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  1. Mapinha do Vale Este é um relato basicão com dicas e a minha percepção do local, ou seja, algo muito pessoal. DIA 1- Partimos de Salvador rumo a Palmeiras, município sede da região, no ônibus da noite, chegando lá pela manhã logo cedo. Quando cheguei já tinha alguns carros fazendo o trecho Palmeiras-Vila do Capão, mas como tinha que encontrar uma amiga e a outra precisava sacar dinheiro (só vi banco Bradesco), pois tinha ido despreparada, fomos a procura do tal banco e encontrar a Ruth. Meia hora depois voltamos para a rodoviária e a primeira má notícia do dia é q só teria transporte pela tarde, um senhor queria nos cobrar R$ 100,00 para nos deixar na vila, claro q fomos catar outra pessoa, depois de muito barganhar fechamos por R$ 75,00 e seguimos para o Vale. Riachinho Decidimos parar no Riachinho, q fica alguns km antes da Vila, uns 3-5km, descemos, comi o cuscuz q havia levado e as meninas foram fotografar o lugar, ficamos um pouco mas n entramos na água e decidimos ir rumo à Cachoeira da Fumaça, não imaginamos q era tão longe e com mochila nas costas foi muito sofrido. Só conseguimos chegar a entrada da trilha umas 11h, o rapaz q estava na recepção da Associação de Condutores q fica na entrada da trilha da cachoeira nos fez a gentileza de nos orientar a não subir com as mochilas (na minha absurda imaginação eu conseguiria subir até a 2° mais alta cachoeira do Brasil com uma mochila razoavelmente pesada nas costas). Deixamos nossas coisas numa lanchonete próxima a trilha com um senhor pra lá de simpático e seguimos a trilha, muito íngreme, com a ajuda do App Wikilok (q foi muito útil). A trilha foi pra lá de sofrida, tanto na subida quanto na descida, devido ao cansaço acumulado, mas valeu a pena... Não recomendo a pessoas com dificuldade de mobilidade fazer a mesma, pois apesar de não ser difícil de se guiar lá, a subida/descida cansa bastante. Nota a parte: Foi na trilha da Fumaça q superei um pouco meu medo de altura, foi lá q descobri q mesmo cansada eu mantenho a calma e a fé. Foi naquela descida que vi o quanto Deus é lindo e nos dá força quando pensamos estar no limite. Nessa hora a gente entende q ter fé faz muita diferença! Cachoeira da Fumaça Voltando... Depois da cansativa trilha ainda fomos a pé até a Vila, mais 2km e descobrimos q ainda tínhamos muito pra andar pois o Hostel q havíamos reservado ficava a 1,5km da vila. Conseguimos com a orientação de uma senhora e as várias placas do hostel espalhadas pela estrada chegar ao hostel umas 18/19h, exaustas! Só pedi pra ver o quarto e o banheiro, tomei banho bem gelado pra adormecer as pernas doloridas e deitei pra descansar, mas acabei dormindo e só acordei no outro dia. DIA 2- Acordamos, tomamos café e nos preparamos para sair, nos orientamos com o pessoal do hostel e seguimos rumo ao Rio Preto, q nem estava no roteiro, mas já havíamos entendido q nosso roteiro era péssimo pra fazer todo a pé e em tão pouco tempo(3dias). Seguimos até a trilha e nela com ajuda do Wikilok, depois de andar uns 1,5km a trilha ficou esquisita e as meninas preferiram voltar, no caminho encontramos uma família indo pro mesmo lugar por outra trilha e acompanhamos, trilha fácil, porém no fim tem uma descida íngreme e escorregadia. Finalmente chegamos ao rio, maravilhoso, poço legal, cachoeira pequena mas agradável, só tinha a gente e a família, passamos a manhã e parte da tarde por lá, depois seguimos para a Vila para aventurar transporte para a Cachoeira da Purificação q fica na Vila do Bomba, nos cobraram 80 reais de carro e 20 reais de moto, decidimos fazer no outro dia a pé e voltamos para o hostel, chegamos por lá umas 16h e só saímos a noite para a vila. A noite comemos uma pizza maravilhosa atrás da praça e voltamos para dormir. Rio Preto DIA 3- Tomamos café, preparamos nossas mochilas, pois não iríamos voltar mais ao hostel e partimos rumo a vila para nossa última trilha. Chegando lá comprei a passagem de volta para Palmeiras e Kelly, q havia ido comigo de SSA, decidiu antecipar a passagem dela, nos despedimos e fomos, eu e Ruth, rumo ao Bomba, seguimos a pé os 7km da Vila ao Bomba e lá começamos a trilha, uns 30 min depois encontramos a Cachoeira Angélicas, bonitinha, mas nosso foco era a Purificação, então n tomamos banho, nessa hora meu celular bugou e foi um tanto complicado rever a trilha a partir de onde estava com o Wikilok, mas ainda assim conseguimos e seguimos para a Purificação, quando chegamos ao leito do rio não consegui encontrar mais a trilha (era para atravessar o rio e eu tentei seguir em frente) então decidimos voltar, no caminho encontramos um casal q tbm estava à procura da cachu e fomos juntos ao início da trilha, pois um rapaz havia nos informado q se pegássemos o outro caminho seria mais fácil, ledo engano, a partir daí não tínhamos mais o App, mas conseguimos chegar de novo ao rio onde eu havia desistido. Chegando lá decidimos atravessar o rio e encontramos outra trilha, fizemos isso mais umas 4 ou 5 vezes (o casal, Raissa e Lucas, tinha se informado com locais e sabiam q deveríamos atravessar o rio algumas vezes). Em uma parte do caminho quase desistimos, já eram 14:30h e não havíamos encontrado a tal cachu, mas Lucas foi aventurar o caminho enquanto a gente descansava e achou a bendita. Seguimos caminho, achamos a cachu, tomamos banho na água geladíssima e saímos de lá umas 16h num caminho já conhecido e tranquilo. Chegamos no Bomba e nos despedimos, pois eu e Ruth seguiríamos a pé e eles de moto. Angélicas Purificação❄️ Voltamos o caminho todo e chegamos na Vila as 18:30h, comemos e Ruth foi embora, esperei a Topic até as 20:30h e me despedi do Capão. DICAS E PERCEPÇÃO DO LOCAL: Só vá ao Vale se vc estiver de carro, muita vontade de andar ou dinheiro para pagar pelos trechos. Por lá é fácil encontrar um guia, mas não há ‘assédio’ como em Lençois, q basta virar a esquina para alguém te perguntar se vc quer um guia. Também não há ninguém te amedrontando em relação as trilhas. A cidade é bastante rústica, mas há restaurantes, mercadinhos e lojas o suficiente, com preços razoáveis. Por lá a sensação de segurança é muito grande, sendo muito tranquilo andar a noite distancias razoáveis. Tudo o q comemos nas trilhas a gente levou de casa, o café da manhã foi servido pelo hostel, só pagamos pela janta e algumas besteiras. As pessoas são muito educadas, porém pode haver um choque cultural muito grande. Grande parte dos habitantes são hippies, pelo menos no jeito de se vestir, há um grande misticismo pela cidade e é comum as pessoas fumarem, leve tudo isso com tolerância e amor ao próximo. Quando organizar seu roteiro esteja bastante atento as distâncias entre uma atração e outra, observe com cautela e discernimento os níveis de cada trilha a se fazer, não se superestime, isso pode te deixar decepcionado como eu fiquei ao não conseguir cumprir com meu roteiro. Esteja aberto a sugestões e mesmo com GPS ou App se informe antes de fazer as trilhas. Lembre-se, o roteiro é vc q faz, mude sem quebrar muito a cabeça quando tiver dúvidas demais. No mais direi como alguns nativos: Ouça seu coração!!! Saiba a hora de parar e de começar, nos momentos difíceis lembre q só uma pessoa pode resolver aquilo, VC, relaxe e peça ajuda a Deus q tudo dará certo. Aprenda a superar seus limites, mas se respeitando, a linha entre uma coisa e outra é muito tênue, mas ela existe.
  2. Relutei um pouco em escrever este relato, afinal, sabia que seria difícil descrever impressões tão pessoais acerca de tudo que vi e senti nestes dias de solitude pela Chapada Diamantina, mas muito do estímulo que tive para esta empreitada me veio de outros relatos que li, de depoimentos de verdadeiras transformações pessoais advindas de viagens, então, se este relato servir de inspiração para uma pessoa que seja, terá valido a pena cada palavra aqui escrita. Bom, em maio completei meus 30 anos. Não sei se é comum, mas nesta fase os já muitos questionamentos de vida que eu sempre trouxe comigo se aprofundaram, e eu senti uma imensa necessidade de organizar minha cabeça, tomar decisões, procurar respostas na minha alma, no meu íntimo, em um lugar que ainda não tivesse sido de certa forma corrompido pela sociedade que eu tanto questiono, mas que tanto me influencia, e eu sabia que o único jeito de conseguir este contato tão profundo comigo mesmo seria estando sozinho e em um lugar com pouco ou nenhum contato com outras tantas pessoas. O fato de já ter estado outras vezes na Chapada Diamantina e sabendo que eu não teria tanto tempo para organizar uma viagem, me levaram ao interior da Bahia. Baixei um app de localização por GPS no meu celular, baixei também os mapas dos quais eu iria precisar e li bastante sobre os roteiros que eu pretendia fazer, que inicialmente eram a travessia de Lençois para o Vale do Capão passando pela Fumaça por baixo e a travessia completa do Vale do Pati, entrando pelo vale do Capão, descendo por toda a extensão do vale, subindo novamente e saindo também pelo Capão. Fiz as malas escolhendo colocar pouquíssima roupa e dando preferência para as peças mais leves e também para um conjunto de roupas que me protegessem do frio, no caso de algum contratempo na trilha. Fiz também uma farmacinha com analgésicos e material para curativos. Indispensáveis também foram a lanterna, 4 pares de meias secas, além da minha barraca (que logo descobriria deveria ser bem menor), e meu saco de dormir. Dia 22.06 entrei no avião que me levaria de Recife, onde moro atualmente, até Salvador. Cheguei na capital baiana ainda cedo, por volta das 13h e, tendo em vista que meu ônibus para Lençois estava marcado para as 22:45, resolvi visitar o centro histórico de Salvador, que naquele dia dava início aos festejos juninos, com palcos onde a noite iriam ocorrer shows. Peguei um ônibus no aeroporto que por R$ 5,50 me levou até a praça de sé, por um roteiro que incluiu toda a bela orla da cidade e que durou pouco mais de uma hora. Chegando à Praça da Sé, não havia tanta gente assim pelas ruas, já que, pelo que o cobrador do ônibus falou, estava chovendo bastante nos últimos dias e também muita gente já tinha viajado para passar o são joão no interior. Fui direto conhecer o elevador lacerda, aproveitando que não chovia. De lá pude conhecer o mercado modelo e também perambular pelas ruas do centro histórico, subindo e descendo, passando pelo pelourinho e pelas belas igrejas. Todavia, o que mais me chamou a atenção foi o povo do lugar. Salvador é um retrato da desigualdade social que assola este país. A região do centro histórico parece ser bem pobre, o que expõe as pessoas que lá vivem a problemas com álcool e o crack, sendo que as mais afetadas são as de raça negra, um povo cujos antepassados construíram aquilo tudo e que deveriam estar em situação de protagonismo, mas não estão. Os bares, restaurantes e o comércio são dominados por estrangeiros e pessoas de outros estados, nada contra, mas acredito que a população local deveria ter subsídios para também se valer do lucro trazido pelo turismo. Antes de ir para a rodoviária, pude ver o primeiro show da noite, uma orquestra de sanfona que eu, como apaixonado pelas minhas raízes sertanejas, não tive como não me emocionar. Retornei para a praça da sé e peguei um ônibus para a rodoviária, pagando pouco mais de R$ 3. A rodoviária estava LOTADA. Retirei minha passagem no guichê e aguardei o horário da partida do ônibus. O tempo até que passou rápido, e um bom papo com um Francês que estava do meu lado ajudou a distrair. É bom trocar uma ideia, ver como pessoas diferentes enxergam as coisas te ajuda a melhorar a visão de mundo. Despedir-me do camarada da França e parti rumo a Lençois. Ao chegar em Lençois, ainda de madrugada, já preparei minhas coisas para a travessia para o Capão. A esta altura, após muito refletir, decidi fazer a travessia diretamente, abortando a ideia de fazer a trilha da fumaça por baixo. Eu não estava tão seguro, não tinha estudado a trilha o suficiente e não dispunha de fogareiro, além disso, uma estranha sensação me fez recuar. Dessa forma parti rumo ao Vale do Capão. A trilha não é tão fácil, em alguns pontos de mata e nos lajedos eu tive dificuldade de encontrar o caminho correto, mesmo com o gps. Tive que ir e vir algumas vezes para encontrar a trilha, além de ter que encarar um lamaçal horrível, também fruto de um erro meu durante a trilha. No fim da tarde, já chegando em águas claras, descobri que estava proibido o acampamento na região, então voltei um pouco mais na trilha e encontrei um lugar onde um guia levantou acampamento com um casal de turistas, decidi então montar minha barraca por ali tbm, já que era apenas uma noite e eu não precisaria de água, nem de comida, pois já tinha trazido suprimentos para aquela passagem da noite. No dia seguinte desfiz acampamento e segui para o Vale do Capão. Chegando ao Capão a ideia era ficar em uma pousada, pois eu estava bem cansado, mas por ser são joão, estava tudo lotado. Decidi, então, acampar no camping "Sempre viva", ao preço de R$ 20,00/dia. O Camping tem uma boa estrutura, com chuveiro quente e cozinha, além de ser um lugar tranquilo, silencioso e bem perto da vila. Ainda neste primeiro dia no capão fui fazer a trilha da Cacheira da fumaça por cima. Já tinha feito o percurso uma outra vez, sendo assim, dispensei o gps. A trilha é razoavelmente fácil, é bem batida, e por isso não tive dificuldade alguma. Por ainda ser cedo, tinha pouca gente na cachoeira, o que foi perfeito, pois me incomoda um pouco a barulheira. Ali eu percebi que tinha ido ao lugar certo para encontrar o que eu estava buscando. Aquela imensidão de beleza, o ar puro e o clima místico, tomaram conta de mim. Sim, ali estava eu mesmo, sem qualquer máscara, sem qualquer imposição social. A natureza não te exige nada, ela te deixa e te faz livre... Era a paz de espírito q eu tanto almejava! A noite fui com o pessoal do camping curtir um forrozinho na vila, que estava abarrotada de gente, porém, o frio e o cansaço me fizeram voltar cedo pra barraca... Segundo dia no capão e eu decidi ir até as cachoeiras da Angélica e da Purificação. Acordei bem cedo, pois sabia que se deixasse pra ir tarde corria o risco de ter gente demais no lugar. Fui a pé até o bomba, percurso que geralmente se faz de carro ou moto táxi, mas eu tinha tempo e disposição, então fui andando mesmo. A melhor das decisões, pois nessa caminhada vc consegue ver um pouco do estilo de vida dos nativos do capão e também das pessoas que resolveram viver por lá, mas de uma forma mais tranquila, longe da agitação da vila, recém descoberta pelo turismo de massa. A trilha para as duas cachoeiras tbm foi simples de percorrer com a ajuda do gps e, pra minha sorte, quando eu cheguei à purificação estavam lá apenas 5 pessoas! Meu coração se alegrou! Pude curtir tranquilamente a queda e até tirar um bom cochilo, relaxando com o som da água. Na volta encontrei MUITOS grupos se dirigindo até lá. Falo sem medo de errar, não menos de 60 pessoas eu encontrei se dirigindo para as cachoeiras. Retornei novamente andando para o camping, onde tomei banho e fui almoçar. Sobre o almoço, recomendo o "Pico do açaí", uma comida farta, deliciosa e vegetariana (apesar de ter opções para carnistas tbm), ao preço de R$ 20,00, uma pechincha em se tratando de Capão em época de feriado. Fui então comprar a comida que levaria para o Vale do Pati, nesse momento cometi meu maior erro nessa viagem! Comprei comida demais! Minha mochila, eu descobriria no outro dia, ficou demasiadamente pesada, e isso foi péssimo pra mim, pois no primeiro dia de travessia para o pati, de cerca de 23 km, eu sofri demais com o peso da mochila. A noite fui comer uma pizza com o pessoal do camping, fiquei mais um tempinho no forró e logo fui descansar. Dia de entrar no Vale do Pati. Como já falei, a mochila ficou pesada demais, já que além da comida eu ainda estava carregando uma desnecessária barraca para 4 pessoas, sendo que eu sou apenas 1, fora isolante e saco de dormir. Foi um erro pelo qual eu pagaria um preço. A trilha em si, do capão até a igrejinha, já dentro do vale do pati, foi fácil apesar da chuva e da lama que me acompanharam por mais da metade do percurso. Não me perdi hora nenhuma, o gps foi sempre certeiro. Levei cerca de 6:30h para percorrer os 23km. Ao chegar na igrejinha, capotei! Minhas pernas tremiam e eu começava a ter febre e uma imensa dor nas costas, devido ao peso da mochila. Decidi não acampar e paguei R$ 35,00 para dormir em uma cama na igrejinha. Tomei um banho e caí na cama. Acordei por volta das 17h, a tempo de ver um por do sol que me fez recobrar minhas forças. O céu estava de um alaranjado lindo. Sim, cada passo com aquela montanha nas costas havia valido a pena. Cozinhei meu jantar, o cardápio foi macarrão com sardinha e suco de laranjas q eu peguei ali mesmo. Nas casas de apoio no pati é possível comprar o café da manhã e o jantar, além da dormida, ao preço de R$ 110,00 o pacote completo, mas eu queria me virar, queria cozinhar, que provar pra mim mesmo que eu conseguiria fazer o que eu quisesse, e sozinho. No segundo dia acordei por volta das 7h, numa manhã bem gelada, Tomei banho, preparei meu café a base de frutas, mel e granola, e em seguida fui para o cachoeirão por cima. Também nenhuma dificuldade com a trilha ou com o gps. Quando cheguei lá, não havia mais ninguém, parece q só eu havia decidido encarar a trilha no frio. Chegando lá não dava para ver nada, tava tudo encoberto por nuvens. Sentei a beira do cachoeirão e decidi esperar. De repente o tempo começou a abrir e aquela imensidão de beleza veio se mostrar pra mim. Foi tão especialmente lindo! Depois da caminhada difícil um lindo dia, uma bela recompensa! Era Deus falando comigo! Me senti tão bem, tão agradecido por ter conseguido chegar até ali, por ter tomado essa decisão! Aquela viagem estava mesmo sendo um divisor de águas na minha vida! Retornei para a igrejinha, fiz o jantar e fiquei o restante da noite na fogueira, ouvindo as histórias do pessoal e trocando um pouco de ideia com os outros visitantes! No dia seguinte peguei a mochila e fui para a Prefeitura, outra casa de apoio dentro do vale do pati. Novamente nenhuma dificuldade com a trilha e a mochila já pesava menos, tendo em vista que eu decidi consumir boa parte da comida, pra não ter q carregar mais, e ir comprando mantimentos nas casas de apoio mesmo, apesar do preço mais salgado. Deixei minha mochila na prefeitura e segui para a cacheira do calixto, apesar do tempo frio. A trilha apesar da muita lama, é fácil, já que não tem bifurcações. Cheguei à cachoeira e acabei nem entrando na água, pois estava frio demais e não tinha sol, sendo assim, eu iria ficar encharcado e com frio. Dei uma cochilada enquanto o sol ia e vinha com constância. Umas duas horas depois resolvi voltar para a prefeitura. Na volta levei uma queda feia, caí em cima de um amontoado de pedras. Minhas costelas bateram em uma pedra pontuda. Fiquei sem ar, não conseguia me levantar, e como a queda foi dentro de um pequeno córrego, estava também todo molhado. Sentei por alguns minutos para recuperar o ar. Meu pulmão parece que não conseguia expandir direito e eu não havia levado qualquer analgésico, outro erro grave, tendo em vista q eu estava sozinho e deveria estar preoarado para coisas assim! Consegui levantar e terminar a trilha com certa dificuldade, já que a chuva ganhara força e o lamaçal exigia ainda mais esforço, mas cheguei bem à prefeitura, me mediquei, tomei um banho, fiz um risoto rapidinho e fui descansar. No dia seguinte a costela e o ombro doíam demais. Pra minha sorte tinha levado Tylex, um analgésico mega potente. Coloquei a mochila nas costas e segui para a casa do Sr. Eduardo. A parte baixa do pati é um pouco mais complicada que a parte de cima, já que tem mais trechos de mata, todavia, com o gps foi fácil chegar ao meu destino. Lá deixei a mochila, descansei um pouco a beira do rio e segui para fazer a trilha do cachoeirão por baixo. A mata estava bem fechada e as pedras escorregadias. Não tive dificuldades para me localizar, mas a trilha é difícil. Quando cheguei ao primeiro poço dei um mergulho e tentei seguir para o segundo poço, o do coração, mas não consegui encontrá-lo. O celular descarregou e eu tive q ir sem gps. Subi (muito) e desci pedra, perambulei um bocado, mas nem sinal do poço, então, visto que as pedras estavam bem escorregadias, eu decidi voltar, pois uma queda ali poderia acabar com minha viagem ou até me colocar em perigo. Voltei então para a casa do Sr. Eduardo já com tempo aberto. Eu estava leve e muito orgulhoso de mim, pois tinha descido todo o pati, e, mesmo com um certo receio por estar sozinho, não exitei e seguir. Bateu até um certo arrependimento por ter abortado a ideia da fumaça por baixo, já que eu teria conseguido sim concluir a travessia inteira, como havia planejado antes! A essa altura sabia que seria capaz de chegar onde eu quisesse. Comprei legumes na casa do sr. Eduardo ao preço de R$ 1,00 cada e fiz uma sopa para a janta, logo após, depois de um papo com um simpático pessoal de Brasília, fui dormir. Nesta manhã me dei ao luxo de acordar às 9h. Fiz um rápido café e iniciei a trilha volta para a igrejinha. A única dificuldade era a dor na costela. Chegando à igrejinha deixei a mochila e fui até a cachoeira dos funis. O acesso não é tão fácil, já que a lama e o desce e sobe pelas encostas dos morros dificultam um pouco nossa vida. Nesse dia, apesar do frio, me arrisquei a um bom banho (devia ter feito isto no Calixto tbm). Era meu último dia no Pati, mas eu estava feliz demais com aqueles dias. Estar sozinho me fez ver o quanto é bom poder estar consigo mesmo, se ouvir, pensar, repensar, tomar decisões, enfim... às vezes temos medo da solidão, não sei porque! Um outro homem, mais sagaz e corajoso, iria sair daquele vale, e eu sou de uma gratidão eterna à Chapada Diamantina por isso... Na manhã da sexta fiz a trilha de volta para o vale do capão, saindo da igrejinha. Agora sem o peso da comida e com uma enorme leveza na alma... Usei a noite da sexta para descansar. No sábado consegui uma carona com um mineiro que havia encontrado no Pati, que me levou até Palmeiras, com direito a uma parada no Riachinho. Também no carro conheci o Esdras, um mexicano que está há 6 anos viajando de bike. Um cara com jeito simples, uma história incrível e que, mesmo falando pouco, disse tudo que eu precisava ouvir naquele fim de viagem... Foi aí que percebi que estar sozinho é muito bom, mas que preciso sim aprender com outras pessoas e suas histórias de vida, e mais, que sou responsável por ajudar a construir um mundo melhor para [email protected], onde valia a pena viver, onde [email protected] possamos ser felizes. Um mundo com mais igualdade, amor e justiça social. Peguei um ônibus para Lençois, de onde, no dia seguinte, peguei um outro ônibus para Salvador e de lá um avião de volta para Recife. Bom, esse é o meu relato. Se você chegou até este final, espero ter te inspirado um mínimo que seja. Espero que vc saia da zona conforto, enfrente o medo e SIGA EM FRENTE... Então, saudações mochileiras! Espalhe amor, seja luz! "Hasta a la victoria siempre!" (Comandante Che)
  3. Trekking 8 dias Vale do Patí e Vale do Capão - CHAPADA DIAMANTINA - AGOSTO 2016 VÍDEO DO TREKKING COMPLETO: ( CLIQUEM EM HD ) Informações úteis sobre gastos, e sobre economizar no seu trekking ( coisa q eu não consegui fazer por falta de informação ) Período da viagem toda 01/08/16 á 15/08/16 Período do Trekking 06/08/16 á 13/08/16 Saída de: São Paulo/SP á Salvador/BA Gasto total da viagem: R$ 2.800,00 Gasto total somente do Trekking: R$1.600,00 ( Gasto do guia, com alimentação inclusa os 8 dias e hospedagem ) Roteiro da viagem: Saída de: São Paulo x Salvador ( vôo de 2 horas ) Salvador x Lençóis ( ônibus 7 horas ) Estadia em Lençóis de 02/08 á 05/08 ( para pesquisa de guias e agencias ) Trekking de 06/08 á 13/08 saindo de Lençóis para Guiné e iniciando o trekking por lá. Final do trekking no vale do Capão dia 13/08 Dia 14/08 sai do Capão destino Palmeiras para pegar o ônibus para Salvador Dia 15/08 vôo Salvador x São Paulo Roteiro do trekking: Dia 1 - saindo de Guiné até a Igrejinha ( Vale do Patí ) Dia 2 - saindo da Igrejinha para Morro do Castelo ( Vale do Patí ) Dia 3 - saindo da Igrejinha para Cachoeirão ( Vale do Patí ) Dia 4 - saindo da Igrejinho para Vale do Capão ( seguindo pelo Gerais do Vieira ) Dia 5 - saindo do Vale do Capão para Cachoeira da Fumaça Dia 6 - saindo da toca do macaco e seguindo para cachoeira do Palmital e finaliza em Lençóis Dia 7 - saindo de Lençóis para a caverna do Lapão ( travessia de 1km no subterrâneo ) Dia 8 - saindo do Vale do Capão para subir o Morrão, finaliza no Vale do Capão. Valores separados: Passagens aéreas : R$ 410,00 ( ida e volta ) pela GOL Ônibus de Salvador x Lençóis: R$ 75,00 Van do vale do Capão para Palmeiras: 15,00 Hospedagem em Lençóis: 35,00 diária ( 4 diárias ) Hospedagem no Capão: 25,00 diária ( 2 diárias ) Alimentação fóra do trekking: 235,00 Passeio de 1 dia: 200,00 ( fóra do trekking, passeio contratado em Lençóis com agencia para Grutas, pratinha e Pai Inacio ) Trekking de 8 dias : R$ 1.600,00 ( valor do guia, incluso alimentação e hospedagem nos 8 dias ) RELATOS: Iae galera, vamos lá. Antes de fazer essa viagem, pesquisei aqui no mochileiros.com e em outros sites, buscando informações uteis de como fazer um trekking econômico e sem gastar muito ( não consegui fazer isso, pois as informações sempre eram antigas de pelo menos 2 anos anteriores, ou seja, os valores mudam, tudo sobe de valor. Ou em alguns relatos as informações sobre valores são limitadas, dificilmente encontramos relatos que falam valores totais e separados, coisa q realmente é muito útil para quem quer fazer a mesma trip e não tem noção de quanto irá gastar ). Então, por falta desses valores totais, resolvi juntar uma grana e ir na cara e na coragem e pesquisar lá. A cidade principal de entrada na Chapada é Lençóis ( cometi um grave erro em iniciar tudo por lá, pois em Lençóis tudo é focado no turismo "gringo" e tudo é muito caro, desde agencias de turismo á guias avulsos). Cheguei dia 02/08 e fiz 4 dias de pesquisas em Lençóis, indo em agencias, indo na associação de guias da cidade e até encontrar um guia avulso que não faz parte nem de agencia e nem da associação ( Zé de Maninha, um nativo de 40 anos e já é guia a pelo menos uns 20 anos ), dei sorte de encontrar um grupo de franceses que tbm queriam economizar e fechamos com esse guia. Inicialmente o grupo era de 6 pessoas, e de 250,00 conseguimos negociar para 200,00 a diária por pessoa ( se vc esta achando caro, faça o trekking de 8 dias e depois vc verá que valerá a pena ter gasto isso, pois vc não se preocupará com nada, o guia fará todas as alimentações para o grupo e as hospedagens nas casas de nativos já estão inclusas ). Chegamos ao valor de 200,00 por pessoa a muito custo, pois o valor normal cobrado nas agencias em Lençóis é de 350,00 por pessoa a diária... e na associação o valor chega á 300,00 a diária por pessoa ... já no nosso caso, como era guia avulso conseguimos negociar após um dia inteiro de conversa, pois devido ao grupo ter 6 pessoas o guia resolveu sair do valor inicial de 250,00 por pessoa para 200,00 por pessoa ( dessa forma ficou agradável para todos, e com a ressalva de que não poderíamos falar sobre isso com ninguém rsrsrsrsrs, pois todos os guias tem uma tabela fixa a seguir ) Ou seja, entendendo os valores: Agencias 350,00 a diária por pessoa / Associação 300,00 a diária por pessoa / Guia avulso nativo 250,00 a diária por pessoa ( choramos muito e fechamos a 200,00 pq o grupo era grande ) . Por que optei por guia? Porque me senti mais seguro, afinal eu não conhecia nada na chapada e há muitos relatos de pessoas que fazem as trilhas sem guia e se perdem e passam por muitos problemas. Há um desaparecido desde dezembro 2015, um gringo espanhol q fez o trekking vale do pati sozinho, ainda está desaparecido, com cartazes com a foto dele colados em postes nas cidadezinhas das redondezas. Durante o trekking encontrei poucos aventureiros solitários fazendo as trilhas sozinhos, alguns já conheciam bem o local, pois já era a segunda ou terceira vez que faziam... ja outro que encontrei sozinho, era sua primeira vez lá, estava sozinho com o auxilio de um aplicativo de trilhas, porém ele já é bem experiente em trilhas, estava bem equipado, com vestimentas corretas, nesse caso ele estava seguro de sí. No meu caso, eu não estava seguro de mim rsrsrs para arriscar fazer um trekking de 8 dias sozinho em trilhas q não conhecia ( apesar de estar bem equipado e com vestimentas corretas ) Sobre guias: Dependendo do seu bolso, vc pode optar em fechar direto com uma agência, valores mais caros, porém vc não terá trabalho para ficar pexinxando valores ou caçando guias mais baratos. Ou pode ir direto na associação em Lençóis que tbm tem seu preço fixo. Porém, se vc não esta com tanta grana assim, o ideal é sair pesquisando, existe muitos guias avulsos pela cidade, oferecendo passeios curtos, basta perguntar se fazem o trekking do vale do pati e do vale do capão, lembrando que, quanto maior for grupo mais fácil de negociar os valores. O guia avulso mais barato que encontrei foi de 140,00 a diária por pessoa, mas não senti confiança, pois o mesmo estava com um bafo de cachaça terrível rsrsrsrsr ... após 4 dias de pesquisas, encontrei o guia Zé de Maninha que já estava com um grupo de franceses e inicialmente eramos em 6 pessoas e negociamos um bom valor por pessoa. fechamos com ele. Existe muitos guias avulsos em Lençóis, muito cuidado, alguns são novatos e não tem nem noção de nada, estão alí somente pela grana, afinal 250,00 por pessoa a diária é uma baita grana. Cuidado!!! Abaixo vou indicar uma excelente guia. Sobre em qual cidade é melhor para iniciar seu trekking: A cidade maior e principal entrada na chapada é Lençóis ( mas não recomendo pois é muito cara ), Lençóis é bem estruturada com uma pequena rodoviária, no centrinho tem 2 mercadinhos, 2 farmácias, 1 agencia do banco do Brasil e 1 Lotérica e muitos restaurantes, 1 loja grande de roupas de trekking e vários utensílios, 1 agencia dos correios, 1 batalhão da PM, muitas agências de turismo e varios hostels e pousadas de valores q variam de 40,00 a diária há 400,00, além de ter super-megas hotéis de luxo de alto padrão. O que mais complica nessa cidade é o valor fixo tabelado dos guias para fazer trekking . Existem outras cidadezinhas menores, mais baratas, porém, menos estruturadas, que tbm fazem parte da chapada e são focadas no turismo, como: Andaraí, Guiné, Mucugê, Igatú e Vila do Capão ( todas elas tem agencias de turismo, hostels, pousadinhas, guias avulsos ) ... de todas essas conheci apenas a vila do Capão que faz parte do vale do Capão, é uma pequena vila, não existe bancos, apenas 1 mercadinho, varias pousadas e hostels e campings. Tem algumas pequenas agencias de turismo lá com valores fixos de diárias para trekking á 250,00 por pessoa , porém há guias avulsos tbm que de primeira lhe oferecem o mesmo valor de diária para trekking, porém se vc estiver com um um grupo razoável, esse valor pode cair bem... uma vez já estando na vila do Capão fica muito mais fácil de se iniciar a trilha para o vale do Patí por lá, sem a necessidade do guia ter q alugar um carro... o custo de um aluguel de um carro para fazer transporte até o inicio de alguma trilha sai muito caro. Por isso aconselho quem quiser economizar em guia, melhor é ir direto para a vila do capão e já vá com dinheiro sacado, pois lá não existe nenhum tipo de caixa eletrônico. Como chegar na vila do Capão indo direto de Salvador? Pegando o ônibus na rodoviária de Salvador com destino a Lençóis, na hora da compra da passagem, ao invés de vc informar q irá descer em Lençóis, vc avisa que vai descer uma cidade depois q é a cidade de Palmeiras, terá um acréscimo de uns 10,00 na passagem por isso... Descendo em Palmeiras já terá carros ou Van q vão para a vila do Capão á espera dos passageiros do ônibus, eles já abordam os turistas informando que tem carro ou van para o Capão, o valor é fixo e custa 15,00 por pessoa, e pronto, basta pegar esse carro ou van e descer no Capão. Lá é só procurar hostel ou camping que vc encontrará com facilidade. Tenho boas indicações do Capão: Hostel do Marivaldo ou Mariva ( Hostel trekking Bahia ) valores de diária a 30,00 por pessoa ... ou a pousada Sempre Viva com quartinhos separados com banheiro individuais, custo de 35,00 por pessoa e no mesmo lugar tem camping que custa 15,00 por pessoa. No Capão indico a guia Luana 75 992897498 Instagram @luanaharf ... excelente guia, conhece todas as trilhas do vale do patí e do vale do capão, seu valor médio é 250,00 a diária por pessoa, mas caso esteja com grupo grande pode ser negociável. vale muito a pena, pessoa de energia muito boa, 100% conectada com a natureza, centrada, educada e muito bem informada. Sobre o aplicativo de trilhas: existem vários aplicativos de trilhas, algumas pessoas já fazem uso, mas existe um pequeno problema nisso: o parque nacional da chapada diamantina é uma reserva florestal, e de tempos em tempos, algumas trilhas são fechadas para que possam se reestruturar de forma natural, pois devido ao grande fluxo de trilheiros, vegetações vão sendo degradadas e é preciso reestruturar isso. E com o aplicativo as vezes lhe mostrará uma trilha e na hora vc irá perceber que a trilha não existe mais, pelo simples fato dela estar em processo de reestruturação, a vegetação cresceu e cobriu a trilha. Nesse caso é muito fácil se perder. O próprio cara q estava sozinho com aplicativo, havia se perdido numas trilhas da cachoeira da fumaça por baixo, devido a vegetação já ter coberto toda a trilha. Sem contar q após o grande incêndio que teve na chapada no ano de 2015, muitas trilhas foram perdidas e muitas áreas estão em processo de reestruturação ambiental, com restrições de acesso. Nesse caso, melhor mesmo é fechar o trekking com um guia experiente, pois o mesmo tem o conhecimento e sabe por onde ir sem afetar as áreas protegidas. E com guia tudo é muito mais seguro. Sobre o cuidado com a natureza: existe aquela velha frase "leve seu lixo de volta com vc" , e essa frase é levada ao pé da letra mesmo pelos frequentadores da chapada diamantina, os próprios guias tem total conscientização disso e sempre alertam para não deixarmos nada durante o caminho, caso durante a trilha for encontrado algum lixo ou objeto o próprio guia recolhe para jogar no lixo na próxima cidade ( aliás, lixo quase não se vê nas trilhas da chapada, todos estão de parabéns pela conscientização e que continuem preservando aquele paraíso ) Sobre fazer suas necessidades "xixi e coco": Assunto muito importante a ser tratado, durante as trilhas é inevitável não fazer "xixi ou coco" afinal, as vezes, dependendo da urgência, não conseguimos segurar. Então a melhor dica é fazer fóra das trilhas, numa moita qualquer, para não ter cheiros desagradáveis... já o seu "coco" é aconselhável cavar um pequeno buraco na terra fóra da trilha e depositar lá suas fezes junto com o papel higiênico, após o término, cubra com a terra. O papel higiênico se degrada muito rápido e não afetará gravemente a natureza. Sobre o grande incêndio que devastou boa parte da chapada em 2015: Segundo informações dos guias, o motivo do grande incêndio foi de uma turista carioca que fez "coco" e ao invés de enterrar o papel higiênico junto com as suas fezes, ela decidiu queimar o papel, com isso o fogo pegou na baixa vegetação seca da região e com a ajuda do vento se espalhou por boa parte da chapada e durou cerca de 32 dias de devastação. varias espécies animais morreram, a degradação ambiental ainda é visível nas áreas afetadas. E durante muito meses a população local ficou sem seu ganha pão, q é focado no turismo. Então é realmente importante não fazer nenhum tipo de fogo, nem fogueiras, sem jogar bitucas de cigarro, nem ter a brilhante ideia de colocar fogo em papel higiênico usado. ( VAMOS TER CONSCIÊNCIA ) Vale a pena fazer o trekking Vale do Patí? Com certeza! rsrsr... se vc for uma pessoa que gosta da natureza, curte essa conexão, gosta de admirar paisagens, montanhas, vales, cachoeiras, bixos e aprecia o silencio e paz da natureza, então o trekking do Vale do Patí é ideal pra vc. Sempre houvi falar que o Vale do Patí era a trilha mais bonita do Brasil, e realmente é. Vale muito apena para quem curte trekking. Mas se vc não é adepto a longas caminhadas, oriento a não fazer, pq vale do Pati exige um bom esforço físico. O que levar num trekking desse e como se preparar? Foram 8 dia de trekking, caminhando durante 7h ou 8h por dia com a mochila cargueira contendo 10kg nas costas e a noite apenas descanso ( dormir ) para o dia seguinte fazer tudo dinovo. Então leve apenas o necessário levar... esqueça shampoos e condicionadores, perfumes e coisas q não serão uteis. Sobre se preparar fisicamente para um trekking longo desses, é fundamental. Eu já estou acostumado a trilhas e longas caminhadas, mas nunca havia feito um trekking de 8 dias seguidos, eu sofrí um pouquinho rsrsrs. Mas mesmo com todo o cansaço, joelho doendo e pés; Viver tudo aquilo valeu muito a pena. Conexão com a natureza, respeito mútuo, e as experiencias trocadas com outros pessoas. Não tem preço! O que levei foi: 1 mochila cargueira de 60 litros da Quechua 1 mochila de ataque de 8 litros da Quechua 1 peça de roupa para fazer as trilhas durante o dia ( a mesma para todos os dias, só q todo final de tarde, eu lavava essa roupa e de manhã já estava seca, tecido correto para caminhada e trilha, secagem rápida e absorvição de suor ) 1 peça de roupa para dormir ( calça leg específica dry-fit, bermuda dágua, camiseta manga longa dry-fit, e uma camiseta manga curta dry-fit .. esse tipo de tecido é muito bom pois mantém a temperatura do corpo, absorve suor e vc não sente frio, para a chapada q no mês de agosto chega a registrar 12º a noite dentro do vale do patí , passei muito bem somente com essas roupas... peças leves e que não fazem volumes e de secagem rápida ) 1 bota para trilha 1 chinelo havaianas para tomar banho ou descançar os pés a noite 1 bolsinha necessaire, pequena, apenas pra guardar pasta de dente, escova de dente,sabonete, remédios, desodorante e pomadas 1 capada de chuva fina, e leve 3 pares de meia dry-fit 4 cuecas dry-fit 1 oculos de sol 1 bastão para trilha ( isso foi fundamental para mim, algumas pessoas não usam ) 1 garrafa de alumínio 1 litro de água Comprimidos de purificação de água Clorin 1 1 toalha de banho 1 protetor solar 1 repelente 1 lanterna pequena de led com pilhas extras ( recomendo aquelas para fixar na cabeça, assim vc fica com as mãos livres ) Outros itens somente no meu caso ( câmera fotográfica e GoPro com baterias extras ) e ( 500g de frutas secas, desidratadas e castanhas, para aquele lanchinho fóra de hora ) Acredite, somente esses itens lotou minha mochila e chegou a 10kg... e 10kg em 8 horas de caminhada diárias, vc sentirá com certeza rsrsrs Por que é importante a vestimenta correta? Existe roupas e tecidos específicos para cada atividade física. Algumas pessoas podem achar frescura ter que comprar alguma peça de roupa especifica para trekking. Eu não achei frescura, para mim foi muito útil. Mêses antes, fui comprando aos poucos essas peças de roupas, claro que pesquisando antes, lendo em fóruns na internet e até mesmo na própria loja. Aqui em São Paulo tem a loja Decathlon, especializada em todo tipo de esportes, inclusive trekking... lá comprei quase tudo que levei: Mochila cargueira Quechua 60litros, muito boa com suporte para as costas e lombar, não senti nenhum incomodo nas costas durante todo o trekking. Roupas dry-fit para caminhada e trilhas, calça balyhoo ( aquela que tem zipper na altura do joelho e vira bermuda, muito boa, tecido de secagem rápida ) Investi bem em tecido dry-fit, por absorver o suor e mantém a temperatura do corpo, seja no calor ou no frio razoável, peguei noite de 12º no vale do pati e não passei frio, não levei nenhum agasalho pesado, somente a calça leg adidas dry-fit para caminhada e corrida, a camiseta manga longa adidas dry-fit para caminhada e corrida, e uma camiseta manga curta tbm dry-fit da adidas ( todas para o calor e para usar no sol, com proteção UV50, devido as longas caminhadas no sol e a absorvição de suor, mesmo sendo para calor, elas protegeram bem no friozinho da noite. Caso vc for fazer algum trekking para regiões muito frias, existe outros tipos de roupas dry-fit específicas para o frio) ... Claro q essa loja é muito cara, mas vale a pena o investimento, afinal o que vale é o conforto e leveza na hora de carregar tudo dentro da mochila. E algumas dessas peças dry-fit estou fazendo uso na academia, ou seja, acabei não só comprando peças de roupa para uso somente do trekking, esta servindo para meus treinos diários de musculação e croosfit. Mas se vc é daqueles trilheiros que não se importam com essas "frescuras", somente aconselho a não ir de calça jeans, nem de bermuda jeans e nem de tênis que não seja apropriado para longas caminhadas... recomendo uma boa e velha bota de trilha, pois depois de tando andar, a bota correta segura bem e amortece corretamente o peso do seu corpo e da mochila. Curiosidades da Chapada: Dependendo do mês que vc for a chapada, vc se sentira em outro país, pois o numero de turistas gringos é surpreendente. No mês de agosto, ví muito franceses por lá, vários grupos, tinha até guia francês ... além dos franceses, tinha muitos holandeses, alemãs, belgas, Britânicos, Espanhóis, Irlandeses, Árabes.. ou seja, é um prato cheio para fazer novas amizades e conhecer um pouco da cultura de outros países. Na primeira noite do trekking, fizemos uma fogueira no local correto orientado pelos guias, e em volta da fogueira juntaram-se todos os grupos, umas 30 pessoas +ou- ... sendo que desses 30 turistas apenas Eu e meu amigo eram brasileiros rsrsrsrs Outra curiosidade é sobre Ufologia. Existe muitos relatos de avistamentos de Ovinis na chapada e região. Mucugê é a cidade onde mais há avistamos. O Morrão é um ponto forte de avistamentos no vale do Capão. Existe muitas expedições de ufólogos do mundo inteiro para essa região, devido ao grande numeros de relatos. Infelizmente eu não ví nada rsrsrs... ( Há quem acredite e há quem não acredite... mas se existe E.T ou não, somente o mistério que ronda a chapada já vale a pena ). Sem contar no céu mega-estrelado nas noites sem nuvens do vale do Patí... vc vê claramente a via láctea inteira... é fantástico... quem gosta de ver estrelas e planetas, pode baixar o aplicativo Carta Celetes e viajar apontando o celular na direção do céu, o aplicativo mostra cada estrela com seu nome e cada planeta, vale a pena! É isso galera, espero ter ajudado alguém com essas informações. Qualquer duvida é só perguntar que na medida do possível vou respondendo!!!
  4. Antes tarde do que nunca, relataremos a seguir uma viagem que eu e B.G. fizemos de carro para curtir tranquilamente a Chapada Diamantina. Como já conhecíamos Lençóis e seus arredores, desta vez optamos por explorar outras paisagens e encontramos boas surpresas, como a vila de Igatu, um lugar encravado no meio das montanhas, com muitas trilhas e moradores cheios de histórias pra contar. A viagem durou 14 dias e começou em Brasília, no dia 13 outubro de 2012. Segue o relato, esperamos que ajude! Gastos prévios (todos os valores são para duas pessoas): - gasolina (32 litros) R$82,90 - lanche para estrada R$ 16,50 - lanches viagem R$52,30 Dia 1 - De Brasília a Ibotirama/BA Saímos de Brasília às 07hs30min, passamos por Posse/GO, Luiz Eduardo Magalhães/BA, Barreiras/BA e, depois de rodados pouco mais de 800km, chegamos em Ibotirama/BA, onde pernoitamos. Chegamos às 16hs e fomos direto para o Hotel Velho Chico (depois da ponte, à esquerda), pois tínhamos uma indicação de lá. O hotel é meio caído, o quarto estava sujo, mas valeu pela localização e saída direta para o Rio São Francisco: tomar uma cerveja gelada de frente para o rio e assistir ao espetáculo do pôr do sol não tem preço. Gastos do dia: - gasolina (27,47 litros) R$82,08 - 2 cervejas R$10 - isca de peixe R$23 Dia 2 - De Ibotirama ao Vale do Capão Pegamos a estrada às 7hs, rumo ao Vale do Capão. Passamos por pequenos vilarejos, à beira da estrada e em meio à paisagem árida, porém bonita. Mais bonito ainda é quando começamos a avistar os picos da Serra do Espinhaço, seus morros e chapadões. Depois de rodar pouco mais que 200km chegamos em Palmeiras, cidade que preserva algumas construções históricas e coloridas. Paramos, caminhamos um pouco e seguimos viagem. De Ibotirama até Palmeiras, a estrada estava toda asfaltada e em bom estado de conservação. De Palmeiras até a chamada Vila do Capão (ou Vila Caeté-Açú) são 28km de estrada de terra. Chegando na Vila do Capão fomos direto para a Pousada Pé no Mato, logo depois da ponte, na rua que dá acesso ao centrinho. A pousada é excelente: ótima localização, muito limpa e café da manhã farto. O local oferece diferentes tipos de acomodação: chalés individuais, suítes com varanda, suítes simples e quartos coletivos com banheiro compartilhado (tipo hostel). Optamos pelo chalé, com direito à rede na varanda e vista para a montanha. Tomamos uma cerveja no boteco da praça, experimentamos o delicioso pastel de palmito de jaca da Dona Dalva e jantamos um PF no restaurante da Dona Deli. Site Pé no Mato: http://www.penomato.com.br/ Gastos do dia: - hotel Velho Chico R$80 - gasolina (42L) R$124 - uma cerveja no boteco capão R$5 - 2 pastéis dona Dalva R$5 - 2 PF R$22 Dia 3 - Vale do Capão O café da manhã da Pé no Mato era servido a partir das 08hs, o que consideramos um ponto negativo. Mas vale a pena esperar, pois é muito bem servido: três tipos de suco, café, leite, frutas, granola, mel, queijo, pão quentinho, ovos mexidos, mingau de aveia, inhame cozido, banana da terra, beiju de tapioca, cuscuz de milho, tudo servido num ambiente super aconchegante. Partimos a pé para a trilha do Rio Preto e Cachoeira das Rodas, tínhamos algumas referências que encontramos no mochileiros. Caminhamos, caminhamos e eis que descobrimos que estávamos na trilha errada, quando encontramos um grupo que nos avisou que aquela era a trilha para a Serra do Candombá. Demos meia volta e pegamos a trilha “certa”. Após algumas subidas e descidas chegamos os poços do Rio Preto, que estavam bastante secos, devido à temporada de seca prolongada daquele ano. Demos um tempo e seguimos para a Cachoeira das Rodas. Chegamos num grande “escorregador” de pedra, pocinhos e banheiras naturais, mas com pouca água. À noite jantamos no café e restaurante natural O Galpão, na primeira rua à esquerda da rua da pousada (em direção ao centro). Comida saudável e gostosa, vale a pena. Gastos do dia: - cartão telefônico R$3,80 - restaurante O Galpão: suco, tagliarini e crepe R$24,50 Dia 4 - Vale do Capão Fomos de carro até a cachoeira Conceição dos Gatos, no povoado vizinho à Vila do Capão. Lá tem um poço gostoso, uma pequena queda d’água e bela vista para o vale. Na volta paramos para conversar com Zezão e Zenaide, que moram na entrada da trilha e cuidam do lugar. Batemos um bom papo regado a café, ambrosia e cocadas preparadas por Dona Zenaide. Jantamos na Pizzaria Integral Capão Grande, famosa por servir apenas dois sabores de pizza, um salgado e um doce. Local agradável e pizza gostosa. Gastos do dia: - 2 entradas cachoeira R$4 - doces R$10 - pizza e cerveja R$29 Dia 5 - Vale do Capão Fomos de carro até a comunidade do Bomba, de lá seguimos caminhando por uma trilha super agradável que leva ao Poço da Angélica e à Cachoeira da Purificação. Mais tarde lanchamos na Toca do Açaí, ao lado do restaurante O Galpão, lugar agradável e atendimento simpático. Comemos sanduíche natural e deliciosos pastéis assados recheados com palmito de jaca. Gastos do dia: - internet R$1 - cerveja R$3,20 - 3 pastéis e 1 sanduíche natural R$10 - cerveja R$5 - água 5L R$6,50 Dia 6 - Do Vale do Capão a Igatu Às 9hs45min deixamos a Vila do Capão, preferimos ir pela BR e não seguir por Guiné, pois o tempo estava meio chuvoso no vale. Passamos por Palmeiras, depois pelo Morro do Pai Inácio (estava bem nublado e já conhecíamos, por isso não subimos), pegamos trechos da BR 242 com intenso movimento de caminhões, seguimos por Andaraí e, finalmente, pegamos a estrada de pedra que leva a Igatu (6km). Estávamos ansiosos para conhecer Igatu e acabamos ficando lá por mais tempo do que o programado, mas menos tempo do que gostaríamos. A vila guarda histórias, gente e paisagens incríveis. Nos hospedamos na Pousada Flor de Açucena, bem na entrada da vila. A construção da pousada procurou preservar as características do local, de modo que grandes pedaços de rocha integram os quartos e demais ambientes. A pousada tem um lindo quintal, com muitas plantas e pássaros, sala de TV com aparelho de DVD, piscina, sauna, cozinha comunitária (os hóspedes podem cozinhar ali), área para barracas e acesso privativo ao Poço da Madalena. Recomendamos a Flor de Açucena! Fomos até o restaurante Água Boa e conhecemos o simpático Neo, que há oito anos administra o lugar. Experimentamos o godó de banana (prato regional) e comemos uma porção de carne de sol. Os preços das comidas não são muito amigáveis, mas o ambiente é agradável, o Neo é uma figura, a comida é boa e tem todo tipo de cachaça curtida em ervas e raízes. Conhecemos o Poço da Madalena e depois fomos até as ruínas da época do garimpo intenso em Igatu, passando pelo cemitério e pela igreja de São Sebastião, toda de pedra. Depois fomos à Galeria de Arte e Memória, próxima a igreja. As ruínas, o casario, as ruas de pedra, a comunidade, tudo faz de Igatu um cenário muito especial. Saímos caminhando pelas ruelas de Igatu em direção à praça central, vimos que o bar do Chiquinho estava aberto e fomos até lá. Chiquinho é um dos grandes personagens de Igatu e estávamos ansiosos para conhecê-lo. Durante as várias conversas que tivemos, Chiquinho nos contou que, alem de guia (“o mais famoso de Igatu”), ele é também raizeiro, grande conhecedor de plantas medicinais e seus usos, mestre de obras, “corretor” de imóveis, dono de bar, assistente de pesquisa (colaborou com vários pesquisadores que estudaram a região), caseiro, figurante de filme (aparece no filme O Homem que não Dormia)...enfim, muitas habilidades, mas sobretudo é trilheiro e montanhista! Seu bar fica na praça central de Igatu e abre apenas quando Chiquinho não está ocupado com seus outros afazeres ou quando dá na telha, pois ele não tem funcionários. Cachaças e infusões de ervas medicinais se misturam a objetos encontrados nas antigas “tocas” de garimpeiros espalhadas pela mata ao redor de Igatu, fotografias, livros, cartazes... Conversando com Chiquinho soubemos da grande queimada que deixou a Rampa do Caim em cinzas e que ele já havia combinado com outro casal de fazer a trilha da cachoeira da “Visagem”. Essa trilha tem partes que antigamente eram utilizadas pelos garimpeiros, mas estava fechada há muitos anos. Toda vez que avistava a Visagem, lá de longe, Chiquinho dizia: "ainda vou lá". Então conversou com um morador antigo da vila, pediu as referências e iniciou o processo de abertura e limpeza da trilha. Foram 31 dias de trabalho duro! Então lá fomos nós encarar essa “nova” empreitada. Site Pousada Flor de Açucena: https://sites.google.com/site/igatur/ Gastos do dia - 4 diárias da pousada no capão R$480 - taxa serviço pousada R$25 - gasolina (27L) R$77,55 - Restaurante Água Boa, almoço: 2 cervejas R$10; dose cachaça R$1; godó R$6; carne de sol R$16. lanche: 2 pasteis, caldo de feijão e cachaça R$10 - capuccino na galeria de arte R$5 - cerveja no bar do Chiquinho R$4 Dia 7 - Igatu Tomamos café da manhã na pousada, observando os pássaros que chegavam para comer as frutas nas árvores ao redor. O local onde é servido o café da manhã é muito agradável, dava vontade de passar horas ali. Conhecemos Alain e Juscilene, os donos da pousada, e logo depois chegou Chiquinho, com um ramo de arruda da serra, boa pra curar rinite e sinusite. Na noite anterior inalamos a infusão preparada por ele com a planta, mas nada se compara à sensação de cheirar a própria folha, após esmagada com os dedos e extraído o seu óleo: passados alguns instantes, os olhos ardem e lacrimejam muito, e ainda sentimos uma dormência se irradiar do topo da cabeça até a nuca. O efeito dura em torno de um minuto. *Trilha da Visagem Perto das 9hs iniciamos a “trilha da Visagem”. Valente, o cachorro do Chiquinho, também nos acompanhou. Iniciamos subindo a rua ao lado do bar do Chiquinho, passamos por algumas casas de pedra construídas e alugadas por ele. Logo saindo da vila já tem várias áreas reviradas em busca de diamante. Seguimos por meio de um dos canais de garimpagem até atingir a vertente da margem direita do Rio dos Pombos. No caminho, alguns pequenos poços, muitas bromélias, orquídeas, cactus e plantas medicinais que Chiquinho foi apresentando: “velame” é planta boa para curar infecção urinária; “pedestre” é bom para dores e “esquecimento”; “arruda da serra” é bom para rinite e sinusite, dentre outras. Também encontramos a “batata da serra”, que colhemos e trouxemos para comer. Nesse trajeto ainda há muitas tocas e nestas são encontrados utensílios utilizados antigamente nos garimpos. Continuamos subindo até chegar à toca do Chiquinho, onde descansamos, pois já estávamos caminhando por uma hora. Logo descemos para atravessar o rio e começar uma subida mais íngreme até contornar a primeira vertente na direção noroeste. Depois de subir e subir, ao atingir a passagem da vertente da margem esquerda, mais uma parada para descanso, onde já avistamos parte da baixada de Andaraí e logo continuamos mais a oeste, quando foi possível também ver um casal de águias. Mais adiante passamos por um lajedo e encontramos o que, segundo Chiquinho, seriam fezes de onça. Mais subidas íngremes, até chegar ao leito do rio, que estava completamente seco. Caminhamos por ele, contornamos um paredão, escalamos umas pedras ao lado do que seria a queda d'água da cachoeira seca (onde Chiquinho disse que ira colocar cordas, para garantir o acesso na época de chuvas), avistamos parte da “ladeira do império”, de um lado, e Marimbus e praias do Paraguaçu, para as bandas de Andaraí...se forçar bem a vista para o norte – diz ele – o que se vê é parte da crista da Cachoeira da Fumaça. Caminhamos um pouco mais e logo chegamos ao topo da Cachoeira da Visagem. A volta foi mais rápida, pois não paramos para descansar e já estava ficando tarde. O passeio durou o dia inteiro e terminou no poço das “cadeirinhas”, umas 17hs30, para um banho revigorante e um belo pôr do sol. Chiquinho nos contou que toda vez que percorria a Rampa do Caim avistava a Visagem e dizia que um dia iria até lá. Por ali, já passaram muitos garimpeiros e, no auge da exploração de diamante, comunidades viveram no que hoje são ruínas. Muitos caminhos antigos foram fechados pela mata densa e a idéia de Chiquinho é abrir e limpar alguns desses caminhos, fazer novas trilhas, mas para isso precisaria de mais apoio financeiro, inclusive dos donos de pousadas de Igatu, pois esse trabalho certamente estimularia o turismo no vilarejo. Fazer a trilha com Chiquinho é um privilégio! Pelas histórias, pelo conhecimento, pelo amor que ele tem pelas montanhas. Segundo Chiquinho, após a reabertura daquela trilha, apenas seis pessoas, contando com nós quatro, foram até lá com ele. Chiquinho é muito doido, se embrenha na mata, não tem medo de nada. Para acompanhá-lo é preciso disposição física e um bocado de cautela. O bom é que, na ida, ele vai parando, explicando tudo, mostrando as plantas, contando causos, sem pressa. No fim do dia, uma gelada no bar do Chiquinho e janta no restaurante da Edilurdes, o Xique-Xique, onde tem um PF bem servido, gostoso e com ótimo preço. Depois fomos conhecer o Seu Guina, outro “personagem”, dono do Bar Igatu, também na praça central, que funciona há 39 anos e onde vende-se de tudo um pouco. Gastos do dia: - guia R$50 - cerveja R$2 - 2 PF e 2 cervejas (lata) R$25 Dia 8 – Igatu O plano inicial era partir para Mucugê, mas era difícil deixar Igatu...Faltava conhecer outro grande personagem da vila: Amarildo dos Santos, que já foi professor, telefonista (quando Igatu tinha um posto telefônico), hoje trabalha no Centro de Atendimento ao Turista (quando está aberto), tem um pequeno comércio na sala de casa (ou “ponto do Amarildo”), é “fã número 1” da Xuxa e do Roberto Carlos e, sobretudo, é o guardião da memória de Igatu. Amarildo tem um verdadeiro arquivo público em sua casa. Fez, por conta própria, um censo da comunidade, que é atualizado constantemente ou conforme o transcorrer dos fatos em Igatu. Tem os dados exatos da população de Igatu: naquele dia 20 de outubro de 2012 moravam na vila 382 pessoas (até o dia anterior eram 386, mas 4 se mudaram para Mucugê). Os nomes de cada um dos moradores, sua idade e genealogia, estão registrados no caderno de Amarildo, e ele ainda classifica os moradores por gênero e se é nativo ou não-nativo. Há também o registro dos moradores temporários, dos carros e motos, dos turistas que visitam o seu “ponto” (são convidados a anotar o nome e a procedência em um dos cadernos). Amarildo também tem pastas organizadas por temas: pessoas famosas que visitaram Igatu, artistas que se apresentaram nos festivais de música de Igatu, meios de comunicação em que seu nome foi citado, dentre outros. Além disso, Amarildo é escritor, tem sete livros, que a cada ano recebem uma nova edição e são vendidos em seu “ponto”, todos manuscritos. As capas das edições de 2013 estavam expostas na parede e sobraram apenas dois exemplares de 2012 para vender, um sobre as atrações turísticas de Igatu e outro sobre a história de Amarildo. Compramos o segundo. Antes de deixarmos a sua casa, que fica bem próxima à praça, Amarildo ainda nos presenteou com dois lindos colares de semente de eucalipto, confeccionados por sua esposa. Passaríamos horas conversando com ele. Mais tarde encontramos Chiquinho na praça e ele abriu o bar para nós. Tomamos uma cerveja e conversamos um bocado. Chiquinho tem muitos causos pra contar sobre as trilhas, os amigos, os filmes dos quais participou, histórias de Igatu... Fazia muito calor e resolvemos tomar um banho no Poço da Madalena. O cenário estava lindo, com o sol batendo nas pedras e refletindo no poço. De lá fomos jantar novamente no restaurante Xique-Xique, na companhia de Valente, o cachorro trilheiro de Chiquinho – segundo ele, Valente “adora turistas”. Chegava a hora das despedidas...fomos até o bar do Seu Guina, trocamos idéia com ele, tomamos a última cerveja da geladeira, compramos um par de chinelos, um pacote de café e um requeijão de Jussiape. Voltamos ao bar do Chiquinho, compramos uma garrafa de infusão de Arruda da Serra e nos despedimos. Passamos no restaurante Água Boa, comemos mousse de limão e nos despedimos do simpático Neo. Em Igatu, as referências são as pessoas, as personalidades locais são as grandes riquezas daquele lugar. De alguma forma, Igatu nos fez lembrar de Remedios, em Cuba... Gastos do dia: - livro do Amarildo R$20 - 3 cervejas (lata) R$6 - 2 PF e uma lata R$22,50 - compras Bar Igatu: sandália R$10, café chapadinha R$3, requeijão R$15 e cerveja R$5 - infusão R$15 - mousse de limão R$4 Dia 9 - De Igatu a Mucugê Nos despedimos de Igatu. São 22km até Mucugê, 6 deles em estrada de terra. Lá chegando, nos instalamos na Pousada Pé de Serra e saímos para conhecer a cidade. Fomos até o Cemitério Bizantino, mas nem entramos, na verdade o que mais chamou nossa atenção foi a montanha que está atrás do cemitério, um belo paredão. Depois fomos até a Praça do Garimpeiro e ao Museu Histórico Municipal – o museu é bem pequenininho, mas gostamos de ver as fotos dos pioneiros, das pessoas que ajudaram a fazer a história da cidade e da região, boa parte delas descendente de escravos (quatro deles ainda estão vivos e com quase cem anos de idade). Almoçamos no restaurante da Dona Nena, uma simpática senhora, que serve deliciosa comida caseira no fogão à lenha da sua casa. Depois voltamos para a Pé de Serra e resolvemos subir no mirante, o acesso é privativo pelos fundos da pousada e a vista é linda! Foi muito impactante ver a fumaça provocada por uma grande queimada nas serras...muito fogo e a fumaça densa cobriu Mucugê naquela tarde. Caminhamos por Mucugê, que tem praças muito bem cuidadas, casario bem conservado e é emoldurada por lindas serras. Conhecemos a Pousada Refúgio da Serra e o Restaurante Cascalho, do simpático Zé Rubens. A pousada é muito bonita e os quartos parecem muito confortáveis, mas o preço não nos atraiu: R$160,00 (casal). Porem foi bom trocar uma idéia com o Zé, que nos contou um pouco sobre a história de Mucugê. Site Pousada Pé de Serra: http://www.pousadapedeserra.blogspot.com.br/ Gastos do dia - 3 diárias pousada R$300 - água 5L + refrigerante R$7,95 - restaurante Dona Nena (R$25/kg), duas refeições, cerveja e sobremesa R$33,50 - restaurante Sabor e Arte (R$34,90/kg) R$22,50 Dia 10 – Mucugê O café da manhã da Pé de Serra é servido num local aconchegante, com fogão à lenha e é muito gostoso: mandioca e batata doce cozidas, salsicha, cuscuz de milho, mingau de tapioca, ovos mexidos, pão, bolos, frutas, sucos, café e leite. A pousada tem uma área externa agradável, mirante e quartos simples, mas aconchegantes. Fomos para o Parque Municipal Sempre Viva, que conta com uma pequena exposição sobre as sempre-vivas e a história do garimpo na região. O forte do lugar são os poços e cachoeiras: a primeira, chamada Piabinha, estava bem seca; já o Poço do Tiburtino estava delicioso para um bom banho e formando pequenas quedas d'água com água morna. O lugar é lindo, dá para passar o dia inteiro ali. De volta à cidade, compramos doces e sequilhos na Vovó Ilza, ao lado da Pousada Mucugê e em frente à agência Trilhas e Caminhos, do Roberto Sapucaia, que tem bons mapas da região (envia pelo correio). Jantamos pizza bem fininha e crocante, no simpático Café.com, em frente à praça central. Depois tomamos uma cerveja no Bar, Restaurante e Lanchonete Central, situado num sobrado tombado como patrimônio histórico nacional. Sentamos no balcão, observamos o movimento e trocamos umas idéias com Zeca, o proprietário do bar. Site Trilhas e Caminhos: http://www.trilhasecaminhos.com.br/ Gastos do dia - 2 entradas parque R$10 - doces e sequilhos R$15 - pizza grande R$25 - cerveja R$5 Dia 11 – De Mucugê a Ibicoara Saímos de Mucugê às 08hs30, até Ibicoara são menos de 100km de distância e a estrada é toda asfaltada. Seguindo a recomendação do Neo, assim quem entramos na cidade fomos direto na agência Bicho do Mato e contratamos um guia, pois não é permitido entrar no Parque Municipal do Rio Espalhado sem estar acompanhado de um guia local. Para chegar até o Parque, a estrada é de terra e a Pousada Casa da Roça fica no caminho, então aproveitamos para deixar nossas coisas no quarto que havíamos reservado. Depois levamos quase uma hora para chegar até a entrada do parque, pois fomos devagar, conversando com o guia William e observando a paisagem. Além dos R$60,00 do guia pagamos mais R$3,00 para entrar no parque (cada um). Logo após a guarita atravessamos um rio (estava bem seco e deu para passar de carro) e paramos no ponto aonde começa a trilha (quando o rio está cheio os carros param antes). A trilha para a Cachoeira do Buracão é bem tranquila: passamos por pequenos poços, cachoeiras secas e cânions. Lá é área de transição entre o Cerrado e a Caatinga e fazia muito calor. Antes de chegar no cânion do Buracão temos duas descidas íngremes pela frente, que são os únicos momentos de trilha mais “puxada”. De repente estamos entre pedras, raízes enormes e árvores maiores ainda, um cenário muito bonito. Caminhamos até o Poço da Gameleira e ali nos trocamos, deixamos nossas mochilas, vestimos o colete salva-vidas (obrigatório) e nos jogamos na água escura do rio que desce a cachoeira e atravessa o cânion. Há também a opção de atravessar por uma pinguela e ir se agarrando no paredão de pedra até o poço maior, de frente para a queda d'água. Fomos nadando, flutuando por entre os paredões do cânion, não tinha correnteza. E eis que nos deparamos com a magnífica Cachoeira do Buracão, com seus 80 metros de queda d'água. O cenário é deslumbrante, um dos lugares mais lindos que já conhecemos. Nadamos até debaixo da cachoeira e ficamos lá por alguns instantes, depois ficamos sentados numa pedra, simplesmente contemplando tamanha beleza. Fizemos o percurso de volta e, no fim da trilha, ainda paramos para tomar um banho rápido nas piscinas naturais formadas no lajedo do Rio Espalhado e apreciamos o pôr do sol. Deixamos o guia na cidade e voltamos para a Casa da Roça. A pousada é super agradável: chalés rústicos e muito aconchegantes, muita área verde, excelente café da manhã e ótimos anfitriões. No momento da reserva combinamos a janta daquela noite e valeu muito a pena! Comemos deliciosas milanesas e tortilhas servidas na cozinha da casa e trocamos ótimas idéias com Bárbara e Daniel, os donos da pousada. Site Pousada Casa da Roça: http://www.acasadaroca.com/ Gastos do dia - 2 diárias pousada Pé de Serra R$160 - 2 entradas parque R$6 - guia R$60 Dia 12 – De Ibicoara a Rio de Contas Bárbara e Daniel cuidam de tudo na pousada, são eles que preparam as refeições e fazem questão de compartilhar bons momentos com os hóspedes. O café da manhã foi um dos melhores da viagem, tudo preparado na hora e servido numa acolhedora casinha de madeira. Éramos os únicos hóspedes naquele dia e tudo era muito farto: café, leite, chá, suco, cuscuz, panqueca, doce de leite, bolo, pão caseiro, bolinho de chuva, presunto, queijo, geléia, frutas...tudo delicioso! Passamos um tempão comendo e conversando com os dois, eles tem muita história pra contar. Depois do café conhecemos um pouco mais da pousada: muitas frutíferas, um roçado e um delicioso poço do rio que passa ao fundo. Deu vontade de ficar, mas partimos para Rio de Contas no fim da manhã. O caminho que pegamos para Rio de Contas, passando por Jussiape, é quase todo de terra, passando por uma serra cheia de curvas e que requer atenção, porém é um belo trajeto e vale o empenho, pois chegar ao sul da Chapada Diamantina possibilita avistar a Serra das Almas e os maiores picos da região, como do Barbado, do Itobira e o Pico das Almas. Nos hospedamos na Pousada Rio de Contas, que tem excelente estrutura: piscina, muitas redes, quarto muito limpo e confortável, além da excelente localização. Foi uma ótima pedida pra terminar as férias no maior “relax”. A cidade é uma gracinha, muito bem preservada. Nesse primeiro dia, além de aproveitar a piscina da pousada, caminhamos sem rumo pelas ruas, admirando o casario, as praças e as montanhas que cercam a cidade. Site Pousada Rio de Contas: http://www.pousadariodecontas.com.br/ Gastos do dia - 1 diária pousada Casa da Roça R$80 - janta para duas pessoas R$40 - geléia, banana desidratada, tempero e café orgânico R$24 - 2 cervejas R$8 - carne de sol, feijão e mandioca R$14 Dia 13 – Rio de Contas O café da manhã foi a parte fraca da pousada: pouca variedade e nada caseiro. Conhecemos o Museu do Zofir Brasil, que reúne obras curiosas do artista plástico local Zofir Oliveira Brasil, que transformava sucatas em arte. Depois passamos o resto do dia caminhando, tomamos uma cervejinha, compramos presentes...nada de mais e a idéia era essa. Gastos do dia - Museu R$4 - 2 cervejas e porção de mandioca R$19 - Café Serra das Almas R$8 - 2 kits de cachaça Serra das Almas (c/ 2 garrafas de 300ml em cada) R$36 - Sorvetes R$3,90 - Havaianas R$9 - Água 5L R$6 - Sopas, torradas, chá e bolachas R$15 Dia 14 – De Rio de Contas a Brasília Chegara o último dia de viagem...Pegamos a BR por Brumado, Bom Jesus da Lapa, Correntina e Posse, fomos direto até Brasília, gastamos umas 12hs de viagem. Gastos do dia - 2 diárias Pousada Rio das Almas R$220 - gasolina (Ibitira/BA - 42 litros) R$122 - lanche R$10 TOTAL (p/duas pessoas) : 2.675,73 Assim terminamos o relato da nossa viagem à Chapada Diamantina, lugar especial e cheio de surpresas...talvez a maior delas, para nós, tenha sido Igatu, não apenas pelas paisagens, mas pela história peculiar e, sobretudo, pelas pessoas especiais que conhecemos lá.
  5. Olá Mochileiros! Bom, vou fazer alguns relatos/descrições/dicas, além de algumas experiências vividas nas trilhas localizadas em Caeté Açu, distrito de Palmeiras- Bahia, mais conhecido como Vale do Capão, local que frequento há mais de 10 anos. Serra do Candombá e Poço do Gavião Sempre quis ir para esta trilha, as pessoas falavam num “nascer do sol” maravilhoso e tal.... Eu não sabia o caminho, então tinha esta dificuldade de contratar um guia, a dificuldade era mesmo a grana curta, pois guia é o que não falta!! tem um a cada metro quadrado!!! rsrsrs Já me perdi uma vez tentando achar o Poço do Gavião, inclusive este relato começa com este fato, uma imprudência de minha parte, na verdade, eu acreditei num amigo que dizia conhecer a trilha.... e me ferrei!! Depois de subir Serra do Candombá, não conseguíamos encontrar a entrada para o mirante da pedra, o erro consistiu em seguir direto, quando avistei bem de perto o Morro Branco, fiquei desesperada porque já estava quase próximo à Vila do Bomba!!! andamos mais de 10 km!!! perdidos na Serra do Candombá, depois de toda a água e lanches ter acabado, tivemos que voltar debaixo de um sol escaldante, sem água, sem comida, cansados.... meu rosto estava doendo e ardendo das queimaduras do sol. Bom, eu bebi uma água que minava em uma parte de charco, estava morta de sede e só fiz tirar alguns girinos e beber a água (eca!!!!! q nojo!!!) mas como dizia meu querido pai: “pior é na guerra”. Este fato me fez excluir a trilha até o Poço do Gavião, das idas e vindas ao Vale do Capão. Mas depois alguns anos o trauma passou... Lá no Capão, há uma lenda contada pelos moradores mais antigos de que existem “encantamentos” nesta trilha que costumam desorientar o andarilho (seriam duendes e fadas?). Bom, todos os guias que consultei me indicaram fazer esta trilha e dormir lá, segundo eles não valia a pena o “bate e volta”. De fato, eles tinham razão... mas não havia possibilidades então foi “bate e volta” mesmo. Arrumei as tralhas na mochila, saí cedo do camping para tomar café e encontrar o guia. Saímos por volta de 08:30 da manhã em direção ao Poço do Gavião. A trilha começa passando pela entrada da Cachoeira de Rodas, segue-se direto, logo em frente há uma cancela e este é o ponto de referência, entramos na subida da Serra do Candombá. Chegamos até o mirante da pedra, de onde se tem uma vista fantástica de todo a Vale do Capão, do Morro do Pai Inácio, Morrão e dá para ver também a Serra da Larguinha (onde fica a Cachoeira da Fumaça), inclusive vê-se ao longe a cidade de Palmeiras. Descansamos um pouco para continuar a caminhada. Seguimos adiante por mais uns 30 minutos por uma parte mais plana, com vegetação exuberante, com muitas flores, muitas espécies de bromélias, orquídeas e cactos, algumas eu nunca tinha visto na região. As formações rochosas desta trilha são uma atração à parte, pois elas tem formas diversas, eu consegui identificar algumas e foi muito interessante: a cabeça de um camelo e o rosto de Michel Focault (eu estava no meu estado normal de consciência!!! rsrsrs) Bom, depois de quase torcer o pé e trombar num pé de sempre viva, seguimos... Aliás se eu não pisasse na plantinha com certeza meu tornozelo iria ficar mal, o guia não gostou, ficou lá com aquele discurso de ambientalista chato, até tentou uma grosseria comigo mas meu amigo Adson deu logo uma “queimada” nele (as flores sempre viva quase foram extintas, por isso o cuidado do guia) mas ou era meu tornozelo ou era a plantinha, poxa!!! Bom, depois deste “momento show” do guia seguimos, agora por uma parte de descida, com algumas pedras grandes que necessitava uma descida mais técnica, como eu não tenho técnica, sento na pedra e pulo lá embaixo (seria esta a técnica?) isso me rendeu uma calça rasgada. Desta parte de descida, já dá para avistar as águas do Poço do Gavião, tirei várias fotos!!! continuamos andando por mais alguns 10 minutos até chegar no Poço do Gavião. Realmente é um dos lugares mais lindos que já vi, talvez seja o meu preferido... o poço é enorme, a visão é fantástica do lugar, aquela lagoa enorme (mais de 100 metros) no meio das montanhas... é algo incrível!!!! a água é gelada, mais gelada que o normal. Fiquei com medo de entrar pois a água é muito escura, porque eu não conhecia.. mas o guia se jogou na água, depois que ele foi eu me joguei também hehehe, só depois que ele me disse que é cheio de cágados (tartarugas)... Inclusive tinha uma delas que sempre aparecia ao meio dia. Quando estava próximo do meio dia, o guia nos chamou para ficar no local onde a tartaruga aparece, eu achei meio doido isso mas fiquei lá parada, olhando, olhando..... pois não é que a danada aparece mesmo!!! rsrsrs que fantástico!!! e ainda faz pose para foto!!! No percurso das águas há alguns poços mais rasos e pequenas quedas d'água. Fiquei nadando nas águas geladas, desci o percurso do rio, a vegetação é muito exuberante, várias espécies de insetos, fiquei observando umas formigas listradas, as borboletas são multi coloridas e lindas!! Depois quando retornei “o povo” estava tirando fotos de uma cobra verde. Ficamos lá por mais algum tempo e às 15:00 horas retornamos, me deu o maior arrependimento de não ter ficado para dormir, mas como falei antes a grana estava curta e não dava para pagar duas diárias para o guia. A volta me pareceu mais rápida, na descida todo santo ajuda! Como chegamos relativamente cedo, resolvi tomar um banho e curtir o pôr do sol na Cachoeira de Rodas que é bem pertinho, segui com os amigos por uns 10 minutos e para nossa surpresa quando chegamos tinha várias pessoas peladas!!! Homens, mulheres, crianças, idosos... Era o encontro de uma comunidade alternativa. Eu fiquei um pouco assustada no início, depois acostumei... rs! Após o banho naturista, seguimos para o Bar de Medinho pra tomar uma gelada! PS: Esta trilha é super necessário que se use calça. Rodas e Rio Preto Logo no início da trilha a pessoa é presenteada com a vista da Serra do Candombá, segue-se pela encosta acompanhando um muro de pedras construído por escravos nos tempos do garimpo. Acho legal nesta trilha inverter a ordem, primeiro ir ao Rio Preto e depois, no final da tarde, ir para Rodas. O pôr do sol em Rodas é muito lindo!! Dos pequenos poços de água gelada da Corredeira de Rodas (legal para crianças pois são rasos) se tem vista panorâmica de todo o local, além de servir de “camarote” para apreciar um pôr do sol fantástico!!!! Isso porque os raios de sol (amarelados) cobrem os paredões de rocha que cercam a Corredeira de Rodas, e formam um espetáculo de cores. A encosta fica toda alaranjada, um espetáculo!!! lembra a música “trem das cores” de Caetano Veloso. Rodas começa com alguns poços bons para banho, porém com muitas pedras, em um determinado trecho forma-se uma corredeira, por isso que eu sempre me refiro ao local como “Corredeira de Rodas”. Legal é descer cuidadosamente, corredeira abaixo para apreciar o poço que tem lá no final, uma pedra enorme separa a corredeira desse poço maior. Rio Preto – O rio Preto percorre toda a encosta da Serra do Candombá, a trilha é bem fácil, antigamente existia uma espécie de batismo para os iniciantes que era “se perder no Rio Preto”, mas hoje em dia, dá para chegar até de olho fechado!!! rsrsr, pois a trilha é bem fácil e demarcada. Após 30 minutos de caminhada, a descida é bem íngreme e escorregadia mas dá para se agarrar nas pedras e nos troncos das árvores, e ser uma descida super segura. Há um poço com a água escura e também algumas quedas d'águas, uma delas é mais baixa e menor e forma um pocinho bem legal para crianças, pois é raso e a queda d'água por ser mais baixa não é forte. Subindo nas pedras dá para ficar na parte de cima da Cachoeira do Rio Preto, lá é mais vazio, porque em feriados (em especial o carnaval e reveillon) uma pequena multidão vai ao Rio Preto, levam farofa, cães, bebidas alcoólicas etc. Mas há que se desconsiderar este detalhe, pois quase todos os lugares são assim em feriados. Morrão e Águas Claras Esta trilha começa próximo à entrada para a Cachoeira da Fumaça, segue-se direto pelos Campos Gerais do Morrão, uma fantástica caminhada!! são 3 horas de contato direto com paisagens das mais belas !!! as formações geológicas são bem diversificadas, assim como as constituições de florestas pois, ora pensa-se estar no cerrado, ora na caatinga, ora mata atlântica... muitas bromélias, cactos e orquídeas... a fauna também é bem diversificada há várias espécies de lagartos, borboletas, insetos em geral, cobras... toda hora tem uma cobra, aliás esta trilha, deveria se chamar trilha das cobras!! , eu vi umas 6 cobras, uma delas era bem grande e estava no alto de uma árvore, tem muita cobra verde, as cobras coral (coral falsa) e caninana também tem muitas delas por lá. Bom, enfim.... muitas espécies de animais exóticos e até mamíferos. Por sinal, nesta trilha pude vivenciar uma experiência fantástica: eu vi um tatu fêmea amamentando um monte de tatuzinhos!!!! fiquei muito emocionada, nunca vou esquecer esta imagem... Inclusive, no interior as pessoas costumam matar animais silvestres para alimentação, e eu como morei a vida toda na Chapada Diamantina, já comi muito ensopado de tatu, hoje em dia não consigo mais, fico com dó do bichinho, me vem a imagem daqueles pequeninos sendo amamentados! Na encosta do Morrão o visual é fantástico!! para subir é necessário um esforço maior mas a compensação depois vale à pena!! as paisagens das serras e dos campos rupestres são encantadoras! Há muitos jardins de bromélias, são várias espécies, eu gosto de ficar observando aquela parte interna onde geralmente se esconde algum bicho, fico sempre esperando pular uma rã colorida, ou um grilo.... Ufa! Depois de uma caminhada de 3 horas, atrás do Morrão está o caminho para se banhar em Águas Claras!! um delicioso banho, uma piscina natural no meio do mato. A água é uma delícia, um pequeno lago, se comparado a outros em relação a sua extensão. Angélicas e Purificação A trilha segue até uma localidade chamada de Bomba, segue-se direto atravessando três rios com muitas pedras, dá para passar sem tirar o tênis (para quem usa) caminhando por cima das pedras. Após o terceiro rio, de imediato se vê uma placa do IBAMA, então é só virar a DIREITA e seguir a trilha que é demarcada. Angélicas é uma delícia, o poço é bem fundo e no final tem a cachoeira que é só pequena no tamanho mas no volume de água é um espetáculo!!! eu costumo nadar até a parte mais rasa do outro lado e seguir até a Cachoeira de Angélicas e ficar lá abstraída com a cabeça embaixo da queda d'água. Acima dessa cachoeira tem vários poços que é legal para quem quer privacidade, é legal também para fazer pequenas escaladas nas rochas, se cair tem água em abundância para amortecer. Uma curiosidade é a quantidade de pedrinhas que tem no fundo de cada poço, as pedrinhas são delineadas pelas aguas em anos de formação geológica e tem as mais variadas cores, os mais variadas formas, é muito interessante. A trilha da Purificação é logo acima do Poço em Angélicas, basta seguir trilha sempre pelo leito do rio, há muitas pedras pelo caminho, o que faz com que a caminhada seja um pouco difícil, há algumas quedas d'águas pequenas no percurso até chegar ao poço da Purificação, são pequenas cachoeiras lindíssimas, um espetáculo á parte. Aliás, o grande barato de ir à Purificação é o trajeto. O poço da Purificação tem este nome porque a água é tão gelada que a pessoa sai de lá purificada!!! zerada em pecados!! rsrsr (é verdade!! os moradores antigos que contam). Eu acho a água muito gelada, o corpo fica dormente.... e tem uns paredões recobertos por uma vegetação exuberante que fecham a entrada do sol, por esta razão a água é tão gelada. No final há a cachoeira, cuja água é mais gelada ainda! É uma boa trilha, gosto muito das formações rochosas e das pedras (tem pedras de todos os tipos) sempre volto dessa trilha com muitas fotos de pedras e seus formatos, tem formato de tudo que é coisa, já fotografei pedra em forma de cavalo, estrela, lua, cavalo marinho etc.. Cachoeira das Fadas Esta cachoeira na verdade é uma continuação da trilha para chegar à Cachoeira das Angélicas e da Purificação. Em frente a cachoeira da Purificação tem uma entrada esquerdo, às vezes a mata está muito fechada e pode parecer que há passagem, é preciso observar com atenção, pegando esta trilha basta contornar a Cachoeira da Purificação por cima, e andar por uma trilha de mata fechada uns 10 minutos e chega-se ao Poço que alguns chamam de Poço dos Duendes, que é pequeno em extensão mas é super aconchegante. A Cachoeira das Fadas é linda!!! os raios do sol batem na queda d'água que fica brilhante! Uma maravilha!! Há um outro caminho para chegar, algumas pessoas seguem ali mesmo pela Purificação, escalando os paredões, porém é muito arriscado, pois tem muito limo, e em determinados momentos o espaço para colocar os pés não cabe um pé tamanho 37 por completo. É muito perigoso, inclusive já houve acidentes. Soube por ouvir dizer, que a trilha está interditada por conta de um deslizamento que ocorreu em junho/2010, com as chuvas, restando tão somente a opção de ir escalando pelos paredões cheios de limo, se estiver em época de pouca chuva a coisa melhora. Cachoeira da Fumaça (por cima) Esta trilha dispensa maiores informações, pois trata-se da trilha para chegar à maior, oopss! segunda maior cachoeira deste país, 380 metros de queda livre, além de ter bons relatos sobre ela aqui no site. A trilha começa na entrada da Associação dos Condutores do Vale do Capão, antigamente a trilha só podia ser realizada com o acompanhamento dos condutores, hoje em dia não é obrigatório, é preciso assinar uma lista que fica na sede da Associação, e se possível o “turista” deve colaborar com doação em dinheiro, coisa pouca R$ 5,00 ou R$ 10,00, eu que sou uma “dura” e não sou turista (lá no Capão) deixo uma nora de R$ 2,00 pra colaborar com os voluntários. Eu costumo dividir esta trilha em 3 etapas: 1ª etapa – subir, subir, subir até chegar à segunda etapa que é o Curral. A trilha começa com com uma subida bem íngreme, praticamente 2km só de subida, tudo compensado pelo visual panorâmico no primeiro e no segundo mirante, paradas ótimas para descansar, beber água ou água de coco, chupar geladinho ( tem uma garota que vende geladinho, sempre tirava fotos dela, em março deste ano fiz um apanhado de todas as fotos, desde quando ela era pequena até a atualidade e lhe dei de presente, ela ficou encantada!!! hoje ela é uma jovem de 16 anos! E continua vendendo geladinho com sua mãe.) Por falar em foto, esta primeira etapa pode-se tirar fotos panorâmicas fantásticas, o visual é incrível!! 2º Etapa – A partir do Curral (um muro de pedras é o ponto de referência) é só alegria!!!, uma trilha plana, e por ser uma parte de maior umidade, tem uma área de inundação que em determinadas épocas é necessário passar com a água na altura da cintura cintura. O espetáculo fica por conta da natureza, muitas flores, flores de todos os tipos, de todas as cores, algumas plantas carnívoras, e mais as multicitadas bromélias, orquídeas e cactos. Ainda nesta parte plana da trilha tem um trecho, logo após a área de inundação, que é todo cercado por campos rupestres, muito lindo e impressionante!!!! quando tem cerração ele fica mais lindo!! 3ª Etapa – Esta etapa começa com a chegada ás águas vermelhas do rio que forma a cachoeira, um banho para refrescar é sempre bom, e antes de se debruçar no abismo de 380 metros, eu gosto sempre de fazer dois “rituais” (eu passei a fazer estes “rituais” pelo convívio com os nativos, porque antes só me debruçava na pedra pra ver o abismo e depois voltava...). O primeiro deles (depois de um banho no rio) é retornar à trilha e seguir até o caminho que leva até a “garganta” da Cachoeira da Fumaça, confesso que todas as vezes sinto emoção e muito medo!!! Mas é este frio na barriga, esta sede de aventura que me faz viva!!! O segundo “ritual” é seguir à esquerda pelo leito do rio e chegar até à Toca da Maternidade, tomar banhar nas corredeiras que se formam e curtir o silêncio, o canto dos pássaros, o som das águas (isso se não for feriado, carnaval ou revellion, q a farofa rola solta!). Bom, e agora o principal: se debruçar na pedra e curtir o visual do grande canyon na sua imensidão!!! não tem preço!!! comer um pastel de palmito de jaca e um suco de maracujá do mato!! Depois curtir a volta de toda a trilha observando o que porventura não foi possível pela ansiedade em chegar. No final da trilha deve-se assinar a lista na ACVC, fazendo constar o retorno. Mais adiante tomar uma gelada ou um caldo de cana no buteco que fica na entrada da trilha, depois aproveitar o resto do dia se banhando no Riachinho. Riachinho O Riachinho fica há 6 km da Vila de Caeté Açu (Vale do Capão), é uma trilha bem fácil pois a caminhada é pela estrada vicinal que dá acesso à Vila, por esta razão muitas pessoas vão de carro (ou de moto taxi, custa R$ 5,00 ou R$ 7,00, se cobrarem mais que isso não pague! É exploração!) e param na entrada e é só descer uma pequeno trecho de pouca dificuldade e pronto! Eu não gosto desse nome “Riachinho” parece que é um pequeno córrego ou sei lá!! acho esse nome injusto com a grandiosa beleza do lugar. o lugar é lindo!! O Riachinho é um rio com corredeiras na sua parte mais alta, depois um paredão forma cachoeiras e cascatas lindíssimas, em seguida um poço de cerca de 30 metros, depois corredeiras novamente e em seu final um poço, com uma formação rochosa nas bordas bastante curiosa. Tem anos que eu não vou lá, a farofa rola solta em feriados: muito cheio de pessoas, farofa, cachorro nadando no meio das pessoas, bebidas alcoólicas, a água manchada de óleo oriundo, possivelmente, de bronzeadores affff.... Infelizmente eu não posso viajar em datas que não sejam feriados, nas minhas férias passar o dia no Riachinho é quase uma obrigação! O lugar é fantástico!!! Descer as corredeiras que dão acesso ao poço no final é uma experiência fantástica! Nadar, nadar, nadar …. deixar a cabeça embaixo da queda d'água e esquecer de tudo... curtir os sons da natureza... ah! Muito bom! Há alguns guias ou agências que fazem rappel no canyon do Riachinho. Ah! Já ia esquecendo, tem uma parte do poço que é bem legal para crianças pois é raso e dá para brincar e nadar bastante. Conceição dos Gatos e Poço das Cobras Esta trilha é muito legal para quem vai com crianças, o acesso para quem sai de Caeté Açu é feito pela estrada vicinal em direção a Palmeiras, após 12 km há a entrada da pequena Vila da Conceição dos Gatos, o curioso é que tem um cemitério logo na entrada, segue-se então por mais uns 2km e chega-se a entrada da Cachoeira da Bela Vista (este é o nome verdadeiro, Conceição dos Gatos é o nome da Vila e não da Cachoeira). O acesso é feito por uma descida bastante íngreme em forma de escadaria, depois atravessa-se o rio, passa-se por um campo de futebol, e segue-se a trilha numa subida, no percurso da subida já dá para avistar a Cachoeira, que é enorme e suas águas seguem rio abaixo, em propriedade particular. Há um poço maior, com uma cachoeira pequena e volumosa, acima há 3 poços menores, um deles é bem legal para crianças porque é raso e tem areia no chão, além de algumas árvores com bastante sombra no seu entorno. Poço das Cobras – (relato da minha 1ª vez na trilha, com direito a um quase afogamento) Após os 3 poços menores da Conceição dos Seguimos pelo pelo leito do rio a trilha começou a ficar com um grau maior de dificuldade, pois foi preciso caminhar pelas pedras, muitas das quais pontiagudas e a vegetação era inóspita (tenho várias cicatrizes de lembrança... rs). É uma trilha selvagem, muita picada de inseto, de formiga, muitas aranhas, muitas cobras, a mata é fechada... Após uns 10 minutos de caminhada duas amigas desistiram e foram para o bar (afff...), então seguimos adiante e 30 minutos de sofrimento, chegamos a até então inédito Poço das Cobras, alguns moradores da Vila estavam voltando de lá e parei para conversar com eles e pedi informações sobre um monte de coisa! Rsrrs Afinal era minha primeira vez … Bom, de posse das informações fui nadar naquela imensidão de águas, uns 80 metros de poço!! o lugar é muito lindo, tem uma árvore gigante tombada no lado esquerdo do poço e ao fundo mata fechada. Do lado direito um imenso paredão recoberto por alguns arbustos, muitos pássaros, fiquei fascinada pelo canto de cada um deles e que as vezes se misturava, tinha muitos gaviões de grande porte. Ficamos lá maravilhados com a descoberta de uma nova trilha, se banhando nas águas. O poço começa raso e vai afundando aos poucos, o solo é com areia e algumas pedras maiores (trombei numa delas). Resolvemos nadar até a cachoeira, nadei por toda a extensão do poço, chegando a uma espécie de corredor, estreitado pelos imensos paredões de rocha, esta parte tem umas pedras e fica raso, fui me segurando nas pedras escorregadias quando aconteceu a merda: não consegui me segurar e a correnteza me empurrou pra um buraco ao lado direito da cachoeira, que eu não tinha visto, eu entalei com a água nadei com todas as minhas forças mas a correnteza era muito forte, e me empurrava pra o buraco negro … comecei a me afogar...poxa, logo eu??? exímia nadadora??? fiquei lá agonizando, sem respirar mas de súbito, para me salvar, apoiei meu pé numa pedra e empurrei com toda força, fui levada pela correnteza das águas até a parte que é rasa e ali respirei fundo e agradeci por ficar mais algum tempo na terra. Ufa! As águas que descem da cachoeira formam duas correntezas, uma delas jorra pra o corredor (que tem uma parte rasa) e a outra jorra até o tal buraco. Eu escorreguei e fui parar nesta correnteza que jorra para o buraco. Voltei nadando e fiquei lá toda quieta, os amigos não entenderam nada... Ficamos lá curtindo o visual por mais 1 hora e voltamos para almoçar. A volta foi mais tranquila... tem um restaurante bem legal e o lance é você encomendar a galinha caipira antes de subir para a cachoeira, ela estará pronta na volta, comemos a galinácea, com um delicioso pirão, arroz e saladas. Depois seguimos pra o Bar para encontrar os amigos desertores, estavam todos lá tocando violão e tomando todas!!! por conta do “quase afogamento” fiquei quieta, nem tomei uma gelada... estava introspectiva... Continua (...)
  6. Olá pessoas, vou relatar aqui a viagem que eu e mais três pessoas fizemos a duas cidades da Chapada Diamantina - Bahia: o Vale do Capão e Lençóis. Fiz esta viagem entre os dias 17/01 e 23/01/2010. A intenção desse relato é apresentar um roteiro - que pra mim foi maravilhoso - e apresentar dicas e valores que serão úteis para os que queiram seguir este destino. Saí da rodoviária de Salvador as 7:00 da manhã do dia 17 rumo à cidade de Palmeiras, pois, não existe ônibus direto para o Vale do Capão (também não existe para vários outros distritos da Chapada como Igatu e Iraquara, por exemplo). A empresa que faz este destino é a Real Expresso (http://www.realexpresso.com.br/). Existem três horários para Palmeiras: as 7h, as 13h e as 23h e a passagem custa R$ 50,00. Ao chegar à Palmeiras, pegamos uma rural (nome dos carros que levam as pessoas até o Vale do Capão) até o Vale (R$ 8,00 por pessoa). Estes carros sempre ficam esperando os turistas quando os ônibus chegam, o problema é sair do Capão para voltar à Palmeiras. Só existe rural de volta as 7h, as 10h e as 20h. Chegamos ao Capão por volta das 16h – são 8h até Palmeiras e 1h30 até o Capão. Chegando lá, ficamos no camping de Seu Daí (75 3344 – 1057), um senhor super conhecido e amável de lá. Este camping oferece também chalés com dois andares (R$ 12,00 por pessoa) e o camping custa R$ 7,00 por pessoa. O lugar é bem amplo, os banheiros são limpos, mas o barulho é grande, principalmente perto da cozinha. Toda vez que eu fui lá sempre há dois grupos: um que acorda as 6:00 e conversa e toca violão até as 18:00 e outro que assume o posto das 18:00 as 6:00. Eu não tive problemas porque durmo com barulho e gostava das músicas que eles tocavam, mas meu namorado disse que dormiu mal todos os dias . No Capão faz frio à noite mesmo no verão, é bom levar um casaco, principalmente para a madrugada. No inverno chega a fazer 13°. [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110110155732.JPG 500 374.796747967 Legenda da Foto]A vila do Capão[/picturethis] Depois de montarmos a barraca fomos jantar numa pizzaria na vila. Essa pizzaria é super famosa, ela serve uma pizza natural que leva queijo, tomate, cenoura e outras coisas que agora não lembro mais. Nessa pizzaria só existem dois sabores de pizza: um salgado que é a pizza natural e outro doce que é a de banana com canela. O lugar é lindo, a música é boa, a pizza é feita com ingredientes da própria horta do dono e tudo orgânico. Existem dois ambientes, ambos agradáveis. Além disso, ainda tem um molho de mel e pimenta para colocar na pizza que é tudo de bom, não deixe de experimentar! Para beber há sucos de diversos tamanhos até a jarra com 1L (R$ 6,00). Todos são feitos com a própria fruta, o que é bem diferente de usar polpa. Tem um de maracujá da região, mangaba (o que eu mais gosto), de melancia etc. Mangaba é uma fruta daqui do Nordeste que cola a boca. Os sucos são adoçados com mel. Obs.: a região é uma das maiores produtoras de mel orgânico e quase tudo lá tem mel: sabonete de mel, shampoo de mel etc. O molho de pimenta também é vendido por R$ 12,00. As pizzas têm tamanhos variados: P (R$ 15,00), M (R$ 20,00), G (R$ 25,00) e GG (R$ 30,00). Elas são muitos grandes, para duas pessoas a M é mais que suficiente, posso garantir. Por mais que você esteja com fome e diga que comeria sozinho, facilmente, um boi inteiro, se for só duas pessoas não caiam na besteira de pedir uma G, todos que fazem isso deixam um resto grande no prato. No segundo dia fomos fazer a trilha da Cachoeira da Fumaça. Essa cachoeira leva este nome porque é tão alta que a água que desce evapora antes de chegar ao chão formando uma nuvem de fumaça. A subida leva 1h30, tem grau de dificuldade médio. Para falar a verdade achei a subida pesada. No caminho vi um casal desistindo e também vi duas pessoas torcendo o pé, aliás, durante a viagem toda e pelas outras trilhas que fizemos perdi a conta de quantas pessoas torceram o pé. Dá para fazer a trilha da fumaça sem guia, o caminho é fácil, mas como foi a primeira vez que eu fui fazê-la preferi não arriscar. Após a subida todo o resto do percurso é em terreno plano. A trilha começa fora da vila. Anda um pouco e no caminho tem a Associação dos Condutores de Visitantes do Vale do Capão (ACVVC) (75 3344-1087), foi lá que contratamos o nosso. Os preços da diária variam de passeio a passeio sendo o mínimo R$ 60,00. O valor é por grupo e não individual. Um grupo pode conter até 5 pessoas. Procuramos desde o camping pessoas para formar um grupo - é que só estávamos eu e meu namorado, as outras duas pessoas só chegaram no dia 21, quando já estávamos em lençóis. Como ninguém de lá quis nos acompanhar, saímos perguntando por toda a vila e nada. Já quase na Associação achamos um casal de Brasília que também ia fazer a Fumaça, nos juntamos a eles e foi bem legal. [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110110151812.JPG 500 374.796747967 Legenda da Foto]Morro do Camelo e Morrão vistos da trilha para a Cachoeira da Fumaça[/picturethis] Enfim, chegamos à Cachoeira. É linda! Indescritível. Quando olhei para baixo pensei: da próxima vez vou fazê-la por baixo. [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110110153453.JPG 374.796747967 500 Legenda da Foto]Cachoeira da Fumaça[/picturethis] [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110110153552.JPG 374.796747967 500 Legenda da Foto]Cachoeira da Fumaça[/picturethis] Vale lembrar que há épocas do ano em que ela está mais cheia e épocas que ela está fazia. Nesta última não vale nem a pena ir. Eu não sei dizer quais são esses períodos, no que eu fui, achei o melhor de todos, pois, não estava chovendo e mesmo assim ela estava com um bom volume de água. É bom saber também que na Chapada há tromba d’água e que acontecem vários acidentes, com mortes inclusive, por causa delas. Então as épocas de chuva não são uma boa opção, assim como também as épocas de seca (entre julho e acho q até novembro) não é bom fazer trilhas por causa das queimadas (tanto as criminosas quanto as naturais. No caminho vimos três pessoas vendendo alimentos. Uma senhora vendia coco (R$ 5,00), outro geladinho (R$ 1,00) e no topo da Cachoeira tem um senhor vendendo pastel de palmito de jaca. É uma delícia! Custa R$ 3,00 e é impossível comer só um! Para mim, boa baiana, só faltou uma pimenta caseira, ele só tinha aquelas de mercado. A região tem muita jaca, parece até praga. Quando terminou a trilha, umas 18h30 (saímos do camping 8:00), já marcamos tanto com o casal quanto com o guia a trilha do outro dia. Uma das comidas típicas da região é o godó de frango com pirão de banana verde, é muito bom, mas difícil de achar. Achamos na própria vila um restaurante que aceitava encomenda desse prato. Tem que pedir com um dia de antecedência. A refeição para quatro pessoas saiu a R$ 60,00, mas dá para 5 a 6 pessoas tranquilamente. No 3º dia fizemos a trilha do Gerais do Vieira,o casal que disse que iria não foi. À noite eles explicaram que foi porque Gabriela torceu o pé e estava com os joelhos doendo da Fumaça. O Gerais do Vieira fica a 12Km do Vale do Pati. Para chegar até o inicio da trilha precisa ir para uma vila que fica a 8Km do Capão de carro, acontece que não tínhamos carro, decidimos ir a pé mesmo . Andamos, andamos... até que vimos outro casal com carro e pedimos carona. Fomos de carona com eles até boa parte do trajeto. Depois andamos, andamos... até que chegamos ao início da trilha. A subida é bastante íngreme e pior que a da fumaça, leva mais tempo também. [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110110163339.JPG 500 374.796747967 Legenda da Foto]Serpente caninana. Ela fugiu quando me aproximei para fotografá-la, por isso só aparece parte do corpo. [/picturethis] [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110110155409.JPG 500 374.796747967 Legenda da Foto]Trilha sobre as pedras soltas e escorregadias[/picturethis] [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110110155527.JPG 500 374.796747967 Legenda da Foto]Início da trilhas para o gerais do Vieira[/picturethis] [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110110163608.JPG 500 374.796747967 Legenda da Foto]Caminho para o Gerais e para o Pati[/picturethis] [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110110163714.JPG 500 374.796747967 Legenda da Foto]Gerais do Vieira[/picturethis] [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110110163811.JPG 374.796747967 500 Legenda da Foto]Serra da Coruja [/picturethis] Na volta o guia disse que mudaríamos o roteiro para passar pela cachoeira da Purificação. Não recomendo a ninguém fazer este caminho. Quem quiser conhecer essa cachoeira vá por baixo, pela trilha que leva diretamente a ela. Começamos a descer e, em certo momento, meu namorado disse que pensou: esse cara está levando a gente para um barril! Realmente foi. Descemos um penhasco de aproximadamente 30m de altura cujo terreno era todo de barro molhado pelas gotas de água da cachoeira. O local é de mata muito fechada, você desce abrindo na mão mesmo, o caminho até o penhasco é repleto de tiririca (uma planta que corta) e as árvores (único apoio na descida) têm o tronco super fino, quando segurávamos nela o tronco curvava. O espaço para caminhar dava apenas para uma pessoa magra por vez, fora este espaço só se via o penhasco cheio de árvores entrelaçadas a perder de vista o fim. O local era tão íngreme e escorregadio que não dava para subir de volta, só nos restava descer mesmo. A certa altura meu namorado escorregou com mochila e tudo e só parava quando batia em mim que estava na frente, mas, ainda me tendo como apoio, não conseguiu levantar e continuou a descer escorregando e se ferindo todo entre as árvores e as tiriricas por mais ou menos uns 2m. Tive a impressão de que nem todos os lugares que estávamos pisando era chão,por vários momentos senti que eram apenas as raízes das árvores que, entrelaçadas, nos suportavam . Foi uma aventura e tantas! [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110110163941.JPG 500 374.796747967 Legenda da Foto]Cachoeira da Purificação[/picturethis] É isso. Não vou escrever sobre Lençóis porque ficará grande demais.
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