Ir para conteúdo

Ziero

Membros
  • Total de itens

    13
  • Registro em

  • Última visita

Reputação

0 Neutra

Sobre Ziero

  • Data de Nascimento 22-09-1984

Bio

  • Ocupação
    Psicólogo

Outras informações

  1. [align=center]http://www.youtube.com/watch?v=t3EwnPCb2-c Esse é o relato de minha segunda investida ao Pico Ciririca (Ou Siririca). Partimos de Londrina no dia 18 de Março de alguma coisa, passamos a noite em Curitiba e no dia 19 pela manha tocamos em direção a Fazenda Pico Paraná. Os integrantes do bando foram: Alexandre (Malinha), Bruno (Nariz), Vitor (Saldanha), Roberto (Boer), José (Galinha), Thiago (Negão), e Eu (Ziero). E se me lembro bem o Chiquinho (Pituco) também tinha combinado de ir, mas como sempre afinou na ultima hora. Tiramos a clássica foto de partida e não perdemos tempo. Nosso objetivo era chegar ao Ciririca em dois dias, precisávamos no primeiro dia subir o Itapiroca e o Cerro Verde [Onde passaríamos a noite], e no outro dia seguiríamos pelo Taquaripoca, Luar, Sirizinho e finalmente o Ciririca. Mas antes precisávamos sofrer um pouco no Getulio, ô morrim safado! Um outeiro de proporções ínfimas se comparado ao resto da Serra do Ibitiraquire, não poderia nem chamar aquilo de trilha, é uma highway de vários degraus de madeira, mas realmente é ali que o bicho pega. Logo que chegamos a Pedra do Grito um dos bandoleiros já começou a “passar mal”, não vou citar o nome do individuo, mas vale salientar que mais pra frente o colega “passou mal” novamente e somente graças a isso que conseguimos escapar de uma furada. (Foi o Saldanha) Chegamos a Bica sem maiores incidentes, e constatamos que estávamos andando meio devagar. Após um breve lanche saímos voando rumo ao Itapiroca, a trilha é bem tranqüila e não tem como errar, é só tomar cuidado para não pegar a bifurcação que leva ao Abrigo 1 do Pico Paraná. A trilha é tão de boa que certa vez encontrei um pessoal de havaianas lá em cima [sem contar o Sergio com a Guita – ver tópico anterior]. Mas como nem tudo é um mar de caratuvas... Ao sairmos da mata e chegarmos ao alto do Itapiroca constatamos que o tempo estava péssimo! Não dava tempo nem de respirar, fomos logo procurar a trilha que desce em direção ao Cerro Verde. E não preciso nem mencionar que a gente fez questão de se perder ali de novo [É, essa já foi à terceira vez]. Depois de descermos pelo lado errado e subirmos novamente, encontramos a bendita trilha e fomos “caindo” pelas encostas do Itapiroca, entrando no vale que iria dar acesso ao Cerro Verde. Apesar de estarmos mais abrigados da chuva, ali o terreno se mostra bem mais traiçoeiro. Raízes para todos os lados, e um terreno fofo, uma mistura de terra com matéria orgânica, parece que ta sempre prestes a desabar. A isso se soma as inúmeras fendas que passeiam por ali, e a historia de um montanhista que teve a vida ceifada em uma das “gretas”. Chegamos ao Cerro Verde debaixo de uma tempestade, montamos as barracas, mastigamos uma ração e caiu todo mundo no sono. Não tenho mais tanta certeza, mas acredito que por volta da meia noite a gente acordou e o céu tava estrelado. Só não emito absoluta certeza sobre o ocorrido, pois é um fenômeno que já venho notado há algum tempo e acabo por confundir quando foi ou não. Mas vocês não acham estranho? Sempre que chove na montanha, meia noite o céu abre! Não é incrível??? Acordamos as 05:59 para ver o sol nascer, e pelo menos no quesito alegoria a historia resolveu não mentir. Um nascer do sol espetacular! É impressionante a visão que se tem do alto do Cerro Verde, ô montainha abençoada viu. Arrumamos as coisas e fizemos um alongamento encarando nosso vilão de frente. Era o Ciririca, que aparecia quase ao alcance da mão. O tempo não estava dos melhores, uma boa quantidade de nuvens despontava no céu, para ser sincero estava com uma cara de mais pra triste. Partimos. Essa parte do caminho era o nosso maior medo quanto a nos perdermos, e para não desapontar, nos perdemos... E muito. Tem um trecho que tem que pegar a trilha em direção ao Tucum, e no meio dessa trilha tem uma entrada que cai pra baixo [Esq. de quem vai em dir. ao Tucum]. E então se entra no Vale. Antes desse local, tem varias outras trilhas que dão TODA a impressão de serem as certas, muitas inclusive marcadas com fitas, então é bom tomar cuidado por ali. Seguimos pelo vale que leva ao Ciririca, ora debaixo de uma fina garoa ora com um manto branco que deixava a paisagem ainda mais bonita e sombria. No meio do vale nos perdemos, chegamos num ponto com uma arvore caída e não conseguimos encontrar a saída da trilha. Ficamos quase uma hora pra sair dali, todos tiraram as cargueiras e foram cada um pra um lado, mas nada da trilha... Quando já tava começando a bater um desespero geral, todos com aquela cara de “tamo na merda de novo”, um colega resolveu “passar mal”. Então ficamos ali esperando, até que ouvimos um grito do pobre moribundo, e para nossa salvação e infelicidade, ele havia “passado mal” justamente sobre a trilha. Estar na merda às vezes pode ser a solução, não é? Saímos correndo dali!!! E rezando para não tropeçar em nada. Subimos mais alguns morros, até que finalmente chegamos a um ponto de referencia seguro. Ultima Chance. Para aqueles que ainda não a conhecem, a Ultima Chance é um ponto na base do Ciririca, na beira de um riacho. Lá é o encontro das duas trilhas que levam ao Ciririca [Trilha de Baixo e Trilha de Cima]. Sendo que vínhamos pela Trilha de Cima, só que não “via Tucum” [que é o caminho habitual], e sim, pelo Itapiroca. Recarregamos todas as garrafas de água, a maioria ficou com 3 ou 4 litros [E faltou] nas costas. E fomos rumo ao temido paredão do Ciririca. Já tinha visto umas fotos e ouvido uns comentários, mas realmente não achei nada demais, é um lance de pedra que nem é tão íngreme assim. É só subir com cuidado que as pedras são bem escorregadias. E daí pra frente começou a tortura, acho que o critico é que você já chega ali bem deteriorado então o motor começa a falhar. Nas palavras do Saldanha “onde separa os meninos dos homens”. Resumindo, os metros finais foram bem sofríveis. Eu ia subindo na companhia do Saldanha, mirava uma pedra e seguia, parava por 10 segundos e já mirava outra e saia de novo. E não pense que eu descansava somente 10 segundos por pura determinação, era que o céu tava desabando mesmo, 10 segundos já eram o suficiente pra sentir cada ponto do meu corpo gelando em contato com a camiseta molhada que não parava de se mexer naquele vento. Enquanto subia a “passos de astronauta”, via o Nariz [brunão] logo acima, o joelho dele já tava todo zoado, o infeliz ia mancando e praguejando alguns metros acima. E foi assim que a gente chegou ao topo do Ciririca, tremendo debaixo da chuva. Fim de tarde do dia 20 de Março. Logo que cheguei o Bruno me fez prometer que nunca mais iria chamar ele pra uma furada dessas[E continuo chamando] Montamos as barracas, comemos, e provavelmente vimos o céu estrelar de novo a meia noite. Nosso plano era voltar já no outro dia, pegar a Trilha de Cima e voltar pelo mesmo caminho, ou seja, seriam mais 2 dias labuta. Mas sabe como é né ? Foi batendo aquela preguiça e resolvemos não sair do lugar, passar o dia no cume, fazendo “nada”... Ficamos lagarteando pelas pedras, escondendo na sombra das placas. E já que o dia estava ensolarado aproveitamos pra secar tudo. O dia foi passando e a duvida aumentando, como que a gente vai voltar em apenas um dia? Haviam 3 possibilidades: voltar pelo mesmo caminho, Trilha de Cima, ou Trilha de Baixo. A gente não conhecia a trilha de Cima e a Trilha de Baixo mas sabíamos que eram mais curtas, só que iam dar na Fazenda do Bolinha. Parte da trupe já havia tentado vir por esses lados, e diziam que o caminho era bem complicado. Alem de que iria ficar meio longe da Fazenda Pico Paraná [onde estava o carro]. Então não tinha jeito, nossa decisão de passar um dia além do previsto no cume do Ciririca, iria resultar num dia de sofrimento extremo, correndo pelo mesmo caminho da vinda, e rezando pra não se perder muito. Isso fora a água que a gente havia trazido, que tinha sido calculada para apenas uma noite, e não duas noites e um dia. Fim de tarde, enquanto a gente racionava a água e tentava comer a farofa que a mãe do Zé tinha feito, tudo mudou. Aparecem duas gurias, vindo justamente da Trilha de Baixo. A gente só não brindou com água porque não tinha mesmo. Mas a alegria foi geral, alem de não ter que fazer uma trilha de dois dias em apenas um, íamos conhecer a Trilha de Baixo. No outro dia, pouco antes de partir, ainda vimos uma das meninas despejando uma garrafa daquele liquido tão precioso no chão... Nãããããããããoooo. Ainda ganhamos 2 litros d’água! Ta... Não preciso dizer que duas minas salvaram sete marmanjos. A gente ate tentou acompanhar o ritmo das gurias voltando pela Trilha de Baixo, mas elas corriam bem. E a gente foi parando em cada uma das Cachoeiras, Poços, Riachos... A trilha é realmente muito bonita! Não da pra fazer uma comparação com a trilha que a gente veio, pois a trilha pelo Itapiroca é mais por campos de altitude, visual panorâmico de toda a serra. Já a trilha de Baixo é uma matinha encantada, tem até um Poço das Fadas. E assim chegamos a Fazenda do Bolinha, onde se faz o acesso costumeiro ao Ciririca, tomamos uma cerveja por ali pra comemorar e arrumamos uma carona para a Fazenda Pico Paraná para resgatar os carros. Felizmente dessa vez nada deu errado na volta para casa. Nenhum radiador furado, motor fundido, briga em bar... 1- Ciririca/Siririca: Aurélio: Siririca1 [Do tupi = 'a ondulação leve da superfície das águas'.] Siririca2 Masturbação no órgão sexual feminino Google: "Grande Mãe dos Caranguejos do Mato" 2- Voce sabia que o Ciririca tem apenas 1.781 metros ? 3- Dizem que as placas foram construídas no Ciririca para fazer a comunicação via Microondas entre Curitiba e a Usina Parigot de Souza. 4- Existem diversos debates sobre o Ciririca, alguns defendem que deveriam tirar as placas pois elam agridem o eco-sistema, outros que tirar elas de la iria provocar um impacto ainda maior sobre a trilha. Alguns falam de por escadas, correntes, grampos, ... para reduzir o desgaste da trilha nos trechos mais expostos onde costumam “pegar atalhos”, outros que colocar tais facilitadores iria resultar em mais pessoas, e mais impacto. E por ai vai, não faltam opiniões... 5- A minha opinião é que sempre vão existir pessoas burras, mal intencionadas e egoístas, então o melhor é conscientizar ao invés de mexer em qualquer coisa, ai pelo menos se salvam as burras. 6- Você sabia que nas ferragens das placas do cume esta escrito “Bethlehem, USA”? 7- Costumam se referir ao Ciririca como a montanha mais isolada da Serra do Ibitiraquire, mas existem ainda o Cuíca, o Cotia e o Lontra. 8- Dizem que a descida do Ciririca para o Agudo da Cotia é cabulosa, e esse trecho faz parte da Travessia da Graciosa. 9- Você sabia que o joelho do Bruno ainda da problemas? fig1 - Desenho encontrado em uma das caixas de livro de cume fig2 - Cume do Cerro Verde fig3 - Cume do Ciririca fig4 e 5- Cachoeira do Professor (trilha de baixo) fig6 - Placa do Ciririca “Logo” posto mais um relato de outra furada. Abraços galera, Bons Ventos.[/align]
  2. Cara no seu lugar eu compraria uma barraca nova. Mas em todo caso, pode tentar encontrar Nylon Ripstop. nylon-rip-stop-e-cordura-por-metro-t16850.html Abraços
  3. Boa sorte na sua travessia! Depois posta o relato ai pra gente ver. Abraços! PS: Smoking Master né !? Raannnn ! Mochileiro é tudo igual mesmo
  4. Ziero

    Manaslu Vs. Lafuma

    PS: Comprei a Lafuma ! E por enquanto aguentou bem.
  5. [align=center]http://www.youtube.com/watch?v=bQUNqKcBYYI&fmt=22 [/align] Ao bater os olhos nesse tópico pode ser que o leitor venha a pensar que se trata da prática carnal reservada as mulheres. O Aurélio a define como Masturbação do Órgão Sexual Feminino. Porém devo decepcionar os mais alvoroçados com certas tendências perversas. O assunto aqui não se trata do prazer lascivo inerente ao vicio solitário da auto-erotização, e sim de uma montanha. O Pico Ciririca [siririca para alguns], pertencente a Serra do Ibitiraquire, que é mais conhecida por ser a morada do famoso Pico Paraná [O ponto mais alto do sul do Brasil]. Alguns fazem uma comparação [muito modesta por sinal] como a Serra do Ibitiraquire sendo o Himalaia paranaense. Traçando assim um paralelo entre o Pico Paraná e o Everest. Então nada mais justo que chamar o Pico Siririca de K2 paranaense. Delírios de grandeza a parte, realmente o Siririca é uma montanha cercada de fascínio e mistério. Enquanto o Pico Paraná é alvo constante de pseudo-amantes-da-natureza o Siririca permanece oculto entre as nuvens da nossa serra. O gigante é costumeiramente lembrado por ser “a montanha das placas”, em razão das antigas placas de metal que despontam de seu cume. Bom, não quero me estender nas preliminares, então vamos logo ao que interessa. Despertei meu interesse por essa montanha após um papo com alguns amigos que haviam tentado subi-la, mas infelizmente falharam. Sabe como é né, aquele sentimento de soberba perante o amigo - ahhh vocês não conseguiram é? Mas vocês são uns frouxos mesmo. E ai começa a nossa primeira expedição ao Ciririca. Fui logo buscar relatos na internet, dicas com amigos, mapas, etc... E para minha surpresa não havia muitas informações sobre a montanha. Tentei contato com alguns contatos do Orkut, e salvo o colega Hilton Benke [Altamontanha.com] , a maioria se mostrou pouco a vontade em dar informações de “mão beijada” para um mero mortal. As respostas foram as mais lacônicas possíveis. Então como de costume, o negocio era por a cara e a coragem. Saímos de Londrina na véspera do carnaval e chegamos a Fazenda Pico Paraná às 23 horas. Existem 3 trilhas para ter acesso ao Siririca, as duas mais comuns saem da Fazenda do Bolinha, uma via Tucum[ Trilha de Cima], e outra contornando as montanhas por uma linda trilha cercada de cachoeiras[Trilha de Baixo]. As duas trilhas costumam ser feitas em apenas 1 dia. Mas como nosso grau de insanidade é relativamente alto, resolvemos pegar a trilha mais difícil, a que sai da Fazenda Pico Paraná e segue por uma serie de montanhas da Serra do Ibitiraquire, e que costuma ser feita em 2 dias. A equipe foi formada por Eu [Diego], Alexandre[Malinha], José Marcelo[seu Zé], José Mauricio[seu Zé, também], e do casal Paulo e Paula[Não bastasse todas as complicações que envolviam o projeto, o Paulo resolveu levar a namorada dele, que nunca havia subido uma montanha, mas que no fim das contas acabou se mostrando como a mais preparada de todos, não reclamou nem um segundo sequer]. Chegando a fazenda não perdemos tempo, headlamp’s a postos, partimos noite adentro rumo à primeira montanha da nossa escala, o Itapiroca. A caminhada é tranqüila, e apesar de ainda não conhecermos essa montanha sabíamos facilmente chegar ao seu cume. A trilha segue a mesma da do Pico Paraná por grande parte do tempo, apenas fazendo um desvio para a direita quando se esta próximo do A1[Abrigo 1 – PP]. Apesar da ausência do calor do sol que castiga os primeiros metros da subida do Getúlio [Morrim safado], não demorou para que todos começassem a suar. Fizemos a clássica parada na bica para encher os cantis e tocamos direto para o Itapiroca. A subida foi marcada por uma falação de que a gente chegaria ao cume e teria uma festa por la, um pessoal com violão, bebida e tudo mais. Meros devaneios... Chegando ao Itapiroca, logo vimos que o cume [falso cume] estava todo encharcado, montar uma barraca por ali parecia ser uma péssima idéia. Foi então que vimos um ser de túnica, com cabelos compridos e uma longa barba grisalha. Parecia um tipo de assombração, um Moisés da Montanha. Mas era ninguém menos que Sergio Maestri. Um cara figuraça! Foi uma das coisas mais inesquecíveis conhecer esse cara no alto do Itapiroca. Quando chegamos ele foi o primeiro a sair da barraca, depois saiu uma guria, e mais uma e mais outra. O que mais faltava sair dali ? Uma guitarra talvez? É... realmente existem pessoas mais loucas que a gente, o cara me subiu o Itapiroca com uma guitarra [E tem fotos pra provar hein !!!]! Então ficamos la montando a barraca e conversando sobre nossos planos com os novos amigos, enquanto o Sergio fazia um som na sua guitarra com caixa de som embutida. Metemos umas barrinhas de cereais goela a baixo e ficamos ali nas barracas, num estado semi-letárgico. Enquanto lutávamos contra o sono, éramos envolvidos pelas notas do inusitado instrumento de nosso colega. Duas horas de sono depois e o sol já não parecia querer dar trégua. Desmontamos rapidamente as barracas, e após um breve desjejum nos despedimos dos nossos novos amigos, partindo rumo ao nosso destino. Nosso objetivo para o dia era chegar ao Pico Luar, passando pelo Cerro Verde e Taquaripoca. Subimos o cume verdadeiro do Itapiroca e logo nos perdemos ao tentar descê-lo pelo outro lado. O mais incrível é que depois disso já passei por esse ponto umas 3 vezes, e as 3 vezes que passei por ali me perdi. É um trecho bem estranho, tem de contornar o cume e descer por um lado diferente da trilha. Depois de descer um monte pela trilha errada e tornar a subir, finalmente encontramos a bendita trilha certa. Fomos descendo as encostas do Itapiroca e desviando dos imensos buracos que cercam alguns trechos da trilha, até que chegamos ao Cerro Verde. Essa montanha é excepcional pelo panorama que abre de seu cume, realmente é uma vista privilegiada de toda a Serra. Olhando para trás se vê o Tucum, a esquerda o Itapiroca, o Pico Paraná aparece a frente com toda sua imponência, mas nosso rumo era para a direita, se vê uma serie de montanhas e ao fundo nosso destino final, O Ciririca. Seguimos o trecho, e daí pra frente foi só tristeza. Perdemos a trilha por diversas vezes, e no fim das contas resolvemos que o melhor era seguir reto, independente de trilha. O coitado do Paulo foi o que acabou mais avariado, o tratorzinho seguia abrindo o mato com as mãos se cortando todo por entre os malditos bambus que impediam nossa passagem. Já perto da exaustão chegamos a um descampado que pensávamos ser parte do Pico Luar[Na verdade era o Taquaripoca, que até então desconhecíamos sua existência]. Montamos as barracas em baixo de uma chuva que não parecia querer dar trégua. As coisas estavam ficando feias... Após uma noite reconfortante em meio a um dilúvio, acordamos e resolvemos que não haveria chance de continuarmos. Cansados, sem nenhuma perspectiva de achar a trilha, não conseguiríamos chegar ao Ciririca a tempo. O negocio era voltar para o Cerro Verde, que se mostrou capaz de abrigar todas nossas barracas, e de lá voltar todo o caminho. Chegamos sem o grande esforço do dia anterior ao Cerro Verde e lá fomos presenteados com um pôr-do-sol fenomenal. Infelizmente foi o sol se por e o tempo fechou com extrema rapidez, parecia que aquilo havia sido combinado, não demorou nem 1 minuto. Foi o sol sumir no horizonte e fomos cercados por nuvens de aspecto maligno que davam um tom de filme de terror a todo aquele cenário. O jeito era comer, e dormir. Para nossa surpresa o dia seguinte amanheceu limpo, sem sinais de nuvens. Ficamos por ali um tempo lagarteando nas pedras, mas precisávamos partir. Seguimos novamente as encostas do Itapiroca, e ao chegar ao cume nos perdemos novamente no mesmo trecho. Tiramos algumas fotos e fomos logo descendo rumo a Fazenda pegar o carro e voltar para casa. Como nossas voltas para casa são sempre marcadas por feitos épicos essa não podia ficar de fora, descobrimos que o radiador da Veraneio estava furado, então fomos parando de 50 em 50 km para encher o bendito radiador, até que finalmente chegamos em casa. Apesar dessa ter sido a minha primeira “derrota” em uma montanha, foi uma das vezes mais divertidas, acho que o sentimento de dever cumprido suprime um pouco a vontade de voltar a uma montanha, e o sentimento de derrota te inspira e da mais força de vontade para voltar e vencer. Em breve tentarei postar a minha segunda investida ao Ciririca – Vitória ou Derrota? Bons ventos a todos.
  6. Salve galera ! Pooo que show que alguém curtiu o relato. Espero que possa ser útil. Sobre a “Trilha do Burro” que parece ser a tal Trilha do Estevão, é uma trilha relativamente curta, o problema maior é a inclinação, e as bifurcações é claro. Pra vocês terem uma idéia, a gente andou por umas 7 horas, mas no GPS o ponto final que a gente parou pra dar meia volta indicava uns 2 km em linha reta. Bifurcações foram tranquilamente mais de 10. Algumas a gente evitou usando o bom senso, tentávamos ouvir algum barulho de rio e pegávamos a bifurcação contraria. Algumas não tinham o som de rio por perto então íamos tentando uma após a outra. A maioria ia dar em lugar nenhum. Na Guanxuma conhecemos rapidamente um senhor de cabelos grisalhos que nos fez um inquérito sobre essa trilha. Falamos das jararacas que encontramos por lá, mas ele não pareceu dar muita bola, o que ele queria saber mesmo era sobre uma ave, perguntava sem parar sobre um tal de Macuco. Alguns dias depois nos demos conta que esse senhor provavelmente devia ser algum antigo caçador da área. Descrevemos pra ele alguns lugares da trilha e ele falou que a gente chegou num lugar que se chama Toca do Lobo [acho que era isso]. Na trilha também encontramos uma arvore muito grande caída e sinais de um acampamento improvisado, acredito que a arvore em breve será uma canoa. A gente só voltou pro Bonete porque a trilha acabou em lugar nenhum. Tínhamos tentado todas as ultimas bifurcações. Após um riacho, uma espécie de poço, e uma subida muuuuiiito íngreme, depois dessa subida a trilha terminava. Provavelmente tem alguma picada por ali, mas como o sol já tava baixo resolvemos não arriscar em abrir mato no peito e voltamos. Vou ver se descolo as marcações do GPS e posto por aqui. A Trilha de Indaiaúba para a Vermelha é um trecho meio complicado mesmo. Acredito não ser uma boa opção para quem não tenha muita experiência em mata. Para sair de Indaiaúba não tem segredo, é só seguir as placas até um Arco de Pedras. Ali se segue rente ao arco para cima [Direita de quem esta chegando ao arco]. Logo chega numa espécie de aqueduto. Ao chegar próximo de um Bambuzal a trilha continua em frente, da totalmente a impressão que deve ir reto, mas tem que VIRAR PARA A DIREITA e cruzar o rio, em um ponto que quase da pra alcançar com as pernas abertas o outro lado. Tem apenas um bloco de pedra retangular, de superfície quase plana do outro lado [Muito escorregadia!]. Dali a trilha vai subindo . Durante a trilha têm alguns trechos com arvores caídas sobre a trilha e também algumas marcações que indicam o caminho errado. Tentamos tirar as que vimos, mas com certeza têm mais. Quando a gente perdia a picada, tirávamos as cargueiras e cada um saía para um lado procurando a trilha. Um trecho com uma arvore bem grande caída no caminho, tem uma Seta na arvore indicando o caminho errado, ali se deve contornar a arvore pela esquerda. São diversos os trechos onde é fácil se perder por ali, tem uma parte plana no meio do caminho, com umas espécies de ilhas entrecortadas por riachos, ali tinha umas marcações erradas feitas com aqueles Fios de Rosca [branco], apontava sentido Noroeste, mas a trilha continuava mais para o Norte. Recolocamos os fios no caminho certo, mas por ali merece uma atenção maior , a trilha praticamente some por que é uma área bem aberta, então pra achar a continuação é difícil mesmo. O GPS tem utilidade muito mais psicológica do que prática. Marcar os pontos por aonde vai passando da uma segurança quanto a não se perder caso tenha que voltar e também da pra fazer uma estimativa do tanto que falta. O principal é ficar atento aos rastros, marcas de facões, galhos quebrados, e até pegadas a gente encontrou. Ficar nessa mata a noite deve ser bem complicado, mas encontramos dois pontos com vestígios de que alguém já andou se perdendo e tendo que passar a noite por lá. Esqueci de mencionar no relato que no ultimo dia em Castelhanos, enquanto subíamos no mirante que tem no começo da praia encontramos um REPELEX e esse realmente se mostrou muito mais eficiente que todos outros [exceto o Óleo]. Mas infelizmente enquanto estávamos no Eustáquio, deixamos ele e minha carteira meio que dando sopa fora da barraca... Se eu falar que ninguém mexeu na minha carteira, mas o REPELEX simplesmente “sumiu”, alguém acredita? Mas é isso mesmo, repelente em ilha bela vale mais que ouro! Outro “detalhe” é que meu amigo Zé Mauricio [o das fotos das picadas] realmente se mostrou muito mais “receptivo” as picadas dos borrachudos. Eu não tive nem metade das picadas dele. E isso que ele toma aqueles complexos de vitamina, levedura de cevada e tal. Deve ter alguma coisa haver com a alimentação, vale à pena se aprofundar no assunto. Teve um dia que resolvemos contar às picadas que ele tinha. SOMENTE no dedo MINIMO de uma mão contamos mais de 30! A gente fez uma estimativa que ele devia ter mais de Duas mil picadas em todo corpo. Roupa preta realmente parece atrair mais eles, então o negocio são roupas de cores claras. Meus dois colegas levaram aquelas calças com os bolsos de tactel todo cheio de furinhos. Levaram varias picadas nas coxas na altura dos bolsos. Agradeço a todos pelos comentários!!! Ao Augusto um eterno obrigado pelo relato de sua viagem que nos foi muito útil nas informações, e nosso alicerce para estipular todo o cronograma da viagem assim como fazer as estimativas das distancias e do tempo em cada trilha. Alem do relato do Augusto o que nos foi mais útil foram as informações dos nativos. Os moradores de Ilha Bela são gente finíssima e vale a pena cada minuto de conversa com eles, conhecem as trilhas e historias da ilha como ninguém. Da próxima vez espero conhecer o tal Virgilio assim como o Saco do Sombrio. Um abraço a todos e caso eu possa ajudar com qualquer informação não hesite em perguntar. Bons ventos.
  7. Conhecendo Ilha Bela 1° Dia – 09/12 [Ldna – Bonete] No dia 09 de dezembro saímos de Londrina rumo a Ilha Bela Eu[Diego] e meus dois amigos de presepadas, José Mauricio e José Marcelo [É, eles são irmãos] . Almoçamos em São Sebastião e pegamos a balsa. Logo ao chegar à ilha notamos que apesar das ruas estreitas o pessoal tem o costume de correr um pouco. Tocamos direto para o sul da ilha, a partir de Borrifos acaba o asfalto e começa um trecho de aproximadamente 2 km de estrada de terra até a Ponta da Sepituba. A estrada de terra não é das melhores, mas indo devagar e tomando os devidos cuidados qualquer carro de passeio vai bem tranqüilo. Infelizmente no dia que chegamos havia terminado uma boa temporada de chuvas que desbarrancou um trecho da estrada. Mas por outro lado tivemos a sorte de justamente nesse trecho cruzarmos com o pessoal da Fazenda da Lage que nos deu uma “mãozinha” com uma ponte improvisada com uma tabua. Nesse momento tivemos nosso primeiro contato com os Borrachudos, ao descer do carro fomos surpreendidos por uma Legião de Borrachudos que nos atacaram sem piedade. Coceiras a parte, chegamos sem nenhum incidente ao estacionamento da Ponta da Sepituba. Vale à pena perder um tempo ali conversando com o Senhor que cuida do estacionamento, é uma pena eu ter esquecido o nome dele, mas ele conhece varias historias da Ilha e tem boas dicas sobre a trilha. Tomamos um café com ele, botamos as Cargueiras e não perdemos tempo. A trilha pro Bonete é muito bonita, cheia de riachos, quedas d’água, e a gente fez questão de dar uma paradinha em todas elas para apreciar o lugar. Começou a anoitecer, paramos para colocar as headlamps e logo nos deparamos com a primeira visão do Bonete, dali pra frente é só ladeira. Um pouco antes de chegar à praia tem um promontório perfeito para acampar. E logo abaixo uma cachoeira fenomenal, com água fresquinha. Marcamos touca de não passarmos a noite por ali, continuamos descendo e em pouco tempo chegamos à praia do Bonete. Fizemos a trilha em aproximadamente 4 horas e meia, contando as paradas. Ficamos no Camping do lado Esquerdo da Igreja, lá inclusive tem alguns Bangalôs que são uma boa opção pra que não quer ficar em barraca e de preço bem acessível para nós míseros mortais. 2º Dia – 10/12 [ Bonete ] Como havíamos passado [eu passei] a madrugada anterior dirigindo e o dia fazendo a trilha, resolvemos tirar o dia para descansar e conhecer o Bonete. A luta contra os borrachudos foi constante, tentamos passar o dia no Mar e no Rio Nema que fica no fim do Bonete. Mas descobrimos que até na água eles não dão trega, ficam te rodeando e no menor deslize eles atacam. Sorte que eles ainda não aprenderam a mergulhar nem tem snorkel. Aquele esqueminha de primeiro salgar no mar e depois ficar lagarteando na areia tomando um sol na praia é impraticável, caso tenham qualquer pretensão de fazer algo parecido com isso, definitivamente Ilha Bela não é lugar para você. De noite os Borrachudos saem de campo e dão a vez para seus primos, os Pernilongos. Passamos uma noite agradável, os Pernilongos são muito mais gente boa, e da até para tolerar a presença deles, uma coceirinha saudável. A noite caiu uma leve garoa que nos acompanhou por todos os dias seguintes. Apesar da chuva não aparentar ser algo benéfico quando se esta na praia foi a melhor coisa que podia nos acontecer. Passamos a maioria dos dias de calça, camiseta de manga longa, meia e chinelo. Ficar com todo esse vestuário em baixo de um sol de rachar é pra acabar com qualquer um. * O Zé Mauricio permaneceu a maior parte dos dias de Bota, pois segundo o mesmo “dava uma sensação de segurança” [contra os borrachudos é claro] 3º Dia – 11/12 [ “Trilha do Burro” ] Acordamos cedo, pois tínhamos a intenção de tocar direto para Castelhanos nesse dia. Arrumamos as mochilas e pé na trilha. Pegamos as indicações da trilha para a próxima praia [a das Enchovas] com alguns moradores. Levamos GPS, Carta Náutica, Mapas, e uma copia do relato feito pelo Augusto aqui do Mochileiros. A trilha dura aproximadamente 1 hora, é uma estrada larga que passa até moto, ela vai contornando o morro que tem no final da praia do Bonete. Tudo parecia estar perfeito de mais, algo haveria de dar errado. Se não fosse pelo pequeno detalhe da gente ter errado a trilha logo no começo tudo teria sido bem diferente. Ao invés de pegarmos a direita em um trecho que tem um cano branco rente ao solo, tocamos reto, cruzamos com um burrinho, que veio nos inspirar o nome da trilha desse dia, A Trilha do Burro! Nossa caminhada começou às 10 horas da manha, só fomos nos dar conta que havíamos nos perdido por volta das 16 horas. Durante o dia todo subimos por longos trechos bem íngremes, vimos beija-flores se banhando em poços, riachos, jararacas, uma mata deslumbrante. A subida foi marcada por bifurcações, indecisão, sofrimento e uma dose de desespero diante da incapacidade de não achar a trilha certa. Pegamos diversas bifurcações, na hora a gente sempre comentava: -“Putz esse Augusto que escreveu esse relato deve ser bem doidão falando que a trilha é fácil” Depois viemos a saber que na verdade havíamos subido a Serra do São Sebastião, em uma antiga picada de caçadores que ligava a estrada de Castelhanos ao Bonete. Terminamos o dia de volta no Bonete, no mesmo Camping. Com aquela cara de derrotados. E pra fechar o dia, quando chegamos ao camping recebemos a noticia que o cachorro havia roubado na noite anterior, uma boa parte da nossa comida. No fim das contas o dia rendeu, pois ao voltarmos ao Bonete descobrimos que havia comida faltando e podemos nos reabastecer em uma pequena venda que tem lá. Os preços das coisas básicas são os mesmos do mercado, somente “artigos de luxo” têm um preço mais salgado, como refrigerante, cerveja, etc... Compramos Arroz, Macarrão, algumas Bolachas e [o tão amado] Queijo ralado. O dono da venda também nos deu informações valiosas sobre as trilhas da ilha, uma cara muito acessível e gente boa. Acho que já estávamos com certa cara de miseráveis, pois o dono do camping ate nos cedeu um dos Bangalôs para a gente passar a noite pelo mesmo preço da barraca. Nossa viagem foi toda marcada por momentos de solidariedade do começo ao fim. Diferentemente do que havíamos ouvido falar, o pessoal de Ilha Bela é MUITO gente boa, todos muito solícitos, prestativos, e dispostos a um bom papo com forasteiros com cara de miseráveis. 4° Dia – 12/12 [ Bonete – Enchovas – Indaiaúba – Vermelha ] Conseguimos ter uma noite tranqüila no bangalô, arrumamos as mochilas e era hora de partir, dessa vez era tudo ou nada. Agora tínhamos bastante informação da trilha e estávamos determinados a conseguir chegar a qualquer lugar que fosse. Quando estávamos saindo, o dono do camping ainda brincou – “Que horas eu devo esperar vocês de volta?” Ao passar pela “pracinha” deu pra notar que os moradores já deviam estar fazendo apostas de que horas a gente ia voltar. Começamos a caminhada, logo ao passar pelo cano vimos que ali tinha sido nosso erro, entramos a direita e fomos subindo. A “trilha” que na verdade uma “estrada duplicada”, subimos dando risada lembrando do terreno do dia anterior, que era realmente uma trilha. Fomos contornando morro acima cruzando com vários coqueiros, comemos algumas flores [que segundo nosso biólogo Zé Marcelo eram comestíveis ] e logo chegamos nas Enchovas. A praia é paradisíaca! Tem um monte de pedra na areia, formando uma espécie de muro que da um visual diferenciado ao lugar. Fomos recebidos por um senhor gente finíssima. Era morador do Bonete mas como era sábado estava ali fazendo alguma coisa que eu não lembro bem o quer era, sei que demos sorte de trombar aquele senhor. Mostrou-nos onde seguia a trilha para Indaiaúba, [que é indo para trás das casas, ao chegar num bambuzal cruza-se o rio e dali segue a trilha]. Antes de se despedir, nos deu umas bananas, que foram as mais doces que já comi na vida. Nessa hora tivemos absoluta certeza de nossas caras de moribundos derrotados. Comemos as bananas ali mesmo no rio e atravessamos para seguir a trilha. E que trilha viu! Simplesmente não consigo descrever como é bela essa trilha, é algo que nem por imagens da pra mostrar, realmente só estando lá para entender do que eu estou falando. No fim da trilha alguns lembretes de que estávamos em PROPRIEDADE PARTICULAR – VOCE ESTA SENDO VIGIADO. Um tapa na cara pra quem estava em uma trilha tão bonita. Era o sinal de que estávamos em Indaiaúba. Tirando a puta sacanagem de alguém ser “dono da praia” o lugar é muito bonito, tem até uma escola particular, bem particular mesmo, pelo que ouvimos falar são 5 alunos. A mata é bem preservada, cheio de plaquinhas com o nome das arvores, para não sujar e conservar o local, etc... Seguimos a “estrada de tijolos amarelos”, tiramos umas fotos do alto da praia e subimos para a esquerda seguindo a orientação de uma placa que indica CASTELHANOS. Não fizemos questão de chegar na “praia particular”, pois não queríamos arrumar encrenca com os funcionários que podavam os canteiros de maneira quase metódica. Paramos debaixo de um Arco de pedras e fizemos um mix de desjejum com almoço e tocamos pela trilha. Esse trecho é bem fácil de se perder por diversas vezes, logo no começo a tendência é seguir a trilha reto, mas deve-se cruzar um pequeno riacho a direita, num bambuzal, tem apenas uma pedra do outro lado, então tem que dar um pequeno salto em direção a pedra escorregadia que parece uma lajota [logicamente eu num ágil movimento circense fiz questão de meter uma das botas no rio ao escorregar na pedra, e essa já era a segunda vez, a primeira foi cruzando o segundo rio pro bonete, no fim das contas minhas botas só foram secar em casa mesmo]. A trilha segue por varias arvores caídas e marcações erradas pelo caminho, encontramos inclusive uma seta em uma arvore caída que apontava a direção errada. Ali o negocio é ter paciência e usar do bom senso [e do GPS]. Chegamos a praia Vermelha quase ao entardecer. La encontramos uma senhora munida de diversos cachorros e a indagamos a possibilidade de pernoitar por ali. A resposta foi que deveríamos perguntar para o caseiro da praia, que por ela não haveria problemas, mas que ela não tinha a “autoridade” para nos dar a autorização. Ainda dava tempo de seguir até castelhanos, mas devido ao adiantamento da hora e ao nosso cansaço resolvemos acampar por ali mesmo. E é evidente que como não queríamos incomodar o ilustre caseiro com perguntas tolas, o negocio era montar a barraca e pronto. Sabíamos que por ali só passaria quem viesse pela trilha, o que é raro 5° Dia – 13/12 [ Rio da Vermelha – “Dia do Bode” ] Acampamos de frente com uma placa escrito BONETE – CASTELHANOS. O lugar não é IDEAL pois cabe apenas uma barraca, mas é na beira de um riacho muito bonito, com uma pedra bem larga. Como a regra é não mexer em time que se esta ganhando passamos o dia todo na beira do rio, fazendo nada. A chuva foi acima da media nesse dia, então ficamos lá pitando um tabaco na beira do rio. 6° Dia – 14/12 [ Vermelha – Mansa – Castelhanos ] Foi difícil viu, partir da beira daquele riozinho... Foi um dos lugares com melhor vibe que eu já acampei, o som das quedas d’água, os pássaros, a mata, e até um esquilo veio nos saldar. Mas não tem jeito, o jeito era andar. Depois de passar um dia inteiro ali, finalmente fomos conhecer a tal Praia Vermelha. [infelizmente não conhecemos o tal caseiro dela]. Não ficamos muito tempo por ali, e meia hora depois já estávamos na Praia Mansa. La é bem bonito, tem umas poucas casas e uma pequena escola. Algumas pedras seguem em direção ao mar, vale a pena ir até la tirar umas fotos da praia. Estávamos à meia hora de Castelhanos, mas não podíamos partir da Praia Mansa antes de eu levar uma mordida de um cachorro. Para só então chegar a tão famosa Castelhanos. O lugar não é tão famoso a toa, uma praia em forma de coração de frente com uma ilhota que se chega nadando. Não fosse pelos borrachudos diria que é o Paraíso. Quando se entra no mar próximo da ilhota avista-se a cachoeira do gato, cercada pelos morros imponentes que circundam a praia. Ficamos no primeiro camping, o do Fausi [acho que é isso]. Têm dois banheiros, duchas, coqueiros, um pequeno restaurante, e acima de tudo a companhia do Urso. O famoso cachorro do Fausi. Segundo o dono na hora que alguém vai embora tem que segurar o cachorro senão ele vai atrás. Em uma de suas diversas historias diz a lenda que seu dono foi para o outro lado da ilha de barco, e ao chegar lá quem ele foi encontrar? O Urso. Aproveitando o raro momento de sol tiramos o dia para estender as roupas e tentar secar um pouco as coisas. Ao entardecer quando tentávamos comprar um peixinho para o jantar, acabamos ganhando não um mais quatro peixes. [Como é difícil essa vida de mochileiro] 7º Dia – 15/12 [ Cachoeira do Gato ] No segundo dia em Castelhanos fomos conhecer a tal Cachoeira do Gato, é uma queda colossal, a trilha é bem curtinha e cheia de degraus, corrimões, pontes, e afins. Programa tranqüilo para toda família. Passamos o resto do dia rindo dos turistas que chegavam de lancha. É realmente uma cena hilária, ver aquelas pessoas chegando de biquíni, sunga, há! Não da 10 segundos ta todo mundo se estapeando e passando repelente. Como se adiantasse alguma coisa.... Mas pra eles também devia ser engraçado ver a gente de manga comprida, calça e meia. Depois de um tempo você ate que acostuma de ficar vestido assim na praia, a única coisa que não da pra esquecer um segundo sequer são os borrachudos. TUDO gira em torno deles em Ilha Bela. Esse dia, como os repelentes já estávamos nas ultimas, resolvemos ser drásticos e apelar para a técnica caiçara, Óleo. O resultado foi o melhor de todos, tínhamos levado Off, Autan, e aqueles espirais da Baygon, o Óleo foi o que teve melhor desempenho. Antes de dormir ganhamos uma porção de peixe frito, refrigerante, caipirinha de limão e de maracujá. Putz. Esse pessoal de Ilha Bela é gente fina D+ [será que a gente parecia Mendigo? Mesmo?] Oooo VIDA ! 8° Dia – 16/12 [ Castelhanos ] Como estávamos de férias, tiramos esse dia de férias, ou seja para fazer nada. 9º Dia – 17/12 [ Castelhanos – Saco do Eustáquio ] No dia anterior tentamos pegar bastante informação sobre a trilha para o Eustáquio, e foram do pior tipo possível. Ninguém fazia a trilha a muito tempo e o ultimo que havia tentado acabou voltando devido ao Taquaruçu [Espécie de bambu com espinhos]. Resolvemos não arriscar [é afinamos mesmo] e pegar um barco. Barco não, uma Canoa Batedeira na verdade. Antes de partir subimos no mirante para tirar algumas fotos. Fomos abordo do Dama da Noite IV, com o Fernando Formiga na boleia da barca. A travessia de canoa foi surreal! Coisa de outro mundo, margeando o costão da Ponta da Cabeçuda e finalmente contornando até o Eustáquio. Durante o caminho avistamos os “trechos” de Taquaruçu e demos graças a Deus por não termos seguido pela trilha. Logo ao chegar ao Saco do Eustáquio ganhamos de um morador [amigo do Formiga] uma Jaca. Foi nosso Café da tarde, a jaca de tão madura tava meio fermentada, deu até um grau. Delicia! Montamos a barraca debaixo de um quiosque que havia por lá porque pra variar um pouco tava chovendo um monte. Enquanto a gente fazia a macarronada para o jantar, acabamos por ganhar mais uns peixes de um pescador catarinense que pescava por ali. Ele insistia pra gente ficar com cinco peixes, mas no fim ficamos só com três mesmo. Apesar de nossa comida já estar quase no fim, cinco peixes era muito, e ia acabar estragando. Salgamos o peixe e guardamos para o café da manha do dia seguinte. 10° Dia – 18/12 [ Saco do Eustáquio – Guanxuma - Caveiras ] Apesar dos dias terem sido apenas de chuva, a cor da água do Eustáquio é coisa de outro mundo. Só fico triste por essa praia ser repleta da ganância humana, e maior que a ganância é só a quantidade de lixo que guardam por lá. É um contraste com todo o resto da ilha, por todas as praias que passamos não vimos lixo algum, inclusive grupos de moradores recebem um “incentivo” da prefeitura para limpar as praias todos os dias. Alem da conscientização dos moradores é claro. Durante a trilha da Mansa para Castelhanos por exemplo, tem um pessoal que passa ate rastelo na trilha, isso mesmo, eles tiram as folhas da trilha todos os dias, é coisa de primeiro mundo! Trilha de LUXO! Bom mas como nem tudo é um mar de rosas, o negocio é andar que a comida já ta acabando, ah e alias, antes de partir comemos os peixes num desjejum a beira mar. A trilha pra Guanxumas é tranqüila e sem aborrecimentos, uma praia de pescadores, encontramos apenas um morador. Após um banho de mar seguimos para a tão mal-dita Praias das Caveiras. A maioria dos moradores que trocamos uma idéia sobre a praia das Caveiras, falava a mesma coisa. “Não vá lá. Não durma lá. Assombração e Cia.” Ouvimos diversas historias sobre os naufrágios, assombrações, piratas, corpos, e todo o tipo de Ser de Outro Mundo que habita lá. “A morada de 500 almas do Naufrágio do Príncipe das Astúrias” “Enterradas no pé de uma figueira”. Bom o nosso negocio era ir lá pra conferir! Logo ao chegar fomos recebidos por uma Caveira pegando fogo , Brincadeira. O fim de tarde foi tranqüilo, assim como a noite. Praia deserta, tudo na paz não fosse pela nossa recente descoberta de que: o Rango já era. Bom, mas isso não era problema, não deixaríamos nosso moral se abater pela falta de comida! A gente é muito maior que tudo isso! 11º dia – 19/12 [ Caveiras – Serraria – Poço – Fome – Jabaquara – Sepituba ] Nossa intenção era passar a noite no Poço, mesmo sem ter mais comida. Mas descobrimos que outra coisa havia acabado, o tabaco! Puuutzzz... Ficar sem comida até vai, mas sem pitar um tabaquinho, ai é sacanagem . Nosso moral foi lá em baixo, não tinha jeito, tínhamos que ir direto para a praia da Fome. Tocamos para a Serraria desviando dos cachorros, e lá descolamos um barco para nos levar até a fome. A missão era ir de barco até a Fome, passando pelo Jabaquara em direção a Ponta das Canas e de lá pegar um ônibus para o outro lado da ilha até Borrifos, andar até o epituba para então pegar o carro. E foi isso que a gente fez. Enquanto passávamos de barco vimos o Poço lá de longe, ficou para próxima vez conhecer o tal do Virgilio. Ao chegar na Praia da fome fomos abordados por uns turistas que estavam de lancha, quando eles viram o tanto de picada que tinha na perna do Zé eles não agüentaram e chamaram todo mundo para ver a cena. Seguimos a trilha para o Jabaquara sem nenhum problema. E de lá para a Ponta das Canas, pegamos o ônibus, e fomos chegar no carro só ao anoitecer. A meia noite a gente cruzou de balsa de volta para o continente. Ilha Bela é realmente um dos lugares mais bonitos que já vi, e seria muito triste ir embora de lá, não fosse o fato dos borrachudos. Meuuuu que sensação boa foi chegar num lugar que não tinha borrachudo. Graças a Deus! Durante a madrugada ficamos procurando uma ducha na beira do mar para tirar um pouco da nhaca mas em São Sebastião e em Caraguatatuba parece que isso não existe. O jeito foi se contentar com uma pinga. As 4 horas da madrugada arrumamos um lugar para dormir, que foi dentro do carro é claro. 12º 13º 14º 15º Dias 20 21 22 23/12 [ 2 dias de férias e 2 de perrengue ] Durante o resto da viagem fomos para Camburi das Pedras em Ubatuba, tínhamos ouvido falar que por lá não tem borrachudo então nos pareceu uma ótima pedida. Passamos dois dias lá e os outros dois passamos na estrada. Não vou narrar todos os acontecimentos pois daria um outro relato a parte. Basta dizer que o motor da Marea fundiu a 500 km de casa [pense duas vezes antes de comprar a sua!] e quase tivemos que passar o natal na estrada, pois depois de conseguirmos carona até a cidade mais próxima [sorocaba] descobrimos que não havia mais passagens para casa. Felizmente depois de uma sequencia de acontecimentos mirabolantes descolamos um Caminhão Cegonha, e voltamos dentro da Marea, dentro da Cegonha. Uma viagem de 12 horas em um carro pendurado metade para fora do caminhão. Mas vejo pelo lado bom, pelo menos não tive que dirigir até em casa e nem tivemos que pagar pedágio! Yeah ! Chegamos em casa no dia 23 de dezembro. Sãos e Salvos. NOTAS: 1. Não divulguei nenhum preço pois estávamos fora da alta temporada logo acredito não ser o preço normal das coisas, e também por que a maioria dos moradores foi camarada com a gente nos fazendo preços que geralmente são cobrados apenas para os moradores e não para os turistas. 2. Repelente – Off Autan Baygon – Nada funciona muito bem, e tem de renovar a dose de meia em meia hora. Óleo foi a melhor solução, mas tem a questão do sol também. 3. Existem duas vendas onde é possível encontrar os artigos básicos para alimentação [arroz, óleo, macarrão, etc...], uma no Bonete e outra em Castelhanos. Quem pretende fazer a volta na ilha, vale a pena deixar para comprar essas coisas por lá, pois o preço é bem acessível, e as costas agradecem. 4. Voce Sabia: que Ilha Bela é a Capital Mundial dos Borrachudos? 5. Acha que já comprou repelente suficiente? Esta enganado! Leve mais, e ira me agradecer depois. 6. Tirando o Eustáquio, todas as praias são muito limpas. Então contribua levando todo seu lixo embora e mantendo esse paraíso limpo. 7. Voce Sabia: que Thomas Cavendish, famoso corsário inglês morou no Saco do Sombrio? 8. Recomendo a todos a ficar no Camping Guarapuvu, ao lado ESQUERDO da igreja no Bonete, cara gente finíssima e o lugar é ótimo. 9. Recomendo a todos a ficar no Camping do Fausi em Castelhanos. Tratamento VIP. Boa infra-estrutura, sem palavras... 10. Se vai fazer a trilha pro Bonete vale a pena passar uma noite no mirante que citei, antes de descer para a praia. 11. Se for a Cachoeira do Gato, e o Urso estiver te seguindo, fique atento caso for descer na piscina natural que tem lá em baixo, na volta ele não consegue subir um trecho de pedra, e você terá de carregá-lo no colo. 12. Se ao sair do Bonete para Enchovas você encontrar um Burro na trilha, de meia volta, pois esta na “Trilha do Burro” 13. Antes de ir para Ilha Bela aprenda a subir em coqueiros, será muito útil. 14. Calça, Camiseta de Manga Longa, e Meias. Esqueça em casa todas as Bermudas, Shorts, Regatas, etc... 15. Todos notamos que geralmente pela manha experimentamos uma certa inquietação, uma sensação de pânico. Reação do organismo ao excesso de veneno no sangue, não se assuste! 16. Não constatamos a existência de seres do alem na Praia da Caveira. 17. Existe água fresca em abundancia por toda a ilha, até enjoei de ver tanto rio desaguando no mar, não se preocupe com água. 18. Ubaldo é o nome de um senhor que conhecemos em Camburi das Pedras, ele faz retifica de motores a mais de 30 anos. Por uma estranha coincidência do destino, antes de fundir o motor da Marea tive um extenso debate sobre que tipo de óleo usar na Marea. Ubaldo tem uma teoria que difere do resto do mundo, segundo o mesmo deve-se usar Óleo Mineral na Marea, por ser um óleo mais viscoso e adaptado ao nosso clima tropical. Eu tinha acabado de por Óleo Sintético quando comecei essa conversa. E no dia seguinte o motor da Marea simplismente fundiu, SAIBA QUE CONTINUO NÃO ACREDITANDO EM VOCE UBALDO, E EU SEI QUE VOCE JOGOU ALGUMA PRAGA DE RETIFICADOR DE MOTORES NA MAREA! Canalha! Brincadeira! 19. Voce sabia: que o motor da Marea ficou 2 conto pra retificar? 20. A gente se pode, mais se diverte Fotos em http://www.flickr.com/photos/noite/ Não poderia deixar de mandar um grande abraço ao "amigo" aqui do forum Otavio Antunes de Oliveira Neto, por ter anunciado uma headlamp no mercadolivre e ter me enviado outra! Mundo pequeno em cara ? Não pense que essa historia ja chegou ao fim, caso o processo não de em nada, logo vou ai na Salomão buscar meu dinheiro pessoalmente. Bons Ventos a todos
  8. Eu so conheco o isolante termico que é usado por baixo, para evitar o frio. Em todo caso, .... Pra acampar na praia o negocio é levar uma lona. Suspender ela bem no alto, para o ar circular e nao ficar abafado. Protege do sol e da chuva. Com uma lona por cima, qualquer barraca dessas de supermercado ta tranquilo na praia. Inclusive uma rede. De preferencia pra uma lona escura. Abs.
  9. Ziero

    Manaslu Vs. Lafuma

    Estou pensando em adquirir uma barraca que aguente o tranco e estou na duvida entre as duas marcas. Quero uma quatro estações, para no máximo três pessoas. Minhas opções são: Manaslu Voyager, Lafuma Manta 2 ou Lafuma Alpine 3. A Manta 2 e a Manaslu são para 2 pessoas e a Alpine 3 para 3 pessoas. A Manaslu é a mais Comprida, tem 2,14 m, a Alpine tem 2,10 m e a Manta 2 m. A Alpine é a mais Larga, tem 1,80 m, a Manta 2 tem 1,60 m e a Manaslu 1,30 m. A Manta é a mais Alta, tem 1,15 m, a Alpine tem 1,10 m e a Manaslu 1,07 m. A Manaslu é também a mais pesada, tem 4,4 Kg, a Alpine tem 4 Kg e a Manta 2,9 Kg A Manta tem apenas uma entrada e avanço frontal para os equipamentos. A Manaslu e a Alpine tem duas entradas e avanço frontal e posterior. O material delas é basicamente o mesmo, poliamida e polyester. A faixa de preço que encontrei para a Manaslu é R$ 1.200, a Alpine e a Manta R$ 1.000. A Manaslu é uma marca brasileira, conheço pessoalmente a qualidade do produto, da assistência técnica, e da garantia. A Lafuma é uma marca estrangeira, já esta no mercado a quase 80 anos, tem um certo renome. Porem não conheco a qualidade do produto pessoalmente, e muito menos a assistência técnica e a garantia. Procurei na pagina deles informações sobre a garantia e nao encontrei nada. Em caso de avaria da barraca seria muito mais fácil obter assistência técnica na Manaslu, que por acaso fica aqui no Paraná. Gosto da idéia de comprar produtos nacionais, porém tenho certo receio depois do que aconteceu com a Mount Blanc. Vai que da alguma zebra na Manaslu, vou ficar na mão ? A Lafuma por ser uma empresa internacional me passa mais segurança nessa questão. Resumindo, a Alpine 3 esta me parecendo a melhor opção. É maior, mais leve, e mais barata. A Manta 2 também me chama muita atenção pelo peso, 3Kg. Mas pagar o mesmo preço e ter uma barraca mais espaçosa me vale o kilinho a mais Por favor, me ajudem com opiniões, sugestões, criticas, comentários, experiências próprias.... Valeu ! Manaslu - Voyager Lafuma - Manta 2 Lafuma - Alpine 3
  10. Fala Gribel ! Eu no seu lugar, Me livraria da espiriteira + combustível: Chazinho, Sopinha, Miojo, ou mesmo lasanha liofilizada, considero tudo isso luxo... Alem de eliminar o peso do combustível e da espiriteira, se livra de panelas, e mais água pra cozinhar, etc.... 3 dias sem nada quente não mata ninguém. Como já disseram levar uma segunda bolsa não é um bom negocio: As mãos devem estar sempre livres. Deve inclusive, manter todo o seu equipamento compacto em um único lugar. Antigamente tinha o costume de levar o isolante térmico do lado de fora da mochila, algumas coisas penduradas etc... Com o tempo percebi o tempo que gastava me desvencilhando de enroscos, e da energia perdida contra os galhos. Ração: Bom, essa é uma questão particular, e de extenso material. Comida desidratada, defumada, salgada, enlatada, liofilizada, Pemmican, etc... Eu costumo me alimentar de sementes, grãos, queijo, carne, ... A carne você pode tanto optar por defumados (salame, copa, peito de peru) como preparar uma carne de sua preferência de modo que ela fica bem seca ( frango desfiado com farinha de milho, cebola, alho, bacon, azeitona, uva-passa ). Alem é claro da tradicional sardinha ( no mercado tem uma que vem em embalagem plástica e não necessita refrigeração, em comparação com a lata é bem mais leve, e “salgada” ). Saches, Molhos, Pães, geléia, castanha, noz, granola, amendoim, tâmara, damasco, pistache, ameixa. Da pra fazer um cardápio variado. Roupa: Eu costumo levar 1 muda de roupa para a caminhada e 1 muda de roupa para dormir. Ou seja, para caminhar: 1 calça 1 shorts 1 camiseta de manga curta 1 camiseta de manga comprida 1 anorak 1 cueca 2 pares de meia 1 par de botas 1 chapéu Para dormir: 1 calça 1 cueca 1 ceroula 2 pares de meia 1 camiseta 1 blusa de lã 1 gorro 1 par de luvas 1 balaclava Meias cabem em qualquer canto da mochila e vale a pena levar alguns pares a mais. Nada como uma meia sequinha. =) Saco de dormir: pras montanhas do Brasil qualquer saco de dormir serve. Aqui dificilmente temos temperaturas muito baixas, então aquele velho saco de dormir que ta no fundo do armário serve. Só não esqueça do isolante térmico. Lanterna: de cabeça, resistente a água, de uma marca confiável. E vale a pena ter outra fonte de luz, parte de algum canivete, chaveiro, um led bem pequeno. Lampião é bom pra ir pescar. Primeiros socorros: Medicação pessoal, analgésico, antihistmínico, antiflamatorio, anticéptico, faixa, bandagem, uma caixa de fósforos, uma pinça, um pouco de papel higiênico, desodorante, escova de dentes. ( pasta de dentes não precisa, alguém sempre leva, ou pega aquela pequena do motel. ) Canivete Barraca: as barracas da Manaslu são de qualidade excepcional. Ta bem equipado. Água: Com duas garrafas Pet de 2 litros eu sempre consigo me virar bem. Aqui não tem neve pra derreter mas a maioria das montanhas tem diversos vales, e/ou pontos de água. Vale a pena se informar dos pontos de água do local onde você vai, períodos de estiagem, etc... Não tem nada pior que ficar com sede. Apito Arrume sua mochila de modo a deixar o maior peso em baixo e sempre no centro. Quando tudo estiver pronto, desarrume tudo, tire tudo e veja aquilo que você não vai usar, sempre levamos coisas que não precisamos. Quanto mais leve for sua mochila, mais mobilidade você vai ter. E apesar de subir uma montanha sozinho ser uma experiência sem igual, tente evitar. Mesmo quando bem preparados, e em regiões que conhecemos, estamos sempre sujeitos a acidentes. Um abraço!
×
×
  • Criar Novo...