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  1. Pessoal, to aqui hj pra escrever um relato sobre o Valle Navado, lugar bacana, porém com custo beneficio não muito interessante. Essa mesma postagem está disponível em meu blog http://www.relatodeviagem.com Peço que curtam tbm minha fanpage no face http://www.facebook.com/relatoviagem Pessoal, nesse post vou falar sobre um passeio que é a cara dos brasileiros, ir ao Valle Nevado, a estação de esqui mais famosa do Chile. Aquele lugar é cheio de brasileiros, tanto que acho que deveríamos lutar pela independência do Valle nevado. rs. Pra quem não conhece, o Valle fica próximo à Santiago, normalmente é um passeio pra que está hospedado na capital, onde a ida até a estação dura aproximadamente 1:30h pela ruta G21, o famoso caminho das 60 curvas, que te leva a 3000 metros de altitude. Existem inúmeras empresas que realizam esse passeio em Santiago. Caso queira se hospedar em algum hotel na montanha, também é possível, porém os preço são muito elevados. O passeio que fiz iniciou 9h e finalizou às 18h com a van me buscando e deixando no hotel. Nosso guia foi muito atencioso e bacana, todos os turistas da van eram brasileiros. O Valle Nevado é a estação mais conhecida, mais cheia e mais cara da região. Não é nenhum pouco barato esquiar por lá, uma pessoa alugando equipamentos e roupas e comprando ingresso para as pistas não irá gastar menos de R$600,00. Na minha visão isso é bem caro para um dia. E se você não sabe esquiar é pior ainda, pois vai aproveitar muito pouco. É interessante para quem sabe esquiar e não precisa alugar equipamentos, nesses caso a diversão é garantida e só será necessário pagar ingresso para as pistas. O aluguel dos equipamentos na região é bem carinho, ao longo da estrada para o Valle nevado existem alguns locais para locação. Mas, mesmo no lugar mais barato o preço é bem salgado. Por exemplo, para alugar uma calça impermeável, uma luva e uma bota você irá gastar no total pro volta de 21000 pesos chilenos, isso no local mais baratos, que equivale a aproximadamente R$110,00, já os equipamentos são mais caros ainda. Se puder compre as roupas apropriadas em lojas como a Decathlon, é mais caro que um aluguel, mas você poderá usar mais do que uma vez. Eu digo isso pois o Valle Nevado é um destino para quem gosta de neve, sendo assim entendo que essa não será sua única viagem de neve, então vale a pena investir em roupas apropriadas, pois elas servirão para futuras viagens. Esse tipo de roupa costuma durar bastante. Se não tiver jeito e for alugar as roupas e equipamentos, não deixe pra fazer isso no próprio Valle Nevado, alugue na estrada, é "meno caro". Na região do Valle Nevado existem outras pistas de esqui que são mais baratas, como Farellones e El Colorado, mas mesmo assim por ser perto da capital elas têm um preço salgadinho. Considerando os valores altos, minha dica é, se você nunca esquiou, vá para um lugar mais barato primeiro. Mais ao sul do Chile existem cidades como Chillan e Pucon que têm estações bem mais baratas, afinal, pra que gastar muito já que é pra ficar tomando tombo o dia inteiro? Por isso recomendo que aprenda a esquiar em locais mais baratos e depois você vai até o Valle Nevado e aproveita bastante. E pra quem vai para a região Valle Nevado, um coisa que eu recomendo é o famoso, divertido e engraçado esqui-bunda. Porém outra dica é não faça esqui-bunda especificamente no Valle Nevado, a região é cheia de locais propícios para a prática desse excelente esporte, onde você não precisará pagar ingresso, somente será necessário o aluguel da prancha. Quando fui ao Valle Nevado, a empresa que contratei para fazer o passeio que sugeriu fazermos dessa forma, foi bem divertido e barato. Mas até agora eu tecnicamente só falei mal do Valle Nevado, porém o lugar é lindo, a estrada até lá é magnifica, vale a pena a visita. Mesmo para quem não tem interesse em esquiar, também é um passeio excelente, pois a região é repleta de lindas paisagens. Garantia de belas fotos. E por fim, mais uma dica, tomem cuidado com a altitude, muita gente passa mal na estrada, um draminzinho vai cair bem. Dicas apresentadas nesse post: 1. Ir com roupas apropriadas para não precisar alugar 2 Se nunca esquiou, vá aprender em um lugar mais barato 3 Se alugar equipamentos, não deixe para fazer isso no Valle Nevado, alugue na estrada. 4 Faça esqui-bunda em locais que não são pagos 5 Leve um dramin para a estrada Locais citados nesse post: 1. Valle Nevado 2. El Colorado 3. Farellones 4. Pucon 5. Chillan Atividades citadas nesse post: 1. Esqui 2. Esqui-bunda É isso aí galera, caso o seu próximo destino seja Valle nevado, espero ter ajudado, caso esteja procurando um destino, eu recomendo. Mas, vá munido de dinheiro. Caso tenham alguma dúvida ou curiosidade é só perguntar. Quem já foi pra o Valle Nevado e tiver experiências para compartilhar, é só comentar. Abração Thiago Gênova
  2. Desde a minha adolescencia sempre quis conhecer dois lugares: Machu Pichu e Camboja. Mês passado consegui realizar um desses sonhos! Um dia antes de viajar, fiquei sabendo através de um grande amigo meu piloto que vários vôos estavam sendo cancelados por causa do tufão que passava pelo local justamente onde eu iria fazer conexão. Eu estava super nervosa com medo do meu vôo ser cancelado e com isso arruinar o meu planejamento. Cheguei no aeroporto, suando de nervosa, olhei para a atendente e estava tudo certo para minha viagem! Pra chegar ao meu destino dos sonhos passei por uma conexão em Taipei, no meio do tufão, mas nem por isso deixei de explorar a cidade e conhecer a linda Praça da Liberdade. De volta ao aeroporto, meu proximo destino seria Bangkok! 4 dias não foram suficientes para conhecer essa cidade incrível. Comida maravilhosa, rooftops de tirar o fôlego, tuk tuks pra todos os lados, templos incríveis e bares super animados. Aproveitei a oportunidade e com a ajuda de um grande amigo meu da minha terra natal consegui cantar em um live house. Com isso tive a oportunidade de conhecer excelentes músicos numa jam incrível com gente de vários países. Obrigada Caio pela noite maravilhosa (na verdade pelas duas noites!!!). Apesar de me despedir de Bangkok com desejo de ficar mais, eu também estava super ansiosa para chegar no meu proximo destino: Camboja. O Camboja é um país que sofreu muito com a guerra Khmer Vermelho, um dos maiores genocídios da história recente, matando grande parte da população e até hoje é possível ver as marcas deixadas dessa terrível catástrofe humana. Quando o avião pousou (graças a deus! Por que era um mini avião com hélice #medo), o calor estava de matar! Passei pela imigração e finalmente estava pisando em terras cambojanas. O motorista do hotel, seu Barang, estava lá me esperando e, apesar da dificuldade de comunicação, esbanjava simpatia. O carro deu partida e comecei a ver a cidade de Siem Riep através da janela. A cada quilômetro rodado, o cenário era o mesmo, muita pobreza. Cheguei no hotel e fui recebida com um delicioso chá e doces típicos do Camboja. Joguei minha mochila no quarto e fui rumo a Vila flutuante de pescadores que ficava a uma hora do centro. Na chegada à vila, a canoa passava pelas principais “ruas” onde é possível ver casas, igrejas e até uma escola suspensa. Pausa para o almoço num restaurante flutuante no meio de um enorme e importante lago para os pescadores. É ali que eles pescam e vendem para outros restaurantes no centro da cidade. Sentei à mesa e pedi o famoso Amok: um curry de peixe com toque de capim limão, prato típico do Camboja. Enquanto eu almoçava, uma criança linda dos olhos brilhantes não parava de me observar até que fui em direção a ela e começamos a nos comunicar através de sorrisos e olhares curiosos. Aprendi algumas frases em cambojano num pôr do sol lindo enquanto eu estava sentada à beira do lago com uma menina cheia de vida. Nesse momento, percebi a beleza do cenário e tirei uma das fotos mais lindas da vida! Dia seguinte, dia de visitar os templos do complexo Angkor, Patrimônio da Humanidade pela Unesco, com a ajuda de um super querido guia, Sohkom. Eu queria saber mais sobre a história do Camboja e sobre os detalhes dos templos. Fiquei horas caminhando na imensidão desse lugar abandonado no meio da selva. No meio do passeio, fui indo em direção a uma música e me deparo com uns homens tocando instrumentos típicos da região. Quando eu percebi estava no meio deles tocando percussão. Todos os músicos eram sobreviventes da guerra, mutilados, vítimas das minas terrestres. Foram horas de aprendizado e informações sobre essas ruínas do império Khmer. À noite, tive tempo pra beber uma cerveja local, fazer massagem por 1 dólar, curtir um pouco da Pub Street e cantar com uma banda de rock no Hard Rock Café. No dia seguinte, levantei as 6 horas da manha, aluguei um quadriciclo e fui desbravar Siem Riep. Eu acho que foi o passeio que mais me comoveu. Foram mais de 4 horas explorando a cidade. Parei num mercado e comprei algumas caixas de macarrão pra doar aos alunos de uma escola construida pelos japoneses❤️. Excelente trabalho dos professores, todos voluntários. De volta a minha moto, coloquei meu capacete e máscara pois havia muita poeira (as ruas não são asfaltadas) e comecei a distribuir comida pras crianças. O mais impressionante é que todas vinham com um baita sorriso no rosto e falavam obrigado. Até mesmo algumas que não falavam por timidez, os pais agradeciam por elas. Hora de voltar pro hotel, pegar uma piscina e esperar o pôr do sol. À noite, me deliciei com o meu ultimo jantar no estilo cambojano e depois fui a um bar de musica ao vivo onde conheci uma cantora de voz linda e serena cantando músicas típicas da região. Fiz questão de falar com ela que ficou encantada quando a elogiei. Muito linda! Vim embora com um aperto no coração de quem precisa voltar. Apesar da pobreza, dos conflitos civis, das atrocidades de um general que aniquilou grande parte da população no passado e de tantos outros problemas em que esse país ainda se encontra, o Camboja e seu povo vão ficar guardados pra sempre no meu coração! Instagram: Yumi_oficial ou Yumiaroundtheworld C581EB70-143E-4458-8CA0-93B5353330A3.MOV 5DEA23CB-8A9F-4EDD-88F6-D85B33E9D4B1.MOV 918A37ED-6D9D-4DD5-AAD2-58A752B49A6B.MOV
  3. TRAVESSIA SERRA FINA - BATE/VOLTA AO PICO CAPIM AMARELO - PASSA QUATRO-MG 29° dia - 26.07.2019 - Sexta-feira Saída pousada de carro até estacionamento próximo toca do lobo, subida/descida pico capim santo. +-12 kms em aprox. 06:43hrs Acumulado total: 288 kms Nossa intenção ontem, era dormir no Pinheirinho em Passa Quatro-Mg e, hoje acordar bem cedo e ir até a base do Pico do Itaguaré, subir o pico e depois terminar nossa viagem. Mas chegando no hostel Serra Fina, o Felipe dono do hostel estava dizendo que um grupo ia começar a travessia da Serra Fina no dia seguinte. Perguntei pra ele se não era complicado fazer um bate/volta no mesmo dia no Pico Capim Amarelo, ele disse, se vcs conseguiram fazer bate/volta na Pedra da Mina, com certeza nós não teríamos nenhuma dificuldade na subida do capim amarelo, então resolvemos mudar nossos planos. Na noite anterior chegou o grupo de Botucatu - SP, para fazer a travessia da Serra Fina. Conversamos com o pessoal, e gentilmente fomos "incorporados" ao grupo, entre os montanhista reina a amizade e companheirismo, o NOSSO MUITO OBRIGADO A TODOS DO GRUPO DE BOTUCATU-SP(eles contrataram uma kombi para levá-los até próximo a toca do lobo e, acertamos com eles que iríamos com nosso carro, seguindo a kombi). Tomamos café da manhã bem cedo, acompanhamos kombi( por uma estrada de terra com muitas pedras, pontes de madeira), que foi levar o grupo de Botucatu-Sp até o estacionamento antes da toca do lobo (9 kms da rodovia asfaltada). Deixamos o carro no estacionamento e seguimos à pé com o grupo de Botucatu-Sp (pessoal jovem com astral maravilhoso) até a toca do lobo, uns 2 kms (onde começa a trilha). Pegamos água no rio, atravessamos ele(aqui fomos na frente do pessoal pois estávamos bem mais leves do que eles), começa subida bem forte, no início dentro dum bosque, depois entramos num descampado, mais à frente outro trecho dentro dum pequeno bosque, entramos novamente numa área de pedras soltas, até um outro topo. Pegamos descida forte na crista da montanha(vento forte, alguns abismos) até um trecho com árvores e capim alto. Entramos na verdadeira subida ao pico, no início com muito capim alto, depois em mata com árvores baixas, alguns trechos com pedras soltas. Chegando próximo ao topo subidas bem fortes em pedras, inclusive alguns trechos têm cordas para auxiliar a subida, tinha gelo numa pedra. Contornamos a montanha do lado esquerdo e chegamos no topo do Capim amarelo (têm muito capim alto, onde tem área camping). Assinamos o livro, conversamos com várias pessoas que estavam acampados lá e descemos rapidamente(como tinha trechos com pedras soltas, fomos bem devagar). Como estávamos bem mais leve que o grupo de Botucatu, chegamos primeiro no topo, na descida encontramos eles no meio da subida verdadeira, conversamos e brincamos muito e continuamos nossa descida e eles iam pernoitar no pico acima. Chegamos na toca do lobo, atravessamos o rio, e pouco depois ao estacionamento. Fomos no Centro de Passa Quatro-Mg, comprar mantimentos pra fazer o almoço no hostel e ir ao banco. SUBIDA Até o início das cordas 03:02hrs - 2305msnm Até o topo pico do capim amarelo- 03:26hrs - 2395msnm DESCIDA Aqui é mais ou menos igual a Pedra da Mina, a descida é complicada, pois tem muitos trechos com pedras soltas o que torna perigoso acelerar muito o passo. Do topo do Pico do Capim Amarelo até o estacionamento 03:17hrs - 1450msnm Hospedagem: hostel e pizzaria Serra Fina, fone: 035 99720-3939, bairro Pinheirinhos - Passa Quatro-Mg casa antiga, rústica mas extremamente limpa e confortável. Camas ótimas, wifi, sala TV a cabo, cozinha completa, água, banheiro compartilhado, estaoionamento, churrasqueira, tanque lavar roupa. Felipe é super atencioso. RECOMENDADO Cama compartilhado: $60 com café Casal privativo: $70 com café Camping: $35 sem café Faz traslado: Para toco do lobo: $150 até 3 pessoas Para itaguaré: $200 até 3 pessoas Travessia Serra Fina: $350 (leva para toca do lobo e busca Pierre) Travessia Marins/itaguaré: $400 levar e buscar Dia nascendo, aqui primeiro descampado Na nossa frente o incrível Pico do Capim Amarelo reina absoluto, talvez um dos caminhos mais bonito que já fizemos SIMPLESMENTE LINDO ISSO AQUI Trecho complicado com pedras soltas Próximo ao topo têm alguns trechos com cordas para auxiliar as subidas mais complicadas Topo do Pico do Capim Amarelo, o famoso caderno de assinatura à direita do pé da parceira. QUE VISUAL, à esquerda o caminho que fizemos e íamos fazer na descer Uma simples homenagem ao nosso site Mochileiros.com Descidas fortes, aprendemos a descer alguns trechos de costas, facilita muito, sempre aprendendo coisas novas. Descendo através de cordas Não adianta pensar muito, tem que encarar aquela subidinha sem reclamar..QUE VISUAL Outro ângulo da região (do lado direito os picos do Itaguare, Marinzinho e Marins), UM DOS LUGARES MAIS BONITO QUE JÁ PASSEI Outro angulo Subida forte. .. Não me canso de ver essas fotos Idem Chegando ao topo Olhamos para trás e vimos isso aí. DEMAIS E DEMAIS! OUTRO ÂNGULO, S E N S A C I O N A L Outra descida, e o visual. Falta pouco Mais um pouco Pronto chegamos a toca do lobo Toca do Lobo, tinha esquecido que ainda faltavam uns 2 quilômetros, estava achando que o carro estava aqui......coisa da montanha, é muito sofrimento bom!
  4. Gostaria de compartilhar com vocês minha viagem para Marrocos, muito embora ela tenha sido mais por motivos pessoais do que turísticos. A moeda do Marrocos é o Dirham marroquino. A maioria dos estabelecimentos também aceita euros, mas não cartão de crédito. 1 euro = 11 dirham. Casablanca Casablanca é a maior cidade de Marrocos. Hospedagem Fiquei hospedado na casa de parentes, localizada no bairro de Ain-Diab, bem próximo ao mar e longe do centro da cidade. Transporte O transporte público não funciona bem, com exceção do Casablanca Tramway (bastante limitado, mas pode lhe levar para a praia ou para a estação de trens). As pessoas se deslocam mais de táxi do que de ônibus (segundo alguns relatos que ouvi, o uber é mais caro do que o táxi). Existem dois tipos de táxi: Grand Taxis (brancos) - Possuem rotas definidas (levam do ponto A ao B). Petit Taxis (vermelhos) - Funcionam como um táxi normal. O detalhe interessante é que o táxi é compartilhado. Ou seja, ele pega vários passageiros pelo caminho (exceto se você quiser pagar por todas as vagas). Aeroporto O Aeroporto Mohammed V fica a + ou - 30 km do centro da cidade. É bastante moderno e seguro (só viajantes podem entrar nele). Possui apenas 2 terminais que ficam no mesmo prédio (desembarques no térreo e embarques no primeiro piso). Além do raio-x e de algumas entrevistas e revistas pessoais, você precisa entregar uma espécie de ficha especificando local de hospedagem, profissão, motivo da viagem, etc, tanto na chegada como na saída de Marrocos. Importante: brasileiros precisam mostrar o conteúdo de suas malas na chegada. Pontos turísticos - Mesquita Hassan II É a terceira maior mesquita do mundo e a única que pode ser visitada por não-muçulmanos em Marrocos. Comporta, aproximadamente, 25.000 pessoas. Visitas são guiadas e ocorrem às 09h, 10h, 11h e 14h (na sexta-feira os horários são diferenciados). O valor do ingresso é 120DH. Por mais 10DH você pode visitar o museu da mesquita (não vale a pena, só se você tiver tempo sobrando ou gostar de molduras). - Morocco Mall É o maior shopping center da África. Tem um aquário gigante e vista para o mar na praça de alimentação. Para entrar, você precisa passar por detectores de metal. - Catedral Notre Dame de Lourdes É a maior igreja católica em Casablanca. Vale a visita mesmo se você não for religioso. - Catedral do Sagrado Coração de Casablanca (Catedral Branca) Apesar do nome, deixou de ser igreja em 1956 e hoje é um centro cultural. Bonita por fora, mas infelizmente fechada para reformas. - Quartier Habous Bairro bonito e organizado em Casablanca. Além da arquitetura que se destaca, você também pode visitar o Mercado de Habous (para comprar azeitonas, frutas, roupas típicas e tecidos). - Velha Medina Lá você pode encontrar roupas, joias, peças de metal, louça, madeira e itens de couro. - La Corniche É a praia mais badalada de Casablanca e que possui os melhores restaurantes. Rabat É a capital do Marrocos. Apenas passei o dia na cidade. Foi o bastante para visitar os principais pontos turísticos. Pontos turísticos - Mausoléu de Mohammed V É onde está sepultado o pai e o avô do atual rei de Marrocos. Destaca-se pelo luxo e é protegido pela guarda real. - Torre Hassan É uma mesquita não terminada, ou melhor, é uma torre. Fica no mesmo sítio do mausoléu. - Kasbah dos Oudaias. É uma antiga e bonita fortaleza à beira-mar com corredores estreitos. - Jardim Andaluz É um jardim que fica no caminho para a Kasbah. Marrakech É a cidade mais conhecida do Marrocos e não é à toa: respira e transpira turismo. Porém, se eu tivesse que defini-la em uma única frase: nada é de graça em Marrakech. Uma simples pergunta, uma foto qualquer, uma visita a uma casa marroquina, tudo tem um preço. Hospedagem Fiquei hospedado no Riad Akka. Paguei 65 euros a diária, mas valeu a pena. Localizado dentro da Medina, é seguro, confortável, bonito e limpo. Fica ao lado do Palácio da Bahia e a 800 metros da Praça Jemaa El Fna. Transporte Se você se hospedar dentro da Medina, você não vai precisar usar táxis, exceto para chegar/partir do aeroporto/estação de trem ou para visitar alguns poucos pontos turísticos que vou destacar abaixo. Atenção: Estabeleça o preço antes da corrida ou exija que o taxímetro seja ligado, senão a chance de você ser enganado é de 100%. Pontos turísticos - Palácio da Bahia Palácio maravilhoso onde foram gravados cenas do filme Lawrence da Arábia, dentre outros. O ingresso custa 80DH. - Palácio El Badi Na verdade, são as ruínas que sobraram do palácio. Algumas pessoas adoram, outras acham horrível. Eu gostei bastante, especialmente pela história. o ingresso custa 80DH. - Praça Jemaa El Fna É onde tudo acontece. Durante o dia, você encontra vendedores de frutas, especiarias ou qualquer coisa que você queira comprar, além de encantadores de cobras, macacos para fotos, músicos, mulheres que fazem hena. Mas é durante a noite que a mágica acontece: luzes e sons por todas as partes, barracas de comidas típicas espalhadas pela praça inteira e mais turistas do que você pode imaginar. Vale a pena jantar ou beber algo nos restaurantes que ficam em algum lugar alto ao redor da praça. De cima o show parece maior ainda. Nas redondezas da praça você encontrará a maior parte dos souks que vendem de tudo, desde roupas até perfumes ou peças de metal. - Bairro Judeu Vale a visita pelo contexto histórico e fica no caminho para o Palácio El Badi. - Bab Agnou É um antigo portal da Medina que ainda resiste ao tempo. 2 minutos para olhar o portal e mais 1 minuto para tirar uma foto. - Mesquita Koutoubia Esta mesquita destaca-se na cidade de Marrakech. Próxima à praça Jeema, infelizmente não pode ser visitada por não-muçulmanos. - Tumbas Saadianas Embora não pareça interessante, é um lugar muito bonito. O ingresso custa 80DH. - Museu de Marrakech A arquitetura do local é fascinante. O ingresso custa 80DH. Dentro do museu há um senhor que escreve seu nome em árabe (ou de quem você quiser) em cartões postais. Lindo trabalho. Custa 20DH. - Jardim Secreto É um lugar bonito, mas que deve se destacar mais na primavera. Vale a visita pela calma, paz e silêncio (e pelo wi-fi grátis, pra quem se interessar). O ingresso custa 80DH. Se você quiser visitar a torre tem que pagar mais 30DH (não vale muito a pena). - Museu do Perfume O museu em si não é muito interessante, porém você pode ter uma aula sobre perfumes e fazer um especialmente pra você (com os ingredientes que você escolher). O ingresso custa 40DH. Para fazer um perfume seu (e pela aula), você terá que desembolsar 400DH. - Jardim Majorelle, Museu Berbere e Museu Yves Saint Laurent Para visitar estes locais você vai precisar usar táxis ou tuk tuks ou charretes, pois eles ficam localizados na parte nova da cidade, fora da Medina. O ingresso conjunto para os 3 locais custa 180DH. O Jardim é muito bonito e colorido. Yves Saint Laurent morou dentro do jardim por anos e lá foram espalhadas suas cinzas. O Museu Berbere destaca roupas e joias típicas de várias partes do Marrocos. Vale muito a pena, mas fotos não podem ser tiradas. O Museu Yves Saint Laurent conta a história do estilista por meio de fotos em ordem cronológica e de um filme de uns 10 minutos. Lá você também pode ver as peças de roupa que ele criou (manequins vestidos com as roupas). Infelizmente fotos não podem ser tiradas. - Souks de Marrakech Souks (mercados) são os locais em que você pode comprar desde echarpes/lenços/vestidos até itens de couro, metal, perfumes, especiarias ou recordações da cidade. São muitos, mas a maioria está próximo da Praça Jeema, como salientei acima. Não existe preço tabelado para nada nos souks, exceto comida. O vendedor sempre lhe dará um preço absurdo por aquilo que você quiser comprar. A partir daí começa a negociação: você oferece menos, ele pede mais. Minha dica é: tente pagar 30% do valor pedido inicialmente. Na pior das hipóteses, nunca pague mais do que 50%. Estabeleça seu preço e vá embora se ele não concordar (ele te buscará no corredor, não se preocupe). De qualquer forma, você sempre sairá pensando que pagou demais, mas não deixe este pensamento estragar sua viagem. Procure não demostrar interesse por algo que você não pensa em comprar e/ou não dê atenção aos vendedores, senão eles vão lhe incomodar para você "só dar uma olhada" ou "conferir as promoções". Alguns até lhe seguem, lhe seguram pelo braço, gritam, é bastante chato e constrangedor. Marrakech é o lugar para você ser mal educado: nem responda "bom-dia" aos vendedores (ou responda em francês para que eles não saibam de onde você é e siga em frente sem olhar pra trás). Dicas específicas para Marrakech Como salientei acima, tudo gira em torno de dinheiro em Marrakech. Se você parecer perdido, um bom samaritano surgirá do nada para ajudá-lo e depois pedirá um valor absurdo pela ajuda. Por isso, indico que você tenha um celular com internet ou um bom mapa consigo e, se precisar de ajuda, peça aos policiais ou a outros turistas. Se você tirar fotos das cobras ou dos macacos sem estabelecer um preço antes, os donos pedirão um valor absurdo pelas fotos. Se você precisar trocar dinheiro (câmbio), recomendo o do Hotel Ali. É seguro comer pratos quentes nas barracas da Praça Jeema à noite. Entregue-se...mas confira bem a conta no final (na verdade, confira o troco SEMPRE, em qualquer situação). Guias em Marrakech Cuidado com guias baratos em Marrakech. Na melhor das hipóteses, eles são apenas motoristas que mal falam qualquer língua além do árabe e só atuam como taxistas e não guiais (lhe deixam nos locais com prazo para voltar ao carro). Eu contratei um guia e valeu a pena cada centavo. Paguei caro pois estava sozinho, mas o preço é negociável sempre (quanto mais gente, melhor). Fiquei 3 noites e 4 dias em Marrakech, mas contratei ele por 2 dias (das 09h às 13h, embora ele tenha ficado comigo até às 14h.) Paguei 1400DH. Ele é espetacular e me dava dicas até de preços das coisas. Se alguém tiver interesse, o nome dele é Najib Khelfi. Ele fala árabe, francês e inglês e entende italiano também. Telefone: +212 6 63 09 17 64 (ele responde ao whatsapp). E-mail: [email protected] Também recomendo o Riad Marhbabikoum. Ele é considerado um dos melhores da cidade. Entrei em contato com o dono Khalil e ele me disse que não tinha vagas, mas que conseguiria pra mim em outro local, e assim o fez. É uma pessoa confiável em Marrakech para qualquer indicação. O telefone dele é +212 6 61 34 81 14. Minha viagem para Marrakech foi planejada em cima da hora, então acabei pagando preços mais salgados do que eu esperava com hospedagem e guia, mas valeu MUITO a pena mesmo assim. Não se assuste! Apesar de tudo que narrei de ruim, a cidade é maravilhosa. Sem dúvidas, a viagem mais incrível da minha vida. Eu não sei se posso postar links/endereços aqui, mas meu instagram é carlosrigoni, caso alguém queira ver minhas fotos.
  5. O Ausangate é a montanha mais alta da Cordilheira Vilcanota, com 6.384 metros de altura, faz parte dos Andes Peruano, Região de Cusco. Existem várias possibilidades de trekkings na região, mas o mais tradicional é o que da a volta no Ausangate, levando em média de 04 a 08 dias, dependendo do tempo disponível e o que se quer conhecer. Depois de conhecer vários circuitos de caminhada no Peru chegou a vez de conhecer este lugar mágico. Realizei a viagem no início de agosto de 2019, na melhor época para conhecer a região, pois embora frio, não tem chuvas. O trekking pode ser realizado entre maio e outubro e é considerado de moderado a difícil por conta da altitude, pois se está praticamente todo tempo acima dos 4.500 metros de altitude. Depois de muito pesquisar na internet, decidi contratar uma agência somente em Cusco, o que se revelou uma boa decisão. Acabei fechando o passeio de 5 dias e 4 noites com a Sonnco Tours. 1º Dia No dia programado um representante da agência veio nos buscar no Hostel, às 08:30 horas da manhã, e nos acompanhou até o terminal de ônibus del Corredor. Tomamos um ônibus da empresa Saywas com destino ao povoado de Tinky, em Ocongate. A viagem dura 3:30 horas e tem ônibus de 30 em 30 minutos, entre as 9:00 e 18:00 horas. A estrada até lá é a Interoceânica Sur que chega até Rio Branco, no Brasil. O caminho passa pelo “Vale Sagrado Sur” e por Urcos. Depois de Urcos a estrada vai subindo em caracóis até o Passo ou “Abra Cuyuni” a 4.185 metros de altitude. A partir daí já se pode vislumbrar o majestoso complexo do Ausangate e já dá uma emoção sentir que logo mais estaremos caminhando por entre seus vales. Chegamos em Tinky, a 3.850 metros de altitude, as 12:30 da manhã. Descemos em frente ao Mercado Público do povoado onde nos aguardava nosso simpático guia local Felipe. Tinky é um pequeno vilarejo, bastante simples, que recentemente tem recebido alguma projeção turística por conta dos viajantes que querem fazer o Trekking do Ausangate, mais recentemente um passeio menos pesado, de um dia apenas, que é o das “Siete Lagunas do Ausangate”. Felipe nos levou para almoçar e depois fomos a um mercadinho onde ele comprou os mantimentos para a travessia, nos permitindo escolher o cardápio, inclusive frutas e verduras. Seguimos caminhando por cerca de três horas até a cada de Felipe, em Upis, montanha acima superando um desnível de cerca de 400 metros. Neste trecho se vislumbra sempre o Ausangate (masculino) à esquerda e Cayangate (feminino) à direita, por um caminho de terra batida usada pelos moradores locais, passando pelas propriedades com suas casinhas sempre de adobe, alpacas e alguns cavalos, e campos sendo preparados para a plantação de papas (batatas) e capim verde amarelado nesta época do ano, pois já está tudo bem seco. É nesta parte do caminho que se passa no Posto de controle e paga a entrada de 10 soles. Felipe tem uma casinha onde, no segundo andar, aloja os turistas (4 camas) com um bonito visual do Vale e das montanhas Ausangate e Cayangate (ou Callangate). O lugar é um pouco empoeirado, mas bem quentinho. Logo em frente há outra construção que é a cozinha, construída em adobe chão de terra batida. A família morra no outro extremo do terreno. Um pouco depois de chegarmos percebi que estávamos sendo espiados por quatro pares de olhinhos tímidos, mas curiosos. Eram as filhas de Felipe. Com jeitinho puxei conversa com elas e aos poucos elas foram ficando mais confiantes e, em meio a risadinhas, iam responde às minhas perguntas. A mais velha tem 12 anos e, a mais pequena, cerca de seis anos. Todas vão à escola e Felipe quer que elas sigam estudando após terminar o que seria o equivalente ao primeiro grau. Ali tivemos o mais bonito pôr do sol a iluminar o Ausangate de frente, em lindos tons amarelo alaranjados. A noite foi bem fria, mas iluminada por uma lua fantástica, quase cheia. Embora tivesse vontade de ficar na rua admirando aquele espetáculo, não fiquei muito tempo, pois estava muito frio. A estreia de Felipe como cozinheiro foi satisfatória. Preparou uma sopa de verduras, arroz, papas fritas e frango. 2º Dia Levantamos às 6:30 horas da manhã com o sol já despontando no horizonte e nos deparamos com uma forte “helada” (geada). Felipe preparou o café da manhã e depois organizou tudo nos cavalos. Iniciamos a caminha perto das 08:30 da manhã, ainda com a geada e todos os pontos de água não corrente congelados. Seguimos ainda por algum tempo seguindo a estradinha de terra (poeirenta) e depois passamos para uma trilha. Depois de cerca de duas horas, sempre subindo, chegamos a uma bonita “Pampa” (em quechua significa região plano), literalmente aos pés da montanha, com alguns moradores e muitas alpacas, ainda em Upis, a 4.400 metros de altitude. É neste local que costuma ser o acampamento para quem não fica na casa dos guias. Ali tem uma fonte de águas termais, mas não tem sido usada turisticamente, pois seguindo Felipe não é constante. Reiniciamos a subida, não tão íngreme, mas incessante, por quase duas horas, com o Ausangate e seus glaciares, sempre à esquerda até o Passo Arapa, a 4.780 metros de altitude. A A partir do Passo Arapa, caminhamos por cerca de meia hora na parte alta, por um visual quase lunar, sem praticamente nenhuma vegetação, apenas areia e pedras. Depois começados a descer, por cerca de uma hora, até o vale Huayna Ausangate e um pouco antes de chegar a Lagoa Hucchuy Puccacocha paramos para o almoço. Ali deliberamos que deixaríamos de lado o Vinicunca, que pretendíamos “atacar” na madrugada do dia seguinte, pois estávamos sentindo a altitude e a inclusão do Vinicunca tornaria o dia seguinte pesado demais. Após a “sesta” de meia horinha seguimos a caminhada passando pelas lagunas Hucchuy Puccacocha, Hatum Pucaccocha e Comerocconha, sempre com o Ausangate à esquerda. Foi um caminho lindo, com tempo perfeito, casinhas de adobe dos moradores locais, que se ficam nesta região somente durante esta época do ano, para cuidar dos rebanhos de alpacas. Neste trecho visualizamos dois acampamentos, geralmente utilizados por quem pretende ir ao Vinicunca no dia seguinte. Um fica à direita, na base do Ausangate, bem pertinho das lagunas e outro o acampamento Sorinama, fica em frente à montanha do mesmo nome, à direita do caminho, mas seguimos sempre subindo até o Passo Ausangate, a cerca de 4.800 metros de altitude, onde chegamos já com os últimos raios de sol. A partir do passo se desce quase vertiginosamente em zig zag até o acampamento da Laguna Ausangatecocha, em um desnível de cerca 250 metros. Chegamos ao acampamento já ao escurecer e com a lua despontando no horizonte. Este acampamento está localizado bem pertinho da Laguna Ausangatecocha, que fica em frente a um enorme glaciar. Conta com bons banheiros e lugar para lavar roupa e louça. O vento estava bem gelado, mas a noite com lua cheia estava divina. Felipe falou que o vento iria parar pelas 22 horas e acertou. Não sei a temperatura, mas foi uma noite muito fria. 3º Dia Novamente o dia amanheceu com “helada”. Levantamos com o despontar do sol e logo após o café da manhã fui dar uma espiada na Laguna Ausangatecocha bem de pertinho. Suas águas são muito verdes e cristalinas, resultado do degelo do glaciar logo em frente. Segundo Felipe há 12 anos, quando começou a ser guia na região, não havia a laguna ali, o que demonstra que o glaciar está perdendo espaço. Após conhecer a laguna de pertinho iniciei a subida um pouco antes dos outros, pois estava caminhando mais devagar, por causa da altitude. Nesta parte do caminho se sobre SEMPRE, com muitos zig zags de 4.650 metros de altitude até chegar em 5.200 metros de altitude, no Passo Palomani. É considerada a parte da mais difícil do caminho, por motivos óbvios. Mas, fazendo o caminho com calma, com direito a muitas fotos do “Valle Rojo” (vale vermelho), se vence sem grande sacrifício. A chegada ao Passo é bem bacana, pois a vista para os vales, dos dois lados, é muito bonita e, além disso, de um lado há uma pequena lomba, que parece um mini vinicunca, com suas areias coloridas, e do outro está a encosta de um glaciar. Certamente este passo é um dos pontos altos da caminhada. Ficamos ali bastante tempo apreciando a paisagem única. Reiniciamos a descida e cerca de 20 minutos depois começados a enxergar uma pequena laguna de laranja avermelhadas, aos pés do glaciar, à esquerda, que segundo Felipe, existe apenas a cerca de quatro anos. Mais a frente, se vislumbra um bonito trecho da montanha vermelho arroxeada. Seguimos sempre descendo até uma pampa muito bonita com visual espetacular daquele setor do Ausangate. Descemos mais um pouco e chegamos a outra pampa, bem mais ampla (Vale de Chilca), onde em frente a uma “loma” de pedras muito rosas, Felipe preparou nosso almoço. Após o almoço, seguimos adentrando o vale, sempre à esquerda e, depois de uma subida não muito íngreme, chegamos a Huchui Phinaya a cerca de 4.650 metros de altitude. Lugar muito lindo com um rio muito azul serpenteando o vale com rebanhos de alpacas, com o Puca Punta e seus dois picos ao fundo. O acampamento fica no extremo da pampa, do lado esquerdo, e dispõem de banheiros, pias e tanques, como o do dia anterior. Neste dia chegamos cedinho e pudemos apreciar o pôr do sol. Porém, para o lado do Santa Catalina estava bem nublado e tivemos o interessante efeito de estar vendo os raios do iluminando o Puca Punta em frente enquanto caiam flocos de neve sobre o acampamento e estar bem escuro na montanha às nossas costas. Mas a neve não durou muito e noite foi de lua cheia.Neste acampamento tivemos o prazer de encontrar um valoroso casal de brasileiros, de Passo Fundo, que estava fazendo o trekking de forma totalmente independente. 4º Dia Levantamos com o despontar do sol, como nos outros dias, e logo depois do café da manhã retomei a caminhada. O caminho segue pelo Vale em frente, sempre à esquerda, contornando o Santa Catalina e o Puca Punta à direita. Estava muito frio, com os pequenos riachinhos estavam congelados, e até mesmo as margens do rio. A subida não é muito íngreme, mas intermitente até o Passo Jampa ou “Abra Qqampa”, a cerca de 5100 metros de altitude. É uma região que se destaca pelo colorida das rochas, com destaque para os quartizitos de cor rosa, vermelho e verde. A localização do passo é interessante, pois está de frente ao Nevando Jampa, que lhe dá o nome, e muito pertinho dos glaciares. Reiniciamosa descida em um trilha bem estreita e pedregosa, avistando ao longe três lagunas Alcacocha . Depois de cerca de uma hora de caminhada há uma bifurcação com uma placa e se pega a trilha da esquerda (Jhampa). Neste ponto perdido no meio do nada, haviam três senhoras vendendo bonitos artesanatos de alpaca. Não resisti e tive que comprar. Um pouco depois da bifurcação fica o acampamento Paschapata. Após caminhar por mais alguns minutos passamos a avistar uma pampa e várias bonitas lagunas de águas muito lindas, sendo a maior e de águas mais claras a Laguna Pucacocha. Este trecho é conhecido como Siete Lagunas do Ausangate e tem passeios de um ou dois dia saindo de Cusco para a região. Ai fica o acampamento Pucacocha embora não fosse nosso destino do dia, me deu muita vontade de acampar ali, pois o visual das lagoas é fantástico. Neste dia tive o prazer de almoçar de frente ao pico do Ausangate. Privilégio para poucos e que faz valer muito a pena a caminhada. Neste setor tem sete lagunas e uma das que mais impressiona é a Laguna Azulcocha, pequena, mas profunda e com águas de um azul surpreendente. Após atravessar a pampa segue a descida para Pachamta, localizada a 4.300 metros de altitude. Chegamos perto das 17 horas e nos instalamos em um hostel, da familiares do Felipe, bem em frente as termas, pagando 10 soles por pessoa. É bem simples, mas de acordo com o que se encontra na região. Ficamos no segundo andar, com vista para as termas e o Ausangate. Fomos nos banhar nas termas já com o sol se pondo, pagando 5 soles. Fiquei até escurecer alternando entre a piscina de água super quente, direto da fonte, e a de água morninha resultante da mistura com água fria. A parte ruim que para tomar banho com sabonete e lavar o cabelo com shampoo você tem usar uma ducha que fica 100% ao ar livre. Como estava noite e muito frio amarelei e não lavei os cabelos. A estrutura é super básica, mas o visual é fantástico. Sai da piscina direto para o hostel e me troquei no quarto.Depois descemos para o primeiro andar onde Felipe preparou nosso ultimo jantar. 5º Dia Levantei cedinho e meu companheiro de caminhada já estava na piscina esperando o sol nascer. Não me animei, pois estava bem frio e esperei o café da manhã, que neste dia consistia de panquecas feitas na hora, com doce de leite. O trajeto do último dia é bem mais tranquilo, pois se segue sempre por uma estradinha de terra, passando por diversos pequenos povoados, até chegar em Tinki. Como era bem cedinho passei por diversas crianças indo para a escola e camponeses trabalhando nas plantações de papas ou lindando com alpacas. Já mais perto de Tinki aparece um outro carro, o que levanta muita poeira da estrada. Chegamos em Tinki peças 10:30 da manhã e após nos despedirmos de Felipe tomamos o ônibus das 11 horas com destino a Cusco, onde chegamos perto das 15 horas. Contratei o passeio com a Soncco Tours, por USD 230,00, incluindo passagem de ida e volta, refeições, guia/cozinheiro/arriero (Felipe), barracas, cavalo para equipamentos comuns e mais 5 quilos de bagagem individual. Não incluído o saco de dormir, café da manhã do primeiro dia, almoço do último dia. Custos extras: 10 soles na entrada, 10 soles acampamento Ausangatecocha, 10 soles acampamento Huchuy Pinaya, 10 soles hostel em Pachanta e 5 soles nas termas de Pachanta. Eu realizei o passeio com a agência Soncco Tours, com Evelin +51 964-289453, por USD 230,00 (base duas pessoas). Recomento ainda a Qorianka Tour +51 974-739305 ou direto com Renato no watts +51 986-960796 e Inkapal, com Rubens, +51 931-325 810 (USD 280,00), ambas ótimas agências que me atenderam super bem em outros roteiros, porém com preços mais salgados(em torno de USD 350 a USD 400,00). Mas deixo a super recomendação de contratar direto o nosso excelente e muito confiável guia Felipe, watts +51 974 513-747, que cobra somente 480,00 soles por pessoa (base duas pessoas) e foi quem fez tudo em realidade. Somente será necessário comprar a passagem em Cusco e encontrá-lo no dia e horário combinado em Tinki. Além de ser mais barato é uma forma de remunerar melhor e diretamente os moradores locais. Outro guia muito prestigiado na região é o Cirilo watts +51 941 005 350. Cheguei a contá-lo, mas ele já estaca com saídas agendadas para o mesmo período. Para quem faz questão de conhecer o Vinicunca tem uma opção que achei interessante, que a faz o caminho no sentido contrário: Tinki- Pachanta, Pachanta - Hunuy Pinaya, Hunuy Pinaya –Ausangatecocha, Ausangatecocha - Ananta (Lagunas coloridas), no último dia Ananta a Montanha Siete Colores / Vinicunca e retorno a Cusco desde o vilarejo de Pitumarca – Checacupe. O Renato da Qorianca Tours me ofereceu esse passeio por USD 380,00. Dicas: Verifique antes a qualidade da barraca e isolante oferecidos e do saco de dormir, acaso vá alugar. Em geral o equipamento é por conta do guia local e como é uma região bem pobre, pode deixar muito a desejar. Se tiver equipamento próprio que vale a pena levar o seu. - atentar que por causa da altitude as noites são bem frias. Eu fui com meu saco de dormir ­ -7 º conforto e mais um cobertor fininho, tipo liner e ia dormir com as roupas polartek da Solo e não passei frio, apesar das noites bastante frias; - protetor solar e manteiga de cacau ou protetor para os lábios também são importantes, pois o sol é forte e o vento bem frio; - levar papel higiênico e saquinhos ou sacolas para acondicionar o lixo; - mesmo que contrate agência levar soles para pagar acampamento/alojamento/termas e algum artesanato local, em especial os texteis de alpaca que são mais baratos do que em Cusco; - para quem tem bom condicionamento físico, está bem adaptado na altitude, não quer/pode gastar muito, ou quer uma aventura mais raiz, é perfeitamente possível fazer o passeio por conta. O caminho é bem marcado, mas um GPS é fundamental, pois pode chover nevar, ou a noite pode chegar sem que tenha chegado ao acampamento. Altitudes e distâncias aproximadas, pois não usei GPS: 1º dia: Tinki – 3.850 m – Vilarejo de Upis (casa do Felipe) – cerca de 4.200m – 8 km; 2º dia: Upis – 4.200 m, Passo Arapa – 4.780, Passo Ausangate – 4.800, Ausangatecocha 4.650 m – 18 km; 3 º dia – Ausangatecocha – 4.650m, Passo Palomani – 5.200m, Huchuy Pinaya – 4.660 – 13 km 4º dia – Huchuy Pinaya – 4.660m, Passo Jampa – 5.100m, Pachanta – 4.330m – distância 18 km 5º dia – Pachanta – 4.330m, Tinki – 3.850 m – 12 km.
  6. Mais uma vez graças a esse site, minha trip rumo à Patagônia Argentina saiu e foi mais que perfeito. Gostaria de compartilhar minhas experiências e mostrar a vocês um pouco do que esse canto do planeta nos reserva. É simplesmente mágico. Antes de iniciar, informo que fui no verão e nisso há uma particularidade: os dias são mais longos, ou seja, temos luz até quase 20h30. 🌞✌️ E isso foi um grande diferencial para essa viagem ser aproveitada ao extremo. Mesmo sendo verão, não significa que pegamos dias extremamente quentes, portanto, como boa mochileira que se preze, usei e abusei das roupas em camadas. Tendo roupas de boa qualidade, é possível estar confortável, quente e ao mesmo tempo fresca para curtir a trip, e principalmente, leve. O que faz toda diferença de peso numa caminhada. Declathon é nosso templo!! 🙌 Itens do Mochilão: 3 fleeces; Jaqueta corta vento e à prova de água; 1 calça que vira bermuda e seca rápido; 2 calças segunda pele; 6 camisetas dry fit; 3 baby look de algodão; 8 pares de meias (diversificadas entre caminhadas leves e meias para lugares de neve); Bolsa de hidratação 2L; Toalha (daquelas que secam rápido); Higiene pessoal: sabonete, shampoo, condicionador, aerosol para pés, toalha umedecida e hidratante. Sugiro colocar na mala tb Bepantol (extremamente hidratante e não deixa a pele craquelar ou sagrar por conta dos ventos frios); Necessaire com itens de primeiros socorros: aí fica a critério de suas necessidades, na verdade, levei e não usei nada, com exceção do Dorflex e o gel para dores musculares (grandes amigos diários); Touca; Luva; Bota de trekking (a minha é da Timberland Chochorua GTX); Lanterna; Protetor para orelha de fleece (grata surpresa e aliado); Protetor auricular e venda para olhos; Óculos de sol; Carregador universal (pq as tomadas argentinas são diferentes das brasileiras); Câmeras e baterias reservas; Caderno para anotações e caneta; Bastão de caminhada (melhor parceiro da viagem).😍 Levei tb um arsenal de mix de frutas secas, barras de cereais e um fardinho de todinho para garantir os lanchinhos. Cronograma: Dia 1: São Paulo - Buenos Aires Dia 2: Buenos Aires - El Calafate Dia 3: El Calafate: Glaciar Perito Moreno + Minitrekking Dia 4: El Calafate - El Chaltén Dia 05: El Chaltén: Chorrillo del Salto (6km) + Mirador de Los Cóndores (2km) y de las Águilas (4km) = 10 km ida e volta Dia 06: El Chaltén: Laguna Capri (8km) ida e volta Dia 07: El Chaltén: Laguna Torre (18km) + Laguna Madre y Hija (8km) = 26km ida e volta Dia 08: El Chaltén: Laguna de los Tres (18km) ida e volta Dia 09: El Chaltén: Descanso Dia 10: El Chaltén: Loma del Pliegue Tumbado (24km) ida e volta Dia 11: El Chaltén - El Calafate Dia 12: El Calafate: Ríos de Hielo Dia 13: El Calafate - Torres del Paine (Chile) Full day Dia 14: El Calafate - São Paulo Apesar de ser Patagônia, o foco principal foi conhecer com tranquilidade as trilhas que El Chaltén pode oferecer. Enfim, bora começar esse relato que é o que interessa. Dia 1: São Paulo - Buenos Aires Para quem nunca foi para o aeroporto de Guarulhos de ônibus é bem tranquilo e econômico: sai um buso da estação Tatuapé direto para GRU por R$ 6,15 num trajeto de aproximadamente 50 min. Meu vôo para BA levou umas 2h30 e como o voô para El Calafate sairia no dia seguinte pela manhã, optei em ficar num hostel na capital para tomar um banho e esticar as pernocas. Me hospedei no 7030 hostel e curti. É bem localizado no bairro de Palermo e a 9km do aeroporto. Fiz esse trajeto de transporte público: comprei um cartão SUBE (equivalente ao nosso bilhete único de SP) e paguei ARG 25 pelo cartão + ARG 10 pelo trajeto. Lá eles cobram por trecho. Depois de uma caminhada por algumas quadras, finalmente cheguei. Fiquei feliz por estar movimentado com ruas e bares cheios às 23h. Admito que estava receosa em andar sozinha à noite num país desconhecido. Mas foi tranquilo. Dia 2: Buenos Aires - El Calafate - Batendo perna + Glaciarium: Logo cedo voltei ao Aeroparque e fui rumo à El Calafate para enfim a trip começar. Contratei com a empresa Vespatagonia o transfer de ida e volta http://www.vespatagonia.com.ar/ custou ARS 280 e foram muitos responsáveis com horários e prestação de serviço. Ficam dentro do próprio aeroporto no box 6. O hostel que fiquei foi o Bla. Está muito próximo da avenida principal e tudo pode ser feito à pé. Era bem limpo e organizado, mas o staff pouco informado e não muito prestativo. Aproveitei meu dia livre para conhecer o Glaciarum http://glaciarium.com/es/ que é um centro de interpretação de Glaciares. A entrada custou ARG 330 e o transporte é gratuito a partir do centro de informações turísticas. O lugar é bem tecnológico e mostra de forma dinâmica as transformações que a terra passou, como são criados os glaciares e icebergs, a importância desses gigantes no planeta e curisidades sobre seus exploradores, que nomeam as famosas cadeias de montanhas da região. Acho válida a visita, para poder olhar com olhos mais aguçados para o gigante que iria conhecer no dia seguinte. Dia 3: El Calafate - Perito Moreno + Minitrekking: Fechei esse passeio direto no hostel por ARG 3300 com minitrekking e chegando no parque foi necessário desembolsar mais ARG 500 para entrar no parque. É meus amigos, vir para essas bandas significa desembolsar muitas moedinhas, portanto, organizem-se! 😉 Uma van nos busca no hostel e nos leva para o Parque Nacional Los Glaciares onde a guia nos explica sobre sua importância, que foi criado em 1937 e quais as razões de manutenção de flora e fauna, fora a delimitação de limites com o vizinho Chile. Dá detalhes sobre o gigante Perito Moreno e tivemos tempo livre para passear pelas passarelas, comer algo e depois marcamos um ponto de encontro para irmos ao porto para fazer o minitrekking. O dia estava nublado e chuvoso, mas não tirou a magnitude e a felicidade de conhecer pessoalmente o famoso paredão azul que eu namorava por fotos há anos. A imponência desse gigante de gelo é incrível e só estando lá percebi que ele é extremamente móvel. A água que o circunda é de uma força descomunal e isso o faz se movimentar e não é raro presenciar os famosos desprendimentos. São estrondos que impõem respeito e merecerem toda a nossa atenção. No horário combinado, nosso buso saiu rumo ao porto para nos levar ao minitrekking e do barco foi possível enxergar o glaciar de outro ângulo. Por conta da força das águas, a gelereira é constantemente modificada e formam-se cavernas e túneis. Na véspera de nossa ida, tinha uma espécie de ponte de gelo formada pelos contantes desprendimentos, mas quando foi nosso dia de visita essa ponte tinha caído, por isso na foto acima tem esse imenso vão. Fomos recebidos pela empresa Hielo y Aventura que é única autorizada a operar no minitrekking. Eles dispõe de dois passeios: minitrekking e big ice. A diferença entre eles é o tempo e a distância de percurso. Como a diferença de preço era muito grande, optamos por fazer o minitrekking mesmo, mas sem arrependimentos. Foi lindo. O passeio dura 1h30 e antes de iniciar o guia explica sobre gelos e glaciares, mas eu estava bem antenada por conta da minha pré aula no Glaciarium 😅. Em seguida somos levados para colocar os grampones nas botas para que possamos ter uma melhor aderência no gelo. PS: Óculos de sol e luvas são obrigatórios! Depois das instruções de como andar usando os grampones com segurança e aproveitar melhor a caminhada, finalmente começa o passeio. Inicialmente é meio sujo porque muita gente passa por lá, mas depois nosso guia nos leva para partes mais altas, limpas, onde é possivel ver água cristalina (pode beber, é uma delícia) e por várias formações curiosas. Para finalizar o passeio, nos levam para uma gruta formada pela geleira onde é possível tomar água geladinha e cristalina e ver de perto a força dessa água que faz esse gigante ter a fama que tem. E o fechamento com chave de ouro é uma dose de whisky com gelo glaciar. Esse dia entrou pra história. É uma delíciar fazer "check" num lugar que estava na sua lista dos sonhos. Dia 4: El Calafate - El Chaltén Nosso buso rumo à capital nacional do trekking sairia no final da tarde, portanto, aproveitamos o dia para bater perna e conhecer um pouco El Calafate. Infelizmente Pedrão estava de torneirinha aberta e o tempo bem fechado, mas não desanimamos fotos fotografar as duas placas icônicas da cidade: Gosta de história? Passe na Intendência do Parque Nacional Los Glaciares. A entrada é gratuita: Está localizado no centro comercial, prédio construído em 1946, declarado Monumento Histórico Municipal. Você pode caminhar pela propriedade circundante, através de um caminho interpretativo, identificar a flora nativa, exótica ou introduzida. Também um caminho de interpretação histórica, amostras de máquinas antigas que foram usadas quando o Parque Nacional começou a operar, um evento que a transformou na instituição pioneira para o desenvolvimento da área. DICA DE OURO!! 🥇 Seguindo dicas de outros amigos que fiz nesse site e que estavam antes de mim, fiz as compras de provisões de comida para o período em El Chaltén em El Calafate por dois motivos: preço e variedade. Compramos pacotes de pães de forma para fazermos lanches nas trilhas, mais provisões para complementar nosso café da manhã e fazermos nosso jantar, já que é extremamente caro comer fora todos os dias. Infelizmente a Argentina está passando por uma recessão violenta e mesmo nosso dinheirinho valendo 6x mais, os preços são tão inflados que nossa conta saiu mais cara que num mercado em SP. Mas quem converte não se diverte, então vamos que vamos. Depois de bater mais perna e almoçar, retornamos ao hostel para os ajustes finais e esperar o horário de nosso buso. A viagem até El Chaltén durou aproximadamente 3h sem paradas. Nossa pousada nos próximos sete dias foi o hostel Cóndor de los Andes. El Chaltén é muito pequena no quesito ocupação humana, mas é nela que fica a maior parte do Parque Nacional e diferente de El Calafate não se paga para entrar em nenhuma das trilhas. Por conta de sua extensão é que recebeu o título de Capital Nacional do Trekking.😀 O hostel é limpo, bem climatizado, mas o café deles é bem ruinzinho, então usamos nossas compras complementares para nosso café como frutas, cereais e ovos para enriquecer nossa alimentação que seria meio prejudicada, pois sabíamos que iríamos gastar muita energia. P.S.: Sugiro colocarem na lista de comidas vindas do Brasil: cereais como aveia e linhaça (por estarmos acostumadas como nosso arroz e feijão de todos os dias, a comida dos vizinhos se baseia em carne e batata, portanto, muito seco para nós). Invistam em alimentos com fibras, é sucesso e água, muita água. Café solúvel (porque infelizmente o café de lá não tem muita cafeína). A variedade de frutas é limitada, mas dá pra se virar com o que tem por lá. Alimentação é uma das bases de sucesso de uma viagem como essa. Dia 05: El Chaltén: Chorrillo del Salto (6km) + Mirador de Los Cóndores (2km) y de las Águilas (4km) = 10 km ida e volta Nossa programação de trilhas de baseou em um formato progressivo. Iniciar com as trilhas mais tranquilas, fáceis e de pouca quilometragem para depois gradativamente aumentarmos o grau de dificuldade e exigência, e foi uma escolha bem acertada. Iniciamos com a cachoeira da região chamada Chorrillo del Salto. As trilhas são bem demarcadas e emplacadas, não tem como se perder ou se sentir insegura (no caso para nós mulheres que sempre temos que ter atenção redobrada em grandes cidades ou qualquer lugar). Essa cidade foi uma grata surpresa, pois em nenhum momento, andando pelas trilhas incríveis que vivenciei, senti minha segurança abalada. Portanto, MULHERADA, SE JOGA!!!💃🏽 É uma caminhada plana e tranquila e encontramos muitas pessoas da terceira idade pelo caminho. Aliás, isso é muito inspirador e estimulante. Muito bacana. Esse caminho é norteado pelo Río de las vueltas. São 3km do ponto inicial e como eu disse, bem tranquilo e sussa. A cachoeira é pequena, mas é um lugar bonito. Aproveitamos a vista para fazer nosso lanchinho. Animadas com a tranquilidade do percurso e que apesar de nublado, tínhamos aí mais tempo de luz, emendamos e fomos para a outra ponta do parque rumo às duas trilhas de nível fácil: Mirador de los Cóndores y de las Águilas. Sendo a qualidade de mirantes, o percurso era em forma de subida zigue e zague com vários pontos de paradas e para os cansados, bancos para descanso. No mirador de Los Cóndores vê-se El Chaltén em sua totalidade. E tivemos a sorte de ver um Cóndor dar show. É considerada a maior ave andina com envergadura de até 3m. Mesmo com o dia bem encoberto, a beleza de cadeia de montanhas que circunda a cidade é encantadora. Estava maravilhada com o pouco que pude ver, e torcia internamente para que os próximos dias fossem mais limpos. Esses caminhos foram nosso test drive com nossos bastões de caminhada que tiveram papel determinante para o sucesso da viagem. Já que infelizmente meus joelhos já não são tão 100%, mas esse bastão é salvador. Coloquem na lista de vocês, é um investimento mais que válido. Terminamos nossas contemplações e caminhadas bem no final da tarde, quase início de noite e foi sucesso. Dia 06: El Chaltén: Laguna Capri (8km) ida e volta O tempo infelizmente fechou de vez, mas não arruinou nossos planos de bater perna por aí. Tempo chuvoso, nublado e bem cinza. Frio, muito frio. Fomos conhecer a Laguna Capri. Durante minhas pesquisas vi fotos belíssimas desse local. Mas a neblina e o tempo fechado não nos deram essa sorte. De toda maneira, achei lindo. A vista de gelos glaciares, mesclado com o verde das árvores e o cinza das montanhas. A natureza é muito sábia. Referente ao clima isso era previsto, pois em todos os relatos nos diziam sobre essas oscilações. Fizemos uma caminhada tranquila, apesar do tempo gelado. Voltamos ao hostel para secar as roupas e ficar no quentinho. Pedrão, pregando uma peça fez questão de fechar a torneirinha e deixar o céu limpissimo. Mas aí estavamos no quentinho do hostel, bateu pregui de sair. Mas tínhamos a certeza de que o próximo dia seria mara! E foi!! Dia 07: El Chaltén: Laguna Torre (18km) + Laguna Madre y Hija (8km) = 26km ida e volta Como previsto no dia anterior, o clima estava melhorando e fomos rumo à Laguna Torre: Foi nosso primeiro longo trekking. O dia estava bem nublado, mas vimos melhoras no decorrer do dia. Essa trilha é muito bonita. Começa com uma subidinha para ver El Chaltén do alto e segue por uma reta sem fim. É um descampado margeado pelo rio e protegido pelas montanhas e seus picos nevados. Depois entra-se num bosque com árvores imensas e o rio sempre margeando. Portanto, se quiserem encher suas garrafinhas, é sucesso e água geladinha advinda dos glaciares garantida. Todas as trilhas que percorremos mostram a quantidade de km percorridos, então isso dá uma noção de espaço e tempo. Os dois km finais são de subida. Mas com nosso super bastão de caminhada, foi tranquilo. Antes de subir, se quiser, rola um banheiro. Subimos seguindo os demais grupos de pessoas que estavam por lá e antes de avistar o destino, a carinha das pessoas que lá já estavam eram de total felicidade e contemplação. Ao me virar para onde todos olhavam, tive certeza que tinham razão. É bonito. Apesar da montanha Cerro Torre estar encoberta, achei maravilhoso. Normalmente as pessoas emendam essa trilha com o Mirador Maestri que estava a 4km de lá. Mas por algum motivo minha amiga e eu não vimos placas que indicavam para lá e voltamos. No meio do retorno, o tempo abriu completamente e uma plaquinha nos chamou a atenção: Laguna Madre e Hija. Estávamos procurando por ela ontem, após a Laguna Capri, mas erramos alguma parte da trilha e voltamos para o ponto inicial. O tempo tb estava muito chatinho. Mas Pedrão como é nosso amigo, fechou torneirinha e nos proporcionou essa caminhada. Estávamos numa alegria e num pique master. Caminho reto e plano, mas para nossa alegria (SQN) vieram as subidas, que subidas!!! E diferente das outras trilhas essa não mostrava quantos km tinhamos percorrido, mas a panturrilha estava dizendo que foram muitos. Enfim, terminado o suplício das subidas sem fim, caminhamos por outra parte plana e mais fechada, de repente, abriu-se e vimos água! Todo o cansaço se foi. Era perfeito! Fizemos nossa parada para agradecimento e contemplação. Não sei precisar quanto tempo passamos por lá. Só olhando, admirando, sem pensar em nada e cumprimentando todos os viajantes que por lá passavam, já que era ponto de passagem para quem iria acampar e ficar próximo da Laguna de los tres. Voltamos muito felizes com esse dia produtivo e lindo. E finalmente pudemos ver a imponência de Cerro Torre pela primeira vez em sua totalidade. O parque nacional tem muitos moradores, fomos apresentados também a um pica pau. Esse dia foi memorável. Daqueles que nem dá vontade de ir embora. Mas lembramos que um longo trajeto de volta nos esperava, então partimos rumo à cidade. Dia 08: El Chaltén: Laguna de los Tres (18km) ida e volta Decididamente a trilha mais desafiadora de todas, e sem dúvida, uma das mais bonitas. O dia não poderia ser mais perfeito. Limpo, céu azul e o famoso mirador Fitz Roy na sua totalidade. O percurso foi bem lindo e tranquilo. Muitas montanhas, bosques, água, gente legal pelo caminho. . Cada lado que você olha, dá um encantamento sem fim. Até chegar o km final. Pensamos: 1h?! De boas!!! Mas era o senhor das subidas. Terreno íngrime e instável. Não conseguia ver o final, mas estava muito motivada a chegar logo. Foi quando vi uma parte mais plana e nevada e pensei: cheguei!!! Só que as pessoas que encontrava pelo caminho me diziam ao contrário. Mas incentivavam a continuar pq estava muito perto. 1h16 de subida depois e quase fôlego, entendi o que estava tão escondido: Finalmente a encontrei Laguna de Los Tres. Tão verde mesclada com o branco da neve. Linda!!!! Esforço que valeu a pena. Essa empreitada nos custou 9h. Sendo 5h de ida e 4h de volta. MIssão cumprida. Pela primeira vez pegamos o parque à noite, então deixem em suas mochilas uma lanterna pq ajudam nessas situações. Chegando no hostel, juntamos nossas últimas energias e fomos fazer nosso delicioso jantar regado a muita cerveja pq merecemos. Superamos totalmente nossas expectativas. Dia 09: El Chaltén: Descanso Depois da empreitada do dia anterior, decidimos tirar o dia de hoje para fazer absolutamente nada e dar ao corpo o descanso merecido. Coincidentemente o tempo virou e conhecemos os famosos ventos Patagônicos. Realmente são muito fortes e impossível fazer trilhas com eles porque desestabilizam qualquer pessoa. Dormimos até mais tarde, comemos com calma e ficamos só observando esse vento varrer tudo que vinha pelo caminho. Quando deu uma trégua, pela primeira vez fomos almoçar fora e nos demos de presente um bom churrasco e cerveja artesanal. Foi bem tranquilo e aproveitamos o dia livre para comprar nossas passagens de volta para El Calafate e fazer nossas últimas compras de mercado. Fizemos uma parada numa agência de viagens para tirar dúvidas e o dono muito prestativo nos brindou com uma boa conversa e aulas sobre diversos assuntos e tinha um programa mara que mostrava a quantidade de ventos da região e nos deu a boa notícia que o dia seguinte seria limpo, sem ventos e perfeito para um trekking e nos fez uma sugestão. Ansiosas para a chegada do dia seguinte e que a profecia do senhor da agência estivesse correta, fecharíamos El Chaltén em grande estilo. Esse day off foi essencial, necessário e produtivo. Dia 10: El Chaltén: Loma del Pliegue Tumbado (24km) ida e volta Corpo descansado e mega animada, corro para janela e tenho a seguinte visão: Era muito cedo e o sol já estava iluminando nossas queridas montanhas e a dúvida seguinte era: e os ventos?! Ficaram pra trás!! Portanto, seguindo a sugestão do dono da agência, fomos para a trilha de maior km da viagem: 24km ida e volta com uma visão 360º dos principais pontos de El Chaltén. É possível isso, produção? Vamos lá ver então com nossos próprios olhos. Antes de começar nossa empreitada, fizemos nossas provisões e alongamentos diários porque Laguna de los Tres tinha deixado nossas pernocas bem fadigadas. A entrada dessa trilha é a mesma dos miradores que fomos no primeiro dia, mas agora seguiríamos sentido contrário. Esse mirante tem uma altura de mais de 1400 metros, portanto, bora subir. Mas não há subidas íngremes pelo caminho. Aos poucos você El Chaltén se distanciando e se depara com um lindo bosque. Por conta do clima e dos ventos do dia anterior, esse bosque estava todo nevado. Muito legal. Terminado esse bosque vemos uma coisa maravilhosa e parecemos duas crianças: O mirante Loma del Pliegue Tumbado. Neve por todo canto e as montanhas em sua totalidade e céu perfeitamente limpo. Mas esse não é o fim do passeio. Afinal, a cereja do bolo é lá do alto. Tínhamos mais um tanto para caminhar. Nunca experimentamos neve na vida e foi tudo novidade e muito legal. Desse ponto até o final seriam 2km de caminhada. Os bastões foram grandes aliados, pois, apesar da neve fofa, haviam muitos pontos de gelo escorregadio e eles os deram firmeza para seguir a subida sem levar um capote, mas não nos livrou dos escorregões...rs. Esse foi o ligar que mais passei frio. Apesar da bota ser impermeável, ela não é feita pra neve, então, o frio entrava nos meu pés, isso me deixou meio desconfortável. Mas não desanimada. Corre que esquenta!! Finalmente chegamos: Que sensação, meus amigos!! Que beleza!! Vê-se a Laguna Torre de um ângulo lindo: Também é possível der o Lago Viedma: E o Río de la vueltas: Decididamente o lugar mais lindo de todas as trilhas que fizemos. Você olha pra todos os cantos e desacredita que chegou tão longe e não tem o que fazer senão agradecer, agradecer sempre pelas oportunidades que nos são dadas. Não sei por quanto tempo ficamos. Achamos um local abrigado do vento (que não era pouco), comemos e depois fizemos nosso caminho de volta com nossos melhores sorrisos: E na volta como passe de mágica, a neve tinha se desfeito. É impossível não ficar completamente apaixonada pelas montanhas que circundam o caminho. Tiramos muitas fotos, mas parece pouco. Elas são lindas demais. Não é à toa que essa cidade é a Capital Nacional do Trekking. Sabe receber muito bem viajantes de todas as partes do mundo com uma generosidade sem fim. Realmente um local que todo mochileiro se sente em casa e bem. Tudo isso foi possível por preparo no planejamento de roteiro e um preparo físico que nos foi cobrado e fizemos com louvor e não tivemos desistência em nenhuma das trilhas e nenhum acidente. Estávamos bem amparadas: Nossa última noite em El Chaltén foi nos esbaldar no happy hour com double beer e muitas empanadas para comemorar nosso feito. Cheers! Obrigada por nos proporcionar todas essas experiências, El Chaltén. ❤️ Dia 11: El Chaltén - El Calafate Deixamos com muita alegria El Chaltén para fazermos a parte final de nossa viagem. Retornamos a El Calafate e tivemos um final de dia tranquilo. Nossa última hospedagem foi o America Del Sur Hostel. Definitivamente o hostel mais bonito que fiquei. Tem um deck de madeira gracinha com vista para o lago argentino e é muito arborizado e tem o melhor café da manhã ever. A galera é muito animada e toda noite tem uma temática diferente: noite da pizza, noite do churrasco, ladies night, open bar, música boa, gente bonita. Nossa última noite livre foi de caminhar tranquilamente pela orla do lago e ver o pôr do sol e conversar com as pessoas que por lá estavam. Afinal, seria a última oportunidade de contemplação plena. Os dois dias seguintes seriam de uma maneira que nos desacostumamos, mas que iríamos fazer já que estávamos tão longe: passeios estilo turistão. Daqueles que você não faz esforço de nada a não ser de estar pronto para te pegarem e te levarem de volta. Vejamos como será. Dia 12: El Calafate: Ríos de Hielo Fechamos diretamente no hostel esse passeio que custa umas boas moedas: ARG 2400 + 500 de entrada para o parque. Nós brasileiros, nunca ousaríamos pagar isso num passeio aqui no Brasil, mas quando estamos longe, fazemos cada coisa. Esse passeio consiste num passeio de barco pelo braço direito do Lago Argentino e conhecer os maiores glaciares do Parque Nacional: Spegazzini e Upsala. Disseram que há anos atrás também contemplava Perito Moreno, mas como mudou de operadora, ele hoje está fora do roteiro. É um passeio que começa bem cedo. Por volta das 7h passam no hostel para pegar o pessoal e levar até o Porto Bandeira A embarcação tem dois andares climatizados e com bancos muito confortáveis. Lá tem cafeteria e lanchonete, mas como tudo é muito caro, sugiro levar seu lanchinho e ser feliz. Para que não quer se preocupar, é só sentar e ver o passeio, mas como somos curiosas, ficamos no frio do lado de fora para ver melhor esses gigantes. A primeira parada é no glaciar Upsala: Apesar o dia cinza, a cor azul é muito prediminante e sua altura impressiona: pode ultrapassar 100 metros de altura. Em seguida entramos no braço Spegazzini e conhecemos o glaciar de mesmo nome, prestem atenção na proporção barco x altura do glaciar: E por fim o glaciar Seco: Às 15h o passeio retorna ao Porto Bandeira. Dia 13: El Calafate - Torres del Paine (Chile) Full day Durante as pesquisas de roteiros para essa viagem, apareceu em um dos posts sobre o parque do país vizinho: Torres del Paine. Fiquei encantadíssma, mas lendo os relatos para se fazer alguns dos circuitos de lá eu precisaria dispor de pelo menos quatro dias. Como priorizamos El Chaltén, infelizmente nos sobrou fazer o full day que eles oferecerem. Se me perguntarem se gostei, não vou dizer que não. Mas por ser um passeio estritamentente de ônibus com aquelas paradas de 10 minutos para ver, tirar foto correndo e sair, eu achei ruim. Quando se pega gosto por fazer coisas dentro do seu tempo e à sua maneira, fica meio difícil voltar a se encaixar nesses moldes turísticos. Falando sobre esse full day, o passeio também foi fechado no hostel por ARG 2700 e a entrada no parque era em peso chileno (não aceitam dólares e nenhuma outra moeda). A entrada custa CPL 6000. Como é uma longa viagem, eles nos buscam no hostel cedo: 5h30. Para quem não tem peso chileno, não se preocupe: eles têm um ponto de parada antes do parque onde você pode trocar dinheiro pelo valor que eles querem 😫 Mas se você não tem o raio do dinheiro deles, de nada adianta, você não entra no parque. Mas que me senti assaltada, ah, isso me senti. Então fica outra dica: se forem fazer esse passeio já levem o peso chileno daqui. O câmbio certamente será melhor. O ônibus é bem estilo turístico mesmo com um guia falando num microfone que não dava pra entender direito por conta da interferência. Logo na entrada do parque é possível se avistar de longe e com bom zoom o maciço das famosas Torres del Paine: O primeiro ponto de parada foi de frente com o Lago Sarmiento: Corre que vocês têm 15 min para fotos!! Em seguida o ônibus sobe e para no mirante Torres del Paine: E também avistamos muitos Guanacos de boas na paisagem: Ai o guia disse que desceríamos e faríamos uma trilha. Olhinhos brilharam! Finalmente uma caminhada por algum lugar. Mas para nossa tristeza era um percurso de 15 min por um caminho plano, mas do nada veio uma ventania que não deixava ninguém em pé. Resultado: tivemos que ficar sentados para não sermos levados Com a mesma rapidez que a ventania chegou, ela se foi. E então pudemos ficar em pé novamente, nossa caminhada miou e o nosso guia logo nos indicou o local onde almoçaríamos (incluso no valor do passeio com entrada + prato principal + bebida + sobremesa). Muito bonita a vista até lá com margem com Lago Pehoé: Terminado o almoço era hora de voltar para El Calafate. Chegamos no hostel depois das 23h esgotadas. Por ser final de trip as energias já estavam quase no fim, mas foi uma experiência muito boa. Mas agora revendo essa história, creio que aproveitaria muito mais dedicando dias completos e conhecer melhor esse vizinho e suas belezas. O full day dá pinceladas, mas não nos dá a oportunidade de aproveitar nada, já que todo o tempo é cronometrado. Agora é dormir, porque voltamos para casa amanhã. Considerações finais: A Patagônia é um lugar mágico e mostra o que melhor que nós temos. Nossa força, generosidade, curiosidade, amizade e a capacidade diária de aprender e ensinar algo. E, acima de tudo, a troca com os demais viajantes. Portanto, espero ter colaborado um pouco para as pessoas que colocaram esse destino em sua lista de desejos, e, qualquer dúvida, estou à disposição. Tenho as planilhas de organização e custos, caso desejem para nortearem seus planejamentos.
  7. Olá pessoal. Estou planejando uma viagem para a chapada. Roteiro em aberto. Como estou viajando sozinho, estou buscando companhia para compartilhar a viagem e os custos. Já estou com a passagem comprada, irei passar uns dias antes para conhecer Brasília. Enfim. Vamos conversando.
  8. Peço desculpas se não poderia postar aqui ou se já há outro post semelhante. Pretendo fazer o Pico da Bandeira nesta temporada de montanha e tenho uma Super Esquilo 2, mas acredito que o ideal seja levar uma barraca de bem menos peso para uma pessoa mais equipamento (cargueira grande). A dúvida que tenho e peço a ajuda dos mais experientes é sobre barracas leves que possam ser usadas no frio da região, que chega a uns -4ºC (como ano passado). Já li em alguns posts que vale mais o tipo de saco de dormir e roupas do que a barraca, outro ponto que tenho dúvida, pois tenho um modesto Micron X-Lite e penso em usá-lo com um liner Thermolite Reactor Extreme da Sea to Summit (os dois juntos bem mais leves e com menor volume do que um saco de dormir de 1,7Kg. Seria uma boa opção para a região em Julho?
  9. Eu fui a Cortina d'Ampezzo no verão, quando nenhuma das pistas estava aberta, então não posso ajudar muito em relação as pistas de esqui, a única coisa que eu sei, é que alguns dos teleféricos que sobem as montanhas saem do centro da cidade. Tem uma pista naquela montanha a oeste da cidade, estava fechada quando eu fui, o teleférico para ela sai do centro, mas me pareceu ser um pista com uma dificuldade um pouco maior, não sei se seria adequada para iniciantes, teria que se informar melhor a respeito se a ideia for realmente esquiar. Mas em todo caso, no inverno deve haver várias pistas para iniciantes a 10 ou 15 minutos de táxi a partir do centro. Eu passei por Cortina d' Ampezzo no verão, estávamos de carro voltando de uma viagem a Eslovênia, ficamos só um dia e meio em Cortina, o suficiente para fazer a trilha do Lago di Sorapis no primeiro dia, fomos de carro até o começo dela, mas ela fica pertinho do centro, acho que uns 10 ou 20 minutos de táxi. No outro dia de manhã cedo subimos no teleférico de Mandres Faloria, e depois do almoço pegamos a estrada rumo a casa. O que seria absurdamente caro para você? Mas dê uma olhada em algumas opções disponíveis: https://www.viator.com/Cortina-dAmpezzo/d25557-ttd Ps. Os preços dos tours da página inicial assustam, mas ordene por preço crescente, e aparecem opções um pouco mais acessíveis.
  10. Olá pessoas, Em Outubro de 2019 fiz uma viagem de férias ao Cáucaso, 18 dias de viagem mais exatamente. Eu não sou de fazer relatos de viagem, mas, quando comecei a pesquisar de como viajar por lá, vi que existia muita pouca informação disponível, visto que são países não muito conhecidos por brasileiros. Então resolvi postar um relato da viagem para ajudar quem queira viajar por essas bandas. Vou dividir o post em duas partes, a primeira apenas com informações sobre como fazer turismo, a segunda o relato da viagem, bom, não sei ainda, eu não sou muito bom de escrever história, então pelo menos vou fazer a primeira parte. Cáucaso A primeira pergunta que me fiz foi, esses países estão na Europa ou na Ásia? A resposta que encontrei foi: Sim. Sim o quê? Foi uma pergunta "ou"... Ok, imagine você na ponte da amizade, entre Brasil e Paraguai, bem no meio dela você pisa um pé no lado paraguaio e o outro no brasileiro, ou seja, você está em dois solos ao mesmo tempo. O cáucaso é a mesma coisa mas em proporções paisescas gigantescas. Geograficamente, segundo a National Geographic, o continente Europeu termina na cordilheira do Cáucaso, que pega um pedaço da Geórgia e Azerbaijão, a Armênia fica de fora. Vale lembrar que Europa e Ásia são uma porção única de terra, então pode haver divergências também no que se define por área geografica. Sim, o oeste do Kazaquistão é na Europa. Culturamente os países se aproximam mais do estilo Europeu que do asiático, pois os três países faziam parte do Império Russo e posteriormente da União Soviética, então tiveram uma influência arquitetônica e cultural muito forte dos russos. Politicamente se torna mais complicado ainda, pois vai depender de que país o cientista político fez o mapa. Então não sei te responder. O Cáucaso em si abrange mais regiões que os três países, que inclui um pedaço da Rússia, da Turquia e do Irã, mas daí começa a complicar muito, então simplificando, dizemos que os três países são o Cáucaso. A indepedência deles foram feitas depois da queda da União Soviética, lá pelos anos 1991. De restante, não vou me aprofundar na questão histórica e política de cada país, vou apesar colocar informações básicas, pois o foco maior é da questão turística da região. Atenção: O texto a seguir não é um guia turístico, não tem o intuito de informar todos os pontos turísticos e dizer se vale a pena ou não. É baseado apenas nas minhas pesquisas do que eu achei interessante fazer. Azerbaijão Mapa pego do https://smartraveller.gov.au/Countries/europe/eastern/Pages/azerbaijan.aspx O Azerbaijão é um país de origem turca, a capital é Baku, que é praticamente a única cidade que tem um suporte melhor de turismo. Baku é uma cidade do petróleo, eles estão tentando fazer iguais os países Árabes como Dubai e Abu Dhabi, em que estão investindo pesado em estrutura para turismo, se vê muito prédio grande em construção, além de que já patrocinam com uma pista da F1. Eu estive apenas na capital, não achei interessante tentar viajar pelo interior. Mas em geral, a cidade em que alguns viajantes vão é Ganji, oeste perto da Geórgia, e/ou vão conhecer alguns vulcões de lama perto de Baku. A região em vermelho no mapa é uma terra em disputa com Armênia, na verdade está sob domínio do exército indepedente de origem armênica, mas por questões políticas, em qualquer mapa que você procurar, vai dizer que é Azerbaijão. Nas questões práticas, você só consegue acessar pela Armênia e, com um fator que, se você pisar ali, o Governo Azeri não vai deixar você entrar no país deles nunca mais (mais informações colocarei na parte Armênia). A fronteira com a Armênia é fechada. O país em geral é seguro. Ouvi dizer que locais mas afastados não é muito bom andar sozinho ou muito tarde, mas ao menos no centro se encontra bem seguro. - Visto Brasileiros e europeus necessitam de visto para entrar no país. Mas pelo menos é o e-visa, você faz online ( https://evisa.gov.az/en/ ). Custa cerca de 24 dólares, é válido por 30 dias. demora cerca de 3 dias para ficar pronto. O formulário é fácil de preencher e pagar. Não precisa ter receio na imigração, pra mim não fizeram nenhuma pergunta, olhou, viu no computador algumas coisas e carimbou. Cheguei a levar impresso o e-visa por garantia, mas nem olharam. Eles estão investindo em turismo, então eles querem que você entre, caso for um turista comum. - Câmbio A moeda local é o Manat (AZN). O câmbio, pelo que me parece, é controlado pelo Governo, portanto qualquer lugar que for trocar seu dinheiro, vai estar o mesmo valor (ao menos foi o que vi). Então, quando entrar numa casa de câmbio (até no aeroporto) aproveite e já troque a quantidade que você quer, pois vai ser tudo igual. A moedas que são aceitas em todos os lugares são Dólares, Euros e Rublos, o melhor é já vir com alguma das três moedas, que vai facilitar bastante. O Real não sei o quanto é aceito, pois eu já vim com Euros. Paguei no dia 1,89 Manat por Euro. - Locomoção interna Eu cheguei de avião, o aeroporto é perto do centro da cidade. Ao desembarcar, basta ir num centro de informação (o aeroporto é pequeno, então acha fácil) e perguntar como faz pra pegar o shuttle pra cidade. Na verdade é bem simples, do lado de fora tem uma máquina de ticket, é intuitivo comprar (se tiver dificuldade, vai ter um guarda ali do lado que vai te ajudar). O custo é de 1.50 Manat. Com o cartão de papel, basta olhar o estacionamento que vai encontrar o shuttle por perto, o motorista vai te espera caso vê que você está indo pra lá, eles são gente boa. basta passar o cartão na maquininha quando entrar. A viagem dura cerca de 30min, faz uma parada no caminho e chega no destino final da estação de trem / 28 de Maio, dura cerca de 30min. Caso esteja vindo de trem, vai parar no mesmo ponto. Da estação para o centro são cerca de 20min a pé, ou pode pegar o metrô que fica na mesma praça. Fico devendo essa informação porque eu fui a pé, gosto de caminhar para conhecer a cidade. A outra porta opção é de trem. Existem rotas internacionais que vem de Tbilisi e Moscou. De Teerã ouvi dizer que tem ônibus, mas devido a falta de estrutura e talvez problema na fronteira, não sei se realmente existe. Mas tem trem para Astara - AZ, que é na fronteira Para ir / vir de Tbilisi existe um trem noturno, custa entre 23 a 57 Manat (15 a 30 euros mais ou menos) , dependendo da classe (3 classes). Pra comprar o bilhete, vai na estação central, existe bilheteria tanto no térreo quanto no primeiro andar (de onde parte os trens). Os funcionários entendem um pouco de inglês, não tem muita dificuldade, basta falar pra onde você vai e dizer primeira, segunda ou terceira classe. Pode-se pagar com dinheiro ou com com cartão. A estação fica na 28 de Maio, onde também fica a parada de metrô. Pra não se confundir em qual entrar, entre no qual tem o prédio maior (uns 10 andares de altura, acho). O trem parte para Tbilisi às 20:40 (chegue 30min antes) todos os dias. A viagem não é lá tão confortável mas é bem mais barato que de avião. As 05:00 da manhã você vai precisar acordar, pois vai precisar passar na imigração, o trem para por uma hora, se recolhem todos os passaportes, chamam um a um na primeira cabine do vagão, e o policial/militar carimba e te devolve o passaporte. o trem anda por uns 10-20min e agora é a imigração da Geórgia, que também demora uma hora. Quando fui, apenas recolheram os passaportes e devolveram já carimbado, sem entrevista, sem nada. Depois de umas 2h de viagem chega em Tbilisi. Viagens para o interior, que não seja por linha férrea, é um desafio, pois não se encontra muita informação na internet (apesar de que também não tem muito o que fazer :p) - O que ver Baku é uma cidade grande e moderna com tem metrô e ônibus. A cidade nova é estilo europeu, com calçadões grandes no centro e prédio longos de 3 ou 4 andares padronizados. A cidade velha fica do lado da cidade nova, então se você está no centro, em poucos passos entra na antiga cidade murada. O custo das coisas são baratas para um europeu, como o Manat é quase 2 para 1, então um Kebap, por exemplo, custa 4 Manat, ou 2 euros. Ali se faz tudo a pé praticamente, então não tem muito trabalho de ficar pegando transporte público para conhecer os pontos distantes da cidade. O único lugar turístico que fica fora do centro é o templo do fogo, fica a 1h de ônibus do centro. Eu cheguei a programar a ir lá, mas acabei desistindo porque era um tanto longe só pra ver um pequeno templo com fogo. Tem transporte público para perto, e depois uma caminhada. Com 2 dias é suficiente para conhecer a cidade sem pressa. Centro de Baku Vulcões de lama são outras atrações para visitar, mas para esses não tem como ir de transporte público, ou vai com tour ou com carro. Como fiquei 2 dias na cidade, não tive tempo de ir atrás de preços, se pretende visitar, então recomendo um dia a mais na cidade A esquerda superior os vulcões de lama e a direita o templo de fogo - Clima O país é bem quente no verão, eu fui em Outubro e ainda sim estava 20 graus de noite, não menos. Em Agosto pode fazer 40 graus fácil. No inverno chega a fazer uns 5 graus. - Considerações finais É um país (a capital ao menos) interessante, pra mim valeu a pena visitar, pois é um país com bastante história, e o principal é a cidade velha murada, que tem muita coisa ainda preservada, como gosto de história eu recomendaria visitar. Mas, não espere muita coisa da cidade, pra quem vai visitar Geórgia, vale a pena dar um passeio de dois dias. Geórgia Abkhazia e Ossetia são regiões separatistas, Ajara (onde fica Batumi) é autônoma A Geórgia é o país mais turístico dos três, se vê muito russo, muito mesmo. Devido a ter sido parte da Rússia até 30 anos atrás, praticamente todos adultos falam russo, que é a língua franca da região. Mas hoje em dia estão se adaptando ao inglês, tendo assim duas línguas francas, inglês e russo. Também foi o país com menos dificuldade de comunicação, mesmo que usam alfabeto diferente, muita coisa está em inglês, como placa de trânsito, metrô e nome de ruas, e na parte turística a maioria falam inglês ou conseguem se comunicar. então dá pra passear sem muita dificuldade. Existem duas regiões separatistas no país e uma autônoma Abkhazia, no noroeste, que eles se consideram um país próprio. Apesar disso é possível atravessar a fronteira pela Geórgia, só não pode entrar pelo lado russo e tentar sair pelo sul. Mas a região não é segura, tem problema como sequestros. Ossetia do Sul, no norte já não é possível atravessar, só consegue pelo lado russo. A região tem a população maioria de russos, e eles querem se unir a Rússia. Também tem problemas de segurança. Ajara, no sudoeste, já é uma região controlada pela Geórgia, porém autônoma, é de livre acesso ( tem trem de Tbilisi a Batumi diário) O país tem seu próprio alfabeto e uma população bem antiga, sempre estiveram por lá. É uma região pobre, lembra bastante os países da ex-urss, trens velhos lentos, muitas casas arruinadas, as duas cidades mais ricas, e com melhor estrutura são Tbilisi e Batumi. A região norte é composta pela cadeia de montanhas, uma região muito bela, a região central é meio desértica e florestada. Os georgianos dizem que o Oeste até Tbilisi é o lado europeu do país, o Leste é o lado asiático. Geórgia até a revolução de 2004, era um país muito perigoso, com policiais corruptos e problemas de sequestro e roubo por toda parte. O presidente reformulou tudo, trocou e colocou policiamento em todo país e hoje é uma região bem segura, um georgiano que conheci disse que nem roubo de carro se escuta mais. Os únicos pontos a se considerar são as regiões isoladas perto da fronteira com a Ossétia e Abkhazia (as cidades na fronteiras não tem esse problema). O país tem alguns aeroportos, em Tibisli, Kutaisi, Mestia e Batumi são os principais. Internacional, acredito que só de Batumi e Tbilisi. A outra opção de entrada/saída é trem ou marshruktas (vans). Pra ir a Baku, deve pegar o trem diário (parte as 20:35), custa entre 30 a 70 GEL. É necessário comprar pessoalmente na estação (passaporte obrigatório, leve dinheiro em espécie). A bilheteria de trens fica no ultimo andar da estação de trem, então suba as escadas rolantes até o último andar. Pra Yerevan também existe trem noturno (entre Outubro e Maio só nos dias ímpares, no verão todo dia), que parte as 20:20, tem 1, 2 e 3 classe, custa entre 41 GEL a 115 GEL, e chega na capital da Armênia as 07:00 da manhã. A segunda opção é Marshrukta (da qual fiz), dura cerca de 6h, e entre 35 GEL a 40 GEL. A vantagem é que é mais rápido e você vê toda a paisagem no caminho, a desvantagem é que os motoristas não dirigem num modo tão seguro, se prepare para ver o motorista fumando e com telefone. A outra opção é avião, mas esse não sei os valores e destinos. - Visto Brasileiro e europeu são livres de visto. Quando entrei de trem por Azerbaijão, recolheram os passaportes e entregaram já carimbados, sem entrevista. - Câmbio Como Armênia e Azerbaijão, as principais moedas aceitas são dólar, euro e rublo. O euro estava em média 3.24 Lari. Na estação de trem em Tbilisi achei um dos melhores preços, mas em geral tem pouca diferença. Via entre 3.22 a 3.24. Estranhamente, quando fui a Mestia (cidade pequena nas montanhas) tinham uma cotação melhor ainda, 3.25. - Locomoção interna Grave bem esse nome: Marshrutka. É o principal meio de locomoção do país, tanto dentro da cidades quando viagens municipais e internacionais. Existe uma linha férrea do Leste a Oeste, fora disso, só com marashrutka. O grande problema pro turista é que essas vans (marshrutkas é basicamente uma van, nada de mais, tanto que vou chamá-las só de van porque é mais fácil escrever) não partem com horário marcado e não se encontra em site oficiais onde pegar, mas tenha certeza que vai ter van pra qualquer vilarejo, mas não é muito fácil decobri como. Os preços são meio tabelados, então todo mundo paga o mesmo preço, turista ou local. Devido a falta de horário pré-definido (que é baseado quando a van está completa, que parte) fica difícil planejar bate-volta pelo país. Que em geral vai ter uma disponibilidade maior de manhã, mas de noite já tem escasses. De linha férrea só é possível de Leste a Oeste em uma linha, com algumas cidades, as mais famosas como Batumi, Kutaisi, Tbilisi. É um tanto limitado, mas tem horário tabelado, pode-se comprar o bilhete online e custa pouco. A outra opção são os tours. Na cidade de Tbilisi existem dezenas deles, acredito que não faz diferença entre qual pegar, pois as empresas compartilham a mesma van, então é tudo igual. Quanto mais afastado do centro, mais barato fica (coisa de 5 a 10 GEL), fora de época também cai o preço. As vans ão confortáveis, e tem um guia. A vantagem do tour é que ele vai parar em lugares que com transporte público seria impossível, o custo vai ser em torno de 30GEL a 80 GEL (depende da distância, apenas de um dia). Existem até de 2 ou 3 dias. O tour lhe vai tomar o dia todo, então só é possível um por dia, pois mesmo para lugares relativamente perto, eles fazem outras paradas no caminho para 'preencher' o dia. Alguns vai ser de 6h e outros, como Vardzia, coisa de 10-12h. Devido a dificuldade do transporte público e do baixo valor do tour, acabei me rendendo a eles. Os princiapsi pontos, na minha opinião, do país - O que ver 1 - Tbilisi, que é a capital que, obviamente, é o principal destino do país. O centro não é muito grande, dá pra fazer tudo a pé. Existe metrô que passa na estação de trem e no centro da cidade. E possui alguns pontos de van que fazem trajetos intermunicipais. Dois dias é suficiente para conhecer a cidade. Em verde: Estação central, em vermelho: linha de metrô, em azul estação de ônibus (marshrukta) Se está chegando de avião, existe um ônibus que parte do aeroporto e chega ao centro de Tbilisi por 0,50 GEL, sim, é cinquenta centavos mesmo (ano 2019). Dura cerca de meia hora. Tem a opção de trem, que custa o mesmo tanto mas só tem duas vezes ao dia, uma as 8:35 e outr as 17:40, para na estação central Ou taxi, custa cerca de 25-30 GEL As estações de ônibus são: (vide mapa) 1 - Na estação central 2 - Estação de Avlabari 3 - Ortachala - O mais afastado, sem metrô por perto Pra usar o transporte, você chega na estação e sai perguntando pelo local que quer ir, alguém vai te direcionar pra van. É possível comprar o bilhete com antecedência, mas eu não sei onde compra. O detalhe é que as vans estão tudo escrito em georgiano ou russo, então a melhor forma mesmo é sair gritando o seu destino que alguém vai aparecer. Geralmente você vai pagar não direto ao motorista, mas a uma pessoa que cuida do caixa que está por lá, não tem bilhete ou comprovante, mas é tranquilo, e eles sabem que você pagou. Os horários vão depender pra onde vão, mas de manhã sempre tem, então se chegar lá pelas 08:00 vai conseguir embarcar pra alguem canto, as vezes é necessário esperar a van ficar cheia, e pode demorar ou não. O único horário que conheço é da van que vai pra Yerevan (Armenia), parte as 09:00 e 11:00 (tem de tarde também). Quando cheguei na estação de Avlabari, fui na direção das vans e já perguntaram se eu queria a ir Yerevan, disse sim, o rapaz perguntou se eu tinha uma reserva, disse que não, então ele me direcionou a uma van que faltava só um lugar para preencher, paguei 40GEL, apesar de que eu tinha lido que o valor é em geral 35. Como eu era o último e era 8:30 ainda, então aceitei. 2 - Mtskheta é a antiga capital da Geórgia, hoje se resume a um vilarejo com alguns monumentos históricos de mais de mil anos, a mais famosa é o Jvari Monastery, um monastério do século VI. A cidade fica a 20km de Tbilisi. Eu não cheguei a ir lá, mas se quiser ir por conta própria, dê uma olhada nesse site. Existem tours que passam lá. 3 - Telavi fica na região de Kakheti, famosa pelos seus vinhos (possuem mais de 500 tipos de tipo de uva!). A cidade tem uma igreja ( como em todo canto da Geórgia) e um forte, é um região bem calma, é bom para ficar tomando vinho e olhando a paisagem. Vans partem da estação de Ortachala, custam cerca de 10GEL. 4 - Sighnaghi é outra cidade famosa da região de Kakheti, e vai ser as mesmas coisas para se ver, um monastério por perto e uma cidade murada e experimentar vinhos. Vans partem de Samgori Station, três paradas de metrô depois de Avlabari, direção sul 5 - Kazbegi fica na região norte, divisa com a Rússia. A localização é famosa pelas montanhas, como o pròprio Kazbegi, com pouco mais de 5mil metros. Para ir, dê uma olhada nesse site. 6 - Gori é "famosa" porque é onde Stalin nasceu, tem um museu e o pessoal local realmente acha legal isso... Existe um forte na região. Para ir a Gori, pode ir com trem, que parte da estação central. 7 - Kutaisi é uma cidade a oeste onde tem o famoso Monastério de Gelati, Montsameta e a Catedral de Bragati. Também se encontra tours por aqui, mas os preços eram semelhantes de Tbilisi (mesmo estando perto de alguns lugares). Fica a 6h de Mestia e a 4h de Batumi, de van. A cidade em si não tem nada de interessante, serve mais para uma parada estratégica para acessar o lado oeste da Geórgia. Para chegar a Kutaisi basta pegar um trêm na estação central de Tbilisi, 5h de viagem, 9GEL (pode-se comprar online o ticket). o trem parte uma vez ao dia as 09:00 de Tbilisi, e as 12:20 de Kutaisi em direção a Tbilisi. Não possui ligação férrea com Zugdidi ou Batumi. Kutaisi - Em azul as igrejas, em vermelho P o centro da cidade, em Verde a estação de ônibus, em vermelho sul (Kutaisi I) a estação de trem de passageiros Para ir ao monastério de Gelati, tem uma van (2GEL) que parte do centro (a estação é atrás do Teatro) todo dia as 09:00, 11:00, 14:00 e 17:00. O monastério não é tão grande (basicamente uma igreja), em 30min você já visita todo ele. Então pra voltar é mais complicado, porque vai precisar esperar ou a próxima van chegar, ou pegar um taxi (cerca de 10GEL, mas dá pra negociar). Uma segunda opção é fazer a caminhada para Motsameta. São cerca de 2km. Na metade do caminho, tem duas possibilidades, pela estrada ou pela linha férrea (literalmente). A caminhada não é lá agradável, pois a vai precisar andar boa parte no acostamento da estrada. Mas ao menos economiza uns 5-10GEL de taxi. Se pretende fazer essa caminhada, recomendo fazer pela linha férrea, os trens que passam são lentos e barulhentos, então de longe já dá para vê-los e sair do caminho. Em verde pela estrada normal, em vermelho o atalho Para voltar a Kutaisi, deve retornar a estrada principal até um posto de gasolina (fica a uns 200m ao sul do Police Station). Todas vans que passam vão pra Kutaisi, basta acenar e entrar, custa 2GEL. Para visitar a Catedral de Bagrati, basta olhar para ela (fica no alto) e ir seguindo a rua que vai pareça que suba até lá, não tem muito mistério, é perto do centro. 8 - Batumi é uma cidade bem diferente da Geórgia, ela é voltada para turismo de Casinos e um pouco de praia. Alguns acham interessante, outros não. Se vê muitos prédios no centro. Para chegar, pode se pegar um trem direto de Tbilisi (esse é moderno) e dura cerca de 5h, duas vezes ao dia, as 08:00 e as 17:35. Custa cerca de 25 GEL. 9 - Mestia é a capital de Svaneti, é para cá que você vai se quiser visitar as montanhas e casas-torres famosas da Geórgia, o lugar é expetacular, se está vindo para Geórgia, tire uns dias para vir aqui. Existem vans que partem da estação central de Tbilisi as 06:00 da manhã, pois a viagem dura cerca de 9h, custa 30GEL. A segunda oção menos desconfortável é fazer boa parte do trajeto de trem. Para isso deve pegar rumo a Zugididi (no mapa em C). Existe um noturno e outro diurno. O noturno parte às 21:45, com custo entre 10GEL e 35 GEL, e chega as 06:00 da manhã. A grande vantagem é que, saíndo da estação já vai ver taxistas e motoristas de vans esperando os passageiros, ignore os taxistas e pegue qualquer van que vá a Mestia (os motoristas vão estar gritando "Mestia!"). Custa 20GEL e a viagem dura cerca de 3h a 4h, dependendo do clima. O trem diurno dura cerca de 6h, porém chega depois das 17:00, não sei se tem van a esse horário. Se você tiver dinheiro sobrando, pode vir de avião, custa cerca de 90 euros. A cidade em si é bem pequena, mas o que vale a pena é as trilhas para fazer nas montanhas clique aqui para ver as opções. Outros dois pontos famosos na Geórgia é o Davit Gareji Monastério (divisa com Azerbaijão, ponto A) e Vardzia Caves, que são as cavernas-casa que eram habitadas na idade média (ponto B). Para esses lugares não existe transporte público, deve fazer de carro ou excursões. - Clima O país é bem quente no verão, eu fui em Outubro e ainda sim estava 20 graus de noite, não menos. Em Agosto pode fazer 40 graus fácil. No inverno chega a fazer uns 5 graus. Nas montanhas obviamente tem um clima mais ameno, apesar de que eu fiz hiking numa montanha de uns 2.500m e não estava frio, talvez uns 15 graus, com vento. - Considerações finais O ponto alto da Geórgia é com certeza as montanhas piada não intencional. O país é o que tem mais a oferecer dos 3, recomendaria ao menos visitar Tbilisi, Sighnaghi e Mestia. Aqui eu acabei me rendendo aos tours, pois os preços eram acessíveis e eles fazem algumas paradas no meio do caminho que não seria possível com transporte público. A cidade não é tão moderna quanto Baku ou Yerevan, se vê mais facilmente casas e terrenos ao relento, mesmo perto do centro de Tbilisi. Se for uma apreciador de vinho, aproveite para comprar levar umas garrafas pra casa, pois são bons e não custam muito caro (vi preço médio entre 10GEL e 50GEL). Armênia Armênia e a Nagorno-Karabahk A Armênia tem menor PIB dentre os três, porém isso não o faz mais barato para turistas. Quando viajamos, obviamente não conhecemos os melhores lugares para comer, ou onde é mais barato, então acabamos indo a lugares mais turísticos e caros, e acabou me surpreendendo, pois foi onde eu tive o maior gasto por dia. Como a moeda tem uma conversão 525 dram para 1 euro (ou 118 para 1 Real), atrapalhou bastante a percepção de que se algo era caro ou barato, em comparação a Geórgia (1 Lari para 1,35 Reais, ou 0,30 euros) ou Azerbaijão (1 Manat para 2,35 Reais ou 0,50 euros) que dava para ter uma ideia melhor dos preços. Para se chegar na Armênia, tem a opção de avião, o aeroporto fica perto da cidade, uma corrida de taxi não deve sair mais que 5.000 dram (os taxis usam taximetro, exija que seja ligado, se não vão querer te cobrar o olho da cara, tipo taxista do Rio). A outra pção é por trem, vindo da Geórgia, e único país onde tem fronteira aberta com transporte público, e por último Marshrutka, como expliquei anteriormente como vir da Geórgia. Apesar de ter fronteira aberta com Irã, não tem transporte público entre os dois países. Ao Oeste o Kilikia Bus Station e ao Norte Yeravan Bus Station e ao sul a Estação central de trem A melhor opção de ir ao centro tanto da estação de ônibus quanto da de trem é com taxi, eles são baratos, não pague mais que 2.000 drams. Nagorno-Karabakh ou República de Artsakh é uma situação complicada, então não entro em detalhes políticos. A situação atual é que a região está sob domínio de população armênia, pois a região pertence ao território azeri, desde do cessar fogo de 1994 (É como se fosse uma região separatista do Azerbaijão). A única forma de entrar é pelo lado armênio, que tem fronteira normal entre dois países, com imigração e carimbos, mas nesse caso o carimbo é feito em um papel a parte, já que o país não é reconhecido por quase nenhum outro, entrar lá significa banimento no Azerbaijão. Existem outras fronteiras abertas com a Armênia, porém só a principal que tem controle. O país é montanhoso, o que significa pouco território plantável, o que acaba concentrando seus habitantes na capital, o restante são basicamente vilarejos, o que atrapalha bastante se locomer com transporte público. - Visto Brasileiro e europeu são livres de visto. A Armênia começou a facilitar a entrada de uns anos para cá, pois viram que o turismo é um bom negócio. Eles geralmente perguntam se já foi no Azerbaijão, mas se virem que foi apenas a turismo, não vão complicar. Uma das poucas exigências é ter o endereço do seu hotel/hostel, pois é anotado no sistema, e, em alguns casos mais estranhos (que li em um outro blog) as vezes pedem o endereço do hotel que ficou no Azerbaijão, então se já foi lá, melhor deixar em mãos. (Mas, convenhamos, entrando como brasileiro, eles vão estar mais contentes que desconfiados) - Câmbio Como Geórgia e Azerbaijão, as principais moedas aceitas são dólar, euro e rublo. O euro estava em média 525 Dram. Troquei poucas vezes o dinheiro aqui, mas me parece que as casas de câmbio tem um valor bem semelhante. - Locomoção interna Também é feita por marshrutkas, mas a frequência é bem pouca, comparado com a Geórgia, aqui também a melhor forma de conhecer o país é por tours ou carro alugado, com agravante que poucos falam inglês, então não é simples se locomover com transporte público. A Capital, apesar de seus 1 milhão de habitantes, se resume ao centro para os turistas, fora disso não tem muito pra ver, aqui se faz tudo a pé. Estrelas - em verde: Yerevan, capital, em azul: Vagharshapat, cidade religiosa, em roxo: Sevan, no lago, em amarelo: Jermuk, o vilarejo de águas naturais Em vermelho monastérios, em laranja o templo pagão - O que ver Yerevan (em verde) a capital do país e onde concentra 1/3 da população, obviamente o principal destino. A centro não é grande, se faz tudo a pé, em um dia dá para explorar bem a cidade. Ela é uma cidade bem moderna e organizada, diferente do que vi em Tbilisi. A cidade é do estilo que passear para descobrir, não tem nenhuma atração que diria imperdível, talvez só subir na escadaria, de onde você pode ver a cidade inteira por cima, e o monte Ararat. Também se vê muitas agências de turismo para conhecer o interior, mas achei bem caro 90% delas. A única que achei com preço em conta foi a One Way, (não estou ganhando por divulgação :p). Vagharshapat (em azul) é tipo o Vaticano dos armenios. Não é que um país separado, é só uma cidade, mas é porque é o centro religioso do país. É onde possui o mais antigo mosteiro do país, e outros monumentos relacionados. Para chegar com van, deve-se pegar na estação de ônibus de Kilikia, número 203. por ser uma região bem procurada, tem uma frequência alta. A viagem dura cerca de 45min e faz a parada final bem no centro. Sevan (em roxo) é a cidade que fica no lago, o que tem de interessante é a paisagem, um bom lugar pra relaxar. Deve se pegar a van na estação norte, mas não conheço os horários Jermuk (em amarelo) é a cidade das águas, a região tem spa e águas termais, é bem pequeno. Para ir deve-se pegar a van na Kilikia Bus Station, frequência muito baixa, uma ou duas vezes ao dia A segui a lista de outros lugares a visitar, mas com praticamente nenhuma forma de ir com transporte público. A opção mais em conta é ir com tours. 1 - Khor Virap é um monastério que tem a melhor visão do Ararat, além do ponto mais próximo do monte (que fica na Turquia), a região é muito bela, um lugar que vale a pena visitar. 2 - Templo di Gharni (laranja) é um antigo templo pagão do século I, o único que restou de templo não cristão. A pouca distância também tem a formação rochosa vulcânica em hexágono, A vista panorâmica é belíssima. Monastério de Gheghard (vermelho), como outros monastérios da Armênia, é um estilo que você vai encontrar em qualquer lugar. 3 - Saghmosavan é outro monastério famoso do país. 4 - Tsaghkazdor é uma cidade de resorts, a região é famosa pelo ski e fontes termais, devido ao clima, é uma cidade um pouco mais fria e muito verde e florida. 5 - Novarank Monastery, como podem ver, é mais um monastério antigo do país. 6 - Tatev é a outro monastério, mas esse tem um detalhe a parte, ela fica numas das regiões mais belas do país, e para chegar a ela, deve-se pegar um teleférico que atravessa as montanhas, que faz um trajeto de uns 5km, ou 12min. O único problema é que ela fica em uma região um tanto isolada para fazer com transporte público, tem pouco opção de hospedagem em torno. Porém eu achei tour de um dia para lá, são cerca de 12h o dia todo, custo em torno de 8.000 dram (cerca de 17 euros). 7 - Kari Lake é um lago aos pés do monte Aragat (não confundir com Ararat). Fica a 3.000 metros de altura e é uma região para fazer trekking. Devido a altura, é quase certo que encontrará gelo ou neve. Como é na montanha, não tem transporte público, a única forma é com tour ou com carro, são cerca de 1:30 de Yerevan. - Clima O país também é quente no verão, e frio no inverno, devido ser uma região motanhosa, será mais frio do que na Geórgia e Azerbaijão. Estive em meados de Outubro e peguei uma temperatura entre 15 e 25 graus. - Considerações finais O país me surpreendeu positivamente, imaginava uma capital pequena e subdesenvolvida, mas encontrei uma cidade grande, rica, bonita, arrumada e limpa. Também é um país em que, para conhecer o interior de forma mais rápida, é melhor ter um carro alugado ou fazer tours. Recomendo fortemente conhecer o interior leste do país, pois são paisagens belíssimas e muito diferente do que estamos acostumado (até para europeus), apesar de não ser tão simples viajar país adentro. O país também é conhecido pelos vinhos, com cultura milenar, aproveite para fazer degustação. Dentre as três capitais, foi o qual eu mais gostei. Aqui termina as informações básicas da região. Se quiserem fazer perguntas, basta responder o tópico me marcado, responderei com prazer.
  11. E aí galera, blz! Se alguém animar de fazer um bate e volta lá no Pico da Bandeira, estou saindo na madrugada de sábado dia 14/09/19. A ideia é chegar lá na parte da manhã, fazer o primeiro ataque na parte da tarde até o terreirão, acampar, e na madrugada de domingo, fazer o último ataque até o cume do pico pra ver o nascer do sol!... Depois, fazer uma descida única até a cidade, almoçar e voltar pra BH! Bora lá!? Obs. Lá na cidade tem opção para alugar equipamentos. Flw... T+!
  12. Pessoal tenho "passaporte" várias vezes carimbado no Pico da Bandeira tanto pelo lado MG quanto pelo lado ES do parque, quem quiser tirar duvidas sobre o parque, logística, guias, transporte, etc, pode entrar em contato comigo pelo facebook http://www.facebook.com/rafaelsantosdefreitas ou msn [email protected] Contudo vou fazer uns breves comentários sobre o pico/parque: 1° O lado do ES é melhor estruturado muito por conta do número menor de frequentadores, digamos menos de 1/3 do número de visitantes do lado de MG. 2° Pelo lado do ES no 1° Camping (Macieira) vc contara com água quente nos banheiros e, luz elétrica nas churrasqueiras, já no 2° Camping (Casa Queimada) um estrutura normal sem comodismos de água quente e luz elétrica. 3° É possível encontrar os mesmos benefícios de luz e água quente no lado MG no Camping da Tranqueira, porem em 90% das vezes os serviços estão indisponíveis, muito em virtude de depredação dos usuários do parque. 4° É possível chegar até de Van ou carro 1.0 no 2° Camping (Casa Queimada) pelo lado do ES, ficando mais próximo do Pico do que o lado de MG onde o carro só vai até o 1° Camping Tronqueira. 5° Não é permitido a entrada de motos no parque, contudo existe estacionamento vigiado pelo parque, posterior em ambos os lados os motociclistas contaram com "táxi" ou Jeep. 6° Nos feriados e datas de grande movimento é possível alugar mulas no lado MG para levar bagagens ou até pessoas do 1° Camping (Tronqueira) até o 2° Camping na Casa de Pedra, é uma boa opção e relativamente barata poupa muita energia para a subida do pico. 7° A trilha pelo lado Mg é relativamente mais fácil, com bastantes pontos de água, e boas marcações, já o lado do ES é mais curta no entanto mais difícil, com bons trechos de "escalaminhada", lógico que perto do Pico não tem jeito a coisa da uma apertada nos dois lados. 8° Podem subir pessoas de todas as idades, jovens, velho e crianças, basta ter paciência e sempre andar em grupo. 9° Em média normalmente o tempo de caminhada até o pico por ambos os lados é de 3 a 4 horas, podendo chegar a mais em virtude de mal tempo ou companheiros com dificuldades, então se cuide quanto a hora para não perderem nenhuma programação. 10° A Cidade de Alto Caparaó em MG que da acesso ao parque possui uma excelente estrutura seja hotéis, lojas, restaurantes, parques privados como "Andorinhas" etc... vale a pena ir só para relaxar em um dos hotéis e pousadas do local e aproveitar para comer muito bem... é passeio para família toda. 11° Em Pedra Menina lado do ES a coisa muda e é bem rustica digamos, nem chegando aos pês de Alto Caparaó quanto cidade, contudo atrativos de cachoeiras tanto no parque quanto no entorno são muito mais atraentes e, excelentes em tamanho de queda, o lado MG eu falo que "não se encontram cachoeiras" mais "quedas dágua", já no lado do ES é para valer. 12° Em ambos os lados os serviços de guia podem ser utilizados de preferencia optar pelos guias cadastrados na pagina do parque junto ao ibama, você pode ter acesso a telefones uteis e inclusive fazer reservas utilizando o portal. 13° Em ambos os lados não possui muitos mosquitos o que é um alivio, mais cuidado com os quatis que atacam as barracas atrás de comida, é importante, muito importante vedar bem todos os alimentos para evitar transtornos. 14° Sempre levar sacos de lixo e outras coisas necessárias para se manter sempre o ambiente limpo, contudo todos os Campins possuem estrutura de coleta de lixo, água potável, banheiros, etc... 15° A temporada do parque se inicia entre Abril e vai até Setembro, é importante lembrar que mesmo não estando no inverno mais rigoroso é importante levar roupas apropriadas não apenas para uma boa caminhada mais como casacos e sacos de dormir para temperaturas a baixo de 0 graus. 16° A logística para chegar ao parque é bem simples, com estradas boas em sua "totalidade", é possível chegar de ônibus também... 17° Além do Pico da Bandeira que é o 3° maior cume do Brasil e durante muito tempo foi o 2°, que tem o melhor acesso entre os 3 primeiros, você ainda tem como atrativo o Pico do Cristal e as Pedras Gemias, ambas na lista dos 20 cumes mais altos do Brasil. 18° As áreas de Camping são gramadas contudo 90% do terreno é sobre pedras e cascalho, logo é muito importante um bom calçado. 19° Todas áreas de Camping possuem mesas entre outros benefícios, é possível nos dois lados do parque ao invés de acampar ficar em abrigo do parque feito de alvenaria mais sem luxos. 20° No alto do Pico pega Celular o que é bem legal... 21° Posso falar mais 50 pontos mais quem tiver alguma duvida é só entrar em contato. Abraços, vou colocar algumas fotos para animar. Cordialmente, Rafael Freitas
  13. Costuma fazer temperaturas entre 10ºC e 15ºC em Portugual nesta época, ou seja, é frio, e você vai precisar levar casacos e blusas para enfrentar um frio de 10ºC. Se você residir em SP ou no Sul do Brasil, pode levar as roupas de frio que você já tem, mas se residir ao norte de SP, provavelmente não tenha roupas de frio adequadas, e neste caso é muito importante você providenciar pelo menos uma casaco ou blusa grosa ainda antes de viajar, pois já vai estar fazendo 10ºC assim que você descer do avião lá em Lisboa, e se você não tiver roupa de frio adequada, já arruma uma pneumonia logo no primeiro dia antes de conseguir comprar roupa adequada e estraga o resto da viagem. O truque é se vestir por camadas, de manhã cedo vai estar frio, e você sai do hotel com uma camiseta, blusa de lã/moletton e a jaqueta, mas na hora do almoço, se tiver sol, vai esquentar e você vai tirar a jaqueta e talvez a blusa de lã/moletton, mas logo depois já esfria e você vai colocando as camadas de volta... Você precisa de pelo menos um sapato ou tênis fechado, que não entre vento e nem que entre água facilmente. Uma duas calças jeans e umas legging para usar por baixo dela caso sinta muito frio, camisetas, uma ou duas blusas de lã ou malha/moletton para usar por cima da camiseta, e uma jaqueta para frio, para usar por cima de tudo. Meias de cano longo são muito úteis, pois não deixam o vento gelado congelar as suas pernas tão facilmente, luvas e cachecol são interessantes também ter, pois ajudam um monte se tiver vento, mas estes, compre lá em Lisboa. No centro de Lisboa há literalmente centenas de lojas de roupas, para todos os gostos e bolsos, então não vou indicar nada, pois é melhor você mesma bater perna no centro e escolher alguma coisa que lhe agrade e que caiba no seu orçamento. Se quiser comprar roupas de marca, veja na Av. da Liberdade, se quiser algo um pouco mais em conta, procure nos arredores da Praça da Figueira, ou então vá num shopping eu acho o Shopping da Estação Oriente ou o Centro Comercial Colombo os mais práticos para se chegar de metrô, ou vá numa loja Primark. Não sei se você vai visitar algum outro local alem de Portugal, mas Portugal é relativamente quente, mas outros locais, como Paris, Amsterdam, Londres, leste europeu já são bem mais frios nesta época do ano, chega a fazer 0ºC ou mesmo -3ºC em alguns locais, e ai você já precisa de roupa de frio melhor, que aguente temperaturas abaixo de zero. O que visitar depende muito dos interesses de cada pessoa, e cada pessoa tem gostos e interesses diferentes, o que eu achar lega, você pode achar a maior chatice do mundo, e vice-versa. Então o ideal é você ler pelo menos uns 3 ou 4 roteiros e relatos de viagem sobre cada cidade que você vai visitar, assim você mesma pode escolher os passeios e atividades que mais lhe agradam. Aqui no site há centenas de relatos, e no google, há literalmente milhares sobre cada cidades, então: Sugestão de leitura: https://www.google.com/search?source=hp&q=roteiro+4+dias+em+lisboa
  14. Esse é um relato de uma volta quase completa por Ilha Grande. Primeiramente, queria agradecer o @Augusto por fazer o guia definitivo das trilhas de Ilha Grande (https://www.mochileiros.com/topic/1171-volta-completa-de-ilha-granderj-uma-caminhada-inesquec%C3%ADvel/). Salvei o relato e não tivemos problemas em realizar as trilhas. Então, esse relato não tem nenhuma pretensão em ser mais preciso ou descrever minuciosamente as trilhas, isso já foi muito bem feito pelo @Augusto . A ideia aqui é tentar transmitir as sensações que tive ao realizar a minha volta por Ilha Grande e tentar acrescentar algumas informações. Na minha visão, é possível realizar a volta (isso falando apenas da orientação no percurso) pela Ilha Grande tendo em mente apenas três coisas. A primeira é levar o relato do @Augusto , ele descreve muito bem as passadas das trilhas, os lugares e tudo mais. No meu caso, salvei o relato no celular e foi muito útil, principalmente nos dois primeiros dias, quando ainda não estávamos familiarizados com as trilhas. A segunda dica: no caso de dúvida siga à rede elétrica. A terceira, a mais importante, é interaja com as pessoas locais, em todas as comunidades da ilha haverá pessoas e todas elas conhecem as trilhas de acesso a comunidade em questão. Todas as pessoas que tivemos contato ajudaram-nos com informações e detalhes valiosos sobre as trilhas. Agora vamos ao relato! Desde a minha última viagem vinha pensando em qual seria o meu próximo destino, pois a data da viagem iria ser pelo final de ano. Queria algo não muito longe. Pensei na Serra da Canastra, Serra da Bocaina, Parque do Itatiaia e Paraty. Confesso que estava pendendo pelo Itatiaia, mas algumas lembranças vieram a tona e fizeram-me mudar de decisão. Agora estava decidido, seria Ilha Grande o destino e iria dar a volta na ilha. Das lembranças que alteraram o rumo da viagem, foram apenas vozes de uma amiga que sempre dizia-me para fazer a volta na ilha e naquele momento essas vozes me soavam como um chamado. Fazia alguns anos que eu viajava sozinho e mal planejava minhas viagens, apenas me deixava ir. Porém, final de ano é complicado, todos os destinos são invadidos por centenas/ milhares de pessoas, tudo fica mais escasso e os preços são todos mais altos. Ano passado já tinha me frustrado por não me organizar nessa data do ano e tive que mudar de última hora o meu destino. Dessa vez não cometeria o mesmo erro e teria que voltar a fazer algum planejamento antes de sair de casa. Como teria que me planejar porque não ter companhia? Fiz-me essa pergunta. A primeira pessoa que conversei sobre a viagem foi com o Vinicius, amigo que conheci no mestrado, e logo percebi que ele estava afim de fazer esse rolê por Ilha Grande. Depois entrei em contato com duas amigas que no primeiro momento tiveram interesse, mas com o tempo e outros planos não iriam conseguir embarcar nessa. Matheus é um velho amigo e está fazendo um mochilão de longa data pelo Brasil, falei com ele sobre a viagem e ele também animou de fazer parte da trupe. Assim, estava fechado o grupo: Eu, Vinicius e o Matheus. Dias antes de embarcar, pesquisei (no mochileiros.com) se haveria mais alguém fazendo a volta na mesma data e meio sem querer encontrei a Jordana. Ela estaria na ilha nas mesmas datas e estava procurando companhia para dar a volta na ilha. Entrei em contato com ela e consequentemente o grupo tinha mais uma nova integrante. Agora, éramos quatro. Confesso que não houve um super planejamento. O plano resumiu-se a levar comida para os primeiros dias, comprar as passagens para Angra com antecedência e ler alguns relatos. No entanto, é importante comentar que a decisão de fazer a volta na semana do Natal foi a mais acertada de todas, pois na semana entre o Natal e Ano Novo a maioria dos campings estavam trabalhando com pacotes e os preços aumentavam substancialmente devido a grande procura. Em questão de economia acho que o maior acerto da volta foi ser realizada entre os dias 20-27 de dezembro e não dos dias 27-02 como pensado inicialmente. Era uma terça-feira. Acordei cedo. Organizei minhas coisas, aprontei minha mochila e o relógio ainda marcava 09:00. A passagem para São Paulo era só para as 16:00. A ansiedade para mais um trekking era grande. Ouvi música, vi televisão e o tempo passava devagar. Às 13:30 decidi que era hora de partir, caminhei até a rodoviária. Lá fiquei esperando o tempo que restava. Sentei no ônibus que estava praticamente vazio. Li um pedaço do livro que eu levava comigo. Cochilei. Quando a marginal Tietê se tornou a paisagem na janela do ônibus percebi que, enfim, a viagem tinha começado. Na rodoviária de Sampa, logo encontrei o Vinicius. Vinícius é um amigo que conheci no meu mestrado. Ele faz parte do mesmo laboratório no qual eu trabalho e já está no final do seu mestrado. Essa viagem seria a primeira dele nesse estilo. Ficamos esperando e conversando até o Matheus chegar. O Vinícius e o Matheus não se conheciam até então. Foi feita as formalidades e saímos para achar algum lugar para jantar. Matheus é um amigo de longa data. Fizemos graduação, estágio e nossos primeiros mochilões juntos. Hoje em dia ele está em um período sabático viajando pelo Brasil e relata suas aventuras em seu blog (http://fazeraquelasuaviagem.com.br/). Às 22:00 embarcamos no ônibus. Eu, como sempre, levei um livro que eu sabia que não iria ler durante o percurso na ilha. Comecei a lê-lo e dez minutos depois desisti. Estava ansioso. Tentei dormir e não consegui. Depois me senti em viagem escolar, por causa que quase todos os outros passageiros do ônibus se conheciam e a viagem foi seguindo com música e violão. Isso até despertar a ira dos passageiros restantes. Enfim, mal dormi naquela noite. Quando consegui cochilar o ônibus tinha adentrado Angra dos Reis. Ficamos um tempo na rodoviária. Depois seguimos para TurisAngra e assim conseguimos a autorização para acampar na praia de Aventureiro. Logo em seguida pegamos um barco e navegamos até a ilha de codinome grande. Informação 1 - A TurisAngra fica no caminho para o porto. Saindo da rodoviária é só virar a esquerda e seguir caminhando na calçada até chegar na TurisAngra e depois no porto. Angra dos Reis Indo para Ilha Grande Já no barco ficamos fascinados pela cor da água, um verde bem escuro. Logo depois fomos margeando o trajeto de Saco do Céu até Abraão, que seria o percurso inverso do nosso primeiro dia. Atracamos no cais. A nossa espera estava a Jordana que havia chegado um dia antes. Antes da nossa chegada ela havia tentado a autorização no Inea para cruzarmos as praias do Sul e Leste para conseguirmos sair de Aventureiro e chegar em Parnaioca caminhando. Ela não havia conseguido a autorização e isso deu uma desanimada na hora. Jordana é uma guria tocantinense, estudante de medicina em Brasília e seria o seu primeiro trekking. Até aqui era tudo que eu sabia sobre ela. Conhecemos a Jordana e jogamos algumas conversas fora. Tomamos um café coado e logo seguimos para iniciar as trilhas (T01 e T02) até o Saco do Céu, onde iriamos dormir naquela primeira noite. O sentido do percurso foi determinado pelos relatos que consultamos antes de ir, pois todos falavam que o sentido anti-horário era mais tranquilo. Na minha opinião não existe muita diferença não, o principal ponto é entre Aventureiro e Provetá, onde no sentido horário a subida é numa tacada só, mas em compensação a maior parte do trajeto é descida. Enfim, acho que o sentido da volta não faz muita diferença na dificuldade do percurso. Informação 2 - Site com as informações oficiais das trilhas e suas nomenclaturas (http://www.ilhagrande.com.br/atrativos/atividades/trilhas-da-ilha-grande/) Bem-vindo a Abraão Nos primeiros metros vimos que seria difícil completar o dia. Levamos muita comida, o suficiente para uns quatro/cinco dias e assim, economizar o máximo com alimentação. Pra piorar fui na frente e segui a passos largos, sem perceber que estava forçando a passada do restante do pessoal que faziam algo do tipo pela primeira vez. Até o Aqueduto tudo estava tranquilo. Depois no caminho para a Cachoeira da Feiticeira o pessoal foi desanimando, até que o Matheus passou mal. Descansamos e depois fomos devagarinho. O clima entre nós era pesado, creio eu que ninguém além de mim estava curtindo caminhar naquele momento. A umidade também maltratava-nos. Quando chegamos na cachoeira da Feiticeira tudo mudou. Banhar naquelas águas renovou a energia de toda a trupe. Foi bom demais. À partir daí, começamos interagir como um grupo. Seguimos para a Praia da Feiticeira. A praia é bem bonita e muito movimentada. Tirei minha camiseta, torci ela e jorrou suor, parecia que havia acabado de lavar a camiseta. Ficamos por ali por um tempo, tomamos o primeiro banho de mar da viagem e depois seguimos caminhada. Aqui é importante ressaltar, voltando na trilha até uma bifurcação siga para onde continua a rede elétrica. Enfim, sempre siga a rede elétrica. A primeira foto do grupo - Matheus, Eu, Jordana e Vinicius Abraão Abraão Aqueduto Trilha T2 Mirante antes de chegar na Cachoeira da Feiticeira Cachoeira da Feiticeira Praia da Feiticeira Continuamos a caminhada. No meio do caminho tinha a indicação da Praia do Iguaçu, não fomos e seguimos adiante. A trilha desembocou na primeira praia da Enseada das Estrelas, a Praia da Camiranga. Já era final de tarde e a maré estava alta. Descansamos um pouco. Ao passar num trecho que a areia era toda coberta pelo mar, achei que conseguiria passar ileso (sem molhar o tênis) no momento em que a onda do mar recuasse, ledo engano, o trecho era grande demais para passar dessa forma. O resultado foi todos os tênis encharcados. Caminhamos descalços pelas praias de Fora e Perequê. A ansiedade de chegar logo no Saco do Céu era grande, caminhávamos lentamente e todas previsões de tempo que os nativos indicavam nunca confirmava-se em nossa passada. Chegar na Pousada Gata Russa foi um alívio. Próximo de Saco do Céu Eu tinha feito um pré contato com a Rilma, dona do lugar. O valor do camping é R$60 com café da manhã e R$40 sem café da manhã, logicamente ficamos sem o café e ainda demos aquela chorada básica e reduzimos o valor para R$35. Destruídos armamos as barracas e tomamos o merecido banho. Depois, como seria de praxe, cozinhamos bastante comida. Convidamos a Rilma para o jantar. Deitamos por um tempo nas redes. Fomos no cais tentar ver o céu, mas o tempo nublado não deixou as estrelas aparecerem. Logo depois fui para a barraca e desmaiei de sono. Gata Russa Gata Russa Na trilha até o Saco do Céu encontramos um bugio preto morto no meio da trilha. Foi meio chocante, nunca tinha visto um bugio e na primeira vez que vejo, vejo um morto. O Vinícius achou que era uma cobra que havia matado ele, mais especificamente uma jararaca. Eu fiquei preocupado com febre amarela. No entanto, comentei sobre isso com a Rilma e ela disse que o pessoal da comunidade havia falado que o bugio havia morrido eletrocutado. Isso deu um certo alívio. Não sou perito em coisa nenhuma, mas o bugio estava muito perfeitinho para ter morrido eletrocutado. Enfim, o que eu sei que foi triste ver aquela cena. Saco do Céu Na manhã seguinte, tomamos um café da manhã reforçado e assim aliviamos nossas costas com menos peso pra caminhada. Alongamos. Um pouco atrasado partimos, pois já tinha passado metade da manhã. Seguimos pela trilha T03 rumo a Freguesia de Santana. No início da trilha, do lado do campo de futebol, avistamos a diferente Praia do Funil. Particularmente, eu gostei bastante dessa praia, pois nunca tinha visto nada do tipo até então. O restante do pessoal não se encantou muito por ela. Acho que com a maré mais alta e o sol de fundo essa mini praia iria ficar demais. Praia do Funil Matheus e a Praia do Funil Depois seguimos para a Praia do Japariz e logo em seguida para a Praia de Freguesia de Santana. E assim, acabamos a trilha T03 que foi das mais tranquilas do percurso. Ficamos um tempo na praia. Mergulhamos. Tomamos uma coca gelada e descansamos. Praia de Japariz Praia de Japariz Trilha T03 Beleza de vista Trilha T03 Trilha T03 Trilha T03 Praia de Freguesia de Santana Preparando-se para partir de Freguesia Seguimos por detrás da igrejinha. Caminhamos um pouco e logo avistamos a placa indicando a trilha T04 sentido Bananal. A trilha começa com uma subida forte, porém nessa subida encontrei com a Dona Maria, ela mora na subida, e pedi algumas informações que ela prontamente respondeu e depois ela me disse que vendia sucos. Compramos os sucos. Escolhemos o de acerola. Cada um era R$5 e veio estupidamente gelado. Naquele momento senti que era o melhor suco que havia tomado na vida, era incrivelmente bom. Eu com minha mania de supor coisas, supus que haveria diversas Dona Maria pela volta da Ilha Grande, grande inocência a minha. Não surgiu em nenhum momento mais uma Dona Maria com seus sucos milagrosos. Não teve um dia que em nossas conversas não lembrássemos daquele suco de acerola gelado. Continuamos a caminhar. A trilha é cansativa. Quando avistamos o mar a nossa frente achamos que havíamos chegado em Bananal, mas era Bananal Pequeno. Paramos e descansamos um pouco. A praia de Bananal Pequeno é muito bonita e deserta. Voltamos a caminhar e depois de uns cinco minutos chegamos em Bananal, final da trilha T04. A igrejinha A Trilha T04 Bananal Pequeno Bananal Pequeno Chegando em Bananal Chegamos em Bananal - Na vendinha Bananal era um ponto de interrogação. Não sabíamos se passaríamos a noite aqui ou se seguiríamos para Matariz ou até mesmo para Maguariqueçaba. Resolvemos olhar o camping da Cristina, o espaço que ela tem no quintal da casa é bem bacana, mas o senhor que nos atendeu parecia meio confuso, dava informações contraditórias e resolvemos não ficar ali. Paramos numa casa para pedir informações e o dono da casa disse que poderíamos acampar no quintal da sua casa por R$30 (mesmo preço do camping da Cristina), ele com sua filha pareciam bem receptivos e então ficamos ali na casa do Juca Bala, na companhia do próprio e de sua filha Josi. Nos livramos das mochilas e fomos logo cozinhar o almoço. Pela primeira vez comi macarrão, molho de tomate e bacon. A fome é um bom tempero, mas estava muito bom esse rango. Depois fomos a beira mar. O Vinicius ficou no mar sozinho, como se fosse a primeira vez dele e o mar. Juntamos-se a ele e ficamos até a chuva nos expulsar do mar. Ficamos abrigado na vendinha. A chuva não cessava. A Jordana foi até a casa do Juca Bala e fez pipoca. Ficamos assistindo a chuva, que não tinha fim, debaixo da vendinha, de frente pro mar, comendo pipoca e bebendo as primeiras cervejas da viagem. Bananal Bananal Bananal A noite foi boa. Conversamos sobre tudo. Rimos demais. A Josi fez companhia por toda noite. Ela jantou conosco e a janta foi arroz com seleta de legumes, farofa e calabresa frita. A chuva não parou. Pedimos ao Juca se podíamos estender os sacos de dormir na área e dormir por ali mesmo, no relento. O Vinicius que estava sem saco de dormir montou a barraca na área e nós outros estendemos o sacos de dormir e dormimos com aquele ventinho frio que fazia na noite. Diferentemente do primeiro dia, nesse dia conseguimos desfrutar de todo o percurso, das praias, da comunidade, da nossa amizade e tudo mais. Esse dia foi um ótimo dia. A varanda Levantamos às 06:00. Tomamos o café e partimos para a trilha T05 rumo a Sítio Forte. A primeira parada seria a Praia de Matariz. Não sei ao certo o que aconteceu nesse percurso, foi o único no qual nos perdemos por um instante maior, apesar de ser pouco tempo. Seguíamos pela trilha e depois o caminho começou margear um mangue. O chão cada vez mais tinha buracos com ninhos de cobra. Quando os ninhos eram muitos decidimos voltar. Fomos voltando pela trilha e depois de uns cinco minutos avistamos uma ponte e a orla de Matariz. Creio que foi uma cegueira de olhar apenas pro chão que não nos deixou ver aquela ponte que estava logo ao nosso lado. Aliviados paramos um pouco em Matariz que estava deserta naquela hora do dia. Saindo de Bananal Rumo a trilha T05 Rumo a trilha T05 Trilha T05 Praia de Matariz Seguimos rumo a Praia de Passaterra. Cruzamos com uma gangue de cachorros. Quando chegou na bifurcação não fomos para a Praia de Jaconema e seguimos pela trilha principal. Chegamos em Passaterra e descansamos um pouco. O dia hoje seria o de maior quilometragem até então. Não perdemos tempo e seguimos a caminhada até Sítio Forte. Passamos pela Praia de Maguariqueçaba que estava vazia. Para mim Passaterra e Maguariqueçaba são praias bem parecidas. No final da praia seguimos pela trilha. Caminhamos por mais algum bom tempo e chegamos no final da trilha T05. Enfim, Sítio Forte. O lugar me agradou bastante, com um gramado amplo, alguns poucos moradores, um mar tranquilo, mas o melhor é o contorno da serra o fundo a quilômetros de distância. Ficamos abrigados em um sombra. Comemos, descansamos e enchemos as garrafas de água. O tempo parado ali foi grande. Trilha T05 Trilha T05 Praia de Passaterra Trilha T05 Trilha T05 Sítio Forte Sítio Forte Com as energias renovadas partimos para a trilha T06 com destino Araçatiba. Logo no início cruza-se a Praia da Tapera. Seguimos em frente. Caminhamos por mais uns trinta minutos e chegamos na Praia de Ubatubinha. Paramos só um pouco para descansar as costas e continuamos a caminhada que estava muito agradável. O dia estava nublado, em alguns momentos saiu algumas chuvas finas, mas sempre por pouco tempo. O clima facilitava a caminhada. O trecho entre as praias de Ubatubinha e do Longa é bem mais extenso e mais chato de caminhar. Porém, nada muito complicado. A trilha desemboca numa vendinha. Sentamos na vendinha e tomamos uma Coca 2 litros (R$10) bem gelada. Uma fato na Ilha Grande é que todas as bebidas, em qualquer lugar, vem muito gelada e isso me agradou muito. Ficamos descansando e vendo a bela Praia do Longa. Tínhamos combinado que de acordo com o horário e o clima seguiríamos ou não para a Lagoa Verde. Creio que era umas 13:00, portanto, tínhamos tempo de sobra e as nuvens de chuva tinham dado uma trégua. Resolvemos ir para a Lagoa Verde antes de ir para Araçatiba. Vendinha na Praia do Longa A trilha para a Lagoa Verde é tranquila. Acho que levamos uns quarenta minutos saindo da Praia do Longa. Chegar na Lagoa Verde é chegar em um paraíso. Desde do início do trekking já havíamos passados por muitos lugares de belezas ímpares, lugares muitos bonitos, mas agora a percepção de beleza estava num nível mais elevado, enfim, a Lagoa Verde é um paraíso. O verde da lagoa, principalmente pelo alto é encantador. Dentro de suas águas límpidas é possível ver cardumes e cardumes de peixes tão nitidamente como se estivessem em nossa palma da mão. Os peixes por lá são tão coloridos. Uma belezura de momento. Apesar de haver algumas pessoas no local somente nós estávamos nadando, portanto, por alguns minutos a lagoa foi nossa. Em certo momento fui queimado por uma água viva e o Vinicius pisou em um espinho. Assim, eu, ele e o Matheus resolvemos sair um pouco da lagoa enquanto a Jordana mergulhava com seu snorkel. Na saída, caminhando distraído eu pisei numa pedra. No ínicio achei que não havia cortado, mas depois de ver a poça de sangue que se formava debaixo de mim fiquei preocupado. Nesse momento surge o anjo, um anjo de dreadlocks, de nome Mari. Antes de eu esboçar qualquer reação ela já estava com o algodão na mão pressionando o machucado. Foi um corte bem grande na sola do pé. Com toda a paciência do mundo ela ficou ali esperando o sangue estancar. Ela me contou que é de São Paulo e sempre vem com seu pai e seu simpático irmãozinho para a Ilha Grande, mais especificamente a Praia do Longa. A Ilha Grande é sua segunda casa. Limpou o ferimento com álcool, aplicou os remédios que o Vinicius havia levado, fez o curativo e ainda ficou um tempo conversando conosco. Quanta gratidão. Fiquei tão feliz com aquela situação que nem mesmo lembrava do ferimento. Nunca irei esquecer a prontidão, a solidariedade e a doçura da Mari. Nunca é demais agradecer: Mari, muito obrigado! Lagoa Verde Lagoa Verde Lagoa Verde Lagoa Verde Depois de todo o ocorrido e a presença de nuvens carregadas decidimos partir. Ao colocar o tênis vi que seria difícil caminhar daquele jeito, mas seria suportável. Nos despedimos da Mari e fomos embora. Voltamos a trilha e na bifurcação subimos rumo a Araçatiba. Esse trecho de trilha é tranquila, porém pra mim foi difícil. A cada pisada do meu pé direito uma pontada de dor subia no corpo. O andar era complicado. Chegamos em Araçatiba. Iriamos ficar no camping Bem Natural. A praia de Araçatiba é bem grande e o camping fica no final da praia. Assim, caminhamos por mais uns vinte minutos debaixo de uma chuva forte até chegar no camping. O preço do camping é R$45 (caro!) sem café da manhã, mas é a melhor estrutura que encontramos em toda viagem. Ótima cozinha, muitos banheiros, alguns chuveiros quentes, locais cobertos para armar a barraca e tudo muito limpo. Conseguimos reduzir o valor para R$40. Montamos nossas barracas. Tomei o melhor banho da viagem. Chuveiro a gás com uma boa regulagem de temperatura, consegui massagear bem as costas. A Jordana refez o curativo do meu pé. Preparamos macarrão com molho de tomate, atum, bacon, milho e ervilha, fizemos suco e ainda ganhamos queijo parmesão ralado do Alexandre, um cara gente boa demais que estava acampado por lá também. Foi uma boa janta. Conversamos bastante com o Alexandre. Depois o Vinicius foi dormir. Eu, Matheus e a Jordana fomos beber umas cervejas num bar suspenso no mar. Antes das onze da noite estávamos de volta ao camping. Acordamos bem cedo porque queríamos chegar em Aventureiro o mais cedo possível. Fizemos café da manhã. Conversamos mais um pouco com o Alexandre e partimos para a trilha T08 rumo a Provetá. A trilha é bem agradável e as mochilas nesse momento já estavam bem leves em relação ao primeiro dia. Fomos em um bom ritmo. Chegamos em Provetá. Aqui é uma autêntica vila de pescadores. Não lembro de nenhum turista por lá. Paramos numa vendinha perto da igreja e compramos muitas frutas, destaque para a melancia que devoramos em instantes. Depois de uma dieta sem frutas era hora de comer frutas por todos os outros dias. Descansamos em uma sombra e por lá ficamos por quase uma hora. Finalzinho da trilha T08 Foto do grupo Provetá Provetá Provetá Provetá De Abraão até Araçatiba, caminhamos pela parte oeste da ilha que está voltada para o continente. O mar nesse trecho é caracterizado por suas águas plácidas e de coloração verde escura. Ao chegar em Provetá esse cenário muda drasticamente, pois agora inicia-se a caminhada pelo lado leste da ilha que está voltada diretamente ao mar aberto. O mar de Provetá até Lopes Mendes é mais bravo, com muitas ondas e sua coloração pende mais para o azul clarinho. Esse é um dos encantos de dar a volta na Ilha Grande conhecer dois tipos distintos de mar em um trecho tão pequeno de terra. Provetá Vinicius em Provetá Das muitas histórias que já ouvi nessa vida, talvez a melhor seja do João, morador de Provetá. João, um pescador com brilho no olhar e de fala mansa salvou um pinguim-de-magalhães, na qual deu o nome de Din Din, que encontrava-se machucado na orla de Provetá. Depois de meses juntos, Din Din partiu rumo a Patagônia. Depois disso, todo ano Din Din volta a Provetá para visitar o João pela gratidão e amizade, isso já ocorre por seis anos. Não tive o prazer de conhecer o João, mas teria sido imensamente gratificante dar um abraço nesse grande homem. Vou deixar o vídeo com ele contando a história que é muito melhor que minhas palavras: Gostamos bastante da Praia de Provetá, o clima menos turístico favorecia isso. Queria ter ficado mais tempo, talvez pernoitado, mas naquele dia queríamos chegar em Aventureiro. Pegamos a trilha T09 e seguimos a caminhada. No início da trilha é uma subida bem chata e sem vegetação, então há outro castigo aqui, além da subida, que é o sol. Difícil aquele trecho, e justo nesse dia o sol apareceu com toda a sua cara. Depois a trilha volta para a mata mais fechada, mas a subida nunca cessa. Sempre subindo. Com toda certeza, essa trilha é a mais pesada de todas. No final da subida, tem uns quatros bancos de madeira que de longe parecem troféus. Ficamos ali deitados por algum tempo. Resolvemos acabar logo com aquela caminhada e partimos para a descida. Nesse momento se desce em zigue-zague. Alguns escorregões e tombos. Descida até o fim. Víamos o mar, a descida estava no final e no fim estavam nossas energias. Depois de Abraãozinho, Bananal Pequeno e Araçatibinha, só faltava haver a praia de Aventureirinho antes de Aventureiro, falava o Vinicius enquanto dávamos risada, mas aquela risada com responsabilidade pois tínhamos um certo medo de haver mesmo uma praia de Aventureirinho. Pra nossa sorte não havia e pra melhorar o camping do Luís ficava bem do lado do final da trilha. Jogamos as mochilas no chão e pela primeira vez nos permitimos não cozinhar. Pedimos um PF (R$30) no camping. Início da T09 - Vista para Provetá Início da T09 - Vista para Provetá O fim da subida e a cara da derrota O início da descida Camping do Luís Camping do Luís Camping do Luís Camping do Luís Caminhei em direção ao coqueiro deitado que é o cartão postal da Ilha Grande. Não sei, coqueiro deitado não me parece um bom nome, o coqueiro está mais para sentado do que para deitado. Prefiro chamá-lo de coqueiro degrau. Entretanto, uma coisa que não tem como discordar que ele é lindo demais, merece o título de cartão postal. Aquele pequeno trecho de praia onde ele se esconde é de uma beleza ímpar. O coqueiro deitado O coqueiro deitado O coqueiro deitado Eu eu o coqueiro Jordana e o coqueiro Depois do almoço o Vinicius se sentiu mal. Ele ficou pelo resto do dia amoitado tentado recuperar-se. Fomos pro mar, ficamos nos divertindo com as ondas do mar que até então era novidade nessa viagem. O Matheus desfilou seu estilo de nado que mais parecia com um afogamento. A tarde naquele mar foi gostosa. Eu estava com certo receio de pisar em algo e abrir o pé novamente. Com isso sai do mar mais cedo que gostaria. Tomei banho. No resto do dia me encostei numa rede. Que delicia. Ficar de bobeira deitado numa rede me lembrava os dias viajando de barco pela amazônia. A noite veio e o lual em Aventureiro não aconteceu. O vento chegou e deixou a noite na rede mais delicia ainda. Só o Vinicius montou a barraca. De resto ficamos todos pelas redes do camping. Dormir na rede naquele cenário foi bom demais. No fim, até o Vinicius desistiu da barraca e se arranjou numa rede para dormir. Aventureiro Aventureiro Aventureiro Matheus e Aventureiro Matheus e Aventureiro Acordei, ainda tudo tava escuro. Caminhei a beira mar e fiquei ali a espera do nascer do sol. A Jordana juntou-se a mim. Pouco a pouco o sol ia erguendo-se e dando brilho aquela praia tão especial e de um mar de cor tão peculiar. Eu e o nascer do sol O nascer do sol em Aventureiro Jordana e o sol Senti muita vontade de passar o resto da viagem em Aventureiro. Desistir da volta e ficar ali em paz. Se algum dia eu voltar para Ilha Grande, será para ir direto rumo Aventureiro e ficar uma semana inteira ali, acampado à beira mar. Entre o céu, o mar, a areia da praia e uma sombra pra descansar. Que saudades de Aventureiro. Que saudades. Aventureiro O resumo de Aventureiro O Vinicius tinha acordado renovado. Tomamos um café da manhã reforçado com direito a pão e queijo deixado por um família que conhecemos no dia anterior. Tentamos uma conexão de internet (no camping tem wifi) para antecipar os votos natalinos com nossas famílias. Tentativa bem sucedida. Saímos era tarde da manhã. Fomos querendo ficar. Não tínhamos a permissão do Inea para atravessar as praias do Sul e Leste, mas fomos mesmo assim. Afinal, não tinha barcos para Parnaioca naquele dia. Logo no inicio da caminhada, no trecho em que caminha-se entre rochas até a Praia do Sul o momento de maior tensão da viagem. O Matheus distraído pisou na parte da pedra que tinha tipo uma cachoerinha, portanto estava molhado. E assim, foi descendo em direção do mar, escorregando pelo pedra que parecia um tobogã. Na hora que olhei bateu um desespero grande. Já estava tirando a mochila pra pular no mar quando o Matheus milagrosamente conseguiu travar-se num trecho inclinado da rocha. Fomos em sua direção, pegamos sua mochila. Ele saiu tranquilo, na visão dele ele nem tinha passado por nenhum perigo. Porém, eu e o restante do grupo ficamos em choque. Foi um grande susto. A caminhada infinita pelas também infinitas praias do Sul e do Leste foi de tensão inicialmente, mas a beleza do lugar logo nos fez esquecer do ocorrido. O Matheus ganhou o apelido de Quase Morte e a sobrevida que ele ganhou nesse dia fez ele disparar no percurso. Ele caminhou na nossa frente pela primeira vez e assim foi até não ser mais visível aos nossos olhos. Esse trecho judia, pois só se caminha pela areia e o sol estava forte demais. Eu me encantei pela travessia entre a praia do Sul e do Leste, na parte que atravessa-se pelo mangue. É de uma lindeza indescritível. Depois foi caminhar e caminhar debaixo de um sol escaldante, mas a beleza do lugar tornava tudo mais fácil. O trecho de pedra Praia do Sul Praia do Sul Belezura O Mangue O Mangue Praia do Leste Praia do Leste Fim de caminhada Praia do Leste Beleza é relativo. Direto eu digo que esse ou aquele lugar é o mais bonito que já vi em minha vida, para mudar de opinião cinco minutos depois. Sobre as praias de Ilha Grande isso também era uma verdade. Toda hora falava que essa ou aquela era a praia mais bonita da ilha. Porém, a verdade que para mim as praias do Sul e do Leste são as mais bonitas. Areia branquinha e mar límpido. Enquanto caminhávamos molhando os pés consegui ver uma raia que nos acompanhou por instantes nadando no rasinho. Lindeza. Naquela situação fiquei feliz demais em ver uma raia. A parte final da Praia do Leste em contraste com a vegetação é lindo demais e é a imagem que eu lembro quando recordo da ilha. Matheus no paraíso A imagem que grudou na retina - Praia do Leste Todas as trilhas que fizemos em nenhuma tivemos problemas com água, exceto essa. O trecho que caminha-se pelas praias do Sul e Leste era de se esperar que não haveria água. São quase duas horas exposto ao sol, então o consumo de água é alto. Ao chegar no trecho que liga a Praia do Leste a Parnaioca volta-se a caminhar em vegetação fechada. Entretanto, nesse trecho não há rios para encher as garrafas. No ínicio da trilha já estávamos sem água. Completar esse percurso foi um martírio, perdíamos muito água pelo suor e a boca estava seca. Quando avistamos o fim da trilha foi um alívio. Chegamos em Parnaioca não era nem uma hora da tarde, tínhamos todo o resto do dia para nós. Nesse dia era véspera de Natal. Seguimos para o camping do Silvio. Não tivemos o prazer de conhecer o Silvio que estava no hospital se recuperando de alguma enfermidade. Fomos recepcionados por seu filho Célio e sua família. Almoçamos. Organizamos nossas coisas e levantamos acampamento. Descansamos nos colchonetes do camping. Depois ficamos na praia. O dia estava ensolarado e Parnaioca estava linda demais. Pena que quase não registramos Parnaioca em fotos. No descer do sol voltamos ao camping. Tomamos banho e pedimos um PF para nossa ceia de Natal. Depois fomos convidados para uma fogueira à beira mar. Aceitamos. Ficamos pouco tempo, não entramos em sintonia com o outro grupo que estava em outra vibe. Voltamos para o camping e ficamos o resto da noite conversando e rindo. Foi boa demais aquela noite. Antes de irmos dormir, como um presente de Natal, o céu se abriu pela primeira vez durante a noite nessa viagem. Curto demais ver o céu estrelado e naquela noite o céu estava bonito de se ver. Fiquei admirando as estrelas até o cansaço me dominar. Parnaioca Parnaioca Acordamos cedo. Alongamos. Tomamos um café da manhã fraquinho, pois já não havia muitas coisas nas mochilas. Seguimos para a trilha T16 rumo a Dois Rios. No caminho para a trilha tirei as únicas fotos de Parnaioca que naquela hora do dia não estava nada bonita em comparação com a tarde anterior, na qual aproveitamos a Praia de Parnaioca. Essa trilha é chatinha apenas nos primeiros vinte minutos, mas depois é quase toda plana. Delicia de caminhar assim. A T16 é a trilha mais longa de Ilha Grande. Porém, nem de longe é a mais difícil. A trilha é cheia de bugios e ao atravessar algumas áreas de posse deles, eles gritam para espantar os invasores e os gritos de um bando de bugios é assustador, principalmente a primeira vez. Não consigo nem fazer um paralelo ou comparação. Acredite é assustador. Na terceira ou quarta invasão no territórios deles você acostuma com o barulho e começa até aproveitar aquele som peculiar. Quando avista-se a Toca das Cinzas a trilha está no final. Essa toca diz a lenda que era usada para deixar os presos mal vistos do presídio de Dois Rios apodrecendo até a morte. O final da trilha é em uma vegetação rasteira diferente de toda vegetação vista na ilha, não consegui identificar qual era essa vegetação, mas era bem bonita. O fim da T16 anuncia-se no mesmo momento que avista-se o presídio de Dois Rios. A trilha T16 A trilha T16 A Trilha T16 A Trilha T16 A Trilha T16 Comunidade de Dois Rios Dois Rios O presídio de Dois Rios é uma tentativa de isolamento e de dificultar a fuga dos detentos, como feito na ilha de Alcatraz nos Estados Unidos. Esse presídio abrigou alguns célebres prisioneiros. O caso mais famoso foi do traficante Escadinha que fugiu de helicóptero do presídio no seu banho de sol. O presídio era de segurança máxima e tal fuga vive até hoje no imaginário da sociedade, inspirando contos, livros e filmes. Porém, o preso mais famoso com toda certeza foi, o fora de série, Graciliano Ramos. Graciliano foi preso por subversão acusado de ser comunista no ano de 1936 no governo Vargas, que na época namorava com os regimes fascistas da europa. Como admitiu posteriormente, Graciliano na época não tinha afinidade com o comunismo, algo que foi só acontecer no pós guerra em 1945. Em Dois Rios, Graciliano terminou de revisar, que para muitos é seu melhor livro, o livro Angústia. Quinze anos depois (e pouco tempo antes de falecer) da sua prisão ele publicou Memórias do Cárcere em que conta seus dias na prisão em Dois Rios. Eu curto demais literatura e antes de embarcar nessa viagem li atentamente o livro Angústia do qual ainda não sei se gosto. Graciliano entrou na minha vida na época que eu prestava vestibular. Tive que ler pela primeira vez Vidas Secas nessa época. Esse foi dos melhores livros que já li. O livro foi muito importante na formação do meu caráter e na minha forma de ver e conceber o mundo em que vivemos. Portanto, estar de frente aquele presídio era estar de frente com uma parte da história de alguém que é importante em minha vida. Não foi especial estar ali, mas tinha que estar naquele lugar e ver um pouco da história. Hoje, resta apenas o paredão da entrada principal do presídio que foi implodido em 1994. O presídio O presídio Desde da caminhada até Aventureiro tomar uma água de coco gelada virou nossa obsessão. Não encontramos em Aventureiro e nem em Parnaioca. Chegamos em Dois Rios e tínhamos a certeza que naquele lugar conseguiríamos, por fim, tomar o coco gelado. Não rolou, nos lugares em que procuramos nada de coco. A comunidade estava meio deserta, afinal era dia de Natal. Tomamos outra Coca de dois litros estupidamente gelada e estupidamente cara, R$14. A comunidade de Dois Rios é bem estilo vilinha de cidade de interior. Eu gostei bastante, porque as casas ficam bem distante das praias. A comunidade é cheia de gramados, isolando a overdose de areia de todas as outras praias, areia que fica apenas na orla. Fomos pra praia e encontramos uma boa sombra. Ficamos na sombra. Dormimos. Almoçamos por ali. Passamos toda a tarde naquele lugar. Surgiu a ideia de montar acampamento, afinal aquela paisagem era demais. Mais uma vez o mar surpreendia por sua cor. Dois Rios não deve em nada em questão de beleza para nenhuma outra praia da ilha. No fim da tarde, o tempo já anunciava chuva. Já havíamos desanimado da ideia de seguir a volta da ilha por Caxadaço, Santo Antônio e Lopes Mendes e com aquele tempo decidimos cortar a pontinha norte da ilha e seguimos para a trilha T14 rumo a Abraão. Praia de Dois Rios Praia de Dois Rios Praia de Dois Rios Descanso na Praia de Dois Rios O almoço Cozinhando O contorno da Ilha Grande seria completo se seguíssemos pela T15 rumo a Caxadaço e terminasse a volta pela ponta norte da ilha. Para fazer isso teríamos que fazer um camping selvagem em Caxadaço. Não tínhamos informação de como era o reabastecimento de água por lá, a chuva viria muito forte naquela noite, tinha a questão da trilha entre Caxadaço e Santo Antônio que parece ser confusa e nossos corpos já começavam dar sinais de esgotamento. Decidimos assim, seguir a trilha T14 e ir direto para Abraão, e no dia seguinte faríamos esse trecho sem mochilas. E assim, partimos para nosso último trecho com nossos mochilões. A T14 na verdade é uma pista, a única que transita carros autorizados na ilha. A primeira metade é de subida e a outra metade é só descida. Já na descida tem um mirante bem bonito. A alegria do sucesso já dominava-nos e o cansaço parecia secundário. Demos bastante risada nesse trecho de caminhada. A maior parte dos assuntos eram recordações da volta. Quando chegamos em Abraão o alívio era o sentimento da vez. Agora era hora de comemorarmos. Fomos até o camping Cachoeira. Eu tinha feito contato, antecipadamente, com a Noé e conseguimos a diária de R$25 no camping, um achado por ser a semana dos preços caros. Arrumamos nossas coisas no camping e logo começou a chover. Chuva forte. Chuva que impediu de sairmos das barracas. Chuva que impediu nossa comemoração do final da volta. A chuva ficou até a manhã do dia seguinte, de maneira intensa. O que fez que a nossa decisão de cortar a ponta norte da ilha fosse acertada. O Vinicius nessa noite resolveu antecipar sua partida. Logo ao amanhecer ele partiu. A trilha T14 O mirante O grupo no mirante Abraão Abraão Volta completada O dia amanheceu chuvoso. Agora éramos três. Demoramos mais que o normal para sairmos das barracas, afinal, a volta estava dada e o descanso era merecido. Tomamos o café da manhã reforçado preparado pela Jordana e saímos caminhar por Abraão. O sonhado coco gelado surgiu nessa manhã, mas de forma melancólica veio em um copo plástico e não diretamente da fruta. Enfim, estava bom demais. Ficamos a olhar o finito mar com Angra ao fundo. De chinelos nos pés resolvemos ir até Lopes Mendes. Vinte minutos depois de entrar na trilha T10 bateu o arrependimento de ir, pois começou a chover e toda hora meu chinelo se desfazia, e ainda tinha a preocupação em machucar o machucado novamente (ou seria remachucar o ferimento existente?). Caminhamos em frente. Depois de uma hora de caminhada estávamos na praia de Palmas. A chuva cessou com a nossa chegada, avistamos umas espreguiçadeiras e ficamos por lá. As espreguiçadeiras em Palmas Almoçamos. Decidimos não mais avançar até Lopes Mendes, o tempo estava fechado e o sol já estava baixo. Ficamos por ali o resto da tarde. Quando a chuva iniciou-se, novamente, partimos rumo a Abraão. Apesar da chuva, essa trilha foi a mais tranquila, sem peso nas costas e por ser o último trecho de trilha que eu iria fazer naquele ano que se encerrava. Tive prazer em cada passo que dei nos últimos sessenta minutos de caminhada. A trilha escorregadia e a chuva incessante não atrapalhava em nada. E assim que avistei os primeiros telhados na enseada de Abraão a sensação de missão cumprida me dominou juntamente com a felicidade. Praia de Palmas Praia de Palmas O Pico do Papagaio é o segundo ponto mais alto da Ilha Grande com 982 metros. O ponto mais alto é o Pico da Pedra D’Água com 1035 metros. Porém, o Pico do Papagaio é acessível por trilha (T13) e sua vista é incrível. A trilha é considerada a mais difícil da ilha em questão de preparo físico. Queria fazer a trilha de madrugada para ver o nascer do sol de cima do pico. Não sei explicar a minha relação com as montanhas. Quando digo montanha, excluo a definição literal e jogo no mesmo significado morros, serras, pedras ou qualquer elevação territorial que se destaca no horizonte. Nasci numa cidade plana e por isso, que até onde eu saiba, tinha dos maiores índices de bicicleta per capita do país. Fui conhecer montanhas tardiamente, talvez isso fez eu ter essa fascinação. Só sei que do alto de algum pico, de onde a imensidão domina a paisagem, d'onde faça eu ver o quão pequeno sou é onde sinto-me melhor. Ali do alto é que eu acho o meu equilíbrio de tempos em tempos. Entre o mar e a montanha sempre irei ficar com a montanha. Por isso, o Pico do Papagaio para mim era o ponto alto dessa viagem. No início do dia quando tive a certeza que não daria para subir o pico naquele dia e nem no próximo (por causa das chuvas e da falta de visibilidade), achei que iria ficar frustado. A frustração não veio. Os dias a beira mar haviam compensado e de certa forma o mar me trouxe esse equilíbrio. Inicialmente iria partir no próximo dia no final da noite, mas com o tempo ruim decidi partir no início do próximo dia. Com ressalvas tinha conquistado o objetivo de dar a volta na Ilha Grande, estava satisfeito com tudo que eu havia vivido. Agora sobrava uma noite e era hora de comemorar. Saímos prum bar, comemos bem e bebemos até o inicio da madrugada. As recordações e as risadas deram o tom da despedida. A comemoração No outro dia acordei cedo. No escuro caminhei por Abraão rumo ao cais. O relógio marcava 06:00, sentei no cais e esperei. Na outra ponta havia um grupo - que imagino eu - que havia pernoitado lá e tocava alguma música. Me aproximei. Não reconheci a música. No momento que o sol se levantava acabei dormindo. Dois caras me acordaram e um deles me perguntou se eu estava procurando hospedagem, eu disse que estava partindo. Corri e consegui alcançar o barco que já estava saindo. Sentei no barco e dormi de novo. Acordei no porto. Novamente com pressa fui até a rodoviária. Subi no ônibus e mais uma vez dormi. Assim, me despedi de Angra e sua Ilha Grande, que facilmente poderia ser chamada de Ilha Bela ou, para evitar o plágio, melhor seria Ilha Linda. A última foto da ilha Para mim essa viagem foi muito especial. Reencontrar o Matheus foi muito bom, amigo que dividiu comigo tantas experiências, desde das aulas da época da universidade, passando pelo companheirismo nos projetos sociais nos quais nos envolvemos, nos dias de estágio no qual também dividimos o mesmo teto até chegar na nossa iniciação em mochilões, no mochilão pela América do Sul. Passar dias com o Vinícius fora do ambiente, por muitas vezes carregado, do laboratório e conhecê-lo de uma forma mais real também foi legal demais. Conhecer a Jordana de uma forma tão casual também foi muito bom, ela deu o toque feminino que faltava no grupo. Acho que formamos um belo grupo. Contornar cada canto da ilha foi surpreendente. Cada nova praia era uma beleza diferente. As trilhas são todas cheias de charme. Beleza não falta nesse trekking. Claro que existem os pontos altos como Lagoa Verde, Aventureiro e Parnaioca em que as belezas são mais gritantes e a paz prepondera nesses lugares tornando-os mais especiais ainda. Porém, caminhar esses dias sem a companhia da Jordana, Matheus e Vinicius fariam com que esses lugares não fossem tão belos. A soma dos lugares, do nosso grupo e das pessoas que cruzaram nosso caminho nessa jornada fizeram dessa viagem, uma grande viagem. Só tenho agradecer aos céus por mais essa oportunidade. Jordana, Matheus e Vinicius obrigado pela companhia e, principalmente, pelas boas memórias que teremos desses cansativos, porém incríveis dias. Muito Obrigado! E agradeço também os pacientes leitores que conseguiram chegar ao fim desse longo relato. Obrigado! Nos vemos pela estrada. Abraços, Diego Minatel
  15. Oi galera, Tenho 33 anos. Sou de Belo Horizonte. Procuro cia pra viajar em 2020 pra Orlando e Miami. Quero conhecer os principais parques em Orlando. Tenho flexibilidade de datas, mas desejo ir em período de menos movimento dos parques. Dizem que determinadas épocas as filhas são gigantes. Não conheço ainda nenhuma das duas cidades. Quem tiver interesse, mando whats no privado.
  16. Cada hotel tem regras diferentes em relação ao pagamento das reservas, alguns aceitam pagamento somente no ato do check-in lá no hotel, outros aceitam pagamento antecipado com cartão de crédito, geralmente com desconto. Então se você quiser pagar em dinheiro somente no momento do check-in, na hora de fazer a reserva você tem que escolher um hotel que não exija pré-pagamento, é só entrar no site do Booking.com, escolher o hotel, e prestar atenção nos detalhes da reserva, lá vai estar escrito de forma bem clara se vai haver pré-pagamento ou se você vai pagar só lá no hotel, como no exemplo abaixo: Mas independe de você escolher fazer o pré-pagamento com desconto, ou pagar lá no hotel em dinheiro, você obrigatoriamente vai precisar de um cartão de crédito como garantia pela reserva. Atualmente todos os hotéis exigem que você informe os dados de um cartão de crédito válido como garantia pela hospedagem, mesmo que vá pagar em dinheiro lá na recepção. Eles fazem isto para se proteger dos hospedes caloteiros que fazem reservas, e depois não aparecem para fazer check-in, deixando o hotel com um monte de quartos vazios e travados esperando o hóspede aparecer... Se você fizer a reserva e não fizer check-in e também não cancelar ela pelo menos 24 horas antes do check-in, eles cobram a primeira noite no cartão de crédito, como indenização pelo calote recebido.
  17. 3 amigos procurando carona para ir ao Pico do agudo em Sapopema PR, com pretensão de acampar uma noite e conhece as cachoeiras no dia seguinte
  18. Considerações Gerais: Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Em toda a viagem houve bastante sol, mas também alguns períodos de chuva. As temperaturas estiveram bem razoáveis (para um paulistano), chegando em média a 30 C ao longo do dia e não caindo a menos de 18 C à noite nem nos períodos de chuva. A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil :'>. Em algumas ocasiões as pessoas se assustam com um mochileiro, vestido com roupas surradas, mas eu já me acostumei a isso. Talvez alguns hotéis tenham dito que estavam lotados por não quererem hospedar alguém com esta aparência. As paisagens das praias e da costa agradaram-me muito, principalmente a vista a partir de morros e costões ::otemo:: . A cor do mar, com diversos tons de azul e verde foi um espetáculo à parte, principalmente quando vista bem de cima, abrangendo uma grande área ::otemo:: . Pude ver uma cobra, lagartos, aves e peixes. O comportamento do mar variava bastante de acordo com a praia e o tempo. De uma maneira geral achei o mar bastante interessante para se brincar, pois tinha bastante ondas, mas era bravo em muitos locais e tinha depressões formando zonas que não davam pé e tinham ondas e correnteza (recomendo cautela a quem não sabe nadar ou não está acostumado ao mar, principalmente nas praias mais bravas e próximas a costões ou quando o tempo estiver com muito vento). Havia algumas praias com muitas pedras, o que exigia cautela se fosse desejado entrar no mar. O espetáculo das ondas chocando-se contra os costões pareceu-me magnífico ::otemo::. A água até que estava mais quente do que eu esperava. A caminhada no geral foi tranquila. Os habitantes locais orientaram muito bem sobre como seguir as trilhas :'>. Os maiores problemas foram os trechos de mangue e com costões íngremes. Houve um trecho em que acabei saindo numa propriedade privada e a mulher do caseiro disse que não poderia ter entrado ali de modo algum e que se seu marido lá estivesse iria pegar a espingarda para mim, mesmo após eu ter pedido desculpas. Em vários pontos precisei seguir pela estrada que costeava o litoral. Durante muito tempo estive só nas praias, que em parte estavam desertas. Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada), mesmo com a mochila nas costas. Houve um único ponto em São José em que achei que poderia haver algum problema, mas nada ocorreu. Quase todos os estabelecimentos comerciais aceitaram cartão de crédito (hotéis, supermercados, padarias e verdureiros) :'>. Gastei na viagem R$ 937,87, sendo R$ 90,08 com alimentação, R$ 735,00 com hospedagem, R$ R$ 10,40 com transporte durante a viagem, R$ 80,63 com a passagem de ida pelo BlaBlaCar (https://www.blablacar.com.br) e R$ 21,76 com a taxa de embarque aérea de volta. A passagem aérea paguei com pontos. Sem contar o custo da passagem de ida e da taxa de embarque o gasto foi de R$ 835,48 (média de R$ R$ 64,27 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico (nesta viagem nem sempre consegui ser ). A Viagem: Minha viagem foi de SP (minha casa, no Cambuci) a Enseada do Brito em 24/11/2016 através do aplicativo de caronas compartilhadas BlaBlaCar (https://www.blablacar.com.br). Rafael Honório (https://www.blablacar.com.br/user/show/v_q9gBHqq1ZH3YIjuse4Hw) veio me buscar na porta de casa perto de 6:30 com seu Sandero e me levou até lá, pegando depois mais 2 pessoas (Antônio e o argentino Ignácio) que desceram depois de mim. Paramos algumas vezes no caminho para comer. Desci do carro por volta de 18:15. Paguei R$ 80,63 pela passagem (ele publicou R$ 95,00, mas como iria cobrar dos outros R$ 80,00, pois os contatou num grupo de caronas do Facebook, decidiu fazer o mesmo preço para mim) com o cartão de crédito para o posto de gasolina Túlio em São José dos Pinhais, em que ele reabasteceu o carro durante o trajeto. A viagem foi agradável e conversamos sobre muitos assuntos, sendo que num dado momento, quando surgiu a questão do impedimento da Dilma, gerou polêmica e envolvimento e ficou um pouco emocional. A volta foi de Navegantes a SP (Congonhas) em 07/12/2016 pela Tam. O voo saía às 14:25 e chegava às 15:25. Paguei 5.000 pontos pela passagem e mais R$ 21,76 pela taxa de embarque usando cartão de crédito. Ao chegar logo atravessei a estrada BR 101 pela passarela e fui procurar lugar para ficar. Tinha a referência que a Dilma da mercearia alugava quartos, mas decidi procurar também por outras opções. Tive alguma dificuldade, mas me disseram que eu acharia na Praia de Fora. Tentei algumas opções no caminho sem sucesso. Capixaba, que tinha quitinetes para alugar atrás de um templo da Igreja Universal disse que tinha vagas, mas preferia não me hospedar e sugeriu que eu fosse para um abrigo para pessoas necessitadas ou para um centro de recuperação dirigido por um padre . Fiquei na Pousada Lonas por R$ 50,00 a diária, com banheiro no quarto, TV, ventilador e vista para o mar a partir do corredor, mas sem café da manhã. Paguei com cartão de crédito. Tinha levado 2 sacos de sanduíches e 2 sacos de pães comigo, alguns dos quais comi durante a viagem e no jantar. Para as atrações da Enseada do Brito e arredores veja http://www.praias-360.com.br/santa-catarina/palhoca/praia-da-enseada-do-brito, http://horadesantacatarina.clicrbs.com.br/sc/geral/noticia/2016/04/no-aniversario-de-palhoca-conheca-a-historia-da-enseada-de-brito-contada-por-seus-moradores-5784446.html e http://www.litoraldesantacatarina.com/palhoca/pontos-turisticos-de-palhoca.php. Os pontos de que mais gostei foram as vistas de paisagens naturais , as praias :'> e o Morro do Cambirela (https://pt.wikipedia.org/wiki/Cambirela) . No dia seguinte, 6.a feira 25/11, comecei o dia com um banho de mar :'> e depois fui fazer compras para juntar aos meus pães. Gastei R$ 6,50 em legumes e frutas no verdureiro Grigg e R$ 2,89 num pote de doce de abacaxi no mercado Dona Bella (http://www.guiamais.com.br/palhoca-sc/mercados-e-supermercados/supermercados/15161753-1/mercado-dona-bella). Paguei ambos com cartão de crédito. Depois do café da manhã rumei para o Morro do Cambirela. Fui perguntando para descobrir onde era a entrada da trilha. Encontrei 2 militares numa loja de conveniência na estrada BR 101, que imaginei que poderiam já ter subido lá. Perguntei-lhes e os 2 já haviam subido, sendo que o que havia mais recententemente o fez há cerca de 1 ano. Ele me deu orientações sobre como chegar ao começo da trilha e sobre a subida e disse que provavelmente eu iria arrebentar meu chinelo antes de chegar ao topo (como a viagem era uma caminhada por praias, eu não levei tênis). Algumas pessoas falaram-me de possíveis cobras no caminho. Quando cheguei à entrada da trilha pedi autorização ao caseiro da propriedade em que ela começava, que me atendeu muito bem, deu-me orientações e disse que como não estava muito quente, provavelmente não iria encontrar muitas cobras. Cruzei com alguns bois mansos, encontrei o início da trilha e fui. Achei a subida difícil. Entre a subida, o tempo que fiquei lá em cima e a descida demorei cerca de 5:30 horas. Provavelmente 2:30 para subir, 1:30 lá em cima e 1:30 para descer. No meio do trajeto houve chuva leve, o que tornou o solo escorregadio. Achei a subida também um pouco perigosa, sendo que havia vários trechos íngremes e em alguns havia cordas, escadas móveis e grampos nas pedras, sendo necessário quase que escalar. Levei vários tombos , nenhum grave, mas o suficiente para me sujar um pouco e arranhar meus pés e partes das pernas. Durante o percurso vi lagartos e pássaros. A cerca de 80% da subida vi a única cobra do trajeto , que repousava ao lado da trilha e, quando me viu, esgueirou-se tranquilamente ainda mais para fora. Era bem fina, de cor cinza escura, com anéis pretos. Disseram-me posteriormente tratar-se de uma jararaca. Achei a vista espetacular ao longo da subida e lá de cima, dos vários pontos e morros ::otemo:: . Fiquei contemplando as várias faces por bastante tempo e depois andei entre os 3 possíveis morros para apreciar vistas diferentes. A trilha estava bem sinalizada até o antepenúltimo morro. Durante algum tempo houve nuvens, mas por várias vezes elas se dissiparam e pude ter a vista completa de todas as partes. Era possível ver as andorinhas abaixo e ao redor :'>. Após descer voltei à pousada, paguei R$ 50,00 por mais 1 noite, ainda tomei outro banho de mar e voltei posteriormente para apreciar a visão noturna da praia. Ali a sensação térmica era de um pouco de frio, provavelmente devido à proximidade com a serra. No sábado 26/11, depois do banho de mar matinal, do café e de saber da morte de Fidel, fui andando pela praia em direção ao Morro dos Cavalos, passando pela Praça da Enseada, sua igreja, suas casas açorianas e pela casa mais antiga da área :'>, que me foi indicada por uma moça que já havia trabalho nela. Houve muitas pedras e costões em vários trechos do caminho e não consegui ir da Praia do Cedro para a Enseada do Brito, tendo que pegar a estrada. Ali um morador me permitiu passar pela sua casa para voltar à rua quando cheguei ao fim da praia e não tinha mais como ir adiante. Achei as paisagens muito bonitas . Por fim cheguei até a Praia de Nudismo de Pedras Altas, em que a responsável permitiu-me entrar, mesmo sem pagar a taxa de R$ 5,00 (não levei dinheiro para a praia) :'>. Lá fui à área das pessoas com roupa, tomei banho de mar e depois perguntei a alguns que estavam nus se poderia ir até as pedras da praia de nudismo para apreciar a vista. Vários concordaram, mas quando estava descendo para passar perto de um trailer, um casal falou que não, que era exclusivo para nudistas. Como me pareceu que a vista não era muito boa e como já a havia apreciado em boa parte a partir da praia para pessoas com roupa, decidi voltar ao invés de tirar a roupa . Não pude ir além desta praia porque já começava o costão novamente. Acho que a próxima praia era após a reserva indígena, provavelmente a ponta da praia do Sonho, que havia sido meu último ponto em uma viagem anterior vindo de Jaguaruna (sc-de-jaguaruna-a-guarda-do-embau-a-pe-pela-praia-volta-pela-serra-por-sao-bonifacio-e-sao-martinho-t122507.html). Voltei, juntamente com alguns clientes do restaurante da pousada vi o finzinho dos jogos da rodada final da série B, eles me falaram da ausência de sol ali enquanto a TV mostrava sol na Ressacada a poucos quilômetros de distância na Ilha de Santa Catarina, brincaram com meu físico de palito em trajes de banho , tomei um banho de mar e fui comprar legumes (cebola, tomate, cenoura, beterraba, repolho e pepino), frutas (laranja e banana), doce de banana e um pedaço de bolo de coco para juntar aos pães que ainda tinha. Gastei R$ 0,20 no verdureiro Grigg em dinheiro e R$ 10,49 no mercado Dona Bella com cartão de crédito . Paguei R$ 50,00 por mais uma diária na pousada. No domingo 27/11 depois do banho de mar matinal e do café da manhã, comecei minha caminhada pelas praias rumo a Itajaí (meu destino previsto). Novamente as paisagens agradaram-me muito :'>. Depois de cerca de 1 hora a praia começou a ficar deserta. Encontrei Jumar, que me deu informações sobre o caminho e me falou que precisaria atravessar um rio (acho que era o Rio Cubatão) logo a seguir, entrando um pouco mar a dentro para pegar uma área rasa, seguindo algumas estacas fincadas. Falou-me para pedir mais detalhes quando estivesse mais próximo das estacas, pois seu irmão estava lá perto. Quando lá cheguei, expliquei o que queria fazer e perguntei a seu irmão Gilmar por onde deveria ir, mas ele e Rose, irmã deles, disseram que iriam me atravessar. Disse-lhes que não era necessário e que não desejava atrapalhá-los, mas disseram que estavam indo para lá mesmo para algo relativo a pesca. Fomos caminhando e Gilmar atravessou-me de canoa :'>. Agradeci, dispus-me a pagar, mas ele disse que aquele tipo de coisa não se pagava. Depois da travessia andei um bom trecho pela praia até chegar à Barra do Aririú, onde 2 pescadores que passavam pelo local atravessaram-me para o outro lado. Rodeei um pequeno morro e cheguei ao começo de uma área de mangue. Tentei procurar um caminho no mangue e logo na entrada encontrei um homem que me disse que era possível ir pelo mangue e que iria demorar cerca de 45 minutos para chegar ao centro de Palhoça. O Gilmar e o Jumar haviam-me dito que não era possível passar por ali. Tentei ir seguindo o que este último homem falou, mas depois de muito andar na lama, ficar sem saída várias vezes, entrar no mar para contornar trechos sem trilha e me espetar um bocado, desisti. Resolvi voltar e encontrei um barco passando pela margem enquanto voltava. Perguntei-lhes se havia caminho e me disseram que não. Voltei para o povoado e fui para o centro pela ruas da cidade. Pensei em ir direto à Pedra Branca, mas resolvi procurar primeiro um hotel para não subir com a mochila. Visitei a praça central e me hospedei no Hotel Pontal (http://hotelpontal.com.br), por R$ 65,00 a diária, com TV, banheiro interno, ventilador, sacada para a rua e café da manhã (buffet com várias opções). Paguei com cartão de crédito. Tentei ir à Pedra Branca, mas já estava tarde e deixei para o dia seguinte. Ainda passei no Supermercado Imperatriz (http://supermercadosimperatriz.com.br) para comprar um pacote de biscoito de maisena por R$ 3,39 com cartão de crédito e juntar ao que ainda tinha do dia anterior para o jantar. Para as atrações de Palhoça, que engloba a Enseada do Brito, veja http://turismo.sc.gov.br/cidade/palhoca, http://www.guiasantacatarina.com.br/palhoca e http://www.litoraldesantacatarina.com/palhoca/pontos-turisticos-de-palhoca.php. Os pontos de que mais gostei, incluindo viagem anterior, foram as praias , as paisagens , principalmente do alto dos morros, e as trilhas :'>. Na 2.a feira 28/11, após o buffet do café da manhã :'>, fui subir na Pedra Branca. No caminho encontrei um homem dono de um estabelecimento comercial que me disse para não ir pela vila, pois poderia haver algum problema de segurança. Fui pela Universidade e depois peguei uma rua de terra que me levou a uma estrada sendo construída (era uma espécie de caminho alternativo à BR 101 para ligar municípios da Grande Florianópolis). Nela pedi informação para os trabalhadores que me indicaram a entrada da trilha de subida ao lado de um galpão cinza claro e azul. A subida foi fácil e tranquila. Lá em cima encontrei um grupo de adolescentes que lá havia pernoitado e estava passeando. Achei a vista espetacular, tanto da costa, como da mata e da cidade ::otemo:: . Era uma altitude menor do que a do Cambirela, mas permitia ver por outros ângulos. O dia estava bem claro. Os meninos até comentaram que estavam vendo as águias voando abaixo de nós, mas acho que eram urubus . Depois que eles desceram fiz um pouco de meditação contemplando a paisagem :'>. Desci e comecei a voltar para o hotel. Começou a ameaçar uma tempestade, mas só caiu uma leve chuva. Como cheguei de volta perto de 15 horas, decidi ir em frente na viagem rumo a São José. Pus a capa, pois chovia um pouco, cruzei a ponte que dividia Palhoça de São José e entrei numa imobiliária para perguntar se poderia dar a volta num morro que costeava o mar. Lá uma das atendentes era Cíntia Duarte, a mesma mulher que me permitiu entrar na Praia de Pedras Altas sem pagar, responsável por um bar lá. Ela me reconheceu. Como ela estava distante eu não a reconheci, mas depois que ela falou da minha visita à praia e eu olhei melhor, reconheci-a. Elas me informaram que eu poderia ir pelo morro sim, que foi o que eu fiz. No caminho havia uma estátua com traços orientais de Maria, com o menino Jesus no colo, e José, vestido de Monge Lama. Achei muito interessante :'>. A chuva parou e recomeçou várias vezes, porém fraca. Continuando o percurso e apreciando a orla, cheguei ao Centro Histórico de São José, que estava preservado, tinha monumento aos açorianos para comemorar 250 anos da fundação, museu, igreja e construções históricas :'>. Após rápida visita prossegui e fui sair na avenida da orla que tinha uma vista de que muito gostei . A chuva começou a apertar e perto do supermercado Bistek decidi sair da orla para procurar hotéis. Fui a um ali perto, havia vagas e o atendente me disse que dificilmente lotaria. Quando falei que iria pesquisar um pouco mais, gentilmente indicou-me aquele que achava ser o mais barato (postura comum na viagem e de que gostei :'>). Acabei indo ver vários outros antes do mais barato e quando lá cheguei não havia mais vagas no preço mais barato. Voltei aos outros por ordem de menor preço e nenhum mais tinha vagas . Restava-me tentar ver se havia vagas para o preço de casal (dobrado) do mais barato ou um de luxo. Decidi voltar para Palhoça e tentar ficar no mesmo hotel da noite anterior, que tinha preço bem menor. Peguei um ônibus por R$ 5,50 em dinheiro (poderia ter voltado a pé, mas como estava perto de escurecer e eu não sabia se encontraria vagas, decidi pegar o ônibus), voltei ao Hotel Pontal e, para minha sorte, ainda havia vagas. Fiquei no último andar (acho que estavam acabando as vagas) pagando os mesmos R$ 65,00. Como o café da manhã tinha sido muito bom e eu ainda tinha um pouco de biscoito de maisena e legumes, decidi comer o que tinha e fui dormir. Para as atrações de São José veja http://turismo.sc.gov.br/cidade/sao-jose, http://www.saojose.sc.gov.br/index.php/turista/pontos-turisticos e http://www.falaturista.com.br/blog/pontos-turisticos-sao-jose. Os pontos de que mais gostei foram o centro histórico e as paisagens , principalmente da orla e da Ilha de Santa Catarina. Na 3.a feira 29/11, quando liguei a TV perto de 6 horas da manhã, fui surpreendido com a notícia de que o avião da Chapecoense havia caído, mas ainda não havia notícias sobre as pessoas . Logo a seguir, pouco antes de eu descer para o café, veio a notícia de pelo menos 25 mortos . Tomei o café ouvindo as notícias e saí. Refiz o caminho do dia anterior, só que desta vez sem chuva e sem dar a volta pelo morro. Em 1 hora e meia estava no mesmo ponto em que havia parado no dia anterior (até que o prejuízo não foi tão grande ). Deveria ter feito o trajeto sem a mochila até o Centro histórico e ficado em Palhoça . Andei por toda a orla pelo calçadão, com vista muito bela da Ilha de Santa Catarina (Florianópolis) e da Ponte Hercílio Luz, sob a qual passei. No final desviei para conhecer o estádio do Figueirense, Orlando Scarpelli. Lisiane acompanhou-me na visita gratuita, apresentou-me o estádio e falou da história do estádio e do Figueirense. Foi muito simpática e gentil. Lamentei não ver a flâmula do Santos no painel de flâmulas do Figueirense. Mas ela me falou que o costume da troca de flâmulas terminou e realmente faltavam as de muitos clubes. Ela perguntou-me se eu havia visto o ocorrido com a Chapecoense e comentou que era um competidor forte no disputado campeonato estadual. Após a visita voltei à orla e prossegui. Houve chuva fina e intermitente durante vários momentos daí em diante. Passou a existir praia, ou algo semelhante . Após alguns trechos de curta faixa de areia, precisei passar por pontos em que desaguavam esgotos ou havia obstáculos e lama . Várias vezes voltei para a rua. Ainda em São José, num trecho deserto, que logo a frente ficava sem saída devido ao mangue, encontrei 3 pessoas conversando e foi a única situação em que fiquei preocupado. 2 pareciam descontraídos, mas 1, que parecia morador local, de uma casa no mangue, pareceu tenso quando disse que pretendia ir pela praia. Disse-me que não era possível. Fui ver e realmente não parecia ser. Voltei, cruzei com eles novamente e ele me pareceu com o semblante ainda carregado. Retornei para a rua e prossegui por um longo trecho. Tive que ir para a BR 101 e cruzei a divisa com Biguaçu. Fiquei sabendo de hotéis na BR 101 e imaginei que poderiam ser os mais baratos. Passei num mercado de arte sacra e perguntei se poderia visitar. Eles estavam fazendo limpeza e não recebendo clientes, mas me permitiram visitá-lo com cuidado para não pisar na água. Gostei bastante, dos mais diferentes tipo de imagens, tamanhos e cores. No meio da minha visita chegou um cliente, que me viu e entrou. Na saída comentei com os donos que lhes havia trazido sorte, pois tinha chegado um cliente . Fiquei hospedado ao lado, no Hotel Carlinhos II (http://hotelcarlinhos2.blogspot.com.br) por R$ 40,00, com TV, ventilador, banheiro coletivo e buffet de café da manhã (o melhor de toda a viagem, pois provavelmente trazia alimentos da churrascaria coligada ). Paguei com cartão de débito. Depois fui caminhando até o centro histórico, que achei bonito e preservado, incluindo a igreja e algumas casas preservadas :'>, comprei meu jantar (pepino caipira, pepino japonês, beterraba, chuchu, pão francês, goiabada e cuca de pêssego) por R$ 8,03 no Supermercado Mercocentro (http://mercocentro.com.br) com cartão de crédito e voltei para o hotel. Ao voltar ao hotel ainda pude subir numa elevação de uma rua lateral para apreciar a vista noturna da Ilha de Santa Catarina, que me pareceu muito bela, incluindo a Ponte Hercílio Luz, lá ao longe :'>. Antes e durante o jantar conversei com o atendente do hotel Fabiano, que me disse que outra pessoa não teria aberto a porta para mim, com a aparência de mochileiro e parte de uma das camisas rasgada . Conversamos sobre a viagem e estilo de vida. Ele me deu várias (e precisas) informações sobre o trajeto até Governador Celso Ramos, pois já o havia feito correndo há tempos atrás. E me alertou para algo que acabou se concretizando, que eu poderia ter dificuldade de encontrar local para dormir lá. Durante todo o dia estive com um grande sentimento de compaixão (não pena, mas compaixão no sentido budista do termo, identificando-se com a dor e tentando mentalizar para que seja minimizada) devido ao acidente com a Chapecoense, principalmente à medida em que fui sabendo, ao perguntar nos locais públicos com TV, sobre os novos fatos noticiados. Para as atrações de Biguaçu veja http://turismo.sc.gov.br/cidade/biguacu/ e http://ecoviagem.uol.com.br/brasil/santa-catarina/biguacu/. Os pontos de que mais gostei foram as praias :'>, as construções históricas :'>, as paisagens , principalmente da Ilha de Santa Catarina, e o mercado de arte sacra :'>. Na 4.a feira 30/11, após um enorme buffet de café da manhã , com muitas opções (pena que parte delas tinha carne, que eu não como) rumei em direção a Governador Celso Ramos. Fabiano ainda me deixou levar uma banana e uma maçã adicionais, o que acabou se mostrando muito útil. Após conhecer uma pequena praia próxima que Fabiano havia me indicado, tentei seguir em frente pela costa, mas saí num lamaçal, voltei a BR 101 e segui novamente para o centro de Biguaçu. Entrei um pouco antes para poder ir ao máximo pela costa e por ruas locais, o que me fez dar uma volta maior, mas conhecer melhor o povoado. Passei pelo centro, atravessei um rio, passei por pequena praia e voltei para a BR 101. Daí por diante fui alternando entre a estrada e praias, pois houve vários trechos com costões, pedras e mangues que fizeram ser necessário caminhar pela estrada (tanto pela BR 101 como pela estrada estadual dentro de Governador Celso Ramos). Mais a frente houve uma longa faixa de areia, creio que era São Miguel, onde conheci Carlos, que tomava sua pinga de aperitivo na varanda e me deu informações precisas sobre o contorno de Governador Celso Ramos e por onde pegar o acesso a partir da BR 101. Depois de sair desta praia, voltando à BR conheci Paulo, que caminhava de Friburgo a Curitiba, passando as noites em postos de gasolina, voltando de um período de trabalho. Antes da estrada que dava acesso ao contorno de Governador Celso Ramos (que é uma espécie de península que vai mar a dentro), vi um pequeno aglomerado de casas em um pequeno trecho de areia e uma faixa litorânea que me faria cortar muito caminho. Desci lá, tentei perguntar a alguém se era viável seguir aquela faixa litorânea, mas não achei ninguém. Tentei segui-la, mas era mangue puro e a locomoção seria muito difícil. Achei que não valia a pena e resolvi dar a volta pela estrada. Peguei o acesso para Governador Celso Ramos, informei-me sobre o contorno no povoado de entrada e segui pela estrada. Passei pela Praia do Antenor, Fortaleza, Baía dos Golfinhos e da Fazenda Armação, além de outras menores. No começo da Fazenda Armação, perto de 18 horas, encontrei Miriam caminhando com seu cachorro, começamos a conversar e ela me disse que seria difícil achar locais para pernoitar ali, mas me deu informações para eu tentar. Depois de procurar bastante e somente achar preços de R$ 120,00 ou mais, indicaram-me um hotel na Armação da Piedade. Eu saí da praia e fui pela estrada até lá, pois já estava ficando tarde. Lá acabei ficando no Residencial Maremansa (ou do Haraldo), onde Marli, sua mulher, atendeu-me junto com seus 2 cachorros, Dora e Wilson. Fiquei lá em um apartamento mobiliado com cozinha, banheiro, quarto de casal, TV, ventilador e sem café da manhã por R$ 100,00 em dinheiro. O apartamento era bom, mas totalmente desnecessário para mim. Foi um desperdício de dinheiro , mas as outras opções eram mais caras. Já era tarde e lá só havia pequenos mercados com preços muito superiores aos dos anteriores nas cidades. Resolvi jantar e tomar café da manhã apenas com a banana, a maça, um pouco dos legumes que haviam sobrado e a goiabada. Foi suficiente . As paisagens ao longo do trecho deste dia foram espetaculares , incluindo a vista da Ilha de Santa Catarina, tanto diurna quanto noturna. Os banhos de mar foram deliciosos , anida mais porque estava quente. Para as atrações de Governador Celso Ramos veja http://governadorcelsoramos.sc.gov.br/turismo e http://www.turcelsoramos.com.br/Turismo.html. Os pontos de que mais gostei foram as praias , as paisagens , as trilhas :'>, as construções históricas :'> e o mar . Na 5.a feira 1/12, depois de um banho de mar e do café da manhã, seguindo informações da Marli, fui inicialmente sem a mochila fazer uma trilha até uma das pontas, de onde se podia ver Canasvieiras em Florianópolis e arredores. Wilson foi comigo durante todo o caminho :'>. A distância em linha reta parecia tão pequena. A vista pareceu-me muito bela . Após voltar, Marli deu-me algumas informações de trilhas e acessos, peguei a mochila e fui circundar a área, incluindo os pontos que não havia visto no dia anterior. Comecei por uma praia que só tinha acesso por um condomínio, mas era permitido. Quando voltava do trapiche em que tinha andado para apreciar a vista, pisei numa pedra molhada, caí e me machuquei (ralei) um pouco . Prossegui pela outras praias que se seguiam à do condomínio, conheci um gaúcho que estava na praia com seu filho e me disse que para ele aquele dia nublado estava ótimo, com o que concordei para mim também. Voltei para passar pelas praias que não havia conhecido no dia anterior, revi uma casa histórica feita com óleo de baleia e ossos de baleia na porta de um estabelecimento comercial na Praia da Fazenda da Armação, passei no Supermercado Sperandio (http://www.apontador.com.br/local/sc/governador_celso_ramos/supermercados/001392826000106/supermercado_sperandio.html) e comprei pães por R$ 3,12 com cartão de crédito, para não deixar a pressão nem a glicemia caírem muito. Daí fui em direção a Palmas pela estrada e, onde era possível, pela praia. Depois de sair da última praia e andar algum tempo pela estrada, achei uma trilha que saía da estrada e levava a uma praia quase deserta (havia um grupo de excursão de adolescentes lá). Após usufruir desta praia, achei uma trilha no meio da mata e resolvi segui-la. Embora bem mais difícil, as vistas a partir dela foram espetaculares e me levaram a uma outra praia deserta. Nestas trilhas um dos pés do meu chinelo quebrou (mas eu estava prevenido e tinha outro) e o zíper da minha mochila também quebrou (mas também estava prevenido e tinha levado um saco por dentro que não deixava cair nada). Ao chegar a Palmas, embora ainda fosse cedo, procurei por lugar para dormir e descobri um camping por R$ 40,00, que tinha uma estrutura coberta e banheiro. Estavam em reforma. Alcino concordou em que eu dormisse lá, abrigado nos locais em construção, se não achasse outro local, mas acabou não sendo necessário (nem viável). Prossegui pelas praias em direção a Ganchos. Um provável militar disse-me que era possível ir pela praia, apesar de outros terem falado que não, bastava passar um pequeno trecho com costão. Eu resolvi seguir o que ele disse, mas achei o trecho bem maior e difícil do que esperava. Em todo caso consegui passá-lo, conheci mais uma praia deserta e pude desfrutar de mais vistas e mar espetaculares . No fim da praia deserta encontrei um homem que estava indo pescar, que me indicou uma trilha para sair de lá e cair na estrada. De lá rumei para o primeiro dos Ganchos (Gancho de Fora). Lá Zélio explicou-me a origem do nome "Ganchos", que se devia ao formato das enseadas do Canto dos Ganchos, Calheiros e dos Ganchos e que havia lendas, porém não dignas de credibilidade sobre o Capitão Gancho. A explicação dele condiz com uma das versões oficiais (http://www.governadorcelsoramos.sc.gov.br/municipio/index/codMapaItem/33829). No fim do dia, já perto do anoitecer cheguei a Calheiros, onde Marli havia dito que existia um hotel. Realmente havia, tentei opções mais baratas, mas não consegui. Não quis voltar para o camping, que já estava longe. Fiquei no Hotel Maranata (http://www.hotelmaranata.com.br) por R$ 90,00 com TV, banheiro privativo mas externo (ao lado), ventilador e buffet de café da manhã. Passei no Mercado Gago e comprei legumes, pães e frutas para o jantar por R$ 8,35. Paguei ambos com cartão de crédito. Ainda fui ver a vista da praia após escurecer. Ao longo do dia andei por muitas trilhas e costões. Achei as praias deste dia com vistas e mar espetaculares . Na 6.a feira 2/12, após um banho de mar e o buffet de café da manhã :'>, fui tentar subir no Morro do Pique, cujo acesso ficava bem perto do hotel. Porém os donos da propriedade que dava acesso a ele não estavam em casa. Conversei com os vizinhos e na ausência de autorização, preferi não subir para não entrar em propriedade privada sem estar autorizado. Então decidi começar minha caminhada rumo a Bombinhas. Logo no início um cachorro de rua que vagava na estrada aparentemente quis seguir-me, mas quando foi atravessar quase foi atropelado. Tive que sinalizar para o motorista e depois tentar espantar o cachorro da estrada. Mais a frente um pardal foi atingido pelo para-choque de um carro bem na minha frente . Fui verificar e o pardal se debatia no chão. A princípio não queria que eu o pegasse, mas acho que cansou e aceitou. Coloquei-o na mão e o levei até uma loja de salgados, cujo nome era parecido com Dagnello. Perguntei para as jovens moças se sabiam cuidar de animais e pedi que colocassem água com açúcar no bico dele, algo que havia aprendido com minha prima Bernadeth. Perguntei à que o pegou e tomou a frente de ajudá-lo se podia contar com ela ou deveria procurar outros. Ela disse que sim, podia contar com ela. Perguntei se ela se responsabilizava pela vida dele e ela disse que sim, rindo. Achei que ela cuidaria bem dele e o deixei lá. Espero que tenha ficado bem e sido uma boa experiência para ela. Prossegui, voltei à BR 101 e lá conheci um homem que estava cumprindo condicional e levando metais para vender num ferro velho. Conversei um pouco com ele e depois apertei o passo para tentar chegar até onde pretendia naquele dia. Ao longo do caminho fui observando para ver se achava metais e, quando via algum, apontava para ele que vinha atrás de mim. Ao chegar em Tijucas começou uma fina garoa. Eram cerca de 16:30 e avaliei que não seria interessante prosseguir mais, pois até achar local para hospedagem em Bombinhas ainda teria que andar muito, sem considerar que proximamente o caminho seria por trilhas. Logo de cara vi casario antigo e comecei a apreciar. Vi o Casarão Bayer onde funcionava o Instituto Mathilde Bayer, que tinha algumas exposições públicas. Lá Márcia, seu filho Manoel e mais um menino, que tocava bem piano, deram-me informações sobre a continuação da viagem, locais onde me hospedar e pontos turísticos ::cool:::'>. Pediram para o morador da frente me mostrar sua coleção de carros antigos sendo restaurados, que achei interessante ::cool:::'>. Ainda me permitiram usar um computador para tentar falar com minha mãe por skype ::cool:::'>. Não consegui e quando cheguei em SP vim a saber que naquele dia e perto daquele horário havia tido uma tempestade que derrubou parte de uma árvore perto da casa dela, o que gerou curto circuito num transformador, fê-lo ficar fazendo estampidos de explosões, fez faltar energia e fazê-la ficar bastante agitada (ela tem Alzheimer). A chuva aumentou um pouco, fui procurar hotéis conforme eles tinham indicado e todos estavam lotados, menos o último, para minha sorte o mais barato ::cool:::'>, exatamente como haviam dito. Fiquei no Hotel Tijucas (http://www.guiamais.com.br/tijucas-sc/hospedagem/hoteis/12001746-2/hotel-tijucas) por R$ 50,00 pagos em dinheiro, com banheiro interno e ventilador, mas sem TV nem café da manhã. Depois fui dar um passeio pela cidade e parte da praia. Gostei dos vários casarões e construções históricas ::cool:::'>. Comprei pães por R$ 4,20 na Padaria Alesio (http://cnpj.info/ALESIO-BENEVENUTE-PANIFICADORA-ME-Av-Valerio-Gomes-361-Tijucas-SC-88200000/pe2C), frutas e legumes por 0,40 na Tiju Frutas e R$ 1,94 na Verdureira Sabor da Terra (https://www.facebook.com/Verdureira-Sabor-da-terra-192596467557762/), todos com cartão de crédito. À noite, antes de voltar para o hotel, 2 mulheres, aparentemente em situação de rua, pediram-me dinheiro. Como eu havia comprado alimentos para o jantar, ofereci-lhes pães, mas elas não quiseram. Após chegar no hotel conheci um casal de holandeses que estava indo para Buenos Aires de bicicleta. A dona do hotel falou-me que eles haviam vendido sua casa para fazer a viagem :o. Para as atrações de Tijucas veja http://turismo.sc.gov.br/cidade/tijucas e http://www.guiadoturismobrasil.com/cidade/SC/921/tijucas. Os pontos de que mais gostei foram as construções históricas ::otemo::, as paisagens ::cool:::'> e as trilhas ::cool:::'>. No sábado 3/12 após despedir-me dos holandeses e da recepcionista do hotel e tomar café da manhã, fui rumo a Bombinhas. Comecei indo até a praia e caminhando rumo a Santa Luzia, onde havia um rio que daria acesso a trilhas que levariam a Zimbros, já em Bombinhas, pela costa. Quando cheguei no rio, havia uma área prévia com lama. Andei cuidadosamente por ela para ver se achava um ponto de travessia e perguntei a pessoas numa pequena vila do outro lado se era possível atravessar. Um homem e uma mulher em diferentes casas responderam-me que não, que não dava pé, tinha correnteza e que eu precisava voltar e ir pela rua, o que seria uma volta enorme. Tentei perguntar mais detalhadamente a eles se não havia nenhum ponto e nenhum modo, eles começaram a ficar irritados e nervosos com a minha insistência. Acho que ficaram com medo de um acidente quando eu tentasse atravessar ou que eu estivesse mal intencionado. Apareceu uma moça, talvez filha da mulher, e se dispôs a pegar um barco e me atravessar, mas eu lhe disse que não desejava incomodá-la. Acho que ela achou que eu não tinha confiado nela ou se sentiu menosprezada e aí ficou irritada também. Dada a situação eu resolvi sair dali e tentar ver por mim mesmo se era possível atravessar. O homem e a mulher retiraram-se e a moça desistiu de me ajudar. Apareceu então uma menina, de uns 12 anos, e na maior calma me disse que se eu quisesse atravessar, era melhor ir perto do encontro com o mar, onde era mais raso e dava pé, além da correnteza não ser forte. Fui verificar e vagarosamente tentei fazer o que ela disse, mas envolvi minha mochila em plástico e estava preparado para nadar, caso não desse certo. Porém a menina tinha toda razão. A correnteza era fraca e a água não passou do meu peito (e eu só tenho 1,73 m) :lol:. Depois de atravessar, limpar-me um pouco e me recompor, vi uma trilha pela costa e decidi segui-la, pois a vista costuma ser mais bela e como as pessoas tinham ficado um pouco irritadas, preferi evitar a vila, para não gerar mais desgaste. Porém a trilha pela costa acabou e a única saída foi para uma propriedade privada. Tentei chamar pelos moradores, para pedir-lhes para sair para a estrada, mas eles não gostaram nada de me ver lá. A mulher me recebeu, disse que tomavam conta da casa para um juiz, os cachorros eram bravos e que se seu marido estivesse ali iria pegar a espingarda para mim. Eu expliquei que havia ficado sem saída, mas isso não lhes sensibilizou. Mesmo assim, depois de repetirem algumas vezes que eu não poderia ter feito aquilo (eu estava quase voltando, pois seriam só cerca 15 minutos para voltar e creio que mais 15 minutos para chegar ali pela estrada), disseram que iriam abrir o portão e me permitir sair para a estrada. Disseram que eu havia tido sorte de estarem lá, pois senão os cachorros ter-me-iam atacado. Depois de voltar para a estrada e andar com cuidado, pois era de terra e estava bastante escorregadia devido às chuvas anteriores, segui em frente e fui sair na última praia de Tijucas, em que havia algumas barracas de pessoas que pareciam estar querendo fixar moradia ali. A seguir encontrei a Praia Vermelha, quase deserta, onde só havia uma casa. Seu caseiro, Osnildo, quando me viu, fez um gesto como se estivesse surpreso e um pouco contrariado por um estranho ali estar. Com a memória do ocorrido antes, embora estivesse na praia, entrei parcialmente no mar para evitar qualquer problema com seus cachorros. Começamos a conversar e ele me falou de sua vida, como era feliz ali, no contato com a Natureza e fazendo aquilo de que gostava. Depois de quase meia hora de conversa e dele me explicar como eram as próxima trilhas, despedimo-nos e segui em frente. Passei por várias praias desertas que achei maravilhosas ::otemo::. Numa delas encontrei um jovem casal que me falou de uma cachoeira, que Osnildo havia dito não ser muito grande, por isso não fui conferir. Falaram-me também que existia um hostel em Bombas, que provavelmente seria a opção mais barata de hospedagem. Na sequência começou a chover fraco, porém nada que comprometesse a paisagem. Seguindo a trilha cheguei em Zimbros, mas como já estava além do meio da tarde e a chuva estava apertando, decidi procurar o hostel para me alojar. O hostel havia mudado de nome em relação ao que o casal me disse e ninguém o conhecia, nem com o nome velho, ainda mais com o novo. Entrei na loja G4 Pneus e perguntei se poderiam procurar na Internet pelo hostel para mim. Gentilmente procuraram e acharam o nome e o endereço ::cool:::'>, que era distante da zona de hotéis. Nunca teria encontrado sem a ajuda deles. Seguindo a indicação que me haviam dado, encontrei o hostel numa rua no interior de um bairro residencial, sem nenhuma placa, pois ainda estava sendo implantado. Lá conheci Tao, o dono, Amani, que creio que o ajudava, Luís Royal e Giovana, casal da zona leste de São Paulo que estava morando lá e pretendia fixar residência. O hostel se chamava Pasoka, pois eles pretendiam abrir uma paçocaria. Faziam paçocas com açúcar mascavo e sal marinho, diferente das com que eu estava acostumado, menos doce, mais encorpada, acho que mais substanciosa, parecia alimentar melhor, e de que muito gostei ::cool:::'>. Paguei R$ 35,00 em dinheiro pela diária em quarto coletivo, sem direito a café da manhã. Depois de instalado, ainda saí para dar uma volta na praia central de Bombas. Percorri a praia toda, com um pouco de chuva no começo e muita chuva no fim. Comprei pão, beterraba, cebola, abobrinha, cenoura, chuchu e pepino no Supermecado Schmit (http://superschmit.com.br) da Avenida Falcão, 637 por R$5,31, e doce no Veratoni Supermercado (https://www.facebook.com/pages/Supermercado-Veratoni/638180816197774) por R$ 2,55. À noite Tao emprestou-me celular para falar com a minha mãe por skype com imagem, e ela parecia bem. Ainda fiquei vendo-os fazer as paçocas com os moldes em forma de coração. Eles me deram uma gratuitamente para experimentar. Para as atrações de Bombinhas veja http://turismo.bombinhas.sc.gov.br, http://www.turismobombinhas.com.br e http://www.bombinhas.com. Os pontos de que mais gostei foram as praias (principalmente as desertas) ::otemo::, o mar batendo nas rochas ::otemo::, as paisagens (principalmente do alto dos morros) ::otemo:: e as trilhas ::cool:::'>. O domingo 4/12 começou com chuva, mas a chuva contínua parou antes das 9 horas da manhã e a chuva intermitente parou logo depois e não retornou. Fui conhecer parte da península ou enseada que formava Bombinhas. Comecei por Zimbros. No final da praia peguei a trilha e subi o Morro do Macaco. Achei a vista lá de cima espetacular ::otemo::. Depois peguei a trilha para a Praia da Tainha. No fim da trilha havia um índio com a cabeça abaixada dentro de um barco :o. Perguntei a moradores locais se estava passando mal e me disseram que ele costumava fazer isso, mas depois ia embora. Gostei da praia, mas preferi as outras no caminho do dia anterior. O mar era bravo. Lá perto havia uma casa em que havia um morro com uma vista que parecia boa. Chamei pelos moradores, mas saiu repentinamente um homem de uma espécie de galpão na entrada, parecendo estar com consciência alterada e me disse gritando que eu podia entrar :o. Não entrei, esquivei-me e fui embora. Peguei a estrada e dei a volta pelo outro lado em direção a Bombinhas, passando antes por Conceição, Mariscal e 4 Ilhas. As vistas a partir de pontos altos pareceram-me espetaculares ::otemo::. Passei pela praia do centro de Bombinhas e pelas outras mais afastadas do Retiro dos Padres e Sepultura e ao término do circuito fui parar em Bombas. As trilhas no geral estavam em bom estado, mesmo após a chuva. Ao longo do dia as vistas do mar batendo nas rochas também muito me agradaram ::otemo::. No fim da tarde comprei pão, chuchu, cenoura, beterraba, cebola, pepino, abobrinha e uma cuca no Supermercado Schmit (http://superschmit.com.br) da Avenida Falcão, 637 por R$8,44, doce no Veratoni Supermercado (https://www.facebook.com/pages/Supermercado-Veratoni/638180816197774) por R$ 2,55 e tomate em um verdureiro por R$ 0,50. Tirei um pequeno pedaço para experimentar e depois dei a cuca de presente para Tao. Ele compartilhou com seus amigos que o estavam visitando. Nos 2 dias eu havia pego um pouquinho da comida que eles faziam para experimentar. Depois do jantar eu paguei a 2.a diária e Tao me deu um pacotinho com 4 paçocas de presentes ::cool:::'>. Disse que eu era um bom andarilho :lol:. Despedi-me dele e fui dormir, pois no dia seguinte provavelmente sairia antes deles acordarem, o que realmente aconteceu. Houve alguns pernilongos durante as 2 noites, mas nada que cobrir o rosto não resolvesse. Na 2.a feira 5/12 logo depois do café da manhã despedi-me de Luís Royal, que já havia acordado, e rumei para Itapema. Logo que saí do hostel, encontrei Marcelo Alexandre trabalhando no jardim para fazer um bico. Ele era músico e me disse que havia enfrentado tempos difíceis no inverno, quase passando fome, pois o movimento caía muito. Ele me deu informações precisas sobre a trilha para a Praia da Galheta e a passagem para Porto Belo do outro lado. Na Praia de Bombas salva-vidas informaram-me detalhes sobre a trilha também. Achei a trilha de dificuldade média, sem nenhum ponto de passagem muito difícil, porém requeria bastante atenção, pois um erro poderia ser fatal, dado que havia quedas para mar bem bravo chocando-se contra as rochas. Achei as vistas ao longo da trilha espetaculares ::otemo::, incluindo os pontos em que se visualizava desfiladeiros com mar batendo com força nas rochas. Em um dado ponto da trilha, bem perto do fim, achei que não era viável prosseguir pelo costão e peguei uma trilha até a rua. De lá caminhei um pouco e logo achei outra trilha que saía diretamente na Praia da Galheta. Porém, antes da praia, ainda tinha uma bifurcação que levava à ponta de uma entrância no mar, de onde achei a vista espetacular ::otemo::. Depois de apreciar a praia fui explorar a região e encontrei bastante lixo na trilha :(. Peguei e depois dei para um homem que estava cortando a grama de sua casa, que aceitou colocar em seu lixo ::cool:::'>. Daí rumei para Itapema através de Porto Belo pela costa. Boa parte do trajeto foi pela estrada, pois só havia costões. Mas pude descer em algumas poucas praias para apreciá-las. Elas tinham muitas pedras. Ao chegar perto do centro de Porto Belo havia uma espécie de área turística, com vista para a orla de Itapema ::cool:::'>. Parei lá e fiquei apreciando a vista enquanto comia algumas fatias de pão e paçocas. Um casal chegou e me desejou boa viagem quando saí. Entrei então numa longa faixa de areia que começava em Porto Belo e se estendia por Itapema. No meio havia um rio que pude atravessar com água pela cintura. Acho que era a divisa entre Porto Belo e Itapema. Andei ainda vários quilômetros até um shopping que haviam me indicado como local onde acharia hotéis baratos. Não os encontrei, mas ao entrar numa loja e perguntar se o atendente poderia procurar por hostels na internet, ele gentilmente localizou 2 ::cool:::'>. Porém quando cheguei aos endereços indicados, eles estavam fechados ou desativados. Aí fui procurar hotéis na BR 101 de que me falaram, começando em um Posto Petrobras, onde achei o preço aceitável, mas após perguntar ao atendente, ele me falou que havia um mais barato no Posto Ipiranga a seguir. Fui até lá e era verdade. Fiquei ao lado do Posto Ipiranga na Pousada Sol e Mar por R$ 50,00 pago com cartão de crédito. Voltei, avisei o atendente do outro hotel que não ficaria ali e lhe agradeci pela indicação. Comprei pães, pepino, cenoura, abobrinha e cebola no koch Supermercado (http://www.superkoch.com.br) por R$ 5,74, tomate e laranja no Supermercado Sandi (https://www.facebook.com/supermercadosandi) por R$ 1,15 e doce no Supermercado Vilson (http://www.odovo.com.br/br/sc/itapema/vilson-martendal/a/) por R$ 2,80, tudo pago com cartão de crédito. Ainda fui dar um passeio noturno na praia para apreciar a vista da orla iluminada ::cool:::'>. Para as atrações de Itapema veja http://turismo.sc.gov.br/cidade/itapema, http://www.portalitapema.com/turismo-em-itapema e http://www.guiasantacatarina.com.br/itapema/atrativos.php3. Os pontos de que mais gostei foram as praias ::cool:::'> e o mirante ::otemo::. Na 3.a feira 6/12 depois de tomar café fui conhecer as atrações urbanas de Itapema. Passei pela Praça da Paz, Igreja, Mercado, Lojas de Artesanato e Ponte dos Suspiros. No Centro de Informações Turísticas da Praça da Paz, Luciana deu-me informações turísticas e sobre o trajeto ::cool:::'>. Ela conhecia bem São Paulo, pois tinha tido câncer e feito tratamento em hospital no Bairro da Liberdade. Depois fui para o Mirante do Encanto, que era gratuito e tinha um elevador para subir. Achei a vista lá de cima espetacular ::otemo::. Dali rumei para as praias. Comecei pela Praia Grossa, depois precisei voltar para a BR 101 para ir até a praia onde havia um resort em obras e a Praia da Ilhota, onde pude ver a Pedra que Bole de longe. Segui pela rodovia Interpraias em direção a Balneário Camboriú. Durante muito tempo tive que andar pela estrada porque havia muitos trechos com costões. As praias possuíam uma areia em que era um pouco difícil de caminhar, tinham grandes caídas devido ao mar e o pé afundava na areia. Mas as achei muito bonitas ::cool:::'>. Um homem falou-me que havia presenciado um ataque de tubarão no raso na Praia do Estaleiro ::ahhhh::. Fiquei mais atento a partir daí. Fui na área para vestidos da Praia de Nudismo do Pinho. Havia uma mulher com quem conversei praticando nudismo em cima de uma pedra na divisa. Eu não passei para o outro lado (dos sem roupa). Na Praia da Taquara tive uma queda, mas nada grave. Tomei um delicioso banho de mar ::cool:::'>. Um caseiro disse que poderia dormir na casa de onde tomava conta, caso não encontrasse hotéis. Tatu, dono de um restaurante, indicou-me a Pousada do Rio como provavelmente sendo a mais barata ::cool:::'>. Ao chegar na entrada da área central de Camboriú, logo de cara havia um hostel por R$ 50,00. mas resolvi ir adiante para procurar algo mais central. Peguei o elevador, apreciei a vista a partir dele e cheguei ao início da praia central. Luís Fernando, para quem eu pedi informações sobre hotéis, quando me viu seguir caminhando pela praia pensou que eu não tinha dinheiro para a passagem de ônibus e foi atrás de mim para me oferecer ::cool:::'>. Eu agradeci, educadamente recusei, disse que caminhava para apreciar a praia e prossegui. Aproveitei para ver o entardecer da praia ::cool:::'>. Fui atrás de um hostel que me haviam informado, mas estava desativado. Lá, numa loja, disseram-me que havia outro e fui atrás dele. Depois de muito procurar, encontrei-o. Fiquei no Hostel Luccas Philipps (Rua 2850, 453) por R$ 55,00 com cartão de crédito em quarto compartilhado, sem direito a café da manhã. Por fim fui comprar manga, cebola, pão caseiro e uma pizza de mussarela por R$ 11,53 com cartão de crédito no Supermercado Big (http://www.bigsupermercados.com.br) para o jantar e o café da manhã. Na 4.a feira 7/12, perdi a hora e acordei perto de 9:20 ::putz::. Pretendia dar um grande passeio na praia, mas como perdi a hora, informei-me com o atendente e a faxineira como pegar um ônibus para a balsa de Itajaí, calculei o tempo necessário com pequena folga e fui à praia, para pelo menos um banho de mar, que foi delicioso ::cool:::'>. Ao perguntar ao salva-vidas se poderia ir no fundo, em profundidade além da minha altura, ele me disse que sim, mas que iria ficar prestando atenção em mim, pois estavam acontecendo muitas coisas estranhas. E ainda me disse para colocar os braços cruzados acima da cabeça caso ocorresse algum problema, como um mal súbito. Após voltar da praia e tomar café, saí para pegar o ônibus em direção à balsa por volta de 11:20 (um pouco atrasado). Levei 15 minutos a pé até o ponto, o ônibus demorou cerca de 15 minutos para chegar e custou R$ 3,50 (comprei num vendedor que ficava no ponto, disse que era legal e por alguma razão tinha preço menor). Um homem e o cobrador informaram-me onde descer e como ir até a balsa. Cheguei na balsa perto de 12:30 (atrasado). Não consegui pegar uma que estava saindo e ainda tive esperar alguns minutos. Paguei R$ 1,40 pela passagem. Achei a vista da travessia do alto da balsa muito boa ::cool:::'>. Cheguei em Navegantes do outro lado perto de 12:50 e rumei para o aeroporto a pé. Cheguei lá perto de 13:15 e aí descobri que o voo tinha tido seu horário alterado para 14:25 (não no dia, mas previamente aqueles voos haviam tido seu horário de 14:00 para 14:25 :o - não me lembro da Tam ter-me avisado disso). Bem, ao descobrir que na realidade não estava atrasado :lol:, fiz um balanço da viagem e o planejamento da chegada. A aterrissagem em São Paulo permitiu apreciar bastante a cidade, mesmo sem reconhecer alguns trechos :lol:.
  19. Travessia da Serra Fina Full – 3 dias Sabe aquela sensação de que “faltou algo”? Então... havíamos concluído uma grande travessia, que intitulamos de Travessia da Serra Fina Full, acrescendo à travessia tradicional o cume de todas as montanhas próximas. Subimos, de ataque, o Tartarugão, o Ruah Menor (ou Ruah Leste – conforme relato de um montanhista que nos precedeu ali), os Camelos 1, 2, 3 e 4, o São Joao Batista (ou do avião), o Cabeça de Touro...mas não ascendemos ao cume do Ruah Maior (ou Ruah Norte – conforme o relato desse mesmo montanhista precursor). Ou seja, faltara algo. Na incursão anterior, cogitamos entre o subir ou não aquela montanha pelo horário em que começaríamos a ascensão, pois sendo inverno e passando pouco das 15h, seríamos obrigados a descer a noite, com visibilidade quase zero pela neblina que ameaçava formar, por uma região desconhecida, sem trilha e com a temperatura abaixo de 0C. A prudência prevaleceu e não fomos. Terminamos a travessia, mas o não acumear do Ruah Maior nos ficou atravessado... então, quando o Douglas propôs no grupo, que retornássemos à SF e repetíssemos o feito, dessa vez, com o Ruah Maior, não lembramos do cansaço, da fome ou do frio... topamos na hora. A questão agora não era “se”, mas “quando”. Temporada de montanha findando, os compromissos profissionais de cada um conduziram para a única data viável para 2018 ainda: aproveitar o feriado do Dia da Independência, 7/9, que cairia numa sexta. Sairíamos de SP assim que possível, para iniciar a subida à noite e aproveitar o enregelante frescor noturno para caminharmos mais leves, poupando peso e pernas. Só que isso nos traria outro desafio: o feriado cairia na sexta, de forma que teríamos apenas 3 dias nas montanhas: sexta, sábado e domingo. Daríamos conta?!? Procuramos nos lembrar da caminhada anterior, das sobras de tempo, das dificuldades, do cansaço.... Acreditávamos que sim, mas sabíamos bem como subir montanha no papel, na fala, difere da realidade... o somar dos infindáveis passos, o perseverar, independente da falta de folego... balançávamos entre o tentar ou não, quando notamos que seria Lua Nova. Se na travessia anterior a Lua Cheia tudo iluminava, ao ponto de trilharmos com as lanternas apagadas nos trechos de crista... dessa vez teríamos o mar de estrelas por testemunhas do feito. Foi o que bastou para nos decidirmos. Já éramos conhecedores das incríveis fotos da via láctea a partir da PM, e sabíamos, também que as fotos não faziam jus a real beleza que veríamos. Ao grupo original (Douglas, Marinaldo, Rodrigo e Rogério) somaram-se alguns amigos que acreditávamos darem conta da empreitada: Leonardo, Adilson, Zagaia. Compromissos familiares, complicações de saúde prejudicaram a participação do Adilson e do Rodrigo. Sob recomendação do Zagaia, passamos a contar com a Areli, que apesar de nunca ter feito trilha de montanha aqui, tinha na bagagem larga experiência em ambientes frios e estava treinando para uma corrida de aventura de 300 km. Não nego que a qualificação do grupo me intimidava... todos em excelente forma física e eu apegado ao meu sedentarismo... ante os insistentes (e pertinentes) alertas do Marinaldo quanto ao esforço físico que nos esperava, deixei minha habitual inércia e me obriguei a duas semanas de academia, com frequência quase perfeita. A posteriori, posso dizer que foi isso que evitou um constrangedor pedido de resgate, por total exaustão física. Nos encontramos nas catracas do metro Barra Funda às 15h, demos cabo do primeiro desafio dessa jornada, acomodando 5 cargueiras, uma dama e 4 marmanjos num (modelo do carro?) e partimos para Passa Quatro. Na estrada, o Leo nos informou de que o conserto da Kombi ainda se arrastava. Procuramos otimizar os tempos previstos e concluímos que iniciar a trilha após as 23h colocaria em risco o êxito do primeiro dia. Então, se o Léo não conseguisse estar em Passa Quatro a tempo de partirmos para a Toca do Lobo até as 22h30, partiríamos sem ele; com a possibilidade dele nos alcançar pelo Paiolinho e seguirmos juntos. Com o avançar das horas, ficou claro que o Léo não poderia nos acompanhar, pelo menos nesse primeiro momento, de forma que acordamos com a Patrícia (que faria nosso resgate) que iríamos direto para a casa dela e partiríamos assim que possível. Primeiro dia A Patrícia nos deixou perto da Toca do Lobo, pouco antes das 23h e, rapidamente, nos equipamos e nos colocamos a caminhar. Mochilas leves, a maioria com um litro de agua apenas, em pouco tempo chegamos à Toca do Lobo onde fizemos a primeira foto, ajustamos as cargueiras e iniciamos a travessia, pouco após as 23h. Subimos a passo as encostas que nos levariam ao Cruzeiro e, ao pé do Quartzito fiz o primeiro reabastecimento de água, completando meu inventário para 1 litro. Enquanto eu buscava água (e tirava minha primeira foto dessa travessia, uma “flor de maio”, avistada ainda em botão na travessia da SF com meu filho, há pouco mais de um mês, se mostrava agora perdendo o viço em consonância com o findar da temporada). Os amigos aguardavam, lanchando e curtindo o visual na brisa gélida da crista e assim que retornei, recomeçamos a ascensão. Em pouco tempo, caminhávamos pelo encantador Passo dos Anjos, onde a SF revela a origem do seu nome...mesmo sob as luzes da lanternas, não deixa de impressionar como a crista se estreita naquela parte...aproveitávamos os trechos de ascensão mais suave para retomar o folego, já que nossa intenção era prosseguir sem paradas até o alto do Capim Amarelo. Subíamos pouco ansiosos, confiantes do planejamento e validando a estratégia de caminhar à noite e minimizar o peso nas cargueiras. Encontramos um pedaço de bastão de caminhada e passamos a levá-lo conosco, certos que em pouco tempo encontraríamos seu dono. De fato, não tardou, e num dos pontos de acampamento dos falsos cumes do CA, encontramos dois colegas montanhistas acampados há pouco, ainda com chocolate quente nas panelas... restituímos a parte perdida, conversamos um pouco, tomamos uns goles de chocolate quente e retornamos a caminhada. Pouco depois das 2h alcançamos o cume do CA. Fizemos uma breve parada, substituímos o livro de cume, que já não apresentava espaços em branco e após a devida preparação do livro, identificando o nome do cume, sua localização, data, responsáveis pela guarda, etc, registramos a composição do grupo, objetivo e horário de partida, descansamos alguns minutos, procurando não perturbar muito aos montanhistas acampados ali e retomamos a caminhada, buscando assegurar a descida do CA pela trilha correta, bem à esquerda. Sem grandes dificuldades, descemos o CA, notando ao passar pelo Maracanã que havia pelo menos mais sete barracas armadas.... de fato, o último feriado dessa temporada prometia que a SF estaria lotada de caminhantes... não nos afetava, já que estaríamos quase que todo o tempo fora da trilha mais batida. Havia uma remota possibilidade de termos algum contratempo com a lotação da serra, no acampamento do primeiro dia, no Vale do Ruah. Para essa eventualidade, cogitávamos acampar aos pés do Ruah Leste, o que exigiria atravessar o capim à noite. No Maracanã, nos abastecemos com o suficiente para a caminhada até o Rio claro, na base da Pedra da Mina. Flor na encosta do Quartzito Foto: Rogério Alexandre Cristais de gelo Melano: Foto: Rogério Alexandre De forma geral, partimos com pelo menos dois litros, sabedores que, com o nascer do Sol, o consumo de água aumentaria. Com poucas paradas, em breve estávamos começando a longa ascensão do Melano, um dos desafios propostos quanto à regularidade da caminhada, já que queríamos apreciar a alvorada em sua crista, de forma a permitir registrarmos o nascer do sol com a lua minguante ainda visível no céu. Caminhávamos compenetrados, procurando aproveitar os trechos planos para trocarmos ideias e retomarmos o folego. Talvez pela adrenalina do desafio, a caminhada transcorreu rápida e alcançamos a crista do Melano perto das 5h30, passando sobre diversas poças de agua congeladas nas encostas. Fizemos uma parada para um rápido lanche e retomamos a caminhada, agora em passo mais tranquilo, apreciando o dia que nascia. Nascer do Sol e Lua Minguante visto na crista do Melano. Silhueta da PM contra o sol nascente. Fotos: Douglas Garcia Tocamos em frente pelo sobe e desce da crista do Melano, ganhando altitude devagar, na diferença entre as subidas e descidas infindáveis desse trecho. Aproveitávamos para apresentar para a Areli, as montanhas que havíamos passado desde o início da caminhada, as montanhas que subiríamos antes de acamparmos, nominá-las, fazer comentários e contar causos de pernadas anteriores por aquelas plagas. Isso nos distraia, e, quase sem perceber, alcançamos a base da cachoeira vermelha, às 8h. Preparamos as mochilas de ataque com material para emergência, lanches e água, guardamos as cargueiras nas moitas, atravessamos a cachoeira vermelha, buscando a trilha que começa bem próxima da sua queda. Fomos ganhando altitude aos poucos, pelo ombro do Tartaruguinha, quase que sem nenhum vara-mato e em pouco tempo estávamos aos pés do Tartarugão. Seguimos a mesma técnica da vez anterior, avançando meio que em paralelo, para minimizar a possibilidade de um acidente com as pedras soltas, que são abundantes nessa face da montanha Com as inevitáveis paradas para descansar, levamos cerca de meia hora para alcançar o cume da primeira montanha fora-da-rota da travessia planejada. Fizemos uma pausa, contemplando a paisagem, retomando o folego e lanchado. Verificamos que haviam poucos registros no livro de cume, uma incursão de um colega de montanha, desbravador de ambos os Ruah Norte e Leste. Registramos os nomes do grupo, algumas impressões da caminhada e das nossas intenções, horário de partida e destino, acrescemos dois saches de mel no kit perrengue deixado antes, guardamos tudo no tubo de cume e partimos para explorar parte dos ombros do Tartarugão, avaliando possíveis alternativas para uma travessia a partir da face sul da PM, subindo a partir do Vale do Paraíba. Essa avaliação acabou por consumir um tempo precioso pois descemos o Tartarugão em direção a PM e na face sudeste bem à direita de quem está de frente para a PM encontramos um ponto de agua corrente, onde nos hidratamos. Por outro lado, essa investigação nos causou considerável transtorno para retornar, pois os trechos de lajes na base são intercalados com trechos de vegetação o que exigia varar o mato, com considerável dispêndio de energia e tempo. Procurando manter a altitude, fomos costeando as encostas do Tartarugão e do Tartaruguinha, buscando a direção da Cachoeira Vermelha, onde chegamos às 12h. Pedra da Mina vistas do Tartarugão. Foto: Marinaldo Bruno Contemplando o Vale do Rio Claro. Foto: Douglas Garcia Retomamos as mochilas e seguimos para a PM, passando pelo Rio Claro, onde nos hidratamos e coletamos água apenas para a subida da pedra, uma vez que acampando no Ruah, teríamos fartura de água. Apreciando o visual, fomos ganhando altitude e, perto das 13h estávamos a 2978m, no cume da PM. Encontramos o Rafael preparando o acampamento para um grupo que o Cainã, ambos guias na SF e amigos de outras caminhadas, que fizeram a gentileza de cuidar das nossas cargueiras enquanto descíamos em direção ao acampamento da base da PM, no sentido do Paiolinho, por onde atacaríamos o Ruah Norte. Sabe aquela história de barraca voando? Então, por pouco não conseguem alcançar uma delas a tempo, rs... Do acampamento base, fizemos uso do tradicional trepa-pedra para descermos a encosta da área de acampamento na base da PM em direção ao Ruah, na sua extremidade NO. Atravessando o vale pelas lajes de pedra, cruzamos com um pequeno curso de água, avaliamos a direção pela qual faríamos o vara-mato da subida e tocamos para cima, com o Douglas abrindo a passagem e os demais procurando facilitar a volta, quase consolidando uma trilha... mas a verdade é que a passagem de 5 pessoas por ali, sem outros que a repitam, talvez não seja perceptível na próxima temporada. Sob sucessivos alertas de “caminho errado” e “voltem” dos companheiros de montanha que chegavam na PM via Paiolinho, com pouco mais de 40 minutos de vara mato, para total deleite da Areli, alcançamos o cume. Sob congratulações mútuas, entre respirações ofegantes, apreciamos por uns minutos o visual que se descortinava... ângulos incomuns da travessia, detalhes de ambas as faces da PM e das montanhas ao redor enchiam nossos olhos. O sentimento de respeito, ante a enormidade do que propúnhamos fazer, grassava em nosso peito, dividindo espaço com a sensação de superação e ineditismo. Verificamos no livro de cume, colocado pelo Douglas pouco mais de um mês antes, a ausência de outros registros, acrescemos ao “kit perrengue” um cobertor de emergência e dois saches de mel. Tomamos o último lanche do dia, descansamos um pouco e lembrando que ainda precisaríamos de duas horas para estarmos com o acampamento montado, iniciamos a descida do Ruah Norte procurando refazer o caminho trilhado na subida. Pegamos um pouco de água no pequeno curso que escorre na passagem e voltamos sob os nossos passos até a parede quase vertical do acampamento base. Usando a já consolidada estratégia de ataque em rotas paralelas fomos tocando para cima até atingir a área de acampamento na base da PM, onde nos reagrupamos antes de subir a PM, na rota tradicional de quem chega pelo Paiolinho. Havíamos cogitado descer a PM com as cargueiras, para depois cortar pela trilha que ouvimos existir na encosta da PM, ligando a área do acampamento base com o Ruah, mas abandonamos essa ideia pela segura, ainda que mais cansativa, opção de descer e subir a PM de ataque, pelo caminho já conhecido. Subimos em passos largos, recuperamos as mochilas e seguimos para o vale do Ruah, onde acamparíamos. Iniciamos a segunda descida da PM com o sol buscando o horizonte, e pouco antes do anoitecer, estávamos com as barracas prontas para a noite. Como cuidados adicionais, ante a afamada geladeira que o Ruah se transforma à noite, colhemos porções de palha para colocarmos sob as barracas, dando preferência para as folhas mais secas, que por conterem menos água são mais eficazes como isolamento térmico. Cedi meu cobertor de emergência ao Marinaldo, que, apesar da minha insistência não aceitou ficar com o saco de bivaque de emergência. Fizemos a primeira refeição quente, conforme o cardápio que escolhemos e que nos foi fornecido, abaixo do preço de custo, pela Livre Adventure Tour. Agradecemos muito pelo apoio, todas as refeições juntas não somavam 2 kg, o que contribui significativamente na redução de peso das cargueiras. Optei pelo espaguete com frango e legumes, porção individual, e que pelas menos de 85g de peso que faziam na mochila constituiu uma excelente refeição, após hidratado com os 240g de água quente recomendados. O processo de liofilização, preserva muito da textura dos alimentos, assim como do sabor e do seu valor nutricional. É sempre recomendável, para quem inicia no uso desse tipo de alimento, planejar com alguma folga, para verificar como se adapta aos tamanhos das porções, principalmente naquelas que servem duas porções. Cansados pela pernada do dia, alteramos os planos de vermos o sol nascer no cume do Ruah Leste, optando por estendermos um pouco o repouso e nos recuperarmos para o segundo dia, que prometia ser tão exaustivo quanto o que se findava. A temperatura caiu rapidamente, meu relógio marcando 8C pouco mais de uma hora após o pôr do sol, e todos se recolheram às barracas, não saindo para nada, após o jantar. Ante a previsão de 2C para a PM, esperava dormir bem tranquilo com o que levava de equipamento: saco de dormir para -4C, meias de trekking, segunda pele leve para as pernas e duas mais fortes para o tronco, luvas e gorro. Por praticidade e cansaço adormeci com ambas as segundas-peles, luvas e gorro... imaginava que acabaria por acordar de madrugada com calor, mas aí já teria recuperado um pouco das forças... e estava tão agradável daquele jeito, usando quase toda roupa que tinha disponível... dois isolantes, um de espuma e outro inflável acresciam conforto e luxo ao necessário. A camada de palha sob a barraca fazia as vezes de colchão e mesmo fora dos isolantes, o contato com o piso da barraca era agradável. Segundo dia Realmente dormi muito bem, acordando apenas às 5:00 como de hábito, quando na montanha ou muito ansioso com algo. As surpresas começaram ao constatar a condensação congelada dentro da barraca, por sobre minha cabeça... pequenas estalactites de gelo pendiam do teto da barraca... curioso, fui verificar a temperatura em meu relógio, que apontava -6C. Isso dentro da barraca... lá fora estaria ainda mais frio! Fiquei no saco de dormir, curtindo o ineditismo do Ruah... Pouco depois, ouvia-se o alarido normal de quando se desmonta acampamento, ainda às escuras e um pessoal acampado próximo de nos informou que o termômetro levado por eles havia marcado -9,6C às 23h e outro pessoal falar em -11,7C. Meus dedos do pé doíam de frio e, vencendo a preguiça com algum receio, saí do saco de dormir para verificar o estado em que eles se encontravam. As pontas dos dedos estavam muito avermelhadas, e temi que estivessem queimados de frio... fiz uma massagem vigorosa em ambos os pês e mesmo a cor não normalizando, senti-me um pouco melhor. Como não sairíamos em seguida e não curto ficar à toa na cama, vesti calca, calcei botas, coloquei o saco de dormir dentro de um estanque e sai da barraca para caminhar e ver o sol terminar de nascer. A esperança de que, caminhando os dedos parassem de gritar de frio não se concretizou, mas a beleza do sol nascendo entre o Ruah Leste e a PM compensava o desconforto. Pouco depois, o sol incidia sobre a encosta da PM e, após despir a segunda pele das pernas, peguei a mochila de ataque, preparada na véspera e avisei aos amigos que iria esperá-los tomando um pouco de sol. Subi um pouco e fiquei admirando o vale do Ruah, branco pelo gelo que cobria o capim ainda que as moitas superassem a altura de um homem. No ano anterior, em minha primeira travessia ele estava ainda mais branco, com o gelo no capim subindo as encostas. Talvez seja isso que encante tanto na natureza, nas montanhas... tudo está lá, nada mudou... mesmo assim, a experiência sempre é inédita, a vista sempre é outra. A viagem não é apenas pelo exterior, mas trilha-se para dentro também... para a alma. Agrupamos e partimos, às 6h30 para o ataque ao Ruah Leste, que com 2640m de altitude faz o limite leste do Vale do Ruah e fica à direita de quem, na travessia caminha em busca do Cupim de Boi. As mochilas de ataque continham além dos kits de perrengue, de primeiros socorros, água e lanches, os materiais que usaríamos nos livros de cume que iríamos passar antes de retornar ao acampamento: o próprio Ruah Leste, os Camelos 1, 2, 3 e 4, o do Avião e o São João Batista. Alcançamos o primeiro cume do dia às 8h10, fizemos uma parada para café da manhã com as frutas liofilizadas, chocolates, queijos e guloseimas trazidas, curtindo os diferentes ângulos das montanhas da Serra Fina. Verificamos não haver registros no livro de cume desde nossa incursão anterior, apontando que, mesmo tão próximo a concorridíssima trilha da travessia, ainda há montanhas tranquilas, bastando ter a disposição de ousar um pouco mais e fugir do convencional. Acrescemos alguns itens (mel e cobertor de emergência) ao tubo de cume, considerando que possam ser de grande valia para algum colega num eventual perrengue explorando os arredores da trilha tradicional. Pouco depois, 8h20 iniciamos a descida em direção ao Ruah, onde um vara-mato nos aguardava, mirando alguma laje que abreviasse o sofrimento. Pouco antes das 9h, passamos pela lata de sardinha deixada por algum excursionista pioneiro, dessa vez não confabulamos entre leva-la ou não... o estado de corrosão apontava algo muito antigo e estando colocada sobre uma parte mais elevada da laje, ela claramente tinha a intenção de marcar um ponto de passagem, e na caminhada anterior já havíamos deliberado mantê-la ali, pelo menos enquanto seus restos fossem reconhecíveis. Curiosos com a história que havia ali, condensada naquelas poucas gramas de folha de flandres, subimos buscando o colo entre o Pico do Avião e o primeiro dos camelos. A partir dali, viramos em direção norte e tocamos para cima, chegando aos 2550m de altitude do cume em pouco mais de 30 minutos de caminhada. Mantendo a mesma direção, descemos em direção ao colo entre os Camelos 1 e 2, atravessamos com cautela pela maior exposição do trecho e tocamos para o cume do Camelo 2, quase tão alto quanto o anterior. A diferença de altitude entre os dois não ultrapassa 20 m. Nesse cume, havíamos deixado, na incursão anterior um tubo de cume, cujo o único registro era o da nossa passagem, na travessia full anterior. Da esquerda para a direita: Três Estados, Cupim de Boi e Cabeça de Touro, vistos a partir do Camelos 2. Foto: Douglas Garcia Ali registramos nossa passagem, acrescemos o mel ao material de emergência deixado anteriormente, retomamos um pouco o folego e partimos para o Camelos 3, alcançando às 10h15 os 2480m de altitude do seu cume. Para o Camelos 4, o caminho começa pela lateral direita descendo a encosta íngreme e seguindo o vara-mato desbravado na passagem anterior, à esquerda. Apesar de já haver palmilhado a passagem, ainda havia o receio de buracos e fendas e, paradoxalmente, exatamente no momento em que eu alertava a Areli e o Zagaia da possibilidade de haver buracos escondidos na vegetação e da necessidade de cautela, encontrei um deles e sumi, diante dos olhos dos dois, quase como em um passe de mágica... enquanto caía, esperava que a vegetação me freasse a queda, como isso não aconteceu, tratei de agarrar o que tinha à mão, e, às custas de dois cortes maiores nas luvas (de couro, grossas) que não se aprofundaram muito nas mãos, freei minha descida e me vi de ponta cabeça a uns 4 m abaixo dos pês do pessoal. Gritei informando estar tudo bem, e procurei me firmar antes de escalar a encosta, usando a vegetação como apoio. Nesse momento meu receio era que os tufos de capim e os poucos bambus que me via aqui e ali, não suportassem mais peso que apenas o meu e cedessem, caso alguém buscasse me ajudar ou caísse também. Refeitos do choque do susto, retomamos a caminhada com mais cuidado, uma vez que os trechos seguintes são de exposição bem maior e uma errada como a de poucos minutos antes, quase certo de que teria consequências graves. Passamos pelas partes de exposição com bastante zelo, procurando não dedicar mais que um olhar de relance à paisagem por mais espetacular que fosse. Da mesma forma que na vez anterior subimos pela direita de forma a evitar ter que dar um “salto de fé” para cima. Com maior cautela, alcançamos o totem que erguemos na vez anterior, às 11h20, fizemos uma parada maior, registramos a passagem pelo livro de cume, aproveitando para revestir duas pedras maiores com parte de um cobertor de emergência danificado. Acrescentamos os saches de mel ao material de emergência, descansamos um bocado e partimos explorar os arredores... a crista dos camelos tem um quinto cume, cerca de 30 metros inferior em altitude ao Camelo 4. Aproveitamos bem o tempo observando o PNI, o Cupim de Boi, o Três Estados e curtindo a pausa maior, fizemos um lanche mais substancial apreciando o que havíamos caminhado e o que ainda o faríamos antes de dar o dia por encerrado. CT visto do 5 Camelo. Foto: Marinaldo Bruno Retornando dos Camelos “Toca para cima”. Foto: Douglas Discutimos as alternativas para acampamento entre a base do CT e o bosque na descida do Cupim de Boi. A expectava de descer a encosta do Cupim, à noite e com cargueiras era um pouco apreensiva e concordamos, que se, encontrássemos um lugar, por pequeno e ruim que fosse, acamparíamos no bambuzal e partiríamos de madrugada para ver o sol nascer instalados no alto do CT. Aproveitamos o horário pouco avançado e esticamos até o próximo cume da crista, que seria o “Camelos 5” e curtimos um pouco o visual da SF a partir dali, com vistas inéditas para nós. Iniciamos o retorno com o sol brilhando forte, o que consumia nossas reservas de água, e eu aproveitei todos os filetes de água que encontramos para me hidratar, por fraco que fosse o correr de água, em quase todos consegui uns goles. Já na subida do Morro do Avião, encontramos uma poça maior, onde eu, a Areli e o Zagaia nos fartamos de beber. Continuamos a subir, buscando o cume do pico do Avião, alcançado pouco antes das 14h. Estávamos dentro do planejado, então fomos até os destroços do avião monomotor na encosta antes de retornamos ao acampamento e arrumarmos as cargueiras para o restante da pernada do dia. Seria o trecho que faríamos com o inventário de água totalmente ocupado, pois não teríamos agua até o final da tarde do dia seguinte. Com as cargueiras arrumadas, partimos para nos abastecer de água na cachoeira que o Rio Verde faz, na parte em que o vale se estreita entre o Ruah Norte e Ruah Leste. Procuramos nos hidratar bastante considerando a previsão de mais um dia sem nuvens, sem disponibilidade de termos acesso a outro ponto de água antes das 17h, já na saída da trilha. Ficamos quase meia hora na pequena queda, alguns de nós aproveitando para tomar um rápido banho nas frescas águas. Eu, levando em conta que o sol já ameaçava deixar o vale, optei por postergar mais uma vez meu banho naquelas águas. Nesse ponto, nos abastecemos de toda água possível nas mochilas e no corpo, buscando a melhor condição para a pernada final. Caprichamos nos ajustes das cargueiras, que agora fariam valer sua capacidade de transferir a maior parte do esforço para os quadris. Com 4l de água, minha mochila pesava pouco mais de 14kg, e, com os benefícios da observação à posteriori, devo dizer que 4l eram “pouco”. Imaginava terminar o último dia com água contada, carregando o mínimo de peso e administrando o consumo. Houve quem pegasse 6l e nenhum de nós imaginava esbanjar o precioso líquido. Com os últimos raios de sol se perdendo atrás da PM, deixamos o Ruah para a derradeira caminhada do dia, com destino ao bosque de bambus à direita do Cupim de Boi. Com as mochilas em seu peso máximo dessa travessia, caminhávamos de forma tranquila, procurando preservar o fôlego e as forças para o dia seguinte. Pouco antes das 21h estávamos no bosque, com as barracas montadas, nos preparando para dormir algumas horas, já que o planejado era partirmos antes das 4h para acompanharmos o nascer do sol a partir do cume do CT. Tranquilizamos o pessoal de outro grupo que já estava ali, e que havia se dividido ao longo do dia. Parte dos montanhistas desse grupo tinha chegado ao ponto em que acampamos na véspera, no Ruah, aos pés da PM e ficara no aguardo de alguns retardatários. Estimamos que eles tardariam no máximo duas horas, porém, com o cansaço e a progressão à noite pouco confortável, eles optaram por armar acampamento antes do Cupim, numa área de acampamento alternativa. A expectativa de um visual inédito nos inebriava, e com o cansaço do segundo dia apoiando, rapidamente adormecemos. Decidi não cozinhar e poupar água para o dia seguinte, decisão que se mostraria bastante oportuna. Apesar de não estar com fome, já que passara o dia com diversos petiscos, me obriguei a comer pelo menos uma barrinha de cereais; ou melhor, tentei me obrigar... o sono e o cansaço venceram e adormeci com a barrinha na mão... rs... a noite foi muito agradável e dormi direto, sem interrupções, depois que desisti de utilizar o isolante inflável... o saco de dormir teimava em escorregar de sobre ele, mesmo ante a suave inclinação em que minha barraca fora montada. Felizmente, era uma questão de luxo, de forma que apenas coloquei o isolante inflável de lado e adormeci sobre o bom e velho isolante “casca de ovo”. Terceiro dia Confirmando a fama de ser um dos melhores lugares para pernoite na travessia, a temperatura amena no bosque e o abrigado do vento, possibilitaram uma noite de sono espetacular. Acordei 3h30, revisei a arrumação da mochila de ataque feita na véspera e sai da barraca para esticar as pernas enquanto os amigos faziam os últimos preparativos. Por mais que procurasse, não consegui encontrar o estojo com os óculos, e como não queria colocar a lente de contato ainda, para dar um período maior de descanso para as pupilas, coloquei o estojo de lentes na mochila de ataque, junto com soro e um pequeno espelho de sinalização, revisei a mochila, verificando se os itens críticos estavam lá e me preparei para iniciar a caminhada. Partimos no horário previsto, subindo rapidamente o Cupim e virando à esquerda, para alcançar seu cume e voltar a descê-lo, agora agarrando nas pedras e na vegetação. A descida naquele trecho é bastante íngreme, e após alguns minutos tensos, alcançamos a grande rocha que serve de totem natural para os que atravessam o colo entre as duas montanhas. Não deixamos de notar o quanto o caminho estava batido, pela passagem de sucessivos montanhistas. A montanha do começo do ano, nesse aspecto diferia demais daquela que alcançávamos de forma tão desimpedida. Na minha primeira incursão naquela montanha, ainda no início da temporada de montanhas de 2018, foi necessário dispender um tempo considerável para avaliar por onde passaríamos equais pontos de referência teríamos ao estar no colo e depois varando o mato que apresentava, apenas aqui e ali, marcas de já ter sido desbravado anteriormente. Eu caminhava em passo mais lento que os demais, já que a minha visão era bastante limitada. Quando o Zagaia comentou ter visto água próximo à trilha, lembrei-me de que, no vara-mato do começo do ano, eu havia visto uma pequena lagoa, à esquerda da trilha. Com a trilha mais aberta, avançamos mais rápido do que havíamos planejado, e seguindo a velha estratégia de ataques paralelos, visando minimizar o risco de uma pedrada amiga, alcançamos o cume 6h30, a tempo de ver o nascer do sol na direção do Agulhas Negras. Fizemos uma pausa para um lanche à guisa de café da manhã. Aproveitei a parada mais longa para colocar, sem pressa, a lente de contato... com 5,25º de miopia, garanto que os contornos das montanhas mudam sensivelmente. Um arrepio me passou pela espinha, lembrando da descida do Cupim, tateando cada passo no que o colega da frente fazia, quase que às cegas. Curtimos bastante o cume, exploramos rapidamente duas de suas cristas, passando pelos destroços do bimotor e instalamos um novo tubo de cume num pico mais afastado à 2580m de altitude, após os destroços do avião. Junto com esse livro de cume, colocamos um kit perrengue minimalista, haja vista que ali não se pode contar com a chegada providencial de outro montanhista para lhe “safar a onça”. Nascer do sol a partir do Cabeça de Touro Sombra do CT na Pedra da Mina Fotos: Marinaldo Bruno Após estudar brevemente com o Marinaldo, a crista sudeste do CT, eu e o Douglas encontramos com o Zagaia e Areli que retornavam para o cume vindo da parte onde estão os destroços do avião. Combinamos de iniciar a descida do CT no mais tardar às 8h e nos apressamos com a instalação do tubo complementar, buscando iniciar a descida com o restante do grupo ou pouco atrás. Com o cansaço da subida, parte do grupo iniciou a descida pouco antes de nós, porém como desciam mais devagar nos aproximamos deles rapidamente. Novamente, utilizamos a estratégia de descer em linhas paralelas, cuidando para que alguma rocha eventualmente deslocada não atingisse ninguém abaixo. Com isso, em pouco tempo estávamos à margem do colo entre o Cupim de Boi e o Cabeça de Touro. Marinaldo, Areli e Zagaia, já estavam no colo, buscando a lagoa vista a partir da trilha de ida. A questão é que não encontraram o caminho da ida e estavam varando mato, na busca das referências: peladona e peladinha. Confiando na impressão e no que lembrava da ida, esquecendo que a fizera quase que às cegas, busquei a trilha que havíamos passado pouco antes com a intenção de coletar um pouco de água na lagoa que existe ali. Com a informação de que o pessoal que havia descido antes não estava voltando por ela, supus que a trilha estaria mais para a esquerda e fui no vara-mato buscando interceptar a trilha. Acontece que, por causa da pouca visão na ida ou não, a trilha estava à minha direita. Quase que certamente a trilha estava ali, entre a minha posição e a posição dos 3 (Marinaldo, Areli e Zagaia). Como segui à direita, conforme varava o mato, me afastava cada vez mais da trilha correta e o vara-mato ficava cada vez pior. Sem perceber eu descia, por entre as moitas de capim que, superavam os três metros de altura. Em pouco tempo, do chão eu não conseguia mais nenhuma referência visual, e apesar de estar com GPS ainda queria fazer a navegação visual. Para conseguir ver por sobre o capim e me orientar, escolhi duas moitas próximas e tratei de “escalar” elas até ter um panorama do entorno. Do alto das moitas, tudo que eu via era capim, o CT e o Cupim, de forma que ajustei o rumo para a encosta do Cupim, pois sabia que costeando a base havia grandes lajes de pedra que fariam o avançar menos custoso. Gritei “oi” buscando que a resposta indicasse a posição dos outros e não logrei escutar nenhuma resposta... apesar de saber que estavam lá, foi muito inquietante... Procurei avançar por cima das moitas, e por certo tempo se desenhou como solução ... Posso dizer que “nadei” no capim, ali... pois apesar de todo o esforço parecia que eu não avançava “nada”.... encontrei uma rocha que se destacava no mar de capim e tentei galgá-la num pulo, mas o capim sobre o qual eu me equilibrava cedeu quando dei impulso, me fazendo errar o pulo e acertar a borda da pedra com a canela esquerda... a dor excruciante me fez crer que havia me machucado, mas naquele momento, eu só queria saber de sair dali... dei a volta na pedra, por sob o capim e encontrei um lado que me permitiu galgá-la com êxito. De sobre ela, gritei novamente o “oi” e ouvi a resposta do Douglas perguntando onde eu estava, levantei os bastões e escutei um “estou vendo” muito alvissareiro. Pedi que levantasse as mãos, já que ele não estava com bastões e vi um movimento no capim ... acertamos de irmos um em direção ao outro para depois retornamos pelo caminho que ele abria em minha direção...ainda que o vara-mato ali não fosse tão ruim quanto o que eu havia passado pouco antes, o avanço era muito moroso. Para efeito de comparação, no caminho que percorri através do capim consumi 32 minutos enquanto na ida, atravessamos o mesmo colo em 8 minutos. Estar na trilha, só com o tradicional e cansativo “toca pra cima” da íngreme subida do Cupim de Boi, foi um grande alivio, rs... Com calma e fôlego, parando algumas vezes para que o Douglas apreciasse as Amarilis que cresciam em um jardim escondido,, numa quantidade que ainda não havíamos visto pela SF. Numa das pausas para recuperar o folego, ele comentou que elas seriam o tema provável de seu trabalho de conclusão de curso... identificar habitat, mecanismos de dispersão, a exigência do frio intenso para quebrar a dormência da gema, etc. Achei muito legal, e continuamos a debater o que poderia ser estudado, eu sempre procurando que fosse algo de cunho prático, talvez alguma aplicação fitoterápica. Chegamos ao acampamento no bosque às 10h e rapidamente começamos a arrumar nossas cargueiras para a última pernada do dia. Uma vez que eu, para poupar água e por falta de apetite, não utilizara minha segunda refeição liofilizada, a cedi para o Zagaia e para Areli. Partimos para a última pernada da travessia, às 11h, com o sol rachando tudo e a todos. Alcançamos o cume do Três Estados pouco antes das 12h30, ficamos cerca de 10 minutos recuperando o folego e descansando na deliciosa sombra dos arbustos que insistem em sobreviver ali, apesar de todos os maus tratos que montanhistas menos afeitos à política de minimizar o impacto na natureza lhes impõem. Aproveitei para fazer uma cata dos lixos escondidos em algumas moitas de capim, à exemplo do que encontrara quando ali estive, atravessando a SF com meu filho, pouco mais de um mês antes. Sem muito procurar, acresci à minha bagagem, uma lata de sardinha, uma embalagem de macarrão instantâneo e outras duas de barrinha de cereais. Antes de partir, registramos a passagem no livro de cume, batemos um pouco de papo com um colega de montanha que chegara pouco depois e que iria esperar o resto do grupo em que estava. O sol não dava trégua e como a descida do Três Estados é toda à descoberto, desci procurando poupar a agua, respondendo com monossílabos e procurando manter a respiração controlada. Levamos pouco mais de uma hora para atingir o cume do Bandeirante.... ainda que progredíssemos bem, o sol abrasador fazia parecer que levávamos várias horas ao invés de minutos entre cada cume. No meu caso, a sede era uma presença constante, dominada com curtos goles de água a cada parada para recuperar o folego ou apreciar a paisagem. No Alto dos Ivos, fizemos nova parada e contatamos a Patrícia para programar nosso resgate. Consideramos que levaríamos cerca de 4 horas, a partir dali, para alcançarmos a estrada, colocamos uma margem de segurança de cerca de meia hora, de forma a permitir que andássemos sem pressa e agendamos o resgate para as 19h. Nesse momento eu tinha pouco mais de 1l de água. As poucas nuvens que surgiam no horizonte não bastavam para nos proteger do sol. Decidi que consumiria toda (ou quase) toda a minha agua no trecho mais exposto ao sol, deixando uma eventual sede para o trecho de trilha que percorre a floresta. Dessa forma, considerei levar três horas até o próximo ponto de água, imponto como meta, tomar 300 ml por hora, 5ml por minuto ou 75 ml a cada 15 minutos. Como resultado, o tempo não passava, mas a sede ficou bem administrada, permitindo chegar próximo do ponto de água com cerca de 300 ml que, já sob o abrigo das árvores, tomei em generosos goles. Eu e o Marinaldo seguíamos um pouco à frente, chegando no ponto de água com alguma vantagem em relação aos amigos e, após esperar o grupo que nos precedia se reabastecer, preparamos uma limonada que caiu perfeita: doce e gelada. Dali, segui em frente com a Areli, enquanto os outros procuravam se recuperar e matar a sede com a escassa vazão de água que se apresentava. Fomos perdendo altitude de forma lenta e contínua pela estradinha até o Sitio do Pierre e depois até a estrada, onde chegamos 18h30. Aproveitamos o embalo e subimos um pouco pela estada para tomar sorvete caseiro. Cada um escolheu a parte do gramado que mais lhe agradava e procurou relaxar enquanto esperávamos o resgate, rememorando a caminhada, as paisagens, petiscando o delicioso biscoito de polvilho, avaliando os estragos nos pés e as dores nas pernas. A Travessia da Serra Fina Full, foi a concretização de um sonho antigo... inserir livros e caixas de cumes em alguns dos principais cumes no entorno da PM.... onde, após várias tentativas, mapeando e explorando, avançando a partir dos relatos dos montanhistas percursores, conseguimos realizar. Nesse processo cumulativo de aprendizado e desenvolvimento, percebemos o quanto alguns trechos demandam maior cuidado, até por estarem longe de tudo e de todos, sem sinal de celular ou a passagem ocasional de outro montanhista por diversos dias. Na esperança de apoiar algum irmão de montanha que se veja numa fria nessas partes da SF, tomamos a iniciativa de acrescer aos livros de cume, um material básico para “safar a onça”. Se você que lê essas linhas, precisar utilizar esse material, pedimos que nos avise para que possamos planejar a reposição. Claro que, pelas dificuldades logísticas, consideramos o uso “kits perrengue” na necessidade, não para conforto. Cabe a cada montanhista, novato ou experiente, preservar e cuidar da Mantiqueira, Amantikir para os índios, nascente de inúmeros rios que suportam a vida nas cidades, nas vilas e nas fazendas ao seu redor e ainda mais, a muitos quilômetros de distância. Com certeza, a Serra da Mantiqueira, em sua imponência, é um dos fatores determinantes para o clima que experimentamos no Sudeste. Se você que lê essas linhas, já for montanhista experiente, vá preparado, pois em alguns dos picos fora da rota tradicional, você poderá entrar numa grande “fria” se não tomar as devidas cautelas. Esteja sempre com alguém experiente também, evite se aventurar solo ou considere na preparação eventuais imprevistos. Não descuide do “e se”... há trechos em que não são necessários três erros para um acidente mais grave. Como registrei acima, fizemos parte da caminhada à noite, mas ainda que estivéssemos voltando sobre nossos passos em vários locais, evitamos os trechos menos frequentados à noite, por perder algumas paisagens e pelo risco de algumas passagens. Enquanto escrevo essas linhas, relatando a travessia da SF Full em 3 dias, comentam comigo que há montanhistas que pretendem fazê-la em 2 dias... me perguntam o que acho, e depois de refletir um pouco me vem a resposta: amigo, a montanha não é minha nem sua, ela é de todos que a amam e cuidam, seja do sitiante que planta ao pé da serra, ou do turista "modinha" que posta no Instagram, ela é uma obra de Deus seja você materialista ou espiritualista. Você que lê essas toscas e mal traçadas linhas, saiba: se estiver na montanha e precisar, um bom montanhista vai ajudá-lo no que puder, apenas por estar lá e poder. Vejo isso naqueles irmãos de montanha, que buscam ajudar e orientar desconhecidos, nos guias que, pesados, sobem rindo aquelas encostas que tantos outros se arrastam chorando... e ainda encontram forças para apoiar as equipes de resgate daqueles menos afortunados, seja por que motivo for e independente de sua forma de pensar ou ver a vida... Forte abraço! Nos vemos por essas trilhas desse mundão de Deus!
  20. Pessoal, estou querendo ir com quatro amigos para Chapada dos Guimarães em janeiro 2020. Já trnho roteiro pré definido (Guimarães e Nobres). Como a passagem aérea está muito cara, pretendemos alugar um carro e partir aqui do Rio. Gostaria de saber se alguém já fez esse percurso de carro RJ - Chapada - Nobres . Como são 24h de viagem, aceito sugestões de onde parar e orientações sobre a estrada. 😃
  21. Olá pessoal! Pretendo conhecer um dos quatro lugares a seguir em outubro/19. Chapada dos Veadeiros/GO, Chapada dos Guimarães/MT, Patagônia Argentina ou México. Período 03 a 27/10/19. Alguém vai para um deles nesse período?
  22. Olá, amigos do fórum. Entre os dias 22 e 29 de abril, fiz uma viagem de uma semana em Ushuaia, na Tierra del Fuego. Obtive muitas dicas importantes na internet sobre esta viagem e muitas delas eu consegui aqui, no mochileiros.com Por tanto, quero deixar uma pequena contribuição, que na verdade são apenas mais dicas e um relatinho sem vergonha, mas com algumas informações que eu não consegui encontrar sobre “Campings”. Sim, talvez, estas pequenas dicas sejam mais úteis para quem quer fazer uma trip mais “roots”, onde possa otimizar o maximo de custos possíveis. As fotos ainda não foram editadas. Estão totalmente "crus", então não se importem com a exposição, enquadramento e etc. Bom, vamos lá. Mas antes: É possível acampar em Ushuaia e fazer uma viagem com pouca grana? Sim. Explico na última dica, então se vc só está interessado nessa informação, pule tudo e vá direto até o último tópico. ________________________//___________________________ 1° Dica: Câmbio Leve sua grana em Dollar. A cotação do dólar para Pesos está mais atrativa do que a do Real, e em todos os relatos que li, mesmo nos mais antigos, diziam a mesma coisa. Eu paguei R$2,39 no dólar, em São Paulo, antes da Viagem. Onde fiz câmbio: Em um Cassino chamado Cassino Status. Ele fica em uma rua chamada Cômod. Augusto Lassere. Não me lembro o número, mas é uma travessa da San Martín (como quase todas as ruas da cidade), subindo. Você deve entrar no hall do cassino e dizer que quer fazer câmbio. Eles vão pedir para você entrar dentro do salao e seguir até o final, onde você encontrará dois caixas, e será acompanhado de uma mulher com cara coronel e de poucos amigos. Real: 4 Pesos para cada 1 real. Dólar: 10, 50 Pesos para cada 1 dólar. (*_*) Maravilhoso! Não achei nenhum lugar com estes valores. A maioria, inclusive o taxista cobravam 8 Pesos para 1 dólar. ___________________//______________________ 2° Dica: Hospedagem Na minha pesquisa, eu queria muito saber sobre campings. Não apenas porque é mais barato, mas porque eu realmente queria ficar acampado em Ushuaia, pelo menos metade dos dias em que estive lá. 1° para testar minha barraca. 2° para passar um friozinho e testar minhas roupas e meu saco de dormir. 3° porque me parecia ser animal acampar no fim do mundo. No final das contas, desisti, porque minha mochila estava pesada e eu estava levando quase 4 kg de equipamento, sem ter a certeza se na cidade eu conseguira um lugar para ficar acampado. Optei por um hostel. É a segunda opção mais barata. Escolhi o Antártica Hostel, depois de descobrir que este era o que mais parecia ser adepto a ideia de colocar as pessoas para se falarem dentro do Hostel. Lá existe uma área comum, com sofás onde você troca ideia com outras pessoas que estão hospedadas e acaba descolando alguns amigos, ou um romance, se esta for sua intenção. Onde fiquei: http://www.antarticahostel.com Diária: 140 Pesos (Café da manhã incluso – Ovos, Pães, Geléia, Doce de Leite, Manteiga, Suco, Café, Leite, Cereais), Toalhas para banho inclusas. Internet em um PC e Wi-Fi incluso. *Se você considerar que a diária está saindo por R$35,00 na nossa cotação, vale realmente a pena pensar se você quer mesmo acampar. Isto porque este café da manhã (se você for monstro como eu), elimina a necessidade do almoço, que pode ser simplesmente trocado por um lanche simples e alguma outra bobeira. *Além do café comum, eu incluía nessa refeição 3 ovos mexidos, fritos na manteiga, o que tornava meu café-da-manhã literalmente um “pequeno-almoço”. Isso me dava sustento para fazer os meus passeios durante todo o dia, comendo alguma coisa pra enganar até que eu chegasse no Hostel novamente no fim da tarde e preparasse meu jantar. Observações sobre o Hostel: Na minha opinião, vale muito a pena, mas considere o seguinte: - Não espere uma cozinha com utensílios novos e totalmente livres de gordura, mas no geral é limpo. - Você compartilhará duas geladeiras com outras pessoas. Apenas deixe suas coisas em um saco plástico em um cantinho e ninguém vai mexer. - Os banheiros são como um vestiário. Os chuveiros são quentes. As vezes BEM quentes. Você controla a saída de água fria e quente ao mesmo tempo, mas as vezes ele tem uns surtos e ferve mais do que deveria. Então, quando tiver conseguido o “ponto”, relaxe e goze (mas não literalmente, porque existe o pequeno problema de que sua cabine será inundada alguns minutos após o início do seu banho (acho que os ralos devem ter pouca vazão ou serem entupidos de cabelo) e você ficará com os pés cobertos de água. (Só de pensar nessa possibilidade, eu tenho vontade de por meus pés de molho em um balde com cândida) - Você precisará passar por uma área aberta, ao sair do chuveiro ou se quiser levantar a noite para fazer um Pip`s feroz. Isso porque os banheiros ficam na parte de baixo e os quartos na parte de cima. A cozinha dá acesso a uma porta que dá em uma varanda que é aberta e te leva aos três ou quatro quartos que há no andar de cima. Isso realmente não foi um problema pra mim, já que fiquei no primeiro quarto e o tempo de exposição ao frio eram só 3 segundos - As camas são beliches (3 em cada quarto) e não fazem nenhum barulho quando você se mexe. - Os quartos possuem calefação e você não passa o mínimo frio lá dentro. Dá até pra dormir de cueca. Mas eu estava indeciso se a Argentina que estava na cama da frente iria gostar disso, então resolvi não arriscar. - Acho que o preço de R$35 Dilmas e todos os pontos positivos desse Hostel, incluindo a atenção bacana que o pessoal, inclusive o Gabriel, o dono, realmente compensam todos os pontos negativos. ___________________//______________________ 3° Dica: Comida Acho que não contei que comprei minhas passagens com milhas acumuladas no meu cartão de crédito e que estava sem grana e que planejei uma viagem qualquer muito rápido, apenas porque meus pontos iriam vencer e eu perderia 3 anos de acúmulo. Então, eu sinceramente não estava preparado para essa viagem e não tinha dinheiro suficiente para fazê-la. Por tanto, a possibilidade de comer todos os dias fora estava totalmente fora de cogitação. Por isso, eu fui com uma missão: sobreviver uma semana de miojo, já que eu nunca tinha cozinhado na minha vida e tão pouco criado interesse de aprender nos dias antecedentes à viagem. Eu pensei, de verdade, que eu poderia me garantir no Miojão maroto e naquele arroz semi-pronto e temperado, que você só precisa botar para cozinhar (tipo Arroz-Tio-João) ou qualquer coisa assim que eu já tinha visto por aqui. O problema foi chegar lá e descobrir que não havia nem miojo, nem arroz semi-pronto no supermercado. Maluco do céu, bateu um desespero e por um segundo e eu me arrependi amargamente de nunca ter visto minha mãe cozinhar um macarrão. Mas eu não sou tão idiota quanto pensei, e numa mescla de coragem e determinação, comprei algumas coisas pra tentar cozinhar uma gororoba qualquer pra não morrer de inanição em Ushuaia, confiando no querido Google para me ensinar a preparar os alimentos. Onde comprei: Supermercado La Anonima *Fica no quarteirão de cima da rua do Antártica. 4 minutos de caminhada. O que comprei (Que eu me lembre / em duas visitas ao supermercado) 1 kg de arroz 1 pacote de macarrão 3 bifes de carne de vaca (não sei dizer que parte do boi era aquela carne, mas era bem saborosa.) 1 caixa com 4 ou 6 ovos (dispense, tem no hostel – basta esconder alguns no seu canto da geladeira, após o café da manhã) Uns 8 litros de Água entre garrafa grande e pequenas 2 caixas de suco 1 Água tônica 2 Cervejas de 500 ml 1 tempero para carne 1 tempero para arroz 1 Sal (dispense, obviamente tem no hostel, assim como óleo e etc) 1 Desodorante e um sabonete (Fui só com um mochilão dentro do avião, então jogaram meu sabonete líquido e meu aerossol fora, porque o imbecil aqui se esqueceu de que isso não podia embarcar, sem ser despachado) Preço: Não tenho certeza, mas tudo custou mais ou menos uns 200 Pesos (R$50) Bom, eu sou totalmente sem noção de cozinha, então minha comida ficou horrível. O arroz duro e o macarrão sem sal. Haha Mas eu sou bem despreendido e não me importei em seguir as receitas ou tentar incrementar minhas refeições com coisas tipo salada, ou temperos diferentes e blá blá blá. Eu chegava morto no hostel, jogava o arroz na panela, tacava sal, o temperinho que comprei, fritava um bife e mandava ver. Ficou tudo “engolível”, por assim dizer e eu não passei fome, pelo menos. Reservei 2 dias para comer fora. Queria experimentar dois pratos típicos da região. O cordeiro patagônico e a Centolla (o famoso Caranguejo gigante). Acabei provando apenas o cordeiro. Muito gostoso, mas a carne de boi estava melhor (eu dividi com uma mexicana que conheci e decidimos pedir cada um, um prato e comer metade do outro). Acho que custou uns 140 Pesos, o meu prato, em uma das dezenas de opções na San Martín ou na Maipú. A Centolla, acabei não comendo. A mexicana foi embora e eu pensei que ir sozinho ao restaurante seria chato, então resolvi comer no hostel mesmo, já que era meu último dia. Este prato custava mais ou menos uns 200 Pesos na maioria dos lugares onde olhei. Observação: *Não deixe de experimentar as empanadas. Não achei o tal do dieguito (sim, você vai ouvir o pessoal falando sobre a tal empanada do Dieguito), mas sendo bem sincero, eu nem procurei direito. Comprei as minhas no El Vagon ($9 e $11, dependendo do sabor), um restaurante que parece um vagão do trem que levava os prisioneiros da cidade para trabalhar no parque nacional. Peça a de presunto e queijo (não me lembro como se chama, mas no final está escrito “queso”) Elas explodem um sabor delicioso na boca. Uhmmm, delícia! ___________________//______________________ 4° Dica: Transporte e Passeios. Sobre o taxi, do aeroporto até o centro, você vai gastar mais ou menos $60 Pesos, ou $5 Dólares. Não aconselho a ir a pé, mochileiro selvagem. Isso vai te custar tempo e pernas. Sobre os passeios, eu resolvi que faria os seguinte: 1° Dia Conhecer a Cidade Tirei esse dia para conhecer a cidade, decidi o que eu ia fazer, ir ao mercado, e dar uma andada a pé. /// 2° Dia Canal de Beagle. Onde comprei o tícket: Ushuaia Extreme Travel (http://www.ushuaiaextremotravel.com) Fica na San Martín. Preço: $450 (ui) Pesos (Valor praticamente tabelado para todas as agências) Duração: 2,5 h mais ou menos Você vai falar com a Janaína. Ela, o marido e um cachorro se mudaram para a cidade a três meses e têm uma página no Facebook chamada “Brasileiros em Ushuaia” (https://www.facebook.com/BrasileirosemUshuaia?fref=ts) Pode fazer perguntas a vontade pra eles, que são super gentis, te respondem e te auxiliam em tudo. Quando você realmente estiver pronto para ir, eles poderão te recepcionar, te buscar no aeroporto, fechar passeios e etc. Trabalham em parceria com essa agência Extreme. Recomendo que você feche tudo com eles, até para dar uma força porque eles realmente merecem só pela simpatia. Não conheci o Mario pessoalmente, mas a Jana é super gente boa e trocamos uma boa ideia durante um bom tempo. Foi engraçado, quando cheguei no aeroporto e vi um cara pegando dois brasileiros e conversando com eles, no caminho até o carro. Eu imaginei que fosse o Mário, mas só descobri que realmente era depois, ao perguntar para sua esposa. Por tanto, vale a pena você trocar ideia com eles, se quer ter um auxílio no seu planejamento e chegada na cidade. Observação sobre o passeio: O passeio para andar com os pinguins não estava disponível, porque em abril eles já se foram fugindo do frio, então eu decidi ir no tal do barco Catamarã e paguei. Poxa, cara, foi legal, mas não sei se faria de novo. Eu estava sozinho, então acho que isso influencia um pouco porque você vê um monte de velhinhos e de casais e talvez não curta vibe do rolê realmente. Eles te levam bem perto de uma ilha com lobos marinhos, e outra com comorones, que são pássaros que se parecem com pinguins. Além, é claro, do farol Les Eclaireurs, que não, não é o último farol do continente, ou o farol do fim do mundo, ou farol do livro do Júlio Verne e etc. e tal., como você descobrirá em suas pesquisas. As paradas são bem rápidas, por tanto, a maior parte do tempo você passa navegando. Ah, você também desce em uma ilha, para caminhar durante uns 10 minutos. O ponto mais positivo foi que lá, eu conheci a Mexicana, que também estava sozinha . Nota: *Agasalhe-se bem. Faz frio pra caramba, na parte de fora do catamarã. *A ilha dos lobos e dos comorones tem um cheiro horrível de coco. *Você ganhará uma cópia bem infantil de um certificado de que navegou pelo canal de Beagle. (ooooohhhh) e ganhará um vale brinde para ir em uma loja de artigos para presentes pegar um mapa da Terra do Fogo. Isso é realmente legal. /// 3° Dia Glaciar Martial Tome um taxi e peça para ele te levar até o Glaciar. Custa em torno de $60 Pesos. Também sugiro que você não suba a pé, porque a subida é bruta. Leve um lanche e um suco. Observações sobre o passeio. *Show de Bola. A visão lá de cima é animal! * Os teleféricos não estavam funcionando. *A subida é puxadinha, mas mesmo que você seja gordo ou velho, você conseguirá chegar até o final, devagarzinho. * Esqueci de tomar o chá que todo mundo fala pra você tomar, na hora que você desce (nem ligo), porque desci discutindo a política do brasil com um casal muito gente boa de argentinos, e como eram professores e estavam na pindaíba que nem eu, decidimos rachar o taxi para descermos juntos até o centro novamente. Por isso, nem tive tempo de lembrar do tal chá. * Não quis me arriscar pela neve lá no topo. Dizem que você pode subir durante mais 1 hora, eu acho. Não foi por falta de coragem, foi por preguiça mesmo. Estava cansado. Mas se tiver disposto e se sentir seguro, vá! /// 4° Dia Laguna Esmeralda - A entrada fica na única estrada que liga Ushuaia ao resto do mundo. - Você pode ir de Taxi, o que te custará bem caro (O preço oficial da cooperativa dos taxistas é tabelado $300 Pesos, e você poderá negociar), ou pegar um transfer por $110 ida e volta (com direito a uma rosca recheada e um copo de chá bem quentinho). Você pode solicitar no seu hostel, ou ir até a av. Maipú, não me lembro ao certo onde, mas você com certeza verá o ponto dos Transfers, andando por esta avenida. Eles ficam todos no mesmo lugar. A Laguna está localizada ao final de um trilha que começa no Vale do Lobos. Existe a possibilidade de você começar uns 200 mts antes do parque, por uma trilha em que você não precisará pagar os $20 Pesos, que é a taxa para passar pela propriedade, que também conta com um lugarzinho aconchegante para você comer e tomar um chocolate. Você receberá um pequeno mapa e algumas dicas sobre a trilha. Verá também os cães que no inverno puxam o trenó naquele mesmo vale. Coitados. Ficam presos. Observações sobre o passeio. *Indispensável. Obrigatório para todos que vão a Ushuaia. *O caminho não é fácil. Sugiro um pouco de preparo ou pelo menos força de vontade. O terreno, em alguns lugares, é um charco de terra molhada, onde você com certeza, em algum momento, afundará seus pés e talvez canelas. Por isso, sugiro uma bota ipermeável para não sofrer tanto. Contudo, acrescento que vi pessoas fazendo com tênis comum. É claro que não estavam se importando com a maneira como terminariam aquele passeio, com relação a sujeira e pés molhados. *Dê a volta do lago e veja a vista do outro lado. É lindo! /// 5° Dia Aluguei uma Bike. Nesse dia, eu acabei acordando mais tarde do que planejei e estava em dúvida se iria para o Parque Nacional e dormiria no abrigo que tem lá, ou se apenas iria e voltaria para retornar no dia seguinte. Fiquei procurando na cidade barraca para camping e saco de dormir para alugar. O saco de dormir eu encontrei, mas a barraca não encontrei, então resolvi pegar uma bike e ir até lá para ver como era. Aluguei a bike na mesma agência em que fechei o Canal de Beagle, a Extreme Travel Ushuaia. $140 Pesos meio dia ou $200 Pesos 24 horas. Acabei conseguindo negociar para ficar mais horas do que metade do dia. Fui até a entrada do Parque Nacional Terra do Fogo, para ver as paisagens até lá. O caminho é basicamente por uma estrada em sua maior parte de terra. Então localize-se, pergunte o caminho e depois é só seguir em frente. Você verá coisas incríveis e poderá fazer um desvio para ir até a estação do fim do mundo, de onde fazem o passeio pelo parque de trem. Tomei um chocolate por lá. Bem caro! Mochileiros, não invente de fazer o passeio de trem. Totalmente fora de cogitação pra quem quer economizar. Sem contar, que não faz sentido você ir a um parque daqueles pra andar de trem. Na volta, dei uma andada nos arredores da cidade, passando por lagos, praças e etc. /// 6° Parque Nacional Terra do Fogo No domingo, fui conhecer o Parque Nacional. Acordei bem cedo e pedi para Staff solicitar que o Transfer me pegasse antes das 9h, porque queria ir na primeira partida (Eles partem, de onde saem os Transfers na av. Maipú de 1 em 1h). Paguei meu ticket em aproximadamente 30 minutos estávamos na entrada do parque. Para minha deliciosa surpresa, o primeiro transfer aos domingos entra de graça. Então, essa é mais uma dica pra você economizar $100 Pesos, organizando este passeio para esse dia. Você receberá um mapa com as trilhas que pode fazer dentro do parque. Eu não fiz todas (não é possível fazer muitas em um só dia, porque os transfers estão voltando com a última van as 17h, então se você ficar lá depois desse horário, vai ter que dar uma boa caminhada de volta, ou pedir uma carona. Escolhi fazer a Senda Costeira, que é a maior trilha do parque, com duração aproximada de 4h. Você andará boa parte da trilha margeando o Canal Beagle. Observações sobre o passeio: *Trilha bem demarcada. Você poderá se perder, mas nada grave. É só retornar um pouco e reencontrar seu caminho, seguindo as estacas amarelas. A dificuldade é média. A paisagem é show! *Leve Água É no início desta trilha que você pega o tão famoso carimbo do fim do mundo no seu passaporte (você lerá todo mundo mandando você não esquecer disso). Por tanto, não faça como eu, que levou o passaporte e esqueceu de passar na pequena agência de correios da argentina e pedir o tal do carimbo. Para quem se esquecer, existe uma agência de correios na av. San Martín que também dão o maldito carimbo de graça (uffa!! Quase vim sem meu carimbo.) Quando terminar esta trilha, você sairá na estrada por onde circulam os carros, transfers, bicicletas, motos e etc. É a única estrada que corta todo o parque. Na verdade, esta é o final da rota 3. A famosa estrada que corta a Argentina e liga o fim do mundo à Rota Panamericana, aquela que vai até o Alaska por toda a América. Por isso, você verá vários cicloturistas nessa estrada em sua peregrinação até o fim do mundo, já que o fim da rota 3 em Ushuaia é onde está a Baía Lapataia, onde fica aquela placa Marrom que todo mundo tira foto (inclusive eu, veja aí embaixo). - Ao sair da trilha Costeira, continue pela estrada ou siga seu mapinha de trilhas para continuar parte do caminho por outras trilhas menores que desviam o caminho da estrada principal e passam por mais um pouco de mato (achei desnecessário. Não havia nada demais, e em dado momento precisei escalar um pequeno paredão de rocha para voltar para trilha. Então talvez, os mais preguiçosos não curtam. - Não deixe de fazer o pequeno desvio para ver a Laguna Negra. É realmente show de bola! Foi ao continuar na estrada que conheci a pessoa que mudou todo meu conceito sobre viagem roots (não que eu tinha um). Conheci a Marion, uma francesa maluca que está viajando por toda a América do Sul de carona e andando. Ela estava vindo desde São Francisco nos EUA, assim. Ela viaja com duas mochilas pesadas e acampa todo tempo. Foi assim que eu descobri que poderia ter acampado facilmente no parque. Existem pontos para camping independente (encontrei a Marion em um desses) e outros organizados, onde você provavelmente paga uma taxa para ter acesso a luxos como chuveiro, pia e etc. Não cheguei a ver, mas com certeza é barato. Um funcionário me disse que para dormir em um abrigo, custava cerca de $100 Pesos, então imaginei que o camping fosse bem mais barato. A Marion estava desarmando suas coisas por volta das 13h, quando eu acenei para ela e ela acenou de volta. Fui até ela e começamos a conversar (eu me amarro em mochileiros! Imagina em MOCHILEIRAS!!! ). Ela me contou sobre sua viagem. Eu dei meu últimos 200 ml de água para ela e ela me agradeceu com um abraço apertado e muito sincero. Assim, ficamos amigos, ajudei ela a montar seu acampamento e continuamos juntos até a Baía Lapataia. Eu levei sua mochila (Não sei como uma menina daquele tamanho leva um chumbo daqueles por tanto tempo.) Ela me deu várias dicas de como fazer uma viagem assim, sem gastar muito ou quase nada, já que eu tenho um desejo reprimido de viajar pela América de mochilão nas costas, pouca grana no bolso e muito pé na estrada. Fomos até a Baia Lapataia e ficamos de bobeira trocando ideia e dando muitas risadas. Conversamos sobre várias coisas lindas. Eram umas 16h e eu teria que esperar meu transfer até as 17h, pois lá seria um dos pontos onde ele passaria para pegar quem quisesse voltar para a cidade. A Marion cogitou a possibilidade de pular a cerca que delimitava o fim da área onde se podia ir e continuar por uma trilha que ia baía a dentro. Um motorista disse que era possível, mas que aquela trilha, mesmo estando no mapa, estava fechada e que se algo acontecesse com ela por lá, ninguém a iria encontrar. (Uouuuuu!!!) Mas para a surpresa do motorista, a francesa abriu um sorriso e disse que mesmo assim iria, porque seria uma aventura e tanto (*_* Que menina legal!!!) O motorista do outro transfer deu 2 litros de água fechados para ela. Vocês não imaginam a festa que a garota fez. Eu me cocei para ir com ela. Queria muito ter tido mais tempo para conversar com a Marion e fazer uma bela amizade com ela, mas infelizmente eu enão teria como voltar a tempo para o transfer. Ela disse que eu poderia dividir a barraca, mas ela temia porque não caberíamos os dois em um só saco de dormir e que o frio era terrível a noite... (Que figura, aquela garota!!!) Eu sabia disso obviamente e desde o início sabia que não daria pra mim. Ajudei ela a colocar o protetor de chuva nas duas mochilas (começou a chuviscar), coloquei o Mochilão em suas costas. Tirei meu alfajor e um chocolate (minhas últimas comidas) e dei pra ela (mais um longo abraço de agradecimento) e antes de nos despedirmos, me lembrei que não havia pago os $100 Pesos de entrada no parque e quis retribuir aquela benção, abençoando a garota com uma graninha para ajudar na viagem. Ela quis recusar, porque insistiu que era muito dinheiro e etc. Hahaha Eu insisti que ela deveria pegar, porque eu tinha planejado gastar aquela grana então pra mim não faria diferença alguma. Ela finalmente aceitou. Nos despedimos com um longo abraço e trocamos nossos contatos. Fiquei observando aquela garota incrível ir sumindo da minha vista e entrando na natureza, com toda aquela força e coragem exibida em duas mochilas. Ela olhava para trás de quando em quando para acenar mais uma vez e gritar: “Adeus Thiago!”. E assim, ela sumiu das minhas vistas, e eu me virei, com uma mistura de nostalgia e alegria por ter conhecido uma pessoa tão incrível com ideias tão incríveis sobre a vida, para caminhar até o transfer que já tinha chegado. Por todo o restante da viagem eu lembraria da garota e pensaria seriamente em chegar em Sampa, vender meu carro, e partir para talvez me tornar alguém tão interessante quanto a Marion. Voltei para meu Hostel e fui descansar. O outro dia era livre e eu pretendia ir aos Museus. Acabei desistindo, e só fui até a entrada olhar como era a Base Naval, já que ficava do lado do Antártica hostel. Acabei me arrependendo depois. Apesar de não ser um mega passeio, eu gostaria de ter visto alguma história de cidade e visto informações interessantes no Museu do Presídio, principalmente. Bom este dia foi meio perdido. Fiquei mofando o dia todo no sofá do hostel conversando com alguns amigos que conheci lá, depois só saí para dar uma volta, comprar umas empanadas e passar na loja de lembrancinhas. Prepare-se. São bem caras, as coisinhas. No outro dia bem cedo, pedi um taxi para o Staff, paguei minha conta, tomei um café e fui para o Aeroporto esperar o horário do meu voo que era as 9h. ___________________//______________________ 5° Dica: Reconsidere seus passeios Existem muitas coisas para se fazer em Ushuaia, que você não vê todo mundo falando. Geralmente, todos te indicam o mesmo passeio. Se você, ao contrário de mim, está com uma grana sobrando para esta viagem, considere pesquisar sobre outros glaciares, sobre ir de ônibus até a cidadezinha de Tolhuin, outra cidade da província, e passar uma noite lá, sobrevor de avião a cidade (isso com certeza, custará mais de $2000 Pesos) e até mesmo de mergulhar em Ushuaia (http://www.ushuaiadivers.com.ar). Também não é barato, mas deve ser massa! ___________________//______________________ 6° Dica: Como gastar menos e fazer uma viagem realmente “Roots”, no estilo Marion, a francesa (entenda, lendo o tópico 4) Bom, baseado nas minhas próprias percepções e no que a Marion me contou, aí vão algumas dicas. Acampe: (Isto, claro, considerando que você não viaje no inverno) • Você pode ficar acampado no Camping Andino. O único camping com estrutura na cidade, que eu consegui achar. O dono é um cara chamado Fernando. O problema é que esse cara não responde email e nem sei nada sobre o lugar, já que fica um pouco afastado do centro e eu estava sem coragem de ir lá perguntar. • Fique acampado quando for até a Laguna Esmeralda. Eu teria ficado. Teria sido muito bom! O lugar é simplesmente incrível! Arme sua barraca um pouco mais a dentro da floresta e seja feliz. • Acampe no Parque Nacional. Sobre tudo, porque você vai economizar a segunda ida ao lugar. Aliás, fique pelo menos dois dias no parque para aproveitá-lo bem. • Acampe em qualquer lugar. Sério. Se você se afastar um pouco mais da cidade, você poderá acampar em qualquer lugar. O mundo lá fora, não é todo como o Brasil. Ninguém vai te fazer nenhum mal, mesmo porque a percepção do pessoal sobre esse tipo de coisa é totalmente diferente da nossa. Na área mais rural, eu vi realmente vários lugares onde eu poderia chegar e montar minha barraca, se eu quisesse, sem que ninguém me incomodasse por isso. É claro que em seu planejamento, você precisa considerar em seu roteiro, alternativas para intercalar entre campings com estrutura e campings sem, se não você vai se dar mal. Você também pode intercalar com alguns dias no hostel. É realmente barato e considerando isso, acampar só é necessidade para quem quer curtir uma trip com essa vibe, especificamente. Economize: • Não use taxi de jeito nenhum. Para a maioria do lugares dá pra ir de Transfer (vãs com itinerários fixos), então não caia na bobeira de pegar um taxi e ser estuprado pelo taxista. Para o parque e para a Laguna Esmeralda, eu enxerguei a possibilidade de ir de carona. Carona em países como Argentina, Chile e Uruguai são bem mais comuns do que por aqui. Pelo menos é isso que tenho ouvido de pessoas que andam de carona por lá. Além disso, a estrada que liga Ushuaia ao Parque Nacional, é uma só. O mesmo acontece com a Laguna, então, todos que passarem por você, a partir do momento que você estiver na estrada, passarão pelo seu lugar de destino. Isso aumenta significativamente sua chance de conseguir uma carona. • No trajeto do aeroporto até o centro, tente dividir o taxi com alguém que esteja indo para lá. Eu fiz isso e economizei uma merreca. Se você estiver realmente disposto, vá andando, mas dá uns 4 km. • Não leve fogareiro. Você corre o risco de não encontrar o combustível correto para seu modelo por lá, já que você não vai poder levar daqui, se for apenas com uma mochila e não estiver a fim de despachar no avião e correr o risco de perder suas coisas no meio da viagem e chegar lá sem nada. Esse foi meu medo. Aprenda a fazer um fogareiro, utilizando apenas álcool, na internet. A Marion fazia seu rango e fervia água com um desses. • Programe-se para entrar no Parque Nacional no domingo, no primeiro Transfer. Você vai economizar $100 Pesos. • Não faça passeios como o Bus Tour, por exemplo. Você não precisa pagar para conhecer os principais pontos de Ushuaia. Uma busca no google e algumas pernadas vão te garantir isso, sem gastar um tostão. • Considere se realmente quer fazer o passeio pelo Canal Beagle. Acho um pouco caro demais pelo que é, para quem não está a fim de gastar tanta grana. Existem outros passeios que eu acho que seriam mais interessante, pelo menos pra mim, e custariam bem menos ou quase nada. A Marion, por exemplo, chegou em Ushuaia sem roteiro algum. Ela não planeja seus destinos. Simplesmente chega, e decide o que conhecerá. Ela gostou muito da ideia de navegar pelo Beagle. Mas quando ouviu o preço, na hora descartou a possibilidade. Já sobre a Laguna Esmeralda, adorou saber que era grátis e que podia chegar até a trilha andando ou de carona. Então, invoque esse espírito Marion e se desprenda dos custos. • Não coma fora. Isso é de lei. Se você quer economizar, não tenha esse luxo. Não é tão necessário assim. Você vai economizar uma boa grana fazendo teu próprio rango. Bom amigos, acho que é isto. Acabou ficando mais extenso do que eu imaginei. É que você começa a escrever e aí, acaba perdendo a noção do tamanho do texto.. Espero que sirva para alguém. No que eu puder ajudar, me coloco a disposição de todos. Um grande abraço e boas trips!!!
  23. Olá gente boa! Estou organizando para ir conhecer um dos lugares mais belos e exuberantes do Brasil, a Chapada dos Veadeiros. A proposta é sair bem no início de outubro, alugar um carro em Brasília e pé na estrada para conhecer tudo que der vontade. Quem disposto a se aventurar e aproveitar as maravilhas daquele lindo lugar?
  24. PICO 3 ESTADOS VIA PIERRE - PREPARAÇÃO 30° dia - 27.07.2019 - Sábado Saída de carro Hostel Serra fina Passa Quatro-Mg e pernoite fazenda do Pierre, 3 kms antes da garganta do registro, base do pico 3 estados. Dormimos até mais tarde, batemos um longo papo com o Felipe, e o Milton, guia da região (já administrou o Camping da base do Pico dos Marins), eles me perguntaram se não íamos subir o Pico dos 3 estados. Respondemos que esse Pico (segundo um relato que tinha lido algum tempo antes), a sinalização era meio confusa, o Milton disse que era de boa fazer esse bate/volta, desde a fazenda do Pierre. Como era sábado, e no domingo, sabíamos que alguns grupos iam terminar a travessia da Serra Fina, na fazenda do Pierre, animamos e mudamos nossos planos (que até então era ir para São Paulo). Despedimos do pessoal, retornamos de novo para Passa Quatro e passamos em Itamonte para consertar o carro(a grade de proteção do motor soltou de novo), foi só apertar uns parafusos), almoçamos selfservice $12 à vontade na saída de Itamonte para o Rio de Janeiro(nesta região tem comida bem barata devido a concorrência). Passamos no Hostel Picus mas estava lotada, depois de uns 2 kms(numa curva à direita (cuidado) tem um estacionamento e um portão) viramos à direita numa estradinha de terra até a entrada da fazenda do Pierre (parece que ele vendeu a fazenda para outra pessoa ) conversei com o responsável(Luciano) e ele me mostrou uma casinha desativada mais acima, uns 2 kms numa estradinha de terra com muitas pedras e buracos, mas devagar chegamos sem problema(no início da trilha para o pico dos 3 estados)(o problema que não tem energia elétrica na casa, e estava abandonada mesmo). Nós fizemos uma faxina na casa e resolvemos passar a noite neste local. A casinha fica no meio de pinheiros, na casa principal (que também está abandonada) que foi do Sargentelli (antigo apresentador de televisão), tem um lindo visual de montanha e um belo pôr -do-sol. Hospedagem: casa abandonada no início da trilha para pico 3 estados, contatar o Luciano na casa na entrada da fazenda, verificar se ainda está alugando. A casinha tem um fogão a lenha, uma cama de casal com colchao bom, banheiro privativo, não tem energia elétrica. Preço: $30 por pessoa sem café da manhã + $20 do estacionamento do carro. Apesar de nao ter energia elétrica, dá pra ficar numa boa, fica no início da trilha a uns 3 kms da rodovia asfaltada. Ou seja, iríamos começar a trilha mais acima. Casa principal que também está abandonada. Outra visão do lugar Visual do pico Picus próximo dali Entardecer, no alto parte da Serra Fina Idem Casinha abandonada num lindo bosque de pinheiros Fizemos uma grande faxina para ficar assim. Detalhe: a cortina da porta do banheiro era tão velha que estava desintegrando, vc colocava a mão nela e ficava com os plásticos nas mãos. Depois de muita dificuldade, conseguimos acender o fogo, por sorte tínhamos óleo e um saco de pipoca, acedemos umas velas e curtimos uma linda noite estrelada comendo pipoca quentinha.
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