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  1. Há tempos venho tentando organizar uma viagem para o RJ, para conhecer as maravilhosas trilhas e paisagens da cidade. A intenção inicial era ir para a Pedra da Gávea, mas após inúmeras desistências e contratempos, acabei indo para o Pico dos Marins. Lugar que eu já tinha na minha lista há um bom tempo mas que pretendia ir um pouco mais pra frente. O Marins fica entre Piquete e Cruzeiro, sendo que o acesso mais fácil para quem vem de São Paulo ou RJ seria a Dutra, pegando a saída 51 que cai na Rod Lorena-Itajuba, a partir de lá as placas facilitarão o trajeto. No site oficial dos Marins podemos ver o mapa mais detalhado do caminho. http://www.marinzeiro.com/como_chegar.html O roteiro deste caminho é o seguinte: Pela Rodovia Presidente Dutra (BR 116) saída 51, seguir pela BR 459, passar por Piquete e logo em seguida (800 metros) virar à direita para a Estrada Viscinal José Rodrigues Ferreira que dá acesso à Vila dos Marins. Quando chegar ao fim do asfalto, que é na saída da Vila dos Marins, suba à esquerda até o final da serra, passe o portal do município de Marmelópolis na divisa SP-MG, entre à direita e logo em seguida você chegará ao Acampamento Base Marins. Veja o mapa: As distâncias aproximadas deste roteiro são as seguintes: • Distância total: 40 km • Rodovia Pres. Dutra (saída 51) - Estrada Vicinal do Bairro dos Marins: 19 km • Estrada Vicinal do Bairro dos Marins: 20 km • Portal de entrada de Marmelópolis - Acampamento Base Marins: 1 km Ainda para quem vem de São Paulo ou Rio de Janeiro outro roteiro de estrada é pela Rodovia Presidente Dutra (BR 116) saída 51, seguir pela BR 459 até a divisa entre São Paulo e Minas Gerais. Passar pelo posto da barreira fiscal e pelo trevo de Venceslau Brás, seguir mais 1.500 metros e entrar na estrada de terra atrás do ponto de ônibus do lado direito da estrada (há uma placa indicando a Fazenda Saiqui). Seguir por cerca de 14 Km na estrada e entrar no pequeno trevo indicando Pico dos Marins/Montanha. Veja o mapa: As distâncias aproximadas deste roteiro são as seguintes: • Distância total: 53 km • Rodovia Pres. Dutra (saída 51) - Saída para a estrada da Fazenda Saiqui: 38 km • Estrada para a Fazenda Saiqui - Trevo indicando Pico dos Marins/Montanha: 14 km • Trevo indicando Pico dos Marins/Montanha - Acampamento Base Marins: 1 km Vale ressaltar que já próximo do Acampamento Base Marins, você ira pegar mais ou menos uns 4km de estrada de terra, e o caminho lá não é dos melhores, você irá achar relatos de pessoas que sobem com os mais diversos veículos, mas a chance de parar na estrada é real. Sendo que apesar de engraçado, não será nada agradável se você estiver indo de madrugada e num grupo pequeno. Após as tentativas e fracassos na viagem para o RJ, escolhi Domingo dia 23/07 para fazer a subida aos Marins, com a idéia de acampar no Cume e fazer a descida na segunda-feira 24/07. Fomos em dois amigos, amigo esse que me garantiu que estaria pronto para fazer a trilha, isso veríamos kkk. Combinamos de sair de São Paulo em torno de 07 horas da manhã, porém com alguns “pequenos” atrasos às 10:00 estávamos pegando a estrada. O caminho é bem tranqüilo e saindo de São Paulo são exatamente 4 pedágios, totalizando R$ 26,00 ( 3,40 / 3,40/ 6,10/ 13,80) e um pouco antes à saída 51 (para quem vem de São Paulo) existe um GRAAL que é uma ótimo opção para abastecer e fazer a refeição antes de por o pé na trilha. Continuamos nosso caminho e como falei eu temia mais a serra dos Marins do que a montanha hehe, e como a Lei de Murphy nunca falha, já próximos ao Acampamento Base atolamos. Já imaginei que ficaríamos um bom tempo ali, pois não aparecia ninguém, porém demos sorte e logo um carro descia com 4 rapazes que disseram que no dia anterior atolaram exatamente no mesmo ponto. E assim com muito esforço conseguimos tirar o carro de lá e trilha que segue. Hehehe. Chegamos ao Acampamento Base em torno das 14:00 horas, chegando la conversei com o rapaz que é encarregado do lugar, e não é mais o Milton como vocês devem ter visto em outros relatos por aqui. No acampamento é possível comer e comprar ainda algumas bebidas para levar para a trilha, aproveitamos para comprar algumas águas extras e antes de subir ainda fomos informados pelo novo dono que eles oferecem o serviço de resgate para quem vai fazer a Travessia Marins x Itagaré, tudo pode ser combinado assim que você chegar ao acampamento base. A diária para o estacionamento do acampamento é de R$ 20,00. Iniciamos a subida e com 10 minutos de caminhada meu amigo já queria parar para descansar Na verdade quando mandei os vídeos, fotos e relatos da trilha, ele não olhou nada e estava achando que uma trilha tranqüila, mesmo eu tendo o alertado diversas vezes. Ok, já entendi naquele momento que não seria mais possível acampar no cume, não tínhamos mais o tempo hábil para subir, muito menos naquele ritmo. Mas mesmo assim ele não quis voltar e disse que iria até o final, então decidimos ir até onde desse, acamparíamos e terminaríamos a subida no dia seguinte. O primeiro ponto no tracklog é o morro do careca, leva-se em torno de 40 minutos para chegar, e partindo dali começa oficialmente a trilha para o Pico dos Marins. No começo não tem segredo e a trilha é bem marcada, com alguns pequenos trechos de escalaminhada. A partir da metade da trilha que inicia a subida em pedra que passa a ficar um pouco mais técnico, porém nada que seja impossível ou demasiadamente difícil. Obviamente que não chegamos ao pico com a luz do sol e quando deu 18:00 horas escureceu. Porém mesmo não estando no topo é possível ver toda a beleza que existe nesse lugar. Durante praticamente toda a caminhada é possível ter o vislumbre de vistas e paisagens incríveis. Daquelas que realmente ficam guardadas na memória. E porque não tentar guardar num registro fotográfico também ! Rs !! Após escurecer andamos por mais 2 horas, porém a navegação no Marins, não é das mais simples a partir da metade do caminho, e no escuro ainda com uma lanterna fica bem complicado de prosseguir. Levem sempre mais de uma lanterna e com bateria reserva. Por fim achamos uma área onde era possível acampar e por lá ficamos. Nesse momento em torno de 21 horas, não estava ventando muito, porém ao longo da noite os ventos aumentaram muito, mas a barraca resistiu bem e não passamos muito pouco frio. ( Se serve de indicação a barraca ARPENAZ 2 da QUECHUA vale muito o custo beneficio na minha opinião. Para quem não quer investir uma grana muito alta em barraca esse modelo da Quechua atende muito bem as necessidades !! ) Dormimos bastante e no dia seguinte com um vento bem gelado prosseguimos em nosso caminho. Nesse segundo dia já começamos no trecho onde se inicia alguns trechos por pelo capim elefante. Em uma primeira vez realmente se tem um pouco de dificuldade em navegar pelo caminho, porém a impressão que tive é que não existe um caminho certo quando se sobe o Marins, em alguns trechos você tem a indicação de setas e totens, mas pelo que percebi você pode ir de diversas maneiras. Não estou aconselhando a abrir novas rotas e nem demarcá-las, porém, você verá que não esta preso, e você consegue subir pelo tracklog, ou indo 20 metros para La ou para Ca. Caso você tenha se perdido pode usar o tracklog como uma referência mesmo que um pouco longe da trilha. Mas assim que você localizar as setas novamente nesse trecho de pedras, não tem erro. Dificilmente se perderá. O trecho final do Marins requer um pouco mais de cuidado e atenção, alguns pedaços de pura escalaminhada, subir em 4 apoios, escolha um bom calçado para não ter nenhum imprevisto, esse ultimo trecho é muito gostoso de ser feito e a recompensa fica logo a vista. Passados alguns minutos estávamos lá, chegamos ao cume !!! Mesmo não tendo a oportunidade de ver o por do sol ou o nascer do sol, ficamos sem palavras, e explicar o que é aquela vista, aquela sensação é até difícil !!! O céu estava totalmente aberto, sem nenhuma nuvem, e de La é possível ver todas as principais cidades da região da Mantiqueira, é realmente indescritível. Ficamos algum tempo apreciando tudo aquilo e fazendo o máximo de fotos que conseguimos RS. Mesmo no pico existe diversos pontos para visitar, apreciar e fazer lindas fotos. É possível avistar a travessia de Serra Fina, Pedra redonda, entre outros... Depois de explorar bastante, resolvemos descer, apesar de ser mais simples agora que tínhamos idéia do caminho, não foi tão mais rápida a nossa descida, e em torno de umas 16:00 horas estavamos de volta no acampamento base. Fomos de domingo para segunda, encontramos muitas pessoas descendo que haviam ficado La no sábado, porém domingo fomos os únicos a subir, para quem vai aproveitar um final de semana para fazer essa aventura, inicie a trilha cedo, para que consiga pegar um bom lugar para acampar, caso esteja indo dentro da semana, ou domingo não precisa se preocupar muito com isso. O tempo que se leva para subir é muito relativo, depende da sua condição física, do seu costume de fazer esse tipo de trilha, da sua mochila, então não vou falar em tempo pois muda muito de pessoa para pessoa. Por fim, a visita ao Marins não só valeu muito a pena como me deixou com vontade de mais, e pretendo logo estar voltando para fazer a travessia, e aproveitando a oportunidade para acampar no cume. A quem ainda não foi e tem vontade o único conselho que tenho é que vá, aproveite cada segundo da trilha e de tudo que essa maravilhosa montanha tem para oferecer, com certeza ficarão tão apaixonados por ela quanto eu. OBS: provavelmente quando forem verão pelo caminho uma cachorrinha que fica no acampamento base, ela parece uma raposa, deve ser algum espírito reencarnado sei La..kkk, enquanto estávamos lá, ela subiu e desceu a montanha 3 vezes, ela é a guia oficial pode-se dizer, mostra o caminho de verdade, e tem um pique maior que todos os viajantes juntos hehe, quando estávamos no final da trilha a encontramos novamente e resolvi retribuir o favor levando ela no colo, até que a danada dormiu, hahaha. Boa sorte a todos, e boas aventuras !!
  2. Esse relato é dividido em duas partes: A primeira foram mais de 900 kms (da página 1 até a 6), trechos de picos, travessias e alguns trechos no entorno de cidades; A segunda parte, mais de 300kms, só teve uma travessia e muitos picos, começa na página n° 7. Vários amigos e familiares nos indagavam sobre nossas travessias, segundo eles, tudo era muito repetitivo(as fotos eram parecidas, repetimos várias vezes os mesmos caminhos, até pela falta de outros. Até tem, mas caminho particular, não faremos mais). De certa forma eles têm razão, visto que a visão do picos e montanhas não tem comparação com fotos de estradas e, tem um detalhe mais importante: as principais atrações das cidades(tirando algumas) não estão dentro delas, mas nos arredores (cachoeiras, picos, morros. ..). Nesses 2 meses, caminhamos mais de 900 quilômetros é quase 10.000 kms de carro. Conhecemos pessoas maravilhosas por onde passamos, experimentamos emoções que nunca tivemos, comidas deliciosas, não tivemos nenhum problema mais sério, tudo muito tranquilo. O BRASIL É SIMPLESMENTE SENSACIONAL! E mais bonito visto de cima. Diante disso e, até para comemorar meus 60 anos de vida (ingressei na melhor idade), neste verão resolvemos fazer algo um pouco diferente : fomos conhecer e rever alguns parques nacionais /estaduais /municipais e privados, subir alguns picos/montanhas e alguns circuitos desses locais, região de cachoeiras, e Brumadinho(Inhotim), poderíamos estar no dia do rompimento da barragem, para nossa sorte desistimos em cima da hora. LOCAIS VISITADOS: Extrema - Mg (subida as base dos pico do lopo e do lobo) Munhoz - Mg(subida ao pico da antenas, caminhos) São Bento do Sapucaí - Sp(pedra do baú e roteiro) Marmelopolis -Mg(subida ao morro do careca, mirantes, pedra montada, roteiros e subida ao pico Marinzinho) Aiuruoca - Mg(subida ao pico do papagaio, matutu, cachoeiras) Visconde de Mauá-Rj - (subida a Pedra Selada) PN Ibitipoca - Mg (Janela do céu, pico, circuito das águas e grutas) São Tomé das Letras - Mg (cachoeiras e roteiros) Carrancas - Mg(cachoeiras e circuito serra de carrancas) Ouro Preto - Mg (centro histórico e subida ao pico do Itacolomi) Mariana-Mg: Bento Rodrigues, local destruído por outro rompimento de barragem da Vale. Serra do Cipó - Mg(todos circuitos dentro do parque e travessão) Conceição do Mato Dentro - Mg: cachoeira do Tabuleiro (base e mirante) Lapinha da Serra - Mg(subida aos picos da Lapinha e Breu, cachoeira Bicame e Lajeado, parte travessia Lapinha x Tabuleiro) Brumadinho - Mg(Inhotim) PN de Itatiaia - parte alta - Mg(base do pico das agulhas Negras e prateleiras, cachoeira Aiuruoca, circuito 5 lagos, subida ao pico do couto) Piquete - Sp(subida ao pico dos Marins) Infelizmente, por excesso de chuvas, não fizemos os picos do Itaguaré e da Mina( motivação da viagem). Entrou uma frente fria na semana que antecedeu o carnaval, tivemos que abortar por questão de segurança, pois não utilizamos guias e fazemos somente Bate/volta - fica para a próxima. As surpresas da viagem: Inhotim, Lapinha da Serra e Serra do Cipó. Pois não conhecia nenhuma delas. Algumas fotos Subida ao pico dos Marins - SP Pico do Itacolomi - Ouro Preto - Mg Cachoeira Bigame - Lapinha da Serra-Mg Subida para pico do Breu e Lapinha - Lapinha da Serra-Mg Vista desde o pico da Lapinha Cachoeira do espelho - travessão - Serra do Cipó -Mg A incrível JANELA DO CÉU flora exuberante Cachoeira do Tabuleiro - Mg Pico da Bandeira - ES Pedra do Altar - Mg
  3. PICO 3 ESTADOS VIA PIERRE - PREPARAÇÃO 30° dia - 27.07.2019 - Sábado Saída de carro Hostel Serra fina Passa Quatro-Mg e pernoite fazenda do Pierre, 3 kms antes da garganta do registro, base do pico 3 estados. Dormimos até mais tarde, batemos um longo papo com o Felipe, e o Milton, guia da região (já administrou o Camping da base do Pico dos Marins), eles me perguntaram se não íamos subir o Pico dos 3 estados. Respondemos que esse Pico (segundo um relato que tinha lido algum tempo antes), a sinalização era meio confusa, o Milton disse que era de boa fazer esse bate/volta, desde a fazenda do Pierre. Como era sábado, e no domingo, sabíamos que alguns grupos iam terminar a travessia da Serra Fina, na fazenda do Pierre, animamos e mudamos nossos planos (que até então era ir para São Paulo). Despedimos do pessoal, retornamos de novo para Passa Quatro e passamos em Itamonte para consertar o carro(a grade de proteção do motor soltou de novo), foi só apertar uns parafusos), almoçamos selfservice $12 à vontade na saída de Itamonte para o Rio de Janeiro(nesta região tem comida bem barata devido a concorrência). Passamos no Hostel Picus mas estava lotada, depois de uns 2 kms(numa curva à direita (cuidado) tem um estacionamento e um portão) viramos à direita numa estradinha de terra até a entrada da fazenda do Pierre (parece que ele vendeu a fazenda para outra pessoa ) conversei com o responsável(Luciano) e ele me mostrou uma casinha desativada mais acima, uns 2 kms numa estradinha de terra com muitas pedras e buracos, mas devagar chegamos sem problema(no início da trilha para o pico dos 3 estados)(o problema que não tem energia elétrica na casa, e estava abandonada mesmo). Nós fizemos uma faxina na casa e resolvemos passar a noite neste local. A casinha fica no meio de pinheiros, na casa principal (que também está abandonada) que foi do Sargentelli (antigo apresentador de televisão), tem um lindo visual de montanha e um belo pôr -do-sol. Hospedagem: casa abandonada no início da trilha para pico 3 estados, contatar o Luciano na casa na entrada da fazenda, verificar se ainda está alugando. A casinha tem um fogão a lenha, uma cama de casal com colchao bom, banheiro privativo, não tem energia elétrica. Preço: $30 por pessoa sem café da manhã + $20 do estacionamento do carro. Apesar de nao ter energia elétrica, dá pra ficar numa boa, fica no início da trilha a uns 3 kms da rodovia asfaltada. Ou seja, iríamos começar a trilha mais acima. Casa principal que também está abandonada. Outra visão do lugar Visual do pico Picus próximo dali Entardecer, no alto parte da Serra Fina Idem Casinha abandonada num lindo bosque de pinheiros Fizemos uma grande faxina para ficar assim. Detalhe: a cortina da porta do banheiro era tão velha que estava desintegrando, vc colocava a mão nela e ficava com os plásticos nas mãos. Depois de muita dificuldade, conseguimos acender o fogo, por sorte tínhamos óleo e um saco de pipoca, acedemos umas velas e curtimos uma linda noite estrelada comendo pipoca quentinha.
  4. Pico dos marins 07/07/2019 bora so chamar 11 947694840 procuro companhia pra subir a trilha pico dos Marins
  5. PICO 3 ESTADOS VIA PIERRE - PREPARAÇÃO 30° dia - 27.07.2019 - Sábado Saída de carro Hostel Serra fina Passa Quatro-Mg e pernoite fazenda do Pierre, 3 kms antes da garganta do registro, base do pico 3 estados. Dormimos até mais tarde, batemos um longo papo com o Felipe, e o Milton, guia da região (já administrou o Camping da base do Pico dos Marins), eles me perguntaram se não íamos subir o Pico dos 3 estados. Respondemos que esse Pico (segundo um relato que tinha lido algum tempo antes), a sinalização era meio confusa, o Milton disse que era de boa fazer esse bate/volta, desde a fazenda do Pierre. Como era sábado, e no domingo, sabíamos que alguns grupos iam terminar a travessia da Serra Fina, na fazenda do Pierre, animamos e mudamos nossos planos (que até então era ir para São Paulo). Despedimos do pessoal, retornamos de novo para Passa Quatro e passamos em Itamonte para consertar o carro(a grade de proteção do motor soltou de novo), foi só apertar uns parafusos), almoçamos selfservice $12 à vontade na saída de Itamonte para o Rio de Janeiro(nesta região tem comida bem barata devido a concorrência). Passamos no Hostel Picus mas estava lotada, depois de uns 2 kms(numa curva à direita (cuidado) tem um estacionamento e um portão) viramos à direita numa estradinha de terra até a entrada da fazenda do Pierre (parece que ele vendeu a fazenda para outra pessoa ) conversei com o responsável(Luciano) e ele me mostrou uma casinha desativada mais acima, uns 2 kms numa estradinha de terra com muitas pedras e buracos, mas devagar chegamos sem problema(no início da trilha para o pico dos 3 estados)(o problema que não tem energia elétrica na casa, e estava abandonada mesmo). Nós fizemos uma faxina na casa e resolvemos passar a noite neste local. A casinha fica no meio de pinheiros, na casa principal (que também está abandonada) que foi do Sargentelli (antigo apresentador de televisão), tem um lindo visual de montanha e um belo pôr -do-sol. Hospedagem: casa abandonada no início da trilha para pico 3 estados, contatar o Luciano na casa na entrada da fazenda, verificar se ainda está alugando. A casinha tem um fogão a lenha, uma cama de casal com colchao bom, banheiro privativo, não tem energia elétrica. Preço: $30 por pessoa sem café da manhã + $20 do estacionamento do carro. Apesar de nao ter energia elétrica, dá pra ficar numa boa, fica no início da trilha a uns 3 kms da rodovia asfaltada. Ou seja, iríamos começar a trilha mais acima. Casa principal que também está abandonada. Outra visão do lugar Visual do pico Picus próximo dali Entardecer, no alto parte da Serra Fina Idem Casinha abandonada num lindo bosque de pinheiros Fizemos uma grande faxina para ficar assim. Detalhe: a cortina da porta do banheiro era tão velha que estava desintegrando, vc colocava a mão nela e ficava com os plásticos nas mãos. Depois de muita dificuldade, conseguimos acender o fogo, por sorte tínhamos óleo e um saco de pipoca, acedemos umas velas e curtimos uma linda noite estrelada comendo pipoca quentinha.
  6. PICO DOS MARINS DIA 01 DE JUNHO DE 2019. VAMOS AI, MONTAR UM GRUPO NO WHATSS PRA CONVERSAR. ABCSS
  7. CHEGOU O GRANDE DIA: SUBIDA AO PICO DOS MARINS - SP A chuva da noite/madrugada foi muito forte, ficamos receosos em subir o Marins, poderia estar muito escorregadio com risco da chuva chegar antes do previsto (13hrs). Mas já estávamos ali, pensamos, como das outras vezes: se tiver muito perigoso ou se for chover, voltaríamos. Segurança em primeiro lugar! Dia 23.02.2019 - Sábado Saída de carro de Piquete-SP, subida ao Pico do Marins, ida de carro a Santana do Riacho (distrito de Pouso Alto-Mg ) +-11 kms em aprox. 08:30hrs Acordados desde inicio: 899 kms Acordados e o tempo estava firme com alguma nebulosidade, tomamos nosso café da manhã bem reforçado no quarto, pois negociamos sem café, e no posto de abastecimento, tomamos um cafezinho. Seguimos viagem de carro pela rodovia asfaltada até entrada para o BAIRRO DOS MARINS do lado direito depois de um paredão de concreto na estrada (uns 800 metros do portal da cidade). Entramos numa estrada de asfalto estreita por uns 16 kms em 26 minutos, depois entramos na parte final, foram mais 5 kms de bloquete de cimento e parte em estrada de terra, algumas partes bem ruins. Depois de 21 kms e 40 minutos chegamos a base do Marins, acordamos o Dito para avisar que estávamos subindo e que o carro era o nosso (é importante fazer isso). Até morro do careca foi bem tranquilo, pois já conhecíamos ( 41 minutos 1765msnm), depois dele tem uma bifurcação, viramos à direita, passamos dentro de uma pequena mata, depois foi só pedra e mais pedra, no início muita neblina com muito vento, pouca visibilidade o que dificultou muito a visualização das setas. Depois de 01:22hrs total chegamos no primeiro local de camping (1945msnm). Continuamos subindo, cada lugar pior do que a outro mas nada assustador, subida por gretas, paredões bem íngremes, muitas pedras grandes e escorredias. Como a neblina cobria tudo não dava pra ver nada. Como sabíamos que um tempo atrás um atleta de montanha Francês morreu no Marins, ele se perdeu justamente nesta parte (antes dos paredões) portanto tivemos muito cuidado para não cometer o mesmo erro. Aí chegamos num paredão e a neblina dissipou um pouco e tivemos a impressão que estaríamos na base do Marins, ledo engano, começamos a contornar a montanha e entramos numa região bem íngreme, chegamos ao topo e não era ali, e para piorar, as setas estavam desgastadas e ficamos procurando, depois de algum tempo conseguimos achar, e descemos até um pequeno riacho com charco. Continuamos a subir, a neblina ficou fraca e dava pra visualizar o Marins na nossa frente. Descemos até o último riacho, seguindo uma seta mal colocada na pedra, atravessamos e viramos à esquerda, e seguimos algumas setas e elas desapareceram, como o Marins estava na nossa direita e o Marinzinho à nossa frente, percebemos que tínhamos pego a trilha errada (nisso perdemos um bom tempo e o sol começou a castigar), aí decidimos abortar a subida e atravessamos o riacho de volta, como não desisto fácil, analisei bem a seta desgastada e percebi que tinha um caminho meio apagado à direita, e resolvi segui-lo, consegui visualizar as setas, aí foi fácil, atravessamos o riacho novamente(da base até aqui foram 03:35hrs de caminhada - 2200msnm) e começou uma subida leve no início e depois apertou um pouco, chegamos num local de camping. Aqui as setas também desapareceram, depois de analisar bem o paredão a nossa direita, vimos um caminho na rocha com muito barro(quando chegar neste lugar verá uma plaquinha, a trilha segue à direita no meio do capim alto sem sinal de trilha, mas é ali). Esse paredão foi bem complicado, minha parceira resolveu deixar a mochila no meio do capim, subimos com somente um litro de água. Subimos muito e descemos até uma região de capim e começou o ataque ao Marins, pegamos uma região muito íngreme tivemos muita dificuldade no início, mas depois foi tranquilo chegar ao PICO DO MARINS, tiramos muita fotos, lindíssimo visual de toda região (o sol deixou tudo muito belo) vimos algumas regiões próximas chovendo, resolvemos descer rapidamente, mas antes assinamos o caderno para registrar. Do último riacho(2350msnm) até o topo do Marins fizemos em 48 minutos. Resolvemos descer a parte do topo por outro caminho(um caminho nítido que vimos, mas teríamos que descer reto, foi o que fizemos), o certo é seguir as setas, mas não queríamos descer o grande paredão. Tivemos que enfrentar muito capim alto e cortante, grandes pedras, charco, gastamos quase uma hora para fazer uns 50 metros, mas pelo menos não enfrentamos aquele paredão (NÃO ACONSELHO NINGUÉM FAZER ISSO). Com montanha não se brinca, siga as setas! Retornamos pelo mesmo caminho, encontramos um grupo subindo. Do topo até camping base 04:23hrs - 1560msnm. Pegamos nosso carro no estacionamento ($20 por período ) descemos até Piquete e comemos algumas coisas no supermercado, pois os restaurantes estavam fechados. Aí resolvemos voltar ao PN do Itatiaia e fazer mais algumas trilhas. Tocamos até Santana do Capivari-Mg Hospedagem: Pousada Lírios do Vale, Santana do Capivari (distrito de Pouso Alto-Mg) 35 3364-7256, beira da rodovia, próximo ao trevo, novo, camas ótimas, tv aberta, frigobar, wifi, ventilador, banheiro privado, limpissimo e confortável. Preço $50 por pessoa sem café da manhã. RECOMENDO. As fotos postarei no outro post
  8. FOTOS DA SUBIDA AO PICO DOS MARINS Forte subida depois do Morro do careca, a neblina deixava as coisas mais complicadas, desse jeito somente andem juntos e ficar atento aos próximos passos. Risco de se perder é muito grande. O francês se perdeu pela segunda vez um pouco acima daqui. Chegamos na primeira parte mais complicada ainda por cima com muita neblina e piso escorregadio devido às chuvas da noite anterior. Minha parceira resolveu escalaminhar por outro lado, o certo é do lado direito, de onde subi, tem pedras grandes para subir, mas é menos complicado O mesmo local, dessa vez com o tempo limpo. Notem esse jardim nas pedras. LINDO Parte também um pouco complicada, ainda com mochila de 12 quilos no lombo, mas tem lugares para colocar as mãos e pés para subir. Ela realmente perdeu o medo de altura. Outra subida forte, aqui um pequeno abismo. Tive que subir a mochila antes, pela caminho estreito e forte Esse aqui é a montanha que achamos que era o Pico dos Marins, sempre a neblina encobrindo tudo Só agora que conseguimos visualizar o Pico dos Marins, daqui ainda tinhas as subidas mais fortes e perigosas Do nada a neblina cobriu o pico novamente, e dava para ver que na região do pico do Itaguaré e da Mina estava chovendo (sorte que optamos em subir o Marins) Aquele morro abaixo é o que achei que era o Marins. Se notarem tem um ponto azul na base desse paredão, sabem quem é: minha parceira. Como um cavalheiro subi antes até para dar mais motivação para ela. Ela retrucava em não subir, e eu como um MACHÃO, falando vem que não é tão complicado (na verdade eu também estava com um pouco de medo também. .. e quem não fica, olha o paredão para subir. Do nada ela criou coragem e ainda chegou primeiro do que eu....ESSAS MULHERES SÃO FORTES MESMO Depois do paredão, seguimos por essa parte um pouco plana, mais adiante aquele morro que erramos Lindíssimo visual do Marinzinho e de toda região, na pedra da minha tempo bem feio com chuva Aquele ponto azul começando o ataque final ao pico dos Marins, outro paredão forte e ingreme Outro visual da região do Marinzinho, pico do Itaguare e mais ao fundo tempo feio na pedra da Mina Continuamos subindo e o medo ficando para trás Já bem próximo do topo dos Marins. O certo depois do paredão é seguir as setas, mas neste trecho não vimos e seguimos na diagonal até o topo. Quando descemos, ao invés de descer na diagonal, como subimos, descemos reto até embaixo, onde enfrentamos muita dificuldade para andar uns 50 metros, foi tenso! Topo do Pico dos Marins, aquele recipiente branco guarda o livro de registro, lindíssimo visual de toda região Visual do topo da região Marinzinho Regresso na parte tranquila.
  9. Pessoal, Estive novamente nos Marins e queria deixar aqui um alerta para o pessoal que vai encarar essa "escalaminhada". Infelizmente um cidadão passou pelo Marins algumas semanas atrás e teve a idéia de marcar a trilha com "totens" de tinta florescente amarela... Deixando aquelas pixações na montanha. E para piorar mais ainda a situação, existem marcações erradas levando quem não tem experiência na trilha a se perder. Marcações: Foto por: Bruno SJC Encontramos tanto na subida como na descida muita gente perdida, mais muita mesmo, então fica aqui o alerta. Quem não conhece bem a trilha, contrate um guia e evite o esforço desnecessário e perigo de se perder. É isso ai pessoal, para quer for ao Marins muito cuidado e curta a aventura! Grande Abraço,
  10. @Luka Izzo Na minha opinião o pico dos Marins foi o mais difícil, tecnicamente falando (apesar que o pico das agulhas negras é mais difícil mas tem corda, rapel ). Por isso mesmo digo que ainda estou na adolescência kkkkk...idade é só no papel.
  11. No dia anterior, saímos de Munhoz de carro, pegamos rodovia asfaltada até Toledo-Mg e chegamos na rodovia Fernão Dias em Extrema, paramos para almoçar num restaurante na estrada que serve leitoa assada à vontade (acho que $20 ou 22 por pessoa). Continuamos na Fernão Dias até Cambuí-Mg, viramos à direita e pegamos estrada de terra e passamos por Consolação, pegamos rodovia asfaltada até Paraisopolis, passamos em Brazopolis e chegamos a Itajubá, atravessamos a cidade e pegamos rodovia asfaltada até Marmelopolis. AQUI A MOSCA DA MONTANHA NOS PICOU E CONTAMINOU! MARMELOPOLIS 1° dia - 16.01.2019 - Quarta-feira Saída de Marmelopolis e chegada ao pico do Careca e retorno à cidade. +-32 kms em aprox. 06:20hrs A previsão do tempo informou que haveria chuva com raio depois das 11 da manhã, por isso nossa previsão era ir até a pousada Maeda e retornar à pousada em Marmelopolis. Saímos cedo, rumamos pela rua da pousada(1260msnm) até um pequeno bairro, entramos numa estradinha de terra e subimos bastante até ela terminar numa fazenda, perguntamos a um senhor que estava tirando leite dumas vacas, onde era a estrada para o Maeda, ele disse que estávamos errados. Pulamos a cerca da pousada e entramos noutra estrada de terra, subimos mais um pouco e pegamos uma descida fortíssima até um riacho, tivemos que tirar os tênis para atravessá-lo, viramos à esquerda noutra estradinha de terra, voltando tudo que tínhamos andado. Mais alguns quilômetros chegamos num entrocamento (reto chegaríamos ao Maeda e à direita ao Pico do Marins), como tínhamos caminhado bem forte no trecho anterior, viramos à direita e entramos noutra estradinha de terra (Marmelopolis x Piquete). Subida longa, uns 7 kms até a base do pico dos Marins. Conversamos com o dono da pousada que tem lá, ele nos disse que o MORRO DO CARECA era bem próximo e que talvez não teria chuva tão cedo. Pensamos, pq não! Animamos e fomos até lá. Aqui a mosca da montanha nos picou. Ali percebemos que poderíamos subir picos mais altos, o que de fato aconteceu no transcorrer da viagem. Até pedra do careca +-1800msnm - 03:25hrs(desde a cidade). Pegamos estrada de terra à primeira entrada à direita vindo do camping viramos, mais à frente atravessamos uma porteira e começa subida forte em pedras até o morro do careca. Lindíssimo visual do pico do Marins e de várias cidades do interior de São Paulo. A chuva realmente não deu as caras, descemos até a base e tomamos um cafezinho. Retornamos até aquele entrocamento e viramos à esquerda, depois de umas casas viramos novamente à direita(estrada que teríamos que ter vindo), começou uma longa e forte subida até o topo, com lindo visual do pico dos Maris(atrás de nós) e de toda região. Após o topo, começa forte descida até a cidade. Almoçamos Self-service à vontade por $18 por pessoa. Até base(Camping) do pico dos Marins (1520msnm)- 02:45hrs - +- 12 kms. Na base tem uma pousada bem simples, 012 99799-7524, quarto simples compartilhado e um de casal, com banho quente, sem wifi, $50 por pessoa com café da manhã e não paga estacionamento. Estacionamento $20(pra quem não está na pousada. Preço fixo). Camping $10 por barraca. Almoço $30 por pessoa à vontade no fogão à lenha. Hospedagem: Pousada Bella Vista-Marmelopolis-Mg, camas ótimas, tv aberta, wifi, banheiro privado, limpo e confortável. Preço $60 por pessoa com ótimo café da manhã(para quem sai bem cedo, o Domingos deixa o café pronto) RECOMENDO Amanhecendo em Marmelopolis Atravessamos esse riacho Chegando num bairro antes da estrada que vai para a base do Marins Visual do imponente pico dos Marins Chegando à base do Marins, estaionamento + restaurante + hospedagem simples Subida forte com muito barro, devido às chuvas da noite anterior Chegada ao Morro do careca e o Marins à nossa frente - lindo que depois de alguns dias tivemos a maior felicidade em subir. INCRÍVEL Retorno sobre as pedras escorregadias e íngremes
  12. A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM! PIQUETE - SP Dia 22.02.2019 - Sexta-feira Saída de Guaratingueta -Sp de carro, fomos até próximo de Campos do Jordão-SP, voltamos até Piquete-Sp, cidade base para fazer o Pico dos Marins Acordamos cedo, e aí o que faremos? Sem alternativa e a previsão do tempo confirmando que ia chover nos próximos dias na região dos Marins. Pegamos a rodovia Dutra, e tocamos até Taubate (nossa intenção era chegar ali e decidir pra onde ir, Campos do Jordão, São Bento do Sapucaí, Monte Verde....). Na ida para Taubate ficamos observando a Mantiqueira, e via que tinha nebulosidade mas parecia que não estava chovendo. Chegamos em Taubate e paramos num posto, pensa, olha a previsão para os próximos dias, pensa mais um pouco, olha a Mantiqueira, vê a previsão, pensa, coça a cabeça. De repente, minha parceira diz assim: liga o carro e vamos tentar subir o pico dos Marins, e quando a mulher fala, obedece quem tem juízo. E assim voltei pelo mesmo caminho. .... pra mim tudo é diversão, se chegasse lá e a chuva caísse eu não reclamo, voltaria no outro dia e tentaria de novo. Vi que no sábado a previsão era de chuva com raios à partir das 13 horas e chuva fina à partir das 10. Então, fiz umas contas e, se a chuva forte caísse, nos pegaria quase no final, já próximo ao morro do careca. Obs.: nesta viagem preparamos física e psicologicamente para subir, principalmente, a Pedra da Mina. Mas, pela previsão do tempo, possivelmente a chuva nos pegaria antes do topo (pois é mais longo e difícil do que o Marinas), mas seguimos esperando uma janela no tempo para subir a pedra da mina, depois de subir o Marins. Resolvemos pernoitar na cidade de Piquete-Sp, base do Marins do lado paulista, para comprar alguns mantimentos para o bate/volta no Mariz(o mais lógico era dormir no camping base do Marins, mas chegamos em Piquete um pouco tarde e ainda teríamos que comprar mantimentos). Hoje fez muito calor e só choveu à noite(foi uma chuva muito forte com muitos raios). Isso confirma, pois vimos os picos sem nenhuma nuvem durante o dia, sinal que a previsão do tempo errou de novo, quando retornamos de Guaratingueta, fez muito calor neste dia. Amanhã será um grande dia. Piquete: têm algumas pousadas, restaurantes, comércio bom, vários bancos. . Hospedagem: Pousada Requinte, chalés do lado direito da rodovia(anda uns 50 metros numa estradinha de terra), antes de Piquete e do primeiro posto de combustível, camas boas, ventilador, tv aberta, sem wifi, frigobar banheiro privado. Preço $50 por pessoa sem café da manhã. RECOMENDO
  13. Olá a todos! Conforme diz o título do tópico, eu resolvi ir de bicicleta até a Parte Alta do Parque Nacional de Itatiaia, cuja entrada fica em Itamonte - MG. Escrevi um relato durante a viagem para compartilhar a experiência com vocês e quem sabe incentivar ou esclarecer dúvidas de outros que tenham interesse em fazer a mesma viagem. Infelizmente, sou muito prolixo, o que resultou em um relato de proporções bíblicas (tão grande que comecei a escrevê-lo em 30 de dezembro e só fui terminá-lo hoje; talvez eu tenha exagerado na procrastinação). Quem conseguir ler isso está de parabéns, mas se não conseguir, pelo menos há algumas fotos bonitas perdidas no meio de todo o texto. Planejamento (ou falta dele) Na empresa onde trabalho, temos férias coletivas no final do ano. Normalmente, eu passo as férias descansando em casa, talvez indo acampar em Paranapiacaba (na região cujo nome oficial é Serra do Mogi) em um fim de semana só para variar. Mas desta vez resolvi colocar em prática uma ideia que eu tinha na cabeça há algum tempo: viajar de bicicleta. Até então, eu não tinha um lugar em mente, mas há alguns meses eu havia descoberto por meio de uma amiga a existência do Parque Nacional de Itatiaia. Após passar algum tempo lendo o site oficial do parque e alguns blogs sobre aventuras, decidi que queria conhecer a Parte Alta dele, conhecida como Planalto do Itatiaia. Dia 18 de dezembro foi meu último dia de trabalho: eu só retornaria no dia 4 de janeiro. Tempo mais que suficiente para a viagem, segundo o roteiro de 17 h 49 min proposto pelo Google Maps. Só o que me faltava era a bicicleta. Após pesquisar na internet e em bicicletarias, descobri que uma bicicleta ideal para este tipo de viagem não me sairia por menos de R$ 2.000,00. Eu não tinha todo esse dinheiro e não estava disposto a passar os próximos 10-12 meses parcelando a bicicleta (até porque 10 vezes de 200 reais ainda é dinheiro demais para mim), então acabei comprando uma bicicleta mais básica: a Caloi Andes. Ainda no dia 19, no Carrefour perto de casa, eu a encontrei por R$ 619,90, parcelados em três vezes. Naturalmente, a bicicleta não inclui chaves para manutenção, cadeados, bagageiro, caramanhola ou alforjes, então eu tive que procurar pelas bicicletarias da região. Minha intenção era ter tudo pronto para partir segunda-feira, dia 21, mas algumas partes (especificamente, a bolsa de bagageiro) foram mais difíceis de encontrar. O lado bom é que eu aproveitei a busca para estrear minha bicicleta, já que eu não pedalava há cerca de onze anos. No fim das contas, consegui sair de casa na terça-feira, dia 22. Levei uma mochila cargueiro com roupas (apenas três mudas de roupa: para a ida, para a trilha e para a volta), lanterna, papel higiênico, escova de dentes, creme dental, sacolas e faca, um saco de dormir e uma barraca. Eu decidi comprar provisões em alguma cidade no caminho, para não sair com muito peso. Água, só da caramanhola, que eu reabasteceria em postos de gasolina. Com base no Google Maps, eu esperava chegar lá em dois dias, parando apenas uma vez para dormir na estrada. Custo da Bicicleta: Bicicleta _________________ R$ 619,90 Acessórios e ferramentas____ R$ 409,79 Capacete__________________ R$ 69,00 TOTAL__________________ R$ 1.098,69 Primeiro Dia: 22/12/2015 Ao invés de sair durante a madrugada, concluí que o melhor era sair descansado de casa e, portanto, não usei o despertador. O roteiro sugerido pelo Onisciente Google manter-me-ia circulando pelas ruas de várias cidades, exigindo que eu seguisse pela rodovia Presidente Dutra somente a partir do município de São José dos Campos.Eu gostei da ideia, já que seguir pelas ruas da cidade é muito mais seguro do que por uma rodovia cheia de caminhões a 90 km/h. Saí por volta das 9 h da manhã com a expectativa de chegar a Guaratinguetá ou Lorena ao anoitecer. Ygritte e Compadre Washington precisam ter uma palavrinha comigo. O início da viagem foi tranquilo. Eu moro na Penha, na zona leste de São Paulo, e meu primeiro passo era percorrer a ciclovia do Parque Ecológico do Tietê, que segue paralela à rodovia Ayrton Senna. Embora o Parque Ecológico esteja localizado a menos de uma hora de caminhada de minha casa, eu não o visitava há uns quinze anos ou mais. É um lugar bastante agradável, um pedaço de Mata Atlântica tão bem conservado que até faz você esquecer que o imundo rio Tietê corre ao longo do lado norte da ciclovia. A ciclovia, apesar de rachada e com um ou dois pontos parcialmente alagados (além de um carro sem rodas abandonado num ponto isolado, o que havia chamado a atenção de um grupo de ciclistas que eu suponho que estavam esperando pela polícia para remover o veículo), é surpreendentemente fácil de se percorrer. A ciclovia do Parque Ecológico do Tietê. As árvores ao redor abafam o barulho da rodovia Ayrton Senna, tornando o lugar agradavelmente pacífico. Só se ouvia o som dos pássaros. O rio Tietê e a rodovia Ayrton Senna estão além desta muralha de vegetação. Saindo da ciclovia, cheguei aos bairros mais orientais da cidade, como São Miguel Paulista e Itaim Paulista. São regiões as quais eu não conheço muito bem, então eu fui obrigado a consultar o roteiro do Google Maps frequentemente. Felizmente, havia uma ciclovia percorrendo um bom pedaço das ruas e calçadas (algumas sem guias rebaixadas, o que me levou a um solavanco que até inclinou meu selim para trás) do bairro de São Miguel Paulista e meu trajeto levava através dela durante algum tempo. Saindo da ciclovia, eu pedalei até chegar no município de Itaquaquecetuba onde as coisas desandaram. Cavalos em uma área rural em Itaquaquecetuba. O problema em Itaquaquecetuba é que muitas ruas não possuem identificação, ou possuem identificação em locais ilógicos (por exemplo, qualquer lugar que não seja a esquina). A princípio, o caminho foi fácil, já que passava por vias principais da cidade. Mas depois eu tive que entrar nas vias arteriais dos bairros suburbanos, onde eu era forçado a sair perguntando aos habitantes o nome da rua em que eu estava. E nem todo mundo dá informações certas. Eu aproveitei que estava na cidade para comprar provisões: biscoitos doces e salgados e amendoins. Quando já passava das 13 horas, alguns moradores garantiram que o caminho pelo qual eu estava seguindo era uma rua sem saída e eu decidi seguir pela rodovia Presidente Dutra a partir daí. Morrendo de sede e cansaço e com a pele ardendo por causa do sol (eu usei protetor solar, mas minha pele não aguenta muito sol), eu segui pela rodovia Mogi-Dutra (onde tive a sorte de encontrar um posto Ipiranga com bebedouro) até chegar à Presidente Dutra. Eu estava em Arujá, mas a partir daí a viagem transcorreu sem grandes dificuldades (eu ainda vou usar muito esta expressão em meu relato. Aproveitem para começar seu prórpio jogo de beber). Uma chuva apanhou-me em Guararema no fim da tarde, mas eu encontrei um pedágio desativado e aproveitei o abrigo para comer algo e pegar o agasalho que estava dentro de minha mochila cargueira. Quando já passava das 19 horas, eu estava em Jacareí, no km 165 da Dutra. Ali encontrei um posto de serviços grande, com restaurante e segurança 24 horas. A primeira coisa que fiz foi procurar um lugar para deixar a bicicleta. Eu a prendi a uma estaca de metal usando um cadeado de 1,5 m (com o qual travei a roda traseira e o bagageiro) e ainda travei a roda dianteira com outro cadeado. Depois, removi todos os alforges e partes não parafusadas e os prendi à minha mochila enquanto eu comia algo no restaurante. "Ninguém vai roubar essa coisa," pensei eu. "Ninguém." Felizmente, eu estava certo. Depois de comer um pouco (um sanduíche de frango e um litro de suco de laranja), comprar duas garrafas de 1,5 l de água (a R$ 5,80 cada, um verdadeiro assalto) e tentar sem sucesso encontrar um local para recarregar os créditos de meu celular (eu realmente sou o tipo que prefere remediar a prevenir), eu pedi permissão ao segurança para armar minha tenda no terreno do posto. Muito gentil, ele me disse que não haveria problemas e sugeriu um gramado atrás de uma sebe que costumava ser utilizado por viajantes em minha situação que passavam pelo local. E foi assim que terminou meu dia: com menos progresso do que eu esperava, mas ainda assim muito bem. A grama mais macia sobre a qual eu já dormi. Não estou exagerando quando digo que dormi melhor neste gramado do que durmo em minha cama. E a câmera que usei é uma porcaria para fotos noturnas, caso não tenha ficado claro. Custo do Primeiro Dia: Provisões para a trilha ________ R$ 30,30 Jantar e água________________ R$ 44,00 Bebidas durante o dia__________ R$ 8,00 TOTAL___________________ R$ 82,30 Distância percorrida: aprox. 90 km (cerca de 10 km desperdiçados procurando por ruas perdidas) Tempo de viagem: aprox. 10 horas Velocidade média: aprox. 9 km/h Segundo Dia: 23/12/2015 Após um café da manhã muito simples retirado de minhas próprias provisões, eu retomei a viagem às 8 h 30 min. Minha intenção no segundo dia era chegar à cidade de Cruzeiro, alguns quilômetros além de meu objetivo não concluído no dia anterior, Guaratinguetá. Eu estava me sentindo descansado e não cairia novamente na armadilha de seguir por dentro de cidades desconhecidas, então meu objetivo parecia fácil de cumprir. O sol foi tão impiedoso quanto no dia anterior, mas a paisagem compensava o sacrifício. Não aconteceu nada de realmente interessante na viagem, exceto pelas paisagens da estrada e um arco-íris que avistei em Guaratinguetá. A Serra da Mantiqueira, onde o Parque Nacional do Itatiaia está localizado, podia ser vista ao norte durante a maior parte de minha viagem. E meu maior erro foi não ter fotografado a linha do horizonte de Aparecida, com suas belas igrejas e torres. O arco-íris em Guaratinguetá. Já era possível vê-lo do município de Aparecida, mas não com tanta nitidez. Por volta das 18 horas, avistei o que seria a última parada pelas próximas três horas. E eu nem tive o bom senso de parar lá, já que não tinha ideia do que me aguardava: um longo trecho da Dutra (de Cachoeira Paulista a Lavrinhas, se não me engano) onde o acostamento dá lugar a uma faixa adicional exclusiva para caminhões. Para piorar, já estava escurecendo e eu estava cansado demais para pedalar nos trechos de subida. Eu passei boa parte daquele trecho andando o mais próximo da grama que podia enquanto caminhões passavam ao meu lado e ocasionalmente buzinavam em minhas orelhas. Confesso que considerei parar ali mesmo e armar minha barraca na grama, mas decidi que era mais sensato encontrar um lugar mais seguro para passar a noite. Acabei encontrando um posto de serviços em Lavrinhas, quando já era cerca de 21 horas. Eu estava tão cansado que quase não tive energia para jantar, mas acabei empurrando para dentro um prato de comida antes de dormir. Meu dormitório no segundo dia. Custo do Segundo Dia: Jantar___________________ R$ 40,88 Bebidas durante o dia______ R$ 55,00 TOTAL________________ R$ 95,88 Distância percorrida: aprox. 140 km Tempo de viagem: aprox. 13 horas Velocidade média: aprox. 10,8 km/h Terceiro Dia: 24/12/2015 Restando cerca de 50 km até a Garganta do Registro, que eu pensava ser a entrada da Parte Alta do Parque Nacional do Itatiaia, eu esperava concluir minha viagem de ida antes do fim da tarde, mesmo sabendo que metade do caminho seria subindo uns 1.600 metros de serra. Como o parque não permite a entrada de visitantes após certo horário (14 horas, se não me engano), eu sabia que não entraria no mesmo dia, mas eu esperava acampar do lado de fora enquanto esperava pelo dia seguinte. Lamentavelmente, a realidade mostrou-se mais complicada do que meu "planejamento" levou-me a crer. Eu estava pronto para continuar minha jornada às 8 h 10 min. Antes de partir, eu descobri que o posto onde eu estava possuía chuveiros que poderiam ser usados pelo preço de R$ 8,00. Sem banho há dois dias e pedalando debaixo de um sol escaldante, eu precisava desesperadamente de um banho, já que minha aparência estava nojenta e meu fedor, pior ainda (nem mesmo eu estava me aguentando). Mas eu não tinha shampoo, toalha ou sabonete e tinha esperanças de tomar um banho de cachoeira no dia seguinte, o que me levou a reconsiderar o uso dos chuveiros. Além disso, o custo daquela viagem, com as práticas criminosas de comércio dos postos de rodovia, estava me preocupando. Eu parti sem banho, decidido a tolerar minha imundície por mais um dia. E não, eu não costumo ser nojento assim em meu dia-a-dia. É incrível o que se pode descobrir a respeito de si próprio em um mochilão. O trecho da rodovia Presidente Dutra entre Lavrinhas e Queluz possui algumas das paisagens mais belas de toda a estrada. Ao sul da Dutra, eu podia ver o rio Paraíba do Sul, que cruza a região do Vale do Paraíba e é considerado o mais importante do estado de Rio de Janeiro. Assim como a maioria dos rios que passa por regiões habitadas por pessoas, o Paraíba do Sul é altamente poluído, mas é difícil acreditar quando você vê a vegetação e as aves ao redor dele. A placa o identifica como rio Claro, mas isto aí é o rio Paraíba do Sul, mesmo. Os mapas não mentem. Agora que eu estava chegando perto de meu destino, eu precisava sacar dinheiro para pagar pela entrada e pela área de camping. O Parque Nacional do Itatiaia aceita apenas dinheiro, o que significava que eu teria que achar algum banco 24 horas num dos poucos postos de serviços pelos quais eu ainda passaria ou perder tempo procurando por uma agência da Caixa na cidade de Queluz (em inglês: Whattalight City). Felizmente, acabei encontrando um terminal de auto-atendimento da Caixa no Graal Estrela, localizado num trecho da Dutra no município de Queluz. Um automóvel em exposição no posto onde saquei o dinheiro. Com isso fora do caminho, eu logo havia cruzado a fronteira para o estado de Rio de Janeiro e deixei a Dutra assim que surgiu a oportunidade, seguindo para o norte através da rodovia Sebastião Alves do Nascimento (BR-354). A BR-354 possui a distinção de ser a rodovia federal mais alta do Brasil, chegando a 1.670 m na Garganta do Registro, meu destino. Eu só fui descobrir este fato depois que cheguei em casa, mas o considero uma ótima notícia: significa que, não importa para onde eu vá em minha próxima viagem de bicicleta, nunca será tão cansativo quanto este trecho do trajeto foi. O cenário em toda a rodovia Sebastião Alves do Nascimento é incrível, além de o clima ser muito mais ameno do que na Dutra, graças à altitude e às árvores. Logo no início da BR-354, antes de a subida começar, encontrei uma área residencial com diversos estabelecimentos comerciais. Era cerca de 11 horas da manhã, então eu resolvi parar em um restaurante (Tempero da Roça, em Resende - RJ) para almoçar. Com apenas R$ 24,00, almocei mais do que meu estômago poderia suportar (mas ainda assim empurrei tudo para dentro: eu havia aprendido minha lição depois do que acontecera no dia anterior), bebi meio litro de suco de limão e ainda levei uma garrafa de meio litro de água. Foi o melhor negócio que fiz em toda a minha viagem. No decorrer da subida pela serra, eu quase não pedalei: embora não fosse uma rodovia íngreme, a BR-354 parecia não ter fim e minha bicicleta com a bagagem não é o que se pode chamar de leve. Havia longos trechos desertos, com apenas árvores à vista, mas sempre surgiam trechos com alguns sítios agrupados onde eu podia encontrar bares e mercearias. Eu sempre pedia água ou comprava sucos nestes trechos, pois meu organismo estava sendo desidratado em tempo recorde com aquela subida. Não era íngreme, mas parecia interminável. Lá pela metade superior da rodovia, comecei a encontrar canos de água de nascente pelo caminho, que foram minha salvação quando não havia mais estabelecimentos comerciais por perto. Os canos eram velhos e sujos, mas a água era fria e limpa, apesar de um ou outro grão de terra que vinha junto. Enchi minhas garrafas e minha caramanhola e bebi tanta água quanto pude. Ainda assim, eu estava cansado e minhas pernas estavam cobertas de arranhões causados pelos pedais da bicicleta. Andar ao lado da bicicleta quando se está cansado demais para seguir em linha reta não é recomendado quando se está usando bermuda. Parece nojento, mas quem garante que o encanamento da sua casa não está assim, também? Por volta das 17 horas, eu finalmente cheguei à Garganta do Registro, em Itamonte - MG. Fica a poucos metros da fronteira entre MG e RJ, com um pequeno povoado cheio de lojas e bares naquele ponto. Minha pressa em encontrar um lugar para armar minha barraca era tanta que eu nem parei para reabastecer suprimentos, até porque eu já tinha água o suficiente comigo. Mas eu não esperava pela péssima notícia que me aguardava: em uma placa na entrada do território do Parque Nacional do Itatiaia, havia um mapa indicando que o acesso à Parte Alta dava-se através do Posto Marcão, a verdadeira entrada para visitantes do parque. O problema é que o Posto Marcão fica no km 13 da BR-485, a Rodovia das Flores, cuja altitude é ainda maior do que a da BR-345 que eu havia acabado de subir. E isso não era o pior: assim que comecei a subir a Rodovia das Flores, percebi que a maior parte dela era de terra coberta de pedras soltas irregulares. Os poucos trechos asfaltados tinham rachaduras e pedaços faltando em toda a parte. Eu nunca tive a chance de viajar muito, mas posso dizer com certeza que nunca vi uma estrada pior em toda a minha vida, seja nas regiões mais carentes de São Paulo, seja nas mais afastadas do interior. A estrada parece ter saído de um filme de Sergio Leone. Como sempre nesta minha viagem, o cenário compensou quaisquer dificuldades que tive. Quando já passava das 21 horas, eu atingi o meu verdadeiro (e até poucas horas desconhecido) destino. No Posto Marcão, fui saudado por um guarda, que me indicou o banheiro e uma fonte de água potável. Ele também me deu algumas notícias piores do que todas as que eu havia recebido até então: em primeiro lugar, a área de camping do parque estava interditada. A notícia podia ser vista no site oficial do parque, mas eu não a havia percebido por alguma razão. Em segundo lugar, eu não poderia acampar nas proximidades do Posto Marcão ou no território do parque, o significava que eu teria que descer até o km 0 da Rodovia das Flores para dormir. E não, eu não poderia deixar minha bicicleta estacionada no posto, tampouco, embora o guarda tenha sugerido que eu tentasse falar com o pessoal do Instituto Chico Mendes (ICMBio - responsável por manter o parque) no dia seguinte, quando eu tivesse feito meu registro de visitante. Como já estava escuro e percorrer a Rodovia das Flores é um pesadelo, o guarda sugeriu que eu acampasse em uma pousada desativada uns três quilômetros abaixo. Apesar de proibido, eu estaria fora do caminho dos carros que viessem pela manhã. Eu parti, determinado a seguir a sugestão, mas meu cansaço era muito e o trecho final da estrada era o pior de todos, de tal maneira que eu perdi um pedaço do pedal de minha bicicleta ao tentar descê-lo. Derrotado, eu armei minha barraca em um gramado à beira da estrada, a menos de um quilômetro do Posto Marcão. Na pior das hipóteses, eu seria forçado a desmontar a barraca às 6 h 30 min, quando o pessoal do ICMBio subisse a estrada para abrir o parque. Meu acampamento à beira da Rodovia das Flores. Observe as maravilhosas condições da estrada na parte inferior da imagem. Até mesmo os motoristas que passavam precisavam ter cuidado com as pedras e buracos. Custo do Terceiro Dia: Almoço___________________ R$ 24,00 Bebidas durante o dia________ R$ 9,00 TOTAL_________________ R$ 33,00 Distância percorrida: aprox. 57 km Tempo de viagem: aprox. 13 horas Velocidade média: aprox. 4,4 km/h Quarto Dia: 25/12/2015 O dia pelo qual eu esperara o mês inteiro: eu estava prestes a entrar no Parque Nacional do Itatiaia. Por volta das 7 h 45 min, eu estava de volta ao Posto Marcão. Um dos funcionários do posto lembrou-me de que eu havia acampado em local proibido, mas foi apenas um aviso: no fim das contas, o pessoal do ICMBio foi bastante compreensivo e ninguém tentou me acordar para eu desmontar minha barraca. Eu registrei meu nome para visitar o parque por 3 dias consecutivos e paguei a taxa de R$ 30,00 (R$ 15,00 pelo primeiro dia e R$ 7,50 para cada dia adicional). Sem saber exatamente qual trilha seguir no meu primeiro dia, acabei aceitando a sugestão de um dos guardas para seguir pelo Circuito dos Cinco Lagos até a Cachoeira das Flores. Além de ser uma trilha longa, eu encontraria alguns rios pelo caminho, os quais eu aproveitaria para tomar um banho. O Posto Marcão ainda podia ser visto durante os primeiros minutos de caminhada pelo Circuito dos Cinco Lagos. Logo no início da trilha, é necessário subir por um caminho bastante sinuoso. Apesar de não ser íngreme, a altitude da região é superior a 2 km, ou seja, o ar é rarefeito demais para alguém acostumado a viver 25 anos na cidade de São Paulo. Embora eu estivesse me sentindo descansado, tive de fazer várias pausas até me acostumar ao ar (e mesmo assim não cheguei a me acostumar completamente no decorrer de meus três dias). Mas o cenário era tão diferente de tudo o que eu conhecia (11% da flora local é endêmica, ou seja, não pode ser encontrada naturalmente em nenhum outro lugar do mundo), o aroma era tão agradável e os sons dos pássaros e insetos eram tão relaxantes que eu tinha a impressão de que estava sendo recompensado por minha falta de aptidão física. A foto não faz justiça à beleza da vegetação. E eu nem mostrei as flores mais interessantes do local. Minha favorita é a eryngium glaziovianum, embora não seja endêmica, até onde sei. Um detalhe curioso é que o som propaga-se por uma boa distância no Planalto do Itatiaia. Mesmo após vários minutos de caminhada (talvez até mais de uma hora), eu ainda podia ouvir vozes vindo do Posto Marcão e da Rodovia das Flores (a qual eu podia ver à distância. É uma rodovia inacreditavelmente sinuosa, a propósito). Foi assim que descobri que outros visitantes visitaram o local depois de mim. Aparentemente, passar o natal escondido no meio do mato não faz de mim o Diferentão dos Mochilões. Sabe o que é diferentão? Este rochedo. Eu não tentei subir nele por causa da grama alta no caminho, mas eu compensaria minha falha no dia seguinte, numa trilha mais rochosa (alerta de spoiler, desculpem-me). Não demorou muito para que tanto o Posto Marcão quanto a Rodovia das Flores saíssem de meu campo de visão. Um detalhe que não mencionei: na portaria do parque, há um guia de bolso disponível (cujo conteúdo pode ser visto aqui) contendo informações sobre a fauna, a flora, a história e o clima do parque, bem como mapas da região e de suas trilhas. Por razões desconhecidas (as quais eu não me preocupei em esclarecer: não seria uma aventura de verdade sem um elemento desconhecido, afinal de contas), o Circuito dos Cinco Lagos não aparece no mapa. De fato, nem mesmo a Cachoeira dos Cinco Lagos foi marcada. Até então, eu estava triangulando minha posição com base no Posto Marcão e na Rodovia das Flores, mas quando eu não pude mais avistá-los, só o que restava era usar as muitas formações rochosas como pontos de referência. Foi um fracasso, infelizmente: para um leigo como eu, era muito difícil saber qual delas era a Asa de Hermes, quais eram as Prateleiras, qual era o Morro do Couto, qual era o Pico das Agulhas Negras... Tudo o que eu sabia (com base na posição do sol, que esteve visível durante a maior parte do tempo) é que eu estava seguindo a nordeste, embora não fosse exatamente um caminho em linha reta. Uma espécie de brejo pelo qual a trilha passou. À distância, pensei que era um lago onde eu poderia tomar banho, mas a ideia acabou se mostrando equivocada. Uma foto que eu tirei com o auxílio de uma pedra e do temporizador da câmera. Acho que conta como selfie. Depois de umas duas ou três horas de caminhada, por volta das 11 h, eu comecei a ouvir o som de água corrente. Logo avistei uma nascente que se tornaria a Cachoeira dos Cinco Lagos. Eu comecei a me animar: finalmente, depois de três dias pedalando, eu teria a chance de tomar um banho (sim, é nojento, mas se eu quisesse conforto, estaria em casa ou viajaria pela CVC). Mas o ânimo não durou muito: a água era gelada. Alguém aqui já foi ao Lago de Cristal em Paranapiacaba/Serra do Mogi? A temperatura da Cachoeira dos Cinco Lagos estava mais ou menos no mesmo nível. Eu sou uma porcaria para lidar com temperaturas extremas, então só consegui me sentar dentro da água e molhar os braços durante alguns segundos. Não foi um banho de verdade, mas foi o bastante para que eu me sentisse melhor do que me sentira desde o início da jornada. Eu não sei que lugar é este. Se ao menos houvesse algum tipo de sinalização bastante óbvia... A propósito, este filete de água no canto inferior direito da foto é a "Cachoeira" dos Cinco Lagos. Engraçado, não é? Tentem entrar na água e vejam se é possível rir com os pulmões congelados, então. Depois de me secar ao sol (que estava agradavelmente quente naquele dia), continuei seguindo a trilha até chegar à uma região rochosa (em cujo início havia uma placa alertando sobre as pedras inclinadas e escorregadias) onde, ao invés da trilha, havia moledros e estacas vermelhas indicando o caminho. Se não fosse um dia sem neblina, eu poderia facilmente me perder ali, já que algumas estacas e moledros estavam muito distantes uns dos outros. Mas eu tive sorte com o clima, o que acabou me ajudando muito dois dias depois, quando eu voltaria a atravessar o Circuito dos Cinco Lagos sob uma neblina espessa (novamente, alerta de spoiler. Sou um péssimo contador de histórias). O que mais me chamou a atenção neste trecho, além do Pico das Agulhas Negras que estava cada vez mais próximo, foram os vários rochedos altamente escaláveis ao longo do caminho. Eu passei algum tempo andando em zigue-zagues para escalar todos eles, mas então percebi que já era quase meio-dia (pelas regras do parque, eu tinha que estar na portaria às 17 h) e comecei a me preocupar. Apertei o passo e parei de fazer desvios do caminho. Isto é um moledro. Se olharem atentamente, é possível ver uma estaca vermelha no horizonte, no canto direito da foto. logo ao lado da grama alta. Algum tempo depois, cheguei a outra placa indicando o piso inclinado e escorregadio, o que significava que eu estava saindo do rochedo. A propósito, a propaganda era enganosa: o caminho era inclinado, mas não havia nada de escorregadio, nem mesmo nos raros trechos onde a rocha estava molhada. Embora minhas botas certamente tenham ajudado no quesito "não escorregar." Talvez o caminho seja mais difícil quando as solas de seus sapatos não se ajustam tão perfeitamente às rochas ásperas do Planalto do Itatiaia. Poucos metros adiante, já na trilha e com vegetação por todos os lados, eu encontrei uma placa apontando o caminho para o Abrigo Rebouças, onde os visitantes podem passar a noite quando decidem pernoitar no parque e a fossa não está quebrada. Foi uma ótima notícia, na verdade: enfim eu tive a chance de confirmar minha posição no mapa e fiquei mais tranquilo com relação ao tempo restante para voltar ao Posto Marcão. A viagem transcorreu sem nada digno de nota (bebam um copo) durante algum tempo. Exceto pela paisagem (sim, este é o Pico das Agulhas Negras — e também é possível ver a Asa de Hermes no canto esquerdo da foto)... A todo o momento ela se mostrava digna de nota... Por vezes, digna até demais. Depois de cruzar a ponte de madeira da imagem acima, eu logo cheguei a um ponto no qual a estrada dividia-se em três. Não havia placa alguma indicando por onde ir, o que me obrigou a confiar nas minhas tentativas de triangulação e na orientação com base na posição do sol. Eu escolhi o caminho da direita, que acabou se mostrando o caminho certo. Pode parecer idiota, mas é uma sensação muito boa saber que você é capaz de se virar no meio do mato usando apenas seus conhecimentos, mesmo que para algo tão insignificante. Não levou muito tempo para eu chegar ao Abrigo Rebouças. Trata-se de uma casa de pedra muito bonita num local coberto de grama e ao lado de uma pequena represa. A área de camping também fica a apenas alguns metros de distância, com uma mesa de madeira e um banheiro externo. Em pleno natal e com a fossa quebrada, o lugar estava completamente deserto, então eu decidi fazer uma pausa para o almoço. Foi então que percebi que eu estava prestes a consumir os últimos doces em minha mochila. Nunca me senti tão desesperado: para que eu me sinta satisfeito, meu sangue deve conter açúcar o suficiente para que uma gota seja capaz de matar uma família de diabéticos. Mas não havia nada a fazer. A represa. O abrigo. A área de camping (normalmente, há espaços reservados para quinze barracas). Uma amizade que fiz na trilha. Era a ave mais corajosa da jornada: nem mesmo os carcarás que eu encontraria dias depois na rodovia Dutra aproximaram-se tanto de mim. Com as nuvens já começando a cobrir o sol, eu prossegui rumo à Cachoeira das Flores. O dia ainda estava claro e o sol ainda estava quente, então eu esperava tomar um banho de verdade desta vez. Do Abrigo Rebouças, eu só precisava retornar à Rodovia das Flores, no trecho que leva do Posto Marcão à Travessia Ruy Braga, e seguir em direção à Travessia Ruy Braga durante uns 20 minutos. Não levou muito tempo para que eu pudesse ver o rio Campo Belo ao norte, acompanhando a estrada. A Cachoeira das Flores podia ser alcançada através de uma trilha semi-oculta, sinuosa e íngreme no lado norte da rodovia. O rio Campo Belo e a Cachoeira das Flores vistos da Rodovia das Flores. Já na Cachoeira das Flores, descobri que a água era tão gelada quanto a da Cachoeira dos Cinco Lagos. Felizmente, as rochas no meio do rio estavam quentes e secas e as nuvens saíram da frente do sol durante alguns minutos. Eu consegui lavar a cabeça e entrar na água até a cintura e ainda tive tempo de me secar ao sol. Sem mais nada a fazer, eu retornei ao Posto Marcão. Ainda encontrei algumas paisagens interessantes no caminho, como dois rochedos que formavam duas pontes paralelas uma à outra sobre o rio Campo Belo (eu fiz questão subir em um deles) e a nascente do rio em questão. Também passei por uma área alagada da Rodovia das Flores, cujas poças são utilizadas pelos sapos-flamenguinho para reprodução. Por esta razão, o trecho final da rodovia é bloqueado aos veículos durante os meses de chuva no fim do ano. Quando eu cheguei ao Posto Marcão para registrar minha saída, o relógio marcava 16 h, o que significa que minha trilha durou 7 h 59 min. A nascente. Sim, o lugar inteiro está acima de 2.000 m de altitude. Seria a Machu Picchu brasileira se os incas tivessem passado pela região. As pontes naturais. Assim como a Ponte Octávio Frias de Oliveira, em São Paulo, estas pontes são grandes demais para o rio que cruzam. A natureza deve ter desviado verbas públicas durante sua construção. Um sapo-flamenguinho. Os maiores chegam a impressionantes (SQN) 3 cm. Eu tentei conseguir permissão para deixar minha bicicleta no Posto Marcão durante os três dias, para facilitar a jornada pela Rodovia das Flores, mas não consegui. Consequentemente, segui para o plano B (nunca houve plano A, a propósito): encontrar um lugar escondido ao lado da rodovia para passar a noite. Proibido, mas eu não acendo fogueiras em meus acampamentos e tenho o cuidado de guardar meu lixo numa sacola, então não foi tão ruim. Melhor do que subir e descer diariamente 13 km de estrada destroçada. Acabei encontrando uma trilha estreita cercada de grama muito alta onde eu poderia ficar longe do campo de visão tanto do posto quanto da estrada, embora ainda houvesse um trecho dela de onde eu poderia ser avistado por quem estivesse subindo para o Posto Marcão. A chance de detecção era muito baixa, então decidi arriscar: às 17 h 30 min eu já estava com a barraca armada, mais cedo do que eu jamais havia acampado durante toda a viagem até agora. Apesar de algumas pedras sob a barraca, eu consegui dormir bem. O "estacionamento." Dias depois, a ferrugem no selim e nas ferramentas dentro do alforje me fez perceber que talvez não tenha sido uma boa ideia. Meu dormitório. Por volta das 2 h, eu acordei com o som de alguma coisa se movendo do lado de fora da barraca. Soava como se fosse quadrúpede e pequeno, então eu imagino que tenha sido um gato-do-mato. Ou até um lagarto, embora seja improvável: eu não ouvi a barriga do réptil hipotético se arrastando pela grama. Custo do Quarto Dia: Entrada do parque_______________ R$ 15,00 Dois dias consecutivos adicionais___ R$ 15,00 TOTAL_______________________ R$ 30,00 Quinto Dia: 26/12/2015 Embora o chão não fosse dos mais confortáveis e o saco de dormir não fosse suficiente para manter meus pés aquecidos à noite (que aliás é muito fria no Planalto do Itatiaia), eu dormi bem e acordei com minha energia habitual (ou seja, hiperativo). Houve uma chuva forte à noite, então eu esperei um pouco para deixar o sol secar a minha barraca. Quando voltei ao parque, já passava das 9 horas. Conforme eu esperava, ninguém havia percebido que eu armei uma barraca no território do parque. Após usar o banheiro e reabastecer minhas garrafas de água, eu segui o conselho de um dos funcionários do parque e resolvi fazer a trilha até a base das Prateleiras, passando pelo Morro do Couto. Não só era um caminho que seguia por um lado do planalto que eu ainda não conhecia, como também já havia outros visitantes seguindo naquela direção, o que facilitaria a vida do pessoal do ICMBio caso houvesse necessidade de resgatar alguém. O lado ruim é que não havia rios naquele lado do planalto, mas isto não reduziu em nada a beleza da paisagem. No caminho eu devo ter passado por uns três grupos diferentes de visitantes, o maior deles com umas cinco pessoas. Havia também pelo menos um guia entre os visitantes, o que me fez pensar em como seria fantástico trabalhar assim. Já tentei pesquisar a respeito, mas só o que encontrei foi uma empresa em Paranapiacaba que afirma contratar apenas moradores da região. Mais um motivo para eu perceber que estou vivendo na cidade errada. Como eu havia mencionado anteriormente, o caminho pelo qual segui em meu segundo dia no parque era rochoso e oferecia várias oportunidades para escaladas. Muitos rochedos bons para se ter uma vista tanto do Planalto do Itatiaia quanto do Vale do Paraíba. O melhor destes rochedos foi uma formação de várias rochas empilhadas na beira de um penhasco. Era bem fácil de subir, mas o topo era uma rocha isolada das demais e "pendurada" acima de um abismo. Não havia como não sentir um frio na barriga na primeira escalada. Como sempre, não consegui tirar uma foto cuja perspectiva mostrasse o local como deveria ser mostrado. A ponta do penhasco, à esquerda, é a rocha isolada da qual estou falando. Entre ela e o restante da formação havia várias rochas menores. Depois de subir uma vez (um pouco mais devagar do que eu gostaria, devido ao supracitado frio na barriga), eu descansei um pouco (em outras palavras, comi alguma coisa, bebi água e atualizei meu relato de viagem, que aliás é muito mais completo em sua versão manuscrita), criei coragem e decidi tirar uma foto. Apoiei a câmera numa pedra, liguei o temporizador e subi feito um macaco para conseguir superar os dez segundos da câmera. Para minha alegria, o medo havia me abandonado. O resultado foi esta foto: A intenção era que o Vale do Paraíba aparecesse no fundo, mas a câmera estava num lugar muito baixo (só uns 2200 metros de altitude, eu acho). Esta era a vista que eu teria se olhasse para trás: Novamente, a perspectiva da foto não ajuda. Parecia muito mais alto ao vivo. E também parece uma imagem de Cyrodiil, a terra fictícia onde é ambientado o jogo de computador The Elder Scrolls IV: Oblivion. Depois de seguir em frente durante alguns minutos, eu ouvi vozes distantes e avistei um grupo de viajantes nos arredores do rochedo que eu acabara de escalar. Pelo que vi, eu fui o único a me empoleirar no penhasco, então estou esperando receber uma medalha do ICMBio pelo correio. Mas chega de falar da pedra na beira do abismo. A melhor parte da viagem (e a melhor foto, embora minha cara de neandertal a tenha arruinado um pouco) estava poucos metros adiante: o cume do Morro do Couto! Segundo a Wikipédia, "a nona maior elevação rochosa brasileira, com 2.680 metros de altitude." E também é ridiculamente fácil de escalar, o que não reduz em nada a diversão. Na base do morro há uma antena numa pequena área cercada. A cerca está cortada em alguns pontos, o que indica que alguns visitantes tenham tentado escalar a estrutura, mas para ser sincero a ideia nem me ocorreu na hora. Eu não viajei 300 km para ver uma estrutura feita por pessoas. Não quando posso ver várias do tipo em minha cidade. As pedras menores na área central do morro formam uma trilha para "escalaminhar" até o topo. Não parece grande coisa na foto, mas ao vivo as menores rochas tinham mais ou menos o meu tamanho. Há vídeos no YouTube de pessoas escalando o Morro do Couto. Recomendo que os assistam. O interessante é que a escalaminhada do Morro do Couto é parte da trilha: se vocês pretendem ir às Prateleiras por este caminho, precisam chegar quase ao topo do morro para depois descer por uma trilha de verdade: À direita da placa, havia algumas rochas que permitiam escalaminhar para o cume propriamente dito (e é coisa leve: não deve ser mais do que cinco metros acima da trilha). Naturalmente, eu não fotografei as tais rochas: estou começando a perceber que eu tenho uma péssima noção de prioridades na hora de fotografar. No cume do Morro do Couto, eu fui recompensado com uma vista espetacular não só do Vale do Paraíba, como também de boa parte do Planalto do Itatiaia. Eu poderia jurar que o céu ali é mais azul do que o céu daqui de São Paulo. De fato, todas as cores pareciam mais vivas no parque, coisa que minha câmera não foi capaz de mostrar com clareza. Ou talvez o fotógrafo seja o culpado. Ainda assim, eu acho que consegui acertar em pelo menos uma foto. Havia uma pequena rocha próxima à beira do abismo que era perfeita para apoiar a câmera. Eu usei novamente o método Peter Parker de fotografia para conseguir o que julgo ser a melhor foto de toda a viagem: Dá para ver o Vale do Paraíba nesta foto. E a vegetação do Planalto do Itatiaia. E eu. Mas acima de tudo (trocadilho digno de uma participação em A Praça É Nossa, eu sei), olhem para as nuvens. O contraste delas com o céu. Existe coisa mais bela do que o céu? Entretanto, por mais belo, atlético e viril que eu (não) seja, acho que vocês preferem ver fotos do cenário no cume do Morro do Couto. Aqui estão algumas: Eu pretendia mostrar o Planalto do Itatiaia, mas as nuvens não saíam do caminho. E, pensando bem, eu gosto de nuvens, então acho que a foto saiu perfeita. A base do Morro do Couto. Dá para ver a antena quase no meio da imagem. O trecho final da Rodovia das Flores, que percorre o parque durante uns 3 km até terminar no início da Travessia Ruy Braga. O Vale do Paraíba. É possível ver pelo menos uma cidade e algumas estradas espalhadas pela foto. Depois da sessão de fotos improvisada, resolvi descer pelo caminho que me levaria às Prateleiras. Novamente, havia muitos rochedos ao redor da trilha e eu estava me divertindo escalando todos aqueles que eram acessíveis o bastante, sem grama alta no caminho. Eu procurei evitar a grama alta durante toda a viagem porque o site do parque afirma que existem cascavéis e jararacas na Serra da Mantiqueira. Minha técnica favorita era saltar de rocha em rocha como um bode para chegar aos rochedos maiores, o que significa que eu treinei mais parkour nesta viagem do que em todo o ano de 2015 (eu meio que abandonei o parkour há tempos, mas estou tentando voltar a praticar). Um dos rochedos que encontrei estava ocupado por um abutre muito grande. Quando eu o vi, ele estava de frente para mim e de cabeça erguida, mas longe demais para eu tirar uma boa foto. Então eu comecei a andar devagar na direção dele, com a intenção de escalar o rochedo alto que aparece em primeiro plano na foto, à direita. Infelizmente, a ave virou as costas para mim e ameaçou levantar voo antes que eu pudesse dar cinco passos, o que me obrigou a usar o zoom da câmera para tirar a foto insatisfatória que vocês estão vendo agora. Olhando pelo lado bom, é possível ver ao fundo o Pico das Agulhas semioculto pela neblina e a Asa de Hermes alguns centímetros (na verdade, centenas de metros) à esquerda do Pico. Foi então que eu percebi que já passava das 14 horas. Menos de três horas para eu voltar até o Posto Marcão, pouquíssimo tempo, pelas minhas estimativas. Eu acelerei e parei de tentar subir em todos os rochedos que eu via, até porque eu havia chegado a uma área aberta e quase desprovida de rochedos e uma garoa começou repentinamente. Foi uma das poucas vezes em que precisei vestir a jaqueta que eu levava na mochila. Uma curiosidade que eu havia esquecido de mencionar: no dia anterior, meu primeiro dia no parque, um dos funcionários do ICMBio havia me alertado sobre a incidência de raios na região. Agora que eu estava andando por uma área descampada enquanto chovia, eu me lembrei do conselho e, admito, não fiquei muito contente com a possibilidade de ser atingido por um raio. Para piorar, embora a garoa não tivesse durado mais do que alguns minutos (o clima da Serra da Mantiqueira é bem variável, segundo dizem), os raios persistiram durante o resto do dia. Depois de um bom tempo descendo as encostas rochosas ao redor do Morro do Couto, eu cheguei a esta planície coberta de grama. No lado esquerdo, é possível ver uma trilha de grama em direção às Prateleiras (que também podem ser vistas no fundo, à esquerda). Mas não faço ideia do nome do rochedo no centro da imagem. Ao sair das planícies verdejantes, eu estava novamente caminhando entre formações rochosas. Foi então que tive a maior surpresa da viagem: uma espécie de túnel chamado Toca do Índio. É apenas um trecho curto da trilha que passa por baixo de algumas rochas imensas sustentadas por outras rochas tão gigantes quanto, mas é diferente de tudo o que eu havia visto até então no Planalto do Itatiaia. Mas imagens valem mais do que palavras, então vejam vocês mesmos: A Toca do Índio vista do lado de fora. O interior da Toca. Após horas ouvindo os ventos fortes do planalto, o silêncio da toca foi uma das melhores experiências de toda a viagem. Saindo da Toca do Índio. Eu deveria ter feito como a Liga da Justiça e acionado o Flash (eis aí outra sugestão de jogo de beber: um copo para cada piada infame que eu contar. Não há no mundo um fígado capaz de suportar algo tão extremo). A partir daí, eu tive que me apressar, pois já passava das 15 horas. Logo na saída da Toca do Índio, eu fui recompensado com uma vista incrível das Prateleiras, mas não havia tempo para eu me aproximar delas. Na verdade, eu acho que a Toca do Índio é a formação rochosa à esquerda. Não tenho certeza: estou escrevendo este trecho do relato em julho de 2016 (mais de seis meses depois da viagem) e já me esqueci dos detalhes da aventura. Preciso parar de procrastinar e terminar logo esta coisa. Apesar do horário, eu ainda não resisti à oportunidade de fazer uma última parada. Fora da trilha, havia um grande penhasco rochoso de onde eu podia ver boa parte do Planalto do Itatiaia. Eu tive que sair do trajeto e ver se não havia um caminho alternativo por ali. Não havia caminho algum, mas valeu a pena. OK, sem mais delongas, eu segui meu caminho de volta à Rodovia das Flores. O relógio já marcava mais de 16 horas quando eu cheguei ao final da estrada, o que significava que eu não conseguiria chegar ao Posto Marcão dentro do limite de tempo estabelecido. Eu acelerei meu passo (embora eu já caminhe bem rápido por natureza), mas já fui me preparando psicologicamente para ouvir umas reclamações merecidas dos guardas. Eu passei por vários pontos de referência no caminho, como a entrada da Travessia Ruy Braga, a Cachoeira das Flores, a trilha para o Abrigo Rebouças, as poças onde os sapos-flamenguinho procriavam e a nascente do rio Campo Belo. Aliás, eu já mencionei várias vezes a Travessia Ruy Braga, mas não expliquei até agora do que se trata. Trata-se de uma trilha com mais de 20 km que leva da Parte Alta à Parte Baixa do parque (e vice-versa). Do planalto para a mata. Deve ser uma aventura e tanto, mas eu não tinha tempo e nem provisões para isto, então decidi deixar para a próxima. Dependendo do seu ritmo, a travessia pode levar dois dias, motivo pelo qual há dois abrigos (Massena e Água Branca) em pontos diferentes do trajeto para que os viajantes passem a noite. Às 17 h 10 min, eu cheguei ao Posto Marcão. Felizmente, ao invés de uma bronca, acabei recebendo um elogio: aparentemente, eu estava indo muito bem em minha exploração do planalto, especialmente considerando que eu estava sozinho e nunca havia visitado o Parque Nacional do Itatiaia antes . Meus 10 minutos de atraso foram aceitáveis. Pronto para encerrar o dia, eu voltei ao meu "covil secreto do mal" da noite anterior e comecei a montar minha barraca. Uma charada para vocês: qual é a pior coisa que poderia acontecer quando se é um viajante dormindo em uma barraca? Se vocês responderam "chuva durante a armação da tenda," parabéns! Eu precisei montar a barraca às pressas, usando o sobreteto para protegê-la enquanto eu me atrapalhava com as estacas, as varetas e o frio. Quando eu terminei, eu estava encharcado e havia umas duas poças de água dentro da barraca. A solução? Peguei minhas roupas sujas de três dias pedalando pela Dutra e usei-as para puxar toda a água para um canto da barraca (sorte minha que o chão era desnivelado). Depois cobri a poça com as mesmas roupas para que a água fosse absorvida durante a noite. Também tive que tirar as roupas que usei durante o dia para que secassem. Pois é, para não passar frio, tive de dormir sem roupas. Esta é sua reação após ler as quatro últimas frases do parágrafo acima. ... — Tem uma barraca ali! — gritou alguém de algum ponto acima na rodovia. Vocês acharam que a chuva era a pior coisa que poderia ter acontecido? Eu vesti minha calça imediatamente e passei os próximos dez minutos paralisado, esperando para ver se eu seria obrigado a desmontar minha barraca e descer pela estrada até Itamonte. Felizmente, ninguém veio. Tenho quatro explicações prováveis: 1 - Eu me escondi tão bem que ninguém conseguiu achar a entrada de meu esconderijo. Improvável, mas talvez a escuridão tivesse atrapalhado a busca. 2 - Quem me viu à distância era um visitante que estava saindo mais tarde. Ou tentando entrar na hora errada. Ou tentando fazer o mesmo que eu estava fazendo (camping ilegal — caramba, a que ponto a humanidade chegou para que haja a necessidade de proibir acampamentos em áreas naturais? É tão difícil assim não emporcalhar todos os lugares por onde passamos?). Seja como for, foi alguém que não me denunciou e por isso eu sou grato. 3 - Eu fui avistado durante a troca de turnos. A pessoa que me viu estava voltando para casa e não estava interessada em fazer hora extra, portanto, decidiu não tentar me encontrar. 4 - Assim como dois dias antes, quando eu estava cansado demais e dormi às margens da rodovia, a pessoa que localizou minha barraca foi simplesmente piedosa. Eu não estava prejudicando o meio ambiente e nem fazendo barulho, então alguém decidiu me deixar pernoitar em paz. Custo do Quinto Dia: ZERO! HAHAHAHA! Suelo, Heidemarie Schwermer, Mark Boyle, Peace Pilgrim, eu ainda me juntarei a vocês na busca pela vida sem dinheiro! Sexto Dia: 27/12/2015 "E no sexto dia eu conversei com um viajante. E vi que era bom." Há dias eu não dormia tanto. Acordei às 6 h 30 min, mas eu havia dormido por volta das 19 horas do dia anterior. Verdade seja dita, eu acordei algumas vezes durante a noite graças às pedras embaixo de minha barraca (e também porque eu costumo acordar durante a noite quando acampo. Deve ser a empolgação). Mas eu estava me sentindo perfeitamente descansado. Antes de tudo, eu precisava secar minha barraca. O lado de dentro estava em bom estado: meu macgyverismo da noite anterior com as roupas sujas havia funcionado melhor do que eu esperava e o saco de dormir havia secado o que restou de água no chão enquanto eu me remexia durante o sono (já disse que sou hiperativo, fazer o quê?). Mas o lado de fora estava ensopado (aliás, percebi nesta aventura que minha barraca é muito boa contra a chuva: nenhuma gota de água entrou depois que ela estava armada e fechada), o que me obrigou a esperar algum tempo para que o sol a secasse. Felizmente, a manhã do dia 27/12/2016 foi ensolarada no Planalto do Itatiaia, embora o vento estivesse mais forte do que nos dias anteriores. Desmontar a barraca foi bem mais complicado com a ventania, até porque eu sou desajeitado a ponto de parecer um personagem de desenho animado, às vezes. Quando terminei (pouco depois das 8 horas), o volume era grande demais para a bolsa da barraca, o que me forçou a guardar as estacas no alforje da bicicleta. Chegando ao Posto Marcão, eu fui tão bem recebido quanto nos dias anteriores e ninguém comentou nada a respeito da barraca avistada na noite anterior. O que me leva a uma quinta possível explicação: 5 - Havia outra pessoa ou grupo de pessoas acampando na região! É tão óbvio que nem consigo entender por que não foi a primeira ideia que veio à minha mente. Infelizmente, a pessoa/grupo ou não pensou em se esconder, ou não se escondeu bem o bastante. De volta ao relato, desta vez eu iria até a Cachoeira Aiuruoca (é, eu precisei dos meus três dias no parque para decorar este nome. É fácil de falar e escrever, assim como o nome Jarlyelson, mas é tão bizarro que você acaba se esquecendo, assim como o nome Jarlyelson). Registrei minha saída às 9 h 10 min. Por ser a trilha mais longa da Parte Alta (sem contar as travessias), eu esperava novamente voltar no horário limite. O início da trilha é também o caminho para o Pico das Agulhas Negras, ou seja, é o mesmo percurso que fiz enquanto voltava da Cachoeira dos Cinco Lagos para o Posto Marcão dois dias antes. Ainda assim, sempre há alguma coisa nova para se ver: um beija-flor azul-esverdeado espetacular que eu não consegui fotografar, borboletas de cores diversas que eu também não consegui fotografar, rochas anteriormente ocultadas pela neblina, as quais eu consegui fotografar, pois permaneceram imóveis o tempo inteiro (também aproveitei para subir em algumas que eu havia ignorado em minha corrida contra o tempo da última vez)... Esta árvore gentilmente segurou esta rocha para que eu pudesse fotografá-la sem dificuldades. Eu continuei andando por mais alguns quilômetros (passei novamente pela ponte de madeira de dois dias atrás, aliás. Eu gostei daquela ponte) até chegar à bifurcação Asa de Hermes/Pedra do Altar. Segundo o mapa que eu tinha em meu bolso, o caminho para a Cachoeira Aiuruoca saía de uma bifurcação pouco antes da Pedra do Altar. Portanto, foi para a Pedra que eu segui. Ao lado da Pedra do Altar, a trilha seguia pela encosta de um monte. Naquela encosta, descansando entre as rochas, eu conheci Elias, um morador de Resende que estava mostrando o parque a dois amigos da capital do Rio de Janeiro. Após dias apreciando a solidão, sem falar com ninguém que não fosse do ICMBio, eu fiquei surpreso ao perceber que eu estava gostando de conversar com outro viajante. Talvez Thoreau estivesse certo: a sociedade transforma os homens em monstros. Alguns dias longe dela e eu me tornei uma pessoa sociável (ou tão sociável quanto sou capaz de ser)! Elias estava descansando por causa do ar rarefeito (ao qual eu ainda não havia me acostumado completamente, devo ressaltar), então ficamos conversando sobre a Parte Baixa do Parque Nacional do Itatiaia, que ele conhecia bem. Mata Atlântica, vários lagos, rios e cachoeiras e fauna em abundância (especialmente macacos) são alguns dos diferenciais da região, que eu ainda pretendo visitar no futuro. Ele me recomendou principalmente a Cachoeira do Escorrega, que é exatamente o que diz o nome: um toboágua natural. Quando eu falei sobre minha viagem, Elias disse que esse tipo de coragem só se tem quando se é jovem e recomendou que eu pedalasse até Angra dos Reis quando tivesse a chance, pois também há uma serra a subir no caminho. Eu continuei meu caminho e, alguns metros adiante, encontrei os amigos de Elias retornando da Pedra do Altar. Conforme este havia dito, ambos haviam ido ao parque sem bagagem alguma, apenas com as roupas no corpo. O mais legal é que a intenção deles era subir o Pico das Agulhas Negras: eles só mudaram de ideia ao descobrirem que era necessário levar equipamentos de escalada para ter permissão de visitar a atração. Os dois me cumprimentaram, perguntaram se eu havia visto Elias e me alertaram sobre a neblina à frente, que realmente estava muito mais espessa do que o que eu havia visto até então. Eu gosto de neblina: o fenômeno é muito frequente na Serra do Mogi e dá um ar de mistério a qualquer lugar. Mas senti falta do céu azul e do sol radiante dos dias anteriores. Depois de alguns metros, encontrei a placa apontando para a Cachoeira Aiuruoca. A partir daí, eu estava num trecho ainda desconhecido por mim. Até a vegetação era diferente, com arbustos altos e algumas flores que eu ainda não via visto. Parecia um jardim. Vários tons diferentes de verde, mas dá para ver flores amarelas e até mesmo algumas avermelhadas perto do solo. Algumas partes da trilha também estavam alagadas. Na verdade, nem havia água o bastante para entrar nas minhas botas, mas o chão estava mole e eu aproveitei a oportunidade para ficar pulando feito um bode, a fim de não ter de reduzir meu passo. Foi neste novo trecho que encontrei a primeira e, até agora, única cobra silvestre que vi na vida (sou da cidade grande. Não me julguem). Na verdade, ela me encontrou: eu apenas ouvi a vegetação se mexendo à minha esquerda e olhei a tempo de ver a cauda dela. Era um animal não muito grande, talvez uns 50-70 cm, e com escamas de um verde meio acinzentado que lembrava muito a cor de algumas espécies de grama do local. Segundo a foto do guia de bolso do parque, não era uma jararaca (jararacas têm um padrão bem distinto em suas escamas e acho que a única subespécie na cor verde é a arbórea, que tem uma cor muito mais viva do que a cobra que eu vi) e nem tampouco uma cascavel (também têm um padrão distinto e não são verdes, além de eu não ter ouvido o som dos guizos que são marca registrada da espécie). Provavelmente não era venenosa, mas decidi continuar a evitar entrar na grama alta só por precaução. Saindo dos "Jardins Alagados do Itatiaia®," deparei-me com o bioma mais incrível até então. Uma região diferente de tudo o que eu havia visto em toda a minha vida. A trilha continuava alagada pelo mesmo curso de água, mas o solo era alaranjado (não parecia areia, entretanto. Era uma terra vermelha desbotada) e a trilha passava entre pequenos "planaltos" de terra escura com cerca de 1,7 m (minha altura. Sim, sou um mochileiro de bolso, sintam-se à vontade para me levarem em suas mochilas ou porta-malas) e cobertos de vegetação no topo. Eu tive a impressão de que a trilha havia sido um rio outrora, antes de a água baixar e transformar-se naquele filete de água que esteve acompanhando a trilha desde os Jardins Alagados do Itatiaia®. Sei lá, não sou geólogo. Imagens valem por mil palavras. Parece até uma versão HD de Final Fantasy IX. Infelizmente, o valor das imagens não me impede de escrever um relato que já passa das 11 mil palavras. Saindo do Rio Seco®, eu cheguei a uma área pantanosa que indicava que eu estava perto da cachoeira. A vegetação era alta (pensando bem, a vegetação é alta em todo o Planalto do Itatiaia. Acho que já passou da hora de eu me habituar a isto) e havia um rio (estava mais para uma nascente) passando entre as muralhas de grama alta e a trilha. Em alguns pontos, o rio cruzava ou até mesmo era a trilha (o que soa como alguma frase de mestre sábio de filmes de kung fu. "Não cluze a tlilha, seja a tlilha!"). Como vocês já devem ter deduzido, eu percorri a maior parte do trajeto pulando de uma margem do rio à outra. Infelizmente, houve um momento em que molhei minhas meias, o que deixou meus pés ensopados e enrugados, o que levou a mais bolhas. Baixa estatura, uma pele delicada demais para o sol e pés que se enchem de bolhas: este relato está fazendo maravilhas por minha imagem de homem viril. Mas poderia ser pior: pelo menos só está faltando eu ser forte e formal. O trecho pantanoso antes de ser dominado pelo rio. O momento em que vocês vão molhar seus pés, independentemente do que façam. E não, não há placas indicando o caminho. Sem sol nem pontos de referência visíveis, eu acabei seguindo pelo caminho errado aqui. Enfim, após vagar um pouco pelo pântano, a trilha saiu do curso do riacho e passou a acompanhar a margem de um rio. E era um rio de verdade, como aquele que eu havia visto na Cachoeira das Flores, com uma correnteza razoavelmente forte e muito mais água do que as nascentes que predominam no Planalto do Itatiaia. Eu não precisava de placas ou mapas para saber que a Cachoeira Aiuruoca estava mais à frente no curso daquele rio. Mesmo com a neblina, a vista era magnífica, com um vale bem largo em cujas paredes várias árvores cresciam. Havia também uma trilha ao lado da cachoeira, mas ela parecia não levar a lugar nenhum. Acho que o mato cresceu e escondeu o caminho para o fundo do vale. Como eu disse antes, a neblina dá um ar misterioso ao lugar. Mas imaginem como deve ser este rio com o céu azul de um dia ensolarado! A Cachoeira Aiuruoca. O abismo tem cerca de 20 metros de altura, mas as pedras são firmes o bastante para uma pessoa parar no meio do rio e tirar fotos. Eu nem pensei em entrar na água desta vez: estava frio demais e o vento estava muito forte. Pelo visto, o curso do rio segue até a Parte Baixa do parque. Pena que eu não tinha um barril. Ou a vontade de me molhar no frio. A trilha ao lado da cachoeira. A vegetação era a mesma do Circuito dos Cinco Lagos, a área mais florida do Planalto do Itatiaia. Sem mais nada a fazer ali, eu decidi fazer o caminho de volta. Como ainda era cedo, eu voltei pelo Circuito dos Cinco Lagos, mas não aconteceu nada interessante no caminho. Se eu não tivesse seguido por este caminho antes, teria vagado para fora da trilha em alguns lugares. Com toda a neblina daquele dia, alguns moledros e estacas de sinalização não eram nem de longe tão visíveis quanto os da foto acima. Como podem ver nesta foto, àquela altitude, a neblina era na verdade uma nuvem. Eu estava literalmente andando nas nuvens. Precisei descer para sair de dentro delas. Parece bobagem, mas é uma coisa muito legal quando você começa a pensar a respeito. Quando eu cheguei ao Posto Marcão, ainda era bem cedo. Registrei minha saída às 15 h 40 min e saí do posto às 15 h 57 min. Chegara o momento de enfrentar aquilo que eu temia desde a noite em que adentrei o território do Parque Nacional do Itatiaia: a descida pela Rodovia das Flores. Felizmente para mim, a Rodovia das Flores era muito mais fácil de se percorrer à luz do dia e sem o cansaço causado pela subida de quatro horas que eu havia feito três dias antes. Os primeiros 3 quilômetros realmente são um saco, mas a estrada fica bem melhor a partir do Km 10, desde que se mantenham os freios acionados. E eu pude ver a paisagem daquele trecho superior da estrada, que era muito bonita. Em alguns pontos, a vegetação tinha um cheiro muito bom que me fazia lembrar daquela barraca de ervas que acho que existe em todas as feiras livres de São Paulo. E eu ainda vi uma formação rochosa na qual eu nunca havia reparado antes: a Pedra do Camelo. Meu terapeuta me disse que eu devo manter distância de uma coisa chamada Teste de Rorschach, mas nunca entendi o porquê. Deve ser porque eu sou fã do Dr. Manhattan. E vejam só, eu acabei de demonstrar que uma imagem pode valer 305 palavras, ao invés das mil que o dito popular nos leva a crer que são necessárias. Saindo da Garganta do Registro e voltando à BR-354, fui recompensado com a melhor parte da cicloviagem: descer os 1670 m de altitude da estrada. Eu não precisei pedalar, mas mesmo assim consegui ultrapassar alguns carros. Acredito que eu tenha chegado a 50 km/h, mas nunca saberei ao certo. Um velocímetro faz falta. Seja como for, eu decidi manter a velocidade dentro dos limites de 40 km/h da rodovia. Para isto, usei como referência um caminhão que descia a estrada lentamente: eu o segui de perto durante um bom tempo, usando os freios para impedir minha aceleração. Mas eu me cansei daquilo depois de uns quinze minutos e continuei a descer como um maníaco normal. Na metade inferior da estrada, num trecho totalmente deserto, encontrei um carcará parado no acostamento. Descansando, talvez? Era um animal magnífico, com o corpo castanho-escuro, a cabeça branca e uma crista preta (ou talvez apenas castanho-escuro). Mas alçou voo antes que eu pudesse sacar meu celular. Na rodovia Presidente Dutra, logo depois de entrar no território do estado de São Paulo, conheci um ciclista chamado Vinícius. Ao saber de minha viagem, ele pediu para tirar uma selfie comigo (na qual eu tive a chance de ver o quão cansado, sujo e, acima de tudo, feliz eu estava) e pedalou comigo em direção ao Graal Estrela, onde eu pretendia passar a noite. Vinícius mora (ou morava; estou demorando tanto para escrever este relato que é possível que o Pico das Agulhas Negras seja nivelado pela ação do tempo antes de eu conseguir publicar esta coisa) em Queluz e tem o hábito de andar de bicicleta pela Dutra, o que explica sua bicicleta speed. Nem preciso dizer que minha mountain bike (ou seria monster bike? Hahaha, adoro piadas infames e trocadilhos prassistas) não atingia a velocidade necessária para acompanhá-lo e eu só consegui ficar perto dele porque ele estava indo devagar para me ajudar. No Graal Estrela, um guarda recomendou que eu jantasse no restaurante Retiro dos Caminhoneiros, que oferecia comida por quilo a preços razoáveis. Segundo ele, os outros restaurantes do posto eram armadilhas para turistas, com preços abusivos pela quantidade oferecida. Eu deveria ter seguido o conselho dele, mas havia um NYC Burger ali e eu estava desesperado por um hambúrguer e um milk-shake. Eu não comia nada doce há dois dias, afinal de contas. Depois do "jantar," eu pedi permissão para acampar no local. Demorou um pouco mais do que nos postos anteriores, mas deu certo no fim. Armei minha barraca num gramado afastado e deixei a bicicleta travada do lado de fora da barraca. Já passava das 20 horas, mas a noite estava muito quente: toda a umidade que eu não consegui tirar da barraca no planalto secou em poucos minutos em Queluz. Depois veio outra chuva e molhou tudo de novo, mas desta vez a barraca estava armada e só precisei estender o sobreteto para impedir que entrasse água. Eu me senti dentro de um forno, mas pelo menos não precisei secar a parte de dentro da barraca no dia seguinte. Custo do Sexto Dia: Jantar___________________ R$ 26,00 TOTAL_________________ R$ 26,00 Distância percorrida: aprox. 44,5 km Tempo de viagem: aprox. 3 horas Velocidade média: aprox. 14,8 km/h Sétimo Dia: 28/12/2015 Fui acordado à 5 h 50 min por um dos guardas, que me perguntou a que horas eu pretendia sair. Embora eu estivesse cansado e apesar do tom amigável do guarda, eu entendi a mensagem e disse que já estava me levantando. [sarcasmo]Espero ansiosamente pela oportunidade de me hospedar novamente no terreno do Graal Estrela.[/sarcasmo] Olhando pelo lado bom, o guarda disse que, se eu precisasse, ele e seus colegas poderiam tentar me ajudar a conseguir o café da manhã. Acho que eles pensaram que eu era um mendigo (com a aparência e o cheiro que eu tinha, não posso culpá-los) e eu pensei seriamente em me aproveitar da situação, mas concluí que não seria nada ético e fui pagar pelo meu café da manhã como um turista normal, mesmo não sendo um (se vocês soubessem a significância desta última frase para mim...). Após um café da manhã reforçado (sanduíche de bauru — embora Bauru estivesse a 550 km de distância (piada nível "é pavê ou pacumê?") — , suco de goiaba e um pedaço razoável de bolo de chocolate), eu saí às 7 h 20 min com a intenção de chegar a São José dos Campos. Não sei se foi pelo clima mais ameno daquela manhã (o sol não estava impiedoso como da última vez em que eu passara pela Dutra), ou se foi pela minha alimentação reforçada nas duas últimas refeições, ou se foi por eu ter me habituado ao ar rarefeito das montanhas, mas eu nunca havia tido tanta energia até então. Eu consegui subir pedalando todas as ladeiras no caminho, atravessei aquele trecho perigoso de meu segundo dia de viagem (sem acostamento, sinuoso e com faixa exclusiva para caminhões à direita) em menos de uma hora e, mesmo com as pausas para pegar água, eu percorri cerca de 160 km no total. Eu até consegui parar num posto por volta da 12 h 30 min para tomar um banho, o que se mostrou um de meus maiores arrependimentos na viagem (R$ 10,00 para usar o chuveiro durante seis minutos e R$ 25,00 pelo shampoo e pelo sabonete? Eu deveria ter aguentado minha imundície um pouco mais). A viagem transcorreu sem dificuldades (bebam outro gole!) até umas 17 h 30 min, quando eu passava por São José dos Campos (sim, eu havia alcançado meu objetivo e agora pretendia ultrapassá-lo). A rodovia passa por dentro da cidade, o que significa que eu teria de entrar nas ruas do município se eu quisesse parar (e eu não queria parar). Ademais, começou a chover justamente enquanto eu passava por um trecho sem acostamento. Havia saídas por toda a parte, com carros entrando a todo o momento. E meus freios já estavam quase completamente gastos, embora na hora eu tivesse pensado que fosse apenas a chuva interferindo na aderência dos v-brakes. A chuva estava forte o bastante para me obrigar a parar debaixo de um viaduto durante uns 20 minutos. Um motociclista morador de São José dos Campos puxou assunto comigo e alertou-me da criminalidade alta na região. Honestamente, se eu desse ouvidos a todo mundo que me alertou sobre o risco de ser assaltado na estrada, eu nunca teria saído de minha casa. Existe perigo em toda a parte, pessoal: não adianta viver a vida com medo. Seja como for, eu me conformei com a chuva e resolvi seguir viagem daquele jeito, mesmo. Infelizmente, a cidade não acabava nunca, o que significava que eu não encontraria um lugar para acampar naquela noite. Eu comecei a ficar de olho nos preços das pousadas, mas dentro da cidade elas eram muito caras (R$ 70,00 ou mais por noite). Depois de algum tempo, cheguei a um posto da Polícia Rodoviária Federal. Eu tinha esperanças de conseguir permissão para montar minha barraca no terreno deles, mas não precisei perguntar para perceber que não daria certo: os Federais eram tão indiferentes quanto funcionários de hospitais públicos. Ao invés disso, perguntei a que distância estava a próxima pousada (eu já estava saindo da área mais urbanizada da cidade). A resposta: três quilômetros, em frente a uma passarela. Apesar da chuva, dos freios e do selim frouxo que se inclinava para trás sempre que eu passava por um buraco ou lombada, eu ainda estava com energia. Os três quilômetros foram percorridos sem dificuldade (outro gole!). Eu atravessei a passarela e cheguei à Pousada da Dutra, no sentido Rio de Janeiro da rodovia. A pousada era agradável. Fui bem atendido e o preço não era ruim (R$ 60,00 por um quarto sem banheiro e com direito a café da manhã, sabonete e toalha). Deixei minha bicicleta num canto não muito longe do quarto e fui tomar banho. Se eu soubesse, nunca teria gasto aquela fortuna pelo banho de seis minutos naquele posto de serviços por onde passei na hora do almoço. Sério, até hoje me arrependo daquilo. Nunca superarei a decepção. O jantar, infelizmente, não estava incluso. Mas valeu a pena: R$ 21,00 por um prato de pedreiro lotado de arroz, feijão, mandioca, cebola e filé de frango, acompanhados de um suco de laranja (um copo de 500 ml, pelo que me lembro). E era uma comida saborosa. Por volta das 22 horas eu fui dormir. Eu tinha o direito de permanecer até o meio-dia, mas pretendia ir embora antes. A Pousada da Dutra fica em Jacareí, o que significava que no dia seguinte eu já estaria em casa. Custo do Sétimo Dia: Café da manhã______________________ R$ 26,59 Banho _____________________________ R$ 10,00 Shampoo e sabonete ________________ R$ 25,00 Doces e sucos no decorrer do dia___ R$ 37,80 Pousada da Dutra + Jantar _________ R$ 81,00 TOTAL_____________________________ R$ 180,39 (e assim, em um único dia, eu desfiz toda a evolução espiritual pela qual eu passara no dia anterior. Mesmo não acreditando em espiritualidade, eu fiquei decepcionado comigo mesmo) Distância percorrida: aprox. 160 km Tempo de viagem: aprox. 12 horas Velocidade média: aprox. 13,3 km/h Oitavo Dia: 29/12/2015 Desta vez, eu acordei às 6 h 30 min. Aproveitei para atualizar o relato de viagem. Depois, fui tomar o café da manhã, que valeu todo o dinheiro gasto até então. A mesa era tão farta que até parecia núcleo rico de novela das oito. Havia uns quatro sabores de sucos, além de café (que eu detesto) e achocolatado (que eu amo mais do que amo minha própria mãe). Também havia bolos, pães, mortadela, presunto, queijos, requeijão, margarina, frutas... Eu comi tudo o que consegui forçar goela abaixo, embora o foco tenha sido nos sucos, mesmo. A maioria dos camelos desidratados bebem menos água do que eu. Às nove da manhã, eu segui viagem. Infelizmente, minha energia do dia anterior havia sido esgotada: eu estava descansado, mas nem de longe tão elétrico quanto antes. Além disso, uma garoa muito chata cobria toda a região de Jacareí e da Grande São Paulo. Como eu nunca passo por uma desgraça sem um fator multiplicador (eu precisaria de um relato de mais de 20 mil palavras só para descrever o quão cagado eu sou), foi então que eu percebi que meus freios estavam gastos, ao invés de apenas afetados pela chuva, como eu pensara no dia anterior. Imagino que as sapatas dos freios não aguentaram a descida da Rodovia das Flores e da BR-354. Assim que a sinalização da Dutra indicou, eu segui por uma saída que levava à rodovia Ayrton Senna, sentido Mogi das Cruzes. Minha intenção era passar por Mogi, Suzano e Itaquaquecetuba para chegar ao bairro paulistano de Itaim Paulista, de onde eu pegaria a ciclovia do Parque Ecológico do Tietê novamente. Fechar a viagem como ela começou, por assim dizer. Muito poético, mas como eu disse anteriormente, sou um sujeito completamente cagado. Em um trecho isolado (sem carros nem construções. Diabos, nem mesmo animais podiam ser vistos ali) da rodovia Ayrton Senna, minha sorte começou a mudar: os freios começaram a funcionar! Entretanto, eu estava me sentindo estranhamente cansado: mesmo para descer ladeiras, eu precisava pedalar com força. E havia um barulho estranho vindo de algum lugar atrás de mim, mas eu não conseguia ver nenhum veículo que pudesse estar emitindo algum som. Foi então que somei dois mais dois e descobri o motivo das três ocorrências: a câmara do pneu traseiro estava murcha. Em minha defesa, eu aceitei o contra-tempo com estoicidade. Normalmente, eu rio histericamente quando algo muito ruim acontece a mim, mas naquela hora eu só estava interessado em seguir viagem, até porque eu já estava morrendo de sede. Eu desmontei da bicicleta e andei pelo acostamento em busca de um posto de serviços. Eu não tinha ideia de quanto faltava para chegar ao próximo posto, então resolvi pedir informações num telefone de emergência que encontrei à frente. O atendente mencionou duas alternativas para mim: um posto de serviços na rodovia, a 25 quilômetros, ou um na cidade, pegando uma saída a 12 quilômetros. Eu agradeci e comecei a andar, tentando desesperadamente me convencer de que 12 quilômetros não era uma distância muito longa. Após caminhar uns dois quilômetros (o que não deve ter levado mais do que 20 minutos, mas eu me sentia como se tivessem sido duas horas), a salvação surgiu. Em um deus ex machina digno das primeiras histórias do personagem Tintin (leiam Tintin na América se quiserem entender a referência), dois ciclistas voltando de Aparecida passaram por mim e me cumprimentaram. Eu perguntei se alguém poderia me emprestar uma bomba e eles pararam para me ajudar. Para minha tristeza, eles descobriram que minha câmara estava furada. Um corte bem na base do pino de entrada de ar, impossível de remendar. Mas um dos dois ciclistas (eu nunca peguei o nome deles; eu realmente preciso desenvolver minhas habilidades sociais) tinha uma câmara reserva e simplesmente a deu a mim, sem exigir absolutamente nada em troca. Eu até tentei pegar o telefone dele para poder pagá-lo quando eu chegasse em casa, mas ele não queria nem falar em pagamento. Eu mal consegui acreditar em minha sorte. Além disso, os dois ensinaram-me a trocar a câmara (eu tinha as ferramentas, mas nunca havia feito aquilo antes. Não é nenhum bicho-de-sete-cabeças, mas é muito melhor aprender com quem já sabe como se faz) e, nesse meio tempo, um terceiro ciclista passou por nós (um que eu havia cumprimentado horas antes, ainda na rodovia Presidente Dutra) e também nos ajudou. Terminada a manutenção, nós nos despedimos e seguimos viagem (na mesma direção, mas minha bicicleta é uma mountain bike, lembram? Parece que o Brasil inteiro prefere os modelos speed, então eu sempre fico para trás), mas não sem antes eu ganhar dois adesivos de reparo de câmara daquele terceiro ciclista que havia nos ajudado. A partir daí, eu continuei meu caminho sem problemas (mais um gole!) até chegar em Itaquaquecetuba. A não ser que as estradas de Suzano e Itaquá possam ser consideradas problemas (podem, sim). Ou a chuva repentina que caiu enquanto eu passava por ambos os municípios, atrapalhando minha visão enquanto eu tentava pedalar sem freios pelas ruas sinuosas e cheias de ladeiras e lombadas. Pensando melhor, acho que não foi totalmente sem problemas. Mas tudo bem: as adversidades foram algumas das melhores partes da aventura. Infelizmente, minha jornada teve um final triste. A meros 33 quilômetros de minha casa, ainda no território de Itaquaquecetuba, eu parei em um posto para pedir informações. Um dos frentistas percebeu que o pneu traseiro de minha bicicleta estava murcho. Eu pensei que seria algo simples de resolver, já que havia um calibrador de pneus naquele mesmo posto. Mas descobri que o pino da câmara que eu ganhara era diferente do padrão usado por automóveis e pelas câmaras que vieram com minha bicicleta: a tampa que era um tipo de parafuso que não saía completamente e não se encaixava no calibrador do posto. Para piorar, quando tentei abrí-la, o ar que restava na câmara escapou, o que me fez pensar que talvez eu não a tivesse tampado direito desde o início e foi isto que fez com que ela murchasse. Mas nunca saberei ao certo. Eu tentei ir a uma borracharia ao lado do posto, mas eles só trabalhavam com pneus de carros. Numa última tentativa, um frentista encontrou uma bomba na garagem de troca de óleo cuja mangueira se encaixava perfeitamente no pino da minha nova câmara. No entanto, descobrimos tarde demais que aquela bomba liberava ar em grandes quantidades: assim que a encostamos no pino da câmara, esta arrebentou-se como um balão. Desta vez eu ri, embora não de maneira histérica. Minha bicicleta ao final da aventura. Até hoje me sinto culpado por ter estragado a câmara que ganhei. Isto é que é cuspir no prato em que se come. Já dizia o alegre Caetano Veloso com seu ritmo contagiante (é claro que estou sendo sarcástico): Terra... Terraaa... Minha primeira ideia para terminar a viagem foi voltar até Suzano (que não estava muito longe) e pegar o trem da Linha 11 da CPTM, mas eu estava sem Bilhete Único e não queria sacar dinheiro. Além disso, era uma terça-feira, o que significava que eu só poderia entrar no trem com a bicicleta após as 20 horas. Os frentistas sugeriram que eu seguisse até a estação mesmo assim, pois havia uma bicicletaria na região. Mas eu já estava cansado de carregar a bicicleta e já havia gasto muito mais dinheiro do que queria, então apelei para um último deus ex machina: meu pai. Meu pai mora em Rio Grande da Serra, um município que muitos mochileiros paulistanos devem conhecer (de fato, ele mora numa rua quase no limite da região urbanizada da cidade, ou seja, a cerca de meia hora de caminhada da entrada da famosa — e ilegal — Trilha da Cachoeira da Fumaça de Paranapiacaba). Fica ao lado de Suzano, o que significa que ele estava relativamente perto do Posto Itaquano, onde eu estava esperando. Como ele possui um carro e estava de férias naquele dia, eu resolvi usar o que restava da bateria de meu celular para telefonar para ele. E foi assim que eu terminei minha viagem: um derrotado. Mas um derrotado feliz, mais feliz do que muitos vencedores. Meu maior arrependimento foi ter que voltar para casa e para a velha rotina capitalista à qual estou preso até hoje. Pois é, minha história tem um final triste. O que vocês esperavam de um relato cuja primeira imagem é uma captura de tela da série Game of Thrones? Custo do Oitavo Dia: Bebidas (uma parada em Suzano)_______ R$ 15,50 Sundae (enquanto esperava por meu pai)____ R$ 3,50 TOTAL____________________________ R$ 19,00 Distância percorrida: aprox. 75 km Tempo de viagem: aprox. 5,5 horas Velocidade média: aprox. 13,6 km/h Custo Total da Viagem: Bicicleta e acessórios_______ R$ 1.107,06 Dia 1______________________ R$ 82,30 Dia 2______________________ R$ 95,88 Dia 3______________________ R$ 33,00 Dia 4______________________ R$ 30,00 Dia 6______________________ R$ 26,00 Dia 7_____________________ R$ 180,39 Dia 8______________________ R$ 19,00 TOTAL_________________ R$ 1.573,63 Considerações Finais - Levem shampoo, chinelos e sabonete de casa. - Comprem o máximo de barras de cereais e amendoins (energia é essencial numa viagem dessas) que puderem e evitem gastar dinheiro com comida na estrada. Sugestão: estabeleçam um limite diário de gasto que seja suficiente apenas para uma refeição reforçada por dia. É o que pretendo fazer da próxima vez. - Mesmo que não estejam com sede, SEMPRE parem nos postos de gasolina para beber o máximo de água que conseguirem. Sério, às vezes a próxima parada está a horas de distância e a sede vem no meio do caminho. - Eu não encontrei um lugar para encaixar esta informação no relato, mas antes de eu pegar a rodovia Ayrton Senna, quando eu passava por Guararema, um segundo carcará voou sobre minha cabeça a uma altitude de uns 3 metros. - Apesar de eu ter incentivado um jogo de beber com base em meu relato, eu não bebo. Nunca consegui apreciar o sabor repulsivo do álcool. - Levem câmaras reserva, bomba, adesivos para câmaras, enfim, tudo o que é necessário para consertar/trocar pneus furados. FATO CURIOSO: uns dois meses depois, enquanto eu chegava ao trabalho de bicicleta, a câmara traseira estourou novamente. Eu estava a uns 2,5 quilômetros de distância de meu local de trabalho, mas à noite tive de voltar para casa a pé o caminho inteiro. A distância entre meu trabalho e minha casa? Exatos 20 quilômetros, segundo o Google Maps. Façam as contas: parece que era meu destino percorrer aqueles 25 quilômetros carregando minha bicicleta com a câmara furada. Nem preciso dizer que, desde então, eu comprei uma bomba e uma câmara reserva e eu sempre as carrego em meu alforje. Acima de tudo, se vocês estiverem pensando em fazer uma viagem do tipo, parem de pensar e apenas façam. - É arriscado? Sem dúvidas, mas tudo na vida é arriscado: não faz sentido viver com medo, até porque isso não é viver. Como podem ler no relato acima, eu não tive problemas com criminosos (exceto pelas práticas criminosas de comércio dos restaurantes de estrada), não caí da bicicleta uma única vez, mesmo estando há uns dez ou onze anos sem praticar (eu me distraí e fui parar no gramado além do acostamento umas três ou quatro vezes, mas consegui frear e me recuperar em todas as ocasiões) e não tive problemas para achar um lugar para dormir em nenhum momento (a pousada foi um capricho estúpido do qual eu me também arrependo até hoje. Eu deveria ter pedalado um pouco mais e enfrentado a chuva). - Nenhum de seus amigos quer ir? Problema deles. Admito que sou antissocial e realmente estava precisando de um pouco de paz nas férias, mas sempre havia a oportunidade de trocar histórias com os ciclistas que passavam pela Dutra e os turistas e trabalhadores dos postos de serviços. Há mais de 7 bilhões de pessoas no mundo: a não ser que vocês se enfiem no mato por três dias, nunca estarão completamente sozinhos. - É cansativo? Honestamente, quem estiver preocupado com isso nem deveria pensar em viajar. Fiquem em casa assistindo séries: eu considero isso uma forma perfeitamente válida de passar as férias. As duas melhores coisas no mundo são descansar e ficar cansado, afinal de contas. Eu ainda estou pensando a respeito de minha próxima viagem. Minha ideia original era conhecer o PETAR, mas descobri que é proibido entrar nas cavernas sem o acompanhamento de um guia, o que acaba totalmente com a aventura para mim (o desconhecido, lembram? É importante para mim). Depois pensei em ir ao Pico dos Marins. Agora estou pensando em ir à Serra do Cipó, que possui trilhas onde se pode andar de bicicleta. O único porém é a distância: é possível que, devido ao tempo curto de férias que eu recebo em meu emprego atual, eu tenha de voltar antes de chegar ao destino. Mas a própria viagem pode valer a pena, mesmo que eu não consiga sair da estrada. Sei lá, até dezembro eu pensarei em uma aventura interessante o bastante. Talvez eu siga o conselho de Elias e vá a Angra dos Reis. Ou não. Aceito sugestões. Para ver todas as fotos que eu consegui tirar antes de a bateria de minha câmera acabar, sigam o link abaixo para visualizar meu álbum no Facebook. As fotos estão com as cores originais, bem menos interessantes do que as versões publicadas neste relato. https://www.facebook.com/lucas.leite.1000/media_set?set=a.1033838183324396.1073741832.100000946730155&type=3
  14. Marmelópolis é um município que está situado na Serra da Mantiqueira, sul das Minas Gerais. Fica bem próximo da região de Itajubá. Lá eu acampei no Camping e Pousada do Maeda, que, assim com toda a paisagem do local, é uma pessoa incrível, com vasta história no Montanhismo. Aqui vou relatar um pouco de como foi esses quatro dias de viagem, sempre me locomovendo de ônibus ou a pé, passando por lugares magníficos, vivenciando aventuras na mata atlântica, cachoeiras, picos e trilhas! Essa região por bem dizer era um sonho a ser realizado, na verdade a intenção foi sempre o Pico dos Marins (2420m), mas por uma questão de logística e de reconhecimento do local, preferi fazer o Pico do Marinzinho (2432m) e lá de cima poder avistar o Pico dos Marins bem ao lado. Sim, já o fitando pra uma futura caminhada... "O que vocês diriam dessa coisa Que não dá mais pé? O que vocês fariam pra sair desta maré? O que era sonho vira terra Quem vai ser o primeiro a me responder? Sair desta cidade ter a vida onde ela é Subir novas montanhas diamantes procurar No fim da estrada e da poeira Um rio com seus frutos me alimentar" Dia 1: Ônibus, esperas, ônibus, "Seu Maeda, vê se me escuta"... Antes de mais nada, vale frisar que a citação da letra 'Saídas e Bandeiras' foi entendido por mim não como uma reverência aos bandeirantes, mas ao contrario, pois ao invés de entrada é saída. Não tenho a intenção de fazer o mesmo que a história "oficial" diz, que fica a cultuar e honrar esses bandidos assassinos. Era um domingo de abril e embarquei as 07h00 sentido Itajubá, num ônibus da empresa Santa Cruz, que nesse horário tinha apenas o executivo. O custo foi de R$60,00. Esse busão deu um rolê considerável, fez umas três paradas, só vi a primeira que foi em Bragança Paulista. Nas outras paradas eu estava capotado no sono. Deu meio dia, e cheguei na rodoviária de Itajubá, de lá era a vez de embarcar num ônibus pra Marmelópolis. No site dizia que de domingo só teria as 17h30 pela empresa São José, sendo que nos outros dias tinha o das 15h30. Mas foi isso mesmo, tive que esperar até as 17h30, mas sem erro, faz parte. Era sinal que eu teria mais tempo pra almoçar, ler um livro e por que não tomar umas brejas? Assim o tempo passou rápido. Sei que as 19h00 eu estava no centro de Marmelópolis, foi hora de estender o mapa e seguir rumo ao Maeda, no breu, uma escuridão na estrada. Lá fui eu. Da igreja matriz, segui à direita passando pela pousada das flores. Com a lanterna do celular acessa, segui o caminho que começou com uma subida. O trajeto do centro de Marmelópolis até a pousada do Maeda tem em torno de 7km, estava um friozinho, mas logo tive que abandonar a blusa na mochila e secar o suor que escorria no rosto. O caminho que fiz vou deixar evidenciado na foto (27), quem tiver de carro tem placas indicativas desde o centro colocadas pelo seu Maeda. Na real, tudo que está sinalizado de pontos turísticos no Município foi ele quem fez, mostrando quem realmente promove o turismo na cidade. Deu vinte minutos de caminhada e um susto! Em meio ao escuro fiz o gesto de olhar pra cima. Fiquei 'espantado' com a quantidade de estrelas que avistei no céu. Tinha muita estrela, não chegava a iluminar a estrada de terra, mas com certeza não daria pra contar de jeito nenhum. Estrela demais, uma baita noite linda. As 20h20, cheguei na pousada do Maeda e me deparei com as luzes apagadas. Tinha apenas uma luz ao fundo acessa e por isso me fez chamar e gritar por uns 40 minutos e nada. "Boa noite!!!", "É o Carlos que vai acampar", "Olha o portão, boa noite", "Seu Maeda vê se me escuta"... Gritava e nada. Nesse momento eu percebi a bateria do celular acabando, desliguei por um momento e o escuro tomou conta, não dava pra ver nada. Eu já logo pensei, "Pronto, tô começando bem". Mas quando se está numa viagem, imprevistos podem acontecer e é necessário improvisar as vezes. Passei na pousada do Dijalma, que fica ao lado, mas parece que não tinha ninguém. O improviso foi a de montar a barraca por ali mesmo e dormir. Não dava pra acampar na frente do portão do Maeda, pois tinha muita formiga, que inclusive subiram nas minhas pernas e só fui perceber depois das dores. Então, para aproveitar o restante da bateria do celular, tirei as coisas da mochila e montei a barraca mais a frente... Foi aí que uma luz acendeu. Sim, era o seu Hideki Maeda no portão, "Esta hora, Carlos?" Dei risada e expliquei o horário do busão, que até então no nosso contato por telefone pensávamos que sairia as 15h30 e então eu chegaria mais cedo. Como foi anoitecendo, ele pensou que era algum tipo de trote. Uma pessoa ir sozinha, na caminhada, e num domingo, realmente não é muito comum. O importante é que deu tudo certo nesse dia, ainda jantei e pude ser muito bem recepcionado pelos Maeda. Quem diria que um vizinho pudesse ligar pro Maeda avisando que tinha gente gritando. Ufa, salvou! Dia 2: Pico do Marinzinho, bate-volta e autoguiado Acordei bem cedo, um friozinho ainda pairava dentro da barraca, que estava bastante úmida na parte interna. O café da manhã estava marcado pras 07:00 horas e foi enquanto eu me alimentava que o seu Maeda deu as últimas informações, contou algumas de suas histórias no montanhismo, e disse que seria uma subida tranquila. Me entregou um mapa e uma capa de chuva, item que eu havia esquecido de levar. Mostrei meu roteiro e os mapas que eu tinha em mãos e também alguns relatos sobre o Marinzinho e sua pousada. Ele leu tudo se mostrando bastante curioso ao que se tem disponível sobre sua pousada na internet. As 07h45, eu já estava com o pé na estrada, pronto pra um bate-volta 'Pico do Marinzinho x Camping Maeda'. A intenção era subir direto e na volta passar pela Pedra Montada. Em 35 minutos, cheguei na cerca que delimitava a reserva particular (RPPN Terra da Pedra Montada), e a partir desse ponto não se passa carro nem moto. A trilha continuou ainda bem larga, mostrando que ali fora uma estrada, estrada essa criada a mando de um prefeito jipeiro pra chegar até a Pedra Montada. Hoje em dia está em desuso e tem trechos bem erodidos, mas parece que tem um projeto de asfaltar essa parte no sentido de facilitar o turismo local. Por ora, quem alimenta a estrutura turística daquela região é o seu Maeda. E uma dica que dou: quem não tem muita experiência consegue fazer essa trilha. É só estar com a segurança básica, ter vontade e um certo condicionamento pra chegar no topo. De resto tá tudo muito bem sinalizado, sendo uma subida autoguiada. Tem trecho com cerca de arame farpado pra ninguém se perder, e as placas características e com o 'selo Maeda', estão por todo lado onde se é necessário informar a direção. Peguei um tempo excelente, e isso fez com que a minha caminhada passasse voando. Não tem nada de andança monótona, foi tudo sempre com um visual esplendido à minha direita e na esquerda, depois de um tempo, eu conseguia avistar o meu destino do dia. Depois que passei pelo trecho da Pedra Montada a trilha foi se fechando na mata, tudo estava bem demarcado, mas vira e mexe eu tinha que me agachar pra passar. Após menos de 2 horas cheguei no mirante São Pedro, quem tem 2135 metros de altitude. Ali fiz uma parada pra comer algo, beber água e recompor as energias. Dali pro Marinzinho faltava 1 hora, sendo que o estilo da trilha mudaria um pouco, seria mais rocha e tendo que fazer escalaminhada. A partir de então começou a ficar mais puxado, sorte que minha mochila tava leve, o que pesava mais eram os 4 litros de água que eu tava carregando. Com um clima agradável a caminhada ficava sussa, apenas tive que prestar bastante atenção em cada passo, assim diminuí o risco de qualquer tipo de acidente. No geral, o silêncio da mata imperava, quando os pássaros voavam, dava pra escutar o barulho das asas de muitos deles que passavam bem perto. Era uma segunda-feira e não encontrei um ser humano sequer na trilha, e nem quando eu estava já no topo do Marinzinho e admirando o Pico dos Marins, não vi ninguém subindo. Faltando pouco pra chegar no topo, o tempo fechou e todo o visual que eu tinha, nesse momento só via nuvens. Isso não atrapalhou minha navegação, pois as marcações eram constantes e também tinha cordas amarradas pra ajudar na escalaminhada em trechos mais difíceis. E foi por volta das 11h35 que estacionei no topo do Marinzinho. Todo o esforço compensado, o tempo abria aos poucos e formava uma paisagem impressionante. O cenário mudava tão rapidamente que ficava até difícil captar tudo. Depois de uns vinte minutos, a situação se estabilizou e por sorte minha com uma visão aberta pra diversas cidades, o Pico do Itaguaré, o Pico dos Marins e outras montanhas mais ao fundo. Show! Coloquei a blusa, pois ventava muito. Comi meu lanche e descansei um pouco. Lógico que tirei várias fotos, mas para além disso fiquei contemplando bastante a natureza para que eu pudesse carregar memórias assim como nas fotos... Pra descer foi tranquilo, tive um escorregão que me deixou mais atento e não baixar a guarda na segurança. Exigiu mais dos joelhos, mas foi de boa. Passei na Pedra Montada e foi onde vi o ponto de Água, que me pareceu ser o único da trilha. Lembrando que esse trecho da água também estava sinalizado. Percebi que o ideal é subir pra ver o pôr e o nascer do sol, mas seria necessário acampar lá em cima. Então, que fique pra uma próxima rs. Já na pousada do Maeda, caiu a ficha do rolê que eu fiz, fiquei bastante contente, tinha dado tudo certo até então, e parti direto pro banho. Deitei um pouco na barraca e as 19h00 era hora da janta. Pensa numa janta farta, comida bem diversa, uma mistura de mineira com chinesa e japonesa. Foi cobrado o valor de R$30,00, já com refrigerante incluso, salada e frutas. O valor do camping com café R$40,00; sem o café é R$30,00 a diária. Para informações sobre o Camping segue Contatos: https://pt-br.facebook.com/marmelopolispousadamaeda/ http://pousadaecampingmaedasuldeminas.blogspot.com.br/ Os dias 3 e 4 da viagem deixarei pra próxima postagem. Aguardem... Até mais! Fotos:
  15. @Luka Izzo Parabéns pelo excelente texto.você é show! Subir a montanha já com seu amor não tem preço. Um dos momentos mágicos da nossa vida (casal100) foi ter conseguido subir a nossa primeira difícil montanha, o pico dos Marins, vivenciamos naqueles minutinhos no topo, algo impossível de descrever em palavras. Foram raros momentos nas nossas vidas que sentimos tanto AMOR! Inexplicável. Somente quem chegou a algum topo pode explicar aquela sensação.
  16. A primeira vez que fiz o Pico dos Marins, cheguei lá em cima arrebentado e com a língua de fora. Exausto, olhei ao lado e encontrei com um montanhista de 72 anos, tranquilo já preparando para descer..... Vixi.... tadinho de mim! kkkkkkkkkk
  17. E m caminhadas anteriores pela Serra Fina (SF), ralando pelo Paiolinho ou suando pela Toca do Lobo, com frequência vinha à mente uma ideia meio masoquista, e visionária: por que não fazer uma caminhada que somasse a tradicional travessia Toca do Lobo/Sitio do Pierre com ataques aos Picos de maior destaque no entorno? Seria uma forma de ver essas montanhas de ângulos diferentes... Conhecer mais da SF, deixar pegadas em sítios históricos, observar a geologia e a vegetação em pontos menos afeitos à maioria dos caminhantes... Ou seja: uma chance de se arrastar a montanhas menos frequentadas, mais ermas e não menos belas que as da rota tradicional. Toca do Lobo – Quartizito-Capim Amarelo-Melano-PM-Cupim de Boi-Três Estados- Alto dos Ivos- Sitio do Pierre. Essa ideia, com certeza passou pela cabeça de muitos outros montanhistas, e aos poucos o plano foi se desenhando: faríamos a Travessia em um feriado, na temporada de montanha (nada de dar muita margem ao clima inóspito daquelas plagas) e nos condicionamos a fazê-la no prazo normal da travessia clássica: 4 (quatro) dias, com 3 (três) noites na serra. Em conversas anteriores, alguns já haviam se pronunciado pelo interesse na empreitada, com as restrições de compromissos profissionais, médicos, familiares, etc., o grupo tinha 4 (quatro) integrantes com agenda disponível para o feriado de 31/05/2018: Eu, que vos escrevo (Rogério Alexandre), o Rodrigo Oliveira, o Douglas Garcia, e o Marinaldo Bruno. E eis que surge a Greve dos Caminhoneiros, que com reivindicações justas, nos levou a um ponto de inflexão: manter a data ou postergar? Pesadas as opções, adotou-se a contingência de irmos de ônibus e compramos passagens para P4. Com as datas de retorno disponíveis, o Rodrigo não poderia participar. Ficamos no aguardo, na torcida pelo melhor desenlace da greve dos caminhoneiros e o retorno ao abastecimento de combustíveis nos postos, condição que se impunha para a participação do Rodrigo na empreitada. Na manhã de quarta, veio a boa notícia: carro abastecido! Corremos com últimos preparativos: lanches, verificar bateria do GPS, cancelar as passagens e retirar qualquer grama a mais das cargueiras, etc. Nesse dia, na ânsia de aproveitar ao máximo a folga e fazer uma reserva de energia, abusei um pouco da alimentação: sanduiche de mortadela, milho verde com manteiga, almoço de mãe, ceviche de pescada e lula. Esse abuso teria consequências no meu desempenho na pernada, rs. Escrito por Rogério Alexandre com revisão do restante do time, uma pequena noção e, que palavra nenhuma explicaria, o que foi essa aventura! Primeiro dia: C hegamos em Passa Quatro às 20h30 e depois de procurar um pouco, encontramos a casa da Patrícia, onde guardamos o carro, separamos o que ficaria para uso na volta a SP, colocamos as cargueiras na Pajero dela e pegamos estrada, às 21h de quarta (véspera do feriado), para o ponto próximo da Toca do Lobo. Vestimos as cargueiras, nossas companheiras de relação amor e ódio pelos próximos 4 (quatro) dias, fizemos os últimos ajustes e nos colocamos a andar pela antiga estradinha que leva a Toca do Lobo. Ali fizemos as primeiras fotos, à luz das lanternas, nos hidratamos e nos abastecemos da água necessária para alcançar o Quartizito, onde faríamos a primeira recarga maior de água. Nesse trecho, bastou-nos um litro por cabeça, já que faríamos a ascensão mais leves e na madrugada, o que ajuda em muito no menor consumo de água. Como planejado, pontualmente às 22h, partimos em busca do primeiro cume da travessia: Cume do Cruzeiro. A subida começa relativamente íngreme, nos alertando para o que nos esperava. Vamos em passo normal, poupando forças para a longa jornada. Em pouco tempo saímos da mata e começamos a curtir mais a caminhada, apreciando a beleza da Serra, os contornos da crista que iríamos subir, que iluminados pela lua cheia, pareciam nos desafiar. Para o Rogério a caminhada tinha uma complicação adicional: para não utilizar a lente de contato por um período longo demais, decidiu utilizar óculos durante a noite, e só colocar a lente com o dia já claro. Até aí nada demais, se a joça dos óculos não teimasse em ficar embaçando a cada pouco, fazendo com que, ele alternasse em caminhar sob uma “neblina” particular, que só ele via, tateando com os pés em algumas passagens ou parar a cada pouco para limpar a lente dos óculos. Era trabalho de Sísifo: bastava desembaçar para o processo de enevoar recomeçar, principalmente nas partes menos expostas à gélida brisa noturna. Apesar de aborrecer um pouco, ainda surgiria uma dificuldade para se somar com essa, e que faria com que ele deixasse de “puxar” o grupo e passasse a ser o “cerra fila”, decorrente da sua gula durante a preparação para a travessia. Voltamos a essa questão mais adiante. Alcançamos a crista e seguimos subindo buscando o Quartizito e seu ponto de água, tementes quanto à disponibilidade, pois da presença de água ali possuíamos apenas relatos, já que sempre passamos naquele trecho já abastecidos de água. Os temores se mostraram infundados, e depois de descer uma pirambeira, pudemos completar o abastecimento para a caminhada até a base da PM, onde sabíamos encontrar água para o primeiro pernoite, na nascente do Rio Claro. Subimos o Quartizito, no escorregar clássico da montanha que parece se desmanchar em pedriscos aos nossos pés e, à meia noite alcançamos seu cume e iniciamos a descida para o ombro por onde faríamos a longa subida do Capim Amarelo, ansiosos pelos trechos com cordas que noticiam a proximidade do cume. Um detalhe sobre a subida do Capim Amarelo merece registro: esse trecho é um dos que, para os que o percorrem pela primeira vez, testa a determinação do montanhista. A cada falso cume, têm-se que redobrar a disposição, diante da descoberta de que o almejado cume ainda não chegou; são vários os falsos cumes, então, haja determinação para não esmorecer. Sabedores disso, vamos subindo procurando não pensar muito nisso, curtindo a pernada, o visual da Serra Fina ao luar ajudando a dispensar os pensamentos. Alcançamos o terceiro cume da nossa travessia às 2h30min da madrugada. Fizemos uma pausa maior para recuperar o folego, registramos a passagem no livro de cume e, tentando não perturbar os colegas que descansavam acampados ao lado do livro, comemoramos a primeira etapa. Partimos para a descida do Capim Amarelo, pouco antes das 3h da madrugada, atentos para não desviar da trilha correta, que segue bem à esquerda. Nesse trecho, há uma trilha muito marcada, porém errada, pouco à direita da trilha correta, que termina em uma grota, e que expõe os muitos que a tomam, ao desgaste do retornar trepando por raízes e pedras, no mínimo. A necessidade de se escalaminhar para corrigir a descida errada explica que ela esteja mais clara do que a trilha correta, já que, com o erro, você desce e sobe ela, como já o fiz noutra pernada. Mais tarde ficaríamos sabendo que um ou dois “ponteiros”, supondo sermos de empresa concorrente, na ânsia de nos alcançar, acabaram por cair nessa grota. Felizmente, nada de mais grave ocorreu, visto que, pouco além da grota, há um precipício de uns 30 (trinta) metros, no mínimo. Na descida, o Rogério encontrou um isolante perdido, certamente subtraído pelos bambus que insistem em retirar qualquer objeto que esteja fora da mochila (em sua travessia anterior - Casa de Pedra-Tijuco Preto-PM-Paiolinho- acontecera com ele... A estrutura de sua barraca ficou pelo caminho, e o colocava numa situação nada agradável... Felizmente, um montanhista amigo encontrou e o livrou de um belo perrengue). Agora seria sua vez de retornar ao Universo a boa energia. Não pensou duas vezes, e passou a levar o isolante nas mãos, para prendê-lo na cargueira quando alcançássemos o Maracanã, onde faríamos uma breve parada, se o dono não estivesse por ali mesmo. No Maracanã, haviam duas barracas e apesar do avançado da hora, 4h30min, achamos por bem, perguntar se o dono do isolante perdido estava ali... Foi um reencontro emocionante, rsrs... Nada como uma madrugada gélida para curar mágoas. Nesse momento as tripas do Rogério começaram a alardear que ele havia sido, no mínimo, ousado demais em comer de tudo um pouco durante o dia. O desconforto se avolumava e a necessidade de encontrar um ponto afastado da trilha para cavar uma fossa emergencial se fazia cada vez mais urgente. Seria sua sina pelos próximos quilômetros, deixar a pazinha, o papel e o lenço de fácil acesso. Ele procurava levar com bom humor a desagradável questão, considerando, que pelo menos, precisava carregar menos peso, a cada fuga para alijar parte da carga que ele carregava e que seu corpo não curtia. No plano, sem mochila, e com as facilidades da vida moderna, a questão já é delicada... Imagine subindo montanha, meio que às cegas, com cargueira de 15 (quinze) kg, a atenção que se dispensava para os sinais do seu corpo, tornara o caso tragicômico. Tocamos em frente, e pouco depois do nascer do sol estávamos andando na crista do Melano, no sobe e desce típico de crista de serra, perdendo altitude até alcançar a Cachoeira Vermelha às 9h da matina. Animados com o rápido progresso até ali, guardamos as cargueiras e partimos para o ataque ao Pico do Tartarugão, passando pela crista do Tartaruguinha. Não encontramos muitas referências para atravessar os trechos de capim, então fomos no bom e velho vara-mato até a base e subimos em ziguezague em duas duplas, para reduzir a chance de uma pedra solta acertar alguém. Alcançamos o cume do Pico do Tartarugão às 10h30min. Fizemos uma breve pausa para a manutenção do tubo de cume, fazer os devidos registros no livro, fotos e caminhadas pelo topo da montanha e começamos a descida, retomando as cargueiras na Cachoeira Vermelha e partindo para reabastecer o inventário de água no Rio Claro, ao pé da Pedra da Mina (PM). Aproveitamos para nos fartar de água e tocamos para a última subida do dia, chegando no alto da PM às 13h30min... O cume estava estranhamente vazio para um feriado prolongado, talvez consequência da crise no abastecimento de combustíveis. Escolhemos os melhores lugares, substituímos o livro de cume por um novo e, também deixando um reserva, uma vez que o anterior, iniciado em 03/02/2018 estava completo, registrando nosso progresso no novo livro, preparamos a primeira refeição da trilha e ficamos curtindo o visual. Conforme entardecia, esfriava e se formava a costumeira neblina na região, começamos a ficar um pouco apreensivos com o Adilson Cypriano que subia com outro grupo pelo Paiolinho e que não havia chegado ainda, chegando a considerar descer até a base da pedra, pelo caminho de quem vem pelo Paiolinho para verificar se estavam acampados na base, mas o cansaço e a confiança na capacidade do nosso amigo nos levaram a abandonar a ideia. Foram diversos gritos de “Adiiiiiiiilsoonnnnnnnnn” que marcaram o fim de tarde na Pedra da Mina, todos sem resposta perceptível. Conjecturamos sobre a pertinência de algum tipo de sinal sonoro com apitos, que permitisse a comunicação em distância maiores e ficamos de buscar possíveis códigos. Nos recolhemos cedo, para recuperar as forças para a pernada do dia seguinte, que prometia ser ainda mais pesada. Segundo dia: N a madrugada, descobrimos que o grupo do Adilson havia chegado pouco após o anoitecer e acampado próximo de nós. Apesar de ser uma rota muito mais curta que a pernada que havíamos feito desde a Toca do Lobo, a subida da PM, via Paiolinho é bastante exigente devido às subidas do Deus-Me-Livre e da Misericórdia, bastante íngremes e que tem que ser vencidas com as cargueiras carregadas. Felizes e aliviados com o reencontro, fizemos planos de atacar o Ruah Maior com ele, na tardinha do segundo dia, marcando encontro no alto do Pico do Avião, 15h. Levantamos cedo, 5h da madrugada e ficamos curtindo a alvorada e o nascer do sol, enquanto preparávamos as mochilas de ataque para as investidas do dia. Apesar de ser de ataque, as mochilas não estavam particularmente leves, pois, além da água e do mínimo para um eventual perrengue (casacos, kit de 1º socorros, lanches e petiscos para o dia), levamos os tubos de cume para serem instalados nos picos dos Camelos e os cadernos para reposição dos livros de cume, caso necessário. Um pouco tarde, mas refeitos do cansaço da véspera e tendo curtido o nascer do sol com calma, às 7h40min começamos a descida da PM pela rota da travessia tradicional, porém nosso primeiro destino era o Ruah Menor, de forma que, na bifurcação para a subida ao Pico do Avião, deixamos a trilha e passamos a seguir pela encosta, através das lajes de pedra e curtos vara-matos até alcançar o ponto onde nos parecia mais viável atravessar o Vale do Ruah para iniciar a subida. Nesse ponto é justo o registro de que, trilhávamos, se não nas exatas pegadas, no rumo aproximado que os amigos montanhistas Adilson Cypriano, Douglas Garcia e João Siqueira haviam desbravado em pernadas anteriores, quando em (29/07/2017) instalaram o Tubo de Cume no alto do Ruah Menor (ou Ruah Leste). Bom, uma ressalva é que na Serra Fina, “desbravado” não quer dizer “manso”, então tivemos nossa cota de vara-mato para alcançar a base do Ruah Menor e mesmo na subida, o que nos consumiu quase uma hora para avançarmos poucos metros. Chegamos ao cume às 9h30min, fizemos os registros devidos, observando que, desde a instalação no ano anterior, nenhum outro montanhista anotou sua passagem por aquelas plagas, algumas fotos de um ângulo diferente da PM e dos arredores, estudamos um pouco os próximos passos enquanto lanchávamos e começamos a descida, agora buscando nos aproximar do colo entre o Pico do Avião e o Primeiro dos Camelos. Nova seção de vara-mato; porém o estudo feito a partir do Ruah Menor se mostrou bastante preciso, e em “pouco” tempo estávamos escalaminhando as lajes de pedra do Pico de Avião, tendo passado pela famosa lata de sardinha deixada por alguém para marcar o caminho. O avançado estado de corrosão da lata indica que deve estar lá há pelo menos um par de anos, talvez mais. Quando alcançamos o colo entre os Picos do Avião e Camelos 1 (um), passamos a descer para buscar o acesso ao Camelos 1 (um), que por ter poucos trechos de vara-mato foi alcançado com relativa facilidade. A partir daí bastou “tocar para cima” até o Cume, alcançado às 11h. Nesse Cume não paramos para descansar, preferimos tocar para o Camelo 2 (dois), para recuperar um pouco do tempo dispendido nos vara-matos pelo Vale do Ruah. Entre lajes de pedra e escalaminhadas, progredíamos rapidamente e, pouco antes do meio dia, já estávamos descansando no cume do Camelos 2 (dois). Sob doação do Douglas, instalamos o primeiro dos Tubos de Cume que transportávamos, com material para “safar a onça” de um montanhista num perrengue naquela região onde quase ninguém vai (vela, fosforo, cobertor de emergência, coordenadas de latitude e longitude para solicitação de resgate), ideia e patrocínio do Douglas Garcia. Se alguém um dia precisar, já sabe a quem agradecer! Numa outra pernada o Rogério disse que vai acrescer uns saches de mel. Fizemos um breve registro no livro, algumas fotos e partimos para o Pico dos Camelos 3 (três), não muito distante, mas que exige mais técnica em algumas passagens à descoberto, com precipícios de ambos os lados... Nesse ponto a SF se afina ainda mais, rs, e é difícil não sentir um frio na base da espinha ao pensar no “e se”... Por outro lado, a vista da Crista do Pico Cupim de Boi, das montanhas do Parque Nacional do Itatiaia, do Vale das Cruzes e dos outros vales ainda sem nome ali é estonteante e vale todo o esforço. Alcançamos o Camelos 3 (três) e procuramos avaliar a viabilidade de alcançar o Pico dos Camelos 4 (quatro), terra que, até onde sabemos, ninguém pisara. Rapidamente entendemos o porquê: uma borda abrupta com penhascos a perder de vista de um lado e uma quiçaça quase intransponível do outro lado, coroando outros penhascos... Bom, como escrito anteriormente, “quase intransponível” e não “intransponível” descemos por esse lado, palmilhando cada passo com extremo cuidado, em busca de possíveis gretas escondidas pelo matagal que poderiam resultar num acidente grave ou mesmo fatal. Basta dizer que todos palmilhávamos a mesma passagem com igual cuidado, do primeiro ao último, considerando que a “racha fatal” poderia estar de olho em qualquer um, de campana, escondida sob moitas de capim navalha e bambus. Tomou tempo. Assustou. Custou sangue e suor. Mas atravessamos a quiçaça e retornamos às lajes de pedra, duas dezenas de metros abaixo da borda abrupta do Camelos 3 (três). Estávamos na parte menos conhecida de toda a nossa empreitada, trepando pedras e escalaminhando em busca do cume do Camelos 4 (quatro). Alcançamos o cume às 12h30min. Fizemos um breve descanso, depois nos veio à cabeça estabelecer um totem ali, que fosse visível da travessia tradicional, nos mirantes do Pico Cupim de Boi e também do Pico do Cabeça de Touro... Então enquanto descansávamos as pernas, exercitávamos (mais) os braços carregando pedras... Fizemos uma divisão de tarefas para minimizarmos o tempo e começarmos o retorno: um preparava o tubo de cume, fazia os devidos registros, com outro “kit perrengue” patrocinado pelo Douglas, outro fotografava (todos os créditos ao Rodrigo Oliveira nesse aspecto), outro trazia as pedras finais para o totem. Resolvi fazer 4 (quatro) círculos na encosta menos inclinada para ajudar na visualização do totem, raspando com uma pedra e removendo parte da rocha já intemporizada e escurecida pelo sol, revelando a rocha clara (gnais?) que forma aquele espigão (muito provavelmente, um batólito, formado à quilômetros de profundidade, que a erosão diferencial acabou por expor). Iniciamos o regresso, buscando manter o acordado de nos encontrarmos com o Adilson às 15h no Pico do Avião. Agora com o caminho já trilhado uma vez, porém sem descuidar, voltávamos mais rápido, parando para admirar a paisagem e retomar o folego de quanto em quanto, sempre em lugares mais amplos e antes das passagens mais arriscadas. Nesse ritmo, pouco antes das 15h (14h56min) estávamos no Cume do Pico do Avião, sozinhos... O grupo do Adilson se atrasara um pouco em relação ao previsto. Fizemos a abertura do tubo do Cume do Pico do Avião instalado em (21/07/2017), por doação do Douglas Garcia, e parceria com Adilson Cypriano, João Siqueira, Rodrigo Oliveira, Leo Muniz e Gabriel Aszalos, onde percebemos que um montanhista distraído deixou a tampa entreaberta e com os efeitos climáticos prejudicou a conservação do livro, o qual ficou todo encharcado, sendo contabilizado, 43 (quarenta e três) assinaturas desde sua inauguração. Realizamos sua manutenção e substituímos o livro de cume, realizando os registros. Em uma próxima oportunidade após a secagem, o Douglas irá levar cópia do primeiro livro e deixar no tubo de cume para consulta. Tiramos fotos, esticamos as pernas e descansamos um pouco, ponderando as opções. A possibilidade de varar mato para ir e voltar ao Pico Ruah Maior, provavelmente também varar mato montanha acima e montanha abaixo, o tempo frio, ventando forte e a névoa que começava a se formar desaconselhavam a empreitada. A lembrança do montanhista francês falecido no Pico dos MARINS e a dos dois montanhistas socorridos com hipotermia na semana anterior no Parque Nacional do Itatiaia contribuíam para a indecisão. O atraso do nosso colega foi a gota d’agua para adiarmos essa parte da empreitada. Enquanto curtíamos o frio e o fim de tarde no Cume do Pico do Avião, pensávamos no que fazer em seguida, o grupo do Adilson chegou e acabamos por dividir novamente as tarefas: enquanto o Rogério e o Marinaldo foram até os destroços do Avião (Monomotor PT-KMB, que saiu do Campo de Marte, SP, com destino a Juiz de Fora, MG, colidindo em 05/01/2000 na encosta Sul do Pico do Avião (São João Batista), vitimando 05 (cinco) ocupantes) o Douglas e o Rodrigo que já o conheceram em incursões anteriores iriam buscar água no Rio Verde, no Vale do Ruah. Nos encontraríamos no começo da subida da PM para retornar ao acampamento e descansar, de forma que a primeira dupla ao chegar deveria esperar a outra para dividir a carga na subida da PM. A caminhada até o local da queda foi rápida e após descer cerca de 100 (cem) metros de altitude em relação ao Pico, observamos os destroços, em grande parte ainda preservados devido aos materiais empregados e ao clima da Serra. Para não deixar os colegas esperando, uma vez que imaginamos que eles precisariam de uma hora para chegar no ponto de encontro, começamos a caminhada ao ponto de encontro às 15h50min, visando chegar na bifurcação das trilhas antes da dupla que havia ido buscar água. Chegamos lá em pouco mais de 40 (quarenta) minutos de caminhada pelas lajes da encosta do Pico do Avião. Aguardamos até as 17h20min pelo retorno dos amigos, que haviam se atrasado ajudando outros montanhistas que estavam perdidos no Vale do Ruah a retomar a trilha correta. Novamente reunidos, nos empenhamos em chegar ao Cume da PM antes do final da tarde, o que conseguimos apenas em parte, vimos os últimos raios de sol quando estávamos no último trecho da subida. Tratamos de preparar o jantar e nos recolhemos para as barracas, na esperança de que o descanso noturno nos trouxesse de volta às melhores condições. Meio engano: mesmo com a boa noite de sono, no outro dia o cansaço das sucessivas provações começava a se firmar e os músculos reclamavam aos novos esforços. Educados, reclamavam, mas atendiam aos comandos de “marche!”, “ande!” e “suba!” que recebiam. Terceiro dia: A cordamos cedo, ainda antes do sol nascer desmontamos as barracas e preparamos as mochilas, a pernada do dia seria longa, com o ataque ao Pico do Cabeça de Touro e havia alguma ansiedade com a solução que daríamos ao problema de acampar nessa noite, uma que a SF estava coalhada de grupos guiados ou autônomos que seguiam pela rota tradicional da travessia e que acampariam no Pico dos Três Estados e imediações, uma vez que a área de acampamento no cume dele é pequena e não comportaria tantas barracas. Consideramos bivacar próximo ao Cume, o que foi descartado pelo fato de não dispormos de equipamento para essa opção sem passar perrengue e ainda não estávamos precisando disso. Cogitamos passar direto pelo Cume e acampar mais para frente, mas a ideia de ver o sol nascer no último dia da travessia, no ponto de divisa dos Três Estados era por demais tentadora para ser ignorada sem uma longa análise. Acrescentamos um novo livro de Cume na PM, em somatória com aquele que colocamos na véspera, em parte surpresos com a quantidade de gente que registrara a presença desde que o iniciamos, em parte aborrecidos com o descaso que faz com que alguns pulem páginas ou grandes espaços em branco antes de registrarem a presença. Não há regramento, de forma que é aberto e livre o que e como registrar, desde data/nome/origem e destino, até os sentimentos experimentados, sonhos, promessas, enfim... Tudo. Mas nos entristeceu um pouco a atitude de alguns colegas de montanhas: de um dia para o outro, metade de um livro de Cume havia sido "preenchido"... Será que supõem que os livros de cume são de geração espontânea? Será que não podem aquilatar o trabalho que dá para manter esses registros nesses lugares inóspitos. Enquanto alguns desses supostos montanhistas se arrastam montanha acima, seja carregando todo o equipamento ou com apoio de terceiros no transporte, outros, de forma abnegada, o fazem com mais do que o material para si: trazem livros para reposição, tubos e caixas de cume montanha acima, para que todos possamos fazer registro dessa singular experiência que é alcançar alguns dos pontos mais altos do País. Iniciamos a descida da PM, agora no sentido da travessia tradicional, comentando a questão do lixo que alguns montanhistas deixam para trás, muitas vezes por descuido ou falta da educação adequada, outras pela situação de perrengue extremo em que se encontram. Ficava para trás, na Pedra da Mina, quase que junto ao livro de cume, os restos de uma barraca, certamente como consequência de uma situação de perrengue dessas, haja visto que pouco tempo antes, o fim de semana tinha coincidido com uma chegada de frente fria, com ventos de mais de 60 (sessenta) km por hora e muita chuva. Pode parecer pouco, mas combinado com a temperatura “normal” no cume da Pedra da Mina nessa época, inferior a 10°C, faz com que a sensação térmica seja abaixo de 0°. A julgar pela barraca, dificilmente os colegas estavam com os demais equipamentos adequados para a noite que passaram, ou melhor sofreram. Alguns montanhistas disseram que fariam uma subida para recolher lixo e que desceriam os restos da barraca. O Rogério pegou uma garrafa de 1,5 litros para levar embora; mesmo porque havia perdido outra de 500 ml cheia d’água, na pernada do dia anterior e por mais que procurasse, nem sinal. Acabou que combinamos de acampar no primeiro ponto que fosse adequado pouco antes ou após o Pico Cupim de Boi e retornarmos para o ataque ao Pico do Cabeça de Touro. Dessa forma, nosso abrigo já estaria garantido e, mesmo que a volta ao acampamento ocorresse durante a noite, teríamos condições para algumas horas de sono bem abrigados. Com essa intenção em mente, aproveitamos o nascer do sol na PM e pouco depois das 7h partíamos em direção ao Vale do Ruah, último ponto de abastecimento de água para a caminhada que ainda faríamos. Dessa vez, procuramos nos hidratar ao máximo, e levar todos os litros possíveis, pois sabíamos que a subida do Cabeça de Touro, com o sol à pino seria desgastante e consumiria bastante água. Passamos pelos grupos que acamparam no Vale do Ruah e seguimos em passo forte pelos sobe-e-desce dos morros que fazem caminho até a base do Pico do Cupim de Boi. Enquanto caminhávamos, todos os mirantes eram motivo de apertarmos os olhos na tentativa de distinguir nosso totem no Camelos 4 (quatro), desde a parte do Vale das Cruzes até o Cume do Pico Cupim de Boi, que alcançamos pouco depois das 11h. Na passagem pela crista do Pico do Cupim de Boi, observamos e avaliamos as opções de acampamento que haviam, mas nenhuma se mostrou muito convidativa para abrigar 3 (três) barracas, de forma que seguimos o sugerido pelo Douglas e descemos a encosta do Pico do Cupim de Boi, em direção ao Pico do Três Estados até um bosque de bambus no colo entre as montanhas, ali escolhemos os melhores lugares e rapidamente montamos acampamento e organizamos as coisas nas mochilas de ataque para o retorno ao Cume do Pico do Cupim de Boi, e em seguida, ao próprio Pico do Cabeça de Touro. Nesse momento o Rodrigo, permaneceu na dúvida se seguiria com o grupo ao ataque ao CT, por estar sentindo uma indisposição somada pelo esforço da empreitada, mas como diz o provérbio chinês: “Há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”... Bastou uma troca de palavras com o Douglas, que o convenceu a nos acompanhar. Pouco antes das 12h partimos para o último ataque da travessia, com 2 (dois) litros de água para cada um, lanches e guloseimas, material de primeiros socorros, lanternas e os kits de perrengue para caso algo falhasse. Enquanto buscávamos o melhor ponto para descer a encosta do Pico do Cupim de Boi até o vale formado entre ele e o Pico do Cabeça de Touro, pudemos orientar muitos montanhistas que nos vendo seguir em frente após a bifurcação da trilha da travessia, seguiam nossos passos e acabariam em apuros para voltar com as cargueiras se insistissem no caminho que fazíamos. O que ocorre, é que naquele ponto a trilha da travessia faz uma curva à esquerda que 90º e passa a descer a encosta do Pico do Cupim de Boi em ziguezague e, sendo um trecho de laje de pedra, é fácil ao montanhista desatento passar direto por essa curva e gastar algum tempo tentando entender porque a trilha que vinha tão nítida “some” de uma hora para outra. Encontrado o ponto certo, começamos a descida, tomando cuidado com as pedras soltas. O Douglas seguia na frente, seguido pelo Rodrigo e pelo Rogério e o Marinaldo fechava a fila. Bastou descermos alguns metros para termos uma desagradável surpresa: enormes formigas soldados ameaçavam fazer o Rodrigo despencar montanha abaixo. Após alguns momentos tensos, com a ajuda do Douglas, conseguiu livrar-se dos raivosos insetos. Sabedores da nova complicação, todos adotaram uma tática: não parar onde fosse visualizado um formigueiro ou em quiçaças, assim, esperávamos que houvesse mais espaço entre os colegas que iam à frente e passávamos os trechos mais delicados com rapidez, o que nos livrou de maiores tormentos com as doloridas mordidas. Em condições normais, seria pouco mais que um inconveniente a presença desses insetos, porém ali, entre pedras soltas e um precipício de dezenas de metros às costas, era uma situação realmente delicada. De pedra em pedra, alcançamos a Peladona e dali miramos a peladinha e começamos a descer pela vegetação da encosta, pelo caminho que há pouco mais de um mês, Douglas, Adilson e o Rogério haviam aberto na base do vara-mato no peito. Como a gente sempre busca melhorar algo, testamos virar para direita e buscar uma laje de pedra para facilitar o avanço até o totem natural que existe no selado entre as duas montanhas. Depois de algumas fotos com a curiosa formação geológica começamos a escalaminhar a encosta do Pico do Cabeça de Touro, alcançando o Cume, todos juntos, às 13h20min. Fizemos as honras de praxe, descobrindo que o Cume havia recebido a visita de outra turma de montanhistas entre nossa passagem anterior e a presente. Mesmo assim, o livro de Cume do Pico do Cabeça de Touro tem menos de 40 (quarenta) assinaturas diferentes, desde 1992! Indício da dificuldade de acesso? Seria em razão do menor interesse dos montanhistas pelos cumes menos acessíveis da SF? ou pelo fato de montanhistas em alguma visita, não encontrar o livro? Ficam as perguntas. Procuramos com bastante afinco nosso totem no Camelos 4 (quatro), mas ficamos sem conseguir um registro fotográfico claro dele, mas sabemos que ele está lá aguardando a visita de novos montanhistas. Combinamos de começar a descida às 15h e, enquanto o Rogério fazia um abrigo de pedra para fugir do sol escaldante, os demais (Douglas, Marinaldo e Rodrigo) foram até os destroços de uma outra Aeronave que se chocou contra o Pico do Cabeça de Touro, um Embraer XC-95 Bandeirante, Prefixo FAB-2315, que vitimou 08 (oito) ocupantes, tinha partido da Base Aérea de SJC – CTA – SP, para retornar ao mesmo local. Assim, foi descoberto em pernadas anteriores, outro avião em um local de mais difícil acesso. Após tirar fotos e caminhar por muitos destroços espalhados pela montanha, seguiram pela crista do CT até o seu extremo para curtir o visual do ponto mais próximo do Parque Nacional de Itatiaia. Na incursão anterior, em (22/04/2018) a ideia era aferir com pelo menos dois aparelhos de GPS diferentes a altitude do Pico do CT. Encontramos 2633 metros de forma coerente entre os dois aparelhos. Ao nos afastarmos do Pico, o valor decrescia de forma coerente e nossos relógios apontavam pequena divergência, inferior a 5 (cinco) metros com os valores observados pelos GPS. Pouco depois das 15h, começamos a descida, e com a experiência acumulada, em pouco mais de 20min estávamos caminhando pelas lajes de pedra em busca do melhor ponto para atravessar o capim navalha que cresce no selado entre as duas montanhas. E como cresce! Há lugares que as touceiras suplantam a altura de um homem com as mãos para cima... E pensar, que vistos lá de cima, parece longos trechos gramados. Uma observação empírica: quanto mais água disponível mais o capim cresce e, mais ele entrelaça as folhas com as touceiras vizinhas. Da base do Pico do Cupim de Boi nesse selado bastou aplicar o “toca para cima” de tudo quanto é jeito que em pouco tempo estávamos novamente na Crista do Pico do Cupim de Boi. O Douglas e o Marinaldo optaram por ficar para ver o sol se pôr, enquanto o Rogério e o Rodrigo desceram até o bosque para jantar e dormir. Porém eles não esperavam que o bosque estivesse daquele jeito. Parecia que estavam na Praça da Sé em SP, na hora do rush... Não havia um caminho livre, todos os cantos e passagens estavam tomados por barracas... Com “com licença” e “desculpe” foram se esgueirando até suas barracas para tentar dormir em meio ao burburinho de dezenas de pessoas que estavam em diversos grupos se espremendo no bosque. Apesar de não haver mais caminho livre, ainda haviam grupos de amigos chegando e com alguma paciência e bastante colaboração entre desconhecidos, todos conseguiam se acomodar. O Rogério ajudou alguns montanhistas a instalar a barraca e foi dormir, com uma facilidade incrível (o barulho eufórico era intenso), mas havia um motivo essa sua facilidade: levantaríamos às três da madrugada para partir às quatro e chegar no Cume do Pico do Três Estados a tempo de ver o sol nascer. Quarto dia: O Douglas acordou todo o grupo às duas da madrugada com uma mudança de planos: havia muita gente combinando partir para o Pico do Três Estados às quatro da manhã, era grande a chance de ocorrer um “congestionamento” na trilha o que poderia arruinar nossa ideia de curtir o nascer do sol e já começar a descer para o Sítio do Pierre. Foi providencial a mudança de planos, pois teríamos a comprovação desse temido congestionamento ao longo do dia nas trilhas. Em meia hora, Rogério estava pronto com a mochila pronta e foi fazer hora, enquanto o Douglas preparava o café da manhã com uma crepioca (ovo com tapioca, queijo provolone e sal de ervas). Diga-se de passagem, muito boa! O Rodrigo estava pálido, consequência das fortes cólicas intestinais que prejudicaram seu sono e o atormentava, mesmo após seguidas idas às moitas mais distantes do equipamento. Ainda assim, o planejado foi mantido, considerando que, caso fosse algo mais grave que uma “mera” indisposição intestinal, o quanto antes alcançássemos a civilização, melhor seria. Com a cargueira vestida, o apertar da barrigueira lhe deu um conforto temporário e seu rosto adquiriu uma coloração rosa-pálida que ainda denotava seu sofrimento. O Rogério se ofereceu para levar sua cargueira por um tempo, para reduzir seu martírio, mas ele valentemente, não aceitou. Talvez adepto da filosofia que prega que “cargueira é como consciência, cada um leva a sua”... Para desconfortos intestinais e preocupações em geral, nada melhor que um bom ”toca para cima”, de forma que terminamos de preparar as coisas para a pernada do dia. Partimos 3h20min pelos labirintos formados pelas barracas e logo começamos a encontrar outros madrugadores nas trilhas, mas que ainda não estavam com todos os apetrechos guardados. De forma que éramos o primeiro grupo a subir a encosta do Pico Três Estados e podíamos ditar nosso ritmo, apertando o passo em certos momentos e aliviando em outros para descansar e apreciar a paisagem sob o luar parcialmente amortecido pelas nuvens. Em alguns pontos, quando já estávamos próximo ao primeiro Cume do dia, podíamos divisar as luzes dos acampamentos entre as folhagens dos bosques abaixo. A imagem lembrava as fotografias noturnas de acampamentos de garimpeiros, isolados na escuridão da floresta. Não deixava de ser poético, o contraste entre a tranquilidade da escuridão e a agitação das luzes das turmas em preparação para o último dia de caminhada. Alcançamos o Cume do Pico do Três Estados às 5h manhã, assinamos o livro de cume e escolhemos um bom lugar para apreciar o nascer do sol, abrigado do vento frio da madrugada. Procuramos um local para que o Rodrigo pudesse bivacar, estendemos um isolante na laje de pedra para deixa-lo confortável enquanto ele buscava se acertar com o intestino rebelde. Enquanto esperávamos, rememorávamos acontecimentos e impressões dos últimos três dias. Conforme amanhecia, as nuvens que amorteciam o brilho da lua se tornavam mais visíveis e traziam dúvidas sobre aquele nascer do sol tão esperado. Pouco antes do romper da aurora, o sol tingiu de sangue o horizonte com o perfil das montanhas do PN de Itatiaia ao fundo. Fizemos fotos de perfil contra a vermelhidão do amanhecer ... Foram breves momentos, antes das nuvens se fecharem e ocultarem inteiramente o sol, mas valeram todo o esforço. Como combinamos, começamos a descida do Pico do Três Estados pouco após as 7h pela trilha da direita, bastante íngreme e progredíamos com velocidade, porém acabou que na “pressa” em começar a descida, deixamos o Douglas para trás, e como ele não se manifestou logo no início, descemos quase que toda a encosta antes do Marinaldo nos alertar sobre a ausência do Douglas. Aguardamos um pouco, chamamos algumas vezes por ele e ante a ausência de resposta, só nos restou tocar montanha acima, voltando sobre nossos passos na busca do amigo retardatário... Alcançamos o Cume do Pico do Três Estados e nada dele, procura daqui, procura dali e nada... Mistério... Supondo que ele tivesse optado pelo caminho da esquerda, começamos a descer novamente, chamando por ele e... Ouvimos ao longe “frannnnnnnngoooooo”, quase que um grito de guerra do nosso amigo. Numa mistura de alivio e zanga, apertamos o passo, mas sem responder a ele e ao pé da descida nos reencontramos. Feitas as acusações mútuas de praxe e vencida a zanga, fizemos as pazes e retomamos a pernada, caminhando em direção ao Cume do Pico do Bandeirante, alcançado em pouco mais de uma hora de caminhada, em passo tranquilo. Na verdade, a partir do Pico do Três Estados, não seria muito preciso dizer que estávamos “trilhando”, seria mais justo dizer que passeávamos, curtindo a trilha, as montanhas, o cheiro da mata. Acho que nesse ponto, mesmo o Rodrigo também curtia, ainda que sofrendo com a cólica. Supondo que tivesse alguma relação com a economia de água, procurei fazer com que bebesse a cada pouco. Não havia mais pressa, não havia mais “ataques”, era uma questão de manter o foco, para evitar acidentes e caminhar pelo ombro do Pico dos Três Estados e subindo pelo Pico do Bandeirante, penúltimo Cume da travessia. A partir do Cume do Pico do Bandeirante, seguimos no tradicional sobe-e-desce da SF, perdendo altura de forma consistente, enquanto buscávamos o sopé do Pico do Alto dos Ivos, derradeiro Pico da Travessia. Da base dele até o cume, são cerca de 130 metros de altura, menos de metade da diferença de cota observada na Pedra da Mina ou no Pico do Cabeça de Touro, mas com o cansaço somado dos dias anteriores, não deixa de ser uma visão ameaçadora para os que estão se arrastando na travessia. Para nós, marcava o início do fim da nossa aventura pela Serra Fina. A partir desse cume, alcançado às 9h20min, a trilha seria de descida quase que constante até alcançar o Sitio do Pierre. Como havíamos sido conservadores com o consumo de água, tínhamos agora água abundante e fazíamos uso dela com muito gosto. Caminhando sem pressa, procurando distrair o Rodrigo das cólicas, fizemos os últimos quilômetros caçando morangos silvestres, framboesas, azuizinhos do cerrado, e amoras silvestres, chegamos ao ponto de resgate às 13h30min, com considerável margem para o horário marcado das 15h. O Douglas e o Marinaldo chegaram pouco depois, o Douglas mancando um pouco devido aos calos que o atormentavam desde a descida do Pico dos Três Estados. Aproveitamos para comprar alguns produtos de um produtor local, pouco acima do local do resgate. Queijo, mel, doce de leite, goiabada cascão... Tudo provado e aprovado. Fizemos a tradicional foto de fim da travessia, nos parabenizamos mutuamente e ficamos curtindo a sensação de superação e orgulho pelo sucesso da empreitada, inédita ao nosso conhecimento em vários sentidos, realizando a Travessia Serra Fina em 4 (quatro) dias subindo todos os Picos da Travessia Tradicional, mais os Picos do Tartarugão, Ruah Menor, Camelos 1 (um), Camelos 2 (dois), Camelos 3 (três), Camelos 4 (quatro), Avião, e o colossal Cabeça de Touro (que está inteiramente no território do Estado de São Paulo, sendo o mais alto do Estado), onde a batizamos de Travessia Serra Fina Full (TSFF).
  18. E m caminhadas anteriores pela Serra Fina (SF), ralando pelo Paiolinho ou suando pela Toca do Lobo, com frequência vinha à mente uma ideia meio masoquista, e visionária: por que não fazer uma caminhada que somasse a tradicional travessia Toca do Lobo/Sitio do Pierre com ataques aos Picos de maior destaque no entorno? Seria uma forma de ver essas montanhas de ângulos diferentes... Conhecer mais da SF, deixar pegadas em sítios históricos, observar a geologia e a vegetação em pontos menos afeitos à maioria dos caminhantes... Ou seja: uma chance de se arrastar a montanhas menos frequentadas, mais ermas e não menos belas que as da rota tradicional. Toca do Lobo – Quartizito-Capim Amarelo-Melano-PM-Cupim de Boi-Três Estados- Alto dos Ivos- Sitio do Pierre. Essa ideia, com certeza passou pela cabeça de muitos outros montanhistas, e aos poucos o plano foi se desenhando: faríamos a Travessia em um feriado, na temporada de montanha (nada de dar muita margem ao clima inóspito daquelas plagas) e nos condicionamos a fazê-la no prazo normal da travessia clássica: 4 (quatro) dias, com 3 (três) noites na serra. Em conversas anteriores, alguns já haviam se pronunciado pelo interesse na empreitada, com as restrições de compromissos profissionais, médicos, familiares, etc., o grupo tinha 4 (quatro) integrantes com agenda disponível para o feriado de 31/05/2018: Eu, que vos escrevo (Rogério Alexandre), o Rodrigo Oliveira, o Douglas Garcia, e o Marinaldo Bruno. E eis que surge a Greve dos Caminhoneiros, que com reivindicações justas, nos levou a um ponto de inflexão: manter a data ou postergar? Pesadas as opções, adotou-se a contingência de irmos de ônibus e compramos passagens para P4. Com as datas de retorno disponíveis, o Rodrigo não poderia participar. Ficamos no aguardo, na torcida pelo melhor desenlace da greve dos caminhoneiros e o retorno ao abastecimento de combustíveis nos postos, condição que se impunha para a participação do Rodrigo na empreitada. Na manhã de quarta, veio a boa notícia: carro abastecido! Corremos com últimos preparativos: lanches, verificar bateria do GPS, cancelar as passagens e retirar qualquer grama a mais das cargueiras, etc. Nesse dia, na ânsia de aproveitar ao máximo a folga e fazer uma reserva de energia, abusei um pouco da alimentação: sanduiche de mortadela, milho verde com manteiga, almoço de mãe, ceviche de pescada e lula. Esse abuso teria consequências no meu desempenho na pernada, rs. Escrito por Rogério Alexandre com revisão do restante do time, uma pequena noção e, que palavra nenhuma explicaria, o que foi essa aventura! Primeiro dia: C hegamos em Passa Quatro às 20h30 e depois de procurar um pouco, encontramos a casa da Patrícia, onde guardamos o carro, separamos o que ficaria para uso na volta a SP, colocamos as cargueiras na Pajero dela e pegamos estrada, às 21h de quarta (véspera do feriado), para o ponto próximo da Toca do Lobo. Vestimos as cargueiras, nossas companheiras de relação amor e ódio pelos próximos 4 (quatro) dias, fizemos os últimos ajustes e nos colocamos a andar pela antiga estradinha que leva a Toca do Lobo. Ali fizemos as primeiras fotos, à luz das lanternas, nos hidratamos e nos abastecemos da água necessária para alcançar o Quartizito, onde faríamos a primeira recarga maior de água. Nesse trecho, bastou-nos um litro por cabeça, já que faríamos a ascensão mais leves e na madrugada, o que ajuda em muito no menor consumo de água. Como planejado, pontualmente às 22h, partimos em busca do primeiro cume da travessia: Cume do Cruzeiro. A subida começa relativamente íngreme, nos alertando para o que nos esperava. Vamos em passo normal, poupando forças para a longa jornada. Em pouco tempo saímos da mata e começamos a curtir mais a caminhada, apreciando a beleza da Serra, os contornos da crista que iríamos subir, que iluminados pela lua cheia, pareciam nos desafiar. Para o Rogério a caminhada tinha uma complicação adicional: para não utilizar a lente de contato por um período longo demais, decidiu utilizar óculos durante a noite, e só colocar a lente com o dia já claro. Até aí nada demais, se a joça dos óculos não teimasse em ficar embaçando a cada pouco, fazendo com que, ele alternasse em caminhar sob uma “neblina” particular, que só ele via, tateando com os pés em algumas passagens ou parar a cada pouco para limpar a lente dos óculos. Era trabalho de Sísifo: bastava desembaçar para o processo de enevoar recomeçar, principalmente nas partes menos expostas à gélida brisa noturna. Apesar de aborrecer um pouco, ainda surgiria uma dificuldade para se somar com essa, e que faria com que ele deixasse de “puxar” o grupo e passasse a ser o “cerra fila”, decorrente da sua gula durante a preparação para a travessia. Voltamos a essa questão mais adiante. Alcançamos a crista e seguimos subindo buscando o Quartizito e seu ponto de água, tementes quanto à disponibilidade, pois da presença de água ali possuíamos apenas relatos, já que sempre passamos naquele trecho já abastecidos de água. Os temores se mostraram infundados, e depois de descer uma pirambeira, pudemos completar o abastecimento para a caminhada até a base da PM, onde sabíamos encontrar água para o primeiro pernoite, na nascente do Rio Claro. Subimos o Quartizito, no escorregar clássico da montanha que parece se desmanchar em pedriscos aos nossos pés e, à meia noite alcançamos seu cume e iniciamos a descida para o ombro por onde faríamos a longa subida do Capim Amarelo, ansiosos pelos trechos com cordas que noticiam a proximidade do cume. Um detalhe sobre a subida do Capim Amarelo merece registro: esse trecho é um dos que, para os que o percorrem pela primeira vez, testa a determinação do montanhista. A cada falso cume, têm-se que redobrar a disposição, diante da descoberta de que o almejado cume ainda não chegou; são vários os falsos cumes, então, haja determinação para não esmorecer. Sabedores disso, vamos subindo procurando não pensar muito nisso, curtindo a pernada, o visual da Serra Fina ao luar ajudando a dispensar os pensamentos. Alcançamos o terceiro cume da nossa travessia às 2h30min da madrugada. Fizemos uma pausa maior para recuperar o folego, registramos a passagem no livro de cume e, tentando não perturbar os colegas que descansavam acampados ao lado do livro, comemoramos a primeira etapa. Partimos para a descida do Capim Amarelo, pouco antes das 3h da madrugada, atentos para não desviar da trilha correta, que segue bem à esquerda. Nesse trecho, há uma trilha muito marcada, porém errada, pouco à direita da trilha correta, que termina em uma grota, e que expõe os muitos que a tomam, ao desgaste do retornar trepando por raízes e pedras, no mínimo. A necessidade de se escalaminhar para corrigir a descida errada explica que ela esteja mais clara do que a trilha correta, já que, com o erro, você desce e sobe ela, como já o fiz noutra pernada. Mais tarde ficaríamos sabendo que um ou dois “ponteiros”, supondo sermos de empresa concorrente, na ânsia de nos alcançar, acabaram por cair nessa grota. Felizmente, nada de mais grave ocorreu, visto que, pouco além da grota, há um precipício de uns 30 (trinta) metros, no mínimo. Na descida, o Rogério encontrou um isolante perdido, certamente subtraído pelos bambus que insistem em retirar qualquer objeto que esteja fora da mochila (em sua travessia anterior - Casa de Pedra-Tijuco Preto-PM-Paiolinho- acontecera com ele... A estrutura de sua barraca ficou pelo caminho, e o colocava numa situação nada agradável... Felizmente, um montanhista amigo encontrou e o livrou de um belo perrengue). Agora seria sua vez de retornar ao Universo a boa energia. Não pensou duas vezes, e passou a levar o isolante nas mãos, para prendê-lo na cargueira quando alcançássemos o Maracanã, onde faríamos uma breve parada, se o dono não estivesse por ali mesmo. No Maracanã, haviam duas barracas e apesar do avançado da hora, 4h30min, achamos por bem, perguntar se o dono do isolante perdido estava ali... Foi um reencontro emocionante, rsrs... Nada como uma madrugada gélida para curar mágoas. Nesse momento as tripas do Rogério começaram a alardear que ele havia sido, no mínimo, ousado demais em comer de tudo um pouco durante o dia. O desconforto se avolumava e a necessidade de encontrar um ponto afastado da trilha para cavar uma fossa emergencial se fazia cada vez mais urgente. Seria sua sina pelos próximos quilômetros, deixar a pazinha, o papel e o lenço de fácil acesso. Ele procurava levar com bom humor a desagradável questão, considerando, que pelo menos, precisava carregar menos peso, a cada fuga para alijar parte da carga que ele carregava e que seu corpo não curtia. No plano, sem mochila, e com as facilidades da vida moderna, a questão já é delicada... Imagine subindo montanha, meio que às cegas, com cargueira de 15 (quinze) kg, a atenção que se dispensava para os sinais do seu corpo, tornara o caso tragicômico. Tocamos em frente, e pouco depois do nascer do sol estávamos andando na crista do Melano, no sobe e desce típico de crista de serra, perdendo altitude até alcançar a Cachoeira Vermelha às 9h da matina. Animados com o rápido progresso até ali, guardamos as cargueiras e partimos para o ataque ao Pico do Tartarugão, passando pela crista do Tartaruguinha. Não encontramos muitas referências para atravessar os trechos de capim, então fomos no bom e velho vara-mato até a base e subimos em ziguezague em duas duplas, para reduzir a chance de uma pedra solta acertar alguém. Alcançamos o cume do Pico do Tartarugão às 10h30min. Fizemos uma breve pausa para a manutenção do tubo de cume, fazer os devidos registros no livro, fotos e caminhadas pelo topo da montanha e começamos a descida, retomando as cargueiras na Cachoeira Vermelha e partindo para reabastecer o inventário de água no Rio Claro, ao pé da Pedra da Mina (PM). Aproveitamos para nos fartar de água e tocamos para a última subida do dia, chegando no alto da PM às 13h30min... O cume estava estranhamente vazio para um feriado prolongado, talvez consequência da crise no abastecimento de combustíveis. Escolhemos os melhores lugares, substituímos o livro de cume por um novo e, também deixando um reserva, uma vez que o anterior, iniciado em 03/02/2018 estava completo, registrando nosso progresso no novo livro, preparamos a primeira refeição da trilha e ficamos curtindo o visual. Conforme entardecia, esfriava e se formava a costumeira neblina na região, começamos a ficar um pouco apreensivos com o Adilson Cypriano que subia com outro grupo pelo Paiolinho e que não havia chegado ainda, chegando a considerar descer até a base da pedra, pelo caminho de quem vem pelo Paiolinho para verificar se estavam acampados na base, mas o cansaço e a confiança na capacidade do nosso amigo nos levaram a abandonar a ideia. Foram diversos gritos de “Adiiiiiiiilsoonnnnnnnnn” que marcaram o fim de tarde na Pedra da Mina, todos sem resposta perceptível. Conjecturamos sobre a pertinência de algum tipo de sinal sonoro com apitos, que permitisse a comunicação em distância maiores e ficamos de buscar possíveis códigos. Nos recolhemos cedo, para recuperar as forças para a pernada do dia seguinte, que prometia ser ainda mais pesada. Segundo dia: N a madrugada, descobrimos que o grupo do Adilson havia chegado pouco após o anoitecer e acampado próximo de nós. Apesar de ser uma rota muito mais curta que a pernada que havíamos feito desde a Toca do Lobo, a subida da PM, via Paiolinho é bastante exigente devido às subidas do Deus-Me-Livre e da Misericórdia, bastante íngremes e que tem que ser vencidas com as cargueiras carregadas. Felizes e aliviados com o reencontro, fizemos planos de atacar o Ruah Maior com ele, na tardinha do segundo dia, marcando encontro no alto do Pico do Avião, 15h. Levantamos cedo, 5h da madrugada e ficamos curtindo a alvorada e o nascer do sol, enquanto preparávamos as mochilas de ataque para as investidas do dia. Apesar de ser de ataque, as mochilas não estavam particularmente leves, pois, além da água e do mínimo para um eventual perrengue (casacos, kit de 1º socorros, lanches e petiscos para o dia), levamos os tubos de cume para serem instalados nos picos dos Camelos e os cadernos para reposição dos livros de cume, caso necessário. Um pouco tarde, mas refeitos do cansaço da véspera e tendo curtido o nascer do sol com calma, às 7h40min começamos a descida da PM pela rota da travessia tradicional, porém nosso primeiro destino era o Ruah Menor, de forma que, na bifurcação para a subida ao Pico do Avião, deixamos a trilha e passamos a seguir pela encosta, através das lajes de pedra e curtos vara-matos até alcançar o ponto onde nos parecia mais viável atravessar o Vale do Ruah para iniciar a subida. Nesse ponto é justo o registro de que, trilhávamos, se não nas exatas pegadas, no rumo aproximado que os amigos montanhistas Adilson Cypriano, Douglas Garcia e João Siqueira haviam desbravado em pernadas anteriores, quando em (29/07/2017) instalaram o Tubo de Cume no alto do Ruah Menor (ou Ruah Leste). Bom, uma ressalva é que na Serra Fina, “desbravado” não quer dizer “manso”, então tivemos nossa cota de vara-mato para alcançar a base do Ruah Menor e mesmo na subida, o que nos consumiu quase uma hora para avançarmos poucos metros. Chegamos ao cume às 9h30min, fizemos os registros devidos, observando que, desde a instalação no ano anterior, nenhum outro montanhista anotou sua passagem por aquelas plagas, algumas fotos de um ângulo diferente da PM e dos arredores, estudamos um pouco os próximos passos enquanto lanchávamos e começamos a descida, agora buscando nos aproximar do colo entre o Pico do Avião e o Primeiro dos Camelos. Nova seção de vara-mato; porém o estudo feito a partir do Ruah Menor se mostrou bastante preciso, e em “pouco” tempo estávamos escalaminhando as lajes de pedra do Pico de Avião, tendo passado pela famosa lata de sardinha deixada por alguém para marcar o caminho. O avançado estado de corrosão da lata indica que deve estar lá há pelo menos um par de anos, talvez mais. Quando alcançamos o colo entre os Picos do Avião e Camelos 1 (um), passamos a descer para buscar o acesso ao Camelos 1 (um), que por ter poucos trechos de vara-mato foi alcançado com relativa facilidade. A partir daí bastou “tocar para cima” até o Cume, alcançado às 11h. Nesse Cume não paramos para descansar, preferimos tocar para o Camelo 2 (dois), para recuperar um pouco do tempo dispendido nos vara-matos pelo Vale do Ruah. Entre lajes de pedra e escalaminhadas, progredíamos rapidamente e, pouco antes do meio dia, já estávamos descansando no cume do Camelos 2 (dois). Sob doação do Douglas, instalamos o primeiro dos Tubos de Cume que transportávamos, com material para “safar a onça” de um montanhista num perrengue naquela região onde quase ninguém vai (vela, fosforo, cobertor de emergência, coordenadas de latitude e longitude para solicitação de resgate), ideia e patrocínio do Douglas Garcia. Se alguém um dia precisar, já sabe a quem agradecer! Numa outra pernada o Rogério disse que vai acrescer uns saches de mel. Fizemos um breve registro no livro, algumas fotos e partimos para o Pico dos Camelos 3 (três), não muito distante, mas que exige mais técnica em algumas passagens à descoberto, com precipícios de ambos os lados... Nesse ponto a SF se afina ainda mais, rs, e é difícil não sentir um frio na base da espinha ao pensar no “e se”... Por outro lado, a vista da Crista do Pico Cupim de Boi, das montanhas do Parque Nacional do Itatiaia, do Vale das Cruzes e dos outros vales ainda sem nome ali é estonteante e vale todo o esforço. Alcançamos o Camelos 3 (três) e procuramos avaliar a viabilidade de alcançar o Pico dos Camelos 4 (quatro), terra que, até onde sabemos, ninguém pisara. Rapidamente entendemos o porquê: uma borda abrupta com penhascos a perder de vista de um lado e uma quiçaça quase intransponível do outro lado, coroando outros penhascos... Bom, como escrito anteriormente, “quase intransponível” e não “intransponível” descemos por esse lado, palmilhando cada passo com extremo cuidado, em busca de possíveis gretas escondidas pelo matagal que poderiam resultar num acidente grave ou mesmo fatal. Basta dizer que todos palmilhávamos a mesma passagem com igual cuidado, do primeiro ao último, considerando que a “racha fatal” poderia estar de olho em qualquer um, de campana, escondida sob moitas de capim navalha e bambus. Tomou tempo. Assustou. Custou sangue e suor. Mas atravessamos a quiçaça e retornamos às lajes de pedra, duas dezenas de metros abaixo da borda abrupta do Camelos 3 (três). Estávamos na parte menos conhecida de toda a nossa empreitada, trepando pedras e escalaminhando em busca do cume do Camelos 4 (quatro). Alcançamos o cume às 12h30min. Fizemos um breve descanso, depois nos veio à cabeça estabelecer um totem ali, que fosse visível da travessia tradicional, nos mirantes do Pico Cupim de Boi e também do Pico do Cabeça de Touro... Então enquanto descansávamos as pernas, exercitávamos (mais) os braços carregando pedras... Fizemos uma divisão de tarefas para minimizarmos o tempo e começarmos o retorno: um preparava o tubo de cume, fazia os devidos registros, com outro “kit perrengue” patrocinado pelo Douglas, outro fotografava (todos os créditos ao Rodrigo Oliveira nesse aspecto), outro trazia as pedras finais para o totem. Resolvi fazer 4 (quatro) círculos na encosta menos inclinada para ajudar na visualização do totem, raspando com uma pedra e removendo parte da rocha já intemporizada e escurecida pelo sol, revelando a rocha clara (gnais?) que forma aquele espigão (muito provavelmente, um batólito, formado à quilômetros de profundidade, que a erosão diferencial acabou por expor). Iniciamos o regresso, buscando manter o acordado de nos encontrarmos com o Adilson às 15h no Pico do Avião. Agora com o caminho já trilhado uma vez, porém sem descuidar, voltávamos mais rápido, parando para admirar a paisagem e retomar o folego de quanto em quanto, sempre em lugares mais amplos e antes das passagens mais arriscadas. Nesse ritmo, pouco antes das 15h (14h56min) estávamos no Cume do Pico do Avião, sozinhos... O grupo do Adilson se atrasara um pouco em relação ao previsto. Fizemos a abertura do tubo do Cume do Pico do Avião instalado em (21/07/2017), por doação do Douglas Garcia, e parceria com Adilson Cypriano, João Siqueira, Rodrigo Oliveira, Leo Muniz e Gabriel Aszalos, onde percebemos que um montanhista distraído deixou a tampa entreaberta e com os efeitos climáticos prejudicou a conservação do livro, o qual ficou todo encharcado, sendo contabilizado, 43 (quarenta e três) assinaturas desde sua inauguração. Realizamos sua manutenção e substituímos o livro de cume, realizando os registros. Em uma próxima oportunidade após a secagem, o Douglas irá levar cópia do primeiro livro e deixar no tubo de cume para consulta. Tiramos fotos, esticamos as pernas e descansamos um pouco, ponderando as opções. A possibilidade de varar mato para ir e voltar ao Pico Ruah Maior, provavelmente também varar mato montanha acima e montanha abaixo, o tempo frio, ventando forte e a névoa que começava a se formar desaconselhavam a empreitada. A lembrança do montanhista francês falecido no Pico dos MARINS e a dos dois montanhistas socorridos com hipotermia na semana anterior no Parque Nacional do Itatiaia contribuíam para a indecisão. O atraso do nosso colega foi a gota d’agua para adiarmos essa parte da empreitada. Enquanto curtíamos o frio e o fim de tarde no Cume do Pico do Avião, pensávamos no que fazer em seguida, o grupo do Adilson chegou e acabamos por dividir novamente as tarefas: enquanto o Rogério e o Marinaldo foram até os destroços do Avião (Monomotor PT-KMB, que saiu do Campo de Marte, SP, com destino a Juiz de Fora, MG, colidindo em 05/01/2000 na encosta Sul do Pico do Avião (São João Batista), vitimando 05 (cinco) ocupantes) o Douglas e o Rodrigo que já o conheceram em incursões anteriores iriam buscar água no Rio Verde, no Vale do Ruah. Nos encontraríamos no começo da subida da PM para retornar ao acampamento e descansar, de forma que a primeira dupla ao chegar deveria esperar a outra para dividir a carga na subida da PM. A caminhada até o local da queda foi rápida e após descer cerca de 100 (cem) metros de altitude em relação ao Pico, observamos os destroços, em grande parte ainda preservados devido aos materiais empregados e ao clima da Serra. Para não deixar os colegas esperando, uma vez que imaginamos que eles precisariam de uma hora para chegar no ponto de encontro, começamos a caminhada ao ponto de encontro às 15h50min, visando chegar na bifurcação das trilhas antes da dupla que havia ido buscar água. Chegamos lá em pouco mais de 40 (quarenta) minutos de caminhada pelas lajes da encosta do Pico do Avião. Aguardamos até as 17h20min pelo retorno dos amigos, que haviam se atrasado ajudando outros montanhistas que estavam perdidos no Vale do Ruah a retomar a trilha correta. Novamente reunidos, nos empenhamos em chegar ao Cume da PM antes do final da tarde, o que conseguimos apenas em parte, vimos os últimos raios de sol quando estávamos no último trecho da subida. Tratamos de preparar o jantar e nos recolhemos para as barracas, na esperança de que o descanso noturno nos trouxesse de volta às melhores condições. Meio engano: mesmo com a boa noite de sono, no outro dia o cansaço das sucessivas provações começava a se firmar e os músculos reclamavam aos novos esforços. Educados, reclamavam, mas atendiam aos comandos de “marche!”, “ande!” e “suba!” que recebiam. Terceiro dia: A cordamos cedo, ainda antes do sol nascer desmontamos as barracas e preparamos as mochilas, a pernada do dia seria longa, com o ataque ao Pico do Cabeça de Touro e havia alguma ansiedade com a solução que daríamos ao problema de acampar nessa noite, uma que a SF estava coalhada de grupos guiados ou autônomos que seguiam pela rota tradicional da travessia e que acampariam no Pico dos Três Estados e imediações, uma vez que a área de acampamento no cume dele é pequena e não comportaria tantas barracas. Consideramos bivacar próximo ao Cume, o que foi descartado pelo fato de não dispormos de equipamento para essa opção sem passar perrengue e ainda não estávamos precisando disso. Cogitamos passar direto pelo Cume e acampar mais para frente, mas a ideia de ver o sol nascer no último dia da travessia, no ponto de divisa dos Três Estados era por demais tentadora para ser ignorada sem uma longa análise. Acrescentamos um novo livro de Cume na PM, em somatória com aquele que colocamos na véspera, em parte surpresos com a quantidade de gente que registrara a presença desde que o iniciamos, em parte aborrecidos com o descaso que faz com que alguns pulem páginas ou grandes espaços em branco antes de registrarem a presença. Não há regramento, de forma que é aberto e livre o que e como registrar, desde data/nome/origem e destino, até os sentimentos experimentados, sonhos, promessas, enfim... Tudo. Mas nos entristeceu um pouco a atitude de alguns colegas de montanhas: de um dia para o outro, metade de um livro de Cume havia sido "preenchido"... Será que supõem que os livros de cume são de geração espontânea? Será que não podem aquilatar o trabalho que dá para manter esses registros nesses lugares inóspitos. Enquanto alguns desses supostos montanhistas se arrastam montanha acima, seja carregando todo o equipamento ou com apoio de terceiros no transporte, outros, de forma abnegada, o fazem com mais do que o material para si: trazem livros para reposição, tubos e caixas de cume montanha acima, para que todos possamos fazer registro dessa singular experiência que é alcançar alguns dos pontos mais altos do País. Iniciamos a descida da PM, agora no sentido da travessia tradicional, comentando a questão do lixo que alguns montanhistas deixam para trás, muitas vezes por descuido ou falta da educação adequada, outras pela situação de perrengue extremo em que se encontram. Ficava para trás, na Pedra da Mina, quase que junto ao livro de cume, os restos de uma barraca, certamente como consequência de uma situação de perrengue dessas, haja visto que pouco tempo antes, o fim de semana tinha coincidido com uma chegada de frente fria, com ventos de mais de 60 (sessenta) km por hora e muita chuva. Pode parecer pouco, mas combinado com a temperatura “normal” no cume da Pedra da Mina nessa época, inferior a 10°C, faz com que a sensação térmica seja abaixo de 0°. A julgar pela barraca, dificilmente os colegas estavam com os demais equipamentos adequados para a noite que passaram, ou melhor sofreram. Alguns montanhistas disseram que fariam uma subida para recolher lixo e que desceriam os restos da barraca. O Rogério pegou uma garrafa de 1,5 litros para levar embora; mesmo porque havia perdido outra de 500 ml cheia d’água, na pernada do dia anterior e por mais que procurasse, nem sinal. Acabou que combinamos de acampar no primeiro ponto que fosse adequado pouco antes ou após o Pico Cupim de Boi e retornarmos para o ataque ao Pico do Cabeça de Touro. Dessa forma, nosso abrigo já estaria garantido e, mesmo que a volta ao acampamento ocorresse durante a noite, teríamos condições para algumas horas de sono bem abrigados. Com essa intenção em mente, aproveitamos o nascer do sol na PM e pouco depois das 7h partíamos em direção ao Vale do Ruah, último ponto de abastecimento de água para a caminhada que ainda faríamos. Dessa vez, procuramos nos hidratar ao máximo, e levar todos os litros possíveis, pois sabíamos que a subida do Cabeça de Touro, com o sol à pino seria desgastante e consumiria bastante água. Passamos pelos grupos que acamparam no Vale do Ruah e seguimos em passo forte pelos sobe-e-desce dos morros que fazem caminho até a base do Pico do Cupim de Boi. Enquanto caminhávamos, todos os mirantes eram motivo de apertarmos os olhos na tentativa de distinguir nosso totem no Camelos 4 (quatro), desde a parte do Vale das Cruzes até o Cume do Pico Cupim de Boi, que alcançamos pouco depois das 11h. Na passagem pela crista do Pico do Cupim de Boi, observamos e avaliamos as opções de acampamento que haviam, mas nenhuma se mostrou muito convidativa para abrigar 3 (três) barracas, de forma que seguimos o sugerido pelo Douglas e descemos a encosta do Pico do Cupim de Boi, em direção ao Pico do Três Estados até um bosque de bambus no colo entre as montanhas, ali escolhemos os melhores lugares e rapidamente montamos acampamento e organizamos as coisas nas mochilas de ataque para o retorno ao Cume do Pico do Cupim de Boi, e em seguida, ao próprio Pico do Cabeça de Touro. Nesse momento o Rodrigo, permaneceu na dúvida se seguiria com o grupo ao ataque ao CT, por estar sentindo uma indisposição somada pelo esforço da empreitada, mas como diz o provérbio chinês: “Há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”... Bastou uma troca de palavras com o Douglas, que o convenceu a nos acompanhar. Pouco antes das 12h partimos para o último ataque da travessia, com 2 (dois) litros de água para cada um, lanches e guloseimas, material de primeiros socorros, lanternas e os kits de perrengue para caso algo falhasse. Enquanto buscávamos o melhor ponto para descer a encosta do Pico do Cupim de Boi até o vale formado entre ele e o Pico do Cabeça de Touro, pudemos orientar muitos montanhistas que nos vendo seguir em frente após a bifurcação da trilha da travessia, seguiam nossos passos e acabariam em apuros para voltar com as cargueiras se insistissem no caminho que fazíamos. O que ocorre, é que naquele ponto a trilha da travessia faz uma curva à esquerda que 90º e passa a descer a encosta do Pico do Cupim de Boi em ziguezague e, sendo um trecho de laje de pedra, é fácil ao montanhista desatento passar direto por essa curva e gastar algum tempo tentando entender porque a trilha que vinha tão nítida “some” de uma hora para outra. Encontrado o ponto certo, começamos a descida, tomando cuidado com as pedras soltas. O Douglas seguia na frente, seguido pelo Rodrigo e pelo Rogério e o Marinaldo fechava a fila. Bastou descermos alguns metros para termos uma desagradável surpresa: enormes formigas soldados ameaçavam fazer o Rodrigo despencar montanha abaixo. Após alguns momentos tensos, com a ajuda do Douglas, conseguiu livrar-se dos raivosos insetos. Sabedores da nova complicação, todos adotaram uma tática: não parar onde fosse visualizado um formigueiro ou em quiçaças, assim, esperávamos que houvesse mais espaço entre os colegas que iam à frente e passávamos os trechos mais delicados com rapidez, o que nos livrou de maiores tormentos com as doloridas mordidas. Em condições normais, seria pouco mais que um inconveniente a presença desses insetos, porém ali, entre pedras soltas e um precipício de dezenas de metros às costas, era uma situação realmente delicada. De pedra em pedra, alcançamos a Peladona e dali miramos a peladinha e começamos a descer pela vegetação da encosta, pelo caminho que há pouco mais de um mês, Douglas, Adilson e o Rogério haviam aberto na base do vara-mato no peito. Como a gente sempre busca melhorar algo, testamos virar para direita e buscar uma laje de pedra para facilitar o avanço até o totem natural que existe no selado entre as duas montanhas. Depois de algumas fotos com a curiosa formação geológica começamos a escalaminhar a encosta do Pico do Cabeça de Touro, alcançando o Cume, todos juntos, às 13h20min. Fizemos as honras de praxe, descobrindo que o Cume havia recebido a visita de outra turma de montanhistas entre nossa passagem anterior e a presente. Mesmo assim, o livro de Cume do Pico do Cabeça de Touro tem menos de 40 (quarenta) assinaturas diferentes, desde 1992! Indício da dificuldade de acesso? Seria em razão do menor interesse dos montanhistas pelos cumes menos acessíveis da SF? ou pelo fato de montanhistas em alguma visita, não encontrar o livro? Ficam as perguntas. Procuramos com bastante afinco nosso totem no Camelos 4 (quatro), mas ficamos sem conseguir um registro fotográfico claro dele, mas sabemos que ele está lá aguardando a visita de novos montanhistas. Combinamos de começar a descida às 15h e, enquanto o Rogério fazia um abrigo de pedra para fugir do sol escaldante, os demais (Douglas, Marinaldo e Rodrigo) foram até os destroços de uma outra Aeronave que se chocou contra o Pico do Cabeça de Touro, um Embraer XC-95 Bandeirante, Prefixo FAB-2315, que vitimou 08 (oito) ocupantes, tinha partido da Base Aérea de SJC – CTA – SP, para retornar ao mesmo local. Assim, foi descoberto em pernadas anteriores, outro avião em um local de mais difícil acesso. Após tirar fotos e caminhar por muitos destroços espalhados pela montanha, seguiram pela crista do CT até o seu extremo para curtir o visual do ponto mais próximo do Parque Nacional de Itatiaia. Na incursão anterior, em (22/04/2018) a ideia era aferir com pelo menos dois aparelhos de GPS diferentes a altitude do Pico do CT. Encontramos 2633 metros de forma coerente entre os dois aparelhos. Ao nos afastarmos do Pico, o valor decrescia de forma coerente e nossos relógios apontavam pequena divergência, inferior a 5 (cinco) metros com os valores observados pelos GPS. Pouco depois das 15h, começamos a descida, e com a experiência acumulada, em pouco mais de 20min estávamos caminhando pelas lajes de pedra em busca do melhor ponto para atravessar o capim navalha que cresce no selado entre as duas montanhas. E como cresce! Há lugares que as touceiras suplantam a altura de um homem com as mãos para cima... E pensar, que vistos lá de cima, parece longos trechos gramados. Uma observação empírica: quanto mais água disponível mais o capim cresce e, mais ele entrelaça as folhas com as touceiras vizinhas. Da base do Pico do Cupim de Boi nesse selado bastou aplicar o “toca para cima” de tudo quanto é jeito que em pouco tempo estávamos novamente na Crista do Pico do Cupim de Boi. O Douglas e o Marinaldo optaram por ficar para ver o sol se pôr, enquanto o Rogério e o Rodrigo desceram até o bosque para jantar e dormir. Porém eles não esperavam que o bosque estivesse daquele jeito. Parecia que estavam na Praça da Sé em SP, na hora do rush... Não havia um caminho livre, todos os cantos e passagens estavam tomados por barracas... Com “com licença” e “desculpe” foram se esgueirando até suas barracas para tentar dormir em meio ao burburinho de dezenas de pessoas que estavam em diversos grupos se espremendo no bosque. Apesar de não haver mais caminho livre, ainda haviam grupos de amigos chegando e com alguma paciência e bastante colaboração entre desconhecidos, todos conseguiam se acomodar. O Rogério ajudou alguns montanhistas a instalar a barraca e foi dormir, com uma facilidade incrível (o barulho eufórico era intenso), mas havia um motivo essa sua facilidade: levantaríamos às três da madrugada para partir às quatro e chegar no Cume do Pico do Três Estados a tempo de ver o sol nascer. Quarto dia: O Douglas acordou todo o grupo às duas da madrugada com uma mudança de planos: havia muita gente combinando partir para o Pico do Três Estados às quatro da manhã, era grande a chance de ocorrer um “congestionamento” na trilha o que poderia arruinar nossa ideia de curtir o nascer do sol e já começar a descer para o Sítio do Pierre. Foi providencial a mudança de planos, pois teríamos a comprovação desse temido congestionamento ao longo do dia nas trilhas. Em meia hora, Rogério estava pronto com a mochila pronta e foi fazer hora, enquanto o Douglas preparava o café da manhã com uma crepioca (ovo com tapioca, queijo provolone e sal de ervas). Diga-se de passagem, muito boa! O Rodrigo estava pálido, consequência das fortes cólicas intestinais que prejudicaram seu sono e o atormentava, mesmo após seguidas idas às moitas mais distantes do equipamento. Ainda assim, o planejado foi mantido, considerando que, caso fosse algo mais grave que uma “mera” indisposição intestinal, o quanto antes alcançássemos a civilização, melhor seria. Com a cargueira vestida, o apertar da barrigueira lhe deu um conforto temporário e seu rosto adquiriu uma coloração rosa-pálida que ainda denotava seu sofrimento. O Rogério se ofereceu para levar sua cargueira por um tempo, para reduzir seu martírio, mas ele valentemente, não aceitou. Talvez adepto da filosofia que prega que “cargueira é como consciência, cada um leva a sua”... Para desconfortos intestinais e preocupações em geral, nada melhor que um bom ”toca para cima”, de forma que terminamos de preparar as coisas para a pernada do dia. Partimos 3h20min pelos labirintos formados pelas barracas e logo começamos a encontrar outros madrugadores nas trilhas, mas que ainda não estavam com todos os apetrechos guardados. De forma que éramos o primeiro grupo a subir a encosta do Pico Três Estados e podíamos ditar nosso ritmo, apertando o passo em certos momentos e aliviando em outros para descansar e apreciar a paisagem sob o luar parcialmente amortecido pelas nuvens. Em alguns pontos, quando já estávamos próximo ao primeiro Cume do dia, podíamos divisar as luzes dos acampamentos entre as folhagens dos bosques abaixo. A imagem lembrava as fotografias noturnas de acampamentos de garimpeiros, isolados na escuridão da floresta. Não deixava de ser poético, o contraste entre a tranquilidade da escuridão e a agitação das luzes das turmas em preparação para o último dia de caminhada. Alcançamos o Cume do Pico do Três Estados às 5h manhã, assinamos o livro de cume e escolhemos um bom lugar para apreciar o nascer do sol, abrigado do vento frio da madrugada. Procuramos um local para que o Rodrigo pudesse bivacar, estendemos um isolante na laje de pedra para deixa-lo confortável enquanto ele buscava se acertar com o intestino rebelde. Enquanto esperávamos, rememorávamos acontecimentos e impressões dos últimos três dias. Conforme amanhecia, as nuvens que amorteciam o brilho da lua se tornavam mais visíveis e traziam dúvidas sobre aquele nascer do sol tão esperado. Pouco antes do romper da aurora, o sol tingiu de sangue o horizonte com o perfil das montanhas do PN de Itatiaia ao fundo. Fizemos fotos de perfil contra a vermelhidão do amanhecer ... Foram breves momentos, antes das nuvens se fecharem e ocultarem inteiramente o sol, mas valeram todo o esforço. Como combinamos, começamos a descida do Pico do Três Estados pouco após as 7h pela trilha da direita, bastante íngreme e progredíamos com velocidade, porém acabou que na “pressa” em começar a descida, deixamos o Douglas para trás, e como ele não se manifestou logo no início, descemos quase que toda a encosta antes do Marinaldo nos alertar sobre a ausência do Douglas. Aguardamos um pouco, chamamos algumas vezes por ele e ante a ausência de resposta, só nos restou tocar montanha acima, voltando sobre nossos passos na busca do amigo retardatário... Alcançamos o Cume do Pico do Três Estados e nada dele, procura daqui, procura dali e nada... Mistério... Supondo que ele tivesse optado pelo caminho da esquerda, começamos a descer novamente, chamando por ele e... Ouvimos ao longe “frannnnnnnngoooooo”, quase que um grito de guerra do nosso amigo. Numa mistura de alivio e zanga, apertamos o passo, mas sem responder a ele e ao pé da descida nos reencontramos. Feitas as acusações mútuas de praxe e vencida a zanga, fizemos as pazes e retomamos a pernada, caminhando em direção ao Cume do Pico do Bandeirante, alcançado em pouco mais de uma hora de caminhada, em passo tranquilo. Na verdade, a partir do Pico do Três Estados, não seria muito preciso dizer que estávamos “trilhando”, seria mais justo dizer que passeávamos, curtindo a trilha, as montanhas, o cheiro da mata. Acho que nesse ponto, mesmo o Rodrigo também curtia, ainda que sofrendo com a cólica. Supondo que tivesse alguma relação com a economia de água, procurei fazer com que bebesse a cada pouco. Não havia mais pressa, não havia mais “ataques”, era uma questão de manter o foco, para evitar acidentes e caminhar pelo ombro do Pico dos Três Estados e subindo pelo Pico do Bandeirante, penúltimo Cume da travessia. A partir do Cume do Pico do Bandeirante, seguimos no tradicional sobe-e-desce da SF, perdendo altura de forma consistente, enquanto buscávamos o sopé do Pico do Alto dos Ivos, derradeiro Pico da Travessia. Da base dele até o cume, são cerca de 130 metros de altura, menos de metade da diferença de cota observada na Pedra da Mina ou no Pico do Cabeça de Touro, mas com o cansaço somado dos dias anteriores, não deixa de ser uma visão ameaçadora para os que estão se arrastando na travessia. Para nós, marcava o início do fim da nossa aventura pela Serra Fina. A partir desse cume, alcançado às 9h20min, a trilha seria de descida quase que constante até alcançar o Sitio do Pierre. Como havíamos sido conservadores com o consumo de água, tínhamos agora água abundante e fazíamos uso dela com muito gosto. Caminhando sem pressa, procurando distrair o Rodrigo das cólicas, fizemos os últimos quilômetros caçando morangos silvestres, framboesas, azuizinhos do cerrado, e amoras silvestres, chegamos ao ponto de resgate às 13h30min, com considerável margem para o horário marcado das 15h. O Douglas e o Marinaldo chegaram pouco depois, o Douglas mancando um pouco devido aos calos que o atormentavam desde a descida do Pico dos Três Estados. Aproveitamos para comprar alguns produtos de um produtor local, pouco acima do local do resgate. Queijo, mel, doce de leite, goiabada cascão... Tudo provado e aprovado. Fizemos a tradicional foto de fim da travessia, nos parabenizamos mutuamente e ficamos curtindo a sensação de superação e orgulho pelo sucesso da empreitada, inédita ao nosso conhecimento em vários sentidos, realizando a Travessia Serra Fina em 4 (quatro) dias subindo todos os Picos da Travessia Tradicional, mais os Picos do Tartarugão, Ruah Menor, Camelos 1 (um), Camelos 2 (dois), Camelos 3 (três), Camelos 4 (quatro), Avião, e o colossal Cabeça de Touro (que está inteiramente no território do Estado de São Paulo, sendo o mais alto do Estado), onde a batizamos de Travessia Serra Fina Full (TSFF).
  19. 4° e 5° dia 19 e 20/01/2019 - Sábado e domingo Tiramos esse final de semana para descansar/programar o próximo destino e conhecer alguns lugares na cidade(a previsão era de muita chuva), estivemos no sábado à noite na praça matriz de Marmelopolis ver uns cantores locais se apresentarem na praça central e tomar açai($6,50 - 500ml). No domingo fomos conhecer as cachoeiras dos padres de carro, numa linda fazenda com criações de trutas, tem restaurante e pousada($70 por pessoa com café da manhã - camas ótimas, tv via satélite, banheiro privado novo, tem quartos de casal e outros com beliche, extremamente limpo), tem restaurante $25 por pessoa à vontade, com truta e carne de porco de lata. RECOMENDO No domingo à tarde, tirei um tempo para estudar os próximos destinos: como estava chovendo muito na região que estávamos(nossa intenção era na Segunda-feira subir o pico dos Marins). E tínhamos programado ir até a Serra do Cipó (próximo a Belo Horizonte) e na próxima Quarta-feira o Inhotim em Brumadinho a entrada é gratuita (ecomonizaria $88), decidimos que na segunda, se a previsão do tempo fosse de chuva, partiriámos para região de Inhotim, conheceríamos o parque e a região de Brumadinho e depois Serra do Cipó e Cachoeira do Tabuleiro. Por uma sorte muito grande(explicarei no relato do dia seguinte), não estávamos na região de Brumadinho quando do rompimento da barragem da Vale. Imagina nós fazendo uma caminhada e dar de encontro com a lama vindo em nossa direção. Hospedagem: a mesma do dia anterior 6° dia - 21.01.2019 - Segunda-feira Saída pousada à pé, ida até Cubatão de Baixo depois Santa Cruz e retorno à cidade. Pegamos o carro e dormimos em Itamonte-Mg. +-18 kms em aprox. 03:45hrs Acumulado: 99 kms Total Acumulado geral: 382 kms à pé Domingos gentilmente preparou ótimo café da manhã, batemos um papo com ele e saímos com o tempo fresco e poucas nuvens no céu(pensei: a metereologia errou de novo, hoje não vai chover, mas choveu). Passamos em frente ao posto sentido Delfim Moreira, viramos à esquerda e na última rua antes do asfalto, viramos à direita e logo a seguir entramos numa estradinha de terra. No início subida bem forte e longa, depois descida forte até um entrocamento e viramos à direita. Entramos num vale com lindo visual de montanha, passamos numa antiga fábrica de doce de Marmelo em ruínas. Caminhamos com muita sombra até um outro entrocamento e viramos à direita e sempre margeando o rio, com sol no rosto, passamos por algumas lindas cachoeiras. Neste trecho tem um lindo visual do Marins, pena que estava encoberto(a previsão confirmou que haveria chuva com raios à partir das 11 horas). Andamos mais um tempo e já entramos na cidade já com o céu encoberto. Tomamos banho e preparamos as mochilas, batemos um papo com o Domingos e partimos, começou chuva fina. Saímos com previsão de chegar próximo a Inhotim, pegamos estrada de terra, paramos em Virgínia-Mg para ir ao banco e almoçar(ótima comida $15 por pessoa à vontade) e depois fomos visitar o sr Mauro do pesqueiro e pousada 13 lagos a uns 3 quilômetros da cidade(como o Sr Mauro gosta de uma boa prosa e eu também, ficamos conversando +- 3 horas, começou a chover, decidimos abortar a ida para Inhotim, para nossa sorte). A pousada do sr Mauro é onde ficamos hospedados das duas vezes que fizemos o caminho dos anjos. Optamos em dormir em Itamonte, teríamos mais opções (Itatiaia, picos), se por acaso não chover. Hospedagem: Hotel Thomas Itamonte, na beira da estrada, camas boas, ventilador, tv aberta, wifi, banheiro privado. Preço $60 por pessoa com café da manhã simples. RECOMENDO. Prefiram os quartos que não são virados para as ruas (muito barulho). Obs.: próximo do hotel tem um ótimo churrasquinho de barriga de porco ($3 cada) que foi nosso almoço/janta) Vista do pico dos Marins ao.amanhecer, confirmando chuva Uma das cachoeiras dos padres Pico do Marins com o céu aberto, a cada hora o tempo mudava Caminho com verde exuberante O Marins já ficando encoberto de novo Tempo encoberto no pico da mina, foto tirada na.estrada de terra na chegada ao PN do Itatiaia, parte de cima.
  20. A distância da base até o Pico dos Marins é bem menor que o referente à Pedra da Mina. Apesar de não ter nenhuma escalada em pedra como nos Marins, o acesso à Pedra da Mina são subidões impressionantes, morro atrás de morro e algumas muito forçadas e desgastantes. Mas o lugar impressiona!! Vale muito a pena!!!
  21. Mais um feriado chegando, o de 9 de julho em SP, e Manoel e eu de novo naquele dilema do que fazer, tudo é tão longe, a previsão do tempo não ajuda, mas por fim pensamos na Pedra da Mina, projeto de 2014 que foi substituído pelo Pico dos Marins. Acompanhando a previsão do tempo, um dia tem chuva, um dia tem sol, um dia tem chuva, outro dia tem mais chuva ainda rs... O Feriado foi se aproximando e a previsão foi melhorando e finalmente tomamos a decisão de ir. Lemos novamente alguns relatos, e a maioria falava da dificuldade de subir a pedra, fiquei bastante insegura com a minha falta de preparo físico, mas, porém, todavia, a montanha chama! Lá vamos nós, juntamos as tralhas, tentando não esquecer nada, imprimimos um relato que achamos mais completo (ainda com trauma dos perdidos que tivemos no Marins rs), GPS, tracklog devidamente baixado e lá vamos nós. Dia 09/07 às 7:20 da manhã partimos de Rio Preto pra Passa Quatro/MG. Paradinha pra um café, pra um almoço e por volta das 16:30 chegamos a Passa Quatro. Seguindo as orientações do relato encontramos a entrada para a fazenda Serra Fina, mas continuamos pra abastecer o carro, comer um pão de queijo com café e aí seguir para a fazenda. Pessoas muito bem informadas que somos, começamos a contar 12km a partir da estrada de terra, quando vimos uma placa com setas amarelas ao lado da placa do Ibama nós sabiamente decidimos que ali era o caminho, afinal, na nossa cabeça ali não existia nada mais importante que a Pedra da Mina pra alguém marcar com setas kkk. Claro que estávamos errados, mas só descobrimos quando estávamos quase chegando em Itamonte rs. Voltamos e chegamos à placa, que agora sabíamos, tinha que continuar reto toda vida. Toda vida até chegar ao Paiolinho e depois andar mais. Depois do Paiolinho a fazenda está perto, mas estava um breu só, e eram 18h, e o caminho parecia interminável e muito escuro. Quando pedimos informação sobre a Serra Fina disseram que era só ir reto até o final da estrada. Só não disseram que tinha uma bifurcação, que muito rapidamente o Manoel decidiu que era pra direita (e felizmente acertou). Muito barro, e com o terreno bastante liso, finalmente chegamos no final da estrada e desconfiamos que era a Fazenda. Tudo totalmente escuro, só percebi que tinha alguém na casa que existia ali porque uma criança tossiu. Chamei e veio a D. Maria, não tinha mais nenhum carro ali na fazenda, um pouco antes de chegar à porteira havíamos visto um carro na estrada, mas achamos que era de pescadores, mas era de “subidores” que haviam começado a trilha durante a tarde. Pagamos os R$ 20,00 pra guardar o carro e começamos a procurar lugar pra armar a barraca. Mas tive a linda ideia de sugerir de dormimos no carro, afinal teríamos que desfazer as mochilas, armar e desarmar barraca guardar tudo de novo, demoraria muito. Nem precisei argumentar muito e o Manoel aceitou a “brilhante” ideia de jerico sem pé nem cabeça. Baixamos os bancos e ficamos ali, quietos. Isso 19h da madrugada, íamos acordar às 5h, isso se tivéssemos dormido. Crianças, a não ser que vocês tenham o carro mais confortável desse mundo, não façam isso, partimos quebrados pra trilha, sem dormir e sem se alimentar direito. E o que já é normalmente difícil, ficou muiiiiiiiiiiiiiiiito mais difícil rs. Estávamos nos preparando pra sair e chegaram dois carros com um grupo que também iria iniciar a subida. Eles têm um guia, e também um senhor de uns 60 anos e uma criança de 10 no grupo. Coragemmmm! E eu aqui já cansada sem começar a trilha rs. Às 06h30min pegamos nossas mochilas com muitos quilos e saímos. Logo eles nos alcançaram, no rio que cruzamos no caminho (o único), porque antes você passa um riachinho, um fio de água, e depois desse rio, o último rio passa ao lado da trilha. img] Saímos pesados, e já levando 6 l de água. Mas abastecemos um recipiente vazio neste rio, tiramos fotos, socializamos com o grupo e continuamos. Essa parte a trilha é sempre subindo, mas num terreno amigável e sob as árvores. Depois de uma hora e quarenta caminhando chegamos a uma clareira sombreada e o grupo, que havia seguido na frente, estava lá lanchando. Conversamos mais um pouco e eu resolvi tirar parte dos 125 casacos que usava. O Manoel já havia tirado os dele. Depois dessa clareira (que apenas na próxima clareira descobri que era a tal Panela Vermelha, pois ela não estava mais lá rs), a subida foi mais forte, a mata acabou e agora tínhamos uma “matinha”, uma subida constante, com pedra íngremes e eu que comecei cansada, estava mais cansada ainda. Uma hora e meia depois chegamos na outra clareira, e o grupo estava lá e aí soube que aquela subida que tínhamos acabado de fazer, era uma subida difícil que descreviam nos relatos, que começava logo depois da panela vermelha. Pensei: Ufa, menos uma (tão enganada eu estava). Logo depois dessa clareira, você anda um pouquinho e à esquerda estará o último ponto de água. Nós estávamos abastecidos então não pegamos água. Descansamos um pouco e continuamos. Pegamos um trecho de capim, encontramos uma clareira, que dá pra acampar, olhamos a vista, e fomos procurar o caminho. Aqui uma observação, algum anjo abençoado do Senhor passou por lá e marcou o caminho com refletivos grampeados na vegetação. Estávamos com GPS e até esse momento a trilha é clara. No entanto, estávamos traumatizados por termos nos perdido algumas vezes subindo o Marins, e esses refletivos nos trouxe um conforto psicológico imenso, apesar de estarmos com o GPS. Entramos no capim, tudo fica igual, a trilha dá uma sumida, a gente procura, e encontra e perde, mas logo ouvimos o grupo vindo lá atrás e os esperamos pra confirmar se estávamos no caminho certo rs. Caminhamos no capim, caminhamos, no mato, caminhamos, caminhamos e chegamos numa pedra inclinada (até aqui, foi um trecho de subida, com brejinhos e trepa pedra). Dessa pedra lembro que tinha um amarílis florido. Era cerca de 11 da manhã, 3,5 h de caminhada, e pelos relatos, na minha cabeça, tínhamos passado o trecho mais difícil. Então tá, vai vendo a “desgrameira”. Comemos um sanduíche, um biscoito e continuamos. Agora começa um trepa pedra sem fim, haja pernas. Nesse tempo o solado da bota do Manoel descolou inteiro, quando encontramos o grupo com guia, o Manoel pediu uma sugestão, e o guia falou pra ele continuar, amarrar uma corda e seguir, depois jogasse fora as botas, assim ele fez rs. Trepa pedra, passa na capim, trepa pedra de novo e por volta das 13h chegamos a um bambuzal, com uma sombra gostosa e deu vontade ficar ali e pedir resgate por helicóptero, ou cavalo, mula, iaque, lhama... qualquer resgate seria bem vindo. Mas a vontade de chegar ao cume era grande, lá fomos nós, achando que o mais difícil tinha ficado pra trás. Depois do bambuzinho, seguimos em frente, e encontramos mais capim, mais brejinhos, mais pedra pra subir e mais morro pra descer. Sinceramente, eu não li em lugar nenhum que tinha que subir e descer 254 morros antes de chegar à Pedra da Mina. Sério, porque pareceu que foi esse o número de vezes que subi e desci. Não tinha mais forças, quando avistei finalmente a Pedra da Mina eu achei que estava perto, mas faltavam 28 morros pra subir e descer até chegar lá. Depois que saímos do bambuzal encontramos o grupo do carro que estava na estrada, e eles voltaram sem subir até o cume, porque também tiveram a impressão que o cume nunca chegava rs. Pois é, não foi animador... Mas como somos muito teimosos continuamos, apesar das últimas forças terem ficado lá na pedra onde crescia o amarílis. Finalmente chegamos à parede que dava acesso ao cume da Pedra. Eu já muito emputecida, resolvi que não ia subir, mas o Manoel disse que eu ia subir sim, então subi (ele manda rs). A essa altura parte do grupo guiado ficou no bambuzinho, o senhor, o garoto, o pai e o tio do garoto, segundo informações. Bom, até o bambuzinho é uma longa jornada, o avô e o garoto foram muito longe. Legal uma criança começar esse tipo de atividade logo cedo, ainda mais em família. Do grupo ficaram 03 rapazes e o guia, os quais estavam caminhando com a gente. Juro que por pouco não pedi pra sair, mas aí subi aquela parede até a Pedra. Mas aquilo não era exatamente o cume, aquele onde fica o livro e tals. Bom, mas era quase. Subimos essa pedra e descemos até uma “cratera” e procuramos um lugar pra armar a barraca. Eram 16:20 da tarde, ou seja, 9 horas e 50 minutos depois que deixamos a Fazenda Serra Fina. Ainda era tarde, mas parecia noite, pois o tempo estava fechado e fazia muito frio. Fomos armar a barraca, “fomos” é muita gente, quem mais trabalhou foi o Manoel, meu macho Alfa rs. Barraca armada, colocamos todas as roupas de frio disponíveis, e fomos subir até o cume, o verdadeiro, aquele do livro, sem as mochilas pesadas. Ahhh que diferença. Mas lá fazia tanto frioooo, que vimos o pôr do sol, o que só foi possível porque o céu abriu um pouco, assinamos o livro e voltamos para comer nosso miojo no quentinho da barraca. Um miojo, um dorflex, e vamos tentar dormir. Fez muito frio à noite, e de madrugada sentimos bastante, apesar de estarmos bem agasalhados e ainda levamos aqueles cobertores de alumínio, que ajuda muito. Acordamos às 6h com uma ventania e com uma neblina tão densa que não se via um metro longe da barraca. Ficamos mais um pouco dormitando, e só por volta das 7h começamos a recolher as coisas pra sair. Enquanto subíamos, eu já pensava na descida, porque descer dói. Dói meus pés e dói os joelhos desgastados do Manoel. Começamos a descer às 8 horas, e às 16h, sim 8 horas descendo, chegamos finalmente à Fazenda Serra Fina. Descemos fazendo paradas mais longas, mas foi uma descida sofrida, sobe e desce de morros, capim, brejinhos, pedras soltas e assim fomos no nosso tempo, que foi muiiiiiiiiiiiito, mas muiiiito longo por sinal rs. Gente, se você é montanhista de semestre como a gente, vá consciente que a subida da Pedra da Mina é difícil, se você tiver preparo bem mais ou menos como o meu, prepare o psicológico, porque é uma subida exaustiva, principalmente se for pernoitar no cume, subir com peso faz muita diferença. Nós vimos muita gente fazendo bate volta, sem peso, em 5 ou 6 horas. Encontramos corredores de montanha que fizeram ida e volta em 3h. Nós dois praticamos atividade física, mas foi coisa de doido . E não esqueça o agasalho, porque teve muita gente passando frio lá em cima, muito frio. No final fica a experiência, a região da Pedra da Mina é linda, amo as montanhas, a natureza e o desafio de sair da rotina apesar do pouco preparo físico rsrs. Mesmo prometendo durante a subida que o próximo feriado será no resort, na descida a gente já começa a pensar na próxima montanha.
  22. Dia 24.02.2019 - Domingo Saída da pousada de carro, ida até próximo base do pico Itaguaré e retorno à pousada Saímos da pousada um pouco tarde, estávamos cansados da subida ao pico dos Marins e da viagem. Pegamos rodovia asfaltada e passamos ao lado de Passa Quatro-Mg, sentido São Paulo, logo depois entramos à direita numa bifurcação, estrada de terra com uns pedaços com muitas pedras e buracos, subidas e mais subidas fortes. Segundo as informações teria placas sinalizando até a base, infelizmente entramos errado numa plantação de eucaliptos, e só fomos descobrir depois de perguntar numa chacara. Como já estava tarde e o tempo estava sinalizando chuva para depois das 13 horas, abortamos a subida ao pico. E depois das 14 horas choveu muito na região, o bom senso prevaleceu na desistência de subida ao pico. Vai ficar para outra oportunidade. Retornamos pelo mesmo caminho até Passa Quatro, voltamos ao mesmo restaurante que serve a melhor Leitoa de leite assada e cortada bem fina (só servem aos domingos, eu acho). Voltamos para rodovia e logo depois estávamos na pousada. Hospedagem a mesma do dia anterior
  23. Essa é o tipo de travessia que todo montanhista gosta de ter no currículo, a Travessia Marins x Itaguaré é uma das travessias mais técnicas da Serra da Mantiqueira, com diversos obstáculos naturais que dão um toque especial ao caminhar pelas belas paisagens da Serra que chora. Características Dificuldade: Alta Distância: 17,78 km Altitude Máxima: 2.432 m Circular: Não Como Chegar Piquete fica localizada nas encostas da Serra da Mantiqueira na região do Vale Histórico ou Fundo do vale e fica praticamente no centro do eixo Rio-SP, estando a 243 km do Rio de Janeiro e 240 km de São Paulo. Para chegar até Piquete o acesso é feito pela Rodovia Presidente Dutra até a cidade de Lorena/sp no Km 51 e de lá através da BR – 459, Rodovia que liga Lorena/SP a Itajubá/MG, passando a cidade de Piquete segue-se em direção a serra e após 2 km se inicia a subida para a base do pico. As condições da estrada vicinal são muito boas, com asfalto até a Vila dos Marins, depois de passar a vila a estrada passa ser de bloquetes e alguns trechos de terra, recomenda-se um carro 4×4 para pegar esse caminho. Outra alternativa é passar a cidade de Piquete sentido a Marmelópolis/MG e pegar a entrada para a estrada do Saequi, uma estrada de terra muito bem conservada que chega até o acampamento base do Marins. A Travessia Fizemos a travessia no feriado da páscoa, de 3 a 5 de abril de 2015. Essa travessia já estava planejada desde o ano passado e faz parte de um projeto nosso de fazer 4 travessias famosas no Brasil esse ano. O Luan que sempre me acompanha nas trilhas não pode ir devido ao trabalho, então ficou de apoio na logística nos levando até Piquete e depois fazendo o resgate em Passa Quatro, dessa forma quem me acompanhou nessa aventura foi meu pai Mario. Antes mesmo de entrarmos na trilha já tivemos a primeira aventura, contratamos um cara para nos levar de Piquete até o acampamento base do Marins pelo Bairro dos Marins, combinamos tudo e estava tudo certo, porém, ao chegar no trecho ruim da estrada o carro não subia e nada que fazíamos convencia ele a tentar subir, nisso chegou mais um carro com três chineses super gente boa que também parou no mesmo lugar da estrada. Arrumamos a estrada colocando umas pedras, madeiras e mato para o carro deles subir e depois ajudamos a empurrar no fim da subida até o carro sair do atoleiro, vendo nosso problema eles nos ofereceram carona até o acampamento base. Adoro esse espirito de companheirismo do montanhismo. Bom graças a ajuda chegamos ao acampamento base, pegamos água e começamos a subida, o plano para o primeiro dia era acampar no cume do marins. O inicio do trajeto é bem tranquilo por dentro da mata em uma trilha bem definida, depois de 15 minutos já começa uma bela subida em direção ao Morro do careca já sem proteção de arvores, bem exposta. O Morro do Careca esta a 1.608m de altitude e é realmente o inicio da trilha do Pico dos Marins. Desse ponto em diante a vegetação se transforma, deixando para trás o aspecto de mata atlântica, passando para pedra, muita pedra, vegetação rasteira, capim elefante e algumas flores como o Ypê Astro. Vale lembrar que não existe ponto de água potável no caminho até o cume, então tenha água suficiente para a subida. A trilha inicial é bem nítida e vai acompanhando a crista do morro de forma bem acentuada. Ao longo da subida a alguns mirantes e após alguns minutos já é possível avistar o morro do careca novamente. Boa parte da navegação é feita através de totens e alguns desenhos no chão(se for seguir as setas, siga as amarelas), o ponto de referencia para continuar até o primeiro maciço é o Grande Totem, uma enorme pedra que se equilibra sobre outra. O caminho é passando por ela e seguindo em direção a Pedra da Andorinha. Passando esse ponto, o topo do Pico do Marins deixará de ser avistado, do lado direito ficarão os paredões e outros maciços e do lado esquerdo as montanhas de Minas Gerais. Sempre siga os totens ou seu GPS, principalmente nas bifurcações para evitar entrar em locais de difícil navegação ou áreas de risco como as bordas dos maciços. Para quem é montanhista não precisa nem falar, mas nunca destrua os totens ou crie novos totens em qualquer lugar, isso atrapalha a navegação dos demais. Você deve sempre observar que o Pico dos Maris estará a sua direita praticamente a trilha toda e você irá contornar os outros picos menores pela esquerda, qualquer coisa diferente disso vocês esta no caminho errado . Chegando ao segundo pico os trechos de escalaminhada se intensificam e o primeiro desafio é “escalar” uma rocha, de aproximadamente 4 metros de altura, por uma fenda. Logo após contornar este segundo pico a trilha segue em direção ao cume do Pico dos Marins e você irá passar pelo vale dos cristais. A trilha que vai para o Marins e o caminho da travessia é o mesmo até pouco depois do vale dos cristais, a travessia em si não vai até o cume do Marins, ela segue direto sentido Marinzinho. A bifurcação fica marcada em uma “parede” inclinada de pedra com tinta amarela, mas não é muito fácil de se visualizar, o ponto de referencia se você for fazer o caminho direto para a travessia é a área de camping que existe assim que se chega à base do Pico dos Marins e que fica antes da nascente do Ribeirão Passa Quatro, ali você deve ir para a esquerda. Nós seguimos a direita sentido ao Marins e descemos no dia seguinte. Passando o acampamento ande para a direita e você já verá a descida para a nascente com um escorrega, não beba essa água, ela esta contaminada, mais para frente explico onde tem água potável(ou pelo menos bebível já que estamos vivos rsrsrs) para você seguir a travessia. Passando a nascente já esta próximo, agora basta seguir os totens e tocar para cima. Devido ao feriado a montanha estava muito cheia, o cume do Marins estava com mais ou menos 24 barracas, então decidimos que não iriamos dormir no cume e montamos acampamento em um plato a cerca de 10 minutos do cume. Ali ficamos acampados sozinhos no maior sossego , bem de frente com os dois últimos paredões, com uma vista privilegiada para o Pico do Itaguaré de onde surgiu a lua cheia e para as serras do Vale do Paraíba onde o sol se pôs. Nós saímos do acampamento base as 10:30h e por volta das 16:00h já estávamos com a barraca montada, o jeito foi deitar um pouco para descansar e ir mostrando o caminho até o cume para quem passava por nós e claro ir preparando tudo para curtir e fotografar o pôr do sol. O pôr do sol ali é uma visão incrível, ele clareia o Pico do Itaguaré com raios por trás do Pico do Marinzinho o que deixa uma faixa espetacular no Itaguaré com varias tonalidades incríveis, deixando o Pico ainda mais belo e a visão do vale também é de tirar o folego. A lua cheia também foi um belo espetáculo surgindo bem ao lado do Itaguaré e clareando tudo, fizemos comida praticamente sem lanternas graças ao brilho dela. Com a lua cheia também veio o frio, ficamos mais um tempo tentando tirar algumas fotos das estrelas mas o frio estava demais, jantamos e fomos dormir cedo para estar descansado para o que viria no dia seguinte. O frio estava demais, meu saco de dormir aguenta até 10º e não foi uma boa escolha a temperatura devia estar muito abaixo disso, coloquei segunda pele, blusa, meia, toca e deu para dormir rsrsrsrs No sábado acordamos as 6:30h e ainda estava bem frio, começamos a arrumar o café da manhã e desmontar as coisas, as nuvens no vale estavam incríveis, um lindo visual para começar o dia. Barraca desmontada, mochilas prontas, era hora de descer o Marins e seguir para o Itaguaré. Em todos os relatos que lemos sempre falavam que não existia água potável durante a travessia e devido a isso já subimos o Marins carregados com 4l cada um imaginando que essa água teríamos que guardar até chegar no Itaguaré. Porém no fim de tarde da sexta encontramos o Guto Guia, ele já guia o pessoal lá a um bom tempo e ele nos informou que antes do platô sentido Marinzinho havia uma grota com água e que ele já bebia essa água a 20 anos, isso nos animou e desanimou ao mesmo tempo, se soubéssemos dela antes o peso da subia até o Marins seria bem menor, mas tudo bem. Descendo o Marins quando você passar a nascente do rio Passa Quatro que é contaminada, você vai virar a direita sentido a área de camping e seguir reto em direção ao plato antes do Marinzinho, antes de começar essa subida, na esquerda você verá bastante árvores que se destacam da vegetação na travessia, a água esta ali, entre na trilhazinha por entre as árvores e você vai chegar no riacho, entre nele pisando nas pedras até uma pequena queda d’agua e pode pegar água ali, ela é uma água amarelada mas o Guto já havia dito que sempre consumia e nós também consumimos sem nenhum problema, foi bom para trocar por uma água mais gelada. Voltando para a trilha, o caminho é subir o maciço em direção ao Marinzinho, até esse trecho sem erro basta subir seguindo os totens e ai começa a jornada de sobe e desce até o Itaguaré. Ao chegar no topo desse maciço, o caminho é descendo pela esquerda e passar no meio do capim elefante até a lateral do Marinzinho, cuidado com os pés, o terreno estava encharcado, tivemos que andar apoiando no capim para não afundar a bota inteira. A subida até o cume do Marinzinho(que na verdade é mais alto que o Marins) é muito técnica, ela é feita pela lateral esquerda do pico, com muito, mas muito trepa pedra, se você tem medo de altura, esquece, chegou a hora de desistir, em varios trechos é preciso subir nas pedras na “beira do abismo”. Chegando ao cume do Marinzinho, a trilha passa sob algumas rochas grandes e inicia uma forte descida em direção ao vale que separa o Pico do Marinzinho da crista que segue para a Pedra Redonda, tenha em mente que seu ponto de referencia é a pedra redonda, você precisa chegar até ela. Passando esse ponto vem uma das partes mais tensas ou mais divertidas, depende do seu estado emocional. Existe uma descida quase vertical de cerca de 5m que é feita com a ajuda de cordas, não sabemos quando elas foram instaladas, mas são três cordas diferentes e em diferentes estados de conservação, é bom dar uma testada na corda antes de descer. Após a descida da corda, a trilha é íngreme terreno abaixo até chegar no fundo do vale, e logo em seguida uma pesada subida também íngreme em direção a crista que vai chegar na pedra redonda. Terminando a subida existe um ponto bom para descansar já praticamente de frente para a famosa pedra redonda, dali até ela são menos de 10 minutos. O caminho até ela segue o mesmo esquema, desce o pico e sobe o pico, chegando na pedra redonda você fica inconformado, a pedra não tem nada de redonda rsrsrs Dependendo do seu cansaço existe um ponto de camping em um pequeno vale atrás da pedra, nada muito grande, devem caber umas 5 barracas e um pouco mais para frente, cerca de 350m existe outro espaço para umas 3 barracas. Descendo a pedra redonda, passa por um vale e depois começa um caminho incrivelmente chato por entre bambus que fecham e criam um túnel, mantenha tudo muito bem preso na mochila, não deixa nada além da linha da mochila pois vai enroscar nos bambus e te atrapalhar. Passando os trechos de bambu se inicia uma nova subida de onde já é possível avistar a crista em direção ao Itaguaré, nós nos perdemos um pouco nesse trecho devido a altura do capim que tampou a trilha e enquanto estávamos procurando o caminho para iniciar a descida, encontramos um grupo de 4 pessoas que também estavam perdidos, encontramos a descida e o grupo se juntou a nós no caminho até o Itaguaré, ali é uma longa descida até chegar ao fundo do primeiro dos últimos 3 vales que se tem que atravessar, nesses trechos os totens ajudam bastante e da para confiar neles, como são menos pessoas que passam por esses trechos e não existem tantos caminhos a seguir, o número de totens também fica reduzido. Como agora estávamos em maior número, já tínhamos nos perdido uma vez e o caminho era só subida e descida, o ritmo foi menor e ao final do terceiro vale qual a surpresa? para continuar a trilha é necessário tirar as mochilas das costas e passar no meio das pedras carregando(ou arrastando elas), o que nesse trecho da trilha depois de tanta subida e descida faz a mochila pesar uns 15kg a mais. Depois dessa ainda chegamos em um ponto onde a seta indicava que o caminho era por cima de uma pedra muito alta e do lado dela havia um buraco(uma mini caverna), como estava complicado subir na pedra que a seta indicava, eu entrei no buraco e andei de coque pela esquerda até achar um buraco no teto entre as pedras, subi nele, voltei por cima das pedras em direção a onde a seta indicava, peguei a mochila de todos e ai sem peso nas costas uns subiram a pedra direto e outros foram pelo mesmo caminho. Passando essa pedra falta pouco, mas como em todo caminho, falta uma subida bem ingrime, vá seguindo os totens que não tem erro, essa é a subida final até a base do Itaguaré. Ao final dessa subida, a direita você vai sentido cume do Itaguaré e a esquerda, contornando uma grande pedra redonda pela esquerda você vai sentido a vários platos que são as áreas de camping e a nascente de um rio. Chegamos nesse ponto as 18:30h, já escuro, esfriando e uma chuva ameaçando cair, tudo o que eu queria era pegar água nova, montar a barraca e dormir. O primeiro camping era pequeno e antes do rio, então decidimos continuar com a mochila cargueira até o rio e ver como estavam as outras áreas de camping, o grupo que encontramos decidiu parar por ali mesmo, então fomos só meu pai e eu. Para entrar no rio você segue uma trilha pela direita que forma um túnel e vai caminhando por ela em direção a esquerda sempre seguindo o que deve ser um rio em época de muita chuva. Pegamos só um pouco de água ali pois ainda tínhamos um pouco e fomos em direção ao camping subindo por entre as pedras no escuro só com o headlamp o que não é tão legal assim. Para nosso alivio havia um pequeno espaço nessa área para uma barraca, já havia uma galera acampada lá. Assim que chegamos já comecei a montar a barraca e o pessoal que já estava acampado nos ofereceu um macarrão que eles tinham acabado de fazer, como tudo que eu queria era realmente deitar, só meu pai foi comer. Tudo arrumado, comi só um atum e cama. Essa noite foi bem menos fria que a noite no Marins, mas os ventos foram bem fortes durante a madrugada. Nosso plano era acordar cedo, subir até o cume do Itaguaré e ai ir embora até o ponto de resgate, porém, ao acordamos tudo estava nublado, com ventos fortes, sem visibilidade nenhuma e ai nosso ataque ao cume do Itaguaré já era. Desmontamos tudo então e ai vem a duvida, sem conhecer o caminho, seria uma boa partir por entre as pedras no meio daquela neblina até o ponto de resgate? Nessa o pessoal que estava acampado ali antes já estavam indo embora e perguntaram se queríamos ir com eles pois já conheciam o caminho. Nem precisaram perguntar duas vezes, já colocamos as mochilas rapidinho e os seguimos. Esse primeiro trecho saindo da área de camping é muito ruim, são descidas por pedras grandes e lisas, tinha trecho que era mirar em alguma coisa e descer escorregando e a ajuda deles foi muito bem vinda devido a baixa visibilidade. Como eu disse no outro post, adoro esse espirito do montanhismo de ajuda e por isso nunca negue ajuda a alguém que precisa se estiver ao seu alcance, logo na frente pode ser você a precisar. Após passar as pedras a trilha entra na mata e a descida fica muito bem demarcada, mais ou menos em 2 horas em ritmo tranquilo e estávamos no descampado onde é a área de regaste, já praticamente no fim da descida existem três riachos para pegar água caso necessário. Como chegamos muito cedo, por volta das 10:00h e nosso resgate só deveria chegar lá pelo meio dia ficamos lá conversando com o pessoal que nos ajudou na descida, troca telefone, troca facebook e ai quem sabe novas companhias para outras trips, depois ainda chegou um grupo grande do Rio de Janeiro que também conhecemos na trilha. Em resumo a travessia é espetacular, bem pesada, não recomendo para qualquer pessoa, existem muitos trechos bem técnicos e se for a primeira vez vá com alguém que conheça a região ou contrate um guia. Mesmo não subindo até o cume do Itaguaré valeu muito a pena, tivemos um pôr do sol e uma lua cheia de tirar o folego, fora as belas paisagens que só a Serra da Mantiqueira proporciona e já estava passando da hora de ter essa travessia no currículo. Dicas Planeje bem como será a logística da travessia, quem irá levar e quem irá resgatar se não quiser caminhar bastante em estradas de terra, mais abaixo vou deixar alguns contatos para ajudar nesse planejamento. Leve protetor solar, existem raros pontos com sombra. Sempre caminhe de calça e se possível vá de luva, o capim elefante corta bastante e subir as rochas com a luva ajudam um pouco. Mesmo com os pontos de água indicado, se for fazer a travessia em época de seca leve um pouco de água reserva, melhor sobrar do que faltar. É uma travessia pesada, só leve o que realmente for usar para evitar peso extra. Contatos Carlos Moura: E-mail: [email protected] Telefones:(12) 98109.3292 Facebook: carlos.moura.3998 Milton: E-mail: [email protected] Telefones:(11) 99770.1991 / (11) 98214.1992 Facebook: milton.gouveafranco Guto Guia: Telefones:(35) 3371.3355 / (35) 9169.9878 Facebook: guto.guia Paulo e Marcia(Novos donos do acampamento Base do Marins): Telefones:(12) 3152.4077 / (12) 3152.4977 / (12) 99606.2531 Facebook: alojamento.marins
  24. Pico dos Marins é show heiimmm!!! Esse bate e volta é osso e acaba ficando pouco no cume e não aproveita muito a oportunidade de estar a 2.420m de altitude. Mas sei que muitos colegas não tem dois dias para fazer esse rolê de forma mais tranquila, então o bate e volta é uma solução. Uma dica para os amigos: Para essa pegada é legal você sair de madrugada, iniciar a subida bem cedinho ... Saiam ainda na noite de sábado (nem que seja meia noite). Vão chegar às 4h00 da madrugada na base dos Marins. Dão uma relaxada, tomam um cafezinho no estacionamento da pousada e iniciam a subida por volta de 5 horas, com temperatura baixa. Vão chegar no cume umas 11/12 da manhã, indo tranquilo. Aí o dia vai valer a pena. Subir mais tarde, em um calorão infernal não é um bom negócio, principalmente porque vão ter um longo estradão para pegar na volta.... e o cansaço vai acompanhar vocês minuto a minuto, durante todo o trajeto até suas casas rs. Abração e boa sorte aos amigos!!
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