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marcosconde.amb

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Sobre marcosconde.amb

  • Data de Nascimento 31-10-1984

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    Engenheiro Ambiental
  1. Fala Galera, Vou relatar parte de uma viagem ao Espírito Santo, que incluiu 2 destinos: Pancas, no noroeste do Estado, e Pedra Azul, distrito do município de Domingos Martins, um pouco mais próxima de Vitória. Nesse relato vou abordar somente Pancas. Pedra Azul procurarei contribuir em outros tópicos já criados. A explicação é simples, tem muito pouca informação sobre Pancas aqui no Mochileiros, e no meu entendimento os outros relatos existentes sobre esse lugar incrível foram um pouco diferentes da minha experiência por lá. Tudo começou quando eu e minha esposa, Priscila, paramos para pensar sobre o que fazer no Reveillon 2014/2015. Não tinhamos muitas opções, pois estava meio em cima da hora e as passagens aéreas já estavam bastante caras para os destinos mais turísticos. Por outro lado, nós buscávamos algum lugar mais tranquilo, sem muvuca. Eis que do nada, nos deparamos com uma foto de Pancas, tirada da Pedra da Colina (pista de Paraglider). Foi aquela sensação de "Temos que conhecer esse lugar!!!". (digite "Pancas" no Google Imagens). E um amigo nosso, que já morou no Espírito Santo, disse que Pancas seria um bom destino de isolamento. Ninguém iria para aquele fim de mundo. Foi aí que, pesquisando mais um pouco sobre o lugar e insistindo em tentar viabilizar a logística, consegui encontrar passagem para Vitória num preço bom, GIG - VIX por R$300 ida e volta. Sem poder parar para pensar direito, compramos. Com a passagem comprada, nosso destino estava decidido, exploraríamos o Espírito Santo. Teríamos 6 dias pra isso. A primeira abordagem de planejamento foi "Vamos passar os 6 dias em Pancas e vamos escalar pelo menos uns 2, o resto faremos trilhas". Como somos iniciantes na escalada, precisaríamos de alguém para nos guiar na escalada. Encontramos informações sobre a empresa Planeta Vertical, de Vitória, e fomos procurar saber se seria possível alguém nos guiar. Entramos em contato direto com o Oswaldo Baldin, dono da Planeta Vertical. Bom, ele demorou para nos responder, o que nos prejudicou um pouco no nosso planejamento, mas depois descobrimos o por quê. Ele era o único guia a atuar profissionalmente com escalada no Espírito Santo e estava tentando remarcar um outro compromisso para poder nos guiar em Pancas. O chato é que não deu, então melou as escaladas. Não há guias profissionais na região de Pancas. Agora, se você você não é iniciante na escalada, continue lendo o relato. Falarei um pouco mais das escaladas a frente. Diante da impossibilidade de praticarmos escaladas, tivemos que incluir um outro destino no roteiro, Pedra Azul. Ficou 3 dias "úteis" para Pancas, 2 dias para Pedra Azul e, no último dia, Vila Velha e um pulo em alguma praia de Guarapari. Depois de lermos tudo o que havia disponível sobre Pancas aqui no mochileiros (não é muito) decidimos que esse roteiro seria uma exploração motorizada. Alugaríamos um carro em Vitória e rodaríamos os 6 dias com ele. Agora vamos aos fatos. Dia 30/12 - Ida Rio de Janeiro >> Vitória >> Pancas Nesse dia fizemos a viagem Rio de Janeiro >> Pancas. Nosso voo para Vitória era as 16:30, +/-. Saí do trabalho um pouco mais cedo e lá fomos nós para o Galeão. O Vôo RJ-VIX é muito rápido, tipo uns 45 min. Bom, como saiu tudo nos conformes, 17:30 estávamos no aeroporto de Vitória procurando a agência da Localiza, onde retiraríamos o carro. Sobre a reserva do carro: Pela primeira vez utilizei um serviço online que se chama RentCars. Gostei, consegui um bom preço reservando com a Movida, carrinho classe A, ou seja, básico. Mas funciona assim, vc faz a reserva e a RentCars vai procurar saber se a empresa pode arcar com o compromisso. No nosso caso a Movida não poderia, então a própria RentCars providenciou outra reserva pra mim no preço próximo ao que eu havia selecionado anteriormente. Ficou reservado com a Localiza. R$99 a diária. Continuando. Pegamos o carro, tanque cheio, bagagem no lugar e fomos nós. Lá pelas 18:00 pegamos a BR-101 sentido Norte até a cidade de Fundão, depois pegamos à esquerda a rodovia ES-261, que leva a Santa Teresa, e de lá pega a ES-080 rumo a Colatina. Se tiver dúvidas, dá uma olhada no Google Maps. Atenção: Essa não é opção mais rápida para chegar em Pancas. A opção mais rápida é ir pela BR-101 até João Neiva e depois pegar a BR-259 até Colatina. Depois de Colatina só tem um caminho, continuando pela ES-080 e depois pegando a ES-341. Não fomos por esse caminho pois queríamos fugir do trânsito das BR 101 e 259. Deu certo, mas demorou muito mais, o caminho passando por Santa Teresa é muito mais montanhoso e subir serra com o carrinho 1.0 demora. Levamos umas quase 5 horas para chegar a Pancas. Já era quase 23h quando estacionamos na pousada Ninho da Águia. Chegamos cansados e com fome. Para nossa sorte, ainda havia uma lanchonete na cidade disposta a fazer uma última entrega de Lanche. Foi banho, comer, dormir. Mas antes de ir dormir, uma olhadela a partir da varanda, e a luz da lua revelava o contorno das montanhas que cercam a cidadezinha, só pra deixar a gente ansioso para o próximo dia. Dia 31/12 - Reconhecimento da cidade, em busca das trilhas a fazer + Fim de tarde na Rampa de Voo Livre Acordamos lá pelas 9h. Aprontamos e fomos tomar café. Só havia nós hospedados na pousada. O café da manhã é bem bonzinho. Tinha bolo, pão, queijo, presunto, suco, frutas. Esse seria um dia para sondar o que daria para fazer nos próximos 2 dias e, pelo menos, subir no alto da Pedra da Colina, onde fica a pista de voo livre. Começamos batendo um longo papo com a Nádia, proprietária da Pousada. Muito gente boa!!! Ela foi nos ouvindo e tentando nos colocar em contato com as pessoas certas. Fez umas ligações, explicou algumas coisas, alguns caminhos, etc. Ela nos passou o contato do Nilton, proprietário do "Cantinho do Camelo", que costuma fazer umas guiadas em algumas trilhas para o lado da Pedra do Camelo. E lá fomos nós bater um papo com o Nilton. O Cantinho do Camelo fica no córrego São Luiz, cujo acesso é na Primeira entrada de estrada de terra à esquerda de quem sai de Pancas sentido Colatina. Tem uma plaquinha indicando a entrada na estrada e depois que vc pega a estrada de terra também está tudo sinalizado. Não tem erro. O Papo foi bem descontraído. O Nilton é uma pessoa super disposta a ajudar. Ele propôs que fizessemos duas trilhas para aqueles lados: 1. Subir no cume da cabeça do camelo; 2. Subir na base da Pedra da Agulha, até aonde começa a via da escalada da maior chaminé do Brasil (500m), a chaminé Brasília. Gostamos da ideia. Em ambos os casos teríamos que acessar propriedades particulares e agora os moradores estão cobrando para permitir o acesso. No caso da trilha da cabeça do camelo, teríamos que entrar em 2 propriedades, pagar R$10 p.p, o que daria R$40 só de acesso. Porém, como uma das propriedades é o Sítio Cantinho do Céu, ele sugeriu que essa trilha nós fossemos guiados pelo Fabinho, proprietário desse sítio, o que diminuiria R$20 de acesso. Como fica próximo ele se dispôs (não pedimos para ele fazer isso) a ir conosco até o Cantinho do Céu para conversarmos com o Fabinho. Sobre o sítio Cantinho do Céu: O Sítio fica no córrego Palmital. Seguindo pela rodovia saindo de Pancas sentido Colatina, depois da entrada para o córrego São Luiz, alguns quilômetros a frente tem uma placa azul escrito "Igreja da Paz". Ali fica a entrada para o Palmital. Depois é só seguir até se deparar com a porteira da foto acima. O Sítio conta com área de camping e é muito utilizado pelos escaladores que frequentam a região. Há várias vias abertas no entorno do sítio. A área de camping é sombreada por árvores altas, não tem gramado, mas o chão de terra é bem plano e limpo. Tem banheiro masculino e feminino com chuveiro quente e uma ducha fria, para refrescar nos dias mais quentes. Sobre as escaladas: Um outro motivo para os escaladores ficarem acampados no sítio Cantinho do Céu é que ali há uma pasta contendo croquis da maioria das vias abertas na região. Uns bem feitos no computador e outros feito a mão mesmo, dependendo do capricho dos conquistadores das vias. Mas de forma geral, tudo muito legível e compreensível. Várias das vias foram abertas pelo Oswaldo Baldin, dono da Planeta Vertical, que eu citei lá atrás. A maioria das vias da região estão entre 3º e 5º grau, com níveis de exposição E2 e E3, mas há também vias de maior graduação, e exposição E4, E5, ou seja, menos protegidas. Uma coisa rara é que ali ainda há muito o que se explorar, então os escaladores dispostos a abrir vias terão um prato cheio a sua frente. O tipo de rocha não fornece muitas agarras, sendo a aderência muito utilizada. Tem via com diedro, tem vias que dá pra fazer Big Wall. Resumindo: Tem de tudo um pouco e ainda pode ter muito mais. É um paraíso da escalada subexplorado e subutilizado. A temperatura nessa época do ano não favorece muito. É quente pra chuchu e a rocha ferve. Ideal creio que seja no inverno, como de costume. O Fabinho, proprietário do sítio, fez o curso de escalada com o Oswaldo Baldin e tem plena condição de conversar sobre as escaladas usando os termos técnicos adequados e fornecer as dicas para as vias catalogadas na pasta de croquis. O Fabinho nos chamou para entrar e depois de um longo bate papo, fechamos a programação: Subiriamos a Cabeça do Camelo com o Fabinho no dia 01/01 e no dia seguinte iríamos com o Nilton na base da Pedra Agulha. Havia uns mineiros de Berzonte acampados no Cantinho do Céu que disseram que talvez iriam fazer a trilha da Cabeça do Camelo junto com a gente, dependendo de como fosse a passagem do ano (ressaca). Saímos de lá já era umas 15h. Esquecemos completamente do almoço. Era dia 31/12 e já não tinha nenhum restaurante aberto. Sorte nossa que os supermercados ainda estavam abertos, então conseguimos comprar coisas para montar um lanche. Depois do supermercado fomos direto para a pista de voo livre em busca da paisagem que tinha inspirado toda a viagem. O Caminho é muito fácil, embora um pouco longo. Boa parte asfaltado e tudo sinalizado. Também não tem erro. Chegando lá foi só disfrute. Dia 01/01 - Trilha da Cabeça do Camelo Acordamos cedo, tomamos café da manhã às 7:00 e partimos para o Cantinho do Céu. Chegamos lá, o pessoal já estava nos esperando. A minerada que estava acampada resolveu fazer a trilha junto com a gente. O grupo agora devia ter umas 10 pessoas. Começamos às 7:50, com quase 1 hora de atraso, em boa medida por nossa culpa, mas tranquilo, era primeiro dia do ano e ninguém estava com pressa. A trilha começa seguindo uma estrada pelo meio do cafezal que vai até um ponto onde há uma árvore alta no topo do cafezal. Dá pra chegar de carro até ali, mas não foi o nosso caso. O sol já "pocava" a essa hora. Nessa árvore grande, deve-se pegar a esquerda por dentro do cafezal em direção a uma matinha. A trilha atravessa essa matinha e você se depara com uma laje de pedra com uma inclinação razoável. Segue pela laje de pedra para cima e à direita. A partir daí, a trilha alterna trechos longos de laje de pedra bastante inclinada e trechos curtos de trilha de terra. Aqui vale uma observação: Não é fácil achar o caminho sozinho e não há sinalização, portanto o mais recomendado é mesmo ir guiado pelo Fabinho. Aliás, acho que eles não gostam que o pessoal suba sozinho, principalmente se passar direto sem o consentimento dos proprietários. A dica é, mesmo se quiser subir sozinho, procure o Fabinho ou quem estiver na casa, bata um papo, pague o acesso (caso necessário). Bom, depois do trecho de escalaminhada a trilha volta a entrar na mata. Vinhamos bem até que minha esposa manda um grito "Ahhh, uma cobra". A bichinha tava ouriçada, balançando a cauda e com a cabeça em pé, naquela posição de bote. Uma jararaca segundo o Fabinho. Ele tomou a providência de tirar a cobra da trilha para podermos prosseguir. Antes da Priscila gritar eu já tinha passado pela cobra, e nem notei, devo ter quase pisado nela. Sorte minha não ter acontecido nada. O Fabinho disse que foi a primeira vez que se deparou com cobra naquela trilha. A trilha segue pela mata até chegar em uma parte mais complicada, onde ou você sabe escalar e vai superara o trecho ou vai precisar de uma corda. O Fabinho instalou a corda e foi subindo um por um. Passamos com tranquilidade. Outras pessoas do grupo tiveram dificuldade, mas no fim todos conseguiram superar esse trecho. Mais um pouco de caminhada pela mata e CUME! Na descida as mesmas pessoas que empacaram na subida, empacaram de novo, mas era o primeiro dia do ano e estávamos a passeio. Então estávamos tranquilos. A única coisa que tava pegando em relação a demora é que a água já tinha acabado e o calor tava foda! Chegamos de volta na casa do Fabinho por volta de umas 15h e a mãe dele já nos aguardava com uma vasilha grande de água com gelo. Cada um deve ter bebido uns 4 copos d'agua. Antes de ir embora ainda resolvi dar uma entrada na ducha de água fria pra resfriar as engrenagens. No caminho tinha umas mangas recém caídas do pé. Mandei ver. Delícia. Considerações gerais sobre a trilha: Eu classificaria essa trilha como difícil, primeiro porque não é trivial encontrar o caminho, segundo porque é bastante íngreme, com trechos de laje de pedra onde a pessoa fica exposta a uma queda razoável, terceiro pelos obstáculos, como o trecho que necessita de corda. Não é uma trilha muito longa. Nós demoramos para atingir o cume pois estávamos num grupo grande com pessoas de diferentes níveis de prática/experiência, medo, etc. Tinha uma pessoa com uma ressaca braba, vomitando a cada curva (ela chegou ao cume, guerreira!). Uma pessoa com boa prática e bom condicionamento físico deve concluir a subida em umas 2 horas. Nós levamos o dobro. O Fabinho se mostrou um guia excelente: Gente fina, paciente, calmo e conhece a trilha como a palma da mão. Deu conta do grupo de 10 tranquilamente. Perguntamos para ele quanto seria a nossa parte pela guiada, ele disse que normalmente ele cobra R$50, mas que o valor seria rateado com o pessoal do camping, então era para darmos o que achávamos justo. Como achamos que R$50 é muito pouco pela guiada que ele acabara de realizar, demos R$50 para ele (por duas pessoas). Não sei quanto ele cobrou do pessoal do camping. Saímos de lá umas 16:00 e estávamos famintos. Sabíamos que não encontraríamos restaurantes abertos a essa hora. Fomos para a pousada, rezando para a Nádia ter alguma coisa para nos servir de almoço. Bingo. Ela tinha um peixe, salada e arroz, ovo frito e uma jarra de suco de abacaxi. Perfeito! Ela cobrou R$50 pela refeição. Ela tinha também a opção de carne de porco, que foi o que restou aos outros 3 hóspedes que chegaram na noite de 31/12 e naquele dia também tinham feito a trilha da cabeça do camelo, mas não subiram junto com o nosso grupo (encontramos com eles no cume). Claro que eles também estavam famintos e a Nádia seria a sua única salvação. Depois de almoçar e descansar brevemente resolvemos ir curtir o final de tarde na rampa de voo livre de Lajinha (distrito de Pancas com 80% da população descendente de Pomeranos). Valeu a pena. Dia 02/01 - Trilha da Base da Pedra Agulha Como no dia anterior, tomamos o café às 7:00. Às 7:40 estávamos no Cantinho do Camelo. O Nilton já nos aguardava e disse que o seu filho mais velho (acho que tinha 11 anos) iria conosco. Sem problema. Entramos no carro e fomos em direção a propriedade onde fica a trilha, que salvo engano está no córrego São José. O acesso é o seguinte: saindo de pancas pela rodovia sentido colatina, depois de passar as entradas do córrego São Luiz e do córrego Palmital (ambas à esquerda), haverá uma entrada à direita com um ponto de ônibus próximo. É ali que entra. Chegando lá o Nilton foi falar com os donos da propriedade dos nossos planos. Tudo na boa, seguimos com o carro até onde o uninho aguentou e eu quis encarar. Deixamos o carro parado numa entrada do cafezal e continuamos pela estrada dentro do cafezal. O cucuruto fálico bem à frente. No topo do cafezal começa a trilha pela mata. Essa trilha mescla trechos de mata com alguns trechos de laje de pedra bastante inclinadas, como na cabeça do camelo. Mas aqui é um pouco mais fácil e o caminho mais curto. A segunda laje de pedra permite uma visão formidável do Vale do Córrego São Luiz. Depois de caminhar cerca de 1hora e meia, chega-se a um mirante, com uma visão ampla da região de uma lado e a Pedra Agulha atrás. A trilha prossegue até a base da pedra Agulha até a base da via de escalada da chaminé Brasília. Dá para ver o primeiro grampo da via. Objetivo atingido! Da próxima vez que voltarmos aí será para escalar...rrsrsrs. Ficamos lá cerca de meia hora. A descida foi rápida e tranquila. Não podíamos demorar pois tinhamos que voltar a pousada para fazer o chekout até 12:00 e queríamos tomar um banho antes de ir embora, pois naquele dia ainda viajaríamos para Domingos Martins. O Nilton nos cobrou R$80 pela guiada + entrada na propriedade do cumpadre dele. Foi caro pelo que é a trilha, mas foi um passeio muito maneiro. No check-out a Nádia me presenteou com uma caixa de manga coquinho (aquela manga pequenina super doce) colhida no quintal dela. Comi tudo até o final da viagem!!! O almoço naquele dia foi mais tranquilo. Os restaurantes estavam abertos. Acabamos indo almoçar no Degas na saída de Pancas. O PF c/ arroz, feijão, frango, salada e ovo custou R$10. Sobre o Degas: Antes de ir embora o Seu Degas fez questão de perguntar o que estávamos fazendo em Pancas. Dissemos que já estávamos de saída, mas que tinhamos feito as trilhas da Cabeça do Camelo e da base da Pedra Agulha. Nesse momento ele pediu para esperarmos e trouxe uma pasta cheia de fotos em papel, soltas e completamente desorganizadas e começou a falar das coisas que tem para fazer em pancas. Citou algumas cachoeiras, uma trilha que começa na cidade e dá a volta nas montanhas que margeiam a cidade, saindo próximo da pedra do leitão (ou pedra da Rita). A Nádia também tinha nos falado dessa trilha. Não nos pareceu ser a melhor referência para trilhas e escaladas na região. O negócio dele é o paraglider, pois ele recebe muitos praticantes ali em seu restaurante e atua na associação de voo livre que há ali. Todas as vezes que passamos no restaurante ao longo do feriado estava fechado, com exceção desse último dia. Mas ele jurou de pé junto que abriu todos os dias. Almoçados, partimos para Domingos Martins, mas essa parte fica para outros tópicos. DICAS: Onde ficar na cidade: - Pousada Ninho da Águia (R$120 a diária p/ casal) - Link - Hotel Acácia (R$115 a diária p/ casal) - Link Camping: - Sítio Cantinho do Céu (Facebook) Hospedagem rural: - Cantinho do Camelo (o Nilton trabalha com grupos grandes, podendo receber até 150 pessoas, sendo o público de igreja o seus maiores clientes) - Link Onde comer: - Lanchonete Raio de Luz (ela salvou a nossa vida na noite em que chegamos e na noite de reveillon) - (27) 99600-0156. Serve lanches, panquequas, lasanhas e outras coisas. - Restaurantes no centro da cidade: tem umas 3 opções. Não comemos em nenhum deles, pois estavam fechados nos horários que voltávamos das atividades. - Supermercados: tem uns 3 ou 4, todos na avenida principal. RESUMO: O que encontramos em Pancas foi uma paisagem maravilhosa e única no Brasil. A atividade turística em Pancas está deveras subexplorada. Falta visão política e estratégica. Acredito que o histórico de criação do parque nacional na forçação de barra deixou o pessoal da região meio arredio aos ecoturistas. Apesar disso, não tenho o que reclamar das pessoas com quem estivemos lá esses 3 dias. Pessoas super educadas, atenciosas e receptivas. O ICMBIO está completamente ausente na região. Não há nenhum indício que a área é uma unidade de conservação (Monumento Natural). Precisa de um plano de manejo urgente. É preciso também um bom trabalho de envolvimento das pessoas da região que hoje trabalham com agricultura, para que se envolvam com o ecoturismo em parceria com o parque e assim obtenham uma fonte de renda extra. As pessoas que tocam o turismo na região hoje não tem apoio de ninguém, nem da prefeitura, nem do estado, nem do icmbio, verdadeiros guerreiros. Apesar da pouca estrutura, VISITAR PANCAS VALE A PENA!!!!! VÃO E VEJAM COM SEUS PRÓPRIOS OLHOS!!! É isso galera. Se tiverem alguma dúvida é só perguntar. Abraço Marcos
  2. Olá Peter, Realmente, na Bolívia é tudo mais barato. O preço do trekking está logo no início do relato. Abraço
  3. Olá Fabrício, Me desculpe a demora, só agora vi que tinha suas perguntas no relato. Mas como vc pretende ir em Ago/2014 talvez ainda dê tempo. Não fiz o Huayna Potossí, mas a info que tenho é que é uma subida relativamente pesada e tem alguns trechos de escalada em gelo que exige bastante fisicamente, além de superar os 6.000m. Me parece que o seu plano de aclimatação está mais que suficiente, o resto é ver como seu corpo vai reagir. Em San Pedro do Atacama, além dos passeios tradicionais, todos muito bonitos e interessantes, fizemos a ascensão do vulcão Lascar, 5.650m. Esse é um dos vulcões mais ativos da América do Sul. Tem uma baita cratera soltando fumarolas. Muito maneiro. E tb alugamos uma bike e fomos até a garganta do diabo, vale a pena tb, só não esquece de levar bastante água. Em La Paz, se tiver tempo, faça o downhill de bike na estrada da morte. Muito louco! O meu roteiro foi o seguinte: - Chegada por voo gol para Santa Cruz de la Sierra - Voo interno para La Paz (valia mais a pena que pagar a passagem da TAM direto pra La Paz, mas isso varia muito) - Travessia do Salar de Uyuni e Altiplano de 4x4, chegando em San Pedro do Atacama (aquela tradicional) - Onibus para Arica - Aluguel de carro e visita de 3 dias na região do Parque Lauca, extremo norte do Chile. - Volta de ônibus de Arica pra La Paz - Voo La Paz - Sta Cruz - RJ. Nº de dias: 06 na região de La Paz 03 dias travessia do Salar e altiplano 07 dias em San Pedro do Atacama 05 dias na região de Arica e Parque Lauca Valew! Abraços!
  4. Olá Umpdy, O trekking de um dia é uma opção interessante, principalmente pra quem está com pouco tempo. Mas, acordar e dar de frente para aquela montanha é uma sensação indescritível. Para quem estiver com um pouco mais de tempo, recomendo pelo menos 2 dias. Uma dúvida, imagino que o trekking de um dia direto para o Pico Áustria seja meio puxado considerando a distância e a altitude. O que você achou? Quanto a subir pela pedra, a regra é cada 2 passos caminha-se efetivamente 1. Para descer cada passo equivale a 3, pois você desce literalmente deslizando sobre a camada de pedras...heheeh...a perda de controle é quase certa... Valeu pelos elogios. Abraço Marcos Conde
  5. Oi Maria Emilia, Pois é, você tem razão, é sempre preferível contratar diretamente guias locais. Normalmente fica até mais barato. Mas em muitos casos não se conhece guias locais ou não há referências. Nessas horas as agencias quebram o galho do turista, intermediando esse processo. No caso do povoado de Tuni, pelo que percebi, nessa época que eu fui não havia guias. Sequer havia tcholas para as mulas. Quanto ao Sixto, ele não me pareceu insatisfeito com as condições de trabalho e remuneração. Enfim, apenas esclarecendo alguns pontos e concordando com sua preferência. Abraço Marcos Conde
  6. Oi Renata!!! Parabens pela trip e pelo relato. Ótimas fotos. Aquele choppinho em SPA depois de chegar do tour do salar (nós) e do Licancabur (você)...estava D+ hein! Bom te encontrar por lá e ter participado de alguma forma dessa sua viagem...hhehehe Abs,
  7. Oi Maria Emilia, Pois é, quando estavamos planejando tambem tinhamos muitas duvidas e a certeza de querer fazer esse trekking. Conseguimos muito poucas informações aqui no forum e na internet. Pouca gente sabe que ele existe. Bom...No fim agente acabou procurando a Alberth Tours, da qual tinhamos boas referencias, customizamos o roteiro e o resto você já sabe. Foi maravilhoso. Abs,
  8. Olá Van/DF e kakazeth, Recomendo fortemente esse trekking. Lembro ainda que na cordilheira real e na região do Condoriri há muitas opções de trekking e escalada, desde daytrips até trekings de 6 dias. Se for com a Alberth, o Juan vai abrir um mapa na sua frente e começar a apresentar as opções com base no seu tempo e interesse. Qualquer opção que escolher será magnífica. Abs
  9. Oi mfernandabp A ideia era essa mesmo...reviver esses momentos escrevendo o relato...hehehe Valeu pelos elogios... Abs
  10. Olá galera mochileira, Bom. Depois de planejar toda a minha viagem por esse site, não poderia deixar de contribuir. Esse trekking que vou relatar faz parte de uma viagem maior, que assim que eu tiver tempo elaborarei um relato mais extenso. Tem duas partes da vaigem que eu gostaria de dar prioridade: uma delas é um trekking de 3 dias na região do Condoriri, na cordillera Real, próximo a La Paz; a outra é o Parque Lauca, no extremo norte chileno. O motivo: a escassez de informações sobre esses lugares aqui no mochileiros.com. Vou começar com o Trekking do Condoriri. A viagem compreendeu a Bolívia e região do Atacama e foi realizada entre 13/10/12 a 04/11/12. Viajamos eu e minha esposa. Trekking Condoriri 3 dias c/ ascenção ao Pico Austria Resumo: 1º dia – Transfer ao povoado de Tuni e trek até acampamento base Laguna Chiar Khota 2º dia – Ascensão Pico Áustria (5.350 m) 3º dia – Paso Aguja Negra e retorno a Tuni Agencia: Alberth Tours (excelente agência. O dono Juan e sua esposa, são gente boníssima. Fizemos amizade. Ficamos horas conversando e eles nos deram altas dicas sobre La Paz e a Bolívia. Ficamos de jantar juntos quando voltássemos para La Paz, mas infelizmente o nosso tempo em La Paz nos últimos dias foi muito curto) Preço: US$ 245 (p/ dois) 1º dia Combinamos de nos encontrar às 9h no escritório da Alberth Tours, que fica bem próximo (na mesma calçada) do Hostal Copacabana, onde estávamos hospedados. Chegamos com 10 minutos de atraso e o pessoal já estava nos esperando. Fomos com um guia chamado Sixto, sobre o qual tínhamos lido vários relatos positivos no livro da Alberth Tours. O Sixto é um guia bastante concorrido, depois vocês vão saber porque. Além do guia e do motorista (que também era guia), estavam presentes um casal de Franceses, que iriam escalar o Pequeno Alpamayo. A viagem até Tuni demorou cerca de 2h30m, incluindo uma última parada em um bairro de El Alto para que os guias comprassem alguns itens dos nossos mantimentos. Aproveitei para comprar mais uma barra de chocolate. O Caminho para Tuni é o mesmo que se faz para Tihuanaco e para o Lago Titicaca, quebrando à direita em um determinado momento e pegando uma estrada de terra. Não estava com relógio e não sei precisar a que horas chegamos a Tuni, mas estimo que tenha sido por volta de 12h. Desembarcamos e os guias retiraram toda a tralha da van. Não parecia haver ninguém no povoado que tinha uma meia dúzia de casas feitas de adobe. Aproveitamos para sacar algumas fotos da placa que há no povoado, indicando a altitude 4448 m. Eu já estava com fome e, por sorte, os guias nos chamaram para almoçar. Era uma marmita com arroz (sem sal), uma batata cozida partida ao meio e um pedaço de frango semi-frito...hehehe (parecia ter sido comprado em alguma birosca). Pra dar uma incrementada, tinha maionese como opção. Para beber, suco de laranja. Comi a minha marmita todinha, sem medo de ser feliz. Estava mais preocupado em me manter nutrido para o desafio da altitude. Minha esposa comeu metade e nem tocou no frango, que no caso dela tinha até pena. Completamos o refeição comendo banana de sobremesa. Vista geral do povoado de tuni Depois de comer, as mulas chegaram e o guia veio nos dizer que teríamos que fazer uma mudança no itinerário planejado. Havíamos planejado o roteiro com a primeira noite na laguna Juri Khota e a segunda na Chiar Khota. O problema é que éramos dois grupos: os franceses teriam que acampar na Chiar Khota e nós havíamos planejado ir primeiro na Juri Khota. Apesar de haver mulas para os dois grupos, não tinha pessoas para acompanhar dois grupos de mulas. A solução seria agente se abster de passar pela Juri Khota e ir direto para a Chiar Khota, acampando lá as duas noites. Entendemos a situação e aceitamos sem problema. Segundo o guia, esse problema ocorreu por conta da época (outubro), que tem poucos turistas e o pessoal de Tuni sai para trabalhar em outras áreas. Nos meses de agosto e setembro isso não ocorre, pois há mais turistas e os moradores ficam esperando para guiar as mulas. Lago de Tuni Bom! Mulas arreadas, começamos a caminhar. Passada lenta e constante. Passados 15 minutos chegamos no lago de Tuni. Muito bonito. Verde. A trilha, que coincide com a estrada, circunda o lago no sentido horário. Várias fotos. Deixamos o lago e começamos a subir. No início o desnível é suave, mas sempre subindo. No caminho vamos passando por alguns pequenos conjuntos de casas, às vezes 3, às vezes 2, sem ver uma alma sequer. Ao longe grupos de lhamas e alpacas pastam no vale. Olhamos para trás e um pouco longe lá vem a Chola guiando as mulas e a nossa carga. São cerca de 2h30m a 3h30 de caminhada até a Laguna Chiar Khota, dependendo do ritmo do cidadão. Os franceses, mais acostumados com a altitude, dispararam na frente. Nós não estávamos com pressa. À frente, as montanhas em formato de Condor, com todo o seu esplendor, vão se descortinando pouco a pouco, e se aproximando. Passo lento e constante. Respiração compassada. Subindo. Mulas subindo carregadas Aproximando Chegamos!!! 4.700m!!! Acho que era umas 4h30 ou 5h da tarde. Os dois guias começaram a armar as barracas, que eram 4 no total. 1 para nós. 1 para o casal francês. 1 de copa e 1 de cozinha, onde os guias dormiriam. Perguntamos se precisavam de ajuda e eles disseram que poderíamos dar uma volta ao redor para tirar fotos e fazer o reconhecimento da área. Lá estávamos, às margens da Laguna Chiar Khota, frente a frente com o Condoriri, anestesiados com a paisagem e tirando fotos sem parar. As nuvens impediam a paisagem de ficar ainda mais fabulosa. Os poucos raios de sol que atravessavam produziam um verde impressionante em algumas partes da laguna. Chiar Khota Voltamos para o acampamento e após alguns minutos o Sixto nos chamou para um chazinho. Chá de coca, outros chás, café (nescafé) e bolachas. Minha esposa não se sentia bem do estômago e tinha um pouco de enxaqueca, sintomas típicos da altitude. Faltava apetite. Os sintomas a enganavam e ela pensava ser coisa da marmita do almoço. Deu umas bebericadas no chá, mas não conseguiu comer mais que 2 bolachas. Voltamos a barraca, ela tomou um ibuprofeno e demos uma cochilada. Cerca de 1 hora depois, a enxaqueca já tinha passado e o Sixto nos chamou novamente para a janta (cena). Sopa de quinua, muito apetitosa, macarrão sem molho e sem graça e carne de lhama. Ela bem que tentou a sopa, mas cada colherada era uma luta. O guia disse que o ideal seria ela tomar uma Sorochi Pill imediatamente e não forçar a comida. Assim fizemos. Voltamos para a barraca e nos ajeitamos para dormir. A temperatura esperada para a noite era de -1 ou -2 ºC. 2º Dia Assim começa o segundo dia... Combinamos de começar a subir o Pico Austria às 7h30m e que, portanto, o desayuno seria às 7h. Caso não tivéssemos acordado, Sixto nos chamaria às 6h30m. Todavia, acordamos com os primeiros raios de sol, e às 6h já estávamos começando a nos preparar. Arruma daqui, prepara dali, Sixto nos chamou para o desayuno. Aí nos surpreendemos. Pão, manteiga, geleia, frutas, suco, café, chá, yogurte, cereal, bolachas e até mel. Sem dúvida o melhor café da manhã de toda a viagem. A noite tinha feito bem a minha esposa, que mandou ver no desayuno. 7h35. Partimos rumo ao pico Áustria que se estendia bem a nossa frente a noroeste do acampamento. O guia nos alertou que nossa subida seria lenta e em zig-zag. Inspira, Expira, Inspira, Expira...o ritmo da passada coincide com o da respiração, que vai ficando cada vez mais profunda. A nossa meta é vencer os 650m de desnível que separam o acampamento até “La Cumbre”. O Pico Áustria é o pico mais alto da Cordillheira Real passível de subir pro trekking. Há outros mais altos, como o próprio Huayna Potosí, mas só escalando. Antes dessa viagem nunca tínhamos ultrapassado sequer a barreira dos 3.000m e dali poucas horas estaríamos passando a barreira dos 5.000m. Para nós seria uma grande conquista e a vontade de conseguir transbordava. Subindo. Aqui já avistamos o Paso Austria ao centro. O cume está a esquerda. O ataque é por trás da montanha A caminhada é silenciosa. O simples ato de falar descompassa a respiração. Até aqui tudo tranquilo com a cabeça e com os estômagos. A paisagem é hipnotizante. Ao olhar para trás, o acampamento já se vê distante, em miniatura. Sixto está preocupado com os colegas franceses que saíram às 00h30 em direção ao Pequeno Alpamayo e às 9h30m já deveriam estar no caminho de volta (a meta deles era atingir o cume do pequeno almapayo às 6h – 6h30). A cada parada, ele saca o binóculo tentando encontrá-los no meio da geleira que leva ao pequeno Alpamayo. Finalmente ele avista um grupo de 3 pessoas que acredita ser os franceses. São mais ou menos 10h. Sixto nos avisa que atingimos a marca de 5.000m. Festa tímida e fotos! Nesse ponto, já é possível avistar o paso Áustria que está a uns 5.100m. A ascenção ao cume se dá por trás da montanha. Até o paso Áustria a trilha será em linha reta. A inclinação é crescente e o caminho é de rochas soltas. Ao chegar ao Paso Austria é impossível manter o compasso da respiração. A visão da cordilheira real nesse ponto é de tirar o fôlego...kkk..trocadilho inevitável. 10 minutos de descanso enquanto apreciamos a paisagem e o guia nos conta algumas estórias de acidentes nas montanhas da cordilheira real. Agora falta pouco. Cordilheira Real, vista por detrás do paso Austria. Continuamos a subida. 1, 2, 1, 2...conta-se os passos. Inspira, Expira, Inspira, Expira. O nariz não dá conta. É necessário repirar pela boca. Os ruídos são os das passadas nas pedras soltas e do vento, que nesse momento não é muito forte. Está um pouco frio e todos colocam suas luvas. 5.200...5300...Minha esposa diminui um pouco o ritmo, mas persiste no objetivo e caminha sem parar. O guia grita que estamos quase lá. Fuerza!!! Finalmente La Cumbre. A sensação de conquista toma conta dos nossos corpos. A respiração ofegante nos impede de comemorar de forma exaltada. A reação aparente não condiz com o sentimento que está rolando. Êxtase. Satisfação. Felicidade. Saca-se as bandeiras. Minas Gerais, Brasil, Bolívia!!! Seção de fotos!!! O dia não está dos melhores em termos de visibilidade. No inverno, com o ar seco e sem nebulosidade, é possível enxergar até o vulcão Sajama (montanha mais alta da Bolívia), quase na fronteira com o Chile. Não importa. Conseguimos!!! De um lado, a cordilheira real, do outro, o lago Titicaca e, mais próximo, a laguna Juri Khota, do outro a Laguna Chiar Khota e nosso acampamento (agora quase imperceptível) e ao fundo o lago Tuni e, bem distante, a cidade de El Alto. Essa é a vista lá de cima. Surreal!!! La cumbre Juri Khota (onde haviamos planejado acampar a primeira noite, mas ñ deu certo). Lá no horizonte o lago Titicaca. A Conquista Depois da seção de fotos, Sixto nos perguntou se gostaríamos de almoçar no cume. Dissemos que sim. Eu estava bem, a esposa com o estomago meio embrulhado, mas achava que conseguiria comer tranquilo. No almoço do Sixto: Quinua bem temperadinha e um cozido de legumes típicos do altiplano boliviano, que agora esqueci o nome. Uma delícia! Ela bem que tentou, mas depois de meio prato, não aguentou, acabou vomitando. A altitude cobrava o preço da aventura. Depois do ocorrido, ela melhorou, mas começou a sentir uns calafrios. Sixto tratou de nos acalmar e dizer que estava tudo bem e que não era pra forçar a comida. Disse que não era pra tomar nenhum remédio e que se ao baixarmos a altitude ela não melhorasse ele prepararia um chá especial. Tratamos de não nos prolongar muito mais no cume. Mais 10 minutos e começamos a baixar. Almoçando no cume A descida é bem mais rápida. “Pra descer todo santo ajuda”. A esposa já se sentia melhor. A paisagem continuava deslumbrante, mas o tempo começava a fechar. Aumentou o vento. Frio. Uma última parada no Paso Austria para contemplação e seguimos ladeira abaixo. O Sixto nos perguntou se estávamos bem e se gostaríamos de descer por outro caminho, dando a volta na Laguna Chiar Khota. Claro que sim!!! Caminho de volta No meio do caminho um lugar onde haviam muitíssimas vizcachas, uma espécie de coelho andino. Mais paisagens alucinantes. Novos ângulos. Muitas fotos. Vizcacha Acho que chegamos ao acampamento umas 4h da tarde. Cansados. Deitamos dentro da barraca. Sentiamos um pouco de dor de cabeça, ambos. Cochilamos. Depois de um tempo chá da tarde e lá pelas 6h30m ou 7h, a janta. Mais uma sopinha, dessa vez não era de quinua. A esposa estava bem melhor do estomago e mandou ver, sem dó. Pra completar, macarrão a bolonhesa. Durante a tarde tinha chegado uma japonesa com um outro guia, que compartilharam os momentos do chá e da janta conosco. A japonesa faria um trekking light no dia seguinte ao redor da Laguna e nos disse que a viagem do Japão para a Bolívia leva mais ou menos umas 30 horas, entre escalas e conexões na América do Sul e nos Estados Unidos. Depois da janta, parada para apreciar o céu estrelado. As nuvens tinha se dissipado. Absolutamente lindo! 3º Dia O terceiro dia começaria mais cedo, pois tínhamos que chegar a Tuni às 15h, horário combinado com o transfer. Sixto nos chamou às 6h. Desmontar acampamento, tomar o desayuno, arrear as mulinhas e partir. Assim foi feito! O dia começou azul. A ideia era subir a montanha a leste da laguna Chiar Khota que culmina no Paso Aguja Negra. O paso está a 5.100m. Depois seria só descida. Começamos a caminhar com uns 20 minutos de atraso em relação ao combinado, mas tudo bem. Sem estresse. Sixto sequer falou sobre o atraso. Muitíssimas fotos na subida. Nessa subida agente fica o tempo todo de frente para todas as montanhas do complexo do Condoriri. Um espetáculo. E o tempo estava ajudando. A altitude já não produzia sintomas. Sentiamos que estávamos aclimatados. E estávamos. Chiar Khota Subindo para o Paso Aguja Negra No paso Aguja Negra, despede-se da paisagem do Condoriri e fica-se frente a frente com o Huayna Potosí, embora distante. Mais uma paisagem alucinante. A descida começa aqui. Olhando a esquerda, outra montanha gigante, o próprio Aguja Negra, no qual poucos se aventuram subir. Segundo o nosso guia, é só para profissionais. Paso Aguja Negra. A esquerda o Condoriri ficando pra trás. A direita o Pico Aguja Negra Huayna Potosí Desce, desce, conversa, desce mais um pouco. Parada para o almoço. No menu: Arroz colorido, salada de tomate e pepino e ovos cozidos. Coca-cola. Apetitoso. O tempo começou a fechar quando paramos para o almoço e ao longo do tempo foi fechando cada vez mais. Foi ficando cada vez mais frio. Pega luva, bota cachecol. Sixto ficou preocupado. Estava com cara de chuva. Continuamos a caminhada. Não estávamos muito longe. Faltava umas 2 horas de pernada. De repente, a coisa foi ficando preta literalmente e nos arredores víamos várias nuvens despejando com força e a terra ia ficando toda branquinha. Sixto falou convicto: Granizo. Pensei: Putz...só falta agente pegar uma chuva de pedras!!! Quando ver, o sixto olha pra trás e lança mais uma afirmativa convicta: Tormenta de neve no Condoriri!!! Estávamos bem no meio, sem neve e sem granizo. Continuamos andando e não demorou muito para que o vento trouxesse a neve até nós. O dia que começou azul, agora estava cinza e branco. Já avistávamos o lago de Tuni. Nunca tínhamos tido contato com a neve caindo. Experiência incrível! Durou cerca de meia hora. Quando chegamos nas “orrillas” do lago de Tuni já não nevava mais. Sixto disparou na frente. Sabia que o transfer já deveria estar por chegar, se já não tivesse chegado. Mantivemos o nosso ritmo. A coisa ficou preta e nevou... Um último susto. Meu nariz começou a sangrar como nunca. Jorrava sangue. Dei uma desesperada. Mas definitivamente não era pra tanto. Chegamos ao fim de mais um trekking alucinante. Mais duas horas e meia de carro e estávamos de volta a La Paz. Felizes! Em Paz! Se você ainda não sacou porque o Sixto é tão concorrido, pense no seguinte: “Você acha que é todo guia que se dispõe a cozinhar (e bem...) e carregar o almoço subindo montanhas a mais de 5.000 a cima do nível do mar?”. A resposta é NÃO! O guia da japonesa, por exemplo, tinha levado as coisas do café da manhã (na verdade, as mulas levaram) e sanduiches para o almoço. Alem disso, o Sixto se mostrou experiente, gente boa, tranquilo e paciente. Ou seja, ótimo guia. Qualquer duvida é só perguntar. Saudações mochileiras!!!
  11. Olá Mochileiros, Estou planejando uma viagem à Patagônia em Fevereiro/2011. Eu e minha mulher. Pretendo fazer o circuito W em TDP. Já estudei os mapas, li vários relatos e pesquisei um pouco sobre cada um dos refúgios. Porém, algumas dúvidas ainda pairam. Vocês saberiam me dizer como é o esquema para tomar banho por lá? A galera que usa o acampamento pode usar os chuveiros dos refúgios? Todos os refúgios têm chuveiros? Paga-se a mais por isso? Ah...tem mais uma coisa!? Os refúgios tem só quartos compartilhados ou tem quartos p/ casal tb? Valew galera!
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