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rafael_santiago

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  • Meus Relatos de viagem
    SANTA CATARINA
    1. Circuito de trilhas no sul de Floripa (SC) - mai/13: http://www.mochileiros.com/circuito-de-trilhas-no-sul-de-floripa-sc-mai-13-t82660.html
    2. Travessia do Pq Est da Serra do Tabuleiro (SC) - abr-mai/13: http://www.mochileiros.com/travessia-do-pq-est-da-serra-do-tabuleiro-sc-abr-mai-13-t82426.html
    3. Travessia do Campo dos Padres e Cânion do Espraiado (SC) - abr/13: http://www.mochileiros.com/travessia-do-campo-dos-padres-e-canion-do-espraiado-sc-t83925.html

    PARANÁ
    1. Serra Grande de Ortigueira e Pico Agudo de Sapopema: no teto do norte paranaense (PR) - mar/13: http://www.mochileiros.com/serra-grande-de-ortigueira-e-pico-agudo-de-sapopema-no-teto-do-norte-paranaense-pr-mar-13-t81075.html]
    2. Travessia do Lagamar (SP/PR) - fev/13: http://www.mochileiros.com/travessia-do-lagamar-sp-pr-fev-13-t79458.html

    SÃO PAULO
    1. Pico Focinho de Cão (Piquete-SP) - mar/14: http://www.mochileiros.com/pico-focinho-de-cao-piquete-sp-mar-14-t93856.html
    2. Trilhas e praias da Ponta da Espia (Ubatuba-SP) - dez/13: http://www.mochileiros.com/trilhas-e-praias-da-ponta-da-espia-ubatuba-sp-dez-2013-t90658.html
    3. Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade (Rio Claro-SP) - jan/13: http://www.mochileiros.com/floresta-estadual-edmundo-navarro-de-andrade-rio-claro-sp-jan-13-t78776.html
    4. Travessia Camburi-Trindade (Ubatuba-SP/Paraty-RJ) - dez/12: http://www.mochileiros.com/travessia-camburi-trindade-ubatuba-sp-paraty-rj-dez-12-t78021.html
    5. Serra do Itapety (Mogi das Cruzes-SP) - mar/12: http://www.mochileiros.com/serra-do-itapety-mogi-das-cruzes-sp-mar-12-t67726.html
    6. Pedra Grande de Quatinga (Mogi das Cruzes-SP) - fev/12: http://www.mochileiros.com/pedra-grande-de-quatinga-mogi-das-cruzes-sp-t66800.html
    7. Campos do Jordão num fim de semana (SP) - nov/10: http://www.mochileiros.com/campos-do-jordao-num-fim-de-semana-t49742.html

    RIO DE JANEIRO
    1. Travessia Estreito-Vargem Grande (Cachoeiras de Macacu/Teresópolis-RJ) - jul/14: http://www.mochileiros.com/travessia-estreito-vargem-grande-cachoeiras-de-macacu-teresopolis-rj-jul-14-t99576.html
    2. Travessia Campestre-Guapiaçu (Nova Friburgo/Cachoeiras de Macacu-RJ) - jul/14: http://www.mochileiros.com/travessia-campestre-guapiacu-nova-friburgo-cachoeiras-de-macacu-rj-jul-14-t99743.html
    3. Travessia São Lourenço-Castália (Nova Friburgo/Cachoeiras de Macacu-RJ) - jul/14: http://www.mochileiros.com/travessia-sao-lourenco-castalia-nova-friburgo-cachoeiras-de-macacu-rj-jul-14-t99879.html
    4. Travessia Canoas-Areal (Teresópolis/Cachoeiras de Macacu-RJ) - jun/14: http://www.mochileiros.com/travessia-canoas-areal-teresopolis-cachoeiras-de-macacu-rj-jun-14-t100065.html
    5. Travessia Theodoro de Oliveira-Boca do Mato (Nova Friburgo-Cachoeiras de Macacu-RJ) - mai/14: http://www.mochileiros.com/travessia-theodoro-de-oliveira-boca-do-mato-nova-friburgo-cachoeiras-de-macacu-rj-mai-2014-t99220.html
    6. Pedra do Faraó com travessia Theodoro-Macaé de Cima-Cachoeiras de Macacu (RJ) - mai/14: http://www.mochileiros.com/pedra-do-farao-com-travessia-theodoro-macae-de-cima-cachoeiras-de-macacu-rj-mai-14-t96148.html
    7. Travessia Serrinha do Alambari-Visconde de Mauá (RJ) - abr/14: http://www.mochileiros.com/travessia-serrinha-do-alambari-visconde-de-maua-rj-abr-14-t94922.html
    8. Travessia Penedo-Serrinha do Alambari (RJ) - abr/14: http://www.mochileiros.com/travessia-penedo-serrinha-do-alambari-rj-abr-2014-t94711.html
    9. Trilha do Pereira (Paraty-RJ) - dez/12: http://www.mochileiros.com/trilha-do-pereira-paraty-rj-dez-12-t78376.html
    10. Trilhas em Santa Maria Madalena (RJ) - set/12: http://www.mochileiros.com/trilhas-em-santa-maria-madalena-rj-set-2012-t75654.html
    11. Parque Estadual do Desengano (Santa Maria Madalena-RJ) - set/12: http://www.mochileiros.com/parque-estadual-do-desengano-santa-maria-madalena-rj-set-2012-t75373.html
    12. Travessia Rebouças-Mauá via Rancho Caído (Parque Nacional do Itatiaia - RJ/MG) - jul/12: http://www.mochileiros.com/travessia-reboucas-maua-via-rancho-caido-parque-nacional-do-itatiaia-rj-mg-t72335.html
    13. Arraial do Sana (RJ) - out/11: http://www.mochileiros.com/relato-arraial-do-sana-rj-out-11-t65208.html
    14. Travessia de 6 dias no PN do Itatiaia (RJ/MG) - set/11: http://www.mochileiros.com/relato-travessia-de-6-dias-no-pn-do-itatiaia-rj-mg-set-11-t63485.html


    MINAS GERAIS
    1. Travessia Itamonte-Alagoa via Pedra do Picu e Serra dos Borges (MG) - fev/15: http://www.mochileiros.com/travessia-itamonte-alagoa-via-pedra-do-picu-e-serra-dos-borges-mg-fev-15-t110163.html
    2. Pedra da Estância (Itajubá-MG) - ago/14: http://www.mochileiros.com/pedra-da-estancia-itajuba-mg-ago-14-t100195.html
    3. Travessia Lapinha-Fechados (Serra do Cipó-MG) - mai/14: http://www.mochileiros.com/travessia-lapinha-fechados-serra-do-cipo-mg-mai-2014-t99128.html
    4. Travessia Cardeal Mota-Lapinha (Serra do Cipó-MG) - mai/14: http://www.mochileiros.com/travessia-cardeal-mota-lapinha-serra-do-cipo-mg-mai-2014-t97576.html
    5. Travessia da Serra da Pedra Aguda (Itajubá-MG) - fev/14: http://www.mochileiros.com/travessia-da-serra-da-pedra-aguda-itajuba-mg-fev-14-t92423.html
    6. Pico do Itacolomi e travessia Ouro Preto-Lavras Novas (MG) - jan/14: http://www.mochileiros.com/pico-do-itacolomi-e-travessia-ouro-preto-lavras-novas-mg-jan-14-t91300.html
    7. Pico do Muquém e Pico da Bandeira (Carvalhos-MG) - nov/13: http://www.mochileiros.com/pico-do-muquem-e-pico-da-bandeira-carvalhos-mg-nov-13-t88926.html
    8. Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (Fervedouro-MG) - set/12: http://www.mochileiros.com/parque-estadual-da-serra-do-brigadeiro-fervedouro-mg-set-2012-t75111.html
    9. Travessia Diamantina-Mendanha pelo Caminho dos Escravos (Serra do Espinhaço-MG) - jun/12: http://www.mochileiros.com/travessia-diamantina-mendanha-pelo-caminho-dos-escravos-serra-do-espinhaco-mg-t73278.html
    10. Travessia Diamantina-Rodeador pela Trilha Verde da Maria Fumaça (Serra do Espinhaço-MG) - jun/12: http://www.mochileiros.com/travessia-diamantina-rodeador-pela-trilha-verde-da-maria-fumaca-serra-do-espinhaco-mg-t72765.html
    11. Circuito pelo Pico do Itambé (Serra do Espinhaço-MG) - jun/12: http://www.mochileiros.com/circuito-pelo-pico-do-itambe-serra-do-espinhaco-mg-t72513.html
    12. Travessia Lapinha-Tabuleiro com subida do Pico da Lapinha e do Pico do Breu (Serra do Cipó-MG) - jun/12: http://www.mochileiros.com/travessia-lapinha-tabuleiro-com-pico-da-lapinha-e-pico-do-breu-serra-do-cipo-mg-t72072.html
    13. Travessia Cachoeira da Capivara-Lapinha (Serra do Cipó-MG) - jun/12: http://www.mochileiros.com/travessia-cachoeira-da-capivara-lapinha-serra-do-cipo-mg-jun-12-t71812.html

    ESPÍRITO SANTO
    1. Parque Natural Municipal do Itabira (Cachoeiro de Itapemirim-ES) - set/12: http://www.mochileiros.com/parque-natural-municipal-do-itabira-cachoeiro-de-itapemirim-es-set-12-t76449.html
    2. Monumento Natural O Frade e a Freira (Cachoeiro de Itapemirim-ES) - set/12: http://www.mochileiros.com/monumento-natural-o-frade-e-a-freira-cachoeiro-de-itapemirim-es-set-12-t76217.html
    3. Parque Estadual da Pedra Azul (Domingos Martins-ES) - set/12: http://www.mochileiros.com/parque-estadual-da-pedra-azul-domingos-martins-es-set-12-t75890.html
    4. Monumento Natural dos Pontões Capixabas (Pancas-ES) - set/12: http://www.mochileiros.com/monumento-natural-dos-pontoes-capixabas-pancas-es-set-2012-t74887.html

    MARANHÃO
    1. Chapada das Mesas (MA) - jul/08: http://www.mochileiros.com/chapada-das-mesas-perguntas-e-respostas-t47552-15.html#p324475

    PIAUÍ
    1. Parque Nacional Serra da Capivara (PI) - jul/08: http://www.mochileiros.com/parque-nacional-serra-da-capivara-em-julho-2008-t57363.html

    VENEZUELA
    1. Monte Roraima - relato e pequeno guia (Bra/Ven) - mar/09: http://www.mochileiros.com/monte-roraima-relato-e-pequeno-guia-mar-09-t34512.html
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  1. Coyhaique vista do Cerro Cinchao A Reserva Nacional Coyhaique foi criada em 1948 e é administrada pela Conaf, órgão florestal oficial do Chile. Situa-se na Patagônia chilena, mais exatamente na região de Aysén, de número XI (as regiões no Chile têm nome e número romano). O setor da reserva aberto a visitação possui basicamente dois grandes circuitos de trilhas que iniciam e findam na portaria e se sobrepõem em parte. O circuito mais curto passa por todas as lagunas e percorre somente as partes mais baixas, já o circuito mais longo sobe às partes mais altas e tem seu ponto máximo no Cerro Cinchao, de 1359m de altitude. Há também um circuito ainda menor por uma estrada de rípio que pode ser percorrido de carro ou bicicleta. Para completar, há trilhas transversais que conectam em diversos pontos o circuito mais curto e a estrada de rípio e são marcadas no mapa como trilhas para bicicletas. Eu planejei passar dois dias na reserva (acampando dentro dela) e fazer cada um dos dois circuitos de trilha em um dia. Pensei em caminhar pelo circuito mais curto no primeiro dia e deixar o mais longo para o segundo dia, mas durante o percurso mudei de idéia pois o dia estava ensolarado e perfeito para subir às partes mais altas. A visão seria total. No dia seguinte talvez o dia não estivesse tão bonito, afinal estava na Patagônia e lá o tempo é uma incógnita. Laguna Verde 04/02/18 - 1º DIA - circuito do Cerro Cinchao Início e final: portaria da Reserva Nacional Coyhaique Duração: 7h15 Distância: 17,9km Maior altitude: 1359m Menor altitude: 386m Dificuldade: média (muita subida e muita descida) Saí do Hostal Natti e passei pela Plaza de Armas de Coyhaique às 9h43. Tomei a Rua Condell no sentido nordeste e ao final dela a Avenida General Baquedano à esquerda, sentido norte. Na saída da cidade ela se transforma na rodovia 240 e há um regimento do exército à esquerda com um tanque de guerra exposto na calçada. A estrada desce e encontra com a Carretera Austral (Rota 7) num trevo, onde vou para a direita e cruzo a ponte sobre o Rio Coyhaique. Ali diversos mochileiros esperam por carona para o norte. Sigo à direita numa bifurcação e encontro a placa da Reserva Nacional Coyhaique às 10h14, uns 370m depois da ponte. A seta aponta para uma estrada de rípio que sobe à direita. Uma outra placa com horários e preços avisa "camping no habilitado"... só faltava essa! A reserva está a 1500m segundo outra placa (no meu gps deu 1,6km) e é só subida até lá. Nessa estradinha de rípio há muitas casas, algumas muito bonitas, e há até um aviso de que há câmeras de segurança, talvez para ninguém querer acampar clandestinamente por ali. Cheguei enfim à portaria da reserva às 10h38 e os atenciosos guardaparques confirmaram o que eu temia... por causa de gente teimosa que insiste em fazer fogueira quando acampa não é mais permitido acampar dentro da reserva. O fogo é um medo constante na Patagônia e já causou enormes desastres ambientais, com em Torres del Paine em 2005 e 2011. Pelo menos eles permitiram que eu deixasse a mochila cargueira ali na guarderia para resgatá-la no final do dia, no máximo até 18h45. Paguei a entrada de CLP 3000 (R$ 16), peguei o folheto com mapa e informações sobre as trilhas, tirei algumas dúvidas e parti às 11h10 pelo Sendero Los Leñeros, no sentido leste-nordeste. Altitude de 386m. Cerro Cinchao No início da trilha as árvores estão identificadas por plaquinhas, mas só no início. A trilha tem pontes, passarelas, corrimãos, escadas, toda a estrutura. Às 11h40 cheguei ao primeiro mirante com vista para a cidade de Coyhaique e os cerros Mackay e Divisadero ao fundo. Fiquei 10min ali e subindo mais 4min cheguei à Casa Bruja, que seria o primeiro local de acampamento (o outro seria a Laguna Verde). Quando vi a estrutura montada ali, com quincho e ótimos banheiros, fiquei mais p da vida com essa gente que faz fogueira em local proibido. Por causa deles não se pode usufruir de tudo isso num lugar tão incrível. O Museu Histórico estava fechado também. A estrada de rípio passa ao lado e algumas pessoas chegam de carro ali. Sentei numa grande sombra para almoçar e então resolvi que era melhor subir o Cerro Cinchao nesse dia. Voltei a caminhar às 12h36 e a trilha muda de nome para Los Carreros. Subo mais e às 12h58 alcanço o segundo mirante, este já próximo à Laguna Verde. Dele se avista novamente Coyhaique e os cerros Mackay e Divisadero de forma mais panorâmica. A trilha desse mirante até a Laguna Verde toma o rumo norte e está adaptada para cadeirantes, mas tem apenas 330m (pode-se chegar à Laguna Verde pela estrada de rípio da reserva). Há uma trilha que contorna a Laguna Verde mas com a decisão de subir o Cerro Cinchao deixei-a para o dia seguinte. Parti direto para o Sendero Los Troperos, ainda na direção norte, deixando a Laguna Verde às 13h14. Em apenas 7min surge uma outra trilha à direita, o Sendero Las Piedras, e aí saio do circuito curto das lagunas e começo a subida para o circuito longo do Cerro Cinchao. A subida é puxada e avança em zigue-zague. Os mirantes proporcionam uma visão ainda mais ampla de Coyhaique e dos cerros Mackay e Divisadero. Às 14h03 passo por uma fonte de água e 10min depois saio do bosque de lengas, passando a caminhar por pedras. Às 14h17 a última fonte de água da subida. Reentro no bosque de troncos curvados devido à camada de terra mais rasa e às 14h23 saio do limite das árvores, passando a caminhar pela areia. Cerro Cinchao Às 14h27 atinjo o platô e a trilha se encaminha para noroeste, em direção ao Cerro Cinchao, com visão espetacular de 360º. Dia perfeito! Contorno o Cerro Cinchao pela direita (norte) e ao percorrer a sua face oeste resolvi tentar a subida. Havia outras pessoas por ali mas não vi ninguém subindo. Não vi trilha inicialmente mas depois encontrei pegadas. E a subida foi muito fácil! Às 15h23 estava no cume, de altitude 1359m. Na mata logo abaixo se destacam as lagunas Verde e Los Mallines. Fiquei até 15h41 e iniciei a longa descida de volta à portaria. Desci pela trilha de areia e pedras e às 16h10 reentrei no bosque. Inicialmente as lengas são baixas e curvas pelo solo raso. Há alguns mirantes nessa descida. Às 17h07 o Sendero Las Piedras termina no Sendero Los Tejueleros, onde as placas indicam Laguna Vênus à esquerda e Coyhaique à direita. Fui para a direita, passei por uma fonte de água (a primeira desde a subida do Sendero Las Piedras) e cheguei à Laguna Los Sapos às 17h37. Ali a trilha muda de nome para Sendero El Chucao (nome de um pássaro) e toma o rumo sul de vez. Há uma porteira e um final de estrada do lado esquerdo mas a trilha continua mesmo à direita. A descida continua, passo por mais uma fonte de água e às 18h26 alcanço a portaria do parque a tempo de resgatar a mochila. Descansei um pouco e iniciei a descida pela estrada às 19h09. Às 19h33 estava de volta ao asfalto da Carretera Austral (Rota 7), fui para a direita apenas 40m e entrei no Camping Alborada, onde acampei num espaçoso gramado. Altitude de 230m. Laguna Vênus 05/02/18 - 2º DIA - circuito das lagunas Início e final: portaria da Reserva Nacional Coyhaique Duração: 7h25 Distância: 15,1km (com as explorações extras que fiz) Maior altitude: 754m Menor altitude: 386m Dificuldade: fácil Desmontei a barraca e deixei a mochila cargueira com a dona do camping para pegar mais tarde. Saí às 8h14 só com a mochila de ataque com roupa de frio, roupa de chuva, lanche e água. Subi toda a estrada de novo até a portaria da reserva, aonde cheguei às 8h38. Os guardaparques eram outros. Paguei de novo a entrada de CLP 3000 (R$ 16) e iniciei a caminhada às 8h47 no sentido contrário ao do dia anterior, pelo Sendero El Chucao. Passei pelo primeiro ponto de água às 8h58 e cheguei à Laguna Los Sapos às 9h53. A trilha muda de nome para Sendero Los Tejueleros e passei por outra fonte de água. Às 10h34 aparece o final do Sendero Las Piedras e daí em diante o caminho era novidade para mim. Visitei a Laguna Vênus às 10h42 e a trilha muda de nome para Los Carboneros. Às 11h07, num cruzamento de trilhas vou em frente. Às 11h20 subo a plataforma de madeira do Mirador Los Mallines para fotos da lagoa de mesmo nome, pequena e distante. Apenas 60m adiante alcanço uma bifurcação: em frente a trilha continua com o nome de Los Troperos, para a direita é um final de estradinha, marcado no mapa como trilha para bicicleta. Há uma fonte de água aí. Para esticar um pouco mais meu percurso vou para a direita e acabo me aproximando mais da Laguna Los Mallines. Essa estradinha encontra a estrada-circuito para carros e sigo para a direita. Mais um ponto de água. Com uns 630m nessa estrada principal entro noutra estradinha marcada como trilha de bicicleta à direita e retorno ao cruzamento por que passei às 11h07. Sigo em frente nesse cruzamento para conhecer outras trilhas. Pego a direita na bifurcação e vou em frente no cruzamento seguinte. Logo a trilha dá uma guinada para a direita, vai se tornando paralela ao Sendero Los Carboneros e acaba encontrando-o naquela confluência com a trilha Los Troperos (onde há água e um final de estradinha). Depois dessa exploração toda prossigo pela trilha Los Troperos às 13h24 e passo pela entrada da trilha Las Piedras, local conhecido no dia anterior. Chego à Laguna Verde às 13h53 e percorro o Sendero Laguna Verde, que dá uma volta completa na lagoa. Depois de um lanche, às 14h55, tomo a trilha adaptada a deficientes até o mirante e retorno à portaria descendo pelas trilhas Los Carreros e Los Leñeros, no sentido oposto ao do dia anterior. No caminho ainda saboreei cerejas diretamente do pé. Às 16h13 estou na portaria e logo pego a estradinha para descer ao camping. No caminho um carro para e me oferece carona. Poderia ter aproveitado essa gentileza até a cidade mas precisava pegar a mochila. Por sorte a dona do camping também estava saindo de carro e me deu carona até o centro de Coyhaique. Laguna Verde Informações adicionais: A entrada na reserva custa CLP 3000 (R$ 16). O camping está proibido há mais de um ano por conta dos campistas que não respeitam as regras e ainda insistem em fazer fogueira quando acampam. Por causa dessas pessoas ninguém mais pode usufruir da boa estrutura de camping que a reserva possui. O Camping Alborada é o mais próximo da reserva (1,6km de distância e 156m de desnível) e custa CLP 4500 (R$ 24) por pessoa por noite com banho quente. O grau de dificuldade que coloco nos relatos é uma avaliação pessoal e considera que o trilheiro esteja acostumado a caminhadas de vários dias com mochila cargueira. Para um iniciante considere todas as trilhas como difíceis. Para um iniciante que não esteja em boa forma física é melhor procurar trilhas fáceis de um dia para ganhar experiência e condicionamento. Rafael Santiago fevereiro/2018 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  2. Laguna La Vaca Hundida Início: portaria Pichares do Santuário El Cañi Final: povoado de Coilaco Duração: 2 dias Distância: 22,9km Maior altitude: 1549m Menor altitude: 354m Dificuldade: fácil (para quem está acostumado a caminhadas de vários dias com mochila cargueira) A palavra cañi significa na língua dos mapuche "outro olho" ou "outra visão", ou num significado mais profundo "a visão que transforma". O Santuário El Cañi é um parque particular administrado pela Fundación Lahuén e foi criado em 1992 para proteger os bosques, lagunas e a biodiversidade de um local sagrado para a cultura mapuche-pehuenche. Situa-se na região da Araucanía, de número IX (as regiões no Chile têm nome e número romano), próximo à cidade de Pucón. 13/03/18 - 1º DIA - da portaria Pichares à Laguna Negra e subida ao Mirador Melidekiñ Duração: 4h à Laguna Negra + 46min ida e volta ao Mirador Melidekiñ + 1h15 do Circuito de las Lagunas Distância: 7,8km à Laguna Negra + 1,9km ida e volta ao Mirador Melidekiñ + 2,1km do Circuito de las Lagunas Maior altitude: 1549m Menor altitude: 354m Dificuldade: fácil (apesar do desnível de 1195m da portaria ao mirador não há nenhuma dificuldade) No terminal de ônibus Pullman em Pucón tomei o micro-ônibus das 8h50 para El Cañi, que saiu de verdade às 9h (ver horários abaixo em Informações Adicionais). Esse ônibus vai para diversas termas próximas à cidade e eu saltei na portaria do Santuário El Cañi às 9h28. Altitude de 354m. Ali fica a administração da reserva. Fui recebido pelos atenciosos guias/guardaparques que me passaram todas as informações sobre a travessia a Coilaco, caminhada que pouca gente faz. A grande maioria dos visitantes se limita a um bate-volta dessa portaria ao Mirador Melidekiñ. Eu não iria desperdiçar um contato maior com um lugar tão bonito, então fui com barraca e comida para passar uma noite ali e curtir a natureza ao máximo (acabei passando duas noites por causa do mau tempo, mas isso estava previsto). Vista do Mirador Melidekiñ para as lagunas Negra (dir) e Bella (esq) Na portaria paguei a tarifa de entrada de CLP 4000 (R$ 21) e de camping de CLP 3000 (R$ 16) por noite e recebi um folheto com mapa bastante detalhado e informações de fauna e flora. Esse folheto descreve 9 pontos de observação e é bastante interessante parar em cada um e ler o respectivo texto. Saí às 9h50. A caminhada começa por uma estrada de terra que passa logo atrás da administração, indo para a esquerda. Percorri esse trecho parando muitas vezes para saborear as amoras maduras que dão em arbustos espinhentos. Às 10h20 encontrei o estacionamento da reserva à esquerda e um caminho largo que sai à direita com uma seta. A sinalização aqui merece uma nota: é toda feita com placas de madeira com símbolos em lugar de palavras. A localização e explicação de cada símbolo estão no folheto. As setas são feitas de pedaços de bambu. O caminho largo da direita sobe e passa por uma guarita, que estava vazia. Subindo mais uns 4 minutos (desde a guarita) encontrei água e parei para um lanche. Voltei a caminhar às 10h47 e a subida é constante. Às 10h53 passei pelo Camping La Loma mas não vi ninguém. Uma torneira ali fornece água. Às 11h12 uma bifurcação com símbolos e setas de bambu: a caminhada continua para a esquerda, mas à direita vale a pena ir até o Mirador Kutralko (a apenas 25m) e ler o que o folheto do parque explica sobre a história da comunidade de Pichares. A visão é para o vale do Rio Liucura a oeste. Voltando à trilha principal, apenas 3min à frente vi o símbolo de água (uma gota azul) e entrei na mata para ver uma pequena e singela cachoeira. Às 11h49 alcancei o Mirador Mamüll, com vista também para o vale do Rio Liucura a oeste, além do Lago Caburgua a norte-noroeste. As rosas-mosquetas já perderam suas flores e estão com frutos crescidos porém ainda verdes. É uma planta muito abundante no Chile. Às 12h09, ainda subindo pelo caminho largo, cheguei ao Refúgio Aserradero (serraria, em espanhol). Ali há um quincho, uma construção de madeira bem grande com espaço para fazer fogo dentro. Neste havia uma plataforma elevada onde se pode pernoitar. Também se pode acampar nesta área e havia uma barraca apenas. Uma construção de madeira elevada mais abaixo deve ser o banheiro. Vulcão Villarrica Continuei a caminhada às 12h19 e o caminho largo se converte em trilha em meio a um bosque muito bonito. Às 12h49 passei pela Estação Silêncio. A leitura do folheto para este local convida a "tomar um minuto e escutar a vida destes bosques" repletos de grandes coigües e habitat de pássaros como o carpintero (pica-pau da Patagônia). Realmente vale a pena parar um pouco, ficar em silêncio e se integrar a essa natureza tão acolhedora. Às 13h02 cheguei à primeira das muitas lagunas, a Laguna Seca ou Laguna Las Totoras. Como os nomes já dizem, há muito mais capim (totora) do que água. E infelizmente há vacas pastando. Às 13h23 encontro uma bifurcação e vou para a esquerda (à direita é um dos caminhos para Coilaco, mas tomaria outro no dia seguinte que encontra esta trilha 1,1km adentro). Às 13h29 chego ao local denominado Pewen, território das lindas araucárias, árvore sagrada para os mapuche-pehuenche, que tinham o pinhão como base de sua alimentação. Para esses povos é importante pedir permissão às araucárias para entrar no bosque. Além dessas árvores quem me dá as boas-vindas é uma raposinha moradora do local. Às 13h47 alcanço enfim a Laguna Negra e sua área de acampamento. Antes de subir ao mirante já reservei o melhor lugar, um gramado plano e espaçoso perfeito para essa noite. Montei a barraca, fiz rapidamente uma mochila de ataque com roupa de frio, de chuva, lanche, água e comecei a subir ao mirante às 14h14. Muitos zigue-zagues para amenizar a inclinação e atinjo o Mirador Melidekiñ às 14h37. Visão espetacular, dia maravilhoso. Além de todos os lagos da reserva, do Lago Villarrica, do Lago Caburgua e das cidades de Pucón e Villarrica, o folheto me informa que vulcões avisto lá de cima: Villarrica a sudoeste, Quetrupillan ao sul, Lanin a sudeste e Llaima ao norte. Havia bastante gente no mirante, estava meio congestionado até... rs. Mas o pessoal do bate-volta logo começou a descer e restaram poucas pessoas admirando o lugar com mais calma. Uma brasileira apareceu por lá mas desceu logo também. Altitude de 1549m, desnível de 1195m desde a portaria. Iniciei a descida às 16h16 e havia várias pessoas subindo ainda ao mirante. Às 16h42 estava de volta à barraca e parti para o Circuito de las Lagunas, de 2,1km de extensão. Fiz no sentido horário, como sugerem as placas do caminho. Pela ordem passei pelas lagunas El Risco, La Vaca Hundida (a vaca afundada), Escondida e Bella. Completei o circuito todo em 1h10 tranquilamente. Todas lagunas muito bonitas em meio a bosques deliciosos de se caminhar. No mapinha do parque esse acampamento da Laguna Negra possui banheiros mas na realidade não há. Vi a base do que pode ter sido uma cabana ou um banheiro, mas não resta mais nada. Água se pode coletar da laguna (e tratar) ou de um fio d'água que corre ao lado do acampamento. Nessa noite havia mais 3 barracas e todas montadas na pura terra úmida para sujar bastante. Altitude de 1334m. Vista do Mirador Melidekiñ 14/03/18 - dia inteiro de chuva, granizo, ventos, neblina e muito frio. Saí da barraca após as 17h e os meus vizinhos haviam ido embora. Desmontaram acampamento embaixo de chuva e desceram com aquele tempo horrível. 15/03/18 - 2º DIA - da Laguna Negra a Coilaco Duração: 3h20 Distância: 11,1km Maior altitude: 1451m Menor altitude: 660m Dificuldade: fácil A temperatura mínima da noite foi 0,2ºC, mas saiu o sol como previu o site www.yr.no (os outros erraram). Logo cedo subi ao mirante de novo e consegui fotos bem melhores pois pela manhã o céu é muito mais limpo, à tarde as nuvens começam a se acumular. Na volta desmontei acampamento e comecei a caminhar às 13h28. O plano era atravessar o parque e sair por Coilaco, uma localidade ao sul da reserva onde há ônibus para voltar a Pucón. Água nesse dia só a das lagunas mesmo. Refiz uma parte do Circuito de las Lagunas porém no sentido anti-horário para alcançar mais rapidamente a saída para Coilaco a partir de uma bifurcação explorada no dia anterior. Essa bifurcação fica junto à Laguna Escondida. Ali tomei a direita, passei pela laguna e enfrentei uma longa subida. Na descida seguinte me vi entre dois lagos e tomei a trilha da direita na bifurcação às 14h27. Essas são as Lagunas Las Mellizas (última água do dia). Ao contornar uma delas surge uma bifurcação. Meu caminho é à direita mas subo à esquerda para visitar a Laguna del Cráter (cratera), porém chegando lá só se avista a laguna bem do alto, não encontrei trilha para descer a ela. Voltei à trilha principal, subi alguns poucos metros e atingi o ponto mais alto, daí em diante só descida pela mata. Às 15h02 saio da mata e encontro uma grande clareira com a Laguna El Carpintero, na realidade uma depressão sem uma gota d'água. A trilha continua reentrando na mata ao sul, logo à esquerda do local da chegada à laguna (há uma placa de madeira "Laguna Carpintero" sinalizando a trilha). Com 25m alcanço a trilha principal que vem daquela bifurcação citada no primeiro dia (entre a Laguna Seca e Pewen). Vulcão Lanin na fronteira com a Argentina Às 15h36 pulo uma porteira com cadeado e saio da reserva. Placas dão as boas-vindas a quem faz o caminho contrário e indicam que ali é a Entrada Coilaco. Mas não há guarita ou casa por perto para cobrar a entrada de quem chega. O caminho se alarga e vai se tornando uma estradinha à medida que sai do bosque. Sigo sempre descendo pela principal. Passo por pilhas de madeira extraída da mata, plantações cercadas e às 16h08 me deparo com um portão de ferro com cadeado, ao lado outro portão de ferro destrancado por onde pude passar. Cerca de 50m adiante entroncou uma outra estradinha à direita, fui para a esquerda. Cruzei uma porteira de arame bem no meio da estrada. A essa altura já estava caminhando bem rápido pois o ônibus saía de Coilaco às 17h e o caminho era mais longo do que eu previa. Consegui chegar à estrada de Coilaco às 17h em ponto, mas não havia ninguém para perguntar se o ônibus já havia passado (e era o último do dia). Altitude de 660m. Sentei para descansar e comecei a pedir carona para os poucos carros que passavam. Até que um sitiante parou a camionete e me deu carona até o asfalto entre Vila San Pedro e Pichares. Cruzamos com o ônibus ainda indo em direção a Coilaco, estava bem atrasado. Mas o sitiante me confirmou que esse ônibus é irregular, nem sempre passa nos horários marcados na tabela do terminal de Pucón. No local onde ele me deixou há ônibus mais frequentes, esperei cerca de 20 minutos me fartando com as amoras silvestres em pencas bem ao lado do ponto. Informações adicionais: Os horários de ônibus entre Pucón e El Cañi são: . saindo do Terminal Rural situado à Rua Uruguay, em frente ao Terminal JAC: Pucón-El Cañi-termas: seg a sáb - 7h, 10h30, 13h30, 15h40, 17h30 dom e feriado - 10h30, 13h30, 15h40, 17h30 termas-El Cañi-Pucón: seg a sáb - 8h10, 11h30, 14h30, 16h30, 18h30 dom e feriado - 11h30, 14h30, 16h30, 18h30 . saindo do Terminal Pullman situado à Rua Palguin: Pucón-El Cañi-termas: seg a sáb - 8h15, 8h50, 10h, 12h30, 14h30, 15h30, 17h, 18h30, 20h20 dom e feriado - 8h15, 10h, 12h30, 15h30, 19h termas-El Cañi-Pucón: seg a sáb - 9h10, 9h30, 11h, 13h30, 15h30, 17h, 19h30 dom e feriado - 9h10, 11h, 13h30, 17h Tarifa de CLP 1000 (R$ 5,35) Horários de ônibus entre Pucón e Coilaco (ônibus irregular segundo informaram, melhor confirmar com alguém do terminal ou algum motorista se o ônibus vai sair mesmo): Pucón-Coilaco: 11h30, 16h15, 18h45 Coilaco-Pucón: 7h, 12h30, 17h A entrada na reserva custa CLP 4000 (R$ 21) e o camping custa CLP 3000 (R$ 16) por pessoa por noite. Os locais permitidos para camping são Refúgio Aserradero e Laguna Negra. Para saber mais: www.santuariocani.cl O grau de dificuldade que coloco nos relatos é uma avaliação pessoal e considera que o trilheiro esteja acostumado a caminhadas de vários dias com mochila cargueira. Para um iniciante considere todas as trilhas como difíceis. Para um iniciante que não esteja em boa forma física é melhor procurar trilhas fáceis de um dia para ganhar experiência e condicionamento. Rafael Santiago março/2018 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  3. Laguna sem nome com o Cerro Tamanguito ao fundo Início e final: portaria da Reserva Nacional Tamango Duração: 4 dias Distância: 50,7km (incluída a subida ao Cerro Tamanguito) Maior altitude: 1501m no Cerro Tamanguito Menor altitude: 165m Dificuldade: fácil (para quem está acostumado a caminhadas de vários dias com mochila cargueira) A Reserva Nacional Tamango fica próxima à cidade de Cochrane e é um dos refúgios do huemul, cervo andino ameaçado de extinção. Situa-se na Patagônia chilena, mais exatamente na região de Aysén, de número XI (as regiões no Chile têm nome e número romano). É administrada pela Conaf, órgão florestal oficial do Chile. A Conaf mantém as trilhas, a sinalização e eventualmente fecha algumas delas se há incêndio florestal ou alto risco de haver algum. O Parque Patagônia faz parte do projeto do casal americano Douglas e Kristine Tompkins de adquirir grandes extensões de terras no Chile (e Argentina), transformá-los em parque particular e posteriormente doá-los ao Estado. Douglas Tompkins foi fundador da marca The North Face e faleceu enquanto remava no Lago General Carrera em 2015, mas Kristine continua com o projeto, que já gerou bastante polêmica no Chile. Os opositores, entre outras coisas, acusavam-nos de se apropriar de importantes reservas de água na Patagônia. Em janeiro deste ano (2018) Kristine Tompkins e a então presidente do Chile, Michelle Bachelet, assinaram a doação das terras do Parque Patagônia (e do Parque Pumalín) ao governo chileno. Com a união à Reserva Nacional Tamango ao sul e à Reserva Nacional Lago Jeinimeni ao norte, será criado um novo Parque Patagônia, um dos maiores das Américas. Laguna Cangrejo com o Cerro Tamanguito ao fundo 16/01/18 - 1º DIA - da portaria da Reserva Nacional Tamango à Laguna Cangrejo (ou quase) Duração: 4h50 Distância: 7,2km Maior altitude: 1028m Menor altitude: 172m Dificuldade: fácil (apesar do desnível de 856m não há nenhuma dificuldade) Saí da Plaza de Armas de Cochrane às 8h42 pela Rua Teniente Merino na direção leste. Uma quadra depois dobrei à esquerda na Rua Rio Colônia/Luis Baez. Entrei na segunda à direita, Rua Vicente Previske. Passei em frente ao mercado municipal e continuei por essa rua, que fez uma curva à esquerda e outra à direita. Na bifurcação sinalizada com "Embarcadero" à esquerda e "Lago Cochrane" à direita fui à esquerda. Uns 150m depois entrei na estradinha de rípio à esquerda, abandonando o asfalto. Segui primeiro as placas de Embarcadero porque a placa de Reserva Nacional Tamango só apareceu bem depois. Continuei sempre pela estradinha principal, às 9h26 cruzei o portão da reserva com placa de boas-vindas e 4 minutos depois estava na guarderia. Distância da Plaza de Armas até a guarderia: 3,8km. Altitude de 172m. Ali assinei uma declaração de ingresso especificando que trilhas iria percorrer e meu tempo de estadia. Paguei a taxa de entrada de CLP 5000 (R$ 27) mas meus campings seriam todos selvagens (gratuitos). O guardaparque me passou as orientações com base no mapa topográfico. Não há mapa para entregar aos visitantes, é preciso fotografar os mapas que eles têm ali. Às 10h06 comecei a caminhada entrando no Sendero Las Águilas (de nº 1), bem em frente à guarderia. E já começa com uma boa subida que logo amplia a visão para o Rio Cochrane, tão largo a leste da guarderia que parece um lago. Quando a visão se abre mais para oeste já se distingue a cidade de Cochrane com montanhas ao fundo. A direção geral nesse primeiro dia é noroeste e depois norte, com variações. Na mata de árvores baixas em que caminho vão aparecendo as rosas-mosquetas com suas flores chamativas e perfumadas. Ao atingir o ponto mais alto às 11h20 tenho à frente um vale e outra montanha a subir. Laguna sem nome na Reserva Nacional Tamango Na descida, às 11h33 esbarro numa estradinha. O 1-Sendero Las Águilas continua à esquerda. À direita é o 5-Sendero Los Huemules. Fui para a esquerda e com 40m encontro uma grande cabana à direita. A estradinha continua e logo sai da reserva em direção a Cochrane. A trilha 6-Sendero Las Lengas, que quero tomar, começa atrás da cabana. Ali é o Refúgio El Húngaro e havia na porta um aviso de "peligro - presencia de roedores" para alertar sobre o risco do contágio por hantavírus. O hantavírus é altamente mortal e há cartazes sobre o seu risco e prevenção por todo o sul do Chile. É transmitido pela urina e fezes dos roedores que se alojam em casas e galpões que ficam fechados por muito tempo. A recomendação é nunca dormir dentro de lugares fechados pelo risco de inalar o ar contaminado pelos dejetos com o vírus. Por isso não se deve trocar nunca a barraca por refúgios, casas e galpões fechados no meio da mata. Entrei no 6-Sendero Las Lengas às 12h02 e me deliciei com os calafates que ia encontrando pelo caminho, mas tomando cuidado com os espinhos que ferem os dedos. A subida continuou e resolvi parar para almoçar às 12h44. Olhei para trás e vi que vinha a maior chuva. Comi, vesti a roupa impermeável e continuei a subir às 13h32. Mais acima pude avistar Cochrane a partir de dois mirantes, mas a chuva foi piorando e no alto havia também vento frio e neblina. Cheguei a uma laguna sem nome às 14h57 e aquele lugar tão bonito era um cenário fantasmagórico. Fui até a Laguna Cangrejo (ou Tamanguito), 12min adiante, e ali o vento era ainda mais forte. Apesar de ter muitas horas de luz resolvi parar pois estava perdendo muito da linda paisagem daquele lugar. E eu fui lá para apreciar e fotografar, não para caminhar feito um louco e não ver beleza nenhuma. Voltei à laguna sem nome pois era mais protegida do vento. Acampei num gramadinho plano a poucos metros da margem. Mais tarde a chuvarada passou, o tempo melhorou e saiu um belo sol. Estamos mesmo na Patagônia! E então a beleza daquele lugar se revelou por inteiro. Dali podia avistar o Cerro Tamango com muitas manchas de neve. Não encontrei água corrente nesse dia, só a água das lagunas. O sol se pôs às 21h40. Altitude de 1002m. Vale Chacabuco 17/01/18 - 2º DIA - da Laguna Cangrejo às lagunas altas do Parque Patagônia Duração: 6h30 Distância: 11,6km Maior altitude: 1284m Menor altitude: 979m Dificuldade: fácil A temperatura mínima da noite foi -2,6ºC. Choveu pela manhã, mas depois melhorou e o sol saiu de novo. Desmontei a barraca só depois da chuva e acabei saindo só às 14h14. Direção norte. Às 14h30 estava de volta à Laguna Cangrejo (ou Tamanguito), agora exibindo toda sua beleza. Era o final do 6-Sendero Las Lengas e eu tinha uma bifurcação à frente: à direita o 7-Sendero Los Valles e à esquerda o 9-Sendero Los Condores. O 7-Sendero Los Valles será meu caminho de volta à portaria no último dia. Nesse momento fui para a esquerda parando muitas vezes para fotos da linda laguna. Contornei toda ela de sul a norte pelo lado oeste passando às 15h10 por uma mesa com bancos de madeira e espaço para acampar. Às 15h20 cheguei ao camping oficial pois havia um grande gramado com duas latrinas caindo aos pedaços, sem condições de uso pela sujeira e quantidade de moscas. A continuação da trilha ali no gramado não é muito clara mas um pau fincado me deu a direção. Caminhei junto aos arbustos e encontrei a trilha, que logo começa a subir e entra no bosque. A direção geral continua norte e depois noroeste. Três boas fontes de água havia nesse bosque, primeira água corrente desde o início da caminhada ontem. Às 16h20 saí definitivamente do bosque e continuei subindo por trilha entre pedras e capim. Havia alcançado o limite das árvores, a 1180m de altitude. Passei a seguir a sinalização com estacas laranja. Às 16h40 alcancei um bonito lago com o Cerro Tamango ao fundo. Tive de me abrigar do vento forte e frio para vestir a roupa impermeável, que também serve como ótimo corta-vento. Larguei ali a mochila, contornei a margem sul do lago e subi um pouco a um mirante para o Cerro Tamango, que também tem uma laguna a seus pés. A subida do cerro me pareceu bem demorada e não vi trilha marcada, pouca gente deve subir. Como estava bem atrasado no meu cronograma não tentei. Guanaco Voltei ao lago, peguei a mochila, cruzei um riacho ao lado dela às 18h06 (última água corrente do dia) e segui inicialmente no rumo norte, logo quebrando para nordeste. Caminhava agora por um ambiente e paisagem completamente diferentes do que caminhei até o limite das árvores. Antes eram bosques e muita vegetação, agora um panorama de colinas nuas, pedras e um pouco de capim. Às 18h19 uma surpresa: a paisagem se abre para um imenso vale ao norte com uma longa serra ao fundo. É o Vale Chacabuco, onde se localiza a sede do Parque Patagônia. A trilha continua para nordeste cortando as altas encostas cada vez mais íngremes. Atravessei uma área mais crítica, com muitas pedras que rolaram, torcendo para não rolar mais nenhuma naquele exato momento. Às 18h48 passei pelo início da subida do Cerro Tamanguito, mas ainda não sabia que seria exatamente ali, não há nenhuma sinalização. Tentaria essa subida na volta. Às 19h06, sem perceber pois não há nenhuma indicação, passo a caminhar pelo Sendero Lagunas Altas do Parque Patagônia. Mal notei que chegava uma trilha à minha esquerda. Notei mesmo a linda laguna abaixo e os guanacos que pastavam bem perto. Apareceu uma marcação "7k" feita em pedra, num padrão bem diferente da sinalização da Reserva Tamango. A partir daí e por algum tempo caminho pela beirada dessa serra e avisto lá embaixo no vale a sede do Parque Patagônia. Também o camping West Winds com várias barracas. Surge uma parede pequena para escalaminhar, depois outra, e após essa segunda há uma guinada para a direita fácil de passar batido pois o caminho em frente está bastante pisado. Nessa guinada para a direita às 19h43 a trilha sobe um pouco e depois desce bastante, passando por um lago à direita e depois contornando a margem sul da Laguna Norita. Aqui o ambiente já mudou de novo e caminho por bosques de lengas. Passo por mais dois lagos à esquerda e às 20h43 surge o último lago à direita. Último porque ele está na borda da serra. Depois dele a serra despenca para o imenso vale. E a panorâmica é espetacular, 180º de pura beleza. Há um gramado plano perfeito para acampar próximo a essa última laguna. Altitude de 996m. Laguna sem nome no Parque Patagônia 18/01/18 - 3º DIA - das lagunas altas do Parque Patagônia à Laguna Cangrejo com subida do Cerro Tamanguito (Dados abaixo já descontada a exploração da trilha alternativa de retorno à guarderia) Duração: 3h50 (mais 1h07 ida e volta ao Cerro Tamanguito) Distância: 9,7km (mais 1,8km ida e volta ao Cerro Tamanguito) Maior altitude: 1501m no Cerro Tamanguito Menor altitude: 982m Dificuldade: fácil A temperatura mínima da noite foi 5,2ºC, bem mais "quente" que a noite anterior. Para esse dia eu cheguei a pensar em descer até a sede do Parque Patagônia, visitar e em seguida subir de volta à laguna dos guanacos para fechar o circuito do Sendero Lagunas Altas. Mas no caminho vi que isso demandaria mais tempo do que eu dispunha, então desci apenas até um ponto onde exploraria uma trilha alternativa de retorno à guarderia passando pelo Lago Cochrane. Levantei acampamento às 10h49 e contornei a laguna desde a margem oeste até a leste pelo lado norte. Continuei pela trilha que sai da margem sul, desci e subi a um mirante que vale muito a pena visitar pois proporciona visão das lagunas altas e ainda dos cerros Tamango e Tamanguito. Desci para o outro lado (leste) e passei por outro lago às 11h45. Junto a ele há uma ponte e água corrente. A descida foi se acentuando, saio do bosque e cruzo mais dois riachos com ponte. Um pouco antes e um pouco depois dessas pontes procurei a tal trilha alternativa de retorno à guarderia passando pelo Lago Cochrane, mas não encontrei. Fui até próximo da marcação "16k". Lagunas altas do Parque Patagônia A sede do Parque Patagônia estava muito abaixo ainda. Se eu descesse tudo para subir de volta à laguna dos guanacos atrasaria meu retorno à cidade no dia seguinte, então resolvi voltar pelo mesmo caminho do dia anterior até a Laguna Cangrejo (ou Tamanguito) e acampar lá. Iniciei o retorno às 12h53, subindo. Ao reentrar no bosque cruzei com as primeiras pessoas nessa caminhada: três casais que estavam hospedados/acampados no Vale Chacabuco. Na passagem pela laguna com ponte parei para almoçar. Às 15h09 estava de volta à laguna onde acampei e em vez de contorná-la pelo norte busquei um caminho mais rápido pela margem sul. Uma vez na trilha principal fui para a esquerda (sul) às 15h27. Passei por quatro lagos já conhecidos e subi ao local onde é fácil passar batido. Ali desci à esquerda a primeira parede, depois a segunda parede, subi e desci à bifurcação da laguna dos guanacos às 17h25. Fui para a esquerda subindo. Estudei por onde seria a subida ao Cerro Tamanguito. Às 17h45 resolvi subir à esquerda mesmo sem trilha ou sinalização. Parecia ser o caminho mais direto e rápido, se não desse certo iria tentar subir em zigue-zague. Deixei a mochila no começo da subida. Não havia trilha realmente mas a subida não teve nenhuma dificuldade além das pedras soltas. No alto reencontrei os guanacos. De onde eles estavam já era possível ver as lagunas Cangrejo e Elefantita, mas o cume estava mais acima, à direita. Mais pedra solta e cheguei ao cume às 18h14. Altitude de 1501m e visão 360º dos dois parques, com as lagunas da reserva ao sul e sudeste, o Cerro Tamango a oeste, o Vale Chacabuco ao norte e as lagunas altas a nordeste. Foi mais fácil e rápido do que eu pensava e valeu muito a pena! Às 18h52 estava de volta à trilha principal, passei pela área de desmoronamento rapidamente e deixei a visão do Vale Chacabuco para trás ao descer pela trilha 9-Sendero Los Condores para a Laguna Cangrejo, aonde cheguei às 20h26. Na descida pelo bosque há três riachos para pegar água boa, como já mencionei. Acampei bem na chegada à laguna, no gramadão onde estão as latrinas (mas bem longe delas!). Altitude de 985m. Laguna sem nome no Parque Patagônia 19/01/18 - 4º DIA - da Laguna Cangrejo à portaria da Reserva Nacional Tamango com vista para o Lago Cochrane Duração: 8h30 Distância: 20,4km Maior altitude: 998m Menor altitude: 165m Dificuldade: fácil A temperatura mínima da noite foi 1,9ºC. Amanheceu um dia lindo. Comecei a caminhar às 9h47 contornando a Laguna Cangrejo pela margem oeste até o encontro das trilhas 6-Sendero Las Lengas (dir) e 7-Sendero Los Valles (esq). Eu cheguei ali no primeiro dia pela trilha 6-Las Lengas e agora desceria de volta à guarderia pelas trilhas 7-Los Valles, 8-Los Pumas, 5-Los Huemules, 10-Los Ñirres e 2-Los Carpinteros, num trajeto bem mais longo do que no primeiro dia. O dia estava perfeito para fotografar a Laguna Cangrejo com os cerros Tamango e Tamanguito ao fundo. Logo depois dela passei por outra laguna à minha esquerda, bem menor que a Cangrejo. Às 11h18 atravessei uma área plana um pouco alagada mas sem afundar a bota. Às 11h30 avisto a Laguna Elefantita e 8 minutos depois caminho por uma praia de pedrinhas às suas margens. Me afasto dessa laguna caminhando em meio às árvores mas menos de 10min depois a reencontro por sua outra ponta já que ela tem um formato aproximado de ferradura. Às 12h16 a trilha muda de nome de 7-Sendero Los Valles para 8-Sendero Los Pumas. Às 12h42 a paisagem se abre para vales e montanhas mais distantes a leste. A trilha corta uma encosta íngreme e bem abaixo à esquerda visualizo uma cachoeira, mas a descida até ela é arriscada pela inclinação. Mas logo à frente, quando a paisagem se abre mais e já vejo o Lago Cochrane, encontro um caminho mais seguro para descer à cachoeira (sem trilha). De volta à trilha principal é hora de fotografar o Lago Cochrane, enorme, de águas azuladas e salpicado de ilhas e ilhotas. Daí em diante a trilha vai descer constantemente em direção ao lago. Mas logo no início da descida aparecem outras cachoeiras à esquerda, uma delas muito alta, despencando de um paredão. Cerro Tamango visto do cume do Cerro Tamanguito A descida em direção ao lago continua e às 14h48 tenho uma bifurcação e o final da trilha 8-Sendero Los Pumas. À esquerda está a trilha 4-Sendero Los Ciruelillos e à direita 5-Sendero Los Huemules, que se dirige ao Refúgio El Húngaro, por onde passei no primeiro dia. Eu podia tomar qualquer um dos dois para voltar à guarderia. A diferença é que o primeiro desceria diretamente às margens do Lago Cochrane e o segundo se manteria na parte mais alta. Optei pelo segundo pela paisagem que me proporcionaria. Nessa bifurcação existia um refúgio segundo os relatos que li, mas encontrei apenas um espaço plano e limpo onde ele devia ficar. Continuando pela trilha 5-Los Huemules não me arrepndi da escolha (nem podia!) pois a paisagem do Lago Cochrane lá de cima é espetacular. Mais abaixo passo a ver o Rio Cochrane, desaguadouro do lago e que corre espremido entre altas paredes. Desde a bifurcação do antigo refúgio passei por duas fontes de água e às 16h28 a trilha vira um caminho duplo, uma estradinha. Nela, às 16h37, encontro uma placa à esquerda sinalizando a entrada da trilha 10-Sendero Los Ñirres. A trilha/estradinha 5-Los Huemules, como disse, continua até o Refúgio El Húngaro, mas eu optei por descer à guarderia pela trilha 10-Los Ñirres para conhecer outros caminhos. Entrei portanto à esquerda, passei por uma fonte de água e logo a trilha passou a descer bem forte. Às 17h32 a trilha 10-Sendero Los Ñirres desemboca na trilha 2-Sendero Los Carpinteros, a qual segui para a direita. Essa trilha é bem acidentada, cheia de sobes e desces, e tem inclusive escadarias de madeira com corrimão. Às 18h12 alcanço a área de camping pago da reserva, um lugar bastante agradável, com um grande gramado e até cabanas abertas onde o pessoal arma a barraca de maneira mais protegida. A trilha se converte numa estradinha e com mais 500m chego à guarderia, às 18h21. Altitude de 172m. Dei aviso aos guardaparques da minha saída e descansei um pouco pois a caminhada foi bem longa. Na parede li um informativo do parque dando as recomendações do que fazer em caso de encontrar um puma ou um huemul. Felizmente eu não dei de cara com nenhum puma mas o huemul eu queria muito ter visto já que é um bicho manso e a população é cada vez menor. Às 18h53, com pouca chance de carona, enfrentei a estrada para Cochrane. Às 19h40 estava de volta à Plaza de Armas. Altitude de 149m. Lago Cochrane Informações adicionais: A entrada na reserva custa CLP 5000 (R$27) mas os campings nas lagunas são gratuitos (camping selvagem ou com WCs inutilizáveis). Há um camping pago a 500m da guarderia. Ali foi o único lugar que encontrei guardaparque. Para quem quiser saber mais sobre as trilhas da reserva antes de partir para a caminhada há em Cochrane um escritório da Conaf que fornece todas as informações. Fica na Rua Rio Neff esquina com Doctor Steffens. Em Cochrane há pelo menos quatro mercados para compra dos mantimentos para a caminhada. Cartucho de gás não procurei mas deve haver. Há muitos hostais e também campings. O grau de dificuldade que coloco nos relatos é uma avaliação pessoal e considera que o trilheiro esteja acostumado a caminhadas de vários dias com mochila cargueira. Para um iniciante considere todas as trilhas como difíceis. Para um iniciante que não esteja em boa forma física é melhor procurar trilhas fáceis de um dia para ganhar experiência e condicionamento. Rafael Santiago janeiro/2018 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  4. Laguna Cerro Castillo Início: Las Horquetas Grandes Final: Vila Cerro Castillo Duração: 4 dias Distância: 52,2km (mais 3,5km ida e volta ao Glaciar Peñón e 4,9km ida e volta à Laguna Duff) Maior altitude: 1694m Menor altitude: 311m Dificuldade: alta (o percurso é longo e há várias subidas e descidas por pedras soltas) A travessia do Parque Nacional Cerro Castillo é uma das caminhadas mais bonitas do Chile e está se tornando bastante popular entre chilenos e estrangeiros. Não só pelo incrível cenário que percorre mas também por ser uma travessia sem dificuldade técnica desde que feita no verão, quando a quantidade de neve é bem pequena, restrita ao Passo Peñón normalmente. Outro ponto a favor é a abundância de água em todo o percurso, não necessitando ter muita água pesando na mochila. E ainda pode ter seu trajeto encurtado para três dias se o aventureiro não dispuser de quatro dias. Claro que isso significa sacrificar algum local de grande beleza, como a Laguna Duff. Essa travessia é uma das 31 caminhadas descritas no guia Trekking in the Patagonian Andes da editora Lonely Planet, a bíblia do trekking na Patagônia chilena e argentina (bem como em regiões um pouco mais ao norte). No caso de Cerro Castillo a região é Aysén, de número XI (as regiões no Chile têm nome e número em romano). O leitor pode estranhar alguns horários tardios de saída e chegada aos locais de acampamento que coloquei nesse relato, mas é bom lembrar que eu estava na Patagônia em final de janeiro, quando o sol nasce às 6h40 e se põe às 21h20, portanto em nenhum dia caminhei no escuro. Estero Las Mulas 30/01/18 - 1º DIA - de Las Horquetas Grandes à entrada oficial do parque Duração: 5h20 Distância: 13,6km Maior altitude: 928m Menor altitude: 768m Dificuldade: fácil Saí do hostal em Vila Cerro Castillo às 11h50 e fui para a Carretera Austral (Rota 7) esperar um ônibus que subisse a rodovia em direção a Coyhaique ou Puerto Ibáñez e me deixasse em Las Horquetas Grandes. Saí tarde assim porque me disseram que haveria um ônibus por volta de meio-dia, antes disso só muito cedo, lá pelas 7h. Na verdade tive muita informação errada sobre horários de ônibus em Vila Cerro Castillo, só depois do trekking é que encontrei o posto de informação turística aberto e a moça me mostrou uma tabela com todos os horários (ver horários abaixo em Informações Adicionais). Às 12h em ponto passou um micro-ônibus da empresa Acuario 13 e todos os mochileiros do ponto subiram nele, inclusive os que estavam desde cedo "haciendo dedo" (pedindo carona) na estrada. O asfalto da Carretera Austral atualmente termina em Vila Cerro Castillo, portanto subimos rapidamente pela estrada em boas condições até o início da caminhada, em Las Horquetas Grandes, um lugar completamente desabitado. Saltei do coletivo às 12h57 junto com a moçada toda e entramos no caminho que fica à esquerda da rodovia, junto a uma placa do Sendero de Chile. Altitude de 791m. Sendero de Chile é um projeto que visa contribuir com a proteção da natureza do país através da criação/manutenção de trilhas e caminhos para que as pessoas possam conhecer e valorizar o patrimônio natural do Chile. Matéria em que o Brasil ainda está muito atrasado. A direção geral desse primeiro dia é para oeste e depois sudoeste, acompanhando principalmente o vale do Estero La Lima. Vale do Estero La Lima O caminho inicia como uma estrada de rípio, logo cruza uma porteira e depois o Estero Las Mulas através de uma ponte de troncos. O Estero Las Mulas logo deságua no Rio Blanco e o caminho segue pelo vale deste rio. Às 13h22, junto a uma segunda porteira, fica uma casinha de madeira onde o guardaparque cobra a entrada de CLP 5000 (R$27) mediante a assinatura de um termo de responsabilidade pela realização da travessia. A estradinha continua e logo sobe em direção a uma cerca de madeira e um bosque. A visão do vale do Rio Blanco se amplia e ao fundo da cerca se podem ver algumas casas e galpões. Esse primeiro dia de caminhada é todo feito por dentro de propriedades particulares, com criação de gado e várias porteiras. A trilha entra no bosque de lengas às 13h49 e se dirige ao vale de outro rio, o Estero La Lima. Às 15h15 cruzo o primeiro dos seus afluentes, o Estero Blanco Chico, sem dificuldade pelos troncos jogados. À frente já visualizo os nevados da Cordilheira Castillo. Às 15h37 passo por uma casa à esquerda e às 15h51 cruzo pelas pedras o próprio Estero La Lima, bastante largo. Daí em diante foram mais 6 rios e riachos, alguns um pouco mais chatos de atravessar pela largura. Não tirei as botas em nenhum deles mas numa bobeira minha entrou água na bota direita ao cruzar um mais fundo. Às 18h o tempo fechou, nevou um pouquinho e a temperatura caiu muito. Às 18h17 uma bifurcação com uma seta apontando para a esquerda. O caminho da direita segundo o mapa é o Sendero Rio Turbio e segundo o gps leva a uma estrada entre os lagos La Paloma e Monreal, ao norte. Com apenas mais 80m para a esquerda alcanço enfim a entrada oficial do parque nacional, com um grande mapa, placa de bienvenido e uma porteira destruída por uma árvore caída. Cerca de 140m após a porteira encontrei a Guarderia Rio Turbio, uma cabana bastante revirada por dentro mas toda equipada com fogão, panelas e pia. Mas é sempre bom lembrar da recomendação quanto ao perigo do hantavírus. Estero La Lima O hantavírus é altamente mortal e há cartazes sobre o seu risco e prevenção por todo o sul do Chile. É transmitido pela urina e fezes dos roedores que se alojam em casas e galpões que ficam fechados por muito tempo. A recomendação é nunca dormir dentro de lugares fechados pelo risco de inalar o ar contaminado pelos dejetos com o vírus. Por isso não se deve trocar nunca a barraca por refúgios, casas e galpões fechados no meio da mata. Ao lado da guarderia fica a área de camping, ambos protegidos pelo bosque de lengas e outras espécies. O chão é quase todo de terra (para sujar bastante a barraca) com um pouquinho de grama em algumas partes. Procurei um lugar gramado para acampar mais à frente. Até encontrei mas tinha receio de que algum guardaparque aparecesse e me mandasse para o acampamento demarcado. Mas até o final da travessia não vi guardaparque em nenhum lugar (só lá nas Horquetas mesmo). Não continuei até o acampamento do Rio Turbio (50 minutos adiante) porque devia estar mais cheio. Nesse acampamento havia mesas de picnic e água podia ser coletada num riacho ao lado. O banheiro é uma casinha de madeira com porta e telhado. Dentro um assento de madeira com um grande buraco. Na cabana havia vaso sanitário mas a descarga não funcionava. Nessa noite havia mais três barracas nesse camping e dois malucos dormiram dentro da cabana. Altitude de 928m. Vale do Rio Turbio com o Cerro Peñón ao fundo e o selado do Passo Peñón à esquerda 31/01/18 - 2º DIA - da entrada oficial do parque ao acampamento El Bosque Duração: 5h30 (mais 1h20 ida e volta ao Glaciar Peñón) Distância: 11,2km (mais 3,5km ida e volta ao Glaciar Peñón) Maior altitude: 1453m Menor altitude: 915m Dificuldade: média se não houver muita neve no Passo Peñón A temperatura mínima da noite foi 2,9ºC. A direção geral desse segundo dia é sudoeste acompanhando principalmente as nascentes dos rios Turbio e El Bosque. Levantei acampamento às 11h12 e continuei pelo caminho bem marcado, agora convertido em trilha mesmo. Às 11h30 a visão se ampliou com a chegada ao vale pedregoso do Rio Turbio, cercado de montanhas rochosas com os cumes cobertos de neve. A primeira de muitas paisagens espetaculares dessa travessia. A sudoeste, à esquerda do Cerro Peñón, já podia avistar ao longe o selado do Passo Peñón, que deveria cruzar ainda nesse dia. E notei que havia um pouco de neve nele (um pouco?...) A sinalização continua por estacas amarelas na margem direita do rio e reentra no bosque. Às 12h05 encontro o acampamento do Rio Turbio, bem maior que o anterior, dentro do bosque, com mesas de picnic e banheiro, porém com chão de terra também. Às 12h38 cruzei por uma ponte o rio que nasce nas alturas do passo. Uns 60m depois parei numa bifurcação onde havia uma seta apontando para a esquerda e galhos jogados na trilha à direita (técnica que a Conaf usa para sinalizar que não se deve passar por aquela trilha). É que à direita era o caminho para o Glaciar Peñón onde nasce o Rio Turbio, que estava nos meus planos visitar. Fui então à direita e com 170m saí do bosque diretamente para uma grande área de pedras que acompanha o rio de degelo do glaciar, o próprio Rio Turbio. Havia trilha marcada, totens e balizas vermelhas para orientar. Claro que caminhar pelas pedras soltas demanda mais cuidado e o avanço é mais lento (pelo menos para mim). Às 13h19 alcancei um lago mas a geleira estava distante, bem para dentro. Havia cachoeiras caindo do Cerro Peñón à esquerda. Vale a pena esse desvio de 3,5km (ida e volta)? Se você está com tempo e o dia está bonito para fotos penso que sim. Lago formado pelo Glaciar Peñón Às 14h41 estava de volta à trilha principal e na subida comecei a notar os troncos inclinados das lengas, sinal de que estava atingindo o limite das árvores, onde a camada de terra é cada vez mais rasa. Às 15h17 saio do bosque e encaro de vez a subida do Passo Peñón, toda de pedras soltas. Esse passo se parece com um grande portal rochoso. A sinalização aqui foi feita com tinta vermelha e branca nas pedras. A neve, que inicialmente aparece nas laterais do caminho, começa a invadir tudo e logo estou subindo por ela. Felizmente a bota era impermeável, então sentia o frio mas os pés se mantinham secos. Atingi o ponto mais alto às 16h21. Altitude de 1453m. Do passo se vê o Morro Rojo à frente (sudoeste) com a Laguna Cerro Castillo à sua direita. Felizmente não havia vento forte. A descida pela neve era mais preocupante pois tinha receio de pisar em alguma parte com gelo duro e escorregar. Caminhei cerca de 20 minutos pela neve... muito mais do que eu imaginava... isso em pleno janeiro! Voltei a caminhar pelas pedras soltas mas não pude desviar de outra grande mancha de neve, felizmente menor. Caminhei mais 5 minutos por ela. De volta às pedras soltas a descida se tornou muito inclinada, exigindo muito cuidado para não rolar moraina abaixo. Cascatas despencam da face leste do Cerro Peñón à minha direita. Terminada a ladeira íngreme passei a caminhar pelo vale de pedras de um afluente do Estero El Bosque. Ali encontrei duas americanas que estavam fazendo o percurso ao contrário e me perguntaram sobre a subida ao passo. Elas eram precavidas e levavam crampons. Parei para descansar e observá-las naquela subida difícil. Mas enfrentaram numa boa, eram bem fortes. Cruzei todo o vale de pedras, reentrei na mata às 18h e 15 minutos depois atravesso o afluente do Estero El Bosque por uma ponte. Depois de cruzar mais dois riachos chego às 18h40 ao acampamento El Bosque, bem protegido do vento em meio ao bosque de lengas. Acampamento bastante espaçoso porém inclinado, com poucos lugares planos, e todo de terra, nada de grama. Mesmo padrão de mesas de picnic e banheiros. Água abundante do Estero El Bosque ao lado. Aliás água não foi preocupação nesse dia também, assim como no primeiro dia. Mesmo no passo havia várias fontes de água. Nessa noite havia mais seis barracas nesse camping. Altitude de 940m. Do Passo Peñón se vê o Morro Rojo com a Laguna Cerro Castillo à direita 01/02/18 - 3º DIA - do acampamento El Bosque ao acampamento Neozelandês Duração: 8h40 Distância: 13,1km Maior altitude: 1694m Menor altitude: 866m Dificuldade: média pois há bastante subida e descida por pedras soltas A temperatura mínima da noite foi 6,9ºC. A direção geral desse terceiro dia é sudoeste até o mirante da Laguna Cerro Castillo, depois oeste e sudoeste até o acampamento Los Porteadores e por fim norte até o acampamento Neozelandês. Aproveitei o dia ensolarado para fotos das montanhas ao redor do acampamento, como a face leste do Cerro Castillo e outros belos nevados da Cordilheira Castillo. Saí do acampamento às 12h subindo pelo bosque e tendo o Estero El Bosque à minha esquerda, porém em apenas 6 minutos atravesso um de seus formadores através de troncos para reentrar na mata na outra margem. A subida pela trilha me proporciona uma linda visão quando saio do bosque: para a frente o Cerro Castillo e para trás o Passo Peñón. Às 13h28 surge uma espetacular cachoeira à direita, diretamente da geleira do Cerro Castillo. As duas americanas que conheci no dia anterior me alcançaram pois estavam retornando (!?). É que foram até o acampamento Rio Turbio, acamparam e voltaram... Às 13h44 cruzo o rio formado pela cachoeira num ponto mais acima onde não precisei tirar as botas por serem impermeáveis (as americanas tiraram os tênis). Continuo subindo por caminho de pedra (e um pouco de capim) pela margem esquerda do rio que verte da Laguna Cerro Castillo e a vista do Passo Peñón para trás é cada vez mais bonita. Isso e mais a cachoeira foram as primeiras visões impressionantes de um dia repleto de paisagens incríveis. Cachoeira formada pela geleira do Cerro Castillo Parei para lanchar às 14h07 perto de um riachinho e voltei a caminhar às 14h22. Essa seria a última água corrente até o acampamento Los Porteadores. A visão para trás do Passo Peñón fica cada vez mais nítida e posso observar toda a extensão de neve que tive de atravessar no dia anterior. Às 14h33 alcancei o acampamento La Tetera (chaleira ou bule, em espanhol), este sim com um gramadão porém mais "rústico" que os outros, não cheguei a ver se havia banheiro. Já caminhando acima da linha das árvores, a subida continua pelo caminho de pedras e às 14h48 uma linda surpresa: a Laguna Cerro Castillo, de um azul maravilhoso e adornada por diversas cachoeiras que despencam diretamente do Cerro Castillo. Após um tempo de contemplação e muitas fotos encarei a subida de pedras soltas (moraina) ao sul da laguna. Isso após cruzar pelas pedras o riacho que é seu vertedouro. Alcancei o alto às 15h45 e havia mais de 30 pessoas num mirante admirando o lugar. Altitude de 1422m. É que há uma trilha que sobe diretamente de Vila Cerro Castillo a esse lugar, as pessoas fazem isso como um passeio de um dia. E serve como uma rota de fuga em caso de necessidade ou de não haver disponibilidade de mais um dia. Ali no alto portanto a trilha mais marcada era a que vinha da cidade. A trilha da travessia não era tão visível, mas algumas estacas amarelas davam a direção, que era oeste. Antes de continuar, larguei a mochila e caminhei 300m até a borda da montanha para tirar fotos do imenso vale do Rio Ibáñez com a Vila Cerro Castillo abaixo e no horizonte ao sul o Lago General Carrera. Voltei ao mirante, peguei a mochila e segui às 16h08 orientado pelas estacas amarelas. Desci e caminhei pela borda mais próxima à laguna mas depois encontrei a trilha bem marcada e segui por ela morro acima, no rumo oeste. Caminho todo de pedras ainda, neve apenas em pequenas manchas a uma certa distância. As americanas vinham um pouco atrás. Atingi o ponto mais alto às 17h05 e esperei as meninas para descermos juntos. Altitude de 1694m. A visão, além do Rio Ibáñez, Vila Cerro Castillo e Lago General Carrera, agora começa a se abrir para o vale do Estero Parada. Ponto mais alto da travessia Iniciamos a descida às 17h35 e foi com cuidado pois é um caminho todo de pedras soltas também. Uma delas caminhava mais lentamente. Nos orientávamos pelas estacas. Finalmente às 18h33 terminou a ladeira de pedras mas a descida, agora menos inclinada, continua em meio aos arbustos. A visão para o fundo do vale do Estero Parada permite apreciar o majestoso Cerro Palo. Numa bifurcação não sinalizada às 19h tomamos a direita pois a esquerda nos afastaria do acampamento. Em mais 7 minutos reentramos na mata. Numa bifurcação sinalizada às 19h16 tomamos a direita, cruzamos um riacho e chegamos ao acampamento Los Porteadores, pequeno e bastante cheio (contei 11 barracas). Altitude de 872m. As meninas resolveram ficar ali mesmo pois caminharam muito nesse dia, praticamente fizeram dois dias da travessia em um (e com o Passo Peñón nevado no meio). Mesmo esquema de acampamento com mesa de picnic, rio ao lado e banheiro com assento de madeira. Como havia mais 2h de luz natural, descansei um pouco e continuei para o acampamento Neozelandês. Me despedi delas às 19h34 e enfrentei a subida no rumo norte. Mata um pouco mais fechada e a visão de algumas montanhas da Cordilheira Castillo ao fundo. Muitas fontes de água pelo caminho. Cheguei ao Neozelandês às 20h42 e era o oposto do anterior: muito espaço e poucas barracas. Pude escolher um lugar à vontade. Igual aos outros: água bem próxima, mesa de picnic e banheiro. Tudo protegido dentro do bosque de lengas. Nessa noite havia mais seis barracas nesse camping. Altitude de 1146m. Cerro Castillo 02/02/18 - 4º DIA - do acampamento Neozelandês a Vila Cerro Castillo com subida à Laguna Duff Duração: 4h45 (mais 2h ida e volta à Laguna Duff) Distância: 14,3km (mais 4,9km ida e volta à Laguna Duff) Maior altitude: 1445m Menor altitude: 311m Dificuldade: média pois a subida à Laguna Duff é pela moraina (pedras soltas) A temperatura mínima da noite foi 9,5ºC. A direção geral desse terceiro dia é sul até a estrada de rípio e em seguida leste até Vila Cerro Castillo. Deixei a barraca montada e às 9h10 fui conhecer a Laguna Duff. Continuei subindo pela trilha por onde cheguei no dia anterior, que logo sai do bosque, se aproxima do Estero Parada e reentra em outro bosque. Ao sair definitivamente do limite das árvores às 9h32 é hora de enfrentar a longa subida de pedras soltas na direção nordeste. À esquerda (norte) despenca o Estero Parada, que brota da própria Laguna Duff. Do outro lado do vale é possível avistar outras lagunas aos pés do Cerro Punta El Olvido, mas parece não haver trilha marcada até lá. Às 10h13 alcancei a Laguna Duff, na cota dos 1445m. E o queixo caiu de novo. A laguna tem uma cor azul linda e diversos blocos de gelo flutuando. Mesmo assim havia alguns doidos ali com coragem para entrar naquela água congelante. As montanhas de pedra nevadas por todos os lados da laguna também impressionam, formando um cenário magnífico. Foi pra fechar com chave de ouro essa travessia. Cerro Palo e Vale do Estero Parada Às 12h35 estava de volta ao acampamento, almocei, desmontei a barraca e às 13h51 iniciei a descida para Vila Cerro Castillo. Sentido sul sempre até a estradinha de rípio. Voltei pelo mesmo caminho até o acampamento Los Porteadores, onde passei às 15h03, cruzei o riacho ao lado (última água fácil do dia) e tomei na bifurcação a trilha da direita, descendo. O caminho percorre o alto da encosta esquerda do Estero Parada. Às 15h43 passei por uma cerca com placa de bienvenido à reserva, ou seja, estava saindo dela mas ainda faltava muito chão para caminhar. A descida continua e às 16h tenho vista para o Rio Ibáñez à direita. Às 16h09 passo por uma tronqueira e 4 minutos depois me aproximo do Estero Parada. Logo a visão se amplia para a esquerda (nordeste), com o Cerro Castillo e a montanha por onde sobe a trilha que vai da cidade ao mirante da Laguna Cerro Castillo. A trilha continua bem marcada pelo capim, sigo os caminhos mais à direita até que às 16h35 alcanço uma cerca e uma estrada de rípio. Curiosamente há uma placa "recinto privado - no entrar". A cerca tem arame farpado, exceto num ponto onde há arame sem farpa, por onde se deve passar. Na estradinha fui para a esquerda. Essa estradinha de 6,4km corre pelo vale do Rio Ibáñez e é um final inglório para uma caminhada tão empolgante. Não fosse pelos calafates que comi ao longo do caminho teria sido um tédio só. Não passou um carro sequer para eu tentar uma carona. Parei uma vez para descanso e cheguei à entrada da trilha para o mirante da Laguna Cerro Castillo às 18h15. A casinha do guardaparque estava fechada mas o letreiro informava que o desnível é de 1000m. Continuei pela estrada e cruzei a ponte sobre o Arroyo El Bosque (o mesmo do acampamento da segunda noite). Há uma parede de escalada ali e alguns estavam praticando. Às 18h35 estava de volta a Vila Cerro Castillo, encerrando essa maravilhosa caminhada. Altitude de 337m. Laguna Duff Informações adicionais: Ônibus de Vila Cerro Castillo a Las Horquetas Grandes (segundo a tabela do posto de informações turísticas de Vila Cerro Castillo): seg, qua, qui, sex: 7h15, 8h, 11h30, 12h30, 14h30, 16h, 18h, 18h30 ter: 7h15, 11h30, 12h30, 14h30, 18h, 18h30 sáb: 8h30, 11h30, 12h30, 14h30, 17h, 18h30 dom: 11h30, 12h30, 14h30, 18h30 Preço da passagem: CLP 2000 (R$10,70) A entrada no parque custa CLP 5000 (R$27) mas os campings são todos gratuitos. Há guardaparque apenas na casinha em Las Horquetas Grandes e no início da trilha que sobe da cidade para o mirante da Laguna Cerro Castillo. Em Vila Cerro Castillo há pelo menos cinco mercadinhos para compra dos mantimentos para a caminhada. Cartucho de gás não procurei mas acho melhor comprar em uma cidade maior como Coyhaique. Há diversos hostais e também camping. O grau de dificuldade que coloco nos relatos é uma avaliação pessoal e considera que o trilheiro esteja acostumado a caminhadas de vários dias com mochila cargueira. Para um iniciante considere todas as trilhas como difíceis. Para um iniciante que não esteja em boa forma física é melhor procurar trilhas fáceis de um dia para ganhar experiência e condicionamento. Rafael Santiago fevereiro/2018 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  5. Vulcões Puntiagudo e Osorno ao entardecer Início: setor Anticura do Parque Nacional Puyehue Final: setor Águas Calientes do Parque Nacional Puyehue Duração: 3 dias Distância: 57,4km Maior altitude: 1928m Menor altitude: 385m Dificuldade: alta pois no segundo dia deve-se atravessar o escorial do Vulcão Casablanca sem trilha e com neve O Parque Nacional Puyehue (pronuncia-se pui-Êu-e) situa-se na região de Los Lagos, de número X (as regiões no Chile têm nome e número romano). Esse parque abriga e protege a área ao redor do Vulcão Puyehue, cuja erupção em 2011 (através do Cordón Caulle) causou o fechamento de aeroportos na Argentina, Uruguai e até na Austrália e Nova Zelândia. O vulcão é um grande atrativo mas eu estava interessado mesmo numa travessia que tangenciava um outro vulcão mais ao sul, este mais comportado, o Casablanca (inativo). Eu tinha uma descrição detalhada do percurso apenas do primeiro dia, de Anticura a Pampa Frutilla, no guia Trekking in the Patagonian Andes da editora Lonely Planet. Daí em diante tinha pouca informação (o LP fala apenas superficialmente da continuação de Pampa Frutilla a Águas Calientes). Essa travessia é uma das tantas que pertencem ao projeto Sendero de Chile, que visa contribuir com a proteção da natureza do país através da criação/manutenção de trilhas e caminhos para que as pessoas possam conhecer e valorizar o patrimônio natural do Chile. Matéria em que o Brasil ainda está muito atrasado. O Parque Nacional Puyehue foi criado em 1941 e é administrado pela Conaf, órgão florestal oficial do Chile. A Conaf mantém as trilhas, a sinalização e eventualmente fecha algumas delas se há incêndio florestal ou alto risco de haver algum. Salto de la Princesa 25/02/18 - Chegando ao Parque Puyehue Na cidade de Osorno (932km ao sul de Santiago) peguei o micro-ônibus das 17h para Anticura (ver horários abaixo em Informações Adicionais). Ele sai de um ponto na esquina das ruas Arturo Prat e Francisco Errazuriz, na extremidade oeste do Mercado Municipal da cidade. Na placa do para-brisa está escrito "Aduana Cardenal Samoré". A viagem até Anticura durou 2h07. Saltei na rodovia 215, que cruza mais adiante a fronteira com a Argentina pelo Passo Cardenal Samoré e vai a Bariloche. O motorista me deixou bem em frente à portaria do parque, que fica à direita da rodovia 215 (sentido Argentina). A entrada é aberta, não há um portão, e à direita está a guarderia, onde fica o guardaparque. Porém ela estava fechada, pensei que fosse pelo horário (depois me disseram que o guardaparque estava de férias). Havia um motorhome estacionado ali no gramado e perguntei ao casal sobre camping. Eles eram do Alasca e a mulher me disse que eu poderia acampar em qualquer lugar. Pensei: com a Conaf não é bem assim que funciona... Havia placas do parque do outro lado da rodovia e fui lá perguntar. Encontrei a área de acampamento, porém era de uma concessionária e cobravam por "sítio", ou seja, por espaços delimitados com mesa, tão grandes que dá para estacionar o carro ao lado da barraca. E o custo era de CLP 15000 (R$ 80), o valor que eu estava pagando num hostal com café da manhã em Osorno. Um absurdo. O máximo que eu havia pago num camping no Chile tinha sido CLP 5000 (valor para estrangeiro). Voltei ao outro lado da rodovia 215 e vi que havia algumas pessoas numa casinha ao fundo da portaria do parque. Fui lá conversar. Eram brigadistas. Expliquei a situação, disse que eu iria iniciar a travessia no dia seguinte, e eles me deixaram passar a noite ali nos fundos, atrás de um depósito. Me informaram também que a travessia para Antillanca e Águas Calientes estava aberta e sem problemas no percurso. Altitude de 385m. Salto del Pudú 26/02/18 - 1º DIA - Conhecendo o setor Anticura e início da travessia: de Anticura a Pampa Frutilla DADOS DA TRAVESSIA ANTICURA-PAMPA FRUTILLA Duração: 5h48 (já descontada a ida ao Salto Los Novios) Distância: 17,6km (já descontada a ida ao Salto Los Novios) Maior altitude: 1353m Menor altitude: 385m Dificuldade: baixa Um dos atrativos do setor Anticura do Parque Nacional Puyehue são as cachoeiras. Pode-se também subir o próprio vulcão Puyehue mas isso não estava nos meus planos. Parte das cachoeiras está do lado da portaria do parque e outra parte está do lado da concessionária do camping, sendo que neste lado eles cobram a entrada (CLP 1000 = R$ 5). Iniciei cedo o dia pois queria percorrer as cachoeiras todas e partir para a travessia, caminhando até Pampa Frutilla. Saí às 7h25 e o sujeito da concessionária estava esperando o ônibus para Osorno... que azar, pensei que ia passar batido pois ninguém acorda cedo no Chile. Ele aproveitou para me cobrar a entrada. Comecei a visita às cachoeiras pelo Salto del Indio, circuito de 1,1km. Depois o Salto de la Princesa com extensão até o Salto Repucura, numa trilha de 2,4km (ida e volta). Tentei explorar uma trilha que saía do Salto Repucura e ia em direção à rodovia 215 mas está sem uso e os bambus a fecharam a partir de um certo ponto. No retorno peguei a esquerda numa bifurcação sinalizada e passei por alguns chalés de aluguel muito bonitos. Todos os saltos visitados deste lado estão no Rio Golgol e são de altura média, não são grandes. Às 10h06 atravessei a rodovia 215 de volta e fui conhecer as cachoeiras e o mirante do lado da portaria do parque. Comecei pelo Salto del Pudú, o mais alto de todos, numa trilha de 2,6km ida e volta. Depois o Sendero Mirador El Puma, de 1,8km ida e volta. Altitude de 577m nesse mirante (desnível de 190m), mas sem visão do Vulcão Puyehue por causa do céu encoberto. Essa trilha continua mais 30m até uma fonte de água. No retorno passei pelo Salto Anticura, o mais próximo da portaria do parque e também de altura média. Salto Anticura Às 12h22 estava de volta para desmontar a barraca e partir para a travessia, que iniciei às 13h56 depois de almoçar e comer algumas framboesas no pé logo no início da trilha. Altitude de 385m. Às 14h38 cruzei um rio afluente do Rio Golgol pela precária Ponte Arauco e fui para a esquerda. Em 7 minutos cheguei a um caminho mais largo. As placas indicavam à direita Pampa Frutilla a 18km (o meu gps marcou 16,8km) e à esquerda a Ruta Internacional a 300m. Fui para a esquerda para explorar e marcar no gps em que altura da rodovia 215 iniciava essa trilha. Foram 920m até a rodovia (e não 300m). Dali aproveitei para ir conhecer o Salto Los Novios, a apenas 300m percorrendo o asfalto para a esquerda. O mirante do salto fica bem ao lado da rodovia mas há uma trilha curta que desce até o Rio Golgol. Voltei à bifurcação Pampa Frutilla-Ruta Internacional às 15h45 e segui em frente. É um caminho bem largo, uma estrada abandonada no meio da mata que sobe suavemente na direção sul e sudeste. Essa estrada foi construída pelo exército chileno nos anos 1970 num período de tensão com a vizinha (muito próxima) Argentina. Passei por três fontes de água, sendo que próximo do último riacho havia um telhado com duas mesas de picnic e restos de fogueira, isso no meio de uma grande clareira tomada por capim alto. Parei nesse lugar para lanchar por 20 minutos e saí às 17h09. Até aí havia sol. Reforçando pois é importante: essas são as últimas fontes de água corrente desse dia e do dia seguinte! A água das lagunas de Pampa Frutilla deve ser tratada antes de beber. A trilha passa a subir mais acentuadamente e uma forte neblina foi tomando conta da mata. Ao sair no aberto essa neblina me impedia de ver ao redor, me deixando sem visão das montanhas e sem referências. Fora da mata continuei pelo caminho largo agora por um terreno mais arenoso. Numa curva fechada para a esquerda às 20h04 notei à direita uma placa numa árvore em que se lia com dificuldade "Refugio Viejo a 800m". Esse seria meu ponto de referência para continuar a travessia no dia seguinte. A partir dali a estradinha sobe bastante. Queria chegar à primeira lagoa de Pampa Frutilla para acampar mas a noite foi chegando e com aquela neblina não enxergava mais nada. Já estava iniciando a descida para a lagoa mas o terreno era muito irregular e já estava perdendo a trilha. Resolvi procurar um lugar plano ali no alto mesmo antes que escurecesse de vez. Parei às 20h53. Altitude de 1324m. Laguna Los Monos 27/02/18 - 2º DIA - de Pampa Frutilla ao Vulcão Casablanca Duração: 10h22 Distância: 16,7km Maior altitude: 1928m Menor altitude: 1182m Dificuldade: alta pois deve-se atravessar o escorial do Vulcão Casablanca sem trilha e com neve Felizmente o dia amanheceu sem nuvens e pude enfim ver onde estava. E era um lugar lindo, com vista para montanhas para todos os lados. As lagoas de Pampa Frutilla estavam a apenas 1,6km de distância. Mas a maior surpresa foi na descida para as lagoas (10h29) encontrar uma outra barraca... num lugar isolado como aquele. E eu pensando que havia dormido sozinho naquele cenário fantasmagórico da neblina da noite anterior. Encontrei os donos da barraca pegando água na Laguna Los Monos, três aventureiros que chegaram um pouco antes de mim e acamparam ali no alto pelos mesmos motivos que eu. Eles estavam pegando a água e fervendo para colocar nos cantis. Dali iriam retornar a Anticura e não conheciam o caminho para o Vulcão Casablanca. Conversamos um pouco e depois eu fui conhecer a Laguna del Bosque, apenas 430m adiante. No caminho vi alguns pezinhos de morango com frutinhas para confirmar o nome do lugar (frutilla é morango em alguns países da América do Sul). Eu coletei água e tratei com pastilha de cloro. Às 12h06 saí das lagunas (altitude de 1211m), subi de volta ao local onde acampei e comecei a retornar pela estradinha. Minha direção hoje seria basicamente sudoeste com algumas variações durante o percurso. No alto tinha vista para o Cerro Tronador a sul-sudeste, vulcão inativo na fronteira com a Argentina e que é bastante visitado a partir de Bariloche. À minha frente (sudoeste) não podia ver o Vulcão Casablanca pois ainda estava atrás das altas colinas de areia vulcânica que eu subiria para me aproximar dele. Desci até a placa "Refugio Viejo a 800m", que marca o início de uma trilha discreta que sai para a esquerda. Dali em diante seria um percurso muito menos usado e havia o risco de ter muita neve nas partes mais altas, o que poderia me obrigar a voltar já que não levava equipamento para neve. Às 13h11 desci pela mata até um campo abaixo perfeito para acampar se tivesse água. Ali estava a 1182m de altitude e iria do ponto mais baixo do dia diretamente ao ponto mais alto. Reentrei no bosque e comecei a subir. E seria uma longa subida. Cerro Pantojo à direita Ao sair do bosque às 13h52 passei a subir pela areia vulcânica, um lugar seco e sem sombra. Essa areia e pedras resultantes da solidificação da lava de erupções vulcânicas são chamadas de escória vulcânica. Os setores cobertos por essa escória são chamados de escorial. Algumas estacas fincadas na areia serviam de orientação, mas eram bem poucas. Aos poucos o Vulcão Puyehue foi surgindo no horizonte ao norte. Passei a caminhar por uma encosta bem inclinada com areia solta em que estava bem difícil se manter em pé. Tive de descer um pouco para tentar encontrar lugar um pouco mais firme para pisar. Essa foi a primeira dificuldade. A segunda viria mais acima pois para atingir a crista dessa grande montanha de areia vulcânica eu teria que vencer uma encosta forrada de neve em quase toda a extensão. Isso em pleno fevereiro, imagine como deve ficar esse caminho no restante do ano! Subi até encontrar a neve às 16h09. Havia pegadas na areia para vários lados. Comecei tentando subir pisando na neve mas a inclinação tornava isso bem arriscado. A solução era subir pelo único trecho onde não havia neve, só areia, porém com uma inclinação muito forte. Mas tinha que ser ali. Fui subindo em zigue-zague porém cheguei num ponto em que a inclinação e a areia solta não me deixavam subir mais, nem escalaminhando. Me aproximei então de uma torre de pedra que havia à esquerda e aos pés dela a subida foi um pouco mais fácil já que havia algumas pedras para se apoiar. Devia ter subido em direção a essa torre de pedra desde o começo. No alto encontrei mais estacas fincadas e pegadas. A recompensa pelo perrengue foi uma vista estonteante para quase todos os lados, com montanhas e vulcões a perder de vista no horizonte. Mas ainda subiria uns morros de areia vulcânica mais, tendo de cruzar uma faixa de neve de cerca de 25m, mas com pouca inclinação e sem risco de escorregar. Às 18h05 finalmente atingi o ponto mais alto e a visão se abriu para oeste. Altitude de 1928m. Agora podia ver os vulcões Puyehue, Puntiagudo, Calbuco, Osorno, Cerro Sarnoso, Cerro Tronador e o Vulcão Casablanca bem ao lado. Também o Lago Constancia, Pampa Frutilla, Cerro Pantojo, Lago Rupanco e todo o trajeto desse dia e do dia anterior pela mata. Uma visão verdadeiramente extraordinária! A descida pela areia foi muito rápida, bastava dar um passo e escorregar vários ladeira abaixo. Continuei descendo pela crista daquelas imensas "dunas" de areia vulcânica seguindo pegadas. Porém mais abaixo, ao alcançar o terreno forrado de capim às 19h57, a trilha desapareceu por completo e segui orientado pelo gps. Quando o sol baixou, avermelhando a encosta do Vulcão Casablanca, tratei de encontrar um lugar plano e com menos pedrinhas para montar a barraca (20h51). Água? Só a dos meus cantis. A única fonte de água desse dia foram as lagunas de Pampa Frutilla. Em caso de necessidade se poderia derreter (e filtrar) a neve encontrada durante a subida. Altitude de 1195m. Vulcões Puntiagudo e Osorno 28/02/18 - 3º DIA - do Vulcão Casablanca a Águas Calientes Duração: 10h28 Distância: 23,1km Maior altitude: 1382m Menor altitude: 468m Dificuldade: média (pela distância) Mais um dia lindo de sol para aproveitar essa paisagem espetacular. Ao sair da barraca tinha os vulcões Puntiagudo, Osorno e Casablanca como pano de fundo para o meu acampamento... ô vida ruim... A parte mais difícil havia passado, como previsto encontrei neve nas partes mais altas no dia anterior mas ela não me impediu de continuar a travessia. Em outras épocas do ano deve-se considerar levar equipamento apropriado, como crampons, raquetes, piolet, etc Comecei a caminhar às 9h39 ainda sem trilha e seguindo o gps. Subi suavemente por aquele escorial coberto de capim baixo na direção de uma colina à direita de um grande buraco que parecia uma cratera. Direção noroeste para ser mais exato. Nessa colina havia um corte que subia da direita para a esquerda. Era o final da estrada que vem da estação de esqui de Antillanca. Ao alcançar uma placa onde se lia "Ingreso Sendero Gaviotas 400m" alcancei também o final da estradinha. Subi por ela no rumo sudoeste deixando o Vulcão Casablanca para trás. No alto às 11h13 uma bifurcação e um painel com mapa das trilhas da região e informações sobre a travessia Anticura-Antillanca, porém eram mais sobre a flora do local. Esse painel tinha o logo do projeto Sendero de Chile. Nessa bifurcação sobe um caminho largo à esquerda que se dirige para o sul e faz a travessia para o Lago Rupanco, uma outra opção de trekking. Mas o meu caminho era para a direita (norte), descendo em direção a Antillanca, já por estrada de rípio transitável. Dali já avistava o Vulcão Antillanca e à direita dele o teleférico da estação de esqui, obviamente parado pois era verão e não havia neve para esquiar. Cratera Raihuen e Vulcão Casablanca Mais abaixo pude ver no fundo do vale o hotel da estação de esqui. Desci mais e numa curva para a esquerda encontrei pessoas visitando a Cratera Raihuen, bem aos pés do Vulcão Casablanca. É uma cratera de fácil visitação pois está ao lado da estradinha e ao nível dela, não é preciso dar nem um passo, chega-se de carro. Mas também não é nada de mais, apenas um campo de escorial coberto de capim e circundado por paredes baixas. Mas ali inicia a trilha de ascensão ao Vulcão Casablanca e isso sim deve ser bem interessante. Porém não estava nos planos dessa travessia. Continuei a descida e 800m abaixo da cratera havia uma outra estradinha saindo para a direita e subindo. Seria o início do meu caminho a Águas Calientes. Mas continuei descendo pela estrada principal pois estava sem água e ia ao hotel pedir para encher os cantis. Porém não precisei ir até lá pois logo após uma curva da estrada entrei num caminho à esquerda e por sorte encontrei um reservatório de água. Eram 12h20 e aproveitei para almoçar. Nessa hora apareceram três gringos com mochila (franceses, suíços, não me lembro) que estavam subindo para acampar na cratera. Eles haviam passado pela guarderia da Conaf ali em Antillanca e o guardaparque disse que a travessia para Águas Calientes estava fechada. Pensei: pronto, lá vou eu partir para a clandestinidade... Eles pegaram água e continuaram. Eu saí logo depois, às 13h11. Já era um pouco tarde e a minha intenção era iniciar e terminar a travessia para Águas Calientes nesse mesmo dia pois não sabia se teria lugar para acampar no meio do caminho. Tinha a informação de que o Refúgio Bertin estava em ruínas e mesmo que não estivesse havia o risco do hantavírus dentro dele. O hantavírus é altamente mortal e há cartazes sobre o seu risco e prevenção por todo o sul do Chile. É transmitido pela urina e fezes dos roedores que se alojam em casas e galpões que ficam fechados por muito tempo. A recomendação é nunca dormir dentro de lugares fechados pelo risco de inalar o ar contaminado pelos dejetos com o vírus. Por isso não se deve trocar nunca a barraca por refúgios, casas e galpões fechados no meio da mata. Estação de esqui de Antillanca com o Vulcão Antillanca ao fundo Eu subi a estrada de volta para pegar aquela estradinha que saía para a esquerda (direita quando desci). Mas alcancei os gringos e eles me chamaram a atenção para um outro caminho, mais abaixo, onde havia uma placa. Era algo incerto e eu não podia perder tempo se quisesse chegar a Águas Calientes ainda nesse dia. Resolvi arriscar esse outro caminho e desci até a placa para ver o que estava escrito. E estava escrito apenas "Variante Joel Campos", não esclarecia nada. Entrei nessa trilha mesmo assim, às 13h47. Desci um pouco e logo estava caminhando por trilha bem marcada pela encosta de areia vulcânica do Vulcão Antillanca (que contornei da extremidade sul à norte). Havia estacas com cores azul e vermelho e também fitas azuis e amarelas. A subida foi gradativa e à minha esquerda vai se ampliando a visão de um grande vale. Até que às 14h45 a visão se abriu para noroeste para o Lago Puyehue e a trilha deu uma guinada para nordeste para subir a uma crista. Nessa crista atingi o ponto mais alto do dia, 1382m. Do alto podia avistar (pela última vez) os vulcões Puyehue, Osorno, Puntiagudo, Cerro Sarnoso, Cerro Tronador, Lago Rupanco e Lago Puyehue. Continuei pela crista contornando o vulcão no sentido horário até que avistei no alto o final do teleférico. As estacas continuavam crista acima na direção dele mas era o momento de eu baixar à esquerda para entrar no bosque. Uma grande seta feita de pedras no chão me deu a deixa para abandonar a crista e iniciar a descida em direção às árvores abaixo. As estacas continuavam crista acima porque seria uma outra variante de acesso a esse ponto, aliás devia ser o caminho que inicialmente eu tinha a idéia de tomar (aquela estradinha que saía da principal). Desci então a encosta de areia e caminhei em direção ao bosque. A entrada nele estava sinalizada por uma estaca vermelha com um círculo amarelo no alto, difícil não ver. Eram 16h08 e precisava apertar o passo pois tinha muito chão para chegar a Águas Calientes. A trilha desceu em zigue-zague e foram aparecendo diversos pontos de água, felizmente acabou a dificuldade de caminhar por areia vulcânica e sem água. Ao final do zigue-zague a trilha tomou a direção oeste e basicamente ia se manter na direção oeste e noroeste até Águas Calientes. Lago Bertin Às 17h13 uma placa sinalizava o Lago Bertin 20 minutos à direita. Não podia deixar de conhecer. Entrei nessa trilha e em apenas 9 minutos estava no lago. Um lugar muito bonito, rendeu boas fotos. Havia uma placa de "refúgio" no chão junto ao lago mas os restos dele estavam na verdade perto do início dessa trilha. Às 17h55 estava de volta à trilha principal e continuei em passo rápido. Às 19h me deparei com uma ponte em muito mau estado e passei com bastante cuidado. Outras pontes surgiram mas estas estavam em ótimo estado, sem risco, e a água era acessível. Às 19h40 a trilha desembocou numa estradinha de rípio. Começaram a aparecer chalés à direita, já estava chegando a Águas Calientes. Até que uma placa confirmou a minha clandestinidade: "Sendero cerrado temporalmente por peligro de incendios forestales - no ingrese". A estradinha terminou numa curva da estrada principal que vai de Águas Calientes a Antillanca (U-485) às 19h48. Altitude de 475m. Ali segui em frente (à direita nessa curva) seguindo a placa de "Osorno". Parei na entrada do camping e fui informado por uma família que o sítio custava a "bagatela" de CLP 28000 (R$ 150) !!! Aqui a concessionária cobra por sítio também, como em Anticura, porém o valor é absurdo para quem está sozinho e não encontra alguém para dividir o sítio (aceitam até 8 pessoas num sítio). Confirmei os preços pela tabela fixada na parede da casinha na entrada. Águas Calientes é uma estação termal superturística, por isso a concessionária coloca esse preço fora do normal. Eu não pensei duas vezes: voltei pela trilha por onde vim algumas centenas de metros e acampei selvagem numa clareira que encontrei. Altitude de 484m. Laguna El Espejo 01/03/18 - Conhecendo o setor Águas Calientes do Parque Nacional Puyehue Desmontei acampamento e fui ao Centro de Informação Ambiental pegar informações sobre as trilhas desse setor. O solícito guardaparque me deu todas as informações de que precisava e permitiu que eu deixasse a cargueira ali para percorrer as trilhas. Há uma grande maquete do parque com as trilhas desenhadas e vários painéis destacando a flora, fauna e geologia da região. Às 10h54 comecei pela trilha El Pionero que sobe a um mirante a 667m de altitude (228m de desnível) e tem 3km de ida e volta. As nuvens baixas não me deixaram ver toda a paisagem, mal podia ver o Lago Puyehue a noroeste. Dali se pode ver num dia limpo o Vulcão Antillanca. Continuei pelo mesmo caminho e desci até a Laguna El Espejo, mais 3km ida e volta, porém por uma trilha um pouco fechada pela vegetação, principalmente bambuzinhos. A laguna é parcialmente coberta por ninféias e fica na estrada Antillanca-Águas Calientes. Voltei pelo mesmo caminho e às 13h56 entrei na trilha El Recodo, de apenas 400m, mas que emenda com a Trilha Rápidos de Chanleufu junto à ponte. Esta tem 1,5km de ida e volta à ponte, é paralela ao Rio Chanleufu e termina numa cachoeira. A volta pode ser por uma variante. Às margens do Rio Chanleufu há algumas poças de água quente onde se banham as pessoas que não querem pagar para entrar nas piscinas. Mas são poças rasas e barrentas, não muito convidativas. Às 15h43 estava de volta à guarderia para pegar minha mochila. O ônibus para Osorno para bem em frente porém não é tão frequente quanto o guardaparque disse. Informações adicionais: Ônibus de Osorno a Anticura (empresa D&R): Osorno-Anticura: seg a dom - 17h Anticura-Osorno: seg a sex - 7h30 sáb e dom - 9h Preço da passagem: CLP 1600 (R$8,55) O preço do camping de Anticura é cobrado por sítio e custa CLP 15000 (R$80). O preço do camping de Águas Calientes é cobrado por sítio (máximo de 8 pessoas) e custa: . temporada alta: CLP 28000 (R$150) até 4 pessoas (pessoa adicional CLP 6000 (R$32)) . temporada média: CLP 25000 (R$134) até 4 pessoas (pessoa adicional CLP 5000 (R$27)) O grau de dificuldade que coloco nos relatos é uma avaliação pessoal e considera que o trilheiro esteja acostumado a caminhadas de vários dias com mochila cargueira. Para um iniciante considere todas as trilhas como difíceis. Para um iniciante que não esteja em boa forma física é melhor procurar trilhas fáceis de um dia para ganhar experiência e condicionamento. Rafael Santiago março/2018 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  6. Vulcão Lonquimay e Cratera Navidad Início: localidade de Los Pinitos Final: portaria Malalcahuello da Reserva Malalcahuello-Nalcas Duração: 5 dias Distância: 90,7km Maior altitude: 1883m Menor altitude: 915m Dificuldade: média (para quem está acostumado a trekkings longos) O Vulcão Lonquimay, seu escorial (sua extensa área de pedras e areia vulcânicas resultante de erupções) e os bosques ao redor estão protegidos por duas reservas florestais contíguas administradas pela Conaf, órgão florestal oficial do Chile. São elas a Reserva Nacional Malalcahuello (ao sul do vulcão) e a Reserva Nacional Nalcas (ao norte). A Conaf mantém as trilhas, a sinalização e eventualmente fecha algumas delas se há incêndio florestal ou alto risco de haver algum. O circuito ao redor do Lonquimay é uma das 31 caminhadas descritas no guia Trekking in the Patagonian Andes da editora Lonely Planet, a bíblia do trekking na Patagônia chilena e argentina (bem como em regiões um pouco mais ao norte). No caso do Lonquimay a região é a Araucanía, de número IX (as regiões no Chile têm nome e número). Esse guia teve sua última edição em 2009, já há muito tempo, porém trilheiros experientes têm retomado essa pernada nos últimos anos e deixado seus preciosos e detalhados relatos como atualização das informações do guia. Entre eles nossos colegas Renato Oliveira e Peter Tofte. Baseado na experiência dos colegas (que se depararam com a proibição de acampamento nessa reserva e o fechamento de algumas trilhas) e sabendo que a Conaf já estava fechando outras reservas pelo risco de incêndio florestal, eu desenhei um percurso que não entrava pelas portarias oficiais do parque, no máximo saía por elas. Se eu encontrasse algum guardaparque diria que não sabia do eventual fechamento da trilha. Portanto, assim como os colegas, seria mais um clandestino a caminhar pela reserva... Infração? Não encaro assim pois jamais faço fogueira durante uma caminhada, com certeza não seria eu o responsável por algum problema sério ali. Eu deveria apenas ficar atento a possíveis fumaças e focos de incêndio, o que me faria desviar ou retornar. Com a decisão de não entrar pelas portarias do parque não tive nenhuma informação concreta sobre a situação das trilhas e dos acampamentos ao longo do percurso. E ao final tive uma surpresa... Vulcão Lonquimay 24/03/18 - 1º DIA - de Los Pinitos aos pés do Vulcão Lonquimay Duração: 2h26 (já descontadas duas paradas longas) Distância: 8,5km Maior altitude: 1552m Menor altitude: 957m Dificuldade: baixa No Terminal Rural de Temuco tomei o micro-ônibus das 11h para Curacautín (ver horários abaixo em Informações Adicionais). Foram 2h até o terminal de Curacautín, onde peguei o ônibus das 13h30 para Lonquimay com a intenção de saltar na parada Los Pinitos, na rodovia 181 (rodovia que cruza a fronteira com a Argentina pelo Passo Pino Hachado). Acontece que eu dei uma "pescada" maior que devia e quando me dei conta já estava chegando a Malalcahuello. Pedi para descer imediatamente e voltei caminhando pela estrada. Com isso iniciei a caminhada na parada Los Pinitos somente às 14h43. Curioso é que nesse trecho de asfalto um senhor numa camionete parou e me ofereceu carona, sem eu pedir e sem ver a minha cara já que eu estava caminhando de costas para ele. Às vezes a carona no Chile vem até de forma inesperada... Entrei na estrada de rípio ao lado da parada de ônibus já com visão do Vulcão Lonquimay ao fundo, na direção norte. Altitude de 957m. Parei para um lanche numa boa sombra ao lado da estrada e quando retomei a caminhada me deparei com uma porteira às 15h39. Não estava trancada e não havia aviso de entrada proibida, então continuei. Passei por algumas casas mas não vi ninguém. Fui à esquerda numa bifurcação logo após uma casa (seria a última) e a estrada ficou mais precária. Cruzei uma porteira de arame farpado e fui em frente num cruzamento de caminhos. Às 16h08 cheguei à porteira da reserva com placa de bienvenido e um mapa me informando que estava no Sendero El Coloradito, com marcação feita por balizas amarelas. Araucárias Nessa clareira dos letreiros fui para a direita seguindo as estacas amarelas, ainda por um caminho largo. Havia setas nas bifurcações também, sinalização muito boa. Às 17h parei para pegar água num riacho que corria à direita pois não sabia se haveria acima e logo iria parar para acampar. Quando descansava perto do riacho passou um sujeito de uniforme numa moto. Pensei que fosse um guardaparque em ronda e o meu plano estava indo por água abaixo logo no início. Mas ele apenas assobiou e foi embora. Depois vi pelas placas que motos são proibidas na reserva, então não podia ser um guardaparque e era o sujeito quem estava fazendo algo errado. Na continuação às 18h38 subi por um bonito bosque de araucárias e outras espécies características da região como lengas e coigües. Aliás as lindas araucárias seriam minhas parceiras constantes nessa aventura e nem era preciso levantar a cabeça para notar a sua presença pois os pinhões no chão já me davam o aviso de que eu estava passando por baixo delas. Ao final do bosque a visão se abriu para o norte e pude fotografar o Vulcão Lonquimay bem mais perto. Cerca de 330m após sair do bosque alcanço às 18h55 o cruzamento desta trilha Coloradito (amarela) com a trilha Laguna Blanca (laranja). A trilha Coloradito (amarela) segue para o centro de esqui e será o meu caminho de volta. Nesse momento quebrei à esquerda e peguei a trilha laranja. A visão mais espetacular era do Lonquimay mas no horizonte também chamavam a atenção o Vulcão Llaima e a Serra Nevada, estes no Parque Nacional Conguillío. Pela proximidade com o vulcão o terreno ali era de areia vulcânica (formada de pedrinhas) e já estava me arrependendo de não ter acampado no gramado plano ao lado da água onde parei (olha a dica!). Subi um pouco mais pela trilha laranja e fui à esquerda numa bifurcação em que a sinalização apontava para a direita (19h25) para tentar encontrar um terreno mais plano e limpo. E encontrei 200m adiante. Observei ainda que essa trilha continuava mas não a explorei. Altitude de 1552m. Vulcão Llaima 25/03/18 - 2º DIA - dos pés do Vulcão Lonquimay ao Estero Laguna Verde Duração: 7h40 Distância: 15,8km Maior altitude: 1868m Menor altitude: 1552m Dificuldade: média (há pouco desnível mas o lugar é árido) A temperatura mínima da noite foi -0,6ºC. Às 8h30 fazia 5ºC. Saí da barraca de manhã pisando na terra congelada. Felizmente amanheceu mais um dia lindo de céu limpo. Levantei acampamento tardíssimo e voltei 200m até a última bifurcação sinalizada (onde saí do trajeto da travessia), seguindo para a esquerda. Ali às 10h49 iniciei uma subida em que tive o primeiro (e ainda discreto) contato com o escorial do Lonquimay. Às 11h08 alcancei o Passo Huamachuco (1712m de altitude), à direita do cerro (colina) de mesmo nome, e o panorama à frente era bem árido, de muita pedra, areia vulcânica e nenhuma sombra no caminho. Mas eu já sabia pelos relatos e fotos dos colegas que enfrentaria esse tipo de terreno e que sombra seria um presente que eu teria somente em alguns trechos da caminhada. Nesse Passo Huamachuco saio da área da Reserva Malalcahuello e somente na confluência da trilha laranja (Sendero Laguna Blanca) com a trilha lilás (Sendero Tolhuaca) é que entrarei na Reserva Nacional Nalcas. Esse trecho intermediário, apesar da sinalização feita pela Conaf, não está na área de nenhuma das duas reservas. Desci do passo e cruzei esse escorial ainda com visão no horizonte ao sul do Llaima e da Serra Nevada. Ao meu redor observei as formas curiosas das pedras resultantes da lava solidificada. Mas percebi logo que era complicado parar ali ou colocar a mochila no chão pela enorme quantidade de formigas, que logo invadiam tudo. Outra coisa estranha é que o solo era instável em alguns lugares e o pé afundava ao pisar, às vezes até o alto da bota, entrando areia nela. Aos poucos as gramíneas foram rareando e a subida ao Passo Pancutra foi na pura areia vulcânica e depois entre a lava petrificada. Alcancei o passo, de 1768m de altitude, às 12h57, e tive a primeira visão do majestoso Vulcão Tolhuaca, também coberto de neve. No caminho um escorial de pedras enorme que eu torcia em não ter que atravessar... doce ilusão. O nome desse passo consta no guia Lonely Planet mas não está nos mapas da Conaf. A descida do passo foi em direção a um bosque e aproveitei a sombra das primeiras araucárias para almoçar. Parei das 13h08 às 13h57. Na sequência a trilha desceu um pouco mais e entrou na borda do bosque. Às 14h13 encontrei um lugar plano em meio às árvores onde caberiam duas barracas. Água gotejava numa parede 30m à esquerda da trilha. É a primeira água desde o riacho da tarde anterior e ainda demoraria para aparecer outra, portanto é recomendável ter paciência e completar os cantis. Vulcão Lonquimay e seu escorial Às 14h26 a moleza acabou: a trilha saía do bosque e entrava diretamente no escorial. Por mais de duas horas seria uma caminhada entre a lava vulcânica solidificada em forma de pedras ásperas e até cortantes, grande parte em subida pela areia vulcânica, sem nenhuma sombra. Um lugar muito seco, uma paisagem quase lunar. Eu seguia a sinalização laranja de estacas e pedras pintadas da Conaf para avançar pelo caminho mais fácil no meio daquela pedreira toda. Sentar para descansar era difícil por causa das formigas. Interessante é ver o Vulcão Lonquimay mudando de forma, desde a face sul no Passo Huamachuco até a face norte ao final dessa trilha laranja. A Laguna Blanca estava a noroeste mas não era possível vê-la escondida bem abaixo. Depois da pedreira o caminho foi se tornando mais fácil por campo mais aberto e às 16h57 alcancei uma estrada de terra. Altitude de 1764m. Era o final da trilha Laguna Blanca (laranja) e início da trilha Tolhuaca, de cor lilás. Nesse ponto estava entrando na Reserva Nacional Nalcas. Fui para a direita pela estrada e parei um pouco abaixo para descansar. Quando olhei para cima havia uma camionete. Pensei que poderia ser da Conaf... mas logo deu meia volta e foi embora. É que essa estrada vem da rodovia 181 e passa pela Laguna Blanca. Notei que algumas pessoas percorrem esse trecho de carro como passeio. Na descida pela estrada fiquei impressionado com o escorial alto de pedras amontoadas bem à direita, junto à estrada (mas o que eu veria dois dias depois seria muito mais impressionante). Cruzei três riachinhos, as primeiras fontes boas de água deste dia. Mais à frente a paisagem se abre à direita para um incrível vale todo coberto pelo escorial. Me deparei com outra camionete e em seguida com a família que estava passeando por ali. A camionete estava parada ali por causa de dois deslizamentos na estradinha que impediam a passagem de carros, ou seja, dali em diante deveria voltar a ficar isolado. Voltando a caminhar em meio às árvores, me chamou a atenção uma enorme araucária com galhos grossos como se fossem novas árvores saindo do grande tronco principal, algo que nunca tinha visto. Depois apareceriam mais algumas como essa. E às 18h30 finalmente alcanço o Estero Laguna Verde, boa fonte de água com um gramado limpo e razoavelmente plano para a barraca um pouco antes. Altitude de 1601m. Vulcão Tolhuaca 26/03/18 - 3º DIA - do Estero Laguna Verde ao Rio Lolco Duração: 8h20 Distância: 18,4km Maior altitude: 1623m Menor altitude: 915m Dificuldade: baixa pois a maior parte do percurso é descida A temperatura mínima da noite foi 1,1ºC. Às 8h30 fazia 2ºC. Felizmente mais um dia de muito sol. Nesse dia eu caminharia por um terreno bem mais amigável, com bosques e várias fontes de água. Comecei a caminhar bem tarde de novo, às 10h50. Cruzei o Estero Laguna Verde (na verdade dois riachos paralelos) e continuei pela estradinha. Para trás tinha visão do Vulcão Tolhuaca e à direita do Lonquimay. Depois avistei a Laguna Verde, porém muito abaixo e aparentemente sem acesso. Às 11h50 um vale enorme e verdejante se abriu à esquerda e acima dele uma visão espetacular do Vulcão Tolhuaca com uma linda cachoeira resultante do degelo. À frente, bem distante, o Vulcão Callaqui. Caminho agora pela encosta direita desse vale enorme, que segundo o mapa é do Rio Nalcas. Depois de dois pontos de água, a estradinha já era uma trilha. Às 13h34 uma placa indica a continuação do Sendero Tolhuaca por uma trilha que sobe à direita e entra na mata, enquanto a trilha por onde vim desce numa curva à esquerda para o fundo do vale. E assim vou cruzando bosques, fontes de água e bons locais de acampamento até que às 16h40 desviei alguns metros à esquerda da trilha para conhecer a Laguna Uribe, pequena e quase seca. Não há placa na trilha principal indicando a existência da lagoa. Nesse trecho da caminhada pude observar bem a chegada do outono pois as folhas já estavam avermelhando, ficando com cor de ferrugem. Uma mudança de paisagem muito bonita. Depois de descer bastante cheguei às 17h13 a um riacho com pinguela. Apenas 90m depois dele havia ótimos lugares para acampar, mas eu continuei pois tinha a intenção de passar pela guarderia do Rio Lolco após 18h e ter menor risco de encontrar algum guardaparque. Passei por mais três fontes de água mas a segunda era na área de uma fazenda com gado que apareceu à esquerda. Às 18h39 alcancei uma estradinha e fui para a esquerda. À direita talvez seja o caminho para o Cerro Mocho Chico, não tenho certeza. Cinco minutos depois passei por uma casa à esquerda. Como havia cavalos e cachorros pensei que fosse uma casa particular, sede da fazenda de gado. Os homens estavam ocupados e não me falaram nada (devem ter me visto pois os cachorros latiram). O gps indicava a guarderia do Rio Lolco mais adiante, onde encontrei apenas um grande curral. Só 1,6km depois da casa é que percebi por uma placa que era ali mesmo a guarderia. Às 19h10 cruzei uma ponte e encontrei um ótimo gramadão para acampar, exatamente onde a estrada fazia uma curva fechada à direita. Havia água corrente porém muitas vacas. Ainda estava dentro da área da Reserva Nacional Nalcas. Altitude de 915m. Laguna Esmeralda 27/03/18 - 4º DIA - do Rio Lolco a Corralco com subida da Cratera Navidad Duração: 7h08 (com carona) Distância: 30,6km (com carona e subida da Cratera Navidad) Maior altitude: 1883m Menor altitude: 915m Dificuldade: para quem for fazer tudo a pé a dificuldade é alta pois a estrada sobe muito e o lugar tem pouca água A temperatura mínima foi -2,4ºC registrada às 8h05 da manhã. A barraca amanheceu congelada e tive de estendê-la um tempo ao sol para não colocá-la na mochila toda molhada. Voltei a caminhar pela estradinha às 10h43 e 350m à frente encontrei a placa de bienvenido à reserva, um mapa, uma ponte de madeira com porteira de ferro trancada e uma placa de "cierre preventivo y temporal del área - riesgo de incendio", o que me confirmava que eu havia feito a trilha Tolhuaca desde ontem como clandestino. Passei por uma tronqueira à direita da porteira de ferro saindo da reserva e ganhando uma estrada reta e cercada nos dois lados que desembocou na estrada principal de terra. Ali minha sorte estava lançada para conseguir uma sonhada carona pois teria uma estrada de 20km pela frente (até a Cratera Navidad) e não estava a fim de andar tudo isso por uma estrada seca, com pouca sombra e muita subida. Fui para a direita na estrada, passei por duas fontes de água e... apareceu a tão esperada carona! Mal fiz sinal e a camionete parou. Eram dois caras que estavam a trabalho. Às 11h50 cruzamos uma porteira e reentrei na Reserva Nacional Nalcas muito próximo de onde fica a trilha para o Salto La Holandesa, que queria muito conhecer porém não podia perder essa carona já que passam pouquíssimos carros nessa estrada. Vulcão Tolhuaca e o enorme escorial E daí em diante eu comecei a ter idéia da dimensão do escorial do Vulcão Lonquimay. É algo impressionante, nunca tinha visto nada igual. A lava petrificou numa área enorme e a estrada passa bem ao lado. O que se vê é uma parede assustadora de pedras que parece desabar sobre a estradinha. É preciso bastante cuidado ao dirigir nesse lugar. A Laguna Escorial também impressiona pela quantidade de árvores mortas com os galhos brancos acima da superfície da água. E aí a estrada começa a subir, subir, subir, com visão dos vulcões Lonquimay e Tolhuaca no horizonte e aquele "mar" de lava petrificada abaixo. Nessa subida longa, árida, poeirenta e exposta ao sol lembrei do relato do Peter, que não conseguiu carona e enfrentou, junto com o Ramon e a Paula, tudo aquilo na pernada. Às 12h18 passamos por um mirante em forma de plataforma à direita e no ponto mais alto da estrada (1843m) comecei a avistar a Cratera Navidad e sua trilha de subida, o que me pareceu bem difícil pela inclinação. Cinco minutos depois da plataforma saltei da camionete para subir a cratera. Já podia dispensar a abençoada carona pois estava próximo de Corralco e até lá seria só descida. Eles me deixaram bem no início da trilha para a cratera num local indicado no gps como sendo o limite entre as reservas Nalcas e Malalcahuello. Dali segui as estacas azuis e desci a uma baixada antes de iniciar a ascensão propriamente dita. O lugar ali parece outro planeta, totalmente sem árvores ou plantas, somente areia vulcânica e pedras, nada de água. Às 13h06 deixei a mochila próximo ao início da ladeira e comecei a subir. Cruzei com dois caras descendo e um deles me ofereceu o seu cajado, o que foi muito bem-vindo pois a subida pela terra solta e pedras era um passo para cima e dois para baixo. Às 13h30 alcancei a beirada da cratera. O que se vê é um grande buraco de areia e pedras com dois "olhos", dois buracos mais fundos e escuros. A última erupção do Lonquimay ocorreu em 1988 através dessa cratera. Como era 25 de dezembro ela foi batizada de Navidad (Natal, em espanhol). Dei a volta completa ao redor da cratera e a visão do escorial imenso abaixo continuava impressionante. O vulcão Lonquimay obviamente está bem ao lado, a noroeste o Tolhuaca e distante os vulcões Callaqui (norte) e Copahue (nordeste). A altitude no ponto mais alto da cratera é de 1883m. Cratera Navidad Às 14h26 iniciei a descida, resgatei a mochila e subi de volta à estrada por uma trilha que me levou um pouco mais ao norte. Ainda caminhei pela estrada voltando um pouco mais (direção norte) para fotografar o Vulcão Lonquimay com a cratera na frente, tal como havia visto da janela da camionete. Agora era descer a estrada seca e poeirenta de rípio até Corralco e procurar um lugar para acampar. Às 16h30 passei de novo pelo início sinalizado da trilha para a Cratera Navidad e era muito bonita a visão do Vulcão Llaima ao fundo. Mais abaixo comecei a visualizar as estações de esqui com seus teleféricos no meio da areia vulcânica e o Hotel Valle Corralco já na borda do bosque onde predominam as araucárias. Às 17h27 a estrada de rípio desembocou numa estrada de asfalto. À direita o asfalto terminava e era rípio também até as estações de esqui. À esquerda a estrada descia em asfalto a Corralco e à rodovia 181. Fui para a esquerda, mas procurava uma sombra para descansar e comer alguma coisa. Entrei então no bosque de araucária à direita da estrada que deve pertencer ao Hotel Valle Corralco. Eu queria evitar o encontro com qualquer funcionário do parque para não ter de dar explicações de onde eu vinha e por onde estava caminhando, como aconteceu com o Peter. Então pensei em descansar um pouco ali e passar pela portaria Corralco só depois das 18h como fez o Renato. A partir da portaria retomaria a trilha amarela, aquela do primeiro dia da caminhada, para me levar de volta à bifurcação com a trilha laranja e dali descer a Malalcahuello. Mas olhando o gps vi que a trilha amarela passava a 500m dali onde eu estava. Resolvi procurá-la. Não havia trilha nesse bosque de araucárias mas o avanço era bem fácil, sem nenhuma mata fechada impedindo. Com isso, encontrei a trilha amarela sem nenhuma dificuldade, o que me poria no caminho de volta no dia seguinte sem ter de passar pela portaria Corralco. Aproveitei para fotografar uma "araucária milenária" que havia ali. Mas onde passar a noite? Ali mesmo no bosque encontrei um lugar plano para a barraca, só tive de limpá-lo de pedras e gravetos. Fora do bosque o terreno era mais pedregoso e eu estaria mais exposto. Altitude de 1421m. Araucária milenária 28/03/18 - 5º DIA - de Corralco a Malalcahuello Duração: 6h48 Distância: 17,4km Maior altitude: 1796m Menor altitude: 954m Dificuldade: média pois há bastante subida A temperatura mínima da noite foi 2,2ºC. Às 8h fazia 12ºC, bem "quente" em comparação com os dias anteriores. Saí do acampamento às 9h08 e refiz o caminho até a trilha amarela (Sendero El Coloradito). Nele tomei a direita, me afastando do bosque de araucárias e passando a caminhar por areia vulcânica na direção do Vulcão Lonquimay (noroeste), que hoje estava encoberto pela primeira vez. As estacas amarelas me davam a direção, com o limite da floresta e uma vala profunda à minha esquerda. Essa vala escavava a terra da beirada da floresta causando o desabamento de algumas árvores grandes. À minha direita podia ver (e ser visto) o Hotel Valle Corralco e as estações de esqui, bem como a estrada por onde desci no dia anterior. Eu às vezes afundava o pé quase todo na areia, como acontecia no segundo dia de caminhada. A subida suave inicial foi se tornando mais inclinada em direção ao selado entre o Cerro Colorado (esq) e o Lonquimay (dir). Nessa subida vi que havia água corrente abaixo à esquerda, mas não desci para pegar. Atingi o Passo Colorado, de 1796m de altitude, às 10h22 e a visão para o outro lado era familiar: o local onde acampei na primeira noite e a subida ao Passo Huamachuco que encarei no início do segundo dia. Mas como decidi terminar a caminhada pela trilha Piedra Santa ainda faltava muito chão para caminhar. Desci do passo caminhando ainda pela areia vulcânica e alcancei o cruzamento da trilha amarela (Sendero Coloradito) com a trilha laranja (Sendero Laguna Blanca) às 10h54. Altitude de 1486m. Nesse cruzamento, na subida do primeiro dia, fui para a esquerda para entrar no Sendero Laguna Blanca. Agora descendo tomei a esquerda também, porém em sentido oposto pela mesma trilha Laguna Blanca (mais adiante ela se transforma em Sendero Piedra Santa, de cor azul celeste). Esse caminho me levaria à portaria Malalcahuello e, ao contrário do que eu imaginava, é longo, tem várias subidas e pouquíssima água. Mas felizmente tem bastante árvore. Araucária com galhos grossos como troncos Às 11h24 parei num riacho com ponte de madeira para fazer um lanche (não sabia que demoraria muito a aparecer outra água corrente e abundante como essa de novo). Às 12h04 apareceu um gramadão à direita onde caberiam muitas barracas (parece que há água nos arredores mas não procurei). Na subida seguinte observei que era possível avistar no horizonte não só o Passo Huamachuco como também o Passo Pancutra, ambos do segundo dia. Mas não era possível ver mais distante pela neblina que insistia em permanecer. Esse caminho está repleto de araucárias e o tronco de várias delas lembram não as araucárias brasileiras mas sim as árvores de tronco ressecado do nosso cerrado, cheio de gomos. Para quem imaginava que ia ser só descida até a rodovia, tal como no Sendero El Coloradito, me enganei totalmente. Esse caminho subiu acima dos 1700m de altitude por duas vezes antes de iniciar a descida. Haja perna! Nessa caminhada por cristas avistei em certo momento a rodovia 181 passando lá embaixo com casas ao longo. Às 13h19 cheguei a uma placa que informava o final do Sendero Laguna Blanca (laranja) e início do Sendero Piedra Santa (celeste). O caminho é o mesmo, não há nenhuma bifurcação que marque esses limites. O que muda é que a trilha celeste se interna de vez na mata e é praticamente só descida. Às 14h16 passei pelo primeiro mirante-plataforma com vista e texto sobre o Rio Cautín que corre bem abaixo no fundo do vale. A mata foi se tornando mais densa e comecei a notar as enormes árvores com troncos muito grossos bem ao lado da trilha. Às 15h o segundo mirante-plataforma com vista para o vale do Rio Coloradito, por onde subi no primeiro dia (a neblina não me deixou ver o Vulcão Lonquimay). Às 15h27 passei por um gramado à esquerda com espaço para várias barracas e água fácil ao lado, mas não creio que a Conaf permita acampar ali e estava a apenas 1,2km da administração. Cinco minutos depois outra fonte de água e mais 2 minutos fui à esquerda numa bifurcação com um mapa da reserva. Às 15h40 passei por um galpão à direita e finalmente às 15h56 cheguei à portaria Malalcahuello. Altitude de 954m. Se quisesse poderia ter saído sem ninguém me notar, mas queria saber se poderia acampar ali para fazer as trilhas mais curtas El Raleo, Las Araucarias e 3 Arroyos. A garota que me recebeu disse que essas trilhas estavam fechadas por falta de manutenção e que todas as outras estavam abertas, inclusive o circuito ao redor do vulcão! E que era permitido acampar em qualquer lugar ao longo do circuito... e aquela placa de "cierre preventivo y temporal del área - riesgo de incendio" que vi na portaria Rio Lolco? Ela tinha uma tabela com todos os horários de ônibus e vi que já ia passar um diretamente a Temuco, então não estendi mais a conversa e tratei de correr para o ponto para pegar o ônibus, que passou exatamente no horário (16h15). Dali foram 40min até Curacautín e mais 2h até Temuco. Vulcão Lonquimay Informações adicionais: Ônibus de Temuco a Lonquimay passando por Malalcahuello: . saindo do/indo para o Terminal Buses Bio Bio em Temuco: ver horários atualizados em www.busesbiobio.cl . saindo do Terminal Rural em Temuco: seg a dom: 7h30, 15h55, 18h25 Ônibus de Temuco a Curacautín: Temuco-Curacautín: . saindo do Terminal Buses Bio Bio em Temuco: ver horários atualizados em www.busesbiobio.cl . saindo do Terminal Rural em Temuco: seg a sáb: a cada 30min/1h das 6h25 às 21h dom e feriados: 8h, 10h, 13h, 14h30, 17h, 19h, 21h . saindo do Terminal Rodoviário de Temuco: seg a sex: 6h45, 7h25, 9h, 13h50, 15h40, 16h, 17h, 17h20, 18h25, 19h30, 20h sáb: 6h45, 9h, 13h50, 16h, 18h25, 19h25, 20h dom e feriados: 9h, 11h, 11h50, 15h30, 16h30, 18h, 20h10 Curacautín-Temuco: . indo para o Terminal Buses Bio Bio em Temuco: ver horários atualizados em www.busesbiobio.cl . indo para o Terminal Rural em Temuco: seg a sáb: a cada 15min/30min das 5h45 às 20h30 dom e feriados: 8h, 11h, 12h, 16h, 17h Ônibus de Curacautín a Lonquimay passando por Malalcahuello: Curacautín-Malalcahuello: seg a sex: 8h, 10h, 12h, 14h, 16h, 17h55 sáb: 8h, 10h, 12h, 14h, 17h55 dom e feriados: 10h, 17h55 (ver mais horários em www.busesbiobio.cl) Malalcahuello-Curacautín: seg a sáb: 7h, 7h45, 9h30, 10h, 12h15, 15h30, 15h40, 18h15, 19h50 dom e feriados: 9h15, 13h, 17h, 18h30, 19h50 (ver mais horários em www.busesbiobio.cl) Nome, cor e trajeto das trilhas que percorri: . Sendero Coloradito - amarelo - porteira Los Pinitos à portaria Corralco . Sendero Laguna Blanca - laranja - placa no final da trilha celeste ao início da trilha lilás (pés do vulcão Tolhuaca) . Sendero Tolhuaca - lilás - final da trilha laranja (pés do vulcão Tolhuaca) ao Rio Lolco . Sendero Piedra Santa - celeste - portaria Malalcahuello à placa no início da trilha laranja O grau de dificuldade que coloco nos relatos é uma avaliação pessoal e considera que o trilheiro esteja acostumado a caminhadas de vários dias com mochila cargueira. Para um iniciante considere todas as trilhas como difíceis. Para um iniciante que não esteja em boa forma física é melhor procurar trilhas fáceis de um dia para ganhar experiência e condicionamento. Rafael Santiago março/2018 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  7. Vulcão Descabezado Grande ao fundo Início: 4km além do acampamento 6 da Reserva Altos de Lircay Final: povoado de Radal Duração: 2 dias Distância: 34,7km Maior altitude: 2210m Menor altitude: 639m Dificuldade: média Esta é a segunda parte da travessia Parque Tricahue - Reserva Altos de Lircay - Reserva Radal Siete Tazas que durou no total cinco dias. A primeira parte está em https://www.mochileiros.com/topic/74545-travessia-parque-tricahue-reserva-altos-de-lircay-chile-abr2018. Os três parques citados situam-se na região de Maule, no Chile, próximos às cidades de Molina e Talca, cerca de 215km e 270km ao sul de Santiago respectivamente. Eles não chegam a ter área contígua mas a proximidade é tão grande que me inspirou a querer cruzar os três num único trekking. 04/04/18 - 4º DIA - Travessia Reserva Altos de Lircay - Reserva Radal Siete Tazas - trilha bem marcada mas nenhuma sinalização Início: 4km além do acampamento 6 da Reserva Altos de Lircay Final: acampamento El Bolsón da Reserva Radal Siete Tazas Duração: 9h25 Distância: 14,8km Maior altitude: 2210m Menor altitude: 1635m Dificuldade: fácil A temperatura mínima da noite foi de -0,1ºC. Saí da barraca às 8h com 0,2ºC. Deixei o local de acampamento às 9h25 e logo após uma suave subida entrei num amplo vale onde encontrei o lugar que procurava na tarde anterior para acampar: uma infinidade de gramados planos ao lado de água boa e fácil. Se tivesse andado mais alguns metros... Água boa eu só encontraria novamente ao final desse dia, já chegando ao acampamento El Bolsón. Cordón del Guamparo A trilha me levou para o fundo desse vale, diretamente em direção aos belos paredões do Cordón del Guamparo. Após uma curta subida (na qual os paredões do cordón se mostram ainda mais bonitos) a trilha bifurcou às 10h58. Segundo o gps os dois lados estariam corretos, seriam apenas variantes, mas a trilha da direita (descendo) ganhou um pasto e começaram a aparecer trilhas de gado para todos os lados, me desviando do caminho certo. Voltei à bifurcação e tomei o lado da esquerda (direita na volta), que subiu, subiu e alcançou o alto exatamente onde havia outra bifurcação (também sem sinalização). Segundo o gps o lado da esquerda leva a uma tal Laguna Colorada (entre outros destinos), então fui para a direita na direção de um chapadão. Agora caminho sobre os paredões da extremidade leste do Cordón del Guamparo. Perdi a trilha por alguns metros mas a reencontrei bem marcada mais à esquerda. Um bonito gavião procurava comida entre as pedras e pude me aproximar um pouco para fotografá-lo. No final da subida, às 12h53, passei próximo a uma estrutura de ferro já meio tombada e sem uso. A trilha desceu e se alargou numa estrada abandonada, a qual subiu e desceu em direção a um gramadão. Aqui o caminho mais visível era a continuação da estrada abandonada para a esquerda, mas não. A travessia continuava por uma discreta trilha que sai para a direita alguns metros antes de iniciar o gramadão. Nenhuma placa ali também. Na sequência passei à direita de uma pequena lagoa onde pastavam cavalos (água ruim) e continuei por esse pequeno vale onde não encontrei água boa. Vi formações rochosas bem interessantes mais à frente e à direita parecia haver até um mini Enladrillado. Às 14h48 alcancei o ponto mais alto do dia (2210m) e a paisagem se abriu de maneira espetacular para a Reserva Radal Siete Tazas, podendo ver o acampamento El Bolsón, ainda muito distante, meu destino final nesse dia. Atrás dele a montanha chamada de Colmillo del Diablo (Dente Canino do Diabo). Para trás ainda podia ver quase todo o percurso do dia de hoje. No horizonte a sudeste ainda se destacavam os vulcões Descabezado Grande e Quizapú/Cerro Azul e à direita (mais abaixo um pouco) visualizava os paredões do vale do Rio Claro. Um mirante realmente de tirar o fôlego. Vulcão Descabezado Grande ao fundo A trilha de descida era bem visível na encosta à direita, mas o trecho inicial exige cuidado (e um bastão, de preferência) pois é bem inclinado e com pedrinhas soltas. Depois fica mais fácil, porém ao dobrar ao outro lado da encosta volta a piorar e se torna uma ladeira de terra e pedras soltas bastante cansativa e que parece não ter fim. Cheguei ao limite das árvores às 17h04 e logo caminhava por um bonito bosque. Cruzei um riacho por um tronco e conversei com um homem que estava ali arrumando a tralha para pôr nos cavalos. Por causa dos cavalos essa água não era confiável para beber. Nesse local registrei a menor altitude do dia: 1635m. Saí da mata, caminhei por uma trilha entre pedras e cruzei o profundo leito de um rio seco. Depois dele a única trilha que encontrei estava me levando na direção errada, então cruzei aquele chapadão de pedras sem trilha mesmo, apontando o gps para o El Bolsón (norte) para chegar logo. Um jovem a cavalo com uma espingarda me parou para perguntar se havia visto suas ovelhas e me pediu um cigarro. Às 17h56 cheguei a um rio que cruzei facilmente pelas pedras. Parei para um lanche rápido e matar a sede. Essa foi a primeira água boa desde o vale próximo ao local onde acampei. Continuei no rumo norte para o acampamento, atravessei uma estradinha de rípio, cruzei o límpido Rio Claro (esse é outro) pelas pedras e entrei assim na área do Parque Nacional Radal Siete Tazas. Fui para a direita após o rio e cheguei às 18h50 ao acampamento El Bolsón. Havia apenas uma barraca, depois chegou um casal chileno que vinha também da Reserva Altos de Lircay seguindo as minhas pegadas... Nesse acampamento há um chalé que funciona como refúgio, uma casa de pedra em estado precário, sanitários e duchas separados para homem e mulher, dois lavatórios. Água potável pode-se pegar no rio ou nas torneiras. Gramados para acampar são quase infinitos e os arbustos protegem do vento. Subi a um mirante próximo para fotos do Salto del Indio e do pôr-do-sol. Nessa hora passou um cavaleiro com seus cachorros. Mais ao fundo do gramadão de acampamento vacas pastavam. Será que estou mesmo num parque nacional?... Altitude de 1676m. Vulcão Quizapú/Cerro Azul 05/04/18 - 5º DIA - saída da Reserva Radal Siete Tazas e final da longa travessia Início: acampamento El Bolsón da Reserva Radal Siete Tazas Final: povoado de Radal Duração: 6h10 Distância: 10,4km de trilha + 9,5km de estrada Maior altitude: 1688m Menor altitude: 639m Dificuldade: fácil A temperatura mínima da noite foi de 0,5ºC. Saí da barraca às 7h50 com 5ºC. Se eu não tivesse que chegar a Santiago no dia seguinte (e tivesse comida para mais um dia) teria percorrido os pontos principais desse setor do parque, como a Laguna de las Animas, o Valle del Indio e o Colmillo del Diablo. No caminho para o acampamento Parque Inglês (caminho da saída do parque) havia ainda as trilhas La Montañita, Mala Cara, Chiquillanes e El Coigüe. E em outros setores do parque havia as famosas cachoeiras Siete Tazas (Sete Xícaras), La Leona e Velo de la Novia, mas nestas ainda poderia passar já que ficavam na estrada para o povoado de Radal, onde tomaria o ônibus para Molina e de lá a Talca (onde deixei parte da minha bagagem). Queria sair cedo pois iria tentar uma carona até Radal ou mesmo a Molina. Desmontei acampamento com muito frio pois o sol demoraria a chegar ao vale. Saí às 9h20 e cruzei pelas pedras um riacho 5 minutos depois. Uns 300m adiante passei por uma estaca que marcava 11km, distância que faltava para o acampamento Parque Inglês e a saída do parque segundo a medição da Conaf (o meu gps marcou 9,5km até o Parque Inglês). A trilha é bem marcada já que é muito usada e não gera dúvida pois é bem sinalizada. Percorre a encosta direita do vale do Rio Claro. Às 10h15 cruzei um riacho de água boa para consumo. Às 11h38 passei pela entrada da trilha La Montañita à direita (6h de duração). Às 11h54 passei pela entrada da trilha Mala Cara à esquerda (1h de duração). Às 12h passei pela entrada da trilha Chiquillanes à direita. Aí começou a chover e tive de guardar a câmera e vestir as roupas impermeáveis. Às 12h45 passei pelo acampamento Parque Inglês. Mais 150m passei pela administração e com outros 190m saí do parque. Na estrada de terra fui para a direita na esperança de uma carona até o povoado mais próximo, Radal. A chuva deu uma amenizada. Mas não havia movimento de carros nessa altura da estradinha. Poderia ter mais sorte a partir das Siete Tazas, atrativo muito visitado. Primeiro passei por um acesso particular às Siete Tazas e Salto la Leona, que é pelo camping Valle de las Catas, que cobra CLP 2500 (R$13) para visitar as Siete Tazas e as outras quedas do Rio Claro. Cerca de 650m adiante cheguei ao acesso oficial da Conaf, que cobra CLP 5000 (R$26) o ingresso de estrangeiros. Como chovia passei batido e continuei pela estrada para não perder alguma possível carona. Fiz sinal para quatro carros mas nenhum parou. Às 14h50 passei pela grande cascata Velo de la Novia, visível da estrada e sem cobrança de ingresso. Por fim, às 15h30 cheguei ao povoado de Radal. Altitude de 639m. A chuva havia parado. Ainda bem que foi tudo descida, nem pareceu que caminhei 20km. Ônibus para Molina só no dia seguinte às 7h30 (ainda é noite nesse horário). Havia diversas opções de camping, até por CLP 2500 (R$13). O camping da Conaf, na saída do povoado, era muito bonito e cobrava só CLP 4000 (R$21). Mas minha esperança de carona não morria. Tentaria até o final da tarde, se não conseguisse acamparia ali para tomar o ônibus no dia seguinte. Me posicionei num local de boa visão para os carros e continuei "haciendo dedo". Até que um carrão bonito e caro parou. Eram duas garotas colombianas e se dispuseram a me levar até Molina com a maior boa vontade. Imagine uma situação dessa no Brasil... No caminho ainda pegaram um casal da Venezuela que também dependia de carona para voltar a Santiago naquele dia. Chegamos a Molina às 17h33 e fui ao terminal de ônibus em frente ao mercado municipal tomar o ônibus das 18h10 para Talca, onde estava minha mochila pequena com as coisas que deixei no hostal. Vale do Rio Claro DADOS DA TRAVESSIA COMPLETA Travessia Parque Tricahue - Reserva Altos de Lircay - Reserva Radal Siete Tazas Início: portaria do Parque Tricahue setor Tricahue Final: povoado de Radal Duração: 5 dias Distância: 70,5km Maior altitude: 2233m Menor altitude: 490m Dificuldade: muito alta por não haver trilha definida no 2º dia Informações adicionais: Ônibus de Molina a Radal: Molina-Radal: jan e fev: seg a qui: 12h30, 18h15, 20h15 sex e sáb: 11h30, 12h30, 18h15, 20h15 dom: 7h45, 14h, 19h30, 22h resto do ano: 17h Radal-Molina: jan e fev: seg a qui: 7h10, 10h30, 15h45 sex e sáb: 7h10, 10h30, 15h45, 18h30 dom: 10h30, 13h30, 15h30, 18h45 resto do ano: 7h30 Ônibus de Talca a Vilches (para quem for diretamente à Reserva Altos de Lircay): Talca-Vilches: seg a dom e feriado: 7h15, 12h, 16h50 Vilches-Talca: seg a sáb: 7h15, 9h15, 17h10 dom e feriado: 9h15, 14h, 17h10 O grau de dificuldade que coloco nos relatos é uma avaliação pessoal e considera que o trilheiro esteja acostumado a caminhadas de vários dias com mochila cargueira. Para um iniciante considere todas as trilhas como difíceis. Para um iniciante que não esteja em boa forma física é melhor procurar trilhas fáceis de um dia para ganhar experiência e condicionamento. Rafael Santiago abril/2018 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  8. Laguna Chica Esta é a primeira parte da travessia Parque Tricahue - Reserva Altos de Lircay - Reserva Radal Siete Tazas que durou no total cinco dias. A segunda parte está em https://www.mochileiros.com/topic/74549-travessia-reserva-altos-de-lircay-reserva-radal-siete-tazas-chile-abr2018. Os três parques citados situam-se na região de Maule, no Chile, próximos às cidades de Molina e Talca, cerca de 215km e 270km ao sul de Santiago respectivamente. Eles não chegam a ter área contígua mas a proximidade é tão grande que me inspirou a querer cruzar os três num único trekking. 31/03/18 - CONHECENDO O PARQUE NATURAL TRICAHUE Circuito Tricahue (El Motor - Los Picudos) Início e final: portaria do Parque Tricahue setor Armerillo Duração: 3h ida até a cachoeira, 3h45 volta Distância: 8,9km ida, 8,7km volta Maior altitude: 1230m Menor altitude: 490m Dificuldade: média (muita subida e pouca água) O Parque Natural Tricahue é uma reserva particular, diferentemente dos outros dois parques que são administrados pela Conaf, órgão florestal oficial do Chile. Tricahue é o nome de uma espécie de papagaio que habita essa região. O Parque Tricahue tem dois setores (Armerillo e Tricahue) e teoricamente duas portarias. Digo teoricamente pois no setor Tricahue encontrei apenas uma porteira de arame aberta e ninguém para me receber ou cobrar a entrada. Nele há algumas cabanas de aluguel. Já no setor Armerillo há uma família residente que cobra o ingresso e o pernoite em cabana ou barraca. Nesse setor estão as trilhas mais procuradas (El Tata e El Motor). Tomei no terminal rodoviário de Talca o micro-ônibus para o povoado de Armerillo às 7h30 (ver horários abaixo em Informações Adicionais). Ainda era noite, em abril só começa a amanhecer depois das 7h40. A viagem durou 1h18min. Pedi ao motorista que me deixasse no Parque Tricahue e ele erroneamente me deixou no Refúgio Tricahue, que fica entre os dois setores/portarias do parque. Voltei 1,2km a pé até a placa do parque (setor Armerillo) e bati na casa às 9h08. Todos dormiam. No Chile é costume das pessoas acordarem bem tarde. O homem que me atendeu me deu informações sobre as duas trilhas principais e quando falei que queria cruzar à Reserva Altos de Lircay ele desaconselhou e enfatizou que se eu fosse seria minha inteira responsabilidade. O caminho não estava bom, pouca gente fazia aquilo. Altitude de 490m. Montei a barraca, dei uma olhada rápida no museu com amostras da flora local e parti às 11h17 para o Circuito Tricahue (El Motor - Los Picudos), o mais difícil dos dois. Inicilmente é a mesma trilha do Tata, ao chegar ao anfiteatro ao ar livre há uma bifurcação: Motor à direita e Tata às esquerda. Altitude de 601m. Tomei a direita às 11h43 e daí em diante foi uma subida incessante até o Mirador Los Volcanes, a 1107m de altitude, de onde se divisam os vulcões Descabezado Grande e Quizapú/Cerro Azul. Felizmente a subida se dá pela sombra da mata. O caminho é largo, uma estrada abandonada. Após o mirante a trilha nivela um pouco e se torna bem mais fácil. Mas apesar da mata o terreno é seco, o dia estava bem quente e a única fonte de água estaria só mais à frente. Cascada El Chucao Às 13h52 tomei a esquerda na bifurcação sinalizada como "Cruze Bajada Tricahue". À direita será o caminho que pegarei na volta. Pouco antes dessa bifurcação alcancei o ponto mais alto da caminhada: 1230m. Com mais 7 minutos cheguei ao tal Motor, uma máquina a vapor arrastada até aquele lugar por bois numa época em que funcionava ali uma serraria. Mais à frente a trilha desce por um caminho de pedras e passa finalmente por uma fonte de água, 255m antes do Refúgio El Ciprés, onde se pode acampar também (não é permitido usar o interior do refúgio). Mais 480m e a trilha termina na Cascada El Chucao, aonde cheguei às 14h20. Altitude de 1134m. Apesar do feriado de Semana Santa só mais três pessoas chegaram à cachoeira. Lá no camping havia só mais uma barraca (aliás de um casal muito simpático). Certamente escolhi o lugar ideal para ter paz e sossego em pleno feriadão. Iniciei o retorno às 15h10 pelo mesmo caminho até a bifurcação Cruze Bajada Tricahue. Tomei a esquerda e de cara já deu pra notar a trilha estreita, bem diferente do caminho largo por onde subi. Essa trilha tinha sinalização de setas brancas e vermelhas somente em alguns pontos e é tão pouco pisada que chega a gerar algumas dúvidas. A descida se dá pela encosta e é preciso algum cuidado com a inclinação forte e com alguns locais onde uma queda seria desastrosa. Impressiona a quantidade da planta chagual, um tipo de bromélia, já com as flores secas nessa época. Se a trilha não é tão fácil quanto a outra (a que usei para subir) a paisagem compensa. Aos poucos os vales do rios Los Picudos e Los Tricahues se abrem à esquerda formando um belíssimo cenário. E bem no alto as montanhas chamadas Los Picudos. Só não se deve distrair com o panorama e não prestar atenção onde pisa. Cuidado! Num certo momento cruzei com uma aranha grande (caranguejeira ou parecida), bicho não muito fácil de se ver nas trilhas aqui do sudeste do Brasil. Depois entrei num bosque denso e essa descida não terminava nunca. A trilha desembocou num caminho largo em que fui para a direita. Me aproximei do leito do Estero Los Tricahues (única fonte de água fácil em toda essa descida) e às 17h48 uma placa causou mais confusão do que informação. A placa no chão apontava para a frente e dizia "Sendero Rojo" (trilha vermelha), enquanto uma trilha à esquerda vinha do rio. Segui em frente, para onde a placa apontava (mas depois vi que deveria ter entrado nessa trilha à esquerda e cruzado o rio para não passar por propriedades particulares). Segui em frente, cruzei uma cerca de troncos, depois uma cerca de arame farpado e percebi que não devia estar mais na área do parque. Mas continuei. Peguei uma estradinha mais ou menos paralela à estrada principal do vilarejo Armerillo que deu num portão alto (aberto) e um galpão. Cruzei essa propriedade sem ver ninguém e cheguei enfim à estrada principal, porém com um portão de ferro alto e trancado. Encontrei um ponto mais fácil de pular a cerca de arame farpado com alambrado e ganhei a estrada finalmente. Mais 180m à direita e estava de volta ao camping às 18h55, faltando 46 minutos para o pôr-do-sol. Vale do Estero Los Tricahues 01/04/18 - 1º DIA DA TRAVESSIA - Trilha El Tata e Travessia Parque Tricahue - Reserva Altos de Lircay (1ª parte) Circuito Trilha El Tata Início e final: portaria do Parque Tricahue setor Armerillo Duração: 2h35 Distância: 5km Maior altitude: 765m Menor altitude: 490m Dificuldade: fácil Travessia Parque Tricahue - Reserva Altos de Lircay (1ª parte) Início: portaria do Parque Tricahue setor Tricahue Final: cota dos 1174m Duração: 5h Distância: 8km Maior altitude: 1174m Menor altitude: 543m Dificuldade: esta 1ª parte foi fácil Saí às 8h57 e fui percorrer a Trilha El Tata. Esse é o nome de um exemplar de 526 anos de um coigüe (ou coihue). Tata em espanhol significa avô. Inicialmente a mesma trilha do Motor até a chegada ao anfiteatro. Ali tomei a bifurcação da esquerda. Subida rápida até o primeiro mirante, Mirador Armerillo, porém a neblina da manhã impedia a visão do largo vale e montanhas ao fundo. Ali a trilha inicia um circuito e o sentido sugerido é o anti-horário. Porém, como a neblina ia me tirar a visão nos mirantes seguintes, fiz o circuito ao contrário, descendo logo ao vale do Estero Armerillo, no sentido horário. Às 9h53 pude pegar água nesse estero (rio) e 6 minutos depois fotografei a bonita Cascata El Pozón. Às 10h09 cheguei ao velho coigüe. Um painel faz uma cronologia de acontecimentos relevantes no Chile ao longo da vida dessa incrível árvore de cinco séculos. Curioso é que o tronco tem uma parte oca tão grande que um adulto consegue entrar. Ali se pode pegar água facilmente do rio para um lanche e há até banheiros! Às 10h28 continuei o circuito para retornar ao camping, passando por dois outros mirantes, agora com céu aberto e sem neblina. Passei pelo anfiteatro e cheguei ao camping às 11h32. Almocei, desmontei a barraca, arrumei a mochila, conversei mais um pouco com meus simpáticos vizinhos e às 14h22 parti para a aventura não recomendada pelo dono do camping, a travessia para a Reserva Altos de Lircay. Pozón Eu tinha dois caminhos gravados no gps: um seria a partir do Motor, numa trilha quase apagada que explorei no dia anterior; o outro seria a partir da Entrada Tricahue do parque, distante 2,6km dali pela estrada principal do vilarejo. A primeira opção me pareceu talvez menos usada que a segunda e com a agravante de chegar à Reserva Altos de Lircay pela portaria, enquanto a segunda chegava pela Laguna del Alto, o que já me colocava a caminho do terceiro parque, o Radal Siete Tazas. Caminhei os 2,6km até a Entrada Tricahue e se não fosse o gps teria passado direto pois não há nenhuma placa indicando que aquela porteira de arame (aberta) é a entrada de um parque. Para chegar ali caminhei 2km a partir do camping pela estrada principal (de rípio) do vilarejo e entrei na rua à esquerda quando há uma curva de 90º para a direita e uma ponte. Há uma placa na curva indicando a entrada do Parque Tricahue a 400m. Cruzei por uma ponte de concreto o pedregoso Estero Los Tricahues e encontrei numa curva a porteira de arame aberta com uma placa dizendo "se arrienda cabaña". Era ali mesmo. Entrei às 14h58 e fui para a esquerda, passei pelas cabanas e encontrei um caminho largo que se dirigia ao rio, num local onde há várias caixas de abelha. Uma plaquinha com uma seta e a figura de um caminhante me confirmaram o caminho. Vi algumas pessoas que deviam estar hospedadas nas cabanas mas ninguém para cobrar a entrada ou dar orientações. Altitude de 543m. Segui por esse caminho largo no sentido norte, passei por uma placa "Al Pozón", numa bifurcação fui para a esquerda e às 15h53 cheguei a uma clareira à esquerda. A proximidade com o Estero Los Tricahues me fez ir buscar água e por acaso descobri o tal Pozón. Havia vários sinais de acampamento por ali e realmente é um lugar bem agradável para ficar, mas eu tinha um trajeto muito incerto pela frente e tinha que continuar. Saí do Pozón às 16h30 e a trilha estreitou por algum tempo, mas depois voltou a alargar, como uma estrada abandonada. Em determinado momento não notei um totem de pedras e uma seta azul celeste na árvore apontando para a direita e segui em frente. Cheguei a um desmoronamento e não era possível seguir. Até pensei que ali seria o fim da minha aventura mas no retorno vi a plaquinha e entrei na trilha bem marcada à esquerda. Ali começava uma subida que duraria o restante do dia e todo o dia seguinte, com todas as dificuldades que ainda vou contar. A direção geral da caminhada nessa hora muda de norte para nordeste pelo vale do Estero Los Tricahues. Às 18h12 a trilha alcança uma grande clareira gramada com pés de amora silvestre por todos os lados, um surpreendente espaço para acampamento onde caberiam muitas barracas, porém sem água próximo. A trilha volta a penetrar a mata ao final da clareira, à direita. Dali em diante, ao mesmo tempo que as amoreiras dão frutos doces para a gente se fartar, dificultam a passagem com seus muitos espinhos. Às 18h32, apesar de uma seta azul celeste na árvore apontar para a esquerda, continuei pela trilha principal em frente e só depois de quase 300m percebi que estava na direção errada, indo para sudeste, quando deveria sempre continuar para nordeste. Voltei e só então vi uma trilha bem apagada indo para a direita (esquerda na vinda). Quando passou das 19h comecei a procurar um lugar para a barraca, mas não estava fácil achar. Nessa procura me deparei com outra caranguejeira, essa bem maior que a do dia anterior. Por fim às 20h, 20 minutos após o pôr-do-sol, encontrei um espaço onde caberia a barraca e com bem pouca inclinação. Mas o que me fez ficar com a pulga atrás da orelha é que não encontrei a continuação da trilha, que já estava cada vez mais apagada. Altitude de 1174m. Vulcão Descabezado Grande 02/04/18 - 2º DIA - Travessia Parque Tricahue - Reserva Altos de Lircay (2ª parte) com muitas dificuldades de percurso Travessia Parque Tricahue - Reserva Altos de Lircay (2ª parte) Início: cota dos 1174m Final: próximo à Laguna Chica na Reserva Altos de Lircay Duração: 10h Distância: 7,5km Maior altitude: 2110m Menor altitude: 1146m Dificuldade: muito alta por não haver trilha definida Comecei o dia na expectativa de encontrar a continuação da trilha, que parecia morrer ali onde acampei. Depois de muito sobe-desce e vai-volta encontrei, e assim comecei a caminhar efetivamente às 9h56. Com 7 minutos encontrei uma ótima fonte de água. E com mais 5 minutos um excelente lugar para duas barracas com o rio ao lado. Pena que não consegui chegar a esse local no dia anterior. Havia sinais mesmo de acampamento (fogueira, mesinha e banco de troncos) e uma lata de tinta azul celeste usada na marcação da trilha. Mais à frente duas singelas quedinhas d'água seriam a última fonte de líquido até o final do dia. A trilha sobe para um bonito mirante e finalmente avisto o panorama acima das árvores, tanto para norte (meu destino) quanto para sul (de onde vim). Alguns totens continuam a aparecer, mas à medida que subo a trilha vai sumindo de vez. Logo estava procurando a trilha em meio a arbustos e touceiras de capim e bambuzinhos. As dificuldades começavam. E com o calor aumentando o cansaço não ia demorar a chegar. Segui nessa procura até que me deparei com uma matinha e nada de trilha para entrar nela. Ou seja, não havia mais caminho aberto. Nem sabia se estava na altura certa da encosta ou deveria procurar mais acima ou mais abaixo. Eram 12h23 e parei para um lanche e descanso. Em 3h procurando a trilha havia avançado apenas 2km. Temia pelo que viria pela frente num lugar como aquele em que ninguém passa mais, porém era cedo para pensar em desistir. Povoado de Armerillo já bem distante Descansei por quase uma hora. Depois entrei na mata sem a mochila e no vai-e-volta encontrei uma árvore pintada. Pelo menos estava no lugar onde um dia existiu uma trilha... Passei pela matinha (que felizmente era curta), subi um pouco e encontrei um rastro de trilha para continuar. Até que uma vala enorme me obrigou a subir a encosta de uma vez, tomando a direção sudeste por algum tempo. Alcancei o alto já sem trilha novamente e andei por uma crista, voltando ao meu sentido nordeste. Mas outra erosão enorme me deteve às 14h57 e tive que subir forte de novo para a direita (sudeste). Lá no alto voltei a encontrar uma seta azul celeste e pedras pintadas dessa cor. E com uma frequência que me fez tirar um pouco os olhos do gps e caminhar algum tempo orientado por essas marcações. Mas a alegria não durou muito pois cresceram moitas de ñirre exatamente onde passava a trilha. Esses arbustos são duros e era preciso abri-los para encontrar possíveis marcações. A essa altura me assombrava a idéia de encontrar algum impedimento no caminho e ter de voltar tudo aquilo que caminhei, com toda a dificuldade que já havia passado... Após o cinturão de ñirres e outras matinhas, o caminho se abriu e agora só tinha vegetação baixa e pedras pela frente. Parece que o pior havia passado. Cheguei enfim à crista dessa encosta e pude visualizar os vulcões Descabezado Grande e Quizapú/Cerro Azul a leste, além de uma paisagem incrível para todos os lados. Essa crista ainda ascendia bastante mas meu caminho (sem trilha) seria pela encosta mesmo, subindo suavemente. Aos poucos fui me aproximando de conjuntos de grandes blocos de pedra e me preocupava não conseguir passar por eles. Mas não houve grande dificuldade e finalmente às 18h46 alcancei um selado que me abriu visão para a Reserva Altos de Lircay! Estava entrando em sua área. Terminou a saga? Não, faltava chegar a alguma laguna para ter água para acampar... doce ilusão. Altitude de 2102m nesse mirante. Poucos metros antes o gps havia registrado a maior altitude do dia: 2110m, ou seja, desnível de 964m com todas as dificuldades de percurso. Continuei exatamente no rumo norte descendo por uma outra encosta. Passei por um novo cinturão de ñirres duros, pulei muitos blocos de pedra, mais ñirres, uma ladeira de pedras e do alto avistei a primeira laguna do parque, a Laguna Chica... totalmente cercada por ñirres!!! E a noite já ia chegar... Tentei o caminho mais direto mas os ñirres eram muito difíceis e havia uma vala funda no meio. Pensei em contornar todo o cinturão mas já caía a noite. Atravessei uma faixa de ñirres mais fácil e por sorte encontrei um lugar plano para a barraca às 19h50. Ouvi barulho de água mais abaixo e desci só com a garrafa e a lanterna para procurar. Encontrei o precioso líquido escorrendo numa grotinha... ufa! Subi de volta à mochila e voltei ao lugar plano já no escuro. A noite foi de lua cheia mas estreladíssima. Altitude de 1986m. Laguna del Alto 03/04/18 - 3º DIA - Travessia Parque Tricahue - Reserva Altos de Lircay (3ª parte) - como é bom voltar a caminhar por uma trilha! Travessia Parque Tricahue - Reserva Altos de Lircay (3ª parte) Início: próximo à Laguna Chica na Reserva Altos de Lircay Final: 4km além do acampamento 6 da Reserva Altos de Lircay Duração: 10h Distância: 20,3km Maior altitude: 2233m Menor altitude: 1657m Dificuldade: fácil A temperatura mínima da noite foi de 6,3ºC. A dificuldade desse dia no máximo seria chegar à Laguna del Alto pois dali em diante tinha certeza de que haveria trilha consolidada pois é um dos atrativos mais procurados da Reserva Altos de Lircay. Levantei acampamento às 9h32 e de cara tinha que procurar uma forma de contornar o cinturão de ñirres e alcançar a Laguna Chica. O caminho mostrado no gps era muito ruim. Desci então até o local onde peguei água e um pouco abaixo cruzei o riacho sem dificuldade. Na outra margem escalaminhei a encosta bem íngreme. Dali em diante chegar à margem da laguna foi moleza. E encontrei pegadas de cavalo, o que me guiou rapidamente à Laguna del Alto, maior e ainda mais bonita que a primeira, cercada por montanhas de pedra, com destaque para o Cerro Peine. Ali sim respirei aliviado pois sabia que a primeira etapa da travessia estava conquistada. De agora em diante não teria mais perrengue pois a ligação entre os parques Altos de Lircay e Radal Siete Tazas já está bem consolidada (pelo menos era a informação que me deram). Cruzei o riacho que é vertedouro da Laguna del Alto às 11h05 e por trilha bem marcada iniciei o caminho ao Enladrillado, outro grande atrativo desse parque. De cara uma longa subida (com água) e no alto fui à direita na bifurcação sinalizada (à esquerda desceria à administração). Caminhei pela borda de um imenso vale cuja vertente oposta foi meu ponto de chegada ao parque no dia anterior. Depois baixei a um amplo vale chamado de Vega El Arriero nos mapas e subi pelo lado oposto (havia muito pouca água ali). Após um percurso pela crista na qual alcancei a maior altitude do dia (2233m), já visualizando o vale do Rio Lircay bem abaixo à esquerda (norte), cheguei às 13h54 ao Enladrillado. Trata-se de um platô em que as rochas "cortadas" naturalmente em formatos regulares se dispõem de tal maneira que parecem ladrilhos. Não bastasse essa forma curiosa o platô está à beira do precipício que cai para o imenso vale do Rio Claro, sendo por isso um mirante espetacular para esse vale e as montanhas a perder de vista, com destaque para os vulcões Descabezado Grande e Quizapú/Cerro Azul. Altitude de 2182m. Enladrillado Saí de lá às 14h33 e imediatamente comecei a descida em direção ao Rio Lircay e ao acampamento da Reserva Altos de Lircay. A parte inicial da ladeira é um convite irresistível a um belo tombo pois é inclinada e repleta de pedrinhas soltas. A visão para esse quadrante norte também é bastante ampla e bonita. Às 15h43 entrei na mata e 7 minutos depois devia ter ido à direita numa bifurcação para chegar mais rápido ao acampamento. Fui para a esquerda seguindo a seta e caminhei bem mais. Foi distração... Às 16h08 passei direto pelo acampamento 6 da Reserva Altos de Lircay pois queria adiantar o máximo possível a travessia para a Reserva Radal Siete Tazas. Vi apenas 3 ou 4 barracas montadas. Não vi nenhum guardaparque e ninguém me questionou nada. Cruzei a ponte e continuei à esquerda na bifurcação da Vega Los Treiles. Mas havia tempo para conhecer o Mirador del Valle del Venado antes de prosseguir na travessia. Parei na bifurcação sinalizada desse mirante, escondi a cargueira na mata próxima e segui à direita na bifurcação às 16h25. Pensei em ir e voltar rapidamente sem mochila mas o caminho em grande parte é de pedras soltas, por isso levei mais tempo do que pensava (32min ida) e me cansei mais também. Cheguei ao mirante às 16h57 e fiquei até 17h24. A paisagem é parecida com a do Enladrillado porém de um ponto mais baixo. Do mirante desce a trilha para o próprio Valle del Venado e para o grande Circuito del Cóndor, de vários dias de duração e que também termina na Reserva Radal Siete Tazas. Às 17h57 peguei a mochila e tomei a esquerda na mesma bifurcação (a placa não informa nada sobre essa trilha da esquerda). Ao chegar à primeira mata há uma bifurcação sutil em que a trilha mais marcada vai para a esquerda, mas eu tomei o lado da direita, bem menos marcado. Nesse ponto e daí em diante não há mais sinalização alguma. Já estou fora da área do parque nacional segundo o gps. Só para informação, essa trilha da esquerda, a mais pisada, é a trilha Sillabur que leva ao acampamento Antahuara. Ao cruzar o riacho seguinte atenção de novo. Há trilha saindo para a direita e para a esquerda, mas deve-se ir para a esquerda. Havia vacas nas imediações mas peguei água limpa nesse riacho. Nele a menor altitude do dia: 1657m. Subi, cruzei um descampado, subi um pouco mais e ao visualizar a baixada seguinte já sabia que teria que acampar por ali pelo adiantado da hora. Cruzei a baixada e tentei encontrar mais adiante algum local plano e sem pedrinhas para montar a barraca, mas encontrava cada vez mais pedras. Voltei um pouco e acampei na baixada mesmo, às 19h40. No dia seguinte encontrei a poucos metros dali grandes gramados perfeitos para acampar e com água limpa bem ao lado. Fica a dica! Dessa maneira, consegui adiantar uma hora da caminhada do dia seguinte, o que foi importante. Altitude de 1725m. Vale do Rio Claro DADOS DA TRAVESSIA COMPLETA Travessia Parque Tricahue - Reserva Altos de Lircay - Reserva Radal Siete Tazas Início: portaria do Parque Tricahue setor Tricahue Final: povoado de Radal Duração: 5 dias Distância: 70,5km Maior altitude: 2233m Menor altitude: 490m Dificuldade: muito alta por não haver trilha definida no 2º dia Informações adicionais: Ônibus de Talca a Armerillo (a passagem custa CLP 1500 (R$8) e a viagem leva cerca de 1h20min): Talca-Armerillo: seg a dom e feriado: 7h30, 10h, 13h30, 16h30, 20h30 Armerillo-Talca: seg a dom e feriado: 7h10, 9h30, 13h25, 17h, 18h30, Ônibus de Talca a Vilches (para quem for diretamente à Reserva Altos de Lircay): Talca-Vilches: seg a dom e feriado: 7h15, 12h, 16h50 Vilches-Talca: seg a sáb: 7h15, 9h15, 17h10 dom e feriado: 9h15, 14h, 17h10 A entrada no setor Armerillo custa CLP 2000 (R$10,70) para quem vai só passar o dia. O camping custa CLP 3500 (R$18,70) por pessoa por noite e dá direito a percorrer todas as trilhas sem custo adicional. Há banheiros e ducha quente (a água só saía quente no banheiro feminino quando estive lá). Acampa-se entre patos, galinhas, gansos e perus, uma verdadeira sinfonia. O grau de dificuldade que coloco nos relatos é uma avaliação pessoal e considera que o trilheiro esteja acostumado a caminhadas de vários dias com mochila cargueira. Para um iniciante considere todas as trilhas como difíceis. Para um iniciante que não esteja em boa forma física é melhor procurar trilhas fáceis de um dia para ganhar experiência e condicionamento. Rafael Santiago abril/2018 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br Mirador Valle El Venado
  9. rafael_santiago

    Botas VENTO (Antiga Nômade)

    Boa tarde, pessoal Volto aqui ao fórum após 3 meses para contar o desfecho da minha história, que foi um problema com o forro e o solado da bota Finisterre Nanox. Aliás se todos voltassem para contar a solução (ou não) dos problemas relatados aqui a gente teria um perfil mais fiel da qualidade dos produtos e dos serviços da Vento e dos outros fabricantes de equipos de aventura, não acham? Bem, em setembro eu contei que a Finisterre com apenas 3 meses de uso havia descolado todo o forro do pé esquerdo e uma camada interna (uma espécie de palmilha rígida) havia se esfacelado, soltando muita sujeira nas meias e tornando o caminhar desconfortável. Além disso os solados dos dois pés já apresentavam rachaduras por onde a tal palmilha interna saía em pedaços. Entrei em contato com o SAC da Vento e o atendimento foi muito bom. Não precisei enviar as botas, apenas fotos mostrando os defeitos. A troca foi autorizada e pude comprar um par novo no site a custo zero (inclusive frete). Fiquei muito satisfeito com o serviço de pós-venda. No envio da bota o correio cometeu um erro e a bota voltou para Curitiba após um mês e meio de espera. Prontamente o Bruno postou a encomenda de forma expressa e já estou com a bota pronta para as próximas trilhas. Nota dez para a equipe! Espero ter mais sorte com a Finisterre nova pois continuo fã do conforto e segurança que essa bota me proporciona em travessias, por mais longas que sejam. Parabéns ao pessoal da Vento!
  10. rafael_santiago

    Botas VENTO (Antiga Nômade)

    Olá, pessoal Apesar de um problema relatado aqui no ano passado eu continuei usuário e muito fã da bota Finisterre. Uso esse modelo há muitos anos em trilhas e travessias longas e adoro o conforto e a segurança que o solado dela proporciona mesmo em condições de chuva. Porém infelizmente venho falar de um outro problema ocorrido com um modelo que comprei há menos de 4 meses em São Paulo. Depois de utilizá-la em trilhas durante 3 meses a bota (pé esquerdo somente) soltou todo o forro interno, o que faz com que uma grande quantidade de sujeira escura saia da bota ao ser lavada. Já havia notado durante a viagem que a bota estava sujando demasiadamente as meias (mesmo sem nenhuma umidade). Quando voltei e fui lavá-la é que percebi todos os problemas. Mesmo com tão pouco tempo de uso o solado abriu uma brecha. Através dele pude retirar um pedaço de alguma coisa que pensei ser uma pedra que havia entrado na bota, mas na verdade era um pedaço de uma camada interna que havia se despedaçado todo. Os pedaços estão todos soltos entre o forro interno solto e o solado. Comprei-a em 10/05/17 e em menos de 4 meses a bota se tornou inutilizável por todos esses problemas. Depois disso, não sei se devo continuar acreditando na Finisterre.
  11. Ailson, fiquei no Hostal Santa Cruz Trek e não recomendo nem para os inimigos... rs. Muito ruim em todos os aspectos (quarto, atendimento, localização, banheiros, etc), mas foi o que consegui numa semana superlotada de festas pátrias. Por isso não recomendo viajar nessa data festiva do Peru (28 e 29 de julho).
  12. Oi, destroy. Me manda um endereço de e-mail (pode ser em MP) que eu te mando o tracklog, blz?
  13. Legal, Andréa! Espero que as informações sejam bem úteis para a sua viagem. Boa trip pra vocês!
  14. Com emoção, Peter? Bota emoção nisso!!! Que sorte tiveste com o tempo e os parceiros experientes no trecho mais técnico e difícil da travessia! Muito bom quando a gente dá essa sorte. De minha parte, depois de ler o seu relato e assistir aos vídeos do Youtube, vou me contentar em fazer a travessia parcial: Catedral-Frey-Jakob-Tambo de Baez. Acho que já tá de bom tamanho e não corro o risco de travar naquele precipício da Laguna Témpanos. O mais incrível é que todo ano tem uma corrida de montanha que percorre os quatro refúgios - na canaleta eles usam corda e cadeirinha (como dá pra ver em aos 6:36). Você enfrentou sem esses equipos e ainda com uma cargueira pesada... rapaz! Abraços!
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