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Marquito

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Tudo que Marquito postou

  1. Fala Zé! To começando a pesquisar para fazer um rolê Cuba-Jamaica-Panamá. O teu relato é um dos que mais curti sobre a ilha. Nem consigo imaginar o choque de ir para o Panamá depois de chegar de Cuba. Só lá mesmo p sentir. Dúvidas: a) quanto vc gastou no total? (pelo menos um valor aproximado) b) Quanto tempo ficou no Panamá? c) Sei que não tem muito a ver visitar Cuba e depois ir para o Panamá consumir feito louco num Free Shop... mas vc visitou algum por lá? é realmente barato? d) Normalmnete tiro férias nos meses que não são de temporada... vc disse que em agosto é carnaval em Cuba. É considerado alta temporada? E o clima? Agradável? Muito quente?
  2. Obrigado Valdeci. Vamos às questões: 1 - Dinheiro: levei tudo em dólares. No meu planejamento, vi em vários relatos por aqui no mochileiros que compensa mais devido ao câmbio. No entanto, fica aquele receio de ser assaltado. Comprei uma doleira e sempre andei com o dinheiro no bolso. Ambos os países me pareceram tranquilos em relação a assaltos. Também levei reais. Se por acaso os dólares acabassem eu poderia trocar os reais, porém por um câmbio um pouco pior. Não eram todos os lugares onde se podia trocar reais. No Peru eu vi casas de câmbio que aceitavam reais em Cuzco e em Arequipa. Na Bolívia, em Puerto Quijarro, Sta Cruz, Sucre, La Paz, Copacabana. Evite as notas de dólar da série CB, pois não costumam ser aceitas na Bolívia. Não sei direito da história, mas parece que houve um desvio (ou assalto) de um carregamento destas notas e aí o povo costuma não aceitar. Um golpe que costuma ter em Buenos Aires (Argentina) é quando vc vai pagar o taxista com uma nota alta. Ele pega a nota, troca por outra de igual valor sem vc ver, e te devolve a nota dele, falsa, e diz que não vai aceitar pois é falsa. Mas na verdade a nota real já está na mão dele. A dica é fazer uma pequena marca na nota e qdo vc receber a falsa de volta vc diz que não é a sua, pois a sua tem determinado desenho feito a caneta. Não vi se isso ocorre na Bolívia e no Peru, mas creio que é melhor ficar esperto; 2 - Não deixamos dinheiro nas mochilas. Mas nunca mexeram nelas. Mesmo coisas que compramos durante a viagem, nada foi violado. Super tranquilo; 3 - No começo eu estava anotando tudo o q eu gastava. Mas em determinado momento eu me cansei de ficar anotando. Algumas coisas eu esquecia, enfim. Então perdi um pouco do controle, mas estimo que gastei uns R$ 4500,00. O Wagner gastou por volta de R$ 4900,00, pois ele comprou um monte de presente pra família. Estes valores se referem ao total geral, inclusive com seguro-saúde, os presentinhos, etc. Fui numa época de baixa temporada, onde os preços de alguns poucos passeios e da maioria dos hosteis estavam um pouco mais em conta. No entanto, quando eu fui comprar os dólares eles estavam em alta. Se me lembro bem, o dólar estava a R$ 2,10. Logo no início do relato eu coloquei um link para a minha programação, o roteiro, onde constam os valores que eu iria gastar e o planejamento do que visitar e quando. Teve algumas alterações mas em geral é aquilo mesmo. Um passeio que foi bem mais caro, como eu já disse no relato, foi o vôo sobre as linhas de Nazca. O restante custou muito próximo do estimado. O roteiro foi feito em abril e eu fui em outubro. Em abril o dólar estava mais em conta; 4 - Usei uma câmera digital comum sim. Uma Sony Ciber-shot de 16.1 MP. Ou seja, uma câmera bem comum. Não é a câmera que é boa, as paisagens é que são lindas. A todo momento vc tem paisagens lindas ao teu redor. Eu curto muito paisagens com montanhas, então, é um prato cheio. Me arrependi muito de não levar uma câmera com um bom zoom. A minha tem só 5x de zoom. Eu vi uma galera com câmera boa, com bom zoom, tirar fotos espetaculares! Minha câmera tem 8 Giga de memória. Tirei tantas fotos, que por duas vezes tive q transferí-las para outra memória. Eu havia levado meu MP4, de 16 Giga, onde armazenei as fotos. Valeu pelos elogios, qualquer dúvida, pode mandar. O mochileiros foi bem útil para eu montar o roteiro e descobrir lugares que eu nem imaginava que existissem. Agora é minha vez de colaborar, rsrsr.
  3. Fala xará! Qdo vc vai? Já que vai fazer o caminho inverso, atente para os horários de ônibus. Em alguns lugares só há poucos horários de saída. Em alguma das respostas anteriores eu coloquei o link de um site com os horários de ônibus. Ele é bem útil. Qto à sua questão, o vôo é 90 dólares mais taxa de embarque de 25 soles por pessoa! Salgado né? E a gente descobriu isso qdo chegamos lá. Quase desistimos do vôo, mas mesmo sendo caro vale muito a pena. Cuidado para não fazer que nem eu e perder metade do vôo, rsrsrs. Sabe dizer se existe opção de fazer esse passseio de balão??? Se rolar, acho que deva ser bem mais proveitoso!!! E realmente esse preço é foda!!! Pô cara! É uma ótima ideia hein? Imagina ver as linhas de Nazca a bordo de um balão??? Seria show de bola! E acho q seria mais barato. Infelizmente acredito que não exista isso, pelo menos por enquanto. Nunca ouvi falar sobre isso e também não vi nenhum balão por lá. Eu vi teu relato sobre Natal. Tenho familiares e de tempos em tempos vou pra lá. A cidade é bem agradável, pena que anda meio mal cuidada. Mas ainda assim vale muito a pena ir.
  4. Valeu Juliana! Então, as únicas passagens que comprei com antecedência foram a de avião de sp a Campo Grande e de ônibus na volta, de Cuzco para São Paulo. No geral foi bem tranquilo conseguir passagem na hora. Os únicos lugares onde comprei passagem com algumas poucas horas de antecedência foi de Sta Cruz para Sucre e de Uyuni para La paz. Mas acho q mesmo assim eu conseguiria na hora, se precisasse. Tbm não reservei hostel nenhum. Em La Paz tive q reservar alguns passeios. Não é todo dia que tem e eu tbm não conseguia de um dia para o outro, seguido. Qto à Machu Pichu, ouvi dizer q era necessário reservar com boa antecedência o passeio se fosse pela trilha inca, que é bem "disputada". Mas nós fomos pela Salcantay e foi tranquilo. Salcantay reservamos com dois dias de antecedência. Ah, o trecho de ônibus entre Campo Grande e Corumbá também é bem "disputado". Nós ficamos na estrada de 10/10/12 a 22/11/12. Não é temporada e é possível conseguir preços mais em conta. Onde conseguimos os maiores descontos foi no Salar e na trilha Salcantay para Machu Pichu. Era o final da estiagem, portanto haviam lugares beeeem secos (bebemos muita água). Algumas paisagens estavam com seus rios secos. E a neve em alguns lugares já havia derretido. Segundo os moradores locais, em novembro começam as chuvas, mas em 2012 as chuvas estavam atrasadas.
  5. Fala xará! Qdo vc vai? Já que vai fazer o caminho inverso, atente para os horários de ônibus. Em alguns lugares só há poucos horários de saída. Em alguma das respostas anteriores eu coloquei o link de um site com os horários de ônibus. Ele é bem útil. Qto à sua questão, o vôo é 90 dólares mais taxa de embarque de 25 soles por pessoa! Salgado né? E a gente descobriu isso qdo chegamos lá. Quase desistimos do vôo, mas mesmo sendo caro vale muito a pena. Cuidado para não fazer que nem eu e perder metade do vôo, rsrsrs.
  6. TERCEIRA PARTE Relógios ajustados para o novo fuso horário, chegamos em Puno por volta das duas da tarde. Puno fica do outro lado do Lago Titicaca. A grande atração da cidade segundo os guias eram as ilhas flutuantes dos Uros. Portanto, em Puno só fizemos este passeio mesmo. Na cidade existem alguns táxis iguais aos tuc-tuc's indianos. Taí um meio de transporte que sinto não ter utilizado, afinal de contas nesta viagem a gente usou vários tipos de transporte - avião até Campo Grande, moto-táxi em Corumbá, trem (da Morte), ônibus, táxi, van, off road 4x4 (no Salar) , bicicleta (downhill), balsa (no Lago Titicaca), e mais pra frente barco (em Paracas), avião monomotor (em Cuzco), prancha de sandboard (em Ica). Pegamos um táxi (normal) da rodoviária até o porto, onde saem os barcos para as ilhas. Agora era tudo em Nuevo Sol, a moeda do Peru. Os preços eram bem mais salgados que na Bolívia. Mas ainda assim mais baratos que no Brasil. Na média um real vale um nuevo sol e quinze centavos. Chegamos no porto quase às quatro da tarde, um dos últimos horários de saída deste barco. Aqui tinham muitos turistas europeus, inclusive mais idosos, que pareciam ser mais endinheirados. A mulecada mochileira européia topa ir para a Bolívia, mas os mais velhos não curtem a falta de infra-estrutura de lá. Realmente, o Peru recebe muito mais turistas que a Bolívia, e está mais bem preparado para recebê-los. O barco que leva às Ilhas dos Uros é bem confortável. O guia explica tudo em espanhol e em inglês. As ilhas flutuantes são feitas de totora, um arbusto da região que também serve para fazer suas próprias casas, barcos, artesanato, e inclusive serve como comida. O povo que mora ali é de descendência aimara. O guia explica como são feitas as ilhas e como vive o povo local. No entanto, algumas coisas achei um pouco exageradas (também percebi isso em outros lugares no Peru): parece que tudo ali é sagrado, o lago, as montanhas, as ruínas, os animais, etc etc etc. Me parece que, na gana de conseguir impressionar os turistas, os próprios guias e até mesmo moradores inventam que as coisas são sagradas. Um taxista, brincando, chegou a dizer: “no Peru, tudo é sagrado”. O morador da ilha flutuante que estava nos contando um pouco da história daquele lugar juntamente com o guia, além de enaltecer absurdamente o Lago Titicaca, disse que o lago tem o formato da cabeça de um puma (animal também sagrado), de ponta cabeça. Ele dizia aquilo como se a origem do formato do lago tivesse algo de extraordinário, fruto de uma força maior. Daí ele virou de ponta cabeça o mapa para vermos o formato da cabeça do puma. Sinceramente, nem com muuuuuita imaginação! E os gringos olhavam atônitos , alguns pensando ter adquirido um aprendizado espiritual, e outros com cara de “ué”. O passeio terminou por volta das seis, seis e meia da tarde. Voltamos pra rodoviária, que é perto. Havíamos deixado as mochilas na empresa que vende os bilhetes de ônibus. Jantamos e esperamos o horário de saída do bus. Nesta rodoviária o banheiro também era zuado. Só se dava descarga ao pegar uma caneca cheia de água pra jogar no vaso. Havia um latão cheio de água, onde se enchia a caneca. Então, vc fazia suas necessidades, fechava a porta sem dar descarga, enchia a leiteira, e voltava pra dentro do banheiro pra “dar descarga”. Ah, e isso ainda tinha custo! (custava por volta de um nuevo sol). Pegamos um bus por volta das dez da noite e chegamos em Arequipa por volta das quatro, cinco horas da manhã. A rodoviária de Arequipa é bem movimentada, mesmo a essa hora. Do lado de fora, já se mostrava, imponente, o vulcão El Misti, que ainda é considerado ativo. Arequipa é uma das maiores cidades do Peru. É uma cidade bonita, charmosa (pelo menos as partes que visitamos). É muito agradável visitar seu centro. Ali encontramos a praça central, uma igreja antiga, bem bonita e conservada, comércio, quinquilharias para turistas, restaurantes, etc. Experimentamos o famoso pisco peruano. Há uma rixa entre chilenos e peruanos sobre quem faz o melhor pisco. O drink mais comum tem pisco, limão, gotas de angostura e clara de ovo batida. Lembra, de longe, uma caipirinha mais leve. Também experimentamos a folha de coca coberta por chocolate. É boa! No Peru, assim como na Bolívia, a folha de coca também não possui restrições. Fizemos o passeio com os ônibus de dois andares (Tour Campina), que percorrem uma parte da cidade, visitando um mirante, uma indústria que trata a lã de alpacas e lhamas, um restaurante onde se serve o cuy, etc. Tudo envolto pela bela paisagem da cidade, com o vulcão El Misti e uma cadeia de lindas montanhas ao fundo. O cuy é um assunto à parte. Trata-se de uma iguaria típica do Peru: aqui conhecemos pelo nome de porquinho-da-índia. Existem diversas formas de prepará-lo. O Cuy Chactado é talvez aquela que seja mais repugnante: o porquinho assado vem, estirado, sobre o prato, com a boca aberta, dentão pra fora, patinhas esticadas. É um pouco mais caro que os pratos comuns. Achei que possui pouca carne, bastante pele, e lembra o gosto da carne de um pernil suíno. :'> Arequipa é uma cidade em que vale a pena ficar algum tempo. Em nosso roteiro, havíamos reservado um dia pra conhecer a cidade e dois pra fazer o passeio para o Cânion Del Colca, nos arredores de Arequipa. No fim das contas, acho q mais um dia em Arequipa seria muito bom. No hostel onde ficamos encontramos um casal de Campinas que havia acabado de chegar, mas mal deu tempo de conversar pois já estávamos de saída para o passeio do Cânion. Por ser um passeio de dois dias, esperava mais dele, mas ainda assim vale a pena fazê-lo. O ônibus passa por belas paisagens. Muitas montanhas e alguns animais pelo caminho (lhamas, alpacas, vicuñas). Na tarde do primeiro dia damos uma parada numa espécie de resort de águas termais. Se paga à parte pra entrar no resort mas não é caro. Este resort situa-se às margens de um rio, entre pequenas montanhas. Um lugar muito bonito. No fim da tarde paramos na pequena cidade de Chivay para jantar e se hospedar. O hostel incluso no preço do passeio, o jantar não. O jantar é em um restaurante em que são apresentadas danças típicas, inclusive uma dança muito louca onde a mulher dá chicotadas no homem. No fim, todos os turistas são convidados a entrarem na roda. A parte ruim foi a hospedagem. Muito ruim. Parecia algo feito nas coxas, às pressas. O grupo foi dividido em várias pousadas ruins. Umas mais ruins que as outras. A nossa, aparentemente foi a pior. O guia encaminhou famílias com crianças e idosos pra pousadas um pouco melhores. O café da manhã foi bem ruim tbm. Quando for contratar este passeio, atente-se para isto. No dia seguinte, continuando o passeio, o bus faz uma parada em uma pequena cidade onde podemos comprar artesanato e tirar fotos com uma águia andina e com crianças segurando filhotes de lhamas. É meio incômoda a situação, pois ao mesmo tempo que a tentação de tirar fotos com eles é grande (pagando é claro), percebemos que a águia está amarrada, não pode voar, é criada pra isso, e as crianças que posam pra fotos estão ali trabalhando. Não vou discutir isso agora pois não é o espaço mais indicado pra isso, e me alongaria no relato. Continuando na estrada, o bus passa por desfiladeiros, o cânion. O guia aponta para algumas rachaduras nas montanhas, causadas por um forte terremoto que atingiu aquela região recentemente (de uns 10 anos pra cá, não lembro exatamente o ano). Aquela região sofre micro-temores o tempo todo. Dizem que sete por dia. Mas não sentimos exatamente por serem micro-tremores. Em alguns lugares é possível ver placas “Zona protegida de sismos”. Por ali há também alguns túmulos indígenas antigos nas montanhas, que vemos de longe. Ao final, chegamos no mirante do Cânion propriamente dito. É super alto! Paisagem espetacular! Reza a lenda que ali é possível ver os condores saindo de seus ninhos nos desfiladeiros e voando cada vez mais altos, passando perto do mirante. Aqui cabe explicar algo extremamente importante. O Wagner (meu amigo, que estava no rolê) é mundialmente conhecido por ser a zica em pessoa! Se algo deu errado, é porque ele estava por perto! Nem vou contar aqui o que já aconteceu outras vezes para chegarmos a esta conclusão.... O fato é que, desta vez, não apareceu NENHUM condor pra vermos. NENHUM!! Já vi relatos onde as pessoas dizem ter visto ONZE condores no ar! O guia disse que em oito anos ininterruptos de trabalho, apenas três vezes os condores não haviam aparecido, e este era um destes dias. Pois é, fica pra próxima. Santa Zica! Quando voltamos a Arequipa, fomos gastar um pouquinho num dos Cassinos da cidade (só para sentir o gostinho) e depois fomos dar o check out no hostel (La Merced). Nossas mochilas estavam lá. Não foi preciso pagar nada a mais por isso. Já estávamos meio atrasados para seguir à rodoviária. Eis que a Zica ataca de novo!!! O Wagner havia deixado um par de tênis pra lavar no hostel. Quando ele fez o downhill em La Paz, usou um par de All Star. Como havia chovido no trajeto, o tênis ficou encharcado e imundo por causa da terra. E qdo fomos pegar o tênis de volta, ele havia sumido! O Wagner tinha levado apenas dois pares. O pessoal do hostel não achou, estávamos atrasados, procurando. O gerente decidiu que iria pagar, mas o valor não cobria o prejuízo. O tênis é mais caro. No fim das contas, o atraso não nos deu tempo de reclamar muito, e tivemos que ir embora um tanto contrariados. Chegando em cima da hora na rodoviária, fomos para a fila do ônibus que iria nos levar a Nazca. O ônibus saiu por volta das oito da noite. Na fila deixei meu RG cair. Um cara que estava logo atrás pegou e me devolveu, respondendo em português. Era o Júnior, um paulistano que também estava de rolê pelo Peru (sozinho) e ao ver o RG brasileiro aproveitou para puxar papo. Ele iria pegar o mesmo ônibus que a gente, mas no andar de baixo do bus, numa poltrona mais confortável e mais cara. Aliás, aqui cabe uma consideração: Este ônibus era da empresa Cruz Del Sur. De Arequipa até Nazca íamos levar em torno de dez a doze horas e a gente estava bem cansado, por isso optamos por um ônibus de uma empresa boa. Antes de entrar, passávamos por um detector de metal e aguardávamos numa sala bem confortável. Não sei exatamente o porquê do detector, mas vale lembrar que o Peru já sofreu no passado com alguns ataques extremistas, na guerra do exército com o Sendero Luminoso, que atuou perto daquela região. O ônibus também é muito confortável (bem diferente da Bolívia, e inclusive do Brasil). Poltronas espaçosas, filmes na TV, ar condicionado, jantar, cafézinho, cobertor, almofada (e olha que estávamos no andar de cima no ônibus, o andar mais pobrinho). Pena que a viagem foi à noite, pois em determinados trechos dava pra ver, prejudicado pelo escuro, o Oceano Pacífico. Neste trajeto o bus passa rente ao litoral em vários trechos, seria o primeiro contato com o Pacífico. Ao chegar em Nazca pela manhãzinha, conversamos com o Júnior e verificamos que nossos roteiros tinham um trecho parecido. Decidimos fazer juntos. Ao sair da velha rodoviária/garagem, negociamos o preço com um taxista, chamado Jefrey. Conseguimos um bom preço para que ele nos levasse a vários lugares. Em Nazca o transporte municipal (ônibus municipal) é ruim e não poderíamos perder muito tempo. Dividindo por três acabamos por fechar um preço razoável. Fomos ao aeroporto, de onde saem os aviões monomotor para sobrevoar as famosas linhas de Nazca. Logo no início dos relatos, informei que os preços eram bem parecidos com aqueles que constam no meu roteiro, exceto um ou outro ítem. Pois é, este foi o ítem com a maior diferença. Para sobrevoar as linhas de Nazca paga-se 90 dólares pelo vôo e 25 soles pela taxa de embarque!! No aeroporto informaram que este valor aumentou muito recentemente pois agora é exigido por parte do Governo maiores itens e garantias de segurança das companhias, além da presença de um co-piloto, que não era necessário antes. Diziam: “Se antigamente voava-se de teco-teco, agora o avião é melhor”. Não conheci os aviões antigos, mas, sinceramente, os atuais não são lá grande coisa. Bom, eu também não entendo nada de aviões.... Embarcamos eu, o Wagner, o Júnior e uma gringa (não me lembro exatamente de onde). O namorado dela ficou no aeroporto, não quis ir. Eu nunca tinha voado num avião de pequeno porte. Engraçado como ele dá uns trancos em pleno ar. Parece que está passando por um buraco! Logo começamos a avistar os desenhos. Podemos acompanhar com um mapa que nos entregam no aeroporto: o trapézio, o astronauta, a aranha, o macaco, o condor, etc. Alguns não são tão nítidos. As janelas do avião também não ajudam, pois elas estão com vários riscos e acaba por desfocar a câmera fotográfica. O avião faz muitos movimentos e rápidos, o que pode gerar um desconforto. Lembra a sensação do Barco Viking do Playcenter (pra quem é de SP, sabe do que estou falando). Desde a noite anterior, quando jantamos dentro do ônibus, eu senti que não havia feito a digestão completamente. Creio que o balanço do ônibus enquanto eu comia teve influência nisso. Também dentro do ônibus eu comi alguns chocolates e tomei um café. O gosto deles estava na minha garganta, como se não tivesse digerido-os. Mas até aí tudo bem, não estava me incomodando pra valer. Em Nazca, nem tomei café da manhã, pra não sofrer com o balanço do avião. Pois é, me F#@/ todo! Chamei o Hugo mesmo assim! ãã2::'> Agora imagine a cena: um avião pequeno, com seis lugares, um piloto, um co-piloto, quatro turistas, uma dezena de janelas e, é claro, nenhuma abria. Ainda bem que já tem saquinhos pra aprisionar o Hugo dentro do avião! Os pilotos já estão acostumados com isso, rsrsrs. Mas os turistas não! O Wagner e a gringa quase chamaram o Hugo também só de sentir o cheiro, kkkkk . Ainda havia quinze minutos de vôo! Perdi metade do vôo, nem conseguia olhar pela janela, senão ia passar mal de novo. Pedi pro Wagner tirar as fotos por mim pois eu não estava em condições. Mas até eu passando mal tirava fotos melhores que ele!! Nunca vi ninguém tirar fotos tão ruins! Desde o começo do rolê eu havia percebido isso. Toda vez que eu pedia pra ele tirar alguma foto eu me arrependia: desfocado, cabeça cortada, dedo na frente, etc. Resultado: temos fotos de meio-macaco, meia-aranha, meio-colibri, ou simplesmente, fotos do nada! KKK, algumas figuras ele nem conseguiu captar! Após o vôo, cambaleante e carregando o saquinho onde aprisionei o Hugo, virei motivo de chacota por parte de meus amigos e de nojinho por parte da gringa. Voltamos ao táxi. Fomos visitar Chauchilla, o cemitério de múmias de Nazca. A cultura pré-incaica que existia em Nazca durou de 300 a.C. a 800 a.C. Por ser uma região bem árida, foi possível manter em bom estado as múmias. Há múmias adultas e crianças, todos em posição fetal. Podemos observar que algumas possuem longos cabelos, típicos dos sacerdotes. O cemitério já foi vítima de saques. Acredita-se que havia metais preciosos junto às múmias. Esta civilização produziu arquitetos, médicos, artesãos, etc. Construíram naquela terra tão seca uma inteligente rede de aquedutos a prova de terremotos, que também fomos visitar. O taxista, Jefrey, também nos levou em uma oficina onde um artesão trabalha com cerâmica, fazendo máscaras, vasos, estátuas, etc. Depois visitamos uma pequena empresa onde se trabalha peças em prata: brincos, anéis, colares, etc. Estes dois últimos nem estavam em nosso roteiro, foi indicação do taxista. Subimos o mirante das Linhas de Nazca. Trata-se de uma torre onde se pode ver duas figuras (as “mãos” e a “árvore”). Normalmente quem não chega a voar para ver as linhas pode, no mínimo, ver estas duas figuras. A torre está localizada na estrada intercontinental, que liga as Américas de Norte a Sul, e atrai expedições que querem cruzar as Américas. Também visitamos o museu Maria Reiche, que leva o nome da maior pesquisadora das linhas de Nazca. Maria Reiche, alemã, passava dias no deserto pesquisando, medindo, catalogando as linhas. As vezes até acampava no deserto. A maioria das linhas foi feita limpando as pedras do solo, deixando uma pequena área (uma linha) sem pedras. As pedras estão em todo lugar nesta região. Ainda não se sabe exatamente o motivo do povo que habitava esta região ter feito as linhas. A hipótese mais aceita é que se trata de uma espécie de calendário astronômico, para ajudar a saber a época de plantio e colheita. Na região quase não chove e nem venta (por isso as linhas mantiveram-se intactas por tanto tempo). Durante quase todo o ano a temperatura fica estável. Portanto eles não tem estações do ano bem definidas como a gente. Saber as posições dos astros seria bem importante para a agricultura. Outros dizem ser um meio de comunicação com os deuses. Enfim, o habitantes de Nazca, fizeram as linhas por volta de 400 a 650 d.C., ou seja, bem depois das múmias de Chauchilla. As linhas foram feitas com grande precisão, considerando-se que apenas podia-se observá-las bem do alto. O Museu Maria Reiche fica exatamente onde era sua casa. Alí podemos ver mapas, fotos, uma múmia de Chauchilla, objetos usados para medir as linhas, etc. Depois disso, Jefrey nos deixou num ponto da estrada onde poderíamos finalmente almoçar (era umas três, quatro da tarde) e pegar o bus para Ica. Chegando em Ica, pegamos outro táxi (estando em três, valia a pena pegar táxi) para o Hostel Casa de Arena 2. Sem dúvida um ótimo hostel. Recomendadíssimo. Preço bom, tem piscina e sempre rola festas. Mas como somos zicados, nos hospedamos exatamente de um domingo para segunda, que não tem festas. Rsrsr. O café da manhã era pago à parte. Se hospedando neste hostel é possível um desconto para o passeio nas dunas de Huacachina. Sem festa, fomos passear à noite e conhecer os arredores. Existem alguns barzinhos e restaurantes bem aconchegantes, todos no entorno de um lago. No dia seguinte, abrimos a janela do quarto e lá estavam as dunas, que não conseguimos ver na escuridão da noite. Fomos no passeio da dunas e foi uma das coisas mais legais de todo o rolê. Também pudemos praticar sandboard. Nunca imaginei que sandboard fosse tão legal! Vencido o medo inicial, descemos uma duna, duas, três... daí o guia nos levou pra maior delas. Arregamos! Todos! De volta ao hostel, um merecido mergulho na piscina (eu e o Júnior, pois o Wagner não gosta de água ). Almoço especial também: ceviche! Eu curti, mas é bem apimentado. Tomamos umas geladas debaixo daquele Sol forte e seguimos viagem. Novamente de táxi, fomos visitar as bodegas produtoras de vinho e pisco, a famosa “aguardente” de uva peruana. Essa também não estava no roteiro, foi indicação do Júnior. Visitamos duas bodegas. A primeira era mais chiquezinha chama-se La Casa Del Catador, um restaurante turístico. Alí nos mostraram como se fazia o pisco e experimentamos algumas variações da bebida. No caminho entre uma e outra bodega, que são próximas, escutamos um peruano chamando : “Ei, pun......eiros!” Não vou reproduzir o que ele disse aqui pois acredito que estaria ferindo as regras do site. Só posso dizer que é algo que apenas homens fazem, geralmente quando estão sozinhos, rsrsr (o famoso cinco contra um). Não acreditávamos no que estávamos ouvindo. Mas o peruano repetiu. E ao ver nossa cara de estranhamento, ele caía na gargalhada. O taxista, que conhecia o peruano, nos disse que os peruanos aprenderam o palavrão com outros brasileiros. Toda vez que viam um brasileiro falavam isso! Kkkk Foi a nossa vez de cair na gargalhada, que foi respondida com outra gargalhada por parte dos peruanos! Foram cumprimentar o taxista e nos disseram que ele (o taxista) era pun..... eiro! Kkkkk. Entramos na bodega Lazo, que já tinha 203 anos! O dono, Sr. Murillo, veio nos recepcionar. Estava bebadíssimo!!! ãã2::'> Muito receptivo, sorriso aberto, entre um passo torto e um tropeço, se mostrou mais feliz ao saber que éramos brasileiros. Disse ter um carinho especial. Não pareceu ser simples papo de vendedor. Nos levou no galpão onde ficam os tonéis cheios de pisco e vinho, com grande variedade de sabores. É claro, nós experimentamos todos. De repente, tava todo mundo feliz naquele lugar!! Felizes e bêbados!!! rsrsr . O senhor Murillo contou piada, cantou, mostrou a estátua em homenagem a “El borracho” (o bêbado) que possui em sua bodega. Depois, seriamente, nos apresentou a estátua de Pachacutec, o primeiro grande imperador Inca, símbolo de devoção. No fim das contas, levamos algumas garrafas, borrachos e muito felizes!!! Felizes porque fizemos muita coisa legal neste dia, que estava bonito, além de conhecer o grande figura Sr. Murillo. O táxi nos levava agora para Paracas, que é razoavelmente próximo, sob um belíssimo por do Sol, mas isso é assunto pra última parte do relato.
  7. Cara, faço minhas as suas palavras. Fui pra Bolívia e Peru ano passado. Confesso que a única coisa que eu havia ouvido falar antes de viajar era o Salar. Mas daí fui pesquisar e descobri um país interessantíssimo. Fiquei 20 dias na Bolívia e 20 dias no Peru. Fiquei apaixonado pela Bolívia. Fiz bastante coisa mas sei que tem mais um monte de coisa pra fazer e descobrir. Também concordo em relação a La Paz. Planejei ficar 4 dias lá e acabei ficando uma semana. E ainda tinha muita coisa pra se fazer e visitar! Também tenho muita vontade de voltar. E o melhor de tudo isso é que é bem barato! Realmente as pessoas ficam perguntando: o que vc vai ver lá? Lá é perigoso! Tem coca e traficante! Não vi ninguém usando drogas por lá. Alias, no Museu da Coca me informaram que o povo boliviano usa a folha (masca, chá, doces) mas são pouquíssimos os usuários de cocaína. Os países estrangeiros, principalmente EUA, pressionam para acabar com o tradicional plantio da coca, mas os usuários não estão na Bolívia, estão fora dela! Resultado da vida loca que levam os povos dos países ditos civilizados, que recorrem a droga para amenizar sua vida. Enfim... La Paz, Salar e Potosi para mim foram os mais impactantes. Pra que ir pra Disney? Conhecer um lugar artificial? As belezas naturais da Bolívia e de seu povo autêntico (que não fica te agradando pra ganhar o turista) são fascinantes. E tudo isso do nosso lado!!! Só discordo qdo vc mencionou as estradas. Tem algumas ótimas mas outras péssimas. O trecho Sta. Cruz de La Sierra a Sucre e o trecho de Uyuni a Oruro são horríveis. No mais, te desejo uma ótima viagem de retorno à Bolívia!!! bolivia-peru-40-dias-out-nov-2012-t84154.html
  8. Aletucs, Se eu me lembro bem o valor da passagem está entre B$10,00 a B$ 15,00. Bem baratinho. Se não me engano, tanto ida qto volta são o mesmo preço. Na ida a van te deixa nas ruínas. Na volta, nós caminhamos alguns quarteirões. De cinco a dez minutos de caminhada, o ponto fica numa pracinha, numa "vila" próxima. Basta seguir reto. É melhor pegar a van neste lugar pois é seu ponto inicial e o pessoal espera lotar para poder sair, portanto, não tem um horário exato de saída. Quanto à ida, se não me engano as vans saem a cada meia hora.
  9. RELATO: SEGUNDA PARTE Havíamos recuperado o tempo perdido. O atraso que tivemos no início, na fronteira, foi compensado, pois eu havia destinado quatro dias para o passeio do salar, que na verdade durou três dias. Além disso, o fato de termos feito o trajeto de bus direto de Uyuni para La Paz, sem passar por Oruro nos fez ganhar tempo (dizem que de trem tem uma bela paisagem, uma pena). Mas acabamos por nos atrasar de novo. La Paz é tão bacana e tem tanta coisa para fazer que demoramos dois dias a mais aqui. A capital da Bolívia é uma doideira! A começar pelo seu relevo: estamos em pleno altiplano (uma grande área plana, no alto dos Andes). Mas La Paz situa-se numa cratera em meio ao altiplano. Sério: ela parece ter sido construída dentro da cratera. Quando se está chegando à cidade, podemos ver de El Alto a cidade de La Paz lá embaixo, fervilhando. El Alto é uma cidade vizinha, uma grande periferia que de tanto que cresceu, se tornou outra cidade. É onde fica o aeroporto, já que os aviões não devem conseguir pousar na cratera. Assim que chegamos em La Paz, estávamos bem cansados da longa e desconfortável viagem desde Uyuni. Descemos próximos da rodoviária, pois o trânsito estava parado e era melhor descer e ir a pé. Paramos pra um café da manhã (o café brasileiro é muito melhor). Ao pedir chocolate quente, certifique-se que ele vem com leite, rsrsrs. Pode ser que seja apenas o achocolatado diluído em água quente (urgh!) . Devido ao cansaço acabamos por ficar num hotel muito próximo à rodoviária (que por sinal foi projetada por Gustave Eiffel, o mesmo da torre de Paris). Mas aconselho a ficar mais próximo do centro. Toda vez que voltávamos dos passeios tínhamos que enfrentar uma ladeira pra chegar lá (e qualquer subida na altitude é muito mais difícil de encarar). Estávamos perto da cervejaria que fabrica a Paceña (boa cerveja). Estávamos exaustos e pela manhã aproveitamos para descansar, arrumar as malas e tralhas, planejar os próximos passos, tomar um merecido banho (depois dos três dias no salar um banho decente era tudo o que a gente queria. Nos hotéis de sal tem duchas mas não é a mesma coisa). À tarde saímos para conhecer a cidade. Estávamos com tanta fome que paramos praticamente no primeiro lugar que vimos. Comi uma carne moída com um tempero esquisito, ruim. Me lembrei dele durante o resto do dia. Eu havia me transformado numa máquina de produzir gases. Coitado do Wagner! E dos bolivianos próximos... Fomos à Praça Central (Plaza Murillo), onde ficam a Catedral (muito bonita por dentro), o Parlamento e o Palácio do Governo. O Evo fez 50 anos alguns dias depois e saiu às ruas, numa festa de aniversário na praça. Também é interessante visitar a região da Rua das Bruxas. Tem muitas lojas, souveniers, agências de viagem para contratar os passeios, etc... A Bolívia é muito barata e aproveitamos para comprar um monte de coisas. Comprei um monte de camisetas, blusa, mochila, tênis impermeável, lembrancinhas pra um monte de gente, etc... Tem uma rua (não lembro o nome, mas é perto da rua das bruxas) que é ótima para comprar jaqueta de couro. O Wagner conseguiu comprar uma blusa impermeável da North Face por R$ 70,00! (na promoção). Também é interessante seguir descendo a avenida principal (nesta avenida também tem um Banco do Brasil). No sul da cidade ficam os bairros mais elitizados, os grandes hotéis, bares mais chiques, livrarias. Quase não há ônibus, mas sim, muitas vans. Quando estivemos por lá, a prefeitura estava tentando conscientizar as pessoas do uso dos pontos de ônibus! Em La Paz ninguém respeita isso. Se vc está dentro de uma van e pedir para parar, o motorista irá parar imediatamente, mesmo se estiver na faixa da esquerda: ele cruzará todas as faixas, as vezes na frente dos outros carros, e te deixará na calçada. Se vc estiver na rua, em qualquer lugar, pode até mesmo ser no meio da rua, basta fazer o sinal que a van vai parar. Certa vez estávamos voltando de um passeio e a van parou de repente. Eu estava no último banco quando a van freou bruscamente e quase parei no colo da mulher que estava no banco da frente. Levei um baita susto. Pensei que tínhamos atropelado alguém, sei lá... Na verdade uma mulher que estava na rua deu o sinal muito próximo da van, que por sua vez parou na hora! As vans são bem baratas. O táxi tbm. O trânsito em La Paz é um caos! E eu que pensava que São Paulo era perigoso! Vi um atropelamento a poucos metros. Foi bem feio. Tanto motoristas quanto os pedestres não respeitam semáforos e faixas de pedestre. É preciso ter cuidado. Não vá no embalo dos pedestres paceños. Algumas ruas do centro cheiram a frango frito. Tem hora que enjoa. Na Bolívia não existem Mc Donalds. Existe Burger King. O preço equivale ao nosso, portanto é muito caro para os paceños em geral. Quem frequenta é o povo com melhores condições financeiras. O equivalente ao fast food em La Paz são as broasterias, que vendem combos de frango frito, batatas, as vezes um pouco de arroz, molhos, às vezes banana frita, refrigerante, etc. Estas lojas é que deixam o ar impregnado daquele cheiro de pele de frango frita. Aliás, a galera adora a pele frita do frango. Outra mania do paceño são as salchipapas: uma porção de salsichas com batatas fritas, com muito ketchup, mostarda e maionese. Enfrentamos um dia com greve geral de transportes, que nos atrapalhou um pouco. Neste dia visitamos os museus e lojas a pé. La Paz tem ótimos museus. A começar pelo simples, mas muito interessante Museu da Coca, que fica na Calle de las Brujas. Não é permitido tirar fotos de dentro do museu. Existe um café dentro do museu, onde podemos saborear várias coisas feitas com coca. Eu fiquei apenas no café com coca. Aliás, na rua das Bruxas encontra-se facilmente as folhas para comprar. Comprei um saquinho, super barato. O Museu Étno-Folclórico, que fica perto da Plaza Murillo é maravilhoso! Possui várias seções com muito de cultura boliviana e indígena. Arte em cerâmica, arte plumária, arte em tecidos, máscaras para festas tradicionais, moedas antigas, etc. Outro museu belíssimo é o Museu Nacional de Artes, com diversos quadros de diferentes estilos. A Calle Jaen, próxima à rodoviária, é pequena mas charmosa, com vários pequenos museus e alguns bares aconchegantes. Fomos no museu de instrumentos musicais. Eu que sou fã de música pirei. Tem muitos instrumentos próprios das culturas indígenas da Bolívia. Vários instrumentos de sopro, flautas, instrumentos de percussão, charangos, etc. Alguns é possível (tentar) tocar. Também existem alguns instrumentos inventados por um artista local, bem diferentes. Tivemos a sorte de estar em La Paz justamente quando ocorria a Noche Blanca, uma espécie de Virada Cultural paulistana, mas ela acaba na madrugada, não vira 24 horas. Vimos um show de música tradicional boliviana no centro, um grupo de rap formado por garotos de El Alto, e uma apresentação impressionante de um grupo de violonistas, dentro do Museu Nacional de Artes. A Igreja e Convento São Francisco de La Paz também deve ser muito interessante, mas não conseguimos visitá-lo (ou estava fechado, ou a gente chegava atrasado, ou tínhamos reservado outras coisas, etc) Em La Paz há o Mirador Killi-Killi. Chegamos lá de táxi. Trata-se de um mirante, onde se pode ver quase toda a cidade. Também é muito interessante ver La Paz a partir de El Alto. Vamos aos “passeios”. Ao redor de La Paz tem bastante coisa pra fazer. A primeira que fizemos foi visitar as ruínas de Tiwanaco. Aqui fizemos uma graaande burrada. Querendo economizar uma merreca, resolvemos ir a Tiwanaco por conta própria, pegando uma van no cemitério. O ideal seria fechar com uma agência, com guia! O fato de não termos guia prejudicou bastante, pois seria bacana alguém para contar sobre a história do lugar. Vimos muitas ruínas mas parece que ficou faltando informações sobre tudo aquilo. As ruínas ficam a aproximadamente uma hora e meia da cidade. É incrível como tinham cães abandonados na beira da estrada. A impressão que dava é que eles “moram” ali mesmo, se alimentando dos restos de comida jogados pelas pessoas que cruzam a estrada. Os cães estão em péssimo estado, sujos, alguns detonados, sem olho, parecem quase selvagens, sério! A civilização Tiwanacota foi anterior aos incas (cerca de 400 ac a 900 dc). Muito do que formou a cultura inca foi absorvido de Tiwanaco. Há ruínas antiquíssimas. Podemos ver um altar, alguns totens, portais, etc. A Porta do Sol é a ruína mais importante. Nela está gravada a imagem de um deus, Viracocha. Esta civilização habitou terras próximas ao lago Titicaca. Para mais informações: http://www.superinteressante.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=115:o-misterio-de-tiwanaku&catid=9:artigos&Itemid=83 Outro passeio bacana foi a visita ao Monte Chacaltaya, que está a 5411m de altitude! (a maior altitude que chegamos na viagem). A paisagem lá de cima é fantástica!! É possível ver La Paz dentro da cratera! De outro lado, bem ao longe, vemos o Lago Titicaca. Tinha um pouco de neve lá em cima. Nós fomos em outubro/novembro, portanto, o inverno já tinha acabado fazia tempo. Lá também fica a estação de esqui mais alta do mundo, mas parecia meio abandonada. Normalmente as agências vendem este passeio junto com o Valle de La Luna, ocupando o dia inteiro. O Valle de La Luna fica no outro extremo, zona sul de La Paz, numa baixada, onde existem estranhas e interessantes formações. Penso que um geólogo iria pirar. Entre as formações há diversos buracos onde não se vê o fundo. Sinistro! É preciso reservar os passeios com antecedência. Não estávamos na temporada e mesmo assim era difícil conseguir nos dias que queríamos. Agora, o rolê que eu tive mais medo em toda a viagem, foi sem dúvida, o downhill na estrada da morte. Quem vê as imagens desta estrada no youtube ou naquele programa sobre estradas perigosas que passava no History Channel sabe do que eu tô falando. Ainda bem que desde 2008, se não me engano, passam poucos carros, pois foi construída uma nova estrada, mais segura. Trata-se de um passeio cuja concentração na agência é as sete da manhã. A van nos leva até um ponto mais alto da estrada, onde começamos o downhill primeiro numa estrada asfaltada para depois entrar na estrada da morte propriamente dita. No asfalto tem vários carros e caminhões passando, enquanto vc desce a milhão. Tava super frio e minha mão tava congelando. Eu estava tenso, mó adrenalina! Nossa turma era composta de umas 16 pessoas, de várias nacionalidades. Existem quatro tipos de bike, cujo preço varia conforme o que ela te oferece. Pegamos a segunda mais barata, com suspensão dianteira e freio hidráulico. O freio hidráulico é recomendado pois a gente percorre o caminho inteiro freando. Fizemos o passeio com a empresa El Solario. Achei meia boca. Eu vi outros grupos com bikes bem mais conservadas. Durante o trajeto não se pode fotografar, para evitar acidentes. Quem fotografa é um dos guias, e está incluso no pacote receber o dvd com as fotos (além de uma camiseta – que por sinal, a camiseta da El Solário é ruim, desbotou rápido e é mal feita). Creio que por um pouco mais poderíamos ter feito um passeio com uma empresa bem melhor. Teve várias paisagens que eu gostaria de ter tirado fotos e o guia não registrou. Por exemplo: em determinados trechos, quando vc chega na beira do penhasco e vê um riozinho lá embaixo, bem fundo, e vc percebe que se cair ali vai demorar vários segundos até se esborrachar lá embaixo. E não há nenhuma foto disso! Pelas fotos não dá para perceber o quanto aquilo é alto. Saímos de uma altitude de 4700m, em La Cumbre, para 1200m em Yolosa. A descida inicia-se umas 09h00 e termina por volta das 15h00. Tem várias paradas para descansar, se alimentar, e esperar a galera que fica para trás. Quando entramos na parte da estrada feita de terra, a estrada da morte propriamente dita, fomos avisados que havia uma competição naquele dia, onde vários ciclistas estavam subindo o trajeto. Havia um acordo que éramos pra descer pelo lado esquerdo da estrada: exatamente o lado do precipício. Aí me caguei todo! Cara, é muita adrenalina vc fazer o downhill, só segurando no freio, andando naquela estrada cheia de poeira e pedras, a roda traseira saindo de lado o tempo todo por causa das pedras, daí vc olha pro teu lado esquerdo e vê um riozinho fininho lááááá embaixo, tipo nos desenhos do Papa-Léguas quando ele caía no precipício e vc só vê a fumacinha! Tinha hora que eu nem queria olhar pro lado. As vezes tentava ficar mais no meio da pista. São diversos os relatos de gente que já morreu lá. E quando vc contrata o passeio deve assinar um termo de responsabilidade. Eis que no meio do caminho começa a chover. Granizo! Tivemos que parar um pouco. Em dez minutos o granizo parou e continuamos debaixo da chuva, agora leve. Estávamos encharcados, o vento frio congelava. As luvas molhadas. A estrada molhada! Ainda bem que eu estava com o tênis impermeável. Felizmente nesse dia ninguém morreu, rsrsr. Quando chegamos lá embaixo já estava bem mais quente. A temperatura varia bastante com a altitude. Em Yolosa tem um botequinho onde brindamos com uma merecida cerveja (paga à parte). O almoço (farto) também fazia parte do pacote. Vimos que ali perto existem alguns campings e pousadas, com tirolesas cruzando a estrada. As vans nos seguiram e agora levariam todos de volta a La Paz (o transporte de retorno incluso no pacote), menos a gente, que queria visitar Coroico. Coroico é uma pequena cidade onde alguns paceños vão curtir o clima mais quente, em pousadas, às vezes com piscina. A região aqui é cercada de verde, bem diferente da aridez do altiplano. Mas, sinceramente, me arrependi de ter ido para lá. Poderia ter economizado um dia de viagem. A cidade é pequena e não tem nada para se fazer. Pra piorar, não é qualquer hotel que tem água disponível o tempo todo. Um dos motivos que nos deu curiosidade de visitar a região era visitar Tocaña. Pelo meu guia, acreditei ser razoavelmente perto de Coroico. Não era. E o transporte para lá é muito escasso. Normalmente apenas táxis fazem o trajeto, e cobram caro para os padrões bolivianos. Tocaña é um pequeno vilarejo onde mora uma das poucas comunidades negras da Bolívia. Acabaram por se isolar naquelas matas e montanhas mantendo muita coisa de seus costumes antigos. Além disso, a região é grande produtora de coca e gostaríamos de ver isso de perto. Se tivéssemos mais tempo poderíamos nos arriscar a ir, mas já estávamos dois dias atrasados em relação ao planejamento inicial. Era um domingo. Retornamos a La Paz e à noite fomos à luta livre de cholas em El Alto. Isso mesmo: luta livre de Cholas. Cara, isso é hilário!! É aquela velha luta livre que todos conhecemos, mas à maneira boliviana! Parece um circo mambembe. Tinha hora que parecia que eu tava vendo os Trapalhões! Muito bom. Uma das coisas mais interessantes é que as lutas são realizadas em El Alto, a periferia de La Paz. Muitos moradores locais vão ver as lutas com suas famílias. As crianças, e até mesmo alguns adultos, ficam impressionados, até mesmo acreditando de verdade daquilo tudo. Ou pelo menos pareciam acreditar. As expressões de espanto em seus rostos demonstravam uma ingenuidade que parece não ter mais espaço no mundo de hoje. Muito loco isso. Este “passeio” só ocorre aos domingos, à noite. É super barato e vale muito a pena. Vc dá muitas risadas, e se sente meio criança. Segunda-feira cedinho pegamos o bus para Copacabana. Este bus sai do ponto ao lado do cemitério. Neste mesmo ponto se pega as vans para Tiwanaco, se vc for por conta, como a gente. Após algum tempo já podemos avistar o Lago Titicaca, considerado sagrado por muitos. Em determinado trecho, temos que descer do bus, pegar uma balsa pequena para passageiros, enquanto o bus vai em balsa própria. Copacabana, assim como La Paz, é boa para fazer compras, mas talvez com menos diversidade de produtos. Ainda assim vale bem a pena. Comemos a famosa truta do Lago Titicaca (é boa, mas esperava mais, devido à sua fama). É interessante visitar a Igreja, onde em determinada época do ano existe uma grande “romaria”, e os motoristas pedem bençãos aos seus carros junto à Virgem. Ouvi dizer que esta Copacabana inspirou o nome da famosa praia do Rio de Janeiro. Ali próximo existem umas ruínas mas confesso que não são muito interessantes. Vale muito a pena subir o Cerro Calvário e ver o por-do-sol sobre o Lago Titicaca. Muito bonito! :'> No dia seguinte fizemos o passeio à Isla del Sol. Também existe a Isla de la Luna, menor (nesta última não fomos). Só para variar, fizemos outra pequena grande cagada. Como o ritmo da viagem é meio alucinante, muita coisa pra ver todos os dias, vc tem que estar se programando o tempo todo. E isto cansa. E pelo cansaço e um pouco de displiscência, não programamos este passeio direito. Há duas maneiras de se chegar à Isla del Sol. No porto de Copacabana existem barcos que levam à face norte e à face sul da ilha. São poucos barcos por dia. Tem que acordar cedo para conseguir vaga. O mais correto seria ir direto á face norte e voltar a pé, pela ilha, até a face sul, onde tem barcos que retornam às quatro horas da tarde. Nós fizemos o contrário. Fomos à face sul primeiro, para andarmos até a face norte, e de lá pegar um barco retornando. O problema é que na face norte os barcos retornam mais cedo. Conclusão: não deu tempo de retornar e tivemos que dormir na ilha. Arranjamos uma pousada bem meia boca, sem água quente. Mal tem restaurante para comer por lá. Enfim... Mas o passeio pela ilha é bem bacana. Existem algumas ruínas incas. Reza a lenda que foi nesta ilha que iniciou-se a civilização inca. Por essas e outras, diz-se que a ilha é sagrada. Também há uma ruína de um altar de sacrifícios. O caminho a ser percorrido na ilha é longo, mas bem bonito. Quando percebemos que a gente havia feito besteira e teríamos que andar rápido pra tentar chegar na face norte a tempo, o sol estava batendo forte, a fome apertava, e na ilha tem poucos lugares para comer. Imagina só: solzão na cabeça, a gente andando rápido, preocupados com o retorno, com sede e muita fome!! Aquela trilha não terminava nunca! A fome era tão grande que estávamos lembrando até mesmo daqueles pratos horríveis que servem nuns restaurantes perto do lugar onde trabalhamos. “Lembra aquela lazanha dura e pesada, com molho ácido do Mika? Comeria ela de boa agora!!! Ah, a lazanha do Mika!!!” - “Pode crê! E o bife de sola servido no prato sujo do Português?? Que delícia! Que saudade!” Ainda existia uma possível solução para nosso retorno. Alguns poucos pescadores do local levam as pessoas em seu barquinho a remo até a face sul, mas cobram caríssimo e demoram uns 40 minutos pra fazer isso. Ou seja, não ia dar tempo mesmo assim e dormimos na ilha. De madrugada caiu um baita toró. Quando acordamos tinha muito gelo no chão. Granizo. Pegamos o barco bem cedo. Chegamos em Copacabana e fomos pegar nossas mochilas que estavam no hostel. O dono do hostel tava louco com a gente, pois não tínhamos dormido lá e nem havíamos avisado ele. Segundo ele, até já tinha avisado a polícia sobre o nosso sumiço. Estávamos preocupados com o tempo, o nosso bus para Puno ia partir logo. Deixamos ele falando e reclamando e fomos embora. A fronteira é próxima e a questão da documentação é simples. Temos que apresentar o documento de identidade (RG) e o documento de entrada na Bolívia (um certificado que pegamos quando entramos em Puerto Quijarro). Pronto, estávamos no Peru! Estávamos no MEIO da viagem!
  10. Valeu! Ficamos hospedados no Hostal Oro Blanco, na Av. Ferroviaria, bem próximo à estação de trens de Uyuni. Preço bom, quarto e café da manhã razoáveis. O ponto (bem) negativo era o banheiro: às vezes a água não esquentava ou demorava muito. A porta do banheiro para o quarto era de vidro, vc conseguia ver o vulto da pessoa que estava usando-o. E a água do chuveiro escorria pelo chão até chegar e molhar parte do quarto. Acredito que não seja possível chegar em Uyuni e fechar o passeio do Salar para o mesmo dia. São seis horas de ônibus de Potosí até Uyuni. Pegamos o ônibus na rodoviária velha de Potosí às 11 da manhã. Para o que vc quer, seria necessário pegar um ônibus saindo de Potosí por volta da meia noite. Acho bem difícil ter este horário. Além do mais, a paisagem do trajeto é bem bonita e se vc fosse de noite, iria perder.
  11. Cara! Que vacilo!!! Pode crer, mandei mal rsrsrs Valeu pela correção!!
  12. Oi Ellen, Que bom que está curtindo... fazer o relato dá mais trabalho do que imaginei rsrsr. Mas logo logo tá saindo a segunda parte. E já que vc vai pro Atacama, pode evitar esta rota Uyuni - La Paz, subindo pelo Chile!
  13. Desculpe a demora em responder.... Vamos lá! O itinerário Uyuni x la Paz pode ser feito de trem e ônibus ou somente de ônibus. Se for de trem, ele vai até Oruro e de lá vc deve pegar um bus p La Paz. Para ver os horários deste trem tem esse link: http://www.fca.com.bo/contenido.php?seccion=2&subseccion=41 Se vc for de ônibus como nós, praticamente todos saem no mesmo horário, as 20h00. Não me lembro qual foi a empresa, mas acho q todas são ruins rsrsrs. Considerando que a estrada é bem ruim, tente ir no mais confortável possível. Chegamos em La paz por volta das seis, sete horas da manhã. Saímos de Uyuni em um domingo à noite, e os ônibus estavam cheios. Compramos a passagem com duas horas de antecedência. Não me lembro o valor exato da passagem, mas creio q era algo em torno de 80 a 120 bolivianos, dependendo do tipo de ônibus. Para pesquisar horários de ônibus em toda a América do Sul, este site é o canal: http://www.bus-america.com/ (apesar q justamente os de Uyuni não tem neste site) Para pesquisar horários do Trem da Morte: http://www.fo.com.bo/?TabId=59 Espero ter ajudado. Qualquer dúvida, manda ae!
  14. Rute, esta foto foi tirada no início do segundo dia do passeio do Salar. Antes das Lagunas.
  15. Bárbara!! Saudades do cê menina!! Eu não sabia q tava pensando nesse rolê tbm! Logo logo sai a segunda parte!
  16. galera... finalmente eu postei o relato da viagem... Na verdade é só a primeira parte, por enquanto... bolivia-peru-40-dias-out-nov-2012-t84154.html
  17. Depois de um bom tempo após o retorno, finalmente resolvi escrever o relato da viagem. Eu (Marcos) e um amigo (Wagner) viajamos pela Bolívia e Peru durante aproximadamente 40 dias, em outubro e novembro de 2012. Gastamos quase 5 mil cada um, incluindo tudo, passagens, passeios (vários), alimentação, presentes, etc. Não comemos nem nos hospedamos no que há de melhor, mas também não fomos “miseráveis”. Vou tentar ser sucinto (duvido). Primeiramente gostaria de agradecer a todos que ajudaram, deram dicas, etc, inclusive durante o trajeto. Escrever o relato aqui é uma maneira de agradecer e ajudar outros mochileiros. O roteiro original pode ser conferido aqui: bolivia-peru-roteiro-praticamente-completo-out-nov-2012-t73986.html Engraçado que por mais que a gente seja detalhista no roteiro, a gente sempre se perde com o planejamento. Deixamos de visitar algumas coisas por falta de tempo. No entanto, descobrimos coisas que não estavam previstas e, em alguns lugares, ficamos mais tempo do que esperávamos, simplesmente porque gostamos do lugar. Perrengues também fazem parte, rsrsrs. No geral, os preços de hospedagem e passeios foram mais baratos que o previsto no roteiro. Mas gastamos mais com alimentação e, sobretudo, água. Não imaginava que ia precisar beber tanta água, rsrsrs. O mochilão foi ótimo. Inesquecível. Antes de ir, pesquisamos sobre os lugares, cultura e história locais, o que enriqueceu a viagem. Este trajeto é acessível financeiramente e muito rico em termos de paisagens e cultura. Já penso em voltar. Antes de viajar tomamos cuidado em fazer um seguro saúde, que não foi necessário. Também compramos algumas passagens (avião de ida e o ônibus da volta). As hospedagens e demais passagens foram todas compradas na hora. Tomamos a vacina pra febre amarela com o certificado internacional, com no mínimo dez dias antes. O RG tem que ter menos de dez anos de expedição. Fomos numa época de baixa temporada, fim da época das secas e início da temporada de chuvas (mas, ainda bem, quase não pegamos chuva). Uma coisa importante também foi que ambos estávamos imbuídos do espírito aventureiro (rsrsr): se tivéssemos que dormir em lugares ruins nós faríamos isso, se tivesse que pegar ônibus ruim, comida estranha, passar por perrengues, enfim... estávamos prontos! Eu já fiz alguns poucos mochilões e para o Wagner era o primeiro. Este não é o tipo de roteiro para pessoas com muitas... errr... digamos... frescuras. Rsrsrs. Quanto aos gastos, a estimativa tá no roteiro. Na prática é muuuuuito difícil anotar tudo direitinho pra depois postar aqui pro pessoal. Sinto muito, até queria fazer isso pra informar as pessoas mas ou vc anota tudo o tempo todo, ou vc curte a viagem. Mas vamos ao que interessa. No dia 10/10/12 saímos do trabalho direto para o aeroporto de Guarulhos, onde pegaríamos o vôo para Campo Grande – MS às 22h00. Já logo de cara uma zica: o vôo atrasou. O vôo é de duas horas, mas chegaríamos em Campo Grande 23h00 devido ao fuso. Às 24h00 tínhamos que pegar o ultimo bus para Corumbá. Do aeroporto até a rodoviária demoraria mais ou menos meia hora de táxi. Mas com o atraso em Guarulhos nós chegamos em Campo Grande às 23h40. Resultado: já começamos o roteiro errado, com atraso. Ainda tentamos, debaixo de uma garoa irritante, pegar o ônibus na estrada (que por sinal passa em frente ao aeroporto). Sem chance. Os ônibus estavam lotados e não paravam. Voltamos para o aeroporto e o jeito foi tomar umas cervejas, comer algo e tentar dormir no saguão. NO dia seguinte, acordamos bem cedo, pra pegar o primeiro bus da rodoviária, que saía as 06h00. A parte legal é que, de dia, pudemos ver um pouco (bem pouco mesmo) do Pantanal durante o trajeto. Às 13h00 chegamos em Corumbá. Já é bem visível a mudança nos rostos: as pessoas tem os traços indígenas bem fortes. Uns taxistas quiseram enrolar a gente mas no fim das contas acertamos com uns moto-táxis até a fronteira (cena bizarra: os dois moto-táxis com a gente carregando aquelas mochilas gigantescas). Ao chegar na fronteira, por volta das 13h45, decepção total: era dia 11/10/12, e o Mato Grosso do Sul comemorava 30 anos de emancipação do Mato Grosso!!! O posto da fronteira havia fechado às 13h00, por causa do feriado. Por mais que tenha planejado a viagem em detalhes, nunca imaginei que isso ia acontecer. Pois é: ACONTECE!! Tivemos que pernoitar nessa região sem ter planejado. Mais um atraso. Já que estávamos lá mesmo, resolvemos pernoitar em Puerto Quijarro. Atravessamos a fronteira (ilegalmente) e fomos conhecer aquele pouquinho de Bolívia que surgia pra gente. Puerto Quijarro é uma cidade bem pequena e pobre. É muito difícil ver turistas pernoitando por lá. Por ser a estação de partida do trem da morte, as pessoas apenas passam pela cidade. Não podíamos fazer isso pois o risco de ter problemas mais pra frente devido a entrada ilegal é muito alto. Andamos pela cidade e aproveitamos pra começar a nos familiarizar com a Bolívia. Andamos em alguns bairros da cidade, provamos de salgados típicos, refrigerantes, Maltín (algo com gosto de cerveja preta mas sem alcoól), escutar as músicas que o povo ouve (toca-se muito nas rádios algo que mais ou menos nos lembra o nosso brega, a maior parte das vezes cantado por mulheres numa voz bem fina e estridente, bateria eletrônica sempre no mesmo ritmo não importa se já é outra música, tecladinho – procura no youtube, Las Misteriositas). Fomos no centro, numa feirinha bem pequena, precária, ruas esburacadas. Jantamos: a partir daí conhecemos um tipo de comida que tem em toda a Bolívia e é alimento base, papas e pollo (batatas e frango). Também conhecemos a chincha, uma bebida feita de fermentado de milho (maiz) com temperos, especiarias, podendo ser canela, cravo, limão, etc. A princípio não parece ser muito saudável nem muito limpo, mas como disse anteriormente, não pode ter frescura, senão passa fome em alguns lugares, rsrsrs. Também fomos nos adequando ao idioma. Não falamos mui bien o espanhol, mas dá pro gasto. Pra quem não conhece nada, basta ver um livro de espanhol rápido com uma semana de antecedência, só para conhecer as palavras mais comuns, é simples. Esta cidade não tem muita infra-estrutura, então os hostels são ruins. Já q era pra ser num hostel ruim mesmo, nos hospedamos talvez no pior deles rsrsr. A diária custou o equivalente a R$ 7,00!!! Mas tivemos que tomar banho frio, sem TV, sem ar condicionado, só um ventilador, sem café da manhã, sem internet, quarto escuro, sofá faltando pedaço, rsrsrs. Era só pra dormir mesmo! Dia seguinte voltamos à fronteira, fila grande. Se não me engano o posto brasileiro abriu ás 09h00. Chegamos antes e fomos atendidos rapidamente. Cuidado pois tem sempre gente querendo furar fila. Furaram a nossa vez, mas, enfim... Conhecemos na fila alguns mochileiros brasileiros e estrangeiros indo e vindo. Alguns que voltavam já contavam, emocionados, sobre a experiência de viajar a América Latina. Daí fomos para o posto boliviano pra carimbar a entrada, tranquilo. Mas estava quase na hora de pegar o trem! Pegamos um táxi e chegamos em cima da hora! No trem pegamos a classe Pullman. Também tinha a primeira classe, que é pior. NO trem da morte tem 4 classes, mas depende do trem que vc vai. Tem um trem somente com a melhor classe (q esqueci o nome) e é mais caro. Ele viaja uma ou duas vezes por semana. A segunda melhor classe é a Super Pullman, que também é de outro trem, que viaja em dias específicos (para maiores informações procure no site de buscas “Ferrovia Oriental Bolívia”). NO trem em que estávamos tinha a classe Pullman e a pior de todas, a Primeira Classe (não sei o porquê deste nome). Na Pullman tinham bancos reclináveis (ou pelo menos deveriam ser reclináveis, alguns não funcionavam) e elas eram acolchoadas. Na Primeira classe os bancos eram duros e não inclinavam, além de serem apertados: não recomendo esta classe para ninguém, mesmo se estiver duro. A diferença de preços é pequena. Meu amigo queria ir na primeira classe só por experiência antropológica, rsrsrs. Apesar de ser sociólogo, tô fora. Saímos de Puerto Quijarro às 11h00. O trem estava praticamente vazio. O senhor Roberto, funcionário do trem, logo veio conversar conosco. Quando descobriu que ambos éramos corinthianos abriu um sorrisão e disse: “na Bolívia todos somos corinthianos ”. Pronto! Nos ganhou! Fizemos amizade com o senhor Roberto, que logo nos levou para passear e conhecer o trem da morte. Andamos por outros vagões, casa de máquinas, etc... O senhor Roberto veio nos mostrar uma toalha e um coobertor com o símbolo do Timão!! Show de bola. Tiramos foto com ele, conversamos, contamos piada. Hoje fico pensando: que presepada o zé ruela que jogou o foguete na torcida boliviana matando o garoto Kevin em Oruro no jogo do Corinthians! Em toda a viagem percebi o quanto os bolivianos gostam dos brasileiros, torcem pela gente, pelo futebol, fomos muito bem recebidos. Quando lembro o descaso e preconceito com que são tratados aqui em São Paulo... aff! Voltando ao assunto: o trem percorre um trajeto plano, durante 20 longas horas! O trem balança bastante, não tem ar condicionado e nem luz. Qdo viajamos não estava tão quente. Imagino que no alto verão deve ser insuportável. NO trajeto passamos por vários vilarejos. Nenhuma grande cidade. Trata-se da região do Pantanal boliviano, plano. Mas devido ao fim do longo período das secas, ainda estava muuuito seco. A noite, foram entrando muitos passageiros nas várias paradas. As crianças entravam e saíam anunciando agua, bolachas simples, sucos vendidos em plásticos, tipo geladinho (sacolé, juju). A comida era bem simples. O ideal é comprar algo antes de entrar no trem. A noite, o trem estava cheio, algumas pessoas dormindo no meio do corredor. Uma mulher passou mal, reclamava de fortes dores. O senhor Roberto apareceu com um médico (não sei se era funcionário do trem ou se também era passageiro). Sem luz, fui incumbido de segurar a lanterna enquanto o médico aplicava uma injeção na passageira, enquanto o trem balançava o tempo todo. Depois de uns dez minutos a mulher já estava calma, sem dores. Olhei para o lado de fora do trem, coloquei a cabeça pra fora, e vi um céu maravilhoso. O tempo seco, sem nuvens, e o fato de estarmos no meio de uma região sem grandes ou médias cidades, na verdade, numa área mista entre rural e floresta, proporcionou aquele céu forrado de estrelas. De dia, passávamos por vilarejos onde as crianças corriam junto com o trem e saudavam os viajantes: esperavam um simples aceno em troca. Naquele lugar, tão longe de tudo, a simples passagem do trem por ali era um acontecimento. Chegamos no ponto final, Santa Cruz de la Sierra pela manhã. A paisagem muda completamente. Santa Cruz, capital do estado (departamiento) de mesmo nome, é uma das maiores e mais ricas cidades da Bolívia. NO entanto, conforme pesquisei,não possui grandes atrativos turísticos, portanto ficamos pouco. Quando saímos da estação, que fica junto com a rodoviária, o primeiro choque: uma avenida grande, movimentadíssima, cheia de gente, carros e pedestres não se entendendo no trânsito caótico. Pessoas na calçada gritando, mulheres com voz estridente vendendo cuñapé (pão de queijo) Cunãpeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeé, gente trocando dólares, reais, etc... o caos lembrava o Brás (bairro de SP)! Rsrsrs. Eu havia levado todo o dinheiro no bolso em dólares, e iríamos trocar conforme o caminho. Confesso que nessa hora tive certo medo de andar por lá e ser assaltado. Resolvemos pegar um táxi até a praça central. Lá, tudo é bem limpinho e cuidado, bem diferente da outra área da cidade, onde estávamos. Como não conhecemos mais, não posso dizer se aquela região é uma exceção ou se a maioria da cidade é daquele jeito. Almoçamos e conhecemos a igreja central, onde pudemos subir nas torres e ter uma visão de boa parte da cidade. Estava muito calor e fomos num parque muito bem cuidado onde tinha uma fonte e um lago que amenizava o calor. Começamos aí a fazer a degustação das cervejas bolivianas: Paceña, Potosina, etc... Muito boas!! Recomendo! Uma dica para o almoço: a boa é pedir o almuerzo. Trata-se de um prato de entrada, geralmente uma sopa bem rala, mas que no tempo seco é uma boa para ajudar a reidratar; depois o prato principal, onde tem arroz, papas e a carne, que pode ser pollo, res (boi), cerdo (porco), etc. Percebemos que o forte lá é o pollo (frango). As outras carnes, talvez por serem caras, são cortadas numa tira bem fininha, quase não mata a fome. Depois, vem a sobremesa (postre) gelatina, doces, etc. As vezes vem também uma bebida, normalmente limonada ou chicha. Tudo isso por Bs 12 a 15,00. Divide por quatro e terá o preço em reais, aproximadamente. Ou seja, barato demais! Voltamos para a rodoviária de Santa Cruz (a pé. Percebemos que não havia motivos pra ter medo de ser roubado. Basta ter o cuidado habitual que a gente já tem aqui em SP, é só não dar mole), observando algumas pichações e cartazes políticos, indicando a aceitação e/ou a rejeição ao governo de Evo Morales. Santa Cruz é conhecida por ser um dos maiores pólos opositores a Evo. Aqui a população indígena (que normalmente apóia Evo) é menor. Em Santa Cruz há um aeroporto com vôos regulares partindo de SP. É uma opção pra quem não quer enfrentar o trem da morte. Na rodoviária compramos passagem para Sucre, com saída as 16h00. Quase todos os onibus pra Sucre saem esta hora. Na Bolívia existe a livre concorrência entre as empresas. A vantagem é que há uma briga pelos preços e qualidade dos ônibus. O ruim é que dentro da rodoviárias as vezes parece o caos, com várias empresas oferecendo seus serviços e tentando ganhar o cliente no grito. Os banheiros, em toda a Bolívia, e inclusive nas rodoviárias, são pagos, geralmente Bs 1,00. Mas são sujos. Eu tinha certa frescura com banheiro. Perdi ela na viagem. É o jeito. Ou me borrava todo. O busão já dava a idéia do que vinha pela frente. Tinha uma grade mata-burro na frente e a suspensão era altíssima. Nas fotos que aparecem na bilheteria vc tem a sensação que o busão é uma maravilha, mas a realidade é outra. E na verdade não tem muito o que escolher, são todos ruins. Vc escolhe entre o ruim e o pior. Eu já tinha lido no guia “O Viajante Independente na América do Sul”: esse seria um dos piores trechos de estrada. Estava ansioso. Nos esperavam buracos, precipícios, estradas de terra, etc, tudo isso à noite. 14 horas de viagem até Sucre! O primeiro busão na Bolívia! Andando pelas ruas eu já tinha percebido que eram sujos, barulhentos. Dentro dele, percebi que era fedido, não tinha ar condicionado nem banheiro. Ahhh, ia me esquecendo: nas rodoviárias deve-se pagar à parte, a taxa de uso, uma espécie de taxa de embarque. Ela não é cobrada junto com a passagem como aqui no Brasil. Deve-se pagar no guichê próprio. As vezes vc só se da conta qdo vai pegar o busão e te barram. As malas geralmente recebem uma identificação para depois serem colocadas nos bagageiros. E é possível deixar as malas na companhia onde vc comprou as passagens e sair de rolê de boa, sem aquele peso. Fizemos isso várias vezes tanto na Bolívia qto no Peru e não tivemos problemas. Santa Cruz é uma cidade baixa, em termos de altitude. O trajeto até Sucre é uma subida. Saímos de 500 para 2800m. Por ter sido à noite, não consegui ver muita coisa durante o trajeto. Mas tava bem seco e empoeirado, e tivemos que manter as janelas fechadas naquele calor. Muito buraco, difícil de dormir. Uma parada num lugar no meio do nada, pra usar banheiro e comer. Este foi de longe o pior banheiro e uma das piores comidas q vi durante a viagem. Não me aventurei. Estávamos no último banco do bus e fizemos amizade com um casal de SP. Mais tarde, em Yuni, voltamos a nos encontrar. Chegada em Sucre logo pela manhã, por volta das 08h00. Era domingo, e devido ao nosso atraso inicial por causa da fronteira, perdemos um passeio que queríamos fazer: a feira de Tarabuco. Esta feira é um mercado indígena, que fica a algumas poucas dezenas de kilometros de Sucre, mas é só aos domingos e tem q sair as sete da manhã. Uma pena. Quem sabe da próxima vez. Aqui cometemos outro erro, típico de quem fez pouco ou nenhum mochilão: na vontade de gastar pouco, ficamos andando de um lado para outro com aquelas mochilonas pesadas procurando um hostel mais em conta, e as vezes a diferença era mínima. Nisso, com o tempo super seco, e a altitude um pouco elevada, ficamos super cansados. Gastamos mais com água. O tempo seco me fez gastar muuito com água. E isso também fez com que ficássemos com a garganta ruim, e em uma viagem longa e no ritmo que planejamos, não era nada bom ficar doente. Nos hostels não se tem água pra beber de graça, como há nos hostels em outros lugares. Sucre é uma cidade bem bonita, estilo colonial. Antiga capital da Bolívia, hoje é sede apenas do poder judiciário. Os micro ônibus e vans são bem baratos. Não economize com eles e não ande a pé de bobeira pra se cansar. Conhecemos o mercado central, um prédio antigo, um pouco bagunçado, mas vale a pena ser visto e fotografado. As vendedoras e cholas não curtem muito serem fotografadas. Rsrsr. As vezes elas pedem dinheiro. Em todo mercado central na Bolívia existe o comedor, um lugar onde tem alguns restaurantes bem simples e onde se come muuuito barato. Mas aqui a comida é um pouco mais trash, digamos assim. O atraso inicial por causa da fronteira nos @#?!* pois vários museus e atrações estavam fechados (domingo/segunda). Resolvemos ir visitar as Siete Cascadas. NO guia dizia ser um conjunto de sete cachoeiras. Na minha edição antiga, não tem muita informação sobre como chegar lá. Pois é... Outro perrengue. Primeiro fomos pegar o bus, linha Q (não é por número de linha em Sucre, e sim, por letra). Pedimos informação na rua e a menina disse que eu tinha que pegar o “cú”. Como não sou um profundo conhecedor de espanhol, imaginei que o “cú” deveria ser o Q ou o K. Para ter certeza que era o “Q”, desenhei a letra “Q” no ar pra ela confirmar. O Wagner (meu amigo) quase se mijou no meio da rua de tanto rir pois eu estava desenhando exatamente um “cú” redondo no ar... Desculpem a expressão, eu não tinha como ilustrar melhor. Depois de entrarmos no Q (cú) fomos até as Siete Cascadas. Tava um calor do infernos!! Tem que ir no Q até o ponto final. Chega lá anda mais um pouco (é o q diz o guia). Mas não é pouco. È uma eternidade!!! Debaixo de sol forte, num bairro bem periférico de Sucre. Calor, clima seco. Chegamos num lugar que era o fim da cidade e início de uma área rural, seca. Tinham porcos, cabras, burrinhos. Filmei até uma feroz briga de bodes disputando a fêmea do pedaço. O barulho dos chifres se chocando, o terror entre os outros membros do grupo, a violência dos ataques! Cenas dignas de National Geographic! Só sei q andamos, andamos, andamos, naquele meio do nada. Não queríamos voltar de mãos abanando. Fomos até o fim! E o fim era.... era.... era .... um precipício de onde não se conseguia chegar ao outro lado, e no fundo do precipício havia o curso de um rio, seco. O tempo estava tão seco que havia secado as sete cascatas!! Voltamos de mãos abanando, fizemos todo o mesmo trajeto de volta, morrendo de sede (a água já tinha acabado há muito tempo) e estávamos de bode (há! Não literalmente). .... é... eu sei que essa foi podre... Pra compensar, no dia seguinte fomos ao parque cretássico. Muito legal! Uma pedreira que se instalou na região descobriu fósseis e pegadas de dinossauro. Abriu um parque temático onde tem réplicas de dinossauros e fósseis verdadeiros. De longe, é possível avistar as pegadas incrustadas na rocha. Aquela região foi um lago há milhões de anos atrás e as pegadas ficaram marcadas e petrificaram. Em frente a este parque havia umas barraquinhas vendendo refrigerantes, doces, água, etc. Neste lugar ouvimos pela primeira vez o pessoal falando uma língua muito comum nessa região, o quíchua. No dia seguinte, terça, saímos cedo para Potosí, a 4000 m de altitude! São poucas horas de estrada até Potosí, mas o visual é belíssimo. A paisagem montanhosa se faz cada vez mais presente. Só deu dó de ver tantos rios secos. No trajeto até Potosí vimos também uma montanha com uma estranha formação. A subida é forte! De 2880 a 4000m! A paisagem começa a se parecer com os Andes que a gente conhece dos livros, revistas. Ao chegar em Potosí, ficamos surpresos com o tamanho da rodoviária: enorme. Mais estranho ainda quando percebemos que apenas um décimo dela é aproveitado. O resto está vazio! Parece uma típica obra que chamamos de “elefante branco”. A cidade no geral é bem pobre e aquela rodoviária é algo fora do contexto, deslocada daquela realidade. Pegamos uma van até o centro da cidade, um pouco afastado da rodoviária. Ficamos no Hostel Koalla, o melhor café da manhã de toda a viagem! (e por um preço justo) . Tiramos aquela tarde para conhecer um pouco do centro, fazer algumas comprinhas (Potosí tem bons preços). Aproveitei para comprar blusa e touca para enfrentar o frio que passaríamos em Uyuni. Andando por suas calles e ladeiras, sentimos um pouco de cansaço devido à altitude. Mas nada muito sério, pois já havíamos passado por um período de adaptação em Sucre. É engraçado perceber como ficamos cansados andando apenas dois quarteirões. Imagino que alguém que não fez a adaptação sofreria muito. A secura do ar naquela região estava fazendo mal para nossas gargantas. A secura, combinada com a variação de altitude, o frio intenso à noite, além de um certo cansaço devido ao ritmo alucinante da viagem, nos deixaram meio debilitados. Achamos melhor dar um descanso naquela noite, pois não queríamos ter que recorrer a algum médico. Compramos alguns remédios na farmácia e fizemos passeios leves: o mercado da cidade, algumas ruas próximas, fui numa lan house, etc. Potosí já foi uma das cidades mais ricas do mundo, no século XVII devido à extração da prata do Cerro Rico. NO centro da cidade podemos ver construções bem antigas, que lembram aquele período de bonança, mas que hoje estão, em sua maioria, mal conservados. Há muitas igrejas antigas na cidade. Isso me fez lembrar Ouro Preto, em MG: onde houve riqueza (metais preciosos) lá esteve também a Igreja. O Cerro Rico é a principal atração de Potosí. NO passado pela extração de prata. Hoje, pelo turismo e a extração de metais muito menos preciosos. Cerca de 80 % da cidade vive, direta ou indiretamente, às custas deste monte que se vê ao longe, e de todo lugar de Potosí. Dizem que hoje o Cerro Rico é um verdadeiro queijo suíço, de tantos buracos e túneis cavados há séculos. No livro “As veias abertas da América Latina”, clássico da história latino americana, Eduardo Galeano dedica praticamente um capítulo inteiro para falar de Potosí (valeu muito a pena ler este livro antes de viajar). Uma cidade que foi muito próspera no passado, e que hoje poucos conhecem seu nome. A prata retirada deste lugar foi, em sua grande maioria, levada para a Europa. Uma lenda diz que com toda a prata retirada poderia-se fazer uma ponte até a Espanha. Exageros à parte, cabe aqui uma reflexão: como um lugar pode ser tão ferozmente explorado, esgotando sua principal fonte de riqueza e não gerar bem estar para seu povo. No dia seguinte, fomos visitar as minas de Cerro Rico. Havíamos fechado o “tour” com o pessoal de outro hostel (La Vicuna) pois estava mais barato. E foi uma grande surpresa! O guia, Antonio, é o cara!!! Apesar de seu diminuto tamanho, cerca de 1,50m, ele foi O guia! Ele é um ex-mineiro, conhece bem os túneis e as pessoas que lá trabalham. Conhece da história e das lendas, além de seu ótimo bom humor. Indicadíssimo! Tivemos sorte também porque naquele dia não tinha mais ninguém no tour, no nosso grupo. Era apenas eu, o Wagner e o Antonio. Isso foi bom porque dentro dos apertados túneis, se houvessem muitas pessoas, os últimos da fila não ouviriam as explicações do guia. Apesar de saber que o “passeio” não seria dos mais agradáveis, eu estava ansioso por conhecer o lugar que havia lido nos livros e acabei por ignorar o perigo rsrsrsr. Não estava me dando conta do que vinha pela frente. O Wagner já sabia desde o início que esse seria um dos piores trechos pra ele, pois ele tem um pouco de claustrofobia. Antes de chegar na montanha, passamos no mercado mineiro, o único lugar do mundo onde se vende dinamite sem autorização das forças armadas. Mercadinhos bem simples vendem, além do explosivo, mantimentos, cigarros, água. O guia nos mostrou que, por uma questão de educação, é de bom grado levar um “kit mineiro” para os trabalhadores das minas, pois enquanto eles estão a centenas de metros abaixo da terra, num trabalho pesado, nós estamos lá fazendo “turismo” vendo o sofrimento deles. Achamos mais (ou menos??) do que justo levar o kit, que incluía água, refrigerantes e folha de coca. Aqui também foi a primeira vez que tive contato com a folha. O guia Antonio nos mostrou com se faz para mascar a folha, nos deu algumas e experimentamos. Nos mostrou três maneiras de experimentar: a do pobre, da classe média e do rico , muito bom... os trejeitos na hora de mascar a folha!!! Tbm nos mostrou algo que não tinha a menor idéia: para acompanhar a folha, vc a masca com uma pedrinha feita das cinzas de uma planta que eu não vou lembrar o nome, mas que libera e reage melhor com os componentes da folha, catalisando o efeito. O gosto da folha é amargo, meio ruim, parece q se está ruminando, rsrs, e o catalisador parece q vc está mastigando pedra, uma pedra doce. Mas o efeito é bacana, te deixa desperto, com energia, alivia o efeito da altitude . O canto da boca fica adormecido. Depois nos mostrou como se monta a dinamite pra explodir. Como ele brincou: um curso de iniciação pra homem bomba! . Tbm mostrou um litro de alcool 96º, que os mineiros ingerem. Pois é, bebem este alcool! O tranco do trabalho é tão forte que os caras se anestesiam de alcool e folhas de coca. Segundo Antonio um mineiro ingere cerca de 500 folhas de coca por dia! (se bem que a gente facilmente consumia umas 50 folhas em um curto espaço de tempo. Elas – as folhas - são pequenas e qdo mastigadas diminuem muito de tamanho dentro da boca. Fomos às minas. Vimos de longe o acampamento mineiro. Ônibus/vans levando os trabalhadores e também as crianças das escolas visitando as minas. Uma observação: na Bolívia é engraçado como as vans são de origem asiática. Várias ainda estão com letras orientais, como se tivessem sido usadas em seus países de origem e qdo velhas, vendidas a países mais pobres como a Bolívia. Voltando ao Cerro Rico, vimos o buraco no chão por onde deveríamos entrar. Aí começou a dar um gelo na barriga. O lugar parecia super precário. O Antonio nos contou que não havia elevadores pra pessoas nem saídas de emergência. Íamos descer 200 metros abaixo do solo, em seis níveis e em túneis estreitos! Entramos. Logo no início tinham um gringos voltando com cara de assustados. Eu estava a apenas 10m abaixo da terra e já tava com medo daquela terra toda cair em cima da gente. Logo após, paramos pra ver o TIO: uma divindade cultuada desde que os indígenas eram forçados a trabalhar nas minas. Ele protege as pessoas que trabalham naquele lugar. O guia fez algumas preces e fez uma oferenda para o TIO, como todos fazem, com alcool, cigarro e folhas de coca. Após, nos contou histórias sobre o Cerro Rico. Na época da colônia, os espanhóis proibiram os índios de usar a folha de coca pois ela fazia parte de rituais indígenas desde muito tempo. Os espanhóis queriam impor o Cristianismo. Mas qdo perceberam que a produção havia caído porque os índios não aguentavam o trabalho pesado sem folha de coca, voltaram atrás e inclusive estimularam o uso da folha. Ali morreram milhares e milhares de índios nos trabalhos forçados. Ainda hoje as pessoas que ali trabalham morrem muito cedo, devido à silicose, doença que destrói os pulmões devido à poeira do lugar. O alcoolismo também é muito comum. As pessoas começam a trabalhar nas minas com 15 anos em média, e não passam dos 40. Caminhando entre os túneis, vimos trabalhadores que aparentavam ser mais velhos que a idade. As mãos inchadas, o suor escorrendo devido ao intenso calor que fazia ali embaixo, todos cobertos de poeira, trabalhando ali, sem grandes máquinas ou infra-estrutura, durante oito horas por dia, cinco, seis dias por semana, até a 300 m abaixo da terra, em 14 níveis. Eu estava lá fazia uma hora e estava agoniado. Imagine esses caras?! É incrível como essa visita foi marcante, pois a gente repensa muita coisa sobre nós mesmos e a situação em que vivemos. Eu estava ali a “turismo”, conhecendo o mundo, mas ao mesmo tempo vendo gente numa vida muito dura, que mal teve oportunidade de sair daquele lugar onde vive, gente que vai morrer cedo, e que recebeu aquele “turista” de braços abertos. A situação é incômoda. Não haveria como ser diferente. É incômodo pensar também que fazemos parte disso... enfim.. vou deixar as reflexões pra um outro momento, senão eu perco o foco do relato. Apesar de parecer (e ser) perigoso, essa visita vale a pena. Alguns túneis são bem estreitos: vc passa agachado. Em determinado momento, escutamos um barulho forte. Um calafrio me percorreu a espinha. O guia nos disse que eram explosivos sendo detonados numa rede de túneis da cooperativa ao lado. O cheiro da dinamite invadiu os túneis. Ele disse q se fosse muito forte e permanecesse durante um bom tempo poderíamos desmaiar. Nesse momento eu pensei que se alguém desmaiasse ali ia ser muito foda. Voltar tudo, pelo mesmo caminho, passando por túneis estreitos, carregando uma pessoa não seria fácil. O Wagner, com sua claustrofobia estava suando pra caramba, e seus olhos estavam mais vermelhos do que nunca. A todo momento eu perguntava se ele estava bem. Enfim, voltamos todo o trajeto, agradecemos ao TIO pela proteção e saímos. Cara, como eu fiquei contente em ver a luz do Sol de novo! Foram apenas três horas, mas muito intensas. Á tarde, fomos ao museu Casa de la Moneda. Nos tempos áureos de Potosí, a moeda era cunhada lá mesmo. Hoje, não há mais prata, e a Casa da moeda virou museu. Na saída do hostel, conhecemos Antonia, uma alemã que também estava indo para Uyuni. Fomos juntos. Antonia estava viajando sozinha pelo mundo fazia seis meses. Já havia conhecido a Africa. Estava agora na América do Sul e depois ficaria mais seis meses no sudeste asiático, sozinha! Conversando com ela, percebemos que é um tanto comum os europeus saírem de mochilão pelo mundo, as vezes sozinhos. Em toda a nossa viagem, vimos muitos europeus. Também vimos muitos brasileiros, mas é pouco se pensarmos que a Europa está um tanto longe, e que o Brasil está pertinho, além da proximidade de idioma. Sei que normalmente os brasileiros tbm tem menos grana que os europeus, mas a Bolívia é baratíssima. Conversando com o Wagner, lembramos que brasileiro qdo quer viajar pra fora pensa em Disney, EUA, e grandes cidades da Europa. Nada contra, mas temos países vizinhos belíssimos, baratos, que nos recebem de braços abertos. Talvez eu esteja sendo um pouco piegas, mas eu não trocaria Uyuni pela Disney mas nem fod....... Falando em Uyuni, a estrada até aquela cidade também era bem bonita. A estiagem era forte. Nos vales, alguns fios de água serviam para matar a sede de inúmeros animais: ovelhas, jumentos, lhamas, alpacas. Pela primeira vez a gente via Lhamas e alpacas! O zoom da minha câmera é fraco (Aliás, aconselho levar câmera com um bom zoom). Tentava conseguir boas fotos das lhamas mesmo à distância. Mal sabia que depois ia acabar vendo inúmeras delas, inclusive bem perto, durante toda a viagem. O trajeto até aquela cidade passava por estradas quase desertas, vilarejos empoeirados, pareciam pequenas cidades típicas de filmes do velho oeste. Uyuni é uma cidade pequena, meio feinha. Aqui tem que tomar cuidado se o hostel tem agua caliente. Boa parte deles não tem. Estamos perto do deserto de sal. Logo que se chega à cidade o assédio é grande. Fechamos o passeio para o deserto de sal numa agência de um cara todo vestido de verde e amarelo, com várias bandeiras do Brasil (Thiago Tours). Como estávamos fora de temporada, foi baratinho: 105 dólares, incluindo tudo, todos os almoços, jantares, café da manhã, estadia de duas noites em hotel, guia, etc. Na temporada pode chegar a 200 dólares. Existe o tour de um dia, que não dá pra visitar nada. O de três dias, que a gente escolheu, e que acho q é o ideal. E de 4 dias, que inclui subir numa montanha (sem me lembro bem), mas acho q seria muito cansativo. A noite fomos jantar numa pizzaria e encontramos com um grupo de brasileiros, inclusive o casal do ônibus de Sucre. Todos os seis brasileiros, todos de São Paulo, todos corinthianos , farreando na pizzaria!!! . A Antonia não entendia nada. Qto ao tour no deserto de sal, não vou me alongar. As paisagens são exuberantes. Talvez o melhor rolê de toda a viagem. Cemitério de trens, deserto de sal, ilha incahuasi (ilha dos cactus - essa tem q pagar a entrada a parte, por se tratar de um parque, mas é baratinho), deserto salvador dali, as lagunas (hedionda, colorada, verde), arvore de pedra, geiseres, termas, formações rochosas, etc. Tudo é espetacular! São três dias de tour. As noites dorme-se em hotéis feitos de sal! É essencial levar óculos de sol. A brancura do lugar é muito forte para nossos olhos. É bom levar protetor labial e protetor solar. Pra quem come bastante como eu, seria melhor se as porções fossem um pouco maiores nas refeições. No terceiro dia a comida poderia ter sido melhor tbm. A noite faz muito frio, é bom estar bem agasalhado. Na segunda noite “pegamos” a menor temperatura de toda a viagem: - 4ºC. Nesta mesma noite, estávamos longe de tudo, de qualquer cidade. O céu estava lindo. Nunca havia visto tantas estrelas! Eu chuto umas mil! De horizonte a horizonte. Em meia hora do lado de fora do hostel, naquele frio de matar, vimos umas três ou quatro estrelas cadentes. Nesta noite também fizemos amizade com bastante gente no hostel. Começou de uma maneira bem engraçada. No nosso carro, um 4 x 4, estávamos eu, o Wagner, a Antonia, o guia, e mais uma alemã, uma senhora inglesa e um peruano, que também era guia, mas estava prestando serviços de turismo para a senhora inglesa. No hostel, estávamos todos à mesma mesa, jantando, qdo ouvimos da mesa ao lado, uma frase em português brasileiro com sotaque americano dizendo: No Brasil vc seria chamado muleque-piranha! Kkkkkkkkkkkkkkk Fomos ver quem era o autor da frase. Tinham dois brasileiros na mesa ao lado. No carro deles haviam um argentino (o moleque-piranha), um francês, e outros que já não lembro. Quatro brasileiros no mesmo lugar! Pronto, não precisa dizer que virou zona né? Começamos a jogar baralho e tomar uma bebida que lembrava conhaque. Só que as oito horas da noite as luzes seriam apagadas pois ali a energia vinha de um gerador. Estávamos muito longe da civilização. Não contentes, ligamos nossas lanternas e ficamos batendo papo. A Antonia, o francês e o argentino também ficaram conosco. A bebida acabou e tivemos que apelar para os funcionários do hostel para continuar vendendo bebida pra gente. A maior parte dos turistas já estava dormindo, pois as quatro da manhã todos deveríamos estar acordados pra continuar o rolê. Bêbados, fomos dormir só às duas! O povo reclamou do barulho que fizemos rsrsrs, mas eu nem tinha notado que era tão tarde. O Wagner acordou ruim no dia seguinte, ãã2::'> quase atrasou nosso grupo e levou uma bronca do guia, pois ele estava dormindo quase todo o trajeto do terceiro dia. Detalhe: ele estava no banco do passageiro, ao lado do motorista! E perdeu muitas belas paisagens. O deserto de sal é imenso, mas a parte onde o solo é coberto de sal propriamente dito é apenas na tarde do primeiro dia. Como estávamos na estiagem, o solo estava seco e não produzia aquele efeito de espelho como vemos em algumas fotos. O deserto de sal é a maior mina de lítio do mundo. O lítio é usado nas baterias. Certa vez, vi numa reportagem que a Bolívia viva um dilema com isso: ou explora agora o lítio, gerando riqueza e progresso e corre o risco de ver aquela bela paisagem se degradando, ou preserva-a, mas abdicando da exploração do lítio. A situação se torna mais dramática quando levamos em conta que a Bolívia é um país pobre, que precisa gerar empregos, ainda mais nessa região. E a decisão não pode demorar muito, pois como a tecnologia caminha a passos largos, eu não me surpreenderia se descobrissem uma bateria mais eficaz sem o uso do lítio. Na ilha Incahuari, podemos ver em seu mirante o tamanho da região. Ali também vemos cactus gigantes. A paisagem parece ser de outro planeta. Incrível! Ao pé da ilha as pessoas fazem aquelas famosas fotos de realidade distorcida, brincando com a distância e perspectiva. Na lagunas, paisagens de tirar o fôlego. Na minha opinião a Colorada é de longe a mais bela. Aquilo é surreal. Também podemos observar centenas de flamingos. Em uma das lagunas, vimos um bando de vicuñas. No meio do deserto Salvador Dali (chama-se assim pois parece um de seus quadros) dezenas de lhamas cruzam nosso caminho. Paramos o carro para tirar fotos, bem pertinho. Logo no início do terceiro dia, naquele frio de rachar, o povo cai nas águas termais. Eu não tenho coragem. Durante o trajeto também vimos outros da fauna local: suri, uma espécie de ema, e a vizcaya, um tipo de lebre. Chegamos até a fronteira com o Chile. Dali muitas pessoas seguem para o Deserto do Atacama, inclusive a Antonia. Não estava nos nossos planos fazer isso pois no Chile é um pouco mais caro e íamos desviar um pouco da rota. Não tínhamos tempo. Vai ficar pra próxima, qdo eu fizer um rolê tipo Chile de ponta a ponta! O retorno da fronteira até Uyuni é por um caminho diferente daquele que fizemos até então. Quem vai pro Chile acaba não conhecendo essa parte, que apesar de não ser tão incrível ainda assim é belíssima. Passamos por umas formações rochosas bem interessantes, vilarejos bucólicos, etc. Ao retornar eu estava exausto e o Wagner ainda ruim por causa da bebedeira. Fomos jantar e eu experimentei um pique a lo macho: comida pra caramba, tem que ser macho mesmo! No plano inicial, íamos pegar um trem à noite até Oruro, ficaríamos lá meio dia e pegaríamos a estrada para La Paz. Mas devido àquele atraso inicial na viagem, estávamos um dia atrasados. Naquele dia não havia trem. Então resolvemos pegar um ônibus direto para La Paz. Eu sabia q o trecho até Oruro era ruim, por isso queria ir de trem, mas não teve jeito. O ônibus estava repleto de turistas europeus, na maioria garotas, todos exaustos após o tour do deserto. Mas a estrada era tão ruim q era difícil dormir. O ônibus balançava o tempo todo. Por duas ou três vezes o busão pulou tão alto que a galera gritou assustada. Tinha gente q acordava berrando pensando que era um acidente! Finalmente, depois de uma longa viagem de umas 12 horas, chegamos a La Paz! CONTINUA (caramba, como dá trabalho fazer isso... rsrs)
  18. greve do transporte em la paz hoje (e creio, em toda a bolivia)... atraso no roteiro...
  19. Ola Marcela! Tudo bem? Eu coloquei no roteiro o nome de alguns hostels.. mas só na hora q vou decidir... os hostels que coloquei em todo o roteiro foram pesquisados aqui pelo site e pelo guia "O viajante - América do Sul". A gente pode se encontrara lá sim! Eu estarei voltando de machu pichu e no dia 16 devo pegar o bus de volta ao Brasil...
  20. com certeza Vivi!! volto dia 19/11, acho... hehehe.. se voltar... Valeu!!!
  21. Valeu Rafael! O ônibus faz a linha Lima (Peru) - São Paulo (Rodoviária do Tietê). Não me lembro bem se é a cada 15 dias ou toda semana. É a maior linha de onibus da América do Sul e quiça, do mundo. O trajeto dura entre 5 e 4 dias, passando por Cuzco, Acre, Rondônia, Mato Grosso. Custa em torno de R$ 450,00 mas já vi promoções. Inclusive no mês de setembro estava R$ 350,00!! Quem opera é a Expresso Ormeño. Possui box no Tietê mas a noite não tem ninguém atendendo. Passa pela região amazônica, inclusive atravessando um rio numa balsa (roots!!!). Possui poucas paradas no caminho. Segue um link de reportagem do Estadão sobre o assunto: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,viagem-de-96-horas-liga-sao-paulo-ao-pacifico,758123,0.htm Caramba, deve ser muito massa essa viagem kkk. Se me permite Marcos, montarei o meu roteiro em cima do seu . Ele é exatamente a rota que eu estava imaginando. Rafael, qdo vc vai? Assim que eu voltar vou postar o relato, com os acertos e os furos do roteiro.
  22. OI Thaahh, Verifiquei hoje a dica da Heka (muito boa!). A Tunibra Travel, que fica na Liberdade, faz a R$ 2,10. Tem q pedir com um dia de antecedência e até as 15h00. Funciona de seg a sex até as 18h20. Me atendeu uma senhora com forte sotaque japonês e eu não entendi algumas coisas . Ela perguntou se era pra viagem e pediu que as próprias pessoas fossem lá, acompanhadas de alguns documentos, RG, CPF, passaporte se tiver, e.... a passagem!!!!! Eu disse q não tinha passagem dos países que eu iria, pois vou até Campo Grande e de lá pego onibus para atravessar a fronteira. Daí ela disse que não teria como fazer por esse preço se eu não comprovasse que estava indo para lá (e a comprovação seria a própria passagem!). Eu perguntei se serviria alguma passagem interna do País (vou ver se consigo emitir uma reserva do trem da morte ou talvez eu já compre o retorno, de ônibus, de cuzco para sp). Ela disse q nesse caso daria certo. To pensando em ir pessoalmente lá na quarta-feira, no fim do expediente. Eles também trabalham com seguro viagem mas como eu não tava entendo direito o que ela falava, nem perguntei mais detalhes. O seguro depende da quantidade de dias, no meu caso quase 40. Cotei para eu e meu amigo R$ 320,00 (R$ 160,00 por cabeça) na GTA Seguros, que fica nos arredores da Pça da República. Foi o mais barato que achei até agora. Se é bom... ae é outra história. É a primiera vez q vou fazer esse tipo de seguro. E espero não precisar avaliar se é bom ou ruim
  23. Valeu Rafael! O ônibus faz a linha Lima (Peru) - São Paulo (Rodoviária do Tietê). Não me lembro bem se é a cada 15 dias ou toda semana. É a maior linha de onibus da América do Sul e quiça, do mundo. O trajeto dura entre 5 e 4 dias, passando por Cuzco, Acre, Rondônia, Mato Grosso. Custa em torno de R$ 450,00 mas já vi promoções. Inclusive no mês de setembro estava R$ 350,00!! Quem opera é a Expresso Ormeño. Possui box no Tietê mas a noite não tem ninguém atendendo. Passa pela região amazônica, inclusive atravessando um rio numa balsa (roots!!!). Possui poucas paradas no caminho. Segue um link de reportagem do Estadão sobre o assunto: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,viagem-de-96-horas-liga-sao-paulo-ao-pacifico,758123,0.htm
  24. Conforme dito no primeiro post, segue abaixo o controle de custos (lembrando que a cotação é referente ao m~es de abril, que foi quando eu montei o roteiro e considerando que eu aumentei os valores um pouco, para não ser surpreendido e ter uma certa folga no orçamento): GASTO EM BOLIVIANOS Trem da Morte 115,00 Alimentação em 11/10 30,00 onibus Sta Cruz – Sucre 80,00 Alimentação em 12/10 40,00 Pousada em Sucre 1 dia 80,00 alimentação em 13/10 e 14/10 100,00 passeios em Sucre 70,00 Onibus para Potosí 17,00 Pousada em Potosí – 2 dias 140,00 passeios e Cerro Rico – Potosí 120,00 Alimentação em 15/10 e 16/10 100,00 onibus para Uyuni 40,00 pousada em Uyuni 1 dia 45,00 alimentação em 17/10 20,00 passeios do Salar não incluídos no pacote 50,00 trem para Oruro 56,00 alimentação em 21/10 70,00 onibus para La Paz 20,00 Pousada em La Paz – 4 dias 320,00 passeios em La paz – seg 160,00 passeios em La Paz – ter 120,00 passeios em La Paz – qua 120,00 alimentação em La Paz – de 22/10 a 24/10 300,00 Down Hill em 25/10 300,00 alimentação em 25 e 26/10 100,00 Pousada em Coroico – 2 dias 200,00 onibus para La Paz em 27/10 15,00 onibus para Copacabana 20,00 alimentação em 27/10 60,00 Pousada em Copacabana – 2 dias 40,00 Passeios em Copacabana 40,00 onibus para Puno em 29/10 30,00 TOTAL EM BOLIVIANOS 3018,00 GASTO EM SOLES Passeios em Puno – 29/10 25,00 onibus para Arequipa 45,00 alimentação em 29/10 50,00 Pousada em Arequipa – 1 dia 30,00 Passeios em Arequipa 60,00 Alimentação em 30/10 40,00 Canion del Colca 200,00 onibus para Nazca 100,00 alimentação em 31/10 e 01/02 70,00 Pousada em Nazca – 1 dia 20,00 alimentação em 02/11 40,00 passeio linhas de Nazca 120,00 passeio aquedutos e múmias 50,00 passeio planetário 26,00 onibus para Ica 45,00 Pousada em Ica – 2 dias 80,00 passeio dunas e oásis 60,00 passeio ilhas 60,00 alimentação em 03 e 04/11 80,00 onibus para Lima 80,00 pousada em Lima – 1 dia 50,00 alimentação em 05 e 06/11 100,00 passeios em Lima 50,00 onibus para Cuzco 120,00 alimentação em 07/11 40,00 pousada em Cuzco – 3 dias 105,00 boleto turistico 130,00 Passeio – vale sagrado ou ruinas 60,00 alimentação em 08 e 09/11 100,00 onibus de volta de àguas Calientes 18,00 alimentação em 15/11 40,00 TOTAL EM SOLES 2094,00 GASTOS EM REAIS Deslocamento aéreo SP – Campo Grande R$ 170,00 Táxi Campo Grande por cabeça R$ 20,00 ônibus Corumbá R$ 80,00 passagem de volta de Cuzco a SP R$ 450,00 alimentação (ida e retorno) R$ 200,00 TOTAL EM REAIS R$ 920,00 GASTOS EM DÓLARES pacote Salar de Uyuni (incluso alimentação e hospedagem de 17 a 20/10) $100,00 trilha salcantay $270,00 trem de retorno $50,00 TOTAL EM DÓLARES $420,00 CAMBIO VALORES GASTOS REAIS R$ 920,00 R$ 920,00 $ 420,00 R$ 765,00 Bs 3018,00 R$ 780,00 S 2094,00 R$ 1.444,00 TOTAL GERAL R$ 3.909,00
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