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VIRUNGA

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Tudo que VIRUNGA postou

  1. Faaaaala Bob, tudo bem ? Fazia um tempo que eu não aparecia por aqui, valeu pela mensagem e obrigado pelo elogio. Tomara que as dicas lhe sejam úteis (é só descomplicar que não tem erro, você vai ver) e em breve seja você escrevendo para todos aqui, vou ler com certeza. Preciso ainda terminar o relato, vou me esforçar (o trabalho não dá trégua) e espero que consiga antes de partir para uma possivel RTW nas minhas férias ainda no primeiro semestre, pelo menos esse é o plano. Bom planejamento e se informe o máximo que puder para não cair nas armadilha$. Incrivel que com tanta informação disponivel sobre RTW o pessoal continua batendo cabeça, gastando nas passagens o preço da viagem inteira e depois querem dar dicas econômicas, vai entender... RTW é pra meter o pé na jaca mas não necessariamente meter (tanto) o pé no bolso, ainda mais com esse maldito “dólar PT”. Abraço grande, keep traveling. VIRUNGA
  2. Bem, amigos e amigas, como vão ? Demorei de novo (é mesmo ? Não me digam ! ), mas já deixei temporariamente o lado claro da força e estou de volta para a gente take a walk on the wild side e dar continuidade nisso aqui. Já que é assim, fim da secura e da carência então bora logo tirar o atraso (ueeepa ! Sei que vocês já estão carecas de saber mas não custa nada relembrar que mesmo após mais um longo hiato tudo aqui continua no bom sentido, é claro !), afinal esse relato conseguiu a proeza de ser mais arrastado do que o julgamento da pizza do mensalão e quero terminá-lo sem ter que recorrer aos embargos infringentes, convocar “rolezinhos” ou antes mesmo que o Fluminense entre com recurso, mas do jeito que a coisa (não) flui isso aqui vai ficar mesmo no ritmo de Martinho da Vila: “É devagar...é devagar...é devagar...é devagar...devagarinho”. Meu d´s, a coisa já começou cedo. Pausa para o remédio. Então, pra falar a verdade essas coisas continuam sem muita relevância pois o que realmente conta é que pelo menos aparentemente o assunto RTW aos poucos vai deixando de ser um tabu para se tornar realidade para a brasucada, tanto é que, blimey !, já estão até banalizando afinal hoje em dia viajar para Sydney ou Hong Kong (qual será a próxima : Buenos Aires, Dubai, Tegucicalpa, Nova Delhi ou Ciudad del Leste ?) ou até mesmo pela Transsiberiana virou sinônimo de “Volta ao Mundo” e apesar do esforço de muitos (já descontando a seara de objetivos, prazos, vontades, estilos, roteiros e orçamentos diferentes) em pagar mais caro por tudo (coisa de brasuca orelha), acho que uma hora dessas já deu para perceber que uma trip RTW está longe de ser um sonho distante ou uma viagem impossível e muito custosa, principalmente para quem tem mais que dois neurônios. Já praqueles que não têm tantos neurônios assim e cujos Tico e Teco só funcionam alternadamente senão entram em curto-circuito, nada de desespero, não precisam bater a cabeça na parede pois conforme já vimos anteriormente a pessoa nem precisa ser assim tão perspicaz, apenas terá que compensar com uma carteira mais recheada. Tem de tudo nessa vida. Incrivel saber que uns gastam inacreditáveis U$ 50 mil numa RTW “econômica” de um ano e ainda acham “o bicho” financeiramente falando, outros “especialistas” chegam a pagar alarmantes U$ 3ish mil apenas em transporte para colecionar bandeirinhas e carimbos de países asiáticos ou europeus (dia desses havia passagens para Ásia na casa de palpáveis mil doletas) enquanto alguns vão ainda mais longe, literalmente, pois viajam para dois ou três continentes e gastam superlativos U$ 5 mil só em passagens, valores que até um faraó egípcio, um marajá indiano, um bilionário brega-cafona-megalomaníaco nadando em petrodólares em Dubai ou o próprio Rei do Camarote achariam um baita exagero. Acho que esses valores representam um coquetel molotov em qualquer orçamento que se preze e contribuem para achar que viajar pelo mundo é algo muito caro beirando o impossível, o que não é bem assim. Falem-me em queimar a largada. #acordabrasucada E grana todo mundo sabe que é algo complicado, quanto mais queremos controlar, colocar numa casinha pra dar de comer todo dia na boquinha e cuidar bem, mais ela se rebela e engole nossas cabeças numa bocada só. Parece investimento em Bolsa. Ou orçamento de viagem. Tá, tá, eu sei e vou ter que falar : algumas mulheres são assim também. Tudo bem que “cada bolso é cada bolso” (e vice-versa) e este a$$unto costuma ser meio espinhoso, mas como a idéia aqui é dar uma geral e mostrar que essa trip é algo factível e não precisa levar as suadas economias de ninguém à lona (lembrando que não estou dizendo que é barata, mas sim que é possivel fazer com que fique substancialmente mais acessível e assim possa caber no bolso de muitos), com mais ou menos esse montante (olhem que legal !), timing, antecedência, alguma sorte e sem ter que apelar para certos artificios de contabilidade criativa e outras formas de mandracarias by Guido Mantega, já daria para pensar em fazer a trip toda sem tropeços financeiros (e nada de mendicância, por favor ! RTW é uma trip de respeito), obviamente não num ano sabático mas numa auspiciosa trip de férias padrão FIFA (pra mim RTW é sempre padrão FIFA), o que significa que já dá pra brincar bem, convenhamos. Todavia é bom tomar cuidado que a inflação tá pegando, já foi mais barato rodar o mundo. E esse papinho de gastar U$ 5,00 doletas ao dia é só isso mesmo : papinho. Digo isso porque acho de extrema importância o postulante tomar cuidado pois se não pesquisar direito e aprender a filtrar não só as informações mas de onde elas vêm (isso vale para a vida como um todo e não apenas para viagens) pode acabar caindo no canto da sereia e perceber tarde demais que “galinha que segue pato morre afogada”. #abreoolhogalera Não me aterei aos detalhes que influenciam no preço de uma RTW pois estes já são sobejamente conhecidos, mas creio que indigestos U$ 50 mil para uma pessoa numa mochilada RTW viajando sem luxo (já ouviram falar em “hariquiri financeiro” ?) é tão impressionante quanto pagar 70 mil reais num Corsa e, aqui entre nós, com 70 mil reais você compra um Honda Civic e não um Corsinha, certo ? #naotamojuntomesmo E nada me tira da cabeça que esse negócio de pagar muito mais caro pelas coisas é coisa de pobre ou emergente. Quem ama o caro, barato lhe parece. Tudo isso confirma aquela tese (tese não, fato mesmo) que brasileiro, que se acha muito esperto e costuma ser muito orgulhoso (????) do tal “jeitinho brasileiro” tratando-o como se fosse um elogio (????), na real é um tolo que muitas vezes aceita pagar mais caro pelas coisas. Um caso recente foi o bafafá com o novo PS4, onde até Hitler ficaria puto com o preço cobrado no Brasil. Duvidam ? Então vejam isto : Quando falo que esse mundo tá muito doido mesmo ninguém acredita, mas depois que até eu gostei da Índia...bem, já não sei de mais nada. Peraí, gostar da Índia ? Sim, acham que eu vou gostar do quê, da Austrália ? Retomo. Essas bizarrices chocam de frente com aquela idéia principal aqui que é dar um empurrãozinho básico e quem sabe jogar umas idéias ao vento para, meio que às vezes um tanto quanto enviesado e sem fornecer a chave da caixa preta, tirar um coelho da cartola, mostrar o segredo da descoberta da pedra filosofal ou revelar alguma receita pronta (simplesmente porque ela não existe, além do mais um dos grandes baratos de uma trip RTW é a pesquisa), pavimentar um caminho mais condizente com a realidade financeira da maioria e assim dar um incentivo para as pessoas se jogarem no mundo via RTW a um preço acessível. E se não puderem fazer num periodo sabático, então que seja nas férias mesmo. Não sei se alguém aí no outro lado da telinha que está lendo essas perturbadas e mal traçadas linhas já percebeu (agradeço a preferência, voltem sempre !), mas “RTW para todos” é algo que possui um certo je ne sais quoi que me atrai bastante, admito. E também admito que gostaria de ver cada vez mais e mais pessoas fazendo essa trip (a única razão para se arrependerem é por não terem feito antes), principalmente aquelas que não tiveram muitas oportunidades ou grana para tal (presente e presente). Tudo bem que continuo não tendo mas mesmo assim ainda consigo dar as minhas voltinhas por aí ainda que com o bolso sempre em dieta. E acho que está para surgir um atalho melhor e que apresente um melhor custo x beneficio para (re)visitar e experimentar um pouquinho as belezas e as agruras desse nosso mundão. Gostaria muito que outras pessoas também fizessem e curtissem, mas para isso elas têm que fazer acontecer a não ser que grana não seja empecilho (aí podem até se dar ao luxo de viajar de carro ou barco), sejam gringos ou expatriado$ (muito fácil e barato, né ? Chega a ser até sacanagem, onde fica o desafio ?), aqueles costumazes viajantes “independentes como um taxi” que vivem de, se me permitem, “jabás independentes” (a viagem é 0800, o tratamento é VIP e a opinião é “própria e reflete unicamente a opinião do(a) autor(a)”, desde que rasguem muita seda da empresa ou serviço que bancaram a trip) ou que tenham a sorte de um Bilbo Bolseiro e sejam convidados para a aventura da vida. Pena que com a estilingada do dólar (quem mandou votar no PT ?) a brincadeira tornou-se mais cara para nós meros mortais assalariados da atrasada e insignificante Terra da jabuticaba, da bunda, da corrupção, do açaí, da impunidade, do #imaginanacopa e fadada ao fracasso desde o seu Descobrimento (se d´s é brasileiro deve ter se mudado de mochila e cuia para o Tahiti, Austrália, NZelândia, Canadá, Suécia...) e como se não bastasse ainda se esmera em virar uma Venezuela (ué, mas não era a Jamaica ?), mas no que diz respeito aos custos ainda continuo achando que concorre ombro a ombro com uma boa mochilada pela Europa (se fizer alguns ajustes, consegue) ou um intercâmbio para estudar outro idioma. Com o acesso e a quantidade de informação que temos disponíveis hoje em dia só paga mais caro, independentemente do estilo de viagem de cada um, quem quer. Falando nisso (ah não, lá vem...), acho que sempre houve bastante informação sobre RTW, o que mudou é que agora tem mais coisas em português também. Humn, quer dizer, “em” português ou “para” português porque, na boa, quem em sã consciência acha que torrar uma fábula em algo que pode ser feito por um terço do preço é um bom negócio deve ter um ou mais parafusos a menos. Para aqueles que acreditam no mito que não existia tal informação, das duas uma : ou não souberam procurar direito ou, bem mais provável, têm intelecto de Dilma Rousseff, black bloc, corinthiano ou petista, o que não quer dizer que estejam sozinhos haja visto o nível das dúvidas que volta e meia aparecem e poluem os fóruns de viagens. É essa a tal geração Y ? É isso aí que vai mudar o mundo ? Credo, acho que tá mais para geração Big Brother. E digo mais (ihhhh, lá vem de novo...), não saber dessas coisas é como não saber quem foi Gandhi. Falando nisso...ahn...bem...well...tipo assim...quem foi Gandhi mesmo ? Quanto mais pessoas perceberem que é possivel fazer uma trip RTW por um preço bacana, quem sabe mais pessoas vão deixar de apenas sonhar, perder o medo (frio na barriga pode), parar de ficar apenas lendo relatos de terceiros e ficar achando que não são capazes ou que não têm grana para tal, tomar coragem e se jogar numa trip dessas e aí sim o meu objetivo principal em escrever isso aqui, além de me divertir horrores e relembrar viagens passadas enquanto as futuras não chegam, será atingido. Viram ? Nada a ver com algum desejo secreto e obscuro de competir para ver quem viaja mais, gasta menos, visitou mais países, ficou mais dias sem tomar banho, postou mais fotos rodeados de criancinhas pobres (um clássico... Meu d´s, em quem esses orfãos do Che Guevara se inpiram ? Sebastião Salgado ? Desde quando a miséria e o abismo social são belos e poéticos ?), viajou de maneira mais “autêntica” (???) ou alguma baboseira do tipo, deixo isso para os colecionadores de bandeirinhas. Eu ainda prefiro colecionar apenas experiências. Já que é assim então vou continuar batendo na mesma tecla mesmo sabendo que às vezes soa mais repetitivo do que aqueles chatos e enfadonhos enredos e desfiles de escola de samba. Mas acho legal ter em mente que em certos casos (leiam-se roteiros) é possivel visitar os mesmos lugares gastando menos da metade (me refiro principalmente à parte aérea, o verdadeiro “bolso de Aquiles” numa trip dessas) do que se fizesse uma RTW (lembram-se dos desconcertantes U$ 5 mil para dois ou três continentes citados no começo da nossa conversa de hoje?), daí a importância em saber distinguir se precisa mesmo fazer uma circunavegação no globo ou não, ainda mais agora com o dólar (vocês viram a tungada do IOF ?) custando os olhos da cara, um pulmão e mais um rim. #ficaadica Enfim, boa viagem pra quem prefere seguir por esse caminho (qual a melhor opção ? Sei lá, façam uma simulação), mas acho que não pega muito bem chamar de RTW. #arrumaummapa Como diria o filósofo Wanderley Luxemburgo: “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”. Hora de voltar ao relato afinal estamos aqui para nos divertir ou para medir o IBM – Indice de Burrice Mochileira ? Fim do momento descontração. Sigam-me os sábios. Mas antes vamos chamar o DJ para botar um som e animar essa joça aqui : “Hey DJ, bring the action !” Where do you go nobody knows I´ve gotta say I´m on my way down Where do we go to draw the line Let me hear some noise If you´re having a good time Fast forward para o embarque no aeroporto de Bangkok rumo à Londres. Chá de aeroporto realmente é um pé nos países baixos. E eu que pensava que irritantes mesmo eram esses relatos longos cheios de elucubrações e devaneios que parecem não ter fim, chuva nas férias, horário político, rasante de pernilongo, feriado no fim de semana, pasta de dente na gravata, passagem aérea cara, papinho furado de ambientalista, artista ou ativista, internet lenta, grana curta, cinema com versão dublada, propaganda no youtube e sotaque de carioca (NR. Menos mal que pelo menos para este último é apenas o sotaque pois os meus contatos com a cariocada sempre foram os mais positivos e divertidos possíveis, tanto particular como profissionalmente). Já cansado de esperar e com câimbras por passar muito tempo em bored mood face on e aproveitando que já havia passado aquele momento que se assemelhou mais com uma mistura de “Budalelê” com “Buda-me-livre” para ver quem embarcava primeiro, me levantei e fui esperar a minha vez para adentrar no majestosamente belo seven four seven que assim como eu, acompanhado por mais uns impacientes 300 passageiros, não estava com muita paciência de ficar de bobeira ali no aeroporto e queria ir embora o mais brevemente possível. Welcome on board! O aviãozasso que eu iria voar era branco com detalhes vermelhos e azuis, o verdadeiro impávido colosso (ui !) voador estava só esperando a galera embarcar para enfim tomar o rumo da Terra da Rainha, do Big Ben, do puts-puts (eu ia falar phat bass, mas não veio de lá), dos famigerados táxis negros e dos buzuns vermelhos de dois andares, do chá das cinco, do Jack Estripador, do Led Zeppelin, da Harrod´s, do Iron Maiden, do 007, dos intragáveis Beatles, dos guardinhas com chapéus engraçados, do povo civilizado (pelo menos quando estão sóbrios) que dirige na mão errada e do sotaque mais bonito do mundo (ou alguém aí acha que sotaque inglês bonito é o australiano ?). Um bonito e vistoso pássaro gigante de metal (concordo moçada, essa foi cheesy que só...) enchendo a mamãe Boeing de orgulho por mais um filho prodígio que esbanja sucesso e provoca suspiro por onde passa. Vida longa ao Jumbo. Aproveitando a deixa, esqueci de comentar sobre uma outra aeronave que também manda muito bem (no outro post citei os grandalhões 747 e o A380, mas é claro que rolam outros). Desta vez me refiro ao descontinuado e compridão A340 que também é bastante mal educado quando o assunto é longo alcance. No seu lançamento numa feira em Paris ele fêz uma demonstração tão espetacular que além de enterrar uma conhecida fábrica de aviões na época, assombrou o mundo todo. Preciso falar que foi uma RTW ou não é necessário ? Só não saberia dizer se foi um bate-e-volta disfarçado de RTW ou uma RTW disfarçada de bate-e-volta. Pois é, sabem o que eu mais gosto numa RTW ? De tudo. Ok, ok, os vôos podem ser cansativos... Ao ponto. Já que estamos falando sobre aviões... “DJ, é com você de novo !” Can we pretend that airplanes In the night sky Are like shooting stars I could really use a wish right now Wish right now Wish right now Pois é, depois de um tempo interminável naquela fila mais lerda que atendimento de órgão público chegava a minha hora de deixar a maravilhosa terra dos sorrisos, dos templos dourados e dos ladyboys (pra quem não se lembra ou não conhece, digamos que é uma espécie de gaúcho tailandês. Ou vice-versa). Finalmente embarquei na aeronave e como o meu assento era lá atrás, toca a caminhar em direção ao fundão do avião que já estava lotado. Para a minha decepção fui agraciado com uma poltrona na fileira do meio, nada de janelinha ou corredor desta vez. Sniff. Mas sussu, tá de boa afinal o lance mesmo é viajar, nem tô aí para essas minudências (neologismo ? Não, eufemismo para “viadagens”). Reitero que certas bichices estão mais voltadas para aquele povo esquisito e gente estranha que viajam mais preocupados se vão encontrar wi-fi no deserto, na praia ou na montanha, se tem serviço de quarto no hostel (?!?!?), concierges (vocês sabem, esse povo viajado e descolado é tão “independente” que dá gosto), ar condicionado em pleno safári, edredon importado numa teahouse no Annapurna, feijoada no Camboja ou travesseiro com pena de ganso canadense, cama king size e TV de tela plana de 60 polegadas com resolução 4K com tv à cabo de 200 canais em pousada econômica de pescador humilde (viva o desapego, o abandono da zona de conforto e a tal da vida simples...) do que a jornada da viagem em si. Ai, ai...eu me divirto com essas coisas. O que não faltam hoje em dia são enfants gâtés, doidivanas e Marias Antonietas dos trópicos metidos à viajantes hardcore. “Tragam os brioches !”. “DJ, já sabe o som, né ?” And we'll never be royals It don't run in our blood, that kind of lux just ain't for us We crave a different kind of buzz Ao meu lado esquerdo havia um casal que eu desconfiei ser do leste europeu devido ao déficit de vogais no seu vocabulário enquanto ao meu lado direito, já no corredor, havia um tiozinho born in USA com uma característica (seria um dom, uma benção talvez ?) que me fêz quase morrer de inveja durante o vôo inteiro e não foi a primeira vez que isso aconteceu com os meus companheiros de vôo. Volto nisso mais pra frente. Aproveitei esse tempo pré-vôo para me inteirar sobre o sistema de entretenimento do avião. Havia uma seleção razoável de filmes, joguinhos diversos (será que tinha Tetris ? Tinha !) e músicas. Estava lá eu tranquilamente montando o meu playlist para ouvir durante o longo vôo e nesse interim quem apareceu ? Ela, a loirinha conterrânea da chapada-porém-talentosa-mas-não-faz-o-meu-tipo Amy Winehouse, a faux-riponguinha toda pintalegrete que para a minha surpresa sentou-se na mesma fileira, porém infelizmente lá na janela. Como desgraça pouca é bobagem, ao lado dela havia um casal então sem chance de pedir para trocar de lugar comigo e, na boa, esse negócio de ficar trocando de lugar dentro de avião lotado é coisa de gente inconveniente, aquele pessoal chato que fica fazendo uma espécie de dança das cadeiras atrapalhando e incomodando todo mundo. Esse povo, juntamente com os pais de crianças [email protected], também merece um lugar cativo de destaque na asa do avião, mas só pelo lado de fora. E sem cinto de segurança. Aproveitando o aparecimento da inglesinha, agora já dentro da aeronave, peço licença pra chamar o DJ. “DJ, manda bala !” I need you tonight ´cause I'm not sleeping There's something about you girl That makes me sweat How do you feel I'm lonely What do you think Can't think at all Whatcha gonna do Gonna live my life So slide over here And give me a moment You moves are so raw I've got to let you know I've got to let you know You're one of my kind Putz ! Agora esse DJ filho da mãe entregou a minha idade na cara dura mas xapralá ! Sem descontar as opiniões das pattys deslumbretes e dos surfistinhas-merrequeiros-metidos-à-Kelly-Slater, na minha humilde, crua e cruel opinião a Austrália mesmo lá com os seus encantos (sem ordem de preferência, à saber: proximidade de lugares como Nova Zelândia, Fiji, Tahiti, Samoa, Tonga, Ilhas Cook e outros paraísos do Pacifico, vôos baratos para a Ásia, Parque Nacional Marinho de Exmouth, ACDC, Sydney, coalas, tubarões grandes, qualidade de vida (fácil quando se ganha muito bem), didgeridoo, Stephanie “well behaved women rarely make history but Steph does a really good job” Gilmore (e nem tô considerando os ganhos dela de quase U$ 2 milhões/ano...) e a Grande Barreira de Corais) pode até ser um lugar sem sal, mas pelo menos deu ao mundo algumas das melhores bandas de rock de todos os tempos. “Australia, tasteless but never soundless”. Voltando. Com todos embarcados não demorou muito para o comandante fazer o seu discurso de boas- vindas. O pronunciamento foi mais ou menos assim, sem tecla SAP afinal quem quiser se aventurar pelo mundo é de bom grado que conheça pelo menos os rudimentos da lingua mais falada no mundo civilizado. Vamos, então, ao welcome speech do comandante do avião (juro que a rima foi sem querer, sorry...) : Sawadee kaaaaaaaa misteeeeeeeer...welcomeeeeeee siiiiiirrr...excuse meeeeeeeeeee…Thank youuuuuuuu…Keep your seatbelt fastened “duling” (*) the “entile” (*) flight pleaseeeeeeee...Khop khun Kraaaaaaap !!!!! (*) Cebolinha´s accent Oops, sintonizei errado !!! Pois é, a Tailândia não me sai da cabeça. Foi mal...rsrs Recomeço. Good evening ladies and gentlemen, boys and girls (essa parte do“boys and girls” ele pegou emprestado em Singapura. Vamos fazer de conta que é a mesma tripulação…) this is your captain Jack Sparrow speaking (quem preferir pode usar captain Philips. Eu deixo ). Moçada, menos ! Vocês não acham que eu iria me lembrar do nome do capitão daquele vôo, né ? Eu mal lembro o que almocei hoje. Minha memória para viagem é boa mas tem limites. Continuo. Welcome on board to the flight “XXX” with destination to “Landehn” (adoro o jeito posh como a gringaiada pronuncia “London”. Mas ela merece). The flight time will be around (pausa para prender a respiração) twelve hours and fifty minutes (putz ! essa parte deu vontade de chorar, ou melhor ainda, de tomar uma caixa inteira de DRAMIN...). Depois ele se desculpou pelo atraso dizendo que houve um enrosco qualquer em Singapura, falou mais algumas coisas mas nem prestei muita atenção, estava pensando no fato de que passar aterradoras 13 horas afivelado numa poltrona de avião (como se eu tivesse opção...) não é bem o que eu chamo de diversão (o quê, rima de novo ? WTF !!!! Ah não, para tudo !). Cruzes ! Daria até para fazer uma singela estrofe, vejam só : “(...) falou mais algumas coisas mas nem prestei muita atenção, estava pensando no fato de que passar aterradoras 13 horas afivelado numa poltrona de avião (como se eu tivesse opção...) não é bem o que eu chamo de diversão (...)” Meu d´s, que horror ! Foi mal, moçada, sorry... Outra pausa para tomar o remédio. Depois dessa, tem que ser em dose dupla. Voltamos à nossa programação normal (“normal”, onde ?). Depois ele se desculpou pelo atraso dizendo que houve um enrosco qualquer em Singapura, falou mais algumas coisas mas nem prestei muita atenção, estava pensando no fato de que passar aterradoras 13 horas afivelado numa poltrona de avião (como se eu tivesse opção...) não é bem o que eu chamo de diversão (grrrrr !), mas pelo menos eu compensaria no fuso horário, já estava na hora da minha trip me devolver aquele dia perdido que me tomou das férias quando cruzei a linha do tempo no vôo Los Angeles – Tahiti. Esse dia perdido me foi sendo entregue aos poucos, meus dias foram ficando mais longos à medida que eu viajava no sentido oeste. Se eu viajo no sentido oeste por causa disso ou devido ao jet lag (nunca tive problemas com este, diga-se de passagem) ? Não, eu costumo viajar nesse sentido porque do jeito que eu faço os vôos costumam ficar mais baratos, só não me perguntem o porquê. Seriam os roaring forties ? Será o fato de viajar na direção anti-rotação da Terra ? Será porque o vôo fica mais longo (modo de falar afinal a distância é a mesma só que o vôo geralmente demora mais) ? Será uma maior oferta de assentos ou será o Benedito ? Cartas, digo, emails para a redação. Aí pra terminar o comandante disse algo mais ou menos assim, num fôlego só em alto e bom tom : Thankyouforflyingwithusandwehopeyouenjoyyourflight Como problema sem solução solucionado está, então eu não tinha muito o que fazer a não ser me preparar para as próximas longas horas, quem sabe tirar um cochilo (“sonho meu...sonho meu”) ou encarnar o burrinho do Shrek e perguntar de tempos em tempos para as comissárias a fatídica pergunta : “Are we there yet ?” Em pouco tempo já era hora de partir. FINALMENTE ! Falando em partir e “are we there yet”, vou ficando por aqui, tenho que partir mas prometo retornar para finalizar isso aqui porque “yes, we are almost there”. Falta pouco. Espero vocês lá, digo, aqui. Valeu moçada, aquele abraço. VIRUNGA
  3. Oi Thalitaaaaaa, tudo bem ? Que bom que você voltou, seja mais do que bem-vinda !!! Falando em voltar, acredite ou não mas é bem provável que hoje eu coloque mais uma parte do relato, que baita coincidência, né ? Parece até que estava combinado. rsrs. Pois é, fazia um tempinho que eu também não aparecia por essas bandas então vou pegar carona na sua citação “aqui me tens regresso” ! Pra falar a verdade, era para eu ter postado ontem mas não consegui. E sim, eu demoro mesmo pra postar e numa dessas a coisa vai ficando para trás e como não é uma viagem muito, como posso dizer, "convencional", corre o risco de cair no esquecimento. Mas pode deixar que eu demoro mas apareço. Gostei muito de saber que você curte isso aqui, como eu disse outra vez, espero que as pessoas que acompanham esse relato se divirtam tanto como eu que escrevo. Como você não terminou de ler (2 folhas atrás) então não se preocupe, têm mais páginas saindo do forno (trocentas folhas à frente ! hehe) , espero que continue gostando. Volto logo. Se cuida ! Beijão VIRUNGA
  4. Faaaaaaala edu.apr, tudo bem ? Muuuito bom ! Demais saber que você percebeu a idéia principal desse relato. Dou a maior força afinal o sol nasce para todos inclusive para proletários como nós ! rsrs Lá na frente quando chegar a hora de bater o martelo e caso necessite de alguma ajuda para fazer o ajuste final, fique à vontade para perguntar porque é justamente nessa hora que eu gosto de “pitacar”. Como você não é corinthiano e nem funcionário público então terá direito a desconto e garantia na consultoria, só não seja mais um paraquedista como a maioria. Brincadeira, aqui comigo (quase) todo mundo tem vez. Já que falta bastante tempo para a sua trip então dá para pesquisar legal, planejar e “apertar de todos os lados” porque infelizmente a coisa continua se deteriorando para os brasucas que almejam viajar para o exterior com esse dólar e o IOF batendo lá na casa do dr Carvalho. Agora que as viagens internacionais encareceram para quem ganha a vida em reais, quem quiser viajar para fora vai ter que ficar mais esperto, seletivo e antenado. Só para se ter uma idéia e botar uma pilha, pelo que ando pesquisando no que diz respeito à parte aérea, com um pouco de sorte, 20/25 mil milhas e, sei lá, U$ 2.000,00ish doletas já daria para fazer uma trip RTW bem legal (viu como dá pra espremer e fazer caber no bolso de um assalariado ?), ou seja, pagar exageradas U$ 7 mil doletas por uma passagem RTW beira o surrealismo (eufemismo para ridículo). Abraço. VIRUNGA
  5. Oi Propter, tudo bem ? Puxa, mais um leitor corajoso e paciente para ler tudo isso aqui !!! rsrs Valeu pelo elogio, legal saber que está viajando junto e pode deixar que vou terminar o relato (concordo, venho falando isso há tempos. Já tá merecendo embargos ). Falta pouca coisa e pra falar a real creio que seria até uma falta de respeito deixar ele inacabado. E você está certo, depois (e antes) dessa trip já rolaram outras tantas RTWs. Estou cogitando escrever talvez mais uns dois textos...ehn... “resumidos” de outras trips (vou tentar, afinal quem disse que eu tenho o dom da concisão, principalmente quando o assunto é RTW ?), sendo um deles também sobre uma volta ao mundo e um outro sobre esse lugar mágico aqui, ó : fonte: descaradamente surrupiada da net, mas minhas fotos ficaram melhores. hehe (ô, quem me dera...) Mas antes preciso finalizar este relato. Fique ligado que vem mais por aí, espero que você continue curtindo. Grande abraço, VIRUNGA
  6. Faaaaaaaaala moçada, tudo bem ? Para comemorar a extinção da miséria do nosso país nem que seja por decreto (como é mesmo a contabilidade, com 70 reais per capita/mês já sai da miséria e com uns 300 contos é considerado classe média ?) e que o mundo tem um novo Papa, fumaça branca para mais um trecho (sem imagens de novo, para desespero de certas mentes atrofiadas) do finzinho da trip. Que venha o blábláblá. “Ô coroinha, solta logo essa fumaça branca, rapaz !” Habemus relatum ! Coitados dos coroinhas, imagino a vida deles cercados de certos tipos depravados segurando crucifixos e cheios de péssimas intenções com os garotos, afinal o que não falta no mundo de hoje em dia é bicho-papão vestindo batina comedor de crianças indefesas. Pausa para o sinal da cruz. Então, pra quem não se lembra onde terminou o último trecho tá fácil: paramos muito bem acompanhados por uma bonita jovem jactanciosa oriunda da gelada terra com IDH bem avantajado lá na ponta do planeta, numa noite chuvosa no ponto de ônibus do agora extinto airport bus em Banglamphu, um famoso subúrbio da buliçosa, úmida e incomparável KrungThep Mahanakhon Amon Rattanakosin Mahinthara Ayuthaya Mahadilok PhopNoppharat Ratchathani Burirom Udomratchaniwet Mahasathan Amon Piman Awatan Sathit Sakkathattiya Witsanukam Prasit. Saravá ! Viram, não falei que tava fácil ? Enquanto o ônibus não chegava ficamos eu e a norueguesa (noruedeusa ?) de narizinho empinado conversando. Às vezes ela destilava alguns rompantes que mostravam todo o seu lado Aruba, i.e., linda mas um porre, mas numa dessas a gente se deu até bem porque de porre eu entendo alguma coisa, afinal num momento daquele (quebrado, fim de férias, fim de banana pancake e na iminência de encarar um vôo longo) eu abandono a minha posição de mochileiro e me transformo num verdadeiro mala. Tá, tá, eu sei, vocês venceram: não é só num “momento daquele” que eu fico meio (inteiro ?) mala, em outros momentos também mas vamos pular essa parte. Com um certo arzinho soberbo (tudo bem, ela podia) que foi prontamente retrucado pelo meu ar blasé (tudo bem, eu não podia. Primeiro porque nem tô com essa bola toda e segundo porque eu ainda me esbaldava com os instantes finais da minha derradeira e deliciosa banana pancake), a deusa do gelo falou sobre o semestre do MBA em Kuala Lumpur e me confidenciou que não curtiu muito porque o nível era bastante fraco, inclusive tinha uma iraniana no curso dela que não manjava p*cas de inglês e mesmo assim estava lá. Comentei que no meu país ninguém manja p*cas de nada e vira Presidente da República, Ministro da Fazenda ou dá uma volta ao mundo DE MOCHILA pagando o equivalente a inacreditáveis 15/20 mil reais só em passagens e ainda tem a cara de pau de querer dar dicas quentes sobre como viajar barato. Mas eu até acho bem pertinente, basta fazer exatamente o contrário tout court. Existem roteiros meio café-com-leite onde só de taxas morre uma grana absurda que me levam a pensar aqui com os meus passaportes: será que é tão difícil assim perceber que pagar, sei lá, insalubres US$ 1.600,00 plus somente em taxas (e nem era uma viagem espacial) tem algo muito estranho, não acende nenhuma luz amarela não ? Não dá pra matar a bola no peito, botar no chão e ver o jogo ? Ninguém pode ser assim tão ehn... ah deixa pra lá. Tudo bem que o que realmente vale é a liberdade de escolha coisa e tal, tal e coisa mas isso aí tá mais inflacionado que o coitado do tomate, vai vendo... Não sei como alguém consegue pagar duas ou mais coisas, levar uma e ainda achar isso um bom negócio. Engraçado que eu sempre pensei que bom mesmo seria o contrário mas enfim, não sou eu que tô pagando mesmo. #naotamojunto. Como diria o mineirim quando perguntado por um cumpadi o que achava de nudez ele prontamente respondeu, após dar uma pitada no cigarrim: “Ué sô, melhor nu deis que nu nosso !” Pois é meus caros e minhas caras, com ou sem intelecto muito atraente o negócio é ser feliz. Como já havia afirmado anteriormente o melhor de tudo é que nem precisa ser assim tããããão inteligente (presente !) e nem dispor de muitos recursos (presente mil vezes !!!!) para realizar uma RTW e apesar dos trancos e barrancos – vai ver porque é algo ainda novo pra gente - o que importa é que mais brasileiros estão se aventurando. Tá parecendo propaganda de cartão de crédito: “Mais pessoas VÃO dar uma volta ao mundo”. Pensaram que eu iria citar aquela outra do “não tem preço”, né ? Aham, tá, sei. Mas não tem preço mesmo. Retomo. A gata do Ártico depois me disse que talvez deveria ter feito um esforço maior e tentado uma escola americana. Faz sentido, por mais que eu goste dos EUA (nossa, vejam só que coisa ! Além de (re)visitar lugares tradicionalmente turisticos e manjados – adoro ! - eu também curto muito os States e tem mais, cabendo no meu bolso quase sempre que viajo não perco a oportunidade de aproveitar as facilidades do turistão “ônibus da Angela Rô Rô”, também conhecido internacionalmente como hop on hop off bus), acho que no caso dela que vem de país rico onde todo mundo já nasce com a vida ganha estudar na Malasia deveria ser mais fácil (alguém aí já ouviu falar na lei do menor esforço ? Funcionário público não vale, eu disse “menor” e não “nenhum”), diferente e exótico pois aquela região é repleta de lugares bons e baratos apenas a uma Air Asia de distância, principalmente para quem fica baseado em Kuala Lumpur, o caso dela por sinal. Quem sabe a musa dos fiordes poderia ter tentado a Austrália trocando assim a vizinhança de ursos polares por uma formada de cangurus mas isso seria o de menos, o duro mesmo ia ser aguentar a brasucada formada por um verdadeiro séquito de patricinhas e surfistas-merrequeiros-metidos-a-Kelly-Slater que todos os anos invadem aquele ensolarado e deveras insípido país. Também fiquei sabendo que ela havia feito uma trip percorrendo a hoje fácil e já bastante manjada banana pancake route com algumas amigas conterrâneas (pausa para um suspiro. Se uma escandinava já é boa, imaginem várias juntas ?), mas elas não aguentaram o tranco e voltaram para casa. Achei estranho. Se fossem os historicamente intrépidos brasucas (pausa para arrumar a garganta) eu até entenderia afinal esses costumam dar pitis homéricos por causa da falta de infra, da pobreza, se o ônibus atrasar, se as estradas forem ruins, se rola muito perrengue para atravessar certas fronteiras terrestres, se não encontrarem alguém que fale inglês o suficiente para passar uma mísera informação (é aqui que fala e encontra facilmente...), ou mesmo se não acharem Starbucks na Coréia do Norte, wi-fi no interior da China, banho quente em Fiji, McDonalds em Ngorongoro ou Casa do Pão de Queijo na Papua Nova Guiné, fora otras cositas más que tais viajantes “descolados” e dispostos a tudo, reitero, muy aventureiros e safos, pero no mucho, tiram de letra. Aham, sei. Então tá. Eu me divirto com esse complexo universo radical chic dos desbravadores aventureiros de boutique... Assim sendo confesso que fiquei um tanto quanto surpreso com a experiência da garota visto que de uma maneira beeeeeem geral a gringaiada mochileira não tem (muita) frescura (mas sim, eles também costumam dar os seus chiliques homéricos por nada) e como a maioria vem de país rico acham perrengue, pobreza e miséria, como posso dizer, algo “exótico” e até curtem a “aventura”, so to speak, afinal é muito diferente da realidade deles. Por essas e por outras que o favela tour (sorry, no Rio agora deve se chamar comunidade tour) faz tanto sucesso entre esse povo. Particularmente acho meio esquisito mas como a gente viaja para ver coisas diferentes eu até entendo a gringaiada. Kinda. Mas isso não é exclusividade da gringaiada não, tem muito brasuca fazendo isso também afinal o que não falta aqui é antropólogo e viajante socialista socialite. Enfim, c´est la vie e como dizem os corinthianos: “haja o que hajar !”. Aproveitando o gancho, tá rolando um zunzunzun por aí que a Bolivia se tornou um dos melhores países para se viver, afinal tem apenas 12 corinthianos e todos estão presos. Mas acho que já já eles soltam, afinal ninguém quer uma célula de filial do PCC no seu país, né ? Prossigo. O papo estava tão bom que se estendeu dentro do ônibus também que finalmente chegou, para o alivio de todos e felicidade geral da nação de viajantes durangos, e estacionou bem próximo de onde conversávamos. Por estar atrasado ele não demorou muito a sair e rapidamente já nos dirigíamos em direção ao aeroporto. Apesar da demora não estávamos com problemas de horário porque ainda havia bastante tempo de sobra e os nossos vôos eram tarde (mas o dela era mais cedo que o meu) e acho que foi a primeira vez na vida que concordei que sair mais cedo para um compromisso realmente pode valer à pena. Com os ânimos de todo mundo já amainados, no ônibus foi a minha vez de falar sobre alguns dos meus MBAs mundo afora que ela ouviu com muita atenção. Vale ressaltar que MBA para mim tem um significado diferente e um pouco mais amplo, que eu definiria por: “Many Buses in Asia, Many Buses in Africa, Many Buses in Americas” e outros tantos “many buses...and planes, matatus, trains, ferries, metros, horses, banana-boats, les trucks, skis, bikes, taxis, bankas, motorcyles, canoes, trekking boots, vans, pick-ups, cars, sailboats, helicopters, elevators, feluccas, kayaks, tuk-tuks, rafts, camels, SUVs, donkeys, jetskis, quadricycles, flip-flops, escalators, mokoros, jeeps, elephants, snowboards, dinghies, trucks, boats, spaceships (brincadeirinha !!!)”, fora o resto, por esse mundão afora. Resumo da ópera: Muitos Buzuns por Aí. Ah, antes que eu me esqueça: nem tudo na vida são flores e viagens, se eu dissesse como começou tudo isso vocês iriam chorar e entrar em depressão mas como todo mundo sabe, ou pelo menos deveria saber (inclusive os mais tapados), estamos aqui para nos divertir, certo ? Quando as luzes se apagam e os bares fecham ficamos apenas com as nossas verdades e memórias (acho que era assim que dizia o poeta, sei lá eu). Dia desses eu NÃO conto. Avante. Após ter ouvido algumas histórias engraçadas e outras nem tanto sendo que certos acontecimentos, alguns impublicáveis, poderiam ter lugar cativo na Broadway enquanto outros mal caberiam no caldeirão da Madame Mim, a Afrodite da Aurora Boreal não se fez de rogada e com a frieza de quem mora nas proximidades de um dos pólos da Terra me fuzilou sem dó nem piedade numa só voz em alto e bom tom: “Nossa, que legal ! Mas vem cá, me conta uma coisa: como assim você prefere viajar sozinho ?”, como se isso fosse a coisa mais absurda do mundo. Ali eu vi que a gente não iria dar muito certo mesmo. hehe Mas peraí, e se aquilo fosse um auto-convite ? Não, não foi. Pelo menos eu não percebi. (PQP, tem gente que continua se achando, né ?). Pensando bem, sei lá, tipo assim, poderia ter sido pior, vai que ela me perguntasse qual é melhor: viajar RTW ou viajar pela Africa ? Saia justa total. Ainda bem que ela não perguntou. Falamos bastante também sobre viagens, vida, carreira, viagens, amores, decepções, viagens, sabores, dissabores, viagens, trabalho, música, viagens, politica, cinema, viagens, esportes, comida, viagens, consumismo feminino, desmatamento, viagens, literatura, egos, viagens, chocolate, alarmismo besteirol sobre o meio ambiente, viagens e aí você percebe que por mais prosaico que possa parecer no geral a essência do ser humano é igual em qualquer parte do mundo porque conversando com individuos de diferentes backgrounds, cores, credos, religiões, filosofias, orientações, crenças, etnias, tipos sanguineos, tribos, dogmas, nacionalidades, diâmetros de circunferência abdominal, classes sociais, vontades, profissões, prioridades, gostos, marcas favoritas de creme dental, quantidade de cabelo, cor dos olhos, chacras (ihhh, isso agora me lembrou aquele papinho besta daquelas madames que gastam, digo, “desapegam” em nada meditáveis dez/quinze mil doletas numa viagem para a Índia e adjacências - first class, of course - em busca de emancipação espiritual tântrica-zen-xarope-transcendental-cadê-o-Baba-podicrê-mistico-bicho-grilo-espiritual-personal-guru-maluco-beleza-iogue-shanti-holistico-ashram hopping-abraça-árvore-e-deita-na-pedra-para-energizar-enrola-um-vou-apertar-mas-não-vou-acender-agora e depois voltam para casa zuretas regurgitando aquela conversa mole zuzo-bem visceralmente “ayurvédica-namastê”) e você percebe que no fundo no fundo eles almejam praticamente a mesma coisa, o que mudam mesmo são as condições e o peso que cada pessoa dá à diferentes aspectos de sua vida. Pausa para reflexão. Ehn... alguém tem algum espelho aí ? Continuando. Como não poderia faltar conversamos também sobre os nossos respectivos países, então aproveitei para exercer um dos meus esportes favoritos quando viajo: falar mal do meu país. Putz, que coisa não ? Eu hein, que deselegante ! Que nada, apenas realista. Já comentei sobre o embaixador às avessas, qualquer coisa basta consultar vossas excelências, os fatos. Simples assim. Mas “falar mal” acho que é mais, como direi, uma “força de expressão” afinal como odeio tapeação eu apenas confirmo o que todo mundo que pensa já sabe, nada mais do que isso. Tô com os messieurs Voltaire e De Gaulle e não abro, mas de vez em quando obviamente solto alguma coisa boa também sobre a Jabuticabalandia. E bem de vez em quando. Se a diva viking não tinha planos para visitar o Brasil e a América Latina no geral agora que não vem mesmo. Mas consegui contornar, disse que apesar de perder uma ou outra coisa boa (caldo de cana, pastel de feira, açaí, brigadeiro e praias bonitas, por exemplo) ela poderia pular o Brasil sem dor na consciência afinal o país não vale quanto cobra e propagandea (sugeri trocar pelo México) só que os vizinhos valem muito a viagem, apesar das praias não costumarem ser lá aquelas coisas a não ser que o visitante leve jeito para pinguim. Patagonia, Machu Picchu, Cuzco, Galápagos, Salar de Uyuni, Isla del Pescado, Amazonia, Lago Titicaca, Uros, Atacama, fora o resto, são lugares que devem constar em qualquer lista de lugares a ser visitados. Ela ficou de reconsiderar. Até acho que ficamos no empate porque eu também não tinha lá muita vontade de conhecer a Noruega, porém lista de prioridades para mim não tem muito significado porque até pouco tempo atrás os Estados Unidos disputavam com o Japão (nada contra esse último, apenas não tenho saco, grana e tempo para tirar o visto. Espero que o Brasil faça prevalecer a reciprocidade) as primeiras colocações entre os lugares que eu não tinha a mínima vontade de conhecer, mas como as coisas mudam hoje os States estão super bem na fita e é um dos lugares que encabeçam a minha lista de favoritos. Quem sabe o Japão não seja o próximo ? E olhem que quando eu tirei o visto a minha intenção era apenas economizar alguns milhares de dólares em passagens aéreas para aí sim poder viabilizar algumas das minhas RTWs. Como todo bom assalariado que ganha a vida em reais, viaja com passaporte brasileiro, não é nenhum dondoca expatriado ou alguém que bebe da mesma fonte de blogueiros/jornalistas de viagens muy “independentes” (só se forem independentes como um taxi) que vivem escrevendo, pererecando, perambulando, “puxa-sacando” (mais um neologismo ?) e viajando de jabá em jabá (atenção para as exceções em todos os exemplos), qualquer punhado economizado de verdinhas faz bastante diferença no orçamento. Nota à margem: não custa lembrar que por causa de muitos desses “jabáticos” e “jabazetes” da vida ficamos conhecendo lugares e serviços através de suas reportagens em publicações ou blogs de viagens. Vida longa aos blogs, revistas (ao contrário dos blogs, as revistas me parecem cada vez piores e repetitivas, infelizmente), portais e sites de viagens, comerciais ou não (todo mundo tem que comer e pagar contas, né ?). E acho que é possivel sim ser comercial sem a necessidade de se prostituir e quem não gostar que não acesse ou leia, simples assim. Em frente. Uma vez que já conheci uma galera muito bacana dos lados da terra dela (principalmente da Suécia) rodando o mundo por aí, muitos em férias e outros viajando por um tempo maior, aproveitei para dar uma geral sobre a paixão (fetiche ?) por RTW, afinal it´s only RTW but I like it. Como acho que ainda está para surgir um roteiro RTW que eu não consiga fazer (bem) mais barato em condições normais sem ter que fazer “trip de índio” (mas indie sim), e como as passagens no Brasil não costumam ser assim tão baratas quando o destino é longe (e nem vou comentar a disparada do dólar. Falando nisso, preciso dizer que estou para entrar em férias ? É sempre assim), mesmo tendo melhorado bastante ultimamente mas ainda um tanto dependentes de alguma boa promoção, acho bastante jogo esse tipo de trip desde que saiba como fazer e não apenas fazer por fazer. Ah, pensando bem, se não souber ainda assim continua valendo bastante a pena pois o que conta mesmo é ser feliz. E se conseguir fazer isso viajando, melhor ainda. Já que os escandinavos são craques em navegação nós conversamos sobre esse tipo de trip por mar e eu disse que aqui no meu país trips assim de barco ou carro geralmente costumam ser pra quem tem (muita) grana; não é pouco dinheiro e precisa estar muito bem de caixa. Falando nisso, apesar de passarem anos-luz da minha praia e com exceção dos fantasiosos (ilusionistas ?) quando o assunto é orçamento (não são só eles), eu costumo admirar muito as pessoas que fazem esse tipo de viagem – principalmente de carro; de barco acho muito alien, financeiramente falando (me lembrou de novo a trip dos playbas do catamaran. Para transformar sonho em realidade, superar obstáculos e vencer desafios ter um parente trilhardário bancando tudo deve ajudar bastante, indeed) - porque as vejo como “gente que faz” e não apenas “gente que fala”, algo bastante comum nos dias de hoje. Tiro o meu chapéu e desejo a todos que se jogam e metem as caras, independentemente de qual maneira, que façam a melhor viagem do mundo e de suas vidas. Diferenças financeiras e preferenciais à parte, tracei um paralelo e ousei dizer que com o preço que a pessoa paga num carro (que aqui no Brasil custa bem mais caro) somadas às modificações no veiculo, uma pessoa normal mochilando sem ser frugal poderia dar umas duas voltas ao mundo ou uma “bem dada” (oops, me refiro a uma trip volta ao mundo. O que mais haveria de ser ? Aqui é tudo sempre no bom sentido) viajando durante no mínimo uns dois anos tocando o terror sem apertar muito o bolso enquanto que uma pessoa bem anormal, mas beeeeeeem anormal mesmo, ficaria batendo cabeça e daria uma volta de no máximo um ano. A gente morreu de rir. Pois é, beldades nórdicas também caem na gargalhada, vai vendo. Mas não levei em consideração o estilo, o prazo e as vontades de cada um, o fato de serem trips diferentes com objetivos e vontades semelhantes que se cruzam aqui e ali, assim como também não considerei os gastos com combustível, passagens e frete, a não ser que o carro seja anfíbio também. Sarcastic mode on. No final concordamos que apesar do tempo e grana necessários, viajar de carro ou barco deve ser uma experiência de liberdade única, mas assim como eu ela também não era muito chegada a dirigir e achava que passar dias ou semanas balançando num barco dando banho em isca cheirava a um tédio só. Como assunto era o que não faltava (é muita história para pouco “Virunga”) e como ela tinha várias histórias legais também, o tempo passou rápido e por incrível que pareça não teve trânsito para chegar no aeroporto. Chegando lá nos despedimos com um beijo e cada um foi para um lado. Ela foi fazer o check-ine eu fui procurar um lugar para me trocar antes de embarcar. Para falar a real no final das contas a mina da terra do frio e do bacalhau verdadeiro era até legal, de vez em quando tinha lá seus desvios “momentos Aruba”, mas depois de conhecer um pouco mais ela subiu bastante no meu conceito e ganhou até uns pontinhos. Igualzinha a chatinha e bonita ilha caribenha. Me troquei rapidamente no banheiro pois agora era hora de baixar as velas do calor do sudoca asiatico e içar as velas para enfrentar um clima bem mais ameno na Europa e após ter rearrumado e trancado a minha mochila fui fazer o meu check-in. Quando cheguei lá qual não foi a minha surpresa ao saber que o vôo estava atrasado, mas eu nem encanei afinal eu fico tão feliz e realizado por “estar viajando” (perdão pela dialética callcenter) que não tenho tempo para essas viadices de reclamar de vôo um pouco atrasado (muito atrasado já é outro chopp), da comissária que não te atende sorrindo e nem te pega no colo para fazer dormir (não é a função dela, concordam ?), de não ter travesseiro, da cor do assento, de ser muito alto para poltrona, ou muito baixo para poltrona, ou muito gordo para poltrona (sempre culpa da poltrona, né ?), de não fornecerem canetas para preencher formulário de imigração, do aeroporto secundário ser longe do centro, das cores berrantes e quantidade de cartazes espalhafatosos de propagandas dentro da cabine, do atendente não pegar na mãozinha e levar até a porta do avião, do peso e tamanho da bagagem de mão permitidos (quem mandou ser muambeiro ? Falando nisso, a Easyjet já anunciou que irá diminuir o tamanho limite da bagagem de mão. Viva o minimalismo !), do sistema de entretenimento que não passa o programa da Xuxa ou o BBB, da empresa não ter leite NAN e nem servir um mingau igual ao feito pela mamãe e a lista goes on. Meu d´s, quanto “frufrismo” ! (Viram, não esqueci dos neologismos). Por que não ficam em casa, então ? Eu hein. É tão dificil perceber que hoje em dia, quando tem, é lanche frio com refrigerante quente ? Continuo achando que voar com segurança e pagar um preço legal já tá bom demais, o resto é resto. E vice-versa. Ah sim, mas é claro que concordo que tudo tem limite. Entrei na fila e logo depois quando fui chamado para fazer os trâmites do check-in lá estava ela no balcão ao lado pegando o cartão de embarque juntamente com o passaporte: outra linda gata que confirmava a minha observação sobre o bem danado que o sol e as praias dos trópicos fazem para as gringas. Quando ela agradeceu eu percebi que era britânica (já falei que adoro o sotaque, né ?), a Bilu Teteia femme fatale da terra da cerveja quente e do fish & chips saiu caminhando toda prosa, soltinha como o arroz da vovó, sorridente, mais feliz do que a população do Butão (e olha que ela nem me conheceu. hehe. Putz, quando eu falo que tem gente que se acha...), sandália rasteira, shorts jeans curtinho, cabelos loiros e compridos, bronzeadinha, cheirosinha que só (e eu que estava preparado para tudo, menos praquele perfume), uma única e longa trancinha no cabelo diretamente da Khao San Road, uma genuína gringa faux-riponguinha toda saliente e serelepe. Meeeeeeeeeeu d´ssssssssssss, pelas jóias da coroa ! Pois é, inglesa sexy de novo, vai vendo. Mas ali tem de tudo, tô falando que chove mulher bonita no sudoca. E se a noite toda gata é parda no sudoca (quase) toda gata viajante é loira. Mas tem para todos os gostos e sabores. Sempre no bom sentido, é claro. Apostaria um rim (humn, quer dizer, um rim não porque posso precisar dele para vender e pagar minhas viagens. Serve um almoço ?) que ela não iria desembarcar em Londres vestida daquele jeito. Quando voltam para casa, para a vida real (seja lá o que significa isso. Existe outra vida por acaso ?), para a responsa e para o frio de seus países cheios de leis, regras, horários e câmeras de segurança muitas vezes elas não são tããããão soltinhas assim, a não ser que estejam com um copo na mão. Cheers! Achei que ela lembrava muito por alto a intragável (óbvio, é canadense) Avril Lavigne, só que era muito mais gata, com formas mais... ehn...como direi, simétricas, com mais “curvatura” (sempre no bom sentido) e tinha bem mais sal (ai minha pressão arterial...), digamos assim. Tá bom, confesso: é uma baita sacanagem comparar uma gatinha daquelas com a Avril. Fui despertado dos meus pensamentos “ai se eu te pego” mais profundos e libidinosos capazes de fazer corar até o Marquês de Sade ou os habitantes de Sodoma e Gomorra quando o cara do check-in me confirmou que o vôo estava atrasado desde Singapura e me disse que eu tinha direito a um voucher para uma refeição grátis (pois é, se não existe almoço grátis pelo menos janta tem), mas eu teria que pegar no fim do balcão com uma outra atendente. O mais curioso é que nem era tanto atraso assim, coisa de uma hora, uma hora e meia. Isso lá é atraso ? E olha que eu domino bem esse assunto. Feliz da vida com o vale-rango que ganhei da cia aérea em função do atraso do vôo, me dirigi à imigração para dar saída oficialmente do país e depois procurar com muita calma, parcimônia, categoria, lucidez, responsabilidade, serenidade, frieza, concentração, equilibrio, isenção, astucia e sabedoria fazendo uso daqueles seculares métodos cientificos exaustivamente testados e aprovados pela NASA em seus experimentos mega-tecnológicos e secretos, ou pelo COPOM quando define a taxa de juros básica da economia ou ainda pelo próprio Ministro Mantega, o “çábio”, quando tenta acertar qual será o tamanho do PIB (entenda-se uma decisão tomada de maneira lógica, precisa e racional formada pela infalivel união dos métodos salemê minguê com minha-mãe-mandou-escolher-esse-daqui-mas-como-eu-sou-taurino-eu-escolho...) um bom restaurante para utilizar o presente, quem sabe descolar um decente e lauto rango (que saudade de um bom bife inescrupulosamente mal passado) em terra firme antes de encarar as longas e tediosas horas de vôo que estavam por vir. Andei pra lá e pra cá percorrendo os imensos corredores do gigantesco aeroporto de Bangkok numa missão batizada de rango-hunting (ou ran-ran para os intimos) em busca de um lugar para comer naquela área que mais parece um shopping com várias lojas de tudo quanto é tipo e para todos os bolsos. Falando em bolsos, costumo trocar os meus sobreviventes bahts (ou baaaaahts, no sotaque tailandês) ali. Depois de andar bastante carregando na mão o tal vale-rango (pobre sabe como é, nunca tem nada e quando tem adora mostrar) escolhendo as opções gastronômicas que se apresentavam aqui e ali, finalmente me decidi por um lugar para “aproveitar o presente”, algo que infelizmente nem sempre consigo fazer como deveria e gostaria (entenderam a mensagem embutida ?). ACHEI !! Aquele seria o lugar escolhido para a minha última refeição em solo tailandês. Lá estava ele me esperando, havia algumas mesas vazias por causa do horário avançado já na madrugada, atendentes risonhos, perfilados e meticulosamente uniformizados como se clamassem por mim, digo, pelo meu vale-rango. O pico escolhido ficava localizado num canto do aeroporto e tinha aquelas inconfundiveis e garrafais letras iniciais bastante conhecidas que se destacavam entre os outros letreiros dos restaurantes e lanchonetes vizinhos: “BK” (leia-se bee kay). Encontrei o lugar mas não, nada daqueles restaurantes cheios de estrelas Michelin, firulas, salamaleques e viadagens frequentados por gente fresca, mimada, cheia de frufrus e coalhados de foodies boiolas (humn, isso tá me cheirando a mais uma tautologia), aquela bichice generalizada num restaurante onde só o couvert de entrada equivale a renda per capita indiana. Que nada, bem longe disso. Era o bom e velho Burger King mesmo. Uma vez pobre... Enfim, depois que terminei o rango 0800 aproveitei para dar aquela última caminhada para fazer a digestão, trocar dindin e me dirigir para o portão de embarque só que antes de chegar nessa área do aeroporto tem que passar pelo raio-X de novo e enfrentar toda aquela encheção de saco que vem a reboque, mas para um país que recebe mais de 15 milhões de turistas por ano eles sabem como fazer a coisa e apesar da fila enorme rapidamente eu estava do outro lado. Agora era só achar o portão de embarque e me mandar. Depois de uma pequena caminhada cheguei no salão de embarque que estava abarrotado de gente com cara de poucos amigos, também aquela hora da madrugada já estava todo mundo cansado e de saco cheio. Vi que havia gente até das Ilhas Fiji (que saudades...) e pelo uniforme e estatura gigante da turma notei que se tratava de um time de rugby. Se eu tinha que encarar um vôo longo imaginem eles que vinham de muito mais longe ? Muitas vezes a gente acha a nossa situação ruim mas é só olhar em volta que nos deparamos com outra muito pior e isso vale para outros campos da vida também. Pausa para mais um momento de reflexão. Ehn... eu sei que soa repetitivo mas, de novo, será que alguém tem algum espelho aí ? Sigamos. Fiquei um tempo fazendo aquele airport people watching básico dos meus companheiros de vôo e para não morrer de tédio sentado naquela sala só “coçando os países baixos” enquanto não chegava a hora de embarcar (e eu que achava que entediantes e chatos mesmo eram os filmes de Woody Allen, a programação de tv aberta, os jogos da seleção brasileira de futebol ou os iêiêiês dos Beatles), procurei matar o tempo tentando descobrir de onde era aquele povo todo. Para não ficar muito diferente do resto dos passageiros liguei o bored mood face e após um tempo fui dar uma checada rápida no terminal de net grátis e depois de finalmente conseguir acessar os meus emails adivinhem só quem apareceu ? Que rufem os tambores ! “Hey DJ, agora é com você !” Tchan tchan tchan tchaaaaannnn “Ehn... não era bem isso, mas tá valendo”. Ah, esqueci. O DJ foi chamado às pressas porque era para ele só aparecer no próximo post, então ele mandou o estagiário. Já que é assim desta vez tá perdoado. Depois a gente tenta de novo. Então, adivinhem quem surgiu de repente quando eu estava checando os meus emails ? a) A divina da terra do sol da meia noite que eu conheci no caminho para o aeroporto me dizendo: “E aí seu bocó, eu estava fazendo um auto-convite sim !”, b) uma atendente da cia aérea falando que era o meu dia de sorte e que eu havia sido contemplado com um prêmio que incluia upgrade para voar na primeira classe, um fim de semana com direito a acompanhante com tudo pago em Londres podendo escolher as melhores suites com três opções de hoteis: CLARIDGE´S, THE DORCHESTER ou THE LANESBOROUGH; um carro Aston Martin, Bentley ou mesmo um Rolls Royce com motorista à minha disposição, fora o chá da tarde com a Rainha no Palácio de Buckingham, c) a Gisele Bundchen e a Ana Hickmann me abordando: “Oi, você também é brasileiro ? Fechamos a primeira classe mais a classe executiva com as modelos da Victoria Street desfilando a última coleção de lingerie numa festinha privê aérea, você quer se juntar à nós ? Champagne à vontade”, d) alguém me avisando que o Messi juntamente com mais metade do Barcelona estavam se transferindo para jogar no meu time nas próximas cinco temporadas. Ronaldinho Gaucho, Lucas e Cristiano Ronaldo vão também enquanto o Neymar fica de fora porque no meu time não tem espaço para pipoqueiro cai-cai, e) aquela gatinha pseudo-neohippie da terra da Rainha que eu vi no check-in me convidando para passar o final de semana no apê dela em Mayfair com umas amigas. Nah, que nada. Erraram feio, nenhuma das alternativas. Quem me dera... Quem apareceu mesmo na forma de atendente de cia aérea foi o Murphy, o da lei, chamando todos para o embarque. É sempre assim. Como nem tudo tá perdido foi mais ou menos nessa hora que me liguei que iria voar de novo no Boeing 747, o meu avião favorito. Esse é macho ! O 747 é aquele imponente avião quadrimotor gigante e belo que todo mundo conhece (até as loiras) como JUMBO, possui dois andares na parte da frente que dá a impressão que ele tem uma espécie de corcova, que o faz o avião mais reconhecido do mundo. Também, acho dificil passar despercebido um avião com a altura de um edificio de três andares, quatro turbinas pesando mais de seis toneladas que custam oito milhões de doletas cada e capazes de levantar mais de 400 toneladas de metal, fios, bagagens, passageiros e tripulação para cima das nuvens voando a 900km/h. Um passarinho me soprou que esse apelido surgiu em homenagem a um elefante turbinado (trocadilho proposital) e gigante que nasceu há um tempão no que hoje é o Mali (a terra de Timbuktu, por sinal. Quem disse que ela não existe ?) e de tão grande o batizaram de Jumbo. Assim, quando surgiu o 747 acabou que ele pegou emprestado o apelido do elefantinho anabolizado, mas eu não boto muita fé nessa lenda afinal passarinho não sopra, ele pia. Ou canta. Tá, tá, essa foi ridicula, eu sei mas não pude evitar. Pausa para tomar o remédio. E esse papo de passarinho hoje em dia anda esquisito, lembrou a “reencarnação” do Hugo Chaves, o tiranete cucaracha ex-presidente e atual defunto que não querem enterrar. Será que vão fazer o mesmo com o Fidel Castro, Cristina Kirchner, Evo Morales, José Sarney e o Lula também, afinal múmia é o que não falta na América Latina. Uma pena que muitas delas continuam ainda dando as cartas ajudando a afundar ainda mais este sofrido continente. Chamem a National Geographic ! Ou melhor, chamem o Ministro Barbosa ! Ou talvez a carrocinha, sei lá. Adiante. O avião é um projeto quarentão enxuto e para comemorar o enorme sucesso do rei dos ares foi lançada não há muito tempo uma nova versão que conseguiu deixá-lo ainda melhor e mais bonito. Quem disse que não tem como melhorar o que já é perfeito ? Hoje em dia só o estupendo Airbus A380 para fazer frente, mas como ainda não voei nesse último eu coloco todas as minhas fichas no magnífico seven four seven que assim como o A380 “is not a plane. It´s a planet”. E pensar que o pai da aviação é brasileiro, vai vendo... Pessoal, enquanto tá rolando todo aquele bundalelê pré-embarque numa espécie de marcha dos pinguins, digo, marcha dos passageiros formada por umas três centenas de pessoas impacientes quase se estapeando para entrar no avião, vou ter que deixá-los por aqui mas prometo voltar pra contar o que só eu vi. Aquele abraço e valeu mais uma vez pela paciência e companhia. Virunga (NR.: Do jeito que esse relato ficou longo e demorado já tô achando que essa RTW – em exibição no site mochileiros.com há uns quatro anos (putz !!!) - deve estar mais para “round the words” do que “round the world”. Independentemente de qual seja o significado da sigla nesse caso, uma coisa posso afirmar com toda a certeza do mundo: eu me divirto ).
  7. Oi Emilia,tudo bem ? Acabou que demorei para voltar, mas vou tentar compensar com mais um texto longo (que novidade, né ? rs) que vou colocar na sequência. Quanto a periferia europeia pode deixar que se pintar a oportunidade eu venho aqui e conto tudo, só que tem tanta coisa na frente que nem sei se vai rolar... Suerte.
  8. A chuva caia copiosamente e eu não tinha muito o que fazer e nem para onde ir, então o negócio era esperar a chuva passar e torcer para que até a hora da partida São Pedro das Monções já tenha se acalmado. Assim como nas Filipinas, mais uma vez lá estava eu na Asia “preso” debaixo de um toldo por causa de chuva forte num momento ludico “PQP, de novo não !!!".Também com direito a muita água, trovões, raios riscando o céu e trovoadas. Já que é assim, vamos chamar o DJ de novo e botar um som de acordo com a situação. - Hey ozzie DJ, spin that sh*t again : I looked round And I knew there was no turning back (Thunder) My mind raced And I thought what could I do (Thunder) And I knew There was no help, no help from you (Thunder) Sound of the guns Beatin' in my heart The thunder of guns (it) Tore me apart You've been - thunderstruck - Ta, mate ! Your country kinda suck but to compensate it produces great rock bands ! Depois de um período que pareceu uma eternidade a chuva passou e pude finalmente retornar para o meu hotel, mas o estrago já estava feito em forma de ruas alagadas e intransitáveis. Ainda tinha que arrumar minhas coisas, mas para quem viaja com pouca bagagem isso não foi nenhum problema. Eu tinha acertado um late check out pagando apenas uns três dólares a mais, se tanto, e como iria pegar um vôo corujão saindo na madrugada, pra que a pressa ? Como o mundo é grande mas as férias são curtas, já estava se aproximando a hora de tomar o caminho da roça e com direito a uma parada na terra da Rainha Elizabeth. Tinha a opção de ir via Portugal, mas com todo respeito a quem gosta, eu não viajo para Europa para visitar periferia, Portugal e/ou Espanha nem pensar, esse último só se for Barcelona e olhe lá. Posso mudar de idéia no futuro ? Claro. Já disse que adoro as trocas de direção bruscas que uma viagem volta ao mundo proporciona, os vários contrastes entre lugares tão diferentes e tão distantes entre si, mas daí mudar da água pro vinagre não vale. Depois de uma certa dificuldade para chegar, mas já de volta ao meu hotel tomei meu banho, peguei minha mochila, fiz o check out e apesar de ser relativamente cedo resolvi não arriscar e preferi me mandar para o aeroporto, sabe-se lá como estava o trânsito àquela altura do campeonato depois de um temporal e com a noite caindo. Essa era a idéia embrionária mas ficou só nisso mesmo. Para um caso perdido como eu, simplesmente NÃO CONSIGO sair com antecedência e para alguém que tem sérios problemas com horários, sair mais cedo para ter tempo suficiente para chegar num compromisso sem atropelos e com os bofes pra fora (não aprendo, não tem jeito. Mas a culpa é do elevador. Ou do trânsito, nunca é minha ! hehe) é completamente FORA DE COGITAÇÃO, então ainda fiz uma cerinha e aproveitei para tomar um delicioso shake no próprio hotel. Nada como empurrar mais um pouquinho a hora de ir embora de um lugar que a gente gosta. A chuva tinha passado mas o céu ainda estava encoberto, prenúncio de novas trombas d´água, e lá fui eu caminhando em direção ao ponto do airport bus, que não existe mais. Até a primeira esquina estava tudo relativamente tranqüilo, as pessoas estavam começando a sair de casa após o temporal, os comerciantes estavam estendendo seus produtos de novo, o pessoal das barraquinhas de comida estavam tirando os plásticos que cobriam os equipamentos das cozinhas improvisadas, vida que segue, mas alguns metros depois e já alcançando a segunda esquina o asfalto sumiu e o que antes era uma poça d´água aqui e outra acolá virou um trecho quase instransponível. Os carros passavam e criavam aquelas ondas que a gente vê em dia de chuva forte em Sampa e outras grandes capitais. Nem os valentes tuk tuks estavam encarando. A situação estava tão surreal e o cenário tão pitoresco que se aparecesse algum nativo flutuando num colchão junto ao seu cachorro de estimação vira-lata daria para rodar a versão pobre e tailandesa de “AS AVENTURAS DE PI”, tamanho era o aguaceiro. Dei meia volta e retornei para achar outro caminho, pensei em cortar pelo conjunto de templos que tem perto da minha acomodação, é um labirinto mas já estou conseguindo atravessá-lo sem me perder muito - e olha que não é muito grande mas gente sem GPS interno é assim mesmo - e sai na cara da Khao San Road, praticamente na frente da delegacia que fica a algumas dezenas de metros de barracas que vendem tudo quanto é tipo de documentos falsos. Adoro Bangkok. Porém dessa vez não foi possível pois aquela hora ele já estava fechado então não deu para cortar por ali, sendo assim não sobrou outra opção senão enfrentar o aguaceiro. Eu estava ainda de bermuda e havaianas (não custa lembrar, nada de bermuda de surf, camisa da seleção ou do time de coração, meia branca, tênis de corrida e pochete. Não é porque sou brasileiro que tenho que ficar andando de uniforme de brasileiros bregas no exterior. E nem no Brasil também. E muitos deles ainda falam da vestimenta de ferias dos turistas coreanos e chineses, vai vendo...) porque como o calor é grande e a umidade também, eu costumo trocar de roupa no aeroporto mesmo, então não tinha outra opção senão encarar água até os tornozelos e vou te contar, num lugar “limpo” como Krung Thep, andar com água até os tornozelos me fez pensar que tipo de sujeira não havia naquelas águas imundas, mas é mais uma daquelas situações que servem para cozinha de restaurante, cabeça de mulher e cabine de comando de avião : melhor nem pensar no que ocorre ali. Peguei minhas havaianas na mão, ajustei e apertei minha mochila para ficar bem presa junta ao corpo, me certifiquei que os documentos estavam bem seguros e protegidos em caso de uma queda para competir nas videocassetadas e fui andando sem muita pressa, não tinha muito o que fazer senão encarar. Ainda bem que o trecho não era muito extenso, mas também não era tão pequeno, dava uma boa caminhada com água pelas canelas. Vencida essa parte, continuei meu caminho agora passando por restaurantes com música bacana, mesas na rua e algumas lojas, me livrei das constantes ofertas dos taxistas chatos (desculpem a redundância) e fui andando tranquilamente, mas como a Khao San era caminho aproveitei para dar aquela última passada na famosa rua que estava começando a ficar movimentada de novo, me apaixonar mais umas trocentas vezes (é sempre assim, tem muita gringa gata zanzando por ali, benza Buda !), dar o meu “até breve” (Buda queira !) e comprar uma banana pancake, afinal ninguém é de ferro. Fui comendo meu manjar dos deuses asiático (ou seria manjar asiático dos deuses ?) até chegar no stand para comprar meu ticket do ônibus e conferir os horários. Ele estava atrasado e fiquei conversando com a tiazinha que vendia o ticket, que não estava sozinha porque tinha uma garota na mesma situação que eu. Olhando pelo canto de olho e de bate e pronto eu definiria “she is anything but ugly”. A simpática tiazinha ligava de tempos em tempos para saber onde o ônibus estava enquanto ficava eu e a garota com uma interrogação estampada na testa. Pois é, logo depois estávamos nós três conversando e tentando descobrir um jeito de resolver a situação que não tinha solução, sendo assim, solucionada está. Depois de um tempo de conversa telefônica, perguntamos para a tiazinha se ia demorar muito e ela respondia mais ou menos assim, já descontando o “Cebolinha´s accent” : “Noooooooooooo. Bus comiiiiiiiing. Not worryyyyyy”. Obviamente tudo terminando num sorriso tailandês, aquele que vem fácil. Me antecipei a garota que ameaçou falar algo e perguntei, não sem antes dar uma piscadela para ela, caprichando no inglês levemente britânico com um sotaque tailandês, só pra fazer charme : “Are you suuuuuuuure ? I reckon the bus is too lateeeeeeee !!!!!” Tentando segurar o riso, estiquei até não poder mais a última palavra da frase, igualzinho aos tailandeses que pronunciam as palavras mais ou menos assim : “misteeeeeeer”, “siiiiiiiiiiir”, “massaaaaaage”, “thank youuuuuuu”, “sawadee kaaaaaaaa”, ”kop pon kaaaaaaap”, “excuse meeeeeee”, "one hundred baaaaaht", "good morniiiiiiiiing". E por ai "vaiiiiiiii". Pra quê ? Gargalhada foi geral, o que foi bom para quebrar o clima que já queria ficar tenso. Aí a tiazinha respondeu sorrindo : “Nooooooooo. Bus comiiiiiiiiiiing. Too much rainiiiiiiiiiiing !” Já que é assim o negócio era esperar. A tiazinha ia voltar a ligar depois e nesse meio tempo sentamos eu a e garota numa beirada de um hotel bacaninha que fica bem na frente do stand e começamos a conversar para ajudar a passar o tempo. Eu ainda estava saboreando a deliciosa banana pancake e por educação ofereci para a menina, que por educação recusou. Ponto pra ela. Alguém ai empresta a escova de dentes ? Nem eu. Assim como eu também não divido banana pancake, açaí e brigadeiro, mas sendo cavalheiro que sou (não espalhem), se ela quisesse eu a convidaria para irmos juntos até a Khao San Road e compraria uma para ela. E mais outra pra mim. Faria isso, é claro, desde que ônibus não aparecesse antes, né ? hehe Após alguns minutos de conversa, se fosse passado um scanner bem básico na menina o resultado seria mais ou menos esse : Norueguesa, pele clarinha e lisinha num rosto com traços delicados e muito bonitos emoldurado por cabelos castanhos cacheados acompanhados de olhos azulados que mudavam de cor conforme a luz refletida no asfalto molhado ia variando. Vestia calça dobrada até os joelhos por causa da chuva torrencial que havia caído naquela tarde e que deixou Bangkok alagada, aquela mesma que tinha me deixado ilhado. Estava voltando para casa após um período de seis meses fazendo (ou terminando) um MBA em Kuala Lumpur, intercalado com curtas e rapidas viagens pelo Sudoca Asiatico. Trabalhava como auditora mas tudo bem, ninguém é perfeito mesmo. Inglês praticamente sem sotaque (boa educação também dá nisso, algo que pelo andar da carruagem o Brasil nunca terá), sorriso lindo, um jeitinho meio blasé mas ela tinha um certo narizinho empinado que incomodava e, aqui entre nós, a mina era fresca demais ! Além do que ela me passou a impressão de ser aquele tipo de garota que gosta de muito carinho : Carro carinho...restaurante carinho...sapato carinho...presente carinho...lugar carinho... Mas ela podia, escandinavas têm muito crédito comigo. - DJ, sobe o som : “Se fosse mulher feia tava tudo certo, mulher bonita mexe com meu coração” - Valeu, pode baixar agora. Falando em escandinavas, tenho que enfatizar de novo : meeeeeeeu d´ssssssssss, pelas barbas de Odin !!!!!!!! O que será que essas garotas têm que as deixam tão bonitas ? Seria a água, o ar, o frio, o martelo do Thor (sempre no bom sentido, é claro) ou a Lenda do Guerreiro Beowulf ? Seria o smorgasbord, pai do nosso rango estilo buffet do dia-a-dia ? Os Trolls certamente não foram. No caso da norueguesa, como se não bastasse a infinidade de atributos, para fechar o pacote ela ainda vem acompanhada por uma renda per capita atingindo a cifra de desavergonhados U$ 80 mil dólares/ano, vai vendo. Tô falando que mulher escandinava é pra casar. Será que “Fiorde” explica ? Tudo bem, eu sei que mulher bonita tem em qualquer lugar mas ahnm...humn...bem...tipo assim...minto, qualquer lugar não, não tem na Bolívia, no Peru e no Equador, mas na Escandinávia já ultrapassou a cota. Aquela deusa viking morava em Oslo já há alguns anos mas havia nascido em algum lugarejo entre Oslo e Bergen (ou seria o contrário ? Nossa, essa foi ridicula, deixa eu tomar meu remédio...E em dose dupla) cujo nome não me lembro mas ai seria demais, não sou nenhum especialista no assunto mas o alfabeto escandinavo me passa a impressão que padece de certos males de alguns idiomas que a gente vê por aí : greve de vogais. Galera, tá, tá, eu sei que estou na divida com a maioria, mas vou ter que ficar por aqui. A gente volta com a norueguesa gatinha de nariz empinado no próximo post, beleza ? Não quero prometer, mas acho que faltam um, no máximo dois posts e a gente fecha isso aqui. Valeu pela companhia. Aquele abraço, Keep traveling
  9. Os momentos finais de viagem se passaram preguiçosamente e quando dei por mim já tinha chegado a hora de ir embora. No último dia na Asia saí para dar mais uma explorada a esmo e já em clima de despedida fui almoçar na Khao San, algo que não faço com muita freqüência porque acho os preços um tanto salgados, mas ainda longe de custarem os olhos da cara, se bem que na Tailândia o preço da comida não é salgado, salgado mesmo é o preço da breja porque em certos lugares ela custa o mesmo ou mais caro que um prato de comida. A saída seria comprar na onipresente e salvadora 7Eleven, mas isso geralmente só rola quando as refeições são feitas em certas barraquinhas de rua que não vendem bebidas (se tanto, só suco e água) e fazem aquele esquema BYO (é serio, já fiz isso perto de onde costumo me hospedar), o que não foi o caso dessa vez porque como já estava indo embora então queria comer num restaurante propriamente dito. Escolhi um bar/restaurante mais animado e fui almoçar, enquanto esperava a comida chegar me aproveitei de um mapa que estava meio jogado numa mesa vizinha e “dei uma de Migué” (mais ainda, como se isso fosse possível) para puxar papo com duas bastante saudáveis britânicas, uma loira e uma morena que tinha, fisicamente falando, um pezinho no Brasil, digamos assim. Inglesa sexy, vai vendo (pois é, elas existem. E ainda estavam sóbrias) : pele clara, olhos escuros, cabelos pretos e lisos que chegavam um pouco abaixo da altura dos ombros, topzinho, barriguinha sarada de fora, piercing no umbigo, minissaia jeans deixando as pernas torneadas e bronzeadas bem visiveis, a mina era suculenta que só (com todo respeito. E que peito ! No bom sentido, é claro). Incrivel o bem que uma temporada sob o sol tropical e lindas praias não faz para essas gringas, benzabuda ! Para complementar o recheio a gringa ainda tinha um forte sotaque britânico graciosamente maravilhoso enquanto que o da loira, nas poucas vezes que ela entrou na conversa, deu para notar que era mais convencional, mas ainda muito bonito. Como elas já estavam saindo então nosso papo foi rápido. Ali naquele lugar estratégico é muito bom para aquele people/fauna watching básico. É cada coisa que a gente vê na Khao San que vou contar, às vezes cansa um pouquinho mas no geral eu acho um barato. Lembro que tinham dois carecas com pinta de skinreds chapados que estavam indo para o aeroporto e tocavam um terror, rostos vermelhos provando o grau etilico e ficaram gritando para um cara chamando-o de Piqué pra lá, Piqué pra cá. E o motorista de taxi esperando um deles fechar a porta do taxi para irem embora mas cadê que o cara liberava ? Eu não estava entendendo nada – nenhuma novidade até aí - e bem depois fiquei sabendo que o tal do Piqué era um jogador namorado da Shakira, algo assim. Só sei que foi uma zorra total e o coitado do clone não sabia onde enfiar a cara. Como eu não conhecia não sei falar se era parecido ou não, mas que foi uma zoeira foi. Acho que já comentei num outro post, qualquer coisa que acontece na Khao San é motivo de muvuca. A rua é a própria muvuca. Depois do almoço, muito meia boca por sinal mas pelo menos a Chang (famosa marca de breja thai) estava até gelada e para falar a real tem tanta coisa boa para mastigar nas ruas de Bangkok que almoço é só um detalhe, são tantas alternativas que fica até dificil escolher a melhor formando uma pletora de opções variando de insetos (?!?!) até frutas tropicais passando por pad thai (nunca comi pois não bico noodles), shakes, banana pancake (pausa para lamber os beiços), sticky rice with mango, muito bom e com leite de coco então fica uma coisa (só pode ser sacanagem essa mistura, né ? Muito boa mesmo), biscoitos doces (aqueles que vêm em saquinhos lindamente embalados), sucos de laranja (aqueles mais gostosos do mundo) e a lista vai longe. Pelo amor de Buda, fale-me em cozinha simples, às vezes elaborada, criativa, boa, saborosa e barata. Tudo bem que a pessoa come agora e daqui a pouco já está com fome mas acho que comida asiática tem dessas. Não sei se é a falta de carne vermelha, sei lá. Ô saudades de uma carne boa e mal passada, delicia. Meus mais sinceros pêsames aos vegetarianos. E aos ruminantes também. O mais interessante é que a gente cruza com aquelas barraquinhas bem nas coxas e que algumas vezes não inspiram muita confiança e são bastante simples mas que na verdade nesses lugares encontram-se pratos dos mais variados e saborosos, verdadeiras maravilhas gastrômicas capazes de fazer frente e botar no chinelo um monte desses restaurantes frufrus estrelados do Guia Michelin coalhados de chefs afetados e cheios de fricotes que dão piti enquanto cozinham elaborados pratos de “comida para passarinho”. Saindo dali e deixando a bagunça da Khao San Road para trás eu dei uma escapulida para mandar alguns cartões postais, só que na volta do correio eu fiz um caminho bem mais longo e fui pego de surpresa por mais um daqueles temporais bíblicos característicos do Sudoca Asiático. Eu adoro tomar banho de chuva (ótimo para lavar a alma, por sinal. E pra pegar resfriado ) e não tenho muito saco de ficar esperando chuva passar, cheguei a cogitar encarar o dilúvio mas fiquei com medo de morrer afogado. É sério ! Tá, tá, eu sei, parece que estou exagerando mas quem já viu de perto o poder das monções asiáticas entende do que estou falando, as vezes viram um verdadeiro “Buda nos acuda”. A correnteza que se formava rapidamente estava parecendo o caudaloso e violento Zambezi River (quem acha que rio não tem onda grande deveria fazer um rafting nele) e se eu por ventura tomasse um tombo ela poderia me arrastar até o Tibet (alguém ai falou em exagero ?), então como eu iria voar naquela noite achei melhor esperar a chuva passar debaixo de um toldo que não inspirava muita confiança enquanto via o mundo desabar e o trânsito, que já era ruim, ficar ainda pior. De trânsito ruim eu entendo bem, afinal sou made and born in Sampa, e assim como a minha querida e mal tratada cidade, em Bangkok os caminhos não levam a Roma, mas sim a engarrafamentos homéricos. Era meio da tarde ainda então eu tinha bastante tempo para não só esperar a chuva diminuir como para me preparar psicologicamente para a segunda coisa mais difícil, deprimente e inevitável numa volta ao mundo (a primeira continua sendo a fatura do cartão de crédito) : os vôos longos. E eu tinha um vôo beeeeeem longo me aguardando naquela noite e não estava nada contente com isso, sou um daqueles que acham qualquer vôo com mais de uma hora de duração um verdadeiro martírio, o que não deixa de ser estranho (estranho, eu ? Que nada, imagina... Falando nisso, deixa eu tomar meu remédio) para quem que já voou praticamente a distância entre a Terra e a Lua. Ida e volta. Com exceção daqueles intermináveis, inúteis e irritantes anúncios que sempre ocorrem nos nossos aeroportos e dentro das aeronaves de cias aéreas brasucas com aquele “inglês de brasileiro”, assim como aquela relacionada às guerras (tá bom, minto, aquele tal F35 e seus descendentes são do outro mundo, vale o registro), eu adoro aviação no geral, entretanto tenho que confessar que voar às vezes não faz tanto minha cabeça. Sei que é o segundo meio de transporte mais seguro que existe mas concordo com Welles, o Orson, quando disse “there are only two emotions in a plane: boredom and terror”. Tá, tá, eu sei, exagerou um pouquinho porque quando é aquele primeiro vôo de férias para algum lugar legal (pode ser uma volta ao mundo ) e se tem sistema de entretenimento bom, céu de brigadeiro, aeromoça bonita, bebida à vontade e não tem criança pequena [email protected] por perto cujos pais frouxos e coniventes deveriam viajar na asa, só que pelo lado de fora, voar é até legal. E digo mais (ihhhh, lá vem... lembrando que o médico disse para não contrariar), não boto fé naquela estatística que diz que “um terço dos passageiros tem medo de voar”. Aham, tá, sei... um terço tem medo e o restante mentiu na pesquisa. Du-vi-de-o-dó que quando o avião enfrenta uma turbulência daquelas não tenha um passageiro que não pense coisa. Esse papo me lembrou um caso há duas voltas ao mundo atrás (senta que lá vem mais conversa fiada. É hoje que a gente não sai daqui), foi num vôo longo ligando o continente mais fascinante do mundo – a África – com o distante continente asiático e lembro-me (pra falar a verdade, nem gosto de lembrar) que o judiado e velhinho triple seven (abreviação para “aviãozasso”) foi sacolejando à partir de Madagascar (pelo menos deu tempo pra almoçar e tomar sorvete de sobremesa antes de começar o sacolejo) até o pouso sendo constantemente fustigado pela frente, por trás, por cima, por baixo, de ladinho, de tudo quanto é jeito, um sobe e desce sem parar, mandando ver sem dó nem piedade cada vez mais forte e rápido num ritmo pra lá de alucinante, dava gosto, jogando pra lá, mexendo pra cá, jogando pra cá, mexendo pra lá e quase fazendo perder o rumo de casa, sem tempo para pensar em mais nada, uma coisa de louco onde nada mais importava, judiando mesmo com direito a uma pegada nervosa daquelas sem a mínima cerimônia culminando numa verdadeira loucura como se não houvesse o amanhã... Atenção, interrompemos esse parágrafo para uma informação importante. Pessoal, olha lá o que vocês vão pensar, hein !!! Meu d´s, quanta lascividade, que isso ? Olha o nível !!!! Do que vocês acham que estou me referindo, isso aqui é um relato de viagem !! Vocês estão pensando o quê ? Estão com a cabeça onde ? Tá, tá, eu sei. Nem precisam falar. Essa coisa frenética que aconteceu estou me referindo à uma forte turbulência (ou “zona de instabilidade”, como dizem as simpáticas comissárias da TAM ou da GOL, nem me lembro mais) que estava “pegando” o coitado do avião de jeito, só isso. Afinal tudo aqui é sempre no bom sentido, viu ? Estamos entendidos ? Beleza então, de volta ao inesquecível frenesi... do vôo. Eu disse “do vôo” !!!!! De volta à nossa programação normal, sigam com mais um parágrafo inédito do relato. Então, naquele vôo (viram, me refiro ao vôo. Eu hein, que mente poluída ! Ticontá...) o comandante proibiu servir bebidas quentes e o sinal de apertar os cintos ficou ligado o tempo todo, só sei que o avião trepidava bastante durante a viagem inteira e foi um vôo por assim dizer, “inesquecível”, principalmente quando eu vi a cara da tripulação encolhida nos seus assentos com os olhos esbugalhados a la Chael Sonnen antes de tomar uma joelhada do Anderson Silva para encerrar com chave de ouro a revanche. E tripulação com medo nunca é um bom sinal, eles são os melhores termômetros num avião para saber como as coisas andam. Ou voam. Apenas “um terço tem medo”, sei. E como sempre acontece nesses momentos o marcador não andava, congelou em preguiçosas “6:58hrs para o destino final” (acho que era isso) e depois de um período que pareceu no mínimo umas três horas com o avião pulando mais que peito de jogadora de basquete, quando eu olhava de novo o reloginho tinha andado apenas imperceptíveis dois minutos: time to destination 6:56hrs. É sempre assim, o tempo não anda em situações como essa. Falem-me em vôo longo ! Ai meu santo Dramin, que naquela época eu ainda era bastante reticente para encarar. Ainda sou, mas entre ficar passando medo (ou tédio) e pelo menos disfarçar um sono, ultimamente tenho escolhido o último. Enfim, só sei que quando finalmente pousamos, suavemente diga-se de passagem (tô falando que piloto é tudo ET), e coloquei os pés em terra firme eu quase dei uma de papa e beijei o chão, mas poucas horas depois lá estava eu em mais um chacoalhado e inesquecível vôo (ainda bem que este foi curto) onde o comissário (equilibrista ?) quase caiu e derramou a bandeja de bebidas e até hoje não entendi o que ele fez porque chegou a se apoiar com uma mão no chão e com a outra equilibrou a bandeja, mas aquela hora eu já estava tão escolado com turbulência extrema que nem fiquei mais com medo. Enquanto isso debaixo de um toldo em Bangkok esperando a chuva torrencial passar.
  10. Faaaaaaaaala moçada, tudo bem ? Já que o mundo não acabou então pode deixar que pelo menos esse relato vai, mas não hoje. hehe E aí, prontos para embarcar em mais um trecho nesse finzinho de trip ? Onde nós paramos mesmo ? Ah tá, Bangkok. Tá difícil sair de lá, né ? Também, é uma das minhas cidades favoritas, vai ver é por isso. Já vou logo avisando que o longo texto (assim compenso a demora entre um e outro) vai ser daquele jeito bem mistureba mesmo, como posso dizer, yakissoba style misturando e compartilhando alguns “causos”, acontecimentos, opiniões, curiosidades, viagens, viajadas, abordagens e sei lá mais o quê (isso a gente vê na hora), mas a maioria que acompanha o relato já sabe, pelo menos a galera mais dinâmica e antenada. Bora então !! - Hey mr DJ, put the record on ! Anywhere I roam Where I lay my head is home And the earth becomes my throne I adapt to the unknown Under wandering stars I've grown By myself but not alone I ask no one And my ties are severed clean The less I have, the more I gain Off the beaten path I reign Rover, wanderer Nomad, vagabond Call me what you will - Thanx, brotha ! Tá, tá, eu sei, já tem tanta coisa sobre Bangkok na net - concordo com tudo o que foi dito e olha que não é uma coisa muito normal eu concordar com tudo - e tenho ainda muita coisa para contar sobre ela, mas acho que vou deixar para aprofundar numa outra oportunidade senão a gente não sai daqui nunca, além do mais ela já foi tão esmiuçada que tudo o que eu colocar vai soar como clichê ou redundância (o pior que são mesmo), então vou fazer de conta que consigo para tentar dar uma geral “bem de leve” em alguns pontos e comentar algumas passagens que me ocorreram durante a minha estadia lá nesse final de epopeia pelo mundo. Além do mais escrever sobre Bangkok é tão complicado - ou seria simples, afinal coisa é o que não falta - como escrever sobre Nova Iorque. O que dizer sobre uma das metrópoles mais pulsantes, curiosas e caóticas do mundo ? Poderia escrever por horas e horas a fio e mesmo assim não faria jus à cidade, então pegue tudo o que você já viu ou ouviu sobre esses lugares e multiplique por um milhão, com muita sorte você vai chegar a uma fração do que elas realmente representam ao vivo e em cores. Mas para não ficar em cima do muro e mesmo já tendo escrito bastante sobre a capital do antigo reino de Sião, terra dos primeiros irmãos siameses e pátria mãe dos bonitos gatos siameses, deixa pelo menos eu passar mais uma mão de tinta (oba, lá vamos nós !) sobre como foi minha enésima visita naquela cidade com todo o seu exotismo, templos dourados, monges, sorrisos a rodo, avenidas suspensas, trânsito, barulho, tuk tuks, paixão ao rei trilhardário que pelo jeito que é “idolatrado salve salve” pelo seu povo poderia ter impressa na cédula tailandesa a frase Buda save the King para acompanhar a figura dele e, vá lá, uma certa dose de baitolagem, mas que fica concentrada principalmente em Phuket e se junta com zilhões de pessoas que atravessam o mundo para pegar praia num lugar tão meia boca com aquele monte de cadeiras de praia perfiladas, barulho, jet-skis, aquelas coisas. Tem que ser alguém muito Guarujá mesmo para curtir aquilo ali (se fosse no Caribe eu até entenderia), mas se a pessoa não for conferir alive como vai descobrir ? Tem gosto pra tudo. Não tem gente que não bica a queridinha Austrália ? Então. Phuket além da prostituição também tem uma baitolagem mais explicita mas aquelas, se o povo tailandês com toda a sua devoção religiosa fosse cristão não acreditaria em Adão e Eva, mas sim em “Adão e Ivo”. Ainda em Bangkok revisitei alguns lugares que já conhecia de idas anteriores, descobri outros, me perdi nas ruelas e avenidas da pulsante cidade que de um movimentado entreposto de comércio tornou-se numa megalópole que nunca dorme. Pena que não deu tempo para explorar uma outra face, aquela dos bares nas alturas e arranha-céus modernosos contrastando com lugares como Chinatown e mercados flutuantes, afinal o que não falta em Bangkok é contraste entre o sossegado e o supersônico (quer contraste maior do que um monge budista e um ladyboy ?), mas estes já estão na minha lista e me dão mais um bom motivo para voltar (como se precisasse de motivo para revisitar a Tailândia), assim como também está na minha lista dar uma averiguada com mais calma nas roupas feitas sob medida, mas depois de Nova Iorque acho que fica difícil encontrar um lugar para comprar roupa boa tão barata. Talvez na Itália, não sei como são os preços de ternos e camisas no país da bota e se dá para fazer boas compras durante o ano todo ou só em determinadas épocas de promoção, liquidação, mudança de estação, queima de estoque ou outras palavras que soam como música para pobres mortais assalariados. Por outro lado, em Bangkok seriam roupas sob medida com preços atrativos e na boa, tailormade é tailormade, né ? E vice-versa. Tudo bem que gastar o parco e precioso tempo bem como o dindim contado das tão esperadas férias em alfaiataria é de lascar mas a gente nunca sabe, de repente naqueles últimos dias de viagem esperando o vôo de volta para casa, por que não ? Além do mais é sempre bom dar um tapa no guarda-roupa para ir trabalhar, fazer bonito com as moçoilas e valorizar a profissão afinal não sou funcionário público, eu trabalho. Ouvi dizer que o segredo está no tecido e acho que se procurar bem no meio da picaretagem dá para achar alguém que manje do babado, não é à toa que muitos dos alfaiates fazem roadshows pela Europa e States, então deve ser serviço de primeira linha. Não sendo roupas no nível das encontradas em Hoi An no Vietnam já estaria bom demais. Não sei se melhorou, mas comparado com o que eu já vi ali até rebarba de roupas doadas para o Exército da Salvação e Cruz Vermelha tinha produtos de melhor qualidade. O duro vai ser lidar com certos indianos, mas folgado por folgado sou mais eu. E se sobrevivi (tudo bem que quase morri de inanição mas isso é outra história) lidando com eles na Índia é lógico que sobrevivo numa alfaiataria em Bangkok. Pois é, são tantos aspectos da multifacetada cidade que fica difícil escolher esse ou aquele. E tudo vem em diferentes formas e tamanhos, um verdadeiro caleidoscópio gigante de coisas para ver e fazer provando que tédio não tem vez na Cidade dos Anjos. Ali também existe o chamado Turismo Médico, Bangkok tem alguns dos melhores hospitais da Ásia com médicos formados no exterior e muita gente vai se tratar lá para aproveitar os preços mais generosos, desde tratamentos mais complexos até uma simples cirurgia de vista. Uma vez conheci um casal de neozelandeses em Samoa em que a garota, que não perdia a oportunidade de cornetar o Brasil por ser o maior produtor de drogas do mundo (coitada, seguraí que volto nela mais tarde), estava juntando dindim para em breve se mandar para Tailândia e fazer uma simples cirurgia de miopia porque ela não tinha condições de bancar uma cirurgia dessas na NZelândia. Engraçado, falando assim parece que a NZelândia é pobrezinha e todo mundo ganha mal, uma dificuldade só. Com as devidas exceções, gringos e expatriados sabem como são, impossível serem mais mimados e chorarem mais de barriga cheia. Dá a chupeta. Ô dó ! E a tal kiwi não sei se por abstinência, ou porque nunca tinha visto um sulamericano na vida (havia também umas chilenas por lá na mesma época que eu) ou porque era xarope mesmo ficava insistindo no tal “maior produtor de drogas do mundo” sempre que tinha oportunidade e também quando não tinha, soltando suas alfinetadas a torto e a direito. Não manjo muito do assunto e nem curto esses lances de drogas e suas afiliadas, afinal não sou petista, porém acho que ao contrário dos nossos complicados vizinhos, creio que não chegamos a esse titulo ainda, mas acredito peremptoriamente que se depender desse governo sócio das FARC, do PCC e do estilo “corra que a policia vem ai” somados a sua incompetência generalizada em qualquer assunto menos corrupção, mentiras e propaganda enganosa em massa, logo logo o nosso país estará disputando a ponta (cuidado com o trocadilho). Mesmo sabendo que existem alguns que conseguem ser mais tapados do que elas, até as múmias conseguem perceber que estou longe de ser patriota, ter espirito nacionalista ou algo do gênero, inclusive sou o primeiro a meter o pau (oops) no meu país, mas cansado dos comentários da menina insistindo num mantra cada vez mais indigesto e que já estava enchendo o saco, me lembrei de uma coisa que tinha aprendido num city tour em Amsterdam no ano anterior e me senti tentado a retribuir e provocar de volta aquela kiwi, afinal eu costumo resistir a tudo menos às tentações, e quem sabe assim ela mudaria o disco e parasse de ficar dando indiretas. Se ela pelo menos aprofundasse o assunto, mas nem isso. Longe de mim ficar melindrado porque a menina ficava falando coisas e piorando a reputação da terra da jabuticaba, cada um com suas opiniões. Se tiver que defender eu defendo, se tiver que chutar a canela eu chuto. E confesso que até gosto de discutir e conversar sobre o polêmico assunto drogas, mesmo (ou principalmente) com pessoas discordantes da minha opinião e dependendo da pessoa o papo pode ficar até mais interessante e enriquecedor. Como a maioria das pessoas eu também tenho lá as minhas ideias e convicções a respeito de como lidar com o problema, pelo menos com os traficantes sejam eles pequenos, médios ou grandes (pena que não poderiam ser implementadas, aqueles chatos dos Direitos Humanos ou alguma ONG babaca – perdão pela tautologia, apesar das exceções - não aceitariam), mas acho que a menina estava passando dos limites e destoando um pouco do contexto. Ela não embasava nada, vai ver porque era loira, mas também não parava de alfinetar, pura pirraça. E de pirraça eu entendo bem, coisa de familia : duas irmãs e um irmão. Coitados dos nossos pais. Inspirado na espinhosamente verdadeira máxima de Voltaire onde “o segredo de aborrecer é dizer tudo”, aproveitei o belo cenário e a brisa refrescante que soprava do mar azul degradê e o reconfortante barulho das ondas que se desmanchavam tranquilamente na areia da praia naquele distante lugar encantado e que pouca gente já ouviu falar, perdido e esquecido no meio da imensidão azul do Oceano Pacifico e com um povo pra lá de acolhedor (claro, ilha do Pacifico, né ?), para dizer algo com palavras que saíram da minha boca, em alto e bom tom, suaves e carinhosas como um tiro de canhão. Já com a tecla SAP acionada a fala ficou mais ou menos assim : “Você está dizendo isso porque proporcionalmente ao tamanho da população o seu belo e perfeito país é o maior consumidor de maconha do mundo, né ?” Após um silêncio ensurdecedor, como diria o poeta, sobrou bastante tempo para pensar sobre a pergunta que não quer calar : Fui sutil ou nem tanto ? Longe de mim ser sarcástico, nem sei o que é isso, mas lembro bem que tive uma singela e leve impressão que a garota teve o seu momento, como direi, “Estatua da Liberdade” : isolada, sozinha, parada e com a tocha na mão. A garota quase perdeu o rumo de casa na desesperada tentativa de dar uma de avestruz e enterrar a cabeça na areia – muito macia por sinal, afinal continuávamos isolados numa ilha paradisiaca do Pacifico – tentou balbuciar alguma coisa só que não saiu nada, deu aquele mega-hiper-super-sorriso Colgate da Monalisa de Da Vinci, o Leonardo, mas no fim deixou transparecer que ficou mesmo bastante sem graça, principalmente quando todo mundo se virou para ela esperando sua reação. Nada, ficou só no sorriso morocoxô da Monalisa mesmo. Mas eu senti um olhar evilish em minha direção soltando faíscas. De repente foi apenas outra impressão minha. Só sei que depois disso a garota não tocou mais no assunto e todo mundo pode curtir a ilha paradisíaca em paz. Pois é, gentileza gera gentileza. Sorte que era kiwi e eu adoro o povo e o país pois se fosse canadense, homo tipicus gringus mimadus, eu não teria sido tão “sutil” e poderia dizer algo que faria ela voltar para a bonita terra da Policia Montada a nado. Não podemos terminar essa historinha sem um som, né ? - DJ, é com você ! Feels so good being bad. There´s no way I´m turning back... Boa !- De volta a Bangkok, a cidade também é recordista em cirurgias de troca de sexo. Para os gaúchos, são paulinos, indecisos e enrustidos interessados de plantão, o custo de uma cirurgia dessas começa na casa dos U$ 9.000,00. (*) Tem que ser muito macho. Depois tentem uma vaga no BBB, quem sabe consigam um retorno rápido. Ou façam o contrário, tentem uma vaga no BBB primeiro, não acompanho mais sei que sempre tá cheio de ah, deixa pra lá. Por outro lado, acho que aqueles do sexo masculino que estão pensando em fazer aquela cirurgia para retirada do apêndice podem ficar com uma certa paranoia ou uma pulga (talvez um elefante, afinal estamos na Ásia) atrás da orelha, vai que entrem na faca com médicos que tenham comprado seus diplomas na Khao San Road e que na hora se confundam e acabem extraindo o órgão errado ? Acho que não teria conserto. Desta vez também não fiz muita questão de ir para lugares mais afastados, nada de grandes deslocamentos, pegar trânsito, visitar novamente os mercados flutuantes nem ver tigres mais chapados que o Lance Armstrong ou coisas do gênero. Falando nisso, que papelão esse “lance do Lance”, hein ? Será que ele usava drogas para aumentar a sua performance nas pistas ou era apenas para aturar a Sheryl Crow ? E olha que espremendo um pouquinho (tá bom, muito) acho que ela ainda dá um caldo num finzinho de festa. Mas poderia ser pior, vai que ele tivesse que aturar, sei lá, a versão americana de uma Maria Gadu da vida ? Putz, aí não seria nem caso de doping, mas de suicidio mesmo (compreensivel) e o cara não estaria mais aqui para contar a história. Sigamos. Continuando meu passeio já de fim de férias, eu também queria fazer tudo a pé, nem pegar metrô ou tuk tuk eu tava a fim, iria me concentrar nas proximidades de onde estava hospedado então peguei leve e fiquei no básico : O impressionante Grand Palace, um “lindo de morrer” complexo cheio de predicados construído em 1782 e que foi residência da família real até 1946, merecidamente uma das atrações mais visitadas e famosas de Bangkok e que hoje é parcialmente utilizado em ocasiões especiais. Um lugar que não me canso de visitar visto que tem muita coisa bonita e diferente para ver como pagodas, budas, apsaras, guardiões, detalhes diversos, altares, templos dourados, templos brilhantes (nem me perguntem, não sei se o Joãozinho Trinta já andou por ali), turistas, locais, devoção, prédios, jardins, palácios (ufa, a lista é grande !), além de uma belíssima maquete de Angkor Wat. Pelo menos foi o que me pareceu. Gosto muito de uma construção em especial dentre as muitas espalhadas por ali : Chakri Maha Prasat, com sua arquitetura bem europeia (como é ?) construída num estilo vitoriano mas que possui um típico telhado tailandês com seus espirais dourados. O que acontece é que o rei da época “importou” um arquiteto europeu (ah bom, agora entendi) e depois da insistência de um dos seus ministros aceitou que colocassem um telhado típico da região, dando um toque asiático ao prédio. Só sei que o resultado do mix de estilos tão díspares, a fachada européia com o telhado asiático, ficou muito bonito e essa beleza toda como se não bastasse ainda vem acompanhada por um lindo jardim muito bem cuidado e que indubitavelmente é uma das áreas mais limpas e bem cuidadas da cidade. Também fui no Wat Phra Kaew dar um “alô você” para o Buda de Esmeralda (shhhhh, não espalhem mas ele é feito de jade), considerada a imagem de Buda mais sagrada da Tailândia e mostrando que tamanho não é documento afinal a imagem mais venerada do Buda tem pouco mais de 60 cms e ainda é bastante viajada por sinal, dizem que foi esculpida na Índia, passou pelo Sri Lanka, Camboja, Laos, por onde ficou por mais de dois séculos, e foi levada para Tailândia em 1778. De tão importante ela só pode ser tocada pelo rei e três vezes por ano as suas roupas (do Buda, não do rei) são trocadas quando muda as estações : verão, estação chuvosa e inverno. E já que o assunto é tamanho também aproveitei para revisitar o templo vizinho Wat Pho, o mais antigo e maior templo de Bangkok, casa do não menos impressionante Buda Reclinado, deitado de lado segurando a cabeça numa posição bem tranqüila e relaxada que significa o momento de passagem para o nirvana, um gigante de 46 metros de comprimento por 15 metros de altura folheado a ouro cujos pés têm um interessante trabalho feito de madrepérola, material também utilizado na fabricação dos olhos do gigante. O trabalho nos pés representa os “108 auspiciosos sinais de Buda”, seja lá o que isso significa, e nos corredores têm coincidentes 108 potes de bronze estrategicamente perfilados que servem para receber doações e quem depositar uma moedinha por pote terá sorte. Andando pelo corredor dá para ouvir o barulho das moedinhas caindo nesses potes quando jogadas pelos visitantes. Não se contentando em ser uma das mais antigas, belas e maiores imagens, no mesmo complexo encontram-se mais de mil imagens do Buda. O bom é que fica tudo perto, ali ao lado também fica a primeira escola de medicina tradicional e de massagem tailandesa que dizem ser boa e barata, porém não pude conferir in locco porque massagem me faz passar mal de tanto rir e para me matar de rir já basta o meu salário, né ? O Obama e a Hillary Clinton estiveram lá dia desses mas também não fizeram massagens. Será que o presidente reeleito e a futura ex-Secretária de Estado dos EUA também sentem cócegas nesse caso ? Não muito longe só que do outro lado do rio para onde o templo foi transferido fica o Wat Arun, o “Templo do Amanhecer” e não, nada a ver com o filme do vampiro purpurina mezzo gaúcho, mezzo são paulino (falando nisso, que bicho – perdoem meu trocadilho - deu naquilo ali ? A garota se decidiu se queria ser chupada pelo vampiro ou preferiu ser comida pelo lobisomem ? Os dois talvez ? Naughty girl... arzinho de boazinha mas cheia de aspectos fesceninos. Essas são as mais perigosas. Sempre no bom sentido, é claro) cuja silhueta proporciona lindas fotos principalmente no começo da manhã (“Templo do Amanhecer”, não se esqueçam) ou mesmo no finzinho de tarde com o céu alaranjado fazendo pano de fundo. Para chegar basta pegar um ferry que atravessa o Chao Phraya River que serpenteia a cidade e uma vez lá tem que ter paciência para subir e descer as íngremes escadarias da torre toda coberta por porcelana colorida chinesa - originalmente usada como lastro para os barcos que vinham da China - formando um interessante mosaico que deve ser observado de perto para perceber os detalhes e cuja estrutura chega a lembrar Angkor Wat pois possui uma arquitetura com influência Khmer, pois nelas formam-se lentas filas. Relaxe que vai chegar a sua vez e quando chegar tenha cuidado, take your time e suba e desça devagar para não dar vexame e descer capotando lá de cima. Além dessa torre mais alta ainda existem outras quatro, uma em cada canto, só que de menor tamanho. Ali pertinho bem na beira do rio logo no píer e próximo a um duto (esgoto ?) você vai ver um monte de peixes, acho que são os resistentes catfishes, que ficam se digladiando por um pedaço de pão (ou lixo). Se eu já pensava duas vezes antes de comer peixe em Bangkok depois que presenciei aquela cena agora eu penso três. No mínimo. Uma das coisas que mais gosto quando viajo além de visitar as atrações turísticas (sim, como podem notar eu (re)visito as atrações turísticas. Que coisa, não ?) é também me perder nos lugares, andar sem destino tendo o vento como mapa e o sol como relógio e e me deixar levar pelo laissez fare, meu negócio também é bater perna porque bater cabeça numa volta ao mundo eu deixo para a turma do neurônio manco e solitário com tendências financeiras suicidas capazes de torrar fortunas deliberadamente, como aqueles que encontram passagens de quase, pasmem !, retardados U$ 10 mil dólares (ooieee !!!! Alô Alô ! Terra chamando !) e acham um preço de outro mundo, muito mais barato, bom mesmo. E eu achando U$ 7.000,00 um absurdo de caro, preço com esteróide. Pode ser bom num outro mundo mas aqui no Planeta Terra é simplesmente ridículo, bom só se for para quem tem neurônio com problemas de transmissão. E não, esse preço não era na primeira classe, aí até seria justificável. Puxa-vida, será que esse povo continua lendo revistas de viagens ou folders de agências de turismo que adoram preços anabolizados ? Vai ver também devem ler Paul Theroux, aquele que adora escrever besteiras sobre as ilhas do Pacifico mas depois se instalou em uma com muita infraestrutura, obviamente. Claro, tudo em nome da “interação com a cultura local, conhecer pessoas, encontrar lugares inusitados e viver como os nativos vivem”. Aham, tá, sei. Vocês manjam o mantra, né ? O que tem de viajante gringo ou brasileiro (gringo eu até entendo, brasuca nem tanto) metido a socialista-extremista-militante-socialite por aí, haja saco para agüentar esses líricos do hardcore travel que viajam de maneira bem tosca só para depois ficarem reclamando de tudo. Engraçado que alguns deles vão para as ilhas do pacifico ou algum lugar mais simples e reclamam que não tem Starbucks, chuveiros quentes, as prateleiras dos supermercados não têm nada, as acomodações são muito simples e a infraestrutura é capenga. Outros se mandam para a Africa, Asia ou America Latina e ficam chocados com as condições precárias das estradas e que o transporte sempre atrasa, notadamente na Africa. O que será que eles esperavam encontrar, autobahns alemãs ou shinkansens japoneses ? Voltando aos preços das passagens, me pergunto o que seria um mau negócio para um neurônio distraído e filho único desses, isso numa época em que para cobrir uma distância brutal como Sydney a Nova Delhi os preços podem orbitar a casa de sucintos 400 dólares (tenho cá minhas dúvidas se consigo fazer um simples Brasilia-Floripa-Brasilia com isso) mas se colocar um punhado de dólares (não muito) a mais daria para esticar até Dubai. E olha que nem precisa apelar para São Longuinho. Como já deu para perceber esse relato não tem a pretensão de ser um guia, quem sabe um dia, numa outra plataforma, uma outra oportunidade, eu com mais tempo, mais paciência, sei lá, mas para quem se interessar tem algumas “varas de pesca” distribuídas ao longo dos posts, boa pescaria. Viram como com um pouco de pesquisa e planejamento dá para viajar legal sem precisar vender um rim pra pagar a conta ? Claro que vai precisar de uma grana mas o que não precisa, hoje em dia até ônibus errado e injeção na testa, porém pode ser muito menos do que se imagina. Sem querer ofender aqueles com intelectos menos auspiciosos, um pouco de massa cinzenta, leitura e curiosidade também ajudam bastante nessa hora. Acho incrível como as pessoas complicam e encarecem uma RTW, às vezes se parece muito com a vida, quem a complica somos nós, poderia ser muito mais simples. Se uma volta ao mundo que é uma volta ao mundo (e vice-versa) dá para fazer, por que não outra viagem qualquer ? Save, research, pack & go. Simples assim. Claro que isso vale para outras coisas mas vamos ficar no tópico viagens, vejo muito disso naquelas viagens para lugares que flertam com o “impossível, inatingível, caro e longe demais”, aqueles lugares e atividades que parecem impossíveis para pobres mortais assalariados brasucas como a paradisíaca Polinésia Francesa, quem sabe trekkings no Nepal ou no Kilimanjaro, onde muitos deixam as calças para poder bancar uma caminhada e fazer a alegria dos atravessadores. Imagino o que deve ter de guias de montanha e donos de operadoras rindo sozinhos e contando dinheiro por aí. Talvez a Antartida continue ainda um destino quase inalcançável, mas quando viajei pela Patagônia ouvi alguns zunzunzuns sobre promoções last minute em Ushuaia por preços que até d´s duvidada, mas como na época não tinha (e continuo não tendo) o minimo interesse pelo continente branco então nem fui checar. Não sei como estão as coisas hoje em dia, mas duvido que não tenha um jeito mais acessivel para chegar lá. Um tanto difícil de acreditar que existam tais promoções, concordo. Mas assim como concordava que rodar o mundo era coisa para gringos, milionários ou expatriado(a)s dondocas (sem generalizar). Voltando ao exemplo da isolada montanha africana, ainda não entendi como alguém em sã consciência paga certos valores para subir o Kili. Apesar de não ser a minha praia (vai ver porque é uma montanha ), acho muito legal quem encara o desafio, mas para mim sofrimento por sofrimento já bastam as contas para pagar. Numa época em que eu estava flertando com esse trekking por pura curiosidade, uma das melhores agências cobrava por volta de realistas U$ 1.000,00/1.500,00 (me parece ser o preço médio, não sei) e por ser uma das melhores, senão a melhor, achei na epoca até razoável. Como eu sabia que ela é/era a melhor ? Simples, os americanos sempre a utilizavam e depois a recomendavam e como eles são um excelente benchmark, podem seguir sem medo. No mundo das viagens rola mais ou menos o seguinte : • quem quiser coisa boa, siga os americanos; • quem quiser coisa barata, siga os israelenses; • quem quiser coisa boa com preço decente, siga... ah, sei lá, sou muito modesto pra falar. hehe (NR essa foi para uma amiga – VALEU M*********U !!! - que deve estar nesse exato momento seguindo esse relato e pelo que sei se divertindo lendo tanto quanto eu me divirto escrevendo. Beijo pra ela !!!). Quando fiz o trekking em Machu Picchu foi assim, tive uma sorte danada no preço e acabei numa agência dessas com serviço de primeira linha. O único “senão” nem foi com a operadora, que era ótima, mas o fora que eu dei com duas loirinhas americanas quando fui desafiado a adivinhar a idade delas e errei longe. O bico que elas fizeram ficou maior do que o Huayna Picchu, vai vendo... Fica a dica : jamais tente acertar idade de mulher e se for inevitável reduza o máximo possível e jamais, eu disse JAMAIS aposte no DNA (Data de Nascimento Avançada) ! Sim, eu sei, mais óbvio do que africano ganhando a São Silvestre, mas paciência. De volta à inesquecivel África. Alguns aventureiros chegam a pagar hiperbólicos U$ 4.000,00 apenas na parte terrestre (oooieee !!!!!), aí o intermediário daqui subcontrata uma operadora local por um terço do preço e embolsa o resto. Agora coloquem os imperdíveis safaris, passagens aereas e a esticada básica e obrigatória a Zanzibar e imaginem a cacetada. E a comi$$ão. Assim fica mais fácil que pescar num balde. Claro que tem outras coisas envolvidas mas não precisa ser nenhum bidu para perceber que a grana entra fácil. E ainda falam por aí que só banqueiro e lobista sabem ganhar dinheiro. É por essas e por outras que as pessoas reclamam que não viajam porque viajar é muito caro. E não, não me refiro à alternativa de fazer uma trip no maior perrengue possível, cada um no seu quadrado. Apesar de viajar de maneira bem econômica, já falei que não sou sócio do Miserê Travel Club então deixo isso pros argentinos e pros experts, geralmente bolcheviques de berço esplêndido, mesada gorda e carro zero. Que tem muito lugar legal mundo afora até brasileiro sabe e cada um faça bom proveito do seu suado (ou não, se for funcionário publico) dindim, mas eu gostaria que as pessoas vissem com seus próprios olhos e não ficassem em casa apenas lendo relatos, colecionando revistas de turismo (pelo menos na época em que tinham alguma coisa que prestasse), assistindo e babando com programas e documentários de viagens, natureza e aventuras apresentados por apresentadore(a)s de TV sejam eles acéfalos playboyzinhos coxinhas, sejam elas com muita bunda e pouco cérebro, sonhando e achando que não podem fazer, claro que podem mas elas têm que fazer acontecer. Como este aqui é um site de amantes de viagens preferencialmente mais econômicas, por que não dar uma incentivada, mesmo que batendo na mesma tecla e enchendo o saco com relatos longos e demorados ? Hehe Sei bem como é porque já fui assim também e sim, li e leio muitos relatos de viagens, acho que são uma ótima fonte de informações, mas como tal tem que saber filtrar não só as informações mas de onde elas vieram e melhor do que ficar lendo relato é ir viajar, concordam ? Como não custa relembrar que além de me divertir muito a minha ideia principal aqui é botar uma pilha na galera – só aquela com noção, independentemente se tem ou não experiência. O resto está dispensado. E sem ressentimentos - a dar uma volta ao mundo sem precisar colocar a corda no pescoço, então lá vamos nós para mais uma dose de “RTW para todos”. Atualizando, reforçando e dando mais uma azeitada no que já foi dito, o negócio é o seguinte : se a parte aérea da viagem estourar muito a casa de desconfortantes U$ 3.000,00 para uma trip média por um tempo mais dilatado (eu acho que até admissíveis e puxados US$ 2.200,00/2.500,00 numa ambiciosa trip de ferias já estaria de bom tamanho (meio caro, né ? Mas não dá pra fazer limonada sem limão), isso se incluir a cara e distante Oceania. Cara para se chegar mas hoje em dia nem tanto para sair, conforme vimos há alguns parágrafos. Mas se “capitalizar” sua passagem de ida, i.e., visitar alguns lugares bacanas antes de chegar em Ozzieland já dá pra fazer valer a pena e assim compensar o preço alto para chegar lá) é melhor respirar fundo, arrumar um tempinho na agenda, voltar para a planilha, mergulhar de cabeça na “Fuçologia” (se me permitem o neologismo para uma nova ciência) e acionar a máquina de calcular porque acho de bom grado recomeçar o planejamento senão a situação fica parecendo namorada com menstruação atrasada : preocupante, mas ainda não desesperador. Por enquanto. Desesperador seria ultrapassar muito a casa dos U$ 3.500,00ish, quiça estourando estourando uns abusivos U$ 4.000,00 que se não tomar cuidado pode rapidamente se tornar em lacrimosos U$ 5.000,00. Ai meus caros e minhas caras acho que a coisa já descambou de vez. Chama o sindico. Se já estava muito caro, agora então...sem comentários. Principalmente nos dias de hoje com ese maldito dólar by Guido Mantega. Na minha última RTW (aquela do último mapinha, deem uma olhada quem esqueceu, vão lá que eu espero), levei minha mochila para passear viajando por países de quatro continentes e contando tudo não gastei isso. Viajei, fiz, aconteci e ainda voltei com troco. E não, as minhas trips não são melhores do que as de ninguém. Claro que se concentrar numa região apenas poderia ficar ainda bom também, talvez um melhor custo x beneficio até, quem duvida ? Eu não. Só que isso aqui não se refere a uma região apenas, mas sim a várias regiões distintas em diferentes cantos do mundo. Obviamente que o custo x benefício poderia ter sido melhor se eu tivesse mais tempo, mas como não tinha mesmo assim achei jogo pelo que foi feito. E se a minha viagem tivesse demorado mais tempo duvido que a parte aérea, costumeiramente o lionshare dos gastos numa trip dessas então merece ser tratada com mais carinho e atenção (por isso que insisto tanto em ventilar esse tema tratando-o amiúde), teria ficado mais cara. Já me desculpando pelo inevitável clichê, não vou dizer que dá para se chegar ao nirvana, mas pelo menos já dá para enxergá-lo como algo factível e financeiramente alcançável. Sim, sou chato mesmo com preços e adoro orçamentos e roteiros de viagens, bem como toda a logística envolvida. Assim como não gosto de pagar mais que o necessário - et pour cause, compreensível - gostaria que outros assalariados com mais noção também não pagassem. Com toda a vênia, na minha modesta e humilde opinião como tudo nesse relato, ainda acho que hoje em dia chuta pra longe e erra mais feio que zagueiro brasileiro na frente de atacante francês quem fala que ticket RTW é a maneira mais econômica de viajar RTW. E não, ainda não mudei minha opinião sobre certos tickets RTW e reafirmo que posso utilizá-los outras vezes, mas não os tais com preços excruciantes, e acho que pelo menos os mais observadores já perceberam que ultimamente está difícil bater uma combinação de tickets avulsos sozinhos e/ou combinados com um ticket RTW mais barato, mas desde que se tomem as devidas cautelas senão o barato pode sair caro. Tudo bem que depende de “n” fatores, são muitos os pontos a ser considerados, não é uma receita de bolo e fica até difícil bater o martelo, conforme já foi exaustivamente falado aqui, mas isso até os corinthianos e petistas já perceberam, principalmente agora que muitos deles em dezembro último acompanharam seu time até o outro lado do mundo na maior migração animal desde a Era do Gelo. Ah, antes que aqueles com distúrbios queimem seus poucos, perturbados e remanescentes neurônios e acabem metendo os pés pelas mãos, vamos botar os “kungs” nos “fus” : não custa lembrar que a trip não será melhor ou pior porque gastou mais ou menos, mas se dá para fazer a mesma coisa, ou muito melhor, com menos dindim, por que não aproveitar ? Claro que ninguém nasceu sabendo e às vezes rolam umas batidas de cabeça que custam caro e que devem ser utilizadas como aprendizado pois uma coisa é ter um plano, outra coisa é colocá-lo em prática, mas como diria Morpheu, personagem do filme Matrix (o outro Morpheu vai entrar no relato mais tarde, mas só no próximo post) : “Sooner or later you're going to realize just as I did that there's a difference between knowing the path and walking the path". Concluindo: não existe viagem (RTW ou não) muito cara ou impossível, você que não pesquisou direito. Corta para Bangkok. (*) Passagens não inclusas
  11. Oi Lian, tudo bem ? Agradeço o interesse e o convite. Não sei se eu posso ajudar em alguma coisa ou se ainda há tempo. Não costumo entrar aqui com a frequência que eu gostaria, é mais facil me encontrar via mensagem privada. . Mas caso ainda ache que eu possa contribuir em alguma coisa ficaria feliz em poder ajudar. Boa sorte. Keep traveling Virunga
  12. Revoltado, eu ? haha Que nada. Bom saber que gostou pelo menos até uma parte do relato, mas não acho que se “perdeu” no final, infelizmente você que não entendeu. Pena que não tem fotos, assim os iletrados e aqueles que têm mais dificuldades poderiam pular o texto e ir diretamente para elas, ficaria mais fácil. Quem sabe no próximo ? Analfabetismo funcional pouco importa nesse caso, o que vale mesmo é a pluralidade das idéias e a diferença de opiniões. Como as suas, por exemplo. Happy travels.
  13. Diga lá Filipe, Sim, essa última trip RTW foi realizada com tickets comprados “por partes”. Só para comparação, fiz uma conta de padaria simulando quanto custaria caso tivesse utilizado um ticket RTW convencional e os valores, com as taxas, ficaram mais ou menos assim : Oneworld - U$ 4.815,00 (sem Fiji) Star Alliance - U$ 6.300,00 Percebeu a diferença, levando em consideração quanto eu gastei ? Dói no bolso só de pensar e dependendo do roteiro o preço na Star Alliance pode ultrapassar escandalosos U$ 7.000,00 mas aquelas, se tem gente “esperta” que compra sempre vai ter uma aliança ainda mais esperta (sem aspas) que vende. Abraço.
  14. Oi Filipe, tudo bem ? Valeu pelo comentário, que bom que gostou. Leu tudo de cabo a rabo ? Corajoso, hein ? Parabéns ! rsrs Maratona mesmo, eu me empolgo (e me divirto) bastante com esse lance de RTW. Sua conta não fecha ? Os preços dos tickets variaram entre U$ 120,00 e 530,00 (sem taxas), mas nos U$ 1.900,00 já estão inclusas a maioria delas. Apesar de não ser necessariamente imprescindivel, é bom também ter um conhecimento sobre rotas e cias aéreas no geral e saber um pouco sobre os melhores hubs, aproveitar os stopovers, essas coisas. Olha essa, um dos vôos que eu fiz desapareceu (desapareceu não, explodiu o preço). Espero que seja apenas a época, alta temporada, subida do petróleo ou algo assim, mas depois descobri que a cia aérea está comprando avião novo, dando upgrade na imagem, mudando de nome, investindo bastante e consequentemente aumentando (nossa, quanto gerundismo, que horror !) os preços, assim como a Avianca tem feito ultimamente. Eu consultei esse trecho (Oceania) e o preço disparou indecorosamente mais de extorsivos 60%, espero que não fique assim porque eu gostei tanto da trip que tô pensando em replicá-la. Já procurei bem lá pra frente e o preço continua caro e aparentemente pulou para um novo patamar muito mais elevado. Se for realmente isso (toc toc toc), que os deuses protetores dos viajantes sem muita grana não deixem acontecer. Os sites são aqueles que (quase) todo mundo usa, duvido que você não tenha um que te agrade, todo mundo tem e você certamente deve conhecer alguns. Eu dou preferência para os sites que mostram um calendário com os preços, pois estes variam muito dependendo do dia, então aquele vôo de domingo pode sair consideravelmente mais barato do que aquele que sai na quarta. E vice-versa. Além do mais, certas cias aéreas não fazem o trajeto todos os dias e as que fazem podem cobrar preços mais elevados. E não nos esquecemos do mala do Murphy que sempre dá uma jeito de aparecer : quando o preço é bom não tem a data que você quer, quando tem a data que você quer o preço não é bom e quando o preço é bom na data que você quer, bem, você não tem disponibilidade para viajar. Acontece direto. O matrix eu gosto muito, mas peca por não ser muito forte em mostrar vôos com cias de baixo custo. Adoro a simplicidade dele, mostrando mais uma vez que menos é mais, nada de viadagem. Falando em viadagem, essa fica com o momondo, apesar de ser bom é o site mais poluído que já vi na vida, então nem olho mais. Outro é o hipmunk, que eu ainda estou vendo como funciona, poderia ser mais simples apesar da ideia ser legal. Kayak e opodo também me vêm a mente, mas eu gosto mesmo do matrix. Eu complementava com um outro site simplesmente excepcional para achar vôos em cias aéreas de baixo custo ou cias aéreas locais, mas infelizmente ele virou moribundo e me deixou órfão, o site era o http://www.airninja.com. Tem um bastante conceituado que eu não gosto, acho fraquíssimo por sinal, mas praqueles quem não têm paciência para fuçar e estão engatinhando pode ser uma boa introdução, ele funciona como macaco gordo: quebra-galho. O nome é skyscanner. Pois é, são muitos, fora os das próprias cias aéreas. Ah, gostava também do http://www.whichbudget.com, mas hoje em dia eu vou direto nas cias aéreas, quem não conhece muito sobre cias aéreas de baixo custo tá frito e mal pago. Acho que era mais ou menos isso Valeu !
  15. Psiu, o relato voltou !!! Faaaaaaaaala moçada, tudo bem ? Tá, tá, eu sei, a mesma ladainha de sempre. Foi mal o sumiço, mas só pode estar de sacanagem quem achou que eu não daria continuidade nisso aqui, né ? Ainda mais agora que estamos caminhando para o crepúsculo final. Uma hora dessas a Luiza já foi e voltou do Canadá umas trocentas vezes, eu já realizei outras tantas trips RTW enquanto o relato ficou aqui empacado ocupando espaço no fórum. E esse negócio de ficar ocupando espaço em fóruns é coisa de quem responde mil vezes a mesma pergunta ou de quem pergunta mil vezes o que já foi respondido. Sei que a maioria das pessoas aqui concordam que tamanho não é documento (pra mim essa regra não vale para doce, chocolate, tigela de açaí, pastel de feira e caldo de cana), mas já vou logo avisando que o texto terá mais de 140 caracteres, o que vai atrapalhar o raciocínio de muita gente, principalmente daqueles que possuem menos de dez neurônios. Sendo assim, preparem-se porque vamos a mais um daqueles textos longos, delirantes, humildes, shaken, not stirred, espinhosos, deselegantes, atravessados, intermináveis, perturbado(re)s, maquiavélicos, sarcásticos, desorientados, perversos, turrões (essa eu aprendi com uma kinda friend figuraça – e inteligente - que só), capciosos, imprevisíveis, destemperados, irritantes, belicosos, politicamente incorretos, whatever. Uma hora dessas todo mundo aqui já sabe que texto objetivo e curto não é lá muito a minha praia e quem não sabe vai descobrir, isso se aguentar ler o texto todo, porque quanto mais escrevo, mais tenho o que lembrar e quando o assunto é viajar volta ao mundo ou viajar na maionese, coisa é o que não falta. Mas seus problemas acabaram, “aqui me tens de regresso” ! Podem espalhar a notícia que o relato ioiô voltou nem que seja temporariamente (continua um vai-e-volta danado que não acaba mais, mas ainda no bom sentido, é claro), então chega de mesmice e daqueles papinhos “comercial de margarina” ou “diários de um aborrescente”. Aproveito para agradecer às pessoas que me mandaram mensagens perguntando sobre a continuação do relato ou sobre dicas diversas, espero que as mesmas tenham sido bem aproveitadas. Além do respeito e consideração com aqueles leitores pacientes e inteligentes (e sem algo melhor pra fazer ! hehehe) que me acompanham desde o começo e outros que porventura apareçam por aqui, a promessa de terminar o relato continua de pé, afinal promessa é promessa. E vice-versa. Com mais delongas, vamos dar uma boa sacudida nisso aqui começando pelos devaneios característicos então já sabem : protejam as canelas e as jugulares, tirem as crianças e os cardíacos da sala porque the boring days are over !!!!!!! Fazia um bom tempo que não aparecia por aqui, a falta de tempo também pesou bastante para dar continuidade. Apesar da longa inatividade num período hibernando em crioterapia, o relato precisa e vai ser finalizado (antes do fim do mundo, eu creio ) então nada de morrer na praia, isso é coisa do Botafogo ou dos atletas olímpicos brasucas, falando nisso a Fabiana “Baloubet du Rouet” Murer deu uma forçada de barra : “Foi o vento”, justificou. Parece que a maldição das Olimpiadas continua atacando a atleta : primeiro somem com a vara em Beijing, depois a vara não sobe em Londres, vai entender. De repente não estão passando o sarrafo direito, lembrando que tudo isso é no bom sentido. Menos mal que nas próximas Olimpiadas vamos bater o recorde de medalhas de ouro : “Perdeu playboy, passa essa medalha logo pra cá. Mais a carteira e o tênis !”. Não é à toa que o mascote vai ser um tatu: tá tudo fodid... Falando nisso, quero só ver o mascote entrando no estádio de mãos dadas com a Xuxa e o Renato Aragão ao som de Tati Quebra-Barraco ou outra brasilianice do gênero. E na Copa, a mesma coisa. Ou pior, afinal o cardápio é variado : roubos, caneta-laser nos olhos do Messi, assaltos, tiros, explosões, brigas, aeroportos abarrotados, obras superfaturadas, transporte deficiente, greves, arrastões, despreparo (viram o mico em Viracopos, né ?), precariedade de infraestrutura, apagões nos estádios quando a seleção brasileira estiver perdendo o jogo e a chance da Taça da Fifa sumir, ainda mais agora com um certo corinthiano na cúpula da CBF. Mas todos os visitantes e turistas corajosos serão bem recebidos de braços abertos bem no jeitinho brasileiro : alegria, calor humano, festa, bagunça, desorganização, mulheres, samba e assaltos. Dá-lhe bundalização ! Voltando ao sumiço (meu, não da taça), eu estava ralando para ver se conseguia alcançar o meu segundo milhão porque o primeiro eu não consegui passar nem perto. E pelo andar da carruagem vou continuar não conseguindo. hehehe Não sou mensaleiro, ativista, ongueiro, quebrador de recorde, conservacionista (salvem as baleias, ainda quero comer uma ! Mas deixem eu nadar com elas primeiro), twitteiro, natureba, intelectual, petista ou muito menos funcionário público, afinal eu trabalho. Sou plebeu, não playboy. Falando em petistas e funcionários públicos (não todos, é claro), não sei que pé anda a tal lei sobre utilização de cobaias mas bem que poderia ser criada uma lei trocando as pobres cobaias por certos funcionários públicos, quem sabe pelo menos assim eles prestariam para alguma coisa. Como existem muitos, custam caro, não prestam pra nada e não vão fazer falta, fica aqui a sugestão. Interessante os fatos ocorridos há não muito tempo com certas “classes” chapas-brancas em greve por aí, tudo devidamente orquestrado pra colocar o governo na parede e botar pressão. Desnecessário dizer quem paga a conta, né ? O que, não sabem ? Olhem no espelho. E aqueles funcionários públicos federais então ? Com um salário daqueles e um monte de benefícios e mesmo assim ainda entram em greve !!!! Bando de parasitas, queria saber até quando vamos ter que sustentar essa corja. Alguns desses $angue-$uga$ têm uma maneira sui generis de protestar : eles TRABALHAM (vejam só que coisa, um acinte !!) e classificam isso de “operação padrão”. Pois é, quem disse que funcionário público não trabalha ? Nem vou comentar sobre certos policiais rodoviários, o que será mais que esse povo quer, incluir a propina no salário ou um novo plano de carreira fazendo ponte direta para algum cargo politico, afinal certos policiais rodoviários, politicos e propina têm tudo a ver. Tá bom, chega. Melhor parar por aqui pois a lista é loooonga. Voltamos à nossa programação normal. Nem me lembro muito bem onde eu parei da última vez, mas nada de síndrome do relato não terminado, não é porque o relato de viagem RTW mais legal publicado em língua portuguesa (muito tempo depois surgiram alguns outros bons também) foi interrompido abruptamente antes da metade que este vai seguir o mesmo caminho. Não creio que tenha sido o caso especifico do melhor relato RTW em português, mas essas saídas de cena são mais comuns do que parecem, principalmente esses viajantes ad eternum que empapuçam e baixam a bola, somem ou voltam pra casa. Claro que não vão deixar de curtir o lugar para ficar postando mas pra quem ia fazer chover, acontecer, viajar para sempre, nômades de espíritos livres, neohippies seguidores de Colombo, James Cook, Livingstone, Marco Polo, Ibn Battuta, Gemelli Careri, Che Guevara, Jack Kerouac e, socorro !!!!, Theroux & Cia (aham, tá bom, sei. Estão mais para seguidores de Justin Bieber e Michel Teló...), sem lenço e sem documento (minto, eles têm o passaporte), depois acabam amarelando ou acaba o dindin, o que vier primeiro. Nada como um bom choque de realidade, né ? “Na prática a teoria é outra”, não custa repetir o mestre Joelmir Beting. Muito bom se você for gringo ou, quem sabe, tiver um passaporte gringo, agora como Brasuca da Silva Sauro dá uma boa complicada. Impossível não é, mas é muito mais difícil do que certos sedizentes querem fazer parecer. Fica o toque para os iniciantes e ingênuos. E para os mais bobinhos também. Por favor, não me peçam para eu elencar a pletora de facilidades que os gringos (talvez possamos colocar alguns ex-pats no bolo, principalmente os mais alicerçados e antenados) têm para viajar senão vocês entram em deprê e um dos motivos que eu escrevo isso aqui é pra gente se divertir e não entrar em deprê, combinado ? Pra falar a verdade, eu aprendi a viajar com a gringaiada observando, lendo, pesquisando, ouvindo e conversando, mas tem que saber passar o filtro. Muitas pessoas têm aquela idéia geral de viajar mas poucos realmente se jogam e eu sempre acho legal quem vai lá, mete as caras e não fica inerte em casa inventando desculpas e se borrando de medo. Engraçado que quando eu iniciei esse relato, ainda na década passada, pensava que qualquer pessoa poderia realizar o sonho da RTW própria, mas hoje acho que não é bem assim. Como disse o nosso amigo Obama, o Barack, lá em 2008 : “Ya can't put lipstick on a pig!" Mesmo com o crescente número de brasucas se aventurando nesse tipo de trip, não sei se me arriscaria a dizer que caiu no gosto da moçada, mas só o fato de aparecer um pouco mais na mídia e ver mais conterrâneos encarando já é um passo adiante. Mas que tem muito mochileiro Coca-Cola, isso tem. Só pressão, cair na estrada que é bom... Pois é, como diria Herodoto “a única coisa permanente na vida é a mudança”. Naquela época eu também achava que o viajante era melhor que o turista, tanto é que cheguei até a comentar que “comecei como turista e evoluí para viajante”, vai vendo. Eu diferenciava um do outro o que convenhamos, duas palavras para definir a mesma coisa é um tanto quanto estranho, acho que de viajante e turista todo mundo que pega a estrada tem um pouco, além do mais “pau que dá em Chico dá em Francisco”. Mas não sou eu que irei reinventar a discussão batida, afinal já naveguei por essas águas também. Digamos que hoje em dia eu esteja mais para um viajante com veia de turista ou um turista com veia de viajante (não sendo dromomaniaco já tá bom demais) e que curto mesmo é viajar não apenas off, como também on-the-beaten-track. É interessante observar uma certa e$tirpe de viajantes que vestem a camisa da simplicidade (desde que a camisa seja da Osklen ou Abercombrie, esta última trazida diretamente da 5th avenue pela mamãe ou papai bastante viajado$, évidemment), viajam muito para o exterior desde sempre, gastam pouco afinal são craques em desapego (menos do cartão de crédito do papai), “interagem” com os locais (garçom, vendedor e demais prestadores de serviços valem ?), nunca andaram de ônibus na vida (intercâmbio na adolescência na Austrália ou EUA não contam) e depois se gabam que o negócio é viajar de matatu na Africa, de trem favela class na India, num buzun caindo aos pedaços na Bolívia ou talvez em um chicken bus em El Salvador, porque de outras maneiras não tá com nada. Adoram ser ou parecer quem não são, tudo devidamente registrado para pagar de bons samaritanos e hardcore travelers e se tiver crianças pobres ao redor para sairem na foto, melhor ainda. Como no Brasil não tem dessas coisas (pobreza ? injustiça social ? Onde ?) então Malawi, India, Bolivia e Camboja saem na frente. Pois é, só tem antropólogo (e especialista) viajando... They know what is what But they don't know what is what They just strut what the f*ck? Não tomam uma mísera breja se o bar não estiver aprovado no guia, o que não deixa de ser inelutavelmente contraproducente afinal se são tão bons, sabichões(chonas ?), independentes, exploradores e descolados assim, por que seguem seus guias tão bovinamente ?, e só porque comeram um inseto na Khao San Road (devidamente registrado para o facebook, afinal são todos um bando de facebook wankers), posam de interessados a desbravadores da cultura local. Na boa, desde quando comer inseto na Khao San Road é sinônimo de cultura local ? Reclaman sempre que a presença de outros “aliens” em sites históricos, topos de montanhas, complexos de templos, sites históricos e praias paradisíacas comprometem a autenticidade do lugar visitado. Engraçado, e a presença deles não compromete ou além de superiores também são invisíveis ? Curioso, né ? Outro traço marcante é que estão sempre engajados em alguma coisa moderninha : seja fotografia, budismo, meditação, salvação do mundo, religião oriental, lances “zen” (se puder trocar o nome de batismo, melhor ainda), guru, drogas diversas (oops, escapou. Mas só as “sociais”, tá ?), proteção ambiental, causa palestina, arte, história, invasão do Tibet, injustiça social, cientologia, miséria, sustentabilidade, ioga, fome, condições de campos de refugiados na Africa, a situação na Amazônia (sim, acho que temos que protegê-la, poderiam começar tirando as ONGs vampirescas de lá) e são bastante empenhados em mudar o mundo e lutar por sei lá o que, quando o máximo que lutaram na vida, além do piti pra tirar o joystick da mão do irmão mais novo ou esconder a maquiagem da irmãzinha, foi para escolher a cor e a marca do carro novo de novo que vão ganhar do papito e o aumento da mesada. Francamente... Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem mas realmente...mas realmente...isso tudo é uma grande falácia. Me enche o saco esse papinho de tomadores de toddynho metidos a salvadores do mundo e não sei qual é o pior, o riquinho metido a pobre ou o pobre metido a rico. No fundo são um bando de mimados nascidos em berço esplêndido que viajam para o exterior desde a época que o visto americano era artigo de luxo (engraçado, eu sempre achei isso...) e depois de se cansarem de ir pros EUA e Europa, sempre acompanhados da família abastada, descobrem que o mundo é maior e passam a se aventurar para lugares mais afastados pagando de aventureiros roots. “O que, Miami ? Muito turístico, nem pensar (isso depois de já ter ido mais de 32 vezes). Falando nisso, quando a mamãe vai pra lá de novo, preciso de mais um tênis para combinar com meu relógio novo !”. Só podem ser os “mochileiros de grife”, irmãos siameses dos “revolucionários da GAP” e fieis seguidores do motto hay que endurecerse e viajar de manera hardcore siempre, pero sin perder la mesada jamás. Fim do occasional WTF moment. Por enquanto. Então, como estava dizendo, eu nem me lembro mais onde o relato parou, sendo assim vou continuar dando uma enrolada e fazer algumas elucubrações – assim ganho tempo para lembrar onde parei - sobre trips RTW, inclusive a minha última, mas esta será apenas uma pincelada, tão logo a oportunidade surgir venho com algo mais recente. Hora de trocar a marcha e move on. Vou aproveitar e tentar fazer um kinda wrap-up também, uma espécie de x-tudo. Tá, tá, eu sei que em relatos normais e cadenciados essas coisas vêm apenas no final e coisa e tal mas peraí, quem disse que esse aqui é um relato normal e cadenciado ? Nesse ínterim foi ótimo notar que esse tipo de viagem (RTW, pra quem chegou de Marte agora) está sendo mais divulgado, pipocando em portais da net, sites, blogs, jornais, revistas e até em programas de TV, o último deles com duas garotas girando o globo tinha um belo itinerário por sinal, apesar de relativamente mal dividido entre os lugares (sabemos que “cavalo dado não se olha os dentes”, mas de repente poderiam ter tirado dois picos meia-bocas e colocado um bacanão, por exemplo) mas isso faz parte, não tem como acertar sempre e para casar roteiro x tempo x vontade x grana é uma coisa mesmo. O pior é quando se tem tempo, artigo de luxo hoje em dia, e mesmo assim não sabe aproveitar. Aí meus caros e minhas caras, mas nem desenhando. Isso tudo confirma a tese que apesar dos pesares, viajar RTW hoje em dia está tão fácil, mas tão fácil, mas tão fácil, mas tão fácil, mas tão fácil (tá bom, já chega) que até brasileiro consegue. O que, duvidam ? Voltei há não muito tempo da minha quinta RTW (só pensa naquilo...) mesmo com esse dólar pela hora da morte. Coisas do Brasil, se algo dá certo é porque tem alguma coisa errada. Dólar baixo, o pessoal começa a viajar pra fora e o governo vai lá e tasca um aumento de imposto, afinal a culpa é de quem viaja. O dólar sobe e cadê o imposto ? Continua lá nas alturas. Igualzinho a violência nas grandes cidades, a culpa é sempre da vitima. Aumentar a segurança pra quê, né ? Vai que melhore e aí vai prometer o que na época de eleições ? Ainda mais aqui onde o povo não sabe votar. Falando em dólar alto, agora vocês sabem o porquê da doleta ter disparado nos últimos meses. Foi só eu pensar em tirar minhas merecidas férias que o maldito disparou. Quando eu efetivamente viajo, nossa, melhor não comentar, o maldito vai para as alturas !!! É sempre assim, já até me acostumei e virei motivo de chacota no trabalho : “O que, você vai viajar ? Quando ? Me avisa logo porque como o dólar vai subir então vou comprar antes. Depois eu vendo mais caro e faço uma graninha”. Aham, tá. Engraçado esse povo, a gente ganha pouco mas se diverte... E o pior é que nem posso culpá-los pois estão certos !!! Isso vem de longe, é tiro e queda. Mas não aceito receber a culpa sozinho pelo desastre cambial, podem botar na conta do almofadinha Ministro Mantega, o rei do PIBinho, mestre dos chutes (será que ele aprendeu com o Aiatolula ?) e medalha de ouro das previsões econômicas mais inconsistentes e furadas desde o reinado de D. João VI, uma verdadeira mãe Diná na versão ministerial, mais um perdido entre tantos nesse governo que institucionalizou a corrupção, né Dilma, Lula & Cia ? E digo mais (iiihhh, lá vem...), para fazer uma viagem RTW também nem precisa ser lá muito inteligente (falei que sou recém-chegado de mais uma, né ? ). O que, duvidam ? O que tem de gente torrando o valor equivalente a metade de um carro zero quilômetro num ticket volta-ao-mundo e chamando isso de bom negócio não está escrito no gibi. Deixa eu aproveitar o gancho e botar a bola no chão aqui: eu sou adepto sim do ticket RTW (claro que não esses com preços exorbitantes), já utilizei algumas vezes e provavelmente usarei outras tantas porque gosto bastante da safety net que ele proporciona. E apesar de eu não ter viadagem para cias aéreas no geral (já falei que esse negócio de ficar reclamando de cias aéreas, pinchs, comida, serviço de bordo e fazendo comparações esdrúxulas de alhos com bugalhos tipo Webjet x Emirates, Ryanair x Lufthansa, Easyjet x KLM é coisa de sommelier de Fanta Uva. Ou pobre. Não gostou paga mais caro ou fica em casa, simples assim. E o pior é que a maioria desses “experts” não são capazes de diferenciar um Boeing 747 de uma Kombi, vai vendo...), as integrantes que compõem as grandes alianças costumam ser empresas boas, mas tem que saber utilizar bem essa passagem senão o tiro sai pela culatra e fica parecendo arma na mão de gente despreparada ou o PT no governo : o estrago é grande. Então é sempre bom verificar outras alternativas porque a economia vale muito a pena. Me refiro a um jeito mais, digamos assim, casual day, que funciona bem por ser mais economicamente factível para assalariados como eu e vocês. Em alguns casos (presente !), o que se economiza nas passagens daria para pagar o restante da viagem. Dar a volta ao mundo de outras maneiras que requerem mais planejamento e muuuuuuuuuuuuito mais recursos (carro ou barco) prefiro não me arriscar a dizer que é tão acessível assim (não é impossível, decerto. Senão não teria gente fazendo, né ?), a não ser que você acredite piamente que dá pra viajar o mundo durante uns três anos tocando o terror de jipão importado e a conta ficar na casa de subavaliados 70 mil dólares. Tenho minhas dúvidas se com tal montante pagaria o carro-mega equipado, imaginem os outros gastos ? Carrõe$, jipõe$ e barcõe$ combinam com muitos cifrõe$$$$$$. E tempo. Mas sei lá, se tem gente que acredita o mensalão não existiu e que se explodindo e matando um monte de inocentes vai encontrar 72 virgens (por que não 60 ou 70 ? E se o suicida for uma mulher ?) no outro lado (só se for no outro lado porque nesse lado aqui tá difícil...hehehe). Mas enfim, eu gosto de todas, mas prefiro as que eu possa pagar. Melhor do que ficar apenas sonhando, né ? O ideal é achar um meio termo, nem oito nem oitenta, afinal sair por ai também no perrengue total é coisa de argentino, e viajar não combina com mendigar. Se não tomar cuidado a pessoa vai ficar tão estressada com os gastos que nem curte a viagem direito. Ticket RTW tem muito de propaganda de carro zero quilômetro, manjam o tal “a partir de” e a “foto meramente ilustrativa” ? Então, funciona quase do mesmo jeito, mostra uma coisa mas quando você chega na concessionária é outra muito pior. Aquele carrão da “foto ilustrativa” cheio de acessórios de cair o queixo no melhor estilo “se eu fui pobre não me lembro” não tem nada a ver com o preço que informaram no anúncio, sem choro nem vela. O mesmo vale para os tickets RTW, você vê um “precinho camarada” (grifo meu) mas ele dificilmente vai cobrir o roteiro dos sonhos e se cobrir não tem nada de “precinho camarada”. Ai entra a pesquisa bem feita para comprar a coisa certa e não pagar os olhos da cara. O que tem de tickets “entre U$ 2.900,00 e U$ 4.000,00” em RTW de U$ 6.000,00 (esses preços hoje estão defasados) prefiro nem comentar, some-se a isso os tickets avulsos que vão pintar, agora façam as contas e vejam quanto fica só a parte aérea da trip, uma paulada. Uma pena, porque eu também acho que assim assusta bastante - ainda mais agora com a escalada do dólar - e acaba por desestimular quem pensava um dia em fazer uma trip dessas propagando, assim, o mito que é algo que beira o inimaginável e que comporta apenas o mundo dos sonhos (pra quem gosta apenas de sonhar), profissionais muito bem sucedidos, donos disso, donos daquilo, herdeiro$, gringos ou gente com grana no geral. Por isso que uma boa pesquisa e planejamento, assim como canja de galinha, não fazem mal a ninguém. O que, duvidam ? Eu comentei que fiz minha 5ª. trip RTW não há muito tempo e apesar de teoricamente curta para os padrões considerados bons (não sei quem ditou isso, mais tarde voltarei no assunto “duração de viagem”), mesmo assim fiz do jeito que queria, claro que não em todos destinos, mas consegui decidir o que e como visitar quando chegasse nos lugares e viajar sem correria (isso eu deixo para os precoces), além daquele seredinpity básico que não pode faltar, pois só de praia no mais puro dolce far niente (eufemismo para preguiça e descanso, não necessariamente nessa mesma ordem) deu mais da metade do tempo, afinal férias são férias. E vice-versa. Então, entre outras coisas e sem grandes soluços essa trip me deu direito à : • rolê de bondinho nas ladeiras em SÃO FRANCISCO (algo que o Phileas Fogg não fez porque passou por ali um ano antes (1873) do primeiro bondinho começar a funcionar), falando nisso haja ladeira naquela cidade, lá português não anda de skate e nem de bike, afinal só tem subida..., comer muito clam chowder, cruzar de bike a Golden Gate Bridge e depois descer a milhão a serra em direção à bonita e aconchegante Sausalito e voltar, de barco, atravessando a baia e tendo uma visão da Ilha de Alcatraz brincando de esconde-esconde atrás da névoa, além de poder observar a ponte de outra perspectativa, agora fantasmagoricamente linda envolta numa neblina criando um cenário de fazer inveja aos filmes de Hitchcock; • o não-encontro com as elusivas raias-mantas (que eu descobri depois que eram na verdade raias-lobisomens) em FIJI. Mas a ausência delas foi devidamente compensada com juros e correção por um verdadeiro batalhão de jovens norueguesas mais soltinhas que arroz da vovó e que estavam lá na mesma época que eu, sendo que a mais “feia” botava a russa Sharapova no chinelo; • a minha constatação que a bela Opera House debruçada sobre a linda baia de SYDNEY pode ser considerada um resumo da própria Australia : linda por fora e oca por dentro. Fica fácil perceber porque as patricinhas e os ocos por dentro surfistas-merrequeiros-metidos-à-Kelly-Slater se identificam tanto com aquele país; • curtir uma diferente ilha na TAILÂNDIA com direito a uma das praias mais belas que eu já vi (Phra Nang beach, em Railay. Eu preferi ela à Tonsai, vai ver porque não estava lá na melhor época, sei lá), uma esticada rápida até Phi Phi para confirmar com meus próprios olhos que infelizmente o tailandês tende a matar suas galinhas de ovos de ouro, explorar novos templos budistas, mercados escondidos e ruelas e ainda experimentar um prato novo simplesmente delicioso num restaurante BBB estranhamente perto da zorra total da Khao San. Se eu soubesse que ia perder mais de cinco quilos no próximo destino eu juro que teria me esbaldado mais naquele rango; • depois disso tudo, hora de seguir para o país mais bizarro do mundo : INDIA, onde tive a confirmação que o Taj Mahal realmente é Mahalvilhoso (PQP, essa foi de lascar, cadê meu remédio ?), visitar ao vivo e a cores, sob um calor escaldantemente senegalês de 42 graus (em Delhi fui recebido por 44 graus, não acreditei quando o piloto falou), a versão indiana de “I see dead people” na labiríntica, imunda (óbvio, isso aqui é a Índia) e sagrada Varanasi no melhor estilo : Mate, if that doesn't creep you out, nothing will !, além de descobrir um lado do povo indiano que eu não conhecia. Foi incrível constatar ao vivo e a cores a devoção religiosa na India, principalmente para um ateu fundamentalista como eu. Graças a Deus. • Ficar embasbacado com a vibe e as maravilhas de ISTAMBUL. Que cidade ! E ainda deu tempo para fumar narguilé com uma francesinha cheia de atitude curtindo férias do trabalho num hotel em Paris e que falava espanhol fluentemente mas, qu'est-ce que c'est ????!!!, puxava sardinha para o Lula, o Gran Larápio !!! Vejam só se pode uma coisa dessas ? Também, a garota já morou na Argentina... • E para fechar a trip, uma passada bem rápida na Alemanha, terra da qualidade, competência, da AUDI, BMW, MERCEDES e constatar que os alemães em casa continuam sendo um povo muito gente boa, e não só aqueles que a gente encontra viajando. It´s a wonderful world… O que, muito difícil ? Vamolá então, como são tantas emoções e aproveitando que eu estou de bom humor, para comemorar o retorno do relato, vou tentar desenhar. Adoro mapas, comecei quando jogava WAR : Preço aproximado da parte aérea para quatro continentes : 25 mil milhas + U$ 1.900,00. Pois é, o sonho da RTW própria muito mais perto do que parece. Para um bom entendedor, dar a volta ao mundo pela metade do preço basta. Quem está se perguntando se tirando as milhas dá pra fazer uma trip RTW a resposta é SIM, mas sem ziguezaguear muito. E para quem gosta de viajar e, assim como eu, curte (re)visitar lugares numa mesma trip bastante diferentes entre si, acho jogo. Humn, pensando bem, na minha busca ao tesouro não tão perdido no mundo das viagens RTW mais em conta, dá sim para rodar o mundo no ziguezague sem a necessidade das milhas, basta pesquisar direito e um pouco de sorte e timing também. Tive que comprar passagem no meio da trip, algo arriscado porque se o preço der uma estilingada muito forte não tem pra onde correr, e uma passagem que eu comprei lá atrás hoje custa a metade do preço, isso porque quando eu fiz a trip uma nova cia aérea que hoje faz um dos trechos não tinha começado a operar. Sendo assim, acho que hoje daria até pra fazer mais barato. Acreditem ou não, depois de fazer uma boa pesquisa e planejar, vocês vão ver que os gastos não são tão altos como a gente costuma pensar. As minhas milhas consegui no susto (erro do cartão de crédito). Quisera eu conseguir juntar tantas milhas assim mas, sei lá, milhas aéreas hoje em dia são como peito pra mulher : se não tem, compra. Essa foi de um amigo de trabalho. Tô falando que a gente ganha pouco mas se diverte... Logo, com o preço de uma ida-e-volta simples para Asia já dá para realizar uma volta ao mundo sem grandes sustos. Não estou dizendo que seja algo necessariamente barato, afinal além das passagens ainda têm todos os outros gastos, mas aí o resto é com vocês. Do alto da minha santa ignorância sobre o assunto, ainda acho um baita negocião. Quanto aos tickets avulsos numa trip assim (só uma passada de mão de tinta aqui, porque ja vi que o post vai ficar longo. Novidade....), muita calma nessa hora porque para nós, brasucas, o caldo pode entornar se você não conseguir vôos de/para casa a preços palatáveis. Não adianta também achar vôos com preços bons se para conseguir chegar até eles (e depois voltar) você morre com uma baita grana. Qual a melhor opção ? Humn, pergunta sem resposta especifica mas eu arriscaria esgotar as opções possíveis, fazer simulações, comparar com os tickets RTW e ver o que melhor encaixa à sua viagem. Simples assim. Uma viagem volta ao mundo, assim como qualquer viagem bem feita, começa com um simples clique no mouse e pela experiência da minha última trip aí em cima, acho que já deu pra perceber que procurando, dá. O que, duvidam ? Bem, depois que dia desses eu trombei com vôos diretos da Europa para a Tailândia por risíveis 150 euros eu não duvido mais de nada. Não me perguntem, não sou agente de viagens, mas lembro que não era nada de Pequepequistan Airlines, Air Taliban, Free Falling Air, Aero Crash, Fly Hezbollah, Disaster Air, Queda Rápida Líneas Aéreas ou algo do gênero. Ah, e nada daqueles vôos “pinga-pinga”, porque senão fica muito cansativo e desperdiça-se muito tempo. Se um dia eu achar de novo e usar eu venho aqui e falo como foi, mas que é um ótimo custo x beneficio até um recém-nascido corinthiano há de concordar. Pois é, dar a volta ao mundo tá que nem ganhar a Libertadores, tão fácil que até corinthiano consegue. Economizem na coisa certa. Arrumem um jeito de gastar seu suado dinheiro NOS DESTINOS propriamente ditos e não apenas PARA CHEGAR neles. Gastando muito nas passagens, o que sobra para gastar nos lugares ? O mel é uma coisa. Outra coisa é o preço do mel. Nessa última trip ainda deu para reduzir alguns vôos e tornar a trip menos cansativa, tô ficando bom nisso. Até porque antes eu era adepto do “ticket-forró”, dois pra lá e dois pra cá (nossa, cadê meu remédio ? O médico continua falando para não contrariar... ). Trocando em miudos : dois vôos a mais pra lá e uns dois mil dólares a mais no bolso pra cá (o que eu não faço por uma economia ?), confirmando a tese, agora financeiramente, que "viajar é a única coisa que você compra que te deixa mais rico". Se isso não for economia então não sei o que é. Nada daquela chamada de “economia porca”, i.e., pulando atrações pagas, mendigando por comida (?!?!?!??!?!?!), passando vontade e aperto, contando os centavos, comendo pão com miolo, miojo, biscoito de água e sal, tomando água da torneira ou frequentando fast food em dia de festa. E nem dormindo ao relento, esse último só vale se for no deserto ou na savana africana cercado de animais selvagens à espreita e sob um céu estupidamente estrelado, contando as estrelas cadentes, ficando de boca aberta com a impressionante visão da via láctea, procurando e descobrindo como diferenciar os satélites comerciais dos militares (o que a gente não aprende na África, né ?). E para se auto-financiar, que tal ficar limpando parabrisas e ficar fazendo maquaquices, digo, malabares nos semáforos ? Que mais, jogar capoeira na rua ? Mas cuidado ! Ouvi dizer que em algumas cidades espanholas rolam multas de até 3.000 euros para quem mendiga. Gostei ! Ai se a moda pega aqui com os flanelinhas também, corinthiano teria que começar a procurar emprego. Claro que cada um tem o seu jeito e tal, seja gastando os tubos, seja no perrengue crônico mas é isso que você chama de viajar ? Eu também acho que “tudo vale a pena se a grana é pequena” mas por favor, econômico sim, miserável não. Um dos objetivos de eu escrever isso aqui - além de me divertir - é incentivar as pessoas a darem um bizu nesse mundão e provar que não precisa ganhar na megasena para tal, vocês já perceberam que quando perguntados aos “futuros milionários” (a esperança, assim como a sogra, sempre é a última que morre) o que fariam com o dindin uma resposta bem cotada e em comum é quase sempre a mesma : “VIAJAR O MUNDO” ? Se não der para fazer num período sabático mete o pé na jaca (e na estrada ) e vai nas férias mesmo, mas faça um favor à si mesmo, saiba dividir o tempo (não adianta ter tempo e ficar mudando de lugar a cada um ou dois dias, fica cansativo e muito caro) e cuidado com os gastos. Se for fazer mal feito ou fazer por fazer tenho minhas dúvidas se RTW é o teu número. E se for, tome cuidado para não cair na armadilha da RTW a qualquer custo. São poucas as nuances e armadilhas sobre viagens volta ao mundo que eu não sei (o que, arrogância ? Que nada, sinceridade. Tem gente que se acha, né ? ), mas se tem algo que me intriga é fazer uma RTW sem necessidade. Eu não sei se tem a ver com um certo glamour ou magia que uma trip assim representa (afinal girar o globo e visitar o espaço sempre habitaram a mente dos mais aventureiros e/ou sonhadores. A propósito, não faço parte de nenhum desses tipos) e hoje já constam no menu e nos panfletos de agências de turismo, mas particularmente não vejo nenhum glamour em gastar os tubos. E se o objetivo é visitar a Ásia e Europa ou, sei lá, América do Norte e Oceania, por que gastar, numa tacada só, mais de expressivos US$ 4.000,00 num ticket RTW, fora os outros que possam surgir ? Taí uma coisa sobre RTW que eu ainda não consegui entender e olha que sou um grande admirador e incentivador desse tipo de trip, mas sou contra gastar deliberadamente mais do que o necessário. E esse preço de U$ 4.000,00 e lá vai pedrada é para quem escolheu a Oneworld, que não é nenhuma pechincha mas também não agride o bom senso, porque para quem vai utilizar os serviços da debutante (15 anos recém-completados) $tar Alliance vai morrer com muito mais. Não é à toa que além de premiada é bilionária, faturando U$ 160 bi/ano (também, com esses preços...). Acho até que poderia entrar no Turismo Espacial, leva jeito. Afinal os preços já já estarão mais altos que o alcance da SpaceShip da Virgin-Atlantic : lá na putaquelpariutosfera. Já vi casos de pessoas que deram uma volta ao mundo e torraram o dindim num ticket RTW gastando o dobro que precisava APENAS para trocar de avião, em função do roteiro escolhido. E não saíram nem do aeroporto... Será que precisava rodar o mundo ? Será que não havia outra rota mais em conta (e curta) para a mesma viagem ? Eu respondo : sim, havia. E olha que essa nem foi a pior parte, a pior parte foi que eu não pude ajudar. A passagem já estava comprada e a viagem já tinha sido iniciada senão eu daria um help, algo que não faço com muita frequência. O que, egoísmo ? Que nada, falta de tempo mesmo. Vida de assalariado sabe como é... E de que vale o conhecimento se ele não for compartilhado ? Mas eu gosto de ajudar quando eu tenho tempo e apenas quem faz a lição de casa, a vida me ensinou a não perder tempo com gente burra e folgada. Como o exemplo em questão era um roteiro COM NOÇÃO (redondinho até, nada daqueles roteiros “embaralha a vista” que de tanto pula-pula não dá nem pra ler), então seria mamão com açúcar dar uma mãozinha e ajudar a não gastar (muito) mais que precisava, uma pena mas agora já era. E a grana economizada que era muita, diga-se de passagem (desculpem o trocadilho) poderia significar mais alguns bons meses de viagem, principalmente na Ásia, isso pra não falar que ao contrário do ticket RTW (que, reitero, não precisava para fazer a trip em questão), se fizesse de outra outra maneira, além de custar uns 50% mais barato, daria até para parcelar. Falem-me em economia. Mas esse foi um caso especifico porque comentar roteiros é uma coisa mesmo. Meeeeeeeeeeeeeu d´ssssssssssssss, quecaquilo que a gente vê por ai ? Tá, tá, eu sei que por roteiro ser algo muito pessoal fica muito complicado pitacar, afinal cada um tem seus sonhos, gostos, objetivos, interesses, coleção de bandeirinhas, vontades, expectativas, principios, idiossincracias, (falta de) conhecimento, coleção de imãs de geladeira, orçamentos, prazos, idéias, CTRL C´s e CTRL V´s, mas alguns provocam calafrios mas aquelas, vai ver que a pessoa fica tão animada (quem nao ficaria sabendo que vai cair no mundo ?) que se esquece do óbvio e do bom senso, quem não fez isso alguma vez na vida ? E o que é óbvio para uns pode não ser para outros, simples assim. Outra coisa (eu falei que o texto seria longo, né ? Sorry, twitteiros...), em relação a duração de viagem, com exceção talvez de um improvável Tratado de Quadrúpedes, não está escrito em nenhum manual, lei, regra, acordo, medida provisória, protocolo, manifesto, aditivo ou na Constituição que para dar a volta ao mundo, embora recomendável, só vale se durar seis meses ou um ano e tenha que passar pela Tailândia. Se puder, melhor. Se não puder, paciência, ainda assim vai ser uma [email protected] trip e é melhor passar nem que seja algumas semaninhas de férias viajando numa volta ao mundo do que uma vida inteira sonhando com ela. Como eu disse bem lá atrás no começo do relato (faz tempo, eu sei), eu já fiz as duas maneiras (longa e “curta”) e recomendo ambas. Quem fala que não dá pra curtir certamente fugiu do pasto, é invejoso, burro ou acumula função. Claro que praqueles que têm mais dindin e tempo é melhor que dure mais, assim daria para diluir certos custos por um período mais elástico e obviamente passar mais tempo nos destinos, mas já que nem sempre é possível, por que não curtir com o que pode e tem disponível ? A mesma coisa com o “cebolinha” (contracheque) : quem não queria ter um mais polpudo ? Até eu que sou mais bobo, mas não é por causa que não tenho que vou deixar de fazer as coisas que eu curto, desde que fique bem balizado dentro das minhas possibilidades. A mesma coisa funciona pra RTW, não é porque você não tem dindin ou tempo suficientes pra fazer uma trip assim por um período longo (se souber se programar e planejar, pode sim) que vai deixar de fazer. Umas cinco semanas já dá pra molhar o bico e ficar com um gostinho de quero mais, vai por mim. Mas nada de pererecar de um lugar para outro dia sim e outro também e viajar como se não houvesse o amanhã, perdendo mais tempo em deslocamento do que nos lugares propriamente dito e viajando com tudo, mas tudo mesmo planejado como certo "experts" por aí. Claro que você não vai esgotar um destino (seja lá o que isso signifique) ou algo do tipo, mas vai dar pra curtir bastante. A trip será mais intensa e o “WOW EFFECT” vai estar sempre em níveis estratosféricos. Mas todo cuidado é pouco e toda trip é única, afinal existem viagens e viagens, orçamentos e orçamentos, maneiras e maneiras, roteiros e roteiros, estilos e estilos. E vice-versa. Tá, tá, eu sei que vai parecer aqueles insuportáveis papinhos dos chatééééééééérrimos e improdutivos cursos in-company, ou coaching (dá a maior grana, putz !!!) ou, se me permitem o neologismo, outras groselhices do gênero, mas vou falar assim mesmo. Basta seguir a regra dos “pês” que não tem muito erro : Preparação Planejamento Pesquisa Paciência No meu caso podem colocar na equação Paixão e Pindaíba, mas essa só no fim da viagem pois eu não costumo passar vontade nessas trips e não custa repetir "viajar é a única coisa que você compra que te deixa mais rico". Quase esqueci, podem colocar Perrengue também, sem ele não tem muita graça, né ? Mas com limite. Tá, tá, eu sei, já entendi : falando assim parece fácil. E é. Parece até o Mito da Cassandra: ela está certa, mas ninguém acredita em suas previsões. Num primeiro momento pode até ser um tanto trabalhoso para planejar, só que é um troço tão bacana e prazeroso que você nem percebe. Pensando bem, percebe sim e já começa a viajar antes mesmo de entrar no avião, como toda viagem. Olhando de fora parece algo muito difícil : “Ele fala que é simples porque depois que fez um monte fica fácil”. Mas não é nada disso, vocês vão entender o que eu quero dizer quando fizerem as suas, isso, claro, se pretendem dar uma volta ao mundo um dia, afinal existem diferentes tipos de viajantes e viagens e muita gente acha desperdício rodar o mundo num tempo curto (depende o que a pessoa estiver buscando) e prefere ficar numa região, apenas. Outros viajantes podem achar que dar a volta ao mundo é algo meio arbitrário. Quem sabe eles podem estar certos ? Ou quem sabe tenham medo ? Quem vai saber, vocês ? Nem eu. Mas enfim, essa foi outra trip e não vou misturar com esse relato. Quem sabe eu termine ( fingers crossed!) este aqui e comece um novo recém-saído do forno ? Já estou até ouvindo os lamentos de “não, não, por favor”, mas quanto maior for a divulgação e a demistificação, maior o incentivo e assim mais pessoas possam fazer. Só não vale ficar sonhando a vida toda achando que não pode realizar ou que viajar assim é apenas algo para gringos, ex-pats com ou sem noção, galera do jabá, pa(i)trocinados (podem ser “titiotrocinados” ou “sogrãotrocinados” também. Haha, isso me lembrou a história de uns playbas num catamaran...), apresentadores de TV, filhos de banqueiro, fidalgos, alguém com o emprego dos sonhos ou os bem na$cido$ no geral. Eu pensava assim também, ainda bem que descobri a tempo que não é nada disso. Traveling and learning. Tomara que outras pessoas, assim como eu, percebam isso também e possam ver como um objetivo realista e não apenas mais um sonho daqueles que se perdem na memória pra sempre. Independentemente do seu jeito de viajar, do tipo de viagem ou o destino, não existe uma maneira certa ou errada, assim como não existe um sabor certo ou errado de sorvete, simples assim. Mas eu acho que existe sim um jeito caro e outro mais em conta e pagar mais por algo que pode ser feito mais barato (mas dentro do estilo de cada um, que fique bem claro) eu fico com o Ciro Gomes : “quem paga ágio é otário”. Só não vale avacalhar, tem gente viajando no Transiberiano e chamando aquilo de viagem volta ao mundo. Daqui a pouco qualquer trip pros EUA com parada no Panamá vai ser considerada volta ao mundo também. Putz, depois sou eu que viajo na maionese. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Maçã é maçã e pêra é pêra. E vice-versa. Salvo raras exceções que não cabem mostrar aqui, toda viagem volta ao mundo é multidestino mas nem toda viagem multidestino é volta ao mundo. Para os paneleiros quadrúpedes de plantão, não estou dizendo que uma é melhor que a outra, inclusive já vi aqui mesmo no mochileiros trips multidestinos que deu um baile em muita volta ao mundo por aí (vai ver porque o roteiro contemplava a Africa ), só estou dizendo que são diferentes. O que vale mesmo é a pessoa sair para viajar, se vai ser volta ao mundo, multidestinos, para a cidade vizinha, se vai sozinho, acompanhado, com a cara metade, empacotado e se a sua é ir para Miami fazer turismo de compras vá e seja feliz ! Quem fala que isso não é viajar não passa de um tapado invejoso. Ou vice-versa. E se o destino for Myanmar ou Miami, pouco importa. Só muda o portão de embarque. Vai que é sua !!!!!! Tá bom, tá bom, basta de mimimi então bora agitar isso aqui (a rima foi sem querer !). Vou aproveitar que pelo menos no que diz respeito às viagens minha memória anda boa e colocar mais um trecho do relato (tá no finalzinho, eu prometo) que começou na década passada. Falando em boa memória...ahn...humn...tipo assim...onde foi mesmo que nós paramos ? Ah, lembrei, na Cidade dos Anjos. ”Hey DJ, put that sh*t louder !!!!” Oh, let the sun beat down upon my face, stars fill my dreams I am a traveler of both time and space, to be where I have been O nome verdadeiro de batismo dela é (respirem fundo !) KrungThep Mahanakhon Amon Rattanakosin Mahinthara Mahadilok PhopNoppharat Ratchathani Burirom Udomratchaniwet Mahasathan Amon Piman Awatan Sathit Sakkathattiya Witsanukam Prasit, os risonhos locais a chamam de Krung Thep (Cidade dos Anjos), mas podem chamá-la simplesmente de Bangkok. No alto de seus respeitáveis 12 milhões de habitantes apenas na área metropolitana (cada fonte diz um número diferente então eu peguei a média), quase 450 templos, um número impressionante de lojas 7ELEVEN que de tão fácil achar parece loja Starbucks em Manhattam, Bangkok é a vibrante e caótica capital de um país com 70 milhões de habitantes dentre os quais existem 200 mil monges (números não confirmados) e demonstrando uma enorme e estranha influência de gaúchos e são-paulinos, a mesma quantidade de ladyboys, que apontam duas facetas antípodas deste simpático, hospitaleiro e distante país asiático. Bangkok é uma das maiores metrópoles da Ásia onde o sagrado e o profano caminham de mãos dadas, mas cada um no seu quadrado. Arranha-céus, cortiços, inferninhos com muito neon, Shoppings Centers sofisticados, mercados flutuantes, estradas elevadas, canais (ou khlongs, como são chamados) dividem espaço na frenética e pulsante cidade gentilmente apelidada de "Cidade dos Anjos”. Isso sem falar dos taxis coloridos, reforçando o que já foi dito no post anterior, sendo muitos deles naquela cor “azul-gaúcho”(não preciso falar qual é a cor, né ?) comprovando novamente a influência de gaúchos e são-paulinos, pelo menos aqueles que não migraram para o bairro Castro, em São Francisco. (NR.: Desconheço se esse bairro californiano tem a ver com a fixação dos EUA em achar armas de destruição em massa). Acho que a grande concentração de “padeiros distraídos” asiáticos devem estar em Phuket e adjacências e na Tailândia a bicharad...digo...a travecada é uma espécie de terceiro sexo, algo assim. Lá eles são aceitos na sociedade, não sei se tem a ver com o tipo de Budismo que o país pratica ou porque a sociedade é mais “aberta” (perdoem o trocadilho involuntário) para essas coisas. Enfim, deixemos os viad...digo... os híbridos e seus pares gaúchos e são-paulinos pra lá e voltemos para Bangkok. Por se tratar de uma das grandes metrópoles asiáticas, um cenário com templos brilhantes hoje convivem num ritmo frenético, poluição, trânsito caótico, arranha-céus, hotéis e shoppings luxuosos assim como muitos mercados de rua onde tudo custa muito pouco. Além dos shoppings centers modernos cheios de grifes famosas, existem outros centros de compra nem tanto glamourosos, são mais populares com barraquinhas coladas umas as outras, mas é preciso olho vivo porque a região é um paraíso de falsificações, Ciudad de Leste é fichinha. Pirataria ali é igual a politico corrupto no Brasil, está em todo lugar e às vezes a qualidade dos produtos pode deixar a desejar mas pra quem gosta de artigos baratos ali é um prato cheio. E sacola também. Quanto a qualidade muitas vezes ser duvidosa acho isso muito relativo, afinal eu não vou comprar um iphone numa barraquinha nas ruas de Bangkok, né ? Não é porque sou brasileiro que tenho que ser burro também e sabendo garimpar tem muita coisa bacana e de qualidade. E lugar de comprar iphone é no Paraguai... (Brincadeirinha!!!!) A terra do “same same but diferent” continua bombando e esse mantra a gente percebe a toda hora, seja nas camisetas com dizeres engraçados, seja na atitude do povo o que juntamente com preços baixos, atrações impares, templos budistas, palácios com sua arquitetura detalhada, exótica e bonita, cultura, gastronomia e povo hospitaleiro continuam atraindo milhões de turistas, três vezes mais do que o Brasil por sinal, e se depender de mim a diferença vai aumentar porque costumo indicar a Tailândia como um ótimo destino de férias e quase sempre convenço turistas a não perderem seu tempo nem dinheiro vindo pra cá, sou uma espécie de embaixador às avessas. Babaquice ? Complexo de vira-lata ? Sinceridade ? Todas as anteriores ? Sei lá, pode ser, mas eu concordo com Charles de Gaulle (o general, não o Aeroporto de Paris) quando disse “o Brasil não é um pais sério.” Sim, eu sei que mudou bastante nos últimos tempos e tem algumas coisas boas aqui e ali, inclusive algumas surpresas na Suprema Corte da Justiça. Menos o Lewandoski e o Tofolli. Quem diria que nas últimas duas décadas e pouco um sociólogo, um ex-operário que nunca gostou muito de pegar no pesado metido a Maomé tupiniquim usurpador de idéias alheias como se fossem suas e uma ex-terrorista iriam se tornar presidentes ? E sei também que tem cenários bonitos, povo hospitaleiro e a economia e a vida geral melhorou, apesar do PT. Mas os preços não compensam. Enfim. Tá, ta, eu sei. Além da miríade de atrativos suficientes para agradar o mais exigente do turista, a Tailândia também tem outra “atração” nefasta que atrai o mais perverso do turismo : prostituição e pedofilia. Em Bangkok o bairro proibido é Patpong, que eu nunca fui e não tenho vontade de conhecer mas peralá, vocês não acham que eu atravesso o mundo para visitar inferninhos e lugares frequentados por mães de políticos, né ? E muitas delas estão nessa vida porque foram “vendidas” pelos próprios pais (falei que a Tailândia parece o Brasil em alguns aspectos, inclusive nos mais nefastos), infelizmente a Tailândia está na rota do turismo sexual, assim como as Filipinas e o Brasil . A região que concentra os templos e atrações mais famosas pode ser percorrida a pé, principalmente praqueles que estão hospedados na região da Khao San Road, a rua dos mochileiros. Agora se a intenção é ir para os shoppings centers bonitões na região do Silom, ahnm...ehm...bem...well...tipo assim...já até fui afinal eu vou para o Sudoca Asiatico já há alguns anos (o que é meio estranho para um Africolatra como eu) e se eu continuar indo praquelas bandas com essa mesma frequência, daqui a pouco o pessoal da imigração vai me chamar pelo nome... (Brincadeirinha...). Se for para visitar shoppings (hellooooo, ir até a Asia pra visitar...ahn...shopping center ? Eu heim, parece paulista Ô meu, além de shopping vai atrás de quê, aeroporto ?), acho os de Singapura mais jogo, ou talvez os de Hong Kong. Se bem que até hoje não consegui entender se em Singa (e aí, perceberam a intimidade ? Nem eu... ) tem tantos shoppings porque fazer compras é o esporte nacional ou se é para aproveitar o ar condicionado deles e fugir do clima úmido na bonita e organizada cidade/estado/país. E eu que achava que só Bangkok era úmida mas peraí, vocês não acham que viajo para Ásia para ficar circulando em Shopping Center com ar condicionado, né ? E como é uma cidade de extremos, se por um lado tem os shoppings bonitões e modernosos, por outro tem ainda o mercado flutuante chatchuchak market (eu quero tchu...eu quero chak...eu quero chatchuchak chatchuchak market ! PQP, cadê meu remédio ?!) A vida ali acontece nas ruas e quando precisar de tranquilidade é só entrar no primeiro templo budista e ficar lá sentado admirando tudo e absorvendo a tranqüilidade e a paz que ele proporciona. Para passeios em lugares mais distantes, o sistema de transporte é relativamente eficiente e como toda cidade que se preze tem ônibus, metro, taxi, etc mas ainda acho que o Skytrain é meio como uma ponte mal acabada ou obra pública com desperdicio do dinheiro do contribuinte : leva do nada a lugar nenhum, mas não posso afirmar com muita propriedade porque utilizei muito pouco, ainda prefiro o tuk tuk, a versão motorizada do riquixá que chegou na Tailândia nos anos 30 e como roda 35 km com um litro de combustível (já contando com o barulho infernal que deu origem ao seu nome) rapidamente caiu no gosto do povo como um meio de transporte econômico e que na Ásia se apresenta nos mais variados tamanhos, cores e modelos transportando tudo o que você possa imaginar, até gente. E riquixá para mim só se for motorizado (tuk tuk), acho o cúmulo da escravidão e o ó do borogodó certos turistas utilizarem riquixás movidos a tração humana. Questão de princípios. Depois do que eu vi na Índia (já tinha visto no Nepal também...E em Bangladesh também), isso só aumentou minha ojeriza a esse tipo de coisa. Sei que estão aí há mais de um século e sei que quem trabalha com isso tá na l(ab)uta diária arduamente para garantir o seu sustento e o da sua família, mas para mim é fora de cogitação. Vou a pé. É cultural ? Que seja. É secular ? Que seja. É exótico ? Que seja. É diferente ? Que seja. É muito barato ? Que seja. É um trabalho digno e honesto ? Definitivamente, sim. Posso até pagar uma grana (não barganho por miséria, não sou gringo nem israelense. Já falei que sou pobre mas sou limpinho) para o tiozinho do riquixá me mostrar o caminho, no worries. Sou saudável, vou andando com a mochila nas costas e conversando com o condutor, mas entrar naquele troço e abusar das pessoas, “nem a pau, Juvenal”. Qual o próximo, pagar para aproveitadores que ganham dinheiro maltratando animais na rua em espetáculos circenses ? Isso eu deixo pros babacas babões. Enquanto isso, no trânsito em Bangkok... Assim como imagens do Buda, fotos da família real e sorrisos, o tuk tuk é onipresente e faz parte da vida local. Além dos meios de transportes convencionais (e nem tanto), para se locomover pela cidade ainda tem o reforço dos barcos, afinal o Chao Phraya ou o Rio dos Reis (engraçado, eu sempre pensei que esse título seria para o Nilo. Seria o Rio Nilo o “Rio dos Faraós” ? Eu já fiz rafting cavernoso na sua fonte no coração da Africa e já naveguei por ele de feluca no Egito agora fiquei encucado. Ah, deixa quieto), o rio que corta a cidade e com seus quase 400 kms de extensão também ajuda a fugir do trânsito que conseguiu a façanha de ser pior que o trânsito paulistano, mas pelo menos lá não tem o exército de motoboys, ali tem um exército de tuk tuks. Já que o assunto é transporte, deixa eu aproveitar para fazer um update rapidinho aqui : nessa última viagem eu tenho uma coisa chata para falar : o airport bus que quebrava um galhão foi descontinuado, uma pena. Os taxistas adoraram. Será que estão aprendendo com a Infraero, ANAC, Embratur e esses cabides de empregos brasucas ? Como alguém em sã consciência, seja orgão governamental, empresariado ou indústria do turismo em geral pode descontinuar um meio de transporte tão util, ainda mais num pais que garante uma grana preta com turismo ? Vai ser tão sem visão assim lá longe. Mas a Tailândia é assim, um país recheado de atrações porém muitas vezes se perde e explora o turismo a exaustão e de maneira errada. Vira e mexe aparece uma taxa de não sei lá o quê; tudo bem que não é necessariamente algo caro, mas depois de um certo tempo começa a irritar, principalmente porque assim como no Brasil, não volta em forma de beneficio para comunidade ou para o lugar (limpeza, infra-estrutura, etc). Quando soube que começaram a cobrar uma taxa para subir no View Point em Phi Phi eu não acreditei, tive que ir ver com meus próprios olhos e lá estava ela. Phi Phi é outro lugar com boas recordações, na minha penúltima vez (a última foi esse ano numa “conexão” entre Tonsai/Railay e Bangkok. Se alguém achar um par de havaianas perdidas nas areias de Tonsai, são minhas...), após virar a noite e tomar banho de mar às 4/5 da matina, eu e um grupo muito bacana que conheci na viagem desde Bangkok, já contando com duas canadenses lindissimas de cabelos pretos com olhos azuis (não vou citar a Megan Fox de novo... ), subimos a escadaria para ver o nascer do sol. Antes inventaram uma “taxa de limpeza” (acho que é isso), na mesma Phi Phi que todo mundo paga quando chega na marina, queria saber se quem vem de barco rápido também paga. Falando nisso, tá quase sem espaço pra nadar, tem muito barco “estacionado” direto na praia, com o pessoal que faz day trip. Não me importaria em pagar essas taxas se fossem realmente utilizadas para os fins que foram criadas, mas quando você vê lixo espalhado no outro lado da ilha dá pra perceber que o dinheiro foi recolhido mas não utilizado. Coisa de país de Terceiro Mundo, inventa taxa e imposto, depois desviam o dindin e divide entre poucos, igualzinho ao Brasil. Em Bangkok também tem multa para quem joga lixo nas ruas, mas pergunta se você acha uma lixeira ? Digo e repito que esses administradores de araque deveriam obrigatoriamente ter aula de Turismo com a Nova Zelândia. Ela sim explora o turismo e não o turista. Tudo bem que as corridas de táxi do aeroporto não chegam a comprometer um orçamento esquálido como o meu, mas mesmo assim eu preferia o ônibus, além do preço e conveniência ele me traz boas lembranças. Era sempre legal chegar em Bangkok e pegar o ônibus bege velhinho que quebrava um galhão. (NR.: A Airasia não voa mais para esse aeroporto principal, ela mudou-se para um outro secundário, também bom mas fora de mão e sem muita opção de transporte para chegar na cidade. No ano passado, voando com outra cia aérea, desci lá e quase “mifu”, pelo tamanho da fila esperando transporte na saída do aeroporto, a média chegava a um taxi para cada Boeing que pousava. Mas a Airasia não tinha mudado pra lá ainda então hoje essa média deve tá melhor, talvez uma van por Boeing ). Ali mesmo naquele ônibus simples e barato já dava para sentir toda a vibe com a galera mochileira, cada um chegando de um ponto diferente, cada brota que vou te contar. Vários idiomas falados, muitos mochileiros fazendo um estilo blasé (muito tempo de estrada às vezes dá nisso), outros cansados afinal chegar ali precisa tempo e saco pra aturar os vôos longos, outros olhando tudo e todos, tudo isso no alívio do ar condicionado congelante. Eu fico tão contente em voltar numa região que gosto e é tão difícil para chegar lá, principalmente vivendo onde a gente vive e ganhando o que a gente ganha, que nem lembro do cansaço porque este foi substituído faz tempo por aquela gostosa sensação de déjà vu. Até o cobrador ou cobradora é legal, pedindo o ticket falando o inglês com sotaque mais foneticamente bonito, simpático e suave de toda a Asia e que se tem noticia (ok, às vezes um tanto incompreensível mas quem sou eu pra falar ? Parece brasileiro reclamando de lugares onde não se falam inglês, desde quando o Brasil fala ? Coitado dos gringos...), esticando as palavras que na maioria das vezes desemboca automaticamente num sorriso largo : “sawadee kaaaaaaaaaa”. Mais ou menos como o “bulaaaaaaa”, de Fiji. É um ambiente bacana, muita gente animada, alguns de tão felizes ficam parecendo pinto no lixo ou petista com mala recheada de dinheiro sujo. Praqueles que já foram lá outras vezes ou pra quem tá chegando pela primeira vez tem sempre aquele friozinho na barriga afinal nenhuma viagem é igual a outra, mesmo indo para o mesmo lugar, principalmente quando chega num destino tão diferente como a Asia e numa cidade tão full on como a capital tailandesa, afinal Bangkok é Bangkok. E vice-versa. Além do buzun do aeroporto, no geral eu curto muito viajar de ônibus praqueles lados, mas precisa ter uma certa dose de paciência – algo que ando perdendo ultimamente, confesso – e tem tudo a ver com viajar pelo Sudoca Asiatico. Quem gosta tem a opção de trem, como eu não gosto nunca fiz questão, afinal de tédio já basta morar em Brasília. Acho que todo viajante com disposição que se preze deveria fazer pelo menos um trecho de buzun na Tailândia, viagem essa que começa uma hora antes de embarcar no ônibus propriamente dito. Os mais observadores vão notar uma espécie de mini-passeatas de pessoas com mochilas nas costas indo de um lugar para outro diariamente por volta das 18:00hs (horário do encontro na frente da agência onde você comprou o ticket) nas imediações da Khao San Road, basta prestar atenção que sempre rolam uns grupinhos de mochileiros indo de lá pra cá e de cá pra lá seguindo um tailandês apressado cujo inglês se resume a duas frases que ditas num sopro só ficam mais ou menos assim : “tíquiti pliz” e “iuait here”. Ninguém entendendo nada e olhando com aquela tipica expressão estampada no rosto de Perdidos da Silva Sauro, como se quisessem perguntar “where the [email protected] a gente tá indo ?”, mas depois de mais umas duas ou três paradas após caminhar e cruzar becos que você jamais ousaria imaginar que existiam - mesmo tendo passado perto deles dia sim, dia também – e às vezes ainda trocando de guia no meio do caminho que já tá todo mundo escolado. Nada de perder o passo porque o guia é mais apressado que criança pequena abrindo presente. Ou o meu chefe devorando brigadeiro. Ou eu tomando açaí.  Em uma dessas paradas você fica esperando no meio do nada enquanto ele some para trazer outros viajantes e aí depois começa tudo de novo. É muito comédia. No fim do walking tour improvisado todo mundo se encontra num mesmo lugar (inclusive aquele outro grupo que você viu cruzando pro lado oposto), que pode ser uma agência de turismo, um hotel ou os dois juntos, e acabam pegando o mesmo ônibus com direção a algum canto do país. Na chegada do ônibus, que estaciona no outro lado da rua, enquanto você se dividia entre comprar uma fruta para aplacar o calor ou puxar papo com uma linda loira gringa de silhueta delgada e vestida com a camiseta do Vietnam (na hora até vem à cabeça aquela música... The night I laid my eyes on you. I felt everything around me move), começa aquele alvoroço com todo mundo tentando achar sua mochila que estava junta com as outras formando um monte quase da altura do Everest () e se mandar para o ônibus, quando sou interrompido por uma boa alma : “Nooooooo, Koh Taaaaaaao bus. Iu, Phi Phi bus, iuait here” e vira as costas. Você relaxa, esquece a mochila e quando você vê o monte de gringas gatas indo para Koh Tao você se pergunta por que diabos ainda não tirou a [email protected] da certificação de mergulhador . Será que ainda dá tempo ? Quando eu percorri a Banana Pancake Route na minha primeira vez por aquelas bandas, aquela ilha era linda e o mergulho, barato. Será que ainda continua assim ? Ai quando você relaxa de novo e vai comprar outra fruta pra levar na trip e uma água para afogar as mágoas, porque aquela gringa que você ia puxar papo segurou na mão do maldito Murphy e foi para Koh Tao, você ouve um grunhido esquisito (kopinhaaann...kopinhaaann...kopinhaaann) e se assusta pra ver se não pisou num filhote de gato desmamado que estava ali e você não viu, mas na verdade era o anúncio de outro destino. Você não entende lhufas e depois de muito custo percebe que o grunhido era na verdade o chamado para um lugar muito famoso e popular : “Koh Panghaaaaaaan...Koh Panghaaaaaaaan...Koh Panghaaaaaaaan bus” Todo mundo olha pro lado oposto procurando um outro onibus chegando, mas ele não aparece. Antes mesmo de perguntarem pro guia onde estava o ônibus pra Koh Panghan, ele aponta para o primeiro ônibus, aquele mesmo que ia para Koh Tao. E toca todo mundo pra lá, menos eu afinal não vou pra ilha da Full Moon Party, então finalmente consigo pagar minhas frutas - que já vêm cortadas para você comer de palitinho - minha água e aproveito para comprar mais alguma coisa e embalar num saquinho, porque elas estão simplesmente saborosas. O grupo que era grande vai minguando e o lugar vai esvaziando cada vez mais. Mas antes de eu guardar minha carteira e pedir uma sacolinha para colocar minha janta dentro pois eu conheço as paradas no caminho e jantar ali nem por decreto (mesmo assim muito melhor do que as paradas na China e na India, se bem que na Índia até banheiro de estádio é mais limpo que restaurante. Isso nos “mais limpos”), porém no restaurante de beira de estrada também tem um mercadinho mão na roda onde dá para comprar umas batatinhas e refris para ajudar a enganar o estômago, ouço um novo anúncio : “Koh Phi Phiiiiii...Koh Phi Phiiiiii...Koh Phi Phiiiiii bus !!!!! No uait mór ! Iu go now”. Finalmente chegou minha vez de embarcar e lá vou eu feliz da vida por mais uma vez ter encaixado a Tailândia no roteiro, caminhando em direção ao mesmíssimo ônibus colorido por fora com suas cores berrantes e beeeem colorido por dentro, mas na forma de muitas gringas lindas, leves e loiras de tudo quanto é canto do mundo, e após entregar minha mochila para o cara que vai ajeitá-la com “carinho” (pausa para arrumar a garganta ) na montanha de mochilas que já está dentro do bagageiro, subo no ônibus para achar um lugar e quando encontro um assento livre dando sopa, adivinhem quem já está devidamente acomodada e sentada exatamente ao lado da minha poltrona escolhida ? A gringa da camiseta do Vietnam... Uma dica para quem vai para Koh Tao. Ela é a primeira parada e chega-se lá no meio da madrugada, não em Koh Tao mas na marina onde vai pegar o barco. Nessa minha última viagem eu estava indo para Railay (ou Lailay, segundo a pronúncia Thai, falando nisso foi uma dificuldade danada para comprar o ticket que vou te falar, era eu de um lado falando “Railay”, caprichando na pronúncia do “R” meio enrolado, igualzinho ao que os gringos falam (ô dó...) e a atendente quase esperneando e gritando “Lailaaaaay....Lailaaaaaaay” caprichando na pronúncia do “L” e já querendo me aplicar um chute de muay thai bem no meio da minha digníssima fuça ! Eu hein, que povo mais impaciente !!! Parece alguém que eu conheço muito bem, que vira e mexe sai do sério por causa de computador e que por sinal está escrevendo esse relato...hehehe Alguns lugares na Tailândia tem o nome muito parecido para quem, obviamente, não fala tailandês, somado ao sotaque Cebolinha, já viu. Só deu certo quando surgiu uma foto com a mulher apontando o lugar com as imagens do lugar, era aquele mesmo : RAILAY. Oops, me perdi no parágrafo, vou começar de novo e pular a saga da compra do ticket. Voltando... Nessa minha última viagem, eu estava indo para Railay (ou Lailay, segundo a pronúncia Thai) e uma garota que estava no mesmo ônibus que eu perdeu a parada para Koh Tao e foi descer junto comigo, já na manhã seguinte, em Krabi, que fica a umas trocentas horas depois. “Caraca, véi !” (como dizem aqui no Sertão). Como um perdido crônico que sou, fui solidário com a moça, fiquei com dó mesmo, por ser ainda muito cedo ela estava com aquela cara de panda (branca com olheiras pretas) de quem passou a noite mal dormida, mas como a garota estava mais por fora que bunda de índio e mais perdida que azeitona em boca de banguelo, pra ela era tudo festa. Logo chegou um tailandês prestativo que pegou-a pelo braço e foi resolver a situação. Eu fiquei com pena dela, pois teria que voltar centenas de quilômetros. Mas não a culpo, todo mundo sonolento no meio da madrugada tentando dormir e de repente o ônibus estaciona no meio do nada e entra o assistente do motorista gritando um nome incompreensível que ninguém entende (óbvio, né ? Senão seria compreensível. Dãã), assim fica difícil saber se está no lugar certo. Olhos e ouvidos abertos! Mas nem tudo são flores nessas viagens terrestres, infelizmente tem ocorrido acidentes fatais e as mães da gringaiada estão em polvorosa e fazendo um bundalelê danado a respeito da segurança nas viagens de buzun pela Tailândia, afinal enquanto no Reino Unido morrem 3 mil pessoas por ano nas estradas, na Tailândia esse número bate os 12 mil. Engraçado, se elas soubessem o que seus filhinhos drogados e bêbados (aquele baldinho da combinação de álcool Zulu, gasolina, gelo, Coca Cola e Red Bull pode fazer um estrago daqueles. Muito passarinho não bebe aquilo ali não...) costumam fazer nos paises pobres, viajando com bolsos cheios de moeda forte (papis e mamis britânicos bancam por ano a bagatela de um bilhão de libras esterlinas para mandarem seus filhinhos passarem um tempo viajando) tocando o terror na Full Moon Party e depois morrendo afogados lá mesmo ou se acidentando perigosamente no divertido tube riding no vizinho Laos, será que elas ficariam tão chocadas assim ? Deveriam. Pessoal, o papo tá muito bom só que chegou a hora de darmos uma pausa para uma respirada, mas nada de choros, lamentações e tentativas de suicídio (tô falando que tem gente que se acha... ) porque vocês já sabem, depois eu venho e coloco mais um trecho e dessa vez pretendo (de novo...) não demorar tanto, vai que os Maias estejam certos sobre o fim do mundo esse ano, né ? Ai eu dou mais uma repassada em Bangkok e aproveito pra falar sobre o encontro enquanto esperava o transporte para o aeroporto (naquela época ainda existia o airport bus) com uma norueguesa (não confundir com as deusas vikings em Fiji) no melhor estilo “Aruba” : Linda, mas um porre. O que, duvidam ? Me aguardem. Abraço, galera. Valeu pela companhia.
  16. Oi Fabrício, tudo bem ? Valeu pelo elogio, bom saber que você gostou. Eu me divirto escrevendo e quero que as pessoas se divirtam lendo. Te respondi algumas coisas sobre o Tahiti e a Ilha de Páscoa, espero que ajude em algo. Happy travels,
  17. Oi Dzioba, vamos lá. Valeu pelo espaço mas eu tinha que responder. Desculpa qualquer coisa. Seu roteiro ficou corrido, mas o que vale é que sempre dá pra alterar. Tô atrasado para o trabalho agora, mas antes vou deixar uns comentários, com o tempo você vai alinhando isso de acordo com o que você e sua namorada pretendem. Apesar das exceções de praxe, tem bastante gente legal e inteligente aqui no mochileiros que certamente irão te dar uma força. Deixa eu começar, então. 10 dias em Auckland é muito, já morei lá. O que você poderia fazer seria alugar um carro/campervan e rodar a ilha do Norte ou quem sabe escolher um tour via http://www.kiwiexperience.com que com ele dá para dar uma boa olhada no país sem muito perrengue e num tempo relativamente curto. Se escolher a ilha do sul também ficará de bom tamanho. E se aumentar o tempo e fazer as duas ilhas, melhor ainda. Cuidado com a alta temporada, fica tudo lotado e corre-se o risco de não achar os tickets para a data que você quer. Sydney é até legal e muito bonita. Brisbane eu não conheço mas não ouvi falar altas maravilhas de lá. Talvez se você concentrasse tudo em Sydney com direito a um ou outro bate-e-volta pra algum lugar próxima seria umas. Cuidado com o visto, até três dias você fica de graça (mas tem que tirar o visto de trânsito), depois disso tem que ser com o visto normal e é uma facada. A perna asiática vai ficar complicada, Indonésia até dá pra brincar um pouco, só não vai dar para sair pulando de ilha em ilha. Bali e uma esticada para Ubud já é melhor do que nada. O resto da Ásia merece ser reconsiderado : 4 dias no Vietnam e 4 nas Filipinas não vai dar pra fazer nada, talvez no Vietnam daria para fazer o passeio por Halong Bay mas seria praticamente chegar, dar uma olhada rápida em Hanói e depois fazer o tour passando uma noite num barco típico da região de Halong Bay. Muito corrido, mas Halong Bay é um espetáculo da natureza. O país tem muita coisa para oferecer e as atrações são um tanto separadas : norte, centro e sul. Filipinas em 4 dias não vai dá, é sério. Mesmo que você escolha um só lugar, o transporte interno é confuso, de barco leva muito tempo e tem muitas viagens overnight e se for de avião, quando estive lá, quase sempre tinha que fazer conexão em Manila pois não tinha vôos diretos. Sendo assim, melhor deixar uns 15 dias divididos entre a Indonésia e mais um outro lugar dessa região. Como ainda tem que encaixar os vôos, pode ficar com uns 10 ou 12 dias na Indonésia e, infelizmente, esquecer outro lugar da região. Maldivas 3 dias ? Tá relativamente perto de Dubai então nada de vôos longos, mas certamente merece no mínimo uns 5, um na capital e os outros curtindo uma ilha. Madagascar 3 dias ? Só dá pra fazer um bate-e-volta vindo da África do Sul. Realmente, não é uma boa. Dubai já vi gente que ficou esse tempo e viu bastante coisa. Eu tô até paquerando ela, mas acho que preferiria ficar uns 4 dias. Egito 5 dias ? Cairo dá pra ver mas procure um passeio/tour que compreenda Cairo, Luxor e Aswan com esticada para Abul Simbel. Isso levaria uma semana. E perderia as praias de Dahab. Ah, um rolê de feluca pelo rio Nilo é bacana África já ficou mais legal, E se você dividisse mais ou menos assim, dias aproximados : 15 dias na Oceania (NZelândia e Sydney) 15 dias na Ásia. Ou uns 10 ou 12 apenas na Indonésia. 15+ dias entre Egito (uma semana), Dubai (3 ou 4 dias) e uma esticada para as Maldivas uns 5 dias (ficaria apertado mas aí tira de outra região) O restante na África do Sul dividido entre um safári no Kruger (uns 4 dias) + Cidade do Cabo (uns 5 dias). Lembrando que ainda precisa colocar os vôos e o fato de estar perto não significa necessariamente que você vai chegar lá rápido, afinal muitas vezes tem conexões. Outra coisa, no papel fica fácil mas na hora que você tenta encaixar (leia-se comprar os tickets, ver horários, etc) aí a coisa complica bastante, tem vôo mas não tem a data que a gente quer, quando tem vôo e tem data mas não tem assento e por ai vai. Mais ou menos isso, precisando é só falar. Bom planejamento, Abraços
  18. Continuando... Além de utilizar os números que você passou, vou acrescentar outros. Tirei os da Am do Sul porque geralmente ela não entra numa RTW - o que é uma pena - e vou trabalhar apenas com os mais altos, já contando a certa folga. Período de um mês : Ásia : 6.000,00 Europa : 8.000,00 Oceania (Oz + NZ) : 9.000,00 (*) States : 7.000,00 África : 5.000,00 (*) Semelhante ao de uma RTW, certo ? E com direito a uma curtida (um pouco mais de leve, é claro) na mesma Oceania. TOTAL : 35.000,00 reais. Caso a pessoa tenha disciplina, grana e como a maioria dos pobres mortais, 30 dias de férias e com sorte uns diazinhos chorados a mais, na melhor das hipóteses ela vai levar 5 anos para viajar para tais lugares. Nesse periodo muita coisa pode acontecer na vida dela; mudança de prioridade, problemas de saúde, dinheiro, família, etc Agora ela pode pegar uma grana que, no nosso exemplo, daria uns 10 mil e poderia dar um rolê básico (aconselho a tirar um dos continentes), colocar uns dois lugares em cada região (que fique uma semana por lugar), pegar uma visão macro do mundo e numa outra oportunidade voltar para a região que mais curtiu ou quem sabe dar uma olhada em outra que não foi possível desta feita, é só encontrar um equilíbrio, como tudo na vida. Viajar não significa ficar constantemente em movimento, 6 ou 7 vôos “pesados” num prazo de 30 e poucos dias não matam ninguém. Infelizmente além dos vôos mais “pesados” vão rolar outros mais curtos. Vôos diretos com preços bacanas às vezes não combinam. Os fabricantes de avião já descobriram isso faz tempo mas as companhias aéreas precisam ser lembradas que o caminho mais curto entre dois pontos continua sendo uma reta. Não dá pra fazer omelete sem quebrar os ovos; eu, que moro no Sertão, para chegar em qualquer lugar legal (Oceania e Ásia a parte) me custa 4 vôos. Será que agora pelo menos isso você entendeu ? Nem precisaria, mas o dia que você tiver atitude, capacidade, coragem e inteligência para não se prender em aeroportos e dar uma volta ao mundo (apesar de você fazer questão, lamento informar mas isso não vai te fazer melhor do que todas as pessoas no universo), você vai entender. Fico por aqui, o resto que eu poderia dizer já foi dito “n” vezes e brilhantemente resumido pela Heka (que por sinal sou um grande fã pela sua experiência, conhecimento, discernimento e, principalmente, paciência) e por outras pessoas no fórum. Grande abraço, bola pra frente e vamos virar a página ! Eu já virei. .
  19. Puxa vida, vou ter que ser retórico. Eu que entro neste site direto nessa última semana não pude e assim nem mais acessei mais o fórum. Pensava que mesmo com idéias diferentes todo mundo havia se entendido e já tinha até mudado de assunto, até aparecer a “pérola”. Como eu só vi isso agora e não posso deixar sem resposta, vou ter que comentar. Dzioba, me dá uma licença no seu espaço aqui, prometo que te encontro daqui a dois posts e tento te dar uma força no seu roteiro, beleza ? Valeu ! Sandman, meu caro, não sei se você reparou na troca de idéias mas todo mundo aqui embasou suas respectivas escolhas, inclusive eu. QUAL FOI A PARTE DO “eu prefiro uma RTW por isso, isto e aquilo e outras pessoas, inclusive você, preferem viajar numa região ou apenas em um determinado país por essa, aquela e aquela outra razão” VOCÊ AINDA NÃO ENTENDEU ? Perdendo tempo numa discussão sem sentido ? Justificativas ? Se tá com medo por que veio ? Meu amigo, acorda, a fila andou, Inês tá morta ! Eu prefiro a RTW e mostrei meus pontos de vista. Outras pessoas, inclusive você, preferem ficar mais tempo num lugar e mostraram seus pontos de vista. Cada um tem suas razões e TODAS são válidas, simples assim. Eu até poderia tentar explicar de novo, só que dessa vez ainda mais devagar, mas desisti pois não quero tumultuar, caso você queira continuar a discussão pode abrir outro fórum e depois me passa o link. Mas arrume mais gente porque você sozinho não é páreo, é muito fraco. Se você com esse valor fica 3 meses na Ásia, ótimo ! Se eu pego para fazer uma RTW e acho que é um ótimo custo beneficio para dar uma olhada em diferentes partes do mundo, beleza pura ! Se aparecer uma pessoa que vai enfiar esse valor no enxoval, vai colocar na caderneta de poupança ou tentar a sorte na Bolsa, qual o problema ? ABSOLUTAMENTE NENHUM !!! Já ouviu falar em livre arbítrio ? Não tem nenhuma melhor do que a outra e concorde você ou não, minhas justificativas são tão válidas quanto as suas e as de outras pessoas. A Heka, como sempre, apontou muito bem isso no pitaco dela. Meu caro, as pessoas são diferentes e têm opiniões diferentes. Simples assim. É óbvio que 10 mil reais para uma RTW significam muita grana pra mim, assim como tenho certeza que os valores que você passou também são muita grana para quem escolher tais viagens. Volto nos números depois. Com um budget diário realista a pessoa pode aproveitar bastante e, veja só, também vai deixar de fazer outras coisas, mas quem não vai deixar de fazer, você ? Quanto aqueles pontos (haja repeteco) que você até agora não entendeu (!?!?!?!?!?!?!) ou não quer entender (!?!?!?!?!?!) : “tempo gasto em aeroportos, mudar de cidade para cidade e oportunidades perdidas”, peloamordedeus, já expliquei lá atrás (volta lá e leia de novo que eu espero), mas se você concorda ou não (sua opinião e eu respeito opiniões diferentes das minhas), são outros quinhentos. Tem gente que passa 80 horas em trens numa trip pela Europa ! Claro que vai depender do “grau de profundidade” que a pessoa pretende visitar um lugar e o que ela está procurando mas você, que prefere passar mais tempo num mesmo lugar, já perdeu oportunidades ? Uma pessoa que dá uma volta ao mundo num tempo considerado curto também já perdeu oportunidades ? Vou responder ambas as perguntas : SIIIIIM ! Você viu tudo nas suas viagens ? NÃÃÃÃO ! Ah, viu o que queria. Beleza ! Mas veja só, se souber fazer e escolher a dedo o que quer ver/fazer, quem dá a volta ao mundo também vê e faz e ainda sobra tempo para ficar de bobeira. Uma pessoa pode passar um tempão num lugar e mesmo assim ficar corrido também, né ? Você nunca foi num rodízio ? E se foi, você comeu tudo de tudo ? Meu caro amigo, a vida é assim, opta-se por uma coisa e perde-se outra. Em Finanças chamamos isto de custo de oportunidade. Ah, os números. Espera um pouco que vou quebrar esse post em dois e voltarei logo em seguida para comentar os valores.
  20. Ufa, que alivio ! Muito bom saber que eu não vou precisar desenhar porque desenho nunca foi o meu forte, mas se fosse para dar uma força para outras pessoas a explorarem o mundo um pouquinho mais, eu até me esforçaria. Cara Samantha, ótimos pontos de vista mas com todo o devido respeito à sua valiosa opinião, eu lamento mas vou ter que contestar um deles. Na média, se uma pessoa planejar bem e tiver bom senso, os gastos para numa volta ao mundo orbitam na casa dos 8/10 mil reais, sem passar muita vontade e nem tomar banho de canequinha. Uma pena que eu não tenha um registro preciso das despesas, mas as minhas não ficaram muito longe disso. Se posso fazer mais barato ? Obviamente que sim. Se posso fazer mais caro ? Obviamente que não, sairia muito da minha realidade. Até onde eu sei (corrija-me se eu estiver enganado, afinal “quem acha que sabe tudo não sabe nada”), isso equivale ao preço de uma boa mochilada pela Europa ou de um curso de inglês (contando tudo) e ambos pelo mesmo prazo, uns 30 e poucos dias. Claro que deixando uma margem para cima ou para baixo afinal as pessoas, as viagens, os roteiros, o estilo, o bolso e os gostos são diferentes. Agora se isso não for um ótimo custo beneficio, por favor, fique a vontade para me dizer o que é. Se uma viagem ou outra é melhor ninguém sabe, gosto é como nariz e todo mundo tem o seu, no fundo vai depender de cada um se jogar onde der na telha e ser feliz, como fez o Dzioba que já escolheu o que quer. Se tivesse escolhido apenas uma região, obviamente estaria de bom tamanho também. Longe de eu ser o dono da verdade ou querer impor algo (não me perdoaria se tivesse passado tais impressões), mas que a RTW - ou uma trip multi-destinos - é um ótimo atalho e oferece um EXCEPCIONAL custo beneficio para dar uma olhada nesse mundão afora e NÃO gasta-se muito mais do que gastaria ficando 30 dias em um continente, isso sim é incontestável. E Dzioba, valeu pelo espaço e desculpe caso a discussão, saudável por sinal, desvirtuou do fórum que você abriu. Bom planejamento e aproveitem a sua viagem. Boas viagens à todos. RTW ou não.
  21. Só dá conhecer aeroportos, ignorar custo x beneficio, gastar muito podendo gastar pouco. O tour pelos aeroportos vai depender de quantos lugares a pessoa vai passar e quanto tempo ela vai ficar, afinal ninguém é louco para voar dia sim, dia não. Se planejar bem os vôos e horários (a maioria dos vôos transcontinentais são noturnos, a pessoa dorme num continente e acorda em outro) e não querer visitar tudo, o que é impossível, dá pra fazer de boa. Quatro/cinco dias numa capital européia já dá pra brincar bastante, assim como dez dias em Botswana. Se souber curtir alguns dias em menos cidades/países não vai precisar ficar mudando de lugar a toda hora, mesmo se for numa RTW de 30 dias. Nossa, uma coisa tão simples. Se eu soubesse que era tão dificil entender eu teria desenhado. Enfim, cada um com as suas limitações. Dzioba, seu roteiro ficou legal. Quantos países dá pra visitar (não conhecer) em 30 dias na Europa vai depender da sua disposição. Uma vez saiu numa revista tipo Europa Especial, algo assim, um roteiro de 30 dias em que o cara rodava ela praticamente inteira, acho que era de trem. Bom planejamento. Abraços
  22. Oi Tomás, tudo bem ? Nem pense duas vezes, volta ao mundo na cabeça. As minhas últimas RTWs eu fiz em 30 e poucos dias e adorei, imagine vocês com 60 dias ! Tudo bem que eu levo uma certa vantagem por já ter visitado alguns dos países que eu escolho (não vejo o mínimo problema em revisitar países que eu gosto), mas mesmo se não tivesse iria curtir bastante. Não tem jeito, sempre vai ter lugar que vai ficar de fora. Se eu que passei a maior parte da minha vida na minha cidade (Sampa) e não conheço quase nada, imagina em outros países ? Tem lugares que uma hora é muito e outros que uma vida é pouco. Simples assim. Além do frio na Europa (a época que você vai e/ou pode viajar é meio complicada com o frio no hemisfério norte e os altos preços no verão do hemisfério sul. Prepare sua mochila para variações bruscas de temperatura), acho que você pode ter uma "pequena" dificuldade em conciliar os 294 lugares que sua namorada quer conhecer com os seus 412 que você quer ir. Ou seria o contrário ? rsrs Brincadeiras à parte, faça um roteiro bacana, evite ficar pulando de lugar para lugar a toda hora (além de ficar cansativo fica muito caro também) e encaixe um ou dois lugares com praias paradisiacas para dar uma recarregada nas energias, sugiro alguma(s) ilha(s) tailândia e outra no pacifico. Ok, vá lá, tem praia interessante na Austrália também, mas perde de lavada das praias brasucas. Se joga e seja feliz ! E depois volta para contar como foi. Bom planejamento, Abraço, VIRUNGA PS.: Lembre-se que depois você e a sua namorada podem voltar e passar mais tempo na região em que vocês curtiram mais.
  23. E aí pessoal, tudo bem ? Eu não vou dizer que detesto relatos não concluidos e blogs/sites que não são atualizados porque isso vocês já sabem. Também não vou dizer que, mesmo tendo ficado muito mais longo do que a encomenda e que de lá pra cá já rolaram mais duas incríveis RTW´s, eu vou terminar esse relato porque isso vocês também já sabem. Last but not least, não vou nem comentar que esse texto vai ficar longo porque, ah, isso vocês também já estão carecas de saber. Chega de papo furado e bora logo para mais um trecho da saga. Com vocês mais uma parte do infindável relato RTW. Are you ready ? LET´S GET IT ON ! Convencido de que não iria conseguir pegar o último airport bus e assim teria que morrer com a grana no taxi-rosa (em Bangkok alguns taxis vêm na cor rosa-espalhafatoso, deve ter sido por sugestão dos ladyboys), sabia que não adiantava correr então caminhei lentamente pelos longos corredores de um dos meus aeroportos favoritos por tudo o que representa. O outro é o de Johannesburgo, porta de entrada do continente mais fascinante do planeta. Tá bom, mais um, podem pôr o de NY (esse nem tanto pelo aeroporto) nessa lista também. Assim como suas cias aéreas, os aeroportos da Ásia disputam entre si para ver qual é o melhor, mais bonito e o mais moderno. Apesar de passar longe das plumas e paetês de seus primos de continente como os aeroportos de Kuala Lumpur, Hong Kong, Beijing (esse eu não vi muito bem, estava atrasado – que novidade ! - e cheguei lá botando os bofes pra fora e quase perdi o vôo. Tem certas coisas na vida que nunca mudam) e o bonito mas um tanto supervalorizado Changi de Singapura, o aeroporto de Bangkok é grande, bonito, espaçoso, moderno, fácil de manejar, tem lojas bacanas, é bem sinalizado (não tem como se perder, palavra de um expert. Em aeroportos ? Não, em se perder mesmo), possui uma arquitetura imponente e mesmo com tudo isto ainda prima pela simplicidade e, melhor, não tem aqueles assustadores trens que se não tomar cuidado podem se transformar nas lendárias sereias que te levam para o caminho da perdição. Nesse caso em especifico dos aeroportos, o caminho da perdição se traduz na forma de corredores com quilômetros de extensão em que os atrasados passageiros (tô aqui !!!) têm que percorrer para alcançar um entre algumas centenas de portões de embarque que ficam localizados pra lá de onde Judas perdeu as cuecas (as botas e as meias ele perdeu bem antes), resultando em perdas de conexão e muita dor de cabeça. Pelo tamanho e opulência de certos aeroportos por aí, se não tiver trem para fazer a interligação entre os terminais o passageiro tá perdido e mal pago. Falando em aeroportos, depois que o simpático aeroporto de Lima ficou em primeiro e o o bunker Cumbica ficou em terceiro num ranking de 2011 dos melhores aeroportos da América do Sul eu só tenho duas singelas palavrinhas a dizer : - IRMÃOS, OREMOS ! Mas antes de chegar na imigração eu ainda tinha que fazer um stopover no balcão de controle de saúde (aprendi isso da pior maneira possível na minha primeira visita àquele país) para mostrar a carteira de vacinação contra febre amarela, pré-requisito básico para quem viaja com passaporte da República das Bananas (que me perdoem os ufanistas míopes. E os primatas), mas mesmo assim eu ainda acho o passaporte brasuca um dos melhores do mundo para se viajar. Chegando no balcão do tal controle de saúde qual não foi minha surpresa ao me deparar com uma pequena aglomeração de pessoas ali. “Oba !”, pensei, “hoje não serei o único a pagar mico”. Vou te contar, às vezes dá até vergonha encarar uma situação assim pois passa a impressão de ser um viajante com alguma doença contagiosa ou originário de um país que não atende as mínimas condições de saúde e que corre o risco de levar doença para um outro país, um hospedeiro de algo ruim, sei lá, e pagar um mico desses num país como a Tailândia é de lascar. Se fosse em algum país do primeiro mundo já pega mal, imaginem numa Tailândia da vida? Mas sussu, faz parte da experiência, além do mais o que eu não faço para dar uma passada no Reino de Sião de vez em quando ? Passando longe das aberrações Patpong e Phuket tá bom demais. A muvuca ali próxima ao balcão estava pra lá de movimentada, um vuco-vuco que como diria um amigo do trabalho : “tem algo errado que não está certo”. A gente ganha pouco mas se diverte. Quando me aproximei dos “companheiros de pagação de mico” percebi que a coisa estava como minha conta bancária em fim de férias (e durante o resto do ano também) : trágica se não fosse cômica. O assustado atendente se escondia atrás do balcão e de uma máscara anti-gripe suína enquanto entregava os formulários para os recém-chegados portadores de passaportes de países micados. Com a cara amassada de quem tinha sido acordado há pouco (eu fico assim também, principalmente antes do café. Mas não durmo durante o expediente, né ?), o tailandês estava bastante impaciente e reclamava de tudo. Como morador de Brasília eu já estou calejado com prestação de serviços de má qualidade feito por funcionários incompetentes, incapazes, acomodados, mal educados e babacas, ie, funcionários públicos em sua maioria, mas o carinha ali estava numa má vontade de (não) dá dó !!!! “O que é isso companheiro, não quer trabalhar para ficar encostado durante o expediente então você está no lugar errado ! Mude-se para o Brasil e arrume um emprego no setor público que você vai se sentir em casa”. (NR.: com exceção dos corinthianos motoristas de tuk-tuk na região da Khao San Road e um ou outro wannabe esperto, o povo tailandês é gente boníssima, inclusive já estive nesta mesma situação e nesse mesmíssimo balcão de controle de saúde em “n” oportunidades e fui muito bem tratado, neste dia foi um fato isolado que não deve ser generalizado). Quer povo genuinamente bacana ? Vá para Fiji. Ou Botswana. Peguei o formulário que foi atirado bruscamente em minha direção pelo clone de funcionário público e antes de começar a preencher percebi que um dos meus “companheiros de sofrimento da madrugada” soltava uma tosse de vez em quando. Ah, esqueci de falar do grupo : todos africanos mas não sei dizer exatamente de qual região, estavam com vestimentas coloridas da África Oriental mas falavam aquele inglês da África Austral, fluentemente mas bastante carregado no sotaque. “Maldito ar condicionado”, resmungou um deles, e mandou mais um “cof cof” bem próximo do assustado atendente que arregalou seus asiáticos olhos semi-abertos (ou seriam semi-fechados ?). Os africanos conversavam entre si num outro idioma e mesmo depois de um vôo longo o humor deles estava bem...como posso dizer...africano, mas sem algazarra, gritaria ou fazendo balbúrdia, apenas tirando o maior sarro daquela situação inusitada e rindo da desgraça própria (deles) e alheia (a minha). Seria esse o motivo do pavor do atendente lembrando que naquela época a gripe-suina estava assombrando todo mundo no mundo todo ? Fui despertado dos meus prognósticos pensamentos por mais um “cof cof” do cidadão ali perto e mais uma vez o atendente quase teve um treco. A turma era relativamente numerosa e assim como eu estava ficando sem paciência porque esse processo de preenchimento de formulário e carimbo não demora quase nada, mas daquela vez com o povo da ala baixa renda do mundo representados por sete africanos e um sul americano cansado e com fome tomando dura de atendente com má vontade danada eu achei que estava demorando demais, principalmente quando o cara insistiu para eu preencher uns dados que nunca vi mais gordo, no que rabisquei qualquer coisa porque queria ir embora logo. Para (não) ajudar o cara ainda era bem marcha lenta, agora não sei se ele era assim desde nascença ou porque tinha acabado de acordar. “Eu heim, até parece que estou de volta à Brasília porque ali lentidão nos serviços é a ordem”. Nada dava certo e nem o cara sabia direito o que queria e nessas meu sangue começou a pulsar com mais força dentro das veias e confesso que fiquei bastante tentado a dizer : “Ô meu, escuta aqui, será que vou ter que pular aí dentro e mostrar como se trabalha ? Acelera Airton, agiliza isso aí peloamordeBuda ! Não é porque eu estou de férias que deixei de ser paulista apressado, né ? PQP, isso aqui é Bangkok ou é a Bahia ?!” Quer deixar um paulista puto ? Seja lerdo. Como naquela madrugada desgraça-pouca-no-balcão-de-controle-de-saúde-no-aeroporto-de-Bangkok é bobagem, somava-se a tudo isso a voz do atendente que quando falava parecia a Britney Spears quando dubla, digo, canta. Pra quem não sabe ou não se lembra é só tapar a ponta do nariz e tentar falar que o som sai parecido. Mas eu ainda prefiro ver pelo lado positivo, poderia ser muito pior, vai que o cara falasse com aquele sotaque me-irrita-que-eu-gosto (pra fazê-lo é muito simples, basta arrastar o “S”. Só peço o favor e o cuidado de não tentar quando eu estiver nas imediações !!! rsrs Só sei que eu me divirto com essa galera...). Aí meus caros, não tem jeito, correria o risco de apelar de novo para o poeta Mano Brown : Se eu tombo esse fulano Não tem pá, Não tem pum, Vou ter que assinar Um cento e vinte e um Mas por incrível que pareça este não foi o maior dos problemas na chegada em Bangkok, o que aconteceu é que quando eu notei aquele cenário formado pelo medo do atendente mais a impaciência dos recém-chegados e tudo isso embalado pela trilha sonora do mr Cof Cof eu não consegui me segurar e tive um daqueles ataques de riso que sempre aparecem na hora mais inadequada, inapropriada e indecente possível. O pior é que tô ficando craque nisso, inclusive tive um ataque desses no ano passado em Londres na perna européia de outra RTW durante um free tour onde eu recebi lições de história ao vivo e à cores em que aprendi muito mais do que na época dos bancos de escola (desde aquele dia o Green Park deixou de ser mais um belo, verde e bem cuidado parque londrino para se tornar num belo, verde e bem cuidado parque londrino com muita história), provando mais uma vez que viajar é a melhor faculdade que existe. Traveling and learning. E aqui entre nós, vocês não acham que eu viajo para o exterior para visitar museu de cera, né ? Então, naquele passeio numa ensolarada tarde em Londres eu me deparei e fiquei observando estupefato uma mini troca de guarda na frente da casa daquele monarca que queria ser absorvente e que hoje é sogro de uma baita gata. Esqueci o nome do lugar, fica mais ou menos ao lado do bastante sem graça Palácio de Buckingham, acho que é Clarence House. O lance ocorreu meio na sorte porque eu nem sabia que rolava aquilo ali e vendo aquela centenária cena com os soldadinhos de chumbo eu não pude me conter e caí na gargalhada (pobre viajando é uma coisa mesmo...) e a coisa piorou quando uma criancinha bateu sem querer numa corrente e os soldadinhos com pinta de playmobil gigante deram uma encarada daquelas e aí... ah, melhor deixar pra lá. Pensem numa cena bizarra. Agora multipliquem por um milhão. Multiplicaram ? Peguem o resultado e elevem a um milhão, quatrocentos e vinte e nove mil. Conseguiram ? Então, tá longe ainda. Mas tradição é tradição, só sei que com o ataque de riso tive que sair dali rapidinho porque senão ia sobrar pro meu lado. Se quase sobrou pra criancinha, imaginem o que não iria sobrar pra mim ? Aproveitando para abrir uma brecha aqui : Naquela mesma trip do fatídico, digamos, “incidente” eu tive várias experiências legais, já havia caminhado bastante num dia enevoado pela muralha da China, presenciado uma pesca com pássaros cormorões no belíssimo sudeste da China (isso mesmo, pescaria com pássaros !), admirado o skyline de Hong Kong; passeado na famigerada calçada da fama em Los Angeles; curtido um visual incrível diretamente do meu fale com vista para um mar azul super turquesa numa ilha do pacifico (Samoa); me perdido em Veneza; corrido, à pé, mais do que o Sebastian Vettel pilotando um carro de fórmula um para não ser pisoteado em Amsterdam e ainda quase perdi um vôo na saída da NZelândia por causa da linha do tempo. Isso tudo fora o resto. Alguma dúvida de que além de ser a mais ambiciosa e a que apresenta o melhor custo beneficio (desde que não caia na armadilha e gaste no ticket o mesmo preço da viagem toda), uma viagem volta ao mundo é pura magia ? E agora estava eu ali, pagando mico num na frente de um portão de Londres . Pronto, vou fechar a brecha aberta e juntar com o resto. Adiante. De volta a madrugada no aeroporto de Bangkok, o atendente ficou mais puto ainda com o meu ataque de riso e começou a encrespar comigo; preenche isso, preenche aquilo, esqueceu esse ponto aqui e por ai vai. Eu calmamente afaguei meu cocuruto, respirei fundo, contei até cem e já que estava no inferno o negócio era abraçar o capeta então preenchi sem maiores delongas quando meu ataque de riso dava uma trégua, algo bastante improvável. E como o dito cujo foi acordado no meio da madrugada e estava puto da vida (que culpa tenho eu ?) não seria eu para arrumar confusão porque se quando cheguei num lugar até bonito – as praias, mas isso é óbvio afinal é no Caribe - mas muito chato como Aruba eu não perdi as estribeiras, o que dizer de um lugar bacana como a Tailândia ? Sussu total. Entendo que o cara estava fazendo o trabalho dele mesmo contra vontade mas tudo tem limite. Dá pra perceber quando neguinho embaça mesmo, tava na cara (de sono) que a impaciência não tinha nada a ver com a tosse do mr Cof Cof, era pura implicância com os africanos e que acabou sobrando pra mim. Coloca um asiático sonolento na frente de um monte de africanos com roupas coloridas, adicione uma dose de um cara que passou o dia todo viajando e que sabe-se lá o porquê teve um ataque de riso numa hora pouco conveniente, misture por alguns minutos e sirva à (contra) gosto num balcão do aeroporto de Bangkok e... voilá, o palco está armado. Eu até que levei de boa, o que anabolizou o ataque de riso que acabou se contagiando entre todos ali para desespero do atendente, pois mesmo com todo o perrengue eu estava chegando num dos meus países favoritos e é sempre bom voltar pra um lugar que a gente gosta, mas se o cara continuasse enchendo o saco eu tava quase mandando ele praquele lugar...não, não esse que vocês estão pensando, não sou tão simpático assim quando estou sem paciência, aquele cidadão clone de funcionário público merecia ser mandado para, deixa eu ver, Austrália e sua SPH ? Não, aí seria sacanagem com os aussies pois apesar de eu não achar o país deles lá essas coisas mesmo estando sempre bem colocado e no pódio dos países que apresentam a melhor qualidade de vida do mundo (também, com renda per capita acima de 40 mil doletas se isso não trouxer felicidade e qualidade de vida certamente manda fazer sob medida), os aussies são muito legais e os coitados já têm que aturar a brasucada na forma de (desculpem a redundância) burras e calipígias patricinhas deslumbretes (“Pô, esse país é mó iraaaaaado!”) além da penca de surfistas-merrequeiros-metidos-a-Kelly-Slater (“ae mermão, Bondi Beach é o que há, tá bombando, altas ooondas...alucinaaaante...dãããã”. E isso num dia com meio metro e vento maral fechando tudo). tsc tsc tsc Então o negócio seria baixar o nível e mandá-lo talvez, sei lá, pra Índia !? E nem adiantava implorar pela aquela minha bota emprestada. Aquela situação já tinha dado no saco de todos ali, tanto é que até o “Juninho” se impacientou e chegou pra ver o que estava acontecendo. Aí meus amigos, nossa, all hell breaks loose e quando vi a cara do a uma hora dessas promovido a “coitado” atendente, eu que estava tentando controlar o tal ataque de riso não acreditei e soltei uma gargalhada daquelas. Quem é o “Juninho” ? O apelido que eu dei para um africano que de tão grande e forte era capaz de botar o Anderson Silva para correr pra debaixo da saia da mãe antes mesmo de entrar no Octagon. “Quem tem c# tem medo” e o atendente quando viu o tamanho da encrenca que teria que enfrentar quase não teve um, mas dois trecos ! A partir dali foi risada pra todo lado, inclusive do atendente que tinha acordado de vez. E não é que deu certo ? No fim tudo acabou bem, o cara liberou todo mundo e eu não tive que substituir o ataque de riso para o “deixa que eu chuto” mode on. Agradeci e dei linha rapidinho dali antes que ele mudasse de idéia. Pois é, além de ser o melhor remédio rir pode ser a melhor solução também. Pena que a minha gerente gostosa não pensa assim. E olha que eu capricho quando vou pedir alguma coisa. Fui para a imigração que numa hora dessas estava sem fila e rapidamente me livrei dessa parte, andei alguns “quilômetros” até chegar a esteira (a bagagem sempre sai na última) onde minha mochila aguardava por mim sozinha da Silva, a coitada deve ter rodado tanto naquela esteira que saiu tonta. Como eu já conheço aquele aeroporto de cor e salteado, saí e fui arrumar um transporte bom e barato. A primeira tentativa não foi nada feliz, a moça do balcão me ofereceu um preço ridículo no que eu prontamente ri da cara dela e respondi em alto e bom som “eu preciso apenas de um carro, minha senhora, não de uma van inteira pra mim, qualé ? Segura o tchan !” Ela entendeu o recado e nessas eu arrumei um taxi pré-pago. Entrando no carro o motorista quis subir o preço e eu que não tava com muito saco para ouvir besteira; resignado mas nem um pouco surpreso afinal taxista é taxista em qualquer lugar do mundo e deve fazer parte de um ciclo de reencarnações que, desconsiderando a ordem, além de taxista ainda tem corinthiano, flanelinha, político brasileiro e indiano; fuzilei ele e sua excelentíssima mãe apenas com um olhar e antes mesmo de me acomodar no carro já fui saindo quando o cara praticamente me segurou e pediu pra ficar. Peralá, o dia todo viajando e eu ainda tinha que lidar com dublê de corinthiano nesse lado do mundo ? Eu estava com o voucher na mão então era só sair e entrar num outro carro, simples assim. O cara viu que eu ia fazer isso, pediu desculpas, falou que estava tudo bem e fomos embora. E olha que nem era tanta grana assim mas eu vou pelo principio. Pois é, vida de mochileiro é complicada às vezes mas alguém precisa viajar, né ? O trânsito aquela hora da madrugada estava tranqüilo e depois de um tempo já estávamos cortando aquelas verdadeiras rodovias suspensas que inventaram para aliviar um pouco o trânsito da capital tailandesa, acho até que conseguiram porque continuam construindo mais delas. Manjam o minhocão em Sampa ? Então, nada a ver, em Bangkok eles aparecem na forma de estradas suspensas com quilômetros e quilômetros de extensão. O visual é feio demais mas é bastante eficiente porque o trânsito flui que é uma beleza, mas isso tem um custo, além da feiúra ainda paga-se um pedágio para poder circular por elas. Circulando por essas rodovias suspensas dá pra se ter uma boa noção da cidade olhando ela por cima, uma mistura de arranha-céus modernos, templos e prédios bem detonados. Perto desses últimos, aquele prédio “lindio” de Sampa apelidado de “treme-treme” parece o Burj Al Arab. Apesar de suja, caótica, decrépita em alguns pontos e às vezes conseguir ser mais feia do que a minha querida Sampa eu ADORO Bangkok (quer cidade bonita então vá para Paris), a cidade é super full on e sempre tem algo acontecendo, coisas de cidade grande. Se não tomar cuidado ela te engole, é pegar ou largar. Assim como Sampa, o que ela tem de feia tem de impactante, não dá para ficar indiferente a aquilo tudo, goste ou não. Desci perto do lugar onde eu sempre costumo ficar, não é na Khao San Road afinal não é porque sou um mochileiro assalariado e brasileiro que tenho que ser tapado também, ficar na Khao San nem pensar, o negócio é tentar algo nas imediações mas meu conselho é ficar ali se você faz parte da turma da mochila ou do viajante econômico, se não for é melhor procurar outra freguesia e fazer incursões apenas para dar uma olhada na famosa rua. E nada de ficar muito longe porque a localização é uma mão na roda, algumas das melhores e mais famosas atrações da cidade estão a uma caminhada de distância. Eu fico a cerca de uma quadra e meia dali e o trajeto caminhando é tão legal que toda vez é como se fosse a primeira. Tudo bem que quando tento cortar o caminho por uma espécie de conjunto de construções incluindo um ou outro templo eu me perco (já comentei sobre o GPS inexistente) mas isso não é nenhuma novidade afinal se tem alguém perdido nesse mundo esse alguém sou eu. Falando nisso, pelo andar da carruagem acho que não sou só eu o perdido, dá uma olhada na presidente Dilma e me fala se hoje em dia tem alguma pessoa mais perdida, porém bem paga, do que ela. Aquela hora não dava pra cortar caminho pelo templo então fui caminhando tranquilamente por um trajeto que eu já conheço faz tempo e que eu simplesmente ADORO. Vou passando por bares, restaurantes, tuk-tuks, lojas, barracas, camelôs, gatas mochileiras (é o que não falta no sudoca asiático), comida de rua e senhoras com suas caixas de isopor onde obviamente eu tenho que fazer um pitstop básico e comprar um suco de laranja, aquele mais gostoso do mundo. Quanto a banana-pancake (aquela também mais gostosa do mundo) vai ter que esperar eu jantar primeiro, mas ela não me escapa. Esse caminho me leva a uma ruazinha onde com certo sacrifício passa um carro apenas e onde está localizado o hotel BrBB (“r” para “relativamente”) em que eu faço questão de me hospedar por ser bem...digamos assim... “Bangkok” mesmo. Manjam aquele hotel do filme “a praia” onde o “mochileiro” di´Caprio ficou quando chegou em Bangkok ? Então, nada a ver. Mas também é bem simples e além de ter uma certa personalidade é melhor, mais limpo e mais seguro. Tem preço justo e com atendentes simpáticos e prestativos, não preciso mais do que isso. Nada de decoração invocada, luzes, design, arquitetura incrementada, conceitos modernosos e outras viadagens, isso eu deixo para Bali. Ou Ubud. Banheiros compartilhados (sempre limpos, por sinal), ventilador de teto (acho que tem quarto com ar condicionado) e chuveiro frio, algo que você vai pedir de joelhos quando encarar o clima de Bangkok. Falando nisso, nesta minha última vez eu bati o recorde de banhos num dia só, depois do décimo primeiro eu parei de contar. O último recorde tinha sido no Vietnam. Cheguei, fiz o check-in, pedi aquele desconto básico e um quarto num andar baixo (não tem elevador), tomei meu banho e saí pra rua atrás de algo pra comer. O restaurante do hotel é bem bom por sinal mas eu só uso ele pro café da manhã, na frente tem um hotel também bacana (o restaurante porque os quartos que eu vi na minha antepenúltima visita praquelas bandas eram ruins demais, presídio total, caixa de concreto e fica escuro o dia todo, nem dá pra saber se é dia ou noite) com direito a música lounge e sempre tem uma ou mais gringas lendo um livro e tomando um shake (ou cerveja, dependendo da hora), mas depois de ter passado o dia todo matando o tempo entre aeroportos, saguões, fila, avião, barcos, taxistas, imigração, etc eu queria esticar as pernas um pouco, andar pelo tal caminho de/para meu hotel que eu gosto tanto e tentar achar um lugar mais movimentado àquela hora da madrugada, o que não seria difícil afinal a Khao San Road fica ali pertinho. Fiz o caminho inverso curtindo tudo aquilo mais uma vez e getting in the groove da Tailândia com mochileiros do mundo todo, altas gatas inclusive. Tem uns doidos também mas o que não falta é gente meio doidona na região da Khao San Road, sem stress. Baita muvuca mesmo e apesar de ter sempre muito gringo curtindo seu esporte favorito (leia-se enchendo a cara e fazendo bar-hopping o dia (e a noite) toda), eu nunca vi muita confusão ali, entenda confusão como brigas, polícia, tráfico, desfile de fuzis, pagode, axé, gente chata empurrando pulseirinha do Senhor do Bonfim, passeata de maconheiros, “pega-ladrão” e outras brasilianices do gênero. Chegando na esquina me deparei com uma cena não muito agradável, Bangkok tá longe de ser uma cidade limpa e nos sacos de lixo próximos a um restaurante havia uma família inteira de ratazanas gigantes maiores do que aqueles cachorros de boiola, qual é mesmo a raça, poodle ? Não, poodle é cachorro boiola e não cachorro DE boiola. Ah, lembrei, pitbul. Por que cachorro de boiola ? Ué, dá um check nos tipos que geralmente são os donos desses cachorros, tudo lutador de jiu-jitsu e esse negócio de macho ficar agarrando macho eu já falei o que acho, certo ? Toca pra Miami. Atravessei a rua e continuei andando até achar um restaurante bacana com música ambiente mais bacana ainda (a comida é boa e tem preços razoáveis mas a breja é uma paulada) e comi a comida dos justos. Satisfeito, depois fui dar uma volta básica na Khao San Road mas a muvuca já tinha terminado, o que se via era um monte de barracas amarradas depois de mais um dia bastante cheio, incrível como aquela rua é movimentada. Inacreditável como gira grana ali e nessas a Tailândia enche o bolso e consegue atrair muitos turistas, seja turista em resorts caros, mochileiros viajando no budget ou infelizmente os execráveis turistas sexuais enquanto o Brasil, com exceção desses últimos que continuam vindo em grande número, parece querer eles longe. Eta paisinho, uma vez pobre sempre pobre mas fala baixo senão os ufanistas buzinam. Deve ser tudo petista ou essa gente de ONG patrocinada pelo Governo. Atenção : ONG patrocinada pelo Governo !!!! Falando em ONG, daqui a pouco vão criar a ONG da Maconha, isso se já não tiver (se não tiver não se preocupem porque quem quiser abrir o STF garante). Não sei muito bem como e quando começou essa “febre” da Khao San Road mas já está nos holofotes dos mochileiros há bastante tempo assim como a bela Cusco e a decadente Freak Street no Nepal, isso se ainda existir porque quando estive lá não vi muita coisa. Não deixem meu médico (lembrando que o mesmo medico disse para não contrariar) ouvir o que vou dizer mas a Khao San Road parece uma espécie de Times Square pra mochileiros, eu não me arrisco a dizer onde bomba mais, guardada as devidas proporções, é claro. E obviamente a Times Square é bem mais organizada, limpa, não tem som alto e tá cheia de brasileiros, esse que vos escreve inclusive. Nada é perfeito. Já a lendária Khao San é uma zona só com cartazes, luzes (baita poluição visual, imagino o Kassab ali...), bares e restaurantes com música alta (parece haver uma competição pra ver quem faz mais barulho), mesinhas nas ruas, às vezes só cadeiras mesmo porque o espaço é bastante disputado - mas democrático - com neguinho vendendo cervejas e aqueles baldes com uma bebida que até hoje não consegui identificar, parece uma mistura de gasolina, redbul, coca cola e muito gelo. E no meio disso tudo dá-lhe barracas de camelô. Para agradar todo mundo rola uma espécie de rodízio entre as barracas, claro que não todas, mas todo mundo sempre consegue um jeito de armar a barraca (no bom sentido, é claro) ali e vender seus produtos. Se procurar com atenção tem bastante coisa legal e as lojas escondidas pelas barracas do camelódromo mais famoso do sudoca asiático escondem produtos de qualidade. Peça falsificada é mato, pirataria pura mas who gives a f#ck ? Eu que não sou. E pelo visto os gringos também não, haja vista a volúpia com que eles fazem suas compras. Passam o rodo, impossível chegar lá e não comprar alguma coisa mas tem que segurar a onda (e a carteira) porque tem coisa boa em outras regiões da cidade por preços muito mais camaradas, inclusive nas ruas paralelas, o negócio é ir entrando nos corredores apertados e se perder nas ruelas espremidas cheias de lojinhas escondidas ótimas para conseguir os melhores preços. A dica é barganhar sempre, se bem que acho que já foi mais fácil barganhar na Khao San Road, eles sabem que se você não comprar vem um outro e compra. A Tailândia tem muito disso pois o fluxo de turistas é bastante intenso. Somado a isso o fato de que a Tailândia é o único país no sudoca asiático que nunca foi colonizado e isto de certa forma é refletido na atitude do povo que não precisa se curvar a quem vem de fora. Muito bonito na teoria mas na prática o dindim sempre fala mais alto, se for em dólar e euro então... Mas o baht em grandes quantidades costuma ser muito bem aceito. A fauna humana então nem se fala e o mulherio, PQP, meus d´s ! A cada caminhada eu me apaixono umas trocentas vezes. É muito legal ver o fluxo de mochileiros, sempre tem gente chegando e saindo carregando suas mochilas, o frenesi e a muvuca são intensos mas vou falar, às vezes cansa um pouco e acho que umas duas ou no máximo três noites por ali já deu no saco. Pois é, devo estar ficando velho mas quem não está ? Rola muita babaquice também, todo mundo fazendo o possível pra chamar atenção e aí tá a parte chata, pelo menos é o que eu acho (tô falando que tô ficando velho..rs). Parece carnaval, neguinho despiroca mesmo e os babacas se esbaldam. Qualquer coisinha é motivo de aglomeração, quanto mais ridículo melhor. Tô falando que é um carnaval mas enfim, não adianta eu falar, a pessoa tem que ir pra ver e tirar suas próprias conclusões. Neguinho também aproveita que está longe de casa, que tudo é barato e sai tocando o terror. Acho que nas minhas primeiras vezes lá (ainda nesse século, que fique bem claro) tinham mais israelenses mas eles ainda continuam batendo cartão em grandes grupos e é um pessoal bastante festeiro e gente finíssima. Eles têm um “quê” de brasuca/latino que facilita bastante a interação (e olhando com atenção dá até pra achar umas gatinhas israelenses também, mas precisa de muuuuuuita atenção), mas a maioria esmagadora do pessoal ali é formada de europeus e outros gringos no geral que estão no meio de uma expedição etílica mundo afora, geralmente de/para a Oceania, explorando o mundo fora da bolha dourada a que são acostumados, melhor aproveitar bem pois como o mundo gira creio que para as próximas gerações essa boiada está bem comprometida, tem muito país rico e desenvolvido passando ou prestes a passar o pires e não estou me referindo apenas a periferia da Europa como Portugal e Espanha. Eu disse países ricos e desenvolvidos. Neguinho vai ter que apertar o cinto mais cedo ou mais tarde porque a conta vai chegar. Pessoal, vou ficando por aqui mas vocês já sabem, depois eu volto para dar mais uma pincelada rápida em Bangkok e, quem sabe, finalizar a trip. O que vier primeiro. Grande abraço e valeu mais uma vez pela companhia e paciência. Virunga
  24. Oi Apa, tudo bem ? Desculpe a demora em dar um retorno, cheguei de férias agora e fui praticamente do aeroporto direto pro trabalho e por isso não respondi antes. Legal saber que vc tá curtindo o relato, tá arrastado mas vou ver se no próximo post eu já termino ele. Ia fazer um wrap-up mas perdi o texto. Se eu encontra-lo ou escrever de novo eu coloco aqui. Não tá muito certo mas talvez eu faça um relato rápido dessa última trip que eu fiz sem ticket RTW e achei bastante jogo também, achei mais fácil do que pensava. Então quer dizer que vc vai partir para uma RTW ? Parabéns pela decisão e atitude. Interessante que você é o terceiro caso que eu vejo de alguém que vai dar uma RTW com foco na Ásia, muito bacana mesmo, vai curtir de montão e o seu bolso também. Eu não sei se ajuda mas conheci um casal na África que trabalhava no mesmo ramo que o seu e eles estavam fazendo um trabalho no Malawi nesta área através de uma ONG, infelizmente eu não peguei o nome mas acho que você poderia tentar achar algo assim, só que na Ásia. Sobre a gastronomia, aconselho a fazer um curso na Tailândia, com certeza deve ter um que se encaixe no que você tá procurando e, obviamente, você pode experimentar as delicias da culinária asiática enquanto estiver por la não apenas saboreando mas observando como eles cozinham, vai ser um prato cheio (desculpe o trocadilho !). De onde partir, qual a direção a seguir, bem, isso varia muito e tem bastante coisa a considerar. Um bom começo seria você se inteirar sobre a melhor época para evitar furadas devido ao clima, hoje em dia isto é bem difícil precisar mas seria umas você atentar pra isso também, nem que seja um conhecimento básico. O roteiro é algo bastante pessoal e depende também pra onde você quer ir, o que pretende ver e fazer. Eu gostei de viajar sem o ticket RTW mas no meu caso o roteiro foi "simples", não tinha Europa e nem Oceania. Para você ter uma idéia, de Bangkok para NYC eu paguei 1000 dolares mas creio que se fosse no sentido inverso poderia sair mais barato (eu viajei no sentido leste desta vez). E outra, quando você ainda está na fase embrionária do planejamento você acha altas barbadas mas na hora de fechar negócio a coisa complica. Eu paguei o preço que estava disposto a pagar (eu já vinha flertando há um tempo) e tive sorte porque consegui achar na data que eu queria e comprei com pouca antecedência, foi meio que na sorte mas não é bom contar sempre com ela porque ela pode te deixar na mão, às vezes. E mais, tem todo um lance de vistos que eu consegui me safar, mas de novo contei com a sorte. Dependendo da rota eu não iria conseguir ou teria que pagar muito mais caro. No seu caso que pretende passar pelo Hawaii, se for sair da Ásia tente ver algo com a CONTINENTAL, ela voa das Filipinas pros States e se você olhar com atenção vai poder fazer conexão num paraíso chamado MICRONESIA. Vai ter que procurar muito porque essa região é extremamente cara para visitar em função não só da distância mas da escassez de transporte, acho que só tem esta cia aérea voando praqueles lados e todas as outras que tentaram acabaram desistindo, uma pena porque sem competição eles cobram o que bem entender. Acho que pra começar é isso, se quiser alinhavar mais detalhes dá um toque. Bom planejamento VIRUNGA
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