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  1. Minha esposa e eu tinhamos vontade de conhecer a patagonia, porém as férias dela seriam em Julho, inverno na América do sul. Pesquisando vimos várias coisas desmotivadoras sobre ir no inverno para a patagonia, mas algumas fotos nos convenceram e fomos com a cara e a coragem. 11/07 Sairiamos de Brasília com destino a El Calafate, o voo fez conexão em Guarulhos e em Buenos Aires, chegamos em Buenos aires 02 da manhã do dia 12 e nosso voo pra El Calafate sairia as 11 da manhã. Reservamos um hotel bem no centro pra que pudessemos cambiar cedo pela manhã na Calle Florida. Em Brasília não conseguimos cambiar nada de pesos argentinos e no aeroporto de Guarulhos as casas de câmbio cobram uma taxa de 50 reais pra trocar qualquer valor, fora o IOF. Resolvi tentar trocar no aeroporto de Buenos Aires ou achar um transporte que aceite reais. Acabou que uma das agências de Remis aceitava pagamento em reais, a corrida para o hotel ficou 75 reais (meio caro mas de madrugada e pensando bem eu ia olhar 50 reais só de taxa de câmbio em GRU hehehe). Hotel Vista Sol Buenos Aires: Chegando ao hotel tínhamos que pagar na entrada, mas ainda não tínhamos pesos. Tivemos que pagar no cartão de crédito, o que acabou sendo uma vantagem, pois nos tirou um imposto de 20% para hospedagem de estrangeiros. O hotel é bom e muuuuuito bem localizado. 12/07 Dormimos umas 4 horinhas e acordamos 07 e 30 pra irmos tomar café, cambiar, comprar um chip e um adaptador de tomada (argentina tem um padrão todo zuado). Tomamos café no próprio hotel, café OK. Quando saímos foi para encarar um dia feio com aquela chuva fininha bem chata e o pior: Aquele horário ainda estava tudo fechado. Continuamos andando pela Calle Florida quando vimos um homem anunciando "Cambio". Como já tinha lido sobre cambio paralelo não fiquei com muito pé atrás, perguntei a cotação e batia com o valor que olhei ainda no Brasil, 4.70. Fomos a uma lojinha, acho que meio de fachada, fui bem atendido, fizemos a transação e sai em busca do chip e do adaptador, depois voltamos ao hotel. Chegamos no hotel 10h, nosso voo era 11 e 50. Ligamos para a recepção pedindo um taxi e nos informaram que os taxis estavam demorando 50 minutos por conta da chuva, treta. Tentei usar o Uber, mas dava erro de conexão. Tentei o easy taxi e deu certo, ou parecia... 2 motoristas que aceitaram, Cancelaram a corrida alguns minutos depois. nisso já era 10 e 40, resolvemos encarar a rua com mala e tudo pra achar um taxi quando demos 2 passos parou um, uffa. Partiu aeroporto. Aeroparque Jorge Newbery, bom mas o ruim é que pra embarcar tem que pegar aquelas vans até a aeronave. O voo estava super cheio e por conta desse vai e vem das vans atrasou. Pegamos uma van da empresa VES, ela deixou cada passageiro no seu hotel. Custou 160 pesos. El Calafate hostel: O Recepcionista Patricio foi muito gentil e solicito. O quarto que alugamos é confortável e muito bem aquecido, inclusive o piso. Depois do checkin fomos procurar um lugar para comer. Muitos estavam fechados, acredito por ser inverno. Encontramos uma pizzaria, a pizza era ok mas o preço erq bem salgado (pizza grande com 2 bebidas deu 120 reais) Voltamos para o hotel, fechamos os passeios Perito Moreno para o dia seguinte e rios de hielo para o dia depois. 13/07 Saindo para o passeio perito moreno às 09 horas percebemos que o sol ainda não havia nascido e estava nevando. A van nos pegou pontualmente 09 e 30 e percorremos cerca de 80 km, rumo ao glaciar. Um frio tremendo e neve nos esperava mas valeu apena. Na primeira quebra de gelo ouvimos um barulho como de um trovão, realmente impressionante. Andamos nas passarelas por cerca de duas hora e voltamos para um restaurante que tem no início, tomamos um chocolate quente e esperamos a van para voltar para el calafate. Dicas: - O restaurante é caro e meio fraco, leve lanche! - É frio mas com as roupas apropriadas dá para aguentar tranquilamente. - Não fizemos o safari náutico e não nos arrependemos. O barco para muito longe do glaciar e é amontoado de gente. Voltamos ao hotel e pedimos ao Patricio para ligar para a rodoviaria e perguntar sobre os ônibus para puerto natales. Ele disse que não havia ônibus para puerto natales nesta temporada de inverno!!! Balde de agua fria, saímos para almoçar/jantar e depois passamos em algumas lojas de passeios, nenhuma oferecia torres del paine. Decidimos ir caminhando até a secretaria de turismo e a informação que nos deram foi a mesma. Andamos mais um pouco até a rodoviaria e falaram que a única opção seria pegar um ônibus até rio gallegos, de rio gallegos outro ônibus para punta arenas, e depois outro para puerto natales. Com isso perderiamos 2 dias, teriamos que arranjar um lugar para dormir em punta arenas... complicou. Olhamos passagens de avião de el calafate para ushuaia e percebemos que ficaria mais barato que a peregrinação para torres del paine. Resolvemos mudar nosso plano e deixar torres del paine para outra ocasião 14/07 A van do passeio de rios de hielo nos apanhou 08 e 30. Nos deixou no porto de punta banderas onde pagamos a entrada do parque e subimos a bordo do barco. O barco é bem confortável, tentem ser os primeiros a entrar para conseguir lugar na janela! Primeiramente o barco para na geleira upsala, para MUITO longe. Só da pra ver algo parecido com geleira no horizonte, fica a 5 km de distância, mas tem os icebergs que são bem legais. Depois o barco segue ao glaciar spegazzini, chega beeeem perto, muito legal. O barco cheio dificulta as fotos mas com paciência consegue algumas com angulo bom. Dicas: Leve lanche! Tudo que vende no barco é muito caro. A ida e a volta demoram umas 3 horas no barco, fica um pouco cansativo. É bom algo para entreter. Fora do barco é muito frio e venta bastante, quando o barco para alivia um pouco. Roupas apropriadas! Opinião geral: Achei meio turistão, curti mais as passarelas mas acredito que quem va para el calafate deve fazer ambos. Chegando do passeio queriamos ir ao bar de gelo e museu glaciarium, antes comemos empanada com chocolate quente e fomos esperar a van que leva gratuitamente ao local, um pouco afastado da cidade, no meio do nada. A van passa de hora em hora. Quando a van chegou o motorista nos informou 2 coisas chatas: A primeira era que o bar de gelo estava fechado para reforma e a segunda era que o museu fecharia em 40 minutos, ou seja,teriamos poucos minutos para a visitação. Resolvemos ir no dia seguinte, depois da estação ski. Fomos então na agência reservar o passeio para a estação de ski e outra surpresa: Não havia neve. Não nos restava fazer nada se não deixar o dia seguinte livre. Dia 15/07 Acordamos mais tarde, depois fomos cambiar e fechamos o passeio para el chaten para o dia seguinte. Por indicação de um casal de brasileiros que conhecemos fechamos na Criollos, pagamos em real e conseguimos uma boa cotação. Já no câmbio pra pesos nem tanto, trocamos em um restaurante chamado casemiro, melhor cotação que achamos. Comemos um churros com chocolate quente até dar a hora da van do glaciarium. Chegando lá... que decepção. Não chega nem perto de valer o preço da entrada (300 pesos). Ficamos uns 30 minutos e saímos com cara de arrependimento, porém brincando e rindo da situação. Quando a van chegou encontramos um outro casal de brasileiros que conhecemos no passeio rios de hielo. Eles estavam também decepcionados pois o bar de gelo estava fechado e nos perguntou se valia apena o museu, demos nossa opinião e eles decidiram voltar já na mesma van que nós. No caminho conversando eles falaram que havia um bar de gelo perto do cassino que era do mesmo dono do bar do museu. Estavamos com o dia livre e nós quatro resolvemos ir. Muuuuito legal, você paga cerca de 160 pesos e bebe a vontade vários tipos de bebida por 25 minutos a -10 graus e em um copo de gelo! Te dão luva e manta térmica e você curte lá dentro com as estátuas de gelo. Gostei tanto que ainda comprei uma camiseta do bar hahaha. Saí de lá meio boracho, nos despedimos do casal e fomos jantar no pietros, restaurante bom e com preço justo que achamos. Pedi um ojo de bife ao molho de pimenta, delicioso! 16/07 A van nos apanhou rumo a el chaten às 08 e 15. A guia e o motorista eram super simpáticos, contou tudo sobre a região da patagonia. Parou no caminho para vermos as vicuñas, depois em um bar/hotel chamado la leona que mantém a história dos antigos peregrinos viva. Até que chegando perto de el chaten o vimos pela primeira vez, o gigante flitz royz, o tempo estava ensolarado e não havia nenhuma névoa o tampando! Maravilhoso! Almoçamos na cidade (já incluído no passeio) pedi um cordeiro com purê de batata, muito bom! Depois seguimos por uma estrada de terra com neve e gelo. Paramos em uma cachoeira congelada, muito linda! Acho que se chama salto del anillo. Seguimos no carro até um ponto que fizemos uma trilha de uns 20 a 30 minutos, que termina um lago. Muito legal também. Retornamos pra el calafate por volta das 17h. 17/07 Acordamos por volta das 08, tomamos café e corremos para tentar achar alguma lembrancinha da cidade para nós (tudo muito caro, decidimos ver em ushuaia para amigos e família). Estava tudo fechado. Andamos até as 10h até as lojas começarem a abrir e então pegamos a van rumo ao aeroporto de calafate. O aeroporto não tem nada, nosso voo atrasou um pouco. Chegando em ushuaia no trecho onde tem as cordilheiras uma puta turbulência, todos com cara de medo mas deu tudo certo! Fizemos uma reserva às pressas em um hotel chamado Los Ñires, 5km da cidade mas tem uma van que leva e busca do centro de graça. Bom custo benefício, ponto negativo o wi-fi. Chegamos sem almoço e desvairados de fome na cidade umas 16h. Tudo fechado! Só abria umas 18h ou 19h. Encontramos uma lanchonete chamada banana, lanchamos lá. Meio caro e atendimento ruim mas na fome que estávamos... ok. Demos uma volta até dar hora de pegar a van. 18/07 Resolvemos conhecer o museu e a prisão. A cidade é bem diferente de El Calafate. Cidade grande e cheia de gente. Um pouco suja e cheia de carro demais pro meu gosto. Enfim, seguimos a pé ao antigo presídio, diferente do museu de el calafate super valeu apena! A parte das celas preservadas era até fria, dava pra sentir uma bad vibe pesada. Fizemos em duas partes, você pode carimbar e voltar depois seu ingresso. Almoçamos uma pizza na Dona Lupita, ótimo custo benefício, pizza boa e barata. Voltamos ao museu e depois demos uma volta para achar calça impermeável pata minha esposa, pois iriamos fazer trilha no parque nacional tierra de fuego no dia seguinte. Valeria mais apena no nosso caso comprar calça e luva do que alugar pois iriamos usar pelo menos em 3 dias. Depois das compras esperamos a hora da van no Dublin Pub. Maravilhoso o lugar, aconchegante... parece que você ta na europa hahaha. E muito barato também. É tão bom que pegamos uma filinha para entrar, olha que eu nunca havia visto fila pra entrar em um café. 19/07 Fomos para o centro 09 e 30 para pegar a Van Don Alejo que nos levaria até o parque nacional tierra del fuego. Chegando na van nos informaram que o horario de 10h já estaba cheio... iamos com o casal de baianos que conhecemos, como eles não haviam chegado informamos a eles que só teria van as 11h e fomos procurar um café para passar o tempo e o frio. No caminho vimos um taxi e resolvemos perguntar quanto custaria para nos deixar no parque, ela nos informou que ficaria 1700 pesos. Dividindo o valor por 4 ficaria mais barato que o valor da van (450 pesos). Isso por 3 horas, visitando os melhores pontos do parque (que é muito grande). Disse que falaria com o casal de amigos e ligaria para ela. O casal de amigos disse que poderia fechar e pediu para busca-los no botel. Voltamos e ela já não estava mais lá e não atendia o celular... o que seria azar se transformou em sorte, conseguimos outro taxi mais barato (1500) e super simpático. Buscamos o casal e passamos um dia muito agradável conhecendo os principais pontos do parque. Muito bonita as paisagens. Voltamos por volta de 14h e almoçamos num restaurante por indicação do taxista, valeu super apena! 270 reais prato com bebida, sobremesa e café. Continuamos o resto do dia passeando com o casal baiano, carimbamos o passaporte com os carimbos do fim do mundo e fomos fechar o passeio para o cabal de beagle pro dia seguinte. Depois fomos conhecer o hard rock café, comemos um hambúrguer (não curti muito a carne) mas ganhamos um copo! 20/07 Arrumamos as malas pois iríamos trocar de hotel hoje. Fizemos as malas mas deixamos as malas no hotel. No caminho que a van ia nos deixar, surpresa: Acabou o combustível! Caímos na gargalhada, o motorista disse pra todos pegarem taxis que o hotel iria nos reembolsar. O problema é que tinhamos que chegar até o local onde levaríamos o barco até 08 e 45, e havia muitas pessoas para pegar o taxi. Por sorte estava passando uma van de um outro hotel que parou para nos levar. Escolhemos um barco para o passeio do canal de beagle com capacidade para menos pessoas, pois ele chega mais perto das ilhas. O barco era ok, o capitão e o marinheiro/guia muito simpáticos e passeio foi muito legal, com direito a cerveja artesanal. Passamos pela ilha de lobos, ilha dos passaros e fizemos uma pequena caminhada na ilha bridge, tendo no final uma vista panoramica. Gostamos muito do passeio, valeu apena. Almoçamos e fomos trocar de hotel. De noite compramos umas lembrancinhas. Dica: Ushuaia bem melhor para lembrancinhas que el calafate. 21/07 Chamamos o remis do mesmo dia do parque para nos deixar no cerro martial. Chegando lá não havia neve, apenas gelo e o teleférico não estava funcionando... o único jeito de subir seria alugando grampones, porém na loja no pé do cerro já estava tudo alugado. Ficamos brincando um pouco no gelo, descendo de ski bunda e depois tentamos novamente ver se havia grampones: não havia. Resolvemos ir almoçar e acabamos "perdendo" esse dia. Aproveitamos de noite para alugar os equipamentos para fazermos no dia seguinte a trilha até a laguna esmeralda (grampones e bastones). 22/07 Saimos cedo eu minha esposa e o casal de baianos, 08h da manhã, até a entrada da trilha, esperavamos um pouco de neve e gelo mas não imaginavamos o que estaria por vir: MUITA neve. A paisagem era toda branca, mal acreditavamos. Logo no começo da trilha percebemos algo errado, não havia sinalização alguma no lugar que estavamos e eu havia lido que a entrada da trilha era por um centro invernal chamado valle de lobos. O taxista havia insistido que ali chegariamos na trilhs então seguimos. Depois de um certo perrengue chegamos na trilha. A verdadeira trilha realmente é bem sinalizada e você encontra com pessoas durante o caminho. Nosso caminho era pura neve, porém muito lindo. Tudo branco, inclusive a copa das arvores. Por vezes "nevava" quando o vento derrubava a neve das árvores, mas o dia era de sol. A trilha se tornou cansativa, acredito eu que por uma série de fatores: Nos perdemos no início, os grampones saiam várias vezes do pé e tinhamos que parar pra arrumar e a própria caminhada com os grampones era desconfortável. Chegamos então na laguna esmeralda e vimos ela toda branca e congelada. Fizemos um lanche na sua borda para recuperar as energias e senti que havia algo especial naquele lugar. Um gavião não parava de dar rasantes sobre nós enquanto um cachorrinho tentava pega-lo. O cachorro era uma simpatia só! Tiramos várias fotos e voltamos. O começo da trilha até a metade seguiu muito bem, ainda mais porque contavamos com a companhia do cachorro! Minha esposa e eu voltamos sem os grampones, eles eram úteis mas o preço a se pagar era muito alto. Tivemos que escorregar em algumas descidas ingremes de bunda o que foi muito legal, tirando isso valeu apena voltar sem os grampones. No meio dq trilha nos perdemos de novo... entramos em um descampado para tirar fotos e de repente percebemos qur havia algo estranho: a Neve estava até o joelho! Não poderia ter nevado então estavamos perdidos... stress e cansasso tomou conta do grupo. Resolvemos voltar a trilha até o ponto onde tinha sinalização, nisso começou a ficar muito tarde. Combinado com o taxista era 14:30 e já eram 16h. Mandamos um SMS para ele falando que nos atrasariamos. Ele entretanto disse que só poderia esperar até 17h. Apertamos o passo mas o grupo estava cansado e com a moral baixa. Eu insisti e tentei motivar todos falando que estava chegando até que bem perto do final o Luis estava muito cansado e com cãibras sugeriu que eu fosse sozinho e pedisse pro taxista esperar. Negativo, nos separar era a última coisa que deviamos fazer naquele momento. Faltando 15 pras 17h ele queria parar e eu tentando motiva-lo. Prometi que se em 10 minutos não chegassemos a gente pararia p tempo que ele quisesse. Chegamos! E o taxista ainda estava lá! Nessa hora eu senti uma gratidão imensa por esse ser humano. Retornamos para o hotel, jantamos e dormimos. 23/07 Resolvemos tirar o dia para descansar, depois da aventura do dia anterior. Domingo a cidade é bem parada, comércios todos fechados, abre apenas restaurantes. 24/07 Dia de fazer as malas e dar adeus a Ushuaia. Chegamos em mendoza por volta das 18h. Ficamos em um apart hotel que alugamos pelo airbnb. 25/07 Fechamos passeio para as vinícolas com um remis. Nos buscou pontualmente, carro novo e confortável. Conhecemos a bodega Chandon e 2 outras, além de uma olivicola. Na última almoçamos e terminamos um dia muito agradável. Foi o que mais gostei em mendoza. 26/07 Acordamos cedo e fomos procurar um loja para alugar um carro. Nossa intenção era ir para o parque provincial aconcagua e no caminho passar na estação de ski los penitentes. Tem uma rua em mendoza com várias lojas de aluguel de carro, chamada primitiva de la reta. Alugamos um up básico. Estrada: Sentido duplo e cheia de curvas, mas bem conservada. Não estava acostumado com o carro, menos potente que o meu e principalmente não estava acostumado a caminhões andando a 100km/h. Fui imprudente em uma ultrapassagem e quase nos demos mal, tive que jogar o carro para o meio de dois caminhões, me senti muito mal depois disso. Depois de uma hora dirigindo paramos em um lugar para tirar umas fotos na beira de estrada e surpresa: Dois caminhoneiros, os da ultrapassagem, vieram tirar satisfação comigo, um deles com uma chave de roda na mão! Pqp... eu mandei um lo siento e perguntei o que ele queria que eu fizesse além de me desculpar. Depois de um sermão seguimos viagem, mais na bad ainda. Como falei a estrada é cheia de curvas, cheia de caminhões e cheias de carros. Pra piorar a cada fronteira de municípios existe uma barreira policial que forma um engarrafamento de uns 20 minutos. O percusso todo é de uns 210km, não parece longe mas demora muuuuuuito por conta de estrada. Chegamos em los penitentes por volta das 14h, almoçamos um hambúrguer em um restaurante que tem na beira da estrada na frente da estação. Lá quase não havia neve. Apenas subindo o teleférico em cima da montanha tinha um pouco de neve, bem pouco. Fomos embora rumo ao aconcágua salvasse nosso dia... meio que não salvou. Fizemos a trilha inteira até a laguna horcones. A laguna estava congelada, o Aconcágua ainda parecia meio longe, pra mim não valeu a viagem. Talvez em outra época seja mais bonito, ou talvez estavamos com a expectativa alta por conta da patagonia. Voltamos por volta das 17h e tivemos que pegar a estrada maldita á noite. Chegamos em mendoza 21h. Fomos direto a um restaurante chamado azafran. Que delícia de restaurante! A melhor coisa do dia hahaha. 27/07 Nossa intenção nesse dia era ir até as thermas mas estava reservada todos os dias até 30/07. Então devolvemos o carro e compramos muitos vinhos, alfajos para levarmos pro brasil e curtimos um dia de preguiça. Á noite jantamos de novo no azafran (façam reserva). Arrumamos as malas pois voltariamos para o brasil no dia seguinte. Dica: Pode levar até 6 garrafas por pessoa na bagagem de mão. Para levar na bagagem despachada precisa enrolar a mala em plástico filme.
  2. Viagem de 27/ Fev à 12/Mar de 2017 Primeira viagem sozinha e primeira vez que sai do país. EDIT: Consegui colocar fotoss Depois de tantos relatos que me ajudaram com a viagem, resolvi postar tambem. Comprei minhas passagens direto do site da Aerolineas e todas as passagens saíram por R$1500,00. Desculpa.. mas eu não anotei todos meus custos e acabei esquecendo , portanto os valores que citei abaixo são aproximados... Mas no total, com as passagens gastei por volta de R$6.000,00 Cambio: Fiz todo o cambio de Reais para Dolar em SP e troquei 1/3 por pesos no aeroporto de Buenos Aires e o restante no hotel Antartida(?) em Ushuaia, pelas recomendações aqui do site. ( chegando no hotel vc fala na recepção que quer fazer o cambio e eles te levam pra cozinha pra fazera troca) Roteiro: 27/02 - SPO/ Buenos Aires / Ushuaia 03/03 - Ushuaia/ El Calafate 06/03 - El Calafate/ El Chalten 12/03 - El Chalten/ El Calafate/ Buenos Aires/ SPO Não precisei trocar de aeroporto em Buenos Aires na ida, sobre a volta conto depois. Ushuaia - 27/02 Hostel Antarctica (super recomendado aqui no Mochileiros): Gostei do hostel, quarto grande com 3 beliches, tem bastante tomada, porem não perto da cama. Banheiro tem secador. Cafe da manhã tinha ovos (crus), paes, geleias, doce de leite e um suco que de maçã industrializado que tem em todo lugar. E o pessoal da recepção super simpaticos e prestativos. 4 diarias ficou por volta de 1500 pesos. O ruim realmente é a distancia entre o quarto e o banheiro que tem que passar pela area externa, cozinha e lobby.. Chegando em Ushuaia, peguei um taxi do aeroporto para o Hostel. Como ja era tarde, passei no mercado pertinho do hostel pra comprar umas comidinhas. (obs: atum em lata, maçã e nuts são super baratos) 28/02 - Tour Beagle Channel À pe, fui no pier onde tem varias "casinhas" que são as agencias que vendem o passeio de barco no canal Beagle, contratei o passeio em um barco menor que o catamarã, pra ter uma turma reduzida, ficou mais ou menos 900 pesos. Os passeios tem o horario da manhã e da tarde, dizem que à tarde se o dia não estiver nublado voce pega o por do sol. Fiz o passeio de manhã, são mais ou menos 4 ou 5 horas de passeio de barco onde vemos leoes marinhos, focas, o "farol do fim do mundo" e fazemos uma curta caminhada em uma ilha. Lembrar de levar um corta vento à prova d'agua, pois na parte de fora do barco faz um vento da desgrama e pode chover/ chuviscar no caminho. Na volta eles servem um cafezinho com bolachas dentro do barco. Conheci um brasileiro que disse que fez o passeio em um veleiro, que foi mais barato do que eu paguei, são menos pessoas no barco e chega mais perto da ilhas pra ver os animais. Então parece que vale apena dar uma pesquisada antes. Ah! o carimbo de Ushuaia pro passaporte fica no centro de informações turisticas do lado do pier onde vendem os passeios do canal Beagle, e é de graça! De volta ao hostel, peguei informações sobre transfer para o Paque Nacional Tierra del Fuego, e marquei para o dia seguinte às 09hrs (primeiro horario). Passei em um lojinha de esquina no centro que parecia uma conveniência de posto (sem o posto) pra comprar um chip de celular da Movistar, que funciona como um pre pago daqui. 01/03 - Parque Nacional Tierra del Fuego O transfer (300 pesos ida e volta) sai em varios horarios, mas pra fazer as trilhas tem que sair cedinho, pois ela sao extensas. Levei umas comidinhas pra passar o dia. Chegando no parque, tem que pagar a entrada de 100 pesos (Mercosul, levar passaporte) e eles te dão o mapinha do parque, então voce tem que decidir onde vai descer, pois dentro do parque tem varios pontos de onibus, e para voltar, voce aguarda em um desses pontos antes dos horarios que o motorista informar. ( Eu me perdi no parque e quase perdi o ultimo onibus que saia às 18hrs ) Desembarquei no ponto do "correio do fim do mundo" queria ter mandado um cartão postal, mas estava fechado . De la, comecei a "Senda Costera" pela Bahia Lapataia, que tem uma vista linda do lago mesmo em dias nublados. Passei pela "Passeo pela Isla", "Laguna Negra", a Castorera, " Mirador Lapataia", "Del turbal" que ficam todas no mesmo lado. Dizem que em dias de ceu aberto, as trilhas que sobem as montanhas como " Hito XXIV" e "Cerro Guanaco" são lindas, mas exige mais esforço fisico. Depois de passar pelas trilhas, andei em circulos umas 4 vezes e nao achava de jeito nenhum os pontos de onibus.. sou bem ruim em senso de direção e ja estava quase chorando achando que teria que passar a noite no frio de matar no Parque.. kkkk Finalmente achei o ponto e aguardei o bus de volta pro hostel, mortissima. Se tivesse mais tempo, com certeza voltaria mais dias no Parque pra fazer os outros senderos. O parque é lindo, pra quem nunca viu as paisagens da patagonia. Mas a melhor coisa é começar por Ushuaia e ir subindo pois a paisagens so vão ficando melhor!! À noite, achei que merecia ir jantar em lugar especial pelos perrengues que passei de dia rs, e fui comer a centolla em um restaurante que esqueci o nome que o hostel indicou. Perguntei à garçonete qual prato de centolla ela recomendava e ela me trouxe como se fosse um "escondidinho". Se voltasse, gostaria de comer a centolla por si só, aquelas que vêm inteira no prato pra sentir melhor o sabor. Lembro que o prato saiu caro.. por volta de R$80/ 70 o prato quando fiz a conversão na hora. 02/03 - Calvalgada/ Museo do Presidio Gosto muito de andar à cavalo, e ja tinha essa ideia fixa que o faria em Ushuaia, contratei o passeio no hostel tambem, e fui pela manhã. Tambem não me lembro do nome do lugar.. se nao me engano se chama estancia alguma coisa.... e o passeio passa no Monte Olivia, e em uma pequena praia e ourtas paisagens incriveis... Me senti em filme.. tudo muito lindo.. e com um grupo de 5 pessoas mais 2 guias. O valor foi por volta de 800 pesos.. À tarde, fui visitar o Museo do Presidio que fica do lado do hostel, lembro que tinha que pagar pra entrar, mas nada muito caro.. O lugar é interessante, pricipalmente uma ala que não foi reformada, então mostra direitinho como era antigamente, da ate uma melancolia. Tem tambem uma pequena galeria de arte, lojinha ( onde comprei um fleece que mem salvou do frio! Estava na promoção por uns 70 pesos e achei de otima qualidade!) e uma pequena parte com alguns aminais empalhados da região. Nesse ultimo dia tambem fui jantar a merluza negra, que parece que so tem la em Ushuaia, fui no rest. Tia Elvira que é "famoso" e tem aquele aquario na frente dos restaurantes com as Centollas vivas. 03/03 - Voo para El Calafate Tiveram varios lugares que nao consegui visitar em Ushuaia, como o Glacial Martial e Laguna Esmeralda. Mas mesmo assim fui embora contente, com o que consegui conhecer. Pedi pro Hostel chamar um taxi e fui pro aeroporto de Ushuaia para embarvar para El Calafate. Hostel America del Sur, que tinha fotos maravilhosas no Booking, e realmente a area de convivencia do Hostel era muito bonita e nova. (3 diarias +/- 800 pesos). O cafe da manhã mais completo dos hostels que fiquei, com ovos, pães, bolos, cereais e iogurt. Para o jantar eles tambem tinham um restaurante com preços ok. Talvez um pouco caro pro meu budget. Achei os quartos um pouco apertados, secador de cabelo no banheiro, tem que pagar para alugar toalha e tambem com 3 beliches e um banheiro dentro do quarto, outro ponto ruim é que ele é um pouco afastado do centrinho, talvez uns 15 min de caminhada pro mercado mais proximo que ficava no começo da av principal. Assim que cheguei, deixei a mochila no quarto e fui no mercado. Nessa viagem vivi de macarrão com atum, maçã e sopa Vono rs. Ja tinha reservado o Big Ice (caminhada mais longa) no Glaciar Perito Moreno com o hostel meses antes da viagem pra garantir o lugar, foi bom porque garanti o preço antigo antes da atualização da tebela de preços para 2017. (3100 pesos), eu paguei tambem um Kit de lanche do hostel para levar no passeio (sanduiche, agua, maça e um alfajor) mas nada que voce mesmo não possa preparar para levar. Até vi outros passeios que pareciam interessantes no Hostel, como kayak em que diziam que passariamos entre icebergs; mas o preço dos passeios em El Calafate são muito caros, então fiz só o Big Ice mesmo. 04/03 - Big Ice Perito Moreno Logo de manhã, umas 6 ou 7 hrs o transfer me buscou no hostel. Tinha lido em varios realtos que pra fazer o Big Ice precisaria de muito preparo fisico e tal. Fui morrendo de medo de não aguentar, mas no final acabei achando bem tranquilo. A parte mais dificil é a trilha antes de chegar no Glacial, por que é so subida. O onibus te leva pro Parque, onde vc tem que descer na "portaria" e pagar uma taxa pra entrar, não lembro exato o valor.. mas nao passava de 100 pesos. Entao te levam pras passarelas, onde voce pode ficar por uns 40min observando o Perito Moreno. Realmente é uma coisa que voce não acredita. Eu achei impressionante aquela parede enooorme de gelo, eu me imaginei na muralha "the wall" de GoT kk. Peguei um dia de ceu limpo e ensolarado, e estava achando que estava com super sorte, mas dizem que quanto mais nublado o dia, mais conseguimos ver os tons de azul do Glaciar. Mais legal ainda é ver e escutar os pedaços de gelo caindo no lago. E então voce sobe de novo no onibus que te leva no pier de onde saem os catamarãs. Ele atravessa o rio e te deixa no refugio de onde os guias passam as primeiras instruçoes. Apos alguns minutos da trilha dificil, vc chega na divisa do solo de terra e o gelo, lá eles colocam os "grampones" no tenis e dividem o grupo em ingles e espanhol. Cada grupo sai com dois guias. Achei legal que não existe um caminho demarcado para seguir no glaciar, a guia foi achando os pontos seguro de passagem e vamos adentrando no glaciar. Passamos por formações de cavernas, lagos, e uns buracos formados pelo vento. Alguns momentos precisavamso saltar uns "riozinhos" ou ate fendas, e mesmo eu com minhas pernas curtas conseguia pular com ajuda dos guias e dos pessoal do grupo. Como meu primeiro contato com esse tipo de ambiente, eu achei tudo maravilhoso rs. Na volta, eles servem whiskey com gelo do Perito Moreno "pescado" no lago, um alfajor e um chaveirinho de lembrança. 05/03 - Descanço e passear no centro Neste dia aproveitei para descarregar os fotos da camera, e passear na cidade. Tomei o sorvete de Calafate, que parece um blueberry, mas mal sabia que mais pra frente ia encontrar essas frutinhas in natura em El Chalten. Fui procurar lojas de roupas tipo Columbia e North Face achando que talvez seria mais barato. E realmente, convertendo, tinha alguma diferença de preço, mas nada que valesse muito a pena.. Passei no bar/ restaurente Pub Borges Y Alvarez Librobar que é famosinho pela decoração e pelas lojinhas de souvenirs e comi umas empanadas. Usei o google maps pra achar a rodoviaria de El Calafate pra comprar a passagem de bus para El Chalten, depois de me perder um pouco como de costume, comprei o bilhete (+/- 900 pesos ida e volta) e voltei para o hostel. 06/03 - El Calafate/ El Chalten Fui pra rodoviaria e peguei o bus, +/- 3hrs de viagem, ate chegarmos no centro de informações de el Chalten, em que temos que descer para ouvir algumas instruçoes sobre as trilhas e tal. Subimos novamente no bus para ir pra rodoviaria. Chegando perto de El Chalten, do onibus, se tem aquela vista do Fitz Roy no final da estrada que aparece em varias fotos na internet. Da rodoviaria, peguei um taxi para me levar ate o hostel. Hostel Rancho Grande: +/- 1800 pesos para 6 diarias. Quartos espaçosos com duas beliches, não tem secador no banheiro, e tem um restaurante 24hrs dentro do hostel. Ah! neste, não tem cafe da manhã incluso. Planejei em ficar mais tempo possivel em El Chaten por ter as "atrações gratis" tentei me informar sobre o clima pra planejar minha ida ao Fitz Roy. E parece que um dia antes de eu ir, o clima estava perfeito e a vista pro fitz roy totalmente descoberta... e que o restante dos dias seriam de chuva.. Então ja me planejei pro dia seguinte encarar a trilha de 20km rezando para que o tempo abrisse.. 07/03 - Sendero Fitz Roy (Laguna de los tres) Acordei às 5:30hrs pra sair ate ás 6hrs. A trilha fica bem perto do Hostel Rancho Grande., e ja no começo tem umas subidas que olha... kkk no meio, a trilha fica mais plana, o que ajuda bastante, e então chegamos à area de acampamento point cenot que ja indica que vc esta proximo da reta final. E no final... aquela subida super ingreme, que tem partes que vc tem que ir se apoiando com as mãos. Não me lembro exatamente, mas se não me engano são 2 a 3 Km essa parte da ultima subida... que levei umas 2 hrs pra terminar... Conheci uma argentina muuito simpatica que estava acampando em El Chalten há alguns dias com alguns amigos brasileiros. Ela me levou por um caminho onde tinham varios arbustinhos de calafate para comermos. Ela ja tinha subido pra ver o Fitz Roy no dia anterior e tinha fotos incriveis! E mesmo assim me acompanhou novamente naquela subida horrivel kkk E chegando lá! nadaaaaaa as nuvens e a neblina estava tao densos que nao conseguia enxergar nada a 1m de distancia... até tentei aguardar um pouco la em cima pra ver se as nuvem se dissipavam, mas nada.... e o frio cortante tambem me fez ir embora.. Na volta, passei pela Laguna Capri, que é bonita, mas nada muuito espetacular. Mas essa era a vista que esperava há 1 ano.. então ja voltava a trilha pensando que nao poderia ir embora sem ver o Fitz Roy.. Minha primeira "vista" do Fitz Roy.. Laguna Capri 08/03 - Salto del Chorrillo Como a preisão do clima estava ruim para os proximos dias, fui fazer as trilhas menores das redondezas. Conheci dois americanos no hostel e fomos visitar a cachoeira Salto del Chorrillo que ficava relativamente perto do hostel tambem. Talvez 5 Km de distancia. A cachoeira é bonita sim, mas nada espetacular.. No resto do dia não fiz nada de muito interessante... 09/03 - Mirador de los Condores Neste dia, resolvi ir ao Mirador de los Condores, trilha mais curta que fica perto da entrada da cidade. Nesta entrada tem a opçao de fazer outras trilhas mais longas que tem outros angulos do Fitz Roy, porem por causa do tempo, resolvi fazer o Mirador qua da uma vista panoramica da cidade de El Chalten. Do lado oposto da vista da cidade, se tem uma vista do lago argentino (não tenho certeza se é esse o nome do lago..) Mas a vista é impressionante! è um lago enoooorme que eu não conseguia nem ver o fim dele. Na volta parei pra tirar uma foto na placa de madeira da entrada da cidade, bem bonitinha com arbustos de lavanda em volta. 10/03 - Descanso Deveria ter aproveitado o dia pra fazer outras trilhas.. como o Loma del Pliegue Tumbado ou Laguna Torre/ Cerro Torre.. mas estava me guardando para o dia seguinte em que tentaria de novo fazer o Fitz Roy. E tambem ja estava meio desanimada por causa do clima chuvoso/ nublado.. Resolvi que faria a outra trilha para o fitz Roy, onde pegamos um transfer até a a hosteria Pilar, e de la fazemos a trilha para a Laguna de los 3 (Fitz Roy). Contratei o transfer no Hostel (+/- 300 pesos) para o dia seguinte às 7hrs que era o primeiro horario. 11/03 - Fitz Roy de novo! Ultimo dia em el Chalten, e eu PRECISAVA ver o Fitz Roy... se nao, nao ia embora daquele lugar!! kkkk O transfer veio me buscar no hostel, onde conheci duas veneluelanas super simpaticas! Eu achava que a hosteria Pilar ficasse mais proxima.. mas demoramos um pouco pra chegar. A hosteria é muito bonitinha e escondida no meio do mato! Fiquei pensando que seria legal ficar hospedado la por uma noite.. Olha... eu achei o caminho pela Hosteria Pilar muito mais bonita e até mais rapida (não sei se era psicologico, passa ate por um Glacial!) Mas não consigo te afirmar qual dos dois caminhos fazer, pois tanto a trilha tradicional quanto a da Hosteria são bem diferentes. E depois de mais uma vez subir (se não escalar) aquela subida torturante.. tenho a vista MARAVILHOSA e com o ceu totalmente limpo do Fitz Roy. Mas parece que todos viram na previsão sobre a melhora do tempo, o que acabou lotando a Laguna de Los 3.. Desci a trilha ate a laguna, e se da laguna, voce ir pra esquerda e subir um morrinho, voce tem a vista de uma segunda laguna com um glaciar entre as montanhas. Não é todo mundo que vai pra esse ponto, e acaba nao sabendo da existencia dessa segunda vista. Ai sim fui embora com o sentimento de satisfação daquele lugar.. O Glaciar que tem no caminho: 12/03 - El Chalten/ Aeroporto El Calafate/ Buenos Aires/ São Paulo Dia de ir embora Fui ate a rodoviaria a pé (pois agora sabia que era uma distancia andavel) e peguei o bus de El Chalten direto pro aeroporto de El Calafate que fica no meio do caminho. A passaegem ja tinha comprado junto com a ida em El Calafate. Voei ate Buenos Aires (AEP) e tive que ir ate o outro aeroporto (EZE) para pegar o voo pra SP. Contratei o transfer (+/- 50 pesos) em uns guiches logo depois da area de desembarque. E enfim cheguei em SP Espero ter ajudado alguem com esse relato meia boca kkk Qualquer duvida, fico feliz em ajudar!!
  3. Argentina 15 dias - São Paulo – Buenos Aires – Ushuaia –El Calafate – El Chalten Como a maioria das informações que vou postar aqui não encontrei aqui nos mochileiros ou em outro site, ou por estarem desatualizadas ou não corresponderem com a realidade de abril de 2017, especialmente algumas informações para quem vai mochilar mesmo, cozinhar no hostel e tentar economizar ao máximo. Viajei para Buenos Aires por milhas, então não sei o valor da passagem para lá, mas acredito que essa informação seja irrelevante, muito fácil encontrar em qualquer site. Meu planejamento foi ficar em Buenos Aires por três dias para conhecer toda cidade, depois pegar avião para Ushuaia, mais barato e mais rápido do que o transporte de ônibus. Depois de Ushuaia, subir de ônibus até El Chalten, que era o destino final e na volta de El chalten ficar por um dia El Calafate para visitar Perito Moreno. Eu decidi fazer esse trajeto, pois queria andar por boa parte da argentina, conhecer vários lugares incríveis e fazer uma parte da viagem de ônibus, mesmo sendo tantas horas, 11 horas no total e várias descidas no que ficou conhecido na viagem por “fiscalizacíon”...kkkkkkkkkkkk. Acredito que meu depoimento possa servir de base para outros que queiram fazer algo semelhante. Pensando durante e após a viagem eu não modificaria o roteiro que eu fiz. Tudo se encaixou perfeitamente no que eu tinha planejado e em nenhum lugar que eu fiquei pensei que poderia gastar mais tempo por lá, foi na medida dentro dos 15 dias que eu tinha. Na verdade pode-se fazer o mesmo trajeto em 30 dias ou mais. Vamos para o que interessa: A distribuição dos dias está no quadro abaixo: Fui com a Lan chile por milhas, mas gastei com taxa de embarque o valor de R$ 373,86. Cheguei dia 13/04 na parte da manhã, troquei um pouco de dinheiro no aeroporto, o cambio estava, 1 para 4,80 pesos, melhor cambio que encontrei. Na Rua Florida que é a rua dos cambistas não encontrei oferta melhor, só pelo mesmo preço de 4,80. Pode trocar cambio nesse lugar, mas pechinche, eles negociam e ficam gritando o tempo todo Câmbio, câmbio... Fiquei no hostel Milhouse, localizado no centro, lugar legal, cheio de gente jovem e tinha umas baladinhas. Como fui no feriado estava cheio de brasileiros. Não aproveitei a noite de Buenos porque meu foco e dinheiro estava direcionado para patagônia. Sair a noite lá sai muito caro para um mochileiro. Cozinhei todos os dias no hostel, sem problemas. 3 dias é mais do que suficiente para BA, como tem muito relato aqui no mochileiros de lá, única coisa que falaria é que compensa alugar uma bike na Ricoleta, alugamos por 160 pesos, bikes laranja do Itaú, metade do preço para clientes Itaú, e dar um super giro pelos lugares mais afastados, fiz no mesmo dia Ricoleta, o parque Reserva Costanera Sur o bairro de La Boca (não vá sozinho de bike) fui com meu irmão e mesmo assim apesar de vazio, sempre achava que alguém ia nos assaltar... talvez seja coisa de brasileiro e a parte central, além do parque onde tem a Floralis Generica. Enfim, nesse dia de bike deu pra aproveitar bastante. Ir no mercado San telmo também, lá é muito massa, bastante coisa antiga, mas tenta ir nele de domingo. No Sábado fomos para o Aeroparque de madrugada, quando chegamos lá fomos informado que a Aerolineas argentina havia mudado o vôo para o aeroporto que fica nos arredores de Buenos Aires. Sai correndo pela avenida em busca de um taxi, pagaria qualquer valor porque se eu perdesse o vôo a viagem toda iria por água abaixo e o que eu iria fazer mais 12 dias em Buenos Aires???? Entrei na frente de um taxi, quase implorei para o motorista levar e ele cobrou 600 pesos, o que aceitei na hora, faltava 50 minutos para embarque e pedi para que ele voasse na rodovia para poder dar tempo. Fiquem espertos com a Aerolineas, eles podem te foder fácil. Chegamos em tempo no aeroporto, a viagem foi tranquila e chegamos ao amanhecer em Ushuaia. Que coisa linda de se ver, aqueles picos congelados com aquela aurora, mesmo do avião foi bem bonito e eu estava no fim do mundo. Quando desembarcamos e saímos pela porta senti realmente como são os ventos patagônicos, ficamos um tempo olhando o tempo e sentindo o que é um frio de verdade. De lá peguei um taxi e fui pro hostel Yakush, lugar muito bom, super indico. Fomos passear de barco até a ilha da pinguineira, foi meio caro o passeio, mas vale a pena porque são 04 horas e é um passeio diferente, foi a coisa mais turística que fizemos. O restante fomos bem de mochilão. No mesmo dia fomos no pico Glacial Martial, fomos de taxi e voltamos a pé. No meio da estrada tem uma trilha que também chega a cidade, fomos por ela e nos perdemos. A trilha é realmente muito bonita, mas apenas vá por ela se você tiver tempo pra ficar perdido e não tiver medo de cachorros. No dia seguinte já partimos de ônibus para El calafate. Pegamos as 05 da manhã em um ponto perto do hostel (lá não tem rodoviária) e quando chegou o busão parecia esses Rural que leva a galera para trabalhar, pensei estamos fudido 11 horas dentro desse ônibus, mas assim que chegamos um uma cidade umas 02 horas depois pegamos um melhorzinho e seguimos a viagem. O saco de ir de ônibus de Ushuaia para El calafate é que você precisa descer do ônibus várias vezes para sair da argentina, entrar no Chile, sair do Chile, entrar na Argentina, subir na balsa (precisa descer), descer da balsa, trocar de ônibus, putz aí é foda a canseira. Pegamos outro ônibus na cidade de Rio Gallegos para El Calafate e outro de El calafate para El chalten que era o destino final, então imagina o role que é pra chegar lá por essa via. Em El Chaltén ficamos no hostel por 03 dias, fizemos todas as 03 principais trilhas, mas no último dia choveu, mas fomos mesmo assim. De frente com o hostel patagônia tem um pub com cerveja boa, de lá mesmo e comida melhor ainda. As trilhas judiam um pouco, eu perdi 06 kilos nessas viagem, meu irmão um pouco menos. As trilhas geralmente duravam de 08 a 13 horas, andando numa passada boa. Em El Calafate fomos no Perito Moreno, entrada $500 pesos para estrangeiros. Lugar bem massa, não compensa fazer passeio de barco, maior perda de tempo, melhor ficar nas passarelas mesmo. Depois fizemos a viagem de retorno para Ushuaia, lá comemos a tal da Merluza Negra, não achei nada de espetacular, só caro. No último dia em Ushuaia fomos a pé e voltamos do Parque Nacional e damos um giro por dentro dele nas trilhas, foi bem cansativo mas valeu a pena. Entrada $ 350,00 Basicamente é isso, curti muito a viagem, achei caro em relação aos outros países da América do Sul e com certeza voltaria para fazer um outra parte de lá. Valores de Passagem de Avião e ônibus – ida e volta. Passagem de Avião de Buenos Aires para Ushuaia R$ 1.225,99 por pessoa, Aerolíneas. Passagem de Ônibus, esse valor é para duas pessoas, no caso foi eu e meu irmão. Onibus Ushuaia - Rio Galego – 700 pesos (por pessoa) Onibus Rio Galegos – Calafete – 490 pesos (por pessoa) Onibus El calafate – El chalten – 360 (por pessoa) = 1550,00 TOTAL $3.100 pesos ida e volta. R$ 620,00 por pessoa. Valores dos hostels para duas pessoas: Valores em dólares, reais e só o primeiro em pesos, Abril 2017 Hostel em BA – u$ 12,42 + 1320 pesos = 307,47 Hostel USHUAIA YAKUSH U$ 39,10 – 122,00 Hostel CALAFATE U$ 38,00 – 145,00 Hostel CHALTEN PATAGONIA U$ 96,00 – 365,00 Hostel calafate AMERICA DEL SUR U$ 60,28 – 229,00 HOSTEL USHUAIA YAKUSH U$ 117,30 – 369,00 HOSTEL FLORIDA U$ 29,76 – 93,00 EM PESOS O VALOR TOTAL DE HOSTEL FOI DE 6.390,00 PARA DUAS PESSOAS Argentina.docx
  4. Ushuaia + Calafate + Chalten + Bariloche Faremos aqui um relato na nossa viagem de 15 dias pela Patagonia Argentina em dezembro 2016/janeiro 2017. 24/12 - Embarcamos com destino a cidade de Buenos Aires as 00:25 pela Aerolineas Argentinas. Foi um voo tranquilo e chegamos na cidade as 2:20 ja que la não tem horário de verão. Quando você desembarca na parte internacional e vai pegar outro voo tem que se deslocar até a parte de voos domésticos que fica em outro prédio. As 7:25 pegamos o voo que nos levaria até a cidade de Ushuaia, aonde chegamos as 12:10. Em Ushuaia Ficamos pelo AIRBNB na casa da Tamara a qual recomendamos pois é muito atenciosa e tem um espaço bacana para alugar. O único inconveniente é que o chuveiro não é dos mais quentes então exige banhos rápidos. Quando chegamos na cidade a temperatura estava cerca de 8 graus e com uma garoa mas mesmo assim fomos nos aventurar. Nossa primeira parada foi em um hostel na rua Rivadavia bem sinistro aonde um chinês troca reais por um preço bacana. Na época 1 real = 5 pesos. Trocamos uma parte do dinheiro e fomos para o centro de informações turísticas aonde eles carimbam seu passaporte com o carimbo da cidade. A cidade é bem pequena e o seu centro tem uma infinidade de lojas, restaurantes e docerias. Nos bairros também conseguimos achar esses serviços mas dependendo de onde ficar vai ter que enfrentar subidas para chegar como foi o nosso caso. Paramos para almoçar em um restaurante de massas na Rua San Martin gastando cerca de 100 reais o casal e depois antes de voltar para o nosso apartamento passamos no mercado La Anonima para comprar queijos e vinho para nossa ceia de natal. Indicamos o vinho Dada que é muito bom e la muito barato, cerca de 20 reais a garrafa. Os mercados de todas as cidades não tem sacolas plásticas então ou vc leva a sua ou vc compra a deles daquele tipo retornável. A cidade de Ushuaia é muito segura, cheia de cachorros e gatos pela rua e no veråo tem sol até as 11hras da noite o que é ótimo pois faz nosso dia render muito. A noite no verão a temperatura baixa bastante chegando a uns 4-5 graus mas os locais tem sempre ótima calefaçåo. 25/12 - Era natal de começamos a nossa primeira aventura, subir o Glaciar Martial. Saindo do apartamento a entrada para a estrada que leva ao inicio do Glacial era perto, levamos uns 15 minutos andando mas ai começa a subida e no meio dela fomos salvos por um alemão que nos deu carona até o inicio do glacial. Então se vc pretende ir vá de taxi até o inicio da trilha pq vale a pena e vc volta a pé pq a paisagem é bem bacana. No inicio da trilha vc ja se depara com uma subida forte e a trilha em si é puxada. Demoramos cerca de 1hra e meia para conseguir subir bem agasalhados e em alguns momentos até de luva e cachecol pois tem trechos de ventos muito fortes. A descida parece mais tranquila mas não é pois se vc não tomar cuidado estraga o joelho que foi o que aconteceu comigo. No meio da descida paramos para comer um lanche que tinhamos levado (pão com frios, bolinho recheado com doce de leite e água) e terminamos todo o circuito em 2:30 hras. La no inicio da trilha tem uma casa de chá maravilhosa a qual paramos antes de retornar a cidade...vale muito a pena, é maravilhosa e cara. De volta a cidade moídos ainda paramos no centro novamente para comer em uma pizzaria na rua San martin (era uma das poucas opções ja que era dia de natal) e voltamos para nosso apartamento nos lamentando com tanta subida. 26/12 - Resolvemos conhecer o Parque Nacional. Antes de irmos atrás de um transfer passamos novamente no chinês para trocar mais reais por pesos e fomos até o local de onde saem transfers para todos os passeios da cidade na avenida Maipu. Um transfer ida e volta custou 400 pesos por pessoa. La dentro do parque vc paga uma taxa de entrada de cerca de 120 pesos por pessoa se for mercosul e escolhe qual trilha vc quer fazer. escolhemos a trilha costeira pois era a mais recomendada e realmente vale a pena. Nela vc passa por diversos lagos maravilhosos e água cristalina. O transfer nos deixou na Enseada Zaratiegui aonde antes de começar a trilha vc pode pegar outro carimbo da cidade no passaporte mas esse tem custo de cerca de 30 pesos enquanto que o do centro de informações é gratis. Dessa enseada fizemos uma trilha de 8,6Km até o Rio Lapataia aonde tem um restaurante e banheiros (cerca de 3:20hras). No meio da trilha paramos para comer nosso lanche na beira de um dos lagos e no final, quase chegando ao restaurante eu ja estava chorando de tanta dor no joelho. Por conta do dia anterior meu joelho sentiu muito a trilha e tive que parar nesse restaurante e fiquei la esperando meu marido terminar os 5 Km de trilha que faltavam(ele demorou cerca de 3hras para voltar ao restaurante). Ele continuou e foi até a Laguna negra e depois a Bahia Lapataia ja na divisa com o Chile. Assim que ele retornou ao restaurante consegui ir com ele até o lago Roca que é maravilhoso para tirar fotos e ficar descansando com aquela vista e logo depois o transfer nos pegou no restaurante e voltamos a cidade. De volta a cidade voltamos para o ape e no caminho paramos em um restaurante local chamado Dieguito, fora da zona turísticar. Uma ótima experiência com preços bem pouco menores. Gastamos os mesmos 100 reais por casal mas comemos mais. De volta ao ape foi aquele banho rápido, pijama e cama ja que ja eram quase dez da noite. 27/12 - Na manhã desse dia acordamos muito cedo a espera do nosso taxi até o aeroporto, era dia de ir para El Calafate. O taxi já tínhamos deixado agendado e no horário combinado ele estava lá para nos buscar, Nos depedimos da mãe da Tamara que foi quem nos recebeu e chegamos no aeroporto com um custo de 120 pesos. O voo foi pela Tam e demorou cerca de 1h20. Tínhamos pensado em ir de ônibus para o preço era praticamente o mesmo e eram 17 horas de viagem. Chegando em El Calafate vc ja se deparara com a linda vista do lago Argentino, maravilhoso. Pegamos um transfer da Ves Patagonia que nos custou 160 pesos por pessoa e ele nos deixou no nosso hostel bem no centro da cidade. Fora do centro tem muitas opções de hostel mas não recomendamos pois tudo que é serviço está localizado no centro. Nosso hostel foi o Calafate Hostel aonde pegamos um quarto privativo duplo que nos custou 150 dólares + taxas por 3 diárias com café da manhã. O hostel é muito bom, além de bem localizado o quarto era ótimo (só um pouco quente demais), os atendentes eram ótimos e o café era ok. Para quem pretende cozinhar, a cozinha é super pequena então vc tem que ter paciência para esperar sua vez e achar um lugar na geladeira. O hostel tem um restaurante muito bom com preços ok tendo sempre o menu do dia por 150 pesos. Ao chegar na cidade fomos atrás de cambio e para nossa surpresa ele era pior que em Ushuaia, conseguimos 1 real = 4.50 pesos o que nos deu aquele arrependimento e aquela saudade do chinês. Esse cambio é em um restaurante chamado Casimiro Bigua localizado na Avenida San Martin. A cidade de Calafate é muito fofa e ainda menor do que Ushuaia. Na rua principal San Martin vc encontra lojas, restaurantes, bares, docerias, padarias e muitos brasileiros com frio. A temperatura da cidade é mais alta chegando a uns 20 graus durante o dia e 10 graus durante a noite, mas sempre com muito vento. Depois de dar uma volta na cidade, almoçar no restaurante vera Cruz que tinha uma massa gostosinha, experimentar o famoso alfajor Koonek que realmente é muito bom (custam 25 pesos cada e o melhor era o branco de doce de leite) e ir a rodoviária para comprar nossa passagem para El Chalten (400 pesos ida e volta por pessoa), voltamos para o hostel e fomos pagar nossos passeios. Depois disso dormimos para o dia seguinte. 28/12 - Nesse dia reservamos para fazer o mini-trekking no Glacial Perito Moreno. Fechamos tudo pelo hostel e ele nos custou 2040 pesos por pessoa mais taxa do parque. É um passeio extremamente caro, como tudo em calafate, mas que vale muito a pena. Primeiro vc passa por toda a passarela tendo várias vistas diferentes do glacial e podendo ver a todo momento ele se rompendo, nessa parte do passeio vc pode fazer um lanche que vc deve levar, no final das passarelas tem um restaurante mas bem caro. Cerca de 1h30 na passarela é suficiente para ver tudo e vc volta para o ônibus que nos deixa no porto, la embarcamos em direção ao glacial e depois de uns 30 minutos iniciamos uma trilha rápida. Chegando ao Glacial vc coloca grampones nos sapatos e começa o trekking sobre o gelo. Esse percurso dura cerca de 1h30 e no final é servido uísque com gelo tirado do glacial. O trekking é fácil e autorizado para pessoas de até 65 anos e não grávidas. Terminado o passeio voltamos para o hostel, jantamos um delicioso hambúrguer no restaurante de lá e fomos dormir. 29/12 - Também pelo hostel reservamos um passeio a Torres Del Paine que é um parque situado na patagônia Chilena. Esse passeio custa cerca de 2100 pesos por pessoa e além de caro sai às 5h da manhã. Saímos do hostel e depois de 1h pegando mais pessoas pela cidade iniciamos nossa viagem. Até a fronteira com o Chile são cerca de 6h de viagem, na fronteira temos que fazer a saída da Argentina, depois a entrada no Chile e isso leva mais 1h. Ao entrar no Chile tem uma cafeteria aonde vc deve trocar sua moeda por pesos chilenos para pagar a entrada do parque, 21 mil pesos chilenos por pessoa. A partir daí o guia chileno vai explicando toda a paisagem e localização e vamos fazendo paradas para fotos em lugares exuberantes. Ja no final do passeio paramos em uma hosteria onde é servido um almoço (horrível) que já esta incluso no passeio com bebida e sobremesa. Esse lugar fica na beira de um dos lagos mais bonitos que ja vi na minha vida. De volta ao ônibus fazemos todo o percurso de volta passando novamente por todas as imigrações e chegando de volta a calafate cerca de 11h da noite. O passeio tem com ctz as paisagens mais bonitas de toda a viagem mas não sei se faríamos de novo. Além de caro, demorado, desconfortável é muito cansativo. A comida do restaurante não me caiu bem e vomitei tudo na volta. De vd não sei se vale a pena. 30/12 - As 7:30 da manhã pegamos nosso ônibus na rodoviária com a empresa Taqsa para El Chalten. São 2h30 (220 Km) de viagem e chegando na cidade, antes de ir a rodoviária paramos em um centro de informações onde nos são dadas instruções sobre as trilhas da cidade (Todas grátis e muito bem sinalizadas). Da rodoviária andamos cerca de 15 minutos até nosso Hostel que ficava na Avenida San Martin. A cidade é minúscula, tem cerca de 1600 habitantes, mas é cheia de serviços, não faltam restaurantes, hospedagens, mercadinhos e tem um cambio horrível, la encontramos 1 real = 3 pesos. Ficamos na Hospedagem Lo de Trivi em um quarto privativo com banheiro e sem café por 256 dólares + taxas 4 diárias. O hostel era bacana, limpo, a cozinha era ótima mas o wifi não pegava no quarto além do chuveiro ser feito para pessoas magras e com até 1.70m de altura. Com um cambio tão ruim resolvemos cozinhar e fomos ao mercadinho que tinha em frente. Lá compramos macarrão, molho de tomate, queijo, pão, doce de leite, requeijão, carne, cocas e vinho de caixinha e nos viramos com isso pelos dias que passamos lá. 31/12 - Último dia do ano, dia de fazer a trilha mais dífícil. Nosso destino era a Laguna de Los 3 que fica aos pés do Fitz Roy. O começo da trilha é bem tranquilo, são 9 Km super de boa de fazer. No final desses 9 Km vc chega em um acampamento selvagem para quem curte mais aventura e lá passa um rio que tem água limpa e muito boa para beber, então não precisa levar muita água da cidade. Agora o último Km é de matar, eu que sou sedentária quase desisti várias vezes pois é uma subida animal. No fim deu tudo certo, consegui mas cheguei lá no alto podre. O que compensa é a vista que é maravilhosa aonde ficamos um tempo descansando e comendo. Depois de uma meia hra tinhamos que voltar tudo, o que foi um sofrimento para mim. Além da descida de 1 Km mto íngreme (novamente cuidado com os joelhos) eu estava muito cansada da ida e não via a hra de voltar ao hostel. Na volta paramos um pouco na laguna Capri que também é maravilhosa e aonde tem outro acampamento selvagem totalmente grátis. Chegando de volta a cidade depois de 10 horas de trilha quase chorei de emoção e paramos em uma vendinha (Che empanadas) de frios bem ao lado do hostel que tinha um atendente muito peculiar. Lá compramos muitos frios com um ótimo preço para prepararmos nossa ceia, jantamos, tomamos banho, abrimos o vinho e ficamos esperando para ver como seria a virada e simplesmente nada aconteceu hahahaha. A cidade não tem fogos e nem festa, tudo o que estávamos precisando. Sendo assim dormimos feito pedras. 01/01 - Dia de descanso e voltinha pela cidade. 02/01 - Saímos rumo a Laguna Torre ( 18 Km ida e volta, aproximadamente 6 horas de trilha) que foi uma trilha bem tranquila. Mas ao chegar na laguna presenciamos um vento que nunca tinha visto na vida. É tão forte que vc não consegue ficar por lá muito tempo, mas é bem bacana de conhecer. De volta ao hostel descansar para no dia seguinte partir. 03/01 - As 11horas pegamos um ônibus de volta a El calafate. Esse ônibus passa pelo aeroporto então vc pode já ficar por lá se quiser. Mas nós voltamos ao nosso hostel de antes ( Calafate Hostel) para passar apenas uma noite. Dessa vez em um quarto compartilhado com 4 camas também muito agradável que nos custou 31 dólares + taxas sem café. Nesse dia trocamos mais dinheiro já que em Chalten foi impossível e almoçamos em um restaurante chamado San Pedro onde experimentamos uma massa recheada com o famoso cordeiro patagônico, muito boa. Saindo de lá fomos conhecer a laguna Nimez que dá pra ir andando bem facinho e é bonita, também venta muito. Se vc quiser pode fazer uma trilha por ela mas como tudo em Calafate é pago. Andamos mais pela cidade e voltamos ao hostel. 04/01 - Dia de ir pegar um voo para Bariloche mas antes passamos no restaurante do hostel e comemos outro hamburguer, dessa vez de cordeiro que também estava muito bom. Pegamos um taxi e fomos para o aeroporto. Dessa vez de Aerolineas, também tinhamos pensado em ir de ônibus mas as 24 horas de viagem nos desanimaram. Chegamos em Bariloche quase noite já e como tínhamos optado por ficar em uma pousada mais afastada da cidade um taxi ficaria muito caro, sendo assim pegamos um taxi até o centro, lá compramos um cartão de transporte público, carregamos e pegamos o ônibus 20 que nos levou até a pousada. ( Bariloche tem transporte público até que bom) A pousada se chama Hosteria Katy e é maravilhosa. Os donos são uma família de alemães e a propriedade é simplesmente fantástica e aconchegante. Essa hospedagem nos custou 214 dólares + taxas por 3 noites com café. 05/01 - Acordamos, fomos tomar nosso café bem estilo colonial em uma sala que parecia casa de boneca. Logo após saímos para conhecer a cidade. Depois de tanto tempo em cidade pequenas confesso que estranhei aquela agitação toda já que Bariloche é muito maior e cheia de carros. Pegamos o ônibus 20 e fizemos uma parada no Cerro Campanario. A subida de teleférico nos custou 100 pesos por pessoa e não é nada demais, tem uma vista bacana mas é um passeio dispensável. Saímos de lá pegamos nosso ônibus 20 novamente e fomos até o Km 1 da Avenida Bustillo aonde tem o museu do chocolate ( Bariloche é muito famosa pelo seu excelente chocolate) mas tinha fila para entrar e desistimos. Passeamos pela cidade, conhecemos seu centro, paramos nas chocolaterias da rua Mitre e compramos um mundo de chocolates maravilhosos ( Recomendo Rapa Nui, pra mim a melhor) paramos para almoçar no El Chiringuito, um restaurante simples mas muito gostoso e com um preço bacana e voltamos para a pousada felizes e repletos de chocolate. 06/01 - Dia de fazer as trilhas que era perto da nossa pousada. Como eu disse optamos por ficar longe da cidade e perto dos bosques. Foi uma ótima escolha pois a região era muito bonita. Saímos da pousada e entramos pelos bosques que são até que bem demarcados e fizemos ao todo 18, 5 Km de trilha com várias paradas em praias muito lindas e que se vc conseguir pegar boas temperaturas vc pode até arriscar um mergulho. Dizem que lá chega a 28 graus mas nós ficamos nos 20. De volta a pousada depois de 4 horas andando paramos em um restaurante em frente a pousada e comemos uma massa maravilhosa, tomamos um banho, ficamos curtindo a pousada que é cheia de gatinhos e cachorros e tem um quintal incrível, pegamos uma pizza, comemos e fomos dormir. 07/01 - Dia de voltar para SP. Pegamos o ônibus 20 até a rodoviária de Bariloche e de lá um taxi ao aeroporto. No aeroporto também tem uma loja da Rapa Nui onde fizemos uma parada e compramos mais chocolates (mesmos preços da cidade) e voltamos pra casa. Foi tudo ótimo e maravilhoso....espero poder ter te ajudado no seu roteiro.
  5. A pessoa que retorna de uma jornada não é a mesma que partiu. Provérbio Chinês Passo um relato de um trekking no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, Santa Cruz, Argentina. Planejava fazer a travessia dos vulcões, começando nas encostas do Villarica e terminando em Puesco, Chile, mas o tempo que dispunha e a logística complicavam as coisas. Lendo a lista dos destinos Top 5 dos Mochileiros (ver tópico) vi que El Chaltén aparecia duas vezes na seleção. O trekking é considerado fácil a moderado e seriam apenas ~ 4,5 horas de vôo de BsAs, mais 3,5 horas a partir de El Calafate, de ônibus. Espero que a narrativa seja útil e não cansativa. Saí de Salvador 17:30 da sexta, 05/12, chegando em BsAs às 01:00 do dia 06, usando milhagem. Fila da imigração demorada. Troquei dinheiro no Banco de La Nación. Eles sempre têm o câmbio mais favorável. Peguei o ônibus para o Aeroparque, aonde cheguei apenas 3 horas da manhã. Esperei um pouco para abrir o check in da Aerolineas Argentinas, as 04:30. Subi pra o embarque na esperança de dormir um pouco no saguão. Estava ainda fechado.O jeito foi sentar no chão e aguardar.Quando abriu, procurei logo um banco livre perto do meu portão. Mal cochilei porque o saguão estava surpreendentemente cheio para a hora. O embarque do vôo para El Calafate ocorreu no horário, 06:30. A Aerolineas está meio decadente. Aviões velhos e barulhentos. Nunca peguei avião ruim assim no Brasil. Os dois comissários de bordo, um à frente, outro no meio do corredor, começaram a fazer aquela coreografia sincronizada mostrando saídas de emergência, uso das máscaras de oxigênio etc...Só que faltou sincronização e um acabou de frente para o outro apontando para saídas de emergência em direções opostas. Um dos comissários caiu na risada quando percebeu o erro. Não pude deixar de rir, embora aquilo fosse indisciplina. Avião cheio de turistas franceses. Fez uma escala em Trelew, que fica a pouca distância da Península Valdés, famosíssima pela vida marinha, aonde orcas saem da água para pegar filhotes de leão marinho na praia e, volta e meia, se divertem atirando focas para o ar com as caudas, como se elas fossem petecas. A chegada em El Calafate foi as 10 hrs.Tem uma van (airport shuttle) que faz a ligação para El Calafate deixando-o aonde quiser por 35 pesos, bem mais barato que o táxi. Porém esperei a mochila chegar na esteira da bagagem antes de ir ao guichê. Resultado, não tinha mais lugar e a próxima van só dali à uma hora. Sorte que duas venezuelanas ficaram na mesma situação. Falaram e conseguiram outro carro. Acabamos na primeira van porque 3 passageiros, por sorte (nossa) não puderam embarcar. Macete: ao chegar, corra para o guichê das vans, compre o tckt, e pegue sua mala na esteira depois. Pedi para saltar no terminal de ônibus. Antes, a van deu uma bela volta passando por vários hotéis entregando os turistas. Bom, para conhecer um pouco da cidade. Cheguei 11 horas na estação. Comprei ida e volta para El Chaltén, na Chaltén Travel com a volta em aberto (sai mais barato: 130 pesos versus 70+70). Desci um escadaria atrás da rodoviária para a Av. San Martin onde a simpática moça do guichê disse que tinha supermercado e loja de equipamento outdoor. Comprei primeiro o gás (butano+propano) em lata com rosca para meu fogareiro (230 gr) e depois fui no supermercado La Anonima comprar pão, salame, queijo e outras coisinhas mais que não é possível trazer do Brasil. Lá eles têm um salaminho muito bom para comer no pão ou juntar na macarronada. Dizem que as coisas são mais caras em El Chaltén. Aproveitei para comprar um mapa muito bom de El Chaltén, da Aoneker. Escala muito ampla 1:125000, mas que permite ver desde o norte do Lago del Desierto até o Lago Viedma, com parte dos gelos continentais. Os mapas da Zagier & Urruty são péssimos se comparados com os da Aoneker. Voltei à rodoviária onde peguei a mochila para socar as compras. Aproveitei para comer um sanduíche. Deram 13 horas e nada do ônibus aparecer. 13:15 fui impaciente falar com a moça quando descobri que na verdade a província de Santa Cruz não tem horário de verão. Eu estava adiantado uma hora. O ônibus chegou pontualmente. Quando sentei no ônibus logo tirei bota. Usava o calçado direto desde 8 hrs do dia anterior (fui para o trabalho com ela). Estava naquele estado de quase gozo que temos ao tirar as botas quando li um aviso na dianteira do ônibus: “No te quites el calzado. Gracias”. Quando subiu o cheiro do chulé compreendi e, mais que depressa, calcei novamente as botas, sem amarrar o cadarço. Os caras sabiam o que faziam quando escreveram aquele cartaz!!! Havia uma versão em inglês. Dormi pouco depois da partida. Acordei apenas com o barulho quando chegamos num trecho de estrada de rípio, um dos poucos trechos não asfaltados naquela área da lendária rodovia 40. Pouco depois paramos na Estância La Leona, batizada com este nome por ficar diante do rio La Leona. O rio, por sua vez recebeu o nome porque ali perto Perito Moreno foi atacado por uma fêmea de puma (leona). Aquela estância é um monumento histórico. Foi construída por imigrantes dinamarqueses. Teve entre seus hóspedes ilustres Butch Cassidy e Sundance Kid. Estavam fugindo para o Chile, após assaltar um banco na Argentina. Não bastasse isto todas as primeiras expedições de montanhistas fizeram escala ali. Os equipamentos eram transportados por carros de boi até a década de 50! Aproveitei para comer uma empada, tomar um chá de erva mate e, por fim, uma fatia de torta de limão com uma cobertura enorme de algo que eles chamam de merengue. Parecia um vulcão com um enorme cone coberto de neve. Estava com muita fome. Pedi ao atendente para ele cortar a maior fatia possível sem o risco do patrão demiti-lo (li esta fala em algum lugar...). Satisfeito e acordado voltei para o ônibus. Estava um belo e quente dia de verão, uns 24 ºC (é o verão deles). Cinco minutos depois, ao retomar o asfalto, ao subirmos um morro, a primeira vista do conjunto de montanhas a noroeste. Apesar de ainda distante, já impressionava. Quando contornamos o Lago Viedma, uma hora depois, passamos a rumar diretamente para as montanhas e a grandiosidade do conjunto valia umas fotos. A estrada parece rumar direto para o Fitz Roy. A esquerda o lago Viedma e ao fundo o Glaciar de mesmo nome (um dos maiores da Argentina). Vinte minutos depois entramos num vale e chegamos a cidadezinha. Paramos na sede dos guarda parques para uma charla obrigatória para quem chega. A cidade está toda dentro do Parque Nacional Los Glaciares. Os guarda-parques uniformizados fizeram uma preleção rápida, mas interessante, sobre os cuidados no parque, especialmente quanto ao risco de incêndios. Não é possível acender fogueiras lá. Não se cobra entrada neste que é um dos mais belos parques argentinos. Silvia, passageira do ônibus, que trabalhava no posto médico, havia me dito que nesta época só 22:30 a luz some. Decidi então ir direto para o acampamento De Agostini (também conhecido por acampamento Bridwell), na Laguna Torre, ao invés de ir para o acampamento Madsen ou para o camping do outro lado da rua, em frente a sede do parque. Saltamos num albergue chamado Rancho Grande, bem movimentado. Rapidamente arrumei as coisas na mochila, estendi os bastões de trekking e comecei a caminhar. Cheguei no início da trilha para a Laguna Torre às 18 horas. Após uma pequena subida mais empinada a trilha segue ascendendo por um caminho bem batido. Muita gente no sentido inverso, já voltando da Laguna Torre. No caminho encontrei Guadalupe, uma Argentina que ia também para a Laguna, mas parecia desanimada. Acho que pensava que o tempo não dava para ir e voltar. A convenci a seguir adiante, pois pelos meus cálculos deveria estar lá 20 horas ou 20:30, sendo 2 horas suficiente para ela voltar (descendo). Resolveu me acompanhar. Conversamos um pouco. Disse que largou tudo em BsAs para trabalhar em El Chaltén num albergue chamado El Nativo. Estava lá há um ano. Quase tropeço quando ela disse que era a primeira vez que ia para a Laguna Torre! Após uma hora e meia chegamos ao mirante donde era possível ver o Cerro Torre. Depois a trilha descia para um lugar plano margeando um charco do rio Fitz Roy e logo adentra numa belíssima floresta de lengas. Guadalupe disse que no inverno amigos já avistaram um puma relativamente perto de El Chaltén. Com poucas pessoas, os pumas se aventuram mais perto do vilarejo. Contornamos um terceiro morro se aproximando mais das margens do rio Fitz Roy e uma passarela de troncos atravessados sobre um charco já indicava a proximidade do acampamento De Agostini. Chegamos num ponto onde havia um campo pedregoso e subimos um pequeno monte de pedras, que era uma velha morena terminal, e avistamos a Laguna Torre, com o glaciar logo atrás. O cerro Torre dominava a paisagem, majestoso, ao fundo. Tiramos fotos e me despedi da Guadalupe, que deveria voltar logo para não pegar escuridão. Ela me recomendou o albergue em que trabalhava. Disse que só voltaria a El Chaltén possivelmente na sexta. O “campamento” fica num bonito bosque de lengas. Uma bela coleção de tendas já armadas: MH, TNF, Vaude... As mais pebas eram as Doite chilenas. Montei meu barraco e tratei de fazer a comida. O rio Fitz Roy ficava a 10 metros. Tinha que descer um pequeno barranco para pegar água. Água muuuito mineral, ou seja, com uma suspensão cor de cimento, mas potável. Nada demais: iria repor os sais perdidos no suor. Após a janta, uma lavagem da panela e talheres, apenas com a areia do rio (não trouxe sabão para panelas: peso e anti-ecológico). Passeei pelo acampamento. Todos compenetrados, nos seus afazeres. Quase não ouvia vozes. Um silêncio, apesar de haver cerca de 20 barracas no local. Dormi cedo para recuperar parte do sono perdido na noite anterior. Domingo 07/12. Acordei tarde, por volta de 8:30, embora comece a clarear por volta de 5 horas. Durante a noite fez uns 6º C. É perto do alvorecer que a temperatura está mais baixa. Não teve vento nem chuva. Tomei meu mingau sentado num banquinho de madeira estrategicamente posicionado para avistar o Cerro Torre. O dia estava lindo. A visão da montanha entre as copas das árvores, no acampamento, faz este local muito especial. Após o café fui rumo a “letrina”. Todos os acampamentos oficiais têm uma. Só é permitido fazer necessidades nele. É um daqueles cubículos de fibra de vidro que vejo no Carnaval de Salvador ou em festivais de música. Só que não tem vaso sanitário, apenas um buraco e, em alguns, uma marca mostrando onde posicionar os pés ao se agachar (até parece que é necessária esta instrução!). O problema é que embaixo há um buraco onde caem os dejetos e, parece, só é limpo ao final da estação. Acredito que na verdade eles movem a “casinha” para outro lugar e tapam aquele buraco. Então o WC fica um cheiro e um mosqueiro só. Merda de todas as nacionalidades. Daí se vê que o bicho homem é um só. Ainda bem que estava no início da estação. Imaginem ao final do verão, com os acampamentos lotados e fila na porta. Provavelmente alguns vão fugir da “letrina” procurando seus cantos com uma pazinha. Porém a obrigação de usar o sanitário tem sua razão. Pensem como ficaria a área se fosse cada um por si. Possivelmente sofreríamos o embaraço de encontrar alguém agachado atrás de uma árvore quando fossemos buscar a “nossa” árvore! A teoria do mínimo impacto ambiental manda concentrar todas as ações humanas em um único local. Mas poderiam ao menos colocar dois WC. O acampamento De Agostini pode acomodar até 100 barracas. No momento havia no máximo 20. No caminho havia encontrado um alpinista de Madri, chamado Javier. Perguntei-lhe se subiria o Cerro Torre. Disse que não, que não tinha experiência para tal, tentaria picos mais fáceis. Perguntou se eu escalaria. Respondi que não tinha coragem para este esporte. Retrucou que a coragem vem com a experiência. Registrei a resposta, interessante! De fato, a audácia no montanhismo, sem conhecimento e preparo técnico é antes burrice e ignorância e não coragem. Falei-lhe que gostaria de fazer a Haute Route dos Pirineus. Ele passou dicas interessantes. A seção central valeria a pena. Voltei ao acampamento para em seguida partir para o mirante Maestri. Peguei a mochila vazia, soquei os agasalhos, lanche e fui. Basta rumar para a Laguna e, ao chegar, tomar a direita, seguindo a crista da morena lateral direita, com uma vista da Laguna Torre, com águas cor cimento, embaixo à esquerda. Quando tiver percorrido 2/3 da crista a trilha sai da morena lateral e sobe a direita para um bosque bonito de Lengas. Pouco depois encontramos o abrigo Maestri, utilizado pelo polêmico escalador italiano. Mais um pouco, outro abrigo abandonado (este bem rudimentar) e, em seguida, saímos do bosque e avançamos por uma encosta empedrada, onde há uma vista bonita da laguna Torre (para trás, embaixo) e do Cerro Torre, à frente. O cerro Torre é uma agulha com um paredão granítico liso, sem fendas ou diedros ou o que valha para facilitar a escalada, ao menos na face leste. Não é sem motivo que é um dos grandes desafios mundiais do alpinismo. Adicione a isto o clima patagônico, ser pego por uma tempestade escalando aqueles paredões. Diante dele o Cerro Mocho. Parece que ele foi cortado quase rente à base por uma foice gigantesca, daí seu nome. Me perguntei se o Mocho não seria maior que o Torre se não fosse cortado. Se foi, que forças gigantescas fizeram isto? A subida até o mirante dura pouco mais de uma hora. Desci após alguns minutos, pois teria de desmontar a barraca e seguir para o acampamento Poincenot. Na descida observei que os 3 morros que subimos e descemos antes de chegar a laguna, na verdade são morenas recessionais, cada uma correspondendo a uma idade do gelo. A geleira avançando é como se fosse a pá dianteira de um enorme trator levando tudo. Saí do acampamento pelas 13 hrs e voltei pela mesma trilha de ida para a Laguna Torre até chegar a uma placa indicando o atalho para o Poincenot, o caminho pelas Lagunas Madre e Hija (evita que voltemos para El Chaltén). Tomei o caminho da esquerda. Começa num terreno de vegetação baixa, mas ao chegar no pé da colina entra num bosque de grandes Lengas. Uma subida que dura cerca de 30 min. No alto, no plano, ultrapassei um grupo de trekkers franceses, pessoas na faixa dos 60 anos, todos bem equipados e bem dispostos. Com mais 20 min. chega-se na Laguna Hija. Não cheguei a ver a pequena Laguna Nieta. Talvez por ter usado um desvio a esquerda para escapar de um lamaçal. Na laguna entrei numa pequena península para sentar e lanchar. Um casal de patos chegou para fazer companhia. Um local muito aprazível. Do outro lado da lagoa uma área com deslizamento de terra mostrava que algumas encostas de montanhas eram muito instáveis. Na avalanche todo um trecho de bosque foi soterrado ou levado para o lago. Segui adiante. Muito movimento. Como não estamos distantes de El Chaltén, muita gente faz um passeio a pé desde a cidade, apenas com uma pequena mochila de ataque. As trilhas são fáceis e o dia é muito longo, o que facilita os passeios. Mas, às vezes, enche o saco toda hora bater com gente. Não dá nem para dar um pum na trilha sem o risco de ser surpreendido por alguém (no caso, uma testemunha de acusação). À medida que vc segue pela encosta, margeando por cima as Lagunas Hija e Madre, começa a aparecer o imponente Fitz Roy, a Noroeste, ainda meio encoberto pela Loma de Las Pizzaras, na outra margem do lago. Com o Cerro Torre, são as montanhas mais espetaculares da região, junto com algumas agulhas. Se nós temos o Dedo de Deus, em Teresópolis, parece que Ele aqui resolveu botar todos os dedos restantes das mãos (e das duas!). Depois de 3 horas desde a saída da laguna Torre chega-se numa baixada com pequenas pontes de madeira cruzando os meandros do Chorrillo Del Salto. Dali são mais 15-20 minutos até o Poincenot. É um acampamento bem maior que o De Agostini. Havia cerca de 40 barracas lá. Cabem 100 a 120 barracas. Uma só latrina. Pensei como seria no alto verão, janeiro-fevereiro, com o acampamento provavelmente lotado. Montei a barraca para garantir meu espaço. Em seguida segui para a laguna Súcia, pois ainda tinha pelo menos 4 horas de sol. Ao cruzar o rio Blanco vc deve subir uma escada na encosta da margem e dobrar imediatamente à esquerda para pegar uma trilha rala na margem esquerda (verdadeira) do rio Blanco. Não há sinalização. Eu segui a sinalização existente para a Laguna Los Tres e “campamento” rio Blanco achando que encontraria uma bifurcação adiante. Engano. Pelo menos visitei o acampamento exclusivo para alpinistas. Ali 4 ou 5 barracas MSR e dois abrigos de madeira, um deles um abrigo refeitório com uma longa mesa de tábuas, uma pequena mordomia para aqueles que em breve terão apenas privação ao escalar as montanhas. Um garoto me informou que o caminho para a Laguna Sucia era aquele que havia visto aos subir a escada na encosta do rio. Voltei e tomei o caminho certo. Após 5 a 10 minutos a trilha some ao descer para o leito seco do rio. Pircas a intervalos regulares indicam o caminho. Depois de 30 minutos chega-se num ponto aonde uma grande pedra afunila o Rio e não deixa leito seco para seguir. É necessária uma pequena e fácil escalaminhada para subir a pedra e descer em seguida. Logo depois um córrego fácil de atravessar (o vazadouro da laguna Los Tres que está acima), apenas precaução para não molhar a bota. Em seguida uma encosta que é um campo de boulders, exigindo algum cuidado para não pisar numa pedra instável. Pouco depois chega na laguna, que fica bem abaixo do Poincenot e do Saint Exupéry. Um pouco mais à direita o Fitz Roy. Cheguei a tempo para ver o sol se escondendo atrás do Saint Exupéry. Depois de algumas fotos voltei. Não havia ninguém nesta trilha. Apenas na volta vi pessoas na outra margem do rio. Acho que os guarda parques não querem visitas a laguna Sucia, daí não colocarem placas com a indicação. Cheguei a tempo de ver que tinha novos vizinhos, uma barraca ao lado com 4 israelenses barulhentos e no outro lado, duas americanas, cada qual com sua barraca. Ambas já dormiam, uma roncando alto. O chato do Poincenot é que o rio fica distante, se compararmos com o De Agostini. Preparei a janta. Enquanto comia observei que uma tenda na minha frente estava quase embaixo de um galho podre, caído, que estava apenas sustentado na forquilha do galho de outra Lenga. Avisei o ocupante da barraca, um jovem montanhista basco, chamado Gorka, gente boa. Ele respondeu que rezaria para o galho não cair. Realmente o tempo estava bom e desfazer e montar a barraca logo antes de escurecer é um saco. Em todos estes acampamentos, dentro de bosques de Lengas, não devemos só olhar para o chão na hora de escolher o lugar da tenda. Vale olhar também para o alto. Quando passamos por um bosque é impressionante ver a quantidade de árvores grandes derrubadas pelo forte vento patagônico. Não é bom ter a tendinha justo embaixo, nesta hora, de um galho podre. Podemos deixar as coisas na barraca numa boa e ir passear. Nós brasileiros ficamos um pouco receosos, mas é tranqüilo (em todo caso levava a carteira e o passaporte na pochete). E a consciência ecológica ali estava em alta: praticamente sem lixo apesar da área ser pesadamente usada. Sem som, sem algazarra. sem cheiro de Cannabis, (acostumado com a Chapada, eu estranhava!). Dormi cedo (22 hrs!), pois ainda tinha sono acumulado da viagem desde o Brasil e quando escurece o frio rapidamente vem junto. Segunda, 08/12. O dia amanheceu espetacular, novamente. Noite tranqüila. Tomei meu café. Conversei um pouco mais com Gorka e segui para Laguna de Los Tres com a mochila, lanche e agasalhos. Creio que a laguna tem este nome em homenagem aos 3 alpinistas italianos que escalaram o Fitz Roy. Sempre levava a mochila com agasalhos e impermeável (calça e abrigo), além de lanche, para estes side trips, porque o tempo muda muito rápido aqui. Mesmo que estejamos perto do acampamento e a mudança não represente risco, o vento frio pode obrigar-nos a recuar no passeio ou voltar mais cedo, quando poderíamos curtir mais o lugar se estivéssemos bem abrigados. É também uma recomendação dos guarda-parques. O ideal é ter uma pequena mochila para ataque, leve, só para estas coisas. Não era meu caso. Tinha de usar a 70 litros. A subida é cansativa, 1 a 1,5 horas. Trilha principal com sinalização para evitar as secundárias, provocando mais erosão. Os guarda-parques trabalham. Apesar do esforço vale a subida. A pequena laguna é muito bonita, aos pés do Fitz. Os 300 mts de desnível já fazem que esta laguna tenha placas de gelo e neve ao redor. Um espetáculo. À direita, o Cerro Madsen, em homenagem aos primeiros imigrantes dinamarqueses que eram os proprietários do local. Havia uma encosta suave de neve a direita, que acabava no lago com sinais de que alguém praticou ski bunda ou treinou self-arrest na ladeira. Porém se não freasse a tempo iria tomar um banho gelado no lago. Fui de um lado para outro. Aproveitei para matar as saudades de andar na neve. Foram chegando turistas. Alguns, como eu, aproveitaram para lanchar a beira do lago. Segui para o lado esquerdo onde podia ver a Laguna Sucia 300 metros abaixo, que visitei ontem. Mostrava o deságüe da laguna Los Tres descendo para se juntar ao deságüe da Sucia. Enquanto esta tinha uma cor verde-cimento, a Los Tres tinha uma cor azul. Passei uma hora ali por cima. Mais turistas chegaram à laguna. Alguns alpinistas com mochilas grandes Black Diamond com o capacete coroando o topo da mochila. Ao meu ver há uma hierarquia de respeito neste ambiente. Em baixo, os turistas que fazem passeios de um dia e voltam para El Chaltén antes de escurecer. No meio, os trekkers, que percorrem o parque dormindo em tendas. No topo, os escaladores. Um grupo de montanhistas subia em calmo zig-zag uma encosta com neve do Cerro Madsen. Tive a impressão que se tratava de um grupo guiado, com turistas que queriam experimentar a sensação do montanhismo, pois o Cerro não é um troféu cobiçado pelos escaladores veteranos. A Laguna de Los Tres é imperdível nesta viagem. Se não tiver tempo, esqueça a Sucia, mesmo porque vai vê-la de cima. Desci e segui para o Poincenot. Desmontei a barraca, arrumei a mochila e zarpei para Pedra del Fraile, no vale do rio Electrico. Tive de atravessar novamente o Rio Blanco, pois queria descer o rio pela margem esquerda verdadeira. Trilha bem menos batida e mais aventurosa, pois tinha de subir e descer o barranco algumas vezes e na maior parte seguir pelo leito seco do rio. A maioria prefere seguir pela fácil trilha na margem direita. Pela esquerda se ganha algum tempo além de vc poder entrar no vale da laguna Piedras Blancas. Depois de 30 min. subi um morro que na verdade é a morena lateral do Glaciar Piedras Blancas e cheguei na entrada do vale. Mais 30 minutos e estamos na laguna. O último trecho tem boulders grandes, com trepa-pedra, mas não é nada difícil. A visão é muito bonita. O pequeno lago, com alguns icebergs, um paredão atrás e logo acima, pendurada como numa prateleira, a geleira, com os seracs na beira, ameaçando cair. Presenciei uma avalanche de neve. Demorei a pegar a câmera porque sempre fico na dúvida entre olhar ou perder tempo caçando a máquina fotográfica. A verdade é que as avalanches não são tão rápidas. Dá tempo para fotografar. Apesar da demora ainda consegui filmar e fotografar o final. Voltei. Percebi que alguns grandes boulders na entrada do vale são usados para bouldering. Vários grampos fixos na rocha (bolt hanger) davam segurança para os praticantes. Para cruzar o rio que vem da laguna tive algum trabalho para achar o ponto correto da travessia. Não há ponte. Umas pircas indicam o local. Não é preciso pular pedra, apenas cuidado com o balanço na hora de passar de uma pedra para a outra no cruze. Puxe a mochila para junto de suas costas. Mais alguns metros para baixo e reencontramos o Rio Blanco por onde continuará a descer. Este último trecho é mais selvagem. Só vi um casal de trekkers na trilha. O caminho para o Piedras Blancas desde o Poincenot é bem freqüentado, mas não este trecho. Com 40 minutos vc chega numa cerca que indica o fim do parque nacional. Ao passá-la entra em propriedade privada. Segui observando trilhas entrando para a mata à esquerda, pois sabia pelo mapa que não precisaria ir até a estrada de rípio para depois dobrar a esquerda. Entrei numa trilha que depois passou a seguir numa direção oposta (Sul), por um bonito vale lateral. Concluí que estava errado e voltei ao leito do rio. Com mais uma andada achei a trilha certa e foi só seguir. Entrei na maior floresta de lengas até então. Um capim baixo parecia convidar para acampar ali mesmo, em qualquer lugar do bosque. Mais adiante, à direita, o rio Electrico corria caudaloso. É bem uma hora para chegar a Pedra Del Fraile. Apenas quando saí da floresta é que vi a pequena casa verde limão do Refúgio Los Troncos. Um casal simpático me recebeu dentro do restaurante. Mercedes e Juan. Na verdade eles são de Corrientes, província que faz divisa com o Rio Grande do Sul. Mercedes me disse que era o 2º brasileiro ali, na temporada. Levei cerca de 5 horas desde o Poincenot, considerando a entrada para o Glaciar Piedras Blancas. Paguei 25 pesos por pernoite no camping (único lugar para pernoite na região) com direito a banho quente. Era segunda à noite e desde a sexta anterior, pela manhã, não tomava banho (apenas usava baby wipes antes de dormir – atire a primeira pedra quem já tomou banho de panelinha naquela água fria – não podemos entrar direto no rio). Havia apenas uma ducha bem concorrida. Armei minha barraca, coloquei as coisas dentro e esperei vagar o chuveiro. Como demorava e tinha fila na porta decidi jantar, só que desta vez fugi da macarronada e resolvi usar o restaurante. Um bife com purê de batatas: 55 pesos. Não estava bom. O preço e a comida. Mas depois de alguns dias de macarrão, passa por um banquete. O acampamento é bem abrigado. Rodeado por uma cerca de madeira e logo atrás da Pedra Del Fraile, um imenso errático que até duvidamos que uma geleira tenha trazido até ali. O lugar é bonito. Havia cerca de 10 barracas e muitos franceses. Além das duchas, há um pequeno espaço abrigado encostado na rocha da pedra, onde cada ocupante do camping pode montar sua cozinha livre da chuva. Parecem baias de cavalo. Um casal americano já usava um destes. Quem quisesse poderia alugar um abrigo (havia 2 ou 3 bem rústicos). Tomei um bom e demorado banho quente antes de escurecer. Lavei camisa e cueca. Foi bom ser o ultimo, pois senão poderia ter gente batendo na porta pela demora. Mas se fosse um pouco mais tarde iria precisar de lanterna no banheiro, pois não havia luz elétrica no camping (o aquecimento da ducha era a gás). Outro dia lindo. Dormi o sono dos justos. Terça, 09/12. Amanheceu bonito, novamente. Acordei a tempo de ver os franceses desarmando as barracas. Parecia ser uma expedição patrocinada pela North Face pelo nº de barracas enormes do mesmo modelo no local. Depois compreendi: tratava-se de um grupo e as tendas deviam pertencer a uma firma de turismo que as incluía no pacote. Quando vi colocando-as em grandes sacolas com o logotipo TNF percebi que se tratava de um modelo não destinado ao trekking ou a escalada, mas a car camping. A bagagem foi carregada em cavalos por arrieros que aguardavam o grupo. Foi engraçado ver os franceses correndo despudoradamente para os banheiros pela manhã cedo. Parece que a incontinência vem com a idade. O americano da barraca ao lado, cuja namorada era lindíssima, veio curioso perguntar sobre a minha tenda e pediu-me para ver seu interior. Mostrei-lhe minha Ligthwave Trek t0. Ele gostou da barraca. Achou-a ideal para uma pessoa. O dono sempre fica orgulhoso quando seu barraco chama a atenção. Segui para o Cerro Electrico, pois me disseram que valia muito mais uma visita que o Lago Electrico e o Glaciar Marconi, subindo o vale. Os vaqueiros disseram que o dia estava perfeito para tentar a subida. Parece que um bom indicativo é a ausência de nuvens. A trilha começa num portãozinho na cerca do camping e ruma para a montanha. Sobe entre dois córregos (chorrillos) que descem a montanha. Reclamei da subida a laguna Los Três, mas esta é mais puxada. A encosta estava enfeitada por bonitos arbustos cheios de flores vermelhas, chamados notros. No topo passei por um errático que serve de vivac. Descobri que o “topo” na verdade é apenas um pequeno platô e devia subir mais. O lado Norte do Fitz Roy já fica visível. A trilha some num empedrado. Pircas indicam o caminho. Mais subida, com alguns manchões de neve e cheguei no glaciar. Tomei a esquerda subindo uma arista empedrada para ver de cima. A pequena laguna está quase toda coberta de neve. Só percebemos tratar-se de uma laguna porque perto do deságüe tem uma pequena faixa livre de gelo. À direita da laguna, para quem sobe, uma encosta nevada e, acima, o Paso del Quadrado. O nome vem de um grande rochedo quadrado ao lado do passo. Pegadas na neve indicavam que montanhistas haviam subido para o passo, que fica no lado direito do quadrado. De onde estava, via o topo da Aguja Pollone, atrás do passo, outro grande desafio para escaladores. Pensei em subir para o passo, pois a neve estava com uma consistência ótima (nem mole – para raquetas - nem dura – para crampons). Mas a minha bota não tinha solado espesso e não trouxe minhas polainas (deixei ambas em casa). O que mais pesou foi não ter a piqueta para um mínimo de segurança (self belay). Continuei subindo rumo ao cimo do cerro Electrico, através de um campo de boulders. Porém a subida era chata e cansativa. Até ali já havia gastado cerca de 2,5 horas. Resolvi dar meia volta porque ainda iria hoje para o campamento da Laguna Capri. Na descida encontrei um simpático casal jovem de escaladores argentinos que tb estavam acampados na Piedra del Fraile. A argentina muito bonita (só dá mulher sarada neste meio!). Disseram que iam escalar o Guillaumet. Desejei-lhes sorte e que o tempo continuasse boníssimo, ao que responderam “Oxalá”. Desci e botei tudo na mochila. Eu me despedi do pessoal do camping e segui para a estrada. Depois do bosque de lengas o caminho é chato, pois segue por um trecho arenoso, antigo leito de rio (deve encher com chuvas fortes), até chegar numa cancela e logo adiante a ponte sobre o Rio Electrico (a trilha sai ao lado da ponte, na margem direita). E estava quente. Encontrei o casal simpático de canadenses que vinha seguindo o mesmo roteiro nos últimos 3 dias. Estavam esperando o táxi contratado para os levar a El Chaltén. Dobrei a direita e segui pela estrada de rípio no sentido El Chaltén. Pouco depois cruzei uma pequena ponte sobre o Rio Blanco e, logo adiante, entrei para a Hosteria Del pilar, a direita. Adentrei no bonito e simpático hotel para perguntar onde continuava a trilha. O dono prontamente respondeu. Pedi uma Coca e perguntei o preço para uma diária de casal. Das janelinhas dos quartos dava para ver o Fitz Roy. Mas a vista tinha um preço: 400 e tantos pesos (versus 40 por pessoa num albergue em Chaltén). Quase engasgo com a Coca. Segui. A trilha no começo vai num sobe-e-desce chato pela encosta. Depois descobri que peguei uma derivação paralela. O ideal é seguir o máximo a beira do leito do Rio Blanco e só subir a encosta a esquerda quando não houver mais caminho junto ao rio. Trilha fácil e bem batida. Não é a toa que o pessoal prefira vir do Poincenot para Pedra del Fraile por aqui. Ouvi um barulho de trovão. Na verdade era uma avalanche no Glaciar Piedras Blancas, pois o barulho vinha de sudoeste. Naquela hora do dia, cerca de 16 hrs, a neve e o gelo já tinham sofrido bem com a “insolação”, um horário propenso a estas avalanches. Da Hosteria Del Pilar até o mirante do Glaciar Piedras Blancas (vc vê o glaciar de uma elevação do outro lado do rio) não tem quase movimento. Neste caso, acho que devido ao horário mais avançado da tarde. Tirei umas fotos do mirante e segui. Entre ele e o Poincenot muita gente só de mochilinha. Meia hora depois a bifurcação para o campamento Poincenot. Segui a esquerda para El Chaltén. Cerca de uma hora depois uma bifurcação à direita com placa indicando a Laguna Capri. Mais 10-15 minutos e chega-se na laguna, bonito local. Pouquíssimas barracas. Talvez cinco. Armei a barraca não longe da água. Aproveitei para examinar os calos em ambos os mindinhos dos pés. Vacilei no cuidado com os pés. No corre-corre para chegar a tempo nos acampamentos e fazer os side trips, deixei a meia molhada de suor dentro das botas. Num trekking isto é imperdoável. A água para uso é da lagoa, límpida e potável (acho). Uma gringa passou e perguntou onde havia um riacho próximo. Respondi que não havia (possivelmente o córrego que alimentava o lago deveria ser do outro lado). Era acreditar naquela água ou fervê-la. Comi minha janta num mirante a beira do lago, vendo o Fitz Roy ao entardecer. Um casal de patos com dois filhotes estavam bem junto ao acampamento e tirei fotos deles. Este acampamento, apesar de aparentemente ser o menos freqüentado entre aqueles em que fiquei, era o mais sujo. Embora a sujeira fosse pouquíssima, chamava a atenção justo porque a limpeza era regra nos demais. Talvez porque fosse o mais perto de El Chaltén, mais ao alcance dos farofeiros. Um pouco mais acima, na trilha que seguia para El Chaltén, uns barracos maiores onde parece que uma empresa de atividades outdoor guardava equipamentos, possivelmente caiaques. Tinham também um acampamento organizado com algumas barracas Doite grandes. Outro dia lindo passou. Estava começando a pensar que aquela história toda do terrível clima patagônico era um mito. Quarta, 10/12. A noite foi mais quente que nos acampamentos anteriores. Acho que quanto mais afastado dos glaciares, mais quente fica. Após o café, desmontei o acampamento e segui para El Chaltén. Pretendi passar pela cidade, telefonar para o Brasil e re-suprir alguns itens antes de seguir para a laguna Toro, meu destino neste dia. Desci as montanhas e num trecho longo avistamos o bonito vale do Rio de las Vueltas. Caminhei ouvindo MP3 e estava muito alegre. Apesar de ser muito gostoso descer uma trilha fácil ouvido música às vezes atrapalha quem vem atrás e quer ultrapassá-lo. Como ia rápido isto só aconteceu uma vez. Por precaução diminui o volume. Depois da saída do parque a esquerda uma panaderia onde comprei pão integral. Depois entrei num locutório para ouvir vozes queridas e dali eu segui para uma pequena mercearia, para comprar um pouco mais de leite em pó, queijo e café. O café vêm em sachês ! Segui então para o extremo sul da cidade para a sede do guarda parques, ao lado da ponte sobre o Fitz Roy, onde começava a trilha. Passei por um casal de jovens mochileiros comendo debaixo da sombra de uma árvore, junto a calçada. Uma loirinha linda de cachinhos comia compenetrada o seu müsli. É bonito ver que não é a grana pouca que impede as pessoas de conhecer o mundo. Na sede dos guarda parques tive de preencher meu nome e data estimada de volta da laguna Toro, num formulário, já que esta trilha é bem menos freqüentada. Registrei a volta para dali a dois dias (embora planejasse voltar amanhã mesmo). Precaução caso gostasse do local e quisesse ficar mais um dia. Fiquei triste ao saber que para ir até Paso de Los Vientos (vistas espetaculares para o gelo continental) era necessário um arnés (cadeirinha?), para cruzar numa tirolesa um canyon sobre o rio que vinha do glaciar até a laguna Toro. Paciência. Fica para outra vez. A trilha bem marcada sobe e desce uns pequenos vales com córregos, numa área sem mata, parecendo uma estepe. Uma rocha semelhante a um ovo em pé magicamente se equilibrava à direita da trilha. Começa uma subida mais empinada e, perto do topo, uma floresta de lengas. Mais alguma subida e andamos alternadamente entre bonitos campos e bosques de lengas. Os campos repletos de dentes de leão e de flores amarelas, parecendo um pouco com margaridas. Imaginei um vendaval. Deve soprar uma nuvem de dentes de leão. Levantei os bastões para não derrubar as flores ao lado da trilha. Cerca de 2,5 horas encontramos uma tabuleta numa bifurcação que indica as direções da Loma Del Pliegue Tumbado (3 horas) e do Lago Toro. Segui para o lago. Adiante um charco onde a trilha se perde, mas logo uma tabuleta do parque indica a direção. Os campos dão vez a uma floresta de lengas e a subidas. Em alguns trechos a trilha está tomada por água escorrendo e é necessário desviar. Até que finalmente saímos da floresta e chegamos num prado alpino, com pequenos bosques de lengas ali e acolá, o prado parece até um campo de golfe. E só andar um pouco que percebemos que o terreno na verdade está todo encharcado. Por isso não há trilha. Na saída da floresta há uma placa sobre um tronco sustentado por um tripé de troncos indicando que a entrada na floresta é aquele ponto de onde saí (para quem vem em sentido contrário). Segui cuidadosamente por onde parecia ser o rumo natural da trilha, ou seja, subindo um pouco à direita, pois sabia que teria que continuar a contornar a Loma Del Pliegue para entrar no vale do rio Toro, à direita. De fato, após alguns metros, avistei o mesmo tipo de indicação adiante (um tripé de troncos). Ali se vê a linha de uma antiga cerca, a trilha seguindo paralela. Mais terreno encharcado. O bastão é útil para sondar o terreno. Também botei o máximo de peso nos bastões para tirar um pouco de peso dos pés, para a bota afundar menos. À esquerda, uma linda vista do Lago Viedma, a S-SE. Pouco adiante encontrei descansando dois trekkers gringos, que vinham em sentido contrário. Perguntei quanto tempo seria até a laguna Los Toros. Informaram que levaria 2,5 horas e que eu seria o único lá, já que na noite anterior eles foram os únicos. Não pude deixar de dar um sorriso, depois de ver tanta gente nas trilhas do parque. Agradeci e segui. Começa então uma longa descida até o fundo do vale. No começo bosques baixos de lengas (ficam assim devido ao peso da neve acumulada no inverno) alternados por campos de flores. Tirei foto. Mostrando para alguém poderia dizer que eram os Alpes suíços. Ao fundo, para W, via-se o lago Toro e o glaciar. Acima, o Paso de los Vientos. Mais para baixo um cenário triste. O resquício de uma antiga floresta de lengas que queimou num incêndio, em 1910. Incrível como a recuperação é lenta! Por isso não permitem fogueiras no parque. No chão do vale permanecemos no lado esquerdo (verdadeiro) do Rio Toro e cruzamos chorrilhos que vem das montanhas à direita. Com cerca de uma hora chegamos ao acampamento Toro. Logo antes de chegar um grupo de 4 alpinistas vinha seguindo no sentido inverso, para El Chaltén. Eles estavam com os rostos bem queimados, sinal de dias passados na neve. Pelo adiantado da hora chegariam no escuro na cidade, o que não era problema com boas lanternas de cabeça. Não sei porque eles não optaram por descansar esta noite no acampamento Toro para só amanhã voltar. Descobri logo o porque. Ao chegar observei que o acampamento ficava atrás da aresta de uma montanha, muito bem abrigado dos ventos de oeste. É necessário contornar esta aresta pela esquerda para efetivamente se enxergar a laguna Toro. O local era rodeado por uma cerca de troncos, algo que não vi em nenhum dos outros acampamentos do parque. Será que há ventos fortes vindo de E, que exigem esta proteção? Dentro a área para acampar, um refúgio e, claro, a letrina. Não gostei muito do aspecto um pouco tenebroso do local. Provavelmente por ser mais escuro, na sombra da aresta, ao contrário dos outros locais para acampar, que estavam abertos para o sol à oeste, ao final da tarde. Escolhi um ponto e comecei a armar a tenda. Cedo percebi que o lugar é infestado de mosquitos (pernilongos). E não trouxe repelente. No Brasil nunca acampei num lugar tão cheio de mosquitos. Tratei de fazer logo a janta. Não podia ficar parado muito tempo por causa dos malditos insetos. Logo que a janta ficou pronta fui com a panela para as pedras junto ao rio para pegar um pouco de vento, assim não sendo incomodado pelos mosquitos enquanto comia. Água cheia de suspensão no Rio Toro. Estava bem caudaloso o deságüe. Outra coisa que percebi foi que estava com um déficit energético. Cheguei morrendo de vontade de beber alguma coisa açucarada. Procurei desesperado o Tang em pó dentro da mochila. Também, depois de beber muita água, a gente fica com uma vontade louca de beber algo diferente. Provavelmente os escaladores sabiam dos mosquitos. Além disto, depois de dias na montanha quem é que não quer ir direto para a cidade tomar um vinho ou uma cerveja gelada e comer um bom bife? Eu me descuidei no caminho para cá e molhei a bota num charco. Levei-a para a morena para deixá-la pegar os últimos raios de sol da tarde e vento seco. Fui dormir ainda com a luz do dia porque estava cansado e saturado dos mosquitos. Dentro da barraca teria paz. Antes de pegar no sono um grupo de argentinos com cadeirinhas surgiu. Acho que fizeram uma excursão de um dia para o Paso de los Vientos ou estavam escalando em rocha nas proximidades. Perguntaram-me se havia um córrego próximo. Disse-lhes que só no rio, a 200 metros. Examinaram o acampamento e depois seguiram para El Chaltén. Fora da tenda uma revoada de mosquitos. De El Chaltén (sede dos guarda parques) até o lago Toro levei 5:15, incluindo aí 15-20 minutes para lanche. A placa do parque dizia 7 horas. O pessoal de El Chaltén falou em 6 horas. Quinta, 11/12. A noite foi a mais quente até o momento. O acampamento é realmente protegido dos ventos. Não fechei sequer a porta do vestíbulo. Estava sozinho e não precisava de privacidade. Pude dormir de cueca, com o saco semi aberto. Acordei e olhei pela tela da porta. Outro dia ensolarado.Fiquei aborrecido não com o que vi através dela, mas o que estava pousado na tela: um monte mosquitos. Comecei arrumando o máximo que podia dentro da barraca para não fazê-lo do lado de fora. Tive de interromper a tarefa e sair para urinar. Corri para o meio do campo de pedras na morena terminal. Ali, com o vento, os mosquitos incomodam menos. Voltei e entrei na barraca, para terminar a arrumação. Só que neste entra e sai alguns mosquitos conseguiram entrar. Passei a caçá-los e matei-os contra o tecido da tenda.Para meu espanto alguns já estavam papudos com meu sangue e sujaram o tecido da barraca. Tive de usar o baby wipes para limpar. Saí para comer um müsli no meio das pedras, na morena, e pegar minhas meias que havia deixado lá para secar (o vento seco é muito eficiente). Voltei para o acampamento, desfiz a barraca e arrumei a mochila. Deixei-a em pé junto ao refúgio. Peguei a pochete com um lanche e fui para a Laguna Toro tirar fotos e ver se descobria o caminho para a tirolesa. Perto do final da Laguna, de onde vinha o rio do glaciar alimentar o lago, deu uma baita dor de barriga. Subi a encosta uns 80 mts acima do lago para fazer a necessidade ali mesmo. Não estava a fim de usar aquela latrina do acampamento, ainda por cima com os mosquitos fazendo a festa. Cavei um buraco com a bota no descampado. Não tive a menor preocupação em procurar me esconder atrás de uma rocha, pois era em torno de 10:30. Para alguém chegar lá neste horário teria de sair de El Chaltén as 5:30 – 06:00, algo impossível. Arriei as calças e me agachei. No instante em que “obrava” (como diria meu tio português) olhei para o lado oposto do glaciar e vi dois mochileiros vindo em minha direção. Ainda estava um pouco longe, mas o gesto de arriar as calças e se agachar é universalmente compreendido mesmo à distância. Os dois desaparecerem num vale entre duas morenas e mais que depressa terminei o serviço. Enterrei a prova do crime. Na pressa, esqueci o papel higiênico, que o vento tratou de carregar. Tive que caçá-los correndo, espetando-os com o bastão. Enterrei-os também rapidamente. Leave no trace. E temia que os turistas fossem ecochatos e me repreendessem por não ter usado a “letrina” do acampamento. Lavei as mãos com a água do cantil e em seguida eu me recostei numa pedra para fazer o lanche. O ruim é que a trilha passava bem ao lado, assim o encontro com a dupla era inevitável. Os dois se aproximaram e saíram da trilha direto na minha direção. Para meu espanto, reconheci pelos uniformes que eram rangers (guarda-parques). Deviam estar fazendo uma patrulha. - Merda! - Pensei.- Agora vou levar uma multa ou no mínimo um carão por c......r no lugar errado!! O guarda estendeu a mão e me cumprimentou amigavelmente. Perguntou se a mochila no abrigo era minha, respondi positivamente. Ficaram preocupados porque eles viram a mochila sem ninguém por perto. Perguntaram se iria para o Paso de Los Vientos. Disse que não, pois não tinha cadeirinha para usar a tirolesa. Eu comentei que era até possível atravessar o rio através do delta, pois o rio se subdividia em vários canais antes de entrar no lago. Era apenas questão de não ter receio de molhar os pés na água gelada. Disseram que estavam subindo para o Paso. Perguntei-lhes porque não deixavam as mochilas ali, já que teriam de voltar pelo mesmo lugar. Responderam que não, que seguiriam adiante, descendo pra o outro lado. Antes de chegar ao gelo continental, na encosta, virariam a esquerda e contornariam por trás o Cerro Huemul que estava na nossa frente. Belo trajeto.Deu vontade de acompanhá-los, mas seria muita cara-de-pau pedir emprestado a cadeirinha para passar a tirolesa. Despedi-me deles e desejei-lhes sorte. Ufa! Ou não viram ou não acharam nada de mais, ou ainda não queriam perder tempo com um simples ato fisiológico. Achei os guardas simpáticos e responsáveis. Não costumo ver o pessoal do Ibama patrulhando nossos parques. Ficam apenas nas bilheterias cobrando ingresso. Na Argentina eles são bem mais organizados e eficientes. Mas justiça seja feita: na Argentina a única missão deles é zelar pelos parques e pelos visitantes. No Brasil o Ibama tem pouca gente e tem de fazer de tudo: licenciamento ambiental, fiscalização, licença de importação e exportação para alguns produtos, além de administrar os Parques Nacionais. Depois, checando no mapa, vi que realmente havia uma trilha circundando o Huemul. Não sei se era aberta ao público. Era trilha para mais 2 ou 3 dias, pelo menos. Voltei ao acampamento, peguei as coisas e parti. Cruzei novamente, de volta, alguns riachos que em época de muita chuva eventualmente podem deixar alguém aprisionado no vale. Apenas uma mochileira solitária passou por mim, em sentido contrário. Uma hora e dez minutos estava no sopé do morro e iniciei a subida. No topo, na placa que indicava para a Loma del Pliegue Tumbado, fiz um lanche e escondi a mochila. Um bando de íbis passou voando baixo. Subi o morro apenas com minha pochete. Sem trilha. Algumas pircas espaçadas davam orientação, o que não era muito necessário, pois o terreno estava nu (acima da linha de árvores) e a navegação era fácil com um mapa. Achei a trilha da qual, no dia anterior, havia visto a entrada. Mais alguma subida e chegamos a um mirante com vista ampla para a Laguna Torre, o cerro Torre e os seus vizinhos. O Pliegue Tumbado fica 200 mts acima, com uma encosta mais empinada.Logo antes do topo um pequeno paredão obrigava as pessoas a subir diagonalmente para a esquerda, na encosta leste, ainda com neve. O problema é que a diagonal era um pouco exposta, uma queda de 5 a 10 metros. Dois casais estavam subindo. Observei-os. Ao chegar no trecho exposto paravam não sei se para avaliar ou para colocar crampons. E seguiam. O(a) da frente ia em pé, o(a) de trás, de quatro. Com o segundo casal a mesma coisa. Só que a pessoa de quatro congelou, não ia para frente nem para trás, na travessia. Só depois de algum tempo recuperou a coragem e seguiu. Desconhecia esta nova técnica para subir na neve, de quatro. Na descida, um dos casais fez glissading na encosta nevada. Voltei, pois ainda tinha que voltar para o local da mochila. De lá seriam mais duas horas até El Chaltén. Volta tranqüila, já ao final da tarde. Como a sede dos guarda parques estava fechada, coloquei a folha do registro por baixo da porta, para que no dia seguinte soubessem que voltei. No céu, ao entardecer, o espetáculo das nuvens. Cada formação lindíssima. Parece que aqui na patagônia as nuvens (cirrus) capricham nos tipos e formas. Segui para a avenida Lago Del Desierto, onde procurei o albergue Lago Del Desierto, recomendado por Silvia e pelas Dicas de El Chaltén, nos Mochileiros. Não deu errada. Pessoal simpático. O Toni foi muito atencioso. Pedi um quarto para ficar sozinho. Como não estavam cheios, deram-me um quarto com 6 beliches e banheiro.Sabiam que naquele horário não chegaria mais gente. Preferia ficar só para espalhar minhas coisas e ficar mais a vontade depois de 5 noites acampado. Não cobraram a mais por ficar sozinho no quarto. Paguei 40 pesos. Não precisava café da manhã, pois sobrou comida e gás no fogareiro e o quarto tinha uma mesa.Tomei um belo banho demorado. O jardim do albergue estava mais cheio que os quartos. Era também um camping. Creio que pela metade do preço ou menos oferecia chuveiros, banheiro e cozinha comunitária. Havia um grupo de tendas com jovens que pareciam formar uma confraria de escaladores hippies de todas as nacionalidades. Barracas 4 estações com sinais de muito uso. Um dos passatempos deles era comprar um garrafão de vinho e sentar nos bancos conversando e dividindo a bebida. Jantei um cordeiro patagônico delicioso no El Viejo. Acho que para carnes é o melhor que há em El Chaltén. Sexta, 12/12. Mais um amanhecer bonito. Fui para o Rancho Grande para pegar a van de 8:30 que fazia um passeio para o Lago Del Desierto. Decidi ir num esquema turistão porque senão teria de caminhar 36 km por estrada de rípio, coisa muito sem graça, ou tentar pegar carona (hacer autostop), com pouca chance de sucesso. A estrada é pouco movimentada e os poucos carros que passam são táxis e vans de turismo. Preço do passeio: 80 pesos. Parte dos passageiros era de ingleses, que saltaram na Hosteria Del Pilar. É uma opção para começar o circuito a partir de um ponto mais distante e ir voltando para El Chaltén. Todos eles com bastões de trekking, o que é regra aqui, mesmo para passeios de um dia, mostrando que entre estrangeiros o bastão é corriqueiro. Observei que os alpinistas também usam. Eles não carregam peso à toa. Afinal, para levar uma mochila de 80 a 90 litros é bom ter um apoio para manter o balanço. A Estrada que entra no vale do Lago do Desierto é bonita. Curiosidade: ela foi inaugurada por Nestor Kirchner quando era governador da Província de Santa Cruz em 1995. Depois de cerca de 1:30 de viagem, chega-se na extremidade sul do lago. Ele é estreito e comprido, no sentido Norte-Sul. Há um píer de onde parte um barco para o extremo norte. A van fica esperando as duas horas que o passeio de barco leva. Esta excursão lacustre custa 90 pesos. Não fui. Era turistão demais para um só dia. Assisti a um grupo de simpáticas ciclistas neozelandesas, de pernas saradas, embarcar suas bicicletas no barco. As bikes vinham carregadas com alforjes. Uma das bicicletas rebocava um trolley, que deveria ter o equipamento comunitário do grupo. Parece que percorriam a Patagônia daquele modo. Outra opção é um passeio ao Glaciar, cerca de meia hora distante. Deve-se pagar 16 pesos porque fica em propriedade particular. Não queria andar muito porque sentia ainda os calos. Preferi atravessar uma ponte pênsil sobre o Rio de las Vueltas e percorrer o início da trilha que vai para o extremo norte do lago. Até lá são 5 horas de caminhada. Depois de 15 minutos parei ao lado de um córrego que descia em cascata para o lago e fiz meu lanche. Deu para observar que o caminho que segue para o Norte é uma boa trilha e bem batida. Provavelmente alguns deslizamentos de terra podem tornar alguns trechos mais difíceis. Vai ficar para outra ocasião. Pelo mapa, ao Norte do lago inicia uma trilha seguindo para oeste até a Laguna Del Diablo, quase divisa com o Chile. Trilha muito pouco movimentada. O mapa sugeria um guia para fazer o trecho. O lago é bonito. Mas nada que justifique a quase guerra entre Argentina e Chile por sua causa. Depois do lanche e fotos regressei para esperar o barco e a volta para o vilarejo. O rio de las Vueltas margeia a estrada durante a maior parte do trajeto. Imaginei a classe de dificuldade que seria uma descida de caiaque naquele rio. Logo no início, após o deságüe do Lago Del Desierto (origem do rio) algumas quedas d’água e troncos atravessados tornam a descida difícil. Ao chegar à cidade, dei um pulo no Camping Center, loja que conheço de BsAs e que tem filial aqui. Comprei novas palmilhas para botas porque as minhas esqueci em laguna Toro, tal a pressa para fugir daqueles mosquitos pestilentos. Havia tirado-as do calçado para secar mais rápido, e as coloquei em outro local afastado da bota, para o vento não carregar. Comprei ainda um par de meias e um boné para frio muito bom, da Lowe Alpine. Fiquei tentado a comprar uma piqueta italiana, para montanhismo geral, de 350 pesos. Leve, me pareceu muito boa. Mas segurei a vontade. Meu sonho é outra, da Black Diamond. Passei também numa loja de atividades de montanha. Soube lá que o trekking pelos gelos continentais (algo como 5 dias) custa US$2.200!! Consegui ficar outra noite no quarto sozinho. Toni me disse que o movimento neste final de ano estava fraco, talvez devido à crise econômica mundial. Falou que houve uma temporada com muitos brasileiros, como se fosse uma moda. Jantei no Ahonikenk, preço bem justo. Restaurante cheio de nativos sempre é bom sinal. Passei na pousada El Nativo para cumprimentar a Guadalupe. Realmente acertei em ficar no albergue Lago Del Desierto. A Nativa era bem menor e estava mais muvucada. Se quisesse ficar num quarto sozinho teria de me contentar com um cubículo, por 60 pesos e com banheiro no corredor. Sábado, 13/12. Acordei 6 horas com um nascer do sol espetacular de frente para a janela do quarto. Tomei meu desayuno ainda com o que sobrou dos mantimentos. Fui para o Rancho Grande pegar o ônibus de volta à El Calafate e dali o vôo para BsAs. Após iria para o Rio de Janeiro, onde passaria o resto das férias com a família. É maravilhoso o contraste entre a Patagônia e a nossa terra tropical. Deixei para trás El Chaltén feliz por ter conhecido um dos locais mais bonitos das Américas, com o corpo mais leve (uns 2 kg) e a alma renovada.
  6. Vou tentar detalhar as partes que quase não achei informação por aí e ser breve nas outras coisas. Todos preços são em peso argentino ($) ou real (R$). Se alguém quiser saber tudo sobre a viagem, pode ir no meu blog: http://seachandonaviagem.blogspot.com.br/search/label/Argentina Qualquer dúvida, pode perguntar aqui que eu respondo A primeira coisa que fiz foi achar a passagem Brasilia – Ushuaia com conexão em El Calafate no site da LATAM. Comprei com um stopover de 4 dias em El Calafate. Com os dias em cada cidade fechados, pesquisei o que fazer em cada lugar. O cronograma ficou mais ou menos assim: 8/11 voo saindo de Brasília 9/11 chegada em Buenos Aires (aeroporto Ezeiza) voo saindo de Buenos Aires (aeroporto aeroparque) Chegada em El Calafate Passeio 10/11 ônibus para El Chalten Trilha 11/11 Trilha 12/11 Trilha ônibus para El Calafate 13/11 voo saindo de El Calafate chegada em Ushuaia 14/11 Passeio 15/11 Passeio 16/11 Passeio voo saindo de Ushuaia Chegada em Buenos Aires (aeroporto aeroparque) 17/11 voo saindo de Buenos Aires (aeroporto Ezeiza) chegada em Brasília Para ir de um aeroporto a outro em Buenos Aires, reservei um transfer de ônibus no site Tienda Leon e paguei em dinheiro na hora ($200). Eles têm ônibus saindo a cada meia hora, durante o dia, e a cada hora durante à noite. O ônibus leva cerca de 1:20 (sem trânsito) entre um aeroporto e outro, fazendo uma parada em porto madero. Eu reservei pelo site para não correr o risco de ficar sem lugar, mas não precisava, já que o ônibus foi quase vazio (peguei de madrugada). 9/11 No aeroporto de El Calafate, que fica distante da cidade, os preços são tabelados. Taxi $480, ônibus $160. Acabei dividindo um taxi com uma americana e um alemão que também estavam viajando sozinhos. No meio do caminho, fechamos com o taxista para nos levar ao parque nacional Los Glaciares por mais $1800 ($600 para cada). A entrada do parque foi $250 (residente do Mercosul). O Parque Nacional Los Glaciares em El Calafate possui 4 passarelas de metal. As que possuem as melhores vistas do Glaciar Perito Moreno são as vermelha e amarela. A verde passa por um bosque e a azul passa pelo lago e vai até o restaurante e estacionamento. Depois de fazer o check in no hotel, fui à rodoviária para pesquisar ônibus até El Calafate. Uma empresa fazia ida e volta por $1200, com horários livres para pegar o ônibus, mas acabei fechando com a TAQSA, que fazia ida e volta por $1000, mas com horários fixos. 10/11 Saí no outro dia às 7:30 da manhã de El Calafate. Cheguei em El Chaltén por volta de 11:00. Logo antes de chegar ao terminal de El Chalten, o ônibus para no centro de visitantes do Parque Nacional (EL Chalten fica dentro do parque) e todos são obrigados a descer e escutar uma pequena palestra (inglês e espanhol) sobre o parque, as trilhas, os animais e o que pode ou não fazer. Deixei minhas coisas no hostel e fui fazer a trilha Laguna Torre. Comecei a trilha por volta do meio dia, cheguei na Laguna às 15:00, retornei às 15:30 e cheguei no hostel por volta de 18:00. Então foram praticamente 6 horas de trilha, com paradas para almoçar no mirador Torre e para apreciar as paisagens. O único tipo de infraestrutura que tem nas trilhas é uma espécie de banheiro. Na trilha da Laguna Torre há um a cada mais ou menos 3km. Para as caminhadas, aconselho a levar uma garrafa de água (não precisa mais do que isso, pois é possível enchê-la com a água dos rios e lagos do parque), lanches e um casaco para o vento. Não senti frio durante a trilha, mas ao chegar na Laguna, os ventos estavam muito fortes e só possível ficar lá porque levei um casacão. 11/11 No outro dia, estava com as pernas doendo e não tive coragem de fazer a trilha do Fitz Roy. Resolvi fazer as trilhas menores: Mirador de los condores e Salto del Chorillo. São trilhas fáceis e curtas. A primeira é excelente para se ter uma vista da cidade. De lá, pode-se ir ao mirados de las aguilas e ter uma vista do lago. A trilha para o Salto del Chorillo é a mais fácil de todas, mas a cachoeira não é lá grandes coisas (talvez por eu estar acostumada com as lindas cachoeiras aqui perto de Brasília). Só indico se você estiver com tempo sobrando ou quiser descansar das trilhas puxadas. 12/11 No dia seguinte, peguei o ônibus às 11:00 da manhã de volta para El Calafate. Simplesmente descansei. Deveria ter pego o ônibus que saía mais tarde de El Chalten, mas como já tinha comprado com horário fixo... Há muito mais o que fazer em El Chalten do que em El Calafate. 13/11 No outro dia, peguei um transfer do hostel ao aeroporto $100 e depois voei para Ushuaia. Como fechei 3 passeios com os Brasileiros em Ushuaia, eles foram me buscar no aeroporto (teve o transfer de volta também). Fiz check in no hostel e fui passear um pouco na rua principal (San Martin) e no porto. Comprei um pouco de pesos no Hotel Antartida (melhor cotação). 14/11 Fui ao porto pegar o ônibus para o passeio dos Pinguins. O ônibus leva 1:40 para chegar a estância. Lá há uma parada para ver umas árvores contorcidas pelo vento, depois o grupo é dividido em dois: um vai ao museu e depois aos pinguins e o outro faz as visitas na ordem contrária. Meu grupo foi primeiro ao museu. É um museu pequeno, basicamente com esqueletos de aves e mamíferos marinhos. Depois esperamos um pouco em uma cafeteria e pegamos um barco até a Isla Martillo. Lá caminhamos cerca de 40 minutos entre pinguins e outras aves. Chegamos em Ushuaia por volta das 15:00. Fui para o hostel descansar. À noite, saí para jantar. 15/11 Me buscaram cedo no hostel para ir ao Parque Nacional Tierra del Fuego ($130). Estava chovendo e muito frio. Não foi muito agradável ficar andando no parque. O bom é que estava em um grupo de excursão, então não precisei fazer as trilhas, a van deixava a gente já nos pontos de interesse. Falaram muito aqui no fórum e eu concordo, depois de ver as paisagens de El Chalten, as paisagens de Ushuaia não são tão impressionantes, ainda mais na chuva. Voltei para o hostel perto de 13:00. Passei numa lanchonete e comprei umas empanadas e uma cerveja e fui comer no hostel. Fiquei a tarde lá de bobeira porque estava chovendo. No final da tarde, começou a nevar! Foi lindo. À noite saí para um bar com um suíço que conheci no hostel. Dublin pub é praticamente na San Martin e foi o único bar bar que encontrei. Os preços das comidas e cervejas estavam no preço de outros lugares em ushuaia. Pedi um drink ($80) e batata frita ($100), estavam bons. O bar enche muito, então, se quiser sentar, chegue cedo. 16/11 Meu último dia de viagem. Acordei cedo, arrumei tudo e fui para o porto pegar o barco para fazer o passeio do Canal Beagle (taxa do porto $20). O passeio é muito bonito e interessante. O dia estava bonito, com sol. Vimos diversas aves, lobos marinho, o famoso farol. A tarde, peguei um taxi ($150) para o Cerro Martial que me deixou no final da pista, junto a uma casa de chá. Dá para ir a pé da cidade, mas não aconselharia (talvez a volta). Dali você tem que ir subindo a pé. O Cerro estava lindo, todo branquinho com neve. Depois de um tempo começou a nevar. Foi ótimo! Voltei para a casa de chá e tinha um casal esperando um taxi. Pedi para dividir com eles ($45). Enrolei um pouco mais na rua. Gastei meus últimos pesos no mercado (alfajors!!!) e fui para o hostel esperar meu transfer dos brasileiros em ushuaia. Peguei meu voo para Buenos Aires. Fiz o mesmo percurso de ônibus entre os aeroportos (Aeroparque – Ezeiza) ($200). E assim foi!
  7. instagram: https://www.instagram.com/fabiobs_photography/ Segue algumas dicas básicas e um relato simples do que eu e minha noiva fizemos em nossa viagem pela Patagônia Argentina em março de 2016. Fiz esse resumo durante a viagem no celular, me perdoem os erros de português e concordância, mas resolvi postar sem grandes revisões para contribuir com a comunidade. Qualquer dúvida que surgir irei esclarecendo. Foram aproximadamente 5 dias em Ushuaia, 2-3 dias em El Calafate e 5 dias em El Chalten. Como elaborar o Roteiro para a região mais ao sul da Patagônia? Ushuaia, El calafate, El chaten, torres de paine (TDP - Chile), o que fazer? Quantos dias para cada lugar? O que cortar? O que fazer? Você irá ler, ler, ler e só vai decidir depois que conhecer todos, Rs. Bom, li muito sobre os lugares, e cada um tem uma "pegada" diferente. Com 7 dias faria somente el calafate e el chalten ou TDP. Com 15 dias faria o mesmo roteiro que o nosso ou trocaria ushuaia por TDP. Com mais dias colocaria TDP. O nosso intuito era conhecer as lindas paisagens desses lugares e percebi que não queria e poderia ter a correria de dias contados, já que há grande probabilidade de mau tempo na região (pense nisso!). Outra dúvida, tinha que optar entre torres del paine ou el chalten, ja que ficaria muito pesado pra gente a quantidade de trilhas se optasse pelas duas na mesma viagem e não estávamos treinados e dispostos a isso. Após ler muito, decidimos por el chalten, primeiro pela possibilidade de fazer as trilhas mantendo o hostel como base, ja em TDP, pelas minhas pesquisas, seria mais caro que el Chalten, e para fazer o W teríamos que organizar para ficar nas hospedagens da montanha($) e não estava a fim de acampar no frio ou chuva (apesar de ter dado muita vontade com os dias de sol que pegamos). Acredito que ambas as cidades tenham potenciais parecidos de belezas naturais, sendo a combinação de sol e céu azul o segredo para a "vitória" de um sobre o outro. (Não fui a TDP). Relembro que em el chalten é possível fazer muitos circuitos acampando, na mesma pegada de tdp. (Achamos demais a pequena cidade e sua organização para o trekking - El Chalten). Em relação aos passeios: Caminhada sobre o gelo (empresa hielo y aventura). Queria muito fazer o big ice (caminhada 3horas sobre a geleira) que é mais completo e mais caro (Glacial Perito Moreno próximo a el calafate) ou combinar o minitrekking (1 hora e 30 - Perito Moreno) com icetrekking no Glacial Viedma (mais próximo a el chalten - Viva Patagônia ou Patagônia Adventure) aumentando a probabilidade de ver as cavernas de gelo e tentando gastar "menos" nos passeios. Chegando a el calafate não consegui vaga para o dia seguinte no Big Ice (vagas limitadas), não queria deixar para o final da viagem ja que tinha visto a previsão do dia seguinte e era de sol, fizemos o mini e valeu!!! Fiquei satisfeito com o minitrekking, dia de sol, perfeito, fomos o ultimo grupo a fazer a caminhada, foi tranquila e suficiente para sentir e viver o glacial Ushuaia é uma cidade muito turística, com a rua principal com Lojas e restaurantes chiques, com isso, muito mais cara. Apesar dos passeios terem sido ótimos e a cidade ser "estilosa", em nossa opinião gostamos mais de el chalten e el calafate. Em Ushuaia, vá ao centro de informações turísticas, próximo ao porto, Av Maipu, e informe-se de todos os horários e informações dos transfer para o parque, laguna esmeralda, etc. Pelas minhas pesquisas, vale a pena os transfer que são tabelados e de organização municipal (se não me engano). Ja para o Cerro Martial só taxi mesmo. Os cálculos tem como base duas pessoas. Deixe Ushuaia no inicio de seu roteiro, pois o visual de el calafate e el chalten farão as trilhas de ushuaia ficar menos grandiosas. Em ushuaia partem navegações para Antártida $$$$, imagina o visual? Em El calafate fizemos a Navegação Glacial Upsala e passeio terrestre na Estância Cristina, uma ótima surpresa!! Tinha lido sobre o passeio no trip, porém não havia visto fotos, em el calafate fizemos este passeio com a empresa Viva Patagônia ou Patagônia Adventure (talvez sejam a mesma empresa) que possuem a concessão para fazer o passeio terrestre na estancia e no glacia viedma (assim como a hielo y aventura no minitrekking perito moreno), e foi surpreendente! Vale a pena. Tanto a navegação entre pedaços de icebergs do glacial como a parte terrestre que consiste em ida de 4x4 até o mirante do glacial viedma (IMPRESSIONANTE), valeram a pena!!! O preço foi tão salgado quanto o minitrekking ou quanto seria o ice trekking! Estava muito em duvida se valeria a pena, e valeu cada centavo! Outro passeio que indico para quem esta com dinheiro para os tours pago seria o kaiak pelos glaciais upsala! Deve ser fantástico poder navegar entre os icebergs, mesmo que no estilo excursão (passeio da patagônia adventure, kaiak experience- não fiz). Não fiz e acredito que seja muito cansativo e pouco proveitoso fazer bate e volta para TDP ou para El Chalten, essas cidades devem ser vividas!!! O tempo, sol, céu, fazem toda diferença nos passeios e não podemos controla-los, então, tente programar-se com a previsão, principalmente para ida a laguna de los três em el chalten, estancia cristina e minitrekking (tops) Faça caminhadas longas antes de viajar, exercite-se! Treine em terrenos montanhosos, ou aclives e declives! Muitas pessoas chegam próximo ao final da trilha e desistem. A ida é metade do percurso, tente organizar uma trilha longa em um dia e leve em outro, ou um passeio no outro dia para se poupar, utilize bastões de trekking, ajudam muito, não compramos, utilizei cajados que achava nas trilhas, mas minha noiva foi na raça mesmo (joelho apitou), foi necessário tomar uns remédios (vale a pena levar) O que mais gostamos: - Laguna de los três: trilha mais bonita e completa, todo o percurso é bonito, a visão do conjunto fitz roy e lagunas depois de tanto esforço é recompensador. - Navegação no Glacial Upsala e Estancia Cristina: foi uma grande surpresa esse passeio , o mirante acessado na estancia em um dia de tempo aberto é algo indescritível! Não esperávamos ser surpreendidos no ultimo dia de viagem apos termos vistos tantas paisagens. O passeio é bem completo, a historia do lugar e a navegação no glacial tb foram legais - Minitrekking no Perito Moreno: tanto o visual da geleira quanto a caminhada foram fantásticos. Hotel: Reservamos a maior parte da viagem pelo booking, mas vale a pena entrar em contato com os hotéis e tirar a porcentagem do booking. Verificamos a disponibilidade pelo booking e fomos direto ao hotel nos últimos dias, sem reservar e com poder de barganha, mas ai vai do tempo e disposição e a questão se é ou não alta temporada em março tem bastante vaga nos hotéis. Ficamos em quartos duplos com banheiros privados em toda a viagem. Ushuaia: Hostal Malvinas- preço alto pelo booking, boa estadia, se entrar em contato sai mais barato El Calafate: EL CALAFATE VIEJO HOSTEL - FUJA, foi péssimo e caro. El Calafate: Hotel e Hostel Punta Norte: bom preço, otima estadia, muitas reclamcoes no booking devido ao barulho, as paredes são finas. Durante as 2 noites que estivemos por la não tivemos problemas pois não estava cheio, quarto otimo. El Chalten: Rancho Grande- Bom preço, boa estadia. Dinheiro e Câmbio na Argentina: Levamos um total de 9000 reias para duas pessoas. trocamos em BA 100 reais a $3,6 (banco de la nacion) O resto trocamos em Ushuaia com o oriental do hotel antartida, super seguro, possui a luz negra no proprio balcão, melhor taxa de cambio da cidade. Creio que ele tenha algum acordo na cidade pois ele trabalha com altas quantias. Trocamos todo o real: em 4 dias a taxa variou de 3,7 a 3,8 (trocamos aos poucos e equalizamos as perdas). Antes da viagem A cotaçao do dolar estava mais de 4 reais, agora voltou a baixar. Tanto o nosso cambio, quanto o da argentina totalmente instavel, entre em contato com o hotel antartida e pergunte a cotação, eles respondem no mesml dia! Faça o cálculo e verifique o que vale a pena, levar dolares ou real. Tentamos anotar (na medida do possivel) o dia a dia dos nossos gastos com mercado, jantar, etc. Trocamos com um brasileiro no aeroporto o que sobrou (aprox. 500 reais) Alimentação: Compre chocolates, barrinhas, carboidratos em gel e outros itens leves no Brasil! Encha a mala!!! Devido ao custo elevado na Patagônia, sempre compravamos paes, frios, frutas, sucos, snacks e afins no mercado para tentar economizar um pouco, mesmo assim era muito caro. É possivel tomar agua dos rios nas trilhas de el chalten, agua pura! A comida no geral não é boa. Comemos uma boa carne de "chorizzo" no pub estilo irlandes na san martin em ushuaia e no hostel rancho grande (as comidas e lanches do rancho são boas e bem servidas, dividiamos os pratos, vale a pena jantar por la.) O melhor da viagem e mais caro foi um prato de lagosta com king krab (caranguejo) no restaurante estilo moderno que possui um aquario de caranguejo na avenida san martin em Ushuaia. Recomendo. Experimentamos um pouco de king crab como entrada ao estilo natural. Somos fãs de frutos do mar, porém tem alguma coisa no tempero deles que não faz parte do nosso cotidiano, muito forte. (Agradecemos por não ter pedido o king crab inteiro, seria uma tortura se fosse no mesmo tempero, seria muito enjoativo), dica: experiemnte como entrada primeiro! Roupa Ha foruns específicos sobre botas, meias, blusas, etc, aqui no mochileiros, leia! Recomendo as meias de trekking, sem algodao!!!! Comprei um par das meias de caminhada sem aquecimento, as de inverno que estavam na promoção não tinham meu numero (decathlon, 40 reais). Não passeio frio nos pés, pelo contrario. Recomendo demais, os pés ficam mais secos e agradecem. Lavava no chuveiro. Levei capas de chuva da decathlon, não usamos, mas recomendo. Botas impermeaveis, recomendo, caminhar com os pés molhados não rola! As minhas são da columbia, peguei uma promoção no shopping center norte por 200 reais, e a minha noiva comprou na decathlon tb por 200 reais uma bota impermeavel da marca deles! Amaciamos antes da viagem. A media de preço das botas fica entre 500 e 800 reais, compre na decathlon. Como pegamos sol a maior parte do tempo, utilizei uma calça de trekking sem aquecimento, algumas vezes utilizei a segunda pele por baixo ( que tb comprei na decathlon por 20 reais) Utlizei uma blusa respiravel e impermeavel de neve (passava calor), apenas dois dias ventou o suficiente para passar frio... rs Segue as anotaçoes diarias da viagem: 27/02 Dia de aeroporto- chegada em Ushuaia $480 janta (chorizo e lamche) $26 agua $68 salada de fruta $60 Empanadas no aeroporto 28/02 Pegamos o transfer do parque nacional ao lado do posto de gasolina na Av. Maipu. Fizemos a Senda Costeira, no inicio da trilha há o carteiro do fim do mundo, figura, carimbamos os passaportes, selo bacana, trilha de 8km, tranquila, belo visual. Tempo mudava repentinamente de garoa e frio para sol e calor e vice versa por diversas vezes. Continuamos até a senda do lago rocca, andamos um pouco, porém decidimos voltar e ficar na "praia" do lago curtindo o visual e comendo alguma coisa que haviamos comprado, fazia muito sol ao fim do dia. $600 de transfer ate o parque nacional $200 de entrada $198 no mercado $115 de empanadas na janta $7530 hotel 29/02 Após ler relatos e refletir, decidimos fazer apenas o passeio de barco sem a Pinguinera( tudo muito caro), passando pela ilha dos passaros, ilha do farol, ilha dos lobos e Pinguinera, sem desembarcar na ilha. Valeu a pena, apesar de bastante gente no barco, todos querendo fazer fotos, foi possível curtir os lugares e ver os pinguins bem de perto, porém, se quer uma selfie com os pinguins, faça os passeios separados. Devera comprar a Pinguinera com a Piratur, e o passeio das ilhas com alguma das muitas empresas. Fechamos o nosso com a Canoeiros, consegui um desconto e o pessoal foi muito profissional. $1800 passeio barco farol $40 taxa $50 empanada e te com leche $15 mercado caneta e sabonete $53 doces $180 sopas $320 vinhos e cerveja 01/03 Pegamos o transfer na Maipu até a Laguna Esmeralda. Lugar muito bonito, caminhando pela lateral da laguna é possivel acessar uns diques em sua parte posterior, vale a pena! E se tiver na pegada subir ate o glacial na parte de traz. $500 transfer laguna esmeralda $60 empanadas $90 torta de maça $984 centolha janta 02/03 Pega os um taxi até o Glacial Martial e subimos andando até o Glacial Martial. O teleferico que tem ali até a metade do percurso não funciona ha alguns anos, então prepare-se para a subida. Muito legal o visual. $83 mercado $240 taxi ate glacial martial $80 lavanderia $410 janta $90 sorvete 03/03 Dia que iriamos para el calafate, andamos pelo centro, visitamos alguns museus, dia de curtir a cidade. $45 chocolate $95 de souvenirs $140 de empanadas $130 de taxi até aeroporto $240 de ves no aeroporto el calafate $292 de mercado $325 de pizza $740 de passagem até el chaten $3000 de mini trekking 04/03 Minitrekking Perito Moreno, visita de 2 horas nas plataformas do Perito Moreno, incrível, navegação até a lateral do glacial, caminhada de 20 minutos por terra até chegar ao glacial, grampones nos pés e 1h 30 minutos de caminhada sobre o glacial, perfeito! $400 entrada no parque U$104 de hostel $400 jantar $71 mercado 05/03 Dia de viagem, saída as 7:00 de el calate para el chalten via taqsa (empresa mais barata) . Chegamos cedo em el chaten, cidade muitooo pequena, muito agradável. Tentamos iniciar a laguna torre, porém estavamos cansados, andamos pela cidade e ficamos de bobeira para poupar os joelhos para os 20 km do dia seguinte. $60 torta e chocolate $205 empanadas $125 mercado $250 transfer hosteria pillar. $150 remedio $220 de janta e chopp 06/03 Trilha laguna de los tres via hosteria pillar, (aprox. 20km total), ida à laguna suíça que esta ao lado direito 5 minutos da laguna de los tres e retorno pela laguna Capri. Valeu o atalho pela hosteria pillar por passar pelo mirador glacial piedras blancas (lindo), e a trilha ser mais leve. Subida bem puxada no ultimo km até a laguna de los tres, coragem!!! Desça e va dar uma olhada na laguna suíça, muito perto para quem andou tanto. Escolha um dia de tempo bom!!! $250 de waffle 07/03 Ida a cachoeira chorillo del salto, 3km (6km total), tempo fechado, descanso, bonita cachoeira, trilha leve. $100 lavanderia $130 hamburguer $5472 de hotel $60 de torta e chocolate quente $80 de omelete $90 mercado 08/03 Trilha do ploma del pliegue tumbado, 12 km de subida (24km total), 4h30 ritmo lento de ida, 1000 metros de desnivel, vista 360 graus da laguna torre, torres, fitz roy e lago viedma. Necessita bom tempo. Vista do mirante antes de chegar ao topo muito parecida com topo. Linda.. Tempo aberto, muitos preferem este visual, mas em nossa opinião ficamos com a trilha da laguna de los tres sem duvida nenhuma. $305 de janta $60 de bolachinhas 09/03 Pensamos em fazer o icetrekking no glacial viedma, mas não tinha mais vaga para a tarde do mesmo dia, não fechamos antes porque queriamos garantir que seria um dia de sol. Trilha até mirante laguna torre (3km subida, total 6km), faltaram 6 km até a laguna (total de 12 ida e volta), estavamos cansados. O mirante tem um belo visual. $750 de passagem de onibus $120 de bolachinhas e lanche $340 de janta 10/03 Ida de el chaten para el calafate, de bobeira na cidade. Almoço na padaria e sorvetinho sabores dulce de leche e calafate na sorveteria aquarela (recomendo) $35 de docinhos $1200 de hotel em calafate $4540 de estancia cristina $160 de almoço la fonda! Muito bom! Na 9 de julio.. $100 de sorvete acuarela $128 de mercado $97 de cerveja no mercado $35 de hot dog. Muito bom! Na 25/05... $250 de green market 11/03 Passeio estancia cristina discovery, com 4x4. Glaciar upsala e Mirante incrível. Historia e a vida no lugar muito interessante. $398 jantar 12/03 Fimmmm dia de voltar... $260 taxi aeroporto $300 almoço aeroporto Estou postando sem revisão, caso tenha ficado algo confuso perguntem!!! Erros grotescos (rs), desconsiderem!!!
  8. Fitz Roy visto do Mirador Fitz Roy Tendo o aeroporto de Punta Arenas como ponto inicial da viagem pela Patagônia, passei pelas cidades de Puerto Natales (Ch) e El Calafate (Arg) para chegar a El Chaltén (Arg). Poderia ter pego um voo do Brasil para Buenos Aires e El Calafate, já que essa cidade tem localização mais estratégica, porém o preço era pelo menos R$400 mais caro e a conexão em Buenos Aires era bem demorada. 14/02/16 - 1º DIA: DE EL CALAFATE AO ACAMPAMENTO POINCENOT As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261436122689516993. Em El Calafate peguei o ônibus da empresa Taqsa das 7h e 2h50 depois estava em El Chaltén com um tempo perfeito, sol e céu azul. Tratei de comprar rapidamente os suprimentos num mercadinho e na padaria em frente (um pão integral delicioso) e corri para a trilha para não perder a oportunidade de fotografar o Fitz Roy enquanto havia sol, já que o tempo muda rapidamente, segundo todos dizem. Percorri oS 1200m da Avenida San Martín e ao final, após um estacionamento, cruzei o portal do Sendero Fitz Roy. Altitude de 400m. Uns 100m depois um guardaparque me parou para passar as informações de praxe, como: não fazer fogo, só usar fogareiro nos acampamentos e trazer todo o lixo de volta, só caminhar nas trilhas demarcadas e só acampar nos lugares estabelecidos. Segundo ele todas as águas correntes do parque são potáveis, mas aproveitei uma torneira ali para abastecer os cantis. Às 11h36 a trilha começa já com uma subida que alterna trechos de bosque com partes sem sombra até que cheguei às 11h50 ao Mirador Rio de Las Vueltas, a primeira bela visão panorâmica da caminhada. O Rio de Las Vueltas se origina no Lago del Desierto, recebe águas de outros importantes rios e percorre um enorme vale, cruzando a cidade de El Chaltén. Continuando a subida, logo surge a primeira placa de distância, que marca km 1 de 10 até a Laguna de Los Três. Às 12h43 uma bifurcação importante, de difícil decisão sobre qual caminho tomar pois ambos são belíssimos: à direita o Mirador Fitz Roy e à esquerda a Laguna Capri. Mais à frente as duas trilhas se juntariam para chegar ao acampamento Poincenot e à Laguna de los Três (de onde se tem a visão mais próxima do Fitz Roy). Na dúvida, segui os dois... rs. Primeiro fui para a direita e apenas 530m depois caí duro com uma das visões mais impressionantes que já tive na vida. O Fitz Roy e todo o conjunto de picos próximos a ele com um céu incrivelmente limpo e azul, e toda a paisagem inundada pela luz do sol num dia belíssimo. Após alguns minutos de contemplação e êxtase, voltei pelo mesmo caminho e peguei o lado esquerdo da bifurcação (agora à direita) às 13h23. Poderia ter continuado em frente depois do mirador mas queria conhecer a lagoa. Em 14 minutos já estava às margens da Laguna Capri, outro lugar muito bonito que merece uma parada e muitas fotos. Ali há um camping e a placa informa que já foram percorridos 4km da Senda Fitz Roy. Continuando, a trilha ainda dá visão da lagoa à esquerda por algum tempo mas depois se afasta. Às 14h09 passei pelo entroncamento da trilha que vem do Mirador Fitz Roy (à direita) e o caminho passou a ser bastante plano. Junto a um novo mirante a trilha se aproxima do Arroyo del Salto. Algumas pessoas haviam descido para pegar água. Laguna Capri Às 15h cheguei à bifurcação que leva à esquerda às lagunas Madre e Hija (e ao acampamento De Agostini e Cerro Torre), mas esse percurso eu faria dois dias depois, então fui para a direita. Como há um grande charco logo à frente, passarelas de madeira foram colocadas. Às 15h12 cheguei à bifurcação que vai para a Hosteria El Pilar à direita, mas segui à esquerda, chegando ao acampamento Poincenot às 15h15. Altitude de 737m. Uma placa marca km 8 da Senda Fitz Roy ali. O que vale comentar aqui é a grande quantidade de pessoas na trilha. Se você quiser parar para fotos é melhor sair um pouco da trilha pois logo você vai travar o caminho de várias pessoas. E muita gente no sentido oposto também, para quem você deve dar passagem ou esperar que te deem. É muita gente mesmo. No Poincenot rapidamente montei minha barraca e às 16h05 parti para a Laguna de los Três só com a mochila de ataque. É muito importante sempre carregar na mochila uma blusa a mais e jaqueta/calça impermeáveis pois o vento forte traz chuva mesmo estando sol. Cruzei o Rio Blanco por uma ponte, passei pela base Rio Blanco (que parece funcionar como guarderia, não sei) e iniciei a longa e erodida subida de pedras soltas até a Laguna de los Três, aonde cheguei às 17h05. Altitude de 1164m. A visão do Fitz Roy bem mais próximo era espetacular, com a neve a seus pés refletida nas águas verdes do lago. Um zorro colorado apareceu e circulou tranquilamente entre os visitantes à procura de comida. Contornando a lagoa pela esquerda por 250m é possível avistar a linda Laguna Sucia (que de suja não tem nada) bem mais abaixo. Ali um gavião se aproximou de mim e pude registrá-lo de vários ângulos. Os bichos aqui realmente não têm problema com os seres humanos. Às 19h43 estava de volta ao acampamento Poincenot, ainda com luz do dia. Essa subida longa e erodida até a Laguna de los Três se dá por uma moraina ou morena, que são montanhas de rochas trazidas pelo movimento das geleiras, algo muito comum na Patagônia. Os acampamentos aqui têm como única estrutura um banheiro que é uma cabine com um buraco fétido no chão. No Poincenot há dois desse. Junto a um deles há uma pá pendurada para quem preferir usar o bosque para o número dois, cavando um buraco. Não há área coberta para cozinhar. A água é coletada no Rio Blanco, a poucos metros. Bebi dessa água (sem tratar) e não tive problema. Nessa noite um guardaparque surgiu do nada (não sei onde ele se abriga, provavelmente na base Rio Blanco) e avisou para ancorar bem a barraca por causa da previsão de mau tempo. Nesse dia caminhei 16,9km. Laguna de los Três e Fitz Roy 15/02/16 - 2º DIA: DO ACAMPAMENTO POINCENOT A TENTATIVA DE CHEGAR AO ACAMPAMENTO PIEDRA DEL FRAILE As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261436505415580337. A temperatura mínima durante a noite foi de 11ºC fora da barraca, bastante acima do registrado nas madrugadas seguintes (levei dois termômetros externos com memória para fazer os registros). De manhã quem rondava o acampamento à procura de alguma comida fácil era um carcará, que aqui chamam de carancho. Estava ainda bem cansado da viagem desde o Brasil e acordei depois das 10h. A vantagem é que no verão patagônico o sol vai se pôr lá pelas 21h. Como as trilhas não são tão longas, não é preciso se apressar. Desmontei acampamento e só saí às 13h43 em direção ao acampamento Piedra del Fraile. Voltei pela mesma trilha da chegada no dia anterior por 140m e na bifurcação peguei a esquerda, na direção da Hosteria El Pilar. Uns 45 minutos depois estava no mirador do Glaciar Piedras Blancas. O Rio Blanco passa a ser visível novamente à esquerda, bem abaixo, e a descida é suave até se aproximar dele. Notei a correnteza bem forte devido ao calor e consequente degelo dos vários glaciares que o formam. Às 15h28 cheguei a um portal com uma catraca de madeira que marca o limite entre o Parque Nacional Los Glaciares e a área particular onde está a Hosteria El Pilar. Dali em diante encontrei gado pastando no bosque e às 16h19 passei pela hosteria, altitude de 468m, onde a trilha vira estradinha de rípio. As poucas pessoas que encontrei nessa trilha estavam indo ao mirador do Glaciar Piedras Blancas, deixando o carro no estacionamento da hosteria. Caminhei 680m pela estradinha e cheguei à estrada que vai de El Chaltén ao Lago del Desierto, ao norte da cidade. Porém o vento ali era absurdo e eu tive muita dificuldade em caminhar pela estrada contra o vento e recebendo toda a poeira dos carros no rosto, que eu tentava cobrir com o chapéu. Caminhei 980m e ao chegar à ponte do Rio Elétrico a situação piorou. O rio estava tão cheio que batia no piso da ponte, com correnteza bem forte. Os motoristas passavam com cautela, mas felizmente eu não precisava cruzar essa ponte pois a trilha para Piedra del Fraile começa à esquerda, antes da ponte e bem junto a ela. Contudo, caminhei só 80m e parei pois o rio cheio inundou a parte mais baixa do caminho para o acampamento. Parecia até ser raso mas a água turva não me dava certeza disso. Não arrisquei entrar na água e o vento fortíssimo estava me deixando atordoado. Decidi retornar ao Poincenot, mas na volta para a estrada o vento me empurrava para dentro do rio a cada passo que eu dava, me causando grande susto. De novo na estrada caminhei rapidamente a favor da ventania, entrei na estradinha da hosteria (à direita) passando por ela às 17h12 e retornando à Senda El Pilar. O abrigo do vento no bosque foi um alívio! Subi tudo de volta e no caminho vi dois carpinteiros, o pica-pau preto de cabeça vermelha. Cheguei ao Poincenot às 19h57 (altitude de 737m) e soube que a ventania havia feito estragos por lá. Algumas barracas voaram mesmo com a proteção das árvores altas do bosque. A barraca de um casal de chilenos com quem fiz amizade chegou a ter o sobreteto rasgado ao ser arrastada com as mochilas dentro! Nesse dia caminhei 16,8km. Laguna Hija com Cerro Madsen ao fundo 16/02/16 - 3º DIA: DO ACAMPAMENTO POINCENOT AO ACAMPAMENTO DE AGOSTINI As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261436916575077217. A temperatura mínima durante a noite foi de 4,2ºC fora da barraca. A caminhada entre os acampamentos Poincenot e De Agostini deve ter sido a trilha mais fácil e bonita que fiz em El Chaltén. Ela corre ao longo das belas lagunas Madre e Hija, em seguida por um lindo bosque e depois com a visão do maciço onde está o Cerro Torre. Linda trilha! Desmontei acampamento e saí do Poincenot às 12h05. Voltei 1km pelo mesmo caminho do primeiro dia até a bifurcação para as lagunas Madre e Hija, logo após as passarelas sobre o charco, e fui para a direita (El Chaltén à esquerda). Às 13h05 já avistava a Laguna Madre, comprida e de águas esverdeadas, e em mais 15 minutos parei para fotos no ponto da trilha que está mais próximo à faixa de terra que separa a Laguna Madre da Laguna Hija. Na continuação, a trilha desce e se aproxima das águas igualmente belas da Laguna Hija, o que rende boas fotos também. Abandonando a área das lagunas a trilha se embrenha num bosque que em alguns momentos se abre, dando visão dos campos e serras a leste. Depois de algum sobe-desce fácil cheguei às 15h29 à Senda Laguna Torre. É a trilha que vem da cidade e leva à laguna e ao Mirador Maestri, com visão do maciço do Cerro Torre. Fui para a direita (El Chaltén à esquerda). Pouco depois dali já se tem uma visão larga e privilegiada das montanhas nevadas e dos picos todos, inclusive o Cerro Torre, porém nesse dia só se viam nuvens. Na direção da cidade havia céu limpo e muito sol, mas na direção das montanhas estava bem fechado. Logo passei pela placa que indica km 6 de 9 da Senda Laguna Torre. A trilha entra no bosque e começa a acompanhar o Rio Fitz Roy, que surge à esquerda. Ao sair continua margeando o rio, contorna outro bosque pela esquerda e chega a uma bifurcação. À esquerda, em 60m, está o acampamento De Agostini, à direita a trilha continua para a Laguna Torre, aonde se chega em 7 minutos. Mas eu fui para a esquerda e às 16h30 entrei no bosque que abriga o acampamento, reencontrando meus amigos chilenos. Altitude de 613m. Teria várias horas de luz ainda nesse dia mas não adiantava subir até o Mirador Maestri pois não veria nada. Para piorar caía uma chuva fina, que logo se transformou em floquinhos de neve. Não dava para ver as montanhas mas era também um bonito espetáculo! O acampamento De Agostini possui estrutura ainda mais básica que o Poincenot, tendo como banheiro apenas uma cabine com buraco no chão. Infelizmente essa cabine fica muito próxima e o mau cheiro pode ser sentido da barraca. Não há local apropriado para cozinhar e a água é a do Rio Fitz Roy, que nasce na Laguna Torre e passa bem ao lado. Eu bebi bastante dessa água (sem nenhum tratamento) e não tive problema. Nesse dia caminhei 10,6km. Cachoeira no caminho do Mirador Maestri 17/02/16 - 4º DIA: ESPERANDO A MELHORA DO TEMPO NO ACAMPAMENTO DE AGOSTINI As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261437114070602417. A temperatura mínima durante a noite foi de 4,6ºC fora da barraca. Às 10h16 fazia 5ºC e o tempo não melhorava. Ainda havia neblina nos picos e chuva fina. Mesmo assim resolvi subir ao Mirador Maestri. Saí do acampamento às 11h29 com uma mochila de ataque, fui até a Laguna Torre (7 minutos) e de lá encarei a caminhada pela crista da moraina mesmo sem visual dos picos. A trilha do mirador não é difícil, tem apenas um ou dois trechos mais íngremes, mas no geral é uma subida suave. Uns 150m depois de uma cachoeira (dentro do bosque à direita) fui à direita numa bifurcação e entrei no bosque, mas estava errado. Voltei e fui para o lado certo, continuando a caminhar pela encosta, a céu aberto. Com esse erro e paradas para fotos (mesmo com tempo ruim) cheguei ao Mirador Maestri às 13h35. Altitude de 804m. Uma placa avisa do perigo de continuar em frente pela instabilidade do terreno e queda de rochas. E olhando a encosta para cima e para baixo é que se percebe o risco de ficar ali pois pedras enormes podem rolar a qualquer momento. Às 13h53 iniciei o retorno. Parei para fotos da cachoeira e às 15h23 estava de volta ao De Agostini. Meus companheiros de bate-papo, o casal chileno, haviam ido embora. Vi gente chegando da cidade e fui perguntar sobre a previsão do tempo. Disseram que o dia seguinte seria o melhor da semana, segundo informações dos guardaparques. Aí bateu aquela dúvida: enrolar o resto do dia e dormir mais uma noite ali apostando na previsão ou arrumar as coisas e ir embora? Consultei o meu cronograma de viagem e concluí que podia gastar mais um dia ali sem prejudicar o restante da viagem (que incluía o Circuito O do Torres del Paine ainda). Decidido isso e para não ficar parado no acampamento sem nada para fazer resolvi caminhar pelos bosques próximos e explorar as redondezas com mais calma. Saí às 16h40 e voltei pela Senda Laguna Torre até a bifurcação que leva à esquerda a um certo "Campamento Prestadores de Servicios". Entrei ali, passei pelo tal acampamento, todo de barracas iguais, e alcancei um pequeno mirante. O mirante em si não era nada especial (principalmente com tempo fechado), mas ali perto encontrei um bloco errático, uma grande rocha trazida pela geleira que tinha uma rachadura grande na lateral. Cerca de 350m depois essa trilha sobe a moraina e desemboca na trilha do Mirador Maestri. Fui para a esquerda e às 19h12 estava de volta ao Poincenot. Nesse dia caminhei 9,8km. Laguna e Cerro Torre 18/02/16 - 5º DIA: DO ACAMPAMENTO DE AGOSTINI A EL CHALTÉN As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261437370587930497. A temperatura mínima durante a noite foi de 3,4ºC fora da barraca. Felizmente as previsões estavam certas e amanheceu um lindo dia. Apesar disso, havia ainda espessas nuvens cobrindo o Cerro Torre e os demais picos, que só começaram a se dispersar depois das 10h30. Subi novamente ao Mirador Maestri parando muitas vezes para fotos, tanto na ida quanto na volta já que na volta o Cerro Torre estava ficando mais visível entre as nuvens. Saí do acampamento às 10h10 e às 13h43 estava de volta. Desmontei tudo e iniciei a descida para El Chaltén às 15h29. O caminho foi o mesmo da chegada dois dias antes até a bifurcação para as lagunas Madre e Hija, aonde cheguei às 16h29, seguindo para a direita. Para trás a linda visão dos picos com céu azul não me deixava caminhar muitos passos sem me virar para admirar. Nesse percurso encontrei um brasileiro, um gaúcho, que estava fazendo um ataque ao Mirador Maestri desde a cidade mas desistiu por causa do horário e da distância. Fomos conversando e passamos pelo Mirador do Cerro Torre às 17h36. Retomamos a trilha pelo bosque e apesar da quantidade de pessoas pudemos observar vários carpinteiros bem próximos, voando de uma árvore a outra à procura de larvas. Às 18h02 a trilha para a cidade bifurcou, com uma placa indicando El Chaltén à direita. Mas tanto faz, depende de para qual parte da cidade se vai. À direita é o acesso sul, melhor para ir à rodoviária ou à maior parte do comércio e restaurantes. À esquerda é o acesso norte, que chega à cidade mais próximo da trilha do Fitz Roy. O gaúcho (esqueci seu nome) foi para a direita e eu fui para a esquerda pois ia seguir a sua indicação de hostel e ver preços de camping. Às 18h54 a trilha terminou numa rua, fui para a direita, depois esquerda e cheguei à avenida San Martín na altura do nº 700-900. Altitude de 400m. Fui para a direita à procura do Hostel Las Cuatro Estaciones mas não encontrei (ficava para a esquerda, depois descobri). Então olhei os campings El Relincho (AR$120) e El Refugio, e optei pelo último por ser mais barato (AR$90 negociável). Os albergues mais baratos estavam cobrando AR$150 (US$10,71 considerando o câmbio ruim de US$1 = AR$14 praticado na cidade). Saí para jantar e não encontrei nada por menos de AR$140 (US$10). Esse era o preço de um filé de frango com saladinha, mais nada. Menos que isso só lanche ou cozinhando no camping. Para ter uma idéia melhor de preço, quando eu saí do Brasil em 12/02 o dólar-turismo estava sendo vendido a R$4,25. O filezinho de frango estava saindo portanto a R$42,50! Nesse dia caminhei 9,2km. Nas imediações de El Chaltén, voltando da tentativa de subir o Loma del Pliegue Tumbado 19/02/16 - 6º DIA: LOMA DEL PLIEGUE TUMBADO (TENTATIVA) E MIRADORES CÓNDORES E ÁGUILAS As fotos estão em https://plus.google.com/u/0/photos/116531899108747189520/albums/6261437654486503649. A temperatura mínima durante a noite foi de 2,8ºC fora da barraca. Saí do acampamento com uma mochila de ataque para conhecer os três principais mirantes mais próximos de El Chaltén: Loma del Pliegue Tumbado, Mirador de los Cóndores e Mirador de las Águilas. Caminhei até a entrada da cidade (junto à rodoviária), cruzei a ponte sobre o Rio Fitz Roy e seguindo as placas cheguei ao Centro de Visitantes do Parque Nacional Los Glaciares zona norte. O centro é bem interessante, com mapas e informações sobre fauna e flora, além dos guardaparques muito atenciosos e prestativos. Vale a visita! Ali inicia a trilha para os três mirantes, além da trilha para a Laguna Toro, Paso del Viento e Volta do Huemul. Mas para essas trilhas mais longas e difíceis é necessário fazer registro no centro de visitantes. Peguei a trilha sinalizada para os mirantes às 10h52 e em 6 minutos há uma bifurcação. Para a direita Loma del Pliegue Tumbado e Laguna Toro, e para a esquerda miradores Cóndores e Águilas. Como o Pliegue era mais difícil fiz primeiro. Fui para a direita e às 11h04 cruzei um riacho de água boa segundo a guardaparque. Após o riacho a trilha bifurcou e eu segui para a esquerda. Aí começa uma longa subida. Às 11h16 outro riacho de água boa. Mais para cima há riachos de água não potável por causa do gado. A trilha sobe bastante exposta ao sol, atravessa um bosque de 700m, volta a ficar a céu aberto (com vista do Pliegue) e às 12h05 bifurca (796m). À direita o Pliegue e à esquerda a Laguna Toro. Seguindo para a direita logo entro num grande bosque, o último antes do cume. Na subida pelo bosque notei muita gente voltando. Comecei a perguntar se haviam chegado ao cume e todos respondiam que ao final do bosque, no mirador, o vento estava forte demais e ninguém continuava. Cheguei ao mirador às 12h43 (altitude de 1043m) e constatei que não só o vento era de arrasar como trazia pingos de chuva que batiam forte na pele, além das nuvens que encobriam quase toda a visão das montanhas. Ou seja, não havia muito sentido mesmo em prosseguir pois o vento ia ser ainda mais forte mais para cima e não havia o que ver. E dali em dias limpos é possível ver o Cerro Torre e o Fitz Roy, segundo a placa do mirador. El Chaltén Dei um tempo ali, conversei com algumas pessoas que estavam desistindo do cume também, fiz um lanche e iniciei a descida de volta pelo mesmo caminho às 13h20. Às 15h38 estava de volta à bifurcação dos miradores Cóndores e Águilas e fui em frente (à esquerda o centro de visitantes). Altitude de 404m. Inicia uma nova subida. A trilha do Mirador de Los Cóndores possui painéis educativos para as crianças que falam sobre a vida dessa ave e sua importância como símbolo dos Andes. Após subir 83m (de desnível) uma placa indica o Mirador de los Cóndores 10 minutos à esquerda e o Mirador de las Águilas 30 minutos à direita. Fui primeiro aos Cóndores para fotografar a cidade de El Chaltén com sol. Esse mirador (524m) fica bem de frente para a cidade e para o vale do Rio de las Vueltas, com as montanhas ao fundo e o encontro do Rio Fitz Roy com o las Vueltas em primeiro plano. O vento ali também estava bem forte e estava difícil ficar em pé para tirar as fotos. Desci de volta à última bifurcação e em mais 18 minutos cheguei ao Mirador de las Águilas (587m). Essa trilha não tem painéis para as crianças e há uma bifurcação não sinalizada onde se deve subir à esquerda. Esse mirador tem visão oposta ao primeiro e está no limite das montanhas em direção ao Lago Viedma, ou seja, a vista que se tem é de uma extensa estepe com o lago ao fundo. Me escondi do vento forte atrás das pedras mas na hora de voltar estava até difícil parar em pé. Desci rapidamente para um ponto mais abrigado e iniciei o retorno à cidade. Às 17h48 passei pelo centro de visitantes e já estava fechado (fecha às 17h). Nesse dia caminhei 18,7km. SOBRE O TEMPO Todos sempre me disseram que o tempo na Patagônia muda a cada hora. Não foi o que eu vi. Quando o dia amanhecia ruim, ficava ruim. Já quando amanhecia bonito, permanecia assim. O que incomoda mesmo é o vento muito forte, que atrapalha algumas caminhadas, como relatei acima. Ele traz chuva de longe mesmo estando sol no lugar onde você está. E às vezes essa chuva vem com pingos fortes e doloridos. SOBRE O FRIO E AS ROUPAS Como relatei, a temperatura mínima durante a noite e madrugada oscilava entre 4,7ºC a 2,8ºC. Um saco de dormir nessa faixa de temperatura-limite (com alguns graus para baixo para ter mais conforto) dá conta do recado. Eu levei um saco de dormir Marmot Alpha, de pluma de ganso, de especificação: conforto 2,6ºC, limite -2,8ºC e extremo -19ºC. Ele foi mais do que suficiente. A temperatura de manhã demorava um pouco a subir. Geralmente eu tomava meu dejejum lá pelas 9 ou 10h com temperatura externa de 5ºC. Mas para mim um fleece fino da Quechua já era suficiente para sair da barraca. Para caminhar, eu usava uma camiseta de dryfit de manga curta e o fleece da Quechua se tivesse vento frio. Quando o sol ficava mais forte, tirava o fleece. Gorro só usava à noite, e luvas levei mas não usei. Laguna Capri e Fitz Roy Informações adicionais: Horários de ônibus entre El Calafate e El Chaltén (3h de viagem): Empresa Cal Tur (AR$420) - http://www.caltur.com.ar: El Calafate-El Chaltén - 8h, 13h, 18h30 El Chaltén-El Calafate - 8h, 13h, 18h30 Empresa Taqsa (AR$370) - http://www.taqsa.com.ar: El Calafate-El Chaltén - 7h, 16h30 El Chaltén-El Calafate - 10h30, 19h30 Empresa Chaltén Travel (AR$420) - http://www.chaltentravel.com: El Calafate-El Chaltén - 8h, 13h, 18h El Chaltén-El Calafate - 7h30, 13h, 18h Hospedagem em El Chaltén: Os hostels mais baratos que vi por lá foram Ahonikenk Chaltén (ao lado do restaurante de mesmo nome) e Las Cuatro Estaciones (http://www.hostelcuatroestaciones.com). Estavam custando AR$150 a diária. Apenas vi o preço, não sei dizer quanto à qualidade. Os campings da cidade são El Relincho (AR$120) e El Refugio (AR$90 negociável). Têm ducha quente e área para cozinhar. Atenção para o câmbio!!! O único câmbio bom em El Chaltén, bem como em El Calafate, é feito no banco. No caso de El Chaltén, na agência do Banco de La Nacion Argentina, porém é preciso ficar atento aos horários de funcionamento. O horário é de 8h a 13h, mas cuidado pois na internet há informações de que a agência só abre um dia por semana em abril e maio. Não há casas de câmbio nessas duas cidades, por incrível que pareça, apenas lojas, restaurantes e hostels que fazem um câmbio péssimo. Tente não fazer câmbio nessas cidades para não perder dinheiro nessas lojas e não perder tempo nos bancos lotados. Mas se não tiver outra saída, tente em El Chaltén o Restaurante Ahonikenk e o Hostel Rancho Grande para trocar real, e diversos outros lugares para cambiar dólar. Mas (repito) evite pois a cotação para dólar é ruim e para real é impensável. O dólar estava sendo comprado nas lojas das duas cidades a AR$14, enquanto no banco em El Calafate estava AR$15,90 (não parece mas isso faz bastante diferença). O real estava com o valor ofensivo de AR$3, enquanto no banco era AR$3,60. Rafael Santiago fevereiro/2016 http://trekkingnamontanha.blogspot.com.br Percurso completo na imagem do Google Earth. Cada dia representado por uma cor.
  9. Seguindo recomendações de pessoas viajadas nessa região e vendo também alguns relatos e fotos, resolvi dedicar meus escassos dias de férias no final de janeiro/2011 para conhecer essa região da Patagônia argentina: El Calafate, famosa por estar próxima ao imenso glacial "Perito Moreno", e El Chaltén, meu destino principal, também conhecido como a capital do trekking argentino, destino de muitos amantes da natureza das mais variadas idades, de diversos países e de vários estilos de vida diferentes. 24/01 - Maratona São Paulo - El Calafate Aproveitar as passagens aéreas com preços mais em conta requer algum sacrifício a mais. Saí de São Paulo no final da tarde do dia 23 para chegar as 9 da noite no aeroporto de Buenos Aires. De lá peguei um transfer até o aeroporto de Ezeiza onde passei a primeira noite, no meio de pernilongos e muito barulho, para finalmente pegar meu próximo vôo as 7 da manhã com destino a El Calafate (com uma breve escala em Bariloche). Cheguei quebrado no aeroporto em El Calafate, sem dormir, e peguei o transfer para a cidade. Foi quase um dia inteiro de vôos, esperas, transfers... mas enfim, cheguei na cidade e, após largar minhas coisas no pequeno hostel "Huemul", tratei de trocar algum dinheiro e comprar a minha passagem para El Chaltén para a manhã seguinte. Fica aqui uma dica para quem quer ir direto de El Calafate a El Chaltén: Pergunte pela rodoviária da cidade: ela fica estrategicamente escondida dos turistas e lá há várias empresas que oferecem os traslados. Se forem procurar nas empresas de turismo na avenida principal, com certeza tentarão vender algum pacote mais caro... Comprei minhas passagens El Calafate/El Chaltén/El Calafate por 150 pesos. A ida para a as 7 da manhã do dia 25, a volta deixei em aberto... Voltei pro hostel e tive uma surpresa: Havia uns 50 israelenses superlotando o hostel e fazendo aquele barulho todo que só eles sabem fazer... Gritaria, bagunça por todos os lados a noite toda... ainda bem que era só por uma noite... 25/01 El Calafate - El Chaltén - Acampamento De Agostini Apesar de não ter dormido bem na noite anterior, estava muito disposto e animado ônibus das 7 que me levará a El Chaltén, uma viagem de cerca de 220km e aproximadamente 4h30min de duração. No caminho até a rodoviária já senti o vento gelado e fortíssimo já característico dessa região. A medida que nos aproximamos de Chaltén a paisagem se torna cada vez mais bela, maegeando o belo lago Viedna com seu imenso glacial ao fundo, e de repente descortinam-se os belos maciços que fazem de El Chaltén um lugar tão procurado por turistas do mundo inteiro. Não havia uma nuvem sequer no céu então a visão do FItz Roy era perfeita... sempre eo fundo da belíssima estrada. A ansiedade vai aumentando, e perto das 11:30 chegamos na entrada do Parque, onde somos obrigados a descer do ônibus na sede dos guarda-parques para ouvir uma palestra a respeito de informações sobre o Parque, regras a serem seguidas, e principalmente conscientização ecológica, achei muito interessante ver o quanto se preocupam com o meio-ambiente. FInalmente cheguei no pequeno e simpático vilarejo El Chaltén. O clima lá não poderia ser melhor: temperaturas amenas, sem nuvens, sem vento... Tratei de ser rápido para comprar algo para comer e uma garrafa de água no mercado e reservar algumas noites no hostal "Pioneros del Vale" para quando eu voltar dos acampamentos. Em pouco mais de uma hora estava partindo do vilarejo. Mapa em mãos, parti para uma trilha de 3 horas que me levará ao primeiro acampamento em que iria pernoitar: "De Agostini". Já era 1 da tarde mas como a noite chega apenas lá pelas 22h tinha tempo de sobra para fazer a trilha com calma aproveitando a belíssima paisagem só possível de se ver com o céu totalmente limpo. Logo no início a trilha é um pouco íngreme, mas após 1:30 hora chegamos ao primeiro mirante de "las torres" com um ótimo visual, e a partir daí a trilha torna-se mais plana, sempre passando por dentro de florestas e rios onde podemos completar nossas garrafas dágua. Água fresca, gelada e totalmente pura, melhor água que essa não há! Após passar por muitas áreas verdes, ora mais fechadas ora mais abertas, cheguei ao acampamento "De Agostini" que estava bem tranquilo, pouca gente. Montei minha barraca bem próximo ao pequeno barranco com vista para o rio e fui conhecer as redondezas: Laguna Torre. Em menos de 15 minutos de trilha bem demarcada cheguei a "laguna Torre" com o cerro Torres ao fundo. Nessa hora, perto das 18h, o tempo já havia fechado e o vento gelado tomava conta do lugar. Contornei o lago inteiro, subindo cada vez mais em suas encostas, as vezes bem inclinadas, até finalmente depois de 1 hora chegar ao mirante "Maestri" com uma vista privilegiada do lago e do glacial aos pés do "Cerro Torre". Apesar do frio a vista que temos deste mirante é excelente!!! Fiquei algum tempo ainda admirando essa paisagem, tirei algumas fotos e vídeos, e desci novamente rumo ao acampamento. Comida? Hummm desta vez optei por fazer uma viagem mais "leve" com pouca carga... então nem levei meu fogareiro, gás, panela, nada... apenas barras e mais barras... de chocolate, de cereais, de proteínas, multivitamínicos, mais nada... comi uma deliciosa barra de proteínas e lá pelas 21h peguei no sono, ao som do calmo rio que estava a poucos metros da barraca. Uma noite muito tranquila e bem dormida, sem vento nem chuva. Meu primeiro dia em El Chaltén não tinha como ter começado melhor! 26/01 - De Agostini - Poincenot - laguna de Los 3 - Poincenot Apesar de fechado, o dia amanheceu sem vento e sem chuva. Rapidamente recolhi minhas coisas e me despedi do acampamento, rumo ao meu próximo destino, acampamento Poincenot. São cerca de 4h30min de trilhas. Após a bifurcação onde escolhemos voltar para o vilarjo ou seguir a Poincenot, a trilha torna-se bem mais íngreme pelo meio da floresta, até tornar-se plana novamente e aí temos um belo visual dos lagos "Hija" e "Madre". Muito raramente um turista ou outro passava por mim, e apesar da constante garôa neste trecho, fiz o caminho sem correria e curtindo bastante o visual. Quase no final do caminho ainda podemos nos abastecer de água em um agradável rio de águas límpidas. Cheguei ao acampamento Poincenot, estava bem lotado . Achei um canto para montar minha barraca e segui rumo ao famoso mirante onde podemos ver o Fitz Roy. Essa trilha sim é realmente mais empinada. Após passar por uma ponte, a trilha torna-se cada vez mais empinada, deteriorada e escorregadia. Nesse trecho, muitos turistas também querendo chegar ao famoso mirante. Após muito esforço cheguei ao mirante, e que vista linda! O que atrapalhou foram as nuvens encobrindo o Fitz Roy, uma pena! Descansei um pouco na beira do lago. Apesar de esgotado por estar o dia inteiro caminhando, percebi que ainda havia algo mais para ver, mais um lugar para subir. Foram 15 minutos a mais de subida, que me trouxeram como recompensa uma das vistas mais belas que já vi: O mirante de Los 3, de onde podemos ver a Lagura de los 3 com seus tons azulados, a laguna Sucia mais a esquerda beem mais abaixo com seus tons esverdeados, a atrás podemos ver toda a encosta que subimos com uma vista para todo o vale. Uma paisagem inesquecível!!! O vento não estava fácil e o clima também não... resolvi descer para o acampamento. As 20h estava na minha barraca. Lá pelas 22h começou a chover bastante. Para piorar as coisas, havia um grupo de uns 20 alemães fazendo um barulho absurdo, dentro das barracas, uma gritaria sem fim! Esse barulho persistiu até perto das 7 da manhã... TIve ainda mais uma surpresa: a impermeabilidade da minha barraca já era! Com a chuva começou a pingar água por todo o teto... só fui perceber isso quando me mexi e senti um "gelado" no saco de dormir", quando fui ver o que era percebi que a barraca estava inteeeira encharcada por dentro, assim como o saco de dormir... Usei até os bastões de caminhada na tentativa de desviar um pouco as goteiras, ajudou mas não resolveu meu problema. 27/01 - Poincent - glacial Piedras Blancas - Piedra del Fraile A noite não foi nada fácil! Acordei com cara de poucos amigos e, após parar de chover, lá pelas 10h, recolhi todas as minhas coisas, que agora estavam bem mais pesadas por estarem encharcadas! Próximo destino: acampamento Piedra del Fraile, um acampamento pago, fora dos limites do Parque Nacional "Los Glaciares". No caminho, passaria ainda pelo glacial "Piedras Blancas". Por causa da chuva que persistiu pela madrugada inteira, a trilha tornou-se bastante escorregadia e cheia de charcos. TIve uma nova surpresa: minhasbitas também não eram mais impereáveis. Bastou eu enfiar o pé na primeira poça para perceber isso... Peguei um desvio a esquerda e, após algumas boas escalaminhadas nas pedras (bom para testar suas habilidades!), cheguei ao glacial Piedras Blancas. Visual muito belo de um glacial com algumas avalanches, e um lago cheio de gelo. Descansei um pouco e voltei para a trilha original, rumo a Piedra del Fraile. Logo aqui temos que cruzar um rio um pouco mais complicado e trabalhoso, principalmente quando se está sozinho. Mas, deu tudo certo. A partir deste trecho a trilha torna-se monótona, e as nuvens tampavam todas as montanhas ao redor. Aparecem milhares de bifurcações neste trecho, me perdi um pouco em alguns momentos, mas após algumas longas horas encontrie as placas sinalizando o caminho e cheguei ao tal acampamento. O vento era muito forte. Chegando ao acampameto, fui assaltado: 40 pesos para passar uma noite!!! A únca vantagem é que pude tomar um banho quente (depois de 3 dias sem banho, é uma maravilha!!!). Após me informar melhor, vi que meu plano de fazer o "paso del cuadrado" já era, pois há um trecho em que temos de subir e andar em um glacial, como não tenho equipamentos de gelo e estava sozinho, acabei desistindo... Eu faria apenas um trecho intermediário! O tempo estava fechado mas nada de chuva, apenas um vento gelado... ainda bem! Consegui secar algumas coisas... 28/01 - Piedra del Fraile - El Chaltén Consegui dormir bem, sem barulho. Mas tive uma surpresa quando abri a barraca: tempo mais fechado do que nunca, começando a chover. Comi rapidamente uma deliciosa barra de cereal e guardei minhas coisas; não havia muito que fazer aqui com aquele clima. Tomaria o rumo de volta a Poincenot ou voltaria ao vilarejo... No meio da chuva, ao ver as nuvens escuras no caminho que eu faria a Poincenot, achei melhor ir para o outro lado e seguir algum caminho até a estrada para voltar ao vilarejo... O vento estava absurdo, e acabei virando o pé duas vezes no caminho de volta. A idéia de voltar a El Chaltén pela estrada não foi boa, deve ter uns 20 km monótonos e intermináveis em solo em estrada de pedras. Houve u momento em que olhei para trás na estrada e vi aquela poeira toda levantado, de longe achei que fosse algum veículo; eu pediria uma carona com certeza. Ao se aproximar, vi que não havia veículo algum, era uma rejada fortíssima de vento trazendo toda a terra e pedras possíveis... só me encolhi todo e protegi os olhos, para ser bombardeado... Até que demorou para o vento mostrar toda sua força na Patagonia! Só quem já esteve aqui sabe como é... Ao chegar em El Chaltén torci o pé novamente e aí passou a doer demais a cada novo passo... fiquei preocupado, será que eu teria de parar com as trilhas? Consegui um lugar para passar a noite: hostel del Lago. Voltar ao vilarejo foi uma ótima escolha, pois o tempo fechou de vez, chuvas e ventos fortíssimos!!! 29/01 - El Chaltén - Mirante Los Condores e Las Aquilas Logo pela manhã acordei e fui procurar outro lugar para ficar, pois não havia vagas nesse hostel. A dona do hostel me ajudou, e com algumas ligações encontrou um bom lugar para eu passar a noite seguinte: hostel "Lo de Trivy". Após mudar meus pertences para este hostel, aproveitei que o tempo estava péssimo para conhecer melhor o vilarejo e fazer algumas trilhas curtas a partir dele: Mirantes "los Condores" com vista para o vilarejo, e "Las Aquilas" com vista para o lado Viedna. São trilhas curtas, de 40 minutos de ida, e 20 de volta, mas com a força do vento não podemos brincar... Uma pisada em falso e rola morro abaixo! rsss Mas correu tudo bem, as vistas são muito boas, as trilhas tranquilas (fiz elas de papete para descansar os pés), mesmo com o vento nos desequilibrando, e foi um bom teste para o meu pé que eu havia torcido algumas vezes... com cuidado, posso fazer algo mais pesado! Caminho livre para o "Loma del Pliegue tumbado" no dia seguinte!!! Voltei ao albergue e descansei para o dia seguinte. 30/01 - Loma del pliegue tumbado Após nova migração para outro hostel (dessa vez ao Pioneros del Vale, o qual eu já havia reservado logo no início), as 9 da manhã eu já estava a caminho do "loma del pliegue tumbado", trilha bastante puxada com 12 km de ida e mais de 1000 metros de desnível... O vento soprava forte e mesmo com o tempo relativamente aberto as vezes caía uns pingos de chuva não sei de onde... A subida é constante, passando por trechos de floresta mais fechada, campos abertos com granado e vacas pastando, mais floresta, até que a mata dá lugar as intermináveis pedras e a chuva vira flocos de gelo que chegam a machucar por causa da força do vento. Quanto mais subia, mais frio, mais vento e mais difícil tornava-se o caminho. Após chegar a um belo mirante, vi que ainda havia muito mais a subir, um pico que parecia muito alto. Depois de mais 1 hora de muito, mas muuuito esforço subindo em zigue-e-zague uma escorregadia e inclinadíssima ladeira com o vento sempre jogando contra, finalmente cheguei lá em cima. Lá havia apenas uma pessoa sentada, e uma espanhola que eu encontrei muitas vezes pelo caminho. A paisagem infelizmente estava um pouco encoberta, e o vento lá em cima não nos deixava livres para caminhar. O jeito foi descansar um pouco abrigado nas pedras, e descer novamente. Uma ótima trilha! Só faltou mesmo a vista completa dos dois vales (Torres e Fitz Roy), mas de qualquer forma valeu muito a pena. Descer tudo aquilo também foi bastante cansativo... depois de alguma horas terminei a descida e voltei ao albergue.Tomei um ótimo banho, dei umas voltas pelo vilarejo as 9h da noite, e tive uma ótima de sono, apaguei na cama! Muito bom este albergue, excelente estrutura pelo preço de 60 pesos (30 reais) por dia. 31/01 Uma ótima surpresa logo quando acordei... o tempo estava ótimo! Pouquíssimas nuvens, sem vento! Dias assim são raríssimos em El Chaltén... Saí de bermuda e camiseta, sem peso nas costas, e resolvi fazer novamente o percurso de "laguna de los 3" dessa vez através da trilha "Fitz Roy" e passando pela Laguna Capri... Seria meu último dia de trilhas, então resolvi curtir tudo ao máximo, observar tudo, parar mais vezes para ver cada paisagem, aproveitar ao máximo cada momento! Esse foi o melhor dia de todos! Uma parada na bela laguna Capri para algumas fotos, mais algumas paradas pelo caminho, e lá estava eu passando pelo acampamento Poincenot e iniciando a subida até a Laguna de los 3. Essa subida cansa, mas dessa vez eu estava tranquilo, sem pressa, e quando cheguei lá em cima nada de vento, nem de nuvem encobrindo a paisagem, apenas o Sol e uma brisa fresca e suave... Tudo estava perfeito para eu poder contemplar tranquilamente a paisagem mais bela que eu já vi... fiquei mais de uma hora deitado nas pedras contemplando os lagos, o vale, o Fitz Roy... Depois desci ao lago e sua margem dele fiquei também por mais uma hora apenas observando a mudança das nuvens, o imponente maciço FItz Roy, sentindo aquela brisa suave e bebendo água do lago... Um sossego total, estava tudo perfeito, sentiuma energia muito boa. Mas, era hora de levantar e seguir meu rumo... Não era nada fácil descer tudo aquilo até a vila, ainda mais com o desgaste que eu já sentia... Mas nada parecia atrapalhar a vontade de aproveitar cada momento da volta, cada paisagem, cada rio que havia por perto... Nunca vou me esquecer desse dia! Cheguei no albergue e após um banho quente desabei na cama! 01/02 - El Chaltén - El Calafate Dia de voltar a Calafate... Como a volta seria as 18:30, aproveitei o dia para conhecer a cachoeira lá perto e dar mais uma volta pelo vilarejo... e omer alguma coisa decente, afinal estava só nas barras e mais barras desde o início da viagem... Comi um bife de chouriço delicioso e gigante, mais umas empanadas e uma cerveja caseira... Peguei o ônibus para El Calafate e, chegando lá as 21:30, fui procurar um lugar para passar a noite... Dei sorte, hostel "Che Lagarto", minha primeira tentativa... 02/02 - El Calafate - Perito Moreno Após resolver algumas coisas pela manhã, fui conhecer imenso glacial Perito Moreno a tarde... A estrutura é meio "prá turista ver" mas o glacial realmente é muito lindo, enorme, com um branco sem igual! Mas o que me complicou foi confiar no clima... saí de Calafate de bermuda e papete pois estava Sol e sem vento... ao chegar no Perito Moreno, Frio, vento gelado e tempo fechado!!! Como o ônibus só nos buscaria depois de 5 horas, passei frio a tarde inteira pela estrutura do parque esperando por algum desmoronamento do glacial, que não aconteceu. Eu nem sentia mais meus pés de tanto frio... Havia um lugar para comer lá dentro... pedi duas empanadas e fiquei mais de 1 h lá dentro... dei mais umas voltas morrendo de frio, até que o ônibus chegou e fui um dos primeiros a entrar... Ufa! Na volta, belas paisagens moldadas pelo pôr do Sol! 03/02 - Icetrek no glacial Viedna Dia de Icetrek!!! Para quem conhece a região... Sim, esse glacial fica bem ao lado de El Chaltén, mas apesar da distância maior o pacote para esse glacial estava bem mais barato do que o do glacial Perito Moreno... Ida tranquila,passando por alguns mirantes, e chegando a um pequeno portono lago Viedna pegamos uma embarcação muito agradável para chegar ao glacial. Subi na parte descoberta para tirar umas fotos dos enormes pedaços de gelo que se desprendem do glacial, alguns com uma cor azul fortíssima! Descemos da embarcação e, após subir pelas pedras, colocamos os crampons para dar uma volta em cima do glacial... Incrível, parece que estamos em outro planeta, paisagem surreal, mesmo este glacial sendo um pouco sujo por conta das pedras e terra que vem das montanhas próximas... No final do Icetrek, os guias nos fizeram um brinde co Baileys e gelo do próprio glacial, muito legal! Ao voltar, tivemos um problema com nossa embarcação (que conseguiu bater no maciço rochoso e avariar o motor) e tivemos que aguardar mais 40 minutos para pegar uma outra embarcação... Acabou sendo engraçado! Cheguei de volta ao albergue as 21h, e após um pouco de conversa com umas argentinas no quarto, fui dormir... 04/02 Dia tranquilo e chuvoso, fiz o check-out e fiquei enrolando pela cidade e pelo albergue até pegar o transfer e começar a maratona para voltar a São Paulo... Com direito a mais um pernoite no aeroporto de Buenos Aires!!! Foi tudo perfeito, a viagem foi maravilhosa, vai deixar saudades, mas... chegou ao fim! Hora de voltar prá realidade... rs! Ano que vem tem mais! Despesas: Passagem aérea SP-Buenos Aires-El Calafate: Paguei em torno de R$1100 Passagem ônibus El Calafate - El Chaltén - El Calafate: AR$ 150 no total (R$75,00) Acampamentos El Chaltén: De Agostini e Poincenot (de graça), Piedra del Fraile (AR$40) Diárias em albergue El Chaltén: Hostel del Lago (AR$50), hostel Lo de Trivy (AR$60) e Pioneros del Vale (AR$180 para ficar 3 dias) Diárias em El Calafate: Huemul (AR$30), Che Lagarto (AR$58) Visita ao Perito Moreno: AR$200 (100 para entrar no Parque + 100 de transoprte) IceTrek glacial Viedna a partir de El Calafate: cerca de AR$ 400 (não encontrei meu comprovante! Considerações: Recomendo esta viagem para todos os amantes da natureza que tenham disposição para encarar o frio e os ventos gelados da Patagonia e vontade de encarar as trilhas para conhecer paisagens fantásticas ou até mesmo curtir alguns dias de tranquilidade no pacato e simpático vilarejo de El Chaltén aos pés das belísismas montanhas nos dias de tempo ruim. Opções de hospedagem não faltam, para todos os gostos e bolsos, desde acampamentos até hotéis luxuosos. Lugar maravilhoso, que deixa saudades e aquela vontade de voltar mais uma vez para explorar um pouco mais a região.
  10. Esse relato é dividido em cinco partes: .da página 1 até a 7 refere-se a viagem realizada entre dez/2007 e fevereiro/2008 de carro; .a partir do final da página 7 refere-se a viagem que começa no final de dez/2008 até final de fevereiro/2009 de carro. .a partir da pag. 15 - viagem a Torres del paine, carretera austral ..........viagem realizada de dez/2009 a fevereiro/2010. .a partir da pag.19 - viagem ao Perú e Equador ....vigem realizada de dez/2010 a fevereiro/2011. .a partir da pag.23 - viagem venezuela, amazonas, caminho da fé.... realizada entre dez/11 a fev/12.
  11. [info]Este tópico é um Guia que está sendo construido com informações de viagens realizadas pela equipe do site e também com informações de usuários que foram postadas nos fóruns relacionados ao tema aqui no Mochileiros.com. Este guia é atualizado periodicamente. O Mochileiros.com é uma fonte gratuita de informações para viajantes de língua portuguesa e a contribuição de todos os membros é muito importante. Veja como contribuir : 1- Faça perguntas ou deixe suas dicas no Tópico El Chalén - Perguntas e respostas[/info] [t1]El Chaltén[/t1] Capital do Trekking da Patagônia Argentina El Chaltén, localizado na Provincia de Santa Cruz, é o povoado mais jovem da Argentina. Foi fundado em 12 de outubro de 1985 como posto fronteiço com Chile, em épocas de constantes disputas pela região do Lago del Deserto. Somente em 1987 começou a receber habitantes provenientes de todas as partes da Argentina, atraídos por incentivos dados pelo Governo, interessado em povoar a região.e O nome, "Chaltén", vem da lingua dos antigo povo Tehuelches, habitantes primitivos da região, e significa "Montanha que solta fumaça", facilmente compreendido ao se contemplar a principal atração da região, o Monte Fitzroy, também chamado de Cerro Chaltén. O povoado é o único cujo o território totalmente inserido no Parque Nacional de Los Glaciares, na seção Norte (Lago Viedma). É conhecida como a Capital do Trekking da Patagônia Argentina, atraíndo inúmeros aventureiros atraídos pela beleza e pelo desafio oferecido pelo Monte Fitzroy e por seu vizinho, Cerro Torre, que figuram entre as escaladas mais dificeis do mundo. As duas montanhas são o principal destino dos visitantes de El Chaltén; mas a cidade oferece outras atrações, como lagos e glaciares. O turismo é a principal atividade da cidade - fora de temporada, isto é, durante o inverno, sua população não ultrapassa os 600 habitantes. [linkbox]http://www.elchalten.com/'>http://www.elchalten.com/[/linkbox] este link praticamente consta tudo sobre Chaltén, Hotéis e pousadas, restaurantes, aluguel de equipamentos, transportes e passeios. http://www.elchalten.com Informações sobre caminhadas em Chaltén http://www.elchalten.com/'>http://www.elchalten.com/esp/actividades/caminatas.php Site para verificar o estado das estradas http://www.vialidad.gov.ar/partes/index [t1]Quando ir?[/t1] O melhor período para conhecer não só El Chaltén, mas a Patagônia Austral como um todo, fica entre os meses de Outubro e Maio. Final da Primavera e durante todo o Verão, as temperaturas são mais amenas , tornando principalmente Dezembro, Janeiro e Fevereiro os meses mais cheios. Entre Março e Maio, voltam a predominar temperaturas mais baixas, grande nebulosidade e nevascas. Fora desse período, as nevascas são constantes e as temperaturas extremamente baixas, o que dificulta - ou mesmo impede - qualquer possibilidade de realizar as principais atividades que a cidade tem para oferecer. Além disso, fora de temporada, quase tudo estará fechado e os ônibus ligandos El Chaltén à outras localidades são raros.
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