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  1. Vídeo: http://youtu.be/LLiFSM1lCwE O planejamento desta trip foi precário, além de que em todas as hipóteses que imaginávamos alguma coisa poderia dar errado. Minha intenção inicial era de ir ao Mirante de Paranapiacaba para ali acampar e conhecer esse ponto de fácil acesso e já muito conhecido pelos trilheiros da região para, no dia seguinte, retornar a Paranapiacaba e caminhar em direção a Quatinga. No meio da estrada em direção a este distrito, à sua direita, adentraríamos numa trilha conhecida como Trilha do Rio Anhangabaú ou Trilha dos Carvoeiros de forma que em algum lugar, depois de uns 4,5Km de sobe e desce em meio a mata, interceptaríamos o Rio Quilombo para, só então, iniciarmos sua descida seguindo seu curso. Já na Estação Rio Grande da Serra ficamos preocupados se nosso plano daria certo, tendo em vista a grande quantidade de jovens educados e que se comportavam de forma extremamente agradável que nos acompanhava desde SP até Paranapiacaba. Combinamos que se o outro grupo de cerca de 15 pessoas fosse em direção ao Mirante, nó iríamos em direção a Quatinga e vice-versa. Pra minha tristeza, esses seres iluminados por algum tipo de erva mágica com folha de cinco pontas caminharam em direção a Quatinga, então teríamos que ir na outra direção. A trilha até o Mirante de Paranapiacaba é super fácil, mas seu início não é diferente das demais da região. Deve-se contratar um guia credenciado ou driblar a fiscalização que barra a entrada dos desavisados. No nosso caso, como chegamos em Paranapiacaba por volta das 23h da sexta-feira, não foi um problema. A essa hora os fiscais já estão em suas casas dormindo ou fazendo qualquer outra coisa porque ficaram dormindo o dia inteiro na viatura da empresa. Após atravessar a ponte localizada no centro do vilarejo, vire para a direita e mantenha-se nessa direção até chegar a uma rua cheia de botecos, na qual deverá subir para a esquerda e, se for cauteloso como nós fomos, ao chegar no posto da PM, passe por sua frente e continue sempre caminhando para cima. Depois de não mais que 5 minutos passará em frente a uma casa com uma clareira, a qual eu deduzir ser um dos postos onde os fiscais ficam de dia e, como as luzes do interior estavam acesas, tentamos não fazer barulho e logo a frente pegamos a "trilha" sentido suleste. Coloquei em aspas porque, na verdade, é uma rua, se não me engano conhecida pelo nome de Rua Bela Vista, que dava acesso aos veículos que levava o pessoal que trabalhava nas instalações em cima do morro. Em 40 minutos de caminhada a partir da chegada em Paranapiacaba, chegamos a uma bica d’água e coletamos um pouco do líquido para usarmos durante a noite e no café da manhã do dia seguinte. É bom pegar uma quantidade boa, pois o próximo ponto d’água fica a uma hora de caminhada depois do Mirante. Mais 15 minutos e passamos pela Pedra do Índio. Não entendi o porquê deste nome e nem ficamos muito tempo pensando nisso. Estava muito escuro e queríamos chegar ao mirante logo para achar um lugar bom pra acomodarmos nossos corpos não muito cansados. Aos 10 minutos da meia noite, chegamos ao mirante. Demos uma bisbilhotada no lugar, nenhuma onça ou animal peçonhento. O visual é interessante, com as luzes de Cubatão dando graça ao lugar, mas nada de surreal. Logo percebi uma laje de concreto um pouco mais elevada e não pensei duas vezes: aqui será minha cama! Bivacar está virando um hábito nas trilhas e isso me agrada bastante, até porque não preciso esquentar a cabeça com armação de barraca ou amarração de rede e depois desmontar tudo. É só deitar e dormir e, se tiver risco de chuva, é só amarrar um plástico por cima e está tudo certo. Tentei conversar com os demais integrantes da trip, o Bruno, sua esposa Jaque e o Luciano, para no dia seguinte voltarmos e fazermos a travessia do Rio Quilombo, mas estes dois últimos opinaram que ir a um lugar pra depois voltar não era legal, então ficou acertado que seguiríamos em frente em direção ao Poço das Moças no dia seguinte, já que eu não queria arriscar minha vida debatendo com uma mulher e um cara maior que eu no alto de um morro inóspito. Minha noite foi ótima. Antes de cair no sono, mesmo, fiquei apreciando o céu estrelado daquela noite e tentei analisar o comportamento de uma nuvem ao leste que ameaçava pairar sob nós e possivelmente nos molhar de noite, mas nada disso aconteceu. Dormi muito bem e acordei apenas umas 2 vezes por causa de algum barulho, provavemente o chupa-cabras, e pra cobrir minha cara que estava sendo ameaçada por mosquitos. Os outros trilheiros não sei se tiveram um sono tão bom, principalmente a Jaque que dormiu em cima da mochila de um jeito totalmente inovador. Não foi possível ver um nascer do Sol tão espetacular pelo fato de haver muitas árvores que encobriam a visão ao leste, mas o por do Sol deve ser bem legal de se contemplar ali. Comemos algumas frutas e partimos sem muita demora, pois não havia um acampamento para desmontar. Embora eu não tenha percebido um lugar bom para montar barraca, principalmente as que não são auto-portáteis, existem vigas de ferro encravadas no chão onde é possível pendurar redes e andando um pouco sentido sudeste do mirante, logo se depara com algumas clareiras ótimas para camping. A descida até o Poço das Moças é muito tranquila, também. Há muitas bifurcações, mas ou vai dar em alguma clareira boa pra acampar, ou vai continuar descendo até o Poço. Alguns caminhos podem desviar da Pedra Lisa, o que não é legal, pois é um lugar bem gostoso e um bom local pra colher água pro resto da caminhada. Não vou saber dizer exatamente quais caminhos pegar, mas é sempre pelo lado esquerdo. A Pedra Lisa é um grande bloco rochoso, a uma hora de caminhada do Mirante, no qual o curso d’água passa por cima e que abre uma janela para o Vale do Rio Quilombo, dando uma visão legal lá de baixo, além de ter uma queda d’água muito boa para um banho. Aqui fizemos um lanche e descansamos bastante, cerca de uma hora até as 10h da manhã. Comemos o abacaxi que a Jaque trouxe - acho que virou um costume do casal trazer frutas exóticas para a trilha, da outra vez foi um melão - e depois de algumas filmagens e fotos, seguimos pelo lado esquerdo do curso das águas que escorriam pela Pedra Lisa. Depois de mais uma hora e meia de caminhada, às 11h30, chego no Poço das Moças. Não havia ninguém e tratei logo de abandonar minha mochila e perneiras para dar um mergulho. Fiquei surpreso com a profundidade rasa do Poço. Mesmo pessoas que não sabem nadar podem se divertir sem problema nenhum. Apenas no meio do Poço que as águas ficam um pouco mais profundas, algo não mais que uns 2,5m no dia em que estivemos lá - deu pra notar que em outras épocas o Poço atingia níveis mais elevados, em torno de 1,5 a mais. O lugar conta com uma pedra lisa que forma um tipo de escorregador e é muito legal, perdi a conta de quantas vezes escorreguei nessa pedra e os outros trilheiros gostaram muito, também. Há algum tempo atrás havia uma árvore com uma corda pendurada da qual era possível executar saltos para o Poço, mas esta árvore cedeu e esta tombada na água atualmente - uma pena. Esse local é tão incrível que botou em cheque nossos planos de uma grande travessia. Começamos a cogitar ficar ali mesmo e voltar no dia seguinte para Paranapiacaba de tão bom que estava o lugar. Depois de algum tempo chegaram mais algumas pessoas, mas nada que comprometesse a tranquilidade do lugar. Nadamos muito, tomamos um lanche mais reforçado e curtimos o Poço até às 13:37 resolvemos que dessa vez iríamos prosseguir em frente até o Rio Mogi para, no dia seguinte, subí-lo e retornar a Paranapiacaba onde terminaríamos nossa grande travessia circular, mas já ficou combinado de voltarmos ao Poço das Moças em outra ocasião para ficarmos de boa lá, fazendo nada, jogando conversa fora. Logo após o Poço, atravessamos o rio para sua margem esquerda de onde parte uma vereda e caminhando mais uns 500m dali por uma trilha bem plana e bem batida chegamos a uma represa onde é possível chegar de carro e é uma verdadeira farofada. Muito lixo e barulho. Por isso alguns que ali chegam se arriscam nos 500m de trilha para chegar ao Poço das Moças, mas são poucos pelo que notamos. Se ficar na praia do lado de um isopor cheio de cerveja e guloseimas industrializadas só observando o movimento já é uma chatice sem fim, imagine fazer isso numa pequena represa suja e barulhenta. Vai entender esse povo. Eu até fiquei com vontade de pular no poço usando uma corda pendurada estrategicamente em uma árvore, mas deixei essa tarefa para o Luciano e só registrei seu salto ornamental para não perdermos muito tempo ali e continuarmos a caminhada rumo ao Rio Mogi, visto que ainda tinhamos mais de 10Km de chão num Sol de queimar os neurônios e depois teríamos que decidir entre varar 3 a 4Km de mato até o rio ou caminhar mais do que isso, só que no asfalto. O calor estava de matar e era inversamente proporcional ao prazer em ficar nadando naquelas águas geladas do Poço das Moças, mas precisávamos caminhar - e rápido! Então fomos. Não deu nem 30 minutos a partir da represa e já tinhamos que providenciar uma parada. Sombra que é bom, nada! Tentei motivar o pessoal a continuar sob a justificativa de que caminhar de noite no mato seria muito pior, mas não deu muito certo. O Bruno e eu entramos no mato à esquerda da estrada de terra e estudamos a possibilidade em acessar um riacho que corria a uns 15 metros da estrada. Chamamos os outros dois e combinamos de ficar ali até que o Sol abaixasse um pouco, mesmo sabendo das incertezas que nos aguardavam pela frente. Ficamos deitados na água abaixando a temperatura do corpo. O Bruno e eu ficamos especulando novas hipóteses e lamentando em como as coisas não estavam indo muito bem naquele trecho, até que chegou a hora de levantarmos e partirmos, uma hora depois. O Luciano não queria de jeito nenhum voltar a caminhar pela estrada e bateu o pé que o deslocamento não seria prejudicado significativamente se fossemos pelo rio, mas logo percebemos que se seguíssemos pela água, não chegaríamos no final daquela estrada nunca. Saímos do rio e então continuamos a caminhada. Eu fui na frente na expectativa de encontrar algo que me animasse, uma cachoeira, um trilha em direção ao Rio Mogi, qualquer coisa, e depois de 35 minutos caminhando sem sinal dos outros integrantes, me deparei com uma barraquinha onde uma simpática moça vendia bebidas enlatadas e algumas guloseimas. Comecei a conversar com a moça com o intuito de colher mais informações do lugar, mas ela me explicou que não morava ali a muito tempo e que não tinha noção das trilhas que eu estava mencionando. Ela ficou curiosa com toda essa coisa de andar por dias no mato e ficou me perguntando se eu não tinha medo, se eu andava armado e toda aquela coisa de gente que não tem noção nenhuma de como é essa vida. Depois de um tempo chega seu irmão de moto e estaciona ao nosso lado e começa o mesmo interrogatório que sua irmã fizera. Expliquei de novo e eles se animaram com o fato da região ser rica em trilhas e disseram que ficaram com vontade de fazer algumas. Mais de 20 minutos esperando e visualizo o resto do pessoal chegando ao meu encontro, mas param para conversar com um cara de uma caminhonete. Logo pensei "carona!" e não deu outra. Subiram pra cima da caçamba da caminhonete e vieram em minha direção. Eu, coitado, fiquei igual um tonto balançando os braços com medo de eles não me verem e passarem reto sem me resgatarem, mas felizmente pararam e eu também pude aproveitar essa carona mais que bem vinda a essas horas. Me despedi rapidamente da moça e de seu irmão que não me lembro os nomes e fui embora daquele lugar. Logo após subir no veículo, a notícia ruim: o casal Dias Conde decidiu que iriam embora. É isso que da não planejar direito as coisas. Acabei colocando eles nessa caminhada cheia de incertezas e acabaram esgotando suas energias, fazendo com que tivéssemos duas baixas no segundo dia. Espero que eu não tenha traumatizado a Jaque, já que ela está começando a fazer trilhas e tem muita aptidão, só que pegamos um dia muito quente e ninguém conhecia aquela região, nem eu que os convidei. A única coisa que tínhamos era um mapa e um GPS com algumas trilhas da região. Suficientes para não nos perdermos e nos planejarmos melhor conforme as distâncias que teríamos que percorrer, mas isso não adiantou muita coisa. Chegamos na rodovia às 17h15 e confirmada as baixas, nos despedimos da Jaque e do Bruno e o Luciano e eu fomos em direção ao início da trilha do Sistema Funicular, a qual eu sabia que se iniciava em baixo de um viaduto. O plano era subir pelo Rio Mogi, mas era certo que não conseguiríamos tal façanha com o tempo que nos restava, ainda mais tendo o relato de amigos muito mais experientes em mãos contando que fizeram em dois dias a subida e com a campainha do Luciano que, embora seja um corajoso trilheiro, não estava fisicamente bem pra me acompanhar numa caminhada mais rápida, o que acabou se confirmando no dia seguinte. Caminhamos por cerca de 5 minutos e aproveitamos que um daqueles caminhão de guincho que parou no acostamento para pedir uma carona. Tendo dois assentos vagos no caminhão e dois caminhantes estragados pedindo ajuda, só um cara muito ruim pra negar, então, mais uma vez, subimos pra cabine do caminhão e ganhamos mais uns 3Km de rodovia e, logo quando avistei o viaduto onde se iniciaria a trilha do Sistema Funicular, pedi para que nos deixasse lá. Foi tudo tão rápido que nem conversamos muito ou dei qualquer explicação do que estávamos fazendo. Ele deve estar se perguntando até agora o que dois caras acabados e fedidos foram fazer debaixo de um viaduto. Mas tudo bem, às vezes é bom um pouco de mistério na vida das pessoas. Apesar de já ter feito a trilha do Sistema Funicular, essa parte inicial era nova pra mim. Estava preocupado com o tempo e queria chegar na casinha onde dormimos da outra vez enquanto ainda estava claro, então acelerei o passo e toda vez que perdia o Luciano de vista o esperava um pouco. O início da trilha é horrível. Não há nada de visualmente agradável e a quantidade de mosquitos devido a proximidade com algumas casas e cachorros é enorme. Num certo momento, o Luciano quis parar para fazer uma gambiarra em seus sapatos que já deveriam ter sido aposentados e tivemos que fazer uma pausa. Se andando os mosquitos já me atacavam furiosamente, parado a coisa começou a ficar insuportável. Acelerei o Luciano para que terminasse logo enquanto eu andava em círculos para evitar ficar totalmente parado, mas não ajudou muito. Quando ele terminou eu andei o mais rápido que pude pra sair dali logo. Às 18:37 cheguei até uma cachoeira - um curso d’água que corre sobre um grande bloco rochoso - e tratei logo de tomar um banho antes que escurecesse. Enquanto eu estava lá, estirado naquela rocha com a água escorrendo e levando todo o calor daquele Sol maldito que me torrou o dia todo, o Luciano chega e interrompe minha meditação. Terminei o banho antes do Luciano e me troquei e peguei 2,5L de água para cozinhar e tomar durante o resto do dia e parti na frente para já começar a limpar a casinha, já que meu plano era dormir no chão novamente, e iniciar a janta. O local estava relativamente limpo, mas o chão estava um pouco úmido. Nem liguei, tirei um pouco da sujeira que se acumulou no chão e fiz a janta sem muita inspiração. O Luciano já havia se deitado de tão cansado e tive que acordá-lo para jantar. Devidamente alimentados, montei um varal pra pendurar a roupa suja e me deitei naquele chão de cimento queimado, esperando que ele sugasse todo o calor que eu estava sentindo. MUITO CALOR! Não adiantou muita coisa. Mesmo dormindo sem isolante térmico em contato direto com o chão de cimento, minha noite foi horrível por conta do calor, mosquitos e os roncos do Luciano que eu achei que haviam melhorado porque na noite anterior eu não os ouvi, mas nessa noite eles voltaram com tudo! Acordei às 07:00 estragado devido a noite mal dormida, nem tomei café da manhã e já estava determinado a terminar aquela trilha logo, sem muita enrolação. Da outra vez saímos para a caminhada às 10h, mas o calor estava mais brando e o tempo levemente nublado. Desta vez, como eu já conseguia visualizar por entre as folhas da mata o céu azul, deduzi que o Sol acabaria com nossas vidas nos incinerando em cima de alguma das pontes se demorássemos muito ali, então acelerei o Luciano para que fossemos logo e evitar a pior parte do dia. Eram 8 da manhã e já adentramos a mata para retornar a Paranapiacaba. A partir daquele ponto a trilha se torna mais interessante. Começam a surgir os túneis, as pontes e a vista de cima das pontes é incrível. É uma trilha que realmente vale a pena repetí-la. O nível de dificuldade já é mais complicado aqui. Numa escala de 0 a dez, eu diria que é um 6. Apesar de mais fechada que outras trilhas por aí, tem um caminho certo a se seguir. Se tiver medo de passar pelas pontes, a maioria é possível desviar pela direita e andar por cima das pontes não é a coisa mais perigosa do Universo, mas é preciso atenção e paciêcnia. Desta vez, como não havia a presença de ninguém que realmente conhecesse essa trilha, tinhamos que decidir no início de cada ponte por qual lado iríamos, agregando um toque de aventura a mais. Eu dava preferência pelo lado direito, visto que o lado esquerdo fica mais exposto à brisa que vem do litoral, corroendo mais as estruturas da ponte, mas em uma ou outra ponte era evidente que deveríamos ir pelo lado esquerdo devido à presença de grandes arbustos no caminho da direita. Como da outra vez nos deparamos com duas cobras nessa trilha - uma caninana e a outra jararaca - fiquei atento ao chão e aos troncos pelo caminho para não pisar em uma, apesar de estar com minhas perneiras tabajara. Vai que essas perneiras não servem pra nada. É um daqueles equipos que você não sabe se funciona e não quer nem saber, mas usa por pura superstição. Achei que a trilha estava muito fechada desta vez, talvez em razão das fortes chuvas das últimas semanas que derrubaram muitos cipós e galhos no meio do caminho. Muitas vezes eu perdia o caminho e me enfiava no mato no sentido que era único. Notei que dessa vez haviam muitos moranguinhos silvestres, o que foi ótimo, pois me poupou de ficar parando o tempo todo pra comer minha coisas. Da outra vez eu comi só um punhado porque o Eduardo ia na frente comendo tudo e eu quase não senti o gosto dessa delícia. No início da caminhada eu sempre perdia o Luciano de vista, então começava a gritar seu nome para ver mais ou menos onde ele estava e o esperava. Depois de caminhados ⅔ da trilha, acelerei o passo e fui na frente para, novamente, adiantar o banho e a troca de roupas pra ir embora. Quando estava quase chegando no fim, notei uma movimentação na casinha de vidro que fica mais elevada que as demais. Eram três fiscais. Voltei um pouco, olhei para os lados. De um lado uma subida absurdamente íngrime e com certeza os fiscais notariam minha presença se eu subisse ali. Do outro lado era uma piramba que provavelmente ia dar no Rio Mogi depois de muita descida e meu cronograma ficaria totalmente prejudicado. Foi aí que um dos fiscais saiu pra fora e acenou em minha direção, me chamando para se aproximar. Puts, agora ferrou. Já comecei a imaginar um monte de desculpas furadas - será que falo que um helicóptero me abandonou lá e eu estava procurando uma saída ou que sou um alienígena e estou em uma missão secreta para registrar a história deste planeta para arquivar na biblioteca dos Lanternas Verdes. Quando cheguei próximo da casinha de vidro, um dos fiscais, sorridente, me perguntou: "tava difícil a trilha?" e então eu o respondi com uma cara de coitado completamente esgotado: "sim, muito!". O cara se mostrou super gente boa e ainda me perguntou se eu sabia como sair dali. Apesar de saber, respondi que não sabia, pois pensei que se ele soubesse que eu já estivera ali antes, a multa poderia dobrar. Então ele me indicou o lado, perguntou se eu estava sozinho e eu respondi positivamente - vai que ele está fingindo, mas na verdade só quer que eu confesse o crime e entregue os comparsas - e se despediu. Então eu fui na direção de um córrego onde nos limpamos da outra vez, tomei um banho e esperei o Luciano por uns 40 minutos, no meio do mato e bem quieto, pois bem do lado estava tendo um churrasco cheio de gente e eu não queria ser pego pelos moradores naquele lugar. O Luciano tomou um banho bem rápido e fomos em direção ao ponto de ônibus que nos levaria até a Estação Rio Grande da Serra. Já eram 16:50 e meu plano era pegar o ônibus para voltar às 16:00. Se eu estivesse sozinho teria conseguido com folga, mas esse pequeno atraso não incomodou em nada. Ao chegarmos no ponto de ônibus, começa aqueles estresses da vida urbana. Havia uma fila gigante. Parece que estava tendo algum evento em Paranapiacaba, como todos os outros finais de semana que ali estive, e muitas pessoas estavam aguardando o transporte público para retornarem a suas casas. Esperamos por 25 minutos até surgir um ônibus que, por ser mais caro que o outro, espantou alguns passageiros, dando oportunidade para nós que estávamos atrás na fila. Em 20 minutos chegamos em RGS e corremos para pegar o trem que nos levaria de volta à São Paulo. Assim termina mais um final de semana de muitas incertezas, mas que no final deu tudo certo pelo menos pro Luciano e para mim, e fica a lição de que devemos planejar melhor essas coisas pra não estragar o final de semana dos outros convidados. As trilhas até o Mirante e depois para o Rio Quilombo são super fáceis e acessíveis, devendo-se tomar cuidado apenas com os joelhos nas descidas, flexionando os bem e se possível com o auxílio de um bastão. A caminhada foi longa, mas as caronas nos ajudaram muito. O retorno a Paranapiacaba pelo Rio Mogi ficará para uma próxima oportunidade. Qualque dúvida é só dar um toque que tento ajudar. Obrigado pela leitura e até a próxima! Link para minha página no Facebook: http://www.facebook.com/PerieratPerierat
  2. Intro: Na primeira quinzena do mês de setembro, pouco depois de ter realizado a travessia mais fantástica e satisfatória da minha vida (até então). Já marcavamos para o dia 06/10/2013 uma investida nas cachoeiras Paraíso e Lago Azul, que se encontram na gigantesca parede verde que circunda Cubatão. Encheriamos dois carros pra esse feito com os mesmos (nove) trilheiros de costume das últimas vezes. A observação nesse seria que, nenhum desses membros conheciam ou já se quer trilharam por essas bandas. Mais tudo bem, isso era o de menos, sendo que tinhamos infos o suficiente pra se arriscar na exploratória. O que não contavamos, era que fizesse sol durante quase o mês todo e na semana do evento chuvesse diariamente parando apenas no sábado pra trazer aquela frente fria que espanta a coragem dos que pensam em ir pro meio do mato passar frio. Brrruuuuuhhhh... Só que a gente não é assim!! hehe Cancelamos o evento pra Cubatão por causa do tempo chuvoso que ainda estaria por lá no domingo, então transferimos o evento à Paranapiacaba e começamos a discutir sobre qual seria o roteiro. Mais a essa hora, dos nove participantes restaram apenas três pra manter o assunto e fechamos a conversa com essa confirmação. Na manhã seguinte, antes de pegar a condução fiz o velho ritual de mandar SMS e fazer uma ligação aos envolvidos pra que eu não dê viagem perdida. Um respondendo já está de bom tamanho.E assim foi. relato: Era 07:40h quando desci na estação de Rio Grande da Serra, e pra minha surpresa meu brother Diego estava no mesmo trem que eu. Bom que não gerou esperas. Fomos até a padoca comprar uns pãozinho, tomar um pingado e ir pro ponto pegar o bus. Foi alí no coletivo mesmo é definimos nosso roteiro: Subir o Morro do Careca, seguir por trilha + rio até a Cachoeira dos grampos e finalizar na Cachoeira da Fumaça. E como sempre, o melhor é não seguir script, fizemos diferente. Saltamos do buzão 08:15h bem na entrada da lamacenta trilha que leva até o Rio das areias (cach da fumaça), onde sairiamos mais tarde. Anossa jornada começou mesmo na vizinha trilha dos tênis, uma larga estrada e pantanoza devido as valas cavadas pelos pneus dos jeeps 4x4 que passam se aventurando por alí, e pra vencer essas cavidades é preciso pular várias vezes na esperança de manter os pés secos. Num pulo desses alguém deve ter deixado cair os $9,00 que achei ainda úmidos perto de uma poça. O dia surpreendeu, pois eu fui preparado pra frio e chuva, mais o tempo abriu com sol e fez render nosso dia. O "pula pula" acabou quando tomamos a esquerda sentido Lago Cristal. Quando chemamos no rio que forma o mesmo, tocamos pra trilha das torres, onde noutrora tentamos sem sucesso subir o Morro do Careca. Mais dessa vez foi diferente, estavamos mais concentrados e determinados. Logo depois do primeiro desmoronamento ficamos atento a direção desejada, porém já sabiamos que seria tarefa árdua, e foi. Escolhemos a parte menos fechada da mata e começamos a rasgar na raça o emaranhado de cipós e galhos espinhentos que tinham pela frente. Tinhamaos apenas o bom senso voltado pra direção do nosso objetivo, algumas vezes a mata fechava um pouco nos forçando a desviar, e isso nos deixava meio confuzos a ponto de pensar: vamos conseguir ou não vamos!? vamos desistir ou não vamos!?. Mais nós somos "madeira dilei" poha, sabiamos que estavamos ali pra passar por qualquer sofrimento... tipo > missão dada é missão cumprida. E numa segunda tentativa, não conseguir achar o caminnho não tão difícil assim seria como uma nova derrota. Continuamos descendo forte, pois sabiamos que no vale passaria um rio, o rio que forma a Cachoeira Escondida e que a partir dali teriamos que ficar atentos pra subir. Chegamos num afluente e decidimos descer em seu fluxo, se não achessemos a trilha pelo menos sairiamos no topo da cachu. Fomos até a junção com o rio principal, e nessa junção paramos pra tomar um cafezinho reforçado, com aquele Ovomaltine quentinho e um "misto selvagem" que só o Diego sabe fazer... kkk. Pra nossa supresa, depois de umas meia hora de pausa, avistei um pouco a frente uma mini cachoeira com a trilha que procuravamos bem ao lado...uol, poxa vida hein. É uma subida bem curta, porém puxada (sem bifurcações). Já no alto do morro todo o esforço foi recompensado. De lá temos uma visão quase completa dos atrativos locais: Cach Encantada, Cach dos Grampos, Cach da Fumaça em destaque, com a sequência das demais cachus descendo sentido ao Vale da Morte, as pontes da linha férrea desativada do antigo sistema funicular paralelo a linha ativa dos trens da MRS LOGÍSTICA e também uma visão parcial da cidade de Cubatão. Por causa do tempo que perdemos varando mato antes de subir, achavamos que essa seria a única tarefa realizada do dia. Só que lá de cima as cachoeiras instigavam nossa vontade de visita-las, e ainda era 12:30h quando pegamos a trilha pra voltar, cedo demais. Então vamos explorar caminhos que não conhecemos. Atingido um dos nossos objetivos, seguimos o fluxo novamente até chegar no topo da Cachoeira escondida (visão linda), onde logo de cara já nos preocupava de que jeito desceriamos os paredões laterais. Lá embaixo na base tinham um grupo de +ou- 10 pessoas aproveitando a queda dàgua e quebra assistindo nossa desescalaminhada. Dois deles (Carlos Jr. e ....esqueci o nome, rs), se prontificaram a ajudar quando estavamos na metade, auxiliando o melhor caminho por onde descer e nos livrando das mochilas, (coisa que não adiantou muito), joguei a minha e ela passou direto rolando chão abaixo. •um deles: tem alguma coisa de quebrar? •eu: não, só um tablet, um Notebook e a câmera fotográfica. kkkk *brincadeirinha, não teria lógica em levar tantos aparatos tecnológicos pro mato, né? Paramos pra conversar um pouco, agradecemos, clicamos umas fotos e fomos passando pela cach encantada, lago cristal e rio vermelho, onde também a acompanhamos o fluxo da água num trajeto bem sinuoso, que no primeiro contato parece ser fácil de vencer, cobre apenas os tornozelos, ora se represa em fundas piscinas naturais com a parte mais rasa na altura da cintura e é nessa hora que exige cada vez mais força das pernas, isso me rendeu algumas cãibras na parte posterior das coxas. "Pensamos que seria mais suave, mais quanto pior é, melhor fica". Cerca de 1h depois já alcançamos por cima a cach dos grampos e como um guardião da serra local o Morro do Careca se faz gigante neste ângulo. Fiz uma breve descida pelo quanto esquerdo até onde se vê que é seguro, porque teimar em descer sem nenhuma corda ou qualquer equipo de segurança poderia causar no mínimo descuido, um acidente fatal. Me contive. A única intensão a partir dalí era trilhar até a cach da fumaça, e o caminho que pensavamos dar diretamente lá, ainda passou pela cach das tartaruguinhas, que particularmente achei muito bonita. Mais uma vez seguimos as águas até encontrar com o rio das areias e vê-lo despencando serra abaixo em mais um topo de cachoeira (Fumaça), dando o prazer de estar alí e avistar de seu mirante, um cenário que se enquadra perfeito à situação. Como se trata de um lugar que "batemos cartão", a parada não durou mais do que 15 minutos (o vento gelado foi um dos motivos da pausa ser tão breve rsrs), e também por não ter muito tempo pra ficar na mata sem lanternas, já que escurece rápido e a neblina é rotineira no lugar. O rítmo foi suave na hora da partida, com direito até a "show pirotecnico" (kkk...) no café da tarde num descampando perto da Cach Pequena da Fumaça. Essa última parada foi fundamental pra recuperar as energias e eliminar alguns pesos da mochila. Meu brinde do dia, além dos $9,00 que achei na ida, ooohhh sorte rsrs, foi também uma camiseta novinha que achei caida no chão quando voltavamos já na reta final da trilha. Não pensei duas vezes... é minha hehe. Às 17:30h saímos no acostamento do asfalto que nos serviu de vestiário, pois sabendo que grande parte dessa jornada seria dentre as águas, levei uma calça, um par de meias e um par de tênis reserva pra ir embora sequinho. hehehe. Enfrentar 3h de condução e cansados como estávamos, até em casa com roupas molhadas ninguém merece. fim. Bom, essa por enquanto foi uma das voltas mais completas que já dei pela região. Foram 8 cachoeiras e 1 topo de morro alcansados com vista panorâmica de todo esse percurso que nos aventuramos, e Graças a Deus correu tudo bem. abraços.
  3. Trilha das 7 cachoeiras realizada: 21/04/2013 participação: Diego Lopes & Vgn Vagner Quando o assunto é trilhar em Paranapiacaba, o instinto de navegação natureba de vários mochileiros é instigado, devido a riqueza histórica cultural que a cidade dispõe e a possibilidade de aventuras oferecidas "junto a flora", e comigo não foi diferente. O convite viera como mensagem surpresa na minha página da rede social mais acessada do momento, onde pessoas ligadas por interesses em comum postam suas fotos, curtem muito bestirol publicado e as vezes comoartilham informações úteis. Nessa mesma rede muitos acabam se conhecendo, pra futuramente se tornarem companheiros de aventuras, situação que se pôs à prova depois de marcar com Diego Lopes minha primeira visita à cidade de fundação inglesa. Confiei meu dia de domingo a um até então desconhecido e não me arrependi. Pois Diego já havia feito a caminhada que corta a vegetação em trilha lamacenta até a cachoeira da fumaça e outra trilha vizinha, que sai do asfalto em direção ao Lago cristal e cachoeira escondida. Só não havia ainda, realizado a ligação de ambas que formam (nossa missão), o Circuito: Ferradura da fumaça ou Trilha das 7 cachoeiras, como também é conhecida. A última estação da linha 10-Turquesa da CPTM, foi o local marcado para encontro às 08:00am, horário esse que foi prorrogado para 1h mais tarde devido a manutenção das linhas e lentidão dos trens. Mais isso não atrapalharia o itinerário, sendo que o ônibus partiu assim que chegamos e compensou o atraso. Já no km 45 saltamos em frente a trilha que inicianos às 09:50am. Trilha de fácil navegação, mais que não nos deixou livre dos capotes. Logo no primeiro obstáculo, onde tem um lamaçal, encontramos um grupo de +ou- umas 30 pessoas seguindo na mesma direção, e foi ali, que na intenção de ganhar tempo, desviamos do caminho mais suave que faziam que enfiei metade da canela na lama e capotei, batizando a roupa. Dali pra frente, foi só seguir em trilha bem batida que nos levou a um mini canion, a um rio raso pra atravessar e um lago que divide espaço com um banco de areia, onde contormanos pela esquerda e seguimos a picada que está do mesmo lado, mais alto que o leito. Pouco a frente se tem um outra picada a esquerda que termina num mirante dando visão parcial da cidade e litoral de Cubatão, as montanhas banhadas com o verde formando o Vale do Rio Mogi e o Vale da Morte. Desse ponto, logo deixamos a trilha pra andar dentro d'água e encontrar a primeira cachoeira, e seguimos pelo rio. Quando chegamos na leve curva pra esquerda, uma surpresa: o topo da cach da fumaça com mais de 70 pessoas (contei numa foto que tirei), se banhando, lanchando e sob atividades suspeitas...rsrs. Não sabiamos se desceriam, então nem fizemos pausa ali, optamos por seguir picada íngrime à esquerda em direção ao vale. No primeiro patamar abaixo paramos com mais sossego pra lanchar e tirar fotos na base da cachu. A partir desse ponto fica notável a adrenalina habitando o corpo, pois o terreno se mostra muito acidentado, com rochas escorregadias à transpassar e poucas picadas de curta navegação forçando seguir pelos obstáculos. Pouco se desce e já temos mais uma linda cachu com uns 4 mts de queda e um poço esverdeado e profundo. Metros a frente temos mais uma cachu de proporção semelhante, só que com o paredão vertical esquerdo dando destaque por ter pequenos blocos estreitos encaixados uns aos outros emoldurando a queda. Metros abaixo está o portal, paredão que se tem como referência onde se juntam os rios: Solvay, Das pedras e Vermelho dando início ao Rio da Onça no Vale da Morte, que não seria nosso caminho no momento. O sentido correto seria o Rio Solvay, mas o escalaminhado foi o Das pedras, onde se tem um curso bastante encachoeirado e difícil subida a partir daquele ponto. Sem trilhas, apenas vara mato em forte aclive onde a gente caía e deslizava fácil fácil, ganhando arranhões e machucados leves quando o solo não suportava nosso peso. Explorações a parte, vimos mais algumas cachus por alí, desescalaminhamos uma delas com uns 6mts e depois de 1h +ou- decidimos voltar ao nosso destino. Agora na metade do caminho, estavamos na base do Morro do Careca subindo o Rio Solvay, cansados e com as pernas pesadas devido a tanto sobe e desce de obstáculos. Mais não demorou muito e logo chegamos à Cach Escondida pra tomar um banho e renovar as energias numa água que parecia ter uns 500 graus negativos...afff. Bem ao lado a Cach Encantada e pouco mais acima outra cachu pequena formada pelas águas vindas do Lago Cristal (lindo), com uns 2,5mts de profundidade finalizando as atrações do circuito. Do Lago Cristal pra frente foi hora em terreno, hora com os pés na água, até chegarmos em trilha firme que findaria no asfalto 1h depois, onde se completa a forma de "U" do trajeto, por isso o nome: Ferradura da Fumaça. Dali mesmo, no lado oposto da saída da trilha pegamos o ônibus para RGS e em seguida o trem até o Brás, e depois ZONA LESTE RAPPÁÁÁ, CASAAAAA!!! Abraço.
  4. Trilha feita em 25/04/2013. Álbum com todas as fotos estão em: https://picasaweb.google.com/110430413978813571480/CachoeiraDosGramposATartaruguinhaEFumaca?authuser=0&feat=directlink Eram 8:15h quando saltei do trem na estação de Rio Grande da serra (Linha 10 - CPTM), originalmente construída pelos ingleses no século XIX que tal como Paranapiacaba, estava envolvida no seu tradicional "fog" de inicio da manhã, qdo noto que, ainda faltavam 15 minutos até a partida do busão das 8:30h, aproveitei para dar um pulo na padaria Barcelona e comprar presunto para o pão sovado que trazia de casa, mas que esquecera de comprar presunto para o recheio. Feito isso, fui para o ponto do busão e após o curto percurso com meia dúzia de passageiros no interior do veiculo, saltei no km 43, próximo a entrada da estradinha do etilenoduto a direita, portal que foi já palco de várias outras picadas feitas anteriormente. Após umas alongadas básicas, dei inicio a pernada propriamente dita as 8:50h. Durante a caminhada, notei que o sol estava rapidamente dissipando a névoa e os trechos de céu azul mostrara que o dia seria igualmente aproveitável e livre de qualquer vestígio de nuvem nas próximas horas. A estradinha estava bem seca, mostrando que fazia mais de 1 semana pelo menos que não caíra uma gota sequer naquela região, coisa rara em se tratando de uma das regiões mais chuvosas do país, perdendo apenas para a Amazônia. Mas quase todo lugar tem seu período seco (ou menos chuvoso) e a serra de Paranapiacaba não seria diferente, mesmo sendo próximo a Sampa, muitas vezes aqui passa 1, 2 até 3 meses sem cair uma gota sequer, enquanto lá o efeito da orografia e a alta umidade da serra, provoca chuviscos e chuvas fracas, mas constantes, durante a passagem de qualquer frente fria, mesmo fracas e pelo oceano. Ainda no trecho inicial da estradinha de terra A estrada + seca permitiu uma pernada mais tranquila até o inicio da trilha, exceto por 2 caminhões que passaram por mim durante o trecho inicial, me fazendo comer poeira. Adentrei a primeira bifurcação a esquerda, que leva a cachoeira do vale, trilha das torres, morro do careca e cachu escondida. Os trechos tradicionalmente enlameados e que ficam difícil de transpor, com o tempo seco, viram terra batida e as marcas de bota afundada na terra ficam duras como se tivessem sido cimentadas. Ótimo para ter o prazer de pisar ali sem afundar o tênis na lama, além de agilizar o ritmo da pernada. O som dos caminhões carregando e descarregando algo em alguma obra ali perto, foram ficando para trás dando lugar ao silêncio da floresta, depois de passar por uma antena de transmissão de energia, a estradinha adentra de vez na floresta até que as 9:16h, cheguei ao encontro das 2 estradinhas de terra que vem lá do asfalto com o inicio oficial da trilha (bem no meio entre as 2) a direita. Mas não deu nem 5 minutos na trilha da cachu do vale que logo chego no trecho onde a trilha cruza o rio vermelho. A partir dai, abandono a picada principal em favor da pequena e curta trilha a esquerda, que desce em poucos metros somente até a margem do rio vermelho. A partir de agora, já não tem mais trilha, a próxima hora será toda percorrida pelo leito pedregoso, porém calmo do rio vermelho, sabendo disso, antes de meter o pés na agua, aproveitei para trocar de roupa e colocar as roupas mais surradas, preservando a bota e calça secas para a volta. E assim, as 9:30h saio da trilha e inicio a caminhada pelo trecho do rio vermelho. As águas do rio estavam + geladas do que normalmente já são, o que fez meus pés doerem um bocadinho no começo até acostumarem com a temperatura da agua. Tchibum em alguma piscina natural pelo visto estava totalmente fora de cogitação, pois a friaca do outono e o vento gelado da manhã, me fez supor que dificilmente faria calor durante a tarde, mas por via das dúvidas, sempre carrego comigo meu bermudão para banho. Rio vermelho visto da trilha da cachoeira do vale Trecho do Rio vermelho Durante o percurso pelo leito do rio vermelho, cujas aguas seguiam calmas e rasinhas em direção ao topo da serra, dando voltas e contornando o trecho de planalto, notei que mesmo sem trilhas, havia marcas de botas recentes em suas margens além de um silêncio maior do que o normal, onde só se ouvia o barulho das aguas correndo calmamente em direção ao seu destino, o mar. É incrível como esse rio faz juz ao seu nome, pois a coloração vermelha bem forte se faz presente em todo o percurso do mesmo até o topo da cachu dos grampos, tornando-o único em toda região, pois não vira nenhum outro rio com uma coloração vermelha tão forte e intensa como a desse rio. Durante o percurso, observei atentamente se não havia nenhuma picada brotando de suas margens, ora saindo temporariamente do rio para uma rápida espiada no meio da mata em busca de algum vestígio de picada, ora varando trecho de mato para vencer os trechos cujo rio ficava represado e tinha profundidade muito acima da cintura, como em um único, porém enorme trecho erodito que me fez até ficar um pouco tenso, por conta de uma pequena caverna que poderia ser a toca de algum felino, além de estar até meio escuro naquele trecho onde o rio fazia uma curva bem fechada. Nada demais, apenas fruto de uma mega erosão provocado por trombas d´agua. Prainhas fluviais As 9:55h passei por uma área descampada a direira, onde cabe pelo menos umas 3 barracas pequenas. Sai do rio e dei uma espiada em busca de alguma picada que seguira na direção desejada. Notei restos de papel, garrafas de breja no chão e uma picada a esquerda. Pronto, imaginei que seria o fim do percurso lento pelo rio e que passaria a ser por trilha até o topo da cachu, o que aceleraria meus passos, diferentemente do que indo pelo rio. Mero engano, a curta trilha voltava para o rio um pouco mais a frente e terminara ali mesmo, sem continuação na outra margem, o que me fez lembrar das marcas de botas em alguns trechos de prainhas fluviais do rio, que aqueles que vão até a cachu seguindo por esse caminho, o faz pelo leito do rio mesmo. Diferentemente das trilhas da cachu da fumaça e vale, não há trilha alguma que segue o rio vermelho desde a bifurcação da trilha da cachu do vale até a cachu dos grampos. E se houve no passado, fechou por completo, infelizmente. Porém, a surpresa maior por não ter trilha ali seria descoberto lá no topo da cachu dos grampos. E das boas. Durante o percurso, passei por 2 pequenas, mas simpáticas cachus formadas pelo rio, que em dias de calor me deixaria tentado a dar um rápido tchibum, mas a insistência de são pedro em manter o "ar condicionado natural" ligado ao máximo, me fez mais uma vez, desistir da ideia, já que sequer estava suando, mesmo andando direto sem pausa para descanço desde o asfalto até aqui. Porém, pausa rápida para fotos em cada uma delas. Pequena queda + piscina natural do rio 2ºqueda, mais a frente.... As 10:10h passei por mais um trecho descampado a direita, com uma pequena trilha de acesso a ela. Já do outro lado do rio,notei um pequeno afluente e uma pequena e discreta picada adentrando mata adentro. Lembrei dela por ter percorrido a mesma de outra pernada anterior, de pelo menos uns 5 anos atrás. A trilha estava batida, porém meio fechada, com o mato tomando conta, entrei um pouco nela e a reconheci, mas voltei ao trecho do rio e fui dar uma espiada do outro lado, na área descampada, mas era só mais uma área de camping. Após varar um trecho de mato em busca da continuação da suposta picada e nada encontrar, voltei para o rio e segui em frente. As 10:25h cheguei a outro descampado, agora a esquerda, bem maior e com traços recentes de uso, nesse havia um bilhete dentro de um saco plastico transparente preso em uma arvore pequena que dizia: "Atenção nóia da p***, limpe a sua imundisse e leve seu lixo de volta com você" + ou - isso, pois alguns trechos estavam meio ilegíveis.... Mas foi bom saber que tem gente que tem consciência, pelo menos esse descampado estava totalmente livre de qualquer vestígio de papel, vidro e outras porcarias. Ou o sujeito que deixou o bilhete recolheu e levou embora a sujeira, ou então os últimos que ali acamparam leram o bilhete e levaram o lixo de volta. Área descampada, próxima ao topo da cachu Recado para os porcos R.I.P. Aproveitei para fazer meu 1º pit-stop desde que saltei do busão até ali para forrar o estômago e molhar a goela com mais um sucão gelado que sempre trago comigo numa garrafa térmica. Após o descanço, bati algumas fotos) e voltei para o rio, seguindo para a cachu. Mas para a minha surpresa, não deu nem 5 minutos e após virar uma curva, finalmente as 11:00h, chego ao topo da cachu dos grampos. Nova pausa, dessa vez bem maior para fotos e explorar o entorno do topo e também para apreciar a bela visão das aguas do rio vermelho despencando serra abaixo, que lembra um pouco o da fumaça, pelo fato do topo tb ser um mirante, o rio chegar em nível pelo planalto e despencar serra abaixo em 2 grandes quedas....O mirante da cachoeira dos grampos permite uma visão bem parecida com o da fumaça, com destaque para o morro do careca que ficou bem + visível com o céu limpo e o céu bem azul. Vista do alto da cachoeira dos Grampos Parte da cachu, vista por baixo (até onde foi possível descer sem cordas) Morro do careca vista do topo da cachu Piscina natural do rio no topo da cachu A principio, tentei desescalaminhar a borda esquerda da cachu com o objetivo de chegar até a base da mesma, para vê-la por baixo. Vi alguns grampos de rapel fincados na pedra em alguns trechos do topo, dai ao tentar descer pelas pedras, cheguei a um ponto intransponível sem cordas, então imaginei porque haviam pregado os suportes, descer sem corda ali ainda mais sozinho, seria de uma loucura e o risco que eu não estava nem um pouco afim de correr. E não havia trilha alguma nas 2 margens que descia. Então, comecei a pensar em varar o mato ali até lá embaixo, mas ao adentrar a esquerda exatamente com essa finalidade, es que noto uma picada discreta subindo a pequena encosta e na curiosidade de ver o que é, dou de cara com uma trilha bem aberta e batida, com sinais que fora aberto faz pouco tempo. Na curiosidade de ver onde a dita cuja vai dar, abortei a descida pelo mato até a base da cachu dos grampos e fui explorar a dita picada que seguia sentido leste, na direção desejada. Minutos após entrar nessa picada, passei por um pequeno córrego e continuei pela mesma, seguindo sentido Sudeste. Piscina natural + Mirante + topo da cachu. Tudo em um lugar só. Gancho de rapel fincado na pedra. Baixada santista A picada dá uma pequena volta a direita e depois a esquerda, es que noto que ela está contornando o morro que divide os vales e vai dar em algum outro trecho que ainda iria descobrir. Mas não dá nem 10 minutos de pernada, es que a mesma termina num descampado enorme, que eu reconheci na hora, por conta de outras pernadas anteriores. Na hora, pensei: Não acredito. Fizeram uma trilha de interligação entre os vales da fumaça e do rio vermelho. Claro que fiquei radiante, pois cheguei a cogitar uma pequena ligação vara-mato com um amigo nesse mesmo dia, seguindo até ao topo da cachu dos grampos pelo rio vermelho e varando mato pelo alto do morro, até chegar no rio da cachu da fumaça, onde voltaríamos até o asfalto pela trilha. Já tinha feito 2 batevoltas entrando por um lado (cachu do vale) e voltando pela cachu da fumaça, mas descendo pelo rio do vale da morte até a trifurcação dos rios, onde os 3 rios (vale, vermelho e fumaça) se encontram e formam o rio da onça, que desce o vale da morte até encontrar com o rio Mogi lá embaixo, próximo a cubatão. Trecho da trilha de interligação direta: Cachu dos grampos <-> Tartaruguinha e fumaça! Cachu dos grampos visto do morro, no inicio da trilha de interligação.... Ainda no descampado, notei que abriram novas trilhas de acesso ao topo e a borda da cachu das tartaruguinhas, aproveitei para bater umas fotos ali e definido que voltaria por ali e não mais pelo rio vermelho, resolvi retornar pela trilha de interligação dali até chegar no rio da cachu dos grampos novamente. De volta a cachu, tentei (em vão), desescalaminhar pelas pedras mesmo, até onde era possível para bater fotos e ficar ali mais um pouco, afinal, não havia uma alma viva e dono absoluto do lugar, aproveitei que tinha muito tempo livre para curtir o local, mesmo sem tchibum, já que a friaca do outono além do vento frio se mantiveram presentes o dia todo, mesmo com o sol que brilhou a maior parte do dia. Ainda no topo da cachu, as 13:40h, após um rápido cochilo, dou adeus a cachu dos grampos e inicio o retorno para o asfalto, dessa vez, utilizando a trilha de interligação. 10 minutos depois chego novamente a cachu das Tartaruguinhas onde fiz uma rápida pausa para + fotos, claro. Desci o rio pela trilha das tartaruguinhas, passando por outra cachoeira até que as 14:05 cheguei ao trecho do rio da cachu da fumaça, onde acessei a trilha de volta, mas não antes de dar uma rápida passada na velha cachoeira da fumaça. Afinal, estava perto do topo e tinha mais de 3 horas de claridade disponível ainda. Assim como a dos Grampos, não havia uma alma viva no topo da cachu da fumaça e nem nas trilhas em volta, e após espiar o entorno em busca de alguma possível picada recém aberta, mas vendo que tava tudo igual, es que as 14:20h, inicio o retorno até o asfalto, já calculado para chegar com calma (sem precisar correr) para pegar o busão das 16:00hs. Descampado, próximo a cachu das tartaruguinhas e o final da trilha de interligação a direita. Cachoeira das tartaruguinhas Topo da cachu da fumaça Trecho de rio, próximo ao topo da cachoeira da fumaça Durante a volta, notei que abriram uma trilha nova no trecho esquerdo do rio, na bifurcação entre o rio das tartaruguinhas com o da fumaça. Segui por ela e por estar bem batida e até seca, es que em menos de 10 minutos, já estava passando pela primeira cachoeira do rio. Antigamente, esse trecho até lá era feito somente pelo rio, provavelmente aquela picada nova e bem aberta foi aberto por agencias de ecoturismo, para que seus farofeiros clientes tenham mais "conforto" para chegar até a cachu (como o percurso pelo calmo e tranquilo trecho do rio da fumaça fosse tão ruim assim sem contar o trecho bem lá no começo, o pântano). Bem ou mal, o retorno pela picada foi mais rápido e permitiu uma volta com tempo de percurso menor do que antigamente. As 14:38 cheguei ao mirante e aproveitei para fazer um rápido pit-stop para degustar mais algumas barras de cereais, detonar outra parte do sucão e adoçar a língua com o doce do cereal e biscoito. As 14:50h me mando dali e aproveitando o fato da trilha estar seca, a pernada de volta foi bem rápida..... Durante o retorno, pouco antes de passar pelo rio das areias, es que as 15:05, noto uma bifurcação bem aberta do lado de uma clareira que já havia explorado anos atrás e que não dava em nada....porém, ao notar que estava mais aberta, es que resolvo dar uma rápida espiada nela. Adentrei e vi que estava bem mais aberta, com marcas de botas e que havia bastante sinais de movimento. Fui seguindo nela até que passei por 1, depois outro córrego pequeno e a picada se mantinha firme e forte, diferente da ultima vez que ela terminava no primeiro riachinho. Segui por 5 minutos e ela adentrou a mata ainda mais fechada, depois para o meu espanto, ela dava umas 2 voltas e terminava nada mais, nada menos que....no mesmo lugar, em um corrego seco, pouca coisa acima do trecho do outro lado. Ao explorar uma suposta continuação da mesma ali, seguindo em frente, dei de cara com um barranco e a trilha novamente, por onde eu passara minutos antes. Na hora pensei: Que raio de trilha é essa que começa do nada e termina em lugar algum? Poderia voltar por ali cortando caminho, mas curioso que sou ainda mais se a trilha for mto aberta e com marcas de movimento, resolvi voltar pelo mesmo caminho que vim, dando novamente a volta e vendo se não havia alguma bifurcação que por ventura poderia ter deixado passar, mas que nada...a trilha seguia assim mesmo, provavelmente era apenas trilha de caçador ou aquelas de parques estaduais de "interpretação da natureza". Ou seja: Estenderam ela, mas continua "não dando em nada". Bem, valeu pelo trecho novo, pelo menos não ficou pendente e não precisarei ir de novo lá só para explorar essa bifurcação.... Ao retornar para a principal, segui rapidamente até o asfalto, onde cheguei as 15:58, bem em cima da hora do busão das 16:00hs que passou 10 minutos depois. Como gastei cerca de 25 minutos para explorar a bifurcação proximo ao rio das areias, por pouco não perco o busão das 16:00hs, tendo que esperar o das 17:00hs ou então andar por 6 km até a estação de trem em RGS. Mas tá valendo, a bifurcação poderia ter dado em alguma coisa interessante...Um detalhe que me chamou a atenção no trecho final da trilha da cachoeira da fumaça é que ela está, pouco a pouco, fechando em seu trecho que antes era bem mais mais aberto. Em 2003, era uma estradinha de terra onde passava até carro e moto. Hoje, está resumido a uma trilha pequena desde o começo, com o mato crescendo em volta, embora o trecho após o pantano sentido cachoeira estar ainda mais aberto e bem batida. Se não passarem o facão ali, a trilha do trecho inicial estará totalmente fechada daqui a alguns anos, impossibitando qualquer volta por ela sem vara mato no trecho final (ou na ida). De qualquer forma, a cachoeira dos Grampos mostra mais uma vez, um atrativo que só Paranapiacaba tem, antes escondido da maioria, e agora através da trilha de interligação, se tornou facilmente acessível sem a necessidade de vara mato ou mesmo seguir pelo leito do rio vermelho, sem trilha. Isso mostra o qto de cachus existem nessa região, uma próxima da outra. Melhor que isso, só mesmo uma trilha interligando a cachu do vale com o dos grampos, passando pela escondida. Quem sabe nos próximos anos essa trilha não venha a existir? Mesmo 11 anos depois de ter posto os pés pela primeira vez (e de trem, qdo o mesmo ainda chegava até a vila inglesa) em Paranapiacaba, ainda me surpreende estar voltando lá para explorar trechos, cachus e mirantes novos que não tinha feito até o dias de hoje.
  5. ola galera... voltando aqui pra postar o meu segundo relato tendo total sucesso na nossa primeira trilha ao poço formoso fiquei tentada a voltar para a pequena vila e fazer outra o mais rapido possivel ^^ (circulo viciante) pesquisei a respeito do lago de cristal, porém optei por subir a pedra Grande mais uma vez influenciada pelos relatos do "Massa" rs então no feriado da consciência negra me encontrei com o meu parceiro de aventuras as 7:00 no ponto aqui perto de casa e la fomos nós a Paranapiacaba... chegando na vila, compramos mantimentos e antes de encarar a longa estrada de taquarussu subimos ao mirante do lado do cemitério... o tempo estava ótimo bem diferente do que a gente viu na primeira trilha o que nos deu mais coragem ainda pra pernada que nos aguardava, descemos então a ponte em direção a estrada não sem antes também tirar fotos da vila e da locobreque... locobreque mais alguns cliques, depois de passar no bar da Zilda pra tomar algo gelado e criar coragem, finalmente chegamos na estrada... as 10:00 seguimos então a estrada sem grandes mudanças de paisagem....cruzavamos vez ou outra com motos de trilha e ciclistas depois de muito andar, chegamos na vila de taquarussu onde comprovei o q o guarda metropolitano de paranapiacaba a quem pedimos algumas informações nos informou que na verdade era at muito pequena pra parecer uma vila com casinhas contadas a dedo, igreja e uma pequena represa...De dia naquele sol me parecia uma cidade fantasma de faroeste porém a noite imaginei como um cenário de jogo apocalipitico! até aqui tudo tranquilo foi depois de passar pelo pesqueiro que o perregue começou... depois de passado o pesqueiro truta nas pedrinhas entramos a direita como li no relato do "massa", passamos por uma propriedade com dois cachorros de caça , um deles bem exaltado tentando pegar os patos quase nos fez retroceder até eu perceber que ele estava preso por uma corda então continuamos depois dessa primeira propriedade tínhamos duas opções seguir reto ou uma bifurcação a direita onde entramos pensando ser a tal trilha até a pedra, errado! começamos no que parecia ser uma trilha que foi se fechando cada vez mais...embora inocentemente eu ainda achasse que era a certa... que nada... estávamos em mato fechado mais jurava que estava certa e teimosa como sou (preciso trabalhar nisso) não quis admitir o erro e como estava dando pra andar desviando dos obstáculos sempre em zigue e zague, achei que estavamos paralelos a trilha certa e que podíamos encontra-la em algum ponto...estava enganada. quanto mais andávamos mais agonia dava, o clima estava tenso e andávamos em silêncio, o único som era do "ai!" pq tinha muitos espinhos, tensa como eu estava e cheia de adrenalina nem estava me importando no momento, só queria chegar! fizemos um verdadeiro vara mato (só que sem a faca q seria muito útil por sinal), chegamos até uma parte onde tinha muito bambu e o Alex até se inspirou a querer bater fotos e quebrar um pouco o clima tenso porém estava mais preocupada em como chegaríamos, voltaríamos e a vegetação me deixou confusa oras aberta...oras fechada... aquilo com certeza não era uma trilha! depois de andar mais um bom bocado sem saber onde estávamos, passamos por mais uma propriedade que era um sitio que tinha uma placa bem grande dizendo proibida a passagem sem autorização, ouvimos barulho de cachorro e por via das duvidas a contornamos pela cerca por um caminho que se escorregasse era direto pro hospital pela queda ou por se cortar no arame farpado! continuamos pelo caminho árduo de espinhos, deslizamentos, troncos e etc...a essa altura já tinha total certeza que tomei o caminho errado em algum ponto distinto e já tínhamos andado muito, pelo menos eu achava, já que as arvores fechavam o céu acima de nós o q me deixava claustrofóbica e meio desorientada sobre onde estavamos em relação a pedra...a teimosia era maior e não me deixava retroceder, já tinha chegado até ali e iria até o final até pq tinha certeza de que já no topo acharia a trilha certa de volta. Alex até tentou me fazer voltar para trás sutilmente me dizendo que se eu não queria voltar pq estava machucada e estava preocupado, mais tentei transparecer a maior confiança do mundo de q iriamos chegar no objetivo...(era só subir então se já estava ferrada mesmo pelo menos ia até o final!). ele me olhou como se estivesse prestes a me carregar pra casa se fosse necessário mais que também iria dar o voto de confiança que eu precisava de q ainda podíamos chegar la... passado esse drama continuamos a subir... já estava anestesiada a dor que os espinhos e outros obstáculos me causavam então tentei me concentrar em detalhes como pequenas clareiras de luz, as arvores abaixando, pedras enormes e o barulho do vento mostrando que pelo menos estávamos subindo... Avistei uma clareira logo depois da subida íngreme em que estávamos como se o terreno la estivesse plano não deu outra me apressei em chegar até ela escalando como se estivesse ficando sem ar... quando alcançamos a clareira estávamos bem ao lado esquerdo da pedra tínhamos duas opções ou subíamos por ali mesmo que não era tão 'íngreme" e estava coberto com capim dourado seco até o topo(porém uma tropeçada ou perda de equilibrio era morte na certa, pq não tinha nada pra se segurar na caída) ou encarava a mata fechada de novo! não pensamos duas vezes e decidimos ir conquistando pelo lado da pedra até o topo, a vista era linda mais nem olhei pra trás com medo de ter uma vertigem, perder o equilíbrio e descer a montanha rolando...fomos bem dizer escalando, forçando o peso do corpo pra baixo e com cuidado porém estava andando com uma certa pressa, aquela situação também estava me deixando agoniada, Alex foi na frente com as mochilas e eu logo atras, em todo o perrengue que passamos aquele foi o mais fácil de vencer porém foi o de maior risco... arranhões não era uma das opções ali! chegamos em fim ao centro do topo, fiquei super empolgada "we are the champions my friends" mais logo sentei como se estivesse andando a dias, puxei todo o ar que pude e fiquei algum tempo parada até me estabilizar, devido a fatores como adrenalina, cansaço e latitude fiquei super ofegante...enquanto isso Alex ligou o radio e constatou que chegamos ao topo exatamente as 14:00 contabilizando 4 horas de ida e ainda precisávamos descobrir como voltaríamos. demos alguma olhada ao redor e já fomos até a ponta da pedra montar o piquenique, agora que estava parada e o sangue esfriava começava a ver realmente os estragos: como muita fome e minhas pernas putz as duas cheias de vergões,arranhões e ralados que começavam a doer pra burro, mais ainda quando eu tive a brilhante ideia de jogar água pra limpar os machucados... depois de comer os dois sanduíches que o Alex preparou pra mim e passada a adrenalina conclui q até foi duro chegar ali, mais perrengue faz parte, erros ensinam e a vista era linda! então comecei a curtir o momento e tirar fotos... Convidado do piquenique curtimos mais um pouco ouvindo legião urbana e apreciando a vista até q chegou 3 rapazes mais um senhor que era o tio e trazia os meninos para uma excurssão a pedra, fizemos amizade e explicamos o perrengue q passamos, pedimos encarecidamente se podíamos voltar com eles e evitar mais arranhões e stress na volta...eles ficaram felizes em nos ajudar! os nossos recentes amigos tiraram a nossa ultima foto na pedra... começamos a descida que foi bem íngreme porém divertida, aberta e muito mais segura que a subida, estávamos na trilha certa! os nossos amigos nos guiaram no caminho sem muita dificuldade até chegarmos em outra propriedade aparentemente abandonada com piscina que vimos do alto da pedra, pulamos a porteira branca da entrada e depois nos despedimos do pessoal que ainda iria pegar as bikes que esconderam no mato, depois desse ponto tinha uma entrada a esquerda e outra a direita fomos orientados a seguir pela esquerda pra chegar onde tudo começou na propriedade do cachorro caçador de patos....passamos pelo caminho dos dutos e chegamos de onde saímos e percebi o meu erro, deveria ter seguido reto logo após a primeira propriedade ao invés de ir pela entrada a direita! sem mais delongas nos apressamos no caminho de volta pq ainda queríamos assistir o final do jogo do Corinthians, mais claro que parando para alguns rápidos cliques,tomar uma breja no pesqueiro e para lavar o rosto no riacho que vimos na ida... A mãozinha... chegando na vila, fomos ao bar da Zilda e vimos o Corinthians tomar o gol e logo em seguida virar o jogo depois de bebemorar o dia e a vitória do Corinthians rumamos ao ponto mais não antes de passar no mirante de novo e ver a vista de Cubatão linda com as luzes acessas...pena que foi ai que minha câmera me deixou na mão. fomos para o ponto e ja eram 20:30...aguardamos o que parecia uma eternidade e finalmente EMTU/Trem/Metrô/ônibus.....lanchonete...CASA! aprendi muito nessa segunda trilha e ja anseio voltar a pedra(do jeito certo claro!)rs, estou adorando viver essas aventuras e descreve-las aqui! agradecendo mais uma vez ao Alex que me apoiou quando foi necessário, mesmo me chamando de doida , aguentou firme e confiou em mim até o final! A vida é uma escalada...mas a vista é ótima.
  6. Trip realizada de 29/12/2011 a 01/01/2012 Por: Gabriel Medina, Jefferson Zanandrea, Kássio Massa e Renata Aguiar Galeria completa de fotos Atenção, este texto não é recomendado para pessoas normais! Há alguns meses tentávamos traçar um roteiro bacana para finalizar o ano, a fim de unir bom visual de alguma queima de fogos por aí e o nosso tão aconchegante clima natureba, em meio à exuberante mata atlântica paulista. A princípio, a ideia - que foi apenas engavetada - era subir ao majestoso Pico do Corcovado, em Ubatuba-SP, com seus 1100m, e alí mesmo, assistir toda a queima de fogos que aconteceria lá embaixo, na muvucada civilização, retornando à base na manhã seguinte. Porém, após alguns inconvenientes que puseram em cheque esta trip, terminamos por alterá-la completamente, transformando-a num duplo perrengue, que se resumiria à descida da Serra do Mar, por trilha, rumo à Baixada Santista e acampamento numa praia deserta, chamada Prainha Preta, vizinha à semi-badalada Prainha Branca, localizada entre Guarujá e Bertioga. Por motivos de trabalho, a trip deveria ser concluída no dia 01/01/2012. O planejamento De fato, existem vários meios de se descer a Serra do Mar, a pé, dos quais já haviamos testado dois (as descidas pelo Vale do Rio Mogi e pela antiga e abandonada ferrovia Funicular da São Paulo Railway). Consequentemente, nos restavam algumas rotas ainda não realizadas, como por exemplo, a rota do Rio Itapanhaú, ou mesmo, a clássica rota do Vale do Rio Quilombo, que tem como pontos altos da pernada a traiçoeira Pedra Lisa e o magnífico Poço das Moças, culminando nos limites entre Cubatão e Santos, após caminhada árdua de 15km. Obviamente, o Vale do Quilombo estava mais ao nosso alcance que qualquer outra travessia, portanto, o escolhemos para esta trip, visto que é uma das travessias mais rápidas da região, podendo ser concluída em 6h. Me dei ao esforço de coletar infos sobre o caminho que, atualmente, encontra-se interditado, aberto apenas para grupos acompanhados por guias e monitores ambientais - um absurdo - e que, portanto, exigiria que a adentrássemos em algum horário em que a guarita estivesse fechada, para que não fôssemos frustrantemente impedidos de seguir rumo. Resolvemos então, marcar o encontro do grupo para Quinta-feira, às 22h, na Estação Rio Grande da Serra para que pudéssemos iniciar a trilha ainda à noite, acampando pouco após a guarita, e concluí-la por volta das 12h do dia seguinte, Sexta. Sem atrasos significativos, eu e o Gabriel nos encontramos com o Jefferson e a Renata, na plataforma da estação, e nos dirigimos ao ponto de ônibus aonde o coletivo rumo a Paranapiacaba chegou sem nenhuma enrolação! Apesar do horário, encontramos um numeroso grupo de jovens que rumavam ao Camping Simplão de Tudo, nos arredores de Taquarussu, vilarejo vizinho de Paranapiacaba. Durante todo o trajeto, tivemos uma breve conversa sobre a trip, em que parte do grupo demonstrou incertezas referentes às condições da trilha e insatisfações diante do longo trecho, de 10km, que teríamos que percorrer em estrada de terra interminável, durante a travessia. Sendo assim, foi cogitada a possibilidade de descermos a serra por alguma que já tenhamos feito antes, e o concenso geral do grupo fez por voltar à tona a ideia de refazer a histórica Travessia do Funicular, a mesma que realizei no final de Agosto do mesmo ano! Em busca do Funicular Pois bem, após 20min, às 22h45, nosso ônibus estacionou no bucólico e silencioso estacionamento da vila inglesa, onde nos despedimos dos jovens e fomos em direção ao mirante do Vale do Rio Mogi, uma humilde plataforma de madeira que, a cada visita minha ao local, encontra-se com menos degraus! Alí, ainda encontramos mais turistas que aproveitavam aquela fria noite para apreciar o vasto visual de todo o vale e da cidade de Cubatão, ao fundo. Às 23h, tomamos o início da Trilha do Rio Mogi, de onde sai, aos seus primeiros 30m, uma bifurcação parcialmente fechada pela mata, que nos levou às margens da ferrovia ativa operada pela MRS, conhecida como "Sistema Cremalheira" - por utilizar equipamentos especiais de tração na via chamados de cremalheira-aderência, que possibilitam as pesadas locomotivas subirem e descerem o grande declive da Serra do Mar com segurança. Neste ponto, é recomendada atenção, pois para atingir o leito do Funicular, é preciso atravessar a via da Cremalheira, seguí-la por uns 200m e subir por uma antiga canaleta de escoamento de água, evitando ser visto pela segurança presente no local, pois é lei federal a proibição de se caminhar em ferrovias. Sendo assim, tratamos de desligar nossas lanternas e andamos ligeiramente pela via, chegando ao leito do Funicular sem qualquer imprevisto, às 23h20. Sucesso! Daqui, bastou seguirmos os precários trilhos até chegarmos ao 5º túnel, onde instalamos nossas barracas em sua entrada, às 0h, a fim de conseguir burlar a friaca daquela noite e pegar num quase impossível sono. Pés nos trilhos Após uma loga e mal dormida noite, às 5h30, levantamos o acampamento, recolhemos as tralhas e seguimos adiante. Atravessamos o 5º túnel, caracterizado pelas suas janelas laterais, de onde é possível ter vista parcial para o outro lado do vale. Este túnel antecede o temido abismo da Grota Funda, cortado pelo 14º Viaduto do sistema Funicular - com 60m de altura, o mais alto de todos - e por um outro viaduto pertencente à Cremalheira, bem mais abaixo. Não hesitamos e o transpomos sem muitas dificuldades - como na outra vez o fiz pelos trilhos da direita, desta vez, optei pelos da esquerda, para ter um melhor visual da cachoeira da Grota Funda. Nesta hora, tivemos um encontro com dois rapazes que também seguiam pelos leitos da dita ferrovia, porém, faziam a transporição da ponte de forma não recomendada: pelos dormentes podres e frágeis. Atingindo terra firme, notamos os primeiros raios do Sol refletidos na serra ao fundo, ocasionando um cenário digno de bem enquadradas fotos! Passamos brevemente pelo 4º Patamar, onde pudemos conferir todo o maquinário que um dia movimentou os cabos de aço responsáveis por tracionar os Locobreques - locomotivas especialmente fabricadas para rodarem no Funicular Serra Nova - que circularam alí, trazendo e levando povos e especiarias, e promovendo o progresso do Estado de São Paulo. Às 7h30, demos continuidade à pernada, retornando à via e seguindo-a por mais túneis e pontes horrendas e precárias e pelo 3º Patamar, que nos serviu como mais um dos trocentos possíveis mirantes do percurso. Uma das pontes, a 11ª, estava com seus trilhos parcialmente soltos, o que nos fez cogitar em contorná-la pela trilha que saia à sua direita. Porém, resolvemos nos arriscar e atravessá-la, desde que, para isto, fossemos um por vez, para evitar sobrepeso na estrutura. A "Ponte Mãe" Após quase 6h de trilhos, chegamos ao 4º Viaduto, também conhecido como "Ponte Mãe", por ser o mais extenso do sistema, com mais de 200m! Esta ponte é temida por muitos, em razão de seu estado calamitoso e por estar muito coberta pela mata densa e espinhenta. No geral, os aventureiros costumam contorná-la por uma trilha em "S" que costura a ponte até culminar em sua extremidade oposta. Porém, mais uma vez, decidimos fazê-la por cima, nem que para isto, fossem necessárias habilidades no manuseio de facões. Logo nos primeiros metros, notei um galho enroscado em minha calça, na perna direita. Não era possível removê-lo com as mãos, pois o mesmo era totalmente envolvido por espinhos. Me ví preso a quase 30m de altura! Numa tentativa desafiadora de me livrar deste, tratei de me equilibrar com o pé esquerdo no estreito trilho e, simplesmente, dei um ligeiro chute no ar com o direito, até que, finalmente, o bendito se desprendeu e eu pude retomar meu rumo. Nos aproximávamos da metade da ponte e outro emaranhado de mata espinhenta nos impedia de seguir por este lado - o esquerdo - da mesma, nos obrigando a passar para os trilhos da direita, nos fazendo valer de um humilde hístimo metálico paralelo aos dormentes, pertencente à estrutura da ponte, aparentemente mais resistente que qualquer outra estrutura a mais presente alí. Pois bem, o Jefferson foi o primeiro, seguido por mim. A Renata e o Gabriel vinham pouco atrás e, portanto, os esperamos para instruí-los a como proceder. Inesperadamente, a Renata deu um salto para trás, um tanto assustada pelo que acabara de ver: uma serpente, mais tarde identificada pelo nosso amigo do fórum Mochileiros.com, Gabriel "Mochileiro Peregrino" como sendo uma Caninana - não peçonhenta, porém, agressiva e ágil. Esta passou totalmente despercebida por mim e pelo Jefferson, enquanto nos atentávamos somente a atravessar a precária estrutura da ponte, que já tomava totalmente nossas atenções! Com cuidado redobrado e todos já nos trilhos da direita, terminamos de transpor a Ponte Mãe, desta forma extremamente inusitada e perigosa! A pernada final A partir da Ponte Mãe, a travessia suaviza. Já não é mais necessário transpor mais nenhuma ponte, pois há trilha fácil que as contorna. Restavam-nos apenas mais 2h de caminhada para que atingíssemos o pátio de manobras da MRS, já em Cubatão. Atravessamos o Tunel 11, ou "Túnel Pai", o mais extenso, com 240m, paramos na cachoeira referente ao 2º Viaduto, o que não resistiu ao abandono e as ações do clima e desabou há anos, e assim, às 15h10, finalizamos a travessia histórica pela ferrovia que construiu o país, durante um século! Uma vez no pátio de manobras da MRS, bastou atravessar alguns trilhos e seguir rumo ao ponto de ônibus localizado na rotatória frente à Usiminas (antiga Cospia). Fim de trip? Diferente de qualquer travessia que fizemos até então, nossa trip ainda teria continuidade! Tomamos o coletivo da EMTU rumo ao Guarujá, onde descemos em seu ponto final, um terminal urbano, chamado de Ferry Boat Plaza, bem estruturado e que serve de ponto de entrada da cidade, também, para quem vem por balsa, a partir de Santos. Deste local, é possível ter vista privilegiada de toda a baía de Santos e de parte do porto. Com sorte, conseguimos flagrar em enorme cargueiro passando a poucos metros de nós! Às 16h20, embarcamos na linha 930, um coletivo, também da EMTU, que seguia para Riviera de São Lourenço, passando por Bertioga. Nosso objetivo era pegar a balsa gratuita em Bertioga que, contraditoriamente, nos deixaria, novamente, no Guarujá, porém, em sua outra extremidade, a mais de 40km do Ferry Boat Plaza. Em Bertioga, nos adiantamos e adquirimos nossas passagens para o retorno a Mogi das Cruzes, que seria na manhã de Domingo, às 8h. Logo ao lado do pier da balsa, já no lado do Guarujá, inicia-se a trilha sussa à Prainha Branca. Porém, nossa exaustão decorrente da travessia não nos fazia concordar com a facilidade desta trilha, totalmente pavimentada e de baixa declividade! Mesmo sendo, às 18h, já nos deparávamos com a muvuca característica de fim de ano, que pairava naquela comumente bucólica praia. É interessante notar as diferentes tribos presentes alí, gente de todos os tipos e gostos. Paramos num pequeno bar, onde aproveitamos para encher nossas panças, finalmente, após um longo dia de precária alimentação, resumida em apenas morangos silvestres e barrinhas de cereais. Apesar do clima, nosso point não seria a Branca, mas sim, uma praia vizinha a esta, pois não é permitido camping alí, por questões diversas. Então, às 22h, nos despedimos dos amigos do Jefferson, com quem nos encontramos e que também estavam a passar o Reveillon na região, e fomos direto à trilha que nos deixou, às 22h30, na deserta Prainha Preta. Para nossa surpresa, já havia algumas barracas instaladas no local. Armamos as nossas barracas e pegamos logo num profundo sono, junto à brisa vinda do mar! Um novo perrengue: a fuga da virada Acordei às 6h, com o Gabriel tentando sair da barraca para obter algumas fotos do amanhecer que podíamos presenciar naquele momento. A praia é marcada por um apêndice rochoso que salta 4m acima do nível do mar, e pela tonalidade ligeiramente escura de suas areias. Nosso dia se resumiu a apreciar a paisagem bucólica do lugar, o mar incansável de se observar e a papos dos mais diversos. O Gabriel, com um pouco mais de pique, decidiu seguir uma trilha que o levaria à Praia do Camburizinho, onde o elemento marcante é uma lagoa formada pelo curso de um rio que deságua alí. Enfim, o bom tempo que se mostrava diante de nós sofreu uma mudança brusca quando, as 18h, ocorreram os primeiros pingos de chuva que, em poucos minutos, se tornaram um grande e interminável dilúvio, que persistiu até altas horas, nos deixando presos em nossas barracas, sem muito o que fazer. Numa tentativa frustrada de quebrar a lentidão do tempo, que tardava a passar, jogávamos conversa fora, abordando temas que variavam desde a nossa própria trip a assuntos relacionados a games ou computação gráfica (minha área de atuação profissional). Enquanto a chuva não cessava, decidíamos também como procederíamos na ocasião, tentando entrar num consenso sobre a viabilidade de desarmarmos o camping e irmos à civilizada Prainha Branca, ainda naquela noite, para podermos assistir à tão esperada queima de fogos, ou se seria melhor permanecermos alí até que a chuva enfraquecesse ou parasse de vez, desde que não se extendesse para além das 5h da manhã seguinte, pois teríamos que chegar a Bertioga até as 8h para tomar nosso ônibus. Porém, notamos que o riozinho que corria próximo à nossa área de acampamento havia subido seu nível drasticamente, atingindo nossas barracas! Nossa decisão imediata foi abandonar o local. Desmontamos tudo, pusémos nossas bagagens nas costas e rumamos pela trilha em direção à Prainha Branca, às exatas 0h - isso mesmo, passamos a virada do ano no meio de uma trilha! Finalmentes Após perdemos todo o espetáculo da queima de fogos e com a chuva já tímida, atingimos o solo da Branca, às 0h30, onde tratamos de nos aconchegar na areia da mesma. Eu, por vez, decidi procurar algum restaurante para jantar e mandei ver com uma porção de fritas e outra de frango empanado! Reencontrei o pessoal num outro quiosque, às 3h, onde permanecemos moscando - flagrando um cara extremamente chapado derrubando tudo à sua frente, sem sequer conseguir se manter em pé - até que, às 5h30, partimos rumo à balsa para Bertioga. Chegamos ao outro lado, em Bertioga, às 6h10, onde passamos numa padaria que acabava de abrir as portas, naquela manhã de Domingo e compramos alguns salgados e água, e paramos numa praça às margens do cais para as últimas fotos da trip, enquanto nosso ônibus não chegava. Dadas pontuais 8h, nos vimos dentro do veículo que não demorou a partir rumo a Mogi das Cruzes, onde chegamos às 9h20 e tomamos o trem da CPTM, que por sua vez, nos deixou no centro de São Paulo. Daqui, cada um seguiu sua jornada final para casa, com muita história para contar e a garantia de que 2012 foi estreado com não um, mas dois perrengues que, pela insanidade, tornaram-se dignos de serem relembrados por muito tempo!
  7. Iae pessoal! Beleza? Finalmente, depois de meses de angustia e pesquisas sobre as formas de realizar a travessia da funicular, conseguimos a proeza e fomos fundo, literalmente! ------------------------------------------------------------------------------------------------------ Relato com todas as fotos neste link: http://rotamassa.blogspot.com/2011/08/trip-realizada-nos-dias-27-28-e-29-de.html Trip realizada nos dias 27, 28 e 29 de Agosto de 2011 Por: Gabriel Medina, Kássio Maeda e Leandro Furquim Ao longo da segunda metade do século XVIII, o Brasil vivia os momentos áureos de suas ferrovias, em decorrência do rápido crescimento econômico e comércio com outros países. A ferrovia ainda marca, quase que diretamente, o início definitivo da empreitada industrial brasileira, possibilitando ainda, um melhor fluxo de pessoas entre as diversas regiões. São Paulo, como sendo um grande pólo econômico, possuindo um dos mais importantes portos da América Latina, era ponto estratégico de entrada e saída de mercadorias em território nacional, e uma conexão ferroviária fazia-se primordial para abastecer tal demanda. E assim foi feito, quando, em 1867, uma empresa britânica denominada São Paulo Railway ergueu, em plena Serra do Mar paulista, uma ferrovia do tipo funicular, até que em 1890, devido ao aumento da demanda, um novo sistema do mesmo tipo teve de ser erguido, também pelos ingleses. Este Ultimo foi denominado Serra Nova e possuia ao todo, 5 patamares para a troca dos cabos, e 12km de extensão. Em 1974, é inaugurado o novo sistema ferroviário para vencer o desnível da Serra do Mar, que desta vez, utiliza o sistema cremalheira-aderência. Hoje, o Sistema Cremalheira é operado pela MRS e corre em paralelo ao antigo funicular. Após a implantação da Cremalheira em Paranapiacaba, a Funicular, por ter se tornado obsoleta, fora reduzindo suas viagens, dando cada vez menos atenção ao transporte de cargas, até que, finalmente, foi desativada, na década de 80, em decorrência de um incêndio que destruiu a estação de Paranapiacaba. Passados mais de 20 anos desde sua desativação, a estrada de ferro encontra-se castigada pela ação do tempo e do clima serrano local. As 16 pontes constituintes do percurso estão apodrecendo aos poucos, sendo que uma já foi abaixo. A mata cresceu e cobriu parcialmente as vias, formando assim, cenários fascinantes, porém, extremamente perigosos! Assim que tomei conhecimento da existência desta relíquia histórica, coloquei-a no centro de minhas ganâncias como trilheiro. Jamais iria me contentar em não realizar a travessia da funicular. Passei mais de 2 meses lendo relatos, vendo fotos, videos e recorrendo diretamente a quem já havia se aventurado por aquelas bandas - e agradeço a todos os que se dispuseram a compartilhar suas experiências na funicular, através de relatos, mapas, etc -, até que tomei a devida coragem - confesso que estava dividido em querer e não querer fazer esta trilha, levando-se em conta, os altos riscos de vida - e fui-me a comprar os preparativos da trilha. Como o acesso à Funicular é proibido, a mesma deve ser adentrada com certa cautela, e preferencialmente à noite, pois as chances de ser visto diminuem... mas havia um outro jeito de atingir a Funicular - jeito este que haviamos estudando já ha algum tempo -, sem que corrêssemos o risco de sermos vistos: varando mato encosta abaixo, à partir da bifurcação da Estrada da Bela Vista com o início da Trilha do Mirante, até chegar à trilha de manutenção, que segue em paralelo à ferrovia, terminando na ponte da Grota Funda. Parece simples, mas nos rendeu bons tombos e quase 3 horas de cannyoning! Caímos em Paranapiacaba, às 22h30, todos receosos e, ao mesmo tempo, ansiosos e empolgados, e fomos em direção à Estrada da Bela Vista, de onde sai uma trilha que nos levaria até o Mirante da Grota Funda, onde iriamos descansar nesta primeira noite. O local parecia ser perfeito, não fosse a gélida brisa que sobre nós pairava, impedindo qualquer mergulho em nossos pensamentos. Decidimos então, procurar algum outro local para passar a noite, até o amanhecer, e nos lembramos que, logo no início da trilha do mirante - exatamente no ponto escolhido para a descida da encosta, a qual seria realizada ao amanhecer -, havia 3 bancos de madeira, em bom estado, um belo convite para o restante do tempo de sono que nos restava. Logo nos primeiros sinais de claridade no céu, recolhemos nossas coisas e nos preparamos para dar início definitivo ao vara-mato que nos aguardava encosta abaixo - quase 500m de descida! Nosso vara-mato Leandro portava consigo um facão, por isso foi na frente, seguido por mim e pelo Gabriel. O segredo era apenas seguir entre Oeste e Noroeste, sempre descendo a encosta, até atingir a trilha de manutenção. Mas mesmo parecendo fácil e com as habilidades formidáveis do Leandro, em burlar caminhos aparentemente impossíveis, acabamos indo muito para Oeste, e fomos parar num vale, por onde corria um riacho, afluente do Rio Mogi. A princípio, este rio também nos conduziria à trilha, porém, o mesmo tinha declividade alta e possuía algumas quedas bruscas, nos obrigando a recorrer à corda, a qual havíamos comprado para esta expedição. Já estávamos descendo há mais de 4 horas, quando, finalmente, surge à nossa esquerda, a esperada trilha - uffa! -, bastando seguí-la adiante para se chegar à Grota Funda. Chegando à trilha Ponte numero 15 Sistema Cremalheira, da MRS, sentido Cubatão No final da trilha, havia uma escada sinuosa, que nos conduzia até o 'túnel com janelas' o qual antecedia a temida ponte da Grota Funda, a mais alta de toda a Funicular. Logo abaixo desta, uma outra ponte correspondia ao Sistema Cremalheira da MRS, em pleno funcionamento. Paramos um pouco no túnel para nos reabastecer e descansar um pouco. Acesso ao túnel Recuperados, era hora de enfrentar o perigo de cara, pois à nossa frente, se estendia a majestosa e enferrujada ponte da Grota Funda. A atravessamos sem maiores problemas e demos continuidade ao percurso. É indescritível a adrenalina que toma conta da gente lá no alto, o perigo é constante e os únicos pontos de apoio confiáveis são os finos trilhos, pois os dormentes estão se quebrando! O abismo da Grota Funda tem quase 60m de profundidade Neste lado da ponte, está localizado o quarto patamar da Serra Nova, onde paramos para vislumbrar o engenhoso maquinário que um dia, movimentou pesados trens pela serra. Seguindo adiante, nos deparamos com um túnel onde eram necessários alguns cuidados para não cair nas valas que alí haviam. Daqui em diante, as cenas praticamente se repetiam, se resumindo a pontes velhas e estragadas, trechos de trilho em terra firme e túneis, sendo que algumas das pontes estavam intransponíveis, tanto por condições estruturais quanto pela vegetação que costumava tomar conta de parte delas, o que nos obrigava a contorná-las através de caminhos alternativos. Não durou muito para que nosso suprimento liquido - 1 garrafa de 2L e 5 de 500mL - se esgotasse, mas o Leandro decidiu arriscar-se e abastecer todas as garrafas em um riacho, embaixo de uma das pontes - o cara é meio louco mesmo, mas devemos muito a essa coragem dele! Ao longo da trilha, encontramos algumas mexericas, que apesar de extremamente azedas, as comemos com muito gosto - mas só desta vez! hawuhwau Ponte 13 Caminho alternativo para desviar da mata fechada Passadas mais algumas pontes e túneis, a noite já estava próxima, quando nos deparamos com a mais extensa ponte, o viaduto de número 4, também conhecido por Ponte Mãe. Como o mesmo aparentava estar em razoáveis condições, optamos por atravessá-lo, sem darmos conta de que, após a metade do mesmo, uma densa vegetação o cobrira, nos obrigando a voltar e contorná-lo pelo caminho alternativo, logo ao lado. Segundo relatos, a maioria dos desbravadores da funicular a completam em dois dias, logo, minha ideia era de ao escurecer, procurarmos algum lugar para nos abrigar e alí passar a segunda noite. Porém, o até então corajoso e forte Leandro se mostrou fragilizado emocionalmente, ao afirmar que sua família não sabia de seu paradeiro, e que não conseguia estabelecer contato pelo celular, devido à falta de cobertura da rede. Portanto, minha ideia fora logo rejeitada, pois ele queria, a qualquer custo, terminar a trilha ainda naquela noite, o que, racionalmente falando, seria algo inviável! Após uma breve discussão, verifiquei que meu aparelho estava dando cobertura e o emprestei para que conseguisse contatar sua família. O Gabriel, logo, também fora tomado por uma espécie de desespero, que o fez lamentar-se em ter incentivado a realização desta travessia e se questionar se deveríamos mesmo ter nos arriscado em fazer esta trilha. Entre nós três, eu estava mais debilitado fisicamente, pois havia perdido muita água - transpiro com muita facilidade -, mas estava emocionalmente equilibrado. Tentei manter certa calma no grupo, alegando que uma noite passada na trilha estava dentro do tempo normalmente cumprido por quem realiza a Funicular. Novamente propus que passássemos a noite em algum abrigo na própria trilha, quando me lembrei do Túnel Pai, que se localizava logo adiante, e assim, todos concordaram e então, às 20h, nos instalamos no interior do Túnel. Ainda sob lamentações a respeito da decisão de fazer a Funicular, tentei, novamente, dispersar a tensão no grupo, oferecendo-lhes minha câmera para que olhassem as fotos da viagem. Logo após, preparamos nosso lanche pré-sono e então, nos deitamos sobre uma plataforma de madeira - espaçosa até - e nos embalamos em nossas embaraçadas mentes! Não habituados com aquela improvisada cama, frequentemente acordávamos. Numa dessas, eu decidi dar um passeio pelos arredores do local e tirar algumas fotos. A Ponte Mãe fica logo atrás desta densa vegetação Já eram 5h da manhã, quando finalmente nos despertamos para enfrentar os últimos quase 3km de trilhos. Recolhemos nossas bagagens e caminhamos até o final do túnel, onde, logo em seguida, havia o Viaduto 3, o qual foi facilmente desviado, através de uma picada à esquerda. O Túnel Pai, onde dormimos, é o maior da ferrovia, e tem quase 250m de comprimento Valas na segunda casa de máquinas Mais à frente, uma cascata ligeiramente escorregadia tentava nos impedir de continuar, mas também fora facilmente transposta, bastando pisar com cautela sobre as rochas envoltas pelo véu úmido cristalino. Neste mesmo local, podia-se ver a segunda ponte, que há tempos, havia ruido! A partir deste ponto, a trilha passa a ser cada vez mais plana e o mormaço toma conta do clima local! A última ponte fora contornada, e agora, bastava que seguíssemos pelo leito da ferrovia, já sem os trilhos e cabos - provavelmente foram roubados - até sairmos na linha ativa da MRS. Daqui, tinhamos que seguir pelos trilhos até uma saída à direita, que nos deixaria no ponto de ônibus para Santos. Mesmo debilitados, conseguimos a proeza do enfrentar mais 3h de volta para Home! Primeiro viaduto da Funicular Serra Nova Mini-perigo Viaduto da Rod Piaçaguera-Guarujá De onde viemos: ao fundo, Rod. Piaçaguera-Guarujá Cubatão Pátio de manobras da MRS, em Cubatão Ponto de ônibus em frente ao Cosipa(atual Usiminas) Esta, sem dúvidas, foi uma das maiores e mais espetaculares aventuras de toda a minha vida, pois, além dos riscos reais de vida, atravessando pontes, varando mato e rios, a viagem fora marcada, principalmente, por um jogo de sensações e emoções, e também, pelo forte cooperativismo entre os membros da equipe! A Funicular de Paranapiacaba estará para sempre em minhas memórias, assim como se eternizou na história! IMPORTANTE: - O acesso à Funicular é, atualmente, proibido, por motivos óbvios, e por estar em área pertencente à MRS. Portanto, o acesso a ela(e a travessia como um todo) fica por conta e risco de quem o fizer. O acesso mais praticado se dá pela Picada Raiz da Serra - também conhecida como Trilha do Vale do Rio Mogi -, que começa no estacionamento da vila, sendo que, após cerca de 20m, é preciso adentrar a esquerda para sair nas vias da Cremalheira (MRS). Siga a via por uns 200m, atravesse-a e suba pela vala de escoamento, até chegar aos trilhos do antigo Funicular. O cuidado que se deve tomar é com os trens que descem e sobem a serra, e com os guardas que vigiam este trecho da via. RECOMENDA-SE que o acesso à Funicular seja feito apenas durante a noite! Ressalto que é contra a lei prejudicar o tráfego ferroviário, seja qual for o motivo, o infrator está sujeito à penalidades legais. - Esta trilha não é recomendada para pessoas que tenham aversão à altura e problemas relacionados ao equilíbrio e à coordenação motora. As pontes costumam ser muito altas e encontram-se em precárias condições estrutrais. Em caso de acidentes nas pontes ou quedas, o resgate é praticamente impossível! - A descida pela encosta da serra foi uma decisão estritamente nossa, sendo que o acesso tradicionalmente feito é a partir da Trilha do Vale do Rio Mogi. A descida da encosta até a Funicular NÃO É POR TRILHA, e sim, por mato e rio extremamente íngremes, e só foi possível com o uso de uma corda de 25m, própria para tal prática! Caso não conte com tais equipamentos, JAMAIS DESÇA ENCOSTAS E RIOS COMO ESSES, opte pelo acesso a partir da Trilha do Rio Mogi, bem mais seguro! - O percurso da Funicular, com aproximadamente 11km de extensão, conta com alguns riachos onde é possível coletar água potável, mas mesmo assim, é importante que CADA caminhante leve água(e alimento) o suficiente para a TRILHA TODA(no mínimo 4L de água), uma vez que nem todos os riachos são confiáveis, e alguns estão poluídos. Lembrando que a maioria dos riachos acessíveis se encontram somente após a ponte mãe, ou seja, no final da travessia... evite ingestão de açúcares... - A questão do peso é extremamente delicada. Deve-se evitar carregar muito peso, não ultrapassar 15kg de bagagem, uma vez que as pontes, sempre em mau estado, não contam com pontos de apoio, exigindo que o caminhante se equilibre sobre dois estreitos trilhos enferrujados, pois os dormentes - ONDE ELES AINDA EXISTEM - estão em sua maioria podres e provavelmente não aguentarão o peso de uma pessoa. NEM TODAS as pontes são contornáveis por caminhos alternativos, por sorte, as piores, mais para o final da trilha, podem ser contornadas, mas é exaustivo. - Ao todo, a ferrovia conta com 5 patamares, onde estão as casas de máquina da Funicular. Estes são os melhores locais para acampamento, porém, evite o 1º Patamar, pois é frequentado por pessoas de má índole e existe o risco de ser assaltado alí. Os dois melhores túneis para se acampar são o primeiro e o Túnel Pai, logo após à Ponte Mãe. Vale qualquer medida para se manter isolado ao máximo do meio externo, enquanto estiver dormindo, há um grande número de borrachudos(transmissores da Oncocercose, ou "cegueira do rio", que como o próprio nome sugere, é uma parasitose que causa cegueira permanente) e há possibilidade de haver outros insetos e até animais peçonhentos. Recomenda-se um bom repelente a ser usado durante toda a travessia. - A duração desta travessia costuma ser de 1 a 2 dias, então leve suprimento o suficiente para isto! NÃO FAÇA A TRAVESSIA DA FUNICULAR SEM ESTUDÁ-LA AO MÁXIMO, EM TODOS OS SEUS DETALHES MÍNIMOS: pontes, patamares, pontos seguros para descanço e acampamento, fauna, flora, relevo, clima local, percurso, túneis, e os RISCOS!
  8. O mapinha e ilustrativo, não serve para navegaçã. Paranapiacaba, em tupi, lugar de onde se pode avistar o mar. Para mim sempre foi: Lugar onde se pode ser assaltado. Os vários relatos de crimes no pequeno vilarejo com características inglesas, sempre me manteve afastado daquelas bandas, ainda mais por sempre associar o local com muita muvuca e mochileiros maloqueiros. Talvez fosse mesmo certo preconceito, mas com tanta coisa para fazer e tanta trilha para caminhar, nunca achei que valesse a pena explorar a região. Houve um tempo que o trem ia até o vilarejo, o que acabou tornando Paranapiacaba mais famosa ainda. Na década de 90 até cheguei a fazer uma visita, nos tempos em que me aventurava sobre duas rodas juntamente com meus primos paulistanos. Desci até o poço da Pedra Lisa em uma tarde de muita neblina em que nada vi ao visitar também o Mirante. Nos últimos meses começou a pipocar na minha caixa de e-mail, relatos de aventureiros experientes que contavam maravilhas de explorações por lá realizadas. Isso acabou aguçando a minha curiosidade. Foi aí então que no feriado da Páscoa resolvi botar minha mochila nas costas e juntamente com meus amigos Dema e João Paulo, partimos na quinta-feira a noite da rodoviária de Campinas para a capital paulista. Partimos às 20 horas e surpreendentemente às 10 horas da noite já estávamos em São Paulo, sem atrasos, coisa rara em véspera de feriado. Desembarcamos no Terminal Rodoviário do Tietê e logo em seguida pegamos o metrô para estação da Luz. O metrô estava apinhado de gente e o vagão havia se transformado em um verdadeiro hospício. Uns caras batiam em uns tambores e uma centena de pessoas cantava e rebolava. Ficamos paralisados diante daquela cena. Era um tal de “Quica, quica, quica na latinha”. Pra nossa sorte logo chegamos à estação da Luz, onde se juntou a nós o outro integrante da trip. Meu primo Lindolfo mora na capital, se deslocou lá da zona leste para nos encontrar. Desde a Volta da Ilha Grande não caminhamos juntos, já imagino logo: Vai ser uma travessia divertida. Da Luz partimos para Rio Grande da Serra e logo nos dirigimos para o ponto de ônibus de onde sai o transporte para Paranapiacaba. Na tentativa de conseguirmos informações, acabamos puxando conversa com uma guia ambiental, que trabalha no vilarejo inglês. Ela nos disse que todos os caminhos partindo de Paranapiacaba estava fechado a muito tempo pelos órgãos ambientais. Ninguém poderia passar, nem os guias estavam podendo trabalhar lá. Fecharam as trilhas para recuperação e a fiscalização estava pegando pesado. Pronto, agora ferrou, pensei logo! A informação que haviam me passado que seria possível passar a noite sem levantar suspeita, agora parecia que não estava mais valendo. Ela ainda nos disse que a Trilha do Rio Mogi havia desabado e passar a noite por lá seria muito ariscado. Paciência, já estávamos a caminho e só nos restava ver no que iria dar. Menos de meia hora depois saltamos no vilarejo de Paranapiacaba, bem junto da sua igreja principal. Meio perdidos e sem saber o que fazer, pois já passava da uma da madrugada, ao vermos um grupo estacionado em um carro ao lado da igreja fomos tentar obter alguma informação. Quando nos aproximamos levamos um baita susto. Todos os cinco elementos estavam com uniforme do exercito. Putzzz, fomos tentar pegar informação logo com o pessoal da fiscalização, que azar dos infernos!!! Pra nossa sorte não era a fiscalização, era só alguns soldados se preparando para ir até um mirante, também iriam tentar burlar a fiscalização. Convidaram-nos para seguir com eles e nos deram a dica de a partir do Mirante, descer a trilha que vai ao Poço das moças, que ficava no Rio Quilombo.A priori a nossa intenção era descer pelo vale do Rio Mogi e Subir pelo Vale do Rio Quilombo, mas diante da situação, resolvemos acompanhar os soldados, já que moravam na região e conheciam os atalhos para fugir da fiscalização. Tudo acertado, descemos a ladeira que leva até a grande ponte e cruzamos a linha do trem, de onde se avista o relógio parecido com o Big Bem Londrino. Passamos pela lanchonete da Zilda e logo acima estacionamos em um boteco aberto pára comer alguma coisa. Foi nesse pequeno bar que conhecemos o Ronaldo, uma figura totalmente estereotipada, uma mistura de Baden Pawer,o fundador do esoterismo , com o Indiana Jones. Como um amigo depois me disse era o tio do Indiana Jones em pessoa.Um cara extremamente prestativo, que nos deu várias dicas sobre a trilha para o Poço das Moças. Então seguimos todos juntos: Nós, os soldados, o tio do Indiana e seu fiel escudeiro. Passamos em total silêncio enfrente da base da polícia militar e alguns minutos à frente pegamos a estrada-trilha calçada, passamos pela base da fiscalização, que pra nossa sorte estava fechada e vazia. Eu estava morrendo de medo de sermos pegos, mas 10 minutos depois veio a notícia que não havia mais perigo, havíamos passado, o caminho estava livre, minha dor de barriga passou. Paramos logo acima para nos abastecer em uma bica. Logo veio a lua e iluminou todo o caminho. A noite estava linda. Passamos pelo grande paredão rochoso e mais a frente na bifurcação, pegamos á direita e em poucos minutos atingimos o topo do Mirante. De cima do mirante é possível avistar as luzes de Cubatão e suas fábricas e usinas. Já passava da três da madrugada e enquanto a galera ficou tomando vinho com os soldados, eu que não sou dado ao álcool, fiquei batendo papo com o Ronaldo, que acendeu uma tocha feita de bambu e óleo diesel. Ele me contou uma história ou lenda sobre o cara que acionava o gerador que havia ali no topo para iluminar uma antena sinalizadora para aviões. Disse que naquela noite o funcionário que ficava la encima foi morto por uma onça e não pode ligar o gerador e por causa disso um avião de pequeno porte se chocou contra a montanha. Acho que foi o único caso em que uma onça derrubou um avião. Bom, papo vai papo vem, mas já estava ficando tarde. O Tio do Indiana ia descer a trilha a noite,os soldadinhos foram até o pico só para tomar cachaça e fumar um cigarrinho do capeta e já se preparavam para voltar à Paranapiacaba e nós iríamos acampar por ali mesmo. Como a noite estava espetacular resolvemos somente bivacar, sem montar barraca alguma. Estendemos nossos sacos de dormir no concreto que servia de base para as antigas antenas e caímos no sono, mas não demorou muito uma nuvem safada resolveu pingar encima de nós. Então pegamos nossas coisas e fomos dormir embaixo de uma laje destruída, que abrigava os antigos geradores, que por sinal ainda protege as carcaças do dito cujo. O lugar é escuro, sombrio, parece uma toca de ratos, mas estava seco e abrigado do vento e foi lá que passamos a noite, embaixo de uma laje de dois palmos de altura. O dia amanheceu lindo, sem nenhuma nuvem no céu. Logo cedo meu primo, que tá parecendo o tio do Rambo (rsrsrsrsrsr), nos acordou e ficou enchendo o saco para a gente levantar. Sem muita vontade e caindo de sono, antes das sete da manhã saímos da toca do rato, tomamos um café, batemos uma foto do mirante e partimos serra abaixo em direção ao Poço das Moças, no Rio Quilombo. A trilha não tem segredo, vai sempre descendo e quase todas as bifurcações vão sempre sair no mesmo lugar. Seguimos de vagar. Eu e o Dema à frente e o Lindolfo e o João Paulo atrás. Quando aparecia alguma trilha duvidosa, eu informava meu primo pelo rádio e lhe indicava qual o caminho a seguir. Pegamos sempre os caminhos da esquerda e não tivemos nenhum problema até que pouco mais de uma hora depois tropeçamos no Poço da Pedra Lisa. Para ir até o poço é necessário deixar a trilha por um instante e cruzar por cima da pequena cachoeirinha, coisa de 20metros e não mais que isso. O poço não é muito grande, mas deve ter uns 2 metros de profundidade. A água é cristalina e um pouco gelada, mas como estava fazendo um calor insuportável, tiramos a roupa e nos “pinchamos” pra dentro daquele paraíso e ficamos lá um bom tempo descansando e jogando conversa fora. A trilha que estamos fazendo muito provavelmente deve ser a tal trilha do zigue- zague, que hoje está interditada e totalmente proibida, o que acabou até sendo uma boa, pois da última vez que estive lá na década de 90 era uma farofada só e hoje somos donos absolutos do lugar. Deixando o poço, voltamos de novo para a trilha, que desce alguns metros até o cabo de aço que da proteção para que ninguém despenque da Pedra Lisa. Cruzamos então por cima da pedra, atravessando o riacho que vem do poço que havíamos tomado banho e entramos logo na mata. A trilha continua descendo e com uma grande inclinação, onde de vez enquando um dos integrantes é obrigado a usar sua área de laser como freio, não eu é claro, porque minha área de laser é outra (rsrsrsrsrsrs). Sempre descendo, eu e o Dema nos adiantamos muito e então resolvemos dar uma parada para esperar os outros dois. Assim que eles chegaram partimos novamente e não andamos nem 50 metros, tivemos que fazer uma parada obrigatória. Uma peçonhenta havia estacionado no meio da trilha e ficou lá nos olhando com seu olhar venenoso, pronto para nos enfrentar. O Dema foi quem deu o alarme. Nesse momento fiquei feliz de estar portando minha perneira ante cobra tabajara. Sabe como é né, quem já foi picado de cobra, tem medo até de cipó. Quando me aproximei para tentar fotografá-la, ela deu no pé, melhor assim. Novamente nos pomos a caminhar, sempre em um ritmo devagar para não perdermos muito de vista o João e meu primo, que caminhavam em passos de lesma tetraplégica. Mas como nenhum caminho é tão longo que nunca chegue ao seu fim, às 13horas chegamos finalmente ao famoso Poço das Moças. O Poço das Moças, no Rio Quilombo, é daqueles lugares que valem o esforço de qualquer caminhada, vale todo o suor derramado e todo o esforço desprendido. Todo caminhante, excursionista, trekking, deveria se sentir honrado de conhecer um lugar como aquele. Principalmente nós que moramos em cidades cada vez mais poluídas, onde a oportunidade de encontrar águas com aquela qualidade é cada vez mais rara. É um gigantesco poção de quase 10 metros de profundidade com águas totalmente potável. Antes de cair no poço a água que passa sobre a imensa laje, serve de verdadeiro parque de diversões. Tem uma piscina profunda, tem um escorregador que te leva para dentro de um buraco que depois te cospe para cima, tem um grande balanço pendurado em uma árvore, de onde você salta e se joga no vazio até cair no poço profundo. Enquanto a galera se divertia, fui cuidar de preparar o almoço. O sol estava muito quente e vez ou outra eu largava meus afazeres e me jogava na água. Dei muita risada e zoei muito o João Paulo, que tentava sem sucesso saltar do balanço. Ele só pulou porque eu e o Dema encarnamos na alma dele, já o Lindolfo nem se meteu a besta porque esse negócio de água profunda não é com ele,já que o único estilo que ele nada é o machado sem cabo(rsrsrsrsrsr).Pronto o almoço , nos reunimos todos na laje e ficamos comentando como tudo estava dando certo até ali, até agora tudo estava perfeito. Com a barriga cheia, alguns foram tirar uma soneca, eu e o Dema fomos tomar banho no poço que engole e depois de um descanso merecido, jogamos as mochilas às costas e partimos para outras paragens. Atravessamos o rio por onde a água escorre do poção e reencontramos a trilha do outro lado. Ela segue em nível, atravessa um córrego de águas cristalinas e em 20 minutos demos de cara com a barragem, que alguns também chamam de Poço do Quilombo. O Poço do Quilombo é outro lugar irresistível, não dá para passar por ele e não se jogar na água. Estávamos lá dando altos pulos, quando vimos um helicóptero da Policia Militar começar a dar rasantes por cima de nós. Voltamos a ficar tensos e apreensivos, poderia ser a fiscalização atrás de intrusos na área do Parque Estadual da Serra do Mar, ou seja, nós. O bicho ficou feio quando o pássaro de aço resolveu pousar junto ao poço. Ficou a uns 10 metros do chão e de dentro do helicóptero desceu 2 homens armados até os dentes. Aquela minha dor de barriga, voltou com tudo. Pensei: ”Agora a gente não escapa”. Logo vimos um grupo de resgate que veio por terra e passou a passos rápidos por nós e então ficamos sabendo que eles estavam atrás de uma pessoa que havia se perdido junto à Pedra Lisa e havia feito contato por celular. Voltamos a ficar aliviados. Pegamos nossas coisas e voltamos para a caminhada. Atravessamos o poço, beirando o lado esquerdo e então saímos já na rua de terra, onde várias viaturas e uma ambulância estavam estacionadas. Uns soldados da polícia militar nos fitavam com cara de poucos amigos, até que um deles, o mais mal encarado de todos me intimou a dar esclarecimentos. “Porra” logo eu! Queria saber de onde víamos, para onde íamos. Hesitei por um momento. Falo a verdade ou conto uma lorota? Não consegui mentir, estava hirto de tanto medo. O policial me olhou com cara de reprovação, mas queria saber se não tínhamos visto o tal sujeito perdido na trilha. Depois dos devidos esclarecimentos, eu queria era sair dali o mais rápido possível e então voltamos a caminhar naquela estradinha tão estreita como uma trilha. Poucos minutos à frente damos de cara de novo com o Rio Quilombo e sua gigantesca ponte pêncil, onde também é possível passar de carro por dentro do rio, já que uma grande laje de concreto foi construída por lá. Foi neste local que reencontramos nosso amigo Ronaldo, que mantém escondido no meio do mato, em algum lugar secreto, uma área de acampamento onde ele vai desfrutar das belezas deste lugar com sua família e seus amigos. Fiquei curioso para conhecer a família do tio do Indiana, um cara de uma gentileza do tamanho do mundo. Encontrar com estas figuras na trilha faz qualquer viagem valer a pena. Ficamos lá por um bom tempo batendo papo com o Ronaldo, quando chegou o pessoal da REDE GLOBO LITORAL. Conversaram com a gente, perguntaram se sabíamos de alguma coisa, se estávamos a par do acontecido. Foi então que de repente a linda repórter e o feio cinegrafista, perguntaram se a gente não poderia conceder uma entrevista para eles. Até agora não sei quem foi o filho da puta que disse que eu era o cara que deveria falar (rsrsrsrsr).Fui respondendo as coisas que a repórter ia me perguntando, que por incrível que pareça não tinha nada a ver com o caso do sujeito perdido na trilha. Ela queria saber como era aquele negócio de um monte de homens largarem a civilização e sair a caminhar no mato, se a gente fazia isso há muito tempo, se não era perigoso e essa balela toda que a imprensa burra e desinformada gosta de explorar. Demos adeus aos nossos minutos de fama, nos despedimos do nosso amigo Ronaldo e partimos novamente para caminhada, que já sabíamos que seria muito longa, até chegarmos à Piaçaguera-Guarujá, coisa de mais de 10 km, mas a sorte bateu a nossa porta novamente. Uma caminhonete do Corpo de Bombeiros, que estava voltando do local do resgate, parou e nos ofereceu uma carona. Pulamos para cima do veículo e passamos mais de 10 km rindo dos acontecimentos. O bombeiro nos deixou enfrente a um bar, a 1 km da Piaçaguera. Resolvemos entrar no boteco para tomar um refrigerante e comer alguma coisa. O nosso próximo objetivo era tentar conseguir uma maneira de chegar até a entrada da trilha do Rio Mogi, sem ter que passar pelas dependências da Cosipa (companhia siderúrgica paulista), porque já haviam me avisado que sair até que é fácil, mais entrar por lá era impossível. Um dos soldadinhos havia me avisado que daria para acessar o Rio Mogi, sem passar pela Cosipa. Nós deveríamos passar por baixo do viaduto em curva e caminhar paralelo a linha de trem e de lá achar uma maneira de acessar o Rio. É muito fácil falar para quem já conhece um pouco o local, mas nós não tínhamos a menor idéia do que ele estava falando. Foi aí que ao perguntar para um senhor no boteco sobre a tal possibilidade, ele me fez uma proposta: “Coloca aí uns 10” conto “ de gasolina e eu levo vocês lá”.Não deixamos nem o homem respirar, antes que ele desistisse,pegamos nosso refrigerante e nossas mochilas, jogamos tudo no porta malas do carro e também nos jogamos para dentro do veículo. Alguns minutos depois já havíamos ganhado a Rodovia Piaçaguera-Guarujá e o veículo foi cruzando por um monte de pontes e aí fomos vendo que jamais encontraríamos o tal caminho sem a ajuda de alguém. O veículo fez um retorno e voltou por cima e depois por baixo de algumas pontes, que sinceramente não tenho nem como dar informações. Só sei que ele passou por baixo de mais uma ponte e começou a rodar ao lado de uma linha férrea e depois de alguns quilômetros ele a atravessou e então paramos quase no final da estradinha de terra, a uns 150 metros da Oficina de Concertos da rede ferroviária, acho que era a antiga Estação Raízes da Serra, bem no local onde as composições começam a subir pela cremalheira, uma espécie de linha com dentes e engrenagens. Bom, sabíamos que o Rio Mogi estava ali em algum lugar a nossa esquerda e que a Cosipa já havia ficado para trás, mas ainda havia um problema a ser solucionado: Como passar pela Companhia Ferroviária e não ser parado? Quando o carro chegou à guarita não teve jeito, tive que descer e me informar. Lá estava ela, de novo a me importunar, a dor de barriga e o frio na espinha. Pensei logo: Não vão nos deixar passar de jeito nenhum, vamos ser barrados. Na guarita um guardinha com um rádio me pergunta o que eu quero. Sem titubear vou logo dizendo: O chefia como eu faço para acessar o Rio Mogi? Ele olhou na minha cara, me examinou de cima em baixo e disse: “Atravessa a linha na torre que lá tem uma corda que da para descer até o Rio Mogi. Suspirei aliviado e voltei para o carro e pedi para o motorista avançar mais uns 50 metros para nós podermos descer as mochilas sem chamar muita a atenção. Despedimos-nos do dono do carro e cruzamos aceleradamente pela linha sem ao menos olhar para trás. Eu queria chegar ao Rio o mais rápido possível. Estávamos parecendo tartaruguinhas recém saídas do ninho correndo a toda velocidade para a água. Chegamos à tal torre e nada de achar a tal corda. Eu já tava a fim de me meter na capoeira e abrir o mato no peito de tanto medo de sermos pegos.Fomos seguindo a linha do trem até a cremalheira, que fica enfrente á estação velha. Foi lá que vimos uma trilha bem larga , quase uma estradinha saindo á esquerda e o mais rapidamente pegamos aquele caminho e saímos de vez das vistas do pessoal da Oficina de maquinas. Andamos uns cinco minutos na trilha larga. O Dema ia a frente e foi ele quem deu o alarme:”fodeu Divanei , tem um guarda aí na frente e ele já nos viu”. De novo minhas pernas tremeram.Faltava tão pouco e os cara foram nos pegar justo aqui.Mas não era um guarda,era só um morador de um casebre que roçava o terreno com um facão e estava com um uniforme. Perguntamos pelo Rio e o gentil “Seu Severino “ nos guiou até ele,abrindo a picada com o facão. Finalmente estávamos no famoso Rio Mogi. Já passava das cinco da tarde e a noite não tardava em cair. Despedimos-nos do seu Severino e começamos a subir o rio, que tinha águas limpas, mas não cristalinas por causa de um tributário próximo que trazia um pouco de sedimentos. Esta parte do rio é extremamente rasa, mas não há trilhas em sua margem, é preciso ir cruzando de uma margem a outra e escolhendo o melhor caminho para seguir. O dia já se foi e a nossa preocupação era arrumar um local para acampar. Foi quando chegamos a uma praia de areias claras e eu e o Dema batemos o olho e decidimos que o melhor local era ali mesmo. O tempo estava muito bom e não parecia que iria chover e então decidimos por não montarmos as barracas, iríamos bivacar mais uma vez. Acendemos o lampião de velas e enquanto alguns tomavam um banho outros cuidavam do jantar. Na areia da praia espalhamos um grande plástico e esticamos nossos sacos de dormir e isolantes. A lua chegou, mas não era uma lua qualquer, era uma lua cheia, esplendorosa, transformou a noite em dia e isso nos fez ficar conversando sobre a vida até altas horas da noite. Eu e o Dema confessamos a nossa apreensão. Tudo havia dado tão certo até agora que não descartávamos a hipótese de algo muito ruim nos acontecer daqui para frente. Era muita sorte para uma caminhada só, tudo estava parecendo um roteiro de filme. Fomos para a cama muito tarde, mas mesmo assim eu não conseguia pegar no sono, eu estava muito excitado com os acontecimentos. Fiquei olhando para lua cheia e pensando de como a vida pode ser extremamente simples e de como o ser humano precisa de tão pouco para sobreviver e ser feliz. Estávamos ali, quatro amigos perdidos no meio de um vale, a beira de um rio, dormindo ao relento e felizes da vida. Vai entender a cabeça dessa gente trilheira que encontra prazer nas maiores dificuldades, que dá risada do perigo, que vibra na hora que o bicho ta pegando feio, que se realiza em lugares onde a maioria das pessoas detesta e abomina. É, nós não somos mesmo deste planeta!!!!!! Apesar de estarmos no outono, o dia já amanhece extremamente quente e antes das 07 horas já estamos de pé. Estamos no sábado de aleluia, não temos nenhum Judas para espancar, mas temos pela frente um longo dia de caminhada, que nos promete trazer muita aventura e satisfação. Arrumamos tudo e partimos após o café. O caminho é sempre por dentro da água, vez ou outra alguém pisa em uma pedra lisa e vai beijar algum poçinho com mochila e tudo e aí acaba a frescura de tentar não molhar as botas. Um escorregão me fez dar uma boa ralada nos joelhos, sinal que experiência não garante coisa alguma, são as pedra que escolhem suas vítimas. Fomos subindo e em menos de uma hora de caminhada estacionamos na confluência do Rio Mogi com o Rio da Onça, onde se pode acessar o Vale da Morte e a tal Garganta do Diabo. Como estávamos super avançados no nosso roteiro por causa das caronas do dia anterior, resolvemos explorar um pedaço do vale, que estava a nossa esquerda. O Rio da Onça começa rasinho, mas alguns minutos depois já começa a aparecer os obstáculos. Os cânions começam a surgir e já é preciso passar com a água pelo pescoço. Foi aí que decidimos esconder as mochilas no mato e seguir de mãos vazias, apenas com uma corda e as máquinas fotográficas e o Lindolfo levou seu colete salva vidas, só para garantir. Fomos escalando os paredões e subindo por onde dava, algumas vezes era preciso mesmo se jogar com roupa e tudo dentro dos poços profundos e nadar. E nadar de roupa, bota e perneira e ao mesmo tempo segurar a máquina fotográfica para não molhar, era terrível. A água estava com uma temperatura super agradável, a adrenalina estava super alta, nunca sabíamos o que encontraríamos pela frente. Aquilo sim era aventura e das boas. Encontramos com um pequeno grupo que havia descido todo o Vale e aproveitamos a corda deles para subir em um paredão. Subimos o cânion por umas duas horas e voltamos. A volta foi super rápida, deixamos as frescuras de lado e voltamos por dentro da água mesmo, pois já conhecíamos os perigos. Chegávamos à beira dos poços e saltávamos e já saíamos nadando, pura diversão. Voltamos, portanto, novamente ao Rio Mogi e daí para cima o rio deixa de receber os sedimentos do Rio da Onça e suas águas são as mais cristalinas e pura que os olhos humanos podem ver. Coisa linda a cor daquelas águas. O único lugar que vi águas tão fascinantes foi ás margens do Rio Aiuruoca, quando acampei na travessia da Serra Negra,no Parque Nacional de Itatiaia. A grande diferença era que em Itatiaia a água era tão fria, que era impossível de tomar banho e no Rio Mogi não. A temperatura da água estava maravilhosa e no primeiro poço de mais de um metro de profundidade paramos para um banho de roupa e tudo e para fazer um lanche. Ficamos mesmo encantados com tanta beleza, mas o tempo passa depressa e era preciso voltar para a caminhada. De 100 em 100 metros aparecia um poço diferente e lá estávamos de novo imersos na água e inventando um adjetivo novo para descrever cada um dos poços e foi neste ritmo que ás 15h30min da tarde, chegamos ao Poço do pulo, onde encontramos um pequeno grupo desmontando seu acampamento. Nossa intenção era seguir até a famosa Prainha do Rio Mogi, uma meia hora á cima, mas como os garotos disseram que já havia um grupo acampando na área, decidimos ficar por lá mesmo, ainda mais quando vimos a qualidade do poço que passaríamos o resto da tarde. Poço de águas verdes, com uma enorme pedra para mergulho. Jogamos nossas mochilas no chão e demos por encerrado nosso segundo dia de caminhada e assim que o grupo partiu, montamos nossas barracas e fomos cuidar do almoço. Nossa comida já estava no fim e a única coisa que sobraria para o dia seguinte seria dois pacotes de miojo e uma caixinha de feijão pronta. Então o nosso almoço também seria a nossa janta. Almoçamos muito bem e passamos o resto da tarde nadando e conversando na Pedra do Pulo, até que caímos no sono lá pela cinco da tarde. Faltando pouco para as 06: horas o Dema me chamou para irmos conhecer a prainha. Topei o desafio e não gastamos mais de 20 minutos para chegar lá, o João e o Lindolfo continuaram no acampamento, descansando. Ao chegar à prainha encontramos três caras acampados por lá. Batemos um papo, tomamos um café e ainda descolamos um valioso pacote de macarrão. A Prainha do Rio Mogi é igualmente linda, mas como já estava escurecendo ,deixamos o banho para o dia seguinte e voltamos rasgando antes que a noite nos pegasse pelo caminho. De volta ao acampamento fomos tomar o último banho do dia e depois ficamos na pedra do pulo apreciando a majestosa lua cheia, batendo altos papos e tomando balde e mais baldes de café e de cappuccino. Então lá para 08h00min da noite resolvemos preparar os dois pacotes de macarrão instantâneo com feijão, já que agora tínhamos mais um pacotão de macarrão, que havíamos ganhado na Prainha do Mogi. Comemos ali mesmo na Pedra do Pulo, onde ficamos celebrando a vida e a amizade, até que resolvi me atirar para dentro da barraca, enquanto o Dema e o Lindolfo preferiram bivacar encima da Pedra do Pulo, nessa hora o João já havia morrido na barraca dele. No domingo de páscoa, acordamos preguiçosamente, sem muito compromisso com nada, apenas curtindo o bom e velho ócio, que é a arte de fazer coisa alguma. Vagarosamente, desmontamos as barracas. Tomamos café, demos mais uns pulos no paraíso de águas verdes e partimos. Subimos por uns 10 minutos, onde passamos pelo poço do sonrizal, que chamei por esse nome porque uma pequena queda fazia sair de dentro do poço milhares de bolhas, como se ele estivesse em ebulição. Outros 20 minutos foram gastos para alcançarmos a Prainha o Rio Mogi. Os três rapazes ainda estavam lá e já se preparavam para ir embora. Essa prainha é muito famosa na região de Paranapiacaba, porque é possível alcançá-la por uma trilha de não mais de 3 horas de descida, mas como tudo que desce um dia tem que ser subido ela acaba sendo uma trilha para ser realizada em um dia inteiro e intenso, dessa maneira não é muita gente que se aventura por aqui, ainda mais agora que a trilha esta fechada e vigiada pela fiscalização. Tanto que em dois dias de travessia pelo Vale do Mogi, só encontramos apenas dois pequenos grupos. O poço da prainha também tem uma coloração esverdeada, onde existe uma pedra que serve de trampolim natural. Passamos mais ou menos uma hora nos refrescando e então demos ás costas para o Rio Mogi e partimos para a derradeira subida. A trilha entra na mata pelo lado esquerdo de quem está subindo o rio e vai quase que subindo paralela ao próprio rio, vai cruzando vários riachos e em alguns pontos está tão fechada que é preciso procurá-la no meio da vegetação, sinal que está sendo pouco usada. Eu e o Dema vamos sempre à frente e hora ou outra paramos para esperar o meu primo e o João. È uma trilha longa, mas não de muita inclinação, mas o João e o Lindolfo já começam dar sinal de esgotamento. O Lindolfo não reclama, parece já estar resignado com o sofrimento que está por vir, mas o João não se faz de rogado. Reclama do aclive da trilha, da falta de comida, da falta de água, reclama da cor das borboletas e dos formatos das pedras. Passamos pelo último riacho, encho meu cantil e sigo. Ninguém mais se preocupou em pegar água. A caminhada foi se estendendo, a fome e a sede foi apertando, o João reclamando e dizendo que já estava para desmaiar. Quando vi que a coisa estava feia chamei o Dema em um canto e falei para ele assumir o cuidado com o João e o Lindolfo, que eu iria acelerar na frente até o ponto em que havia água e fazer o nosso rango. Tomei à dianteira e com um pé na frente do outro foi ganhando terreno sem parar nem para descansar. Em certo ponto da trilha me lembrei da água que eu havia guardado para uma emergência. Tomei um pequeno gole, fiz um totem com três pedras e deixei o meu cantil no meio da trilha na esperança de que ele pudesse salvar a vida dos que vinham atrás, pelo menos dos mais despreparados. Logo á frente encontrei os meninos que estavam acampados na prainha. Estavam parados embaixo de uma das torres de alta tensão que serve de acampamento. Perguntei sobre o ponto para pegar água e eles me disseram que eu deveria subir mais umas duas torres. Subi a mil por hora, feito um mamute arrebentando tudo que era mato no peito, até que encontrei a fonte de água cruzando a trilha. Bebi o quanto agüentei, peguei uma panela, acendi o fogareiro e coloquei o macarrão para cozinhar. À uma hora de distância de onde eu estava, o Lindolfo e o João lutavam para não desistir. O Dema dava o apoio psicológico. Disseram-me que o João teve que comer uns torrões de açúcar para conseguir seguir enfrente. De vez enquanto parava e deitava no meio da trilha e ficava lá feito uma barata tonta, com as pernas para cima (desculpa caro amigo eu jurei que não iria zoar, mas foi mais forte que eu, kkkkkk). Enquanto o macarrão cozinhava, passou por mim a galera do acampamento da prainha e me ofereceram uma panela de comida pronta e mais um pacote de molho de tomate. Agora sim o banquete estava completo. Logo apareceu o Dema e o Lindolfo e a notícia não era nada boa: “O João está puto com você”. Disse o Dema. Fazer o que, eu havia errado na quantidade de comida por causa da correria que foi na véspera do feriado. Sempre carregamos comida demais e dessa vez faltou. Meu erro quase fez um amigo sucumbir de inanição. Já era quase 3 horas da tarde e os caras não haviam comido nada, mas agora ali estava uma super panela de macarrão com arroz e legumes e um super suco de jabuticaba, espero que eles me perdoem. O João apareceu na curva da trilha. Era o demônio em pessoa, seus olhos arregalados me deram medo, pensei em fugir correndo mata adentro (rsrsrsrsr). O cara me esculhambou legal,foi difícil fazê-lo aceitar as minhas desculpas. Enchi um super prato de comida e dei nas mãos dele. O menino comeu feito um refugiado africano. Para reparar o meu erro, nem almocei, dei toda a minha comida para ele, afinal o erro havia sido meu, eu que pagasse pela minha falta de planejamento. Todos alimentados, as energias revitalizadas,o humor de volta, seguimos trilha acima até chegarmos ao mirante perto de uma das torres. Lá encontramos uma galera que estava indo ao poço Formoso. Já estávamos preocupados com a fiscalização na entrada da trilha, pois estávamos a menos de quarenta minutos de Paranapiacaba. A galera nos deu uma dica de uma trilha alternativa, que sai a direita antes de chegarmos onde estaria a fiscalização, mas acabamos não encontrando o tal bambuzal que eles haviam relatado e de supetão demos de cara com o carro da fiscalização. Pensamos em voltar, mas os caras já haviam nos vistos. Não havia mais nada o que fazer, era enfrentar aquilo de que havíamos corrido durante três dias. Fomos pegos e agora teríamos que enfrentar nossos pesadelos de frente, com a cabeça erguida, como homens que somos. Realizamos uma travessia perfeita, uma caminhada para entrar para nossa história de excursionistas. Uma caminhada para guardar para sempre na memória, uma caminhada de dias de aventuras intensas, de amizades e companheirismo. Erguemos a cabeça, estufamos o peito e olhamos direto nos olhos daquele que seriam os nossos algozes. KKKKKKKKK, eram dois tiozinhos jogando baralho dentro da vam do meio ambiente: “ Oceis num sabia que é proibido caminhar por essa trilha e que ela ta fechada pra recuperação”. Não senhor, nós não sabíamos, estamos vindo do litoral e não existe nenhuma placa indicando qualquer proibição,disse eu.” Pois é, agora ceis tão sabendo ! Nos despedimos dos dois “guardas” e ganhamos o estacionamento, passamos enfrente ao cemitério e estacionamos nossos corpos cansados e extremamente felizes enfrente a Igreja principal, exatamente onde tudo havia começado a três dias atrás. Na igreja de Paranapiacaba, tentei persuadir os meus amigos a descer até a grande ponte, mas os caras não queriam mais saber de dar mais nenhum passo. Então peguei minha mochila e fui dar uma volta na vila histórica. De cima da grande ponte, de frente para a réplica do Big Bem, fico imaginando e relembrando parte da minha infância, quando viajávamos de trem de Campinas para São Paulo para visitar meus avós. Isso acontecia todo final de ano. Eu e meus irmãos esperávamos o ano inteiro por isso. O meu país só tinha dinheiro para viajar de trem, eram tempos difíceis. Hoje o trem já não existe mais, meus avós já morreram, mas ainda me restam as lembranças. Lembranças que levo deste lugar maravilhoso, que por muito tempo reneguei ao esquecimento e ao desdenho, mas agora que o descobri, prometo voltar muitas vezes, para descobrir novos paraísos, para fazer novos amigos e para continuar celebrando a vida e a amizade com os velhos amigos, porque é isso que faz valer a pena continuar vivo, porque é isso que faz valer a pena continuar seguindo enfrente. Obrigado meus amigos, vocês foram demais........... DIVANEI GOES DE PAULA- ABRIL/2012
  9. http://jorgebeer.multiply.com/photos/album/142/Travessia_do_Quilombo TRAVESSIA DO VALE DO QUILOMBO O Vale do Quilombo é um dos vários rincões selvagens nada visitados q se traduzem em fundos vales cavados por rios de águas cristalinas. Situado em Paranapiacaba e paralelo ao Vale do Rio Mogi, o Quilombo despeja suas águas através dos ingremes e escarpados contrafortes serranos rumo Santos formando inúmeros remansos, cânions, poços gigantescos e cachus. Como descer o rio era pura questão de tempo, resolvemos matar essa desfeita neste ultimo fds apenas pra indicar mais este programa radical de 2 dias q rasga o vale serra abaixo até o tradicional Poço das Moças, vencendo árduos 1180m de desnível, pra depois subi-los novamente até a vila inglesa. Aventura, adrenalina e perrengue garantidos q comprovam q fora dos limites formais de Paranapiacaba existe mta coisa ainda pra explorar. Um dos meus filmes preferidos é “King Kong” onde a parte q mais gosto é a minuciosa e emocionante exploração da misteriosa “Ilha da Caveira”, habitat do personagem-titulo. O clima de aventura e tensão q se instaura até metade da produção é fantástico no q se refere tanto a diversão escapista como a interrogação qq da busca rumo o desconhecido. O resto é encheção de lingüiça melodramática. E era essa mesma ansiedade q tomava conta de mim na véspera da trip proposta, já q desde meu primeiro contato com o Rio Quilombo (algo de uns 3 anos), sempre cogitei ávidamente a possibilidade de um dia descê-lo por completo, percorrendo seus misteriosos meandros atraves de td sua extensão, serra abaixo. Já estivera em seus limites extremos, mas sempre me indaguei: o q haveria bem no meio? Contudo, a falta de cia apropriada, disponibilidade de tempo ou qq outro porém sempre terminei adiando este programa de fds. Ate agora. E pra entrar previamente no clima revi o filme do enorme simio á noite anterior a empreitada. A previsão de tempo era bastante incerta mas ainda assim, teimosos feito mulas, fomos resolver essa antiga pendega com a Serra do Mar nos arredores de Paranapiacaba q era descer o Rio Quilombo. Dessa forma eu, Fernando e Abade (ambos da“T2 Aventura”) chegamos numa vila inglesa envolta em seu tradicional e indefectível nevoeiro as 8:30. A passos ligeiros tomamos rumo o Taquarussu de modo a ganhar o maior de tempo possível na pernada, e meia hora depois mergulhávamos finalmente na mata fria e úmida da picada principal q leva tanto pra “Comunidade”, pro Quilombo e o Anhangabaú, q por sua vez era um brejo só em virtude das ultimas chuvas. O ritmo imposto à caminhada e o calor abafado imediatamente fizeram nossos corpos se encharcarem de suor, mesmo com rápidas paradas pra clicar este ou aquele outro detalhe dos habitantes da floresta. Com a mata filtrando através de suas folhas um tímido sol ameaçando sair, o canto metálico de uma araponga avisava-nos da chegada à famosa “bifurcação das bananeiras”, as 10:30. Tomando o ramo da esquerda e sempre no mesmo compasso, ignoramos as bifurcações sgtes sempre buscando nos manter na vereda principal, embora no coração da floresta reconhecer isto seja algo bem subjetivo eonde há certa necessidade de alguma vivência na mesma pra discernimento das poucas ocasiões necessárias de farejo da mesma, principalmente qdo o caminho se encontra repleto de obstáculos, como mta mata tombada por exemplo. O trecho final, marcado por uma interminável descida de crista de declividade considerável, foi feito na base da corrida de forma ate meio irresponsável; com o chão besuntado de lama escorregadia e da inércia inerente de nossa velocidade imposta o risco do nosso freio falhar e meter a cara no chão ou na arvore sgte era constante. Após um curto trecho desescalaminhando pedras numa vala erodida, alcançamos enfim o Rio Quilombo nos arredores do “Rancho 71”, um antigo reduto de palmiteiros, as 11:10. Empolados no alto de uma gde pedra as margens do rio nos brindamos com uma pausa de descanso e de lanche merecido antes de efetivametne começar a descida do mesmo. O local é emblemático do q estava por vir: enormes pedras desmoronadas formando gdes cachus e belos poços represados entre os rochedos cercados da mais espessa mata! Dez minutos depois dávamos inicio oficialmente à trip, descendo com cautela a larga lajota de pedra em q estávamos pra acompanhar o rio pela margem direita. Mas isso durou pouco pq poços, abismos, pedras e pirambas rochosas maiores surgiram nos obrigando a cruzar à outra margem, e assim sucessivamente fomos “costurando” o rio conforme a segurança ditava. Este trecho é bem íngreme e perde-se altitude com rapidez em meio a um rio furioso. Andar pelas pedras requer extremo cuidado pois estão besuntadas de um limo visguento desgraçado, e derrapar nelas era um risco quase q constante de acidente serio. Por esta razão td travessia foi feita com calma, sem pressa, mas ainda assim isso não nos livrou de belos capotes, carimbadas de bunda e pancadas na canela. Por volta das 13:30 a declividade suavizou e fomos pela margem esquerda, q era dominada por pequenas pedras roladas. Mas não tardou a monólitos rochosos maiores barrarem nossa avanço nos obrigando a contorná-los, seja na escalaminhada de pedras seja no vara-mato de encosta puro e simples. Felizmente sem maiores dificuldades, pra espanto das varias pererequinhas q saltavam assim q surgiamos. Ate outra vez a declividade aumentar e a paisagem se assemelhar com a de inicio. Apesar de relativamente lento em virtude da cautela com pedras escorregadias, nosso ritmo era constante sem nada q o alterasse. Ainda assim estavamos preparados pra qq surpresa q surgisse na próxima curva do rio. E assim nos reverzavamos na dianteira na tarefa de decidir q caminho era o mais segura pra atingir o patamar sgte, rio abaixo. O esforço conjunto tanto dos braços como das pernas q o tempo td nos mantinha transpirando, mas por sorte estavamos bem do lado do rio, cujo liquido universal translucido em mais de uma ocasião refrescou tanto nossos rostos qto nossa goela seca, embora mtas vezes tivessemos q andar através dele com agua quase ate a cintura. Enqto isso, o tempo mantinha-se apenas naquela nebulosidade clara, não se decidindo se chovia ou abria. O destaque neste trecho foram os incontáveis remansos repletos de monumentos rochosos, poços, gdes cachus e piscinoes naturebas. Parar, no meu caso, era impossível em virtude das trocentas moscas-varejeiras q não perdiam um descuido nosso pra sugar sangue fácil numa irritante e dolorida mordida! Dessa forma seguimos em frente firme e forte, engolindo td sorte de teia de aranha q surgia inadvertidamente na minha frente! De suas margens, observamos como os cipós, espinheiros, os galhos das árvores e as folhas secas enroscam-se, a ponto de impedir a penetração do sol. Seguindo sempre nesse compasso árduo, porem constante, atingimos o inicio de um aparente canionzao, com enormes paredões inclinados emparevam com media declividade o rio q serpenteava sinuosamente através dele. Aqui houve necessidade e subir a encosta direita diversas ocasioes e avançar em meio à vegetação até retornar outra vez á margem do rio, bem mais adiante. E assim sucessivamente ate q chegamos num local onde o rio cavava um cânion ate desaguar no pai de tds os poços daqui, as 15:30, um mega-maxi poço do tamanho de um campo de futebol oficial, envolto em gdes muralhas de pedra inclinadas num ângulo de 45 graus!!! O enorme espelho dágua refletia maravilhosamente a nebulosidade clara daquele horário de forma impar. Ao contorna-lo, na encosta encontramos vestígios de uma trilha e uma clareira de acampamento. Sera q essa trilha era a q vem da “Cruz do Firmino”? Fica lançada a duvida e mais um motivo pra retornar pra mais explorações. Dando as costas ao mega poço damos continuidade à pernada inabalável rio abaixo, alternando trechos íngremes com outros mais suaves. A paisagem alternava-se com freqüência de gigantescas pedras desmoronadas e pequenos cânions q culminavam sempre em majestuosos e convidativos poços ideais pra banho, embora a esta altura uma fina garoa comecava a fustigar nosso rosto suado. Foi a partir das 16hrs q começamos a ficar preocupados da demora em chegar no Poço das Moças, apesar do nosso ritmo ágil. “Meu, essa porra não acaba! Kd o Poço?”, reclamava Abade. Mas sua preocupação era justificada, já q ele era o único q não trazia nada prum eventual pernoite, apesar de ter sido previamente avisado do risco da pernada não ser concluída naquele dia. Eu e o Fernando estavamos bem precavidos e não tínhamos pressa alguma, mas éramos apressados justamente pelo descuidado Abade, q não queria de forma alguma ficar ao relento caso houvesse necessidade. E a tarde já quase no fim.. A pernada prosseguiu árdua ate q chegamos noutro canionzao q acompanhamos outra vez pela mata, na margem direita, e la encontramos uma picada bem evidente q ia na direção desejada. Como ir pela picada vereda bem mais q pelo rio não tivemos duvida e fomos por ela, ganhando tempo. Mas as 17:30 esbarramos com 3 jovens (um deles segurando uma galinha desesperada pra não ir pra panela!) numa barraca q nos informou já estarmos no Poço das Moças!!! Dito e feito, olhei com atenção em volta e realmente aquele lugar me era conhecido, havíamos concluído a travessia!! Uhuuu! Se prosseguissemos 500m abaixo desembocariamos numa represa e depois o Quilombo corria manso, quase na horizontal, em meio ao bairro do mesmo nome ate desaguar próximo da Rodovia Piacangüera. Uma fina garoa voltava a cair e nos presenteamos um momento de descanso e de lanche naquele bucólico lugar enqto conversávamos com o trio, q fazia parte dos “Funiculeiros”, grupo q costuma andar pelo antigo sistema funicular de Paranapiacaba serra a abaixo, e vice-versa. O papo tava bom mas tínhamos q ser ligeiros e rápidos. Eu estava preocupado com o q ainda tínhamos pela frente, afinal a travessia havia sido concluída mas não a trip! Havia ainda q vencer os 1180m q nos separavam da vila de Paranapiacaba através de uma trilha q eu conhecia razoavelmente, porem isso com luz natural. Como o ultimo q desejava era andar a noite apressei meus colegas pq afinal á noite tds os gatos são pardos e qq coisa pode ser uma trilha, podendo haver alguma confusão no caminho. Nos despedimos do trio funiculeiro e as 18:45 inciamos o longo e íngreme caminho q tínhamos pela frente ainda. E tome uma forte e interminável piramba quase na vertical - similar à do Corcovado de Ubatuba - q num piscar de olhos ensopou nosso rosto e nos separou uns dos outros! Mas a declividade era apenas um dos obstáculos, pois umedecida pela chuva fazia com q déssemos um passo e retrocedêssemos dois, escorregando! E assim fomos ganhando lentamente altitude ate o som do rio ficar lá atrás. A subida tb exigiu bastante do Fernando, q teve q parar em mais de uma ocasião acometido de fortes cãibras nas pernas e uma dor-de-cabeça dos infernos. Após um tempão q pareceu interminável começaram a surgir as bifurcações q geraram duvida da minha parte, mas esta preocupação se diluiu assim q a picada nivelou e subiu em ziguezagues a encosta, dando na Pedra Lisa e onde nunca tomamos agua com tanto gosto, já quase escurecendo. Daí começou outra vez uma íngreme subida vertical onde os atalhos apenas mais confundem q ajudam qdo se tem pouca visibilidade, o q nos obrigou a usar as headlamps. Mas ainda assim isso foi insuficiente, principalmente qdo o único q conhecia o caminho (mais ou menos) era eu, e olha q à noite sou cegueta total em virtude da minha maledita miopia, mesmo com lanterna. Por isso q evito andar a noite pois não confio em meus instintos. Áquela altura estavamos ensopados por completo pela chuva q novamente caia e após duas bifurcações em “T” numa piramba vertical começamos a bordejar a encosta direita da montanha durante um tempão. Já eram quase 20:30 e na demora obvia em alcançar o “Mirante” q a ficha caiu: nalgum lugar havíamos tomado a picada errada!!! Bosta!!! Particularmente estava muito cansado e já não raciocinava nem enxergava direito, so vendo a hora de encostar nalgum canto e desfalecer. O pessoal insistiu em prosseguir mas foi voto vencido qdo percebeu q isso so nos levaria mais longe ainda, q já estávamos no rumo errado. E andar noite adentro às cegas tava fora de cogitação! Conclusão: não terminaríamos infelizmente naquele dia, daríamos um jeito de passar a noite ali e terminaríamos somente na manha sgte! E assim cada um aninhou-se do lado da picada como pôde. Eu trazia minha rede á tiracolo e não tive problemas em arrumar duas arvores pra acomodá-la me cobrindo com um plástico pra proteger da chuva; já o Fernando e o Abade dividiram um plástico e isolante no chão e se cobriram com uma pequena lona enqto tentavam se acomodar ora sentados ora deitados. O fato era q estavamos tão cansados q nem sequer comemos, mal improvisamos nosso pernoite trocamos nossa roupa encharcada por outra mais seca e quente q apagamos, ou pelo menos tentamos dormir. Meu sono foi de certa forma através de capítulos, pois dormia um tanto e acordava outro, mas não pelo desconforto e sim pela fria umidade q a rede depositara na região dos meus quadris. Mas bastou vedá-lo com varias sacolas plástica de supermercado q tornei a dormir feito anjinho. Já o Fernando e Abade tentavam dormir ora sentados, ora virando de um lado pro outro naquele chão folhado irregular naquela noite q pra eles pareceu não ter fim. Por sua vez a idéia do tempo era ditada pelo apito do trem nalgum lugar ou pelo intermitente “toc, toc, toc!” de um picapau martelando nalgum lugar. Felizmente a chuva cessara na calada da noite, mas já havia deixado seu estrago. O domingo amanheceu radiante e sem vestigo algum de nuvem, e assim q clareou levantamos doloridamente dos nossos respectivos cafofos. Enqto arrumávamos as coisas, as 6:30, eis surge um senhor no meio da mata acompanhado do seu cachorro, q ate imaginamos em se tratar ou de um guarda municipal ou caçador, pois trajava roupa camuflada. Q nada, seu nome era Felix e apresentou-se como morador da regiao q apenas costumava passear ali aos domingos. Claro q não pensamos duas vezes em indagar-lhe da trilha pro Mirante, o q apenas confirmou nossas suspeitas de q havíamos deixado passar a picada certa bem atrás alem de nos indicar um oportuno atalho pra direção correta. Nos despedimos do prestativo senhor e após subir durante pouco tempo outra piramba serra acima não é q emergimos no maledito Mirante, as 6:44, agora sim na cota dos 1185m de altitude?? Pois é, havíamos pernoitado próximo de onde desejávamos chegar e q isso sirva de lição de saber como a luz natural é diferencial pra reconhecer ou não uma picada certa no mato. E de não ir alem dos próprios limites qdo as forcas já não permitem, pois ai dá-se margem pra desatenção e descuidos. E pros perdidos, naturalmente. A partir do Mirante já é caminho da roça e não tem mais segredo. Após entrar e sair da mata, descer td estrada de paralelepipedos da Boa Vista e passar pelo portal do Pq Municipal das Nascentes sem alma viva na guarita, damos finalmente no centro da vila de Paranapiacaba as 7:30, q sequer havia amanhecido incluindo o Bar da Zilda, ainda de portas fechadas. Enqto os primeiros turistas começavam a chegar à vila nos íamos zarpando e so tomamos nosso sarado café-da-manha em Rio Grande da Serra, por volta das 8:30, onde comemoramos a perrengosa porem vitoriosa empreitada. Dores musculares pelo corpo td e espinhos nas mãos por retirar era um tributo ate mais baixo cobrado pelo Quilombo pela aventura e tanto q havia nos proporcionado. Espécies raras na vegetação, arvores frutíferas, animais de vários tipos e tamanhos cortados por um sinuoso rio cristalino serra abaixo. Esse é o Vale do Quilombo, uma área aproximada de 10km de comprimento por 2km de largura q ainda se conserva quase virgem. Sem necessariamente macacos gigantes, ferozes dinossauros ou canibais comedores-de-gente, porem detentora de uma imensidão verde de Mata Atlantica, o Quilombo ainda detém programas selvagens inesgotáveis à direita, a escarpada Serra do Jurubatuba e, à esquerda, as encostas da Serra da Boa Vista. Tem ainda o Morro Cabeça de Negro no fundo do vale. Com uma riqueza de manaciais e espécies exóticas o Quilombo parece pertencer a outro mundo. E como estes atributos vão alem da charmosa vila inglesa e da opulência da mata q forra seu parque municipal homônimo, basta apenas um fds de bom tempo e disposição pra meter as caras pra perceber q nossa vizinha Serra do Mar não deve em nada em aventuras emocionantes à misteriosa “Ilha da Caveira” do filme do Peter Jackson.
  10. Fala pessoal, boa noite, ou bom dia sei lá que horas são aii haha... Estou aqui para escrever meu primeiro relato, portanto, me desculpem pelos erros ortográficos, falta de concordância, gírias e etc. Vou contar o relato sobre uma trilha já conhecida por muitos deste fórum (Poço formoso), o que eu quero mostrar é como um virgem de trilhas só faz merda haha... E para os novos trilheiros sempre se informem sobre o local correto a seguir, entrada da trilha, dificuldade de etc. Pois bem, tudo começou na noite do dia 06/09/2011, um dia antes do feriado de 07 de Setembro, eu estava há alguns dias já namorando o site dos mochileiros e não vendo à hora de me aventurar por aiii. Foi quando surgiu o feriado e conseqüentemente a idéia de ir até Paranapiacaca que é relativamente próximo ao Ipiranga (onde moro). Chamei dois amigos para ir comigo o Vinição e o Patrik, de inicio ambos concordaram em ir, pois, íamos ficar provavelmente mofando em casa ou na rua vendo o pessoal passando escutando funks em seus carros (sinceramente já estou cheio disso)... Ops. Nada contra quem curte que fique claro! Depois de acordado com o pessoal sobre a trip, faltava o destino certo em Paranapiacaba, qual trilha fazer? Dei uma pesquisada básica no santo Google e gostei das informações sobre a “cachoeira da fumaça” então por que não fazer? Destino decidido! Nem dormi direito de ansiedade, estava parecendo criança na noite antes de ir à excursão da escola quando é era para o Hopi-Hari hehe... Já havia preparado minha mochilinha de 10 l para a viagem. Acordei às 07hs e chamei meus amigos às 07:30hs conforme combinando na noite anterior tomamos um cafezinho reforçado na padoca e pegamos o busão até o terminal Sacomã, paramos na estação Tamanduateí e pegamos o trenzãoo até Rio Grande da Serra, e depois um busão até Paranapiacaba, para pegar o ônibus da EMTU que vai até Paranapiacaba basta atravessar o trilho do trem em Rio Grande da Serra entrar a direita após a travessia do trilho e na primeira esquerda o ponto estará a uns 100 mts, chegando ao ponto... Meu Deus estava LOTADO, havia uns farofeiros incluindo nós, umas criancinhas que Deus que me perdoe, mas pareciam uns diabinhos isso sim, e uns dois cachorrinhos, um já chegou pondo as patas na minha barriga e sujando minha camiseta branca haha, nem liguei. Embarcamos no busão e os ‘’diabinhos’’ continuavam gritando e cantando a eterna musica “o motorista, pode correr, que os FAROFEIROS não têm medo de morrer’’, bem eles não disseram farofeiros, mas seria apropriado rs. Depois de uns 15 minutos o busão chegou, o motorista parecia o Shumaquer (deve estar escrito errado, mais estou com preguiça de pesquisar no Google então vai ficar assim mesmo hehe), quando desembarcamos em Paranapiacaba, o lugar parecia o jogo Silent Hill, a neblina cobria tudo, demos umas voltas na vila, mas não dava p/ enxergar nada, perguntamos para um morador muito simpático onde ficava a trilha da cachoeira da fumaça e o mesmo informou que teríamos que voltar muito, pois, havíamos passado o início da trilha. Começamos a caminhada no asfalto voltando sentido Rio Grande da Serra, o senhor informou que a trilha começava na torre de eletricidade do lado esquerdo da pista, andamos umas 2 horas até chegar ao local (os burros nem pegaram um ônibus, decidimos ir andando mesmo)... Chegamos a uma suposta trilha do lado esquerdo sentido Rio Grande da Serra, a trilha era após uma empresa de portão azul e a “trilha” haha... Era bem marcada, uma represa do lado esquerdo, caminhamos uns 10 minutos e chegamos a um lugar que tinha uns carros 0 km, vários! Todos os Gols geração 05 rock en rio, olhei os carros de perto e todos estavam abertos e com as chaves no contato, aquilo estava estranho, voltamos p/ estrada, pois, aquela trilha com certeza não levava a cachoeira nenhuma (depois soubemos que a trilha estava bem mais a frente) aushuhasa... Pegamos um busão de volta a Paranapiacaba, eu que não andaria uns 5 km de volta nem fodendo... Demos o sinal fora do ponto mesmo e o busão parou “que sorte”, chegamos à cidadezinha novamente e o mesmo morador do início ainda estava lá, pedimos informação sobre alguma trilha fácil para não perdemos a viagem, nisso já eram 14hs, o tiozinho informou sobre uma suposta “trilha da onça” logo após o cemitério, perguntei para um flanelinha onde começava a trilha e o sujeito informou, porém disse – Vocês não irão conseguir entrar não, pois existe fiscalização, mas por trás da minha casa aqui da p/ cortar o caminho. Logo de cara já vi que o cara estava a fim de morder uns ‘’caranguejos’’ nosso, agradeci a informação e disse que iria tentar fazer outra trilha... Chegamos ao início que fica a esquerda logo após o estacionamento, no início da trilha existe na parte direita um mirante que provavelmente tem vista p/ Cubatão, eu não sei afirmar por só via neblina... Entramos na trilha que para a nossa surpresa estava sem fiscalização, a sorte estava mudando, descemos e logo no início havia uma bifurcação, uma parte descia para a esquerda e a outra continuava reta, resolvemos seguir reto, que foi justamente o correto a ser feito, depois de andar mais um tempinho encontramos alguns mochileiros que estavam por nossa sorte justamente na segunda bifurcação, essa era em forma de “U”, se não fosse por eles eu iria descer reto (não sei aonde vai essa trilha), perguntei ao grupo simpático onde a trilha em que eles subiam chegava e me informaram que ia ao poço formoso, gostei da idéia, pois, já havia visto fotos e relatos deste lugar no site dos mochileiros, onde o nosso amigo “Massa” mencionou algumas informações muito importantes. Continuei descendo, seguimos na parte da bifurcação que tem formato de “U”, mais a frente encontramos a terceira bifurcação, uma ia reta e a outra virava a esquerda e passava por baixo de uma torre de eletricidade, fizemos merda, seguimos reto . Comecei a notar que na trilha não havia mais pegadas, e o pior, existiam teias de aranha que atravessavam a trilha, foi ai que após a décima teia de aranha eu me perguntei “se o pessoal estava subindo do poço formoso, por que existem essas teias de aranha intactas no caminho que supostamente eles fizeram?” Ou as aranhas estavam rápidas demais fazendo novas teias ou nós havíamos errados na última bifurcação, não deu outra! Resolvemos voltar e pegar a trilha que passava por baixo da torre de alta tensão, depois de voltar na bifurcação e entrar na trilha a esquerda não demorou muito para escutarmos barulho de queda d’água, e mais uns 5 minutos andando chegamos ao poço formoso, lugar fantástico e de rara beleza. Aventuramos-nos nas cascatas que iam abaixo, tiramos fotos, filmamos, entramos na água, foi fantástico! Não há valor no mundo que pague! Ficamos por lá aproximadamente uma hora curtindo, pois, parecia um troféu, depois voltamos e encaramos a subida novamente, chegamos à vila, tomamos água, nos limpamos e voltamos para casa, confesso que ao chegar a minha casa estava exausto, porém, a minha felicidade era extrema. Agora não vejo a hora de realizar a próxima trip que está marcada para a próxima sexta-feira 16/09/2011 que será de Parelheiros até Itanhaém, vamos ver no que dá Né? Haha... Pessoal, queria agradecer demais pela paciência em ler o relato, pelas dicas que todos vocês passam no site, agradecer ao colega Massa por ajudar sempre com dicas de alguns roteiros... No mais é isso aiii... Abraços. Segue abaixo as fotos; Uma parada para o descanso. Uma parada para as fotos, no caminhos da "trilha" da cachoeira da fumaça... A suposta "trilha" da cachoeira da fumaça haha... Seguindo caminho As fotos abaixo são da chegada ao poço formoso! Meu pequeno nariz!!!
  11. Trip realizada no dia 06 de Novembro de 2011 Galeria de fotos da trip Roteiro traçado é roteiro cumprido, mesmo que, para isso, sejam necessárias uma ou mil tentativas! Minha tentativa de atingir os trechos mais dificultosos do tal Rio do Meio, na última Quarta-feira(02/11), não me rendeu mais que alguns ralados e retratos do trecho que antecede o chamado "Portal", onde o mesmo encontra a cachoeira da Fumaça, do Rio das Pedras, para assim prosseguir pelo Vale da Morte, com o nome de Rio da Onça. Determinado a conseguir tal façanha de burlar os enormes pedregões do leito do rio, para assim, atingir, em uma cota mais abaixo, um precipício com pouco mais que 30m de profundidade, batizado de Garganta do Diabo, fui, tão somente acompanhado pelo Gabriel, a saltar nos arredores de Rio Grande da Serra, este Domingo(06), às 8h30. Demos início fácil e ligeiro à caminhada pela estrada das antenas, até atingirmos o Lago de Cristal, em cerca de 40min, por uma encharcada, porém, suave, trilha que acompanha o leito raso desta parte do Rio do Meio - ou Rio da Solvay, se preferir -, o mesmo rio que, após o dito Lago de Cristal e a Cachoeira das Graças, se revela extremamente agressivo e traiçoeiro. Desta vez, estávamos pouco mais adiantados que na incursão do feriado, porém, não nos atentamos a fazer hora nestes pedaços sussas da trilha. Às 9h30, adentramos o "caminho das pedras", passando pela Cachoeira Escondida para uma breve - muito breve - refrescada, e demos início à descida do rio, ora saltando, ora escalaminhando, ora desescalaminhando, por pouco mais de 1h, até atingirmos o referido "Portal". A partir deste ponto, nosso rio passa a se juntar ao Rio das Pedras - Cachoeira da Fumaça - e segue adiante com o nome de Rio da Onça, até desaguar no Rio Mogi, que por sua vez, finaliza seu curso em Cubatão. Após a breve parada frente a um poço formado no final da Cachu da Fumaça, encontramos um grupo de rapazes que terminavam sua descida pela dita cachoeira quase vertical, e que, também, seguiam rumo à garganta demoníaca. Sendo assim, resolvemos acompanhá-los, sem muitas paradas mais. O "Portal" também marca o início de um trecho crítico do rio, denominado Vale da Morte, onde as pedras ficam ainda mais altas e difíceis de serem transpostas - cabe aí muita cautela e atenção, pois qualquer vacilo pode comprometer não apenas a jornada, mas sim, a vida de quem se acidentar. Mesmo com algumas dificuldades, até devido à minha baixa estatura, consegui desenvolver um "bom" ritmo, sendo que, após cerca de 1h desde a Fumaça, atingimos o topo da cachu que despenca abismo abaixo, por pouco mais que 30m, na chamada Garganta do Diabo Deste local, ainda sai uma íngreme trilha que leva à parte de baixo da cachoeira. Não satisfeitos com o magnífico visual que já presenciávamos alí, decidimos seguir por esta trilha, que, antes mesmo de atingir o rio mais abaixo, passa por uma clareira onde é possível acampar, ou mesmo, a partir de uma bifurcação à esquerda(para quem está descendo) ter vista da Garganta por outro privilegiado ângulo! Desescalaminhada após desescalaminhada, atingimos um novo poço, onde a rainha da vez era uma modesta queda d'água que procedia a grande queda da Garganta do Diabo. A partir deste local, só é possível prosseguir munido de equipamentos apropriados. Retornamos pelas mesmas pirambas, acompanhados dos rapazes, que também desceram a íngreme trilha. Porém, os mesmos seguiram às pressas rio acima, enquanto eu e o Gabriel ainda paramos para fotografar as últimas paisagens surreais. Ainda na acidentada trilha, era preciso enfrentar um obstáculo: um paredão escorregadio, com poucos pontos de apoio e quase vertical. Me apoiei em uma pedra que, aparentemente, estava firme, porém, a mesma se desprendeu, fazendo com que eu caísse 5 metros paredão abaixo! Acabei saindo ileso dessa, e por muito pouco, a mesma pedra não veio a me atingir, caso não a tivesse empurrado para o lado, ainda durante a queda. Enfim, demos continuidade ao retorno, que, por ser praticamente todo em subida, tornou-se muito mais fácil, seguro e, igualmente, cansativo! Atingimos a Cachu da Fumaça em menos de 40min, chegando à Escondida 30min depois. Já na trilha íngreme, após deixar para trás o árduo caminho das pedras, orientei o Gabriel a seguirmos pela Cachoeira das Graças, que também era possível caminho para o Lago de Cristal, bastando escalar um paredão vertical com diversos pontos de apoio. Uma vez no lago, uma sensação de dever cumprido toma nossos pensamentos, acompanhando-nos até a volta para nossas... homes!
  12. Fala, mochileiros de plantão! ;D Estou com mais uma tripzinha saindo do forno - na verdade, foi algo bem improvisado mesmo, - até porque ninguém além de mim e do Gabriel pôde ir - mas um excelente passeio de fim de semana! Confiram aí! --------------------------------------------------------------- http://rotamassa.blogspot.com/2011/08/circuito-triplo-em-paranapiacaba-museu.html Trip realizada em 13 de Agosto de 2011 Já visitada em outras venturas, a simpática e centenária vila inglesa ainda nos reserva muitos encantos em suas verdejantes silhuetas serranas. Após pouco mais que um mês sem darmos com os pés em terras úmidas, estávamos em mais um roteiro pela pacata região, desta vez, com um pouco mais de tempo, o que nos permitiu realizar um combo, englobando três passeios: o Museu da Funicular, a Trilha da Comunidade e a Trilha do Mirante. Caímos na vila por volta das 11h30, e, mais uma vez, com o tempo amplamente aberto e um Sol irradiante sobre nós, como se tudo conspirasse a nosso favor! Seguimos para a passarela, onde está a entrada do histórico Museu da Funicular, abrigo dos mais variados artefatos remetentes ao já extinto Sistama Funicular de Paranapiacaba - na verdade, eram dois sistemas funiculares, denominados Serra Velha e Serra Nova. Os prédios que hoje constituem o museu já foram a garagem de trens e a casa de máquinas do 5º Patamar da Serra Nova, o último funicular a operar. O acervo em exposição é mantido pela ABPF, que, para tal, cobra uma taxa de apenas R$2 aos visitantes - nada mais justo, uma vez que as autoridades, que abandonaram as ferrovias, nada fazem nem para preservar. Na visita, pudemos apreciar um pouco da história da vila e da ferrovia, através de maquinários e até locomotivas a vapor, como os quatro Locobreques que alí adormeciam, protegidos da chuva e da névoa externa. A baixa iluminação no interior dos galpões nos impediu de obter boas fotos . Saimos ao pátio, onde também se encontravam mais alguns carros, inclusive um pertencente ao Trem de Prata, que ligou São Paulo ao Rio de Janeiro. Visitamos também, as duas casas de máquinas e o início da Serra Nova, marcado por uma pequena guarita no alto da serra. Sistema de bilhetagem da EFSJ. Detalhe para o Bilhete Único hawuahwuwhawu Área externa, com carros abandonados, próximo à casa de máquinas Guarita no alto da serra, 5º Patamar da Serra Nova Sistema Cremalheira, operado pela MRS. Este foi construído sobre o antigo leito da Serra Velha, o primeiro sistema funicular Saindo do museu, seguimos agora até a Estrada de Taquarussú, espinha dorsal para vários caminhos selvagens em meio à Mata Atlântica, e também, de onde sai a principal trilha do Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba: a Trilha da Comunidade, que por sinal, estava em nosso roteiro. Esta começa após cerca de 20min de caminhada, saindo de Paranapiacaba, sinalizada por uma placa. O início acompanha o curso de um pequeno riacho, o qual pode ser percorrido até mesmo pela água, bastando cuidado com as pedras escorregadias. Em 15min, chega-se a uma queda d'água, ideal para uma refrescada!! Pequena cascata em meio à trilha A partir deste ponto, as placas indicavam o início definitivo da Trilha da Comunidade, que segue para leste, a fim de alcançar a crista da Serra, em cerca de 1h30min de caminhada, terminando nas ruínas de uma comunidade hippie, e que hoje, está envolta pela alta vegetação. Atingido o topo, procuramos pelas ruínas, já praticamente escondidas por entre a mata, até que, finalmente, as avistamos. Nos ajeitamos encima das pedras que, aparentavam ser parte das estruturas das habitações de quem alí se abrigou. A Sudoeste, parecia sair uma picada parcialmente encoberta pela mata, seguindo pela crista da serra. Curiosos, seguimos por ela, porém, notamos que, após certo tempo, a mesma começou a descer e seguir para Norte, além de apresentar bifurcações, o que nos fez desistir e voltar às ruínas, onde ficamos por mais algum tempo, antes de descermos de volta à Estrada de Taquarussú. Depois de 1h de descida, a trilha nos conduziu de volta ao início, de frente ao convidativo chuveiro natural, que envolvia o rochedo, mais parecendo um palco, um espetáculo natural! O Gabriel sentiu que teria, de qualquer forma, que se refrescar naquelas gélidas águas, enquanto eu, impedido de tal façanha, pois estava refém de minhas tralhas de mochila, me contentei em apenas realizar meu ensaio fotográfico selvagem! Satisfeitos, decidimos seguir em frente, mas eis que ganhamos a companhia de dois simpáticos bombeiros acompanhados de seu Husky Siberiano, um lindo lobo doméstico, que vinham também a desfrutar das águas calmas daquele lugar. Trocamos algumas informações com eles, a respeito das trilhas da região, e partimos em direção à vila. Já eram 5h20 quando nos botamos em Paranapiacaba, novamente, e ainda tínhamos mais um destino pela frenrte: a Trilha do Mirante da Grota Funda! Pusemos-nos na estradinha da Bela Vista e logo, caímos na sinuosa trilhinha, de cerca de 1km, que nos presentearia com uma vislumbrante panorâmica do vale do Rio Mogi e das pontes sobre a Grota Funda! Seguimos em frente, até que, as 18h, atingimos o mirante, onde, para nossa surpresa, encontramos um grupo que estava aguardando a até então, tímida. Lua-cheia, que em instantes, viria a iluminar toda aquela paisagem, já abandonada pelo Sol. Após uma breve conversa, resolvemos voltar, pois já havia escurecido e não tínhamos lanternas. O jeito foi utilizarmos nossos celulares para nos mostrar o caminho de volta - o que não impediu que eu levasse pelo menos dois belos escorregões nas pedras do caminho - , até atingirmos algum ponto mais iluminado. Meu souvenir! Enfim, às 19h, chegamos ao Bar da Zilda, onde paramos para descansar e seguir em direção ao ponto de ônibus para Rio Grande da Serra. > Back Home... ops... Shopping* - pois ainda tínhamos um encontro com um pessoal no Center Norte!
  13. Trip feita nos dias 29 e 30 de Janeiro. Logo quando conheci o mochileiros.com, li o relato dessa travessia. Vi as fotos e logo coloquei ela como um objetivo pessoal. Mata fechada, pontes perigosas, risco de ser pego pelos seguranças... Hahah Uma trip bem diferente. Demorou cerca de uns 5 meses para eu achar um grupo que fosse em alguma data que encaixasse na minha agenda. Do grupo (que tinha umas 20 pessoas), eu "conhecia" umas 3 de uma festa a fantasia que fui no ano passado. Mais isso não foi problema, galera muito gente boa e acolhedora. Bom, ponto de encontro inicial era na estação da Luz, no ultimo vagão da linha 1 sentido Rio Grande da Serra, Cheguei lá em cima da hora, pois fiquei ensaiando o dia inteiro com a banda e acabei perdendo a hora (Na verdade fomos para o bar e me esqueci da hora hahah). Não fiquei nem 10 minutos quando a galera resolveu partir. Chegamos a Rio Grande da Serra e ficamos em uma padaria esperando um pessoal que ainda estava chegando. De lá pegamos um busão com destino a Paranapiacaba. De Rio Grande ate Paranapiacaba foram uns 15 minutos. Viagem bem tranqüila. Já em Paranapiacaba, encontramos com mais um pessoal (cerca de 10 pessoas) que havia passado à tarde lá visitando os museus da região. Todos prontos, hora de dividir os grupos e começar a caminhada. Enquanto nos separavam, os 2 Funiculeiros(guias) iam dando algumas instruções do tipo; certa hora tinha que apagar as lanternas, se viesse trem teríamos que nos jogar no canteiro para não ser visto pelo maquinista, que podia haver cobras e talz no caminho. Tudo isso nos deixou mais empolgados ainda! Bom, pelo menos eu fiquei. hahaha Grupos separados, bora descer a trilha. Fiquei no segundo grupo e ficamos uns 5 minutos esperando o primeiro grupo descer. O começo foi bem devagar, uma descida bem íngreme com alguns pontos onde você tinha que sentar para poder descer. Alguns escorregões depois e chegamos próximo a linha do trem. Ficamos sentados por uns 5 minutos em uma daquelas escadas que servem pra escoar água dos morros(realmente esqueci o nome desse negocio) esperando o grupo 1 se distanciar mais e também para ver se não passava nenhum trem. Pelo o que os guias falaram, se algum maquinista visse a gente eles passariam um radio para a guarita e ai viriam vários seguranças atrás da gente! [align=center] Primeiro grupo na trilha. Lan tomou um rola na primeira parte. Se machucou toda.[/align] Depois de 5 minutos descemos ate a linha e começamos a caminhar por ela. Era uma descida tranqüila mais num ri timo rápido, pois não queríamos ser pegos. Ai não sei quanto tempo de descida foi, mais depois de uma ponte pegamos uma trilha a direita. Ai veio a pior parte da noite, uma bela de uma subida! haha Tinha hora que parecia STEP.. haha Mais tiramos de letra, pessoal aguentou bem o ri timo. Mais algum tempo de subida e chegamos ao lugar onde iríamos acampar. É um lugar cheio de maquinas, caldeiras e embaixo de uma ponte. Lugar meio sinistro, mais muito legal! [align=center] Caldeira e ao fundo a ponte.[/align] Mal chegamos e a galera já foi se arrumando, arrumando espaço pra barraca e depois começaram os preparativos do churras. Eu realmente duvidei que rolaria um churras lá, mais a galera mandou braza. Churras sensacional, regado a catuaba, vinho e suco. Ahh.. e também era comemoração do Marcelo lá, gente boissima!! Muitas risadas e o cansaço foi aparecendo. Alguns se retiraram cedo e outros (tipo eu) só umas 5 da matina. [align=center] Marcelo, aniversariante e churrasqueiro. As barracas montadas. Thx Lan por me ceder a sua! hahah[/align] Logo de madrugada (eram umas 6hrs) já começou a barulheira para todo mundo acordar e levantar acampamento. Cerca de 8 horas de trilha nos esperavam ainda, porem tinha um detalhe: Choveu de madrugada. Segundo os guias, as pontes estavam em estado precário e pra ajudar elas tinham lodo onde teríamos que passar. Ou seja, ponte podre e escorregadia. Fizemos uma breve reunião para ver continuávamos ou retornávamos. A maioria votou em continuar, porém era muito arriscado, então todos concordaram em voltar e tentar em uma próxima vez. Segurança em primeiro lugar né. Acampamento desmontado, bora camelar de volta a Paranapiacaba. Demos uma pequena volta e chegamos à ponte onde dormimos embaixo. Conforme íamos chegando à ponte fomos vendo o que nos esperava. Uma ponte totalmente podre, caindo aos pedaços, cheio de ferrugem e com as medeiras que dava ate medo de pisar nelas. Bom, nem pensamos e começamos a fazer a travessia. Cada um ia do jeito que achava mais seguro. Alguns sentados, outros ajoelhados, outros com as duas mãos nos trilhos e indo com um pé de cada vez... Alguns com mais dificuldade outros com menos, mais todos muito corajosos. [align=center] O que nos esperava. Não seria facil. Essa tinha 50m de altura.[/align] Passamos pela primeira e ai descobrimos que ainda faltavam mais duas! hahaha E pra ajudar mais ainda, as próximas duas eram piores do que a primeira porem mais curtas. Depois da primeira, andamos uns 10 minutos e já chegamos à segunda. Novamente nem pensamos e já fomos atravessando. O sol já estava de rachar, eu não estava mais suado e sim molhado. A cada olhada para baixo, parecia que tinham jogado um balde em cima de mim de tanto suor que escorria do meu rosto. Passamos a segunda ponte com as mesmas dificuldades da primeira e partimos para a terceira. [align=center] Galera atravessando.[/align] A terceira estava em um estado deplorável. hahah Bem podre mesmo. Enquanto atravessávamos encontramos outro grupo que estava indo para a primeira ponte que passamos para fazer rapel. A ultima ponte, apesar de ser a pior, foi a que vencemos mais rápido. Não sei ser era a vontade de tomar uma cerveja que nos dava coragem! hahaha [align=center] Eu e Lan se prepadando pra encarar a ponte.[/align] Apos vencermos a ultima ponte seguimos para Paranapiacaba. Acredito que tenha sido uns 30/40 minutos de caminhada seguindo a linha do trem. No final da trilha ainda tivemos que pegar uma subidinha com uma mata muito fechada. Nessa hora já devia ser próximo ao meio dia. O sol tava queimando demais. [align=center] Speto, Lan e Elvis comemorando o final das pontes.[/align] Ao lado do final da trilha havia uma cachoeira e ai o grupo se dividiu novamente. Alguns queriam ir para lá e outros ir pro bar (adivinha pra onde eu fui? hahah).Chegando ao bar, eu todo suado, fedido e cansado não quis nem saber e logo fui pedindo uma gelada. E foi assim que terminou essa trip. Varias garrafas depois fomos embora para pegar o busão para voltar a Rio Grande da Serra e pegar o trem para Sampa. [align=center] No buteco comemorando. Dominamos o lugar! Esperando o trenzão para voltar para casa.[/align] Resumo da viagem: Muita adrenalina na hora de ir, churras da hora durante e muita coragem e superação na volta. Essa trilha misturou vários tipos de emoção em apenas 1 dia e meio. Sensacional. A galera também, nem se fala. Espírito de mochileiro, amizade, companheirismo e comprometimento em preservar a mata.
  14. Oi, pessoal Ontem fui para Paranapiacaba. Como fui fazer trilha, não levei minha máquina fotográfica (mais peso na mochila é o que eu menos precisava), mas a equipe tinha uma point-and-shoot disponível. As fotos eu fico devendo (e todo mundo sabe que eu sempre acabo colocando as fotos online...), mas a narração do passeio vai seguir. As informações relevantes estão no meio da história. Postei esse mesmo texto no meu blog (o endereço está na minha assinatura), mas achei que fosse interessar pro pessoal do fórum. Cap. 1 - Introdução: como chegar em Paranapiacaba A história desse passeio começou no sábado, quando meu amigo Smurf me ligou e perguntou: "ei, vamos para Paranapiacaba fazer trilha?". Claro que eu respondi: "achei legal, mas quanto isso vai custar?". O Smurf me respondeu na hora: "não sei. A gente chega lá e vê". "Então eu estou dentro!". Resultado: ontem às quatro da manhã levantei e comecei uma mega-romaria até Paranapiacaba. Peguei um ônibus daqui de Campinas até o terminal Tietê, em São Paulo. De lá, um bilhete de metrô me levou até a Estação Luz (na linha azul mesmo...), onde eu fiz gratuitamente a transferência para a CPTM, tomando a linha 10 com destino a Rio Grande da Serra. A linha 10 parece ser um nome novo, porque em alguns lugares ainda está indicada como linha D - o que vale mesmo é que você tem que pegar o trem na Luz até Rio Grande da Serra. Chegando lá, esperei o resto da equipe (que saiu de Santo André e chegou no trem seguinte. Ao todo éramos eu, Smurf, Sabrina e Lucas) e comi uma coxinha numa lanchonete qualquer. Aproveitei para perguntar onde se tomava o ônibus para Paranapiacaba, afinal, se quem tem boca vai a Roma, que dirá de Paranapiacaba... O ônibus deixou a gente ao lado do cemitério de Paranapiacaba, na parte alta da vila, em frente a um mapa que não teve a dignidade de incluir uma indicação do tipo "você está aqui". Um cara, até então desconhecido, nos abordou. Disse que se chamava Ulisses, e que, nas segundas-feiras, estava tudo fechado na cidade, mas que ele podia nos levar até o Poço Formoso, uma caminhada de mais ou menos uma hora que chegava num poço com uma cachoeira. Disse que seu preço era de 10 reais por pessoa. Após uma breve reunião de grupo, decidimos aceitar a proposta do Ulisses e descer até o poço. Cap. 2 - A Liga Universal dos Santos em Ajuda aos que Caminham Morro Abaixo A trilha para o Poço Formoso começa na entrada da cidade anterior ao cemitério. Fui conversando com o Ulisses, que acabou contando um monte de coisas interessantes sobre Paranapiacaba. A primeira coisa é que a floresta que a gente estava, pelo menos naquela região, é mata secundária: tudo já tinha sido devastado durante a construção da ferrovia e das linhas de eletricidade. E também falou sobre os guias da cidade. Guias em Paranapiacaba Em Paranapiacaba existem guias locais e monitores ambientais (e eu dou um doce pra quem adivinhar qual desses grupos é ligado à prefeitura!). Na verdade, ele mesmo estava tentando fazer o curso pra virar monitos ambiental, que é mais tranquilo para trabalhar, mas enquanto não conseguia, guiava as pessoas assim mesmo, embora tivesse algumas restrições - por exemplo, aos fins de semana, a preferência é sempre dos monitores ambientais frente aos guias locais. Acontece que a prefeitura também colocou uma placa avisando pra ninguém confiar em guias não-credenciados (ou seja, os guias locais), e o Ulisses fez uma observação interessante: o pessoal da prefeitura tende a acelerar os passeios, para tentar levar mais grupos no mesmo dia, enquanto ele estava lá para passar o dia fora guiando a gente (ou seja, a gente é que tava mandando no tempo). No meio dessa briga de quem está certo ou não, quem sai perdendo é o turista. Assaltos nas trilhas No meio da conversa, eu perguntei sobre os assaltos que teriam acontecido em trilhas. O Ulisses explicou que tem algumas trilhas que ficam próximos à Anchieta/Imigrantes, e, bem, quem faz trilha sempre leva máquina fotográfica, dinheiro, tênis, etc., e esse tipo de coisa é visada. O número de assaltos diminuiu bastante nos últimos tempos, porque a prefeitura não deu condições para a subsistência de quem não queria trabalhar, então de uns tempos pra cá a situação melhorou bastante. Mesmo assim, há um vilarejo nas proximidades que acabou sendo ocupado por pessoas de má índole: os assaltos que a gente ouviu falar foram feitos por pessoas que moram lá. Na época de fim de ano, o Ulisses mesmo não recomendou fazer algumas trilhas, como a da Cachoeira da Fumaça. A trilha do Poço Formoso, em que a gente estava, é bem policiada (para uma trilha!), tem até uma casinha de guarda florestal no começo (não dá pra ver a casa da trilha, mas ela está lá). Cuide bem da natureza! Enquanto a gente caminhava, o Ulisses parou algumas vezes pra pegar lixo que alguns visitantes sem noção tinham deixado, inclusive cacos de vidro. Pessoal, tragam de volta o lixo que vocês produzirem! Não custa nada e ainda deixa o ambiente limpo. Outra coisa que ele comentou foi que tem uns caras meio sem noção que descem na cachoeira para encher a cara, fazer barulho, etc. Na natureza, você é um visitante: não falte com respeito às plantas e animais. Não saia da cidade grande para se enfiar no meio do mato para encher o saco! Cap. 3 - O Poço Formoso e os incríveis poderes de secagem rápida do tac-tel Depois de muita caminhada, chegamos. O poço era realmente muito bonito. Uma pequena cachoeira forma a piscina natural. A água, como era de se esperar, é gelada, mas nada como um banho de água fria depois de uma caminhada!!! E lá fui eu. Na água, tinham uns girinos gigantes: girinos de sapo cururu. Fazia sentido, afinal estávamos em um rio e a água estava super fria. Na beira do rio, vários sapos ferreiros (aquele cujo canto parece um martelo batendo numa bigorna), que não deixam a gente chegar perto de jeito nenhum. Pulei na água com minha calça de tac-tel. Quando saí, levou quase 5min até que eu estivesse completamente seco. Nada mal, não é? Cap. 4 - A vila de Paranapiacaba? Perguntei pro Ulisses se tem banco na vila, e ele disse: "não, só tem Nossa Caixa". Ironias à parte quanto a esse banco que parece brincadeira, saímos para caminhar. Naquele dia, fez uma neblina absurda na vila. É o clima normal de lá. Aliás, a neblina lembrava aqueles jogos de terror tipo Silent Hill. Fomos no cemitério tirar fotos (e eu me senti num clip do Evanescence...), depois caminhamos pela cidade. É uma vila bem bonita, mas às segundas tudo fecha por lá. Algumas pessoas pareciam não gostar da nossa presença... não saquei porque. Fomos atrás do restaurante Castelinho, recomendado pelo Ulisses, mas estava fechado, então fomos ao Bar da Zilda, ao lado da estação. Não recomendo. Aliás, recomendo que você leve seu almoço só para não comer lá. A comida é muito ruim para o preço que eles cobram, além do atendimento ser péssimo. Pedi um x-salada e veio sem alface nem tomate (ou seja, um x-burguer!), e eu ainda tive que discutir um pouco pra que eles cobrassem um x-burguer e não um x-salada. A cerveja era bem cara (4 reais na garrafa de Bohemia!!!), e a batata frita veio tão oleosa que às vezes grudava uma na outra. Apesar disso, eles aceitavam cartão de débito, e isso foi uma coisa muito boa. Cap. 5 - Voltando prá casa Nossa meu... De volta pra casa: ônibus, trem, metrô, ônibus... sorte que eu arrumei uma carona da rodoviária pra casa, senão ia demorar pra sempre! Quando eu voltar, vai ser de carro. E agora já sei o caminho até o Poço Formoso. O passeio valeu. Muito. O que mais valeu foi visitar um lugar que eu não conhecia com o coração aberto, pronto para descobrir o que aconteceria. As fotos não estão comigo... mas assim que as tiver, vou colocar online! Até mais, pessoal! Continuem preservando a natureza! Tiago
  15. Olá mundo! Novamente postando aqui mais um relato não tão recente, pois me cadastrei ha pouco tempo no Mochileiros. Foi minha primeira experiência como trilheiro iniciante - e por isso, rolaram algumas gafes - , em Paranapiacaba, na região da Serra do Mar paulista! ----------------------------------------- http://rotamassa.blogspot.com/2011/06/paranapiacaba.html Trip realizada no dia 22 de Maio de 2011 Mora em Sampa? Está cansado da rotina frenética da city? Não se preocupe, pois não precisa ir tão longe! Paranapiacaba, a cerca de 40km da capital, encrostada no alto da Serra do Mar, é uma pequena vila, datada da segunda metade do séc. XVIII, construida pelos ingleses para abrigar os trabalhadores da antiga e extinta ferrovia São Paulo Railway, principal meio de ligação entre o litoral e o planalto paulista. A forte influência inglesa na vila pode ser vista em suas construções, que vão desde a estação ferroviária de Paranapiacaba e sua "Torre do Relógio"(uma réplica em menor escala da Big Ben, de Londres) até as moradias locais. Apesar de pacata, a vila é de fácil acesso, podendo-se chegar de carro, ônibus e até mesmo, trem metropolitano! A trip da vez foi marcada bem cedo, pois como não conheciamos o lugar, corriamos o risco de perder muito tempo(e sim, perdemos ) para achar as atrações locais. Para se chegar a Paranapiacaba, precisávamos pegar um trem com destino a Rio Grande da Serra e de lá, um ônibus que nos levaria, enfim, até a vila. O trem costuma sair da Estação da Luz, mas excepcionalmente nesse fim de semana, devido a obras de manutenção da via, tivemos que pegá-lo na Estação Brás. Após cerca de 1h, já estávamos no ponto, à espera do ônibus que nos levaria à Paranapiacaba! Conforme planejado, chegamos por volta das 10h30 e, como eramos novatos por alí, resolvemos primeiro ir ao centro da vila para conhecê-la e nos informar - com direito a uma invasão frustrada à estação, propriedade da MRS (empresa concessionária da ferrovia, atualmente)! uawwhauwh . O lugar é realmente cinematográfico, com suas construções tipicamente inglesas e uma bela(porém, abandonada -.-) estação ferroviária que divide vila em "parte alta" e "parte baixa", as quais são conectadas por uma passarela. Ladeira de acesso à parte baixa da vila Estação ferroviária de Paranapiacaba e sua "Torre do Relógio" Passarela de ligação entre a parte alta e a parte baixa Um retrato do descaso e abandono de nossas ferrovias Pátio ferroviário, propriedade da MRS Logística Momento para fotos Quanto a obter informações... furada...fomos informados de que TODAS as trilhas por alí eram restritas a grupos com guias, e estes, são para quem tem grana (uma guia com quem conversei estava oferecendo uma trilha de apenas 30min de caminhada por R$15 por pessoa!). Frustrados, mas persistentes, começamos a nos embrenhar por entre moradores e possiveis "guias não credenciados", que poderiam nos cobrar um pouco menos, porém, não tivemos sucesso... Questionavamos se deveriamos terminar a trip alí mesmo ou continuar, pois já estava ficando um pouco tarde - 11h30. Sem rumo, e sem trilha... T_T Pelo menos encontramos uma manola! Em uma última tentativa, decidimos ir ao mirante, de onde sai a principal trilha, a "picada Raiz da Serra", que desce a Serra do Mar e termina em Cubatão, e que, segundo fontes, não era restrita. Tentamos adentar a trilha, porém, logo na entrada, fomos surpreendidos por uma guarita onde haviam dois guardas que alegaram que a trilha em questão estava "fechada para manutenção", devido às chuvas intensas do verão e ao "aumento do número de cobras". Não duvidávamos de mais nada, a trip estava fadada a acabar alí mesmo! Ficamos algum tempo no mirante, antes de vazarmos de volta para a home... Pelo menos o visual era surreal, um presente entanto! Vista a partir do mirante do Vale do Rio Mogi. À esquerda, pode ser observar o sistema Cremalheira e a extinta Funicular. Ao fundo, é possível ver a cidade de Cubatão. Na primeira foto, Gabriel, Ariel e Felipe(Finazzi). Na segunda foto, Ariel, eu e Felipe(Finazzi) Fizemos tanta hora alí, que mal demos conta de quanto tempo tinha passado! De repente, vimos os seguranças INDO EMBORA!!! Ficamos meio receosos, mas logo em seguida, um grupo numeroso penetrou mata adentro. Não pensamos duas vezes e fomos logo em seguida - até nos enturmamos a eles! o/. Entramos na trilha por volta das 13h30 e, ao contrário do que diziam os guardas, a trilha estava em bom estado, com apenas alguns deslizamentos que poderiam ser facilmente contornados. Também não havia nenhum animal estranho ou perigoso, apenas borrachudos que fizeram a festa durante toda a trilha - no Parque Estadual da Cantareira sim há cobras hawuawhuuawhuw! Essa trilha nos dava duas possibilidades, podendo se extender até Cubatão - 5h de caminhada - ou nos levar até o Poço Formoso, podendo este último ser percorrido em 1h20 de caminhada intensa, passando pelas três primeiras torres de alta tensão às quais a trilha percorre paralelamente. Como não tinhamos muito tempo e não estavamos preparados para ir tão longe, decidimos ir apenas até o Poço Formoso. Trecho até a 1ª torre Trecho de trilha até a 3ª torre O lugar, sem dúvidas, é fenomenal, com vários poções de água esverdeada e cristalina, com várias profundidades - em alguns lugares, era possível mergulhar (ou se afogar ), noutros, sentar e relaxar! Não ficamos mais que 1h lá, pois já começava a escurecer e a esfriar - sim, a água também estava gelada! Poço Formoso, com suas piscinas naturais! Rumamos em direção à vila, a passos largos e apressados, pois além de tudo, a névoa começou a tomar conta da paisagem, o que poderia tornar - sem exageros - impossível o nosso retorno naquele dia! Ainda conseguimos puxar uma nova companheira de trilha! Por fim, conseguimos retornar à vila e - depois de esperar 2 ônibus passarem, pois a fila de turistas estava enorme - pegamos o ônibus com destino a R. G. da Serra, onde pegariamos o trem com destino ao Brás > Home! De volta à vila de Paranapiacaba, a neblina já estava intensa Nós em Rio Grande da Serra, indo para a estação da CPTM Paranapiacaba realmente encanta por sua beleza arquitetônica e pela magestosa Serra do Mar, onde ela se encontra. Porém, meu apelo vai para a administração e política do Parque Estadual da Serra do Mar, que praticamente fechou o lugar para visitação, exigindo o acompanhamento de guias metedores de faca em suas trilhas - muitas delas com menos de 1km de extensão e que podem ser percorridas até mesmo por crianças ou por idosos - ao invés de permitir o acesso livre dos visitantes, investindo em programas de conscientização e em fiscalização interna no parque, a exemplo dos parques estaduais da Cantareira e do Jaraguá. O turismo da região tem potencial, porém, não se investe em tal como deveria. Quem vai e quer ter o mínimo de liberdade nas trilhas - com visão de preservação, é claro -, acaba tendo que apelar para as gambiarras e pela "clandestinidade". -.- Detalhes da trip Como chegar: na Estação da Luz, embarque no trem com destino a Rio Grande da Serra (Linha 10 - Turquesa, da CPTM). Desça em Rio Grande da Serra, vá até o ponto de ônibus da EMTU, ao lado da estação e pegue o ônibus com destino a Paranapiacaba (este ônibus tem seu ponto final em frente ao estacionamento, na entrada da vila). Preço: CPTM(Luz/Brás - R. G. da Serra) - R$2,90; EMTU(R. G. da Serra - Paranapiacaba) - R$2,80
  16. BATE-VOLTA NO VALE DO QUILOMBO Não deu nem 2 semanas de ausência de Paranapiacaba q não resistimos à tentação de lá retornar p/ perscrutar outros rincões perdidos na mata q haviam deixado vastas possibilidades de nossa incursão anterior. Se naquela oportunidade havíamos apenas arranhado superficialmente as encostas verdejantes da Serra do Quilombo, desta vez a intenção seria descer de fato às corredeiras e poços do rio q lhe emprestam o nome. Isso resultou num árduo bate-volta, porém adrenado e bem gratificante. Afinal, não é qq um q tem joelho p/ descer (e subir, posteriormente) os quase 800m de desnível q separam o planalto da famosa vila inglesa e o sertão verde q abraça as margens do fantástico Rio Quilombo. A previsão meteorológica se mostrara incerta durante a semana, razão pela qual não houve interesse geral nesse bate-volta planejado de última hora. Além disso, a festança promovida à noite anterior apenas cunhava de razão quem ainda matutava o convite. Entretanto, c/ tds esses "poréns" (inclusive uma ressaca brava!) estava resoluto a voltar p/ serras de Paranapiacaba, ainda + contagiado pelo enorme interesse da Báh (apelido carinhoso da Bárbara) em me acompanhar pois nunca tinha pisado na ilustre vila inglesa, q por sua vez dista apenas 40km de Sampa. Assim, saltamos as 8hrs numa RG da Serra envolta em brumas após cochilar boa parte do trajeto no trem. Os 20min de espera do busão passaram rapidamente e foram preenchidos beliscando guloseimas, brincando c/ trocentos vira-latas ou apenas ouvindo um bebum chato q encarnou na gente. O dia de fato não estava nada animador; nublado e c/ espesso nevoeiro, desestimulava qq passeio à região, e isso era visível, pois em Paranapiacaba não desembarcara nem meia dúzia de pessoas. Atravessamos a passarela metálica observados por um "Big Ben" bocejando em meio ao "fog londrino", típico daqui, ate ganharmos as ruas q logo nos conduzem à bucólica "Estrada do Taquaruçu". Após o portal e a cancela do Parque Nat. Nasc. de Paramapiacaba, andando tranqüilamente por um caminho cascalhado decorado de lírios-do-brejo e maria-s/-vergonhas, os primeiros raios do sol despontavam espiando-nos através de fragmentos de céu azul! A iluminação matinal conferia um "quê" de onírico àquela simplória estrada, sensação aumentada c/ a "chuva" de pétalas dos ipês-amarelos esvoaçando à menor brisa em meio à revoadas de vistosas borboletas. A Báh se encantava c/ os efeitos da iluminação nas inúmeras teias-de-aranha do percurso e merecedoras de mtos cliques de seu celular. Por sorte, a pernada oxigenara meus pulmões e a leve dor-de-cabeça da ressaca da noite anterior foi se diluindo conforme os passos eram dados. Uffaaa, menos mal! Não tardou p/ deixarmos à estrada e, após a entrada da "Trilha da Água Fria", mergulhamos na mata fechada pela "Trilha da Comunidade". As chuvas dos últimos dias haviam deixado a picada bastante úmida e escorregadia, mas o frescor da mata foi + q bem-vindo qdo começamos o trecho árduo de subida, em ziguezagues, q esquentou o corpo e encharcou nossos rostos. Dessa forma, após quase 270m de desnível, as 10hrs alcançamos a vasta clareira q marca o topo do morro, onde descansamos ao lado das ruínas da "Comunidade", beliscamos alguma coisa e a Báh terminava de me contar suas peripécias no P. da Neblina. Contudo, as brumas haviam retornado c/ força total, dando ao local um aspecto de "Machu Pichu tupiniquim", já q ali tb - no alto da Serra do Mar - tb nalguma ocasião (não) mto remota habitara uma antiga comunidade. Mais cliques, lógico! A pernada prosseguiu através de uma picada à esquerda das ruínas, q mergulhou novamente na mata e desceu por um bom tempo em suave declive, s/ problemas. O único inconveniente foram as trocentas (e enormes) teias-de-aranha q insistiam em beijar nosso rosto, indicando o pouco uso da picada. As 10:30 caímos na famosa bifurcação em "T" e, não repetindo o erro da ocasião anterior, tomamos s/ pestanejar a ramificação da esquerda q por sua vez não tardou a nos deixar na picada oficial da "Volta da Serra", vinda da estrada. Daqui bastou apenas acompanhar a picada - obvia e s/ mta declividade, porem perdendo altitude imperceptivelmente - sempre bordejando a encosta esquerda da verdejante Serra do Quilombo. No caminho desta antiga vereda, os atrativos são as velhas fornalhas cavadas na encosta, macucos indignados diante de nossa presença e um belo riacho descendo a serra q molha nossa goela. Sem falar na exuberante vegetação da Mata Atlântica, q em suas raras frestas nos permite vislumbrar o majestoso e imponente Vale do Quilombo, c/ suas verdejantes escarpas debruçando-se q quase verticalmente sentido litoral, à sudoeste. As 11:30 e após cair numa picada maior, damos finalmente na "bifurcação das bananeiras", de certa relevância. Pois bem, até então havíamos feito um repeteco do roteiro da ocasião anterior, c/ a diferença q desta vez não tomaríamos o ramo da direita, q daria a volta pelas encostas de serra ate a vila. Sendo assim, nos lançamos pela trilha da esquerda q nos levaria ao fundo do vale propriamente dito. O inicio deste trecho estava repleto de brejo e charco, e não nos restou opção senão descer champinhando ate cair numa clareira c/ restos de acampamento. Atravessamos um pequeno riachinho ate q a trilha volta novamente a subir, costeando agora um ombro de serra pela direita. Desembocamos então numa picada + larga, visivelmente no q fora outrora uma antiga estrada porem tomada em parte pelo mato, principalmente por belos exemplares de cedros, orquídeas e bromélias. Surgem pequenas e discretas bifurcações, mas o sentido é (meio) obvio indo sempre na picada + batida. Ainda assim, sempre procuro deixar alguma marcação na trilha ou apenas memorizar corretamente o trajeto p/ não ter surpresas na volta. "Ta td sussi!", a Báh responde ao lhe indagar se tava cansada. Ótimo, era sinal q poderíamos continuar no ritmo forte q havíamos imposto à pernada até ali. No alto do morro andamos um pouco ao largo de sua estreita crista ate desembocar numa bifurcação maior, cujas duas ramificações estavam bem batidas. E agora? Bem, escolhi a picada da direita (q me pareceu ser a "Trilha 240º") apenas por bom senso, mas poderíamos ter tirado no "par ou impar", pois acredito q a outra tb levasse ao rio, porem nas corredeiras bem + acima. Taí + um motivo p/ voltar e explorá-la noutra ocasião. Pois bem, tomando o ramo da direita começamos bordejando uma encosta bastante íngreme, p/ depois descê-la em curtos ziguezagues. Logo caímos num ombro (ou crista) de serra q bastou descê-lo quase q reto e forte, piramba abaixo, c/ mato caindo por ambos os lados e q demandou tb q nos firmássemos no arvoredo ao redor. Perdendo rapidamente altitude, o rugido do rio foi aumentando cada vez + de intensidade, sinal da proximidade do fundo do vale. Pequenas bifurcações surgem (e + marcações vou deixando), e após um ultimo trecho de ziguezagues, bordejamos uma ultima encosta ate cair finalmente em meio às primeiras pedras e lajedos às margens do Rio Quilombo, as 12:30! O local é cênico: corredeiras, piscinões e cachus de água cristalina em meio a enormes blocos de pedra esparramados por td a extensão do rio, q por sua vez desce vale abaixo numa espécie de desfiladeiro. Td isso emoldurado e cercado pelas imponentes e verdejantes montanhas da Serra do Mar. Não pensei duas vezes e mergulhei num enorme e convidativo piscinão à minha frente. A Báh, em contrapartida, empenhou-se + em explorações dos arredores e encontrou duas peçonhentas entre as pedras (inclusive uma charmosa jararaca!), o q já a deixou feliz da vida. Aqui as possibilidades de pernadas eram inúmeras: desde descer o rio ate a Piacanguera; subi-lo em direção ao Poço das Moças; ou até mesmo atravessa-lo e ganhar as cachus/corredeiras de outro gde afluente próximo, o Rio Anhangabaú. Porem, como esta era nossa 1º exploração, não estávamos devidamente equipados e nem dispúnhamos tanto tempo assim, nos limitamos apenas à curtir aquele belo e bucólico remanso. Após uma hora exata de descanso e de comer alguma coisa, as 13:30 colocamos pé na trilha p/ retornar pelo mesmo caminho. E teríamos q ser ligeiros, mas não pelo fato da árdua (e looonga!) subida q tínhamos pela frente, mas pelo fato do céu subitamente se cobrir de densas nuvens e um leve chuvisco começava a fustigar nosso rosto. Perguntei p/ Báh se ela tava pronta p/ encarar, e esta respondeu c/ td tranqüilidade do mundo: "Ta td sussi!" E lá fomos nós novamente subindo td o trajeto feito, sempre em "primeirinha", e no final dos primeiros 10min já estávamos bem ensopados de suor. No entanto, isso não reduziu nosso ritmo q manteve-se constante td tempo. As marcações deixadas foram tb fundamentais p/ diluir qq duvida q por ventura surgisse, já q a perspectiva da mata era totalmente diferente no sentido contrario. Quiçá por isso q nosso tempo de subida, por incrível q pareça, foi bem inferior ao da descida (!?) Eis um mistério q nos intrigou. Dessa forma "misteriosa", as 14:30 já estávamos de volta à "bifurcação das bananeiras", onde a partir dali o terreno praticamente nivela e a pernada ganha + agilidade e velocidade, já q a dificuldade de orientação aqui é quase nula. Pra não ter de voltar pela "Trilha da Comunidade" e subir desnecessariamente até as ruínas, ignoramos a picada q desce da esquerda e nos mantemos na principal, sempre descendo suavemente pela encosta direita da serra. De repente emergimos da mata, e a paisagem descortina à nossa direita a vila-presépio do Taquarucu, c/ as cores vivas de sua simpática igrejinha destacando-se em meio ao sertão e das montanhas verdejantes q parecem abraça-la! A ameaça inicial de chuva passara faz tempo e agora um sol brilhava radiante por td a serra. Após um bosque de eucaliptos, caímos finalmente na estrada de terra por volta das 15:40. Como a estrada liga os municípios de Sto André e Mogi das Cruzes, o sentido a tomar daqui era o da esquerda. E tome estrada! Quase 2km após ter começado, passamos por dois cruzeiros na beira da estrada, ate passar pela entrada de acesso das trilhas no inicio do dia. O cansaço acumulado já se fazia sentir, ao menos pra mim, e não via a hora de estacionar num boteco da vila p/ molhar a goela c/ uma breja gelada! A fome, por sua vez, era o q motivava a Báh a continuar, apesar de estar fisicamente bem "sussi", pra variar! Tanto q ela não parava de falar num franguinho de "televisão de cachorro" q havia visto pela manhã. Chegamos no vilarejo finalmente as 16:30, um tempo recorde q ate nos surpreendeu! Independente disso, estacionamos num dos quiosques da vila e mandamos ver td q tínhamos direito. A movimentação tava razoável, c/ td mundo já começando a se mandar qdo as brumas tomaram outra vez conta da vila, e q com ela trouxe tb um leve friozinho. De bucho cheio, tomamos o busão de volta p/ RG da Serra quase 18hrs, já escurecendo, e de lá tomamos o trem p/ Sampa, trajeto este q fizemos amparados nos braços de Morpheus. Dali p/ casa foram dois palitos, claro. E assim foi mais um produtivo domingão enfiados no meio do mato, já c/ breve promessa de retorno diante das tantas possibilidades ainda p/ explorar. Essa, enfim, é a vila de Paranapiacaba, sempre cercada pelas belezas da Mata Atlântica, c/ trilhas e paisagens q nem parecem estar tao próximos da capital. Basta apenas um passeio curto p/ se chegar lá e passar o dia, onde é possível fazer caminhadas diferentes p/ tds gosto e fôlegos, e onde cada investida parece revelar sempre novas opções de pernada. Só repete roteiros quem quer. Portanto, basta aguardar uma brecha oportuna de bom tempo, chamar alguém disposto p/ um bate-volta "natureba-diferenciado", respirar fundo e entrar em contato c/ a natureza exuberante da Serra do Mar. Fotos da bagacinha http://www.altamontanha.com/colunas.asp?NewsID=1281 Jorge Soto http://www.brasilvertical.com.br/antigo/l_trek.html
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