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tiagodosreis

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  1. Com mais de um mês de atraso, finalmente resolvi criar vergonha na cara e fazer o relato da nossa viagem ao Sul do Brasil e cumprir minha promessa de registrar, por escrito, as memórias e passar a experiência para outras pessoas, divulgando-as no site. Esse será meu primeiro relato aqui no Mochileiros.com. Receio que ele tenha ficado um pouco grande, porque acabei me prendendo a detalhes. Por isso, receberei com a maior boa vontade as críticas dos leitores. Então vamos lá. O planejamento da viagem não foi dos mais fáceis. Inicialmente, queríamos fazer a travessia dos Lagos Andinos, entre o Chile e a Argentina; mas o nosso orçamento estava bem apertado. Cogitamos ir ao Deserto do Atacama, cujo roteiro nos permitia diminuir o tempo de permanência, mas não conseguimos combinar o resgate das passagens aéreas pela TAM e LAN com milhas. Então, depois de trocar idéias com alguns amigos, finalmente decidimos por Gramado e Canela, no Rio Grande do Sul, com direito a alguns dias de permanência na região dos Canyons, na divisa com Santa Catarina. A opção de dividir a estada entre Gramado e os Canyons foi sugerida por um amigo meu, que estivera no local há algum tempo e voltara bastante impressionado. Segundo ele, 4 dias em Gramado eram mais que suficientes para conhecer a cidade e seus atrativos, que são poucos. E, como eu ficaria 8 dias, valeria a pena estender a viagem até a região dos Parques Nacionais dos Aparados da Serra e da Serra Geral para conhecer os seus Canyons. Bastou ele me mostrar alguns sites e fotos do local para eu me convencer da idéia e levá-la a frente. Decidimos, então, nosso roteiro: 4 dias em Gramado e 4 dias em Praia Grande, no Refúgio Ecológico Pedra Afiada, que fora muito bem recomendado pelo meu amigo. Mas preparar a logística da viagem foi bem difícil. Fiquei até assustado com a dificuldade que seria para ir de Gramado até Praia Grande. Havia dois caminhos possíveis: um que passava por Caxias e outro por São Francisco de Paula. Nos dois casos, nós precisávamos pegar dois ônibus. E, por incrível que pareça, em nenhum deles, os ônibus iam até Praia Grande, já que, por ser linha estadual, não se podia atravessar a fronteira com Santa Catarina. Do ponto final no RS até Praia Grande eu teria que arrumar outro ônibus ou ir de táxi, pagando bem mais caro. Mas o pior de tudo é que os horários dos ônibus não combinavam, exigindo alguma espera entre a chegada de um e a saída de outro. No final das contas, o trajeto de, mais ou menos, 200km entre Gramado e Praia Grande levaria mais de 4 horas para ser concluído. Um desestímulo! Depois de cogitar todas as possibilidades (aqui eu devo render uma sincera homenagem ao pessoal do Refúgio – principalmente a Cândida e o Gustavo – que, em todos os contatos que fiz, sempre se esmeraram em me ajudar) e analisar os custos de cada uma delas, decidi alugar um carro. Dessa forma, eu poderia ir de Porto Alegre até Praia Grande de carro e, de lá, até Gramado. É claro que, de início, a idéia de ficar com o carro parado em Praia Grande a toa me fez relutar um pouco. Mas, ao final, a comodidade que o carro me traria e o preço bem razoável que encontrei em uma locadora de Gramado (R$85,00/diária) me fizeram enxergar que essa era a melhor opção. Enfim, eu só precisava inverter a seqüência da viagem: primeiro, Praia Grande; depois, Gramado. Compramos a passagem VIX-POA por R$69,00, o trecho, pela Gol. Uma pechincha! Saída no dia 22/07 e volta no dia 30/07. Em Praia Grande, a hospedagem seria no Refúgio Pedra Afiada; em Gramado, na Pousada Recanto da Serra. Esta última nós fechamos através de um pacote, oferecido pela agência MG Turismo, que saía um pouco mais caro que a contratação direta, pelo site do hotel, mas tinha a vantagem de incluir dois passeios em Gramado (Parques e Tour dos Vinhos), além do traslado de volta até o aeroporto de Porto Alegre. E assim nós fomos, bastante empolgados com a nossa primeira viagem de aventura num Parque Nacional! Dia 22/07 Saímos às 05:30h de Vitória e chegamos em Porto Alegre, após conexão em São Paulo, às 11:30h. Ao retirar o carro com a agência tivemos nossa primeira boa impressão. O carro era um Gol Trend, modelo novo, com apenas 3.000km rodados. Tinha até cheiro de carro novo! De posse do mapa rodoviário, seguimos pela BR 290, também conhecida como FreeWay. Em Osório, pegamos a Estrada do Mar (BR 101) em direção a Torres, última cidade gaúcha antes de Santa Catarina. À medida que Torres se aproximava já era possível ver, no horizonte, o recorte isolado das curvas de uma montanha aparentemente contígua em meio à planície preponderante. Para um desavisado como eu era fácil acreditar que aqueles eram os Canyons dando-nos as boas-vindas. O suficiente para render algumas fotos. Como não tínhamos almoçado e já passava das 14:00h, paramos num posto à beira da estrada, em Torres, para matar a fome. Comemos a famosa A La Minuta gaúcha, que, aqui, no Espírito Santo, seria chamada de Prato Feito. R$20,00 o prato para 2 pessoas, com arroz, feijão, salada, batata frita e carne de boi. Com a barriga cheia, voltamos para a estrada em direção à Praia Grande. Às 16:30 chegamos ao nosso destino final: o Refúgio Ecológico Pedra Afiada. Depois de instalados, tomamos um banho, nos arrumamos e saímos para fazer um reconhecimento do local. A área da Pousada é, realmente, encantadora. Ela está localizada à beira do Canyon Malacara, rodeada por uma grande área verde em regeneração. Um convite à interação com a natureza. Caminhamos por uma pequena trilha que dava acesso a um observatório de pássaros e a um mirante para o Malacara. Absolutamente fantástico, para quem tudo ainda era novidade! À noite experimentamos o nosso primeiro jantar no Refúgio, que está incluído na diária. O Refúgio tem uma proposta bem interessante de interação entre os hóspedes, o que lembra um pouco o espírito de um albergue. Por isso, as mesas do salão social são coletivas, obrigando os hóspedes a dividi-las. Nessa primeira noite, nos sentamos com uma família de São Paulo muito simpática. A conversa estava tão agradável que acabou superando a comida. Serviram-nos sopa, salada e espaguete. Gostosa, sim, principalmente porque era de graça. Dia 23/07 Acordamos bem cedo para tomar café e aproveitar ao máximo os vários passeios que a Pousada oferecia. Havia muita fartura à mesa, mas poucas opções. De comida, apenas frutas, pães caseiros e de forma, bolos e coisas para recheio. Depois do café, conhecemos os guias: Frank e Dani. Pessoas incrivelmente simpáticas e solícitas. Foram, logo, nos explicando as opções de passeios disponíveis e aconselháveis. Ao folhear o catálogo, assustei um pouco com os preços. Para piorar, a Pousada estava vazia e não havia mais ninguém disposto a contratar guias de modo a baratear o pacote. Nesse momento eu percebi que, se fôssemos fazer todos os circuitos que imaginávamos inicialmente, estouraríamos com bastante folga o orçamento que havíamos destinado à viagem. Meu humor, como sempre acontece nessas horas, afetou-se facilmente com essa possibilidade. No final das contas, como a vontade de levar adiante nossos planos de “radicalizar” era mais forte, topamos contratar o “Combo Canopy”, que incluía ascensão à figueira, rapel na cachoeira e descida na tirolesa. A vantagem do combo era proporcionar um desconto sobre o valor individual de cada passeio. O preço? R$132,00 por pessoa! Afora o preço, o passeio valeu a pena. Essa foi a nossa primeira experiência envolvendo esportes radicais. Entramos mata a dentro, bordeando a entrada do Canyon Malacara. Fizemos a ascensão numa figueira centenária, de 16 m de altura, por meio de uma escada. Lá do alto, uma nova perspectiva do Malacara, mais de cima. Atrás, era possível ver a praia de Torres-RS, a mais de 30 km de distância. Descemos a figueira de rapel. Continuamos caminhando até à beira de um paredão, onde se forma a Cachoeira da Onça, com 25m de comprimento. Enquanto o Frank ajeitava o equipamento do rapel, a Dani nos levou até o poço encantado, localizado antes da queda d’agua. No verão não hesitaríamos em mergulhar. Mas a temperatura da água naquela época do ano não estava nem um pouco convidativa. Em compensação, tiramos muita foto. Retornamos à Pousada por volta das 13:00h. A essa altura, novos hóspedes haviam chegado e o Refúgio parecia estar lotado. Tomamos banho e voltamos para o almoço, a única refeição que não estava incluída na diária. O cardápio assustou bastante. Os preços dos pratos eram bem salgados, girando em torno de R$22,00 em média. Comecei a ficar profundamente irritado com a possibilidade de estar sendo explorado. A imagem que, até então, eu fizera do Refúgio começava a mudar. A pousadinha simpática, que parecia saber dosar o aconchego de instalações confortáveis com os atrativos do apelo à simplicidade e desprendimento, começava a se revelar um tanto quanto exagerada no custo dos serviços que ela oferecia e isso não me agradou nem um pouco. Com a tarde livre, resolvemos pegar o carro e ir até Praia Grande em busca de informações turísticas “alternativas” sobre os Canyons. Lá soubemos que vários dos passeios “vendidos” pelo Refúgio poderiam ser feitos a custo zero, sem qualquer necessidade de guia, como o do Itaimbezinho, Fortaleza, Vale da Pedra Branca, entre outros. Vimos, inclusive, que esse era o normal entre os turistas da região. Nesse momento, eu senti o peso da desinformação. Baseando-me apenas na indicação de um amigo, eu simplesmente me esqueci de buscar maiores informações sobre a região na Internet e programar nossas atividades diárias. Acreditei que a melhor opção para conhecer os Canyons era através dos passeios oferecidos pelo Refúgio e não cogitei avaliar outras possibilidades mais baratas. E, com isso, eu paguei em dobro: pelos passeios e pelo carro inutilmente parado na garagem. Pelo menos, eu consegui descobrir a tempo de evitar novos desperdícios. Por sugestão da funcionária do Posto de Informação Turística de Praia Grande, fomos de carro até o Vale da Pedra Branca. O visual da estrada é bem interessante e rendeu algumas fotos. Vamos margeando os Canyons até a Pedra Branca, um monolito de basalto a 820m de altitude localizado no Vale do Rio Mampituba. Com tempo e um guia local, é possível subir até o seu cume. Como já estava escurecendo, resolvemos voltar para o hotel. Antes, porém, paramos no supermercado da cidade para comprar água, refrigerante e biscoitos (o quarto, propositalmente, não tem frigobar) e, assim, evitar o consumo no bar do Refúgio, onde uma mísera garrafinha de água custava R$3,00! À noite vimos que a Pousada estava realmente lotada. Vários hóspedes novos tinham chegado na nossa ausência e, muitos deles, de uma mesma família. Pela primeira vez, não nos sentimos à vontade. Ainda assim, sentamos no sofá, abertos à interação. Essa, porém, só veio a acontecer algum tempo depois, com a chegada de um outro casal, que também estava sozinho. Nos apresentamos e emendamos uma longa conversa que atravessou todo o jantar que, dessa vez, era do tipo self-service e tinha, como pratos principais, penne e frango ensopado. Uma coisa que eles falaram me pareceu bem curiosa. Desde o início, eles sabiam que nós éramos o casal que iria com eles ao Itaimbezinho no dia seguinte. Estranhei porque, até então, eu não havia combinado nada com os guias sobre o passeio do dia seguinte (e eu já estava decidido a não fazer o passeio com guia) e, principalmente, porque, todas as vezes que eu liguei para o Refúgio durante a fase de negociações, sempre fui informado que a combinação dos passeios era feita durante o jantar da noite anterior, aproveitando a reunião de todos hóspedes. Cheguei a retrucar, dizendo que outras pessoas poderiam aderir ao nosso grupo, mas eles realmente suspeitavam que não havia mais ninguém interessado. Depois do jantar, a dona da Pousada, Ana (uma simpatia de pessoa!), reuniu os hóspedes ao redor da lareira para fazer uma apresentação de slides. Ao começar, ela se propôs a fazer uma “brincadeira”. Achei até que era esse o momento da “interação” entre os hóspedes ou da combinação dos passeios de cada grupo, mas... a brincadeira era uma mera charada envolvendo os Parques Nacionais dos Aparados da Serra e da Serra Geral. Dali se seguiu uma interessante exibição de fotos dos vários Canyons que formam os Parques, combinada com esclarecedoras explicações históricas e geológicas passadas pela Ana. Fora isso, nada de “interação”. O momento – que seria bastante propício para a confraternização entre os hóspedes – foi incrivelmente desperdiçado, reforçando a impressão de que o espírito “socializante” – aquele que lembrava um albergue – é mais um chamariz publicitário conveniente para a imagem do lugar. Uma pena! Dia 24/07 Acordamos por volta das 08:00. O café da manhã tinha poucas variações em relação ao dia seguinte e, a essa altura, a minha esposa já começa a sentir falta de comer um pãozinho de sal. Fomos insistentemente sondados pelos guias e pelo Jean sobre o passeio até o Itaimbezinho. Explicamos que optáramos por fazer os passeios ao topo dos Canyons sozinhos para aproveitar o nosso tempo e o carro. Eles ainda tentaram nos convencer, falando que a trilha até o Canyon dos Índios Coroados, no entorno do Itaimbezinho, era exclusiva do Refúgio e imperdível. Mas, ainda assim, rejeitamos a proposta, que nos custaria, ao todo, R$405,00 por pessoa (R$180,00 para ir ao Itaimbezinho e R$225,00 para o Fortaleza). Para “fugir” da excursão do Refúgio, decidimos ir primeiramente ao Canyon Fortaleza, no Parque Nacional da Serra Geral. São aproximadamente 60km desde Praia Grande. A estrada até o Parque é predominantemente de chão, com alguns pedaços de asfalto. Mas é bem tranqüila e não tem mistério. No trajeto, a gente sobe até a parte superior dos Canyons, entrando em território gaúcho, no Município de Cambará do Sul, onde fica a entrada do Parque (a 21 km a partir de Cambará). Para quem não sabe, os Canyons servem de divisa natural entre os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A parte superior dos Canyons fica com os gaúchos; 1 metro a partir da borda, incluindo todo o interior dos Canyons, fica com os catarinenses. É algo bastante curioso e que causa uma certa “rixa” entre os dois povos para saber com quem está a parte mais bonita. Para quem não está acostumado com os pampas gaúchos, todo o trajeto é um espetáculo a parte. Quando se chega na parte de cima, já no RS, a paisagem se transforma subitamente e aquela vegetação densa, que se espalha no interior dos Canyons, dá lugar aos pinheiros e arbustos típicos das coxilhas. O terreno se torna incrivelmente plano. E o contraste entre o azul do céu com o amarelo que predomina nos campos impressiona, projetando luzes e cores perfeitas para fotos incríveis. A parte de cima dos Canyons, com suas vastas planícies, forma a região dos Campos de Cima da Serra, onde, até pouco tempo, predominava a floresta de araucária, típica da região. A invasão de algumas madeireiras e indústrias de celulose tem substituído o pinheiro brasileiro pelo europeu (o pinus eliottis), prejudicando fortemente o ecossistema original. Mas, ainda assim, é possível encontrar araucárias à beira da estrada. Paramos muito ao longo do caminho para tirar fotos. O frio estava congelante, embora fizesse sol. Em uma de nossas paradas, à beira de um riacho, vimos gelo acumulado em pleno 12:00h. Quase 3 horas depois da nossa saída, chegamos finalmente ao nosso destino: o Canyon Fortaleza. A estrutura do Parque – principalmente, em relação ao dos Aparados da Serra – realmente é bem simplória. Só há uma entrada, controlada pelo Ibama, para contagem dos carros que entram e saem e um guarda para dar informação sobre os circuitos. Mas, depois que pudemos comparar a situação dos dois Parques, vimos que essa é a maior vantagem do Fortaleza. Ela permite manter um certo isolamento do Parque em relação ao turismo predatório que vem de Gramado, trazido pelas inúmeras agências que tentam entreter os turistas incautos que lá ficam além do tempo necessário. A menor circulação de pessoas permite manter a condição de silêncio que se torna imprescindível para admirar toda aquela beleza. Porque, diante de toda a beleza e imponência do Fortaleza, é isso o que nos resta fazer: silêncio. São dois os trajetos disponíveis para os visitantes: o principal, que vai até a borda do Fortaleza, com uma espécie de mirante; e o da Pedra do Segredo, do outro lado de quem está no mirante. Nos dois casos, o tempo de caminha é de aproximadamente 30 minutos. A vista do mirante é lindíssima! Dá para se ter um panorama geral de grande parte do Fortaleza e sentir o peso da altitude, chegando bem próximo do penhasco. Em média, a borda superior do Fortaleza está a mais de 1.000 metros de altura (o ponto mais alto está a 1.117 metros). Como venta bastante, a sensação térmica cai e o frio – que já era grande – começou a ficar insuportável. Pela primeira vez, tivemos que fazer uso de todos as peças de roupa e acessórios que leváramos para minimizar o frio. Mas, ainda assim, penamos muito! A magnitude da visão que se tem lá de cima te convida a sentar nas pedras e contemplá-la em silêncio. Por isso é bom levar comida e bebida para enganar a fome que vem com o tempo. Ficamos mais de 1 hora ali, parados. Com alguma relutância e um baita aperto no coração, resolvemos voltar e seguir a outra trilha. Entre um e outro circuito, há um pedaço que se percorre de carro. Não cheguei a ver placa indicando o início da trilha para a Pedra do Segredo. Só consegui identificá-la quando vi uma pequena aglomeração de carros à beira da estrada. É preciso atenção a isso! Até a Pedra, caminha-se 30 minutos até a beira de um rio, que, mais à frente, se transforma numa linda cachoeira, com mais de 200 metros de queda. O trajeto continua do outro lado do rio, exigindo atravessá-lo por entre as pedras. A partir daí, segue-se margeando a borda do Canyon – de onde se avista, por diversos ângulos, a Cachoeira do Tigre Preto. Com mais 15 minutos, chega-se à surpreendente Pedra do Segredo. O nome da Pedra se deve ao mistério que recai sobre ela. Trata-se de um bloco monolítico de pedra, com mais de 5 metros de altura e 2 toneladas, sustentado por uma pequena base, de aproximadamente 50 centímetros quadrados. A impressão que se tem é que ela está quase suspensa, como que se equilibrando sobre a base. O formato peculiar da Pedra e totalmente destacado do paredão do Canyon leva algumas pessoas a duvidarem da sua formação, cogitando a hipótese de ela ter sido posta ali de alguma forma misteriosa. Daí o “segredo”. Fomos embora embasbacados com o que vimos e absolutamente satisfeitos com a opção que fizemos de não contratar guia para o passeio. Imaginamos como seria chato ter um guia do lado naqueles momentos em que o encanto do isolamento propiciava alguns minutos de romantismo. É claro que não estou desmerecendo o trabalho dos guias, cuja presença em trilhas menos convencionais é imprescindível por motivos de segurança. Mas, definitivamente, para os passeios meramente contemplativos de um turista menos interessado em explorar tudo aquilo que o Canyon não oferece facilmente à visão, eles são desnecessários. Fizemos ainda uma parada em Cambará do Sul para comer pão de sal em uma padaria. Era 17:00h e o termômetro da cidade já marcava 2°. Depois de duas horas de viagem, chegamos ao Refúgio. Dia 25/07 O dia amanhecera bem frio. O dono da Pousada, Jean, chegou a fotografar nosso carro todo coberto de gelo (a foto está, inclusive, no site do Refúgio). Segundo ele, a madrugada do dia anterior foi considerada a mais fria do ano. Em Cambará do Sul, os termômetros atingiram a mínima de -5,8°! brzzzzzz Era o nosso penúltimo dia em Praia Grande. Por uma questão de logística, decidimos adiar a ida ao Parque do Itaimbezinho para o nosso último dia (o Parque ficava na mesma estrada que nos levava até Gramado, de modo que poderíamos economizar em quilometragem percorrida com o carro). Por isso, optamos por fazer um passeio por dentro dos Canyons, conhecendo o lado catarinense do parque. Nesse caso, como estávamos à beira do Malacara e o preço do passeio oferecido pelo Refúgio não era tão exorbitante (R$20,00 por pessoa), decidimos contratá-lo. Fomos guiados pela Dani, unidos a uma família de paranaenses. O circuito, conhecido como “Poço do Malacara”, nos leva até o interior do Canyon, caminhando 1 km pelo leito do rio que, nessa época do ano, não passa de um filete de água. O percurso é feito por entre as pedras, exigindo muito cuidado na travessia. Ao longo do caminho, vários poços de água vão se apresentando, alimentados por pequenas quedas d’água que se formam a partir da acumulação acidental das pedras que descem do Canyon. Como a Dani explicou, o Canyon é um fenômeno geológico bastante ativo por causa dos desmoronamentos de suas paredes provocados pelo contanto com as águas da chuva, que acaba dando origem às pedras que se acumulam ao longo do seu interior. Depois de 45 minutos de caminhada, chegamos ao chamado “Poço do Malacara”, o maior dos poços que vimos pelo caminho. Paramos, tiramos fotos e, após alguns minutos de descanso, retornamos ao Refúgio. O passeio durou aproximadamente 1:30h e ainda nos restava toda a tarde livre. Por sugestão da própria Dani, resolvemos ir até Torres, conhecer a famosa praia dos gaúchos. Foi uma decisão bastante acertada. Não esperávamos encontrar tantos atrativos interessantes ali. Desde as torres à beira da praia até a famosa divisa com Santa Catarina, tudo foi bastante surpreendente para nós que nunca tínhamos ouvido falar daquela cidade. Aparentemente, Torres é um reduto de ricos. Como é a única praia interessante do litoral do RS, é ali que os gaúchos ricos escolhem para ter suas casas de praia. Isso fica bem claro pela imponência de algumas construções. Mas o mais interessante mesmo fica pela história da região, que está muito ligada aos Canyons. Estudiosos dizem que, em Torres, se tinha um dos pontos de ligação entre o Brasil e a África, na época da Godwana, pela similitude das rochas que se encontram ali e do outro lado do Atlântico. E como as paredes de pedras que se vêem em Torres – e que dão o nome à cidade – são feitas do mesmo material daquelas que formam os Canyons, tem-se a perfeita noção da continuidade geológica que há entre um e outro lugar, dando a impressão de que as “torres” são mini-canyons à beira do mar. Fomos até o Parque da Guarita, onde subimos até o alto da “Torre do Sul”. Na parte de baixo, pudemos entrar com o carro até a areia da praia e passear ao lado de inúmeras aves marinhas. Seguimos para a “Torre do Norte”, no Morro do Farol. De lá, fomos até a beira do Rio Mampituba, que faz a divisa entre os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Fizemos a travessia da Ponte Pênsil até o lado catarinense do rio, no município de Passo de Torres. Como já estava tarde, não pudemos fazer o passeio de barco até a Ilha dos Lobos para conhecer os lobos marinhos que vêm ao litoral brasileiro para fugir do inverno na Patagônia. Ao primeiro sinal do anoitecer, retornamos ao Refúgio. Dia 26/07 Último dia em Praia Grande. Após o café, fizemos o check-out no Refúgio e sentimos, finalmente, o “peso” da viagem. Quatro diárias (2 no quarto com vista jardim – R$230,00 – e duas no quarto com vista para o Canyon – R$270), algumas refeições na Pousada e os passeios Combo Canopy e Poço do Malacara para duas pessoas saíram por R$1447,00. Eu, sinceramente, achei caro. Mas talvez eu tenha pago o preço da desinformação, como já expliquei. Acho que o Refúgio é um lugar lindo e ótimo para aquele tipo de turista que paga qualquer preço para não ter o mínimo trabalho na viagem. Não é esse o meu perfil e, por isso, a minha decepção. Para aqueles que não abrem mão do custo-benefício numa viagem como essas, em que os atrativos estão ao redor da Pousada, e não nela, creio que devam existir opções melhores que o Refúgio na região. É só procurar. Arrumamos a mala e partimos em direção ao Canyon Itaimbezinho. A estrada é a mesma que leva ao Fortaleza, mas a entrada do Parque é antes de Cambará do Sul, a 26 km do Refúgio. Um detalhe: os Canyons Itaimbezinho e Fortaleza estão situados em Parques Nacionais contíguos, mas distintos. O primeiro pertence ao Parque Nacional dos Aparados da Serra; o segundo, como falei, ao Parque Nacional da Serra Geral. Dizem que a razão para a existência de dois parques – ao invés de um só – se deve à maior facilidade legislativa de criação de um Parque Nacional frente à expansão de um já existente. Coisas do Brasil! Já na entrada, o Parque do Itaimbezinho se mostra bem diferente do Fortaleza. Há toda uma estrutura de visitação, que inclui um espaço com restaurante, banheiros e um ponto de informações turísticas. O Itaimbezinho oferece duas trilhas, partindo do Centro de Visitantes: a do Cotovelo e a do Vértice. A primeira é maior em extensão (6,3 km) e oferece uma visão de 70% do Canyon. A segunda leva apenas 1 hora para ser percorrida (1,4 km) e cobre, visualmente, 30% do Canyon, incluindo algumas cachoeiras. Para quem já tinha ido ao Fortaleza, a beleza do Itaimbezinho não impressionou. As bordas do Canyon são mais íngremes e os desníveis nos paredões permitem visualizar as sucessivas camadas de magma derramadas ao longo dos milhões de anos, mas o que se vê ao redor não supera a imponência do Fortaleza. Sem falar que são tantos os turistas “improvisados” que vem de Gramado para preencher o tempo que sobra na cidade que é impossível não perceber um ar de desprestígio e banalização do Itaimbezinho. Um pecado! Percorridas as trilhas do Parque, partimos em direção a Gramado – o destino inicial de nossa viagem – às 14:00h. Depois de percorrer mais alguns lugarejos pertencentes à região dos Campos de Cima da Serra, chegamos na Serra Gaúcha às 16:00h, dando de cara com um longo engarrafamento, que começou na saída de Canela e só terminava no trevo que dava acesso a Porto Alegre, dentro da cidade de Gramado. Nossa Pousada em Gramado – a Recanto da Serra – era um atrativo à parte. As instalações eram grandes e luxuosas, rodeadas por áreas verdes muito bem cuidadas. O chalé era bem espaçoso e tinha até lareira. O preço da diária, pelo site, estava em R$326,00, mas, no pacote, saiu um pouco mais barato. Não é de todo barato, confesso. Mas, em Gramado, diferentemente de Praia Grande, estávamos dispostos a pagar um pouco mais por conforto, já que fomos para lá comemorar o nosso 1° ano de casamento. Por isso, não houve surpresas. E o hotel, nesse caso, até superou as nossas expectativas. À noite fomos a um restaurante experimentar o famoso rodízio de Founde (não lembro o nome). Curtimos bastante o friozinho, a comida, a música e o ambiente. Um belo banquete para terminar o dia. [continua...] Ainda falta falar de Gramado e Canela. Prometo completar o relato da viagem em breve. Tiago
  2. Oi, Rita, tudo bem? Muito válido o seu relato. Pretendo fazer esse mesmo passeio de SP-Uyuni-SA agora em julho. Vi que muitos, como você, criticaram a Colque. Então, eu te pergunto: existe outra agência mais confiável que faz esse passeio? Tô com bastante receio, principalmente porque vou com a minha esposa e não gostaria de passar perrengue com ela. Valeu, Tiago
  3. Oi, Carla, tudo bem? Suas dicas foram ótimas para eu planejar a minha viagem! Pretendo ir ao Atacama agora em Julho e estender até Uyuni. Queria tirar uma dúvida com você. Vi que você não gostou muito do passeio até Uyuni pela Colque. Mas até agora não obtive resposta de outras agências sobre esse mesmo tour. Você sabe me dizer se há outras opções, principalmente mais "higiênicas" (rs)? E sobre os passeios, eu preciso reservar antes ou dá para combinar tudo na hora? Valeu, Tiago
  4. Oi, Claudia. Estou indo para o Atacama em Julho e também pretendo estender até Uyuni. Peguei os mesmos orçamentos seus e os preços são os mesmos. Agora, eu também estou na dúvida quanto ao passeio de Uyuni com a Colque (a única até agora que me deu essa opção) porque já vi aqui no forum muita gente falando mal da agência. Não sei se tem outra opção para esse passeio. Gostaria que o pessoal nos esclarecesse isso. Tem outra agência, além da Colque, que faz o passeio até Uyuni? E como é o serviço? Att, Tiago
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