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  1. Deu a louca na gente. Cansados da rotina, eu e a Marlene trocamos nossa casa por um apartamento pequeno, trocamos nosso conversível por um SUV, abandonamos a empresa para os funcionários administrarem e partimos para desbravar o Brasil, rumo a Fortaleza (CE), onde encontraríamos com nossos filhos e noras, que iriam de avião passear, quarenta dias após nossa partida. Sessenta e quatro dias de viagem de carro, mais de treze mil quilômetros percorridos e 205 horas dirigindo (quase nove dias no total), passando por nove estados e 85 lugares visitados, partindo de Chapecó (SC) e culminando em Jericoacoara (CE). Abaixo fotos de alguns dos melhores lugares que visitamos, alguns deles desconhecidos pela maioria. Morro do Campestre em Urubici, com esta interessante formação rochosa. Morro Santo Antonio, em Caraguatatuba, tem esta linda vista, do alto da rampa para saltos de asa delta. Paraty é muito linda, com seu casario histórico. Praia do Caixa d'aço em Trindade, próximo a Paraty, uma piscina natural acessada por uma trilha ou de barco, muito legal. Praia do Forno, em Arraial do Cabo, tem uma das mais belas vistas do país. Alto do Pico da Bandeira, em Pedra Menina (MG). Em Ilhéus ficamos em uma Pousada na beira da Praia dos Milionários, muito legal! Cachoeira da Fumaça, na Chapada Diamantina. Tirei esta foto enigmática na beira de uma pedra, sem proteção alguma, com 400 metros de queda livre até o chão. De tirar o folego! Cachoeira do Buracão, na Chapada Diamantina, o melhor dia da viagem, vale a pena! Visitamos a Cachoeira do Buracão por baixo e por cima. Lençóis, na Chapada Diamantina, tem muito charme à noite. Vista do alto do Morro do Pai Inácio, na Chapada Diamantina. Poço Azul, na Chapada Diamantina. Poço Encantado, na Chapada Diamantina. Em Fortaleza encontramos com nossos filhos e noras, que foram para lá de avião, e com nosso compadre que mora lá. Daí fizemos alguns passeios nas praias, como Canoa Quebrada, na foto. Pedra Furada, em Jericoacoara. A noite em Jeri é muito legal, gostamos muito da balada ao por do sol no Café Jeri. Falésias em Morro Branco (CE). Já na viagem de volta, passamos por João Pessoa, onde fizemos o passeio de barco até o Picãozinho. Em Maceió ficamos só descansando e procurando apartamento, pois pretendemos morar lá. Em Guarapari fizemos a trilha do Morro do Pescador, para a Praia do Ermitão, muito legal. Em Búzios fizemos um passeio de barco muito legal. Praia da Ferradurinha, em Búzios, uma das mais belas do Brasil. Virou o hodômetro do computador de bordo... 13.043,5 km percorridos... Quem quiser uma visão mais detalhada da viagem pode acessar o álbum que criei no Facebook, com fotos de todos os lugares visitados, com descrição em cada uma, no link a seguir. facebook.com/luciordbandeira/media_set?set=a.1298889086919382&type=3
  2. Travessia Extreme Parque Nacional do Caparaó *ES x MG 11,3 Km *MG x ES 11,3 Km *VALE ENCANTADO 2 Km Total de 26 km 3 dias efetivos. 20 a 24 Agosto de 2018 1º Dia-20 Agosto Saída de Vitória as 07:00 hs, chegando em Pedra Menina as 12:00 hs. Existem 2 maneiras de se chegar no Parque Saindo de Vitória. Pela BR -262, Iúna, Ibitirama, Santa Martha, Patrimônio da Penha, Pedra Menina. E Por Cachoeiro do Itapemirim, Alegre, Guaçuí, Dores do Rio Preto e Pedra Menina, neste caso fui Pelo Lado do ES. As 13:00 hs chegada ao Parque Nacional do Caparaó. Fiz o Chek-in na portaria e logo decidi subir para Casa Queimada, Local onde ia acampar a Primeira Noite, já que no outro dia iria iniciar efetivamente a Travessia. Da portaria até a Casa Queimada são 9,5 Km de estrada boa e íngreme. Existem 2 Campings pelo Lado do ES, *Macieira 4,5 km da Portaria *Casa Queimada 9,0 km da Portaria. Me instalei e armei barraca, pois o tempo além de estar bom, logo começa o frio da noite. 2º Dia-21 Agosto Neste dia acordei cedo e logo me preparei para o Inicio da travessia. Sai as 09:00 hs, passando pelas Duas Irmãs, ponto de água, Pico do calçado, avistando o Pico do Cristal e logo acima atingindo o Pico da Bandeira, são 4,5 Km até o topo pelo lado do ES. Como o tempo estava meio ruim, fechando e abrindo não subi o topo e decidi ir logo para o meu Camping, neste caso o Terreirão, que fica 3,5 km descendo pelo lado de MG. Cheguei as 16:00 hs e logo montei a Barraca, pois quando cai a noite esfria muito. Cuidado ao acampar no terreirão, pois os quatis entram nas barracas e também sobem em mesas atrás de comidas, kkkkk. Logo caiu a noite e com ela o frio chegou. A noite a lua Estava Linda. 3º Dia-22 Agosto Acordei e logo tratei de tomar um bom café, pois o dia seria hard. Iniciei a descida até a Tronqueira, loca onde se chega de carro pelo Lado de MG. Desci até o Rancho dos Cabritos, passando pela entrada do Vale Encantado, local onde na volta iria conhecer. Logo abaixo está a Tronqueira, Local de Camping, com estrutura de banheiro, casa dos guarda parques etc. Após um almoço iniciei a Subida, pois o tempo estava fechado. Atingi o Vale Encantado, local de beleza ímpar, pois tem uns poços com água clara e de beleza exuberante, vale a pena conhecer. Voltei para trila Principal e de novo Rancho dos Cabritos e Terreirão. Jantei e dormi. 4º Dia-23 Agosto Ao acordar tive um Surpresa, tinha geado durante a madrugada e a barraca estava com uma camada de Gelo. Impressionante. Tomei café e iniciei a subida as 09:00 hs, atingindo o Mirante da Trilha de MG, e logo acima parei para lanchar algo. Em seguida atingi o Topo, agora sim fui e me deslumbrei de toda a Beleza que é o Pico da bandeira na sua plenitude. Lugar impar e está entre os 10 Picos mais altos do Brasil. Desci e atingi a Casa Queimada as 15:30 hs. Tomei banho e aguardei a noite chegar. 5º Dia-24 Agosto Acordei as 05:40 hs e logo tratei de tomar aquele café para aquecer, pois estava muito frio. Arrumei as coisas e logo tratei de descer até a portaria, pois precisava chegar em Vitória cedo rsrsrsrsr. Desci até a Macieira e logo até a Portaria, fiz o Chek out e parti em direção a casa. Cheguei em Vitória as 13:00 hs, finalizando assim a travessia. Pontos de Interesse: Lado ES: -Pera Menina -Macieira -Casa Queimada -Pedra Duas Irmãs -Pico do Calçado -Pico do Cristal -Pico da Bandeira Lado MG -Terreirão -Vale Encantado -Tronqueira 20180822_130308.mp4
  3. Travessia Pico da Bandeira Trekking ES X MG MG X ES 23 km 2 dias 27/28 Março 2018 1° dia 11.5 km 27/03 Iniciamos na casa queimada as 08:00 hs Subimos até as Duas Irmãs, subida irada. Logo atingimos a trilha que leva ao Pico Do Cristal. Seguimos e atingimos o Pico do Calçado. Logo avistamos o pico da Bandeira ao longe. Chegamos ao cume do Pico da Bandeira as 12 :00 hs. Iniciamos a descida para MG logo em seguida . Descemos até o Terreirão onde esta proibido o camping devido problemas no tratamento de esgoto. Continuamos descendo e passamos pelo Rancho dos Cabritos , vale encantado e logo atingimos a Tronqueira. Lugar irado onde pernoitamos. 2°dia 11.5 km 28/03 Saímos da Tronqueira as 09:30 h. Meio cansado devido ao dia anterior seguimos em direção ao Terreirão. Passamos pelo vale encantado, Rancho dos Cabritos onde tem uma Araucária que é símbolo desta trilha. Atingimos o terreirão as 11:20 hs. Almoçamos e seguimos em direção ao topo, onde chegamos as 14:00 hs. Iniciamos a descida para Casa queimada as 14:30 hs. Passamos pelo Pico do Calçado e logo a frente fomos surpreendidos por uma chuva de GRANIZO. Optamos por seguir em frente para chegar com luz do dia. Passamos pelo mirante das duas irmãs e a chuva não dava trégua. Chegamos na casa queimada as 17:30 h. E assim finalizou mais uma travessia. 20180328_110117.mp4
  4. Nunca tinha ouvido falar de Pancas, a primeira vez que fiquei sabendo da existência dessa pequena e pacata cidade, que fica encravada no meio do Pontões Capixabas, foi num artigo que listava os melhores lugares para acampar no Brasil. A minha primeira reação foi duvidar daquela imagem, afinal, aquilo de nada parecia as terras tupiniquins que eu tanto conhecia. Depois da dúvida veio um misto de desapontamento e ignorância, pois já havia margeado aquela região por algumas vezes e nada sabia sobre ela. De onde nasce o desejo? No caso de Pancas, foi amor à primeira vista. Foi amor assim que meus olhos pousaram na imagem de uma corcova do camelo de pedra vista do sítio Cantinho do Céu. O céu estava azul. Azul que somente era cortado por pequenos pedacinhos de nuvens, mas a beleza do céu era ofuscada por aquela pedra de forma peculiar. Era uma maravilha. Aquela fotografia aglutinou na minha retina e se fixou em meus pensamentos. Por fim, o desejo havia sido criado dentro de mim. Agora era questão de necessidade estar naquela diferente cidade chamada Pancas. Era uma quarta-feira de setembro, dia da minha qualificação do mestrado. Os sentimentos se misturavam. O medo da apresentação mesclava-se com a ansiedade de liberdade que teria nos próximos dias. A intermitência entre medo e felicidade me dominava. Os ponteiros iam passeando pelo relógio levando convosco o medo até ficar apenas a ansiedade. Agora estava eu de frente com minha companheira de tantas viagens e depois de um longo hiato de quase uma ano, estava com minha mochila e juntos estávamos prontos para conhecer novos lugares e novas pessoas. Sentei na poltrona do ônibus e a ansiedade esvaziou-se por completo. Enfim, na estrada novamente, que saudades! No escuro do ônibus em direção a Vitória eu repassava os planos da viagem. As ambições de roteiro era Pancas, subir o Pico da Bandeira e tomar um banho de mar. Nada muito ambicioso, mentalmente eu separei uma porção de dias para cada lugar dos meus 11 dias de liberdade. Essa divisão de dias e um contato rápido com o sítio Cantinho do Céu foram o máximo de planejamento que tive. Há algum tempo tinha migrado de viagens meticulosamente planejadas para apenas ir e acreditar que as coisas aconteceriam naturalmente. Ainda no ônibus conheci um aspirante a jogador de futebol. De início calado com o tempo foi se mostrando uma boa companhia de estrada. O centro de todas as conversas era o futebol. Ele é volante da base do São Bento, natural de Baixo Guandu (cidade vizinha de Pancas), e por suas palavras parecia ter um futuro promissor no mundo da bola. Mundo que eu tanto quis e que hoje me causa um pouco de repulsa, apesar de gostar demais de jogar e assistir os jogos do tricolor. Assim que o ônibus estacionou em Vitória corri pela rodoviária ao encontro de alguma viação que rumasse para Pancas. Era 07h00 e às 07h15 subo no ônibus da viação Pretti com destino Pancas. Era a minha primeira vez no estado do Espírito Santo. Da janela do buzão eu ia conhecendo o entorno que se anunciava das sinuosas pistas do caminho. Muito verde e diversas colinas, morros, montes, pedras e montanhas cruzavam em minha direção e, pela mesma janela, desapareciam rapidamente dando lugar a novos verdes, colinas, montes, morros e montanhas. Tudo era novo pra mim. A novidade não deixava os meus olhos dispersarem do trajeto. Quase no fim, cruzando Colatina vejo o imponente rio Doce que fora tão judiado nos últimos anos. A irresponsabilidade humana somada a falta de chuva na região fez eu presenciar um rio Doce seco, com uma coloração estranha e cheio de ilhotas de areia por todo seu curso. De imponente parecia impotente. A viagem prosseguia e depois de mais algumas dezenas de minutos estava eu, finalmente, em Pancas. Peguei um ônibus circular até o distrito de Palmital e caminhei uns vinte minutos até chegar o sítio Cantinho do Céu. Foto 1 - Primeira foto em Pancas Foto 2 - Caminho para o Cantinho do Céu O sítio Cantinho do Céu tem como dono o Fabinho e sua família. O sítio é muito grande e fica na base da pedra do camelo, dentro de um vale lindíssimo. A estrutura do camping é ótima tendo diversos banheiros, área para cozinhar, churrasco, fogueira e uma extensa área de camping. O Fabinho está construindo alguns Chalés para poder acomodar todo o tipo de público, as obras estão em fase inicial. O valor do camping é de trinta reais a diária com direito a café da manhã. No sítio é oferecido almoço e janta no valor de vinte reais por refeição. Todas as refeições são feitas por sua mãe que é uma gentileza de mulher. Caminhei bastante por todo o sítio. Só de se estar no Cantinho do Céu você tem paisagens suficientes para sorrir o tempo todo. Caminhar e se deixar perder pelo vale é ser surpreendido a todo momento, ora por um ângulo novo das gigantescas pedras ora por uma imensidão de flores de todas as cores. Tranquilidade e paz é o que se recebe a cada passo por aquelas terras. Foto 3 - Lar do lar Foto 4 - Redondezas do sítio Cantinho do Céu Foto 5 - Redondezas do sítio Cantinho do Céu Foto 6 - Redondezas do sítio Cantinho do Céu Foto 7 - Redondezas do sítio Cantinho do Céu Foto 8 - Redondezas do sítio Cantinho do Céu Foto 9 - Redondezas do sítio Cantinho do Céu Num dos dias fui fazer a trilha para o topo da pedra do camelo. O Fabinho também é guia, dos bons por sinal. Ele cobra o valor de dez reais por pessoa para um grupo de tamanho, razoavelmente, grande. Nessa trilha tive a companhia da Ju e do Rodrigues, dois cariocas. Na maioria das vezes dispenso guias, mas nesse caso não vale a pena, existem trechos difíceis, que dependendo da habilidade de cada um, é necessário utilizar equipamentos de rapel e escalada Além de ter mais segurança com a presença do Fabinho você será presenteado com sua camaradagem. O início da trilha é bem tranquilo. Caminha-se durante uns 30 minutos diante de uma vegetação agradável.até chegar ao pé da pedra. Já no começo da pedra tem uma parte em que caminha-se com o auxílio de corda, por causa da inclinação lateral. Depois é só subida. Ora com caminhadas com grandes subidas e ora com pequenas escaladas. Assim se vai pelo caminho. Subindo pela pedra do camelo. Primeiro se conquista a primeira corcova, na sequência a segunda corcova e por fim a cabeça daquele camelo gigantesco feito de pedra. Acredito que levamos umas duas horas pra subir. Ao chegar no topo acima do camelo, o esforço é compensado com uma das mais belas que você poderá presenciar nessa vida. Estando lá só resta sentir e agradecer. Ficamos uns quarenta minutos no topo. Depois descemos tranquilamente e no meio da descida ainda adentramos numa espécie de “janela” alojada em uma das corcovas do camelo. Depois seguimos mais lentamente até voltarmos ao sítio Cantinho do Céu, ponto de partida da trilha. Foto 10 - Trilha Pedra do Camelo Foto 11 - Trilha Pedra do Camelo Foto 12 - Trilha Pedra do Camelo Foto 13 - Trilha Pedra do Camelo Foto 14 - Trilha Pedra do Camelo Foto 15 - Trilha Pedra do Camelo Foto 16 - Trilha Pedra do Camelo Foto 17 - Trilha Pedra do Camelo Foto 18 - Trilha Pedra do Camelo Foto 19 - Trilha Pedra do Camelo Foto 20 - Trilha Pedra do Camelo Foto 21 - Trilha Pedra do Camelo Numa tarde, de moto o Fabinho me levou até a pista de voo. A pista fica uns 30 quilômetros longe do sítio, meio que impossibilitando ir caminhando. Ao estar na pista de voo se tem uma visão panorâmica do monumento dos Pontões Capixabas, lindo demais. Minha visão favorita de Pancas é essa. Pena que o dia estava nublado e não tive a melhor cena do lugar, mas nada que me tirasse a excitação de presenciar aquela beleza com meus próprios olhos. Acredito que voar de parapente ali deve ser das melhores experiências, pena que o pessoal não estava por lá nesse dia. Foto 22 - Vista Pista de Voo Foto 23 - Vista Pista de Voo Foto 24 - Vista Pista de Voo No meu penúltimo dia fui até a cidade de Pancas caminhando. A cidade fica uns 10 km do sítio. Todo percurso é belo. Primeiro avista-se a pedra do camelo e fica difícil de acreditar, por aquele ângulo, que dias atrás tinha conquistado o topo. A caminhada é tranquila. E cada novo passo, novos cenários, novas belezas. O ângulo de incidência da luz do sol nas pedras fazem elas mudarem de cor constantemente. Passei o dia caminhando e em tom de despedida olhava tudo atentamente. Naquela noite arrumei minhas coisas e decidi ir para Guarapari no próximo nascer do sol, e tomar o imaginado banho de mar. Foto 25 - Caminho Cantinho do Céu até a cidade de Pancas Foto 26 - Caminho Cantinho do Céu até a cidade de Pancas Foto 27 - Caminho Cantinho do Céu até a cidade de Pancas Foto 28 - Caminho Cantinho do Céu até a cidade de Pancas Foto 29 - Caminho Cantinho do Céu até a cidade de Pancas Foto 30 - Caminho Cantinho do Céu até a cidade de Pancas Foto 31 - Caminho Cantinho do Céu até a cidade de Pancas No dia seguinte, logo cedo, o Fabinho me deu uma carona até a rodoviária e fui embora rumo ao litoral. Meus eternos agradecimentos ao Fabinho e sua mãe pelo acolhimento, companheirismo, simplicidade e por fazer dos meus dias em Pancas os melhores possíveis. Muito Obrigado! Guarapari foi uma passada rápida de dois dias corridos. Fiquei próximo a praia do Morro. Tomei o banho de mar, o tempo não era dos melhores e a água estava gelada, mas nada que me desanimasse de entrar no mar. O que vale comentar desses dias é o Morro da Pescaria, fiz a trilha que leva até a praia do Ermitão e depois voltei margeando as praias da reserva. vale demais a pena aquele lugar. De resto, caminhei pela orla da praia do Morro. Foto 32 - Guarapari Foto 33 - Praia do Ermitão Foto 34 - Praia do Ermitão Foto 35 - Praia do Morro De volta a Vitória, conheci um pouco do centro histórico. Vi a mostra de cinema do Espírito Santo. Posteriormente, segui meu caminho para o Alto do Caparaó. A estrada era companhia novamente. Viajar pelas estradas do ES é garantia de boas paisagens. Entretanto, esta linha de ônibus tem como uma das paradas a cidade de Domingos Martins e dias antes um grupo de dança da cidade havia morrido num acidente rodoviário próximo a Guarapari, enfim, o ônibus estava cheio de parentes das pessoas falecidas nesse desastre. A tristeza pairava naquela viagem. Não consigo expressar em palavras a perplexidade daqueles momentos. Todos vinham conversar comigo achando que eu também havia perdido um ente querido, e assim, ficava sabendo histórias das pessoas que haviam partido, com isso a tristeza aumentava pois cada vez mais me tornava mais íntimo daquelas pessoas que eu não teria mais chance de conhecer. A garganta secava e palavras de conforto não saiam da minha boca. Depois de passar Domingos Martins e sua Pedra Azul o ônibus esvaziou. Dormi um pouco enquanto a placas indicavam a proximidade da fronteira com Minas Gerais. Finalmente, o ônibus estacionou em Manhuaçu e de lá já peguei outro ônibus para Alto do Caparaó. Parece clichê ficar falando das belezas do entorno do caminho, mas é lindo demais aquele pedaço de Minas até chegar, por fim, em Alto do Caparaó. Desci no ponto final do ônibus. Andei poucos metros até a pousada Serra Azul. Conversei com a Lani, gente boa demais, e consegui um quarto, com banheiro e café da manhã por cinquenta reais. Deixei minhas coisas no quarto e fui reconhecer a cidade e obter informações sobre a subida noturna que iria fazer até o Pico da Bandeira. Antes do início do dia já estava na cama pronto para dormir. Foto 36 - Vista de frente a pousada Serra Azul Acordei tarde. Desci para tomar o café da manhã e lá encontro diversos tipos de sucos e o melhor era o suco de couve com limão. O café colhido e moído no próprio cafezal da pousada é bom demais também. A região do Caparaó é famosa pela qualidade de seus cafés, sendo considerado os melhores do Brasil. Depois fui no mercado comprar comida para levar para o acampamento e para a subida. Refiz a mochila e logo depois do meio dia segui para o Parque Nacional do Caparaó. Para quem faz a subida ao Pico da Bandeira por Alto do Caparaó (a outra possibilidade é por Pedra Menina - ES) a trilha (só ida) tem cerca de 7,5 km, saindo do Terreirão. Por esse trajeto encontra-se duas áreas de campings: Terreirão e Tronqueira. Terreirão está no inicio da trilha e há um espaço grande para camping, além de dar acesso a trilha para o Vale Encantado e ficar do lado do mirante. No meio do trajeto encontra-se o camping da Tronqueira, que na atualidade é proibido acampar. Para acampar no parque é necessário entrar em contato e pedir permissão. Cheguei no Terreirão e logo montei a barraca. A ideia era sair umas 11 horas da noite rumo o pico da Bandeira. Aproveitei que era dia e fui conhecer o Vale Encantado e fiquei por lá um bom tempo. Na volta encontro com o Sairo, guia local que estava guiando um casal para o pico, ele já havia me dado todas as dicas possíveis para a subida anteriormente. Sairo é gente boa demais (vício de linguagem, mas não consigo me referir de outra forma). Ele ia fazer a subida noturna também e me disse para subir até a Tronqueira e ficar por lá numa casa de pedra junto com eles e assim, descansar mais durante a noite. Peguei meu saco de dormir coloquei na mochila e deixei minha barraca montada no Terreirão e comecei a caminhada rumo a Tronqueira. A trilha demorou umas duas horas, é relativamente tranquilo a orientação e a dificuldade é moderada. Cheguei na Tronqueira recepcionado por um trio de guaxinins. Vimos o pôr-do-sol do mirante, jantamos e logo nos esticamos no chão da casa de pedra, na tentativa de dormir para a subida que estava tão próxima. Foto 37 - Vale Encantado Foto 38 - Vale Encantado Foto 39 - Vale Encantado Foto 40 - Vale Encantado Foto 41 - Por-do-sol Tronqueira O barulho do roer dos ratos dá lugar ao som grosseiro do despertador. São 3 horas da manhã, embrulhado no chão vou retomando os movimentos do corpo. Sem os limites do saco de dormir retomo a liberdade. O frio aumenta. As luzes das lanternas cortam a escuridão. As mochilas levitam em direção de suas respectivas companhias. Tudo pronto, hora de sair do abrigo. No abrir da porta o vento frio anuncia-se. Cada partícula do corpo se agita em movimentos frenéticos na tentativa frustrada de aquecimento. À volta quase tudo é escuridão, exceto por uma linha de luz que segue na direção do meu nariz. O céu está limpo e infinitas estrelas pintam o céu. O pescoço começa a doer de tanto olhar para cima e a luz da lanterna se perde no brilho daquele céu tão povoado. Inspira. Expira. Nariz para a esquerda. Inspira. Expira. Nariz para a direita. Inspira. Expira. Nariz para a esquerda. Ufa!. O toco de madeira pintado de amarelo é iluminado. Caminho certo. Descanso. Muito frio. Inspira. Expira. Olha pro céu. Toco amarelo. Frio. Inspira. Expira... Enfim, o topo. O relógio marca 04:37. Acima de 2852 metros o frio intenso frustra qualquer sensação de alívio. De volta a proteção do sarcófago de pano. Somente os olhos estão nus e eles miram o céu, logo o sol chega e aquele céu cheio de estrelas se desfaz. São 05:10 e os primeiros raios de sol surgem no horizonte. Num ritmo frenético o sol vai avançando e eliminando a escuridão ao seu redor. O frio diminui. As nuvens vão se acumulando na medida que o sol vai subindo. Não há mais fôlego, mas não por cansaço e sim pela paisagem. Tira o fôlego aquela beleza de lugar. Foto 42 - Nascer-do-Sol no Pico da Bandeira Foto 43 - Nascer-do-Sol no Pico da Bandeira Foto 44 - Nascer-do-Sol no Pico da Bandeira Foto 45 - Nascer-do-Sol no Pico da Bandeira Foto 46 - Nascer-do-Sol no Pico da Bandeira Foto 47 - Nascer-do-Sol no Pico da Bandeira Foto 48 - Nascer-do-Sol no Pico da Bandeira Foto 49 - Nascer-do-Sol no Pico da Bandeira Foto 50 - Nascer-do-Sol no Pico da Bandeira O Pico da Bandeira é o terceiro maior pico do Brasil com seus 2852 metros de altitude, e diz a lenda que tem esse nome pois na época do império brasileiro D. Pedro II mandou colocar uma bandeira em seu topo, pois até então imaginava-se que o Pico da Bandeira era o ponto mais alto do Brasil. O ponto mais alto do Brasil é o pico da Neblina (2995 metros) que localiza-se próximo a fronteira da Venezuela na região amazônica conhecida como cabeça do cachorro (por causa da sua forma no mapa) perto da cidade de São Gabriel da Cachoeira. A fronteira entre Brasil e Venezuela também abriga mais dois dos dez pontos mais altos do Brasil, o Pico 31 de Março (2974 metros) e o Monte Roraima (2739 metros), segundo e sétimo respectivamente. Já o Caparaó abriga também o Pico do Cristal (2769 metros) sexto mais alto do Brasil. Sairo e o casal logo se vão. Em contrapartida uma família que subiu pelo Espírito Santo havia chegado, porém vinte minutos depois vão embora. Estou sozinho no topo. Mentira está eu, o sol, o vento forte e aquele mar de nuvens. E assim ficamos eu, o sol e o mar de nuvens por mais de quatro horas, pois o vento já não tinha mais força. Perto das 09h30 dou inicio a descida. Foto 51 - Descendo Volto lentamente. Aproveito tirar um cochilo na Tronqueira, até ser acordado por um guaxinim querendo roubar minha maçã. Continuo a descida. Sigo bem devagar. Chego no Terreirão e conheço um casal que está de passagem pela cidade e estavam atrás do mirante. Começo a desfazer o acampamento e vejo que existe outra barraca. Os donos eram outro casal, e por coincidência o Rafael é da mesma cidade que eu (Rio Claro-SP), eles iriam subir o pico naquela madrugada. Conversei um pouco com eles e segui rumo a cidade, uns 10 km me separavam de Alto Caparaó. No meio do caminho o primeiro casal estava voltando e me ofereceu carona. Aceitei. Eles tinham boas histórias, afinal eles cuidam de uma pousada de aventura em Socorro. Chegamos em Alto Caparaó. Agradeci a carona e segui para o primeiro bar aberto para tomar a tão desejada cerveja pós subida. Enfim, o troféu. Foto 52 - Mirante No dia da partida, segui para os recantos do café. Acordei bem cedo e fiquei toda a manhã caminhando entre cafezais. Olhava tudo com atenção. Na hora do almoço refiz minha mochila, me despedi da Lani e de um pessoal que havia conhecido na pousada e segui para Manhumirim. Ainda tinha que voltar pra São Paulo e depois para Rio Claro. Foto 53 - Redondezas Alto Caparaó Foto 54 - Redondezas Alto Caparaó Foto 55 - Redondezas Alto Caparaó Foto 56 - Redondezas Alto Caparaó Foto 57 - Redondezas Alto Caparaó Nesses poucos dias de mochilão tive a oportunidade de conhecer dois lugares fantásticos: Pancas e Alto do Caparaó. Lugares esses que já são dos meus favoritos. Recordar esses dias me faz reviver as felicidades daqueles onze dias de longas caminhadas. Vou encerrar esse relato com um trecho de um dos meus livros favoritos que traduz bem melhor o que eu senti nesses dias que relatei. "Assovia o vento dentro de mim. Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara." O livro dos abraços, Eduardo Galeano Nos vemos pela estrada. Beijos na alma. Diego Minatel
  5. Em minha terceira visita à Serra do Caparaó, queria chegar ao cume da Pedra Roxa (13º ponto culminante do Brasil com 2.649 mt segundo o IBGE) e conhecer a trilha ao Pico da Bandeira pelo lado Capixaba. Nas visitas anteriores, entrei pelo lado mineiro e conheci os demais cumes oficiais do parque (Bandeira, Cristal, Morro de Cruz do Negro, Tesouro e Tesourinho). Os locais se referem a um ombro do Bandeira como “pico do calçado”, mas acho que não faz sentido contabilizá-lo como um cume separado. Apesar de ser muito longe de SP, o Caparaó fornece visuais fantásticos e experiências diferentes das serras mais próximas, de modo que vale uma ou mais visitas. Por experiências diferentes me refiro ao tipo de terreno/montanha quanto o tipo de trilha. No terreno, há longos trechos de terrenos rochosos que podem ser percorridos sem trilha específica (e praticamente sem necessidade de escalaminhada) e o formato atípico do Pico do Cristal. Há trilhas muito demarcadas e utilizadas (todos os acessos ao pico da Bandeira), trilhas antigas e pouco usadas (o acesso ao Tesouro) e cumes sem trilha específica (caso da Pedra Roxa). Ida Saí de carro de Sampa na 4ª-feira à noite (24/jun), pernoitei em Volta Redonda e cheguei na entrada capixaba do parque, portaria de Pedra Menina, por volta das 14:00 do dia seguinte. Havia reservado uma vaga no acampamento Casa Queimada, mas fora dos finais de semana e feriados não é necessário. Em todas as vezes que visitei o parque em jun/jul fora do fds, havia no máximo 30 pessoas e dessa vez eu era o único visitante do lado capixaba. Os funcionários do parque passam algumas recomendações e entregam uma folha com regras/dicas. Parece menos restritivo do que o controle do Itatiaia: você assina o registro de entrada e segue em frente, sem ter que declarar explicitamente o destino (embora fique implícito que vc vai visitar apenas as atrações “normais” do parque, sem acessar os picos “esquecidos”). O lado capixaba Uma coisa interessante do lado capixaba é que os dois acampamentos podem ser acessados com carro de passeio. O primeiro acampamento é o Macieira, de onde saem trilhas curtas para duas cachoeiras (Sete Pilões – 200 m e Aurélio – 1km). Cuidado ao estacionar para não quebrar as tocas dos tatus que ficam na entrada do acampamento. Seguindo a estrada, há mais uma cachoeira (200 mt de trilha) um pouco à frente. Avançando, há um mirante um pouco antes do acampamento Casa Queimada. A estrada termina no acampamento Casa Queimada, que dispõe de bom espaço para barracas, banheiros completos e mesas. Há uma casa, mas não sei quais as regras para utilização. Passado o por do sol, li um pouco, jantei e fui dormir, sem mais ninguém no acampamento e MUITO frio . A subida ao Pico da Bandeira Acordei as 3:30 da manhã, disposto a pegar o nascer do sol no Pico do Calçado (já havia visto do Bandeira e queria um ângulo diferente). Com o frio, demorei mais do que o normal para tomar o desjejum e guardar o equipamento. Desta vez, optei por organizar tudo (exceto a barraca) e guardar no carro, o que me tomou tempo. Nas últimas visitas ao parque, deixei a mochila dentro da barraca, mas preferi não arriscar. Deixando a barraca, queria poupar tempo e deixa-la secando com o sol da manhã (ledo engano, como descrito mais pra frente...). Com a mochila de ataque e bem agasalhado, iniciei a subida as 4:25. O caminho pelo lado capixaba é maior do que o pelo Bandeira a partir do Terreirão, O ganho de altitude é 707 m vs 490 m do lado mineiro. Contudo, o visual é melhor. A caminhada é mais aberta, permitindo a observação das cidades na parte baixa e do Pico do Cristal. Um pouco antes do Pico do Calçado, é possível ver o Bandeira de um dos melhores ângulos e o Cristal. Do lado mineiro, vc sobe sem uma visualização clara do Bandeira e com pouca vista de fora da Serra. O tempo aberto deixou o visual fantástico. O céu começou a clarear um pouco antes de eu atingir o ponto em que podia visualizar o Bandeira (+ seus 4 ombros) e o Cristal. O sol nasceu as 6:21, quando eu estava no Calçado (quem quiser chegar ao Bandeira precisa andar rápido ou sair mais cedo do acampamento). A partir dali, a caminha ao cume do Bandeira é tranquila (+ uns 15/20 minutos). Cheguei as 6:47, o céu estava aberto e conheci um pessoal que havia subido durante a noite pelo lado mineiro. Distancia Casa Queimada - Bandeira – (um sentido): h: 4.39 km, a/p: 707m -142m Subindo a Pedra Roxa A Pedra Roxa é um pico que fica “escondido” pelo Bandeira ao longo das trilhas de acesso... podendo ser observado em alguns pontos da trilha pelo lado mineiro. Está a pouco mais de 1 km à Leste do cume, sendo o pico reconhecido pelo IBGE mais próximo do Bandeira. Pelo que entendo, há dois acessos. O mais fácil (acesso principal) é a partir do cume do Bandeira, descendo a crista à leste da Cruz. Outro caminho (alternativo) é circulando o Bandeira pelo norte no acesso mineiro. Dado o grau de declividade que existe entre a trilha capixaba e a Pedra Roxa, não acho que exista uma rota viável pelo outro lado... No ano passado, eu procurei o tal acesso alternativo circulando o Bandeira por cima, saindo do acesso mineiro, e só vi vara-mato... dessa vez queria garantia de sucesso e fui pelo acesso mais simples. Achei várias descrições dessa rota na internet, mas nenhum tracklog. Apesar de não ter trilha demarcada, o acesso principal é simples, sem escalaminhada ou vara-mato pesado. Isto gera uma boa dica de orientação, se a escalaminhada/desescalaminhada está íngreme ou se o vara mato está muito pesado, é hora de reavaliar a rota... Partindo do cume, a descida pela crista leva ao colo entre as montanhas (altitude 2530 mt). A partir dali, basta subir até o cume, preferencialmente circulando no sentido horário. Se subir em linha reta (a partir de um eixo imaginário entre os dois cumes) a subida fica muito inclinada. Saí do cume do Bandeira as 7:05, chegando no colo as 8:30 e no cume as 8:55. Enfim, eu havia conquistado a última das seis montanhas “oficiais” do Caparaó O cume é marcado por um conjunto de pedras e não possui livro de registros (algo comum a todas as montanhas do Caparaó). Eu estava ansioso para visualizar e fotografar o resto da serra a partir da Pedra Roxa, que é “deslocada” à leste de um eixo Norte – Sul que liga as demais montanhas (de cima pra Baixo: Tesouro, Tesourinho, Cruz do Negro, Bandeira e Cristal). Mas a natureza foi caprichosa e trouxe nuvens bem no momento em que eu atingi o cume. Após 30 minutos percebi que o período de céu aberto havia acabado e havia chegado de começar a caminhada de volta pro acampamento... Distancia Bandeira – Pedra Roxa (ida): h: 1.56 km, a/p: +130 -306m A volta Como normalmente ocorre nos trechos sem trilhas, a rota da volta entre a Pedra Roxa e o Bandeira foi bem melhor do que a da ida. Quem quiser o tracklog, pode entrar em contato. Uma coisa legal do colo entre as montanhas é o visual do Bandeira. Acho que é o melhor ângulo para observar a magnitude da 3ª maior montanha do Brasil (a maior 100% em território brasileiro). De resto, voltei pelo mesmo caminho, chegando no acampamento as 13:35. Fui surpreendido por uma forte chuva nos últimos 4 km. A trilha é tranquila e a chuva exige apenas um cuidado extra, sem oferecer dificuldades sérias. Distância percorrida (bate e volta completo): h: 12.24 km a/p: +1339 m -1339 m Em suma, a Serra do Caparaó oferece diversas oportunidades de hiking e trekking para diferentes tipos de preparo físico e experiência. Certamente vale a(s) visita(s).
  6. Pico da Bandeira – De São Paulo ao Topo Com 2.892 metros acima no nível do mar, o Pico da Bandeira, terceiro ponto mais alto do Brasil, foi a escolha dessa viagem. Parti de São Paulo rumo a Juiz de Fora-MG, de ônibus, sai as 21:40 chegada as 6:30, lá encontrei com o restante do grupo na saída da cidade, 5 pessoas no total, e continuamos a viagem de carro. Saímos as 8:30 e fomos pela BR-267, até Leopoldina, onde vira BR116 passando por Muriaé e chegando em Fervedouros, por volta do meio dia paramos para almoçar, comida simples e muito boa. -Pen Drive com músicas já gravadas e divididas por gênero. Aqui mudamos o sentido e pegamos a BR482 sentido Espera Feliz, antes de chegar em Espera Feliz, altura do km20, tem uma saída para Alto Jequitibá/Manhumirim pela MG 111, entramos nela e fomos até a saída para o Alto do Caparaó entre o km73/74, faltando uns 40km para chegar já dava para avistar o pico. As 13:30 finalmente chegamos na cidade aos pés do pico, seguimos as placas até a entrada do parque, sem dificuldades. Chegando na portaria é preciso se identificar, como responsável pela reserva, identificar os carros, e quantas pessoas está em cada carro, recebendo um cartão com esse número. O valor por pessoa é de R$ 12,50 para a entrada mais R$6,00 para cada pernoite, de carro seguimos até a tronqueira, onde pode se deixar o carro, caso esteja chegando de ônibus, no centro da cidade pode se pagar um jipeiro que te leva até a tronqueira, aqui temos banheiro e chuveiro, agua fria, e agua para abastecimento, agora seguimos a pé. -Chegada da Tronqueira -Vista do mirante -Partiu 14:20 nosso destino agora é o terreirão, onde faremos uma parada antes de subir ao topo. A trilha é moderada e identificada, tem uns piquetes ao longo do caminho indicando que está na direção certa, tem placas indicando a distância percorrida. -Deixe seu totem de pedra Um rio de aguas cristalinas vai te acompanhar por uma parte do caminho, aproveite para se refrescar. As 17:10 chegamos ao terreirão, nosso acampamento base. Aqui encontramos tudo vazio, tem banheiros e chuveiro frio também, tem uma casa de pedra dizem que era de moradores locais. Montamos as barracas para poder descansar um pouco, e já fui preparando meu café Viemos por esse vale ai O jantar foi 2 Miojos, deitei para descansar era umas 20hs, concordo que é cedo, porem levantamos a meia noite para continuar até o topo. Por mais que esteja calor a noite pode cair uma serração muito densa e molhar toda a barraca por dentro, falo por experiência própria, mas nada demais. Desmontamos tudo, como não tinha ninguém no acampamento não confiamos em deixar todas nossas coisas lá, ficou somente uma barraca onde deixei meu colchonete, chinelo e panela. Partimos as 01:30, recomendo identificar o começo da trilha logo quando for dia, ela é muito bem sinalizada, os piquetes têm o espaçamento bem mais curto que os do primeiro trecho, com uma lanterna com foco longo, é possível ver a distância os próximos piquetes, alguns tem até fita refletiva, para auxiliar na localização já que boa parte dos aventureiros sobem de madrugada. A trilha tem bifurcações mas todas levam ao mesmo lugar, mesmo assim tenha atenção, achei esse trecho bem mais exaustivo, foi necessário paradas regulares para descansar, classificaria como difícil, tem um trecho onde acredito que a trilha se encontra com a que vem do lado do Espírito Santo, que é preciso um pouco de atenção para não começar a descer, é o único trecho que valia uma placa. A matemática das placas não bate, pela placa que vimos na tronqueira até o topo são 6,9km e até o terreirão 3,7km, e essa indica 2,5km já percorridos e mais 200metros até o topo, enfim, um bom trecho de subida ainda assim. Depois de muita pedra finalmente as 3:40 chegamos ao topo, tirando a mochila das costas parecia que dava para voar devido ao alivio de peso, no ponto mais alto tem uma cruz em concreto, onde apoiamos as mochilas em sua base. O vento é o principal causador de frio, como não estávamos com roupas adequadas capas de chuva ajudaram e muito, fica a dica, como chegamos cedo, decidi deitar sobre a pedra dentro do saco de dormir e ficar olhando o céu, que é a principal atração para esse horário, para quem está acostumado com o céu de cidade ficará maravilhado com a quantidade de estrelas, é possível ver estrelas cadentes com frequência e alguns satélites também (acredite) Por volta das 5:20 o céu já estava assim Foi ficando assim Até finalmente nosso querido sol aparecer no horizonte Por essas imagens foi todo meu esforço para chegar ai -Vista do topo -Estátua do Cristo, um pouco abaixo do topo -Vista ao redor 10:30 começamos a descida, passamos pelo pico do Cristal. -Topo visto do pico do cristal No caminho encontramos um abrigo feito de pedras -Foto tirada pelo Junior A descida foi tranquila, mas cansativa também, chegamos ao terreirão 12:30, descansamos um pouco arrumamos o resto das coisas e saímos rumo a tronqueira as 12:50, 14:10 chegamos a tronqueira daí seguimos viagem rumo a Juiz de Fora, tivemos uns problemas mecânico no caminho mas nada demais. Minha passagem de retorno a São Paulo era domingo de manhã, mas chegando em Juiz de Fora fui direto para a rodoviária e consegui trocar a passagem para aquela noite, chegando em São Paulo domingo as 5:40 da manhã. Considerações. É necessário fazer reserva para pernoitar no parque, leia as regras e recomendações para não ter problemas -Atente-se ao que vai levar, eu mesmo sai daqui com uma mochila pesando 20kg, levei barraca e saco de dormir, comida e roupas, mas muito não foi usado e esse peso poderia ter sido evitado. -Lá é frio principalmente no topo, leve roupa que suporte o vento, caso não tenha capa de chuva vai te ajudar, fora luva touca e outras peças que possam te esquentar. -tem água e banheiro na tronqueira e terreirão, leve o bastante para o topo. -Para ajudar, tem um programa que chama MapIN, de graças para andorid, coloque o mapa da trilha que pode ser baixado na Wickloc, depois em casa visualize a trilha completa em diversas distancias, para o programa salve o mapa para acesso off-line, e lá é ativar o GPS e colocar em modo avião. -Aproveite ao máximo Qualquer dúvida entre em contato, terei o prazer em ajudar.
  7. Olá pessoal, Em junho deste ano fim uma viagem de final de semana com um grupo de amigos até o Pico da Bandeira, na divisa do estado de Minas Gerais com o Espírito Santo. O pico que é o 3º maior do Brasil com 2.892 metros de altitude, está localizado no Parque Nacional do Caparaó. A melhor época para visitar o Parque é no inverno, onde as chances de pegar chuva são menores. Para mais informações visite o site do ICMBio. Segue o relato. Primeiro dia: 13/06/14 Saímos de Juiz de Fora pela manhã em direção a Alto Caparaó, cidade base para quem vai fazer a trilha até o pico. Chegando lá fomos procurar um lugar para almoçar, mas achar um restaurante bom na cidade foi uma tarefa difícil. Acabamos comendo um misto quente na padaria mesmo. Seguimos para uma loja de aluguel de equipamentos que fica na avenida principal da cidade onde alugamos uma barraca que, segundo o cara da loja, era para três pessoas. Não alugamos isolante, pois tínhamos levado um colchão inflável. Seguimos para a entrada do parque onde pagamos a taxa no valor de R$12,50. Subimos mais um trecho de carro até a Tronqueira, onde começa a trilha propriamente dita e onde existe a possibilidade de alugar mulas que carregam os equipamentos até o Terreirão (local onde pernoitamos). O valor é de R$60 por mula... Cabe muita coisa, então dá pra dividir com outras pessoas. Levamos 1:30 até o Terreirão... A trilha foi tranquila até porque estávamos carregando apenas a mochila de ataque. No caminho avistamos algumas cachoeiras pequenas, mas como estava frio não rolou de entrar. Chegamos e fomos procurar um lugar para armar a barraca. Existe a opção de ficar na Casa de Pedra, mas como já era de tarde, não tinha mais lugar. Portanto não confie na disponibilidade de lugar para dormir na Casa de Pedra. Vc corre o risco de ficar sem espaço para colocar seu colchão, por isso leve uma barraca. No terreirão tbm tem banheiro masculino e feminino, mas estava muito sujo e não tinha luz. Depois de organizar as coisas fomos assistir ao por do sol numa pedra bem próximo ao acampamento. Depois do jantar fomos dormir e aí surgiu o problema: A barraca na verdade não era para 3 pessoas, mas sim para 2! Enchemos o colchão inflável e outro problema: O colchão era maior do que a barraca o que impediu de fechar a “porta” da barraca por completo. E pra piorar: No meio da noite começou a chover! Resultado: Entrou água na barraca, molhou nossos pés, nossos cobertores... Foi muito perregue, não conseguimos dormir nem 1 hora... Foi um caos! Mas deu pra rir um bocado! kkkkkkkk. Segundo dia: 14/06/14 Marcamos de levantar as 3 da madrugada para começar a trilha até o pico (mas isso se a chuva parasse). Para nossa surpresa parou! Saímos da barraca e o céu estava limpo. Arrumamos nossas mochilas com água (importante levar bastante, pois não tem como abastecer no caminho. Algumas pessoas estavam bebendo água da torneira do banheiro, mas não sei se era potável), lanche, lanterna e camisa de algodão seca para trocar assim que chegar no topo, já que vc estará molhado. Começamos a trilha que não é muito complicada no inicio, mas depois piora...Tem uma parte que vc tem que usar as mãos e escalar as pedras. Nada técnico... Bem acessível a todos, mas só que cansa bastante. Tenho condicionamento físico e estou acostumado a fazer trekking, mas um amigo meu sedentário passou sufoco. A lua cheia iluminava o caminho e de vez em quando nem era preciso lanterna. Chegamos e ficamos esperando o sol nascer por cima das nuvens. Fantástico! As fotos ilustram um pouco do que foi... Ficamos um pouco até o sol surgir por completo e esquentar as coisas... Estava frio, mas não ventava o que foi ótimo. Rolou até um pedido de casamento de um casal que estava no nosso lado... Descemos tranquilamente, desmontamos a barraca, lanchamos e esperamos o cara com as mulas aparecer no horário que havíamos combinado no dia anterior. Considerações finais: O Parque é bem organizado, com guarda-parques na portaria e no Terreirão que podem ajudar no caso de algum acidente. Pra quem gosta de trekking vale muito a pena conhecer o parque que oferece paisagens incríveis em dois dias de passeio. Mas como o Parque bastante popular aqui em Minas, recomendo evitar os finais de semana que é quando fica cheio. Não confie na disponibilidade de lugar para dormir na Casa de Pedra do Terreirão. Vc corre o risco de ficar sem espaço para colocar seu colchão, portanto recomendo levar uma barraca. O gasto total foi de aproximadamente R$200 que incluem: Gasolina (dividida), alimentação (que foi basicamente biscoito e pão), aluguel da barraca (dividida), entrada no Parque e a mula para carregar as mochilas (dividida). No mais é isso! Qualquer dúvida estou aqui para esclarecer. Abraços
  8. Dicas importantes: Viação que faz o Percurso SP (Rodoviária do Tietê) X MG (Rodoviária de Espera Feliz) é a vição "Itapemirim". Valor das passagens: Ida R$ 110,50 - Quintas-Feira às 18:00hs. Retorno R$ 114,00 - Domingo às 18:00hs. Viação que faz o Percurso Espera Feliz X Dores do Rio Preto é a viação "Nossa Senhora de Fátima." Valor das passagens: Ida R$ 4,50 - Diáriamente, consultar horários. Retorno R$ 4,50 - Diáriamente, consultar horários. Contatos para agendamento no Pq. Nacional do Caparaó. Tel.: 32 3747-2086/2943 E-mail.: [email protected] Valor da visitação R$ 11,00. Valor de cada pernoite no acampamento R$ 6,00. Obs. Indicado fazer esta trip no inverno, devido as chuvas constantes no verão. Introdução aos locais visitados. Pico da Bandeira: O Pico da Bandeira é, de longe, o principal atrativo da Rota do Caparaó Capixaba. Subir até o seu cume, a 2.890 metros de altitude, é o objetivo de 10 entre 10 turistas que visitam a região. E não é pra menos. Todo mundo quer ver com os próprios olhos o que se vê de cima do ponto mais alto do país. (extraído do site: http://www.rotascapixabas.com/2012/01/20/a-subida-ao-pico-da-bandeira-pelo-espirito-santo/). Pico do Calçado: O Pico do Calçado (ou da Calçada) faz parte dos picos da Serra do Caparaó, localizado no Parque Nacional do Caparaó, na divisa dos estados do Espírito Santo e Minas Gerais. É o quarto maior pico desta serra, e também a quarta maior montanha brasileira, com 2.849 metros de altitude. (extraído do site: http://360graus.terra.com.br/montanhismo/default.asp?did=27417&action=geral) Pico do Cristal: O Pico do Cristal é a sétima maior montanha nacional, e o terceiro maior pico da Serra do Caparaó. Possui 2.769,76 metros de altitude e está localizado no Parque Nacional do Caparaó (divisa de Minas Gerais e Espírito Santo), na mesma região do Pico da Bandeira e do Pico do Calçado. (extraído do site: http://360graus.terra.com.br/montanhismo/default.asp?did=27417&action=geral) Cachoeira da Farofa: Integrantes da trupe: Jefferson Zanandréa Filho, Rafael Cavalleri e Renan Prado. O RELATO - A CONQUISTA DO MAR DE MINAS (PICO DA BANDEIRA). Dia 07/09/2012. Após uma noite de sono mal dormida, acordei por volta das 07hs, os raios solares adentravam a janela e esquentava meu rosto, a paisagem linda me hipnotizou até as 09hs quando o ônibus finalmente encostou-se à rodoviária de Espera Feliz – MG. Na pacata cidade de Espera Feliz teríamos que pegar outro ônibus que nos levaria até a cidade de Dores do Rio Preto – ES, mais precisamente no município de Pedra da Menina (divisa entre os dois estados). A viação que faz o trajeto de aproximadamente 10 km é a viação Nossa Senhora de Fátima – Linha: Paraíso, valor R$ 4,50. O primeiro coletivo sai as 08hs, como chegamos as 09hs tivemos que esperar o segundo veículo que saiu às 11hs. Após paradas e mais paradas finalmente chegamos ao local que devíamos descer (Dica: informar ao cobrador que quer descer no início da estrada que leva ao PQ. Nacional do Caparaó). Logo no início da estrada que sobe em direção ao parque existe uma placa informativa referente à distância a ser percorrida até o Pico da Bandeira. O início. Ajeitamos as cargueiras, olhamos o início da subida e iniciamos a caminhada de 08 km até a entrada do parque. Subida íngreme, pesada, chata, mas com um visual lindo. Depois de uma hora subindo escutamos um riacho e fomos conferiar a pequena queda de água, que para nós foi um prato cheio para nos refrescarmos, o que acabou nos atrasando um pouco a subida, mas quer saber? Pouco nos importávamos, à sensação de se aproveitar cada momento em cada lugar é única, e jamais desperdiçaríamos o banho naquele riacho gelado e lindo! Cachoeira gelada. Novamente equipados com as cargueiras, continuamos a subir, subir e subir, até encontrarmos um senhor que ofereceu o “frete” até a entrada do parque no valor de R$ 20,00, neste momento confesso que se não fosse pela insistência de nosso amigo Renan que falava apenas em concluir a conquista do cume a pé, na raça, eu teria aceitado, só havíamos andado 2 km e já estávamos cansados de tão íngreme que é subida! Eu e o Rafa enfim concordamos com o Renan, neste momento lembrei-me de uma citação do filme Na natureza selvagem, que diz “(...) não necessariamente ser forte, mas sim sentir-se forte...” Continuamos! Chegamos à entrada do parque às 15hs, após 08 km de subida pesada, nos apresentamos na portaria, à reserva para a visitação já havia sido agendada de São Paulo (importante não se esquecer de agendar com antecedência a entrada no parque. Tel.: 32 3747-2086/2943/ E-mail.: [email protected]). Por sermos os únicos a pé no local, pois, a grande maioria segue de carro até o acampamento base “Casa Queimada”, tivemos a nossa entrada liberada com facilidade, burocracia mesmo só para quem seguia de carro, ou seja, todos além de nós. Entrada do Pq. Nacional do Caparaó. Após o pagamento das devidas taxas (R$ 11,00 de visitação e mais R$ 6,00 para cada pernoite), entramos. Conseguimos alcançar a entrada do parque com cansaço, mas com certa facilidade, por assim ser, concluímos que o trecho de 09 km até o acampamento da Casa Queimada seria superado da mesma maneira. Engano nosso! A subida era duas vezes mais íngreme, as cargueiras pesavam o dobro, diversos carros passavam, buzinavam, acenavam, éramos conquistadores, vencedores, mesmo que quase mortos a cada buzinada o ânimo voltava. Não podíamos desistir, tínhamos que encarar o monstro, o monstro neste caso era a subida infinita que nos levaria ao céu, literalmente até o céu. Um Gol branco parou, um rapaz capixaba e muito gente boa ofereceu uma carona para as cargueiras até a Casa Queimada, o carro estava lotado de equipamento de camping no banco traseiro, no passageiro ia o novo colega Alessandro Chakal. Aceitamos a ajuda, e continuamos, porém, MUITO mais leves. Nos primeiros 500 MT, sentia-me como o ''superman'', poderia voar de tão leve, porém, não sei se pelo cansaço, pela drástica elevação na subida que ficava mais íngreme a cada metro, ou pelo fato de estar com saudade da minha cargueira, só sei que estava exausto, corpo pesado, passos lentos, confesso que se nosso novo colega Capixaba não tivesse nos dado a grande ajuda de levar as cargueiras até o acampamento base, eu acamparia na subida mesmo. A paisagem linda engava o casaço. Após muita superação, cansaço ao extremo, amizade e união, chegamos ao quilometro oito, o sol se escondia por entre as colinas, o silencio pairava no ar gélido do Espírito Santo que era quebrado apenas pelo canto de passáros que nos acompanhavam. Reta final, acampamento à vista, uma emoção misturada com euforia, chegamos! KM 08. Sol de pondo entre as colinas. Diversas pessoas nos cumprimentavam, senti-me orgulhos, feliz, mas não com a sensação de dever cumprido, o objetivo agora estava diante de nossos olhos, e conquistar aquela montanha me motivava mais ainda a continuar, mas não naquele momento. Após a chegada no acampamento. Com a temperatura em 3ºC montamos acampamento, fomos informados que as placas solares que forneciam energia ao camping estavam em manutenção, então nada de banho quente. Como em uma sala de tortura escutávamos os gritos de quem se atrevia a entrar no chuveiro, eu fui um deles. A água parecia uma série de agulhas que penetravam meu corpo, o banho de gato valeu a pena, relaxou o corpo a mente e me deu condições para me preparar para a conquista final. Preparamos o jantar, arroz a grega com frango desfiado, uma delícia! Arroz a grega feito no acampamento. Finalmente fomos dormir às 20hs, pois, teríamos que acordar às 01hs para atacar o cume se quisesse ver o espetáculo mais fantástico no Pico da Bandeira, o nascer do sol. Deitei para dormir, cochilei, apenas cochilei. Dia 08/09/2012. Após o breve cochilo de três horinhas o despertador quebra o silêncio da madrugada, acordei o Renan na barraca ao lado e segui em direção ao Rafa que não conseguiu dormir devido a gritaria que alguns trekkers mais dispostos faziam noite adentro. Café da manhã rápido, conversas com a galera do acampamento e pronto, nos preparamos para a subida. Todos os grupos iam com umas dez pessoas, ou mais. O nosso ia apenas eu, Renan e Rafa. Concluímos antes da subida que levaríamos apenas a cargueira do Renan com alguns suprimentos e para guardar as blusas caso esquentasse, o Rafa seguiria com a dele levando seu equipamento básico. Não estávamos com mochila de ataque então seguimos assim mesmo, eu e o Renan dividiríamos na subida, cada um levando um pouco da mochila em cada trecho. Iniciamos a subida por volta das 02hs, muitos grupos já haviam saído, subíamos incorporados por grandes montanhistas, não sentíamos a subida, gradativamente grupo a grupo foi deixado para trás, agora a nossa frente restava apenas à vegetação rasteira da região, o frio que cortava o rosto mesmo de balaclava. A subida castigava agora, uma escalaminhada não técnica, porém pesada, seguíamos rumo ao topo, estávamos quase chegando, mãos dadas para a conquista em conjunto, porém quando íamos finalmente festejar a conquista, eis que em meio à névoa escura surge um vulto negro que aparecia lentamente com a iluminação da Lua, ao mesmo tempo em que nos causou espanto, nos trouxe admiração, estávamos no Pico do Calçado, o Bandeira zombava de nós logo à frente, imponente e magnífico. Faltava pouco! Continuamos rápidos, não parávamos mais para nada, um incentivava o outro quando notava cansaço, a trupe estava em sintonia total, escalaminhando em direção à conquista final. Víamos dezenas de lanternas nos seguindo, olhamos para o lado esquerdo no entroncamento das trilhas da Casa Queimada (ES) com Terreirão (MG) vimos mais lanternas, na frente apenas eu, Renan e Rafa, o Cruzeiro já estava visível, a adrenalina aumentará, agora é pra valer, agora é real, última subida, a cargueira desta vez estava em minhas costas, à subida castigava, o frio castigava, a ansiedade castigava. O cruzeiro estava próximo, metros à frente, a ordem era “vamos tocá-lo juntos, nós três”, tocamos simultaneamente a grande cruz que está cravada no topo da terceira maior montanha de nossa terra verde e amarela, nesse momento eu senti que todo o esforço valerá a pena, as horas sem dormir, as subidas intermináveis, o frio, tudo! Nada mais importava, só sabia que em meio a experientes trekkers de todo o Brasil, três jovens de São Paulo poderiam gritar, e assim o fizeram “o topo é nosso”. O topo é nosso! Rapidamente após alguns cliques, começamos a preparar as coisas para o segundo café da manhã, eram 04:40hs e logo o sol nasceria, levamos massa de pastel, frango desfiado e queijo. Só acreditou quem viu, no alto do Bandeira, muito pastel no café da manhã. Pastel nas alturas. ''Aos poucos o pico lotou, havia umas cem pessoas em seu cume para assistir o espetáculo natural, e o show valeu a pena. O nascer do sol foi maravilhoso, o mar de nuvens, o mar do Espírito Santo, o mar de Minas, o mar do Bandeira e finalmente o mar de nossa conquista, é assim que me recordo.'' "o mar de nuvens, o mar do Espírito Santo, o mar de Minas, o mar do Bandeira e finalmente o mar de nossa conquista I" "o mar de nuvens, o mar do Espírito Santo, o mar de Minas, o mar do Bandeira e finalmente o mar de nossa conquista II" "o mar de nuvens, o mar do Espírito Santo, o mar de Minas, o mar do Bandeira e finalmente o mar de nossa conquista III" Já umas 08hs éramos os últimos ainda ali no pico, resolvemos conhecer o Pico de Cristal, retornando pelo Pico do Calçado. A trilha até o Cristal é muito fácil, após descer o Calçado, já em sua base, ao invés de descer pela trilha que retorna a Casa Queimada, basta seguir adiante, pedras sobrepostas indicam o caminho, basta segui-las. A escalaminhada até o cume do Cristal é fácil e rápida, e ir ao Parque do Caparaó e perder este pico é inaceitável, pois, ao menos no meu ponto de vista o Cristal é o pico mais imponente da região. Pico de Cristal. O relógio apontava 13hs, hora de descer, o Renan seguiu na frente enquanto eu e o Rafa resolvemos cadenciar a decida para tirar mais fotos. Chegamos à Casa Queimada, mais uma vez a tortura no banho gelado, águas que vinham diretamente do mar de Bering congelava até a alma de quem se atrevia a entrar no banho. Logo começamos os preparativos para o almoço, o prato do dia seria Yakissoba, e foi! Yakissoba selvagem! Já de noite, bebemos capuchino e filosofamos sobre a vida, a existência e sobre muitas outras coisas, o céu estava como nunca havia presenciado antes, estrelas cadentes passavam a todo o momento, o espaço é um lugar incrível. Era 22:30hs o papo estava excelente, a noite linda e fria, porém, o dia foi cansativo e muito por sinal, era hora de dormir. Noite fria. Dia 09/09/2012. Após uma noite tranqüila, o relógio despertou, após um prato de sucrilhos com tapioca no café da manhã, rapidamente desmontamos o acampamento. Mochila nas costas, a saudade já batia, nos despedimos da Casa Queimada após um último clique. Tapioca selvagem. Adeus Casa Queimada! O retorno foi fácil, muito fácil po sinal. Mesmo com o joelho sendo forçado com o impacto da mochila na descida. A velocidade era mais que o dobro da subida, estávamos quase correndo, e logo chegamos a Cachoeira da Farofa, trilha de apenas três minutos, facílimo acesso, e um local surreal. Água verde esmeralda encantam os olhos, porém, é muito gelada, diga-se de passagem, que foi o banho mais gelado de cachoeira que já tomei. Cachoeira da Farofa por cima. Cachoeira da Farofa por baixo. Continuamos o retorno, rapidamente já estávamos na entrada do parque, devolvemos uma credencial de entrada que é entregue assim que você entra no parque e descemos, e descemos e descemos. Para o almoço, dessa vez rolou uma macarronada com molho quatro queijos e molho bolonhesa, salada de pepino com seleta e muita batata frita. Último almoço! De volta para a descida o relógio apontava 14:20hs horário que o ônibus passaria no ponto retornando a rodoviária de Espera Feliz, apertamos o passo com medo de perdê-lo, ouço a voz do Renan que seguia adiantado pedindo para corrermos, corremos, e corremos mesmo de cargueira. Foram cerca de 400 metros de corrida, o ônibus estava parado e o motorista pasmo vendo a situação, lembrei-me rapidamente de São Paulo, onde ônibus não se pega, se conquista devido ao caos em nosso transporte público. Rodoviária de Espera Feliz - MG. Conquistamos, aliás, entramos no ônibus, cansados, queimados de sol e felizes, a trip estava concluída, uma trip para ser lembrada para o resto da vida. O retorno para São Paulo foi tranqüilo, apenas um pouco de trânsito na Dultra devido ao término do feriado, chegamos à rodoviária no Tietê as 09hs fui para casa, tomei um banho e entrei no trampo bem atrasado, às 12hs, mas foi por uma causa nobre e justa. Terminei a trip com uma frase que criei e sempre a cito quando tenho oportunidade; “Essa não foi a melhor trip, a melhor será a próxima, sempre a próxima”. FOTOS ADICIONAIS: Pico da Bandeira visto do Pico do Calçado. Rafa no cume do Pico do Cristal. O segredo do Cristal. Pico de Cristal. Manolaaaaaa! THE END!
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