Ir para conteúdo

marcelobaptista

Membros
  • Total de itens

    21
  • Registro em

  • Última visita

Tudo que marcelobaptista postou

  1. Caro Du Vierne, Obrigado pela audiência, fico muito feliz que este relato ainda ajude outros viajantes e estimule os espíritos-livres a conhecerem este Brasilzao maravilhoso. Quando fizer a sua trip não esqueça de colocar um relato aqui, é sempre bom atualizar as infos, né? Grande abraço e ótima viagem para vocês!
  2. Caro B.G., Pauto minha nisso: respeitar ao próximo, estar aberto à culturas novas, conhecer gente. Gosto disso e gosto de passar isso nos meus textos! Obrigado pelos elogios!! Grande abraço!
  3. Fala, Péricles! Com um atraso de 5 ANOS, respondo sua mensagem, para agradecer os elogios. Como foi a sua trip pelo Peru, bacana? Então, não mencionei mesmo Machu Picchu. Cara, eu achei a visita lá muito turística. O lugar tem energia, mas tem muito mais turistas...eu não curti muito. Gostei de Ollantaytambo! Pirei naquele lugar! Grande abraço! Marcelo
  4. Oi, Gi! Bacana, estamos em sintonia então!! Curtiu sua trip? BH é espetacular. Estou voltando para lá agora, em Mar/15. Abraço! Marcelo
  5. Valeu, Miriam! a tendencia é irmos ficando "anestesiados" com o convivio onde moramos. O desafio é manter sempre um olhar "novo" sobre as coisas, para não ficarmos cegos ao que etm ao nosso redor!
  6. Glauber, Já andei por muitas cidades do Brasil, e te digo: nunca tinha visto esse lance de linhas oficiais de táxi coletivo. Inovador e inteligente. Parabéns à BH!
  7. Então, Leandro, a ideia é essa: visitar a sua cidade como se não a conhecesse. Na verdade, a maioria não conhece mesmo. Sou paulistano e ando a pé pela cidade desde os 13 anos. Gosto disso, de fazer exploração urbana. Sempre com um olhar atento, às pessoas, aos detalhes. Grande abraço! Marcelo
  8. Olá, meu caro. Eu não vi nenhuma partida em BH. Ainda! Abraço!
  9. Naiara, Desculpe o atraso de 5 ANOS para te responder, é que fui abduzido por alienígenas e não puder te responder...kkkkk Brincadeira, é que só vi agora mesmo. Valeu pelos elogios. Eu gosto de fazer exploração urbana, já voltei outras vezes mais a BH depois desse relato, e descobri mais coisas na cidade. Como por exemplo, o samba samba que rola embaixo do Viaduto Santa Teresa. Olha só, estarei em BH no dia 27/3/15. Caso leia essa mensagem, e esteja em BH, te convido para uma cerveja e você me fala um pouco mais sobre a sua BH, blz? Grande abraço!!
  10. Flávia, tudo bem? Vocês já terminaram a viagem? Foram bem? Aguardo o relato da viagem de vocês, para comparar e atualizar os caminhos por esse Brasil! Grande abraço! Marcelo
  11. Caro Rui, Espero que você tenha feito uma ótima viagem, e agradeço pelos elogios. O sentido de fazer um relato é esse: ajudar outros viajantes a seguirem o caminho!! Grande abraço!! Marcelo
  12. Claudinho, Anotei a dica do bar da Vanda em Teófilo Otoni! Vou lá conferir em breve!! Grande abraço!! Marcelo
  13. Caro Guilherme, Valeu mesmo pela audiência! Quem sabe um dia eu faço uma coletânea de relatos, né? Grande abraço!! Marcelo
  14. Pessoal, Obrigado pelos elogios. Faço os meus relatos pensando justamente nisso, em ajudar o próximo viajante a encontrar informações que facilitem sua trip. É uma prazer dividir com todos. Andei um tempo afastado de relatos, mas voltei recentemente. Vou ver se volto a postar relatos aqui, ma enquanto isso, vocês podem encontrar as novidades no meu blog: http://cantinhodogibson.blogspot.com.br/ Aguardo a visita de vocês!! Grande abraço!! Marcelo
  15. Sao Paulo - Asuncion - Cochabamba (5/9) Meu vôo estava marcado para as 9h10, o que me obrigou a acordar bastante cedo para seguir para o aeroporto. Eu, com uma dor de cabeça daquelas, por causa das cervejas da noite anterior, segui para Cumbica na companhia da Iara. O dia amanheceu nublado e úmido, como havia tempo não ficava. Fiz uma conexão em Asuncion, a capital paraguaia. Uma horinha só, e aquele acanhado aeroporto bem cheio. Aliás, tive que atrasar o relógio em 1 hora, por causa do fuso. Embarquei para Cochabamba sem problemas. Curiosidade: durante os dois vôos, há um momento "free shop" onde vários produtos são oferecidos com imposto zero. E as comissárias de bordo todas se transformam em Marinetes, verdadeiras sacoleiras... (rsrs). Cheguei em Cochabamba num dia muito especial: El Dia del Peatonal. É um dia no ano onde fica proibido mover-se com qualquer veiculo automotor, e somente os táxis autorizados e de policia trafegam. É uma dia festivo, muita gente na rua, andando, de bicicleta e até a cavalo. Acabei me hospedando no Hotel Regina (calle España 636. Tel.: 423 4216), bem no centro da cidade. Paguei Bs. 440 (bolivianos), e fico dois dias. É um hotel bem confortável, tv a cabo, ducha caliente. Mas este gasto não estava previsto... Voltando ao Dia del Peatonal, andei muito misturado ao povo cochabambino. Cochabamba é uma cidade de gente jovem, muitos casais com filhos pequenos. Vi neste dia muitas ações de educação ambiental sendo executadas na prática, principalmente com as crianças. Experimentei um sanduba chamado sanduiche de chola, feito com uma carne de porco chamado chaka, uma saladinha de tomate, cenoura e alface por cima, vinagre e sal. Paguei Bs. 5, e aí testei duas coisas: como pechinchar preço na Bolívia, e ver se sobrevivo a comidas de rua por aqui. Por hora, me saí bem nas duas (o sanduiche custava Bs. 7... rs). Se você já ouviu falar de uma certa falta de higiene no que se refere à comida servida na Bolívia, eu diria que há um certo exagero nisso, pelo menos no que vi até agora. Mas realmente não existe um cuidado maior com a limpeza, não. A senhora que me serviu o sanduba fatiava o chaka e manuseava tudo com as mãos nuas, nem uma luvinha ou garfo... Bom, isso é Bolívia. Dicas: Na hora de jantar, me recomendaram um lugar chamado Panchita. É como uma rede de fast food. Se você não gosta de comida gordurosa, foge desse lugar, o pollo (frango) à la broaster, bem comum por aqui, é encharcado no óleo. Mas pelo que eu vi, acho que é assim em todo lugar... E eu doido para tomar um café, entrei num lugar chamado Brazilian Coffe (Av. Ballivian, não lembro o numero). Caramba, foi o pior café da minha vida, um copo enorme de um café aguado. E eles chamam este de café carioca... fuja! Cochabamba - 2º dia (6/9) O dia amanheceu belíssimo, céu azul e a cadeia de montanhas que circunda a cidade compõem um cenário lindo. Tomei o café da manha e fui cuidar de algumas coisas: conhecer a Plaza Principal (14 de Septiembre), procurar uma casa de câmbio, ir até o terminal de buses perguntar sobre ônibus para Sucre. Andei bastante, e senti a cidade e as pessoas nas suas "funções normais", o comercio bem ativo, os camelôs, as cholas vendendo de tudo o que se possa imaginar. Me chamou atenção uma que vendia um tipo de abacaxi: várias fatias numa bacia, aquele cheiro bom, e a cholita regando as fatias com o sumo que saia daquelas fatias todas. To fazendo uma coisa aqui que nunca fiz na vida: já assisti a duas missas para poder fotografar umas igrejas por dentro. Fazer o quê, ossos do ofício... Decidi ir a Sucre esta noite. Fiz umas contas rápidas, vai ficar mais barato, já que o bus para lá só sai as 20h30. Almocei em um restaurante vegetariano chamado Donal (Passaje Fidelia Sanches) por Bs. 19, comendo bem com direito a suco e sobremesa. Na sequência, resolvi encarar a subida do Cristo Redentor. Sim, aqui também tem um Cristo Redentor, e a estatua é bem maior que a do Rio. Encarei uma puta escadaria de centenas de degraus, coisa de 40 minutos subindo. Quase no final, cruzei com dois europeus descendo a escadaria correndo, um todo rasgado. Tinham sido assaltados. Resolvi não arriscar, fiquei por ali mesmo onde estava, a vista ali já era estupenda. Logo desci, o calor em Cochabamba é muito forte, se vacilar você pega até uma insolação. Voltei para o hotel, e comecei a preparar as coisas para a viagem. Sai do Hotel Regina por volta das 19h e fui andando até o terminal, a despeito de ouvir que não seria seguro, que seria longe... o problema foi outro! A atendente da empresa de ônibus me deu uma info errada, e acabei perdendo o bendito ônibus para Sucre! Carajo! Quatro empresas fazem esses trajeto, e perguntei em cada uma delas: não havia mais passagens. O jeito foi ficar num hostal em frente a rodoviária, Hostal Takana, com tv a cabo e ducha caliente, por Bs. 100, que depois de uma chorada ficou em Bs. 90. Vou decansar um pouco, e amanhã bem cedo vou comprar a passagem para Sucre - e tentar preencher o tempo até as 20h30. Dicas: Primeiro, sobre comida. Almoçar nesses restaurantes vegetarianos pode ser a salvação da lavoura! Por Bs. 15, 19, você consegue comer bem e passar o dia de boa. Segundo: não confie integralmente na info que te passam. Pergunte uma, duas, três vezes, até para pessoas diferentes. Caí nessa roubada e tive um gasto de Bs. 100! Sucre (8/9) Oficialmente, minhas férias começam hoje. Me dei conta disso dentro do ônibus para Sucre. Jeito interessante de começar as férias. O pouco que pude ver do caminho, entre uma cochilada e outra, foi que o céu estava estrelado como se eu estivesse no alto de uma montanha, e que o caminho que pegamos havia penhascos. Fiquei pensando se eles não fazem essa viagem a noite justamente para não assustar aos passageiros com a visão desses penhascos... Mas a noite, acordado, dá medo do mesmo jeito. Chegamos a Sucre por volta das 8h, doze horas de viagem. Cansado. Mesmo assim, fui até a central de infos turísticas pegar uns mapas e saber sobre hospedagem. A moça que me atendeu, Deise, uma simpatia. Vi algumas bem em conta mesmo (vejam abaixo, em Dicas), mas acabei escolhendo o Hostal Cruz de Popayan (calle Loa 881. Tel.: 644 0889). Ambiente gostoso, um casarão antigo muito bonito, com jardim interno. O quarto é sem banheiro privativo, mas tv a cabo e o café da manha estão incluso. Bs. 65, bom preço. Nem me atrevi a deitar, peguei as minhas coisas e fui andar. Sucre é uma cidade muito agradável, sem prédios altos e com uma arquitetura colonial lindíssima. É daquelas cidades boas para se andar, tudo está perto, e para ver gente e seus hábitos. Segui meio a esmo (a melhor maneira de se achar é se perdendo...), muita coisa me chamou atenção, mas acabei indo para a parte alta da cidade, um lugar chamado Plaza e Mirador de la Recoleta: uma praça legal com uma vista bacana da cidade. Fiquei ali, vendo as crianças jogarem bola, o povo passando. Continuei a caminhar, verdadeiramente me senti muito à vontade em Sucre. Lugares que visitei na sequência: Paróquia de San Lázaro, Templo de Santa Clara, a plazuela Bernardo Monteagudo. Foi então que eu me deparei com uma carreata em homenagem a Virgem de Guadalupe: os carros todos decorados com bichos de pelúcia, notas falsas de dinheiro, flores. Havia bandas, foguetes, tudo muito animado em plena Plaza 25 de Mayo, a principal da cidade. Fui seguindo aquela carreata por um tempo. Logo voltei minha atenção para a Plaza 25 de Mayo, lindíssima, cercada de vários prédios magníficos: sede do Departamento de Chuquisaca, sede da Prefeitura, Capilla de la Virgem Gaudalupe, La Casa de la Libertad. Fiquei por ali não sei quanto tempo, apreciando, até que o cansaço da viagem cobrou seu preço. Voltei ao hostal, fui dormir um pouco. Até porque até as 15h muita coisa fica fechada por causa da siesta. E foi por volta das 15h mesmo que eu me levantei resoluto a ver mais algumas coisas, estava empolgado com tudo aquilo. Acabei entrando e visitando a Casa de la Libertad. Foi lá que a declaração de independência da America foi redigida, e a da Bolívia foi assinada. O lugar é espetacular, e a visita custa Bs. 15, barbada. Foi lá que eu descobri que o primeiro presidente argentino era boliviano, nascido em Tose! (rs) Em seguida, entrei na sede do Departamento de Chuquisaca (sem palavras, belíssimo!) e finalmente o Templo de San Felipe Néri. Esse lugar me impressionou muito. O edifício é de 1795, mas está em perfeitas condições, Hoje é um colégio. Por Bs. 10, é possível andar á vontade pelo edifício todo, até o topo, onde há um mirador que te deixa boquiaberto. Valeu cada centavo gasto ali! Aproveitei para tomar um café (veja em Dicas...) num lugar bem legal, chamado Pueblo Chico, e assim fui terminando esse dia de rolês por Sucre. Sensação boa de tempo bem investido, sabe? A noite, voltei ao Pueblo Chico para comer um lomo muito bem feito, e tomar umas cervejas, as primeiras da trip. Não satisfeito, ainda fui tomar umas caipirinhas num boteco bem conhecido aqui, chamado Vieja Bodega. Dizem que é administrado por brasileiros. A caipirinha, pelo menos, estava muito bem feita! Dicas: Sucre é um lugar muito bom para achar hospedagens boas! Vamos às minhas sugestões: O HI Sucre (calle Guillermo Loayza), fica perto do terminal de buses, e cobra Bs. 39/50 (sem/com banheiro). Barato! O Gran Hotel (Av. Aniceto Arce 61) é um hotel de luxo, com restaurante, bar, lavanderia, puta ambiente bacana, ótima localização por somente Bs. 120!! Eu quase não acreditei. Muito barato pelos serviços. Para comer, tem muitos lugares bons. Eu achei o meu: Pueblo Chico (calle Calvo, bem na Plaza 25 de Mayo). É um misto de bar / restaurante / centro cultural, comida muito boa e nem tão cara. E servem uns cafés calientes muito loucos, todos com nomes de músicos e artistas. Recomendo. Sucre - 2º dia (9/9) Tirei o dia para ficar um pouco de bobeira. No café da manha me aproximei do pessoal que está hospedado no hostal: uma inglesa, um austríaco e um australiano. Foi um papo divertido sobre diversas coisas. A inglesinha em especial me chamou atenção: em oito meses de viagem pelo mundo, já conheceu Europa, África e América. Bem legal! Aproveitei a manha para conhecer o Mercado Público (calle Junin) de Sucre. Eu curto todo tipo de mercado público no mundo. Na Bolívia, a surpresa fica para o fato de ser mais limpo do eu imaginava. É bem agradável, muitos cheiros, cores e sabores. Experimentei um bocado de frutas, algumas próprias da Bolívia. Só achei um pouco caro: qualquer fruta custa Bs. 30 o quilo. Nota para uma fruta chamada chirimoya, bem parecida com a nossa fruta-do-conde, só que maior e mais doce. Bom demais. Considerações sobre Sucre: no trânsito, quase não há motos; o clima entre as pessoas é muito bom, leve; as crianças são especialmente simpáticas, é impressionante; as mulheres de Sucre são as mais bonitas da Bolívia, sem sombra de dúvidas. Depois desse rolê, voltei ao hostel e dormi. Dormi até as 17h. Entendi que estava cansado, e ainda nem cheguei a altitudes maiores (Sucre está a 2.300m). Não sei como eu vou reagir à altitude, mas vou fazer isso devagar. Ainda não precisei usar folha de coca. Para fechar o dia, comi uma pizza e fiquei vendo televisão. Acho que hoje estou meio preguiçoso. Vamos ver amanha. Dicas: Vá ao Mercado Público disposto a conhecer. Ande por tudo, e não se impressione com algumas coisas, tipo uma senhora tirando a pele de um cabritinho recém morto. Isso é Bolívia. Sucre a Potosí (10/9) Acordei hoje disposto a ir para Potosí. Essa idéia já tinha se fixado na minha cabeça desde ontem, e hoje eu já fazia os preparativos. Dei uma última volta pelo centro de Sucre, me despedindo desta cidade encantadora. Aproveitei para comprar frutas (chirimoya!) e alguns gêneros de higiene. Visitei também um lugar sobre o qual havia lido, a salteñaria El Pátio (calle San Alberto 18). As salteñas lá realmente são deliciosas. No Hostal Cruz de Popayan consegui fazer reserva no Hostal La Casona (calle Chiquisaca 460. Tel.: 623 0523) em Potosí e comprar a passagem pela cia. Transtrin Dilrey por Bs. 20. A viagem até Potosí foi melhor do que pensei. Saí as 13h da rodô, e às 16h estava na cidade de Potosí. Tirando o calor monstro e o motorista que não parava de buzinar, tudo correu bem. Potosí não impressiona logo de cara. Na verdade o terminal de buses fica longe do centro, numa região bem feia. Tomei o táxi até o hostal pagando Bs. 10. O hostal também não é tão legal como eu imaginava, a princípio, e agora estou em um quarto compartilhado, pagando Bs. 35. O foda é esse cheiro de europeu fedido no quarto...(rs). Saí para andar, aproveitar um pouco do sol, porque já deu pra sentir que Potosí é bem fria. Tirei algumas fotos, e acabei entrando em um lugar chamado Teatro Omiste, com uma fachada linda. Estou com dor de cabeça, e acho que já seja efeito da altitude. Acabei comendo um lanche (bom) e um café (ruim) num lugar bem legal, chamado 4060 m.s.n.m. (calle Ayacucho). Ainda com dor de cabeça, me pus a caminhar e tomar bastante água. Nesse meio tempo, acabei seguindo uma banda escolar que fazia seu ensaio na rua (!), e uma pequena multidão seguindo. Aproveitei para tirar mais fotos, a iluminação noturna de Potosí é bem interessante. De volta ao hostel, banho e um propósito: ir a um bar bem popular, para ver como o potosino se diverte. Acabei fazendo amizade com um garoto norte-americano chamado Ben, e fomos juntos a um bar chamado Infe Karaokê (calle Chuquisaca com Padilla). Lá conhecemos três advogados que comemoravam o nascimento da filha de um deles. Só posso dizer que foi uma noite bem divertida, tipicamente boliviana. Voltei bêbado para o hostal, e amanha estou ferrado: vou fazer o tour nas minas do Cerro Rico. Potosí (11/9) Depois da animada noite de anterior, não teve jeito: dormi com minha amiga bebedeira e acordei com a minha companheira ressaca. 7h da manha, e eu já de pé para me preparar para a visita às minas de Cerro Rico. Paguei Bs. 60 pelo tour, com todo equipamento incluído (calças, botas, jaqueta, capacete e lâmpada). De cara já não gostei do guia Jony, um cara meio metido a sabichão e com umas brincadeiras pra lá de sem graça. Seguimos para a mina, com uma parada num mercado de rua para comprar folhas de coca, sucos, álcool e dinamite para presentear aos mineiros. Depois de uma longa e chata explicação dos costumes mineiros, com direito até a provar do álcool que os mineiros bebem (96º GL!!), seguimos para as minas. Entramos na mina, separados em dois grupos: dos que queriam explicação em inglês e dos que queriam em espanhol. Fiquei no último, com um casal francês (Julian e Noemy). O guia pegou um pouco no pé da Noemy, com umas brincadeiras de cunho sexual. Tava chato e bobo. Sobre o tour: sinceramente, eu não recomendo. pega seu dinheiro e vá visitar o Petar, ou qualquer outra caverna no mundo. O tour não é turístico (deste aspecto eu gosto) mas tampouco é um tour realístico. Basicamente se anda em túneis, se vê a extração do mineral, mas não sei, eu não curti. No final o Jony ficou um pouco melhor e deu até pra dar umas risadas, mas a impressão ruim não apagou. Voltamos ao hostal e eu morto de fome corri para o restaurante mais próximo, El Empredradillo. Comi o menu del día, um pouco caro pelo que foi oferecido, e ainda perdi meu fleece, não sei bem onde. Fui obrigado a comprar um fleece novo, e achei que fiz um bom negócio: fleece North Face (usado) por Bs. 200 (algo como US$ 28). Não consegui descansar, acabei saindo e fui visitar a Casa de la Moneda, construção antiga e muito bonita, onde se cunhava as moedas usada aqui e na Espanha. A visita guiada custa Bs. 20, e vale a pena. Estou me sentindo muito cansado. Acho que é a altitude mesmo. A dor de cabeça não cede, no Maximo diminui. Tenho tomado muita água e mate de coca. Vamos ver como as coisas ficam daqui em diante. À noite, acabei indo ao bar 4060 m.s.n.m. de novo. Um lomito especial, água e mate de coca por Bs. 29. Preciso descansar, mas antes preciso decidir o que vou fazer amanha: ir a Uyuni, ou ir a Sucre buscar meu chapéu? Uyuni - (12/9) Levantei cedo, e já decidido: vou a Uyuni. Fiz um acerto com Ben, o garoto norte-americano, e ele vai pegar meu chapéu em Sucre, já que ele estará indo pra la mesmo. Pego o sombrero em La Paz, na recepção de algum hostel que o Ben vai estar. Hecho! Com esse problema quase resolvido, fui preparar minha ida a Uyuni: comprei minha passagem através do hostal mesmo, indo pela Flota Diana Tours, por Bs. 39 saindo as 11h. Arrumei minha mochila e no desayuno bati um papo com o casal francês Julian e Noemy, e peguei umas dicas bem legais e baratas sobre Machu Pichu. Segui para o "terminal" de buses que saem para Uyuni dividindo um taxi com uma japonesinha que não sei o nome ate agora. O tal terminal nada mais é do que um monte de ônibus encostados em frente a diversas agências improvisadas, numa avenida qualquer de Potosi. A viagem ate Uyuni não é exatamente fácil: sete horas de viagem, cobrindo 220km, numa estrada com um terço de pavimentação, e dois terços de terra. O calor, o ar seco, o sacolejo, tudo poderia fazer da viagem um inferno, mas ha uma coisa que compensa tudo: a paisagem absolutamente incrível desta região. As montanhas, o céu sempre azul, planícies a perder de vista. É espetacular! Quando se chega a Uyuni, você se dá conta que esta no meio do nada mesmo. A cidade é pequena e totalmente horizontal, cercada pelo deserto, ou seja, nada! A impressão é de terra desolada. O ônibus nem bem encostou, e começou a juntar uma multidão em volta do veiculo: são os representantes das agências, oferecendo roteiros para o Salar. Fui "atacado" por duas mulheres oferecendo os serviços, e comecei ali mesmo um leilão: quem oferece mais por menos? A coisa acabou rolando tanto que eu fechei desta maneira: tour de três dias, com esta noite já incluída em um residencial chamado Wara del Salar (calle Bolivar 84), e nos demais dias desayuno, almuerzo e cena, e com hospedagens e transporte também. Tudo por Bs. 550. Achei justo, alem disso o atendimento foi bem honesto na agência Olivos Tour (calle Ferroviária, quase em frente aos baños publicos). Quando estava fechando o tour, chegaram alguns viajantes que fizeram o tour de um dia, entre eles uma brasileira chamada Lilian. Ficamos conversando um pouco, os bolivianos olhando a gente... brasileiro conversando deve ser bem engraçado para eles. Fui para o Residencial Wara del Salar, tomar um banho e descansar. Logo sai para comer algo, encarei uma chuleta com arroz y papas por Bs. 10. Carne boa e arroz horrível. Ainda comi, em outro lugar, uma hambuerguesa muito boa por outros Bs. 10, e arrematei com uma bombita de dulce de leche por Bs. 2. Antes de dormir, liguei para casa a fim de saber se estava tudo bem. Amanha vou ao Salar. Dicas: Primeiro, recomendo fortemente a agência Olivos Tour. Rosemary, a mulher que me "atacou" quando sai do bus, e muito honesta e o preço foi justo. Para ficar hospedado, recomendo também com segurança o Residencial Wara del Salar. O dono, Sr. Gustavo, e muito simpático e foi muito atencioso. Do outro lado da rua onde fica o Wara del Salar, tem uma confeitaria muito boa pra fazer um desayuno e comer um hambúrguer bem feito. Salar do Uyuni - 1º dia (13/9) Ok, here we go! Saltei da cama e me pus a preparar para o tour de três dias pelo Salar do Uyuni. Comprei alguns gêneros de higiene, tomei um desayuno com mate de coca e duas medias lunas, e me encaminhei ate a agência Olivos Tour para começar o roteiro. Conheci o grupo que ia estar comigo nestes três dias: um alemão chamado Bastian, um casal alemão (Katrine e Phillipe), e pai e filha suiços (Papa e Marie). Começamos o tour pelo Cementerio de Trenes, um lugar onde estão depositados as carcaças de trens, maquinas e vagões. Tem muito lixo também... Seguimos para o povoado de Colchani, onde a turistada faz a festa e aproveita para comprar artesanato. Comprei uma chalina (cachecol) de alpaca, gostoso e quentinho, pois esta frio agora, e seria pior a noite. Seguindo, fomos ate a Isla del Pescado, um lugar muito interessante. É como se o Salar fosse o mar, e esta grande rocha com cactus fosse uma ilha. É ate difícil descrever, só vendo as fotos mesmo, ou estando la, claro. O nosso guia, um senhor já de certa idade chamado Sr. Octavio, nos preparou o almuerzo: pollo empanado con arroz e ensalada mixta. Almoçar em mesas de sal, no meio de um salar, e insólito. Depois do almoço, seguimos para a nossa hospedagem, um hotel também feito de sal, no povoado de Atulcha. Esse hotel e todo feito com blocos de sal, e apesar do frio lá fora e bem quente e aconchegante. Quando chegamos ao povoado, estava rolando uma festa típica, religiosa, chamada Fiesta de la Exaltacion: duas bandas bolivianas tocando em homenagem a pequena capela do povoado. Tem coisa mais boliviana que isso? Tomei chichila (tipo um refresco feito de milho) com as pessoas, foi bem legal. Na hora de dividir os quartos, acabei ficando no de numero 6 com o alemão Bastam. A noite, depois do jantar (sopa de aspargos, depois carne de llama com quinua), fomos para a festa novamente, agora com direito a tragos mais fortes, dança e boas risadas. Foi umas das minhas noites mais animadas na Bolívia ate agora. Ficamos todos meio borachos, e acabamos indo dormir, já bem tarde. A festa continuou, a bandinha tocando e o povoado em festa. Dicas: O que eu posso dizer? Aproveite cada minuto nesse lugar incrível chamado Salar do Uyuni. Salar de Uyuni - 2º dia (14/9) Fomos despertados bem cedo pelo sr. Octavio, nosso idoso guia. Enquanto ele preparava nosso desayuno, fomos ajeitando as coisas. Saimos por volta das 7h, sol jah no alto. Seguimos para o que seria o dia mais longo do tour, e tambem o mais cansativo. Passamos pelo Salar de Chiguana, um salar menor que o de Uyuni, mas igualmente bonito. Em seguida tomamos a estrada de areia ate o mirante do vulcão Ollangue, de cujo topo sai fumaça constantemente. Apesar do sol, faz muito frio nesta regiao. Quando se sai da Land Rover, nunca é desagasalhado. Na sequência, visitamos as cinco lagunas altiplânicas. A primeira (Cañapa), a segunda (Hedionda) e a terceira (Honda) tem uma coloraçao azulada e estao lotadas de flamingos, um espetaculo da naturaza. As duas seguintes (Charcota e Ramaditas) nao tem fauna. Depois dessa peregrinaçao por lagunas, seguimos adiante e cegamos ate o monumento natural Arbol de Piedra: como diz o nome, parece uma arvore de pedra, so que esculpida pelo vento. Esse mesmo vento que faz a gente se sentir dentro de uma geladeira, a despeito de estarmos em um deserto. Para fechar o dia cansativo, cegamos ao nosso local de pouso, e tambem o mais bonito de hoje: Laguna Colorada. Esta laguna se localiza dentro do Parque Nacional Eduardo Avaroa, que por sua vez esta dentro do Desierto de Siloli. A laguna eh uma imensa porçao de agua avermelhada, lotada de flamingos por todos os lados que se olhe, e rodeada de montanhas. Altitude de 4.278 m. Como havia sol ainda, segui ate o mirante para ver a laguna do alto. Foi um espetaculo, e valeu bastante a pena de um dia cansativo. A pousada em que estamos é bem rústica, com banheiros precários sem água, e quartos coletivos. Por uma noite, tudo bem. Durante o jantar, Phillipe trouxe um termômetro digital: 6º C dentro da pousada. Fora, ainda mais frio: 1º C !! A cena do dia preparada pelo sr. Octavio foi o prato tipico piquemacho, feito com cebolas, batatas fritas, salsichas, carne, tomate e ovos cozidos. Muito bom mesmo. Tudo regado a vinho, tinto e branco. Como nao havia muito o que fazer, fui dormir, assim como os outros. Amanhã vamos acordar muito cedo para o último dia de roteiro. Dicas: Por mais que se descreva muito bem, nunca é fiel a sensação de frio que se passa a grandes altitudes. É um frio que te vai ate os ossos, muito incômodo mesmo. Por isso, recomendo que traga equipamentos (roupas, principalmente) que suportem bem baixas temperaturas, pois assim facilita um pouco mais a sua vida nesse lugar lindo, mas inóspito. Salar do Uyuni - 3º dia (15/9) 4h45 da manha, e o nosso vetusto guia bate na porta do quarto. Nao sei quantos graus fazia naquele momento, mas a sensaçao era de que estava mas frio do que na noite anterior. Lavar o rosto e escovar os dentes foi uma tortura. Eu estava no piloto automático. As 5h30, depois do desayuno, seguimos. Nem sinal do sol. Meus pés estavam congelados, uma sensaçao que eu nao recomendo para ninguem. Ate o sol nascer, e até uma hora depois, o frio é absurdo. Nesse interim, paramos para visitar os gêiseres, soltando vapor d´agua quentíssimo a 5000 m de altitude. Deu um certo alívio ficar ali, pôr os pés e mãos naqueles jatos de vapor que saem dos buracos no chão, a cerca de 100ºC. Isso se dá devido ao contato da água no subterrâneo com a lava. Mas o cheiro de enxofre é forte, ou seja, cheiro de ovo podre… Seguimos adiante, ate um lugar bem legal: as águas termales. Ali tirei minha bota e meti meus pés naquela água caliente, de 28ºC a 30ºC e fiquei ali, só curtindo. Aquilo me salvou, de verdade. Me ajudou a espantar aquele incomodo que eu passava com o frio nos pés. As termales sao como uma piscina no meio do nada, de onde brota água diretamente do subsolo, também em contato com lava. Meia hora por ali curtindo, e tivemos que ir, agora para Laguna Verde, aos pés do vulcão Licancabur. A paisagem é um espetáculo: uma lagoa verde-claro imensa, e uma montanha avermelhada (o Licancabur!) ao fundo. Ali fiz um totem de pedra em homenagem a Pachamama, a mãe-terra. Ali ela caprichou mesmo! O tour seguiu, agora até a Laguna Blanca, que tem esse nome devido a sua coloraçao. Naquele momento se encontrava congelada. Ali o casal alemão se separou de nós: iriam escalar o Licancabur no dia seguinte. Deixaram saudades. A partir deste momento, técnicamente o tour acabou. So nos restava almoçar e encarar cinco horas de estrada empoeirada de volta ate Uyuni. Almoçamos em uma vila chamada Villa Mar, e depois rasgamos o deserto ate Uyuni, com algunas paradas para banheiro. As 18h, chegamos em Uyuni, cansados mas satisfeitos. Peguei com Rosemary (da agência Olivo Tours) meu bilhete de trem para Oruro, e voltei ao Residencial Wara del Salar, para uma ducha e também para poder arrumar as coisas para a viagem, que seria as 00h15. Me encontrei com Bastian, o alemao do tour, numa pizzaria chamada Arco Iris (plaza del Reloh) e ficamos ali, comendo, bebendo e papeando ate umas 23h, quando entao fomos para a estaçao de trem. O trem O trem que vai de Uyuni para Oruro me surpreendeu. Claro que eu fui numa classe boa (Ejecutivo), que seria como a primeira classe (ha ainda a Salón e a Popular). Paguei Bs. 101 e posso garantir que o serviço e bom. Logo quando entramos no vagao e achamos nossos assentos, ja nos foi oferecido um sanduiche de queijo e mortadela quente, mate de coca, travesseiro e uma manta boa para passar a noite. A viagem dura sete horas, das quais eu vi poucos minutos. Dormi a maior parte do trajeto, descansando um pouco do cansativo dia que tinha passado no Salar de Uyuni. No meu vagão, maioria absoluta de gringos. Dicas: Vale a pena investir Bs. 101 no trem que vai para Oruro: a viagem é mais tranquila, não tem poeira nem estrada ruim! Você chega as 7h em Oruro e, se quiser, vai para La Paz no mesmo dia (são tres horas em estrada boa). Eu sou suspeito para falar, ja que adoro trens, mas o serviço é muito bom mesmo! Oruro (16/9) Cheguei a Oruro, a cidade do Carnaval boliviano. Bastian e eu nos separamos aqui. Ele tem uma “família” boliviana em Oruro graças ao intercâmbio da irmã. Eu tenho um Hotel Hudson, por Bs. 120. Bom custo benefício. A idéia aqui é não fazer nada, apenas descansar e me preparar para os dias em La Paz. Procurei lavanderias por aqui, mas não existem. Acabei só usando a internet e indo almoçar num lugar chamado El Negrito, comida boa, serviço confuso, mas preço justo de Bs. 14. Fiquei de bobeira na praça principal, olhando as pessoas, o movimento. A praça é bem organizada, limpa. Fui caminhar um pouco, mas não há quase nada para ver. De interessante, o mercado Fermin Lopes, com algumas coisas bem típicas, e outras tantas made in China. De noite saí para comer alguma coisa, e acabei indo comer em um restaurante chamado Ardentia, uma boa truta defumada por Bs. 30. Para fechar, acabei comprando alguns doces por Bs. 8. Depois disso, só restou ir dormir. Amanha, La Paz. La Paz (17/9) Acordei às 8h. Fui tomar banho, e me dei conta que minhas sandálias havaianas tinham sumido. Fui furtado no hotel. Mas porque as sandálias? Fazer o que... Na hora do banho, um filetinho de água quente. Parece que o dia começou bem... Arrumei minha mochila e peguei um táxi até o terminal de buses e fui procurar uma flota de buses para La Paz. Sao várias, e acabei escolhendo na base do unidunitê: Flota Boliviana por Bs. 15, sendo que se paga o já famoso permiso de uso del terminal por Bs. 1,50. A viagem dura mais ou menos três horas e foi bem tranqüila, a estrada que liga Oruro a La Paz é a melhor que eu peguei até agora. Quase no final da viagem, que ia muito bem, sobe um rapaz evangélico e começa a pregar para os queridos hermanos. Ficou nessa uns 20 minutos (para mim, uma verdadeira eternidade), cantou, ajoelhou no corredor para no final fazer o que?! Ganha um doce quem respondeu "pedir dinheiro"... E o meu bom humor, que já estava meio abalado desde cedo, sofreu mais um duro golpe...(rsrs) Bem, estou em La Paz finalmente! Cheguei à rodoviária da cidade e me surpreendi com a infra do terminal, comparando com os moquifos por onde passei na Bolívia. Logo saí e fui procurar um taxi. A corrida saiu por Bs. 10 até o Hotel Torino (calle Socabaya, 457. Tel.: 2408667), cujo endereço eu tinha pegado de um folheto do Hostelling International. Fica num casarão antigo, que tem um pátio interno bem grande onde fica um restaurante. Os quartos são bem simples, e custam Bs. 45. Logo me ajeitei e fui arrumar algumas coisas. Primeiro, levar as roupas para alguma lavanderia, o que me custou Bs. 21 por três quilos de roupas sujas. Aproveitei um pouco e fui dar uma volta pela Plaza Murillo, a principal aqui de La Paz. É muito bonita e com vários prédios antigos e imponentes ao redor, além da capela. Um dos edifícios é o Congresso Nacional. Fui caminhando até encontrar um mercado público chamado Lanza, que eu já tinha visto em anúncios pela TV. É uma realização do prefeito de La Paz, muito bem organizado e limpo. Comprei um tipo de superbonder (se chama aqui La Gotita) para arrumar minha mochila, por Bs. 9, e o dinheiro vai indo... Continuando com a minha peregrinação, entrei em uma loja para comprar um chinelo genérico das havaianas numa loja chamada Manaco, e nesse lá se foram mais Bs. 12. Foda... O Hotel Torino conta com uma agência de turismo em seu interior, e fui lá perguntar sobre alguns passeios. Vou fazer uma pesquisa maior, mas os preços me parecem bons. Voltei a Plaza Murillo para passar um tempo olhando as pessoas e a quantidade assombrosa de pombos que existem nesta praça. Logo fui dar um rolê, conhecer outros hostels aonde possivelmente vou me hospedar daqui a alguns dias. Já decidi que vou ficar em mais de dois hostels por aqui. Acabei fechando um roteiro para visitar Tiahuanaco (ou Tiwanaco) amanha, por Bs. 50 (transporte), fora os Bs. 80 da entrada do parque. Quando me dirigia para o meu quarto, ainda na recepção, conheci um chileno gente boa chamado Fernando, que está aqui com mais dos amigos. Ficamos batendo um papo bem animado e bem politizado, regado a vinho e a queijo. Todos bem animados. Combinamos de sair para um bar chamado Mongo´s, bem conhecido por aqui.Ri muito com esses caras, além de Fernando havia também Marcelo e Henrique, todos com altas histórias engraçadas. Foi uma boa noite, muito divertida. Amanha eles partem para Arica (CHI), e de lá para Santiago. Acho que nasceu daí mais uma bela amizade nessa trip doida pela Bolívia e Peru. Amanha vou às ruínas de Tiahuanaco. Dicas: Olha, tem muitas agências de viagem em La Paz. Mas saiba que dá pra (quase) tudo por conta própria, exceto o biking pela Ruta de la Muerte, claro. Eu usei a do Hotel Torino e fui muito bem atendido. La Paz - 2º dia (18/9) Acordei cedo para ir a Tiahuanaco, cerca das 7h já estava de pé e logo desci para desayunar por Bs. 8. Exatamente às 8h22 chegou o guia da agência e embarquei no bus. O grupo estava composto por 12 pessoas, canadenses, americanos, alemães, franceses e três brasileiros ( eu e mais um casal). A viagem até Tiahuanaco dura cerca de uma hora e meia, pela mesma estrada que vai para Oruro. Setenta e dois quilômetros depois, chegamos a um povoado, e já se pode avistar algumas ruínas que serão visitadas mais tarde. Nosso guia do dia, um senhor chamado Teddy, torcedor do Atlético-MG (!!) e trilingue (se bem que o inglês dele parece de filmes classe B mexicano...) recolheu o dinheiro de todos para pagar a entrada do parque: Bs. 80 para estrangeiros, Bs. 10 para bolivianos. Começamos a visita pelo museu dos monólitos, com um monólito chamado Bennet (nome do descobridor da peça...) que data de 500 d.C. É uma peça de arenito com 7 metros de altura, todo esculpido em uma única peça. Impressiona bastante, ainda mais pelos detalhes e o tempo que está entre nós. Passamos para outro museu logo em seguida, que conta um pouco da história de diversas civilizações que de algum modo estiveram passando por aquele território. O museu é bem rico em material, mas a visita é bem turística, bem para gringo mesmo. Na saída deste museu conheci uma boliviana chamada Kimberly que estava meio perdida, acabamos integrando ela ao grupo. Passamos então para as ruínas a céu aberto. Sao quatro áreas com diversos tipos de ruínas, totens e monólitos. Levam-se uns quarenta minutos nessa visita, mas vale a pena, é história in loco. Nesse tour fiz amizade com o casal brasileiro, ou mais ou menos brasileiro como descobriu depois: Vânia e Jesse. Ela baiana, ele norte-americano. Gente boa, bom papo, foi bem legal. Kimberly ficou bem próximo da gente também. Para constar, ela é de San Ignácio Velasco (BOL), perto da fronteira com Brasil. Ficamos nesse "grupo" sempre juntos e conversando. Almoçamos por lá mesmo (Bs. 25 por uma truta) e por volta das 15h estávamos de volta a La Paz. Foi tudo muito tranqüilo. Nos despedimos de Vânia e Jesse, e eu e Kimberly aproveitamos para passear um pouco por La Paz. Era a primeira vez dela na capital boliviana. Passamos numa cafeteria, e depois fomos conhecer o Museo Nacional del Arte (calle Comercio com Socabaya), que fica bem na esquina do Hotel Torino. É um casarão do século 18, simplesmente fantástico, que abriga varias obras de arte. O museu fechou ás 17h30, e eu e Kim ficamos um pouco ali na Plaza Murillo, papeando e vendo aquele monte de pombos...(rsrs). Ás 18h eu fui embora, e Kim foi para o terminal de buses pegar seu ônibus para Santa Cruz de la Sierra. Estava na internet, quando conheci duas mineiras, Taís e Carol. Elas estão com um grupo de outros brasileiros no hotel, e começamos a papear sobre alguma coisas da Bolívia. Ficamos acertados de fazermos a Ruta de la Muerte (bike), vamos ver se rola. Acabei a noite ficando de boa, o cansaço bateu. Amanha, Chalcataya. Dicas: Muito protetor solar em Tiahuanaco, o sol pega forte lá. La Paz - 3º dia (19/9) Mais uma vez acordei por volta das 7h, desta vez para fazer dois roles: a subida ao Chacaltaya e o Valle de la Luna. A rotina de sempre: levantar, higiene, arrumar a mochila, descer para tomar o desayuno (desta vez mais encorpado, com omelete, Bs. 22). Subi de volta para a recepção do hotel, onde um casal brasileiro também espera pela chegada do guia, como eu: Paulo e Elza. Começamos uma conversa ali que durou quase todo tour. Eles vivem em Ollantaytambo, num sitio um pouco distante do centrinho. Quando eu passar para o Peru, farei uma visita a eles. Me deram dicas preciosas sobre alguns locais de ruínas incas ainda pouco exploradas e conhecidas, vamos ver adiante! Alias, nesse tour o que mais tinha era brasileiro: de dez pessoas, são 4 eram estrangeiras, o resto tudo Brasil, sil, sil...(rs) A van começa a subir em direção a El Alto, cidade vizinha a La Paz, e logo entra em uma estrada de terra. Paramos rapidamente para comprarmos provisões (comprei bananas a Bs. 2), e andamos mais uma hora quase, subida íngreme, já na montanha. Visual já começa a deixar o pessoal bem animado. Ate ali, a altitude não tinha causado estragos. Com a van chegamos ate o ponto onde o Clube Andino Boliviano tem um abrigo. Ali descemos e pagamos Bs. 15, dos quais não recebi nenhum voucher ou recibo, e começamos a penosa subida de 160 metros ate o topo da montanha. A mais ou menos 5.300 metros de altitude tudo fica mais difícil. Cinco passos, e você já esta sem ar!! E olha que eu já estou aclimatado. Uma senhora passou bastante mal. Só que o visual la de cima compensa qualquer sofrimento: se vê toda a Cordilheira Real, com vários picos nevados (Huayna Potosi, Condoriri), Coroico e ate parte de onde começa a Amazônia boliviana. É de impressionar e tirar o resto do fôlego que nos resta. No topo, 5.460 metros. Ficamos ali um tempo, apreciando aquela visão estupenda, ate que o guia, Juan, nos chamou. Era hora de irmos. Uma pena...mas valeu! Descemos então 2.000 metros, ate La Paz, e seguimos ate o extremo sul da cidade, cortando o bairro mais chique daqui (Zona Sur, alta renda mesmo!) ate chegarmos ao Valle de la Luna. É uma formação natural, como o fundo de um lago que secou e posteriormente foi erodido pela chuva e vento. Chato, previsível e dispensável. Na volta ao centro, um pouco do transito dominical de La Paz, e descemos perto do hotel. Eu, Paulo, Elza e mais um casal brasileiro fomos comer alguma coisa numa pizzaria chamada Napoli (Plaza Murillo) e ficamos papeando ali ate umas 18h, quando então nos despedimos. Eu fui descansar um pouco. De noite, sai para tomar um café no Alexander´s Coffe (calle Socabaya com Potosi), lugar agradável e bem quentinho nesta noite fria paceña. Logo depois sai caminhando, não queria dormir cedo. Sai por La Paz, desci a Av. 16 de Julio, uma das principais aqui, e que muda de nome durante o trajeto. No local em que ela fica mais bonita, mais iluminada, cheia de gente e de lojas, ela se chama El Prado. Vários jardins no meio da avenida, as pessoas sentadas, esculturas enormes. Tudo muito agradável. Uma das avenidas mais agradáveis em que eu já caminhei. Nessas eu acabei entrando num cinema, e resolvi ver una pelicula,"Ciudad de las Tormentas", nome local para o filme Green Zone (Zona Verde) com Matt Daymon. Ingresso a Bs. 20, pipoca (fria) a Bs. 4,50. E uma sala para quinhentas pessoas ocupada por 5 (eu e mais dois casais, sendo que um deles foi embora antes do fim...). Voltei caminhando, quase meia-noite, e bastante gente na rua ainda. Segurança e tranqüilidade. Isso é Bolívia. Dicas: Bom, Chalcataya não é nenhum Everest, mas se você não estiver minimamente aclimatado e preparado, vai passar mal. Eu vi uma senhora passar bem mal lá. Se for fazer, espere uns dias ate se sentir bem em La Paz. O Valle da la Luna é um passeio pra otário, nem o gringo mais inocente gosta daquilo. Cada um com a sua experiência, mas eu não curti e não recomendo. Altamente recomendável é passear pela Av. El Prado, bem devagar e tranqüilo. Escolha um café ou restaurante, e fique ali. Vale a pena La Paz - 4º dia (20/9) Dormir foi um pouco complicado hoje, graças a um grupo de jovens bolivianos que ficaram fazendo festinha no quarto até umas 2h30 da manha. Fucking hell... Pela manha, levantei disposto a fazer umas comprinhas de artesanato, coisa pouca e barata, e também fazer uma cotação de preços nas diversas agencias espalhadas na turística calle Sagarnaga. Acabei fechando com mais cara (!), sobretudo pela confiança e o atendimento atencioso que me passaram. A operadora do tour de bike pela Ruta de la Muerte foi a Madness, quinze anos no mercado. Paguei por esse tour com desayuno, almoço, piscina e ducha no final, transporte e todo o equipamento Bs. 488, o que corresponde a R$ 150, mais ou menos. Saio amanha as 6h30. Almocei num restaurante vegetariano bem bom, dentro do Hotel Torino, menu del dia por Bs. 20. encontrei o casal brazuca Paulo e Elza almoçando por ali também, e acabamos batendo um papo. Combinamos de tomar um vinho mais tarde, para eu pegar mais umas informações e dicas sobre Ollantaytambo (eles moram la, né!). Logo depois do almoço fui visitar um mirador conhecido aqui em La Paz, chamado Killi Killi, que fica num bairro bem alto chamado Villa Pavon. Daí se tem uma visão privilegiada de 360º da cidade. Impressionante, e este é de graça! Voltei cainhando desde o Killi Killi, e fui visitar uma rua bem especial aqui, a calle Jaen. É uma rua com passagem só para pedestre, bem estreita, e com casarões dos sec. 17, 18 e 19. Nesta rua se concentram quatro museus e variam peñas folkloricas, bares com musica típica boliviana. Como é segunda-feira, tudo estava fechado, menos o Museo de los Instrumentos. Por Bs. 5, você pode conhecer um museu muito interessante, tocar instrumentos, é uma viagem esse museu. E aproveita para saber um pouco mais sobre o seu criados, Ernesto Cavour, um maestro importante por aqui, tocador de charangos. Recebi um e-mail do Ben, o garoto americano, dizendo que meu chapéu (que eu havia esquecido em Sucre e ele fez o favor de pegar pra mim) estava na recepção de um hostel chamado Loki, aqui em La Paz. Fui buscar, mas disseram que não estava lá, pediram para voltar na quarta. Foda... Fechei a noite com o Paulo e a Elza, tomando uma botella de vinho e conversando sobre varias coisas. Vou passar uns dias com eles lá em Ollantaytambo, assim que entrar no Peru. Dicas: O melhor lugar para comprar lembrancinhas, artesanato e afins é na calle de las Brujas, lugar que ficou conhecido como Mercados de las Brujas. De bruxaria não tem nada, de mais bizarro só uns fetos de lhama ressecados... Chore bastante os preços, te garanto que vai conseguir uns descontos bons. E peca também uma yapa, que é um presentinho por comprar ali. Sempre dá certo. La Paz - 5º dia (21/9) Ruta de La Muerte por bicicleta. Teria de estar as 6h30 da manha em frente à Madness, para fazer o desayuno, que já estava incluído no esquema. Pedi ao senhor da recepção para me despertar as 5h30, mas é claro que o caríssimo esqueceu. Acabei levantando sozinho, ao som das badaladas da Catedral, que está em frente ao Hotel Torino. 6h15 e eu em frente à operadora. Foi chegando mais gente, éramos onze no total. Só eu de brasileiro. Bacana. O desayuno estava incluído, como já disse, e foi bem ao lado da operadora, em uma salteñaria snack como se diz aqui. Mas foi tão rápido que só consegui comer duas torradas! Logo saímos e nos foram passadas as instruções iniciais, apresentações e a distribuição do equipamento: capacete luvas, calça e um colete laranja, que identifica o grupo. Ganhamos ainda, cada um, uma camiseta como presente, escrita : Survivor Death Road (Sobrevivente da Rota da Morte). Subimos na van, e fomos em direção à estrada que liga a parte alta a Coroico, lá embaixo. Nesta parte, o visual é bem legal, montanhas por todos os lados. Ali são passadas mais recomendações, e finalmente nos liberam as bikes. Equipamento ok, boa manutenção. Nosso guia, Hector, gente boa e bem humorado. De repente ele pergunta: "Are you ready?" e assim começamos a descida de bike mais louca que eu já fiz. Esta primeira parte é toda feita numa estrada asfaltada, com um visual animal: altas montanhas, estava cercado de montanhas, e eu ali, naquela bike, descendo numa velocidade que fazia o coração disparar. É downhill puro, o vento na cara, adrenalina a mil. Eu me divertia, fazia ziguezague, ali me tornei uma criança. Teve gente que não gostou, duas sapatonas da Alemanha foram reclamar com o guia (!), el chico brasileño és loco. Que se f..., aproveitei muito! Fizemos algumas paradas ao longo do trajeto, uma inclusive para pagar Bs. 25 a título de manutenção da estrada, e outra para verificação da Policia Anti-Narco. Chegamos a um ponto da estrada onde saltamos das bikes e entramos nas vans novamente. Somos transportados até o início da esperada Ruta de la Muerte, uma estradinha de terra que vai bordejando penhascos imensos, curvas "cegas" onde não se vê o que vem adiante, e o cânion, um espetáculo da natureza. Chega a dar um medo mesmo, de passar batido nas curvas e cair nos penhascos. Mas a diversão está justamente aí! Adrenalina pura. Segundo as informações que tirei, esta estrada já existia há muito tempo, mas foi "melhorada" com o uso de prisioneiros de guerra paraguaios, na década de 30 e 40. Sao 68 km no total. Bom, o que posso dizer é que foi incrível. Já na parte final, cruzamos com muitos rios e cachoeiras que despencam dos paredões. A brincadeira acaba no povoado de Yolosa, eu feliz, cansado, adrenado, tudo junto. E com uma cerveja Huari na Mao, porque não sou de ferro. Daí seguimos mais 20 minutos, agora para um banho de piscina, ducha e almoço. Tudo já estava incluído. O local onde ficamos se chama Sierra Verde. As 14h45 voltamos para La Paz, mas s chegamos às 17h. Ganhamos um CD com as fotos da trip, maneiro! Na chegada, passei em uma farmácia e comprei umas latinhas de crema de lechuga, de chirimoya (para hidratar os lábios) e soro fisiológico. Aproveitei também e já comprei a passagem para Copacabana, amanha às 7h30. Eu estava bem contente, queria comemorar. Fui comer em um lugar típico boliviano, chamado Verona (Av. Marsica Santa Cruz com calle Colón). Dia 21/9 aqui é o Dia del Amor, e também início da primavera, tudo muito significativo na Bolívia. vários casais nas ruas. Acabei comendo um lomo montado fabuloso, o melhor até agora, do jeito que eu queria. Recomendo! Como era minha última noite em La Paz, resolvi tomar umas: fui ao Mongo´s de novo. Casa lotada, mas estava divertido. Acabei conhecendo uma turma bem legal, saímos do Mongo´s e acabamos a noite em um karaokê no extremo sul de La Paz, num bairro chamado San Miguel. Caramba, 3h da manha estava de volta ao hotel, daquele jeito...(rs) Dicas: Fazer o downhill pela Ruta de la Muerte é mais fácil do que parece. No grupo em que eu estava tinha todo tipo de gente: desde os que já andavam de bike há muito tempo, como os que só passeavam ao redor da quadra de casa. Então não tenha medo, na verdade tenha tenha medo sim, medo de não se aventurar. O resultado, no final, é ótimo! Copacabana (22/9) Acordei um pouco assustado, achando que tinha perdido a hora. Foi só um susto. Eram 6h30 da manha, e eu tinha uma hora até o bus passar no hotel para me pegar. Comigo, mais quatro brasileiros, todos de MG. Depois de nos pegar, o ônibus ainda passou no terminal, e aí lotou de jovens bolivianos. Puta barulheira...(rs) A viagem até Copacabana dura cerca de quatro horas, e o caminho é muito bonito, sempre margeando o Lago Titicaca. No meio da viagem, somos obrigados a fazer uma travessia de balsa em San Pedro de Tiquina: o ônibus vai numa balsa, e nós em um barco, pagando pela travessia Bs. 1,50. Quando se chega a Copacabana, o queixo que já está caído pela visão do lago durante o caminho acaba de despencar pela vista que se tem da cidade. Copacabana é realmente uma cidade muito agradável. Me hospedei num hostal chamado 6 de Agosto (calle 6 de Agosto), com baño privado e tv a cabo por Bs. 20. Logo saí para conhecer a cidade. Subi o Cerro Calvario, de onde se tem uma vista espetacular do Titicaca e da cidade. Desci do Calvario com fome, e fui almoçar no restaurante do Hotel Embassador (calle Bolivar com Calle Jareugui), comi um menu del dia com truta assada, prato típico aqui, bem legal e barato (Bs. 12). Acabei comprando o transporte para a Isla del Sol, mais uma noite num hostel da ilha e na volta o ônibus para Cusco, para o dia 24/9. Amanha às 8h30 pego o barco para a ilha. Aproveitei para ver a "praia" que o lago forma aqui em Copacabana. A praia homônima mais famosa, no Rio de Janeiro, deve seu nome a esta aqui. Só que aqui reina uma calma absoluta. Ficar contemplando o lago é entrar em outra sintonia, mais calma, respiração leve. De noite fui comer mais uma trucha, num restaurante bem na orla do lago. O dono, senhor Ramires, muito simpático, ficou conversando comigo, quando chegou uma galera brasileira. Logo nos enturmamos, trocamos impressões, idéias. Eles seguiam para La Paz. Eu, para a fascinante Isla del Sol. Dicas: Aproveite tudo o que Copacabana tem para oferecer, mas cuidado com os preços, alguns são bem abusivos. Internet por exemplo, é caríssimo. Já as trutas são baratas, e muito boas. Vá aos restaurantes da orla, são mais baratos e menos turísticos. Isla del Sol (23/9) Acordar cedo virou rotina para mim aqui na Bolívia. Hoje não foi diferente: levantei às 7h, e j disposto a aproveitar bem meu dia na Isla del Sol. Isla del Sol fica a duas horas e meia de barco de Copacabana, desembarcando na sua ponta mais distante, a ponta norte, onde eu desci. Logo somos recepcionados no porto por um guia da comunidade Challa Pampa, e somos convidados a comprar o ingresso que dá direito a ver todos os sítios arqueológicos da ponta norte, por Bs. 10. Você pode andar nos sítios sem um guia, mas tem que comprar o boleto. Nosso guia se chama Gérman, um verdadeiro guia de comunidade. O cara é extremamente simpático e conhece muito da região. Caminhamos, no total, pouco mais de uma hora visitando locais como a Piedra Sagrada, Templo del Inca, Roca Sagrada e a Mesa de Sacrificios. Os incas estiveram bem presentes na ilha, faziam sacrifícios ali, e consegue-se sentir uma energia diferente no lugar. É sobre tudo um lugar de paz, muita paz. O azul do Titicaca nos cercando a todo momento, incrível. Se eu pudesse resumir em uma palavra, essa palavra seria paz. No final da visitação, como "contribuição voluntária" de Bs. 10 para o guia (achei até pouco pelo bom trabalho dele), peguei a trilha que cruza a ilha de Norte a Sul. 12h45, e o sol não parece queimar muito, mas é engano: na altitude de 3.900 metros você quase não percebe, mas está torrando! Ajeitei a mochila e comecei a andar. Não dá para descrever com perfeição as paisagens desta ilha: o Titicaca parece um oceano, e na ilha chegam a formar-se até algumas praias (de pedra, não de areia). No meio da trilha há uma boleteria: mais Bs. 5 para poder fazer a trilha. E há um posto de controle mais adiante. Turismo convertido para a comunidade. Continuamos seguindo, andando por uma crista de onde sempre estamos vendo o Titicaca. Já no final, uma surpresa nao muito boa: mais uma boleteria, cobrando Bs. 5 para permitir a entrada ao poblado de Yumani. Ninguém me avisou desta cobrança e resolvi conversar com o senhor que cobrava. Acabei pagando Bs. 4, na verdade as únicas moedas que eu tinha ali. Quatro israelenses que também reclamaram (mas com mais arrogância, chamando o tiozinho de imoral!) tiveram de pagar Bs. 5 mesmo. Chupa! Passado esse imbróglio, fui procurar o hostel que eu já tinha pago em Copacabana: Hostel Puerta del Sol. Vista maravilhosa, condições precárias. Eram umas 15h e o dono não estava, quem me atendeu foi um rapaz simpático mas meio preguiçoso. Para piorar, dez minutos depois o rapaz sumiu, e adivinha quem tentava responder algumas perguntas básicas sobre o hostel? Uma menininha de uns oito anos chamada Ana, que estava sozinha ali! Insólito, puta irresponsabilidade. Devo dizer uma coisa: apesar dessas coisas, o povo da ilha é extremamente simpático. Na Bolívia o povo é muito simpático, mas na Isla del Sol a simpatia alcança um grau a mais. Esperei os restaurantes abrirem para comer uma trucha do lago. Escolhi o restaurante que pertence à família dona do hostel. Comida razoável para um serviço bem ruinzinho. Paguei caro, proporcionalmente falando: Bs. 50. E ficaram me devendo Bs. 5 ainda... O povoado de Yumani é bem pacato, não tem nada para fazer aqui. Depois do jantar, o jeito foi andar um pouco (só onde não tem escadaria...rs), apreciar a lua cheia maravilhosa que iluminava todo o Lago e em seguida fui dormir. Recorde total: 20h45 e eu deitado, escrevendo estas linhas. Amanha sigo a Cusco. Vou para o Peru! Dicas: Caramba, a Bolívia me surpreende cada vez mais... a Isla del Sol é um lugar impressionante, natureza e cultural juntas, em harmonia. Quem me conhece sabe que não curto guias e tal, mas esse aqui eu recomendo: Gérman Huanca. A família dele tem um hostal na parte norte, chama Hostal Inti Paxsi (do aimará, Sol e Lua). O cara é bom, simples e gente boa. Em Copacabana as agências não passam infos corretas, é possível ficar bastante dias na parte norte da ilha, há muitas coisas para fazer lá: trilhas, mergulho, pesca. Imperdível. Na parte sul a mesma coisa. Só não posso recomendar o hostal Puerta del Sol, apesar da simpatia e da vista linda, o lugar não está legal. Isla del Sol - Copacabana - Cusco (24/9) Acordei com a visão do Lago Titicaca ensolarado da minha janela. Meu barco de volta a Copacabana só sairia às 15h30, então teria que matar o tempo ali de alguma forma. Fui tomar o desayuno no mesmo lugar onde comi a trucha ontem: pão, geléia e mate de coca, por Bs. 10, mas só paguei Bs. 5, porque ela ficou me devendo. Logo sentei numa cadeira, que fica bem em frente ao hostal, aquela paisagem do Titicaca, a paz... dormi sentado. Acordei lá pelas 11h, sol na cara. Escolhi um outro lugar para comer, acabei ficando no Las Farolas, onde mandei ver mais uma truta, desta vez a la mantequilla, muito boa. Fiquei ali até a hora de descer para o cais, por volta das 14h15. No cais fiquei até as 15h30. Aproveitei e enchi uma garrafa de dois litros com água da Fuente del Inca, uma fonte secular de água. Na hora marcada, saímos do cais em direção à Copacabana. Vou sentir saudades desta ilha. Uma hora e meia depois, estávamos de novo na simpática cidade à beira do Titicaca. Meu ônibus para Cusco estava marcado para as 18h30, então tive tempo para uma ducha e pude arrumar um pouco as coisas. Tentei gastar todos os meus bolivianos que eu tinha, mas acabei com Bs. 7 no bolso, que tentaria trocar na fronteira com o Peru. Me surpreendi com a qualidade do ônibus para Cusco: poltronas confortáveis, banheiro interno... Flota Titicaca. Saímos no horário certo, bus quase lotado: alguns indo para Puno, outros para Cusco e alguns mais para Arequipa. Rapidamente chegamos à fronteira. Essa parte de documento, passaporte, visto é sempre um pouco tensa, mas me surpreendeu a rapidez: para sair da Bolívia, entrar no Peru e trocar moeda não levou nem 20 minutos. Foi bem prático. Cambiei os Bs. 7 que me restavam por s/ 2,50 (dois e cinqüenta soles) e US$ 50 por s/ 137,50. O câmbio já não é mais aquela baba que é na Bolívia, vamos ver se perde poder de compra também. Seguimos viagem, mas com um diferença: menos uma hora no relógio. Andamos por cerca de três horas, e começou uma chuva média a medida que nos aproximávamos de Puno. Parecia o cartão de visitas do Peru, depois de dias secos e céu azul da Bolívia. Na rodoviária de Puno, deixamos o confortável micro e passamos para um ônibus maior, confortável também, mas sem banheiro. A saída estava marcada para as 21h, mas sem chance: por causa da confusão na hora de guardar as bagagens, saímos às 21h30. Pelo que eu pude ver do caminho, vale a pena fazer de dia este trecho, a paisagem com a luz do luar já parecia bem interessante, imagine de dia. Cheguei em Cusco as 5h da manha. Dicas: Se agasalhe bem se for viajar a noite para Cusco, faz um frio absurdo de madrugada!!! Cusco - 2º dia (25/9) Fui abordado por um monte de gente na rodoviária,mas me safei de todos e fui sentar um pouco para pensar no que fazer. Tinha uma indicação de hotel dada pelo Paulo e a Elza, mas conferindo no mapa percebi que ficava bem distante da Plaza de Armas. Daí então que "permiti" a aproximação de uma senhora que representava um hostal chamado Hospedaje Conquista (calle Saphy 726. Tel.: 253929 / 984 693041) que fica a duas quadras da Plaza de Armas, cobrando s/20 por um quarto com baño privado. Fechei. Dividi o táxi com dois espanhóis que também iam para lá, e a corrida saiu a s/2 por cabeça. Eram umas 6h30 e eu tranqüilo, sem sono. Resolvi caminhar. Foi a melhor escolha. Cusco é uma cidade de difícil descrição e uma dezena de adjetivos. O impacto que causam as ruas de Cusco com seu casario, a atmosfera do lugar, tudo é muito forte. Quando cheguei à Plaza de Armas, não sabia nem para onde olhar. Fui circulando a Plaza, quando percebi que a Catedral estava aberta e não estava cobrando entrada (todas as igrejas de Cusco cobram entrada). Entrei. O que eu vi foi de me deixar paralisado. Difícil descrever, e as fotografias não são permitidas, então para quem não conhece, cabe só a imaginação. E vai ser pouco: a Catedral conta com 10 pequenas capelas dentro, cada uma dedicada a um santo. Enormes altares, entalhados em madeira ou pedra, cobertos com ouro. A beleza deste lugar é inacreditável. Já visitei inúmeras basílicas e catedrais, mas a de Cusco está na minha lista top cinco, top três até! Saí dali meio bobo, mas continuei a caminhar pela Plaza, até que a pilha da máquina acabou. Eram umas 8h30 e já estava com fome. Resolvi comprar queijo, presunto e pão em um mercado para fazer uns sandubas e assim economizar uma grana. Depois desse desayuno não agüentei e fui dormir. Acordei por voltas das 12h30, e resolvi tomar uma ducha e ir para a internet, atualizar um pouco o diário de viagem. Isso levou um tempo, devido ao tempo que eu fiquei "fora do ar" em Copacabana e na Isla del Sol. Dando um rolê, entrei em uma agência o comprei o tour para o Valle Sagrado por s/30 (só o transporte), mas amanha tenho de comprar o Boleto Turístico, que é uma espécie de passe que te dá direito a visitar 16 atrações em Cusco e na região em volta. Custa s/130, e sai bem mais em conta do que pagar por cada atração. Baita idéia. Vou comprar o Boleto em Pisaq. Alguns passeios perto da cidade vou fazer a pé, nada de tour. Fui mais uma vez para a Plaza de Armas, e fui abordado por umas meninas oferecendo massagem. O folheto mostrava uma paciente com pedras quentes, reike, tudo certo, mas o feeling dizia outra coisa. Agradeci e segui caminhando. Minhas suspeitas se confirmaram quando fui abordado por umas quinze meninas mais ao longo da Plaza, todas oferecendo massagem. Depois confirmei com um pessoal local, era sexo mesmo. As meninas não passavam de 15 anos. Outro lado meio chato de Cusco: as crianças quase te obrigam a dar uma moeda, ou comprar algo. Fui literalmente perseguido por uma menininha que queria vender um gorro, depois queria uma moeda, e finalmente pediu um hambúrguer, dizia que estava com fome. Este velho coração se apertou, mas resisti e não dei nada. Acabei escutando que eu era "malo". Putz...(rs). Comprei dois títeres de dedo (fantochinhos de dedo) mais pela simpatia de duas menininhas do que por outra coisa. Saí meio correndo, senão elas iriam me vender a Catedral...(rs). Tive de comprar um protetor solar, os dias na Isla del Sol me ensinaram uma dura lição: não se brinca com o sol na altitude. Quando estava na farmácia, começou uma chuva muito forte, deu até granizo! Fiquei abrigado esperando a chuva passar, e acabei me metendo em um restaurante pequeno e simpático chamado Mia Pizza (calle Procuradores 379). Comida boa, preço econômico. Como era sábado e Cusco tem uma vida noturna bem agitada, resolvi ir a um bar chamado La Chupiteria (calle Teqseccocha), um boteco pequeno mas divertido, para quem quer tomar umas e jogar conversa fora. Tomei dois pisco sour, mas não sei o que aconteceu, a coisa não bateu legal. Fui embora para o hostal e deu tempo de chegar ao quarto, onde fui obrigado a chamar meu amigo Raúúúl...(rs) Bom, só me restava dormir, amanha tenho o tour pelo Valle Sagrado. Dicas: Cusco é uma cidade ideial para quem gosta de andar, observar e perceber o cotidiano. Andei muito, e ainda não cobri 20% de tudo do que há para ver. Para os passeios ao redor de Cusco (Valle Sagrado) os preços são praticamente fixos, até porque esse monte de agências acabam formando um pool, onde você descobre que todo mundo faz o tour juntos. Turismo no Peru é quase uma máfia...(rsrs). Vida noturna, essa é a outra face de Cusco. Tem bar e restaurante para todo gosto e bolso, mas não espere ser atendido personalmente. Aqui você é só um cara que tem alguns soles, que eles querem. Mas rolam bastante promoções, uma delas é o 2 x 15, ou 2 x 18, você compra um drink (tem vários...) e ganha outro pagando só s/15 ou s/18. Vale a pena. Ruas calientes: Suécia, Teqseccocha e Procuradores. Sem contar, claro, a Plaza de Armas. Cusco (Valle Sagrado) - (26/9) 7h da manha de pé, 8h45 na porta da agência esperando alguém para me pegar. Chegou um cara, nem bom dia deu, falou sigame e aí começou minha aventura pelo Valle Sagrado, região importante de sítios arqueológicos perto de Cusco. Em dois dias aqui, já percebi uma diferença básica entre Bolívia e Peru: a simpatia. Creio que por ser mais turístico, no Peru o tratamento também é na base do "atacado". Pegamos o micro na Plaza San Franscisco, de onde saem vários outros micros em direção ao mesmo lugar. Excursões não fazem parte da minha filosofia, era uma sensação estranha. Primeira parada: Ccorao, um poblado que vive de vender artesanato para as excursões que param ali. A turistada desce alvoroçada, afinal são coisas para comprar... O pessoal da vila oferece mate de coca, Poe umas lhamas com crianças para os turistas fotografarem. Eu só observo. Seguimos. Paramos em um mirante para ver uma parte do Valle Sagrado do alto. Bonito mesmo. E entre uma foto e outra, vou driblando os vendedores de artesanato. Próxima parada: cidade de Pisaq. Também vivem de artesanato, coisas boas aliás. Aqui há um mercado, a comunidade se juntou para oferecer um melhor serviço. Temos vinte minutos, e o guia Vladimir (depois falo mais dele...) nos comunica que quem quiser ficar comprando, tudo bem. Os que quiserem ver as ruínas, entrem no ônibus. Voltaríamos a cidade de Pisaq em uma hora e quarenta minutos. Legal. Segui para as ruínas. não sem antes comprar o Boleto Turístico (falei dele no relato de ontem), o que me dá o direito de visitar 16 atrações em Cusco e arredores. As Ruínas de Pisaq é um lugar especial. E devo me render aqui à presença do guia Vladimir: sem ele ali, explicando muito bem o que significava cada uma daquelas construções, seria somente mais um monte de pedras. Bonitas, históricas, mas sem sentido lógico. Dizemos ruínas por força do hábito, estas construções estão aí a milhares de anos, e muitas continuam intactas. Pisaq se divide em alguns setores, como as terrazas enormes onde se testavam o plantio de novas espécies de batatas e milho, mais acima havia a "escola" onde eram passados os ensinamentos, e ao outro lado da montanha era o "cemitério", onde há cerca de dois mil buracos na montanha que foram usados como receptáculo mortuário. Não deu para ver tudo, tínhamos só uma hora para explorar tudo (impossível). Fala sério... Na sequência fomos a Urubamba: uma parada de quarenta minutos para almoço. Posso dizer que não conheci Urubamba. Nota engraçada: conversava com um suíço, e ele me falava (mal) de Lima. Assim que ele saiu para pegar uma sobremesa, levantou-se um senhor de certa idade já, provavelmente limeño, e me deu uma "bronca", dizendo para não escutar aquele muchacho, que Lima era linda e coisa e tal... foi engraçado. Adiante, seguimos para Ollantaytambo. De todos os lugar, o mais incrível. Apesar da lotação (e estamos na baixa temporada!), é um lugar realmente de impressionar os mais chatos. As montanhas, as terrazas, o suposto Templo do Sol, a maneira como eles tiravam pedras de uma montanhas a oito quilômetros , e traziam para baixo. Tudo impressiona e mistifica ainda mais os incas. Como faziam isso? Agradeci a Pachamama por estar ali. Uma hora e meia de visita. Pouquíssimo. Mesmo assim foi mais do que inicialmente seria o normal. O Vladimir teve o feeling de que todos estavam curtindo. Mais uma vez, as explicações dele complementaram a vista de forma maravilhosa. As construções, a História e sobretudo a energia de lá é marcante. Tentando sair de Ollanta, ficamos presos em uma carreata política, todo mundo gritando somos rechazados, mas no retrasados. Algo como somos excluídos, mas não atrasados. Dei minha contribuição também, gritei um pouco, afinal, somos todos sudamericanos, né...(rsrs) Conseguimos sair daquele bloqueio e seguimos para o ultimo lugar do tour, Chinchero. No caminho, já escuro, pegamos chuva. Chinchero é um lugar para lá de agradável, e a apresentação das mulheres que trabalham com tecelagem (o forte do povoado) é bem divertida, elas dominam o show. Depois vendem os tecido. Não tava a fim de comprar nada, mas deixei umas moedas como proprina pela apresentação e pela simpatia. Voltamos para Cusco, umas 19h estávamos de volta a Plaza San Francisco. Ainda passei num mercado, comprei umas coisas para comer. Mas me sentia muito cansado e fui para o hostal. Banho e comer alguma coisa. Amanha tem mais. Dicas: Não tem jeito, é meio "obrigatório" fazer o Valle Sagrado. Você pode fazer por conta própria pegando umas vans de cidade em cidade, mas sai mais caro e a presença de um guia legal é fundamental. Cusco - 3º dia perdido por inteiro (27/9) Levantei muito mal, o corpo doía e tive uma diarréia bem forte logo cedo. Não tomei café, nem comi nada. Mesmo mal, fui atrás da oficina da Peru Rail comprar os tickets do trem de Ollantaytambo para Águas Calientes e vice-versa. Acho que escolhi o esquema mais caro, mas a idéia de caminhar, na situação em que eu me encontrava, não era nada animadora. Fiquei preocupado quando alem de diarréia, comecei a ter ânsia de vomito. Não me lembro de ter comido nada fora do normal, mas sei que a situação estava drástica. Tentei um remédio caseiro, receita de mãe (maizena com limão) que ajudou um pouco, mas o mal estar permanecia. Dormi ate umas 16h e resolvi fazer uma vista a farmácia. A moca me passou dois remédios e sugeriu que eu tomasse com chá de anis ou manzanilla, que são mais digestivos. Fiz isso e parece que a situação deu uma aliviada, em partes. Mas foi um dia perdido, entre ida e vindas ao banheiro. Dicas: Remédio contra diarréia (descobri depois que era um antibiótico): Cifram 500mg. Remédio para a dor intestinal: Espasmodin. Remédio caseiro da mãe: duas colheres de maizena, sumo de dois limões, água potável, tudo em um copo de 200 ml. Oração de Sao Judas, o padroeiro das causas impossíveis: http://viveramarsonhar.loveblog.com.br/25503/ORACAO-A-SAO-JUDAS-TADEU/ Cusco - 4º dia (28/9) Levantei melhor que ontem. Os remédios ajudaram, mas ainda não me sentia totalmente bem. Mas eu estava disposto a conhecer algumas coisas na cidade que constavam no Boleto Turístico, e me preparei. Comi pão pita, uma banana, e tomei chá de manzanilla junto com os comprimidos para diarréia (que eu fui descobrir depois que se tratavam de antibióticos). Eram 9h15, e eu me sentia bem naquele momento. Mochila nas costas, fui ver o Museo Municipal de Arte Moderno (Plaza Cusipata). Não gastei nem quinze minutos lá, eram somente duas salas com telas e uma exposição de esculturas. Olho no Boleto: próximo local, foi o Museo Histórico Regional (Calle Garcilaso). Um museu interessante, que aborda os períodos pré- históricos, pré-incaicos, influencia Inca e depois espanhola. No segundo piso, só telas e móveis da época em que o Peru era Virreynado (uma condição que conferia certa autonomia em relação a Espanha, ainda que pequena). A casa onde esta instalado o museu pertenceu a um cronista e historiador do século 17, bem conhecido da cultura peruana, chamado Inca Garcilaso de la Vega. Depois da Casa Garcilaso, passei em frente ao Templo de la Merced (calle Manta). Estava fechado, mas ao lado estava aberto o Museo del Convento de la Merced. Entrada a s/6. Pensei se seria desperdício investir uma grana ali, mas esta dúvida foi só até o momento em que entrei no secular edifício. Seguramente, é um dos lugares mais bonitos de Cusco, quesito templos. O edifício é simplesmente espetacular, cheio de detalhes riquíssimos. Essa irmandade (mercedários) foi criada em Barcelona no ano de 1200, e chegou a Cusco em 1540. No museu tem uma infinidade de salas, mas me impressionou muito as "galerias", túneis abaixo do nível do piso, onde se dividia em duas câmaras: céu e inferno. As pinturas em cada sala estão firmes até hoje, e falam de pecado e redenção. Nestas duas câmaras há duas janelas pequenas, onde o povo podia chegar a fazer confissões ao sacerdote que ali encontrava-se enclausurado. Mas o melhor do museu é uma peca em ouro maciço, com pérolas e pedras preciosas, chama Custodia de la Merced. Difícil descrever a beleza dos detalhes, e fotos são proibidas. Ok, seguindo para o Museo de Arte Popular (Av. del Sol). Telas , esculturas e outras manifestações artísticas do século 20, interessantes. Me chamou muito atenção a coleção de fotos das três primeiras décadas do século 20, mostrando Cusco e algumas cenas do dia-a-dia. Bem legal. Segui pela Av. del Sol, e o Boleto me indicava o Museo del Sitio Qoricancha. Antes de entrar nele, desviei um pouco o caminho para ver o Templo de Santo Domingo, muito bonito. Mas só olhei, vou visitar quando voltar em Cusco. Desci e entrei em Qoricancha. Uma guia chamada Nieves se ofereceu (por s/15...) para me mostrar o museu. Topei. Sem dúvida, sem aquelas explicações a visita seria incompleta. Qoricancha foi o maior templo inca devotado as deidades (deuses). Os incas adoravam aos seres da natureza, ao Sol, Lua, estrelas...Qoricancha concentrava todos estes templos. Seus muros eram ornados com ouro. Com a chegada dos espanhóis, tudo foi destruído e saqueado, e construídas novas edificações sobre as antigas. Destruição sistemática mesmo. Na saída do museu não me senti bem. Tipo uma fraqueza. Tomei uma Coca-Cola, mas não adiantou. Segui mesmo assim. Próxima parada: Monumento Pachacuteq. Fui caminhando até ele, debaixo de uma puta sol. O lugar é interessante, uma torre com quatro andares, contando a história dos Incas (os "eleitos", governantes, não o povo). Pachacuteq foi um deles, dos incas que mais trouxeram progresso ao império antes dos espanhóis chegarem e acabarem com tudo. Por isso a homenagem. Eram 14h e eu tinha zerado o Boleto Turístico com as atrações de Cusco. Dei uma olhada no mapa e resolvi ver outras coisas que também valiam a pena. Visitei o Teatro Municipal, a Plaza San Franscisco, o Arco de Santa Clara, a Iglesia de Santa Clara, a Iglesia de San Pedro...ufa! Na Plaza San Francisco resolvi entrar em uma farmácia e explicar o que eu sentia. O carinha da farmácia foi bem legal, me receitou sais para a reidratarão oral (perdi muita água, e com ela os tais sais). Por isso me sentia fraco. Fiz a solução ali, na hora, numa garrafa de um litro de água mineral. Valeu, amigo! Me ajudou de verdade. Segui um pouco mais revigorado. Entrei no mercado de Santa Clara, um mercadão público que tem de tudo um pouco. Fiquei ali um tempo, andando e papeando um pouco, muitas histórias boas. Adiante segui, passei em algumas lojas, comprei umas coisinhas, e fui ver a Iglesia de la Compañia de Jesus, feita pelos jesuítas. Paguei s/10, é bonita, rica em detalhes, mas a Catedral é muito mais bonita, e foi de graça para mim... Continuei caminhando, fim de tarde já chegando, e com ele o friozinho. Na parte de trás da Plaza de Armas só encontrei surpresas: calle 7 Culebras, Plaza de las Nazarenas, Templo de San Antonio Abad, calle Huaynapata, calle Suécia e finalmente calle Procuradores. Voltei ao hostel, quase 19h. Deixei a mochila e saí de novo para comprar repelente e os benditos sais de reposição oral. Não tinha almoçado por medo da reação, mas tinha que jantar alguma coisa. Acabei indo ao mercado e comprei Miojo mesmo, o bom e prático macarrão instantâneo. Seguindo, aliás, recomendação daquele amigo farmacêutico lá da Plaza San Francisco. Comi e me senti bem. Não estou recuperado, mas já estou 80%. Antes de ir definitivamente para o hostel arrumar as coisas para amanha, rolou um lance bem legal: tinha uma roda de musica em uma praça perto do hostal. Cheguei junto e logo puxei papo com uma moca. Ela é de Portugal, chamada Mafalda. Tocava uma maraca. Papo vai, papo vem, descubro que ela é amiga de uma parceiro de trabalho, dono de um hostal na 13 de Maio, em Sao Paulo. Eita mundo pequeno esse, meu! Dicas: Fazer todas as atrações de Cusco que constam no Boleto Turístico é bem divertido, tudo é perto. Algumas coisas são meio micadas...No Sitio de Qoricancha, eu recomendo a contratação de um guia. s/15 não é nada, e você fica sabendo de vários detalhes bem legais do lugar. Vale e muito! A guia que me acompanhou é a Nieves Flores, cel.: 984 625788 Cusco - Ollantaytambo - Águas Cali entes (29/9) Apesar de estar tudo arrumado desde a noite anterior, algumas coisas ficaram para fora da mochila. Engraçado, a gente vai acumulando experiências e mais quinquilharias durante a viagem. E olha que eu não sou do tipo consumista, que compra por atacado. Saí da Hospedaje Conquista por volta das 8h da manha. Já deixei acertada a volta, talvez para o dia 4/10 (talvez!). Pessoal gente boa que trabalha na Hospedaje. Peguei um táxi na porta da Hospedaje. Até o local de onde saem as vans para Ollanta (chamada Av. Pavitos) a corrida sai por s/3. Mal o táxi encostou, o carro foi cercado, minha mochila "sequestrada", uma loucura: é a concorrência das empresas de transporte atrás dos "turistas" para Urubamba e Ollanta. Paguei s/10 por uma van bem confortável. No caminho vim conversando com um peruano, de nome Raúl, que é guia da região. Foi uma conversa bem didática sobre mulheres, bebidas e palavrões de Peru e Brasil...(rs). A viagem durou uma hora e quarenta minutos. Cheguei em Ollantaytambo as 10h, e o trem sai às 12h50. Muito tempo para observar. Pedi um café num bar perto da estação, e fiquei olhando o movimento: gringos e nacionales apressados querendo pegar o trem. 12h20, o trem chega e o acesso é liberado. Uma fila se forma, na verdade duas, uma de estrangeiros, outra de peruanos. Tudo é tranqüilo e organizado. O vagão do trem é bem bacana, assentos frente a frente separados por uma mesinha. Nos servem bebidas e tira gostos. Comigo vão um casal belga, acho que recém casados (por causa das brincadeirinhas infantis dos dois...) e um senhor norte-americano, muito simpático. Faz trabalhos voluntários pelo mundo junto com a esposa (África do Sul, Bolívia, Peru). Batemos um papo ótimo, foi bom saber das histórias dele. Uma hora e meia depois de sairmos de Ollanta, chegamos em Águas Calientes. A estação é simpática, e na saída somos atacados por um monte de gente oferecendo de tudo (esses "ataques" são normais no Peru, a gente se acostuma rápido). Peguei o primeiro que falou comigo e me hospedei num lugar bem razoável por s/30, chamado Hostal Number Two (calle Inca Roca s/n, ao lado do restaurante Los Incas). Baño privado. Águas Calientes fica toda esparramada em uma ladeira. No topo, um parque municipal com baños termales. Vários bares e restaurantes ao longo desta ladeira. De fato, é um lugar curioso e gostoso, tem um clima de descontração geral. Assim que eu me instalei, fui procurar comprar a entrada para Machu Pichu: s/126, e não aceita cartão nem dólar. O ônibus que leva e traz para lá custa mais US$ 14 (ida e volta), US$ 7 por trecho. Coisa para gringo mesmo. Comprei a ida, na volta pretendo fazer caminhando. Uma volta pela cidade, e percebe-se a exuberância da natureza aqui. Montanhas e mata. Clima amazônico, um calor úmido que é novidade para mim nesta viagem. Comi uma pizza e descobri que Águas Calientes cobra uma taxa de s/7 de todo mundo que come ali nos restaurantes. Por pagar com cartão, mais s/3. Porra! Exploração total! Fui andar, ajudar na digestão. Dei de cara com um comício político. Este tipo de evento deve ser igual em todo mundo: um bando de baba-ovos aplaudindo cada besteira que o candidato diz. Não agüentei muito tempo, subi a ladeira. Precisava arrumar a mochila para amanha. A última da noite: fui à recepção do hostal (que na verdade é um dos quartos...) pedir para que me despertassem as 3h30 da manha. A menina que me atendeu saiu com um macaco (macaco, mono, monkey!) pendurado no ombro. Muito simpática, me atendeu bem, disse que me acordaria, mas tentava a todo custo manter a porta da "recepção" (do quarto...) fechada. Num descuido, vi um monte de gaiolas com todo tipo de bichos. Acabara de descobrir que estava hospedado em um zoológico... Dicas: O trem de Ollanta para Aguas Calientes é um meio caro de chegar até lá, mas compensa pelo serviço e pelas pessoas que você pode topar. Tive altas conversas com o pessoal. Chegando em Ollanta, fica esperto, um monte de gente vai te oferecer coisas, mantenha a calma e tente escolher o melhor. Nem sempre dá certo...(rs) Cusco - Ollantaytambo - Águas Calientes (29/9) Apesar de estar tudo arrumado desde a noite anterior, algumas coisas ficaram para fora da mochila. Engraçado, a gente vai acumulando experiências e mais quinquilharias durante a viagem. E olha que eu não sou do tipo consumista, que compra por atacado. Saí da Hospedaje Conquista por volta das 8h da manha. Já deixei acertada a volta, talvez para o dia 4/10 (talvez!). Pessoal gente boa que trabalha na Hospedaje. Peguei um táxi na porta da Hospedaje. Até o local de onde saem as vans para Ollanta (chamada Av. Pavitos) a corrida sai por s/3. Mal o táxi encostou, o carro foi cercado, minha mochila "sequestrada", uma loucura: é a concorrência das empresas de transporte atrás dos "turistas" para Urubamba e Ollanta. Paguei s/10 por uma van bem confortável. No caminho vim conversando com um peruano, de nome Raúl, que é guia da região. Foi uma conversa bem didática sobre mulheres, bebidas e palavrões de Peru e Brasil...(rs). A viagem durou uma hora e quarenta minutos. Cheguei em Ollantaytambo as 10h, e o trem sai às 12h50. Muito tempo para observar. Pedi um café num bar perto da estação, e fiquei olhando o movimento: gringos e nacionais apressados querendo pegar o trem. 12h20, o trem chega e o acesso é liberado. Uma fila se forma, na verdade duas, uma de estrangeiros, outra de peruanos. Tudo é tranqüilo e organizado. O vagão do trem é bem bacana, assentos frente a frente separados por uma mesinha. Nos servem bebidas e tira gostos. Comigo vão um casal belga, acho que recém casados (por causa das brincadeirinhas infantis dos dois...) e um senhor norte-americano, muito simpático. Faz trabalhos voluntários pelo mundo junto com a esposa (África do Sul, Bolívia, Peru). Batemos um papo ótimo, foi bom saber das histórias dele. Uma hora e meia depois de sairmos de Ollanta, chegamos em Águas Calientes. A estação é simpática, e na saída somos atacados por um monte de gente oferecendo de tudo (esses "ataques" são normais no Peru, a gente se acostuma rápido). Peguei o primeiro que falou comigo e me hospedei num lugar bem razoável por s/30, chamado Hostal Number Two (calle Inca Roca s/n, ao lado do restaurante Los Incas). Baño privado. Águas Calientes fica toda esparramada em uma ladeira. No topo, um parque municipal com baños termales. Vários bares e restaurantes ao longo desta ladeira. De fato, é um lugar curioso e gostoso, tem um clima de descontração geral. Assim que eu me instalei, fui procurar comprar a entrada para Machu Pichu: s/126, e não aceita cartão nem dólar. O ônibus que leva e traz para lá custa mais US$ 14 (ida e volta), US$ 7 por trecho. Coisa para gringo mesmo. Comprei a ida, na volta pretendo fazer caminhando. Uma volta pela cidade, e percebe-se a exuberância da natureza aqui. Montanhas e mata. Clima amazônico, um calor úmido que é novidade para mim nesta viagem. Comi uma pizza e descobri que Águas Calientes cobra uma taxa de s/7 de todo mundo que come ali nos restaurantes. Por pagar com cartão, mais s/3. Porra! Exploração total! Fui andar, ajudar na digestão. Dei de cara com um comício político. Este tipo de evento deve ser igual em todo mundo: um bando de baba-ovos aplaudindo cada besteira que o candidato diz. Não agüentei muito tempo, subi a ladeira. Precisava arrumar a mochila para amanha. A última da noite: fui à recepção do hostal (que na verdade é um dos quartos...) pedir para que me despertassem as 3h30 da manha. A menina que me atendeu saiu com um macaco (macaco, mono, monkey!) pendurado no ombro. Muito simpática, me atendeu bem, disse que me acordaria, mas tentava a todo custo manter a porta da "recepção" (do quarto...) fechada. Num descuido, vi um monte de gaiolas com todo tipo de bichos. Acabara de descobrir que estava hospedado em um zoológico... Dicas: O trem de Ollanta para Águas Calientes é um meio caro de chegar até lá, mas compensa pelo serviço e pelas pessoas que você pode topar. Tive altas conversas com o pessoal. Chegando em Ollanta, fica esperto, um monte de gente vai te oferecer coisas, mantenha a calma e tente escolher o melhor. Nem sempre dá certo...(rs) Ollantaytambo (1/10) Acordei, como de costume, às 7h, e fui ligar para o Paulo, número de celular. Combinamos de nos encontrarmos na estação de Ollanta. 9h30 nos vimos. Bacana revê-lo. Conheci os dois em La Paz. Fomos caminhando pela linha do trem até a casa deles. Depois de vinte minutos, chegamos. A casa é simples, não tem energia elétrica, mas tem água quente no chuveiro (é a gás). Fica às margens do rio Vilcanota (ou Urubamba). Passamos o dia conversando, almoçamos uma comidinha caseira da Elza (ela cozinha muito!) e a tarde fomos para o centrinho de Ollanta comprar algumas coisas para levarmos amanha na caminhada que faremos até Las Canteras, um cerro bonito perto da casa deles, local onde os incas tiravam as pedras para a construção da fortaleza de Ollantaytambo. Comprei um vinho Gato Negro em caixinha longa vida (!!) e tomamos no jantar, em meio a um papo animado. Amanha cedo, Las Canteras. Ollantaytambo - 2º dia (2/10) O dia amanheceu frio e chuvoso. Tudo nublado. Desistimos de Las Canteras, seguimos para o centrinho para ver a possibilidade de caminharmos até Pumamarca. Sem chance, muita chuva. Entramos no mercado público de Ollanta e tomamos um combinado, mix de várias frutas batidas no liquidificador. Gostoso. O tempo se abriu de vez, sol, e resolvemos ir para Las Canteras. Infelizmente, antes de começarmos a subir, tive uma recaída da mesma enfermidade que me acometeu em Cusco, só que desta vez somente acessos de vômito. Fora de combate de novo...Sorte que ainda tenho todos os remédios, e no final da tarde já me sentia bem melhor. Tivemos que adiar para amanha a subida ao cerro. Ficamos conversando bastante tempo, até que deu a hora de dormir. Amanha, subir! Ollantaytambo - 3º dia (3/10) Acordei muito melhor, disposto e com vontade de caminhar. Hoje teria de subir o cerro, era o dia! Paulo e Elza também estavam bem dispostos e animados. Preparamos as coisas e fomos. Não tinha sol, mas também nem sinal de chuva. Muito bom para andar. O Paulo seguia na frente com o GPS. Como já disse, Las Canteras é um cerro onde os incas tiravam pedras para construir a fortaleza de Ollantaytambo. Distância de um lugar para o outro: 10 km, com um rio no meio. E levavam pedras de 10t, 15t de um lado para outro. Como faziam?! Mistérios... Seguimos subindo, subida forte. Vez ou outra o Paulo determinava um atalho, ajudou bem. Cerca de duas horas depois, a 3.650m, chegamos ao que é considerado como a "pedreira dos incas". Rocha avermelhada por todos os lados. O solo é bem seco, flora escassa. Ficamos descansando um pouco, comendo e papeando. Eu "atualizando" o casal sobre a política brasileira (hoje é dia de eleição no Brasil, e no Peru também). Ficamos um bom tempo nessa, até a Elza chamar para ver a "múmia". Seguimos por uns 200 metros adiante, e em uma gruta lá estava ela: uma múmia mesmo, na tradicional posição fetal das múmias incas. Ao redor, restos de outras múmias, algumas de crianças. Aquilo que eu vira de monte em museus, estava ali, ao vivo na montanha. Começamos a descer, bem tranqüilos. A descida foi mais ligeira que a subida. Por volta das 13h30, estávamos de volta à casa deles. Ficamos de conversa, fui tomar um banho e depois almoçamos. Aquela macarronada tradicional de domingo. Depois do almoço, fui ajeitar a mochila. Amanha volto para Cusco. As "férias das férias" acabaram. Amanha sigo caminho. De noite, fui ver na internet o resultado das eleiçoes o Brasil. Isso gerou bastante assunto com o Paulo e a Elza, até que todo mundo cansou e fomos dormir. Ollantaytambo - Cusco (4/10) Dia lindo de sol. Como para se despedir de maneira esplêndida dos meus amigos Paulo e Elza. Tomamos café juntos, papeamos um pouco e então por volta das 9h30, me despedi. Foram dias muito enriquecedores, agradeço ao Cosmo a oportunidade de te-los conhecido. Fui caminhando até a pracinha de Ollanta, e logo fui abordado por um rapaz oferecendo transporte para Cusco. A viagem durou exatas uma hora e quarenta minutos. Cheguei em Cusco novamente. Gosto daqui, me sinto bem. Fui procurar de novo a Hospedaje Conquista. Acabei ficando no mesmo quarto da primeira vez. O que eu tinha de fazer em Cusco: 1) terminar as visitas do Boleto Turístico; 2) fazer pesquisas de preço de equipamentos de montanha; 3) preparar a viagem para Arequipa. Fui procurar a guia Neves (aquela do Sítio Qoricancha), ela havia me oferecido transporte para os sítios arqueológicos perto de Cusco por s/15 (mais baratos que as agencias). A encontrei em Qoricancha e acertamos o tour. Ás 14h eu pegaria a van com um grupo. Aproveitei para dar uma vota e ver os preços de saco de dormir e botas. Preços bons, mas acho que em Lima consigo melhores. Corri ao hostal, fiz a mochilinha e voltei a Qoricancha. Ás 14h em ponto começamos o tour. visitando o Templo de Santo Domingo, que não faz parte do Boleto Turístico, e tive de pagar s/10 pela entrada. As ruínas do que foi o maior templo inca em Cusco estão na parte de dentro. É interessante. Seguimos para a famosa Saqsayhuaman, bonitas construções incas. Ali descobri que estava de saco cheio de tours, excursões e afins. Não agüento mais. Fiquei dando role, o guia falando pelos cotovelos... Próxima parada: Qenqo. Significa ziguezague em quéchua. Deve o nome a uma pedra, com uma "caverna" que ziguezagueia, até encontrar uma mesa ritual, também de pedra, onde se faziam trepanações cranianas (aumento do crânio). Seguindo: Puka Pukara. Ou Posto de Controle Vermelho. Mais do mesmo, tem uma vista bonita das montanhas. 200 metros adiante fica a entrada de Tambomachay, ou Lugar de Descanso em quéchua. É um templo dedicado a água, muito bonito. Os guias brincam dizendo que ali é a fonte da juventude, mas se você bebe daquela água, pode mesmo é ganhar uma diarréia. A água não é potável ali, uma pena. As 18h10 desço na Plaza Kusipata. Fome. Fui ao McDonald´s, mas estava caro pra caramba. Fui dar uma volta, e acabei entrando em um restaurante chamado Babieca (calle Teqseccocha). Caramba, pelo mesmo preço de um Big Mac eu comi muito bem: cause rellena (uma batata assada, fria, com recheio de frango), sopa criola (sopa com macarrão cabelo de anjo, fininho, carne e legumes) e um spaguetti ao pesto. Quer saber, fod#- o McDonald´s! Amanha sigo para Arequipa, entrei na reta final da trip. O cansaço, natural depois de tanta coisa e sensações, já começa a dar seus sinais. Dicas: Das ruínas que ficam ao redor de Cusco, eu curti mesmo Tambomachay e Saqsayhuaman. Saqsayhuaman você consegue chegar caminhando em meia hora desde os arredores da Plaza de Armas. Tambomachay fica a 11 km de distancia. Eu ia alugar uma bike e fazer tudo, e acho que essa é uma idéia bem interessante. Cusco - Arequipa (5/10) Mochila pronta, deixei o quarto número 2 da Hospedaje Conquista. Paguei e perguntei para a moca da recepção a que horas teria ônibus para Arequipa, se ela sabia dos horários. Eram 10h da manha. A moca me avisou que teria ônibus somente a partir das 17h. Balde de água fria, teria que esperar até a tarde para seguir viagem. Legal, já que é assim, assim será. Deixei minha mochila guardada no depósito (s/5) e fui tratar de enrolar um pouco. Internet, logo de cara. Fiquei um bom tempo, mas cansa. Resolvi andar, ver umas ruas, sei lá. Nessas, acabei achando uma bota de trekking com o preço em conta. Acabei levando. Passei no mercado e comprei macarrão instantâneo e suco, fui almoçar. Dá pra agüentar até mais a noite. Por volta das 17h, peguei um táxi e fui para o terminal de buses. Comecei a fazer uma cotação de preços, para saber quem fazia mais barato. Me surpreendi (positivamente) com os preços das passagens: s/25 a s/30. Eu imaginava uns s/80. Acabe escolhendo uma tal de Viacion Andoriña, contando com a minha habitual sorte para escolher a melhor. Paga-se também o permiso de uso do terminal, s/1,10. 18h45 o ônibus partiu, depois de muita bagunça para colocar as bagagens no bus. O indefectível pinga-pinga pegando passageiros que não querem pagar o terminal. Tudo "normal". De repente, o bus pára: problemas mecânicos. Nem na Bolívia passei por isso, tinha que rolar justo agora? Blz... Meia hora depois, solucionado o problema, seguimos. Meu colega de poltrona era um senhor artesão, que corre a América do Sul vendendo seus trabalhos. Me contou algumas coisas interessantes sobre os lugares em que já esteve (Equador, Colômbia, Venezuela...). Papo bacana. O ônibus andava devagar pelas estradas do Peru, e eu imaginando que fosse devido ao problema mecânico. Na primeira oportunidade, perguntei ao rapaz que recolhe os boletos o que estava acontecendo: um dos passageiros, policial, mandou "avisar" ao motorista que ele estava se excedendo na velocidade. A partir daí, o cara andava a 60 km/h (!!). Que Zico... Numa das paradas, mais confusão: venderam o meu assento e o do colega artesão duas vezes. Não tenho nada com isso, fiquei só olhando a discussão. Jogaram os rapazes que compraram dobrado para o bus das 23h... Para completar a zica rodoviária (aliás, a única até aqui), a menina do balcão mentiu quando me vendeu a passagem: disse que tinha calefação no ônibus, mas na real passei um baita frio, mesmo com fleece, gorro e luva. Mas que zica!! Dicas: NUNCA vá de Andoriña, é um lixo, de verdade. Pague um pouco mais e pegue a Cruz del Sur, Ormeño ou Julsa. Não vale a pena ficar nesse perrengue por causa de alguns soles. Arequipa (6/10) 5h da manha. Cansado, cheguei a Arequipa. Tratei logo de pegar um táxi, queria um pouco de descanso. Abri o guia do Viajante Independente e escolhi o primeiro hostal que meus olhos viram: Hostal Le Foyer (calle Ugarte 114. Tel.: 286 473). Lugar agradável, preço bom, s/25 sin baño, mas com uma tv (velhinha...). É aqui mesmo. Na parte de baixo do hostal fica um restaurante bem bacana, chamado El Turco (calle San Francisco 214), onde eu fiz o desayuno. Achei barato também, Arequipa parece ser bem econômica. Fui andar. Eram 8h, comércio ainda fechado. Tranqüilo para andar. Fui a Plaza de Armas e visitei duas igrejas, a Catedral e a de Santo Domingo. Arequipa é uma cidade de detalhes, cada beco que você entra descobre uma coisa diferente. Achei um lugar muito legal chamado Clausura de la Compañia, que faz parte de uma igreja jesuíta, mas hoje é um complexo com lojas e restaurantes, puta lugar gostoso de ver e ficar um tempo! Entrei em uma agência e contratei o transporte para ir ao Cañon del Colca, o cânion que fica próximo à Arequipa. Dois dias e uma noite, e na volta eu sigo para Lima. A moça da agência, Vanessa, deu umas dicas bem legais, bom papo. Ok, tudo certo para amanha, fui descansar um pouco, estava merecendo. Dormi até umas 15h. Depois um banho, e fui dar mais um rolê. Comi no El Turco de novo, dessa vez mandei ver um doner kebab, que é tipo um sanduiche de frango com queijo e um molho cremoso, num pão sírio. Muito bom e, o melhor, barato a beça (s/7)! Voltei ao hostel, mas nem esquentei a cama, sai de novo. Arequipa a noite é uma cidade bem movimentada, muito bonita com a iluminação noturna. O transito é o mesmo do restante do Peru: vale a lei da buzina. Chega a irritar... Comprei algumas coisas que faltavam para amanha, fiquei de bobeira um tempo e depois fui para o hostal. Amanha acordo cedo para fazer o tour para o Cañon del Colca, e prometo para mim mesmo que será o último da viagem...(rsrs). Depois disso, é Lima e voltar para Sao Paulo. Dicas: Arequipa é uma baita cidade. Bonita, barata, gente educada e simpática. Artesanato barato, se puder deixar para comprar aqui, você pode fazer bons negócios. Uma pena que não pude ficar mais tempo, é uma cidade a ser explorada, o pouco que eu andei já me surpreendeu bastante. Volto para Arequipa seguramente! Valle del Colca (7/10) Como de costume, quando se trata de acordar cedo para fazer tours, acordei sozinho, sem ninguém me despertar, ás 6h15. Como já estava tudo pronto desde ontem, fiquei esperando o guia que viria me buscar, algo que aconteceu somente ás 8h15. Eu e um norte-americano esperávamos pelo mesmo guia. Ficamos quase uma hora rodando atrás do resto do grupo, o micro passando e pegando o pessoal nos seus respectivos hotéis. Finalmente seguimos, grupo completo. Porque Arequipa é bacana? Porque não andamos nem quinze minutos, e estávamos rodeados de paisagens de montanha. O vulcão El Misti domina o horizonte, assim como o Chanchan. Estes vulcões estão entre 15km e 20km de distância do centro de Arequipa. Percebem o risco que isso traz em caso de uma erupção?! Paramos para ver viçosas selvagens na Reserva Nacional de Salinas y Aguada Blanca, que é uma região de planalto, grandes áreas retas com alguns cerros quebrando a linha do horizonte. E várias viçosas selvagens andando livremente. Para o visitante é proibido passar do acostamento da estrada. A fiscalização existe mesmo, e começa pelos próprios guias! Seguindo caminho, tudo vai ficando ainda mais bonito, com a estrada subindo até 4400m. Paramos algumas vezes para melhor adaptação de alguns (uma senhora quase desmaiou por causa da altitude). Numa dessa paradas, um cachorro mordeu um senhor peruano do grupo. A altitude deixa os cachorros meio malucos também... Chegamos em Chivay, a porta de entrada do cânion. Fomos almoçar. Logo depois seguimos para os hotéis, deixar as coisas. Escolhi um hotel dos mais simples, por uma noite só, tá valendo. Logo saímos de novo, fomos conhecer as termales de Caleras, águas vulcânicas a 39ºC, quente pra caramba! Mas relaxante. Nesse lance de tour, tudo é muito corrido, teríamos somente uma hora ali. Preferi ficar mais, fui embora de táxi depois e abri Mao do jantar em grupo, que seria em uma peña tradicional, com música típica da região (alguma coisa que eu comi no almoço não caiu bem; comida tem sido um tema meio indigesto para mim nesta viagem). Fiquei dando um role na minúscula cidade, fui até a pracinha central. Simpática. Depois fui descansar um pouco, amanha é dia de acordar muito cedo. Dicas: O Valle del Colca, nome do rio que corta este vale, é incrível. Na verdade, sinto não ter mais tempo para poder explorar mais, acredito que existam muitas coisas para se ver, além das que eu consegui passar. Valle del Colca - Arequipa - Lima (8/10) 5h da manha, e eu já de pé. Me sentia melhor do mal-estar. Na verdade, já estava acostumado com esses mal-estares... Desayuno marcado para as 6h, e logo em seguida partimos para a finalização do tour. Desde que se sai de Chivay em direção ao cânion, o cenário é espetacular. Paramos em um povoado chamado Maca, e tive ali meu momento turistas: tirei uma foto com uma águia dos Andes domesticada nos meus braços. Dei umas moedas ao dono do pássaro. A águia era enorme, e pesava uns 8kg a 10 kg! Seguimos, e o Cañon ficando mais profundo e mais extasiante. Em dado momento o guia informa que o Colca é o cânion mais profundo do mundo, com 4120m. A vista de diferentes mirantes é realmente de deixar de boca aberta qualquer um. Em alguns pontos os picos das montanhas estão com neve ainda, e compõe um cenário lindo. Chegamos ao Mirador Cruz del Condor por volta das 8h30. É deste mirador que se pode apreciar o vôo dos condores. E eles não decepcionam: aos poucos começam a aparecer um, dois, três...seis no final, e de lambuja um falcão! Havia uma multidão para ver os condores, e sem brincadeira, os bichos impressionam mesmo pelo tamanho e pela graça do seu vôo. Ficamos ali por uma hora. Acho que os condores sabem disso, já que logo após essa "apresentação" eles se refugiaram. Fizemos o caminho de volta, passando pelo povoado de Yanque, Chivay (parada para o almoço de novo, mas eu não comi!) e seguimos para Arequipa. O Cañon del Colca vai ficar na memória durante muito tempo. Chegamos de volta a Arequipa às 16h50. Fui comer umas hojas de parra (o nosso famoso charuto de folhas de uva) no El Turco, e já me preparar para ir a Lima. Subi ao hostal Le Foyer para pegar minha mochila, que eu havia deixado no depósito deles, gratuitamente. Dei uma idéia no rapaz da recepção e ele me deixou tomar uma ducha, tirar a poeira das estradas. Tomei a ducha e arrumei a mochila para a viagem, tudo bem rapidinho. Me despedi do pessoal do hostal, aliás um lugar que eu recomendo com toda certeza e que voltarei a ficar num eventual retorno a Arequipa. Muito bom serviço. Peguei o táxi até o terminal terrestre, já tinha decidido pegar a melhor cia de ônibus que houvesse, depois da experiência medonha com a Andoriña...(rs). Conversando com meus colegas peruanos de tour, todos foram unânimes em citar a Cruz del Sur como a melhor. Mais cara, mas a melhor. O que eu encontrei foi até mais impressionante do que eu imaginava. A Cruz del Sur parece uma cia aérea, desde a sala de espera, o despacho das bagagens, o serviço de bordo, tudo de primeira, muito atencioso. Paguei s/70 para ir a Lima, mas valeu cada centavo. Para se ter uma idéia, tem refeição, filmes, e até (pasmém!) um bingo dentro do ônibus, cujo prêmio é uma passagem, a ser usada em até trinta dias. Adorei! Depois do jantar, reclinei minha poltrona e fui dar uma descansada. Quinze horas de estrada, e estarei na ultima parada dessa trip louca: finalmente Lima! Dicas: Primeiro, dizer qualquer coisa sobre o Cañon del Colca é pouco. Vá! E veja tudo com calma, uma alternativa é alugar um carro e ir rodando tudo aquilo sem pressa, sem TOUR!.. Bom, a segunda coisa é: depois que você conhece os serviços da Cruz del Sur, você só quer andar de Cruz del Sur. É a melhor cia de ônibus do Peru, e tô quebrando a cabeça aqui para lembrar algumas cia brasileira que tenha serviço igual...é, acho que não tem não! Expedição Bolívia / Peru Lima (9/10) Cheguei em Lima por volta das 10h. Não existe rodoviária em Lima, a Cruz del Sur tem seu próprio terminal. Logo estava com a minha mochila, e peguei um táxi até Miraflores, o conhecido bairro de Lima. s/10 pela corrida. Ia para um hostel que eu vi no guia, mas durante o percurso fui convencido pelo taxista a ficar no Lion Backpacker (calle Grimaldo del Solar 139. Tel.: 447 1827). Claro, ele deve ganhar algum nesse esquema... Mas de fato o hostal é muito bom! Preço justo no padrão Miraflores. Miraflores se parece com Buenos Aires, com quadras retangulares e ruas extremamente limpas. Bares, restaurantes, parques e praças. Um lugar que te convida a caminhar. E eu aceitei. Andei bastante, entrei em livrarias, alguns bares, e acabei almoçando num restaurante árabe chamado Toboushe em frente ao bonito Parque Kennedy. Voltei ao hostel e separei umas roupas que iam para lavanderia (serviço caro em Lima, paguei s/20 por oito pecinhas de roupa) e depois fui procurar um câmbio. Andei pacas até encontrar um lugar aberto (já eram 18h de um sábado), depois de rodar por ruas onde o comércio de ouro, prata e jóias é enorme. Cambiei US$ 100 e resolvi descer a Av. José Larco, que leva até ao mirante do mar e ao Shopping Larcomar. No caminho fui parado em alguns lugares bem interessantes, como uma livraria só de livros e quadrinhos antigos, um bar do Jóquei Club, onde os freqüentadores ficavam apostando e torcendo pelos cavalos igual a torcida de futebol, entre outros tantos. Cheguei ao final da avenida, onde existe um mirante para o Oceano Pacífico. Lima fica em um "barranco", e lá embaixo está o mar. Muito bacana. Este mirante onde eu estava faz parte de um shopping center chamado Larcomar. Os limenhos tiveram uma baita idéia ao aproveitar este lugar, até mesmo eu que não suporto shopping gostei bastante deste! Voltei caminhando ao hostal. Me "perdia" de propósito, entrando em ruas bem cuidadas. Miraflores encanta de verdade. Meu dia estava acabando. Sem tesão para balada, me restou ficar deitado, descansando no hostal, assistindo Hellboy na tv a cabo. Amanhã vou ao centro de Lima. Lima - 2º dia (10/10) Caramba, Lima é uma cidade eternamente nublada! De manhã é difícil ver o sol, eu que estava acostumado a ter sol e céu azul todos os dias da trip. Domingo, estava decidido a ir ao centro, conhecer a Plaza de Armas e arredores. E assim foi. Para chegar ao centro desde Miraflores, escolhi o transporte público. Lima não tem metrô, resolveram investir em um modelo chamado metropolitano, mas que usa ônibus em corredores exclusivos. Com paradas e estações determinadas, onde sempre tem um (a) jovem com megafone orientando o público. Não existe bilhete, você precisa comprar um cartão magnético, com o valor inicial de s/5, e passar nas catracas. Usar o metropolitano custa s/1,50. Sei que funciona, é rápido e limpo. Boa solução! Cheguei ao centro, desci na Plaza San Martin. Bonita e grande. Andei nos arredores, muita gente na rua, comércio aberto. Os bares e restaurantes já se preparando para abrir. Muitos prédios coloniais, quase nada inca ou pré-colombiano. Segui pela calle Jiron de la República, uma peatonal (rua para pedestres) que leva à Plaza de Armas. Chegando lá, havia um desfile de gala militar, o povo aplaudia, e os soldados faziam evoluções, giravam os fuzis. As famílias vibravam. A Plaza de Armas de Lima abriga um palácio do governo. Bonito e hiper vigiado. Tem ainda a Catedral e vários prédios coloniais. Comecei a circular e acabei trombando com um desfile costumbrista, com representações de vários departamentos peruanos, alguns dos quais eu passei (Cusco, Arequipa). Curioso, parecia um "resumo" em movimento de coisas que eu vi nestes dias no Peru. Bem legal. Pena que a pilha da máquina acabou, e eu sem reservas... Fui almoçar em um lugar chamado Roxy´s, uma mega loja que vende frango de todo jeito. Comi um tradicional 1/4 de pollo, acrescido de anticucho (coração de boi no espetinho, gostoso) e chorizo (uma linguiça bem saborosa). Para arrematar, um sundae. Satisfeito, voltei a Miraflores. Passei a tarde ajeitando umas coisas para a viagem de volta. A noite, fui andar, pensar um pouco na vida. Saí "perdido" por Miraflores, e comecei a descer uma avenida chamada José Pardo. Essa avenida tem um canteiro central bem largo, transformado em área de convívio, onde se pode ficar sentado, ou caminhar. Muito bom. Caminhei até o final desta avenida, onde tive uma surpresa: ela termina com uma vista incrível para o mar. Ali começa um calçadão que vai a beira-mar, repleta de jardins, parques, pistas de skate. Por mais de uma hora caminhei por ali, até chegar ao Shopping Larcomar. Uma caminhada inusitada e agradável. Voltei ao hostal caminhando, claro. Passei em um super e comprei sucos e um quiche. Não me animei de novo para ir a algum bar/balada. Amanha, regresso para São Paulo. Lima - São Paulo (11/10) Acordei tarde neste último dia. A neblina de sempre sobre Lima e uma certa preguiça me fizeram ficar até um pouco mais tarde na cama. Últimas horas em Lima. Saí do quarto do hostal ás 11h, pus a mochila no depósito e fui dar uma volta. Hora do almoço, aproveitei para fazer uma refeição "leve": mais uma vez o insuperável 1/4 de pollo con papas fritas. Rápido e barato. Voltei ao hostel, peguei tudo e fiquei esperando o táxi. A corrida até o aeroporto é meio salgada, mas a distância é grande também, levei quase quarenta minutos até lá, sem trânsito. O aeroporto não fica exatamente em Lima, mas em uma cidade ao lado chamada Callao. O aeroporto Jorge Chaves é bem estruturado. Fiz os procedimentos, peguei a taxa do aeroporto (US$31) e embarquei, voando pela cia. Copa Airlines. Serviço bom até o Panamá. Já na conexão para São Paulo, o avião era inferior ao que eu vim anteriormente. De Lima para Panamá City (3h de vôo) avião com filme; de Panamá City para São Paulo (6h de vôo) não. Vai entender... Finalizando, avalio esta trip pela Bolívia e Peru uma experiência fundamental na minha trajetória. Não somente pelos lugares em que estive, mas sobretudo pelas pessoas e pela oportunidade de entender um pouco a filosofia dessa gente andina. Não foi uma viagem somente de deslocamentos físicos por belas paisagens, mas principalmente uma viagem "espiritual" por esses dois países.
  16. Fortaleza a Ubajara Acordei decidido a pegar o ônibus mais rápido possível para a rodoviária de Fortaleza, afim de comprar a passagem rumo á Ubajara (CE), cidade-sede do Parna Ubajara. Desde que cheguei a Fortaleza, estava ansioso por isso. Já na rodoviária, procurei pela empresa Guanabara. A passagem custa R$34,92, que o atendente obviamente arredondou para $35. O guichê da companhia é cheio de frescuras tecnológicas, mas o essencial (água disponível no ônibus para os passageiros, por exemplo) falta. Incrível. Comprei para12h30. A viagem dura, na estimativa, seis horas, para cobrir 437km; na realidade a viagem chega a durar quase 8 horas, devido principalmente ao péssimo estado da estrada (BR 222) até a cidade de Sobral (CE). Algumas linhas aqui para a minha percepção sobre o povo cearense: meio desconfiados no primeiro contato, logo se abrem em simpatia e conversa animada. Tive muitas experiências assim, contatos calorosos. Mais algumas coisas me chamaram atenção: a quantidade de sujeira e a falta de preocupação em se destinar o lixo para locais corretos; a obsessão por todo tipo de violência, nas conversas ou em programas de tv; e a cultura da miséria, esse estado de espírito que deixa as pessoas com um olhar vazio. Vi muito disso por aqui. Parada rápida em Itapajé (CE). Ao descer do ônibus, uma lufada de ar escaldante, em contraponto ao ar condicionado geladinho do ônibus, me deixou esperto. Vendedores ambulantes, um ceguinho na porta do bus pedindo dinheiro, e no horizonte, vários morros que compunham uma serra. Depois de Sobral, a paisagem se torna de um exuberante, e o horizonte recortado de montanhas. A estrada se torna melhor também. Desembarquei em Ubajara ás 19h40. Cansado, entrei no Hotel Paraíso (R. Juvêncio Luis Pereira, 504 tel.: 88 3634 1913), $35 por um apartamento. Depois de um banho, foi procurar algum lugar para comer. Ubajara tem muita gente jovem, e uma quantidade enorme e barulhenta de motos. Amanhã, o parque. Caminhando no Ubajara Acordei ás 6h30, disposto a seguir para o parque o quanto antes. A manhã surgiu um pouco nublada, e isso me trouxe alguma preocupação. Depois de um café da manhã com direito até a tapioca, fui em direção ao parque. Do centro até a entrada do parque são quase 4 km. Resolvi fazer a pé esse trecho, mas penso que pegar um mototáxi (por R$3) seja a melhor opção a seguir, já que o caminho não tem nenhuma grande atração, além de casas milionárias. Na entrada do parque me deparei com uma portaria bem estruturada, bonita. Conversei com um rapaz do PrevFogo do parque, de nome Gilberto, que me passou o recado: em parque administrado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes) só se anda acompanhado com guia. Fiquei meio azedo. Segui mais 300m adiante, até encontrar o centro de visitantes, e os guias. Meus argumentos não foram bem aceitos, não teve jeito: tive de pagar os R$4 para ter um guia “exclusivo” para mim. Ok, que seja então. Por sorte, o guia designado, Daniel, era gente boa. Bom conhecedor das trilhas do Ubajara. A trilha em si consiste em três circuitos, que juntos formam um só, num total de 7,5 km. Escolhi fazer esse completão. Comecei na Trilha da Samambaia, que leva até uma cachoeira chamada Gameleira, e ao seu respectivo mirante. Trilha fácil e um mirante lindo. Dele se vê bem a serra da Ibiapaba. No caminho, babaçus de todos os tamanhos. Na sequência, inicia-se outra trilha, que leva até uma outra cachu maravilhosa: a do Cafundó. A queda tem cerca de 70m, muito bonita. O guia me chamou atenção para uma plantinha chamada trape, cuja tintura alaranjada era usada pelos indios ubajaras que viviam na região; e um aglomerado de bichinhos que tomavam uma plantinha inteira, fêmeas de um inseto chamado teté. Na cachu do Cafundó, pude tomar um banho no poço. Revigorante. Depois da Cafundó, a parte final da trilha. Começa uma descida forte por calçamento estilo pé-de-moleque, centenário segundo o guia. Passamos pela Cafundó, pela parte de baixo dessa vez, e depois cruzamos um rio chamado das Minas. Nesse momento faltava pouco para chegarmos até a atração principal do parque: a Gruta do Ubajara. Para visitar a gruta, outro guia assume a monitoria. No meu caso, veio Josemberg. Atento, bom conhecimento. A gruta está muito deteriorada na sua entrada, devido a ação, durante anos, de visitantes e romeiros que frequentavam o local. Muitas pixações, e a falta de espeleotemas nos primeiros salões denotam claramente essa depredação. Depois da criação do parque, as agressões pararam, mas o impacto ainda é visível. Luzes amarelas ajudam a visualizar alguns salões, e os guinchados dos morcegos deixam a caverna “viva”. O odor da urina e fezes dos morcegos, algo meio ferroso, as vezes é incômodo. Mas cavernas sempre me causam espantam...e paz. Para finalizar, faltava pegar o bondinho. A gruta fica na parte baixa do parque; o bondinho te leva para a parte alta, onde fica o centro de visitantes e o início das trilhas. É a maneira rápida de fazer isso. Em 3min, você alça os 550m que separam as duas partes. Claro, existe um custo para isso: R$4. Já na parte alta, aproveitei para tomar uma água de côco. O dono da lanchonete estava fechando o estabelecimento, e acabou me oferecendo carona. Apesar da obrigatoriedade de guias, aproveitei bastante. Compreendo que o parque precise se preocupar com a preservação, mas percebi também uma certa intolerância no que diz respeito á possibilidade de um montanhista consciente andar sozinho por lá. O ICMBio nivela tudo por baixo, ou seja, qualquer um que por lá chegue é tratado como potencial causador de danos. E isso é uma postura que eu pessoalmente sou contra. Mas mesmo assim, considero o parque um dos melhores que eu já visitei. Fotos: http://mgibson31.multiply.com/photos/album/67/_Pq._Nacional_do_Ubajara_CE_-_Set09
  17. 1° dia – Chegando em BH, uai! (14/7) Meu vôo estava marcado para ás 13h. Cheguei ao aeroporto o volta das 11h50, sob a chuva típica desse mês de Setembro atípico. Trânsito intenso, mas cheguei a tempo de fazer o check in. O vôo foi um tanto turbulento no começo; segundo o comandante, era “uma linha de instabilidade sobre São Paulo” que fazia o avião sacudir bastante. Uma gordinha simpática e de rosto lindo na poltrona ao lado se abanava freneticamente. Botei meus óculos escuros e tratei de relaxar. Chegamos em BH pontualmente ás 14h. Sol e calor. O aeroporto de Confins é afastado da cidade, assim como Cumbica em Sampa. Me dirigi até a CIT local, onde fui bem atendido. Pessoal dinâmico e atencioso. Munido de mapas e infos, saí de lá já com uma certeza: quatro dias serão poucos. BH tem muita coisa pra se ver. Peguei o ônibus “convencional” para a rodoviária, ao preço de R$7,80. Em uma hora exata chegamos ao centro. Foi aí que começou um mini-martírio. Infos desencontradas me fizeram rodar á toa, atrás de uma pousada. Quando encontrei, travei um diálogo surreal com a atendente: - Olá, boa tarde!Vc tem um quarto? - Tem sim. Preenche essa fichinha... - Moça, onde tem um restaurante aqui?Tô cheio de fome! - Aqui não tem restaurante não... - Não?!Mas eu vi um aberto na outra esquina! - Mas fica aberto só até as 18h... - Tá certo...outra pergunta: vou dar uma volta mais tarde. Fica alguem na portaria, né? - Olha, moço, aqui não tem porteiro não...se você sair e voltar depois da meia-noite, a chance de entrar é mínima... - Espera...mas eu quero conhecer a cidade! - Olha moço, aqui é uma pousada que recebe atletas, gente que dorme cedo... - E eu vim tomar uma cerveja! Peguei minha mochila e fui embora. Parecia que a recepcionista queria mais que eu fosse do que ficasse mesmo. No way ficar ali. Pesquisei um pouco e achei um hostel HI no bairro de Sta. Efigênia. E lá fui eu!Táxi-lotação, infos com um pipoqueiro falante a beça, e finalmente uma informação correta com o sr. Raul, um simpático aposentado que me acompanhou até o Chalé Mineiro (R. Santa Luzia, 288. tel.:31 3467 1576). Entrei e fui recepcionado por Wender, um gay bem afetado. R$23 pelo quarto coletivo, e fiquei um tempo enrolando numa mesa do lado de fora, junto á piscina. Engatei um papo com Maria, uma advogada baiana que mora em Palma de Mallorca (ESP). Conheci também duas crianças negras, mal educadas pra caramba, acompanhadas de um americano que queria adotá-las. Meio non sense a situação. Depois de um banho, fui comer. Lasanha num botecão simples, a R$6,50, na Av. Brasil. Voltei ao hostel, onde terminei de escrever este relato, e saí para um forró que me foi recomendado lá no aeroporto, um lugar chamado A Casa. 2° dia – Belô Acordei meio de resseca. O forró foi muito bom, animado e gente bonita. Decidi, meio de ultima hora, para onde eu iria: Lagoa da Pampulha. Banho, escolha de uma roupa leve (o calor hoje bate na casa dos 30°C) e segui para o Centro. Peguei o ônibus 9801 até a Pça. Sete, e depois o 2004 para a Pampulha. O sistema de ônibus aqui em BH funciona bem, apesar de algumas reclamações por parte de alguns. Em 30min cheguei ao estádio do Mineirão, já na entrada da Lagoa. Resolvi fazer uma visita. Paguei R$6 por uma visita de 10min. Burocrático. Pelo menos a guia, Ellen, era simpática. Cheguei até o gramado, fiz fotos; o estádio é bonito e passa uma baita energia. Saí do estádio e caminhei até a Lagoa. É impressionante a beleza cênica deste lugar. Segui em frente até me deparar com a Igreja de São Francisco, obra de Oscar Niemeyer, assim como todo o complexo da Pampulha. O mural, a parte interna me pareceu ser de Portinari. É um lugar lindo, realmente. Ao lado havia um carrinho que vendia coco verde gelado. Com o calor que estava fazendo, nada melhor...acabei agarrando numa conversa animada com o dono do carrinho, um belorizontino engraçado chamado Márcio. Foi ele quem me deu a dica de um ônibus turístico que circunda a Lagoa. Esperei ali com o cara bem humorado até o danado do ônibus aparecer. Quando veio, subi e paguei R$1,60. E fui até o Museu de Arte da Pampulha. O museu estava fechado: reforma. Mas o entorno do museu é muito bonito, tranquilo. Aproveitei para fotografar. De volta á Lagoa, a dúvida: voltar até a Igreja de São Francisco e ver a Casa do Baile, ou ir para o Centro, e ver o Mercado Central?Optei pela segunda opção. O Mercado Central fica bem no centro de BH, e comparando com o Mercadão paulistano. E tem de tudo um pouco: comida, bebibda, bichos, doces e salgados. Panela, palha, madeira, brinquedo, faca, tecido. Tudo! E alguma coisa mais. Tomei uns chopps no Bar do Pelé, onde fui agraciado com uma porção de peixe frito pelo próprio dono. Comi, ouvi umas histórias engraçadas de tabela, e segui caminhando pelas alamedas do mercado. Fui maltratado numa loja de cachaças (cujo nome não e lembro), e acabei comprando minhas “marditas” em outos dois lugares. Nem sei quanto tempo passei ali, perdido por aqueles corredores. Lugar muito bom. Decidi ir embora, por hoje estava bom. Além do mais, estava meio “baleado” pela noite de forró anterior... No hostel, depois de um banho, foi á procura de uma outra casa de forró que haviam me indicado ontem: Casemiro Hot Pub. Noite de terça em BH é light, como eles mesmo dizem aqui. Pouca gente na porta, a beleza da mulher mineira sempre presente. Tomei umas brejas no carrinho de hot dog do Marquinhos, um figuraça bem conhecido da noite belorizontina, e fui embora ter um merecido descanso. 3° dia – Caminhando na Pena Acordei com um propósito: andar a Av. Afonso Pena, a avenida mais famosa da cidade, de cabo a rabo. No dia anterior havia visto vários prédios interessantes, queria fotografá-los. Saí do hostel por volta das 9h30. Peguei a Av. Brasil até o fim, pois queria passar na Pça. da Liberdade, um símbolo da capital mineira. Acabei conhecendo um dos lugares mais bonitos de BH. A praça é centenária, e desde sempre foi o centro administrativo da cidade. Hoje passa por uma transformação: todos os prédios históricos do entorno da praça se tornarão centros culturais, teatros e afins. Destaque para o futuro CCBB, um prédio simplesmente espetacular. BH vai se tornar uma referencia na área cultural, não tenho dúvidas disso. Fiquei empolgado e emocionado. Passei um tempão lá, andando e curtindo o coreto, os chafarizes (água limpa, e sem ninguem tomando banho dentro!) e o principal, as pessoas que passam ali. Dizem que nos fins de semana rola uma feirinha animada lá. Fica para a próxima. Voltando pela Av. Brasil, resolvi almoçar. quarta-feira é dia de prato tropeiro. Bela pedida. Paguei barato e comi bem. Satisfeito, fui em direção á Av. Afonso Pena, pegar um taxi-lotação até o mirante, e então voltar descendo a pé. Uma nota sobre os taxis-lotação: é um serviço que funciona muito bem. Fazem detereminada linha, no caso, toda a extensão da Av. Afonso Pena, por módicos R$2,40. Barbada! O taxi-lotação me deixou na Pça. do Papa, e dali caminhei até o mirante. Avista ali é muito interessante, e me surpreendeu: BH é bastante grande. E funciona muito bem como cidade. “Milagre” do planejamento. Iniciei a descida da Afonso Pena já meio cansado pelo calor. Neste trajeto vê-se muitas casas enormes, opulentas. Gente rica. O bairro é nobre. Descia num bom ritmo, mas meu pé sem meia começou a reclamar: o atrito dos dedos no All Star já fazia estrago. Parei numa farmácia e fiz um pit stop de emergência, onde comprei um rolo de micropore e praticamente enfaixei o pé. A dor sumiu. A caminhada já estava ficando enfadonha. Foi quando cheguei á parte baixa da avenida. Entrei no Palácio das Artes, dentro do Parque Municipal. É um centro cultural moderno, com cinema, teatro, livraria. Acabei vendo uma exposição sobre os 300 anos da Guerra dos Emboabas. E depois fui tomar um capuccino no Café do Palácio, que fica dentro do centro cultural. Muito agradável. Já quase de noite, ainda deu tempo de visitar a Igreja São José. Tinha uma missa, eram umas 18h. O centro estava lotado, afinal BH ferve ao cair da noite. Ainda mais com esse calor. Já no hostel, um banho rápido, e fui até um boteco ver o jogo do Atlético- MG. Torcida sanguinea; mulheres bonitas. E o Galo perdeu. Tudo normal, mineiramente normal. 4° dia – Adeus A quinta-feira amanheceu linda, ensolarada e quente. Um dia ideal para passear. Mas eu já estava de partida. Paguei o hostel, e saí junto com o Carlão, meu companheiro de quarto. Fomos pegar o metrô, que na verdade é um trem metropolitano. Desembarquei na rodoviária, guardei minha mochila no locker da rodô e fui dar uma volta. Antes comprei o ticket do ônibus para o aeroporto. Visitei o Parque Municipal, andei bastante por suas alamedas. É um parque lindo, realmente. BH é uma cidade que me surpreendeu imensamente. Não só pelas belas paisagens, mas também pela sua gente. Fotos: http://mgibson31.multiply.com/photos/album/65/Belo_Horizonte_Set09
  18. [b]1° dia – São Paulo a Urubici (4/9)[/b] Saímos de São Paulo ás 22h50, um atraso considerado pouco em se tratando de uma véspera de feriado nacional. A cidade abandona a metrópole. Seguimos para Régis Bittencourt (BR 116) rumo a Florianópolis. Trânsito intenso. O ônibus chega a Registro (SP) ás 3h30, bastante atrasado. O fluxo é intenso.Chegamos em Floripa por volta das 11h. As passagens para Urubici (SC) já estavam marcadas para as 12h: tempo só para um pão de queijo, uma volta na rodô e esperar a chegada do Rafael. Nesse momento, o grupo é formado por mim, Ronald, Cela e Rafael. O ônibus para Urubici inicia o caminho passando por algumas partes não tão interesantes dos arredores de Floripa. Lugares feios mesmo. Mas assim que começa a subir a serra, a paisagem muda drasticamente: belas formações, montanhas, araucárias, mirantes belíssimos. Chegamos em Urubici ás 16h em ponto. Sol e poucas vagas nos hotéis da cidade. Depois de uma consulta á CIT (Centro de Info Turística) local, conseguimos vaga na Pousada Arco-Íris. Dona Arlete, proprietária. Hospedagem a R$50 por cabeça. Deixamos as mochilas e fomos visitar uma atração local: a cachoeira do Avencal, distante doze quilometros do centro da cidade: alta, linda. Pegamos um taxi pilotado pelo sr. Pêta, morador de Urubici. Conforme íamos subindo, foi nos contando a respeito da cidade. Entre uma piada e outra, e ao som de Nelson Gonçalves e Odair José. Enfim, um figuraça! Pagamos R$3 por pessoa como “taxa ambiental” e entramos na propriedade. A cachoeira fica no vértice de um cânion. Opulente. Depois de passarmos um tempo lá, várias fotos e mais alguns “causos” do seu Pêta, voltamos á pousada cheios de fome. Depois de um banho quente (faz frio em Urubici!), fomos comer no bom restaurante Orégano´s: truta para três, e rodizio de pizza para um. 2° dia – Começa a travessia (5/9) Começamos o dia com mais três integrantes no grupo, que chegaram durante a noite: Luís HM, Chantal e Jolie, vindos do Rio. O dia amanheceu nublado, a perspectiva não era das melhores, mas prosseguimos com os planos: ás 7h30, o sr. Pêta chegou com mais outro taxista, para levarnos até o Morro da Igreja, ponto mais alto de SC, e início da trilha. O que não sabíamos é que havia uma barreira caída uns 10km antes do nosso destino, o que nos fez descer e iniciar a caminhada muito antes do previsto. Para nossa sorte, essa estrada é administrada pela FAB (Força Aérea Brasileira), que mantem uma importante estação de radar do sistema SINDACTA no alto do Morro da Igreja. E foi por conta disso que conseguimos uma carona com o cabo Wolfe e sua Kombi azul da FAB. Great! Descemos no ponto ideal de começarmos a trilha, e já tivemos um probleminha: o Luis esqueceu o bastão de caminhada dentro da Kombosa. Fazer o que...cruzamos uma cerca do lado direito da estrada e iniciamos de fato a travessia. Nem bem andamos 20min, e uma forte neblina cobriu toda a região. Nossa referência visual foi pro espaço. Ronald, o único que sabia o caminho, ficou desorientado, o que nos custou quase duas horas de incertezas. Com muito custo e perseverança, conseguimos avançar. Chegamos a uma espécie de fazenda meio abandonada, junto ao Rio Pelotas, lá pelas 16h, onde parte do grupo (os do Rio, menos o Luís HM) decidiram que iriam voltar para a casa no dia seguinte. Os de Sampa resolveram esperar para ver o tempo pela manhã seguinte, e só então decidir o que fazer. O grupo resolveu acampar e fazer um jantar. Foi muito agradável. Já mais tarde, com todos a bordo de suas respectivas barracas, fui testemunha de um belo luar, que iluminava minha barraca e o Rio Pelotas. 3° dia – A esperança e o dilúvio (6/9) O dia amanheceu com céu limpo. Conforme havíamos combinado, se isso acontecesse, seguiríamos em frente. Metade do grupo (Cela, Chantal e Jolie) resolveram voltar para Urubici. Subimos o morro e alcançamos um platô. Chegamos em uma cerca, pulamos e seguimos. Avistamos uma cadeia de montanhas, e logo a frente, os primeiros cânions. Alegria geral e esperança de visual. Seguimos. Mais uma cerca. Nem parece que a área é parque nacional, tamanha quantidade de cercas e propriedades privadas. Em frente até alcançarmos uma área bem plana a beira de um cânion. A paisagem deslumbrante nos fez ficar ali um certo tempo, contemplando e fotografando. Ali o vento soprava muito forte, intenso e gelado. Mas o tempo era limpo. Ao fim dessa área plana, um morrote e um banco de mata, em cujo final havia (mais!) uma cerca. A paisagem se abre num grande campo, vacas, vegetação queimada, quero-queros alucinados fazendo algazarra, e o vento gelado. Ea sequencia se repete: banco de mata, cerca, área plana. Nesse ultimo banco de mata, uma novidade não muito boa: chuva!Fina no começou, depois engrossada. Fomos obrigados a nos esconder numa espécie de estábulo. Assim que a chuva deu uma trégua, seguimos. Mas logo a chuva retornou, forte, e o vento mais fustigante ainda. As mãos gelavam. Minha mochila, sem proteção, estava encharcada. O Ronald sacou uma sombrinha colorida da mochila, que pouco adiantou. Andamos até onde pudemos, mas a situação nao era boa. Decidimos buscar um lugar melhor para acampar. Logo que achamos, montamos as barracas, aproveitando uma estiagem do tempo. O jantar ficou a cargo do Luis. Comemos. E dormimos. 4° dia – Tornado, chuva e desistência (7/9) A noite foi terrível. Fomos colhidos no meio de uma tempestade na madrugada, chuva torrencial e ventos fortíssimos. As barracas dos colegas se encheram de água. Felizmente, não tive esse problema. Na manhã, acordei preguiçoso e cansado. Minha esperança era que o tempo se abrisse e pudessemos aproveitar melhor a caminhada; mas naquele momento o que havia era frio, chuvisco e tempo fechado. Arrumei minhas coisas, respirei fundo e segui com os outros. Naquele momento não chovia. Mas isso durou pouco. Cruzamos mais uma mata, cerca, mais um banco de mata, e muito terreno alagado. Quando avistei o cânion Laranjeira sendo coberto pelas nuvens que subiam a serra, empurradas pelos ventos, desanimei. Percebi que a travessia estava ameaçada ali. Logo em seguida, o grupo decidiu abortar a tentativa de travessia. Foi uma sábia decisão, já que a chuva engrossou a partir daquele momento. O vento frio castigava o corpo já molhado; o terreno encharcado, típico dessas serras, tornava a caminhada mais penosa ainda. Ronald, já conhecedor desses caminhos, nos sugeriu sairmos por uma fazenda, 4km do ponto onde decidimos desistir. Seguimos. Não sei dizer quanto tempo andamos. Para mim, pareceu muito. Para chegarmos até a fazenda, tivemos que cruzar campos alagados, as vezes até o joelho!E cercas. As benditas cercas. Na fazenda, encontramos o dono, sr. Assis. Foi muito simpático, nos indicou a estradinha de que nos levaria até Bom Jardim da Serra (SC). Treze km até lá. Pegamos essa tal estrada para Bom Jardim com o tempo estiado. Com uns quatro km andados, apareceu uma Kombi escolar, pilotada pelo sr. Suedes, que nos caroneou até a cidadezinha. Chegando lá, nos hospedamos no Hotel Morada dos Pinheiros, lugar simpático administrado pela sra. Rose e pelo sr. Aderbal. A noite ainda deu tempo de comer uma truta e papear um pouco, ouvindo as histórias do Luis HM. Ano que vem prometemos fazer de novo, e dessa vez, terminar. Fotos: http://mgibson31.multiply.com/photos/album/62/62
  19. Já tinha ouvido falar bastante na travessia de São Francisco Xavier (distrito de São José dos Campos/SP) e Monte Verde (tb um distrito, mas da cidade mineira de Camanducaia) nesses dez anos de trekking que eu completo em 2009, mas por essas contigências da vida, nunca havia conseguido planejar essa trip anteriormente. Com dois dias de folga, finalmente tive a oportunidade de seguir em frente e fazer essa travessia famosa, talvez uma das mais clássicas da Mantiqueira. Acordei ás 5h da manhã, afim de poder fazer as conexões em SJC o mais cedo possível. A passagem custou $ 17,30 e eu embarquei no ônibus das 6h15, com sono, mas empolgado com a oportunidade. Desembarquei ás 7h45 na nova rodoviária de SJC, com o tempo fechado. Fiquei um pouco apreensivo quanto á possibilidade de belos visuais. O ônibus para S. Fco. Xavier sai da plataforma 16 da rodoviária; saímos ás 8h em ponto, um ônibus simples da viação Oito Irmãos. Paguei $4,60. São mais 1h40 de viagem subindo a serra da Mantiqueira, passando por Monteiro Lobato (SP), antes de chegar ao ponto inicial da travessia. Cheguei a S. Fco. Xavier ás 9h36. Fui até uma padaria, um café com leite e um pão na chapa, um papo rápido com um cara que quis me empurrar um guia, e depois passei no CAT, o centro de informação turística de São Francisco Xavier. Depois de um papo com a simpática Ana, peguei um mapa e segui em direção á fazenda Monte Verde, onde de fato se inicia a trilha para Monte Verde: eram 10h. Da cidade até o inicio da trilha tem cerca de cinco km, numa subida dura e sem trégua. O tempo abriu, e o sol pegou forte; junto com a subida impiedosa, causa no caminhante um desgaste muito forte. Um ponto de água, junto a uma espécie de altar para Nsa. Sra. Aparecida. E subida, subida...cheguei na porteira da fazenda Monte Verde por volta das 11h20, e cruzei com dois caras de SJC (Leonardo e Anderson) que tb estavam subindo, mas tinham como destino final o mirante (é como a galera da região chama o Pico da Onça). Como nossos ritmos estavam parecidos, fomos juntos papeando. Os caras já haviam feito a trilha algumas vezes, e passaram uns toques legais da região. Gente boa os dois. A subida não pára até chegar a uma bifurcação, exatamente a que separa a trilha que leva ao mirante (Pico da Onça...) e a continuidade da trilha até Monte Verde. Até chegar ali, passei por três pontos de água muito bons. Como eu havia me distanciado dos dois colegas num determinado momento, e chegado antes na bifurcação, esperei a chegada de ambos para me despedir, e assim aproveitei para descansar um pouco. Quinze minutos depois, Leonardo e Anderson chegaram. Me despedi dos dois, e segui para Monte Verde. Eram 14h07. A partir da bifurcação, o caminho aplaina e começa uma descida suave e constante. A trilha está em muitos pontos tomada pelos bambus que caíram com a recentes chuvas (afinal, é verão). Um momento interessante é quando se chega ao chamado Bosque dos Duendes, uma área dificil de descrever; parece mais com umas imagens que vi da Nova Zelândia. É bem interessante. Árvores que se espalham, o chão coberto de folhas, os raios de sol que vazam por entre a copa das árvores...paisagem agradável. Caminha-se sempre em suave declive, até chegarmos ao fim da trilha, junto a uma propriedade da Horizontes América Latina, uma missão católica. Dali tomamos á esquerda e seguinos por uma estradinha de terra, cheia de belas casas, até as proximidades do centro de Monte Verde (a rua termina ao lado do banco Bradesco). Seguindo as indicações do relato de uns colegas montanhistas (Ronald e Rafael), segui para a Vila Operária, em busca de hospedagem barata. Já bem cansado, entrei na primeira que eu vi...fiquei na Pousada Dona Ana (R.da Represa, 215 tel.: 35 3438 1142 / 3438 2007), $70, com lareira. Para ficar um dia, foi uma boa escolha...além do mais, estava bem feliz e com o objetivo cumprido: a travessia de S. Fco. Xavier a Monte Verde. A noite caiu, a chuva tb caiu forte, e depois de provar uma truta muito boa no restaurante Capricho (mais uma indicação do relato Ronald/Rafael), fui para a pousada dormir um pouco e descansar para fazer uma caminhada até alguns picos ao redor de Monte Verde. Infelizmente, o tempo na manhã seguinte não estava muito confiável, então resolvi voltar para São Paulo. Mas já fazendo planos de voltar e fazer os picos cercanos a Monte Verde. Dicas: Se vc for e ônibus, planeje-se para chegar o mais cedo possível a S. Fco. Xavier. Os horários dos ônibus que saem de SJC para SFX vc encontra no site http://www.guiamonteverde.com.br . No que se refere á trilha propriamente, prepare-se para os sete primeiros kms, que são os mais puxados da trip:vc começa a caminhar na cota 730m e chega á bifurcação na cota 1830m, ou seja, um desnível de 1100m!Acredite, é bem forte a subida...Água existe em bastante quantidade. Em Monte Verde, procure pela Vila Operária para conseguir hospedagem mais barata. E programe-se para conhecer os picos perto de Monte Verde, como a Pedra Partida, Pedra Redonda e o Chapéu do Bispo.
  20. Feira de Santana – Padre Paraíso (25/9) Descansei bem esta noite. Acordamos ás 6h30, descemos as malas, tomamos café e seguimos. Antes de pegarmos a BR 116, abastecemos o carro por um bom preço: R$ 2,48 . Tanque cheio, seguimos em frente. Logo de cara se percebe a grande quantidade de caminhões. Mas já estamos acostumamos com a 101, então tudo certo. A diferença aqui é a quantidade de retões de 40, 50 km. Poucas curvas...por isso o caminho é mais curto por aqui, em relação á BR 101. Passamos por um local chamado Itatins (BA), lugar com umas formações rochosas impressionantes, montanhas e morros no meio do sertão. Eu já havia passado por aqui em 2004, voltando de uma temporada em Natal (RN), e igualmente já havia me impressionado. Depois de 25 dias de estrada, pegamos uma chuva mais grossa. E bem onde é mais necessária, no sertão da Bahia. Passamos também por Vitória da Conquista (BA), lugar diferente de tudo, em pleno sertão pegamos um frio igual ao de São Paulo (!!). Foi ali também que conheci uma das mulheres mais criativas e mentirosas da trip. Era dona de uma lanchonete num posto, e quando eu perguntei a ela se a divisa com MG estava longe, me disse que a divisa ficava a 500 km de distância (na verdade, ficava a 62 km!); depois, me disse que a estrada estava ruim, esburacada (na verdade, estava um tapete, havia sido recém recapeada). Foi engraçado, até. Fomos debaixo de chuva um bom tempo, até a divisa com MG pelo menos. Quando cruzamos a divisa, como por encanto, o Sol apareceu. Encantado fiquei eu com as paisagens do norte de Minas/Vale do Jequitinhonha: montanhas, morros, vales. A vegetação um tanto seca (em alguns locais, faz seis meses que não chove) compõe um cenário muito bonito, árido, mas de uma beleza inegável. Passando por Medina (MG), várias montanhas; em Itaobim (MG) o rio Jequitinhonha é largo, e uma esperança de vida nesse vale agreste. A BR 116 aqui é emoldurada por montanhas, e se torna bem sinuosa. Já estava ficando um pouco tarde, e decidimos parar. A cidade escolhida foi Padre Paraíso (MG), uma cidade literalmente cortada pela BR, e cujas as casas se empenham em subir a encosta de uma montanha. Ficamos numa pousada/restaurante chamada Entre Vales, bem na entrada da cidade: quarto a R$40, PF a R$10. A cidade não tem nada, mas é simpática e tem uma placa gigante na entrada parabenizando Éder Carlos, filho ilustre da cidade, um garoto que ganhou um concurso de soletração nacional num programa de TV do Luciano Huck. Amanhã, seguindo. Sampa se aproxima. Dicas: Impossível não se espantar com a beleza dura do Vale do Jequitinhonha...montanhas, relevos secos, a vida aqui não é nada fácil. Mas a natureza nos brinda com cenários fantásticos, entre Cachoeira do Pajeú (MG) e Padre Paraíso. Padre Paraíso – Muriaé (26/9) Levantamos um pouco mais tarde que o habitual, mas na verdade fomos expulsos da cama pelos fogos de artifício de um grupo de cabos eleitorais em frente á pousada...fala sério! O frio e a chuva nos acompanhou durante todo o dia hoje. As vezes mais forte, as vezes mais fraca, a chuva não desgasta como o Sol, mas em alguns momentos deixa as coisas meio tensas numa estrada como a BR 116. Seguindo, passamos em Teófilo Otoni (MG), e paramos em Governador Valadares (MG). Essa cidade é sede de campeonatos de vôo livre por causa de um pico belíssimo chamado Ibituruna. É uma visão bem legal. Visitei o Mercado Municipal de Gov. Valadares, lugar simples, mas interessante. Foi lá que eu encontrei uma loja chamada Recanto do Queijo, onde você encontra uma infinidade de coisas de Minas: cachaças, queijos, doces. Comprei dois potes de doce de leite. Abastecido de delicias da terra, seguimos. A chuva apertou mesmo depois de Valadares. No entroncamento de Realeza (MG), uma parada rápida, afinal o corpo já estava reclamando desse final de trip...a partir desse trevo, o asfalto da BR 116, que estava impecável, ficou um pouco ruim durante alguns kms, buracos e trechos destruídos de acostamento.. Determinado momento, vejo uma placa para mim muito cara: saída para o Parque Nacional do Caparaó. Me lembrei imediatamente do início de 2004 e o Caminho da Luz, travessia de oito dias bem interessante, que fiz nesse mesmo ano, nessa mesma região, chamada Zona da Mata mineira. Naquele momento já havíamos decidido que ficaríamos em Muriaé mesmo, a chuva não permitiria chegar a Leopoldina (MG), como eu queria e gostaria. Entramos em Muriaé (MG), e um trânsito digno de Sampa se formou por causa da chuva. Ponto para nós, que já estamos acostumados com isso e sabemos procurar alguns atalhos...entramos de vez na cidade, e depois de uma rápida busca, ficamos num hotel bacana chamado CLLIN (Av. Alfredo Pedro Carneiro, 102 tel.: 32 3722 6060), R$ 70 mangos por um apê bem legal. Último pernoite da viagem, paguei sem problemas. A última refeição da trip também foi bem bacana: um restaurante chamado Traírão: traíra frita inteira, sem espinha, com pirão e arroz ao alho. Valeu cada centavo pago. Amanhã chegamos em São Paulo, e a sensação é de dever cumprido. Muriaé – São Paulo (27/09) Depois de uma bem dormida, chegou a manhã com o nosso último trecho a ser percorrido: ir para São Paulo. Tomamos um bom café da manhã no hotel, arrumamos as nossas coisas e tocamos em direção à BR 116. O dia estava claro, pouco lembrava a chuva de ontem. A BR 116 aqui tem muitas curvas, muitas serrinhas e visuais incríveis. Estamos na região do P.E. Serra do Brigadeiro, e vemos a todo momento o relevo que é abundante lá. A estrada vai descendo, e passando por várias cidadezinhas, uma que me chamou a atenção foi Leopoldina, a cidade onde meu avô Luís, pai da minha mãe, nasceu. Foi um encontro com raízes, interessante. Abastecemos o carro para cumprir essa última perna até Sampa, a gasolina pelo interior é mais barata que pela costa, sempre: pagamos R$ 2,47 o litro. Quando cruzamos a divisa de MG/RJ, mudamos automaticamente de estrada, saímos da BR 116 e entramos na BR 393, cheia de caminhões que vão até Volta Redonda (RJ) e Barra Mansa (RJ), que também seria o nosso destino, para dali pegar de novo a BR 116. Cruzamos diversas vezes o rio Paraíba do Sul, numa região que foi muito importante durante o ciclo do café no séc. XIX, o que significa dizer que se consegue ver diversas fazendas da época, que hoje são usadas para o chamado turismo rural. Passamos por Volta Redonda (RJ) e sua imagem meio enfumaçada por causa da CSN, e lá quase tivemos um acidente num cruzamento. Seria muito azar acontecer isso depois de rodar quase 6 mil km...graças a Deus, foi só um susto. Seguindo adiante, entramos de novo na BR 116, agora já com o nome de Presidente Dutra. Daí em diante, foi só tocar mais 293 km até Sampa, já sentindo saudades das coisas que vi, ouvi e provei. Como diz a canção do rei do baião, mestre Luis Gonzaga : “Minha vida é andar por esse país/Pra ver se um dia descanso feliz/Guardando as recordações/Das terras onde passei”. Dica: Se vc puder, fique alguns dias a mais na região de Muriaé explorando as cidadezinhas. Te garanto que não se arrependerá: visuais de montanha, cachoeiras, comida boa, queijo, doces, uma prosa gostosa...cidades como Ubá, Miradouro, Fervedouro e Cataguases reservam boas surpresas. Gastos Pedágios: R$ 79,00 Combustível: R$ 1205,83 Ferry boat: R$ 30,95 Total: R$ 1315,78 (ref. Set/08) Total de kms rodados: 6055 kms Fotos: http://mgibson31.multiply.com/photos/album/39
  21. São Paulo – Rio das Ostras (2/9) Eu e Iara levantamos por volta das 4h30 da manhã, depois de uma véspera bem agitada preparando a viagem. Saímos exatamente ás 5h20, dia escuro ainda, em direção a rodovia Presidente Dutra, a BR 116. O ânimo não podia estar melhor. Seguimos bem, num ritmo bom, sem forçar. A estrada está muito boa, e vale cada centavo que se paga nos cinco pedágios pelos quais passamos. Fizemos algumas paradas para café e esticar um pouco as canelas em Roseira (SP), Piraí (RJ) e Itaboraí (RJ). O calor estava forte, e eu me senti desgastado por isso. Iara ia tocando o carro, enquanto eu “navegava” com o mapa. Foi uma parceria harmoniosa nesse primeiro dia. Momentos tensos: a passagem pelo Rio de Janeiro e o medo de alguma bala perdida na favela da Maré, e a estrada BR 101 na região de Casemiro de Abreu (RJ), onde os motoristas dos carros e caminhões são todos malucos! No Rio, o meu medo era o de não encontrar o caminho certo para Niteroi (RJ), e esse medo era encorpado pela insegurança de saber sobre a situação de violência da cidade. Isso para mim era um ameaça muito maior do que o de perder o caminho; quando cruzamos a ponte Rio-Niteroi, relaxei. Ah, para cruzar a ponte, tem mais um pedágio. A situação em Casimiro de Abreu (RJ) é muito estranha: a estrada, apesar de mão dupla, é muito boa. A insegurança vem mesmo dos motoristas fluminenses, que dirigem ali alucinadamente, como se estivessem participando de um racha, ou fugindo de alguém. Presenciamos diversos quase-acidentes por causa disso. Felizmente, só ficou no quase mesmo. Finalmente chegamos em Rio das Ostras (RJ). A cidade é muito simpática, ajeitadinha. Fomos procurar pela Pousada da Lenna (R. São José, 49 tel. 22 2764 2681), na praia do Cemitério. Perguntamos inicialmente para dois guardas municipais, zé ruelas que não sabiam de nada e nem tinham muita disposição em ajudar. Ligamos para a pousada, e com um pouquinho de paciência, encontramos. A dona é muito simpática, paulista de Guarulhos. Um bom quarto por R$ 60, preço honesto. Tomamos um banho e fomos em busca do nosso tesouro: comida!Estávamos famintos. Mandamos ver um delicioso filé de dourado, precedido de iscas de peixe. Comemos muito, e depois caminhamos bastante pela cidade. Voltamos para a pousada, pois merecíamos um descanso depois de 8 horas de estrada dura. Á noite eu fui dar uma volta, sentir a brisa do mar. Amanhã continuamos por aqui, vamos conhecer a praia mais famosa da região, chamada Costa Azul. Dica: Dirigir numa estrada que vc não conhece direito é osso!Vá sempre devagar, e só ultrapase com segurança. Nessa BR 101, aquele lance de “dirigir para vc e para os outros” é absolutamente verdadeiro. Olho vivo. Rio das Ostras – 2º dia (3/9) Acordamos cedo. Quer dizer, cedo pra quem está de férias: 8h20 e nós de pé, já nos ajeitando para decermos e tomarmos o café da manhã, que aliás foi muito bom. Tiramos algumas infos com a Lenna sobre como chegar até a praia Costa Azul, a mais conhecida aqui, e ela nos indicou uma maneira alternativa para chegarmos lá: pelos costões rochosos!Eu adorei a idéia. Então seguimos, eu de olho na Iara, que não é muito chegada em aventura...aproveitamos a maré baixa e cruzamos a foz do rio das Ostras a pé, até encontrarmos a trilha do outro lado, já nos costões. Começamos a subir o morro, e logo se abriu um visual impressionante do mar, seguindo a trilha, lá embaixo, a praia da Joana. Na praia da Joana a coisa é mais ou menos assim: praia de tombo, uma ilhota bem em frente, um único quiosque para suprir de água e cerveja os mais sedentos, pouca gente na areia. E as visitantes mais ilustres nadando assim pertinho da gente: as tartarugas. Ficamos um bom tempo ali, tomando sol, cerveja e um banho de mar, contemplando aquela paisagem. A galera aqui é simpática, a cidade tem vocação turística, e por isso mesmo duas práticas sempre duelando: os caras querendo meter a faca em você nos preços, e você pechinchando até não poder mais!Saímos da praia da Joana, e seguimos pelos costões rochosos para a próxima praia, chamada Verde: mar bravo, areia grossa; milhares de conchinhas espalhadas, e ainda vimos um pinguim. Seguimos. Saímos dos costões, os pés estavam castigados. Preferimos seguir pela bonita rua que margeia a praia da Costa Azul. Mais alguns metros, e uma entrada de madeira junto a uma placa onde se lia “Patrimônio Natural dos Costões Rochosos”. Decidimos entrar, e foi a melhor escolha: demos de cara com belas formações de pedra, e um mirante espetacular. Impressionante como essa cidade é bem cuidada, limpa e hospitaleira. Descemos do mirante e demos de cara com uma praça bem projetada, chamada Praça da Baleia. Adivinha porque?É que tem uma escultura, em tamanho natural, de uma baleia jubarte, e um mergulhador segurando a nadadeira dela. Bem original. Ficamos por ali, em algum daqueles quiosques...a fome ia batendo, e foi nessa que descobrimos a primeira barbada da trip: um restaurante que serve prato+salada+bebida+sobremesa por R$15!E é barbada porque o prato servido é enorme, o individual serve duas pessoas na boa; como a gente tava com uma fome legal, cada um comeu o seu...(rsrs) Desfeitos do tormento da fome, nos jogamos na areia, e dormimos um bom tempo. Foi bom, gostoso e necessário. Quando o vento começou a vencer o Sol, levantamos e fomos embora, dessa vez seguindo o curso do rio de volta á praia do Cemitério. Depois de um banho, eu fui ao mercado comprar algumas frutas, para comer no caminho. Amanhã, vamos até Marataízes (ES). E meu dente tá doendo. Dica: O nome do restaurante na praia da Costa Azul, aquele da comida farta por 15 mangos, se chama Ponto Tropical (Av. Atlântica, praia da Costa Azul). Mas fica esperto, ali tem vários restaurantes nesse estilo, “coma bastante e pague pouco”, vale pesquisar. Só não coma nos quiosques, que são bem carinhos. Rio das Ostras – Marataízes (4/9) Acordamos cedo, mais uma vez, hoje por necessidade de estrada: até Marataízes (ES) são, teoricamente, 4 horas e meia de viagem. Tomamos café mais uma vez bem, pagamos os R$60 da diária, e seguimos. A missão agora era outra, encontrar um posto com boa relação custo x benefício para encher o tanque. Imaginei que Macaé (RJ) fosse a melhor opção, já que lá está sediada uma enorme refinaria da Petrobrás, mas me enganei redondamente...Macaé sofre do mal de toda cidade que vive de royalties do petróleo: grana sobrando, cidade mal cuidada. A ganância política faz estragos grandes aqui. Não no centro da cidade, que é vivo e interessante, mas no seu entorno, na perifa. Fora que o custo de vida lá é muito alto, Eu e Iara rodamos a cidade inteira atrás de um posto onde a gasolina fosse menos de R$2,76, mas não encontramos, um absurdo!Ironia da vida, cidade onde a Petrobrás tem sede, a gasolina é um assalto. Abastecemos e seguimos. Uma placa me chamou a atenção: “Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba”. Pedi a Iara que entrasse. A estrada que dá acesso ao parque é de terra, e é acesso também para um bairro, na divisa com o parna. A guarita na entrada está destruída, entra quem quer. Eu quis, e seguimos até onde deu, uma lagoa cor negra chamada Jurubatiba. Linda. Depois das dunas, o mar. Lindo também. Fiquei decepcionado é com o estado do parque, largado, abandonado. Ainda volto pra caminhar ali. Tocamos de volta á estrada. Estrada adentro, a mesma cena na BR 101: gente louca querendo querendo ultrapassar a qualquer custo. Pra que? O Sol rachando mamona, e já dentro dos limites do município de Campos (RJ), resolvemos fazer uma parada. São 13h, e o Sol arde como numa fornalha. A BR 101 está muito bem conservada, talvez o único problema seja mesmo o fato de ser mão dupla; o calor que enfrentamos hoje foi o grande adversário, fiquei desgastado ao volante, Iara já vinha tocando no trecho anterior, e não havia outra coisa a fazer senão encarar a estrada embaixo daquele Sol... Fizemos diversas paradas, uma que vale destaque: um lugar chamado Natureza´s, a beira da BR 101 em Mimoso do Sul (ES). Sucos, pães artesanais, tudo muito natural. Foi bom parar ali. Adiante 60 km, e chegamos em Maratízes (ES). Marataízes é uma cidade estranha, de cara bastante feia. As praias tem uma estreita faixa de areia, quando tem areia. Ficamos hospedados numa pousada chamada Vista Oceânica (Av. Beira Mar, 702 tel: 28 3532 4268), simples mas muito boa. Preço honesto de R$60. Fomos recepcionados pela Dna. Elma, muito simpática. Mas o centro não tem nenhuma atração, tirando a Igreja de Nsa. Sra. da Penha, bonita. Comemos numa padoca e nos rendemos ao cansaço e à falta de opções na cidade. Marataízes – Conceição da Barra (5/9) 8h da manhã, e já levantamos. Marataízes não agradou mesmo. Tomamos café, pagamos a simpática dona da pousada, e seguimos. Decidimos sair um pouco da BR 101: é muito motorista imprudente, e o estresse que causa ao volante, eu tô fora...estudando o mapa, decidimos seguir pela ES 060, chamada Rodovia do Sol, uma estrada duplicada que segue pela costa. Tem pedágio, mas também muito mais segurança e tranquilidade. Além de boa, a estrada passa por um litoral belíssimo: Iriri (ES), Anchieta (ES), Meaípe (ES). Em Anchieta, na foz do rio Benevente, a paisagem é muito bonita, com barcos, garças...a cidade é histórica, ali o padre José de Anchieta escreveu os seus famosos versos. Seguindo, passamos pelo porto de Meaípe, numa vista panorâmica estupenda. Rodovia do Sol adentro, pedágio pago, chegamos em Vila Velha (ES), cidade-irmã de Vitória (ES). Em Vila Velha se pode ver o convento de Nsa. Sra. da Penha, de 1558, no alto de um morro belíssimo; a monumental engenharia da 3ª Ponte, depois Vitória...sempre que venho aqui, me impressiono com a paisagem. Resolvemos abastecer em Vitória. Com o preço na estrada alto, e aqui mais barato (pagamos R$2,59), decidimos completar o tanque e evitar gastarmos demasiadamente. Em Nova Almeida (ES), escolhemos parar em um restaurante chamado Ninho da Roxinha, com uma vista linda da enseada, e preços um pouco proibitivos...acabamos encontrando uma moqueca muito boa por um preço honesto. Na volta á estrada, seguimos margeando a costa: Santa Cruz, Coqueiral, localidades que vão ficando para trás a medida que avançamos. Em determinado momento, a estrada se vira para o interior, e entramos nos domínios da Aracruz S.A., empresa de celulose gigantesca, que “criou” uma cidade com o mesmo nome. Enormes áreas de terras cobertas por eucaliptos, e seguindo em frente, a fábrica: o que se vê não agrada, e o cheior é de produtos químicos. Terrível. Ao final dessa estrada, que passa a se designar como ES 010, caímos na BR 101 novamente. O mesmo tráfego de sempre. Cruzamos o rio Doce na região de Linhares (ES), e rasgamos a 101 em direção á São Mateus(ES), onde chegamos ás 17h30, já quase escuro. Decidimos então seguir até Conceição da Barra(ES), que era o nosso destino mesmo. Lá chegamos ás 18h20, onde paramos no centro. Abri uma cerveja e logo estávamos papeando com um mineiro chamado Josué, contador de causos. Duas brejas, e seguimos atrás de um lugar para dormir. Acabamos ficando na Pousada do Sol (Av. Atlântica, 226), muito boa, na praia de Guaxindiba.Vale lembrar que no primeiro quarto que pegamos, tinha uma barata enorme, que obrigou o dono da pousada nos dar um quarto muito melhor pelo mesmo preço (R$50). Valeu, dona barata! Pra fechar a noite, fomos a um bar chamado Um Butikin e um Violão tomar umas e comer alguma coisa. Tava animado e agitado. Nessa noite tivemos nossa primeira discussão da viagem. Dica: Antes de Conceição da Barra, existe uma cidade chamada São Mateus, maior e mais estruturada que Conceição. Mas a hospedagem em Conceição era mais barata que em São Mateus. Por isso, prefira ficar mesmo em Conceição da Barra, que é o lugar mais próximo a Itaúnas(ES). Eu fui na baixa temporada, mas na alta as vagas ficam escassas, e os preços disparam. Conceição da Barra – 2º dia (6/9) 8h em pé, tomando o café da manhã: esse ânimo todo era resultado do céu azulzinho e do Sol que já iluminava Guaxindiba. A Pousada do Sol fica bem em frente á praia, coisa de 10m caminhando...era aqui mesmo que a gente ia ficar hoje. Iara logo se jogou na areia, eu botei minha mochila nas costas e saí caminhando. Segui pela faixa de areia, observando famílias que brincavam, crianças, cães...todo mundo tem cachorro aqui, e metade leva els para dar um rolê na areia da praia. A orla de Conceição, em boa parte, apresenta molhes de pedras bem grandes, claramente visadas ali como “escudo” contra as ondas. Caminhando pude ver que várias casas a beira mar já foram destruídas pela força das ondas, que aqui quebram forte mesmo. Cheguei até onde pude, a praia da Bugia, onde se encontra um farol de 1914. Interessante. Voltei pela praia, o mesmo cenário de antes. Um dos inúmeros cachorros na praia correu atrás de mim, filho da puta... Guaxindiba é uma praia estranha, amarronzada pela areia em suspensão. O vento nordeste batendo forte sempre; a ondulação é razoável, o Guia Quatro Rodas diz que a praia é boa pro surfe, mas não vi nenhum surfista aqui. Fiquei um pouco na areia, depois banho de mar. Sol a pino, resolvemos ir pra piscin da pousada. Lá ficamos, tomando umas e outras, e papeando com um casal capixaba, bom papo. Fiquei breaco e subi para um banho, mas nem tive forças: dormi depois da chuverada. Iara também. Acordamos com uma fome monstro! Matamos a danada com um suculento bife á cavalo, dois bifões com ovos fritos, show de bola. O resto da noite foi so preguiça, tv, uma voltinha na cidade...amanhã, Itaúnas (ES). Dica: O restaurante Terra e Mar serve umas refeições muito boas a um preço bacana. Se quiser um PF esperto, o melhor mesmo é o Um Butikin, onde sempre rola uma música ao vivo e um breja gelada no ponto. Conceição da Barra – 3º dia (7/9) Viva, Dia da Independência. Sem festejos, sem fogos, sem nada. Só me lembrei porque a Globo deu um flash de uma parada militar no Rio. Tomamos café, e seguimos para Itaúnas, a famosa localidade a 25 km de Conceição. Pegamos a estrada, e cinco km depois, entramos na estrada de terra que nos leva até a vila. Itaúnas é uma vila que fica ao lado do P.E. Itaúnas, que na real é o lugar que todo mundo quer visitar. È uma vila muito estruturada, com pousadas, bares, serviços...logo se percebe que no verão o lugar bomba. Da vila se cruza o rio Itaúnas, e logo avistamos as dunas que caracterizam o parque: brancas, areia fina, e o mar ao fundo. Puta cenário. Caminhamos em direção a praia, e eu escolhi uma das “barracas” para usar como base, já que eu não tava afim de sol hoje. Escolhi a Barraca da Tartaruga, e logo negociei com o dono um guarda-sol, claro, em troca de três cervejas em lata...coisas do comércio turístico. Iara na areia, tratei de curtir. Entrava no mar, voltava...foi quando reconheci um cara: Davide, um italiano que eu tinha conhecido em Cumbica!Esse mundo é pequeno demais. Lá pelas 14h30, bateu a vontade de ir embora. Valeu, Itaúnas, qualquer dia eu volto. Voltamos para a pousada, tomamos um banho e fui dar uma dormidinha: eu estava bem cansado, nadei muito contra a forte correnteza e queria descansar. Iara idem. E assim foi. Acordamos, eu fui rever os planos de viagem, ficamos na pousada até umas 21h, então saímos para jantar: um big filé de frango com arroz à grega no restaurante Terra e Mar, show de bola, serviu nós dois muito bem por R$25. Amanhã, seguimos viagem para Bahia. Dicas: Itaúnas!Esse é um lugar que todo viajante tem que conhecer. Dunas branquinhas, uma praia legal, gente bonita...o problema lá é que vc vai ser sempre um turista, e os locais vão querer te arrancar uma grana a qualquer custo...a idéia mesmo é ficar em Conceição da Barra, fazer a base lá. E não se esqueça de tomar um banho de rio, é bom demais. Conceição da Barra – Prado (8/9) De pé desde as 7h, e saindo da pousada ás 8h30: fizemos como havíamos combinado na noite anterior. Realmente a pousada da dna. Maria foi um achado. Pagamos, nos despedimos e seguimos viagem. A BR 101 depois da divisa ES/BA fica horrível, no que toca ao estado do asfalto: buracos, falta de acostamento, uma paisagem feia de morros vermelhos pelados...estranho. Na região de Mucuri (BA), paramos para abastecer num posto BR e aproveitar o preço da gasolina: R$2,67. Parece ser a média por aqui, apesar de eu ter visto um posto por R$2,59. Mas é impossível saber a qualidade. Na dúvida, só posto BR. Na altura de Teixeira de Freitas (BA), saímos da BR 101 e pegamos a BA 290 em direção a Alcobaça (BA). São cerca de 60 km até lá, e então você decide: á direita, Caravelas (BA), à esquerda, Prado (BA). Pegamos à esquerda, para o Prado. 20 km a frente, cruzamos o rio Jurucuçu, e chegamos na cidade do Prado. Eu tinha três endereços, todos de camping. Sinceramente, pelo preço cobrado não valia a pena, ainda mais se tratando de baixa temporada. Começamos a caçar pousada: todas caras, R$60, R$70...rodamos até achar uma pousada chamada Casa Branca (R. Clarício Cardoso, 40 tel.: 73 3298 1399), ao lado da rodoviária. Preço: R$45. Foi nessa mesmo. Almoçamos um PF por 7 mangos. A curiosidade é que o PF é vc mesmo quem faz, desde que coloque só dois tipos de carne (!). Foi bom demais, o restaurante se chama Ciclone. Já era umas 14h30, e resolvemos visitar a praia do Centro. Poucas barracas abertas, a baixa temporada aqui obriga quase todos a baixarem as portas. Ficamos numa barraca chamada Gil Mineiro, pessoal do bem. A praia dispensa comentários, é belíssima. Tentei caminhar um pouco, até a foz do rio Jucuruçu, mas a maré começou a subir, e eu desisti, ficou tarde. Saímos da praia e fomos andar pela cidade: Matriz, Beco das Garrafas, Praça Redonda...essa parte é aquela que ferve com turistada no verão. É bem ajeitadinha. Passamos no mercado, compramos algumas coisas para abastecer o frigobar, e voltamos para a pousada. A noite caiu, e voltamos para o Beco das Garrafas, na esperança de encontrar alguma coisa aberta: nada. Voltamos nossa atenção então para a Praça de Alimentação. Não, não é nenhum shopping no Prado, é um monte de barracas numa praça, que vendem lanches e refeições. Tudo bem arrumado. Achamos uma barraca que vendia açaí, e foi lá mesmo que matamos uma tigela de 400 ml com banana e granola. Satisfeitos, voltamos para a pousada. Amanhã, Alcobaça e Caravelas. Dicas: Prado é uma cidade pequena, mas muito legal. E a galera lá é muito simpática. Na praia do Centro, tem várias barracas bem estruturadas, e todo mundo te trata na boa, sem te tirar de “turista”. No Beco das Garrafas, os restaurantes são bons, mas um pouco mais caros também, mas nada absurdo. Caso vc queira ficar na Pousada Casa Branca, não deixe de bater um papo com o proprietário, seu Tito: o cara é gente boa, e tem várias histórias, algumas de arrepiar... Prado – 2º dia (9/9) Não dormi muito bem, talvez por causa do colchão, não sei. 8h30 estávamos de pé, na mesa do café: sucos, pães, frutas e a companhia do seu Tito, dono da pousada. É um misto de filósofo com reclamação, solta umas pérolas, e logo em seguida uma reclamação. É engraçado. Seguimos para Alcobaça, e rolou uma decepção grande, a cidade não agradou. Tem um farol lá de mais ou menos 80 anos, bem legal; de resto, mais do mesmo, e gente pedindo dinheiro. Chato. Seguimos para Caravelas. Na entrada de Caravelas, uma escultura que faz alusão às caravelas portuguesas que ali chegaram um dia. De cara eu gostei de lá. Fomos até o centro histórico, muito bonito, com a matriz e o casario, e ao fundo, o rio Caravelas, bonito, largo, e do outro lado, o mangue intacto. Puta cenário! Na cidade mesmo não tem praia, então seguimos em frente, buscando o mar: nos dirigimos para a praia de Iemanjá. Só que para chegar lá, 11 km de estradinha de terra, uma das mais isoladas que eu já percorri, além de irregular e com bolsões de areia, um risco de ficar atolado. Depois de andar bastante (e devagar), chegamos em Iemanjá: bonita, enorme, um mar gigante, e nenhuma alma viva!!Ficamos ali vinte minutos, começou a me bater uma tristeza, solidão...próxima praia: Ponta da Baleia. Seguimos até onde deu, mas a areia fofa nos impediu, e atolamos. Baita sufoco, areia fofa+calor+isolamento...De repente, pintou um jipe amarelo na estradinha, e o cara ao volante desceu pra me ajudar a empurrar e desatolar o Corsa. Desistimos da Ponta da Baleia e tocamos para Caravelas de novo. Só que a vida reserva surpresas, e a boa desse dia foi a praia de Grauçá: vila de pescadores, boca do rio Caravelas, jeitosa e com um bar/restaurante providencial. Acabamos almoçando ali mesmo, no restaurante Tio Berlindo, atendimento atencioso. E o PF?Por R$8, um prato monstro com três pescadas brancas enormes, arroz, feijão, salada e farofa!Voltamos para o Prado, direto para a praia do Centro. Ficamos ali até o Sol se pôr. Voltei para a pousada, Iara foi comprar algumas coisas. Nesse meio tempo, fiquei conversando com o seu Tito. Foi um papo interessante, onde ele me contou dos seus tempos na terraplanagem de estradas, incluindo a própria BR 101. Histórias macabras, como a do soterramento de 35 operários da divisa do Maranhão, onde o engenheiro-chefe ordenou que se jogasse mais terra por cima, afim de “apagar” as evidências...enfim, histórias da década de 70. Á noite, de novo na Praça de Alimentação, um açaizinho para rebater, e minha noite em Prado chegou ao fim. Essa é uma cidade que me marcou bastante. Volto aqui um dia. Amanhã, Ilhéus (BA). Dica: Várias...primeiro, Alcobaça é mesmo estranha, mesmo que vc goste dos prédios históricos (e tem vários), vai se encher com a molecada, a mulherada e os velhinhos pedindo dinheiro.Fuja!Caravelas, ao contrário, encanta de cara. Quer ver baleias jubarte?Lá é o lugar. Quer ver mangue intacto?Caravelas...as praias de Caravelas ficam bem distante, e o acesso é bem difícil em alguns momentos. Grauçá é o meio termo, Ponta da Baleia o extremo. Se quiser ir lá, se prepare, e vá com um carro alto. O melhor PF da minha vida foi lá em Grauçá. Prado –Valença (10/9) Hoje nós só ficamos na estrada, praticamente. Saímos do Prado ás 8h20, depois do café. Nos despedimos do seu Tito e seguimos rumo a BR 101. Eu comecei tocando até a 101, tudo tranquilo pela BA 489. A paisagem é de campos, e passamos nos fundos do Parque Nacional do Descobrimento, mas dessa vez não pude entrar, infelizmente. Entramos na BR 101 na cidade de Itamaraju (BA), um lixo de cidade que não tem uma placa sequer, o que me levou a cometer um engano de navegação: peguei a BR 101 no sentido sul, em direção ao ES. Andamos quase 30 km até eu notar o erro, Meia-volta, e acelerei para compensar o vacilo. O trecho entre Itamaraju e Eunápolis (BA) é muito pesado, no que tange ao tráfego: caminhões, treminhões levando cana, carros...fora que o asfalto está em péssimo estado. Foi bem cansativo dirigir nessas condições. Quando chegamos em Eunápolis, resolvemos abastecer e descansar um pouco. Gasolina cara, R$2,84, mas era necessário. Aproveitamos e fizemos um lanche. A partir dali, Iara assumiu o volante. Coincidentemente, dali para frente o asfalto melhorou muito, assim como o tráfego deu uma diminuída grande. Passando Eunápolis, entramos na região de produção cacaueira, que vai até depois de Itabuna (BA). Cruzamos o rio Jequitinhonha, e também diversas fazendas antigas de cacau. Na altura de Travessão, distrito de Camamu (BA), saímos da BR 101 á direita, em direção a Camamu e Valença (BA). A estrada é sinuosa, mas a paisagem vale muito a pena, mata atlântica exuberante: estamos na península do Maraú. No caminho até Valença, várias cidadezinhas: Ituberá, Taperoá, Nilo Peçanha...a noite já ameaçava cair, e a gente rodando, nada de Valença. O cansaço pegou a gente. Chegamos á Valença, finalmente. Logo fomos procurar hospedagem. Nos dois primeiros, tudo lotado. Conseguimos um querto por R$100 no hotel Onda Azul, caro demais para o nosso padrão estipulado, mas a única opção. O desespero é o pai das imprudências, e o cansaço não deixou a gente pensar muito. Banho, roupa limpa, faltava arranjar um restaurante. Fomos ao Mega Chic, um self-service bacaninha. Satisfeitos, saímos pela cidade. A cidade é cortada pelo rio Acaraí, de onde saem barcos para Morro de São Paulo (BA) e a Ilha de Boipeva. Gostei do clima daqui, tem uma energia legal. Prédios antigos, alguns decadentes, outros lindos. Os barcos ancorados no rio dão um toque de charme ao local. No meio do rolê, começou a chuviscar. Foi a senha para eu voltar ao hotel. Amanhã vamos cruzar a Baía de Todos os Santos de balsa, a partir de Itaparica (BA), como havia me sugerido numa conversa o seu Tito, lá do Prado. Dica: Essa é uma região que vale gastar um tempo maior para conhecer. Morro de S. Paulo, Cairú, Boipeva...uma pena que só passei uma noite lá, a cidade é bem legal. Valença – Sítio do Conde (11/9) Hoje foi mais um dia em que passamos uma boa parte do tempo na estrada. Mas ao contrário de ontem, hoje foi bem menos cansativo, e mais produtivo. Saímos de Valença por volta das 9h. Posso dizer que o hotel Onda Azul é muito bom, apesar do preço ter saído bastante da média por nós estipulada. Seguimos em frente, depois de termos parado num quiosque de infos turísticas, para pegarmos um mapa. Ali fiquei sabendo que até Bom Despacho (o local de onde os ferry boats partem para Salvador) levaria uma hora e meia; também ficamos sabendo do horário de partida do próximo ferry: 11h15. O asfalto da BA 001 até a ilha de Itaparica é um pouco ruim, com bastante buracos. Mas por volta das 10h20, chegamos ao porto de Bom Despacho. Pagamos os R$27,60 do carro, mais R$3,35 de um passageiro. Total: R$30,95. Numa travessia estimada em 50 minutos. Ficamos na fila, esperando, e a Iara resolveu ir ao banheiro. Nesse exato momento, a fila começou a andar, os carros sendo guardados no ferry...estacionei dentro do ferry e saí correndo pra buscar Iara, gritando...foi hilário. A travessia é feita com muita tranquilidade. O ferry é equipado com duas TV´s, onde o povo que não quer ver a Baía de Todos os Santos fica lá, vendo desenho animado na Globo...eu creio que se estivesse um dia de Sol mais radiante, a visão teria sido muito melhor do que já foi, mas mesmo assim foi fantástico. O skyline de Salvador, já de longe, nos permite ver vários prédios antigos inúmeras igrejas (dizem que aqui tem uma para cada dia do ano). É definitivamente muito bonito. Descemos do ferry, e decidimos visitar o Mercado Modelo. Encontrá-lo levou quase uma hora, ninguém sabia explicar direito, e quando a gente encontrou, achar uma vaga que não tivesse um flanelinha foi duro. O diálogo a seguir se deu com um frentista de um posto BR, ao lado do Mercado Modelo: - Oi, bom dia!Você sabe onde a gente pode encontrar uma vaga para estacionar? - Olhe, vaga não tem, mas se você me der um agradinho ($$), eu arrumo uma vaga agora! Dito e feito, arrumamos uma vaga por um agrado de R$2,50. Saiu barato...em Salvador, as coisas funcionam bem quando rola um “agrado”. Visitamos a Igreja de Nsa. Sra. Conceição, belíssima, mas um pouco mal cuidada. Seguimos então para o Mercado Modelo. O local é um mercado municipal que vende artesanato e comidinhas, muito frequentado por turistas e baianos em geral. O clima é um misto de barganha, malandragem, diversão e prazer. A arquitetura é muito bonita, e a todo momento somos abordados por algum vendedor, te oferecendo qualquer coisa, tipo relógios, colares, etc. Mas é possivel fazer bons negócios lá. Acabei comendo um peixe-agulha e tomando um caldinho de sururu; logo depois dividimos uma casquinha de siri, que aqui se chama siri cascão, que eu fui entender quando o prato pousou no balcão: era enorme! Voltamos ao posto, aquele do agrado. Aproveitamos o preço da gasolina (R$2,65) e completamos o tanque. Estávamos a caminho da Linha Verde (BA 099). Só para não passar em branco: Salvador tem uma das orlas mais bonitas que eu já vi. Seguimos pela Linha Verde, e o nosso destino era Praia do Forte (BA), mas decidimos ganhar mais kms e seguir até Conde (BA), ou quem sabe Sítio do Conde (BA). De lá até a divisa com SE, cerca de 36 km. Bem perto. Pegamos um pouco de chuva no caminho, chuva rápida e fina, mas um sinal do que pode vir. Chegando ao Conde, procuramos um hotel. Nao achamos, só tinha uma pensão da dna. Docinho. Sem condições. O negócio foi irmos para Sítio do Conde, onde tem mais pousadas e hotéis. Foi aí que encontramos a Pousada Bem Viver (Av. Beira Mar, 25 tel.: 75 3449 1086), por um bom preço (R$50), e um quarto bem equipado. Ainda tivemos tempo de ir a um boteco ao lado, tomar umas caipirinhas e comer uma porção de fritas. Amanhã, Aracaju (SE). Dica: Salvador é uma das cidades mais intressantes que eu já passei, e olha que fiquei poucas horas lá. Mas acostume-se, se vc não é de lá, é turista, e se torna o “alvo” da vez, todo mundo vai querer tirar um dinheirinho de vc. Pegando a Linha Verde, vc paga um pedágio de R$4,60, mas a estrada é sempre boa. Ao longo dessa estrada, há várias praias interessantes. Sìtio do Conde é bem pequena e tranquila, não espere muita infra, mas vale a pena. Sítio do Conde – Aracaju (12/9) De pé ás 7h, depois de uma noite bem dormida. Depois do café, aproveitamos para fazer fotos da praia, que a gente não tinha conseguido ver ontem á noite. A praia tem uma linha de arrecifes, que não permite que as ondas quebrem na areia. É bonita, mas talvez um pouco perigosa para banhos. Nos despedimos de Gil, o simpático atendente da pousada, e tocamos em direção á BA 099. Antes, obrigatoriamente, passamos por dentro da cidade do Conde: a cidadezinha é muito simpática mesmo. De volta a BA 099, a famosa Linha Verde. Ela segue assim até a divisa com SE, mas informalmente vai com outro nome até a cidade de Estância (SE), onde se entronca com a BR 101 de novo. E a BR 101 é aquela loucura de sempre...a grande sacada foi que ontem adiantamos muito o local de parada, e hoje só nos resta 160km até Aracaju. Barbada! No caminho até Aracaju, uma placa: São Cristóvão (SE). É uma cidade antiga, com vários prédios centenários. Resolvi visitar. Saímos da BR 101, e andamos 8km até São Cristóvão. A chegada na cidade me causou uma certa frustração, afinal o aspecto não é dos melhores. O casario secular (imagino que seja do séc. XVII) está bem detonado, e eu imagino que algum tonto que compre um pacote turístico afim de ver uma atração bacana, se sinta enganado com o que encontra lá. O bom é que em todo prédio histórico tem uma placa informando que estão em reforma...uma esperança de dias melhores, pelo menos. Seguimos para Aracaju por uma rodovia vicinal, não retornamos pela BR. Pegamos uma estrada chamada João Bebe Àgua, horrível. Mas foram só 19 km até Aracaju. Bom, isso foi em tese, porque acabamos pegando um desvio errado, e fomos em direção ao centro. Levamos um tempo até chegarmos á praia de Atalaia. Chegando lá fomos logo buscar uma hospedagem. Depois de procurar um pouco, achamos uma bem em conta, chamada Relicário (Av. Santos Dumont, 622 tel.: 79 3243 1584), na avenida da orla mesmo. R$40 por um quarto com tv a cabo, bacana. Saiu barato. Fomos dar um rolê. A praia da Atalaia tem uma faixa enorme de areia, mas muita sujeira; os donos de barraca te tratam como turista, ou seja, estamos ali para sermos enganados; e o povo ali, pelo menos naquele pedaço, era esquisito...não foi muito legal. Resolvemos caminhar pela orla, aliás muito bonita e equipada. Eu peguei um mapa na CIT (Central de Informação) de Atalaia, e fomos ver o Oceanário, que é a base do Projeto Tamar na cidade. Foi muito legal, valeu e muito os R$6 de entrada. Vários tanques e aquários com exemplares da fauna marinha local e, é claro, as tartarugas. Show! Mais á frente, encontramos o Centro de Arte e Cultura, local onde rola uma feirinha de artesanato. Iara entrou, eu fui ver o mar. Voltamos para a pousada, tomamos um banho e descansamos um pouco. Mas logo nos animamos para andar na Passarela do Caranguejo, a alameda que reúne os bares e restaurantes na orla de Atalaia.: gente bonita, animação, forró...entramos num restaurante-forró chamado Cariri, um lugar muito legal, animado, boa comida e atendimento espetacular. Comemos e bebemos bem, animados ao som de uma banda de forró. Ficamos papeando, mas o cansaço desses dias de viagem bateu forte, e fomos dormir. Esses dois dias em Aracaju vieram a calhar, já não aguento mais andar de carro. Dica: Aracaju é uma das capitais nordestinas mais baratas que eu já fui. Vc se diverte, come e bebe gastando muito pouco. O artesanato é bacana, e a galera muito simpática. A base do Projeto Tamar merece ser visitada, é um espetáculo. Na Passarela do Caranguejo vc encontra os bares e restaurantes, mas se vc caminhar em direção ao Centro de Arte e Cultura, tb consegue encontrar boas opções mais baratas. O restaurante Cariri é um caso a parte, mesmo um pouco caro, vale cada centavo. Pra vc ter uma idéia, pra refrescar a clientela, de vez em quando eles borrifam do teto um pouco de água, num sistema bem interessante...Sobre a cidade de São Cristóvão, me disseram que há uma outra cidade com o mesmo tipo de casario, mas muito mais conservado: Laranjeiras (SE). Não visitei, mas fica também a cerca de 20 km de Aracaju. Aracaju – 2º dia (13/9) Hoje é sábado, e a praia promete animação. Decidimos ficar na praia em frente ao Centro de Arte e Cultura, que tem uma faixa de areia menos larga e mais limpa. Iara se estendeu na areia, preferi ficar na sombra, tomando uma cerveja e alguns caldinhos de camarão e sururu. Essa é uma opção barata e ótima de se alimentar, sem falar que é uma delícia. O dia passou rápido na praia. Notas rápidas: a fixação da galera local (e no Nordeste em geral) por som alto beira o absurdo. Estamos em época eleitoral, e eu não me lembro de nenhuma cidade que não tivesse carros ou caminhões com equipamento de som monstro fazendo propaganda política. Chega a irritar, imagino como devem ficar os moradores dessas cidades...O mesmo acontece na praia: o cara chega, encosta o carro, abre o porta-malas e bota axé, bombando no volume 100...foda! Resolvemos comer caranguejo. Puta trabalho que dá, mas vale a pena, é gostoso. Voltamos á praia para finalizar o dia, e decidimos ir para a pousada. À noite, saímos para comer um prato executivo, e achamos uma boa refeição por R$15. Coisas da baixa temporada. Nota: é sábado, e parece que todos os candidatos resolveram fazer carreata com trio elétrico hoje...mother fuckers! Bateu o cansaço. Amanhã, Canindé de São Francisco (SE) e os cânions do Velho Chico. Dica: Aracaju é mesmo a capital do caldinho, tem caldinho de tudo: camarão, peixe, sururu, caruru. Aproveite!É baratinho. Aracaju – Canindé do São Francisco (14/9) Hoje acordei preguiçoso. Com algum custo, levantei e tomei banho. Fomos tomar café no mesmo espírito preguiçoso, quase não querendo ir...mas fomos. Pagamos o hotel, colocamos as coisas no carro e seguimos em direção a BR 101. A 101 é aquela coisa de sempre, muito trânsito, asfalto bom. Na entrada para Siriri (SE), pegamos a SE 206 para Canindé. Essa estrada tem trechos razoáveis, mas a maior parte do trajeto é horrível, verdadeiras peneiras, buracos medonhos, horror, horror...alguns trechos não davam para ir além dos 40 km/h, e isso faz com que os 200 km que separam Aracajú de Canindé sejam vencidos em no mínimo 3 horas, um absurdo...e não há outro caminho. Chegamos em Canindé por volta das 13h30, Sol a pino, sertão brabo. Fomos procurar hospedagem, acabamos encontrando o Hotel Canindé, na entrada da cidade , ao lado de um posto de gasolina BR: quarto para casal a R$ 35, num apê muito confortável. Fomos nos informar sobre as partidas de escuna para os cânions de Xingó. Foi um pouco complicado achar o famoso restaurante Karranca´s, de onde partem as escunas e catamarãs para visitar os cânions, mas perguntando para os bombeiros que ficam ali na margem do rio, ficou fácil. Os bombeiros ficam ali para garantir a segurança dos banhistas, que utilizam as margens como balneário. As margens se tornam uma verdadeira farofada, com cinco ou seis carros e seus inevitáveis porta-malas abertos, som no último, e os pingaiadas se divertindo. É curioso. Quando chegamos ao Karranca´s, faltavam 20 minutos para sair o último catamarã para os cânions. Quase não pude embarcar por causa da Iara, que alegava não estar de biquini (!!). A questão foi logo resolvida, e embarcamos: R$40 muito bem investidos. O passeio começa no reservatório formado atrá da barragem do Xingó, na divisa SE/AL. É um lugar belíssimo, a pujança e força desse rio sempre povoou minha cabeça...finalmente estava ali. O catamarã partiu com 35 pessoas, o que é pouco mais de 10% da capacidade total. O barco era praticamente nosso!Seguimos cortando as águas verdes do Velho Chico, a tripulação do catamarã ia explicando pontos interessantes, a história do rio, curiosidades...por exemplo, a profundidade ali, média de 150 m; ou que os cânions foram invadidos pelas águas do lago represado do Velho Chico, não havia água ali antes de 1994. O serviço é ótimo mesmo. Fizemos duas paradas: um para ver a imagem de São Francisco de Assis, que foi colocada numa das paredes do cânion, e a outra para a galera dar um mergulho no rio, água fresca num remanso do cânion. Esse é o “filé” do passeio, a hora que todo mundo esperava, inclusive eu! Nadei muito, a água numa temperatura boa e com cheiro meio terroso, gostoso, e a cor esverdeada. Ficamos ali 30 minutos e voltamos para o Karranca´s, alvorada de um lado do rio, enquanto do outro subia a lua cheia mais linda que eu já vi. Pegamos o carro, a noite caindo rápido, voltamos para Canindé no escuro. A fome tava forte, e procuramos um restaurante para matar a danada. Achamos o restaurante Cangaço, com o PF básico a R$6. Básico naquele esquema, come o que aguentar...Show de bola. Voltamos ao hotel para um banho merecido. Eu ainda me animei a ir para o centrinho de Canindé, enquanto Iara já se preparava para dormir. Dei uma volta, tomei uma breja, mas o cansaço me pegou. Amanhã saio de Canindé com um sentimento muito legal de ter realizado um sonho antigo, ver aqueles cânions. Agora vou em busca da foz do Velho Chico. Dicas: Quando vc chegar até a beira do Velho Chico, faça uma reverência, o rio precisa e merece. Para chegar até o Karranca´s, fica esperto, porque a estrada oficial tá bloqueada, caiu a ponte. Pergunte para alguem de lá, eles te ensinam o novo caminho, que começa um pouco antes da rotatória. Curta o passeio pelos cânions, não entra numas de tomar todas (como a maioria da turistada faz...) e não curtir a energia daquele lugar. É um lugar mítico. Se não quiser gastar uma grana a mais, coma em Canindé, ou em Piranhas (AL), que além de tudo é uma cidade bem interessante: Lampião e seu bando morreram na região. Canindé do São Francisco – Maceio (15/9) Tive uma noite mal dormida no hotel, por causa de um acontecimento meio insólito: tinha um grilo dentro do quarto, que ficou “cantando” a noite inteira. Procurei o danado, mas não encontrei, desconfio que ele estava dentro da porta do banheiro. Foi difícil conseguir engatar o sono. Pegamos a estrada depois de tomar café, por volta das 8h20. Eu não ia colocar o carro na mesma estrada esburacada da vinda, a SE 206, então fui estudar os mapas. Achei uma rota alternativa, que sai exatamente um pouco antes de Monte Alegre do Sergipe (SE), em direção a Porto da Folha (SE). As informações eram que a estrada estava boa até Gararu (SE), depois dali se tornava uma incógnita...Resolvi arriscar e a aposta se mostrou certa: até Propriá (SE) a estrada estava boa, muitíssimo melhor do que a SE 206. Valeu a pena arriscar. No caminho, situações: mega feira popular em Porto da Folha (parecia a 25 de Março); parada em Gararu, ás margens do Velho Chico, e um papo com um paulistano que se mudou pra lá, pra cuidar do sogro doente; parada rápida em Propriá, e fotos da divisa SE/AL. O caminho foi tranquilo, e logo cruzamos a ponte para Alagoas. Voltamos para a BR 101, agora com uma “novidade” em termos de 101: buracos. Decidimos sair da 101 e pegar a esquerda, visitar Penedo (AL). Foi a segunda boa escolha do dia. Penedo é uma cidade a beira-rio, com um cais importante, mas para embarcações pequenas. O casario desse cais já impressiona: séc. XVI, XVII, XVIII. Coisas mais modernas também, mescladas. È bonito. Começamos a caminhar, e literalmente cada passo revelava um cenário mais incrível que o outro!Fotografei muitos prédios, igrejas, conventos. E é claro, as paisagens da foz do rio São Francisco. Não é a toa que Penedo é chamada de a “Ouro Preto do Nordeste”, um daqueles títulos meio bobos de comparação, mas que faz juz a beleza do lugar. Almoçamos num restaurante self-service ao lado de uma igreja, PF a R$7, incluindo uma ambrosia fantástica, que a dona do restaurante chamava de doce de leite. Pra quem não conhece, é um doce de leite que ao acrescentar suco de limão e batido no liquidificador, fica talhado. Enquanto Iara ia resolver uns problemas de banco, eu fui caminhar. E fotografar. Acabei achando um forte, chamado da Rocheira, testemunha das invasões holandesas nessas terras. Hoje em dia tem um restaurante ali, bem agradável. Por volta das 15h, seguimos viagem. As infos davam conta de que a estrada litorânea estava esburacada. Perguntando em um posto de gasolina, a info foi totalmente diferente!E agora, em quem confiar?Escolhemos pela costa. Foi a terceira boa escolha do dia. Seguimos pela costa então, passando por uma interminável sequência de coqueirais, onde quase não se vê o mar, mas quando se vê, o azul do mar é hipnotizante. Passamos por Coruripe (AL), Barra de São Miguel (AL) e a Praia do Francês (AL), todos pela AL 101, até chegarmos a Maceió (AL). Maceió apresenta uma orla bem urbanizada, e o que vimos até então (ou seja, a praia de Pajuçara) foi uma quantidade gritante de hotéis, pousadas e restaurantes. Alguns bem caros. E pedintes, vários deles. Saímos a caça de pousada. Foi meio complicado, mas acabamos encontrando uma com bom custo-benefício: por R$70, quarto completo, a Pousada Girassol tem um atendimento simpático. Descansamos um pouco e saímos para jantar. Entramos num rodízio de pizza, R$10,90 por cabeça, e deu pra comer na boa. Um rolê pela orla, e fomos para a pousada, dormir. Maceió – 2º dia (16/9) Amanheceu, e a avenida em frente á pousada estava vazia, silenciosa. Estranho. Acordamos tarde, e por isso tivemos que ir procurar uma padaria, e achamos uma bem simples, só pra tomar um café e um pão de seda, típico de Alagoas. Fomos para a praia, e nos deparamos com uma multidão nas areias. Plena terça-feira, lotado daquele jeito?Ficamos sabendo depois que era feriado na cidade. A situação em Maceió, na minha modesta visão, é a seguinte: a cidade é dividida entre os pobres e uma elite que adora ostentar. Hoje deu pra ver isso direitinho: na praia lotada, a invasão da favela, turmas de pingaiada e afins; no calçadão e na avenida, gente desfilando roupas de marca, relojões e carros zero. Em nenhum dos dois lados eu me senti á vontade. Antipatia geral. Ficamos procurando uma “vaga” na areia, e acabamos encontrando. Aluguel das cadeiras e do guarda-sol, R$3. Isso aliás é a tônica do litoral alagoano: quando veêm que você é de fora, logo te pedem 10, 20, 50 centavos, ou estipulam logo um preço alto, tipo 10 reais. Surreal...Turismo predatório, onde a presa é o visitante! Ficamos na areia, cercados de gente. Foi até engraçado. Digno de nota mesmo fica por conta do mar: verde, calmo, uma verdadeira piscina. Fascinante. A bebedeira na areia corria solta, era questão de tempo até aquilo dar numa merda...meu instinto falou mais alto, e resolvemos sair da areia, caminhar. Sentamos num quiosque, pedi um suco. Iara voltou para a pousada. Eu fiquei mais um pouco, a tempo de ser abordado por um bêbado me pedindo dinheiro, e ver também um grupo de jovens, também bêbados, iniciar uma confusão. Quando eu ouvi “Ele tá armado!”, foi a deixa para eu sair dali imediatamente. Voltei para a pousada. Eu, que sou “da rua”, me senti inseguro naquela muvuca. Do quarto onde estávamos eu avistava um ponto de ônibus do outro lado da avenida. Determinada hora, aquele povo todo que estava na praia se dirigiu para os pontos, a espera da condução para casa. O espetáculo eu deixo para a imaginação do meu caro leitor. Caiu a noite, e nós precisávamos comprar algumas coisas no mercado. Uma caixa de mercado mal humorada me fez sentir raiva da “hospitalidade alagoana” escrita em alguma placa na estrada...e essa raiva só piorou na hora de comer alguma coisa numa esfiharia, e constatar que o alagoano médio de Maceió gosta mesmo é de botar uma banca, ostentando carro zero e roupinha de marca. Triste. Conversei com Iara, que concordou de imediato: amanhã vamos embora. Maceió decepcionou, não pelas praias, mas pela gente que vive nela. Dica: Nunca, mas nunca mesmo, vá a Maceió num dia de feriado! Maceió – Maragogi (17/9) 134 km. É o que separam Maceió de Maragogi (AL). No caminho, várias praias e promessas de belos cenários. Saímos no nosso horário habitual, entre 8h30 e 9h. O pessoal da Pousada do Girassol foi gente boa. Bom, pelo menos alguem simpático por aqui, né...Paramos num posto BR e completamos o tanque para seguir viagem. O preço da gasolina não foi dos melhores, R$2,79 ; mas não teve jeito, já que a gasosa tava na reserva. O bom é que Porto de Galinhas (PE) fica a 220 km, mais ou menos, o que quer dizer que reabastecer, só no caminho de volta. Menos mal! O caminho para Maragogi é quase todo pela costa, exceção feita por uma parte que pega um pouco dos canaviais, mais para dentro do sertão. E canavial aqui tem de tonelada, cobrindo os morros e planícies; e onde tem canavial, tem sempre uma usina: vimos pelo menos quatro. Antes de chegarmos a Maragogi, paramos numa praia chamada Japaratinga (AL), onde a maré estava baixa e descortinou vários arrecifes, e ao longe, vários barquinhos pintavam o mar com os seus cascos coloridos. Seguimos em frente, já imaginando o que encontraríamos em Maragogi. Chegamos. A cidadezinha é muito simpática, e o mar belíssimo. Procuramos um lugar para ficar, e decidimos gastar uma grana a mais dessa vez: ficamos na Shalon Beach (R. Manoel dos Santos Rangel, s/n tel.: 82 3296 7115), uma pousada a beira mar bem estruturada, com serviço top. Pagamos R$90, preço muito bom pela qualidade da pousada. Como ficaremos só hoje mesmo, tá tudo bem. Para comer, é só cruzar uma estreita rua de areia, que temos um restaurante muito maneiro, e a piscina da pousada, bem legal também. Ficamos ali, almoçamos e depois ficamos na piscina. Resolvi caminhar pela areia até a foz do rio Maragogi. Vi muita sujeira na areia, infelizmente. Até a foz, são 3 km. Quando cheguei lá, a maré subia, e invadia o rio com a sua força. Deu tempo ainda de tomar um banho no rio, conversar um pouco com um caboclo de nome de Carlos, na beira do rio, e ver uma aula de kite surf ministrada do outro lado do rio por uma cara que tem uma escola de kite em Maragogi. Foi um fim de tarde legal. Começou a escurecer, e resolvi voltar para a pousada, pela praia mesmo. Maré alta, quase sem areia para caminhar. Na pousada, tomei um banho de piscina, e depois me meti no quarto, para descansar. A noite, saímos para comer. Preferi um lanche e um suco dessa vez. Na verdade, dois lanches e dois sucos (rsrs)...caminhamos pela orla escura mas bonitinha de Maragogi, com lojinhas e pousadas. Foi legal. O cansaço bateu, e voltamos para a Shalon, dormir para acordar cedo amanhã, e ver a maré vazante. Dicas: Maragogi tem umas formações de corais a 6 km de distância mar a dentro, que eles chamam de galés. Do centro de Maragogi saem uns barcos para visitar essas formações, e quem fez diz que vale muito a pena. Eu não fiz, mas vi umas fotos – e me arrependi de não ter feito. Maragogi – Porto de Galinhas (18/9) Tentei acordar mais cedo, mas não rolou. É que o Carlos, aquele caboclo que eu conheci na margem do rio Maragogi, me disse que se estivesse cedo lá na margem do rio, dava um jeito de me levar para as galés na faixa. Não deu. Acordei lá pelas 8h. Eu estava muito preguiçoso, Iara também. A verdade é que eu não queria ir embora, mas não teve jeito. Pagamos a diária, e seguimos. A estrada é a AL 101, que margeia a costa até a divisa com o AL/PE. Asfalto bom, trajeto cheio de curvas. Até Porto de Galinhas, 80 km. Pertíssimo. Chegamos a Porto de Galinhas. De cara ja se percebe que é um lugar com maior estrutura turística e um tanto elitizado. Passamos por dois resorts antes de chegarmos a vila de Porto. Lá encontramos Daniel, uma amigo da Iara das antigas, que se mudou com a mulher Cláudia para Porto de Galinhas. Gente finíssima os dois. Daniel (que a galera local chama de Grego ou Dani) nos levou para conhecer a cidade. Alamedas bem cuidadas, lojnhas (várias) e restaurantes diversos, bares na orla, e um mar com várias piscinas naturais. O lugar é bem simpático mesmo. Ficamos inicialmente na vila, depois fomos a uma barraca de um amigo do Dani, chamado Ed, um figura super simpático que nos atendeu bem demais. Passamos a tarde ali, e depois fomos para a Vila de novo, conhecer um pouco melhor. De volta para a casa do Dani e Cláudia, ficamos ali de bobeira, até bater um sono. Amanhã vamos curtir um pouco mais aqui. Porto de Galinhas – 2° dia (19/9) Acordamos um pouco tarde, e fomos á cidade botar a roupa suja na lavanderia. Vinte dias na estrada foram suficientes para eu ficar sem roupa. Ficamos o dia todo na praia, lá na barraca do Ed. Foi legal. Um pessoal amigo do Dani se juntou a nós no final da tarde: seu Cláudio, dona Bete, Daniel “Meia”, Laura...uma galera muito legal. A noite saímos para comer alguma coisa na cidade,e voltamos. Claudia já prometeu para amanhã uma moqueca de camarão. Dicas: Olha, tem um monte de “barracas” de paria em Porto de Galinhas, mas vc quer ser bem atendido mesmo?Então encosta na barraca do Ed, e fala que eu recomendei. O cara vai ficar contente, te dar um bom desconto, além de te encher da mais pura simpatia pernambucana. Porto de Galinhas – 3° dia (20/9) Hoje o dia promete: decidi mergulhar. Ontem eu aproveitei para fazer snorkeling, e tive uma experiência bem legal. Fui convencido (sem muito esforço, é verdade...) a fazer mergulho com um pessoal conhecido do Dani, a preço “de amigo”. Hoje eu escolhi fazer o mergulho. O mergulho tava marcado para as 13h, horário da maré baixa naquele dia. Fiquei na barraca do Ed até as 13h15, quando Dani veio e me levou lá pra vila, no “escritório” á beira mar do Tales, o instrutor de mergulho e um dos donos da empresa de mergulho. Na areia, o Tales começou a passar as orientações para o mergulho: respirar e expirar sempre pela boca, fazer a sinalização correta de ok para tudo bem, jóia para subir, balançar a mão para mostrar que as coisas não vão bem, bater as pernas suavemente...tudo muito didático e fácil. Partimos para a jangada confiantes e animados. Junto comigo foi uma família (pai, mãe e a filha de 10 anos). Chegamos até a piscina natural mais afastada, o local do mergulho. Começamos a nos preparar: cinto de lastro, colete, cilindro, nadadeira. Tudo pronto, caímos na água. Foi umas das experiências mais empolgantes da minha vida! Mergulhar é entrar de cabeça em outro mundo, azul, etéreo...é o mais próximo de caminhar no espaço, eu imagino. E respirar embaixo dágua é fascinante. Os peixes te cercam, cardumes de donzelinhas, peixe-agulha, cirurgiões. Se escondem e se mostram...cores, sons, sensações. Fica até difícil descrever tudo o que eu senti lá. Posso te dizer só que mudou minha visão do mar, um elemento pelo qual eu já tinha um puta respeito. Passei o resto do dia meio anestesiado, curtindo. Almoçamos uma bela moqueca feita pela Cláudia, e fui descansar. A noite, mais uma sessão “sabores do Nordeste”, dessa vez com umas tapiocas de deixar qualquer um bobo... Porto tá sendo uma parada deliciosa antes da volta para Sampa. Dicas: Mergulhar é aquele tipo de esporte que uma vez que vc faz, não quer mais parar!!É seguro, tranquilo, e te deixa em imersão total com a natureza. Só quem mergulhou sabe o que é ver um cardume de peixes passar por vc e te envolver, é fantástico. Lá em Porto, procure pelo pessoal do Tales (não me lembro do nome da empresa...) e pelo Miguel, um português gente finíssima, que vai te dar todas as coordenadas para os iniciantes curtirem muito essa experiência. Porto de Galinhas – 4° dia (21/9) Passamos praticamente o dia todo na praia. Ficamos lá na barraca do Ed, mais uma vez, curtindo o domingão crowded de Porto de Galinhas: praia lotada e vendedores á rodo. Almoçamos ali na barraca do Ed mesmo, uma pescada amarela de mais ou menos 2 kg: não sobrou nada do pobre peixe, que foi servido com macaxeira. E umas doses de Pitu, a cachaça tradicional lá do PE. O Ed é uma daquelas figuras alegres e bom papo que faz a gente passar as horas sem perceber. E papo com o Ed é sempre divertido, pode apostar. Voltamos para casa do Dani/Cláudia já no final da tarde. Fomos depois até a vila, comer um hot dog, e voltamos. O cansaço bateu forte, mas tomamos uma decisão importante: vamos embora na terça (23/9). Porto de Galinhas – 5° dia (22/9) Acordamos cedo, afinal nossos anfitriões estavam de folga, em casa. E os planos já estavam traçados: um churras de peixe e alguns espetinhos de carne. Fomos eu e o Dani ao mercado comprar as coisas para o assado, e na volta eu e Iara fomos para praia. Foi uma despedida legal dessa praia show. Voltamos lá pelas 14h a tempo de pegar o churras no meio. Estávamos em seis: eu, Iara, Dani/Cláudia, Daniel “Meia” e Laura. Foi bem divertido, altas histórias, risadas, mas o melhor ainda estava por vir. Fim do churras, o Daniel “Meia” sugeriu da gente mergulhar. Genial! Fomos todos para vilinha, arrumamos as coisas na jangada, e fomos até as piscinas naturais. Lá mergulhamos, fim de tarde. Meu guia dessa vez foi Miguel, o Miguelito, gente boa, experiente. A condição de visibilidade da água estava muito melhor do que no dia em que eu mergulhei pela primeira vez. E junto com Miguel, mergulhei a uma profundidade de 15m. Foi emoção pura, dizem que quem mergulha não pára mais, e eu creio que eu seja um desses. Voltamos, banho tomado, e peguei o rumo da vila novamente, junto com Iara, agora para comprar as últimas lembranças (na verdade, fui comprar melaço, o mel da cana de açucar). Comemos um hot dog, e voltamos para a casa de Dani/Cláudia, para um bate papo com casal amigo. Amanhã, vamos pegar a estrada, começa finalmente a viagem de volta para Sampa. Dicas: Se quiser comprar uma lembrancinhas baratas, procure bastante, porque os preços variam bastante. Porto de Galinhas – Japaratuba (23/9) Acordamos cedo, 6h30, arrumamos as coisas no carro, nos despedimos do Dani e Cláudia, e pegamos a estrada. Quer dizer, quase: paramos num posto BR para trocar o óleo do carro e dar um trato legal antes de ir para Sampa. Mas a troca de óleo só começava ás 8h. Pois então, esperamos. Finalmente na estrada ás 9h30, e o destino ainda não estava definido: iríamos dirigir até onde desse, logicamente com luz do dia. Desde sempre dirigir a noite nunca foi uma opção. Logo na saída de Porto de Galinhas, na PE 060, demos carona a uma senhora até Camela (PE), o povoado próximo. Seguimos pelo mesmo caminho que viemos, PE 060, depois AL 101, até a Praia do Francês. Ali mudamos o caminho, fomos para Marechal Deodoro (AL). Marechal Deodoro é uma cidade muito simpática, de um povo hospitaleiro e prédios seculares. Paramos para almoçar num restaurante simples, sem nome, de propriedade de dona Zezinha Cipriano. Boa comida, barata (um PF que serve duas pessoas, R$. Ficamos ali um tempo, eu ainda saí para fotografar a cidade. Caminhei não sei quanto tempo, e faltou muito ainda, havia muita coisa para ver. Voltei ao restaurante, já que precisávamos ir para a estrada de novo. Seguimos por uma vicinal, até chegar na BR 101 de novo. A boa e velha 101, cheia de caminhões e buracos. Em Alagoas, a BR é esburacada, mas em vários pontos há equipes realizando consertos. Tocamos em frente, um calor sufocante. O sol já ia baixando quando cruzamos a divisa com SE. O tempo corria contra, ia ser difícil chegar até Aracaju. A noite ia caindo rápido. Consultei o mapa, e a cidade mais próxima naquele momento era Japaratuba (SE). Pequena, a chance de ter uma pousada ali era pouca, mas mesmo assim era a melhor opção. Depois de andar um pouco e não encontrar lugares disponíveis, encontramos a Pousada Japaratuba, um misto de pousada e motel, ao preço de R$25. Para quem só precisaria de banho e cama, estava perfeito. Fomos até o centrinho, arranjar alguma coisa para comer. Em tempos de eleições, a história é sempre a mesma: a política movimenta a economia da cidade. Depois de dois sandubas, voltamos para a pousada, dormir. Amanhã, seguimos. Dicas: Alagoas é a terra dos dois primeiros presidentes do Brasil: Marechal Deodoro e Floriano Peixoto. Marechal Deodoro (a cidade) é uma pérola, uma baita lagoa que compões um cenário maravilhoso. Vale uma visita mais demorada. Japaratuba – Feira de Santana (24/9) Acordamos cedo. Tomei um banho gelado (o chuveiro não era elétrico...) e comecei a arrumar as coisas no carro. Hoje o caminho foi uma colcha de retalhos: começamos na SE 100, no sentido de Pirambu (SE), até Aracaju. Saímos dela e entramos na BR 101, de onde saímos em Estância, para então pegar a SE 368, até a divisa com a BA, onde ela se transforma na BA 099, a Linha Verde. Seguimos por ela até o pedágio do km 32, onde saí á direita, sentido Camaçari (BA); seguimos até Candeias (BA), e então dali até São Sebastião do Passé (BA). Ali, pegamos a BR 324, duplicada, em direção a Feira de Santana (BA), a segunda maior cidade da Bahia. Todas essas estradas pelas quais passamos estavam boas, com exceção do trecho em Camaçari, esburacado por causa do pesado fluxo de caminhões que abastecem o Pólo Petroquimico. O legal foi ver uma BR (a 324) duplicada e segura. Chegamos a Feira de Santana ás 15h30, cedo para o nosso padrão: é que depois de Feira, a cidade mais estruturada seria Jequié (BA), a 257 km. Caso seguíssemos, dificilmente alcançaríamos a cidade antes de escurecer. Por isso, essa “parada técnica” em Feira. Arrumamos um hotel bom por R$70, não teve jeito. Depois do banho, saímos atrás de um lugar para comer. Foi difícil. Não porque não houvesse restaurantes, mas porque conseguir uma informação segura e correta nessa cidade se mostrou uma tarefa hercúlea. Ou falam errado, ou falam pela metade. Encontramos um local por causa da nossa teimosia e instinto mesmo. Comemos um strogonoffe de frango por R$11, mais bebida. Foi legal. Passamos depois no mercado, para comprar umas frutas. Só lembrando: o restaurante se chama Freeway, e o hotel é o Sampaio (Av. Sampaio, 184 tel.: 75 3225 3575). Voltamos para o hotel, lá pelas 20h. Amanhã, pegamos a BR 116. Dicas: Feira de Santana é um lugar engraçado mesmo. Se vc tiver bom humor, vai acabar rindo da maneira como o pessoal de lá NÂO consegue te informar sobre quase nada!Bom humor sempre. Continua na parte 2...
×
×
  • Criar Novo...