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  1. Sempre quis sair da bolha e explorar um mundo que ia além da minha janela. Assim, embarquei em rumo à uma aventura com a mochila nas costas e fui vagar por um país vizinho, afim de me deliciar com o que a vida prepara pra gente. Enquanto me planejava, era questionado diversas vezes do porquê de ir à Bolivia; porque não para outro país “melhor”; o que fazer num país que não havia nada ou até mesmo se não havia outro país mais bacana mesmo com a moeda mais desvalorizadaem relação à nossa. Hoje vejo com mais clareza o preconceito e o estereótipo que ronda sobre a Bolívia, porém, no fundo, nada disso me importava. Sem nada reservado nem comprado com antecedência, adquiri a passagem aodesconhecido. Então, o sentimento de liberdade descomunal reinou. É libertador sentar ao lado de pessoas que nunca se tenha visto e as ver te ajudar com todo amor e disposição, cuidar de você como se fosse da família e escutar sobre suas histórias, seus romances, suas dificuldades, suas dores e – principalmente – seus sonhos. Entender sua história e sobretudo, deixar as ignorâncias e preconceitos de lado com essas experiências, mostra como, independente do canto do mundo, todo ser humano é igual. Sempre há um trauma, uma dor, uma necessidade de ser amado e de buscar a felicidade, da maneira que te faz bem. Ver o humano que existe dentro de cada uma destas pessoas, me fez ter a noção exata do espaço que eu ocupo neste vasto mundo e perceber o que é necessário carregar no peito e o que se deve deixar pra lá. Olhar pra dentro das pessoas é aprender ao mesmo tempo, sobre o outro e sobre si mesmo. A Bolívia é o país mais pobre da América do Sul e já seria evidente pelos perrengues e principalmente pelos aprendizados. A singeleza estampada no rosto das pessoas, nas roupas e no modo de viver é um choque de realidade absurdo e o aspecto que torna esse país rico é sem duvidas, a simplicidade com que se leva a vida. As barracas de pano, as tendas de sanduiche no meio das ruas, a infraestrutura básica, pessoas comendo sentadas na calçada, os ônibus velhos sem cinto de segurança, os táxis e micros – que se parecem teletransportados dos anos 60 – caindo aos pedaços ou os rostos queimados devido às altitudes elevadas e à falta de condições para comprar protetor solar. Percebi como nesse país se leva as coisas da maneira que se pode levar, sem status exacerbados ou superficialidades desnecessárias; simplesmente de uma forma singela de garantir o básico da vida: a felicidade e o bem estar. Uma das sensações que mais me atinge quando bate a saudade desse país e gente que amo, é a insignificância e o anonimato. No nosso microcosmo cotidiano, nos afogamos num pires com frequência. Nos sentimos perseguidos por coisas que, muitas vezes, não possuem sentido ou sem nem saber o que realmente nos persegue. Viajar sozinho para outro país, com um idioma que eu não dominava, uma cultura completamente oposta e um preparo – quase nulo – de mochileiro de primeira viagem, me fez enxergar melhor esses incômodos e me proporcionou a autopercepção de ser só mais um cara vagando por aí, buscando ser feliz e realizar os sonhos do coração, como todos os outros 7 bilhões. Caminhar sem rumo no meio de um deserto onde só se vê vulcões de um lado e mais paisagens surreais do outro; absorver a beleza do céu refletido no Salar; perambular sem destino pelas vielas de Sucre e nas ruas de La Paz; interiorizar o silêncio das montanhas ou a laucura das buzinas desenfreadas de Santa Cruz, além de ficar em uma rodoviária com 27 pessoas por metro quadrado; tudo isso me trouxe uma noção exata do espaço que eu – e meus problemas diários – ocupam nesse mundão: basicamente zero. Nada melhor. Essa passagem pela Bolívia me conectou com a essência que se via aprisionada pela padronização de ideias e costumes. Essência essa de viver apenas com o que é essencial, sem se importar tanto com que pensam sobre nós, sabendo que a sua vida é apenas sua. A não carregar julgamentos, preconceitos ou ignorâncias nas costas, e entender que todos somos seres humanos buscando as mesmas coisas em todos os lugares do mundo. A ser mais simples, porque existem pessoas que nem isso possuem; e tentar levar a vida de uma forma mais leve e simplificada, procurando sempre a melhor versão de mim e ter empatia pelo próximo: pessoas como nós. E enxergar que o que há de mais precioso no mundo, é o que existe no coração de cada um. Ali eu soube como queria viajar e de que maneira caminhar. A Bolívia foi o começo de tudo. - se alguém quiser coloco detalhes de roteiro, custos ou dicas
  2. cheila basso

    Svalbard - polo norte

    SVALBARD - mais detalhes chegando em Longyearbyen, o principal povoamento de Svalbard depois de 42 horas de viagem. Este arquipélago situa-se entre 74 e 81 graus norte, bem próximo ao Polo Norte (90 graus). Estaremos chegando na entrada do verão de lá com temperatura entre -5 e 2 graus . Toda a chuva cai sob a forma de neve. Nesta época a partir de meados de Abril, o Sol nunca se põe durante 4 meses, circulando todo o horizonte sem nunca desaparecer. No inverno é a escuridão total por 4 meses. Esta é a terra do urso polar. Com aproximadamente 2.500 habitantes fixos, o número estimado de ursos é de 3.500. Svalbard foi o ponto escolhido para a conquista do Polo Norte em 1926 por Roald Amundsen que partindo de lá foi o primeiro a sobrevoar o polo. A cidade é pequena , sugiro tres dias de estadia, mas com muitos passeios de aventura. Andar de snowmobile no topo da geleira, dirigir um dogsled, ir de navio a uma cidade abandonada, visitar uma mina de carvão etc... Mas sempre com um guia armado, para afastar urso polar. Fizemos os tours com a empresa Better Moments que recomendo. Portanto fora os passeios você fica dentro dos limites da vila. Sugiro ficar num hostel com cozinha comunitaria, pois os preços no restaurante são bem caros . Ficamos no Gjestehuset 102. Viajei em maio, mas não recomendo os passeios foram prejudicados pelo degelo e falta de turista para formar grupo mínimo
  3. “no meio do caminho havia uma pedra E essa pedra era um quartzo rosa gigante Com um parque que vivia em cima dela” ~Parque nacional da chapada dos veadeiros Inicio o relato com essa frase, o que resume em grande parte a história e a cultura da região. E não é para menos! Passei uma semana maravilhosa desbravando alguns dos inúmeros lugares existentes nesse mundo repleto de boas vibes, misticismo e natureza. O objetivo do relato é passar informações atualizadas acerca do lugar para os futuros visitantes, e tentar descrever a experiência de outro ponto de vista, para diferenciar um pouco dos muitos relatos do mesmo local. Eu gosto de detalhar um pouco nos textos, então alerta de textão, ein (!) É importante ressaltar que, em outubro do ano passado, um grande incêndio criminoso assolou o lugar, repercutindo nas grandes mídias. Graças aos esforços dos moradores, brigadistas, e voluntários de diversos lugares, o fogo foi combatido, e o cerrado, um bioma forte, para dizer o mínimo, se recupera gradativamente como uma fênix surge das cinzas. Pensei que veria um cenário de certa forma seco e feio, mas me enganei, e ainda bem que me enganei. A flora do Cerrado é acostumada com incêndios, o ciclo de vida de algumas plantas e animais gira em torno disso. Ainda vemos marcas do incêndio de 2017. Para resumir as infos básicas, reservei 7 dias da minha vida apenas para conhecer o lugar (é o tempo mínimo, na minha honesta opinião, se vc quiser conhecer bem a chapada, e sempre vai ficar faltando lugar pra visitar, o que motiva mais ainda para uma próxima visita ), e sobrou mais um final de semana para conhecer Brasília (se der para emendar, emende porque Brasília é RICA em opções do que fazer), estipulei um gasto médio de R$ 1.500,00 (barato, comparado com outras chapadas, vai por mim), e aluguei um carro com mais 4 viajantes (dá para ir sem carro, mas vc fica sem poder ver muita coisa dependendo do seu tempo lá, fora o risco de perder vôo, ficar preso em cidade ou vila tal, enfim). Ah, optei pelo mês de maio, por ser o final das chuvas, ou seja, ainda veria o cerrado mais verde e com os cursos d'água volumosos, perfeito. Partiu? 1º dia: chegada à chapada A viagem mesmo iniciou no dia 5 (um sábado), depois de meses de expectativas e conversa com mais 4 pessoas com o mesmo objetivo em comum. Saímos pela manhã do sábado (a viagem leva entre 2 e 3 horas de BSB à chapada se não houverem imprevistos). Basicamente eu tinha elaborado um roteiro para essa trip, sabe como é, tentar “devorar” essa maravilha ao máximo, sem ficar perdido nem nada. Incrível que dos 5, só eu tinha isso graças a ele deu para curtir quase tudo, sem maiores imprevistos. Saímos, acho que umas 10 horas de Brasília, mas a viagem custou um pouco, tivemos que fazer compras, fora que paramos para almoçar no Rancho do Waldomiro, para provar a tão famosa matula. Comida caseira ok, com licores e umas cachaças de diversos sabores para degustação (e quem sabe compra). Ah, o Rancho agora conta com um camping, que te dá acesso a trilhas para subir o conhecido morro da baleia, era uma coisa que queria fazer, e muito, mas acabou não dando pela falta de tempo kkkk Paisagem apaixonante de um dos morros que cercam o rancho do Waldomiro. A priori era começar a aventura em São Jorge, e deixar Alto Paraíso por último. Iríamos para o quilombo kalunga conhecer a Santa Bárbara, no meio da semana, então logisticamente era melhor começar em SJ, depois Cavalcante x quilombo para retornar e ficar em Alto paraíso. Isso pouparia tempo e combustível. Mas foi um planejamento meu, vocês decidem o que é melhor para vcs . Enfim, atrasamos bastante, chegamos em São Jorge quase às 16:00 e descobri que muitos dos atrativos fecham as portas cedo (Raizama às 15:00, Morada do Sol às 16:00, Vale da Lua às 16:00 se não me engano), então meio que perdemos o dia para boa parte das atrações. Fica a dica: Tentem ir cedo para os banhos, fecham cedo para dar o tempo para as pessoas retornarem, já houveram muitos acidentes em alguns lugares, então esse controle é um pouco justificado. Mas há lugares que não fecham cedo! As termas do Éden e do Morro vermelho (basicamente clubinhos com piscinas de água quentinha) ficam abertas até a noite, então o grupo partiu para ter um pouco do sábado disponível. No meio da estrada, parada para tirar fotos em uma vista maravilhosa da região. Se na estrada já é bonito assim, imagina nos lugares, não? Quase qualquer foto rola com um plano de fundo desses Diga xis Passamos umas horas nas termas do morro vermelho (R$ 20,00, vc fica até de noite), e retornamos para São Jorge. Cara, a vila é um charme. Simples, com ruas de terra, basicamente tem uma grande rua principal, onde rola o “tudão” do dia e noite da pacata vila. Lembranças, mantimentos e um chopp gelado, td funciona ali. No sábado costuma ser BEM animado, pensei que estava rolando uma festa em particular mas não, simplesmente separam os sábados para os bares, o tal do forró, e a vila fica cheia de gente e carro circulando nas ruas (pode andar sem medo, é mais fácil uma dupla na moto te dar uma flor do que te assaltar). Gente alternativa aqui e ali, indígenas, hippies, desenhos estranhos em algumas casas, é uma vibe bem diferente da cidade grande. Típica noite na vila A rua principal Pista de pouso para OVNIS? O primeiro et da chapada a gente nunca esquece kkkkkkkkk vai se acostumando Fato que não vi em relato algum: a chapada costuma ser F R I A pela noite, e olha que estávamos no início da época seca. É tipo assim: sol de rachar o dia todo e noites frias da peste. Todo mundo andando agasalhado, vc se sente numa cidade sulista confesso que sofri no camping, levei pouquíssima roupa pro frio tbm. E como sou do norte, acostumado com a “quentura”, aí já viu Mas, há chuveiro elétrico em praticamente todo lugar. Leve roupas para o frio, caso vc não for acostumado(a). Lugar pra repousar não falta, eu e o Ricardo (um dos viajantes) escolhemos o camping Aracoara, Ambiente show de bola, vibe super positiva, e o dono é um cara mega humilde e gente boa, e guia também. Existem lugares para todos os bolsos, hostel, camp, até camping mais “gourmet” como o Ricardo falou , e do camp onde fiquei não tenho do que reclamar. 2º dia: compensando o dia anterior Estipulei dois dias para conhecer o parque Nacional da Chapada, e é o recomendado, no mínimo, pq as trilhas são longas, você vai querer ficar nos locais para banho por um bom tempo, fora as fotos, que você tira mais de 8000. Então, um dia para cada trilha é bom (existem 4 principais, saltos e corredeiras, cânions e carioquinhas, Seriema e travessia das 7 quedas.). A seriema pode até ser emendada com alguma outra, por ser a menor. Por ora, a única coisa cobrada no parque é o estacionamento (15 temeres), há boatos de que o parque será privatizado, aí vc já viu ne. Mas até então é 0800. E o parque é do lado de São Jorge, se vc está hospedado(a) na vila, poupe o combustível e faça um aquecimento indo a pé. Ah, o parque abre às 8:00 e fecha as portas às 12:00 ou até alcançar o limite diário de pessoas, que esqueci agora LOL Finalmente nessa delícia de lugar O domingo foi de Saltos e corredeiras. A trilha no cerrado é magnífica, te dá uma experiência maravilhosa de conhecimento, eu que estou acostumado com floresta amazônica, fiquei maravilhado com a flora do lugar (fauna também, mas dos mascotes do cerrado mesmo, só consegui ver 1, e no final da viagem). A trilha é autoguiada. Você praticamente só se perde se quiser Mimosa A imensidão desse espetáculo da natureza é de encher os olhos, sério O primeiro ponto é o salto de 120m. De lá vc tem uma vista TOP DOS TOP do vale x cânion da região, se vc tem um olho de águia, consegue até deduzir onde deve estar o mirante da janela. Essa cachoeira não é acessível, mas a visão por si só já é o suficiente. Chuchu beleza, um dos cartões postais da Chapada Logo em seguida vc chega no salto de 80m. Nesse sim vc pode nadar, a água é FRIA PACAS, mas não chega a ser a mais fria da chapada (!). Dá para passar umas boas horinhas aqui. Há limite de lugares para o nado, é bom respeitá-lo, ok? A maravilha de 80 mts. As cordas de segurança estão por um motivo ali, então seja consciente. Lugar perfeito para se concentrar na confecção de arte, n eh msm? Por fim, a trilha acaba nas corredeiras que alimentam as cachus, vc volta um pouco até a bifurcação na trilha principal. O acesso a este ponto se dá por uma trilha suspensa em madeira, isso é MUITO LEGAL para a acessibilidade de pessoas de idade, ou PNE’s (o parque tem até uma cadeira adaptada para se fazer a trilha, o que achei foda demais, sabe, fé na humanidade restaurada). Rumo às corredeiras E o passeio fica cada vez melhor! A água dança e renova a vida no meio das pedras Terminada a trilha, uma boa notícia: ainda havia tempo para conhecer mais um lugar. Decidimos conhecer o famoso vale da lua, que pelo que vc já deve estar careca de saber, tem a aparência de uma superfície lunar. Entrada 20 contos, vc dirige um pouco no ramal de acesso, mas a trilha da entrada é mega fácil e rápida. Eu não recomendaria ir a pé. De bike até pode rolar. Gravidade zero em solo lunar é bonito, mas cair ali é a última coisa que vc iria querer Show de bola. O Vale é lindo, misterioso, e também fatal para os desavisados. Os buracos e grutas submersas oferecem perigo de morte a quem cair ali. Muito cuidado, e se possível vá de bota, por oferecer maior estabilidade no passo. O vale não abre em caso de chuva, até pq é comum formarem trombas d’água em muitos locais (veja um vídeo de tromba d’água num youtube da vida pra vc ver que não é brincadeira). Água também super gelada, no final há um poço para nadar e tirar fotos show de bola. Engraçado que nesse dia dei de cara com mais um rapaz que conheci no mochileiros, mas pelo grupo já estar completo no carro, não deu para viajar junto. Eu nadando de boa e ele perguntando do nada se meu nome era tal, confesso que foi mega engraçado aliás, espero que sua estadia na chapada tenha sido ótima, amigo! Começa o toque de recolher às 17:15: e por sorte o sol estava começando a descer, ou seja, dava para dar um bate e volta no Jardim de Maytrea para ver o espetáculo da mãe-terra. Super obrigatório ver o pôr do sol ali. Atração 0800, é fácil achar, só ver o monte de carros parados no acostamento da estrada Alto Paraíso – São Jorge. Se lembra daquela primeira fase do primeiro donkey kong? Veio na cabeça, rs Massa, ne. Camping ae deve ser coisa de outro mundo O dia super rendeu, compensamos o que não podemos fazer no sábado, e com juros. E a noite ainda não tinha acabado. Fomos para a pizzaria Canela d´ema, na principal de São Jorge, não tem erro. Pizza ok, meio carinha, mas rachando pra um grupo fica de boa. A decoração é show, toda temática com os famosos alienígenas da chapada, bebidas variadas, e tem karaokê, ainda por cima! Todos beberam e foram roubar a cena cantando, mas como eu sou cantor de chuveiro, e não de barzinho, resolvi ir dormir cedo para o dia seguinte. E ae, amigo. Ets hoje, ets amanhã, ets sempre 3º dia: trilhas difíceis e final de tarde sussa. Nas segundas o parque da Chapada não abre, MAS é possível fazer a trilha do famoso mirante da janela, que te dá uma visão dos dois saltos do parque. É possível ir sem guia? Até é, mas é arriscado pq o caminho tem partes pedregosas que podem confundir, então pessoalmente sugiro que de primeira, contrate um guia. Vc decora o caminho, e das próximas vezes, show de bola. Contratamos o Rodrigo, do camping Aracoara (mais uma vez, super recomendo), e tratamos de sair cedo, para pegar pouco sol (pois é sol o dia todo, e essa é uma trilha de nível difícil). Ah, se vc vai com guia a entrada sai um pouco mais barata (15 reais), fora o valor do guia (geralmente em torno de 150 reais até 5 pessoas). Pegar estradinha de terra na traseira da Pick up não tem preço, me senti o rei do gado agora kkkkk O Rodrigo vai explicando de tudo um pouco: história da chapada, o lance dos ets, a geologia do lugar, histórias curiosas, um resumo da flora local... descendo um pouco chegamos na casa do guardião da trilha, um senhor humilde e gentil. Dá pra beber água para pegar um pique também. Encontramos uma cobrinha na trilha, mas fora isso, nenhuma surpresa. A parte fácil da trilha acaba quando chegamos nas proximidades da cachoeira do abismo. Ela já estava seca, e a água meio feinha, então seguimos. A caminhada é intensa, mas visões assim te enchem de determinação A caminhada exige um pouco, é um sobe e desce em pedras medonho, mas o esforço é recompensado com uma visão de reis do parque! Eu poderia passar o dia só sentado ali, contemplando toda aquela paisagem de cartão-postal e pensando em toda a minha vida =D Cara.....a gente estava ali ontem... A foto tradicional da janela, mas com uma pequena variação Como a chapada é magnífica, cara! Se a ida foi cansativa, a volta foi uma via sacra para algumas pessoas kkkkkkkkk o sol da tarde em cima da sua cabeça, mais o cansaço da vinda cobram seu preço na volta. Para quem não está condicionado(a) com trilhas, é possível ir, mas vc pode passar mal, então tente se condicionar um pouco com caminhadas antes de viajar. Ah sim. É possível ir ver o pôr do sol no mirante, o que deve ser uma coisa muito show. Fica para a próxima. Ainda havia tempo de visitar mais um lugar, então resolvemos conhecer a Morada do Sol. Na maioria dos relatos essa atração costuma ficar de fora, mas garanto que a visita vale. Paga 20 pila para entrar, chegue antes das 16:00 e fica de boa. Mas às 17:00 já precisa retornar, então se puder chegue às 15:00 no máximo. Tem uma trilha fácil em mata fechada no início, e consta de três ambientes: Morada do sol, um pequeno cânion para contemplação, apenas, e uma corredeira de águas calmas no final. Show de bola para descansar, nadar, tirar fotos. uma parte do cânion (vale das andorinhas) O final da trilha, bom para mergulhar e ser mordido por peixinhos A morada do sol propriamente dita. Super tranquila de nadar, mas pode haver tromba d'água na chuva Chegando a São Jorge, demos de cara com uma caravana de voluntários realizando o cursinho de brigadistas, particularmente isso deu um certo sentimento de esperança na humanidade, sabe..... de tempos em tempos o parque abre editais, então fica a dica, se puder ajudar, faça a sua parte, ok; A noite foi para descansar. Dia bem aproveitado. 4º dia: se despedindo de São Jorge =’( Como era terça, o parque estava aberto novamente! Então, partiu parque. Poderia ter rolado cachoeira do segredo por parte dos meus colegas, mas como eu já estava no parque adiantando a trilha, não tivemos como discutir juntos, talvez rolasse um desencontro e eu ficasse preocupado com eles, então o dia foi de parque mesmo. Cachoeira do segredo que me aguarde na próxima ida! Mais uma vez, atração 0800. A trilha dos cânions e Cariocas é a vermelha, e coincide com a trilha dos saltos por quase 2 km. Essa trilha é mais “plana” e fácil que a trilha dos saltos, porém é maior, vc anda, anda, e anda, e pensa que não vai chegar kkkkkk, mas só a paisagem de cerrado é o suficiente para vc se distrair e devorar o momento =) em uma parte vc tem a bifurcação, tanto nos cânions quanto nas cariocas vc pode se banhar, mas os cânions são mais para contemplação, aí vai de vc. O famoso chuveirinho do cerrado Os cânions são cercados por estruturas de pedra milenares, mais que milenares, datam de tempos pretéritos da terra, e dão mesmo a impressão de que pelo menos um vulcão poderia ter passado ali, não; lindo o lugar, só tome muito cuidado, pois há perigo de acidentes, e o parque não dispõe de serviço de resgate. Aprecie com cuidado Lindo Sim, eu usei bandana e óculos praticamente a viagem toda. Sol infinito, meus amigos! Depois teve as cariocas, que consiste de um paredão aquático muito bonito, espaço de sobra para nadar, muitos peixinhos te mordendo, e uma piscina acima, que dá um bom banho também. Dá para ficar um dia inteiro fácil ali. Visão de encher os olhos mesmo. Nessa cachu meu cel caiu num poço com água o coração quase sai pra fora, mas felizmente ele resiste um pouco à água, e ficou de boa kkkkk imagina queimar e perder umas 1500 fotos Magnífico tesouro do Parque Só de olhar da vontade de pular dentro e se molhar, não? Voltamos cedo para São Jorge, curioso que a vila fica bem pacata durante a semana, só abrem as lojas de lembrancinhas mesmo, e olha lá. O agito é aos sábados, feriados, e quando os colegas alternativos resolvem festejar algo (ali é uma mistura de culturas, tá ligado irmão?). Com isso, nossa estadia em São Jorge estava, por ora, encerrada. Triste, mas algo mais bonito estava nos esperando no dia seguinte. 5º dia: a menina dos olhos da chapada. Nesse dia, pegamos o rumo a Cavalcante x Quilombo dos Kalungas, no sertão do cerrado goiano. Objetivo: Santa Bárbara. Para isso, precisamos passar por Alto Paraíso, aproveitamos para reabastecer o vrum vrum pq a viagem custa. Saímos relativamente tarde, umas 9 horas, em alta temporada isso poderia nos custar um dia de espera, mas por sorte era dia de semana, e não estávamos em alta temporada, então foi tudo perfeito. Dica: na dúvida vá cedo. No caminho passamos pela entrada da cachoeira dos Cristais (que não visitamos), o jardim zen de pedras e o suposto paralelo 34 (que também não deu pra visitar), e o poço encantado (adivinha? não deu também kkk). Obs: você não para em Cavalcante, apesar de muita gente associar a cach. Santa Bárbara a Cavalcante. Isso é mito, ela é vizinha dos quilombolas, apesar de que há atrações próximas de Cavalcante, também. Passando da pequena cidade, você anda um pouco numa estrada de terra, meio complicado de chegar, mas com visões do cerrado e serras que compensam a viagem. Após umas 2 horas de carro, de alto paraíso, chegamos no pequeno engenho II, sede dos guias quilombolas. Nessa hora temos um choque cultural, vemos a realidade de um povo guerreiro, que vive de forma simples e aposta no turismo e venda de produtos para ganhar seu suado dinheiro, diante das dificuldades. Então aqui fica uma dica do tio, que com certeza já foi falado em outros relatos: contratem guias quilombolas direto da comunidade. Eles costumam ser mais baratos do que os guias de Cavalcante, e você está fomentando a economia do pequeno vilarejo, ajudando os habitantes. Sério. Aqui, confesso que você gasta um pouco, mas vale cada centavo: 30 reais para a associação responsável pelos passeios (mas vc pode fazer umas 3 cachoeiras de uma vez!), mais 100 trocados para o guia, e mais 10 para o pau de arara, caso seu carro não aguentar a estrada de terra para a Sta. Bárbara (mas até Uno caixinha vi na entrada, então se vc manja de volante e se garante, pode poupar esse cash). Os guias quilombolas contam diversas histórias, e no geral estão dispostos para tirar quaisquer dúvidas. Contratamos o Sr. Jesuíno, super gente boa, discutiu diversos assuntos, contou sobre seu ponto de vista do incêndio que assolou a região também. Ah, é possível encomendar um almoço para ser consumido na volta, comida caseira derivada da terra e trabalho dos próprios quilombolas. Nada de nutella, conservantes ou enlatados. 30 reais para comer à vontade. Tem coisa melhor? Até o posto militar tem um design rústico no engenho, simples e bonito. Mais trilha aberta Você já ouviu a expressão “um oásis no deserto”? pois é. Santa Bárbara é isso e muito mais, de longe a mais linda da chapada. De tão azul e cristalina, nem parece natural, mas com certeza dá de dez a zero em qualquer piscina criada pelo homem. Aproveite cada segundo, pois há um limite de tempo de uma hora no local, além do limite de visitantes. O motivo: causar o mínimo de impacto natural possível. O horário mais disputado é o do final da manhã, pois o sol bate bem em cima da água, realçando o efeito das cores. As fotos parecem pinturas feitas a dedo. É. A chapada e suas jóias. A Santa Barbarinha. Que cor de água é essa, cara? Obrigado a Deus, grande Mãe, Gaia, Iemanjá, Espaguete Voador, qualquer um que tiver criado isso merece meu agradecimento! As únicas fotos submersas que prestaram foram aqui. Pq será? Legendas para isso serão poucas para descrever essa maravilha Após Santa Bárbara, fomos para a cach. da capivara, que emendamos com o guia. Dá para fazer Sta. Bárbara, Capivara e Candaru no mesmo dia, com o guia, como chegamos meio tarde, ficaria meio corrido de fazer as 3 e aproveitar bem. Capivara tem uma piscina com borda infinita, um piscinão para banho mais embaixo, e um cânion imenso para contemplação em seguida. Show de bola também. Outro tesouro guardado pelos quilombolas Piscina em Dubai? Nah, eu dispenso Chegamos cansados, os demais colegas com fome, foram almoçar/jantar, enquanto que eu tratava de administrar a memória dos celulares. Levei 3 aparelhos, e ainda precisei comprar um cartão pra armazenar mais fotos e vídeos Voltamos ao anoitecer, a estrada é um breu. Vá com cuidado e sem pressa que você chega lá. É possível dormir em Cavalcante, ou ir de uma vez para Alto Paraíso. Fica a seu critério. Em Alto, ficamos todos no Jardim da Nova Era, hostel e camping bem estruturado, equipe organizada e disponível para tirar dúvidas. Seria nosso lar nos próximos dois dias. Com tempo sobrando, aproveitei para dar uma volta na cidade. Alto Paraíso é aquela cidade de interior com seu toque alternativo. A Av. Ary Valadão é a principal para o turista, uma mistura de sons, cores e cultura. Aparentemente às terças e quartas ela fica mais parada, enquanto que nos finais de semana ela começa a “bombar”. Noite parada, aproveitei para provar os pastéis da vendinha 1961, point tradicional de pastéis e comidas mais completas, costuma dar gente quase todo dia. Infelizmente não tinham sucos regionais na ocasião, mas isso não desanimou meu estômago Lanche a luz de velas, isso pede uma companhia, ne Sabe quando eu disse que faz frio na chapada? Pois é. Em Alto é ainda mais frio do que em São Jorge todo mundo agasalhado como se estivesse numa Nova Iorque de inverno, e eu de calça e camisa normais. Não chega a incomodar para sair de noite, mas para dormir sim. E olha que dormia de calça, camisa de manga e capuz, saco de dormir, e acordava de madrugada reclamando do bendito frio. Com isso eu pensava. “P%#*@, como que eu vou fazer a travessia da praia do cassino, ou subir o monte Roraima, Pico da Bandeira e afins no futuro, onde a temperatura é mais baixa ainda? Tou lascado bicho”. 6º dia: Ets em todo o lugar.....e a água mais gelada da chapada (na minha opinião) Alto Paraíso é uma cidade segura. Vc sai de madrugada para andar, sem maiores preocupações. Nos dias em que fiquei lá já levantava às 5 (sangue tem que correr ne), e ia conhecer um pouco da cidade. Podia virar uma rotina sair para caminhar ou correr todo dia nesse horário que por mim estava de boa. Temperatura na faixa dos 18,20 graus, ok. Nascer do sol bonito, procurava sempre um lugar bom para assistir o raiar do dia, até numa torre de um posto de gasolina abandonado subi Menino barrigudo me encarando Um amanhecer desses, bicho O que vc tá olhando? Como é de conhecimento geral, a chapada tem fama de energia mística, que possivelmente atrai seres de outros planetas pra cá. A cidade tem referências de Ets em todo o lugar, o que deixa a coisa toda mais divertida. O portal da cidade é uma nave espacial, po. Será que isso sairá do chão um dia? Para o dia, o combinado era loquinhas + Cristais. Eu sempre vi a Loquinhas como uma cachu secundária, sem muita coisa pra ver, passeio de umas horinhas. Como estava enganado também. Ela é fácil de chegar, de dentro da cidade, anda por um ramal ok, chega na entrada da fazenda e desembolsa 30 mangos. Parece caro, mas assim, o lugar de fato é estruturado, e as trilhas são suspensas, até mirante e local para descanso ou piquenique tem. E a loquinhas é uma das trilhas, A cachoeira mesmo é a das esmeraldas. vai por mim, rola O poço do sol, que de sol não tem nada, gelado que nem o cão isso aí O poço do sol é um bem conhecido nas fotos, e o último da trilha loquinhas, ele é semelhante à da Santa Bárbara no quesito cor da água, mas este é esverdeado ao invés de azul. E ele é tão lindo quanto G E L A D O! Saía da água com o corpo dormente, em nenhuma de São Jorge tinha acontecido isso *lerigo.....go....* Ah, que coisa boa As trilhas são compostas de pocinhos, alguns ok, alguns bem sem graça e alguns lindos e fundos para nadar. Além do poço do Sol, adorei o poço da xamã, da trilha loquinhas, o poço do Saci, da trilha violetas, e o tranquilitas, da trilha rubi. Achei o poço da Xamã o mais bonito do local, tbm. O magnífico poço da Xamã O poço do Saci. Será que foi o Saci que botou esses totens? Tranquilitas. O grupo ficou uma boa parte do dia aqui, cochilamos até, no poço tranquilitas (olha o nome também ne), decidimos que a Cristais não seria bem aproveitada no dia, então voltamos para o hostel e camp mais cedo. Com tempo de sobra, tratei de procurar aluguel de Bike. Eu perguntei no fórum, há uns tempos atrás, mas ninguém me respondeu, então cabe a mim a decência de dizer: HÁ ALUGUEL DE BIKE SIIIM!!! Tanto em São Jorge quanto em Alto. Aluguei uma no paraíso das bikes pq precisava pedalar na cidade, e curtir o pôr do sol na estrada de São Jorge (que aliás, possui uma ciclovia bacana). Já me sentia um só com o cerrado, um lobo-guará em formação, correndo pelos campos de gramíneas e arvoretas...melhor sensação do mundo, vai por mim. Estacionamento errado, chapa! Indo para o jardim. O ar esfria mas o sangue ferve de excitação Pôr do sol na estrada com a magrelinha Após isso, só restava dormir cedinho, e pensar no quanto a semana estava sendo bacana, com tanta coisa para conhecer. O dia seguinte tecnicamente seria o último dia de chapada, então a tristeza, saudade de casa, entre outras coisas, começavam a se misturar. Noite afogada em pensamentos, quase não dormi. 7º dia: Fechando com chave de ouro num cartão postal Nesse dia, ficou decidido que visitaríamos a badalada catarata dos couros. Ela é um pouco problemática, pois fica no meio do cerrado e de ramais de fazendas, assentamento de sem-terra, campos de milho e abdução, e outras coisas mais. Guia é uma boa para essa, mas eu fui no CAT e nada de aparecer guia na manhã. Então surge a nossa salvação: um casal de moças resolveu ir “na cara e na coragem” usando o Waze (obrigado desde já e sempre, casal do Waze, vcs são fodas demais ), me meti na conversa, perguntei se podíamos acompanhar elas, por elas tudo bem. Eu já sabia que a trilha estava no google maps, mas como vc anda por uma hora dentro de ramais e ramais em território desconhecido, um erro e vc para na casa do leatherface kkkkkkk então era melhor ir de guia. Mas como tempo é precioso... Conseguimos. Por uns instantes pensamos que estávamos perdidos, mas enfim chegamos. Eu vou deixar uma dica aqui, mas que seja nosso segredinho, senão a associação dos guias de Alto bate aqui em casa, ok? há pouquíssimas placas da cachoeira nos ramais, mas vc pode usar o rancho da dona Luzia como referência, há referências no caminho, se vc estiver indo ao rancho da Luzia vc está no caminho. Vimos uma Seriema no final, mas não deu pra tirar foto. No estacionamento tem umas banquinhas pra vc comprar água ou comida, e paga um valor simbólico pro guarda cuidar dos carros. Acho super justo uns 15 reais simbólicos. A trilha é fácil a média, você chega primeiro na cachoeira da muralha, que é linda e a melhor para o nado. Pode ser deixada por último, para vc andar menos. La muralha Show de bola pra nadar Para ir para couros, só seguir a trilha do lado esquerdo do rio, há lugares nas corredeiras para tirar boas fotos e nadar também. Lindo, mas o melhor estava por vir Eita poha Cheio de curvas e poços para o banho....mas aguenta coração ae Caraca! Não imaginava que a imponente Couros fosse tão grande! Você precisa descer um tantinho para chegar na base dela, e dependendo da época do ano, ficar na base dela é arriscado, realmente o lugar é perigoso, pq um passo em falso e vc é arrastado para os níveis inferiores, fraturas e afogamentos não devem ser difíceis ali, então tome muito cuidado. Se Choveu, melhor sair fora. aviso dado. Para vc ter uma idéia do tamanhinho da bichinha Nível inferior, rola um banho, mas com cuidado. Passamos um tempo em todos os lugares, e no final da tarde, retornamos, enfim, para Alto. Se vc for sem guia, é bom que memorize as referências dos ramais, há sempre uma porta, placa ou peculiaridade de uma bifurcação que pode te ajudar. Dá para se perder sim, então leve combustível suficiente para evitar perrengue. A noite de sexta se resumiu em afogar as mágoas (os lugares badalados estavam abertos), e andar mais pela cidade, há sempre algo novo para se ver. Percebi que o povo goiano gosta muito de açaí e caldos diversos. Bem legal isso. Caldo combina com o frio, também, ne... Ah sim, há muita opção vegan e alternativa de comidas, também. Enfim.....a Chapada dos Veadeiros é mágica, misteriosa, repleta de histórias, uma verdadeira aquarela da humanidade, com tantas culturas e caras diversas em um só ponto, é um lugar onde passaria meus anos finais de vida, com certeza. O globo repórter fez uma ou duas matérias sobre o lugar, mas sabe.....aquilo só te dá uma noção mega superficial do ato de estar chapado pela magia daquele ambiente sobre a grande placa de quartzo. E com certeza será local de férias em oportunidades futuras. =) Agora as infos básicas: Transporte: Como é sabido, de BSB para alto vc pode pegar um ônibus da Real Expresso, a viagem é demorada, diz que os bus costumam atrasar.....para são Jorge existem viações e transportes específicos, pelo que vi num ponto da vila. Mas a cultura da carona existe. No Face existem vários grupos. Só entrar e anunciar. Em alto Paraíso existe uma parada de ônibus perto da nave espacial da cidade, é o point de carona. Em são Jorge o point é numa parada de ônibus na entrada da vila. Mas a melhor opção sem dúvida é carro próprio. Hospedagem: isso não chega a ser um problema se vc não está indo em temporada alta, em casa esquina há um hostel ou camp, alguns ok, outros meia-boca, e outros de excelência, vai do seu gosto. Custos: olha, rachando em grupo vc gasta menos do que o esperado, mas de uma maneira geral essa chapada tem um ótimo custo-benefício. Levei R$ 1.500,00 em espécie, fora o cartão, e ainda sobrou, e olha que gastei loucamente em algumas besteiras. Sendo mais “Julius”, poderia ter gastado em torno de 1.200,00, e isso incluindo um final de semana em Brasília que fiz após a viagem! Levo dinheiro ou cartão? Leve ambos, em muito lugar de alto e São Jorge vc pode passar o cartão. Eu achei tudo bem seguro ali, então levar dinheiro em espécie (devidamente guardado) é super de boa. Posso confirmar que tem itaú e casa lotérica em alto paraíso e banco do brasil em cavalcante (mas não confie muito nos serviços). Não cheguei a ver caixa em São Jorge. melhor época: o mês de maio é uma transição entre a época úmida e seca, então chega a ser uma boa pois vc vai pegar cachus caudalosas e céu limpo. E ainda não será alta temporada. Por que não ir no verão: cachoeiras e poços mais secos, sol mais forte. Por que não ir no inverno; Atrações fechadas pelo risco de trombas d’água, água não tão cristalina. Lá pro meio do ano rola o tal encontro de culturas, então se vc é caça-festa, acho que vai encontrar a chapada bem animada. O que levar: além do básico pra viagem, recomendo roupa pro frio (para andar de noite e dormir), protetor solar e labial forte (estou com ferimentos nos lábios até agora em virtude da secura, e olha que usei protetor labial e me mantive hidratado), MUITA, muita água mesmo, e lanchinhos para as trilhas (vc vai passar o dia fora, dependendo do lugar, com os lanches certos vc nem chega a passar fome, comidinhas com fibras, sementes, sucos, frutas e sanduíches são uma boa). Quanto tempo ficar: olha, mesmo com uma semana, faltou conhecer muita coisa. Eu não fui na cristais, almécegas, raizama, que são bem conhecidas, entre outras, a chapada é IMENSA, opção não falta, para todos os bolsos, pra isso, faça uma pesquisa prévia a respeito do que lhe interessou. Tem canionismo, tirolesa, vôo de balão, a pessoa que vive em 220v (que nem eu) fica bugada com tanta alternativa Se não conheceu tudo, já reserve uma visita futura, quem sabe vc não vê os etzinhos... Ah, devo contratar uma agência? NÃO PRECISA! Essa chapada te dá uma liberdade que muitos lugares não dão, vc pode ir de boa para muitos lugares por conta própria. Aproveite. Então é isso, gente boa. Permita-se, e seja abduzido(a) também =)
  4. PedrãodoBrasil

    Pico Paraná (Travessia)

    Travessia Pico Paraná Picos visitados Camapuã Tucum Cerro Verde Itapiroca Pico Paraná 11 A 13 Maio 2018 Integrantes Pedrão Do Brasil Mario Firmino Hernan Gélson Edinei Karka Patrick Luciane Guia https://www.facebook.com/mariocesarfirmino 1° Dia Saímos de Florianópolis no dia 11 de Maio às 03:00 . Chegamos na fazendo do Bolinha as 07:30 hs. Nossa meta era começar pelo pico Camapuã , O que aconteceu. Iniciamos o trekking as 08:00 h como previsto. No início tudo bem. Mas logo apareceu um Morro maneiro, (Camapuã) daqueles que abrem o pulmão de qualquer um. Logo em seguida descemos e atingimos o (Tucum). Pico imponente daqueles que o sujeito pensa logo em desistir da empreitada, mas nada que não possa ser transposto. Descemos, subimos e atingimos o (Tucum). Em seguida descemos e como já era tarde optamos por ir dormir no Itapiroca, já que tínhamos que manter o conograma. Descemos e longo atingimos uma floresta densa e úmida. Iniciamos uma subida hard e logo caiu a noite. De lanternas chegamos ao cume (Itapiroca). Armamos barraca e logo veio uma chuva irada que se estendeu durante toda a noite. 2° Dia Acordamos tomamos café e o tempos ainda estava meio fechado. Desmontados barraca descemos uma descida muito inclinada e hard. Chegamos no entroncamento do Itapiroca com o Pico Paraná. Fomos em direção ao nosso objetivo. Passamos pelo acampamento A1. Logo seguimos nossa trilha, agora a qual ficou mais difícil, agora com obstáculos tipo grampos , cordas, correntes etc.... Trilha de ascensão difícil devido os obstáculos que requerem tempo, atenção e muito calma. Seguimos e logo atingimos o acampamento A2. Descansamos pegamos Água no Camelo, Pois na casa de pedra não havia água. Lembrando gente no topo não tem água. Seguimos em frente e logo nos deparamos com imensos abismos , os quais merecem atenção devida , pois um vacilo e pode se acidentar. Seguimos e logo atingimos o topo do (Pico Paraná) nosso alvo. Acampamos no pico. Irado Tempo bom Pessoas maravilhosas. Jantamos e fomos logo Dormir, pois estavamos todos exautos. 3° Dia Acordamos com o tempo fechado , tomamos café e iniciamos nossa descida, Pois ainda tínhamos que chegar na fazenda do Dilson antes do anoitecer. Descemos todos os grampos , passando pelo A1, A2, entroncamento Pico Paraná e Itapiroca. Descemos a biquinha, entroncamento com o (Caratuva) e seguimos até o Morro do Getúlio e atingimos a fazenda do Dilson as 18:30 hs. Após um merecido Banho quente descemos até Florianópolis onde chegamos as 00:00 hs. Finalizamos a travessia de corpos no limite do cansaço físico e mental. Trilha não recomendada para iniciantes. Tem que ter um bom preparo físico e psicológico. Guia: Mario Cesar Firmino (Montanhista Descalço) https://www.facebook.com/mariocesarfirmino
  5. Após meses de estudo e preparo, mais uma vez seguimos com nossos sonhos e planos na estrada, depois de Ushuaia o destino não podia ser outro, Atacama e suas maravilhas, eu com a guerreira GS650 e Daniel parceiro na estrada e aventura com a 1200, o percurso de aprox 9000km foi feito em exatos 11 dias, na verdade não fizemos esta viagem para fazer turismo no atacama, la ficamos apenas um dia, com direito a descanso e um passeio agendado aos Canyons, mas viajamos sim com o maior interesse em pegar a estrada, ver novos horizontes, alcançar novos desafios, ate porque mais importante que o destino é o caminho que se faz pra chegar nele, e nisso esta viagem foi Show. na ida fomos de São Paulo a Foz do Iguaçu, seguindo com destino ao Chaco argentino, de la ate Salta, e de salta ao Atacama, na volta descemos beirando o Pacifico ate Copiapó, pasando pela famosa Mão do deserto, atravessando a cordilheiro pelo Magnifico Paso San Francisco, seguindo em direção a Concórdia, onde atravessamos o Uruguay, entrando no Brasil pelo Rio Grande do Sul com destino final a São Paulo, pouco tempo para tanta coisa, mas o que levamos de bagagem de vida e experiencia nestas empreitadas, com certeza valem o esforço e perduram por uma vida, vamos deixar que as imagens falem por si da beleza deste percurso...
  6. "O barato eh loko e o processo eh lento" Dois anos depois, finalmente, segue o relato da viagem...😛 Após publicar aqui a intenção de fazer a travessia, conheci o Adriano q topou fazer a trilha comigo. Atenção: eh preciso enviar um e-mail para o ICMBio com no mínimo três dias de antecedência para fazer a travessia a pé. A propósito, o Adriano eh um cara "bem disposto", após viajar com a mulher dele pra Canela-RS desembarcou em Congonhas enquanto a esposa seguiu pra Goiânia. Fui me encontrar com o Adriano em Congonhas e daí começou a Trip. Pré-trilha dia 25/08/16 - quinta-feira De Congonhas seguimos para o Terminal Tietê e pegamos um bus para Guaratinguetá. (Bus direto de SP para São José do Barreiro-SJB somente um único horário aos sábados) Em Guaratinguetá nos hospedamos em um hotel no centro ao lado da igreja matriz, q fica bem perto da rodoviária. 1° Dia 26/08/16 - sexta-feira Deixamos o hotel bem cedo para pegar o primeiro ônibus para SJB, onde fica a entrada do Parque Nacional da Serra da Bocaina. Partimos de Guaratinguetá às 07h00 e chegamos em SJB por volta das 09h00. A ideia inicial era ir andando até a entrada do parque, ou seja 26 km de subida da rodoviária de SJB até o início da trilha. NÃO FAÇAM ISSO! Uma luz tomou conta de nossas cabeças, mas não queríamos pagar 200 reais pra um jipe nos levar até a entrada do parque. Conversando com um jardineiro da prefeitura q trabalhava na praça, este se ofereceu para nos levar de carro por 100 reais. FEITO!!! Oh Lord!!! Durante o caminho percebemos a encrenca da qual nos livramos. Eh mta subida, sem lugar pra pegar água nem nada e o clima estava bastante seco. Aproximadamente duas horas de carro chegamos à portaria, na qual havia um guarda. A gente se identificou e assinamos um registro lah. Seguimos um croqui q peguei no relato do Raffa 😕 Bem perto da portaria uns 500 metros à esquerda encontra-se a Cachoeira Santo Izidro, boa para tomar um banho num dia de verão, no inverno impossível colocar os pés. Tira foto, curte um pouco a vista e o som da cachu e segue a trilha até chegar a cachoeira da Posse fora da trilha principal. De volta à trilha, mto sol e pouca sombra. Detalhe q no relato do Raffa ele fala sobre um atalho, daí eu e o Adriano seguimos a trilha e em determinado momento observamos uma placa indicando o atalho, achamos estranho o caminho do atalho apenas subir, mas tudo bem há momentos de subida e descida... qdo chegamos ao final do atalho a grande surpresa! Havíamos passado a entrada do atalho na ida e acabamos voltado todo o percurso Volta tudo de novo e segue pro Sítio do Tião. No caminho, já quase anoitecendo, numa estradinha de terra passa uma caminhonete em sentido contrário para a qual perguntamos se já estávamos próximos do sítio do Tião, daí o motorista responde dizendo q ele era o Tião, Uffaa..., disse q ia levar um casal até a entrada do parque pois a mulher do casal estava com bolhas e não conseguiria continuar a trilha... poucos quilômetros depois chegamos ao sítio... o Tião soh voltou bem mais tarde... 2° dia 27/08/18 - sábado Com certeza o melhor dia da trilha Logo após tomar café da manhã, subimos até o Pico do Gavião q fica do lado do Sítio Desmonta a barraca e trilha q segue. Esse segundo trecho da trilha eh o mais bonito, em meio à mata atlântica segue-se o caminho de "pé de moleque" feito pelos escravos para transportar o ouro de Minas até Parati. Como o tempo estava ensolarado e seco não tivemos problemas durante o percurso, mas acredito q em dias de chuva ou q tenha chovido alguns dias antes esse trecho seja BEM difícil de fazer pois as pedras devem ficar bastante escorregadias, logo eh bom ter um bastão de trilha ou um cajado nesses dias. Ao final da trilha de "pé de moleque" chegamos a um rio onde andando à sua margem em pouco tempo encontra-se um casebre abandonado onde deixamos nossas coisas e seguimos para a cachoeira do Veado. A trilha para esta cachoeira estava bem úmida apesar de não ter chovido. Voltamos para o casebre e montamos a barraca de camping, embora seja possível dormir no interior do casebre, onde inclusive há um fogão à lenha, no qual preparei o jantar: miojo à lenha 3° dia 28/08/18 - domingo O dia mais ROOTS! Bem perto do casebre há uma ponte nova para atravessar o rio e seguir a trilha do outro lado à direita da saída da ponte. Eh nesse trecho q se encontram os caminho do ouro q vêm de SJB e do Cunha. Apesar da água gelada, tanto no rio ao lado do casebre quanto no rio Mambucada foi possível tomar banho, pois não era insuportável. Como não contratamos transporte do final da trilha até o Campo da Gringa fizemos esse percurso a pé, ou seja, haja "sola de sapato" e paciência pq nunca chega. Pior parte! Mas dá pra vez ou outra se refrescar no rio. Chegando na Gringa tem ônibus pra Parati ou pra Angra. O Adriano seguiu pra Parati pra voltar pra SP e depois Goiânia e eu segui pra Angra com destino a Ilha Grande, mas essa eh outra história, pois quero voltar e fazer a volta à Ilha. Dicas Importantes: 1- Vá com calçados adequados, de preferência bota de trekking e meias q não absorvam umidade. 2- Para comer levei queijo, salame, miojo, chocolate, frutas secas e pão q compramos na padaria em Guaratinguetá. 3- Uma garrafinha de água de 500ml eh suficiente, pois há água em todo o percurso, levei um cantil de 600ml. 4- Protetor solar, principalmente, para o 1° e 3° dias. 5- A trilha é bem marcada, difícil de se perder.
  7. peresosk

    Vietnã em 30 Dias (R$1201,01 ou $378,13)

    Esta viagem foi continuação saindo do Irã da volta que fiz pela Ásia, então claro não tem preços dos voos do Brasil, isto vai depender de cada um. Vamos aos números que muita gente gosta de saber. O Roteiro TURQUIA - IRÃ - VIETNÃ - LAOS - TAILÂNDIA - MALÁSIA - SINGAPURA - FILIPINAS - COREIA DO SUL - RÚSSIA Quando: Novembro de 2017 Dias: 30 Noites em Hostel: 14 Viagens Noturnas: 3 Couchsurfing: 12 Valor Gasto em Real: R$1201,01 ($378,13) Média Diária em Real: R$40,13 ($12,60) SOMENTE O VISTO NA CHEGADA: R$134,40 ($42) Planilha com todos os gastos: https://goo.gl/jmBHKW Meus Vídeos no Youtube: LINK AQUI Este foi meu roteiro pelo Vietnã HO CHI MINH (10 DIAS) Peguei um voo em Teerã no Irã com conexão em Kuala Lumpur para Ho Chi Minh (Sai Gon), ambos os nomes podem ser usados para a cidade. O voo custou $232 (R$812) pela AirAsiaX, atenção que nesta tarifa não tem direito a bagagem despachada ou refeição no avião, é tipo tudo bem low cost mesmo para manter este preço, foram 9 horas de voo, super barato. Cheguei em HCM no final da tarde e utilizei ônibus para ir ao centro, bem fácil, antes comprei um simcard para utilizar internet visto que iria ficar 1 mês viajando, cerca de $10. Fiquei os primeiros 5 dias com couchsurfing, uma mulher que vivia com seu filho e irmã. Água fria no chuveiro, nem precisava quente pois a temperatura mínima foi de 28º graus. O bom que ela morava bem no centro da cidade e praticamente não utilizei transporte público. Se prepare para suar pois é insuportável, mesmo depois do inferno que peguei na Turquia semanas antes. O Vietnã é tomado por motos, muitas motos em todos os lugares, HCM é um caos em tudo, é aquela bagunça que todo mundo se entende. Não espere muita higiene ou gente educada, o bom que os Vietnamitas gostam de turistas, tantos que vários jovens vão parar você fazer entrevistas, apenas para treinar inglês, é bem curioso. Primeira noite fomos até um restaurante para experimentar a culinária local, cheia de raízes, sopas e pimentas, achei barato por menos de $3, eu não sabia o que me esperava ainda. No outro dia ainda sem coragem de comer na rua fui a um restaurante onde gastei $3,36 (75900 dongs) Repolho bastante apimentado, almoço em restaurante bacana por $3,36 Qualquer pessoa no Vietnã tem uma moto, capacete em HCM é obrigatório Os dois primeiros dias foram para tentar se acostumar com a Ásia, andei pela cidade onde vi a Agência Central dos Correios deles, a Basílica de Notre-Dame de Saigão (fechada para reformas), casa de ópera. A cidade tem várias praças e mercados que deixei para os outros dias. Em HCM não é muito comum utilizarem este chapéu, mas é bem típico no Vietnã Agência Central dos Correios Basílica de Notre-Dame de Saigão A grande surpresa para mim foi conhecer a rua noturna Bui Vien, a mais famosa da cidade, muitas mulheres quase peladas para atrair clientes, não espere nenhuma modelo, algumas garotas são bonitas e acabam conquistando alguns turistas mais bobos. Mas vou falar dela um pouco mais tarde. Nesta primeira noite estava rolando o dia das bruxas, simplesmente impossível caminhar por lá e muito cuidado com assaltos, eles acontecem sim. Bui Vien durante o dia das bruxas, mas todo dia vive lotada No outro dia fiz um roteiro mais puxado começando pelo museu da guerra do Vietnã, custa $0,66 (15000 dongs), lá tem toda a história deste enorme conflito, quem não sabe o país é considerado comunista, mas eles se intitulam socialista. O Vietnã foi dividido até a época da guerra em norte e sul, e curiosidade que os Estados Unidos perderam a guerra desta vez. Considero uma visita importante para quem visita a cidade e vai lhe tomar boas horas do dia, algumas fotos do acervo são bem fortes que nem colocar aqui. Museu da guerra do Vietnã Museu da guerra do Vietnã Continuei andando até um templo indiano e outro chinês pois naquela altura ainda era novidade, e visitei o museu da cidade de Ho Chi Minh que tem mais história do Vietnã, mas chato se você não gosta de história. No outro dia fui no mercado de Bến Thành, central e mais famoso entre os turistas, ali é para ver e comprar se você estiver com algum local, como qualquer lugar da Ásia os preços são bem mais altos para os estrangeiros, uma pena pois eles deixam de vender mais. Agora eu já estava acostumado a comer por $1, sim arroz frito ou noodle por este preço é bastante comum e fácil para encontrar. Fui também no Palácio da Reunificação, um lugar bem chato cheio de móveis antigos, mas barato, paguei $1,77 (40000 dongs), foi usado pelo governador francês do Vietname do Sul, na minha opinião totalmente dispensável. Mercado Bến Thành Mercado Bến Thành Um dos vários templos Chineses na cidade Palácio da Reunificação Agora vem o motivo dos 10 dias na cidade que fiquei na cidade, é óbvio que conheci algumas meninas por lá, e fomos para a famosa rua noturna Bui Vien, onde existem muitas baladas com cerveja baratas, por volta de $1,50 dentro da balada e no mercado menos $0,50 (11000 dongs). Não se paga para entrar, apenas consumação e os garçons fazem pressão para você comprar bebidas, sem problemas pois tem água e refrigerante caso não queira comprar cervejas, garanto que dá tomar todas com menos de $15 por noite, parece sonho mas é verdade. No geral as pessoas do Vietnã não falam inglês e vai ser complicado entender, as que falam inglês no meu caso foi praticamente impossível entender, as meninas que conheci são digamos diferentes para o padrão Brasileiro, a grande maioria baixinhas, magras e claro de olhos meio puxados, são queridas e adoram um turista, se prepare para pagar tudo, mas o tudo no país é muito barato mesmo. A melhor opção para vida noturna com certeza é na rua Bui Vien Uma das loucas que conheci pela cidade, inglês por mímica A rua da minha casa em Sai Gon O ROUBO Teve uma parte ruim, a cidade é bastante perigosa sim, eu tinha lido sobre o assunto e acabei sendo assaltado no meio da rua, estava mexendo no meu telefone quando um fdp parou de moto do meu lado e levou o aparelho, tudo muito rápido sem nenhuma chance de reação. Não utilizo celulares caros por este motivo, comprei um novo por $50 no outro dia pela manhã. Fica a dica não somente para o Vietnã.
  8. Desde quando fomos até o Ushuaia de carro e passamos brevemente por Torres del Paine, o parque não saiu da minha cabeça! Finalmente, depois de alguns anos conseguimos voltar para fazer o Circuito W! Com certeza uma das paisagens, se não a paisagem, mais linda que já pude presenciar. Milhas e milhas de natureza bruta, clima Patagônico, gelo, floresta, sol, neve, lagos e montanhas. Sem dúvida um “Must go” para os amantes de Trekking! Bem, vou compartilhar um pouco da minha experiência, vou tentar ser breve e certeira nas informações que mais precisei quando estava me planejando. Insta: @domizila Site: www.embarcandonatrilha.com.br 1 – Qual a melhor época para viajar? Pelas minhas pesquisas, sem dúvidas é o verão. Nós fomos em Março, fim do verão e começo do Outono. Pegamos temperaturas negativas em certos pontos, mas ainda sim foi bem tranquilo. A primeira vez que fui a passeio no parque havia sido em Julho. Me lembro que não dava para abrir a porta do carro por conta do vento fortíssimo, então inverno não é uma opção. 2 – Por onde começar? Laguna Amarga ou Pudeto? A primeira coisa que você precisa definir é por qual lado do parque começar. Você pode iniciar por Laguna Amarga, onde você verá as torres logo no início da viagem ou você poderá iniciar por Pudeto onde você deverá inicialmente pegar o Catamarã e ir para a outra ponta do parque, deixando como a cereja do bolo as torres por último. Dica: Algumas pessoas que conheci iniciaram por Pudeto, mas optaram por ficar um dia a mais. Elas ficaram hospedadas a primeira noite no Abrigo do lado das torres, para ter a oportunidade de pegar 2 janelas de tempo, uma no primeiro dia e outra no último. Para quem não sabe o clima é quase que imprevisível, muitas vezes as torres estão escondidas atrás das nuvens. Nós iniciamos por Pudeto por motivos de força maior. Decidimos viajar 5 meses antes da data escolhida e já estava tudo esgotado (Isso que fomos em Março, que já é considerado baixa temporada), os principais abrigos e melhores opções não estavam mais disponíveis, então adaptamos ao que tinha! Então, antes de mais nada: Agende o quanto antes e escolha o lado que deseja iniciar. 3 – Posso deixar a bagagem extra de viagem em algum lugar enquanto estou na trilha? Sim, e não precisa se preocupar quanto a isso. Acho que posso dizer que 100% dos Hostels em Puerto Natales tem o serviço de guardar sua bagagem extra durante a trilha. Muitos, nem cobram se você voltar e se hospedar no retorno do parque. Custo: Se te cobrarem, será uma média de 3.000 pesos o dia 4 - Como chegar no Parque? É bem simples! Considerando que você chegue de avião, o aeroporto mais próximo será o localizado em Punta Arenas. Do próprio aeroporto saem ônibus para Puerto Natales, basicamente de hora em hora. Se você ficar hospedado em Punta Arenas, na cidade tem uma rua onde estão localizadas basicamente todas as cias de bus, é só chegar e comprar. Custo: $ 16.000 pesos ida e volta Punta Arenas - Puerto Natales Chegando em na estação em Puerto Natales, você poderá comprar as passagens para o Parque. As principais cias que trabalham o trecho são: https://www.bussur.com/ http://www.busesmariajose.com/services.php Dentre outras. Existe diferença de preço entre desembarque em Laguna Amarga e Pudeto Custo: $ 18.000 pesos ida e volta Puerto Natales - Torres Fique de olho nos horários para não perder o ônibus voltando da trilha. Se você quer chegar em Puerto Natales e já ir para Punta Arenas, tem que sair cedo do parque. Nessa opção obrigatoriamente você vai para Puerto Natales e de la para Punta. 5 - Onde comprar meu ingresso do parque? Você pode comprar seu ingresso em dois lugares: Na estação de ônibus de Puerto Natales: Acho que poucas pessoas sabem dessa. Eu encontrei por acaso. No fundo da estação tem um escritório adm do Parque e lá vende os ingressos. Só pode comprar com cartão nessa opção. No parque: Chegando no Parque, obrigatoriamente todos os ônibus param na portaria para a compra de ingressos. Nessa opção só aceitam dinheiro. Custo: $ 21.000 pesos Essa foto é da estação de ônibus de Punta Arenas. Ali ao fundo, no Informacion, você pode comprar o ingresso do parque com cartão. 6 – Passa cartão no parque? Olha, em partes passa, mas eu não contaria com isso. Recomendo levar dinheiro para evitar passar perrengue. Lembre-se que você está literalmente no meio do nada, não tem como sacar dinheiro por lá e se a internet não estiver pegando bem, não tem muito o que fazer. 7 – Onde ficar hospedado dentro do parque? A primeira coisa que você precisa saber é que as hospedagens do parque são parte administradas pela: - Conaf (Campings roots): http://www.parquetorresdelpaine.cl/es - Vertice (Hospedagens do lado de Pudeto): http://www.verticepatagonia.cl/home - Fantastico Sur (Hospedagem desde o Italiano até do lado de Laguna Amarga): http://www.fantasticosur.com/mountain-lodges/ Vou colocar em ordem de barateza rs: - Pela Conaf, seriam os acampamentos roots, experiência total. Você leva sua barraca, seus equipos e paga uma taxa para uso do espaço do camping e banheiro, se não me engano é USD 10,00 por dia - Abrigos (que são bem confortáveis) ou no acampamento em que, você chega e já está tudo arrumado (barraca montada, isolante, colchão, etc). Nessa opção o custo por noite por pessoa seria na média de USD 100 e se quiser incluir o FB (Café, lanche de almoço e jantar) média de USD 150 (Levei minha comida e cozinha, fui bem feliz com essa opção) - Também existem opções dos Domos no acampamento Frances, mas pelo o que escutei eles são desconfortáveis, muitos com goteiras, mas pode ser uma saída caso não tenha mais vaga nos albergues. - E se você já é uma pessoa que está ai, bem de vida, só na alegria e curtição, pode ficar nos hotéis maravilhosos, com direito a piscina aquecida, ofuro ao ar livre, muito vinho e comida boa. Tem algumas opções, não estendi muito a minha busca mas vi que variava entre USD 200 até USD 700 por cabeça. Custo: Vai acabar dependendo de sua escolha. Os valores não permitem parcelamento, tudo à vista pelo paypall 8 – Não levei comida o suficiente, tem como comprar no parque? Se você chegou da caminhada e ficou com a fome de 10 guerreiros e não comprou o Full Board antecipado, avisando um pouco antes do horário da refeição você pode pagar na hora para se alimentar. Também tem vendinhas com chocolate, frutas, até mesmo capas de chuva, mas lembre-se: Você está em um lugar onde o principal meio de transporte são os cavalos e as costas das pessoas. As coisas não são baratas, por motivos óbvios. Inclusive os meios de reciclagem de lixo, água e dejetos são extremamente respeitosos com a natureza, porém tudo tem um custo. Tente levar tudo o que precisa, se não, você pagará R$ 15,00 por uma barra pequena de chocolate. 20180319_193404.mp4 9 – Quero beber uma breja depois da caminhada, tem como? Tem sim! Mas, mais uma vez não espere pagar pouco: Custo cerveja lata: $ 5.000 pesos (média de R$ 25,00) Custo garrafa vinho: $ 30.000 (média de R$ 160,00) – E é um Casillero del Diablo Ou, faça como eu, ignore o peso da mala e leve uns vinhos rs 10 – Quero cozinhar no parque com meu equipo. Como faz? Existem cozinhas comunitárias para fazer fogo com seu equipo e cozinhar. Fazer fogo fora dos lugares indicados é estritamente proibido. É proibido no nível de que se te pegarem, além de ser expulso do parque, você é deportado do Chile e ainda sofre um processo. Em todos os lugares de acampamento/abrigos tem espaço para cozinha, mas nem pense em fazer fogo durante a trilha, além de ser proibido, você pode colocar fogo na oitava maravilha do mundo. Acho que você não quer fazer isso, não é mesmo? Ou pelo menos não deveria querer. 11 – Preciso de Guia? Não. Você não precisa de um guia (O trabalho dos guias é maravilhoso e na grande maioria das trilhas do planeta é recomendado ir com um, porém esse parque foi projetado para ser autoguiado) As trilhas são muito bem demarcadas, o mapa é de fácil leitura. Existem inúmeras pessoas fazendo a trilha, o rastro é muito visível e você pode acompanhar o caminho pelas marcações com estacas e tintas. Claro que você precisa prestar atenção no que está fazendo, enquanto estiver na trilha esteja atento as marcações, preste atenção nas pessoas que passam por você. Enquanto eu estava lá um grupo decidiu “cortar caminho” se perdeu no meio do mato, então, não corte caminho. 12 - É fácil encontrar água durante a trilha? Sim, é muito fácil. Não precisa ficar carregando litros e litros de água. Um cantil de 750ml já basta. Você passa por muitos pontos de água a todo momento. Roteiro Pegamos o primeiro ônibus que saia de Puerto Natales, para chegar no parque a tempo de pegar o Catamarã das 11: 35. O Catamarã das 11:35 é o limite para conseguir fazer o Mirador Grey, se pegar o das 14:00 já era, tem que deixar para o dia seguinte. Mesmo assim tem que andar rápido na trilha. O sol estava se pondo por volta das 20:00 Portaria Laguna Amarga: Pudeto: Aguardando o Catamarã Vista do Catamarã Indo para o Grey Indo para o Grey Friaca indo pro Grey Primeiro Mirador do Grey Primeiro Mirador Voltando do Grey para Paine Grande (Pega na quantidade de roupa que o Gabriel esta usando kk) Chegando em Paine Grande Vista do Refugio Paine Grande Saindo da Cozinha e indo para o Refugio 20180319_193145.mp4 Sobre a Trilha: É uma trilha extensa, sem grandes desníveis. Bem no começo tem algumas subidas, mas depois é bem tranquilo. Muito bonito! Você vai margeando o lago à direita e montanhas à esquerda. Tem que apertar o passo para fazer o bate e volta, é só focar que a trilha sai! Dia 02 Paine Grande Nao da para cansar de ver essas fotos rs Dia 03 Indo para o Italiano Campamento Italiano Subindo Rumo ao Britanico Chegando no Britanico Voltando e Parando no Mirador Frances (Na realidade voce passa por ele na ida e na volta, para mim um dos pontos mais belos ) Campamento Frances Sobre a trilha: Considero o ponto mais alto, depois das Torres. O segundo dia de caminhada é belissimo do começo ao fim, as paisagens mudam constantemente, mantendo você envolvido com cada detalhe. A subida do Frances e Britanico é moderada, muitas pedras, tem que prestar atenção no caminho e onde pisa, mas não é nada extra hard. A todo momento você consegue observar o degelo da montanha formando os rios, é uma beleza indescritivel Sobre o Acampamento Frances: A estrutura é boa. Mas, se estiver chovendo a cozinha é a céu aberto e se tiverem muitas pessoas para tomar banho, você pode acabar ficando com água gelada. Foi o que aconteceu comigo. Sim, tomei banho gelado a 6cs kkk Parece que o sistema de aquecimento leva um tempo para subir a temperatura da água e se várias pessoas usam de uma vez, a água quente acaba e tem que esperar um tempão para aquecer. Mais um detalhes sobre o acampamento: Ele tem infestação de ratos. Inclusive quando entramos na barraca notamos uns buraquinhos, achamos que era normal, mas descobrimos a noite que os ratos tentam entrar na barraca atrás de comida. Então, mantenha toda a comida muito bem embalada e se prepare para escutar alguns roedores pela noite rs Dia 04 Sobre a trilha: O desnível começa a aperecer mais forte no terceiro dia. Na realidade tem muito sobe e desce. É uma trilha mais dura, pois a paisagem não muda tanto e em horas leva bastante tempo para conseguir finalizar. Nós conseguimos vaga somente no Torre Norte, em certo momento a trilha partindo do campamento frances bifurca, um lado vai para a Torre Norte/Central e o outro para o Chileno. Eu realmente recomendo ir para o Chileno. É uma subida consideravel, mas faze-la no mesmo dia de ataque as Torres foi bem pesado. Entao, vá para o Chileno. Repito, Va para o Chileno. Chileno. Dia 05 Comecinho do ultimo trecho para as torres Chegando nas Torres ❤️ Tudo que sobe, tem que descer, e voltamos das Torres para o Refugio Central/Norte, pegamos um translado até Laguna Amarga e de lá demos um "Até breve" para Torres del Paine Segue uma imagem linda da despedida Sobre a Trilha: O último dia!! Ao mesmo tempo que não queríamos ir embora, foi um alívio. O cansaço começou a bater. É engraçado como muito da nossa questão de alcançar um objetivo, vem da cabeça! Até o penúltimo dia estávamos bem o último, parecia que um caminhão tinha passado por nós rs. Bem, algumas coisas aconteceram, vou colocar na linha: 1. Saímos de madrugada, para tentar chegar no nascer do sol nas torres, porém o caminho do Refugio Norte/Central até o Campamento Chileno (que seria o início da trilha para as torres) é extremamente puxado. É um caminho estreito que vai beirando o abismo, pegamos neve e muito vento. Acabamos indo lentos demais. 2. É muito importante você ter o equipamento correto, dentre eles o Anorak! Meu marido se confundiu na hora de fazer as malas e levou o errado. Compramos o que tinha na hora (capa de chuva) e ele sofreu muito com isso, até troquei de roupa com ele em certo ponto 3. A subida é forte, com muitas pedras. Os último 45 minutos de caminhada são puxados, vi muita gente com cara de desespero na trilha rsrs 4. Chegar no topo não tem preço, me arrepia só de lembrar! Só tenho a agradecer por ter tido esse momento em minha vida. 5. Infelizmente estava nevando muito, a temperatura estava negativa. Não conseguimos ficar muito mais que 10 minutos lá em cima, mas valeu cada segundo dessa trip muito louca O que não pode faltar na mala: Pessoal não vou passar um check-list completo do que precisa levar, mas vou falar do que não pode faltar de jeito nenhum: - Anorak (100% A prova de água) - Calça impermeável - Um bom tênis para caminhada - 3 Boas meias para caminhada (Cano alto, que evita bolhas, comprei na Decatlhon e foi ótima) - Pelo menos 2 blusas respiráveis, para usar como primeira pele - Capa de Chuva para a Mala - Uma mochila de ataque - Um Fleece - Um lenço para enrolar nas orelhas, venta bastante, evite dor de ouvido - Lanterna de Cabeça - Frutas Secas, Comidinhas fáceis como salaminho, levar ovo já cozido, polenguinho Bem, espero ter ajudado! Ficarei mais do que feliz em ajudar e tirar dúvidas de quem esta se preparando para ir!! Um grande beijo e bons ventos!
  9. Antes de criar este relato, olhei a lista de tópicos e vi que praticamente todas a viagens de carro da página estavam com Atacama em destaque. Ainda assim, gostaria de compartilhar minha experiência, tanto para retribuir as dicas e informações que consegui em outros relatos lidos quanto para tentar acrescentar com a minha viagem que teve não teve um único objetivo ou foco, percorrendo diferentes regiões e desfrutando de diferentes níveis de conforto ao longo da jornada. Tentando contextualizar brevemente, eu moro em Presidente Prudente, sudoeste do estado de São Paulo, e minha namorada mora em Cascavel, oeste do Paraná, próximo já de Foz do Iguaçu, terra das Cataratas do Iguaçu e tríplice fronteira com Paraguai e Argentina. Percorro mensalmente essa distância de quase 500km para visitá-la. Também já fiz diversas viagens de carro pelo sul do Brasil. Já fui do Paraná ao Acre numa época em que meus pais moraram por lá. Então, posso dizer que estou habituado com trajetos médios e longos na estrada. Além disso, já aluguei carro em viagens internacionais por EUA, México e Aruba, porém sempre para deslocamentos próximos. Ainda assim, nunca tinha cogitado uma "roadtrip". Foi então que, entre o final de 2017 e início de 2018, buscando um roteiro de férias para março/abril de 2018, eu e minha namorada não conseguíamos ficar satisfeitos com destinos muito "manjados", passando, por exemplo, apenas por Buenos Aires ou Santiago. Começamos a aprofundar a ideia de ir até Santiago e alugar um carro lá para conhecer os arredores, mas queríamos algo mais para o lado de natureza e paisagens. Tentamos simular um "multi-trechos" incluindo Buenos Aires e El Calafate ou Ushuaia, mas os valores e a quantidade de atrações que queríamos conhecer não cabiam em nosso orçamento e nos dias que teríamos de férias. Foi então que, após alguns relatos de amigos locais, pensamos: porque não irmos de carro? E para onde conseguimos ir de carro, com um mínimo de conforto (sem precisa acampar e cozinhar), com um orçamento de uns 10mil reais e com 15 dias de férias, que inclua natureza e paisagens legais? Voltamos àquela ideia de Santiago, mas logo adicionamos o deserto do Atacama! Daí em diante, foram horas, dias e semanas de pesquisa. Consegui muita informação nos tópicos aqui do forum, juntei com algumas coisas de blogs de viagens e finalizei com decisões e escolhas pessoais. Foi aqui que saímos do foco da maioria que concentra a viagem numa região e tentamos colocar alguns contrastes: ver o deserto mais seco do mundo mas ver também o Pacífico pela primeira vez; ficar num povoado com ruas de terra como San Pedro do Atacama e depois numa metrópole como Santiago; se hospedar em hostels ou hotéis baratos na maioria dos lugares mas ostentarmos em hotéis chiques em La Serena e em Mendoza; e por aí vai... Nosso roteiro ficou assim: (ver imagem anexa) OBS: Não consegui colocar todas as cidades relevantes (pernoites/passeios) no mapa pois o Google limita. Mas a lista completa ficou assim: Presidente Prudente/SP, Medianeira/PR, Foz do Iguaçu/PR, Resistencia/ARG, Salta/ARG, San Pedro de Atacama/CHI, Antofagasta/CHI, Copiapó/CHI, La Serena/CHI, Vinã del Mar/CHI, Santiago/CHI, Mendoza/ARG, Santa Fé/ARG Nos próximos posts, vou relatar cada um dos dias, tentando destacar algo que considerei mais interessante ou que seja uma dica mais valiosa para quem interessar. Foram quase que exatamente 8.000 km percorridos, somando todos os deslocamentos (tanto estrada entre cidades quanto o que rodamos para os passeios etc), feitos em 19 dias, entre os dias 13/04/2018 e 01/05/2018 (feriado do dia do trabalhador) sendo que dois deles viajei sozinho: o primeiro de Presidente Prudente/SP até Cascavel para buscar minha namorada e irmos até Medianeira/PR dormir na casa dos meus pais, e o último fazendo o inverso.
  10. Coyhaique vista do Cerro Cinchao A Reserva Nacional Coyhaique foi criada em 1948 e é administrada pela Conaf, órgão florestal oficial do Chile. Situa-se na Patagônia chilena, mais exatamente na região de Aysén, de número XI (as regiões no Chile têm nome e número romano). O setor da reserva aberto a visitação possui basicamente dois grandes circuitos de trilhas que iniciam e findam na portaria e se sobrepõem em parte. O circuito mais curto passa por todas as lagunas e percorre somente as partes mais baixas, já o circuito mais longo sobe às partes mais altas e tem seu ponto máximo no Cerro Cinchao, de 1359m de altitude. Há também um circuito ainda menor por uma estrada de rípio que pode ser percorrido de carro ou bicicleta. Para completar, há trilhas transversais que conectam em diversos pontos o circuito mais curto e a estrada de rípio e são marcadas no mapa como trilhas para bicicletas. Eu planejei passar dois dias na reserva (acampando dentro dela) e fazer cada um dos dois circuitos de trilha em um dia. Pensei em caminhar pelo circuito mais curto no primeiro dia e deixar o mais longo para o segundo dia, mas durante o percurso mudei de idéia pois o dia estava ensolarado e perfeito para subir às partes mais altas. A visão seria total. No dia seguinte talvez o dia não estivesse tão bonito, afinal estava na Patagônia e lá o tempo é uma incógnita. Laguna Verde 04/02/18 - 1º DIA - circuito do Cerro Cinchao Início e final: portaria da Reserva Nacional Coyhaique Duração: 7h15 Distância: 17,9km Maior altitude: 1359m Menor altitude: 386m Dificuldade: média (muita subida e muita descida) Saí do Hostal Natti e passei pela Plaza de Armas de Coyhaique às 9h43. Tomei a Rua Condell no sentido nordeste e ao final dela a Avenida General Baquedano à esquerda, sentido norte. Na saída da cidade ela se transforma na rodovia 240 e há um regimento do exército à esquerda com um tanque de guerra exposto na calçada. A estrada desce e encontra com a Carretera Austral (Rota 7) num trevo, onde vou para a direita e cruzo a ponte sobre o Rio Coyhaique. Ali diversos mochileiros esperam por carona para o norte. Sigo à direita numa bifurcação e encontro a placa da Reserva Nacional Coyhaique às 10h14, uns 370m depois da ponte. A seta aponta para uma estrada de rípio que sobe à direita. Uma outra placa com horários e preços avisa "camping no habilitado"... só faltava essa! A reserva está a 1500m segundo outra placa (no meu gps deu 1,6km) e é só subida até lá. Nessa estradinha de rípio há muitas casas, algumas muito bonitas, e há até um aviso de que há câmeras de segurança, talvez para ninguém querer acampar clandestinamente por ali. Cheguei enfim à portaria da reserva às 10h38 e os atenciosos guardaparques confirmaram o que eu temia... por causa de gente teimosa que insiste em fazer fogueira quando acampa não é mais permitido acampar dentro da reserva. O fogo é um medo constante na Patagônia e já causou enormes desastres ambientais, com em Torres del Paine em 2005 e 2011. Pelo menos eles permitiram que eu deixasse a mochila cargueira ali na guarderia para resgatá-la no final do dia, no máximo até 18h45. Paguei a entrada de CLP 3000 (R$ 16), peguei o folheto com mapa e informações sobre as trilhas, tirei algumas dúvidas e parti às 11h10 pelo Sendero Los Leñeros, no sentido leste-nordeste. Altitude de 386m. Cerro Cinchao No início da trilha as árvores estão identificadas por plaquinhas, mas só no início. A trilha tem pontes, passarelas, corrimãos, escadas, toda a estrutura. Às 11h40 cheguei ao primeiro mirante com vista para a cidade de Coyhaique e os cerros Mackay e Divisadero ao fundo. Fiquei 10min ali e subindo mais 4min cheguei à Casa Bruja, que seria o primeiro local de acampamento (o outro seria a Laguna Verde). Quando vi a estrutura montada ali, com quincho e ótimos banheiros, fiquei mais p da vida com essa gente que faz fogueira em local proibido. Por causa deles não se pode usufruir de tudo isso num lugar tão incrível. O Museu Histórico estava fechado também. A estrada de rípio passa ao lado e algumas pessoas chegam de carro ali. Sentei numa grande sombra para almoçar e então resolvi que era melhor subir o Cerro Cinchao nesse dia. Voltei a caminhar às 12h36 e a trilha muda de nome para Los Carreros. Subo mais e às 12h58 alcanço o segundo mirante, este já próximo à Laguna Verde. Dele se avista novamente Coyhaique e os cerros Mackay e Divisadero de forma mais panorâmica. A trilha desse mirante até a Laguna Verde toma o rumo norte e está adaptada para cadeirantes, mas tem apenas 330m (pode-se chegar à Laguna Verde pela estrada de rípio da reserva). Há uma trilha que contorna a Laguna Verde mas com a decisão de subir o Cerro Cinchao deixei-a para o dia seguinte. Parti direto para o Sendero Los Troperos, ainda na direção norte, deixando a Laguna Verde às 13h14. Em apenas 7min surge uma outra trilha à direita, o Sendero Las Piedras, e aí saio do circuito curto das lagunas e começo a subida para o circuito longo do Cerro Cinchao. A subida é puxada e avança em zigue-zague. Os mirantes proporcionam uma visão ainda mais ampla de Coyhaique e dos cerros Mackay e Divisadero. Às 14h03 passo por uma fonte de água e 10min depois saio do bosque de lengas, passando a caminhar por pedras. Às 14h17 a última fonte de água da subida. Reentro no bosque de troncos curvados devido à camada de terra mais rasa e às 14h23 saio do limite das árvores, passando a caminhar pela areia. Cerro Cinchao Às 14h27 atinjo o platô e a trilha se encaminha para noroeste, em direção ao Cerro Cinchao, com visão espetacular de 360º. Dia perfeito! Contorno o Cerro Cinchao pela direita (norte) e ao percorrer a sua face oeste resolvi tentar a subida. Havia outras pessoas por ali mas não vi ninguém subindo. Não vi trilha inicialmente mas depois encontrei pegadas. E a subida foi muito fácil! Às 15h23 estava no cume, de altitude 1359m. Na mata logo abaixo se destacam as lagunas Verde e Los Mallines. Fiquei até 15h41 e iniciei a longa descida de volta à portaria. Desci pela trilha de areia e pedras e às 16h10 reentrei no bosque. Inicialmente as lengas são baixas e curvas pelo solo raso. Há alguns mirantes nessa descida. Às 17h07 o Sendero Las Piedras termina no Sendero Los Tejueleros, onde as placas indicam Laguna Vênus à esquerda e Coyhaique à direita. Fui para a direita, passei por uma fonte de água (a primeira desde a subida do Sendero Las Piedras) e cheguei à Laguna Los Sapos às 17h37. Ali a trilha muda de nome para Sendero El Chucao (nome de um pássaro) e toma o rumo sul de vez. Há uma porteira e um final de estrada do lado esquerdo mas a trilha continua mesmo à direita. A descida continua, passo por mais uma fonte de água e às 18h26 alcanço a portaria do parque a tempo de resgatar a mochila. Descansei um pouco e iniciei a descida pela estrada às 19h09. Às 19h33 estava de volta ao asfalto da Carretera Austral (Rota 7), fui para a direita apenas 40m e entrei no Camping Alborada, onde acampei num espaçoso gramado. Altitude de 230m. Laguna Vênus 05/02/18 - 2º DIA - circuito das lagunas Início e final: portaria da Reserva Nacional Coyhaique Duração: 7h25 Distância: 15,1km (com as explorações extras que fiz) Maior altitude: 754m Menor altitude: 386m Dificuldade: fácil Desmontei a barraca e deixei a mochila cargueira com a dona do camping para pegar mais tarde. Saí às 8h14 só com a mochila de ataque com roupa de frio, roupa de chuva, lanche e água. Subi toda a estrada de novo até a portaria da reserva, aonde cheguei às 8h38. Os guardaparques eram outros. Paguei de novo a entrada de CLP 3000 (R$ 16) e iniciei a caminhada às 8h47 no sentido contrário ao do dia anterior, pelo Sendero El Chucao. Passei pelo primeiro ponto de água às 8h58 e cheguei à Laguna Los Sapos às 9h53. A trilha muda de nome para Sendero Los Tejueleros e passei por outra fonte de água. Às 10h34 aparece o final do Sendero Las Piedras e daí em diante o caminho era novidade para mim. Visitei a Laguna Vênus às 10h42 e a trilha muda de nome para Los Carboneros. Às 11h07, num cruzamento de trilhas vou em frente. Às 11h20 subo a plataforma de madeira do Mirador Los Mallines para fotos da lagoa de mesmo nome, pequena e distante. Apenas 60m adiante alcanço uma bifurcação: em frente a trilha continua com o nome de Los Troperos, para a direita é um final de estradinha, marcado no mapa como trilha para bicicleta. Há uma fonte de água aí. Para esticar um pouco mais meu percurso vou para a direita e acabo me aproximando mais da Laguna Los Mallines. Essa estradinha encontra a estrada-circuito para carros e sigo para a direita. Mais um ponto de água. Com uns 630m nessa estrada principal entro noutra estradinha marcada como trilha de bicicleta à direita e retorno ao cruzamento por que passei às 11h07. Sigo em frente nesse cruzamento para conhecer outras trilhas. Pego a direita na bifurcação e vou em frente no cruzamento seguinte. Logo a trilha dá uma guinada para a direita, vai se tornando paralela ao Sendero Los Carboneros e acaba encontrando-o naquela confluência com a trilha Los Troperos (onde há água e um final de estradinha). Depois dessa exploração toda prossigo pela trilha Los Troperos às 13h24 e passo pela entrada da trilha Las Piedras, local conhecido no dia anterior. Chego à Laguna Verde às 13h53 e percorro o Sendero Laguna Verde, que dá uma volta completa na lagoa. Depois de um lanche, às 14h55, tomo a trilha adaptada a deficientes até o mirante e retorno à portaria descendo pelas trilhas Los Carreros e Los Leñeros, no sentido oposto ao do dia anterior. No caminho ainda saboreei cerejas diretamente do pé. Às 16h13 estou na portaria e logo pego a estradinha para descer ao camping. No caminho um carro para e me oferece carona. Poderia ter aproveitado essa gentileza até a cidade mas precisava pegar a mochila. Por sorte a dona do camping também estava saindo de carro e me deu carona até o centro de Coyhaique. Laguna Verde Informações adicionais: A entrada na reserva custa CLP 3000 (R$ 16). O camping está proibido há mais de um ano por conta dos campistas que não respeitam as regras e ainda insistem em fazer fogueira quando acampam. Por causa dessas pessoas ninguém mais pode usufruir da boa estrutura de camping que a reserva possui. O Camping Alborada é o mais próximo da reserva (1,6km de distância e 156m de desnível) e custa CLP 4500 (R$ 24) por pessoa por noite com banho quente. O grau de dificuldade que coloco nos relatos é uma avaliação pessoal e considera que o trilheiro esteja acostumado a caminhadas de vários dias com mochila cargueira. Para um iniciante considere todas as trilhas como difíceis. Para um iniciante que não esteja em boa forma física é melhor procurar trilhas fáceis de um dia para ganhar experiência e condicionamento. Rafael Santiago fevereiro/2018 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  11. Salve salve mochileiros! Segue o relato com as dicas para fazer trilhas, cachoeira e conhecer três praias em um bate e volta de 2 dias bem perto da cidade de São Paulo. Este relato será baseado na minha última visita a Prainha Branca porém contém dicas e fotos de todas as vezes que fui neste paraíso! 1º Dia: Ida - 29/04/18 - 11h00min - São Paulo x Bertioga x Guarujá - Metrô e Trem R$4,00 - Vans e Carros R$25,00 - Empresa de Ônibus Viação Breda R$26,00 - Camping Tabajara R$30,00 Partindo de São Paulo do bairro de Perdizes, peguei o METRÔ de SP na estação Vila Madalena (linha verde) até a estação Paraíso (linha Azul) para baldear até a estação Sé (linha Vermelha) e depois até a estação Brás (linha Vermelha). Aguarda por alguns minutos pelo trem da CPTM com sentido a estação Guaianazes (linha Coral) onde acontece a troca de trens (se dirija ao primeiro vagão do trem, pois no desembarque você poderá ter problemas por causa do fluxo contrário). Feito a troca é só pegar sentido estação Estudantes (linha Coral) com tempo de aproximadamente 1h10min este primeiro trecho. Na estação Estudantes existe um terminal de ônibus com passagens para Bertioga por R$26,00 e com tempo estimado em 1h30min. A linha é a Mogi x Bertioga e o tempo de descida depende de como está o fluxo do trânsito no dia. Em feriados prolongados e datas festivas acontece muito fluxo por essas estradas e o tempo de descida pode demorar um pouco mais para chegar até Bertioga, então fiquem ligados. No mesmo terminal assim que você sai das catracas da estação Estudantes de trem, algumas pessoas vão te oferecer o mesmo caminho feito por carros ou vans pelo valor de R$25,00 por pessoa. É só aguardar por alguns minutos até fechar a quantidade de um carro (4 pessoas) ou van (10 pessoas) que acontece a descida (nos feriados, reveillon e carnaval a espera é bem rápida pois muitas pessoas fazem este percurso, então vale a pena esperar). Chegando em Bertioga fomos até a balsa para fazer a travessia até o lado do Guarujá, onde fica a trilha para a Prainha Branca. A travessia de balsa dura aproximadamente uns 15 minutos e chegando é só seguir poucos metros para o começo da trilha para Prainha Branca pois fica bem perto da balsa. A trilha de nível fácil hoje está calçada até a vila ficando de fácil acesso inclusive em dias de chuva, dando um tempo de aproximadamente 10 a 20 minutos. Pronto, chegando na vila da Prainha Branca onde tem toda infraestrutura da praia com padaria, mercadinhos, camping, pousadas e alguns restaurantes, tudo bem simples mas bem receptivos. Chegando na praia seguimos para o lado esquerdo e caminhamos por uns 10 minutos até o Camping Tabajara que fica quase no final da praia. Fechei o valor de R$30,00 por pessoa com banheiros, chuveiro quente, cozinha compartilhada (fogão, geladeira, mesa, cadeiras e alguns utensílios de cozinha), com Wi-fi e uma bela área para acampar. O camping fica a poucos metros da praia então você dorme com o som das ondas a noite quando o silêncio do lugar prevalece. www.campingtabajara.com/ Acampamento montado, mochila guardada bora curtir o dia na Praia Branca. Como era um feriado prolongado e muitos iriam trabalhar na segunda-feira, a praia não estava nem muito cheia e nem muito vazia, estava meio a meio. Ficamos o resto do dia nesta praia com um por do sol nas montanhas fantástico com cores muito fortes e assim que o sol se foi uma Lua digna de uma pintura se levantou no céu ainda azulado. Ela parecia que nascia de dentro do mar iluminando cada vez mais enquanto se erguia no céu. Horas de contemplação para esse momento pois era de uma beleza única! Fui informado que aconteceria um Luau na praia mais a noite, então fomos para o camping para pegar alguns drinks e bora pro luau que aconteceu no meio da Prainha Branca e foi sensacional, a lua iluminando toda praia ao som de uma banda que só tocava os sons que você mais gosta, foi muito boa a vide e o clima do pessoal. Na praia mesmo existem algumas barracas com porções de peixe, batata frita, calabresa, cervejas e drinks mas seus preços são um pouco salgados por estarem localizados na areia da praia, então vale a pena dar uma pesquisada antes. Após comer um belo peixe frito e tomar uma bela garrafa de vinho fomos para o camping descansar pois o dia seguinte teria que acordar cedo para fazer as trilhas para conhecer as outras duas praias e a cachoeira. 2º Dia: Volta: 30/04/18 - 21h30min - Guaruja x Bertioga x São Paulo - Metrô e Trem R$4,00 - Vans e Carros R$25,00 - Empresa de Ônibus Viação Breda R$26,00 - Almoço Restaurante Lipe Point R$15,00 a R$20,00 Por volta das 6h00 da manhã com nascer do sol maravilhoso na Prainha Branca tomamos nosso café da manhã, aprontamos nossas mochilas com alimentos e água e bora trilhar. Andamos a Prainha Branca até o final e como ainda a maré estava baixa, teve a possibilidade de conhecer a ilha que fica bem pertinho da praia a pé mesmo atravessando pelo mar. Tem um trilha que corta a ilha atravessando do outro lado tendo uma vista muito linda. Voltamos e fomos em direção a entrada da trilha para a Praia Preta que fica no canto do último restaurante da praia. Ou se não encontrar é só perguntar pro pessoal do restaurante que te informarão onde fica. A trilha é de nível fácil também e leva aproximadamente uns 15 a 20 minutos até a Praia Preta. Quando estiver quase chegando, quando você conseguir ver e ouvir o mar, vai ser quando aparecerá uma bifurcação, vá para o lado esquerdo descendo a trilha, pois se continuar reto irá chegar na cachoeira que fica uns 20 minutos a frente. A cachoeira não é muito grande, mas da pra tomar um belo banho na sua queda para renovar as energias. Descemos a trilha e ficamos contemplando a Praia Preta que geralmente fica vazia pois não tem nenhuma infraestrutura na praia e nem se pode acampar por lei, mas algumas pessoas ainda sim acampam. Eu mesmo já acampei uma única vez na Praia Preta em uma outra vez e fui surpreendido pelo helicóptero da Polícia Ambiental que desceram na praia e mandaram desmontar a barraca imediatamente ou seria multado pelo crime previsto na lei ambiental. Ficamos algumas horas na praia preta e de lá fomos para mais uma trilha, agora para a Praia do Camburi. A entrada da trilha fica no final da Praia Preta, é de nível fácil e leva uns 25 minutos até a Praia do Camburi. A praia é cortada por um rio de água doce que faz um contraste lindo com o mar. A praia também não tem infraestrutura nenhuma porém existe uma casa de um senhor que dependendo do seu humor ele pode te arrumar um lugar para acampar, tudo bem barato. Mas lembre - se, isso só acontece se o humor do senhorzinho que reside lá estiver bom rsss. Contemplamos por horas esse pedacinho de paraíso, como chegamos de manhã na praia, ficamos com ela somente para nós. Esta sensação de estar sozinho em uma praia é maravilhosa, te dá a sensação de liberdade! Ficamos horas nesta praia contemplando cada pedacinho de paraíso ali. Pra voltar para a Prainha Branca onde estava o camping é só fazer o mesmo caminho, não tem erro. Chegando na prainha branca almoçamos em um restaurante que fica nas pequenas ruas da vila chamado Restaurante e Pousada Lipe Point, pedi um tipo de prato feito que vem em um bandejão por R$15,00 a R$20,00. Barriga cheia e pé na areia! Fomos direto para a praia, dormi algumas horas de frente para aquele mar fantástico, com um céu azul, um sol lindo ai foi só encontrar uma boa sombra debaixo das árvores para algumas horas de sono. Corpo descansado ficamos por alguns estantes na praia até o anoitecer, quando recebemos de presente o nascer da lua ainda mais linda que na noite anterior. Ela estava fantástica iluminando mais uma vez toda a praia e a vila da Prainha Branca. Foi emocionante! Após este presente da natureza retornamos ao camping para levantar acampamento e fazer a trilha de volta para a balsa para poder voltar a São Paulo. Assim que você sai do camping ao invés de retornar até a vila para fazer a trilha de volta, dentro do próprio camping já tem uma outra trilha que se encontra com a principal e corta um bom caminho, fazendo com que não tenha necessidade de andar nas areias com mochila nas costas, o que é muito cansativo. Então quando for sair do Camping Tabajara se informe com o proprietário do camping, o Marcelo, onde fazer a trilha para a balsa. A trilha é de fácil acesso e te leva até a trilha principal para retornar a balsa. Chegando na balsa é só aguardar alguns minutos para que a balsa possa ter o número de carros e pessoas para a travessia até Bertioga. Chegando em Bertioga é só caminhar até as feirinhas e perguntar onde fica os guichês da empresa de ônibus Viação Breda que sai de Bertioga até a Estação Estudantes pela Mogi-Bertioga. O valor da passagem é de R$26,00 e tem a duração de 1h30min dependendo do trânsito no dia. Sugiro que comprem as passagens de volta antecipadamente em feriados ou datas festivas pois corre o risco de acabar. Chegando na estação/terminal Estudantes (linha Coral) é só pegar o trem sentido Guaianazes (linha Coral), trocar de trem e pegar sentido estação da Luz, ai faz a baldeação para a Estação Paraíso (linha Azul) e de lá para a Estação Vila Madalena (linha Verde). Pronto nosso bate e volta de dois dias ao litoral saindo de São Paulo esta feito! Espero ter ajudado em algumas dicas e fico a disposição para qualquer dúvida. Vlw Instagram: https://www.instagram.com/tadeuasp/ Facebook: https://www.facebook.com/tadeuasp
  12. Oi galera!! Quem já viajou de mochilão sabe o quanto é importante saber quanto se vai gastar em uma viagem.. Esta foi uma viagem a Patagônia feita em Setembro/2017, com mais 3 pessoas do mochileiros. Fiquei 3 dias em Buenos Aires, e depois me encontrei com o restante do pessoal em Ushuaia. Foi uma viagem incrível e econômica, e gostaria muito de compartilhar com vocês. COTAÇÃO Pesos argentinos 1 real = 5 pesos argentinos 1 dólar = 17 pesos argentinos Pesos chilenos 1 real = 170 pesos chilenos 1 dólar = 610 pesos chilenos GASTOS GERAIS Aviões = R$2.118,00 Ônibus no Brasil = R$122,00 Reservas em hostels antecipadas = R$648,00 Argentina = R$1.582,00 09.09.2017 = 2153 = R$430,00 880 taxi aeroparque x hostel 870 3 noites hostel 50 cartão e passe bus 353 comidas 10.09.2017 = 1130 = R$226,00 300 entrada teatro colon 180 comida 150 entrada bombonera 500 entrada madero tango 11.09.2017 = 368 = R$73,00 25 bus 43 comida 300 transfer hostel x aeroparque 12.09.2017 = 511 = R$102,00 41 taxi aero x hostel div em 4 200 comida 90 taxi ida e volta cerro martial 180 grampones cerro martial 13.09.2017 = 572 = R$115,00 202 comida 375 taxi a parque nacional 14.09.2017 = 443 = R$89,00 325 taxi a esmeralda div 4 118 comida 15.09.2017 = 4510 = R$90,00 38 taxi hostel a aero div 4 120 aero a hostel calafate div 4 460 hostel hostel bla 2 dias 192 comida 3200 mini trekking 500 parque mini trekking 16.09.2017 = 245 = R$49,00 245 comida vários dias em calafate 17,18,19 e 20.09.2017 = 1189 = R$238,00 900 idae volta chalten+10tx embarq 279 comida vários dias em chalten 21.09.2017 = 850 = R$170,00 250 hostel bla 1 dia 600 bus porto natales Chile = R$1.114,00 22.09.2017 = 48000 = R$282,00 14000 comida 15000 ida e volta ao parque 11000 entrada parque nacional 5000 isolante aluguel 1250 panela aluguel div 4 3000 bus dentro do paque 23,24,25.09.2017 = 37500 = R$221,00 4500 pesos barraca torres central 33000 paine grande 26.09.2017 = 39000 = R$229,00 18000 catamarã retorno parque 6000 comida 15000 hostal alamo 27.09.2017 = 45900 = R$270,00 12500 comida 2000 guarda volumes p natales 24400 hostel p natales 2 noites 7000 bus natales a punta arenas 28.09.2017 = 19000 = R$112,00 3300 taxi p arenas a aero div 3 15700 comida TOTAL DE GASTOS: R$5.584,00 ROTEIRO 21dias - Buenos Aires, Ushuaia, El Calafate, El Chalten, Puerto Natales, Punta Arenas Transportes: (fizemos um roteiro onde não ficássemos passando pela fronteira ChilexArgentina várias vezes) Ida SP / Buenos Aires-Argentina em avião Buenos Aires / Ushuaia-Argentina em avião Ushuaia / Calafate-Argentina em avião Calafate / Chalten-Argentina em ônibus (4 horas) Chalten / Calafate-Argentina em ônibus (4 horas) Calafate / Puerto Natales - TORRES DEL PAINE-Chile em ônibus (6 horas) Puerto Natales / Punta Arenas-Chile em ônibus (3 horas) Volta Punta Arenas / Santiago/ SP em avião Dia a dia: Buenos Aires – 3 dias 07/09/2017 1° dia - Buenos Aires/Argentina Passeios como: Zoo deLujan, Tigre e assistir um tango. Almoço e Jantar (média cada refeição ARS 180) Hostel em Buenos Aires (ARS XX) 08/09/2017 2° dia - Buenos Aires/Argentina Às 9h começa o City Tour guiado. O passeio desce na Casa Rosada, no Caminito, La Bombonerae para em Puerto Madero para almoçar, e depois na flor metálica. (ARS 120) Almoço e Jantar (média cada refeição ARS 180) Hostel em Buenos Aires (ARS XX) 09/09/2017 3° dia - Buenos Aires/Argentina Passear pela Av. 9 de Julio, no Obelísco, descer toda a Av. Corrientes até chegar em Puerto Madero, passear em toda a sua extensão, ir até a Casa Rosada, subir toda a Av. De Mayo, passar no Café Tortoni. Almoço e Jantar (média cada refeição ARS 180) Hostel em Buenos Aires (ARS XX) Ushuaia – 3 dias 10/09/2017 4° dia - Vôo Buenos Aires a Ushuaia/Argentina Andar pela cidade, caminhar pela orla do canal beagleate, tirar foto na placa "findel mondo", ir na secretaria de turismo pegar o famoso carimbo no passaporte e contemplar a paisagem da Cordilheira dos Andes. Tem museus:Museu do Fim do Mundo, o Museu Yámana e a Galeria Temática Pequena História Fueguina. Almoço e Jantar (média cada refeição ARS 180) Carimbo no passaporte (ARS10) Hostel em Ushuaia (ARS XX) 11/09/2017 5° dia – Ushuaia/Argentina Conhecer de manhã o Mirante do Cerro Glaciar Martial, que fica mais fácil ser feito caminhando nos meses de verão ou também pode ir de Teleférico. A tarde fazer o passeio de Navegação no Canal Beagle de catamarã. Passa pela Isla de los Lobos, Pássaros e vai até o Farol LesEclaireurs (farol do fim do mundo)http://www.catamaranescanoero.com.ar/principal.htm (ARS 270) + (ARS7 de taxa portuária) Ou o passeio de barco a vela. Ele sai às 16h (depois de todos os outros) e a lotação do barco é de no máximo 7 pessoas. É o mesmo trajeto feito de catamarã, mas ele é mais caro, pois no barco a vela vai pouca gente, diferente dos catamarãs, que vão lotados. Se puder voltar do passeio no finalzinho da tarde, pegará o pôr do sol de frente pra cidade. (ARS 1.100) 12/09/2017 6° dia – Ushuaia/Argentina Contratar um transfer para o Parque Nacional Tierra Del Fuego um dia antes da ida – 30min. Além de ir até Bahia Ensenada e no Cartero, tem o passeio de trem, que é no mesmo local, o tem fica uns 2 km antes da Bahia Ensenada, o transfer te deixa na porta da estação delfindel mundo, mas depois de fazer o passeio você tem que seguir a pé até a Bahia Ensenada, onde fica o cartero e o começo da trilha Senda Costera. Mais informações sobre o Trem acesse: http://www.trendelfindelmundo.com.ar/ Iniciar a trilha Senda Costera que tem um percurso de 8 km com uma duração de aproximadamente 3 horas de trilha fácil. Depois de exatamente 3 horas de trilha, seguir para o Lago Roca, que fica a 1 km do final da trilha Senda Costera, e o bosque que fica à beira desse lago. Para quem faz este passeio, vá ao Carteiro do Fim do Mundo para pegar o carimbo no passaporte lá. Restaurante do Dieguito que é muito indicado no mochileiros.com, comer a tão famosa empanada. Transfer Passeio Parque (ARS 100)http://www.pizzeriadieguito.com.ar/ Entrada Parque (ARS 70) 13/09/2017 7° dia – Ushuaia/Argentina Caminhada Pinguinera ou Passeio Laguna Esmeralda ou Trekking Laguna de Los Tempanos e Glaciar Vinciguerra (Cavernas de Gelo) El Calafate – 2 dias 14/09/2017 8° dia – Vôo de Ushuaia a Calafate/Argentina Chegando em El Calafate, ir na agência (Hielo y Aventura ou outra) comprar o passeio ao Glaciar Perito Moreno-Big Ice (em alta temporada é normal ficar esgotado o Big Ice e o Mini Trekking, ele funciona de Setembro a Abril) Custo do Big ICE $4000,00 pesos ou $252,00 dolares ou R$800,00 reais Custo do Mini Trekking $2400,00 pesos ou 160,00 dolares ou R$460,00 reais Comer na Aldea de los Gnomos, que é um ponto turístico na rua principal da cidade, com bares, restaurantes, lojas de souvenirs e sorveteria. No Librobar Borges y Alvarez tem sanduiches e cervejas da Antares. Passear na rua principal, parar numa sorveteria para provar o famoso sorvete de calafate, que é a fruta que dá nome à cidade. Ir até a rodoviária ver as passagens das próximas paradas: El Chaltén e Puerto Natales (ARS 710) Alugar bikes (ARS 260) e dar uma volta na Laguna Niemes e o Lago Argentino. A Laguna Niemez é uma reserva natual que fica à 1km do centro de El Calafate, lá é possível ver várias espécies de aves, incluindo flamingos (ARS 30). Em seguida vá em direção ao Lago Argentino. 15/09/2017 9° dia – Calafate/Argentina Mini trekking no Glaciar Perito Moreno: Às 9h o ônibus pega no hostel e vai em direção ao Parque Nacional Los Glaciares onde chegamos por volta de 11h. Na entrada do parque o ônibus para e o guia desce para comprar as entradas, que tem preços diferentes dependendo de onde você é. Para turistas do Mercosul o valor é mais barato, portanto não esqueça de levar seu passaporte ou pagará um pouquinho mais caro. Após a entrada no parque o ônibus nos leva para um ponto de encontro onde tem uma lanchonete/refeitório e também é onde começam as passarelas do Perito Moreno. O guia estipulou que deveríamos estar de volta pro ônibus às 14h. Um dia meio nublado é perfeito para as fotos, já que num dia de muito sol a claridade reflete no gelo fazendo as fotos ficarem bem ruins. Embarcamos de novo no ônibus e fomos em direção ao porto para pegar o catamarã que nos levou pra margem oposta do lago, lugar onde começa o trekking no glaciar. Na chegada paramos em um ponto de apoio onde são passadas algumas instruções e é recomendável que quem esteja levando muita coisa deixei nos lockers que tem ali. Depois de 15 minutos começamos a caminhar através de um bosque para chegar ao ponto de início do trekking, lá colocamos os grampones nas botas e nos dividimos em dois grupos, um com guia em inglês e outro em espanhol. A experiência de andar no gelo é fantástica, mas apesar de achar meio inseguro no início, logo nos acostumamos a andar e também os grampones nos dão bastante segurança. Durante o passeio o guia vai explicando várias coisas sobre o glaciar e o campo de gelo patagônico, no final do trekking paramos em um ponto e os guias serviram whisky com gelo do próprio glaciar. O passeio durou cerca de 1:30h, é tranquilo e vale a pena pra qualquer pessoa.Ao fim do passeio retornamos ao ponto de encontro, lanchamos, retornamos ao catamarã e em seguida ao ônibus de volta pra El Calafate. Mini trekking no Glaciares Perito Moreno (ARS640) (ARS 300 para turistas do Mercosul) + Entrada no Glaciares (ARS 70) Ou Big Ice (ARS950) (Obs: é o mesmo passeio, só quevocê fica mais tempo sobre o gelo, o trekking dura 4 horas e o tempo nas passarelas do perito moreno é menor, cerca de 40 minutos. É muito mais bonito que o mini-trekking, se tiver condições faça o BIG ICE! Vale muito apena, apesar do preço) Reserve antes ou entre em contato com as agências pois é bem procurado http://www.caltur.com.ar/http://www.hieloyaventura.com/ + Entrada no Glaciares (ARS 70) El Chalten – 5 dias 16/09/2017 10° dia – Ônibus de Calafate a El Chalten/Argentina (4 horas) Há duas empresas que fazem o trajeto, http://www.caltur.com.ar/ e http://www.chaltentravel.com/ ambas com o mesmo horário, às 8h, 13h e 18h.http://www.plataforma10.com/ 17/09/2017 11° dia – El Chalten/Argentina Descanso 18/09/2017 12° dia – El Chalten/Argentina Trekking a Laguna de Los Três/Trilha ao Fitz Roy - Início a trilha por volta das 9 da manhã. 25km. A trilha começa com uma subida forte, de uns 30/40 minutos, depois a trilha fica sem muito desnível por um bom tempo. Depois de 2 horas de caminhada chegada a Laguna Capri, parada por alguns minutos para um pequeno lanche. Segue com o trekking em direção ao CampamentoPoincenot que é a base para subir a Laguna de los três, leva aprox. 1h30 para concluir. A trilha é bem demarcada, basta você não sair da trilha que não há como se perder. O dia é longo em outubro/novembro, amanhece por volta das 6 horas e escurece por volta das 21:30h, então o tempo para fazer a trilha é bem longa, dá para fazer sem pressa. Uma vez no poincenot descansar um pouco e começamos a tão temida “última hora da trilha”. O desnível é grande, cheio de pedras soltas que mais ao final da trilha se misturam a neve e escorrega pra caramba, o bastão de caminhada neste trecho do trekking é muito importante. E depois de 2 horas de uma subida vem à recompensa. A vista lá em cima é inexplicável, a laguna totalmente congelada. Ficar por ali, curtir a paisagem, tirar fotos e descansandopro retorno. (Obs: os preços são mais altos do que em el calafate) (Obs: as trilhas em El Chatén não têm custo) 19/09/2017 13° dia – El Chalten/Argentina Trilha a Laguna Torre/Argentina - Trilha tranquila sem muito desnível, 22km, a realizamos em 3 horas ida, que é o tempo descrito no mapa. A trilha é muito bonita e como tínhamos feito a do fitz Roy há dois dias, achamos essa trilha muito fácil. O Cerro torre estava totalmente encoberto, não víamos nada além de muita neve caindo em seu topo, e a beira da laguna foi um dos lugares mais frios da nossa estádia em Chaltén, o vento trazia tanto frio que eu com as luvas mal sentia meus dedos, para fotografar foi um sofrimento! A laguna estava parcialmente congelada, muito bonita, mas apesar de não conhecer a real história do lugar, sai com a impressão que ela foi represada, de que não é uma laguna natural. 20/09/2017 14° dia – El Chalten/Argentina Mirador de Los Condores e de LasAguillas+ Chorrillo Del Salto/Argentina Se tiver pique, dá para fazer essa trilha na parte da tarde, aopós a Trilha da Laguna Torre. Logo após o café fizemos a trilha do Mirador de los condores, que tem uma vista muito bacana da cidade, o acesso à trilha é bem bonito, fica atrás do centro de visitantes na entrada da cidade, 30 minutos de caminhada e concluímos a trilha. Depois de uns 40 minutos apreciando a vista do mirador, descemos e fomos para o Chorrillo Del Salto que fica a 3 km da cidade, 1 hora de caminhada e já estávamos lá. Ficamos ali por cerca de 1 hora e retornamos. El Calafate - 1 dia 21/09/2017 15° dia – Ônibus de El Chalten a Calafate/Argentina (4 horas) Puerto Natales – 6 dias 22/09/2017 16° dia – Ônibus de Calafate a Puerto Natales/Chile (6 horas) (verificar se tem como fazer essas duas viagens em 1 só dia) Um ônibus pra Puerto Natales que sai às 15h dura +- 6h, e é agradável, pois a travessa uma região entre deserto e montanhas, passa pela fronteira do Chile. Chegando em Puerto Natales por volta de 21h. Puerto Natales é um grande interiorzão, com algumas ruas ainda sem asfalto, casas humildes, a maioria de madeira, e afastado do centro, as casas começam a ficar afastadas uma das outras com grandes terrenos e a cidade ainda conta com um porto antigo e uma paisagem fantástica das montanhas que a cercam. Passagens para o Torres delPaine, a ida e a volta (CLP 30.000) 23/09/2017 17° dia – Circuito W – Torres del Paine Dia 1: Acampamento Torres Acordamos bem cedinho e fomos para rodoviária pegar o ônibus que saiu às 7:30h em direção ao Parque Torres delPaine. Às 10:00h nós chegamos a administração do parque que fica na Laguna Amarga, ali todos descem para pagar a taxa de entrada do parque e assistir um vídeo informativo, lá também você faz a reserva para os acampamentos grátis do parque (Campamento Torres e Italiano). Dali você escolhe se vai começar o circuito daquele ponto ou se continua até Pudeto e inicia pelo Paine Grande. Nós fizemos o circuito W, começando pelas torres e terminando no Paine Grande, então pegamos uma van que nos leva até a HosteriaLas Torres (economiza 1:30h a pé) e lá enfim começamos o nosso trekking pelo Parque Nacional Torres delPaine! A primeira parte da trilha é de uma subida que, no primeiro dia com a mochila nas costas, parecia infinita, até chegarmos ao Vale do Rio Ascencio. Chegamos bem esgotados lá em cima, mas foi só ai que começamos a ter noção da dimensão do lugar que nós estávamos. O vale é enorme, muito lindo e partir desse ponto é só descida até o Refúgio Chileno. Chegando ao Chileno paramos para descansar, fazer um lanche e apreciar a linda paisagem daquele lugar, com várias barracas coloridas montadas na beira do rio. Como somos fumantes e fumamos muito nessa viagem, nossa resistência a longas caminhadas estava bem comprometida, ainda mais com muitos quilos de mochila nas costas, não foi fácil, demoramos bem acima do tempo para fazer o primeiro trecho. Após recuperar o fôlego continuamos até o Campamento Torres, que tínhamos feito reserva na administração e montamos pela primeira vez na vida uma barraca de camping (haha), pegamos nossa comida e fomos fazer nossa janta no “refeitório” do camping. Estávamos esgotados do primeiro dia e fomos dormir cedo, pq no dia seguinte queríamos ver o amanhecer nas torres. Entrada Torres delPaine = CLP 36.000 Van até o Las Torres = CLP 5.600 24/09/2017 18° dia – Circuito W – Torres del Paine Dia 2: Base das torres – Refugio Los Cuernos Acordamos às 5:00h da manhã, comemos um negócio rapidinho e começamos a subir, ainda no escuro, usando nossos celulares como lanterna. Ah, levamos também nossos sacos de dormir (dica dada pela holandesa no Base Camp, já que lá em cima é muuuuuuuito frio). A primeira parte da subida é “tranquila”, dentro de um bosque, com subida relativamente fácil, mas a segunda é bem tensa. Quando saímos do bosque começa uma trilha bem íngreme do lado de um abismo no meio de muitas pedras. Deu medinho rs. Ao chegar lá em cima, na base das torres, foi só alegria. Estava começando a clarear e fazia um frio de matar, daí subi mais até uma pedra bem no alto, entrei no saco de dormir que estava quentinho e deitei na pedra para assistir aquele espetáculo que é o sol cobrindo as torres de laranja de cima a baixo. Passei um tempo lá em cima e depois comecei a descida de volta ao camping pra dormir mais um pouquinho. Acordamos depois do horário previsto e o camping já estava vazio. Começamos o segundo dia de trilha por volta de 11h e seguimos em direção ao Los Cuernos, subindo de volta o vale do Rio Ascencio. Logo no final da subida, no mesmo lugar que passamos na ida, tem uma placa informando um atalho pro Los Cuerno, e obviamente pegamos ele. Apesar de atalho o caminho até o Cuernos é bem longo, mas tranquilo, em sua maioria descida e sempre com o Lago Nordenskjold nos acompanhando ao fundo. De novo fizemos esse trecho num tempo bem maior que o previsto (8h). Chegamos no Los Cuernos e o sol já estava baixo, pagamos a taxa de camping e fomos montar nossa barraca bem pertinho do lago. O Cuernos, por ser pago, tem uma estrutura grande e pra mim é o camping mais bonito do parque e o melhor de tudo, tem chuveiro com água quente. Fizemos nossa comida, bebemos um pouco de vodka e fomos dormir. Acampamento Los Cuernos = CLP 7.000 25/09/2017 19° dia – Circuito W – Torres del Paine Dia 3: Refugio Los Cuernos – Camp Italiano – Vale do Francês Às 10:00h deixamos o Cuernos em direção ao Campamento Italiano, outro acampamento grátis do parque. No caminho conhecemos o Nino e a Marina, um casal de brasileiros super legais e acabamos ficando juntos até o final do Torres. Chegando no Italiano, nosso plano era deixar a mochila junto com o guarda parques, subir o vale do francês e continuar o caminho até o Paine Grande no mesmo dia, mas como a gente não estava conseguindo cumprir os tempos previstos de descolamento nas trilhas, achamos que poderia ser perigoso continuar e acabar tendo que de andar na noite na trilha. Ficamos com o Nilo e a Marina no Italiano, montamos acampamento e subimos em direção ao Vale do Francês. Fomos até o útimo mirador e voltamos ao camping quase de noite, acho que passava das 22h quando chegamos no camping. Tivemos que fazer nosso jantar no escuro e para completar, ainda tinham 3 raposas cercando o camping atrás de comida! Aquela foi a noite mais fria de toda a viagem. 26/09/2017 20° dia – Circuito W – Torres del Paine Dia 4: Italiano – Paine Grande Acordamos umas 10h, arrumamos as coisas e partimos em direção ao Paine Grande. Essa é a trilha mais de boa do parque, sem muitos altos e baixos, passa entre a área que sofreu o grande incêndio de 2011 que é bem sinistra e faz você perceber o por que a administração foca tanto nos alertas de utilização de fogo. Chegamos ao Refugio Paine Grande por volta de 14:00h. Nosso planejamento era estar voltando hoje do Refúgio Grey, mas como decidimos ficar no Italiano na noite passada, não tivemos como ir até o Glaciar Grey já que tínhamos que voltar hoje pra Puerto Natales, então fizemos nosso almoço no Paine Grande junto com os meninos que logo seguiram pro Grey e nós esperamos pra pegar o catamarã das 18:00h (CLP 30.000). Nosso passeio pelo Torres delPaine acabou ali, mas mesmo não tendo visitado o Grey, estávamos emocionados de ter conhecido aquele lugar mágico e também de ter feito nosso primeiro acampamento naquele lugar. Aluguel do equipamento (CLP 44.500 para 4 dias) Voltamos pra Puerto Natales e fomos ao hostel Koten-Aike (CLP 20.000) pegar nossas coisas que deixamos no locker, mas tivemos que ir atrás de outro pq estava lotado. Quando abri o app do hostelworld pra ver algum hostel tivemos um susto, a cidade estava com todos os hostels cheios! Tivemos que ficar em um com quarto duplo, bem mais caro do que pretendiamospagar.Assim q fizemos o checkin corremos pra entregar todos os equipamentos antes que as lojas fechassem (perto das 22h Punta Arenas – 1 dia 27/09/2017 21° dia – Ônibus de Puerto Natales a Punta Arenas (4 horas) E de Punta Arenas vôo para Santiago/São Paulo Forte Abraço
  13. felipenedo

    Chernobyl - Relato e Fotos

    Olá amigos viageiros! Aqui vai o relato de minha visita à Chernobyl! Mais detalhes lá no: www.profissaoviageiro.com Para me seguir lá no Insta… Instagram: @profissaoviageiro Só um aviso, se apagar a luz você vai perceber que esse relato brilha no escuro!!! Visitar Chernobyl foi algo sensacional! Um passeio único com muitas experiências diferentes e histórias da União Soviética que são incríveis! O que me levou a visitar um lugar desse? Aquilo é uma amostra do que aconteceria com a Terra se do dia para a noite os humanos simplesmente fossem embora daqui. A natureza voltaria a tomar conta do que é dela, engolindo a bagunça que deixamos para trás. Impressionante ver um lugar daqueles e ouvir tantas e tantas histórias do que rolou naquele lugar. Essa visita foi feita em 23/11/2017 Esse tour só é permitido com uma agência de turismo regulamentada. Existem algumas que oferecem o passeio. Não tem tanta diferença de uma para outra e a maioria delas oferece a opção também de passar a noite dentro da zona de exclusão. Bom, vamos lá… Para quem não sabe, em 26 de Abril de 1986 o reator 4 da Usina Nuclear de Chernobyl explodiu e causou o pior acidente nuclear do mundo até hoje. O governo soviético tentou esconder o ocorrido até que outros países da Europa, como a Suécia (beeeem longe de lá), por exemplo, perceberam que algo estava bem errado. Só aí eles admitiram o acidente. Tinha muita coisa acontecendo completamente fora do controle deles. Após alguns dias eles evacuaram as cidades vizinhas à usina e posteriormente criaram 2 áreas de exclusão. Em um raio de 30km da usina inicia a primeira área de exclusão. A segunda a 10km da usina, com uma contaminação bem pior. São tantas histórias insanas que escutamos lá que nem sei se consigo reproduzir todas aqui… Mas o negócio foi bem tenso. A usina ficava a menos de 3km da cidade de Pripyat, uma cidade modelo que a União Soviética usava como exemplo de como o patético regime socialista “funcionava muito bem”. O Governo sempre levava delegações de outros países para se hospedarem lá, tentando impressionar com a estrutura da cidade. Morar em Pripyat era muito bom mesmo. Segundo a nossa guia, lá surgiu o primeiro supermercado da União Soviética inteira e era o único lugar que o governo sempre abastecia para não deixar faltar alimentos e outros itens. Inclusive isso estava causando algum desconforto para os moradores de Pripyat, pois pessoas de outras cidades da União Soviética viajavam centenas de quilômetros para fazer compras lá, o que gerava filas intermináveis nesse mercado que se alongavam pelo meio da cidade! Como em todo bom regime socialista/comunista as pessoas não tinham nada em suas cidades e preferiam isso a passar fome ou necessidade de itens básicos. O governo demorou mais de 24 horas para iniciar a evacuação de Pripyat, e só fez isso quando a radiação já estava em níveis absurdos. O governo preferiu não falar a verdade para a população. Os moradores foram informados que a evacuação era temporária e por isso alguns não levaram muito mais do que a roupa do corpo… Nunca mais voltaram para casa. Por isso que ainda se vê muitos itens pessoais nas casas do jeito que foram deixados a mais de 30 anos atrás. As histórias do que se refere ao controle do acidente, como conter as chamas do reator e isolar a radiação, são bizarras. As pessoas ainda não entendiam muito bem os efeitos da radiação. Esse trabalho foi feito por voluntários e membros do exército (que não tinham muita escolha). Impossível imaginar que algum deles saiu sem sequelas desse trabalho. As pessoas responsáveis por esse trabalho receberam o nome de Liquidadores. Diziam que a radiação era tão forte que até a cor dos olhos mudava nos trabalhadores que ficavam dentro da usina depois de algumas horas de trabalho. Máquinas chegavam a quebrar devido a exposição da radiação. Foi algo absurdo! Bom, vamos à visita… O Tour começa em Kiev logo cedo. Pegamos uma van e vamos em direção norte. O primeiro check point é para entrada na zona de exclusão do raio de 30 Km. Temos que parar, descer e sermos identificados pelos membros do exército que ficam lá. Dentro dessa parte da zona de exclusão a radiação ainda não muda muito no ar. O principal problema está no solo. Durante todo o tour não podemos apoiar nossas coisas no chão, encostar em plantas ou qualquer outra coisa. Vamos então parando em alguns vilarejos no caminho para ver o que sobrou deles. Basicamente todas as casas que eram feitas de madeira foram demolidas e enterradas. Não é possível descontaminar madeira, então o jeito foi demolir e enterrar. As de alvenaria ainda estão de pé. Existem alguns cachorros soltos dentro da zona de exclusão que são alimentados basicamente pelos turistas e trabalhadores de lá. Também existem muitos outros animais soltos, inclusive se não me engano lá é um dos poucos lugares do mundo que existem cavalos selvagens. Eu não vi nada além de cachorros e pássaros. Aqui as tábuas de madeira foram arrancadas. Aparentemente até boas tábuas de madeira não era fácil de conseguir, então elas podem ter sido tiradas para serem reutilizadas em outro lugar. Outra explicação é que as pessoas na época não colocavam seu dinheiro no banco, pois o justíssimo sistema socialista poderia confisca-lo sem grandes explicações. Então as pessoas escondiam o seu dinheiro em baixo do piso de suas casas. Como durante a evacuação muitos saíram correndo e nem levaram seus pertences, algumas pessoas voltaram paras as casas abandonadas e tentavam achar dinheiro em baixo dos pisos para roubá-lo. Paramos em umas 2 ou 3 vilas antes de chegar na cidade de Chernobyl. Lá até que está conservada, porque as pessoas que trabalham dentro da zona de exclusão usam Chernobyl como base, além do hotel que se pode passar a noite também ficar lá. Então é um visual um pouco diferente do que se vê no resto do passeio. Chernobyl até que está “arrumadinha”. A foto está péssima, mas esse é um monumento onde cada uma das vilas dentro da zona de exclusão está representada por esses círculos. Na verdade o resto do monumento está atrás de mim. Aqui estão os nomes de todos os moradores de Chernobyl que tiveram que deixar a cidade durante a evacuação. Nosso almoço foi servido aqui, no refeitório de uma “pousada”. Não se pode comer nada ao ar livre aqui. Toda a comida que é servida tem que vir de fora da zona de exclusão. Só por garantia deixei meu medidor de radiação (Contador Geiger) ligado do lado das coisas que estava comendo! Depois do almoço fomos tirar umas fotos com os uniformes e equipamentos do pessoal da nossa agência. No meu tour também estava incluído dirigir o carro deles, um Lada top de linha que um Ucraniano que estava no passeio contou que um modelo daquele na época da União Soviética tinha fila de espera de até 20 anos!!! Viva o socialismo!!!! Bom, pisaram na bola e não teve o rolê no Lada. No final do tour eu reclamei formalmente sobre isso. Mas pelo menos tirei umas fotos no carro! Bom, depois disso que começa a parte mais tensa do passeio. Entrando dentro da zona de exclusão do raio de 10Km. Mais um lugar que temos que sair do veículo e o pessoal do exército de novo confere um por um. Desse ponto para frente a radiação no ar já aumenta, e sobe muito em determinados lugares. Muito mesmo! Vamos em direção a Pripyat, fazendo algumas paradas no caminho. Esse é um lugar bem famoso, onde sempre vemos fotos sobre Chernobyl. Aqui era uma escola primária. É um dos lugares mais tristes de se visitar. Depois paramos em um lugar já pertinho de Pripyat onde conseguimos ver os reatores da usina que estavam em funcionamento e também do outro lado os 2 outros reatores que estavam sendo construídos. Essa imensa estrutura metálica é o sarcófago novinho em folha que serve para conter a radiação do reator 4. Ele foi construído para substituir o primeiro sarcófago que havia sido construído para durar 30 anos. Esse novo sarcófago foi criado para durar 100 anos e o que eles esperam é que até lá já se tenha descoberto novas formas de conter essa radiação de uma forma mais eficaz e definitiva. Com o conhecimento e tecnologia de hoje, acho que isso era o melhor que dava para fazer! Aqui dá para ver as chaminés dos outros reatores… O 1 e o 2, da direita para a esquerda, são essas chaminezinhas lado a lado com uma chaminé grande entre eles. O 3 está dentro dessa casinha e o 4 dentro do sarcófago. Aqui as obras nunca terminadas dos reatores 5 e 6. Chegamos então na entrada de Pripyat! A cidade foi inaugurada em 1970 e evacuada em 1986. Tinha aproximadamente 48.000 habitantes na época. Quando entramos na cidade é algo realmente muito louco. A guia ia mostrando as fotos de como era a cidade e nós vamos vendo como está agora… É impressionante! Esse que é o primeiro supermercado da União Soviética! Vamos entrando em diversos prédios com muito cuidado para não cair em um buraco ou o piso ceder com a gente em cima. Aqui material político dos soviéticos!!!! Imagina entrar em um lugar desses de noite!!!!!!! Esse era o ginásio de esportes da cidade! Fomos então para o famoso parque de diversões. Essa é a roda gigante que nunca foi utilizada. Sua inauguração estava marcada para alguns dias após o acidente nuclear. Hoje ela é um dos grandes símbolos de Pripyat e ninguém nunca deu uma volta nela! Essa aqui é a avenida principal da cidade… Assistimos um vídeo dentro da van de como era isso aqui antes… Não dá para acreditar que estamos no mesmo lugar! Aqui era um outro complexo esportivo. Depois disso fomos para o ponto mais próximo do reator. Ficamos a 300 metros de distância da usina que causou o maior acidente nuclear da história!!!!!! Isso é muito louco!!!! Quando saímos de lá passamos pela área mais contaminada por radiação do planeta terra: A Red Forest. Eu realmente não queria que nossa van quebrasse alí! Quando estamos chegando perto, a nossa guia sem falar nada só liga o medidor de radiação dela e fica mostrando para nós. Meio que sem entender muito todo mundo deixa o próprio medidor ligado… De repente ela começa a fazer a leitura e todos os alarmes dos nossos medidores começam a apitar… E ela vai lendo… Dois ponto três… Cinco……. Doze……… Quatorze………. Dezessete…….. Dezoito……… Vinte e dois……….. E o negócio não parava de subir… Isso tudo no meio daqueles alarmes tocando sem parar. Foi insano! Só como referência, uma radiação considerada “normal” é de 0,1 nessa unidade que nossos aparelhos mediam. Mas foi tudo muito rápido. De repente já tínhamos passado a Floresta Vermelha e tudo voltou ao normal! Pena que ela não avisou antes e preferiu fazer o mistério, se não teria filmado isso! Sério, foi bem louco! Mas foi bacana também o suspense!!!!! Isso porque estávamos dentro da van. O veículo protege muito da radiação. As diferenças que eu media de dentro para fora da van eram imensas nos lugares que descíamos. Mesmo dentro das casas o nível de radiação já caía bastante. Eu fico imaginando a radiação desse lugar, mesmo mais de 30 anos depois do acidente….. De lá partimos para a última grande parada do tour… Uma antena! Mas não era qualquer antena… Era a DUGA, ou DUGA 3! Essa anteninha foi construída com propósitos militares em um esquema ultra secreto do governo soviético. O local nem endereço tinha e na estrada que levava até o local da antena eles tentaram dar a impressão que se tratava de um local de acampamento estudantil. É como se aqueles filmes de espionagem começassem a ganhar vida! Para eles aquela história toda era muito real… Realmente se alguém descobrisse aquilo, ia ser difícil de convencer que era só uma anteninha tentando captar uma rádio de sertanejo universitário aqui no Brasil, por exemplo!!!! Olha o ponto de ônibus perto de lá com um ursinho desenhado! A entrada era só esse portão, para não chamar muito a atenção. Essa antena também ficou conhecida como o pica-pau russo, pois causava interferência de rádio em ondas curtas com um som parecido de um pica-pau por todo o hemisfério norte! Algumas teorias de conspiração achavam que eram os russos tentando entrar na mente das pessoas!!! Na verdade ela servia (ou deveria servir) para identificar lançamentos de mísseis de países inimigos a uma longa distancia, dando tempo de se prepararem para sua defesa. Aparentemente ela não funcionava muito bem, dando alarmes falsos, por exemplo, o que não deixou o pessoal de lá nada satisfeito, uma vez que o custo para construir aquilo foi algo estratosférico! Eu é que não queria ser o responsável pelo projeto em uma hora dessas !!!!! No final das contas o que eles deixaram foi uma estrutura bem bonita e imponente, ainda mais em um dia ensolarado de outono!!! Essa placa de radiação é só enfeite… O local não possui contaminação especialmente significativa! Aqui a nossa guia e o atual guardião da antena! Mesmo sendo Outono estava muito frio e já nevava bastante por lá. Após as instalações ultra secretas do governo soviético, foram só mais duas paradas rápidas…. Uma para ver algumas máquinas utilizadas no trabalho de isolamento do reator na época da explosão: E um monumento em homenagem aos liquidadores e bombeiros que foram responsáveis por todo o trabalho de combater o incêndio e conter a propagação da radiação: Depois disso só paramos nos check points para medição de radiação em nosso corpo e roupas… Eram máquinas muito velhas! Espero que estivessem funcionando bem e não deixaram eu voltar para casa com um tênis cheio de radiação! E foi isso! Foi assim meu dia em Chernobyl. Um dia cheio de experiências, histórias e aprendizado! Valeu demais o passeio!!!!!! Nota 10!!! Se alguém tiver alguma dúvida ou quiser alguma dica, é só falar! Abraço!!!!! Felipe www.profissaoviageiro.com Instagram: @profissaoviageiro Enjoy Chernobyl… … Die Later!
  14. gleydy

    Peru - Bolívia

    Olá pessoal, depois de dicas para São pedro de Atacama e Ushuaia (pulei Portugal, porque acho que é mais simples e montar uma viagem), agora é a vez de Peru e Bolívia. Tenho muitas coisas a dizer desta viagem ... sou de escrever muito nos mínimos detalhes. Fotos acho que não vale a pena postar, porque fotos tem aos montes na internet e cada uma mais linda que a outra e é tudo verdade! Nossa viagem consistiu em ir direto de Floripa à Cusco: Cusco - Ollantaytambo - Águas Calientes - Arequipa (Peru). Na Bolívia, fomos de ônibus de Arequipa para Puno e de Puno para Copacabana. Voltamos para o Brasil via La Paz, porque era mais próximo de Copacabana (3:30hr). A coisa mais importante que eu gostaria de abordar neste tópico é em relação ao tipo de turista que vai para estes dois países, para assim poder escolher a melhor forma de conhecer cada ponto turístico e sua história. Vamos lá então. Começando por mim e meu marido: somos turistas de mochilas nas costas (apesar da nossa idade) e gostamos de liberdade, porém ao procurar informações percebi que o ideal era fazer os tours com guia para conhecer a história de cada ponto a visitar, sem a qual de nada valeria conhecer. É a mais pura verdade, mas partindo deste princípio é que vou detalhar as possibilidades que eu percebi. PERU: DESVANTAGENS - PERU: 1. Os tours montados nos dois países estão vinculados a um tempo muito curto, o que ocasiona uma correria sem fim para ver muitas vezes apenas o ponto mais importante, segundo eles, de um ponto turístico, esquecendo que ao redor há tantas coisas tão ou mais importantes que o ponto escolhido como principal; 2. Os tempos se resumem a minutos, como: 40 minutos para almoçar, 15 minutos para andar por aí "livremente", 5 minutos para fotos, etc; Cada local é muito visitado e às vezes caminhar até o ponto de encontro é uma tarefa estressante; 3. Alguns guias "ameaçam" que se não estiver na hora estipulada, vai ter que pagar táxi para ir atrás do ônibus ou dar um outro jeito (e aconteceu, um turista foi deixado para trás); **Concordo que há turistas que não cumprem horários e infelizmente, algum limite deve ser dado, mas há formas de dizer e falar as normas. 4. Temos que andar da Plaza de Armas até foram do Centro Histórico para encontrar o ônibus da excursão e na volta o mesmo, porque não pode entrar ônibus no Centro Histórico Os tours são todos sem exceção em pontos altos e muitas pessoas sofrem com o "soroche" ou mal das alturas, o que provoca falta de ar. Sobe e desce de lugares muito altos o tempo todo. O que os guias não levam em consideração: 1. há muitas pessoas idosas nos passeios que ocasiona uma correria que o idoso muitas vezes não consegue acompanhar ainda mais na altitude; 2. com o efeito do soroche é inviável subir e descer correndo, levando muito mais tempo para chegar ao ponto combinado e muitas vezes perdendo a explicação dos guias e quando chegam, está na hora de voltar e descer. 3. nem todos tem preparo físico para subir, descer e andar às pressas VANTAGENS - PERU: 1. Preço mais em conta. É mais barato que um táxi se estiver sozinho ou em duas pessoas, porque terá motorista e guia com as informações que te interessam 2. Comodidade de um banco de ônibus A partir disso temos dois tipos de turistas à princípio: aquele que prefere realmente os tours com guias e motoristas, assim os programas em Cusco se encaixam perfeitamente para estes turistas> aqueles que gostam de viver com mais tempo e liberdade para conhecer fica a dica: 1. Pesquise no Google cada local a visitar. Desta forma não precisará de guia. Vai encontrar a história de cada símbolo e espaço criado pelos Incas ou pelos espanhóis de forma fácil. 2. se estiver em duas ou mais pessoas, vale contratar um táxi. Você poderá montar teu passeio, os locais que deseja conhecer, será mais rápido que com as agências, pois é entrar no táxi (que poderá te pegar no local onde está hospedado) e ir direto ao ponto destino. DICAS IMPORTANTES - PERU: 1. Come-se muito bem nos dois países, mas o melhor é comer BBB (Bom, Bonito e Barato). Achamos um local no Centro Histórico de Cusco que tem os 3 requisitos. Come-se a $7,50 com sopa típica do Peru como primeiro prato e o segundo prato também são comidas típicas da região. você sai rolando de lá por um valor beeeem abaixo do cobrado em outros restaurantes. Nessa rua há 3 ou 4 restaurantes no mesmo valor e estilo (o lugar é bem aconchegante). Descobrimos na caminhada até o ônibus das excursões. Passamos diariamente por essa rua. O endereço é: Calle Pampa del Castillo. O restaurante que íamos é o Apu Koricancha n° 320. 2. Levem dinheiro. Usem cartão de crédito somente na emergência. É uma boa economia. 3 . Particularmente não vejo motivo para ter como base a cidade de Cusco. É uma cidade que se resume ao Centro Histórico. A Plaza de Armas é onde tudo acontece, e também é onde você é o tempo todo abordado para comprar alguma coisa. Dá muita vontade de ajudar, mas se formos ajudar a todos, ficaríamos lisos no primeiro dia. Vi como uma boa opção a cidade de OLLANTAYTAMBO. Ela fica no meio do caminho entre Cusco e Matchu Picchu echega-se de trem ou ônibus. De lá saem os mesmos tours que em Cusco, inclusive tour para conhecer Cusco, há táxis no centro histórico que te levam aonde quiser, a cidade é pequena e mais aconchegante e bonita. 4. em todos esse lugares o centro histórico é o lugar de partida e chegada de qualquer passeio, é o centro de tudo e que conta muita história. Os arredores são de muita pobreza e isso nos deixa um pouco abatidos por se tratar de um dos locais mais visitados no mundo e não se vê retorno nem para o povo e nem de manutenção (exceto Arequipa) da cidade. O excesso de turistas está depredando a história e já há indicações de que algo em breve será feito à respeito, para minimizar o estragos destes anos todos. O que será dessa gente que vive só de vender coisas para turistas, eu não sei. Infelizmente chegou a um ponto de excesso em tudo, inclusive de dependência total do turismo que poderá sofrer um corte radical nos próximos anos. 5. O soroche pega gente, a alguns com mais força e a outros com menos. Há quem até não sinta nada. Portanto a dica é Soroche Pills para quem sofre com, enxaquecas e problemas digestivos nesses locais de altitude, principalmente quando ultrapassa os 4000 metros. A dor de cabeça é fulminante ... UI! dói pra caramba ... 6. o táxi para uma pessoa e até para duas pode sair mais caro realmente, mas compensa por poder montar teu passeio e o tempo desejado em cada um deles. É muito mais ágil que um ônibus com pelo menos 30 passageiros. Vale fazer a pesquisa, entrar em contato com táxis de Cusco ou da região para viabilizar esta opção. De repente pode ir a mais lugares que nos tours, economizando assim mais alguns Soles. Se for mais de 2 pessoas, é só correr pro abraço! vai com fé. BOLÍVIA: Fomos ao Titicaca, em Copacabana e Isla del Sol. Diria que foi simplesmente lindo. O Titicaca tem um por do Sol, um nascer do Sol e uma cor de azul inigualável. Recomendo dormir uma noite na Isla del Sol ou duas caso conseguir ir até o Norte da Ilha. OBS: há 3 vilas na Isla del Sol: Sul (mais opções de estadias), Centro e Norte. Os barcos chegam (ou chegavam) no Norte e Sul. Há mais de um ano a vila do centro se revoltou e não há como atravessar a ilha do sul para o norte ou vice-versa. O centro não permite passar e não está havendo barcos para o norte, apenas para o sul. Uma pena, porque valeria muito conhecer a ilha inteira que é de uma beleza sem igual. DICAS - BOLÍVIA: 1. o mais legal nessa ilha é se perder, pois acaba passando por lugares fantásticos e acaba sempre se achando de novo. 2. a truta é o prato principal da ilha e de Copacabana 3. Salteña é um empanado delicioso que pode encontrar em Copacabana na praça principal e Paseña é a cerveja da região ... hummm ... muito boa! 4. Chegando em Copacabana não precisa de táxi. É tudo perto e tem muitas opções próximo ao Titicaca. 5. *Para ir ou voltar da Isla del Sol, eles podem vender mais tickets do que assentos no barco. 4 turistas ficaram na Isla del Sol, porque disseram a eles que o barco estava cheio e que se embarcassem, eles (turistas) poderiam ser multados em $1000,00 bolivianos. Como se eles compraram as passagens? resultado: os rapazes não quiseram forçar a barra e provavelmente perderam o ônibus para Cusco ... a cara deles não vou esquecer: pura decepção. portanto: cheguem sempre cedo ao local de embarque e fiquem na fila. Se você comprar ida e volta terá prioridade na hora de embarcar na volta, em relação àqueles que compraram a volta lá na Isla na hora (porque? não faço a mínima ideia, ainda mais que quem, comprou a volta lá, paga mais caro do que comprar ida e volta). 6. Os vendedores e cambistas sempre tentando te enrolar, mas como brasileiro é calejado com "espertinhos", tiramos de letra o papo deles. Um pouco de história que conecta o Brasil à Bolívia: No século XIX, uma réplica local da imagem de Nossa Senhora de Copacabana foi levada por comerciantes espanhóis ao Rio de Janeiro, no Brasil, onde foi criada uma pequena igreja para abrigá-la. A igreja cresceu e acabou por nomear o atual bairro de Copacabana. Você sabia? Vou terminando por aqui e se eu me lembrar de mais alguma coisa, incluo no tópico, ok? podem falar comigo se quiserem saber algo específico e se eu puder ajudar, tá bom? e-mail: [email protected] Boa viagem a todos vocês!
  15. Laguna La Vaca Hundida Início: portaria Pichares do Santuário El Cañi Final: povoado de Coilaco Duração: 2 dias Distância: 22,9km Maior altitude: 1549m Menor altitude: 354m Dificuldade: fácil (para quem está acostumado a caminhadas de vários dias com mochila cargueira) A palavra cañi significa na língua dos mapuche "outro olho" ou "outra visão", ou num significado mais profundo "a visão que transforma". O Santuário El Cañi é um parque particular administrado pela Fundación Lahuén e foi criado em 1992 para proteger os bosques, lagunas e a biodiversidade de um local sagrado para a cultura mapuche-pehuenche. Situa-se na região da Araucanía, de número IX (as regiões no Chile têm nome e número romano), próximo à cidade de Pucón. 13/03/18 - 1º DIA - da portaria Pichares à Laguna Negra e subida ao Mirador Melidekiñ Duração: 4h à Laguna Negra + 46min ida e volta ao Mirador Melidekiñ + 1h15 do Circuito de las Lagunas Distância: 7,8km à Laguna Negra + 1,9km ida e volta ao Mirador Melidekiñ + 2,1km do Circuito de las Lagunas Maior altitude: 1549m Menor altitude: 354m Dificuldade: fácil (apesar do desnível de 1195m da portaria ao mirador não há nenhuma dificuldade) No terminal de ônibus Pullman em Pucón tomei o micro-ônibus das 8h50 para El Cañi, que saiu de verdade às 9h (ver horários abaixo em Informações Adicionais). Esse ônibus vai para diversas termas próximas à cidade e eu saltei na portaria do Santuário El Cañi às 9h28. Altitude de 354m. Ali fica a administração da reserva. Fui recebido pelos atenciosos guias/guardaparques que me passaram todas as informações sobre a travessia a Coilaco, caminhada que pouca gente faz. A grande maioria dos visitantes se limita a um bate-volta dessa portaria ao Mirador Melidekiñ. Eu não iria desperdiçar um contato maior com um lugar tão bonito, então fui com barraca e comida para passar uma noite ali e curtir a natureza ao máximo (acabei passando duas noites por causa do mau tempo, mas isso estava previsto). Vista do Mirador Melidekiñ para as lagunas Negra (dir) e Bella (esq) Na portaria paguei a tarifa de entrada de CLP 4000 (R$ 21) e de camping de CLP 3000 (R$ 16) por noite e recebi um folheto com mapa bastante detalhado e informações de fauna e flora. Esse folheto descreve 9 pontos de observação e é bastante interessante parar em cada um e ler o respectivo texto. Saí às 9h50. A caminhada começa por uma estrada de terra que passa logo atrás da administração, indo para a esquerda. Percorri esse trecho parando muitas vezes para saborear as amoras maduras que dão em arbustos espinhentos. Às 10h20 encontrei o estacionamento da reserva à esquerda e um caminho largo que sai à direita com uma seta. A sinalização aqui merece uma nota: é toda feita com placas de madeira com símbolos em lugar de palavras. A localização e explicação de cada símbolo estão no folheto. As setas são feitas de pedaços de bambu. O caminho largo da direita sobe e passa por uma guarita, que estava vazia. Subindo mais uns 4 minutos (desde a guarita) encontrei água e parei para um lanche. Voltei a caminhar às 10h47 e a subida é constante. Às 10h53 passei pelo Camping La Loma mas não vi ninguém. Uma torneira ali fornece água. Às 11h12 uma bifurcação com símbolos e setas de bambu: a caminhada continua para a esquerda, mas à direita vale a pena ir até o Mirador Kutralko (a apenas 25m) e ler o que o folheto do parque explica sobre a história da comunidade de Pichares. A visão é para o vale do Rio Liucura a oeste. Voltando à trilha principal, apenas 3min à frente vi o símbolo de água (uma gota azul) e entrei na mata para ver uma pequena e singela cachoeira. Às 11h49 alcancei o Mirador Mamüll, com vista também para o vale do Rio Liucura a oeste, além do Lago Caburgua a norte-noroeste. As rosas-mosquetas já perderam suas flores e estão com frutos crescidos porém ainda verdes. É uma planta muito abundante no Chile. Às 12h09, ainda subindo pelo caminho largo, cheguei ao Refúgio Aserradero (serraria, em espanhol). Ali há um quincho, uma construção de madeira bem grande com espaço para fazer fogo dentro. Neste havia uma plataforma elevada onde se pode pernoitar. Também se pode acampar nesta área e havia uma barraca apenas. Uma construção de madeira elevada mais abaixo deve ser o banheiro. Vulcão Villarrica Continuei a caminhada às 12h19 e o caminho largo se converte em trilha em meio a um bosque muito bonito. Às 12h49 passei pela Estação Silêncio. A leitura do folheto para este local convida a "tomar um minuto e escutar a vida destes bosques" repletos de grandes coigües e habitat de pássaros como o carpintero (pica-pau da Patagônia). Realmente vale a pena parar um pouco, ficar em silêncio e se integrar a essa natureza tão acolhedora. Às 13h02 cheguei à primeira das muitas lagunas, a Laguna Seca ou Laguna Las Totoras. Como os nomes já dizem, há muito mais capim (totora) do que água. E infelizmente há vacas pastando. Às 13h23 encontro uma bifurcação e vou para a esquerda (à direita é um dos caminhos para Coilaco, mas tomaria outro no dia seguinte que encontra esta trilha 1,1km adentro). Às 13h29 chego ao local denominado Pewen, território das lindas araucárias, árvore sagrada para os mapuche-pehuenche, que tinham o pinhão como base de sua alimentação. Para esses povos é importante pedir permissão às araucárias para entrar no bosque. Além dessas árvores quem me dá as boas-vindas é uma raposinha moradora do local. Às 13h47 alcanço enfim a Laguna Negra e sua área de acampamento. Antes de subir ao mirante já reservei o melhor lugar, um gramado plano e espaçoso perfeito para essa noite. Montei a barraca, fiz rapidamente uma mochila de ataque com roupa de frio, de chuva, lanche, água e comecei a subir ao mirante às 14h14. Muitos zigue-zagues para amenizar a inclinação e atinjo o Mirador Melidekiñ às 14h37. Visão espetacular, dia maravilhoso. Além de todos os lagos da reserva, do Lago Villarrica, do Lago Caburgua e das cidades de Pucón e Villarrica, o folheto me informa que vulcões avisto lá de cima: Villarrica a sudoeste, Quetrupillan ao sul, Lanin a sudeste e Llaima ao norte. Havia bastante gente no mirante, estava meio congestionado até... rs. Mas o pessoal do bate-volta logo começou a descer e restaram poucas pessoas admirando o lugar com mais calma. Uma brasileira apareceu por lá mas desceu logo também. Altitude de 1549m, desnível de 1195m desde a portaria. Iniciei a descida às 16h16 e havia várias pessoas subindo ainda ao mirante. Às 16h42 estava de volta à barraca e parti para o Circuito de las Lagunas, de 2,1km de extensão. Fiz no sentido horário, como sugerem as placas do caminho. Pela ordem passei pelas lagunas El Risco, La Vaca Hundida (a vaca afundada), Escondida e Bella. Completei o circuito todo em 1h10 tranquilamente. Todas lagunas muito bonitas em meio a bosques deliciosos de se caminhar. No mapinha do parque esse acampamento da Laguna Negra possui banheiros mas na realidade não há. Vi a base do que pode ter sido uma cabana ou um banheiro, mas não resta mais nada. Água se pode coletar da laguna (e tratar) ou de um fio d'água que corre ao lado do acampamento. Nessa noite havia mais 3 barracas e todas montadas na pura terra úmida para sujar bastante. Altitude de 1334m. Vista do Mirador Melidekiñ 14/03/18 - dia inteiro de chuva, granizo, ventos, neblina e muito frio. Saí da barraca após as 17h e os meus vizinhos haviam ido embora. Desmontaram acampamento embaixo de chuva e desceram com aquele tempo horrível. 15/03/18 - 2º DIA - da Laguna Negra a Coilaco Duração: 3h20 Distância: 11,1km Maior altitude: 1451m Menor altitude: 660m Dificuldade: fácil A temperatura mínima da noite foi 0,2ºC, mas saiu o sol como previu o site www.yr.no (os outros erraram). Logo cedo subi ao mirante de novo e consegui fotos bem melhores pois pela manhã o céu é muito mais limpo, à tarde as nuvens começam a se acumular. Na volta desmontei acampamento e comecei a caminhar às 13h28. O plano era atravessar o parque e sair por Coilaco, uma localidade ao sul da reserva onde há ônibus para voltar a Pucón. Água nesse dia só a das lagunas mesmo. Refiz uma parte do Circuito de las Lagunas porém no sentido anti-horário para alcançar mais rapidamente a saída para Coilaco a partir de uma bifurcação explorada no dia anterior. Essa bifurcação fica junto à Laguna Escondida. Ali tomei a direita, passei pela laguna e enfrentei uma longa subida. Na descida seguinte me vi entre dois lagos e tomei a trilha da direita na bifurcação às 14h27. Essas são as Lagunas Las Mellizas (última água do dia). Ao contornar uma delas surge uma bifurcação. Meu caminho é à direita mas subo à esquerda para visitar a Laguna del Cráter (cratera), porém chegando lá só se avista a laguna bem do alto, não encontrei trilha para descer a ela. Voltei à trilha principal, subi alguns poucos metros e atingi o ponto mais alto, daí em diante só descida pela mata. Às 15h02 saio da mata e encontro uma grande clareira com a Laguna El Carpintero, na realidade uma depressão sem uma gota d'água. A trilha continua reentrando na mata ao sul, logo à esquerda do local da chegada à laguna (há uma placa de madeira "Laguna Carpintero" sinalizando a trilha). Com 25m alcanço a trilha principal que vem daquela bifurcação citada no primeiro dia (entre a Laguna Seca e Pewen). Vulcão Lanin na fronteira com a Argentina Às 15h36 pulo uma porteira com cadeado e saio da reserva. Placas dão as boas-vindas a quem faz o caminho contrário e indicam que ali é a Entrada Coilaco. Mas não há guarita ou casa por perto para cobrar a entrada de quem chega. O caminho se alarga e vai se tornando uma estradinha à medida que sai do bosque. Sigo sempre descendo pela principal. Passo por pilhas de madeira extraída da mata, plantações cercadas e às 16h08 me deparo com um portão de ferro com cadeado, ao lado outro portão de ferro destrancado por onde pude passar. Cerca de 50m adiante entroncou uma outra estradinha à direita, fui para a esquerda. Cruzei uma porteira de arame bem no meio da estrada. A essa altura já estava caminhando bem rápido pois o ônibus saía de Coilaco às 17h e o caminho era mais longo do que eu previa. Consegui chegar à estrada de Coilaco às 17h em ponto, mas não havia ninguém para perguntar se o ônibus já havia passado (e era o último do dia). Altitude de 660m. Sentei para descansar e comecei a pedir carona para os poucos carros que passavam. Até que um sitiante parou a camionete e me deu carona até o asfalto entre Vila San Pedro e Pichares. Cruzamos com o ônibus ainda indo em direção a Coilaco, estava bem atrasado. Mas o sitiante me confirmou que esse ônibus é irregular, nem sempre passa nos horários marcados na tabela do terminal de Pucón. No local onde ele me deixou há ônibus mais frequentes, esperei cerca de 20 minutos me fartando com as amoras silvestres em pencas bem ao lado do ponto. Informações adicionais: Os horários de ônibus entre Pucón e El Cañi são: . saindo do Terminal Rural situado à Rua Uruguay, em frente ao Terminal JAC: Pucón-El Cañi-termas: seg a sáb - 7h, 10h30, 13h30, 15h40, 17h30 dom e feriado - 10h30, 13h30, 15h40, 17h30 termas-El Cañi-Pucón: seg a sáb - 8h10, 11h30, 14h30, 16h30, 18h30 dom e feriado - 11h30, 14h30, 16h30, 18h30 . saindo do Terminal Pullman situado à Rua Palguin: Pucón-El Cañi-termas: seg a sáb - 8h15, 8h50, 10h, 12h30, 14h30, 15h30, 17h, 18h30, 20h20 dom e feriado - 8h15, 10h, 12h30, 15h30, 19h termas-El Cañi-Pucón: seg a sáb - 9h10, 9h30, 11h, 13h30, 15h30, 17h, 19h30 dom e feriado - 9h10, 11h, 13h30, 17h Tarifa de CLP 1000 (R$ 5,35) Horários de ônibus entre Pucón e Coilaco (ônibus irregular segundo informaram, melhor confirmar com alguém do terminal ou algum motorista se o ônibus vai sair mesmo): Pucón-Coilaco: 11h30, 16h15, 18h45 Coilaco-Pucón: 7h, 12h30, 17h A entrada na reserva custa CLP 4000 (R$ 21) e o camping custa CLP 3000 (R$ 16) por pessoa por noite. Os locais permitidos para camping são Refúgio Aserradero e Laguna Negra. Para saber mais: www.santuariocani.cl O grau de dificuldade que coloco nos relatos é uma avaliação pessoal e considera que o trilheiro esteja acostumado a caminhadas de vários dias com mochila cargueira. Para um iniciante considere todas as trilhas como difíceis. Para um iniciante que não esteja em boa forma física é melhor procurar trilhas fáceis de um dia para ganhar experiência e condicionamento. Rafael Santiago março/2018 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  16. Salve galera mochileira, estou aqui mais uma vez pra compartilhar com vocês outra viagem minha, dessa vez o destino foi o México, a viagem foi entre 17/09/17 e 11/10/17. Por conta da minha vida corrida não tive tempo de fazer o relato antes, então conforme for escrevendo vou postando aqui. Antes de começar o relato, eu vou colocar algumas informações básicas como hospedagens, alimentação, transporte e afins, assim quem tiver interessado apenas nisso não precisa depois perder tempo lendo todo o relato. ROTEIRO O roteiro final acabou sendo o seguinte: São Paulo - Panamá / Panamá - Cidade do México Cidade do México - 5 dias; Oaxaca de Juarez: 2 dias; San Cristobal de Las Casas: 3 dias; Valladolid: 2 dias; Tulum: 2 dias; Playa del Carmem: 3 dias; Cancún: 5 dias; Cidade do México: 1 dia. Cidade do México - Panamá / Panamá - São Paulo PASSAGENS AÉREAS As passagens aéreas, após muita pesquisa, comprei pela Copa Airlines (direto no site deles), tanto a ida quanto a volta tinha conexão no Panamá, saiu R$ 1440,00 parcelados em 5 vezes. ALIMENTAÇÃO Na Cidade do México comi muito na rua, a variedade de carrinhos e barraquinhas de tacos e outras coisas é enorme, e é bem barato, uma porção com 5 tacos variava entre 35 e 45 tacos, comer em restaurante também é de boa, procurem os que tem “comida rápida”, o preço médio é entre 50 e 65 pesos, dá pra comer bem. Com relação à pimenta não precisem se preocupar, pois na maioria das vezes ela vem separada da comida pra você colocar, e quando vem junto eles avisam que “pica”, portanto quem não gosta pode ficar tranquilo. Claro que às vezes rola umas “pegadinhas” , mas dá pra sobrevivier (se tiver dúvida, pergunte antes e cuidado com o “pica poco”, é tipo um russo falando que faz pouco frio na Rússia). Existem muitas coisas gostosas pra se comer no México, aconselho experimentar tudo, vou colocar abaixo algumas informações de comidas que podem encontrar por lá, algumas provei outras não por esquecimento (tipo, depois vou provar isso, e acabava esquecendo). Torta de pastor: ao contrário do que o nome sugere, é um sanduíche feito com uma carne que lembra o nosso churrasco grego, é bem gostoso e tem no país todo. (PROVEI) Conchinita Pibil: é um prato feito com carne de porco encontrado no estado de Yucatán. (NÃO PROVEI) Gorditas: é um tipo de salgado recheado com queijo ou carne, a massa dela é a mesma da tortilha. (NÃO PROVEI) Mole: mole é um tipo de molho encontrado facilmente no México, existem vários tipos, o mais popular é o mole poblano, ele é feito com chocolate e pimenta, inclusive existe uma receita de frango, o chamado “pollo ao mole poblano”, por incrível que pareça é bem gostoso (e eu não curto essa paradas agridoces). Pra se ter uma ideia, a guacamole é um tipo de mole. (PROVEI) Chamoy: é um tipo de molho ou condimento, sei lá, muito comum no México, se usa em doces, sucos, e até existe uma versão da famosa michelada feito com chamoy. Tem também um tipo de raspadinha chamada chamoyada, muito popular por lá. (PROVEI) Esquites: é o milho cozido misturado com queijo, sal, pó de chile (pimenta) e suco de limão, é servido num copo. (NÃO PROVEI) Elotes: é uma espiga de milho grelhada coberta com maionese ou manteiga, leva pimenta em pó e queijo em cima. (NÃO PROVEI) Marquesita: não confundam com a Bruna (ba – dá- tum), é um doce que existe na região de Yucatán , é uma espécie de crepe enrolado em canudo com recheio, que você pode escolher, é muito bom, recomendo o de Nutella com queijo bola (um tipo de queijo comum por lá). (PROVEI) Água: se você não curte água com gás (como eu), essa dica é importante, no México, quando for comprar água, olhe o rótulo e veja se é mineral ou purificada, a mineral é a com gás e a purificada é a normal. Por não saber, tive que beber 2l de água com gás. Água de jamaica: água é normalmente como chamam os sucos por lá (tem também os licuados, mas não entendi bem a diferença, e só tomei as águas), e um dos mais populares é a água de jamaica, que nada mais é um tipo de hibisco encontrado facilmente no México, tem uma coloração roxa. Existem várias bebidas feitas com jamaica, desde sucos, vinhos e até refrigerante. (PROVEI, tanto as águas quanto o vinho de jamaica) Refresco: é como chamam refrigerante no México, diferente dos outros países onde é gaseosa. Horchata: é uma bebida feita com arroz e amêndoas, não é alcoólico. (NÃO PROVEI) No México é muito comum uns mercadinhos que lembram muito as nossas lojas de conveniência de postos de gasolina e tem várias redes, as mais populares são a Oxxo (que existe também na Colômbia) e a Seven Eleven, dá pra comprar algumas coisas básicas, mas são bem mais caras que um mercado convencional, elas quebram apenas o galho quando não tiver mercado por perto. Sugiro o cachorro-quente do Oxxo, chamado Vikingo, rola uma promoção 3 vezes por semana (um dos dias é sábado) que são 2 por 30 pesos mais um refrigerante de 600 ml. SEGURANÇA Particularmente não tive problemas com segurança no México. Na Cidade do México, pelo menos na região central era uma média de uns 5 policiais por esquina, sem exagero (em algumas tinha menos e em outras mais), nas cidades do interior também caminhava de noite numa boa. Claro que furtos e roubos existem, basta tomar os mesmos cuidados que você tomaria se estivesse em uma grande metrópole aqui que nada acontecerá por lá. TRANSPORTE Na Cidade do México dá pra se deslocar de metrô, Metrobus, trem ligeiro, além de táxi e UBER. O metrô tem 9 linhas que ligam a vários pontos da cidade, o Metrobus é uma espécie de ônibus com corredor próprio e tem uma cara de metrô, pra quem já foi a Bogotá, na Colômbia, lembra muito o Transmilênio. UBER e táxi não cheguei a usar mas dizem funcionar bem e ser barato. Nas cidades do interior não usei transporte público porque as cidades costumam ser pequenas e dá pra fazer tudo a pé, em Oaxaca usei micro-ônibus para ir até Monte Albán, em San Cristobal usei van para ir e voltar de San Juan Chamula e em Valladolid usei van e ônibus pra ir e voltar de Chichen Itzá. Os deslocamentos entre cidades são feitos pela empresa ADO (lê-se “a-dê-ó”), que é a empresa que monopoliza o transporte no México, existem outras companhias como OCC, ADO Platinum, ADO Gl, AV, entre outras que pertencem a rede ADO. Todos que peguei, mesmo os mais baratos (sim, existe variedade de preços) eram confortáveis, alguns tem até carregador de celular. Recomendo baixar o aplicativo da empresa, inclusive se comprar antecipado (tanto pela Internet quanto pessoalmente no guichê), em alguns casos sai mais barato que comprar no dia. Eles cobram uma taxa de 9 pesos junto com a passagem. Também existem transportes mais baratos, como vans (pelo menos no litoral tinha e eram mais baratos que os ADO's), mas não cheguei a testar nenhum. HOSPEDAGEM Eu fiquei nos seguintes hostels: Cidade do México: México City Hostel, localizado próximo ao Zócalo (principal praça da cidade), bem no Centro Histórico, próximo da estação Zócalo do metrô. É um prédio onde os quartos ficam no 3º e 4º pisos, a cozinha e o refeitório no 2º piso e no térreo fica a recepção, onde vendem algumas bebidas como cerveja, água e refrigerante e também adaptadores de tomada. Tem café da manhã incluído, aliás, um dos melhores que tive, é bem sortido, tem suco, café, água quente e sachês de chá, iogurte, frutas cortadas (melancia e melão), cereal, e mais alguma comida feita no dia, tipo ovos mexidos, tacos no molho (é bem apimentado, pra quem não curte, fica a dica). A cozinha é grande, tem WI-Fi (nos quartos pega meio fraco) e tem lockers individuais nos quartos. Os banheiros são separados: os chuveiros ficam em um e os sanitários ficam em outro, e os masculinos ficam no 3º piso e os femininos no 4º. Oaxaca: Iguana Hostel, fica bem no centro, é uma casa comum, meio velha por fora e não tem identificação, mas por dentro é bem legal, assim que passa a recepção tem um espaço bem grande com almofadas no chão, umas redes e mesinhas, a cozinha é bem grande e talvez uma das mais equipadas que já vi, os quartos são bem espaçosos e nas camas tem tomadas e uma luminaria individual em cada cama, o banheiro tem lugar dentro do box pra colocar roupa, toalha, itens de banho. Tem também uma churrasqueira e uma área que fica na parte de trás, subindo uma escadaria. Não possui café da manhã mas você usar a cozinha pra fazer o seu. San Cristobal de las Casas: também fiquei no Iguana Hostel (é da mesma rede do de Oaxaca), são duas casas que ficam separadas por uma enorme praça, em uma ficam alguns quartos e a cozinha, que fica na parte de cima. Na outra casa fica a outra parte do hostel, onde tem mais quartos e um bar (que só funciona aos finais de semana), não sei se tem cozinha lá também. No café da manhã você ganha uma espécie de panqueca doce bem gostosa e dá pra usar a cozinha pra fazer algo. É bem localizado (até porque a cidade é pequena então tudo acaba sendo meio perto). Valladolid: Tunich Naj Hostel, vi muita gente recomendando e resolvi apostar, é uma casa bem grande, o quarto coletivo fica ao lado da recepção, é bem grande, os banheiros ficam nos fundos (tem saída pelo quarto), a cozinha também é externa, fica bem localizado (mesmo caso de San Cristobal). No primeiro dia você ganha um café da manhã de cortesia. O dono e os funcionários são muito simpáticos. Tulum: Nativus Hostel, é um grande casarão com uma cozinha não muito grande, uma enorme sala, os quartos ficam no andar de cima e tem ar condicionado. Tem um único banheiro interno e os outros ficam do lado de fora, próximos da piscina, tem café da manhã incluso, com pão de forma (tem uma torradeira se quiser usar), manteiga, geleía, cereal, café e água quante para fazer chá. O único problema é que se chover muito a rua enche (não chegou a alagar totalmente, mas na esquina tinha que desviar do pequeno lago que formou). Localização também é boa, próximo do terminal e de mercados. Playa del Carmem: Enjoy Playa Hostel, fica há uma duas quadras da 5ª Avenida (a principal da cidade), é por andares: a recepção, a cozinha (que é bem apertada) e o bar ficam no térreo, os quartos e os banheiros no andar de cima e tem um terraço com refeitório e redes. O café da manhã é simples mas bom: café, chá, frutas, pão com manteiga ou geleía e cereal. O staff é ótimo e a localição boa, perto de tudo, inclusive se caminhar umas ruas pra trás tem um Wallmart gigantesco. Cancún: Mermaid Hostel, fica no centro da cidade, tem um grande mercado próximo e andando um pouco tem um enorme Wallmart. Também não é muito longe da rodoviária, e andando duas quadras tem o ponto onde pega os ônibus que vão para a praia. O hostel tem uma enorme sala, a cozinha é razoável, no café da manhã eles disponibilizam os ingredientes para cada um fazer o seu (pão de forma, café solúvel, chá, leite, cereal manteiga, geléia, ovos, alguns temperos, tem chaleira, torradeira). Os quartos têm ar-condicionado e banheiro interno, tem uma área externa com redes. No geral, não tenho nada a reclamar de nenhuma hospedagem do México, mas sempre pesquiso bastante e usei o Booking para fechar todas as reservas, além de pegar umas ofertas ainda tenho pontos que me dão mais vantagens em futuras reservas. LEMBRANCINHAS Melhor lugar pra comprar lembrancinhas é na Cidade do México, os preços são melhores, recomendo os mercados La Ciudadela e San Juan (San Juan tem dois, o normal e o de lembrancinhas, esse fica na Ayuntamiento, em frente a bodega La Europea). No restante do país também é possível encontrar bastante coisas, mas os preços em geral são mais altos (se pesquisar direito talvez até ache algo mais em conta). Em relação a bebidas, se for comprar mezcal, compre em Oaxaca, é mais barato e tem mais variedades, recomendo também o vinho de jamaica em San Cristobal de Las Casas, muito bom e só vi por lá. Tequila é fácil comprar em qualquer lugar, mas recomendo olhar o Wallmart, o Soriana e a rede La Europea, há marcas boas com variedades de preços (às vezes uma marca é mais barato em um lugar e mais caro em outro). Segundo me recomendaram, as marcas consideradas boas são 1800, Corralejo, Dom Julio, Herradura, e lembrem-se de olhar o rótulo, tem que estar escrito 100% agave, e fujam das “triple destilación”. Pelo menos foram as dicas que me deram por lá. Segue abaixo uma planilha que elaborei com custos e roteiros que fiz pro lá. Continua... Planilha México_2017.xls
  17. Astrolábio Trip

    Os Encantos do Deserto do Jalapão

    Os Encantos do Deserto do Jalapão. Dias 1 e 2. Ultimamente muita gente tem escutado ou assistido muita coisa sobre o famoso Deserto do Jalapão. Mas afinal… É lindo mesmo? É fantástico. É diferente de muitos lugares do Brasil e do mundo? Muito. É “bruto” mesmo? Mais ou menos (para quem está acostumado com ecoturismo) Os circuitos são caros? São. Mas também porque os pontos de interesse são bem distantes entre si, o que justifica o valor cobrado. O Parque Estadual do Jalapãofica localizado no estado de Tocantins. O nome Jalapão vem da planta Jalapa-do-Brasil, muito encontrada na região, que possui uma raiz que é usada como remédio e também na cachaça. Conta o Guia “Cabra Raiz” que quando alguém estava muito bêbado o povo gritava: “Eita Jalapão bom!”, daí veio o nome. O circuito total do Parque Estadual do Jalapão é de aproximadamente 1400 km e a ordem das cidades base do circuito é Ponte Alta -a maior delas-, Mateiros, São Felix e Novo Acordo. Como chegar: Você precisa pegar um voo para o aeroporto de Palmas. Geralmente as empresas te pegam no hotel em Palmas de manhã bem cedo, onde você mesmo fará uma reserva para pernoitar. Algumas oferecem transfer do aeroporto até o hotel escolhido, mas é necessário verificar diretamente com elas. Escolha das empresas/agências: Tem que contratar alguma agência ou guia? Aconselho fortemente. O circuito não tem como ser feito em carro convencional, tem que ser 4×4. Até se você tiver um ou alugar, a estrada não é bem sinalizada e se tiver algum problema terá que esperar alguém passar e pedir para avisar, pois não há sinal de internet para ligar. Há várias opções de empresas/agências. Os valores variam de acordo com a duração do circuito(de 4 a 7 dias ), se for feriado ou final de semana e o tipo do carro também. Geralmente essa variação é de R$ 1900,00 a R$3.500,00. Cuidado para o barato não sair caro. A estrada é de terra e bem esburacada, então escolha um bom carro. Vi muitos jeeps considerados excelentes na cidade, parados por algum problema. Então, pergunte sobre o carro (se não entender sobre, como eu, use o google) – você passará uma boa parte do dia dentro dele-, se terá transfer do aeroporto até o hotel de pernoite e os atrativos incluídos. As pousadas onde você pernoitará durante o circuito e o lanche/almoço geralmente já estão inclusos no valor total, mas sempre pergunte para se certificar de tudo e para você acompanhar se farão alterações no decorrer do passeio. Guarde essas informações com você durante a viagem. No meu caso, fiz o circuito de 4 dias : 2 dias em uma Pajero Dakar, excelente. Já os outros 2 dias.. Se você quiser uma experiência mais “raiz”, há uma empresa que faz um passeio no estilo Safari e a acomodação é em um acampamento diferenciado. Quem quiser os nomes das agências que fiz o passeio, Guia ou sugestões: entre em contato comigo aqui pelo blog ou nossa página do Facebook. Para deixar este relato mais organizado, escreverei as atividades realizadas a cada dia da Expedição Jalapão. ESTÁ CURTINDO AS DICAS? INSCREVA-SE NO BLOG PARA RECEBER AVISOS DE NOVOS POSTS, NO INSTAGRAM @ASTROLABIO.TRIP , NA PÁGINA NO FACEBOOK ASTROLÁBIO TRIP E NOSSO CANAL DO YOUTUBEASTROLÁBIO TRIP Day 1 Na noite anterior, pegamos um voo do Aeroporto Santos Dumont para o Aeroporto de Palmas com chegada às 1 da madruga. De lá fomos direto para o Hotel Araguaia, em Palmas para cochilar. Saímos as 4:30 da manhã em direção a Ponte Alta, que é o Portal do Jalapão. Passamos por Taquaruçu que estava com placas novas com informações turísticas de várias atividades que podem ser realizadas no local e uma delas é uma trilha de 1,5 km para a conhecida Cachoeira da Roncadeira, que é a maior queda d’água de Taquaruçu. Chega um momento em que a pista vira a lua, cheia de crateras. E olha que ainda não é a parte da estrada de terra hein. Não há a opção sem emoção.rs. Até porque você está no Deserto do Jalapão! Finalmente chegamos em Ponte Alta e tomamos café por volta de 07:30. A previsão para chegar na nossa parada para almoço era 11:20 nas dependências da antiga Fazenda do Pablo Escobar. O almoço era um Picnic bem farto, onde provei a famosa paçoca (farinha e carne de sol ). E finalmente o primeiro atrativo natural: a Cachoeira da Velha, onde foi gravado o filme “Deus é Brasileiro”. Muito linda e com um volume de água incrível, me fez lembrar as Cataratas do Iguaçu. Dizem que o nome foi dado para uma senhora que vivia lá com seu marido, porém o mesmo faleceu e ela ficou por lá ainda por muito tempo naquela região. Saindo de lá, chegamos rapidinho na Praia do Rio Novo, também conhecida como Prainha. Um lugar para esticar as pernas e relaxar. Vimos algumas pessoas chegando pelo rio de bote e caiaque. Ficamos até as 14h e partimos para ver o pôr do sol nas Dunas do Jalapão. No caminho pudemos observar como o céu estava lindo. É uma imensidão que você se sente em uma redoma pintada com vários tons de azul e nuvens branquinhas. Às 16:15 paramos na Comunidade Quilombola Rio Novo, ponto para usar o banheiro (1 real) e experimentar sorvetes de frutas da região como cajá ,buriti e catolé por 6 reais o potinho. Continuamos nosso caminho para finalmente chegar nas Dunas do Jalapão que fica na Serra do Espírito Santo. Que lugar incrível! Parece um deserto com vários oásis ao redor. E vamos para as fotos tão pensadas, só que nenhuma deu muito certo. Mas isso não importa porque o cenário é tão bonito que qualquer pose fica boa. Às 18h descemos pois não é permitido ficar além deste horário e há fiscalização Chegamos 19:40 para jantar na Pousada Beira da Mata em Mateiros, onde passaríamos a noite também. O quarto e o banheiro eram bem melhores do que eu esperava. A programação do dia seguinte era levantar às 3 da manhã e ver o nascer do sol na Serra do Espírito Santo, mas resolvi ficar e dormir um pouco mais porque o dia ainda seria longo. Day 2 Hoje o dia começou com os tão esperados fervedouros. Fervedouros são piscinas naturais formadas nas nascentes de rios, onde é impossível afundar devido a pressão com que a água “brota”. Fui informada que há 12 fervedouros no Jalapão cadastrados e liberados para banho. Um deles uma agência antiga na região(aquela que faz o Safari) comprou e é exclusivo. O primeiro do dia foi o Fervedouro dos Buritis. Chegamos e tinha uns 4 grupos na frente aguardando. Há um riacho caso queira se banhar enquanto espera sua vez e uma base com “restaurante”, banheiros e tomadas para carregar seus equipamentos. A custo da visitação é 15 reais por 20 minutos cronometrados em grupos de 10 pessoas, ou seja só dá para tirar fotos e o tempo passa muito rápido. Segundo fervedouro: Fervedouro do Ceiça. Chegamos 11:40 porém só entramos 12:50, motivo: vários grupos na frente. Mas que coisa linda! Vale muito a pena esperar. Ele tinha mais pressão que o dos Buritis e é o mais antigo da região. Depois hora do almoço no Camping e Restaurante do Vicente. Almoço bem simples, porém bem temperado que já estava incluído mas para quem for de forma particular custa R$ 30. O tesouro seguinte foi a Cachoeira da Formiga, a minha surpresa. Não esperava que fosse tão bonita, agradável de se ficar e com uma cor impressionante! A entrada custa 20 reais. Seguimos para o Povoado Mumbuca para a loja que vende artesanato feito de Capim dourado. Logo depois a segunda surpresa: o Fervedouro Encontro das Águas. Incrível! Foi o de maior pressão que visitamos. Não tem como afundar de jeito nenhum. E depois dele o melhor lugar para se limpar da areia fina entranhada na sua alma é no Encontro das Águas, que é o encontro do Rio Soninho (mais frio) com o Rio Formiga (mais quente). Depois de 2hs de estrada de barro esburacada chegamos em São Félix para jantar e descansar, porque muito mais estava por vir no dia seguinte. Gostou? Então não perca o próximo post, onde você vai saber sobre os outros 2 dias da Expedição Jalapão e dicas importantes. Inscreva-se no blog para receber avisos de novos posts, noInstagram @astrolabio.trip, na página no Facebook Astrolábio Tripe no Canal do Youtube Astrolábio Trip. Até o próximo post, viajantes! XOXO
  18. Laguna sem nome com o Cerro Tamanguito ao fundo Início e final: portaria da Reserva Nacional Tamango Duração: 4 dias Distância: 50,7km (incluída a subida ao Cerro Tamanguito) Maior altitude: 1501m no Cerro Tamanguito Menor altitude: 165m Dificuldade: fácil (para quem está acostumado a caminhadas de vários dias com mochila cargueira) A Reserva Nacional Tamango fica próxima à cidade de Cochrane e é um dos refúgios do huemul, cervo andino ameaçado de extinção. Situa-se na Patagônia chilena, mais exatamente na região de Aysén, de número XI (as regiões no Chile têm nome e número romano). É administrada pela Conaf, órgão florestal oficial do Chile. A Conaf mantém as trilhas, a sinalização e eventualmente fecha algumas delas se há incêndio florestal ou alto risco de haver algum. O Parque Patagônia faz parte do projeto do casal americano Douglas e Kristine Tompkins de adquirir grandes extensões de terras no Chile (e Argentina), transformá-los em parque particular e posteriormente doá-los ao Estado. Douglas Tompkins foi fundador da marca The North Face e faleceu enquanto remava no Lago General Carrera em 2015, mas Kristine continua com o projeto, que já gerou bastante polêmica no Chile. Os opositores, entre outras coisas, acusavam-nos de se apropriar de importantes reservas de água na Patagônia. Em janeiro deste ano (2018) Kristine Tompkins e a então presidente do Chile, Michelle Bachelet, assinaram a doação das terras do Parque Patagônia (e do Parque Pumalín) ao governo chileno. Com a união à Reserva Nacional Tamango ao sul e à Reserva Nacional Lago Jeinimeni ao norte, será criado um novo Parque Patagônia, um dos maiores das Américas. Laguna Cangrejo com o Cerro Tamanguito ao fundo 16/01/18 - 1º DIA - da portaria da Reserva Nacional Tamango à Laguna Cangrejo (ou quase) Duração: 4h50 Distância: 7,2km Maior altitude: 1028m Menor altitude: 172m Dificuldade: fácil (apesar do desnível de 856m não há nenhuma dificuldade) Saí da Plaza de Armas de Cochrane às 8h42 pela Rua Teniente Merino na direção leste. Uma quadra depois dobrei à esquerda na Rua Rio Colônia/Luis Baez. Entrei na segunda à direita, Rua Vicente Previske. Passei em frente ao mercado municipal e continuei por essa rua, que fez uma curva à esquerda e outra à direita. Na bifurcação sinalizada com "Embarcadero" à esquerda e "Lago Cochrane" à direita fui à esquerda. Uns 150m depois entrei na estradinha de rípio à esquerda, abandonando o asfalto. Segui primeiro as placas de Embarcadero porque a placa de Reserva Nacional Tamango só apareceu bem depois. Continuei sempre pela estradinha principal, às 9h26 cruzei o portão da reserva com placa de boas-vindas e 4 minutos depois estava na guarderia. Distância da Plaza de Armas até a guarderia: 3,8km. Altitude de 172m. Ali assinei uma declaração de ingresso especificando que trilhas iria percorrer e meu tempo de estadia. Paguei a taxa de entrada de CLP 5000 (R$ 27) mas meus campings seriam todos selvagens (gratuitos). O guardaparque me passou as orientações com base no mapa topográfico. Não há mapa para entregar aos visitantes, é preciso fotografar os mapas que eles têm ali. Às 10h06 comecei a caminhada entrando no Sendero Las Águilas (de nº 1), bem em frente à guarderia. E já começa com uma boa subida que logo amplia a visão para o Rio Cochrane, tão largo a leste da guarderia que parece um lago. Quando a visão se abre mais para oeste já se distingue a cidade de Cochrane com montanhas ao fundo. A direção geral nesse primeiro dia é noroeste e depois norte, com variações. Na mata de árvores baixas em que caminho vão aparecendo as rosas-mosquetas com suas flores chamativas e perfumadas. Ao atingir o ponto mais alto às 11h20 tenho à frente um vale e outra montanha a subir. Laguna sem nome na Reserva Nacional Tamango Na descida, às 11h33 esbarro numa estradinha. O 1-Sendero Las Águilas continua à esquerda. À direita é o 5-Sendero Los Huemules. Fui para a esquerda e com 40m encontro uma grande cabana à direita. A estradinha continua e logo sai da reserva em direção a Cochrane. A trilha 6-Sendero Las Lengas, que quero tomar, começa atrás da cabana. Ali é o Refúgio El Húngaro e havia na porta um aviso de "peligro - presencia de roedores" para alertar sobre o risco do contágio por hantavírus. O hantavírus é altamente mortal e há cartazes sobre o seu risco e prevenção por todo o sul do Chile. É transmitido pela urina e fezes dos roedores que se alojam em casas e galpões que ficam fechados por muito tempo. A recomendação é nunca dormir dentro de lugares fechados pelo risco de inalar o ar contaminado pelos dejetos com o vírus. Por isso não se deve trocar nunca a barraca por refúgios, casas e galpões fechados no meio da mata. Entrei no 6-Sendero Las Lengas às 12h02 e me deliciei com os calafates que ia encontrando pelo caminho, mas tomando cuidado com os espinhos que ferem os dedos. A subida continuou e resolvi parar para almoçar às 12h44. Olhei para trás e vi que vinha a maior chuva. Comi, vesti a roupa impermeável e continuei a subir às 13h32. Mais acima pude avistar Cochrane a partir de dois mirantes, mas a chuva foi piorando e no alto havia também vento frio e neblina. Cheguei a uma laguna sem nome às 14h57 e aquele lugar tão bonito era um cenário fantasmagórico. Fui até a Laguna Cangrejo (ou Tamanguito), 12min adiante, e ali o vento era ainda mais forte. Apesar de ter muitas horas de luz resolvi parar pois estava perdendo muito da linda paisagem daquele lugar. E eu fui lá para apreciar e fotografar, não para caminhar feito um louco e não ver beleza nenhuma. Voltei à laguna sem nome pois era mais protegida do vento. Acampei num gramadinho plano a poucos metros da margem. Mais tarde a chuvarada passou, o tempo melhorou e saiu um belo sol. Estamos mesmo na Patagônia! E então a beleza daquele lugar se revelou por inteiro. Dali podia avistar o Cerro Tamango com muitas manchas de neve. Não encontrei água corrente nesse dia, só a água das lagunas. O sol se pôs às 21h40. Altitude de 1002m. Vale Chacabuco 17/01/18 - 2º DIA - da Laguna Cangrejo às lagunas altas do Parque Patagônia Duração: 6h30 Distância: 11,6km Maior altitude: 1284m Menor altitude: 979m Dificuldade: fácil A temperatura mínima da noite foi -2,6ºC. Choveu pela manhã, mas depois melhorou e o sol saiu de novo. Desmontei a barraca só depois da chuva e acabei saindo só às 14h14. Direção norte. Às 14h30 estava de volta à Laguna Cangrejo (ou Tamanguito), agora exibindo toda sua beleza. Era o final do 6-Sendero Las Lengas e eu tinha uma bifurcação à frente: à direita o 7-Sendero Los Valles e à esquerda o 9-Sendero Los Condores. O 7-Sendero Los Valles será meu caminho de volta à portaria no último dia. Nesse momento fui para a esquerda parando muitas vezes para fotos da linda laguna. Contornei toda ela de sul a norte pelo lado oeste passando às 15h10 por uma mesa com bancos de madeira e espaço para acampar. Às 15h20 cheguei ao camping oficial pois havia um grande gramado com duas latrinas caindo aos pedaços, sem condições de uso pela sujeira e quantidade de moscas. A continuação da trilha ali no gramado não é muito clara mas um pau fincado me deu a direção. Caminhei junto aos arbustos e encontrei a trilha, que logo começa a subir e entra no bosque. A direção geral continua norte e depois noroeste. Três boas fontes de água havia nesse bosque, primeira água corrente desde o início da caminhada ontem. Às 16h20 saí definitivamente do bosque e continuei subindo por trilha entre pedras e capim. Havia alcançado o limite das árvores, a 1180m de altitude. Passei a seguir a sinalização com estacas laranja. Às 16h40 alcancei um bonito lago com o Cerro Tamango ao fundo. Tive de me abrigar do vento forte e frio para vestir a roupa impermeável, que também serve como ótimo corta-vento. Larguei ali a mochila, contornei a margem sul do lago e subi um pouco a um mirante para o Cerro Tamango, que também tem uma laguna a seus pés. A subida do cerro me pareceu bem demorada e não vi trilha marcada, pouca gente deve subir. Como estava bem atrasado no meu cronograma não tentei. Guanaco Voltei ao lago, peguei a mochila, cruzei um riacho ao lado dela às 18h06 (última água corrente do dia) e segui inicialmente no rumo norte, logo quebrando para nordeste. Caminhava agora por um ambiente e paisagem completamente diferentes do que caminhei até o limite das árvores. Antes eram bosques e muita vegetação, agora um panorama de colinas nuas, pedras e um pouco de capim. Às 18h19 uma surpresa: a paisagem se abre para um imenso vale ao norte com uma longa serra ao fundo. É o Vale Chacabuco, onde se localiza a sede do Parque Patagônia. A trilha continua para nordeste cortando as altas encostas cada vez mais íngremes. Atravessei uma área mais crítica, com muitas pedras que rolaram, torcendo para não rolar mais nenhuma naquele exato momento. Às 18h48 passei pelo início da subida do Cerro Tamanguito, mas ainda não sabia que seria exatamente ali, não há nenhuma sinalização. Tentaria essa subida na volta. Às 19h06, sem perceber pois não há nenhuma indicação, passo a caminhar pelo Sendero Lagunas Altas do Parque Patagônia. Mal notei que chegava uma trilha à minha esquerda. Notei mesmo a linda laguna abaixo e os guanacos que pastavam bem perto. Apareceu uma marcação "7k" feita em pedra, num padrão bem diferente da sinalização da Reserva Tamango. A partir daí e por algum tempo caminho pela beirada dessa serra e avisto lá embaixo no vale a sede do Parque Patagônia. Também o camping West Winds com várias barracas. Surge uma parede pequena para escalaminhar, depois outra, e após essa segunda há uma guinada para a direita fácil de passar batido pois o caminho em frente está bastante pisado. Nessa guinada para a direita às 19h43 a trilha sobe um pouco e depois desce bastante, passando por um lago à direita e depois contornando a margem sul da Laguna Norita. Aqui o ambiente já mudou de novo e caminho por bosques de lengas. Passo por mais dois lagos à esquerda e às 20h43 surge o último lago à direita. Último porque ele está na borda da serra. Depois dele a serra despenca para o imenso vale. E a panorâmica é espetacular, 180º de pura beleza. Há um gramado plano perfeito para acampar próximo a essa última laguna. Altitude de 996m. Laguna sem nome no Parque Patagônia 18/01/18 - 3º DIA - das lagunas altas do Parque Patagônia à Laguna Cangrejo com subida do Cerro Tamanguito (Dados abaixo já descontada a exploração da trilha alternativa de retorno à guarderia) Duração: 3h50 (mais 1h07 ida e volta ao Cerro Tamanguito) Distância: 9,7km (mais 1,8km ida e volta ao Cerro Tamanguito) Maior altitude: 1501m no Cerro Tamanguito Menor altitude: 982m Dificuldade: fácil A temperatura mínima da noite foi 5,2ºC, bem mais "quente" que a noite anterior. Para esse dia eu cheguei a pensar em descer até a sede do Parque Patagônia, visitar e em seguida subir de volta à laguna dos guanacos para fechar o circuito do Sendero Lagunas Altas. Mas no caminho vi que isso demandaria mais tempo do que eu dispunha, então desci apenas até um ponto onde exploraria uma trilha alternativa de retorno à guarderia passando pelo Lago Cochrane. Levantei acampamento às 10h49 e contornei a laguna desde a margem oeste até a leste pelo lado norte. Continuei pela trilha que sai da margem sul, desci e subi a um mirante que vale muito a pena visitar pois proporciona visão das lagunas altas e ainda dos cerros Tamango e Tamanguito. Desci para o outro lado (leste) e passei por outro lago às 11h45. Junto a ele há uma ponte e água corrente. A descida foi se acentuando, saio do bosque e cruzo mais dois riachos com ponte. Um pouco antes e um pouco depois dessas pontes procurei a tal trilha alternativa de retorno à guarderia passando pelo Lago Cochrane, mas não encontrei. Fui até próximo da marcação "16k". Lagunas altas do Parque Patagônia A sede do Parque Patagônia estava muito abaixo ainda. Se eu descesse tudo para subir de volta à laguna dos guanacos atrasaria meu retorno à cidade no dia seguinte, então resolvi voltar pelo mesmo caminho do dia anterior até a Laguna Cangrejo (ou Tamanguito) e acampar lá. Iniciei o retorno às 12h53, subindo. Ao reentrar no bosque cruzei com as primeiras pessoas nessa caminhada: três casais que estavam hospedados/acampados no Vale Chacabuco. Na passagem pela laguna com ponte parei para almoçar. Às 15h09 estava de volta à laguna onde acampei e em vez de contorná-la pelo norte busquei um caminho mais rápido pela margem sul. Uma vez na trilha principal fui para a esquerda (sul) às 15h27. Passei por quatro lagos já conhecidos e subi ao local onde é fácil passar batido. Ali desci à esquerda a primeira parede, depois a segunda parede, subi e desci à bifurcação da laguna dos guanacos às 17h25. Fui para a esquerda subindo. Estudei por onde seria a subida ao Cerro Tamanguito. Às 17h45 resolvi subir à esquerda mesmo sem trilha ou sinalização. Parecia ser o caminho mais direto e rápido, se não desse certo iria tentar subir em zigue-zague. Deixei a mochila no começo da subida. Não havia trilha realmente mas a subida não teve nenhuma dificuldade além das pedras soltas. No alto reencontrei os guanacos. De onde eles estavam já era possível ver as lagunas Cangrejo e Elefantita, mas o cume estava mais acima, à direita. Mais pedra solta e cheguei ao cume às 18h14. Altitude de 1501m e visão 360º dos dois parques, com as lagunas da reserva ao sul e sudeste, o Cerro Tamango a oeste, o Vale Chacabuco ao norte e as lagunas altas a nordeste. Foi mais fácil e rápido do que eu pensava e valeu muito a pena! Às 18h52 estava de volta à trilha principal, passei pela área de desmoronamento rapidamente e deixei a visão do Vale Chacabuco para trás ao descer pela trilha 9-Sendero Los Condores para a Laguna Cangrejo, aonde cheguei às 20h26. Na descida pelo bosque há três riachos para pegar água boa, como já mencionei. Acampei bem na chegada à laguna, no gramadão onde estão as latrinas (mas bem longe delas!). Altitude de 985m. Laguna sem nome no Parque Patagônia 19/01/18 - 4º DIA - da Laguna Cangrejo à portaria da Reserva Nacional Tamango com vista para o Lago Cochrane Duração: 8h30 Distância: 20,4km Maior altitude: 998m Menor altitude: 165m Dificuldade: fácil A temperatura mínima da noite foi 1,9ºC. Amanheceu um dia lindo. Comecei a caminhar às 9h47 contornando a Laguna Cangrejo pela margem oeste até o encontro das trilhas 6-Sendero Las Lengas (dir) e 7-Sendero Los Valles (esq). Eu cheguei ali no primeiro dia pela trilha 6-Las Lengas e agora desceria de volta à guarderia pelas trilhas 7-Los Valles, 8-Los Pumas, 5-Los Huemules, 10-Los Ñirres e 2-Los Carpinteros, num trajeto bem mais longo do que no primeiro dia. O dia estava perfeito para fotografar a Laguna Cangrejo com os cerros Tamango e Tamanguito ao fundo. Logo depois dela passei por outra laguna à minha esquerda, bem menor que a Cangrejo. Às 11h18 atravessei uma área plana um pouco alagada mas sem afundar a bota. Às 11h30 avisto a Laguna Elefantita e 8 minutos depois caminho por uma praia de pedrinhas às suas margens. Me afasto dessa laguna caminhando em meio às árvores mas menos de 10min depois a reencontro por sua outra ponta já que ela tem um formato aproximado de ferradura. Às 12h16 a trilha muda de nome de 7-Sendero Los Valles para 8-Sendero Los Pumas. Às 12h42 a paisagem se abre para vales e montanhas mais distantes a leste. A trilha corta uma encosta íngreme e bem abaixo à esquerda visualizo uma cachoeira, mas a descida até ela é arriscada pela inclinação. Mas logo à frente, quando a paisagem se abre mais e já vejo o Lago Cochrane, encontro um caminho mais seguro para descer à cachoeira (sem trilha). De volta à trilha principal é hora de fotografar o Lago Cochrane, enorme, de águas azuladas e salpicado de ilhas e ilhotas. Daí em diante a trilha vai descer constantemente em direção ao lago. Mas logo no início da descida aparecem outras cachoeiras à esquerda, uma delas muito alta, despencando de um paredão. Cerro Tamango visto do cume do Cerro Tamanguito A descida em direção ao lago continua e às 14h48 tenho uma bifurcação e o final da trilha 8-Sendero Los Pumas. À esquerda está a trilha 4-Sendero Los Ciruelillos e à direita 5-Sendero Los Huemules, que se dirige ao Refúgio El Húngaro, por onde passei no primeiro dia. Eu podia tomar qualquer um dos dois para voltar à guarderia. A diferença é que o primeiro desceria diretamente às margens do Lago Cochrane e o segundo se manteria na parte mais alta. Optei pelo segundo pela paisagem que me proporcionaria. Nessa bifurcação existia um refúgio segundo os relatos que li, mas encontrei apenas um espaço plano e limpo onde ele devia ficar. Continuando pela trilha 5-Los Huemules não me arrepndi da escolha (nem podia!) pois a paisagem do Lago Cochrane lá de cima é espetacular. Mais abaixo passo a ver o Rio Cochrane, desaguadouro do lago e que corre espremido entre altas paredes. Desde a bifurcação do antigo refúgio passei por duas fontes de água e às 16h28 a trilha vira um caminho duplo, uma estradinha. Nela, às 16h37, encontro uma placa à esquerda sinalizando a entrada da trilha 10-Sendero Los Ñirres. A trilha/estradinha 5-Los Huemules, como disse, continua até o Refúgio El Húngaro, mas eu optei por descer à guarderia pela trilha 10-Los Ñirres para conhecer outros caminhos. Entrei portanto à esquerda, passei por uma fonte de água e logo a trilha passou a descer bem forte. Às 17h32 a trilha 10-Sendero Los Ñirres desemboca na trilha 2-Sendero Los Carpinteros, a qual segui para a direita. Essa trilha é bem acidentada, cheia de sobes e desces, e tem inclusive escadarias de madeira com corrimão. Às 18h12 alcanço a área de camping pago da reserva, um lugar bastante agradável, com um grande gramado e até cabanas abertas onde o pessoal arma a barraca de maneira mais protegida. A trilha se converte numa estradinha e com mais 500m chego à guarderia, às 18h21. Altitude de 172m. Dei aviso aos guardaparques da minha saída e descansei um pouco pois a caminhada foi bem longa. Na parede li um informativo do parque dando as recomendações do que fazer em caso de encontrar um puma ou um huemul. Felizmente eu não dei de cara com nenhum puma mas o huemul eu queria muito ter visto já que é um bicho manso e a população é cada vez menor. Às 18h53, com pouca chance de carona, enfrentei a estrada para Cochrane. Às 19h40 estava de volta à Plaza de Armas. Altitude de 149m. Lago Cochrane Informações adicionais: A entrada na reserva custa CLP 5000 (R$27) mas os campings nas lagunas são gratuitos (camping selvagem ou com WCs inutilizáveis). Há um camping pago a 500m da guarderia. Ali foi o único lugar que encontrei guardaparque. Para quem quiser saber mais sobre as trilhas da reserva antes de partir para a caminhada há em Cochrane um escritório da Conaf que fornece todas as informações. Fica na Rua Rio Neff esquina com Doctor Steffens. Em Cochrane há pelo menos quatro mercados para compra dos mantimentos para a caminhada. Cartucho de gás não procurei mas deve haver. Há muitos hostais e também campings. O grau de dificuldade que coloco nos relatos é uma avaliação pessoal e considera que o trilheiro esteja acostumado a caminhadas de vários dias com mochila cargueira. Para um iniciante considere todas as trilhas como difíceis. Para um iniciante que não esteja em boa forma física é melhor procurar trilhas fáceis de um dia para ganhar experiência e condicionamento. Rafael Santiago janeiro/2018 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  19. Viagem 7 dias em baixa temporada (setembro/2017) Essa vigem foi planejado nos detalhe em 2 meses, mas já era desejada e pesquisada por muito tempo. Fomos de mochila e encaramos um voo direto pra Cusco e em seguida um trem para Águas Calientes/Machu Picchu. Dica: tenha algum tempo entre a chegada do voo e a próxima atividade; nosso voo de Lima para Cusco foi cancelado e fui no balcão exigir meu embarque por causa do trem em seguida. O bom é q estávamos de mochila então nos alocaram em outro voo. O ruim é que não tentei antecipar o voo logo q cheguei em Lima (tinha 8 horas até o próximo embarque). Logo que chegamos em Lima, fui numa farmácia e comprei o soroche pils (remédio pra altitude que tinha lido em relatos aqui do blog), trocamos 100 dólares por moeda local (não vale a pena trocar tudo pq no aeroporto o câmbio não é tão bom) e fomos aguardar nosso voo para Cusco. Pegamos o trem e fomos rumo à Águas Calientes. Descansamos para subir MachoPicchu no dia seguinte. Para não pagar 2 diárias, deixamos as mochilas no café q tem perto dos embarque de ônibus pro parque. Saímos de madrugada, pegamos a fila as 5 da manhã (pode ir antes pq já não víamos o inicio da fila) e retiramos na volta. Ali tem internet, então descansamos e fizemos um lanche por ali e depois pegamos o trem de retorno pra Cusco. Em Cusco fizemos a visita de varios locais que permite acesso com o boleto turístico, mas o melhor passeio foi de bike pelo Vale Sagrado: vale muito a pena! Veja no vídeo que o percurso divide-se com 3 paradas e maior parte em descida. Agenda 10/09 Voo Floripa/Cusco (22h chegada) 11/09 Trem Poroy/ Agua Calientes (1 noite) 12/09 Entrada Machupicchu/Huyanapicchu + trem retorno Poroy/Cusco (4 noites). 13/09 Passeio turístico com guia a tarde. 14/09 Rota bike 30km com guia dia todo. 15/09 Passeio centro histórico Cusco (boleto turístico) + compras. 16/09 voo retorno Cusco/Floripa. Investimento: R$ 3.638,36 passagem ida/volta p/2 Latan www.latan.com (Floripa/Guarulhos/Lima/Cusco) R$ 410,00 Machuppichu + Huyanapicchu p/2 www.machupicchu.gob.pe (208,00 Soles por pessoa). R$ 1.200,00 Trem ida/volta Perurail p/2 www.perurail.com Saída Poroy para Águas Calientes - embarque Vistadome: ida USD 98,00/ volta USD 104,00 por pessoa. R$ 150,00 ônibus ida/volta Águas Calientes/ Machuppichu p/2. USD 12,00 o trecho = USD 24,00 ida/volta por pessoa. R$ 1,00 Banheiro machupicchu p/p na entrada parque (Soles 1,00). R$ 70,00 Hostel em Águas Calientes. Suíte privado (até 4 pessoas) com Wi-Fi. Sem café da manhã ( 1 noite). ----- R$ 290,00 Hostel em Cusco perto da praça das armas. Suíte privado (até 4 pessoas) negociei o café da manhã: Hostal Kaypacha (4 Noites) Booking. ----- R$ 260,00 boleto Turístico p/2. Uso por 10 dias e inclui 12 locais para visitação (130,00 Soles pago p/p). Negociei direto pelo Hostal Kaypacha. R$ 50,00 Passeio com transporte e guia turístico p/2. Passa pelos locais Catedral Central (R$ 25,00 paga p/p) + Qorinkancha (R$ 15,00 paga p/p) + Tipon + Saqsayhuamana. R$ 290,00 Passeio bike p/2 que inclui transporte de taxi + ônibus + almoço + guia. USD 45,00 por pessoa. Passa nos locais Morais e Minas de Sal (R$ 10,00 pago p/p). ###### Custo total +- R$ 7.800,00 / 3.900,00 p/p. Contendo passeios + alimentação (almoço e café) + equilíbrio de altitude (chá/folhas de coca R$ 20,00, balas de menta/coca R$20,00, remédio soroche pils R$ 85,00) + jantares (Hamburgeria El Furgo/ Republica Pisco/ Inkazteka).
  20. Alô pessoal! No feriado do dia do trabalho (01/05), estava afim de conhecer algum lugar que não fosse muito longe, que eu ainda não havia ido e que não fosse muito caro. Entre as opções cogitadas, escolhi Curitiba e não me arrependo. Existem milhares de relatos aqui no fórum sobre a cidade e o litoral do PR, mas é sempre bom ter informações atualizadas. Dessa vez fomos em duas pessoas e o custo-benefício da viagem foi ótima. Nesta viagem, optamos por hospedagem através do Airbnb e foi um acerto, rentabilizou muito o valor da diária e a localização do flat era ótima. Vamos agora ao detalhamento da viagem: 27/04/2018 - Deslocamento para Curitiba O final do dia 27/04 foi apenas para deslocamento entre Santos e Curitiba. Pegamos o ônibus às 23:40hrs, com previsão de 6 horas de viagem. Geralmente quando viajo de ônibus, prefiro fazer durante a madrugada, assim chego no destino com o dia todo para aproveitar. 28/04/2018 - Curitiba e Linha Turismo Chegamos em Curitiba por volta das 06hrs da manhã. Na rodoviária, aproveitei para trocar as passagens para o litoral do PR que eu já havia comprado pela internet anteriormente. De lá, pegamos um Uber para o flat que nos hospedaríamos. Organizamos nossas coisas no apartamento, compramos alguns itens no mercado e por volta das 09hrs fomos ao centro em direção a Praça Tiradentes, que é de onde parte o ônibus da Linha Turismo. Ao chegar na Praça Tiradentes, demos uma volta nos arredores e fomos conhecer o Centro Histórico de Curitiba, que é bem perto. Por ali, fomos em algumas lojas e alguns sebos (amo!) dar uma olhada nos itens, além de comer um pastel de café da manhã rs Foto: Largo da Ordem Os ônibus da Linha Turismo começam a circular por volta das 09:30 da manhã e como era final de semana, circulavam de 15 em 15 minutos. Por volta das 10hrs pegamos nosso ônibus e o valor da tarifa é de R$ 45,00, com cinco tickets que te dá direito a cinco reembarques no ônibus. Particularmente falando, compensa MUITO utilizar a Linha Turismo por vários motivos: - Caso você não vá viajar de carro, como eu, é um meio prático de conhecer a cidade toda. - Alguns pontos turísticos de Curitiba são bem distantes um do outro, então a linha facilita muito nesse aspecto. Devidamente embarcados, o primeiro ponto em que descemos foi no famoso Jardim Botânico. O sol estava de rachar, o que deixou o parque ainda mais belo. O local é bem clichê e um clássico em Curitiba, mas que realmente vale a pena ser visitado. Muito lindo, limpo e bem projetado, sem dúvida nenhuma é o grande cartão postal da cidade e merece tal título. Ficamos lá por cerca de 1:30 e voltamos ao ponto da Linha Turismo, onde logo passou o ônibus e nosso próximo ponto de desembarque foi o Museu Oscar Niemeyer. Mais um ponto turístico bem conhecido na cidade, possui uma linda arquitetura. Se o seu interesse for exposições, vale a pena perder algumas horas por aqui. Não vimos nenhuma, mas para conhecimento, o valor da entrada para ver as exposições é de R$ 5,00. Enquanto eu montava meu roteiro para Curitiba antes da viagem, um local me chamou atenção e não estava incluso da Linha Turismo, que é o Museu Egípcio. Sou fascinado pela cultura egípcia e resolvemos incluir o museu no itinerário. Pegamos um uber do Museu Oscar Niemeyer até o Egípcio e a visita valeu super a pena. O local é bem legal, com reproduções bem fiéis de artigos do Egito antigo e um jardim com diversas estátuas, além de uma múmia de verdade exposta! Para quem gostar do tema, vale a visita. De lá, pegamos mais um uber e fomos direto para a Ópera de Arame (essa está inclusa na Linha Turismo, rs). A Ópera de Arame foi construída na área de uma antiga pedreira, e para mim, foi o melhor ponto que visitamos em Curitiba. Local belíssimo e imperdível para quem visita a cidade. Lá possui uma lanchonete e comemos uma coxinha antes de continuar o passeio. Depois disso, fomos para o Parque Tanguá, de onde se admira um belo pôr do sol em Curitiba. Também vale a parada, possui vários mirantes e é bem grande. Nosso último ponto de parada da Linha Turismo foi o bairro Santa Felicidade, local em que fica nítido a forte presença da colônia italiana na cidade. Fomos até a Vinícola Durigan, degustamos alguns vinhos e espumantes e compramos alguns doces para levar para SP. Local super agradável e a Linha Turismo tem um ponto praticamente em frente. Por fim, pegamos novamente a linha para voltar ao centro e ao apartamento. Reservem um dia inteiro para esse passeio, pois ele é bem longo. Resumo dos pontos visitados com a Linha Turismo: 1. Jardim Botânico 2. Museu Oscar Niemeyer 3. Ópera de Arame 4. Parque Tanguá 5. Santa Felicidade Queria muito ter conhecido o Memorial Ucraniano também, mas infelizmente não foi possível. Fica para uma próxima 29/04/2018 - Litoral do Paraná - Morretes, Antonina e Estrada da Graciosa No dia seguinte, acordamos bem cedo para seguir em direção ao litoral do Paraná. Antes de comprar as passagens do ônibus, pesquisei os valores para descer a serra de trem pela Serra Verde Express, mas estavam muito caros e não cabiam no orçamento. Então optamos por utilizar a linha turística da Viação Graciosa, que sai da rodoviária de Curitiba todos os dias às 09hrs da manhã e ao invés de seguir o trajeto convencional e descer a serra pela BR-277, ele vai pela famosa estrada da Graciosa. Sem dúvida nenhuma vale a pena descer pela Graciosa, o trajeto é um pouco mais longo, porém as paisagens compensam. O ônibus faz uma parada de 15 minutos em um dos mirantes da estrada e lá é possível comer na lanchonete a coxinha de aipim (recomendo). O visual pela estradinha é encantador, florido, de mata atlântica preservada e com muitas, mas muitas curvas e paralelepípedo! Chegamos em Morretes por volta das 11hrs e fomos conhecer um pouco da cidade. Demos uma volta pelo centro histórico, compramos alguns souvenirs e fomos procurar algum restaurante para experimentar o famoso barreado, prato típico da região. Haviam nos indicado o restaurante Madalozo, mas optamos por comer no Hotel e Restaurante Nhundiaquara, e digo com toda a certeza: Valeu cada centavo. Pagamos R$ 49,00 em um combo que incluia o barreado, marisco, filé de pescada, camarão, maionese, salada, pirão, arroz e frutas. Tudo a vontade e se acabasse, era só pedir para o garçom repor. Comida gostosa e atendimento muito bom. Gostei bastante do barreado, é um prato que divide bastante opiniões, mas eu curti demais. Por volta das 13:30hrs pegamos um ônibus de Morretes para Antonina (25 minutos de distância). Antonina é uma cidade encantadora, super calma e que conserva muita história. Tem muitos casarões coloniais e ruas estreitas que remetem ao passado. Foi um dos pontos altos da viagem, pois o tempo estava aberto e rendeu boas fotos da Baía de Antonina, das ruínas do antigo armazém e do centro histórico. Ficamos na cidade até as 16:15hrs, quando retornamos para Curitiba com o ônibus da viação Graciosa (desta vez pela BR-277). Chegamos em Curitiba por volta das 18hrs e fomos para o flat jantar e descansar. Fotos acima: Estrada da Graciosa e suas paisagens Acima: Morretes e o barreado Acima: Antonina e sua simplicidade. 30/04/2018 - Retorno para SP Dia de ir embora. Nosso voo estava marcado para às 11hrs da manhã e partiu pontualmente. Chegamos em SP por volta do meio-dia. Feedback da viagem: Muito satisfeito. Curitiba mereceria mais um dia para visitar os demais pontos turísticos da cidade, mas conseguimos visitar o que foi planejado. O litoral do Paraná também merece a visita e experimentar o barreado é imperdível! Só não consegui visitar o Parque Estadual de Vila Velha dessa vez pelas dificuldades em chegar lá sem carro, mas fica para uma próxima oportunidade. Gastos gerais (p/pessoa): Passagem de ônibus Santos x Curitiba: R$ 69,00 Passagem de avião Curitiba x SP: R$ 110,00 Passagem de Curitiba X Morretes e Antonina X Curitiba: cerca de R$ 25,00 cada trecho, total R$ 50,00 Passagem Morretes x Antonina: R$ 5,00 Almoço no restaurante Nhundiaquara: R$ 49,00 Hospedagem em Airbnb (3 diárias): R$ 147,00 Linha Turismo: R$ 45,00 Alimentação, demais transportes e souvenirs: R$ 65,00 Total: R$ 540,00 Qualquer dúvida estou a disposição!
  21. *No final há as dicas importantes para esta trilha Saímos de Tramandaí na sexta-feira, dia 28/04/2018, logo depois do serviço. Meu Brother Machado (crossfiteiro e responsável pela maior parte da água do grupo), meu brother Tailan (crosfiteiro e que levava a maior parte da comida) e eu, Adrien (sedentário e com a maior parte dos remédios e responsável pela navegação ). Dois dias antes nós já tínhamos reservado Hotel Marchetti, com o seu proprietário Tiago. Fomos dormir por volta da 1h, com alarmes setados para as 6h. Pela manhã levantamos, fizemos os últimos ajustes nos equipamentos, acertamos o hotel e nos dirigimos para a parte dos trilhos que passam no meio da cidade. Não sem antes tomar um último café no posto que fica bem próximo a entrada para trilha. Começamos a caminhar sobre os trilhos por volta das 7h40. Todo mundo animado e curioso pelo o que nos esperava. Logo encontramos uma laranjeira, e os frutos dela seriam preciosos alguns quilômetros além, naquele final de abril, mas que fazia 28C. A primeira estrutura que encontramos foi a estação abandonada. Prédio antigo, pichado, com poucos atrativos e ficamos pensando na gurizada que devia se reunir ali, sem a menor possibilidade de serem incomodados. A não mais de um quilômetro depois chegamos na primeira ponte. Um lindo vale com o nascer do sol entre os morros, e do outro lado ainda resquícios da cidade. Ficamos deslumbrados. Lá pelas 11h30 resolvemos que poderíamos descansar e já preparar nosso almoço. Catamos pedras, lenha , preparamos a panela e nosso cara das águas, o Machado, decidiu que deveríamos racionar água sempre. O resultado foi uma massa onde embaixo virou um mingau e em cima estava parcialmente crua. Mas nada que molho de tomate por cima e uma lata de atum não tornasse relativamente tragável. Foi pior massa que já comi, me arrepio só de lembrar. Nesta hora também notei o primeiro rasgo na lateral do meu velho tênis de guerra. A silver tape entrou em ação. Não perdemos muito tempo depois do almoço, pois estávamos com medo de não alcançar algum acampamento antes de escurecer. Na saída de um túnel nos deparamos com tres caras com aparência bastante exausta. Notamos que tinham poucos equipamentos. Eles nos contaram que estavam andando desde as 4h da manhã, pois queriam fazer os 50 quilômetros entre Guaporé e Muçum em um dia. Também nos contaram que não aguentavam mais e passamos a informação de que ainda faltavam 13 quilômetros para o seu destino. Ali estava a cara do desânimo. Seguimos em frente, nos deparamos com a parte mais crítica da expedição. O primeiro viaduto vazado, o V11. Nas fotos e olhando a distância, parece barbada. Mas se aproximando logo se nota que os dormentes não são tão próximos como pensávamos e a altura é nauseante. Eu, que era o cara destemido, sem medo de altura e que ria dos meus companheiros, fui logo a frente. Péssima ideia, pois depois de poucos metros: vertigem. A visão periférica parecia que passava mais rápido do que a visão central, a garrafa d’água chacoalhava na mão, pernas molengas quando eu mais precisava delas… Bem devagar, pouco a pouco, fomos avançando. Então finalmente alívio! E o pensamento: “Quantos desses mais será que tem pela frente?” Mais alguns quilômetros adiante, noto que o quilômetro 15,77 nunca termina. Nosso GPS se perdeu e já não sabiamos a quanto tempo estava parado. Sol escaldante, calor emanado das pedras do chão, o único alívio estava no ar gelado dos túneis que começaram a ficar cada vez mais numerosos. Já havia passado do meio da tarde e sem o GPS não sabíamos se já havíamos completado a meta de distância do dia, que era de 20km. Pernas doloridas, ombros esmigalhados, cansaço e desânimo. Não podíamos parar pois encontrar um lugar pra acampar era a nossa única meta. Nesse meio tempo, o Tailan que ainda tinha forças, desceu um barranco pra encher as garrafas de água e estreamos os Clor-in, ainda com bastante desconfiança da eficácia. Somente na hora de levantar, notamos a primeira aranha armadeira da trilha nos espreitando. Mais um túnel. Esse alem de longo, tinha uma atmosfera pesada. O facho da lanterna mostrava que ele estava cheio de poeira. Parecia que sugava nossas últimas energias. Além disso o receio de finalmente encontrarmos o trem dentro dele, já que o dia começava a findar e até agora nenhuma aparição. Quase não se falava mais. Quando acontecia, era alguma queixa. Finalmente o Machado, que andava mais a frente liderando a busca, berra que havia encontrou um lugar para nos instalarmos. Era uma estrada lateral, a uns 8 metros do trilho. Na saída de uma curva havia uma área de concreto. Enquanto os guris montavam o acampamento, eu fui em busca de lenha. De repente me chamam. Era pra dizer que não cabia a minha barraca sobre o concreto e que talvez deveríamos monta-la na estrada. Até porque já era muito tarde e nós sairíamos muito cedo, então não deveria haver problemas. Depois de muita discussão, resolvemos reajustar e colocar as barracas todas juntas, e isso evitaria uma possível tragédia mais adiante. O Machado resolveu jantar Clube Social e se recolher o mais rápido possível, eu e o Tailan comemos os raviollis prontos. Mais um tempo aproveitando a fogueira e me recolhi enquanto o Tailan ficou brisando, curtindo a noite. Aquele piso duro foi mais confortável da vida. Lá por uma 0h20 somos acordados por um barulho terrível. Alguns bugs gaiolas estavam a toda velocidade fazendo exatamente aquela curva onde estávamos acampando. E passaram bem onde havíamos planejado pôr a última barraca. Mais algumas horas de sono pesado e no meio da madruga um novo barulho ensurdecedor. Finalmente o trem nos encontrou. Algumas risadas depois do susto e voltamos a dormir, tamanho era o nosso cansaço. Pelas 6h30 da manhã, já recolhidos havia 10 horas seguidas, começamos a nos mexer. Consegui descobrir o nosso avanço do dia anterior. 22km. Então ainda teríamos 18km pra percorrer mesmo sentindo todas aquelas dores. Sem muita demora desarmamos o acampamento e começamos a caminhar. O café da manhã foram barrinhas de cereal, para não perdermos tempo. Agora, um pouco mais experientes com a trilha, e sem querer passar tanto trabalho como no dia anterior, descobrimos que apertar bem a barrigueira da mochila aliviava muito os ombros. E se ainda colocasse a garrafa d’água ali, daria ainda mais suporte e alívio. Somado a grande redução do peso da água que já havíamos consumido, conseguimos sair com um passo firme e rápido. Chegando perto do almoço e nós decididos a acabar com aquilo logo, estávamos dando o melhor possível. Mas veio o destino com mais algumas das suas. O Machado estava com um dos tornozelos inchado e piorava se ele deixava esfriar. Por por outro lado, o Tailan estava com uma forte fisgada na panturrilha e precisava parar por 10 minutos a um intervalo cada vez menor. Aos trancos e barrancos nos íamos avançando. Mais alguns túneis e chegamos no tal O Viaduto 13, com seus 143 metros de altura e 509 de comprimento, o 2º viaduto de trem mais alto do mundo e o mais alto da América Latina. E sim, ele é vazado e dividido em duas partes. Aflição geral e a galera relutando. Mas a vontade de ir embora logo era mais forte. E outra, não tinha pra onde correr. Fomos em uma nova configuração agora. O Machado, já bem mais seguro, puxou o pessoal. Eu fui no meio pra garantir que não ficaria muito para trás e por último foi o Tailan. A travessia foi muito mais tranquila que a primeira. E a felicidade foi geral ao perceber que a segunda parte dele não era vazada. Um quilômetro depois encontramos um tiozinho que parou pra conversar. Ele perguntou como estávamos indo, comentou que bem mais a frente teria o tal túnel de 2 quilômetros de extensão e mais um viaduto vazado. Minha aflição ficou estampada na cara e dei um pulo. Não estava acreditando que passaria por aquilo uma terceira vez. O ânimo de estar quase indo pra casa desapareceu de mim e do Tailan. Continuamos seguindo em frente. O sol já estava forte e a série de túneis que passamos, além de termos nos acostumado a andar dentro deles, era um momento de se refrescar. Perdemos as contas de quantos já tinham se ido. Finalmente nos deparamos com o último viaduto. O tal de Mula Preta. 98 metros no pilar central e 360 metros de comprimento. De novo desânimo, o Machado só pensando no almoço e eu e o Tailan procurando rota alternativa, nem que tivesse que descer todo o vale e escalar de volta lá no outro lado. Mas essa trilha não existia. A gurizada comeu seu atum e raviolli e eu preferi me abster. Estava com tanto medo que não conseguiria almoçar nem se quisesse. Só queria me livrar daquela situação. Então chegou a hora de enfrentar. O machado já tomou a frente. Com seu caminhar tranquilo, já bem a vontade logo se distanciou. Atras vinha eu, lembrando da dica do tiozinho: “para tirar o foco do cerebro quanto a altura, conte os dormentes”. O Mula Preta tem 719 dormentes, contados um a um. Após terminar minha longa caminhada, olho pra trás e lá estava o Tailan bem a vontade, parado no meio do viaduto tirando fotos, fazendo selfie e gravando vídeo. Ele tinha superado um de seus maiores medos. Seguimos em frente aguardando o último desafio. O tal túnel de 2 quilômetros de extensão. Cansaço, desânimo, as dores dos meus colegas estavam dominando e minha força de vontade se esgotando. Olho o GPS e ele estava novamente sem sinal, indicando que faltavam 7 quilômetros. Não sabíamos onde estávamos, nada mudava na paisagem e também não sabíamos qual era a hora de sair da ferrovia para ir até a rodovia pegar o ônibus. Depois de muito caminhar encontramos uma ponte que cruzava por cima da ferrovia. Eu lembrava dos relatos de que deveríamos escalar a lateral dela. Louco para ir embora, começei a estudar como subir ali, sobre os protestos do Machado. Tendo uma visão mais ampla, ele resolve caminhar um pouco mais e ver o que havia depois da curva. E foi uma surpresa descobrir que era uma uma rampa a esquerda que levava exatamente pra cima da ponte que eu insistia que teríamos que escalar. Estavamos finalmente chegando ao final daquela trilha que tanto tinha exigido de nós e nos mostrado até onde aguentavamos. Morro acima e sobre queixas de exaustão fomos seguindo em frente. A satisfação desse momento era apenas de que já tínhamos nos livrados dos trilhos e das britas. Finalmente, quase um quilômetro depois, conseguimos ver a rodovia. Apertamos o passo. Na parada, aguardávamos sem muita paciência que aparece algum onibus. Se é que tinha algum naquele dia de domingo. Depois de muito pedirmos carona, e finalmente pegarmos informação, esperaríamos o tal ônibus das 16h Guaporé- Lajeado. Eram ainda 15h35 e resolvi atravessar a rodovia apenas para tentar encontrar uma sombra. E, virando a curva já vinha o nosso tão esperado ônibus. Berro para a gurizada pra virem logo pra ali e trazerem minha mochila. o Machado, que tinha ido buscar água, arruma forças não sei de onde pra correr e trazer junto as duas bagagens. Finalmente estavamos voltando. Já deixo a aqui o pedido de desculpa daqueles passageiros que por 25 minutos aguentaram aqueles três caras fedendo a azedo, depois de dois dias sem tomar banho. Aqui encerra meu relato. Valeu a pena? Sim, valeu muito a pena. Faria de novo? Bem capaz! Dicas: 1. Em Muçum recomendamos ficar no Hotel Marchetti (51) 3755-1253. O nome do Proprietário é Tiago. A entrada da trilha é a 200 metros deste hotel. 2. Tem uma loja de conveniência em um posto bem perto da entrada para os trilhos, bom para um ultimo café. Comece a trilha bem cedo, pois terá que fazer pelo menos 22 quilômetros no primeiro dia, e sobre pedras e trilhos e com equipamento para acampar e água, o avanço é mais lento. 3. Dependendo do teu consumo, 4 litros de água por pessoa dá, mesmo que pegue dois dias a quase 30C. Mas se levar Clor-in, há contato com uns poucos rios para coleta. Para as principais refeições, leve alimentos que consumam pouca água no preparo. 4. Andando nesse sentido, os lugares interessantes pra acampar começam a aparecer pelo quilometro 22. Se aguentar caminhar mais uns 4 quilômetros, terá que passar por mais um viaduto vazado, mas depois dele terá um camping. 5. Para passar sobre os viadutos vazados, caso comece a ter vertigem, não olhe diretamente por entre os vão dos dormentes e vá contando quanto dormentes tem, pra tirar o foco do cérebro. 6. Dentro dos tuneis cuidado com dormentes quebrados ou com limo, com buracos naqueles recém trocados, com esporoes de aço soltando dos trilhos e sempre procure pelos salva vidas caso o trem resolva aparecer. De qualquer forma, ele vai apitar antes de entrar no túnel. 7. Cuidado com aranhas, pois elas adoram os trilhos e estão em toda a parte, mesmo tu não vendo. 8. Lá pelo quilometro 40, já é a ponte pra Colombo que passa por sobre os trilhos. Diferente de outros relatos, não precisa escalar a lateral dela. Caminhe mais uns 50 metros e a esquerda terá uma subida pra essa ponte. Depois dela terá uns 500 metros só de subida e mais uns 500 metros de descida até a rodovia. 9. No domingo o ônibus Guaporé - Lajeado passa algumas vezes e te deixa na frente do hotel, onde deve estar teu carro. Fique do lado da rodovia que não tem a parada. Nós pegamos ele as 15h35
  22. Amigos! Esse relato também está disponível em https://guilhermebboth.wordpress.com/ , com os mapas e algumas fotos a mais. Introdução Não lembro quando pensei pela primeira vez que queria pedalar o litoral gaúcho de ponta a ponta. Também não tenho uma boa explicação do porquê: só queria e pronto, sem grandes motivações ou sentimentos de desafio. A verdade é que sempre me senti bem ali e adoro o litoral do Rio Grande do Sul, sua natureza e sua singularidade: uma reta de 650 km, simples e brutal, que eu queria percorrer inteira. Em 2011 me mudei de Porto Alegre para São José dos Campos – SP, o que dificultou a realização da viagem, e a saudade que veio com a distância aumentou a vontade de fazê-la. Decidi que a hora era agora: tinha 20 dias de férias e temia que fosse ficar mais difícil cada ano que adiasse. O trecho era curto para preencher os 20 dias, então resolvi esticar o pedal até Montevideo. Minha companheira Débora se juntou a mim na parte uruguaia, há tempos queríamos viajar de bicicleta juntos e seria a primeira ciclo viagem dela. Na parte gaúcha, preferi ir sozinho: as condições são duras e as distâncias longas, com trechos bastante isolados. Soa simplório dizer que esse era um sonho que eu tinha, afinal não é uma subida ao Everest ou uma pedalada de volta ao mundo; mas foi exatamente isso, um sonho que tive a felicidade de realizar, pelo simples prazer de fazer. Dia 1: Torres à Rainha do Mar Domingo, 25/02/2018 Total: 73,77 km Média: 18,8 km/h Máxima: 34,7 km/h Tempo pedalado: 3:55 Após um pernoite em Capão Novo, saímos cedo para Torres com a bicicleta amarrada no carregador atrás do carro; eu, meus pais Mário e Ana e minha companheira Débora, costumazes parceiros/vítimas das minhas empreitadas. O ponto óbvio de partida era o Rio Mampituba, que faz a separação do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, com a chegada também óbvia no Rio Chuí, fronteira com o Uruguai. Paramos na margem gaúcha do rio, fiz os ajustes finais na bicicleta, tiramos algumas fotos, nos despedimos e parti. A partida foi mais para apreensiva do que para empolgada. Quarenta e cinco dias antes do início planejado tive uma lesão muito feia jogando futebol, um estiramento atrás da coxa direita que passou de feia para horrorosa duas semanas depois ao tentar ficar de pé em um stand-up paddle. A lesão sangrou internamente e deixou um hematoma enorme, que doía muito e impediu qualquer treinamento antes da viagem. Fui fortemente desaconselhado a ir pelo médico, fisioterapeuta, amigos e família. Fiz 22 sessões de fisioterapia em pouco mais de duas semanas, e a única volta de bicicleta nesse período foi na quinta-feira anterior ao sábado que embarcaria para Porto Alegre para ver se devia mesmo abandonar a ideia ou ir contra os conselhos que recebi. Boa minha perna não estava, mas resolvi iniciar e caso fosse preciso abandonaria já no litoral norte. Comecei pela ciclovia da Avenida Beira-Mar, a praia estava muito lotada por que era o final de semana de encerramento da temporada. Circulei o morro do Farol, enxergando a Lagoa do Violão à minha esquerda, até passar por trás do parque da Guarita e costear o morro da Guarita até a beira da praia. Nela, me livrei da bermuda que usava por cima do short de ciclismo e coloquei meu chapéu de Machu Picchu, muito feio porém providencial no solaço que fazia. Livre dos pudores bestas da pedalada urbana, segui os primeiros quilômetros de areia até as pedras que marcam o final do Parque Estadual de Itapeva. Por desinformação minha, achei que ali era o começo do parque, e depois de carregar a bicicleta pelas pedras foi com espanto que dei de cara com uma grande farofada do outro lado, com muitos carros e pessoas na beira da praia. Avancei rapidamente, favorecido pelo baixo peso da bicicleta – estava com só um dos alforjes e carregando apenas poucas ferramentas e água –, pelo vento a favor e pela areia firme. As praias de Rondinha, Arroio do Sal, Curumim e arredores estavam lotadas, muitas pessoas usando camisetas do Caxias e Juventude e poucas da dupla Grenal, evidenciando a presença majoritária dos gringos da serra. Isso e o bronzeado vermelho-camarão, é claro. Já no primeiro dia precisei usar minha defesa contra os cães. Não pensem que sou um maltratador dos animais ou algo do tipo, mas depois de ser perseguido várias vezes e até mordido em ciclo-viagens anteriores, achei por bem buscar algum tipo de prevenção. Meu medo tinha endereço: nas regiões isoladas do litoral sul, quando pedalaria sozinho, já havia visto grupos de cachorros praticamente selvagens e fui corrido por eles na ocasião. E se me pegassem? Queria algo que impedisse o ataque, mas que não fizesse mal ao cachorro. Procurei em fóruns de ciclistas e a resposta estava lá: um spray de pimenta, que devido ao faro sensível do animal, bastava borrifar em sua direção sem atingi-lo diretamente que ele desistiria da perseguição. Passando por Arroio do Sal havia vários vira-latas, e percebi que o maior deles notou minha presença e se preparou para correr atrás de mim assim que passasse por eles. Peguei o spray que levava pendurado no guidom e finquei pé no pedal, na esperança de deixar o cusco para trás e não precisar usá-lo. O cachorro era enorme, uma verdadeira besta-fera (pelo menos é assim que lembro), corria rosnando, babando e latindo, e logo vi que não havia a menor chance de deixa-lo para trás. Esperei ele se aproximar e psssss!, disparei na direção dele. Pareceu funcionar em um primeiro momento: o cachorro parou e deu dois espirros, só que a recuperação foi imediata e ele ficou mais bravo ainda, reiniciando a perseguição para grande diversão dos veranistas. Para complicar, o vento na minha direção fez eu respirar um pouco do gás e dificultou a fuga, mas no fim venci a corrida. Usei o spray mais duas vezes na viagem com resultados um pouco melhores, mas acho que o que assustava mesmo os bichos era o barulho que ele fazia. Uma buzina teria sido mais eficaz e mais saudável para ambas as partes. Cheguei no apartamento da família em Capão Novo ao meio-dia, depois de 50 km. Almoço com os pais e companheira, sesta e depois pedal de novo até Rainha do Mar. Nesse trecho eu estava em casa, anos frequentando a faixa de litoral entre Capão Novo e Capão da Canoa. Os 24 km foram vencidos rapidamente, diminuindo um pouco o ritmo na passagem pela multidão em Capão da Canoa, e no meio da tarde já estavam na casa dos meus sogros em Rainha do Mar. À noite, compenetrado nos ajustes dos alforjes, fui testa-los e esqueci de montar pelo lado direito da bicicleta, o que era obrigatório pela lesão da perna. Ouvi um pequeno estalo e a dor característica, e pensei que a viagem tinha acabado de ir por água abaixo. Coloquei gelo e torci para não acabar ali o que mal tinha começado. Seria o fim? Partida em Torres no Rio Mampituba, Santa Catarina do lado de lá Dia 2: Rainha do Mar à Lagoa do Bacupari Segunda-feira, 26/02/2018 Total: 100,1 km Média: 14,9 km/h Máxima: 26,2 km/h Tempo pedalado: 6:42 Saí por volta das 8 horas, querendo aproveitar o sol mais fraco da manhã. Neste e nos demais dias percebi que o melhor não era sair cedo se o vento estivesse a favor: o vento ia se intensificando ao longo do dia, e as melhores horas para pedalar eram do meio para o final da tarde. Minha sogra queria me acompanhar na saída, mas vendo que a minha patroa gostou muito da ideia, emprestou a bicicleta para ela e fomos juntos até os limites de Rainha do Mar. O plano do dia era pedalar até Quintão (60 km) e lá decidir se ficava ou se tinha perna para ir até a Lagoa do Bacupari (85 km). Logo saí da areia e passei na ponte sobre o Rio Tramandaí, a primeira das três interrupções fluviais do litoral gaúcho, sendo as outras duas a barra da Lagoa do Peixe em Tavares e a barra da Lagoa dos Patos, em Rio Grande. A plataforma de pesca de Tramandaí ficou para trás e depois de um trecho com menos casas cheguei a Cidreira. Parei para almoçar no centro de Cidreira, no buffet excelente do Restaurante Junior’s por módicos R$19,90. Antes de entrar ouvi de uma velhota sentada na frente que não era permitido traje de banho – e eu estava de tênis, camiseta e calção. Como gosto muito da combinação de boa comida (que era mesmo ótima) e preço baixo, cometi o erro de comer demais, três pratarrazes. Tentei escapar do sol e fazer a digestão embaixo da aba de um bar fechado na praça da beira da praia, sem grande sucesso: a lembrança do peixe frito, berinjela à milanesa, nhoques, lasanha, etc, me acompanharam o resto do dia. Não soube diferenciar Cidreira de Pinhal e Magistério, todas parecem uma só vistas da beira. Neste trecho tem uma vila bem grande praticamente a beira mar, sem a separação das dunas como o restante do litoral. Pareceu uma área muito pobre, a maioria das construções eram casebres feitos de restos de madeira e brasilit, com vielas muito estreitas entre eles. Havia também algumas peixarias e barracões com botes de borracha na frente, e muitas cabeças de violas ainda com a espinha espalhadas junto da linha d’água. Ninguém na praia neste trecho, com exceção dos salva-vidas nas guaritas. Quase passei reto por Quintão, as dunas altas e íngremes escondiam a cidade. Perguntei para uma viatura da Brigada na praia se ali era Quintão e se sabiam que distância tinha até a estrada das Garças, entrada para a Lagoa do Bacupari. Aparentemente interrompi algo muito importante que eles tratavam no celular, pela pouca simpatia que disseram que ali era o final de Quintão e não tinham nem ideia de onde era essa estrada. Era cedo e pelas minhas anotações faltavam 25 km até a estrada, me sentia bem e resolvi continuar. Depois de Quintão o litoral começa a ficar mesmo deserto, sem nenhuma aglomeração de casas e poucas pessoas, que estão lá quase sempre pescando em camionetes. Nenhuma delas soube me dizer exatamente onde era a entrada da estrada, e a referência que eu tinha era que era junto de uma casa de madeira com um arroio do lado... igual a tantas que eu já havia passado no caminho, não era uma boa referência. A salvação foi ter o mapa off-line do Google Maps no celular, só que como vinha pela praia era impossível traçar a rota, olhava de 5 em 5 minutos para não perder a entrada. O local era exatamente idêntico a muitos outros, impossível saber onde era sem o mapa. Sabia de antemão que a estrada não estava em boas condições, mas não estava preparado para o que vinha a seguir. A estrada estava mais para um caminho aberto no meio das dunas, com trechos de areial, barro, e água – em alguns trechos a estrada e o arroio se confundiam. O dia estava terminando e o cenário era muito bonito, alternando entre cômoros e banhados, com vista da lagoa dos Barros enquanto o sol baixava, mas foi duro arrastar a bicicleta nesse terreno difícil por 8 km que eu não tinha incluído no planejamento. Levou uma hora e meia com poucos trechos de pedalada. De companhia no caminho, apenas seis guris que passaram em três motos, sem capacetes e de chinelos, correndo como loucos pela estrada e as vezes fora dela. Cheguei quase noite, muito cansado e disposto a ficar no primeiro local que encontrasse. Acabei na Pousada Duas Lagoas, um quarto com cozinha muito simples, que era o que eu precisava. Não tinha mangueira no lugar e precisei lavar a bicicleta no chuveiro, rindo da situação em um banheiro bem pequeno de tijolo a vista. Jantei uma massa com linguiça da colônia e dormi depois de espantar a maior quantidade que consegui dos milhares de insetos que queriam ficar no quarto comigo. Saída de Rainha do Mar, praia em condições perfeitas Chegada na Lagoa do Bacupari Dia 3: Lagoa do Bacupari ao Balneário Mostardense Terça-feira, 27/02/2018 Total: 93,95 km Média: 14,6 km/h Máxima: 26,4 km/h Tempo pedalado: 6:26 Acordei pouco animado com a perspectiva de fazer o caminho de volta pela estrada, mas o jeito era reunir forças e partir. De novo empurrei a bicicleta por uma hora e meia, dessa vez tirando os tênis para passar dentro das partes com água e evitando os lugares fundos. Na chegada na praia três garças de espécies diferentes, uma delas enorme, me esperavam no fim da estrada. Se estivessem ali ontem teria sido mais fácil achar a entrada da estrada das Garças! Logo enxerguei o farol da Solidão – aprendi que a distância que se enxerga um farol com tempo limpo são 12 km. O nome não faz mais jus ao lugar, existe uma vila com várias casas ali. Comecei a seguir com mais disciplina o método que uso para me motivar: estabeleço uma meta, 10 km se estiver cansado ou 20 se estiver disposto ou precisando vencer distâncias, e cada vez que cumpro faço uma pausa e me dou algum prêmio, que pode ser uma rapadura ou um gole de Gatorade. Parar antes está proibido, mesmo que apareça algum lugar apetecível para descansar faltando só 50m para a meta: sempre é preciso ultrapassar objetivo e só aí me permito parar, mesmo que precise andar mais um tanto. Como já tinha passado mais de 10 km que tinha visto o farol, me presentei com duas paçocas. Os maiores bandos de aves que vi foram nesse dia. Grupos enormes de gaivotas, maçaricos, socós, talha-mares, trinta-réis, garças, e muitos outros faziam a festa nos mariscos, as vezes reunidos em um só tipo, as vezes misturados em um grande número de indivíduos de várias espécies. Evito fazer barulho para não incomodar os bichos, mas as revoadas eram inevitáveis e lindas. Nessa parte a areia se estende para longe da praia e a vista fica muito ampla para todos os lados, com o mar à esquerda, o céu acima e areia até onde a vista alcança para frente e para a direita, com os grandes grupos de aves de tempo em tempo. Não sei se era efeito do calor e do sol na cabeça, mas sentia uma felicidade enorme por estar ali! O resto do dia seguiu nessa toada, praia e deserto. Passei por várias mães-d’água do tipo caravelas na praia, venenosíssimas, lilases e infladas, e por ovos secos de arraias enormes, de quase um palmo de comprimento. Fiquei quase sem água e precisei invadir o pátio de uma casa para encher minhas garrafas, num dos poucos grupos de casas de pescadores que passei. Estavam com cara de habitadas e com uma parafernália de pesca na volta, mas não tinha ninguém; fiquei com medo que tivessem saído sem levar os cachorros junto, mas nenhum apareceu. Quando avistei o Balneário Mostardense ao longe, passei por um albatroz na areia, o único que vi em toda a viagem. Estava sentado e com as asas longas e negras abertas e apoiadas na areia, uma pose estranha. Imaginei que estivesse doente ou machucado e senti pena dele. Dois minutos depois ele passou por mim voando e pensei que éramos companheiros nessa, ambos meio estropiados, mas seguindo em frente! Cheguei no Balneário, lugar muito simpático e já bem vazio pelo final da temporada. Encontrei com outro ciclista viajando, vinha de Florianópolis com pouco dinheiro e se alimentando de mariscos e arroz com moçambiques, rumo a Montevideo. Fui procurar a pousada que tinha combinado e ele foi atrás de um posto de gasolina para acampar. Havia falado por WhatsApp com a Cleusa, proprietária da Pousada Balneário, mas não conseguia encontrar onde era. Parei em frente a uma casa muito bonita de dois andares, com uma família reunida na frente em torno de uma mesa com o tampo de uma única tora, e perguntei pelo local. Um cara que parecia o James Hetfield, vocalista do Metallica, prontamente se ofereceu para me levar lá e andamos algumas quadras. Chegando lá ele perguntou meu nome e logo depois minha idade. Quando eu disse 34 ele disse pois é, meu filho também se chamava Guilherme e hoje ele teria 32... não consegui pensar em nada para dizer, ele deu tchau e foi embora. Ainda penso no que poderia ter dito e até agora não me ocorreu nada. A Cleusa era a simpatia em pessoa e passei muito bem na pousada. Ganhei frutas na chegada, café passado de manhã, e até uma batata doce cozida embrulhada em papel alumínio antes de sair. “Boa para quem faz exercício!”, disse ela. Me mandou mensagem todos os dias da viagem perguntando se estava tudo bem. Recomendo o lugar para quem passar pelo Balneário: https://www.facebook.com/pousadabalneario/ Saí a noite para ir no mercado e comer e desabou o mundo. Pelo menos não trouxe a capa de chuva para nada, pensei. Entrei em uma lanchonete e enquanto comia um xis e tomava um latão de Polar ouvi um sujeito falar para a garçonete que tinha atravessado a barra da Lagoa do Peixe de moto de tarde. Essa era uma das minhas preocupações para o dia seguinte, como atravessar o rio na beira da praia. Será que ia subir por causa da chuva? Estrada das Garças Filhotão de baleia com corda presa no rabo Dia 4: Balneário Mostardense ao Bojuru Quarta-feira, 28/02/2018 Total: 92,86 km Média: 14,1 km/h Máxima: 28,1 km/h Tempo pedalado: 6:33 A Cleusa me tranquilizou quanto à travessia da barra da Lagoa do Peixe: era época de pesca de camarão e ia ter gente lá para me atravessar de barco. Imaginei que haveria vários pescadores e que por alguns trocados iriam me levar para o outro lado sem grandes problemas. Entrei no Parque Nacional da Lagoa do Peixe e apesar dos avisos de proibido pescar, vários cabos prendiam redes de pesca. Pior ainda, ao lado de alguns desses cabos havia uma e até duas toninhas mortas, animal ameaçado de extinção e com população estimada de apenas 9500 indivíduos entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Já havia visto outras mortas mais ao norte, mas o fato de estarem junto dos cabos de rede em uma unidade de conservação tornava a coisa ainda mais indignante. O parque é um santuário de aves migratórias e um patrimônio natural brasileiro, mas vi menos aves que no dia anterior. Depois descobri que para observar pássaros o melhor é contratar algum passeio, a maior parte delas fica concentrada em lagoas que estão para trás das dunas, e não nas pequenas poças d’água e lagoinhas que se formam a beira mar. Passei por apenas três carros no trecho de 30 km entre o balneário e a barra da Lagoa. Quando cheguei nela, o silêncio só era quebrado pelo barulho do mar e do rio, nem sinal de pessoas. O lugar é muito bonito, a barra estava com cerca de 10 metros de largura, água muito transparente e correndo rápido na parte que afunila para o mar. Em vários pontos dava para ver o fundo, pensei em atravessar carregando a bicicleta nos ombros mas no meio já parecia mais profundo, e os vários caranguejos que enxergava através da água me desencorajavam. Bem longe na margem oposta dava para ver um galpão e duas casas, com barcos ancorados na frente e armadilhas de camarão, mas nenhum movimento. Parecia que não dava para chegar na frente, um riozinho se conectava ao rio principal e impedia minha passagem. Achei a água parada e pensei que podia ser só um braço morto da lagoa, fui contornando enquanto olhava as tainhotas pulando para fora da água e era isso mesmo, depois de uma meia hora consegui parar na margem bem em frente às casas do lado oposto, onde havia um barco amarrado em um toco. Para meu alívio saiu alguém de dentro da casa, e travamos o seguinte diálogo, dificultado pela distância e vento forte: Eu: Ei! Quero atravessar! Ele: Pega o barco e vem! Eu (pensando que não tinha escutado direito): Quero atravessar! Ele: Pega e vem, tchê! E entrou para dentro da casa. Eu não tinha certeza se tinha escutado direito, achei o rio meio desafiador e fiquei com receio de despertar a ira do pescador pegando o barco dele sem autorização. Fiquei ali com cara de tacho pensando no que fazer até que ele apareceu de novo, gritou umas palavras que não entendi, mas que pareciam dizer para eu ir mesmo. Na pressa não quis desmontar os alforjes da bicicleta e foi duro colocá-la com todo peso para dentro do barco. Como o rio era raso, o esquema era empurrar o barco com uma taquara até o outro lado, sem remo. A maré tinha subido e o mar estava botando para dentro da lagoa, me empurrando para as armadilhas. Comecei empurrando pela popa e não conseguia direcionar, mas me espertei a tempo de correr para a proa e evitar o desastre eminente, retomando o controle do barco. Na chegada ainda levei um tombo, perdi o equilíbrio enquanto erguia a pesada bicicleta e ao mesmo tempo espantava o caranguejo que tentava beliscar meu pé descalço. As únicas testemunhas foram dois cavalos, então conservei meu orgulho intacto. Deixei a bicicleta e fui até a casa, que ficava a uns 300 metros de onde amarrei o barco. A casa era uma tapera, sem luz elétrica nem água, usada só sazonalmente para a pesca mesmo. Nela estavam três pessoas, dois pescadores e o filho de um deles. Mal dei boa tarde e já me ofereceram almoço, estavam fritando papa-terra, camarão da lagoa, e tinham também arroz, feijão, ki-suco gelado e até carne de avestruz de uma fazenda ali perto. A comida estava com uma cara ótima e não me fiz de rogado. Conversamos bastante, eu interessado na lagoa e em como eles viviam da pesca, eles na minha viagem; as vezes é difícil explicar por que se faz uma coisa desse tipo simplesmente por que tive vontade. Reclamaram de uma multa que tomaram, a casa está em área protegida e na rota migratória dos maçaricos. “Mas tu me diz: a casa está aqui há trinta anos, será que os passarinhos não podiam desviar dela”? Contamos alguns causos uns para os outros e demos risadas, e fizeram até a pergunta que sempre escuto: Não tem medo de andar por aí nesses lugares desertos sozinho? A resposta é não, em toda a viagem não passei por nenhuma situação que me senti constrangido ou ameaçado, muito pelo contrário, sempre contei com a ajuda, simpatia e generosidade de pessoas como eles. Obrigado, amigos! Meus anfitriões estavam quase sem água, então não peguei nada com eles. Me indicaram que 30 km para a frente encontraria algumas casas junto de um farol e que ali teria uma bomba. Perto do farol havia um pessoal pescando, em um método para mim inédito: usavam um salva-vidas com camiseta por cima, pescavam com a tarrafa e depois colocavam os peixes para dentro da camisa, que já estava bem cheia. Eram os donos das casas, me disseram para ir lá que tinha um moreno que cuidava delas e que eu seria super bem recebido (palavras exatas). Era verdade, fui muito bem recebido, conversei bastante com o pessoal e ganhei água, café e bolo. Fora o senhor moreno que morava lá e dava uma mão com as casas dos outros, eram todos de Araranguá em Santa Catarina e a julgar pelas camionetes novas praticavam alguma modalidade mais profissional de pesca. Reclamaram muito da fiscalização da Fepam e do ICMBio, ao que concluí que devem estar fazendo um bom trabalho. Neste trecho sumiram os anéis de areia que foram o mistério e sensação da temporada, que estavam por toda a praia desde Torres. Tratava-se do ninho feito de muco dos caramujos do gênero Natica, coisa nunca vista antes no litoral gaúcho e impressionante pela quantidade e abrangência. O resto da tarde seguiu sem percalços, vento a favor e areia muito boa para pedalar. A chegada no Bojuru, outra não incluída no planejamento, é que não foi fácil. Pedi informação sobre onde sair da praia para os pescadores e cada um tinha uma opinião, se a melhor era a entrada ao norte ou ao sul. As duas saiam na BR-101 e achei melhor pegar logo a entrada norte, para não precisar voltar e evitar pedalar a noite na estrada. De partida, duas passagens por dentro da água pelos joelhos. A próxima surpresa foi que os 6 km seguintes eram totalmente subindo, a maior parte de areia fina e solta que não deixava pedalar. O caminho ia entre plantações de pinus, e como se o ar não estivesse fantasmagórico por si só com o sol se pondo, havia uma caveira de boi cravada numa estaca com duas bolas vermelhas no lugar dos olhos, com os chifres também pintados de encarnado. Cheguei na BR depois de empurrar a bicicleta a maior parte do caminho, e no lusco-fusco cheguei no Bojuru depois de pedalar rapidamente os 10 km que faltavam. O lugar era menor do que eu esperava, e logo achei onde me hospedar: Pousada Freitas, humilde, mas com ar-condicionado no quarto e baratíssima. A bicicleta estava com um cheiro estranho e lavei-a no posto de gasolina na frente da pousada. Várias larvas de água-viva do mesmo azul da pintura estavam grudadas nela, deixando-a com um cheiro misturado de maresia e peixe morto. Saí para procurar um lugar para comer, as ruas de terra estavam bem iluminadas pela lua cheia. O único lugar com movimento era um bar que não aparentava ser muito receptivo com forasteiros; o Restaurante Santos, do outro lado da rua, parecia fechado. Espiei pela janela e o dono apareceu de supetão; perguntei se estava aberto e ele respondeu: agora tá! Comi um prato enorme de asas de galinha, duas chuletas de porco de dois dedos de altura cada, arroz, feijão, ovo frito, salada e dois refris. Uma das melhores coisas de viajar de bicicleta é comer sem culpa! No fim o dono ainda queria me dar um desconto de 1/3 do preço, não achei justo e fechamos num meio termo. Barra da Lagoa do Peixe aberta Margem sul da Lagoa do Peixe após atravessar Dia 5: Bojuru ao Cassino Quinta-feira, 01/03/2018 Total: 115,70 km Média: 14,9 km/h Máxima: 25,1 km/h Tempo pedalado: 7:43 Comi uma torrada (misto-quente, dependendo de onde for o leitor) e um café com leite na padaria e parti cedo, antes das sete. Voltei para a beira pelo que seria a entrada sul do dia anterior; uma estrada menos íngreme, o que é uma desvantagem na descida, e mais arenosa ainda. Empurrei a bicicleta boa parte do caminho sob o sol muito forte e observado por gaviões e corujas pousados nas cercas. Cheguei na praia e o vento tinha virado, estava de sul. No litoral sul quando isso acontece o mar sobe, sumindo com a faixa de areia pedalável e justificando o nome de Praia do Mar Grosso. Andava um pouco e os pneus afundavam na areia; em alguns lugares o mar fazia barrancos na beira do mar, tentava passar por ali rápido entre as ondas para logo atolar de novo. Demorei 3 km para me convencer que aquilo ali era inviável. Só me conformei em dar meia volta por que em 2012 já tinha pedalado de Bojuru a Rio Grande e em 2009 de Rio Grande ao Chuí – o que quer dizer que indo de Torres até Bojuru já podia dizer que tinha pedalado 100% do litoral gaúcho pela beira da praia. Usei isso como consolo e voltei, alterando os planos de ir sempre pela areia para seguir pela BR-101. Cheguei perto das 10 da manhã na estrada – frustrado e cansado de percorrer o caminho de volta, total de 24 km perdidos, boa parte empurrando a bicicleta. Na BR o ritmo mudou: o acostamento está muito bom e permite pedalar com segurança, a velocidade de cruzeiro aumentou de entre 14-16 km/h da areia para 20 km/h, mesmo contra o vento. Parei para comer uma paçoca e tomar um toddy e passou por mim outro ciclista, o Christian. Suíço, tinha saído do Ushuaia, subido até Mendoza, pego um ônibus para Foz do Iguaçu e vinha descendo de lá até Montevideo, em uma viagem de 3 meses e 7000 km. A comunicação era difícil: ele falava quase nada de inglês, espanhol aprendeu em um curso intensivo de 2 meses mas não parecia ter praticado muito no caminho, e o meu alemão se resume a meia dúzia de palavras e frases. Pedalamos juntos por um tempo, mas o ritmo dele era bem mais forte e o perdi de vista. Pedalei bastante tempo sem passar por nenhum posto de gasolina, restaurante ou mercado. A estrada era muito bonita, alternando entre pastagens e plantações de arroz, com figueiras antigas e casas esparsas. Na primeira venda parei decidido a almoçar, mas o dono explicou que sua esposa tinha saído e quando era assim não tinha comida. Paciência, comprei umas paçocas e um refri, armei meu fogareiro e fiz um miojo. Vendo a situação ele se compadeceu e perguntou se eu queria um prato de comida, imaginei que a comida que queria compartilhar era o próprio almoço dele, agradeci mas recusei. Enquanto isso chegou um caminhão e começaram a descarregar uns engradados de refrigerante. O motorista sentou do meu lado enquanto eu comia e conversamos, ao mesmo tempo que ele assistia vídeos no celular. Lá pelas tantas ele encheu os olhos de lágrimas, e sem disfarçar disse com o sotaque do sul do Estado: “Bah tchê! Mas é bem triste esse vídeo”! Pelos meus cálculos ainda faltavam uns 60 km, e me preocupava já serem duas e meia da tarde. O pessoal insistiu para eu colocar a bicicleta no caminhão e ir junto, não ia nem precisar pagar para atravessar na balsa de São José do Norte para Rio Grande. Confesso que balancei, porém fiquei firme e recusei; os dois do caminhão simplesmente não entendiam por que eu queria ir de bicicleta se podia ir com eles mas cansaram de insistir, me desejaram sorte e partiram. Várias vezes no meio do caminho pensei que devia ter aceito a carona. Na chegada em São José do Norte, outro ciclista: Jean Claude, ciclista francês, barba e cabelos brancos com cara de quem beira os 60 anos, só com um colete reflexivo e colar de dente no pescoço. A conversa deve ter sido só uns 10 minutos, mas me contou muita coisa: tinha saído da Guiana, contornado toda América do Sul pelo Pacífico e agora iria subir toda a costa do Brasil e voltar para o ponto inicial. Fazia 30 anos que estava na estrada e tinha visitado 133 países, falava bem português por que era a oitava vez no Brasil. Examinou minha bicicleta e perguntou por que as dos brasileiros nunca tem pezinho e por que eu não levava bagagem na frente, disse que tinha uma mountain bike nova como a minha, mas que a que ele estava (mais estradeira) tinha alma! ESSA BICICLETA TEM ALMA! Se exclamava e só faltava saírem faíscas pelos olhos! Contei sobre a minha viagem pela Alsácia e Alemanha com meu pai e meu irmão, obviamente ele já tinha rodado aquele caminho também. Tiramos fotos juntos e fomos cada um para o seu lado. Não tinha decidido ainda onde ficar quando peguei a balsa para Rio Grande. A travessia é muito legal, com São José do Norte com cara de interior de um lado e a linha de prédios modernos de Rio Grande do outro. Decidi que não queria entrar em uma cidade grande sem saber para onde ir e resolvi ir até o balneário do Cassino, mesmo que isso representasse um aumento na quilometragem do dia e da manhã seguinte. O pedal da balsa para o Cassino não é dos mais agradáveis: depois de uma vila, onde o pedal é tranquilo, passa-se por uma área portuária e fabril que é um verdadeiro apocalipse industrial. Era bem o horário de saída do trabalho e o tráfego de carros e caminhões era insano, não havia viva alma a pé ou de bicicleta e percorri sem parar esse trecho, passando por indústrias químicas e pelo estaleiro parado da Ecovix. O acostamento na frente do terminal graneleiro era uma nojeira: os caminhões derrubavam grãos, que atraiam ratos, que eram atropelados por outros caminhões. O resultado eram ratos amassados e achatados como em desenho animado, em alguns trechos formando quase um tapete no asfalto. Finalmente cheguei no Cassino, que estava com bastante movimento. Me pareceu que já não é mais só um balneário de Rio Grande, muitas pessoas devem morar ali como se fosse um bairro afastado da cidade. Fiquei no hostel Rio140, muito novo e bem localizado. Peguei uma cama no quarto coletivo mas era o único hóspede, pude ficar à vontade para organizar as minhas tralhas e lavar roupa. Também pude comprar um relaxante muscular, estava sem e os locais que parei nos últimos dois dias não tinham farmácia. Terminei o dia longo em um desses pavilhões que tem feira de artesanato e praça de alimentação, com um xis quatro queijos e um latão de Polar. Tudo está bem quando termina bem! Jean Claude: 30 anos de estrada Dia 6: Cassino ao Paradouro Costa Doce Sexta-feira, 02/03/2018 Total: 133,23 km Média: 17,2 km/h Máxima: 32,3 km/h Tempo pedalado: 7:44 Para começar o dia, que seria longo, pizza e achocolatado de alpino no café da manhã - já disse antes mas repito que comer sem culpa é uma das melhores coisas de viajar de bicicleta. Enchi uma das caramanholas com gelo e água de coco com abacaxi, couve e gengibre, comprei por engano achando quer era só coco. Água gelada na outra caramanhola mais dois gatorades completavam o kit hidratação. Antes de pegar a estrada fui até a orla ver a estátua de Iemanjá. Nove anos atrás foi dali que começou a expedição da autointitulada Banda Mais Calor com os amigos Testa, Teteu e Sapulha, minha primeira viagem de bicicleta, em uma travessia tanto épica como mambembe pela praia do Cassino rumo ao carnaval de Santa Tereza no Uruguai. Tocado pela lembrança, dei tchau para a Rainha das Águas e peguei a RS-734 na direção de Pelotas. O vento não ajudava. Vinha acompanhando todos os dias a previsão pelo site WindFinder e a perspectiva era de vento contra ou lateral, o que se confirmou. No entroncamento com a BR-392 encontrei com uma turma pedalando, parei-os com o pretexto de pedir informação, mas era mais para conversar mesmo. Eles faziam parte do Pedal Corta Vento, um grupo de Rio Grande que organiza passeios e voltas ciclísticas. Trocamos contatos e segui para o viaduto que entra na BR-471, a estrada que conduz até a fronteira com o Uruguai. A distância a percorrer era grande, por isso fazia intervalos apenas a cada 20 km. Os locais de parada eram poucos, alguns pontos de ônibus e as unidades do Grupo 4 Irmãos / Granjas Joaquim Oliveira, fazendas com vilas para os trabalhadores, oficinas, silos e o que mais envolve o agronegócio. Parei em uma delas para abastecer água e almocei carrapinhada sentado embaixo de um pinheiro. A estrada era um pouco monótona e em vários trechos o acostamento era péssimo. Precisei fazer algo que nunca faço, ir na contramão. Pedalava pelo lado errado próximo à guia e descia para o acostamento quando se aproximava um veículo, desviando das touceiras de capim e buracos. O movimento era baixo, mais caminhões do que carros. A monotonia acabou na Estação Ecológica do Taim. Já tinha passado por ali outras vezes de carro, só que em quatro rodas não dá para ter ideia de quão incrível é o lugar. A estrada é elevada em relação ao terreno, e em cada lateral corre um curso d’água. Uma cerca de tela de meio metro de altura em cada lado impede a circulação de animais, o que diminuiu muito o número de atropelamentos. No lado esquerdo centenas de capivaras e campo com gado; no lado direito o banhado com pequenas praias na vegetação alta, tarrãs, garças, martins-pescadores, muitos outros pássaros que não identifiquei, e jacarés pegando sol de boca aberta. A minha passagem espantava uma bicharada que ficava no capinzal do lado da estrada, que fugia fazendo barulho. Uma tartaruga solitária atravessava a estrada e se encolheu toda para dentro da casca quando me aproximei, bem entre as duas pistas. Pensei em parar para colocá-la do outro lado mas achei que ela voltaria a caminhar quando eu me afastasse, segui e olhei para trás a tempo de vê-la sumir no mato. Já estava bem cansado, a reserva começa a 80 km do Cassino e tem 17 km de extensão, mas percorri-a com um sorriso no rosto. O resto da tarde foi uma corrida para chegar no Paradouro Costa Doce, um posto de gasolina no meio do caminho entre Cassino e Santa Vitória do Palmar. Quase parei no camping da Praia da Capilha, na Lagoa Mirim antes do Taim, mas o dia seguinte ficaria longo demais. Da estrada vi o pôr do sol na lagoa enquanto grupos grandes de biguás voavam em formação V. Coloquei a lanterna de cabeça piscando amarrada no alforje e vinte minutos depois cheguei no posto. Esperava comodidades para caminhoneiros – leia-se chuveiro – mas não tinha. Armei o acampamento no estacionamento de motos, um canto entre eucaliptos que passava um arroio por trás, tomei um banho de gato e jantei um prato feito de chuleta no restaurante. O posto fechou e ficou só um caminhão pernoitando. Dormi bem com a luz da lua passando pela barraca. Estação Ecológica do Taim Acampamento no Paradouro Costa Doce Dia 7: Paradouro Costa Doce à Santa Vitória do Palmar Sábado, 03/03/2018 Total: 104,0 km Média: 19,3 km/h Máxima: 28 km/h Tempo pedalado: 5:22 Acordei às cinco da manhã, quando o dia começou a clarear. Na noite anterior me disseram que o posto abria as seis e meia, então queria estar com tudo pronto, tomar café e sair. Seis e vinte estava com o acampamento desmontado, a bicicleta equipada e o protetor solar aplicado. Muitos carros esperavam para abastecer, até o ônibus de uma banda chegou. Sete horas, sete e meia, oito e nada. A maioria dos carros tinha desistido e ido embora, só não fiz o mesmo por que não tinha mais água; a única torneira do posto despejava uma água preta e embaixo dela jazia um sapo morto. Oito e meia abriram e comi um enrolado de salsicha, uma torrada e um café. Já do lado de fora chegou o Christian, o suíço de anteontem. Ele parou para comer e combinamos de nos encontrar mais adiante, já que o ritmo dele era mais rápido. A estrada era monótona como ontem, o que permitiu uma boa velocidade. Encontrei com o Christian e fui no vácuo dele boa parte do caminho, enquanto consegui acompanhar. Passamos por um ciclista russo que falava como uma matraca, em uma mountain bike dos modelos antigos, com o quadro em seção achatada. Usava chinelos de dedo, camisa xadrez amarela e um calção jeans rosa esfarrapado. A vara de pesca e uma grande quantidade de tralha na bicicleta completavam a figura singular. Disse que vinha da Colômbia e que nos últimos dias estava vivendo praticamente só da pesca e da fruta amarela que abundava na estrada: o butiá. Parou de falar do nada, deu tchau e foi. Eu e Christian separamos e nos encontramos de novo no posto, 10 km antes de Santa Vitória, onde almoçamos no buffet em clima de fim de festa, já passava muito da hora do almoço. De surpresa, meu amigo que iria me hospedar em Santa Vitória chegou de moto. O Gustavo é irmão do Glauco, grande amigo dos veraneios em Capão Novo e quando viu minhas postagens no Facebook convidou para um churrasco na passagem por lá. O churrasco evoluiu para uma estadia de dois dias! Conversamos um pouco, ele voltou para a cidade depois de dar as direções da casa e fomos logo atrás de bicicleta. No posto da polícia rodoviária alguns bichos-grilos com jeito de castelhanos dormiam enquanto outros pediam carona, rumo ao norte. Chegamos no pórtico de Santa Vitória e me despedi do Christian, que foi para o Chuí, naquele diálogo a duras penas em três línguas e gestos e que no final se entende quase nada. Cheguei na casa do Gustavo e demos uma volta pela cidade, comemos um pancho na praça e fomos ver o final do dia no Cais do Porto Pindorama, lugar muito bonito na beira da Lagoa Mirim. Depois, fomos para a casa dele no Hermenegildo, balneário a 20 km de Santa Vitória. Comemos churrasco e ligamos por vídeo para o Glauco, agora morador da Bahia. Com Christian na entrada de Santa Vitória do Palmar Dia 8: Descanso Domingo, 04/03/2018 Total: 0 km Média: 0 km/h Máxima: 0 km/h Tempo pedalado: 0 Ninguém é de ferro, foi bom tirar um dia para descansar. De manhã caminhamos na praia do Hermenegildo, que tem as casas muito próximas do mar, protegidas por barreiras de contenção de pedras e concreto. A casa do Gustavo foi uma das menos atingidas na grande ressaca de 2016, mas muitas ainda estão em escombros, visíveis em toda orla. Além de levar a casa, o mar levou até o terreno de algumas, deixando só a praia. Um termo de ajustamento de conduta impede as novas construções e reformas nas casas que estariam irregulares sobre a área de dunas, quem consertou ou ergueu casa nova agora enfrenta ou teme ordens demolitórias e os outros esperam uma definição sobre o que fazer com as casas destruídas. Por hoje o mar estava mais calmo e aproveitamos para andar de stand-up paddle, eu ainda receoso por causa da lesão da perna, que aconteceu justamente numa prancha dessas. De fato, era difícil ficar de pé, o músculo puxava muito e me resignei em andar de joelhos enquanto o Gustavo pegava ondas. Almoçamos carreteiro das sobras do churrasco e voltamos para Santa Vitória a tempo de assistir Grêmio e Juventude pelo campeonato gaúcho. Despachei na rodoviária meus itens de camping para Porto Alegre. Pretendia ter usado mais do que uma única vez, mas a estadia foi tão barata no Balneário Mostardense, Bojuru e Cassino que não valia a pena. Na semana seguinte, no Uruguai, já estaria com a Débora e não pretendíamos acampar. Ela chegaria na manhã seguinte na rodoviária do Chuí, no mesmo ônibus que a esposa do Gustavo voltava da Capital. Dormi cedo para pedalar até a fronteira antes que a Débora chegasse. Agradeci ao Gustavo, a acolhida foi realmente sensacional e nem parecia que já fazia alguns anos que não nos víamos. Disse a ele que me senti como se fosse da família, ao que ele retrucou: Mas tu é!!! ` Frente da casa no Hermenegildo Dia 9 parte 1: Santa Vitória do Palmar – Chuí – Barra do Chuí Segunda-feira, 05/03/2018 Total: 39,12 km Média: 17,5 km/h Máxima: 30,4 km/h Tempo pedalado: 2:10 Parti as 6 horas da manhã em ponto. Descansado, pedalei com uma parada só até o Chuí mas precisei da estratégia de todos os dias: pedalar os 10 minutos iniciais ou depois de cada parada em ritmo lento até aquecer e passar a sensação de fadiga nas pernas. O sol nascia em meio a neblina, que deixava a mostra só as pás dos aero geradores do maior parque eólico da América Latina. Bandos de joão-grandes (também conhecidos como cabeça-seca) despertavam, bem como o gado gordo, pretos ou vermelhos de cara branca. Angus e Hereford, raças de dar pena nos zebus de São Paulo. Logo cheguei no Chuí, que recém começava o dia, com o comércio fechado e os varredores na avenida central limpando dois países ao mesmo tempo. A Débora chegou oito e meia, empolgada com a viagem que para ela começava ali. Tiramos a caixa do ônibus e a bicicleta da caixa, em meia hora já estava montada e equipada. Compramos víveres para o dia e comemos um pancho de café da manhã no lado brasileiro da rua. Do lado uruguaio fizemos câmbio e compramos um chip da Antel. Vi vários haitianos na rua, que sobreviviam trabalhando como camelôs. Um senhor mais velho e maltrapilho viu nossas bicicletas, nos abordou e contou sobre as viagens dele, por todo o Uruguai com uma carretinha a reboque. Um dilema me incomodava desde o dia anterior: devíamos seguir pela estrada direto do Chuí ou ir até a Barra para ver o encontro do rio com o mar, um caminho 10 km mais longo? O planejado eram 47 km até Punta del Diablo e não queria forçar a Débora logo no primeiro dia. Lembrei da história de decidir no cara ou coroa, mas não pela sorte: antes da moeda cair eu saberia para qual lado estaria torcendo. Não precisei nem atirar a moeda para saber, íamos até a Barra. No final da descida que chega na praia aconteceu o único acidente da viagem. Eu vi a areia solta no final da rua, coloquei uma marcha leve e passei rápido. A Débora veio mais devagar e em uma marcha pesada, derrapou e foi ao solo, bateu com o guidom na coxa e ganhou um belo roxo. Nada sério mas abalou um pouco a moral dela logo na saída, com uma consequência na bicicleta que só descobriríamos no dia seguinte. Alternamos entre pedalar e empurrar a bicicleta na areia fofa até os molhes. Subi os tetrápodes de concreto correndo sem dar muita bola para a perna lesionada até ver a Barra del Chuy do outro lado do rio. Consegui! Dei um abraço na Débora para comemorar e esconder os olhos marejados; fazia anos que pensava nessa viagem, cheguei a duvidar se teria a oportunidade de fazê-la e agora estava ali, terminada! Estava emocionado e muito feliz: com a recuperação da lesão, com a lembrança dos amigos da primeira travessia, com o que vivi nesses dias. Com a realização de um sonho entre dois rios. Nascer do sol depois de Santa Vitória do Palmar Tetrápodes dos molhes da Barra Rio Chuí, Uruguai do outro lado Dia 9 parte 2: Barra do Chuí – Punta del Diablo Segunda-feira, 05/03/2018 Total: 64,95 km Média: 14,7 km/h Máxima: 30,4 km/h Tempo pedalado: 2:10 Comemorada a chegada no Uruguai, voltamos um pouco pelo mesmo caminho que viemos e paramos para almoçar. A Débora estranhou ainda estarmos no Brasil e os cartazes do restaurante estarem todos em espanhol. Saímos com o sol bem forte depois do almoço, ainda havia uma boa distância e não podíamos nos dar ao luxo de esperar enfraquecer. Pegamos a estrada de acesso a Barra del Chuy, que em 11 km nos deixaria na ruta 9, por onde seguiríamos até Punta del Diablo. Cruzamos a ponte sobre o Arroio Chuí e entramos em definitivo no Uruguai, mas logo de cara já tivemos uma má notícia. O posto Aduaneiro não servia para registrar a entrada no país, só para fiscalização de mercadorias. Tivemos que ir até a ruta 9 e voltar 4 km em direção à fronteira para carimbar os passaportes, tentando alcançar a sombra das nuvens que fugiam de nós. Eu que me preocupava em acrescentar 10 km na conta da Débora, precisei acrescentar mais 8. O movimento na estrada era intenso, o que foi uma surpresa. Em viagens de carro anteriores, sempre tinha ficado com a impressão que as estradas eram desertas. A Débora seguia devagar e eu precisava cuidar para não aumentar a velocidade, estávamos em piques diferentes, ela no primeiro dia e eu fortalecido pela semana anterior. Passamos pelo conhecido trecho que a estrada alarga e vira pista de emergência para aviões. Um grupo de uns 30 cavalos galopava no campo ao lado, enquanto mordiam uns aos outros, escoiceavam e davam pinotes. Passamos pela Fortaleza de Santa Teresa, que já conhecíamos de outros carnavais (literalmente) e por isso e por estar no alto de um cerro resolvemos não entrar. O vento contra soprava forte e nos castigava nesse trecho com algumas subidas duras. Na entrada de Punta Del Diablo, a placa com o nome da cidade estava totalmente tapada de adesivos de grupos de motoqueiros, jipeiros, etc, do Brasil, Argentina e Uruguai. A Débora chegou bem cansada em Punta Del Diablo, depois dos quilômetros extras do dia, do vento contra e das subidas. A internet no celular não estava funcionando e fomos procurar um lugar para ficar à moda antiga, perguntando. Perguntamos no Hostel Vente Al Diablo, simpático mas achei meio caro (admito que sou sovina). Resolvi dar uma olhada rápida para o lado do centrinho, deixei a Débora sentada numa duna e dei o sprint final no meio de uma grande ventania. Não achei nada e ficamos lá mesmo, um bom lugar. Terminamos a noite nos tratando com uma milanesa napolitana e um chivito. Débora, a Companheira Placa adesivada em Punta del DIablo Dia 10: Punta del Diablo – Cabo Polônio Terça-feira, 06/03/2018 Total: 64,89 km Média: 12,6 km/h Máxima: 38,9 km/h Tempo pedalado: 5:06 Acordamos cedo e fomos caminhar e matear na Playa de Los Pescadores, onde ficam os icônicos barcos de pesca de Punta Del Diablo, estacionados na areia. Voltamos para o dulcíssimo café da manhã no hostel, como seria de praxe pelo resto da viagem: café, pão, doce de leite e geleia. Voltamos para a ruta 9 e pedalamos vendo a Laguna Negra a nossa direita por um bom trecho. Eu estava incomodado com a velocidade da Débora – na verdade, com a falta dela. Muito lerda! O pedalar não engrenava e íamos muito devagar entre os butiazeiros, palmeiras nativas do sul do Brasil e Uruguai. Em uma descida achei estranho que nem ali ela chegava na minha velocidade. Resolvi fazer uma inspeção e o disco do freio traseiro estava raspando na pinça, provavelmente desde o tombo dela no dia anterior. Soltei e alinhei a roda e a partir daí foi um pouco menos sofrido para ela e as velocidades aumentaram. Um porto-alegrense passou por nós no sentido contrário com uma bicicleta quase toda de bambu: faltava só a roda da frente, ainda convencional. Depois pedalamos juntos com o Ramon, que ia na mesma direção que nós, e conversamos bastante: suíço de mãe peruana, veio visitar a família em Cuzco e estava indo de bicicleta para Montevideo, onde ia pegar um navio de carga para voltar para a Europa com escala no Rio de Janeiro. Simpatizei com ele, ciclista no estilo mochileiro, meio gordito e reclamando que a perna doía depois de ficar na casa de amigos tomando cerveja por uma semana em Barra del Chuy. A estrada se afasta do litoral para passar em Castillos e fomos juntos até ali, quando ele seguiu para Barra de Valizas e eu e Débora entramos na cidade para almoçar. Em Castillos saímos da ruta 9, que vai direto para Montevideo, e pegamos a ruta 16 para ir até a ruta 10, que costeia o litoral. Uma ingrata surpresa: as duas rodovias estavam em obras, o asfalto tinha sido removido, circulação em meia pista, muita poeira, maquinário pesado e operários circulando. A paisagem era muito bonita, formada por campos com palmeiras enormes até onde a vista alcança: estávamos nos Palmares de Rocha, patrimônio mundial da Unesco. Em algum ponto da estrada depois do palmar recomeçou o asfalto, mas nossa vida não ficou mais fácil: a estrada era desprotegida e o vento contra nos castigava. Dei um gás por que tinha medo de perder o último transporte para Cabo Polônio e cheguei na entrada do parque um pouco antes da Débora. Deixamos as bicicletas em um depósito (carros e bicicletas não são permitidos em Polônio), montamos no segundo andar do caminhão 4x4 e fomos chacoalhando pelas dunas e beira da praia até o povoado. Cabo Polônio foi fundada como colônia de pescadores e já viveu da caça de lobos-marinhos e pesca de tubarões, mas hoje o negócio é o turismo. A estrutura lá já está bem organizada mas mantém o apelo de lugar rústico e pé no chão, o que quer dizer que muita gente vai até lá viver por um dia a fantasia do viajero rodando a América do Sul com uma mochila nas costas, sem abrir mão de ter onde carregar o celular e postar fotos no Instagram. Comentários maldosos a parte, o lugar é legal mesmo, com suas ruas de areia e casas espalhadas sem organização. Demos risada quando descemos do caminhão: o hostel que eu tinha reservado era bem na frente da parada, uma tapera minúscula caiada de branco com o nome Lo De Peri pintado na parede. Por dentro era simples mas razoável, com donos e cachorros muito simpáticos; um bom lugar. Escolhemos uma pedra do lado de uma casa fechada e vimos um pôr-do-sol maravilhoso, com vista para a praia e para o farol, na companhia de um cavalo amarrado ali. Jantamos uma milanesa de peixe e um chivito numa lanchonete a luz de velas (luz elétrica é escassa e só dos cata-ventos), acompanhados por uma Zillertal de litro, minha cerveja uruguaia favorita, versão oriental da Heineken que não deve nada para sua irmã holandesa. Com Ramón Estrada em obras no Palmar Caminhão na reta final para Cabo Polônio Lo de Peri Pôr do sol no Cabo Dia 11: Cabo Polônio – La Paloma Quarta-feira, 07/03/2018 Total: 52,69 km Média: 14,4 km/h Máxima: 27,7 km/h Tempo pedalado: 3:39 Pegamos o primeiro caminhão de volta. A pedalada de manhã foi mais agradável que no dia anterior, a estrada era margeada por matos de eucalipto que davam sombra e proteção do vento e era um leve sobe-desce, que deixava aproveitar as descidas sem cansar muito nas subidas. Seguimos sem grandes acontecimentos até La Pedrera, com uma pausa para comer salame e amendoim embaixo das árvores, cantarolando uma música do Ventania: “Estou aqui sentado na beira da estrada, fazendo uma fogueirinha, enrolando uma palhinha, escrevendo essas linhas, vendo o caminhão passar...”. Entramos em La Pedrera para o almoço. Reencontramos com o Christian, meu amigo suíço. Apresentei-o para a Débora, demos um passeio pela praia e fomos em um restaurante. Se a comunicação dele comigo era difícil, com a Débora era inexistente. Seguimos juntos os 12 km que faltavam para La Paloma. Chegamos em La Paloma por uma entrada confusa com muitas rotatórias, em uma estrada agradável em descida no meio de um bosque de pinheiros. Fomos para o La Balconada Beach Hostel, o Christian normalmente acampava, mas nos acompanhou. La Paloma é a maior das praias do litoral norte uruguaio, mas o clima era que a temporada tinha acabado, pouca gente e a maioria das casas fechadas. Eu e a Débora tínhamos um programa certo lá: comer na Heladeria Popi, uma sorveteria incrível na avenida central. Comi sorvete de chocolate amargo com gotas de doce de leite e butiá, a Débora comeu doce de leite e maracujá. Sensacional! Terminamos o dia vendo o sol baixar no mar na praia La Balconada. Eu queria tomar banho, mas o vento estava forte e a praia tomada de algas e de umas esferas transparentes do tamanho de bolas de tênis, cheias de água. Pesquisando para este texto descobri que eram cápsulas ovígeras (bonito nome) do caracol negro, que contém entre 5 e 33 embriões do bicho. Popi Heladeria Dia 12: La Paloma – Punta del Este Quinta-feira, 08/03/2018 Total: 93,06 km Média: 13,7 km/h Máxima: 33,5 km/h Tempo pedalado: 6:46 A barra da Laguna de Rocha estava aberta ou fechada? Essa era a dúvida para o dia. Se estivesse aberta atravessaríamos um trecho de 12 km de areia e seguiríamos pela ruta 10; caso fechada, teríamos que arrumar alguém de barco para nos atravessar ou contornar pela ruta 9, um acréscimo de 60 km. Expliquei para o Christian em alemão batatônico meu temor: Meer und See vielleicht zusammen, aber ich weiss es nicht (mar e lago talvez juntos, mas eu não sei). Não tenho certeza se ele entendeu, mas pareceu que sim. Fomos pela estrada até onde deu, até que ficou muito arenoso para pedalar. O Christian tinha um aplicativo que indicava o caminho, supostamente pela beira era melhor que pela estrada. As condições da estrada deviam ser horríveis, por que pela beira foi muito difícil: o mar estava alto devido ao vento contra, a areia muito fofa e arrastamos a bicicleta por quase todo caminho, debaixo de sol e muito calor. O aplicativo indicou onde sair da praia e fomos por uma estrada de terra até a barra da lagoa, que para nossa alegria estava mesmo fechada. A Laguna de Rocha é bem interessante. É cercada por campos gramados e quando está baixa é formada por vários corpos de água menores ligados entre si rodeados de areia e barro. O lugar onde a lagoa se conecta com o mar quando está cheia é bem visível, e dava para ver os respingos voando alto quando as ondas batiam. Já quase do outro lado havia uma grande quantidade de caranguejos, centenas, que fugiam quando passávamos empurrando as bicicletas. Os 8 km até a ruta 10 eram de terra em más condições, com muitas costeletas. Em um campo vimos muitas emas ou ñandus, como são chamadas no Uruguai. Não almoçamos neste dia, apenas paramos para comer salame embaixo de uns eucaliptos e descansar um pouco. Já no asfalto, passamos pela famosa ponte circular de Laguna Garzon, e pedalamos vendo o braço da lagoa entre o mar e a estrada até José Ignácio. Jose Ignácio é a praia dos magnatas que querem exclusividade e fogem do agito de Punta del Este. No caminho até a praia, várias placas indicam as lojas de grifes de alto padrão, que não são poucas. Subimos no farol, que tem uma vista incrível da península e das suas casas chiques. Além de aproveitar a vista, eu e a Débora conversamos sobre o que fazer quanto ao nosso acompanhante na viagem. Nossa ideia era fazer uma viagem de casal, um terceiro elemento não estava nos planos. Além disso, a Débora sofria para seguir o ritmo quase sem paradas do suíço, e a impressão que tínhamos era que estávamos abrindo mão de parte da diversão. Decisões como onde e quando parar, comer e dormir preferíamos que pudessem ser tomadas só por nós, sem precisar discutir com outra pessoa. Me incomodava também que os dois não trocassem nenhuma palavra, e no seu jeito germânico o Christian não parecia fazer esforço para se comunicar com ela. Decidimos que eu precisava ser direto e explicar a situação, entender indiretas não é o forte dos europeus e eu já havia feito várias tentativas sem efeito. A Débora concordou em eu colocar a culpa nela e logo que descemos do farol chamei o Christian para conversar, pedi desculpas e disse que a Débora estava incomodada em viajarmos juntos por que estávamos em uma “couple trip”. Ele fez uma cara de quem não tinha entendido nada, eu suava frio e pensava em como me explicar, aí disse “romantic trip”! Vi nos olhos dele que a ficha tinha caído, ele disse que tudo bem e que compreendia. Para mim foi um grande alívio pois a conjuntura me perturbava desde o dia anterior; estava com pena do Christian, imagino que deve ter sido duro passar quase incomunicável a viagem inteira e não queria ser rude, logo eu que era uma das poucas pessoas que conseguia ter alguma conversa com ele, ainda que mínima. Aliviado com a resolução em bons termos da situação, ainda pedalamos juntos até Balneário Buenos Aires, embora ainda tivesse um pouco de dúvida se ele tinha entendido mesmo o que eu disse. Ufa! A diversão depois de Jose Ignácio era ver as casas na estrada. A arquitetura do litoral uruguaio é muito particular, caracterizada por casas com telhado de baixo ângulo ou só com o teto reto, uso de detalhes de madeira como sacadas ou pergolados e amplas janelas, tudo muito elegante sem perder a simplicidade. Conversávamos e ríamos com nossa indecisão, se quando fossemos construir nossa casa ela seria uruguaia ou caiçara nos moldes das casas de Ubatuba. O fim da tarde se aproximava e o movimento de carros tinha aumentado bastante. Chegamos em Balneário Buenos Aires e de cara eu não simpatizei com o local, uma praia pequena que parecia ter fechado tudo com o final da temporada. Fomos até o hostel que eu tinha reservado pelo Booking.com e surpresa(!), fechado e até com cara de abandonado. Peguei o celular e tinha uma mensagem da dona perguntando que horas chegaríamos, ou seja, ela ia abrir só para a gente. O lugar não era legal, e isso foi decisivo para resolvermos não esperar e seguir para Punta del Este. Faltavam 16 km, pode parecer pouco, mas depois de ter feito a travessia exaustiva da Laguna de Rocha e de um dia todo pedalando, isso é uma distância considerável. Rodamos até La Barra e pensamos em parar ali, mas não achei nenhum lugar em conta nos sites de reserva. A Débora já estava com a língua de fora e eu tentava mantê-la motivada, ainda que para isso precisasse mentir um pouco na distância que faltava. Já era noite quando atravessamos o sobe-desce da Puente de La Barra, também conhecida como ponte ondulante. Desde La Barra pedalávamos em ciclovias, o que dava tranquilidade para pedalar de noite na rodovia. Ao longe contra o céu avermelhado, víamos a silhueta e as luzes de Punta Del Este. Ficamos um pouco perdidos e passamos na frente da Trump Tower, que tinha um painel enorme na frente com o filho do homem, com o mesmo bronzeado laranja e a franja inconfundível do pai. Entramos em um bairro e procurei um lugar próximo para ficar, acabamos no Del Barcito Hostel, muito bacana e com jeito de hostel de festa, com sala de cinema, bar e uma área de convivência enorme toda grafitada, mas sossegado pela baixa temporada. Como prêmio pelo dia longo nos demos uma janta e cervejas na Rotiseria Margaritas, do outro lado da rua. Areia fofa antes da Laguna de Rocha Braço da Laguna Garzón Farol de José Ignácio Dia 13: Punta del Este - Piriápolis Sexta-feira, 09/03/2018 Total: 55,96 km Média: 14,9 km/h Máxima: 46,5 km/h Tempo pedalado: 3:45 Nosso plano do dia incluía passar na Casa Pueblo em Punta Ballena, a 15 km de distância. Como o lugar abria só as 10 horas e a quilometragem do dia não era muita, aproveitamos para pedalar por Punta del Este de manhã. Fomos ver a estátua Los Dedos, obra famosa do escultor chileno Mario Irarrázabal, e a tentativa de foto parecia um filme de comédia: dezenas de pessoas se acotovelavam e disputavam cada dedo para uma foto ou selfie, a maioria de excursões brasileiras. No porto visitamos um mercadinho de peixes e foi difícil convencer a Débora a ir embora, tinha feito amizade com um lobo marinho enorme e não queria se separar do novo amigo. Dentro da água, muitos deles nos observavam com os olhos baços e presas pontudas, esses com uma cara pouco simpática. Seguimos sempre pela costaneira, até que o sol ficou muito forte e resolvemos parar. Compramos empanadas em um posto da Petrobrás e comemos olhando os navios de cruzeiro ancorados. Para nossa surpresa, até as empanadas de posto de gasolina brasileiro são maravilhosas no Uruguai. Gostamos muito de Punta del Este, esperávamos que fosse um lugar caro e elitizado, mas na verdade tem opções para todos os gostos e bolsos, e pedalar olhando o mar e a cidade com um reggae dub paulistano tocando na caixa de som da Débora foi um dos pontos altos da viagem. O que tenho para dizer de ruim da Casapueblo é que é no alto de uma baita subida. De bom, que a escultura-habitável, como o autor, dono e construtor Carlos Páez Vilaró a chamava, é linda e em um lugar incrível, ocupando os penhascos de frente para o mar. Pena que a área visitável é pequena em relação ao tamanho do prédio, que funciona como hotel. Cada canto é batizado com um nome, me chamou a atenção a placa do Rincón de Eduardo Galeano: sou fã do cara e o primeiro presente que dei para a Débora quando ainda nem éramos namorados foi o El Libro de Los Abrazos, comprado em Montevideo. Saindo de Punta Ballena a Ruta Interbalneária se afasta do mar, e o movimento de carros aumentava com o avanço do dia, já que era início do final de semana. O vento estava mais brando que nos dias anteriores, mas ainda atrapalhava um pouco, de lado. Em 20 km chegamos no trevo para Piriápolis, na estrada chamada Camino de Los Arrayanes. No mapa essa estrada fazia um ângulo de 90⁰ com a ruta interbalneária e seguia reta na direção do mar na maior parte da sua extensão, até fazer uma curva e desembocar em Piriápolis. A impressão que tivemos foi que seria uma pedalada plana ou até descendo para o mar, mas foi o contrário, era subir e descer ladeira o tempo todo. Nessa parte batemos o recorde de velocidade de toda viagem: 46,5 km/h. Chegar em Piriápolis é como voltar no tempo uns 30 anos. A cidade já viveu dias melhores mas perdeu relevância para Punta Del Este, mantendo os prédios e o calçadão como eram antigamente. Dá para dizer que tinha um certo charme, a rambla é muito bacana. Da época áurea também sobraram os preços, comida e estadia muito caras. Entrei no mar, comemos panchos e tomamos mate na areia. O pôr do sol foi mágico, todos na praia pararam para assistir e romperam em efusivos aplausos quando o último naco do astro-rei mergulhou no oceano. Los Dedos, lotado Novas amizades Piriápolis Dia 14: Piriápolis – Ciudad de La Costa Sábado, 10/03/2018 Total: 84,54 km Média: 16,8 km/h Máxima: 41,6 km/h Tempo pedalado: 5:01 Quando colocamos o pé para fora do hotel ouvimos uma música alta e clara: “Pedro onde cê vai eu também vou / Mas tudo acaba onde começou”... era um triciclo para três pessoas desses feitos com chassi de carro, bombando o Raulzito no som. Paulistas, viajavam com as jaquetas do moto-clube, chinelo de dedo e uma foto da Janis Joplin na frente do motociclo. Saímos sem ter o destino do dia definido. A Débora queria parar em 56 km, em Atlântida. Eu dizia que quando chegássemos lá decidiríamos, com a intenção de convencê-la a ir mais adiante, quem sabe até direto para Montevideo, a 110 km de distância. Nossos estilos de viajar estavam em leve conflito: ela preferia pedalar mais cadenciadamente, apreciando o entorno e as paradas, e considerava o local de chegada como a cereja do bolo que merecia ser apreciada. Para mim um bom dia era um dia todo em cima da bicicleta, sendo o caminho e as distâncias mais importantes que o destino. Fomos pela estrada da beira da praia até o Arroyo Solis Grande, que faz a divisa dos departamentos de Maldonado e Canelones. Como no dia anterior, a diversão era a observação das casas. Ali atravessamos a ponte e continuamos pela ruta interbalneária, não havia mais estrada contínua pela beira. As extensas planícies deram lugar para as coxilhas, subidas moderadamente inclinadas e bastante longas, um lugar até se chamava Cuchilla Alta. A estrada estava movimentada e os motoqueiros circulavam pelo acostamento, nos assuntando com os fininhos que tiravam. Paramos 35 km depois de Piriápolis para almoçar, a distância vencida era pouca, mas as subidas e o calor pediam. No Parador El Hornero, um restaurante de posto de gasolina, cometi pela segunda vez na viagem o erro de comer demais. Pedimos um Chivito al Plato monumental: por baixo maionese de batata, salada de alface, tomate e conserva de pepino e cenoura, no meio uma quantidade generosa de batatas fritas, por cima das batatas bifes com presunto, queijo e fatias de bacon, e no topo dois ovos fritos e azeitonas. Era uma montanha de comida e com gosto tentei a escalada. A sensação do resto do dia foi que podia acompanhar a Débora rolando pelo acostamento. Mais 12 km pela Ruta Interbalneária e voltamos para a beira depois da ponte do Arroyo Solis Chico, em Parque del Plata. Costeamos o rio até a estrada dobrar e ficar paralela ao mar, com um braço morto bloqueando o acesso à praia. Conforme nos aproximávamos de Atlântida aumentava a quantidade de casas e a estrada ficava mais elevada, dando uma visão do oceano de cima. A Débora imaginava estar ali em uma das casas no inverno, na frente da lareira olhando as baleias passarem, só não conseguia decidir se na fantasia estava grávida ou tomando vinho. Logo adiante paramos para tirar fotos no edifício El Planeta, um hotel construído nos anos 30 que imita um barco. Fica entre engraçado e brega, uma versão náutica do estilo art decó. Voltamos para a ruta interbalneária e conforme avançávamos a estrada ficava com mais cara de região metropolitana, com mais tráfego, pistas duplas e pintadas (grafittis e pichações) do Peñarol. Do Nacional não tinha, a torcida deles deve ser menos maloqueira. Depois da ponte do Arroyo Pando atravessamos a estrada por uma passarela de pedestres e logo em seguida pegamos a avenida Costanera em El Pinar, que apesar do nome não é na costa, mas vai até lá. Quando começamos a pedalar paralelo à orla o vento apertou, o que eram para ser os tranquilos 10 quilômetros finais do dia foram mais difíceis do que o esperado. Passamos pelo marco do Km 0 da rambla de Montevideo, onde começa a ciclovia / pista de corrida. Tivemos uma boa surpresa com a hospedagem este dia. Reservamos no meio do caminho um quarto no Bidieen Inn, escolhido pela localização sem dar muita atenção para as instalações. O lugar era uma propriedade enorme, com oliveiras no pátio gramado, um jardim florido caprichado e tudo cuidado nos mínimos detalhes, das plantas aos móveis do quintal. Os quartos e salas de uso comum eram no segundo andar da casa, tudo decorado num estilo rústico, moderno e elegante, e o nosso aposento foi disparado o melhor que ficamos na viagem. Tinha também uma cadela mastim-napolitana, com ares de besta-fera, mas estava velha e só andava para lá e para cá roncando ao respirar. Minha intenção inicial era ir até a praia mas acabei passando o final de tarde mateando com o proprietário e conversando no pátio. A noite saímos para comprar cerveja e empanadas. Ciudad de La Costa é muito tranquila, com a maioria das ruas de terra, e tivemos dúvida se as casas serviam para veraneio ou se as pessoas moravam ali o ano todo. Do lado do supermercado havia uma loja que deixava ver por uma vitrine frondosos pés de cannabis, e um casal de dread locks cuidava da lavoura – efeitos da legalização uruguaia. Nos abastecemos de cerveja e compramos empanadas fritas no restaurante Tunquelen, que levamos para comer no pátio do Bidieen, sob as estrelas e investidas da fera napolitana. Sempre achei que o pastel era uma iguaria brasileira e que não existia nada no mundo capaz de competir com ele; com o orgulho nacional ferido devo admitir que as empanadas fritas deixam nosso pastel no chinelo. Pedro, onde “cê” vai eu também vou Edifício el Planeta em Atlântida Bidieen Inn Fera com fera Dia 15: Ciudad de La Costa - Montevideo Domingo, 11/03/2018 Total: 31,09 km Média: 12,0 km/h Máxima: 22,9 km/h Tempo pedalado: 2:35 Era para ser uma entrada tranquila e triunfante em Montevideo, só 20 km pela rambla, misto de calçada e ciclovia. Só faltou combinar com o vento! O dia mais ventoso e com o pior ângulo de incidência, totalmente contra o nosso avanço. Seguíamos em baixa velocidade, a Débora vermelha pelo esforço. Muitas pessoas passeavam, corriam ou pedalavam pelo calçadão no domingo ensolarado, e a quantidade delas aumentava com a proximidade do centro. Na praia de Pocitos me perguntava se ali era o Rio da Prata ou o Oceano Atlântico. Só dias depois descobri que o fim oficial do rio era logo depois de Punta del Este, fazia um bom tempo que já estávamos na margem do Prata. Se olhar no mapa, o litoral possui um contorno ondulado: as praias se alternavam e entre elas, em cada curva de fora, dava para ver Montevideo no horizonte. Logo depois de Carrasco vimos a linha de prédios pela primeira vez. Tão perto e tão distante! O vento ficava cada vez mais forte, precisamos fazer uma pausa perto da Playa de Los Ingleses para repor as energias com uns salames, olhando o rio e a cidade ao longe. Já nos sentíamos dentro de Montevideo, mas o ponto oficial de chegada era a estátua de Artigas, no centro. Serpenteamos pela rambla até o Puertito del Buceo. No primeiro dia de viagem conversamos com um sujeito em um posto de gasolina perto de La Coronilla, que disse que tinha um negócio de tortas fritas no puertito, do lado da pista de skate. Nos convidou para ir lá e insistiu usando a expressão los invito, o que queria dizer que íamos comer de graça. Ele falou algo que não entendi quando disse que provavelmente estaríamos lá no domingo, mas me dei conta do que era quando chegamos: estava fechado! Era só um trailer com o nome dele, “Pepe: el rey de la torta frita”, mas foi pena não reencontrar o amigo e fazer uma boca livre. Chegamos na praia de Pocitos, ponto domingueiro tradicional, com o calçadão muito lotado. Circulamos Punta Carretas e depois do Parque Rodó ingressamos no que é popularmente conhecido como a Rambla de Montevideo. O vento furioso formava ondas enormes que batiam na amurada e esguichavam água, a Débora tomou um belo banho enquanto eu filmava logo atrás. Saindo da beira o centro da cidade estava vazio, como sempre lá aos domingos. Subimos para o marco final: na praça Indepedência o General José Artigas, Protetor dos Povos Livres, nos esperava montado em seu cavalo de bronze, cercado por 33 palmeiras que representam os Treinta y Tres Orientales, revolucionários que fizeram a independência uruguaia. Chegamos!!! Montevideo a vista Linha de chegada EPÍLOGO Como nem só de pedalar se vive a vida, no dia da chegada ainda corremos para pegar o último horário de visita no Teatro Solis e fomos matear em Pocitos. Ficamos mais um dia em Montevideo e depois fomos para Colônia do Sacramento de ônibus, momentos que deixo fora do relato, já que este se pretende uma história sobre duas rodas. Fechamos nossos dias de bicicleta na parrilla Pitanguero em Pocitos, uma churrascaria de barrio frequentada pelos moradores locais, na maioria velhotes de cabelo branco. Um assado tradicional: boniato, chinchulin, asado de tira (para os leigos, batata doce laranja, intestino delgado e costela cortada fina, respectivamente) e morcilha preta. Entre mordidas e goles na cerveja rimos e lembramos de causos do caminho, e quase cheguei a lamentar que tinha acabado. Quase, mas não o fiz: as duas pernas da viagem, primeiro sozinho no litoral gaúcho, depois acompanhando pela Débora no Uruguai, uma tão diferente da outra, foram tão boas que só permitiam sentimentos de alegria e realização. Somei a quilometragem medida no velocímetro e anotada no meu caderninho: 1199,97 quilômetros! Primeiro pensei que faltaram 30 metros para os 1200. Depois pensei que para ser honesto, se queria rodar 1200, devia começar do zero de novo. Onde será a próxima!?
  23. Estive duas semanas em Buenos Aires e agora realizei um novo desafio, seguir de Buenos Aires até El Calafate só pegando carona e passando as noites numa barraca. Eu estava em Los Cardales, cerca de Buenos Aires 70km, então decidi seguir para o início da rota 3 na cidade, tive que pegar dois ônibus e um trem para chegar até o início da rota, eu não tinha cartão SUBE e os motoristas não quiseram aceitar dinheiro e nenhum passageiro passou o cartão pra mim, então nos dois ônibus os motoristas me deixaram entrar sem pagar nada, quando cheguei na estação a catraca estava aberta, perguntei ao guarda onde pagava e ele disse que eu podia entrar, dia de sorte hein. Quando cheguei na rota 3, vi que foi uma furada, ela começa no centro de uma cidade, tem muitos carros e lojas, não rolava pedir carona, perguntei a um frentista onde era melhor para pedir carona e ele disse que ali era impossível, que eu devia seguir para Cañuelas, uma cidade mais distante e ali já tinha mais campo e era fácil conseguir carona, ele entao me ajudou, pediu a um carro que abastecia que me levasse até Cañuelas e assim fui, como eu disse, dia de sorte. Cañuelas está a 70km da capital, dá para ir de ônibus, fica uns 40 pesos, nesse dia nao gastei nada hahaha. A rota 3 vai direto a Río Gallegos, então meu plano era não sair dela, cheguei em Cañuelas e 20 minutos depois um caminhão parou, disse que podía me adiantar uns 300km, algo que sempre faço é perguntar se onde a pessoa vai me deixar existe algum pedágio ou estação de serviço (posto de gasolina) é importante para que tenha onde passar a noite, caso vá acampar. Passei a primeira noite no pedágio, perguntei se podia ficar ali e foi de boa, tinha até banheiro e água quente para uma banho, maravilha. Para caminhoneiros, conversar um pouco é o motivo para ajudar, eles estão cansados, então esteja aberto para uma boa conversa, assim você conhece uma boa história e ainda treinar o espanhol. Pedir carona em pedágio é o melhor para mim, os carros estão bem lentos e podem te ver melhor, então em 10 minutos mais um caminhão me levou até a cidade de Azul, saltei e já fui pedir carona na rotatória. Fiquei 30 minutos mas sem sorte, então caminhei até um ponto mais distante e consegui num carro que me levou uns 70km. Aqui uma coisa importante, nem sempre tudo é perfeito e seja homem ou mulher, você tem que estar preparado para algumas situações difíceis. Neste carro o cara deu em cima de mim, perguntou se eu curtia e tal, eu respondi que nao curtia homens, aí ele veio com um papo de que pensava que no Brasil todo mundo curtia e tal, difícil né? Estávamos no meio do nada, não via nenhuma estação de serviço e pedir carona no meio da estrada com carros em alta velocidade é difícil e além do mais estava chovendo, então eu comecei a falar e falar (estava tenso) para tentar amenizar o constrangimento, até passei uns contatos de gente que curtia, falei com ele que podia arrumar uns no Brasil e boas, tratei de desviar o foco até chegar num posto, ai logo saltei e boas, ele nao ficou insistindo, ufa. Aquí fiquei uma hora fazendo dedo e nada, ai resolvi almoçar no posto e descansar um pouco (importante não estressar, afinal se está de carona, não pode ter pressa), voltei do almoço e 10 minutos consegui uma carona que me adiantou 50 km até outro posto e depois de incríveis 5 minutos consegui outra carona até Adolfo Gonzales Chaves, em todas essas caronas eu falava sobre as mesmas coisas da minha vida, as mesmas piadas bla bla bla, mas faz parte. Cheguei em Adolfo e estava chovendo, ali já coloquei meu abrigo e roupas mais quentes e fui pedir carona debaixo de uma árvore, eu abaixava o capuz sempre que vinha um carro, assim as pessoas podem ver meu rosto, depois de 20 minutos um argentino muito doido parou seu carro, a primeira pergunta foi, Pelé ou Maradona? Respondi Pelé hahahah, ele tava só brincando, ele já deu uma mochilada pela américa e aí foi me dando umas dicas, eu vi que ele tava tomando mate e me ofereci para ir servindo, eu nao bebo, mas é sempre educado ajudar. Ele me levou uns 150km até o próximo posto, lá e não tive muita sorte durante 1 hora, parei para comer uns 30 minutos e voltei, eu estava fazendo um video quando uma Van parou, era o Jorge e sua cachorra India, ele me disse que podia me levar até Bahia Blanca e aí fomos. Foi uma viagem muito bacana, o Jorge viajava de moto e tinha boas histórias, aqui nessa altura da viagem, eu já consigo entender bem espanhol. Enquanto seguíamos, o Jorge sugeriu que seria melhor eu ir para Rio Colorado em Rio Negro, assim eu poderia tentar carona na rota 251 onde passam muitos caminhões com destino para rota 3 e diminuía o percurso, eu aceitei a dica e fomos, ele estava indo para Neuquen, então era caminho para ele também. Chegamos em Rio Negro por volta das 20:00, ele me deixou num posto Petrobras e seguiu, logo descobri que não era permitido acampar ali e o camping mais perto estava 10km distante. O Jorge e eu fizemos uma amizade legal e então eu liguei para ele e perguntei se podia voltar para me ajudar pq ali eu não podia ficar, ele voltou entao, nao estava tao longe e me deixou no camping. O camping estava vazio e fazia muito frio, perguntei quanto custava para passar a noite mas o cara nao cobrou, viu minha mochila nas costas e disse que se fosse uma noite apenas não era necessário pagar. Na manhã seguinte havia muita neblina, levantei as 6 para pedir carona, havia um controle sanitário 300 metros a frente e o dono do camping me disse que ali eles iriam barrar as 20 tangerinas que eu tinha na mochila. Já sabem o que eu fiz né? Comi todas hahaha, e quando passei pelo controle eles nem olharam para mim, passei direto, fiquei muito irritado pq agora estava com a barriga empanturrada e não tinha mais tangerina para mais tarde hahaha, que bosta. O Jorge tinha razão, ali passava muitos caminhos, muitos mesmo, eles usavam aquele trecho para cortar caminho, contudo entretanto nenhum parou, fiquei das 7 até as 12:00 e nada, comparando com o trecho da rota 3 que eu estava antes, passava menos carros e caminhões por hora mas havia mais ajuda, bem, fui comer e voltei às 14:00 para tentar mais carona, nessa hora eu já havia saído de perto do controle sanitário e tinha ido para saída da cidade num posto, 10 minutos e um cara parou, ele estava indo caçar jabalí na rota 251 e tinha 3 cachorros gigantes na carroceria, fiquei com medo de algum arrancar minha cabeça fora hahaha, mas foi de boa. Na 251 nao havia nada Nada Nada nos 100km de estrada até chegar em General Conesa, ali caminhei um pouco até a rotatória que seguia para rota 3 e segui o trabalho. O bom é que essas rotas cortam as cidades e entao vc nao precisa sair da estrada ou entrar na cidade para nada, tem posto e fica de boa. Nessa cidade eu achei lindo o clima de outono, com as flores amarelas e a atmosfera agradável, na verdade eu queria acampar ali para poder ver o nascer do sol pq tenho certeza que é incrível, tentei umas 3 horas carona e nada. Quando eu estava caminhando para ir montar a barraca um caminhão parou e me prometeu levar até Comodoro Rivadavia, quase 800km, show. Como já estava ficando tarde, paramos num posto para passar a noite, eu montei a barraca perto do posto e consegui WIFI a noite toda, maravilha hahahaha. Noite dormida, partimos cedo, confesso que foi uma viagem cansativa, o bom de caminhão é que fazem viagens longas, o porém é que vão em velocidade reduzida e ai vc tem que estar preparado para o corpo dolorido, o caminhao nao era muito confortável e as pernas já doíam de ficar na mesma posição. Tem que estar preparado também pq a conversa esgota tem alguns momentos, foram horas e horas e então alguns momentos a gente ficava em silêncio, vinha uma piada, uma pequena história e depois o silêncio reinava, as primeiras horas foram cheias de conversa mas depois acabou. O Lucenzo me ajudou muito e foi bem legal a viagem de qualquer maneira, pegar carona é um aprendizado e só pq as vezes fica cansativo, não quer dizer que nao seja bom. Ele me deixou num posto a 100 km de Comodoro, no meio da Rota 3 e só havia esse posto em km e km, o resto era pampa. Fiquei meia hora e o Miguel, um senhor de 70 anos parou seu carro e aí me levou até Caleta Olivia, um pequena cidade depois de Comodoro, ele foi muito gentil, entrou dentro de Comodoro para que eu tirasse fotos da cidade, da Praia, me apresentou a cidade, depois fomos para Rada Tilly, outra cidade pequena cerca do mar, fomos na Praia para tirar umas fotos e depois seguimos para Caleta Olivia, lá novamente, ele me mostrou a cidade antes de me deixar na estação de serviço, até me deu uns cds de tango para eu escutar. No posto Petrobras (finalmente) eles me deixaram passar a noite, montei barraca e dormi. Acordei de manhã e fazia um vento terrível, ainda bem que fixei bem a barraca pq caso contrario ia sair voando., fui pedir carona e tava difícil ficar sem capuz, o vento gelado fazia doer os ouvidos, mas usá-lo poderia diminuir minhas chances de sucesso, 20 minutos e 3 argentinos me levaram até Fitz Roy, um pueblito de 200 pessoas 70 km a frente. Eles foram legais, estavam indo trabalhar, gente simples, eles tomavam mate e comiam pão, e resolvi aceitar, nao pq eu queria, mas para ser educado e eles não pensarem que eu tinha nojo, pq eles repartiam o pão com as mãos e pareciam um pouco sujos, mas eu aprendi que quando alguém te oferece mate é um bom sinal. Em Fitz Roy nao tive sorte nas primeira duas horas, nem estressei, fui comer e quando voltei consegui uma carona com o Marin e Patricia direto para Rio Gallegos, foram pouco mais de 600 km pela rota 3, eles até queriam que eu dirigisse mas eu nao aceitei, havia muito avestruz e lhama na estrada, tinha medo de algum acidente. O Marin é um gaúcho nato da argentina, anda com faca e chapeu, gente finíssima, me deu um lanche e uma Quilmes para ir bebendo, maravilha hahaha. Quando chegamos em Río Gallegos estava muito frio, eles nao deixaram eu ficar no posto, me levaram para sua casa, lá jantamos e dormi. COnfesso que foi bom dormir numa cama quentinha e confortável. No dia seguinte conheci a família deles, ficamos tomando cerveja e almocei, ele queria que eu ficasse mais um dia lá, eu até queria também, mas devia chegar em Calafate naquele dia, não podia atrasar. Depois do almoço fui pedir carona, comecei na rotatória perto do posto na saída da cidade, mas estava difícil, são muitos carros e naquele ponto eu ainda estava dentro da cidade de qualquer jeito. Resolvi caminhar um pouco até a próxima rotonda, fiquei bem na rotatória para que quando diminuíssem os carros me vissem, 20 minutos e outro Miguel parou seu carro, esse argentino estava indo para Floripa, não ia passar por calafate, mas podia me deixar na entrada da rota 5, a que segue para Calafate, foi rápido e logo parei na rota. Aquí acho que me arrisquei pq nao perguntei se tinha posto próximo e de fato não tinha, só havia uns tratores de alguma e obra ali perto e nao passava muitos carros. O lugar era bonito, já eram umas 15:00 e já estava economizando a água e comida para caso tivesse que dormir ali, felizmente uma hora depois o Christian parou seu carro e meu levou até outra cidade mais a frente, onde tinha um posto e seria mais seguro. Ele disse que parou pq estava muito frio para eu ficar na estrada, aprendi que quando faz frio as pessoas ajudam mais. Incrivelmente quando saltei do carro, 2 minutos depois consegui um carro direto para Calafate, nem acreditei. Confesso que ja nao aguentava estrada, era só pampa pampa pampa, mas quando eu comecei a ver a neve, uhuuu show. Nunca havia visto neve de perto e estar vivendo aquele momento foi incrível, fizemos uma parada para umas fotos e chegamos em calafate. Foram 6 dias na estrada, 2800 km e muitas histórias, confesso que nao vi o tempo passar, foi tudo muito rápido. Para quem tá afim de fazer isso, é super possível, mas tem que estar preparado para curtir a aventura e não se estressar as vezes com a demora. Pensamento positivo sempre, É sério!! vc tem que estar confiante para que as pessoas possam sentir a energia boa. Nesses dias eu gastei 100 reais com comida, isso pq eu comi muito e tava com preguiça de cozinhar na estrada, faz vento e o frio dói, então esteja preparado. Eu tava torcendo para encontrar alguma mochileira na estrada para pedir carona junto, nao, eu nao quería nada de mais, é só que um homem e mulher é mais fácil que um homem sozinho e também dá para revezar na hora de conversa, assim não fica cansativo hahaha, mas nao vi ninguem, nesses dias na estrada não vi homem nem mulher de mochila nas costas, azar hahaha, ou não. Se você chegou até aqui e quiser acompanhar o dia a dia no stories do Instagram, eu sempre posto onde estou e como ta sendo a aventura. Agora estou em Calafate mas ainda nao sei o próximo roteiro, meus planos são ir até Costa Rica só de carona, e se você tiver afim é só poner uma mochila e curtir essa aventura. @viajeiuai Ps: Use cartaz, ajuda muito, quando fiz Puerto Iguazu a Buenos Aires nao usei e nesse novo trajeto comecei a usei e percebi uma melhor significativa. Achei melhor colocar o nome da rota do que a cidade, teve mais adesão.
  24. Segue o relato dos 25 dias que eu e meu marido dividimos entre Istambul (conexão), Tailândia (Bangkok, Chiang Mai e Rai, Railay Beach e Koh Phi Phi), Vietnã (Hanói e Halong Bay), Camboja (Siem Reap), Malásia (Kuala Lumpur). Os valores serão colocados por pessoa, no decorrer do relato. Quando for preço para o casal, será escrito. (U$ para dolar, Bh para Baths e os nomes dos dinheiros quando necessário!) Lembrando que todos os meus stories do dia a dia da viagem estão salvos no highlights do meu Instagram @viagensdapriscilla Depois de acompanhar as passagens por uns 3 meses, esperando preço bom para a data de nossas férias, compramos as passagens pela Turkish Airways de São Paulo a Phuket, com conexão na ida e na volta em Istambul. As duas passagens, no total, saíram por R$ 6.573,88, pela Viajanet. Com passagens compradas, definimos o roteiro e, ainda no Brasil, compramos todos os voos internos e fizemos reservas dos hotéis pelo Booking. Também reservei o passeio do Patara Elephant Farm, em Chiang Mai, e reservei e paguei o passeio do Sleep Aboard em Phi Phi. Eram coisas que eu queria muuuuito fazer, e não podia arriscar não ter vagas!!!! O Patara não cobra nada na reserva. O Sleep sim, mas eles devolvem o dinheiro no caso de desistência com aviso prévio (aliás, esse eu paguei antes de comprar as passagens! Kkkkk doidinha!). Ah! Também reservei o cruzeiro em Halong Bay pelo booking. Ficamos surpresos com a Turkish, ótimo avião, excelente serviço de bordo, e hotel com transfer gratuito para conexões maiores de 10h em Istambul. Embarcamos em Guarulhos dia 24/03 às 3h50 da manhã. Chegamos à Istambul às 22h10 de lá. Imigramos e nos dirigimos ao balcão chamado Hotel Desk, para solicitar hotel. Ficamos bem animados com a localização do hotel que nos levaram, bem próximo à praça Sultanahmet. No dia 25, acordamos bem cedo e pegamos um Uber (20 Liras no total) junto a outros 2 casais de brasileiros que conhecemos no transfer, e fomos conhecer a Mesquita Azul, Hagia Sophia e a Cisterna. Entramos somente na cisterna (20 Liras), pois a mesquita está fechada para reforma, e a basílica deixamos para a volta. Mesquita azul o fundo Cisterna Às 11h estávamos de volta ao hotel para pegar o transfer da Turkish e embarcar para a Tailândia. Chegamos em Phuket às 4h da manhã. Como eu fiz um roteiro para terminar a viagem nas praias, não ficamos ali. Pegamos o voo da Nok Air para Bangkok (R$ 198 para nós dois, + R$ 58 de IOF no cartão). O balcão do Health Control estava fechado, então o certificado internacional de vacina foi checado diretamente com o agente da imigração. Avião da Nok Air fofinho! BANGKOK – 26/03 – Grand Palace, Wat Phra kaew, Wat Pho e Khaosan Como fizemos um voo interno, chegamos pelo aeroporto Don Mueang. Trocamos 50 dolares já para os gastos iniciais e saímos pelo portão 6, pegamos o ônibus A4 (50 Baht) que para ao lado da Khaosan Road. Não precisa comprar bilhete. Uma mulher passou cobrando durante o trajeto. Como não tínhamos muita pressa, achamos bacana ir de busão e já sentir o ritmo da cidade, ver centenas de pequenos e grandes templos no caminho.... massa!!!!! Finalmente estava em Bangkok!!!! Próximo à nossa parada, a cobradora gritou “Khaosaaaaan”... descemos a 50m dela..... engraçado como de dia nem parece a mesma rua que é de noite!!!! Khaosan rd Ainda não tínhamos comprado o chip, mas o maps.me funciona muito bem offline. Baixamos todas as cidades por quais passamos e foi muito útil. Já tínhamos marcado nossos hotéis no mapa com antecedência. Seguindo, então, o mapa, chegamos ao nosso hostel. Acho que fica a uns 10 minutos de caminhada da Khaosan. Pegamos um quarto privativo com banheiro compartilhado. Gostamos muito!!! Quarto pequeno, porém novinho e cama excelente, banheiros super limpos. Tivemos sorte de quase não encontrarmos ninguém nos momentos que usamos os banheiros! Vivit hostel: 1854 Bh por 2 diárias (+- R$ 191) com café. Como o quarto ainda não estava disponível, por ser antes de meio dia, deixamos as mochilas lá e fomos bater perna, rumo ao tão esperado Grand Palace, antiga residência real e onde fica Wat Phra kaew, templo do Buda de esmeralda!!!! Era pertinho, fomos à pé. Já na entrada, para comprar os tickets, a muvuca era imensa.... senhoooor amado, quanta gente!!!! Um calor de uns 37 graus, grupos de chineses mal educados por todos os lados.... paciência e foco!!!! Eu levei um “kit templo” para essa viagem!!! Nos dias quentes que não dava pra vestir roupa comprida e com manga, eu levava na bolsa uma saia midi e um bolero de manga curta. Esquecemos que o Grand Palace é o único templo onde homem também não pode mostrar os joelhos, então o Jander teve que comprar uma calça na portaria (200 Bh). Ele estava com aquelas calças que viram short, mas esquecemos as “pernas” no hostel! Fazer o quê?! Morrer com vintão!!!! Ao entrar no templo.... woooooooow!!! Que é aquilo?????? Que coisa suntuosa, magnífica!!!!!! Respirei fundo pra não me irritar mais com o tanto de gente, e fui desbravar aquele lugar incrível! E que calor!! Realmente março e abril são meses muito quentes no sudeste asiático!! Não foi fácil!!!!! Mas o lugar valia a pena!!! Saindo do Grand Palace, foi uma mistura de felicidade intensa por ter estado naquele lugar tão incrível... e também de alívio, devido ao calor e muvuca de seres humanos diversos! Kkkkk.... Como era começo de viagem, evitamos ao máximo comer em qualquer lugar, beber coisas com gelo, pra evitar uma intoxicação... então passamos na 7 eleven logo na saída do templo para comprar uns snacks, frutas e bebidas... Trocamos mais 50 dolares ali ao lado e partimos para o Wat Pho, o templo do Buda deitado. Durante toda a viagem, pegamos cotações entre 1 dolar = 30,2 Baht e 31,02 no máximo, em Chiang Mai. Caminhamos uns 400m até a entrada do Wat Pho, pagamos 100 Bh cada, e entramos. O ticket dá direito a uma garrafa de água. Tiramos os tênis e entramos na fila da muvuca de gente pra ver o budão de boas deitado!!! Pensa num chulé lascado lá dentro, todo mundo sem os tênis naquele calor da pega!!! Kkkkkkkk... tampa o nariz e vai, meu filho!!!! Tenha paciência e respeite a fila que sua hora de tirar a foto perfeita vai chegar!!!! Saímos do templo do Budão e fomos conhecer os templinhos em volta, ainda dentro do complexo do Wat Pho.... que lugar lindooooo!!! E menos gente que o grand palace!! Saindo dalí, caminhamos mais uns 350m até o Tha Tien terminal de balsas, sentamos um pouco e ficamos observando o vai e vem de barcos no rio Chao Phraya... bem divertido!!!! Descansados, pagamos 30 Bh e pegamos o barco que atravessa o rio e deixa na entrada do Wat Arun, templo do amanhecer (50Bh). De volta ao barco, cruzamos o rio e pegamos o caminho de volta ao hostel. Paramos em um restaurante charmoso e pedimos nosso primeiro Pad Thai (160Bh)!!! Apesar de estar delicioso, o calor e o jetleg me deram um pouco de náusea... só comi um pouco e preferi ficar nos líquidos... Caminhamos 1,1km até o hostel, fizemos check-in e fomos descansar um pouco, tomar banho, e mais tarde sair para jantar na famosa Khaosan!! Passamos por ela, que diversão!!!! E fomos jantar na Rambuttri. Antes de comer, seguimos até o hotel Rambuttri para fechar o passeio do mercado flutuante e do mercado de trem na agência ao lado do hotel. Passeio fechado (valor 400Bh), seguimos em busca de comida. Meu estômago estava meio zuado, então optei por uma pasta bem ocidental!!! #sqn!! A moça disse que não era spicy, mas era!!! Afastei um pouco o molho bolognesa e comi o penne!! O carbonara do Jander não tinha nada de pimenta. (valor 650Bh jantar + bebidas). Vai uma porção de ovo de codorna frito aí?!!?!? Voltamos de novo pela Khaosan e fomos embora descansar. BANGKOK – 27/03 – Mercado do trem e mercado flutuante. Mercado de flores e Chinatown. Acordamos às 6h40 para estarmos na agência às 7h30. Estava uma chuva torrencial em Bangkok, e seria impossível ir à pé. Os taxis que passavam em frente ao hotel não paravam, e o Uber, não sabemos porque, não estava funcionando naquele momento. Então explicamos nossa situação para a recepcionista e ela fez a gentileza de ligar na agência e avisar que a gente talvez se atrasasse um pouco. Fomos de novo para a calçada e finalmente um taxi parou. Em 15 minutos, no máximo, chegamos à agência (100Bh). Atrasamos um pouco para sair, devido à chuva. Era uma van boa, nova, com nós e mais uns 8 turistas. Seguimos direto para o mercado flutuante mais tradicional de Bangkok, e mais turístico também. Os menos turísticos e mais genuínos só funcionam final de semana... então vai tu mesmo!!!! A primeira parada deveria ser no mercado sobre o trilho do trem. Mas devido ao nosso atraso, perdemos a primeira passagem do trem, e deixamos para a das 11h. Eu estava bem apreensiva com esse passeio sobre o mercado flutuante Damnoen Saduak, porque li muitos relatos dizendo que era só pra turista ver, que não valia a pena e etc.... mas como sou dessas que preciso ver para tirar minhas próprias conclusões, fui conferir e foi a melhor coisa que fiz! Apesar de hoje o mercado ter um propósito mesmo turístico, foi incrível ouvir as explicações da guia de como ele foi construído, da história da vinda dos chineses, da importância dele para os chineses na época de sua construção... e foi sensacional navegar por aqueles canais imaginando que aquilo já foi, um dia, fundamental para um grande número de imigrantes... enfim!! Foi massa demais!!!! Sem falar que como atrasamos e fomos ali primeiro, estava bem vazio no início! Depois, claro, como tudo na Tailândia, craudiou tudo!!! Kkkk Além do valor do passeio, tivemos que pagar separado para andar de barquinho (150 Bh) Terminado o passeio de barquinho, e resistido sem comprar nenhum artesanato maravilhoso, trocamos para um barco com motor para irmos ao local de “desembarque”.... foi bacana, pois passamos por outras partes dos canais, onde estão as casas... a van estava lá no esperando para seguirmos para o mercado do trilho do trem. Ao chegar ao Maeklong Railway Market, a guia logo nos mandou achar um lugar de nossa preferência perto dos trilhos, porque o trem não tardaria muito a passar. Valeria a pena ter ido lá só pela feira em si, independente do trem!!! Pois é uma feira genuína, onde os tailandeses vão para comprar seus legumes, frutas, temperos, carnes frescas (frescas depende do ponto de vista!!)... tem que ter mente aberta e estômago forte em alguns momentos, pois ver aquelas carnes sendo manuseadas de qualquer jeito, com aquela mistura de cheiros, com muito calor... C-nhor!!!!! Que loucura!!!! Até que notamos os feirantes se movimentando, recolhendo produtos, toldos... ouvimos as buzinas do trem... ansiedade!!!!e lá vem ele, passando a centímetros de nosso nariz... pelo menos no local onde ficamos, foi centímetros mesmo!!! Um pouco assustador, mas o trem passa beeeem devagar!!! Tão logo ele passa, produtos e toldos voltam instantaneamente aos seus lugares...e pronto... tudo vira apenas um mercado novamente!!!! Loucuraaaaaaa!!! Espremidos!!!!! Foi ali que tomei o meu primeiro smoothie de frutas (50Bh), arriscando pegar um gelo com procedência duvidosa... meu marido nem quis saber e ainda ficou bravo comigo! Kkkkk... não seria nada bom ter uma diarreia logo no início da viagem, com horas contadas e passeios marcados!! Mas arrisquei.... já quis adaptar logo meu organismo para novas bactérias!!! Hahahahahahaha.... e o gelo tinha procedência, porque não tive nada! Acho que levamos mais ou menos 1h30 para retornarmos à Khaosan. Dali, fomos andando ao píer Tha Tien. Ficamos totalmente perdidos porque tinha gente vendendo passeios de barco...e não entendemos muito bem.... além da quantidade de turistas... até que finalmente alguém me entendeu que eu queria ir ao flower market, e pediu pra gente esperar em determinada fila. Até que chegou nosso barco. Pagamos no barco mesmo, passou cobrador (15Bh). O duro foi saber que hora descer, porque o barco vai rápido, e na hora do píer que queríamos o cobrador estava longe pra gente confirmar, e foi uma parada bem rápida. Olhamos no Google maps e vimos que era aquele mesmo. Então descemos no próximo e voltamos à pé ao píer Yodpiman, foi menos de 500m. Esse píer é bem bonito, pois tem uma espécie de mall, onde almoçamos. Chao Phraya river Yodpiman station - foto do google Conta do almoço... entendemos tudo!!!! Então seguimos caminhado pelos fundos do mall, e entramos no mercado de flores. Muito legal!! Ali eles produzem os arranjos para enfeitar os templos, e como todo budista tem seu templo em casa, a venda desses arranjos, e flores em geral é grande. Apenas atravessamos o mercado e continuamos a caminho do Chinatown, guiados pelo maps.me. O Chinatown é um bairro cuja rua principal se chama Yaowarat rd. É verdadeiramente uma china dentro de Bangkok!!!! Adoramos o passeio... muita coisa bizarra, muitos cheiros, comida de rua, trânsito... sensacional! Deus me livre morar ali!!! Mas passear é obrigatório!!!! Hehe... ao final dessa rua Yaowarat há o Wai Traimit, onde fica o Buda de ouro maciço. Não fomos porque já estava fechado, já era mais de 17h, e também porque tava mais interessante meter-nos pelas ruas paralelas da Yaowarat observar toda aquela cultura tão distinta da nossa!!! Comemos um guioza de-li-ci-o-so!!!!!! A primeira comida de rua da viagem!!! Deu tudo certo!!! Para voltar ao hotel, pegamos o nosso primeiro tuk tuk!!! Apesar de ser mais caro que Uber, não podíamos nos privar dessa experiência! E foi massa!!! O cara andava rápido pra caramba!!! Divertido!!!! Tomamos banho e nem tivemos forças para sair!! O guioza foi suficiente para o jantar!!! BANGKOK – 28/03 - Wat Saket e Chiang Mai Como tínhamos que estar no aeroporto às 13h30, no máximo, era prudente que pegássemos um transfer às 11h. Acordamos bem cedo e fomos conhecer o Wat Saket, Temple of the Golden Mount, pois era bem pertinho do nosso hotel, 15 minutos de caminhada. No caminho, passamos por uma rua cheia de pequenas fábricas de coisas de madeira... portas, bancos.... comprei as letras do meu nome, Pri, no alfabeto tailandês. Custou uns 4 reais, no máximo. Também passamos por um prédio do governo... e vielas... Pagamos a entrada do templo (50Bh) e começamos a subir as escadas. Como pode um lugar tão silencioso e mágico bem no meio da selva de pedras???? A subida é bem tranquila, e lá de cima tem-se uma linda vista da cidade. Valeu a pena!!! Íamos para o aeroporto com o mesmo ônibus que pegamos na chegada. Afinal, tínhamos duas horas para chegar lá. Mas na hora H meu marido ficou inseguro, com medo de o trânsito piorar muito na hora do almoço. Então resolvemos pegar um uber, porque na noite anterior simulamos e ficaria uns 40 reais. Porém, às 11h da manhã, o preço subiu para 750 Bh. Mas fomos mesmo assim, apesar de caro, tivemos um pouco de conforto naquele calor de matar, e também a garantia de que chegaríamos na hora certa! No fim das contas, com o cambio e o IOF do cartão, essa corrida nos saiu por 98 reais.... xxxxeeeeçus!!!! Kkkkkkkkkk dava pra 4 pessoas almoçarem com esse valor!!! Kkkkkk tudo bem!!! Já superei!! Com muita dor, nos despedimos de Bangkok!!! E muito ansiosos por tudo que ainda estava por vir!! CHIANG MAI Eu não conseguia segurar minha felicidade de estar nessa cidade!!!! Afinal, era ali que eu passaria o dia com um elefante, meu sonho de vida!!! Reservei esse passeio antes mesmo de comprar as passagens, bem antes, pra garantir!!! Hehehehehe... alterei a data duas vezes, e foi de boa! Aterrissamos às 15h50, desembarcamos e já na saída havia as tradicionais caminhonetas vermelhas de Chiang Mai! Pagamos 40 Bh cada para ir até o hotel, e havia outros turistas no carro. Cansada e feliz!!!! Fizemos check-in no Chedi Home (3.062 Bh por 3 diárias) com direito a um welcome drink delicinha. Adoramos o hotel. Apesar da ducha ter pouca pressão, o quarto é excelente, e o café da manhã também. Como já era fim do dia, e o calor intenso, descansamos um pouco, tomamos banho e fomos à pé para o night bazaar. Foi uns 10 minutos de caminhada. Jantamos no Ploen Ruedee, um espaço com vários food trucks e música ao vivo, tomamos algumas changs e fomos caminhar pela avenida do night market. Dessa vez não resisti e comprei alguns souvenires, tudo muito lindo e barato! Voltamos ao hotel descansar porque o dia seguinte seria o melhor!!! CHIANG MAI – 29/03 – Patara Elephant Farm e Doi Suthep Acordamos às 6h40, fomos tomar café e esperar a van do Patara, que passaria nos pegar às 7h30. Eu nem acreditava que esse dia havia chegado!! Embarcamos na van e seguimos em direção às montanhas do norte da Tailândia. Seguimos por uma estrada sinuosa e, de repente, paramos próximo à beira da estrada, e o motorista apontou pra mim e pro Janderson e disse “family here”... então nós dois descemos sem entender muito, e as outras 3 turistas da van seguiram caminho.... a van nos deixou ali com uns 4 moços, e uns 6 elefantes, que estavam comendo cana de açúcar. Eu fiquei já muito emocionada de ver aqueles bichos enormes ali, soltos, e também muito nervosa e com medo! Assinamos um termo que dizia que a gente se responsabilizava por qualquer coisa que acontecesse, inclusive levar uma pisada de elefante no pé... ui ui ui!!! Os tailandeses ali não falavam inglês. Então, por meio de gestos, eles pediam pra gente se aproximar dos elefantes, encostar, e pediram meu celular pra tirar fotos minhas.... nisso, nossas mochilas ficaram em um banco de madeira próximo á rodovia... com nossos passaportes e dinheiro.... fiquei com muito receio de algo acontecer, mas fazer o quê?! Aproveitar os elefantes!!! Chorei!!!! Aos poucos fui me aproximando dos grandões, tentando perder o medo que eu nem sabia que tinha... havia uma adolescente chamada Lalaman; ela era muito geniosa e vez ou outra corria atrás de nós pra dar cabeçadas!!! Definitivamente, ela não foi com nossa cara! Passou uns 40 minutos e continuamos ali, interagindo com aqueles elefantes. Estava legal, mas comecei a achar estranho, porque não foi por aquilo que paguei! (O passeio custou 3.200 Bh/pessoa com fotos inclusas). Até que apareceu um instrutor que falava inglês e começou a nos explicar algumas coisas, ufa!!! Ele nos chamou para irmos mais adiante, até uma barraca, para sentarmos e ouvirmos como seria o passeio. E minha cabeça de brasileira desconfiada pensando nas mochilas largadas lá com tailandeses que nem falavam inglês!! O instrutor nos deu nossa roupa do Patara, justificando que os elefantes estão acostumados com ela, também nos explicou como saber se o elefante está saudável, se está nervoso... até cocô nós cheiramos para entender (cheirava cana de açúcar!). Então aprendemos alguns comandos para dar comida e para que o elefante nos acompanhe. Toda vez que ele nos obedecia, tínhamos que dizer “Didi”.... ai que fofuraaa!!!! Eu só falava didiiii.... didiiii... hahahahaha.... Após darmos umas 80 bananas, uma a uma, seguimos morro abaixo para tomar banho no rio. Pensa na alegria daqueles elefantes ao entrar na água!!!! Uma festa!!! Eu passava a escova no meu elefante, e ele pegava água com areia no fundo do rio e jogava nas costas!!!! Sujando de novo!!!! Levei um monte de jato de areia também!!! Hahahahaa Após o banho, despedimos dos nossos elefantes e ganhamos uma cesta cheia de frutas, e sticky Rice com côco enrolado na folha de bananeira, e suco. Pausa para o lanche. Lembrando que a todo momento havia um fotógrafo nos acompanhado!! Em seguida, eles nos informaram que iríamos de van para outro local, uma espécie de hospital de elefantes, para ver dois bebês.... oi?!!?!?! Eu entendi isso??? 2 bebês elefante???? Yeeeees!!! Ficamos mais de uma hora brincando com eles!!! Foi mais que um sonho!!! Após uma manhã intensa e maravilhosas, voltamos ao hotel e almoçamos ali mesmo. Saímos em direção ao centro procurar pela agência Amporn, indicada pelo blog Um Viajante, para fazer o passeio para Chiang Rai. Após fechar o passeio (1350Bh), seguimos ao templo Doi Suthep. Paramos um daqueles carros vermelhos e pagamos 40 Bh cada para ir até o Zoológico. Do zoo até o alto da montanha, pagamos 100Bh cada para subir, ficar por lá durante 1h30, descer e sermos deixamos no hotel ou qualquer lugar dentro da Old Quarter. Na volta, ficamos direto no Night Bazaar para trocar dinheiro, comprar souvenires e jantar. Continua em breve... Continuando.... CHIANG RAI – 30/03 – Bate-volta para Chiang Rai A Van da empresa Amporn passou nos pegar às 7h30 para o passeio a Chiang Rai (1.350 Bh), incluindo a vila Karen, mais conhecida como long neck woman, e o Golden Triangle, fronteira entre Tailândia, Laos e Myanmar. A primeira parada foi em um lugar chamado Hot Spring, na beira da estrada, há tipo uma feira cheia de coisas pra comprar, e próximo à feira, há fontes de águas termais, nas quais você pode colocar os pés para relaxar (lotaaaado de chineses), ou comprar tipo uma vara de pescar com uma cestinha e um ovo na ponta, e colocar esse ovo para cozinhar em uma das fontes, e comer!!! Dispensamos tudo isso e ficamos apenas olhando tudo o que tinha para vender naquela feira!! Sem querer ser chatona, mas depois de ver os geisers lá no deserto do Atacama, essas termais aí ficaram no prego do chinelo!! hihihi Seguimos viagem para a tão esperada parada, o White Temple. E não deixou a desejar! Que lugar incrível!! Aquela brancura, os detalhes, pequenos mosaicos de espelho... e os banheiros então?!?!!?!? Um luxo!! Nossa guia disse que foi bom ter chegado mais cedo, porque tinha menos pessoas..... WHAT!!?!?!? Aquilo ali de gente era pouco?? #sqn Mas deu para empurrar alguns chineses e conseguir uma boa foto!!! Hahaha... a única coisa triste que nos acompanhou em quase toda a viagem foi o céu... devido a queimadas ilegais que ocorrem em todo o sudeste asiático, o céu não ficou azul nenhum dia... mas um cinza nada glamoroso... apenas nas praias não havia essa nuvem de fumaça. Uma pena... mas não reduziu em nada a beleza dos lugares, só não favoreceu as fotos. Enfim... o verão, entre março e abril, além de temperaturas escaldantes, ainda pode ter as queimadas.... haja litros de água e de Chang pra alivar!! Hihi Esse é o banheiro do templo!!! wow! Seguimos pelo interior do país... muito legal isso! Observar a zona rural, as montanhas.... chegamos na vila da tribo, se não me engano, Akha. Há muitas tribos que vivem nas montanhas da Tailândia, algumas ainda mantêm suas tradições. Nessa que fomos, algumas mulheres se vestem com roupas típicas para os turistas conhecerem, e vendem seus artesanatos. Podemos observar um pouco de suas casas feitas de bambu.... e como eram férias escolares, havia muitas crianças brincando ali.... umas fofuras! Quem pagou o passeio completo, como nós, seguiu até os fundos dessa vila, que é onde começa a vila das “mulheres girafa”. Não gosto desse termo, prefiro o verdadeiro, que é tribo Karen. Quem não pagou, fica esperando na vila anterior. Esse pagamento é uma forma de ajudar a tribo, porque são imigrantes do Myanmar.... algo assim. Está aí outro passeio que eu estava com receio, pois muitas pessoas diziam que parecia um zoológico onde você vai pra ver gente exposta... mas vou falar uma coisa, eu gostei muito! Porque ali é onde elas vivem, independente do turismo. Enquanto seus maridos vão trabalhar nas fazendas, elas ficam ali recebendo turistas enquanto fazer seu artesanato, que a propósito é lindo. Na verdade eu que me senti Tonga, porque imagino que elas ficam pensando “esses turistas bocós atravessam o mundo pra ver a gente aqui sentada trabalhando”.... sei lá.... me senti bem! Comprei um artesanato e tirei uma foto! Quando eu organizava o roteiro, queria muito ir ao Myanmar, mas não deu tempo. Nas pesquisas, eu li que eles usavam a Tanaka como protetor solar natural. É uma árvore, eles ralam e molham pra formar uma pasta. Quando eu vi todas as mulheres Karen com Tanaka no rosto, pedi pra guia ver com uma menininha linda se ela passava takana em mim, dei umas moedinhas e ela passou. Eu fiquei muito emocionada e chorei, pois aquela menina linda, toda delicada, parecia que estava pintando uma tela!!!! 6 É linda demais!!!! Hora de ir para o Golden Triagle. Lá na fronteira, pegamos um barco e navegamos alguns minutos até a fronteira com o Myanmar, onde o guia explicou sobre problemas com tráfico de ópio e etc.... depois fomos até a fronteira com o Laos. Ali pudemos descer e dar uma volta pela feira do Laos. Os corajoso puderam provar whisky com pênis de onça, com cobra, com ópio etc.... acho que ficamos ali uns 40 minutos e voltamos pro barco. Vai encarar um whiskinho?! Portal do Laos! De volta à van, seguimos para o restaurante: Buffet livre de comida tailandesa!!!!! Genteeeee.... mas eu comi tanto que fiquei até com vergonha!! Provei as nada, pouco e muito apimentadas... não perdi a chance!!! Hehehe.... amei!!! A viagem de volta foi super cansativa... durou 4h em uma estrada sinuosa, com uma parada pra xixi. Chegamos ao hotel moídos. O Janderson foi na 7 eleven buscar uns lanches e jantamos no quarto mesmo. SIEM REAP - CAMBOJA – 31/03 – Voo de Chiang Mai para Siem Reap (U$ 192 o casal) e circuito grande. Pedimos um Uber às 6h para o aeroporto (R$ 20,00). Nosso voo da Air Asia tinha uma conexão de uma hora em Bangkok. Tomamos um café caro pacarai no aeroporto e partimos para o Cambodia. Levem caneta na mochila de mão, porque tem que preencher o cartão de entrada em cada país que passamos. Ao chegar, seguimos ao balcão para fazer o pagamento do visto (U$30) e deixar nossos passaportes. Seguimos para o outro balcão onde esperamos pelos passaportes já com o visto. Isso durou uns 20 minutos. Passaporte em mãos, passamos pela imigração e saímos do aeroporto. Dessa vez achei que teríamos transfer esperando com plaquinha e nossos nomes... mas não dá pra ser rico nessa vida: eu me esqueci de enviar email ao hotel com horário da chegada. Enfim, pegamos um taxi credenciado e a corrida ficou U$ 10. Lembrando que no Cambodia não precisa trocar os dólares, pois lá eles aceitam. Então foi um baque sair da Tailândia, onde 100 Baths era 10 reais, e chegar no Cambodia, tudo em dólar.... ainda mais com nosso temers desvalorizados.... bola pra frente que quem converte não se diverte!!! Nosso hotel tinha uma piscina maravilhosa, café da manhã excelente e camas muito boas, mas o banheiro era meio aspecto de sujo. Pagamos U$53 por duas diárias, barato demais!! Então tá tudo certo! Pedimos informações sobre os passeios e acabamos contratando um tuk tuk ali pelo hotel mesmo, para os dois dias (U$38), incluindo o nascer do sol no Angkor Wat. Nosso motorista não era muito de conversa, apesar de simpático, e não serviu de guia, como já li por aí muitos motoras de tuk tuk vão explicando tudo. Tive que me valer dos meus guias em PDF para entender um pouco sobre os templos. Ate cotei o guia Alex, que fala português, mas ele cobra U$70 por pessoa, o que não estava em nosso orçamento. Também não quisemos guia em inglês porque C-nhor amado!!! Como entender aquela pronúncia dos cambodianos?!?!!?!? Tinha hora que só na mímica! Como ainda tínhamos a tarde pela frente, fomos fazer o circuito grande, que leva esse nome porque as distâncias entre os templos são mais longe. Pegamos nosso guia e mapa e partiu Angkor. Nosso motora parou na bilheteria para comprarmos o ticket de 3 dias (U$62... isso mesmo... U$124 para nós dois... 0_0...). começou uma chuva de leve, mas logo parou e deu pra visitar de boas... só que não teve pôr do sol. Até fomos a um templo para isso, mas o sol estava encoberto pelas nuvens. Foi lindo, mas não se compara às fotos do entardecer de lá que vemos por aí!!! Maravilhados com tudo aquilo, voltamos para o hotel, curtimos um pouco da piscina. Após o banho, saímos para jantar na Pub Street. Nosso hotel era perto, mas muita preguiça de caminhar, então pegamos tuk tuk (U$2 o casal). Tanto como em Bangkok quanto em Chiang Mai, Siem Reap tem a sua rua louca!! São algumas quadras de bares, restaurantes, comida de rua, artesanato.... woooow!!!! Eu A-MEI a pub street!! A melhor de todas!! Sem falar que meio litro de chop custa 1 dolar!! SIEM REAP – 01/04 – Angkor Wat e circuito pequeno Como combinado com nosso motora no dia anterior, acordamos às 4h para ir ver o sol nascer no magnífico Angkor Wat. Nosso hotel havia deixado preparado nossa marmita do café da manhã. Estacionamos, marcamos bem a árvore ao lado do tuk tuk, porque um mundaréu de gente chegava também!! Caminhamos naquele breu imenso seguindo o fluxo de gente até chegarmos no lago. Ali, tinha um vendendo de café e chá. Compramos um pra podermos sentar nos tapetes bem na beira do lago (4U$) Aquela multidão ansiosa ali... maaaaaaas... o sol não nasceu... buááááá.... ele até se esforçou!! Mas nada! Não tivemos sorte!! Foi lindo, mas imaginem com sol?!!?!? Vejam: Imaginem com sol nascendo atrás do templo! Tomamos nosso café ali mesmo, enquanto o dia surgia... e partimos desbravar o sublime Angkor Wat. Gente, sério! É magnífico!! Pensar na história daquilo ali, de ter sobrevivido ao tempo, às guerras, aos seres humanos... de arrepiar!!! Imagine com um bom guia?! Acho que ficamos mais de uma hora por ali. E voltamos para o estacionamento, que ainda tinha o circuito pequeno inteiro para visitar!! O mais esperado era, claro o Ta Phrom, e fazer carão de Angelina Jolie nas fotos!!! Hehehe É impressionante ver essas árvores sobre as ruínas!!!!! Olha vou falar uma coisa... andar pelos templo cansa muuuito! É um sobe desce em degraus imensos e irregulares!! Um calor!!! E a fome foi batendo! Sorte que em todo lugar tem saquinho de manga ou abacaxi mega doces pra comprar!!! A hora que deu umas 13h30 chegamos ao limite! E pedimos para nosso motora nos deixar na pub street. Como era domingo de páscoa, decidimos ter um almoço especial de comida típica!!! Amei o picadinho de carne deles, chama-se Lok Lok... também comemos sopas e peixes da culinária Khmer. Eles usam muito galangal, um tipo de gengibre, e capim limão.... as sopas são apimentadas e refrescantes... também usam uma massa de peixe fermentado nas sopas... gosto forte e exótico...gostei de tudo!! Após almoço voltamos ao hotel pra tirar um cochilo que não deu muito certo, pois acordamos já no início da noite. Então bora voltar pra pub street comprar souvenir e despedir daquele lugar top demais!!! O night market de lá tem roupas muito baratas, e panos também (pashmina, toalhas de mesa etc)... e lá no fundo do mercado tem um palco onde ladyboys se apresentam transvestidas...tipo um show de dublagem.... meio bizarro, porque é tipo a propaganda da prostituição explícita.... ficamos uns 3 minutos olhando mas logo saímos...uma delas ficou encarando meu marido!! Hahahaha.... Neste dia voltamos embora a pé, para poder ver um pouco mais das ruas, das feiras, das comidas de rua.... que diferente, massa!!!! SIEM REAP – 02/04 – APOPO e voo para Bangkok Nesse dia eu queria ir para Beng Mealea, templo afastado da cidade. Mas a gente vinha de ritmo intenso de acordar cedo, passear muito, calor, estômago meio ruim.... Então acordamos mais tarde, tomamos café e resolvemos dar uma descansada, pois ainda tinha muita viagem pela frente! Acabamos o café já era umas 10h00.... voltamos ao quarto arrumar as coisas, e pegamos um tuk tuk para ver a pub street de dia.... tomamos umas cervejas, almoçamos lá pelas 13h30 e decidimos ir conhecer o Apopo, um projeto no qual eles treinam ratazanas para encontrarem minas explosivas pelo olfato (U$5). Pesquisem na internet sobre os HeroRats. É incrível!! Ratos salvando vidas! Rato James! Minas encontradas por ratos. No início da noite, pegamos o transfer gratuito do hotel (pois não pegamos quando chegamos) e fomos pro aeroporto. Embarcamos para Hanoi, no Vietnã (R$ 700 o casal), mas com conexão de uma noite em Bangkok. Então pegamos um hotel ao lado do Don Mueang, Hotel Hopper’s place (900Bh). Até dormir, já era meia noite, e o transfer gratuito sairia do hotel às 3h30. Achamos muito cedo, considerando que o hotel era perto e o voo era às 6h45. Mas foi a melhor coisa que fizemos, pois como quase todo aeroporto da Ásia, estava lotaaado já pela manhã. HANOI - VIETNÃ – 03/04 – Conhecendo Hanoi Às 8h30 já estávamos aterrissando em Hanoi. Fomos até o balcão para tirar o visto, mais ou menos como no Camboja (U$ 25), levou uns 40 minutos. E que emoção chegar ao Vietnã!!! Até então só visto em filmes de guerra!! Pegamos uma van no aeroporto que enche de gente e vai deixando nos hotéis do centro histórico (U$ 6 o casal). Quanto mais nos aproximávamos do centro, mais louco ia ficando o trânsito!! Aquele caos de motos e pedestre, mas que funciona! Descemos da van e andamos umas 5 quadras até o hotel. Duas vendedoras tipo de pão frito viram os 2 turistas bocós com suas mochilas, e já vieram empurrar a sacola do pão cobrando 2 dolares, e colocando a sacola em nossa mão, falando e sorrindo, tudo muito rápido. Demos 1 dolar e pegamos 2 pães e saímos.... apesar de muito gostoso, não valia tudo aquilo... aprendemos a lição: nem olhar para os vendedores e seguir andando! Após o check-in (aliás, como os recepcionistas são simpáticos!!), deixamos as malas e corremos desbravar a cidade. Que loucuraaaa!!! Eu amei tudo!!!! Achei realmente incrível, uma cidade enérgica, louca.... fantástico!!! Quero voltar!! O que é atravessar a rua nessa cidade?!!?!? Medoooooo... Após passar pelo lago Hoan Kiem, bem próximo ao nosso hotel, seguimos para conhecer o Templo da Literatura, o que já foi a primeira universidade do país. Aluguei um áudio guia e fiquei simplesmente maravilhada com aquele lugar!! Eu que sou formada em Letras, estava no templo da sabedoria! Amazing!!!!! Dois tickets custaram 60 mil Dongs, o que dá mais ou menos 10 reais. O áudio guia acho que foi uns 20 reais. Entrada Por este caminho só passavam os governantes e os mestres do saber Fotos dos formandos!! Tudo muito incrível! Foi próximo ao templo que tomamos nosso primeiro café vietnamita, tão famoso! Tomamos um gelado com sorvete de coco, e o tradicional com leite condensado. Como não gosto muito de café doce, prefiro o gelado com coco! Mas os dois são bons! Fiquei uns 15 minutos esperando o café passar em cima do leite condensado!!! Seguimos a pé para o museu da guerra (80mil Dongs o casal). Tínhamos apenas meia hora até fechar, então foi rapidinho!! na parte interna havia muitas fotos e informações Depois fomos para o Thang Long Water Puppet Theater (Uns 15 reais). Gente, que demais!!!! É tão bizarro e engraçado, e ao mesmo tempo tão fofo... super recomendo!!! Porque faz parte da tradição deles, e eu teria ido só pela música, que é ao vivo!!! Parece bobo, mas é a forma de retratarem toda a cultura deles. Demais!!!! o palco é uma piscina as marionetes saem da água!!! e a banda fica ao lado Jantamos em uma hamburgueria e fomos descansar. Andamos mais que notícia ruim nesse dia! Diária no Hanoi Stella Hotel (bom!) + 1 kg de roupa na lavanderia = U$ 32 HANOI - VIETNÃ – 04/04 – Halong Bay Além de estar no Vietnã, que já é demais, chegou o dia de ir para Halong Bay. Reservamos o cruzeiro pelo booking, com base nas avaliações (U$ 210 com transfer). O onibus atrasou bastante para nos pegar no hotel. Tomamos café rapidamente para estarmos prontos às 7h30, e eles chegaram às 9h.... fazer o quê?! Levamos umas 4h para chegar em Halong. Embarcamos e começamos nosso lindo passeio por aquela baía magnífica. Nosso barco era intermediário, conforme o que pagamos. Nosso quarto era bom e a comida excelente. Tudo ok! Nada extraordinário! O passeio foi o bem tradicional: almoço, surprise cave, caiaque em um lugar belíssimo, cooking class, jantar, pernoite, café, view point, praia, almoço e retorno. Eu amei!!!! Plantações de arroz ao longo do caminho... Iniciando a navegação! enfrentando o trânsito na subida para a caverna.... a imensa e linda Surprise Cave! Vista ao sair da caverna De volta ao barco! Nada mal esse caiaque, hem!? Pode haver fim de dia mais lindo!?!!? Demais! E não parava de ficar lindo! Nem de noite!! Aprendendo a fazer o spring roll do Vietnã! HANOI - VIETNÃ – 05/04 – Halong Bay e retorno para Hanoi Bom dia with a view!!!!!! Que tal a vista da minha janela??? view point... após muitos degraus!!! valeu o esforço! só pra dizer que molhei as canelas!!! Mozão nem pensando na fatura do cartão que estava por vir!!! hehehehe O passeio terminou ao meio dia. Pegamos o busão de volta pra Hanoi. Umas 16h30 já estávamos no hotel. Só deixamos as coisas e fomos curtir um pouco mais da cidade, pois no dia seguinte, pela manhã, já iríamos embora. Sim! Apenas 3 dias no Vietnã, pois eu achei melhor ir pouco que ir nada! E ficou a vontade imensa de voltar, porque tem muuuuuito mais o quer ver pelo país. O chapeu não é pra turista ver... eles usam mesmo! A maioria dos prédios são estreitos para pagar menos impostos One Pilar Pagoda Mausoleu de Ho Chi Minh.... até às 11h é permitido entrar para ver o corpo do principal lider que eles já tiveram, e gratuito. The note, uma cafeteria toda estilosa cheia de recadinhos!!! finalmente achamos um bar de breja artesanal na viagem!! 3.wmv Neste video, imagens das ruas, da tentativa de atravessar a rua, e de uma rua badalada!
  25. Laguna Cerro Castillo Início: Las Horquetas Grandes Final: Vila Cerro Castillo Duração: 4 dias Distância: 52,2km (mais 3,5km ida e volta ao Glaciar Peñón e 4,9km ida e volta à Laguna Duff) Maior altitude: 1694m Menor altitude: 311m Dificuldade: alta (o percurso é longo e há várias subidas e descidas por pedras soltas) A travessia do Parque Nacional Cerro Castillo é uma das caminhadas mais bonitas do Chile e está se tornando bastante popular entre chilenos e estrangeiros. Não só pelo incrível cenário que percorre mas também por ser uma travessia sem dificuldade técnica desde que feita no verão, quando a quantidade de neve é bem pequena, restrita ao Passo Peñón normalmente. Outro ponto a favor é a abundância de água em todo o percurso, não necessitando ter muita água pesando na mochila. E ainda pode ter seu trajeto encurtado para três dias se o aventureiro não dispuser de quatro dias. Claro que isso significa sacrificar algum local de grande beleza, como a Laguna Duff. Essa travessia é uma das 31 caminhadas descritas no guia Trekking in the Patagonian Andes da editora Lonely Planet, a bíblia do trekking na Patagônia chilena e argentina (bem como em regiões um pouco mais ao norte). No caso de Cerro Castillo a região é Aysén, de número XI (as regiões no Chile têm nome e número em romano). O leitor pode estranhar alguns horários tardios de saída e chegada aos locais de acampamento que coloquei nesse relato, mas é bom lembrar que eu estava na Patagônia em final de janeiro, quando o sol nasce às 6h40 e se põe às 21h20, portanto em nenhum dia caminhei no escuro. Estero Las Mulas 30/01/18 - 1º DIA - de Las Horquetas Grandes à entrada oficial do parque Duração: 5h20 Distância: 13,6km Maior altitude: 928m Menor altitude: 768m Dificuldade: fácil Saí do hostal em Vila Cerro Castillo às 11h50 e fui para a Carretera Austral (Rota 7) esperar um ônibus que subisse a rodovia em direção a Coyhaique ou Puerto Ibáñez e me deixasse em Las Horquetas Grandes. Saí tarde assim porque me disseram que haveria um ônibus por volta de meio-dia, antes disso só muito cedo, lá pelas 7h. Na verdade tive muita informação errada sobre horários de ônibus em Vila Cerro Castillo, só depois do trekking é que encontrei o posto de informação turística aberto e a moça me mostrou uma tabela com todos os horários (ver horários abaixo em Informações Adicionais). Às 12h em ponto passou um micro-ônibus da empresa Acuario 13 e todos os mochileiros do ponto subiram nele, inclusive os que estavam desde cedo "haciendo dedo" (pedindo carona) na estrada. O asfalto da Carretera Austral atualmente termina em Vila Cerro Castillo, portanto subimos rapidamente pela estrada em boas condições até o início da caminhada, em Las Horquetas Grandes, um lugar completamente desabitado. Saltei do coletivo às 12h57 junto com a moçada toda e entramos no caminho que fica à esquerda da rodovia, junto a uma placa do Sendero de Chile. Altitude de 791m. Sendero de Chile é um projeto que visa contribuir com a proteção da natureza do país através da criação/manutenção de trilhas e caminhos para que as pessoas possam conhecer e valorizar o patrimônio natural do Chile. Matéria em que o Brasil ainda está muito atrasado. A direção geral desse primeiro dia é para oeste e depois sudoeste, acompanhando principalmente o vale do Estero La Lima. Vale do Estero La Lima O caminho inicia como uma estrada de rípio, logo cruza uma porteira e depois o Estero Las Mulas através de uma ponte de troncos. O Estero Las Mulas logo deságua no Rio Blanco e o caminho segue pelo vale deste rio. Às 13h22, junto a uma segunda porteira, fica uma casinha de madeira onde o guardaparque cobra a entrada de CLP 5000 (R$27) mediante a assinatura de um termo de responsabilidade pela realização da travessia. A estradinha continua e logo sobe em direção a uma cerca de madeira e um bosque. A visão do vale do Rio Blanco se amplia e ao fundo da cerca se podem ver algumas casas e galpões. Esse primeiro dia de caminhada é todo feito por dentro de propriedades particulares, com criação de gado e várias porteiras. A trilha entra no bosque de lengas às 13h49 e se dirige ao vale de outro rio, o Estero La Lima. Às 15h15 cruzo o primeiro dos seus afluentes, o Estero Blanco Chico, sem dificuldade pelos troncos jogados. À frente já visualizo os nevados da Cordilheira Castillo. Às 15h37 passo por uma casa à esquerda e às 15h51 cruzo pelas pedras o próprio Estero La Lima, bastante largo. Daí em diante foram mais 6 rios e riachos, alguns um pouco mais chatos de atravessar pela largura. Não tirei as botas em nenhum deles mas numa bobeira minha entrou água na bota direita ao cruzar um mais fundo. Às 18h o tempo fechou, nevou um pouquinho e a temperatura caiu muito. Às 18h17 uma bifurcação com uma seta apontando para a esquerda. O caminho da direita segundo o mapa é o Sendero Rio Turbio e segundo o gps leva a uma estrada entre os lagos La Paloma e Monreal, ao norte. Com apenas mais 80m para a esquerda alcanço enfim a entrada oficial do parque nacional, com um grande mapa, placa de bienvenido e uma porteira destruída por uma árvore caída. Cerca de 140m após a porteira encontrei a Guarderia Rio Turbio, uma cabana bastante revirada por dentro mas toda equipada com fogão, panelas e pia. Mas é sempre bom lembrar da recomendação quanto ao perigo do hantavírus. Estero La Lima O hantavírus é altamente mortal e há cartazes sobre o seu risco e prevenção por todo o sul do Chile. É transmitido pela urina e fezes dos roedores que se alojam em casas e galpões que ficam fechados por muito tempo. A recomendação é nunca dormir dentro de lugares fechados pelo risco de inalar o ar contaminado pelos dejetos com o vírus. Por isso não se deve trocar nunca a barraca por refúgios, casas e galpões fechados no meio da mata. Ao lado da guarderia fica a área de camping, ambos protegidos pelo bosque de lengas e outras espécies. O chão é quase todo de terra (para sujar bastante a barraca) com um pouquinho de grama em algumas partes. Procurei um lugar gramado para acampar mais à frente. Até encontrei mas tinha receio de que algum guardaparque aparecesse e me mandasse para o acampamento demarcado. Mas até o final da travessia não vi guardaparque em nenhum lugar (só lá nas Horquetas mesmo). Não continuei até o acampamento do Rio Turbio (50 minutos adiante) porque devia estar mais cheio. Nesse acampamento havia mesas de picnic e água podia ser coletada num riacho ao lado. O banheiro é uma casinha de madeira com porta e telhado. Dentro um assento de madeira com um grande buraco. Na cabana havia vaso sanitário mas a descarga não funcionava. Nessa noite havia mais três barracas nesse camping e dois malucos dormiram dentro da cabana. Altitude de 928m. Vale do Rio Turbio com o Cerro Peñón ao fundo e o selado do Passo Peñón à esquerda 31/01/18 - 2º DIA - da entrada oficial do parque ao acampamento El Bosque Duração: 5h30 (mais 1h20 ida e volta ao Glaciar Peñón) Distância: 11,2km (mais 3,5km ida e volta ao Glaciar Peñón) Maior altitude: 1453m Menor altitude: 915m Dificuldade: média se não houver muita neve no Passo Peñón A temperatura mínima da noite foi 2,9ºC. A direção geral desse segundo dia é sudoeste acompanhando principalmente as nascentes dos rios Turbio e El Bosque. Levantei acampamento às 11h12 e continuei pelo caminho bem marcado, agora convertido em trilha mesmo. Às 11h30 a visão se ampliou com a chegada ao vale pedregoso do Rio Turbio, cercado de montanhas rochosas com os cumes cobertos de neve. A primeira de muitas paisagens espetaculares dessa travessia. A sudoeste, à esquerda do Cerro Peñón, já podia avistar ao longe o selado do Passo Peñón, que deveria cruzar ainda nesse dia. E notei que havia um pouco de neve nele (um pouco?...) A sinalização continua por estacas amarelas na margem direita do rio e reentra no bosque. Às 12h05 encontro o acampamento do Rio Turbio, bem maior que o anterior, dentro do bosque, com mesas de picnic e banheiro, porém com chão de terra também. Às 12h38 cruzei por uma ponte o rio que nasce nas alturas do passo. Uns 60m depois parei numa bifurcação onde havia uma seta apontando para a esquerda e galhos jogados na trilha à direita (técnica que a Conaf usa para sinalizar que não se deve passar por aquela trilha). É que à direita era o caminho para o Glaciar Peñón onde nasce o Rio Turbio, que estava nos meus planos visitar. Fui então à direita e com 170m saí do bosque diretamente para uma grande área de pedras que acompanha o rio de degelo do glaciar, o próprio Rio Turbio. Havia trilha marcada, totens e balizas vermelhas para orientar. Claro que caminhar pelas pedras soltas demanda mais cuidado e o avanço é mais lento (pelo menos para mim). Às 13h19 alcancei um lago mas a geleira estava distante, bem para dentro. Havia cachoeiras caindo do Cerro Peñón à esquerda. Vale a pena esse desvio de 3,5km (ida e volta)? Se você está com tempo e o dia está bonito para fotos penso que sim. Lago formado pelo Glaciar Peñón Às 14h41 estava de volta à trilha principal e na subida comecei a notar os troncos inclinados das lengas, sinal de que estava atingindo o limite das árvores, onde a camada de terra é cada vez mais rasa. Às 15h17 saio do bosque e encaro de vez a subida do Passo Peñón, toda de pedras soltas. Esse passo se parece com um grande portal rochoso. A sinalização aqui foi feita com tinta vermelha e branca nas pedras. A neve, que inicialmente aparece nas laterais do caminho, começa a invadir tudo e logo estou subindo por ela. Felizmente a bota era impermeável, então sentia o frio mas os pés se mantinham secos. Atingi o ponto mais alto às 16h21. Altitude de 1453m. Do passo se vê o Morro Rojo à frente (sudoeste) com a Laguna Cerro Castillo à sua direita. Felizmente não havia vento forte. A descida pela neve era mais preocupante pois tinha receio de pisar em alguma parte com gelo duro e escorregar. Caminhei cerca de 20 minutos pela neve... muito mais do que eu imaginava... isso em pleno janeiro! Voltei a caminhar pelas pedras soltas mas não pude desviar de outra grande mancha de neve, felizmente menor. Caminhei mais 5 minutos por ela. De volta às pedras soltas a descida se tornou muito inclinada, exigindo muito cuidado para não rolar moraina abaixo. Cascatas despencam da face leste do Cerro Peñón à minha direita. Terminada a ladeira íngreme passei a caminhar pelo vale de pedras de um afluente do Estero El Bosque. Ali encontrei duas americanas que estavam fazendo o percurso ao contrário e me perguntaram sobre a subida ao passo. Elas eram precavidas e levavam crampons. Parei para descansar e observá-las naquela subida difícil. Mas enfrentaram numa boa, eram bem fortes. Cruzei todo o vale de pedras, reentrei na mata às 18h e 15 minutos depois atravesso o afluente do Estero El Bosque por uma ponte. Depois de cruzar mais dois riachos chego às 18h40 ao acampamento El Bosque, bem protegido do vento em meio ao bosque de lengas. Acampamento bastante espaçoso porém inclinado, com poucos lugares planos, e todo de terra, nada de grama. Mesmo padrão de mesas de picnic e banheiros. Água abundante do Estero El Bosque ao lado. Aliás água não foi preocupação nesse dia também, assim como no primeiro dia. Mesmo no passo havia várias fontes de água. Nessa noite havia mais seis barracas nesse camping. Altitude de 940m. Do Passo Peñón se vê o Morro Rojo com a Laguna Cerro Castillo à direita 01/02/18 - 3º DIA - do acampamento El Bosque ao acampamento Neozelandês Duração: 8h40 Distância: 13,1km Maior altitude: 1694m Menor altitude: 866m Dificuldade: média pois há bastante subida e descida por pedras soltas A temperatura mínima da noite foi 6,9ºC. A direção geral desse terceiro dia é sudoeste até o mirante da Laguna Cerro Castillo, depois oeste e sudoeste até o acampamento Los Porteadores e por fim norte até o acampamento Neozelandês. Aproveitei o dia ensolarado para fotos das montanhas ao redor do acampamento, como a face leste do Cerro Castillo e outros belos nevados da Cordilheira Castillo. Saí do acampamento às 12h subindo pelo bosque e tendo o Estero El Bosque à minha esquerda, porém em apenas 6 minutos atravesso um de seus formadores através de troncos para reentrar na mata na outra margem. A subida pela trilha me proporciona uma linda visão quando saio do bosque: para a frente o Cerro Castillo e para trás o Passo Peñón. Às 13h28 surge uma espetacular cachoeira à direita, diretamente da geleira do Cerro Castillo. As duas americanas que conheci no dia anterior me alcançaram pois estavam retornando (!?). É que foram até o acampamento Rio Turbio, acamparam e voltaram... Às 13h44 cruzo o rio formado pela cachoeira num ponto mais acima onde não precisei tirar as botas por serem impermeáveis (as americanas tiraram os tênis). Continuo subindo por caminho de pedra (e um pouco de capim) pela margem esquerda do rio que verte da Laguna Cerro Castillo e a vista do Passo Peñón para trás é cada vez mais bonita. Isso e mais a cachoeira foram as primeiras visões impressionantes de um dia repleto de paisagens incríveis. Cachoeira formada pela geleira do Cerro Castillo Parei para lanchar às 14h07 perto de um riachinho e voltei a caminhar às 14h22. Essa seria a última água corrente até o acampamento Los Porteadores. A visão para trás do Passo Peñón fica cada vez mais nítida e posso observar toda a extensão de neve que tive de atravessar no dia anterior. Às 14h33 alcancei o acampamento La Tetera (chaleira ou bule, em espanhol), este sim com um gramadão porém mais "rústico" que os outros, não cheguei a ver se havia banheiro. Já caminhando acima da linha das árvores, a subida continua pelo caminho de pedras e às 14h48 uma linda surpresa: a Laguna Cerro Castillo, de um azul maravilhoso e adornada por diversas cachoeiras que despencam diretamente do Cerro Castillo. Após um tempo de contemplação e muitas fotos encarei a subida de pedras soltas (moraina) ao sul da laguna. Isso após cruzar pelas pedras o riacho que é seu vertedouro. Alcancei o alto às 15h45 e havia mais de 30 pessoas num mirante admirando o lugar. Altitude de 1422m. É que há uma trilha que sobe diretamente de Vila Cerro Castillo a esse lugar, as pessoas fazem isso como um passeio de um dia. E serve como uma rota de fuga em caso de necessidade ou de não haver disponibilidade de mais um dia. Ali no alto portanto a trilha mais marcada era a que vinha da cidade. A trilha da travessia não era tão visível, mas algumas estacas amarelas davam a direção, que era oeste. Antes de continuar, larguei a mochila e caminhei 300m até a borda da montanha para tirar fotos do imenso vale do Rio Ibáñez com a Vila Cerro Castillo abaixo e no horizonte ao sul o Lago General Carrera. Voltei ao mirante, peguei a mochila e segui às 16h08 orientado pelas estacas amarelas. Desci e caminhei pela borda mais próxima à laguna mas depois encontrei a trilha bem marcada e segui por ela morro acima, no rumo oeste. Caminho todo de pedras ainda, neve apenas em pequenas manchas a uma certa distância. As americanas vinham um pouco atrás. Atingi o ponto mais alto às 17h05 e esperei as meninas para descermos juntos. Altitude de 1694m. A visão, além do Rio Ibáñez, Vila Cerro Castillo e Lago General Carrera, agora começa a se abrir para o vale do Estero Parada. Ponto mais alto da travessia Iniciamos a descida às 17h35 e foi com cuidado pois é um caminho todo de pedras soltas também. Uma delas caminhava mais lentamente. Nos orientávamos pelas estacas. Finalmente às 18h33 terminou a ladeira de pedras mas a descida, agora menos inclinada, continua em meio aos arbustos. A visão para o fundo do vale do Estero Parada permite apreciar o majestoso Cerro Palo. Numa bifurcação não sinalizada às 19h tomamos a direita pois a esquerda nos afastaria do acampamento. Em mais 7 minutos reentramos na mata. Numa bifurcação sinalizada às 19h16 tomamos a direita, cruzamos um riacho e chegamos ao acampamento Los Porteadores, pequeno e bastante cheio (contei 11 barracas). Altitude de 872m. As meninas resolveram ficar ali mesmo pois caminharam muito nesse dia, praticamente fizeram dois dias da travessia em um (e com o Passo Peñón nevado no meio). Mesmo esquema de acampamento com mesa de picnic, rio ao lado e banheiro com assento de madeira. Como havia mais 2h de luz natural, descansei um pouco e continuei para o acampamento Neozelandês. Me despedi delas às 19h34 e enfrentei a subida no rumo norte. Mata um pouco mais fechada e a visão de algumas montanhas da Cordilheira Castillo ao fundo. Muitas fontes de água pelo caminho. Cheguei ao Neozelandês às 20h42 e era o oposto do anterior: muito espaço e poucas barracas. Pude escolher um lugar à vontade. Igual aos outros: água bem próxima, mesa de picnic e banheiro. Tudo protegido dentro do bosque de lengas. Nessa noite havia mais seis barracas nesse camping. Altitude de 1146m. Cerro Castillo 02/02/18 - 4º DIA - do acampamento Neozelandês a Vila Cerro Castillo com subida à Laguna Duff Duração: 4h45 (mais 2h ida e volta à Laguna Duff) Distância: 14,3km (mais 4,9km ida e volta à Laguna Duff) Maior altitude: 1445m Menor altitude: 311m Dificuldade: média pois a subida à Laguna Duff é pela moraina (pedras soltas) A temperatura mínima da noite foi 9,5ºC. A direção geral desse terceiro dia é sul até a estrada de rípio e em seguida leste até Vila Cerro Castillo. Deixei a barraca montada e às 9h10 fui conhecer a Laguna Duff. Continuei subindo pela trilha por onde cheguei no dia anterior, que logo sai do bosque, se aproxima do Estero Parada e reentra em outro bosque. Ao sair definitivamente do limite das árvores às 9h32 é hora de enfrentar a longa subida de pedras soltas na direção nordeste. À esquerda (norte) despenca o Estero Parada, que brota da própria Laguna Duff. Do outro lado do vale é possível avistar outras lagunas aos pés do Cerro Punta El Olvido, mas parece não haver trilha marcada até lá. Às 10h13 alcancei a Laguna Duff, na cota dos 1445m. E o queixo caiu de novo. A laguna tem uma cor azul linda e diversos blocos de gelo flutuando. Mesmo assim havia alguns doidos ali com coragem para entrar naquela água congelante. As montanhas de pedra nevadas por todos os lados da laguna também impressionam, formando um cenário magnífico. Foi pra fechar com chave de ouro essa travessia. Cerro Palo e Vale do Estero Parada Às 12h35 estava de volta ao acampamento, almocei, desmontei a barraca e às 13h51 iniciei a descida para Vila Cerro Castillo. Sentido sul sempre até a estradinha de rípio. Voltei pelo mesmo caminho até o acampamento Los Porteadores, onde passei às 15h03, cruzei o riacho ao lado (última água fácil do dia) e tomei na bifurcação a trilha da direita, descendo. O caminho percorre o alto da encosta esquerda do Estero Parada. Às 15h43 passei por uma cerca com placa de bienvenido à reserva, ou seja, estava saindo dela mas ainda faltava muito chão para caminhar. A descida continua e às 16h tenho vista para o Rio Ibáñez à direita. Às 16h09 passo por uma tronqueira e 4 minutos depois me aproximo do Estero Parada. Logo a visão se amplia para a esquerda (nordeste), com o Cerro Castillo e a montanha por onde sobe a trilha que vai da cidade ao mirante da Laguna Cerro Castillo. A trilha continua bem marcada pelo capim, sigo os caminhos mais à direita até que às 16h35 alcanço uma cerca e uma estrada de rípio. Curiosamente há uma placa "recinto privado - no entrar". A cerca tem arame farpado, exceto num ponto onde há arame sem farpa, por onde se deve passar. Na estradinha fui para a esquerda. Essa estradinha de 6,4km corre pelo vale do Rio Ibáñez e é um final inglório para uma caminhada tão empolgante. Não fosse pelos calafates que comi ao longo do caminho teria sido um tédio só. Não passou um carro sequer para eu tentar uma carona. Parei uma vez para descanso e cheguei à entrada da trilha para o mirante da Laguna Cerro Castillo às 18h15. A casinha do guardaparque estava fechada mas o letreiro informava que o desnível é de 1000m. Continuei pela estrada e cruzei a ponte sobre o Arroyo El Bosque (o mesmo do acampamento da segunda noite). Há uma parede de escalada ali e alguns estavam praticando. Às 18h35 estava de volta a Vila Cerro Castillo, encerrando essa maravilhosa caminhada. Altitude de 337m. Laguna Duff Informações adicionais: Ônibus de Vila Cerro Castillo a Las Horquetas Grandes (segundo a tabela do posto de informações turísticas de Vila Cerro Castillo): seg, qua, qui, sex: 7h15, 8h, 11h30, 12h30, 14h30, 16h, 18h, 18h30 ter: 7h15, 11h30, 12h30, 14h30, 18h, 18h30 sáb: 8h30, 11h30, 12h30, 14h30, 17h, 18h30 dom: 11h30, 12h30, 14h30, 18h30 Preço da passagem: CLP 2000 (R$10,70) A entrada no parque custa CLP 5000 (R$27) mas os campings são todos gratuitos. Há guardaparque apenas na casinha em Las Horquetas Grandes e no início da trilha que sobe da cidade para o mirante da Laguna Cerro Castillo. Em Vila Cerro Castillo há pelo menos cinco mercadinhos para compra dos mantimentos para a caminhada. Cartucho de gás não procurei mas acho melhor comprar em uma cidade maior como Coyhaique. Há diversos hostais e também camping. O grau de dificuldade que coloco nos relatos é uma avaliação pessoal e considera que o trilheiro esteja acostumado a caminhadas de vários dias com mochila cargueira. Para um iniciante considere todas as trilhas como difíceis. Para um iniciante que não esteja em boa forma física é melhor procurar trilhas fáceis de um dia para ganhar experiência e condicionamento. Rafael Santiago fevereiro/2018 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
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