maior altitude do dia (1643m, desnível positivo de 419m desde Finse). Ali há um campo de neve muito extenso mas felizmente não foi preciso cruzá-lo, está à esquerda do caminho. À direita surge um bonito lago com placas de gelo flutuando como icebergs. Inicia a descida. Cruzo mais uma mancha de neve e depois um riacho pelas pedras. Às 17h52 avisto o Lago Omnsvatnet. A trilha desce, cruza um riacho e se aproxima do lago, voltando a ter vegetação rasteira e depois capim, pasto para as ovelhas. Às 18h23 atravesso mais uma mancha de neve de uns 40m e às 19h outra de cerca de 60m. Às 19h21 alcanço um conjunto de lagos e passo a caminhar pelo seu lado direito. Cruzo pelas pedras um riacho que vem de uma bonita cachoeira despencando do paredão à direita. Às 19h55 avisto o refúgio na outra ponta do lago. Cruzo outro riacho às 20h14 e saio dos limites do Parque Nacional Hallingsskarvet. Alcanço o Refúgio Geiterygghytta às 20h32, numa altitude de 1230m. Esse refúgio é da DNT e do tipo staffed (com funcionários), não se pode cozinhar, não há comida para vender (só chocolates e biscoitos) e o anfitrião não me deixou nem usar o banheiro se não consumisse algo ou acampasse na área designada pagando NOK 100 (US$ 12,09)! Perguntei de acampamento livre (selvagem) e ele me mandou acampar longe, fora da visão do refúgio. Pelo que pude ver era um lugar muito bem arrumado, parecendo um hotel, e a presença de barracas espalhadas podia desagradar àquele público sofisticado. Em frente a esse refúgio passa uma estrada de cascalho que começa na rodovia 50 muito próximo de um túnel. Como passa um ônibus nessa rodovia essa estradinha pode ser uma rota de fuga ou um início/final alternativo à caminhada. São 3,6km dali até a rodovia. Porém há pouquíssimos horários: um ônibus por dia (às 13h10) em direção a Flåm (oeste) e um ônibus por dia (às 9h40) em direção a Ål (leste) (horários de julho e agosto de 2019). Saí do refúgio às 20h42 e caminhei pela estrada de cascalho para a esquerda (noroeste) até sair da visão do refúgio. Começaram a aparecer as barracas dos alternativos, dos que preferem a liberdade ao conforto. Os melhores lugares, que eram perto da cachoeira à esquerda da estradinha, já estavam ocupados, então entrei na trilha de Østerbø, com placa, à direita, e subi até encontrar um lugar plano e um pouco afastado do caminho. Havia água corrente por perto. Altitude de 1252m. Lagos de montanha 2º DIA - 02/08/19 - do Refúgio Geiterygghytta a Østerbø (ou quase) Duração: 5h30 (descontadas as paradas) Maior altitude: 1395m Menor altitude: 1050m no acampamento do fim do dia Resumo: dia de vários sobe-e-desce mas sem desníveis significativos, sendo o maior deles de 320m de descida da maior altitude do dia (1395m) aos 1075m do Refúgio Steinbergdalen Deixei o local de acampamento às 11h41 e segui a trilha no rumo norte. Em 4 minutos cruzei um riacho pelas pedras. Às 12h11 o mapa do gps mostrava que eu estaria cruzando a rodovia 50 porém não havia rodovia nenhuma - havia sim, estava muitos metros abaixo de mim na forma de um extenso túnel! E com mais 9 minutos avistei a tal rodovia 50 bem abaixo à esquerda margeando um lago. Infelizmente a trilha vai se aproximar dela e esse dia não será dos mais bonitos e agradáveis. Às 12h40 sigo à esquerda numa bifurcação com placa apontando para o Refúgio Steinbergdalen; à direita se vai a Kongshelleren (refúgio) e Iungsdalshytta (refúgio). Cerca de 6 minutos depois cruzo um riacho mais largo pelas pedras e paro por 18 minutos. Às 13h16 atravesso uma ponte metálica sobre um bonito rio com pedras e, subindo, cruzo uma porteira feita de ripas de madeira. Subo mais e atinjo um mirante chamado Bollhoud às 13h37. Passo por bonitos e tranquilos lagos de montanha e às 13h57 cruzo um riacho. Às 14h26 atravesso outra ponte metálica e encontro uma placa com o nome do local: Breibakkao. O riacho que cruzei forma uma bonita cachoeira à minha esquerda. Às 14h44 parei por 30 minutos num bonito mirante chamado Driftaskar, de onde avisto o Refúgio Steinbergdalen (ou Steinbergdalshytta) perto do lago Vetlebotnvatnet e da famigerada rodovia 50. Na descida cruzei um riacho por uma ponte de tábuas às 15h39. No portão na chegada ao refúgio há uma bifurcação em que à direita se vai também a Kongshelleren (refúgio) e Iungsdalen (refúgio). Entrei no Refúgio Steinbergdalen às 15h49 e ele é particular (não é da DNT), mas a anfitriã me deixou usar o banheiro sem pagar pois eu estava só de passagem. É uma casa bem típica norueguesa, de madeira com vegetação sobre o telhado para manter o isolamento térmico e a estabilidade da casa. É recomendável (ou obrigatório em alguns casos) tirar o calçado antes de entrar, a menos que o anfitrião diga o contrário. A rodovia 50 está a apenas 450m e é possível tomar o mesmo ônibus que liga Ål a Flåm se for necessário. Saí às 16h04 pelo lado direito do refúgio e tomei uma trilha que subia a encosta à direita com placa de Østerbø. E como subiu!!! Não era uma subida íngreme, mas tinha muitas pedras e parecia não ter mais fim. A visão da rodovia 50 logo abaixo à esquerda tirava todo o clima de montanha e fez daquele trecho longo de subida um tédio. Na descida, ainda pela encosta, parei num riacho às 17h18. Às 18h05 atravessei a ponte de tábuas sobre outro riacho que despencava do paredão à direita em bonitas quedas. Começo a avistar a vila de Østerbø bem abaixo no vale. Desço mais e às 18h40 alcanço um grande campo com uma cachoeira grande ao fundo. Ali já comecei a pensar se valeria a pena ir até Østerbø (ainda 3,8km à frente) pois o local parecia mais urbanizado e eu poderia ter dificuldade para encontrar um lugar para camping selvagem. Cheguei a perguntar sobre isso a uma garota que vinha (sozinha) atrás de mim, mas ela não sabia como era Østerbø. Vi que ela e um casal pararam ali para acampar e resolvi parar também, apesar de muito cedo ainda. Havia água bem próximo dali, no Rio Grøna. Altitude de 1050m. Cânion Aurlandsdalen 3º DIA - 03/08/19 - de Østerbø a Vassbygdi Duração: 6h50 (descontadas as paradas) Maior altitude: 1074m próximo ao acampamento Menor altitude: 89m em Vassbygdi Resumo: longa descida de 985m percorrendo o interior do Cânion Aurlandsdalen, famoso na Noruega pela grande beleza O trekking de hoje pode ser feito em forma de bate-e-volta de um dia a partir das cidades de Flåm ou Aurland, onde há campings e hotéis. Tomando o ônibus às 8h15 em Flåm ou 8h25 em Aurland se chega às 9h15 a Østerbø, um bom horário para iniciar a caminhada pois há ônibus à tarde para retornar a Flåm e Aurland (veja os horários nas informações adicionais). Comecei a caminhar às 8h21, cruzei a ponte de madeira sobre o Rio Grøna, desci até o vale do Rio Grøndalagrovi e o segui para a esquerda (oeste). Descendo, passei por uma casa vazia à minha direita e cruzei um portão de ferro. Atravessei uma mata e às 9h12 cheguei a uma estradinha de terra, onde fui para a direita. Aparecem as primeiras casas. Às 9h18 alcanço uma estrada de asfalto após uma cancela e sigo para a direita, continuando pela esquerda na bifurcação. A rodovia 50 está a apenas 120m à esquerda da cancela e é possível tomar o mesmo ônibus que liga Ål a Flåm se for necessário. Me mantive na estrada principal e cheguei aos refúgios de Østerbø às 9h28. São dois, um ao lado do outro. O primeiro é o Østerbø Fjellstove, particular, e o segundo é o Aurlandsdalen Turisthytte, pertencente à DNT e do tipo staffed. A tão esperada trilha do Cânion Aurlandsdalen começa no meio dos dois. Por ser um sábado havia dezenas de pessoas iniciando a trilha, e até um grupo de voluntários (?) dando orientações. O caminho aponta para o norte ainda como uma estradinha de cascalho, que tomei às 9h50. Altitude de 833m. Numa curva de 180º para a esquerda cruzei a ponte sobre o Rio Langedøla e havia uma sinalização um pouco confusa. Não entrei na primeira trilha à direita com T vermelho pintado na pedra, continuei descendo a estradinha e entrei na trilha seguinte à direita também com T vermelho pintado, mas muito mais estreita que a primeira (aqui aparentemente os dois caminhos servem, o importante é se aproximar do lago e evitar as outras trilhas). Passei por mais uma casa à minha esquerda e comecei a contornar o bonito Lago Aurdalsvatnet pela margem norte e depois oeste. Aparece a primeira placa de marcação de distância, 18km para a frente (até Vassbygdi) e 1km para trás (desde os refúgios de Østerbø). Cânion Aurlandsdalen Quando deixo as margens do Lago Aurdalsvatnet no sentido oeste aparece um espaço plano e gramado ótimo para acampar. Até aí não havia visto nenhum lugar adequado para acampar e daí em diante apareceram bem poucos também pois o solo muitas vezes era de turfeira (?), fofo e úmido. A trilha percorre a mata exuberante, numa mudança significativa de ambiente em relação aos dois dias anteriores no alto da montanha. A placa de 17km se encontra sobre um portão de ferro e na descida seguinte a beleza de Aurlandsdalen começa a se mostrar. Um lindo lago bem abaixo espelha as montanhas verdejantes. A descida até a margem leste desse lago (Nesbøvatnet) foi por uma trilha íngreme beirando a ribanceira. Aurlandsdalen é também uma trilha histórico-cultural e às 10h32 aparece a primeira placa com texto sobre a história e fotos antigas do lugar. Às 10h36 cruzei uma ponte de tábuas sobre um riacho e 2 minutos depois alcancei a casa Nesbø, às margens do Lago Nesbøvatnet, sede de uma fazenda do século 17. A trilha continua margeando o lago e às 10h49 alcanço uma bifurcação num local chamado Tirtesva. A trilha íngreme à direita sobe para outro caminho: Vassbygdi via Bjønnstigen, e uma placa alerta para o risco dessa rota já que cruza uma área de avalanches. Me mantive na trilha mais usada, que segue à esquerda, e uns 520m depois de Tirtesva cheguei a um bonito lago (uma extensão do Lago Nesbøvatnet). Parei para curtir o lugar e tomar água fresca do riacho ao lado. O gramado ali daria um bom local de acampamento também. Continuei às 11h19 e o lago se afunila num rio, que seguirei pela margem direita até o final do dia. Agora a sensação é de caminhar no fundo de um cânion mesmo, com a altas paredes se erguendo em ambos os lados. O rio e a vegetação das encostas ficam cada vez mais bonitos. Às 11h43 a trilha é um caminho estreito escavado no paredão de pura rocha. Um corrimão dá segurança nas partes mais estreitas (principalmente se houver neve). Às 11h52 surge abaixo o bonito Lago Vetiavatnet, o último grande lago dessa caminhada. Às 12h05 alcancei uma bifurcação num lugar chamado Heimrebø. À esquerda se vai a Berdalen, que é um local a 370m dali na rodovia 50 onde passa o mesmo ônibus de Ål a Flåm. Segui à direita e a trilha faz uma grande curva embicando para o norte e se afastando muito da rodovia 50 (felizmente não mais visível após Østerbø). Às 12h47 vem da direita a rota Vassbygdi via Bjønnstigen, aquela iniciada em Tirtesva e que vem pelo alto. Às 12h55 cheguei a um local com uma trilha saindo para a esquerda e uma movimentação de pessoas indo e vindo de lá - fui ver o que era. Caminhando cerca de 100m chega-se a Vetlahelvete, ou little hell cave, uma reentrância no paredão rochoso com um pequeno lago dentro e iluminação vindo da abertura no alto. Há um bonito mirante nas pedras mais altas do outro lado. Voltei à bifurcação, tomei um lanche e continuei descendo às 13h16. A marcação ali mostra que estou bem no meio do caminho: já percorri 9km e faltam 10km. Em 5 minutos tenho uma visão espetacular do cânion com o rio correndo lá embaixo e pessoas minúsculas ao longo da trilha bem ao lado do rio, ou seja, tinha uma descida bem grande pela frente. Às 13h24 parei para beber a água fresca de uma quedinha ao lado da trilha. Desci pela trilha em zigue-zague e às 13h46 já estava às margens do rio, onde algumas pessoas mergulhavam e logo saíam pois a água devia estar bem fria. Fazenda Sinjarheim Às 14h08 uma nova bifurcação. À esquerda se vai a Stondalen, que é outro local na rodovia 50 onde passa o ônibus de Ål a Flåm, outra rota de fuga, porém essa bem longa (7km). Vou à direita e em 5 minutos avisto, pendurada na enorme encosta, a Fazenda Sinjarheim, principal ponto de parada nesse trekking. Cruzo uma ponte de madeira sobre o riacho que vem de uma imensa cachoeira despencando do paredão e às 14h30 chego à fazenda. Casas de madeira com vegetação sobre o telhado e anunciado apenas em norueguês (demonstrando que poucos estrangeiros passam por ali): "sal av kaffi og mjelkekaker - kom inn", "venda de café e bolo de leite - entre". Muita gente ali descansando e se recuperando do calor pois já estávamos a 591m de altitude e a temperatura havia aumentado com a descida e por causa do horário. Muito calor para os noruegueses pois para mim estava bem agradável. Saindo da fazenda às 14h51, a descida se tornou bastante íngreme e às 15h10 já estava próximo ao rio de novo. Após duas casas de madeira, num local chamado Almen, olhei para trás e o cenário era espetacular, com duas grandes cachoeiras brotando dos paredões, último cenário de tirar o fôlego desse trekking. Quando vi os horários de ônibus em Østerbø pensei em tomar o das 19h para Flåm, o último. Mas pelo avanço rápido que vinha fazendo após entrar na mata resolvi apertar um pouco o passo e ver se conseguia pegar o das 16h40. A descida terminou numa clareira às 16h03 e 8 minutos depois alcancei um final de estrada de cascalho, continuando em frente, sempre pela margem direita do rio. Estava apressado por causa do horário do ônibus mas não resistia a comer as framboesas próximas à cerca à direita da estradinha. Para trás me despeço dos grandes paredões do Cânion Aurlandsdalen. Continuando sempre em frente me aproximo das primeiras casas de Vassbygdi e finalmente chego ao ponto de ônibus, em frente a uma lanchonete, às 16h27, e estava lotado. Altitude de 89m. O ônibus apareceu no horário e somente uma parte daquele povo todo o tomou pois a maioria esperava o ônibus de volta a Østerbø, onde deixaram seus carros. A viagem a Flåm durou 30 minutos e percorreu o maravilhoso fiorde Aurlandsfjorden. Em Flåm acampei no Camping e Hostel HI. Cânion Aurlandsdalen Informações adicionais: . para saber os preços de hospedagem e refeições nos refúgios da DNT consulte os valores atualizados em english.dnt.no/routes-and-cabins. Para se tornar membro da DNT e ter descontos o valor da anuidade é NOK 695 (US$ 84), valor de 2019 para adultos de 27 a 67 anos. . Camping e Hostel HI em Flåm: NOK 160 (US$ 19,34) para uma barraca com uma pessoa. A ducha quente custa NOK 20 (US$ 2,42) a cada 6 minutos (funciona com moeda ou ficha comprada na recepção). O hostel estava lotado no início de agosto. Site www.hihostels.com. . mapa do parque com as trilhas e refúgios: ut.no/kart . a temperatura mínima durante a noite fora da barraca foi 7ºC . para planejar qualquer viagem de ônibus, trem ou barco na Noruega: en-tur.no (clique em Meny e selecione English) . ônibus de Vassbygdi a Aurland e Flåm: 10h20 (sáb e dom), 14h10 (diário), 16h25 (sáb e dom), 16h40 (diário), 19h (diário) (horários de julho e agosto de 2019) . trens na Noruega: www.vy.no/en . não há supermercado nem em Finse, nem em Vassbygdi e em nenhum lugar desse percurso. Só há mercado em Aurland e Flåm, alcançadas de ônibus a partir de Vassbygdi. Só há refúgios do tipo staffed (da DNT) e particulares nesse caminho e eles não vendem comida para preparar (apenas guloseimas), mas servem café da manhã e jantar. . roteiro adaptado a partir das informações do guia Walking in Norway, de Connie Roos, Editora Cicerone Rafael Santiago agosto/2019 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  12. Informações adicionais: . para saber os preços de hospedagem e refeições nos refúgios da DNT consulte os valores atualizados em english.dnt.no/routes-and-cabins. Para se tornar membro da DNT e ter descontos o valor da anuidade é NOK 695 (US$ 84), valor de 2019 para adultos entre 27 e 66 anos. . Odda Camping: NOK 160 (US$ 19,34) para uma barraca com uma pessoa, NOK 200 (US$ 24,17) para uma barraca com duas pessoas. A ducha quente custa NOK 20 (US$ 2,42) a cada 5 minutos (funciona com moeda). Site: oddacamping.no/en . mapa do parque com as trilhas e refúgios: ut.no/kart . a temperatura mínima durante a noite fora da barraca ficou entre 10ºC e 13,9ºC . para planejar qualquer viagem de ônibus, trem ou barco na Noruega: en-tur.no (clique em Meny e selecione English) . ônibus Oslo-Odda: www.nor-way.no/en . ônibus Odda Camping(Toppen)-centro de Odda: www.skyss.no/en . a única cidade desse percurso que tem supermercado é Odda (Rema 1000, Spar e Extra). Os refúgios self service vendem comida pelo dobro ou triplo do preço da cidade. . ônibus Fossli-Bergen: www.skyss.no/en . trens na Noruega: www.vy.no/en . roteiro adaptado a partir das informações do guia Walking in Norway, de Connie Roos, Editora Cicerone Rafael Santiago julho/2019 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  13. Fiorde Simadalsfjorden ao fundo 6º DIA - 28/07/19 - de Fossli/Liseth a Rembesdalsseter Duração: 7h30 (descontadas as paradas e erros) Maior altitude: 1198m Menor altitude: 843m Resumo: dia difícil, com muitos desníveis. Subi dos 852m aos 1198m para em seguida baixar aos 843m de novo, subir aos 1154m, descer aos 907m e subir aos 1023m Iniciei a caminhada do dia às 9h04, tomei a esquerda na bifurcação com placa de Liseth à direita e continuei subindo. Às 9h21 parei num riacho à esquerda e segui às 9h46. Às 10h13 passei à esquerda de uma casa e subi muito ainda. Parei para descansar por 25 minutos na altitude de 1104m. Às 11h23 alcancei um bonito lago e logo a subida teve fim, aos 1198m de altitude (a maior do dia). Comecei a descer à esquerda de um canal de água e passei por uma placa apontando a montanha Store Ishaug, de 1485m, à esquerda. Às 11h37 avisto o Lago Rembesdalsvatnet, onde está o Refúgio Rembesdalsseter, mas o caminho até ele seria tão difícil que só conseguiria chegar no final do dia. A trilha desce suavemente por lajes e trechos de pedras e às 11h56 parei próximo a um riacho. Às 12h34 já avisto o primeiro obstáculo que tenho pela frente: descer a um platô bem abaixo e depois subir de novo por uma crista para me aproximar do Lago Rembesdalsvatnet. A descida exigiu atenção por ser bastante inclinada e no meio dela encontrei um norueguês que estava subindo desde uma estrada lá no fundo do vale, muito abaixo do platô. Ele estava fazendo uma caminhada de um dia e não tinha nem mochila. Às 13h23 a descida teve fim nas placas apontando Rembesdalsseter à direita e Tveit à esquerda, de onde veio o norueguês. Fui para a direita (leste) e às 13h50 cruzei uma ponte estreita de tábuas sobre o escoadouro de um lago à direita (ali a menor altitude do dia, 843m). Fiz uma pausa para descansar e às 14h17 encarei a subida pela crista, mas parei muitas vezes para admirar e fotografar a beleza impressionante desse lugar. Os paredões a oeste despencam para um vale verdejante com a ponta de um fiorde (Simadalsfjorden) bem distante. Atinjo o topo às 15h13 e tenho visão para o outro lado, um imenso vale a leste. E volto a ter vista para oeste de novo, onde visualizo melhor o fiorde ao fundo. Numa bifurcação fui à direita me afastando da beirada do precipício. Lago Rembesdalsvatnet bem distante ainda Às 15h58 vejo novamente o Lago Rembesdalsvatnet, mas a casa que está ao lado da barragem não é o refúgio ainda. Ele fica no lado oposto do lago. Numa bifurcação lanchei por 37 minutos e desci às 16h50 à esquerda seguindo a placa de Rembesdalsseter (à direita se vai ao Refúgio Kjeldebu). Depois de um pequeno desce-e-sobe pela encosta (onde cruzei um riacho) avistei finalmente o refúgio às 17h25, ainda muito distante, com o enorme lago no meio. Comecei a descer em direção à barragem e era uma piramba difícil, muito íngreme. Encontrei com dois noruegueses subindo e estavam reclamando daquela trilha ruim em lugar de um caminho melhor que há, porém impossibilitado pela queda de uma ponte. Às 17h53 alcancei a barragem e a cruzei. Dali tive uma bonita visão do grande Lago Rembesdalsvatnet com uma geleira no alto da montanha ao fundo. Esse é um braço da imensa Geleira Hardangerjøkulen, a sexta maior da Noruega. Ventava muito. No outro lado tomei um caminho duplo para a esquerda que logo virou um caminho simples e fez algumas curvas. Mais acima tenho visão de frente para a barragem com o lago e a geleira no alto. Às 18h44 cruzei a extremidade de um lago por uma pequena barragem (ruim para quem tem fobia de altura). Às 18h51 cruzei um riacho pelas pedras e às 19h22 fui à direita numa bifurcação com placas em que à esquerda se vai a Hallingskeid (refúgio e estação ferroviária). Às 19h36 cruzo uma porteira (!?) e em seguida uma ponte de tábuas. Às 19h43 vou à direita numa bifurcação com placas em que a esquerda leva a Finse (meu destino no dia seguinte). Às 19h56 chego enfim ao Refúgio Rembesdalsseter, a 965m de altitude. É um refúgio self service guardado. A guarda me recebeu com um certo mau humor e quando falei do problema do pagamento por transferência internacional ela foi um pouco grossa na resposta. Quando eu entrei sem querer no refúgio com as botas ela me mandou tirá-las imediatamente. Não sei como colocam uma pessoa tão estúpida num lugar onde se atende tanta gente todos os dias. E vi ela ser impaciente com os outros também. Como ventava muito na encosta onde estava o refúgio procurei um lugar do outro lado da colina, por onde havia chegado. Acabei montando a barraca numa parte mais baixa, perto de um outro lago, onde ventava menos. À noite começou uma chuva muito forte, com trovões, mas felizmente os raios estavam caindo bem longe dali. Porém esse foi o prenúncio da mudança de tempo que viria no dia seguinte. Altitude de 985m. Lago próximo ao Refúgio Rembesdalsseter 7º DIA - 29/07/19 - de Rembesdalsseter a Finse Duração: 8h (descontadas as paradas e erros) Maior altitude: 1508m Menor altitude: 981m Resumo: dia fácil com pouco desnível, apenas uma subida mais forte na primeira hora e uma longa descida no final do dia O dia amanheceu bonito depois da tempestade da noite anterior e felizmente não tive de desmontar a barraca na chuva. Comecei a caminhar às 10h56 voltando à última bifurcação com placas do dia anterior e seguindo para a direita, direção de Finse. Subi por uma trilha íngreme e alcancei um pequeno platô rochoso com lagos. Cruzei um riacho às 12h11, outro daí a 20 minutos e depois deles a vegetação praticamente desapareceu. Às 13h36 tive de cruzar um rio com um certo risco. No primeiro lance havia uma tábua, mas no segundo o salto tinha que ser certeiro, sem escorregar para não cair na correnteza. Na sequência havia uma grande ponte pois era um escoadouro bem largo de um lago à direita. Continuo caminhando passando por diversos lagos, alguns muito bonitos, de cor esverdeada. Num deles despenca uma bonita cachoeira que vem diretamente da geleira acima. Às 15h28 avisto um outro ângulo da enorme Geleira Hardangerjøkulen. O céu começa a acumular nuvens bem carregadas. A visão da geleira é magnífica, aquela vastidão de gelo se desprendendo em blocos e despencando num grande lago. Porém admirei essa beleza toda já embaixo de chuva, junto com o vento frio que vinha da geleira. Choveu mais de uma hora. Às 16h51 começam a aparecer as manchas de neve para atravessar, das mais curtas de cerca de 30m à mais extensa, por volta de 100m. Às 17h43 cruzo um riacho pelas pedras, mas às 18h03 tive de tirar as botas e pegar duas varas deixadas ali para atravessar um rio mais largo. Em seguida já tenho visão mais ampla e consigo enxergar a estrada de ferro Oslo-Bergen, da qual Finse é uma estação. Mas ainda tinha mais neve para cruzar, a última desse trekking, e era inclinada, então desci quase esquiando (sem esquis!). A descida continua na pura pedra, bem cansativa. Às 18h28 já visualizo o enorme Lago Finsevatnet com casas espalhadas entre ele e a linha férrea. Lago a caminho de Finse Cruzei uma ponte suspensa às 19h10 e outra 9 minutos depois. Uns 5 minutos depois cruzo um riacho largo pelas pedras. Às 19h36 passo ao lado das primeiras casas, por isso já havia visto gente acampada antes, para manter a exigida distância das casas (mínimo de 150m, mas quanto mais fora da visão melhor). Subi até a linha do trem e a cruzei às 19h54. Subi mais 20m e tomei a estradinha de cascalho para a direita. Às 20h08 parei por 8 minutos no túnel sob a linha férrea para me abrigar da chuva fraca. Às 20h34 cruzei uma porteira de ferro, uma ponte e cheguei a Finse às 20h43. Finse é a estação mais alta da estrada de ferro Oslo-Bergen, com altitude de 1228m. Com a mudança de tempo e chegada da chuva, eu precisava verificar a previsão para os próximos três dias de caminhada no Parque Nacional Hallingskarvet e Cânion Aurlandsdalen. Aproveitei o wifi aberto do Hotel Finse 1222 e consultei o yr.no. Esse hotel fica exatamente ao lado da estação de trem, onde também havia wifi aberto. Não era nada animadora a previsão. Além disso eu precisava comprar mais comida e Finse não tem nenhum mercadinho sequer. Mas, mesmo postergando a caminhada, tinha de achar um lugar para acampar essa noite. Fui até o Refúgio Finsehytta da DNT, que parece mais um hotel, porém no acesso a ele uma plaquinha já alerta para a proibição de acampar em Finse, sendo permitido apenas na margem sul do Lago Finsevatnet (cerca de 1km dali) ou no caminho para Geiteryggen. O uso do banheiro no refúgio é gratuito (banho é pago). Resolvi acampar no caminho para Geiteryggen, que seria o início do trekking do dia seguinte. Voltei à estação do trem, cruzei a estrada de ferro às 21h53 e segui a placa de Geiteryggen após o portão de madeira. Subi pela rua principal de cascalho e segui a sinalização do T vermelho entrando numa trilha à direita, cerca de 300m depois da linha férrea. Subi até me distanciar de todas as casas, praticamente no final da ladeira, onde encontrei um lugar plano para a barraca. Água fui buscar num riacho 370m à frente. Altitude de 1338m. O dia seguinte (30/07) amanheceu apenas cinzento e até pensei que daria para continuar se tivesse comida para mais três dias, mas logo veio uma forte neblina que não permitia enxergar mais que 30m. Desci de volta à estação e peguei o próximo trem para a cidade de Geilo, onde me hospedei no hostel HI à espera de tempo melhor para continuar a caminhada no Parque Nacional Hallingskarvet e Cânion Aurlandsdalen, que descreverei em outro relato.
  14. Mancha de neve que cruzei 4º DIA - 26/07/19 - de algum lugar entre Tyssevassbu e Torehytten ao vale do Rio Veig Duração: 8h15 (descontadas as paradas e erros) Maior altitude: 1473m Menor altitude: 995m Resumo: dia fácil pois, após uma subida inicial, o restante do dia foi quase todo de descida (com uma subida bem no final para o local de acampamento). A caminhada se tornou bem mais agradável e rápida pois em lugar dos campos de pedra agora há uma trilha bem marcada no capim. Deixei o local de acampamento às 9h56 já tendo de cruzar uma mancha de neve de mais de 40m. Subi no sentido nordeste. Cruzei um riacho às 10h29 e 10 minutos depois foi a vez de encarar a travessia de dois rios consecutivos. No primeiro foi possível atravessar pelas pedras mas no segundo tive de tirar as botas (água na altura da canela). Volto a subir. No alto parei por 34 minutos para conferir os caminhos no gps. Atinjo o ponto máximo do dia (1473m) às 12h31 e 4 minutos depois avisto ainda bem longe o Refúgio Torehytten à beira de um lago. Às 12h57 surge à direita o imponente pico Hårteigen, que eu avistara na tarde do dia anterior. Em 3 minutos encontro uma cachoeira que deságua num lago abaixo à esquerda. Desvio da mancha de neve acima do lago e tento continuar por uma trilha na encosta, mas ela vai sumindo e eu resolvo voltar à cachoeira e descer pela piramba de pedras soltas para tomar a trilha que segue abaixo, ao lado do lago. Às 13h22 cruzo um riacho pelas pedras com a espetacular vista do Pico Hårteigen refletido em suas águas. Uns 9 minutos depois atravesso uma mancha de neve de uns 30m com a dificuldade de ser inclinada para baixo, com maior risco de escorregar. Às 13h43 alcanço uma bifurcação e sigo para a esquerda após pegar água no riacho ao lado. À direita se vai ao Pico Hårteigen (e depois ao Refúgio Litlos), mas não planejei subi-lo durante essa travessia, quem sabe na próxima vez. Quando pensei que já estava chegando ao Refúgio Torehytten ainda tive de fazer um desvio à direita para contornar um canal que saía do lago. Desci ao canal, cruzei pelos blocos de pedra e subi a trilha íngreme do outro lado. Cheguei finalmente ao refúgio às 14h23. Fui recebido pela guarda e seu ajudante, ambos muito simpáticos, que me informaram que em Fossli/Liseth, vilarejo que é meu destino no dia seguinte, não havia lugar para comprar comida. Isso me obrigava a comprar comida-reserva ali mesmo e a guarda permitiu que eu pagasse em dinheiro (ao contrário da mal humorada do Refúgio Tyssevassbu). Anotamos tudo no formulário da DNT. Nesse local havia um trilheiro com queimaduras de sol pelo corpo todo, parece que eles não têm noção de como o sol pode ser perigoso. Nem boné eles usam. Esse refúgio é grande, ocupa duas casas, e tem uma despensa muito variada. Paisagens grandiosas A partir do Refúgio Torehytten há dois caminhos importantes: a noroeste se vai a Kinsarvik, voltando à rodovia 13 que passa em Odda, e a nordeste se vai a Fossli/Liseth e à rodovia 7. Como eu ia para Fossli e depois continuar para o norte tomei a direção nordeste, subindo, às 15h18. Às 15h56 avisto um grande lago azulado e passo a caminhar pelo alto de sua encosta oeste. Após o lago, o rio que se origina dele faz algumas curvas e desaparece num cânion. Mais abaixo ele despenca numa grande cachoeira ocultada pelos paredões e depois se espalha por um extenso e verdejante vale cortado pela trilha. Todo esse conjunto de paisagem chama muito a atenção pela beleza e grandiosidade. Considero que foi um lugares mais bonitos de todo esse trekking. A trilha segue pelo campo bem verdinho e me aproximo da margem esquerda do rio. Às 17h43 a sinalização continua na outra margem e sou obrigado a tirar as botas novamente para atravessar (água abaixo das canelas). Às 18h14 sigo a placa de Hadlaskard (refúgio), indo para a frente (esquerda) pois à direita se vai também ao Refúgio Litlos. Me aproximo de algumas casas isoladas, mas nenhuma é refúgio da DNT. Cruzo o rio raso pelas pedras bem em frente às casas e desperto a atenção de um cachorro, que começa a latir. Continuo caminhando pelos campos de vegetação baixa e às 19h36 cruzo um riacho pelas pedras. Às 20h06 aparece um rio à direita (Rio Veig) e começam a aparecer árvores também, algo que eu não via desde o início do segundo dia. Logo surge o Refúgio Hadlaskard na outra margem do Rio Veig. Às 20h22 vou à direita na bifurcação em que a esquerda leva ao Refúgio Stavali. Cruzo a ponte sobre o largo rio e entro no refúgio para conhecer. Ali também foi possível comprar comida sem burocracia. Coloquei o dinheiro num envelope e depositei numa caixa metálica de acordo com as instruções da guarda do refúgio, que não conferiu nada. Mas não acampei ali, achei que tinha gente demais e eu queria sossego. Também queria adiantar o percurso a Fossli/Liseth e tinha bastante tempo para isso nesse dia. Deixei o Refúgio Hadlaskard às 20h45 e tomei um caminho largo diretamente para o norte, seguindo o Rio Veig pela margem direita. Às 21h10 cruzei uma ponte de tábuas (peguei água para a noite) e em 5 minutos atravessei um conjunto de casas de pedra com vegetação no telhado (devem ser casas de pastores). Dali em diante a trilha subiu bastante e retomou a direção norte. A visão para o vale do Rio Veig se alarga. Às 21h58 parei numa clareira que surgiu à direita e montei a barraca com vista para o Pico Hårteigen (3,5km após o Refúgio Hadlaskard). Altitude de 1153m. Cachoeira Vøringsfossen 5º DIA - 27/07/19 - do vale do Rio Veig a Fossli/Liseth Duração: 8h25 (descontadas as paradas e erros) Maior altitude: 1188m Menor altitude: 670m na rodovia 7 em Fossli/Liseth Resumo: nesse dia desci ao Refúgio Hedlo e logo subi ao ponto mais alto do dia. Em seguida desci ao vale onde fica Hjølmo e subi a colina seguinte para descer ao ponto mais baixo do dia em Fossli/Liseth. Deixei o acampamento às 9h49 e continuei no caminho para o norte, inicialmente por extensas lajes de pedra, depois voltando a caminhar pelo campo bem verde. Às 10h19, numa bifurcação, a placa aponta para o Refúgio Dyranut à direita, mas sigo para o Refúgio Hedlo, em frente. Cruzei duas pontes consecutivas e em seguida passei por casas de pedra vazias. Me aproximo novamente do Rio Veig e ele forma um bonito lago com a água escorrendo sobre lajes. Continuo seguindo o rio e às 11h18 avisto o Refúgio Hedlo às suas margens. Numa bifurcação perto do rio uma placa aponta para o Refúgio Stavali à esquerda. Cheguei ao Refúgio Hedlo às 11h35 e ele é particular (não é da DNT) e staffed (com funcionário). É uma casa grande de dois andares ao lado de altas árvores. Numa demonstração da confiança que existe entre as pessoas na Noruega havia na sala uma mesa com guloseimas e refrigerantes e ao lado uma tigelinha onde se deixa o pagamento do que for consumido. Vi um grupo de noruegueses cinquentões (como eu) parar ali para descansar e, aproveitando a habitual simpatia norueguesa, fui conversar com eles e perguntar se eles sabiam de lugar para comprar comida na vila de Fossli. Também não conheciam. Eles estavam fazendo um circuito de trilhas a partir do Refúgio Vivelid. Deixei o Refúgio Hedlo às 12h41 continuando o caminho para o norte, seguindo as placas de Liseth (vila), Hjølmo (estacionamento) e Vivelid (refúgio). A trilha atravessa um pequeno bosque e tem muitas pedras. Às 13h16 avistei mais casas num vale mas a trilha não se aproxima delas, em vez disso as contorna pela esquerda e depois sobe a colina ao fundo, onde despenca uma bonita cachoeira. Nesse contorno pela esquerda cruzo uma ponte de tábuas às 13h40 e na bifurcação vou à direita (à esquerda se vai ao Refúgio Vivelid). Em seguida subo a colina e a visão do vale para trás vai ficando cada vez mais bonita. No alto (desnível de 169m) vou à direita na bifurcação às 14h20 seguindo a placa de Liseth (à esquerda se desce a Hjølmo). Uns 100m depois da placa parei por 18 minutos e escutei sinos de ovelhas por perto, portanto cuidado com a água! Subo mais e encontro sobre uma pedra um crânio de rena com uma grande galhada. Infelizmente essa foi a única rena que eu vi em todo esse trekking. Não há nenhuma sinalização indicando, mas consultando os mapas eu vi que estava saindo dos limites do Parque Nacional Hardangervidda. Rio Veig e Refúgio Hedlo Atinjo o ponto mais alto do dia (1188m) às 15h03 e para trás (sul) ainda vejo o Pico Hårteigen no horizonte. À esquerda (norte) enxergo bem longe também a ponta de um lago (Eidfjordvatnet) e de um fiorde (Eidfjorden). Começo a descer desse platô às 15h14 em direção a um vale (com algumas casas) e avisto montanhas nevadas ao fundo e Hjølmo à esquerda. Quase no final da descida passo por uma fonte de água e depois cruzo um riacho pelas pedras. Às 16h13 vou em frente na bifurcação com placa apontando Vivelid à esquerda e cruzo o rio principal do vale por uma ponte. Do outro lado não há placa e a trilha não é tão marcada, mas fui para a direita (leste), passei próximo das casas e a trilha vai fazendo uma curva para nordeste, subindo bastante pela encosta da margem direita verdadeira de um rio. Às 18h46 avisto a vila de Fossli/Liseth e pego uma trilha à esquerda bem marcada e até com estacas, mas não foi um bom caminho. Quando percebi que estava fora do trajeto gravado no gps já tinha descido bastante e achei que os dois fossem convergir, mas não aconteceu. Esse caminho tinha solo fofo (turfeira?) e foi ficando ruim de andar, mas continuei nele para ver onde ia parar. Desci bastante. Nas bifurcações que apareceram fui à esquerda (19h33), direita (180m depois) seguindo a placa Vøringsfossen e direita (15m depois). Me aproximei das primeiras casas e às 19h46 cheguei a uma estrada de cascalho, onde desci para a direita. Às 19h57 alcancei o asfalto da rodovia 7, chegando enfim a Fossli/Liseth. Fui para a direita por 800m, entrando na estrada de asfalto à esquerda. Subi e tomei a esquerda na bifurcação, chegando ao Fossli Hotel às 20h34. À esquerda (norte) do hotel começa uma trilha secundária para o Refúgio Rembesdalsseter, meu destino no dia seguinte. Mas antes de entrar na trilha fui visitar a maior atração do lugar, a linda cachoeira Vøringsfossen, que despenca 182m do platô Hardangervidda para dentro do Cânion Måbødalen, que corre em direção ao Eidfjorden (passando pelo Lago Eidfjordvatnet). O lugar é bem turístico, com passarelas e mirantes. Fica bem em frente ao hotel e o acesso é gratuito. No hotel fui informado de que os mercados mais próximos são: Coop em Eidfjord (18km a oeste pela rodovia 7) e no Garen Camping (2km a leste também pela rodovia 7). Como não quis fazer nenhum desvio da rota, teria que comprar comida no próximo refúgio. Entrei na trilha às 21h03 e subi. Coletei água num riacho onde havia mangueira de captação e subi mais. Procurei um lugar plano para montar a barraca e encontrei um bom local uns 160m antes de uma bifurcação que vem diretamente da Hospedaria Liseth. Essa é a trilha oficial da DNT, a que eu fiz nem sinalização tem. Altitude de 852m.
  15. Lago Mosdalsvatnet 1º DIA - 23/07/19 - de Odda ao Refúgio Mosdalsbu Duração: 6h20 (descontadas as paradas e erros) Maior altitude: 1445m Menor altitude: 0m em Odda Resumo: esse foi o dia de maior desnível (subida) já que saí da margem do fiorde (0m) e alcancei o platô Hardangervidda, que tem altitudes por volta de 1200m a 1500m. Nesse dia já percebi a dificuldade do terreno, muito pedregoso. No dia 20/07 viajei de Oslo a Odda. Tomei às 9h40 na rodoviária Bussterminal de Oslo o ônibus da empresa Nor-Way. Saltei dele 1,8km antes do centro de Odda, às 16h45, para ir ao Odda Camping, único camping da cidade. Cheguei com chuva e choveu nos dois dias seguintes. A promessa de tempo melhor, apontada pelo site yr.no, me fez esperar todo esse tempo para começar a travessia. No dia 23/07 saí do camping e me dirigi ao centro de Odda. Pretendia descer a pé até o centro mas o ônibus estava parado no ponto e o motorista gentilmente abriu a porta ao me ver, então não resisti (a mochila estava pesada por causa da comida para muitos dias). Passei ainda no supermercado e dei início à caminhada às 12h43 no posto de informação turística da cidade. Altitude de 0m já que estava de frente para o fiorde. Dali caminhei para leste, cruzei a ponte sobre o Rio Opo, passei pelo posto Esso e continuei pela estrada à esquerda. Uns 360m depois da ponte, onde há um ponto de ônibus, entrei na rua à direita, que bifurca. Fui para a esquerda seguindo a placa de Freimsvegen. Não entro na primeira rua à direita, continuo subindo e faço o zigue-zague mais longo. Após três curvas a rua toma o rumo sudeste. Nessa subida observo os curiosos telhados de pedra das casas e os quintais com pés de maçã e cereja. Na trifurcação no alto vou à esquerda. Às 13h15 chego a um estacionamento com cerca de 10 carros e descubro que há um ônibus que chega até ali (linha 994 Ragde-Freim). Altitude de 92m. Dali em diante o caminho é uma estradinha estreita de terra, há mais um estacionamento, a estradinha vira trilha e às 13h25 alcanço uma bifurcação num local chamado Freim. Há um painel informativo com mapa topográfico e as trilhas desenhadas. Ali encontro o primeiro T vermelho pintado numa pedra, sinalização usada pela DNT e que seguirei durante todas as caminhadas na Noruega. Subo à esquerda e a vista para Odda e o fiorde Sørfjorden vai se ampliando. Às 13h52 uma seta vermelha indica um desvio do caminho para a esquerda. Às 14h05, na altitude de 299m, entro na mata de pinheiros e encontro uma casal lanchando. Ele eram dinamarqueses e estavam terminando uma travessia ainda mais longa que a minha. Contaram que pegaram tempo muito ruim no alto da serra nos últimos dois dias. Geleira Folgefonna ao fundo Aos poucos a floresta de pinheiros vai dando lugar à mata nativa, mas às 15h41, na altitude de 882m, saio do limite das árvores. Na bifurcação vou à esquerda seguindo a placa de Møyfallsnuten. Uns 80m depois há uma trilha discreta subindo à esquerda com placa de Møyfallsnuten de novo e é para lá que devo seguir, mas antes paro no riacho próximo à direita (primeira água do dia), onde outros trilheiros descansam e fazem um lanche. Esse local se chama Freimsstølen e há algumas casas vazias. Altitude de 916m. A maior parte das pessoas que fazem o trajeto até aqui vai subir o Pico Rossnos, de 1407m, e para isso basta seguir à direita nessa última bifurcação, cruzar o riacho e subir no sentido sul-sudeste. Retomo a caminhada às 16h33 subindo para nordeste por campo aberto e com visão do Pico Rossnos à direita e da Geleira Folgefonna (a terceira maior da Noruega) à esquerda, entre nuvens. Às 17h03 cruzo um riacho pelas pedras. Surgem ovelhas pastando, então é melhor tomar cuidado com a água (tive algumas emergências intestinais nessa caminhada, talvez por isso). Na altitude de 1394m, às 18h24, já estou caminhando num terreno só de pedras e desvio de uma grande mancha de neve e depois de um lago. A neblina já engoliu toda a paisagem, não enxergo mais que 100m. Às 19h03 atingi o ponto máximo do dia, aos 1445m, e estava a poucos metros do Pico Møyfallsnuten, de 1466m, mas não vi seu enorme totem. À medida que a neblina vai se tornando mais densa surgem pequenas geleiras que, apesar de próximas, eu mal consigo enxergar, tudo cinzento (das pedras e da neblina) e branco (da neve). É uma paisagem fantasmagórica. Tive de cruzar uma das manchas de neve mas ela era fofa e não escorreguei. A bota impermeável é necessária para não molhar os pés nessas situações. Cruzei alguns riachos que brotavam das pequenas geleiras ao redor. Às 20h05 cheguei à beirada desse platô e consegui visualizar a paisagem abaixo. A neblina foi se dissipando e pude ver quão bonita era a paisagem para noroeste, com o profundo fiorde Sørfjorden e a grande geleira além. Imensas cachoeiras despencam dos paredões. Na direção que eu deveria caminhar (nordeste) também havia um vale profundo que era do Lago Ringedalsvatnet, no qual está o superfotografado Trolltunga. A descida por caminho só de pedras teve a sua dificuldade também. Mas felizmente abaixo encontrei uma trilha bem definida e sem pedras. Às 20h52 avistei um lago, mas ainda não era o local do meu acampamento. Às 21h05 encontro a primeira placa apontando o Refúgio Mosdalsbu. Uns 3 minutos depois já avisto bem abaixo o enorme lago encaixado entre as montanhas com o refúgio na outra margem. É o Lago Mosdalsvatnet. Desço até ele e o contorno pela esquerda. Chego ao refúgio da DNT às 21h40. Altitude de 1011m. Esse refúgio me surpreendeu por ser não-guardado, ou seja, não tem guarda cuidando. E tinha muita comida disponível. Tudo funciona na base da confiança e honestidade. Você preenche o formulário calculando todas as despesas de comida utilizada e hospedagem e deixa na caixa metálica para receber a conta depois por e-mail. O telhado do refúgio é coberto de vegetação, como é comum na Noruega, para manter o isolamento térmico e a estabilidade da casa. Eu acampei perto do lago e havia mais três barracas nas partes mais altas. Nesses dias o sol estava se pondo por volta de 22h, mas às 23h ainda estava bem claro. A noite chega bem lentamente. Trolltunga 2º DIA - 24/07/19 - do Refúgio Mosdalsbu a Trolltunga Duração: 9h20 (descontadas as paradas e erros) Maior altitude: 1355m Menor altitude: 1011m no Refúgio Mosdalsbu Resumo: nesse dia subi dos 1011m aos 1355m e daí foi uma sucessão de sobe-e-desce por um terreno repleto de pedras bem ruim de caminhar Finalmente amanheceu um dia lindo de sol e céu azul depois de muitos dias cinzentos e de chuva. Assim o Lago Mosdalsvatnet se mostrou muito mais bonito, pena que as torres de alta tensão estraguem um pouco a paisagem. Deixei o local de acampamento às 9h51 na direção leste e cruzei uma ponte suspensa sobre o escoadouro do lago. Na subida seguinte pude avistar a oeste o topo nevado das montanhas num cenário bem mais bonito do que no dia anterior, sem nuvens. As poucas árvores vão ficando para trás, restritas ao entorno do lago. Às 10h43 cruzei um riacho pelas pedras e subi mais. Lá do alto às 11h24 tenho a última visão para trás do Refúgio Mosdalsbu. Às 11h39 fui à direita numa bifurcação com placa que apontava a montanha Einseten à esquerda. O caminho, que já vinha se tornando mais pedregoso, agora é um verdadeiro campo de pedras, lugar bem ruim de andar. Subi mais por entre diversos lagos e às 12h24 atinjo o topo (1346m), podendo vislumbrar o outro lado, o que não anima muito pois, apesar de muito bonito, é um mar de pedras, uma pedreira só. Sigo descendo por esse terreno difícil sempre seguindo o T vermelho pintado nas pedras. Às 13h08 avisto à esquerda (norte) os paredões do Lago Ringedalsvatnet. Às 13h31 cruzo um riacho pelas pedras e paro para conversar com um casal norueguês fazendo o trajeto ao contrário. Continuando, passo por lindos lagos azuis, sorte que o dia está ensolarado para ver toda essa beleza. Descendo ainda pelas lajes e pedras, às 15h15 surge um grande desmoronamento e a descida está sinalizada por ali mesmo. Tive de descer com cuidado saltando de bloco em bloco. Abaixo, continuando por uma trilha mais plana, surge um imenso lago à direita, o Langavatnet. Numa bifurcação o caminho segue para a esquerda, mas vou à direita para me aproximar de um abrigo de emergência, uma casinha minúscula de pedras com cama, mesa e lareira. Telhado coberto de vegetação. Dali a vista para o lago bem abaixo é privilegiada porém o vento estava quase me derrubando lá de cima. Lagos de montanha e muitas pedras pelo caminho Voltando à bifurcação, tomo a trilha da esquerda às 15h36 e logo avisto uma grande barragem e algumas casas do outro lado do lago. A descida até ela foi um pouco complicada, por uma parede quase vertical. Às 15h57 já estava cruzando a barragem por uma passarela. Me aproximo de uma das casas e vejo que há um T vermelho na parede: é um refúgio da DNT chamado Langavassbu. E é não-guardado também! Tinha uma quantidade maior de comida que o anterior e ninguém tomando conta. A regra é a mesma: pegou ou usou, pagou. É bem parecido com o Refúgio Mosdalsbu por dentro, porém mais espaçoso. O banheiro tinha papel higiênico. Há água corrente bem próximo. Deixei o refúgio às 16h44. Às 17h05 começo a avistar o magnífico Lago Ringedalsvatnet. E logo avisto também, no meio das grandes lajes e morros de pedra, uma outra barragem. A trilha aponta para lá. Às 17h37 me aproximei da barragem e vi por uma placa com mapinha que deveria desviar dela, não era permitido caminhar pela passarela como na anterior. Tive de descer por uma ladeira de pedra meio complicada a poucos metros do paredão da barragem, caminhar alguns metros por um canal e subir de novo pela encosta do outro lado. Parei para descansar nas lajes de pedra por 13 minutos. Depois subi mais por uma trilha não muito bem sinalizada, passei pelos postes de energia, desci um pouco, subi de novo e passei a caminhar por um platô onde o avanço ficou muito mais fácil e rápido por não haver tantas pedras. Às 19h41 tive de cruzar duas línguas de neve mas nada complicado. Como estou contornando o enorme Lago Ringedalsvatnet avisto à esquerda (sul) o Lago Langavatnet, o da primeira barragem. Às 21h05 segui a placa de Preikestolen à esquerda e me surpreendi com uma visão estonteante do Lago Ringedalsvatnet bem abaixo, espremido entre os paredões colossais, lindo como um fiorde. Em sua extremidade oriental despenca a imensa cachoeira Ringedalsfossen. Um cenário inacreditável! Voltei à trilha principal e dessa vez fui à direita (norte) na bifurcação para encontrar às 21h40 o Refúgio Reinaskorsbu, infelizmente em más condições, depredado e pichado, com parte do assoalho arrancado. O banheiro não tinha mais porta. Uma cena muito rara na Noruega (felizmente não vi mais nenhum refúgio nesse estado). O famoso e badalado Trolltunga estava a apenas 370m dali mas não fui até lá. Estava bem cansado e deixei essa visita para a manhã do dia seguinte. Por causa desse grande atrativo, que as pessoas adoram postar em Facebooks, Instagrams e outras redes, o local estava repleto de gente acampada. Contei cerca de 35 barracas mas devia haver mais escondidas entre as lajes de pedra. Montei a minha abrigada um pouco do vento e assisti a um belo pôr-do-sol às 21h45. Há pelo menos duas fontes de água corrente por perto. Altitude de 1191m. Lago Ringedalsvatnet 3º DIA - 25/07/19 - de Trolltunga a algum lugar entre Tyssevassbu e Torehytten Duração: 7h20 (descontadas as paradas e erros) Maior altitude: 1431m Menor altitude: 1174m Resumo: nesse dia não houve grandes desníveis, porém a dificuldade veio das travessias na neve e por caminhar a maior parte do dia ainda por pedras Tratei de ir logo cedo ver o Trolltunga pois sabia que as multidões iam começar a chegar. A maioria das pessoas faz um bate-e-volta de um dia até esse atrativo vindo por um caminho bem mais curto e com desnível menor do que o que enfrentei (por volta de 800m). Caminham cerca de 14km a partir da vila de Skjeggedal, onde chega um ônibus que sai de Odda (e do Odda Camping). Depois das fotos voltei ao mirante Preikestolen para fotografar o lugar com a luz da manhã. Desmontei acampamento e quando voltei ao Trolltunga, às 11h16, a fila para tirar fotos já era bem grande. Deixei esse frenesi para trás e às 12h05 segui a placa de Tyssevassbu (refúgio), indo para leste. Com 17 minutos cruzei um riacho pelas pedras e 8 minutos depois um canal de água. Caminho para nordeste e leste passando por vários bonitos lagos à minha esquerda. Às 13h12 cruzei uma mancha de neve, curta, de cerca de 20m, mas nesse dia ainda teria muita neve para atravessar. Às 13h26 alcanço um conjunto de lagos com uma bonita cachoeira. Desço e cruzo um riacho num salto para chegar mais perto dela. Parei para lanchar por 16 minutos. A trilha continua à direita da cachoeira. Subo, sigo o rio e às 14h09 tenho uma visão panorâmica de todo aquele lugar, como se tivesse atingido finalmente o grande platô Hardangervidda. Cruzo mais uma mancha de neve e tenho um enorme e recortado lago à esquerda. O que estraga novamente são as torres de alta tensão. Cruzo um riacho pelas pedras às 14h27 e 11 minutos depois chego a um canal de água um pouco complicado de ultrapassar já que corre entre paredes de pedra. Tentei onde o canal era mais estreito mas depois não consegui subir a parede do outro lado. Tive de percorrer o canal para a direita por 200m até encontrar um lugar onde fosse fácil cruzar a água e depois subir do outro lado. Quando voltei à trilha principal dois caras estavam tentando cruzar onde eu tentei inicialmente e conseguiram, um ajudando o outro. Platô Hardangervidda e grandes manchas de neve Às 15h25 cruzei outro canal de água mas esse tinha uma tábua que servia como ponte precária. Às 15h48 cheguei ao Refúgio Tyssevassbu, no topo de uma colina de pedra. Esse foi o refúgio mais bem equipado e bem arrumado até agora, com fogão de 4 bocas com forno (os dois primeiros tinham fogão portátil de 3 bocas), armários de cozinha, estante com livros e despensa lotada de comida. Mas nesse havia uma pessoa cuidando, uma guarda. Questionei sobre a forma de pagamento das despesas nos refúgios, que ela afirmou ser apenas através de transferência bancária internacional e não cartão de crédito. Expliquei sobre as as taxas que seriam cobradas por uma transação como essa, se não seria possível pagar em dinheiro ali para o(a) guarda do refúgio. Ela disse que as regras eram essas e ficou mal humorada. Paciência... Aproveitei o sol gostoso que havia e fiz meu lanche do lado de fora do refúgio. Se fizesse o lanche dentro do refúgio teria de pagar um day visit de NOK 90 (US$ 10,88). Às 16h42 segui meu caminho para leste pela margem esquerda do lago seguindo a placa do Refúgio Litlos e começa uma sucessão de campos de neve para cruzar, de trechos curtos de 20m a longas travessias de mais de 200m. Numa travessia longa assim na neve fica até difícil saber para que direção caminhar já que os T vermelhos ficam muito distantes entre si. E quando não estava caminhando sobre a neve estava andando sobre pedras, ambos bastante cansativos. Desviar dos campos de neve dava muito trabalho também, era mais fácil caminhar pisando onde outros já haviam feito um caminho. Às 19h36 passei por uma singela plaquinha onde está escrito em norueguês: Parque Nacional - área protegida pela Lei de Conservação da Natureza, indicando timidamente que estou entrando nos limites do Parque Nacional Hardangervidda. Cruzei um riacho e às 19h37 observo no horizonte a nordeste um grande rochoso de formato quase retangular, lembrando a Pedra do Baú de São Bento do Sapucaí, porém de ângulos mais arredondados. Era o Pico Hårteigen, ao largo do qual eu passaria no dia seguinte. Cruzo mais neve, outro riacho e continuam os bonitos lagos à esquerda. Às 20h22 surge um rio que deu mais trabalho. Procurei um lugar mais abaixo onde pudesse saltar para a outra margem mas não achei lugar seguro para isso, então o jeito foi tirar as botas e entrar na água gelada onde a correnteza fosse mais fraca. Água pelos joelhos. Uns 230m depois fui à esquerda na bifurcação seguindo a placa Torehytten (refúgio), à direita se vai ao Refúgio Litlos. A trilha deixa a direção leste e aos poucos toma o rumo norte, agora bem mais fácil, uma trilha bem marcada pelo campo, não mais um caminho mal definido no mar de pedras. Cruzei mais uma mancha de neve, um riacho e parei para acampar num vale à esquerda do caminho às 22h (com plena luz do dia). Altitude de 1327m.
×
×
  • Criar Novo...