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rafael_santiago

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  1. Esquel vista do cume do Cerro La Cruz Início e final: centro de Esquel Distância: 10,3km Maior altitude: 1074m no cume do Cerro La Cruz Menor altitude: 566m na Praça San Martín Dificuldade: fácil, apesar do desnível positivo de 508m Com o fechamento dos parques nacionais e outras áreas de preservação em 15 de março pela pandemia do coronavírus, e ainda não decretada a quarentena total na Argentina (seria no dia 20), fui fazer uma trilha que estava fora de qualquer parque ou reserva, o Cerro La Cruz. Essa montanha se ergue a sudeste do centro da cidade de Esquel, com altitude de 1074m. A má notícia é que é possível chegar de carro ao cume, mas eu procurei percorrer o máximo de trilhas e o mínimo de estradas no meu trajeto. Atenção: NÃO recomendo iniciar a trilha pelo bairro Matadero, por onde iniciei. Parece bem mais seguro fazer o trajeto de ida e volta pela ponte da Rua Hipolito Yrigoyen, por onde terminei a caminhada. É preciso levar água para o dia todo pois não há nenhum riacho nesse percurso. Protetor solar é necessário pois se caminha a maior parte do tempo sem sombra. 17/03/2020 - Saí do Camping La Colina às 12h30 e caminhei 1,5km até a Praça San Martín. Vou tomar como referência para distâncias e desníveis nesse relato a Praça San Martín, a praça central de Esquel. Altitude de 566m. Saindo da Praça San Martín às 12h50 pela Avenida Ameghino, caminhei uma quadra para sudoeste e entrei à esquerda na Rua Perito Moreno. O Cerro La Cruz está diretamente em frente. Ao final de três quadras cruzei o Rio Esquel, mas a visão à frente não foi muito animadora. Um bairro muito feio de nome Matadero (sugestivo?) sobe o morro e lembra uma favela. Guardei todas as coisas na mochila (celular, gps) para não deixar nada exposto e continuei. Cerro 21 e Cerro Três Torres vistos do cume do Cerro La Cruz Não perguntei depois aos moradores sobre esse bairro, mas passei lá no final do dia e havia carros da polícia em frente a uma casa. Depois li notícias ruins sobre esse lugar na internet. Vou descrever abaixo o meu percurso mas NÃO suba a pé por esse caminho! Depois da ponte a Perito Moreno muda de nome para Santa Fé e sobe bem inclinada. Ao final dela tomei uma trilha de 30m que me deixou na rua acima. Fui para a esquerda e logo para a direita para me manter numa reta e atravessar logo o bairro. A rua faz uma curva para a direita e vai virando uma estradinha de terra, com as últimas casas ficando para trás. Às 13h13 entrei na primeira estradinha que apareceu à esquerda, apontando para o cerro. Ali ainda não me senti seguro porque algumas pessoas invadiram o lugar e ergueram barracos. Cumprimentei um morador mas passei rapidamente. Daí em diante não havia mais casas ou barracos. Às 13h30 deixei essa estrada e entrei à direita, onde há uma plaquinha verde "Cerro La Cruz". Subi diretamente em direção ao cerro e 6min depois fui para a direita na bifurcação sem sinalização. Às 13h44 cheguei a um largo com placa de estacionamento e um painel com informações sobre o "Sendero a la cumbre Cerro La Cruz". Ao lado está o primeiro mirante em forma de plataforma com bancos, já com uma bonita vista da cidade e das montanhas. A trilha que inicia ali entra no bosque de pinheiros e é um atalho para o trajeto em ziguezague que a estrada passa a fazer. Às 14h02 alcancei um cruzamento de trilhas e fui para a esquerda seguindo uma sinalização de círculos azuis pintados nos troncos. Uns 4min depois cruzei uma estrada, me mantive subindo pela trilha e fui para a direita na bifurcação. Tentei sempre seguir os círculos azuis pois parecia ser o melhor caminho. Às 14h21 saí do bosque de pinheiros numa subida mais inclinada. O terreno passa a ser mais pedregoso acima do bosque. Às 14h27 alcancei o segundo mirante, uma plataforma igual à anterior. Mas ainda faltava um pouco para o cume. Do mirante tomei a trilha que em 100m desembocou na mesma estradinha que abandonei no primeiro mirante. Fui para a direita e a visão foi se ampliando para o lado leste agora. Ainda surgiu uma terceira plataforma-mirante à direita, um pouco abaixo. A estradinha fez uma espiral para a esquerda e às 14h44 atingi o seu final. No alto de um morrote há um cruzeiro de ferro e mais acima, no cume, uma pequena construção. Altitude de 1074m. Dali se avista: Cerro 21 e Cerro Três Torres a nordeste, Cerro Nahuel Pan a sudeste, Cordón Situación a oeste e o vale por onde corre o trem La Trochita também a nordeste. Cume do Cerro La Cruz Fiquei mais de 1h admirando a paisagem lá de cima. Estudei os caminhos no gps e encontrei um outro percurso para voltar à cidade sem passar pelo bairro Matadero. Nele teria muito mais estradinha do que trilha mas seria bem mais seguro. Às 16h09 comecei a descida, inicialmente pelo mesmo caminho. Passei pelo segundo mirante, reentrei no bosque de pinheiros e ao alcançar a estradinha, em lugar de cruzá-la (como fiz na subida) caminhei por ela à esquerda. Saí em outra estrada e fui para direita. Na bifurcação de estradas 120m depois fui para a direita novamente por ser o caminho mais curto (a esquerda serviria também, porém num percurso mais longo). A estrada virou um retão descendo. Segui em frente num cruzamento. Mais abaixo vi no chão pegadas de felino e não eram pequenas. Fui para a direita numa bifurcação às 16h54 e convergiram caminhos vindo da direita e da esquerda. Por ser um reflorestamento há um emaranhado de estradinhas. Mais abaixo num cruzamento segui em frente e depois numa bifurcação continuei para a esquerda. Às 17h05 alcancei uma confluência de cinco estradinhas (contando a estradinha pela qual cheguei). Dessas, tomei a do meio para a direita. É fácil identificá-la pois desce diretamente para a cidade e é a que está em piores condições (muita pedra). Ela faz um grande ziguezague mas há pequenas trilhas como atalho. Às 17h28 cruzei a ponte sobre o Rio Esquel em frente à Rua Hipolito Yrigoyen, a sete quadras da Praça San Martín. Altitude de 566m. Informações adicionais: . o Camping e Hostel La Colina fica 1,5km a noroeste da Praça San Martín. Tem duchas e torneiras quentes o dia todo, pias ao lado dos banheiros e wifi. Tem luz, tomada e mesa de piquenique em cada módulo. Serve sanduíches e pizzas, além de café da manhã. Cobra ARS150 (R$9,38) pelo uso da cozinha (por até 2h). Preços por pessoa para acampar: ARS280 (R$17,50) Site: www.lacolinaesquel.com.ar Rafael Santiago março/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  2. Playa Blanca vista do Portezuelo O Parque Nacional Los Alerces foi criado em 1937 com o objetivo principal de proteger os bosques de alerce (lahuán em idioma mapuche), árvore gigante e ancestral da Patagônia. Tem basicamente quatro núcleos: Lago Rivadavia e Lago Verde/Rio Arrayanes na zona norte, Vila Futalaufquen na zona centro e Lago Amutui Quimei na zona sul. Escolhi os núcleos Lago Verde/Rio Arrayanes e Vila Futalaufquen pois me pareceram ter as trilhas mais interessantes, com mais montanhas. Depois de três dias percorrendo as trilhas do setor Lago Verde (relato aqui), tomei o ônibus das 18h40 (único do dia) e cheguei à vila de Futalaufquen às 19h40. O Centro de Informes do Parque Nacional Los Alerces estava fechado (funciona de 8 a 16h na baixa temporada), então informações sobre as trilhas abertas e habilitadas só teria no dia seguinte. Futalaufquen (pronuncia-se FutalÁufquen) vem do idioma mapuche e significa lago grande (futa=grande e laufquen=lago). Ali há três opções de camping: Camping Libre Las Rocas (gratuito, com banheiros, mas estava sem água), Camping Los Maitenes (ARS350) e Camping Rahué (ARS350). Preferi o Rahué pelo atendimento muito simpático do dono (no Maitenes era um funcionário entediado). Mais detalhes sobre esses campings nas Informações Adicionais ao final do relato. No dia seguinte voltei ao Centro de Informes e a guardaparque me disse que estavam abertas as trilhas (distâncias de ida e volta): Pinturas Rupestres (870m), Cinco Saltos (1,8km e desnível positivo de 184m a partir da trilha do Lago Krügger), Lago Krügger (43km, desnível positivo de 553m, registro obrigatório e saída até as 10h da manhã), Cerro Cocinero (11km a partir da Ruta 71, desnível positivo de 890m, registro obrigatório e saída até as 10h da manhã). E estavam fechadas: Cerro El Dedal (15km, desnível de 1080m), Arroyo Cascada (10km, desnível de 340m), Las Palanganas (9km a partir do Lago Krügger), Huella Andina etapa Vila Futalaufquen-Portada Centro (11km ida; este seria um acesso por trilha à base do Cerro Cocinero). Lago Futalaufquen Dessas, escolhi fazer a trilha do Lago Krügger/Cinco Saltos e possivelmente o Cerro Cocinero se conseguisse carona para ir e voltar já que a trilha da vila à base do Cocinero estava fechada (Huella Andina etapa Vila Futalaufquen-Portada Centro). Mas tudo para o dia seguinte pois é obrigatório fazer o registro de trekking até no máximo 10h justamente para as duas trilhas que escolhi percorrer. E eu ainda precisava comprar comida. A vila de Futalaufquen tem um mercadinho (Mercado El Negro), mas tem pouca variedade e muitas vezes está fechado. Procurei outros dois mercados e também estavam fechados. A proveeduría (mercadinho básico) do Camping Los Maitenes também é bem fraquinha. Onde todos param para comprar comida é na proveeduría do Camping Rahué, onde eu acampei. O dono sempre tem pão caseiro fresco (ele mesmo faz) e vende queijo em pedaço também. Nesse dia ainda percorri a Trilha das Pinturas Rupestres com subida a um mirante sobre um rochedo. É um circuito de 870m bem fácil, com acesso a cadeirantes até as pinturas. Trilha do Lago Krügger Início e final: vila de Futalaufquen Distância: 21,5km (só ida) Duração: 3 dias Maior altitude: 1079m em Portezuelo Menor altitude: 526m à margem dos lagos Futalaufquen e Krügger Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira e acampamento selvagem. A maior subida tem desnível de 553m. Entre o Portezuelo e a Playa Blanca a descida é bastante inclinada, portanto uma subida bem difícil na volta. A trilha do Lago Krügger tem um formato de U invertido abraçando a montanha denominada Cordón Situación, onde se encontram o Cerro El Dedal e o Cerro Cocinero. Percorre as encostas dos lagos Futalaufquen e Krügger, os quais se comunicam através do Estrecho de los Monstruos (nome dado por causa das trutas gigantes encontradas ali no passado). Playa Blanca 1º DIA - 14/03/20 - da vila de Futalaufquen à Playa Blanca Distância: 13,7km (mais 860m ida e volta a Puerto Limonao; mais 1,8km ida e volta à Cachoeira Cinco Saltos) Maior altitude: 1079m em Portezuelo Menor altitude: 526m na Playa Blanca Resumo: na trilha que leva ao Lago Krügger fiz um desvio para conhecer a Cachoeira Cinco Saltos, subindo e descendo de volta um desnível de 184m a partir da bifurcação. Continuando o caminho ao lago subi 462m verticais, baixei 79m, subi novamente 132m e por fim desci 553m muito íngremes para acampar na Playa Blanca. Saí do camping às 9h25 e fiz o registro de trekking para o Lago Krügger antes das 10h, horário-limite. Fogareiro é um item obrigatório para essa trilha, porém expliquei à guardaparque que não cozinho, só como comida fria, e ela não fez objeção. Tomei a estradinha às 9h47 na direção norte e depois de 560m, às margens do Lago Futalaufquen, entrei numa trilha à direita sinalizada com uma placa "Puerto Limonao" e Huella Andina. A Huella Andina é uma trilha argentina de 570km de extensão dividida em 42 etapas. Vai da província de Neuquén à província de Chubut, no norte da Patagônia. Sua sinalização são duas faixas horizontais de cores azul e branca. A trilha do Lago Krügger faz parte da etapa de número 39 desse caminho de longo curso (mais informações aqui e aqui). Essa trilha a Puerto Limonao corre paralela à estrada (agora de rípio) e tem painéis identificando algumas espécies de árvores. Algumas janelas na mata deixam ver o bonito Lago Futalaufquen. Às 10h32 saí numa estradinha secundária e a placa de Puerto Limonao mandava seguir para a direita. Passei por Puerto Bustillo e 110m depois reentrei na trilha à direita. Às 10h57 uma bifurcação: Puerto Limonao em frente e Cinco Saltos/Lago Krügger à esquerda. Meu destino era o lago mas fui em frente para conhecer Puerto Limonao. Até aí foram sete riachos cruzados, mas eu preferi pegar água mais acima. Cheguei às 11h07 a Puerto Limonao. Esse é o porto da vila de Futalaufquen e dele saem barcos para o Lago Krügger. Tirei fotos da linda vista e retornei (pela estrada) à bifurcação para Cinco Saltos/Lago Krügger, entrando nessa trilha às 11h20. No começo é uma estradinha fechada a carros por uma cancela. Depois da ponte do Arroyo Los Pumas vira uma trilha mesmo. Passei pelos fundos da Hosteria Futalaufquen e às 11h39 encontro a bifurcação da cachoeira Cinco Saltos. Altitude de 564m. Subi à esquerda para conhecê-la, saindo do bosque. Às 12h02 cheguei a um mirante (altitude de 726m). Ignorei uma placa de "cerrado por mantenimiento" e continuei. Subi um pouco mais (até 748m) e desci para me aproximar do riacho, o mesmo Arroyo Los Pumas, mas vi apenas pequenas quedas e pocinhos. Nesse trecho a trilha não está mesmo em bom estado e atravessa um bosque queimado. Mutisia decurrens Voltei ao mirante, comi um lanche e desci de volta à bifurcação, retomando a trilha do Lago Krügger às 13h27. Nos próximos 2km, aproximadamente, a trilha percorre a encosta do Lago Futalaufquen no sentido noroeste para depois subir. Esse trecho é bonito pelas vistas do lago mas a trilha em si é ruim de caminhar pois é inclinada, caindo para a direita. Além disso, atravessa uma área em recuperação de incêndio, com pouca sombra por conta das árvores queimadas. Cruzei cinco riachos e é bom se abastecer aí pois logo vem uma subida mais cansativa. Às 14h10 passei por um local dentro de um bosque com uma placa de Cementerio de Puesto Rozas (família Rozas) e um cruzeiro de madeira, mas não há túmulos aparentes. A trilha começa a subir e se afastar do lago. Faz uma curva para a esquerda, toma o rumo sul como se estivesse voltando e atravessa um bosque vivo às 14h49. Depois retoma o sentido noroeste e atinge a altitude de 1026m. Essa é a primeira das duas subidas mais acentuadas desse dia. Na descida, reentro no bosque e encontro às 15h35 um riacho com a placa de "último arroyo". Esta é a última água antes do Portezuelo, o ponto mais alto da travessia, portanto melhor encher os cantis. Parei para comer. Saio do bosque e a trilha aponta para uma colina recoberta de floresta, mas antes de alcançá-la ela quebra para a esquerda (oeste) e passa a acompanhar uma vala profunda que é o limite dessa colina. Me dirijo para um campo entre as colinas e baixo para a altitude de 947m, mas logo volto a subir. Subo por um vale com algumas matinhas e às 16h43 atinjo o ponto mais alto, chamado de Portezuelo (=passo de montanha). Altitude de 1079m. A vista é magnífica, parei um bom tempo para admirar e tirar fotos. Mais alguns metros e já avisto a Playa Blanca bem abaixo. A partir do Portezuelo a trilha despenca para a Playa Blanca. Sim, é muito íngreme! Bastão ou cajado muito importantes para não estourar os joelhos. Reentrei no bosque às 17h07 e a primeira água apareceu às 17h57, já bem perto do Lago Futalaufquen. Cheguei à Playa Blanca às 18h25. Um riacho deságua nela, portanto há água fácil. O lugar é tão bonito e tranquilo que nem pensei em continuar até o Lago Krügger nesse dia. Nas praias a recomendação é acampar nas áreas sinalizadas com plaquinhas nas pedras e não sobre a vegetação, que é muito frágil. O camping na Playa Blanca é selvagem, não há banheiro ou outra estrutura. Altitude de 526m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 4,8ºC Playa Blanca 2º DIA - 15/03/20 - da Playa Blanca ao Lago Krügger (e fechamento dos parques nacionais pela pandemia do coronavírus) Distância: 7,8km Maior altitude: 676m Menor altitude: 526m à margem dos lagos Futalaufquen e Krügger Resumo: esse dia teve uma variação de altitude bem menor que o anterior, com duas subidas de 150m e 148m, sempre na sombra do bosque Comecei a caminhar às 11h19. Tive de esperar o sobreteto da barraca secar ao sol pois de tão molhado pingava até dentro da barraca. A trilha sai para oeste por dentro do bosque e já começa com subida. Encontrei um argentino que estava no Centro de Informes no dia anterior fazendo o registro e ele fez todo o percurso até o Lago Krügger num dia só em 9h. O meu tempo, descontadas as idas a Puerto Limonao e Cinco Saltos, totalizaria 10h. Nessa primeira subida cheguei aos 676m (desnível de 150m) às 12h16 e desci de novo ao nível do Lago Futalaufquen, com algumas vistas bonitas dele por entre as árvores. Perto da margem me deparei às 13h16 com um riacho correndo por uma vala e a ponte é um tronco atravessado, porém estreito e escorregadio. Procurei nas laterais uma alternativa mais segura e acabei cruzando o riacho à direita do tronco, varando um matinho. Essa é a primeira água desde a Playa Blanca. A trilha sobe novamente, chega aos 674m (desnível de 148m) às 14h24 e desce ao lago outra vez exatamente onde há um riacho de água boa (segunda água do dia). Mas agora o lago é o Krügger, não mais o Futalaufquen. Cheguei ao início da praia de pedrinhas do Lago Krügger às 14h47, mas a área de acampamento e o posto do guardaparque ainda estavam mais à frente. Passei pela antiga área de acampamento e estava interditada. Cheguei ao posto do guardaparque às 15h e estava fechado. Na hosteria ao lado estavam encaixotando tudo para fechar e ir embora. Lago Krügger Perguntei do guardaparque ao pessoal da hosteria e disseram que ele estava trabalhando numa trilha. Vi a placa da trilha Las Palanganas (=as bacias) mas estava com aviso de "cerrado por mantenimiento". Porém o rapaz da hosteria disse que eu poderia ir por ela até um local chamado Naufragio del Frey, no meio do caminho. E foi o que fiz. Essa trilha Las Palanganas tem 9km ida e volta e eu tinha programado percorrê-la para completar esse dia de caminhada. Ela margeia o Lago Krügger e depois o belo Rio Frey. Quando cheguei aos 1,2km desde a hosteria me deparei com a trilha em mau estado, interditada com faixas e uma seta apontando para a direita. Fui para a direita e desci 140m (horizontais) até a margem do Rio Frey nesse local de nome Naufragio del Frey. Lugar muito bonito, com o rio de águas esverdeadas e transparentes. Voltei ao ponto de interdição e tive coceira de continuar, mas se o guardaparque estava trabalhando numa trilha só podia ser nessa. E ele não ia gostar nem um pouco de me ver nela. Voltei à hosteria e o rapaz me orientou onde deveria acampar: na praia, sobre as pedrinhas mesmo, nos lugares sinalizados com uma plaquinha. Assim como na Playa Blanca, camping gratuito e sem banheiro. Na praia conversei com um rapaz de Buenos Aires e ele foi o primeiro a me dizer que os parques nacionais estavam sendo fechados naquele dia pela pandemia do coronavírus e que nós deveríamos sair no dia seguinte. Como não poderíamos refazer o trajeto de volta pela trilha, o guardaparque iria nos levar de bote. O problema é que ele ia nos levar até Punta Mattos e não até Puerto Limonao. E Punta Mattos fica a 18,8km da vila de Futalaufquen, onde nós dois tínhamos deixado parte de nossas bagagens. Somente à noite encontrei o guardaparque e ele confirmou tudo isso. Disse que não poderia nos levar a Puerto Limonao por ser muito longe... Assim estávamos sendo "despejados" da trilha num local distante de onde começamos e com chance muito menor de conseguir uma carona. E ainda proibidos de acampar mais uma noite caso não conseguíssemos sair do parque. Altitude de 526m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 5,5ºC Rio Frey no local conhecido como Naufragio del Frey 3º DIA - 16/03/20 - do Lago Krügger à vila de Futalaufquen (e saída forçada do parque nacional fechado pela pandemia) Distância: 18,8km (de estrada) Maior altitude: 593m Menor altitude: 526m no Camping Rahué Resumo: saí do Lago Krügger no bote do guardaparque e encarei 18,8km de estrada para voltar ao Camping Rahué (maior desnível positivo de 57m) Às 8h40 da manhã estava 7,9ºC. Às 9h45 saímos eu e o portenho num pequeno bote inflável a motor com o guardaparque. Cruzamos o Lago Krügger, o Estrecho de los Monstruos (água de 2,5m de profundidade totalmente transparente com as trutas nadando) e navegamos pelo Lago Futalaufquen até o ancoradouro de Punta Mattos, chegando às 10h05. Tentamos ver no posto de guardaparques ali se iriam sair para o sul para nos dar carona até a vila de Futalaufquen mas a resposta foi negativa. O ônibus que passa ali uma vez por dia só passaria na quarta-feira (dois dias depois) pois após 11 de março a frequência passa a ser de três vezes por semana (sábado, domingo e quarta-feira). O meu parceiro imediatamente tomou a estrada e foi embora para a vila. Eu fiquei na beira da estrada de rípio para tentar a sorte numa carona. Mesmo com o parque fechado essa estrada estava aberta pois serve de ligação entre vilas e cidades vizinhas. O problema é que não havia mais turistas e os raros que passavam tinham medo de dar carona pelo risco de contaminação. Esperei até 12h56 (cerca de 2h30) e nada. Resolvi ir caminhando mesmo... afinal ainda tinha que pegar as minhas coisas no camping e dar um jeito de sair do parque pois não era permitido mais acampar dentro dele. Durante a minha caminhada de 18,8km passaram vários carros, quase todos indo para o norte, e os poucos para o sul não quiseram parar. Todos os atrativos, campings e hosterias do caminho estavam fechados. Cheguei ao Camping Rahué às 17h29, descansei, peguei as coisas e voltei ao trevinho da vila para pedir carona para Esquel ou Trevelin, as cidades mais próximas. Quando estava quase anoitecendo um caminhão de lenha parou e me levou até Esquel, aonde cheguei somente às 22h por problemas que o motorista teve na portaria do parque para sair com lenha sem a guia de autorização. Em Esquel fui para o Camping La Colina. Rio Frey Informações adicionais: . ônibus das cidades de Lago Puelo e Esquel ao Parque Nacional Los Alerces (Transportes Esquel) no verão (de 19/12 a 11/03): diário após 11/03: quarta, sábado e domingo sai de Lago Puelo às 15h30 e passa nos setores Lago Rivadavia (18h), Lago Verde (18h40), Vila Futalaufquen (19h40). Chega a Esquel às 20h40. sai de Esquel às 8h e passa nos setores Vila Futalaufquen (9h15), Lago Verde (10h30), Lago Rivadavia (10h50). Chega a Lago Puelo às 13h30. o valor do trajeto Lago Verde-Vila Futalaufquen é ARS200 (R$12,50 pelo câmbio não-oficial em Bariloche) . a taxa de entrada no Parque Nacional Los Alerces para estrangeiros é ARS400 (R$25) . site do parque: www.argentina.gob.ar/parquesnacionales/losalerces . o Centro de Informes do Parque Nacional Los Alerces em Vila Futalaufquen funciona de 8h a 19h na alta temporada e de 8h a 16h na baixa temporada . na vila de Futalaufquen há sinal de celular . o Camping Rahué tem: proveeduría (mercadinho básico), duchas e torneiras quentes o dia todo, tanques ao lado dos banheiros, luz e tomada no módulo, wifi, pão caseiro feito pelo dono e guarda de bagagem para fazer trilhas. Não tem cozinha mas cada módulo tem uma churrasqueira que eles chamam de fogón. Preço por pessoa: ARS350 (R$21,88) . o Camping Los Maitenes conta com restaurante, bar e margem do Lago Futalaufquen. Possui: proveeduría (mercadinho básico), ducha quente só de manhã e à noite, luz e tomada no módulo, não tem wifi, guarda de bagagem para fazer trilhas. Não tem cozinha para os campistas mas cada módulo tem uma churrasqueira que eles chamam de fogón. Preços por pessoa: alta temporada ARS400 (R$25); baixa temporada ARS350 (R$21,88) Site: www.campinglosmaitenes.com . o Camping Libre Las Rocas tem: banheiros e lavatórios, mas estava sem água. Não tem cozinha mas cada módulo tem uma churrasqueira que eles chamam de fogón. Preço por pessoa: gratuito . o parque exige que se faça registro de trekking para as trilhas do Lago Krügger e do Cerro Cocinero. Para o Lago Krügger o registro deve ser feito no Centro de Informes de Vila Futalaufquen pela manhã, com saída no máximo até 10h. Do Cerro Cocinero deve ser feito no Centro de Informes de Vila Futalaufquen ou na Portada Centro (12,4km dali pela Ruta 71), com saída no máximo até 10h. Ao final deve-se registrar o horário de retorno. Rafael Santiago março/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  3. Encontro do Rio Arrayanes com o Rio Menéndez visto da Pasarela O Parque Nacional Los Alerces foi criado em 1937 com o objetivo principal de proteger os bosques de alerce (lahuán em idioma mapuche), árvore gigante e ancestral da Patagônia. Tem basicamente quatro núcleos: Lago Rivadavia e Lago Verde/Rio Arrayanes na zona norte, Vila Futalaufquen na zona centro e Lago Amutui Quimei na zona sul. Escolhi os núcleos Lago Verde/Rio Arrayanes e Vila Futalaufquen pois me pareceram ter as trilhas mais interessantes, com mais montanhas. Eu estava na cidade de Lago Puelo e tinha acabado de fazer a trilha do Cerro Currumahuida (relato aqui). Para chegar ao setor Lago Verde do parque tomei o ônibus das 15h30 da empresa Transportes Esquel. A viagem foi longa por estradas de asfalto e rípio. Entramos no parque pela Portada Norte (Lago Rivadavia) e desci para pagar a taxa de entrada de ARS400 (R$25 pelo câmbio não-oficial em Bariloche) para estrangeiro (ARS180 para argentinos). Chegamos ao trevinho do Camping Lago Verde, na Ruta 71, às 18h45. Da Ruta desci 700m até o camping. Ao final da estradinha, junto ao Lago Verde, há o Camping Agreste Lago Verde à esquerda e o El Aura Lodge com camping organizado à direita. Há também o posto do guardaparque. Como o camping agreste tinha tudo o que eu precisava e o organizado custa o dobro, não tive dúvida. Veja nas Informações Adicionais ao final do relato o que cada camping oferece e seus preços. Altitude de 534m. 1º DIA - 08/03/20 - trilhas Viejo Lahuán, Lahuán Solitario, Puerto Chucao, Mirador Glaciar Torrecillas, Puerto Mermoud Distância: 14,5km Maior altitude: 594m perto do estacionamento da Pasarela Menor altitude: 517m às margens do Lago Verde Resumo: nesse primeiro dia no parque emendei as trilhas mais curtas do setor Lago Verde, todas com variação muito pequena de altitude Às 10h saí do camping não pela estradinha que sobe à Ruta 71 mas pelos fundos, onde tomei uma trilha para a direita. Essa trilha margeou o Lago Verde por algum tempo depois subiu e se afastou dele. Há trechos estreitos com queda para o lago - uma placa ao final alerta: "trilha não apta para pessoas com vertigem de altura". Ela terminou num estacionamento junto à Ruta 71 às 10h25. Dali poderia pegar a trilha diretamente para a Pasarela para visitar a maioria dos lugares que havia planejado ver nesse dia, mas antes fui conhecer o Viejo Lahuán (velho alerce), um pouco mais distante. Do estacionamento tomei a Ruta 71 por 1,1km no sentido sul e entrei às 11h14 numa trilha à direita com um pequeno estacionamento e sinalização da Huella Andina, duas faixas horizontais de cores azul e branca. Essa trilha faz parte da etapa de número 37 desse caminho de longo curso. Rio Menéndez A Huella Andina é uma trilha argentina de 570km de extensão dividida em 42 etapas. Vai da província de Neuquén à província de Chubut, no norte da Patagônia (mais informações aqui e aqui). Atravessando este parque ela interliga os vários setores, porém tem algumas interrupções e por ter seu trajeto quase sempre próximo da Ruta 71 não desperta tanto interesse. Essa trilha seguiu pela margem esquerda do belo Rio Arrayanes. Às 11h46 cheguei ao Camping Agreste Rio Arrayanes e parei para conhecer (preços e mais detalhes em Informações Adicionais). Voltei a caminhar às 12h29 ainda pela margem do verdíssimo Rio Arrayanes e passei por um curioso bosque de... arrayanes, com seus troncos cor de canela que geralmente crescem inclinados. Parei para fotos. Cheguei ao Viejo Lahuán (velho alerce) às 13h24, mas me decepcionei. A velha árvore havia perdido seu topo e há uma abertura grande na parte inferior do tronco. Até pensei que estivesse morta, mas vi que tem galhos crescidos no outro lado. Fiquei bastante tempo por ali e fiz um lanche. Iniciei o retorno às 15h. Passei novamente pelo Camping Rio Arrayanes porque li num relato que haveria wifi, mas não havia. Voltei pelo mesmo caminho e às 16h37 estava de volta à Ruta 71, onde vacas pastavam... não é um parque nacional? Voltei 680m pela estrada e 370m antes do estacionamento desci uma estradinha à esquerda, chegando à Pasarela, uma ponte suspensa sobre o Rio Arrayanes com um visual espetacular e de onde se vê o encontro deste rio com o Rio Menéndez. À direita está o Lago Verde. Ao cruzar a "vibrante" Pasarela inicia à esquerda uma trilha interpretativa chamada Sendero Lahuán Solitario, de 1,5km de extensão dali até Puerto Chucao. Depois o caminho continua em forma de estradinha até Puerto Mermoud e então volta a ser trilha, retornando à Pasarela. Portanto um percurso em formato circular que totaliza 3,5km. Fui para a esquerda, percorri a margem esquerda do belo Rio Menéndez e cheguei às 17h39 ao Lahuán Solitario, um alerce de aproximadamente 300 anos. Lahuán é a palavra mapuche para alerce e significa avô. Esse está bem mais bonito e majestoso que o Viejo Lahuán. Na continuação encontrei uma placa alertando para a presença de pumas (já é a segunda) e para não caminhar sozinho... medo! Fui à esquerda na bifurcação e às 17h54 cheguei a Puerto Chucao, já às margens do Lago Menéndez. Dali saem passeios de barco para o bosque de alerces milenários. Continuando o pequeno circuito passei pelo Mirador do Glaciar Torrecillas, também às margens do Lago Menéndez, às 18h04. Desde Puerto Chucao a trilha virou uma estradinha que o liga ao Puerto Mermoud. Na bifurcação com placa de Sendero Lago de las Juntas tomei essa trilha para a esquerda mas tanto faz. Lago de las Juntas é o nome antigo do Lago Verde, aonde cheguei às 18h28, exatamente em Puerto Mermoud, um píer de madeira. Seguindo no circuito encontrei uma bifurcação com placa: à esquerda se chega à Pasarela pela costa (500m), à direita se chega à Pasarela pela escadaria (700m). Preferi ir para a esquerda para tirar fotos do Lago Verde mais de perto. Atravessei a Pasarela às 18h56, subi ao estacionamento e voltei ao camping pela mesma trilha da manhã, chegando às 19h35. Vista do Cerro Alto El Petiso: Lago Menéndez e Lago Futalaufquen ao fundo 2º DIA - 09/03/20 - trilha do Cerro Alto El Petiso Distância: 17,5km (ida e volta a partir do Camping Agreste Lago Verde) Maior altitude: 1777m no cume do Cerro Alto El Petiso Menor altitude: 517m às margens do Lago Verde Resumo: a trilha do Cerro Alto El Petiso é a mais pesada do setor Lago Verde, com desnível de 1260m, trechos longos só de pedras e subida íngreme para atingir o cume Na noite anterior fui ao posto do guardaparque e ele me deu todas as orientações de como é a trilha para o Cerro Alto El Petiso. É uma das caminhadas mais difíceis do parque e por isso exige que se faça o registro de trekking na hora da saída. Há também horários-limite: 9h para registrar e sair, 10h para passar por Puerto Mermoud (início da subida) e 15h para iniciar o retorno, esteja onde estiver. Nesse dia fiz o registro no livro que fica pendurado ao lado da porta da casa do guardaparque e saí às 8h22. Havia o registro de uma brasileira três dias antes. Novamente saí pelos fundos do camping, passei pelo estacionamento e depois da Pasarela fui para a direita, descendo ao Lago Verde. Cheguei ao píer de Puerto Mermoud às 9h12 e 30m acima está a placa que marca o início da trilha Cerro Alto El Petiso. Altitude de 520m. Placas indicam a presença de huemules, fiquei torcendo para ver um. Entrei no bosque às 9h23 e já inicia a subida, que será constante e sem trégua. Às 10h27 cruzei um riacho por pedras e troncos e 3min depois saí do bosque encontrando o Arroyo Zanjón Hondo (zanjón=vala grande e hondo=funda), um riacho repleto de blocos de pedra. Altitude de 911m. O caminho continua pelas pedras do rio, à direita, sempre subindo. Trecho longo e muito chato esse. São só 1,1km pelo leito pedregoso do rio, mas parece muito mais. É preciso escolher a todo momento em que margem caminhar/saltar pelas pedras, atravessando o riacho várias vezes. Alguns paus fincados servem de orientação. Ultrapassei um casal bem jovem, a garota estava com dificuldade para andar nas pedras. Lago Menéndez e Glaciar Torrecillas vistos do Cerro Alto El Petiso Às 11h05, na altitude de 1129m, abandonei o Arroyo Zanjón Hondo e subi por uma crista estreita e alta à direita (no mapa do parque aparece como espina), conforme as instruções do guardaparque. Depois soube que o casal desistiu ao ver essa subida. A crista é tão estreita e empinada que fiquei pensando como seria a descida por ela na volta... Atravessei um trecho de lengas baixas e, ao sair delas às 11h33, parei para um lanche por 14min. Altitude de 1339m. Essa parada serviu para tomar um fôlego também pois agora vinha a parte mais dura, uma subida íngreme de pedras soltas até o cume (zona de pedrero no mapa do parque). A trilha está bem marcada, até tem variantes em alguns pontos. Em parte da subida ainda há vegetação rasteira, mais acima só pedras mesmo. Cheguei ao cume às 12h38. Altitude de 1777m. Logo depois chegou um casal francês que encontrei em alguns pontos da subida. O cume é bem amplo na direção SO-NE. Só havia neve em uma encosta perto do cume (o guardaparque disse que eu precisaria cruzar uma mancha de neve). Primeiro fui para a ponta NE e dali se avistam o Lago Rivadavia a nordeste, o vale do Rio Rivadavia a leste, o Lago Menéndez e o Glaciar Torrecillas a oeste, o Cerro Techado Blanco a sudoeste. Depois fui para a ponta SO, que tem um visual ainda mais bonito. Para o sul o Rio Arrayanes e o Lago Futalaufquen, com o Cerro Alto El Dedal ao fundo. Não se vê o Lago Verde. Faltando meia hora para o horário-limite de retorno (15h) chegou uma austríaca solitária que nem registro fez pois não encontrou o guardaparque. Comecei a descer às 15h02 e ainda encontrei duas garotas argentinas na subida. Estavam bem perto do cume, mas desistiram e voltaram. Na descida inclinada de pedras soltas é recomendável ter um bastão ou cajado para ajudar a frear e não forçar tanto os joelhos. Passei pelas lengas às 15h49 e cheguei à crista estreita. Não senti segurança em descer por ela, então baixei diretamente para a esquerda em direção a um pedregal parecido com o leito do riacho. Não estava bom caminhar/saltar pelos blocos de pedra ali, mas acho que foi melhor. Às 16h29 esse caminho convergiu para o Arroyo Zanjón Hondo, que desce pelo valezinho do outro lado da crista estreita. Desci por ele saltando incontáveis blocos de pedra e às 17h10 cheguei à seta amarela que aponta a entrada no bosque. Parei para descansar e comer alguma coisa. A austríaca vinha logo atrás de mim e parou também. As garotas argentinas ficaram bem para trás. Às 17h31 entrei no bosque, desci e às 18h29 estava de volta ao Puerto Mermoud no Lago Verde. Contornei o lago mas, diferente do dia anterior, escolhi retornar à Pasarela pela escadaria (não pela margem). Valeu a pena a subida pois há bonitos mirantes do lago. Cruzei a Pasarela às 19h12 e cheguei ao camping às 19h49. Fui ao posto do guardaparque registrar o meu horário de retorno. Laguna Escondida 3º DIA - 10/03/20 - trilhas Laguna Escondida e Mirador Lago Verde Distância: 17,1km Maior altitude: 909m na subida para a Laguna Escondida Menor altitude: 534m no Camping Agreste Lago Verde Resumo: a trilha da Laguna Escondida tem uma inclinação um pouco acentuada e desnível positivo de 339m desde a Ruta 71. A trilha do Mirador Lago Verde é fácil e tem um desnível de 166m desde o trevinho do Camping Lago Verde (que foi onde a iniciei) Saí do camping às 9h17 e dessa vez não tomei a trilha nos fundos. Para variar subi pela estrada até o trevinho da Ruta 71 e segui para a direita (sul). Passei pelo estacionamento, pelo acesso ao Camping Rio Arrayanes e cheguei às 10h12 à entrada da trilha para a Laguna Escondida, sinalizada apenas com uma seta amarela, sem nenhuma placa (foram 3,1km desde o trevinho). Altitude de 570m e ali já começa a subida. O parque exige que se faça registro de trekking para essa trilha também. Deve ser feito no guardaparque do Rio Arrayanes, mas eu não fui até lá fazer. Embora não tenha a sinalização no início, essa trilha também é parte da etapa 37 da Huella Andina. Iniciando a subida, com uns 70m de trilha é preciso passar para o outro lado da cerca - degraus feitos de troncos grossos ajudam nessa manobra. Subindo mais alcanço um mirante com bonita vista para o Lago Menéndez e o Glaciar Torrecillas ao fundo. Também se veem o Rio Arrayanes, o Lago Verde e acima dele o Cerro Alto El Petiso. A trilha alcança os 909m (maior altitude desse dia) e desce um pouco. Aí encontrei o rapaz do casal francês do dia anterior no Cerro Alto El Petiso. A garota não conseguiu sair para essa trilha, ficou descansando. A trilha nivela e às 11h12 chego a uma bifurcação apontando Huella Andina em frente (esquerda) e Laguna Escondida à direita (apenas 30m, segundo a placa, mas 90m na realidade). Altitude de 891m. Laguna de cor verde-esmeralda mas não tão bonita quanto as outras. Talvez pela falta de sol as cores do lugar não se sobressaíram. Aproveitei mesmo foram os calafates maduros e doces. É proibido acampar na laguna, aliás em qualquer lugar do parque que não seja camping estabelecido. Saí às 12h43 e às 13h33 estava de volta à Ruta 71. Caminhei os 3,1km até o trevinho do Camping Lago Verde e entrei às 14h15 numa trilha paralela à Ruta 71 que me levará à trilha do Mirador Lago Verde. Altitude de 600m. Essa trilha aponta para leste e inicia cruzando uma ponte onde encontro a sinalização da Huella Andina. Ela também é parte da etapa 37 desse caminho. Lago Verde visto do Mirador Lago Verde Uns 120m após a ponte cruzo uma estrada secundária bem na porteira de um sítio (há áreas particulares dentro do parque). Acompanho uma cerca. A trilha continua paralela à Ruta 71 e suas curvas, e passo por dois pontos de água. Surge uma escada pula-cerca mas nem é preciso usá-la pois a cerca está aberta à esquerda. Às 14h42 alcanço enfim a trilha do Mirador Lago Verde. Há um pequeno estacionamento à direita na Ruta 71 e à esquerda um portal com placa de informações sobre essa trilha. Seguindo à esquerda em 140m há um desvio para a esquerda e em seguida uma bifurcação. A Huella Andina continua em frente e a trilha do mirante vai para a esquerda. Às 14h57 cheguei ao Mirador Lago Verde, com painel indicando o nome das montanhas. Além do Lago Verde se vê o Rio Rivadavia e o Lago Rivadavia a norte-nordeste e ainda o Cerro Alto El Petiso a norte-noroeste. Altitude de 761m. Saí às 15h25 e às 16h10 estava de volta ao Camping Agreste Lago Verde. Comi um lanche, desmontei a barraca e subi de volta à Ruta 71 para tomar o ônibus das 18h40 (único do dia) para Vila Futalaufquen, aonde cheguei às 19h40. Nesse setor planejei fazer diversas trilhas, mas surgiram alguns problemas (relato aqui). Informações adicionais: . ônibus das cidades de Lago Puelo e Esquel ao Parque Nacional Los Alerces (Transportes Esquel) no verão (de 19/12 a 11/03): diário após 11/03: quarta, sábado e domingo sai de Lago Puelo às 15h30 e passa nos setores Lago Rivadavia (18h), Lago Verde (18h40), Vila Futalaufquen (19h40). Chega a Esquel às 20h40. sai de Esquel às 8h e passa nos setores Vila Futalaufquen (9h15), Lago Verde (10h30), Lago Rivadavia (10h50). Chega a Lago Puelo às 13h30. o valor do trajeto cidade de Lago Puelo-Lago Verde é ARS450 (R$28) . a taxa de entrada no Parque Nacional Los Alerces para estrangeiros é ARS400 (R$25) . site do parque: www.argentina.gob.ar/parquesnacionales/losalerces . o Camping Agreste Lago Verde é o mais barato desse setor. Possui: proveeduría (mercadinho básico), duchas e torneiras quentes das 19h às 22h (a lenha), lavatórios e tanques ao lado dos banheiros, não tem luz nem tomada no módulo (mas o anfitrião carrega baterias na proveeduría), não tem wifi nem sinal de celular. Não tem cozinha mas cada módulo tem uma churrasqueira que eles chamam de fogón. Preços por pessoa: temporada alta (jan e fev) ARS400 (R$25), 3 dias ou mais ARS350 (R$21,88) por dia; temporada baixa (dez e mar) ARS250 (R$15,63), 3 dias ou mais ARS220 (R$13,75) por dia Site: fronterasur.com/experiencias/camping-lago-verde . o Camping Organizado Lago Verde é bem mais caro e conta com restaurante, café, cabanas e até domos. Possui: proveeduría (mercadinho básico), ducha quente só de manhã e à noite, luz e tomada no módulo (nem todos), não tem wifi nem sinal de celular. Não tem cozinha para os campistas mas cada módulo tem uma churrasqueira que eles chamam de fogón. Preços por pessoa: temporada alta ARS600 (R$37,50); temporada baixa ARS500 (R$31,25) Site: www.elaurapatagonia.com/es/el-lodge/72-tabs/camping/195-camping . o Camping Agreste Rio Arrayanes tem: proveeduría (mercadinho básico), ducha quente das 8h às 23h, pias ao lado dos banheiros, não tem luz nem tomada no módulo, não tem wifi nem sinal de celular. Não tem cozinha para os campistas mas cada módulo tem uma churrasqueira que eles chamam de fogón. Servem comidas rápidas como sanduíches, minipizzas e empanadas. Preço por pessoa: ARS500 (R$31,25) . o parque exige que se faça registro de trekking para as trilhas do Cerro Alto El Petiso e da Laguna Escondida. Para o Cerro Alto El Petiso o registro deve ser feito no guardaparque do Lago Verde ou do Rio Arrayanes, com saída no máximo até 9h. Da Laguna Escondida deve ser feito no guardaparque do Rio Arrayanes. No posto do Lago Verde não é preciso encontrar o guarda para preencher o registro, basta anotar na folha que está atrás do aviso de horários-limite dessa trilha. Esse aviso fica ao lado da porta da casa. Ao final deve-se registrar o horário de retorno. Rafael Santiago março/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br dia 1 dia 2 dia 3
  4. Lago Puelo e delta do Rio Azul Início: cemitério de Lago Puelo Final: porto de Lago Puelo Distância: 16,1km Maior altitude: 1197m no cume do Cerro Currumahuida Menor altitude: 198m na margem do Lago Puelo Dificuldade: alta pois a inclinação é bem forte para atingir o cume do Cerro Currumahuida, exigindo um pouco de escalaminhada meio exposta. Desníveis positivos de 405m e 724m do cemitério ao cume. A leste e sudeste da cidade de Lago Puelo se estende o Cerro Currumahuida, cujo cume está na porção central da cadeia montanhosa, a 1197m de altitude, de frente para o lindo Lago Puelo. Esse curioso nome significa morro preto em idioma mapuche (curru=preto e mahuida=morro). Infelizmente a encosta mais próxima ao cume sofreu incêndios em 2015 e 2011 e uma parte da subida se dá entre troncos caídos e queimados. 06/03/2020 - Saí do Camping Las Rosas às 10h13 e caminhei 1,2km até o cemitério municipal, ao sul do centro da cidade, na Avenida Los Alerces. Altitude de 225m. Na frente do cemitério há um grande painel dando as boas-vindas à Área do Cerro Currumahuida e mostrando num mapa as quatro trilhas principais: La Virgen, La Cruz, Camino del Faldeo e Subida La Lidia. Dessas meu plano era percorrer o Camino del Faldeo (ou Sendero El Faldeo) até o Puesto Maninga, em seguida subida ao cume do Currumahuida (não mostrado nesse mapa) e então descida pela "Bajada a La Playita", com final no Lago Puelo e retorno ao centro de ônibus. Esse percurso tem a seguinte altimetria: sobe dos 225m do cemitério aos 630m, depois desce aos 473m no Puesto Maninga. Sobe aos 1197m do cume e finaliza baixando aos 198m na margem do Lago Puelo. Entrei na rua à esquerda do cemitério às 10h38 e em 100m inicia uma trilha com placa de Sendero La Virgen. E já começa com uma subida bem íngreme dentro do bosque. Mais acima aparece uma sinalização de duas faixas horizontais de cores verde e branca. Vista do cume do Currumahuida: Cerro Três Picos e Cerro Plataforma à esquerda; Cerro Cuevas e Cerro Aguja Sur à direita Às 11h14 cheguei aos escombros de uma cabana de madeira com uma placa "Puesto Tatin Fernandez" e o primeiro mirante para o Lago Puelo, já a 512m de altitude. Depois vieram trilhas da direita e da esquerda mas me mantive na principal. Subi até os 630m de altitude e comecei a baixar. Às 12h23 parei em outro mirante para fotos da cidade e do lago. Cruzei um bosque de pinheiros com o chão repleto de cones (pinhas) e às 12h51 cheguei a uma bifurcação em T com um banco para descanso. A trilha que vem da direita é outro acesso desde a cidade e se chama Subida La Lidia, segundo a placa no cemitério. Segui para a esquerda e encontrei o primeiro riacho da caminhada, porém era apenas um fio d'água. Muito recomendável trazer água suficiente para o dia todo desde a cidade. Às 13h cheguei a um cruzamento de trilhas num local chamado Puesto Maninga. Há restos de uma cabana ali também. A sinalização agora é de duas faixas horizontais de cores azul e branca e aponta para a esquerda, que é o caminho ao cume. Essa sinalização verde/branca e azul/branca parece ser uma convenção local para o Cerro Currumahuida, mas nesse trecho a trilha de cores azul/branca coincide com o traçado da Huella Andina, que tem exatamente essas cores. A Huella Andina é uma trilha argentina de 570km de extensão dividida em 42 etapas. Vai da província de Neuquén à província de Chubut, no norte da Patagônia. A subida do Currumahuida, porém pela Playita e não pelo cemitério, é parte da Etapa 33: PN Lago Puelo-El Desemboque (informações aqui e aqui). Seguindo em frente nesse cruzamento a trilha desaparece no bosque. A direita no cruzamento é a trilha que desce para La Playita e Lago Puelo, que tomarei na volta. Mas antes de continuar me fartei com as amoras maduras que havia ali. Para chegar a esse cruzamento havia descido até a altitude de 473m. Agora volto a subir, e bastante! A trilha continua para o sul e aparece uma sinalização branca e vermelha também. Saio do bosque e encontro água, mas estava parada. Nova paisagem do Lago Puelo à direita. Às 13h46 cruzo o limite do Parque Nacional Lago Puelo com um portal simples e uma placa. Uns 5min depois uma seta vermelha manda subir para a esquerda, aparentemente sem bifurcação nenhuma, porém ela existia e foi soterrada por árvores que caíram. A trilha da direita seria a continuação da Huella Andina contornando o Cerro Currumahuida pelo sul até El Desemboque. O cume já estava próximo se olharmos no mapa mas o pior ainda estava por vir. Logo inicia uma ladeira longa e íngreme de pura terra solta numa área devastada por incêndio. Lugar muito ruim de caminhar pois a terra solta muito fina subia como poeira a cada passada e as árvores queimadas sujam a roupa de carvão. A recompensa é a vista cada vez mais larga do azul Lago Puelo. Alcancei um platô onde a trilha se tornou menos íngreme. Numa bifurcação fui à esquerda e na seguinte à direita, alcançando às 14h58 um gramado bom para acampar (há água de um lago não muito distante). A trilha segue em nível por uns 150m e uma seta pintada na pedra manda subir à direita. Já se vê o cume e é um grande rochedo de paredes bastante íngremes. Cheguei à base desse rochedo e não conseguia visualizar alguma trilha subindo, mas havia. Subi com cuidado e até usando as mãos pois alguns trechos eram muito inclinados mesmo. Atingi o topo às 15h23. Há dois cumes: leste e oeste. Fui primeiro ao cume leste, onde há restos de um cruzeiro de madeira. Depois ao cume oeste, onde há um pau fincado, talvez restos de um outro cruzeiro. Altitude de 1197m em ambos. Dali se avista, além do Lago Puelo e da cidade homônima, o Lago Epuyen a sudeste; o Cerro Três Picos e Cerro Plataforma ao sul-sudoeste; Cerro Aguja Sul a oeste-sudoeste; o Lago Inferior (no Chile) a oeste; Cerro Aguja Norte a noroeste; El Bolsón e Cerro Piltriquitron a norte-nordeste. Cume escarpado do Currumahuida Iniciei o descenso às 15h55. Desci do rochedo com bastante cuidado, passei pelo gramado e depois o trecho ruim de terra solta com a ladeira bem inclinada. Ali cruzei com três pessoas subindo, os primeiros que encontro na trilha. Às 17h02 passei pela placa do Parque Nacional, reentrei no bosque e cheguei ao cruzamento Puesto Maninga às 17h30. Ali segui em frente (oeste), descendo, e em 280m chego a uma bifurcação em que sigo à esquerda. Às 18h06 me deparo com uma placa do parque nacional apontando para o "Ciprés Abuelo" (cipreste avô) a 100m e fui conhecer esse bonito exemplar datado de 1850 e que sobreviveu a tantos incêndios. Mais 220m de descida e alcanço uma bifurcação: a trilha continua à direita, mas vou à esquerda conhecer o Mirador del Lago. A caminho dele há um riacho, única água corrente do dia. O mirante tem painel com o nome das montanhas. Voltei à trilha principal e continuei a descida. Logo convergiu uma trilha à direita chamada Sendero El Chucao, mas continuei em frente. Uns 80m depois cruzei um portal e para a direita sai uma trilha com placa apontando Sendero Pitranto Grande, mas ainda continuei em frente. Cheguei ao Lago Puelo às 19h e fui visitar a Playita, um lugar bem sem graça. Voltei ao portal e segui à esquerda a trilha Pitranto Grande. Em 15min aparece o pitranto, que é um bosque de pitras preservado neste parque e que fora dele tende a desaparecer pela urbanização, segundo ensina a placa. Continuando na direção do porto principal (oeste) passei às 19h30 pela entrada da trilha (à direita) para o Jardim Botânico e Sendero Antiguos Pobladores, mas não havia tempo para conhecer, infelizmente. Segui em frente e com mais 200m cheguei à entrada da trilha do Bosque de las Sombras, e esse eu queria muito conhecer, então entrei. Essa trilha tem um trajeto circular de 400m por plataformas ainda dentro do bosque pitranto. Saindo dele tomei o caminho mais próximo à margem do lago, passei pelo porto principal (de concreto) e consegui alcançar o ônibus das 20h para o centro de Lago Puelo. Informações adicionais: . o ônibus que vai do Lago Puelo (parque nacional) até o centro da cidade de Lago Puelo (e continua para El Bolsón) é diário e sai a cada hora redonda (13h, 14h, 15h,...), segundo me informaram. Na internet há tabelas mostrando saídas a cada 30min de 11h a 22h. Valor da passagem ARS20 (R$1,25). Transportes La Golondrina. . site do Parque Nacional Lago Puelo: www.argentina.gob.ar/parquesnacionales/lagopuelo Rafael Santiago março/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  5. Rio Puelo exatamente na fronteira entre Chile e Argentina Início: Segundo Corral (Chile) Final: porto de Lago Puelo (Argentina) Distância: 21,9km Duração: 2 dias Maior altitude: 385m Menor altitude: 195m em Puerto Lago Inferior e no porto de Lago Puelo Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira e acampamento selvagem. A maior subida tem desnível de 168m. O Passo Internacional Rio Puelo é uma das três travessias a pé entre Chile e Argentina que existem na Região dos Lagos. As outras são Passo Vuriloche e Passo El León/Rio Manso. Eu havia acabado de fazer a travessia do Passo Vuriloche (relato aqui), passei uma noite em Ralun (Chile) e no dia seguinte retornei à Argentina pelo Passo Rio Puelo. DIA 0 - 02/03/20 - de Ralun (Chile) a Segundo Corral (Chile) Tomei o ônibus que passa às 10h em Ralun e vai até o Lago Tagua Tagua (localidade de El Canelo), aonde cheguei às 12h14. Ali peguei a balsa das 13h para o porto de Punta Maldonado. Foram 45min de travessia. Em Punta Maldonado, na outra extremidade do Lago Tagua Tagua, tomei às 13h52 um micro-ônibus (que espera a chegada da balsa) em direção a Llanada Grande, Primer Corral e Segundo Corral. Às 14h40 esse micro-ônibus parou numa mercearia na vila de Llanada Grande e ali consegui comprar o queijo que não encontrei em lugar nenhum em Ralun. Vendem pão, legumes e frutas também. Continuando, o micro-ônibus faz um pequeno desvio até Puerto Urrutia e a seguir passa por Primer Corral. Eu já havia conversado com algumas pessoas e todos (inclusive o motorista do micro-ônibus) me recomendavam começar a caminhada do Passo Rio Puelo em Segundo Corral, não em Primer Corral, como era minha intenção. Lago Las Rocas Pedi para o motorista parar em Primer Corral e ele continuava contrariado em me deixar ali. Perguntou aos passageiros se ali havia caminho para a fronteira. Uma moradora disse que o caminho estava obstruído desde o último inverno pela queda de muitas árvores. Um montanhista confirmou que as trilhas menos usadas estavam em péssimas condições, ele mesmo estava retornando de uma que não conseguiu terminar. Diante desses argumentos continuei até o ponto final do micro-ônibus, em Segundo Corral. Já eram 16h15 e eu não tinha informação de como seria a travessia para a Argentina a partir dali. Há um camping nessa localidade e fui até lá perguntar. O camping se chama Los Amancays (nome de uma flor amarela) e fica a 1,4km do ponto final do ônibus, depois de cruzar a ponte sobre o Arroyo Barrancas. O dono do camping (Samuel) me disse que eu deveria tomar um barco que sobe o Rio Puelo até o posto dos Carabineros de Chile. Esse barco é gratuito de segunda a sexta-feira das 8h às 12h e das 14h às 18h. Fora desses dias e horários deve ser chamado e é pago. Além disso, o posto dos Carabineros tem horário-limite para deixar passar em direção à Argentina. Decidi dormir essa noite nesse camping (CLP5000 = R$37) e iniciar a travessia no dia seguinte pela manhã. Mas depois me arrependi de ficar ali. No dia seguinte vi que há alternativa muito melhor, que é acampar no Lago Las Rocas, a apenas 400m do posto dos Carabineros e de graça, num lugar bonito e tranquilo (só não tem banheiro, talvez pedindo para os Carabineros). No Camping Los Amancays paguei para ter ducha gelada, não pude recarregar baterias pois não há energia elétrica (internet nem pensar) e ainda tive de me preocupar em esconder a comida porque os porcos rasgam as barracas para pegar. Para completar, à noite fizeram uma fogueira perto da minha barraca e ficaram conversando alto até depois das 2h da madrugada! Não faça a mesma besteira que eu fiz ficando nesse camping Los Amancays, acampe perto dos Carabineros e ao lado do Lago Las Rocas. É muito mais bonito, tranquilo e de graça. Chegando no micro-ônibus às 16h15 dá tempo até de passar no encontro do Rio Puelo com o Arroyo Correntoso antes de pegar o barco (gratuito até 18h) para o posto dos Carabineros. Só não fiz isso porque não tinha essa informação, agora você já tem e pode fazer a sua escolha. Lago Inferior e ao fundo o Lago Puelo 1º DIA - 03/03/20 - de Segundo Corral (Chile) à Gendarmería Nacional Grupo Lago Puelo (Argentina) Distância: 15,5km Maior altitude: 385m Menor altitude: 195m em Puerto Lago Inferior Resumo: nesse primeiro dia de caminhada peguei o barco em Segundo Corral até o posto dos Carabineros para iniciar a travessia para a Argentina. As altitudes ficam na faixa dos 195m aos 385m com três subidas mais acentuadas, com a maior tendo 168m de desnível positivo. Saindo às 8h32 do Camping Los Amancays voltei à estradinha por onde cheguei no dia anterior e segui para a direita (sudeste). Cruzei a Puente Azul sobre o Arroyo Correntoso e cheguei ao local dos barcos (Puerto Segundo Corral) em 27min. Não há ancoradouro e os barcos são pequenos e a motor. Saem tão logo cheguem as pessoas, mesmo sendo só um, como no meu caso. São gratuitos nos horários que mencionei, custeados pela prefeitura (de Cochamó?). Subimos o lindo Rio Puelo, entramos no Lago Inferior e em apenas 5min já estávamos no píer de Puerto Lago Inferior. Altitude de 195m. Dali subi 13min ao posto dos Carabineros de Chile chamado Retén Paso El Bolsón (altitude de 288m). Essa é a primeira das três subidas mais acentuadas desse dia. Fui primeiro conhecer o Lago Las Rocas e só então vi que fiz uma bobagem ficando no Camping Los Amancays. O lago é muito bonito e o gramado (de um campo de futebol) perfeito para acampar. Há uma placa apontando Lago Azul a 12km dali. Depois perguntei ao carabinero e ele disse que essa trilha está boa. Depois de conhecer e tirar fotos do lago é que fui ao posto dos Carabineros para fazer a minha saída do Chile. Mas o procedimento é demorado, devia ter deixado o passaporte (e a mochila) ali antes de ir visitar o lago. Perguntei sobre o horário-limite para passar por ali a caminho da Argentina, mas o carabinero não me deu um horário, apenas recomendam que não se acampe no meio do caminho entre os Carabineros e a Gendarmería Argentina. E dali até a Gendarmería eu levei 7h30 (com várias paradas). Ele disse que a trilha estava ruim, mas não estava, apenas algumas árvores caídas. Saí do retén (posto) às 10h37 na direção sudeste acompanhando o Lago Inferior pela margem norte. Caminhando dentro do bosque, tinha visão desse lindo lago quando aparecia uma janela na mata. Às 11h02 fui à direita numa bifurcação com seta amarela; à esquerda há uma porteira de varas e o caminho leva a uma casa. Cruzei um riacho pelas pedras e nos dois cruzamentos de trilha a seguir fui em frente seguindo setas amarelas. Na próxima bifurcação fui à direita ainda orientado pela sinalização amarela. Logo depois que entroncou uma trilha à esquerda desci à praia do lago para admirar a paisagem. Lago Inferior Retomei a caminhada às 12h09, atravessei um riacho e fui à direita atrás dos círculos amarelos. Cruzei mais dois riachos e voltei a subir. Essa é a segunda das três subidas mais acentuadas desse dia. No riacho seguinte às 13h14 fui obrigado a tirar as botas pois era arriscado saltar as pedras. Às 13h58 alcancei um mirante com uma visão panorâmica incrível do limite entre os lagos Inferior (Chile) e Puelo (Argentina). Começo a descer e passo por um ponto de água. Mas às 14h41, ainda no alto, paro num mirante espetacular para o rio que faz a ligação entre os dois lagos, novamente chamado de Rio Puelo. A fronteira entre Chile e Argentina corta esse rio mais ou menos na metade. Seguindo pelo bosque encontro às 15h45 uma placa de "Punto de Encuentro Argentina Chile" e sou informado de que estou entrando no Parque Nacional Lago Puelo (altitude de 231m). Na primeira trilha que apareceu à direita desci para registrar o hito fronterizo, uma pequena torre de ferro que marca a fronteira. Ainda desci mais alguns metros para ver de perto o verde e transparente Rio Puelo exatamente na fronteira. Continuando, às 16h04 cheguei à ponte de tábuas do Arroyo Los Hitos e parei para pegar água. Agora estou num parque nacional, os rios têm pontes! Logo depois da ponte uma placa aponta para o muelle (píer) à direita (500m) e Gendarmería Nacional à esquerda (3,7km), meu destino nesse dia. Não fui conhecer o muelle, segui direto para a esquerda. Um painel dá informações sobre um habitante desses bosques, o pudu, um dos menores cervos do mundo. Após a ponte a trilha sobe bastante. Essa é a terceira (e a pior) das três subidas mais acentuadas desse dia. Às 16h55 atinjo o ponto mais alto da travessia, 385m. No início da descida um riacho. Às 17h34 alcanço um belo mirante do Lago Puelo. Às 18h02 cruzei outra ponte de tábuas sobre o Arroyo Las Lágrimas e em mais 6min cheguei à Gendarmería Nacional. Fui recebido pelo oficial, que disse que ia carimbar a minha entrada na Argentina no dia seguinte. Me orientou a acampar fora dos limites da cerca. Há muitos locais de acampamento, tanto no bosque próximo às casas da Gendarmería quanto na beira do Lago Puelo. Há mesas de piquenique. Porém os banheiros não estavam funcionando, o que é um problema pois cada um faz o seu próprio banheiro. Água pode ser coletada num riachinho ao lado das casas. Há moitas enormes de amora e elas já estavam começando a amadurecer. Altitude de 208m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 12,5ºC Lago Puelo 2º DIA - 04/03/20 - da Gendarmería Nacional Grupo Lago Puelo ao porto de Lago Puelo Distância: 6,4km Maior altitude: 343m Menor altitude: 195m no porto de Lago Puelo Resumo: nesse dia subi um desnível mais acentuado de 139m no início do dia e baixei 148m mais suaves até o final, na praia do Lago Puelo. Este caminho cruza a vau o delta do Rio Azul em cinco pontos diferentes, recomendável perguntar na Gendarmería sobre as condições do rio. Se estiver cheio deve-se fazer o caminho da Pasarela. Logo cedo entreguei o passaporte na Gendarmería para carimbo de entrada na Argentina. Parti às 10h22 no sentido nordeste cruzando o riacho e um portão de madeira. Aliás é bom encher os cantis nesse riacho pois não há água boa e de fácil acesso nesse dia. A trilha contorna o Lago Puelo nos primeiros 700m e parei diversas vezes para fotografar a bela paisagem. Em seguida subiu bastante (até 343m, o ponto mais alto do dia) se afastando por algum tempo do lago. A trilha depois da Gendarmería é bem mais aberta. Às 11h43 a primeira bifurcação para: Rio Azul à direita (1,7km) e La Pasarela à esquerda (8km). Decidi ir pelo Rio Azul não por ser mais curta a caminhada mas porque pela Pasarela iria chegar a um local 2,5km depois do centro da cidade de Lago Puelo, tendo de voltar essa distância após cruzar a ponte do Rio Azul. Até tinha vontade de conhecer a trilha da Pasarela, mas não me arrependi nem um pouco de ir pelo Rio Azul pois a paisagem do Lago Puelo nesse caminho é espetacular. Mas é preciso saber que se deve vadear o Rio Azul cinco vezes seguidas, portanto em dias de chuva não se deve fazer esse percurso. Uns 100m depois da bifurcação saio do bosque para um gramado com árvores mais espaçadas. Sigo uma sinalização de estacas amarelas e "Planta Educativa". Às 11h53 cruzei uma ponte sobre o Arroyo del Tesoro e o caminho se alargou parecendo uma estradinha. Às 12h18 surge a segunda bifurcação para: Rio Azul à direita e La Pasarela à esquerda, com o alerta de que se o Rio Azul estiver cheio deve-se ir pela Pasarela. Seguindo para a direita, cerca de 150m depois há um grande painel da "Senda a Los Hitos". Ali deve-se tomar a trilha que sai à direita da principal, cruza uma porteira e atravessa novamente o Arroyo del Tesoro por uma pinguela para alcançar a tal planta educativa, um conjunto de casas num largo gramado. Tudo está sinalizado com cor amarela. A trilha quebra para o sul diretamente em direção ao Lago Puelo, que está a 280m da planta educativa. Cheguei ao ancoradouro do lago às 12h34 e já visualizei os braços do delta do Rio Azul que teria de vadear. Não posso deixar de mencionar a paisagem estonteante do lago nesse local. Baixei à praia de pedrinhas e troquei a bota de trilha por um tênis reservado somente para cruzar rios que trago desde a travessia do Paso Vuriloche, onde foi muito usado (relato aqui). Lago Puelo Os dois primeiros braços do delta estão próximos, cerca de 70m um do outro. Água na canela. Depois caminhei uns 300m pela praia para atravessar mais dois braços em sequência. Um na canela e outro na altura dos joelhos. Continuei pela praia e atravessei mais um riacho na altura do tornozelo. O número de pessoas na praia ia aumentando à medida que me aproximava do porto e do estacionamento. Cheguei ao porto de concreto do lago às 13h35 e tirei os tênis molhados (altitude de 195m). Perguntei sobre o ônibus que vai dali até o centro da cidade de Lago Puelo (e continua para El Bolsón) e me informaram que ele sai a cada hora redonda (13h, 14h, 15h,...). Fui até o ponto e peguei o das 14h. Cerca de 800m depois passei pela portaria do Parque Nacional Lago Puelo, onde há um centro de informações e se paga a taxa de entrada (me livrei dessa). No caminho ao centro da cidade várias opções de camping e hostel. Cheguei ao centro de Lago Puelo às 14h15. Há algumas opções de camping no centro também, vale a pena passar no centro de informações turísticas e perguntar ou pegar folhetos. Eu fiquei no Camping Las Rosas por ARS250 com cozinha, wifi, tomadas individuais e ducha quente 24h. Fica a 300m do informações turísticas e é o mais central de todos. Mas também há o Camping Michay (1km) e o Camping/Hostel Onda Azul (1,2km). Informações adicionais: . em Ralun acampei num gramado na margem direita do Rio Petrohué onde o dono cobra CLP4000 (R$29,63) com banheiro e wifi só na casa e sem ducha (banho no rio). O local não tem nome, deve-se tratar na casa com placa "Excursiones de pesca Luis". . em Ralun há ônibus para Cochamó, Rio Puelo (sai de Puerto Montt às 7h45 e passa em Ralun às 9h20, Buses Estuario Reloncaví, Buses Rio Puelo e Trans Har) e Lago Tagua Tagua (sai de Puerto Montt às 7h45 e passa em Ralun às 10h, CLP3000 = R$22,20, Buses Rio Puelo) . a balsa de El Canelo a Punta Maldonado no Lago Tagua Tagua custa CLP1050 (R$7,78) e tem 4 horários por dia no verão. Site: transportespuelche.cl/en/prices-schedules/lake-tagua-tagua . o micro-ônibus de Punta Maldonado a Segundo Corral custa CLP4000 (R$29,63), Buses Estuario Reloncaví . o Camping Los Amancays, em Segundo Corral, custa CLP5000 (R$37) e tem ducha gelada, não tem energia elétrica, não tem internet e ainda há que se preocupar com a comida porque os porcos rasgam as barracas para pegar . o ônibus que vai do Lago Puelo (parque nacional) até o centro da cidade de Lago Puelo (e continua para El Bolsón) é diário e sai a cada hora redonda (13h, 14h, 15h,...), segundo me informaram. Na internet há tabelas mostrando saídas a cada 30min de 11h a 22h. Valor da passagem ARS20 (R$1,25). Transportes La Golondrina. . site do Parque Nacional Lago Puelo: www.argentina.gob.ar/parquesnacionales/lagopuelo Rafael Santiago março/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  6. Cerro Tronador visto do início da travessia em Pampa Linda Início: Pampa Linda (Argentina) Final: Ralun (Chile) Distância: 66,2km (mais 11,2km ida e volta ao Refugio Viejo del Tronador) Duração: 6 dias Maior altitude: 1414m no Paso Vuriloche (2278m no Refugio Viejo del Tronador, opcional) Menor altitude: 223m no Rio Conchas Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira e acampamento selvagem. A maior subida tem desnível de 562m, com a subida ao Refugio Viejo del Tronador mais 966m. Se realizada ao contrário o desnível positivo é de 1191m (do Rio Conchas ao Paso Vuriloche). A grande dificuldade é de orientação já que não existe sinalização no lado chileno (embora seja área do Parque Nacional Vicente Perez Rosales) e em muitos pontos há mais de um caminho, causando dúvida. Também há vários rios a cruzar sem ponte. O Caminho dos Vuriloches (ou Ruta de los Jesuítas) é um caminho histórico das missões jesuíticas dos séculos 17 e 18. Vuriloche é o nome dos primeiros povoadores da região do Nahuel Huapi no século 16. Conheciam muito bem os diversos passos da Cordilheira dos Andes, principalmente um que os comunicava diretamente com o mar, o Paso Vuriloche. Ao longo dos séculos esse caminho foi abandonado, procurado incessantemente, redescoberto pelos jesuítas no século 18, abandonado novamente e só redescoberto em sua totalidade no final do século 19. Os relatos que li no planejamento dessa travessia pouco conhecida me deixaram um pouco apreensivo com relação à travessia dos rios sem ponte. Várias pessoas dizendo que eram muitos rios, a toda hora tinha um rio para cruzar, que era preciso muita atenção ao ponto certo da travessia, blá blá blá. Ok, sempre é preciso ter muita cautela, principalmente em lugares remotos, mas a verdade é que não são dezenas de rios e sim 7 (sete) rios que se cruzam a vau. Na maioria a água estava na altura da canela e em apenas dois a água chegou aos joelhos, com correnteza fraca. Claro que é preciso olhar a previsão do tempo para não fazer essa caminhada em dias de chuva. Dias muito quentes também provocam a subida dos rios pelo degelo nas montanhas. Se encontrar um rio muito cheio o melhor a fazer é esperar, talvez até o dia seguinte, por isso é preciso ter comida extra. Os Carabineros do Paso Vuriloche costumam ter informação atualizada sobre o nível dos rios dessa travessia. Rio Manso 1º DIA - 25/02/20 - de Pampa Linda a Carabineros de Chile (Paso Vuriloche) Distância: 11,7km Maior altitude: 1414m no Paso Vuriloche Menor altitude: 852m em Pampa Linda Resumo: nesse primeiro dia de caminhada parti de Pampa Linda em uma subida constante até o Paso Vuriloche (desnível de 562m), fronteira entre Argentina e Chile, acompanhando o curso do Rio Cauquenes. Em seguida desci até o acampamento no posto dos Carabineros de Chile (desnível negativo de 110m). Às 8h30, em frente ao CAB (Club Andino Bariloche), tomei a van da agência Travel Light para Pampa Linda. No mesmo horário saiu a van da agência Transitando Lo Natural. Essas são as duas únicas agências que fazem esse trajeto. Não há transporte público. Percorremos toda a margem leste do lindo Lago Gutierrez e em seguida do Lago Mascardi, entrando numa estrada de rípio à direita cerca de 800m depois da Vila Mascardi. Mais 450m e paramos na portaria do Parque Nacional Nahuel Huapi para pagar a taxa de ARS400 (R$25) para estrangeiro (ARS180 para argentinos). Tive a ilusão de que já estávamos chegando a Pampa Linda, mas que nada... rodamos mais 2h por estradas poeirentas contornando as margens sul e oeste do Mascardi. Só chegamos a Pampa Linda às 11h40. Altitude de 852m. O dia estava maravilhoso, um sol agradável e um céu sem nenhuma nuvem, e se manteria assim pelos dias seguintes da travessia. Acabou aquele tormento de chuva repentina, vento gelado, acampamento com granizo e neve das trilhas que estava fazendo em Ushuaia. Em Pampa Linda fiz algumas coisas antes de botar o pé na trilha: peguei informações mais atualizadas no Centro de Informes, localizei os dois campings que há e perguntei os preços, confirmei que não há mercadinho nem kiosco no vilarejo e produtos básicos de comida podem ser comprados no Camping Los Vuriloches (eles chamam isso de proveeduría) e, o mais importante, fui à Gendarmeria carimbar no passaporte a minha saída da Argentina. Sem esse registro não passo nos Carabineros para entrar no Chile. Outra coisa importante: para fazer qualquer trilha no Parque Nacional Nahuel Huapi (bem como em outros parques argentinos) é obrigatório fazer o registro de trekking. É gratuito e pode ser feito pela internet (www.nahuelhuapi.gov.ar), na Intendência do parque nacional em Bariloche (Av San Martin, 24) ou nos postos de guardaparque. Ainda parei numa sombra em frente à Hosteria Pampa Linda para almoçar o lanche que tinha na mochila. Deixei Pampa Linda às 12h58 no sentido oeste, mas 100m após a hosteria parei de novo para tirar fotos do majestoso Cerro Tronador, vulcão extinto e maior montanha do Parque Nacional Nahuel Huapi. Continuei pela estradinha de rípio que leva às trilhas Ventisquero Negro, Garganta del Diabo e Piedra Pérez, todas na base do Cerro Tronador, mas a abandonei para tomar outra estradinha mais estreita à esquerda 670m após a hosteria. Há um painel ali com informações sobre as trilhas nessa direção: Saltillo de las Nalcas, Cerro Volcánico e Refugio Viejo. Cerca de 150m depois outra bifurcação com placa onde fui para a esquerda. A estradinha termina num rio com uma ponte de dois troncos. Havia quatro carros estacionados ali. Cruzada a ponte vou na direção do Cerro Los Emparedados, uma muralha rochosa onde despenca a cachoeira Saltillo de las Nalcas. Nalca é o nome de uma planta de folhas muito grandes encontrada também no sul do Brasil. Saltillo de las Nalcas Cruzo um bosque e às 13h30 atravesso uma ponte de ferro sobre o azulado Rio Manso. Reentro no bosque (para sair só no final do dia) e às 13h39 encontro uma placa apontando o Saltillo de las Nalcas em frente e o Paso Vuriloche à direita. Fui conhecer o saltillo que está a apenas 200m dali. Uma bonita clareira aos pés do Cerro Los Emparedados com a cachoeira despencando bem alto. Dá para tirar fotos atrás dela. Havia só mais um casal com uma criança e três rapazes. Fiquei bastante tempo ali, fui o último a sair às 14h24. Voltei à bifurcação da placa e entrei na trilha à esquerda (direita na vinda), cruzando uma ponte de tábua sobre o riacho que vem da cachoeira. A trilha está bem marcada mas com a vegetação se fechando um pouco. Há muita caña colihue (uma espécie de bambu) caída nas laterais e pedaços dela espalhados pela trilha. Às 14h56 fui à esquerda numa bifurcação com placa apontando Paso Vuriloche (da direita vem o caminho dos cavalos). Mais 400m e me aproximei do Rio Cauquenes, mas não o cruzei nesse ponto. Atravessei-o pelas pedras às 15h08 num local que gera alguma dúvida pois há trilha dos dois lados. Passei para sua margem esquerda (verdadeira). Aí inicia a subida. Parei por 23min numa pequena clareira com vista para o Arroio Cauquenes abaixo. Toda a subida até o Paso Vuriloche se dará dentro do bosque e junto ao curso do Arroio Cauquenes, cruzando-o algumas vezes (três vezes, segundo a placa no início da trilha). Às 16h06 subi à direita na bifurcação que aponta a trilha para o Cerro Volcánico à esquerda. Cruzei com um casal, as primeiras pessoas desde a saída da cachoeira. Me alertaram para tomar cuidado com as taturanas na trilha. Passei por três pontos de água e parei no seguinte às 17h02. Passaram por mim descendo três homens com mochilas cargueiras grandes e pareciam estar com pressa. Continuando, passei por mais quatro riachos. São tantos riachos que é difícil dizer qual é o Cauquenes e qual é um pequeno afluente seu. À medida que subia apareciam árvores cada vez maiores, de troncos enormes. A inclinação também foi aumentando até que às 18h15 cheguei a uma bifurcação bem no Paso Vuriloche, fronteira entre Argentina e Chile. Altitude de 1414m. Os passos de montanha costumam ser lugares de visual grandioso, mas este decepciona um pouco pois está dentro do bosque, não há visual nenhum. Nessa bifurcação uma placa aponta para o Hito Vuriloche à direita e Carabineros de Chile à esquerda. Deixei a mochila e caminhei um pouco para a direita para tentar encontrar o hito (marco) de fronteira, mas depois soube que ele está a 800m de distância. Tomando a esquerda nessa bifurcação iniciei a descida para o posto dos Carabineros. O chamado Mallín Chileno (pântano chileno) (um belo prado alpino, segundo o guia Lonely Planet) foi aparecendo entre as árvores à direita e quando saí do bosque às 19h05 tive de atravessá-lo, mas por sorte não estava encharcado. Cruzei uma ponte de troncos e cheguei ao Recinto Carabineros de Chile às 19h14. É uma casinha de madeira pintada de verde e branco no meio de um bosque, mas ainda conserva o refúgio antigo ao lado. Quem me recebeu foram os três rapazes que estavam no Saltillo de las Nalcas! Conversando com eles já notei a grande diferença de sotaque em relação aos argentinos. Quem já viajou para o Chile sabe como eles são severos nos aeroportos e fronteiras com relação à entrada de alimentos frescos (frutas, legumes, carnes, sementes, laticínios, mel, etc), mas aqui não houve nada disso. Não pediram para inspecionar a minha mochila e não quiseram ver que comida eu levava. Entreguei o passaporte para carimbo de entrada no Chile e só me devolveriam quando saísse para continuar a travessia, dois dias depois. O camping ali é gratuito e há banheiros, porém infestados de moscas. Pensei que ia ser o único a acampar ali nessa noite, mas já bem tarde chegou um casal. Um trilheiro dormiu na casa dos Carabineros. Ele estava num grupo de quatro amigos vindo do Chile e torceu o joelho numa passada mal dada. Chegou com muita dificuldade até ali, com o joelho bem inchado, e os outros três desceram a Pampa Linda para buscar um cavalo para transportá-lo. Justamente aqueles três que passaram apressados por mim no riacho. Altitude de 1312m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 1,6ºC Refugio Viejo del Tronador 2º DIA - 26/02/20 - subida ao Refugio Viejo del Tronador Distância: 11,2km (ida e volta) Maior altitude: 2278m no Refugio Viejo del Tronador Menor altitude: 1312m no posto dos Carabineros de Chile Resumo: nesse dia encarei uma subida constante do posto dos Carabineros até o Refugio Viejo, num desnível de 966m 9h30 da manhã: 8,6ºC Tronador, aquele que trona, que produz estrondo como trovão. Nesse caso estrondo produzido pelas constantes avalanches de seus blocos de gelo. O Cerro Tronador tem 3478m e é a montanha mais alta do Parque Nacional Nahuel Huapi. Seu cume mais alto se chama Internacional e marca a fronteira entre Argentina e Chile (há também o Cume Argentino e o Cume Chileno). Deixei a barraca montada e saí só com a mochila de ataque às 9h50 para conhecer o refúgio antigo do Monte Tronador. Saí na direção oeste e tomei a direita na bifurcação. A trilha já inicia subindo e ainda dentro do bosque. A subida se dá toda no lado chileno em área pertencente ao Parque Nacional Vicente Perez Rosales. Às 10h10 saí do bosque de árvores altas e passei a caminhar entre arbustos. Logo o caminho começa a ficar mais pedregoso. Uns 200m depois que acabam os arbustos já é possível ver o Tronador e o refúgio, ainda minúsculo. A trilha está bem marcada e sinalizada com pircas (totens de pedra). Ao fazer uma curva fechada para a direita (de noroeste para nordeste) passo a caminhar por um dos contrafortes da montanha, mas cerca de 500m depois baixo para a vertente oeste desse contraforte. Ali a trilha se estreita ao cortar a encosta íngreme com queda bem alta - é bom passar com cuidado pois as pedrinhas soltas do chão não dão muita segurança. Uns 50m depois, às 11h04, começa um trecho de mais ou menos 700m de capim baixo com vários charcos. Há três pontos de água corrente nesse brejo das alturas. Depois desse capim é só pedra até o refúgio. Há mais um riacho junto a uma primeira mancha de neve ao lado da trilha. A paisagem se amplia cada vez mais, com montanhas a perder de vista. Identifiquei entre elas o Vulcão Osorno, com seu cone perfeito. La Ventana Às 12h03 cheguei a um grande rochedo com um buraco e é por dentro dele que a trilha passa! A Pedra Furada do Tronador! Mas o nome que consta nos mapas é La Ventana (a janela). Uns 6min depois alcancei um grande campo de neve, o melhor ali é contorná-lo pela direita. Mas às 12h50 topei com outro campo de neve de cerca de 30m que tive de atravessar, não estava escorregadio. Uns 40m depois um campo bem maior, de uns 150m. Subi por uma trilha mais apagada entre pedras e cheguei ao Refugio Viejo às 13h03. O refúgio é uma construção de pedras recoberta por chapas de metal com placa do Club Andino Bariloche e data de 1938. Seu formato de arco é bem curioso. Em 2013 ele foi batizado de “Refúgio Manuel Ojeda Cancino”. Dentro há dois tablados de madeira sobrepostos onde devem dormir umas oito pessoas. Havia um livro de registro de visitantes sobre a mesa. Ao lado do refúgio está fincado o hito de fronteira. Nada de vento e um céu incrivelmente limpo permitiram uma visão total de toda a região. Dali é possível avistar: Cerro Catedral a leste; Pampa Linda, vale do Rio Manso e Lago Mascardi a sudeste; Laguna Rosada, Cerro Volcánico e Lagunas Cauquenes a sul-sudeste; Vulcão Calbuco a oeste. Mas o Vulcão Osorno ficou escondido pelo "ombro" do Tronador, um contraforte que aponta para o sul. A altitude ali é de 2278m, 1208m abaixo do cume do Tronador, o Pico Internacional. Antes de ir embora desci alguns metros na direção do imenso glaciar Castaño Overo e tive a satisfação de pisar um pouquinho no gelo do Tronador. Tem água corrente ali. Há cercadinhos de pedras aqui e ali para quem quiser arriscar dormir ao ar livre. Por causa do sol e ausência de vento os tábanos estavam a todo vapor. Às 16h10 comecei a descer. Depois de cruzar os dois campos de neve mais altos encontrei um casal subindo, devia ser o que acampou essa noite nos Carabineros. Fomos os únicos que subiram ao refúgio nesse dia. Desci pelo mesmo caminho, atravessei a pedra furada às 17h07, terminei de cruzar o trecho gramado às 18h35, passei com cuidado na parte inclinada de pedrinhas soltas e queda alta, reentrei nos arbustos, depois no bosque e às 19h55 estava de volta ao acampamento. Peguei de volta o passaporte com os carabineros pois sei que na Patagônia ninguém levanta da cama antes das 10h e eu pretendia sair antes disso. Por azar um grupo de crianças e adolescentes muito barulhentos chegou para acampar nessa noite e fui obrigado a colocar protetores no ouvido para dormir porque eles foram se deitar muito tarde. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 2,4ºC Pontes destruídas no Rio Traidor 3º DIA - 27/02/20 - de Carabineros de Chile (Paso Vuriloche) ao Rio Esperanza/Casa de Letícia Distância: 17,9km Maior altitude: 1387m Menor altitude: 364m no acampamento junto ao Rio Esperanza Resumo: apesar de esse dia ser uma longa descida em direção ao Rio Esperanza houve subidas também, algumas bastante inclinadas. Cruzei a vau o Rio Traidor (pontes destruídas) e depois caminhei pelo vale do Rio Blanco. Desnível negativo de 1023m. 9h da manhã: 6,2ºC Desmontei acampamento e saí às 9h49 na direção oeste novamente, porém tomando a esquerda na bifurcação com as placas refúgio/Ralun e Sendero Valle Esperanza. Daqui até o final da travessia no Lago Cayutue vou caminhar dentro da área do Parque Nacional Vicente Perez Rosales. Às 9h54 fui para a direita numa bifurcação com placa apontando dois hitos (marcos de fronteira) à esquerda. Houve alguns trechos de subida dentro do bosque. Às 11h20, numa abertura da mata para a direita avisto novamente o Tronador, nesse dia encoberto por uma nuvem enorme parecendo um chumaço de algodão - tive sorte de vê-lo no dia anterior completamente limpo. Em mais 10min saio do bosque e às 11h38 chego ao Refúgio Lomas de Huenchupan. É uma casa de tábuas com mesa de piquenique ao lado. Dentro há um tambor-aquecedor (chamam de salamandra) e um tablado superior com espaço para 5 ou 6 pessoas dormirem. Caberiam 4 ou 5 barracas ao lado. A visão para o Tronador é espetacular, com uma imensa cascata de gelo, o Glaciar Rio Blanco, que origina o rio de mesmo nome. Continuei a caminhada às 12h22 e cruzei um riacho por troncos finos dentro de uma matinha. Logo a trilha sobe bastante a céu aberto com a vegetação baixa meio fechada e roçando a perna. Olhando para o Tronador consigo localizar o caminho que fiz no dia anterior para subir ao Refugio Viejo. Na descida cheguei às 13h19 ao Rio Traidor. Suas duas pontes em sequência estão destruídas. No primeiro braço do rio consegui caminhar sobre as pedras e não tirei as botas, mas no segundo não teve jeito, tive de tirá-las e entrar na água, que estava na altura da canela. Levei um par de calçados só para a travessia desses rios pois sabia que seriam vários. Levei um par de tênis bem leves para maior proteção dos pés, mas tem gente que leva crocs e outros usam meias de neoprene. Depois dessa manobra toda consegui sair dali às 14h05. Na subida muito empinada que se seguiu fui à direita, mas tanto faz pois os dois lados logo se encontram. Às 14h35 reentrei no bosque e às 15h é preciso atentar para a bifurcação: a direita está bem marcada e sai do bosque, mas o caminho certo é pela esquerda continuando na sombra das árvores. Às 15h27 entrei numa trilha à direita pois o gps apontava ali as termas Juvenal. A partir daqui aparecem fontes de águas termais (pela proximidade dos vulcões) onde foram construídas piscinas bem rústicas. Mas a trilha para essas termas Juvenal estava meio apagada... até que desapareceu no meio de árvores caídas. Insisti um pouco mais até que cheguei aos restos de uma cerca de madeira com uma árvore enorme tombada. O inverno rigoroso, com muita neve, acaba fazendo esses estragos no bosque. E as termas ficaram soterradas. Casa da família Oyarzo feita com tejuelas de alerce Voltei à trilha principal e cruzei uma ponte larga de tábuas (em estado razoável) sobre o Rio Blanco às 16h19. Com mais 5min fui à esquerda numa bifurcação por ser a trilha mais larga e saí do bosque. Caminhei ao longo de uma cerca e me dirigi a uma casa no meio de um grande campo. Cheguei a ela às 16h37. Estava vazia e trancada a cadeado. Era na verdade uma casa e mais duas casinhas feitas com tejuela de alerce, uma árvore ameaçada da região. Mais afastado havia um galpão. Esse lugar pertence à família Oyarzo, mas o antigo morador, Don Juvenal, faleceu em 2018. Retomei a caminhada às 16h53 cruzando o campo na mesma direção (oeste) e acompanhando a cerca. Na primeira quina dela quebrei à esquerda (com seta) mas na segunda quina continuei em frente (não à esquerda de novo) na direção do bosque e entrando nele. Cruzei o Rio Blanco por uma ponte de tábuas e uma tronqueira em seguida. Começam a aparecer as valas por onde a trilha corre, valas escavadas pelos séculos de uso desses caminhos, inclusive por tropas. Subi um pouco (70m) e às 17h35 passei por uma laje de pedra um pouco exposta com caída para a direita, mas nada assustador. Chamam esse lugar de Piedra del Buitre (pedra do abutre, decerto pelos muitos cavalos que já despencaram ali). Uns 4min depois cruzei uma porteira aberta. Na primeira água corrente que apareceu parei para me refrescar. Passei por mais duas porteiras abertas, uma ponte de tábuas em bom estado e as valas começaram a ficar mais profundas, com o solo e as plantas acima da cabeça. Surgiram os arrayanes, árvores com o tronco cor de canela mais comuns em beiras de rios e lagos. Numa bifurcação às 18h43 tomei a esquerda, subindo. Cruzei outra porteira, saí do bosque para um pasto e cheguei a outro sítio com vacas e cavalos às 19h12. Na casa encontrei enfim um morador dessas paragens, Jorge Sanchez, que me disse que mora ali também o sr Aroldo Alvarado. Pedi permissão para tirar foto da bonita casa de tejuelas de alerce, infelizmente um pouco mal conservada. Segui caminho reentrando na mata, cruzei mais duas porteiras e saí do bosque para um gramado às 19h49. Na descida avistei casas no vale e depois fumaça na direção do rio (esquerda). A primeira casa na verdade era um galpão, mais adiante no meio das árvores estava a casa de Letícia Alvarado e Enrique (não visível dali e fechada também). A fumaça que pensei vir da chaminé de outra casa na verdade era da fogueira de um grupo de amigos de Buenos Aires que estavam acampados no gramado perto do Rio Esperanza. Conversei com eles e trocamos informações sobre a travessia já que estávamos fazendo em sentidos contrários. Do outro lado do Rio Esperanza há uma casa também, essa dos srs Lalo e Coche Muñoz. Um grupo de 14 "chicos" (adolescentes nesse caso), dos quais o carabinero tinha me falado, dormiu essa noite ali também, por isso acampei bem longe... rs. Esse dia tem muitos trechos a céu aberto. Recomendável usar um protetor solar. Não há problema de água, encontrei vários outros riachos além dos citados acima. Altitude de 364m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 6ºC Casa da família Muñoz feita com tejuelas de alerce 4º DIA - 28/02/20 - de Rio Esperanza/Casa de Letícia a Casa de Tito Velázquez Distância: 11,3km Maior altitude: 367m na casa dos Muñoz Menor altitude: 246m Resumo: nesse dia cruzo a vau o Rio Esperanza e acompanho o Rio Blanco pela margem esquerda. Dia de pouco desnível (121m). 8h20 da manhã: 7,1ºC A barraca amanheceu ensopada pela condensação, tive de esperar o sol chegar ao fundo do vale para secá-la antes de guardar. Depois fui conhecer as termas. Como não há sinalização nenhuma para chegar a elas perguntei aos portenhos. Basta seguir o rio a montante por uma trilha dentro da mata por 300m. Ela desce diretamente para uma ponte suspensa destruída com os dois tanques à direita, bem junto ao Rio Esperanza. A temperatura da água estava deliciosa, benditos vulcões! Mas o lugar é rústico de verdade, não espere piscina de azulejos. Voltei ao acampamento e ainda fui conhecer um outro tanque, este mais próximo porém menor e mais raso. Quando voltei o pessoal de Buenos Aires já tinha partido. Comecei a caminhar às 12h09 na direção indicada pelo gps: norte e noroeste, ou seja, descendo o Rio Esperanza por esse mesmo lado. Fui na direção do galpão por onde cheguei no dia anterior, cruzei a porteira e, ao sair no campo com vacas, encontrei a casa de Letícia Alvarado e Enrique. Estava fechada e dizem que não vivem mais aí. Continuei pela trilha ao longo de uma cerca, cruzei outra porteira e cheguei ao Rio Blanco, que tem esse nome por causa da água cinzenta de degelo. Ele se origina no Glaciar Rio Blanco, um dos oito glaciares do Cerro Tronador. Porém esse rio é bem largo, com correnteza e a ponte estava no chão. A água cinzenta é perigosa pois não permite ver a profundidade. Esse local se chama La Junta porque a 300m dali o Rio Blanco se junta ao Rio Esperanza. Lembrei que os amigos de Buenos Aires disseram que haviam cruzado o Rio Esperanza e que não passaram pela casa de Letícia. Voltei então ao acampamento para ver como era a travessia desse rio, e é muito mais fácil. O rio é raso (bate nos joelhos) e a água é transparente, dando mais noção de profundidade. Só é preciso tomar cuidado para não escorregar nas pedras do fundo. Rio Blanco Subi até a casa dos Muñoz mas não havia ninguém, somente o cachorro tomando conta. Havia um pé de ameixas cheio de frutos mas estava bem azeda. A casa e o galpão também de tejuelas de alerce, aliás o galpão uma bela construção. Apesar da distância da civilização havia uma antena da DirecTV. Saindo dali às 13h43 tomei a trilha na direção noroeste seguindo o rio, agora pela margem esquerda. Eu não tinha essa trilha no gps mas tudo indicava que estava no caminho certo. Em 4min entrei no bosque e caminharia o dia todo dentro dele (portanto sem tanta necessidade de protetor solar nesse dia). Algumas janelas na mata para a direita deixam ver o cinzento Rio Blanco. Cruzei três riachos, duas porteiras, outro riacho e começaram a aparecer as valas profundas por onde a trilha corre, valas de 3m a 4m de profundidade! Nesse trecho encontrei com o sr Lalo Muñoz voltando para casa a cavalo e conversamos bastante. Caminhava cercado por árvores enormes, bem altas e de tronco que necessita várias pessoas para abraçar. Cheguei às 15h28 a um bonito riacho cristalino cercado de pedras brancas e parei para lanchar. Saí às 15h43. Mais dois riachos, uma porteira e percebo a vegetação mudando. Aparecem inclusive samambaias. Sinais da Selva Valdiviana. Às 17h09 surge uma trilha à direita com a placa: "seguir por la derecha los peatones (pedestres)". Aqui entronca a trilha que vem da margem direita do Rio Blanco, aquela que tentei fazer mas a ponte estava no chão. Mais um riacho e topei às 18h17 com uma bifurcação com placa: Rio Blanco à direita e Ralun à esquerda. Esse caminho "Rio Blanco" desce esse rio para o norte para chegar ao Lago Todos os Santos, de onde se pode contratar um barco para Petrohué e seguir para Puerto Varas e Puerto Montt (Chile). Ou um barco na direção contrária (leste) para Peulla e voltar à Argentina. Mas o meu caminho era por terra mesmo e para Ralun, então segui para a esquerda. Mais um riacho, uma porteira, outro riacho e às 18h40 saio do bosque para um pasto, sinal de que se aproximava outro sítio. Passei por vacas pastando, subi levemente e avistei a casa abaixo. Cheguei a ela às 18h51. Toda de tejuelas de alerce também, mas em mau estado de conservação. Havia luz acesa, bati, esperei, mas não apareceu ninguém, deviam estar na roça. Provavelmente era a casa de Tito Velázquez (mas li em outros relatos que seria a casa de Pedro Muñoz, o que me deixou em dúvida). O sr Lalo disse que teriam queijo, por isso me interessava ainda mais encontrar alguém. Para não acampar no quintal e causar algum incômodo me afastei um pouco (pura bobagem...). Continuei o caminho, cruzei um riacho pelas pedras, passei uma porteira e encontrei um bom local para acampar antes do próximo riacho e junto a uma matinha. Altitude de 262m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 7,3ºC Laguna de los Palos 5º DIA - 29/02/20 - da Casa de Tito Velázquez ao Rio Conchas Distância: 17,7km Maior altitude: 359m próximo à Laguna de los Palos Menor altitude: 223m no Rio Conchas Resumo: nesse dia cruzei a vau o Rio Quitacalzones (Laguna de los Palos) e depois quatro vezes o Rio Conchas. Mais um dia de pouco desnível, com apenas uma subida mais acentuada de 66m de altura. 8h da manhã: 8,4ºC A barraca amanheceu com o sobreteto ensopado de novo pela condensação. É uma barraca 4 estações, para montanha, por isso ocorre tanta condensação. Ainda bem que tive outro dia ensolarado para secá-la antes de arrumar a mochila. Quando desmontava acampamento passou um homem a cavalo na trilha na direção de Ralun. Me cumprimentou de longe. Voltei à casa para ver se havia alguém, mas aquele homem era justamente o morador. Quando saía para iniciar a caminhada apareceram os primeiros corredores que estavam fazendo uma prova do Lago Cayutue ao Lago Todos os Santos. Depois foi uma chateação cruzar com tanta gente correndo naquela trilha tão estreita. A sinalização de fitas vermelhas que vi no final do dia anterior era por conta dessa prova. Saí do meu local de acampamento no sentido sudoeste às 11h25, o que se mostrou muito tarde para chegar ao Lago Cayutue ainda nesse dia. Entrei na sombra do bosque, cruzei uma porteira e saí num gramadão com vista para as montanhas às 12h29. Mais 5min e cheguei a um sítio abandonado com as casas semidestruídas. Curioso ver mesa e cama ainda dentro da casa. Ao redor pés de maçã, ameixa, cereja e castanha-portuguesa. Parei para descansar na sombra e passaram algumas pessoas a cavalo na direção contrária. Saí às 13h20 e cruzei um riacho por uma ponte improvisada com três troncos. Depois dele a trilha atravessou um gramado na direção sudeste. Entrei num bosque e ao sair dele às 13h35 a trilha bifurcou no pasto: à esquerda uma porteira e depois uma casa com gente (fumaça saindo da chaminé), mas achei melhor seguir pela direita, cruzei um riacho num tronquinho e ao me deparar com outra porteira não a cruzei e sim quebrei para a direita pelo campo sem trilha até que ao final dele encontrei uma trilha. Não me aproximei da casa e não soube quem mora nela. A trilha já se transformou em valas profundas Cruzei uma porteira e entrei no bosque. Outra porteira e me aproximo de um rio que está à esquerda, um dos vários formadores do Rio Quitacalzones. Numa bifurcação fui à esquerda pois à direita havia um lamaçal, mas os dois lados se encontram 200m depois. O rio à minha esquerda deságua na Laguna de los Palos, mas eu começo a subir. Reaparecem as valas profundas por onde a trilha corre. E árvores enormes também. Vejo à esquerda pelas frestas da vegetação a Laguna de los Palos bem abaixo (também chamada de laguna del bosque inundado). Depois de subir 66m (de altura) a trilha desce e volta ao Rio Quitacalzones já extravasando da laguna. Às 14h39 foi a primeira vadeação (palavra feia; vado, em espanhol, é bem melhor) desse dia. Rio raso, água acima do tornozelo, correnteza fraca, portanto nenhuma preocupação (em dias sem chuvas). Parei na campina da margem esquerda para um lanche e depois fotos da Laguna de los Palos. Continuei às 15h35 e encontrei outro rio para vadear apenas 170m depois. Nesse caso se você estiver usando um calçado reservado para essas travessias de rio nem vale a pena tirá-los. Eu já havia calçado as botas e consegui cruzar esse rio por pedras e troncos sem precisar calçar os tênis de novo. Ufa! Cruzei mais uma porteira (com vacas) no bosque, dois riachos e saí num gramado às 16h40. Atravessei o Rio Hueñu Hueñu pelas pedras e reentrei no bosque. Esse riacho deságua no Quitacalzones formando o Rio Conchas, o qual acompanharei e cruzarei a vau quatro vezes até o final do dia. Saí dessa mata para a direita seguindo as fitas vermelhas da prova mas reentrei nela apenas 200m depois cruzando um riacho raso às 17h11. Cruzei pastos e bosques com valas profundas cheias de barro (deve ser um terror na época de chuvas) até que às 18h15 cheguei a outro sítio, mas só vi vacas. Entrei em outra mata (com arrayanes) e saí dela para a direita diretamente nas pedras da margem do Rio Conchas. Caminhei quase 100m pelas pedrinhas e não estava encontrando a continuação da trilha para reentrar no bosque à esquerda. Olhei para a outra margem do rio e vi um totem. Foi a primeira de quatro travessias a vau desse rio (18h55). Água na canela e correnteza fraca. Reentrei na mata, agora na margem direita do rio e caminhei 1,1km até encontrar o rio de novo. Caminhei pelas pedras da margem por 80m e tirei as botas outra vez para entrar no rio, que bateu no joelho dessa vez (19h40). Aqui é melhor permanecer com o calçado reservado para água pois as travessias vão ser em sequência. Até tentei encontrar um caminho pela mata que evitaria essas duas travessias seguidas mas ele sumiu. Na margem esquerda agora cruzei outra matinha e voltei às pedras do rio. Atravessei o rio pela terceira vez (19h57) e a água chegou ao joelho. Mais 1,1km pelo bosque da margem direita e o cruzei de novo com água na canela às 20h28. Encontrei um gramadão na margem esquerda e pelo horário resolvi acampar ali. Altitude de 223m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 10,8ºC Rio Conchas 6º DIA - 01/03/20 - do Rio Conchas a Ralun (Chile) Distância: 7,6km Maior altitude: 435m no estacionamento Menor altitude: 223m no Rio Conchas Resumo: nesse último dia de caminhada apareceram duas subidas: ao chegar ao leito "gramado" do Lago Cayutue subi 139m e desci tudo de novo para voltar à margem; ao deixar o Lago Cayutue subi 203m até o estacionamento no início da estrada para Ralun. 8h20 da manhã: 11,7ºC Comecei a caminhar às 11h15. Saí do bosque para um gramado e cruzei um riacho pelas pedras. Surgiu uma casa semidestruída à esquerda com pés de cereja e castanha-portuguesa. Saí dela na direção norte mas há vários caminhos pisados. Numa sequência de bosques e pastos cheguei à extremidade leste do Lago Cayutue, mas aqui ele parece mais um gramado. Ainda faltava muito para alcançar sua área de acampamento. A trilha entrou no bosque às 12h10, fez uma curva para a esquerda e apareceu uma subida longa e inesperada. Há quem caminhe pelo "gramado", mas há o risco de encontrar um pântano ou ter de caminhar dentro da água. Frestas na mata deixavam ver o lago lá embaixo. Subi 139m. Descendo, passei por valas muito fundas, uma porteira, um riacho e às 13h08 cheguei à margem sul do lago. Visão espetacular. Contornando o lago não deixei escapar nenhuma amora, eram as primeiras da temporada e estavam deliciosas. Passei por mais valas bem fundas e alcancei um gramadão com muito vento às 13h34. Caminhei para a direita para me reaproximar do lago e cheguei às suas margens em 7min. Lindo lago! No acampamento contei nove barracas. Fiz muito bem em parar lá no rio. Do lago se avista o Vulcão Puntiagudo ao norte. Há vários caminhos no bosque, mas a saída para a estrada é na direção sudoeste a partir do acampamento. Cruzei aquele gramadão e reentrei no bosque às 14h. Logo apareceu um riacho e pensei que teria de tirar as botas de novo, mas consegui me equilibrar no tronco à esquerda. Parei ali para um lanche rápido, queria chegar logo à estrada para aumentar a minha chance de carona com as pessoas voltando do lago. Seriam 10km de estrada até Ralun, bastante para ir caminhando. Além disso conseguir carona no sul do Chile é algo bem fácil. Saí às 14h28. Depois do riacho veio uma subida suave mas muito molhada e enlameada de quase 500m! Cruzei quatro riachos e saí da sombra do bosque. A trilha se transformou numa estradinha de pedras. Passei pelas primeiras casas e cheguei às 15h22 a um estacionamento, mas só carros 4x4 conseguem chegar ali. Subida de 203m desde a margem do lago. Menos de 200m depois passei por uma camionete parada na estradinha e o sujeito que estava conversando com o motorista me chamou e me ofereceu carona. Caramba, carona caindo do céu assim! Ficou surpreso quando lhe disse que estava caminhando havia seis dias. Lago Cayutue A estrada nesse trecho é terrível, muitos buracos e pedras. Quase 4km descendo passamos pelo estacionamento onde carros baixos têm que parar. Mais 6,6km e chegamos à rodovia V-69, que liga Ensenada (oeste) a Caleta Puelche (leste). Eu sabia de dois campings à esquerda na rodovia mas ele quis me levar para a direita, mais próximo da ponte do Rio Petrohué. Me deixou às 16h05 no mercadinho El Fundo, 800m depois da ponte, onde eu poderia comprar comida e perguntar de camping. O mercado não tinha pão nem queijo, de lanche de trilha só tinha bolachas. O único lugar para acampar ali perto seria no gramado na margem do Rio Petrohué tratando com o dono do terreno na casa próxima. Não tem placa de camping nem tem nome, na frente da casa tem um letreiro escrito "Excursiones de pesca Luis". Cobram CLP4000 (R$29,63) com banheiro e wifi só na casa e sem ducha (banho no rio). Por sorte as meninas da casa fizeram pão amassado (pão caseiro chileno) para eu jantar e levar na próxima caminhada de dois dias, que seria o retorno à Argentina pelo Passo Internacional Rio Puelo (relato aqui). Altitude de 3m. Informações adicionais: . para chegar ao início da trilha em Pampa Linda deve-se tomar o transporte em van das agências Transitando Lo Natural (Rua 20 de Febrero, 25) e Travel Light (Rua 20 de Febrero, 426, www.travelighturismo.com). Ambas estão muito próximas do CAB (Club Andino Bariloche) e da Intendência do Parque Nacional Nahuel Huapi, bem no centro de Bariloche. O transporte da Transitando Lo Natural sai da frente da agência e o da Travel Light sai da frente do CAB. Ambos saem às 8h30 da manhã e é recomendável comprar a passagem um dia antes. Preço em fev/20: ARS900 (R$56,25). Não há transporte público de Bariloche a Pampa Linda. . a entrada no Parque Nacional Nahuel Huapi custa ARS400 para estrangeiro (R$25; fev/20) . para fazer qualquer trilha no Parque Nacional Nahuel Huapi é obrigatório fazer o registro de trekking. É gratuito e pode ser feito pela internet (www.nahuelhuapi.gov.ar), na Intendência do parque nacional em Bariloche (Av San Martin, 24) ou nos postos de guardaparque. . em Pampa Linda há dois campings: Camping Los Vuriloches: ARS550 por pessoa + ARS250 a ducha (www.campinglosvuriloches.com) Camping Agreste Rio Manso (da Hosteria Pampa Linda): ARS300 por pessoa + ARS250 a ducha . em Ralun acampei num gramado na margem direita do Rio Petrohué onde o dono cobra CLP4000 (R$29,63) com banheiro e wifi só na casa e sem ducha (banho no rio). O local não tem nome, deve-se tratar na casa com placa "Excursiones de pesca Luis". . em Ralun há ônibus para Cochamó, Rio Puelo e Lago Tagua Tagua na direção leste e Puerto Varas e Puerto Montt na direção oeste Rafael Santiago fevereiro/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  7. Oi, Glau, tudo bem? Obrigado pelos comentários e desculpe pela demora. Respondendo às suas dúvidas: 1. A sinalização em geral é boa. A trilha de verão e a de inverno nem sempre coincidem, às vezes correm paralelas, mas ambas têm sua marcação: pinturas vermelhas nas pedras e árvores (para o verão) e postes com um grande X vermelho no alto (para o inverno). As bifurcações quase todas têm placa. Pode haver dúvida em um lugar ou outro, mas não dá para se perder, não. Isso estamos falando dos setores mais ao norte, os mais frequentados. Não sei dizer dos outros setores. 2. com relação a resgate, bem, eu não vi mas acredito que os refúgios todos tenham rádio e possam chamar um resgate quando necessário. Telefone mesmo só vi no Refúgio Singi. Nas mountain station (Abisko, Saltoluokta e Kvikkjokk) há internet. Sinal de celular não há na maior parte do percurso. O custo do resgate é por conta do acidentado... e na Escandinávia até o ônibus urbano é caro. Um seguro-viagem pode resolver isso. 3. felizmente não topei com nenhum urso de surpresa! kkk. É muito raro ver um urso na Suécia. Não são muitos e se afastam quando percebem presença humana. Como a Kungsleden corre em sua grande parte acima da linha das árvores os ursos (os poucos que deve haver ali) percebem a aproximação de gente e vão embora. Quanto a fazer a Kungsleden inteira, foi uma opção pessoal não colocar quase um mês da minha viagem numa trilha com uma paisagem que não muda muito e com um clima que aborrece com chuva e frio. Mas conheci várias pessoas pelo caminho que estavam empolgadas em fazê-la inteira, sem se importar com esses fatores. É bem pessoal mesmo. Para quem gosta de se afastar de tudo a região central da Kungsleden deve ser o paraíso. Espero ter ajudado! Vamos torcer para essa pandemia passar logo e a gente poder voltar para as trilhas e montanhas. Boas trilhas!
  8. Laguna Los Perros Início: curva La Herradura na RN3 Final: RN3 Distância: 10,1km Duração: 2 dias Maior altitude: 886m no mirante dos lagos San Ricardo, Santa Laura e Fagnano Menor altitude: 284m no início da trilha Dificuldade: fácil para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. O desnível de 602m do primeiro dia é bastante gradual. Numa das tantas caronas que peguei no portal de Ushuaia para chegar ao início das trilhas um dos motoristas me deu a dica da Laguna Los Perros, da qual eu não tinha nenhuma informação. Depois de pesquisas na internet tracei um percurso que subiria da RN3 a essa laguna, continuaria pela crista do Cerro Verde e desceria às Lagunas Gemelas para terminar em outro ponto da RN3. Mas na prática não foi tão simples e acabei executando só uma parte do plano, mas já valeu muito a pena. 1º DIA - 20/02/20 - de La Herradura à Laguna Los Perros e mirante do Lago San Ricardo Distância: 6,7km Maior altitude: 886m no mirante dos lagos San Ricardo, Santa Laura e Fagnano Menor altitude: 284m no início da trilha Resumo: nesse primeiro dia de caminhada subi da rodovia RN3 à Laguna Los Perros num desnível de 311m. Continuei subindo até o mirante dos lagos San Ricardo, Santa Laura e Fagnano em mais 291m de desnível. Voltei à Laguna Los Perros e acampei um pouco acima dela com muito vento. Saí do hostel às 9h05. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (fevereiro). Na Rua Gobernador Deloqui, no centro de Ushuaia, peguei o ônibus da linha B (poderia ser o da linha A também, porém na Avenida Maipu) e desci no ponto final junto ao portal da cidade (saída para Rio Grande). Em frente ao ponto final fica o posto policial e ao passar por ele somos sempre "convidados" a entrar e registrar nome, documento e destino. Logo depois do portal as pessoas ficam pedindo carona. Já havia gente ali e me posicionei depois delas para respeitar a ordem de chegada. Demorou bastante dessa vez (1h20). Antes parou um carro com duas senhoras mas não iam até o Passo Garibaldi. Às 11h07 parou um carro para mim, o motorista ia para Rio Grande. Muito gente boa, fomos conversando o tempo todo. Ele parou às 11h49 no Passo Garibaldi porque queria tirar fotos no Mirador do Lago Escondido. Muita gente nesse mirante. Dali se avista também o Lago Fagnano. Só mais 2,5km e ele parou num recuo à direita para eu descer. Essa curva fechada da estrada se chama La Herradura e ali inicia a trilha da Laguna Los Perros. Mas antes cruzei a rodovia e fui tirar mais fotos do Lago Escondido em outro mirante, esse sem ninguém. Mirante dos lagos San Ricardo, Santa Laura e Fagnano Entrei na trilha às 13h05. Altitude de 284m. Uma placa ali informa a altitude da laguna (600m) e a distância (5,8km ida e volta). Lá do mirante vi quando um carro parou na entrada da trilha e duas garotas com mochila pequena entraram nela, mas não cheguei a alcançá-las. Logo a trilha se aproxima do riacho à esquerda e surge uma ponte de tabuinhas sobre um tronco (Puente La Oruga = a lagarta) onde cruzei para a margem direita verdadeira. A trilha está bem marcada e até sinalizada, mas tem lama demais. Aponta na direção sul e sudeste. Às 13h37 cruzo um riacho pelas pedras. Logo saio do bosque e visualizo as montanhas no final do vale. Aparece uma curiosa sinalização feita com tampinhas coloridas pregadas nos troncos. E também começam as famigeradas castoreiras, represas construídas por castores que arrasam com o bosque ao redor. Cruzei mais dois bosques com água corrente e às 14h30 parei numa cachoeira. Continuei às 15h16. A subida pela esquerda da cachoeira foi por uma turfa bem molhada. A turfa é uma vegetação encharcada e esponjosa composta de musgos, juncos e gramíneas. É bem ruim de caminhar pois afunda e molha os pés, além de cansar bastante. Havia uma castoreira abaixo e vi um castor nadando nela. Agora num nível mais alto do vale cruzei outro bosque e depois um riacho por um tronco. Subi mais e alcancei às 15h50 um grande platô onde está a Laguna Los Perros. Laguna bonita num lugar alto e bem tranquilo. Altitude de 595m. As duas garotas já a estavam contornando pela direita, depois não as vi mais. Até aí o dia estava bonito, com céu azul. Percorri a margem direita (oeste) e subi um pouco mais. A intenção era alcançar um outro mirante com vista para os lagos San Ricardo, Santa Laura e Fagnano. Havia uma trilha que se dirigia para a direita (oeste) mas esse mirante ficava à esquerda (leste). Passei a caminhar sem trilha na direção sul-sudeste. Cruzei um riacho e me dirigi a uma quedinha-d'água. Subi à direita dela. Não encontrei trilha e tampouco havia totens. Continuei subindo na direção leste. Ao me deparar com uma grande ladeira de pedras desviei para a direita, mas subi tentando não me afastar muito dela. No alto dessa ladeira um mar de pedras sem trilha. Continuei na direção leste e a paisagem foi se abrindo para um lado ainda desconhecido. Fiz uma curva fechada para a esquerda (norte) e cheguei às 18h ao mirante. Altitude de 886m. Vista magnífica dos lagos San Ricardo, Santa Laura e Fagnano para nordeste. Além deles visão de montanhas em todo o horizonte em 360º. Com certeza o mirante mais abrangente e de maior alcance de todos os trekkings que fiz em Ushuaia (não foi o de maior altitude). Depois da laguna o céu havia fechado, mas não havia sinal de chuva no horizonte. Em questão de minutos estava tudo branco em várias direções e começou a chover. Vesti a roupa impermeável e comecei o retorno antes que viessem raios também (dias depois houve uma tempestade elétrica em Ushuaia, algo bem incomum na cidade e que chegou ao noticiário). Na volta à Laguna Los Perros desci pela ladeira de pedras e não foi tão ruim. Peguei da água que descia pela ladeira. Conhecendo o caminho levei 1h para retornar a ela (na ida foi muito mais pela ausência de trilha e de totens). Há bem poucos lugares planos, secos e protegidos do vento para acampar perto da laguna. Altitude de 607m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 7,3ºC Laguna Raquel 2º DIA - 21/02/20 - da Laguna Los Perros à RN3 Distância: 3,4km Maior altitude: 705m na Laguna Raquel Menor altitude: 375m na RN3 Resumo: nesse dia tentei subir da Laguna Los Perros ao cume do Cerro Verde mas não completei a subida. Da Laguna Raquel (subida de 110m desde a Laguna Los Perros) desci à rodovia RN3 um desnível de 330m, onde peguei carona para voltar a Ushuaia. No meio da noite acordei com as rajadas fortes de vento. Ainda bem que consegui um lugar entre os arbustos para amenizar um pouco. O dia amanheceu ainda cinzento mas sem chuva. Uma cachoeira ao lado da laguna tinha a água lançada para cima pelo vento. 10h da manhã: 13,6ºC Desmontei acampamento e saí às 12h31 subindo pelo mesmo caminho do dia anterior mas continuando pela trilha marcada para a direita (oeste) dessa vez. Alcancei às 12h52 um outro lago, a Laguna Raquel, e os totens aparentemente terminavam aí. Altitude de 705m. Minha intenção era subir ao cume do Cerro Verde, a crista ao norte da Laguna Raquel que divide o vale da Laguna Los Perros (leste) do vale onde passa a rodovia RN3 (oeste). Embora sem trilha a subida continuava fácil. Até que cheguei num ponto em que a crista era estreita, bem ruim de caminhar e com queda lateral alta. Para a frente uma elevação íngreme de pedras e lajes soltas. Não estava seguro caminhando ali. Também não conseguia ver um caminho descendo para a esquerda (oeste) e se avançasse teria que voltar tudo pela crista. Decidi parar e retornar. De volta à Laguna Raquel às 14h20 resolvi procurar por totens apontando para oeste e encontrei! Era uma trilha desconhecida e pouco usada, mas resolvi arriscar - se sumisse de repente eu ainda teria tempo de voltar pelo mesmo caminho do dia anterior. Ela percorreu a encosta oeste da montanha e desceu suave até entrar num bosque às 14h50. Havia água e parei para um lanche. Com trilha marcada dentro do bosque fiquei mais confiante de que daria certo. Laguna Los Perros A trilha ficou bem mais inclinada dentro do bosque. Num certo ponto havia até um cabo de aço para dar apoio, mas com o chão seco não foi preciso usá-lo. Havia sinalização de várias cores nas árvores. De tão pouco usada cresceu uma vegetação baixa bem no meio da trilha. Às 15h26 a trilha terminou na estradinha do gasoduto e eu comemorei o sucesso da aventura. Fui para a direita na estradinha por 880m e após uma ladeira mais inclinada de pedras soltas alcancei a RN3. Altitude de 375m. Como era uma curva, subi cerca de 200m e fiquei numa reta para conseguir carona mais fácil. Logo apareceu um caminhão e o motorista reduziu a velocidade antes mesmo de eu levantar o dedo! Acho que queria muito uma companhia para conversar. Era um caminhão muito alto, foi até difícil subir nele. Estava carregado de pedras, muito pesado, e desceu muito devagar. Ele teve tempo de reclamar muito da economia na Argentina. Morava em Buenos Aires perto de uma "villa" (favela) e decidiu se mudar para Ushuaia para ter mais qualidade de vida. Às 17h ele me deixou perto do portal porque ia pesar o caminhão antes da cidade. Imediatamente outro caminhoneiro me viu e parou para me levar até um ponto de ônibus mais perto do centro. Salve a gentileza desse povo! Informações adicionais: . para chegar ao início da trilha deve-se tomar o ônibus das linhas A ou B no centro de Ushuaia e saltar no ponto final no portal da cidade, em seguida pedir carona (hacer dedo, em espanhol) . o valor da passagem em fev/20 era ARS24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche) . não há opção do serviço de transporte Linea Regular que sai diariamente da esquina das ruas Maipu e Juana Fadul pois não há itinerário até o Passo Garibaldi Rafael Santiago fevereiro/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  9. Porteira da Estância Túnel Início: aterro sanitário de Ushuaia (desagradável, mas dá para evitar) Final: Playa Larga Distância: 21,9km Maior altitude: 327m Menor altitude: 0m na foz do Rio Encajonado Dificuldade: fácil por ser por trilha bem marcada (ou estradinha fechada a carros) e desnível positivo de apenas 308m. A leste da cidade de Ushuaia, às margens do Canal de Beagle, está o balneário de mar dos fueguinos, a Playa Larga, uma praia de pedrinhas de cerca de 1km de extensão. Continuando pela costa se encontram algumas estâncias (fazendas), sendo a mais próxima a Estância Túnel. Depois dela chama a atenção um rio que corre por dentro de um profundo cânion antes de desaguar no Beagle, o Rio Encajonado (encaixotado). Para não ir e voltar pelo mesmo caminho até o Rio Encajonado desenhei um percurso que chega à Estância Túnel pela serra e retorna pela costa. Essa foi a diversão desse dia, que começou ensolarado e terminou com muita chuva e vento frio, típico de Ushuaia. Esse percurso de ida pela serra tem o inconveniente de passar ao lado do basural, o aterro sanitário de Ushuaia. Não é tão horrível, mas para quem preferir evitar basta fazer o mesmo trajeto pela costa na ida e na volta. 17/02/2020 - Saí do hostel um pouco tarde, às 9h35. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Os argentinos por exemplo muitas vezes iniciam as caminhadas no meio da tarde. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (fevereiro). Na Rua Gobernador Deloqui, no centro de Ushuaia, peguei o ônibus da linha B (poderia ser o da linha A também, porém na Avenida Maipu) e desci às 10h10 no ponto da Rua Pioneros Fueguinos quase esquina com a Perito Moreno, que ali é uma rodovia. Cruzei a Moreno e procurei o melhor lugar à direita para descer ao Rio Olívia. Cruzei-o por uma ponte estranha (altitude de 19m) e tomei a estrada de terra poeirenta para a esquerda, subindo. Para mim, pior que o basural é esse trecho de 530m em que os carros e caminhões de lixo passam e cobrem a gente de poeira. Mas passado o portão do basural não circulam mais carros. Cerca de 920m após a ponte chego às 10h25 a uma porteira azul de ferro com cadeado mas com um portão ao lado. Ali a estradinha faz uma curva para a direita (leste) e sobe mais forte. Para trás a visão de Ushuaia e do Canal de Beagle vai se ampliando. Foz do Rio Encajonado Quase no topo da estrada há uma bifurcação em que se deve seguir à esquerda fazendo uma curva em S ou tomar uma trilha-atalho no meio das duas ramificações (não seguir na estrada à direita). A estrada toma o rumo leste e vai percorrer a distância a face sul do Cerro Le Cloche. Foi aí, após uma porteira, que eu procurei uma trilha (relato aqui) para subir esse cerro e não encontrei. Seria preciso subir pelo bosque sem trilha e depois pela encosta de pedras/lajes soltas sem caminho definido também, creio eu, o que chega a ser um pouco arriscado. Continuando pela estradinha, às 11h33 cheguei a um largo com uma casa de madeira que parecia em construção. Não havia ninguém. Cruzei o riacho pelas pedras e subi à esquerda. Cerca de 520m depois da casa surge uma trilha bem marcada entrando no bosque à direita. Esse é um outro caminho que desce à costa mas eu queria tomar a descida que dá diretamente na Estância Túnel, portanto tinha de continuar até o final da estradinha. Logo atingi o ponto mais alto da caminhada, 327m. Às 12h07 passei por um curral vazio à direita e com mais 7min a estrada vira uma trilha entrando no bosque. Na bifurcação 90m depois uma seta aponta para a direita mas vou para a esquerda. Mais 70m e continuo em frente num cruzamento de trilhas. Parei para almoçar junto a alguns troncos caídos. Apesar de não ter visto sinal de vida comecei a ouvir barulho de motosserra. Retomei a caminhada às 12h45 e a trilha toma o rumo sul, descendo. Apareceram algumas vacas e logo cruzei com um homem a cavalo e seu fiel cachorro. Às 12h57 apareceu uma bifurcação, fui para a direita, mas tanto faz pois se encontram mais abaixo. Às 13h19 entroncou uma trilha à direita que é uma das ramificações daquela primeira trilha de descida. Com mais 210m cheguei à Estância Túnel, às 13h25. Ali há uma casa e currais com vacas e cavalos, mas não vi ninguém. Meu próximo objetivo era o Rio Encajonado, a 2,8km dali caminhando pela costa no rumo leste. Fui então para a esquerda. A trilha corre um pouco alta, não pela margem do canal. Cruzei com três pessoas voltando e depois com mais três ou quatro. Interessante notar ali as árvores que cresceram completamente inclinadas pela ação do vento! Ao chegar ao Rio Encajonado às 14h20 encontrei um argentino que tinha chegado de bicicleta até ali. Ele disse que cruzou o rio junto ao canal e não viu continuação da trilha. Disse que a água estava gelada. Nesse local de chegada se vê o rio correndo lá embaixo no fundo do cânion. Há até uma "ponte" sobre ele mas exige muito equilíbrio e sangue frio pois é um tronco fino com duas cordinhas finas como corrimão. Nem pensar que eu passaria ali, aliás não conseguia chegar nem perto dessa "ponte" pela altura das paredes do cânion. Com informações contraditórias restou a dúvida se a trilha continua ou não. Provavelmente sim mas eu não quis entrar naquela água gelada para explorar do outro lado. Seria só uma exploração para voltar em outra ocasião já que não havia tempo para seguir mais à frente e voltar no mesmo dia à cidade. A nota ruim ali naquele local bonito era um touro que despencou e jazia bem na embocadura do rio... Será que venta muito? Depois chegaram mais três garotas mas logo foram embora. Iniciei o retorno às 16h06, passei pelas casas da Estância Túnel às 17h e continuei pela costa. Cruzei a porteira de entrada da fazenda e uma placa ali aponta o Rio Encajonado à direita, subindo. Não devem querer que fique gente passando bem na porta da casa deles. Às 17h17 cheguei a uma bifurcação onde o melhor caminho é pela direita, o da esquerda é ruim, desce e sobe muito. Entrei num bosque e na saída dele vem da direita outra ramificação daquela primeira trilha de descida. Cruzei um riacho (com origem naquela casa de madeira lá em cima) por dois troncos e saí do bosque. Ali à esquerda num morrote está o Mirador San Sebastian. Algumas vacas na trilha, um extenso bosque e cheguei às 18h13 a uma porteira. Uma placa ali alerta para o futuro desaparecimento dessa trilha por causa da construção de uma estrada! Com mais 4min cheguei a um final de estrada de rípio com um estacionamento e cinco carros. Há ali uma torre de ferro chamada Baliza Escarpados pertencente à Marinha Argentina. Comecei a andar pela estrada e veio a chuva. Parei para vestir a roupa impermeável, comer alguma coisa e ver se a chuva parava - que nada... Continuei pela estrada com chuva mesmo e às 19h avistei a Playa Larga (Praia Comprida) bem abaixo a esquerda. Ao fundo Ushuaia, mas a paisagem estava toda cinzenta pela chuva. Apareceram alguns acessos secundários à praia mas o principal veio às 19h18. A areia está além de um gramado que tem churrasqueiras de alvenaria. Algumas pessoas pararam o carro ali no estacionamento e foram visitar a praia com aquele tempo horrível. Uma placa mais adiante dá as boas-vindas à "Reserva Provincial, Cultural y Natural Playa Larga". A estrada faz uma curva para a direita, se afasta da praia e depois cruza o Rio Olívia, o mesmo que cruzei de manhã antes do aterro sanitário. Cheguei à Avenida Perito Moreno às 19h45 e dobrei à direita para tomar o ônibus da linha B no mesmo local onde saltei de manhã, Rua Pioneros Fueguinos. Informações adicionais: . para chegar ao início da trilha deve-se tomar o ônibus das linhas A ou B no centro de Ushuaia e saltar no ponto da Rua Pioneros Fueguinos quase esquina com Perito Moreno . o valor da passagem em fev/20 era AR$24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche) Rafael Santiago fevereiro/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  10. Ushuaia e Canal de Beagle vistos do Mirador del Beagle Início: Hotel Altos Ushuaia Final: autódromo de Ushuaia Distância: 10,1km (caminhei mais 2,5km do centro de Ushuaia ao início da trilha no Hotel Altos Ushuaia e 5,7km do final da trilha no autódromo ao centro de Ushuaia) Maior altitude: 317m Menor altitude: 78m no autódromo de Ushuaia Dificuldade: fácil, apesar do desnível positivo de 199m desde o início da trilha no Hotel Altos Ushuaia O Glaciar Martial é a trilha mais próxima do centro de Ushuaia e a primeira caminhada da maioria dos que visitam a cidade. Quando fui conhecê-lo (relato aqui) descobri em certo momento da subida uma trilha que saía para a esquerda (oeste) da estrada de asfalto. Um painel com mapa mostrava o trajeto e tinha o nome de "Senderos Miradores del Glaciar Martial" (trilha dos mirantes do Glaciar Martial) por passar por três mirantes. Naquele dia não havia tempo para explorar esse outro caminho, então reservei este dia sem previsão de chuva para percorrê-lo. Vale dizer que essa caminhada não chega ao glaciar e nem mesmo ao estacionamento dele, a saída para essa trilha está bem abaixo. 16/02/2020 - Saí do hostel bem tarde, às 10h10. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Os argentinos por exemplo muitas vezes iniciam as caminhadas no meio da tarde. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (fevereiro). Do centro de Ushuaia subi pela Rua Juana Fadul até a Avenida Hernando de Magallanes (uma avenida larga, de duas pistas) e a tomei para a esquerda (oeste) às 10h12. Andei 1,5km e virei à direita na Rua Aldo Motter às 10h36. Uma placa na esquina aponta a direção do glaciar. Na pequena Plazoleta Republica del Paraguay tomei a rua que sobe à esquerda em diagonal, continuação da Aldo Motter. Nessa esquina a placa não cita o glaciar mas outra placa subindo a Aldo Motter em diagonal sim. Cerca de 540m depois da plazoleta e 60m antes do Hotel Altos Ushuaia entrei na rua de terra à direita. A trilha "oficial" começa bem à direita desse hotel, com um grande painel com mapa do Sendero del Glaciar Luis Martial. Da outra vez subi por esse caminho e desci por uma trilha alternativa, pela qual subo hoje. O caminho mais curto seria pela trilha "oficial" mas quis variar. Entrando na rua de terra à direita às 11h (há um pequeno estacionamento no início dela, altitude de 118m) em apenas 80m tomei a trilha à esquerda sem sinalização nenhuma. Mas dentro do bosque apareceram os troncos pintados de amarelo e depois uma plaquinha "glaciar". A trilha acompanha a margem esquerda verdadeira do Arroyo Buena Esperanza. Apesar de haver água na trilha recomendo levar sua própria água para beber. Ushuaia e Canal de Beagle vistos do Mirador Pista Wallner Subi bastante e às 11h22 cruzei uma ponte de troncos sobre um profundo cânion. Na bifurcação em seguida tomei a esquerda pois a direita leva ao glaciar. Saí na estrada de asfalto que sobe para o estacionamento do glaciar e continuei para a esquerda. Passei na frente do Hotel Los Acebos e cruzei a estrada, encontrando o painel com mapa "Senderos Miradores del Glaciar Martial". Altitude de 197m. Os mirantes desse percurso são: Mirador Pista Wallner, Mirador Montes Martial e Mirador Beagle. O mapa mostra a trilha só até esse último mirante mas eu pretendia continuar por ela e sair perto do autódromo de Ushuaia. O painel informa ainda a distância dali a cada um dos mirantes, com desnível, tempo estimado e dificuldade. Entrei no caminho largo junto a esse painel às 11h31 e com apenas 30m peguei a trilha saindo para a direita e sinalizada com círculos azuis. Passei pelos fundos do Hotel Las Hayas e reentrei no bosque. Antes de tomar a direção sudoeste para chegar ao primeiro mirante quis explorar uma outra trilha que apareceu. Tomei então a trilha subindo à direita e segui em frente no cruzamento 60m depois. Essa trilha sobe bastante para oeste por 540m e chega a uma bifurcação em T (altitude de 313m). Fui para a direita, a trilha fez algumas curvas e terminou às 12h19 na mesma estrada de asfalto, atrás do Hotel Cabañas del Martial. Pelo caminho encontrei sinalizações diversas, de cores azul, preta, amarela, verde e vermelha, apontando para vários lados, e não tive paciência de tentar decifrar. Essas trilhas são usadas no inverno para ski e caminhada com raquetes de neve. O mais interessante nesse trajeto são as cabanas feitas de troncos finos características dos povos Yámana e Selk'nam. Também notei nas árvores o fungo pão-de-índio. Quando jovens são redondos de cor amarela ou alaranjada, depois secam e concentrados formam uma protuberância no tronco. Têm esse nome porque eram usados como alimento pelos povos originários da região. Parei para um lanche perto da estrada. Às 12h43 iniciei o retorno pelo mesmo caminho, desci até o cruzamento e tomei agora a direita (sudoeste) para o primeiro mirante, Mirador Pista Wallner, aonde cheguei às 13h40. Por ser uma antiga pista de ski uma grande clareira está aberta no bosque, o que proporciona vista para a cidade, o Canal de Beagle e a Ilha Navarino (onde estava chovendo, pra variar). Ao lado da pista restos de um teleférico. A continuação da trilha se dá quebrando para a direita e subindo por 100m a antiga pista. Encontrei uma grande clareira boa para acampar - não havia placa de proibido acampar, apenas de proibido fazer fogo. Em seguida, na bifurcação em T fui para a esquerda (a direita me levaria à bifurcação em T anterior, aquela que termina no asfalto). Me deparei com um turbal onde jogaram troncos para poder passar mas o melhor é desviar por uma trilha à esquerda. Turbal (ou turbera) é uma área de turba (turfa em português), que é uma vegetação encharcada e esponjosa composta de musgos, juncos e gramíneas. É bem ruim de caminhar pois afunda e molha os pés, além de cansar bastante. Turbal de las Três Lagunas e Montes Martial vistos do Mirador Montes Martial Apenas 40m após esse turbal, às 14h27, encontrei o segundo mirante, Mirador Montes Martial (ou Mirador del Martial), que, como o próprio nome diz, mira as montanhas e não a cidade e o canal. Mira também o grande turbal (Turbal de las Três Lagunas) e o bosque que antecedem os Montes Martial, bem como o famoso Glaciar Martial. Todas as montanhas estão identificadas no painel. Continuando, com mais 380m a trilha chega a outro turbal, mas não é preciso se molhar pisando nele: o Mirador del Beagle e a continuação da trilha em direção ao autódromo estão ambos à esquerda. Basta escolher na bifurcação: Mirador del Beagle à esquerda e autódromo à direita entrando no bosque. Fui conhecer esse último mirante, que por ficar 160m fora da trilha principal tem a melhor visão dos três. Cheguei às 14h45. Um painel identifica as montanhas a leste de Ushuaia, entre elas o Monte Olívia e o Cerro 5 Hermanos. Apesar do sol tímido, estava bastante frio ali, mesmo assim fiquei mais de 1h admirando a paisagem. Até aí encontrei 8 ou 9 pessoas apenas, caminhando ou correndo. Às 15h50 retomei a caminhada. Voltei 160m até a bifurcação e segui para a esquerda entrando no bosque. Passei por uma velha placa numa árvore escrito "Bosque Hermoso" - concordo! Com 440m desde a bifurcação do mirante apareceu outra bifurcação e fui para a esquerda, continuando em trilha marcada no bosque. À direita sairia do bosque para um caminho largo porém muito pouco pisado e com risco de estar encharcado. Os dois se encontram mais adiante. Às 16h31, já saindo do bosque, topei com um portão trancado mas de fácil passagem. A trilha, que vinha no rumo geral oeste, aqui gira para o sul e desce bastante, se aproximando do final. Com mais 10min outra bifurcação: à direita se cruza um portão e em 140m se chega a um fim de rua poeirenta, à esquerda se cruza uma cerca e se chega a uma rua paralela à anterior mais abaixo. Preferi a esquerda, mas antes descansei um pouco - nessa hora passou um grupo de bicicleta e tomou a direita na bifurcação. Em ambos os caminhos há água corrente. Descendo pela esquerda, passei pela cerca e na rua de terra fui para a esquerda também. Minha direção agora era leste para voltar ao centro de Ushuaia. Nesse mesmo local terminei quase um mês antes um outro trekking que fiz, o Paso de la Oveja (relato aqui). Passei pelo autódromo à minha direita e cheguei à RN3 (que aqui é de rípio) às 17h22 (altitude de 78m). Fui para a esquerda (Parque Nacional Tierra del Fuego à direita) comendo poeira e em 11min cheguei à esquina das ruas Leandro Alem e Hipólito Irigoyen, onde há ponto de ônibus das linhas A e B para o centro. Mas preferi ir caminhando esses últimos 5km para conhecer mais da cidade. Tomei a Leandro Alem à esquerda e depois entrei na 12 de Octubre à direita. Quase ao final dela entrei na Avenida Maipu à esquerda e cheguei à Rua Juana Fadul às 18h49. Rafael Santiago fevereiro/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  11. Laguna Ceniza Início e final: RN3 no acesso ao Refúgio Bonete Distância: 22,6km Duração: 3 dias Maior altitude: 773m no Passo Beban Leste Menor altitude: 144m no Valle Carbajal Dificuldade: Alta. A caminhada no geral tem dificuldade média, porém classifico como alta por causa da descida muito íngreme do Passo Beban Leste. A maior subida tem desnível de 629m, mas a quebrei em dois dias. No quarto dia do trekking Circuito da Sierra Valdivieso (relato aqui) topei no Valle Carbajal com uma plaquinha discreta apontando para uma tal Laguna Ceniza à esquerda da trilha principal, subindo. Marquei o local, estudei o trajeto na internet e planejei a exploração dela em forma de circuito. Faria de novo uma parte do trajeto do Valle Carbajal (porém ao contrário do que fiz no final do trekking Valdivieso) e subiria até a Laguna Ceniza, continuando até o Passo Beban Leste e descendo para o Refúgio Bonete, com final no mesmo local na RN3. Os dias estavam muito chuvosos em Ushuaia neste verão de 2020, mas para esta caminhada a previsão do Yr era de apenas 0,5mm no dia 12 e 0,1mm no dia 13, porém na montanha a coisa foi bem diferente... 1º DIA - 12/02/20 - da rodovia RN3 à Laguna Ceniza Distância: 8,7km Maior altitude: 553m na Laguna Ceniza Menor altitude: 144m no Valle Carbajal Resumo: nesse primeiro dia de caminhada voltei ao Valle Carbajal e subi à Laguna Ceniza num desnível de 409m. Acampei próximo a ela. Saí do hostel às 8h25. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (fevereiro). Montanhas ao norte do Valle Carbajal Na Rua Gobernador Deloqui, no centro de Ushuaia, peguei o ônibus da linha B (poderia ser o da linha A também, porém na Avenida Maipu) e desci no ponto final junto ao portal da cidade (saída para Rio Grande). Em frente ao ponto final fica o posto policial e ao passar por ele somos sempre "convidados" a entrar e registrar nome, documento e destino. Logo depois do portal as pessoas ficam pedindo carona. Já havia gente ali e me posicionei depois delas para respeitar a ordem de chegada. Logo parou um carro para mim e o motorista era trilheiro também. Me perguntou o que eu já tinha feito de trekking nos arredores (bastante coisa!) e me falou de uma tal Laguna Los Perros, que eu desconhecia. Sugestão anotada e depois explorada (relato aqui). Saltei na entrada da trilha para o Refúgio Bonete às 9h53. O céu estava azul e as montanhas iluminadas pelo sol, nenhuma sugestão do que viria à tarde. Ali há um painel com mapa e informações sobre as trilhas próximas, inclusive um caminho que vai do Centro Invernal Tierra Mayor até o Rio Olívia, trajeto que fiz em duas etapas (relatos aqui e aqui) Comecei a caminhar às 10h19. Altitude de 240m. Imediatamente entrei no bosque por um caminho largo, passei pela clareira de piquenique onde acampei no final do trekking Valdivieso, cruzei o Rio Esmeralda por uma ponte em reforma e às 10h55 cheguei à bifurcação com placas apontando "Cruce" à direita e Puente La Reina/Laguna Ceniza à esquerda. Esse cruce (cruzamento) da direita dá acesso tanto ao Refúgio Bonete quanto à Cascada Beban. Segui para a esquerda e com mais 300m saí do bosque. Uns 25m depois a trilha quebra para a esquerda (oeste). Na cadeia montanhosa ao norte o Cerro Bonete se destaca e ao sul é o Monte Olívia o protagonista. Passei pela primeira castoreira, que são represas construídas por castores e que matam todo o bosque ao redor. Um cenário desolador de árvores mortas, lama e brejo, mas essa estava à esquerda da trilha, não era preciso cruzá-la. Atravessei o Rio Beban pela dançante Ponte La Reina (a rainha) às 11h23, cruzei um bosque e saí no familiar Valle Carbajal, um enorme turbal por onde corre o Rio Olívia. Turbal (ou turbera) é uma área de turba (turfa em português), que é uma vegetação encharcada e esponjosa composta de musgos, juncos e gramíneas. É bem ruim de caminhar pois afunda e molha os pés, além de cansar bastante. A turba é recolhida para diversas finalidades: é usada como fertilizante e substrato no cultivo de plantas, como combustível doméstico mas de baixo poder calórico, para adsorção de metais pesados presentes em ambientes, no combate a derramamentos de petróleo, entre outras. Monte Olívia Esse turbal tem um caminho já consolidado em forma de canaleta de alguns centímetros de profundidade, mas é muito chato e cansativo caminhar por essa canaleta estreita. Nesse percurso até a bifurcação para a Laguna Ceniza o caminho se alterna entre a canaleta no turbal e os bosques à direita. Felizmente alguém colocou fitas crepe na entrada e saída de cada bosque e dentro dele também, facilitando muito a caminhada. Porém a cada entrada e saída há um lamaçal preto como obstáculo. Às 13h20 cheguei à bifurcação com plaquinha "Laguna Ceniza arriba" e parei 28min para descansar e comer um lanche. A trilha já começa subindo (arriba!) e está bem marcada e sinalizada com fitas de várias cores. Às 13h55 cheguei ao limite do bosque, depois só árvores mais baixas. Para trás a visão do Valle Carbajal começa a se abrir com diversas lagoas. Cruzei um riacho e uma matinha. Às 14h38 cruzei por pedras e troncos o riacho que vem da laguna. O calor estava forte e muito incomum para essa região. Parei para tirar a camiseta de manga longa e passar protetor solar... para depois o tempo fechar. Continuei às 15h33 e em 30min cruzei outra mata com riacho. Às 16h17 passei ao lado de outra castoreira. Cruzei o riacho da laguna mais duas vezes. Às 16h36 cheguei a um lago com um morro rochoso atrás e a trilha sumiu, mas o caminho mais óbvio parecia ser à esquerda do rochoso, ao lado de um deslizamento de pedras. Esse lago era bem bonito, água verde e transparente, mas era outra represa de castores. Vencida a subida pela esquerda do deslizamento cheguei às 16h50 à Laguna Ceniza. Caminhada bastante fácil até aqui. Altitude de 553m. Porém aparentemente a previsão do Yr não valia para este local pois o tempo mudou rapidamente e quando eu montava a barraca começou a chover granizo. Por sorte eram bolinhas pequenas e não danificaram a barraca. Depois parou de chover e pude caminhar ao longo da laguna, apesar do vento frio, e tirar muitas fotos. Ameaçava voltar a chover a qualquer momento. Lá pelas 19h30 apareceu um castor nadando nela. Tinha lido que é mais fácil vê-los de manhã bem cedo ou no final do dia e isso se confirmou nos trekkings que fiz. Não apareceu mais ninguém, a laguna foi só minha e dos castores nessa noite. Altitude de 553m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 1,5ºC Valle Carbajal 2º DIA - 13/02/20 - da Laguna Ceniza ao Refúgio Bonete Distância: 9,5km Maior altitude: 773m no Passo Beban Leste Menor altitude: 308m próximo ao Refúgio Bonete Resumo: nesse dia subi da Laguna Ceniza ao Passo Beban Leste (desnível de 220m) e desci dele por uma trilha extremamente íngreme ao vale do Rio Beban. Continuei por esse vale até o Refúgio Bonete (desnível negativo de 465m desde o passo), onde acampei 10h da manhã: 7ºC O dia amanheceu cinzento e ficou assim o tempo todo. Comecei a caminhar às 11h14. Da laguna é possível ver o Passo Beban Oeste, mas meu objetivo era o Leste. Caminhei pela direita (leste) da laguna até alcançar o rio que a alimenta e subi pela pedraria sempre próximo a ele. Não há trilha marcada mas a navegação é visual: subir o rio e quando estiver mais fácil galgar a encosta de pedras na direção do passo à direita. Às 11h58 cruzei o rio para a direita seguindo um totem. Foi muito mais fácil do que eu imaginava e cheguei ao Passo Beban Leste às 12h15. Altitude de 773m, a maior do circuito. Do outro lado o vale do Rio Beban. Ao contrário do dia em que passei aqui no trekking Valdivieso (relato aqui), nesse dia estava tudo cinzento e mal se viam as montanhas. Mas o pior dessa caminhada viria agora: a descida extremamente inclinada do passo. Há duas "línguas" de pedras soltas do topo do passo até a sua base no vale. Na outra ocasião eu subi pela da direita olhando de baixo para cima e foi bem difícil. Dessa vez tentei a outra, a da direita agora olhando de cima para baixo. Não sei dizer qual foi pior. A descida é pior que a subida num local assim pois há que tomar muito cuidado a cada passo para não escorregar nas pedras soltas e rolar ladeira abaixo. Cheguei a uma clareira de acampamento na base do passo às 13h e parei para descansar. Apareceu de outra direção - sem trilha! - um casal meio perdido. Ele italiano e ela lituana. Ele falava espanhol e disse que fizeram um circuito enorme por um trajeto difícil sem trilha e queriam chegar logo à rodovia, que ainda estava um pouco distante. Saí logo depois deles, às 13h52, e vi que em vez de subir um pouco a encosta da direita e caminhar pela trilha sinalizada eles seguiram junto ao rio, acredito que sem trilha nenhuma, como vinham fazendo há dias. Não os vi mais depois disso. Eu refiz ao contrário o caminho do segundo dia do trekking Valdivieso. Ao sair do local de acampamento deixei o Rio Beban abaixo à esquerda e caminhei pela encosta mais ou menos em nível. Ali cruzei com mais quatro trilheiros, esses argentinos, e conversamos rapidamente. Após uma crista rochosa que abre visão para um nível mais baixo do vale inicia a descida (15h02). Nela a trilha se perde às vezes e há lama e charcos. Algumas pircas (totens de pedra) ajudam a se orientar. Ao final da descida (15h45) se chega ao nível mais baixo que tinha avistado lá da crista rochosa. Bem à direita há um riacho que despenca da encosta, uma água boa para encher o cantil. Depois a trilha segue mais nivelada e se aproxima do Rio Beban, mas desaparece em alguns momentos. Passei por uma clareira de acampamento, atravessei um bosque e cruzei às 16h38 o Beban no mesmo local da outra vez pois não encontrei outro lugar tão raso. Não tirei as botas de novo mas mesmo sendo impermeáveis as meias ficaram úmidas. Segui pelo turbal quase sem trilha me mantendo mais à esquerda e alcancei às 16h58 a trilha bem marcada da Cascada Beban, que fica 120m à direita. Mas como já a conhecia e não valia a pena visitá-la de novo segui para a esquerda na trilha (sul). Numa bifurcação 630m depois fui para a esquerda, atravessei um turbal bem encharcado e cheguei ao Refúgio Bonete às 17h29 (fechado). Há água corrente cerca de 120m antes. Mais uma noite de acampamento sozinho. Altitude de 319m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 7,4ºC Laguna Ceniza 3º DIA - 14/02/20 - do Refúgio Bonete à RN3 Distância: 4,4km Maior altitude: 319m no Refúgio Bonete Menor altitude: 179m na ponte do Rio Esmeralda Resumo: caminhada fácil do Refúgio Bonete à rodovia RN3, onde pedi carona para voltar a Ushuaia 9h15 da manhã: 10,4ºC Deixei o refúgio às 10h48 pela trilha bem batida na direção sul. Atravessei um bosque à direita que serve como desvio da trilha ruim. Às 10h58 fui para a esquerda numa bifurcação seguindo a sinalização e passei à esquerda de um lago entrando em outro bosque. Às 11h11 cheguei a um cruzamento de trilhas: para a direita a Cascada Beban a 1,8km, para a esquerda o Centro Invernal Tierra Mayor a 6,1km e para a frente a Senda Hacheros a 3,3km (a RN3 está a 3,6km nessa direção). Segui em frente. Às 11h28 saí novamente a céu aberto e no turbal havia uma passarela de tábuas. Entrei na mata novamente e às 11h53 alcancei a bifurcação do primeiro dia com placas apontando "Cruce" (de onde vim) e Puente La Reina/Laguna Ceniza (à direita). Estava fechado o circuito. Continuando à esquerda, parei no Rio Esmeralda para tirar a lama das botas para pedir carona limpo. Cruzei a ponte e passei pela clareira de piquenique. Às 13h08 estava na RN3 pedindo carona para voltar a Ushuaia. Parou um carro e era uma mulher sozinha. Moradora da cidade, ela nunca tinha ouvido falar da Laguna Ceniza... Informações adicionais: . para chegar ao início da trilha deve-se tomar o ônibus das linhas A ou B no centro de Ushuaia e saltar no ponto final no portal da cidade, em seguida pedir carona (hacer dedo, em espanhol) . o valor da passagem em fev/20 era ARS24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche) . uma opção mais confortável é o transporte privado (van) chamado Linea Regular que sai diariamente da esquina das ruas Maipu e Juana Fadul de hora em hora das 9h às 14h. Rafael Santiago fevereiro/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  12. Vale do Rio Torito Início: estacionamento da Laguna Esmeralda Final: Círculo de Oficiales da Polícia de Tierra del Fuego (antiga Posada del Peregrino) Distância: 53,6km Duração: 5 dias Maior altitude: 919m no Passo Mariposa Menor altitude: 142m no Círculo de Oficiales Dificuldade: alta porque há três passos de montanha a cruzar, dois deles muito íngremes, e porque não há sinalização no caminho. Quem já fez essa caminhada ou já estudou o seu trajeto pode estranhar eu tê-la iniciado no estacionamento da Laguna Esmeralda e não na trilha do Refúgio Bonete. É que o meu trekking anterior tinha sido pela trilha que liga as lagunas Submarino e Esmeralda (relato aqui). Como essa trilha de ligação continua até o Rio Olívia passando pelo Refúgio Bonete resolvi conhecer o restante dela. O trecho da Laguna Esmeralda ao Refúgio Bonete encaixei no início do Circuito da Sierra Valdivieso e o restante no final dele. O Circuito da Sierra Valdivieso é a caminhada mais difícil de Ushuaia pois atravessa três passos de montanha, dois deles muito íngremes, e termina em um imenso turbal (Valle Carbajal) bastante cansativo de caminhar. Difícil também porque quase não há sinalização pelo caminho, é preciso ir com um gps com o caminho gravado ou um bom mapa com o percurso marcado e uma bússola. Tive muita sorte com o tempo, cinco dias sem chuva em Ushuaia é uma raridade. 1º DIA - 06/02/20 - do estacionamento da Laguna Esmeralda ao Refúgio Bonete e Cascada Beban Distância: 8,7km Maior altitude: 356m próximo à Cascada Beban Menor altitude: 247m na ponte do Rio Esmeralda Resumo: nesse primeiro dia de caminhada percorri o vale do Rio Esmeralda até o Rio Beban. Visitei a cachoeira do Rio Beban e voltei um pouco para acampar ao lado do Refúgio Bonete, que estava fechado. Saí do hostel às 9h15. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Os argentinos, por exemplo, muitas vezes iniciam as caminhadas no meio da tarde. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (início de fevereiro). Na Rua Gobernador Deloqui, no centro de Ushuaia, peguei o ônibus da linha B (poderia ser o da linha A também, porém na Avenida Maipu) e desci no ponto final junto ao portal da cidade (saída para Rio Grande). Em frente ao ponto final fica o posto policial e ao passar por ele somos sempre "convidados" a entrar e registrar nome, documento e destino. Cascada Beban Logo depois do portal as pessoas ficam pedindo carona. Já havia gente ali e me posicionei depois delas para respeitar a ordem de chegada. O motorista que parou para mim morava num sítio e cultivava frutas como morangos e framboesas. Estava com a camionete cheia de mudas. Saltei no estacionamento da Laguna Esmeralda às 10h52 e ainda havia poucos carros em relação ao grande movimento diário que há ali. Comecei a caminhar às 11h04. Altitude de 290m. A trilha é sinalizada e imediatamente entra no bosque. Uma placa informa que o turbal que vou atravessar nesse trekking (Tierra Mayor e depois Valle Carbajal) é um dos mais extensos da América do Sul! Turbal (ou turbera) é uma área de turba (turfa em português), que é uma vegetação encharcada e esponjosa composta de musgos, juncos e gramíneas. É bem ruim de caminhar pois afunda e molha os pés, além de cansar bastante. A turba é recolhida para diversas finalidades: é usada como fertilizante e substrato no cultivo de plantas, como combustível doméstico mas de baixo poder calórico, para adsorção de metais pesados presentes em ambientes, no combate a derramamentos de petróleo, entre outras. Dessa vez segui a trilha "oficial" da Laguna Esmeralda - quando a visitei alguns dias antes (relato aqui) segui um grupo de amigos que conhecia diversos atalhos para chegar ao estacionamento na RN3. Como é comum nas trilhas em Ushuaia havia bastante barro. Ao sair do bosque uma visão magnífica do Cerro Navidad, Cerro Bonete e Cerro Alvear. Cruzei uma ponte de troncos, um bosque e às 11h39 cheguei à bifurcação sinalizada que aponta a Laguna Esmeralda em frente e a Cascada Beban à esquerda. Fui para a esquerda e em 3min atravessei o Rio Esmeralda por uma ponte de tábuas, porém a trilha sumiu. Fui para a esquerda na direção de uma ponte destruída, atravessei alguns arbustos e reencontrei a trilha entrando no bosque. Nas árvores continua a sinalização de duas faixas horizontais nas cores azul e branca do projeto "Sendero del Fin del Mundo", além de círculos vermelhos, que encontrei no trecho entre o Centro Invernal Tierra Mayor e a Laguna Esmeralda (relato aqui). Esta trilha em que estou também é parte da etapa 6 do projeto, que vai da Cascada Rio Beban até Tierra Mayor. Mais informações em lahuellaandina.com.ar, link "Guía original de Senderos de Patagonia". Às 12h34 cruzei a trilha PIPEF (Pista Provincial de Esqui de Fundo) e às 13h22 outro cruzamento: à direita o Refúgio Bonete, à esquerda a RN3 (está escrito Senda Hacheros) e em frente a Cascada Beban. Segui em frente. Nas duas próximas bifurcações fui à direita e esquerda seguindo a sinalização azul e branca. Saí do bosque às 13h42. A trilha gira para o norte e aponta diretamente para o vale do Rio Beban, com os cerros Navidad e Bonete o delimitando. Aliás visão diferente e magnífica do Cerro Bonete a partir desse local. A trilha, agora a céu aberto, tem muitos trechos de lama e brejo. Ao subir, tendo o Rio Beban à esquerda, atinjo um ponto alto que abre a visão completa do vale do Rio Beban e seu turbal, continuação da caminhada em direção ao Passo Beban que faria no dia seguinte. Para trás uma ampla e bonita vista do vale do Rio Olívia e seu turbal emoldurados pelo Monte Olívia e Cerro Portillo. A trilha faz uma curva para a esquerda e termina na Cascada Beban, uma quedinha-d'água muito sem-vergonha. Cheguei às 14h16. Um painel com mapa informa sobre a trilha que vai do Centro Invernal Tierra Mayor até o Rio Olívia com essa bifurcação para a cascata. Não havia ninguém nesse momento mas depois foram chegando alguns grupinhos. Cerca de nove pessoas visitaram a cascata enquanto eu estava lá, não é um lugar tão conhecido. Ao sair dali às 17h14 em direção ao Refúgio Bonete vi um casal vindo lá do fundo do vale, da direção do Passo Beban. Voltei 630m pelo mesmo caminho e tomei a esquerda numa bifurcação para chegar mais rápido ao refúgio. Esse caminho tem bastante turfa encharcada. Cruzei com três argentinos que estavam com alguma dificuldade para transpor aquele brejo todo. Disseram que o refúgio estava fechado e que iam acampar ao lado dele depois de visitar a cascata. Cheguei ao refúgio às 17h54. Há água corrente cerca de 120m antes. Mais tarde eles retornaram, montamos as barracas e eles fizeram uma fogueira - não tem jeito... Ficamos conversando até bem tarde. Eles eram de Mar del Plata. Altitude de 330m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 5,1ºC Subindo para o Passo Beban 2º DIA - 07/02/20 - do Refúgio Bonete ao Salto del Azul Distância: 12,6km Maior altitude: 811m no Passo Beban Oeste Menor altitude: 311m no Salto del Azul Resumo: nesse dia subi do Refúgio Bonete ao Passo Beban pelo vale do Rio Beban num desnível de 491m, em seguida desci 500m pelo vale do Rio Torito até a cachoeira Salto del Azul 9h30 da manhã: 12,4ºC Tomei o café da manhã com os amigos montanhistas argentinos. Eles desceram para a RN3 e eu saí às 12h em direção ao Passo Beban com intenção de acampar próximo à cachoeira Salto del Azul. Refiz o caminho da Cascada Beban e quando a trilha quebra para a esquerda para chegar a ela tomei uma trilha bem apagada para a direita, já entrando no turbal do vale do Rio Beban. Encontrei uma pirca (totem de pedras) para confirmar o caminho pois a trilha era muito tênue. Passei por algumas castoreiras pequenas (represas de castores) e cheguei às 13h às margens do Rio Beban num local mais raso em que pude atravessar sem tirar as botas, mas mesmo sendo impermeáveis as meias umedeceram um pouco. Na outra margem a trilha discreta que havia desapareceu por completo - aqui se deve caminhar o mais próximo possível do rio (à direita) pois a trilha acaba reaparecendo. Passei por um bom local de acampamento às 13h20 e parei para um lanche por 20min. Depois a trilha vai se tornando menos marcada e até desaparece às vezes, mas me mantive do lado esquerdo e na parte mais baixa do vale. Só comecei a subir a encosta à esquerda quando surgiu uma trilha bem marcada apontando naquela direção às 14h10, logo após um riacho que vinha lá de cima. Coletei dessa água pois era bem melhor que a do Rio Beban. Nessa subida a trilha desapareceu várias vezes também. Solo encharcado e lama até na subida, aliás no caminho inteiro desse dia. Algumas pircas para se orientar. Passei por algumas lagoas que refletiam o céu azul e renderam ótimas fotos. Às 15h40 cheguei a uma crista rochosa que me abriu a visão para o vale onde serpenteia o Rio Beban mais próximo de suas nascentes. E lá na cabeceira desse grande vale já podia ver o Passo Beban, que a distância parecia uma parede intransponível. A trilha continuava pela encosta verde da margem direita verdadeira do rio. Esse trajeto até a base do passo foi mais demorada do que parecia. Me mantive em nível pela encosta durante quase todo o trajeto e só mais próximo do passo é que desci ao rio. Logo depois topei com um bom local de acampamento bem na base do passo às 17h. O passo é uma muralha rochosa com duas línguas de pedras soltas de alto a baixo. Teria que escolher uma das duas para enfrentar a subida extremamente íngreme. Caminhando mais próximo ao rio cheguei primeiro à "lingua" da direita e vi um caminho pisado para cima. Resolvi subir por ali mesmo, sem nem olhar a "língua" da esquerda. Passo Beban Oeste Subi com bastante dificuldade pela forte inclinação e as pedras soltas. Jogava o corpo para a frente para não rolar ladeira abaixo com o peso da mochila e usava o bastão para dar mais segurança se escorregasse. Cheguei enfim ao topo do Passo Beban às 18h para descobrir que esse era apenas o passo leste. Altitude de 772m. Logo em seguida tinha o passo oeste. Mas felizmente havia uma trilha de pouco desnível na encosta da montanha à direita e não foi preciso baixar e subir muito. A paisagem desses passos é inteiramente de pedras, a linha das árvores ficou bem abaixo. Desci um nível para a direita e tomei então a trilha que liga os dois passos. É um caminho por um mar de pedras e em alguns momentos não está bem definido, tendo de seguir os totens. Aos poucos foi aparecendo bem abaixo à esquerda um grande lago. Dias depois, numa outra exploração (relato aqui), descobri ser a Laguna Ceniza. Passei por um ponto de água corrente. Na chegada ao passo oeste às 18h25 contornei uma mancha de neve. Uma grande pirca marca esse local de 811m de altitude (maior altitude do dia). Apesar de bastante remoto havia pichações nas rochas maiores... lamentável. A pedreira continua do outro lado do passo, mas felizmente com uma inclinação bem mais suave. A curiosidade aqui ficou por conta do riacho que passei a acompanhar, origens do Rio Torito, com as águas tão carregadas de minerais que eram brancas, leitosas, deixando um rasto branco por onde passavam. Cruzei com três argentinos que pretendiam chegar à RN3 e terminar a caminhada ainda nesse dia pois estavam quase sem comida. Às 19h15 passei por um trecho mais inclinado da descida, com muitas pedras e até uma cachoeira. Depois reapareceram as lengas baixas e os gramados, alguns deles ótimos para acampar, mas continuei. Agora com trilha marcada o avanço foi mais rápido. Às 20h cruzei o rio principal do vale para a margem esquerda logo abaixo de uma castoreira e subi para a encosta. Com mais 20min descendo passei por uma represa à direita com grande parte do bosque devastado pelos castores. Ao final da represa, às 20h26, parei para pegar água que vinha da encosta e apesar de tarde ainda cruzei com um trilheiro solitário subindo em direção ao passo. Surgiram mais locais de acampamento com água corrente. Mas às 21h o cenário mais desolador: uma clareira muito grande repleta de árvores mortas, muitas tombadas e muitas ainda em pé mas afogadas na represa dos castores. Estava até difícil caminhar ali naquela confusão de árvores caídas e brejo. Às 21h15 enfim cheguei ao meu local pretendido para acampar, aos pés da cachoeira Salto del Azul, que já foi um lugar muito bonito mas depois de um incêndio ficou todo cinzento. Altitude de 311m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 2,5ºC Laguna Azul e Laguna Azul Superior 3º DIA - 08/02/20 - do Salto del Azul ao Passo Valdivieso Distância: 9,2km Maior altitude: 919m no Passo Mariposa Menor altitude: 305m no Rio Torito Resumo: nesse dia subi da cachoeira Salto del Azul ao Passo Mariposa num desnível de 614m, em seguida desci 385m até a Laguna Capullo e voltei a subir 139m ao Passo Valdivieso 8h30 da manhã: 10,7ºC Levantei acampamento às 10h52 na direção noroeste seguindo ainda o vale do Rio Torito, porém a trilha, antes bem marcada, desapareceu. Também não vi totens. Cruzei o rio que vinha da cachoeira me equilibrando num tronco, fui para oeste, noroeste, e me aproximei do Rio Torito sem cruzá-lo, sempre por sua margem esquerda. Ao chegar ao limite de um bosque o Rio Torito faz uma curva para a direita e se dirige para o norte para encontrar o Lago Fagnano. Nesse ponto é preciso subir a encosta da esquerda e tomar o rumo contrário, sul, para ultrapassar o Passo Mariposa. Porém continuava sem encontrar trilha nem totens. Entrei no bosque às 11h53 para procurar a trilha de subida. Não encontrei uma trilha marcada mas dava para caminhar por entre as árvores (essa não deve ser a melhor alternativa, como descobriria depois). Subi por onde dava e até vi pegadas. Ao sair do bosque para a esquerda às 12h31 encontrei água corrente e mais pegadas. Porém olhando para baixo vi uma trilha subindo. Não identifiquei onde ela começa. Acabei encontrando com ela mais acima e parei para um lanche com uma vista espetacular do vale e do Lago Fagnano. Às 13h27 subi a encosta, agora pela trilha que achei, e passei por belos lagos e vales mais altos na encosta da montanha. Também cruzei um riacho e encontrei um totem confirmando o caminho. Às 14h20, ao deixar para trás as últimas lengas-arbusto, avisto um cenário de cair o queixo: juntas a Laguna Azul e a Laguna Azul Superior, dois lagos belíssimos no meio de toda aquela imensidão de montanhas lindas. Passado o espanto, tive de estudar como descer na direção delas já que me encontrava numa crista rochosa com paredes altas. Mas foi tranquilo, bastou seguir a crista até o final que apareceu uma descida fácil. Laguna Mariposa Já estava caminhando na direção dos lagos quando percebi que não era por ali e sim para o lado oposto (oeste), onde havia totens e por onde desce um riacho. Mais acima, às 15h05, atravessei esse riacho para a esquerda (margem direita verdadeira). O ambiente já é de alta montanha, quase totalmente de pedras e alguma vegetação rasteira que vai desaparecendo à medida que me aproximo do passo. Subida constante porém fácil. Há água corrente e totens confirmam o caminho. Avistei um guanaco no alto de um rochoso me observando. Ele sumiu por algum tempo e depois o reencontrei junto com seu bando, num total de seis. Me olhavam atentamente, mas depois se foram. Dois círculos amarelos pintados na parede de um rochoso indicam a direção a seguir (esquerda) e às 15h55 alcanço o Passo Mariposa. Altitude de 919m, a maior de todo o trekking. Do outro lado (oeste) surge um grande vale e lagos de vários tamanhos, com destaque para a Laguna Capullo e a Laguna Mariposa. Não era possível avistar o Passo Valdivieso dali, apenas saber a direção dele (sudoeste). O que a subida ao Passo Mariposa teve de fácil (longa mas com inclinação suave) a descida teve de dura e cansativa. O caminho estava bem marcado no mar de pedras porém já começa extremamente inclinado. Pobres joelhos! Estabiliza num platô e depois despenca ainda mais inclinado, com areia e pedrinhas soltas para escorregar. Por vezes saía da trilha batida e descia pelas pedras ao lado, ao menos não escorregava tanto. Quando atingi a vegetação de novo encontrei bastante barro e solo molhado. Cruzei vários riachos (ou o mesmo várias vezes). Ao me aproximar da Laguna Capullo às 17h26 vi que havia um casal nadando como veio ao mundo. Contornei essa laguna pela esquerda e ao me aproximar eles já estavam vestidos, assim pudemos conversar. Eram da República Tcheca! Eu estava apreensivo que a subida do Passo Valdivieso fosse como a subida do Passo Beban ou a descida do Passo Mariposa, mas eles me tranquilizaram dizendo que era bem fácil, tanto na subida quanto na descida para o Rio Olívia. Subi 130m (horizontais) desde a margem da Laguna Capullo (altitude de 534m) e encontrei às 18h uma área de acampamento muito boa, plana e entre arbustos. O caminho para o passo está antes desse acampamento, ao lado de uma quedinha-d'água. Mais acima não encontrei totens e fui por tentativa e erro. Num certo ponto comecei a subir por uma ladeira de pedras mas vi que não era ali, então tentei uma ladeira gramada à direita dela e finalmente encontrei totens no seu topo. Dali já é espetacular a visão para a Laguna Mariposa, as lagunas menores e o Lago Fagnano. Para trás a vista do Passo Mariposa é assustadora, a trilha parece completamente vertical. Subi mais por caminho gramado e às 19h atinjo um grande platô. O percurso até o Passo Valdivieso se torna mais sossegado. Passei por vários lagos e decidi acampar próximo do passo pois teria uma incrível vista das montanhas. Se descesse para o Rio Olívia poderia demorar a encontrar um local bom de acampamento e não devia ter uma vista tão bonita. Cheguei ao passo às 20h, altitude de 626m, mas voltei até uma das lagunas pois vi um local plano e seco para montar a barraca. Altitude de 605m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 4,7ºC Laguna Passo Valdivieso 4º DIA - 09/02/20 - do Passo Valdivieso ao Rio Esmeralda Distância: 19,5km Maior altitude: 626m no Passo Valdivieso Menor altitude: 150m no Valle Carbajal Resumo: nesse dia desci do Passo Valdivieso ao Rio Olívia/Valle Carbajal um desnível de 476m, em seguida caminhei 12,8km por esse vale até encontrar o Rio Esmeralda 8h25 da manhã: 5,7ºC Comecei a caminhar às 10h e em 10min estava cruzando o Passo Valdivieso. Do outro lado a Laguna Passo Valdivieso belíssima, encaixada num platô antes da descida para o Rio Olívia. Acompanhei pela margem esquerda o riacho que a alimenta e desci a ela. Fiquei bastante tempo admirando aquele lugar incrível. Sabia que baixando ao Valle Carbajal não teria uma paisagem tão grandiosa. Às 11h50 estava deixando essa laguna pela margem esquerda do riacho que extravasa dela (mas acho que deveria ter cruzado esse riacho ali mesmo e iniciado a descida já pela sua margem direita). Desci por trilha batida mas depois me vi no alto de pedras com descida difícil e fui obrigado a cruzar o rio. Do outro lado encontrei totens, por isso penso que deveria tê-lo cruzado lá na saída do lago. Agora por trilha bem marcada desci sem dificuldade. Apareceram fitas crepe nos galhos e plaquinhas refletivas para orientar. Às 12h57 a trilha cruza o rio para a margem esquerda. Uns 80m depois seria possível acampar. Em seguida a trilha desce muito inclinada e volta ao rio, atravessando-o de novo para a margem direita (há uma trilha ainda na margem esquerda que engana). Às 13h20, quando a trilha passou bem ao lado do rio novamente, surgiu um caminho saindo para a esquerda sinalizado com fitas crepe e totens, mas a trilha em que eu estava descia bem batida pela margem direita. Fiquei em dúvida e resolvi seguir a sinalização. Foi perda de tempo. Cruzei o rio pelas pedras e tomei a trilha... que terminou na Roca 25 de Mayo, um grande boulder. Voltei, cruzei o rio de novo e retomei o caminho em que estava (margem direita). Laguna Passo Valdivieso Estava tudo ótimo até chegar às 13h45 à parte mais baixa do vale, onde a trilha bem batida simplesmente sumiu. Em vez de trilha agora estava no meio de uma confusão de lama, brejo e árvores secas caídas. Obra de castores. A única certeza é que deveria seguir para a esquerda (leste). Caminhei nessa direção e topei com o Rio Olívia já largo. Sem caminho desse lado até pensei em procurar trilha do outro lado, mas antes consultei o gps. A trilha do Open Street Map (e do Maps.me) naquele local corta o rio duas vezes seguidas numa curva em U invertido que o rio faz. Corta duas vezes para continuar na margem esquerda. Com o rio largo não valia a pena cruzá-lo ali e de novo 200m depois. Melhor procurar avançar acompanhando a curva em U em lugar de cortá-la. A indicação de um acampamento próximo na margem esquerda me deu mais esperança de encontrar uma trilha desse lado. Caminhei pela curva com bastante dificuldade, saltei o riacho que vem da Laguna Passo Valdivieso e realmente encontrei um acampamento, já entrando no bosque. Depois dele uma trilha meio apagada. Aliviado, parei para lanchar por 20min. Minha intenção era me manter sempre na margem esquerda do Rio Olívia até o final da caminhada. Parti às 14h21. A trilha segue tênue pelo bosque, quase sumindo, e sai em outro caos enorme de árvores caídas, brejo e lama. Sem trilha preferi ultrapassar esse local pela lateral esquerda, tendo que saltar troncos ou caminhar por cima deles evitando os brejos. Ao sair desse lugar encontrei uma sinalização (um cano amarelo espetado no chão), confirmando que eu estava no caminho certo. Dali em diante a dificuldade foi outra: caminhar pelo imenso turbal do Valle Carbajal, o que me tomou o restante do dia e me cansou muito. Nesse turbal já se consolidou um caminho em forma de canaleta com alguns centímetros de profundidade. Então é preciso caminhar até o fim do vale (quase 12km) por essa canaleta estreita, o que é bastante chato e cansativo. Às 15h02 cruzei pelas pedras o Arroyo Balcon. A sinalização com cano amarelo e também refletivos nas árvores continua. Às 15h23 atravessei o Arroyo Año Nuevo. Às 16h36 cruzar o Arroyo de la Virgen com correnteza deu um pouco mais de trabalho, sorte que encontrei uma ponte improvisada com troncos finos à direita para não ter de tirar as botas. Às 17h28 o Arroyo Angelito também tem ponte improvisada de troncos e espaço para uma barraca. Uns 230m depois não percebi uma bifurcação e segui pela canaleta mais pisada (direita). Me deparei com uma vala funda com água. Achei estranho e verifiquei o gps. Vi que esse é um dos caminhos que levam à margem da Laguna Arco-Íris e dela para o Rio Olívia a fim de cruzá-lo, mas não há necessidade de cruzar o Rio Olívia. Além disso, eu não sabia se haveria ponte (provavelmente não). Queria me manter sempre na margem esquerda do Rio Olívia pois sabia que assim a saída do vale seria fácil, sem vadeação de rio. Da vala voltei 420m e só então vi a trilha saindo para a direita (esquerda na vinda) com uma fita crepe. Nessa hora comecei a sentir pingos e parei para vestir a roupa impermeável, logo depois tive de tirar pois os pingos pararam e senti calor. Passo Valdivieso Às 18h38 cruzei um riacho mais largo pelas pedras. Daí em diante foi uma alternância entre caminhar na canaleta do turbal e entrar e sair dos bosques à esquerda. Em toda entrada e saída de bosque havia um lamaçal preto como boas-vindas e despedida. Por sorte uma alma bondosa espalhou fitas crepe pelos bosques e sinalizou bem os pontos onde entrar e sair deles. Isso agiliza demais a caminhada! Às 19h32, num dos bosques, topei com um acampamento de caçador/pescador com espeto, grelha e local de fogueira. Cruzei o rio ao lado por uma pinguela de dois troncos. Às 19h45 vi numa árvore uma plaquinha "Laguna Ceniza arriba" apontando para a esquerda - marquei o local para explorar depois (relato aqui). O entra-e-sai de bosques se tornou mais intenso. No meio de tudo isso passou por mim um casal bem jovem praticando corrida, enfiando o pé com vontade naqueles brejos e lamaçais. Às 20h50 passei à esquerda de um lago e vi um castor nadando nele. Li que é mais fácil vê-los nos horários do amanhecer e final da tarde, e isso se comprovou nas caminhadas que fiz. A essa altura já calculava que chegaria só de noite à RN3 e seria muito difícil conseguir carona para voltar a Ushuaia. Isso já me colocava em sobreaviso para encontrar um local para acampar pelo caminho e voltar à cidade só no dia seguinte. Comida eu tinha. Mesmo assim iria tentar ficar o mais próximo possível da rodovia. Esse dia a mais não estava nos planos pois a previsão era de chuva. Às 21h03 entrei num bosque maior e saí do vale do Rio Olívia. Ao final desse bosque cruzei a balançante Ponte La Reina (a rainha) sobre o Rio Beban, aquele mesmo do segundo dia e da cachoeira sem-vergonha. Em seguida outra destruição causada pelos castores mas essa pelo menos não é preciso cruzar, se passa ao lado. Às 21h23 a trilha quebra para a direita (sul) e reentra no bosque por um caminho largo. Em 5min outra trilha vem da esquerda com placa de "Cruce", esse o principal acesso ao Refúgio Bonete. Rapidamente escureceu dentro da mata, mas para minha surpresa cruzei com quatro trilheiros, provavelmente iam acampar no refúgio. Não disse que os argentinos iniciam as caminhadas de tarde?... até de noite. Continuei o caminho com lanterna e procurando um local para a barraca pois antes desse bosque era só turfa encharcada. Às 22h11 cruzei o Rio Esmeralda por uma ponte em reforma e subi. Já estava ouvindo o barulho dos carros na rodovia quando topei com uma grande área de piquenique, excelente lugar para acampar a apenas 110m do Rio Esmeralda e com um riachinho 40m depois. Que sorte! Altitude de 199m. Passo Valdivieso 5º DIA - 10/02/20 - do Rio Esmeralda à RN3 e Círculo de Oficiales da Polícia de Tierra del Fuego (antiga Posada del Peregrino) Distância: 3,6km Maior altitude: 236m Menor altitude: 142m no Círculo de Oficiales Resumo: nesse último dia terminei o Circuito Valdivieso na rodovia RN3 e percorri parte de um caminho (denominado no painel informativo como Senda Hacheros) até o Círculo de Oficiales da Polícia de Tierra del Fuego Felizmente a previsão do tempo errou e não choveu. Cinco dias sem chuva em Ushuaia é quase um milagre! Saí do acampamento às 8h08 e em 9min estava na RN3. Ao chegar à rodovia vi o painel com mapa das trilhas e lembrei da continuação até o Rio Olívia chamada Senda Hacheros. Resolvi fazer. Porém não é uma trilha e sim a estrada do gasoduto, caminho muito chato e feio. O vento gelado de frente também me desanimava a continuar. Mesmo assim caminhei 2,8km até a antiga Posada del Peregrino, agora Círculo de Oficiales da Polícia de Tierra del Fuego, local onde terminaria a caminhada se tivesse cruzado o Rio Olívia depois daquela bifurcação da vala funda. Essa antiga pousada fica exatamente na RN3. Foi só levantar o dedo ali que o segundo carro parou. Era um argentino que morava na região de Salta. Informações adicionais: . para chegar ao início da trilha deve-se tomar o ônibus das linhas A ou B no centro de Ushuaia e saltar no ponto final no portal da cidade, em seguida pedir carona (hacer dedo, em espanhol) . o valor da passagem em fev/20 era ARS24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche) . uma opção mais confortável é o transporte privado (van) chamado Linea Regular que sai diariamente da esquina das ruas Maipu e Juana Fadul de hora em hora das 9h às 14h. . mais informações sobre o projeto "Sendero del Fin del Mundo" em lahuellaandina.com.ar, link "Guía original de Senderos de Patagonia". Rafael Santiago fevereiro/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  13. Laguna Esmeralda Início: estacionamento da Laguna Submarino na RN3 Final: estacionamento da Laguna Esmeralda na RN3 Distância: 28,5km Duração: 3 dias Maior altitude: 823m na neve do Glaciar Ojos del Albino Menor altitude: 220m no Rio Lasifashaj Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. Os desníveis não são grandes, a maior subida tem desnível de 433m. Nessa caminhada emendei duas trilhas: a da desconhecida Laguna Submarino com a da popularíssima Laguna Esmeralda. A princípio pensei que teria que caminhar pela RN3 entre a trilha de uma e de outra já que estão um pouco distantes e cada uma de um lado da rodovia, mas para minha felicidade descobri um caminho bem mais agradável por trilha e bosques. Por que o nome Submarino? Dê uma espiada na imagem de satélite do Google. 1º DIA - 31/01/20 - do estacionamento na RN3 à Laguna Submarino Distância: 6km Maior altitude: 642m na Laguna Submarino Menor altitude: 220m no Rio Lasifashaj Resumo: nesse primeiro dia de caminhada subi da rodovia RN3 à Laguna Submarino num desnível de 422m. Acampei um pouco abaixo dela. Saí do hostel um pouco tarde, às 9h35. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (fim de janeiro/início de fevereiro). Na Rua Gobernador Deloqui, no centro de Ushuaia, peguei o ônibus da linha B (poderia ser o da linha A também, porém na Avenida Maipu) e desci no ponto final junto ao portal da cidade (saída para Rio Grande). Em frente ao ponto final fica o posto policial e ao passar por ele somos sempre "convidados" a entrar e registrar nome, documento e destino. Logo depois do portal as pessoas ficam pedindo carona. Já havia gente ali e me posicionei depois delas para respeitar a ordem de chegada. Logo parou um caminhão para mim, o motorista ia para Rio Grande. Saltei no estacionamento da trilha para a Laguna Submarino às 11h, bem em frente ao Centro Invernal Tierra Mayor. Havia dois carros apenas no estacionamento, provando que a laguna era pouco conhecida mesmo. Ali há um grande painel do "Sendero del Fin del Mundo" mostrando as trilhas da etapa 6 desse projeto e ainda uma continuação até o Rio Olívia. A etapa 6 vai da Cascada Rio Beban até Tierra Mayor, onde eu estava. Dessa maneira, descobri que conseguiria emendar as trilhas Submarino e Esmeralda por uma terceira trilha pelo Vale de Tierra Mayor. Restava saber se essa trilha estava transitável. Curioso que esse painel não mostrava a trilha da Laguna Submarino (etapa 7 do projeto), aliás não havia nenhuma placa informando que ali era o início da trilha para ela. Apenas uma placa indicando área de acampe a 1,2km. Segundo o painel, a sinalização de trilha a seguir seriam duas faixas horizontais nas cores azul e branca, tal como a da Huella Andina do norte da Patagônia, mas nesse trecho até a Laguna Submarino ela não apareceu . Mais informações em lahuellaandina.com.ar, link "Guía original de Senderos de Patagonia". Cachoeira no caminho à Laguna Submarino Comecei a caminhar às 11h10. Altitude de 259m. Segui a estradinha de terra que cortava na direção leste o denso bosque de lengas e com 900m cheguei a uma grande clareira com cruzamento de trilhas. Ali percebi que essa estrada era de manutenção do gasoduto. A única sinalização era uma discreta seta amarela para a direita sem nada escrito. Mas o gps me apontava a direita mesmo (sudoeste). Na descida que se seguiu havia outros caminhos para a direita e esquerda que ignorei. Antes de chegar ao Rio Lasifashaj encontrei a tal área de acampe à direita com mesas de piquenique e churrasqueiras, mas com o terreno um pouco inclinado. Não havia nenhuma barraca nesse momento. Cruzei o Rio Lasifashaj por tubos de ferro e um tronco improvisado (menor altitude do dia, 220m). A estradinha continuou no sentido sudoeste e bastante enlameada. Caminhei por ela 250m e a abandonei às 11h40 para entrar numa trilha à esquerda com placa. Finalmente informações sobre a trilha da Laguna Submarino! Segundo a placa ela está a 646m de altitude e a trilha tem 12km ida e volta. A altitude ali é de 234m. A placa só não diz que a trilha é um verdadeiro festival de lamaçais. O avanço é lento por conta deles. Ultrapassei um grupo que havia visto lá no estacionamento da RN3: um homem, duas mulheres e cinco crianças, uma delas bem pequena! Agora o sentido é sul. Às 12h38 subi um trecho um pouco mais inclinado por uma corda e me aproximei do rio que desce da laguna. Logo começaram a aparecer as castoreiras, represas construídas por castores e que matam todo o bosque ao redor. Um cenário desolador de árvores mortas, umas roídas por eles e outras afogadas na represa. Numa grande clareira às 13h42 havia terreno plano para acampar e restos de fogueira bem ao lado de uma grande castoreira. Ao reentrar no bosque cheguei a uma bela cachoeira às 13h55. Parei para comer um lanche apesar do vento frio que vinha dela. Retomei a caminhada às 14h18 e imediatamente surge uma subida bastante inclinada com duas cordas fixas como apoio. Fiquei pensando nas quatro crianças que vinham atrás... Ao final da parte mais íngreme uma bonita visão do vale percorrido. Os lamaçais continuavam ali no alto. No meio de um deles havia uma bifurcação e fui para a esquerda, mas a trilha terminou numa cachoeira inacessível e muito bonita. Voltei à bifurcação para continuar pela trilha principal (não quis cortar caminho subindo uma encosta íngreme à direita da cachoeira). Mais subida e às 14h55 saí do bosque, passando a caminhar por uma trilha estreita numa encosta de pedras um pouco instável. A visão se abre para o vale à esquerda e fiquei de olho num gramadinho plano que poderia ser meu local de acampamento. Subi um pouco mais mas logo desci na direção desse pequeno vale e atravessei dois riachos em sequência. Ali cruzei com um grupo de sete pessoas voltando da laguna. Continuei subindo agora num terreno mais pedregoso e numa curva suave para a esquerda atravessei o riacho que vem da Laguna Submarino, chegando a ela às 15h30. Altitude de 642m. Não havia mais ninguém, por algum tempo a laguna foi só minha. Apesar do vento frio dei uma volta completa ao redor dela. Pena que o dia estava cinzento e a cor verde da água não ressaltou nas fotos. Quando voltei ao ponto inicial aquela família com as crianças havia chegado. Fiquei surpreso... achei que iriam parar na cachoeira por causa das cordas em subidas quase verticais. Eram argentinos. Todos muito simpáticos, conversamos por algum tempo mas logo tomaram o caminho de volta porque estavam bem lentos. Eu fiquei mais algum tempo e depois desci para procurar um lugar para acampar. Aquele gramado à margem do rio não estava muito seguro pois tinha uma encosta quase vertical ao lado e podia rolar alguma pedra lá de cima. Acabei encontrando um gramadinho mais ou menos plano dentro de uma vala, meio estranho o lugar mas bastante abrigado do vento. Altitude de 580m no acampamento. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 5,9ºC Laguna Submarino 2º DIA - 01/02/20 - da Laguna Submarino à Laguna Esmeralda Distância: 11,6km Maior altitude: 642m na Laguna Submarino Menor altitude: 220m no Rio Lasifashaj Resumo: nesse dia desci de volta à RN3 (desnível negativo de 422m) e tomei a trilha do Vale de Tierra Mayor até o cruzamento com a trilha principal da Laguna Esmeralda, onde acampei (desnível positivo de 154m da RN3 à Laguna Esmeralda) 10h30 da manhã: 10,7ºC Choveu durante a noite e de manhã. Ventou à noite mas eu estava protegido naquela vala. Não voltei à laguna para fotos pois o dia estava cinzento como na tarde anterior. Levantei acampamento às 15h10 (por causa da chuva da manhã) e desci pelo mesmo caminho. Cruzei com bastante gente subindo. Às 15h49 parei na cachoeira para mais algumas fotos. Mais abaixo, quando estava no bosque, começou a chover de novo e tive de parar para vestir a roupa impermeável. Logo após cruzar o Rio Lasifashaj parei às 17h51 na área de acampamento para um lanche nas mesas de piquenique, embora estivesse tudo molhado. Havia uma barraca montada. Às 18h30 cheguei ao estacionamento na RN3 e dessa vez havia oito carros. Cruzei a rodovia e entrei no terreno do Centro Invernal Tierra Mayor passando bem ao lado da casa principal pois era esse o caminho. Cruzei uma ponte de tábuas e tomei a trilha que vai até o Rio Olívia, segundo o painel com mapa, mas eu iria só até o cruzamento com a trilha da Laguna Esmeralda. A trilha está bem sinalizada com estacas amarelas e tem pontes. Segue o curso do Rio Lasifashaj. Cerca de 800m após a casa não notei uma trilha saindo para a esquerda e continuei na principal, bem larga. Depois olhei para a esquerda e vi as estacas indo em outra direção. Esse caminho largo leva a outros trekkings, como Cerro Alvear e Laguna Domo Blanco. Voltei à discreta bifurcação e segui pela trilha correta, que continua na margem direita do Rio Lasifashaj e logo entra no bosque. Nas árvores do bosque encontrei a sinalização do projeto "Sendero del Fin del Mundo", duas faixas horizontais nas cores azul e branca, além de círculos vermelhos. Ao sair do bosque cruzei às 19h19 uma ponte de tábuas sobre o Rio Lasifashaj e fui para a direita seguindo a placa Cascada Beban. Entrei em outro bosque. Ali me afastei do Rio Lasifashaj pois ele toma o rumo norte e eu seguia para oeste. Outra cachoeira no caminho à Laguna Submarino Às 20h03 cheguei a uma bifurcação e fui para a direita, mas desaconselho esse caminho pois há um lamaçal-brejo enorme e dessa vez não escapei de enfiar o pé inteiro na água preta. Melhor ir para a esquerda na bifurcação e tomar a trilha principal da Laguna Esmeralda 140m abaixo. Esse caminho do lamaçal-brejo é um atalho do qual a gente se arrepende. Às 20h14 cheguei à trilha principal da Laguna Esmeralda e fui para a direita. Ali a grande diferença: dezenas de pessoas na trilha! A Laguna Esmeralda é o trekking mais falado e mais procurado de Ushuaia. Todo mundo que chega na cidade parece predestinado a fazer essa caminhada. Todos os dias a trilha está cheia! Segui pela trilha superbatida na direção norte e noroeste e ao sair do bosque às 20h38 o último obstáculo do dia, uma grande área de turfa (turbal) completamente molhada, um verdadeiro pântano. Algumas pessoas vinham da laguna por um caminho que estava mais à minha esquerda, mas ali parecia quase impossível não afundar na água suja. Notei que à minha direita o turbal tinha mais vegetação do que água e tentei ir por ali. No meio da turfa uma raposa cinza (zorro gris) cruzou comigo tranquilamente como se eu nem estivesse ali. Tirei várias fotos dela bem perto. Esse caminho acredito que estava melhor que o outro pois vi gente afundando até o joelho lá no brejo. Ele termina numa trilha secundária que leva à laguna mas isso foi ótimo pois encontrei um lugar muito bom para acampar: plano, seco, abrigado do vento, longe de árvore que poderia cair e sem multidão passando na porta (porém 900m antes da laguna). Marquei esse local no gps e continuei até a laguna para conhecê-la e ver se havia algum lugar melhor para acampar. Cheguei a ela às 21h17. O camping "oficial" fica às suas margens, à direita de quem chega e na beira do bosque, mas isso eu só descobriria no dia seguinte. Não encontrei lugar melhor no trajeto que fiz e acampei naquele ponto marcado mesmo, coletando água no caminho. Altitude de 390m na Laguna Esmeralda e de 353m no local onde acampei Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 2,8ºC Laguna Esmeralda vista da subida ao Glaciar Ojos del Albino 3º DIA - 02/02/20 - Glaciar Ojos del Albino Distância da Laguna Esmeralda ao Glaciar Ojos del Albino: 3,3km Distância do Glaciar Ojos del Albino à RN3: 7,6km Maior altitude: 823m na neve do Glaciar Ojos del Albino Menor altitude: 248m Resumo: nesse último dia subi da Laguna Esmeralda até a neve abaixo do Glaciar Ojos del Albino (desnível de 433m), voltei à laguna e terminei a caminhada na RN3 (desnível negativo de 142m da laguna à RN3), onde consegui uma carona para Ushuaia 8h28 da manhã: 7,5ºC Desmontei a barraca e escondi a mochila para subir de novo à Laguna Esmeralda e continuar até o Glaciar Ojos del Albino. Às 10h50 estava de volta à laguna e já havia bastante gente visitando. Deveria contorná-la para encontrar a trilha do glaciar e optei por fazer isso pelo lado direito para não ter de cruzar dois rios, um que a alimenta e outro que brota dela. Foi seguindo para a direita que descobri o camping "oficial", que está no limite do bosque no qual eu deveria entrar para contorná-la. Apenas um casal dormiu ali naquela noite. O espaço é ruim, grande parte inclinado. Contornei toda a face leste da laguna e continuei, agora tendo o rio que a abastece à minha esquerda. Passei por uma área mais aberta dentro do bosque que dá um bom acampamento também. Logo depois inicia a subida. Passei por uma grande rocha que serve como abrigo/bivaque e venci a linha das árvores às 12h02. Dali em diante só pedras e montanhas rochosas. Uma enorme cachoeira escorre da montanha à esquerda. Subi mais e o caminho em meio às pedras começou a ficar menos marcado, causando alguma dúvida. A subida começou a ficar íngreme demais. Cheguei a um ponto mais alto em que pude observar melhor os arredores e já estava pensando se tinha tomado o caminho certo... não visualizava um caminho definido naquele mar de pedras de todos os tamanhos e não havia sinalização nenhuma. Parei um pouco. Vi gente subindo por um outro caminho mais abaixo e fiz um atalho como pude para chegar onde eles estavam pois deveria haver um caminho marcado. E havia. Quando subi deveria ter tomado um caminho muito discreto para a esquerda (depois de um bloco gigante de pedra à esquerda) e evitado aquele trecho muito íngreme. O caminho "marcado" às vezes se perdia um pouco também, mas consegui subir por ele até um platô acima e dali até a neve. Parei no limite da neve às 13h40 para ver que caminho os outros iriam tomar. Alguns subiram pela neve bastante inclinada mesmo sem crampons. Foram com bastante dificuldade mas conseguiram vencer aquela neve. Mas não se podia ver o que havia mais acima, talvez outro campo de neve inclinado. Outros não quiseram se arriscar na neve e escalaminharam a encosta mais à esquerda, sem trilha, muito íngreme e difícil, e sem saber onde iria dar lá no alto. Eu resolvi não arriscar nem um nem outro, portanto não cheguei ao glaciar propriamente dito. Mas o visual dali já estava espetacular para todo o vale com o Cerro 5 Hermanos ao fundo. Várias pessoas pararam ali também. Altitude de 823m. Dias depois soube da queda de um rapaz inglês nesse local em 2018. Ele não resistiu aos ferimentos. Cordon Toribio visto das proximidades do Glaciar Ojos del Albino Iniciei a volta às 14h51 e dessa vez fiz o caminho "certo" pelo mar de pedras pois segui um casal com guia. Às 15h53 reentrei no bosque. Passei pela Laguna Esmeralda às 16h45 e parecia uma praia urbana em um domingo de sol de tanta gente. Resgatei a mochila, venci a turfa encharcada (sem raposinha dessa vez) às 17h46, voltei ao bosque e segui a procissão. Saí do bosque e às 18h13 entroncou à esquerda a trilha que vem de Tierra Mayor. Esse seria o caminho que, apesar de alguns metros mais longo, evitaria aquele lamaçal-brejo enorme em que enfiei o pé. Apenas 170m adiante uma outra bifurcação com placa apontando a Cascada Beban à direita é a continuação da trilha que iniciei lá em Tierra Mayor. Marquei o local para depois explorar (relato aqui). Outra placa com foto identifica os picos dessa bela cadeia de montanhas, com destaque para o Cerro Bonete e o Cerro Alvear. Cruzei um bosque, um rio por uma ponte de troncos e ao reentrar no bosque às 18h23 surgiram algumas bifurcações. Se me mantivesse na trilha principal chegaria ao estacionamento na RN3 mas resolvi seguir quatro amigos com quem fiz amizade na trilha do glaciar. Eles conheciam bem as trilhas e tomaram vários atalhos. Ao chegarmos ao estacionamento às 18h38 perguntei se tinha lugar no carro e lá fomos para Ushuaia papeando sobre trilhas e montanhas. Informações adicionais: . para chegar ao início da trilha deve-se tomar o ônibus das linhas A ou B no centro de Ushuaia e saltar no ponto final no portal da cidade, em seguida pedir carona (hacer dedo, em espanhol) . o valor da passagem em fev/20 era ARS24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche) . uma opção mais confortável é o transporte privado (van) chamado Linea Regular que sai diariamente da esquina das ruas Maipu e Juana Fadul de hora em hora das 9h às 14h. . mais informações sobre o projeto "Sendero del Fin del Mundo" em lahuellaandina.com.ar, link "Guía original de Senderos de Patagonia". Rafael Santiago fevereiro/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  14. Laguna Turquesa A caminhada da Laguna Turquesa costuma ser feita num bate-volta de um dia apenas. Apesar do desnível de 363m a subida pode ser feita em 1h, com a descida ainda mais rápida. Eu tinha bastante tempo e queria acampar na laguna para assistir ao pôr-do-sol se o tempo permitisse. Porém os dias estavam muito chuvosos. Acompanhei a previsão pelo Yr e ele indicava pouca chuva e algum sol para os dias seguintes. Porém na manhã em que sairia (27) a previsão para o dia seguinte (28) mudou e era de mais chuva que antes (2,2mm). Já estava com a mochila pronta e resolvi ir assim mesmo. Mal sabia eu o que me esperava... 1º DIA - 27/01/20 - subida à Laguna Turquesa Início: RN3 Final: Laguna Turquesa Distância: 1,7km Maior altitude: 658m na Laguna Turquesa Menor altitude: 295m na rodovia RN3 Resumo: nesse dia subi da rodovia RN3 à Laguna Turquesa em cerca de 1h (desnível de 363m) Saí do hostel bem tarde, às 12h36. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (janeiro). Na Rua Gobernador Deloqui, no centro de Ushuaia, peguei o ônibus da linha B (poderia ser o da linha A também, porém na Avenida Maipu) e desci no ponto final junto ao portal da cidade (saída para Rio Grande). Em frente ao ponto final fica o posto policial e ao passar por ele somos sempre "convidados" a entrar e registrar nome, documento e destino. Logo depois do portal as pessoas ficam pedindo carona. Quando cheguei um rapaz argentino me disse que estava ali fazia 1h... mas tive mais sorte que ele. Num momento em que ele saiu para fumar um caminhão parou para mim sem eu levantar o dedo! O motorista ia para Tolhuin. Saltei na entrada da trilha para a Laguna Turquesa às 14h14. Há uma plaquinha improvisada de madeira na rodovia RN3 apontando a trilha. Nos primeiros 70m é uma rua de terra que liga a RN3 à estradinha do gasoduto. Cruzando essa estradinha é que se entra na trilha no bosque. Parei para comer alguma coisa e entrei nela às 14h36. Altitude de 310m. Valle Olum Subi até os 535m e saí do bosque (15h12) cruzando um lamaçal terrível. Passei a caminhar por um campo encharcado já com visão do circo glacial que abriga a laguna. O rio que brota dela corre num valezinho à esquerda. Ao subir um pouco mais olho para trás e avisto a famosa e popular Laguna Esmeralda entre montanhas do outro lado da RN3. Cheguei à Laguna Turquesa, que na verdade tem cor verde-esmeralda, às 15h32. Altitude de 658m. Decidi ir direto para a Laguna Turquesa Superior e subi a encosta do lado esquerdo. Ao chegar à crista a visão se abriu para o lado leste com o enorme Valle Olum e um lago bem abaixo. Continuei pela crista contornando a Laguna Turquesa pelo alto, porém parei num local mais estreito e exposto. À esquerda há uma parede e à direita uma queda enorme. Se eu pisasse num local não muito firme podia rolar muitos metros quase verticais. Dali em diante parecia bem exposto também. Não senti segurança e desci de volta à Laguna Turquesa. Arranjar um lugar seco e abrigado do vento para acampar foi uma tarefa complicada. Perto da laguna eram só pedras e muito vento, abaixo dela era só terreno encharcado. Além disso, tinha muita gente subindo e descendo pela trilha e eu preferi ficar afastado para ter um pouco de privacidade. Acabei montando a barraca num lugar protegido por lengas baixas mas num solo bem úmido, abaixo da laguna e do outro lado do rio que nasce dela. Choveu forte a partir das 19h com vento forte também, mas a barraca aguentou bem. Não entrou água apesar de estar tudo encharcado em volta dela. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 1,2ºC 2º DIA - 28/01/20 - muita chuva e neve De manhã tirei a cara para fora da barraca e vi um grupo de seis pessoas subindo em direção à Laguna Turquesa Superior. Passaram pela parte exposta, para minha frustração... Não estava chovendo e resolvi voltar à laguna. Foi só cruzar o rio e começou a nevar bastante! Bonito de ver mas muito frio. Voltei à barraca e passou a chover fraco. Mesmo assim bastante gente na trilha, com frio, vento, chuva e neve. À tarde fiz uma segunda tentativa e consegui tirar mais fotos da laguna, mas na descida à barraca fui pego pela neve de novo. Com tudo isso não desmontei acampamento. Mais tarde vi que a neve já estava acumulando em volta da barraca. Meu termômetro marcava 1,4ºC às 19h35. Nesse dia nevou mais do que choveu. E a previsão do Yr era de apenas 2,2mm de chuva... Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 0,5ºC Depois da tempestade... 3º DIA - 29/01/20 - retorno a Ushuaia As montanhas ao redor da laguna amanheceram brancas pela neve que caiu durante a noite. Mas felizmente saiu um pouco de sol para eu secar a barraca antes de guardar. O nylon do piso já estava saturando e umedecendo o isolante por baixo. Justo nesse dia que eu precisava de carona para voltar a Ushuaia quase ninguém subiu à laguna. Desci em 52min até a estradinha do gasoduto. Uns 50m à direita há água corrente (vem da Laguna Turquesa) e aproveitei para limpar as botas e a calça impermeável para pedir carona limpo. Fiz sinal na RN3 durante 20min, um Audi parou mais à frente e deu ré para me apanhar. Mas eram três caras bem estranhos e colocavam o som do carro no último volume. Torcia para chegar vivo na cidade. Ao chegar na periferia de Ushuaia entraram por ruas estreitas de terra, o que me deixou apreensivo. Me deixaram no shopping Paseo del Fuego e caminhei mais 2,5km até o hostel. Quanta aventura numa caminhada só! Informações adicionais: . para chegar ao início da trilha deve-se tomar o ônibus das linhas A ou B no centro de Ushuaia e saltar no ponto final no portal da cidade, em seguida pedir carona (hacer dedo, em espanhol) . o valor da passagem em fev/20 era ARS24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche) . uma opção mais confortável é o transporte privado (van) chamado Linea Regular que sai diariamente da esquina das ruas Maipu e Juana Fadul de hora em hora das 9h às 14h. Rafael Santiago janeiro/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  15. Lago Acigami (ou Lago Roca) O Parque Nacional Tierra del Fuego foi criado em 1960. Ocupa uma área de 70.000 hectares no sul da Ilha Grande da Terra do Fogo, no limite com o Chile. A portaria do parque está a 11km do centro de Ushuaia e o Centro de Visitantes Alakush (onde iniciam as principais trilhas) está 8km adiante. Não há transporte público até o parque. As linhas de ônibus da cidade chegam no máximo a 5,8km de distância da portaria. Pode-se contratar um transporte privado em van (veja nas Informações Adicionais ao final do relato) ou pedir carona no início da estrada de terra que leva ao parque. Claro que optei pela segunda alternativa. 1º DIA - 24/01/20 - Cerro Guanaco e Trilha do Hito XXIV Início e final: Camping Laguna Verde Distância: 24km Maior altitude: 973m no cume do Cerro Guanaco Menor altitude: 4m na margem do Lago Acigami Resumo: nesse primeiro dia de caminhada no parque subi o Cerro Guanaco (5,9km ida, desnível de 967m, desde o estacionamento do Lago Acigami) e percorri a trilha do Hito XXIV (2,9km ida, desnível de 19m, desde a bifurcação com o Cerro Guanaco). Acampei no Camping Livre Laguna Verde. Na esquina das ruas Juana Fadul e Gobernador Paz tomei o ônibus da linha B às 7h50. Poderia ter tomado o ônibus da linha A também, porém na Avenida Maipu, mais abaixo. Desci no ponto próximo à confluência das ruas Leandro Alem e Hipólito Irigoyen, que é o local mais próximo que os ônibus chegam da portaria do parque nacional. Porém ela ainda está a 5,8km dali. A Rua Hipólito Irigoyen se transforma na estrada RN3 que entra no parque e termina na Bahía Lapataia. Essa rodovia começa na província de Buenos Aires e tem 3079km de extensão! Ela é de rípio nesse trecho até o parque, o que faz de uma caminhada até a portaria uma experiência bastante empoeirada... Me posicionei no início da RN3 e comecei a pedir carona (hacer dedo, em espanhol), porém a maioria dos veículos eram vans de turistas. Depois de 27min tentando em vão vi uma camionete vindo e me pareceu ser da prefeitura ou da polícia e não levantei o dedo - justamente essa parou e me ofereceu carona, porém só até a estação inicial do Trem do Fim do Mundo, 4,4km dali. Topei. Saltei no acesso à estação e continuei pela estrada de rípio (poeira!) até a portaria, mais 1,4km. Ali paguei a taxa de entrada de ARS560 (R$35) para estrangeiros e tirei algumas dúvidas com o atencioso guarda-parque. Esse valor dá direito a três dias inteiros de visita, incluindo duas noites de acampamento. Os campings em funcionamento são: Laguna Verde/Cauquenes, Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui) e Rio Pipo. Dali até o Centro de Visitantes Alakush (onde iniciam as principais trilhas) seriam mais 8km e até o Camping Laguna Verde, que escolhi para essa noite, ainda mais 1,8km. Contei com a gentileza e simpatia de outra funcionária do parque, que conseguiu uma carona para mim no primeiro carro que entrava, conduzido por duas italianas. Assim saltei no acesso ao Centro de Visitantes Alakush às 9h34 e caminhei os 1,8km que faltavam para o Camping Laguna Verde. O camping é bem grande e ocupa os dois lados da RN3. Havia poucas barracas apesar de ser alta temporada. Há um banheiro químico em forma de contêiner com um vaso sanitário (com alavanca para descarga) e dois lavatórios, ainda sabonete líquido, papel higiênico e papel-toalha. Uma curiosidade: não parece mas esse camping fica numa ilha - a maior ilha do Arquipélago Cormoranes, delimitado pelos rios Lapataia e Ovando. Cerro Guanaco Armei a barraca num local mais protegido do vento e parti logo (10h47) para a primeira e mais difícil caminhada, o Cerro Guanaco. O guarda-parque disse que às 12h essa trilha é fechada (mas depois vi que não há como fechá-la e até encontrei gente subindo depois das 16h). Voltei ao Centro de Visitantes Alakush e continuei pela estradinha até a margem do Lago Roca ou Lago Acigami (esse curioso nome significa "cesta ou bolsa alongada" em idioma yámana, dos povos originários dessa região). Carros chegam só até aqui, há um amplo estacionamento. Ali inicia a trilha, que está sinalizada apenas como Senda Hito XXIV, mas é a mesma do Cerro Guanaco. Entrei nela às 11h21. Altitude de 6m. A trilha contorna o lago pela direita (margem leste) e logo entra no bosque. Às 11h33, após cruzar a ponte de troncos sobre o Arroio Guanaco, cheguei a uma bifurcação: Cerro Guanaco à direita e Hito XXIV à esquerda. Outra placa avisa que a trilha do Guanaco tem duração de 4h de ida (mas eu levei 2h30). Uma terceira placa alerta para não entrar nessa trilha após as 12h. Altitude de 8m. A trilha já inicia subindo. Tive de parar um pouco para deixar passar um grupo grande de israelenses (uns 15) com uma caixa de som em volume muito alto. É bem fácil reconhecê-los nas trilhas: andam em bandos e fazem muito barulho. Às 12h19 cruzei novamente o Arroio Guanaco. Às 12h41 cheguei a um bonito mirante mas não parei pois o grupo ruidoso estava descansando ali com a música bem alta ainda. Continuando no aberto tive visão do Cordon Guanaco, crista montanhosa que tem o Cerro Guanaco na extremidade. Reentrando no bosque às 12h44 cruzei uma ponte de troncos e ao sair dele às 13h03 enfrentei um lamaçal terrível, com muito cuidado para não enfiar o pé de uma vez no barro preto. Agora a céu aberto pude visualizar o que tinha pela frente: um grande campo de turfa e depois a longa subida de pedras em diagonal pela encosta até o topo do Guanaco. O campo de turfa estava terrível, uma bota impermeável é imprescindível e assim mesmo se corre grande risco de molhar o pé ao afundar ele inteiro. A turfa (turba em espanhol) é uma vegetação úmida e esponjosa formada por musgos, juncos e gramíneas e nesse local especialmente estava muito molhada, um verdadeiro brejo. Vencida a turfa veio a longa subida em diagonal pela encosta rochosa da montanha, mas com trilha bem marcada. Como sempre, quanto mais alto mais espetacular o visual ao redor, principalmente do Lago Acigami, com suas águas esverdeadas. Cheguei enfim ao cume do Cerro Guanaco às 14h05 e a visão se abre para o quadrante leste do Canal de Beagle, com Ushuaia se destacando. Logo abaixo o grande vale do Rio Pipo (Cañadon del Toro), onde há um acampamento do parque. Interessante também a visão do limite entre as ilhas Navarino e Hoste ao sul, já em território chileno. A Bahía Lapataia está a sudoeste. De neve quase não havia mais nada no cerro, apenas manchas pequenas. Altitude de 973m. Iniciei a descida às 15h11, cruzei a turfa às 15h55 e reentrei no bosque com lamaçal. Saí desse primeiro bosque e parei no mirante (em que não parei na ida) às 16h29. A visão do Lago Acigami estava belíssima e fiquei ali 15min em contemplação. Continuei a descida e cheguei à bifurcação do Hito XXIV às 17h35, seguindo à direita. Foram mais 2,9km em trilha plana contornando a margem nordeste do Lago Acigami até o hito, que é uma pequena torre de ferro que assinala a fronteira entre a Argentina e o Chile. Cheguei às 18h25. Um passo a mais e eu estava em território chileno sem carimbo no passaporte. Esse marco fica numa pequena praia de pedras entre o Lago Acigami e o bosque. Iniciei o retorno às 19h05 pelo mesmo caminho e cheguei ao estacionamento do lago às 20h34. Ao passar pelo Centro de Visitantes Alakush parei para assistir ao pôr-do-sol às 20h54. Altitude do Camping Laguna Verde: 3m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 2,9ºC Hito XXIV 2º DIA - 25/01/20 - Bahía Lapataia e Senda Costera Trilhas da Bahía Lapataia Início: Camping Laguna Verde Final: Gendarmeria Nacional Distância: 10,7km Maior altitude: 23m no Mirador Laguna Verde Menor altitude: 0m na Senda de la Baliza Resumo: estudando o mapa do parque emendei as seis trilhas curtas do setor Bahía Lapataia/Laguna Verde na seguinte ordem (distâncias só de ida): Senda del Turbal (1,3km), Senda Castorera (180m), Senda de la Baliza (1,2km), Puerto Arias (320m), Mirador Lapataia (1km), Laguna Negra (550m) e Paseo de la Isla (1,3km) Trilha Senda Costera Início: RN3 (na altura do Centro de Visitantes Alakush) Final: Camping Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui) Distância: 8km Maior altitude: 73m Menor altitude: 0m Resumo: esta trilha de pouco desnível (73m) percorre a costa da Bahia Lapataia e Canal de Beagle contornando o Cerro Bellavista Saí do Camping Laguna Verde às 11h27, mas deixei a barraca montada. Fui percorrer as trilhas mais curtas do setor Bahía Lapataia/Laguna Verde. Essas trilhas têm uma proposta educativa e servem mais como primeiro contato do turista com o ecossistema da Terra do Fogo do que como um trekking para o trilheiro experiente. Caminhei 390m pela RN3 na direção oeste e entrei na trilha sinalizada com a placa "Senderos Mirador Lapataia y del Turbal" à esquerda. Na bifurcação 180m depois tomei a direita: Senda del Turbal (a esquerda vai ao Mirador Lapataia). Com 720m (desde a RN3) cheguei a uma bifurcação: Lapataia à esquerda e Castorera à direita. Tomei a direita para ir à castoreira sem saber que o turbal mesmo estava à esquerda, então acabei não o conhecendo. Cruzei a RN3 às 11h50 e continuei na trilha. Uma placa ali fala do grande erro que foi a introdução do castor norte-americano na Terra do Fogo em 1946 para comércio da pele. Foram trazidos só 25 casais e hoje são mais de 100 mil destruindo os bosques de toda a ilha. Uma trilha de pouco interesse pois se chega a uma represa de castores bem pequena e sem os elementos característicos como dique e madriguera (a cabana deles). Os textos e desenhos dos painéis tentam passar a informação que falta para um turista que visualiza a pequena represa e não conhece os outros locais colonizados pelos castores com a grande devastação que os rodeia. Eu cheguei à castoreira por uma trilha secundária mas a trilha principal é uma das duas que têm acessibilidade a cadeirantes. A principal tem apenas 180m desde a RN3. Voltei à RN3 e segui em direção à Bahía Lapataia às 12h09. Caminhei apenas 1,1km e cheguei a um estacionamento num local simbólico, o final da Ruta Nacional 3, de 3079km de extensão. Porém levei um susto pois a quantidade de carros, ônibus e turistas ali era enorme. Impossível tirar uma foto da placa com a distância ao Alasca (quase 18.000km) sem ter várias pessoas na frente. Há um banheiro em forma de contêiner ali também. Bahía Lapataia O dia estava bem cinzento desde cedo e nessa hora começou a chover. Havia dois lugares a conhecer ali: a passarela e mirante (acessível a cadeirantes) de Puerto Arias (320m ida) e a trilha "Senda de la Baliza" (1,2km ida). Como a passarela até Puerto Arias estava muito cheia de gente fui para a Senda de la Baliza. Caminhei só 140m pela passarela e tomei a trilha que sai dela para a direita às 12h27. Logo ela entra num bosque, sai dele, passa por uma praia, entra em outro bosque e termina numa praia de pedras onde está a tal baliza, uma pequena torre com um farol. Cheguei ali às 12h44. Logo depois do farol há uma cerca que impede que se caminhe até o final da praia por ser "reserva natural estricta". Dali se vê o Cerro Guanaco. Às 13h15 saí da praia. Voltei à passarela e já havia menos turistas. Aproveitei para caminhar por ela até o Puerto Arias. Com o dia cinzento e chuvoso a paisagem não estava tão bonita. Voltei ao estacionamento e tomei à direita a Senda del Mirador às 13h46. Ela subiu um pouco por escadarias dentro do bosque e numa bifurcação à esquerda está o Mirador Lapataia. De novo, com sol a paisagem seria bem mais bonita. Continuei pela trilha principal e voltei à RN3 no local em que entrei na primeira trilha de manhã, com a placa "Senderos Mirador Lapataia y del Turbal". Caminhei 225m para a direita e entrei às 14h16 na Senda Laguna Negra à esquerda. Ela tem só 550m (ida) e termina numa plataforma na margem da lagoa, que na realidade é um grande turbal, segundo o painel ensina. Voltei à RN3 e caminhei 160m até o camping, aonde cheguei às 14h40. Almocei, desmontei a barraca, arrumei a mochila e saí com ela para percorrer a última trilha curta desse setor do parque, o Paseo de la Isla, de 1,3km de extensão. Deixei o camping às 17h24 caminhando para a esquerda (leste) na RN3 e entrei na primeira trilha à esquerda. Tirei fotos no Mirador Laguna Verde e continuei. A trilha desce e se aproxima de um braço da Laguna Verde, mas logo se afasta e cruza a RN3. A partir daí há várias bifurcações e atalhos, mas a trilha "oficial" segue sempre margeando a água. Esse local é preferido pelas aves por ser mais tranquilo e pude ver e me aproximar de um casal de cauquenes com um filhote. A trilha terminou às 18h08 na RN3 em frente ao posto da Gendarmeria Nacional. Caminhei 900m para a direita e fui conhecer o Centro de Visitantes Alakush, com maquete da Terra do Fogo e painéis informativos com muitas fotos. Saindo do centro de visitantes voltei à RN3 e apenas a cruzei para entrar às 18h33 na Senda Costera, uma trilha de 8km (sem água boa) que termina na Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui), onde há um camping. O caminho inicialmente corre paralelo à RN3 através do bosque e é sinalizado com estacas amarelas. Com 1,3km de caminhada aparece à esquerda um outro acesso a partir da RN3, mas a trilha continua à direita e se afasta da estrada em direção à costa. O caminho tem um pouco de sobe-desce na parte inicial e quando se afasta da RN3 sobe até os 73m de altitude. Há poucos lamaçais e todos contornáveis. Às 19h19, já às margens do Canal de Beagle, cruzei uma pequena praia de pedrinhas. Daí em diante passei por diversas outras praias. Notei as árvores ali com muitos fungos pão-de-índio. Quando jovens são redondos de cor amarela ou alaranjada, depois secam e concentrados formam uma protuberância no tronco. Têm esse nome porque eram usados como alimento pelos povos originários da região. Às 20h35 cheguei à extremidade da Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui) e consegui ver ainda bem longe o ancoradouro aonde deveria chegar. Cruzo mais praias. Às 21h09 cheguei a uma bifurcação com placa indicando o estacionamento da Ensenada Zaratiegui à esquerda, subindo, mas continuei à direita próximo ao mar. Às 21h16 cheguei enfim à Ensenada Zaratiegui, onde está a agência de correio do fim do mundo, obviamente fechada nesse horário. Há ali um estacionamento, banheiros e o final de uma estrada, a qual subi por 340m para alcançar às 21h22 o Camping Bahía Ensenada. O camping é espaçoso mas não tão grande quanto o da Laguna Verde. Água pode ser coletada num riachinho (Arroio Piloto) e banheiros só lá embaixo no estacionamento por onde passei. Havia mais duas barracas apenas. Altitude de 27m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 6,7ºC Cerro Guanaco visto do Cerro Pampa Alta 3º DIA - 26/01/20 - Pampa Alta e Cascata Rio Pipo Início: Camping Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui) Final: RN3 ao lado da estação final do Trem do Fim do Mundo Distância: 9,9km Maior altitude: 299m no Cerro Pampa Alta Menor altitude: 27m no Camping Bahía Ensenada Resumo: emendei as duas trilhas do parque nacional que faltavam: Senda Pampa Alta (4,7km ida, desnível de 272m, desde o Camping Bahía Ensenada) e Cascata Rio Pipo (930m ida) Deixei a barraca montada e fui visitar a Unidade Postal do Fim do Mundo. O carimbo no passaporte custa US$3. Os banheiros ao lado são idênticos aos do Camping Laguna Verde, também com papel higiênico e papel-toalha. Voltei ao camping, desmontei a barraca e saí às 14h15 tomando a Senda Pampa Alta ali mesmo no bosque nos fundos do acampamento. Em 9min cruzei o Arroio Piloto por uma longa ponte e às 14h34 cruzei a RN3. A partir daí a trilha se torna interpretativa, com 21 painéis dando informações sobre a flora e fauna de maneira lúdica. Às 15h24 alcancei uma bifurcação com placas: (Rio) Pipo à esquerda e (Cerro) Pampa Alta à direita. A continuação do caminho seria para a esquerda mas antes subi à direita só 70m para chegar ao ponto mais alto da caminhada, o Cerro Pampa Alta. Altitude de 299m. Uma grande lenga é a estrela desse local e o destaque na paisagem é o Cerro Guanaco, além de várias outras montanhas na direção da Bahía Lapataia. Às 15h58 voltei à bifurcação e tomei a direita descendo na direção da placa Pipo. No meio do bosque ouvi um barulhinho familiar, um toc-toc, olhei para cima e lá estava o carpintero-negro, o pica-pau da Patagônia, buscando o seu lanche da tarde. Continuando a descida cheguei à estrada do Rio Pipo às 16h40. Altitude de 96m. Ao lado dela passa a estrada de ferro do Trem do Fim do Mundo. A saída seria para a direita mas segui para a esquerda para visitar a Cascata Rio Pipo. Com 650m cheguei ao Camping Rio Pipo, bastante grande e com várias barracas. Há churrasqueiras e banheiros em forma de cabine. No final da estradinha há uma corrente fechando o acesso a carros e inicia o caminho para a cascata, com o imponente Cerro Guanaco à esquerda. Foram só 930m até uma plataforma com vista para o Rio Pipo, porém cascata que é bom não há, apenas algumas quedinhas. Cheguei às 17h09. É possível seguir mais 30m até a curva do rio, mas depois há uma placa de proibido passar e a trilha se torna ruim. Há água corrente na entrada da mata, antes da plataforma, supostamente mais limpa que a do Rio Pipo. Voltei pelo mesmo caminho, passei pelo camping e às 18h02 cheguei à RN3 bem no cruzamento que desce para a Bahía Ensenada. Ao lado está a estação final do Trem do Fim do Mundo. Ali é um local estratégico para pedir carona para a cidade pois vêm carros da Bahía Lapataia, do Rio Pipo e da Bahía Ensenada. Não demorou muito e um carro com três argentinos parou e me levou até o centro. Cascata Rio Pipo Informações adicionais: . para chegar ao parque da forma mais econômica deve-se tomar o ônibus da linha A ou B no centro de Ushuaia e saltar na esquina das ruas Leandro Alem e Hipólito Irigoyen. A partir daí pedir carona (hacer dedo, em espanhol) . o valor da passagem do ônibus em fev/20 era ARS24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche) . uma opção mais confortável é o transporte privado (van) chamado Linea Regular que sai diariamente da esquina das ruas Maipu e Juana Fadul às 10h, 11h, 12h e 14h. Cobra ARS900 (R$56) ida e volta, podendo a volta ser em dia diferente da ida . a taxa de entrada no parque de ARS560 (R$35) dá direito a três dias inteiros de visita, incluindo duas noites de acampamento . os campings em funcionamento no parque são: Laguna Verde/Cauquenes, Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui) e Rio Pipo . site do parque: www.argentina.gob.ar/parquesnacionales/tierradelfuego Rafael Santiago janeiro/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br dia 1 dia 2 dia 3
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