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  1. Com a chegada das monções fica difícil de programar uma subida em montanha, além do risco de fortes chuvas ainda convivemos com um grande inimigo que são os raios provenientes das tempestades. Lord e eu havíamos programado uma travessia pelos montes Kama e Gozaisho, porém com o tempo ruim não pudemos levar adiante esse plano, como no dia seguinte Lord não estaria livre para a escalada decidi fazer uma solo, coisa que a muito tempo eu não fazia. Entre seguir o programa do dia anterior e troca-lo, optei por escolher uma montanha onde nunca havia pisado antes, depois de pesquisar decidi subir o Monte Oike, o ponto mais alto da cordilheira de Suzuka, porém isso ainda parecia pouco e sozinho eu poderia seguir um ritmo próprio, então tomei a decisão de atravessar para o Monte Fujiwara, por uma rota pouco frequentada, pelo fato de iniciar em uma região de difícil acesso e uma longa trilha de 20 km. Parti bem cedo rumo a montanha, porém o acesso era um pouco mais difícil do que eu imaginava, depois de rodar um bom tempo por caminhos sinuosos, emburacados e com rochas que rolaram montanha abaixo cheguei em um local que parecia um inicio de trilha, consultei o GPS e descobri estar no ponto errado, porém o acesso ao destino certo estava fechado e se quisesse manter os planos teria que seguir a pé, o que aumentaria a minha caminhada em pouco mais de 1 hora. Sem muita opção decidi seguir assim mesmo, com o intuito de acelerar o passo nos trechos menos íngremes para recuperar o tempo perdido. Estacionei o carro e encontrei uma senhora que sabendo dos meus planos me perguntou se eu conhecia essa região muito bem, diante da minha negativa ela se surpreendeu com a minha coragem, o que me deixou com o pé atras e quase me fez acompanha-la até um pico secundário, porém ela frisou que eu ainda era novo e que aquele caminho não deveria um problema. Depois daquele impasse lá estava eu na trilha, era um trecho para passagem de carro, porém fechado com corrente para impedir o avanço dos mesmos. Algumas placas alertavam para a presença de ursos e dejetos pelos caminho realmente davam a presença deles como certa, como nunca avistei nenhum e com sinos balançando na mochila não me preocupei muito com isso, porém ali sozinho em uma região pouco freqüentada um ataque tanto de ursos quanto de javalis poderia ter proporções letais. Avancei em um ritmo alucinante e quando a subida apertou eu já estava morto de cansaço, sempre sofro um pouco nesses trechos iniciais e o calor misturado a alta umidade no meio da floresta me fizeram refletir se eu conseguiria concluir aquela trilha. Continuei subindo com afinco e logo o organismo se acostumou ao ritmo melhorando a sensação de mau estar. Alcançando uma crista, e consultando o mapa verifique que seguindo por ela era possível ascender ao Monte Oike, então retracei o trajeto e rumei crista acima. A crista arborizada trazia um ar fresco e me protegeria do sol por um longo período, em um caminho sem dificuldades alcancei um pico secundário, dali se podia avistar um tartarugão que era o Monte Oike, visivelmente o caminho até o topo parecia não ser fácil, mas havia uma trilha marcada que levava até um trecho rochoso e era exatamente por ali que eu deveria seguir, nesse momento decidi que se não conseguisse alcançar o cume dessa montanha até as 10 horas abortaria atravessar para outra e retornaria pelo mesmo caminho. Cheguei ao trecho rochoso e a visão era exuberante, quando algumas pessoas me perguntam se eu não tenho medo desses trechos eu foco minha visão nessas imagens e o medo se transforma em euforia, claro o medo tem que existir, mas apenas para que você faça as coisas com prudência e não que deixe de fazê-las por conta dele, apenas fazendo essas coisas que você conhece melhor os seus limites e desta forma acaba aprendendo o que pode e não pode fazer. Passado o trecho rochoso já se alcança o topo da montanha, porém o caminho até o cume é bem longo passando por uma extensa planície com muitas rochas e vegetação rasteira. Caminhando por este trecho pude visualizar o pico do Monte Fujiwara que parecia bem distante, ao longo do horizonte montanhas ainda nevadas como os Montes Ontake e Haku davam o ar da graça, devido ao dia limpo e sem nuvens. Conforme programado as 9:55 consegui atingir os 1247 metros do Monte Oike, fiz o meu primeiro descanso do dia e observei a paisagem local que com muitas rochas e arvores secas lembraram a caatinga brasileira. Depois de 15 minutos no local resolvi retornar minha jornada pois ainda faltava muito, a retomada da trilha que seguia para o Monte Fujiwara era um pouco confusa, me perdi e tive que descer um pedaço por uma canaleta com muita lama, mas no final consegui retomar a trilha certa. A paisagem que ligava as duas montanhas era um pouco diferente do que eu havia imaginado, ao invés da vegetação rasteira uma mata fechada tomava conta de tudo, fiquei confuso em diversos trechos até encontrar a crista que liga as duas montanhas, nesse momento retomei a subida e passei a enfrentar outro problema, caibras, os meus dedos começaram a arquear para baixo e isso indicava que depois de ter forçado tanto o ritmo precisava de um descanso. Me sentei ali no meio da trilha mesmo, depois de alguns minutos um senhor passou por mim, então resolvi retomar o caminho seguindo o ritmo dele, pra minha surpresa ele era muito mais rápido do que eu imaginava e com a perna ainda meio travada tive dificuldade em o acompanhar até que ele parou pra descansar, parei e conversei com ele que me disse que já iniciaria a descida pois já havia feito cume no Monte Oike, ele se impressionou com meu longo trajeto, me desejou sorte e segui em frente. Depois de mais um tempo de subida cheguei até um ponto que eu já conhecia, o local com torres de eletricidade por onde iniciamos a descida no ultimo inverno, dali até o cume do Fujiwara eu seguiria pelo mesmo caminho que havia feito, porém dessa vez sozinho e com uma paisagem completamente diferente tive a impressão de nem conhecer aquele local, o trajeto até um pico secundário que estava na programação seguiu sem problemas e o difícil mesmo foi sair dali e rumar para o abrigo onde havia programado o almoço. O mato ficou alto e a trilha foi sumindo, rodei pra lá, pra cá e nada, consultei o GPS e resolvi fazer um caminho alternativo, segui por uma crista e cai em um vale extremamente íngreme, decidi não amolecer e encarar logo aquela subida, porém meu estado físico já não era o mesmo, o joelho direito estava com uma dor aguda, comecei a usar o bastão de caminhada mas logo o joelho esquerdo também abriu o bico, me esforcei ao máximo mas uma hora sucumbi ao desgaste físico e tive que sentar. O abrigo não estava longe e a subida já havia terminado, porém faltava perna, creio que isto tenha servido muito bem para eu estudar o meu próprio limite. Depois de alguns minutos sentado percebi pela primeira vez a presença de um ser incomodo, sanguessugas, mesmo sem muita condição peguei minhas coisas e me mandei, depois de tudo que passei ainda ter que enfrentar sangramentos era demais para um dia só. Quando saí da mata fechada soprava um forte vento, nuvens negras se formavam rapidamente e a chuva que não estava programada parecia iminente, avistei o abrigo e rapidamente disparei em sua direção, na chegada antes que eu arrastasse a pesada porta ela se abriu, um homem de meia idade já estava deixando o local que então passou a contar apenas com a minha presença. Extremamente cansado e com o estômago meio revirado me alimentei mau, não que a comida estivesse ruim, pois levei um marmitão preparado com todo carinho pela minha esposa, mas depois de consumir tanto liquido e ficar exausto, não havia nada que eu quisesse devorar. Enquanto estive no local uma fina chuva caiu de leve e logo o tempo se abriu, então decidi partir mesmo cansado pois já estava prevendo que enfrentaria dificuldades na descida. Depois de uma leve descida comecei a subir a rampa que leva ao cume do Monte Fujiwara, no caminho encontrei 3 mulheres que retornavam do mesmo, segui em um ritmo bem forte, porém tive que fazer pequenas paradas. Já passava das 13:30 quando finalmente cheguei ao topo, como programado eu havia chegado ao meu segundo objetivo, parei para fazer algumas fotos e logo retomei o caminho pois o pior ainda estava por vir, a descida. Com uma certa dificuldade consegui chegar na crista oeste, um mato muito alto tomava conta de tudo e tive que desviar o caminho andando lateralmente em um trecho extremamente íngreme, depois dali era só descer rasgando até encontrar o rio, mas não foi tão fácil, aos poucos a crista foi virando uma floresta fechada e várias bifurcações deixavam a trilha bem confusa até que finalmente errei o caminho, chequei minha posição e tomei a errada decisão de continuar descendo até chegar ao rio. As trilhas foram feitas para serem seguidas e quando tentamos inventar em uma região que desconhecemos as chances de sucesso são pequenas, apesar de logo ouvir o barulho do riacho e conseguir avista-lo, chegar até ele não foi uma tarefa das mais fáceis, porém com a ajuda de diversos troncos de pinheiro caídos pelo caminho consegui vencer aquele trecho acidentado. Devido as fortes chuvas que antecederam a travessia, as margens do riacho não apresentavam boas condições e para piorar o meu caminho errado me faria andar mais tempo marginando ele, ficou aquele pula pra lá e pra cá e minhas pernas não aquentavam mais, o riacho havia ganhado status de rio e tive que começar a adentrar na água. Muito cansado decidi entrar na mata que marginava o rio, porém sem trilha e um caminho muito difícil desisti ao avistar um enorme cervo macho descendo em minha direção, por mais que eles costumam não atacar humanos preferi não hesitar contra um animal com chifres enormes. Mais um tempo sofrendo naquelas margens e finalmente encontrei o abrigo da Universidade de Nagóia, o local estava abandonado e com garrafas de saque espalhadas pra todo lado, o que indica que os estudantes costumam fazer outra coisa além de pesquisa de campo. Me sentei na porta do abrigo e consultei minha posição, mesmo sem condições físicas decidi partir pois o relógio já passava das 15 horas, então atravessei o rio dei de frente com um barranco. Observei bem aquele trecho para achar a entrada da trilha, estava extremamente confusa e quando achei algo que parecesse uma adentrei na mata. Realmente aquela era a trilha, mas bastou andar 5 minutos e o caminho novamente se tornou confuso, diversas cristas se dividiam em uma íngreme subida, todas levariam até a crista principal que era meu objetivo, então tive que optar por uma e em um dia daqueles é claro que escolhi o caminho errado. Quando me dei por conta do erro que havia cometido eu já havia subido um longo trecho, meu raciocínio me mandou voltar, mas as pernas não deixaram, continuei subindo já em ritmo de exaustão, a cada clareada na mata eu acreditava estar chegando na crista, porém era apenas ilusão de quem esta muito cansado. Com aquele caminho eu cairia em um trecho da crista mais acima do programado, o que além de me fazer subir mais, novamente aumentaria minha jornada. Quando cheguei àquela crista parecia nem acreditar, com uma sensação de alívio comecei a descer tranquilamente, afinal já havia passado ali e nada mais poderia dar errado, leso engano. Aos poucos comecei a perceber que o caminho estava estranho, não só estava estranho como estava errado, a crista havia bifurcado sem que eu percebesse e eu estava indo em direção a um outro rio, ao invés de seguir para uma ponte que atravessaria o mesmo. Muito cansado olhei para cima e desisti de voltar, pensei em segui até o rio e margina-lo até a ponte, o objetivo não estava longe porém aquele caminho ganhou uma dificuldade que eu não havia enfrentado até então. Muitas rochas e lama em um trecho íngreme, parar em pé parecia impossível, varias rochas começavam a se soltar assim que eu me apoiava nelas, decidi voltar mas já era tarde, após uma pedra se soltar cai de cara, por sorte na lama se tivesse sido em uma rocha o final poderia ter sido diferente. Sem saber o que fazer observei que havia uma canaleta a minha direita, me arrastei até o local que deveria chegar até o rio, então comecei a me arremessar naquela fenda ganhando 3, 4 metros a cada investida. Desta forma rapidamente eu alcancei o rio, claro que com muitas escoriações mas finalmente eu poderia beber água, coisa que eu não fazia a mais de uma hora pois além da minha reserva ter acabado o outro rio estava com a água muito turva para ser coletada. Só depois de matar a sede é que me dei conta de onde eu estava, havia uma barragem e placas de perigo indicavam que o local não era amistoso, mas eu não possuía outra alternativa, subi o muro de mais de 2 metros que do outro lado devia ter uns 7 metros, consegui descer coma ajuda de rochas que estavam escoradas na margem da barragem, depois disso ainda enfrentei mais duas dessas barragens até que finalmente avistei a ponte que era meu objetivo. Retomei a trilha com muito alívio, pois afinal dali em diante era praticamente impossível se perder, então andando por um caminho suave a expressão de cansaço da lugar a um sorriso de satisfação e me fez pensar em todo o trajeto daquele dia, as dificuldades, os erros, e o que leva uma pessoa a se arriscar passar por isso, creio que isso não tenha resposta, mas uma mescla de tudo é o que alimenta o meu desejo se estar cada vez mais em cima de uma montanha. ***Mais fotos no Blog: http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/08/travessia-monte-oike-monte-fujiwara.html Vídeo
  2. Nesta postagem vou abordar a conquista dos 7 cumes de Suzuka, uma meta alcançada 13 meses após eu estabelece-la, e que me dá força e inspiração para almejar e buscar novas conquistas. Tudo começou em março de 2012, quando comecei a pegar gosto pela coisa e buscava uma montanha em que pudesse me aventurar sozinho sem correr maiores riscos, com isso após pesquisas descobri quais eram estas montanhas e as melhores rotas para se alcançar seus cumes. A Cordilheira de Suzuka se localiza na divisa entre as províncias de Mie, Shiga e uma pequena parte no Sul da província de Gifu. Com uma área de 298 km2 , essa cadeia de montanhas não é constituída apenas de 7 montanhas, porem as "Sete" são as mais famosas e mais visitadas, tanto por esporte, quanto por turismo e religião. O seu ponto mais alto fica no topo do Monte Oike 1247m, e que curiosamente nem faz parte das 7 mais famosas montanhas. O local também é conhecido por ser um Parque Nacional de mesmo nome, que protege tanto as florestas da região quanto as várias espécies de animais que nela habitam. Um desses animais é o Kamoshika, um tipo de caprino que apesar do nome "shika", veado em japonês, mais se assemelha a um bode ou carneiro. Esse animal também influenciou a região, "Suzu-ka" que significa sino do veado, deu o nome à cordilheira e posteriormente à cidade que se tornou famosa pela Fórmula 1. As montanhas que compõem esse seleto grupo são, Monte Fujiwara 1140 m, Monte Ryu 1099 m, Monte Shaka 1092 m, Monte Gozaisho 1212 m, Monte Kama 1161 m, Monte Amagoi 1238 m e Monte Nyudo 906 m. Outros picos que merecem destaque são, Monte Ryozen 1094 m, Monte Oike 1247 m, Monte Watamuki 1110 m, Monte Nihonkoba 934 m, Monte Sen 961 m, além de dezenas de outros picos abaixo dos 900 metros. Na sequencia seguem coletâneas de imagens dessas travessias com seus respectivos relatos. Monte Gozaisho Essa foi a primeira desse grupo que me aventurei, com trilhas bem demarcadas e um movimento constante de pessoas, essa foi uma montanha que me ensinou muito, passei calor, frio e acabei culminando nela por 3 vezes, sendo uma vez acompanhado de minha filha com apenas 10 anos na época. Relatos: Monte Gozaisho - Outono http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/06/monte-gozaisho-primavera.html Monte Gozaisho - Congelando na Montanha http://nandosilvauptothelimit.blogspot.com/2012/07/monte-gozaisho-congelando-na-montanha.html Monte Gozaisho e a Princesa da Primavera http://nandosilvauptothelimit.blogspot.com/2012/11/monte-gozaisho-e-princesa-da-primavera.html Monte Kama Essa foi adrenalina pura, depois de 2 cumes no Monte Gozaisho decidi experimentar outra montanha, por acaso descobri esses tais 7 cumes e escolhi o Monte Kama, a montanha do lado, sem mapa, gps ou qualquer outro tipo de orientação adentrei na montanha apenas seguindo a trilha, é claro que me perdi, mas no final tudo acabou bem e ainda acabei retornando como debutante no Suzuka Hiking Club. Relatos: Monte Kama e as 7 Montanhas de Suzuka http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/08/monte-kama-e-as-7-montanhas-de-suzuka.html Monte Kama e as Sanguessugas http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/12/monte-kama-e-as-sanguessugas.html Monte Nyudo Essa foi uma montanha que me surpreendeu, com apenas 906 metros tudo indica que é muito fácil de escala-la, não que seja difícil mas o fato de encarar 700 metros diretos para cima deixam qualquer um com a língua nos pés. Depois de uma ascensão solo, ainda retornei com o Suzuka Hiking Club para uma subida na neve, fato que não se concretizou devido a ausência da mesma. Relatos: Monte Nyudo e as Azaléias http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/11/monte-nyudo-e-as-azaleias.html Monte Nyudo e os Deuses da Montanha http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/02/monte-nyudo-e-os-deuses-da-montanha.html Monte Amagoi Um pouco mais experiente, consegui arrastar dois malucos brasileiros para essa montanha, o desempenho foi razoável e pudemos apreciar uma exuberante paisagem de outono. Posteriormente eu retornei com o Suzuka Hiking Club para uma ascensão pelo lado inverso, com um caminho muito mais longo e mais difícil. Relatos: Monte Amagoi e os Três Montanheiros http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/01/monte-amagoi-e-os-tres-montanheiros.html Monte Amagoi e o Deus Dragão http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/04/monte-amagoi-e-o-deus-dragao.html Monte Shaka Depois de não encontrar neve no Monte Nyudo, Lord e eu decidimos escalar essa montanha no dia seguinte e encontramos toda neve que faltou no dia anterior, uma tremenda cagada, encaramos um paredão vertical de 200 metros que mais tarde descobriríamos ter sido responsável por alguns óbitos, e a montanha ganha cada vez mais fama de assassina, com mais um desaparecimento no último mês de maio. Relato: Monte Shaka - O Inferno Branco http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/02/monte-shyaka-o-inferno-branco.html Monte Fujiwara Mais cume na neve, desta vez liderado por Taro do Suzuka Hiking Club, uma travessia longa e cansativa, porém muito divertida com ótimos companheiros. Recentemente eu retornei a montanha, mas o relato fica pra depois. Relato: Monte Fujiwara - Travessia Invernal http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/03/monte-fujiwara-travessia-invernal.html Monte Ryu A última montanha que me restava veio acompanhada de ótimos parceiros, se o desempenho e o tempo não ajudarão, por outro lado a diversão foi garantida. Apesar dos contra-tempos e o risco de ter que abortar a subida, o objetivo foi alcançado e minha meta estava completa, estive com os pés nos pontos mais elevados das 7 Montanhas de Suzuka. Relato: Monte Ryu - A Montanha do Dragão http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/05/monte-ryu-montanha-do-dragao.html Novo objetivo? É claro que já tracei, alcançar o cume das 21 montanhas com mais de 3000 metros do arquipélago japonês, ainda faltam 19 mas eu não tenho pressa, pode demorar 20, 30 anos mas podem ter certeza que vou buscar essa meta.
  3. Feriadão no Japão e eu e o Lord nos preparávamos para mais ascensões, a ideia era de subir duas montanhas em dois dias, porém o tempo acabou não ajudando e ficamos apenas com 1 dia de tempo bom. Afim de concluir os 7 cumes de Suzuka, escolhi o Monte Ryu, ou Ryugatake em japonês, com 1099 metros de altitude esse era o último cume dos 7 que me faltava e com isso concluiria uma das minhas metas. Como essa montanha parecia não ser muito exigente, convidei Juquinha que outrora já havia manifestado o desejo de subir conosco, ele aceitou de imediato, então foi só passar as coordenadas para que ele se preparasse melhor e evitasse surpresas. Com a chuva do dia anterior e uma frente vinda do Norte, alertei que ele estivesse preparado para temperaturas abaixo de 5ºC e ventos de mais de 50 km/h. No dia marcado partimos logo cedo em direção ao Vale Uga na cidade de Inabe, onde a partir de um Camping se iniciam diversas rotas rumo ao topo da montanha. Tracei uma rota que seguia por um vale passando por cachoeiras, alcançando uma crista e seguindo por ela até o cume, continuando por ela para iniciar a descida, porém como imprevistos acontecem logo na entrada do Camping tive que mudar tudo que havia planejado. Conhecemos o Sr. Sakura, que cuida do Camping e orienta os montanhistas sobre as rotas, mostrei a ele o meu mapa com a rota traçada e ele me disse que estava desatualizado, a rota de subida não poderia ser seguida devido a erosão no local, a de descida ele desaconselhou, por isso aceitamos a sugestão de subir por uma crista central, perguntei sobre outra rota para a descida que também possuía cascatas, ele disse que não era uma boa devido a chuva mas também poderia ser utilizada. O ponteiro do relógio mau tinha atingido o número 8 e já estávamos com o pé na trilha, a caminhada começou leve e passamos por duas grandes pontes que facilitaram a travessia dos riachos, aliás a bela estrutura do lugar chama atenção, não é atoa que temos que pagar para entrar, porém uma pechincha de cerca de 2 dólares, bem pagos devido as facilidades que encontramos, principalmente na parte baixa da montanha. Duas mulheres haviam partido um pouco antes de nós, e viemos a encontra-las assim que a trilha ficou confusa, duvidas para todos os lados até que encontramos a placa que direcionava para a crista. Começamos a ganhar altitude rapidamente e Juquinha começou a pedir água, descansamos um pouco e partimos mas novamente ele começou a se queixar, uma das mulheres que seguiam na frente também parecia estar com o mesmo problema e as passamos e fomos ultrapassados por diversas vezes. O cara reclamou tanto em certo ponto que parou até para soltar um barrão, expondo o seu traseiro branco para os animais da floresta. Eu tentava incentivar mas ele já estava dizendo que eu queria era engana-lo, pois seria difícil até o fim. Fui puxando o ritmo com paciência, mas se dependesse dele ficaríamos uns 3 dias na montanha. Lord vinha seguindo atras sem reclamar das paradas, aliás acho até que ele começou a gostar do ritmo mais ameno. Fomos saindo da mata e com isso a crista se tornou rochosa, nada de grande dificuldade, mas pra quem já estava com a língua no pé, ficou um pouco pior. Já próximo de 1000 metros, um forte vento começou a soprar, uma névoa tomou conta do pico e indícios de que uma chuva poderia chegar. A temperatura baixou e paramos pra nos agasalhar, já não havia mais Sol e a névoa dominava a paisagem, enquanto isso as duas mulheres vinham descendo, elas estavam abortando o ataque por conta da mudança no tempo. Nessa hora combinei com meus companheiros que não era hora de corpo mole, deveríamos apertar o passo para chegar ao cume antes da chuva, pela minha experiência parecia que não choveria, mas a possibilidade existia e era bom não ignora-la. Comecei a forçar o ritmo quando alcançamos a crista que leva ao cume, nesse momento o vento era tão forte que chegava a jogar o corpo de lado, Juquinha novamente sentiu o peso nas pernas e acabou sentando em meio aquele vendaval, eu disse que o cume estava próximo, mas ele disse que eu esta dizendo isso desde que começamos. Não demorou muito e lá estava eu no topo do Monte Ryu, que significa Dragão, desta vez tive um gostinho especial, afinal eu havia alcançado os 7 cumes da cordilheira de Suzuka, alguns instantes depois e lá estavam meus companheiros juntos a mim, Juquinha estava exausto mas não dava para descansar muito ali em cima, o vento que segundo o próprio Juquinha era de 200 km/h, mas não passava de 55 km/h, fazia a sensação térmica se tornar negativa, por isso mau tivemos tempo de relaxar e já estávamos na descida. Na saída do topo com uma visibilidade muito ruim entrei em uma rota que o Sr. Sakura não havia recomendado, Juquinha ainda me alertou se era por ali mesmo, não era, porém na minha cabeça já estava programado que era e acabamos descendo pelo caminho errado. Era uma crista extremamente íngreme e aproveitei para correr para baixo fugindo do topo pois as nuvens começaram a trazer gotas de água. Esperávamos por um bom lugar para almoçar, mas o lugar era tão íngreme que tivemos que andar quase uma hora para enfim descansar. Na ausência de um local decente para parar, acabamos parando em um lugar com grandes rochas pois pelo menos era possível sentar. Ali sentados saboreando os nossos "deliciosos" cup lamen e jogando conversa fora observávamos as grandes rochas que se postavam bem acima de nós e com qualquer movimento poderiam nos esmagar, mas felizmente todas mantiveram-se quietinhas em seus lugares. Continuamos a descida e avisei a eles que faríamos apenas mais uma parada, continuamos descendo em um ritmo acelerado e logo alcançamos um vale, o caminho por ali seria longo porém sem dificuldades. Conforme o Sr. Sakura havia alertado que alguns pontos estavam meio ruins, muita erosão de rocha mas sem comprometer a trilha que ainda possuía uns paredões com grampos, em locais onde foram construídas barragens para conter o avanço da água. Ao final dessa rota eis que encontramos as 3 cascatas prometidas, além de reencontrar a rota por onde havíamos subido, assim retornando sem dificuldade ao nosso ponto inicial. Juquinha? Bom pelo tanto que ele reclamou na subida até me surpreendeu seu ótimo desempenho na descida, além do seu humor que também estava ótimo, quem sabe descobrimos um novo montanhista para nos acompanhar. Mais fotos nos Links: Blog:http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/05/monte-ryu-montanha-do-dragao.html Facebook:http://www.facebook.com/media/set/?set=a.645663342117486.1073741826.100000214779467&type=1&l=1619c5b7f1 Youtube:
  4. Uma programação de última hora incluiu no mês de abril uma escalada ao Monte Sen, ou Sengatake em japonês, com 961 metros de altitude, essa é maior elevação de cidade de Kameyama e fica localizada no Sul da Cordilheira de Suzuka. Eu já havia cogitado subir essa montanha no último outono, o que acabou não se concretizando, por isso achei uma boa oportunidade para conhece-la. Minha ideia era de levar minha filha Kaori junto, por isso consultei o líder Taro para saber se a rota era tranquila, ele me informou que a trilha era variável e se ela não tivesse medo de altura não haveria problema. Com tudo preparado, no dia anterior a escalada recebo o e-mail de confirmação onde ele informava que o terreno era íngreme, além de possuir rochas e cachoeiras. Isso me deixou um pouco com um pé atrás com relação a Kaori, porém como em montanha Taro tem a minha total confiança, imaginei que ele sabia bem o que viria pela frente, e estaria preparado para qualquer contratempo. No dia marcado nos encontramos no pé da montanha em um vilarejo de Tanada, tipo de plantação de arroz em degraus, aguardamos em um estacionamento enquanto um grupo foi levar 2 veículos para fazer o resgate de volta, nesse caminho eles acabaram se perdendo, o que nos fez aguardar por mais de uma hora sob uma brisa gelada e consequentemente acabou atrasando um pouco o inicio da subida. A trilha começou em um ritmo bem leve, praticamente um passeio no bosque, caminhamos uns 20 minutos até que saímos daquela trilha e adentramos em uma rota pouco usada, neste trecho enfrentamos uma descida íngreme e atolamos muito em uma mistura de folhas, galhos e lama. Depois daquela descidinha desagradável alcançamos uma corredeira, e era por ela que seguiríamos por um longo período. Depois de muito atravessar de um lado para o outro chegamos em uma cascata, paramos para descansar com a bela paisagem e o som da água correndo. Taro chamou Kaori e lhe colocou um cinto de escalada, daquele ponto em diante ela seguiria encordada, o problema é que logo de cara teríamos que subir a cachoeira lateralmente, Taro subiu com a corda mas desistiu e alterou um pouco a rota que continuou difícil e algumas pessoas ficaram presas no meio, no final quem já estava no meio teve que seguir e um outro grupo precisou desviar o caminho. Nós desviamos o caminho e não sei o que foi pior, demos uma volta subindo e depois tivemos que descer um trecho íngreme e escorregadio até encontrar o resto do grupo. A partir daquele ponto não tivemos mais vida fácil, a subida se tornou difícil e tive que ir puxando Kaori por uma corda, o que aos poucos foi me deixando exausto. Com os contratempos e atrasos, Taro decidiu antecipar o local do almoço e paramos assim que alcançamos um vale mais aberto, porém ele mudou de ideia e decidiu seguir mais um pouco e parar em um pico que já estava próximo. Seria perto não fosse a pirambeira que tivemos que enfrentar e assim que alcançamos a crista ainda teve um trecho com correntes para vencer as rochas que levavam ao topo do pico. Photo byTaro - Suzuhai Aquele pico não era o que se pode chamar de muito aconchegante e acomodar 10 pessoas no local não foi tarefa muito fácil. Ficamos ali por cerca de 40 minutos e apesar da temperatura agradável o Sol incomodava um pouco, a vista fantástica que se teria no local para mim foi substituída por uma enorme rocha postada a minha frente, que além de cobrir minha visão, ainda bloqueava a agradável brisa que soprava. Com baterias recarregadas veio a crista rochosa que parecia infinita, a cada nova elevação Kaori me perguntava se aquele era o topo da montanha, mas para o desanimo dela este demorou a vir. Aos poucos o grupo foi se dispersando, para ela começou a faltar perna e para mim braço para puxa-la, mas a vida na montanha é assim, você se esforça para receber um premio e ele vem em forma de cume, desta vez não foi diferente e apesar da dificuldade lá estávamos nós. Photo byTaro - Suzuhai Kaori estava feliz e exausta, paramos para descansar um pouco mas a desvantagem de seguir no pelotão de trás é que você sempre vai descansar menos que os outros. Desta vez pelo menos o caminho de volta seria mais curto, porém para alcançar os carros que fariam o resgate teríamos que atravessar para a montanha do lado. Continuamos seguindo pela crista e palavras de incentivo já não faziam mais efeito para ela que sentava cada vez que alguém parava para observar a paisagem ou fotografar. Desta vez carreguei peso dobrado e ainda fiquei com sede, pois tive que ceder toda minha água para que ela se mantivesse firme, ao final da crista nova subida para alcançar a pista, creio que pra ela foi o trecho mais difícil, tivemos que parar 3 vezes e cheguei lá em cima com a língua no pé, pois usei todo gás que me restava para ajudar ela a subir. Photo byTaro - Suzuhai Exausto fiquei largado na pista enquanto foram buscar os veículos, então me lembrei que havia um bolo de fubá que minha esposa havia preparado na mochila e carreguei desnecessariamente por toda a travessia, distribui para todos e não conseguia explicar do que era feito aquele bolo, mas isso não importa, o importante foi que acabamos fazendo um lanche da tarde ali mesmo sentados no canto da pista. Ao final seguimos para o estacionamento e Kaori indagada se voltaria para novas investidas me surpreendeu respondendo que sim, eu estava imaginando que ela nunca mais ia querer olhar para uma montanha. O mais impressionante é que no dia seguinte eu estava com dores até no cabelo enquanto ela estava inteira, sem qualquer fadiga. Que venham muitas outras montanhas pela frente! ***Mais fotos nos Links: Blog:http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/05/monte-sen-o-retorno-da-princesa-da.html Facebook:http://www.facebook.com/media/set/?set=a.637522286264925.1073741825.100000214779467&type=1&l=a633381cfc Youtube:
  5. Com a finalidade de concluir os 7 Cumes de Suzuka, eu havia prometido pra mim mesmo que não repetiria escalar a mesma montanha por pelo menos 6 meses, porem quando surgem boas oportunidades de uma nova travessia não podemos ignorar. Foi exatamente o que acabou acontecendo e o calendário do Clube acabou me empurrando para uma nova travessia no Monte Amagoi. Takeyan faria sua estréia como líder do Suzuhai e propôs uma rota bem interessante que acabou me seduzindo. A subida começaria do lado totalmente oposto ao que eu já havia subido, encarando uma grande crista e chegando ao pico sul da montanha, onde eu ainda não havia pisado antes, em seguida rumando para o pico principal, atravessando pela face norte e iniciando a descida. Durante a semana a previsão do tempo ameaçou a travessia e no sábado ainda indicava a possibilidade de chuva, porém como todos os participantes concordaram em subir com aquela previsão, todo o planejamento foi mantido. As 7 horas de domingo nos encontramos no Camping Uga e seguimos em apenas dois carros por um trajeto de serra que demorou cerca de 1 hora até a entrada da trilha, e ao contrário do que acontece com a rota do outro lado quando começamos acima dos 800 metros, dessa vez iniciaríamos abaixo dos 500 metros. Logo na entrada da trilha uma placa de ¨boas vindas¨ indica para se tomar cuidado com a presença de ursos, a trilha segue um bom trecho aberta, pouco íngreme e sem obstáculos, esse caminho era usado no período Edo (1615-1868) e fazia a ligação entre a antiga capital Kyoto até a cidade de Nagoya e o leste do arquipélago. Uma região também marcada por conflitos pois os 2 maiores clãs ninja, Iga e Kouga faziam divisa com essas montanhas. Quanto esse caminho leve termina, adentramos em uma floresta com diversas arvores centenárias gigantescas, então seguimos beirando uma pequena corredeira que com o caminho pra lá e para cá foi responsável por alguns acidentes. Quando a água termina entramos em um grande vale com um visual espetacular, mais alguns metros de caminhada e nosso sossego terminava, era hora de subir e olha que subida! Para alcançar a crista encaramos mais de 300 metros verticais, além de íngreme, sem descanso. Nesse momento a diferença física valeu muito, o pessoal mais acostumado a montanha disparou na frente, eu fiquei sozinho no meio enquanto Gabi e You vinham lá atrás com muita dificuldade sendo amparadas por Taro. Depois de muito suor a recompensa, chegamos a bela crista que possui uma paisagem exuberante, onde é possível observar diversos picos como os montes Watamuki e Kama, além claro o cume do Monte Amagoi. Depois de um breve lanche retomamos a subida seguindo a crista, encaramos um trecho de campo livre, um pouco de rocha, e de repente entramos em uma mata de capim muito alto, onde a ordem era seguir pra cima e se orientar com os gritos dos outros. A situação realmente ficou feia nesse trecho, em meio a um capim de 2 metros com lama e neve teve gente que se desesperou, mas logo alcançamos o pico Sul da montanha e fizemos nossa parada para o almoço. Ficamos cerca de 1 hora parados e depois do almoço ainda teve quem tirou um cochilo. Sem vento algum a temperatura estava agradável, porem o sol parecia querer tostar os presentes. Depois do descanso era hora de chegar ao cume e tivemos novamente aquele capim maldito como obstáculo, com a diferença que agora tínhamos muita neve mole nos pés. Depois de romper o capim ainda tivemos que vencer algumas arvores com galhos muito baixos para finalmente chegar ao cume, e lá estávamos nós nos 1238 metros da montanha. Do pico principal se tem uma bela visão do pico Leste que aliás é mais visitado, parece tão perto que quem nunca esteve presente no local sugeriu ao líder que fossemos até lá, porém Takeyan decidiu não comprometer o nosso tempo mantendo o planejamento inicial. Na saída do cume observamos o lago Amagoi, que mais parecia um mangue de gelo e neve, alias na outra ocasião que estive ali nem havia notado a presença do mesmo. Segundo uma lenda da região é ali naquele pequeno lago no topo da montanha que ¨vive¨ o Deus Dragão, ou Ryujin em Japonês, o dragão no Japão está relacionado com corredeiras e cachoeiras e em certa época de seca, foi feita uma prece pelos agricultores da região para que Ryujin mandasse água para eles, daí também saiu o nome da montanha, os ideogramas de Ama e goi representam uma prece por chuva que seria enviada pelo Deus Dragão. Depois da aula de mitologia seguimos para face norte da montanha, com neve no caminho a coisa ficou um pouco mais difícil, como não seria um trecho tão longo de neve decidi não colocar os crampons e me dei mau, depois de um escorregão tentei desviar o corpo para não atingir outra pessoa e comecei a deslizar sem parar, tentei em vão abraçar a neve que não estava tão mole assim naquele trecho, então percebi o galho de uma arvore tocar minha cabeça e por sorte consegui me agarrar a ele. Foi difícil me colocar novamente de pé e normalizar a respiração depois de um susto daquele, por sorte deslizei pouco mais de 10 metros mas poderiam ter sido mais de 100 metros e sabe-se lá quantos ossos quebrados. As pernas ficaram bambas e terminei aquele trecho com muita dificuldade, por mais que os outros repetissem exaustivamente para que eu me mantivesse mais ereto o meu corpo agora com medo parecia não querer obedecer. Com o fim do trecho de neve fizemos nova parada, em um local indicado para acampamento haviam meia dúzia de mochilas cargueiras largadas no local, seus donos provavelmente estavam rumo ao cume e imaginem largar os equipamentos dando sopa assim em alguma montanha da América do Sul. Daquele trecho em diante seguimos muito rápido pra baixo até encontrar uma corredeira e fazer uma nova parada, dessa vez com direito a chá da tarde. Seguindo novamente para baixo, encontramos o caminho de onde havíamos iniciado a subida e agora na volta aquele longo caminho parecia infinito. Aproveitei para dialogar em espanhol com Gabi que queria saber mais informações sobre o Brasil, onde ela pretende visitar um dia. Terminada a trilha era hora de voltar pra casa, mas antes paramos em uma vinícola famosa da região onde quase todos compraram vinhos e os levaram para relaxar em seus lares.
  6. Este relato foi o que inaugurou o meu blog, http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/05/desde-que-cheguei-ao-japao-em-2007.html a aventura ocorreu em agosto de 2011, fico devendo mais fotos, quem ler o relato vai entender o porque... Desde que cheguei ao Japão em 2007, sempre tive a curiosidade de explorar o Monte Fuji, alem de ser a maior montanha do arquipélago é também uma das mais belas e famosas montanhas do mundo. Inspirado em um grupo de parentes e conhecidos que se aventuraram na montanha, eu também decidi que iria subir. Eles foram com uma turma durante um feriado e devido ao trabalho não pude ir junto, na volta muito cansaço e historias principalmente dos que foram vencidos pelo mal da montanha e não alcançaram o cume. Tudo isso me deixou muito excitado e duas semanas depois eu estava com um roteiro e a mochila pronta afim de subir a montanha sozinho. Minha esposa foi totalmente contraria a ideia, afinal nem montanhista eu era e subir sozinho uma montanha de quase 4 mil metros não é pra qualquer um. Mas eu não estaria sozinho, afinal estávamos na temporada de subida que é nos meses de Julho e Agosto e 400 mil pessoas se aventuram na montanha todos os anos, sendo que metade atinge o cume. Me programei pra ir num sábado dia 20 de agosto, subir no final da tarde, atingir o topo no começo da madrugada, esperar ao relento até o sol nascer e então iniciar a descida. Bom, como as coisas nem sempre funcionam como o previsto um dia antes a previsão apontava chuva para o Japão todo e na montanha havia possibilidade de neve. Isso me deixou muito desanimado mas como haveria somente mais um fim de semana pro fim da temporada decidi que iria assim mesmo. As 9 horas da manha de sábado iniciei a viagem, o tempo estava nublado e úmido alem do calor infernal que é o verão japonês e a media de temperatura naquela semana beirava os 35ºC. Depois de viajar 4 horas por 2 trens expressos e 1 trem bala cheguei até a estação Shinfuji, de onde parte um ônibus coletivo em direção a estação 5 na montanha. Nesse ônibus partimos eu e mais 2 corajosos, depois de mais duas paradas totalizamos 10 pessoas que chacoalharam por 2 horas naquele veiculo desconfortável por um caminho sinuoso paisagem fechada e para desanimo de todos a tão prometida chuva do fim de semana começou a cair. Chegamos a estação 5 as 15:30, me abriguei da garoa intensa que caia, almocei e comecei a descansar como programado para aclimatação e tive um mal estar intenso, afinal já estava a 2.400 metros de altitude. Nesse momento pensei que era loucura e que eu deveria desistir, não havia mais ninguém subindo e o clima não parecia que ia melhorar, então pensei que se eu já estava ali deveria subir. Comecei a me preparar, aquecer e as 18:30 iniciei a subida. A subida leva em media de 6 a 8 horas e minha ideia era de 3 pequenas paradas, comecei em um ritmo alucinante pois começara a anoitecer e eu pretendia chegar a estação 7 antes disso. Consegui chegar ainda sem lanterna mas num breu danado e parei 10 minutos para ir ao banheiro e descansar um pouco e retomei a subida. A partir dai a nevoa e a garoa tornaram a visibilidade quase nula e em um momento perdi a corda que guia até a estação seguinte, fiquei alguns minutos desorientado tentando controlar o desespero pois eu não tinha onde ir e não havia ninguém para me socorrer. Apaguei a lanterna que nesse momento mais atrapalhava do que ajudava devido a neblina e comecei feito um cego a arrastar o meu cajado até que finalmente reencontrei a corda guia e continuei a subida. Depois de 2 horas de subida parei pra me alimentar me protegendo do vento em uma estação desativada, nesse momento perdi minhas luvas e quando já havia desistido de procurar acabei encontrando justamente na direção que eu deveria seguir. Cheguei a estação 8 muito cansado, já se passavam 3.250 metros de altitude, a névoa havia diminuído e a chuva aumentado, parei pra ir ao banheiro simplesmente pra poder sentar em um lugar seco, foi nesse momento que tive noção de como a altitude afeta os seus sentidos. Perguntei ao rapaz que cuidava do banheiro qual era altitude de momento, ele me respondeu em inglês e depois de alguns instantes tentando traduzir aquilo na minha cabeça ele repetiu em japonês e ai o meu raciocínio se confundiu de vez. Perguntei a ele se havia mais gente subindo, pois até o momento eu não havia presenciado ninguém, ele respondeu que mais cedo pessoas passaram por ali, me perguntou se eu estava sozinho e me alertou que estava muito perigoso pra subir naquelas condições, eu teimoso que sou ignorei e continuei subindo. A chuva e o vento não paravam de aumentar e procurei manter o ritmo, cheguei sem dificuldades a estação 9 e deveria tomar uma decisão, parar ali e esperar a chuva passar ou seguir até o topo, até então eu não sabia da existência da estação 9,5, como minha condição física ainda eram razoável decidi seguir, afinal faltavam menos de 300 metros até o topo. Passados 10 minutos me arrependi como nunca, a chuva ganhara status de tempestade e em alguns trechos era difícil se manter de pé. A montanha toda se transformou numa enorme cachoeira e a nevoa baixa corria pelos meus pés numa velocidade espantosa. Nesses momentos em fração de segundos passa um filme pela sua cabeça e parado ali encostado a uma rocha tive pela primeira vez na vida a sensação de que minha hora havia chegado. Pedi ajuda divina para Fuujin, o deus da tempestade na mitologia japonesa, respirei fundo e decidi usar o resto de minha força no limite até onde conseguisse, afinal eu não tinha outra saída. Exausto observei uma luz, ainda não era o topo mas pra minha surpresa havia mais um abrigo, minha salvação. Arrastei a pesada porta em tom de desespero, 2 homens vieram correndo em minha direção, um me perguntou se eu estava bem e o outro perguntava insistentemente Stay?Stay?, levantei minha mão e pensei em pronunciar espere um pouco, pra que eu pudesse raciocinar, mas as palavras não saíram, quando consegui conversar eles me acolheram, recolhendo meus pertences e me secando. O abrigo não estava muito cheio, creio que umas 15 pessoas e a imagem da maioria era desanimadora, uns vomitando, outros com falta de ar, então deitei e me cobri para tentar dormir um pouco, a temperatura la fora era de 2ºC mas eu estava aquecido, porem uma tremedeira tomou conta do meu corpo e demorei pra relaxar. As 3:30 todos foram acordados pra continuar a subida e um velho da cabana deu a péssima noticia, a chuva não havia cessado. A maioria se preparou mas ninguém quis sair na frente, afinal não adiantava correr pra ver o sol nascer pois com aquele clima isso era impossível, até que duas mulheres resolveram encarar o restante, eu acompanhei pois queria alcançar o cume de qualquer forma, mas no meio do caminho elas se desesperaram com a tempestade, tive que tomar a frente e com as energias recarregadas disparei sozinho e em 15 minutos alcancei o topo do Japão, claro que não vi o sol nascente, mas naquela altura chegar ali vivo já era mais do que uma vitoria!!! Passei apenas uma hora no topo, me alimentei, carimbei o meu cajado e tentei sem sucesso chegar ao marco que indica o cume da montanha, havia muita névoa e fiquei com medo de me perder em um local onde havia uma cratera. Reencontrei as duas mulheres do abrigo em meio a névoa e juntos iniciamos a descida que sem nenhum imprevisto demorou cerca de 3 horas e meia.
  7. Aproveitando que o Brasil está na estação de outono, vou mandar 2 relatos de travessias durante o último outono japonês, abaixo segue o primeiro e mais fotos podem ser vistas nos links: Blog:http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/01/monte-ontake-mosaico-de-cores-no.html Facebook:http://www.facebook.com/media/set/?set=a.536126146404540.138905.100000214779467&type=1&l=a8135c8849 Passada minha escalada ao Monte Fuji eu já conseguia visualizar para o próximo ano novas subidas nos 3000+ japoneses, só não esperava que isso se concretizasse no mês seguinte. Depois de um cancelamento de última hora devido ao mau tempo nas montanhas de Suzuka eis que surge a oportunidade de subir o Monte Ontake, um vulcão adormecido localizado na província de Nagano na parte central do Alpes Japoneses. Como programado partimos eu e Choke da província de Mie para encontrar o pessoal da província de Aichi e seguir viagem até uma parada na estrada onde passaríamos a noite. Com poucos integrantes desta vez, éramos cinco em 2 carros e um se juntaria a nós pela manhã, pousamos no carro de forma aquecida e confortável. Madrugamos no dia seguinte e logo o 6º elemento se juntou a nós e partimos rumo ao vulcão. Subindo pela estrada avistamos alguns macacos que gritavam de forma agressiva mostrando que os visitantes não eram bem-vindos. Logo chegamos ao estacionamento que recebia um bom número de veículos, porém poucos montanhistas estavam no local. Tomamos um café da manhã as pressas, nos aquecemos, seguimos o protocolo de auto-apresentação e explicações sobre a subida e adentramos na trilha. A rota foi iniciada no 6º estágio a quase 2000 metros de altitude, no inicio a vegetação densa ainda apresentava altas árvores que foram diminuindo. Neste trecho a subida fluía tranquila com poucas pessoas pelo caminho, aos pouco a vegetação foi ficando baixa e conforme nos aproximamos do 7º estágio o fluxo de pessoas se tornou intenso devido ao fato de um teleférico chegar até aquela parte da montanha. No 7º estágio já fora da mata encaramos a bela imagem limpa do vulcão, inclusive nessa altura muito mais belo que o famoso Fuji, o lugar mais parecia um parque com centenas de pessoas variadas, idosos, crianças que iriam apenas até este ponto para observar o koyu, a vegetação tingida em tons de vermelho e amarelo. Neste trecho aproveitei para utilizar o banheiro, e na saída Chamonix me perguntou se eu havia depositado uma moeda na caixinha, respondi que nem havia reparado que o banheiro era pago, então ela me mostrou um cartaz e pasmem, o dinheiro era para que os dejetos fossem tragados via helicóptero, como um aspirador de merda gigante. A partir desse trecho a trilha fica bem parecida com a do Monte Fuji, tanto em solo quanto em dificuldade, a diferença é o belo mosaico de cores formados pelos arbustos nessa época do ano. O tempo estava meio nublado e a temperatura agradável, até que um forte vento começou a soprar e obrigou a todos a se agasalharem melhor. Desta vez novamente Taro acompanhou as mulheres mais atrás e eu e Choke puxamos o ritmo lá na frente, sempre segurando um pouco para não perder contato com os demais. Sem dificuldade chegamos ao último estágio e fiquei até surpreso com o bom preparo físico de meus companheiros. Logo avistamos o lago Nino, próximo de 3000 mil metros de altitude esse é o lago situado em um ponto mais alto do Japão, com neve perpétua em seu fundo o lago mostra uma beleza exuberante com sua cor intensa, impossível de conseguir captar com as lentes de uma câmera. Mais alguns metros pra cima e lá estávamos nós nos 3067 metros do cume. Um bom número de pessoas estavam presentes no topo que a exemplo de outras montanhas japonesas também possui um Santuário Xintoísta. Fizemos a tradicional foto do cume e nos preparamos pra almoçar ali mesmo, e assim com uma temperatura pouco agradável e um forte cheiro de enxofre fizemos nossa refeição com direito até a quiabo cru, já estou até me acostumando com a alimentação exótica desse povo na montanha. Depois de 40 minutos lá em cima iniciamos a descida, onde tomamos um desvio na rota rumo ao lago Nino, eu não resisti e mesmo sendo alertado para não fazer experimentei um pouco da água do lago, que lembrou um pouco o sabor de água de poço, Chamonix fez o mesmo e levou uma bronca do líder por beber uma quantidade demasiada, mais pra frente levou outra chamada por experimentar uma frutinha com aparência de Blueberry, que segundo ela era amargo ou seja um provável veneno. Seguimos a passos firmes para baixo e passando o 7º estágio que a essa hora estava lotado, pegamos até congestionamento na trilha, o que retardou um pouco a descida, porém não o suficiente para atrapalhar nossa previsão. Antes do regresso o tradicional banho de onsen em um hotel da região que é muito famosa pelas propriedades de suas águas termais. Na volta mesmo exausto tive que encarrar mais de 3 horas ao volante, uma vez que Choke em piores condições que eu, me pediu o favor de conduzir o seu veículo, e sem nenhum contratempo regressamos conforme o previsto.
  8. Esse é mais um relato antigo extraído do meu blog, em mais uma escalada solo me aventurei sem nenhum mapa, gps ou ferramenta de orientação. O inverno estava em seu fim e com isso as geleiras das montanhas vão desaparecendo gradativamente. Já estava ansioso para uma nova subida e de minha casa já podia visualizar que os picos já não possuíam mais neve em excesso e uma folga no meio da semana me inspirou ainda mais. Pra começar fui pesquisar sobre as montanhas da região e diversos sites e blogs contém inúmeras informações sobre essas montanhas, o difícil é conseguir entender o que está escrito. Já havia ouvido falar das 7 Montanhas de Suzuka, porém se quer sabia quais eram e por que esse nome sendo que apenas uma delas fica localizada na cidade de Suzuka. O nome se dá devido as montanhas estarem situadas em um parque nacional do mesmo nome e é comum as pessoas se referirem as montanhas apenas como Suzuka. Uma dessas montanhas era o Monte Gozaisho e como já havia feito cume duas vezes decidi escolher outra e determinar o meu modesto porém importante desafio dos "7 cumes". O escolhido foi o Monte Kama ou Kamagatake em japonês, esse monte é a primeira montanha ao sul do Gozaisho e é possivel iniciar a escalada na região do Yunoyama Onsen, de onde eu já havia iniciado minhas subidas no Gozaisho. O maior desafio era subir em uma montanha pouco movimentada e sem mapa, dependendo apenas da sinalização local. Comecei a subida as 10 horas e logo de cara acabei desviando da rota planejada e mesmo assim continuei subindo as placas que apontavam o topo da montanha. Com uma rota pouco íngreme passei por diversas cachoeiras porém se quer conseguia avistar a montanha. Depois de quase uma hora caminhando finalmente tive certeza de estar no lugar certo, avistei o belo pico e encontrei também algo que eu não desejava ver, neve. Apesar da neve no caminho a subida estava tranquila, pois o acumulo se dava somente em pequenos vales e um pouco de atenção para não escorregar ou levar um bloco na cabeça nessas partes já era suficiente. Próximo do cume a rota que eu estava se dividia em duas e uma marcava que somente montanhistas experientes deveriam segui por ali, fiquei atentado mas segui pela outra rota mesmo. Nesse caminho peguei uma pirambeira desértica de areia e rochas soltas que fizeram a temperatura subir, saindo desse trecho mata fechada ingrime e com neve dificultaram um pouco mas não impediram que eu chegasse ao cume as 11:55. O Monte Kama tem 1161 metros de altitude e mais de 700 metros de proeminência, é um verdadeiro pico com um trecho de terra bem pequeno no cume, onde possui algumas rochas e um pequeno Santuário Xintoísta. Devido a esse espaço apertado a visão do topo é fantástica podendo se visualizar boa parte dessa cordilheira. Essa foi uma subida solitária, pois não encontrei ninguém na montanha e mesmo no cume onde normalmente se encontra alguém o silêncio parecia perpétuo. Diante desse cenário, pude escolher a melhor visão para o meu lanche e desfrutar o belo sol do meio dia no fim do inverno, afinal depois de mais de 3 meses eu novamente podia ficar apenas com uma camiseta de mangas curtas. Depois de 40 minutos observando a paisagem do cume iniciei a descida com alguns escorregões e com uma coisa que estou me tornando especialista, sair da rota! Depois de um tempo caminhando já na parte baixa da montanha não tinha certeza se já havia passado ali na subida ou não, até encontrar uma torre de energia, essa eu tinha certeza de que não estava no caminho de ida. Ouvindo o barulho da água me guiei até a cachoeira e de lá segui pra baixo até encontrar uma rota de saída, o que foi razoavelmente fácil não fosse o fato de ter saído mais abaixo do lugar onde havia deixado o carro e ter de subir novamente caminhando pela pista até ele. Na volta cansado e todo suado resolvi conhecer as casas de banho do Yunoyama Onsen. As águas termais dessa região são muito populares no Japão, porém eu nunca havia ido a nenhuma e ficava meio envergonhado com o fato de ficar completamente nu com vários homens dentro de uma piscina de água quente. Tomei coragem e entrei em uma ainda receoso por ter ouvido relatos de que alguns estabelecimentos não permitem a entrada de estrangeiros. Fui super bem recebido e me explicaram direitinho como funcionava a casa. Na entrada do banho algo que eu já havia receio se comprovou, ao ver o rosto de um ocidental como eu, logo eles olham pra outra coisa que vocês sabem o que é! Não me importei com isso e procurei descansar e relaxar da melhor maneira possível, ficando totalmente satisfeito pois aquele banho me deixou zerinho novamente. As 5 montanhas restantes que me aguardem!
  9. Essa travessia ocorreu em fevereiro de 2013, mais fotos nos links do blog e facebook: http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/03/monte-fujiwara-travessia-invernal.html http://www.facebook.com/media/set/?set=a.602028183147669.150100.100000214779467&type=1&l=fcb417d63e Monte Fujiwara - Travessia Invernal Durante a grande reunião anual do Suzuka Hiking Club, ficou decido que na semana seguinte haveria uma travessia no Monte Fujiwara. Taro que seria o líder dessa travessia me perguntou se eu estava dentro, disse que ainda não sabia se participaria, ele insistiu e confesso que ainda estava com um pé atras depois do que havia passado no Monte Shyaka. Ele me tranqüilizou e disse que seria diferente, pois aquela era outra montanha e com uma rota bem diferente. O Monte Fujiwara é a primeira das 7 montanhas de Suzuka no sentido Norte/Sul, com 1144 metros de altitude no ponto mais alto, essa montanha possui um topo bem extenso com diversos picos porém sem cristas, o que no inverno torna o topo um grande maciço reluzente, atraindo milhares de montanhistas que pretendem subir montanhas nevadas porém sem grande dificuldade. No dia que antecedeu a travessia uma frente vinda do Sul trouxe muita chuva, o que chegou a ameaçar a subida, porém o tempo melhorou e recebemos a confirmação com horário e local a se encontrar. A vantagem de ter chovido é que boa parte da neve situada na parte baixa da montanha haveria derretido e isso tornaria a subida menos cansativa do que encarar neve logo na entrada da trilha, a desvantagem é que o que sobrou da neve estaria dura e escorregadia. Cheguei com antecedência no estacionamento onde parte a trilha, depois de alguns minutos percebi que poderia estar no lugar errado, como ainda não compreendo os ideogramas japoneses muito bem, muitas vezes acabo me atrapalhando, porém consultando o que estava escrito no email e no local, tive certeza de estar no lugar errado. Liguei para Taro e disse onde estava, ele me confirmou que o ponto marcado não era ali, porém que eu poderia aguardar no local pois partiríamos dali. Enquanto aguardava, encontrei outro membro do grupo que me perguntou se o local de encontro estava certo, dei a noticia que estávamos errados porém poderíamos aguardar ali, pelo menos um japonês também havia errado como eu. Depois de alguns minutos chegaram mais sete pessoas e nos juntamos a uma mulher de fora do clube que faria a sua primeira experiência. Todos prontos com suas mochilas nas costas, que alias dessa vez estava bem pesada, com os itens básicos e fogareiro, panela, crampons e ainda as raquetes de neve amarradas do lado de fora. Recebemos um mapa e orientações de Taro explicando a rota, pois com a neve dura alguém poderia escorregar e acabar se perdendo dos demais. Seriam 14 km em apenas 1 dia sendo boa parte com neve, eu achei a rota meio longa, uma vez que três participantes nunca haviam subido uma montanha nevada, porém havia um plano B. Adentramos na trilha com muita lama, a rota não apresentava dificuldades, a única coisa que torna o Monte Fujiwara severo é o fato de serem quase 1000 metros de proeminência, sem nenhum descanso, é para o alto e avante. Passados alguns minutos a maioria do grupo estava pingando suor e tiveram que eliminar camadas, eu preferi passar frio no começo a cozinhar durante a subida. Quando passamos do 6º estágio, a trilha passou a ter gelo que foi aumentando até chegarmos no 7º e ocorreram muitos escorregões. Conforme nos aproximamos do 8º estágio, a neve se tornou espessa tingindo todo o chão de branco. Fizemos uma pequena pausa para recarregar as energias e depois seguir direto para um abrigo situado no topo da montanha, onde pretendíamos fazer a nossa refeição. Seguimos por um trecho que eles chamam de rota de inverno, pois não é usada em outra época, a neve estava dura e quebradiça, o que fazia com que muitas vezes ficássemos com os pés atolados em um buraco e aumentando o risco de lesões. Quando saímos de um bosque e entramos em uma grande rampa de neve a situação melhorou, então ganhamos velocidade e rapidamente chegamos ao abrigo. O local estava lotado de gente e resolvemos retardar o almoço e seguir para o cume, calçamos as raquetes e iniciamos uma descida para depois subir outro trecho. Soraya tomou a frente e alguns o seguiram, inclusive eu, pegamos um trecho muito íngreme e com muito vento, quando estávamos na metade e exaustos ele apontou para o lado dizendo que aquela era a rota certa, ali Taro e mais dois membros do grupo subiam com tranqüilidade, sofremos um desgaste desnecessário, porém chegamos ao cume antes dos demais. No cume pudemos apreciar a belíssima paisagem de inverno, faltou uma geada, mas nem tudo é perfeito e acertar o dia com tudo perfeito é coisa rara. Os grandes vizinhos Monte Oike e Monte Ryu pareciam tão próximos que dava até vontade de seguir pra lá. Alguns minutos ali, fotos individuais, fotos com o grupo e partimos de volta para o abrigo, pois já havia gente reclamando de fome. Photo by Taro - Suzuhai Esse trecho foi o mais divertido pois a descida parecia uma pista de esqui, então todos passaram a escorregar de bunda, as mulheres mais leves e com mochilas menores obtiveram grandes performances, eu com a mochila muito pesada e aquele apetrecho gigante nos pés não obtive muito êxito, porém passados 20 minutos e lá estávamos nós de volta ao abrigo, que aliás parecia estar mais cheio ainda. Diante desta situação, resolvemos não perder mais tempo e comer ali fora mesmo, a temperatura não era muito agradável, porém o sol fazia a sensação térmica melhorar consideravelmente. O brilho solar na neve era tão intenso q mau enxergávamos as chamas do fogareiro, comemos comida quentinha, com direito a ovo cozido distribuído por Gabi e ainda uns bolinhos doce, cortesia de Choke. Ficamos ali sentados jogando conversa fora até que levantamos acampamento pois a rota inicial seria seguida. Começamos uma grande travessia até o outro lado do topo, passamos por mais dois picos até que chegamos em uma planície com uma vista privilegiada, do local pudemos avistar diversos picos nevados, alguns a centenas de quilômetros de distancia, ao Norte o Monte Ibuki e o grande Monte Haku, a leste montanhas de mais de 3000 mil metros como o Monte Ontake e os Alpes do Centro, faltou o Monte Fuji, mas eu já estava satisfeito. Iniciamos a descida pela face norte da montanha, como haviam trechos de terra a maioria de meus companheiros seguiu somente de tênis, porém uma neve extremamente dura e escorregadia anunciava o perigo em um trecho bem íngreme, foi então que Fumifumi caiu em um buraco, ao tentar sair dele acabou escorregando e seu corpo girou de cabeça para baixo começando a deslizar sem controle, disparei na direção dela e não teria obtido sucesso caso uma árvore no meio do caminho a obstruísse sem causar danos, ajudei ela a se levantar e meio grogue ela continuou a descida. Um pouco mais a frente novo contratempo, em um trecho com uma bifurcação de 2 vales, Gabi deixou sua garrafa térmica escorregar bem no caminho que não seguiríamos, eu sugeri que ela abandonasse, mas como ela queria muito aquilo eu e Choke descemos até lá pra tentar o resgate, quando já dávamos certo que não acharíamos eis que ele acabou encontrando a garrafa em um buraco junto a uma árvore, pura sorte e a partir disso o duro foi sair daquele vale já muito cansado. O sol começou a baixar e voltamos a caminhar na lama, enfrentamos trechos muito acidentados e com erosão, o que acabou retardando um pouco a descida, porém ainda com luz natural alcançamos a estrada. Caminhamos um trecho até chegar ao local onde a maioria havia deixado o carro, deixamos a carga lá e fomos tomar um café com direito a lareira e pão assado no forno a lenha, que serviu para fechar com chave de ouro esta travessia.
  10. Já estive diversas vezes nessa montanha, por isso farei resumo geral, quem se interessar e quiser ver os relatos completos com mais fotos pode acessar meu blog. Monte Gozaisho - Outono http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/06/monte-gozaisho-primavera.html Monte Gozaisho - Congelando na Montanha http://nandosilvauptothelimit.blogspot.com/2012/07/monte-gozaisho-congelando-na-montanha.html Monte Gozaisho e a Princesa da Primavera http://nandosilvauptothelimit.blogspot.com/2012/11/monte-gozaisho-e-princesa-da-primavera.html O Monte Gozaisho está localizado no norte da província de Mie, na cadeia de montanhas de Suzuka, na região do Yunoyama Onsen (águas termais). Com 1212 metros de altitude é a montanha mais alta da província e também a mais famosa e visitada dessa cadeia. A primeira vez que subi essa montanha foi em um passeio com a familia, subimos de teleférico durante o inverno para brincar na neve e escorregar de trenó, no local ainda existe duas pistas de esqui para os que gostam do esporte. Encaramos ainda uma trilha na neve, ao qual eles alugam as raquetes de neve para esta finalidade, porém fomos mesmo é com as botas de borracha comum, sofremos muito no trajeto, mas a diversão foi garantida. A segunda vez foi durante o outono e depois de ter encarado o Monte Fuji decidi me aventurar novamente em uma montanha, fisicamente ocorreu tudo bem e as trilhas são de fácil acesso e bem sinalizadas, o único problema de iniciante é calcular mau a roupa a ser usada e acabei chegando ensopado no topo, porém a temperatura estava agradável e eu tinha mudas de roupa. A paisagem me decepcionou um pouco no topo, a maior parte das folhas já haviam caído mas o que pude encontrar pelo caminho valeu a pena. Na terceira vez foi uma verdadeira loucura, sem nenhuma experiência de inverno resolvi encarar a montanha ainda sem neve, novamente com a roupa mau calculada quase congelei no topo, para piorar errei a rota e acabei subindo pela mais dificil na face norte da montanha, a salvação foi o restaurante com aquecedor e comida quentinha que conseguiram me livrar a cara. Depois do sofrimento acabei ficando viciado em montanhas, alguns quando passam por situações extremas nunca mais querem lembra-las, porém comigo acontece exatamente o contrario. A quarta vez eu já estava calejado e experiente, já havia subido em outros lugares e decidi levar minha filha durante a primavera, ela inocente topou a aventura, pobre coitada, sofreu muito, seguiu até que em um bom ritmo, porém depois que cansou exigiu diversas paradas, no final ela ficou satisfeita e eu muito feliz, como recompensa pelo esforço na subida, descemos de teleférico e tomamos um belo banho nas águas termais da região.
  11. O relato a seguir foi extraído de meu Blog, a escalada ocorreu em janeiro de 2013, mais fotos podem ser conferidas no link: http://nandosilvauptothelimit.blogspot.com/2013/02/monte-shyaka-o-inferno-branco.html Depois de uma ótima noite de sono, resultado do cansado da escalada do dia anterior, levantei bem disposto e sai para fora de casa para avaliar as condições climáticas. Uma das vantagens de viver em frente a um grande arrozal é que sem construções temos uma ampla paisagem, e a minha por sorte da de frente com as Montanhas de Suzuka. Nuvens escuras pairavam sobre as montanhas e alguns flocos de neve ainda chegavam com o forte vento, porém acima de minha cabeça o céu azul anunciava um belo dia. Consultei também as previsões do tempo via internet que indicavam um dia aberto, frio e com muito vento. Apesar de o clima em montanhas ser muito instável, com essas previsões estava claro que durante o dia não haveria nevasca. Consultei o Lord se realmente manteríamos os planos, afinal haveria muita neve por lá, ele estava doido para encarar uma montanha nevada e por isso ignorou qualquer consideração que eu fizesse. Então partimos para a montanha sem ao menos saber se conseguiríamos chegar até lá, uma vez que havia neve na pista até na cidade. Conforme fomos nos aproximando das montanhas a visibilidade melhorou e pudemos avistar diversos picos cobertos de neve desde a base, a pista estava melhor do que podíamos imaginar e sem problemas chegamos a base para começar a subir o trecho mais critico. A pista possuía apenas o espaço de um carro com pouca neve e em meio a patinadas avançamos para o nosso destino, de repente a pista acabou e tudo virou neve, por conta disso tivemos que voltar uns 100 metros para deixar o carro em um local seguro. Preparamos as mochilas e começamos a subir pela pista até a entrada da trilha, esse trecho é muito confuso, tem chalés, camping e pequenos comércios, tudo fechado durante o inverno. Uma grande placa com um mapa e uma caixa postal ao lado indicavam a entrada da trilha, porém com tanta neve ficava difícil saber pra onde seguir, Lord havia estado ali 15 dias antes com uma turma e eles acabaram errando a entrada e se perdendo, porém com a montanha naquelas condições não podíamos nos dar a esse luxo. Visualizando uma ladeira que se encontrava na minha frente disse, vamos seguir por aqui, Lord achou uma loucura mas acabou concordando, subiríamos um pouco e se não achássemos o caminho voltaríamos. Iniciamos a subida com neve até nas coxas, romper aquilo em um trecho íngreme como aquele logo nos deixou cansados, pelo caminho achamos uma construção, mas nenhuma trilha que rumasse montanha acima, começamos a descer lateralmente e acabamos voltando em nosso ponto inicial. Lord indicou que da outra vez que estivera ali eles seguiram mais para cima, então seguindo o raciocínio de que eles haviam errado a entrada sugeri que seguíssemos para baixo, descemos um pouco e lá estava a minúscula placa quase coberta de neve indicando a entrada. Seguimos com neve até o meio das canelas por uma via larga por onde passaria um caminhão, realmente haviam alguns parados mais a frente em uma obra de barragem, atravessamos um riacho e seguimos floresta a dentro. O Monte Shyaka ou Shyakagatake em japonês, tem quase 1100 metros e é dentre as 7 Montanhas de Suzuka a menos visitada, o acesso não é ruim, porém está em uma região pouco movimentada e possui poucas rotas até o cume. Na rota escolhida seguiríamos por um vale até alcançarmos uma cascata e rumar para o topo, atravessando uma crista e iniciando a descida dando a volta pelo outro lado até retornarmos ao ponto inicial. Seguindo pelo vale foi sempre aquele zig-zag e sobe e desce, romper a neve virgem que no início era divertido aos poucos foi se tornando estressante, por mais esforço que fizéssemos a subida parecia não evoluir e isso começou a me deixar desanimado. Caminhávamos as cegas por um caminho cheio de pedras e buracos, depois de mais de 2 horas conseguimos alcançar a Cascata Anza, que possui 40 metros de altura, porém parcialmente congelada não exibia toda a beleza que eu já havia constatado em fotos e vídeos. Continuamos em frente e Lord sugeriu que pegássemos um desvio que levaria para outra rota alcançando a crista, nesse momento eu já estava muito cansado, olhei para aquela subida e tomei a decisão de seguirmos direto para o cume pois já havíamos perdido muito tempo até ali. Escalamos trechos difíceis com muita neve fofa e as cordas no local nos ajudaram e muito, nesse momento ganhamos altitude rápido e já podíamos visualizar o cume, até que chegamos em um paredão. A partir daquele ponto tivemos que cramponar, enquanto estávamos sentados colocando os acessórios nos pés pensei em abortar a subida, o vento era assustador e a neve havia se tornado tipo sugar powder, comemos um onigiri, bolinho de arroz japonês, e propus ao Lord que seguíssemos ao cume e atravessássemos a crista sem parar para descansar ou comer, afinal estávamos a mais de 900 metros de altitude e uma névoa havia se formado, congelando qualquer coisa que ficasse inerte. Eu estava torcendo para que ele discordasse da minha ideia e assim seria o fim da linha, porém ele concordou e seguimos em frente. Iniciamos aquele trecho muito vertical tomando o máximo de cuidado, aquela pequena parada havia me feito bem e procurei subir em um ritmo forte para chegar logo lá em cima, porém no meio dessa subida meu gás foi novamente se esgotando e iniciando um terrível sofrimento. Naquele trecho qualquer descuido seria fatal, agarrado a uma corda olhei para baixo, Lord vinha escalando também com grande dificuldade e pude perceber que naquele momento não haveria mais volta e teríamos que nos esforçar no limite. Alcançamos o topo sabe-se lá como, creio que os Deuses da montanha deram um empurrão. Chegamos ao ponto mais alto que possui 1097 metros e atravessamos a perigosa crista até chegar no ponto que marca o cume a 1092 metros. Estávamos esgotados mas não havia como parar ali, as luvas estavam duras de gelo, o rosto também começou a formar gelo nas sobrancelhas e cílios, o que incomodava bastante, a temperatura era de -8 graus e um vento de 60 km/h, então imediatamente iniciamos a descida. Imaginávamos pegar menos neve no caminho de volta, porém continuamos atolando na neve fofa e agora ainda tínhamos o forte vento que soprava na crista desprotegida. Comecei a imaginar se teria forças para voltar e me senti como um himalaísta, os pés já não obedeciam mais, na mão direita o bastão frouxo denunciava que não servia mais de apoio nenhum, cabisbaixo começamos um trecho de descida e quando eu olho pra frente vejo um enorme pico que a esta altura parecia gigante. Lord me indicou que esse era o Monte Neko, então não haveria escapatória, teríamos que escalar ele e ainda encarar mais dois picos que viriam na sequencia. Começamos a subir e desesperado observei se não havia algum lugar para parar ao meu redor, mas não havia, então pedi para o Lord tomar a frente, ele o fez e tentou me apoiar dizendo que vencendo essa subida tudo seria mais fácil, mas infelizmente o meu corpo não respondia e assim como um bêbado chega em casa sem se lembrar como, eu cheguei ao topo dessa montanha. O sol começava a baixar e passamos a acelerar a passada na descida, mais uma subida em um pico que nem recordo o nome e continuamos descendo até alcançar o Pico Hato. Ainda faltava muito, mas ter chegado ao fim daquela crista nos dava uma sensação de vitória, até paramos e sentamos uns 2 minutos no pico rochoso, presenciar rochas sem neve parecia um alívio e o pior já havia passado, porém a iluminação natural agora era nossa inimiga. Retomamos a descida por uma canaleta que levaria a um vale, os crampons que tanto nos ajudaram agora começaram a atrapalhar, paramos para tirá-los e na sequencia não parávamos de pé. Comecei a me atirar de bunda para agilizar a descida, algo que não foi muito agradável devido ao solo rochoso e irregular. Chegamos no vale e novamente me lembrei do Himalaia, a trilha cruzava um riacho e tivemos que nos arremessar como se estivéssemos pulando uma greta, era isso ou encarar a água gelada. A trilha passou a ter pegadas humanas, provavelmente alguém passeou por ali sem adentrar a montanha, começamos a segui-las sem prestar muita atenção no caminho, até que uma hora misteriosamente as pegadas sumiram. Sem ter prestado atenção no caminho ficava difícil determinar pra onde ir, Lord indicou algumas pegadas, mas provavelmente eram de macacos, então escolhemos uma direção e continuamos descendo onde logo encontramos o caminho de saída da trilha. Já sem sol algum, minhas mãos começaram a congelar, então comecei a perceber o sentido de ser derrotado pelo frio. Você não perde para o frio somente por ter passado frio, ele nos fez não parar pra descansar, não parar para comer, fez nossas bebidas ficarem dentro da mochila para não congelar, e depois sem descansar nem comer a exaustão chega e até tirar uma garrafa de água da mochila parece ser um esforço além do possível, aí vem a desidratação, bom aí o frio já te venceu e pronto. Depois de levar alguns escorregões andando pelo asfalto congelado alcançamos nosso carro, arremessei minhas coisas no porta malas e tomei a direção, Lord ainda demorou um pouco para adentrar no veículo e quando o fez o nosso humor parecia não querer comemorar coisa alguma, estávamos exaustos, sujos e famintos, andamos um tempo em silêncio até que começamos a fazer comentários e dar algumas risadas, como conseguimos vencer aquele paredão? Acho que não tem resposta, mas tenho certeza que se fosse um exame, teríamos passado de nível. Ps.: Durante a noite eu não consegui dormir e tive um pouco de febre, o Lord ficou com febre por 3 dias e não quer ver uma montanha nevada tão cedo.
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