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  1. PARQUE NACIONAL DO ITATAIA (PARTE ALTA) - MG Dia 21.02.2019 - Quinta-feira Saída do Hotel em Itamonte, fizemos duas trilhas no PN do Itatiaia, pegamos carro fomos até Marmelopolis-Mg e dormimos em Guaratingueta-Sp +-8kms em aprox. 02:40hrs Acumulado à pé desde o início:888 kms Saímos de Itamonte com o tempo encoberto, pegamos rodovia asfaltada até a garganta do Registro, viramos à esquerda numa estradinha. No início em asfalto péssimo, depois terra com muita pedra. Como choveu muito à noite tinha árvores caídas na beira da estrada. Chegamos na portaria do parque(posto Marcão), fizemos a ficha(idoso não paga). Continuamos de carro até o abrigo Rebouças(uns 3 kms) - 2325msnm, onde deixamos o carro no estacionamento. Uma chuva fina começou a cair, que logo cessou. Obs.: Tem que chegar cedo ao parque, pois tem número limitado de pessoas por trilha (tem umas que liberam somente umas 10 ou 15 pessoas por dia). O controle é rigoroso, pois vc faz a ficha de completa(com o quê vc pode fazer e não fazer no parque) bem como todos seus dados, contatos de parentes, e lhe fornecem uma braçadeira por grupo (no nosso caso éramos em 2 pessoas, uma fica responsável pelo grupo), se acabar as braçadeiras não entra mais ninguém para fazer essa trilha, achei válido e seguro! TRILHA ATÉ PRATELEIRAS No início poucas pedras e subidas leves, vimos a cachoeira das flores à esquerda, logo à frente chegamos na primeira bifurcação(reto começa a travessia Rui Braga) viramos à direita, começa subida forte com muita pedra grande, avistamos as prateleiras, as pedras ficaram maiores, entramos do lado direito seguindo as placas. Antes da base tivemos que subir um trecho bem íngreme e escorregadio. A base(2460msm - 57 minutos) é simplesmente SENSACIONAL, pedras enormes em vários formatos(tinha uma que parecia um coração), lindíssimo visual de toda região, destacando a região da pedra da mina. IMPERDÍVEL! Retornamos pelo mesmo caminho até o Rebouças (01:40hrs ida/volta), o tempo ficou firme e resolvemos ir até a base das agulhas Negras. TRILHA BASE PICO DAS AGULHAS NEGRAS Base 00:28hrs - 2370msnm Retorno até o carro 00:56hrs - Trilha bem curta, passamos por cima de uma barragem, segue por pedras grandes e alguns charcos, atravessamos uma ponte pencil. Fomos até a base(2370msnm) e retornamos (56 minutos ida/volta). Obs.: Na portaria nos informaram que essas trilhas eram fortes e que o tempo para fazê-las era em torno de 6 horas...tô achando que os guardas (super gentis) olharam para nós e pensaram: "esse velhinhos vão chegar de volta em 10 horas", quando chegamos eles ficaram abismados. ...ou será que eles estavam nos animando, devem fazer isso com todo mundo kkkkkkkk1 Nossa intenção era subir a pedra da mina, mas analisando a previsão do tempo para os próximos dias, abortamos a subida. Outra opção era subir o Marins, então fomos até Marmelopolis-Mg estudar a situação (quando fizemos o Marinzinho, a previsão do tempo não confirmava), conversamos com o pessoal sobre o tempo, e para nossa decepção estava chovendo todos os dias nos horários divulgados pelos metereologistas, diante disso deixamos para outra oportunidade. Pegamos estrada novamente, muito a contra gosto e tristes, até Guaratingueta - Sp. Uê, mas vocês não disseram no início do tópico que tinham subido o Pico dos Marina! Só no próximo Post para saber o que aconteceu. .. Hospedagem: hotel Cristalino, Guaratingueta-Sp, camas boas, ventilador, tv aberta, wifi, banheiro privado. Preço $65 por pessoa com café da manhã. RECOMENDO TRILHA DAS PRATELEIRAS Saindo do Rebouças todo preparado para a chuva Flores pelo caminho e o pico na nossa frente, a foto não retrata a imponência e beleza desse lugar, muito show Na base tem uma plataforma e tem essa visão da coluna de pedras que desce até abaixo, com visual estonteante da região, apesar de encoberto Aqui dá pra sentir mais de perto como é lindo isso aqui Subida forte em pedras escorregadia, apesar a altitude, a trilha não é tão forte como falaram os guardas Uma.pedra em forma de coração (lindo!!) E outra equilibrando para não cair. Visual do parque e do Pico das Agulhas Negras Vista de outra área da base das prateleiras A pedra em forma de Coração, o amor está no ar Essa placa é bem clara, daqui para frente só com autorização, e com equipamentos de escalada. Parceira numa pedra abaixo, ao fundo a pedra da mina e outros picos TRILHA PARA BASE DO PICO DAS AGULHAS NEGRAS Trilha bem curta com poucos obstáculos, as fotos estão fora de sequência Atravessando a ponte pencil, ao fundo o pico das Agulhas Negras Visual das prateleiras desde a trilha das agulhasNegras Idem Logo no inicio dessa trilha, próximo ao Rebouças, tem que passar por cima dessa pequena represa Visual do Pico das Agulhas Negras
  2. A distância da base até o Pico dos Marins é bem menor que o referente à Pedra da Mina. Apesar de não ter nenhuma escalada em pedra como nos Marins, o acesso à Pedra da Mina são subidões impressionantes, morro atrás de morro e algumas muito forçadas e desgastantes. Mas o lugar impressiona!! Vale muito a pena!!!
  3. Essa é o tipo de travessia que todo montanhista gosta de ter no currículo, a Travessia Marins x Itaguaré é uma das travessias mais técnicas da Serra da Mantiqueira, com diversos obstáculos naturais que dão um toque especial ao caminhar pelas belas paisagens da Serra que chora. Características Dificuldade: Alta Distância: 17,78 km Altitude Máxima: 2.432 m Circular: Não Como Chegar Piquete fica localizada nas encostas da Serra da Mantiqueira na região do Vale Histórico ou Fundo do vale e fica praticamente no centro do eixo Rio-SP, estando a 243 km do Rio de Janeiro e 240 km de São Paulo. Para chegar até Piquete o acesso é feito pela Rodovia Presidente Dutra até a cidade de Lorena/sp no Km 51 e de lá através da BR – 459, Rodovia que liga Lorena/SP a Itajubá/MG, passando a cidade de Piquete segue-se em direção a serra e após 2 km se inicia a subida para a base do pico. As condições da estrada vicinal são muito boas, com asfalto até a Vila dos Marins, depois de passar a vila a estrada passa ser de bloquetes e alguns trechos de terra, recomenda-se um carro 4×4 para pegar esse caminho. Outra alternativa é passar a cidade de Piquete sentido a Marmelópolis/MG e pegar a entrada para a estrada do Saequi, uma estrada de terra muito bem conservada que chega até o acampamento base do Marins. A Travessia Fizemos a travessia no feriado da páscoa, de 3 a 5 de abril de 2015. Essa travessia já estava planejada desde o ano passado e faz parte de um projeto nosso de fazer 4 travessias famosas no Brasil esse ano. O Luan que sempre me acompanha nas trilhas não pode ir devido ao trabalho, então ficou de apoio na logística nos levando até Piquete e depois fazendo o resgate em Passa Quatro, dessa forma quem me acompanhou nessa aventura foi meu pai Mario. Antes mesmo de entrarmos na trilha já tivemos a primeira aventura, contratamos um cara para nos levar de Piquete até o acampamento base do Marins pelo Bairro dos Marins, combinamos tudo e estava tudo certo, porém, ao chegar no trecho ruim da estrada o carro não subia e nada que fazíamos convencia ele a tentar subir, nisso chegou mais um carro com três chineses super gente boa que também parou no mesmo lugar da estrada. Arrumamos a estrada colocando umas pedras, madeiras e mato para o carro deles subir e depois ajudamos a empurrar no fim da subida até o carro sair do atoleiro, vendo nosso problema eles nos ofereceram carona até o acampamento base. Adoro esse espirito de companheirismo do montanhismo. Bom graças a ajuda chegamos ao acampamento base, pegamos água e começamos a subida, o plano para o primeiro dia era acampar no cume do marins. O inicio do trajeto é bem tranquilo por dentro da mata em uma trilha bem definida, depois de 15 minutos já começa uma bela subida em direção ao Morro do careca já sem proteção de arvores, bem exposta. O Morro do Careca esta a 1.608m de altitude e é realmente o inicio da trilha do Pico dos Marins. Desse ponto em diante a vegetação se transforma, deixando para trás o aspecto de mata atlântica, passando para pedra, muita pedra, vegetação rasteira, capim elefante e algumas flores como o Ypê Astro. Vale lembrar que não existe ponto de água potável no caminho até o cume, então tenha água suficiente para a subida. A trilha inicial é bem nítida e vai acompanhando a crista do morro de forma bem acentuada. Ao longo da subida a alguns mirantes e após alguns minutos já é possível avistar o morro do careca novamente. Boa parte da navegação é feita através de totens e alguns desenhos no chão(se for seguir as setas, siga as amarelas), o ponto de referencia para continuar até o primeiro maciço é o Grande Totem, uma enorme pedra que se equilibra sobre outra. O caminho é passando por ela e seguindo em direção a Pedra da Andorinha. Passando esse ponto, o topo do Pico do Marins deixará de ser avistado, do lado direito ficarão os paredões e outros maciços e do lado esquerdo as montanhas de Minas Gerais. Sempre siga os totens ou seu GPS, principalmente nas bifurcações para evitar entrar em locais de difícil navegação ou áreas de risco como as bordas dos maciços. Para quem é montanhista não precisa nem falar, mas nunca destrua os totens ou crie novos totens em qualquer lugar, isso atrapalha a navegação dos demais. Você deve sempre observar que o Pico dos Maris estará a sua direita praticamente a trilha toda e você irá contornar os outros picos menores pela esquerda, qualquer coisa diferente disso vocês esta no caminho errado . Chegando ao segundo pico os trechos de escalaminhada se intensificam e o primeiro desafio é “escalar” uma rocha, de aproximadamente 4 metros de altura, por uma fenda. Logo após contornar este segundo pico a trilha segue em direção ao cume do Pico dos Marins e você irá passar pelo vale dos cristais. A trilha que vai para o Marins e o caminho da travessia é o mesmo até pouco depois do vale dos cristais, a travessia em si não vai até o cume do Marins, ela segue direto sentido Marinzinho. A bifurcação fica marcada em uma “parede” inclinada de pedra com tinta amarela, mas não é muito fácil de se visualizar, o ponto de referencia se você for fazer o caminho direto para a travessia é a área de camping que existe assim que se chega à base do Pico dos Marins e que fica antes da nascente do Ribeirão Passa Quatro, ali você deve ir para a esquerda. Nós seguimos a direita sentido ao Marins e descemos no dia seguinte. Passando o acampamento ande para a direita e você já verá a descida para a nascente com um escorrega, não beba essa água, ela esta contaminada, mais para frente explico onde tem água potável(ou pelo menos bebível já que estamos vivos rsrsrs) para você seguir a travessia. Passando a nascente já esta próximo, agora basta seguir os totens e tocar para cima. Devido ao feriado a montanha estava muito cheia, o cume do Marins estava com mais ou menos 24 barracas, então decidimos que não iriamos dormir no cume e montamos acampamento em um plato a cerca de 10 minutos do cume. Ali ficamos acampados sozinhos no maior sossego , bem de frente com os dois últimos paredões, com uma vista privilegiada para o Pico do Itaguaré de onde surgiu a lua cheia e para as serras do Vale do Paraíba onde o sol se pôs. Nós saímos do acampamento base as 10:30h e por volta das 16:00h já estávamos com a barraca montada, o jeito foi deitar um pouco para descansar e ir mostrando o caminho até o cume para quem passava por nós e claro ir preparando tudo para curtir e fotografar o pôr do sol. O pôr do sol ali é uma visão incrível, ele clareia o Pico do Itaguaré com raios por trás do Pico do Marinzinho o que deixa uma faixa espetacular no Itaguaré com varias tonalidades incríveis, deixando o Pico ainda mais belo e a visão do vale também é de tirar o folego. A lua cheia também foi um belo espetáculo surgindo bem ao lado do Itaguaré e clareando tudo, fizemos comida praticamente sem lanternas graças ao brilho dela. Com a lua cheia também veio o frio, ficamos mais um tempo tentando tirar algumas fotos das estrelas mas o frio estava demais, jantamos e fomos dormir cedo para estar descansado para o que viria no dia seguinte. O frio estava demais, meu saco de dormir aguenta até 10º e não foi uma boa escolha a temperatura devia estar muito abaixo disso, coloquei segunda pele, blusa, meia, toca e deu para dormir rsrsrsrs No sábado acordamos as 6:30h e ainda estava bem frio, começamos a arrumar o café da manhã e desmontar as coisas, as nuvens no vale estavam incríveis, um lindo visual para começar o dia. Barraca desmontada, mochilas prontas, era hora de descer o Marins e seguir para o Itaguaré. Em todos os relatos que lemos sempre falavam que não existia água potável durante a travessia e devido a isso já subimos o Marins carregados com 4l cada um imaginando que essa água teríamos que guardar até chegar no Itaguaré. Porém no fim de tarde da sexta encontramos o Guto Guia, ele já guia o pessoal lá a um bom tempo e ele nos informou que antes do platô sentido Marinzinho havia uma grota com água e que ele já bebia essa água a 20 anos, isso nos animou e desanimou ao mesmo tempo, se soubéssemos dela antes o peso da subia até o Marins seria bem menor, mas tudo bem. Descendo o Marins quando você passar a nascente do rio Passa Quatro que é contaminada, você vai virar a direita sentido a área de camping e seguir reto em direção ao plato antes do Marinzinho, antes de começar essa subida, na esquerda você verá bastante árvores que se destacam da vegetação na travessia, a água esta ali, entre na trilhazinha por entre as árvores e você vai chegar no riacho, entre nele pisando nas pedras até uma pequena queda d’agua e pode pegar água ali, ela é uma água amarelada mas o Guto já havia dito que sempre consumia e nós também consumimos sem nenhum problema, foi bom para trocar por uma água mais gelada. Voltando para a trilha, o caminho é subir o maciço em direção ao Marinzinho, até esse trecho sem erro basta subir seguindo os totens e ai começa a jornada de sobe e desce até o Itaguaré. Ao chegar no topo desse maciço, o caminho é descendo pela esquerda e passar no meio do capim elefante até a lateral do Marinzinho, cuidado com os pés, o terreno estava encharcado, tivemos que andar apoiando no capim para não afundar a bota inteira. A subida até o cume do Marinzinho(que na verdade é mais alto que o Marins) é muito técnica, ela é feita pela lateral esquerda do pico, com muito, mas muito trepa pedra, se você tem medo de altura, esquece, chegou a hora de desistir, em varios trechos é preciso subir nas pedras na “beira do abismo”. Chegando ao cume do Marinzinho, a trilha passa sob algumas rochas grandes e inicia uma forte descida em direção ao vale que separa o Pico do Marinzinho da crista que segue para a Pedra Redonda, tenha em mente que seu ponto de referencia é a pedra redonda, você precisa chegar até ela. Passando esse ponto vem uma das partes mais tensas ou mais divertidas, depende do seu estado emocional. Existe uma descida quase vertical de cerca de 5m que é feita com a ajuda de cordas, não sabemos quando elas foram instaladas, mas são três cordas diferentes e em diferentes estados de conservação, é bom dar uma testada na corda antes de descer. Após a descida da corda, a trilha é íngreme terreno abaixo até chegar no fundo do vale, e logo em seguida uma pesada subida também íngreme em direção a crista que vai chegar na pedra redonda. Terminando a subida existe um ponto bom para descansar já praticamente de frente para a famosa pedra redonda, dali até ela são menos de 10 minutos. O caminho até ela segue o mesmo esquema, desce o pico e sobe o pico, chegando na pedra redonda você fica inconformado, a pedra não tem nada de redonda rsrsrs Dependendo do seu cansaço existe um ponto de camping em um pequeno vale atrás da pedra, nada muito grande, devem caber umas 5 barracas e um pouco mais para frente, cerca de 350m existe outro espaço para umas 3 barracas. Descendo a pedra redonda, passa por um vale e depois começa um caminho incrivelmente chato por entre bambus que fecham e criam um túnel, mantenha tudo muito bem preso na mochila, não deixa nada além da linha da mochila pois vai enroscar nos bambus e te atrapalhar. Passando os trechos de bambu se inicia uma nova subida de onde já é possível avistar a crista em direção ao Itaguaré, nós nos perdemos um pouco nesse trecho devido a altura do capim que tampou a trilha e enquanto estávamos procurando o caminho para iniciar a descida, encontramos um grupo de 4 pessoas que também estavam perdidos, encontramos a descida e o grupo se juntou a nós no caminho até o Itaguaré, ali é uma longa descida até chegar ao fundo do primeiro dos últimos 3 vales que se tem que atravessar, nesses trechos os totens ajudam bastante e da para confiar neles, como são menos pessoas que passam por esses trechos e não existem tantos caminhos a seguir, o número de totens também fica reduzido. Como agora estávamos em maior número, já tínhamos nos perdido uma vez e o caminho era só subida e descida, o ritmo foi menor e ao final do terceiro vale qual a surpresa? para continuar a trilha é necessário tirar as mochilas das costas e passar no meio das pedras carregando(ou arrastando elas), o que nesse trecho da trilha depois de tanta subida e descida faz a mochila pesar uns 15kg a mais. Depois dessa ainda chegamos em um ponto onde a seta indicava que o caminho era por cima de uma pedra muito alta e do lado dela havia um buraco(uma mini caverna), como estava complicado subir na pedra que a seta indicava, eu entrei no buraco e andei de coque pela esquerda até achar um buraco no teto entre as pedras, subi nele, voltei por cima das pedras em direção a onde a seta indicava, peguei a mochila de todos e ai sem peso nas costas uns subiram a pedra direto e outros foram pelo mesmo caminho. Passando essa pedra falta pouco, mas como em todo caminho, falta uma subida bem ingrime, vá seguindo os totens que não tem erro, essa é a subida final até a base do Itaguaré. Ao final dessa subida, a direita você vai sentido cume do Itaguaré e a esquerda, contornando uma grande pedra redonda pela esquerda você vai sentido a vários platos que são as áreas de camping e a nascente de um rio. Chegamos nesse ponto as 18:30h, já escuro, esfriando e uma chuva ameaçando cair, tudo o que eu queria era pegar água nova, montar a barraca e dormir. O primeiro camping era pequeno e antes do rio, então decidimos continuar com a mochila cargueira até o rio e ver como estavam as outras áreas de camping, o grupo que encontramos decidiu parar por ali mesmo, então fomos só meu pai e eu. Para entrar no rio você segue uma trilha pela direita que forma um túnel e vai caminhando por ela em direção a esquerda sempre seguindo o que deve ser um rio em época de muita chuva. Pegamos só um pouco de água ali pois ainda tínhamos um pouco e fomos em direção ao camping subindo por entre as pedras no escuro só com o headlamp o que não é tão legal assim. Para nosso alivio havia um pequeno espaço nessa área para uma barraca, já havia uma galera acampada lá. Assim que chegamos já comecei a montar a barraca e o pessoal que já estava acampado nos ofereceu um macarrão que eles tinham acabado de fazer, como tudo que eu queria era realmente deitar, só meu pai foi comer. Tudo arrumado, comi só um atum e cama. Essa noite foi bem menos fria que a noite no Marins, mas os ventos foram bem fortes durante a madrugada. Nosso plano era acordar cedo, subir até o cume do Itaguaré e ai ir embora até o ponto de resgate, porém, ao acordamos tudo estava nublado, com ventos fortes, sem visibilidade nenhuma e ai nosso ataque ao cume do Itaguaré já era. Desmontamos tudo então e ai vem a duvida, sem conhecer o caminho, seria uma boa partir por entre as pedras no meio daquela neblina até o ponto de resgate? Nessa o pessoal que estava acampado ali antes já estavam indo embora e perguntaram se queríamos ir com eles pois já conheciam o caminho. Nem precisaram perguntar duas vezes, já colocamos as mochilas rapidinho e os seguimos. Esse primeiro trecho saindo da área de camping é muito ruim, são descidas por pedras grandes e lisas, tinha trecho que era mirar em alguma coisa e descer escorregando e a ajuda deles foi muito bem vinda devido a baixa visibilidade. Como eu disse no outro post, adoro esse espirito do montanhismo de ajuda e por isso nunca negue ajuda a alguém que precisa se estiver ao seu alcance, logo na frente pode ser você a precisar. Após passar as pedras a trilha entra na mata e a descida fica muito bem demarcada, mais ou menos em 2 horas em ritmo tranquilo e estávamos no descampado onde é a área de regaste, já praticamente no fim da descida existem três riachos para pegar água caso necessário. Como chegamos muito cedo, por volta das 10:00h e nosso resgate só deveria chegar lá pelo meio dia ficamos lá conversando com o pessoal que nos ajudou na descida, troca telefone, troca facebook e ai quem sabe novas companhias para outras trips, depois ainda chegou um grupo grande do Rio de Janeiro que também conhecemos na trilha. Em resumo a travessia é espetacular, bem pesada, não recomendo para qualquer pessoa, existem muitos trechos bem técnicos e se for a primeira vez vá com alguém que conheça a região ou contrate um guia. Mesmo não subindo até o cume do Itaguaré valeu muito a pena, tivemos um pôr do sol e uma lua cheia de tirar o folego, fora as belas paisagens que só a Serra da Mantiqueira proporciona e já estava passando da hora de ter essa travessia no currículo. Dicas Planeje bem como será a logística da travessia, quem irá levar e quem irá resgatar se não quiser caminhar bastante em estradas de terra, mais abaixo vou deixar alguns contatos para ajudar nesse planejamento. Leve protetor solar, existem raros pontos com sombra. Sempre caminhe de calça e se possível vá de luva, o capim elefante corta bastante e subir as rochas com a luva ajudam um pouco. Mesmo com os pontos de água indicado, se for fazer a travessia em época de seca leve um pouco de água reserva, melhor sobrar do que faltar. É uma travessia pesada, só leve o que realmente for usar para evitar peso extra. Contatos Carlos Moura: E-mail: [email protected] Telefones:(12) 98109.3292 Facebook: carlos.moura.3998 Milton: E-mail: [email protected] Telefones:(11) 99770.1991 / (11) 98214.1992 Facebook: milton.gouveafranco Guto Guia: Telefones:(35) 3371.3355 / (35) 9169.9878 Facebook: guto.guia Paulo e Marcia(Novos donos do acampamento Base do Marins): Telefones:(12) 3152.4077 / (12) 3152.4977 / (12) 99606.2531 Facebook: alojamento.marins
  4. Mais um feriado chegando, o de 9 de julho em SP, e Manoel e eu de novo naquele dilema do que fazer, tudo é tão longe, a previsão do tempo não ajuda, mas por fim pensamos na Pedra da Mina, projeto de 2014 que foi substituído pelo Pico dos Marins. Acompanhando a previsão do tempo, um dia tem chuva, um dia tem sol, um dia tem chuva, outro dia tem mais chuva ainda rs... O Feriado foi se aproximando e a previsão foi melhorando e finalmente tomamos a decisão de ir. Lemos novamente alguns relatos, e a maioria falava da dificuldade de subir a pedra, fiquei bastante insegura com a minha falta de preparo físico, mas, porém, todavia, a montanha chama! Lá vamos nós, juntamos as tralhas, tentando não esquecer nada, imprimimos um relato que achamos mais completo (ainda com trauma dos perdidos que tivemos no Marins rs), GPS, tracklog devidamente baixado e lá vamos nós. Dia 09/07 às 7:20 da manhã partimos de Rio Preto pra Passa Quatro/MG. Paradinha pra um café, pra um almoço e por volta das 16:30 chegamos a Passa Quatro. Seguindo as orientações do relato encontramos a entrada para a fazenda Serra Fina, mas continuamos pra abastecer o carro, comer um pão de queijo com café e aí seguir para a fazenda. Pessoas muito bem informadas que somos, começamos a contar 12km a partir da estrada de terra, quando vimos uma placa com setas amarelas ao lado da placa do Ibama nós sabiamente decidimos que ali era o caminho, afinal, na nossa cabeça ali não existia nada mais importante que a Pedra da Mina pra alguém marcar com setas kkk. Claro que estávamos errados, mas só descobrimos quando estávamos quase chegando em Itamonte rs. Voltamos e chegamos à placa, que agora sabíamos, tinha que continuar reto toda vida. Toda vida até chegar ao Paiolinho e depois andar mais. Depois do Paiolinho a fazenda está perto, mas estava um breu só, e eram 18h, e o caminho parecia interminável e muito escuro. Quando pedimos informação sobre a Serra Fina disseram que era só ir reto até o final da estrada. Só não disseram que tinha uma bifurcação, que muito rapidamente o Manoel decidiu que era pra direita (e felizmente acertou). Muito barro, e com o terreno bastante liso, finalmente chegamos no final da estrada e desconfiamos que era a Fazenda. Tudo totalmente escuro, só percebi que tinha alguém na casa que existia ali porque uma criança tossiu. Chamei e veio a D. Maria, não tinha mais nenhum carro ali na fazenda, um pouco antes de chegar à porteira havíamos visto um carro na estrada, mas achamos que era de pescadores, mas era de “subidores” que haviam começado a trilha durante a tarde. Pagamos os R$ 20,00 pra guardar o carro e começamos a procurar lugar pra armar a barraca. Mas tive a linda ideia de sugerir de dormimos no carro, afinal teríamos que desfazer as mochilas, armar e desarmar barraca guardar tudo de novo, demoraria muito. Nem precisei argumentar muito e o Manoel aceitou a “brilhante” ideia de jerico sem pé nem cabeça. Baixamos os bancos e ficamos ali, quietos. Isso 19h da madrugada, íamos acordar às 5h, isso se tivéssemos dormido. Crianças, a não ser que vocês tenham o carro mais confortável desse mundo, não façam isso, partimos quebrados pra trilha, sem dormir e sem se alimentar direito. E o que já é normalmente difícil, ficou muiiiiiiiiiiiiiiiito mais difícil rs. Estávamos nos preparando pra sair e chegaram dois carros com um grupo que também iria iniciar a subida. Eles têm um guia, e também um senhor de uns 60 anos e uma criança de 10 no grupo. Coragemmmm! E eu aqui já cansada sem começar a trilha rs. Às 06h30min pegamos nossas mochilas com muitos quilos e saímos. Logo eles nos alcançaram, no rio que cruzamos no caminho (o único), porque antes você passa um riachinho, um fio de água, e depois desse rio, o último rio passa ao lado da trilha. img] Saímos pesados, e já levando 6 l de água. Mas abastecemos um recipiente vazio neste rio, tiramos fotos, socializamos com o grupo e continuamos. Essa parte a trilha é sempre subindo, mas num terreno amigável e sob as árvores. Depois de uma hora e quarenta caminhando chegamos a uma clareira sombreada e o grupo, que havia seguido na frente, estava lá lanchando. Conversamos mais um pouco e eu resolvi tirar parte dos 125 casacos que usava. O Manoel já havia tirado os dele. Depois dessa clareira (que apenas na próxima clareira descobri que era a tal Panela Vermelha, pois ela não estava mais lá rs), a subida foi mais forte, a mata acabou e agora tínhamos uma “matinha”, uma subida constante, com pedra íngremes e eu que comecei cansada, estava mais cansada ainda. Uma hora e meia depois chegamos na outra clareira, e o grupo estava lá e aí soube que aquela subida que tínhamos acabado de fazer, era uma subida difícil que descreviam nos relatos, que começava logo depois da panela vermelha. Pensei: Ufa, menos uma (tão enganada eu estava). Logo depois dessa clareira, você anda um pouquinho e à esquerda estará o último ponto de água. Nós estávamos abastecidos então não pegamos água. Descansamos um pouco e continuamos. Pegamos um trecho de capim, encontramos uma clareira, que dá pra acampar, olhamos a vista, e fomos procurar o caminho. Aqui uma observação, algum anjo abençoado do Senhor passou por lá e marcou o caminho com refletivos grampeados na vegetação. Estávamos com GPS e até esse momento a trilha é clara. No entanto, estávamos traumatizados por termos nos perdido algumas vezes subindo o Marins, e esses refletivos nos trouxe um conforto psicológico imenso, apesar de estarmos com o GPS. Entramos no capim, tudo fica igual, a trilha dá uma sumida, a gente procura, e encontra e perde, mas logo ouvimos o grupo vindo lá atrás e os esperamos pra confirmar se estávamos no caminho certo rs. Caminhamos no capim, caminhamos, no mato, caminhamos, caminhamos e chegamos numa pedra inclinada (até aqui, foi um trecho de subida, com brejinhos e trepa pedra). Dessa pedra lembro que tinha um amarílis florido. Era cerca de 11 da manhã, 3,5 h de caminhada, e pelos relatos, na minha cabeça, tínhamos passado o trecho mais difícil. Então tá, vai vendo a “desgrameira”. Comemos um sanduíche, um biscoito e continuamos. Agora começa um trepa pedra sem fim, haja pernas. Nesse tempo o solado da bota do Manoel descolou inteiro, quando encontramos o grupo com guia, o Manoel pediu uma sugestão, e o guia falou pra ele continuar, amarrar uma corda e seguir, depois jogasse fora as botas, assim ele fez rs. Trepa pedra, passa na capim, trepa pedra de novo e por volta das 13h chegamos a um bambuzal, com uma sombra gostosa e deu vontade ficar ali e pedir resgate por helicóptero, ou cavalo, mula, iaque, lhama... qualquer resgate seria bem vindo. Mas a vontade de chegar ao cume era grande, lá fomos nós, achando que o mais difícil tinha ficado pra trás. Depois do bambuzinho, seguimos em frente, e encontramos mais capim, mais brejinhos, mais pedra pra subir e mais morro pra descer. Sinceramente, eu não li em lugar nenhum que tinha que subir e descer 254 morros antes de chegar à Pedra da Mina. Sério, porque pareceu que foi esse o número de vezes que subi e desci. Não tinha mais forças, quando avistei finalmente a Pedra da Mina eu achei que estava perto, mas faltavam 28 morros pra subir e descer até chegar lá. Depois que saímos do bambuzal encontramos o grupo do carro que estava na estrada, e eles voltaram sem subir até o cume, porque também tiveram a impressão que o cume nunca chegava rs. Pois é, não foi animador... Mas como somos muito teimosos continuamos, apesar das últimas forças terem ficado lá na pedra onde crescia o amarílis. Finalmente chegamos à parede que dava acesso ao cume da Pedra. Eu já muito emputecida, resolvi que não ia subir, mas o Manoel disse que eu ia subir sim, então subi (ele manda rs). A essa altura parte do grupo guiado ficou no bambuzinho, o senhor, o garoto, o pai e o tio do garoto, segundo informações. Bom, até o bambuzinho é uma longa jornada, o avô e o garoto foram muito longe. Legal uma criança começar esse tipo de atividade logo cedo, ainda mais em família. Do grupo ficaram 03 rapazes e o guia, os quais estavam caminhando com a gente. Juro que por pouco não pedi pra sair, mas aí subi aquela parede até a Pedra. Mas aquilo não era exatamente o cume, aquele onde fica o livro e tals. Bom, mas era quase. Subimos essa pedra e descemos até uma “cratera” e procuramos um lugar pra armar a barraca. Eram 16:20 da tarde, ou seja, 9 horas e 50 minutos depois que deixamos a Fazenda Serra Fina. Ainda era tarde, mas parecia noite, pois o tempo estava fechado e fazia muito frio. Fomos armar a barraca, “fomos” é muita gente, quem mais trabalhou foi o Manoel, meu macho Alfa rs. Barraca armada, colocamos todas as roupas de frio disponíveis, e fomos subir até o cume, o verdadeiro, aquele do livro, sem as mochilas pesadas. Ahhh que diferença. Mas lá fazia tanto frioooo, que vimos o pôr do sol, o que só foi possível porque o céu abriu um pouco, assinamos o livro e voltamos para comer nosso miojo no quentinho da barraca. Um miojo, um dorflex, e vamos tentar dormir. Fez muito frio à noite, e de madrugada sentimos bastante, apesar de estarmos bem agasalhados e ainda levamos aqueles cobertores de alumínio, que ajuda muito. Acordamos às 6h com uma ventania e com uma neblina tão densa que não se via um metro longe da barraca. Ficamos mais um pouco dormitando, e só por volta das 7h começamos a recolher as coisas pra sair. Enquanto subíamos, eu já pensava na descida, porque descer dói. Dói meus pés e dói os joelhos desgastados do Manoel. Começamos a descer às 8 horas, e às 16h, sim 8 horas descendo, chegamos finalmente à Fazenda Serra Fina. Descemos fazendo paradas mais longas, mas foi uma descida sofrida, sobe e desce de morros, capim, brejinhos, pedras soltas e assim fomos no nosso tempo, que foi muiiiiiiiiiiiito, mas muiiiito longo por sinal rs. Gente, se você é montanhista de semestre como a gente, vá consciente que a subida da Pedra da Mina é difícil, se você tiver preparo bem mais ou menos como o meu, prepare o psicológico, porque é uma subida exaustiva, principalmente se for pernoitar no cume, subir com peso faz muita diferença. Nós vimos muita gente fazendo bate volta, sem peso, em 5 ou 6 horas. Encontramos corredores de montanha que fizeram ida e volta em 3h. Nós dois praticamos atividade física, mas foi coisa de doido . E não esqueça o agasalho, porque teve muita gente passando frio lá em cima, muito frio. No final fica a experiência, a região da Pedra da Mina é linda, amo as montanhas, a natureza e o desafio de sair da rotina apesar do pouco preparo físico rsrs. Mesmo prometendo durante a subida que o próximo feriado será no resort, na descida a gente já começa a pensar na próxima montanha.
  5. Dia 24.02.2019 - Domingo Saída da pousada de carro, ida até próximo base do pico Itaguaré e retorno à pousada Saímos da pousada um pouco tarde, estávamos cansados da subida ao pico dos Marins e da viagem. Pegamos rodovia asfaltada e passamos ao lado de Passa Quatro-Mg, sentido São Paulo, logo depois entramos à direita numa bifurcação, estrada de terra com uns pedaços com muitas pedras e buracos, subidas e mais subidas fortes. Segundo as informações teria placas sinalizando até a base, infelizmente entramos errado numa plantação de eucaliptos, e só fomos descobrir depois de perguntar numa chacara. Como já estava tarde e o tempo estava sinalizando chuva para depois das 13 horas, abortamos a subida ao pico. E depois das 14 horas choveu muito na região, o bom senso prevaleceu na desistência de subida ao pico. Vai ficar para outra oportunidade. Retornamos pelo mesmo caminho até Passa Quatro, voltamos ao mesmo restaurante que serve a melhor Leitoa de leite assada e cortada bem fina (só servem aos domingos, eu acho). Voltamos para rodovia e logo depois estávamos na pousada. Hospedagem a mesma do dia anterior
  6. Ae turma! Esse mês eu fiz uma trilha simplesmente sensacional, e gostaria de compartilhar com todos vocês. Eu e mais 4 aventureiros, até então desconhecidos, subimos o sensacional Pico dos Marins, em Sampa. Sobre o Pico: "Pico dos Marins fica situado no município de Piquete, no estado de São Paulo, localizado na Serra da Mantiqueira, possui 2.420,7 metros de altitude a nível do mar. Para ser atingido é necessario subir encostas rochosas íngremes, porém é possível sua ascensão sem a utilização de equipamentos especiais (...) É o ponto mais alto localizado inteiramente dentro dos limites do estado de São Paulo, pois todos os outros picos maiores são compartilhados com Minas Gerais - por exemplo, a Pedra da Mina (2.798 metros) - uma vez que a divisa entre os dois estados, na região da Mantiqueira, está fixada principalmente na linha cumeada da própria serra no chamado Pico Marinzinho." (wikipedia) Como chegar: "O acesso pelas estradas ao Pico dos Marins pode ser feito de duas formas, ambas através da BR - 459, Rodovia que liga Lorena/SP a Itajubá/MG. Ao final do percurso de estrada chega-se ao Acampamento Base Marins, onde você poderá deixar o carro, bater um papo com o simpático Milton, proprietário do local, informar-se sobre a quantidade de montanhistas nos Marins, tomar um café e, dependendo do horário que você chegar, poderá até almoçar. Se você está a pé, provavelmente terá consumido boa parte da água que levou, portanto, aproveite para se reabastecer porque não haverá mais água confiável pelo caminho." "Apesar de possuir muitas curvas, as condições da estrada vicinal são muito boas, com asfalto até a Vila dos Marins. Após a vila a pavimentação é de bloquetes muito bem assentados e alguns trechos de terra. Em períodos de chuva os trechos de terra podem oferecer alguma dificuldade para o tráfego de veículos que não sejam de tração 4x4. Mantenha a câmera fotográfica à mão pois este trajeto é excelente para fotografias da paisagem rural e da imponência do conjunto montanhoso do Pico dos Marins que se ergue cada vez mais próximo à medida que se avança pela estrada e se mantém sempre à vista. O trajeto é uma longa e sinuosa subida que se acentua fortemente após o Bairro dos Marins, portanto é bom verificar o sistema de refrigeração do motor do carro." fonte: marinzeiro.com Meios de transporte: fomos de carro, gastamos cerca de 5h desde Campinas até o acampamento base, na cidade de Piquete/SP A minha experiência no Marins: Sou de São Luis do Maranhão, e há muito queria subir o Monte Roraima (objetivo do inicio de 2013!). No mochileiros pelo facebook, publiquei minha intenção de ir a Venezuela para o MR e então conheci algumas pessoas, dentre elas Eduardo, Theruco e Juliano, todos da cidade de São Paulo. Entre os planos do Roraima, decidimos fazer uma espécie de treinamento, já que eu nunca fiz trilhas tão longas e fortes (no Monte Roraima, faremos 8 dias e 7 noites), foi então que surgiu a idéia do Pico dos Marins. Nesse meio tempo acabei conhecendo Carol Montoaneli aqui no forum, falando bem da minha terra em um relato belissimo (mochileiros.com/lencois-maranhenses-5-dias-set-2011-com-fotos-e-gastos-t60083.html), dai acabei arrastando ela pro Marins também ahsaushaus. Êxodo Rural: de sunluis pra sunpaulo. Tentar a sorte no Marins. Após tudo combinado, datas, etc, a noticia: chuva em Piquete durante o nosso fim de semana de trilha. Mas.. Decidimos arriscar! Cheguei em Campinas 21h, com uma conexão em CNF/MG. De pronto, ja entrei no carro e pegamos a rodovia! Ninguém se conhecia, a não ser pela internet, por email.. foi engraçado nosso primeiro contato. Não teve essa de desconfiança, medo de falar, foi tudo muito natural, parecíamos amigos de infância (até brincamos disso durante toda a trip). amigos para siempre lalaiá laiá laiááá.. Passamos por Guaratinguetá, Aparecida do Norte (linda catedral!), Lorena e enfim.. Piquete. Após a chegada no municipio, ainda subimos uma estreita e nebulosa estrada. Parecia coisa de filme. No meio do caminho, nos deparamos com um cão da raça beagle, que mais tarde saberiamos que era tão trilheiro quanto nós! hsaushausa No acampamento base, já as 02h da manhã, nos instalamos pra começar a trilha a pé na manhã seguinte. Conhecemos o Miltão (figuraça!), responsavel pelo acampamento base, montamos barraca e dormirmos. Adendo: todos numa só barraca! shaushuash. foto espontaneamente forjada - será se chove? Dormimos muito bem (mesmo com o frio, do qual não tenho costume de sentir aqui pelo nordeste ahsauhsua). Apos arrumar todas as coisas, tomar café, rumamos ao Marins! No caminho, a neblina aumentava e diminuia sua intensidade ao passo que subiamos ou desciamos morros e encostas. A principio, um caminho tranquilo, com muito verde! "ô cozo gostoso, sô!" - moranguinhos! Como a neblina tava densa, não dava pra enxergar os bonitos vales que compoem o cenário da trilha. Apos uma hora de caminhada, nos deparamos com uma placa nem um pouco animadora auahuahuas: como assim inicio? agora??? Após o "inicio" (ja no meio ahsaush), percebemos que a trilha mudou radicalmente o cenário, deixando a mata atlântica e suas árvores de altas copas, e alternando para uma vegetação mais rasteira, composta maciçamente de capim dourado e flores como o Ypê Astro. Além de pedra. Muita Pedra! Beber água nesse tipo de trilha requer planejamento haushau. Não existem pontos de reabastecimento (na verdade tem um córrego, mas a água não pareceu tão confiável) Como iriamos acampar no cume, levamos para o nosso consumo e para cozinha. Caso tivéssemos que usar a água do córrego, levamos clorín para tentar amenizar algum efeito colateral ahsuahsua. Como visto na placa, o caminho requer a subida de alguns maçiços, além do morro do careca. A previsão de chuva, citada no incio do relato, não se concretizou, e enfrentamos um sol de rachar durante toda a escalaminhada. O sol já veio aparecer na verdade por volta do meio dia (começamos a trilha as 10h). Nesse itere, a neblina era quem dominava geral Em suma, considero que não é uma trilha tão fácil a do Marins, mas suportável se você faz exercícios regularmente. água de chuva - potáve e geladinha haushaus vista do primeiro maciço - Marmelópolis/MG No caminho existem vários pontos chamados de mirantes, aonde as pessoas podem parar, descansar, e apreciar o visual (que é realmente belissimo!) O primeiro maciço é tranquilo, se você ainda possui energia apos um certo tempo de caminhada. Exige um pouco das suas pernas e pés. (importante ter um calçado apropriado, pois os pés são muito exigidos) Paramos algumas vezes pra nos hidratar e comer castanhas (proteina) e casca de laranja e limão cristalizada (carboidrato), que seria nosso combustivel durante toda nossa trilha, já que não planejávamos parar pra fazer almoço em razão dos fortes ventos. Passamos por uma enorme pedra (chamada Grande Tótem) que se equilibra sobre outra e seguiremos para a esquerda em direção à Pedra da Andorinha deixando a trilha de passar pelas cristas. Nesse momento, o Pico dos Marins deixou de ser avistado: so vimos os paredões e maciços de um lado, e de outro as montanhas das Minas Gerais. O caminho correto a ser feito é marcado por tótens (pedras empilhadas) e por pinturas de faixas, setas ou marcas arredondadas nas rochas. Em dados momentos, os caminhos podem levar a 'encruzilhadas'. Importante a observação atenta da trilha e das marcações/tótens, para evitar locais de difícil progressão como encostas ou em áreas de risco como bordas de maciços. tótens O segundo maciço requer um pouco mais de atenção, por ter uma descida mais exigente, pedras maiores, além do esgotamento físico estar mais pulsante. Em vários momentos tivemos que entrar em meio ao capim dourado que ornam os maciços, e que servem de morada pros animais peçonhentos, como a jararaca. Tivemos a sorte de não nos deparar com elas, inclusive soube que é meio incomum a aparição delas, mas todo cuidado é pouco. Use roupas com manga longa e calça, pra evitar se cortar com esta vegetação! Ah, e lembram do beagle do começo do relato? Bom, ele se chama Buddy.. e é trilheiro! Junto com seu fiel escudeiro Sheik, andam pelas encostas como se fossem o quintal da sua casa. Aliás, é o quintal da casa deles! shasahushasua buddy tentando ser carinhoso com sheik shauhaus. Após escalar e contornar um segundo e último maciço, que se coloca entre o sul de Minas Gerais e o Pico dos Marins, voltamos a avistar na direção sul o cume dos Marins. Deste ponto leva-se aproximadamente uma hora e meia até o topo. À leste de nossa posição há um morro rochoso e atrás dele o Pico do Marinzinho ou Pico Leste. Foi a parte mais dificil! Mas, como tudo que vai volta.. a redenção! Após alguns quilometros de subidas e descidas em dois maciços (além do Morro do Careca!) e 8h de trilha.. chegamos ao cume! Após um jantar reforçado de macarronada liofilizada, ficamos admirando a bela vista que a noite tinha nos reservado! A noite dava pra ver as cidades de Lorena e Piquete.. uma bela vista! Acha que acabou? Isso por que você não sabe quem apareceu de manhã pra dizer "EI PREVISÃO DO TEMPO: CHUPA!" HSAUSHUASHA Mas como tudo que é bom, dura pouco.. tivemos que voltar pra casa. Irei novamente a este lugar. Fiquei com gosto de quero mais! Com certeza é a vista mais bela do estado de São Paulo! Ultima contemplação. Torci meu pé e fiquei quase dois dias sem pisar direito. Mas valeu a pena! QUE VENHA O MONTE RORAIMA! BÔNUS: Eu e o Informante da Infraero: - olá, boa noite. Sabe me dizer aonde tem um hotel mais próximo aqui de Viracopos? - olha, tem o XXX (não lembro), e tem o YYY (não lembro), os dois ficam quase um em frente ao outro. A diária é R$200 reais e o taxi leva por R$50 a ida. Caso queira algo mais em conta, tem o Motel Scarpa que custa R$120 pra voce passar uma noite. Como fica pertodos hoteis, o taxi deve cobrar o mesmo valor. -... Moral da história: Porque pagar 200 dilmas num hotel 3/4 estrelas, se na noite anterior eu dormi de graça aonde tinha um milhão delas?
  7. Travessia feita entre os dias 27 a 29/09/2013. Album completo com todas as fotos da travessia no link abaixo: https://picasaweb.google.com/110430413978813571480/TravessiaMarinsXItaguare?authuser=0&feat=directlink 1º Dia Já passavam das 5:00h qdo lá estava eu, saltando do metrô com destino a area de embarque/desembarque do terminal rodoviário do Tietê, onde encontrei o Clovis e o Idolo já a minha espera. As 5:25h nos vemos ganhando a Ayrton Senna em uma viagem que levaria cerca de 4 horas até o acampamento Base Marins, local onde deixaríamos o carro e onde se inicia a trilha que sobe o pico dos Marins. Após uma viagem tranquila, chegamos em Piquete por volta das 7:30, onde fizemos uma rápida parada para um café da manhã reforçado e tb encontramos o Michel, conforme combinado previamente. Ele iria vir no carro do David e nos encontraria direto na base do Marins, mas que por conta de imprevistos de última hora, o David abortou a travessia e o Michel teve que vir de ônibus até Cruzeiro e depois pegar outro até Piquete. Para a sorte dele, estva havia uma vaga sobrando no carro do Clovis... Feitas as devidas apresentações e após degustar nosso desejum, partimos serra acima, em meio de uma manhã fria e totamente encoberta de 11ºC com uma leve garoa, que dava a impressão que o tempo não iria abrir. Lero engano. Bastou terminar a sinuosa subida da serra em direção a Delfim Moreira que as nuvens e a garoa rapidamente deram lugar a um belo céu azul com o astro-rei brilhando com força total, para a alegria de todos. Na verdade, as nuvens haviam ficado embaixo. Porém, como nem tudo é flores, fomos parados numa blitz policial, onde nos revistaram da cabeça aos pés como se fossemos suspeitos, pegaram os documentos do Clovis e eu tive a leve impressão que pareciam estar procurando algum motivo para nos enquadrar. Porém, bastou o clovis entregar seu documento da OAB junto com a CNH, que os policiais rodoviários logo mudaram o tom da abordagem, nem pediram para abrir as cargueiras (eu achava que iriam querer abrir as cargueiras, ai iria levar mto tempo para arrumar tudo depois), mas felizmente não o fizeram e logo fomos liberados. Vantagem de estar acompanhados de um advogado, rs Sem perder tempo, saimos rasgando dali e num piscar dos olhos, adentramos a estrada de terra que leva a fazenda saiqui. Passamos por um mata-burro e tocamos em frente em direção ao acampamento base Marins. E após chacoalhar por quase 50 minutos, chegamos ao acampamento base as 8:55h, onde o Marco já nos aguardava. Curiosamente, não havia ninguém no acampamento base, só nós. Nem o Milton estava lá. Após ajeitarmos as cargueiras, alongar aqui, ali e acolá, pusemos pé na trilha pontualmente as 10:00. Pessoal no acampamento base Marins A subida até o morro do careca foi rápida, eu e o Marco chegamos lá por volta das 10:28h e os demais chegaram logo depois. No pit stop, nos presenteamos com a bela visão do colchão de nuvens no vale do Paraíba a qual deixamos para trás e após vários cliques, iniciamos a dura subida em direção ao chapadão, que fica na base do Pico dos Marins, local onde fariamos nosso 1º pernoite. No morro do careca Alguns minutos de caminhada do morro do careca, se chega a um descampado onde se encontra uma placa que indica as altitudes e que ali é o inicio "oficial" da trilha para o pico dos marins. Água está localizado seguindo por uma bifurcação a esquerda ao lado da placa e é a única de toda a subida. O ideal é pegar pelo menos de 2 a 3 litros, dependendo do consumo de cada um. Na placa que indica o inicio oficial da trilha para o Marins e a travessia. É, a caminhada até aqui era só um leve aquecimento, a trilha começa para valer mesmo a partir dessa placa.... Cantis carregados e mochilas nas costas, passamos a placa e iniciamos "oficialmente" a trilha. Após passarmos por um curto trecho no frescor da mata fechada, logo emergimos definitivamente nos campos de altitude, onde o sol passou a nos cozinhar. É a partir dai que a moleza acaba e inicia-se a primeira longa subida rumo ao pico, que eu considero o trecho mais puxado de toda o trajeto até a base do Marins, principalmente por conta da trilha ser mto erodita ali. A subida é ardua, o sol já estava castigando, e só de olhar a pirambeira ingreme logo a frente, cansava até a vista. Subida em direção ao 1ºmaciço trecho de escalaminhada e trepa-pedra Embora tenha bem piores, como o Corcovado e a Pedra da mina (sem contar as subidas fortes da travessia da serra fina), a subida do Marins pode parecer uma subidinha de morro qualquer, mas mesmo assim, debaixo de sol forte não é brinquedo não.... Com ritmos diferentes, o pessoal foi aos poucos, se distanciando uns dos outros. O Marco disparou na frente e eu estava logo atrás dele, enquanto os demais iam ficando para trás. Clovis trouxe 1 par de Walk-talks para nos comunicarmos, e disse que eu poderia seguir em frente e que não era preciso parar para esperar ele e os demais, se não quiser. Mas por conta de alguns trechos confusos como o labirinto, optei por fazer paradas mais longas para esperar e guiar o pessoal até passarmos pelo trecho onde a navegação é confusa e mais complicada, pois de todos, apenas eu e o Michel já haviamos subido o pico dos Marins antes. Nisso, o Marco já havia me avisado que continuaria seguindo na frente e foi questão de 20 minutos de paradas para aguardar os demais, que eu o vi bem distante, já lá em cima, virando a esquerda no trecho do 2º maciço em direção ao "funil". Depois de muita escalaminhada e subidão desgastante, as 14:35 finalmente cheguei ao trecho do chapadão, onde montei barraca numa area de acampamento na 1º base do Marins (e também referência para a bifurcação para a travessia) para o então merecido descanço. Nesse tempo, vi o Marco subindo em direção ao cume do Marins já de ataque, pois havia chegado lá meia hora antes de mim. Após montar minha barraca e forrar o estomago com um belo almoço regrado a arroz, feijão, purê de batata e atum, me limitei a permanecer ali descançando e aguardando os demais, que só chegaram bem depois, por volta das 16:20. No final do dia, só eu e o Clovis fomos ver o por-do-sol em um morro próximo a area de acampamento. Após todos estarem mais descançados, ficamos apreciando a bela noite estrelada e contemplando o prazer de donos absolutos do lugar, já que não havia mais ninguém ali e eramos os únicos acampados no local. Após as 21:00hs, todos se recolheram as suas respectivas barracas e logo capotaram, afinal, descançar era preciso, pois o dia seguinte seria bem mais puxado. A noite foi tranquila com frio ameno em torno de 04ºC e assim como os outros, logo peguei no sono. 2ºDia O Sábado amanheceu com céu azul e livre de qualquer vestígio de nuvens, o que indicava que o dia seria igualmente aproveitavel com visão total de todo o entorno e do trecho da travessia. Com o cansaço do dia anterior, ninguém levantou para ir ver o nascer do sol no cume dos marins. Após um belo café da manhã, barracas desmontadas e mochilas nas costas, iniciamos a travessia para o Itaguaré as 7:55h. Pelo roteiro, tinhamos que sair da base do Marins até no máximo 8:00hs, por conta do tempo de percurso até o Itaguaré levar cerca de 7 a 8 horas em um ritmo relativamente forte e a ausência de pontos de água em todo o percurso. Aproveitamos para recarregar nossos cantis com a água na nascente que fica do lado do inicio da subida para o Marinzinho (no chamado "morro da baleia"). E novamente 3 litros são mais do que suficiente para todo o trecho. O trecho inicial da travessia sobe por esse morro em formato de "baleia". Iniciamos a subida do morro da baleia nos orientando por diversos totens pelo caminho até chegarmos a um trecho plano para então iniciar uma curta descida até uma area de "charco" em um pequeno vale, onde a trilha reaparece. Após passarmos pelo charco, iniciamos a ingreme subida do paredão do Marinzinho pela sua encosta esquerda nos guiando pelos totens. A trilha cruza obrigatóriamente pelo topo do Marinzinho . Durante a subida, vestígios de trilha vão aparecendo pelo caminho e fazendo um certo zig-zag para contornar os enormes rochedos que compõe o maciço do marinzinho até chegar ao primeiro cocoruto. De lá, se tem a 1ºvista do topo do marinzinho e ao chegar no topo, somos presenteados com a belissima visão do entorno e todo o trecho da travessia a percorrer até o Itaguaré. Subida do Marinzinho Area de "charco" na subida do Marinzinho Pico do Marinzinho a esquerda, Pedra redonda mais abaixo no centro e Itaguaré bem ao fundo Esse trecho não apresenta maiores dificuldades de navegação e após passarmos por uma area de acampamento (para cerca de 3 barracas) na base do Marinzinho, as 8:40 chegamos ao cume do ponto mais alto de toda a travessia, o Pico do Marinzinho na cota dos 2.432 metros de altitude. Ao chegarmos lá, aproveitamos para fazer nosso 1º pit stop para mastigar umas barras de cereais, molhar a goela e obviamente, cliques e apreciação da belissima vista de 360 graus e também do Marins visto de outro ângulo, que são de tirar o fôlego. Base do Marins vista da subida do morro da baleia (trecho inicial da subida do Marinzinho) Area de acampamento na base do Marinzinho Cume do Marinzinho O Pico do Marinzinho é o 1º pico da travessia sentido Itaguaré que se cruza e o último para quem vem no sentido contrário. No topo, há 2 placas indicando os caminhos e também a bifurcação para a pousada do Maeda. Se tiver problemas durante a travessia, pode abortar descendo por ali, que é uma rota de fuga. Após o pit stop, retomamos a pernada agora caminhando pela crista do cume do marinzinho, que é composto por enormes rochedos. Pouco antes de iniciar a descida em direção a pedra redonda, a trilha se enfia no meio de 2 enormes rochedos, o que nos obriga a passar engatinhando por baixo deles. Em meio de outras 2 rochas, há um local plano onde é possivel bivacar. Uma das belas vistas do topo do Marinzinho Pedra redonda em destaque, visto do cume do Marinzinho Trilha se enfia por baixo dessas 2 enormes rochas e continua do outro lado.... Placa no cume do Marinzinho Após iniciar a descida, chegamos a borda leste do marinzinho, onde visualizamos o enorme vale que iremos descer e logo em seguida a subida e o trecho da crista até a Pedra redonda na sequencia, que parece estar perto, mas está a cerca de 2 horas de caminhada ainda. Continuamos a descida e ao chegarmos numa area de paredão, encontramos cordas estratégicamente instaladas p/ auxílio na descida. Há cerca de 4 cordas postas ali, a de cor vermelha é a mais nova. Dei uma testada nelas para ver se estavam bem firmes e ai comecei a descer. Vencido esse trecho, temos uma descida forte até o fundo do vale entre o Marinzinho e a Pedra redonda, que são de lascar. É que a partir desse ponto, os bambuzinhos aparecem e começam a enroscar na mochila, portanto, se estiver carregando isolante e barraca pelo lado de fora, tente coloca-los para dentro da mochila ou proteja-os de outra forma, senão os bambuzinhos e o capim elefante irão acabar com eles. Vista do enorme vale entre o Marinzinho e a Pedra redonda As cordas fixas para auxilio na descida do marinzinho Pico dos Marins visto do topo do Marinzinho Após atravessar o pequeno vale, iniciamos a subida em direção a crista da Pedra redonda. Porém, percebi que um dos membros do grupo estava em um ritmo mto menor que os demais, o que me deixou preocupado qto ao tempo que iriamos levar até o Itaguaré. Eu e o Marco estavamos na frente, enquanto outros 2 do grupo, ficaram acompanhando 1 dos rapazes que estava mais lento. Assim como no dia anterior, o grupo foi se distanciando uns dos outros, por conta do ritmo variado. Marco para variar, disparou e dessa vez, permaneci logo atrás dele, e após a subida do vale, as 11:40 já estavamos na crista, bem próximos da pedra redonda que já era visivel logo a frente. Descidão nervoso do Marinzinho.... Caminhada na crista da pedra redonda com o marinzinho ficando para trás.... Seguindo pela crista em direção a Pedra redonda Enfim, chegando a pedra redonda, que representa a metade do caminho... As 12:06 finalmente cheguei a Pedra redonda, só para constatar que na verdade, a pedra redonda não é redonda e sim uma enorme pedra rochosa em cima de outra maior com uma rachadura que parecem estar se equilibrando no topo a meio caminho. Fiquei mais tempo do que normalmente ficaria ali para aguardar um dos rapazes que estava mais lento e mesmo após 30 minutos ali, nada dele aparecer. Pelo roteiro, teriamos que chegar até a Pedra redonda com no máximo 3 horas e meia de caminhada a partir da base do Marins. Enquanto isso, encontramos com um grupo que estava fazendo a travessia só de mochila de ataque e haviam iniciado a subida as 7 da manhã no milton e pretendiam fazer a travessia no modo "light and fast", ou seja, de uma vez só, chegando no acampamento base Itaguaré no final do dia. Aproveitamos para trocar idéias com eles, enquanto descançavamos. Jararaca tomando sol na trilha Pico dos Marins visto da Pedra Redonda O papo estava bom, mas o tempo estava passando, o relógio já marcava 12:45 e com o tempo estourado em quase 1 hora, eu e o Marco conversamos e decidimos que seguiríamos em ritmo forte na frente porque vimos que só tinhamos água suficiente para chegarmos ao Itaguaré. Eu estava com pouco mais de 1 litro de agua + 500 ml de gatorade e o Marco com menos de 1 litro apenas. Avisamos os demais e seguimos em frente, mas tivemos que apertar muito o passo para recuperar o tempo perdido. A partir da pedra redonda, se inicia um longo trecho de descida em meio a enormes tufos de capim elefante. Tivemos alguns perdidos em alguns trechos da descida, pois em alguns pontos, a trilha torna-se invisivel e é preciso abrir caminho no meio dos tufos para visualizar a picada e assim, continuar seguindo em frente. Deixando a pedra redonda O trecho a percorrer visto da pedra redonda Nesse trecho o gps do Marco ajudou bastante, mas foi o farejo de trilha que mais fez diferença, pois quase não precisamos recorrer ao gps, o que nos economizou um tempo precioso. Eram 12:56 e a nossa frente viamos o Itaguaré e o pico das grutas parecendo estar próximos, mas ainda havia uma longa caminhada com 2 descidas e subidas de vales que nos separavam deles. Terminado a descida da pedra redonda e passado o trecho onde o capim é mais alto, a trilha fica mais visivel novamente o que tornou a navegação mais tranquila. Após subirmos um leve morrinho e passarmos por um trecho plano, a trilha fica mais demarcada e passa a seguir pela crista a esquerda, mas ainda com uma discreta descida (quase plana) em direção a base da Pedra redonda. Caminhando pela crista em direção ao Itaguaré Após chegarmos na base, passarmos pelo primeiro descampado para umas 3 barracas. A partir desse ponto, o terreno nivela de vez e a caminhada fica mais tranquila. A trilha segue em frente, porém com alguns trechos um pouco confusos, por conta de algumas bifurcações que não levam a nada. Caso entre em alguma dessas bifurcações, basta retornar e pegar o outro caminho. Uma das areas de acampamento na base da Pedra redonda Com o tempo bom e a maior parte da navegação no visual, eu e o marco fomos seguindo em frente a passos fortes até que as 13:50, passamos por outra area de acampamento desde a pedra redonda, essa bem maior que a anterior, que deve caber pelo menos umas 6 ou 7 barracas. Nesse ponto, era possivel ver todo o trecho de descida percorrido desde a Pedra redonda. o "pontinho" da Pedra redonda no alto (a esquerda) ficando para trás.... Em alguns instantes, parava para olhar para trás para ver se conseguia ver os demais descendo pela encosta da pedra redonda, mas não conseguia ver, o que me fez supor que ainda estavam lá no topo aguardando... 1 hora desde a Pedra redonda, passamos por outro descampado menor, para cerca de 4 barracas, porém com o problema de ser um pouco exposto aos ventos e como os demais, não ter água próxima. Após passarmos por esse último descampado, visualizamos logo a frente, os 2 vales que teriamos que vencer para alcançarmos o pico das grutas com o Itaguaré bem imponente a frente parecendo que estava "logo alí", mas ainda havia muito chão pela frente. Chegando na primeira descida de 2 grandes vales, que só de olhar, impressiona... Chegamos ao inicio da descida do 1º dos 2 vales e pensei: num creio, qdo olhamos do alto do Marins ou do Itaguaré, a gente não vê esses 2 vales e imagina que todo o caminho é feito pela crista com poucos trechos de subida e descida. Bem, a 1ºvez a gente sempre se surpreende mesmo. A vista dos 2 vales é muito bonito, mas o buracão é de impressionar ao mesmo tempo que só de olhar as 2 subidonas logo a frente cansava até a vista. Mas como as aparências enganam, tão logo iniciamos a ingreme descida do 1ºvale, a mesma não durou mto e já nos vemos subindo o outro lado. Após ter subido o primeiro dos 2 vales maiores entre a Pedra redonda e as grutas A subida, embora curta, era íngreme, com alguns lances de escalaminhada e alguns trepa-pedra, o que me fez parar algumas vezes para recuperar o folego. Em compensação, a trilha é bem demarcada nesse trecho e por isso, nosso avanço foi mais rápido. Nesses poucos minutos entre as 2 paradas, o marco disparou na frente e eu tive um outro perdido na subida do 1º vale, pois deixei passar uma bifurcação a esquerda que era a continuação da trilha. A que eu estava virou a direita e terminou em um enorme paredão sem continuação, o que me fez perder um certo tempo até me dar conta que deveria ter passado alguma bifurcação que era a continuação da trilha. Procura aqui, ali, acolá e nada....Na hora pensei: como uma trilha bem demarcada termina no nada assim? Provavelmente a bifurcação é discreta, por isso passou batido. E ainda um pouco preocupado por conta do horário e o cansaço da subida, joguei a cargueira no chão e resolvi descer um pouco a trilha para procurar melhor a bifurcação, com mais calma e sem o incomodo do peso nas costas. As pernas estavam um pouco bambas por conta de termos andado com relativa pressa afim de otimizarmos tempo, mas bastou um breve descanço e reencontrar o caminho para logo retomar a caminhada afim de alcançar o marco. Após a subida do primeiro vale, a trilha segue bem demarcada pela lateral esquerda de um cocoruto, onde vou contornando pelos rochedos evitando ganhar altitude. O trecho plano é curto e logo iniciei a descida do 2º vale, onde vi de longe o Marco terminando a subida. Durante a descida, tive outro perdido. A trilha vira para a direita e termina no nada, mas uma outra discreta bifurcação a esquerda sugere que o caminho é por ali, em curtos zig-zags. Por isso, se estiver sem gps, é importante ficar bem atento. Nos vales, o capim elefante e bambuzinhos, se misturam com vegetação mais típica de mata atlantica, o que me proporciona um alivio temporário no frescor da sombra da mata, antes de retornar ao alto da crista. A subida do 2º vale embora curta, não dura muito e logo me vejo emergindo de dentro da mata para o sol voltar a cozinhar minha testa novamente. As 14:55, estou novamente na crista já próximo da base do pico das grutas, no trecho final antes do Itaguaré. A partir dali, a caminhada fica mais leve e tranquila, pois as subidas e descidas de vales finalmente acabaram. Do alto, tive a bela visão dos 2 vales vencidos e da crista percorrida desde a Pedra redonda. E para meu alivio, visualizo o pico das grutas bem a minha frente e o Marco me aguardando sentado em uma enorme rocha junto com a galera que tava só de mochila pequena de ataque. Fiquei sabendo depois que ele os alcançou e ainda ultrapassou eles. Agora sim, Pico das grutas a vista e Itaguaré bem próximo.... Pico das grutas e olha lá o Marco de boa me esperando (quem manda ser mais lento e ainda perder a trilha lá atrás? rsrs) Com o terreno nivelado e trilha demarcada, voltei a apertar o passo e as 15:18, passo por mais uma area de acampamento para cerca de 5 a 6 barracas na base do Pico das grutas, mas sem água próxima. Nisso, aproveito para tirar algumas fotos das enormes rochas que compõe o cume das grutas, e agora mais próximo do Itaguaré, reduzo o ritmo, pois sei que estou bem perto do final e pelo horário, havia recuperado o tempo perdido na primeira metade da caminhada até o Pico da pedra redonda. Do descampado, se tem uma bela visão do Itaguaré bem a frente, agora sim, bem perto, o que acabou dando um folego extra. Mais 10 minutos e alcanço as primeiras rochas do cume das grutas, onde reencontro o Marco, que já estava ali a quase 30 minutos me aguardando. Ah, se não fosse aquele maldito perdido lá atrás.....:quilpish:: Clareira na base do pico das grutas Do pico das grutas até o acampamento na base do Itaguaré leva em torno de 50 minutos, então não me preocupo e resolvo fazer um pit stop mais longo para molhar a goela e apreciar a bela vista de todo o trecho percorrido com a Pedra redonda em destaque e o Marinzinho logo acima, com o Marins a esquerda bem distante. O pico das grutas é um cume composto por várias e enormes rochas que parecem que foram empilhadas umas nas outras. Em alguns trechos, tivemos que saltar de uma rocha a outra por conta de alguns buracos, mas nada demais. As 16:20 nos vemos descendo o último e curto vale em direção a base do Itaguaré e ainda teriamos um trecho chato da travessia para vencer. Enfim, chegando a base do Itaguaré Na última subida antes de chegar a area de acampamento do Itaguaré, chegamos a um trecho entre enormes rochedos, onde foi necessário tirar as mochilas e se arrastar junto com elas por dentro das fendas até o outro lado. Algumas setas indicam o caminho e ali lembra um pouco a bat caverna. Após emergimos do outro lado, continuamos a subida e chegamos a outro trecho onde agora a bola da vez foi içar as mochilas por cima das rochas e novamente se arrastar por baixo delas até o outro lado. Nessa parte, o Marco literalmente trepou a enorme rocha e conseguiu alcançar a parte de cima sem precisar se arrastar por debaixo delas. Eu não me arrisquei e optei por ir por baixo mesmo. Passado esse último trecho e mais 10 minutos, finalmente chegamos a bifurcação onde a direita sobe para o cume do Itaguaré, e a esquerda, desce até as areas de acampamento na base. Na bifurcação, existe uma seta apontando a direita indicando "Marins". Nesse ponto, já se avista as areas de acampamento e o pequeno valezinho logo abaixo, onde está o tão desejado e precioso líquido. O marco estava um pouco a frente e como não conhecia o caminho, pegou uma bifurcação errada e acabou subindo um pouco o morro, enquanto eu peguei a correta por já conhecer o local e logo me vi descendo rapidamente o vale. Vi ele lá em cima e dei um grito para orienta-lo qto ao caminho correto, pois as trilhas se confundem nesse trecho (se ele continuasse a direita, iria parar em um precipício) Passando pela bifurcação com a seta indicando "Marins" Então, as 16:50 alcanço o riachinho do Itaguaré e aproveito para recarregar meu cantil que estava quase vazio (só tinha cerca de 400 ml de água apenas). Marco chega logo em seguida e após nos fartamos do precioso líquido (a dele inclusive já havia acabado), retomamos o caminho e finalmente as 17:05 com 8 horas cravados de travessia desde a base do Marins, chegamos ao enorme area de acampamento na base do Itaguaré para literalmente, desabarmos ali. E para a nossa alegria, não havia ninguém acampado no local. Com isso, fomos donos absolutos do lugar. Nem precisamos dizer que comemoramos o sucesso da empreitada, afinal, mesmo com o tempo estourado, conseguimos chegar ao Itaguaré no horário limite previsto e ainda com sol. Pelo roteiro, nosso objetivo era chegar entre 16:00 e 17:00h, para ter tempo de montar as barracas com calma e ainda ir ver o por-do-sol. Enfim, no discreto riacho na base do Itaguaré, coletando o precioso liquido E finalmente, Marco e eu na base do Itaguaré para o merecido descanço O duro ali foi montar as barracas, pois as rajadas de vento estavam muito fortes naquele fim de tarde, o que de certa forma, já era o prenuncio de que o tempo iria virar naquela noite. Com isso, deu um certo trabalho para montar as barracas, mas sem grandes problemas. Os últimos raios do dia coloriam o alto do Itaguarezinho e o frio de altitude já se fazia presente, me obrigando a colocar uma blusa de moleton. Barracas montadas, marco literalmente desabou dentro da dele e nem foi ver o por-do-sol no cume do Itaguaré. Se bem que nem eu fui tb, estava exausto e como já havia visto em outras 2 ocasiões que ali estive, só pensei em comer algo. Mas mesmo assim, subi um morro do lado para ver se conseguia ver o pessoal vindo pelo alto do pico das grutas, mas nem sinal algum deles. Meia hora depois, começou a escurecer e imaginei que eles haviam decidido acampar em alguma das areas de acampamento entre a base da Pedra redonda e o das grutas. Só fiquei imaginando em qual deles. Então, desencanei e resolvi ir até o cume do Itaguarezinho para curtir o visual das cidades do vale do paraíba e também para ver se havia alguém acampado por lá, mas também não havia ninguém. Já mais descançado, fiquei só curtindo o céu estrelado e as luzes das cidades lá embaixo, no vale do paraíba. Já havia passado das 20:00hs e nisso, vi alguns relampagos bem distantes, o que era um prenuncio que estava vindo um temporal daqueles. E nessa hora eu só dava graças a deus por já estar no Itaguaré. Depois de curtir o local, desci até a base, preparei minha janta e fiquei fazendo hora dentro da barraca, enquanto a comida esquentava. Marco já havia capotado, os fortes ventos haviam cessado e o silêncio havia tomado conta de vez daquele belissimo vale na cota dos 2.260 metros de altitude. Mas nem tudo foi calmaria: Ao retirar alguns doces da mochila para pegar o feijão, arroz e a salada de atum, um camundongo (ratinho de altitude) veio fazer sua refeição. Pegou um pedaço de bolo que eu havia deixado de lado de fora e nisso, acabo sendo obrigado a joga-lo fora. Outro camundongo apareceu na sequencia com o mesmo objetivo e eu dei uma rasteira na grama, afim de assusta-los, o que deu certo, pois fugiram para dentro da mata e não voltaram mais, mas percebi que estavam na moita. Depois desse incidente, tomei alguns cuidados e guardei todos os alimentos bem embalados e dentro da mochila que estava dentro da barraca, fechando o ziper logo em seguida. Com isso, não tive mais nenhum incidente desde então. Após uma janta farta com direito a arroz, feijão, salada de atum, ervilha e batada com um belo sucão e alguns doces como sobremesa, entro na barraca, me enfio dentro do saco de dormir e logo pego no sono, mas que infelizmente dura pouco tempo, pois por volta das 22:30h, acordo com o barulho de trovões próximos e ao enfiar a cabeça para fora a barraca, vejo tudo encoberto e a visão totalmente prejudicada, com os primeiros pingos de chuva começando a cair. Então, volto para dentro do saco de dormir e em 10 minutos, a chuva veio forte, mas como já estava dentro da barraca, estou bem protegido e nem me preocupo, apenas fico aguardando os trovões pararem para então voltar a dormir. A chuva foi rápida e com o afastamento dos trovões, o silêncio logo voltou e ai então consegui pegar no sono novamente, imaginando que o resto da noite prometia ser tranquila. A maior parte até foi, mas no final da madrugada a calmaria foi quebrada por uma nova pancada de chuva, que veio mais forte que a anterior e me acordou de vez. Mas ainda assim, consegui dormir mais um pouco, pois ainda estava muito cansado do dia anterior e só queria ficar deitado. 3º dia O Domingo amanheceu totalmente encoberto e chuvoso, ventava bastante e eu tive que ficar atento para possiveis infiltrações no interior da barraca com a chuva que havia começado as 4:30 e não havia parado até então. Eram 6:30 e a chuva estava mais fraca, mas ainda constante. Para os ventos, havia colocado rochas enormes em cima das estacas, afim de dar um reforço extra as mesmas. Como a previsão do tempo indicava, o tempo realmente virou no sábado para o domingo, então resolvi tomar meu café da manhã dentro da barraca mesmo, e já ir arrumando as coisas, afim de iniciar a descida tão logo desmontasse a barraca. Após tudo pronto, fiquei de boa dentro da barraca só com o isolante e até dei uma rapida cochilada, qdo o marco me chamou dizendo que a chuva havia parado, mas perguntando se eu iria descer agora ou se esperaria os demais chegarem. Isso porque, só nós estavamos acampados lá. Face oposta do Itaguaré A imponente serra fina vista do alto do cume do Itaguarezinho Acampamento na base do Itaguaré visto do alto do Itaguarezinho A chuva havia dado uma trégua, as nuvens estavam bem mais acima e por isso, não tivemos a visão prejudicada pela neblina. Mesmo sem o sol, pudemos nos fartar de fotos com direito até a subir o Itaguarezinho, afim de observar a bela vista do vale do paraíba com outras nuvens mais abaixo de nós, cobrindo boa parte das cidades. Eram nuvens em cima e embaixo, visão única e diferenciada. Descemos até o vale e resolvemos fazer um pouco de hora ali, para esperar os demais. Subi parte do Itaguaré, para ver se conseguia avistar o pessoal vindo. E após algum tempo, os vi bem distantes, emergindo na crista antes da base do Pico das grutas. Gritei para sinalizar e eles responderam. Mas ainda estavam muito longe, a cerca de 2 horas de caminhada de onde eu estava. Vale do Paraíba visto do alto do cume do Itaguarezinho O amplo cume do Itaguarezinho, um dos 2 picos menores que compõem a base do Itaguaré A esquerda, Itaguarezinho, a direita vista do vale do Paraiba sentido Rio Desci e avisei o marco que avistei o pessoal, mas que estavam muito longes ainda. Como já havia passado das 10:00h e havia combinado com o resgate para nos esperar entre 12:00 e 14:00h, aliado ao fato de que estava começando a chover de novo, resolvemos descer na frente. Para esse trecho final da travessia, 1 litro de água é o suficiente (e que já havia pego no dia anterior), então nem me preocupei, pois sei que lá embaixo, há 3 pontos de água potavel. Trecho final da travessia visto da base do Itaguaré. Destaque para o Pico das grutas a direita No inicio da caminhada ainda pela crista, o vento voltou a ficar forte o que dificultou bastante a caminhada, ainda mais com chuva fraca, mas assim que desescalaminhamos a enorme pirambeira da rocha que compõe o pico menor, logo mergulhamos na floresta, onde os campos de altitude deram lugar a mata atlantica e a descida passou a ser feita por trilha bem larga e batida em meio a mata fechada. Nisso, a chuva parou e a descida pela trilha até o acampamento base foi bem tranquila. As 11:00h, fizemos um pit stop debaixo de um enorme rochedo para um lanche rapido (no local há 2 locais ótimos para acampar, bicavar e até se proteger da chuva). Após o lanche, descemos rapidamente e as 12:15 alcançamos o acampamento base Itaguaré, onde nosso resgate já nos aguardava. No acampamento base Itaguaré Depois de comemorar o fim da travessia e batermos algumas fotos na placa que indica o fim, logo adentramos na Kombi e voltamos até o ponto de partida, o acampamento base marins, onde chegamos as 13:20. Depois voltamos na caminhonete do Marco para buscar os demais que já estavam nos aguardando assim que chegamos. Com todos reunidos novamente no acampamento base marins, e após nos despedirmos do Marco e do Michel, eu, Idolo e o Clovis estacionamos em um restaurante em Piquete e mandamos ver um belo de um PF com uma coca geladona afim de comemorarmos o sucesso da empreitada. De estomago forrado e revigorados, retomamos a viagem de volta a SP, onde chegamos por volta das 22:30h, cansados, mas felizes. ---------------------------------------------- Como chegar ao Pico dos Marins - Pra quem vem de SP ou Rio, via Dutra: Pela Rodovia Presidente Dutra (BR 116) saída 51, seguir pela BR 459, passar por Piquete e logo em seguida (800 metros) virar à direita para a Estrada Viscinal José Rodrigues Ferreira que dá acesso à Vila dos Marins. Quando chegar ao fim do asfalto, que é na saída da Vila dos Marins, suba à esquerda até o final da serra, passe o portal do município de Marmelópolis na divisa SP-MG, entre à direita e logo em seguida você chegará ao Acampamento Base Marins. Outros detalhes e maiores informações aqui: http://www.marinzeiro.com/como_chegar.html#sprj -> Água se encontra no acampamento base e no morro do careca (a cerca de 50 minutos de caminhada do acampamento em uma bifurcação a esquerda ao lado da placa que indica o inicio da trilha). Depois só no topo, em uma nascente afluente do riacho passa quatro no trecho de chapadão. A nascente está escondida e fica praticamente do lado do inicio da subida do pico do marinzinho, bem a leste. -> Se for fazer a travessia para o Itaguaré, saia da base do Marins até no máximo 7:30. Em um ritmo relativamente forte, leva-se entre 7 a 8 horas da base do Marins até a base do Itaguaré já incluindo as paradas para descanço pelo caminho e também nos picos da Pedra redonda e Grutas. Então, se quiser chegar no Itaguaré ainda de dia para poder montar a barraca com calma e ainda curtir o por do sol, esteja subindo o pico do Marinzinho antes das 8:00. Com isso, você estará chegando na base do Itaguaré entre 16:00 e 17:00hs. -> Na descida do pico do Marinzinho em direção a pedra redonda, há algumas cordas fixas para auxilio da descida. A corda mais recente que colocaram lá é a vermelha. Teste ela e as demais para ver se está bem firme antes de utiliza-la. Use as demais para prender e descer a cargueira, se for o caso. No geral, dá para descer tranquilamente ali, mas em caso de ventos fortes, mta atenção ali, pois o vento pode te desequilibrar. No horário que passei ali, o vento estava mto forte e o equilibrio ficou prejudicado, por isso optamos por tirar as cargueiras e desce-las utilizando uma das cordas, por medida de segurança. -> Procure chegar na Pedra redonda em um tempo máximo de 3 horas e meia desde a base do Marins. Se levou mais tempo que isso, terá que apertar o passo, exceto se acampou na base do Marinzinho ou iniciou a travessia bem cedo mesmo (antes das 6:30h). Ainda assim, fique atento ao tempo de caminhada, se não quiser chegar ao Itaguaré no escuro. A trilha entre o pico das grutas e a base do Itaguaré tem trechos confusos e onde é necessário saltar de uma pedra a outra. Há um trecho inclusive que é necessário tirar as mochilas para passar por uma fenda e uma outra que precisará tirar novamente a mochila e iça-la por cima das rochas, para então ter que se arrastar por baixo delas até o outro lado. Se não quiser ter que passar por tudo isso a noite, mantenha um ritmo bom ou acampe em uma das clareiras na base da Pedra redonda ou grutas, terminando a travessia no dia seguinte. -> Não há água em todo o trecho da travessia, só no sopé do morro da baleia (inicio da subida do Marinzinho) e na base do Itaguaré. Atente-se a isso. O riacho da base do Marins (que fica mais a direita e é caminho para quem sobe até o cume do Marins, não é confiável e está poluída, portanto não recomendo beber dessa água nem com clorin) Eu levei 2 litros + 1 de gatorade para a travessia da base marins até o Itaguaré. Na subida do Marins, pode-se economizar no peso subindo com 2 litros e e deixar para recarregar nos poções da pequena nascente que fica a poucos metros do inicio da subida do morro da baleia, esse que compõe a subida em direção ao Pico do Marinzinho. Essa nascente é afluente daquele riacho na base do Marins que está poluído, mas nesse trecho ele está bem acima e a água é de boa qualidade. No 1º pernoite, se for utilizar essa água para lavar as mãos, panelas e etc, colete a agua necessária e lave as panelas ou as mãos longe da fonte, para não contaminar a nascente. -> Não se preocupe em procurar o local onde fica a água na base do Itaguaré. A trilha passa obrigatóriamente pelo vale onde fica a nascente. E a mesma fica próxima da area de acampamento, então não tem erro. -> No cume do Itaguarezinho (morro que fica a direita para quem vem da travessia), há vários locais de acampamento protegidas e é um ótimo lugar para acampar e ver o nascer do sol logo pela manhã. Há uma trilha bem aberta que sai da principal entre a area de acampamento e o riachinho que leva diretamente até o cume. Em menos de 10 minutos, se atinge o cume. -> No cume do Itaguaré não há areas de acampamento e a trilha da travessia não passa por ali. Apenas há uma bifurcação que sobe até o cume e interliga com a da travessia, que vem bordejando a encosta direita do Pico. -> Combine previamente com o responsável no acampamento base Marins como será feito o resgate na base do Itaguaré, se optar por ir de carro e deixar lá.Caso optem por ir de onibus ou queiram voltar por Passa quatro/Cruzeiro, acrescente mais 4 a 5 horas de pernada pela estrada de terra até a rodovia, onde há linhas de ônibus regulares para essas cidades.
  8. MARMELOPOLIS 2° DIA - 17.01.2019 - Quinta-feira Saída pousada e chegada ao mirante São Pedro(antes pico Marinzinho) e retorno à cidade +-25 kms em aprox. 06:20hrs Acumulado: 67 kms Pegamos a mesma rua do dia anterior, chegamos ao bairro e entramos à esquerda, certo desta vez, mais à frente tem que entrar à esquerda num pequeno trecho de bloquete de cimento, depois começa subida forte, após mescla subidas e descidas leves, lindo amanhecer emoldurado pelo complexo do Pico dos Marins, depois começa descida fortíssima até um bairro rural, viramos à esquerda e mais à frente, seguindo orientação das placas, entramos à direita e começamos a subir de novo até a pousada do Djalma (01:35hrs até Pousada do Djalma (+-8kms) - 1340msnm Depois pegamos um atalho na pousada e logo chegamos numa estradinha de terra, viramos à direita e começou subida forte até um portal (1550msnm - 02:06 hrs) Viramos à direita e pegamos trilha (o certo é chegar no portal e seguir reto) com muita sombra pela encosta da montanha, chegamos numa bifurcação e viramos à esquerda (à direita vai pra Marinzinho) 02:36hrs, pegamos trilha bem demarcada na encosta da montanha, pouco à frente tem uma ótima mina d'agua (1760msnm), seguimos pela mesma trilha sempre subindo até a pedra montada 02:49hrs - 1863msnm. Nossa intenção neste dia era somente conhecer a pedra montada e retornar à cidade, mas a curiosidade prevaleceu. Continuamos a trilha subindo dentro da mata, minha parceira resolveu não ir ate o mirante, tive que subir nas pedras por umas cordas, fui até o Mirante São Pedro (03:30hrs - 2135msnm). No mirante tem uma visão legal de toda região, e do Marinzinho, ali me despertou a curiosidade de subir o Marinzinho, pois cheguei bem perto. Desci e encontrei minha parceira, dessa vez não passamos pela pedra montada, seguimos reto. Retornamos quase pelo mesmo caminho, começou a trovejar e o tempo fechou, tivemos que apertar o paso e chegamos rapidamente ao centro da cidade e comemos o mesmo Self-service à vontade por $18 por pessoa à vontade Hospedagem: a mesma do dia anterior. Tempo fresco com muitas nuvens no amanhecer em Marmelopolis Lindo visual dos Marins Subidas fortes antes portal Visão da pedra montada no meio da mata Dá para servir de refúgio numa tempestade, vimos foqueira apagada Pedra montada de perto Minha parceira não subiu comigo até o mirante, mas vai subir no outro dia Lindo visual Retorno - trecho de mata
  9. PRIMEIRO PICO: MARINZINHO MARMELOPOLIS A PRIMEIRA PERIPÉCIA DA VIAGEM Para os montanhistas experientes o pico do Marinzinho é fácil, não há grandes paredões, bem sinalizado, mas para nós, marinheiros de primeira viagem, tínhamos receio de subir sozinhos, têm cordas em alguns trechos, até pensamos em contratar um guia. No final decidimos que iríamos até onde desse, se porventura ficasse muito perigoso voltaríamos e, em outra oportunidade, faríamos. Segurança em primeiro lugar! No dia anterior atiçou a curiosidade de subir o Pico do Marinzinho(estive bem perto dele). Tive que convencer minha esposa que dava para fazer(ontem ela ficou com receio de subir nas pedras através das cordas), normal para uma pessoa que tem (ou tinha) medo de altura. Resumo da história: ela foi e venceu seus medos (e os meus também, imagina se ela desse um piripaque no topo e não conseguíssemos descer, helicóptero é muito caro, acho que estaríamos lá até hoje..kkkk). Foi um dia muito feliz para nós dois. Consegui uma parceira para minhas futuras peripécias. O problema maior foi que neste período quase ninguém sobe devido ao tempo instável (muita chuva ), só estávamos nós dois no trecho, se desse algum problema estaríamos em apuros, por isso tivemos cuidados redobrados. A sinalização estava bem visível (o sr Maeda faz um ótimo trabalho de conservação das trilhas ), nas partes mais complicadas tem cordas para facilitar a subida /descida, com técnicas básicas, conseguimos fazer sem grandes dificuldades. A visão lá de cima é um show à parte. 3° dia - 18.01.2019 - Sexta-feira Saída da pousada Bela vista(Marmelopolis) de carro e chegada a pousada do Djalma(base do Marinzinho). Subida ao Marinzinho e retorno à pousada do Djalma(1330msnm) +-14 kms em aprox. 06:07Hrs Acumulado: 81 kms Acordamos antes das 05 da manhã, gentilmente o Domingos deixou excelente café da manhã pronto no dia anterior. Pegamos o carro e seguimos até a pousada do Djalma (20 minutos ), deixamos nossas coisas no chalé, e partimos rapidamente (06:05hrs), tempo bem fresco sem nenhuma nuvem no céu (a previsão para o dia, era de muita chuva após as 13 horas, por isso saímos cedo e apertamos o passo). O trecho até portal é em estrada de terra com subidas fortes, depois mescla estradinha de terra com trilhas com muita sombra, sempre morro acima até um pouco antes do mirante São Pedro(tem duas cordas antes de chegar). Foi até onde chegamos no dia anterior. Após o mirante São Pedro pegamos trecho com muita pedra, alguns lugares tem cordas para ajudar, muito íngreme e escorregadia. Chegamos no topo achando que era ali, não era, descemos mais um pouco e subimos em pedras até o Marinzinho(2.432 msnm - 03:22hrs), sol forte no início mas umas nuvens deu uma amenizada. Lindíssimo visual em 360° de várias montanhas e picos, do estado de São Paulo e Minas Gerais, vimos várias cidades dos 2 estados. A volta foi bem tranquila, tempo encoberto e com algumas nuvens negras sinalizava chuva. Quase minha esposa pisou numa cobra venenosa, que estava passando pela estrada antes do portal, passado o susto, tiramos algumas foto da cobra e ela ficou lá no mesmo lugar. Ida: Até portal 35 minutos. Até entrada pedra montada: 01:07 hrs Até mirante São Pedro: 01:57hrs Até Marinzinho: 03:22hrs Volta: Mirante São Pedro: 04:30hrs Até entrada pedra montada: 05:11hrs Até portal: 05:33hrs Até pousada: 06:07Hrs Hospedagem: Pousada do Djalma, base do Marinzinho, camas boas, banheiro privado, limpo. Preço $60 por pessoa com café da manhã. Obs.: Serve almoço simples $25 por pessoa à vontade Ela chegou com facilidade ao mirante Subida bem forte em pedras Subida com auxílio de corda Idem Outra subida forte Mais subida com auxílio de corda Fenomenal visual do pico dos Marins Uma pose para foto Por muito pouco minha parceira não pisou nesta cobra, se é venenosa eu não sei, só sei que foi um baita surto Chegada a pousada do Djalma
  10. DESISTÊNCIA Quando fazíamos os Caminhos pela Serra da Mantiqueira, olhávamos a Pedra da Mina e ficávamos encantados com o visual dela. Sempre tivemos vontade de subir até ela para apreciar o visual lá de cima, deve ser maravilhoso. Nesta nossa viagem, passamos pela região umas 6 vezes, sempre esperando uma janela no tempo para fazer um bate/volta, o problema é que temos que ter uma janela muito longa, cerca de 14 horas sem chuva para subir e descer com segurança, pois não carregamos equipamentos para pernoitar. Tentamos de toda maneira mas não foi possível, mas subimos outros picos na região que demandava pouco tempo para subir e descer. Pelo menos teremos motivo para retornar à serra da Mantiqueira em outra oportunidade. Dia 27.02.2019 - Quarta-feira Ontem à noite ficamos acompanhando a previsão do tempo, nos telejornais e na internet informavam que haveria muita chuva nos próximos dias, inclusive foi decretado alerta amarelo. diante disso, abortamos nossa subida ao pico Itaguare ou da Mina. Uma pena, nos preparamos bastante para fazer um bate/volta na pedra da Mina, vai ficar para a próxima. Pegamos o carro e partimos, passamos embaixo da pedra da mina pela rodovia, estava todo encoberto pela neblina e nuvens negras com raios , confirmando que tomamos a decisão acertada. Resolvemos ir até Ubatuba-Sp, litoral paulista para aproveitar 2 dias antes do carnaval, chegamos a Via Dutra e logo à Guaratingueta-Sp. Viramos à esquerda numa outra rodovia asfaltada e passamos na cidade de Cunha. Neste trecho dava para vizualizar a Pedra da Mina e Itaguaré, paramos no acostamento para ver melhor, e realmente estava chovendo forte naquela região(na região da Mantiqueira estava chovendo, enquanto na parte baixa e na região de Cunha o sol estava forte), confirmando a previsão do tempo. Descemos a Serra da Bocaina (hoje toda pavimentada até Parary), pensamos até em ficar em Paraty, mas já ficamos aqui várias vezes. Pegamos a Rodovia Rio x Santos com pouco movimento. Vimos algumas pousadas em Ubatuba, umas lotadas e outras caras. Resolvemos partir para outra cidade, até para descansar das andanças, subimos a serra, e resolvemos pernoitar em Santo Antônio do Pinhal-Sp, chegamos debaixo de uma chuva forte. Hospedagem: pousada Beira Rio, S.A do Pinhal-Sp, centro, camas razoáveis, tv aberta, wifi, aquecedor, banheiro privado. Preço $55 por pessoa com café da manhã simples. VISITA À HOLANDA BRASILEIRA No outro dia saímos e fomos conhecer Holambra-Sp, linda cidade do interior, com a maior produção de flores do Brasil, como tem uma grande colônia de Holandeses na região, a arquitetura e as atrações turísticas são baseadas naquela país. Demos umas voltas pela cidade, visitamos um shopping que vendem somente flores (que flores lindas), queríamos visitar uma plantação de flores mas tem contratar agência, então resovemos partir no final do dia para São Paulo capital. Onde permanecemos até Quarta-feira de cinzas. Curtimos a cidade no feriado de carnaval(fomos visitar o instituto Butantã, levamos as fotos das cobras que tiramos na viagem, mas as pessoas que estavam nos museus não conseguiram identificá-las). Estávamos hospedados num hotel defronte a escola de samba Vai-Vai, vimos da janela do apartamento a tristeza de todos, pelo rebaixamento da escola para a "segunda divisão", muito choro na rua. Depois começou uma forte chuva que dissipou o pessoal, muito triste! E assim, terminamos mais um role pelas terras brasileira. SIMPLESMENTE DEMAIS! Hospedagem: Hotel New Point próximo ao Bexiga, a uns 10 minutos a pé da Avenida Paulista, todo reformado, camas boas, ar condicionado, frigobar, TV a cabo com alguns canais, banheiro privado. Preço $60 por pessoa com café da manhã. RECOMENDO Easa é a região da pedra da mina toda encoberta com chuva e trovoadas. Descida da serra da Bocaina, toda pavimentada, toda florida Construíram essa passagem em nivel para a animais circularem pelos dois lados da rodovia, evitando atropelamentos, pelo aumento do trânsito e da velocidade. Moinho em Holambra-Sp, réplica dos encontrados na Holanda Jardins floridos numa praça do centro da cidade Ida,à pé, no instituto Butantã em São Paulo, capital. Atravessando ponte sobre o rio Pinheiros. Depois de muitos anos, e esses mais de 900 quilômetros, como ficou o estado do bravo tênis. Na viagem, devido às chuvas tive que mandar "colar" duas vezes. Mesmo assim aguentou o pico do Marins numa boa.
  11. Trilha feita em 27/07/2013. Álbum com todas as fotos estão em: https://photos.app.goo.gl/CJL8aXjQWYG6gGkc8 Faltavam 10 para as 3 da manhã qdo lá estava eu, saltando da cama em uma madrugada geladíssima de inverno, afim de poder chegar cedo na trilha para o Pico dos Marins. Por conta da logística, distancia e tempo de trilha, era preciso cair da cama no meio da noite mesmo. Após um rápido café da manhã, conferi a cargueira já feita no dia anterior e as 3:50 me mandei para o ponto de encontro, situado ao lado de uma agencia bancária próxima a Estação Brigadeiro, onde meu xará (Renato Marangori) e Kazu me aguardavam. O metrô ainda se encontrava fechado e a famosa Av. Paulista, que recebe milhões de pessoas diariamente e que sempre é palco para tudo qto é evento (inclusive manifestações), mais parecia uma típica avenida de uma cidade do interior qualquer. Feitas as devidas apresentações, zarpamos dali as 4:10, para então ganhar a Ayrton Senna e em seguida a Dutra, afim de chegar em SJC, onde nos encontraríamos com o Wanderley que nos aguardara na beira da rodovia. A neblina típica do inverno dava o ar de sua graça, obrigando meu xará a redobrar sua atenção na noite escura e enevoada enquanto dirigia. Kazu aproveitou a noite mal dormida para tirar uma boa soneca no carro, enquanto eu e meu xará trocamos ideias. Fizemos uma breve parada em um posto para encontrarmos com outro grupo vindo em outro carro e a partir dai seguirmos juntos. Após encontrarmos com o Wanderley em SJC, partimos todos os 3 carros e cerca de 10 pessoas rumo a Piquete, a cerca de 210 km de SP, onde fariamos uma parada para um café da manhã reforçado. O dia amanhecera parcialmente nublado e a neblina vinha e ia no meio dos vales. Chegamos na mesma as 7:40 e após forrar o estomago com alguns salgados e esquentar o corpo gelado com um belo pingado quentinho, retomamos nossa viagem, dessa vez pela Rodovia Lorena - Itajubá (BR 459), onde iniciamos a subida da serra da mantiqueira. O tempo em Piquete estava encoberto, mas durante a subida da serra, as nuvens rapidamente deram lugar ao sol e o céu bem azul, mostrando que o dia seria bem aproveitável, qdo chegamos a entrada da estrada de terra que dá acesso a Fazenda Saiqui. Deixamos a rodovia em favor da estrada de terra a direita, onde rodamos por cerca de 16km até o acampamento base-Marins. Por conta das chuvas dos últimos dias, a estrada estava em péssimas condições, com vários trechos enlameados, o que exigiu do meu xará mta habilidade no volante a fim de não atolar o veículo em alguns dos trechos ruins da estrada. Após 35 minutos sacolejando aqui, ali, acolá, chegamos ao trecho final, onde demos de cara com um trecho de subida e um lamaçal, o que deixou a galera apreensiva. Trecho final da estrada de terra, puro atoleiro... ãã2::'> E bora desatolar.... Resolvemos todos descer dos carros e só o motorista seguir, mas mesmo assim, os mesmos literalmente atolaram na lama e tivemos que fazer um multirão para empurrar e livrar cada um dos carros dos atoleiros. Pior que um trecho enlameado, é o mesmo ainda estar em uma subida. Só algumas motos de trilha e veículos 4x4 estavam passando. Nem chegamos a trilha e já estamos passando pelos primeiros perrengues. Nossa sorte é que, por ser sabado de manhã, além do nosso grupo, havia outros grupos indo para o Marins tb. Infelizmente, isso nos atrasou em pelo menos 40 minutos, mas faz parte.... As 9:40 chegamos ao acampamento base Marins, onde deixamos os carros e após tirar as cargueiras e fazer os alongamentos básicos, demos inicio enfim, a trilha propriamente dito pontualmente as 10:00hs. A trilha, de cerca de 10 minutos de percurso e que segue em nível, passa por uma pequena nascente e faz a ligação entre o acampamento base Marins até uma estrada de terra, onde ignoramos o caminho da esquerda em favor do caminho à direita. Após passarmos uma porteira com um aviso dizendo "Proibido o acesso de veículos", inicia-se a subida até próximo do morro do careca. Nesse ponto, a estrada é larga e com vários trechos eroditos, sinais de que outrora, era utilizado pelo pessoal que optava por deixar seus carros e motos no morro do careca, afim de otimizar o percurso de subida. Acampamento Base Marins na época do Milton Na Estradinha de terra que sobe até o Morro do Careca Esse trecho inicial de subida até o morro do careca não apresenta grandes desníveis e serviu para aquecer os músculos, enquanto o sol fritava nossos cérebros. A mesma segue ziguezagueando a encosta da serra e termina em um descampado, onde uma unica trilha sugere que continuemos por ali. As 10:33, emergimos da mata no morro do careca, um enorme descampado onde tivemos nossa primeira vista dos imponentes maciços do Pico dos Marins bem a nossa frente, o que logo de cara proporciona uma visão incrível dos seus 2.421 metros de altitude, quase que rasgando os céus. Do morro do careca tb avistamos (no morro a direita) a trilha subindo a mesma, dando uma ideia do que teríamos pela frente em matéria de "escalaminhada". No morro do careca Pico dos Marins visto do Morro do Careca Trecho da trilha subindo visto do morro do careca Nuvens cobrindo o vale do Paraíba e a cidade de Piquete.... As nuvens que outrora deixamos para trás durante a subida da serra, estavam embaixo, cobrindo totalmente o vale do paraíba e a cidade de Piquete. Fizemos nosso primeiro pit-stop aqui afim de beliscar algo, tirar a famosa foto "clássica" com a galera na frente e os maciços do Pico dos Marins atrás, apreciar a vista. Após todos estarem descançados e revigorados, retomamos a pernada em direção ao inicio da trilha. Sim, ali ainda não era a trilha, era apenas o acesso para o inicio "oficial" da trilha para o Pico dos Marins, essa que começa mesmo é depois que se passa pelo mirante do morro do careca. A trilha voltou a virar uma estradinha de terra erodita, desce um curto trecho de vale e logo mergulha na mata, onde se encontra com uma outra estrada de terra que sobe vindo de algum outro canto. Após chegarmos na bifurcação entre as 2 estradas e um descampado, uma bifurcação a direita sugere que o caminho é por ali. Depois de seguirmos por mais alguns minutos, es que as 11:05 chegamos a dita placa que indica o inicio oficial da trilha para o Pico dos Marins, após 40 minutos de caminhada desde o acampamento base. Água se encontra em uma bifurcação a esquerda da placa. Seguindo por alguns metros por essa bifurcação, se chega a nascente, a unica até o topo. Portanto, se for pegar água, traga o que for precisar dessa nascente. Inicio oficial da trilha Na placa que indica o inicio da trilha, há indicação dos mirantes, altitudes e os maciços. Atente-se a esses detalhes, pois o desnível a ser vencido a partir desse ponto será bem alto. Após passarmos pela placa, continuamos em meio a mata no vale, em leve ascensão, mas logo que sai da mesma, a leve subida dá lugar a uma pirambeira forte, onde a trilha passa a ficar erodita e a subida bem íngreme, na qual o auxílio das mãos passa a ser constantemente necessários para impulso nos troncos, raízes e pedras afim de ganhar os patamares seguintes. A subida até o 1ºmirante segue forte, porém sem grandes dificuldades, embora em subida relativamente forte. Para alcançar o 1ºmaciço, ainda teríamos que passar por outros 2 mirantes. Durante a subida, avistamos o morro do careca que ia ficando para trás e um outro grupo que estava descançando lá, enquanto rapidamente íamos ganhando altitude. Desse ponto já se tinha belas vistas do vale e dos contornos serranos da mantiqueira, com o enorme paredão rochoso do Pico dos Marins sempre a tua frente, imponente. Nesse trecho, o grupo se distanciou um pouco um dos outros, naturalmente, por conta de cada um ter um ritmo diferente, sendo que os que seguiam na frente, paravam para aguardar os demais. Morro do careca lá embaixo, ficando para trás Outros grupos que chegaram e estavam descançando lá, enquanto nós estavamos subindo As nuvens que encobriam a cidade de Piquete iam ficando cada vez mais embaixo, proporcionando um belo espetaculo e um atrativo a mais. A subida não dá tregua, mas tão logo as 11:28, chegamos ao 1ºMirante, um rochedo enorme na cota dos 1.900 metros de altitude, onde fizemos um rapido pit stop afim de molhar a goela e recuperar o folego. Do 1º mirante, se avista um vale e barulho de um pequeno rio em um vale a direita, cuja nascente é lá na base do Marins. Durante a subida,de um lado tinhamos essa bela visão ao nosso lado e de outro ponto mais a frente, o Marins, imponente A altitude desse ponto já impressiona. A subida dá uma leve trégua aqui, mas dura pouco tempo. A trilha vira a esquerda e logo a frente, uma nova pirambeira surge sobre o rochedo do 2º mirante bem a tua frente, pronta para ser vencida. Após mais um pit stop para molharmos a goela com isotônicos, aguas e cia, retomamos a pernada rumo ao segundo mirante. Nesse segundo trecho, a subida é menos íngreme e a trilha alterna entre passar pelo lado das rochas e por cima. E a pirambeira a nossa frente De um dos mirantes, o belo tapetão de nuvens cobrindo o vale do Paraíba. A medida que iamos subindo, a paisagem da floresta, com mata atlântica, araucarias e outros, iam pouco a pouco dando lugar aos campos de altitude, como o capim elefante, bambuzais e pinheirinhos, passando por cima das primeiros rochedos. Galera ia subindo em ritmo de tartaruga, já demonstrando um certo cansaço, mas seguindo firme e fortes, pois continuar era necessário. As 11:45 chegamos ao 2º mirante, já na cota dos 2.000 metros. Nesse ponto, as nuvens já estavam bem lá embaixo e era possível ver o tapetão branco encobrindo o vale do Paraíba. O 2º e o 3º mirantes já são sobre blocos rochosos típicos de campos de altitude, sendo ali a transição da floresta para os campos de Altitude. Mas é a partir desse ponto que vem um dos trechos difíceis da subida, conhecida como "Labirinto". Nesse ponto, após passar o ultimo mirante, a trilha dá uma nivelada e passa a seguir por entre enomes pedras e rochedos. As 12:17, chegamos a base do primeiro maciço e nisso, a picada vira a esquerda, descendo levemente um pequeno valezinho entre os rochedos. Porém, nesse trecho, a trilha se bifurca em algumas ramificações em meio a enormes trechos de capim elefante, o que dificulta a navegação para quem não conhece o caminho. Há totens e setas indicando o caminho nas rochas. Adentramos pela mesmo e seguimos pela esquerda, pela base do enorme rochedo, nos orientando pelos totens, setas e traços amarelos que indicavam o caminho, ao lado do paredão que fica a direita. Fomos seguindo pelo labirinto de trilhas, buscando os trechos onde a trilha está mais batida e mais próxima do rochedo que compõe o 1ºmaciço do Marins. As 12:46, após passarmos pelo trecho do "Labirinto", a mesma vira a direita numa rocha e passa a contorna-la, enquanto sobe até cair na base de uma gigantesca pedra, onde uma seta indica o caminho para cima. O trecho onde se faz um zigue-zague para subir entre as rochas Vista dos mirantes por onde passamos A partir daqui, a orientação passa a ser ora por trilha, ora por totens e setas amarelas. E a subida passa a ser feito a base de escalaminhada e trepa-pedra nervoso, onde você literalmente irá comprovar se tua bota ou tênis de trilha é boa ou não.... Trecho de escalaminhada e trepa-pedra Durante a escalada, olhando para trás, se tem uma vista de todo o trecho de subida já percorrido, desde a estrada de terra lá embaixo, passando pelo morro do careca e os 3 mirantes rochosos. E se o seu grupo estiver na frente de outros, você ainda terá o prazer extra de ver os demais lá embaixo, pequenininhos e distantes, vendo você e seu grupo lá em cima..... cada vez mais alto e abaixo, todo o trecho percorrido pelo alto dos mirantes.... Mas não é para se comemorar, pois ainda tem muito chão pela frente até o cume. Após a escalada da enorme rocha, se atinge o 1ºmaciço, na cota dos 2.100 metros de altitude. A continuação da trilha reaparece e agora passa a seguir pela encosta desse maciço a direita, subindo levemente a mesma. A vista desse ponto já impressiona, pois se tem uma visão incrivel de toda a cadeia de montanhas e morros do alto da mantiqueira do lado do estado mineiro, que lá do alto, parecem pequenas morrinhos, dando uma idéia da vista do topo do Marins. Caminhando agora na lateral em direção ao "chapadão" Uma das várias vistas durante a subida Seguimos bordejando a encosta esquerda do paredão, até que as 13:30, chegamos a um trecho tenso da subida, que são 2 enormes rochas de cerca de 5 metros de altura, que lembra muito uma mistura de "Mergulho" e o "Cavalinho" do trecho da subida para o Pedra do Sino, na travessia Petropolis x Teresópolis. Nesse trecho, já estavamos percorrendo o 2ºMaciço, se não me engano.... Trecho tenso Nesse ponto, o uso de corda para auxílio se torna necessário. Porém, com cuidado e atenção, é possível subir sem corda e com a cargueira nas costas, se agarrando em pequenas fendas, saliências e degrauzinhos na fenda entre as 2 enormes rochas. Considerei esse um dos trechos mais perigosos e tensos da subida, pois qualquer escorregão ali, significa cair e fraturar braços e pernas....É, Trecho de emoção e desafio imposto pela natureza. Vencido esse trecho, o trecho de escalaminhada e trepa-pedra dá uma tregua e a caminhada passa a ser mais light, por meio de enormes rochedos do 2ºmaciço, onde o terreno nivela. Enfim, após muita escalaminhada, trepa-pedra, trechos tensos e de "emoção" (como diria o Wanderley), es que as 14:05, finalmente chegamos ao trecho de "chapadão" onde a trilha dá lugar a enormes costões rochosos e a navegação passa a ser exclusivamente através de setas e totens indicando o caminho. Nesse enorme chapadão entre os Picos do Marins e Marinzinho, há várias clareiras onde cabem entre 2 a 4 barracas cada uma pelo caminho. Aqui, inicia-se a travessia para o Itaguaré com o Pico do Marinzinho a esquerda e pode-se acampar em algumas dessas clareiras afim de otimizar o tempo de percurso da travessia sem precisar subir até o cume do Marins. Enfim, no chapadão. A esquerda, inicia-se o trecho de travessia para o Itaguaré. A direita, seguindo os totens e setas, para o cume do Marins. Trecho inicial da Travessia Marins x Itaguaré Pico do Marinzinho a esquerda, Pedra redonda no centro e Itaguaré ao fundo. Porém, como nosso destino era o topo do Marins, após passar algumas pequenas clareiras e um enorme rocha lisa com 3 totens, (um atrás do outro) uma seta e outro totem indica o caminho a direita, em direção a um valezinho, onde fica a nascente de um corrego. Aqui, fizemos uma pausa para um lanche e contemplação do lugar, enquanto a galera recuperava o folego e relaxava os músculos após a árdua subida....Para variar, aproveitei para mandar ver nos meus lanches e um sucão gelado afim de molhar a goela novamente seca e forrar o estomago antes de partir para o ataque final ao cume. Pico do Marinzinho visto do trecho de subida final ao cume do Marins. Nesse ponto, o cume do Marins parece bem próximo, logo "ali", mas ainda estava a pelo menos 1 a 2 horas de caminhada ainda (dependendo do ritmo do seu grupo). Seguimos em frente, nos guiando pelos totens em direção a enorme "cabeção" rochoso que é o cume do Marins. Nesse ponto, se desce até um vale e passa por alguns trechos ruins de "charco" e capins elefante, onde se olhar bem, consegue-se ver caminhos abertos entre os mesmos. As 14:30, cruzamos o pequeno corrego que tem inclusive uma placa alertando que a água está imprópria para o consumo, ou seja, tão poluída que nem clorin salva. Sim, ficou assim por conta de pessoas irresponsáveis e porcas, esse é o preço a se pagar. Rumo ao cume Campos de Altitude. 15 minutos depois de passarmos pelo corrego passa quatro, iniciamos a ardua subida final, numa escalaminhada + trepa-pedra nervoso até finalmente alcançarmos o cume as 15:15h. Como fomos um dos primeiros grupos a chegar, havia bastante espaço bons e livre dos ventos para montar a barraca. Sem perder tempo, encontrei um sob medida para a minha, com rochas e enormes capins elefante em volta, bem protegida dos ventos. Galera foi chegando e assim que todos montaram suas barracas, pudemos finalmente nos fartar de fotos e relaxar os musculos,bebendo e comendo algo. Apesar do sol, o frio lá em cima já estava intenso. Meu termometro digital marcava em torno de 10 graus e já imaginava que a noite iria ser incrivelmente GELADA. Bem, faz parte, estando a 2.421 metros de altitude.... Cume do Marins (com o Pico do Itaguaré ao fundo) Da borda leste do Marins, se avista esse vale e o som de uma cachoeira e um rio lá embaixo (dando inclusive para ver o rio descendo o vale A visão lá do cume do Marins é simplesmente espetacular e de se encher os olhos. Se tem uma visão de 360 graus de todo o vale do Paraíba, todo o trecho da travessia até o Pico do Itaguaré, com os picos do Marinzinho e Pedra redonda no caminho, ao fundo, o trecho de travessia da Serra fina e o Pico da Pedra da Mina bem ao fundo, entre outros. O topo do Marins é bem amplo e cabe pelo menos umas 15 barracas com folga, pois há várias clareiras. Vale do Paraíba parcialmente encoberto Trecho da travessia Marins x Itaguaré, visto do topo do Marins Pico da Pedra Redonda (zoom não saiu nada bem ) Pico do Itaguaré a esquerda e lá ao fundo, a imponente serra fina e o Pedra da Mina com seus quase 2.800 metros de altitude Após curtir o local e ver o astro-rei se pondo no horizonte, cada um foi preparar sua janta e logo em seguida, nos recolhemos as barracas. Eu aproveitei para apreciar as cidades lá do alto, todas iluminadas e a belissima noite estrelada. A noite foi relativamente tranquila,embora ventoso, as barracas que estavam nas areas expostas balançaram bastante, mas aguentaram firme. A noite foi gelada, mas meu saco de dormir e as blusas me mantiveram bem quentinho, felizmente. Pôr do sol visto do Topo Cruzeiro-SP A sombra do pico sobre o vale do Paraíba Após uma boa noite de sono, acordei as 6:10 com o som da movimentação do pessoal saindo das barracas, para ver o nascer do sol. O céu acima de nós estava totalmente limpo, enquanto um tapetão branco encobria totalmente as cidades do vale do Paraíba, formando um espetáculo único e de impressionar qualquer um. A temperatura estava abaixo de zero e as poças d´agua no cume formadas pelo orvalho e acumuladas pelas chuvas dos últimos dias, congelaram. -02ºC (abaixo de zero) Clareiras protegidas do vento em meio aos Tufos de capim elefante Após ver o astro-rei surgir entre as montanhas da serra fina, fui tomar meu café da manhã e bater mais fotos do entorno, como da sombra do Marins cobrindo os vales a oeste. Na borda leste do Marins em um vale ao fundo, se ouvia um som de uma cachoeira lá embaixo e se avistava o traçado de um rio descendo entre os vales....A natureza é um espetáculo a parte mesmo! Aguardando o nascer do sol Primeiros raios Vale do Paraíba totalmente encoberto Espetáculo da natureza, vale qualquer esforço Galera que ia fazer a travessia para o Itaguaré já estavam prontos e iniciando a descida para o vale, enquanto a turma que apenas subiu para acampar no Marins (como a minha), preparavam seus cafés da manhã. Pães, bolacha e toda sorte de doces estavam no cardápio.... Barraca desmontada e mochila nas costas, fiquei só de boa aguardando o pessoal.... As 9:30h, após todos prontos, descançado e curtição do local, batemos a tradicional foto clássica do grupo e iniciamos a descida de volta ao acampamento base Marins, agora tendo como desafio a emoção de ver tudo de frente que na subida viamos de costas. Como para descer todo santo ajuda, em 15 minutos já estavamos chegando ao corrego passa quatro, onde passamos batido. A descida/subida do cume é tensa, e em um trecho, chega a ser necessário auxilio de uma corda. Descer o trecho do funil foi tenso, pois ali ou se desce de corda, ou se desce bem devagar, e de costas. A bota/tênis precisa ter uma boa aderência, pois as saliências são estreitas e curtas. O uso da corda ali é recomendavel. Depois de 3 horas e meia de descida, estavamos de volta ao acampamento base onde chegamos as 13:10. alguns aproveitaram para trocar suas vestes sujas e molhadas por outras limpas e secas e após todos estarem prontos, descemos até piquete via estradinha pelo bairro dos Marins, tendo como cenário o Pico dos Marins imponente lá no alto. De volta a Piquete, estacionamos em um restaurante e mandamos ver um PF para forrar o estomago e comemorar a trip. Depois nos despedimos e cada um seguiu em seus carros de volta ao aconchego de seus lares. ------------------------------------------------------------------- Como chegar ao Pico dos Marins: Para quem vem de SP ou Rio, via Dutra: Pela Rodovia Presidente Dutra (BR 116) saída 51, seguir pela BR 459, passar por Piquete e logo em seguida (800 metros) virar à direita para a Estrada Viscinal José Rodrigues Ferreira que dá acesso à Vila dos Marins. Quando chegar ao fim do asfalto, que é na saída da Vila dos Marins, suba à esquerda até o final da serra, passe o portal do município de Marmelópolis na divisa SP-MG, entre à direita e logo em seguida você chegará ao Acampamento Base Marins. Outros detalhes e maiores informações aqui: http://www.marinzeiro.com/como_chegar.html#sprj ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- A quem ainda não foi no pico dos Marins, atente-se a esses detalhes: -> De fds e principalmente feriados, é preciso chegar o mais cedo possivel. Quem chega cedo pega os melhores locais para acampar e quem chega tarde os piores (e que são descampados e totalmente expostos aos ventos), ou então, descer e acampar na base. No final da tarde, com a chegada dos demais grupos, a area de camping estava lotada e quem chegou no final do dia ou inicio da noite, não encontrou espaço,tendo que descer e acampar na base. -> Por isso, se pretende subir o Marins, inicie a subida do pico o mais cedo possivel (até no máximo, 9:00h). Nosso grupo iria subir nesse horário, mas por conta do tempo que perdemos com os carros atolados, atrasamos em 1 hora, mas outros grupos tb atrasaram. Porém, como a galera foi num ritmo bom, chegamos relativamente cedo. -> Água só há no acampamento base e no morro do careca, antes da placa que indica o começo da trilha. Na base tb há, mas como dito no relato, está poluída e nem os clorin da vida salvam mais. Portanto, esquecam e tragam do morro do careca. Lembre-se, é melhor pecar pelo excesso do que pela falta. -> Evitem a estrada da fazenda Saiqui caso tenha chovido a pelo menos 2 dias antes de sua viagem, pois a mesma costuma virar um lamaçal. E se teu carro atolar em um desses lamaçal e não tiver uma turma para ajudar a empurrar o veículo, só sairá de lá guinchado. -> De mochila leve e um bom ritmo, leva-se entre 2 a 3 horas para subir até o cume. -> Já de mochila pesada (cargueira), a subida pode levar mais de 6 horas, se não estiver acostumado com trilhas de longo percurso. Portanto, precisa ter um bom preparo físico, experiência e ritmo para essa trilha que é longa, tortuosa, cansativa e exigente. -> Essa trilha é recomendada somente para pessoas de nível intermediário para cima e com noções básicas de caminhada em rochedos de campos de altitude. -> Não recomendo levar iniciantes nessa trilha. Eles ainda não possuem o ritmo, pique e resistência física adequados para a subida, podendo sofrer alguma lesão e parando no meio do caminho, fora outros problemas que podem sofrer pela pouca ou nenhuma experiência com trilhas desse nível de dificuldade. -> E por fim: Seja um trilheiro e montanhista consciente, não um farofeiro porco. Leve seu lixo de volta com você. Se você suja e emporcalha o ambiente, vem os eco-chatos com mimimi e o governo acabará fechando a trilha utilizando essas desculpas, transformando áreas que antes eram de acesso livre em pseudos parques como o de Paranapiacaba, obrigando a contratação de guia para ter acesso as trilhas, independente de ser experiente ou não.
  12. Depois de muitos anos usando o mochileiros, finalmente consegui escrever meu primeiro relato. O relato é da travessia que apelidamos de M&M (Milton/ Maeda), realizada em Abril deste ano. O trajeto foi o seguinte: Milton (Base do Marins) - Pico do Marins - Marinzinho – Maeda Data: 03 e 04 de Abril de 2015. Tempo do trajeto: 5h50 ida e 8h volta. Preparação A travessia Marins-Itaguaré já está há dois anos na minha lista de pretensões. Ainda não a arrisquei por um pouco de receio em relação à navegação e preparo físico. Resolvi então começar devagar e conhecer primeiro uma parte da trilha, o Pico dos Marins. A ideia era chegar na noite de véspera e dormir no acampamento base para iniciar a trilha bem cedo no dia seguinte, dormir no Cume do Marins e voltar ao acampamento base no dia seguinte. Porém, após ler relatos recentes descobri que o Milton que cuidava do acampamento base já não estava mais lá e que o local estava desativado, existindo inclusive relatos de roubos no estacionamento. Pensando nisso procurei lugares alternativos de pernoite e descobri o Camping e Pousada do seu Maeda. Imaginei que fosse próximo do acampamento base e assim decidimos pernoitar lá. Posteriormente descobrimos que o Maeda não fica assim tão perto do inicio da trilha, o que nos fez adaptar o roteiro. Decidimos então que subiríamos o Pico dos Marins e dormiríamos no cume e, no dia seguinte, já que o carro estaria no Maeda, desceríamos do Marinzinho pela trilha do Maeda. No fim foi a melhor opção, pois assim conhecemos mais uma parte do percurso da travessia. Percurso definido, agora era só arrumar as cargueiras e esperar o grande dia. De São Paulo até o Cume do Marins Saímos de São Paulo por volta das 18h. Combinamos de encontrar os outros integrantes do grupo no ultimo posto de gasolina da Carvalho Pinto, onde fizemos uma parada de uns 40 minutos e seguimos sentido Lorena. A estrada Lorena-Itajubá começa tranquila, mas logo fica sinuosa. Como não tem lugar para ultrapassar, acabamos ficando um bom tempo presos atrás de dois caminhões enormes que andavam muito devagar. Saindo em Delfin Moreira a estrada fica ainda mais sinuosa, e depois de Marmelópolis há um grande trecho em estrada de terra. Acabamos chegando à Pousada por volta da meia noite. Apesar de ter muitas curvas e um trecho sem asfalto a estrada está em muito bom estado. O senhor Maeda nos recebeu muito bem, já nos esperava com pinhões e chá para nos aquecer. Nos falou sobre as trilhas, nos contou de quando abriu a travessia Marins-Itaguaré e também a Serra Fina. Este senhor é uma atração a parte e vale muito a pena conhecê-lo. Eu achava que a pousada dele ficava bem próxima ao acampamento base, mas me enganei. Ele está a 8km de lá, a estrada não é grande coisa para se percorrer com carros baixos e por isso acabamos fechando uns transfer até lá. Ele cobrou 35 por pessoa e as 8h partimos da pousada rumo ao acampamento base. Saímos do acampamento base as 8:40, a trilha começa no final do estacionamento à esquerda e segue com algumas subidas fortes até o primeiro ponto de referência que é o Morro do Careca, que fica há aproximadamente 1h30 do início da trilha. Pra chegar aqui foi sofrido, muito tempo sem fazer trilha com cargueira, meu corpo ainda estava lembrando de como era. Passando o Morro do Careca há uma bifurcação, à esquerda chega-se ao único ponto de água potável da travessia e à direita a trilha continua por mata fechada sentido Pico dos Marins. No início deste trecho há uma placa com indicação dos picos e mirantes e suas respectivas altitudes e após uns 10 minutos de caminhada a trilha se torna mais aberta em meio a arbustos e rochas. Até a base do Marins há dois maciços a serem superados. Logo na chegada do primeiro há uma rocha que chamam de Grande Totém (ela realmente lembra um totem gigante), neste momento deve-se seguir a esquerda em direção à Pedra da Andorinha (ou Golfinho) e seguir fazendo o seu contorno sempre pela esquerda. Finalizando esta volta haverá uma pedra grande e quadra que alguns costumam chamar de Dado, o nome é alto explicativo. Resolvemos parar aqui para comer e repor as energias. Neste ponto meu corpo já tinha entrado no ritmo e tudo parecia mais fácil! A paisagem durante todo esse trajeto é sensacional. De um lado fica as montanhas de Minas Gerais e em frente as formações rochosas. Esse complexo do Marins me lembra bastante o do Itatiaia, mas mesmo sendo parecido não deixei de me surpreender e me encantar. Continuamos antes que o corpo pudesse esfriar. A pedra que lembra um Dado marca o início da volta no segundo maciço, que também deve ser contornado pela esquerda. No entanto é necessário subi-lo quase até o topo e um pouco antes da crista pegar a trilha que seguirá à esquerda. Neste trecho não se avista mais o Pico dos Marins e a referência passa a ser o Marinzinho que ficará à esquerda. Depois desta volta a trilha continua pelo alto do maciço e é possível se orientar por totens e setas marcadas nas rochas. Como a vegetação é baixa não há uma trilha bem definida, mas sim uma série de caminhos possíveis desde que seguindo os pontos de orientação. Ao final deste maciço já é possível ver o Pico dos Marins mais a Direita (quase em frente) e o Marinzinho ficará ainda mais a esquerda com uma pequena montanha (o platô) a sua frente. Aqui será necessário cruzar a nascente do Ribeirão Passa Quatro e seguir até a base do Marins. Há uma placa indicando que esta água do Ribeirão é contaminada, portanto só a utilizem em extrema necessidade e com o uso de cloro. Após cruzar a água a trilha sobe a direita seguindo os totens e finalmente chega ao paredão que dá acesso ao cume. Pra esse paredão não há alternativa, tenha fé na sua bota e suba. Faltando uns 5 metros do cume dei uma bobeira, minha bota escorregou numa fenda e ralei meus dois antebraços. Ossos do ofício. Rs Chegamos ao Cume as 14:30 e fomos logo buscar um local pra montar as barracas, pois já tinha bastante gente lá em cima. Por sorte conseguimos montá-las todas próximas. Na hora seguinte muitos grupos chegaram e alguns deles tiveram que voltar à base por falta de lugar. Ficamos lá apreciando a paisagem que e no final da tarde fomos agraciados com um Pôr do Sol sensacional de um lado a Lua quase cheia que nascia do outro. Com a noite o frio e o vento tomaram conta. Nos vestimos jantamos, apreciamos um pouco mais a lua e fomos dormir. Do Cume do Marins até o seu Maeda. Acordamos as 5:30 para assistir ao nascer do Sol e essa foi uma das decisões mais acertadas que tivemos. O cenário foi inverso ao que aconteceu no final da tarde anterior. Mas tínhamos de novo as duas atrações, de um lado a Lua quase cor de rosa se punha e do outro o Sol vermelho e imponente nascia. Depois desse espetáculo, tomamos nosso café da manhã dentro da barraca já que o frio estava de rachar, e logo arrumamos as coisas para iniciar a pernada que neste dia começou as 8 horas. Do Pico do Marins descemos o paredão em um ritmo bem lento, contrariando o ditado que diz que pra baixo todo santo ajuda. Fomos até a placa de água contaminada, cruzamos o Ribeirão Passa Quatro e seguimos a direita sentido a montanha mais baixa que leva ao platô que antecede o Marinzinho. No início da subida desta pequena montanha há a esquerda um aglomerado de mata um pouco mais alta e no meio dela, em algumas épocas do ano, é possível encontrar uma fonte de água potável. A trilha continua até o platô e de lá há uma pequena descida a esquerda até um charco que deve ser atravessado. Passando o charco a trilha continua com uma subida forte pela rocha em direção à crista. Havia aqui uma trilha que de início estava bem demarcada e parecia uma boa alternativa, pois dava a impressão de que chegava ao cume pelos arbustos, mas logo a trilha fica menos nítida deixando claro que a subida pela rocha é a opção correta, mas a rocha onde parece que essa trilha acaba é um paredão intransponível. Tínhamos dois tracklogs, um indicava o caminho pelo arbusto, o outro sugeria que deveríamos subir o paredão. Resolvemos tentar o paredão. Conseguimos passar por um primeiro patamar, quase nos arriscamos a escalar pra mais um segundo patamar, mas depois de refletirmos sobre as alternativas e os riscos sugeri ao grupo que voltássemos um pouco nessa trilha, pois estava perigoso, podíamos não conseguir descer novamente e eu tinha a impressão de ter visto um caminho mais acessível um pouco mais pra trás do ponto em que estávamos. Decisão certeira, ao voltarmos conseguimos ver alguns toténs que antes nos passaram despercebidos. Tirei a cargueira e subi mais um pouco para ter certeza e constatei que era mesmo o caminho correto. Aqui a trilha é sempre pra cima até o cume do Marinzinho, onde há uma placa e uma sinalização na rocha escrita em tinta amarela indicando a trilha do Maeda. Demoramos quase quatro horas até o cume do Marinzinho e em geral o tempo previsto é de duas horas, ou seja, se fossemos fazer a travessia para o Itaguaré creio que já estaríamos em apuros. Resolvermos parar no cume para um lanche e repor as energias. A trilha do Maeda é exageradamente demarcada, com muitas pedras sinalizadas com setas amarelas. As primeiras duas horas são de descida bem íngreme pelas pedras, tendo inclusive uma passagem que exige o auxilio de uma corda fixa deixada lá pelo seu Maeda. Depois deste trecho por rocha há uma subidinha até o Mirante Sto. Antônio e então a descida segue menos técnica, porém constante, até a estradinha que dá acesso à Pousada do Maeda. Desta trilha é possível pegar uma bifurcação que levará até a Pedra Montada e mais a frente uma outra que leva até a cachoeira. Nós ainda voltaríamos pra São Paulo neste dia e por isso optamos por não passar por estes pontos! Demoramos 4 horas do cume do Marinzinho até o Maeda chegando lá por volta das 16h. Tomamos um bom banho (ele cobra R$10,00), contamos os causos da trilha, comemos alguns pinhões e voltamos esgotados e felizes para São Paulo. Algumas fotos pra deixar o pessoal com vontate!!
  13. https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_picos_do_Brasil Algumas montanhas em ordem de altitude (algumas não homologadas oficialmente pelo IBGE): Ordem Montanha Altitude (m) [1] Altitude (pés) Serra Região Coordenadas[1] Proeminência topográfica (m) Cume pai Primeira ascensão Pedra do Açu 2232 Serra dos Órgãos Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) Pico Açu 1 Pico da Neblina 2 995[2] 9827 Serra do Imeri Brasil(Amazonas/Região Norte) 0° 48' 24" N66° 0' 18" O 2886 nenhum 1965 2 Pico 31 de Março 2974[3] 162 Serra do Imeri Brasil(Amazonas/Região Norte); Venezuela 0° 48' 22" N66° 0' 17" O 2972 nenhum 3 Pico da Bandeira 2891[4] 9486 Serra do Caparaó Brasil (Espírito Santo e Minas Gerais/Região Sudeste) 20° 26' 04" S41° 47' 44" O 2640 nenhum 4 Pico do Calçado 2 849 9347 Serra do Caparaó Brasil (Espírito Santo e Minas Gerais/Região Sudeste) 20° 26' 04" S41° 47' 44" O 2849 nenhum 1965|- 5 Pedra da Mina 2798[5] 9180 Serra da Mantiqueira Brasil (São Paulo,Minas Gerais/Região Sudeste) 22° 25' 40" S44° 50' 33" O nenhum 6 Pico das Agulhas Negras 2791[6] 9157 Serra da Mantiqueira Brasil (Rio de Janeiro e Minas Gerais/Região Sudeste) 22° 22' 47" S44° 39' 40" O 2791 nenhum 1919[7] 7 Pico do Cristal 2769[8] 9085 Serra do Caparaó Brasil (Minas Gerais/Região Sudeste) 20° 26' 37" S41° 48' 40" O nenhum 8 Monte Roraima 2734[9] 8970 Serra de Pacaraima Brasil, Venezuela,Guiana 5° 12' 07" N60° 44' 16" O nenhum 9 Morro do Couto 2680 8793 Serra da Mantiqueira Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 22° 23' 04" S44° 41' 49" O nenhum 10 Pedra do Sino de Itatiaia 2670 8760 Serra da Mantiqueira Brasil (Minas Gerais/Região Sudeste) 22° 22' 13" S44° 39' 42" O nenhum 11 Pico dos Três Estados 2665 8743 Serra da Mantiqueira Brasil (São Paulo,Minas Gerais,Rio de Janeiro/Região Sudeste) 22° 25' 24" S44° 48' 48" O 2665 nenhum 12 Pedra do Altar 2665 8743 Serra da Mantiqueira Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 22° 22' 24" S44° 40' 22" O nenhum 13 Morro da Cruz do Negro 2658 8720 Serra do Caparaó Brasil (Espírito Santo/Região Sudeste) 20° 24' 52" S41° 48' 10" O nenhum 14 Pico do Tesouro 2620 8596 Serra do Caparaó Brasil (Espírito Santo/Região Sudeste) 20° 23' 05" S41° 47' 21" O nenhum 15 Pico do Garrafão ou Santo Agostinho 2425 7956 Serra do Papagaio Brasil (Minas Gerais/Região Sudeste) 22° 11' 51" S44° 47' 29" O 16 Pico dos Marins 2421 7943 Serra da Mantiqueira Brasil (São Paulo/Região Sudeste) 22° 30' 09" S45° 07' 16" O nenhum 17 Pico Maior de Friburgo 2316 7943 Serra do Mar Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 22° 21' 06" S42° 35' 11" O nenhum 18 Pico do Itaguaré 2308 Serra da Mantiqueira Brasil (São Paulo,Minas Gerais/Região Sudeste) 22° 29' 18" S 45° 05' 04" O 19 Pedra do Sino 2275 7464 Serra dos Órgãos Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 20 Pico da Caledônia 2255 7464 Serra do Mar Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 22° 21' 12" S42° 35' 12" O nenhum 21 Cara do Cão 2180 7152 Serra dos Órgãos Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 22 Pedra de São Pedro 2134 7001 Serra dos Órgãos Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 23 Pedra da Cruz 2130 6988 Serra dos Órgãos Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 24 Pedra de São João 2100 6890 Serra dos Órgãos Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 25 Forno Grande 2084 Castelo-ES 25 Pico do Selado 2083 6834 Serra da Mantiqueira Brasil (Minas Gerais,São Paulo/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 26 Pico do Sol 2072 6798 Serra do Caraça Brasil (Minas Gerais/Região Central) -20.114373, -43.444234 nenhum 27 Pico do Inficionado 2069 6788 Serra do Caraça Brasil (Minas Gerais/Região Central) -20.134453, -43.451945 nenhum 28 Pico do Itambé 2052 6732 Serra do Espinhaço Brasil (Minas Gerais/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 29 Pedra de São Domingos 2050 6726 Serra da Mantiqueira Brasil (Minas Gerais/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 30 Pico do Barbado 2033 6669,948 Chapada Diamantina Brasil (Bahia) 13° 17' 41" S 41° 54' 28.6" O nenhum 31 Garrafão 1980 6496 Serra dos Órgãos Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 32 Pico da Carapuça 1955 6414 Serra do Caraça Brasil (Minas Gerais/Região Central) -20.088929, -43.472622 nenhum 33 Pico da Cangerana 1890 6200 Serra do Caraça Brasil(Minas Gerais/Região Central) -20.135602, -43.513497 nenhum 34 Pico Paraná 1877 6158 Serra do Ibitiraquire Brasil(Paraná/Região Sul) 25° 14' 59" S48° 48' 47" O 1877 nenhum 1941 35 Pico dos Dias 1864 6115 Serra da Mantiqueira Brasil (Minas Gerais/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 36 Pico Caratuva 1860 6102 Serra do Ibitiraquire Brasil(Paraná/Região Sul) 25° 14' 26" S48° 49' 41" O 1860 Pico Paraná 37 Pedra da Macela 1840 6050 Serra doMar Brasil (São Paulo,Rio de Janeiro/Região Sudeste) 23°8'23"S 44°48'49"W 38 Pico Formosa 1825 5988 Serra do Espinhaço Brasil (Minas Gerais/Região Sudeste) 15° 14' 17" S42° 49' 22" O 39 Pico Itapiroca 1805 5922 Serra do Ibitiraquire Brasil(Paraná/Região Sul) 25° 14' 51" S48° 50' 10" O 1805 Pico Paraná 40 Pico Agudo 1703 5587 Serra da Mantiqueira Brasil (São Paulo/Região Sudeste) 22° 51′ 48″ S 45° 39′ 3″ W 41 Dedo de Deus 1692 5551 Serra dos Órgãos Brasil (Rio de Janeiro/Região Sudeste) 0° N 0° E nenhum 42 Pico do Gavião 1663 5456 Serra do Caracol,Minas Gerais Brasil (Região Sudeste) 25° 27' 7" S48° 55' 7" O 1663 nenhum
  14. Antes de tudo... ...anteriormente, em alguma de nossos rolês já tínhamos cogitado de fazer um ataque ao Pico do Marins num rápido bate/volta, mas o problema seria a organização da logística somada às várias dúvidas > qual horário começar a trilha? Qual horário sair de Sampa? Será que iria compensar subir e descer no mesmo dia sem ter algum atrativo natural? Ex.: pôr/nascer do sol, o crepúsculo, tapetes de nuvens ao amanhecer, coisa e tal. Mesmo sem saber como isso terminaria, ficou decidido que seria feito como combinado (num simples bate/volta). Até que surgiu um novo objetivo junto a uma contraproposta: sair do centro de Sampa ao meio dia de um sábado, começar a subida às 16:00h, acampar no cume pra ver o sol nascer, e descer por volta das 10:00h. Essa ideia, foi com certeza a mais audaciosa que tivemos pra concluir a subida ao Marins, sendo quê, nenhum dos envolvidos já tinha ido lá antes, ninguém conhecia o caminho. E justamente por isso, foi uma escolha por unanimidade. rsrs Mas de quem foi essa idéia idiota mesmo? Kkkkkk Com o consentimento de todos, Valério marcou de voltar lá (pela terceira vez),porém, ele e os dois de seus amigos que o acompanhariam eram os únicos que sabiam o caminho, eles iriam na sexta feira a noite para dormir em Piquete e começariam a subir no sábado pela manhã, nos esperando acampados no cume. PRESSÃO PSICOLÓGICA Eu estava com a ansiedade a flor da pele, igual aos adolescentes que desejam a primeira transa rsrs. Dois dias antes, coisas aconteciam como se quisessem dizer que não deveríamos ir a essa missão. Mesmo que estando preparados. Um dos amigos de Valério que iria com ele, sofreu um infarto e ficou hospitalizado, o outro companheiro se manteve solidário no hospital oferecendo apoio moral e aguardando a recuperação do amigo. Desmotivado, o trio retrocedeu. Aliás, é de se entender, não haveria clima pra continuarem com o plano. Passado isso, o grupo que seria de 8 integrantes num total, se reduziu a 5, e nos finalmente se formou um quarteto >>>> Diego Lopes, Eduardo Oliveira, Léo Almeida e Eu (Vgn Vagner). Na véspera, eu acordei lesado, malzão... com uma baita dor de cabeça, dores pelo corpo e garganta inflamada. Pensei: Pronto, com essa gripe me destruindo? agora que não vai rolar mesmo! Como que os "cara" vão, se o combinado era de irmos com o meu carro? Aaahhhh não... Me afundei em remédios e melhorei rsrs. E por fim, no dia de nossa empreitada (21/06/2014), pouco antes de sair de casa, minha esposa que já é bem acostumada com minhas viagens, me deu um abraço apertado e em silêncio começou a chorar baixinho, preocupada, sem saber me dizer com o quê, ou o por quê desse choro (inédito). Isso fez com que eu pegasse o carro com um certo medo antes de ir trabalhar, bem preocupado com o que poderia vir pela frente. Será que esses acontecimentos era algum tipo de presságio, premonição, aviso? Sei lá. Não pensei duas vezes #partiuobonde kkk Ainda no trabalho, eu olhava o céu e via uma manhã sinistra, fria e com nuvens carregadas. Aff, minha preocupação só aumentava. Mas nada de pensar em desistir. Relato Mesmo com a mente rodeada de incertezas e uma cisma de que nada conspirava a favor, ao meio dia e quinze eu já estava de encontro com meus amigos. Na real, "quando você sente medo, deve dizer ao seu coração que quando se parte na busca de um sonho, você está em busca da companhia de Deus, e que todas energias do universo conspiram ao seu favor". Então eu fui em busca do meu sonho, e só não compartilhei meus receios com os camaradas para não atrair mais pensamentos negativos e azedar as intenções dos Brothers. Saindo da Rod Presidente Dutra, entrando em direção a Piquete escolhemos o caminho mais curto até o Acampamento Base dos Marins, fomos avisados que por essa parte a estrada estaria péssima, mas na verdade estava péssima elevado à décima potência multiplicado por 3.000 = HORRÍVEL rs. Nem 2 km de subida, e os meus Brothers já tiveram que descer do carro duas vezes para que pudéssemos vencer a buraqueira e prosseguir. Nossa sorte foi acreditar num sertanejo e família, que desciam a serra com um Renault Duster (4x4) todo chapiscado de lama. Perguntei se estava difícil lá pra cima. Ele disse que estava feio, que no dia anterior tentou subir com um Prisma e não conseguiu. Lançou aquela olhada de desdém no meu valente Fiesta 1.0 e disse: você não vai conseguir subir com esse carro aí não!! Vocês nem começaram a subir a serra ainda, disse a mulher no banco do passageiro. Pior que o fdp estava certo -pensei. Não pensamos de novo, fiz o balão e retornamos à BR-459 pra tentar recuperar o tempo perdido, mas foi complicado devido ao trânsito de carretas subindo a serra. Inclusive, tentando ultrapassar uma delas, quase fomos prensados na traseira de um caminhão que seguia lento. Caminhoneiro é lokão, sentando o pé e ultrapassando nas curvas em aclive... saaaaiii Zica rs. Quando chegamos na base, Milton, que é um dos maiores conhecedores e guia da região questionou: - Vocês vão subir ainda hoje? - sim- respondemos - já estiveram aqui antes, conhecem o caminho? - não. Primeira vez. - vocês estão com pique, hein!? - e botando fé na nossa jogada, ele ainda nos encheu de dicas descrevendo o caminho e dando ênfase aos pontos de referência que iríamos passar. Um grupo que acabava de chegar da travessia Marins x Itaguaré também questionou, e quando dissemos que ninguém do grupo conhecia o trajeto, um olhava pro outro com cara de reprovação como quem diz: vocês são loucos, sem conhecer, no escuro e só o GPS como guia? É roubada, vão se perder. Aconselharmos a subirem pela manhã, pelo menos terão visibilidade. Afirmaram que o GPS deles (mesmo que o nosso ) tinha horas que dava margens de erro num diâmetro de 30 metros, e reencontrar a trilha durante a noite só dificultava o andamento. Essa mesma reprovação se tornou repetitiva quando, após às 17:50h dávamos os primeiros passos firmes rumo ao ataque. A partir dali, o que nos movia era um misto de coragem, bravura, cumplicidade e respeito às permissões divina. O tempo de subida foi além das expectativas. Fomos carrascos de nos mesmos enquanto as horas passavam. As mochilas eram aliadas por compactar nossos utensílios, mas se tornavam inimigas de peso quando tentávamos avançar morro acima. Aff, haja ombro. Mesmo que primários nesta montanha, estávamos no mínimo preparados... Passamos por um trio que retornava do cume, e numa curta conversa rendeu nova reprovação às nossas intenções. Mas um deles, bem que queria comprar umas das nossas lanternas de cabeça por 50 mangos hehe. O segundo grupo já era maior, umas 10 pessoas, entre adultos e crianças, desciam no breu da noite na mata com apenas um celular para iluminar o caminho. Logo a frente o terceiro grupo, três adultos e uma criança, desciam sem nenhuma iluminação. Não tiveram nem a ideia de ligar a luz do celular que estava na bolsa de uma delas. Muito despreparo. Pouco depois apagamos nossas lanternas pra se ter a noção do que eles realmente passavam. Noooooosssa, é a mesma coisa que estar de olhos fechados, breu total. Essa situação nos deu mais segurança em relação aos equipos que tínhamos em mãos. Quando chegamos no Morro do Careca, 1.805 mts de altitude (ponto de partida "oficial" da trilha), a neblina tomava conta, e mesmo em campo aberto foi difícil visualizar a direção correta, e mesmo assim, encontramos a placa que indica um mapeamento do percurso. Como seria bom se as dificuldades fossem somente as que encontramos até então rs. O caminho era muito cumprido a ser cumprido, e toda brincadeira estava só começando (mto frio). A navegação era difícil, contornar rochas, escalar rochas, mergulhar dentre moitas de capim elefante que hora fechavam a passagem e encobriam a visão num terreno totalmente irregular. Aaahhh meu amigo, isso é coisa pra gente grande. E com certeza isso traria consequências. O Edu foi quem mais sofreu por causa da mochila extremamente pesada e exigências de seu organismo. Além de estar carregando um saco de dormir gigante que cabem 85 pessoas kkk, ele também tinha muita água pra consumo. O menino parece um camelo a andar no deserto do Saara por 500 dias rsrs. No frio que fez, ele pingava suor. Imagina a sede. Todo sacrifício que ainda estava por vi já trazia sua recompensa antecipada. Em um das pausas pra comer e descansar, foi só olhar pra cima e ver um céu altamente estrelado, mas tão estrelado que me senti no Atacama. Aliás, o Edu já esteve no deserto do Atacama assistindo tal espetáculo, ele disse que estávamos vendo e vivendo tudo tão grandioso e lindo como no Atacama/Chile, que dizem ter o melhor planetário do mundo para observar o universo. Volta e meia repetimos essas paradas pra retomar as forças. Apagávamos nossas lanternas na intensão de vitalizar ainda mais o cenário, enquanto cada estrela cadente que cruzava o céu deixava um rastro mágico de luz, eu particularmente só admirava, e ainda não sei descrever o que sentia. Fantástico. Horas passaram e a os maciços chegaram trazendo as partes mais tortuosas entre trechos de escalaminhadas. A única parte em que se tem um ponto de apoio seguro é onde está amarrada uma corda dupla, com nós para se fixar e vencer fácil fácil a subida de uns 10 metros em forte inclinação. Fora isso, é na raça mesmo, e no braço é osso meus amigos ! hehe. Com o Primeiro maciço ficando pra trás, logo após da treta que foi subir "a canaleta" , tendo como obstáculo uma aranha do tamanho de uma caixinha de fósforos entre as fendas, passamos pelo 2° maciço pouco antes da nascente do ribeirão. Aí sim a coisa Com-pli-cou. Já era perto das 23h e o GPS calhou de dar "aquela margem de erro" que o outro grupo alertou antes da gente subir. Mas justo agora? Em certos momentos o tracklog indicava caminhos que levariam a vales e penhascos. Batemos cabeça um bom tempo procurando "o 4° acampamento" pra poder desancar, o stress já era fortemente presente, minha lanterna descarregando, o Edu a tempos já afirmava que não dava mais pra prosseguir. O peso, o cansaço, a incerteza de quanto ainda teríamos pela frente deu um down na nossa resistência. O Edu chegou ao ponto de pedir pra seguirmos sem ele, que ele poderia acampar sozinho e em qualquer lugar que fosse pra não atrapalhar a continuação da bagaça. NUNCA, JAMAIS!!! SETÁLOKO??? -reagimos- Entramos juntos, sairemos juntos, se for pra parar, paramos todos juntos, e mesmo se for pra desistir, vencidos por qualquer motivo, estaremos juntos. Essa força nos torna uma unidade, mostra o respeito que devemos ter com o ser humano e amigo/companheiro que se dispõe nas aventuras com a gente, pois, coisas boas é o que desejamos, mas, coisas ruins também podem acontecer. Lembramos do caso do "Desaparecimento" mais famoso do Brasil, quando um garoto, de 15 anos de idade, sumiu enquanto tentava alcançar o cume acompanhado de guia + um grupo de Escoteiros. O ocorrido foi no próprio Pico dos Marins, no dia 08/06/1985. Esse caso rendeu reportagens, dois livros: Operação Marins 1 e 2 que relacionam o desaparecimento à Ufos (Et's). "O desaparecimento misterioso de Marco Aurélio e o fato de não conseguirem encontrar nenhum tipo de vestígio do escoteiro deixou perplexos os homens que participaram das buscas, bem como as autoridades envolvidas. Não foram encontrados rastros, marcas, roupas ou pertences como faca, cantil ou canivete. Nada foi encontrado. Foi como se ele nunca estivesse estado naquele local. Seu desaparecimento transformou-se em um enigma até os dias de hoje." Mais infos neste site >>> http://www.sobrenatural.org/materia/detalhar/20597/o_misterioso_desaparecimento_do_escoteiro_nos_anos_80/ Depois de andar um tanto a esmo, a intenção era achar o camping que estava por perto. Paramos pra raciocinar e estudar as possibilidades, foi quando dentro de uma barraca, a uns 20 mts de nós, acenderam uma lanterna na tentativa de saber o que acontecia nos arredores. Já era dez pra uma da madruga. Foi só o tempo de montar as barracas e comer alguma coisa antes de dormir. Como não alcançamos o cume numa jornada de 7 horas, e o nosso objetivo era ver o sol nascer, acordamos às 04:00 da manhã, tomamos um cafezinho esperto, e partimos em ritmo forte ao que restava. Devido às dores no quadril e já leve torção no tornozelo o Edu decidiu ficar e se poupar prã conseguir retornar sem complicações. Todos os equipos ficaram nas barracas ainda montadas. Subimos, e subimos forte a parte mais íngreme e perigosa da direita rochosa ainda no escuro, e uma hora depois alcançamos o cume lotado de barracas. A claridade demorou, mas logo trouxe nossa recompensa. O sol nasceu lindo emergindo por trás da Serra Fina dando vida a paisagem e aquecendo bem devagar aquela manhã. Ficamos pouco mais de duas horas e tiramos 3.985 fotos cada um kkkk- brincadeira. Foi o suficiente para valer a pena. Nossa descida foi tranquila até o nosso acampamento. Preparamos o café da manhã enquanto o sol secava nossos pertences molhados pelo sereno da madrugada. Com a luz do dia foi beeeem mais fácil refazer o caminho, que entre paradas para fotos, comes e bébes nos rendeu 4 horas pra voltar com pique. Mas na reta final a galera se arrastava feito zumbis, o Diego e o Edu não sabiam mais falar kkkkk não tinham forças pra mais nada. Kkk O Milton nos recebeu curioso sobre o que passamos. A fome era gigante, e um almoço seria um bênção de Deus naquele momento, mas como não há nada por perto, o Leo pediu aqueeela porção de calabresa, a mais gostosa de todas as viagens rs. E tome-lhe conversa. Inclusive, o Milton disse que se fossemos numa data mais pra frente não o conheceremos, por que a dona do lugar onde tem o Acampamento Base não quer mais alugar à ele, então, ainda sem saber qual a procedência do destino, ele não terá mais aquele local como fonte de trabalho. Ele continuará guiando grupos pela região, continuará fazendo os "resgates" de quem faz a travessia Marins x itaguaré, mas, é bom se informar antes através os contatos. Depois disso finalizamos nossa missão. Era hora de enfrentar horas de trânsito até chegar em casa. Agradeço a Deus por nos guiar nesse caminho, nos levando e nos trazendo de volta sob seus cuidados. > Diego, Edu e Léo, obrigado irmãos < Dicas Percurso: 6 km Tempo de percurso: de 4 a 8 horas dependendo do que se carrega Grau de dificuldade: médio p/ alto Altitude do cume: 2.421 metros Obs.:existem três tipo de marcações pelo caminho: totens de pedra, setas brancas e setas amarelas. Escolha apenas uma partes orientar e não se confundir. Dizem que a melhor opção são os totens e a mais confusa são as setas amarelas. Contatos do Milton: Telefone (11) 9770-1991 E-mail: [email protected] Site: http://basemarins.multiply.com/ O o próprio site destinado ao Marins contém mais dicas importantíssimas pra que vai a primeira vez: Saiba como chegar, o quê levar, e tenha conhecimento neste link >>> http://www.marinzeiro.com/home.htm. Histórico referente a distância e altitude da trilha: Planilha de distâncias: Distâncias e altitudes aproximadas e relativas ao início da trilha no Acampamento Base Marins Ponto Distância Altitude Início da trilha 0 m 1.561 m Início da crista 2,45 km 1.807 m 1ª Porteira 600 m 1.600 m 2º Acampamento 3 km 1.982 m Estrada 640 m 1.592 m Portal 3,3 km 2.038 m 2ª Porteira 850 m 1.614 m 1º Pico 3,6 km 2.080 m 1º Mirante 1,2 km 1.684 m Rampa 3,75 km 2.065 m 2º Mirante 1,3 km 1.697 m 3º Acampamento 3,9 km 2.089 m 3º Mirante 1,5 km 1.716 m Lance de escalada 4,4 km 2.208 m 1ª Bifurcação 1,6 km 1.740 m 4º Acampamento 4,8 km 2.228 m Platô inferior ao cume 1,84 km 1.797 m Água não confiável 5 km 2.219 m Ponto de Água 2,1 km 1.772 m 5º Acampamento 5,6 km 2.338 m 1º Acampamento 2,3 km 1.786 m Pico dos Marins 6 km 2.420 m É isso. [attachment=5]10411312_656095717815838_1
  15. Segue minha experiência no Pico dos Marins em Piquete / SP. Resumo: Trecho da viagem Campinas - Cruzeiro - Piquete obs: Tem como ir direto para Piquete por Lorena, mas passei em Cruzeiro para pegar um amigo na rodoviária o que foi ÓTIMO! Pois a estrada Cruzeiro - Piquete é uma das mais bonitas que já vi na região. combustível: R$ 150,00 (ida e volta aproximado) pedágio: R$ 79,80 (ida e volta) Entrada no parque: R$ 20,00 (diária por carro) Camping no Acampamento Base do Parque: R$ 10,00 (por pessoa com estrutura de banheiro, chuveiro, cozinha) Alojamento no Acampamento Base do Parque op1: R$ 40,00 (por pessoa sem café da manhã) Alojamento no Acampamento Base do Parque op2: R$ 50,00 (por pessoa com café da manhã) Camping fora da Base do parque: sem custo e sem estrutura nenhuma Dicas / Leve com você: muita água comida (não conte que você vai comprar algo lá) lanterna gps muita roupa de frio dinheiro para pagar o parque Links: http://www.marinzeiro.com/home.html http://www.mapeia.com http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=5635059 (usei essa trilha no gps Garmin e no celular com o aplicativo GPX Viewer) 1º dia 05/09/2015 - sábado Sai as 10h de Campinas em direção a Cruzeiro e peguei uma estrada que vai por dentro indo para Piquete. Levei aproximadamente 3:30hrs, gastei uns R$ 75,00 com combustível e R$ 39,90 com pedágio e o mesmo tanto para voltar. Chegando em Piquete o acesso ao Parque dos Marins é bem sinalizado. Como eu vim de Cruzeiro o acesso é uma rampa do lado esquerdo. Quem vai por Lorena o acesso fica do lado direito. Chegamos e o tempo estava fechado chuviscando. Montamos a barraca no acampamento base, em cima do gramado e dormimos lá. A noite foi possível cozinhar na estrutura do Acampamento Base onde tem banheiros, chuveiro, cozinha e refeitório. 2º dia 06/09/2015 - domingo Acordamos bem cedo e o tempo estava aberto. Tomamos café da manhã e iniciamos a subida as 8:45hrs. Não esqueça de deixar seu cadastro com o número de pessoas e um telefone para contato de emergência no Acampamento base. É importante lembrar que NÃO TEM ÁGUA NO CAMINHO. Até se passa por um riozinho mas a água é imprópria para uso. Levei para beber 2L de água e 2 gatorade. Minha mochila tinha aproximadamente 15kg contando com equipamento fotográfico. A trilha é sinalizada com setas brancas (remarcadas a 3 meses), setas amarelas (mais antigas) e totens de pedra. Mas não comece a trilha sem um GPS em mãos e cuidado com parte da trilha em que divide quem vai para o cume e quem vai para a travessia. Chegamos no cume as 14hrs, o tempo estava bom ainda. Montamos as barracas bem próximo a pedra da Ursa pois é o único lugar onde venta pouco. Fez 0ºC durante a noite e ventou bastante. É muito importante lembrar que não se acampa lá com previsão de raios ok? Chegou no cume e o tempo está muito ruim, ou não chegou ainda e já está fechando? tem um vale antes onde é possível acampar. 3º dia 07/09/2015 - segunda Acordei as 5h da manhã pra ver o nascer do sol. O tempo fechou do nada por voltas as 7h e choveu muito. Esperamos a chuva passar e iniciamos a decida. Principalmente por conta da trilha molhada demoramos um pouco para descer. Chegamos no acampamento base por volta das 13h. DICAS: GPS SEMPRE EM MÃOS. E mesmo assim é certeza que você vai se perder em algum trecho. Melhor época do ano para ir é a de montanhismo,de junho a setembro (inverno). A trilha é puxada, se vai acampar na montanha leve água e o mínimo de peso possível. Cuidado com o tempo. O ultimo trecho é escalaminhada. Mais cuidado ainda para descer. Faz muito frio na montanha sempre, não importa a época do ano. Não leve barraca alta. Vá bem agasalhado. Segue fotos: Bom dia Acampamento Base do Pico dos Marins! Equipe no Cume no Por do Sol Totem no Por do Sol Acampamento no Cume do Pico dos Marins Nascer do sol As vezes tem que ser desse jeito... Pra ficar desse jeito... Eu e minha amiga no Cume do Pico dos Marins antes de iniciar a descida. DÚVIDAS? Pode deixar sua mensagem e tentarei ajudar Boa viagem mochileiros!
  16. CLÁSSICA E REVOLUCIONÁRIA: TRAVESSIA MARINS X ITAGUARÉ X 32 .........’’Amoitados juntos à Estação Túnel da Mantiqueira, na divisa entre Passa Quatro-MG e Cruzeiro-SP, observamos atentamente os desdobramentos da Revolução de 1932. De um lado as tropas mineiras à serviço do ditador Getúlio Vargas. Do outro lado do túnel, as tropas paulistas, capitaneadas por inescrupulosos senhores do café, que na ânsia de voltarem ao poder, sustentam vergonhosamente uma guerra estúpida, com a desculpa de se fazer uma nova constituição. Por incrível que possa parecer, é uma batalha travada por soldados que ontem mesmo eram irmãos, serviam juntos em vários quartéis espalhados pelo Brasil e agora lutam uns contra os outros por uma causa que nem eles mesmos sabem qual é. A batalha é sangrenta e já vitimou centenas de vidas dos dois lados do túnel. Os paulistas resistem bravamente entrincheirados ao longo da Serra da Mantiqueira, desde o Pico da Gomeira até o Itaguaré, parece mesmo que a batalha vai ser longa. De onde estamos é possível ver uma chuva de balas vindas do lado paulista e logo passa apressado o capitão médico da força pública, o senhor Juscelino Kubitschek de Oliveira, que mais tarde, em 1.955 se tornará presidente do Brasil. J K volta carregando em uma maca o tenente Coronel Fulgêncio de Souza Santos que havia sido atingido por um tiro de fuzil e faleceria logo depois, sendo mais um a tombar em combate. Como a coisa estava ficando feia, resolvemos tentar sair dali o mais rápido possível, mas foi nesse momento que uma granada caiu no local de onde estávamos, vindo a explodir a um palmo dos nossos pés. Essa foi a deixa para Eu e o Dema pararmos de viajar na maionese e voltarmos à 2014......” A Travessia Marins X Itaguaré acabou se tornando um clássico do montanhismo nacional. Quando cruzamos por aquelas paragens no inverno de 2001, praticamente não encontramos ninguém, as trilhas eram confusas e os caminhos ainda guardavam muitas dificuldades para os raros montanhistas que se aventuravam por aquelas íngremes encostas rochosas. Muito alardeado por ser na época o ponto culminante do Estado de São Paulo, o Pico dos Marins foi cada vez mais chamando a atenção de gente de todos os cantos do Brasil. O Marins perdeu o posto de pico mais alto do estado para a Pedra da Mina, também na Serra da Mantiqueira, mas nunca deixou de perder seu brilho, ainda mais quando depois que um grupo de Campinas abriu e “sinalizou” a famosa travessia em 1993. Pois bem, passado mais de 13 anos desde a minha primeira caminhada por essa serra, achei que já era hora de voltar, ainda mais quando vislumbrei a possibilidade de emenda-la com outra famosa trilha, a da Revolução de 32. Para essa nova empreitada, como não poderia deixar de ser, convidei meu amigo Dema que havia estado comigo em 2001. Era hora de provar para nós mesmos que poderíamos estar velhos, mas ainda não estávamos acabados. Para compor o resto do grupo foram convidados ainda o Eduardo loures, o Marcos Prince, o Will Lian e Luciano Lourenço. Sendo que estes quatros últimos praticamente jamais tinham pisado em uma montanha antes, em compensação pesavam a favor deles todo o vigor que só a juventude poderia lhes dar. Combinamos de nos encontrarmos de madrugada na cidade de Lorena-SP. Eu e o Dema Vindos de Sumaré-SP e os outros da capital do estado. Uma da madrugada Eu e o Dema nos juntamos ao grupo em Lorena e como o Eduardo e o Prince já haviam conseguido uma carona para Piquete-SP, coube a um parente do Luciano que também mora em Lorena, nos dar uma carona e unir todo o grupo. Todos unidos em Piquete, tentamos persuadir um cara com uma Vam a nos levar até o bairro dos Marins, que fica a 15 km de piquete e a 21 km do acampamento base do pico dos Marins, onde nossa travessia começaria. O cara não teve dó, por dinheiro nenhum largou a maldita cachaça par nos levar, então mandamos ele a merda e resolvemos enfrentar todo o caminho a pé mesmo, quem sabe não rolaria uma carona. Jogamos as mochilas às costas e nos pusemos a caminhar pela rodovia sentido Itajubá-mg e meia hora depois abandonamos essa rodovia e entramos à direita em direção ao Bairro dos Marins, onde a placa indicava a direção do pico de mesmo nome. Passamos pela igrejinha que fica do lado esquerdo e seguimos enfrente, um pé à frente do outro, caminhando madrugada adentro. Pouco a pouco o sono vai tomando conta da gente e em uma curva do caminho, paramos para um breve descanso. Foi aí que eu cheguei a uma conclusão : Não precisa ser a mãe Dinah para adivinhar que muito provavelmente o Will e o Luciano não conseguiriam ir até o final nessa travessia e que a minha bota, ainda mau amaciada, acabaria com o meu pé. Aos poucos o rio que corre ao nosso lado direito vai ficando cada vez mais próximo e em outra curva do caminho, às 05 horas da manhã, nos jogamos em um gramadinho à beira da estrada e por quase duas horas tiramos um cochilo, esparramos sobre uma lona preta. O dia amanhece lindo e o Pico dos Marins anima a galera a continuar seguindo enfrente, mesmo sabendo que será uma tarefa árdua, porque o caminho só sobe e agora teremos a companhia do sol a nos desgastar mais ainda. Finalmente às 07h30min desembocamos no bairro dos Marins e logo à frente pegamos a esquerda, seguindo as placas indicativas. A estrada asfaltada da lugar a um calçamento e logo o calçamento se reveza com estrada de barro e logo mais à frente chegamos a uma cachoeira, enfim água fresca. Já andamos mais de 15 km desde Piquete e daqui para frente a estradinha fica cada vez mais íngreme e o Will e o Luciano vão ficando cada vez mais para trás, o que nos obriga a esperá-los por muito mais tempo. Mas não demora muito para o Luciano enfim conseguir uma carona e levar a tira colo o Will com ele. Aliás, fica aqui um protesto contra os montanhistas motorizados, que passaram por nós e não ofereceram caronas, muitos com seus carros 4 x 4 totalmente vazios. Como não há sofrimento que dure para sempre, finalmente ao meio dia chegamos ao acampamento base do pico dos Marins, tiramos nossas mochilas das costas e desmaiamos de canseira. O Will e o Luciano já haviam se dirigido para o Pico do Careca, então o que tínhamos a fazer era cozinhar algo para comer e tentar refazer o roteiro que havíamos traçado e que já havia ido “pro saco” faz tempo. Traçamos uma meta de alcançar o topo do Marins até o anoitecer, não iria ser fácil, mas teríamos que tentar, mas antes decidimos comer e beber até não aguentar mais. Alimentados, nos despedimos dos amigos do Campo Base, atravessamos a porteira de arame e nos enfiamos trilha adentro. Cruzamos uma língua de mato e em menos de 20 minutos interceptamos a estradinha que da acesso ao Pico do Careca. Em mais meia hora atingimos um platô, onde as vistas se alargam. Aqui a estradinha foi fechada por uma porteira, em 2001 ela seguia até o topo do Careca. Então nos enfiamos por uma trilha larga e para nossa surpresa encontramos o Luciano e o Wil lagarteando ao sol. Imaginávamos que eles teriam seguido a trilha em direção ao Marins, ganhando tempo já que eles estavam umas 3 horas à nossa frente. Passamos por eles e desembocamos no topo de rocha nua a 1.638 metros de altitude. O Pico do Careca é um ótimo lugar para acampar, um pouco exposto em dia de muito vento, mas com um visual incrível, principalmente das íngremes paredes do Marins. Em 2001 acampamos aqui e pegamos uma noite de lua cheia espetacular e uma temperatura muito baixa. No local também existe uma clareira junto à mata, bem mais abrigada e com água perto. Quando todos chegaram ao topo, nos reunimos para uma foto com o Marins ao fundo e essa seria a ultima foto com a galera toda reunida. Nosso caminho vira à direita, entra na mata, passa pela clareira citada, onde uma placa nos diz que estamos no caminho correto, atravessa um pouco de mata e minutos depois nos leva ao aberto e nos encaminha para uma trilha larga com um sulco arenoso e em meio ao capim elefante. Ela sobe sem dó, passa por lajes rochosas e uma hora depois chegamos a uma ótima área de acampamento, onde paramos para esperarmos o Luciano e o Will, que estavam subindo a passos de tartaruga tetraplégica, (rsrsrsrsrsrs). Seguindo pelas pedras expostas chegamos a borga de um Canyon, onde fizemos mais uma parada para uma foto em uma grande rocha que beirava o abismo. O caminho seguinte se enfia no meio dos grandes matacões, seguindo alguns totens e outros sucos de trilha. Na minha memória eu imaginava que teríamos que bordejar todo o topo deste morro, deixando-o a nossa direita, mas parece mesmo que a trilha foi realocada para cruzar por cima e não ao lado ou é mesmo minha memória que envelheceu e eu tenha me esquecido deste trecho 13 anos depois da nossa passagem por ali. Seguindo então por cima do grande morrote pontilhado por grandes rochas, vamos avançando aos poucos, pulando de pedra em pedra quando é necessário e logo nos deparamos com uma parede rochosa de outra montanha, desta vez intransponível. Sentamo-nos à beira da parede para apreciarmos o visual e esperarmos os mais lentos. O caminho a seguir não poderia ser outro: desce-se do morrote e pega-se para a esquerda, onde iremos ter que contornar a montanha deixando-a a nossa direita. Aproveitando o sulco nítido e nos guiando por uma seta pintada na pedra, escalamos grandes rochas e ganhamos um pouco de altura, mas não muito. Foi aqui que encontramos um grupo que havia se perdido, voltando do Marins para o acampamento Base. Vendo-os totalmente desorientados, demos sinais para que subissem até onde estávamos e então lhes indicamos o caminho correto. Contornando parte da montanha, logo nos deparamos com uma grande parede, onde uma corda serve de guia e de amparo para a subida. Passado esse trecho, pegamos para a esquerda e fomos seguindo em direção a um vale e como os meninos continuavam ainda muito lentos, vou sinalizando com meu bastão na parte da trilha arenosa para onde eles devem seguir. Logo chegamos a uma área de acampamento e vendo que o sol já começava a querer se jogar no oeste, resolvemos parar e esperar que todos se juntassem. Já passava das 17h30min e o Luciano e o Will nada de aparecer. Gritamos por eles e nada, os caras sumiram. Preocupados, fomos atrás dos caras e logo encontramos o Will e muito tempo depois apareceu o Luciano, que disse que havia tirado um cochilo na trilha. Diante da situação, resolvemos que seria hora de pararmos e montar acampamento ali mesmo, racionar o pouco que tínhamos de água, prepararmos uma janta e fazer com que os meninos descansassem bem e se recuperassem para o dia seguinte. Pra nós quatro já haviam ficado bem claro que o Luciano e o Will não tinham a menor condição de seguir enfrente naquela travessia, pelos menos no tempo em que a gente tinha proposto para empreitada. Mesmo assim jamais havia passado pelas nossas cabeças deixa-los para trás. Caberia a eles o bom senso de avaliarem suas condições físicas e tomarem a decisão de retornar, mas mesmos assim estávamos dispostos a persuadi-los a irem pelo menos até o cume do Marins, o que já seria um grande feito, haja vista que essa era a primeira vez que os caras pisavam em uma grande montanha. Eu e o Dema ficamos em uma barraquinha de dois lugares, o Will montou também a sua barraquinha e os outros três dividiram mais uma barraca. A temperatura apesar de fria encontrava-se excelente para essa época do ano, já que estávamos a mais de 2.000 metros de altitude, mas o Will e o Prince foram para montanha sem saco de dormir e sofreram de tanto frio e se esses caras tivessem pegado a temperatura que pegamos no passado, teriam virado picolé. Foi realmente um erro de principiantes, que poderia ter lhe custado um sofrimento ainda maior e desnecessário, espero que tenham aprendido a lição. O dia amanheceu novamente extraordinário e com ele se renova a nossa esperança de nos colocarmos novamente no nosso roteiro original. Tomamos café e partimos logo bem sedo. A trilha entra no capim e um minuto depois já estamos novamente nos pendurando em mais uma parede íngreme, sem mesmo dar tempo de aquecermos os motores. Agarrando- nos nas saliências da rocha, ganhamos altura e logo nos encostamos na grande parede que já havíamos avistado desde de quando começamos a pequena escalaminhada. O caminho vai seguindo pela esquerda e vamos nos equilibrando em uma lamina de pedra com todo cuidado, até que hora e meia depois já temos à nossa frente um selado e mais acima o Pico do Marinzinho, mas não é para aquela direção que iremos, pelo menos por enquanto. Vamos seguindo pela rocha nua, nos guiando pelos totens, deixando o Marinzinho agora à nossa esquerda e nos direcionando para o próprio cume do Marins. Passamos por duas lombadas e logo começamos a descida até a água, que marca o início da subida final até o topo do Marins. Antes de descermos essa ultima rampa de pedra até a água o Will nos comunica que não irá mais continuar conosco nessa travessia, irá somente até o topo do Marins e resolve esconder sua mochila por ali mesmo e seguir sem carga. Enquanto ele esconde a cargueira, deslizamos rampa abaixo e ao chegar a água, jogamos as mochilas no chão e fomos nos fartar de tanto beber o precioso liquido, mas não sem antes colocarmos algumas gotas de hidrosteril afim de tratá-la , já que uma placa indicava que poderia haver contaminação. O ponto de água no pé do Marins é um grande encontro de montanhistas de tudo quanto é lugar. É ali que a galera acaba trocando informações, planejando futuras travessias e é ali também que caminhantes acaba por encontrar velhos amigos de outras travessias, resumindo, uma festa, uma grande confraternização. Antes de seguirmos nosso caminho final até o cume, escondemos também nossas mochilas no capim junto à água, primeiro que é muito mais fácil subir leve ao cume do que carregando 15 ou 20 quilos nas costas e também porque nosso caminho para a Travessia do Marins para o Itaguaré parte exatamente alguns metros dali e não há porque gastar energia para subir e descer carregado. Seguindo os totens e o caminho óbvio, que é subindo a grande rampa, vamos caminhando rapidamente, de rampa em rampa, de pedra em pedra, parando de vez enquando para uma foto que nos indica qual será o caminho que seguiremos para o Itaguaré , depois que voltarmos do Marins. Às 10 horas da manhã passamos por uma área de acampamento e pouco depois por mais uma, desta vez ocupada por três barraquinhas, que logo depois serão avistadas novamente quando tivermos na rampa final rumo ao cume. Alguns metros antes do topo passamos por mais uma área de camping e finalmente às 10h20min fizemos uma pose para a grande foto no cume do PICO DOS MARINS – 2.421 METROS. Chegar ao topo de uma grande montanha como o Marins é uma sensação muito boa, principalmente depois de um grande esforço como foi o nosso, vindo desde lá de Piquete até o cume, mas ver a cara de satisfação dos amigos principiantes , não tem preço. Pisar no topo é a coroação para os determinados, para aqueles que tiveram que superar seus limites, tiveram que ir além das suas forças. E isso foi o que aconteceu principalmente com o Will e com o Luciano, apesar dos pesares, os dois foram bravos, superaram todos os limites físicos e psicológicos que só uma grande caminhada e uma grande montanha podem impor. E como eu nunca me canso de dizer: As pessoas não superam montanhas, as pessoas superam limites, as pessoas superam a si mesmas, para provar para si mesmas que são capazes de qualquer coisa, subir montanhas é só mais uma. Ficamos no topo por mais ou menos uma hora, escalamos algumas grandes rochas, conversamos com outros montanhistas e descemos a todo vapor e só paramos quando estávamos de novo de volta à água, onde paramos novamente para uma refeição fria e discutirmos que rumo tomaria nossa expedição. Logo em seguida chegou o Luciano, anunciando também a sua desistência de continuar a travessia. O Will já havia se despedido de nós e já havia tomado o caminho de volta para o Acampamento Base. Por algum motivo, talvez incompatibilidade de genes, o Will e o Luciano não quiseram descer juntos, cada um tomaria seu próprio rumo. Mesmo assim pedimos para que um grupo que desceria depois deles os auxiliassem caso precisassem, não queríamos que os dois tivessem o mesmo fim do Escoteiro Marquinhos, que ao descer o Marins em 1985, desapareceu sem nunca mais ser encontrado e hoje permanece como o maior mistério do montanhismo nacional. Pois bem, agora nosso grupo seguiria somente com quatro integrantes, Eu, Dema, Eduardo e o Prince. Poderíamos imprimir um ritmo um pouco mais rápido porque, mesmo havendo uma diferença bem grande de idade, com total “desfavorecimento” para Eu e o Dema, que eram os idosos do grupo, ainda assim a “velha guarda ainda tava” aguentando o tranco. (Rsrsrsrssrsrsrsrs).Jogamos as mochilas às costas e partimos decididamente às 13:00. Pulamos o riacho, abastecemos as garrafas com 3 litros de água por pessoas e subimos a rampa até a metade e fomos nos guiando em direção a área de acampamento que estava da direção do Marinzinho. Aqui não tem erro, precisa olhar para a grande rampa de pedra que sobe a encosta da montanha e tocar para cima, às vezes se guiando pelos totens, outras vezes subindo por onde dá até chegar ao topo para depois descobrir que é um topo falso e que o verdadeiro ainda está muito mais à frente. A sequência do caminho é pela esquerda do topo principal, tem que descer e ir contornando até conseguir escalaminhar sua parede e ir subindo aos poucos até o cume verdadeiro. Nós gastamos para ir do ponto de água até o cume do Marinzinho 2.432 metros de altitude, o ponto mais alto de toda nossa travessia, umas duas horas, mas imprimimos um ritmo não muito rápido porque paramos muito para apreciar o visual e tirarmos umas boas fotos. O cume é marcado por uma grande pedra, onde é muito difícil de subir, mas com ajuda dos companheiros, lhe dando apoio para os pés é possível fazer uma foto no ponto mais alto. Nós ainda pegamos uma placa que existe embaixo e levamos para cima do grande matacão e aí fizemos uma foto espetacular. O Dema e o Prince ainda se arriscaram a saltar de cima do monólito para outra pedra mais embaixo, um pulo ariscado de mais para um lugar ermo e sem nenhuma chance de socorro, mais confesso : a foto dos caras ficou de dar inveja, (rsrsrsrsr). O nosso objetivo era acampar junto a Pedra Redonda e por isso tínhamos que nos apressar para não pegarmos trilha à noite. A saída do Marinzinho é pela esquerda, como indica uma pequena placa colocada ali pelo pessoal da pousada Maeda, aliás, do próprio Marinzinho parte uma trilha para a pousada, encurtando a travessia para quem já estiver sem condições de prosseguir e quiser ir embora para casa mais sedo. Seguindo um totem, também à esquerda, contornamos uma pedra e damos de cara com um vale gigantesco que teremos que descer e para começar, teremos que nos pendurar em uma corda, colocada estrategicamente para dar segurança na descida. A descida é lenta e penosa, porque a tendência é que a mochila te jogue abismo a baixo e então é preciso fazer muita força no braço para não se emborrachar lá embaixo. Terminada a descida, descemos atrás dos arbustos até o fundo do vale e então começa uma enorme subida, onde temos que escalaminhar e botar os joelhos na boca para podermos chegar ao cume de mais um morro. No topo é possível admirar a grande descida que acabamos de descer e também ter uma das mais belas visões de toda a travessia, que a visão magnífica da Pedra Redonda, se fundindo com o Itaguaré ao fundo. Mas infelizmente não há tempo para muita contemplação, pois já passa das 16h00min e logo o sol já vai começar a se recolher, portanto demos adeus ao cume e começamos novamente a descida em direção a Redonda. Vamos descendo como dá, seguindo totens ou simplesmente pulando de pedra em pedra, desescalando, escalaminhando, abrindo mato no peito, escorregando, passando por dentro de pequenas tocas até finalmente alcançarmos os 2.353 metros do cume da Pedra Redonda. Cume é modo de dizer por que a pedra é realmente difícil de subir, dois monólitos um encima do outro, que por incrível que pareça, nem de longe são redondos ( bom, de longe é sim, rsrsrsrs). Pois é, a Pedra Redonda é pura ilusão de ótica. Há uma medíocre área de camping junto à pedra, mas a não ser que se chegue por aqui realmente destruído, o melhor mesmo é seguir por mais algum tempinho e encontrar um lugar mais descente para esticar o esqueleto. A descida começa por entrar na mata , mas logo sai e começa a contornar mais um pequeno morrote, até voltar a entrar na mata, virar a esquerda e sair em campo aberto. Passa por mais uma área de camping, mas igualmente medíocre, passamos batido até atravessarmos por um alto capim elefante e nos vermos a beira de uma grande descida. Nós queríamos acampar de qualquer jeito , pois o sol já estava nas últimas, por isso resolvemos não descer até a crista logo abaixo. Voltamos e resolvemos abrir uma nova clareira de acampamento. Junto à trilha larga no meio do capim elefante, encontramos um bom local para cortamos as folhas do capim. Fomos cortando as folhas com uma faquinha de cozinha e jogando no chão para forrá-lo e protegê-lo da umidade. Fizemos um serviço tão bom, que essa agora é sem dúvida a melhor área de camping de toda a travessia, cabendo umas três barraquinhas de dois lugares. A noite caiu e a temperatura estava novamente muito boa. Fizemos o jantar e como desta vez estávamos menos cansados que na noite anterior, pegamos nosso fogareiro, nossas lanternas, um pouco de água , chás e cappuccino e fomos uivar para lua e celebrar a vida no topo do morrote que havíamos descido depois da Pedra Redonda. Ficamos por lá até depois das oito da noite, observando as estrelas, jogando conversa fora e planejando futuras caminhadas e novas explorações. Depois descemos e cada um se recolheu para a sua barraca e foi ter sonhos mais impossíveis de realizar. Bem cedo, acordamos. Desmontamos rapidamente as barracas e logo partimos sem mesmo tomar café, pois não havia água para tal luxo. Tínhamos agora meio litro de água por pessoa para realizarmos a travessia entre a Pedra Redonda e o pico do Itaguaré. Atravessamos novamente por dentro do capim elefante e logo chegamos à borda do platô, onde havíamos acampados. Na grande crista uns 150 metros de desnível abaixo de nós, identificamos ao longe um grupo grande e suas barraquinhas coloridas. Fomos descendo com cuidado, ora pulando e descendo pedras, ora seguindo por dentro de caminhos nítidos por dentro do capim. Chegamos à crista e começamos a imprimir um ritmo muito rápido, sem quaisquer paradas, avançávamos destruindo tudo que aparecia à nossa frente, seja bambuzinho, capim elefante ou outro obstáculo qualquer. Não demora muito, tropeçamos em uma barraquinha, onde um senhor de uns 60 anos ou mais, acampava solitário. Perguntamos ao velho se teríamos água antes do Itaguaré e ele com todo simpatia nos disse que não. Despedimo-nos e fomos conversar com o resto da galera que estava alguns metros à frente, em outra grande área de acampamento. Além da turma que havíamos encontrado no Marins, estavam também outros montanhistas de idade avançada. Era uma expedição guiada que estava fazendo a travessia ao contrário, do Itaguaré para o Marins. Até aí nada de mais, a diferença é que o homem velho que havíamos encontrado primeiro era nada mais nada menos que o S.r. Afonso, juntamente o guia que havia sido dispensado pelo grupo de escoteiros no fatídico sumiço do Marquinhos em 1.985, pena que fiquei sabendo disso somente quando me deparei com toda a história, dias depois, já em casa. Seguimos enfrente, sempre seguindo alguns totens e tentando nos manter sempre na crista e logo chegamos à beira de mais um gigantesco vale verdejante, onde se tem uma vista espetacular do Itaguaré. Paramos ali para mais algumas fotos, para bebermos o último gole de água do cantil e nos lamentarmos de não termos conseguido encontrar nenhuma água desde o Marins. Nossa pernada continua para a direita, onde logo encontramos uma larga trilha que se enfia na mata e desce ao fundo do vale, para depois voltarmos a subir novamente e retomarmos a altitude perdida. Mas não sem antes termos que suarmos muito para escalarmos muitas lajotas ásperas, nos enfiarmos por debaixo de matacões que insistiam em travar nossas mochilas, nos obrigando a retirá-las e a arrastá-las feito um saco de batatas. Cansados já estávamos a muito tempo, mas agora a sede vai tomando conta das nossas entranhas e cada passo dado vai se tornando em um tormento, que só acaba, ou é esquecido, quando as grandes formações rochosas vão aparecendo e inundando a nossa alma. Eu e o Dema procuramos uma grande rocha em especial, uma rocha que havíamos escalado em 2001, no auge da nossa forma física, em tempos onde a juventude e a irresponsabilidade reinavam sobre nós. Queríamos provar para nós mesmo que apesar da idade, ainda éramos capazes de nos agarrarmos feito lagartixas naquela pedra e chegar ao topo, 13 anos depois. Atravessamos mais um selado, sempre com as mesmas dificuldades dos anteriores. Vamos subindo e escalando outras grandes pedras e nos maravilhando com a grande visão oeste do Pico do Itaguaré, que guardada as suas devidas proporções, se parece muito com o Agulhas Negras. Do nosso lado direito, um deslumbrante Canyon se descortina, onde a centenas de metros a baixo, uma mata ainda dos tempos de Cabral, reina absoluta e quando a GRANDE PEDRA que procurávamos aparece, não demora para Eu e o Dema nos atirarmos à borda do vale e nos posicionarmos ao pé do nosso desafio. São duas grandes rochas, uma equilibrada sobre a outra, bem a beira do precipício. O Dema vai primeiro, apoia-se em minhas mãos e faz a alavanca até conseguir se agarrar em uma saliência mais acima. Toma impulso e se projeta encima da primeira pedra. Deita-se e me estende as mãos. Tomo impulso também e me agarro firmemente e o resto é puro esforço e superação física até eu conseguir chegar ao topo do primeiro desafio. Aproveitando que o Dema já se encontra deitado sobre a pedra, aproveito o embalo para pisar em suas costas e me catapultar para o cume da formação rochosa e logo em seguida dar a mão e facilitar que o Dema também atinja o topo. Agora somos dois velhos amigos se regozijando de tanta felicidade. Dando uma banana para a idade, gargalhando do tempo. Somos dois homens de meia idade que se recusa a abandonar o montanhismo, mesmo que muitos digam que é hora de parar. A gente não desiste fácil e mesmo que o corpo possa dar sinal de cansado, o espírito ainda faz planos de outras grandes aventuras e enquanto tivermos forças para carregarmos nossas mochilas, estamos nas trilhas, no mato, nas montanhas, nas cavernas, nos cânions, nas praias desertas ou em qualquer outro lugar onde formos desafiados pela mãe natureza. O Eduardo e o Prince também vão ao topo da “nossa” pedra e logo todos nós estamos partindo para o estirão final até o Itaguaré, afinal de contas a sede já estava nos matando. Passamos por dois irmãos que moram na mesma região que eu e o Dema e continuamos em passos apressados, escalando, pulando, passando por baixo, passando por cima de outras tantas pedras que eu nem poderia descrevê-las com exatidão, mas o caminho é bem óbvio, há de se ir seguindo os totens e sulcos de trilhas e às vezes algumas marcações pintadas nas rochas, até que sem perceber estamos encostados à grande parede do Pico do Itaguaré, mas sem água, nos recusamos a ir ao cume, pelo menos por enquanto. Se o nosso corpo ainda estava aguentando o tranco depois de tantos anos, o nosso cérebro não estava colaborando muito, pois não nos lembrávamos de onde seria a tal água do Itaguaré. Da parede de acesso ao Itaguaré, saem várias trilhas para todos os lados, o que acaba confundindo o trajeto a seguir. Os dois irmãos chegam e também não fazem ideia do caminho a seguir e olha que eles estiveram ali há poucos anos. Usando a nossa experiência e intuição, vamos descendo em direção ao vale verdejante logo a baixo, nos guiando em direção ao selado entre duas pequenas montanhas a nossa frente. Uma trilha tosca acaba se perdendo no vale logo abaixo e então a abandonamos em favor de alguns totens à nossa esquerda, o que acabou nos levando a uma clareira de acampamento, de onde parte a verdadeira trilha. Aí foi só ir descendo por ela até nos depararmos com um pequeno córrego, enfim Água! Eram exatos meio dia e além de matarmos a sede com a água muito melhor que a do Marins, assassinamos a fome comendo tudo que estava ao nosso alcance, enquanto batíamos um bom papo com os dois irmão, que de tão cansados, não foram ao topo do Itaguaré e isso não é exceção, boa parte dos montanhistas que passam por ali, estão tão extenuados que não tem forças nem para ir até o cume, uma pena porque é uma linda subida. Nós não quisemos nem saber, escondemos nossas mochilas no mato e seguimos “voados” para cima. Passamos novamente pela clareira de camping, contornamos uma grande rocha, que ficou à nossa esquerda e logo estávamos novamente na grande parede rochosa que dá acesso ao cume. Pegando um caminho alternativo, (poderíamos ter seguido alguns totens), escalamos nos valendo das fissuras ásperas da parede rochosa e logo ganhamos grande altura. Logo seguimos um pouco mais para a esquerda, onde a visão das nuvens bem abaixo de nós, nos fez pararmos para algumas fotos e logo estávamos em um platô, de onde os mais tímidos não passam e costumam ficar por ali mesmo, admirando a paisagem. Deste falso cume é possível atingir umas formações rochosas espetaculares e de lá, se assombrar com o vazio que se descortina a sua frente. Mas a gente não se contenta com pouco, queremos o ponto mais alto. E para ir ao cume verdadeiro é preciso enfrentar uma fenda potencialmente perigosa, se esgueirar ao lado de um abismo, escalar uma grande rocha e fincar de vez o pé no PICO DO ITAGUARÉ – 2.308 metros. Que lindo lugar! Que sensação maravilhosa essa de estar acima das nuvens, de olhar a mediocridade da civilização lá de cima. Tudo é belo e esplendoroso, estamos realmente extasiados diante do poder desta visão arrebatadora. Não importa quantas vezes se vai ao topo de uma grande montanha, a gente nunca se cansa de admirar. Estamos todos no topo e o clima de euforia contagia cada um de nós. Valeu cada gota de suor derramado, cada aranhão, cada tombo, cada queda, cada escorregão, cada joelhada na rocha, cada calo no pé, cada esfolada e furada de espinho nos dedos. O sofrimento é passageiro, mas as lembranças destes momentos no topo, não há tempo que apague. Satisfeitos, partimos! Abandonamos o cume e voltamos para o lugar onde havíamos escondido nossas mochilas, no caso a água do Itaguaré. Jogamos as mochilas às costas, pulamos o riozinho e pegamos a trilha que em pouco tempo chega a uma bifurcação, onde pegamos para a direita e saímos logo na grande área de acampamento. Estamos no selado, bem no meio das duas montanhas, que víamos quando já estávamos na parede do Itaguaré. Aqui foi onde titubeamos para encontrar a trilha de saída, mas chegando a primeira área de camping é preciso pegar para a esquerda e subir a montanha se guiando por alguns totens até que diante de uma grande rocha, a trilha quebra para a esquerda e desce de vez ao vale, se enfiando em algumas verdadeiras voçorocas, até se enfiar de vez na mata e virar quase uma estradinha de tão larga. O caminho a seguir é um pé à frente do outro, sentindo todas as dores nos joelhos possíveis, já que o caminho só desce e seguirá assim por quase duas horas, até que às 15h30min chegamos ao primeiro riacho e então o caminho arrefece e logo cruzamos novamente o mesmo rio e ao cruzarmos ele pela terceira vez, desembocamos no gramadinho à beira da estrada, é o Barreiro, a Travessia Marins x Itaguaré chega ao fim. No gramadinho final é o lugar onde todos que fazem essa travessia são resgatados e levados de volta para o acampamento base do Marins. Por estrada de terra são quase 20 km de distancia. Em 2001 nós enfrentamos esse pedaço caminhando, mas é um esforço descomunal, feito em quase cinco horas de caminhada. Passa da 16h00min e o sensato é ficar por ali, tentar uma carona ou mesmo acampar e seguir só no dia seguinte, já descansado. Nosso corpo diz que é hora de parar, encerrar a caminhada, comer uma comida quente, dormir em uma cama macia, mas nosso espírito de aventura insiste em dizer que devemos seguir enfrente, aproveitar o feriado de quatro dias por inteiro, terminar de fazer aquilo que a gente havia proposto quando abandonamos nosso lar há três dias. Para a esquerda é o caminho para a cama e comida quentinha, para a direita é o caminho para o desconhecido, para as dores nas pernas, para sofrimento sem limite. Pegamos para a direita. E naquela estradinha vazia, deserta e sem nenhum movimento, fomos seguindo, arrastando nossos corpos destruídos, feitos zumbis que vagão sem rumo. Caminhamos até um amontoado de casas e seguindo a informação de um morador, pegamos para a direita em direção ao povoado de Caxambu. A estradinha sobe um pouco, passa por entre algumas casas, enfrente a um sítio e sobe loucamente e quando chega ao topo, a noite já se foi. A nossa intenção é assim que possível, arrumar um lugar para acampar porque ninguém mais tá aguentando de cansado e de tanta fome. Andamos, andamos e nunca chegávamos a lugar nenhum. A fome era tanta que eu já estava torcendo pelo aparecimento de um despacho para poder me apoderar do frango. Quando chegamos a um cruzamento, pegamos para a esquerda e entramos em uma área de mata, onde paramos junto a uma bica de água. Dei uma revistada no local para ver se havia a possibilidade de acampar, mas não havia. Andamos agora sob a luz da lua e a cada curva da enfadonha estradinha, sonhávamos com a possibilidade de encontrar um lugar para esticar o esqueleto, até que uma placa de POUSADA RESTAURANTE TAIPA BRANCA nos chamou a atenção. Paramos em frente da pousada e ficamos discutindo se não deveríamos tentar arrumar um cantinho para acampar por lá, haja vista que lá havia um ótimo gramado. Mas como era uma pousada vimos logo que seria difícil arrumar algo. Mesmo assim eu e o Prince nos encarregamos de ir verificar. Chegando lá fomos atendidos por um simpático casal de velhinhos, que nos convidaram para conhecer o restaurante. Acampar não seria possível, já que não estávamos dispostos a pagar nada por isso. Mas a visão da comida mineira nos chamando não dava para recusar. Corremos lá fora e avisamos o Dema e o Eduardo. Iguais a refugiados de guerra, vindos da Somália, nos servimos da farta mesa, onde cada num pegou o que pode e o que coube no prato. Sem saber que o estilo era o do coma à vontade e o quanto puder, o Eduardo fez um prato tão grande, que teve de ser carregado até a mesa com a ajuda de todo o grupo, rsrsrsrsr. Quando abandonamos aquele pequeno restaurante, deixamos para trás um casal de velhinhos totalmente falidos, lamentando o dia em tiveram como clientes quatro aventureiros esfomeados. Apesar de ainda muito cansados, estávamos com as energias renovadas e seguindo um conselho dos donos da pousada, pensávamos em acampar no barracão da igreja, que estava a uns 3 km à frente, mas a noticia de que estava rolando a festa de São José, acabou com nossa esperança. Fomos caminhando sempre de olho em algum gramadinho à beira da estrada, mas logo tivemos que parar porque o Dema teve um ataque de dor de barriga. No desespero o cara saltou por cima de uma cerca de arame farpado e foi fazer a sua obra em um matinho. Foi aí que percebemos que o local era um excelente gramado para passarmos a noite, foi literalmente na cagada que encontramos nosso lar por mais uma noite. Forramos um plástico no chão e improvisamos um bivak, já que o tempo estava maravilhoso. Dormimos muito bem e lá pelas cinco da manhã acordamos e enquanto o sol não nascia, ficamos observando as estrelas cadentes e os satélites rodando sobre nossas cabeças. Depois tomamos café e partimos para o nosso último dia de caminhada. Quarenta minutos de caminhada nos levou ao povoado de Caxambu e em mais uns 15 minutos tropeçamos na linha férrea, onde um marco da famosa Estrada real marca o inicio da nossa caminhada pelo Caminho da Revolução de 32. Nosso caminho agora segue pela linha de trem para a direita em direção a divisa de estados, entre Minas Gerais e São Paulo. Como ainda é muito sedo, o caminhar é tranquilo e prazeroso e logo chegamos a primeira ponte do nosso trajeto, onde um riacho de águas cristalinas nos convida para um mergulho, mas ninguém se arisca ,pois ainda não passa das oito da manhã e a água está gelada. Seguimos nosso caminho e logo passamos por uma fábrica de queijos, onde aproveitamos e compramos um, para um lanche logo à frente. Passamos mais uma vez pela Estrada Real, que não passa de uma trilha mais larga e antes das nove horas da manhã, largamos nossas mochilas na Estação Coronel Fulgêncio. No tempo da revolução, essa estação tinha o nome de Estação do Túnel, depois da guerra, mudou de nome para homenagear o coronel abatido em combate. A estação marca o fim da ferrovia no lado mineiro e alguns metros à frente, cruzando por baixo de uma montanha, reina soberano o famoso TÚNEL DA MANTIQUEIRA. Sentados ali naquela estaçãozinha, ficamos imaginando como seria se pudéssemos voltar no tempo e puder acompanhar os desdobramentos da batalha da Mantiqueira. Muito provavelmente aquele lugar era muito diferente do que é agora, um terreno hostil e perigoso. Muita gente perdeu a vida nesta batalha e apesar de São Paulo ter resistido bravamente por meses contra as tropas de Getúlio Vargas, a perca de outros territórios no estado, fez com que a tropa paulista fosse obrigada a se retirar do fronte. No fim acabaram capitulando e o sonho de muitos de tornar São Paulo um Estado independente acabou indo por água abaixo. Depenamos um pé de mexerica e de laranjas lima, enchemos nossos cantis na fonte de água, acendemos uma lanterna e adentramos no grande Túnel da Mantiqueira. São 996 metros de comprimento, que foram cruzados rapidamente e logo, mesmo sem perceber, havíamos cruzado a fronteira de estado e mergulhado no lado paulista da Mantiqueira. Tiramos uma foto em um obelisco que marca a chegada em um novo estado, onde também me parece um bom lugar para acampar e seguimos acompanhando a linha férrea, que a partir de agora está abandonada e desativada. A floresta tomou conta de tudo e às vezes é preciso ir procurando os trilhos por debaixo do mato. Às 10h30min passamos pelo primeiro túnel do lado paulista e logo à frente passamos por uma pequena ponte e depois mais um túnel foi cruzado. Mesmo tendo sido construído lá pelos idos de 1884, os túneis ainda se encontram bem conservados. Passamos por uma cachoeira, onde fizemos uma pequena pausa para um lanche e um gole de água. A partir da cachoeira o mato toma conta de tudo. É um capim gordura que vai grudando nas pernas, o que torna o avanço quase que impossível. Logo começamos a ver que dificilmente conseguiríamos chegar a Cruzeiro no mesmo dia. Em uma curva mais à frente, surge uma grande ponte, onde cruzamos com muito cuidado e mais 20 minutos de caminhada tivemos que cruzar ao lado da linha férrea porque a erosão levou o apoio do trilho, transformando-o em uma ponte sem apoio, onde o Dema e o Prince se ariscaram, mas eu e o Eduardo achamos que seria um risco desnecessário. Mais um túnel é cruzado e logo em seguida, a linha férrea vai fazer uma curva gigantesca cruzando por dentro de muito mato, onde tínhamos que abri-lo no peito. Cansados e com os pés destruídos, não víamos a hora de abandonarmos aquele caminho, que a muito tempo deixou de ser uma trilha. Depois de cruzarmos por um grande brejo e passarmos batidos pela Estação do Perequê, na verdade nem a vimos porque estava envolta em muito mato, chegamos a uma estradinha, junto a Capela do Perequê, pintada de amarela e abandonada. Não tivemos duvida, pegamos a estradinha para sudoeste e fomos descendo até encontrarmos um pequeno córrego, que corria junto a uma mata, onde paramos para tomar um banho, o primeiro depois de quase 4 dias e prepararmos nosso almoço. Depois passamos por uma porteira, junto a um mata-burro e por mais uma hora cruzamos outro rio, desta vez muito maior e desembocamos na rodovia principal, aonde sem conseguir nenhuma carona, seguimos nos arrastando pelo asfalto, até que uns 5 km antes de Cruzeiro a tão almejada carona em uma Kombi veio bem a calhar e às 18h00min já estávamos na rodoviária contemplando ao longe toda a serra da Mantiqueira, de onde demos um último adeus antes de seguirmos para casa. E foi assim que 13 anos depois da nossa primeira incursão por este fantástico pedaço da serra da Mantiqueira, nós concluímos mais uma vez esta linda travessia. Estamos mais velhos e isso é um fato que não podemos negar. Talvez não tenhamos o mesmo vigor de outrora, mas é certo que aprendemos a superar isso, aprendemos a usar os atalhos do caminho. A experiência nos deu a maturidade que nos faltou quando éramos mais jovens e se a energia não é mais a mesma, nós superamos com garra, com determinação. Ainda somos os mesmos obstinados de sempre que tenta seguir enfrente e mesmo quando todos dizem que a gente não vai conseguir, a gente vai lá e tenta, só para provar para nós mesmo que somos capazes. Quanto ao Eduardo e ao Prince, acho que Eu e o Dema só temos a agradecer a companhia destes duas caras espetaculares e volto a repetir : Uma boa caminhada tem o poder de transformar grandes companheiros em grande irmãos. Valeu meus irmãos, pelo prazer das vossas companhias. Divanei Goes de Paula – maio de 2014
  17. Nossa aventura começou na madrugada do dia 21/03/18, depois de muito se discutir decidimos fazer um bate volta. Iriamos ao parque fazer o Agulhas e retornar no mesmo dia. Antes de ir pesquisei com amigos que já fizeram a respeito da trilha, além de ver diversos vídeos no youtube e relatos aqui no blog mesmo. Apesar de ser um pouco orgulhoso e já ter alguma experiência em trilhas já quero ressaltar no começo do relato a importância de um guia para subir o agulhas. Explicarei mais durante o relato. Saímos de São Paulo as 3 da madrugada, a ideia era algo em torno de 4 horas de viagem podendo mudar um pouco de acordo com o tempo e as paradas. Para quem também tiver pensando em fazer um bate volta, trabalhe sempre com uma margem, mesmo que vá de madrugada, pois pegamos um engarrafamento na estrada que sai da Dutra em direção ao parque com vários caminhões em marcha lenta que nos atrasou pelo menos 40 minutos. O caminho não tem segredos, você seguirá pela Dutra, e assim que entrar no Rio pegará uma saída a direita, se não me engano é a saída 317 em direção a Itatiaia. Você fará uma espécie de balão por cima da Dutra, como se fosse voltar para São Paulo, mas assim que pegar esse retorno entrará a direita em direção ao Parque Nacional. Você seguirá em torno de 26 quilômetros por essa estrada até a garganta do registro, nesse ponto todos os celulares pararam de funcionar, porém será difícil de errar, marque no hodômetro do carro, e em 25/26 km você verá muito bem sinalizado a "Garganta do Registro" e a indicação de entrar a direita para a parte alta do parque. Dai mais 14 km e você chega no parque. A estrada não é nenhuma Brastemp rsrs, mas se você pegar um tempo razoavelmente bom não tem motivo para se preocupar, diferente do Pico dos Marins kkk. Obs: Durante o caminho já é possível ver toda a beleza dessa região ! Você chegará então no Posto Marcão, lá você fará o registro de entrada no parque, encontrará seu guia provavelmente, e também irá parar o carro. ( Para quem pretende ficar hospedado no abrigo rebouças, possivelmente poderá ir mais 3km de carro até o abrigo, eu esqueci de perguntar, mas um amigo ja chegou a ir de carro até o abrigo, para quem não for se hospedar lá, o carro fica no Posto Marcão ). No posto tem bons banheiros, hora de trocar de roupa se for o caso, passar o protetor, apertar a mochila e começar a aventura. A primeira caminhada é de 3 km até o abrigo Rebouças, a estrada é larga e a caminhada sem muita alteração de nível ou qualquer dificuldade. Durante essa caminhada você pode ver outras atrações do parque como as prateleiras, o início da trilha dos cinco lagos, etc... Depois que você passar do abrigo Rebouças, mais uma pequena caminhada e inicia a subida de 800 metros para o Pico, durante o trajeto você poderá ver algumas plaquinhas no chão que marcam de 100 em 100 metros até o a plaquinha 8. A subida para o agulhas até a parte de pedra é bem tranquila, quando você chega na parte de pedra já existe um ponto onde será necessário a corda. Os mais corajosos podem tentar subir sem corda, como os guias fazem, porém, existe uma séria chance de um braço quebrado, ou algo do tipo, mesmo os guias tem uma certa dificuldade nessa parte. Admito que nessa parte quis tentar subir sem o auxílio de equipamento, porém travei na metade, e precisei me apoiar pela corda para subir o resto. Óbvio que a galera não perdoou e tive que ouvir bastante zuação nessa hora, hahahaha. O resto da subida é relativamente tranquila, se você já está acostumado, ou já subiu alguma montanha com certa exposição, e subida em pedra, não irá ter grandes surpresas, alguns trechos com bastante exposição, aqueles pedaços que você precisa subir meio que engatinhando para conseguir se fixar bem na rocha, ou usando fendas para fixar bem o pé. Alguns outros pontos de corda em que o uso é relativo. Mas tem o ponto para fazer a segurança. A subida para o Agulhas não é tão demorada, em torno de 2 horas e meia a 3 horas. Se seu grupo é pequeno, e você não quiser fazer muitas fotos, é possível iniciar bem cedo e quem sabe ainda curtir algum outro atrativo do parque. Porém se estiver com um grupo grande ou quiser aproveitar o passeio ao máximo, reserve um dia inteiro para fazer essa caminhada, até porque você provavelmente estará bem cansado no final. OBS: Fomos durante a semana, era uma terça feira, e éramos os únicos privilegiados no parque, durante todo o tempo que ficamos lá, ninguém entrou e nem havia ninguém de saída, se você for final de semana chegue cedo, pois com certeza encontrará muitos grupos e o parque tem um controle de números de pessoas que eles liberam para fazer a subida ao pico. Então vá cedo para garantir um passeio bem agradável. Enfim... O CUME Todo o esforço, arranhões, medo, obstáculos e toda a subida compensa automaticamente assim que você chega ao cume, a vista é realmente sensacional sem contar a satisfação por ter completado essa jornada, você ficará realmente orgulhoso por ter enfrentado tudo isso e ter tido a força para chegar até o final... OU QUASE... O cume ainda não é o cume !! Como assim ? Haha, é isso mesmo, ao chegar ao pico, é possível ainda atravessar um desfiladeiro para um segundo cume, onde se encontra o famoso Livro. Existe um livro lá, para que você deixe sua assinatura, mensagem ou registro dessa passagem por aquele lugar maravilhoso. É importante dizer mais uma vez, até aqui, é muito indicado o guia, porém pessoas bem experientes (bem experientes mesmo) em subida em pedra podem tentar se aventurar. Porém, para fazer a passagem para o livro, é fundamental o uso de equipamentos e conhecimento de técnicas além do conhecimento de como lidar com os equipamentos. Isso não é brincadeira, e o risco nesse ponto é extremamente alto. Sei que estou sendo chato, porém antes de ir eu cogitei várias vezes ir sem o guia, e fazer eu mesmo a passagem por esses trechos, com alguns equipamentos que um amigo me emprestaria, por fim achamos por bem contratar o guia. Já tive o prazer de fazer algumas travessias como Petro x Tere, Marins x itagaré, subir o pico dos marins, pedra da gávea. Em todas essas ocasiões fizemos por nossa conta, e isso me levou a ter uma falsa ilusão de que eu tinha o conhecimento necessário, por isso estou falando bastante desse ponto, subir montanhas é realmente algo incrível e que te embarca em sentimentos maravilhosos de superação, auto conhecimento, alegria. Porém devemos estar ciente que nosso esporte é radical e de risco. Então temos de conhecer nossos limites também ! Voltando ao foco, a passagem para esse outro pico onde tem o livro é feita com os equipamentos, a descida deve ter em torno de uns 7, 8 metros para depois subir também com a cadeirinha para o livro. Aproveite o momento, registre sua passagem da melhor maneira e comece a segunda parte de subir a montanha que é DESCER. A hora que estávamos assinando o livro o tempo mudou repentinamente, e começou a chover e ventar bastante, mesmo que você pegue um dia de sol, leve algum tipo de agasalho e se possível um poncho ou capa de chuva. Assim que voltamos para o cume principal o sol saiu, hehe, assim é o tempo na montanha. Tiramos uns minutos para fazer uma boquinha e iniciamos a descida. A via para voltar é mesma para subir e você pode aproveitar a volta para ter outros ângulos e fazer mais fotos. Com todas as paradas, fotos e tudo mais levamos em torno de 7 horas no passeio. E confesso que a caminhada do abrigo Rebouças até o Posto Marcão acaba se tornando infinita rsrsrs. Voltamos para São Paulo satisfeitos e com sensação de quero mais. O parque de Itatiaia é simplesmente sensacional, e tem as mais diversas opções de passeio, desde cachoeiras, travessias na parte baixa como a Ruy Braga, Couto-Prateleiras entre outras. Espero que todos tenham a oportunidade de ir lá um dia que seja ! CONSIDERAÇÕES FINAIS 1 - Quantos aos valores, o guia nos cobrou R$ 80,00 por pessoa e mais R$ 15,00 por pessoa a entrada no parque. Nosso grupo era de cinco pessoas e o total saiu menos de R$ 250 por pessoa, mesmo considerando os gastos com comida. Então ressalto que mesmo que as coisas estejam apertadas, existem belas possibilidades de passeio que valem muito pena, sendo que as vezes gastamos esse valor num final de semana que não nos trará tantas lembranças positivas ! Nosso Guia foi o IVAN, pessoa muito gente fina, profissional e ótimo guia, vou deixar aqui o contato dele: (35) 9927 - 1676 2 – Antes de entrar no Rio, já no final da Dutra SP, tem um graal que é uma boa opção para comer antes de entrar em Itatiaia. 3 – Eu tentei ser bastante didático no texto pensando em pessoas que nunca fizeram nenhuma trilha parecida que possam ler. Foi mal se fui repetitivo hehe. 4 – Quem ainda não conhece use o app WIKIROTA ( Esse faz todos os cálculos de combustível e pedágio para o seu destino), outro app muito bom é o WIKILOC que serve para gravar e seguir trilhas. Aqui está a minha gravação dessa trilha: https://pt.wikiloc.com/wikiloc/spatialArtifacts.do?event=setCurrentSpatialArtifact&id=23392290 5 - https://www.instagram.com/joaopaulosarja/?hl=af Valeu até a próxima !
  18. Trilha feita em 17/08/2013. Album com todas as fotos nessa 1ºinvestida estão em: https://photos.app.goo.gl/Fa8Gp65thPdv5PLw5 Eram 4:15 da manhã qdo lá estava eu no estacionamento do meu prédio, ajeitando a cargueira no bagageiro da motoca, pronto para partir para mais uma investida a mais um pico da imponente serra da Mantiqueira. Dessa vez, o dito cujo em questão seria a outra ponta da travessia Marins x Itaguaré: O Pico do Itaguaré, ponto de inicio ou final da clássica travessia. Inicialmente, 3 amigos toparam ir comigo na empreitada, mas por problemas familiares de 1 deles, justamente o que tinha carro, os demais que iriam de carona (inclusive este que voz escreve), ficaram na mão aos 45 do segundo tempo....Tudo bem, imprevistos acontecem, paciência né... O problema é que fui avisado bem no final da noite, com a cargueira pronta e indo dormir, o que me gerou certa frustração, mas não o adiamento da trip. Somente para os demais. Então, como miou a carona, sobrou para minha motoca, velha de guerra, o transporte daqui até a trilha, a cerca de 250km de distancia. Felizmente, procuro sempre deixar a manutenção dela em dia para qdo precisar. Então, decidi que iria mesmo assim e fui dormir. Felizmente, a madrugada de sábado não estava mto fria e o jaquetão anti-termico mais uma vez cumpriu bem seu papel, me mantendo quentinho e protegido dos fortes ventos do começo ao fim da viagem na motoca. Deixei o despertador para acordar as 3:30 e as 4:40 já estava na Marginal, acessando o inicio da Rodovia Presidente Dutra, essa que seria meu trajeto pelas próximas 3 horas até meu destino, a cidade de Cruzeiro, onde faria uma parada para um café da manhã reforçado e descançar um pouco da viagem. A rodovia estava com baixo movimento e o tempo encoberto, embora sem neblina, felizmente. As 6:10 com o dia já clareando, estava passando por São José dos Campos e as 8:40h, finalmente avistei o acesso para Cruzeiro, onde cheguei pontualmente as 9:00h. A bucótica cidade do vale do paraíba, situada ao sopé do enorme paredão da imponente serra da mantiqueira como seu plano de fundo, ainda estava despertando, numa manhã encoberta de sábado, com o astro-rei querendo aparecer entre muitas nuvens. Parei numa padoca local para mandar ver num pingado e um sanduba esperto afim de forrar o estomago. As 9:20, retomei a viagem em direção a Passa Quatro/MG e tão logo passei pela bifurcação das rodovias que vem de cruzeiro com a que vem da Dutra, começou a subida sinuosa da Serra, onde pude contemplar as vistas da cidade ficando lá embaixo. A subida em direção a Passa Quatro não dura muito tempo e logo já me encontrava no topo da serra, já na cota dos 1.200 metros de altitude, onde visualizei do lado direito, uma area de mirante com uma bela vista lá do vale, mas passei batido por ali. A vista do topo do Itaguaré já me proporcionaria tudo isso e muito mais. Após passar por uma placa azul indicando a divisa de Estados, segui por mais uns 5 minutos até avistar uma entradinha de terra a esquerda, onde erroneamente, adentrei. Ela descia até um vale, mas ai lembrei do relato do Augusto, onde ele dizia que a entrada da estrada de terra que leva até o acampamento base, inicia-se no acesso para o Bairro do Caxambú. Ao avistar uma casa, parei e bati palmas, mas ninguém apareceu. Passei por uma outra casa, que parecia não ter ninguém,mas logo vi um senhor. Então, ao perguntar a ele sobre a estrada para o bairro do caxambú e o pico do Itaguaré, es que minhas suspeitas estavam certas: Estrada de terra errada, bora voltar. Ao retornar para a rodovia, segui por cerca de 1 km e logo avistei o ponto de ônibus e a placa indicando: Bairro do Caxambú. Entrei nela e após novamente descer até o vale e passar pelos trilhos de uma linha de trem de carga, finalmente as 9:40, adentrei na chamada "Estrada Real", que dá acesso ao bairro do Caxambú, bairro rural pertencente ao municipio de Passa Quatro. Nesse trecho, a estrada segue por meio de casas e pequenos sitios, onde havia algum movimento, e logo avistei uma placa indicando o sentido "Marmelopólis/Pico do Itaguaré" a frente.....algumas bifurcações surgiam, mas o sentido era óbvio...seguir pela estrada mais larga e batida, sempre a frente.....as bifurcações apenas davam acesso as casas e sitios da região. Só para não ficar dúvidas, por ser minha primeira vez ali, resolvi parar e perguntar pelo caminho para o Pico do Itaguaré, afim de confirmar o roteiro mapeado e se batia com o relato que estava me servindo como guia. O tempo no alto da mantiqueira estava encoberto o que não permitiu visu alguma do Itaguaré durante todo o trajeto pela estrada de terra até o acampamento base, infelizmente. Não tardou e a estradinha começou a longa subida íngreme serra acima, dando voltas, enquanto contornava os morretes e passando por alguns sitios. Passei por uma casa onde um cãozinho solitário late a minha passagem e passa a correr atrás da minha moto, como se quisesse me espantar, desistindo ao ver que conseguiu seu objetivo. Também cruzei com alguns tratores e pequenos caminhões de alguma obra próxima, vindo em sentido contrário, que me fizeram comer poeira.....em alguns trechos, a estrada estava meio esburacada o que para motos que não é de trilha é péssimo, mas carro vai de boa, pois não era nada se comparado com algumas crateras das ruas de São Paulo... Fui subindo por cerca de 25 minutos até finalmente alcançar o topo na cota dos 1.600 metros, onde a estrada nivelou e seguiu por um trecho de mata-burros e logo começou a descer um vale do alto da serra. Havia saído de uma altitude de 1.100 para mais de 1.600, para depois descer para pouco mais de 1.570. Subida de pelo menos 500 metros, com mais uma bela vista lá do alto. A segunda do dia. A paisagem era bem tipica de altitude mesmo, com muitos pinheiros e araucárias. A temperatura estava mais baixa nesse ponto tb. Segundo o relato do Augusto, eu teria que passar por um grande lago que estaria a minha direita. Visualizei o mesmo a frente no vale e como era um dos meus pontos de referência do caminho para o Itaguaré, vi que estava no caminho certo. Continuei seguindo, nesse ponto, após a estradinha atingir o topo da serra, desce até o vale, onde está o grande lago, lago esse na cota dos 1.570 metros de altitude. É o unico da região, então se não passar por ele, é sinal que você pegou algum caminho errado e ai o melhor a fazer, é buscar infos com moradores dos sítios da região. Após passar o lago, a estradinha chega em uma bifurcação, onde peguei a estrada a direita (que faz o contorno do lago). E continuei, pela estrada mais batida. Na dúvida e para confirmar o caminho, parei mais umas 3 vezes para perguntar, afim de otimizar tempo e sem precisar ficar voltando ou dando voltas pra voltar pro caminho que deveria ter seguido.....Outras bifurcações foram surgindo, mas era só ignorar e seguir a estrada mais batida. A partir dai, a estrada nivela, vai seguindo bem batida e sem trechos esburacados ou lamaçal, o que me permitiu aumentar a velocidade. Como não havia chovido nos últimos dias, a mesma estava ótima. O velocimetro indicava que já havia rodado cerca de 11 km e ainda nem fazia idéia de qtos quilometros ainda iria rodar até chegar a entrada do acampamento base. Mas fui seguindo. Em todo esse trecho existem bifurcações, então é preciso prestar atenção no caminho. Se estiver sendo guiado por GPS com o tracklog da percurso, ai fica bem facil. Como eu não tinha nada disso, me guiei pelo relato do Augusto, no boca-a-boca e pela intuição do chamado "sentido obvio". Mas para minha surpresa, cheguei a um trecho da estrada que tava todo enlameado e barrento, me obrigando a parar e analisar a situação bem parecida com a subida do trecho final da estrada do Saigui para o acampamento base Marins. Na hora, pensei: Será que vou conseguir passar por aqui? Desci e fui olhar mais de perto, mas felizmente encontrei um caminho e indo de primeira, passei sem grandes dificuldades. Carros aqui, provavelmente iriam atolar, embora o trecho seja plano. O risco é passar por aqui na ida, cair um temporal a noite e não conseguir voltar. Dai terá que voltar por Marmelópolis. Após passar esse primeiro trecho ruim, a estrada vira a direita e novamente dou de cara com outro trecho pior. E mais uma vez, cuidado redobrado ao passar por ali, afim de não atolar ou derrapar.....após passar por esse trecho, a estrada chega a mais uma bifurcação, que me gerou dúvidas a que caminho seguir. Então, optei pela estrada à esquerda, pois ia no sentido desejado. Como sabia que o sentido desejado era preferencialmente a esquerda, ignorei a estrada a direita em favor da esquerda e fui seguindo, até que de repente, após rodar mais 1 km, numa descida, avistei a placa e a entrada do acampamento base Itaguaré, onde cheguei exatamente 1 hora depois, as 10:40. Ufa, foram 15km chacoalhando, entre algumas paradas para perguntar aqui, ali, acolá.....afinal, quem tem boca vai a roma, né? Finalmente chegando ao acesso Acampamento base Itaguaré A placa indicando, não tem erro. Depois de retirar a cargueira do bagageiro da motoca e ajeita-la, resolvi fazer uma parada longa para detonar um sucão e mastigar algumas barras de cereais, já preparando os músculos para a ardua subida que me esperava logo ali do lado....Mas não sem antes dar uma boa descançada ali, afinal, só havia uma caminhonete no local, o que me fez supor que encontraria apenas um grupo lá no topo.....Tb...com a cara que tava o tempo...encoberto lá no topo....bem, eu tava ali para conhecer o local, então se não visse nada, tudo bem, era só voltar novamente num outro dia. Havia gente na trilha..... As 11:30 iniciei a trilha propriamente dito, que já mergulha na floresta logo de cara. O 1º ponto de água fica logo no inicio da trilha. Como sabia que não haveria água na subida inteira e no topo, aproveitei para carregar os cantis, deixar preparado um suco e me fartar do precioso liquido, antes de começar a caminhar para valer. Aproveitei inclusive para ajeitar melhor a cargueira, que ficou estupidamente pesada por conta de 2 litros de agua, 1 de gatorade e outro de suco que adicionei na "carga". Inicio da trilha que diferentemente do Marins, sai diretamente do acampamento base. 1ºponto de água fica ao lado do acampamento base Aqui, há uma bifurcação e uma placa indicativa...provavelmente deve descer até Cruzeiro. Mas não adentrei nela para saber, com a mesma indicando que vai até Cruzeiro, nem faço ideia por onde ela deve ir.....Será que desce a serra? Para compensar o peso da água, resolvi esconder alguns itens que não iria precisar lá no topo, como um pacote de ferramentas básicas da motoca (o chamado kit de emergência) que pesa em torno de 1kg e outros, como tênis reserva. Retomei a trilha para valer as 11:48. Agora acabou a moleza, é pé na trilha e bora logo para o topo. A trilha para o pico começa em nível, e vai seguindo o vale adentro dando voltas, inicialmente ao lado do rio. Após cruza-lo logo no inicio, 10 minutos a frente, cruzo com a única bifurcação de toda a trilha, onde uma placa sugere que seguindo reto, subiria para o Itaguaré e o inicio da travessia,a esquerda iria para a cidade de cruzeiro, e voltando, cairia no acampamento base. Segui em frente e a trilha cruzou o riacho, sendo o 2º ponto de coleta d´agua. Mais a frente, a trilha cruza com mais um ponto de água, o 3º e último ponto de coleta, com cerca de 25 minutos do inicio da trilha, antes de iniciar o subida para o cume. Para economizar peso nesse trecho inicial, deixe para pegar água a partir desse último ponto. Seguindo a frente, outro ponto de coleta de água Após a trilha passar por um descampado com sinais de camping, ela inicia a subida. É a partir dai que você pode se preparar: Os primeiros trechos de subida forte começam, onde as pernas, pré-aquecidas no trecho inicial, serão postas a prova máxima de resistência e força. Isso porque, os próximos 90 minutos, serão inteiramente de subida forte com vários lances de escalaminhada em trechos que a trilha possui vários trechos eroditos. Como acontece nos picos em geral, à medida que ia subindo, a trilha ia ficando mais íngreme e o auxílio das mãos era necessário para impulso nos troncos, raízes e em algumas rochas. A subida não dava trégua e desanimava só de olhar para cima e ver a pirambeira sem fim....E eu nem sabia que o pior trecho estava por vir...e bem no final. Por outro lado, nesse ponto a trilha fica mais larga e definida. E assim, fui ganhando altitude rapidamente, parando algumas vezes para recuperar o fôlego e relaxar os músculos. Nessas rápidas paradas, a dica é mastigar uma barra de cereais ou frutas secas afim de repor naquele momento o que é gasto no esforço muscular. Subir não é ruim. Ruim é subir com chumbo nas costas... As 13:10 cheguei a uma pequena bifurcação que dava a 2 grandes rochas partidas, meio torta. Lá, escalei uma enorme rocha que me proporcionou a primeira vista do vale, da estradinha de terra que percorri, o qto já havia subido e o qto ainda faltava para chegar ao cume. A nebulosidade que encobria o topo havia saido de lá, o que me deixou animado. Desse ponto ainda não se consegue ver o Itaguaré, mas é possivel avistar o primeiro maciço do trecho de "chapadão" no topo, que parecia estar próximo, mas ainda estava um pouco longe. Ainda sem visu algum do Itaguaré Dando a volta pela trilha, se chega a base dessa enorme rocha que subindo ela, se tem as primeiras vistas de um belo mirante. Aproveitei para fazer um pit stop aqui e apreciar um pouco a vista dos contrafortes serranos do alto da mantiqueira. A vista já dava uma ideia do que me esperava lá no topo.....O que me chamou a atenção nesse pequeno mirante foi a área de bivaque natural, onde é possível até se abrigar de chuva e temporais. Cabe pelo menos 2 ou 3 barracas do tipo "iglu" em 2 mini clareiras, uma no "bivaque" embaixo da enorme rocha e outra no acesso a rocha que serve como mirante. É uma boa opção para se abrigar das chuvas e camping de emergência, mas não há água próxima. A vista do vale e do trecho de subida já percorrido foi legal. Entrada para a "Area de Bivaque natural" Aqui (apertando bem), deve caber 1 ou 2 barracas do tipo "iglu" Após o breve descanço e contemplação do visual, retomei a pernada trilha acima e durante a subida, achei uma luva caida no chão, que imaginei ser de alguém do grupo que tava lá em cima. Coloquei no meio da trilha para que a pegassem na volta. Depois de mais algum tempo de caminhada, achei 2 gorros. Então pensei: que povo mais descuidado. Primeiro a luva, agora 2 gorros? puxa, se eu quisesse ficar com eles, iria me dar bem, pois estavam em ótimo estado. Mas o bom senso me mandou leva-los comigo e entrega-los assim que encontrasse o grupo, imaginando que iria encontra-los em algum ponto lá no topo ou acampados. Enquanto subia, fiquei imaginando: Se o grupo for para a travessia, os donos desses gorros passarão aperto com o frio a noite. As 13:40, após uma subida que parecia não ter fim, de repente a trilha emerge da mata de cara na base de um dos maciços do Itaguaré, ponto esse que a trilha dá lugar aos enormes rochedos dos campos de altitude. Nesse ponto, imaginei já ter passado da cota dos 2.000 metros de altitude. Aproveitei para fazer mais um rapido pit stop afim de recuperar o folego, pois só de olhar a piramba quase vertical que teria que escalaminhar para chegar ao trecho de chapadão, era de cansar até a vista....Lá debaixo não se via o fim dela..... Trecho de escalaminhada com trepa-pedra nervoso..... Essa rocha simboliza o fim do trecho tenso e exaustivo da subida. A partir dele, já se avista o Itaguaré a direita 5 minutos depois, comecei o trecho de "trepa-pedra" e escalaminhada, utilizando as frestas e pequenos buracos e degraus naturais na enorme fenda da encosta a direita, entre as rochas e o capim elefante, subindo a passos de tartaruga manca, literalmente. Porém, para a minha surpresa, o trecho que parecia não ter fim, é relativamente curto e as 13:55, finalmente chego a uma enorme rocha, que marca o topo e o fim da "escalaminhada e trepa-pedra. Dali, inicia-se o trecho do chapadão já na cota dos 2.200 metros. A partir daqui, a navegação passa a ser mais por totens do que por trilha, embora tenha vários trechos de trilha, principalmente aberturas entre os enormes capins elefantes. A vista desse ponto já impressiona.... Trecho por onde vem a trilha Os famosos totens... Nesse ponto, já se avista o Itaguaré a direita, todo imponente, então o sentido a seguir era o óbvio....assim que se chega a rocha, vira-se a direita e segue sentido a base do Itaguaré, ou seja: Noroeste. Como era minha primeira vez ali, tive alguns perdidos, algumas trilhas que dão a alguns mirantes ou clareiras para camping, mas basta voltar para o ponto da bifurcação e ir pelo outro caminho... Tendo a vista do Itaguaré a minha direita, apenas precisei procurar pelos totens, setas, pequenos trechos de trilha e aberturas entre o capim elefante, para me guiar, sem grandes dificuldades . . . Trecho de Chapadão e campos de Altitude Marinzinho a direita, pico da Pedra Redonda a esquerda (antes do ruço cobri-los totalmente) Avistei um grupo no outro pico, do outro lado do vale a esquerda. Percebi que estavam descendo o mesmo e ao me avistarem, gritaram perguntando se eu havia achado umas luvas e um gorro. Acenei que sim e mostrei um dos gorros a eles. Rapidamente vieram ao meu encontro e entreguei os gorros, avisando que deixei uma das luvas lá no meio da trilha, visivel....Aproveitei pra perguntar se ainda faltava muito para chegar as areas de acampamento na base do Itaguaré. E para minha grata surpresa, me disseram que eu já havia chegado, era só olhar para o vale logo abaixo para visualizar o mega descampado no meio entre os 2 morros e o Itaguaré a direita. Mega clareira no meio do vale entre os 2 morros, na base do Itaguaré (parece pequeno, mas não é) Agradeci pela info, entreguei os gorros e me despedi do grupo, que eram da região e haviam subido apenas para fazer um batevolta com ataque ao cume. E estavam iniciando a descida, enquanto eu havia acabado de chegar. Desci a curta trilha de acesso até a area e cheguei a base as 14:25, com pouco mais de 2 horas e meia cravados desde o acampamento base. Por incrível que pareça, não havia ninguém acampado no local. Então, dono absoluto do lugar, tive o luxo de poder escolher o melhor ponto para armar a barraca, sendo obviamente, o ponto mais protegido dos ventos possível, embora ali já era protegido por estar em um vale entre 2 grandes morros e o Itaguaré. Montada a barraca, joguei minhas coisas lá dentro, e aproveitei para forrar o estomago com um belo sanduba de presunto, queijo, com biscoito e um sucão para molhar a goela seca. Itaguaré ao fundo.... Saciado, deixei tudo na barraca e parti para o cume, numa trilha facil de localizar que não levou nem 20 minutos para chegar lá.....passei por um valezinho, onde havia uma nascente. A água estava parada, mas como a area de camping não era do lado, ela não parecia estar poluída, mas por estar parada e em pouca quantidade, considerei não ser confiável.....Se for pegar dessa água, utilize um clorin para purifica-la ou na falta dele, ferva ela antes de consumir. Continuei pela trilha e ela logo chegou a base, onde iniciou a subida final ao cume. No meio da subida, cheguei a uma bifurcação, onde a trilha da direita é a que vai para a travessia para o Marins. Inclusive há uma seta amarela indicando o caminho: "" MARINS"" => Bifurcação com a indicação para a travessia até o Marins a direita. Já a trilha da esquerda sobe até o cume do Itaguaré, pena que o nevoeiro veio com tudo durante a subida e não deu para ver mais nada. Mesmo assim continuei subindo, até que finalmente, as 15:50 atingi o cume do Itaguaré a 2.307 metros de altitude. Como a nebulosidade estava variando muito, resolvi ficar um tempo ali com a esperança de que o tempo abrisse e eu pudesse ver alguma coisa, mas em vão. Então, me limitei a bater algumas fotos do topo e de algumas pecularidades do Itaguaré. Seguindo por entre as rochas já em alguns trechos do cume O cume é bem interessante, formado por enormes rochas que parecem ter sido colocadas ali, umas em cima das outras. Durante a subida, mas principalmente no topo, há alguns trechos perigosos, onde tive que pular de uma pedra para a outra, com enormes fendas e um precipício ao lado, que só de olhar no vazio lá embaixo em meio do forte nevoeiro, dava medo....20 minutos depois, iniciei a descida em direção as clareiras, mas não sem antes dar uma explorada na bifurcação da trilha que indica o inicio/final da travessia para o Marins. A tal Rocha que divide os penhascos..... Precipícios.... Se por um lado o ruço tomou conta do cume e a vista do Vale do Paraíba, do lado mineiro, a vista era essa Algumas aberturas de nebulosidade mostrava um Pico e um enorme vale onde se via a trilha descendo da base do Itaguaré em direção a esse vale, subindo novamente esse pico que acredito ser a Gruta das pedras partidas. Ao fundo, consegui ver rapidamente os Picos da Pedra Redonda, Marinzinho e o Marins a esquerda antes da neblina encobri-los de vez. Já havia passado das 17:30, e já estava começando a escurecer, qdo cheguei ao acampamento. Resolvi preparar minha janta, fazer um pouco de hora e logo fui dormir. Acordei algumas vezes durante a noite, com o som dos ventos e a garoa que caia durante a madrugada, mas logo pegava no sono novamente. A garoa era influência da frente fria que estava passando pelo litoral de SP e fiquei imaginando o perrengue que deveria estar passando a galera que optou por ir ao Pico do Corcovado, que fica na serra do Mar em Ubatuba. Por ser mais próximo ao litoral + o efeito da orografia, o impacto lá é sempre maior do que na serra da Mantiqueira, que está mais afastado, sentido interior. Voltei a dormir e nem me preocupei em acordar cedo para ver o nascer do sol, pois sabia que o tempo estaria fechado mesmo. Então, deixei o despertador desligado e só fui acordar por volta das 7:10, numa manhã fria do alto da mantiqueira e o termômetro marcando cerca de 04ºC lá fora. Ameno, para essa altitude.... O local estava totalmente tomado pelo ruço (nevoeiro), frustrando qualquer esperança de ter alguma visu do entorno. Então, preparei meu café da manhã, e fiquei fazendo hora na barraca até umas 9:00h para ver se o tempo abria. Percebendo que não iria abrir, resolvi desmontar a barraca e vir embora, com a promessa de um retorno ao local o mais rápido possivel, dessa vez somente com previsão de tempo seco. Pelo menos, não choveu e deu para ter parte da visão do lado mineiro e todo o percurso de subida. Tempo não abriu até a metade da manhã, então levantei barraca e me mandei.... As 10:30, iniciei a descida, retornando pelo mesmo caminho de subida, mas agora em meio a um chapadão sem visibilidade alguma com fortes ventos que sopravam de sudeste, ou seja, do mar. Totens, pontos de referência e marcações de trechos de trilha foram mais úteis do que imaginava, embora tenha decorado quase todo o caminho de ida, logo encontrei o trecho por onde se desce até a trilha. Depois de desescalaminhar as enormes rochas, onde fendas, buracos e etc fui descendo cautelosamente, acessando novamente a trilha, mergulhando novamente na floresta. As 12:05, já estava de volta ao acampamento base. Olhando para cima e vendo o topo todo coberto pelas nuvens, nem conseguia acreditar que na verdade, estava no meio delas.... Continuei o chato e tedioso trajeto de 15km pela estradinha de terra, de volta a rodovia. Porém, os 15km acabou sendo 17, pois passei batido pela bifurcação a direita que deveria ter virado (e que leva ao bairro caxambú e é o caminho mais curto), seguindo reto pela estrada em frente...com isso, acabei seguindo por uma estrada de terra que leva diretamente a cidade de Passa quatro, pelo bairro do Pinheirinho. Ela é mais direta, com quase nenhuma bifurcação, mas não é tão boa qto a outra e é mais longa. Porém, voltar por ela me proporcionou uma vista mais generosa de todo o vale do Caxambu, a rodovia de longe e passa quatro lá embaixo. Água nesse trecho inclusive não é problema, pois visualizei várias quedas durante o trajeto. Mas não subiria e nem desceria por aqui, pois são 3 km a mais de percurso. Só serviu mesmo para economizar gasolina da motoca, pois como era só descida, desliguei a mesma e fui descendo em ponto morto, heheh Olhando no google earth depois, vi a besteira que fiz.....tomei o cuidado para não me perder na ida, mas relaxei na volta. Qdo me dei conta, já estava bem para frente para retornar, então ao ver um senhor vindo montado num cavalo, perguntei para ele a direção da rodovia e ele indicou continuar reto por onde eu estava que sairia lá....então acabei indo. Quem for lá e entrar pelo bairro do Caxambú (2º entrada à esquerda ao lado de um ponto de onibus na rodovia), atente-se ao caminho de ida. Qdo chegar a um ponto, após o trecho do grande lago, a estrada irá terminar em outra larga, que vem da direita. Na volta, deve-se virar a direita e não ir reto. A referência é que a estrada do caxambu é toda avermelhadona. Já na rodovia, estacionei em um restaurante e lanchonete "alto da serra" bem próximo ao mirante e a placa azul que indica a divisa de estados de SP e MG, onde mandei ver num PF (coma a vontade). Retomei a viagem de volta a SP por volta das 14:40, chegando as 19:00hs. A volta demorou mais, devido a vários trechos de congestionamentos que peguei no caminho, inclusive na marginal Tietê. Congestionamento típico de hora do rush em pleno domingão e sem ter tido acidente algum, apenas galera voltando das montanhas e do tradicional viagens de "Fim de semana" no interior e litoral. Já na Dutra, voltando para SP, fiz uma rápida parada para tirar essa foto e constatar que o tempo não iria abrir mesmo, permanecendo encoberto o dia todo...mas pelo menos não choveu Como não tive sorte com o tempo na primeira vez, voltei lá no fim de semana seguinte. E dessa vez consegui pegar tempo bom nos 2 dias em que permaneci lá e de quebra fiz uma investida até o Pico das grutas. Todas as fotos dessa 2º investida estão no link abaixo: https://photos.app.goo.gl/SftEKqSWQKU1JXEj8 --------------------------------- Como chegar ao Pico do Itaguaré: - Para quem vem de SP ou do Rio, pegar a saída 35 indicando "Cruzeiro-SP/Passa Quatro-MG". Seguir direto pela rodovia, ignorando a bifurcação que indica o caminho para a cidade de Cruzeiro (exceto se quiser fazer uma parada lá para comer algo). Seguindo a placa que indica "Sul de Minas", você seguirá em direção a serra, onde verás outra placa indicando as distancias até Passa Quatro e outras cidades próximas do Sul de MG. - Após terminar a subida e passar pela placa que indica a divisa de estados, siga em frente até visualizar um ponto de ônibus a direita e a placa "bairro do Caxambú". Desça a discreta estradinha de terra a esquerda e siga em frente até cruzar os trilhos de trem. Siga reto e verás outra placa indicando "Marmelópolis/Itaguaré". Você passará por dentro do pequeno e discreto bairro do Caxambú, pertencente a Passa 4. Seguindo em frente, pela estrada de terra mais larga e batida, começará o trecho de subida da serra, que fará contornos e seguirá até atingir o topo. Se estiver no caminho certo, após cruzar o topo, visualizará um grande lago a sua direita durante a descida. - Siga em frente, passe pelo lago e vire a direita na bifurcação que contorna o mesmo. Na dúvida, há várias casas e sitios pelo caminho, basta parar e perguntar a moradores locais sobre o caminho para o Pico do Itaguaré. Não tem erro - Depois do lago, a estrada seguirá pela direita pelo trecho de planalto até encontrar com outra vindo a direita. Vire a esquerda e siga reto, onde chegará a 2 trechos complicados e que vira um lamaçal qdo chove muito na região. Por conta de ser um trecho plano e não de subida/descida ou um vale, consegui passar com minha moto com certa cautela.....Esses 2 trechos são os unicos trechos ruins da estrada, desde a rodovia até o acampamento base. Após passar esse trecho, uma nova bifurcação surge, vire a esquerda e siga em frente que logo você visualizará a placa "Acampamento base Itaguaré" e o enorme descampado onde dá para acampar ou deixar o carro.
  19. Pessoal, to querendo subir o Pico dos Marins (SP) no mês de Março/15. Quem já foi ou tem experiência pode me ajudar a sanar essa dúvida. Será que dá pra arriscar e ir nessa data? (visto que o tempo é muito instável, tempestades e raios acontecem com maior frequência nessa época) Se alguém já subiu essa montanha ou outra fora do período apropriado comenta aí, dá seu relato. Vai me ajudar muito. abraços
  20. Ola pessoal. Fiz essas 2 travessias: da Serra da Bocaina (Trilha do Ouro) e Ponta da Joatinga/Paraty, uma seguida da outra, no dia 04/07/2003 terminando no dia 11/07. A Travessia da Serra da Bocaina é muito conhecida pelo nome de Trilha do Ouro e se inicia em São José do Barreiro/SP e termina no bairro de Mambucaba em Angra dos Reis/RJ. Normalmente se faz essa travessia em 3 dias, mas como eu tinha intenção de conhecer o Pico do Tira Chapeú, resolvi emendar uma caminhada na outra. Fiz primeiramente a caminhada até o topo do Pico do Tira Chapéu e depois segui para a travessia do PN da Serra da Bocaina. Fotos e croquis da Travessia da Serra da Bocaina: Fotos e um croqui com a trilha plotada da Travessia da Ponta da Joatinga: Minha pretensão inicialmente era somente fazer a travessia da Serra da Bocaina (Trilha do Ouro), mas como o Pico do Tira Chapéu ficava próximo da portaria do PN, resolvi emendar uma caminhada com a outra. Seriam 4 dias de caminhada exaustiva, mas as belas paisagens da Bocaina compensariam o esforço. Peguei algumas dicas na net sobre a Trilha do Ouro, mas não me preocupei muito porque todas falavam que essa travessia é bem tranquila e sem receio de se perder. Enviei a solicitação de autorização (obrigatória) ao PN para iniciar a travessia no dia 06 de Julho e depois liguei confirmando se tinham recebido. Tudo ok. Um problema de se chegar na cidade de S. José do Barreiro (onde se inicia essa travessia) é a escassez de ônibus. Saindo de SP somente a empresa Pássaro Marrom faz esse itinerário, mas não é todo dia que ela faz esse percurso, por isso a melhor alternativa é seguir de SP até Guaratinguetá e de lá até S. José do Barreiro. E com isso só fui chegar na cidade no início da tarde do dia 04 de Julho (Sexta-feira). Quanto a hospedagem, já tinha uma indicação da Pousada da D. Maria que fica ao lado Igreja Matriz e segui para lá. É uma pousada simples e pequena, mas perfeita para passar a noite. Depois de acomodado no quarto, saí para procurar algum transporte até o alto da Bocaina e comer alguma coisa. Fiquei sabendo que sempre tem algum veículo que sai ao lado da Igreja, mas são bem caros. O ideal é para um grupo de 10 pessoas, mas eu estava sozinho naquele dia. Há uma pessoa chamada Zé Pescocinho que é um dos mais baratos para levar até o alto da serra e recomendado por muita gente que já tinha feito essa caminhada. Depois de me informar com a D. Maria onde fica a casa dele, fui até lá. O carro que ele tem é um Fusca, mas fui informado por ele que só tinha eu para subir a serra, então ficaria muito caro. E com isso não me restou alternativa senão subir até o alto da serra na caminhada mesmo. Procurei acordar bem cedo no naquela manhã de Sábado (05 de Julho) e saí de S.J Barreiro por volta das 07:00 hrs na caminhada até o Pico do Tira Chapéu (2.088 mts) onde iria acampar. A subida da serra é longa e exaustiva. Depois de umas 3 horas de caminhada começam a aparecer as primeiras bicas de água e o visual começa a ficar legal depois de + - 4 horas, quando toda a Serra da Mantiqueira com Pico do Marins, Serra Fina e Itatiaia aparece. Dá p/ se ver todo o perfil da Mantiqueira. Todos os carros que passavam por mim nem procuravam me notar, para não dar carona, é claro. Um deles até tinha 2 montanhistas com mochilas na carroceria, confirmando que eles também iam fazer a travessia. Lá pelas 14:00 hrs e depois de pouco mais de 20 Km, a estrada chega ao topo da serra e depois é só descida. Mais uns 4 Km do alto da serra e passei ao lado da Fazenda Recanto da Floresta (que pertence a Agência MW Trekking) e da Pousada Conde D´Eu. Logo a frente tem a placa de Fazenda Sincerro e Fazenda Pinheirinho à direita e foi aqui que eu saí da estrada principal e segui na direção da Fazenda. Até a sede da Fazenda Pinheirinho foram pouco mais de 3 Km, onde eu peguei uns 2 litros de água, porque no topo do Pico do Tira Chapéu não tem. Ao passar pela sede ainda caminhei cerca de 1,5 Km pela estrada até a divisa da propriedade, marcada por uma cerca de arame e uma porteira. Cerca de 100 mts antes de chegar nessa porteira se inicia a trilha, à esquerda, que é uma íngreme subida em direção ao pico. Resolvi apertar o passo porque o Sol já estava se pondo e precisava chegar em algum local plano para montar a barraca, pois já tinha caminhado cerca de 10 horas ininterruptas. Nessa primeira subida parei várias, como se o corpo estivesse mandando um aviso de que era preciso parar e montar a barraca por ali mesmo. E foi o que fiz quando a trilha se nivelou e seguia rente a cerca. O pico estava bem visível ao sul e era fácil localizá-lo. Montei a barraca em um local plano, junto à cerca, a mais ou menos 1 hora do topo do Tira Chapéu (como era área de descampado, durante a noite ventou muito). No manhã de Domingo bem ao amanhecer deixei as coisas dentro da barraca e subi até o pico. Foi só seguir a cerca de arame, já que ela passa pelo topo do pico, que na verdade não chega a ser um pico. É um morro, onde 3 cercas de arame farpado se encontram. Segundo o IBGE sua altitude é de 2088 mts. No local existe uma Cruz e uma placa com uma oração e daqui dá para se ver toda a baía de Paraty, Pico do Frade, vales da Serra da Bocaina; em resumo, até onde a vista alcança. Voltei e desmontei a barraca e segui em direção a Portaria do PN. O retorno até que foi rápido e cheguei na portaria por volta das 11:00 hrs. Assinei a autorização que tinha enviado 1 semana antes e segui em direção a travessia (isso é obrigatório, pois sem essa autorização não se consegue fazer a travessia). Junto à guarita encontrei um casal de adolescentes alemães que estavam entrando no PN para fazerem a travessia e com isso seguimos juntos a maior parte do tempo. Logo depois da guarita, seguimos pela estrada e logo à frente já chegamos numa bifurcação à direita que sai da estrada e viramos aqui. Pouco menos de 1 hora de caminhada desde a Portaria chegamos na Cachoeira do Santo Izidro à esquerda, que possui um belo poço na base, mas nem ficamos muito tempo. Voltamos para a estrada e com a maior parte de trecho no plano, seguimos caminhando com uma ou outra subida ou descida. Depois de umas 2 horas de caminhada chegamos no acesso à Cachoeira das Posses, que está do lado esquerdo, mas antes de chegar nela, passamos ao lado das ruínas de uma antiga Fazenda. O lugar pode ser uma boa opção para acampar, se alguém estiver passando por aqui no final de tarde. Pegue água nessas cachoeiras ou em alguma nascente que você cruzar, porque depois só no Camping e Pousada Barreirinha que está bem distante. Depois de umas 3 horas desde a Portaria, a estrada inicia uma subida íngreme até chegarmos a uma outra bifurcação. Nesse local existe uma placa apontando Pousada Vale dos Veados à direita e Trilha do Ouro à esquerda. A partir daqui a paisagem vai se abrindo e a caminhada é feita por um pequeno trecho no plano para depois iniciar a longa descida até a Pousada/Camping Barreirinha. E parecia que a descida não acabava mais. Começou a anoitecer e nada de pousada para passarmos a noite. Encontramos uma placa da Pousada indicando a 3 Km (mas pareciam que eram 6 Km). Ela fica em um fundo de vale com a estrada passando do lado direito. Quem nos recepcionou foi o Sr. Sebastião e o lugar é perfeito para o primeiro pernoite dentro do PN, mas se você estiver passando muito cedo por aqui é possível chegar até a Pousada da D. Palmira, cerca de 1 hora à frente. Chegamos na Barreirinha já durante a noite e já fomos montar nossas barracas no gramado (no local existem alguns quartos da pousada). Combinamos que iriamos jantar no lugar, já que estávamos bastante cansados para preparar a comida e logo depois do delicioso jantar fomos dormir. No dia seguinte subimos o Pico do Gavião (subida ao lado da pousada, dá para fazer em uns 45 minutos) e lá do topo é possível ver o litoral e toda a região em volta. No local existe uma placa apontando altitude de 1600 metros. Depois de alguns clics, iniciamos a descida rapidamente e com as barracas desmontadas e mochilas nas costas, retomamos a caminhada por volta das 09:00 hrs. Depois de uns 30 minutos de estrada tem uma bifurcação que muitos se confundem e pegam o caminho errado. A estrada principal parece seguir para a esquerda, mas a o caminho correto é virar na bifurcação da direita. Dali para frente a estrada passa ao lado da Pousada da D. Palmira e de algumas sedes de fazenda. Esse trecho é desgastante demais, porque é um tal de sobe morro/desce morro, mas a estrada é bem nítida e já vai tendo ares de trilha em alguns lugares. Água não é problema, pois cruzamos com inúmeros riachos pelo caminho. O que chama a atenção aqui é que o calçamento de pedras construído pelos escravos a cerca de 300 anos atrás. Ele não está em todo o percurso, mas em vários trechos ele está preservado. Só é preciso tomar cuidado com o limo que se forma nas pedras, pois os tombos e escorregões são comuns. Depois de um trecho final de descida, chegamos no gramado, ao lado do Rio Mambucaba as 16:00 hrs. Ali me separei do casal e eles ficaram ao lado da Cachoeira do Veado em camping selvagem e eu na área de Camping da Pousada do Zé Candido e D. Vera, do outro lado do Rio Mambucaba, onde se atravessa por uma pequena gaiola de metal. Junto do Rio Mambucaba existe uma enorme área gramada e perfeita para quem quiser ficar em camping selvagem ao lado do rio e continuando a trilha, próxima ao Mambucaba, chegará na pinguela sobre o Ribeirão do Veado uns 10 minutos depois. Aqui uma outra bifurcação e seguindo em frente vai sair em uma outra Trilha do Ouro, mas essa conhecida como Trilha do Rio Guaripu que vai terminar em um bairro do município de Cunha. Se quiser chegar na Cachoeira do Veado é só seguir na trilha à direita, logo que atravessar a pinguela. A cachoeira é enorme e com 2 quedas que somam mais de 200 mts de altura e que vale o esforço para chegar até aqui. Depois de vários clics voltei ao camping. Acordei cedo na manhã de Segunda-feira (07 de Julho) e com barraca desmontada e mochila nas costas voltei para o outro lado do Rio pela gaiola de metal. Depois de passar o enorme descampado atravessei novamente o Rio Mambucaba na pinguela, seguindo agora pelo lado esquerdo dele por encosta bem inclinada. Preste atenção porque desse trecho se tem um belo visual da Cachoeira do Veado e daqui para frente é trilha em mata fechada e só descida por umas 4 horas até o final dela. Nesse trecho da travessia o calçamento de pedras é bem visível e está presente em boa parte dela, por isso cuidado com os tombos. Quando chegar no final da trilha, na estrada de terra tente conseguir um transporte até o bairro do Perequê, porque é um longo trecho de uns 13 Km até a Rodovia, passando ainda por uns 2 rios pelo caminho. Eu não consegui nenhuma carona, então tive que ir na caminhada mesmo e fui chegar no ponto de ônibus em Perequê por volta das 14:30 hrs e ônibus para Paraty só as 15:40 hrs, onde cheguei por volta das 17:00 hrs e como pretendia fazer a travessia da Ponta da Joatinga no dia seguinte, já fui atrás de uma pousada próxima do centro histórico (Pousada Marendaz) para tomar um banho e sair para comer alguma coisa. A localização da Pousada é perfeita e seus preços são relativamente bons e como era uma Segunda-feira (07 de Julho) nem fui com reserva, pois sabia que a cidade estava vazia. Depois de uma noite tranquila levantei bem cedo no dia seguinte (Terça-feira), tomei o café da manhã na pousada e sai em direção ao cais de Paraty para procurar algum barco em direção a Praia do Pouso por volta das 09:00 hrs. Sempre é possível encontrar algum pequeno saindo do cais ou retornando para a Praia do Pouso e eu consegui um, que dividi com mais 4 adolescentes surfistas que estavam indo para a Praia Martim de Sá. Como o barco era pequeno, ele demorou um pouco mais e só fomos chegar lá por volta das 14:00 hrs. Depois de chegar na areia da praia com a ajuda de uma pequena canoa, agora era procurar a trilha que nos levasse morro acima até o selado e de lá descer para a Praia Martim de Sá. A trilha se inicia logo atrás do orelhão, seguindo para esquerda e se tiver dúvidas é só perguntar para os moradores que qualquer um pode indicar. A subida é íngreme e exaustiva e depois de chegar no selado e passar pela bifurcação para a Praia da Sumaca (ou Praia da Joatinga) iniciamos a descida até Martim de Sá, onde chegamos por volta das 16:00 hs. O único morador aqui é Sr Maneco e sua família, que recentemente ganhou a posse definitiva do lugar. Ele disponibiliza uma área de camping com banheiros e uma pequena cozinha com pias. A praia é muito bonita, ondas fortes e boa para surf. Depois de uma noite tranquila no camping, acordei bem de manhãzinha naquela Quarta-feira (09 de Julho) e fui acertar com o Sr. Maneco o valor do camping e saí em direção à Praia de Ponta Negra, meu objetivo naquele dia. A trilha sai bem ao lado da casa, na direção oeste. Na dúvida é só perguntar ao Seu Maneco que vai te dar algumas orientações bem úteis, mas a trilha é bem nítida e fácil. Existe uma bifurcação para um Poção e para o Pico do Cairuçú à direita, depois de uns 30 minutos, mas é uma trilha usada somente para quem vai até o Poço. O Saco das Anchovas vai aparecer logo à frente com várias casas de pescadores ao lado do costão. Aqui é possível seguir pela trilha bem acima das casas ou descer e passar ao lado delas. Mais alguns minutos à frente e outra bifurcação, sendo que esta leva até a Praia do Cairuçú, onde existe uma casa e uma nascente ao lado. É uma praia muito pequena e quase deserta e ótima opção para passar algumas horas descansando. Seguindo pela trilha principal, mais a frente passei ao lado da casa do Sr. Aplígio à esquerda e uns 50 mts depois tem um riacho onde encontrei algumas mulheres lavando roupas. Depois desse riacho tem ainda uma outra casa à direita e logo a trilha se divide em 2: uma que segue para esquerda, próxima ao costão, mas a trilha certa é a da direita. Mais alguns minutos de caminhada e chego novamente em uma bifurcação em "T", onde é só seguir para esquerda e daqui para frente é plano até iniciar a longa subida, com alguns trechos bem íngremes cruzando inúmeros riachos (junto a bifurcação existia uma placa fixada em uma árvore indicando PONTA NEGRA para esquerda, mas parece que recentemente retiraram ela). Esse é o pior trecho, já que a subida parece nunca terminar. A caminhada é muito cansativa por dentro da mata fechada e no meu altímetro o topo chegou a + - 560 mts. Pouco minutos antes de chegar lá existe uma Gruta chamada Toca da Onça que pode ser uma boa opção em uma emergência. Depois de um pequeno trecho no plano, agora é descida muito íngreme, onde é recomendável ir se segurando nas raízes e galhos senão é tombo na certa. Cheguei na Praia de Ponta Negra as 16:00 hrs com uma pequena chuva. Aqui existem 3 campings e escolhi o quintal da casa da D. Dilma, junto da escada de acesso à praia. O lugar era bom porque tinha a proteção de um bambuzal bem ao lado e a praia estava bem próxima. Depois de montada a barraca, desci até praia e encontrei inúmeras crianças que jogavam futebol na areia. Entrar na água era um pouco perigoso porque as ondas eram fortes, devido ao tempo chuvoso. Só fiquei mesmo observando o pessoal jogando futebol. Depois de alguns clics voltei para a barraca e fiquei descansando até o anoitecer, quando fui preparar meu jantar. Durante a noite choveu para caramba e de manhãzinha ainda tinha aquela garoa e o vento frio. Fiquei na dúvida se continuava dentro da barraca ou continuava a caminhada. Ficar no camping com aquele garoa era perda de tempo. Não poderia ficar esperando o tempo melhorar, né. Continuei a travessia com garoa mesmo. A continuação da trilha está bem a oeste da praia e seu acesso é bem fácil. Depois de alguns minutos já fui chegar na Praia das Galhetas (muita pedra e sem areia, mas inúmeros poções em um rio que deságua na praia). Nesse trecho é preciso tomar muito cuidado porque a trilha cruza o rio pelas pedras. Deixando o rio para trás, a trilha vai subindo um pequeno morro para depois descer tudo. Nesse trecho se encontra com uma bifurcação junto a um pequeno riacho que leva até a Praia dos Antiguinhos, que é deserta. Mais alguns minutos e chego na praia mais bonita dessa travessia: a dos Antigos. O local conta com 3 nascentes e é proibido para camping. Existe até uma placa no local alertando sobre isso. Nessa praia fiquei por um bom tempo apreciando a vista (é por essas coisas que vale toda essa caminhada). Mais um trecho de subida de morro e chego na Praia do Sono, que é a última dessa travessia e a preferida de muitos mochileiros. O visual que se tem antes de descer até a praia é lindo e mereceu vários clics. O problema é que a chuva deixou a trilha escorregadia e com isso tive que descer bem devagar para não cair. Próximo da areia, encontrei muito barzinho com algumas barracas e mais para dentro existem outros inúmeros campings. Depois de chegar no final da praia, parei um certo tempo aqui e fiquei só observando a minha última praia dessa caminhada, pensando em voltar algum dia com tempo bom. A continuação da trilha é no final da praia, mas agora a caminhada é quase toda ela feita por uma antiga estrada de terra com um pequeno trecho inicial por trilha íngreme. Do Sono até o ponto de ônibus na Vila Oratório foram umas 2 horas de caminhada, onde cheguei por volta das 13:00 hrs e lá esperei o circular para Paraty. Ainda deu tempo de comprar a passagem de volta para Sampa naquele dia 10 (Quinta-feira) no ônibus das 16:30 hrs, onde dormi a maior parte da viagem. Abcs
  21. Essa com certeza é a história mais louca que tenho pra contar, mas eu espero de coração que não seja a única! Eu tinha feito um relato aqui no site dos mochileiros sobre uma viagem que fiz para São Luís nas minhas férias. Comentei que tinha me tornado uma "ludovicense de coração" porque tinha me apaixonado pela região. Recebi um comentário do Verner Bezerra que se divertiu com o relato. Em especial sobre a história de uma gatinha que achei no lixo e não sabia o que fazer com ela... bom... consegui um abrigo! ufa! rsrs Mas o fato é que numa troca de 3 mensagens ele comentou que estava vindo pra São Paulo Subir o Pico dos Marins "ta afim?" Nem pensei ... "Bora!" Papo vai, papo vem. "Conheci" A Theruco via face tb. Ela começou a me dar umas dicas sobre algumas coisas necessárias para levar pra viagem. Até esse pedaço da conversa eu não sabia pra que servia um isolante térmico. Juro que fiquei surpresa com a decisão deles de manter o convite que me fizeram. Já no começo da conversa ela me passou algumas orientações "Tetê! Guenta aí um cadinho! Vou jogar no Google pico dos Marins só pra saber pra onde estou indo!" E mesmo assim.... mantiveram o convite firme e forte! Falei pra todo mundo que tava indo viajar com uns amigos. Poxa!!! Não deixa de ser, né?! Manhêeeeeeeeeeeeee!!!! Eu te amo, tá?! hauahuahauhauahauhauhauahauhauhauahauhaua Combinamos de nos encontrar no metrô Butantã dia 21 (sexta-feira) as 19h. Descobri naquele momento que ninguém se conhecia pessoalmente! Agora facilitou, né?! hahahaha Conheci a Theruco, O Edu dos Sertões (nosso guia e anjo da guarda) chegou em seguida e mais uns 10 minutinhos... o Juliano. O Jú não tem face. Não sabíamos se ele era loiro, moreno, alto, baixo.... foi na cega mesmo! kkkkk Colocamos as mochilas no carro e fomos para o aeroporto Viracopos buscar o Verner que tava chegando de São Luis. Achei rapidinho por causa da mochila! hauhauahauhauhauahuah Bom... tudo certinho.... rumo a Marins! Cara! Atravessamos todas as cidades existentes em São Paulo. Foi tanta cidade que nem lembro mais! hahaha O Verner chegou a colocar um mapa no relato dele. Eu não tenho paciência pra essas coisas, então segue o link pra quem precisar...rsrsrsrs pico-dos-marins-sp-setembro-2012-t74163.html Inclusive... o relato dele está como destaque!!! Vale muuuuuuuuuuito a pena ler!!!!! rsrs Chegamos em Piquete, na Base do Miltão por volta das 3h. Arrumamos a barraca e formos dormir! Levantamos por volta das 8h. Eu tava elétrica e nem fazia muita idéia do que me esperava. Deixamos algumas coisas no carro. Ali eu estava entendendo o verdadeiro peso do "desnecessário". Qualquer 100gramas, iria ter um peso muito maior acompanhado pelo arrependimento! hauhauah Minha mochila tava pesando aproximadamente 11 quilos. Tava sempre nessa média. A mochila mais pesada era do Edu pq tava levando também a barraca. 17 quilos no total. Cada um levou uma média de 4 litros de água, comida liofilizada, maças, barrinhas a perder de vista e frutas cristalizadas. Tudo prontinho!!! Rumo ao Pico!!!!!!! Da esq > dir - Verner, Theruco, Edu, Juliano e Eu! Quando eu ja estava mortinha de tanto andar, descobri que ainda estávamos começando a trilha! Eu não vou falar que sou uma completa sedentária, costumo caminhar de vez em quando e tudo mais. Mas na real? Cara!!!! nunca pensei que pudesse existir isso na vida! hahaha Nós fizemos um percurso de quase oito horas. Eu já vi alguns relatos aqui no site mochileiros do pessoal falando "Ah! começa a dar uma caminhadinha no bairro pra ir acostumando que tá beleza!" Tudo MENTIRAAAAAAA! hauhauahauhauhauahuahauhauahauhauha Nós fomos pra acampar, então... estávamos levando muito peso. E outra... pra quem não tem nenhuma familiaridade, logo começa a sentir câimbras, dores musculares entre outras coisas. Eu tive o tal do mal de montanha. Senti um pouco de enjoo, senti um pouco de mal estar junto com tontura, senti até falta de ar. Eu nunca tive nada desses trecos. Aprender a controlar a respiração era uma coisa fora da minha realidade! Bom... se eu puder dar um conselho pra quem tá afim de ir pra lá, mas nunca se enfiou nessas doideiras é: preparação física! rsrs Não tô falando pra entrar na academia e tal. Talvez uma bike, corrida... algo mais simples. Mas ir na cara e n a coragem como eu fiz sem ter noção de nada! Putz!!! acho meio loucura! Fizemos várias paradas pra descansar, comer, beber água, tirar fotos ou simplesmente olhar e admirar!!! O lugar é incrível e vale cada passo!!! Eu um determinado ponto subimos o raio de uma rampa de pedra. Cara! naquela ali eu quase tive um treco! Consegui... firme e forte!!! Colocando os bofes pra fora e pensando "Meu Deus!!! Será que eu vou aguentar de verdade???" Quando cheguei no final da rampa.... quem eu encontro lá bem bom? O famoso Bubby! Eu não tava acreditando... Já tinha visto alguns relatos aqui do pessoal falando que o cachorro sobe o pico e tal, mas eu só passei a acreditar DE VERDADE MESMO... quando vi o cachorro la em cima! Putz! aí eu me senti uma molenga! Esse é o Sheik. Amigo inseparável do Buddy. Ele é mais carente. Adora um cafuné! rsrsrs Bom... depois desse mico... resolvi tentar recuperar minha dignidade, né?! Peguei a mochila e voltei pra trilha! Chegou num ponto que eu pensei que não tivesse mais fim toda aquela caminhada. Linda! Cenário lindo! Tudo muito agradável até porque eu estava na companhia dos meus amigos de infância, né?! kkk Mas o cansaço tava começando a me pegar. O corpo já não tava mais respondendo, a neblina atrapalhava a visão e eu não conseguia enxergar o final do Pico. Fora que tem uns trechos com mato e se você der bobeira, acaba se perdendo do grupo.... vira e mexe eu tinha que dar uns gritos lá pra saber pra que lado eu tinha que me virar. Passamos pelo tal córrego que todo mundo fala que tá contaminado e que existe também uma plaquinha explicando isso. Bom... tinha chovido muito no dia anterior, estávamos com algumas garrafas vazias , resolvemos encher, colocar clorin e usar a água para higiene ou talvez até mesmo alguma coisa coisa. sei lá. O fato é que chegamos a ferver a água depois e a Theruco bebeu. Ela não passou mal e tá aí! vivinha da silva pra contar a experiência! Falaram aqui sobre as remarcações que estavam erradas,. Posso estar falando bobagem, mas a sensação que me deu é que existem vários caminhos pra chegar lá no pico , algumas mais fáceis , outras mais difíceis. Acho que teve só um ponto que foi perto do córrego que tivemos que voltar pq não achávamos saída. E fomos com o Edu que conhecia bem a região. Eu não faria nunca na vida aquele caminho sem guia. Na volta chegamos a encontrar dois franceses que estavam apenas com GPS. Ah Tah! que eu faço isso! hauhauahuahauhauhauh Bom... não sei para meus amigos queridos, mas pra mim.... o que mais me cansou foi o fato de não conseguir enxergar o final do pico. A neblina toda hora atrapalhava, daí o pessoal pra me animar falava : Olha lá Carolzinha!!! o Pico tá ali!" Daí a neblina passava e eu via que tinha mais uma pancada de pedras enormes atrás de tudo aquilo! Eu nunca via o final. Comecei a ficar irritada! O cansaço tava devorando meu corpo e o medo começando a pegar minha mente! O pessoal até começou a brincar pra tentar me ajudar "Tem pico! Não tem pico! Tem pico! Não tem pico! Cansada dessa vida injusta! vida bandida!!!" A gente acabou fazendo essa brincadeira comparando com a cena do filme "O auto da compadecida!" "Fico rico, fico pobre!" hahauhauahauh No meio de todo esse mato, tem umas partes mais fofas. Eu não prestei atenção e pisei errado. Não consegui segurar o peso da mochila, torci o pé e cai. Nessa hora eu comecei a chorar. Me dei conta que foi uma torção leve e eu tava muito cansada. Eu só pensava em largar tudo. Mas como eu ia fazer isso lá no meio do caminho??? Não dava pra virar pro pessoal e falar "Valeu gente! obrigada pelo convite! adorei conhecer vocês e beijos!" Dificil, né?! A Tetê me ajudou me acalmando e voltamos a caminhar. Cara!!! ali acho qe a minha ficha tinha caído! Pela primeira vez eu tava tentando administrar todo aquele cansaço, junto com a bagunça de sentimentos e os 11 quilos da mochila!!! ui!!! Pra ser sincera eu nem sei quem tirou essa foto, mas é nítido, não é?! desse ponto em diante eu não tirei mais nenhuma foto. Eu só tava preocupada em chegar lá em cima viva! hahahaha O Edu tava carregando 17 quilos e pegou a minha mochila com mais 11 quilos e subiu. Eu não entendi como alguém que eu nunca tinha visto na vida... tá! ok!!! estávamos subindo um pico algumas horas... mas como alguém que não tem intimidade comigo, não é meu amigo, não faz parte do meu convívio tava fazendo aquilo por mim! Uma hora eu ia chegar no pico. talvez a noite, mas eu não tinha como ficar ali sozinha... então uma hora eu tinha que subir.... mas eu não tava entendendo como alguém podia me ajudar daquela forma. Tudo muito distante da minha realidade... da minha rotina!!! Enfim.... acho que pela primeira vez eu entendi pra que servem as nossas mãos... pra estender quando alguém realmente precisar! Ele continuou subindo e parava pra me olhar... ver em que ponto eu estava, e me orientava "vai por ali, segue aqui!" e assim subimos. O Juliano, o Verner e a Theruco ficaram um pouco pra trás pq tem um pedaço cabuloso pra subir. Não precisa de equipamento, mas precisa de atenção redobrada. Nesse momento eu olhava pra baixo e não via o chão, olhava pra cima e não via o final do pico. Eu não tô aqui pra discutir religião, nem se alguém acredita ou não em alguma força superior que "comanda" tudo isso aqui, o fato é que eu acredito em Deus e pedi muita ajuda. Pedi tranquilidade pra terminar de subir pq tava sentindo o medo me pegando! Nunca senti nada parecido! E olha que sou mestra em me enfiar em ciladas! Quando finalmente chegamos no pico, o Edu colocou nossas mochilas onde arrumaríamos a barraca e me pediu pra colocar um casaco pq tava ventando muito. Ele voltou pra buscar o pessoal que tava apanhando lá tb. Cara!!! posso falar??? eu acho que tô escrevendo esse relato aqui faz pelo menos duas horas e posso garantir que se levasse mais 10 dias não conseguiria explicar direito o que senti. Eu fiquei meio perdida andando de um lado pro outro tentando entender o que eu tava fazendo lá em cima. Na real eu tava tentando entender como era possível ver as nuvens abaixo da gente! Eu tinha uma única certeza... a de que sozinho não somos nada nessa vida e não chegaremos a lugar algum! Pra chegar lá em cima você não precisa apresentar sua carteira, seu diploma, tão pouco preencher ficha com o perfil pra ver se preenche os pré-requisitos! rsrsrsrs Quando o susto começou a passar, sentei numa pedra e desembestei a chorar! Falo mesmo!!! todo mundo viu!!!! hauhauahuahauhauahauh Eu não sei pq chorei.... eu acho que juntou um pouco o susto com a alegria, com a emoção de ver tudo aquilo!!! sei lá! Talvez gratidão!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Eu só agradecia a Deus por conseguir chegar lá em cima, por ter colocado pessoas tão bacanas no meu caminho!!! Por tudo !!!! Olha só meu anjo da guarda!!! rsrsrs Nessa hora eu tava agradecendo a ele pela ajuda! Acho que nada nesse mundo vai pagar tudo o que senti naquele momento!!! A noite começou a cair, e começamos a montar a barraca! Fizemos nossa comida de astronauta. Bem honesta! hahahaha Dai começou a rodada de truco! Essa hora eu falei que ia ficar auxiliando com a lanterninha... quando o pessoal viu , eu já tava dormindo feito um anjinho! hahahahahaha Depois eles me acordaram e fomos ver as estrelas. Nunca vi tanta estrela na vida!!!!! Na real eu nem sabia que existia tanta estrela !!! hauhauahauha Passamos o maior frio! Mas a gente não tava nem ligando! hahahahah Foto: Verner Bezerra Foto: Verner Bezerra Eu nem sei que horas fomos dormir... Acho que era pra lá de meia noite. Só sei que quando deu 5h da matina... um começou a acordar o outro pra ver o Sol nascendo! UM ESPETÁCULO A PARTE!!!!! Foto: Edu dos Sertões Em seguida fomos tomar café! Afinal... saco vazio não pára em pé! hauhauahauhauahauh Depois começou a seção fotos! hahahahah Foto: Verner Vezerra Devidamente batizada!!!! hahahahaahahahahaha Hora de levantar acampamento e voltar pra casa, né?! Então Simbora meu povo!!!! Olha eu aí dando mais um pouquinho de trabalho pra descer! hahaha Aquela história de que pra descer todo santo ajuda é uma tremenda mentira! nesse caso foi o Edu com a corda lá em cima e o Juliano fazendo pézinho em baixo. Meu Deus!!!! como amo esses meninos!!!! Ah claro!!!! e o Verner esperando pacientemente !!! ahauahauhauhauahauhauha Fizemos mais algumas pausas para descansar e comer. Mas na volta eu tava bem mais tranquila pq tinha a certeza que não ia morrer! hahahahaha Eu tava procurando a tal rampa lá onde eu tinha encontrado os cachorros. Eu sabia que ainda teria um bom pedaço de caminhada, mas lembrava que era um pouco menos pesada. Uma hora o pessoal começou a falar que tínhamos feito outro caminho então ela já tinha ficado pra trás. Do nada..... eles pararam e olharam pra mim Eu: "o que foi?" Eles: " a rampa" Eu: " PQP!!! Tem rampa, não tem rampa!" Nossa! Todo mundo caiu na gargalhada! Mas no final fiquei orgulhosa de mim mesma! Desci sem chorar! Na ida levamos quase 8 horas e na volta levamos quase 6 horas. É claro que tem gente que consegue fazer bate e volta. Eu acho que não teria muita graça pq não dá pra curtir o pico do jeito que ele merece, né?! Passamos uma noite lá e mesmo assim eu acho que foi pouco tempo! rsrs O importante é que chegamos todos bem! O Verner teve problema no tornozelo. Ele machucou de verdade!, mas conseguiu terminar a trilha numa boa. Bom... chegamos na base do Miltão. Querendo banho, arrumar nossas mochilas , comer... estávamos faminto.... e descansar um pouquinho! rsrsrs Ahhhhhhh!!! Super recomendo um protetor solar bacana, viu?! Fizemos nossa refeição de astronauta com a comida liofilizada. Pra mim... tava tudo ótimo! hauhauhaauhahuahauha A preguiça bateu e fiquei doidinha por um cochilo! Só que dessa vez eu tive que passar a bola para os "meninos!" haha Hora da despedida com muitas brincadeiras e com o gostinho de quero mais! Acho que terei muita história pra contar! Sempre lembrarei com muito carinho de cada momento! Lembrarei pra sempre do peso da mochila e de como foi importante a ajuda que recebi. Acho que levarei para sempre cada sensação de gratidão cada vez que uma mão me foi estendida!!!! Não me canso de olhar as fotos e os vídeos. Cada vez que vejo as muralhas de pedras ou a neblina me dá frio na barriga, mas tenho saudades e uma imensa vontade de voltar.... claro!!! que devidamente equipada, acompanhada e fisicamente preparada! rsrsrs Espero que este relato ajude algumas pessoas e encorajem outras! o Lugar é mágico! Literalmente um pedacinho do céu! O Edu falou pra gente que a gente não escolhe a montanha e sim a montanha que escolhe a gente! No final de tudo isso posso dizer que serei eternamente grata pelo convite! rs E seguem também dois links de vídeos do Sol Nascendo. Só pra tentar mostrar o que a foto não vai conseguir mostrar....rsrs beijos a todos!!!!!!!!!!!!!!!!! Ah!!!!! Tem gente que vai me perguntar sobre as despesas... rsrsrsrs Lembrando que estávamos em 5 pessoas. Comida liofilizada - R$125,62 Gasolina + pedágio - R$340,00 Camping + estacionamento - R$60,00 Mercado - R$64,00
  22. [info]Mais uma conquista do nosso membro de honra e amigo Jorge Soto! Parabéns garoto!!!!! Confira na íntegra aqui:http://altamontanha.com/colunas.asp?NewsID=2639[/info] Conquista Inédita na Mantiqueira No feriado da Independência, Jorge Soto e Angelo Geron Neto conquistam rota inédita no Pico Mariana de 2310 metros nas cercanias do Pico dos Marins na serra da Mantiqueira. O local é de difícil acesso e sua escalada só era possível com o uso de cordas e equipamentos técnicos, mas a dupla de exploradores encontrou uma fissura na parede do Pico Maria que conduziu a outra greta para chegar no selado que une as duas montanhas e a seguir tomaram uma canaleta que os conduziu ao cume, realizando assim a primeira ascensão em livre desta majestosa montanha. Não utilizaram nenhum meio artificial para atingir o objetivo e demonstram que mesmo em travessias clássicas como a Marins-Itaguaré ainda há o que explorar e muita adrenalina a produzir na conquista de objetivos únicos por rotas inusitadas e ainda virgens. Até onde se tem notícias, o Pico Mariana era somente acessível através de sucessivos rapéis a partir do Pico Maria ou pela via de escalada aberta na face leste por Marcio Bortolusso que durante os últimos 4 (quatro) anos teve apenas 7 (sete) repetições. O mesmo Marcio Bortolusso iniciou, mas não completou a abertura de outra via na face oeste. A arrojada descoberta abre nova possibilidade de trekking radical na Mantiqueira ao incorporar o Pico Maria de 2392 metros e o Pico Mariana de 2310 metros ao roteiro da tradicional 'Maringuaré'. Acompanhe o relato completo com o título 'A Conquista do Mariana' no 'Sua Aventura'. A Conquista do Mariana - 1ª Parte 27/9/2010 | 22:08:00 O Marins, a Maria, a Mariana, o Marinzinho e o Itaguaré - 1ª Parte A Marins-Itaguaré, com seus 21km percorridos por escarpada crista situados na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, é tida como uma das mais tradicionais pernadas da Serra da Mantiqueira. Entretanto, o conjunto principal do Maciço do Marins guarda ainda outros dois cumes de pedra com mais de 2200m de altitude e centenas de metros de paredes rochosas que ninguém sequer ousa visitar. São o Pico da Maria e o Pico da Mariana, cujos respeitáveis cumes e vistas deslumbrantes são privilégio de poucos (ou nenhum) aventureiros devido à dificuldade de acesso q, em tese, demanda trechos de rapel pois estão separados do pico principal por um profundo vale cortado por cânions de pedra e vegetação cerrada. E foi com esse legítimo espírito explorador q incluímos essas duas montanhas tidas como “inacessíveis“ numa travessia completa de toda essa crista durante 3 dias bem intensos, com direito a cume de seus 5 picos principais. E sem corda alguma. Eis a “SuperMaringuaré“. Já havia prometido a mim mesmo q não pisaria novamente no Pico dos Marins a menos q fosse pra realizar algo diferente do tradicional. Sempre optei por explorar a repetir alguma trip. A última vez q estive lá foi com o Augusto e o Ricardo num saudoso inverno de 2003 a fim de palmilhar a hj batida 'Maringuaré'. Mas bastou o Angelo me colocar a par de suas aloucadas (porém interessantes) idéias de exploração do Pico da Maria e Pico da Mariana q foi o suficiente pra renovar meu interesse de meter as caras outra vez pela região. O próprio Milton Gouvêa, do Acampamento Base Marins (vulgo 'Ranchonete'), guia e conhecedor daquelas bandas era reticente de não ter ciência de acesso aos picos supracitados ou quem o tivesse feito. Bem, não pelo menos sem corda. 'Se vcs conseguirem, por favor me informem depois como se chega lá, ok?', nos disse como que tirando sarro. Alem da incerteza de acesso, o tempo seco e estiagem dos últimos meses faziam com q cada um tivesse q carregar, pelo menos, 5 litros do precioso liquido a fim de garantir o próprio sustento pra tds os dias q a empreitada demandasse na montanha. Pronto, tava lançado o desafio. O Marins Dessa forma eu, Angelo e Wagner rasgamos o final da madrugada sentido a Via Dutra, e dali seguir ate o trevo de Lorena. Ah, sim.. nosso audacioso quarteto ainda contava com uma única integrante feminina, a espoleta Lucilene, q mostrou-se mto mais corajosa e determinada q mto marmanjo q conheço. A noite fresca não tardou a ceder lugar a um sabadão q nascia bastante promissor, despido de qq vestígio de nuvens, elevando as temperaturas no decorrer do dia. Uma vez na BR-459 e indo de encontro à imponente muralha da Mantiqueira q preenche o horizonte de norte a sul, de Piquete tomamos varias estradas laterais em meio a uma bucólica paisagem rural ate dar no Bairro dos Marins, as 9:30. A partir daqui é q começa uma árdua e sinuosa subida de serra através de uma precária estrada de chão, q faz o Ford Ecosport do Wagner patinar em mais de uma ocasião. O destaque desta subida alem do majestoso visual das montanhas despencando verticalmente á nossa frente, foi o de um pequeno veado saltitar pela estrada, como q já nos preparando pros dias selvagens q se seguiriam na Mantiqueira. Chegamos então no Acampamento Base Marins (ex-'Ranchonete') por volta das 10hrs, onde somos recebidos pelo sempre simpático e falador Milton, q nos informa das condições tanto climáticas como da trilha nos últimos dias. Ali, na cota dos 1562m, damos os últimos ajustes nas cargueiras assim como coletamos um pouco de água, afinal bastou descer do veiculo q o sol começou a fritar nossa cachola sem dó! Particularmente estava com certo receio, pois estreava uma nova mochila (presente do fotografo de aventura Andre Dib), mas no decorrer da trip estes receios foram infundados, pois a dita cuja se ajustou perfeitamente a minhas costas. Começamos a andar efetivamente meia hora após ter chegado, mergulhando no frescor de uma florestinha sem gde variação de altitude e num ritmo bem compassado, até q desembocar numa estradinha de terra maior q bastou acompanhar ate o final, agora sim subindo suavemente uma crista serrana ascendente. A cada passada e cada curva na montanha, o visual lentamente se ampliava de forma deslumbrante, renovando nosso fôlego q teimava em sempre nos lembrar do enorme peso nas costas. A subida aperta mesmo qdo estrada termina após uma pequena porteira e dá lugar a uma estreita trilha q ziguezagueia, por meio de degraus e calombos, montanha acima através de altos arbustos. Não demorou a dar nos 1795m (1608?) do largo cocoruto plano forrado de capim e rocha q serve de mirante e atende pelo nome de Morro do Careca, as 11:10. A vista daqui nos dá um preview do q nos aguardaria lá em cima em dose anabolizada. A beleza da geografia do Vale do Paraíba - pontuada por Piquete, Aparecida, Guará e Lorena - e do sul de Minas com suas montanhas verdejantes escondendo as cidades de Itajuba, Delfim Moreira e Marmelopolis. O maciço do Pico do Marins à nossa frente se agiganta diante do Careca destacando seus outros dois picos não menos imponentes, o Maria e Mariana, q lá de cima pareciam nos desafiar ate seus cumes. A picada à esquerda nos leva novamente ao frescor da sombra de um arvoredo, onde uma clareira marcada tanto por restos de fogueira como por uma didática placa nos dizem q ali é o inicio de fato da ascensão ao Marins, assim como são dadas orientações e avisos aos visitantes. Contudo, seguimos descendo mais um pouco pela estrada ate um local encravado na mata onde é possível abastecer de água num pequeno córrego, q devido à estiagem limitava-se a um pequeno filete q demandou paciência pra encher nossos cantis. Já cientes da impossibilidade de obtenção do precioso liquido no alto e considerando q o pouco q há é de origem duvidosa, cada um levou em média uns 5L pra garantir o próprio sustento. Peso extra este q se fez sentir nas costas, pelo menos nas minhas. Voltamos à clareira e começamos oficialmente a ascensão ao Marins, subindo suavemente por uma óbvia crista florestada q sai do lado da placa. Mas logo emergimos da mata pra ganhar, em curtos ziguezagues, o capinzal esvoaçando ao vento da primeira gde e íngreme encosta ate vencer o primeiro cocoruto dos mtos q se seguirão. A trilha é nítida e se desenvolve pela crista dos morros sgtes de forma bem acentuada, o q vai nos distanciando uns dos outros. A subida é relativamente fácil em termos de orientação, pra quem ta acostumado a pernar por ai. Tótens e setas pintadas na rocha estão sempre presentes pra auxiliar no rumo a seguir. No entanto, 'Ha sempre uns manés q confundem as pessoas colocando totens fora da rota', reclama Milton. Ao longo da picada há alguns mirantes rochosos onde se pode parar para descansar e tirar belas fotos dos arredores, e olhando por sobre o ombro já temos uma bela vista do Morro do Careca, q vai ficando lá atrás pequenino. Em contrapartida, o maciço principal do Marins mostra-se sempre à nossa direita, imponente, cada vez mais próximo. Alternando trilha q nada mais é um sulco de terra em meio a tufos de capim e largos trechos de aderências por lajotas de pedra, ganhamos altitude rapidamente, onde o visual do maciço principal descortinado a cada passo dado é simplesmente arrebatador e nos motiva a subir mais e mais. Mas qdo nos aproximamos das partes mais rochosas e íngremes a trilha vai se dirigindo para a esquerda e deixando de passar pelas cristas, onde alem de nos espremermos entre gdes pedras e mto capim alto, as escalaminhadas tb aumentam. Nesta condição o Marins deixará de ser avistado e o visu q temos de um lado é de paredões e maciços e de outro, geralmente à esquerda, as montanhas das MG. O destaque deste trecho foi uma cobra pelo qual o Angelo passou desapercebido, mas q a sempre atenta Lucilene alertou da presença. Após bordejar uma muralha enorme da crista por inclinadas lajotas onde destoam belos lírios vermelhos, a subida aperta através de uma seqüência de aderências rochosas íngremes, q demandam uso tanto dos pés como das mãos nos trechos mais verticais.Mas contornado este ultimo maciço q se interpõe entre o sul de MG e o Marins logo desembocamos no enorme platô de rocha e capim q serve geralmente de base aos campistas, onde voltamos a avistar ao sul o cume do Marins cada vez mais próximo. À leste de nossa posição há um morro rochoso e atrás dele o Pico do Marinzinho, ou tb conhecido como Pico Leste ou Pico do Piquete. É daqui q em tese sai a rota ate o Itaguaré, contudo como nosso objetivo é o cume do Marins atravessamos o platô, ignorando as clareiras próximas da 'Água Amarela', nome popular como é conhecida a nascente do Ribeirão Passa Quatro. Ali uma lacônica placa do Clube Montês Itajubense alerta da enorme qtidade de coliformes fecais existentes nesse q seria o único pto de água da montanha, o q não deixa de ser lamentável. Qdo estive aqui 7 anos atrás esta água era potável e abasteceu meu cantil em mais de uma ocasião, mas infelizmente tem sempre aquele montanhista detentor dos 'três i´s' (imbecil, ignorante e irresponsável) q resolve cagar próximo da água, tornando seu consumo inviável. Enfim, são coisas resultantes de qdo um lugar fica conhecido demais, batido e farofado. Em tempo, estamos na cota dos 2250m, pelo GPS do Angelo. Pois bem, da base do Marins nos deparamos com impressionante paredão de quase 150m de extensão, q vencemos através de uma seqüência interminável de escalaminhada e trepa-pedra pelas aderências e lajotas íngremes. E tome tração nas mãos e pés! A esta altura o cansaço começa a pegar ainda mais em virtude do peso extra nas costas, dando a impressão q estou carregando halteres cada vez mais pesados. Contudo, a vista q se descortina por sobre o ombro - tanto do platô de capim da base como do Marinzinho e Itaguare - nos dá um fôlego extra pra chegar no cume. Alcanço finalmente os 2421m cume do Marins a exatas 14:30 e literalmente desabo no chão. Minhas costas doem e o cansaço nas pernas é intenso, mas a sensação de ser o primeiro da trupe a chegar me conforta nem q seja por poucos momentos. No alto a vista é de 360 graus: de leste para oeste temos o Pico do Itaguaré com a inconfundível crista da Serra Fina logo atrás, alem das cidades de Cruzeiro, Cachoeira Paulista, Canas, Lorena, Guaratinguetá, Aparecida e Roseira; à noroeste vemos o Morro do Careca e td a crista percorrida vislumbrando tds os maciços e algumas das pedras que encontramos pelo caminho; à nordeste temos o Pico do Marinzinho; ao norte temos toda a região do Sul de Minas Gerais tudo o que se vê são as suas belas montanhas e a estrada que conduz aos municípios de Marmelópolis e Passa Quatro; para terminar, à sudoeste temos nosso objetivo do dia sgte, os maciços do Pico da Maria e da Mariana desabando em cristas menores q se esparramam vertiginosamente em varias direções do Vale do Paraíba. Fantástico! Uma curiosidade referente ao Marins diz respeito ao seu nome, batizado em homenagem a um bandeirante q passava mto pela região, Luiz Martins. Como os tropeiros q desciam a serra transportando mercadoria do sul de MG ao porto de Paraty tinham um vocabulário pobre, sertanejo e rude, pronunciavam o nome do pico de forma equivocada, q acabou pegando ate os dias de hj. O resto do povo só começou a chegar meia hr depois, assim como um grupo de jovens q se acomodou confortavelmente nas varias clareiras disponíveis e bem protegidas por tufos de capim q há no amplo e espaçoso cume. O resto da tarde nos resignamos simplesmente a descansar o esqueleto, apreciar as belas paisagens ao nosso redor e papear sobre os planos sgtes. E claro, a racionar parcimoniosamente nossa preciosa água. Após vários cliques do astro-rei pousando no horizonte dando lugar às primeiras estrelas pipocarem pelo firmamento, começamos o sagrado ritual da janta. Wagner e Angelo comeram suas comidas liofilizadas e naturebas, enqto eu e a Lu nos fartamos com um sopão de feijão engrossado c/ um miojo e atum apimentado q nunca esteve mais delicioso. Mas não tardou pro cansativo e longo dia cobrar seu tributo q nos enfurnamos em nossas respectivas barracas pra cair imediatamente nos Braços de Morpheus. Ao contrario do q supúnhamos, a noite na montanha não fora rigorosa e sim bastante fresca, com algum vento seco. Nessas condições, desnecessário dizer q dormi feito pedra sem nenhuma interferência. Entretanto, minha colega de barraca, apreensiva com barulhos insistentes fora de sua chiquérrima Nepal, levantou e surpreendeu os minúsculos e atrevidos ratinhos de altitude fuxicando sua mochila! Maria e Mariana Levantamos antes do amanhecer a fim de apreciar o belo espetáculo da alvorada prum dia q prometia ser tão limpo qto o anterior. Mas bastou o Astro-Rei emergir lentamente atrás da silhueta escarpada de Serra Fina, à leste, tingindo o firmamento de tons escarlates ate findar num azul definitivo q o tempo literalmente parou e tds só quiseram saber de registrar esse momento espetacular em inúmeros cliques. Após os raios do sol tocarem as barracas, cujo sobreteto não estava nem um pouco umedecido por conta da noite seca, é q começamos de fato a ajeitar as tralhas pro programa daquele dia. Mesmo com água escassa e sendo racionada de forma sagrada, o Wagner consumiu boa parte da dele já gerando uma certa apreensão referente ao precioso liquido. O dia seria bem quente e qq esforço demandaria um consumo maior, portanto a partir de agora teríamos q ter bom senso em consumir o pouco de água q nos restava. Ainda assim, conseguimos preciosos 500ml extras com a galera q tb estava no cume e q retornaria naquele dia. Solidariedade montanhista é isso ai. Antes de andar ainda demos uma avaliada visual no terreno q teríamos pela frente, sempre comparando com um xerox da carta q tínhamos à disposição. Afinal, não dejavámos ter o mesmo fim do escoteiro Marco Aurélio, q desapareceu misteriosamente nessa mesma região em meados da década de 80. Pois bem, mochilas nas costas e assim zarpamos pontualmente as 8hrs rumo o Pico da Maria, vizinho do Marins. Da beirada deste ultimo basta avaliar quais são as lajotas menos íngremes e avançar por elas, alternando com o mato ao redor, e assim ir perdendo altitude. Não tem mto segredo, pois qdo a declividade nas lajotas aumenta basta se enfiar no mato e, segurando firmemente nas caratuvas e no capim a disposição, desescalaminhar ao patamar sgte ou lajedo menos íngreme. E assim sucessivamente. Como não há trilha o jeito é avançar na raça mesmo, sempre atentando bem a consistência de onde se pisa. Em menos de 20min, já quase no final da descida, um gde barranco nos separa do fundo do pequeno vale q interliga o Marins e Maria. Mas da mesma forma q antes, avaliamos os trechos mais firmes onde pisar (e se agarrar) q desescalaminhamos esta piramba com segurança ate o fundo de uma espessa florestinha de altitude. Daqui não tem mais erro, pois bastou atravessar um túnel de bambus q terminamos emergindo, as 8:30, nos lajedos cercados de capim q forram a base do Pico da Maria. Daqui em diante não tem erro, pois é td aberto e suavemente inclinado. Há tb uma oportuna clareira de capim q pode comportar duas barracas confortavelmente, se for o caso. Fezes de algum pequeno carnívoro e um rústico totem repleto de liquens marcam o local, indicando q a visitação é bem rara, praticamente nula. Mas o melhor é a vista privilegiada q se tem tanto do Marins e sua face sul debruçando-se serra abaixo! Largamos as cargueiras com a Lu, q preferiu descansar na base do Maria, enqto o resto foi de fato atingir o cume do pico, não mto distante. Tal qual a subida do Marins, este curto trecho foi vencido facilmente na base de aderências e escalaminhando pedras, e assim atingimos os 2392m do topo do Pico da Maria, as 8:40!!! Daqui de cima o Mariana surgia como um dedo rochoso apontando pro céu, à noroeste, assim como uma vertiginosa crista descia espetacularmente estreita rumo o bairro dos Marins. À sudeste a vista tb não deixava a desejar com duas outras cristas bem escarpadas se debruçando pro Vale do Paraíba. Futura travessia? Quem sabe. Após inúmeros cliques deixamos um totem registrando nossa presença e descemos de encontro à Lu, q tirava um cochilo ao sol daquela manha quente. Íamos agora tentar a conquista do Mariana. Pois bem, caminhando por lajes e capim bastou seguir sentido a borda oeste da base do Maria. Contudo, antes de dar no abismo de uns 50m q nos separava do estreito selado rochoso q interliga com o Mariana, o bom senso nos sugeriu tentar algum possível acesso pela encosta direita. Descendo degraus rochosos não tão íngremes, perdemos altitude suficiente pra ficar quase no mesmo nível do almejado selado. Bastou então ir de encontro a ele. Esprememos-nos por uma estreita canaleta pedregosa q ladeava a encosta ate q deu num patamar firme de capim alto e cortante. Porem dele percebemos q nos separava agora do selado era algo de 30m de um paredão vertical à nossa esquerda, passível de ser transposto somente com técnicas de rapel! Abaixo um gde abismo jogava uma pá de cal em nossas pretensões de ganhar o Mariana por aquele lado. Decidimos retornar pra estudar melhor q estratégia adotar, mas difícil foi escalaminhar a estreita canaleta rochosa munido de uma pesada cargueira. Novamente na 'proa' oeste da base do Maria e lá avaliar novamente as possibilidades de acesso. Debruçamos-nos na rocha e vimos q um pouco abaixo havia uns matos de encosta q davam noutro patamar mais amplo, bem mais abaixo. Eu e o Angelo então desescalaminhamos ate onde poderíamos descer por esta rota, mas logo ela revelou-se ineficaz, pois tb deu num trecho onde não dava pra prosseguir sem a ajuda de corda. Daqui o cobiçado selado devia estar apenas a uns 30m abaixo da gente! Contudo, daqui pudemos ver algo q de cima era impossível e q reascendeu nossas esperanças: uma estreita canaletinha rochosa descia bordejando a encosta vertical do Maria ate bem próximo do tal selado, e a presença de mata alta nela significava q devia ter piso firme pra agüentar e dar apoio suficiente a um adulto. Só bastava descobrir de onde partia essa tal canaletinha e eu tive já uma boa idéia de onde poderia ser. Novamente na base do Maria, retrocedemos o suficiente pra ficar numa espécie de 'selado' entre o cume e a base. Dali vimos uma canaleta (quase uma greta) rochosa íngreme q descia forte na direção desejada e q provavelmente interceptava aquela q havíamos visto logo adiante. Pois bem, ate lá já eram quase 11:30 e havíamos perdido a manha td naquele processo de 'tentativa e erro' de acesso ao Mariana. Agora seria o ataque derradeiro. Bem, se não desse, pelo menos poderíamos nos vangloriar e dizer q tentamos. Retroceder do nada, jamais. Como o ataque era exploratório e relativamente pauleira, a Lu e o Wagner decidiram permanecer alí tomando conta de nossas cargueiras. O Wagner tb preferiu não se desgastar alem da conta pq tava consumindo muita água e a dele já tava quase no talo. Pois bem, eu e o Angelo então começamos a descer a canaletinha nos agarrando firmemente no mato ao redor ate q mergulhamos numa florestinha baixa. Ali serpenteamos pequenas arvores retorcidas ate cair num patamar rochoso no aberto, de onde avaliamos o rumo a seguir. A canaletinha seguia piramba abaixo, mas daqui tínhamos q seguir pela beirada vertical do paredão onde estava a outra canaleta avistada. Desescalaminhamos o patamar nos firmando no capim e em duvidosas raízes podres ate ganhar a tal canaleta. Uhúúú! Agora bastava seguir por ela, sempre colado ao paredão principal! No entanto, o q parecia fácil revelou-se um vara-mato de bambuzinho infernal! O Angelo foi na dianteira abrindo passagem e eu fui logo atrás, repetindo o processo de baixar o mato de modo a facilitar o retorno. As vezes tínhamos q 'nos jogar' sobre o mato pra conseguir baixá-lo, e assim avançar! O processo inicialmente foi lento, mas constante. Não tardou a cair num trecho não tão obstruído de bambus onde o caminhar/escalaminhar não teve maiores dificuldades, alternando subidas e descidas. Era evidente q onde estávamos ninguém havia estado pq não havia marca de facão e mto menos rastro de trilha. Éramos os primeiros naquele cafundó do Marins! Seguindo em frente no mesmo compasso, logo pudemos ver o tal selado cada vez mais próximo, e assim aumentamos nosso ritmo, cada vez mais contentes. E assim às 12:30, após um ultimo lance de escalada, chegamos enfim no estreito selado q nos tomara td a manhã em chegar! Estávamos eufóricos por estar ali, pois agora ate o cume do Mariana era brincadeira de criança! Empolgados, subimos os lajedos e paredões q se seguiram e meia hora depois atingimos os 2310m do cume do Pico da Mariana, pelo GPS do Angelo. A vista dali de cima é deslumbrante!!! O Marins, Maria e seus respectivos contrafortes ganham nova e impressionante perspectiva! De onde estávamos, pudemos tb ver gente no cume do Marins q parecia espantada com nossa presença ali, naquele local aparentemente inatingível! Depois soubemos q era o Milton levando turistas ao topo do pico principal. No entanto, a comemoração foi breve pois nuvens começaram a tomar conta de td Vale do Paraíba e ameaçavam subir ate o alto das montanhas, nos obrigando assim a retornar ate nossos colegas. A volta foi bem mais rápida q a ida, lógico! Havíamos deixado praticamente uma 'avenida' em nossa passagem, q se não for utilizada ira fechar em breve. Uma vez na cia do resto do pessoal iniciamos a volta ao Marins, as 14hrs, refazendo td trajeto daquela manhã, agora em árdua em vigorosa escalaminhada de mato e rocha. O calor daquele inicio de tarde era palpável e nos tentava a td momento a beber água alem da conta. Aliás, a demanda pelo precioso liquido foi um fator critico, pois havíamos subestimado nosso consumo. A Conquista do Mariana - 2ª Parte O Marins, a Maria, a Mariana, o Marinzinho e o Itaguaré - 2ª Parte No topo do Marins, as 15hrs, desabamos na sombra do alto capim elefante afim de descansar e dar continuidade à pernada.Não havia mais ninguém ali e ficamos bem a vontade, donos absolutos do pedaço. Mas dez minutos depois retomamos a caminhada rumo à base da montanha aonde, sem pressa alguma, chegamos no acampamento da “Água Amarela“ por volta das 16hrs, no mesmo instante em q brumas ameaçavam tomar conta do platô. Ali nos separamos do Wagner, q alegou estar sem água suficiente pra continuar a travessia. Contudo, retornaria ao veiculo e no dia sgte se prontificou a nos buscar no inicio da trilha do Itaguaré. Nos despedimos de nosso colega e o trio restante deu continuidade à pernada, agora rumo ao Itaguaré. Atravessamos o vasto capinzal q forra o platô, acompanhando o curso do Ribeirão Passa Quatro ate sua provável nascente, quase no inicio da primeira lombada rochosa ascendente, comumente chamada de 'Morro da Baleia'. Aqui, a tal 'Água Amarela' encontra-se empoçada e é bem mais confiável q na área de acampamento. Por estar confinada numa greta coberta de mato, impossível ela ter sido maculada com qq espécie de dejeto mais acima. Claro q foi nossa alegria, pois bebemos à vontade e reabastecemos nossos cantis. Subimos o tal 'Morro da Baleia' onde a trilha nos levou num pequeno platô de alto capim elefante, onde chapinhamos um trecho de charco ate ganhar novamente as altas encostas da crista pedregosa sgte, rumo Marinzinho. Aqui houve uma certa confusão de rota mas assim q descobrimos as marcações -fitas azuis e tótens - não teve mais erro. Já era relativamente tarde, algo de 17:20, e as cores de fim de tarde já tingiam o céu naquele inicio de primavera. Mas nossa preocupação de encontrar um lugar decente de pernoite se diluiu ao esbarrar com uma perfeita (e improvável) pequena clareira na crista q acomodou confortavelmente nossas duas barracas, na cota dos 2343m, um pouco antes do topo do Marinzinho! Devidamente acomodados e exaustos pelo dia intenso, eu particularmente abri mão de janta e me conformei em forrar o estomago com um lanche reforçado, regado a um café-com-leite q dividi com a Lu. Já o Angelo teve paciência em cozinhar suas gororobas natureba-liofiziladas assim q o manto negro da noite abraçou aquele rincão privilegiado do alto da Mantiqueira. Apesar do céu estupidamente estrelado e do clima agradável, após uma rodada insistente de 'piadas infames' mergulhamos naquele sono gostoso mais q merecido, prontos pra recarregar as baterias pro dia sgte. De noite o vento fustigou por breve momento gotículas do q ameaçou ser uma chuva, mas td não passou disso. Marinzinho e Itaguaré A manhã sgte desperta envolta numa nebulosidade esparsa, bem diferente dos dias anteriores. Despertamos bem cedo, mas o friozinho gostoso nos segurou alem da conta em nossos sacos-de-dormir. Mas qdo é chegada a espiar fora das barracas, a vista não deixa a desejar de qq dia limpo e céu azul: um enorme tapete de nuvens forrando ate onde a vista alcança, deixando apenas o topo do Marins e do Itaguaré acima da camada alva, tal qual ilhas rochosas. Arrumamos as coisas após um farto desjejum e pusemos pé-na-trilha as 8hrs, no exato momento em q um sol tímido ameaçava sair entre as nuvens. Continuamos pela crista, agora subindo ao alto dos 2432m do Marinzinho, onde nos esprememos feito calangos por entre as pedras ate dar no outro lado, de onde já podemos apreciar td trajeto pela crista q teremos ate o fim, assim como o Itaguaré e a Pedra Redonda, uma bola rochosa q parece se equilibrar a meio caminho. A longa descida do Marinzinho começa íngreme, mas uma corda disposta estrategicamente nos ajuda a vencer um bom trecho daquela medonha parede rochosa. Na seqüência segue-se um interminável ziguezague q serpenteia capim e algum bambuzinho q desemboca num enorme selado, já quase 200m abaixo do topo do Marinzinho. Deste selado q começa uma escalaminhada por rochas ate a crista principal, subida feita em meio a um espesso nevoeiro q nos borrifava umidade a cada centímetro, mas q logo dispersou-se. Uma vez no alto da crista, o sol resolveu se firmar tal qual os dias anteriores e ser generoso o suficiente em escancarar sem nenhuma nuvem a bela paisagem rumo ao Itaguaré, facilitando a navegação visual. Daqui tb a paisagem recorrente são os verdejantes vales transversais, cujos contrafortes se esparramam tanto pro Vale do Paraíba, totalmente tomado de nuvens, como pro sul de MG, plenamente aberto. A caminhada pela crista é constante, mas puxada. O sobe e desce é continuo e requer bons joelhos nos trechos de declividade além de mãos com ventosas, nos aclives. Nesse ritmo forte chegamos finalmente no alto das 2330m da Pedra Redonda, as 9:30. A pedra tem aspecto redondo conforme a posição, pois ali do lado dela lembrava um retângulo, e foi na sombra dele q tivemos um breve momento de descanso e de beliscar alguma coisa. Nesse meio-termo encontramos um trio q fazia a travessia no sentido contrario e a quem passamos algumas infos do Marins e Marinzinho. A caminhada prossegue em franco declive numa sucessão de trechos onde voçorocas e túneis de bambus q insistem em se agarrar em qq saliência da mochila,não deixando os braços livres da tarefa de desenroscar os malditos. Foi aqui q senti a diferença da ótima mochila q ganhara, mas cuja altura bem superior à minha parceira de perrengues ainda não havia me familiarizado, facilitando enganchadas aqui e ali. Haja teste de paciência! Isso sem falar nos pequenos platozinhos forrados de alto e cortante capim elefante q geraram alguma confusão de continuidade do trajeto, mas q guardam tanto confortáveis áreas de acampamento como dejetos de animais selvagens. Pra cada descida vinha logo uma subida onde mãos e pés eram colocados a prova, se firmando tanto no mato como na rocha. Dessa forma o sobe e desce pela crista mantêm-se, forte, ininterrupto e constante. O consolo q nos gratificava era estar mais próximo do Pico do Itaguaré, exibindo seus imponentes contrafortes reluzindo à luz do meio-dia. Após uma forte descida mergulhando na mata seguida de uma escalaminhada no mesmo ritmo, as 12:15 paramos pra descansar no alto dos 2162m de um cocoruto rochoso com bela vista das ranhuras verticalizadas Itaguaré, quase ao alcance das mãos. O sol e calor eram palpáveis, mas infelizmente não havia sombra alguma pra nos refrescar, deixando o semblante deste q vos escreve pra lá de tostado. Alem de comer algo tb pude avaliar os cortes e espinhos nas mãos, pois minhas pernas já estavam totalmente anestesiadas de tão raladas por conta do mato q eventualmente cruzava a trilha, principalmente um chamado com propriedade de 'unha-de-gato'. Retomamos a pernada através dos dois últimos selados q nos separavam do pico desta escarpada e acidentada crista. Passamos pelo 'Castelinho', a ultima gde clareira no trajeto antes do Itaguaré, onde é possível acampar com bela vista do gigante rochoso. O trecho final contorna a crista através de lajotas inclinadas pela esquerda ate dar no ultimo selado, onde a nova escalaminhada q se segue nos leva ate enormes blocos rochosos q parecem nos emparedar. Estes túneis de rochas desmoronadas são transpostos sem as mochilas, uma vez q existem fendas onde alguém acima do peso não passa nem por ordens expressas do alto comando. Após a ultima gde escalaminhada desembocamos finalmente quase na base do Itaguaré, as 14hrs, mais precisamente em sua encosta rochosa norte. Ali, temos um belo visual do platô base e do pico menor do Itaguaré, coisa de uns 100m abaixo de onde nos encontramos. Após breve descanso sob o forte sol da tarde, escondemos as cargueiras entre os arbustos e capim pra começar o ataque ao gigante rochoso q nos acena boas-vindas. Daqui não tem mto erro ganhar o topo, pois basta acompanhar os totens, vestígios de trilha ou apenas por onde a pedra parece mais pisoteada. Alias a ascensão ao pico agora seria feita pela face oposta àquela q observávamos desde inicio da travessia. Dessa forma, após largos ziguezagues através de rampas, degraus e aderências rochosas sucessivas - algumas bem íngremes - terminamos dando nos 2330m do topo escarpado do Itaguaré, as 14:20. O cume se estende numa sucessão de enormes blocos ao sul. É preciso transpor um abismo na base do sangue frio - apropriadamente conhecido como 'pulo do gato' - no salto ou sobre uma pedra q serve de 'ponte' duvidosa. Aqui apenas eu e o Angelo prosseguimos já q a Lu declinou deste trecho adrenado onde se observa perfeitamente sob os pés um penhasco de mais de 100m vertiginosos! Indo pra 'proa' do cume através de uma trilha obvia e sucessivas rampas,atingimos o extremo norte do topo, onde nos empoleiramos feito gárgulas nas varias rochas afim de apreciar o belo visual q se descortina a nossa frente.O Marins e td crista percorrida serpenteando um tapete de nuvens q forra td Vale do Paraíba é espetacular, mesmo não dando pra ver as cidades de Aparecida, Guará, Lorena e Cruzeiro. Somente o sul de MG era facilmente discernível, Passa Quatro e São Lourenço pontilhado de fazendinhas e estradinhas rurais, assim como o som do Ribeirão Brejetuba rugindo nalgum fundo vale ao pé do maciço. Após descansar e contemplar o visu, retornamos pra buscar as mochilas e dar continuidade à pernada por volta das 15:30. Continuamos descendo ate o platô de capim q é base do pico, onde descobrimos q o riacho q antecede a área de acampamento local estava totalmente seco. Era hora de cair na real, pois meu estoque de água havia terminado faz tempo e contei com este local pra reabastecer. Danou-se, mas felizmente pude dividir pequenos goles q ainda restavam na garrafa da Lu. Bem, agora havia q agüentar na secura ate o final. Sair daqui foi meio q problemático e tivemos uns perdidos, pois tanto minha memória qto a do Angelo não tava ajudando muito qto relembrar de onde partia a trilha de saída. Mas atentando á lógica da disposição de totens locais refrescou alguns detalhes daquela saudosa trip de 2003. Da área de acampamento partia uma picada q seguia sentido noroeste ate dar num gde cocoruto. Seguindo sucessivamente por rampas de pedra logo nos vemos perdendo suavemente altitude, agora indo pra nordeste, serpenteando rochas no caminho. Mas logo segue uma piramba íngreme e longa através de uma vala rochosa q parece mergulhar na mata, onde há uma bifurcação. Seguimos equivocadamente reto apenas pra perceber cedo q não era por ali e sim pela vertente da esquerda, sinalizada pela bendita fita azul. Uma vez na mata não tem mais erro, pois foi só descer forte quase em linha reta rasgando uma interminável florestinha silenciosa no q não era mais trilha e sim uma vala bem erodida q demanda atenção e mto joelho, q cismava em fraquejar a qq momento! Assim sendo engatamos pto morto e não paramos! Neste trecho sacal nos distanciamos uns dos outros, cada um seguindo seu ritmo. No caminho, há algumas saídas pra esquerda q nada mais são acessos a mirantes rochosos com vistas q se debruçam pro norte, mas q dispensei, pois minha mente só objetivava uma coisa com vontade: água! Dessa forma inabalável e compassada perdemos facilmente 700m de altitude, haja perna! A mata cresceu de tamanho, ficou mais densa e ganhou vida, mas o melhor era ouvir o som do precioso liquido correndo em abundancia bem próximo, algo q soou como música a meus ouvidos. Apressei o passo e tropecei com um riozinho q nunca foi mais q bem-vindo. Desnecessário dizer q quase bebi o riacho todo, alem de fazer mais uma boquinha enqto aguardava o resto do povo. Assim q o Angelo e a Lu apareceram, cruzamos o riacho e prosseguimos a pernada, agora na horizontal acompanhando o mesmo ao longe. Temos um pequeno desnível na seqüência ate q cruzamos novamente o riacho e bem mais adiante caímos numa trilha maior, onde uma placa indicando bifurcação pra Cruzeiro já nos diz estar próximo do inicio da trilha. Dito e feito, damos num cruzamento de riachos q após os mesmo logo desembocamos nos 1540m do descampado gramado q oficializa o 'Acampamento Base Itaguaré', as 18hrs. Uma estrada de terra ao lado tb indica estarmos nos arredores de Barreiro, erroneamente indicado na carta topográfica como Faz. Tres Barras. Bem, com o horário avançado, a noite e a temperatura caindo rapidamente ficamos nos indagando de onde estaria nosso suposto resgate, pois o Wagner já deveria estar ali à nossa espera conforme havíamos combinado. Mas foi qdo começamos a enchê-lo de impropérios e buscávamos já bons locais pra acampar q o mesmo surge do nada, apontando os faróis do Ford Ecosport na nossa direção! Antes q suas orelhas calcinassem, nos explicou q demorara devido as péssimas condições da estrada. Desencontros a parte, embarcamos no veiculo e retornamos pra paulecéia naquele inicio de noite. Claro q uma vez na 'Terra da Garoa' coroamos nossa respeitável empreitada numa pizzaria onde nos fartamos de comida de fato! E bebes tb! Posteriormente tivemos a confirmação do próprio Milton (do 'Acampamento Base Marins') e Orlando Mohallem (da agencia local 'Triboo') de q éramos os primeiros a conquistar o Mariana sem equipamento especial ou técnicas de rapel, o q decerto não deixa de ser um feito digno de nota. Bem, se éramos de fato os primeiros não importava muito. Importava mesmo era nossa enorme satisfação de ter concluído uma travessia q incluía os 5 principais picos da região, esta sim inédita com certeza! Portanto, se a tradicional 'Maringuaré' é considerada como montanhismo em dose dupla, a inclusão dos Picos da Maria e Mariana é montanhismo legitimo e genuíno em dose 'quíntupla', se considerarmos tb o Marinzinho! E as possibilidades não terminam por ai. As cristas q se desdobram do alto do maciço principal do Marins sugerem programas inéditos e perrengueiros ainda a estudar detalhadamente. Mas essas decerto serão novas estórias que a Mantiqueira ainda há de guardar por um tempo. Por ora. [creditos]http://altamontanha.com/colunas.asp?NewsID=2639[/creditos] P.S: Confiram as fotos! Enjoy! Jpimenta
  23. Galera esta provavelmente vai ser minha primeira travessia em montanha, já fiz outras sozinho mas sem escalaminhada. Como sou solo não compensa contratar um guia, é comum ser encaixado em outro grupo? De qualquer forma, já subi o Pico dos Marins carregado e sem guia, sem muita dificuldade técnica apenas cansaço. Para quem já realizou os dois, em termos técnicos a travessia da serra dos orgãos apresenta muito mais dificuldade?
  24. Olá Mochileiros, estou aqui escrevendo mais um relato da nossa aventura desse sábado dia 24-06-2017, dessa vez foi a famosa Travessia da Serra Fina. Antes da chegada da nossa tão aguardada travessia da serra fina, estávamos todos ansiosos pela data do dia 24-06-2017, Treinávamos toda semana - cada um fazendo seu treino particular e postando no grupo do WhatsApp para incentivar o outro. Anteriormente fizemos a travessia Marins x Itaguaré, como podem ler nesse link: travessia-marins-itaguare-1-dia-otimo-treino-para-serra-fina-t143519.html. Apesar de estarmos treinando firme e fazendo todos os planos, o "medo" da serra fina incomodava alguns do grupo. Às vezes eu me perguntava "será que eu vou dar conta de acompanhar a turma?", mas ao mesmo tempo eu queria fazer. Não para me sentir "o cara" ou "contar vantagem" para ninguém, mas eu queria por superação e por orgulho de fazer a serra fina com esse grupo. Quando eu digo "eu", referi-me a todos do grupo. Enfim, vamos ao relato. Saímos de Santa Rita do Sapucaí 0:05 rumo a Passa Quatro e chegamos na cidade às 2:20 da manhã, o Diego da Trans Manti, com o qual combinamos o resgate, já esperando para nos levar até a Toca do Lobo, local do inicio da travessia. Chegamos lá às 3:20. Toca do lobo Como começamos bem cedo, não deu para tirarmos foto na clássica Crista da Serra, que é o motivo do nome Serra fina. Após passarmos pela Crista, começamos a primeira subida até o Morro do Cruzeiro. Logo depois passamos pelo primeiro local onde se pode pegar água, mas não pegamos, pois estávamos muito bem abastecidos. Fizemos uma pausa para comer e atacamos o Pico do Capim amarelo que, por sinal, é uma subida que exige um pouco de esforço. Chegamos ao topo às 6h20min. Lá em cima conversamos com um pessoal do Rio de Janeiro que estava acampado no topo e um integrante dessa turma nos disse que o Pico do Campim Amarelo era um termômetro - que se a gente chegou até lá, faríamos a travessia numa boa...Mentira! Vocês entenderão a seguir. Depois do Capim Amarelo é descida e subida sem parar. Passamos por vários acampamentos base, por lugares cheio de barro preto chamado de charco, encontramos com outras pessoas e depois subimos mais até chegarmos ao Morro da Asa, onde pegamos um fôlego e partimos para o acampamento base da Pedra da Mina. Quando olhamos para cima e vimos a 4ª maior montanha do Brasil com os seus 2798 metros de altura nos esperando, bateu aquele desânimo - nessas horas que a gente começa a fazer reflexão das coisas. Estava eu e mais duas pessoas para trás e uma delas disse "não é possÍvel que temos que subir mais essa", e eu respondi "É meu amigo. No nosso dia a dia a gente toma decisões a todo momento. Se não quisermos ir à escola não vamos, se não quisermos ir trabalhar, não vamos e tudo tem suas consequências. Agora, quando se trata de uma travessia, não há opção - temos que subir sim essa e a outra, porque voltar não tem como "(fui filósofo, eu sei...hehe). Montanhismo é assim, um encorajando o outro, e fomos rumo ao topo. Chegamos lá às 10h20min. Lá no cume da Mina estava um rapaz da Staff porque, justamente nesse dia, estava acontecendo um evento lá chamado KTR, corrida de montanha. Ele nos deu um pedaço de queijo, que caiu muito bem por sinal. Descemos da Mina e passamos pelo Vale do Ruah, um dos mais altos do Brasil. Após abastecermos nossos reservatórios com água, caminhamos até o Pico da Brecha, um caminho, chato cheio de Capim Elefante atrapalhando a caminhada. Quando chegamos lá em cima, todos estavam cansados e exaustos, então logo pensei "o rapaz que disse que aquele pico era um termômetro nos enganou certinho". Descansamos 5' e partimos para mais uma subida - o Pico do Cupim do Boi - mais mata fechada com bambú e várias subidas. Chegamos às 13h40min. Descansamos um pouco e já fomos rumo ao Pico dos Três Estados (MG, RJ e SP) com seus 2660m. Estávamos descendo quando o GPS apitou - estávamos no caminho errado. Quando isso acontece na montanha, o psicológico de todos é derrubado. O corpo já estava moído de dor e tivémos que voltar um pouco. Entrando na trilha novamente fomos atacar o Pico Três Estados, quando eu parei e olhei o tamanho da montanha, eu entrei em choque, me deu vontade de desistir, pensei que não daria conta de subir e passou mil coisas na cabeça, uma delas foi que eu poderia prejudicar a equipe e que se eu ficasse lá iria morrer de frio à noite - esse último foi o principal...hehe. Chegamos no topo dos Três Estados às 15h12m. Em cima do pico a turma desabou, para se ter uma ideia, uma parada de 10' era o suficiente pra gente pegar no sono, até o Nandão dormiu. Nessa hora eu pensei "a coisa está feia mesmo". O próximo pico seria o Alto dos Ivos, outra subida desanimadora. Essa hora foi o momento de outros companheiros dizerem que estavam com vontade de chorar, estávamos acabados, mas chegamos ao topo às 17h10min. Perguntamos pro Nandão se seria o último lugar que iríamos subir e ele disse que sim, mas não era nada, haviam mais duas subidas - bem menores mas haviam. Depois de andarmos mais um tanto - e quando eu falo um tanto é um tanto mesmo - finalmente chegamos ao sítio do Pierre, onde o resgate estava nos esperando, isso era 20h30min. Quando vimos a Kombi, a alegria foi imensa, não tenho palavras para descrever a felicidade de todos, a gente podia sentar por horas e não por 5 ou 10 minutos...isso não tinha preço. Chegamos na cidade Passa Quatro às 21h30min e em Santa Rita do Sapucaí à 0:00. Considerações finais do relato: sem dúvidas, foi a trilha mais díficil da minha vida e de todos que foram, aprendi que o companheirismo é o principal em uma ocasião dessas e que o psicológico conta muito, porque chega uma hora em que o corpo já não aguenta mais e só o psicológico é que faz você não desistir. Mesmo treinando todos os dias, vimos que devemos respeitar a montanha, porque quem dá as cartas é ela e a gente tem que respeitar isso. Não tenho palavras para agradecer ao grupo que foi comigo, o companheirismo deles é 100% e a motivação nem se fala. Criamos um laço de amizade muito forte. Queria agradecer ao Diego que fez o resgate, uma pessoa muito gente fina e também ao nosso motorista oficial Edson, ele sempre está com a gente nas nossas aventuras. Obrigado a todos. Às vezes, as pessoas nos perguntam o motivo de querer fazer isso. Sentir dor, passar frio ou até mesmo perguntam se a gente não tem algo melhor pra fazer. Para essas pessoas vai uma frase de um livro que eu li há um tempo, chamado "Mar sem fim" de Amyr Klink: “Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Saída de SRS: 0h05min Chegada em P4: 2h40min Toca do Lobo : 3h20min Alto do Capim Amarelo: 6h20min Pedra da Mina: 10h20min Cupim de Boi: 13h40min Pico dos 3 Estados: 15h12min Alto dos Ivos 17h10min Ponto de Resgate: 20h30min Chegada em P4: 21h30min Chegada em SRS: 0h00min
  25. Relato previamente publicado no meu blog Mochila & Capacete (http://www.mochilaecapacete.tumblr.com). O Pico do Marins já estava na minha lista há muito tempo, um dos pontos clássicos do montanhismo paulista e que ainda não conhecia. Surgida a oportunidade no feriado estadual de 9 de julho, junto com amigos, decidimos encarar a travessia Marins x Itaguaré. O trekking pela Serra da Mantiqueira dura 3 dias e percorre o trajeto de aproximadamente 19km, passando pelo Pico do Marins (2.420m) e Pico do Itaguaré (2.308m), com um grau acentuado de dificuldade, a travessia é um circuito clássico do montanhismo. Saímos de São Paulo na sexta-feira 06.07.2012 no começo da noite, seguindo o caminho até a cidade de Piquete/SP, onde fica a base do Marins (o caminho é fácil pela Via Dutra e dista cerca de 250km de São Paulo). Chegamos à Base do Marins pouco depois da meia-noite e dormimos no abrigo ali existente (R$ 15,00/pessoa com direito a banho no final da trilha – Estacionamento R$ 20,00/carro), cabe lembrar que o acesso até o acampamento base é feito por estrada de terra um pouco precária, sendo que carros muito baixos devem evitar, eu mesmo tive uma certa dificuldade para chegar até lá. Acordamos já no sábado após as 6 da manhã, arrumamos nossas mochilas e com o café da manhã devidamente tomado iniciamos a subida. (foto por Thiago Campacci) O trekking se inicia na Base do Marins, seguindo por um trecho curto de mata fechada até uma estrada para carros (interditada pelo Ibama) que leva até o Morro Careca, onde de fato se inicia a trilha. A partir desse ponto a trilha começa a ser definida por seus obstáculos naturais, com “pula-pedras” e trechos de escalaminhada, porém não é difícil segui-la devido as marcações (verdadeiras pichações) e totens de pedra. (foto por Thiago Campacci) O visual da trilha é fantástico, donde se vê a Serra da Mantiqueira em sua extensão, e com o lindo dia de sol tínhamos a clara visão da Serra Fina (objetivo ainda a ser alcançado). (foto por Yuri Wetzel) Não há ponto de água potável, somente no acampamento base do Marins (distante cerca de 5km da Base do Marins e ponto de acampamento recomendado para a Travessia), porém devido a degradação causada pelo “ecoturista” brasileiro a água ali existente não é recomendada ao consumo. Após superarmos o acampamento base, pois decidimos acampar no cume, paramos para um longo descanso debaixo do sol que nos assolava, antes de encararmos o trecho de subida final, bastante íngreme por rampas de pedra. Atingimos o cume por volta das 15 horas, após 6 horas e 20 minutos de caminhada. Montamos acampamento, escolhi o ponto mais ao norte para montar minha barraca, onde teria uma vista livre para o por do sol, e após tudo montado foi só curtir o pôr do sol e o frio que se intensificava. (Minha barraca laranja e cinza ao fundo da imagem) Com o cair da noite, jantamos e fomos dormir, pois do dia seguinte seria longo, ou não... (foto por Thiago Campacci) Durante a madrugada fomos assolados por um forte vento e por chuva, o vento chacoalhava a barraca que se manteve estável (aliás aqui cabe fazer um pequeno review para a minha barraca Manaslu Discovery Montain, que mesmo com todo o vento e frio que fez na madruga ela aguentou muito bem, sequer envergando e mantendo o isolamento térmico, mesmo eu estando acampado na parte mais exposta da montanha). O vento trouxe o nevoeiro, acordei pouco depois das 6 da manhã já no domingo (08.07.2012) e não via nada, mal conseguia ver as outras barracas. Com o tempo fechado desse jeito a travessia até o Itaguaré ficaria comprometida, pois mesmo com GPS a navegação se tornaria difícil sem a referência do relevo. Também perderíamos o belíssimo visual, já que não se via nada. Marcamos um deadline às 10h 30m, se o tempo abrisse continuaríamos a travessia, em caso negativo voltaríamos a Base para terminar um dia mais cedo a nossa “expedição”. O tempo não mudou e irresignados iniciamos a descida pelo mesmo trecho. A descida foi tranquila, porém tivemos que ser cautelosos, pois com a chuva da madrugada os paredões de pedra estavam um pouco escorregadios. Terminamos a trilha em pouco mais de 5 horas de descida e rumamos de volta para São Paulo, finalizando nossa viagem nos fartando em um merecido rodízio japonês. Foi uma excelente trilha, mais uma para o meu cartel e mais uma que fico com o gostinho de voltar para finalizá-la, o mau tempo tem me vencido constantemente (foi assim no Pico Paraná esse ano, em Torres del Paine em 2009, no Pico da Bandeira, etc,), porém esses percalços são partes constantes da vida de um montanhista, não me fazem desistir dos objetivos, apenas os posterga e me faz rumar em direção ao próximo destino, sempre com uma história boa para contar.
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