Ir para conteúdo

cabraljr

Membros
  • Total de itens

    1.465
  • Registro em

  • Última visita

  • Dias Ganhos

    1

Posts postados por cabraljr

  1. 7 horas atrás, Phacsantos disse:

    Reavivaram o tópico 😃

    Saudade de quando aqui era movimentado. Aprendi muito com o Cabral!

    Abraços

    Concordo com o amigo, também sinto falta das boas prosas que tínhamos por aqui, onde também aprendi muito! Quem sabe a turma não se anima novamente... abraço!

  2. Pedro,

    Se você tem uma carborundum dupla face, só o lado "fino" dela já é capaz de lhe dar um fio que rape cabelo do braço, mas necessita de certa experiência neste caso, já que partículas abrasivas maiores tendem a fraturar o ápice extremo do fio, aumentando sua seção transversal e dai muitos afirmarem não ser possível fio que rape cabelo a não ser com grans mais finas.

     

    Se fizer um strop de madeira com couro ou EVA e impregná-lo com pasta de óxido de cromo verde, sendo a mais conhecida a famosa pasta jacaré, este seu fio saído da carborundum muda de patamar. Não é o mesmo que acabá-lo numa waterstone digamos 1000, que equivale na verdade a uma lixa 500, mas a diferença é perceptível.

     

    Se quer adquirir uma pedra de grana mais fina, uma das opções de melhor custo benefício são as King, 1000 ou 1200, sendo a Ice Bear uma linha da King. Tenho a Ice Bear 1000 e a  King1200 e são ótimas, sendo a Ice bear 1000 bem mais agressiva que a 1200.

     

    Até onde sei, em lojas online, o local onde estas pedras têm o valor mais em conta é na Boutin agropecuária, basta digitar isso no google mais pedra King e você chega lá.

     

    Há no entanto disponível no Brasil, já que lá fora está difícil de achar uma vez que foi descontinuada, uma pedra cerâmica que não sofre desgaste como as king, logo é bem menos eficiente no desbaste e que tem uma grana 1000, mas neste caso equivalendo realmente a lixa 1000, que a Smith's AC167. Na época em que a recomendei aos amigos, que parecem tê-las comprado aos montes, saiam por cerca de 22 reais... ela é excepcional para fazer micro-fios e polí-los. Aqui o link para meu review sobre ela: https://www.youtube.com/watch?v=-h6N9MvxX9k

     

    Quanto a pátina, antigamente eu induzia com ácidos variados ou mostarda, mas apos ler um artigo sobre microfissuras originadas em sub-superfície por este processo, parei de fazê-lo e deixo a pátina ocorrer naturalmente; mas milhares de pessoas o fazem e via de regra usam mostarda com bom índice de sucesso. Você tanto pode fazer antes como depois da afiação, mas se fizer depois terá que retocar o fio, pois ela irá atingí-lo. Se fizer antes, os arranhões involuntários provocados pela afiação poderão não ficar "patinados" e potencialmente oxidarem.

     

    De qualquer forma, não importando se fará a pátina induzida ou não ou que pedra vá usar, sua Mora já deve ter vindo de fábrica com micro-fio, normalmente entre 15 e 20 graus de cada lado e se não veio, pode fazer, pois em média as Moras com até 2,5mm de espessura têm grind scandi na casa dos 12 a 13 graus de cada lado, o que não tem robustez suficiente para lidar com madeiras tropicais com durezas janka bem mais elevadas que as madeiras temperadas. Usar facas scandi "verdadeiro" com durezas até no máximo de 60 Rc em madeiras tropicais é pedir para o fio rolar/achatar com frequência!

     

    Você só terá que decidir se o micro-fio de 15 graus de cada lado funciona a contento para você e seus usos ou se precisa de um micro-fio ainda mais robusto, na casa dos 20 graus de cada lado. Abraço.

     

  3. Após longa temporada, retorno apenas para postar uma prova de algo que eu disse a muito tempo e foi alvo de contestação. Era acerca das facas comemorativas da Tramontina, em aço damasco. Pois bem, à época postei que aquele aço damasco, feito com aços da tecnologia de metalurgia do pó era feito colocando-se camadas dos PÓS dos diferentes aços num container/cadinho fechado ( canister ) e sob alta temperatura e pressão estes 2 pós de diferentes aços eram "fundidos" em uma só peça, e citei ainda como exemplo metafórico as garrafas com areia colorida formando diferentes desenhos, pelas diferentes camadas.

     

    Pois bem, afinal, parece que o aço damasco usado pela Tramontina era o da Damasteel e eis aqui uma imagem de uma página da própria Damasteel descrevendo o processo, assim como eu havia dito na época! É só mesmo para que não paire nenhuma dúvida sobre a correção do que postei à época!

     

    Damasteel como é feito.jpg

    • Gostei! 1
  4. Serra em faca, como opinião pessoal, acho dispensável e na quase totalidade dos casos mais atrapalha que ajuda. E se considerar que a quase totalidade das serras é de baixíssima efetividade, só complica as coisas. Se acha que vai pre cisar de uma serra, compre uma de verdade, daquelas dobráveis. A própria serra que vem por exemplo nos canivetes Victorinox, que até é eficiente, só tem uso á campo porque lãmina de canivete não é para tomar bordoada no lombo ( isso costuma ser mais eficaz para cortar galhos que a serra, mas só deveria ser usado em lãminas fixas, na minha opinião ).

     

    Facas maiores certamente terão vantagem em atividades como batoning, mas a questão que você tem que se fazer é: quais os principais usos que você dará á faca? Em que ela será mais usada?

     

    Hoje em dia o povo viaja muito na maionese e confunde muito as coisas! Há 30 anos atrás nós acampavamos, passavamos fim de semna no mato ( caçando ) ou vários dias pescando e ninguém sequer cogitava de partir madeira para fogueira. Pra que perder tempo e energia com isto e ainda arriscar um acidente se pode-se só colocar galhos, tronquinhos, etc e ir "achegando" a madeira ao fogo. Mas hoje em dia tudo quanto é vídeo dá a impressão que só pode fazer fogueira com madeira "picada"...

     

    Se no trekking acha que fará usos mais árduos e pesados de uma faca, é melhor levar um pequeno facão de 10 polegadas ao invés de qualquer faca! E vai achar um Tramontina muito bom por menos de 15 reais...

     

    Abraço.

  5. PADC-86,

     

    Olha, todo mundo sabe que não sou nada fã de facas scandi, mas aqui no Brasil você vai achar a faca Bahco, uma virtual cópia das afamadas Moras, feita no mesmo aço que as Moras ( Sandvik 12C27 ) e dureza similar ( as minhas têm 57 Rc ). Se me recordo bem, minha Bahco pesa cerca de 75g e com a bainha isso deve ir para uns 105 gramas ( bem leve para quem tem que caminhar ).

     

    Aqui neste link um review que fiz sobre ela ( com imagens ):

     

    https://pt.scribd.com/document/116957907/Review-Faca-Bahco-2444

     

    Uma rápida olhada no google e a Boutin parece ter ainda o melhor preço para esta faca:

     

    http://www.boutinagrocomercial.com.br/p/913149/faca+2444+bahco

     

    Abraço.

  6. Ricardo,

     

    Desculpe responder só agora, mas é que só agora vi a questão...

     

    Difícil da Dialux ser 50.000 já que o tamanho médio da partícula de óxido de cromo fica na casade 0,5 mícron, algo como 30.000 ( usando a métrica/padrão japonês ).

     

    Abraço.

  7. Rodrigo,

     

    Respondendo sua pergunta de forma mais direta, claro que é possível!

     

    A dureza, fica a gosto do freguês e do tipo de aço utilizado. Note que facas de "sobrevivência" em aço carbono têm um inconveniente sério: oxidação! Ah, mas ela tem uma pintura eletrostática epóxica... mas não no fio, onde mais interessa!

     

    Como regra, aços inox com mesmo conteudo de carbono que aços carbonos planos e/ou de baixa liga, quando em mesmas durezas, são sim mais susceptíveis à fratura, porém, em conteúdos diferentes de carbono essa questão fica praticamente neutralizada e com algumas vantagens em favor do aço inox.

     

    Para bem ilustrar este meu ponto de forma inconteste, vou usar um ícone entre facas boas e baratas e usadas no mundo todo, as Moras!

     

    Note que você tem Moras em aço 1095 com durezas na casa dos 59 Rc e às vezes modelos até idênticos em aço Sandvik 12C27, inox, com dureza de na casa dos 58 Rc. Pois bem, como o conteúdo de C das inox fica na casa dos 0,6% de C contra os 0,95% das de aço 1095, as primeira só formam a chamada latte martensita, ou martensita "agulhada" que é muito mais difícil de originar fissura e consequentemente fraturar que a plate martensita ou martensita "laminar/placa" que predomina no aço 1095. Testes realizados mostram que ao contrário da crença popular, comparadas uma contra a outra, é necessário maior energia para fraturar uma Mora em 12C27 com 58Rc que uma 1095 com 59 Rc e pasme, a 12C27 tem maior retenção de fio que a 1095!!!

     

    Isso se dá devido basicamente ao cromo, que além de formar diminutos carbonetos de cromo que a tornam mais tolerante à abrasão que a 1095, ainda leva à passivação da superfície da lâmina e do fio, evitando perda de agudez por corrosão; estes fatores explicam sua maior retenção de fio!

     

    Eu não saberia lhe dizer se há facas com a mesma geometria das BKs em aços inoxidáveis, mas há inúmeras facas em aços inoxidáveis que se prestam tranquilamente á facas de sobrevivência, caso usados aços inox mais indicados para tal fim e com o devido tratamento térmico.

     

    Uma faca que faz mais a linha camp knife mas que é extremamente resistente e posso falar em primeira mão pois tenho uma, é o modelo antigo da Gerber Big rock, em aço 440A ( 0,7 a 0,8% de C ).

     

    Facas Buck e Gerber em aço 420HC são absurdamente resistentes e com muito boa retenção de fio. Citei apenas estas duas marcas por serem renomados fabricantes e por eu ter lâminas dos mesmos neste aço ( a Gerber Prodigy eu dei de presente para um primo ) e com isso posso atestar o bom desempenho do mesmo, apenas lembrando que para os padrões que o povo convencionou para as chamadas facas de sobrevivência, a geometria também tem peso ( se bem que nativos de regiões mais digamos rústicas, usam faquinhas e facões com no máximo 3mm de espessura e sobrevivem à natureza com elas... ).

     

    Abraço.

  8. Ricardo,

     

    Acho que você está confundindo as coisas... a Kodiak, mais atual,é em Sandvik 14C28N e teria capacidade de chegar até 63 Rc, mas é trabalhada pela Muela em 56/57 Rc.

     

    Se sua Muela for X50CrMoV15 ela pode chegar até 59/60 Rc, no máximo, mas nunca vi nem li sobre nenhuma Muela nestas durezas e se for em 440C, não deve chegar a tal dureza ou fatalmente quebra na primeira pancada num osso!

     

    Abraço.

  9. Ricardo,

     

    Não estou duvidando de você que éo dono da faca, mas até onde sei e as Muelas que tive em mãos, a dureza ficava bem longe destes 61 Rc da sua... estavam mais para 54/56 Rc...

     

    Se procurar no youtube, deverá achar meu canal de vídeos,onde mostro a técnica de afiação de desbaste de alívio e micro-fio e onde uso anguladores para deixar as pedras já pré-anguladas, o que facilita sobremaneira casar o ãngulo na hora da afiação e polimento. Procure por cabraljr no youtube.

     

    Abraço.

  10. Ricardo,

     

    Em tese, a Muela não deveria apresentar nehuma dificuldade em se obter um "fio liso", mais polido e com "corte suave", pois apesar de alguns dizerem que é em aço 440C ( pode até ter uma variante neste aço ), as duas únicas que já tive em mãos eram em X50CrMoV15, ou seja, basicamenteo mesmo aço dos Victorinox, Tramontinas Profissional Master, Century, etc. Ou seja, um aço de grão muitopequeno e praticamente sem carbonetos, logo um aço que "gosta" de fios agudos e bem polidos.

     

    Por ser uma facade caça/arremate, pode ser que sua geometria, mesmo sendo um hollow médio, esteja te "enganando" e não permitindo uma conformação perfeita do fio antes de passar ao polimento do mesmo ou mesmo que você esteja arredondando o fio ao tentar polí-lo, por não estar casando perfeitamente o ângulo.

     

    No caso das Zhakas, depende de qual o aço delas. Se forem as tradicionais, com aço VC-131/D6, é um aço que produz um fio micro-serrilhado mesmo, isso é inerente ao aço ( além de ser bem resistente à abrasão, logo, requerer mais trabalho na afiação). Se for das novas, não sei se são em 420 ou 440C; no primeiro caso, são moleza para afiar. No segundo, dá um pouco mais de trabalho, mas se o tratamento térmico for bem feito, dá para conseguir um fio polido que pode até apresentar algum serrilhamento com um tempinho de uso.

     

    De novo, o problema pode estar no arredondamento do fio ao tentar polí-lo.

     

    Abraço.

  11. Nikito,

     

    Pelo link, eu descartaria de cara a Fortis pelo simples fato de sua geometria ser a pior dentre as citadas para efetuar cortes com eficiência, mas não só pior entre as 4, mas uma das piores geometrias de modo geral, pois apresenta o grind/desbaste primário apenas no terço inferior da lâmina tendo o restante espessura integral.

     

    Em termos de custo/benefício a linha Profissional da Tramontina é imbatível, com excelente geometria, aço muito bom e dureza relativamente boa, no espectro de 55 a 58 Rc, mas na maioria das vezes ficando na casa dos 56 Rc. A geometria do fio apesar de muito boa pode ser melhorada o que resulta em maior habilidade de corte e maior retenção de fio.

     

    A linha Century se comparada às estrangeiras de acabamento similar é uma pechincha, pois mesmo custando em média o dobro das lâminas da linha Profissional é muito,mas muito mais em conta que as estrangeiras. Ergonomicamente é excelente!

     

    Abraço.

  12. Diego,

     

    Parabéns e felicitações pela realização de um sonho/desejo! A bruta é bruta mesmo!!!

     

    Parabéns e felicitações duplas pelo empreendedorismo!

     

    Uma pena a perda de parte de seu acervo, mas o importante é que você está bem! Facas podem ser repostas.

     

    Grande abraço!

  13. Egon,

     

    Não conheço a pedra que você menciona, mas para se desfazer assim tão facilmente com facas de baixa dureza, não sei se de inox ou aço carbono, a qualidade não me parece das melhores, porém, mesmo pedras de óxido de alumínio bem porqueirinhas como umas que eu tenho deveriam afiar estas facas de menores durezas e lhes dar um fio mais que satisfatório, ainda que se desgatem muito no processo.

     

    Conseguir que um fio rape cabelo saído do lado fino de uma carborundum, por exemplo, requer um pouco mais de prática na afiação e um certo refinamento na técnica de afiação em si; não é tão simples como pode parecer...

     

    Abraço.

  14. Egon,

     

    Este tipo de ranking que você pergunta até existe,mas varia de acordo com o gosto de quem o organiza.

     

    Não posso responder sobre as facas, pois nunca tive nenhuma delas em mãos. Algumas podem ter o mesmo fabricante e apenas timbres diferentes ou podem ser simplesmente cópias feitas por diferentes fabricantes com diferentes qualidades.

     

    As MTech em sua maioria são boas facas, mas uma dica: fuja de facas ditas para uso pesado e que possuem fullers como a Mtech que você linkou. Via de regra fraturam sob impactos justamente sobre o fuller,por motivos óbvios...

     

    Abraço.

  15. Egon,

     

    Quanto ao grind, se você se refere só ao fio propriamente dito ou ao desbaste que lhe dá origem ou ambos, sim. Digo isso porque nossos facões comerciais via de regra são "scandis",ou seja, têm espessura integral da lâmina até muito próximo da borda extrema, quando então é feito o grind que originará o fio.

     

    Como regra geral eu recomendo dobrar ou triplicar pelo menos a altura deste grind primário para aumentar a habilidade de corte. Não estou dizendo para exagerar no desbaste e "afinar" demais a espessura do facão nesta região,pois por cortar por impacto poderia levar a dobras, empenamentos e fraturas por falta de suporte.

     

    O que eu faço nos meu facões é quase deitá-los na pedra e fazer um desbaste inicial. Ai levanto um pouquinho a lãmina e faço mais um desbaste; levanto mais um pouquinho e mais um desbaste e assim vai atécerca de 15 graus de cada lado. Em termos práticos,isso significa uma desbaste escalonado de até cerca de 1,5cm de largura desde a borda extrema ( gume ) até o ombro do primeiro desbaste. Passo então numa lixa 100 ou 150 sobre um mouse pad para arredondar os ombros ( neste ponto o fio e os desbastes viram um convexo verdadeiro ) e só então aplico um micro-fio em V de 20 graus de cada lado. Isso me garante robustez geral e de fio e boa habilidade de corte com boa penetração da lâmina durante os golpes, minimizando também o que os americanos chamam de "binding factor", que é a lãmina ficar travada/ presa no meio que está sendo cortado.

     

    Acho que a Fish 8" para começar, é uma opção razoável; com o tempo,pode ser que queira facas com maiores retenções de fio...

     

    Abraço.

  16. Rodrigo e Gí,

     

    Olha, esta é uma questão que não é das mais simples de se responder. Quem me conhece sabe que tenho certo preconceito contra lâminas em aço carbono, por uma série de fatores,porém alguns fatos são inatacáveis.

     

    Um facão em aço carbono 1070/1075 como é o caso dos Tramontinas, que na verdade seriam provavelmente ainda melhores se fossem em 1045 a 1060 na dureza que são produzidos, se beneficiam de algumas caracteristicas metalurgicas como a alta tenacidade,que é a resistencia à fratura,não igualada por nenhum aço inox "convencional".

     

    Aços inox modernos, com alta adição de N ( nitrogênio ) e decréscimo nos teores de C ( carbono ) conseguem igualar e até superar a tenacidade destes aços carbonos mais freqentemente usados em facões,mas são muito caros como materia prima e normalmente fabricados por poucas plantas industriais ao redor do mundo.

     

    Para uso em facões e nestas durezas médias de 52 a 54 Rc, acredito que a Tramontina use o que a metalurgia e os custos de produção indiquem, o aço 420. Um facão destes não terá a mesma tenacidade de um em aço carbono, mas posso lhe falar com experiência direta e em primeira mão, que é preciso um bocado de abuso ou mau uso ( técnica ) destes facões em aço inox para detoná-los, quando bem fabricados!

     

    Tenho desde meados da década de 80 um facão inox da Paz&Pazzini que além de trabalhar em casa fez um tour de 10 anos na roça, sendo usado em pomar, capineiras, canavial, ajuste de morões,estacas e tudo quanto é tarefa em que se necessitava de um facão, e posso lhe garantir, não tinha moleza não! Porém, os funcionários quando iam usá-lo reclamavam da maior dificuldade de fazer a manutenção do fio quando comparado aos de aço carbono ( normalmente era feito com limas ).

     

    Talvez este seja um dos motivos de apesar dele já ter perdido cerca de quase 1cm de lâmina, ainda assim é bem menos que seus congêneres em aço carbono ( ainda tenho 2 contemporâneos dele ).

     

    Facão é uma ferramenta que basicamente corta por impacto,portanto uma lãmina com dureza mais alta é receita certa para fratura,porém, em durezas próximas do ideal, 54/55 Rc, haverá a ocorrência de alguns dentes por fraturas, normalmente por impactos em substâncias mais duras como sugidades ( quartzo e outros minerais presentes na terra ), impactos diretos em rochas "escondidas" no chão, nós de madeiras, etc. Mas o mais comum será achatamento e rolamento do fio pelos repetidos impactos. Desgtaste por abrasão em facão é coisa que raramente ocorre...

     

    Raramente se não considerarmos o desgaste abrasivo por corrosão, que não deixa de ser uma forma de desgaste. Mas ai é que está, pois um facão com boa geometria de fio irá à campo muito afiado e poderá trabalhar todo o dia sem apresentar um desgaste significativo por oxidação e sem manutenção mínima. Em ambientes mais úmidos, ele irá requerer no mínimo uma pequena manutenção de limpeza, nem que seja uma simples passada de pano no fio. Permanencias maiores, irão requerer maior nível de manutenção.

     

    O facão em inox fica livre deste problema, por outro lado está tão sugeito à deformações no fio em termos de achatamentos e viramentos quanto o de aço carbono e um pouco mais em termos de dentes. O "problema" para a média dos usuários, que geralmente não são muito afeitos à afiação, está na manutenção do fio, que demanda um pouco mais de trabalho que o aço carbono, pois mesmo em mesma dureza o inox é mais resistente à abrasão que o aço carbono plano e/ou de baixa liga, pela simples presença do cromo, que mesmo formando pouquíssimos carbonetos na matriz, sua simples película passivadora da superfície ( o que confere a "inoxibilidade" ), faz com que o agente abrasivo, quer seja uma pedra ou uma lima simplesmente "patine" no fio e nas regiões adjacentes do mesmo dada a uma caracteristica do cromo de ter baixo atrito.

     

    Então eu diria o seguinte: se você espera realmente um uso bem pesado do facão e com certo abuso,o de aço carbono é mais indicado. Se você vai fazer um uso não tão intenso ou abusivo e tem um pouco mais de habilidade na afição e/ou vai fazê-la com um abrasivo como o carborundum, está num ambiente muito úmido e não quer se preocupar muito com a manutenção geral, o aço inox será sua escolha.

     

    E sim, acredito, mesmo não tendo um, que o tratamento térmico da Tramontina para os seus facões inox seja tão bom quanto ao que é dado aos seus facões em aço carbono, pelo simples fato que não há relatos recorrentes e em números de monta reportando falha catastrófica destes facões ( ao menos eu não tenho ciência disso).

     

    Abraço.

  17. Egon,

     

    Não há no mercado, talvez mundial, melhor relação custo benefício que um facão Tramontina de aço carbono. Ele pode ser melhorado dando uma retrabalhada no fio, melhorando seu desbaste,o que pode ser feito com lixas grossas ( 100 ), um caibro e um mouse pad.

     

    O comprimento do facão é em função de quais tarefas ele irá desempenhar. Facões de 18" normalmente são para abrir picada em mata fechada e limpar vegetação mais baixa ou com poucos talos ou com talos moles, como arbustos, capim, etc. Com 16" normalmente são mais usados para abrir picadas em arvoredos e matas "leves", limpeza de trilhas, algumas podas, etc. De 10"a 14" são de usos mais gerais e brutos, como podas de galhos de diâmetros moderados, partir madeira e outros materiais mais difíceis, como coco, etc e trabalhos em geral que necessitem de maior controle e corte por impacto.

     

    Quanto ao grind, o termo variável é o que melhor se aplica, já que ela começa com um scandi e vai fazendo uma transição para full flat na ponta... no marketing,aprópria Mora chama de "dramatic grind". Mas não temmuito como errar, pois basicamente os modelos que apresentam tal grind são o 2000, 2010 e Forest.

     

    Quanto às Trento, nunca tive uma em mãos, então não posso falar. Num estilo assemelhado à ela, tem um modelo da Guepardo, a Hunter, que é cópia de uma faca que eu tenho, uma Gerber Metolius, que é excelente. Já me disseram que a cópia da Guepardo também é boa,mas isso não posso afirmar, pois de novo,nunca tive uma em mãos. Tem também a Guepardo Fish 8", esta sim muita gente já elogiou muito,inclusive um amigo daqui,o Véio du Mato, que sabe do que fala!

     

    Abraço.

  18. Egon,

     

    Nada a agradecer... se não tiver muita pressa,leia um pouco mais, procure assistir alguns vídeos, não necessita muita coisa para você formar sua própria convicção de qual faca é mais adequada para você e as atividades que pretende desempenhar.

     

    Lembre-se, acima de tudo a faca tem que ter um apelo pessoal pra você, pois por mais que ela não seja a mais adequada, você certamente estará mais propenso a levar nas suas aventuras uma faca da qual você goste do que uma outra que pode até ser um pouco melhor para as tarefas, mas que por algum motivo não lhe agrade muito.

     

    Vou falar por mim, eu tenho algumas facas e se excetuar a região do fio que eu SEMPRE modifico, quase todas têm algum grau de modificação, de pequeno à bem extremo para que executassem melhor as tarefas que elas desempenhariam comigo.

     

    Eu não sei o quão minimalista você é e se você vai à campo para um trekking de um dia ou passa mais tempo no mato, acampando, pescando, etc. No primeiro caso, uma Mora com grind variável ( 2000, 2010 e acho que Forest ) para superar um pouco a questão da falta de habilidade de corte do scandi clássico.

     

    No segundo caso, concordo com o "Rodrigo e Gí", uma boa serra dobrável como o Laplander da Bahco, uma faca pequena e um facãozinho e você estará coberto para quase 100% das situações.

     

    Mas vou lhe ser sincero: nos anos que cacei e pesquei nunca usei mais que uma faca e/ou canivete e um facãozinho.Mas nunca fizemos fogueiras com "lasquinhas" de madeira e sim com tronquinhos e galhos que eram simplesmente "achegados" ao fogo à medida que iam sendo consumidos; nunca fizemos mesas "elaboradas" de bambú ou madeira e nem mesmo "cadeiras ou camas elaboradas". Se era para ter isso, levávamos dobráveis de alumínio e sacos de dormir ( com um facão dá para fazer uma armação simples elevada para saco de dormir ) por um motivo muito simples: no mato, todas estas tarefas demandam energia e quer queira ou não implicam em riscos desnecessários de cortes e outros acidentes, que é a última coisa que se quer ter no mato.

     

    Só lhe dei como sugestão a Mora de grind variável porque originalmente você citou facas de baixíssima habilidade de corte. Mesmo estas Moras sendo muito melhores que as scandi clássicas e com todas as vantagens de uma Mora ( com adição de melhor habilidade de corte ), bom aço, bom tratamento térmico, alta resistência, boa retenção de fio ( quando feito um micro-fio de 15 ou 20 graus de cada lado ), bastante ergonômicas e muito leves e num preço acessível,há facas em preços semelhantes que com as devidas modificações são melhores; mas ai é que está,necessitam algumas modificações além das nturalmente feitas nos fios... se não quer ou não tem as ferramentas necessárias para a empreitada, talvez as Moras de grind variável sejam mais negócio.

     

    E só como dica: fuja das chamadas Moras Robust e assemelhadas, que são scandis com lâminas mais espessas, ou seja,ainda mais horrorosas em habilidade de corte! A única coisa que fazem melhor que as Moras tradicionais é rachar lenha, já que pela maior espessura clivam melhor a madeira.

     

    Abraço.

  19. Egon,

     

    Você já viu ou tem conhecimento de algum serrote ou serra pequena com 4mm de espessura? Não, né? Sabe por que? Porque é absurdamente ineficiênte! Se é ineficiênte numa ferramenta dedicada,o que o faz pensar que seria diferente numa faca?

     

    Lâmina de 18cm, guarda superior e inferior tudo isso para o mato? Tal lâmina me parece mais afeita à caça e arremate de animais de médio porte do que lida com madeira.

     

    As facas que você citou, com o perdão da observação, são pés de cabra afiados. Já escrevi e já fiz vídeos comentando e justificando porque o chamado scandi grind tem péssima habilidade de corte e normalmente uso como exemplo as facas Moras de geometrias de lâmina mais clássicas, que têm apenas 2,5mm de espessura; agora imagine estas do Vilar que tem o grind tão baixo quanto uma Mora,não ocupando nem 1/3 direito da largura da lâmina...

     

    Como você vai lidar com o mato, madeira e alimentos com estes pés de cabra? Nestas dimensões, a não ser que queira fazer alavancas ( pé de cabra ), para funções no mato você estarámais bem servido por um facão de 10 polegadas do que por uma faca com estas especificações.

     

    Não que um facão de 10" seja o ideal para o mato, ou melhor colocando, para todo tipo de mato, apenas que muito provavelmente terá um desempenho geral melhor que a faca com as especificações que colocou.

     

    E só mais uma coisa,numa faca com tais dimensões um aço da família 440, ainda que seja o A, não é a melhor escolha,quer se olhe pelo fator tolerância à fratura ou resistência à corrosão. Uma faca nestas dimensões e em aço inox teria como dureza bem dimensionada para as supostas tarefas de impacto que deveria desempenhar, algo na casa de 54 Rc,e para isso um 420J2 ou seu equivalent chinês 3Cr14MoV seriam muito mais indicados. Mas volto a insistir, as especificações que você deu, ao menos para mim não fazem sentido numa faca voltada para uso no mato e em madeira.

     

    Se ela tivesse 4" ou no máximo 5" de lâmina, sem serra,2 a 4mm de espessura, no máximo uma guarda inferior ou um finger choil e ai sim ou um aço carbono ( argh, enferruja ) ou um inox entre 0,3 e 0,9% de carbono ( meio termo seria melhor ), faria muito mais sentido!

     

    Trocando em miúdos: uma Mora ou Bahco 2444 se é para ter uma faca que tem baixa habilidade de corte, farão um serviço muito melhor ao lidar com madeira, mato e alimentos, a um custo dentro do seu orçamento, quando comparadas aos pés de cabra afiados que você citou como "ideais".

     

    Abraço.

  20. Sobral,

     

    Sim, você utilizará a base após o ácido fazer seu serviço. A vantagem do uso do ácido é que ele removerá a oxidação inclusive dos pits, que são aqueles pontos onde a corrosão penetrou na matriz do aço, formando verdadeiras crateras ( mini ) que após a remoção da oxidação e mesmo com lixamento superficial, caso se queira, deixará uma aparência rendada.

     

    A neutralização é importante porque num dos trabalhos de metalurgia que eu tinha na minha biblioteca digital, que infelizmente perdi no meio do ano quando meu HD morreu, detalhava como banhos ácidos agiam em subsuperfície, penetrando na matriz e originando micro-fissuras interglanulares que eventualmente poderiam levar a uma fratura da lâmina. Neste mesmo trabalho era recomendado não fazer indução de pátina em lâminas por ter efeito semelhante, razão pela qual parei de induzir pátina em minhas lâminas de aço carbono. Por certo isso se daria por uma falha na neutralização do ácido usado, que por um motivo ou outro não seria inativado adequadamente num ponto ou outro da lâmina.

     

    Sucesso na sua empreitada!

     

    Abraço.

  21. Sobral,

     

    Não vou fazer comentários quanto a originalidade e/ou valor do facão porque colecionismo e peças antigas/históricas não são minha praia. Mas faço um alerta: eu não dou o menor valor histórico/artístico à nada, porém é bom deixar claro que caso sua peça seja uma raridade ou qualquer outra caracteristica que lhe confira alto valor em um mercado qualquer, esta "restaurada" amadora e com meios agressivos ( os que vou sugerir ) podem inutilizar a peça ( dependendo do nível de corrosão ) e/ou simplesmente reduzir a próximo de zero seu valor como relíquia/raridade.

     

    Alerta feito, vamos aos métodos que eu uso para remoção de ferrugem de lâminas e ferramentas:

     

    Primeiro o mais simples: use vinagre morno/quente para deixar a lâmina imersa e a intervalos regulares cheque o nível de remoção da ferrugem. De acordo com a evolução você pode tentar estimar quanto tempo a peça necessitará ficar neste banho de vinagre.

     

    A segunda dica envolve um ácido mais forte, popularmente conhecido como ácido muriático, que nada mais é que ácido clorídrico hidratado ( diluído em água ). Também deve deixar a peça imersa e checar à intervalos regulares para estimar quanto tempo será necessário.

     

    A terceira é usando um ácido um pouco mais forte e que na minha experiência funciona melhor para metais ferrosos( aço sendo um deles ), que é o ácido sulfúrico. Seu ataque às partes oxidadas é rápido, necessitando menos tempo que os aços anteriores. Eu não saberia lhe dizer o tempo necessário, pois sempre que uso o faço em uma cuba de uma cavitador ultrassônico que potencializa absurdamente o processo.

     

    E por último, usar eletrólise para fazer a remoção. Pra mim é o método mais "complicado" de todos e nunca usei, mas quem já usou diz que funciona bem ( não saberia dizer por não ter experiência ). http://www.woodmangler.com/Derusting/electrolytic%20derusting.html

     

    http://www.icehouse.net/overland/derusting.html

     

    Importante: em todos os métodos usando ácidos e mesmo na eletrólise ( soda cáustica ), sempre usar luvas, óculos e demais artefatos de proteção individual que se façam necessários. Nos meios ácido, recomendo fazer uma neutralização com uma base para evitar que o ácido continue atacando a lâmina em subsuperfície; no caso de usar vinagre, bicarbonato de cálcio funcionará bem. Nos demais, sempre uso soda cáustica. Usar uma escova de aço para escovar a lâmina em intervalos regulares ajudará no processo e facilitará a visualização de como está evoluindo o processo.

     

    Abraço.

  22. Sobral, me desculpe novamente, pois acabei não respondendo sua questão!

     

    É o seguinte: aços com baixa dureza rolam o fio de maneira extremamente fácil, sequer exigindo muita pressão para que tal deformação ocorra, sendo assim, o simples fato de forçar a lâmina em alimentos mais duros, aliado ao fato da instabilidade natural do nosso sistema muscular que fatalmente leva a movimentos de torção na lâmina, o que em última análise quer dizer carga lateral, e mais ainda os inevitáveis impactos nas tábuas de cortar, levarão às deformações nos fios.

     

    Fios mais polidos são excelentes em push cuts, mas não costumam ser muito agressivos e por isso quando se vai efetuar slice cuts, que é quando se desliza o fio ao longo do meio a ser cortado, exige-se maior força e com isso, o impacto nas tábuas após o corte ser efetuado também se dá em maior intensidade, novamente favorecendo a deformação ( rolamento ).

     

    Outro detalhe a ser considerado é que facas de cozinha, em sua maioria, além das menores durezas também são confeccionadas em aços com baixa resistência à abrasão, e com isso também tendem a perder o corte por arredondamento e/ou aumento da secção transversal do fio propriamente dito.

     

    No caso de fios acabados em pedras de grana mais grossa, ou seja, com acabamento menos polido ou mais grosseiro, têm altíssima agressividade e requerem absurdamente menos força para executarem slice cuts que seus equivalentes polidos. Outro detalhe interessante, é que apresentando milhares de micro-dentes que funcionam como uma cegueta em escala microscópica, ao sofrerem o desgaste, estes micro-dentes ou formam novos micro-micro-dentes ou se desalinham, originando uma cegueta verdadeira, com os dentes "travados", o que potencializa os cortes.

     

    Com tudo isso, os fios mais grosseiramente acabados, em aços menos duros, duram mais que os fios polidos nestes mesmos aços.

     

    Acho que deve ter ficado claro.

     

    Abraço.

  23. Sobral, como vai? Desculpe-me por não responder antes, mas é que não recebo mais notificações por e-mail de atividades nos tópicos devido à minha inatividade.

     

    Na verdade mudei um pouco a recomendação sim; em facas de muito baixa dureza o ideal não é chegar sequer à grana 400 ( lixa d'água ), ficando na grana 150/160 ( lixa d'água ) o que equivale dizer o lado fino da carborundum dupla face, que tem grana equivalente a uma lixa mais ou menos 160. E isso no máximo, podendo se quiser ficar mesmo só no lado grosso ( mais ou menos equivalente a uma lixa 90/100 ).

     

    Como na cozinha alguns cortes são do tipo push cut, eu recomendaria ir até o lado fino da carborundum, pois se o fio for bem feito ele capaz de executar o que eu chamo de "push cut meia boca" e rapar alguns cabelos.

     

    Por coincidência fiz um vídeo mostrando justamente esta questão:

     

    Quanto à sua questão das pedras, eu não tenho a dupla face da Tramontina, mas alguns amigos que a possuem inclusive as compararam com as Kings japonesas e reportaram como sendo excelentes pedras! Como você não pretende fazer desbastes pesados em suas lâminas, acho que pode perfeitamente comprar só a Tramontina.

     

    Mas se conselho fosse uma coisa boa, eu o aconselharia a comprar também uma carborundum dupla face, que custa não mais do 15 reais, para simplesmente economizar sua pedra Tramontina que deve estar custando próximo dos 100 reais. Você faria a manutenção dos seus fios na Tramontina e se eventualmente alguns deles ficassem mais danificados você faria o reparo "grosso" usando o lado fino da carborundum ou talvez começando mesmo pelo lado mais coarse, depois suavizando no lado fino para então suavizar ainda mais no lado fino da Tramontina para finalmente dar um polimentozinho no lado fino da Tramontina ( 1000 ). Com isso sua Tramontina irá durar uma eternidade!

     

    Quanto aos anguladores são a coisa mais simples do mundo de se fazer; pode usar até tabuinhas de madeira e faça/recorte uns triângulos retângulos de papelão para ajustar os ângulos desejados.

     

    Um 2015 com muita saúde para você e todos os seus!

     

    Abraço.

×
×
  • Criar Novo...