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  1. Visitamos rapidamente o Líbano em junho de 2008. Entrei no país pela fronteira com a Síria, onde fomos bem recebidos por sermos brasileiros - viramos atração para os guardas da fronteira, sempre em função do futebol. Nossa viagem até Beirute foi muito interessante, no caminho pudemos avistar os montes com os picos nevados, de onde vem o nome Líbano. Fomos de carro, com um motorista sírio que deveria apanhar o guia libanês na fronteira, para dali seguirmos para Baalbeck. Como nosso motorista não falava uma palavra sequer em inglês (e estava com má vontade), ocorreu um desencontro na fronteira - não encontramos nosso guia que estava lá esperando. Somente ao chegarmos em Baalbeck pudemos ligar para a agência de viagem para tentar localizá-lo. Ao chegarmos nessa situação (motorista sírio impaciente e incomunicável), encontramos, na portaria do parque onde ficam as ruínas, um "brasileiro", na realidade um libanês casado com brasileira e com filhos residentes no Brasil, praticamente sem sotaque. Fomos muito bem recebidos por ele, que cuidou do contato com nossa agência, apesar de não ter nada com o assunto. Enquanto nosso guia vinha da fronteira ao nosso encontro, nosso novo amigo "brasileiro" deu-nos as coordenadas sobre onde poderíamos encontrar restaurantes e também caixas eletrônicos, para que pudéssemos sacar dinheiro libanês, já que tínhamos apenas dólares e libras sírias. No caminho, encontramos uma pequena praça, a um quarteirão da entrada das ruínas, onde comemos a legítima esfirra baalbekina. Nunca comi uma esfirra tão boa e tão marcante como aquela. Segundo o dono do restaurante, na verdade, um pequeno bar com algumas mesinhas, é uma receita típica daquela cidade. É imperdível. O mais engraçado é que o dono do restaurante falava muito mal o inglês, e sugeriu esse pedido para nós. O nome que usam lá não é nada parecido com "esfirra", então fizemos esse pedido às cegas, sem saber o que viria. A surpresa foi ótima... Enquanto caminhávamos pelas ruas, fomos abordados por vários vendedores, desde bugigangas até por militantes do Hezbolah, que queriam que comprássemos, como souvenir, camisetas da milícia. A camiseta até que era interessante, amarela como a da nossa seleção de futebol, com escritos em árabe na cor verde escura. Até pensei, por alguns instantes, em comprar uma para meu irmão, mas desisti de imediato por duas simples razões: (i) iríamos contribuir com a milícia terrorista; e (ii) não senti segurança em ter uma camiseta dessa nas mãos ali, já que quase nada conheço do local e da cultura. Numa cultura tão diferente, basta um segundo para entrar em confusão, como quase aconteceu em Damasco alguns dias antes. Quando nosso guia chegou, fomos conhecer as ruínas. Muito interessantes, gostei muito do templo de Baccos, e também de um grande muro de pedras maciças e inteiras, que possuem mais de 20 metros de comprimento. Descomunal. Ruínas de Baalbeck Templo de Baccos Terminada nossa visita, deixamos o guia na cidade de Zahle, e seguimos com o motorista para Beirute, num hotel que fica na parte muçulmana da cidade, na orla, na altura da baia das rochas, um dos cartões postais de Beirute. Depois de fazermos check-in no hotel, fomos andar pela orla. Não são praias como as nossas, é uma região de rochas. Não existem muitas praias públicas, as mais bonitas e atraentes, parecidas com as nossas, são privadas e exploradas - as pessoas têm que pagar para usufruir. Vimos rapidamente uma praia pública que ficava mais adiante, mas não era bonita, a faixa de areia era estreita e escura. Baía das Rochas, um dos cartões postais de Beirute. Tiramos essa foto sentados em um barzinho na orla. Orla No dia seguinte, seguimos para Byblos, onde vimos ruínas de 8.000 anos, em meio a ruínas fenícias e também resquícios das cruzadas, tudo no mesmo local. Vimos o porto fenício. Comprei uma toalha de mesa muito bonita em uma das lojinhas de tecidos e souvenirs. Tem que pechinchar mesmo, senão nos arrancam o couro. Quase todos os vendedores que conhecemos falavam português, bem ou mal. Era comum começarmos a conversa em português, passarmos para o inglês, voltarmos para o português. No caminho para Byblos, passamos por Harissa, onde conhecemos a igreja de Nossa Senhora do Líbano. Fica no alto de uma colina, de onde descortina-se uma vista maravilhosa da orla e também das montanhas, com outras igrejas e conventos. Dá para entender porque o Líbano já foi conhecido como a Suíça do Oriente Médio... Tiramos belíssimas fotos desse local e também visitamos a igreja. Foi o único local onde vimos um cedro do Líbano, na realidade bem pequeno. Conforme explicou nosso guia, o nosso roteiro não nos permitiria vermos os grandes e famosos. Ruínas de Byblos Porto Fenício Vista da igreja N. Sra. do Líbano Igreja N. Sra. do Líbano À tarde voltamos para Beirute, e depois de visitarmos o museu, fomos para o hotel, ocasião em que teríamos o final da tarde livre. Saímos andar pelo bairro, explorando o lugar e tirando fotos. Depois de andarmos bastante, sempre nas imediações da orla, avistamos um farol muito bonito, que tinha o por do sol no Mediterrâneo como pano de fundo. Como estávamos numa rua alta, que descia para a avenida beira-mar, foi instintivo: sacamos a máquina e tiramos uma foto desse cenário. Imediatamente surgiu um militar, que nos abordou para saber o que havíamos fotografado. Foi quando percebemos que estávamos ao lado de uma área militar, cheia de câmeras de vigilância. O policial foi muito educado, mas explicou que teria que confiscar nossa máquina porque, por questões de segurança, não eram permitidas fotos no local. Explicamos a ele que éramos apenas turistas encantados com a belíssima vista do farol. Ele compreendeu, mas checou todas as nossas últimas fotos antes de devolver-nos a máquina, para certificar-se que não havia fotos da área militar ao lado. Como já comentei, basta um segundo para entrarmos em confusão... A cidade de Beirute contava, na ocasião, com uma ostensiva presença militar, com soldados, tanques e barricadas por praticamente todas as esquinas. Algumas semanas antes, o Hezbolah havia causado distúrbios no país. Com muita discrição, tiramos algumas fotos dos tanques e dos soldados nas ruas, mas sempre de dentro do carro, fazendo cara de paisagem... Vimos muitos resquícios da guerra civil. O prédio que fica na frente da nossa sacada do hotel tinha muitos buracos de bala, o que acontece com praticamente todos os prédios antigos. Vimos também muitos prédios velhos danificados por bombas, ainda da época da guerra civil. Chama a atenção, porque não foram poucos, praticamente todos os edifícios e construções da época trazem marcas. Dá para imaginar a ferocidade do conflito. O farol que quase custou nossa máquina fotográfica... Militares nas ruas No dia de nossa visita, um santo libanês foi canonizado. As ruas estavam enfeitadas com faixas, o lado cristão de Beirute estava em festa. O senhor à direita é Tanios, nosso guia. Depois do incidente da foto do farol, voltamos lentamente para o hotel, caminhando pela orla. Vimos dali um inesquecível pôr-do-sol. No dia seguinte fomos embora pelo aeroporto de Beirute, encerrando nossa viagem de 2 semanas por Jordânia, Síria e Líbano.
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