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  1. MARMELOPOLIS 2° DIA - 17.01.2019 - Quinta-feira Saída pousada e chegada ao mirante São Pedro(antes pico Marinzinho) e retorno à cidade +-25 kms em aprox. 06:20hrs Acumulado: 67 kms Pegamos a mesma rua do dia anterior, chegamos ao bairro e entramos à esquerda, certo desta vez, mais à frente tem que entrar à esquerda num pequeno trecho de bloquete de cimento, depois começa subida forte, após mescla subidas e descidas leves, lindo amanhecer emoldurado pelo complexo do Pico dos Marins, depois começa descida fortíssima até um bairro rural, viramos à esquerda e mais à frente, seguindo orientação das placas, entramos à direita e começamos a subir de novo até a pousada do Djalma (01:35hrs até Pousada do Djalma (+-8kms) - 1340msnm Depois pegamos um atalho na pousada e logo chegamos numa estradinha de terra, viramos à direita e começou subida forte até um portal (1550msnm - 02:06 hrs) Viramos à direita e pegamos trilha (o certo é chegar no portal e seguir reto) com muita sombra pela encosta da montanha, chegamos numa bifurcação e viramos à esquerda (à direita vai pra Marinzinho) 02:36hrs, pegamos trilha bem demarcada na encosta da montanha, pouco à frente tem uma ótima mina d'agua (1760msnm), seguimos pela mesma trilha sempre subindo até a pedra montada 02:49hrs - 1863msnm. Nossa intenção neste dia era somente conhecer a pedra montada e retornar à cidade, mas a curiosidade prevaleceu. Continuamos a trilha subindo dentro da mata, minha parceira resolveu não ir ate o mirante, tive que subir nas pedras por umas cordas, fui até o Mirante São Pedro (03:30hrs - 2135msnm). No mirante tem uma visão legal de toda região, e do Marinzinho, ali me despertou a curiosidade de subir o Marinzinho, pois cheguei bem perto. Desci e encontrei minha parceira, dessa vez não passamos pela pedra montada, seguimos reto. Retornamos quase pelo mesmo caminho, começou a trovejar e o tempo fechou, tivemos que apertar o paso e chegamos rapidamente ao centro da cidade e comemos o mesmo Self-service à vontade por $18 por pessoa à vontade Hospedagem: a mesma do dia anterior. Tempo fresco com muitas nuvens no amanhecer em Marmelopolis Lindo visual dos Marins Subidas fortes antes portal Visão da pedra montada no meio da mata Dá para servir de refúgio numa tempestade, vimos foqueira apagada Pedra montada de perto Minha parceira não subiu comigo até o mirante, mas vai subir no outro dia Lindo visual Retorno - trecho de mata
  2. PRIMEIRO PICO: MARINZINHO MARMELOPOLIS A PRIMEIRA PERIPÉCIA DA VIAGEM Para os montanhistas experientes o pico do Marinzinho é fácil, não há grandes paredões, bem sinalizado, mas para nós, marinheiros de primeira viagem, tínhamos receio de subir sozinhos, têm cordas em alguns trechos, até pensamos em contratar um guia. No final decidimos que iríamos até onde desse, se porventura ficasse muito perigoso voltaríamos e, em outra oportunidade, faríamos. Segurança em primeiro lugar! No dia anterior atiçou a curiosidade de subir o Pico do Marinzinho(estive bem perto dele). Tive que convencer minha esposa que dava para fazer(ontem ela ficou com receio de subir nas pedras através das cordas), normal para uma pessoa que tem (ou tinha) medo de altura. Resumo da história: ela foi e venceu seus medos (e os meus também, imagina se ela desse um piripaque no topo e não conseguíssemos descer, helicóptero é muito caro, acho que estaríamos lá até hoje..kkkk). Foi um dia muito feliz para nós dois. Consegui uma parceira para minhas futuras peripécias. O problema maior foi que neste período quase ninguém sobe devido ao tempo instável (muita chuva ), só estávamos nós dois no trecho, se desse algum problema estaríamos em apuros, por isso tivemos cuidados redobrados. A sinalização estava bem visível (o sr Maeda faz um ótimo trabalho de conservação das trilhas ), nas partes mais complicadas tem cordas para facilitar a subida /descida, com técnicas básicas, conseguimos fazer sem grandes dificuldades. A visão lá de cima é um show à parte. 3° dia - 18.01.2019 - Sexta-feira Saída da pousada Bela vista(Marmelopolis) de carro e chegada a pousada do Djalma(base do Marinzinho). Subida ao Marinzinho e retorno à pousada do Djalma(1330msnm) +-14 kms em aprox. 06:07Hrs Acumulado: 81 kms Acordamos antes das 05 da manhã, gentilmente o Domingos deixou excelente café da manhã pronto no dia anterior. Pegamos o carro e seguimos até a pousada do Djalma (20 minutos ), deixamos nossas coisas no chalé, e partimos rapidamente (06:05hrs), tempo bem fresco sem nenhuma nuvem no céu (a previsão para o dia, era de muita chuva após as 13 horas, por isso saímos cedo e apertamos o passo). O trecho até portal é em estrada de terra com subidas fortes, depois mescla estradinha de terra com trilhas com muita sombra, sempre morro acima até um pouco antes do mirante São Pedro(tem duas cordas antes de chegar). Foi até onde chegamos no dia anterior. Após o mirante São Pedro pegamos trecho com muita pedra, alguns lugares tem cordas para ajudar, muito íngreme e escorregadia. Chegamos no topo achando que era ali, não era, descemos mais um pouco e subimos em pedras até o Marinzinho(2.432 msnm - 03:22hrs), sol forte no início mas umas nuvens deu uma amenizada. Lindíssimo visual em 360° de várias montanhas e picos, do estado de São Paulo e Minas Gerais, vimos várias cidades dos 2 estados. A volta foi bem tranquila, tempo encoberto e com algumas nuvens negras sinalizava chuva. Quase minha esposa pisou numa cobra venenosa, que estava passando pela estrada antes do portal, passado o susto, tiramos algumas foto da cobra e ela ficou lá no mesmo lugar. Ida: Até portal 35 minutos. Até entrada pedra montada: 01:07 hrs Até mirante São Pedro: 01:57hrs Até Marinzinho: 03:22hrs Volta: Mirante São Pedro: 04:30hrs Até entrada pedra montada: 05:11hrs Até portal: 05:33hrs Até pousada: 06:07Hrs Hospedagem: Pousada do Djalma, base do Marinzinho, camas boas, banheiro privado, limpo. Preço $60 por pessoa com café da manhã. Obs.: Serve almoço simples $25 por pessoa à vontade Ela chegou com facilidade ao mirante Subida bem forte em pedras Subida com auxílio de corda Idem Outra subida forte Mais subida com auxílio de corda Fenomenal visual do pico dos Marins Uma pose para foto Por muito pouco minha parceira não pisou nesta cobra, se é venenosa eu não sei, só sei que foi um baita surto Chegada a pousada do Djalma
  3. Trilha feita em 27/07/2013. Álbum com todas as fotos estão em: https://photos.app.goo.gl/CJL8aXjQWYG6gGkc8 Faltavam 10 para as 3 da manhã qdo lá estava eu, saltando da cama em uma madrugada geladíssima de inverno, afim de poder chegar cedo na trilha para o Pico dos Marins. Por conta da logística, distancia e tempo de trilha, era preciso cair da cama no meio da noite mesmo. Após um rápido café da manhã, conferi a cargueira já feita no dia anterior e as 3:50 me mandei para o ponto de encontro, situado ao lado de uma agencia bancária próxima a Estação Brigadeiro, onde meu xará (Renato Marangori) e Kazu me aguardavam. O metrô ainda se encontrava fechado e a famosa Av. Paulista, que recebe milhões de pessoas diariamente e que sempre é palco para tudo qto é evento (inclusive manifestações), mais parecia uma típica avenida de uma cidade do interior qualquer. Feitas as devidas apresentações, zarpamos dali as 4:10, para então ganhar a Ayrton Senna e em seguida a Dutra, afim de chegar em SJC, onde nos encontraríamos com o Wanderley que nos aguardara na beira da rodovia. A neblina típica do inverno dava o ar de sua graça, obrigando meu xará a redobrar sua atenção na noite escura e enevoada enquanto dirigia. Kazu aproveitou a noite mal dormida para tirar uma boa soneca no carro, enquanto eu e meu xará trocamos ideias. Fizemos uma breve parada em um posto para encontrarmos com outro grupo vindo em outro carro e a partir dai seguirmos juntos. Após encontrarmos com o Wanderley em SJC, partimos todos os 3 carros e cerca de 10 pessoas rumo a Piquete, a cerca de 210 km de SP, onde fariamos uma parada para um café da manhã reforçado. O dia amanhecera parcialmente nublado e a neblina vinha e ia no meio dos vales. Chegamos na mesma as 7:40 e após forrar o estomago com alguns salgados e esquentar o corpo gelado com um belo pingado quentinho, retomamos nossa viagem, dessa vez pela Rodovia Lorena - Itajubá (BR 459), onde iniciamos a subida da serra da mantiqueira. O tempo em Piquete estava encoberto, mas durante a subida da serra, as nuvens rapidamente deram lugar ao sol e o céu bem azul, mostrando que o dia seria bem aproveitável, qdo chegamos a entrada da estrada de terra que dá acesso a Fazenda Saiqui. Deixamos a rodovia em favor da estrada de terra a direita, onde rodamos por cerca de 16km até o acampamento base-Marins. Por conta das chuvas dos últimos dias, a estrada estava em péssimas condições, com vários trechos enlameados, o que exigiu do meu xará mta habilidade no volante a fim de não atolar o veículo em alguns dos trechos ruins da estrada. Após 35 minutos sacolejando aqui, ali, acolá, chegamos ao trecho final, onde demos de cara com um trecho de subida e um lamaçal, o que deixou a galera apreensiva. Trecho final da estrada de terra, puro atoleiro... ãã2::'> E bora desatolar.... Resolvemos todos descer dos carros e só o motorista seguir, mas mesmo assim, os mesmos literalmente atolaram na lama e tivemos que fazer um multirão para empurrar e livrar cada um dos carros dos atoleiros. Pior que um trecho enlameado, é o mesmo ainda estar em uma subida. Só algumas motos de trilha e veículos 4x4 estavam passando. Nem chegamos a trilha e já estamos passando pelos primeiros perrengues. Nossa sorte é que, por ser sabado de manhã, além do nosso grupo, havia outros grupos indo para o Marins tb. Infelizmente, isso nos atrasou em pelo menos 40 minutos, mas faz parte.... As 9:40 chegamos ao acampamento base Marins, onde deixamos os carros e após tirar as cargueiras e fazer os alongamentos básicos, demos inicio enfim, a trilha propriamente dito pontualmente as 10:00hs. A trilha, de cerca de 10 minutos de percurso e que segue em nível, passa por uma pequena nascente e faz a ligação entre o acampamento base Marins até uma estrada de terra, onde ignoramos o caminho da esquerda em favor do caminho à direita. Após passarmos uma porteira com um aviso dizendo "Proibido o acesso de veículos", inicia-se a subida até próximo do morro do careca. Nesse ponto, a estrada é larga e com vários trechos eroditos, sinais de que outrora, era utilizado pelo pessoal que optava por deixar seus carros e motos no morro do careca, afim de otimizar o percurso de subida. Acampamento Base Marins na época do Milton Na Estradinha de terra que sobe até o Morro do Careca Esse trecho inicial de subida até o morro do careca não apresenta grandes desníveis e serviu para aquecer os músculos, enquanto o sol fritava nossos cérebros. A mesma segue ziguezagueando a encosta da serra e termina em um descampado, onde uma unica trilha sugere que continuemos por ali. As 10:33, emergimos da mata no morro do careca, um enorme descampado onde tivemos nossa primeira vista dos imponentes maciços do Pico dos Marins bem a nossa frente, o que logo de cara proporciona uma visão incrível dos seus 2.421 metros de altitude, quase que rasgando os céus. Do morro do careca tb avistamos (no morro a direita) a trilha subindo a mesma, dando uma ideia do que teríamos pela frente em matéria de "escalaminhada". No morro do careca Pico dos Marins visto do Morro do Careca Trecho da trilha subindo visto do morro do careca Nuvens cobrindo o vale do Paraíba e a cidade de Piquete.... As nuvens que outrora deixamos para trás durante a subida da serra, estavam embaixo, cobrindo totalmente o vale do paraíba e a cidade de Piquete. Fizemos nosso primeiro pit-stop aqui afim de beliscar algo, tirar a famosa foto "clássica" com a galera na frente e os maciços do Pico dos Marins atrás, apreciar a vista. Após todos estarem descançados e revigorados, retomamos a pernada em direção ao inicio da trilha. Sim, ali ainda não era a trilha, era apenas o acesso para o inicio "oficial" da trilha para o Pico dos Marins, essa que começa mesmo é depois que se passa pelo mirante do morro do careca. A trilha voltou a virar uma estradinha de terra erodita, desce um curto trecho de vale e logo mergulha na mata, onde se encontra com uma outra estrada de terra que sobe vindo de algum outro canto. Após chegarmos na bifurcação entre as 2 estradas e um descampado, uma bifurcação a direita sugere que o caminho é por ali. Depois de seguirmos por mais alguns minutos, es que as 11:05 chegamos a dita placa que indica o inicio oficial da trilha para o Pico dos Marins, após 40 minutos de caminhada desde o acampamento base. Água se encontra em uma bifurcação a esquerda da placa. Seguindo por alguns metros por essa bifurcação, se chega a nascente, a unica até o topo. Portanto, se for pegar água, traga o que for precisar dessa nascente. Inicio oficial da trilha Na placa que indica o inicio da trilha, há indicação dos mirantes, altitudes e os maciços. Atente-se a esses detalhes, pois o desnível a ser vencido a partir desse ponto será bem alto. Após passarmos pela placa, continuamos em meio a mata no vale, em leve ascensão, mas logo que sai da mesma, a leve subida dá lugar a uma pirambeira forte, onde a trilha passa a ficar erodita e a subida bem íngreme, na qual o auxílio das mãos passa a ser constantemente necessários para impulso nos troncos, raízes e pedras afim de ganhar os patamares seguintes. A subida até o 1ºmirante segue forte, porém sem grandes dificuldades, embora em subida relativamente forte. Para alcançar o 1ºmaciço, ainda teríamos que passar por outros 2 mirantes. Durante a subida, avistamos o morro do careca que ia ficando para trás e um outro grupo que estava descançando lá, enquanto rapidamente íamos ganhando altitude. Desse ponto já se tinha belas vistas do vale e dos contornos serranos da mantiqueira, com o enorme paredão rochoso do Pico dos Marins sempre a tua frente, imponente. Nesse trecho, o grupo se distanciou um pouco um dos outros, naturalmente, por conta de cada um ter um ritmo diferente, sendo que os que seguiam na frente, paravam para aguardar os demais. Morro do careca lá embaixo, ficando para trás Outros grupos que chegaram e estavam descançando lá, enquanto nós estavamos subindo As nuvens que encobriam a cidade de Piquete iam ficando cada vez mais embaixo, proporcionando um belo espetaculo e um atrativo a mais. A subida não dá tregua, mas tão logo as 11:28, chegamos ao 1ºMirante, um rochedo enorme na cota dos 1.900 metros de altitude, onde fizemos um rapido pit stop afim de molhar a goela e recuperar o folego. Do 1º mirante, se avista um vale e barulho de um pequeno rio em um vale a direita, cuja nascente é lá na base do Marins. Durante a subida,de um lado tinhamos essa bela visão ao nosso lado e de outro ponto mais a frente, o Marins, imponente A altitude desse ponto já impressiona. A subida dá uma leve trégua aqui, mas dura pouco tempo. A trilha vira a esquerda e logo a frente, uma nova pirambeira surge sobre o rochedo do 2º mirante bem a tua frente, pronta para ser vencida. Após mais um pit stop para molharmos a goela com isotônicos, aguas e cia, retomamos a pernada rumo ao segundo mirante. Nesse segundo trecho, a subida é menos íngreme e a trilha alterna entre passar pelo lado das rochas e por cima. E a pirambeira a nossa frente De um dos mirantes, o belo tapetão de nuvens cobrindo o vale do Paraíba. A medida que iamos subindo, a paisagem da floresta, com mata atlântica, araucarias e outros, iam pouco a pouco dando lugar aos campos de altitude, como o capim elefante, bambuzais e pinheirinhos, passando por cima das primeiros rochedos. Galera ia subindo em ritmo de tartaruga, já demonstrando um certo cansaço, mas seguindo firme e fortes, pois continuar era necessário. As 11:45 chegamos ao 2º mirante, já na cota dos 2.000 metros. Nesse ponto, as nuvens já estavam bem lá embaixo e era possível ver o tapetão branco encobrindo o vale do Paraíba. O 2º e o 3º mirantes já são sobre blocos rochosos típicos de campos de altitude, sendo ali a transição da floresta para os campos de Altitude. Mas é a partir desse ponto que vem um dos trechos difíceis da subida, conhecida como "Labirinto". Nesse ponto, após passar o ultimo mirante, a trilha dá uma nivelada e passa a seguir por entre enomes pedras e rochedos. As 12:17, chegamos a base do primeiro maciço e nisso, a picada vira a esquerda, descendo levemente um pequeno valezinho entre os rochedos. Porém, nesse trecho, a trilha se bifurca em algumas ramificações em meio a enormes trechos de capim elefante, o que dificulta a navegação para quem não conhece o caminho. Há totens e setas indicando o caminho nas rochas. Adentramos pela mesmo e seguimos pela esquerda, pela base do enorme rochedo, nos orientando pelos totens, setas e traços amarelos que indicavam o caminho, ao lado do paredão que fica a direita. Fomos seguindo pelo labirinto de trilhas, buscando os trechos onde a trilha está mais batida e mais próxima do rochedo que compõe o 1ºmaciço do Marins. As 12:46, após passarmos pelo trecho do "Labirinto", a mesma vira a direita numa rocha e passa a contorna-la, enquanto sobe até cair na base de uma gigantesca pedra, onde uma seta indica o caminho para cima. O trecho onde se faz um zigue-zague para subir entre as rochas Vista dos mirantes por onde passamos A partir daqui, a orientação passa a ser ora por trilha, ora por totens e setas amarelas. E a subida passa a ser feito a base de escalaminhada e trepa-pedra nervoso, onde você literalmente irá comprovar se tua bota ou tênis de trilha é boa ou não.... Trecho de escalaminhada e trepa-pedra Durante a escalada, olhando para trás, se tem uma vista de todo o trecho de subida já percorrido, desde a estrada de terra lá embaixo, passando pelo morro do careca e os 3 mirantes rochosos. E se o seu grupo estiver na frente de outros, você ainda terá o prazer extra de ver os demais lá embaixo, pequenininhos e distantes, vendo você e seu grupo lá em cima..... cada vez mais alto e abaixo, todo o trecho percorrido pelo alto dos mirantes.... Mas não é para se comemorar, pois ainda tem muito chão pela frente até o cume. Após a escalada da enorme rocha, se atinge o 1ºmaciço, na cota dos 2.100 metros de altitude. A continuação da trilha reaparece e agora passa a seguir pela encosta desse maciço a direita, subindo levemente a mesma. A vista desse ponto já impressiona, pois se tem uma visão incrivel de toda a cadeia de montanhas e morros do alto da mantiqueira do lado do estado mineiro, que lá do alto, parecem pequenas morrinhos, dando uma idéia da vista do topo do Marins. Caminhando agora na lateral em direção ao "chapadão" Uma das várias vistas durante a subida Seguimos bordejando a encosta esquerda do paredão, até que as 13:30, chegamos a um trecho tenso da subida, que são 2 enormes rochas de cerca de 5 metros de altura, que lembra muito uma mistura de "Mergulho" e o "Cavalinho" do trecho da subida para o Pedra do Sino, na travessia Petropolis x Teresópolis. Nesse trecho, já estavamos percorrendo o 2ºMaciço, se não me engano.... Trecho tenso Nesse ponto, o uso de corda para auxílio se torna necessário. Porém, com cuidado e atenção, é possível subir sem corda e com a cargueira nas costas, se agarrando em pequenas fendas, saliências e degrauzinhos na fenda entre as 2 enormes rochas. Considerei esse um dos trechos mais perigosos e tensos da subida, pois qualquer escorregão ali, significa cair e fraturar braços e pernas....É, Trecho de emoção e desafio imposto pela natureza. Vencido esse trecho, o trecho de escalaminhada e trepa-pedra dá uma tregua e a caminhada passa a ser mais light, por meio de enormes rochedos do 2ºmaciço, onde o terreno nivela. Enfim, após muita escalaminhada, trepa-pedra, trechos tensos e de "emoção" (como diria o Wanderley), es que as 14:05, finalmente chegamos ao trecho de "chapadão" onde a trilha dá lugar a enormes costões rochosos e a navegação passa a ser exclusivamente através de setas e totens indicando o caminho. Nesse enorme chapadão entre os Picos do Marins e Marinzinho, há várias clareiras onde cabem entre 2 a 4 barracas cada uma pelo caminho. Aqui, inicia-se a travessia para o Itaguaré com o Pico do Marinzinho a esquerda e pode-se acampar em algumas dessas clareiras afim de otimizar o tempo de percurso da travessia sem precisar subir até o cume do Marins. Enfim, no chapadão. A esquerda, inicia-se o trecho de travessia para o Itaguaré. A direita, seguindo os totens e setas, para o cume do Marins. Trecho inicial da Travessia Marins x Itaguaré Pico do Marinzinho a esquerda, Pedra redonda no centro e Itaguaré ao fundo. Porém, como nosso destino era o topo do Marins, após passar algumas pequenas clareiras e um enorme rocha lisa com 3 totens, (um atrás do outro) uma seta e outro totem indica o caminho a direita, em direção a um valezinho, onde fica a nascente de um corrego. Aqui, fizemos uma pausa para um lanche e contemplação do lugar, enquanto a galera recuperava o folego e relaxava os músculos após a árdua subida....Para variar, aproveitei para mandar ver nos meus lanches e um sucão gelado afim de molhar a goela novamente seca e forrar o estomago antes de partir para o ataque final ao cume. Pico do Marinzinho visto do trecho de subida final ao cume do Marins. Nesse ponto, o cume do Marins parece bem próximo, logo "ali", mas ainda estava a pelo menos 1 a 2 horas de caminhada ainda (dependendo do ritmo do seu grupo). Seguimos em frente, nos guiando pelos totens em direção a enorme "cabeção" rochoso que é o cume do Marins. Nesse ponto, se desce até um vale e passa por alguns trechos ruins de "charco" e capins elefante, onde se olhar bem, consegue-se ver caminhos abertos entre os mesmos. As 14:30, cruzamos o pequeno corrego que tem inclusive uma placa alertando que a água está imprópria para o consumo, ou seja, tão poluída que nem clorin salva. Sim, ficou assim por conta de pessoas irresponsáveis e porcas, esse é o preço a se pagar. Rumo ao cume Campos de Altitude. 15 minutos depois de passarmos pelo corrego passa quatro, iniciamos a ardua subida final, numa escalaminhada + trepa-pedra nervoso até finalmente alcançarmos o cume as 15:15h. Como fomos um dos primeiros grupos a chegar, havia bastante espaço bons e livre dos ventos para montar a barraca. Sem perder tempo, encontrei um sob medida para a minha, com rochas e enormes capins elefante em volta, bem protegida dos ventos. Galera foi chegando e assim que todos montaram suas barracas, pudemos finalmente nos fartar de fotos e relaxar os musculos,bebendo e comendo algo. Apesar do sol, o frio lá em cima já estava intenso. Meu termometro digital marcava em torno de 10 graus e já imaginava que a noite iria ser incrivelmente GELADA. Bem, faz parte, estando a 2.421 metros de altitude.... Cume do Marins (com o Pico do Itaguaré ao fundo) Da borda leste do Marins, se avista esse vale e o som de uma cachoeira e um rio lá embaixo (dando inclusive para ver o rio descendo o vale A visão lá do cume do Marins é simplesmente espetacular e de se encher os olhos. Se tem uma visão de 360 graus de todo o vale do Paraíba, todo o trecho da travessia até o Pico do Itaguaré, com os picos do Marinzinho e Pedra redonda no caminho, ao fundo, o trecho de travessia da Serra fina e o Pico da Pedra da Mina bem ao fundo, entre outros. O topo do Marins é bem amplo e cabe pelo menos umas 15 barracas com folga, pois há várias clareiras. Vale do Paraíba parcialmente encoberto Trecho da travessia Marins x Itaguaré, visto do topo do Marins Pico da Pedra Redonda (zoom não saiu nada bem ) Pico do Itaguaré a esquerda e lá ao fundo, a imponente serra fina e o Pedra da Mina com seus quase 2.800 metros de altitude Após curtir o local e ver o astro-rei se pondo no horizonte, cada um foi preparar sua janta e logo em seguida, nos recolhemos as barracas. Eu aproveitei para apreciar as cidades lá do alto, todas iluminadas e a belissima noite estrelada. A noite foi relativamente tranquila,embora ventoso, as barracas que estavam nas areas expostas balançaram bastante, mas aguentaram firme. A noite foi gelada, mas meu saco de dormir e as blusas me mantiveram bem quentinho, felizmente. Pôr do sol visto do Topo Cruzeiro-SP A sombra do pico sobre o vale do Paraíba Após uma boa noite de sono, acordei as 6:10 com o som da movimentação do pessoal saindo das barracas, para ver o nascer do sol. O céu acima de nós estava totalmente limpo, enquanto um tapetão branco encobria totalmente as cidades do vale do Paraíba, formando um espetáculo único e de impressionar qualquer um. A temperatura estava abaixo de zero e as poças d´agua no cume formadas pelo orvalho e acumuladas pelas chuvas dos últimos dias, congelaram. -02ºC (abaixo de zero) Clareiras protegidas do vento em meio aos Tufos de capim elefante Após ver o astro-rei surgir entre as montanhas da serra fina, fui tomar meu café da manhã e bater mais fotos do entorno, como da sombra do Marins cobrindo os vales a oeste. Na borda leste do Marins em um vale ao fundo, se ouvia um som de uma cachoeira lá embaixo e se avistava o traçado de um rio descendo entre os vales....A natureza é um espetáculo a parte mesmo! Aguardando o nascer do sol Primeiros raios Vale do Paraíba totalmente encoberto Espetáculo da natureza, vale qualquer esforço Galera que ia fazer a travessia para o Itaguaré já estavam prontos e iniciando a descida para o vale, enquanto a turma que apenas subiu para acampar no Marins (como a minha), preparavam seus cafés da manhã. Pães, bolacha e toda sorte de doces estavam no cardápio.... Barraca desmontada e mochila nas costas, fiquei só de boa aguardando o pessoal.... As 9:30h, após todos prontos, descançado e curtição do local, batemos a tradicional foto clássica do grupo e iniciamos a descida de volta ao acampamento base Marins, agora tendo como desafio a emoção de ver tudo de frente que na subida viamos de costas. Como para descer todo santo ajuda, em 15 minutos já estavamos chegando ao corrego passa quatro, onde passamos batido. A descida/subida do cume é tensa, e em um trecho, chega a ser necessário auxilio de uma corda. Descer o trecho do funil foi tenso, pois ali ou se desce de corda, ou se desce bem devagar, e de costas. A bota/tênis precisa ter uma boa aderência, pois as saliências são estreitas e curtas. O uso da corda ali é recomendavel. Depois de 3 horas e meia de descida, estavamos de volta ao acampamento base onde chegamos as 13:10. alguns aproveitaram para trocar suas vestes sujas e molhadas por outras limpas e secas e após todos estarem prontos, descemos até piquete via estradinha pelo bairro dos Marins, tendo como cenário o Pico dos Marins imponente lá no alto. De volta a Piquete, estacionamos em um restaurante e mandamos ver um PF para forrar o estomago e comemorar a trip. Depois nos despedimos e cada um seguiu em seus carros de volta ao aconchego de seus lares. ------------------------------------------------------------------- Como chegar ao Pico dos Marins: Para quem vem de SP ou Rio, via Dutra: Pela Rodovia Presidente Dutra (BR 116) saída 51, seguir pela BR 459, passar por Piquete e logo em seguida (800 metros) virar à direita para a Estrada Viscinal José Rodrigues Ferreira que dá acesso à Vila dos Marins. Quando chegar ao fim do asfalto, que é na saída da Vila dos Marins, suba à esquerda até o final da serra, passe o portal do município de Marmelópolis na divisa SP-MG, entre à direita e logo em seguida você chegará ao Acampamento Base Marins. Outros detalhes e maiores informações aqui: http://www.marinzeiro.com/como_chegar.html#sprj ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- A quem ainda não foi no pico dos Marins, atente-se a esses detalhes: -> De fds e principalmente feriados, é preciso chegar o mais cedo possivel. Quem chega cedo pega os melhores locais para acampar e quem chega tarde os piores (e que são descampados e totalmente expostos aos ventos), ou então, descer e acampar na base. No final da tarde, com a chegada dos demais grupos, a area de camping estava lotada e quem chegou no final do dia ou inicio da noite, não encontrou espaço,tendo que descer e acampar na base. -> Por isso, se pretende subir o Marins, inicie a subida do pico o mais cedo possivel (até no máximo, 9:00h). Nosso grupo iria subir nesse horário, mas por conta do tempo que perdemos com os carros atolados, atrasamos em 1 hora, mas outros grupos tb atrasaram. Porém, como a galera foi num ritmo bom, chegamos relativamente cedo. -> Água só há no acampamento base e no morro do careca, antes da placa que indica o começo da trilha. Na base tb há, mas como dito no relato, está poluída e nem os clorin da vida salvam mais. Portanto, esquecam e tragam do morro do careca. Lembre-se, é melhor pecar pelo excesso do que pela falta. -> Evitem a estrada da fazenda Saiqui caso tenha chovido a pelo menos 2 dias antes de sua viagem, pois a mesma costuma virar um lamaçal. E se teu carro atolar em um desses lamaçal e não tiver uma turma para ajudar a empurrar o veículo, só sairá de lá guinchado. -> De mochila leve e um bom ritmo, leva-se entre 2 a 3 horas para subir até o cume. -> Já de mochila pesada (cargueira), a subida pode levar mais de 6 horas, se não estiver acostumado com trilhas de longo percurso. Portanto, precisa ter um bom preparo físico, experiência e ritmo para essa trilha que é longa, tortuosa, cansativa e exigente. -> Essa trilha é recomendada somente para pessoas de nível intermediário para cima e com noções básicas de caminhada em rochedos de campos de altitude. -> Não recomendo levar iniciantes nessa trilha. Eles ainda não possuem o ritmo, pique e resistência física adequados para a subida, podendo sofrer alguma lesão e parando no meio do caminho, fora outros problemas que podem sofrer pela pouca ou nenhuma experiência com trilhas desse nível de dificuldade. -> E por fim: Seja um trilheiro e montanhista consciente, não um farofeiro porco. Leve seu lixo de volta com você. Se você suja e emporcalha o ambiente, vem os eco-chatos com mimimi e o governo acabará fechando a trilha utilizando essas desculpas, transformando áreas que antes eram de acesso livre em pseudos parques como o de Paranapiacaba, obrigando a contratação de guia para ter acesso as trilhas, independente de ser experiente ou não.
  4. Depois de muitos anos usando o mochileiros, finalmente consegui escrever meu primeiro relato. O relato é da travessia que apelidamos de M&M (Milton/ Maeda), realizada em Abril deste ano. O trajeto foi o seguinte: Milton (Base do Marins) - Pico do Marins - Marinzinho – Maeda Data: 03 e 04 de Abril de 2015. Tempo do trajeto: 5h50 ida e 8h volta. Preparação A travessia Marins-Itaguaré já está há dois anos na minha lista de pretensões. Ainda não a arrisquei por um pouco de receio em relação à navegação e preparo físico. Resolvi então começar devagar e conhecer primeiro uma parte da trilha, o Pico dos Marins. A ideia era chegar na noite de véspera e dormir no acampamento base para iniciar a trilha bem cedo no dia seguinte, dormir no Cume do Marins e voltar ao acampamento base no dia seguinte. Porém, após ler relatos recentes descobri que o Milton que cuidava do acampamento base já não estava mais lá e que o local estava desativado, existindo inclusive relatos de roubos no estacionamento. Pensando nisso procurei lugares alternativos de pernoite e descobri o Camping e Pousada do seu Maeda. Imaginei que fosse próximo do acampamento base e assim decidimos pernoitar lá. Posteriormente descobrimos que o Maeda não fica assim tão perto do inicio da trilha, o que nos fez adaptar o roteiro. Decidimos então que subiríamos o Pico dos Marins e dormiríamos no cume e, no dia seguinte, já que o carro estaria no Maeda, desceríamos do Marinzinho pela trilha do Maeda. No fim foi a melhor opção, pois assim conhecemos mais uma parte do percurso da travessia. Percurso definido, agora era só arrumar as cargueiras e esperar o grande dia. De São Paulo até o Cume do Marins Saímos de São Paulo por volta das 18h. Combinamos de encontrar os outros integrantes do grupo no ultimo posto de gasolina da Carvalho Pinto, onde fizemos uma parada de uns 40 minutos e seguimos sentido Lorena. A estrada Lorena-Itajubá começa tranquila, mas logo fica sinuosa. Como não tem lugar para ultrapassar, acabamos ficando um bom tempo presos atrás de dois caminhões enormes que andavam muito devagar. Saindo em Delfin Moreira a estrada fica ainda mais sinuosa, e depois de Marmelópolis há um grande trecho em estrada de terra. Acabamos chegando à Pousada por volta da meia noite. Apesar de ter muitas curvas e um trecho sem asfalto a estrada está em muito bom estado. O senhor Maeda nos recebeu muito bem, já nos esperava com pinhões e chá para nos aquecer. Nos falou sobre as trilhas, nos contou de quando abriu a travessia Marins-Itaguaré e também a Serra Fina. Este senhor é uma atração a parte e vale muito a pena conhecê-lo. Eu achava que a pousada dele ficava bem próxima ao acampamento base, mas me enganei. Ele está a 8km de lá, a estrada não é grande coisa para se percorrer com carros baixos e por isso acabamos fechando uns transfer até lá. Ele cobrou 35 por pessoa e as 8h partimos da pousada rumo ao acampamento base. Saímos do acampamento base as 8:40, a trilha começa no final do estacionamento à esquerda e segue com algumas subidas fortes até o primeiro ponto de referência que é o Morro do Careca, que fica há aproximadamente 1h30 do início da trilha. Pra chegar aqui foi sofrido, muito tempo sem fazer trilha com cargueira, meu corpo ainda estava lembrando de como era. Passando o Morro do Careca há uma bifurcação, à esquerda chega-se ao único ponto de água potável da travessia e à direita a trilha continua por mata fechada sentido Pico dos Marins. No início deste trecho há uma placa com indicação dos picos e mirantes e suas respectivas altitudes e após uns 10 minutos de caminhada a trilha se torna mais aberta em meio a arbustos e rochas. Até a base do Marins há dois maciços a serem superados. Logo na chegada do primeiro há uma rocha que chamam de Grande Totém (ela realmente lembra um totem gigante), neste momento deve-se seguir a esquerda em direção à Pedra da Andorinha (ou Golfinho) e seguir fazendo o seu contorno sempre pela esquerda. Finalizando esta volta haverá uma pedra grande e quadra que alguns costumam chamar de Dado, o nome é alto explicativo. Resolvemos parar aqui para comer e repor as energias. Neste ponto meu corpo já tinha entrado no ritmo e tudo parecia mais fácil! A paisagem durante todo esse trajeto é sensacional. De um lado fica as montanhas de Minas Gerais e em frente as formações rochosas. Esse complexo do Marins me lembra bastante o do Itatiaia, mas mesmo sendo parecido não deixei de me surpreender e me encantar. Continuamos antes que o corpo pudesse esfriar. A pedra que lembra um Dado marca o início da volta no segundo maciço, que também deve ser contornado pela esquerda. No entanto é necessário subi-lo quase até o topo e um pouco antes da crista pegar a trilha que seguirá à esquerda. Neste trecho não se avista mais o Pico dos Marins e a referência passa a ser o Marinzinho que ficará à esquerda. Depois desta volta a trilha continua pelo alto do maciço e é possível se orientar por totens e setas marcadas nas rochas. Como a vegetação é baixa não há uma trilha bem definida, mas sim uma série de caminhos possíveis desde que seguindo os pontos de orientação. Ao final deste maciço já é possível ver o Pico dos Marins mais a Direita (quase em frente) e o Marinzinho ficará ainda mais a esquerda com uma pequena montanha (o platô) a sua frente. Aqui será necessário cruzar a nascente do Ribeirão Passa Quatro e seguir até a base do Marins. Há uma placa indicando que esta água do Ribeirão é contaminada, portanto só a utilizem em extrema necessidade e com o uso de cloro. Após cruzar a água a trilha sobe a direita seguindo os totens e finalmente chega ao paredão que dá acesso ao cume. Pra esse paredão não há alternativa, tenha fé na sua bota e suba. Faltando uns 5 metros do cume dei uma bobeira, minha bota escorregou numa fenda e ralei meus dois antebraços. Ossos do ofício. Rs Chegamos ao Cume as 14:30 e fomos logo buscar um local pra montar as barracas, pois já tinha bastante gente lá em cima. Por sorte conseguimos montá-las todas próximas. Na hora seguinte muitos grupos chegaram e alguns deles tiveram que voltar à base por falta de lugar. Ficamos lá apreciando a paisagem que e no final da tarde fomos agraciados com um Pôr do Sol sensacional de um lado a Lua quase cheia que nascia do outro. Com a noite o frio e o vento tomaram conta. Nos vestimos jantamos, apreciamos um pouco mais a lua e fomos dormir. Do Cume do Marins até o seu Maeda. Acordamos as 5:30 para assistir ao nascer do Sol e essa foi uma das decisões mais acertadas que tivemos. O cenário foi inverso ao que aconteceu no final da tarde anterior. Mas tínhamos de novo as duas atrações, de um lado a Lua quase cor de rosa se punha e do outro o Sol vermelho e imponente nascia. Depois desse espetáculo, tomamos nosso café da manhã dentro da barraca já que o frio estava de rachar, e logo arrumamos as coisas para iniciar a pernada que neste dia começou as 8 horas. Do Pico do Marins descemos o paredão em um ritmo bem lento, contrariando o ditado que diz que pra baixo todo santo ajuda. Fomos até a placa de água contaminada, cruzamos o Ribeirão Passa Quatro e seguimos a direita sentido a montanha mais baixa que leva ao platô que antecede o Marinzinho. No início da subida desta pequena montanha há a esquerda um aglomerado de mata um pouco mais alta e no meio dela, em algumas épocas do ano, é possível encontrar uma fonte de água potável. A trilha continua até o platô e de lá há uma pequena descida a esquerda até um charco que deve ser atravessado. Passando o charco a trilha continua com uma subida forte pela rocha em direção à crista. Havia aqui uma trilha que de início estava bem demarcada e parecia uma boa alternativa, pois dava a impressão de que chegava ao cume pelos arbustos, mas logo a trilha fica menos nítida deixando claro que a subida pela rocha é a opção correta, mas a rocha onde parece que essa trilha acaba é um paredão intransponível. Tínhamos dois tracklogs, um indicava o caminho pelo arbusto, o outro sugeria que deveríamos subir o paredão. Resolvemos tentar o paredão. Conseguimos passar por um primeiro patamar, quase nos arriscamos a escalar pra mais um segundo patamar, mas depois de refletirmos sobre as alternativas e os riscos sugeri ao grupo que voltássemos um pouco nessa trilha, pois estava perigoso, podíamos não conseguir descer novamente e eu tinha a impressão de ter visto um caminho mais acessível um pouco mais pra trás do ponto em que estávamos. Decisão certeira, ao voltarmos conseguimos ver alguns toténs que antes nos passaram despercebidos. Tirei a cargueira e subi mais um pouco para ter certeza e constatei que era mesmo o caminho correto. Aqui a trilha é sempre pra cima até o cume do Marinzinho, onde há uma placa e uma sinalização na rocha escrita em tinta amarela indicando a trilha do Maeda. Demoramos quase quatro horas até o cume do Marinzinho e em geral o tempo previsto é de duas horas, ou seja, se fossemos fazer a travessia para o Itaguaré creio que já estaríamos em apuros. Resolvermos parar no cume para um lanche e repor as energias. A trilha do Maeda é exageradamente demarcada, com muitas pedras sinalizadas com setas amarelas. As primeiras duas horas são de descida bem íngreme pelas pedras, tendo inclusive uma passagem que exige o auxilio de uma corda fixa deixada lá pelo seu Maeda. Depois deste trecho por rocha há uma subidinha até o Mirante Sto. Antônio e então a descida segue menos técnica, porém constante, até a estradinha que dá acesso à Pousada do Maeda. Desta trilha é possível pegar uma bifurcação que levará até a Pedra Montada e mais a frente uma outra que leva até a cachoeira. Nós ainda voltaríamos pra São Paulo neste dia e por isso optamos por não passar por estes pontos! Demoramos 4 horas do cume do Marinzinho até o Maeda chegando lá por volta das 16h. Tomamos um bom banho (ele cobra R$10,00), contamos os causos da trilha, comemos alguns pinhões e voltamos esgotados e felizes para São Paulo. Algumas fotos pra deixar o pessoal com vontate!!
  5. https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_picos_do_Brasil Algumas montanhas em ordem de altitude (algumas não homologadas oficialmente pelo IBGE): Ordem Montanha Altitude (m) [1] Altitude (pés) Serra Região Coordenadas[1] Proeminência topográfica (m) Cume pai Primeira ascensão Pedra do Açu 2232 Serra dos Órgãos Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) Pico Açu 1 Pico da Neblina 2 995[2] 9827 Serra do Imeri Brasil(Amazonas/Região Norte) 0° 48' 24" N66° 0' 18" O 2886 nenhum 1965 2 Pico 31 de Março 2974[3] 162 Serra do Imeri Brasil(Amazonas/Região Norte); Venezuela 0° 48' 22" N66° 0' 17" O 2972 nenhum 3 Pico da Bandeira 2891[4] 9486 Serra do Caparaó Brasil (Espírito Santo e Minas Gerais/Região Sudeste) 20° 26' 04" S41° 47' 44" O 2640 nenhum 4 Pico do Calçado 2 849 9347 Serra do Caparaó Brasil (Espírito Santo e Minas Gerais/Região Sudeste) 20° 26' 04" S41° 47' 44" O 2849 nenhum 1965|- 5 Pedra da Mina 2798[5] 9180 Serra da Mantiqueira Brasil (São Paulo,Minas Gerais/Região Sudeste) 22° 25' 40" S44° 50' 33" O nenhum 6 Pico das Agulhas Negras 2791[6] 9157 Serra da Mantiqueira Brasil (Rio de Janeiro e Minas Gerais/Região Sudeste) 22° 22' 47" S44° 39' 40" O 2791 nenhum 1919[7] 7 Pico do Cristal 2769[8] 9085 Serra do Caparaó Brasil (Minas Gerais/Região Sudeste) 20° 26' 37" S41° 48' 40" O nenhum 8 Monte Roraima 2734[9] 8970 Serra de Pacaraima Brasil, Venezuela,Guiana 5° 12' 07" N60° 44' 16" O nenhum 9 Morro do Couto 2680 8793 Serra da Mantiqueira Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 22° 23' 04" S44° 41' 49" O nenhum 10 Pedra do Sino de Itatiaia 2670 8760 Serra da Mantiqueira Brasil (Minas Gerais/Região Sudeste) 22° 22' 13" S44° 39' 42" O nenhum 11 Pico dos Três Estados 2665 8743 Serra da Mantiqueira Brasil (São Paulo,Minas Gerais,Rio de Janeiro/Região Sudeste) 22° 25' 24" S44° 48' 48" O 2665 nenhum 12 Pedra do Altar 2665 8743 Serra da Mantiqueira Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 22° 22' 24" S44° 40' 22" O nenhum 13 Morro da Cruz do Negro 2658 8720 Serra do Caparaó Brasil (Espírito Santo/Região Sudeste) 20° 24' 52" S41° 48' 10" O nenhum 14 Pico do Tesouro 2620 8596 Serra do Caparaó Brasil (Espírito Santo/Região Sudeste) 20° 23' 05" S41° 47' 21" O nenhum 15 Pico do Garrafão ou Santo Agostinho 2425 7956 Serra do Papagaio Brasil (Minas Gerais/Região Sudeste) 22° 11' 51" S44° 47' 29" O 16 Pico dos Marins 2421 7943 Serra da Mantiqueira Brasil (São Paulo/Região Sudeste) 22° 30' 09" S45° 07' 16" O nenhum 17 Pico Maior de Friburgo 2316 7943 Serra do Mar Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 22° 21' 06" S42° 35' 11" O nenhum 18 Pico do Itaguaré 2308 Serra da Mantiqueira Brasil (São Paulo,Minas Gerais/Região Sudeste) 22° 29' 18" S 45° 05' 04" O 19 Pedra do Sino 2275 7464 Serra dos Órgãos Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 20 Pico da Caledônia 2255 7464 Serra do Mar Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 22° 21' 12" S42° 35' 12" O nenhum 21 Cara do Cão 2180 7152 Serra dos Órgãos Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 22 Pedra de São Pedro 2134 7001 Serra dos Órgãos Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 23 Pedra da Cruz 2130 6988 Serra dos Órgãos Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 24 Pedra de São João 2100 6890 Serra dos Órgãos Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 25 Forno Grande 2084 Castelo-ES 25 Pico do Selado 2083 6834 Serra da Mantiqueira Brasil (Minas Gerais,São Paulo/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 26 Pico do Sol 2072 6798 Serra do Caraça Brasil (Minas Gerais/Região Central) -20.114373, -43.444234 nenhum 27 Pico do Inficionado 2069 6788 Serra do Caraça Brasil (Minas Gerais/Região Central) -20.134453, -43.451945 nenhum 28 Pico do Itambé 2052 6732 Serra do Espinhaço Brasil (Minas Gerais/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 29 Pedra de São Domingos 2050 6726 Serra da Mantiqueira Brasil (Minas Gerais/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 30 Pico do Barbado 2033 6669,948 Chapada Diamantina Brasil (Bahia) 13° 17' 41" S 41° 54' 28.6" O nenhum 31 Garrafão 1980 6496 Serra dos Órgãos Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 32 Pico da Carapuça 1955 6414 Serra do Caraça Brasil (Minas Gerais/Região Central) -20.088929, -43.472622 nenhum 33 Pico da Cangerana 1890 6200 Serra do Caraça Brasil(Minas Gerais/Região Central) -20.135602, -43.513497 nenhum 34 Pico Paraná 1877 6158 Serra do Ibitiraquire Brasil(Paraná/Região Sul) 25° 14' 59" S48° 48' 47" O 1877 nenhum 1941 35 Pico dos Dias 1864 6115 Serra da Mantiqueira Brasil (Minas Gerais/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 36 Pico Caratuva 1860 6102 Serra do Ibitiraquire Brasil(Paraná/Região Sul) 25° 14' 26" S48° 49' 41" O 1860 Pico Paraná 37 Pedra da Macela 1840 6050 Serra doMar Brasil (São Paulo,Rio de Janeiro/Região Sudeste) 23°8'23"S 44°48'49"W 38 Pico Formosa 1825 5988 Serra do Espinhaço Brasil (Minas Gerais/Região Sudeste) 15° 14' 17" S42° 49' 22" O 39 Pico Itapiroca 1805 5922 Serra do Ibitiraquire Brasil(Paraná/Região Sul) 25° 14' 51" S48° 50' 10" O 1805 Pico Paraná 40 Pico Agudo 1703 5587 Serra da Mantiqueira Brasil (São Paulo/Região Sudeste) 22° 51′ 48″ S 45° 39′ 3″ W 41 Dedo de Deus 1692 5551 Serra dos Órgãos Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 42 Pico do Gavião 1663 5456 Serra do Caracol,Minas Gerais Brasil (Região Sudeste) 25° 27' 7" S48° 55' 7" O 1663 nenhum
  6. Antes de tudo... ...anteriormente, em alguma de nossos rolês já tínhamos cogitado de fazer um ataque ao Pico do Marins num rápido bate/volta, mas o problema seria a organização da logística somada às várias dúvidas > qual horário começar a trilha? Qual horário sair de Sampa? Será que iria compensar subir e descer no mesmo dia sem ter algum atrativo natural? Ex.: pôr/nascer do sol, o crepúsculo, tapetes de nuvens ao amanhecer, coisa e tal. Mesmo sem saber como isso terminaria, ficou decidido que seria feito como combinado (num simples bate/volta). Até que surgiu um novo objetivo junto a uma contraproposta: sair do centro de Sampa ao meio dia de um sábado, começar a subida às 16:00h, acampar no cume pra ver o sol nascer, e descer por volta das 10:00h. Essa ideia, foi com certeza a mais audaciosa que tivemos pra concluir a subida ao Marins, sendo quê, nenhum dos envolvidos já tinha ido lá antes, ninguém conhecia o caminho. E justamente por isso, foi uma escolha por unanimidade. rsrs Mas de quem foi essa idéia idiota mesmo? Kkkkkk Com o consentimento de todos, Valério marcou de voltar lá (pela terceira vez),porém, ele e os dois de seus amigos que o acompanhariam eram os únicos que sabiam o caminho, eles iriam na sexta feira a noite para dormir em Piquete e começariam a subir no sábado pela manhã, nos esperando acampados no cume. PRESSÃO PSICOLÓGICA Eu estava com a ansiedade a flor da pele, igual aos adolescentes que desejam a primeira transa rsrs. Dois dias antes, coisas aconteciam como se quisessem dizer que não deveríamos ir a essa missão. Mesmo que estando preparados. Um dos amigos de Valério que iria com ele, sofreu um infarto e ficou hospitalizado, o outro companheiro se manteve solidário no hospital oferecendo apoio moral e aguardando a recuperação do amigo. Desmotivado, o trio retrocedeu. Aliás, é de se entender, não haveria clima pra continuarem com o plano. Passado isso, o grupo que seria de 8 integrantes num total, se reduziu a 5, e nos finalmente se formou um quarteto >>>> Diego Lopes, Eduardo Oliveira, Léo Almeida e Eu (Vgn Vagner). Na véspera, eu acordei lesado, malzão... com uma baita dor de cabeça, dores pelo corpo e garganta inflamada. Pensei: Pronto, com essa gripe me destruindo? agora que não vai rolar mesmo! Como que os "cara" vão, se o combinado era de irmos com o meu carro? Aaahhhh não... Me afundei em remédios e melhorei rsrs. E por fim, no dia de nossa empreitada (21/06/2014), pouco antes de sair de casa, minha esposa que já é bem acostumada com minhas viagens, me deu um abraço apertado e em silêncio começou a chorar baixinho, preocupada, sem saber me dizer com o quê, ou o por quê desse choro (inédito). Isso fez com que eu pegasse o carro com um certo medo antes de ir trabalhar, bem preocupado com o que poderia vir pela frente. Será que esses acontecimentos era algum tipo de presságio, premonição, aviso? Sei lá. Não pensei duas vezes #partiuobonde kkk Ainda no trabalho, eu olhava o céu e via uma manhã sinistra, fria e com nuvens carregadas. Aff, minha preocupação só aumentava. Mas nada de pensar em desistir. Relato Mesmo com a mente rodeada de incertezas e uma cisma de que nada conspirava a favor, ao meio dia e quinze eu já estava de encontro com meus amigos. Na real, "quando você sente medo, deve dizer ao seu coração que quando se parte na busca de um sonho, você está em busca da companhia de Deus, e que todas energias do universo conspiram ao seu favor". Então eu fui em busca do meu sonho, e só não compartilhei meus receios com os camaradas para não atrair mais pensamentos negativos e azedar as intenções dos Brothers. Saindo da Rod Presidente Dutra, entrando em direção a Piquete escolhemos o caminho mais curto até o Acampamento Base dos Marins, fomos avisados que por essa parte a estrada estaria péssima, mas na verdade estava péssima elevado à décima potência multiplicado por 3.000 = HORRÍVEL rs. Nem 2 km de subida, e os meus Brothers já tiveram que descer do carro duas vezes para que pudéssemos vencer a buraqueira e prosseguir. Nossa sorte foi acreditar num sertanejo e família, que desciam a serra com um Renault Duster (4x4) todo chapiscado de lama. Perguntei se estava difícil lá pra cima. Ele disse que estava feio, que no dia anterior tentou subir com um Prisma e não conseguiu. Lançou aquela olhada de desdém no meu valente Fiesta 1.0 e disse: você não vai conseguir subir com esse carro aí não!! Vocês nem começaram a subir a serra ainda, disse a mulher no banco do passageiro. Pior que o fdp estava certo -pensei. Não pensamos de novo, fiz o balão e retornamos à BR-459 pra tentar recuperar o tempo perdido, mas foi complicado devido ao trânsito de carretas subindo a serra. Inclusive, tentando ultrapassar uma delas, quase fomos prensados na traseira de um caminhão que seguia lento. Caminhoneiro é lokão, sentando o pé e ultrapassando nas curvas em aclive... saaaaiii Zica rs. Quando chegamos na base, Milton, que é um dos maiores conhecedores e guia da região questionou: - Vocês vão subir ainda hoje? - sim- respondemos - já estiveram aqui antes, conhecem o caminho? - não. Primeira vez. - vocês estão com pique, hein!? - e botando fé na nossa jogada, ele ainda nos encheu de dicas descrevendo o caminho e dando ênfase aos pontos de referência que iríamos passar. Um grupo que acabava de chegar da travessia Marins x Itaguaré também questionou, e quando dissemos que ninguém do grupo conhecia o trajeto, um olhava pro outro com cara de reprovação como quem diz: vocês são loucos, sem conhecer, no escuro e só o GPS como guia? É roubada, vão se perder. Aconselharmos a subirem pela manhã, pelo menos terão visibilidade. Afirmaram que o GPS deles (mesmo que o nosso ) tinha horas que dava margens de erro num diâmetro de 30 metros, e reencontrar a trilha durante a noite só dificultava o andamento. Essa mesma reprovação se tornou repetitiva quando, após às 17:50h dávamos os primeiros passos firmes rumo ao ataque. A partir dali, o que nos movia era um misto de coragem, bravura, cumplicidade e respeito às permissões divina. O tempo de subida foi além das expectativas. Fomos carrascos de nos mesmos enquanto as horas passavam. As mochilas eram aliadas por compactar nossos utensílios, mas se tornavam inimigas de peso quando tentávamos avançar morro acima. Aff, haja ombro. Mesmo que primários nesta montanha, estávamos no mínimo preparados... Passamos por um trio que retornava do cume, e numa curta conversa rendeu nova reprovação às nossas intenções. Mas um deles, bem que queria comprar umas das nossas lanternas de cabeça por 50 mangos hehe. O segundo grupo já era maior, umas 10 pessoas, entre adultos e crianças, desciam no breu da noite na mata com apenas um celular para iluminar o caminho. Logo a frente o terceiro grupo, três adultos e uma criança, desciam sem nenhuma iluminação. Não tiveram nem a ideia de ligar a luz do celular que estava na bolsa de uma delas. Muito despreparo. Pouco depois apagamos nossas lanternas pra se ter a noção do que eles realmente passavam. Noooooosssa, é a mesma coisa que estar de olhos fechados, breu total. Essa situação nos deu mais segurança em relação aos equipos que tínhamos em mãos. Quando chegamos no Morro do Careca, 1.805 mts de altitude (ponto de partida "oficial" da trilha), a neblina tomava conta, e mesmo em campo aberto foi difícil visualizar a direção correta, e mesmo assim, encontramos a placa que indica um mapeamento do percurso. Como seria bom se as dificuldades fossem somente as que encontramos até então rs. O caminho era muito cumprido a ser cumprido, e toda brincadeira estava só começando (mto frio). A navegação era difícil, contornar rochas, escalar rochas, mergulhar dentre moitas de capim elefante que hora fechavam a passagem e encobriam a visão num terreno totalmente irregular. Aaahhh meu amigo, isso é coisa pra gente grande. E com certeza isso traria consequências. O Edu foi quem mais sofreu por causa da mochila extremamente pesada e exigências de seu organismo. Além de estar carregando um saco de dormir gigante que cabem 85 pessoas kkk, ele também tinha muita água pra consumo. O menino parece um camelo a andar no deserto do Saara por 500 dias rsrs. No frio que fez, ele pingava suor. Imagina a sede. Todo sacrifício que ainda estava por vi já trazia sua recompensa antecipada. Em um das pausas pra comer e descansar, foi só olhar pra cima e ver um céu altamente estrelado, mas tão estrelado que me senti no Atacama. Aliás, o Edu já esteve no deserto do Atacama assistindo tal espetáculo, ele disse que estávamos vendo e vivendo tudo tão grandioso e lindo como no Atacama/Chile, que dizem ter o melhor planetário do mundo para observar o universo. Volta e meia repetimos essas paradas pra retomar as forças. Apagávamos nossas lanternas na intensão de vitalizar ainda mais o cenário, enquanto cada estrela cadente que cruzava o céu deixava um rastro mágico de luz, eu particularmente só admirava, e ainda não sei descrever o que sentia. Fantástico. Horas passaram e a os maciços chegaram trazendo as partes mais tortuosas entre trechos de escalaminhadas. A única parte em que se tem um ponto de apoio seguro é onde está amarrada uma corda dupla, com nós para se fixar e vencer fácil fácil a subida de uns 10 metros em forte inclinação. Fora isso, é na raça mesmo, e no braço é osso meus amigos ! hehe. Com o Primeiro maciço ficando pra trás, logo após da treta que foi subir "a canaleta" , tendo como obstáculo uma aranha do tamanho de uma caixinha de fósforos entre as fendas, passamos pelo 2° maciço pouco antes da nascente do ribeirão. Aí sim a coisa Com-pli-cou. Já era perto das 23h e o GPS calhou de dar "aquela margem de erro" que o outro grupo alertou antes da gente subir. Mas justo agora? Em certos momentos o tracklog indicava caminhos que levariam a vales e penhascos. Batemos cabeça um bom tempo procurando "o 4° acampamento" pra poder desancar, o stress já era fortemente presente, minha lanterna descarregando, o Edu a tempos já afirmava que não dava mais pra prosseguir. O peso, o cansaço, a incerteza de quanto ainda teríamos pela frente deu um down na nossa resistência. O Edu chegou ao ponto de pedir pra seguirmos sem ele, que ele poderia acampar sozinho e em qualquer lugar que fosse pra não atrapalhar a continuação da bagaça. NUNCA, JAMAIS!!! SETÁLOKO??? -reagimos- Entramos juntos, sairemos juntos, se for pra parar, paramos todos juntos, e mesmo se for pra desistir, vencidos por qualquer motivo, estaremos juntos. Essa força nos torna uma unidade, mostra o respeito que devemos ter com o ser humano e amigo/companheiro que se dispõe nas aventuras com a gente, pois, coisas boas é o que desejamos, mas, coisas ruins também podem acontecer. Lembramos do caso do "Desaparecimento" mais famoso do Brasil, quando um garoto, de 15 anos de idade, sumiu enquanto tentava alcançar o cume acompanhado de guia + um grupo de Escoteiros. O ocorrido foi no próprio Pico dos Marins, no dia 08/06/1985. Esse caso rendeu reportagens, dois livros: Operação Marins 1 e 2 que relacionam o desaparecimento à Ufos (Et's). "O desaparecimento misterioso de Marco Aurélio e o fato de não conseguirem encontrar nenhum tipo de vestígio do escoteiro deixou perplexos os homens que participaram das buscas, bem como as autoridades envolvidas. Não foram encontrados rastros, marcas, roupas ou pertences como faca, cantil ou canivete. Nada foi encontrado. Foi como se ele nunca estivesse estado naquele local. Seu desaparecimento transformou-se em um enigma até os dias de hoje." Mais infos neste site >>> http://www.sobrenatural.org/materia/detalhar/20597/o_misterioso_desaparecimento_do_escoteiro_nos_anos_80/ Depois de andar um tanto a esmo, a intenção era achar o camping que estava por perto. Paramos pra raciocinar e estudar as possibilidades, foi quando dentro de uma barraca, a uns 20 mts de nós, acenderam uma lanterna na tentativa de saber o que acontecia nos arredores. Já era dez pra uma da madruga. Foi só o tempo de montar as barracas e comer alguma coisa antes de dormir. Como não alcançamos o cume numa jornada de 7 horas, e o nosso objetivo era ver o sol nascer, acordamos às 04:00 da manhã, tomamos um cafezinho esperto, e partimos em ritmo forte ao que restava. Devido às dores no quadril e já leve torção no tornozelo o Edu decidiu ficar e se poupar prã conseguir retornar sem complicações. Todos os equipos ficaram nas barracas ainda montadas. Subimos, e subimos forte a parte mais íngreme e perigosa da direita rochosa ainda no escuro, e uma hora depois alcançamos o cume lotado de barracas. A claridade demorou, mas logo trouxe nossa recompensa. O sol nasceu lindo emergindo por trás da Serra Fina dando vida a paisagem e aquecendo bem devagar aquela manhã. Ficamos pouco mais de duas horas e tiramos 3.985 fotos cada um kkkk- brincadeira. Foi o suficiente para valer a pena. Nossa descida foi tranquila até o nosso acampamento. Preparamos o café da manhã enquanto o sol secava nossos pertences molhados pelo sereno da madrugada. Com a luz do dia foi beeeem mais fácil refazer o caminho, que entre paradas para fotos, comes e bébes nos rendeu 4 horas pra voltar com pique. Mas na reta final a galera se arrastava feito zumbis, o Diego e o Edu não sabiam mais falar kkkkk não tinham forças pra mais nada. Kkk O Milton nos recebeu curioso sobre o que passamos. A fome era gigante, e um almoço seria um bênção de Deus naquele momento, mas como não há nada por perto, o Leo pediu aqueeela porção de calabresa, a mais gostosa de todas as viagens rs. E tome-lhe conversa. Inclusive, o Milton disse que se fossemos numa data mais pra frente não o conheceremos, por que a dona do lugar onde tem o Acampamento Base não quer mais alugar à ele, então, ainda sem saber qual a procedência do destino, ele não terá mais aquele local como fonte de trabalho. Ele continuará guiando grupos pela região, continuará fazendo os "resgates" de quem faz a travessia Marins x itaguaré, mas, é bom se informar antes através os contatos. Depois disso finalizamos nossa missão. Era hora de enfrentar horas de trânsito até chegar em casa. Agradeço a Deus por nos guiar nesse caminho, nos levando e nos trazendo de volta sob seus cuidados. > Diego, Edu e Léo, obrigado irmãos < Dicas Percurso: 6 km Tempo de percurso: de 4 a 8 horas dependendo do que se carrega Grau de dificuldade: médio p/ alto Altitude do cume: 2.421 metros Obs.:existem três tipo de marcações pelo caminho: totens de pedra, setas brancas e setas amarelas. Escolha apenas uma partes orientar e não se confundir. Dizem que a melhor opção são os totens e a mais confusa são as setas amarelas. Contatos do Milton: Telefone (11) 9770-1991 E-mail: [email protected] Site: http://basemarins.multiply.com/ O o próprio site destinado ao Marins contém mais dicas importantíssimas pra que vai a primeira vez: Saiba como chegar, o quê levar, e tenha conhecimento neste link >>> http://www.marinzeiro.com/home.htm. Histórico referente a distância e altitude da trilha: Planilha de distâncias: Distâncias e altitudes aproximadas e relativas ao início da trilha no Acampamento Base Marins Ponto Distância Altitude Início da trilha 0 m 1.561 m Início da crista 2,45 km 1.807 m 1ª Porteira 600 m 1.600 m 2º Acampamento 3 km 1.982 m Estrada 640 m 1.592 m Portal 3,3 km 2.038 m 2ª Porteira 850 m 1.614 m 1º Pico 3,6 km 2.080 m 1º Mirante 1,2 km 1.684 m Rampa 3,75 km 2.065 m 2º Mirante 1,3 km 1.697 m 3º Acampamento 3,9 km 2.089 m 3º Mirante 1,5 km 1.716 m Lance de escalada 4,4 km 2.208 m 1ª Bifurcação 1,6 km 1.740 m 4º Acampamento 4,8 km 2.228 m Platô inferior ao cume 1,84 km 1.797 m Água não confiável 5 km 2.219 m Ponto de Água 2,1 km 1.772 m 5º Acampamento 5,6 km 2.338 m 1º Acampamento 2,3 km 1.786 m Pico dos Marins 6 km 2.420 m É isso. [attachment=5]10411312_656095717815838_1
  7. Segue minha experiência no Pico dos Marins em Piquete / SP. Resumo: Trecho da viagem Campinas - Cruzeiro - Piquete obs: Tem como ir direto para Piquete por Lorena, mas passei em Cruzeiro para pegar um amigo na rodoviária o que foi ÓTIMO! Pois a estrada Cruzeiro - Piquete é uma das mais bonitas que já vi na região. combustível: R$ 150,00 (ida e volta aproximado) pedágio: R$ 79,80 (ida e volta) Entrada no parque: R$ 20,00 (diária por carro) Camping no Acampamento Base do Parque: R$ 10,00 (por pessoa com estrutura de banheiro, chuveiro, cozinha) Alojamento no Acampamento Base do Parque op1: R$ 40,00 (por pessoa sem café da manhã) Alojamento no Acampamento Base do Parque op2: R$ 50,00 (por pessoa com café da manhã) Camping fora da Base do parque: sem custo e sem estrutura nenhuma Dicas / Leve com você: muita água comida (não conte que você vai comprar algo lá) lanterna gps muita roupa de frio dinheiro para pagar o parque Links: http://www.marinzeiro.com/home.html http://www.mapeia.com http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=5635059 (usei essa trilha no gps Garmin e no celular com o aplicativo GPX Viewer) 1º dia 05/09/2015 - sábado Sai as 10h de Campinas em direção a Cruzeiro e peguei uma estrada que vai por dentro indo para Piquete. Levei aproximadamente 3:30hrs, gastei uns R$ 75,00 com combustível e R$ 39,90 com pedágio e o mesmo tanto para voltar. Chegando em Piquete o acesso ao Parque dos Marins é bem sinalizado. Como eu vim de Cruzeiro o acesso é uma rampa do lado esquerdo. Quem vai por Lorena o acesso fica do lado direito. Chegamos e o tempo estava fechado chuviscando. Montamos a barraca no acampamento base, em cima do gramado e dormimos lá. A noite foi possível cozinhar na estrutura do Acampamento Base onde tem banheiros, chuveiro, cozinha e refeitório. 2º dia 06/09/2015 - domingo Acordamos bem cedo e o tempo estava aberto. Tomamos café da manhã e iniciamos a subida as 8:45hrs. Não esqueça de deixar seu cadastro com o número de pessoas e um telefone para contato de emergência no Acampamento base. É importante lembrar que NÃO TEM ÁGUA NO CAMINHO. Até se passa por um riozinho mas a água é imprópria para uso. Levei para beber 2L de água e 2 gatorade. Minha mochila tinha aproximadamente 15kg contando com equipamento fotográfico. A trilha é sinalizada com setas brancas (remarcadas a 3 meses), setas amarelas (mais antigas) e totens de pedra. Mas não comece a trilha sem um GPS em mãos e cuidado com parte da trilha em que divide quem vai para o cume e quem vai para a travessia. Chegamos no cume as 14hrs, o tempo estava bom ainda. Montamos as barracas bem próximo a pedra da Ursa pois é o único lugar onde venta pouco. Fez 0ºC durante a noite e ventou bastante. É muito importante lembrar que não se acampa lá com previsão de raios ok? Chegou no cume e o tempo está muito ruim, ou não chegou ainda e já está fechando? tem um vale antes onde é possível acampar. 3º dia 07/09/2015 - segunda Acordei as 5h da manhã pra ver o nascer do sol. O tempo fechou do nada por voltas as 7h e choveu muito. Esperamos a chuva passar e iniciamos a decida. Principalmente por conta da trilha molhada demoramos um pouco para descer. Chegamos no acampamento base por volta das 13h. DICAS: GPS SEMPRE EM MÃOS. E mesmo assim é certeza que você vai se perder em algum trecho. Melhor época do ano para ir é a de montanhismo,de junho a setembro (inverno). A trilha é puxada, se vai acampar na montanha leve água e o mínimo de peso possível. Cuidado com o tempo. O ultimo trecho é escalaminhada. Mais cuidado ainda para descer. Faz muito frio na montanha sempre, não importa a época do ano. Não leve barraca alta. Vá bem agasalhado. Segue fotos: Bom dia Acampamento Base do Pico dos Marins! Equipe no Cume no Por do Sol Totem no Por do Sol Acampamento no Cume do Pico dos Marins Nascer do sol As vezes tem que ser desse jeito... Pra ficar desse jeito... Eu e minha amiga no Cume do Pico dos Marins antes de iniciar a descida. DÚVIDAS? Pode deixar sua mensagem e tentarei ajudar Boa viagem mochileiros!
  8. CLÁSSICA E REVOLUCIONÁRIA: TRAVESSIA MARINS X ITAGUARÉ X 32 .........’’Amoitados juntos à Estação Túnel da Mantiqueira, na divisa entre Passa Quatro-MG e Cruzeiro-SP, observamos atentamente os desdobramentos da Revolução de 1932. De um lado as tropas mineiras à serviço do ditador Getúlio Vargas. Do outro lado do túnel, as tropas paulistas, capitaneadas por inescrupulosos senhores do café, que na ânsia de voltarem ao poder, sustentam vergonhosamente uma guerra estúpida, com a desculpa de se fazer uma nova constituição. Por incrível que possa parecer, é uma batalha travada por soldados que ontem mesmo eram irmãos, serviam juntos em vários quartéis espalhados pelo Brasil e agora lutam uns contra os outros por uma causa que nem eles mesmos sabem qual é. A batalha é sangrenta e já vitimou centenas de vidas dos dois lados do túnel. Os paulistas resistem bravamente entrincheirados ao longo da Serra da Mantiqueira, desde o Pico da Gomeira até o Itaguaré, parece mesmo que a batalha vai ser longa. De onde estamos é possível ver uma chuva de balas vindas do lado paulista e logo passa apressado o capitão médico da força pública, o senhor Juscelino Kubitschek de Oliveira, que mais tarde, em 1.955 se tornará presidente do Brasil. J K volta carregando em uma maca o tenente Coronel Fulgêncio de Souza Santos que havia sido atingido por um tiro de fuzil e faleceria logo depois, sendo mais um a tombar em combate. Como a coisa estava ficando feia, resolvemos tentar sair dali o mais rápido possível, mas foi nesse momento que uma granada caiu no local de onde estávamos, vindo a explodir a um palmo dos nossos pés. Essa foi a deixa para Eu e o Dema pararmos de viajar na maionese e voltarmos à 2014......” A Travessia Marins X Itaguaré acabou se tornando um clássico do montanhismo nacional. Quando cruzamos por aquelas paragens no inverno de 2001, praticamente não encontramos ninguém, as trilhas eram confusas e os caminhos ainda guardavam muitas dificuldades para os raros montanhistas que se aventuravam por aquelas íngremes encostas rochosas. Muito alardeado por ser na época o ponto culminante do Estado de São Paulo, o Pico dos Marins foi cada vez mais chamando a atenção de gente de todos os cantos do Brasil. O Marins perdeu o posto de pico mais alto do estado para a Pedra da Mina, também na Serra da Mantiqueira, mas nunca deixou de perder seu brilho, ainda mais quando depois que um grupo de Campinas abriu e “sinalizou” a famosa travessia em 1993. Pois bem, passado mais de 13 anos desde a minha primeira caminhada por essa serra, achei que já era hora de voltar, ainda mais quando vislumbrei a possibilidade de emenda-la com outra famosa trilha, a da Revolução de 32. Para essa nova empreitada, como não poderia deixar de ser, convidei meu amigo Dema que havia estado comigo em 2001. Era hora de provar para nós mesmos que poderíamos estar velhos, mas ainda não estávamos acabados. Para compor o resto do grupo foram convidados ainda o Eduardo loures, o Marcos Prince, o Will Lian e Luciano Lourenço. Sendo que estes quatros últimos praticamente jamais tinham pisado em uma montanha antes, em compensação pesavam a favor deles todo o vigor que só a juventude poderia lhes dar. Combinamos de nos encontrarmos de madrugada na cidade de Lorena-SP. Eu e o Dema Vindos de Sumaré-SP e os outros da capital do estado. Uma da madrugada Eu e o Dema nos juntamos ao grupo em Lorena e como o Eduardo e o Prince já haviam conseguido uma carona para Piquete-SP, coube a um parente do Luciano que também mora em Lorena, nos dar uma carona e unir todo o grupo. Todos unidos em Piquete, tentamos persuadir um cara com uma Vam a nos levar até o bairro dos Marins, que fica a 15 km de piquete e a 21 km do acampamento base do pico dos Marins, onde nossa travessia começaria. O cara não teve dó, por dinheiro nenhum largou a maldita cachaça par nos levar, então mandamos ele a merda e resolvemos enfrentar todo o caminho a pé mesmo, quem sabe não rolaria uma carona. Jogamos as mochilas às costas e nos pusemos a caminhar pela rodovia sentido Itajubá-mg e meia hora depois abandonamos essa rodovia e entramos à direita em direção ao Bairro dos Marins, onde a placa indicava a direção do pico de mesmo nome. Passamos pela igrejinha que fica do lado esquerdo e seguimos enfrente, um pé à frente do outro, caminhando madrugada adentro. Pouco a pouco o sono vai tomando conta da gente e em uma curva do caminho, paramos para um breve descanso. Foi aí que eu cheguei a uma conclusão : Não precisa ser a mãe Dinah para adivinhar que muito provavelmente o Will e o Luciano não conseguiriam ir até o final nessa travessia e que a minha bota, ainda mau amaciada, acabaria com o meu pé. Aos poucos o rio que corre ao nosso lado direito vai ficando cada vez mais próximo e em outra curva do caminho, às 05 horas da manhã, nos jogamos em um gramadinho à beira da estrada e por quase duas horas tiramos um cochilo, esparramos sobre uma lona preta. O dia amanhece lindo e o Pico dos Marins anima a galera a continuar seguindo enfrente, mesmo sabendo que será uma tarefa árdua, porque o caminho só sobe e agora teremos a companhia do sol a nos desgastar mais ainda. Finalmente às 07h30min desembocamos no bairro dos Marins e logo à frente pegamos a esquerda, seguindo as placas indicativas. A estrada asfaltada da lugar a um calçamento e logo o calçamento se reveza com estrada de barro e logo mais à frente chegamos a uma cachoeira, enfim água fresca. Já andamos mais de 15 km desde Piquete e daqui para frente a estradinha fica cada vez mais íngreme e o Will e o Luciano vão ficando cada vez mais para trás, o que nos obriga a esperá-los por muito mais tempo. Mas não demora muito para o Luciano enfim conseguir uma carona e levar a tira colo o Will com ele. Aliás, fica aqui um protesto contra os montanhistas motorizados, que passaram por nós e não ofereceram caronas, muitos com seus carros 4 x 4 totalmente vazios. Como não há sofrimento que dure para sempre, finalmente ao meio dia chegamos ao acampamento base do pico dos Marins, tiramos nossas mochilas das costas e desmaiamos de canseira. O Will e o Luciano já haviam se dirigido para o Pico do Careca, então o que tínhamos a fazer era cozinhar algo para comer e tentar refazer o roteiro que havíamos traçado e que já havia ido “pro saco” faz tempo. Traçamos uma meta de alcançar o topo do Marins até o anoitecer, não iria ser fácil, mas teríamos que tentar, mas antes decidimos comer e beber até não aguentar mais. Alimentados, nos despedimos dos amigos do Campo Base, atravessamos a porteira de arame e nos enfiamos trilha adentro. Cruzamos uma língua de mato e em menos de 20 minutos interceptamos a estradinha que da acesso ao Pico do Careca. Em mais meia hora atingimos um platô, onde as vistas se alargam. Aqui a estradinha foi fechada por uma porteira, em 2001 ela seguia até o topo do Careca. Então nos enfiamos por uma trilha larga e para nossa surpresa encontramos o Luciano e o Wil lagarteando ao sol. Imaginávamos que eles teriam seguido a trilha em direção ao Marins, ganhando tempo já que eles estavam umas 3 horas à nossa frente. Passamos por eles e desembocamos no topo de rocha nua a 1.638 metros de altitude. O Pico do Careca é um ótimo lugar para acampar, um pouco exposto em dia de muito vento, mas com um visual incrível, principalmente das íngremes paredes do Marins. Em 2001 acampamos aqui e pegamos uma noite de lua cheia espetacular e uma temperatura muito baixa. No local também existe uma clareira junto à mata, bem mais abrigada e com água perto. Quando todos chegaram ao topo, nos reunimos para uma foto com o Marins ao fundo e essa seria a ultima foto com a galera toda reunida. Nosso caminho vira à direita, entra na mata, passa pela clareira citada, onde uma placa nos diz que estamos no caminho correto, atravessa um pouco de mata e minutos depois nos leva ao aberto e nos encaminha para uma trilha larga com um sulco arenoso e em meio ao capim elefante. Ela sobe sem dó, passa por lajes rochosas e uma hora depois chegamos a uma ótima área de acampamento, onde paramos para esperarmos o Luciano e o Will, que estavam subindo a passos de tartaruga tetraplégica, (rsrsrsrsrsrs). Seguindo pelas pedras expostas chegamos a borga de um Canyon, onde fizemos mais uma parada para uma foto em uma grande rocha que beirava o abismo. O caminho seguinte se enfia no meio dos grandes matacões, seguindo alguns totens e outros sucos de trilha. Na minha memória eu imaginava que teríamos que bordejar todo o topo deste morro, deixando-o a nossa direita, mas parece mesmo que a trilha foi realocada para cruzar por cima e não ao lado ou é mesmo minha memória que envelheceu e eu tenha me esquecido deste trecho 13 anos depois da nossa passagem por ali. Seguindo então por cima do grande morrote pontilhado por grandes rochas, vamos avançando aos poucos, pulando de pedra em pedra quando é necessário e logo nos deparamos com uma parede rochosa de outra montanha, desta vez intransponível. Sentamo-nos à beira da parede para apreciarmos o visual e esperarmos os mais lentos. O caminho a seguir não poderia ser outro: desce-se do morrote e pega-se para a esquerda, onde iremos ter que contornar a montanha deixando-a a nossa direita. Aproveitando o sulco nítido e nos guiando por uma seta pintada na pedra, escalamos grandes rochas e ganhamos um pouco de altura, mas não muito. Foi aqui que encontramos um grupo que havia se perdido, voltando do Marins para o acampamento Base. Vendo-os totalmente desorientados, demos sinais para que subissem até onde estávamos e então lhes indicamos o caminho correto. Contornando parte da montanha, logo nos deparamos com uma grande parede, onde uma corda serve de guia e de amparo para a subida. Passado esse trecho, pegamos para a esquerda e fomos seguindo em direção a um vale e como os meninos continuavam ainda muito lentos, vou sinalizando com meu bastão na parte da trilha arenosa para onde eles devem seguir. Logo chegamos a uma área de acampamento e vendo que o sol já começava a querer se jogar no oeste, resolvemos parar e esperar que todos se juntassem. Já passava das 17h30min e o Luciano e o Will nada de aparecer. Gritamos por eles e nada, os caras sumiram. Preocupados, fomos atrás dos caras e logo encontramos o Will e muito tempo depois apareceu o Luciano, que disse que havia tirado um cochilo na trilha. Diante da situação, resolvemos que seria hora de pararmos e montar acampamento ali mesmo, racionar o pouco que tínhamos de água, prepararmos uma janta e fazer com que os meninos descansassem bem e se recuperassem para o dia seguinte. Pra nós quatro já haviam ficado bem claro que o Luciano e o Will não tinham a menor condição de seguir enfrente naquela travessia, pelos menos no tempo em que a gente tinha proposto para empreitada. Mesmo assim jamais havia passado pelas nossas cabeças deixa-los para trás. Caberia a eles o bom senso de avaliarem suas condições físicas e tomarem a decisão de retornar, mas mesmos assim estávamos dispostos a persuadi-los a irem pelo menos até o cume do Marins, o que já seria um grande feito, haja vista que essa era a primeira vez que os caras pisavam em uma grande montanha. Eu e o Dema ficamos em uma barraquinha de dois lugares, o Will montou também a sua barraquinha e os outros três dividiram mais uma barraca. A temperatura apesar de fria encontrava-se excelente para essa época do ano, já que estávamos a mais de 2.000 metros de altitude, mas o Will e o Prince foram para montanha sem saco de dormir e sofreram de tanto frio e se esses caras tivessem pegado a temperatura que pegamos no passado, teriam virado picolé. Foi realmente um erro de principiantes, que poderia ter lhe custado um sofrimento ainda maior e desnecessário, espero que tenham aprendido a lição. O dia amanheceu novamente extraordinário e com ele se renova a nossa esperança de nos colocarmos novamente no nosso roteiro original. Tomamos café e partimos logo bem sedo. A trilha entra no capim e um minuto depois já estamos novamente nos pendurando em mais uma parede íngreme, sem mesmo dar tempo de aquecermos os motores. Agarrando- nos nas saliências da rocha, ganhamos altura e logo nos encostamos na grande parede que já havíamos avistado desde de quando começamos a pequena escalaminhada. O caminho vai seguindo pela esquerda e vamos nos equilibrando em uma lamina de pedra com todo cuidado, até que hora e meia depois já temos à nossa frente um selado e mais acima o Pico do Marinzinho, mas não é para aquela direção que iremos, pelo menos por enquanto. Vamos seguindo pela rocha nua, nos guiando pelos totens, deixando o Marinzinho agora à nossa esquerda e nos direcionando para o próprio cume do Marins. Passamos por duas lombadas e logo começamos a descida até a água, que marca o início da subida final até o topo do Marins. Antes de descermos essa ultima rampa de pedra até a água o Will nos comunica que não irá mais continuar conosco nessa travessia, irá somente até o topo do Marins e resolve esconder sua mochila por ali mesmo e seguir sem carga. Enquanto ele esconde a cargueira, deslizamos rampa abaixo e ao chegar a água, jogamos as mochilas no chão e fomos nos fartar de tanto beber o precioso liquido, mas não sem antes colocarmos algumas gotas de hidrosteril afim de tratá-la , já que uma placa indicava que poderia haver contaminação. O ponto de água no pé do Marins é um grande encontro de montanhistas de tudo quanto é lugar. É ali que a galera acaba trocando informações, planejando futuras travessias e é ali também que caminhantes acaba por encontrar velhos amigos de outras travessias, resumindo, uma festa, uma grande confraternização. Antes de seguirmos nosso caminho final até o cume, escondemos também nossas mochilas no capim junto à água, primeiro que é muito mais fácil subir leve ao cume do que carregando 15 ou 20 quilos nas costas e também porque nosso caminho para a Travessia do Marins para o Itaguaré parte exatamente alguns metros dali e não há porque gastar energia para subir e descer carregado. Seguindo os totens e o caminho óbvio, que é subindo a grande rampa, vamos caminhando rapidamente, de rampa em rampa, de pedra em pedra, parando de vez enquando para uma foto que nos indica qual será o caminho que seguiremos para o Itaguaré , depois que voltarmos do Marins. Às 10 horas da manhã passamos por uma área de acampamento e pouco depois por mais uma, desta vez ocupada por três barraquinhas, que logo depois serão avistadas novamente quando tivermos na rampa final rumo ao cume. Alguns metros antes do topo passamos por mais uma área de camping e finalmente às 10h20min fizemos uma pose para a grande foto no cume do PICO DOS MARINS – 2.421 METROS. Chegar ao topo de uma grande montanha como o Marins é uma sensação muito boa, principalmente depois de um grande esforço como foi o nosso, vindo desde lá de Piquete até o cume, mas ver a cara de satisfação dos amigos principiantes , não tem preço. Pisar no topo é a coroação para os determinados, para aqueles que tiveram que superar seus limites, tiveram que ir além das suas forças. E isso foi o que aconteceu principalmente com o Will e com o Luciano, apesar dos pesares, os dois foram bravos, superaram todos os limites físicos e psicológicos que só uma grande caminhada e uma grande montanha podem impor. E como eu nunca me canso de dizer: As pessoas não superam montanhas, as pessoas superam limites, as pessoas superam a si mesmas, para provar para si mesmas que são capazes de qualquer coisa, subir montanhas é só mais uma. Ficamos no topo por mais ou menos uma hora, escalamos algumas grandes rochas, conversamos com outros montanhistas e descemos a todo vapor e só paramos quando estávamos de novo de volta à água, onde paramos novamente para uma refeição fria e discutirmos que rumo tomaria nossa expedição. Logo em seguida chegou o Luciano, anunciando também a sua desistência de continuar a travessia. O Will já havia se despedido de nós e já havia tomado o caminho de volta para o Acampamento Base. Por algum motivo, talvez incompatibilidade de genes, o Will e o Luciano não quiseram descer juntos, cada um tomaria seu próprio rumo. Mesmo assim pedimos para que um grupo que desceria depois deles os auxiliassem caso precisassem, não queríamos que os dois tivessem o mesmo fim do Escoteiro Marquinhos, que ao descer o Marins em 1985, desapareceu sem nunca mais ser encontrado e hoje permanece como o maior mistério do montanhismo nacional. Pois bem, agora nosso grupo seguiria somente com quatro integrantes, Eu, Dema, Eduardo e o Prince. Poderíamos imprimir um ritmo um pouco mais rápido porque, mesmo havendo uma diferença bem grande de idade, com total “desfavorecimento” para Eu e o Dema, que eram os idosos do grupo, ainda assim a “velha guarda ainda tava” aguentando o tranco. (Rsrsrsrssrsrsrsrs).Jogamos as mochilas às costas e partimos decididamente às 13:00. Pulamos o riacho, abastecemos as garrafas com 3 litros de água por pessoas e subimos a rampa até a metade e fomos nos guiando em direção a área de acampamento que estava da direção do Marinzinho. Aqui não tem erro, precisa olhar para a grande rampa de pedra que sobe a encosta da montanha e tocar para cima, às vezes se guiando pelos totens, outras vezes subindo por onde dá até chegar ao topo para depois descobrir que é um topo falso e que o verdadeiro ainda está muito mais à frente. A sequência do caminho é pela esquerda do topo principal, tem que descer e ir contornando até conseguir escalaminhar sua parede e ir subindo aos poucos até o cume verdadeiro. Nós gastamos para ir do ponto de água até o cume do Marinzinho 2.432 metros de altitude, o ponto mais alto de toda nossa travessia, umas duas horas, mas imprimimos um ritmo não muito rápido porque paramos muito para apreciar o visual e tirarmos umas boas fotos. O cume é marcado por uma grande pedra, onde é muito difícil de subir, mas com ajuda dos companheiros, lhe dando apoio para os pés é possível fazer uma foto no ponto mais alto. Nós ainda pegamos uma placa que existe embaixo e levamos para cima do grande matacão e aí fizemos uma foto espetacular. O Dema e o Prince ainda se arriscaram a saltar de cima do monólito para outra pedra mais embaixo, um pulo ariscado de mais para um lugar ermo e sem nenhuma chance de socorro, mais confesso : a foto dos caras ficou de dar inveja, (rsrsrsrsr). O nosso objetivo era acampar junto a Pedra Redonda e por isso tínhamos que nos apressar para não pegarmos trilha à noite. A saída do Marinzinho é pela esquerda, como indica uma pequena placa colocada ali pelo pessoal da pousada Maeda, aliás, do próprio Marinzinho parte uma trilha para a pousada, encurtando a travessia para quem já estiver sem condições de prosseguir e quiser ir embora para casa mais sedo. Seguindo um totem, também à esquerda, contornamos uma pedra e damos de cara com um vale gigantesco que teremos que descer e para começar, teremos que nos pendurar em uma corda, colocada estrategicamente para dar segurança na descida. A descida é lenta e penosa, porque a tendência é que a mochila te jogue abismo a baixo e então é preciso fazer muita força no braço para não se emborrachar lá embaixo. Terminada a descida, descemos atrás dos arbustos até o fundo do vale e então começa uma enorme subida, onde temos que escalaminhar e botar os joelhos na boca para podermos chegar ao cume de mais um morro. No topo é possível admirar a grande descida que acabamos de descer e também ter uma das mais belas visões de toda a travessia, que a visão magnífica da Pedra Redonda, se fundindo com o Itaguaré ao fundo. Mas infelizmente não há tempo para muita contemplação, pois já passa das 16h00min e logo o sol já vai começar a se recolher, portanto demos adeus ao cume e começamos novamente a descida em direção a Redonda. Vamos descendo como dá, seguindo totens ou simplesmente pulando de pedra em pedra, desescalando, escalaminhando, abrindo mato no peito, escorregando, passando por dentro de pequenas tocas até finalmente alcançarmos os 2.353 metros do cume da Pedra Redonda. Cume é modo de dizer por que a pedra é realmente difícil de subir, dois monólitos um encima do outro, que por incrível que pareça, nem de longe são redondos ( bom, de longe é sim, rsrsrsrs). Pois é, a Pedra Redonda é pura ilusão de ótica. Há uma medíocre área de camping junto à pedra, mas a não ser que se chegue por aqui realmente destruído, o melhor mesmo é seguir por mais algum tempinho e encontrar um lugar mais descente para esticar o esqueleto. A descida começa por entrar na mata , mas logo sai e começa a contornar mais um pequeno morrote, até voltar a entrar na mata, virar a esquerda e sair em campo aberto. Passa por mais uma área de camping, mas igualmente medíocre, passamos batido até atravessarmos por um alto capim elefante e nos vermos a beira de uma grande descida. Nós queríamos acampar de qualquer jeito , pois o sol já estava nas últimas, por isso resolvemos não descer até a crista logo abaixo. Voltamos e resolvemos abrir uma nova clareira de acampamento. Junto à trilha larga no meio do capim elefante, encontramos um bom local para cortamos as folhas do capim. Fomos cortando as folhas com uma faquinha de cozinha e jogando no chão para forrá-lo e protegê-lo da umidade. Fizemos um serviço tão bom, que essa agora é sem dúvida a melhor área de camping de toda a travessia, cabendo umas três barraquinhas de dois lugares. A noite caiu e a temperatura estava novamente muito boa. Fizemos o jantar e como desta vez estávamos menos cansados que na noite anterior, pegamos nosso fogareiro, nossas lanternas, um pouco de água , chás e cappuccino e fomos uivar para lua e celebrar a vida no topo do morrote que havíamos descido depois da Pedra Redonda. Ficamos por lá até depois das oito da noite, observando as estrelas, jogando conversa fora e planejando futuras caminhadas e novas explorações. Depois descemos e cada um se recolheu para a sua barraca e foi ter sonhos mais impossíveis de realizar. Bem cedo, acordamos. Desmontamos rapidamente as barracas e logo partimos sem mesmo tomar café, pois não havia água para tal luxo. Tínhamos agora meio litro de água por pessoa para realizarmos a travessia entre a Pedra Redonda e o pico do Itaguaré. Atravessamos novamente por dentro do capim elefante e logo chegamos à borda do platô, onde havíamos acampados. Na grande crista uns 150 metros de desnível abaixo de nós, identificamos ao longe um grupo grande e suas barraquinhas coloridas. Fomos descendo com cuidado, ora pulando e descendo pedras, ora seguindo por dentro de caminhos nítidos por dentro do capim. Chegamos à crista e começamos a imprimir um ritmo muito rápido, sem quaisquer paradas, avançávamos destruindo tudo que aparecia à nossa frente, seja bambuzinho, capim elefante ou outro obstáculo qualquer. Não demora muito, tropeçamos em uma barraquinha, onde um senhor de uns 60 anos ou mais, acampava solitário. Perguntamos ao velho se teríamos água antes do Itaguaré e ele com todo simpatia nos disse que não. Despedimo-nos e fomos conversar com o resto da galera que estava alguns metros à frente, em outra grande área de acampamento. Além da turma que havíamos encontrado no Marins, estavam também outros montanhistas de idade avançada. Era uma expedição guiada que estava fazendo a travessia ao contrário, do Itaguaré para o Marins. Até aí nada de mais, a diferença é que o homem velho que havíamos encontrado primeiro era nada mais nada menos que o S.r. Afonso, juntamente o guia que havia sido dispensado pelo grupo de escoteiros no fatídico sumiço do Marquinhos em 1.985, pena que fiquei sabendo disso somente quando me deparei com toda a história, dias depois, já em casa. Seguimos enfrente, sempre seguindo alguns totens e tentando nos manter sempre na crista e logo chegamos à beira de mais um gigantesco vale verdejante, onde se tem uma vista espetacular do Itaguaré. Paramos ali para mais algumas fotos, para bebermos o último gole de água do cantil e nos lamentarmos de não termos conseguido encontrar nenhuma água desde o Marins. Nossa pernada continua para a direita, onde logo encontramos uma larga trilha que se enfia na mata e desce ao fundo do vale, para depois voltarmos a subir novamente e retomarmos a altitude perdida. Mas não sem antes termos que suarmos muito para escalarmos muitas lajotas ásperas, nos enfiarmos por debaixo de matacões que insistiam em travar nossas mochilas, nos obrigando a retirá-las e a arrastá-las feito um saco de batatas. Cansados já estávamos a muito tempo, mas agora a sede vai tomando conta das nossas entranhas e cada passo dado vai se tornando em um tormento, que só acaba, ou é esquecido, quando as grandes formações rochosas vão aparecendo e inundando a nossa alma. Eu e o Dema procuramos uma grande rocha em especial, uma rocha que havíamos escalado em 2001, no auge da nossa forma física, em tempos onde a juventude e a irresponsabilidade reinavam sobre nós. Queríamos provar para nós mesmo que apesar da idade, ainda éramos capazes de nos agarrarmos feito lagartixas naquela pedra e chegar ao topo, 13 anos depois. Atravessamos mais um selado, sempre com as mesmas dificuldades dos anteriores. Vamos subindo e escalando outras grandes pedras e nos maravilhando com a grande visão oeste do Pico do Itaguaré, que guardada as suas devidas proporções, se parece muito com o Agulhas Negras. Do nosso lado direito, um deslumbrante Canyon se descortina, onde a centenas de metros a baixo, uma mata ainda dos tempos de Cabral, reina absoluta e quando a GRANDE PEDRA que procurávamos aparece, não demora para Eu e o Dema nos atirarmos à borda do vale e nos posicionarmos ao pé do nosso desafio. São duas grandes rochas, uma equilibrada sobre a outra, bem a beira do precipício. O Dema vai primeiro, apoia-se em minhas mãos e faz a alavanca até conseguir se agarrar em uma saliência mais acima. Toma impulso e se projeta encima da primeira pedra. Deita-se e me estende as mãos. Tomo impulso também e me agarro firmemente e o resto é puro esforço e superação física até eu conseguir chegar ao topo do primeiro desafio. Aproveitando que o Dema já se encontra deitado sobre a pedra, aproveito o embalo para pisar em suas costas e me catapultar para o cume da formação rochosa e logo em seguida dar a mão e facilitar que o Dema também atinja o topo. Agora somos dois velhos amigos se regozijando de tanta felicidade. Dando uma banana para a idade, gargalhando do tempo. Somos dois homens de meia idade que se recusa a abandonar o montanhismo, mesmo que muitos digam que é hora de parar. A gente não desiste fácil e mesmo que o corpo possa dar sinal de cansado, o espírito ainda faz planos de outras grandes aventuras e enquanto tivermos forças para carregarmos nossas mochilas, estamos nas trilhas, no mato, nas montanhas, nas cavernas, nos cânions, nas praias desertas ou em qualquer outro lugar onde formos desafiados pela mãe natureza. O Eduardo e o Prince também vão ao topo da “nossa” pedra e logo todos nós estamos partindo para o estirão final até o Itaguaré, afinal de contas a sede já estava nos matando. Passamos por dois irmãos que moram na mesma região que eu e o Dema e continuamos em passos apressados, escalando, pulando, passando por baixo, passando por cima de outras tantas pedras que eu nem poderia descrevê-las com exatidão, mas o caminho é bem óbvio, há de se ir seguindo os totens e sulcos de trilhas e às vezes algumas marcações pintadas nas rochas, até que sem perceber estamos encostados à grande parede do Pico do Itaguaré, mas sem água, nos recusamos a ir ao cume, pelo menos por enquanto. Se o nosso corpo ainda estava aguentando o tranco depois de tantos anos, o nosso cérebro não estava colaborando muito, pois não nos lembrávamos de onde seria a tal água do Itaguaré. Da parede de acesso ao Itaguaré, saem várias trilhas para todos os lados, o que acaba confundindo o trajeto a seguir. Os dois irmãos chegam e também não fazem ideia do caminho a seguir e olha que eles estiveram ali há poucos anos. Usando a nossa experiência e intuição, vamos descendo em direção ao vale verdejante logo a baixo, nos guiando em direção ao selado entre duas pequenas montanhas a nossa frente. Uma trilha tosca acaba se perdendo no vale logo abaixo e então a abandonamos em favor de alguns totens à nossa esquerda, o que acabou nos levando a uma clareira de acampamento, de onde parte a verdadeira trilha. Aí foi só ir descendo por ela até nos depararmos com um pequeno córrego, enfim Água! Eram exatos meio dia e além de matarmos a sede com a água muito melhor que a do Marins, assassinamos a fome comendo tudo que estava ao nosso alcance, enquanto batíamos um bom papo com os dois irmão, que de tão cansados, não foram ao topo do Itaguaré e isso não é exceção, boa parte dos montanhistas que passam por ali, estão tão extenuados que não tem forças nem para ir até o cume, uma pena porque é uma linda subida. Nós não quisemos nem saber, escondemos nossas mochilas no mato e seguimos “voados” para cima. Passamos novamente pela clareira de camping, contornamos uma grande rocha, que ficou à nossa esquerda e logo estávamos novamente na grande parede rochosa que dá acesso ao cume. Pegando um caminho alternativo, (poderíamos ter seguido alguns totens), escalamos nos valendo das fissuras ásperas da parede rochosa e logo ganhamos grande altura. Logo seguimos um pouco mais para a esquerda, onde a visão das nuvens bem abaixo de nós, nos fez pararmos para algumas fotos e logo estávamos em um platô, de onde os mais tímidos não passam e costumam ficar por ali mesmo, admirando a paisagem. Deste falso cume é possível atingir umas formações rochosas espetaculares e de lá, se assombrar com o vazio que se descortina a sua frente. Mas a gente não se contenta com pouco, queremos o ponto mais alto. E para ir ao cume verdadeiro é preciso enfrentar uma fenda potencialmente perigosa, se esgueirar ao lado de um abismo, escalar uma grande rocha e fincar de vez o pé no PICO DO ITAGUARÉ – 2.308 metros. Que lindo lugar! Que sensação maravilhosa essa de estar acima das nuvens, de olhar a mediocridade da civilização lá de cima. Tudo é belo e esplendoroso, estamos realmente extasiados diante do poder desta visão arrebatadora. Não importa quantas vezes se vai ao topo de uma grande montanha, a gente nunca se cansa de admirar. Estamos todos no topo e o clima de euforia contagia cada um de nós. Valeu cada gota de suor derramado, cada aranhão, cada tombo, cada queda, cada escorregão, cada joelhada na rocha, cada calo no pé, cada esfolada e furada de espinho nos dedos. O sofrimento é passageiro, mas as lembranças destes momentos no topo, não há tempo que apague. Satisfeitos, partimos! Abandonamos o cume e voltamos para o lugar onde havíamos escondido nossas mochilas, no caso a água do Itaguaré. Jogamos as mochilas às costas, pulamos o riozinho e pegamos a trilha que em pouco tempo chega a uma bifurcação, onde pegamos para a direita e saímos logo na grande área de acampamento. Estamos no selado, bem no meio das duas montanhas, que víamos quando já estávamos na parede do Itaguaré. Aqui foi onde titubeamos para encontrar a trilha de saída, mas chegando a primeira área de camping é preciso pegar para a esquerda e subir a montanha se guiando por alguns totens até que diante de uma grande rocha, a trilha quebra para a esquerda e desce de vez ao vale, se enfiando em algumas verdadeiras voçorocas, até se enfiar de vez na mata e virar quase uma estradinha de tão larga. O caminho a seguir é um pé à frente do outro, sentindo todas as dores nos joelhos possíveis, já que o caminho só desce e seguirá assim por quase duas horas, até que às 15h30min chegamos ao primeiro riacho e então o caminho arrefece e logo cruzamos novamente o mesmo rio e ao cruzarmos ele pela terceira vez, desembocamos no gramadinho à beira da estrada, é o Barreiro, a Travessia Marins x Itaguaré chega ao fim. No gramadinho final é o lugar onde todos que fazem essa travessia são resgatados e levados de volta para o acampamento base do Marins. Por estrada de terra são quase 20 km de distancia. Em 2001 nós enfrentamos esse pedaço caminhando, mas é um esforço descomunal, feito em quase cinco horas de caminhada. Passa da 16h00min e o sensato é ficar por ali, tentar uma carona ou mesmo acampar e seguir só no dia seguinte, já descansado. Nosso corpo diz que é hora de parar, encerrar a caminhada, comer uma comida quente, dormir em uma cama macia, mas nosso espírito de aventura insiste em dizer que devemos seguir enfrente, aproveitar o feriado de quatro dias por inteiro, terminar de fazer aquilo que a gente havia proposto quando abandonamos nosso lar há três dias. Para a esquerda é o caminho para a cama e comida quentinha, para a direita é o caminho para o desconhecido, para as dores nas pernas, para sofrimento sem limite. Pegamos para a direita. E naquela estradinha vazia, deserta e sem nenhum movimento, fomos seguindo, arrastando nossos corpos destruídos, feitos zumbis que vagão sem rumo. Caminhamos até um amontoado de casas e seguindo a informação de um morador, pegamos para a direita em direção ao povoado de Caxambu. A estradinha sobe um pouco, passa por entre algumas casas, enfrente a um sítio e sobe loucamente e quando chega ao topo, a noite já se foi. A nossa intenção é assim que possível, arrumar um lugar para acampar porque ninguém mais tá aguentando de cansado e de tanta fome. Andamos, andamos e nunca chegávamos a lugar nenhum. A fome era tanta que eu já estava torcendo pelo aparecimento de um despacho para poder me apoderar do frango. Quando chegamos a um cruzamento, pegamos para a esquerda e entramos em uma área de mata, onde paramos junto a uma bica de água. Dei uma revistada no local para ver se havia a possibilidade de acampar, mas não havia. Andamos agora sob a luz da lua e a cada curva da enfadonha estradinha, sonhávamos com a possibilidade de encontrar um lugar para esticar o esqueleto, até que uma placa de POUSADA RESTAURANTE TAIPA BRANCA nos chamou a atenção. Paramos em frente da pousada e ficamos discutindo se não deveríamos tentar arrumar um cantinho para acampar por lá, haja vista que lá havia um ótimo gramado. Mas como era uma pousada vimos logo que seria difícil arrumar algo. Mesmo assim eu e o Prince nos encarregamos de ir verificar. Chegando lá fomos atendidos por um simpático casal de velhinhos, que nos convidaram para conhecer o restaurante. Acampar não seria possível, já que não estávamos dispostos a pagar nada por isso. Mas a visão da comida mineira nos chamando não dava para recusar. Corremos lá fora e avisamos o Dema e o Eduardo. Iguais a refugiados de guerra, vindos da Somália, nos servimos da farta mesa, onde cada num pegou o que pode e o que coube no prato. Sem saber que o estilo era o do coma à vontade e o quanto puder, o Eduardo fez um prato tão grande, que teve de ser carregado até a mesa com a ajuda de todo o grupo, rsrsrsrsr. Quando abandonamos aquele pequeno restaurante, deixamos para trás um casal de velhinhos totalmente falidos, lamentando o dia em tiveram como clientes quatro aventureiros esfomeados. Apesar de ainda muito cansados, estávamos com as energias renovadas e seguindo um conselho dos donos da pousada, pensávamos em acampar no barracão da igreja, que estava a uns 3 km à frente, mas a noticia de que estava rolando a festa de São José, acabou com nossa esperança. Fomos caminhando sempre de olho em algum gramadinho à beira da estrada, mas logo tivemos que parar porque o Dema teve um ataque de dor de barriga. No desespero o cara saltou por cima de uma cerca de arame farpado e foi fazer a sua obra em um matinho. Foi aí que percebemos que o local era um excelente gramado para passarmos a noite, foi literalmente na cagada que encontramos nosso lar por mais uma noite. Forramos um plástico no chão e improvisamos um bivak, já que o tempo estava maravilhoso. Dormimos muito bem e lá pelas cinco da manhã acordamos e enquanto o sol não nascia, ficamos observando as estrelas cadentes e os satélites rodando sobre nossas cabeças. Depois tomamos café e partimos para o nosso último dia de caminhada. Quarenta minutos de caminhada nos levou ao povoado de Caxambu e em mais uns 15 minutos tropeçamos na linha férrea, onde um marco da famosa Estrada real marca o inicio da nossa caminhada pelo Caminho da Revolução de 32. Nosso caminho agora segue pela linha de trem para a direita em direção a divisa de estados, entre Minas Gerais e São Paulo. Como ainda é muito sedo, o caminhar é tranquilo e prazeroso e logo chegamos a primeira ponte do nosso trajeto, onde um riacho de águas cristalinas nos convida para um mergulho, mas ninguém se arisca ,pois ainda não passa das oito da manhã e a água está gelada. Seguimos nosso caminho e logo passamos por uma fábrica de queijos, onde aproveitamos e compramos um, para um lanche logo à frente. Passamos mais uma vez pela Estrada Real, que não passa de uma trilha mais larga e antes das nove horas da manhã, largamos nossas mochilas na Estação Coronel Fulgêncio. No tempo da revolução, essa estação tinha o nome de Estação do Túnel, depois da guerra, mudou de nome para homenagear o coronel abatido em combate. A estação marca o fim da ferrovia no lado mineiro e alguns metros à frente, cruzando por baixo de uma montanha, reina soberano o famoso TÚNEL DA MANTIQUEIRA. Sentados ali naquela estaçãozinha, ficamos imaginando como seria se pudéssemos voltar no tempo e puder acompanhar os desdobramentos da batalha da Mantiqueira. Muito provavelmente aquele lugar era muito diferente do que é agora, um terreno hostil e perigoso. Muita gente perdeu a vida nesta batalha e apesar de São Paulo ter resistido bravamente por meses contra as tropas de Getúlio Vargas, a perca de outros territórios no estado, fez com que a tropa paulista fosse obrigada a se retirar do fronte. No fim acabaram capitulando e o sonho de muitos de tornar São Paulo um Estado independente acabou indo por água abaixo. Depenamos um pé de mexerica e de laranjas lima, enchemos nossos cantis na fonte de água, acendemos uma lanterna e adentramos no grande Túnel da Mantiqueira. São 996 metros de comprimento, que foram cruzados rapidamente e logo, mesmo sem perceber, havíamos cruzado a fronteira de estado e mergulhado no lado paulista da Mantiqueira. Tiramos uma foto em um obelisco que marca a chegada em um novo estado, onde também me parece um bom lugar para acampar e seguimos acompanhando a linha férrea, que a partir de agora está abandonada e desativada. A floresta tomou conta de tudo e às vezes é preciso ir procurando os trilhos por debaixo do mato. Às 10h30min passamos pelo primeiro túnel do lado paulista e logo à frente passamos por uma pequena ponte e depois mais um túnel foi cruzado. Mesmo tendo sido construído lá pelos idos de 1884, os túneis ainda se encontram bem conservados. Passamos por uma cachoeira, onde fizemos uma pequena pausa para um lanche e um gole de água. A partir da cachoeira o mato toma conta de tudo. É um capim gordura que vai grudando nas pernas, o que torna o avanço quase que impossível. Logo começamos a ver que dificilmente conseguiríamos chegar a Cruzeiro no mesmo dia. Em uma curva mais à frente, surge uma grande ponte, onde cruzamos com muito cuidado e mais 20 minutos de caminhada tivemos que cruzar ao lado da linha férrea porque a erosão levou o apoio do trilho, transformando-o em uma ponte sem apoio, onde o Dema e o Prince se ariscaram, mas eu e o Eduardo achamos que seria um risco desnecessário. Mais um túnel é cruzado e logo em seguida, a linha férrea vai fazer uma curva gigantesca cruzando por dentro de muito mato, onde tínhamos que abri-lo no peito. Cansados e com os pés destruídos, não víamos a hora de abandonarmos aquele caminho, que a muito tempo deixou de ser uma trilha. Depois de cruzarmos por um grande brejo e passarmos batidos pela Estação do Perequê, na verdade nem a vimos porque estava envolta em muito mato, chegamos a uma estradinha, junto a Capela do Perequê, pintada de amarela e abandonada. Não tivemos duvida, pegamos a estradinha para sudoeste e fomos descendo até encontrarmos um pequeno córrego, que corria junto a uma mata, onde paramos para tomar um banho, o primeiro depois de quase 4 dias e prepararmos nosso almoço. Depois passamos por uma porteira, junto a um mata-burro e por mais uma hora cruzamos outro rio, desta vez muito maior e desembocamos na rodovia principal, aonde sem conseguir nenhuma carona, seguimos nos arrastando pelo asfalto, até que uns 5 km antes de Cruzeiro a tão almejada carona em uma Kombi veio bem a calhar e às 18h00min já estávamos na rodoviária contemplando ao longe toda a serra da Mantiqueira, de onde demos um último adeus antes de seguirmos para casa. E foi assim que 13 anos depois da nossa primeira incursão por este fantástico pedaço da serra da Mantiqueira, nós concluímos mais uma vez esta linda travessia. Estamos mais velhos e isso é um fato que não podemos negar. Talvez não tenhamos o mesmo vigor de outrora, mas é certo que aprendemos a superar isso, aprendemos a usar os atalhos do caminho. A experiência nos deu a maturidade que nos faltou quando éramos mais jovens e se a energia não é mais a mesma, nós superamos com garra, com determinação. Ainda somos os mesmos obstinados de sempre que tenta seguir enfrente e mesmo quando todos dizem que a gente não vai conseguir, a gente vai lá e tenta, só para provar para nós mesmo que somos capazes. Quanto ao Eduardo e ao Prince, acho que Eu e o Dema só temos a agradecer a companhia destes duas caras espetaculares e volto a repetir : Uma boa caminhada tem o poder de transformar grandes companheiros em grande irmãos. Valeu meus irmãos, pelo prazer das vossas companhias. Divanei Goes de Paula – maio de 2014
  9. Nossa aventura começou na madrugada do dia 21/03/18, depois de muito se discutir decidimos fazer um bate volta. Iriamos ao parque fazer o Agulhas e retornar no mesmo dia. Antes de ir pesquisei com amigos que já fizeram a respeito da trilha, além de ver diversos vídeos no youtube e relatos aqui no blog mesmo. Apesar de ser um pouco orgulhoso e já ter alguma experiência em trilhas já quero ressaltar no começo do relato a importância de um guia para subir o agulhas. Explicarei mais durante o relato. Saímos de São Paulo as 3 da madrugada, a ideia era algo em torno de 4 horas de viagem podendo mudar um pouco de acordo com o tempo e as paradas. Para quem também tiver pensando em fazer um bate volta, trabalhe sempre com uma margem, mesmo que vá de madrugada, pois pegamos um engarrafamento na estrada que sai da Dutra em direção ao parque com vários caminhões em marcha lenta que nos atrasou pelo menos 40 minutos. O caminho não tem segredos, você seguirá pela Dutra, e assim que entrar no Rio pegará uma saída a direita, se não me engano é a saída 317 em direção a Itatiaia. Você fará uma espécie de balão por cima da Dutra, como se fosse voltar para São Paulo, mas assim que pegar esse retorno entrará a direita em direção ao Parque Nacional. Você seguirá em torno de 26 quilômetros por essa estrada até a garganta do registro, nesse ponto todos os celulares pararam de funcionar, porém será difícil de errar, marque no hodômetro do carro, e em 25/26 km você verá muito bem sinalizado a "Garganta do Registro" e a indicação de entrar a direita para a parte alta do parque. Dai mais 14 km e você chega no parque. A estrada não é nenhuma Brastemp rsrs, mas se você pegar um tempo razoavelmente bom não tem motivo para se preocupar, diferente do Pico dos Marins kkk. Obs: Durante o caminho já é possível ver toda a beleza dessa região ! Você chegará então no Posto Marcão, lá você fará o registro de entrada no parque, encontrará seu guia provavelmente, e também irá parar o carro. ( Para quem pretende ficar hospedado no abrigo rebouças, possivelmente poderá ir mais 3km de carro até o abrigo, eu esqueci de perguntar, mas um amigo ja chegou a ir de carro até o abrigo, para quem não for se hospedar lá, o carro fica no Posto Marcão ). No posto tem bons banheiros, hora de trocar de roupa se for o caso, passar o protetor, apertar a mochila e começar a aventura. A primeira caminhada é de 3 km até o abrigo Rebouças, a estrada é larga e a caminhada sem muita alteração de nível ou qualquer dificuldade. Durante essa caminhada você pode ver outras atrações do parque como as prateleiras, o início da trilha dos cinco lagos, etc... Depois que você passar do abrigo Rebouças, mais uma pequena caminhada e inicia a subida de 800 metros para o Pico, durante o trajeto você poderá ver algumas plaquinhas no chão que marcam de 100 em 100 metros até o a plaquinha 8. A subida para o agulhas até a parte de pedra é bem tranquila, quando você chega na parte de pedra já existe um ponto onde será necessário a corda. Os mais corajosos podem tentar subir sem corda, como os guias fazem, porém, existe uma séria chance de um braço quebrado, ou algo do tipo, mesmo os guias tem uma certa dificuldade nessa parte. Admito que nessa parte quis tentar subir sem o auxílio de equipamento, porém travei na metade, e precisei me apoiar pela corda para subir o resto. Óbvio que a galera não perdoou e tive que ouvir bastante zuação nessa hora, hahahaha. O resto da subida é relativamente tranquila, se você já está acostumado, ou já subiu alguma montanha com certa exposição, e subida em pedra, não irá ter grandes surpresas, alguns trechos com bastante exposição, aqueles pedaços que você precisa subir meio que engatinhando para conseguir se fixar bem na rocha, ou usando fendas para fixar bem o pé. Alguns outros pontos de corda em que o uso é relativo. Mas tem o ponto para fazer a segurança. A subida para o Agulhas não é tão demorada, em torno de 2 horas e meia a 3 horas. Se seu grupo é pequeno, e você não quiser fazer muitas fotos, é possível iniciar bem cedo e quem sabe ainda curtir algum outro atrativo do parque. Porém se estiver com um grupo grande ou quiser aproveitar o passeio ao máximo, reserve um dia inteiro para fazer essa caminhada, até porque você provavelmente estará bem cansado no final. OBS: Fomos durante a semana, era uma terça feira, e éramos os únicos privilegiados no parque, durante todo o tempo que ficamos lá, ninguém entrou e nem havia ninguém de saída, se você for final de semana chegue cedo, pois com certeza encontrará muitos grupos e o parque tem um controle de números de pessoas que eles liberam para fazer a subida ao pico. Então vá cedo para garantir um passeio bem agradável. Enfim... O CUME Todo o esforço, arranhões, medo, obstáculos e toda a subida compensa automaticamente assim que você chega ao cume, a vista é realmente sensacional sem contar a satisfação por ter completado essa jornada, você ficará realmente orgulhoso por ter enfrentado tudo isso e ter tido a força para chegar até o final... OU QUASE... O cume ainda não é o cume !! Como assim ? Haha, é isso mesmo, ao chegar ao pico, é possível ainda atravessar um desfiladeiro para um segundo cume, onde se encontra o famoso Livro. Existe um livro lá, para que você deixe sua assinatura, mensagem ou registro dessa passagem por aquele lugar maravilhoso. É importante dizer mais uma vez, até aqui, é muito indicado o guia, porém pessoas bem experientes (bem experientes mesmo) em subida em pedra podem tentar se aventurar. Porém, para fazer a passagem para o livro, é fundamental o uso de equipamentos e conhecimento de técnicas além do conhecimento de como lidar com os equipamentos. Isso não é brincadeira, e o risco nesse ponto é extremamente alto. Sei que estou sendo chato, porém antes de ir eu cogitei várias vezes ir sem o guia, e fazer eu mesmo a passagem por esses trechos, com alguns equipamentos que um amigo me emprestaria, por fim achamos por bem contratar o guia. Já tive o prazer de fazer algumas travessias como Petro x Tere, Marins x itagaré, subir o pico dos marins, pedra da gávea. Em todas essas ocasiões fizemos por nossa conta, e isso me levou a ter uma falsa ilusão de que eu tinha o conhecimento necessário, por isso estou falando bastante desse ponto, subir montanhas é realmente algo incrível e que te embarca em sentimentos maravilhosos de superação, auto conhecimento, alegria. Porém devemos estar ciente que nosso esporte é radical e de risco. Então temos de conhecer nossos limites também ! Voltando ao foco, a passagem para esse outro pico onde tem o livro é feita com os equipamentos, a descida deve ter em torno de uns 7, 8 metros para depois subir também com a cadeirinha para o livro. Aproveite o momento, registre sua passagem da melhor maneira e comece a segunda parte de subir a montanha que é DESCER. A hora que estávamos assinando o livro o tempo mudou repentinamente, e começou a chover e ventar bastante, mesmo que você pegue um dia de sol, leve algum tipo de agasalho e se possível um poncho ou capa de chuva. Assim que voltamos para o cume principal o sol saiu, hehe, assim é o tempo na montanha. Tiramos uns minutos para fazer uma boquinha e iniciamos a descida. A via para voltar é mesma para subir e você pode aproveitar a volta para ter outros ângulos e fazer mais fotos. Com todas as paradas, fotos e tudo mais levamos em torno de 7 horas no passeio. E confesso que a caminhada do abrigo Rebouças até o Posto Marcão acaba se tornando infinita rsrsrs. Voltamos para São Paulo satisfeitos e com sensação de quero mais. O parque de Itatiaia é simplesmente sensacional, e tem as mais diversas opções de passeio, desde cachoeiras, travessias na parte baixa como a Ruy Braga, Couto-Prateleiras entre outras. Espero que todos tenham a oportunidade de ir lá um dia que seja ! CONSIDERAÇÕES FINAIS 1 - Quantos aos valores, o guia nos cobrou R$ 80,00 por pessoa e mais R$ 15,00 por pessoa a entrada no parque. Nosso grupo era de cinco pessoas e o total saiu menos de R$ 250 por pessoa, mesmo considerando os gastos com comida. Então ressalto que mesmo que as coisas estejam apertadas, existem belas possibilidades de passeio que valem muito pena, sendo que as vezes gastamos esse valor num final de semana que não nos trará tantas lembranças positivas ! Nosso Guia foi o IVAN, pessoa muito gente fina, profissional e ótimo guia, vou deixar aqui o contato dele: (35) 9927 - 1676 2 – Antes de entrar no Rio, já no final da Dutra SP, tem um graal que é uma boa opção para comer antes de entrar em Itatiaia. 3 – Eu tentei ser bastante didático no texto pensando em pessoas que nunca fizeram nenhuma trilha parecida que possam ler. Foi mal se fui repetitivo hehe. 4 – Quem ainda não conhece use o app WIKIROTA ( Esse faz todos os cálculos de combustível e pedágio para o seu destino), outro app muito bom é o WIKILOC que serve para gravar e seguir trilhas. Aqui está a minha gravação dessa trilha: https://pt.wikiloc.com/wikiloc/spatialArtifacts.do?event=setCurrentSpatialArtifact&id=23392290 5 - https://www.instagram.com/joaopaulosarja/?hl=af Valeu até a próxima !
  10. Pessoal, to querendo subir o Pico dos Marins (SP) no mês de Março/15. Quem já foi ou tem experiência pode me ajudar a sanar essa dúvida. Será que dá pra arriscar e ir nessa data? (visto que o tempo é muito instável, tempestades e raios acontecem com maior frequência nessa época) Se alguém já subiu essa montanha ou outra fora do período apropriado comenta aí, dá seu relato. Vai me ajudar muito. abraços
  11. Essa com certeza é a história mais louca que tenho pra contar, mas eu espero de coração que não seja a única! Eu tinha feito um relato aqui no site dos mochileiros sobre uma viagem que fiz para São Luís nas minhas férias. Comentei que tinha me tornado uma "ludovicense de coração" porque tinha me apaixonado pela região. Recebi um comentário do Verner Bezerra que se divertiu com o relato. Em especial sobre a história de uma gatinha que achei no lixo e não sabia o que fazer com ela... bom... consegui um abrigo! ufa! rsrs Mas o fato é que numa troca de 3 mensagens ele comentou que estava vindo pra São Paulo Subir o Pico dos Marins "ta afim?" Nem pensei ... "Bora!" Papo vai, papo vem. "Conheci" A Theruco via face tb. Ela começou a me dar umas dicas sobre algumas coisas necessárias para levar pra viagem. Até esse pedaço da conversa eu não sabia pra que servia um isolante térmico. Juro que fiquei surpresa com a decisão deles de manter o convite que me fizeram. Já no começo da conversa ela me passou algumas orientações "Tetê! Guenta aí um cadinho! Vou jogar no Google pico dos Marins só pra saber pra onde estou indo!" E mesmo assim.... mantiveram o convite firme e forte! Falei pra todo mundo que tava indo viajar com uns amigos. Poxa!!! Não deixa de ser, né?! Manhêeeeeeeeeeeeee!!!! Eu te amo, tá?! hauahuahauhauahauhauhauahauhauhauahauhaua Combinamos de nos encontrar no metrô Butantã dia 21 (sexta-feira) as 19h. Descobri naquele momento que ninguém se conhecia pessoalmente! Agora facilitou, né?! hahahaha Conheci a Theruco, O Edu dos Sertões (nosso guia e anjo da guarda) chegou em seguida e mais uns 10 minutinhos... o Juliano. O Jú não tem face. Não sabíamos se ele era loiro, moreno, alto, baixo.... foi na cega mesmo! kkkkk Colocamos as mochilas no carro e fomos para o aeroporto Viracopos buscar o Verner que tava chegando de São Luis. Achei rapidinho por causa da mochila! hauhauahauhauhauahuah Bom... tudo certinho.... rumo a Marins! Cara! Atravessamos todas as cidades existentes em São Paulo. Foi tanta cidade que nem lembro mais! hahaha O Verner chegou a colocar um mapa no relato dele. Eu não tenho paciência pra essas coisas, então segue o link pra quem precisar...rsrsrsrs pico-dos-marins-sp-setembro-2012-t74163.html Inclusive... o relato dele está como destaque!!! Vale muuuuuuuuuuito a pena ler!!!!! rsrs Chegamos em Piquete, na Base do Miltão por volta das 3h. Arrumamos a barraca e formos dormir! Levantamos por volta das 8h. Eu tava elétrica e nem fazia muita idéia do que me esperava. Deixamos algumas coisas no carro. Ali eu estava entendendo o verdadeiro peso do "desnecessário". Qualquer 100gramas, iria ter um peso muito maior acompanhado pelo arrependimento! hauhauah Minha mochila tava pesando aproximadamente 11 quilos. Tava sempre nessa média. A mochila mais pesada era do Edu pq tava levando também a barraca. 17 quilos no total. Cada um levou uma média de 4 litros de água, comida liofilizada, maças, barrinhas a perder de vista e frutas cristalizadas. Tudo prontinho!!! Rumo ao Pico!!!!!!! Da esq > dir - Verner, Theruco, Edu, Juliano e Eu! Quando eu ja estava mortinha de tanto andar, descobri que ainda estávamos começando a trilha! Eu não vou falar que sou uma completa sedentária, costumo caminhar de vez em quando e tudo mais. Mas na real? Cara!!!! nunca pensei que pudesse existir isso na vida! hahaha Nós fizemos um percurso de quase oito horas. Eu já vi alguns relatos aqui no site mochileiros do pessoal falando "Ah! começa a dar uma caminhadinha no bairro pra ir acostumando que tá beleza!" Tudo MENTIRAAAAAAA! hauhauahauhauhauahuahauhauahauhauha Nós fomos pra acampar, então... estávamos levando muito peso. E outra... pra quem não tem nenhuma familiaridade, logo começa a sentir câimbras, dores musculares entre outras coisas. Eu tive o tal do mal de montanha. Senti um pouco de enjoo, senti um pouco de mal estar junto com tontura, senti até falta de ar. Eu nunca tive nada desses trecos. Aprender a controlar a respiração era uma coisa fora da minha realidade! Bom... se eu puder dar um conselho pra quem tá afim de ir pra lá, mas nunca se enfiou nessas doideiras é: preparação física! rsrs Não tô falando pra entrar na academia e tal. Talvez uma bike, corrida... algo mais simples. Mas ir na cara e n a coragem como eu fiz sem ter noção de nada! Putz!!! acho meio loucura! Fizemos várias paradas pra descansar, comer, beber água, tirar fotos ou simplesmente olhar e admirar!!! O lugar é incrível e vale cada passo!!! Eu um determinado ponto subimos o raio de uma rampa de pedra. Cara! naquela ali eu quase tive um treco! Consegui... firme e forte!!! Colocando os bofes pra fora e pensando "Meu Deus!!! Será que eu vou aguentar de verdade???" Quando cheguei no final da rampa.... quem eu encontro lá bem bom? O famoso Bubby! Eu não tava acreditando... Já tinha visto alguns relatos aqui do pessoal falando que o cachorro sobe o pico e tal, mas eu só passei a acreditar DE VERDADE MESMO... quando vi o cachorro la em cima! Putz! aí eu me senti uma molenga! Esse é o Sheik. Amigo inseparável do Buddy. Ele é mais carente. Adora um cafuné! rsrsrs Bom... depois desse mico... resolvi tentar recuperar minha dignidade, né?! Peguei a mochila e voltei pra trilha! Chegou num ponto que eu pensei que não tivesse mais fim toda aquela caminhada. Linda! Cenário lindo! Tudo muito agradável até porque eu estava na companhia dos meus amigos de infância, né?! kkk Mas o cansaço tava começando a me pegar. O corpo já não tava mais respondendo, a neblina atrapalhava a visão e eu não conseguia enxergar o final do Pico. Fora que tem uns trechos com mato e se você der bobeira, acaba se perdendo do grupo.... vira e mexe eu tinha que dar uns gritos lá pra saber pra que lado eu tinha que me virar. Passamos pelo tal córrego que todo mundo fala que tá contaminado e que existe também uma plaquinha explicando isso. Bom... tinha chovido muito no dia anterior, estávamos com algumas garrafas vazias , resolvemos encher, colocar clorin e usar a água para higiene ou talvez até mesmo alguma coisa coisa. sei lá. O fato é que chegamos a ferver a água depois e a Theruco bebeu. Ela não passou mal e tá aí! vivinha da silva pra contar a experiência! Falaram aqui sobre as remarcações que estavam erradas,. Posso estar falando bobagem, mas a sensação que me deu é que existem vários caminhos pra chegar lá no pico , algumas mais fáceis , outras mais difíceis. Acho que teve só um ponto que foi perto do córrego que tivemos que voltar pq não achávamos saída. E fomos com o Edu que conhecia bem a região. Eu não faria nunca na vida aquele caminho sem guia. Na volta chegamos a encontrar dois franceses que estavam apenas com GPS. Ah Tah! que eu faço isso! hauhauahuahauhauhauh Bom... não sei para meus amigos queridos, mas pra mim.... o que mais me cansou foi o fato de não conseguir enxergar o final do pico. A neblina toda hora atrapalhava, daí o pessoal pra me animar falava : Olha lá Carolzinha!!! o Pico tá ali!" Daí a neblina passava e eu via que tinha mais uma pancada de pedras enormes atrás de tudo aquilo! Eu nunca via o final. Comecei a ficar irritada! O cansaço tava devorando meu corpo e o medo começando a pegar minha mente! O pessoal até começou a brincar pra tentar me ajudar "Tem pico! Não tem pico! Tem pico! Não tem pico! Cansada dessa vida injusta! vida bandida!!!" A gente acabou fazendo essa brincadeira comparando com a cena do filme "O auto da compadecida!" "Fico rico, fico pobre!" hahauhauahauh No meio de todo esse mato, tem umas partes mais fofas. Eu não prestei atenção e pisei errado. Não consegui segurar o peso da mochila, torci o pé e cai. Nessa hora eu comecei a chorar. Me dei conta que foi uma torção leve e eu tava muito cansada. Eu só pensava em largar tudo. Mas como eu ia fazer isso lá no meio do caminho??? Não dava pra virar pro pessoal e falar "Valeu gente! obrigada pelo convite! adorei conhecer vocês e beijos!" Dificil, né?! A Tetê me ajudou me acalmando e voltamos a caminhar. Cara!!! ali acho qe a minha ficha tinha caído! Pela primeira vez eu tava tentando administrar todo aquele cansaço, junto com a bagunça de sentimentos e os 11 quilos da mochila!!! ui!!! Pra ser sincera eu nem sei quem tirou essa foto, mas é nítido, não é?! desse ponto em diante eu não tirei mais nenhuma foto. Eu só tava preocupada em chegar lá em cima viva! hahahaha O Edu tava carregando 17 quilos e pegou a minha mochila com mais 11 quilos e subiu. Eu não entendi como alguém que eu nunca tinha visto na vida... tá! ok!!! estávamos subindo um pico algumas horas... mas como alguém que não tem intimidade comigo, não é meu amigo, não faz parte do meu convívio tava fazendo aquilo por mim! Uma hora eu ia chegar no pico. talvez a noite, mas eu não tinha como ficar ali sozinha... então uma hora eu tinha que subir.... mas eu não tava entendendo como alguém podia me ajudar daquela forma. Tudo muito distante da minha realidade... da minha rotina!!! Enfim.... acho que pela primeira vez eu entendi pra que servem as nossas mãos... pra estender quando alguém realmente precisar! Ele continuou subindo e parava pra me olhar... ver em que ponto eu estava, e me orientava "vai por ali, segue aqui!" e assim subimos. O Juliano, o Verner e a Theruco ficaram um pouco pra trás pq tem um pedaço cabuloso pra subir. Não precisa de equipamento, mas precisa de atenção redobrada. Nesse momento eu olhava pra baixo e não via o chão, olhava pra cima e não via o final do pico. Eu não tô aqui pra discutir religião, nem se alguém acredita ou não em alguma força superior que "comanda" tudo isso aqui, o fato é que eu acredito em Deus e pedi muita ajuda. Pedi tranquilidade pra terminar de subir pq tava sentindo o medo me pegando! Nunca senti nada parecido! E olha que sou mestra em me enfiar em ciladas! Quando finalmente chegamos no pico, o Edu colocou nossas mochilas onde arrumaríamos a barraca e me pediu pra colocar um casaco pq tava ventando muito. Ele voltou pra buscar o pessoal que tava apanhando lá tb. Cara!!! posso falar??? eu acho que tô escrevendo esse relato aqui faz pelo menos duas horas e posso garantir que se levasse mais 10 dias não conseguiria explicar direito o que senti. Eu fiquei meio perdida andando de um lado pro outro tentando entender o que eu tava fazendo lá em cima. Na real eu tava tentando entender como era possível ver as nuvens abaixo da gente! Eu tinha uma única certeza... a de que sozinho não somos nada nessa vida e não chegaremos a lugar algum! Pra chegar lá em cima você não precisa apresentar sua carteira, seu diploma, tão pouco preencher ficha com o perfil pra ver se preenche os pré-requisitos! rsrsrsrs Quando o susto começou a passar, sentei numa pedra e desembestei a chorar! Falo mesmo!!! todo mundo viu!!!! hauhauahuahauhauahauh Eu não sei pq chorei.... eu acho que juntou um pouco o susto com a alegria, com a emoção de ver tudo aquilo!!! sei lá! Talvez gratidão!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Eu só agradecia a Deus por conseguir chegar lá em cima, por ter colocado pessoas tão bacanas no meu caminho!!! Por tudo !!!! Olha só meu anjo da guarda!!! rsrsrs Nessa hora eu tava agradecendo a ele pela ajuda! Acho que nada nesse mundo vai pagar tudo o que senti naquele momento!!! A noite começou a cair, e começamos a montar a barraca! Fizemos nossa comida de astronauta. Bem honesta! hahahaha Dai começou a rodada de truco! Essa hora eu falei que ia ficar auxiliando com a lanterninha... quando o pessoal viu , eu já tava dormindo feito um anjinho! hahahahahaha Depois eles me acordaram e fomos ver as estrelas. Nunca vi tanta estrela na vida!!!!! Na real eu nem sabia que existia tanta estrela !!! hauhauahauha Passamos o maior frio! Mas a gente não tava nem ligando! hahahahah Foto: Verner Bezerra Foto: Verner Bezerra Eu nem sei que horas fomos dormir... Acho que era pra lá de meia noite. Só sei que quando deu 5h da matina... um começou a acordar o outro pra ver o Sol nascendo! UM ESPETÁCULO A PARTE!!!!! Foto: Edu dos Sertões Em seguida fomos tomar café! Afinal... saco vazio não pára em pé! hauhauahauhauahauh Depois começou a seção fotos! hahahahah Foto: Verner Vezerra Devidamente batizada!!!! hahahahaahahahahaha Hora de levantar acampamento e voltar pra casa, né?! Então Simbora meu povo!!!! Olha eu aí dando mais um pouquinho de trabalho pra descer! hahaha Aquela história de que pra descer todo santo ajuda é uma tremenda mentira! nesse caso foi o Edu com a corda lá em cima e o Juliano fazendo pézinho em baixo. Meu Deus!!!! como amo esses meninos!!!! Ah claro!!!! e o Verner esperando pacientemente !!! ahauahauhauhauahauhauha Fizemos mais algumas pausas para descansar e comer. Mas na volta eu tava bem mais tranquila pq tinha a certeza que não ia morrer! hahahahaha Eu tava procurando a tal rampa lá onde eu tinha encontrado os cachorros. Eu sabia que ainda teria um bom pedaço de caminhada, mas lembrava que era um pouco menos pesada. Uma hora o pessoal começou a falar que tínhamos feito outro caminho então ela já tinha ficado pra trás. Do nada..... eles pararam e olharam pra mim Eu: "o que foi?" Eles: " a rampa" Eu: " PQP!!! Tem rampa, não tem rampa!" Nossa! Todo mundo caiu na gargalhada! Mas no final fiquei orgulhosa de mim mesma! Desci sem chorar! Na ida levamos quase 8 horas e na volta levamos quase 6 horas. É claro que tem gente que consegue fazer bate e volta. Eu acho que não teria muita graça pq não dá pra curtir o pico do jeito que ele merece, né?! Passamos uma noite lá e mesmo assim eu acho que foi pouco tempo! rsrs O importante é que chegamos todos bem! O Verner teve problema no tornozelo. Ele machucou de verdade!, mas conseguiu terminar a trilha numa boa. Bom... chegamos na base do Miltão. Querendo banho, arrumar nossas mochilas , comer... estávamos faminto.... e descansar um pouquinho! rsrsrs Ahhhhhhh!!! Super recomendo um protetor solar bacana, viu?! Fizemos nossa refeição de astronauta com a comida liofilizada. Pra mim... tava tudo ótimo! hauhauhaauhahuahauha A preguiça bateu e fiquei doidinha por um cochilo! Só que dessa vez eu tive que passar a bola para os "meninos!" haha Hora da despedida com muitas brincadeiras e com o gostinho de quero mais! Acho que terei muita história pra contar! Sempre lembrarei com muito carinho de cada momento! Lembrarei pra sempre do peso da mochila e de como foi importante a ajuda que recebi. Acho que levarei para sempre cada sensação de gratidão cada vez que uma mão me foi estendida!!!! Não me canso de olhar as fotos e os vídeos. Cada vez que vejo as muralhas de pedras ou a neblina me dá frio na barriga, mas tenho saudades e uma imensa vontade de voltar.... claro!!! que devidamente equipada, acompanhada e fisicamente preparada! rsrsrs Espero que este relato ajude algumas pessoas e encorajem outras! o Lugar é mágico! Literalmente um pedacinho do céu! O Edu falou pra gente que a gente não escolhe a montanha e sim a montanha que escolhe a gente! No final de tudo isso posso dizer que serei eternamente grata pelo convite! rs E seguem também dois links de vídeos do Sol Nascendo. Só pra tentar mostrar o que a foto não vai conseguir mostrar....rsrs beijos a todos!!!!!!!!!!!!!!!!! Ah!!!!! Tem gente que vai me perguntar sobre as despesas... rsrsrsrs Lembrando que estávamos em 5 pessoas. Comida liofilizada - R$125,62 Gasolina + pedágio - R$340,00 Camping + estacionamento - R$60,00 Mercado - R$64,00
  12. [info]Mais uma conquista do nosso membro de honra e amigo Jorge Soto! Parabéns garoto!!!!! Confira na íntegra aqui:http://altamontanha.com/colunas.asp?NewsID=2639[/info] Conquista Inédita na Mantiqueira No feriado da Independência, Jorge Soto e Angelo Geron Neto conquistam rota inédita no Pico Mariana de 2310 metros nas cercanias do Pico dos Marins na serra da Mantiqueira. O local é de difícil acesso e sua escalada só era possível com o uso de cordas e equipamentos técnicos, mas a dupla de exploradores encontrou uma fissura na parede do Pico Maria que conduziu a outra greta para chegar no selado que une as duas montanhas e a seguir tomaram uma canaleta que os conduziu ao cume, realizando assim a primeira ascensão em livre desta majestosa montanha. Não utilizaram nenhum meio artificial para atingir o objetivo e demonstram que mesmo em travessias clássicas como a Marins-Itaguaré ainda há o que explorar e muita adrenalina a produzir na conquista de objetivos únicos por rotas inusitadas e ainda virgens. Até onde se tem notícias, o Pico Mariana era somente acessível através de sucessivos rapéis a partir do Pico Maria ou pela via de escalada aberta na face leste por Marcio Bortolusso que durante os últimos 4 (quatro) anos teve apenas 7 (sete) repetições. O mesmo Marcio Bortolusso iniciou, mas não completou a abertura de outra via na face oeste. A arrojada descoberta abre nova possibilidade de trekking radical na Mantiqueira ao incorporar o Pico Maria de 2392 metros e o Pico Mariana de 2310 metros ao roteiro da tradicional 'Maringuaré'. Acompanhe o relato completo com o título 'A Conquista do Mariana' no 'Sua Aventura'. A Conquista do Mariana - 1ª Parte 27/9/2010 | 22:08:00 O Marins, a Maria, a Mariana, o Marinzinho e o Itaguaré - 1ª Parte A Marins-Itaguaré, com seus 21km percorridos por escarpada crista situados na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, é tida como uma das mais tradicionais pernadas da Serra da Mantiqueira. Entretanto, o conjunto principal do Maciço do Marins guarda ainda outros dois cumes de pedra com mais de 2200m de altitude e centenas de metros de paredes rochosas que ninguém sequer ousa visitar. São o Pico da Maria e o Pico da Mariana, cujos respeitáveis cumes e vistas deslumbrantes são privilégio de poucos (ou nenhum) aventureiros devido à dificuldade de acesso q, em tese, demanda trechos de rapel pois estão separados do pico principal por um profundo vale cortado por cânions de pedra e vegetação cerrada. E foi com esse legítimo espírito explorador q incluímos essas duas montanhas tidas como “inacessíveis“ numa travessia completa de toda essa crista durante 3 dias bem intensos, com direito a cume de seus 5 picos principais. E sem corda alguma. Eis a “SuperMaringuaré“. Já havia prometido a mim mesmo q não pisaria novamente no Pico dos Marins a menos q fosse pra realizar algo diferente do tradicional. Sempre optei por explorar a repetir alguma trip. A última vez q estive lá foi com o Augusto e o Ricardo num saudoso inverno de 2003 a fim de palmilhar a hj batida 'Maringuaré'. Mas bastou o Angelo me colocar a par de suas aloucadas (porém interessantes) idéias de exploração do Pico da Maria e Pico da Mariana q foi o suficiente pra renovar meu interesse de meter as caras outra vez pela região. O próprio Milton Gouvêa, do Acampamento Base Marins (vulgo 'Ranchonete'), guia e conhecedor daquelas bandas era reticente de não ter ciência de acesso aos picos supracitados ou quem o tivesse feito. Bem, não pelo menos sem corda. 'Se vcs conseguirem, por favor me informem depois como se chega lá, ok?', nos disse como que tirando sarro. Alem da incerteza de acesso, o tempo seco e estiagem dos últimos meses faziam com q cada um tivesse q carregar, pelo menos, 5 litros do precioso liquido a fim de garantir o próprio sustento pra tds os dias q a empreitada demandasse na montanha. Pronto, tava lançado o desafio. O Marins Dessa forma eu, Angelo e Wagner rasgamos o final da madrugada sentido a Via Dutra, e dali seguir ate o trevo de Lorena. Ah, sim.. nosso audacioso quarteto ainda contava com uma única integrante feminina, a espoleta Lucilene, q mostrou-se mto mais corajosa e determinada q mto marmanjo q conheço. A noite fresca não tardou a ceder lugar a um sabadão q nascia bastante promissor, despido de qq vestígio de nuvens, elevando as temperaturas no decorrer do dia. Uma vez na BR-459 e indo de encontro à imponente muralha da Mantiqueira q preenche o horizonte de norte a sul, de Piquete tomamos varias estradas laterais em meio a uma bucólica paisagem rural ate dar no Bairro dos Marins, as 9:30. A partir daqui é q começa uma árdua e sinuosa subida de serra através de uma precária estrada de chão, q faz o Ford Ecosport do Wagner patinar em mais de uma ocasião. O destaque desta subida alem do majestoso visual das montanhas despencando verticalmente á nossa frente, foi o de um pequeno veado saltitar pela estrada, como q já nos preparando pros dias selvagens q se seguiriam na Mantiqueira. Chegamos então no Acampamento Base Marins (ex-'Ranchonete') por volta das 10hrs, onde somos recebidos pelo sempre simpático e falador Milton, q nos informa das condições tanto climáticas como da trilha nos últimos dias. Ali, na cota dos 1562m, damos os últimos ajustes nas cargueiras assim como coletamos um pouco de água, afinal bastou descer do veiculo q o sol começou a fritar nossa cachola sem dó! Particularmente estava com certo receio, pois estreava uma nova mochila (presente do fotografo de aventura Andre Dib), mas no decorrer da trip estes receios foram infundados, pois a dita cuja se ajustou perfeitamente a minhas costas. Começamos a andar efetivamente meia hora após ter chegado, mergulhando no frescor de uma florestinha sem gde variação de altitude e num ritmo bem compassado, até q desembocar numa estradinha de terra maior q bastou acompanhar ate o final, agora sim subindo suavemente uma crista serrana ascendente. A cada passada e cada curva na montanha, o visual lentamente se ampliava de forma deslumbrante, renovando nosso fôlego q teimava em sempre nos lembrar do enorme peso nas costas. A subida aperta mesmo qdo estrada termina após uma pequena porteira e dá lugar a uma estreita trilha q ziguezagueia, por meio de degraus e calombos, montanha acima através de altos arbustos. Não demorou a dar nos 1795m (1608?) do largo cocoruto plano forrado de capim e rocha q serve de mirante e atende pelo nome de Morro do Careca, as 11:10. A vista daqui nos dá um preview do q nos aguardaria lá em cima em dose anabolizada. A beleza da geografia do Vale do Paraíba - pontuada por Piquete, Aparecida, Guará e Lorena - e do sul de Minas com suas montanhas verdejantes escondendo as cidades de Itajuba, Delfim Moreira e Marmelopolis. O maciço do Pico do Marins à nossa frente se agiganta diante do Careca destacando seus outros dois picos não menos imponentes, o Maria e Mariana, q lá de cima pareciam nos desafiar ate seus cumes. A picada à esquerda nos leva novamente ao frescor da sombra de um arvoredo, onde uma clareira marcada tanto por restos de fogueira como por uma didática placa nos dizem q ali é o inicio de fato da ascensão ao Marins, assim como são dadas orientações e avisos aos visitantes. Contudo, seguimos descendo mais um pouco pela estrada ate um local encravado na mata onde é possível abastecer de água num pequeno córrego, q devido à estiagem limitava-se a um pequeno filete q demandou paciência pra encher nossos cantis. Já cientes da impossibilidade de obtenção do precioso liquido no alto e considerando q o pouco q há é de origem duvidosa, cada um levou em média uns 5L pra garantir o próprio sustento. Peso extra este q se fez sentir nas costas, pelo menos nas minhas. Voltamos à clareira e começamos oficialmente a ascensão ao Marins, subindo suavemente por uma óbvia crista florestada q sai do lado da placa. Mas logo emergimos da mata pra ganhar, em curtos ziguezagues, o capinzal esvoaçando ao vento da primeira gde e íngreme encosta ate vencer o primeiro cocoruto dos mtos q se seguirão. A trilha é nítida e se desenvolve pela crista dos morros sgtes de forma bem acentuada, o q vai nos distanciando uns dos outros. A subida é relativamente fácil em termos de orientação, pra quem ta acostumado a pernar por ai. Tótens e setas pintadas na rocha estão sempre presentes pra auxiliar no rumo a seguir. No entanto, 'Ha sempre uns manés q confundem as pessoas colocando totens fora da rota', reclama Milton. Ao longo da picada há alguns mirantes rochosos onde se pode parar para descansar e tirar belas fotos dos arredores, e olhando por sobre o ombro já temos uma bela vista do Morro do Careca, q vai ficando lá atrás pequenino. Em contrapartida, o maciço principal do Marins mostra-se sempre à nossa direita, imponente, cada vez mais próximo. Alternando trilha q nada mais é um sulco de terra em meio a tufos de capim e largos trechos de aderências por lajotas de pedra, ganhamos altitude rapidamente, onde o visual do maciço principal descortinado a cada passo dado é simplesmente arrebatador e nos motiva a subir mais e mais. Mas qdo nos aproximamos das partes mais rochosas e íngremes a trilha vai se dirigindo para a esquerda e deixando de passar pelas cristas, onde alem de nos espremermos entre gdes pedras e mto capim alto, as escalaminhadas tb aumentam. Nesta condição o Marins deixará de ser avistado e o visu q temos de um lado é de paredões e maciços e de outro, geralmente à esquerda, as montanhas das MG. O destaque deste trecho foi uma cobra pelo qual o Angelo passou desapercebido, mas q a sempre atenta Lucilene alertou da presença. Após bordejar uma muralha enorme da crista por inclinadas lajotas onde destoam belos lírios vermelhos, a subida aperta através de uma seqüência de aderências rochosas íngremes, q demandam uso tanto dos pés como das mãos nos trechos mais verticais.Mas contornado este ultimo maciço q se interpõe entre o sul de MG e o Marins logo desembocamos no enorme platô de rocha e capim q serve geralmente de base aos campistas, onde voltamos a avistar ao sul o cume do Marins cada vez mais próximo. À leste de nossa posição há um morro rochoso e atrás dele o Pico do Marinzinho, ou tb conhecido como Pico Leste ou Pico do Piquete. É daqui q em tese sai a rota ate o Itaguaré, contudo como nosso objetivo é o cume do Marins atravessamos o platô, ignorando as clareiras próximas da 'Água Amarela', nome popular como é conhecida a nascente do Ribeirão Passa Quatro. Ali uma lacônica placa do Clube Montês Itajubense alerta da enorme qtidade de coliformes fecais existentes nesse q seria o único pto de água da montanha, o q não deixa de ser lamentável. Qdo estive aqui 7 anos atrás esta água era potável e abasteceu meu cantil em mais de uma ocasião, mas infelizmente tem sempre aquele montanhista detentor dos 'três i´s' (imbecil, ignorante e irresponsável) q resolve cagar próximo da água, tornando seu consumo inviável. Enfim, são coisas resultantes de qdo um lugar fica conhecido demais, batido e farofado. Em tempo, estamos na cota dos 2250m, pelo GPS do Angelo. Pois bem, da base do Marins nos deparamos com impressionante paredão de quase 150m de extensão, q vencemos através de uma seqüência interminável de escalaminhada e trepa-pedra pelas aderências e lajotas íngremes. E tome tração nas mãos e pés! A esta altura o cansaço começa a pegar ainda mais em virtude do peso extra nas costas, dando a impressão q estou carregando halteres cada vez mais pesados. Contudo, a vista q se descortina por sobre o ombro - tanto do platô de capim da base como do Marinzinho e Itaguare - nos dá um fôlego extra pra chegar no cume. Alcanço finalmente os 2421m cume do Marins a exatas 14:30 e literalmente desabo no chão. Minhas costas doem e o cansaço nas pernas é intenso, mas a sensação de ser o primeiro da trupe a chegar me conforta nem q seja por poucos momentos. No alto a vista é de 360 graus: de leste para oeste temos o Pico do Itaguaré com a inconfundível crista da Serra Fina logo atrás, alem das cidades de Cruzeiro, Cachoeira Paulista, Canas, Lorena, Guaratinguetá, Aparecida e Roseira; à noroeste vemos o Morro do Careca e td a crista percorrida vislumbrando tds os maciços e algumas das pedras que encontramos pelo caminho; à nordeste temos o Pico do Marinzinho; ao norte temos toda a região do Sul de Minas Gerais tudo o que se vê são as suas belas montanhas e a estrada que conduz aos municípios de Marmelópolis e Passa Quatro; para terminar, à sudoeste temos nosso objetivo do dia sgte, os maciços do Pico da Maria e da Mariana desabando em cristas menores q se esparramam vertiginosamente em varias direções do Vale do Paraíba. Fantástico! Uma curiosidade referente ao Marins diz respeito ao seu nome, batizado em homenagem a um bandeirante q passava mto pela região, Luiz Martins. Como os tropeiros q desciam a serra transportando mercadoria do sul de MG ao porto de Paraty tinham um vocabulário pobre, sertanejo e rude, pronunciavam o nome do pico de forma equivocada, q acabou pegando ate os dias de hj. O resto do povo só começou a chegar meia hr depois, assim como um grupo de jovens q se acomodou confortavelmente nas varias clareiras disponíveis e bem protegidas por tufos de capim q há no amplo e espaçoso cume. O resto da tarde nos resignamos simplesmente a descansar o esqueleto, apreciar as belas paisagens ao nosso redor e papear sobre os planos sgtes. E claro, a racionar parcimoniosamente nossa preciosa água. Após vários cliques do astro-rei pousando no horizonte dando lugar às primeiras estrelas pipocarem pelo firmamento, começamos o sagrado ritual da janta. Wagner e Angelo comeram suas comidas liofilizadas e naturebas, enqto eu e a Lu nos fartamos com um sopão de feijão engrossado c/ um miojo e atum apimentado q nunca esteve mais delicioso. Mas não tardou pro cansativo e longo dia cobrar seu tributo q nos enfurnamos em nossas respectivas barracas pra cair imediatamente nos Braços de Morpheus. Ao contrario do q supúnhamos, a noite na montanha não fora rigorosa e sim bastante fresca, com algum vento seco. Nessas condições, desnecessário dizer q dormi feito pedra sem nenhuma interferência. Entretanto, minha colega de barraca, apreensiva com barulhos insistentes fora de sua chiquérrima Nepal, levantou e surpreendeu os minúsculos e atrevidos ratinhos de altitude fuxicando sua mochila! Maria e Mariana Levantamos antes do amanhecer a fim de apreciar o belo espetáculo da alvorada prum dia q prometia ser tão limpo qto o anterior. Mas bastou o Astro-Rei emergir lentamente atrás da silhueta escarpada de Serra Fina, à leste, tingindo o firmamento de tons escarlates ate findar num azul definitivo q o tempo literalmente parou e tds só quiseram saber de registrar esse momento espetacular em inúmeros cliques. Após os raios do sol tocarem as barracas, cujo sobreteto não estava nem um pouco umedecido por conta da noite seca, é q começamos de fato a ajeitar as tralhas pro programa daquele dia. Mesmo com água escassa e sendo racionada de forma sagrada, o Wagner consumiu boa parte da dele já gerando uma certa apreensão referente ao precioso liquido. O dia seria bem quente e qq esforço demandaria um consumo maior, portanto a partir de agora teríamos q ter bom senso em consumir o pouco de água q nos restava. Ainda assim, conseguimos preciosos 500ml extras com a galera q tb estava no cume e q retornaria naquele dia. Solidariedade montanhista é isso ai. Antes de andar ainda demos uma avaliada visual no terreno q teríamos pela frente, sempre comparando com um xerox da carta q tínhamos à disposição. Afinal, não dejavámos ter o mesmo fim do escoteiro Marco Aurélio, q desapareceu misteriosamente nessa mesma região em meados da década de 80. Pois bem, mochilas nas costas e assim zarpamos pontualmente as 8hrs rumo o Pico da Maria, vizinho do Marins. Da beirada deste ultimo basta avaliar quais são as lajotas menos íngremes e avançar por elas, alternando com o mato ao redor, e assim ir perdendo altitude. Não tem mto segredo, pois qdo a declividade nas lajotas aumenta basta se enfiar no mato e, segurando firmemente nas caratuvas e no capim a disposição, desescalaminhar ao patamar sgte ou lajedo menos íngreme. E assim sucessivamente. Como não há trilha o jeito é avançar na raça mesmo, sempre atentando bem a consistência de onde se pisa. Em menos de 20min, já quase no final da descida, um gde barranco nos separa do fundo do pequeno vale q interliga o Marins e Maria. Mas da mesma forma q antes, avaliamos os trechos mais firmes onde pisar (e se agarrar) q desescalaminhamos esta piramba com segurança ate o fundo de uma espessa florestinha de altitude. Daqui não tem mais erro, pois bastou atravessar um túnel de bambus q terminamos emergindo, as 8:30, nos lajedos cercados de capim q forram a base do Pico da Maria. Daqui em diante não tem erro, pois é td aberto e suavemente inclinado. Há tb uma oportuna clareira de capim q pode comportar duas barracas confortavelmente, se for o caso. Fezes de algum pequeno carnívoro e um rústico totem repleto de liquens marcam o local, indicando q a visitação é bem rara, praticamente nula. Mas o melhor é a vista privilegiada q se tem tanto do Marins e sua face sul debruçando-se serra abaixo! Largamos as cargueiras com a Lu, q preferiu descansar na base do Maria, enqto o resto foi de fato atingir o cume do pico, não mto distante. Tal qual a subida do Marins, este curto trecho foi vencido facilmente na base de aderências e escalaminhando pedras, e assim atingimos os 2392m do topo do Pico da Maria, as 8:40!!! Daqui de cima o Mariana surgia como um dedo rochoso apontando pro céu, à noroeste, assim como uma vertiginosa crista descia espetacularmente estreita rumo o bairro dos Marins. À sudeste a vista tb não deixava a desejar com duas outras cristas bem escarpadas se debruçando pro Vale do Paraíba. Futura travessia? Quem sabe. Após inúmeros cliques deixamos um totem registrando nossa presença e descemos de encontro à Lu, q tirava um cochilo ao sol daquela manha quente. Íamos agora tentar a conquista do Mariana. Pois bem, caminhando por lajes e capim bastou seguir sentido a borda oeste da base do Maria. Contudo, antes de dar no abismo de uns 50m q nos separava do estreito selado rochoso q interliga com o Mariana, o bom senso nos sugeriu tentar algum possível acesso pela encosta direita. Descendo degraus rochosos não tão íngremes, perdemos altitude suficiente pra ficar quase no mesmo nível do almejado selado. Bastou então ir de encontro a ele. Esprememos-nos por uma estreita canaleta pedregosa q ladeava a encosta ate q deu num patamar firme de capim alto e cortante. Porem dele percebemos q nos separava agora do selado era algo de 30m de um paredão vertical à nossa esquerda, passível de ser transposto somente com técnicas de rapel! Abaixo um gde abismo jogava uma pá de cal em nossas pretensões de ganhar o Mariana por aquele lado. Decidimos retornar pra estudar melhor q estratégia adotar, mas difícil foi escalaminhar a estreita canaleta rochosa munido de uma pesada cargueira. Novamente na 'proa' oeste da base do Maria e lá avaliar novamente as possibilidades de acesso. Debruçamos-nos na rocha e vimos q um pouco abaixo havia uns matos de encosta q davam noutro patamar mais amplo, bem mais abaixo. Eu e o Angelo então desescalaminhamos ate onde poderíamos descer por esta rota, mas logo ela revelou-se ineficaz, pois tb deu num trecho onde não dava pra prosseguir sem a ajuda de corda. Daqui o cobiçado selado devia estar apenas a uns 30m abaixo da gente! Contudo, daqui pudemos ver algo q de cima era impossível e q reascendeu nossas esperanças: uma estreita canaletinha rochosa descia bordejando a encosta vertical do Maria ate bem próximo do tal selado, e a presença de mata alta nela significava q devia ter piso firme pra agüentar e dar apoio suficiente a um adulto. Só bastava descobrir de onde partia essa tal canaletinha e eu tive já uma boa idéia de onde poderia ser. Novamente na base do Maria, retrocedemos o suficiente pra ficar numa espécie de 'selado' entre o cume e a base. Dali vimos uma canaleta (quase uma greta) rochosa íngreme q descia forte na direção desejada e q provavelmente interceptava aquela q havíamos visto logo adiante. Pois bem, ate lá já eram quase 11:30 e havíamos perdido a manha td naquele processo de 'tentativa e erro' de acesso ao Mariana. Agora seria o ataque derradeiro. Bem, se não desse, pelo menos poderíamos nos vangloriar e dizer q tentamos. Retroceder do nada, jamais. Como o ataque era exploratório e relativamente pauleira, a Lu e o Wagner decidiram permanecer alí tomando conta de nossas cargueiras. O Wagner tb preferiu não se desgastar alem da conta pq tava consumindo muita água e a dele já tava quase no talo. Pois bem, eu e o Angelo então começamos a descer a canaletinha nos agarrando firmemente no mato ao redor ate q mergulhamos numa florestinha baixa. Ali serpenteamos pequenas arvores retorcidas ate cair num patamar rochoso no aberto, de onde avaliamos o rumo a seguir. A canaletinha seguia piramba abaixo, mas daqui tínhamos q seguir pela beirada vertical do paredão onde estava a outra canaleta avistada. Desescalaminhamos o patamar nos firmando no capim e em duvidosas raízes podres ate ganhar a tal canaleta. Uhúúú! Agora bastava seguir por ela, sempre colado ao paredão principal! No entanto, o q parecia fácil revelou-se um vara-mato de bambuzinho infernal! O Angelo foi na dianteira abrindo passagem e eu fui logo atrás, repetindo o processo de baixar o mato de modo a facilitar o retorno. As vezes tínhamos q 'nos jogar' sobre o mato pra conseguir baixá-lo, e assim avançar! O processo inicialmente foi lento, mas constante. Não tardou a cair num trecho não tão obstruído de bambus onde o caminhar/escalaminhar não teve maiores dificuldades, alternando subidas e descidas. Era evidente q onde estávamos ninguém havia estado pq não havia marca de facão e mto menos rastro de trilha. Éramos os primeiros naquele cafundó do Marins! Seguindo em frente no mesmo compasso, logo pudemos ver o tal selado cada vez mais próximo, e assim aumentamos nosso ritmo, cada vez mais contentes. E assim às 12:30, após um ultimo lance de escalada, chegamos enfim no estreito selado q nos tomara td a manhã em chegar! Estávamos eufóricos por estar ali, pois agora ate o cume do Mariana era brincadeira de criança! Empolgados, subimos os lajedos e paredões q se seguiram e meia hora depois atingimos os 2310m do cume do Pico da Mariana, pelo GPS do Angelo. A vista dali de cima é deslumbrante!!! O Marins, Maria e seus respectivos contrafortes ganham nova e impressionante perspectiva! De onde estávamos, pudemos tb ver gente no cume do Marins q parecia espantada com nossa presença ali, naquele local aparentemente inatingível! Depois soubemos q era o Milton levando turistas ao topo do pico principal. No entanto, a comemoração foi breve pois nuvens começaram a tomar conta de td Vale do Paraíba e ameaçavam subir ate o alto das montanhas, nos obrigando assim a retornar ate nossos colegas. A volta foi bem mais rápida q a ida, lógico! Havíamos deixado praticamente uma 'avenida' em nossa passagem, q se não for utilizada ira fechar em breve. Uma vez na cia do resto do pessoal iniciamos a volta ao Marins, as 14hrs, refazendo td trajeto daquela manhã, agora em árdua em vigorosa escalaminhada de mato e rocha. O calor daquele inicio de tarde era palpável e nos tentava a td momento a beber água alem da conta. Aliás, a demanda pelo precioso liquido foi um fator critico, pois havíamos subestimado nosso consumo. A Conquista do Mariana - 2ª Parte O Marins, a Maria, a Mariana, o Marinzinho e o Itaguaré - 2ª Parte No topo do Marins, as 15hrs, desabamos na sombra do alto capim elefante afim de descansar e dar continuidade à pernada.Não havia mais ninguém ali e ficamos bem a vontade, donos absolutos do pedaço. Mas dez minutos depois retomamos a caminhada rumo à base da montanha aonde, sem pressa alguma, chegamos no acampamento da “Água Amarela“ por volta das 16hrs, no mesmo instante em q brumas ameaçavam tomar conta do platô. Ali nos separamos do Wagner, q alegou estar sem água suficiente pra continuar a travessia. Contudo, retornaria ao veiculo e no dia sgte se prontificou a nos buscar no inicio da trilha do Itaguaré. Nos despedimos de nosso colega e o trio restante deu continuidade à pernada, agora rumo ao Itaguaré. Atravessamos o vasto capinzal q forra o platô, acompanhando o curso do Ribeirão Passa Quatro ate sua provável nascente, quase no inicio da primeira lombada rochosa ascendente, comumente chamada de 'Morro da Baleia'. Aqui, a tal 'Água Amarela' encontra-se empoçada e é bem mais confiável q na área de acampamento. Por estar confinada numa greta coberta de mato, impossível ela ter sido maculada com qq espécie de dejeto mais acima. Claro q foi nossa alegria, pois bebemos à vontade e reabastecemos nossos cantis. Subimos o tal 'Morro da Baleia' onde a trilha nos levou num pequeno platô de alto capim elefante, onde chapinhamos um trecho de charco ate ganhar novamente as altas encostas da crista pedregosa sgte, rumo Marinzinho. Aqui houve uma certa confusão de rota mas assim q descobrimos as marcações -fitas azuis e tótens - não teve mais erro. Já era relativamente tarde, algo de 17:20, e as cores de fim de tarde já tingiam o céu naquele inicio de primavera. Mas nossa preocupação de encontrar um lugar decente de pernoite se diluiu ao esbarrar com uma perfeita (e improvável) pequena clareira na crista q acomodou confortavelmente nossas duas barracas, na cota dos 2343m, um pouco antes do topo do Marinzinho! Devidamente acomodados e exaustos pelo dia intenso, eu particularmente abri mão de janta e me conformei em forrar o estomago com um lanche reforçado, regado a um café-com-leite q dividi com a Lu. Já o Angelo teve paciência em cozinhar suas gororobas natureba-liofiziladas assim q o manto negro da noite abraçou aquele rincão privilegiado do alto da Mantiqueira. Apesar do céu estupidamente estrelado e do clima agradável, após uma rodada insistente de 'piadas infames' mergulhamos naquele sono gostoso mais q merecido, prontos pra recarregar as baterias pro dia sgte. De noite o vento fustigou por breve momento gotículas do q ameaçou ser uma chuva, mas td não passou disso. Marinzinho e Itaguaré A manhã sgte desperta envolta numa nebulosidade esparsa, bem diferente dos dias anteriores. Despertamos bem cedo, mas o friozinho gostoso nos segurou alem da conta em nossos sacos-de-dormir. Mas qdo é chegada a espiar fora das barracas, a vista não deixa a desejar de qq dia limpo e céu azul: um enorme tapete de nuvens forrando ate onde a vista alcança, deixando apenas o topo do Marins e do Itaguaré acima da camada alva, tal qual ilhas rochosas. Arrumamos as coisas após um farto desjejum e pusemos pé-na-trilha as 8hrs, no exato momento em q um sol tímido ameaçava sair entre as nuvens. Continuamos pela crista, agora subindo ao alto dos 2432m do Marinzinho, onde nos esprememos feito calangos por entre as pedras ate dar no outro lado, de onde já podemos apreciar td trajeto pela crista q teremos ate o fim, assim como o Itaguaré e a Pedra Redonda, uma bola rochosa q parece se equilibrar a meio caminho. A longa descida do Marinzinho começa íngreme, mas uma corda disposta estrategicamente nos ajuda a vencer um bom trecho daquela medonha parede rochosa. Na seqüência segue-se um interminável ziguezague q serpenteia capim e algum bambuzinho q desemboca num enorme selado, já quase 200m abaixo do topo do Marinzinho. Deste selado q começa uma escalaminhada por rochas ate a crista principal, subida feita em meio a um espesso nevoeiro q nos borrifava umidade a cada centímetro, mas q logo dispersou-se. Uma vez no alto da crista, o sol resolveu se firmar tal qual os dias anteriores e ser generoso o suficiente em escancarar sem nenhuma nuvem a bela paisagem rumo ao Itaguaré, facilitando a navegação visual. Daqui tb a paisagem recorrente são os verdejantes vales transversais, cujos contrafortes se esparramam tanto pro Vale do Paraíba, totalmente tomado de nuvens, como pro sul de MG, plenamente aberto. A caminhada pela crista é constante, mas puxada. O sobe e desce é continuo e requer bons joelhos nos trechos de declividade além de mãos com ventosas, nos aclives. Nesse ritmo forte chegamos finalmente no alto das 2330m da Pedra Redonda, as 9:30. A pedra tem aspecto redondo conforme a posição, pois ali do lado dela lembrava um retângulo, e foi na sombra dele q tivemos um breve momento de descanso e de beliscar alguma coisa. Nesse meio-termo encontramos um trio q fazia a travessia no sentido contrario e a quem passamos algumas infos do Marins e Marinzinho. A caminhada prossegue em franco declive numa sucessão de trechos onde voçorocas e túneis de bambus q insistem em se agarrar em qq saliência da mochila,não deixando os braços livres da tarefa de desenroscar os malditos. Foi aqui q senti a diferença da ótima mochila q ganhara, mas cuja altura bem superior à minha parceira de perrengues ainda não havia me familiarizado, facilitando enganchadas aqui e ali. Haja teste de paciência! Isso sem falar nos pequenos platozinhos forrados de alto e cortante capim elefante q geraram alguma confusão de continuidade do trajeto, mas q guardam tanto confortáveis áreas de acampamento como dejetos de animais selvagens. Pra cada descida vinha logo uma subida onde mãos e pés eram colocados a prova, se firmando tanto no mato como na rocha. Dessa forma o sobe e desce pela crista mantêm-se, forte, ininterrupto e constante. O consolo q nos gratificava era estar mais próximo do Pico do Itaguaré, exibindo seus imponentes contrafortes reluzindo à luz do meio-dia. Após uma forte descida mergulhando na mata seguida de uma escalaminhada no mesmo ritmo, as 12:15 paramos pra descansar no alto dos 2162m de um cocoruto rochoso com bela vista das ranhuras verticalizadas Itaguaré, quase ao alcance das mãos. O sol e calor eram palpáveis, mas infelizmente não havia sombra alguma pra nos refrescar, deixando o semblante deste q vos escreve pra lá de tostado. Alem de comer algo tb pude avaliar os cortes e espinhos nas mãos, pois minhas pernas já estavam totalmente anestesiadas de tão raladas por conta do mato q eventualmente cruzava a trilha, principalmente um chamado com propriedade de 'unha-de-gato'. Retomamos a pernada através dos dois últimos selados q nos separavam do pico desta escarpada e acidentada crista. Passamos pelo 'Castelinho', a ultima gde clareira no trajeto antes do Itaguaré, onde é possível acampar com bela vista do gigante rochoso. O trecho final contorna a crista através de lajotas inclinadas pela esquerda ate dar no ultimo selado, onde a nova escalaminhada q se segue nos leva ate enormes blocos rochosos q parecem nos emparedar. Estes túneis de rochas desmoronadas são transpostos sem as mochilas, uma vez q existem fendas onde alguém acima do peso não passa nem por ordens expressas do alto comando. Após a ultima gde escalaminhada desembocamos finalmente quase na base do Itaguaré, as 14hrs, mais precisamente em sua encosta rochosa norte. Ali, temos um belo visual do platô base e do pico menor do Itaguaré, coisa de uns 100m abaixo de onde nos encontramos. Após breve descanso sob o forte sol da tarde, escondemos as cargueiras entre os arbustos e capim pra começar o ataque ao gigante rochoso q nos acena boas-vindas. Daqui não tem mto erro ganhar o topo, pois basta acompanhar os totens, vestígios de trilha ou apenas por onde a pedra parece mais pisoteada. Alias a ascensão ao pico agora seria feita pela face oposta àquela q observávamos desde inicio da travessia. Dessa forma, após largos ziguezagues através de rampas, degraus e aderências rochosas sucessivas - algumas bem íngremes - terminamos dando nos 2330m do topo escarpado do Itaguaré, as 14:20. O cume se estende numa sucessão de enormes blocos ao sul. É preciso transpor um abismo na base do sangue frio - apropriadamente conhecido como 'pulo do gato' - no salto ou sobre uma pedra q serve de 'ponte' duvidosa. Aqui apenas eu e o Angelo prosseguimos já q a Lu declinou deste trecho adrenado onde se observa perfeitamente sob os pés um penhasco de mais de 100m vertiginosos! Indo pra 'proa' do cume através de uma trilha obvia e sucessivas rampas,atingimos o extremo norte do topo, onde nos empoleiramos feito gárgulas nas varias rochas afim de apreciar o belo visual q se descortina a nossa frente.O Marins e td crista percorrida serpenteando um tapete de nuvens q forra td Vale do Paraíba é espetacular, mesmo não dando pra ver as cidades de Aparecida, Guará, Lorena e Cruzeiro. Somente o sul de MG era facilmente discernível, Passa Quatro e São Lourenço pontilhado de fazendinhas e estradinhas rurais, assim como o som do Ribeirão Brejetuba rugindo nalgum fundo vale ao pé do maciço. Após descansar e contemplar o visu, retornamos pra buscar as mochilas e dar continuidade à pernada por volta das 15:30. Continuamos descendo ate o platô de capim q é base do pico, onde descobrimos q o riacho q antecede a área de acampamento local estava totalmente seco. Era hora de cair na real, pois meu estoque de água havia terminado faz tempo e contei com este local pra reabastecer. Danou-se, mas felizmente pude dividir pequenos goles q ainda restavam na garrafa da Lu. Bem, agora havia q agüentar na secura ate o final. Sair daqui foi meio q problemático e tivemos uns perdidos, pois tanto minha memória qto a do Angelo não tava ajudando muito qto relembrar de onde partia a trilha de saída. Mas atentando á lógica da disposição de totens locais refrescou alguns detalhes daquela saudosa trip de 2003. Da área de acampamento partia uma picada q seguia sentido noroeste ate dar num gde cocoruto. Seguindo sucessivamente por rampas de pedra logo nos vemos perdendo suavemente altitude, agora indo pra nordeste, serpenteando rochas no caminho. Mas logo segue uma piramba íngreme e longa através de uma vala rochosa q parece mergulhar na mata, onde há uma bifurcação. Seguimos equivocadamente reto apenas pra perceber cedo q não era por ali e sim pela vertente da esquerda, sinalizada pela bendita fita azul. Uma vez na mata não tem mais erro, pois foi só descer forte quase em linha reta rasgando uma interminável florestinha silenciosa no q não era mais trilha e sim uma vala bem erodida q demanda atenção e mto joelho, q cismava em fraquejar a qq momento! Assim sendo engatamos pto morto e não paramos! Neste trecho sacal nos distanciamos uns dos outros, cada um seguindo seu ritmo. No caminho, há algumas saídas pra esquerda q nada mais são acessos a mirantes rochosos com vistas q se debruçam pro norte, mas q dispensei, pois minha mente só objetivava uma coisa com vontade: água! Dessa forma inabalável e compassada perdemos facilmente 700m de altitude, haja perna! A mata cresceu de tamanho, ficou mais densa e ganhou vida, mas o melhor era ouvir o som do precioso liquido correndo em abundancia bem próximo, algo q soou como música a meus ouvidos. Apressei o passo e tropecei com um riozinho q nunca foi mais q bem-vindo. Desnecessário dizer q quase bebi o riacho todo, alem de fazer mais uma boquinha enqto aguardava o resto do povo. Assim q o Angelo e a Lu apareceram, cruzamos o riacho e prosseguimos a pernada, agora na horizontal acompanhando o mesmo ao longe. Temos um pequeno desnível na seqüência ate q cruzamos novamente o riacho e bem mais adiante caímos numa trilha maior, onde uma placa indicando bifurcação pra Cruzeiro já nos diz estar próximo do inicio da trilha. Dito e feito, damos num cruzamento de riachos q após os mesmo logo desembocamos nos 1540m do descampado gramado q oficializa o 'Acampamento Base Itaguaré', as 18hrs. Uma estrada de terra ao lado tb indica estarmos nos arredores de Barreiro, erroneamente indicado na carta topográfica como Faz. Tres Barras. Bem, com o horário avançado, a noite e a temperatura caindo rapidamente ficamos nos indagando de onde estaria nosso suposto resgate, pois o Wagner já deveria estar ali à nossa espera conforme havíamos combinado. Mas foi qdo começamos a enchê-lo de impropérios e buscávamos já bons locais pra acampar q o mesmo surge do nada, apontando os faróis do Ford Ecosport na nossa direção! Antes q suas orelhas calcinassem, nos explicou q demorara devido as péssimas condições da estrada. Desencontros a parte, embarcamos no veiculo e retornamos pra paulecéia naquele inicio de noite. Claro q uma vez na 'Terra da Garoa' coroamos nossa respeitável empreitada numa pizzaria onde nos fartamos de comida de fato! E bebes tb! Posteriormente tivemos a confirmação do próprio Milton (do 'Acampamento Base Marins') e Orlando Mohallem (da agencia local 'Triboo') de q éramos os primeiros a conquistar o Mariana sem equipamento especial ou técnicas de rapel, o q decerto não deixa de ser um feito digno de nota. Bem, se éramos de fato os primeiros não importava muito. Importava mesmo era nossa enorme satisfação de ter concluído uma travessia q incluía os 5 principais picos da região, esta sim inédita com certeza! Portanto, se a tradicional 'Maringuaré' é considerada como montanhismo em dose dupla, a inclusão dos Picos da Maria e Mariana é montanhismo legitimo e genuíno em dose 'quíntupla', se considerarmos tb o Marinzinho! E as possibilidades não terminam por ai. As cristas q se desdobram do alto do maciço principal do Marins sugerem programas inéditos e perrengueiros ainda a estudar detalhadamente. Mas essas decerto serão novas estórias que a Mantiqueira ainda há de guardar por um tempo. Por ora. [creditos]http://altamontanha.com/colunas.asp?NewsID=2639[/creditos] P.S: Confiram as fotos! Enjoy! Jpimenta
  13. Galera esta provavelmente vai ser minha primeira travessia em montanha, já fiz outras sozinho mas sem escalaminhada. Como sou solo não compensa contratar um guia, é comum ser encaixado em outro grupo? De qualquer forma, já subi o Pico dos Marins carregado e sem guia, sem muita dificuldade técnica apenas cansaço. Para quem já realizou os dois, em termos técnicos a travessia da serra dos orgãos apresenta muito mais dificuldade?
  14. Relato previamente publicado no meu blog Mochila & Capacete (http://www.mochilaecapacete.tumblr.com). O Pico do Marins já estava na minha lista há muito tempo, um dos pontos clássicos do montanhismo paulista e que ainda não conhecia. Surgida a oportunidade no feriado estadual de 9 de julho, junto com amigos, decidimos encarar a travessia Marins x Itaguaré. O trekking pela Serra da Mantiqueira dura 3 dias e percorre o trajeto de aproximadamente 19km, passando pelo Pico do Marins (2.420m) e Pico do Itaguaré (2.308m), com um grau acentuado de dificuldade, a travessia é um circuito clássico do montanhismo. Saímos de São Paulo na sexta-feira 06.07.2012 no começo da noite, seguindo o caminho até a cidade de Piquete/SP, onde fica a base do Marins (o caminho é fácil pela Via Dutra e dista cerca de 250km de São Paulo). Chegamos à Base do Marins pouco depois da meia-noite e dormimos no abrigo ali existente (R$ 15,00/pessoa com direito a banho no final da trilha – Estacionamento R$ 20,00/carro), cabe lembrar que o acesso até o acampamento base é feito por estrada de terra um pouco precária, sendo que carros muito baixos devem evitar, eu mesmo tive uma certa dificuldade para chegar até lá. Acordamos já no sábado após as 6 da manhã, arrumamos nossas mochilas e com o café da manhã devidamente tomado iniciamos a subida. (foto por Thiago Campacci) O trekking se inicia na Base do Marins, seguindo por um trecho curto de mata fechada até uma estrada para carros (interditada pelo Ibama) que leva até o Morro Careca, onde de fato se inicia a trilha. A partir desse ponto a trilha começa a ser definida por seus obstáculos naturais, com “pula-pedras” e trechos de escalaminhada, porém não é difícil segui-la devido as marcações (verdadeiras pichações) e totens de pedra. (foto por Thiago Campacci) O visual da trilha é fantástico, donde se vê a Serra da Mantiqueira em sua extensão, e com o lindo dia de sol tínhamos a clara visão da Serra Fina (objetivo ainda a ser alcançado). (foto por Yuri Wetzel) Não há ponto de água potável, somente no acampamento base do Marins (distante cerca de 5km da Base do Marins e ponto de acampamento recomendado para a Travessia), porém devido a degradação causada pelo “ecoturista” brasileiro a água ali existente não é recomendada ao consumo. Após superarmos o acampamento base, pois decidimos acampar no cume, paramos para um longo descanso debaixo do sol que nos assolava, antes de encararmos o trecho de subida final, bastante íngreme por rampas de pedra. Atingimos o cume por volta das 15 horas, após 6 horas e 20 minutos de caminhada. Montamos acampamento, escolhi o ponto mais ao norte para montar minha barraca, onde teria uma vista livre para o por do sol, e após tudo montado foi só curtir o pôr do sol e o frio que se intensificava. (Minha barraca laranja e cinza ao fundo da imagem) Com o cair da noite, jantamos e fomos dormir, pois do dia seguinte seria longo, ou não... (foto por Thiago Campacci) Durante a madrugada fomos assolados por um forte vento e por chuva, o vento chacoalhava a barraca que se manteve estável (aliás aqui cabe fazer um pequeno review para a minha barraca Manaslu Discovery Montain, que mesmo com todo o vento e frio que fez na madruga ela aguentou muito bem, sequer envergando e mantendo o isolamento térmico, mesmo eu estando acampado na parte mais exposta da montanha). O vento trouxe o nevoeiro, acordei pouco depois das 6 da manhã já no domingo (08.07.2012) e não via nada, mal conseguia ver as outras barracas. Com o tempo fechado desse jeito a travessia até o Itaguaré ficaria comprometida, pois mesmo com GPS a navegação se tornaria difícil sem a referência do relevo. Também perderíamos o belíssimo visual, já que não se via nada. Marcamos um deadline às 10h 30m, se o tempo abrisse continuaríamos a travessia, em caso negativo voltaríamos a Base para terminar um dia mais cedo a nossa “expedição”. O tempo não mudou e irresignados iniciamos a descida pelo mesmo trecho. A descida foi tranquila, porém tivemos que ser cautelosos, pois com a chuva da madrugada os paredões de pedra estavam um pouco escorregadios. Terminamos a trilha em pouco mais de 5 horas de descida e rumamos de volta para São Paulo, finalizando nossa viagem nos fartando em um merecido rodízio japonês. Foi uma excelente trilha, mais uma para o meu cartel e mais uma que fico com o gostinho de voltar para finalizá-la, o mau tempo tem me vencido constantemente (foi assim no Pico Paraná esse ano, em Torres del Paine em 2009, no Pico da Bandeira, etc,), porém esses percalços são partes constantes da vida de um montanhista, não me fazem desistir dos objetivos, apenas os posterga e me faz rumar em direção ao próximo destino, sempre com uma história boa para contar.
  15. Bela trip, parabéns!! Só exclarecendo alguns pontos: O Marins não é parque, mas sim uma APA (Area de Proteção Ambiental).... - A temporada de montanha é de Maio a Setembro, sendo que os meses mais secos são Julho, Agosto e Setembro. - Existem 2 pontos de agua potável durante o percurso do Pico dos Marins. A primeira fica próximo ao morro do careca, a aproximadamente 1 hora de caminhada assim que se sai do acampamento-base. Há uma pequena trilha que bifurca da principal a esquerda e que leva até o riachinho e que sai do lado da placa indicativa "inicio da trilha para o Pico dos Marins" O segundo ponto de agua fica em um ponto escondido, próximo ao inicio da subida para o Pico do Marinzinho, no trecho de ""platô", na base do Pico dos Marins (onde existem outros descampados para camping). Segue-se a esquerda pela trilha que bifurca a esquerda a partir de 2 descampados na base. Ela cruza com a nascente, que está escondida entre o Capim elefante. Procurando bem, não é dificil encontrar a nascente. Lembrando que esse ponto de agua da base do Marins não é aquele riachinho que se cruza, antes de começar a subida de ataque final ao cume. A nascente fica em um trecho mais acima, e só se passa por ele, quem faz a travessia do Marins para o Itaguaré. E como fica longe das areas de acampamento, a agua ali está limpa, mas se preferir, pode usar clorin para purifica-la. Eu bebi dela sem tratamento algum e não tive problema algum.. Pouca gente sabe desse ponto de agua. Subi o Marins 3 vezes, sendo a ultima para fazer a travessia Marins x Itaguaré. Escrevi um relato detalhado, com fotos, onde inclusive fica os 2 pontos de agua, es o link: Bate-volta Pico dos Marins pico-dos-marins-2-421m-de-altitude-t85655.html#p870836 Travessia Marins X Itaguaré travessia-marins-x-itaguare-t87374.html
  16. Além de viajar e escalar altas montanhas, gosto da prática do buscraft. Sempre que posso me enfio na Cantareira ou Mantiqueira para a prática de camping selvagem. Outra coisa que muito me agrada é acampar nas alturas, de preferência em lugar com aquele lindo 'tapetão de nuvem' (pico dos Marins, entre outros). Também existe a opção com praia, mais especificamente em Bertioga (prainha branca, prainha preta, etc) e também 7 praias (Ubatuba), que por sinal é um lugar lindo maravilhoso. E para os mais 'atrevidos e destemidos', também gosto muito de acampar na Funicular, em Paranapiacaba, trilha que por sinal não é pra qualquer um. Bom saber que mais gente está procurando acampamento selvagem. Quando rolar algo me convidem que participo com vocês. Se nada ainda estiver marcado, partiu marcar algo. Tenho agenda bem flexível e posso me encaixar em qualquer data. Partiu acampar? Selvaaaaaaa!
  17. Ola mochileiros . em agosto pretendo fazer o pico dos marins via paiolinho ( Piquete ) Gostaria de saber se a trilha de ida é a mesma na volta ? Existe outra opção ? Agradeço a quem ajudar, obrigado !!
  18. Fiz esta viagem já faz algum tempo, em outubro de 2008, mas acabei não postando aqui. O Pico dos Marins é o mais alto que fica inteiramente dentro do Estado de São Paulo. Ele perde para o Pico da Mina, por exemplo, que fica entre SP e Minas Gerais. O Pico tem 2420 metros de altura, e fica no município de Piquete. O acesso até o início da trilha é fácil e pode ser feito por qualquer carro. Para chegar de São Paulo até o Pico dos Marins: Dutra - Saída 51 BR 459 - Passar por Piquete e logo depois (menos de 1km) pegar a estrada José Rodrigues Ferreira à direita, para chegar à Vila do Marins. Passando o portal de Marmelópolis, logo a direita é o acampamento base. Já no acampamento base, deixe seu carro, negocie o preço com o Milton, e bata um papo com ele para conhecer melhor o que você terá pela frente. Apesar de eu ter levado o GPS para essa viagem, tinha comprado ele há menos de 1 semana, e mal sabia usar. Resultado: praticamente não usei, e o caminho tortuoso, demarcado por rochas empilhadas ou marcações bem toscas nas pedras, facilitou que nós 3 errassemos o caminho duas vezes na ida, e mais uma na volta. Recomendo levar um GPS com uma track bem feita (que não é o caso da minha), ou subir com um guia. A subida é realmente linda! A paisagem da mantiqueira vista cada vez mais do alto é de tirar o fôlego! Subimos em um dia muito quente e com muita bagagem (barraca, fogareiro, pratos e talheres, comida, água, etc..) o que dificultou muito nossa velocidade. Depois de aproximadamente 4 horas de subida e um erro, já estávamos bem cansados, e estávamos chegando nas subidas mais íngremes da aproximação do cume. Na quinta ou sexta hora, erramos o caminho novamente, em um grande charco que fica próximo ao ataque ao cume. Neste local o tempo fechou e começou a chover de leve, o que provocou um misto de calor e suor fortes sob o anorak, com muito cansaço e exaustão com o erro do caminho, que nos fez saltar de pedra em pedra no meio do charco, atolando o pé em lamas, com vegetação da nossa altura. A sensação foi de esgotamento geral. Neste ponto, tão perto do Marins, desistimos de continuar subindo e procuramos o local mais próximo para acampar: uma pedra mais plana e ampla, que cabia bem nossa barraca. O caminho tem essa peculiaridade. Quando você erra, ele é complicado de se caminhar. A vegetação entre as pedras é muito alta, por mais que não pareça, e quando você não consegue passar de uma pedra a outra, tem que entrar nessa vegetação, e passar um bom perrengue pra sair em algum lugar correto! Paramos no vale que antecede o cume, montamos a barraca e o fogareiro, arrebentados de cansados, e começamos a fazer nosso macarrão. Problema: água. Onde estacionamos não tinha água limpa. Tinham algumas passagens de água pouco corrente sobre as pedras, que tivemos que pegar com muito custo para pode fazer o macarrão, fervendo antes, para não ter muito problema. No dia seguinte viríamos descobrir um ponto de água próximo, mas com nosso erro não encontramos. Dormimos ali mesmo, no vale a beira do Marins, em uma noite incrível, com nuvens cobrindo a lua como se fosse o sol, criando sombras estranhas, depois limpava, e num instante uma massa de névoa vinha em nossa direção e cobria tudo, como se estivessemos em meio à serra na neblina. Demais! Algumas pessoas que desistiram pouco antes de nós passaram um belo perrengue nesta mesma noite. Eles estavam na área elevada, antes de nosso vale, e a noite foi de um completo vendaval, que fazia a barraca deles encostar em seus narizes durante a noite! Fica a dica: acampe no vale. Apagamos e no dia seguinte acordamos nos perguntando se deveríamos atacar o cume ou voltar, afinal, era domingo. Achamos que poderíamos levar muito tempo para subir e resolvemos não arriscar. Descemos em metade do tempo da subida, o que nos deu certo arrependimento de não ter deixado a bagagem e subido leve até o cume. Valeria a pena! Sim, voltamos sem alcançar o cume, mas com a promessa de voltar! Veja as fotos, e acesse o GPS Track com nossos erros no meu blog: http://tripsetracks.blogspot.com/2009/12/pico-dos-marins-sao-paulo.html - lá estou colocando todos os relatos de minhas viagens.
  19. [info]O objetivo deste tópico é trocar informações e reunir depoimentos e dicas sobre o Pico dos Marins. Se você está com alguma dúvida em relação ao pico, coloque-a aqui que sempre um mochileiro de plantão irá ajudar. Se já conhece o Pico dos Marins, conte para nós como foi sua experiência, seja ela negativa ou positiva, deixando dicas e demais informações para mochileiros perdidos. Para isso basta clicar no Botão Responder![/info] [t1]Pico dos Marins[/t1] Montanha mais alta do estado de São Paulo, com 2.420m, o Pico dos Marins atrai os amantes do montanhismo pela beleza da região que o cerca, proporcionando uma vista maravilhosa do Vale do Paraíba (SP) e do Sul de Minas Gerais! A dificuldade para se chegar ao cume do Pico dos Marins também é outro atrativo para os montanhistas. Embora não seja necessária a utilização de equipamentos de alpinismo, tampouco o uso de bússolas, GPS ou mapas, o trajeto até o cume é longo, demorado e exige bastante esforço muscular e articular das pernas. [t3]História[/t3] No dia 8 de junho de 1985, o escoteiro paulistano Marco Aurélio Bezerra Bosaja Simon desapareceu misteriosamente no Pico dos Marins. Tinha 15 anos de idade e participava, pela primeira vez, de uma excursão ao local, organizada pelo Grupo Escoteiro Olivetano, de São Paulo, e chefiada por Juan Bernabeu Céspedes, na época com 30 anos de idade. Outros três escoteiros participavam da excursão, todos da cidade de São Paulo e com idades entre 14 e 16 anos: Osvaldo Lobeiro, Ricardo Salvioni e Ramatis Rohm. Durante a ascensão ao cume do Pico dos Marins, o escoteiro Osvaldo Lobeiro machucou o joelho numa pedra, o que obrigou o grupo a desistir da subida e retornar ao acampamento-base, estabelecido num sítio a 1.600 metros de altitude. Marco Aurélio havia sido nomeado monitor da equipe e segundo os escoteiros, foi incumbido pelo chefe Juan Bernabeu Céspedes de descer na frente em busca de socorro. Orientado a escrever o número 240 (número do Grupo Escoteiro Olivetano) com giz nas rochas, como sinalização durante a descida, o rapaz partiu para cumprir a determinação do chefe e nunca mais foi visto: desapareceu misteriosamente, sem deixar vestígios. O desaparecimento de Marco Aurélio comoveu o país, que acompanhou pela imprensa escrita e televisiva a operação de busca pelo escoteiro, realizada incessantemente durante os trinta dias seguintes ao fato, contando com mais de 300 pessoas, entre soldados e oficiais da Polícia Militar, Batalhão de Infantaria do Exército sediado em Lorena, bombeiros, alpinistas, mateiros, guias, voluntários e equipes especializadas em salvamento e busca na selva; parapsicólogos, sensitivos, videntes e rabdomantes chegaram a participar dos esforços. A região foi completamente vasculhada e sobrevoada por helicópteros e aviões, sem sucesso. As teorias sobre o desaparecimento de Marco Aurélio são as mais variadas possíveis: homicídio, morte acidental, seqüestro, fuga voluntária, amnésia, trapaça, abdução, etc. [t3]Localização[/t3] [picturethis=http://img.photobucket.com/albums/v280/thiagodesigner/Mapa.gif 138 250 ]Partindo de São Paulo ou Rio de Janeiro Pela Rodovia Presidente Dutra (BR 116) pegue a Saída 51, siga pela BR 459 até passar por Piquete. Logo em seguida (800 metros) virar à direita para a Estrada Viscinal José Rodrigues Ferreira que dá acesso à Vila dos Marins. Quando chegar ao fim do asfalto, que é na saída da Vila dos Marins, suba à esquerda (Sentido Marmelópolis) até o final da serra, passe o portal do município de Marmelópolis na divisa SP-MG, entre à direita e logo em seguida você chegará ao Acampamento Base Marins. Distâncias: São Paulo: 220Km | Campinas: 270 Km[/picturethis] [t3]Quando ir?[/t3] A melhor época para visitar o Pico dos Marins é entre a segunda metade do outono e o início da primavera, ou seja, entre os meses de maio e setembro onde as noites são muito estreladas! Fora deste período não é seguro aventurar-se por lá devido às fortes tempestades com raios e ao tempo fechado que reduz fortemente a visibilidade, prejudicando a navegação. [t3]A Trilha[/t3] Se você deixou o carro no Acampamento Base dos Marins, a caminhada inicia-se desse ponto mesmo. Passando por uma trilha pela mata de cerca de 20 mim, depois subindo por uma estrada de terra, chega-se ao inicio da trilha. Nesse ponto se encontra uma placa informando o todo o trajeto até o Marins, mostrando os mirantes, etc.. Seguindo a trilha chega-se um local chamado Morro do Careca, e a partir dele até o cume do Pico dos Marins leva-se aproximadamente quatro horas carregando-se apenas alimentação e bebida e o retorno em aproximadamente três horas. Com barraca, provisões e alimentos para acampar no cume, o percurso de subida pode ser feito em cerca de seis horas e a descida em cerca de quatro horas . Esses tempos são apenas uma estimativa, podendo variar dependendo do seu preparo físico. Corredores de aventura que às vezes aparecem por lá para treinar, fazem a subida ao pico em menos de 2hs!! Mais uma vez muitos cuidados devem ser tomados, calcule o horário de partida, se pretende voltar no mesmo dia, saia bem cedo imprevistos podem acontecer, e descer a trilha no escuro não é nada fácil. Não confie nos "totens" da trilha, se não conhece muito bem o caminho contrate um guia, você incentiva um dos únicos meios de trabalhos na cidade e ainda garante sua segurança. [t3]Dicas e Cuidados[/t3] Se você pretende visitar o Pico dos Marins pela primeira vez, será útil para sua segurança e satisfação considerar algumas orientações: » Existem muitos "Totens" feitos por aventureiros informando o caminho errado até o pico. Muito Cuidado! » Existem apenas dois pontos de coleta de água: O primeiro fica no inicio da trilha, antes de chegar ao morro do careca. O segundo fica próximo ao cume. Muito cuidado com esse, no período de seca onde a água é menos abundante pode ocorrer contaminações, devido ao pessoal que defeca e urina próximo ao córrego. Muito Cuidado! » Durante o inverno a temperatura pode atingir valores inferiores a -4ºC. Leve isolante térmico, gorro, luvas e roupas adequadas para baixas temperaturas. » Leve sempre um agasalho adequado, seja para subir ou descer, devido sua altitude e exposição venta muito na trilha. » Mesmo durante o inverno utilize protetor solar, pois a exposição ao sol é intensa e com pouquíssimos locais para se proteger à sombra. » Evite carregar objetos nas mãos, utilize a mochila e uma pochete para guardar todo o necessário! » Mesmo que você pretenda apenas subir e descer no mesmo dia, leve uma lanterna! » Antes de partir para o Pico dos Marins consulte a Previsão do Tempo! [t3]Guias[/t3] » Milton - Acampamento Base dos Marins (11) 9770-1991 / [email protected] [t3]Onde Ficar[/t3] » Pousada Fazenda Mundo Novo (12) 3156-8068 / 3156-1562 Dona Sonia (*****) Excelente! » Hotel Pousada Rio Douro (12) 3156-5007 (**) » Pousada Fazenda Paluana (12) 3156-1349 (*) [t3]Literatura[/t3] [picturethis=http://www.editora-opcao.com.br/imagens/CapaOperMarins.JPG 135 167 ]Operação Marins - O Sumiço Do Escoteiro Marco Aurélio Rodrigo Nunes Editora Opção, 2006 Neste livro, o jornalista Rodrigo Nunes conta os fatos de sua pesquisa sobre o estranho sumiço do escoteiro Marco Aurélio, na região do pico dos Marins, em Piquete, SP, no dia 8 de junho de 1985. O livro de 119 páginas, 15 x 21 cm, R$ 20,00 + frete, apresenta os seguintes Capítulos: Capítulos: Fatos: O sumiço; O apito, o grito e a luz; A segunda-feira; A misteriosa Terça-feira; A nação se mobiliza; Caquéio; O interrogatório; A Operação Marins chega ao fim; Versões e previsões. Passos da Investigação: Arquivou-se o processo, mas a história não acabou; Com a palavra: as fontes; "Não quero morrer sem saber o que aconteceu"; Contradições; "Eu não matei Marco Aurélio"; A cobertura da imprensa; Sumiu mais um. Terminar é preciso, concluir não: Desmistificando, Bibliografia.[/picturethis] [picturethis=http://www.editora-opcao.com.br/imagens/LivroOperMarins2.jpg 135 167 ]Operação Marins 2 - Novas Descobertas Rodrigo Nunes Editora Opção, 2008 Depois da publicação do livro Operação Marins..., novas informações começaram a surgir. pessoas que participaram diretamente do caso, após a leitura da obra perderam a timidez de falar sobre o que, inicialmente, ocultaram. Novas versões e possibilidades foram reveladas. Em meio a tantas contradições sobre o paradeiro do escoteiro desaparecido, pequenos raios de luz entram pelas frestas da então escura e misteriosa história que envolve o garoto paulistano. A história que se conhece do escoteiro que desapareceu na Serra da Mantiqueira, no dia 8 de junho de 1985, e que nunca foi encontrado, jamais será a mesma após a leitura deste livro. Capítulos: O segredo da machadinha; O dedo do silêncio; Outras vidas em perigo; Juan no corredor do linchamento; União dos Escoteiros em pânico; Suspeita de seqüestro; Extorsões; O sumiço do rapaz pobre; Investigando; Batendo o martelo...; Depoimentos.[/picturethis] [t3]Links[/t3] [linkbox]Pico dos Marins - Alerta sobre a trilha! Travessia Marins-Itaguaré, Serra Fina e Serra Negra juntas Acampamento Base dos Marins[/linkbox] Isso ai pessoal, espero que as informações desse tópico sejam úteis a vocês! Grande Abraço, Thiago Obs: Editando as fotos e os mapas para ilustrar o tópico.
  20. Subi o Pico dos Marins neste fds (24/06/17) Antes disso, só tinha na bagagem a experiência com a Salkantay, no Peru. Li muito aqui no Mochileiros e pela net antes de ir para o Pico e posso reafirmar o que todos dizem: A 'escalaminhada' para o Pico dos Marins é PUNK! Eu ando muito de bike, jogo bola, faço academia e subi com uma mochila muito pesada. Creio que por conta de um estilo de vida mais ativo eu consegui chegar la em cima, ja que eu levava muito peso e não tinha muita experiencia. A trilha esta bem sinalizada, mas poderia estar melhor. Tem que subir com muita atenção!!! Demorei 6 hrs para subir e 4 hrs para descer. A area de camping estava simplesmente lotada então tive que abrir uma clareira para acampar, o que incomodou um rapaz la... Não sei o motivo, pois o ignorei, abri meu vinho e contemplei o por do sol A descida foi tranquila, acabei me perdendo um pouco uma hora, mas por pouco. Na base, tem almoço feito no forno á lenha, isotonicos, refris, etc... E um pessoal muito bacana. Estacionamento é 20 reais, como almocei por lá, me cobraram apenas 10. Considerações finais: Acho que os guias e o pessoal da região poderiam melhorar a sinalização das trilhas e por um limite de pessoas para subir. Cobrando uma taxa para conservação das mesmas. Porque mesmo as pessoas tendo consciência ambiental, quando se tem muita gente, acaba degradando o ambiente/montanha, pois o ser humano é como ''gafanhoto'' rsrs. É isso ai, estejam preparados, levem o minimo de peso possivel e boa 'escalaminhada'
  21. Fala pessoal, tudo certo? Estou planejando ir ao Pico dos Marins com a minha namorada e uns amigos em algum fds de Julho ou Agosto. Gostaria de saber a opinião de vocês a respeito de alguns SDs que estou considerando para comprar. Vai ser a minha terceira vez a subir o pico, porém não tenho muito parâmetro para escolher os SDs, pois as primeiras vezes que subi eu estava totalmente despreparado em questão de equipamentos, e o que tinha era emprestado, o que me rendeu vários perrengues e histórias cômicas (de uma maneira totalmente inconsequente) mas que poderia desenrolar de uma maneira desastrosa. Enfim, molecagem total. Estou tentando achar algum SD em que eu possa aproveitar o pico e alguns outros parques e travessias brasileiras, como Petro x Tere, a própria travessia dos marins e também acampamentos de finas de semana na região (sou de Campinas/SP). Porém, como a maioria dos brasileiros em tempos de crise, não consigo fazer um grande investimento ainda mais que terei de comprar o saco de dormir para mim e para minha namorada, pois da parte dela ela ainda vai gastar com fleece, corta vento e mais algumas coisas. Levando tudo isso em consideração, cheguei nos seguintes modelos: - Nautika Antartik (-7 a 3) R$ 189,00 1,7kg http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-763747122-saco-de-dormir-p-frio-intenso-antartik-nautika-7a-3-c-_JM - Nautika Mummy (-1 a R$ 155,90 1,5kg http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-763746858-saco-de-dormir-mummy-nautika-p-frio-intenso-1a-8-c-verde-_JM - Trilhas e Rumos Micro Pluma 0 R$209,00 http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-864398770-saco-de-dormir-trilhas-e-rumos-micro-pluma-0-grau-_JM O Nautika antartik eu achei um anuncio do produto usado, segundo a descrição apenas uma vez, saindo por 289 os 2 sacos. Sei que não tem relação com o tópico, mas se puderem também indicar uns corta-ventos para o uso descrito acima, eu agradeceria bastante. Um simples bastaria? Pois vi na Decatlhon com diversos preços diferentes. Muito obrigado! E parabéns a todos que sempre respondem e compartilham informações. Tenho lido bastante coisas legais por aqui. Abraços.
  22. Passei uma semana louca correndo atrás de uma cargueirinha de 30-35l.. enfiei na cabeça que precisava de uma mochila melnor para encarar trips de fds sem o peso extra da minha Air Contact 55+15 (que aliás nunca ficou cheia). Como boa brasileira que sou, acabei deixando pra escolher no último momento: sexta feira, 5 da tarde e eu saio correndo do trabalho. Peregrinação por SP: saí da Vila Olímpia, fui até a Arco e Flecha na Lapa comprar o saco de dormir, depois Pé na Trilha comprar a mochila no Paraíso, Decathlon do Morumbi para uma lanterninha de cabeça mais básica e finalmente pra casa tomar banho e enfiar tudo na mochila. Resultado: 11 da noite eu saindo de casa sem arrumar nada para encontrar meu amigo Cristiano na casa dele. Chegando lá começamos a arrumar as mochilas.. e percebo que esqueci meu camelback. Sabendo da reputação do Marins decido voltar em casa, a 1:30 da manha pra pegar meu camelback.. péssima decisão. Acabei dormindo só 1 hora, as 4:30 o Cris me acorda para irmos buscar o Douglas e sua noiva. Claro que dormi todo o caminho até Piquete... mas ainda acordei em tempo de ver a imponente montanha crescendo à medida que nos aproximávamos. Realmente exuberante, com suas encostas escarpadas e picos rochosos. estávamos em um grupo de 17 pessoas comemorando os 10 anos da lista T&T. Rapidamente nos arrumamos e colocamos o pé na estrada.. Ah, detalhe: depois de perder quase a noite toda pra ir buscar meu camelback, esqueci a tampa dele na casa do Cris e acabei subindo sem o dito-cujo. Que saco viu! Não tive problemas com a subida .. até ver a tradicional placa indicando início da subida ao Marins depois do morro do careca. Uma hora depois e só agora que a subida iria começar? Mal sabia eu o que me esperava.... Quase morri. A subida até o último platô antes do cume exigiu toda minha energia e concentração. Tive cãimbras de cair no chão gritando de dor! Minhas pernas tremiam que nem vara verde rssss.. Cheguei lá bastante tempo depois do pessoal, mas não tenho nem idéia de quanto tempo levei. Imagino que pelo menos umas 6 horas. Estava completamente exausta. A turma seguiu para o cume e ficamos eu, Cris, Douglas e Gi neste platô. Rapidamente arrumamos o acompamento, jantamos e fomos dormir. Acordamos com o astro-rei aquecendo nossas barracas depois de uma noite bastante fria como é normal no Marins. Cris, Douglas e Gi fizeram o ataque ao cume enquanto eu preguicosamente reclamava de ter que acordar. Comecei a arrumar as coisas enquanto eles desciam e logo nos reunimos ao restante da turma e iniciamos a descida. Eu me sentia super bem, nem parecia ter sofrido o que sofri no dia anterior. Algumas horas depois...percebi o quanto perdi de condicionamento. Minhas pernas nao aguentavam meu peso. Mas acompanhei bem o pessoa até o último pardeão na descida quando já se consegue ver o morro do careca. Ali fiquei pra trás, tinha que para a cada 10 passos de tanto dor que sentia nas pernas. E um enjôo danado.. e a água acabando... Acho que levei uma hora pra descer os últimos 150 metros. Quando cheguei no morro do careca me sentia tão mal, mas tão mal, que o Ronald até se ofereceu pra carregar minha mochila, o que foi prontamente aceito. Logo depois dele descer não aguentei e coloquei todo meu almoço e a água que bebera na descida pra fora. Assustei seriamente dois ciclistas que tinham acabdo de chegar... mas por incrível que pareça, isso me renovou. Me senti forte o suficiente para continuar a descida. E assim seguimos pela estradinha de terra até chegar na ranchonete, onde todos nos esperavam. Exausta mas satisfeita, não me fiz de rogada e emplaquei um pratão na churrascaria onde paramos para comer. Vai entender.. apesare de todos os pesarem, foi uma empreitada bem sucedida. Entre mortos e feridos todos se salvaram E como miséria pouca é bobagem, já estou programando o próximo perreungue no feriado de junho! Mas abaixo dos 2 mil metros de altitude Fotos de Rodrigo
  23. Ôpa galera! Sou de Ubatuba mas estou morando em Taubaté há alguns anos. Adoro fazer trilhas mas já faz bastante tempo que estou parado. Em Ubatuba já fiz as mais conhecidas algumas vezes, nos anos 90. Na última em vez, em 2014 ou 2015, tentei subir o Pico dos Marins (faltaram 2 etapas para o cume) e posteriormente também tentei subir a trilha do Corcovado por Ubatuba, mas depois de várias horas perdemos a trilha correta e desistimos. Por favor, adicione meu WhatsApp no grupo (12) 99714-8520 Abraço! Fabio
  24. Planejamento: Baixei da internet os trajetos das travessias Marins x Itaguaré, Serra Fina, Serra Negra e Rui Braga. Interliguei os traçados das travessias no Google Earth, ainda criei opções rotas de fuga, pontos de água, de acampamentos prováveis e os uni no programa Track Maker. Li e reli todos relatos de pessoas que fizeram as travessias para me prevenir de qualquer incerteza. Anotei todas informações importantes. Me preparei fisicamente para a mega travessia da melhor forma, ou seja, fiz trekking em todos finais de semana que pude. Adquiri equipamentos confiáveis, com ao menos dupla utilidade e o mais leves possíveis. Escolhi a dedo o que eu levei, sem nada de excesso. Alias: uma das melhores coisas do trekking além da própria ação, é fazer o planejamento do mesmo. Ser detalhista, organizado e observador foi a chave do meu sucesso neste trekking. Como chegar: Embarquei em um ônibus da empresa Pluma de Santa Maria RS no dia 19/07/2011 para São Paulo SP - terminal Tietê. Cheguei no dia 20/07/2011 às 6h e às 8h embarquei em um ônibus da empresa Pássaro Marrom para Lorena SP que chegou às 11h. Às 12h embarquei em outro ônibus da mesma empresa para Piquete SP chegando meia hora depois. Orientação e navegação: Usei durante a travessia um GPS Garmin e-trex Legend que deu conta do recado. A que interessar, poderei repassar os dados para GPS. Para as travessias Marins x Itaguaré, Serra Fina e Petropólis x Teresopólis usei os livros Guia de Trilhas Trekking volumes 1 e 2 do Guilherme Cavallari – Editora Kalapalo, como backup de segurança em caso do GPS estragar. Nem precisaria dizer que comprei os livros e que tirei cópias das páginas que eram importantes para não carregar ambos os livros. 1º DIA – 20/07/2011: De Piquete SP até o Morro do Careca. Eu e o Wesley (conheci aqui no site Mochileiros), começamos a travessia na cidade de Piquete SP tão logo que desembarcamos do ônibus. Já vínhamos discutindo o por que do pessoal achar tão difícil sair a partir de Piquete para a Travessia Marins x Itaguaré, sempre preferindo contratar um transporte para tal. Afinal tão perto... Mal saimos da cidade a subidinha da BR 459 deu sua cara... Mochilas limpinhas totalmente ajeitadas, bem organizadas, com comida para 4 dias (até Passa Quatro MG), enfim bem pesadas. Mais a frente e acima encontramos um pequeno trevo que sai da rodovia BR 459 e liga Piquete até o Bairro de Marins (estrada municipal Imbe-Marins), mais afastado da cidade. O trajeto aqui melhorou bastante, com paisagens mais bonitas e lá ao fundo o imponente Pico dos Marins. Você já deve estar se perguntando, mas por que esses loucos não foram de van ou Kombi até lá no acampamento base dos Marins? Minha resposta é simples: a melhor maneira de conhecer um local novo em que você nunca esteve é a pé! É a pé que a pessoa nota os detalhes. A pé até o bairro de Marins é uma dureza só! Muita distância e subida acumulada. Após passar pelo bairro e igrejinha há uma bifurcação não muito clara que pode confundir, mas subindo a esquerda a estradinha com paralilepipedos vai pro Pico dos Marins e indo reto vai para a cachoeira do Curiaco. A partir da bifurcação a estradinha até o Acampamento Base do Marins fica mais íngreme e mais bela inclusive. Em dias bons dá pra passar de carro, mas imagino que um chuvinha na estrada já a torna impraticável para veículos 4 x 2. Mais a frente na Estrada, já quase no topo passa-se por um mata burro em uma porteira e na sequência pequena descida há uma bifurcação a direita identificada com placa. Esta estrada a direita indo para o Acampamento Base do Marins que é cuidado pelo Milton Gouvêa: http://basemarins.multiply.com/ O Milton tem neste lugar espaço para estacionar carros, camping, serviço de guia, etc. Tudo o que a pessoa precisar para ter conforto e segurança em sua visita ao Pico dos Marins. Na passada pelo Base do Marins não achamos o Milton, mas quase chegando ao Morro do Careca o encontramos descendo com uma cliente. Aqui eu dou a dica a quem não o faz, sempre ao encontrar uma pessoa numa trilha identifique-se, troque dicas e informações sobre o percurso a frente. Afinal você ganha fazendo isso, fica sabendo das condições da trilha na frente e se for o caso de se perder ao menos alguém vai ter noção que você esteve lá. Segundo o Milton nos últimos 5 anos ninguém que ele saiba fez a Travessia da Transmantiqueira toda a pé. Conversamos com o Milton uns 20 minutos, ótima conversa por sinal, o cara conhece toda região e nos deu várias dicas. Infelismente o por do sol já estava dando sua cara e tivemos que montar acampamento no Morro do Careca. Alias, um ótimo local, plano, abrigado do vento e com água perto. Foi um dia bem cansativo devido as viagens de cada um e ao tamanho do percurso vencido com as mochilas com 4 dias de comida. Fizemos nossas jantas e ainda deu um bom tempo para curtir a vista noturna no local. No meu caso ainda sem o chimarrão que aprecio todos os dias inclusive nas travessias mais curtas, troquei pelo chá, o qual apreciei esta bebida quente ideal para o frio da noite na mantiqueira. Um ótimo substituto com peso insignificante se comparado com o peso das tralhas do chimarrão (cuia, bomba, erva mate e garrafa térmica). Por falar em frio que não era lá grande coisa (7 ºC), meu amigo mineiro sumiu dentro da barraca, dizendo: - Uaiiii, bota frio nisso! Dados do primeiro dia: Distância percorrida a pé: 22,9 Km Altimetria acumulada aclive/declive: +1821 m/-743 m
  25. 2º DIA – 21/07/2011: Do Morro do Careca até o último acampamento antes do Itaguaré. Após uma boa noite de sono finalmente deu para recuperar o cansaço da longa viagem desde o RS. Acordei a noite, acho que eram umas 4h com um pessoal passando pela trilha ao lado das barracas. Provavelmente devem ter feito a travessia de ataque, pois não os vimos mais. Optei durante todas travessias por um café da manhã sem café, , já que o café com 4 colheradas de açúcar por café pesariam muito para os 10 dias. Comi todos os dias bolachas de água e sal ou doces e ainda pedaços de queijo para garantir que a fome tardasse a aparecer. Café da manhã às 06:30 é claro com o visual que só as montanhas podem oferecer. Desmontamos o acampamento e seguindo orientação do Milton coletamos água no Morro do Careca para todo dia, nossa meta seria de chegar até o Pico Itaguaré até o final do dia. Após a coleta de água que fica próxima a esta placa no começo da trilha para o Pico dos Marins, partimos montanha acima. Basicamente para trekkers observadores e experientes a travessia Marins x Itaguaré não necessita de GPS se o tempo for bom. Há dezenas de totens indicando o caminho a seguir e se a pessoa se perder momentaneamente é parar e observar se existem algum totem de pedra por perto. A subida apertava cada vez mais, mas as vistas recompensavam e nos motivavam! Durante esta travessia não senti necessidade das luvas que o pessoal fala que é tão importante levar para proteger as mãos do granito da montanha. Penso que melhor que as luvas é um bastão de caminhada, pois assim evita-se e de usar as mãos na rocha e poupa-se o joelho nas descidas. Após alguma subida avistamos o Pico dos Marins a nossa frente. Não muito longe deste ponto encontramos o ponto de água do acampamento dos Marins, porém a mesma estava poluída (coliformes fecais = merda). Infelizmente as pessoas ainda acampam próximo a água e fazem suas necessidades a menos de 70 metros. Se você enquadra-se nesse grupo tente mudar seu estilo de trekking, afinal carregar montanha acima 4 Kg de água não é nada bom! Mais a fernte marcamos o ponto no GPS e deixamos nossas cargueiras no meio de um capinzal alto. Começamos o ataque ao topo munidos só de bastões de caminhada e câmeras fotográficas. O topo do Pico dos Marins, montanha mais elevada totalmente dentro do estado de São Paulo, tem uma vista incrível! Ao fundo: Pico do Itaguaré e Serra Fina. Acima: a cidade de Cruzeiro SP. Topo do Pico dos Marins – 2420,7 metros: A descida no trekking é sempre mais preocupante que a subida já que nela ocorrem a maior parte dos acidentes. Então todo cuidado é válido especialmente se o piso estiver molhado. Pegamos nossas mochilas e paramos mais adiante depois de um charco (abrigados do vento). Fizemos nosso almoço mais rápido, neste caso optamos pela comida liofilizada da Liofoods. Durante o almoço já traçávamos a possível rota de subida do Marinzinho e sem dúvida foi uma das mais cansativas do dia. Longa e íngreme. Vencida a subida já no seu topo ai sim novamente a recompensa! O pico do Marinzinho é mais elevado que o do Marins, porém este já esta na divisa entre SP/MG e assim não tem tanta fama quanto o do Marins que esta somente dentro de SP. Ao fundo Pico dos Marins SP visto a partir do Pico do Marinzinho. Após o Pico do Marinzinho há umas setas pichadas na pedra descendo que não devem ser seguidas, penso que darão em alguma pousada. O sentido da travessia é sempre ir pela crista a partir do Marinzinho. Assim sendo, logo após isso já tem a mal falada corda da travessia. Não vi nada demais a menos que a pessoa tenha medo de altura (vai ter que tomar muito cuidado). Sempre preste atenção a corda, afinal a mesma esta sob ação as interpéries. Cheguei a levar um cordim de 4 mnm com 20 metros para este trecho, mas... É a corda que conheço que mais passeia! Após a corda é morro abaixo! Um descidão seguido de um subidão! A propósito: na minha opinião achei mais difícil e gostei mais desta travessia do que a Petropolis x Teresopolis. O visual, a exigência física/técnica e a essência selvagem da travessia são espetaculares! Esse trecho entre o Marinzinho e o Itaguaré é puxado! Mas é o verdadeiro sentido da travessia: trechos técnicos a toda hora. Chegamos na Pedra Redonda já um pouco atrasados devido a que meu parceiro estava com dor no joelho. Apesar dele querem muito pernoitar no bom acampamento da Pedra Redonda, decidi pelo óbvio. Vamos até o Itaguaré, não tem água aqui! Já estava acertado desde a noite anterior isso e iríamos fazer o possível para estar lá neste dia. O problema com a dor no joelho foi se intensificando, nossa velocidade caindo e a água acabando. O final do dia já estava dando sua cara e o Pico do Itaguaré continuava longe... Caminhamos o máximo que deu tendo luz natural, menos mal que no meu planejamento inclui possiveis locais para acampamentos de emergência. O próximo já estava pertinho! Chegamos nele, uma boa clareira com espaço para até 5 barracas e pedi para o Wesley montar o acampamento. Nos estávamos sem água e decidi buscar água para nos no acampamento do Itaguaré, a 1,22 Km de distância. Detalhe: à noite. Usei o chapéu da cargueira da Deuter Aircontact Pro que se transforma numa mochila de ataque, GPS, pilhas extras, 2 lanternas, bastão de caminhada e os reservatórios para 4,5 litros de água. Parti às 18:30 e fui seguindo o que o GPS indicava nas bifurcações das trilhas, um breu total! Por não conhecer nada do caminho tive certa dificuldade para encontrar a noite a trilha e o ponto minguado de água do Itaguaré, já morto de sede. Abasteci os reservatórios de água e parti rumo aos nosso acampamento no qual cheguei às 20:30. Repassei a cota de água ao Wesley que quase virou de uma só vez 1,5 litro. Adverti-o que aquela água teria que dar pra chegar no Itaguaré no outro dia ainda e não era perto ou fácil. Tranquilamente montei meu acampamento e ainda fui fazer meu chá (2 litros pra reidratar). Enquanto apreciava o chá me chamou a atenção a quantidade de camundongos que habitavam o local! Assim, recomendo a todos que não joguem comida fora ou dêem para os ratinhos a fim de diminuir a população deles. Convêm lembrar de que devem fechar sempre o zíper da barraca para evitar a entrada dos ratos e lacrar com sacos plásticos as comidas para evitar que eles roam os tecidos da barraca ou mochila atrás da comida. De janta saiu uma massa de conchinha das bem pequenas, pois o pacote de 500 gramas ocupa menos espaço na mochila com molho de sopa (creme de queijo). Alias uma receita que aproveita a mesma água do cozimento da massa para cozinhar a sopa, rendendo uma panela cheia de massa com molho sem desperdiçar uma gota de água! Dados do segundo dia: Distância percorrida: 12,17 Km Altimetria acumulada aclive/declive: +1179 m/-747 m
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