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  1. Essa travessia ocorreu em fevereiro de 2013, mais fotos nos links do blog e facebook: http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/03/monte-fujiwara-travessia-invernal.html http://www.facebook.com/media/set/?set=a.602028183147669.150100.100000214779467&type=1&l=fcb417d63e Monte Fujiwara - Travessia Invernal Durante a grande reunião anual do Suzuka Hiking Club, ficou decido que na semana seguinte haveria uma travessia no Monte Fujiwara. Taro que seria o líder dessa travessia me perguntou se eu estava dentro, disse que ainda não sabia se participaria, ele insistiu e confesso que ainda estava com um pé atras depois do que havia passado no Monte Shyaka. Ele me tranqüilizou e disse que seria diferente, pois aquela era outra montanha e com uma rota bem diferente. O Monte Fujiwara é a primeira das 7 montanhas de Suzuka no sentido Norte/Sul, com 1144 metros de altitude no ponto mais alto, essa montanha possui um topo bem extenso com diversos picos porém sem cristas, o que no inverno torna o topo um grande maciço reluzente, atraindo milhares de montanhistas que pretendem subir montanhas nevadas porém sem grande dificuldade. No dia que antecedeu a travessia uma frente vinda do Sul trouxe muita chuva, o que chegou a ameaçar a subida, porém o tempo melhorou e recebemos a confirmação com horário e local a se encontrar. A vantagem de ter chovido é que boa parte da neve situada na parte baixa da montanha haveria derretido e isso tornaria a subida menos cansativa do que encarar neve logo na entrada da trilha, a desvantagem é que o que sobrou da neve estaria dura e escorregadia. Cheguei com antecedência no estacionamento onde parte a trilha, depois de alguns minutos percebi que poderia estar no lugar errado, como ainda não compreendo os ideogramas japoneses muito bem, muitas vezes acabo me atrapalhando, porém consultando o que estava escrito no email e no local, tive certeza de estar no lugar errado. Liguei para Taro e disse onde estava, ele me confirmou que o ponto marcado não era ali, porém que eu poderia aguardar no local pois partiríamos dali. Enquanto aguardava, encontrei outro membro do grupo que me perguntou se o local de encontro estava certo, dei a noticia que estávamos errados porém poderíamos aguardar ali, pelo menos um japonês também havia errado como eu. Depois de alguns minutos chegaram mais sete pessoas e nos juntamos a uma mulher de fora do clube que faria a sua primeira experiência. Todos prontos com suas mochilas nas costas, que alias dessa vez estava bem pesada, com os itens básicos e fogareiro, panela, crampons e ainda as raquetes de neve amarradas do lado de fora. Recebemos um mapa e orientações de Taro explicando a rota, pois com a neve dura alguém poderia escorregar e acabar se perdendo dos demais. Seriam 14 km em apenas 1 dia sendo boa parte com neve, eu achei a rota meio longa, uma vez que três participantes nunca haviam subido uma montanha nevada, porém havia um plano B. Adentramos na trilha com muita lama, a rota não apresentava dificuldades, a única coisa que torna o Monte Fujiwara severo é o fato de serem quase 1000 metros de proeminência, sem nenhum descanso, é para o alto e avante. Passados alguns minutos a maioria do grupo estava pingando suor e tiveram que eliminar camadas, eu preferi passar frio no começo a cozinhar durante a subida. Quando passamos do 6º estágio, a trilha passou a ter gelo que foi aumentando até chegarmos no 7º e ocorreram muitos escorregões. Conforme nos aproximamos do 8º estágio, a neve se tornou espessa tingindo todo o chão de branco. Fizemos uma pequena pausa para recarregar as energias e depois seguir direto para um abrigo situado no topo da montanha, onde pretendíamos fazer a nossa refeição. Seguimos por um trecho que eles chamam de rota de inverno, pois não é usada em outra época, a neve estava dura e quebradiça, o que fazia com que muitas vezes ficássemos com os pés atolados em um buraco e aumentando o risco de lesões. Quando saímos de um bosque e entramos em uma grande rampa de neve a situação melhorou, então ganhamos velocidade e rapidamente chegamos ao abrigo. O local estava lotado de gente e resolvemos retardar o almoço e seguir para o cume, calçamos as raquetes e iniciamos uma descida para depois subir outro trecho. Soraya tomou a frente e alguns o seguiram, inclusive eu, pegamos um trecho muito íngreme e com muito vento, quando estávamos na metade e exaustos ele apontou para o lado dizendo que aquela era a rota certa, ali Taro e mais dois membros do grupo subiam com tranqüilidade, sofremos um desgaste desnecessário, porém chegamos ao cume antes dos demais. No cume pudemos apreciar a belíssima paisagem de inverno, faltou uma geada, mas nem tudo é perfeito e acertar o dia com tudo perfeito é coisa rara. Os grandes vizinhos Monte Oike e Monte Ryu pareciam tão próximos que dava até vontade de seguir pra lá. Alguns minutos ali, fotos individuais, fotos com o grupo e partimos de volta para o abrigo, pois já havia gente reclamando de fome. Photo by Taro - Suzuhai Esse trecho foi o mais divertido pois a descida parecia uma pista de esqui, então todos passaram a escorregar de bunda, as mulheres mais leves e com mochilas menores obtiveram grandes performances, eu com a mochila muito pesada e aquele apetrecho gigante nos pés não obtive muito êxito, porém passados 20 minutos e lá estávamos nós de volta ao abrigo, que aliás parecia estar mais cheio ainda. Diante desta situação, resolvemos não perder mais tempo e comer ali fora mesmo, a temperatura não era muito agradável, porém o sol fazia a sensação térmica melhorar consideravelmente. O brilho solar na neve era tão intenso q mau enxergávamos as chamas do fogareiro, comemos comida quentinha, com direito a ovo cozido distribuído por Gabi e ainda uns bolinhos doce, cortesia de Choke. Ficamos ali sentados jogando conversa fora até que levantamos acampamento pois a rota inicial seria seguida. Começamos uma grande travessia até o outro lado do topo, passamos por mais dois picos até que chegamos em uma planície com uma vista privilegiada, do local pudemos avistar diversos picos nevados, alguns a centenas de quilômetros de distancia, ao Norte o Monte Ibuki e o grande Monte Haku, a leste montanhas de mais de 3000 mil metros como o Monte Ontake e os Alpes do Centro, faltou o Monte Fuji, mas eu já estava satisfeito. Iniciamos a descida pela face norte da montanha, como haviam trechos de terra a maioria de meus companheiros seguiu somente de tênis, porém uma neve extremamente dura e escorregadia anunciava o perigo em um trecho bem íngreme, foi então que Fumifumi caiu em um buraco, ao tentar sair dele acabou escorregando e seu corpo girou de cabeça para baixo começando a deslizar sem controle, disparei na direção dela e não teria obtido sucesso caso uma árvore no meio do caminho a obstruísse sem causar danos, ajudei ela a se levantar e meio grogue ela continuou a descida. Um pouco mais a frente novo contratempo, em um trecho com uma bifurcação de 2 vales, Gabi deixou sua garrafa térmica escorregar bem no caminho que não seguiríamos, eu sugeri que ela abandonasse, mas como ela queria muito aquilo eu e Choke descemos até lá pra tentar o resgate, quando já dávamos certo que não acharíamos eis que ele acabou encontrando a garrafa em um buraco junto a uma árvore, pura sorte e a partir disso o duro foi sair daquele vale já muito cansado. O sol começou a baixar e voltamos a caminhar na lama, enfrentamos trechos muito acidentados e com erosão, o que acabou retardando um pouco a descida, porém ainda com luz natural alcançamos a estrada. Caminhamos um trecho até chegar ao local onde a maioria havia deixado o carro, deixamos a carga lá e fomos tomar um café com direito a lareira e pão assado no forno a lenha, que serviu para fechar com chave de ouro esta travessia.
  2. Mais um relato extraído do meu blog, mais imagens no link: http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/07/as-48-cachoeiras-de-akame.html O final do mês de janeiro se aproximava e eu estava frustrado por não poder subir montanhas por um período, afinal no ápice do inverno é quase loucura uma pessoa sozinha e inexperiente se arriscar em uma montanha de 800m que seja. Ciente dessa situação fiquei quietinho até que um colega sugeriu que eu fizesse trilha na cidade de Nabari, região montanhosa onde se encontra um parque nacional com diversas cachoeiras e uma reserva de preservação da Salamandra Gigante. Como ele havia estado no local na semana anterior me explicou que apesar de acidentada a região não possuía muitas elevações, alem de estar sem gelo e neve. Ótimo era o que eu precisava para não me arriscar muito, além do que se eu desse sorte haveria um pouco de neve para eu treinar e ganhar experiência, porém o cenário encontrado foi totalmente o oposto do imaginado. A imagem fala por si só, e fiquei tão espantado ao ver o lago congelado e quase dei meia volta. Fui caminhado até a entrada da trilha que aliás tem que pagar, e pra minha felicidade a neve cessou o sol apareceu e encontrei uma paisagem bem diferente da que vi na chegada. Na entrada recebemos um pequeno par de cordas rústicas, a indicação era para enrolar nos pés para não escorregar, agora imaginem andar mais de 8 km com isso no pé. Um tênis de inverno e um bastão de caminhada são suficientes pra encarar a camada de gelo que se forma pela trilha. O caminho tem uma beleza exuberante com diversas cascatas de varias alturas, sendo que a maior possui 30 metros. Neste dia haviam pouquíssimas pessoas no local, o que facilita as paisagens para fotógrafos que eram a maioria, em busca de cascatas congeladas que não eram muitas mas davam o ar da graça. Da metade da trilha em diante por conta da neve e do gelo em abundancia me tornei um aventureiro solitário e pude presenciar cascatas e lagos congelados que ninguém haveria de ver naquele dia pois se quer haviam pegadas na neve fofa. Na volta quis fazer aquela brincadeira que ninguém deve fazer, e agora eu tenho certeza disso, tentar caminhar sobre um lago congelado, verifiquei a parte rasa e dei 2 passos até escutar aquele barulho terrível de gelo trincando e eu ficar com os pés submersos. Os pés congelaram na hora e por muita sorte não entrou água no meu tênis e logo eles voltaram ao normal. Na saída passei para ver a área que explica um pouco sobre a Salamandra Gigante, com esqueletos, videos e aquários com os animais que aliás devem ser bem difíceis se serem vistos na natureza, pois um animal que se parece com uma rocha e vive em meio a elas é pra poucos avistarem.
  3. O relato a seguir foi extraído de meu Blog, a escalada ocorreu em janeiro de 2013, mais fotos podem ser conferidas no link: http://nandosilvauptothelimit.blogspot.com/2013/02/monte-shyaka-o-inferno-branco.html Depois de uma ótima noite de sono, resultado do cansado da escalada do dia anterior, levantei bem disposto e sai para fora de casa para avaliar as condições climáticas. Uma das vantagens de viver em frente a um grande arrozal é que sem construções temos uma ampla paisagem, e a minha por sorte da de frente com as Montanhas de Suzuka. Nuvens escuras pairavam sobre as montanhas e alguns flocos de neve ainda chegavam com o forte vento, porém acima de minha cabeça o céu azul anunciava um belo dia. Consultei também as previsões do tempo via internet que indicavam um dia aberto, frio e com muito vento. Apesar de o clima em montanhas ser muito instável, com essas previsões estava claro que durante o dia não haveria nevasca. Consultei o Lord se realmente manteríamos os planos, afinal haveria muita neve por lá, ele estava doido para encarar uma montanha nevada e por isso ignorou qualquer consideração que eu fizesse. Então partimos para a montanha sem ao menos saber se conseguiríamos chegar até lá, uma vez que havia neve na pista até na cidade. Conforme fomos nos aproximando das montanhas a visibilidade melhorou e pudemos avistar diversos picos cobertos de neve desde a base, a pista estava melhor do que podíamos imaginar e sem problemas chegamos a base para começar a subir o trecho mais critico. A pista possuía apenas o espaço de um carro com pouca neve e em meio a patinadas avançamos para o nosso destino, de repente a pista acabou e tudo virou neve, por conta disso tivemos que voltar uns 100 metros para deixar o carro em um local seguro. Preparamos as mochilas e começamos a subir pela pista até a entrada da trilha, esse trecho é muito confuso, tem chalés, camping e pequenos comércios, tudo fechado durante o inverno. Uma grande placa com um mapa e uma caixa postal ao lado indicavam a entrada da trilha, porém com tanta neve ficava difícil saber pra onde seguir, Lord havia estado ali 15 dias antes com uma turma e eles acabaram errando a entrada e se perdendo, porém com a montanha naquelas condições não podíamos nos dar a esse luxo. Visualizando uma ladeira que se encontrava na minha frente disse, vamos seguir por aqui, Lord achou uma loucura mas acabou concordando, subiríamos um pouco e se não achássemos o caminho voltaríamos. Iniciamos a subida com neve até nas coxas, romper aquilo em um trecho íngreme como aquele logo nos deixou cansados, pelo caminho achamos uma construção, mas nenhuma trilha que rumasse montanha acima, começamos a descer lateralmente e acabamos voltando em nosso ponto inicial. Lord indicou que da outra vez que estivera ali eles seguiram mais para cima, então seguindo o raciocínio de que eles haviam errado a entrada sugeri que seguíssemos para baixo, descemos um pouco e lá estava a minúscula placa quase coberta de neve indicando a entrada. Seguimos com neve até o meio das canelas por uma via larga por onde passaria um caminhão, realmente haviam alguns parados mais a frente em uma obra de barragem, atravessamos um riacho e seguimos floresta a dentro. O Monte Shyaka ou Shyakagatake em japonês, tem quase 1100 metros e é dentre as 7 Montanhas de Suzuka a menos visitada, o acesso não é ruim, porém está em uma região pouco movimentada e possui poucas rotas até o cume. Na rota escolhida seguiríamos por um vale até alcançarmos uma cascata e rumar para o topo, atravessando uma crista e iniciando a descida dando a volta pelo outro lado até retornarmos ao ponto inicial. Seguindo pelo vale foi sempre aquele zig-zag e sobe e desce, romper a neve virgem que no início era divertido aos poucos foi se tornando estressante, por mais esforço que fizéssemos a subida parecia não evoluir e isso começou a me deixar desanimado. Caminhávamos as cegas por um caminho cheio de pedras e buracos, depois de mais de 2 horas conseguimos alcançar a Cascata Anza, que possui 40 metros de altura, porém parcialmente congelada não exibia toda a beleza que eu já havia constatado em fotos e vídeos. Continuamos em frente e Lord sugeriu que pegássemos um desvio que levaria para outra rota alcançando a crista, nesse momento eu já estava muito cansado, olhei para aquela subida e tomei a decisão de seguirmos direto para o cume pois já havíamos perdido muito tempo até ali. Escalamos trechos difíceis com muita neve fofa e as cordas no local nos ajudaram e muito, nesse momento ganhamos altitude rápido e já podíamos visualizar o cume, até que chegamos em um paredão. A partir daquele ponto tivemos que cramponar, enquanto estávamos sentados colocando os acessórios nos pés pensei em abortar a subida, o vento era assustador e a neve havia se tornado tipo sugar powder, comemos um onigiri, bolinho de arroz japonês, e propus ao Lord que seguíssemos ao cume e atravessássemos a crista sem parar para descansar ou comer, afinal estávamos a mais de 900 metros de altitude e uma névoa havia se formado, congelando qualquer coisa que ficasse inerte. Eu estava torcendo para que ele discordasse da minha ideia e assim seria o fim da linha, porém ele concordou e seguimos em frente. Iniciamos aquele trecho muito vertical tomando o máximo de cuidado, aquela pequena parada havia me feito bem e procurei subir em um ritmo forte para chegar logo lá em cima, porém no meio dessa subida meu gás foi novamente se esgotando e iniciando um terrível sofrimento. Naquele trecho qualquer descuido seria fatal, agarrado a uma corda olhei para baixo, Lord vinha escalando também com grande dificuldade e pude perceber que naquele momento não haveria mais volta e teríamos que nos esforçar no limite. Alcançamos o topo sabe-se lá como, creio que os Deuses da montanha deram um empurrão. Chegamos ao ponto mais alto que possui 1097 metros e atravessamos a perigosa crista até chegar no ponto que marca o cume a 1092 metros. Estávamos esgotados mas não havia como parar ali, as luvas estavam duras de gelo, o rosto também começou a formar gelo nas sobrancelhas e cílios, o que incomodava bastante, a temperatura era de -8 graus e um vento de 60 km/h, então imediatamente iniciamos a descida. Imaginávamos pegar menos neve no caminho de volta, porém continuamos atolando na neve fofa e agora ainda tínhamos o forte vento que soprava na crista desprotegida. Comecei a imaginar se teria forças para voltar e me senti como um himalaísta, os pés já não obedeciam mais, na mão direita o bastão frouxo denunciava que não servia mais de apoio nenhum, cabisbaixo começamos um trecho de descida e quando eu olho pra frente vejo um enorme pico que a esta altura parecia gigante. Lord me indicou que esse era o Monte Neko, então não haveria escapatória, teríamos que escalar ele e ainda encarar mais dois picos que viriam na sequencia. Começamos a subir e desesperado observei se não havia algum lugar para parar ao meu redor, mas não havia, então pedi para o Lord tomar a frente, ele o fez e tentou me apoiar dizendo que vencendo essa subida tudo seria mais fácil, mas infelizmente o meu corpo não respondia e assim como um bêbado chega em casa sem se lembrar como, eu cheguei ao topo dessa montanha. O sol começava a baixar e passamos a acelerar a passada na descida, mais uma subida em um pico que nem recordo o nome e continuamos descendo até alcançar o Pico Hato. Ainda faltava muito, mas ter chegado ao fim daquela crista nos dava uma sensação de vitória, até paramos e sentamos uns 2 minutos no pico rochoso, presenciar rochas sem neve parecia um alívio e o pior já havia passado, porém a iluminação natural agora era nossa inimiga. Retomamos a descida por uma canaleta que levaria a um vale, os crampons que tanto nos ajudaram agora começaram a atrapalhar, paramos para tirá-los e na sequencia não parávamos de pé. Comecei a me atirar de bunda para agilizar a descida, algo que não foi muito agradável devido ao solo rochoso e irregular. Chegamos no vale e novamente me lembrei do Himalaia, a trilha cruzava um riacho e tivemos que nos arremessar como se estivéssemos pulando uma greta, era isso ou encarar a água gelada. A trilha passou a ter pegadas humanas, provavelmente alguém passeou por ali sem adentrar a montanha, começamos a segui-las sem prestar muita atenção no caminho, até que uma hora misteriosamente as pegadas sumiram. Sem ter prestado atenção no caminho ficava difícil determinar pra onde ir, Lord indicou algumas pegadas, mas provavelmente eram de macacos, então escolhemos uma direção e continuamos descendo onde logo encontramos o caminho de saída da trilha. Já sem sol algum, minhas mãos começaram a congelar, então comecei a perceber o sentido de ser derrotado pelo frio. Você não perde para o frio somente por ter passado frio, ele nos fez não parar pra descansar, não parar para comer, fez nossas bebidas ficarem dentro da mochila para não congelar, e depois sem descansar nem comer a exaustão chega e até tirar uma garrafa de água da mochila parece ser um esforço além do possível, aí vem a desidratação, bom aí o frio já te venceu e pronto. Depois de levar alguns escorregões andando pelo asfalto congelado alcançamos nosso carro, arremessei minhas coisas no porta malas e tomei a direção, Lord ainda demorou um pouco para adentrar no veículo e quando o fez o nosso humor parecia não querer comemorar coisa alguma, estávamos exaustos, sujos e famintos, andamos um tempo em silêncio até que começamos a fazer comentários e dar algumas risadas, como conseguimos vencer aquele paredão? Acho que não tem resposta, mas tenho certeza que se fosse um exame, teríamos passado de nível. Ps.: Durante a noite eu não consegui dormir e tive um pouco de febre, o Lord ficou com febre por 3 dias e não quer ver uma montanha nevada tão cedo.
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