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  1. Este post é um relato sobre o auge de nossa viagem pela Patagônia: o Parque Nacional Torres del Paine (TDP), símbolo da beleza exuberante da Patagônia Chilena e o destino dos sonhos dos amantes da natureza de todo o mundo. Vamos contar como foram os 5 dias de trekking, o famoso Circuito W. Tem muitas outras informações no meu blog: www.calangosviajantes.com.br Veja as fotos desta aventura AQUI. Tem um post com os custos desta viagem AQUI e outro sobre como fazer as reservas AQUI. Acompanhe nossas aventuras no Facebook ou Instagram Relato do trekking realizado de 12 a 16 de Janeiro de 2017. Dia 1 - atento às regras Caminhamos desde o nosso hostel em Puerto Natales até a rodoviária. Compramos a passagem no próprio hostel. Existem várias empresas que fazem este percurso e não há diferença significativa no valor. A rodoviária fica lotada de trilheiros com suas mochilas enormes! Todos muito animados para a trilha de suas vidas. Durante o percurso até a entrada do parque é possível ver os guanacos pulando as cercas e a linda cadeia de montanhas ao fundo. Na Portería Laguna Amarga enfrentamos uma longa fila para preenchermos o termo de compromisso e pagarmos a taxa de entrada. É necessário assistir um pequeno vídeo com informações gerais e as regras do parque. Uma das mais importantes: não é permitido fazer fogo fora das áreas delimitadas(!!!). Entramos em outro ônibus (valor já incluso) que nos levou até a Portería Pudeto. Fomos os últimos a pegar o catamarã que cruzou o Lago Pehoe. A viagem não poderia iniciar de melhor maneira, à nossa direita, o imponente Los Cuernos! Compramos o bilhete do catamarã durante o trajeto. Chegamos ao Refugio Paine Grande sem reservas e por sermos os últimos a chegar no camping, as meninas da recepção nos deixaram ficar. Muito obrigada, meninas! (AVISO: aconselho fortemente que você não faça isso!! Neste post falamos como fazer as reservas) Armamos a barraca, deixamos nossas mochilas e fomos apenas com a mochila de ataque até o mirante Grey. Muito cuidado com as comidas deixadas nas barracas, a raposa-colorada (Lycalopex culpaeus) adora lanchinhos fora de hora. Infelizmente, o que mais me impressionou neste percurso não foi a linda paisagem ao meu redor, mas o resultado do maior incêndio florestal do Chile em 2012: 18 000 hectares queimados. Uma tristeza ver as marcas desta grande tragédia e por isso repito: siga as regras do parque, não faça fogo nem use seu fogareiro fora das áreas destinadas. Precisamos cuidar e respeitar a natureza. Aquele lugar é espetacular e todos têm o direito de visitá-lo e apreciá-lo. Depois de quase 3 horas de caminhada e muito vento no caminho, chegamos aoMirador Grey. O tempo estava bem fechado. A geleira Grey se misturava com o céu e não dava para saber onde terminava a geleira e começava o céu. A geleira é um local impressionante! Dia 2 - café com montanha Após uma noite de muito vento (dica: monte muito bem sua barraca!), tomamos café na cozinha do acampamento com uma vista incrível, arrumamos tudo e saímos. Logo no início da trilha, na Portería Lago Pehoe, o guarda-parque pediu para ver nossa reserva impressa do acampamentoItaliano, reservas confirmadas, pé na trilha! A cadeia de montanhas Los Cuernos estava bem escondida, mas conforme nos aproximávamos dela, mais ela aparecia, e uma caminhada de 2,5 horas, fizemos em incríveis 4,5 horas. Haja foto! A alegre chegada ao acampamento Italiano é anunciada pela ponte que temos que atravessar e deu um medinho! Como venta muito, ela parece bem instável. Fizemos o check-in no acampamento, conversamos com os guardas e fomos preparar nosso jantar. Decidimos não fazer nenhuma outra trilha neste dia pois a trilha para o Mirador Britanico fecha às 17h e a do Mirador Frances às 19h. E quando digo que a trilha fecha, ela fecha mesmo, pois um dos guardas percorre a trilha até o final para garantir que não há mais ninguém na trilha (todos os dias, imagina!). Dia 3 - doce ilusão O vento faz parte da Patagônia, aceite! Eu acordei assustada a noite, pois dormíamos debaixo da copa das árvores e o vento balançava seus galhos com força. E o medo daqueles galhos caírem sobre nós? Não, nenhum galho caiu, ufa! Deixamos nossos pertences no acampamento e seguimos em direção ao Mirador Britanico com nossas mochilas de ataque. Todo mundo larga suas mochilas no acampamento, isso é bem normal (também algo que tive que aceitar me acostumar). Quando chegamos ao Mirador Frances o tempo já estava muito fechado, andamos mais um pouco e decidimos voltar, afinal não conseguiríamos ver nada mesmo. Ficamos sentados um tempo esperando por uma avalanche no topo das montanhas, que também não aconteceu... Mesmo assim estávamos só felicidade, afinal estávamos a caminho do Refugio Los Cuernos, onde passaríamos a noite em uma linda cabana de madeira na beira do lago. Sim, foi puro luxo! Não temos dinheiro para Não ligamos para luxo quando o assunto é hospedagem, mas há anos atrás vimos uma foto no Facebook de um casal em um ofurô com uma paisagem de tirar o fôlego ao fundo. Escrevemos para a pessoa que postou a tal foto perguntando onde era: Refugio Los Cuernos. Deste dia em diante, não tiramos mais aquela imagem da cabeça e estava decidido: iríamos naquele ofurô e ponto final. Não era nossa intenção ficar na cabana, mas no site estava bem claro: somente hóspedes das cabanas tinham acesso ao ofurô. Bem, com muita, mas muita dor, reservamos a tal cabana e sonhamos com este dia desde então. Parte deste valor eu havia ganho de presente de aniversário, muito obrigada Celzinha! Na trilha para o Refugio Los Cuernos, o sol finalmente resolveu aparecer de forma muito marcante, acentuando ainda mais a cor da lagoa. Para quem está fazendo o W invertido é descida na maior parte. Eu senti por quem estava subindo... Na minha opinião o trecho de trilha mais lindo! O vento intenso levantava a água da lagoa e até DOIS arcos-íris se formavam na nossa frente ao mesmo tempo, arrancando gargalhadas dos dois bobos incansáveis ao admirar tamanha beleza. Então, finalmente chegamos às cabanas e, ansiosos, vimos de longe o tal ofurô. Corremos para checar o tão sonhado ofurô de perto. Mas o que encontramos foi uma placa: MANUTENÇÃO! Mas que #@$%&! Ficamos muito putos, bravos, arrasados tristes com a notícia, afinal estávamos esperando há anos por aquele dia, mas não tinha nada que pudéssemos fazer. A cabana era linda, tinha uma lareira, toalha limpinha, cama fofinha e chuveiro gostoso! Fomos conhecer o refúgio, admirar o Los Cuernos e conversar com nossos amigos e quando retornamos encontramos uma garrafa de vinho chileno e alguns docinhos. A princípio, tive a certeza que havia sido o Antonio quem preparou aquela linda surpresa (tipo cena de filme mesmo! Imaginem que romântico: uma cabana de madeira, um vinho, lareira e aquela vista incrível). Ele perdeu a chance de ganhar muitos pontos (e na sequência perder muitos mais, é claro) ao não confirmar que havia sido ele - não foi, acreditamos que foi a forma do refúgio se desculpar por destruir nossos sonhospelo inconveniente. Após muitas risadas e desapontamento (nunca vou esquecer da cara do Antonio não conseguindo confirmar que havia sido ele o autor da ideia romântica) aproveitamos o delicioso vinho. Dia 4 - meu querido saco de dormir A noite na cabana não foi tão tranquila quanto imaginávamos, o vento era tão forte que parecia que a cabana se desmontaria. Não sobrou dinheiro para queríamos comprar a pensão completa no refúgio, fizemos nossa comida na mesma cozinha reservada para o pessoal do camping. Seguimos rumo ao acampamento El Chileno. Neste dia enfrentamos as 4 estações do ano, inclusive chuva. Existe um cruzamento, e você pode optar por ir para o Hotel Las Torres ou um atalho para o acampamento - é claro que optamos pelo atalho! No caminho vimos os bombeiros resgatando alguém em uma maca, ficamos muito assustados (depois ouvimos boatos de que a menina havia torcido o tornozelo - o que a impossibilitou de terminar a trilha, por isso todo cuidado é pouco). Chegando no refúgio, fizemos o check-in e fomos procurar uma plataforma para colocar nossa barraca. Dica: chegue o mais cedo que puder e coloque sua barraca, as plataformas estão colocadas num barranco, e se estiver chovendo (como estava) o chão molhado quase te impedirá de chegar em sua barraca sem cair alguns tombos. O jantar no refúgio foi extremamente agradável, nada de macarrão com vina, ou salsinha como vocês dizem. Entrada, prato principal e sobremesa, tudo com raio gourmetizador ativado! Não havia opção de reservar o local de camping sem todas as refeições inclusas (sim, eles são bem espertinhos). Ficamos na área de convivência do refúgio até tarde conversando, quando nossa amiga Tânia chega desesperada dizendo que estava entrando água dentro da barraca dela. Conseguimos alguns sacos de lixo e o Antonio foi ajudar o Beto com o "pequeno" problema. Logo em seguida entra outro trilheiro com seu saco de dormir completamente encharcado, eu entrei em desespero! Já imaginei meu saco de dormir molhado, seria o fim (que exagerada!). Pedi ao Antonio que conferisse se nossa barraca estava molhada, e para minha alegria, tudo estava completamente seco. Dia 5 - sonho realizado Antonio nunca havia visto neve e sempre falou que se fosse para ver neve, que fosse na montanha. Estávamos tomando café no refúgio quando vejo um ser saindo correndo gritando "Está nevando, está nevando". Parecia uma criança vendo neve pela primeira vez - e na montanha, como ele havia sonhado! Eu não fiquei assim tão feliz, afinal isso significava que o tempo estaria fechado nas Torres - e como eu queria ver aquelas meninas! Tomamos um café super reforçado (incluído em nosso pacote) e seguimos a trilha até às Torres. Ao contrário dos outros dias, neste caminhamos muito rápido e os joelhos reclamaram um tanto (DICA: se puderem fazer a trilha no seu tempo, sem correr, é melhor. Fizemos isso todos os outros dias e não sentimos dor alguma). A trilha é pesadinha, mas isso não impede que jovens, crianças e idosos a façam, cada um no seu ritmo, no seu tempo. Eu não sabia quem eu admirava mais, se as famílias com crianças ou o grupo dos mais experientes. Quando fomos chegando pertinho da lagoa o coração foi acelerando. O Antonio foi na frente e lá do alto chamou minha atenção ao gritar uma linda declaração <3. Quando finalmente meus olhos encontraram as meninas (as Torres) não pude me conter de emoção - me faltam adjetivos para descrever a beleza deste local. Encontramos nossos amigos Daniel, Daniela, Beto e Tânia lá no topo, foi uma delícia compartilhar aquele momento com nossos novos amigos. Mas foi o tempo de contemplarmos a paisagem, tirar algumas fotos (nossa e da Maiza, coitado do Antonio) que o tempo virou completamente. As nuvens encobriram o céu azul e as Torres, e a neve começou a cair - "não era neve que você queria Antonio?" Muita neve! O vale também ficou completamente encoberto. A emoção de completar o circuito W, nossa primeira travessia, foi indescritível. Sensação de superação e eterna gratidão. Veja as fotos desta aventura AQUI. Escrevi um post com os custos desta viagem AQUI. Bons ventos!
  2. Desde quando fomos até o Ushuaia de carro e passamos brevemente por Torres del Paine, o parque não saiu da minha cabeça! Finalmente, depois de alguns anos conseguimos voltar para fazer o Circuito W! Com certeza uma das paisagens, se não a paisagem, mais linda que já pude presenciar. Milhas e milhas de natureza bruta, clima Patagônico, gelo, floresta, sol, neve, lagos e montanhas. Sem dúvida um “Must go” para os amantes de Trekking! Bem, vou compartilhar um pouco da minha experiência, vou tentar ser breve e certeira nas informações que mais precisei quando estava me planejando. Insta: @domizila Site: www.embarcandonatrilha.com.br 1 – Qual a melhor época para viajar? Pelas minhas pesquisas, sem dúvidas é o verão. Nós fomos em Março, fim do verão e começo do Outono. Pegamos temperaturas negativas em certos pontos, mas ainda sim foi bem tranquilo. A primeira vez que fui a passeio no parque havia sido em Julho. Me lembro que não dava para abrir a porta do carro por conta do vento fortíssimo, então inverno não é uma opção. 2 – Por onde começar? Laguna Amarga ou Pudeto? A primeira coisa que você precisa definir é por qual lado do parque começar. Você pode iniciar por Laguna Amarga, onde você verá as torres logo no início da viagem ou você poderá iniciar por Pudeto onde você deverá inicialmente pegar o Catamarã e ir para a outra ponta do parque, deixando como a cereja do bolo as torres por último. Dica: Algumas pessoas que conheci iniciaram por Pudeto, mas optaram por ficar um dia a mais. Elas ficaram hospedadas a primeira noite no Abrigo do lado das torres, para ter a oportunidade de pegar 2 janelas de tempo, uma no primeiro dia e outra no último. Para quem não sabe o clima é quase que imprevisível, muitas vezes as torres estão escondidas atrás das nuvens. Nós iniciamos por Pudeto por motivos de força maior. Decidimos viajar 5 meses antes da data escolhida e já estava tudo esgotado (Isso que fomos em Março, que já é considerado baixa temporada), os principais abrigos e melhores opções não estavam mais disponíveis, então adaptamos ao que tinha! Então, antes de mais nada: Agende o quanto antes e escolha o lado que deseja iniciar. 3 – Posso deixar a bagagem extra de viagem em algum lugar enquanto estou na trilha? Sim, e não precisa se preocupar quanto a isso. Acho que posso dizer que 100% dos Hostels em Puerto Natales tem o serviço de guardar sua bagagem extra durante a trilha. Muitos, nem cobram se você voltar e se hospedar no retorno do parque. Custo: Se te cobrarem, será uma média de 3.000 pesos o dia 4 - Como chegar no Parque? É bem simples! Considerando que você chegue de avião, o aeroporto mais próximo será o localizado em Punta Arenas. Do próprio aeroporto saem ônibus para Puerto Natales, basicamente de hora em hora. Se você ficar hospedado em Punta Arenas, na cidade tem uma rua onde estão localizadas basicamente todas as cias de bus, é só chegar e comprar. Custo: $ 16.000 pesos ida e volta Punta Arenas - Puerto Natales Chegando em na estação em Puerto Natales, você poderá comprar as passagens para o Parque. As principais cias que trabalham o trecho são: https://www.bussur.com/ http://www.busesmariajose.com/services.php Dentre outras. Existe diferença de preço entre desembarque em Laguna Amarga e Pudeto Custo: $ 18.000 pesos ida e volta Puerto Natales - Torres Fique de olho nos horários para não perder o ônibus voltando da trilha. Se você quer chegar em Puerto Natales e já ir para Punta Arenas, tem que sair cedo do parque. Nessa opção obrigatoriamente você vai para Puerto Natales e de la para Punta. 5 - Onde comprar meu ingresso do parque? Você pode comprar seu ingresso em dois lugares: Na estação de ônibus de Puerto Natales: Acho que poucas pessoas sabem dessa. Eu encontrei por acaso. No fundo da estação tem um escritório adm do Parque e lá vende os ingressos. Só pode comprar com cartão nessa opção. No parque: Chegando no Parque, obrigatoriamente todos os ônibus param na portaria para a compra de ingressos. Nessa opção só aceitam dinheiro. Custo: $ 21.000 pesos Essa foto é da estação de ônibus de Punta Arenas. Ali ao fundo, no Informacion, você pode comprar o ingresso do parque com cartão. 6 – Passa cartão no parque? Olha, em partes passa, mas eu não contaria com isso. Recomendo levar dinheiro para evitar passar perrengue. Lembre-se que você está literalmente no meio do nada, não tem como sacar dinheiro por lá e se a internet não estiver pegando bem, não tem muito o que fazer. 7 – Onde ficar hospedado dentro do parque? A primeira coisa que você precisa saber é que as hospedagens do parque são parte administradas pela: - Conaf (Campings roots): http://www.parquetorresdelpaine.cl/es - Vertice (Hospedagens do lado de Pudeto): http://www.verticepatagonia.cl/home - Fantastico Sur (Hospedagem desde o Italiano até do lado de Laguna Amarga): http://www.fantasticosur.com/mountain-lodges/ Vou colocar em ordem de barateza rs: - Pela Conaf, seriam os acampamentos roots, experiência total. Você leva sua barraca, seus equipos e paga uma taxa para uso do espaço do camping e banheiro, se não me engano é USD 10,00 por dia - Abrigos (que são bem confortáveis) ou no acampamento em que, você chega e já está tudo arrumado (barraca montada, isolante, colchão, etc). Nessa opção o custo por noite por pessoa seria na média de USD 100 e se quiser incluir o FB (Café, lanche de almoço e jantar) média de USD 150 (Levei minha comida e cozinha, fui bem feliz com essa opção) - Também existem opções dos Domos no acampamento Frances, mas pelo o que escutei eles são desconfortáveis, muitos com goteiras, mas pode ser uma saída caso não tenha mais vaga nos albergues. - E se você já é uma pessoa que está ai, bem de vida, só na alegria e curtição, pode ficar nos hotéis maravilhosos, com direito a piscina aquecida, ofuro ao ar livre, muito vinho e comida boa. Tem algumas opções, não estendi muito a minha busca mas vi que variava entre USD 200 até USD 700 por cabeça. Custo: Vai acabar dependendo de sua escolha. Os valores não permitem parcelamento, tudo à vista pelo paypall 8 – Não levei comida o suficiente, tem como comprar no parque? Se você chegou da caminhada e ficou com a fome de 10 guerreiros e não comprou o Full Board antecipado, avisando um pouco antes do horário da refeição você pode pagar na hora para se alimentar. Também tem vendinhas com chocolate, frutas, até mesmo capas de chuva, mas lembre-se: Você está em um lugar onde o principal meio de transporte são os cavalos e as costas das pessoas. As coisas não são baratas, por motivos óbvios. Inclusive os meios de reciclagem de lixo, água e dejetos são extremamente respeitosos com a natureza, porém tudo tem um custo. Tente levar tudo o que precisa, se não, você pagará R$ 15,00 por uma barra pequena de chocolate. 20180319_193404.mp4 9 – Quero beber uma breja depois da caminhada, tem como? Tem sim! Mas, mais uma vez não espere pagar pouco: Custo cerveja lata: $ 5.000 pesos (média de R$ 25,00) Custo garrafa vinho: $ 30.000 (média de R$ 160,00) – E é um Casillero del Diablo Ou, faça como eu, ignore o peso da mala e leve uns vinhos rs 10 – Quero cozinhar no parque com meu equipo. Como faz? Existem cozinhas comunitárias para fazer fogo com seu equipo e cozinhar. Fazer fogo fora dos lugares indicados é estritamente proibido. É proibido no nível de que se te pegarem, além de ser expulso do parque, você é deportado do Chile e ainda sofre um processo. Em todos os lugares de acampamento/abrigos tem espaço para cozinha, mas nem pense em fazer fogo durante a trilha, além de ser proibido, você pode colocar fogo na oitava maravilha do mundo. Acho que você não quer fazer isso, não é mesmo? Ou pelo menos não deveria querer. 11 – Preciso de Guia? Não. Você não precisa de um guia (O trabalho dos guias é maravilhoso e na grande maioria das trilhas do planeta é recomendado ir com um, porém esse parque foi projetado para ser autoguiado) As trilhas são muito bem demarcadas, o mapa é de fácil leitura. Existem inúmeras pessoas fazendo a trilha, o rastro é muito visível e você pode acompanhar o caminho pelas marcações com estacas e tintas. Claro que você precisa prestar atenção no que está fazendo, enquanto estiver na trilha esteja atento as marcações, preste atenção nas pessoas que passam por você. Enquanto eu estava lá um grupo decidiu “cortar caminho” se perdeu no meio do mato, então, não corte caminho. 12 - É fácil encontrar água durante a trilha? Sim, é muito fácil. Não precisa ficar carregando litros e litros de água. Um cantil de 750ml já basta. Você passa por muitos pontos de água a todo momento. Roteiro Pegamos o primeiro ônibus que saia de Puerto Natales, para chegar no parque a tempo de pegar o Catamarã das 11: 35. O Catamarã das 11:35 é o limite para conseguir fazer o Mirador Grey, se pegar o das 14:00 já era, tem que deixar para o dia seguinte. Mesmo assim tem que andar rápido na trilha. O sol estava se pondo por volta das 20:00 Portaria Laguna Amarga: Pudeto: Aguardando o Catamarã Vista do Catamarã Indo para o Grey Indo para o Grey Friaca indo pro Grey Primeiro Mirador do Grey Primeiro Mirador Voltando do Grey para Paine Grande (Pega na quantidade de roupa que o Gabriel esta usando kk) Chegando em Paine Grande Vista do Refugio Paine Grande Saindo da Cozinha e indo para o Refugio 20180319_193145.mp4 Sobre a Trilha: É uma trilha extensa, sem grandes desníveis. Bem no começo tem algumas subidas, mas depois é bem tranquilo. Muito bonito! Você vai margeando o lago à direita e montanhas à esquerda. Tem que apertar o passo para fazer o bate e volta, é só focar que a trilha sai! Dia 02 Paine Grande Nao da para cansar de ver essas fotos rs Dia 03 Indo para o Italiano Campamento Italiano Subindo Rumo ao Britanico Chegando no Britanico Voltando e Parando no Mirador Frances (Na realidade voce passa por ele na ida e na volta, para mim um dos pontos mais belos ) Campamento Frances Sobre a trilha: Considero o ponto mais alto, depois das Torres. O segundo dia de caminhada é belissimo do começo ao fim, as paisagens mudam constantemente, mantendo você envolvido com cada detalhe. A subida do Frances e Britanico é moderada, muitas pedras, tem que prestar atenção no caminho e onde pisa, mas não é nada extra hard. A todo momento você consegue observar o degelo da montanha formando os rios, é uma beleza indescritivel Sobre o Acampamento Frances: A estrutura é boa. Mas, se estiver chovendo a cozinha é a céu aberto e se tiverem muitas pessoas para tomar banho, você pode acabar ficando com água gelada. Foi o que aconteceu comigo. Sim, tomei banho gelado a 6cs kkk Parece que o sistema de aquecimento leva um tempo para subir a temperatura da água e se várias pessoas usam de uma vez, a água quente acaba e tem que esperar um tempão para aquecer. Mais um detalhes sobre o acampamento: Ele tem infestação de ratos. Inclusive quando entramos na barraca notamos uns buraquinhos, achamos que era normal, mas descobrimos a noite que os ratos tentam entrar na barraca atrás de comida. Então, mantenha toda a comida muito bem embalada e se prepare para escutar alguns roedores pela noite rs Dia 04 Sobre a trilha: O desnível começa a aperecer mais forte no terceiro dia. Na realidade tem muito sobe e desce. É uma trilha mais dura, pois a paisagem não muda tanto e em horas leva bastante tempo para conseguir finalizar. Nós conseguimos vaga somente no Torre Norte, em certo momento a trilha partindo do campamento frances bifurca, um lado vai para a Torre Norte/Central e o outro para o Chileno. Eu realmente recomendo ir para o Chileno. É uma subida consideravel, mas faze-la no mesmo dia de ataque as Torres foi bem pesado. Entao, vá para o Chileno. Repito, Va para o Chileno. Chileno. Dia 05 Comecinho do ultimo trecho para as torres Chegando nas Torres Tudo que sobe, tem que descer, e voltamos das Torres para o Refugio Central/Norte, pegamos um translado até Laguna Amarga e de lá demos um "Até breve" para Torres del Paine Segue uma imagem linda da despedida Sobre a Trilha: O último dia!! Ao mesmo tempo que não queríamos ir embora, foi um alívio. O cansaço começou a bater. É engraçado como muito da nossa questão de alcançar um objetivo, vem da cabeça! Até o penúltimo dia estávamos bem o último, parecia que um caminhão tinha passado por nós rs. Bem, algumas coisas aconteceram, vou colocar na linha: 1. Saímos de madrugada, para tentar chegar no nascer do sol nas torres, porém o caminho do Refugio Norte/Central até o Campamento Chileno (que seria o início da trilha para as torres) é extremamente puxado. É um caminho estreito que vai beirando o abismo, pegamos neve e muito vento. Acabamos indo lentos demais. 2. É muito importante você ter o equipamento correto, dentre eles o Anorak! Meu marido se confundiu na hora de fazer as malas e levou o errado. Compramos o que tinha na hora (capa de chuva) e ele sofreu muito com isso, até troquei de roupa com ele em certo ponto 3. A subida é forte, com muitas pedras. Os último 45 minutos de caminhada são puxados, vi muita gente com cara de desespero na trilha rsrs 4. Chegar no topo não tem preço, me arrepia só de lembrar! Só tenho a agradecer por ter tido esse momento em minha vida. 5. Infelizmente estava nevando muito, a temperatura estava negativa. Não conseguimos ficar muito mais que 10 minutos lá em cima, mas valeu cada segundo dessa trip muito louca O que não pode faltar na mala: Pessoal não vou passar um check-list completo do que precisa levar, mas vou falar do que não pode faltar de jeito nenhum: - Anorak (100% A prova de água) - Calça impermeável - Um bom tênis para caminhada - 3 Boas meias para caminhada (Cano alto, que evita bolhas, comprei na Decatlhon e foi ótima) - Pelo menos 2 blusas respiráveis, para usar como primeira pele - Capa de Chuva para a Mala - Uma mochila de ataque - Um Fleece - Um lenço para enrolar nas orelhas, venta bastante, evite dor de ouvido - Lanterna de Cabeça - Frutas Secas, Comidinhas fáceis como salaminho, levar ovo já cozido, polenguinho Bem, espero ter ajudado! Ficarei mais do que feliz em ajudar e tirar dúvidas de quem esta se preparando para ir!! Um grande beijo e bons ventos!
  3. Saudações mochileiros, Voltamos recentemente de um trekking de dezoito dias pela Patagônia (El Calafate, El Chaltén e Circuito W em Torres del Paine) e deixarei aqui um breve relato sobre a viagem. Falarei um pouco sobre o que levar, quais os lugares que visitamos e outras dicas sobre o nosso planejamento. Espero que, de alguma forma, a leitura possa ajudar / inspirar vocês no planejamento de um mochilão pelo Chile e pela Argentina. Boa leitura! Itinerário: 07/01 – El Calafate 08/01 - Deslocamento até El Chaltén. 09/01 - El Chaltén 10/01 - El Chaltén 11/01 - El Chaltén 12/01 - El Chaltén 13/01 - El Chaltén 14/01 - El Chaltén 15/01 – El Chaltén 16/01 - Deslocamento El Chaltén – El Calafate - Puerto Natales 17/01 – Puerto Natales 18/01 – Torres del Paine 19/01 - Torres del Paine 20/01 - Torres del Paine 21/01 - Torres del Paine 22/01 - Saída do Parque. Volta a Puerto Natales 23/01 – Deslocamento Puerto Natales – El Calafate 24/01 - El Calafate (minitrekking) Sobre a viagem: Embora muitos preferem conhecer a Patagônia de carro, moto, bicicleta, trailer…, esse tipo de viagem infelizmente demanda tempo de deslocamento e geralmente é feita por quem tem mais tempo para viajar. No nosso caso, tínhamos vinte dias e optamos por viajar de avião até El Calafate, fazendo conexão em Buenos Aires. Alguns preferem visitar a Patagônia vindo de avião pelo Chile, a partir de Santiago e depois Punta Arenas, mas, pelas pesquisas que fizemos, o preço da passagem aérea pela Argentina estava mais em conta. Como o valor das passagens costuma mudar, sugiro pesquisar as passagens pelos dois países. Planejando a nossa viagem, optamos por priorizar as cidades de El Chaltén e o Circuito W de Torres del Paine, principalmente porque são os lugares onde estão as trilhas mais conhecidas da Patagônia (apesar de haver vários outros lugares não tão famosos entre os mochileiros e que são tão bonitos quanto). Também reservamos dois dias em El Calafate e decidimos deixar Ushuaia para um outro momento. Como a nossa programação era acampar durante parte do roteiro, compramos os itens essenciais para a viagem ainda no Brasil, merecendo destaque para: - Barraca resistente ao vento: compramos uma Quickhiker 3 da Quechua, a qual suportou o vento da Patagônia, apesar de termos sentido frio em dois dias acampados. Não é a barraca mais indicada para esse tipo de lugar, mas ela tem uma boa relação custo-benefício; - Bastões de caminhada: fundamentais para quem vai caminhar por terrenos íngremes com aproximadamente quinze quilos nas costas; - Saco estanque: usamos ele para enchê-lo de água quando estávamos acampados, não precisando se deslocar toda hora até o rio para buscar água potável; - Roupas de frio e resistente ao vento. Sobre dinheiro, trocamos reais por pesos argentinos ainda no Brasil e levamos todo o nosso dinheiro em espécie (usamos o cartão apenas para reservar os hosteis). A maior parte da quantia que levamos já era em pesos argentinos, sendo que deixamos para comprar pesos chilenos apenas quando chegamos em Puerto Natales. A conversão foi de aproximadamente: AR$ 1 = R$ 0,15 R$ 1 = CLP 180 Dia 07 de Janeiro – El Calafate: Pousamos em El Calafate às 12:30 e pagamos AR$ 180 cada um no transfer do aeroporto até o nosso hostel. A cidade conta com diversos hostels e nos hospedamos no Nakel Yenu. Logo que chegamos na recepção e fizemos o check-in, o recepcionista quando soube que iríamos acampar nos ofereceu três cartuchos de gás para acampar que outros viajantes tinham deixado no hostel. Ele nos disse que é normal que os viajantes quando terminam seus acampamentos decidem não levar parte dos equipamentos que sobraram da viagem e acabam deixando na recepção. Como ainda não tínhamos comprado cartucho de gás para o nosso acampamento, acabamos aceitando dois dos três cartuchos que o recepcionista nos ofereceu e já economizamos alguns pesos argentinos logo no começo da viagem (fica a dica para aqueles que forem acampar: pesquisem na recepção do hostel se tem algum cartucho de gás sobrando). Feito o check-in, compramos nossa passagem de ônibus para El Chaltén para o dia seguinte (AR$ 600 por pessoa), fomos caminhar pelo centro da cidade e aproveitamos para passar no mercado comprar o que faltava para viagem. Dia 08 de Janeiro – Deslocamento para El Chaltén e caminhada até o mirador do Fitz Roy e Laguna Capri Saímos às 08:40 de El Calafate rumo a El Chaltén. O bom da viagem é que ao longo do trajeto de ônibus você já tem um pouco da noção das paisagens que vai encontrar quando chegar. Antes de desembarcar na rodoviária, o ônibus fez uma parada no centro administrativo do Parque, onde recebemos algumas recomendações sobre as trilhas. Ônibus chegou na rodoviária às 11:50, saímos procurar hostel e acabamos ficando no hostel Lago del Desierto por AR$ 320 por pessoa. Como tínhamos a tarde inteira livre, decidimos fazer uma caminhada por um trajeto que não estava incluído no nosso roteiro de acampamento e fomos até o Mirador Fitz Roy. Esse é um dos trajetos para quem vai até a Laguna de los Tres (base do Fitz Roy) e a trilha tem início onde termina a área urbana de El Chaltén. Nesse trajeto, os dois primeiros kms são de uma subida bastante íngreme, o que, em compensação, fornece um bom visual da cidade e das montanhas ao redor dela. Passados esses kms iniciais, a trilha se mostra menos inclinada e a caminhada começa a render mais. O mirador possui uma vista muito boa e já dá uma noção para o mochileiro da paisagem que ele vai encontrar pela frente. Continuamos nossa caminhada até a bifurcação que vai para a Laguna de los Tres e pegamos a esquerda indo em direção à Laguna Capri (a ida até a base do Fitz Roy estava programada para outro dia). O visual da Laguna Capri também é muito bom, mas se tivesse que escolher entre ir ao Fitz Roy passando pelo Mirador ou pela Laguna, eu escolheria o primeiro por fornecer uma vista panorâmica bem maior que a da Laguna Capri. Após quatro horas e meia de caminhada e 10 kms percorridos, estávamos de volta à cidade com uma boa noção do que nos esperava (em questão de trilha e vento) para os próximos dias. Tempo de caminhada: 4:30. Distância: 10 km com a mochila pequena. Desnível: 350 metros. Dia 09 de Janeiro – Laguna Torre e Camping Agostini Apesar de termos acordado cedo, o tempo em El Chaltén geralmente amanhece nublado e não costuma melhorar antes das dez horas da manhã. Com isso, tomamos nosso café com calma, fizemos o check-out do hostel (como tínhamos alguns itens que não usaríamos nos acampamentos, o hostel permitiu que deixássemos parte de nossa bagagem no depósito deles) e iniciamos a trilha às 11:00. O destino do dia era a Laguna Torre e dormir no Camping Agostini, trajeto esse que se inicia em El Chaltén, tem 10,5 kms de distância e que fizemos em quatro horas e meia de caminhada. O trecho inicial da caminhada é inclinado até o Mirador Cerro Torre, sendo que volta a ficar mais plano da metade do trajeto em diante. Em compensação, apesar de ser uma caminhada que demanda certo esforço físico, o visual compensa: ao longo da caminhada você terá uma boa visão das montanhas e do rio Fitz Roy que corre lá embaixo e também, nos últimos kms de caminhada, atravessará um bosque com uma típica paisagem patagônica. Chegamos no camping às 15:30 e, depois de montada a barraca, caminhamos mais dez minutos até chegarmos à Laguna Torre. Apesar de um vento bastante forte, o visual que se tem vale a pena. Após um tempo contemplando a paisagem do lugar, decidi caminhar mais 5 kms (ida e volta) por uma trilha inclinada e não muito bem demarcada e ir até o Mirador Maestri, onde se tem uma visão panorâmica das montanhas e principalmente do Glaciar Grande. A paisagem, sem dúvida, não é melhor do que aquela que encontramos ao longo do dia, mas, caso você não esteja cansado da trilha até a Laguna Torre e tenha tempo de sobra, é uma caminhada de uma hora e quarenta minutos que recomendo. Tempo de caminhada: 04:30 até o Camping Agostini + 01:40 até o Mirador Maestri. Distância: 10,5 kms até o Camping Agostini com a mochila grande + 5 kms até o Mirador com a mochila de ataque. Desnível até a Laguna Torre: 250 metros. Dia 10 de Janeiro – Camping Agostini – Laguna Madre e Hija – Camping Poincenot: Comentando um pouco sobre os campings de El Chaltén: os três campings (Agostini, Poincenot e Capri) são gratuitos e você não precisa pedir permissão / preencher algum documento para acampar nesses lugares, basta chegar, escolher o melhor lugar e montar sua barraca. A estrutura é bem simples: os campings são localizados dentro de bosques para proteger melhor do vento, possuem um banheiro químico e rios com água potável a poucos metros de distância, nada muito além disso. Nossa primeira noite acampando foi de muito frio. Apesar de ser verão, a temperatura a noite atingiu aproximadamente zero graus e não foram poucas as vezes que tivemos que acordar para colocar uma peça de roupa a mais (nada que não estava dentro do esperado para uma viagem à Patagônia). Com relação à barraca, ela aguentou bem o vento que fez de noite e, apesar de não ser tão resistente ao frio e à chuva, mostrou ter uma boa relação custo/benefício. Nesse dia, acordamos às 07:30 e mais uma vez o tempo não se mostrava propício para iniciarmos nossa caminhada tão cedo. Assim, fizemos nosso café e desarmamos o acampamento sem pressa e só iniciamos nossa caminhada às 10:00. A caminhada se iniciou percorrendo o trajeto que fizemos no dia anterior, até a bifurcação entre a trilha que vai em direção às Lagunas Hija e Madre e o trecho que passamos no dia anterior, que leva de volta à El Chaltén. Pegamos o primeiro trajeto e logo de cara uma subida razoavelmente íngreme e de aproximadamente uma hora de caminhada. Para quem está caminhando apenas com uma mochila de ataque talvez não é um grande desafio, mas o discurso muda quando você está levando quinze quilos de equipamento nas costas. Nessa hora, posso dizer que senti bastante a diferença de caminhar com bastões de caminhada. Em trechos inclinados eles se mostram uma boa ferramenta para os mochileiros e recomendo ele para quem for fazer esses trajetos, principalmente se for carregar todo o equipamento nas costas. Após esse primeiro trecho, deixamos a inclinação e a trilha em meio aos bosques para iniciarmos uma caminhada num trajeto mais plano e bastante aberto, trecho esse que margeia as Lagunas Madre e Hija e termina no Camping Poincenot. Posso dizer que a paisagem com as lagoas, o Fitz Roy ao fundo, somados com o dia de sol, nos proporcionou um dos melhores visuais de toda a nossa viagem. Depois que passamos pelo trecho que costeia as lagoas, o Arroyo del Salto continua acompanhando o mochileiro pela trilha até alcançar a bifurcação de quem vem da Laguna Capri e quem vai em direção a Laguna de los Tres. Pegamos o segundo trecho e depois de poucos minutos estávamos, às 15:20, no Poincenot. Barraca devidamente montada e saco estanque cheio de água mais uma vez, fizemos um carreteiro de charque e seleta de legumes para recompor as energias. O camping Poincenot fica próximo à subida que leva à Laguna de los Três, o que nos proporcionou um bom visual no final do dia. Tempo de caminhada: 05:20. Distância: 10,5 kms com a mochila grande. Desnível: 100 metros. Dia 11 de Janeiro – Poincenot – Laguna de los Tres: Como optamos por ficar mais tempo em El Chaltén e por termos sentido um pouco o cansaço dos três dias de caminhada, decidimos que dormiríamos mais um dia no Poincenot e que nesse dia faríamos apenas a subida até a Laguna de los Tres. Acordei um pouco depois das quatro da manhã e às quatro e meia iniciei minha subida à base do Fitz Roy para ver o nascer do sol, já que alguns mochileiros tinham comentado que o visual valia a pena. Coloquei minha headlamp e já no início da caminhada avistei ao longo da subida as luzes das headlamps de outros mochileiros, alguns quase no final do trajeto, o que indicava que eu provavelmente estava começando a caminhada com um pouco de atraso. Após caminhar quase quinhentos metros do camping, você chega numa cabana que os “guardaparques” costumam utilizar e ali se inicia a caminhada de um quilômetro até a base do Fitz Roy. Talvez essa tenha sido a caminhada mais exigente de todas, afinal é um quilômetro de trilha que é feito em aproximadamente uma hora e quinze minutos de caminhada num desnível de quatrocentos metros, ou seja, um trecho bastante inclinado num terreno com bastante pedra. Mesmo assim, fiz a caminhada no meu tempo, sem me apressar para chegar ao topo, caminhando no meu ritmo e sempre cuidando onde pisava. Com o passar o do tempo, a alvorada aparecia no horizonte e a claridade mostrou que já não era mais necessário o uso da lanterna para caminhar. Por volta das cinco e meia da manhã, com bastante vento e um clima que não parecia ser dos mais amigáveis, cheguei à Laguna de los Tres, procurei uma pedra para me abrigar do vento e aguardei o nascer do sol. Infelizmente o clima estava um pouco nublado e não pude ver o Fitz Roy naquele momento. Após vinte ou trinta minutos apreciando a paisagem, percebi que o clima realmente não estava disposto a colaborar naquela manhã (como falei, o tempo em El Chaltén costuma melhorar depois das dez da manhã, isso não é uma regra, mas na maior parte das vezes foi o que aconteceu) e com isso fiquei num dilema: esperar até o tempo melhorar ou então voltar para o camping e fazer uma segunda tentativa mais tarde. Percebi que o vento passou a soprar mais forte, o que no começo era uma garoa de leve começava a piorar e as nuvens negras davam a entender que vinha chuva pela frente, sem contar que, após o corpo esfriar da caminhada, a temperatura se mostrou outro inconveniente. Não tive escolha senão retornar ao camping. Depois de descansar mais um pouco na barraca e de um reforçado café da manhã, iniciamos nossa subida às onze horas da manhã. Fizemos o trajeto com várias paradas para descansar e depois de uma hora e quinze de caminhada estava novamente na Laguna de los Tres. A diferença do clima era gritante, o céu com algumas nuvens, mas sem nenhuma indicação de tempo ruim (na verdade, quase não dava para se dizer que aquele clima de chuva foi apenas a algumas horas atrás). Apenas o vento que tinha ficado ainda mais forte, o que fez com que muitos (inclusive nós) buscassem abrigo ao lado das pedras ou então ajoelhassem para não correr o risco de ser derrubado pelo vento (mais uma situação na qual os bastões de caminhada se mostraram indispensáveis). Ficamos mais de uma hora observando a paisagem. Além da Laguna de los Tres, o mochileiro pode caminhar aproximadamente cinco minutos a esquerda da lagoa onde encontrará outro ponto de observação o qual permite que se observe também a Laguna Sucia. Apesar do vento, o cenário vale a pena. Quando voltamos ao acampamento e estávamos quase dando os exercícios do dia por encerrados, eis que surge uma situação pela qual não esperávamos: todo o vento que pegamos lá em cima na base do Fitz Roy também passou pelo acampamento Poincenot e a nossa barraca, apesar de estar fechada, não conseguiu evitar que toda a poeira ao redor do camping entrasse dentro dela. O resultado: todos os equipamentos e roupas empoeirados, o que resultou em mais uma hora e meia limpando a barraca e lavando algumas roupas. Por sorte, muita coisa, inclusive a comida, estava bem fechada, o que nos rendeu um bom prato de macarrão com atum como janta antes que fossemos dormir. Tempo de caminhada: aprox. 01:15 até a Laguna de los Tres. Distância: 5,5 kms (duas subidas até a base do Fitz Roy) com a mochila pequena. Desnível: 400 metros. Dia 12 de janeiro – Poincenot – Hosteria Pilar – El Chaltén: Essa noite sim eu posso dizer que foi a noite mais fria de todo o mochilão. A temperatura facilmente alcançou zero graus, além do vento e de um pouco de chuva. Diferentemente da noite no camping Agostini em que, apesar do frio, o fato de termos colocado várias mudas de roupa ter sido o suficiente para dormirmos razoavelmente bem, nessa segunda noite no camping Poincenot não teve o que nos salvasse de uma noite de muito frio. Quando acordamos a chuva tinha dado uma trégua, o que nos permitiu “levantar” o acampamento e tomarmos um bom café da manhã. Contudo, foi só iniciarmos nossa caminhada rumo à Hosteria El Pilar que voltou a chover, não uma chuva forte, mas sim com muito vento e frio, a ponto de chover gelo fino durante parte do trajeto e até mesmo nevar, mesmo que por pouco tempo. Nessa hora uma boa jaqueta corta-vento, touca, capa de chuva e luvas impermeáveis fazem toda a diferença. Durante a caminhada, o tempo nublado não permitiu que avistássemos o Glaciar Piedras Blancas. Nosso objetivo nesse dia era caminhar até a Hosteria Pilar e, de lá, fazer a trilha que margeia o Rio Electrico e vai até o Camping Piedra del Fraile. Porém, após três dias acampando, uma noite mal dormida e com o tempo dando a entender que choveria por boa parte do dia, chegamos na Hosteria Pilar e optamos por chamar um transfer que nos levasse de volta até El Chaltén. Esperamos meia hora, dividimos (eu, meu pai e mais um casal de brasileiros) os AR$ 600 e depois de mais meia hora, estávamos em Chaltén. A trilha até Piedras del Fraile ficaria para outro dia. Aqui vai outra sugestão para quem vai para El Chaltén na alta temporada: se possível, reserve os hostels com antecedência. Sentimos isso na pele quando chegamos na cidade, fomos até o hostel no qual deixamos parte de nossa bagagem e fomos informados que não tinha vaga disponível. Nós não tínhamos feito reserva nesse dia porque nosso objetivo era ter ido até o Camping Piedras del Fraile mas, como imprevistos acontecem, tivemos que dar uma boa caminhada por El Chaltén até conseguirmos vaga no hostel La Comarca, próximo à rodoviária. Na verdade, o hostel tinha apenas uma vaga disponível, mas o recepcionista abriu uma exceção e disse que um de nós poderia dormir na sala de TV que tinha no hostel. A janta ficou por conta do restaurante Pancho Grande, que é um lugar com preço acessível e com uma janta considerável para quem caminhou bastante nos últimos dias. Outra informação: existem duas trilhas que levam ao Fitz Roy. Uma delas é a que começa pela cidade, passando pela Laguna Capri ou pelo Mirador Fitz Roy, chegando no camping Poincenot, enquanto que, para fazer a outra trilha, que sai da Hosteria Pilar, é necessário pagar por um transfer e se deslocar por pouco mais de meia hora. Ambas tem seus prós e contras: na primeira trilha a distância é um pouco maior e ela é mais íngreme, principalmente no início, em compensação, não é necessário pagar pelo deslocamento. Já a segunda trilha, o mochileiro vai gastar em deslocamento, mas, por outro lado, o nível de exigência é menor. Vai da escolha de cada um. Tempo de caminhada: não marquei o tempo, mas estimo que fizemos a caminhada do camping Poincenot até a Hosteria Pilar em pouco mais de duas horas. Distância: 7 kms com a mochila grande. Dia 13 de janeiro – Loma del Pliegue Tumbado: O objetivo desse dia foi fazer a trilha da Loma del Pliegue Tumbado, percurso que exige um pouco mais de preparo físico, uma vez que são dez quilômetros de ida e mais dez de volta, num trecho inclinado, com desnível de mil metros, ou seja, vá sem pressa e com bastante comida porque o dia será bastante longo. Saímos da cidade às 10:00 da manhã e retornamos às 17:30, ou seja, sete horas e meia de caminhada. O trajeto dessa trilha varia, inicia com um trecho de subida mais íngreme, depois mescla um pouco de caminhada dentro de bosques com terrenos de campos e com poucas árvores, mas sempre subindo, variando apenas a intensidade da inclinação. Por fim, o final da trilha passa a ser em terreno com pedras e chão batido. Depois de oito quilômetros de caminhada você chegará ao mirador Loma del Pliegue Tumbado, que tem uma vista panorâmica muito boa. Contudo, a melhor paisagem estará reservada àqueles que estiverem dispostos a caminhar os dois quilômetros finas da trilha. Esse último trecho de caminhada é feito por uma subida muito íngreme e com pouca sinalização. Minha sugestão é dar uma boa descansada no mirador antes de iniciar essa última parte. Depois, é só pegar a trilha, baixar a cabeça para não ver o quanto de caminhada terá pela frente e seguir no seu ritmo. O trecho é realmente cansativo de se fazer, mas o visual lá de cima vale a pena. Você estará a mil metros acima da cidade de El Chaltén e terá uma vista panorâmica de todo a região, avistando desde o Lago Viedma, até a cidade de El Chaltén ao fundo, Laguna Torre, Laguna Capri e as montanhas ao redor. Tempo de caminhada: 07:30 horas. Distância: 20 kms com a mochila de ataque. Desnível: 1000 metros. Dia 14 de Janeiro – Camping Piedra del Fraile e Lago Electrico: Agora sim, depois de sermos impedidos pelo tempo de continuarmos nossa trilha do camping Poincenot até o camping Piedra del Fraile no dia 12, saímos às 09:00 da manhã de El Chaltén, fomos até a estrada que dá acesso à trilha que vai até o Lago Electrico e, às 10:00, iniciamos nossa caminhada. Como sugestão, eu diria que essa trilha só deve ser feita depois que você já foi até a Laguna Torre, Laguna de los Tres e Loma del Pliegue Tumbado, ou seja, já tenha feito as três principais caminhadas de El Chaltén. Não que o visual dessa trilha não valha a pena, mas é aquele tipo de caminhada que a paisagem ao longo do percurso é que faz o passeio se tornar interessante e não o destino final. Ao longo do trajeto você caminhará num bosque que margeia o rio Electrico e que também permite que você veja as montanhas ao fundo. O terreno e a inclinação também são bem tranquilos, o que faz dessa trilha um passeio mais leve se comparado com as três principais trilhas de El Chaltén. São seis quilômetros e meio até o camping Piedra del Fraile. Esse camping está numa área particular, fora do parque, é pago e possui uma infraestrutura melhor que os demais campings de El Chaltén. Infelizmente não dormiríamos ali naquele dia, então continuamos a caminhada por mais dois quilômetros em direção ao Lago Electrico. Nesse trajeto, você terá uma vista para o Fitz Roy por outro ângulo, que sem dúvida alguma não se compara àquela da Laguna de los Tres, mas que mesmo assim não deixa de valer a pena. Chegamos no trecho final da caminhada e nos deparamos com uma bifurcação que não está sinalizada na trilha. Enquanto o Maps Me e um relato que eu li me diziam para a pegar a esquerda e iniciar uma subida pelo morro, o trajeto dava a entender que o correto seria pegar pela direita e contornar o morro. Fomos pela primeira opção, iniciamos uma subida e logo encontramos uma marcação do trajeto a percorrer. Mesmo estando mal sinalizado, com a ajuda do aplicativo é possível chegar até um lugar onde você terá uma boa visão do Lago Electrico. Após sete horas de caminhada, estávamos de volta à entrada da trilha, aguardamos nosso transfer por vinte minutos e depois de mais quarenta minutos estávamos de volta em El Chaltén. Conforme eu falei, essa trilha vale a pena caso você já tenha feito os principais trajetos de El Chaltén, ela é menos exigente e o principal atrativo dela é a paisagem ao longo da trilha entre a entrada e o camping Piedra del Fraile. Pode-se dizer que a ida até o Lago Electrico é apenas um complemento da viagem, de modo que caso o mochileiro opte por não fazê-la não perderá nada de formidável. Tempo de caminhada: 07:00. Distância: 13 kms até o camping + 4 kms até o Lago Electrico, ambos com a mochila de ataque. Dia 15 de Janeiro – Lago del Desierto: Por fim, após alguns quilômetros percorridos ao longo dos dias em El Chaltén, nos rendemos a um dia sem caminhadas e optamos por fazer o passeio de barco pelo Lago del Desierto. Não lembro do valor do passeio, mas sei que não foi um preço muito amigável, então deixo como sugestão mais para que já fez os outros passeios e queira um dia de descanso. Nosso transfer nos buscou às 07:30 no hostel para percorrer um trecho de aproximadamente uma hora de carro até a Punta Sur, lugar onde saem os barcos que fazem o passeio. De lá, nosso barco percorreu o lago por aproximadamente quarenta minutos até chegarmos a outra extremidade, lugar que tem uma aduana argentina, uma vez que a Punta Norte é local de entrada na Argentina de mochileiros que vieram do Chile, mais precisamente do parque O´Higgins. Depois de um tempo na Punta Norte, nosso barco se deslocou até a metade do lago e parou num refúgio, onde descemos e pudemos fazer uma caminhada de trinta minutos até um mirador para observar o Glaciar Vespignani. Às 14:30, já de volta à Punta Sur, pegamos nosso transfer de volta à cidade e assim demos por encerrado nossa estadia em El Chaltén. Partiríamos para Puerto Natales no dia seguinte. Resumo e dicas de El Chaltén: El Chaltén sem dúvida alguma é ponto de parada obrigatório para quem visita a Patagônia. A menos que você tenha um roteiro com poucos dias, que prioriza apenas uma cidade (fazer apenas algum dos circuitos em Torres del Paine, por exemplo), essa cidade deve estar no seu roteiro. Primeiramente, ela é uma cidade que se deve reservar pelo menos quatro dias nela para poder fazer as três principais caminhadas (Laguna Torre, Laguna de los Tres e Loma del Pliegue Tumbado), além de um dia de sobra por garantia em caso de mau tempo. Digo isso porque o clima em El Chaltén é muito imprevisível, o viajante pode ter a sorte de pegar uma semana inteira só de sol, assim como o contrário e passar todos os dias na cidade abaixo de chuva. Infelizmente é uma loteria. Com isso, ter um dia de sobra pode ser uma boa solução caso aquele dia que você se programou para ir para a base do Fitz Roy amanhecer chuvoso, uma vez que o passeio poderá ser remarcado para o dia seguinte. Além disso, lendo alguns relatos e também ouvindo alguns viajantes, a impressão que tive é que Ushuaia é uma cidade que conta com um perfil de turismo menos voltado para trilhas. Com isso, caso o seu roteiro não tenha tantos dias, deixo como sugestão deixar Ushuaia de lado (até mesmo por ser mais longe e envolver um tempo maior de deslocamento de ônibus ou então comprar uma passagem aérea) e passar alguns dias a mais em Chaltén. As trilhas de Chaltén (com exceção da Loma del Pliegue Tumbado) possuem a opção de você fazer bate e volta, dormindo todos os dias na cidade, ou então ficar nos acampamentos, o que envolve se programar mais e levar mais peso nas costas, mas que, em compensação, não obrigará o viajante a fazer os trajetos de ida e volta no mesmo dia. Outra dica com relação ao clima: as trilhas são afastadas umas das outras e a região é cercada por montanhas, ou seja, o tempo e as condições climáticas podem mudar conforme o local onde você estiver. O tempo costuma melhorar depois das dez horas da manhã, então, se possível, programe-se para começar os percursos depois desse horário. Além disso, consulte sempre a previsão do tempo, principalmente se você ficará alguns dias sem internet. Com relação à subida até a Laguna de los Tres, que é o atrativo principal da cidade, se você não estiver com tanta sorte e o tempo não estiver bom no dia que você fizer essa trilha, deixo como sugestão aguardar o tempo melhorar na cabana onde é ocupada pelos guardaparques no nono quilômetro de caminhada (comentei sobre ela no relato do dia 11 de janeiro), antes de começar o último quilômetro de subida. Pode ser que o tempo esteja ruim no momento que você esteja terminando o trajeto de ida para a base do Fitz Roy, o que não significa que ele não pode mudar dali uma ou duas horas. Então, caso você chegue quase ao final da trilha, quer subir até a Laguna de los Tres, mas não quer se frustrar, encontrar um tempo fechado e ter que voltar logo depois de chegar ao fim da trilha, sugiro esperar o tempo melhorar ali nessa área onde fica a cabana dos guardaparques, pois é um local que, apesar de ser bem simples, pega menos vento e que você poderá esperar o tempo melhorar. O camping Bonanza (entre a El Chaltén e a Hosteria Pilar) nos chamou a atenção por possuir uma infraestrutura melhor para receber casais com crianças. Caso seja esse o seu caso, talvez esse camping seja uma boa opção. Optamos por não fazer as caminhadas para o Chorrillo del Salto, Mirador de los Condores e Mirador de las Aguilas. Caso você tenha tempo sobrando, talvez elas sejam uma boa opção. Por fim, não só os destinos das trilhas de El Chaltén são bonitos de se ver, mas as próprias trilhas em si possuem uma paisagem que vale a pena apreciar. Com isso, programe-se para caminhar com calma, com várias paradas para descansar e sem pressa de chegar ao final do percurso. Dia 16 de Janeiro – Deslocamento El Chaltén – El Calafate – Puerto Natales: No dia anterior, pagamos AR$ 1100 por duas passagens de El Chaltén para El Calafate, saindo às 07:30 e chegando às 10:30. O problema foi que não conseguimos comprar em El Chaltén uma passagem de ônibus de El Calafate até Puerto Natales. O jeito foi chegar de viagem em El Calafate e sair pela rodoviária a procura de passagens para Puerto Natales. Apesar da preocupação de não encontrarmos mais passagens para aquele dia, não foi difícil encontrar empresas com horários disponíveis e compramos, por AR$ 1180, duas passagens de El Calafate para Puerto Natales saindo às 16:30. Após esperar seis horas na rodoviária e mais seis horas de viagem, nosso ônibus chegou em Puerto Natales às 22:30. Depois dez minutos de caminhada, estávamos no hostel que reservamos na noite anterior. Dia 17 de Janeiro – Puerto Natales: Quando ainda estávamos em El Chaltén, nós tentamos sem sucesso reservar por celular uma noite no camping do Lago Pehoe para o dia 17. Tentamos então encaminhar um e-mail para a empresa, e até hoje estamos esperando a resposta. Como não conseguimos reservar o camping para esse dia, estávamos programados para entrar no parque de Torres del Paine apenas no dia 18 e o tempo estava entre nublado e chuvoso, optamos por tirarmos mais um dia de descanso e fomos caminhar um pouco pelas ruas de Puerto Natales. A cidade é bastante simples e sem muitos atrativos. A região do porto é um lugar que valha a pena dar uma caminhada, mas com nada muito significativo. O dia se resumiu em caminhar pela cidade, comprar pesos chilenos, escolher um restaurante com uma boa refeição, descansar e brincar com o perro do hostel. Iniciaríamos o Circuito W no dia seguinte. Dia 18 de Janeiro – Torres del Paine – Paine Grande – Mirador Grey: Tomamos café bem cedo no hostel e às 07:20 nosso ônibus saiu da rodoviária em direção ao parque Torres del Paine. Pagamos CLP 13000 por pessoa para fazer o trajeto de ida e volta de Puerto Natales até o Parque, mais CLP 21000 por pessoa para a entrada. Após descermos na administração para pagar a entrada e assistirmos um vídeo com algumas recomendações, nosso ônibus se dirigiu até a Guarderia Pudeto, onde pagamos mais CLP 18000 por pessoa no catamarã que nos levaria até o camping Paine Grande. Nosso barco saiu às onze da manhã, mas ele tem outros horários, alguns mais cedo e outros ao longo da tarde. Às 13:00 já estávamos de barraca montada no camping e saímos em direção ao mirador do Lago Grey. Esse percurso começa com uma caminhada entre dois morros próximos um do outro, o que faz com que tenha uma corrente de vento nos quilômetros iniciais da trilha. Após um trecho caminhando em terreno plano, inicia-se uma subida, passando pela Lagoa Los Patos, terminando, após aproximadamente cinco quilômetros e meio num mirador voltado para o Glaciar e Lago Grey. Ali foi o lugar onde encontramos o vento mais forte em toda a viagem, o qual ultrapassou os 100 km/h, segundo informações do Parque. Como não tínhamos conseguido reserva para o camping Grey, fizemos mais cinco quilômetros e meio de volta em direção ao camping Paine Grande, chegando um pouco antes das 18:00. Sobre o camping, podemos dizer que ele tem uma boa estrutura, bons banheiros, chuveiros com água quente e uma área comum para cozinhar. Costuma ventar bastante no Paine Grande, então escolha um bom lugar para armar sua barraca. Tempo de caminhada: aproximadamente 05:00. Distância: 11 kms com a mochila de ataque. Dia 19 de Janeiro – Paine Grande – Camping Italiano – Mirador Britânico – Camping Francês: Tomamos o café da manhã e levantamos acampamento para, às 10:50, iniciarmos nossa caminhada rumo ao camping Francês. Logo no começo da caminhada, nos demos conta que esquecemos nosso fogareiro com o cartucho de gás na área comum do camping, onde as pessoas usam para cozinhar. Após alguns minutos de espera e já cogitando a possibilidade de ter que se virar sem fogareiro no resto do circuito, para a nossa sorte, o fogareiro estava lá, intocável, mesmo passadas duas horas que tínhamos esquecido ele. Retomada a caminhada, nosso trajeto se mostrou bastante tranquilo nos quilômetros iniciais, que margeiam o Lago Skottsberg, apenas com leves inclinações no terreno. Por volta da metade do trajeto entre o camping Paine Grande e o Italiano, decido por acelerar meu ritmo de caminhada e deixar meu pai para trás, uma vez que do camping Italiano eu subiria até o Mirador Britânico, enquanto que ele iria do Italiano direto para o camping Francês. Cheguei no camping Italiano por volta das 13:00, deixei minha mochila ao lado da cabana dos guardaparques (eles permitem que quem for fazer a subida até o Mirador Britânico deixe sua mochila cargueira no camping) e subi apenas com a mochila de ataque em direção ao mirador. Talvez esse tenha sido o dia mais cansativo de todo o trekking e isso se deve bastante aos 12 kms de trecho íngreme de ida e volta do camping Italiano ao mirador Britânico. Desnecessário dizer que é uma paisagem que compensa o esforço. Conforme você vai ganhando altura, surgem mais montanhas ao seu redor e a vista para o Lago Nordenskjöld fica cada vez melhor. Após aproximadamente um quilômetro e meio de caminhada a partir do camping Italiano, você chegará num mirador para o Glaciar Francês cuja vista é impressionante. Por isso, sugiro que, caso você não queira ir até o Mirador Britânico, pelo menos vá até o mirador para o Glaciar Francês para apreciar o visual. Continuando a caminhada, a paisagem vai ficando cada vez melhor até que, após algumas horas de subida, você chegará ao Mirador Britânico. Mais uma vez digo que o visual é indescritível e que você poderá desfrutar de uma bela paisagem enquanto descansa para a caminhada de volta. Às 18:00 estava novamente no camping Italiano, peguei minha mochila cargueira e fiz mais 2 kms até o Camping Francês. Nesse dia não conseguimos reservar apenas o espaço para acampar, então tivemos que pagar mais para reservar o camping com barraca da própria empresa, o que nos rendeu um gasto elevado, mas que, em contrapartida, nos proporcionou uma noite num colchão maior e numa barraca e saco de dormir mais resistentes ao vento e ao frio. Sobre o camping, ele também tem uma estrutura boa. A área para cozinhar é bem pequena, mas é coberta então você não correrá o risco de pegar chuva enquanto cozinha. Os banheiros e chuveiros também são bons. Acredito que as vagas para conseguir acampar nesse camping sem precisar reservar uma barraca são poucas, pois não observamos muitos lugares para armar uma barraca, de modo que a maior parte dos lugares disponíveis são em barracas da própria empresa, o que torna a estadia nesse camping uma opção cara e recomendável apenas caso você não tenha conseguido vaga no Camping Los Cuernos ou no Italianos. Tempo de caminhada: 08:00. Distância: 7,6 kms de mochila cargueira até o camping Italiano + 12 kms ida e volta do camping Italiano ao Mirador Britânico com a mochila pequena + 2 kms do Italiano ao Camping Francês com a mochila cargueira. Total: 21,6 kms. VID_20180119_141237727.mp4 Dia 20 de Janeiro – Camping Francês – Camping Central: Iniciamos a caminhada às 09:50 margeando o Lago Nordenskjöld rumo ao camping Central. Após 2 kms com descidas bastante inclinadas, chegamos ao camping Los Cuernos, o que nos rendeu apenas uma rápida parada para descansar e tirar fotos antes de retomar a caminhada. Percorremos mais 11 kms até chegarmos numa bifurcação que serve de atalho para quem vai ao Camping Chileno ou então para aqueles que irão ao Camping Central. Escolhemos a segunda opção e, após mais um quilômetro e meio estávamos no Camping. A paisagem desse dia é muito boa pois de um lado você margeia o Lago Nordenskjöld enquanto que do outro observa as montanhas Cuernos del Paine. Da metade em diante do trecho do Camping Los Cuernos a trilha começa a ficar menos íngreme e mais aberta. Mesmo assim, foi mais um dia puxado carregando a mochila cargueira nas costas durante todo o tempo. Após sete horas e quarenta minutos de caminhada, chegamos ao Camping Central. Esse camping se mostrou com uma estrutura mais simples que os outros, apesar de possuir um espaço bastante grande para escolher onde armar sua barraca. Tem bons banheiros e chuveiros, mas não dispõe de uma área comum para cozinhar, de modo que os mochileiros cozinham suas refeições nas mesas espalhadas ao longo do camping. Tempo de caminhada: 07:30. Distância: 14,5 kms com mochila cargueira. Dia 21 de Janeiro – Subida ao Mirador de Las Torres: Enfim, chegou o dia de subirmos o trecho até a base das Torres. Iniciamos o trajeto às 09:30 e durante quase todo o percurso caminhamos por um terreno acidentado. As subidas são constantes e apenas antes de chegar ao Camping Chileno é que tem um trecho de descida. Passando o Camping Chileno, o trajeto volta a ficar inclinado e, no momento que o mochileiro chega num trecho que dá acesso ao Camping Torres, inicia-se uma verdadeira subida com bastantes pedras ao longo do caminho até a base das Torres, ou seja, é subida atrás de subida. Por outro lado, o tempo estava bom e não havia previsão de chuva ou vento muito forte para aquele dia (sempre bom consultar com os guardaparques qual a previsão do tempo para o dia), o que nos permitiu que fizéssemos o percurso no nosso ritmo, sem pressa para chegar ao destino. Passadas mais de quatro horas e meia de trilha, chegamos à base das Torres. A partir daí foi só descansar e, mais uma vez, apreciar a paisagem. Como era nosso último dia em Torres del Paine, não tínhamos nenhuma pressa de ir embora. Até que o tempo começou a ventar mais forte e a nublar o topo das Torres. Com isso, decidimos que era hora de iniciar o percurso de volta até o Camping Central. Voltamos às 18:30. Tempo de caminhada: 09:00. Distância: 16 kms com a mochila de ataque. Dia 22 de Janeiro – Saída do Parque – Puerto Natales: Apenas no nosso quarto e último dia acampando em Torres del Paine é que tivemos uma noite com bastante frio e chuva. Acordamos com uma chuva leve tomando conta de boa parte do Parque e decidimos esperar o tempo melhorar para desmontarmos a barraca. Com isso, nosso café da manhã dessa vez foi dentro da barraca. Às onze horas, quando vimos que o tempo realmente não pretendia mudar pelas próximas horas, colocamos nossas capas de chuva e tivemos que desmontar a barraca embaixo de chuva. Acampamento devidamente levantado, fomos até o local de saída dos ônibus. Pagamos CLP 3000 para ir até o local de entrada e saída do Parque, onde aguardamos até as 14:30 para pegar nosso ônibus de volta a Puerto Natales. De volta à cidade, a dona do nosso hostel deixou que abríssemos a barraca no quintal do hostel e usássemos o varal para pôr algumas roupas para secar. Mais tarde saberíamos que nesse dia nevou na base das Torres e que a temperatura ficou abaixo de zero em alguns lugares, fato que, somado ao vento patagônico, não deve ser das melhores sensações. Tiramos o resto do dia para descansar. Partiríamos cedo para El Calafate na manhã seguinte. Distância total (El Chaltén + Circuito W em Torres del Paine): 148,6 kms. Resumo e Dicas Torres del Paine: Para fazer algum dos circuitos em Torres del Paine é preciso ter bastante planejamento com relação à reserva dos campings. Infelizmente, o turismo no Parque é grande e as vagas nos campings são limitadas. Com isso, as reservas nos campings devem ser feitas com bastante antecedência para que você não precise ficar tendo que adaptar o roteiro. No nosso caso, não tivemos escolha com relação aos dias que iríamos ficar em Torres del Paine. Os únicos dias que encontramos vagas nos acampamentos que nos permitiria fazer o Circuito W foi entre os dias 18 e 21 de janeiro. Os demais dias ou já estavam reservados ou então tinham vagas disponíveis em algum camping de forma isolada (que nos permitiria ficar num camping específico num dia, mas que não encontraríamos vagas no próximo camping do circuito no dia seguinte). Para reservar os campings, o mochileiro deve acessar os sites das empresas responsáveis pelos campings do parque (valendo lembrar que cada camping é gerido por apenas uma empresa): http://www.verticepatagonia.cl http://www.fantasticosur.com http://www.parquetorresdelpaine.cl Com relação aos valores dos campings, pagamos: - Paine Grande: US$ 20, para duas pessoas; - Francês: US$ 80, para duas pessoas (camping + barraca); - Central: US$ 42, para duas pessoas e por duas noites. Sobre as possibilidades de se fazer o Circuito O ou W, o mochileiro poderá optar por: - Levar uma mochila menor, sem barraca e/ou comida, carregando basicamente apenas roupas, sendo que a comida e a hospedagem em barracas ou cabanas ficarão por conta das empresas que gerenciam os campings. Essa hipótese é para aqueles que preferem carregar menos peso. Por outro lado, pela pesquisa que fiz nos sites das empresas, os valores que elas cobram para lhe fornecer comida e hospedagem são elevados e em dólares, o que faz dessa primeira opção viável apenas àqueles que estão dispostos a desembolsar uma razoável quantia em dinheiro. - Carregar a mochila com comida e equipamento para acampar, além da roupa para passar os dias no circuito. O ruim dessa opção é que o mochileiro carregará mais peso ao longo do circuito, terá que armar sua própria barraca e fazer sua comida. Por outro lado, o valor gasto no circuito será apenas aquele gasto para reservar um espaço no camping para acampar, fazendo dessa opção uma escolha viável em termos econômicos. Além disso, caso você escolha levar sua própria comida para as refeições ao longo do circuito, não deixe para comprar nada dentro do Parque. Isso porque, apesar de cada camping dispor de um minimercado, os valores que cobrados são muito altos (CLP 5000 por um pão caseiro e CLP 15000 por uma garrafa de vinho, por exemplo). Infelizmente o clima em Torres del Paine também costuma variar bastante. Talvez ele seja menos imprevisível que o de El Chaltén mas, mesmo assim, encontrar tempo bom ou ruim no Parque é uma questão de sorte e que não depende do mochileiro. Comparado à Argentina, o Chile é um país mais caro, então procure comprar sua comida para fazer os circuitos em Torres del Paine ainda na Argentina (não tivemos problemas para atravessar a aduana com produtos industrializados) e deixar para comprar no Chile apenas o necessário. Dia 23 de Janeiro – Deslocamento Puerto Natales – El Calafate: Nos despedimos cedo de Puerto Natales e do Chile e no começo da tarde estávamos fazendo o check-in no Hostel Inn Calafate, o qual recomendo para os futuros mochileiros. Fomos para o centro reservar o passeio do Minitrekking no Glaciar Perito Moreno para o dia seguinte e fechamos na Hielo y Aventura pelo valor de AR$ 3300 por pessoa. Tínhamos o resto do dia livre, então aproveitamos para caminhar um pouco pela cidade e nesse dia nos recolhemos cedo no hostel. Dia 24 de Janeiro – Minitrekking Perito Moreno: Por volta das nove horas da manhã a van da empresa veio ao nosso hostel para nos levar até o centro. De lá, com um ônibus, percorremos os oitenta quilômetros até o Parque Nacional Los Glaciares. Chegando ao Parque, pagamos uma taxa no valor de AR$ 500 para ingressar e, após alguns minutos, estávamos no mirador do Glaciar Perito Morento. Tivemos duas horas de tempo livre para caminhar pelas passarelas que ligam os diversos miradores do Glaciar. Depois, pegamos um barco que nos levou ao local onde faríamos o minitrekking. O trajeto de barco não chega a ser igual àquele do passeio que leva as pessoas bem próximas do Glaciar, mas durante o deslocamento no barco se pode ter uma noção do tamanho dos blocos de gelo a sua frente. Mais uma vez em terra firme, agora já próximo ao Glaciar, colocamos os grampones no calçado, recebemos algumas instruções dos guias da empresa e iniciamos nossa caminhada pelo gelo. Apesar de o preço ser elevado, posso dizer que fazer o minitrekking foi uma experiência bastante interessante. O guia nos levou glaciar adentro e quando você vê, está praticamente cercado de gelo. Alguns optam por fazer o Big Ice, que é um passeio em que as pessoas ficam mais tempo caminhando pelo Glaciar, mas o minitrekking para mim já foi o suficiente. Após uma hora e meia de subidas e descidas pelo gelo, nos despedimos do Perito Moreno, retiraram nossos grampones do calçado e tomamos o barco rumo ao ônibus que nos levaria de volta a El Calafate. Resumo e Dicas de El Calafate: De modo geral, El Calafate é a cidade que tem um pouco mais de infraestrutura com relação a lojas e restaurantes. Ela também é um pouco mais barata que El Chaltén, então talvez seja melhor comprar boa parte da comida e equipamento nessa cidade. Por outro lado nos limitamos a fazer apenas o passeio pelo Glaciar do Perito Moreno, de modo que não saberia dizer se a cidade possui alguma outra atração que valeria a pena de se conhecer. Dia 25 de Janeiro – El Calafate – Buenos Aires – Brasil: No dia anterior reservamos por AR$ 150 um transfer que nos levaria do hostel até o aeroporto de El Calafate. Meu voo de volta ainda fez escala em Ushuaia apenas como forma de me fazer passar vontade por não ter conhecido o lugar. De qualquer forma, não nos arrependemos do roteiro que fizemos. Pelo tempo que tínhamos, optamos por ficar mais tempo em menos lugares e Ushuaia infelizmente foi a cidade que decidimos deixar para, quem sabe, uma futura viagem. Deixo aqui os relatos que serviram de base para elaborar o meu roteiro: https://mydestinationanywhere.com/2014/11/09/torres-del-paine-como-chegar-visitar-trekking-hospedagem/ https://www.mochileiros.com/topic/55423-patag%C3%B4nia-em-26-dias-dez2015jan2016-circuito-o-em-7-planilha-de-custos/ https://www.mochileiros.com/blog/torres-del-paine-tudo-que-voce-precisa-saber-antes-de-iniciar-o-trekking http://paraondefomos.com.br/torres-del-paine-o-que-levar-para-o-trekking/ http://paraondefomos.com.br/torres-del-paine-quanto-custa/ http://paraondefomos.com.br/torres-del-paine-nosso-roteiro-circuito-o/ http://anaturezahumana.com/el-chalten/ Espero que tenham gostado da leitura e, qualquer dúvida que tiverem, não deixem de perguntar. Grande abraço.
  4. Informações preliminares Fiz essa viagem entre 05/12/17 e 30/12/17. E visitei Punta Arenas, Puerto Natales (com Rota W no Torres del Paine), El calafate (com big ice), El Chalten, Ushuaia (+pinguinera) .Não postarei mtas fotos pq a idéia é ser um relato, para aguçar a imaginação. Sempre que leio relatos aqui configuro o navegador para não abrir imagens. Acho que às vezes vemos tantas fotos dos lugares que vamos visitar que quando chegamos lá parece que já estivemos lá. Então a idéia é só postar fotos do que for necessário para ajuda nas andanças. As paisagens vocês podem ver com uma googlada. Escrevi isso quase como diário, durante a viagem, mas pensando nas dificuldades que as pessoas aqui poderiam ter ao fazer esse roteiro. Respostas paras dúvidas que eu não encontrei por aqui de forma tão fácil. Um dólar nesse momento que viajo vale aproximadamente r$ 3,30. Cem reais equivalem a 500 pesos argentinos (ar$) ou 20.000 pesos chilenos (CHL). Vou colocar os preços em moeda local e dólar quando infornarem. Sobre mim, tenho 32 anos, 1,75m e 75kg. Sou praticamente sedentário, não faço exercícios nem acadêmia, apenas vou para o trabalho de bicicleta, 2 km da minha casa. Ou seja, sou um pessoa comum em termos atléticos. Nada demais. Levei para essa viagem um fleece, um corta vento, um casaco 3x1 impermeável, uma calça impermeável, duas calças segunda pele, 3 blusas segunda pele, três calças bermudas, um par de luvas, 4 pares de meias para trekking, um gorro peruano, uma bota cano alto impermeável. É importante ter roupas impermeáveis para essa viagem. Praticamente tudo o que levei usei, então não recomendo improvisar nas vestimentas e acessórios. Senti falta também de um poncho. Por mais que as roupas sejam impermeáveis, a capacidade de reter água não é ilimitada e a umidade passa um pouco. Só um poncho te deixa completamente seco. A região patagônica em geral é muito úmida e pode chover a qualquer momento. Sobre o calçado, importante ser impermeável tb, há lugares como Parque Torres del Paine e Ushuaia que há trilhas onde é preciso cruzar rios a toda hora, passar por lama, brejo, tudo. Ir de calça jeans ou outro tipo de roupa permeável pode te deixar numa pior, molhar meia é melhor caminho para formar bolhas. 05/12 - Chegada em Punta Arenas e pernoite em Puerto Natales Cheguei na Patagônia por Punta Arenas, com escala em Santiago. Muita gente compra a passagem pela via argentina (aeroporto de El Calafate) mas achei a alternativa pela via chilena interessante por dois motivos. Primeiro pelo tempo de viagem, 12h ao todo o trecho mais longo, que é um duração muito boa. Via El Calafate dificilmente vc consegue vôo sem pernoite em Buenos Aires. Pela via chilena temos a LATAM opera mto vôos para a região sem necessidade de pernoite. Depois porque você pode começar a viagem por Punta Arenas ou Puerto Natales que, se vc planejar direitinho, pode ser o começo do seu roteiro. O preço é igual ou mais barato do que ida e volta por El Calafate. Então pode ser uma boa escolha começar pelo Chile, seja via Punta Arenas, seja via Puerto Natales com escala em Santiago. Deixei para conhecer Punta Arenas na volta, e cheguei indo direto para Puerto Natales para então chegar em El Calafate onde começa de fato meu roteiro. Um ônibus da BusSur passa pelo Aeroporto, na saída próxima do guichê de despacho de bagagem das cias aéreas. Os horários são programados, se informe pelo site da BusSur. Eu comprei pela Internet por 8 mil pesos chilenos (13 dólares) mas vendem na hora também. Passa por ali também ônibus que leva até o centro de Punta Arenas, já que fica um pouco distante do Aeroporto. Há um caixa eletrônico lá caso precise tirar moeda local, mas há aquelas muitas taxas a pagar. A viagem até Puerto Natales dura 3 horas, num cenário repleto de estepe e estancias de ovelhas e cordeiros. A estrada é muito boa e o ônibus da Bus Sur é bem confortável. Puerto Natales é uma cidade bonita, limpa e cheia de pessoas se protegendo do vento gélido que faz nessa época. Ninguém tá na rua de bobeira. Os ventos patagônicos são tudo isso que dizem e mais um pouco. Aqui tudo começa com uma lapada fria e dolorosa na cara de quem chega. É o cartão de boas vindas da região. É bom já chegar preparado pros ventos, vá se vestindo em Santiago se tiver tempo Assim que desembarquei no terminal fui ver passagens para El Calafate. Tentei comprar pela Internet mas não consegui pela BusSur e não consegui contato com as demais que operam o trecho. Cheguei a ficar preocupado de não conseguir para o dia seguinte, pois dizem que em alta temporada é bom ter tudo reservado. Mas foi bem tranquilo. Assim como há mta gente nessa época, há maior oferta de transporte também. A principal empresa que faz o trecho é a Turismo Zaahj. Cada época do ano há mais ou menos saídas por semana e por dia. A empresa possui um site que parece velho e desatualizado, mas as informações estão corretas. A passagem custou 17 mil pesos chilenos. Cheguei em Puerto Natales e fiz um pernoite num hostel bem ao lado do Terminal chamado El Fiodor. (Ao final do relato vou deixar minha avaliação das hospedagens que fiquei pra ficar mais organizado) Deixei as coisas o hostel e fui comer. Isso era próximo às 21h e ainda havia sol. Fui ao Picada del Carlitos. Um pouco longe do hostel, mas a comida é boa. Fazia um frio do diabo. Comi, voltei pro hostel e dormi. Dia 06/12 - De Puerto Natales a El Calafate Como minha viagem foi programada muito em cima da hora não consegui reservas para a Circuito W no mesmo período em que desembarquei no Chile. Isso aumentou meu número de deslocamentos e custo da viagem. É importante sempre começar o planejamento desta viagem por Torres del Paine!! Tudo com boa antecedência, principalmente se estará por lá em alta temporada (Novembro a Março). Nesse período os passeios tb são mais caro. De tudo li, a conclusão é que Março é uma boa época para fazer esse roteiro. É final de alta temporada e o ventos reduzem bastante. Por outro lado, o frio aumenta um pouco e o dia encurta. O problema maior são chuvas, que aumentam um pouco pelo gráfico que vi. Meu primeiro dia em Torres del Paine estava programado pra 17/12, mas aproveitei minha passagem por Puerto Natales para acertar as estadias e atividades que pretendia fazer no parque TdP. A programação de estadia no parque TdP é complicada pq vc tem que agendar as reservas contínuas de 3 a 4 noites com refúgios ou campings de duas empresas diferentes que operam dentro do parque (no meu caso o circuito W e não fiquei nos campings gratuitos). E se vc não fizer todas essas reservas, vai fazer a rota pela metade, pois não pode permanecer no parque sem reservas. A primeira empresa chamada Fantástico Sur é até mto tranquila pois tem um booking online no site , então na mesma hora vc sabe o que tem disponibilidade e quando. A segunda empresa, Vértice Patagônia estava sem booking online e foi um martírio fazer as reservas. Tirei uma manhã deste dia para ir pessoalmente confirmar essas reservas nas lojas das duas empresas e para fechar passeio de Kayak pelo Lago Grey, dentro do parque, com uma empresa chamada BigFoot. Fiz tudo isso e fui conhecer a Avenida Costanera e o centro da cidade. Nada demais mas vale a pena conhecer. Acabou ficando em cima da hora pra pegar o ônibus e não consegui fazer câmbio. Deixei para fazer na volta, já que só ia precisar de pesos chilenos pra pagar a entrada no TdP. Malas prontas, fui para a Terminal Rodoviário pegar um ônibus que saía às 14h. O ônibus da Turismo Zaahj é muito bom e moderno. Até El calafate são 5h com parada nas aduanas de Chile e Argentina para registro de saída e entrada. A rodoviária de El Calafate não fica mais no Centro da cidade, e é preciso andar de 10-20 minutos se for a pé. Não tem caixas automáticos no terminal lá. Meu hostal é o America del Sur, que fica bem perto da rodoviária então fui a pé mesmo. Após check in e mensagens a família já era tarde mas fui dar uma volta pra conhecer o centro. Voltei ao hostel e dormi. 07/12 - El calafate (1) - Museus e parques Reservei 4 dias em El Calafate. A cidade tem um ótima estrutura de restaurantes, lojas e hospedagens de todos os gostos, um bom supermercado (La Anonima, vc vai precisar dele). Não há casa de câmbio oficial, mas você pode cambiar em alguns estabelecimentos bancários. A melhor dele sem dúvidas é o Banco de La Nación, que faz a cotação oficial. Todos os outros locais vão fazer com algum desconto mas é bom saber deles pois o banco funciona em horário bem restrito (de 8h a13h) e principalmente porque há filas desalentadoras. O segundo lugar seguro para câmbio é a loja da western, na principal tb. A cotação é menor mas funciona até domingo. Há também um restaurante chamado Parrila e Assado (todo mundo chama de Casemiro) que faz câmbio, mas só qdo interessa a eles fazer. Fui lá duas vezes e não fizeram. Eu tinha dois planos para a manhã deste dia, a primeira era chegar bem cedo no Banco para fazer câmbio e fugir das filas e a segunda era ir na loja da Movistar conseguir um chip pré pago. Só não contava com uma surpresa: era feriado! Aniversário da cidade de El Calafate. Era uma quinta e como bons sul-americanos emedaram a sexta e só voltaria a funcionar na segunda feira, quando eu já não estaria por lá. Isso melou meus planos, pois em El Chalten - meu destino após El Calafate - não tem banco nem loja de celular. Enfim, acontece. Fui começar o roteiro programado pela Intendencia do Parque Nacional Los Glaciares. O espaço fica bem na rua principal e é dividido em dois espaços, o bosque com informações sobre plantas e árvores nativas e exóticas e o centro de exposição, com filme, totens digitais sobre a fauna e flora da região patagônica, sobre Francisco Moreno, os glaciares e uma exposição permanente sobre a história das estacias, do parque, etc. É interessante e de graça! Passei parte da manhã lá lendo sobre tudo. Depois fui na loja da Hielo e Aventura acertar minha reserva para fazer o Big Ice, o passeio que tinha maior expectativa lá.Dps almoçar fui ao Centro de Interpetación Museo. Recomendo muito! É um pequeno grande museu mantido por um professor de História. Além da exposição de réplicas idênticas de fósseis completos de espécies encontradas na região patagônica, é um museu crítico, questionador, que expõe com coragem o processo de genocídio de povos tradicionais da região, cometido pelo governo argentino e estancieiros para expansão da criação de gado e ovelhas (carne, couro e lã). O museu custa muito barato e tem desconto para estudantes. Vi todas as exposição e depois aproveitei a proximidade e passei na laguna Nimez. A laguna é um local de observação da fauna da região, especialmente de aves. Não é o melhor horário pra fazer o passeio, pois as aves estão mais à vontade pela manhã, mas aproveitei pra dar uma olhada já que havia uma promoção pelo aniversário da cidade. A entrada custa Ar$ 150 e o passeio é autoguiado. Vc recebe um guia em papel que explica os pontos numerados da caminhada em torno do lago. Vi bastante aves mesmo à tarde. Há, perto do mirante, uma passagem para o lindo lago Argentino que vale a pena conhecer! Fiz o circuito mais curto por causa da hora. Voltei para a avenida principal e passei na Ovejitas de la Patagônia, loja de sorvetes e chocolates. É indispensável provar o sorvete de calafate, fruta típica do local e que dá nome à cidade. Finalizei o dia (a noite por lá só cai umas 23h) comendo as recomendadas empanadas da Dona Mecha. Acho que é a mais barata que vi por lá, custava apenas ar$20. A de cordeiro era mto boa. Fui dormir cedo e me preparar pro Big Ice. 08/12 - El Calafate (2) - Big Ice Tudo preparado para fazer o Big Ice. Pra quem não sabe, esse é um dos passeios de trekking no glaciar Perito Moreno. Há apenas uma empresa autorizada a explorar esse tipo de passeio, chamada Hielo y Aventura, e ela vende bem caro os dois passeios: o Big Ice e o Mini Trekking. Basicamente a diferença entre os dois é o preço, o tempo do passeio e o esforço exigido. O Big Ice é uma experiência de trekking aprofundada no Glaciar, caminhando na parte mais interna do Glaciar. O Mini Trekking por sua vez é mais leve, apenas pra ter a experiência. O local é o mesmo, o glaciar perito moreno. Oque muda são os cenário, como vou descrever. O procedimento da empresa é: te buscar no hostel, levar todos para um ponto de encontro onde sai um ônibus até o parque, que fica a mais ou menos uma hora e meia de distância de El Calafate. Há um guia que explica várias coisas sobre o parque e os glaciares durante a ida. Chegando no parque temos a primeira visão do Glaciar ainda de dentro do ônibus. É incrível, das coisas mais lindas que já vi ! Depois descemos e temos 40 minutos pra observar o Glaciar das passarelas, de frente pro glaciar.. Voltamos e pegamos novamente o ônibus para descer para um porto, onde está nos esperando um catamarã que atravessa até o refúgio da Hielo.. De lá começamos uma trilha. Até aqui todos estão juntos. Só mais à frente há uma divisão de grupos em língua (inglês e espanhol). Aí sim começamos a trilha de 50 minutos beirando o glaciar pelo continente. Quem vai pro mini trekking não faz essa trilha, fica logo no começo. Passamos por paisagens lindas na trilha, no entorno do glaciar. É uma subida, mas achei tranquila. Até que em um momento paramos para medir os grampos (estruturas de ferro dentada que colocamos embaixo do calçado para andar no gelo sem escorregar) e logo mais a frente entramos no glaciar. Em cima do gelo mesmo paramos para colocar definitivamente os grampos e seguimos com eles o tempo todo. É uma experiência estranha. O meu estava amarrado com mta força na bota, mas achei que era assim mesmo. Nesse momento também eles pedem que coloquemos as luvas, pois cair e arrastar a mão no gelo é perigoso. Passadas as instruções começamos o trekking. Logo de início encontramos um túnel de gelo!! É inacreditável! Tiramos fotos cada uma uma vez em fila. Não pode atravessar pois é perigoso, podendo-se ceder a qualquer momento. Bom, todo o cenário a partir daqui é impressionante! Pequenos rios, lagoas azuis, sumidouros, fendas, são coisas que só no Big Ice você consegue ver. O túnel não é sempre, pois são formações temporárias e imprevisíveis. Depois de algumas horas de trekking, paramos para almoçar. Ali mesmo no glaciar. O trekking é cansativo principalmente porque não é fácil andar nos grampos. Preste bastante atenção nas instruções sobre subida, são muito importantes para evitar esforço desnecessário e lesões. Eu consegui uma bolha no calcanhar. No final estava incomodando bastante. Acho que tinha a ver com a amarração exageramente apertada fazendo meu calcanhar friccionar com a bota com mta força. Não sei. Mas dá uma canseira. No final tiramos os grampos (alívio!) retornamos pela trilha. Nessa hora, o dia que estava bem aberto e azul fechou bem e começou a chover pela região do parque. Voltamos ao refúgio já sob chuva. Aguardamos o barco para cruzar novamente o lago e pegar o ônibus. No barco eles dão umas lembranças e uma bebida para esquentar. Voltamos já no final do dia. Todos são unânimes em dizer que é um passeio muito caro. De fato, não é barato não. Além de pagar o tour, você paga a entrada do parque que é ar$ 500!!! Não tem refeição nenhuma. Eles são super profissionais, tem mta gente envolvida no passeio, mas ainda assim é bem caro. Daquele tipo de passeio que você paga pq sabe só vai fazer uma vez na vida. Se você não tem condições de fazer, vale muito a pena ir ao parque, explorar as passarelas e trilhas com calma . É um lugar incrível, mesmo sem fazer o trekking no gelo. Eu gostaria se ter tido mais tempo nas passarelas para poder ficar ali apenas escutando os estrondosos rompimentos do glaciar. Esse passeio sairá mais barato e será muito bom tb. Na volta nos deixam no hostel. Desci para comer um Chorizo Argentino e voltei já cansado. 09/12 - El Calafate (3) - Glaciarium de bicicleta e Yeti Bar El calafate não tem mtas opções interessante de passeios além do Parque e trekking no glaciar.. Pelo menos não me interessaram tanto. Há opções de full day em Torres del Paine que podem ser interessantes para quem não pretende fazer a rota W no TdP. Há cavalgadas, passeios em 4x4. Apenas dois passeios me chamaram atenção : estancia Cristina e Rios de hielo. Mas o preço pesou na decisão de não fazer. Sem ter muito o que fazer decidi alugar um bike no hostel e ir até o museu glaciarium de bike. Fui margendo o lago Argentino pela Avenida Kichner até quando pude. É lindo! O museu fica num desnível alto da RP 11, então se for de bike se prepara pra ladeira. A visita ao museu valeria apenas pela vista incrível do Lago Argentino. Mas além da vista, é um museu super interessante. Ele trata mais especificamente da glaciologia, a ciência que estuda os glaciares. Pra mim não rolou, mas achei que seria uma boa visitá-lo antes de ir ao parque ou fazer o trekking no glaciar. Muita coisa explicada lá você vai entender na prática durante o passeio. O museu custa 360 pesos (sim, bem caro) mas tem desconto pra estudante brasileiro (ar$ 280). Além do museu, há o Glaciarium bar, que nada mais é do que um bar de gelo. Você paga 240 e fica alguns minutos lá bebendo e tirando fotos num ambiente a -20 graus. Achei caro e fui fazer essa experiência no Yeti Bar qdo voltei pro Centro. No Yeti é ar$190 pesos. Mas voltando ao Glaciarium Museo, não precisa ir de bike como eu fiz. O Museu tem um serviço de transporte gratuito que sai de hora em hora de frente à Secretaria de turismo, na principal. Eu gostei bastante do museu. De bicicleta ainda mais. Na volta parei para comprar alfajores pra família. Tem mtas lojas de doce em El Calafate, mas segui a recomendação de comprar na Koonek. Provei um antes e realmente era mto bom. Por fim comprei uns souveneris pois seria o último dia. Acabei indo, como disse, conecher o tal bar de gelo da Yeti bar.. Eu fui mais pela bebida mesmo rs Queria provar o tal fernet com coca cola, bebida típica de Córdoba mas que foi adotada em toda Argentina. Provei, achei uma porcaria. Dps pedi um outro drink, e tirei umas fotos. Deu pra ficar alegrinho, e é isso. O bar de gelo não tem nada demais, é apenas uma brincadeira mesmo. Penso que as crianças devem se divertir um monte. Custa ar$ 190. Por fim fui pro hostel devolver a bicicleta. Arrumar as coisas e dormir. Avaliação de El calafate: El Calafate é uma cidade com bastante passeios a fazer, mas tudo pago (e caro). Certamente o parque nacional Los Glaciares (onde fica o Glaciar Perito Moreno) e o trekking no glaciar são os grandes passeios da cidade. Os museus e restaurantes são bons complementos na sua estadia lá. De 3 a 4 dias é o suficiente para conhecer bem a cidade. O melhor mercado é o La Anonima, logo na entrada da cidade. A alimentação simples como um cordeiro patagônico pra uma pessoa por lá fica por volta de ar$230-300. Não é mto barato e não tem muito pra onde fugir, a não ser fazer sua própria comida no hostel. No geral eu curti a cidade e curti muito o Big Ice, certamente melhor recordação do lugar. 10/12 - El Chaltén (1) - ida pra El Chaltén e trilha de los Miradores Há diversos formas de transporte e horários para chegar a El Chalten. O hostel fazia a reserva de vagas direto na recepção, como queria dar uma descansada dormi até mais tarde e fui no ônibus das 13h. Dei uma última volta pela cidade pela manhã e aguardei a hora de ir. Na ida, que dura 3h, há uma parada em um restaurante/hotel chamado La Leona. É um restaurante cheio de História pra contar, vale a pena descer e visitar. Na chegada à cidade o imponente Fitz Roy já dava as caras. O tempo estava mto bom aquele dia e fiquei um pouco frustrado de não ter ido cedo para já fazer uma trilha das de longa duração. Na entrada do parque todos somos obrigados a descer para escutar algumas recomendações e explicações sobre o parque. Qdo passar lá não esqueça de pedir um mapa. Cheguei em El Chaltén e fui direto pro hostel. Fiz check in e não sabia se fazia uma trilha curta ou ia almoçar. Um brasileiro que estava o meu quarto me convenceu a fazer as trilhas dos Miradores. São rápidas, mas com uma subida boa. Qdo subi, o Fitz Roy já tinha se encoberto e as nuvens já anunciavam o que ia ser o outro dia. Tirei umas fotos, desci e passei no mercado. As coisas em Chaltén são mais caras que em El calafate, desde o supermercado até restaurantes. Se você estiver economizando o máximo, cogite comprar sua alimentação em El calafate. Da mesma forma, vá de câmbio trocado. Comprei algumas coisas no mercado para não precisa comer na rua e dei uma volta na Av.San Martin para mapear o lugar. No hostel conversei com alguns brasileiros que conheci e fui dormir. 11/12 - El Chaltén (2) - Laguna Torre com tempo nublado Bom, como estava anunciando o dia anterior, este dia o tempo não estava nem um pouco favorável. E qdo o tempo não tá favorável em El Chatén é um saco. Passei no centro de informações para perguntar o que fazer tendo em vista o clima, ela sugeriu a Chorrillo del Salto, uma cachoeira bem pequena que fica perto da cidade. Não fiquei muito satisfeito com a sugestão e ao sair encontrei um brasileiro e fechamos de fazer a Laguna Torre mesmo com o tempo ruim. Não tinha idéia de como estaria, mas não queria fazer o mais simples. Pretendia guardar a cacocheira pro último dia pra descansar. Fomo nós então : 18km ida e volta, 6 horas ao total. A trilha começa no meio da Av San Martin. Tem uma grande placa indicando. A trilha é longa, mas tranquila. Sem muito desnível. Mas o tempo ruim desanimou bastante. E as moscas dessa região são um pé no saco tb. No primeiro mirador não dava pra ver nem o Cerro Torre, de onde há o degelo que forma a laguna. Frustração, mas segui mais algumas horas. No final da trilha, onde fica a laguna, dava pra ver só a laguna com sua cor meio acinzentada mesmo e um pouco do Glaciar Grande, que fica próximo. Parei para bater um marmitex na chegada e tirei algumas fotos só da laguna mesmo. Tudo bem a natureza quem manda por aqui. Encontrei alguns brasileiros por lá, conversamos um pouco e dps voltei pq o começou ventar e chover fininho. Na volta comecei a sentir meu calcanhar dolorido, já logo pensei que teria relação com a bolha que fiz no Big Ice. No final já nem tava aguentando mais, fui dando passadas mais curta, meio mancando, até chegar no hostal. No hostal vi que a coisa era tensa no meu calcanhar. A caminhada tinha piorado um tanto a ferida. Fui à farmácia comprar algo para passar e a farmacêutica me indicou um cicatrizante + bandaid. Comprei. Aproveitei para passar no mercado e complementar as compras. Fiz um jantar, cuidei do pé e fui dormir. O próximo dia prometia ser o melhor possível pela previsão do tempo. Já estava ansioso. 12/12 - El Chalten (3) - Laguna de los três com subida pela hosteria El Pillar A previsão do tempo se cumpriu, dia lindo e aberto, sem ventos, sem nuvens, Fitz Roy rindo pra gente. Nem tomei café da manhã direito, fui logo pro terminal de ônibus pegar o transfer para a Hosteria El Pilar para fazer a Laguna de los Tres. Explico: tem duas formas principais de chegar a essa laguna. A primeira delas é o pelo Sendero Fitz Roy, ao final da Av. San Martin, dentro da cidade. A segunda é pela famosa Hosteria El Pilar, um estabelecimento que fica no meio da estrada. Essa trilha começa a 6km do povoado de El Chalten. Qual a diferença? Pela Hosteria você tem acesso ao mirador Piedras Blancas, que tem vista pro glaciar de mesmo nome e dps vc volta pelo Sendero Fitz Roy. O contrário não é possível, ou seja, ir pelo Sendero Fitz Roy e voltar pela hosteria é desvantagem pq vc terminará trilha no meio da estrada e precisará andar mais 6km pra voltar a El Chalten. Então pela Hosteria vc consegue fazer o mesmo passeio com mais atrativos. Pra chegar na hosteria todos pegam um transfer com a empresa Las Lengas, que tem um guichê na rodoviária. Ela sai em 3 horários programados. Peguei o primeiro, que sai 8h. Como meu calcanhar ainda estava ruim arrisquei fazer todo percurso de havaianas! E coloquei a bota na mochila para urgências. Fui direto na rodoviária pegar a van da Las Lengas, pq era do lado do meu hostel. Mas se vc reservar com antecedência eles te buscam na porta do seu hostel. A trilha é super tranquila e relativamente bem marcada. No começo da trilha dá pra se confundir um pouco pq vai paralelo ao córrego do rio, mas cruzando-o de vez em quando. Dps que começa a subir fica bem fácil e bem traçado. A trilha é muito tranquila em 90% do trecho. O que pega nessa trilha é o último quilômetro. É meia hora de subida sem parar. Um pouco puxado, mas vi de tudo que era gente subindo: idoso, criança, cada um no seu tempo e todo mundo chega. E aí tem a recompensa. Se o dia está claro e aberto é um dos cenários mais lindo que você vai ver na vida. A imponência da cadeia do Fitz Roy é absurda. A água do lago é linda, extremamente convidativa. Pela margem direita do lago vc pode ter contato direto com neve acumulada, mesmo no verão. Dá até pra descer de skibunda!. Quando voltei não resisti e mergulhei na laguna. O tempo estava bom, sem vento e mto sol, então fui. Não recomendo fazer isso, a água é congelante mas queria ter essa experiência. Sequei um pouco no sol e fui pra na margem esquerda da laguna, onde há uma subida pro mirador Laguna Sucia, que é um super cenário tb. Enfim fiquei lá umas 3 ou 4 horas. O lugar tem uma paz incrível. Vale a pena se isolar em um canto e ficar ali só curtindo. Na volta passei um pouco de perrengue por causa das havaianas. É bastante escorregadio e só não cai algumas vezes por conta do bastão de trekking. A propósito minha melhor compra nessa viagem foi um par de bastão de trekking. É incrível a diferença em termos de equilíbrio e economia de joelho. Vi mta gente subindo a parte final da laguna quase engatinhando, sem qq postura de apoio. Com os bastões isso não era necessário. Eu subi o trecho final todo de uma vez só, e como disse no início não sou nenhum trilheiro habitual. Acredito que tenha a ver com a ajuda dos bastões pois ele ajuda mto na distribuição da força de subida. Na descida também. O caminho de volta te permite conhecer a Laguna Capri, ela fica no caminho de volta até El Chalten, via Sendero Fitz Roy. Não é tão bela, mas vale a pena conhecer. Também há alguns outros miradores no caminho do Sendero Fitz Roy. Desci feliz da vida, e aliviado de ter conseguido fazer a trilha de havaianas. Dia mais que especial. Passei no mercado mais uma vez, fiz janta e dormi cedo. Já apresentava bons sinais de cansaço no joelho e pernas. Foram quase 40km em dois dias. 13/12 - El Chalten (3) - Pliege Tombado com tempo nublado A segunda trilha mais interessante por aqui é o Lomo del Pliege Tumbado. Basicamente se consegue uma vista panorâmica das cadeias de montanhas Fitz Roy, Torre e demais por um ângulo bem atípico. Claro, desde que o tempo esteja limpo. Não era o caso. Não tava totalmente coberto, mas havia muita nuvem por detrás do Fitz Roy, onde fica o Cerro Torre. Ali que mora o problema. Essa é a trilha mais puxada para quem não vai acampar. São 10km e 1.000 metros de desnível. Estimam 4h horas de caminhada de ida. Tinha olhado no WindGuru (app que a maioria dos trilheiros usam para prever o tempo de El Chalten) que o tempo ficaria pior mais à tarde. De manhã estaria relativamente ok. Para ter certeza que valia a pena passei no centro de informações e a atendente disse que sim, poderia se ver algo. Sai de lá olhando pro céu e achei que ela estava equivocada, mas paguei pra ver. Diferentemente da laguna de los três, essa tem uma subida constante, alternada por estepes plana e depois mais subida. É uma subida lenta e gradual, mas que exige bastante esforço. Ela tb não é muito procurada, talvez pela dificuldade ou desconhecimento, não sei, mas cruzei com poucas pessoas esse dia. É uma trilha bem traçada. Ela começa atrás da Intendência do Parque Nacional, assim como a trilha dos miradores. As paisagens alternam entre florestas de lengas e campos de estepe. Senti um pouco de cansaço na trilha, acumulado dos dias anteriores, mas segui em frente até o primeiro mirador. De lá já deu pra ter idéia de que a subida foi em vão. Não se podia ver nada no horizonte. E essa trilha é essencialmente de vista, não há lagunas. Depois deste mirador ela segue, porém já cansado e sem possibilidade de melhora do tempo voltei dali mesmo. Foi o suficiente. Na volta parei na Intendência do Parque Nacional pra ver uma pequena exposição que fica lá. Tem uma parte interessante sobre a história das expedições de escalada dos cerros Torre e Fitz Roy. Dali voltei pro hostel. O tempo então piorou bastante. Os ventos começaram a soprar muito forte e uma chuva fininha desceu e não parou mais. Fiz um almoço por lá e esperei até à noite pra ver o jogo da final da copa sul americana. Fui num bar bem legal chamado Caytaneo, na Av San Martin. Pedi uma pinta (copo de cerveja) e me diverti vendo o flamengo perder o título no junto dos hermanos. Voltei pro hostel, jantei e fui dormir. 14/12 - El Chaltén (4) - Encontro com amigos do RJ e Chorillo del Salto O dia amanheceu tão ruim quanto terminou o anterior. Sem Fitz Roy, mto frio e chuva. Fiquei boa parte do dia no hostel lendo. Algumas pessoas do hostel impacientes com o tempo foram pra trilha assim e mesmo e voltaram com cara de arrependidos. Um coreano do meu quarto disse que foi apenas até a Laguna Capri e voltou. Para minha sorte um casal de amigos que moram no RJ e estão viajando pela América Latina chegaram em Chatén na noite anterior. Sem clima para trilhas, fomos comer algo no Restaurante Ahonikenk, na Av. Miguel Martin. Todos falaram mto bem desse restaurante. Pedimos uma pizza e estava mto bom. Parece que o carro chefe é o Ravioli de Cordeiro. Bebemos um pouco animamos de fazer a trilha mais tranquila, a Chorrillo del Salto. É uma pequena cachoeira que fica na estrada ao final da Av. San Martin. Fica pouco mais de 3km do centro e é mto bem sinalizado. Apesar de fácil, o vento, a chuva e o frio tornaram essa trilha uma grande aventura. Confesso que esperava pouco da cachoeira, já que no Brasil temos cachoeiras incríveis, mas ela é linda e super valeu a pena enfrentar as intempéries. E salvamos um dia que tinha como perdido. Passamos um tempo lá admirando a bela queda d’água, passamos no mercado e me despedi deles,. Fui para o hostel fazer check out e me preparar para seguir caminhada no outro dia. Resumo de El Chaltén Em 5 dias que fiquei lá, apenas um dia perfeito. El Chaltén não é para amadores! Sem céu limpo e bom tempo para ver o Fitz Roy e Cerro Torre a cidade perde completamente o sentido. Vi gente indo embora sem nem conseguir ver por um momento sequer o Fitz Roy, ainda que de longe. Dias perdidos mesmo, mta frustração no hostel. Então vá se preparando para contar com a sorte. Para não precisar contar tanto com a sorte, você pode deixar a programação de ida para El Chaltén em aberto e acompanhar a previsão do tempo. Claro, para isso vc terá que arrumar o que fazer por El Calafate ou Puerto Natales para passar os dias. Acompanhar o windguru seria uma forma de evitar a frustração de ir para Chaltén e não ver nada. Olhou a previsão, viu que tem bom tempo para os próximos dias, faça check out de onde estiver e vá pra El Chaltén! Do contrário, vá fazendo hora nas demais cidades até que o tempo se abra. Se eu soubesse disso antes teria aproveitado um dia a mais de sol em Chaltén que perdi pq resolvi pegar o ônibus mais tarde. Isso é minha primeira conclusão. Depois, se vc tem dúvida sobre que trilha fazer, vou repetir a sugestão que ouvi de todas as pessoas que conheci. Na verdade tudo depende de qts dias vc tem. Se tiver um dia, faça laguna de los três, seja começando pela hosteria el pilar, seja pelo sendero Fitz Roy. Não só pq é incrível, mas pq é o cartão postal do lugar. Se tem dois dias, faça laguna do los três e Pliege tombado. Se tem três dias faça laguna torre. É o top 3 do lugar. O resto são complementares, nada supera a imponência do Fitz Roy. O ideal seria alternar trilhas difíceis com fáceis, mas como o tempo é imprevisível é difícil seguir isso. Para quem não tem tempo contado e dinheiro sobrando, há algumas trilhas fora de El Chalten, como Estancia Huemules e Laguna del Desierto, Piedra de Frade, etc, todas precisam de um transfer ( a Las Lengas faz quase todas). Acho que pode valer a pena se você fez as principais trilhas da cidade e não tem mais atividades. 15/12 - Despedida de El Chaltén, volta para Puerto Natales e preparação para o Circuito W No meu roteiro original dia esse dia estava aberto para imprevistos climáticos. Como o clima estava ruim por todo canto, decidi voltar antes para Puerto Natales para me programar melhor para os 4 dias no Parque TdP. Confesso que essa é parte do roteiro que mais me preocupa, seja porque é o momento que estarei mais exposto já que serão dois dias de camping, seja porque é a parte mais exigente fisicamente. Pra piorar a previsão do tempo também não era das melhores por lá. O dia em El Chaltén continuou péssimo com muita chuva, havia pessoas entediadas por todo canto no hostel. No dia anterior tinha ido comprar minha volta na rodoviária.Não há ônibus direto para Puerto Natales de El Chalten. É preciso ir para El Calafate. Fui para El Calafate com a van das La Lengas por Ar$ 450 + 20(taxa rodoviária), pegando no hostel e deixando onde você quiser em El Calafate. É provável que em El Calafate ou no seu hostel digam que não há diferença de preço para El Chaltén, mas não é verdade. Além da Las Lengas, a Taqsa tem um preço melhor. Acho que quando vendem por ar$600 alguém está ganhando uma comissão aí. Se informe qdo estiver na rodoviária. Chegando em El Calafate teria duas horas livres até embarcar no ônibus para Puerto Natales. Reservei esse tempo para ir até o centro comprar pesos argentinos (já pensando em Ushuaia, para onde iria dps de Torres Del Paine) e alguns souvenirs. Procurei algum lugar para deixar meu mochilão na rodoviária e fui informado que no guichê da empresa Taqsa era possível deixar, mediante pagamento de ar$ 30 pesos. Ok, não tinha muita opção. Deixei lá e segui. Acontece que nesse dia decidi botar a bota pela primeira vez desde a trilha para a Laguna Torre, quando a ferida no calcanhar incomodou muito. Durante todos os dias até então fiz tudo de chinelo para deixar cicatrizar mais rápido possível. Parece que não adiantou muito. Andei alguns metros da Rodoviária em direção ao centro de El Calafate e a dor incômoda parecia que era a mesma. Achei melhor não insistir e fui pegar um táxi. Pegar táxi é sempre um problema em qualquer lugar do mundo, parece que todos eles querem te enganar de algum jeito. Eu precisei e não tinha pra onde fugir. Perguntei qto ficaria, ele disse que é taxímetro. Ok. Indiquei a parada no casemiro para fazer câmbio (aquele que não tinha conseguido duas vezes) pois o trajeto era o mais curto e dessa vez consegui rápido cambiar. Aproveitei e comprei um souvenir na loja em frente e pronto. Final da corrida: ar$180!! Detesto táxi, mas tudo bem esse pareceu honesto apesar de caro. Enfim tudo certo, a passagem para Puerto Natales foi mais uma vez pela Turismo Zaahj e custou ar$600. A volta foi bem chuvosa, Puerto Natales estava bem chuvosa e fria. A previsão do tempo para os próximos dias não era boa, mas não tinha muito o que fazer. Quando cheguei voltei para o El Fiodor hostel, que era muito próximo à rodoviária e barato. Depois vi que havia outras hospedagen boas por ali, mas na chuva foi o primeiro que recorri. Já eram quase 22h, fiz algo para comer e fui dormir 16/12 - Puerto Natales - Resolvendo pendências O dia estava livre para resolver tudo relativo ao Parque TdP.. Precisava de cambiar dólares para pagar o parque, de alguns itens de farmácia e informações sobre o parque em geral (como chegar e voltar, que horas ir, etc.). Sobre lugar para câmbio, segui conselhos de outros sites e fóruns e fui à Câmbio Sur. Enquanto a maioria dos lugares estava fazendo a CLP 600 por dólar, lá estava CLP 620. A Câmbio Sur, fica bem no centro, na rua Hermman Eberhard, rua da igreja principal. Os itens de farmácia comprei em um lugar farmácia do centro. As informações do parque e das hospedagens obtive na empresa Fantástico Sur, na Vértice Patagônia e na secretaria de turismo. Na secretaria te dão mapas e informações completas do parque, vale muito a pena pegá-los. Aproveitei e passei no mercado Unimarc, o maior da região e parei pra almoçar na rua. Por acaso vi restaurante dizendo que fazia comida caseira. Não resisti e fui conferir. Não me arrependi. Por 4 mil pesos comi entrada + prato principal, que é um ótimo preço. O Restaurante chama La Picada del Mercadito. Resolvido essas questões fui até à Rodoviária fechar as passagens para o Parque TdP. Observei que a rodoviária de Puerto Natales é muito bem estruturado. Tem local para câmbio (o câmbio tava $1/600CHP). Não é tão ruim numa situação de emergência. Lá também tem um local para guardar mala e mochilas por 1.500 ou 2.000 CHP por dia, dependendo do tamanho. Este serviço era algo que estava precisando pois não queria ir com mochilão inteiro para fazer o Circuito W. Comprei a passagem ida e volta por 13.000 CLP com uma empresa chamada Juan Ojeda. Na verdade errei o box, pois pretendia comprar da Buses Fernandez, uma empresa mais conhecida. Depois que comprei que vi o nome da empresa e o box errado. Em geral o preço de ida e volta é 15.000 CLP. Essa empresa fazia por 13.000 CLP. Desconfiei de princípio, mas desencanei e fui para o hostel. Conversei com o dono do hostel e ele liberou deixar meu mochilão lá até minha volta sem custo. Passei o resto do dia preparando o que ia ficar e o que ia levar, pois levaria uma mochila Deuter GoGo para passar os quatro dias. Tinha que caber tudo nela. No final das contas deu tudo certo, mas apertado. Tudo pronto, só esperar o grande dia. 17/12 - Torres del Paine (1) - mirador de las Torres e camping Chileno Como já devo ter dito, mas vale repetir. Nada foi mais trabalhoso no pré viagem do que preparar os dias que ficaria em TdP para fazendo o Circuito W . É preciso um estudo dedicado para escolher o que fazer, como fazer, onde pernoitar (se for dormir no parque) ,como chegar, como sair, fazer o Circuito ou não, reservar com quem, qto tempo tem cada trilha, calcular distância,etc. Tudo isso faz parte do planejamento. Eu vou escrever essa parte pensando que quem está lendo tem um mínimo de leitura e estudo do mapa e dos lugares para ficar, pois não tenho como partir do zero aqui. Ficaria muito grande. Para tanto recomendo ler o site oficial do parque, da Fantástico sur e da Vértice patagônia. É preciso dizer desde logo que não existe apenas uma forma de explorar o parque TdP. Por ser imenso, vc pode fazer de várias formas. Muita gente faz o Circuito W, o que fui fazer. Mas é possível fazer apenas o mirador de las Torres, o grande pico do lugar, e voltar no mesmo dia para Puerto Natales. Há opção também de alugar um carro e percorrer diversos caminhos diferentes e igualmente belos. Tem passeios a cavalo tb. Enfim, uma infinidade de lugares e formas de explorar. Tudo depende do quanto você tá disposto a pagar em dinheiro e gastar fisicamente. A entrada no parque custa CLP 21.000 para estrangeiros na alta temporada e te dá direito de entrar no parque por três dias contínuos além do dia da entrada. O que vc vai fazer com esses três dias é com você. Por isso recomendo passar na secretaria de turismo de Puerto Natales. Se vc está na cidade e não sabe como explorar o parque, e não tem reservas para dormir no parque, vá lá que eles vão fazer um roteiro legal pra você. Para quem quer fazer qualquer dos circuitos, se prepare antes para fazer as reservas, principalmente se for alta temporada. Apenas para ter uma idéia, resolvi que faria esta viagem com apenas dois meses de antecedência. Qdo fui pesquisar as hospedagens na Fantástico Sur, empresa que administra duas das hospedagens que precisaria ficar para fazer o Circuito W, praticamente estava tudo esgotado para Dezembro. Consegui apenas camping e era o último. Quem vai fazer o Circuito W precisa de pelo menos 3-4 noites no parque. Em geral as pessoas ficam uma noite no Chileno ou Las Torres( pertencentes à Fantástico Sur), uma noite no Los Cuernos ou Francês (Fantástico Sur), uma noite em Paine Grande e um noite no Grey (pertencentes à Vértice Patagônia) e no quarto dia pega um catamarã de Paine Grande para Zona Pudeto, onde passa o ônibus de volta pra Puerto Natales. Estou falando aqui de mochileiro gourmet, ok? Mochileiro raiz, aquele que sobe morro durante 4 horas com barraca, isolante, saco de dormir, comida, fogareiro, panela, etc. tem outras opções de camping, inclusive gratuitos da Conaf (órgão que cuida do parque). Se vc se enquadra no raiz, esse relato não vai te ajudar muito. Pois bem, dizia que você precisaria de 3-4 noites pagas. E ]bem caras. Devo dizer. Você pode economizar levando sua barraca e comida, tudo depende do seu planejamento. Eu fui no esquema preciso de tudo, então paga-se pela barraca, pelo saco de dormir, pelo isolante, pela pensão completa (jantar, café da manhã e lunch box pra levar pra trilha no outro dia). Cada dia na barraca com tudo alugado + pensão completa foi 500 reais (+- 150 dólares). Camping mais caro da vida. Esse é o preço que paguei pra Fantástico Sur. Dps falo da Vértice Patagônia, a outra empresa. Comecei o dia bem cedo. Os ônibus para o Parque partem essencialmente em dois horários 7h30 e 14h30. Comi dois pães que tinha preparado no dia anterior e fui pra rodoviária. Há uma quantidade imensa de pessoas indo para o Parque no mesmo horário essa època. Acho que não é impossível conseguir passagem na hora pois há muitos ônibus, mas não precisa arriscar. Logo que vi meu ônibus entendi porque era mais barato : era um cacareco velhinho. Mas foi cheio e deu conta do recado. São aproximadamente duas horas até a entrada Laguna Amarga (uma das entradas do Parque TdP). Como disse o parque tem várias entradas e o ônibus passa em todas, mas essa é a principal. Quem está indo pela primeira vez para o parque desce nesta entrada, preenche um formulário de registro, paga a entrada e entrega o formulário. Se estiver fazendo algum circuito é pedido comprovante de reservas, porque não pode ficar no parque sem reserva. Eu levei as minhas impressas, mas vi que serve o comprovante digital to. Depois todos são reunidos numa sala para ver um vídeo de orientações do parque. Liberados, há duas possibilidades. A primeira é voltar para o seu ônibus e ir para alguma outra entrada (caso de quem está voltando ao parque pela segunda vez ou de quem vai começar o Circuito W por Paine Grande). A segunda, que foi meu caso, é pegar um ônibus ou van para começar o Circuito W pelas base Torres. Há uma empresa que faz esse transfer, chamada Las Torres. Eles ficam logo depois da entrada onde você se registra. Custa CLP 3.000.Não é obrigado pegar esse transfer, você pode ir andando da entrada até a base Torres, onde começa a trilha de fato para o mirador de las Torres e o camping e refúgio Chileno. O caminho porém é longo. São quase 8 km. Eu peguei e em 15 min estava num posto do Hotel Las Torres onde há banheiros, café, centro de informações. Descubro até que é possível ter Internet dentro do parque. Há um rede paga nos refúgios e por 10 dólares vc tem 8 horas de Internet, ou 5 dólares por uma hora. Muito gourmet! A trilha começa atrás deste posto do Hotel. São 400m de subida de dificuldade média até o camping e refúgio Chileno, da Fantástico Sur, passando pelo lindo valle ascencio. No caminho dava pra ver a cadeia de montanhas Torres, um pouco nublado Esse dia foi de muito vento e em alguns lugares ele é tão forte que você não consegue andar pra frente e trava pra não ser levado pro precípuo, pra onde ele sopra! É meio tenso, mas ninguém é levado rs. Depois de algumas horas e uma oa subida, cheguei no camping. Era muito cedo e ainda não dava pra fazer check in. O check in do camping é a partir das 14h, do refúgio é um pouco mais cedo, tipo 12h30. O Chileno é bem pequeno, fica num canto da mata à beira do rio ascencio. Contei no máximo uns 20 espaços para camping. Como não podia fazer o check in, pedi para deixar minha mochila na guardador do refúgio e fui subir para as Torres. Ver as Torres era meu principal plano esse dia. A minha idéia inicial era chegar cedo para subir para as Torres, e se o tempo não estivesse bom teria a manhã do outro dia para fazer de novo. Seriam duas chances. Só não contava com uma coisa : a subida para o mirador das Torres tem mais um desnível de 400m, dessa vez difícil. Muito parecida inclusive com a subida da Laguna de los tres, em El Chaltén. Só que a primeira parte até o Chileno já foi cansativa. Subir mais 400m seria cruel. Fui assim mesmo. O tempo estava piorando e apesar do cansaço segui até o final para ver apenas a laguna. Os Torres estavam encobertas, infelizmente. Mais uma frustração nessa terra. Fiquei por lá pouco tempo porque além do vento, o frio também pegando e já começava a chover. Tirei algumas fotos e voltei. Agora chovia em toda parte. Essa parte foi bem difícil porque fica tudo bem escorregadio na chuva. E o cansaço te ajuda a ficar vulnerável quedas e escorregões. Mais uma vez os bastões foram essenciais. Voltei pro Chileno morto de cansaço. Fiz check in e ocupei minha barraca que estava já montada me esperando. O local para barracas é em uma estrutura de madeira no alto como se fosse um deck e cada espaço tem um número de identificação. Isso me tirou um grande medo que era alagamento por causa de chuva. O frio estava forte e a umidade parecia que molhava tudo. Fui tomar um banho antes de jantar. Antes tomei uns goles de vinho que eu trouxe de Puerto Natales para esquentar, e foi uma excelente idéia. O banheiro do camping Chileno é fora do refúgio, mas é muito bom. A água não era tão quente quanto aquele frio merecia, mas o box tinha sabão e shampoo e suficiente suporte para as roupas. Esse dia esqueci que a primeira refeição do dia seria a janta, então estava faminto. Lembre de levar algo para comer se fizer o mesmo que eu fiz. Algumas pessoas só chegam no Chileno na parte da tarde jantam, dormem e fazem o mirador Torres no outro dia de manhã. Isso será uma escolha que você deverá fazer. O que posso concluir até agora do que vi é que se o dia tá ruim pela manhã dificilmente ele melhora a tarde. Pelo contrário, piora. Então fazer os passeios pela manhã é sempre uma boa idéia. Não é nada científico, apenas constatação que tive. Eu mesmo não segui isso, mas me arrependi um pouco. Enfim, o jantar no Chileno é por ordem de chegada à mesa e ocorre em dois intervalos de uma hora cada. Isso é informado na hora. Se tens muita fome chegue 10 ou 15 antes para garantir o seu. Comem todos juntos no refúgio, mesmo os acampados. A comida é sensacional, entrada prato principal e sobremesa. Muito bem servido e preparado. Há opções vegetarianas também, basta avisar. Aproveitei que cheguei cedo e coloquei algumas roupas para secar na calefação, pois peguei muita chuva e com a umidade que fazia não havia outro jeito de secar. Muita gente fica em pé perto do calor para secar roupa. Comprei um hora de Internet para conversar com minha namorada e abri alguns textos para ler, pois não tinha levado livros para não pesar mais na mochila. A Internet do camping é melhor que tive em toda patagônia rs deve ser via satélite. Foi 5 dólares. Voltei pra barraca já escuro, ainda chovendo e fazendo muito frio. Arrumei as coisas, tomei mais um gole de vinho e fui dormir. 18/12 - Torres del Paine (2) - Das Torres a Los Cuernos Tenho impressão que no parque a manhã é a hora mais fria. No camping dentro da mata então… Parecia que tudo estava molhado, mas era apenas a umidade. Acordei cedo e já olhando pras Torres. Parecia menos nublado, mas ainda não justificativa uma subida pesada de duas horas. Fui pro refúgio onde é mais quentinho. Nesse dia o vento está bem forte mesmo. Aguardei o café da manhã bem quietinho lá. No Chileno não há qualquer tomada para você carregar celular. Na sala de refeições tem várias tomadas, todas desligada. Parte da energia elétrica vem de placas de energia solar e são acumuladas em baterias, portanto não podem oferecer energia aos clientes, nem do camping nem o refúgio. Vá provido de um bom carregador externo. Assim como o jantar, o café da manhã é muito bom. Você come à vontade dentro do turno, que também é por chegada. Comi e voltei ao camping pra arrumar as coisas. É recomendado começar as trilhas antes das 9 da manhã. Apesar do dia durar até muito tarde, a melhor parte do dia é o começo da manhã e tarde. Como eu dormia cedo todos os dias, antes das 6 da manhã já tava rolando no saco de dormir. Ajeitei as coisas e fui pegar o lunch box. Você pode pegar pra levar ou comer na volta da trilha ( para quem escolheu subir as Torres pela manhã). O lunch box é um pacote que eles entregam. Olhei para ver e tem um super sanduíche, uma maçã e cereais. Achei realmente incrível a qualidade da comida e do atendimento do Chileno. Tudo vem de longe e para chegar lá no meio do vale é preciso usar cavalos para transporte. A maçã que vai no lunch box vem de Santiago, percorre 8 mil quilômetros. É por isso que custa tão caro. Guardei o lanche e fiz o caminho de volta pelo vale Ascencio. A volta é tranquilo, descida firme. Eu fiquei atento para achar um tal atalho que existe entre o setor Chileno, onde estava, e o setor Cuernos, para onde ia. Os mapas mostram esse atalho, mas na descida não vi nenhuma sinalização. Acabei descendo até próximo da ponte sobre o Rio Ascencio quase no início da trilha e fazendo o caminho como quem chega pelo Hotel Las Torres. O dia esse estava bem aberto nessa parte. Após andar um pouco logo se alcança o imenso Lago Nordenskjold.A maior parte da trilha pelos Los Cuernos é beirando o lago, ainda que subindo e descendo o tempo todo. Los Cuernos em espanhol quer dizer “os chifres”. Assim são chamadas as cadeias montanhosas que nos acompanham nessa parte da trilha. Eles são imensos e incríveis no topo do maciço. A trilha até o camping e refúgio Los Cuernos, da Fantástico Sur, é longa e cansativa. São quase 5 horas de caminhada em 11km de trilha. Não é pesada mas cansa pela extensão. A principal barreira é o vento forte e constante que sopra do lago contra a trilha. Chega em certo momento que numa descida você solta o corpo que o vento te equilibra. Em determinado trecho da trilha vi uma placa de informações do tal atalho, mas era para quem vinha do setor Cuernos para o setor Chileno. O camping e refúgio Los Cuernos fica bem perto do lago e é bem maior do que o Chileno. Tem um bar além do salão de refeições e muito espaço para camping. Há outros tipos de hospedagens também, além do refúgio e do camping. Cheguei lá faminto e logo comi o lunch box. O sanduíche era se carne assada com tomate, alface e queijo. Tava bem seco, mas pelo tamanho foi um bom substituto pro almoço. Fiz check in, me levaram para minha barraca e dormi solenemente até que pudesse tomar banho. Segundo foi informado, só haveria água quente de 17h às 21h. Quando deu umas 17h acordei para tomar banho. O banheiro do camping também era fora do refúgio, e diferentemente do Chileno era uma porcaria. Sem ganchos para pendurar a roupa, não tinha dispenser de shampoo, e a água quente nunca senti. Fiquei puto com aquela merda. Queria ir pro banheiro do refúgio só pra ver se era ruim assim, mas já tava lá sem mil peças de roupas então tomei um banho de gato mesmo. Fiz hora para o jantar que começa às sete. O jantar estava ótimo mais uma vez. Terminei e fui dormir cedo. Dessa vez sem chuva. 19/12 - Torres del Paine (3) - De Los Cuernos para Paine Grande com parada no Valle Del Francês Dormi melhor nessa noite, acordei bem cedo e fui ver o dia amanhecendo do lago. O dia tava começando bem bonito. Fui pro refúgio esperar o café e depois partir pra trilha. O café era bom mas no Chileno era melhor. Terminei o café, ajeitei as coisas pra fazer check out e fui pegar meu lunch box. Antes de partir fiz questão de reclamar do banheiro no formulário de opinião da empresa. A vantagem de sair é ter a trilha mais “só sua”. Detesto trilha cheia, grupos imensos, é um saco. Qdo vc deixa tudo arrumado e toma café na primeira hora tem grande chance de sair sozinho. A trilha por Los Cuernos até o camping italiano é bem fechada, dentro de floresta mesmo. Há uma passagem por uma praia linda formada pelo Lago Nordensjork. Ninguém se atreve a entrar. Logo depois passamos pelo camping francês, da Fantástico Sur. Eu tentei vaga nesse camping, mas tava esgotado. Eles também têm domos. Fica mais próximo do Valle del Francês. Mais pra frente chegamos no camping italiano. Esse é administrado pela Conaf, e é gratuito mas bem disputado. Tem que reservar com muito tempo de antecedência. Lá é a base para visitar o Valle del Francês e o Mirador Britânico. O britânico fica quase tão alto quanto as Torres. Ou seja, subida pesada. Não sei se estava preparado pra isso. São 400 m de desnível até o Valle del Francês e mais 400m de desnível até o mirador britânico. Quase 4h até o topo. O tempo nesse momento já não estava muito bom. Deixei minha mochila na camping italiano (todos fazem isso) e comecei a subir até o Valle del Francês. Lá pensaria se subiria até o Mirador Britânico. Foi bem cansativo até o Valle del Francês. O mirador dá vista para o Glaciar del Francês que fica como que colado nas montanhas.. Não é grande coisa para quem veio do Perito Moreno mas tem seu valor. Dentro do vale, para onde continuava a trilha, estava muito nublado. Ouvi um guia dizer que com este tempo não haveria muito o que ver no mirador britânico e decidi ficar por lá mesmo. Nesse momento também começou uma chuva fina. Vi poucas pessoas seguindo para o Mirador Britânico. Depois de um tempo desci para seguir a trilha até Paine Grande. Peguei minha mochila de volta e segui. Não sei se perdi algo, mas não estava triste pelos joelho poupado sem saber se haveria alguma recompensa da natureza. No caminho que segue há uma paisagem muito linda à beira do lago Skottsberg com o Cuerno Central ao fundo. Deslumbrante! Depois de muitas horas andando eis que aparece no horizonte, lá no final da trilha, à beira do lago Pehoé, o Refugio e camping Paine Grande. É imenso! A partir daqui entramos na área da empresa Vértice Patagônia. Abro um parênteses pra falar deles. Depois que reservei com certa antecedência as hospedagens na Fantástico Sur, ficou faltando as reservas com a Vértice. Não dá pra fazer o Circuito W sem ter reservas em datas consecutivas nas duas empresas. A Vértice foi um problema. Como eles estavam sem reserva online pelo site, era necessário mandar email para algo como [email protected] Mas nunca que respondiam as mensagens. Fui procurando no Google e várias pessoas estavam na mesma situação, quase desesperados sem saber o que fazer, achando que não iam ter reservas para o Circuito W por causa deles. Eu vi no fórum do Trip Advisor que era preciso mandar vários e-mails para [email protected], [email protected], [email protected] e por aí vai. Mandei todas e até que um belo dia resolveram responder. Disse as datas para ficar em refúgio e paguei. Mas depois percebi que ficou faltando incluir a pensão completa. Mandei email pra incluir e nada de resposta de novo. Bom, pelo menos uma cama eu teria. Fiquei um dia em Puerto Natales para resolver isso (vide dia 06/12). Lá inclui as refeições e o atendente me pediu para confirmar se ia ficar com cama simples. Nem tinha visto a diferença, mas ele disse que cama simples é para quem tem saco de dormir. Como não tinha, inclui tb. Só aí fiquei tranquilo em relação às reservas com a Vértice. Ok, voltando para o dia do check-in então. Fiz check in no refúgio e apesar de cheio o refúgio tinha muitos quartos e camas vagas. Então logo percebi que dá pra chegar aqui e fechar uma cama na hora. Reservar é besteira para eles no Paine Grande, por isso não faziam questão de dar atenção aos e-mails. Bom, eu teria duas noites neste refúgio. Mas devo dizer que não é comum reservar dois dias aqui. Eu particularmente só o fiz pq a minha programação, além de ir até o Glaciar Grey (última perna do W) era fazer o Kayak no lago Grey com a Bigfoot patagônia. Esse passeio não daria tempo pra pegar o catamarã que leva para Pudeto, onde passa o ônibus para Puerto Natales. Na verdade é aqui que vc decide se vai fazer o circuito W em 3 noites ou 4 noites. A última perna do W para quem iniciou pelas Torres (como eu) é terminar no Mirador Grey , perto do camping e refúgio Grey (administrado pela Vértice). Quem faz em 4 dias vai do refúgio Paine Grande para o Grey, dorme por lá e volta no outro dia para pegar o catamarã para Pudeto e o ônibus para Puerto Natales. No entanto há uma opção econômica, poupando uma noite, mas gastando bastante energia, que é ir de Paine Grande ao Mirador Grey e voltar no mesmo dia a tempo de pegar o catamarã das 18h35. São 22km, quase 9h de caminhada. Fica a critério de cada um. O refúgio é bem agradável. Havia água quente e forneciam toalha. Curti! Descansei um pouco para fazer hora para o jantar. O jantar foi bem diferente da Fantástico Sur. Funciona como se fosse um bandejão mas também tem uma entrada + prato principal + sobremesa e um copo de refresco por pessoa. A comida era razoável. Tomei um vinho para esquentar, conversei um pouco com a namorada (Internet paga) e fui dormir logo depois. Qdo fui dormir percebi que não tinha roupa de cama e logo lembrei dos 30 dólares a mais que tinha pago para ter a tal cama armada. Fui na recepção reclamar e eles voltaram com lençóis e edredon fofinhos e limpos. Aí sim descobri a diferença entre a tal cama armada e a cama simples. Essa é só um colchão e uma manta por cima. Dia 20/12 - Torres del Paine (4) - fechando o Circuito W no Mirador Grey Acordei pelas 5 da manhã com uns estrondos fortes, como se alguém arrastasse um armário super pesado. Achei super estranho. Quando vi era o vento batendo no refúgio com mta força e chovia muito também. Foi assustador! Só tinha agradecer por não estar em camping esse dia. O tempo tava bem fechado e o lago Pehoé de águas mansas de ontem, tava numa revolta só. Achei que não ia nem conseguir sair do refúgio. Mas como tudo na patagônia é temporário e imprevisível, o tempo melhorou um pouco até a hora do café. Arrumei as coisas para partir e fazer a última perna do W. Fazia muito vento ainda, mas dava para seguir. O caminho até o mirador Grey é bem tortuoso, num sobe e desce sem fim. É cansativo porque ainda tem a volta, já que não havia vagas no refúgio Grey, eu ia precisar voltar tudo no mesmo dia.. É também o caminho mais enlameado. Difícil sair limpo desta trilha, principalmente se choveu algumas horas ou dias antes. Passam dois lagos, um pequeno e depois o lago Grey, bem maior. O lago Grey tem alguns icebergs nas margens e é muito bonito. Caminha-se uma hora e meia até o mirador lago Grey de onde é possível ver o glaciar ao fundo. Para chegar perto do Glaciar mesmo é preciso mais duas horas e meia. Quando chegamos damos de cara com o Refúgio e Camping Grey, da Vértice patagônia. Ele parece com o Chileno, bem pequeno. Por isso acabam rápido as reservas. Entrei para consultar sobre o passeio de Kayak que tinha reservado e me informaram que a BigFoot tinha uma base logo depois do refúgio. Caminhei até lá mas primeiro fui ver o mirador do Glaciar Grey. O tempo estava péssimo, pouco se podia ver e a chuva apertava. Tirei umas fotos e voltei para ir à base da BigFoot. Um atendente me informou que o Kayak das 11h tinha sido cancelado por causa do vento e que deveríamos esperar até 15 min antes para ver se o das 14h iria rolar. Como eram 12h, fui fazer hora. Parei na praia que fica perto da guarderia Grey e fiz um lanche. O tempo abriu lindamente nessa hora e subi para ver o mirador Grey novamente, agora com o tempo melhor. No que subi para voltar ao mirador vi um pica-pau negro, típico da região de Magalhães, lindo!. Consegui tirar umas fotos e depois vi um filhotinho dentro do tronco da árvore. Muito fofo! Quando voltei ao mirador estava céu aberto. O glaciar tava lindão lá atrás e deu pra tirar umas fotos melhores. Tive esperança de que ia rolar o kayak. Estava sem vento e sem chuva. Voltei para a base do BigFoot e parecia que estava tudo confirmado, assinei os papéis de responsabilidade e já ia pagar. Em poucos minutos, quando olho o tempo pelo janela começa a fechar, está tudo nublado de novo. Mais um minutos mais e faz chuva e vento. Um minuto mais e muitas ondas começam a se formar. Pronto, acabou minha esperança. Logo chegam dois rapazes responsáveis por verificar as condições climáticas e dizem que não será possível realizar o passeio. Oferecem como alternativa um passeio em barco fechado. Não me interessou e fui embora frustrado. Así es la Patagônia. O pior é que à noite que fechei em Paine Grande só fazia sentido por causa do Kayak. Fiz o caminho de volta a tempo de tentar cancelar a noite a mais,ver se rolava o reembolso e ir embora no mesmo dia. Bem difícil mas queria tentar pois seria uma boa economia. A minha conclusão é que as atividades com a BigFoot fazem mais sentido para quem está no refúgio e camping Grey, pq não precisa fazer hora para aguardar sua reserva e pode tentar fazer o passeio em vários horários já que a base é bem póximo do refúgio . Não lembro se comentei, mas eles fazem um passeio de trekking sobre o Glaciar Grey também. É uma alternativa interessante e mais barata do que o Big Ice no Perito Moreno. Quando voltei pro hostel ainda dava pra pegar o catamarã das 18h30. Conversei com alguém da recepção e me disseram que teria que ver isso na loja em Puerto Natales, mas que havia grande chance de não ser reembolsado. Preferi gastar a noite a correr o risco de não ser reembolsado. Fui tomar banho e depois vi que a lareira estava acesa. Aproveitei pra lavar umas meias e coloquei pra secar perto pra secar. Jantei, encontrei uns brasileiros aqui e ficamos de papo até tarde. Os brasileiros começaram o Circuito W um dia depois de mim e conseguiram ver as Torres em tempo aberto. Talvez se tivesse subido no outro dia pela manhã pegaria tempo bom.Foda! =\ Isso só confirma minha tese do melhor tempo é pela manhã sempre. Depois uma guia brasileira que trabalha no parque juntou com a gente e contou várias estórias. Disse que naquele dia duas pessoas do grupo dela que estavam fazendo o circuito W desistiram por dor ou cansaço e quando isso acontece é preciso chamar o táxi, que é um cavalo, para te levar até o ponto de saída do parque mais rápido. E se tens uma mochila pesada precisa de dois cavalos. Não preciso nem dizer que isso custa uma pequena fortuna, né? Terminamos um vinho e fomos dormir. 21/12 - Volta a Puerto Natales e ida a Punta Arenas Dessa vez dormi até mais tarde já que não tinha trilha a fazer e o horário do café ia até às 9 da manhã. O dia começou bem feio novamente. Parece que o vento que sobra do glaciar para refúgio leva sempre nuvens bem carregadas e o tempo é quase sempre chuvoso por ali. Arrumei as coisas primeiro e desci para tomar café da manhã. Para pegar o ônibus de volta a Puerto Natales há duas formas. Uma é econômica mas cansativa que é fazendo trilha do Refúgio Paine Grande até a entrada Sede Administrativa. São 14km, entre 4 a 5 horas de caminhada e você precisa chegar lá às 13h para pegar o ônibus. A trilha começa do lado do píer. A segunda opção é fácil porém cara. É pelo catamarã que sai no píer ao lado do refúgio Paine Grande. O catamarã é operado pela empresa Hielos Patagônicos e custa absurdos CLP18.000 por uma travessia de 30 minutos!! A frequência de saída e chegada é diferente em cada época do ano. Na alta temporada são 4 horários de chegada e saída de Paine Grande, porém só há conexão com ônibus para Puerto Natales em dois horários (já explico). O catamarã nos leva até um local chamado Pudeto. Por lá passa o ônibus de volta a Puerto Natales. Lembra que em Puerto Natales comprei ida e volta? Sim, a volta está paga! Porém, os ônibus só tem dois horários de saída do parque. Esses horários se integram com dois dos horários do catamarã. Meu horário era o primeiro com integração, às 11h30. Fiz hora até dar 11h20 e fui para o píer aguardar o catamarã. Ele é bem rápido e tem uma bela vista externa para os Los Cuernos. Você paga a passagem dentro catamarã mesmo, não precisa reservar. Em 30 minutos estamos lá do outro lado do Lago Pehoé e alguns ônibus já estão aguardando. O meu cacareco não tava lá ainda rs. Fiz um tempo na cafeteria próxima até ele chegar. Demorou uns dez minutos mais. Embarquei e ele foi em direção à entrada da Laguna Amarga. Lá ficou aguardando mais meia hora por pessoas até sair umas 14h20. Chegamos na rodoviária de Puerto Natales umas 16h00. Havia um ônibus pra Punta Arenas às 17h15. Fui ao hostel El Fiodor buscar o resto da minha bagagem, organizei umas coisas na mala, voltei pra rodoviária e comprei minha passagem de ida para Punta Arenas pela Bus Sur. Enquanto estava esperando por lá reparei algumas coisas. Primeiro que havia ônibus direto para Ushuaia de Puerto Natales. Não lembro de ver isso na Internet quando consultei. Estava indo para Punta Arenas apenas para pegar ônibus pra Ushuaia que, pensava eu, só tinha por de lá. Pensei em conversar com a atendente para ver se tinha como fazer a troca, mas até explicar tudo ia ser cansativo e provavelmente não ia certo por questões de sistema deles. Outra coisa que observei é que a Bus Sur é a única empresa com ônibus pro Parque Torres del Paine às 7h da manhã. Isso é muito bom porque todas as outras saem às 7h30 e gera uma fila imensa na entrada. Além de poder começar a trilha cedo com pouca gente. FIcam as dicas! Peguei o ônibus e segui pra Punta Arenas. Tinha reservado uma noite em um hostel lá. Quando chegamos já era 20h20 por aí. Fui pro hostel chamado Sol de Invierno, mensagens a todos da família e depois fui no mercado. Comprei uma pizza para levar e foi tudo. Arrumei as coisas para acordar semi pronto no outro dia e pegar ônibus pra Ushuaia. 22/12 - Ida para Ushuaia de ônibus (12h) O ônibus da Bus Sur sai da garagem da própria empresa, bem no centro de Punta Arenas. Acordei cedo já com tudo arrumado, tomei um café da manhã (pedi no hostel para adiantar o café naquele dia por conta do horário do meu ônibus) e parti umas 8h para pegar o ônibus para Ushuaia às 8h30. O ônibus da Bus Sur não era tão bom, parecia que estava desregulado, tremia muito. Bom, daí até chegada não tem muito o que falar. O ônibus vai direto, há uma travessia de balsa do Estreito de Magalhães já que a Tierra del Fuego é um ilha, metade pertencente ao Chile e outra metade à Argentina. Todos precisam descer do ônibus, há um lugar para os passageiros na balsa e o ônibus segue sozinho na mesma balsa junto com vários outros veículos. Paramos nas fronteiras depois e seguimos. Até chegar próximo a cidade de Ushuaia, a paisagem é a mesma, sempre estepe. Quando chegamos em Ushuaia começam a surgir vales, lagos,, florestas de lengas e ñires, etc. Há uma única parada para lanche em Tolhuin e nada mais. Prepare lanche ou algo pra comer porque é muito tempo de estrada. A chegada é pelo alto da cidade de Ushuaia e vamos descendo até o porto, onde é o ponto final, bem próximo ao centro de informações turísticas. Fazia um friozinho mas nada demais. Fui andando até o hostel, que não era muito longe do ponto final. No hostel fui recebido por um mineiro, o Marcelo. Ali comecei a ver quantidade absurda de brasileiros em Ushuaia. Fiz o check in com ele, paguei e deixei as coisas no quarto. Mandei os salves pra família e fui no mercado comprar algo para fazer. Assim como em El calafate, o La Anonima é o principal mercado da região. Há um Carrefour também, mas é distante. Fiz uma massa, comi e fui dormir cedo. 23/12 - Ushuaia (1) - Reconhecimento de território e museus O plano esse dia era fazer um reconhecimento do local que sempre faço, dar uma volta pelo entorno e ruas principais, passar nas agências de viagens para conferir os passeios reservados e ver outras opções. Acordei cedo, tomei café da manhã no hostel e fui bater perna. Tinha reservado um único passeio em Ushuaia até esse momento. Foi a navegação no Canal Beagle e caminhada com pinguins da Isla Martillo(tb conhecido como pinguinera) para o dia 24/12. Depois vou falar mais desse passeio. Comecei dando uma volta pela Av. Maipu, que é a rua do orla. Apesar de estar na orla, a Maipu não é a rua principal da cidade, mas ali ficam algumas coisas importantes como o centro de informações turísticas, os principais quiosques de venda de passeios de barco, o controle de passageiros, onde todos pagam uma taxa pra embarcar e as vans para diversos pontos como o parque nacional Tierra Del Fuego. Há alguns restaurantes e dois museus tb. Passei primeiro no centro de informações turísticas para pegar mapas e outras informações. Se estiver no seu roteiro ir ao parque, aproveite para pegar mapas e outras informações. Lá também carimbam seu passaporte com símbolos de Ushuaia. Peguei os mapas e informações e parti para a Av. San Martin. Essa é a principal rua do comércio da cidade. Praticamente em toda sua extensão você vai encontrar lojas e restaurantes. Fui até ao longe, na volta passei na agência Brasileiros em Ushuaia onde tinha reservado a pinguinera. Lá me apresentaram mil outros passeios, mas só olhei e deixei para decidir depois. Deixei as visitas dos museus para à tarde. Fui pro hostel, almocei a sobra da janta que tinha guardado e fiquei um tempo conversando com uma brasileira que tinha acabado de chegar no hostel. Em Usuhuia tem muito brasileiro. Não sei explicar porque, mas foi o destino que mais vi brasileiros. Inclusive o turismo local entende isso e quase tudo lá com tradução para português. Comecei os museus pelo Museu do Fim do Mundo, que é grátis e fica na Av Maipu. É um museu bem pequeno mas interessante, principalmente os vídeos. O museu tem duas seções principais, uma que trata da história dos povos originários das Tierra del Fuego e outra da fauna com diversos animais empalhados. O item mais interessante do museu, no entanto, é a imensa imagem de uma rainha da Inglaterra talhada madeira e que foi retirada de uma embarcação que naufragou no século XIX na Península Mitre, lugar de difícil acesso na Terra do Fogo. O Museu do Fim do Mundo tem um anexo duas quadras depois da sede principal, mas que não é tão interessante. De lá parti pro Museu do Presídio. A cidade de Ushuaia surgiu a partir da necessidade de viabilizar o presídio para reincidentes criado no início do século XX. O antigo presídio foi fechado em meados do século passado e alguns anos mais tarde virou o museu. Na verdade, por ser imenso, baseado no modelo panóptico, com cinco pavilhões unidos por um pátio central de onde se pode ver todos os cinco pavilhões, existem lá diversos museus. Cada um em um pavilhão. Há alas temáticas de naufrágios, sobre embarcações da marinha, Argentina, missões na Antártida, além de uma galeria de arte, uma réplica do farol de San Juan do Salvamento (o verdadeiro farol do fim do mundo) e uma ala de exposição temporária. Além, claro, do museu do presídio que é o maior e tem uma visita guiada de hora em hora. Um dos pavilhão está completamente preservado tal era na época do presídio. É bem sombrio! O museu tem um custo de AR$ 300 por aí, dá pra conseguir desconto pra estudante. Não é tão barato, mas pra quem gosta de história é bem legal. Depois passei no mercado e comprei algumas coisas pra fazer lanche do passeio aos pinguins do outro dia. Preparei tudo e fui dormir. 24/12 - Ushuaia (2) - Pinguinera e natal no Hard Rock Café A hora marcada no cais para pegar o catamarã era 9h. O passeio apesar de ser vendido na agência Brasileiros em Ushuaia, é operacionalizado pela Piratour. A agência apenas facilita a venda. Eles têm tem um bom site, parcela a compra e cobra em reais. Não cheguei a comparar a diferença de valores da compra direto pela Piratour e na Brasileiros, acho que eles colocam um lucro deles em cima mas não é muito. Como tem IOF na compra com a Piratour acaba ficando muito próximo. Esse passeio com a Brasileiros custou R$ 759,00. É importante dizer também que existem várias empresas fazendo diversos passeios pelo canal do Beagle. A maioria vai até as ilhas com comodores e leões marinhos, o farol de Ushuaia, fazem uma parada na estância Harberston (a primeira da região, de propriedade de um missionário inglês que veio converter nativos no final do século XIX) e isla martillo. É nesta ilha que ficam os pinguins. Apenas a Piratour tem autorização pra descer na ilha, que pertence aos herdeiros do missionário inglês. Fique atento a isso! O passeio deles é muito disputado e é preciso reservar com antecedência na alta temporada. Nos quiosques do porto há venda de passeios à ilha H, passagem a Puerto Williams (último povoado do continente, antes de Antártida, e que pertence ao Chile), passeios noturnos, e até ida pra Antártida! Vale a pena se informar. Bom, voltando então. Com o voucher em mãos, é preciso passar no quiosque da Piratour pra apresentá-lo e pegar um crachá de identificação da empresa. As crachás tem duas cores diferentes e cada cor forma grupos distintos por cor que fará sentido depois, já que há uma divisão do grupo. Antes de embarcar é necessário pagar a taxa portuária de AR$20. O passeio começa e deixamos para trás a Baía de Ushuaia. A saída rende fotos da cidade a partir do barco. A primeira parada é numa ilha cheia de comorones (espécie de ave que se parece muito com pinguins), depois vamos a uma ilha de leões marinhos próxima ao farol de Ushuaia. Nesses momentos há orientações e informações do guia que nos acompanha. Após isso há uma navegação de mais ou menos uma hora pelo canal do Beagle. Passamos pela Isla Navarino e Puerto Williams à nossa direita. Depois mais ao final passamos próximos à isla martillo, onde há a colônia de pinguins de magallanes, mas ainda não paramos nela. Antes aportarmos na estância Harberston. O guia estabelece um horário para ida à ilha de cada grupo. Na estância há uma casa de chá, um restaurante e um museu de aves e mamíferos. Temos uma hora para percorrer a estância e almoçar ou lanchar, quem quiser. Como levei lanche, não almocei no restaurante da estância mas comi um doce de Ruibarbo com sorvete de creme que tava muito bom! Com os grupos divididos pela cor do crachá, é hora de visitar a Isla Martillo. Não podem ir mais do que 20 pessoas por vez na ilha, por isso a divisão. Um grupo vai à ilha e o outro aguarda na estância fazendo uma visita guiada ao museu de aves e mamíferos. Depois os grupos se revezam. O tempo na ilha é de no máximo uma hora. Embarcamos em um bote mais rápido que o catamarã e em dez minutos estamos na ilha e já somos recebidos por vários pinguins. Essa época de dezembro é o mês de procriação, então vários pinguins bebês estavam lá sendo protegidos e alimentados pelas mães. O guia vai nos conduzindo pelos lugares, e em vários momentos eles estão muito perto pois seus ninhos são bem próximos ao caminho traçado. É bem legal! Na ilha vivem dois tipos de pinguins: o pinguim de magalhães (a grande maioria) e o pinguins papua (há uma pequena colônia desses). Havia também um belo pinguim-rei perdido entre os de magalhães. Finalizado o tempo, voltamos à estância para terminar o passeio. Agora de ônibus da Piratour que está aguardando na estancia. No caminho há uma breve parada para ver árvores bandeiras, que são esculpidas pelos fortes ventos da região. O dia foi muito bonito, demos muita sorte. É importante dizer que esse é um passeio de verão. Os pinguins não estão na ilha o ano todo. Eles são animais aquáticos, e apenas vêm ao continente para se reproduzir e se proteger de predadores. Então se quiser fazer, veja se é ainda é época. Quando cheguei no hostel não sabia se ia rolar algum tipo de ceia de natal coletiva. Era dia 24 de dezembro. O brasileiros que trabalham lá não falaram nada, então presumi que não teria. Resolvi me dar de presente uma centolla de ceia natalina.A centolla é o prato do mar mais típico da região da patagônia e Terra do Fogo. É uma espécie de caranguejo gigante. Ouvi dizer que num lugar chamado Cantina do Freddy, na Av. San Martin, tinha uma muito boa. Fui até lá e peguei uma mesa. Ao meu lado tinha duas mesas de brasileiros. Pedi a centolla a la cantina, que é a centolla com camarão e mariscos, especialidade da casa. É muito bom, mas um pouco caro AR$ 500. A centolla lembra muito a lagosta. Interagi um pouco com brasileiros do restaurante antes de ir pro hostel. Na volta encontrei a brasileira que tinha conhecido e ela junto com outros muitos brasileiros estavam planejando passar a virada do Natal no Hard Rock Café Ushuaia. O plano acabou vingando e fomos todos juntos para lá e foi bem legal. 25/12 - Ushuaia (3) - Laguna Esmeralda No dia anterior o grupo que passou a virada de Natal no Hard Rock havia combinado de fazer o trekking para a laguna esmeralda. Há diversas opções de trekking em Ushuaia, a maioria deles sai de algum ponto da estrada (RN 3). Por isso é quase sempre necessário fechar um transfer ida e volta. O nosso hostel tinha um contato de uma van que nos cobrou 250 pesos por pessoa. Acho que é o preço que cobram. Acordamos todos pelas 9 e saímos umas 11h20 por aí. Na van juntaram outros brasileiros e fomos. A laguna esmeralda é o trekking mais tranquilo de Ushuaia. Estimam a ida e volta em 3h. Trilha majoritariamente plana. O grande inconveniente dessa trilha são os lamaçais, que ficam piores quando chove no dia anterior. Essencial ter uma bota fechada e preferencialmente impermeável. Quando chegamos no início da trilha estava nevando um pouco. No verão é bastante comum nevar na parte dos vales e montanhas, onde ficam as trilhas, e chover de leve na cidade. Pagamos, combinamos a volta com o motorista e fomos pra trilha. A trilha é muito bem sinalizada durante a maior parte do tempo, com sinalização de cor azul colada nas árvores. Fizemos a trilha em uma hora e vinte por aí. O lago é deslumbrante com sua cor esmeralda incrível. Fizemos um lanche na chegada e descansamos . Um dos brasileiros que foi conosco havia lido que haveria um glaciar no alto das montanhas atrás da lagoa. Ninguém tinha a trilha certa para lá, mas como tínhamos mto tempo até o transfer voltar fomos ver o outro lado do lago. Chegamos em uma parte de floresta morta e seguimos um pequeno rio até uma uma parte meio alagadiça que molha bastante para quem tá de tênis simples. Passamos a uma floresta fechada e depois seguimos uns 30 minutos até começar a parte de subida, sempre seguindo o rio. Lá encontramos uma pessoa que estava descendo e ela nos confirmou que havia um pequeno lago e um pequeno glaciar, mas era subida forte. Alguns de nós desistimos ali, pq era mto íngreme a subida. Fui até um pouco mais acima e a vista da laguna com todo o vale estava incrível. Parei pra comer algo e resolvi ficar por ali mesmo. Um dos meninos seguiu em frente e disse que havia um lago congelado lá no topo. Enfim, depois descobri que esse lugar chama Glaciar Ojo del Albino. Voltamos para a lagoa pelo mesmo caminho e já estava ficando bem frio. Essa ida além da laguna tornou a caminhada um pouco cansativa. Voltamos e esperamos pelo carro até 19h, horário que marcamos. Fomos para o hostel e combinamos de jantar juntos naquele dia. Após um banho e descanso, fomos pra Cantina del Freddy novamente, algumas pessoas do grupo queriam provar a Centolla a la cantina. Aproveitei pra provar o outro prato típico, a merluza negra. Esse não me surpreendeu tanto. O peixe é bom, mas nada que justifique o preço. Depois fomos pro hostel, ficamos conversando lá e fomos dormir. 26/12 - Ushuaia (4) - Parque Nacional Tierra Del Fuego e check in no airbnb O parque nacional Tierra Del Fuego era o passeio que menos me interessou em Ushuaiai. Era bonito, mas nada demais. Como o tempo amanheceu muito feio e tinha um brasileiro no hostel interessado em fazer também, acabei indo pra lá. Preparei toda minha mala antes de ir pois ia fazer check out do hostel. Quando planejei a viagem fiz uma reserva de dois dias numa casa de uma moradora de Ushuaia. Tava um preço quase igual ao cobrado pelo hostel e teria um quarto só para mim. Para chegar ao parque fui informado de que teríamos que tomar uma van próximo às informações turísticas, na Av Maipu. Elas saem de hora em hora e cobram um valor absurdo de AR$ 500 ida e volta. Muito caro por um trajeto de 12km, mas não tinha opção. Talvez táxi com muitas pessoas compense. Não tive mto tempo para pesquisar melhor então foi isso mesmo. Além do transporte, o parque cobra algo entorno de AR$ 340 para entrada. No centro de informações turísticas você pode pegar um mapa e planejar seu tour. Do mesmo lugar tb sai uma van que te leva até o trem do fim do mundo, parte do antigo trem usado pelos presos para levar a lenha que abastecia a calefação do presídio. O trem faz um pequeno percurso da entrada do parque até um ponto dentro do parque. Não achei nada demais não, parece mais interessante para crianças. Pegamos van das 12h e em 20 min chegamos no portão principal do parque e pagamos a entrada. Um pouco depois o motorista nos deixou no início da trilha que escolhemos. Há diversas trilhas dentro do parque, a maioria bem simples. Há apenas trilha puxada que vai ao Cerro Guanaco, estimam em 4 horas apenas ida, por isso pedem que não comecem a trilha depois das 12h. Como chegamos tarde, fizemos a Trilha Costeira, que se inicia no famoso correio do fim mundo. Sim, há há um correio postal lá, mas não consegui mandar um postal pra minha namorada pq não tinha o endereço de cabeça rs. Mas é possível, inclusive dá pra carimbar seu passaporte lá tb, pagando alguns pesos. A trilha tem 8km e uma duração de 3 horas em média. A maior parte do tempo ela vai beirando a orla e é bem bonita. Passa por várias praias. Ao final da trilha nos afastamos da orla e após alguns quilômetros chegamos na estrada principal do parque, onde placas nos indicam que a poucos metros há um centro de conveniência. Nessa hora começou a chover bastante e fomos ao centro para comer algo e nos abrigar. Lá há um restaurante e pequeno museu interpretativo. Aguardamos um pouco e seguimos a caminhada para o lago Roca, um dos lugares mais bonitos do parque . Não estava tão bonito por causa do tempo nublado, mas foi legal. Por último, voltamos e fizemos o caminho até baía Lapataia. Nesse caminho há diversas trilhas numeradas no mapa. Acabou que estávamos sem tempo e fizemos apenas a última, que passa pelo mirador Lapataia e termina próximo à baía. De lá sairia a última van (às 19h). Achei o mirador da baia Lapataia o lugar mais bonito do parque. A van parte pontualmente às 19h e passa em outros dois pontos para pegar mais pessoas. Voltei pro hostel pra pegar meu mochilão, e segui pra casa de meus anfitriões no airbnb. Ficava uns 15 minutos do hostel, um pouco mais afastado do centro. A casa deles (era um jovem casal) era bem aconchegante e o quarto também. Deixei as coisas lá e fui jantar. Escolhi um restaurante chamado bodegon fueguino. Recomendo! Pedi um cordeiro e uma cerveja, tava mto bom e foi barato. Voltei pra casa e fui dormir. 27/12 - Ushuaia (5) - Dia de compras Nesse dia tinha deixado para fazer umas das trilha mais pesada de Ushuaia, que é a Laguna de los Tempanos e Glaciar Vinciguerra. Mas acordei com aquela preguiça de fazer qualquer coisa e já um pouco cansado de fazer trilhas. Afinal, estava há 22 dias só fazendo isso praticamente. Resolvi me dar um day off. O dia tava bem quente pra Ushuaia. Dormi até um pouco mais tarde e fiz tudo bem tranquilo. Andei um pouco pela orla, almocei e depois fui no Museu Temático, que havia esquecido de ir. É um museu bem legal, moderno. A história da região é contada por meio de cenários modelados com bonecos e objetos. Ao entrar recebemos um mp3player em que cada faixa explica a cena que estamos vendo. Custa algo como AR$ 280 com desconto de estudante sai a AR$ 220. Depois passei no Freddo, a famosa sorveteria de Buenos Aires. Comprei lembranças para família. Tem muitas lojas na Av. San Martin. Comprei doce de leite artesanal, cerveja regional, um pinguin de pelúcia e alfajor no mercado. Por fim comi numa pizzaria próxima à casa dos meus anfitriões. Deixei tudo pronto mais uma vez para voltar a Punta Arenas no outro dia. Resumo de Ushuaia : A cidade não é lá algo que se chame de bonita, é um grande porto com uma cidade que se vai ladeira acima. A primeira impressão não é boa. Mas há muita coisa legal para se fazer lá, no verão e no inverno (pelo que li). É uma cidade grande, muito turística principalmente para brasileiros, então você não terá problemas com câmbio, transporte, mercado, língua, etc. O tempo por lá é muito parecido com o resto da patagônia: muda rapidamente e está sempre instável. Nessa época a temperatura média é de 10 graus, mas com chuva e vento pode ficar abaixo disso. O preço das coisas em geral é próximo ao dos outros países da região. É possível um almoço completo com entrada + prato principal + sobremesa por uns AR$ 190. Como há mto o que fazer, é importante fazer um roteiro. As agências oferecem muitos passeios, vários deles podem ser feitos sem agências. Os principais são Glaciar Martial, Laguna Esmeralda, laguna de Los tempanos e glaciar vinciguerra, os passeios no canal do Beagle e os museus. A Brasileiros em Ushuaia tem um caderninho de passeios interessante. Nem tudo que tem lá você precisa da agência pra fazer, por isso vale a pena pegar esse caderninho. Pelo site tb é possível ver alguns deles. Acho que 4-5 dias é suficiente para Ushuaia. 28/12 - Volta a Punta Arenas A volta para Punta Arenas, assim como a ida, foi cansativa. O ônibus sai igualmente do porto, próximo ao controle de passageiros do cais. A volta foi bem mais cheia do que a ida. Acho que por isso colocaram um ônibus extra, com saída alguns minutos depois. Depois de mais 12 horas , estou de volta a Punta Arenas para fazer meus dois últimos dias antes de voltar ao Brasil. Antes de ir para minha estadia, procurei saber sobre ônibus para o aeroporto e descobri que não existe. Há uma linha da BusSur que vai do aeroporto para o centro de Punta Arenas, mas não há o contrário.Para passar esses dois dias, reservei um Airbnb bem barato e me lasquei. Barato demais pra ser verdade. O problema já começou pra achar o lugar. O endereço no Google Maps era um e na prática era outro. Como reservei no dia anterior, não deu tempo de ver a mensagem que o anfitrião me mandou indicando o endereço correto. Por sorte, no mesmo ônibus que o meu havia um casal que tinha locado um outro quarto com o mesmo anfitrião que eu. Reparei que eles estavam indo pro mesmo lugar que eu e questionei se era um quarto no Airbnb. Acabou que encontrei o local graças a eles, pois não tinha internet para ver a localização exata. Bom, de todo modo, o local era muito ruim, muito mesmo. O anfitrião se chamava Peter (guarde esse nome se for fechar algum airbnb em Punta Arenas) e era um bom guia da região. Mas o local era ruim, cama ruim, cozinha péssima, tudo muito improvisado. Realmente não vale a pena, apesar de ser muito barato. Fui o roteiro do próximo dia e fui dormir. 29/12 - Cemitério Municipal, Museus e city tour Como só teria esse dia para conhecer a cidade, fui fazer o passeio geral pelo centro da cidade. Comecei pelo Museu Salesiano Marggiorino Borgatello e devo dizer: de longe o melhor museu que conheci em toda região. Muito recomendável! É um museu muito rico, com muitas peças e exposições. Realmente incrível. Custa um valor simbólico. Sai de lá e fui até o maior atrativo da cidade: o cemitério municipal ! Pode parecer curioso, mas o cemitério de lá é um charme. Centenas de ciprestes podados dão um tão bem diferente ao cemitério e fez com que o local virasse atração turística. Fui até o mausoléu da família Braun (importante na cidade) e depois fui almoçar. Escolhi almoçar no restaurante famosinho chamado La Marmita. O local é mto bonito, decoração de ótimo bom gosto. Queria comer o guanaco, mas não tinha então fui de cordeiro novamente. A comida não é farta, mas é boa. Custo benefício é mediano. De lá fui até a Av Costanera ver os monumentos e sentir a brisa que vem do Estreito de Magalhães. Na verdade não fiquei muito pq o vento frio não permite ficar de bobeira. Na volta passei na praça Municipal e no palacio Sara Braun. Antes de voltar de vez, verifiquei a possibilidade de um transfer para o aeroporto. Encontrei a agência Fin del Mundo, no centro, e fechei com eles. Algo como CLP 5.000. Voltei para a estadia e arrumei as coisas. Tentei fazer o check in antecipado e tive problemas. Depois de muito tempo, resolvi que teria que cancelar o transfer e pegar um táxi para o aeroporto, pois achei que sem o check in pronto seria arriscado ir no transfer, já que o horário deles estava mto em cima do limite do voo. O anfitrião me indicou um taxista que cobrava CPL 7.000 para me levar até o aeroporto. Fechei com ele. Logo depois consegui fazer o check in pelo aplicativo, mas já havia cancelado o transfer então manti o combinado com o taxista. Dormi cedo já ansioso para voltar ao Brasil. 30/12 - Volta pra casa Vinte e cinco dias depois de pisar na patagônia, voltei para o aeroporto que havia chegado à Patagônia. O voo de volta foi tudo bem, sem maiores problemas, e assim me despedi da Patagônia, lugar incrível. Resumo de Punta Arenas: parece um pouco de cidade grande, muito táxi, pessoas estranhas, pichações. Punta Arenas é uma cidade passagem a meu ver. Há passeios por lá, como a ida à ilha Monumento Natural dos Pinguins, ir ao antigo Puerto del hambre ou cruzar o canal e ir até à histórica cidade Porvernir. Além disso, não vi nada muito interessante. Se meu voo não fosse por Punta Arenas, talvez não tivesse passado por lá. Mas se vc passar, vale o que fiz no roteiro. FIM!
  5. Ola mochileiros! Bom, quando eu e uma amiga decidimos fazer o Circuito W de Torres del Paine foi um pouco complicado conseguir informacoes precisas sobre como fazer esse trekking de modo beeeem barato e beeeem mochileiro, por isto resolvi deixar aqui um relato sobre como fizemos o Circuito W gastando muito pouco! Boa Leitura, bom circuito W! Informacoes gerais! O Parque Nacional Torres del Paine encontra-se a 112 km ao norte de Puerto Natales e a 312 km da cidade de Punta Arenas, no extremo sul chileno. É um dos maiores e mais importantes parques chilenos e o terceiro com mais visitas anuais. Foi também considerado uma das 8 maravilhas do mundo em 2013. O parque possui 227.297 hectares e recebe aproximadamente 155.000 pessoas por ano. A temporada inicia-se em outubro e termina em março, período de calor e preços mais elevados. Eu fui em outubro e ainda fazia muito frio, recomendo ir em finais de novembro/inicio de dezembro, quando está mais quente mas ainda não está super lotado como nos meses de janeiro e fevereiro. Eu fiz o Circuito W de Torres del Paine, uma caminhada que tem duração de 4/5 dias e aproximadamente 80 km. Aqui explico com detalhes como chegar, o que fazer, o que conhecer e outras informações, tudo do modo mais roots e barato possível, portanto, se você gosta de fazer trekkings mas prefere um pouco mais de conforto e praticidade te recomendo ler outras páginas: o site oficial de Torres del Paine: http://www.torresdelpaine.com e o site da empresa que gerencia hostels e vende passeios e traslados: http://www.fantasticosur.com Bom Circuito W! Como chegar: Saímos de Puerto Natales por volta das 8:30h da manhã, e para quem ia de carona até a entrada do Parque, saímos tarde. Para chegar ao Parque de carona a partir de Puerto Natales, vá até a costaneira da cidade e faça carona no sentido do Cerro Castor (para a direita de quem está em frente ao mar). O parque fica a 112 km de Puerto Natales (entrada pela Laguna Amarga) e foi bastante fácil fazer carona nesse trajeto. Se você não está tão na pobreza, existem milhares de transfers que fazem esse percurso, basta contratar um. De qualquer forma saia cedo de casa. Chegando no Parque pagamos 18.000 pesos chilenos de entrada, (aproximadamente 90 reais) e recemos um mapa e algumas poucas orientações. Primeiro dia! Entrada Laguna Amarga - Hotel las Torres - Camping Torres - Mirador las Torres A caminhada do primeiro dia inclui 7km da entrada do parque (Laguna Amarga) até o Hotel las Torres, caminho que também pode ser feito em automóvel (existem vans que fazem o percurso e que ficam estacionadas na entrada do Parque). A partir do Hotel Torres começa a caminhada efetivamente e são mais 8 km até o acampamento do primeiro dia, o Torres, que é grátis (para ver mais informações sobre campings grátis leia a legenda de uma foto minha com minha barraca). O ponto alto do primeiro dia é o Mirador las Torres que fica depois do acampamento. O ideal é chegar cedo no acampamento, montar a barraca, descansar e subir até lá. Entre o camping e o Mirador está a trilha mais difícil e cansativa do primeiro dia, é apenas 1 km, mas a caminhada é pesada, a vantagem é que você vai sem mochila. Total de km percorridos no primeiro dia: Entrada Laguna Amarga - Hotel las Torres: 7km Hotel las Torres - Acampamento Torres : 8 km Acampamento Torres Mirador las Torres: 2 km (ida e volta) Segundo dia! Acampamento Torres - Acampamento Italiano. Saímos cedo do acampamento Torres rumo ao acampamento Italiano, mais ou menos as 8h da manhã. O caminho é longo e difícil e gastei um total de quase 10h para percorre-lo, isso considerando umas paradinhas para tirar fotos e descansar. É um dia tão cansativo quanto o primeiro, mas com vistas mais lindas, o lago Nordernskjöld por exemplo é incrivelmente lindo! O acampamento também é grátis (leia mais sobre acampamentos grátis em minha foto com minha barraca). Total de km percorridos no segundo dia: 19 km. Terceiro dia! Acampamento Italiano - Mirador Britânico - Acampamento Italiano No terceiro dia deixamos barraca e mochila no acampamento Italiano (onde se dorme duas noites) para irmos conhecer o Mirador Britânico e depois voltar para lá. É um dos percursos mais difíceis de todo o Circuito W porque nos quilômetros finais há uma junção de pedras, areia fina e escorregadia e montanha super inclinada, dificultando a caminhada e facilitando as lesões. Foi nesse dia que lesionei os meniscos do meu joelho esquerdo. O percurso são de 10 km ida e volta, e embora seja difícil existe a vantagem de não carregar mochila. O Glaciar e o Mirador são lindos, mas depois de um treeking tão árduo eu esperava mais. Total de quilometros caminhados no terceiro dia: 10km Quarto dia! Acampamento Italiano - Guarderia Paine Grande - Mirador Glaciar Grey - Acampamento Las Carretas Seria o nosso dia de maior caminhada então acordamos por volta das 6h da manhã para seguirmos rumo a Guarderia Paine Grande. A ideia era deixar nossas mochilas aí para irmos ao Glaciar Grey sem peso, mas os guarda parques não deixaram, então fomos até a hosteria Paine Grande e nos permitiram deixar as mochilas lá (é cobrado um valor de 3000 pesos chilenos por este serviço mas não nos cobraram nada). De lá fomos ao Mirante do Glaciar Grey. A ideia era chegar até o Glaciar mesmo mas como íamos dormir no acampamento Las Carretas, que é grátis mas é muito longe dali, resolvemos ir só até o Mirante. A vista daí não é ideal mas preferimos fazer isto a pagar para dormir no acampamento Paine Grande. Depois que voltamos do Grey seguimos para o acampamento Las Carretas. A primeira parte do caminho é super pesada, mas depois é só um caminho reto e largo. Total de quilômetros caminhados no quarto dia: 21,5km Quinto dia: Acampamento Las Carretas - Sede Administrativa do Parque Dia de ir embora, chega de caminhar tanto e ficar sem banho! Do acampamento Las Carretas até a sede administrativa são aproximadamente 8km, ao contrário do que consta no mapinha que me entregaram. Somente até a estrada são 7km e até a sede um pouco mais. De qualquer forma é uma caminhada tranquila, a única de todo o Circuito W. Depois de chegar na sede administrativa conseguimos carona para a entrada Laguna Amarga e daí seguimos para Punta Arenas, onde haviamos deixado algumas coisas que não íamos usar no trekking! Acampamentos gratuitos! No Parque Nacional Torres del Paine existem três acampamentos grátis, o Torres, o Italiano e o Las Carretas. O acampamento Torres é onde se dorme a primeira noite no parque e possui basicamente uma área para você colocar sua barraca; uma cozinha (um cercado de madeira com umas prateleiras para apoiar utensilios e alguns troncos de árvores para se sentar); dois banheiros com vaso sanitário; um riacho onde se pode beber água e lavar vazilhas e uma casinha do guarda parque. Não existe chuveiro e muito menos energia elétrica. Já o acampamento Italiano é onde se dorme a segunda e terceira noite do Circuito W e tem as mesmas instalações que o acampamento Torres, a única diferença é que no Italiano faz menos frio e tem sempre mais gente, por estar no meio do Circuito. E por fim nossa sacada de mestre, o acampamento Las Carretas, onde dormimos nossa última noite. O que a maioria das pessoas faz é acampar de graça no Torres e no Italiano e no último dia acampam no Paine Grande (que é pago) e na manhã seguinte voltam pra entrada do parque de catamarã (que também é pago e é caro) para irem embora. Nós nao fizemos isso, mas sim passar direto pelo Paine Grande para acampar no Las Carretas, que tem como diferença o fato de não haver guarda parque e de quase ninguém comentar sobre ele ou acampar lá, mas nós ficamos e havia mais umas cinco barracas por lá. Portanto, é possível fazer o Circuito W de Torres del Paine sem gastar com acomodação, você só vai precisar andar uns km a mais. Galera, espero ter ajudado a mocada que estava buscando informacoes sobre o Circuito W, e principalmente a galera que viaja com pouca grana mas que nao perde uma boa mochilada por nada desse mundo! Tenho uma pagina no facebook onde conto mais sobre minha viagem e sobre as cidades e países por onde passo. Curtam la! www.facebook.com/rosadosventos1503
  6. Foram três noites sem banho, sem colchão e sem cozinhar. Foram horas e horas de caminhada para percorrer o famoso circuito em W, e não acabámos. E então, como foi? Escolhemos Puerto Natales como cidade de base, ou seja, de onde partimos e para onde regressámos. A chegada, como já vos dissemos no Facebook, correu melhor que o suposto, porque conseguimos em Punta Arenas antecipar o autocarro. Assim, chegados a Puerto Natales, foi correr contra o tempo para alugar a tenda, os sacos de cama e fazer as compras de última hora. Ah, e levantar dinheiro, porque a malta adora receber em “efectivo”, dinheiro vivo, e ainda não tínhamos pesos chilenos. Às 23 horas, hora e meia depois de termos chegado, já tínhamos a tenda alugada, os sacos de cama e comida, e estávamos a caminho de jantar. Se tivéssemos ido no outro autocarro só tínhamos chegado depois da meia-noite, não íamos conseguir alugar nada e seria impossível seguir para Torres del Paine no autocarro da manhã do dia seguinte, às 7:30h. Nesse caso, também não faria sentido ir no autocarro da tarde, ás 14:30h, pois o nosso primeiro acampamento era o de Torres, bem lá junto ao miradouro, depois de uma bela caminhada. Não faria sentido porque os “senderos” (trilhos) fecham e só se pode acampar em zonas estabelecidas para o efeito e com reserva. Comprámos os bilhetes de autocarro para Torres del Paine no hostel, ida e volta custou 14.000 pesos chilenos por pessoa, cerca de 20€. O autocarro sai do terminal às 7:30h e chega a Laguna Amarga, a entrada do parque, às 9:30h. Lá fizemos todo o procedimento necessário – preencher uma ficha, pagar a entrada, receber o mapa e assistir a um vídeo que nos explica o que é proibido e o valor das multas. Uma carrinha, também paga, levou-nos até mais próximo dos trilhos e lá começámos a subida para Torres. O primeiro dia de caminhada foi duro, sempre a subir até aos 880 metros, feitos em cerca de 4 horas. Os trilhos, ao contrário de Ushuaia, estão bem marcados e há uma preocupação em os ir alterando para que o terreno recupere. Há imensa gente, de todo o mundo, a fazer o mesmo percurso, a subir ou já a descer. Vimos pessoas da Alemanha, França, EUA, Coreia do Sul, Brasil, África do Sul, Holanda, Japão, etc., mas mais uma vez não vimos portugueses. Chegando ao ponto intermédio de acampamento grátis da CONAF fizemos check-in e fomos montar a tenda, porque o tempo ameaçava chuva, e seguimos para o miradouro de Torres, já sem as mochilas, com a maior expetativa, porque íamos desde logo ver a imagem ícone do parque. E ir sem as mochilas fez toda a diferença. É um percurso a subir, de elevada inclinação, mas o esforço vale mesmo a pena. Não é um local onde se possa chegar, picar o ponto e ir embora. O clima é imprevisível, portanto deve-se esperar, aproveitar o momento, almoçar, ver como o céu muda, ora limpo ora cheio de nuvens a cobrir o topo da montanha. No nosso caso, apanhámos um céu carregado à chegada, com nuvens a obstruir as torres, que se transformaram em céu limpo, com o bónus de um arco íris. Ainda vimos as típicas personagens que tudo fazem para a foto perfeita. Aquecidos pela paisagem, a descida fez-se bem, jantámos e fomos dormir cedo. Como não somos propriamente especialistas em campismo, abdicamos de demasiadas coisas para poupar no peso que nos fizeram falta. Não tínhamos talheres, camping gás, tacho nem canecas, tudo coisas essenciais para cozinhar e que não existem nos parques de campismo gratuitos, também não alugámos colchões, o que endureceu o nosso sono. O segundo dia foi o mais intenso. Saímos do parque de campismo Torres em direção ao Italiano, um percurso de cerca de 10 horas, felizmente maioritariamente a descer. Seguimos pelo atalho, que dá uma vista fantástica sobre os lagos na base das montanhas. Passámos por praias fluviais e, apesar da temperatura, tanto do ar como da água, quase que nasce uma vontade de arriscar um mergulho, tão límpidas são as águas. Pelo caminho parámos no parque pago de Cuernos e conseguimos água quente, grátis, para “cozinhar” o almoço. Os noodles instantâneos que saboreámos como uma refeição estrela Michelin foi o nosso único “prato” quente durante os 4 dias. Oito horas depois de termos saído de Torres finalmente chegámos ao seguinte parque de campismo gratuito, o Italiano, e conhecemos um brasileiro que nos disse logo que este era o pior acampamento. Os “quartos de banho” são retretes, um buraco, e sujas, mas tinha filtro de água, um luxo desnecessário que abdicávamos em troca de um duche. Também descobrimos que a tenda tinha dois buracos, mas o nosso novo conhecido de pronto nos ofereceu uns remendos. No dia seguinte, o terceiro, subimos a partir do Italiano até aos miradouros Francês e Britânico. Este último dá uma visão panorâmica arrebatadora, mesmo no interior do parque, entre montanhas muito próximas, permitindo identificá-las através do mapa que nos dão à entrada, conseguindo ainda ver os lagos ao fundo, na base, encaixilhado num arco-íris. Já não se consegue ir até ao miradouro inicial, tendo sido fechado por excesso de vento, ficando-nos cerca de 100 metros abaixo. É agradável ficar ali algum tempo a gozar a vista, a almoçar, a respirar o ar puro e cortante. No miradouro Francês também se pode esperar ter a sorte de ver uma pequena queda de gelo da montanha, sendo muito mais fácil ouvir do que ver, soando como um trovão. Apanhámos alguma chuva, frio e vento característico da Patagónia, o que até pode ser perigoso em algumas zonas mais íngremes. Os bastões aqui são mesmo quase essenciais. O circuito W não é de todo um percurso onde estarão sozinhos. Vão sempre encontrar pessoas nos miradouros à espera de ver o mesmo, mas terão alguns momentos durante as caminhadas de exclusividade e silêncio. No quarto e último dia tínhamos planeado terminar o W mas acabamos por desistir. Do Italiano até ao Paine Grande o percurso não é difícil e conseguimos ver muitos animais (raposas, lebres e diversas aves, como papagaios), mas a subida até ao Grey já é dura e longa, tendo optado por não continuar. O plano inicial era seguir até ao miradouro para ver o glaciar, mas o guarda do parque disse que a visão era de muito longe e como teríamos a oportunidade de ver o Perito Moreno, optámos por não seguir caminho e apanhar desde logo o catamarã, voltando a Puerto Natales para reservar o autocarro do dia seguinte para El Calafate e descansar. O catamarã é o maior roubo do parque. As dormidas em refúgios decentes são caras, a comida também, mas há sempre uma alternativa. Quanto ao percurso do lago de Paine Grande até Pudeto, onde se apanha o autocarro para Puerto Natales, é um roubo. São 30 USD ou 18.000 Pesos Chilenos, um câmbio completamente adulterado, para uma viagem de 30 minutos. A alternativa, fechada na época baixa, é uma caminhada de 18km. Fomos apanhados desprevenidos e não tínhamos dinheiro suficiente, acabando por forçar um desconto de 1.500 Pesos, cerca de 2,25€. Em Pudeto os autocarros já estavam à nossa espera e nós já tínhamos o bilhete comprado. É uma viagem mais longa no regresso porque pára na Laguna Amarga mais de uma hora à espera das pessoas que terminam o circuito desse lado. Chegámos a Puerto Natales a tempo de lanchar um belo hambúrguer, já sonhado há dias, e de devolver tudo o que tínhamos alugado. Despesas (Pesos Chilenos) Aluguer tenda – 4.500/dia (15.000 com desconto) Saco-cama – 3.000/dia/pessoa (18.000 com desconto) Comida – 24.500 Entrada Parque – 21.000/pessoa (42.000) Autocarro Puerto Natales a Laguna Amarga (i/v) – 14.000/pessoa (28.000) Autocarro Laguna Amarga a Central – 3.000/pessoa (6.000) Ferry Paine Grande a Pudeto – 18.000/pessoa (34.500 com desconto forçado) TOTAL – 168.000 Pesos Chilenos (cerca de 250€ para duas pessoas para 3 noites e 4 dias, em alojamentos gratuitos) Conversámos com pessoas que dormiram em refúgios e acabaram por gastar cerca de 60€/dia/pessoa, cozinhando. Quem não quer cozinhar acaba por gastar, em média, cerca de 110€/dia. Dados os preços, as pessoas acabam por preferir ir a El Chaltén fazer os trilhos da montanha Fitz Roy, onde não se pagam entradas nem campismo, sendo também menos frequentado. A logística que envolve a marcação dos refúgios em Torres del Paine acaba com a vontade de muitos mochileiros que não planeiam com antecipação. Para quem não gosta de trekking, mas não quer perder a oportunidade, ou gosta de trekkings, mas não gosta de acampar, Torres del Paine está definitivamente organizado para lhes agradar, existindo carteira para isso. 365 dias no mundo estiveram 4 dias em Torres del Paine, de 19 a 22 de Março de 2017 Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ Preços: caro Categorias: trekking, caminhada, patagónia, natureza, vida selvagem, paisagem, glaciares, lagos, cascatas, reserva da biosfera Essencial: Torres del Paine, Cuernos del Paine, Miradouro Britânico, Glaciar Grey Estadia Recomendada: 5 dias www.365diasnomundo.com
  7. Olá pessoal, Antes de começar o relato quero explicar o título: Uma das coisas que mais me impressionou durante a viagem foi o tamanho dos locais que visitei! Tudo é muito maior do que se ve nas fotos. Em segundo lugar gostaria de agradecer imensamente a São Pedro por dias incrivelmente ensolarados e de vento praticamente nulo! kkkkkk. Sério! Foram apenas 2 dias de chuva, o que é totalmente inesperado! Até a dona da padaria em El Chaltén falou que eu estava com muita sorte com o clima. E para resumir a viagem em poucos minutos, fiz esse vídeo com alguns dos pontos altos desse mochilão. Não se esqueçam de mudar a configuração para assistir em HD! hehe Roteiro: Dia 1: (07/04/14) – Rio de Janeiro - Ushuaia Dia 2: (08/04/14) – Ushuaia (Farol do fim do mundo e Pinguineira) Dia 3: (09/04/14) – Ushuaia – Punta Arenas Dia 4: (10/04/14) – Punta Arenas – Puerto Natales Dia 5: (11/04/14) – Puerto Natales – Torres del Paine (1º dia do “W”: Hosteria Torres – Acampamento Las Torres) Dia 6: (12/04/14) – Torres del Paine (2º dia do “W”: Acampamento Las Torres – Los Cuernos) Dia 7: (13/04/14) – Torres del Paine (3º dia do “W”: Los Cuernos – Italiano) Dia 8: (14/04/14) – Torres del Paine (4º dia do “W”: Italiano – Grey) Dia 9: (15/04/14) – Torres del Paine (5º dia do “W”: Grey – Paine Grande) – Puerto Natales Dia 10: (16/04/14) – Puerto Natales – Calafate – El Chalten Dia 11: (17/04/14) – El Chalten Dia 12: (18/04/14) – El Chalten (Chorrillo del Salto, Mirador de los Condores, Mirador de las Aguilas) Dia 13: (19/04/14) – El Chalten (Laguna de los Tres) Dia 14: (20/04/14) – El Chalten (Loma del Pliegue Tumbado) Dia 15: (21/04/14) – El Chalten (Laguna Torre) Dia 16: (22/04/14) – El Chalten (Segunda vez em Chorrillo del Salto) Dia 17: (23/04/14) – El Chalten – Calafate (Laguna Nimez) Dia 18: (24/04/14) – Calafate (Big Ice) Dia 19: (25/04/14) – Calafate – Buenos Aires Dia 20: (26/04/14) – Buenos Aires (Obelisco, Casa Rosada e Puerto Madero) Dia 21: (27/04/14) – Buenos Aires (Caminito, San Telmo, Recoleta e Floralis generica) Dia 22: (28/04/14) – Buenos Aires – Rio de Janeiro Considerações gerais: Hospedagem: Geralmente não gosto de reservar hostel antes, pois “engessa” o roteiro, mas fechei o hostel de Ushuaia porque chegaria na cidade cansado para procurar. E como fui em final de temporada sempre tinha vaga. Não se esqueçam de perguntar se tem calefação... Um amigo ficou em Calafate em um hostel de apenas 60 pesos que não tinha. Passou frio! Dinheiro: Não troque pesos no Brasil. Leve reais e faça o “cambio negro” que será bem mais vantajoso. Entrei em contato com o Andre Dyniewicz pelo Facebook e combinamos 1 real por 3,9 pesos. Cotação um pouco mais baixa do que o convencional porque ele foi até o aeroporto Ezeiza (que fica muito longe do centro da cidade) para fazermos a troca, mas se você trocar com ele no centro fica mais vantajoso. Na verdade ele não pode ir e mandou um amigo no lugar. O cara é super confiável! Resolvi arriscar e levar todo o dinheiro em espécie, pois não queria pagar as exorbitantes taxas de cartão. Antes de ir comprei uma caneta para identificar notas falsas que é vendida em papelarias (paguei cerca de 10 reais). A Patagônia é realmente cara, mas mesmo assim ainda é mais barata que algumas partes do Brasil. De maneira geral achei os preços justos, mas comia em restaurantes e lanchonetes fora das principais zonas turísticas e ficava sempre e quartos compartilhados. Clima: O clima na Patagônia é imprevisível, instável e extremo! Pode fazer sol, chover e nevar no mesmo dia. Por isto se você tiver mais flexibilidade eu recomendo alguns dias extras no roteiro, pois certamente você ficará preso no hostel sem poder sair por conta do clima ruim. Felizmente dei MUITA sorte... O clima estava perfeito na época que fui! Roupa: Por conta do clima imprevisível eu recomendo levar roupas técnicas que são mais leves e seguram bem o frio, embora já tenha visto aqui gente que foi de moletom e ficou de boa. O que eu considero o básico: Anorak (impermeável e transpirável), fleece, segunda pele (calça e blusa) e bota de trekking (impermeável) e blusas dryfit que tiram o suor da pele e joga para fora, deixando sua pele seca (mas isso se vc for fazer trekking, caso contrário qualquer blusa serve). Para entender melhor como funciona o esquema sugiro que leiam aqui. Comprei algumas coisas na zona franca de Punta Arenas que realmente tem um preço melhor que no Brasil. Do Brasil levei um anorak impermeável (mas não transpirável) da The North Face e uma calça impermeável da Columbia. Ambos comprados em La Paz na Bolívia e com 99% de chance de serem falsificados, mas deram conta do recado! Passeios: Uma vantagem da Patagônia em relação a outros mochilões que fiz é que dá para conhecer grande parte dos lugares a pé (com exceção do Big Ice, Farol do fim do mundo e Pinguineira), o que deixa a viagem mais barata. Diferente por exemplo do Atacama onde tudo depende de passeios fechados com empresas. Transporte: Não há viagens noturnas de curta duração na Patagônia (pelo menos eu não vi). A não ser que você vá de Calafate para Bariloche, por exemplo, que aí são mais de 24 horas de viagem. A grande maioria dos ônibus tem calefação, mas é sempre bom perguntar antes de comprar as passagens. Outro ponto importante: Os horários e preços variam de empresa para empresa. Portanto pesquise! Comida: Acho que vai ser difícil algum país superar a comida brasileira. Mais um país e mais uma vez achei a comida sem sal. Comi o bife de chorizo que é um pouco mais duro em relação ao “lomo” (filé). Mas a carne argentina é realmente mais macia e suculenta. Já as empanadas tem em qualquer lanchonete e nada mais é que uma espécie de pastel assado, embora a massa seja diferente. Segurança: A Patagônia é super tranquila. Em nenhum momento me senti inseguro. Já em Buenos Aires a coisa muda de figura. Não recomendo andar sozinho à noite por alguns lugares. O bairro La Bocca, por exemplo, é muito perigoso. Se for ao Caminito fique apenas naquele quarteirão. Seguro viagem: É sempre bom fazer! Fechei com a Porto Seguro Viagem e paguei R$89,26 Alfajores e doce de leite: Como vocês irão perceber aqui no meu relato eu sou louco com doces, então resolvi escrever esse tópico especial sobre o que a Argentina faz de melhor. Quanto aos alfajores experimentei de 3 marcas que já havia pesquisado antes da viagem: Koonek (alfajor artesanal que só tem em Calafate), Cachafaz e Abuela Goye. Os da marca Koonek eu achei a massa um pouco seca, e o chocolate não é tão gostoso. Experimentei também o de sabor calafate que não tem nada de mais. Não recomendo! O da marca Cachafaz é muito boa! Não achei com tanta frequência em Buenos Aires, então assim que encontrar compre! Experimente um recheado de doce de leite sem cobertura de chocolate... O melhor! Já o da marca Abuela Goye também está entre os meus preferidos! Além de doce de leite, tem também sabores diferentes como nozes e amêndoas. Aprovado! E por fim aqui vai uma dica: Fuja do alfajor Havana! Não que ele seja ruim, mas é que existem outras marcas muito melhores. O Havana é mais pra pegar turista que acha que a marca é a melhor por ser a mais famosa (tem loja em toda esquina de Buenos Aires). Já em relação aos doces de leite só experimentei uma marca que a dona da padaria em El Chalten me indicou: La Serenisima (Estilo Colonial). Anote este nome! Sem dúvida o melhor doce de leite que já comi! Tem um sabor que lembra vagamente um caramelo... Bom demais! Muito melhor que o famoso Viçosa aqui no Brasil. E custa muito barato. No Carrefour em Buenos Aires paguei 12 pesos (aproximadamente 3 reais) em um pote de 400g. Mas lembre-se que tem que ser o “Estilo Colonial”. Vejo muita gente aqui no Mochileiros em busca de dicas, então se você não quer ler o relato todo, eu separei algumas dicas que escrevi ao longo do texto para facilitar. Aqui estão elas: - Na Patagônia, as coisas começam a funcionar quando nasce o sol, ou seja, na época que fui era lá pelas 8-9h da manhã (não sei como é em alta temporada)! E na parte da tarde todo o comercio também fecha e só vai abrir por volta das 15h. - Indo de El Chalten para Calafate de onibus, o motorista faz uma parada no aeroporto, assim, não é necessário ir até Calafate e depois pegar outro transporte até o aeroporto... O que já economiza tempo e dinheiro! - Para ir até a Laguna de los Tres pegue um transfer até a Hosteria Pilar. A trilha é bem mais rápida e plana na ida e você ainda vê o Glaciar pedras blancas. - Experimente o chocolate Sahne Nuss da Nestlé. Um dos melhores que já comi! Muito bom mesmo, mas é carinho e só tem no Chile. - Todos os dias às 15h um cara que conhece Torres del Paine como ninguém dá uma palestra com dicas e informações atuais sobre as trilhas do Parque. Recomento muito assistir. - Para o W, leve apenas uma garrafinha de água de 500 ml. O tempo todo haverá um rio onde você poderá enchê-la e assim não precisa ficar carregando peso. A água é proveniente do derretimento das geleiras e é potável. - Antes de começar uma trilha em Torres del Paine, embale tudo que não pode molhar de jeito nenhum (roupas e saco de dormir) em sacos plásticos grandes. Não confie apenas na capa de chuva da mochila! - Quando estiver acampando, antes de dormir esquente um pouco de água, coloque dentro da sua garrafinha e jogue dentro do saco de dormir. Assim, ela vai liberando calor aos poucos e esquentará seus pés! - As baterias das câmeras em lugares frios descarregam muito rápido. Coloque-as dentro do saco de dormir para dormirem com você... Assim elas duram mais. - Entregue suas baterias na recepção dos refúgios assim que chegar, pois na alta temporada você pode ficar sem tomada! A tomada do refugio é de pinos redondos desse tipo aqui. Por via das dúvidas leve adaptador! - Leve baby whipes para “tomar banho” nos acampamentos que não tem chuveiro. Também serve para limpar as mãos caso você esteja com preguiça de sair da barraca ou molhar a mão na água fria. hehe - Fique atento na trilha do acampamento Las Torres para Los Cuernos! Depois do refúgio Chileno, assim que você avistar os lagos lá em baixo (deixando o Valle do rio Ascencio para trás) e logo que iniciar a descida, você encontrará uma plaquinha pequena do lado direito escrito “shortcut”, que é um atalho que te poupará aproximadamente 1h de caminhada. Este atalho também serve para quem for de Los Cuernos para o acampamento Las Torres ou Refúgio Chileno. - Devido as recentes infestações de ratos nos campings, recomendo levar uma corda para pendurar a comida nas árvores. - Nada de ir a pé ou transporte público para o Caminito. Vá de taxi, pois o bairro La Boca é um dos mais perigosos de Buenos Aires. Um resumo dos hostel de que fiquei em cada cidade, lembrando que sempre ficava em quartos compartilhados com 4 ou 6 camas: - Ushuaia: Antarctica Hostel (Antártida Argentina, 270) Hostel excelente! Boa localização, quarto com calefação e com o chão feito de um material que não esfria, ou seja, dava pra nadar descalço dentro do quarto. Tem cozinha compartida e locker nos quartos. Café da manha muito bom com pão, manteiga, doce de leite, suco, cereal, leite, café e ovo cozido. O banheiro é no estilo vestiário e bem limpo, o ruim é que fica no primeiro piso enquanto que os quartos ficam no segundo andar. Recomendo! - Punta Arenas: Hostal Doña Anita (Av Independencia, 512) Gostei apesar de não ter café da manhã e ser um pouco afastado do centro. Os quartos ficam nos fundos da casa da dona do hostel, ou seja, esqueça badalação, pois o clima é bem familiar. Tem calefação e a cama é confortável. Não tem cozinha para os hóspedes (pelo menos não vi). Recomendo se você está apenas de passagem pela cidade. - Puerto Natales: Yagan House (O'Higgins 584) Foi o melhor hostel da viagem. Bem localizado e todo feito de madeira, ele tem uma área de convivência bem legal com uma lareira. Tanto os quartos quanto os banheiros são limpos e cheirosos. Tudo é muito bem cuidado e com cheiro de limpeza. Não me lembro se tem locker, mas acho que não. O café da manhã é muito bom com iogurte, pão, leite, café, manteiga, ovos mexidos e cereal. Recomendadíssimo! - El Chalten: Hostel Pioneros Del Valle (Av. San Martin, 451) Hostel novo, inaugurado a poucos anos atrás. O hostel é bem grande com dezenas de quartos e uma área de convivência bem ampla no primeiro piso com sinuca e totó. O banheiro fica dentro do quarto e é limpo. Os lockers são enormes e cabem a cargueira inteira. Cozinha compartilhada bem equipada. O staff também é atencioso. A parte ruim é o péssimo wi-fi (me falaram que é assim em todos os lugares de El Chalten) e o café da manhã não está incluso na diária. Recomendo! - Calafate: America del Sur (Puerto Deseado, 153) Hostel muito bom e com uma bela vista para o lago argentino, apesar de um pouco distante do centro. O café da manhã é ótimo com cereais, pães, manteiga, doce de leite, suco, leite e café. O ruim é o tamanho do banheiro onde fica o box de tomar banho: minúsculo. Possui cozinha compartida, locker nos quartos, internet boa e staff atencioso. Recomendo! - Buenos Aires: Hostel Suites Florida (Florida, 328) Hostel bem localizado, bem no centro de Buenos Aires e com muitos brasileiros (o que é bom para algumas pessoas que querem socializar mas não falam inglês). O café da manhã é normal, com pão, manteiga, leite, café, frutas (banana ou maça) e mais algumas coisas que não me lembro. Internet péssima nos quartos, mas boa na recepção. Banheiro bom. Possui um barzinho legal com música no subsolo que não atrapalha o sono. Staff péssimo, com má vontade de resolver problemas ou te explicar alguma dúvida. Apesar do povo que trabalha lá, eu acabo recomendando o hostel. Bom, agora vamos ao relato dia a dia. Me desculpem pelo tamanho, mas é porque gosto de deixar tudo bem explicado para evitar dúvidas. Vamos lá...Meus gastos antes da viagem foram: R$1.370,00 da passagem aérea, R$89,26 com o seguro viagem e R$50,00 com a passagem de ônibus de Juiz de Fora até o Rio de Janeiro. Dia 1 (07/04/14) – Chegada a Ushuaia Peguei o avião da Aerolineas Argentinas as 1:40 da manhã no Galeão e segui para Buenos Aires onde fiz uma conexão para Ushuaia. Paguei 1.370 reais pelos trechos: Rio – Ushuaia, Calafate – Buenos Aires e Buenos Aires – Rio de Janeiro. Gostei da Aerolineas. Sem atrasos, lanche simples, mas OK e o avião que fui de Buenos Aires para Ushuaia era um boing enorme... Parecia que estava indo para Nova York. A chegada em Ushuaia foi um show. Fazia sol e dava para ver as montanhas nevadas, os lagos e a vegetação avermelhada. Cheguei aproximadamente as 12:45 e fui no guichê de informações para pegar um mapa da cidade e perguntei se era melhor pegar um taxi ou um transfer até o centro da cidade. Disseram-me que o taxi era mais barato. Desci no Antarctica Hostel (Antártida Argentina, 270). Hostel excelente! Fiz o check in e fui sair para comer algo. A principal rua é a Avenida San Martin. Fui direto à agência da Pira Tour (Av. San Martín 847) para reservar o passeio pela Pinguineira e pelo Farol do fim do mundo (Faro Les Éclaireurs, que fica no Canal do Beagle) para o dia seguinte. Existem 2 tipos de passeios pela Pinguineira: Um que você fica dentro do barco e outro que você desce na ilha e anda entre os pinguins. Até onde eu sei, a Pira Tour é a única empresa com autorização para andar na ilha. Apesar de caro, achei que valeu mais a pena caminhar pela ilha. É uma oportunidade única de vê-los mais de perto. Apesar de que, em abril é a época que eles deixam a ilha fugindo do inverno que se aproxima. Lembrando que o passeio vai até final de abril (mas pode terminar antes se os pinguins foram embora mais cedo). Fechei o passeio pelo farol do fim do mundo na parte da manha e a Pinguineira a tarde. Do lado da agencia da Pira Tour tem uma padaria bem pequena, bem simples, mas com coisas muito gostosas. Comprei algo para despistar a fome e segui para a agencia Tolkar (Roca, 157) e comprei a passagem para Punta Arenas. Depois resolvi almoçar de verdade aí surgiu um problema: Praticamente todo os restaurantes estavam fechados! Fui procurar saber e descobri que o comercio fecha as portas a tarde. Encontrei os seguintes horários no site do Antarctica Hostel: Lojas: Segunda a Sexta das 10:00 as 12:30 e das 15:30 as 20:30 Restaurantes: Segunda a Domingo das 12:00 as 14:30 e 19:00 as 23:30 Passei na Secretaria de Turismo da cidade (San Martin, 674) e peguei o carimbo no passaporte (é grátis) e um folheto com todos os passeios possíveis de serem feitos na cidade (foto abaixo). Fui no supermercado e voltei pro hostel para esperar os restaurantes abrirem. Comi na Pizzaria Dona Lupita (25 de Mayo, 325). Pizza beeeem fraca, mas o preço é aceitável. Gastos do dia: - 140 pesos de diária em quarto compartilhado com 6 camas no Antarctica Hostel - 65 pesos de taxi do aeroporto de Ushuaia até o Antarctica Hostel - 83 pesos em compras (águas, bananas, alfajor, iogurte e achocolatado) - 20 pesos em uma padaria (churros, pão de creme e rosquinhas) - 60 pesos em uma pizza na Pizzaria Dona Lupita - 78 pesos em um imã - 880 pesos pelo passeio com caminhada na Isla Martillo (Pinguineira) - 400 pesos pelo passeio pelo farol do fim do mundo (Faro Les Éclaireurs) - 550 pesos na passagem de Ushuaia para Punta Arenas Total: 2.276 pesos argentinos = 583 reais Dia 2 (08/04/14) – Farol do fim do mundo e Pinguineira O dia amanheceu com sol, mas com algumas nuvens. As 9:15 já estava no porto para pagar a taxa de embarque e as 9:30 partiu o passeio para o farol que também passa na Isla dos lobos. Conheci o Paulo, um brasileiro de 68 anos que estava em Ushuaia para fazer a maratona do fim do mundo que havia acontecido dias alguns dias atrás. Ele comentou comigo que iria para Calafate no dia seguinte, mas que não iria fazer nem o Minitrekking nem o Big Ice. O por quê? O limite de idade para fazer o passeio é de 65. Agora como um senhor que correu uma maratona não pode andar 1 hora e meia no gelo? Enfim... Durante o passeio dá pra ficar do lado de fora do catamarã para tirar fotos. Apesar do frio, dentro do barco tem calefação. Paramos em uma pequena ilha para fazer uma caminhada de uns 20 minutos e voltamos para o barco. Depois passamos pela ilha dos pássaros onde dá pra ver dezenas de biguás-das-shetland que se parecem muito com pinguins, depois seguimos para a ilha de los lobos aonde vimos os lobos marinos, para finalmente seguirmos para o farol do fim do mundo. O farol é o símbolo da cidade e foi construído em 1919, mas nada mais é do que um farol! rs. Voltamos para Ushuaia chegando no porto próximo ao meio dia. Durante a volta o Paulo comentou comigo que no Hotel Antartida (Rivadavia 172) eles faziam cambio e que a cotação estava muito boa, mas não me lembro de quanto era. Chegando fui procurar algum lugar para almoçar e encontrei o Trattoria Martina (San Martin 237). Pedi o menu do dia que era um spaghetti de espinafre ao molho a bolonhesa e suco. Estava bom, mas não voltaria lá. Andei pela San Martin até a hora do passeio para a Pinguineira (14:30). Os pinguins ficam na Isla Martillo que fica bem longe da cidade. Primeiro pegamos um ônibus onde ficamos 1:15 até a primeira parada: Um local onde tem algumas árvores que crescem tortas por causa do ventos fortes na região. Mais alguns minutos no ônibus e o grupo é dividido em 2: Uma parte vai para a Pinguineira e outra fica no museu, depois troca. Fui primeiro para o museu e achei bem interessante. Depois pegamos um barco por uns 15 minutos até a ilha. Nessa hora a guia pede que todos andem juntos e que não façam movimentos bruscos. Um coreano ficou louco e queria andar sozinho! Com direito a uma pequena discussão com a guia... Momento constrangedor! kkkkkk Dava para ver muitos ninhos (buracos no chão) e segundo a guia em janeiro e fevereiro é possível ver centenas de pinguins com seus filhotes. Nessa época tinha poucos pinguins de Magalhães e mais pinguins Gentoo. Apesar de que, a guia disse que os pinguins Gentoo nunca vão embora da ilha. No final do passeio pudemos tirar a típica foto com um grupo de pinguins que estavam na praia. Gostei bastante do passeio. Apesar de mais caro recomendo fazer a caminha na ilha, pois podemos ver muito melhor os pinguins do que apenas no barco. Voltando pra Ushuaia jantei no Banana Bar e Restaurante (San Martín, 273). Comi um supremo de frango com batata frita. Mais uma vez não gostei muito da comida... E olha que não sou chato para comer. Gastos do dia: - 140 pesos de diária em quarto compartilhado com 6 camas no Antarctica Hostel - 10 pesos de taxa de embarque no porto - 76 pesos por um spaghetti e suco no restaurante Trattoria Martina - 18 pesos por 3 postais - 83 pesos por um supremo de frango com batata frita no Banana Bar e Restaurante Total: 327 pesos argentinos = 84 reais Dia 3 (09/04/14) – Ushuaia – Punta Arenas O ônibus (sem calefação) para Punta Arenas partiu às 5 da manhã. Paramos em Rio Grande para fazer baldeação e seguimos para atravessar o Estreito de Magalhães. Durante a travessia vi vários Golfinhos-de-commerson que eram muito rápidos. Depois entramos de novo no ônibus para finalmente seguir para Punta Arenas, onde cheguei as 17h (12 horas de viagem no total). Punta Arenas não tem rodoviária, o ônibus te deixa no centro da cidade. Troquei alguns reais por pesos chilenos só para pegar um taxi e segui para o Hospedaje Independencia (Av Independencia, 374) que tinha visto indicação em algum lugar na internet. A entrada do hostel é pelos fundos da casa, passando por um monte de entulhos e pela “área de camping”. O cara que me atendeu estava vendo um jogo de futebol na televisão com um amigo e ficou claramente incomodado por estar interrompendo a partida. Não gostei do clima do lugar... Tudo bagunçado, um homem com cara de drogado estava na cozinha e chegando no quarto me disserram que não tinha locker. Fui embora e por sorte na mesma rua encontrei o Hostal Doña Anita (Av Independencia, 512). Gostei bastante. O clima era bem familiar apesar de não ter café da manhã. Deixei minhas coisas e peguei um coletivo em direção a Zona Franca. Os coletivos aqui são carros que possuem um trajeto definido e vão pegando os passageiros durante o percurso. Na Zona Franca troquei reais por pesos em um cotação ruim (1 real por 220 pesos) e segui direto para a Balfer com a intenção de comprar todas as roupas que faltavam para o “W”. Algumas coisas eu já tinha e levei do Brasil. A loja é realmente muito boa, tem praticamente de tudo, mas falta funcionário para te atender. Comprei um anorak (22.990 pesos), uma blusa polartec (33.990 pesos), uma calça de fleece (24.990 pesos), 1 camisa dryfit (9.990 pesos), dois pares de meia térmica para trekking (4.990 pesos cada) e uma balaclava (3.990 pesos). Total: 105.930 pesos! Voltando para o hostel conheci o marido da dona, que me levou para comer um hambúrguer gigantesco e muito bom em um mercado/lanchonete frequentado apenas pelo povo local chamado La Central (Av. España, 1163). Gastos do dia: - 2.000 pesos em taxi do centro até o hostel - 8.000 pesos no hostel Doña Anita - 1.000 pesos de coletivo do hostel até a zona franca - 800 pesos em um pastel em uma lanchonete da zona franca - 105.930 pesos em compras na loja Balfer da zona franca - 3.450 pesos no hambúrguer e uma água Total: 121.180 pesos chilenos = 539 reais Dia 4 (10/04/14) – Punta Arenas – Puerto Natales Acordei às 8h, tomei um café na rua e fui andando até a Bus Sur para pegar o ônibus para Puerto Natales as 10h. Existem várias empresas que fazem o trajeto, variando os horários como, por exemplo, a Buses Pacheco e a Buses Fernandez. Confira os horários de cada uma na foto abaixo. Cheguei em Puerto Natales as 13h. Um frio e um vento fora do normal!!! Segui até o Yagan House (O'Higgins 584) que tinha visto boas indicações. Realmente o hostel é muito bom! Lugar familiar, chão feito de madeira, bem legal. Não tinha vaga em quarto compartilhado, paguei mais caro e fiquei num quarto privado sem banheiro, o que acabou sendo uma boa, pois descansei melhor e espalhei todas as minhas coisas no chão para me organizar para o W. Comprei toda a comida em um mercado em frente ao hostel, mas depois percebi que o lugar é bem carinho. Existem outros supermercados na cidade mais em conta. Dica: Experimente o chocolate Sahne Nuss da Nestlé, mas que só tem no Chile! Um dos melhores que já comi! A barra é grossa e vem com amêndoas inteiras! Muito bom mesmo, mas é carinho. Comprei um pacote de ziplocks que foi muito útil para armazenar o restante da comida que não era utilizada e evitava que ela molhasse. Depois fui até o Erratic Rock Base Camp (Baquedano 731) que é um hostel e que também aluga equipamentos. Dica: Todos os dias às 15h um cara que conhece o Parque como ninguém dá uma palestra com dicas e informações atuais. Recomento muito assistir. Aluguei tudo que precisava, mas a barraca, por exemplo, só tinha para 2 pessoas, a vantagem é que dá para colocar todas suas coisas dentro, mas a desvantagem é o peso a mais. Não estava com tempo de procurar em outros lugares então foi de 2 pessoas mesmo. Passei em uma loja e comprei uma headlamp que foi muito útil, pois não ocupa a mão como a lanterna comum. A passagem de ida e volta para o Parque você pode comprar no hostel mesmo. À noite cozinhei no hostel e fui arrumar minha mochila. Aqui vai a lista de tudo que levei, lembrando que fui sozinho, então tudo é para 1 pessoa: Equipamentos: - 1 Anorak (impermeável e transpirável) - 1 Calça impermeável - 1 Calça segunda pele (térmica) - 1 Calça de fleece (usava para dormir) - 1 Blusa de manga comprida de polartec - 1 Bermuda (não usei) - 5 Blusas (sendo 2 dryfit e 3 de algodão) - 5 Cuecas box (evita o atrito entre as pernas) - 5 Meias (especiais para trekking, que sejam quentes e grossas, pois evitam o atrito do calcanhar com a bota) - 1 Balaclava - 1 Bota de trekking (não era impermeável, mas recomendo que seja) - 1 Barraca para 2 pessoas - 1 Saco de dormir (-9ºC) - 1 Isolante térmico - 1 Par de bastões de tekking (no meu caso ajudou muito nas subidas e para dar estabilidade principalmente quando bate as rajadas de vento) - 1 Toalha seca rápido pequena - Kit cozinha (fogareiro, gás, panela, copo, garfo e prato de plástico) - Câmeras (Nikon D5100 com lentes 18-55mm e 55-200mm e uma GoPro Hero 2 com alguns acessórios) - Um netbook (Sim, me julguem! haha... Um peso extra, mas era a única maneira de carregar a GoPro e descarregar os cartões de memória). - Kit higiene (Baby whipes, xampu, sabonete, pasta e escova de dente) - Protetores auriculares (Muito bom! Tenho o sono leve e pra mim foi de muita utilidade. O vento nas árvores, o barulho dos glaciares... Nada me acordava. Apesar disso ocorreu um fato engraçado que vou relatar mais a frente.) Comida: - 2 Porções de macarrão (tirei da embalagem e coloquei no ziplock) - 2 Pacotes de molho pronto à bolonhesa - 1 Pacote de arroz com legumes (deu para comer 2 vezes) - 4 Pacotinhos de queijo ralado (colocava no macarrão e no arroz. Ficava muito bom) - 1 Pacotinho de purê de batata desidratada (não usei) - 3 Cup noodles - 1 Pacote com 8 pães - Queijo e salame fatiados - Leite e café em pó (usei 1 vez apenas) - Coisas para comer na trilha (1 pacote de biscoito, 4 barrinhas de cereal, 2 barras de chocolate) O restante das roupas e equipamentos que não iria usar no W deixei no depósito do hostel. Calculei bem a comida e não sobrou nem faltou. Não precisa comprar nada no Brasil para levar. Lá tem de tudo e muita variedade. E lembre-se: Menos é mais!!! No final a minha cargueira de 70 litros ficou lotada e juntamente com a mochila de ataque devia pesar uns 15 kg (mesmo assim estava pesado para mim). Dica: Leve apenas uma garrafinha de água de 500 ml. O tempo todo haverá um rio onde você poderá encher e assim não tem que ficar carregando peso. A água é proveniente do derretimento das geleiras e é potável. Outra dica: Embale tudo que não pode molhar de jeito nenhum (roupas e saco de dormir) em sacos plásticos grandes. Não confie apenas na capa de chuva da mochila! Quanto ao frio só passei um pouco a noite no acampamento Las Torres e Los Cuernos. Dica: Antes de dormir esquente um pouco de água e coloque dentro da sua garrafinha e jogue dentro do saco de dormir. Assim, ela vai ficar liberando calor por um bom tempo e esquentará seus pés! hehe. Mais uma dica: As baterias das câmeras em lugares frios descarregam muito rápido. Coloque-as dentro do saco de dormir para dormirem com vc... Assim elas duram mais. Levei celular só para funcionar como despertador. Coloquei no modo avião e reduzi o máximo o brilho da tela... A bateria durou os 5 dias! No Parque não pega celular e não possui wi-fi, portanto qualquer acidente ou emergência deve ser avisado aos guardas parques que ficam nos refúgios e campings. Pode parecer redundante falar sobre isso, mas eu fiquei um pouco confuso quando fui pesquisar sobre o W em Torres del Paine, então vou tentar explicar direitinho aqui a diferença entre refúgio e camping (apenas aqueles que fazem parte do circuito W): Bom, os refúgios são uma espécie de hotel que ficam em pontos estratégicos do Parque. Neles você encontra restaurante, quartos com calefação e lugares onde dá para comprar biscoitos, sucos, chocolates, etc. Mas tudo isso tem um preço alto... Se não me engano, o quarto compartilhado custa cerca de 50 dólares. Também é possível alugar equipamentos de camping como barracas, sacos de dormir e isolante por um preço mais caro do que em Puerto Natales. É possível carregar as baterias da máquina na recepção dos refúgios, mesmo que você esteja acampando. Basta pedir aos funcionários da recepção que eles colocam para carregar para você! Para a alta temporada é recomendado reservar os refúgios com bastante antecedência. Existem 2 empresas que administram estes refúgios: A Fantástico Sur e a Vertice Patagonia. Todos os refúgios tem uma área de camping, mas nem todos os campings tem refúgios. Já os campings existem de dois tipos: Os pagos e os grátis. Os pagos ficam próximos aos refúgios e o preço inclui o direito de acampar, carregar suas baterias, tomar um banho quente e usar a área de cozinha (cozinhando com seus próprios equipamentos obviamente). Já os grátis não tem banho, apenas um banheiro com vaso sanitário. Apesar de grátis, tem um guarda-parque em todos eles que podem ajudar em algum caso de emergência. Outra coisa: Os acampamentos grátis não possuem tomadas para carregar as baterias das câmeras!! A Fantástico Sur administra os seguintes refúgios e acampamentos: - Refúgio e acampamento Torres (não confundir com acampamento Las Torres!) - Refúgio e acampamento Chileno - Refúgio e acampamento Los Cuernos A Vertice Patagonia administra os seguintes refúgios e acampamentos: - Refúgio e acampamento Paine Grande - Refúgio e acampamento Grey Os acampamentos grátis são: - Acampamento Las Torres - Acampamento Itlaiano Atenção: Os refúgios e campings funcionam normalmente durante a alta temporada (verão)! Mas alguns deles fecham durante as temporadas intermediárias. Portanto pesquise antes de planejar algo. Para mais informações sobre Torres Del Paine e sobre o circuito W, de uma olhada nos sites oficiais do Parque neste link e neste outro. E em algumas explicações aqui no Mochileiros. Ou se não mande um email para a Fantástico Sur ([email protected]) ou para a Vertice Patagonia ([email protected]) que eles respondem rapidamente. ATUALIZAÇÃO: A partir de agora é necessário fazer reserva para acampar no Parque! Mais informações em http://www.parquetorresdelpaine.cl/es Gastos do dia: - 1.000 pesos em um café e uma água - 5.000 pesos na passagem de Punta Arenas para Puerto Natales - 15.000 pesos no quarto privado sem banheiro no Yagan House - 6.500 pesos em uma headlamp - 650 pesos em um cadeado - 18.970 pesos no supermercado - 75.000 pesos em aluguel de equipamentos (Preços da diária de cada equipamento: 3.500 pesos na barraca (para 2 pessoas), 3.000 pesos do saco de dormir, 1.000 pesos no isolante, 4.000 pesos no kit cozinha e 3.000 pesos no par de bastões de trekking) e 2.500 pesos no gás. - 15.000 pesos na passagem de ida e volta de Puerto Natales para Torres del Paine Total: 137.125 pesos chilenos = 623 reais Dia 5 (11/04/14) – Puerto Natales – Torres del Paine (1º dia do “W”: Hosteria Torres – Acampamento Las Torres) Hosteria Las Torres > Acampamento Las Torres: 9 km (3.5 hrs) Acampamento Las Torres > Mirador Base Las Torres (ida e volta): 1.6 km (1.5 hrs.) Dificuldade: Alta Distância total: 10.6 km Tempo total: 5 hrs. Acordei cedo, tomei o café do hostel que era muito bom (torrada, geleia, iogurte, cereal, café e ovos mexidos) e segui para a rodoviária. As 7:30 o ônibus da Buses Gomez partiu para o Parque. Vou confessar que durante a viagem eu fiquei tenso. A ficha caiu e fiquei com muito receio de estar ali sozinho... O maior medo era de pegar uma chuva forte, nevasca. E detalhe: Nunca tinha acampado na vida! Por volta das 10h chegamos à Administração na Laguna Amarga para pagar a taxa de entrada, pegar um mapa e assistir a um pequeno vídeo com informações sobre o Parque. Nesta hora você deve decidir se vai ficar ali e começar pelas Torres ou se continua no ônibus que irá te deixar em Pudeto para pegar o catamarã e, assim, começar pelo Grey. Como o dia estava perfeito, com sol e sem nuvens decidi começar pelas Torres. Assim, o meu roteiro ficou dessa maneira: Peguei minha mochila e fui de van (paga na hora) até a Hosteria Torres de onde comecei a trilha. Dá pra ir a pé até a Hosteria em 1:30 de caminhada, mas o caminho é sem graça. Comecei a trilha com muita subida até chegar ao Vale do Rio Ascencio. E no primeiro dia você não está muito acostumado com o peso da cargueira nas costas então dá pra sofrer um pouco, mas nos outros dias foi mais tranquilo. Fiquei bobo com o tamanho e com a beleza do vale! No meio do caminho fiz amizade com dois americanos: Ryan e Nate. Durante o trajeto vimos muitas pessoas que não querem fazer a caminhada e sobem no lombo de cavalos. O ruim são as fezes que ficam no meio da trilha. Passamos pelo Refugio Chileno (que em abril está fechado) e seguimos a trilha pelo bosque de lengas e, de vez em quando, avistamos alguns glaciares e a “pontinha” das torres! Por volta das 16h chegamos ao acampamento Las Torres. O acampamento é grátis, portanto nada de banho! Só um vaso sanitário. Dica: Leve Baby whipes para “tomar banho” nos acampamentos que não tem chuveiro... Também serve para limpar as mãos caso você esteja com preguiça de sair da barraca ou molhar a mão na água fria. Montamos a nossa barraca e fomos ver as torres já que o tempo estava ótimo. A trilha dura 1 hora e é de subida o tempo todo, mas só de não estar com a cargueira é um alívio! Nos primeiros 30 minutos a trilha é dentro do bosque, depois o terreno se torna basicamente feito de pedras. Repare no tamanho de algumas pedras pelo caminho! Durante o trajeto começou a cair alguns flocos de neve esporádicos... Achei estranho, pois apesar do frio o sol estava de rachar e não tinha nuvens no céu. Finalmente as torres!!! Gigantes e lindas! A iluminação das torres varia de acordo com o horário do dia. Descansamos e ficamos um tempo sob o sol na beira do lago. Descemos e fui preparar meu jantar. Comi macarrão a bolonhesa com queijo ralado. Apesar de ser molho pronto, estava bom demais! Fui pra barraca e fiquei ouvindo musica até escurecer. Fui dormir cedo por conta do cansaço. Coloquei o relógio para despertar as 6:15 para ver o nascer do sol nas torres se o tempo estivesse bom. Não tive uma boa noite... Passei um pouco de frio nos pés. Gastos do dia: - 18.000 pesos pela taxa de entrada no Parque - 2.500 pesos pela van da administração (Laguna Amarga) até a Hosteria Torres Total: 20.500 pesos chilenos = 93 reais Dia 6 (12/04/14) – Torres del Paine (2º dia do “W”: Acampamento Las Torres – Los Cuernos) Acampamento Las Torres > Mirador Base Las Torres (ida e volta): 1.6 km (1.5 hrs.) Acampamento Las Torres > Refúgio Los Cuernos: 12 km (4.5 hrs.) Dificuldade: Média Distância total: 13.6 km Tempo total: 6 hrs. Acordei às 6:15, comi alguma coisa na barraca mesmo e às 6:30, ainda no escuro e sozinho, já estava na trilha. A headlamp ajudou muito, pois deixa as mãos livres. Chegando na parte pedregosa encontrei um casal que tinham perdido a trilha. Realmente nessa parte é mais complicada no escuro... A marcação é feita com tinta nas pedras ou com bastões presos entre elas, mas no escuro fica mais difícil achar. Encontramos juntos e seguimos em frente. Sentei em uma pedra bem no alto com uma visão bem ampla das torres e do lago e esperei. Um frio de rachar! Mas valeu todo o esforço. Aos poucos tudo mais mudando de cor até que finalmente os primeiros raios de sol tingem as torres de laranja! Um daqueles momentos que ficam eternamente na memória... Desci para o acampamento, desmontei a barraca arrumei minhas coisas. Por volta das 10h comecei a trilha em direção a Los Cuernos. Aqui vai uma dica preciosa: Depois de passar pelo refúgio Chileno, assim que você avistar os lagos lá em baixo (deixando o Valle do rio Ascencio para trás) e logo no inicio da descida você encontrará uma plaquinha pequena do lado direito escrito “shortcut”, que é um atalho que te poupará aproximadamente 1h de caminhada. Assim, você não precisa ir até a Hosteria Torres. Já ia passando direto mais um cara me mostrou esse atalho... Agradeci ele demais! kkkkkkk. (Observação: Este atalho também serve para quem for de Los Cuernos para o acampamento Las Torres ou Refúgio Chileno). A trilha não tem nada de muito interessante, a não ser pelo lago Nordenskjöld que tem uma coloração azul leitosa. A trilha foi mais tranquila que no dia anterior, ou seja, como mais descidas que subidas. O ruim foi que em algumas partes temos que passar em lugares de brejos. Chegamos no Los Cuernos, pagamos a taxa de camping, armamos a barraca (aqui você não monta a barraca diretamente no chão frio, existe um tablado de madeira para montar) e fui entregar minhas baterias na recepção do refúgio para que carregassem para mim. Dica: Leve as baterias para carregar assim que chegar, pois na alta temporada você pode ficar sem tomada! Outra dica: A tomada do refugio é de pinos redondos desse tipo aqui. Por via das dúvidas leve adaptador! Tomei um banho quente excelente e fui pra cozinha fazer meu jantar. Encontrei duas coreanas que conheci no hostel em Puerto Natales e jantamos juntos. Depois fui para minha barraca descansar um pouco. Deitei com os pés para fora e estava escrevendo no meu cadernos de anotações quando ouvi alguma coisa vindo do lado de fora... Quando olhei para meus pés, um rato estava entrando na minha barraca!! Sai e fui falar com os americanos... Eles comentaram que estava havendo uma infestação de ratos no acampamento que buscam por comida!!! Resultado: Passei a noite inteira espantando os ratos que tentavam entrar na barraca. Tive uma péssima noite. Teve uma hora que estava ouvindo musica de olhos fechados e quando abri tinha um rato entre a barraca e a capa de chuva! Durante a noite choveu um pouco, mas sem vento. Gastos do dia: - 6.000 pesos pelo acampamento Los Cuernos Total: 6.000 pesos chilenos = 27 reais Dia 7 (13/04/14) – Torres del Paine (3º dia do “W”: Los Cuernos – Italiano) Refúgio Los Cuernos > Acampamento Italiano: 5.3 km (2.5 hrs.) Acampamento Italiano > Mirador do Valle del Frances (ida e volta): 7.5 km (3 hrs.) Dificuldade: Média Distância: 13 km Tempo total: 5.5 hrs. Acordei por volta das 8:30, comi alguma coisa, desmontei a barraca que estava molhada por conta da chuva durante a madrugada. Comecei a trilha até o acampamento Italiano. Uma hora depois passei pelo refúgio e camping Francés que foi inaugurado a pouco tempo. Aos poucos o tempo nublado foi abrindo e o sol foi chegando, formando um belo arco-íris quando passamos na “praia” do lago Nordenskjöld. Mais algumas horinhas de subidas e descidas e chegamos ao acampamento Italiano. Armei a barraca, comi um macarrão instantâneo e, sem a cargueira, comecei a subida para o mirador do Valle del Francés. A trilha é de subida tranquila, e segue próxima ao rio francés. No mirador ventava bastante, mas a vista é animal! De um lado as formações rochosas, do outro o glaciar del francés e lá em baixo o lago Nordenskjöld coroado com um arco-íris. Show!!! Fiquei um tempo lá e depois percebi que tinha a continuação da trilha até o mirador britânico. Sozinho, segui pela trilha por mais ou menos 1 hora e de repente a sinalização começou a ficar péssima! A trilha sumia e aparecia mais a frente, até que em uma hora eu me perdi. Sim, por alguns segundos eu andei sem rumo já imaginando como seria meu resgate! kkkkkkkkkkk... Sério, eu fiquei puto com a má sinalização. Encontrei a trilha de novo e resolvi voltar. Devia faltar uns 40 minutos até o mirador britânico, mas já estava cansado, meu calcanhar direito já estava doendo e estava com receio de demorar e escurecer. Voltei e fiz meu jantar. Fiquei na barraca até a hora de dormir. Nesse dia o barulho do vento forte nas árvores e dos estrondos vindos do desprendimento do gelo nos glaciares não me deixavam dormir. O que eu fiz? Coloquei meus protetores auriculares e apaguei! Gastos do dia: - Nenhum! Dia 8 (14/04/14) – Torres del Paine (4º dia do “W”: Italiano – Grey) Acampamento Italiano > Refúgio Grey: 18 km (6 hrs.) Dificuldade: Fácil (Italiano – Paine Grande); Média (Paine Grande – Grey) Distância total percorrida no dia: 18 km Tempo total: 6 hrs. Acordei por volta das 8:30 e fui pegar alguma coisa para comer quando reparei que a sacola de comida estava furada! Comecei a tirar as coisas da barraca e descobri 2 buracos! Os ratos roeram minha barraca e fizeram a festa enquanto eu dormia! Com estava com os protetores não ouvi nada! A sorte foi que eles entram apenas na parte que estava o queijo e o salame. Joguei fora e passei a comer pão puro. O dia estava nublado e sem vento. Comecei a trilha em direção ao Grey passando por Paine Grande. O caminho até Paine Grande é na maior parte plano e o mais fácil de todo o circuito, mas a paisagem é basicamente formada por árvores carbonizadas devido ao incêndio de grandes proporções que atingiu o Parque em 2011 causado por um turista israelense. Chegando em Paine Grande parei para descansar um pouco e fazer um lanche antes de começar a trilha para o Grey. O caminho para o Grey é bem puxado com muita subida e descida. Passei pela Laguna de los Patos e no meio do caminho tem o mirador com uma boa visão do glaciar Grey e de alguns icebergs flutuando no lago Grey. É bem bonito, mas nada que supere o Valle Del Francés e Las Torres. Percebi que algumas pessoas chegam até o mirador e voltam para Paine Grande... Realmente o mirador é o ponto alto desta parte do W, não existe muita coisa interessante na trilha até o refugio Grey, então se você está com o tempo apertado sugiro que vá até o mirador e volte, a não ser que você queira ver o glaciar mais de perto. Mais algumas horinhas e finalmente o refúgio Grey. Achei o Grey pior que Los Cuernos. As barracas são montadas no chão (no Los Cuernos é em um tablado), é preciso tirar os sapatos para entrar no banheiro e na cozinha (o que é ruim, pois inevitavelmente as pessoas deixam cair comida e água no chão e você tem que ficar pisando naquilo), não tem água quente na torneira e o Box onde se toma banho é mais aberto que em Los Cuernos, o que deixa passar um pouco de vento. Tomei banho e fui preparar o jantar junto com o Nate e o Ryan. Conhecemos outros americanos e ficamos conversando sobre viagens. Antes de dormir pendurei minha sacola de comida em uma corda estendida na árvore pelo Ryan e assim, evitamos que os ratos invadissem as barracas. Portanto fica a dica: Leve uma corda para pendurar a comida. A noite choveu bem fraquinho, mas nada para se preocupar. Gastos do dia: - 4.000 pesos pelo acampamento Grey Total: 4.000 pesos chilenos = 18 reais Dia 9 (15/04/14) – Torres del Paine (5º dia do “W”: Grey – Paine Grande) – Puerto Natales Refúgio Grey > Paine Grande: 11 km (3.5 hrs.) Dificuldade: Média Distância total percorrida no dia: 11 km Tempo total: 3.5 hrs. Hoje dia seria corrido, pois as 12:30 tinha que estar em Paine Grande para pegar o catamarã. Acordei ainda estava escuro e comecei a trilha as 8:20. Fiz a trilha apertando o passo, tirando poucas fotos e descansando pouco. Próximo ao mirador experimentei a tão famosa fúria dos ventos patagônicos... Se não tivesse os bastões de trekking para dar estabilidade teria que me arrastar no chão!! Faltando 1 hora para terminar a trilha cai feio numa decida de pedras que me deixou um roxo enorme na perna. Terminei a trilha em 3h sendo que o normal é em 3:30. Nos últimos metros, quando vamos nos aproximando da recepção do Paine Grande a emoção é forte. Especialmente para mim que nunca tinha acampado, que planejei e fiz tudo praticamente sozinho, correndo o risco de pegar nevascas, chuvas... Sem falar no privilégio de ficar 5 dias naquele lugar com paisagens de filme! A sensação de ter conseguido é indescritível. Descansei até a hora do catamarã. Chovia um pouco na hora do embarque. O bilhete do catamarã é pago dentro da própria embarcação em dinheiro vivo apenas. Chegamos em Pudeto e pegamos o ônibus para Puerto Natales (com o bilhete que já tinha sido comprado no hostel em Natales). Depois de terminado o circuito, tenho algumas considerações a fazer: Hoje, analisando o que eu fiz, eu percebo que foi um risco grande ter feito o circuito W sozinho e sem nunca ter acampado antes. Por mais que eu tenha lido dezenas de relatos e me informado ao máximo, na prática a coisa muda de figura. Por muita sorte eu peguei tempo bom, mas poderia ter pegado nevasca, chuvas fortes ou até mesmo me machucado feio, o que poderia ter estragado meu passeio. Portanto se você pretende acampar, eu recomendo muito fazer o circuito acompanhado. O peso da mochila é destruidor, e com outra pessoa você pode dividir o peso dos equipamentos (levando uma barraca para 2 pessoas, por exemplo, ao invés de uma para cada um). Se fosse hoje, indo sozinho, eu teria ficado nos refúgios e levado apenas a comida e os equipamentos para cozinhar. Por diversas vezes pouco aproveitava as paisagens, pois estava morto de cansado. Mas valeu MUITO a pena todo o esforço! Torres del Paine deve ser visitado de qualquer forma!! Chegando em Puerto Natales, voltei para o Yagan House e fiquei em um quarto compartido. Fui devolver os equipamentos no Camp Base (o cara nem olhou os buracos feito pelos ratos na barraca) e passei no supermercado para comprar alguma coisa para cozinhar no hostel. Depois voltei na rodoviária para comprar a passagem para Calafate. Só tinha uma empresa que tinha vaga para o dia seguinte, todas as outras já estavam lotadas, portanto recomendo comprar com certa antecedência se você for na alta temporada. Comprei pela empresa Zaahj no ônibus das 8:00. Gastos do dia: - 12.000 pesos no bilhete do catamarã - 11.000 pesos no quarto compartilhado com 4 pessoas no hostel Yagan House - 10.000 pesos em supermercado - 14.000 na passagem de Puerto Natales até Calafate Total: 47.000 pesos chilenos = 214 reais Dia 10: (16/04/14) – Puerto Natales – Calafate – El Chalten Acordei cedo tomei o ótimo café do hostel e fui para a rodoviária que fica uns 20 minutos a pé. As 8:00 o ônibus partiu. Cruzamos a fronteira e em certo ponto o ônibus para em uma lanchonete. Cheguei em Calafate as 14:00 (6 horas de viagem) e a idéia era ir direto na Hielo y Aventura para fechar o Big Ice no Perito Moreno para o dia seguinte. O problema foi que não havia mais vagas, então tive que recorrer ao plano B: Ir para El Chalten no mesmo dia e reservar o Big Ice para quando retornar. Deixei reservado para o dia 24/04/14 e fui procurar alguma coisa para comer na cidade. Tudo na Avenida San Martin é caro, portanto andei um pouco nas ruas perpendiculares e encontrei a lanchonete Dona Mecha (Comandante Espora 35). Ótima lanchonete e com preços baratos, fica a dica! O ruim é que existem apenas 2 mesas para comer do lado de dentro que se estiverem cheias vai ter que pedir para levar (ou comer do lado de fora). Pedi um hambúrguer com batata frita e segui para a rodoviária. Comprei a passagem para El Chalten as 16:30 na empresa TAQSA. Dica: Já disse, mas vou repetir: O preço e os horários das passagens mudam de empresa para empresa, portanto faça uma pesquisa antes de comprar. Cheguei em El Chalten as 19:30 e segui direto para o Hostel Pioneros Del Valle (Av. San Martin, 451) que já tinha visto boas indicações. Fiz o check in em um quarto compartilhado com 6 camas e com banheiro. Comi uma batata frita de pacote mesmo e fui dormir. Gastos do dia: - 1.200 pesos pelo Big Ice (trekking e transporte até o Parque, não inclui a entrada) - 65 pesos no sanduiche e batata frita na lanchonete Dona Mecha - 190 pesos na passagem de Calafate até El Chalten - 100 pesos na diária do quarto compartido com 6 camas no hostel Pioneros Del Valle Total: 1555 pesos argentinos = 398 reais Dia 11 (17/04/14) – El Chalten O dia amanheceu com chuva e vento, ou seja, um dia perdido, mas tinha reservado alguns dias extras esperando por isso. Então vai a dica: Se quiser conhecer bem El Chalten recomendo ficar no mínimo 5 dias. Assim, as chances de você pegar algum dia com tempo bom aumentam. E outra: Vi algumas pessoas em Calafate que fizeram um bate-volta para El Chalten em 1 dia! Saíram de madrugada, chegaram no inicio da manhã e foram fazer alguma trilha (que por conta do tempo curto só dá para ir a Laguna Torre ou Chorrillo Del Salto) e retornaram a noite. Não faça isso! Você vai perder muita coisa linda! Mais uma dica importante: Se no seu primeiro dia em El Chalten o dia amanhecer bonito, corra para fazer A Laguna de los tres ou Loma del Pliegue Tumbado! Não deixe eles por último porque você pode correr o risco de não pegar mais dias bonitos, e para aproveitar bem essas duas trilhas é essencial que o céu esteja sem nuvens. Bem, como o hostel não tem café da manhã (se quiser custa 40 pesos), fui a uma padaria na San Martin que se não me falha a memória se chama simplesmente Panaderia... Muito boa, com vários tipos de lanches prontos para levar para as trilhas. Eu gostei mesmo foi dos folhados e dos pães de creme. O ruim é que não se pode comer no lugar, mas fiz amizade com a dona que todos os dias me deixava comer em um cantinho no balcão. Depois fui até o supermercado El Gringuito (Cerro Solo, 108) que é mais barato que os supermercados da Av. San Martin, mas tem pouquíssima variedade. Uma dica: Assim como em Ushuaia, aqui as coisas começam a funcionar quando nasce o sol, ou seja, nesta época do ano lá pelas 8-9h da manhã! E na parte da tarde todo o comercio também fecha e só vai abrir lá pelas 15h. Voltei para o hostel e como estava chovendo o dia foi de descanso. Aproveitei para lavar roupa e mandar notícias para o Brasil. Fui almoçar no restaurante Ahonikenk (Martin Miguel de Guemes, 23). Guarde o nome desse restaurante, pois a comida é boa e o preço é justo. Comi uma carne (steak) com batatas que estava excelente! Carne macia e suculenta apenar de não muito temperada. Voltei para o hostel e dormi a tarde inteira. A noite cozinhei no hostel e fiquei na internet (muito ruim). Conheci meu colega de quarto Cameron, um americano que estava começando sua viagem de 6 meses pela América do Sul e ficamos conversando até tarde. Gastos do dia: - 100 pesos na diária do quarto compartido com 6 camas no hostel Pioneros Del Valle - 25 pesos pelo café da manhã na padaria - 60 pesos pelo serviço de lavanderia - 65 pesos no supermercado - 110 pesos no almoço no restaurante Ahonikenk Total: 360 pesos argentinos = 92 reais Dia 12 (18/04/14) – El Chalten (Chorrillo del Salto, Mirador de los Condores, Mirador de las Aguilas) Acordei as 8h e fui ver como estava o clima. Sol com algumas nuvens, então decidi ir até Chorrillo del Salto. Tomei café na padaria e segui para a trilha (bem fácil, bem plana) que durou 1h até a cachoeira. A trilha estava bem bonita pois tinha nevado um pouco durante a noite. Vale a pena ir, é bem bonita a cascata. Fiquei um tempinho lá e mais 1h para voltar para Chalten. Fui de novo no Ahonikenk e desta vez pedi um sorrentino de truta com molho de tomate que estava muito bom! Um cara do meu lado pediu uma truta empanada com purê de batatas que parece deliciosa! Depois do almoço decidir ir até os miradores. Mais 40 minutos de trilha e estava no mirador de los condores... Nada de mais, apenas uma visão da cidade. Até vi 2 condores mas bem de longe. Dali resolvi ir até o mirador de las aguilas, e mais 20 minutinhos até lá. Deu para ver o lago Viedma e algumas montanhas nevadas. Recomendo ir aos miradores apenas se você tiver tempo sobrando na cidade, caso contrário não tem nada de mais. Voltei para Chalten e passei na ótima sorveteria artesanal Domo Blanco (Av. San Martin, 164) e em uma loja de aluguel de equipamentos onde aluguei um par de bastões de trekking por 3 dias. Chegando ao hostel decidi que no dia seguinte iria fazer até a laguna de los tres, então pedi na recepção que fizessem a reserva (por telefone) do transfer até a hosteria Pilar. Na verdade eu teria que ir até a agência para pagar, mas como já estava quase na hora deles fecharem, eles deixaram que eu pagasse para o motorista. A noite no hostel fui preparar um macarrão na cozinha e encontrei o Cameron com um grupo de alemãs que ele havia conhecido em Ushuaia e que, sem querer, também estavam hospedadas no Pioneros Del Valle. Sentei com eles e jantamos juntos. Depois do jantar o Cameron pegou uma garrafa de rum e coca-cola e começou a tomar. Dei uns goles, mas não queria beber muito, pois no dia seguinte tinha trilha puxada. Eu e as alemãs fomos dormir e o Cameron ficou bebendo e conversando com uma delas sozinhos na cozinha. Lá pelas tantas da madrugada, os 2 entram no quarto numa pregação desenfreada!! Levei um susto na hora, mas fingi que estava dormindo. Eles falavam baixo tentando não me acordar e começaram a transar bem do meu lado!!! Nesta hora eu desejei MUITO estar com meus protetores auriculares! hahahahahaha. A minha sorte é que estava virado para o lado oposto! Mas fiquei puto com aquela situação constrangedora. Depois, na hora que ela foi sair do quarto, ela chutou 2 vezes alguma coisa que estava no chão que bateu na porta e fez um barulho tremendo! kkkkkkkkkkk. Finalmente consegui dormir. Gastos do dia: - 100 pesos na diária do quarto compartido com 6 camas no hostel Pioneros Del Valle - 25 pesos no café da manhã na padaria - 86 pesos no almoço no Ahonikenk - 30 pesos no sorvete de 2 bolas na sorveteria Domo Blanco - 28 pesos no supermercado Total: 269 pesos argentinos = 69 reais Dia 13 (19/04/14) – El Chalten (Laguna de los Tres) Acordei às 7h, pois às 8h o transfer passaria para me pegar. Lembre-se de comprar o seu lanche para levar no dia antes, pois as coisas só abrem às 8h. Não comprei e dei sorte que o transfer atrasou 15 minutos se não iria só com um chocolate que tinha na mochila! Atenção: Recomendo levar a água, pois não vi muitos rios pelo caminho... Quando encontrava a água tinha um gosto estranho. O tempo amanheceu perfeito... Vento nulo e sem nem uma nuvem no céu! As 8:45 a van chegou na Hosteria Pilar e começamos a trilha. Recomendo muito pagar pelo transfer por 2 motivos: A trilha é bem mais plana que no caminho convencional (evitando a subida pesada do inicio da trilha) e possui o mirador para o glaciar Piedras Blancas que eu achei muito bonito! Achei que valeu a pena. Vi também alguns pica-paus e muitas árvores (lengas) caídas, que na verdade não vi apenas em Chalten, mas em toda a Patagônia. O que acontece é que o solo é raso, não permitindo uma boa fixação das raízes. Somado a isto, tem a presença dos ventos fortíssimos na região que derrubam as árvores facilmente. Sem falar nos castores (que foram trazidos do Canadá e acabaram virando uma praga, pois não possuem predadores naturais) que derrubam as árvores para construírem seus diques. Na trilha, próximo ao acampamento Poincenot, encontrei um casal de alemães que conheci no W e que estavam acampando ali. Eles me alertaram que a subida final para a laguna de los tres estava muito escorregadia devido à neve, e que escaladores experientes tinham caído diversas vezes no dia anterior. Segui em frente e, logo depois de ter passando pelo acampamento Poincenot, comecei a observar bastante neve pela trilha. Foi uma das trilhas mais bonitas que fiz pelo conjunto. A última hora antes de chegar à laguna é de subida, mas naquele dia tinha um agravante: Como eu disse, a neve que tinha caído no dia anterior começou a derreter e junto com o pisoteio formou uma camada de gelo extremamente escorregadia!! Subi bem devagar com a ajuda dos bastões de trekking e sempre procurando pisar em alguma pedra. A subida é bem puxadinha, mas nada que eu já nãos estivesse acostumado. Subi imaginando o desastre que seria a descida! kkkkkkkkk. Finalmente a laguna. Olha, vou te falar que foi um dos pontos altos da viagem! Não tenho adjetivos suficientes para descrever a beleza daquilo... Não só da laguna de los tres, mas do conjunto do lugar: Tudo coberto de neve, o céu azul, o Fitz Roy, as florestas junto com as lagunas lá em baixo... Sensacional!! Como tinha muita neve no caminho, poucas pessoas animavam a descer até a beira da laguna. Desci e fiquei alguns minutos lá em silêncio junto com uma inglesa, só ouvindo o barulho da água. Sensação de paz... Depois resolvi ir até a laguna Sucia que pouca gente sabe que existe, pois ela fica escondida na parte esquerda. Lá encontrei um casal de americanos que estavam dando comida a um passarinho selvagem que vinha comer na mão! Conversamos um pouco e decidi voltar pra cidade. Como era de se esperar foi complicada a descida... Geral caindo. Eu mesmo cai 3 vezes, sendo uma delas mico total: Cai deitado e fui escorregando morro a baixo estirado no chão! kkkkkkkkkkkkk. Durante a descida encontrei o Cameron e as alemãs subindo, mas estavam quase desistindo de chegar à laguna, mas encorajei-os a continuar. Desci para Chalten usando a trilha convencional. Mais uma vantagem de começar pela Hosteria Pilar: As paisagens da ida serão diferentes da volta. Passei pela laguna Capri e achei muito bonita. Quase chegando em Chalten parei um pouco no Mirador Rio de las Vueltas. De volta a cidade fui de novo no Ahonikenk. Pedi uma pizza de cordeiro que, apesar de um pouco cara, estava deliciosa! A melhor de toda a viagem! Comi metade e pedi para levar o que sobrou. Voltei para o hostel e fiquei a noite na internet. Gastos do dia: - 100 pesos na diária do quarto compartido com 6 camas no hostel Pioneros Del Valle - 80 pesos no transfer até a Hosteria Pilar - 35 pesos pelo café da manha e lanche na padaria - 30 pesos no supermercado - 135 pesos pela pizza de cordeiro no Ahonikenk Total: 380 pesos argentinos = 97 reais Dia 14 (20/04/14) – El Chalten (Loma del Pliegue Tumbado) Acordei as 7h, tomei café na padaria e as 7:30 comecei a trilha apara Loma del Pliegue Tumbado que no inicio é bem tranquila, passando por um campo aberto até chegar em um floresta com bastante neve. Observei muitas fezes de um animal de grande porte pelo caminho. Creio que deve ser dos huemuls que são muito comuns na região. Saindo da floresta a trilha segue por uma montanha em uma subida pouco inclinada, com algumas partes planas. Até chegar ao mirador. Sol rachando! Recomendo passar protetor solar. Do mirador já dá pra ter uma boa visão de tudo! Muito bonito, como já esperava. Resolvi subir mais uma meia hora por um caminho entre a neve para chegar no topo! Aí sim era trilha inclinada. Uma hora tive que deixar os bastões de treeking de lado e usar as mãos para me apoiar nas pedras. Quase uma escalada! rsrs. Lá de cima dá pra ter uma visão 360º de tudo: do Lago viedma, das montanhas nevadas, do Cerro Torre... Show!! Encontrei um americano no topo que disse que a dois dias atrás ele tentou subir mas desistiu, pois o vento estava tão forte que ele quase foi derrubado diversas vezes. Então fica a dica: Vá a Loma del Pliegue Tumbado somente se o clima estiver bom! Fiquei quase 1 hora lá em cima curtindo o visual... Não estava frio nem tinha vento então aproveitei. Conheci também duas brasileiras muito legais que me acompanharam na descida de volta a cidade. Passei na rodoviária, comprei minha passagem para Calafate daqui a 3 dias na empresa TAQSA e acabei encontrando o casal de americanos que tinha conhecido na laguna Sucia no dia anterior. Eles me convidaram para tomar um café até a hora de partida do ônibus deles. De volta ao hostel comi o resto da pizza do dia anterior e passei o resto da noite conversando com o Cameron que inclusive me pediu muitas desculpas pela noite fatídica. Combinamos de ir juntos a Laguna Torre no dia seguinte. Ele já tinha ido com as alemãs, mas como ele não tinha programação para o dia seguinte ele resolveu me acompanhar. Gastos do dia: - 100 pesos na diária do quarto compartido com 6 camas no hostel Pioneros Del Valle - 35 pesos no café da manhã e lanche na padaria - 190 pesos na passagem de El Chalten para Calafate - 20 pesos no café - 40 pesos no supermercado Total: 385 pesos argentinos = 99 reais Dia 15 (21/04/14) – El Chalten (Laguna Torre) Combinei com o Cameron de sair as 9:30. Tomamos o café, compramos nossos lanches e iniciamos a trilha as 10:15. O tempo estava bom, com sol, mas com algumas nuvens. A trilha é bem tranquila e em sua maior parte plana. Passamos pelo bosque de lengas mais bonito de toda a viagem! Cores incríveis! A laguna é realmente muito linda, com vários icebergs vindos do Glaciar Torre. Lanchamos e decidimos ir até o mirador Maestri que pouca gente sabe que existe e que está a aproximadamente 40 minutos da laguna. Para chegar lá é só pegar uma trilha do lado direito. No caminho preste atenção no som de uma cachoeira e procure por uma pequena trilha escondida em direção à floresta... Uma pequena queda d’água muito bonita está escondida ali. Do mirador dá para se ter uma boa visão do Glaciar Torre, descansamos um pouco e retornamos para a cidade. Passamos no supermercado e compramos algumas coisas para fazer um hambúrguer bem estilo americano com batata frita que ficou muito bom! Depois de comer ficamos tomando Quilmes e conversando até tarde. O Cameron realmente era um cara legal. Marcamos de ir até Chorrillo Del Salto no dia seguinte mesmo já tendo ido. Gastos do dia: - 100 pesos na diária do quarto compartido com 6 camas no hostel Pioneros Del Valle - 35 pesos no café e lanche na padaria - 60 pesos nas compras para fazer o hambúrguer - 60 pesos no aluguel dos bastões de trekking (20 pesos por dia) Total: 255 pesos argentinos = 65 reais Dia 16 (22/04/14) – El Chalten (Segunda vez em Chorrillo del Salto) Acordamos tarde e seguimos rumo a Chorrillo logo depois de tomarmos café. Lá chegando o Cameron tinha ouvido falar que tinha uma trilha “não oficial” subindo as rochas que levava até a parte de cima da cachoeira. Lá em cima não tem nada de espetacular a não ser por uma cachoeira menor, mas já que estávamos lá valeu a pena. Na descida fomos por outro caminho e saímos na parte de trás dos banheiros químicos que existem alguns metros antes de chegar a Chorrillo. Aí vimos que a trilha na verdade começava ali. Voltamos para a cidade e passamos no supermercado para comprar os ingredientes para fazermos um macarrão a bolonhesa a noite. Fomos até a padaria La Nieve (Av. San Martín, 21. Esquina com Av. Lago del Desierto) e comi duas empanadas, um pão de queijo (tão bom quanto os daqui de Minas Gerais) e um folhado com doce de leite. Tudo estava muito gostoso, recomendo! Depois passamos na rodoviária, pois o Cameron decidiu ir para Calafate comigo no dia seguinte e de lá ele iria para Puerto Natales para se preparar para o W. Passei o resto da tarde descansando no hostel e a noite fizemos o macarrão que ficou péssimo, mas como estávamos com muita fome comemos assim mesmo. Na cozinha conhecemos um americano surdo e mudo (nos comunicávamos escrevendo no celular) que já tinha escalado algumas das maiores montanhas dos EUA. Gastos do dia: - 100 pesos na diária do quarto compartido com 6 camas no hostel Pioneros Del Valle - 35 pesos no café da manhã na padaria - 28 pesos no lanche da tarde na padaria - 88 pesos em compras Total: 251 pesos argentinos = 64 reais Dia 17 (23/04/14) – El Chalten – Calafate (Laguna Nimez) O ônibus partiu as 10:30 de El Chalten. Dica: No caminho o ônibus faz uma parada no aeroporto, assim, não é necessário ir até Calafate... O que já economiza tempo e dinheiro! Chegando à rodoviária, Cameron pretendia ir no mesmo dia para Puerto Natales, mas como não havia mais ônibus, ele comprou a passagem para o dia seguinte. Ele seguiu para um hostel que ficava próximo à rodoviária que cobrava 60 pesos a diária (mas que não tem calefação). Eu fui para o America del Sur (Puerto Deseado, 153), pois já havia feito reserva com antecedência. Marcamos de nos encontrar dali a 2 horas na Av. San Martin para irmos à laguna Nimez. Segui a pé para o hostel. Gostei bem do America del Sul. Limpo, café da manhã gostoso, ambiente legal, o único problema é o tamanho do banheiro onde fica o box... Mal dá para abrir os braços de tão pequeno. Arrumei minhas coisas e segui de volta para o centro da cidade. Encontrei o Cameron e seguimos para a laguna. Para entrar e ver os flamingos de perto é preciso pagar uma taxa de conservação. Já que não tínhamos mais nada a fazer, resolvemos entrar. Seguimos por uma trilha demarcada e paramos em pontos específicos de onde dava para ver algumas aves. Os flamingos ficam próximo a “praia” do lago... Mas não me impressionou, pois já tinha visto centenas deles na Bolívia. Voltamos para o centro da cidade e resolvemos comer algo no Pietro’s Café (Av. San Martin, 1002). Péssima escolha! Só tinha 1 garçom par atender todas as mesas!! Pedi uma pizza de calabresa (aquilo estava mais para salaminho do que calabresa) e o Cameron um hambúrguer de carne a milanesa. Os dois estavam muito ruins, parecia que era tudo congelado e ainda pagamos caro por aquilo. Depois andamos um pouco pelas lojas de materiais de trekking, pois o Cameron queria pesquisar os preços de alguns equipamentos. Passamos no supermercado La Anonima (Av. San Martin, 902) e compramos algumas coisas. Me despedi do Cameron e voltei para o hostel. Conheci 3 ingleses que estavam no mesmo quartos que eu. Eles estavam viajando pela América Latina e, no Brasil, pretendiam ir a Fernando de Noronha. Joguei a real e disse que era um dos lugares mais caros de se conhecer por aqui... Acho que desanimei eles um pouco. Fui dormir cedo, pois no dia seguinte tinha Big Ice!! Gastos do dia: - 30 pesos pelo café da manhã - 50 pesos pela entrada na laguna Nimez - 90 pesos em uma pizza no Pietro’s - 41 pesos em compras - 130 pesos na diária do quarto compartido com 4 camas e banheiro no hostel América Del Sur Total: 341 pesos argentinos = 87 reais Dia 18 (24/04/14) – Calafate (Big Ice) Acordei cedo, tomei o café e fiquei na recepção esperando a van da empresa passar as 7h. A viagem até o Perito Moreno dura 1:15. Certa hora um cara do Parque entra no ônibus para cobrar a entrada que deve ser paga em dinheiro. Seguimos em direção as passarelas. Ficamos ali por aproximadamente 1h batendo fotos e esperando a oportunidade de ver o gelo se desprender do glaciar. Voltamos para o ônibus e depois de 15 minutos descemos para pegar o barco onde cruzamos o canal até ao refúgio da Hielo y Aventura do outro lado. Recebemos as instruções e os grupos foram divididos em “inglês” e “espanhol”. Antes de seguir em frente não se esqueça de pegar um par de luvas que a empresa te empresta, pois é obrigatório usa-las uma vez que o gelo pode cortar suas mãos. Seguimos pela floresta até outro ponto onde recebemos os grampones e colocamos uma espécie de cinto de segurança que serve para te puxar de dentro de um buraco caso aconteça algum acidente. Fomos até a borda do glaciar onde são colocados os grampones e onde o guia ensina como se deve andar no gelo. No inicio do trekking andamos próximo a borda do glaciar até chegar em um ponto que começamos a ir mais pro seu interior. Conheci a Madhu, uma australiana que nasceu na Índia, fez seu mestrado na França e que trabalha na Microsoft em Paris ! No nosso grupo também tinha um brasileiro muito gente boa, mas também uma perua da Bélgica chata ao extremo! Ela gostava de chamar atenção e ficava reclamando que não queria fazer isso nem aquilo! Quase que falei que ela devia ter feito o Mini Trekking! Aliás, a diferença entre o Big Ice e o Mini Trekking é basicamente o tempo de caminhada, mas no Big Ice existe uma chance maior de ver cavernas de gelo já que entramos um pouco mais para o interior do glaciar. Aliás, as cavernas e “piscinas” formadas pelo derretimento mudam de tempos em tempo, pois o glaciar está em constante avanço e nunca é o mesmo sempre. Passamos por algumas fendas no gelo cheias de água azul, mas o ponto alto do passeio foi sem dúvida quando atravessamos uma caverna de gelo... Demais!! Paramos alguns minutos para almoçar nosso lanche (que trouxemos de Calafate) e o guia ofereceu um pedaço de bolo. A partir daí seguimos de volta por onde começamos. Tiramos os grampones e o cinto de segurança e seguimos para o refúgio. Chegando próximo a borda do glaciar um pedaço enorme de gelo se desprendeu. Pegamos o barco e durante o percurso foi servido whisky e alfajor. Também ganhamos um pequeno frasco de liquor e um chaveiro. No ônibus voltando para Calafate descobri que a Madhu também estava no America Del Sur e que também estava no mesmo voo que eu para Buenos Aires no dia seguinte. Combinamos de dividir um taxi até o aeroporto que sairia o mesmo preço que o transfer. Chegando a cidade no início da noite segui direto para o centro para comer alguma coisa. Fui ao Restaurante Dona Mecha que fica exatamente em frente a lanchonete de mesmo nome (endereço da lanchonete: Comandante Espora, 35). Pedi um bife de boi com batata frita. A batata estava um pouco encharcada, mas o bife estava macio. Gostei! Gastos do dia: - 130 pesos na diária do quarto compartido com 4 camas e banheiro no hostel América Del Sur - 60 pesos no serviço de lavanderia - 150 pesos na entrado Parque Nacional Los Glaciares - 35 pesos em um imã - 37 pesos em compras - 80 pesos no jantar no Restaurante Dona Mecha Total: 492 pesos argentinos = 126 reais Dia 19 (25/04/14) – Calafate – Buenos Aires Acordei tarde nesse dia, pois meu voo era só às 17h. Fui para o centro da cidade sacar um pouco de dinheiro e acabei comendo empanadas na lanchonete Dona Mecha (que acabou sendo meu almoço) e tomando um sorvete na Ovejitas de La Patagonia (Av. San Martin, 1197). Experimentei 2 sabores: Chocolate patagônico e de banana com doce de leite... O melhor sorvete de toda a viagem! Recomendo! Lá também vende chocolates que parecem ser muito bons. No caminho de volta ao hostel acabei encontrando a casa de alfajores Koonek (Coronel Rosales, 28) que já tinha visto indicações na internet. Comprei alguns, mas não gostei muito. Fiquei no hostel descansando até o horário que tinha combinado de encontrar com a Madhu na recepção. Enquanto esperava, o telefone do hostel tocou... Era ela dizendo que estava no Hotel Alto Calafate e pedindo que eu pegasse sua mala no depósito e fosse de taxi até lá! Ela tinha ido até o hotel para usar a piscina aquecida e fazer uma massagem pelo preço de 400 pesos por 2 horas... Então fica a dica se você tiver tanto dinheiro quanto ela... rs. Pagamos a taxa de embarque no aeroporto (76 pesos) e depois de três horinhas de avião chegamos ao Aeroparque. Me despedi da Madhu (ela iria pegar um avião para Salta) e peguei um taxi até o Hostel Suites Florida (Florida, 328) que já havia reservado. Ai foi quando dei um mole legal: Entrei no taxi e pedi que me levasse até a rua Florida. Aí o taxista perguntou qual endereço especificamente e eu não tinha!! Achei que todos os taxistas soubessem onde fica esse hostel. E o que aconteceu? Ele deu voltas e voltas comigo! E no final ainda me cobrou pela mala! Fiquei puto! E o pior, li muitas coisas sobre os golpes de taxistas em Buenos Aires e já sabia que devia tomar cuidado. Aqui vão algumas dicas para evitar problemas com os taxistas: - Certifique-se que o taxímetro está ligado. - Pergunte se ele cobra pela mala. Se sim, pergunte quanto é. - Tenha o endereço certo em mãos e de preferência com pontos de referência. - Tenha sempre notas baixas para pagar o taxi. - Evite conversar muito com o taxista nunca diga, por exemplo, que está viajando sozinho por mais que seja verdade. Sempre diga que você marcou com seus amigos de se encontrarem no lugar de destino. - Fique de olho na nota que você entregou, pois eles costumam virar para frente e trocar por uma nota falsa e dizer que não podem receber. Em alguns casos recomenda-se até bater uma foto do número de série das notas de 100 pesos antes de entregá-las para comprovar depois que a sua nota era diferente da nota falsa. Em outros casos você pode entregar uma nota de 100 pesos, eles viram para frente e trocam por uma de 10 e dizem que você se enganou. Portanto quando for pagar pare tudo que está fazendo e preste bastante atenção. Muita gente entrega o dinheiro e começa a pegar as coisas dentro do carro ou sai pra pegar a mala enquanto espera o troco. Para vocês terem uma idéia de como funciona o golpe, vejam nesse link uma reportagem sobre o esquema feita pela National Geographic. - Nunca aceite sugestão do taxista para ir a determinado restaurante ou hostel. Eles tem acordos com estes lugares e recebem uma comissão para levar os turistas. E geralmente são lugares horríveis. Se você não pediu a opinião dele mantenha o seu destino inicial. - Caso você perceba que caiu em um golpe diga que você não vai descer do carro e que vai chamar a polícia... Costuma funcionar. Bom, fiz o check in no hostel, deixei minhas coisas e voltei pra rua pra comer alguma coisa. Fui de Burger King mesmo. Quanto ao hostel eu gostei. Boa localização, café da manhã bom... O único problema é o povo pouco prestativo que trabalha na recepção. Eles não fazem questão nenhuma de ajudar e se você pergunta como fazer determinado passeio eles vão falar que é melhor fechar o tour com eles do que ir por conta própria. Uma brasileira que estava no meu quarto perdeu a carteira com todos os documentos dentro do taxi no dia que ela chegou... Eles não moveram uma palha para tentar ajudá-la. Gastos do dia: - 18 pesos em 2 empanadas na lanchonete Dona Mecha - 35 pesos em um sorvete de 2 bolas na Ovejitas de La Patagonia - 80 pesos no taxi até o aeroporto (160 pesos dividido para dois) - 20 pesos em compras - 76 pesos de taxa de embarque no aeroporto em Calafate - 150 pesos de taxi do Aeroparque até o hostel - 75 pesos no Burger King - 15 dólares a diária no quarto compartido com 4 camas e banheiro no Hostel Suites Florida Total: 454 pesos argentinos + 15 dólares = 152 reais Dia 20 (26/04/14) – Buenos Aires (Obelisco, Casa Rosada e Puerto Madero) Acordei tarde e perdi o café da manha do hostel. Comi um biscoito e uma banana que tinha na mochila e sai em direção a Casa Rosada. Nos finais de semana é permitido visitar o seu interior e não precisa pagar nada. Lá dentro tem uma exposição de quadros com os grandes heróis da América do Sul. Tinha até Getulio Vargas e Tiradentes. Se quiser também tem como conhecer os outros cômodos com um guia, mas a fila estava grande então desisti. De lá segui a pé para Puerto Madero. Achei bonito e organizado. Andei um pouco e voltei para o hostel. No caminho de volta passei no restaurante La Junta de 1810 (Av. De Mayo, 639) e comi as melhores empanadas da viagem. Aproveitei e passei no Carrefour onde comprei alguns potes de doce de leite da marca La Serenisima (Estilo Colonial). O Obelisco também estava no caminho do hostel e não tem nada de mais é apenas aquilo mesmo. Voltei para o hostel e descansei. No final da tarde fui até a Pizzaria Guerrin (Av. Corrientes, 1368), lanchonete famosa entre o povo local, e pedi uma fatia da pizza de mussarela que estava excelente. Vale muito a pena ir até lá. A noite os brasileiros que estavam comigo no quarto resolveram tomar uma cerveja no bar. Desci com eles. Gastos do dia: - 15 dólares a diária no quarto compartido com 4 camas e banheiro no Hostel Suites Florida - 100 pesos em compras - 35 pesos em um imã - 45 pesos em 2 empanadas e 1 refrigerante no restaurante La Junta de 1810 - 12 pesos no pedaço de pizza na Pizzaria Guerrin - 125 pesos em cervejas e porção de batata frita no bar do hostel Total: 317 pesos argentinos + 15 dólares = 117 reais Dia 21 (27/04/14) – Buenos Aires (Caminito, San Telmo, Recoleta e Floralis generica) Acordei cedo, tomei café no hostel e fui para o Caminito de taxi. O bairro La Bocca é um dos mais perigosos de Buenos Aires! Um brasileiro que estava no hostel em Buenos Aires contou que saiu da região do Caminito para pegar um taxi em outro lugar e foi assaltado! Levaram a mochila dele com iPad, câmera e documentos. Então fica a dica: Nada de ir a pé ou transporte público... Vá de taxi! E não saia do quarteirão turístico do Caminito! Desça do taxi, dê a volta no quarteirão e volte pro mesmo lugar para pegar o taxi de volta. De todas as atrações de Buenos Aires o Caminito foi a que eu mais gostei, apesar de muita coisa ser só para turista ver. De lá peguei outro taxi para a feira de rua de San Telmo que ocorre todos os domingos. A feira tem de tudo e não é muito diferente das que tem aqui no Brasil. Andei um pouco por lá até encontrar a estátua da boneca Mafalda. Tirei fotos e peguei outro taxi de volta para o hostel. Descansei um pouco e segui para o Restaurante El Palacio de la Papa Frita (Lavalle, 735) que os brasileiros me indicaram. Pedi um combo: Bife de chorizo com batata frita e ovo, refrigerante e sobremesa. A comida é muito boa por um preço aceitável. O melhor é a batata frita deles que tem ar por dentro formando uma espécie de almofadinha. Depois do almoço peguei um taxi até a Recoleta. O cemitério não tem nada de mais, apenas algumas estátuas bonitas e só! De lá segui a pé até a Floralis generica que fica próxima à faculdade de direito. Também não achei nada de mais. Na verdade depois de ter visto tanta paisagem de cair o queixo na Patagônia é impossível se surpreender com alguma coisa em Buenos Aires. Apesar de tudo, gostei de Buenos Aires... Esperava bem menos. Com certeza vou voltar pra visitar com mais calma. Da Floralis generica resolvi ir a pé até a sorveteria Jauja (Av. Cerviño, 3901), considerada uma das melhores sorveterias da cidade! Levei uns 40 minutos pra chegar (para vocês verem como gosto de sorvete! kkkkkk), mas tinha acabado de fechar! Mas valeu por ter conhecido o bairro de Palermo, que em alguns pontos achei bem parecido com a zona sul do Rio de Janeiro. Passei então na famosa sorveteria Freddo e pedi um combo que vinha com 3 sabores: Creme, chocolate e doce de leite. Decepção total!!! Não é ruim, mas esperava beeem mais... Assim como os alfajores Havana, a sorveteria tem mais fama que sabor! Peguei outro taxi e voltei para o hostel. Encontrei os brasileiros que estavam no mesmo quarto e eles me indicaram os alfajores da marca Abuela Goye. Fui até a loja próxima ao hostel e comprei alguns para dar de presente. A noite sai com eles e fomos até a Casa Rosada para ver ela iluminada. De lá fui mais uma vez até a Pizzaria Guerrin e pedi uma empanada frita (sim, frita!) e uma fatia de pizza sabor molho de tomate e cebola. A pizza estava boa, mas a de mussarela é doidera! A empanada frita também estava gostosa, vale a pena experimentar. Dormi cedo, pois meu voo era às 6h do dia seguinte. Gastos do dia: - 15 dólares a diária no quarto compartido com 4 camas e banheiro no Hostel Suites Florida - 47 pesos de taxi do hostel até o Caminito - 35 pesos de taxi do Caminito até San Telmo - 30 pesos de taxi de San Telmo até o hostel - 115 pesos no almoço no El Palacio de la Papa Frita - 77 pesos em alfajores Abuela Goye (11 pesos cada um) - 26 pesos na sorveteria Freddo (3 sabores) - 43 pesos de taxi do hostel até a Recoleta - 41 pesos de taxi do bairro Palermo até o hostel Total: 414 pesos argentinos + 15 dólares = 142 reais Dia 22 (28/04/14) – Buenos Aires – Rio de Janeiro Acordei de madrugada, fiz o check out e pedi que chamassem um taxi até o Aeroparque (quando se pede o taxi pelo telefone o taxista cobra uma taxa de 6 pesos). O taxi ficou em apenas 80 pesos. Pra vocês terem uma ideia, quando cheguei na cidade o desgraçado do taxista rodou tanto comigo que o taxi ficou em 150 pesos... Praticamente o dobro! Bem, chegando ao Galeão estava sem nenhum real e precisava tirar dinheiro em um caixa do Banco do Brasil. Tive que ir andando para outro terminal carregando minha mochila pesada nas costas até encontrar um caixa. Só esse fato já me deixou estressado, pois o básico a oferecer pra um turista que chega de viagem é um banheiro, uma lanchonete e um caixa eletrônico. Bom, depois de tirar o dinheiro desci até a área de desembarque onde avistei vários taxistas e fui para pegar um taxi até a rodoviária. Nenhum deles aceitava fazer a corrida pelo taxímetro... Só preço fechado de 70 reais até a rodoviária! Um absurdo!! E ainda, eles me perguntavam para onde eu queria ir e quando falava que era pra rodoviária ninguém aceitava... Eles não podem rejeitar a corrida! Esse lance do preço tabelado eu já conhecia, pois o mesmo acontece na rodoviária. Voltei puto pra dentro do aeroporto e foi quando caiu a ficha. Eu estava na área de desembarque, então era óbvio que eles iriam se aproveitar dos desavisados que estavam chegando de viagem. Subi para o segundo andar, fui pra área de embarque e peguei um taxi que estava chegando para deixar um passageiro. Entrei no taxi e alguns metros à frente o taxista parou um colega e perguntou se ele não me levava até a rodoviária. Tive que descer do taxi, pegar minha mochila no porta-malas e mudar de carro. No caminho até a rodoviária obras para todos os lados e um congestionamento sinistro! Quando o trânsito fluía, o taxista fazia barbeiragens no transito, foi quando ele me propôs de me deixar do outro lado da avenida e assim eu atravessaria a rua, andava alguns metros até a rodoviária, evitando de dar uma volta que demoraria mais tempo. E assim foi! Peguei o ônibus na rodoviária até a minha cidade e assim terminou o mochilão! Gastos do dia: - 45 reais de taxi do Galeão até a rodoviária - 50 reais na passagem do Rio até Juiz de Fora Total: 95 reais O melhor e o pior: Observação: Exclui Buenos Aires das comparações, pois seria covardia comparar as belezas da Patagônia com a capital. O lugar mais bonito: Amanhecer nas Torres (Torres del Paine) Difícil escolha, mas fico com o amanhecer nas Torres. Por pouco não fui ver por preguiça de acordar cedo! À medida que o sol vai nascendo as Torres vão mudando de cor e formando um reflexo no lago que resultam em uma composição perfeita! Mas a Laguna de los Tres ganha pelo conjunto: A laguna com o Fitz Roy, aquela neve toda, as florestas e os lagos lá embaixo... Show! Menção honrosa: Laguna de los tres (El Chalten). O lugar mais feio: ? Na Patagônia não vi nada que considerasse feio então fica sem resposta. A maior surpresa: Valle Del Frances (Torres del Paine) Li muito sobre o parque e minhas expectativas eram altas apenas para ver as Torres, mas o vale surpreendeu! É tudo o que falam e muito mais! Pra qualquer lado que você olha é bonito: De um lado o glaciar, do outro as formações rochosas, no meio o rio e lá em baixo o lago Nordenskjöld! Um must go: El Chalten Apesar de toda a fama (mais que merecida) de Torres del Paine eu fico com Chalten pelo conjunto. Em um dia de trekking, por exemplo, é possível ver paisagens absurdas como geleiras, lagos, cachoeiras e florestas de lengas sem precisar acampar. Os lugares que você deve ir se for a El Chalten (por ordem de beleza): Laguna de los Tres, Loma del Pliegue Tumbado e Laguna Torre. Menção honrosa: Circuito W (Torres del Paine) Considerações finais: Recomendo fortemente a ida na época do ano em que fui. O outono deixa a paisagem realmente mais bonita, além de ser temporada intermediária e assim os lugares estão mais vazios. Muitas pessoas podem dizer que as paisagens são repetitivas. De fato, tudo se resume a geleiras, lagos, montanhas nevadas e florestas, mas como tudo é tão bonito, é difícil reclamar! Não vou mentir, se você pretende ver todas essas paisagens, esteja preparado para horas de caminhada com muita subida e descida, mas não se preocupem... Não precisa ser um atleta para fazer as trilhas. A patagônia é cara... Prepare o bolso! Meus gastos totais com a viagem ficaram em R$5.293,26 E assim termina mais uma viagem incrível! Espero que tenham gostado. Qualquer dúvida estou aqui pra responder com maior prazer!
  8. Raimundo.14bis

    Meu W no Torre del Paine

    Essa viagem foi há muito tempo em uma galáxia distante, rsrsrs. Somente agora estou colocando as lembranças aqui no mochileiros. Bem, para mim foi muito especial essa viagem, porque tinha sido apenas minha segunda viagem internacional depois de uma para a Europa e nessa viagem à Patagonia de 30 dias descobri qual é o meu estilo de viagem e quais seriam os meus próximos destinos, a viagem para a Europa tinha sido legal também, mas nada como ir para um lugar em que a Natureza dá espetáculo e te deixa boquiaberto. Aqui irei falar apenas de uma pequena parte da viagem entre a patagônia argentina e chilena: a trilha em Torres del Paine, então, vamos lá !!!! Nunca tinha feito trilha antes, nem acampado, nem nada de nada, mas resolvi fazer esse negócio, rsrrss, e assim foi. Tudo começa em Puerto Natales a cidade base para quem quer ir para Torres. Cheguei lá em novembro de 2008 e tava um frio danado, e no início da temporada o que de certa forma é bom, bem menos gente na trilha, mas é um pouco mais frio. A temporada alta lá é a partir de dezembro. A ideia em Puerto Natales era gastar um dia procurando equipamento e no outro ir para o parque, mas não foi bem assim, fiquei dois para alugar o equipamento, ahhh não tinha nada, e outro para comprar comida, não tinha menor ideia do que comprar, mas aí já abro um parêntese para dica sobre isso (pão, miojo uns 7 pacotes, queijo, presunto, doces, e outras pequenas coisas como amendoas e etc) e foi só isso que comprei, acreditei que com o frio o queijo e o presunto não iria apodrecer e o pão não mofar. Graças a Deus deu certo, rsrs. Cuidado com a quantidade de coisa que comprar, porque é difícil carregar muita coisa e não esqueça que vc vai ter que caminhar muito com tudo isso. Se não tiver sozinho como eu, pode dividir, mas sozinho é osso ter que levar barraca e toda comida. Ok comprei tudo e aluguei a barraca, saco de dormir e etc. Dica: cheque tudo, pois eu não chequei e tive problemas logo com o saco de dormir, putz. Certo, tudo pronto, agora era hora de partir e aí refuguei, kkkkkkkk, quando acordei de manhã para ir pegar o ônibus tava um frio danado e aí inventei que o tempo não tava bom naquele dia e etc e bla bla, mas na verdade foi medo mesmo rsrsrrsrs, sou de Brasília nunca peguei um frio menor de 8º, tinha somente ido à Europa na primavera, tava morrendo de medo de morrer congelado e ainda ia acampar kkkkk, foi foda, mas no outro dia, sem desculpas, me arrumei e fui, pensando ainda, o que que eu to fazendo aqui? ( galera que já faz trilha, relaxa, tô só colocando minha visão na época de quem nunca tinha feito nada de nada, o medo era o desconhecido para mim, mas a trilha é tranquilízima) Então, assim fui no ônibus que sai de Puerto Natales e leva as pessoas para o parque. A vista na estra já é surreal. Aqui vai um detalhe, eu fiz o W ao contrário do que as pessoas geralmente fazem, então desci na última parada do ônibus e fui para o Refugio Paine Grande de barco, na época eu nem sei porque eu fiz isso, mas foi a melhor escolha, adorei, porque assim você conhece as torres no último dia, como a cereja do bolo. Ahhh e só mais uma explicação: o W que estou me referindo é um circuito de trilha no parque Torres del Paine que se vc ver o desenho parece um W, feito geralmente em 5 dias. Aqui vou só relatar minha experiência, mas no google há muitas informações detalhadas sobre esse circuito, com mapas e etc. Primeiro dia Beleza, peguei o barco e fui para o camping chamado Refugio Paine Grande, a viagem no barco é muito massa logo de cara vc ver as montanhas, lindas, brancas, a cor do lago com seu azul top, e o ventão, aí vc já ver o que te espera, foi uma sensação e tanto, principalemnte para mim que nunca tinha nem sequer visto uma montanha gelada, tudo muito novo, e mais um detalhe não tinha pesquisado muito, nem sabia como seria o camping, se era no meio do nada ou não e etc, eu tava preparado para camping selvagem, mas aqui já dou um spoiler, em todo o circuito só fiz uma noite de camping selvagem, embora nos que não eram eu não usei nada do camping, pois estava com minha comida e equipamento, então comia o que tinha e etc. Quando o barco me deixou, foi só chegar montar a barraca e admirar a beleza do lugar, incrível que iria dormir ali, essa noite era na parte de trás de um hotel de montanha de luxo a beira do lago e que eu não tinha coragem nem de entrar lá, rsrsrrs, a noite foi massa, fria, mas quando pela primeira vez na vida entrei em um saco de dormir, descobri que dentro do saco realmente não faz frio, o problema foi só o vento e a chuva leve, passei a noite toda rezando com medo do vento que era realmente forte, parecia que iria levar tudo, com aquele forte barulho de vento que parecia trovão, isso aconteceu em todas as noites. Os ventos da patagônia são impressionantes. Quando acordei segui meu roteiro, comi meu pão com queijo e presunto e fui trilhar com um outro sanduiche para comer na trilha. A ideia hoje era ir até a geleira grey. Nunca vou esquecer esse dia em que tive a experiência de passar por vários climas diferentes em um mesmo dia: saí com sol e estava um pouco quente, depois fechou tudo e fez frio, choveu leve e para finalizar nevou forte a ponto de me deixar todo branco parecendo um boneco de neve, e, para variar, depois fez sol, kkkkkkkk, o clima da patagonia é muito Louco. Isso foi uma das coisas que mais gostei. Outra coisa sensacional é a surpresa, lembro que estava caminhando subindo olhando para baixo, com o lago do meu lado e quando fiz uma curva na trilha, como uma esquina, levei um forte vento na minha cara e uma mostruosidade branca apareceu na minha frente. Ali estava ela a geleira, pela primeira vez na minha vida tinha visto uma, foi incrível, fiquei um tempão ali comemorando sozinho e vendo aquilo, imagina para quem mal conhecia o mundo ver aquele negócio soprando vento com força para o lago. Foi Animal. E assim continuei caminhando em direção a ela com icerbergs flutuando no lago ao meu lado, porque vc sempre caminha com o lago do lado. Cheguei na geleira tirei um monte de fotos, comi meu pãozinho e acelerei para voltar porque o tempo ficou feio bem rápido, como sempre, rsrsrs, aí foi só voltar feliz da vida e vendo as mudanças de tempo que nesse dia foi sensacional. Para quem quer ir: relaxa que as trilhas são bem marcadas, vc não se perde, tem muita gente caminhando e leve roupas impermeáveis, o tempo é louco!!!!! Segundo dia E ae!!! Vamos para o segundo dia: Depois de uma noite foda que passei ela toda rezando com medo do vento e do frio, kkkk nunca tinha visto isso, o vento a noite fazia som de trovão e maior friaca, mas graças a Deus sobrevivi e acordei com um dia chuvoso não muito bonito, mas fazer o que tinha que seguir viagem. Levantei acampamento e segui caminhando com chuva leve e sem capa de chuva, só tinha para a mochila, mas mesmo com chuva ainda assim a paisagem era bonita, segui a trilha com poucas pessoas que encontrava no caminho. O plano era acampar no acampamento dos italianos e no mesmo dia ir até o acampamento dos britânicos para tirar fotos (é uma bela de uma subida que te leva para um ponto alto, bacana para fotos), mas aí fiz uma besteira. Isso que é bom de ler relatos, para não cometer as mesmas burrices de alguém que já fez kkkkkk. Então, cheguei rápido no acampamento dos italianos e o tempo estava chuvoso não dava nem vontade de parar para acampar e olhando para frente na direção do refúgio dos cuernos parecia que o tempo estava melhor, aí pensei que indo para lá que PARECIA perto eu iria adiantar meu passeio e no outro dia podia voltar sem mochila para ir até o acampamento britânico e tirar minhas fotos. Grande engano hahhahaha, o que parecia próximo no mapa na verdade não era, pois a trilha ficava bem mais difícil para andar com subidas e descidas inclinadas aí perdi maior tempo para chegar no Refugio dos Cuernos e quando cheguei estava morto só deu tempo de armar a barraca, comer o miojo e cair no sono. Lembro que nesse acampamento tem um hotel de luxo próximo e que eles deixam vc usar o banheiro, quase morri de inveja ao ver as pessoas chiques bebendo vinho com lareira e apreciando a vista das montanhas hahaaha e eu ia dormir lá fora, molhado da chuva, bota encharcada de lama e um miojozinho. O bom foi que dormi rápido, mas o vento a noite toda é impressionante. Antes que eu esqueça, fiz burrice, o certo é ficar no acampamento dos italianos e ir sem mochila para o britânico (olhando o mapa fica mais fácil de entender) o curvelo deixa para o outro dia. Aí seguindo minha burrice vem o terceiro dia: Terceiro dia Acordei 9:00 porque estava morto do dia anterior, mas hoje tinha que ir até o acampamento britânico, mal sabia o que me esperava. Esse dia o bicho pegou, achei que não seria tão ruim por estar sem mochila, mas não foi bem assim não. Segui rápido para o acampamento dos italianos passando pela mesma trilha que ficou um pouco mais fácil sem mochila, mas ainda deu um pouco de trabalho, porém o dia estava bonito e tirei várias fotos das montanhas, andava o dia todo avistando as torres que dão nome ao parque, só que bem distantes, nem imaginei que um iria chegar tão perto delas. Água não é problema nessa trilha vc bebe a água mais pura do mundo descendo direto das geleiras e a vista dessas montanhas ali do seu lado, só estando lá para sentir e apreciar. Cheguei nos italianos e agora vem a parte mais difícil, hora de subir o morro para o camp. britânico o início é pelas pedras e vai subindo, vai subindo, vai subindo. O barato é que vc ver uma geleira enorme no alto de uma montanha a sua direita, linda, mas com uma coisa engraçada: esse dia estava perfeito, com sol e sem nuvens e todo tempo ouvia barulho de trovão e ficava procurando as nuvens e nada, até que pergutei para umas pessoas lá e em falaram que era o barulho das pequenas avalanches da geleira. Poxa bem legal, não via as avalanches, porém ouvia bem o barulho. E assim continuei subindo e subindo. Finalmente cheguei no camp. britânico, achava que teria gente acampada lá, uma pequena estrutura e etc., mas não tinha nada só uma plaquinha hahahha. Tudo bem, vc tem que andar mais um pouco do acampamento britânico para poder chegar no mirante. E nesse ponto a vista é IMPRESSIONANTE. A trilha já estava cheia de gelo e isso para mim era bem legal, enfim tirei várias fotos e agora era hora de descer. Agora a situação começou a complicar já estava tarde e lá de cima conseguia ver onde estava o meu camping. Era longe, muito longe. Ainda bem que teria sol até às 21h e assim desci, comecei a ver que o tempo iria ficar apertado e acho que na presa errei o caminho da trilha na parte das pedras onde a marcação são só estacas. Caminhei pela pedras e quanto mais andava em nada chegava. Converso que bateu um desespero não podia passar a noite ali sem nada, porque iria morrer de frio, além de estar sem comida, sem nada. Bem, acredito em Deus e comecei a rezar para sair dali ou encontrar alguém que me ajudasse a encontrar o caminho. Graças a Deus e com confiança achei uma estaca e depois outra e depois um casal que estava andando por ali. Na hora que eu estava ali não era para encontrar mais ninguém, pois já estava tarde e fui o último a descer o camp. britânico, ainda assim, encontrei essa casal que estava indo para os italianos. Fomos juntos até lá, me desejaram boa sorte e fui caminhando o mais rápido que pude para os curvelos e mais uma vez cheguei lá morto hahahahhaha e lembro que já era mais de 21h já anoitecendo. Foda kkkkkkk Vou parar por aqui, mas prometo voltar logo para continuar escrevendo sobre os próximos dias, para mim vale a pena escrever aqui e recordar essa viagem incrível. Até mais pessoal, qualquer pergunta é só deixar nos comentários. Também estou colocando as fotos no instagram: @raimundo_junior__
  9. O Parque Nacional Torres del Paine está localizado na Região de Magalhães ao sul da Patagônia chilena. É considerado um dos mais belos parques nacionais da América do Sul. Tem uma área de aproximadamente 242.000 hectares, na qual se encontra a cadeia montanhosa Del Paine, com as mundialmente famosas Torres del Paine e os não menos conhecidos Cuernos del Paine. Lagos, rios, cascatas e glaciares estão em perfeita harmonia no parque. O circuito "O" em Torres del Paine é o percurso completo de aproximadamente 110 quilômetros, em torno da Cordilheira del Paine, que geralmente é percorrido entre 6 e 10 dias. O Circuito "W" é uma versão abreviada do "O" com uma média 60 Km que é realizado entre 4 e 6 dias. Confira relatos e mais informações sobre este destino acessando as tags:
  10. Este post é um relato sobre o auge de nossa viagem pela Patagônia: o Parque Nacional Torres del Paine (TDP), símbolo da beleza exuberante da Patagônia Chilena e o destino dos sonhos dos amantes da natureza de todo o mundo. Vamos contar como foram os 5 dias de trekking, o famoso Circuito W. Tem muitas outras informações no meu blog: www.calangosviajantes.com.br Veja as fotos desta aventura AQUI. Tem um post com os custos desta viagem AQUI e outro sobre como fazer as reservas AQUI. Acompanhe nossas aventuras no Facebook ou Instagram Relato do trekking realizado de 12 a 16 de Janeiro de 2017. Dia 1 - atento às regras Caminhamos desde o nosso hostel em Puerto Natales até a rodoviária. Compramos a passagem no próprio hostel. Existem várias empresas que fazem este percurso e não há diferença significativa no valor. A rodoviária fica lotada de trilheiros com suas mochilas enormes! Todos muito animados para a trilha de suas vidas. Durante o percurso até a entrada do parque é possível ver os guanacos pulando as cercas e a linda cadeia de montanhas ao fundo. Na Portería Laguna Amarga enfrentamos uma longa fila para preenchermos o termo de compromisso e pagarmos a taxa de entrada. É necessário assistir um pequeno vídeo com informações gerais e as regras do parque. Uma das mais importantes: não é permitido fazer fogo fora das áreas delimitadas(!!!). Entramos em outro ônibus (valor já incluso) que nos levou até a Portería Pudeto. Fomos os últimos a pegar o catamarã que cruzou o Lago Pehoe. A viagem não poderia iniciar de melhor maneira, à nossa direita, o imponente Los Cuernos! Compramos o bilhete do catamarã durante o trajeto. Chegamos ao Refugio Paine Grande sem reservas e por sermos os últimos a chegar no camping, as meninas da recepção nos deixaram ficar. Muito obrigada, meninas! (AVISO: aconselho fortemente que você não faça isso!! Neste post falamos como fazer as reservas) Armamos a barraca, deixamos nossas mochilas e fomos apenas com a mochila de ataque até o mirante Grey. Muito cuidado com as comidas deixadas nas barracas, a raposa-colorada (Lycalopex culpaeus) adora lanchinhos fora de hora. Infelizmente, o que mais me impressionou neste percurso não foi a linda paisagem ao meu redor, mas o resultado do maior incêndio florestal do Chile em 2012: 18 000 hectares queimados. Uma tristeza ver as marcas desta grande tragédia e por isso repito: siga as regras do parque, não faça fogo nem use seu fogareiro fora das áreas destinadas. Precisamos cuidar e respeitar a natureza. Aquele lugar é espetacular e todos têm o direito de visitá-lo e apreciá-lo. Depois de quase 3 horas de caminhada e muito vento no caminho, chegamos aoMirador Grey. O tempo estava bem fechado. A geleira Grey se misturava com o céu e não dava para saber onde terminava a geleira e começava o céu. A geleira é um local impressionante! Dia 2 - café com montanha Após uma noite de muito vento (dica: monte muito bem sua barraca!), tomamos café na cozinha do acampamento com uma vista incrível, arrumamos tudo e saímos. Logo no início da trilha, na Portería Lago Pehoe, o guarda-parque pediu para ver nossa reserva impressa do acampamentoItaliano, reservas confirmadas, pé na trilha! A cadeia de montanhas Los Cuernos estava bem escondida, mas conforme nos aproximávamos dela, mais ela aparecia, e uma caminhada de 2,5 horas, fizemos em incríveis 4,5 horas. Haja foto! A alegre chegada ao acampamento Italiano é anunciada pela ponte que temos que atravessar e deu um medinho! Como venta muito, ela parece bem instável. Fizemos o check-in no acampamento, conversamos com os guardas e fomos preparar nosso jantar. Decidimos não fazer nenhuma outra trilha neste dia pois a trilha para o Mirador Britanico fecha às 17h e a do Mirador Frances às 19h. E quando digo que a trilha fecha, ela fecha mesmo, pois um dos guardas percorre a trilha até o final para garantir que não há mais ninguém na trilha (todos os dias, imagina!). Dia 3 - doce ilusão O vento faz parte da Patagônia, aceite! Eu acordei assustada a noite, pois dormíamos debaixo da copa das árvores e o vento balançava seus galhos com força. E o medo daqueles galhos caírem sobre nós? Não, nenhum galho caiu, ufa! Deixamos nossos pertences no acampamento e seguimos em direção ao Mirador Britanico com nossas mochilas de ataque. Todo mundo larga suas mochilas no acampamento, isso é bem normal (também algo que tive que aceitar me acostumar). Quando chegamos ao Mirador Frances o tempo já estava muito fechado, andamos mais um pouco e decidimos voltar, afinal não conseguiríamos ver nada mesmo. Ficamos sentados um tempo esperando por uma avalanche no topo das montanhas, que também não aconteceu... Mesmo assim estávamos só felicidade, afinal estávamos a caminho do Refugio Los Cuernos, onde passaríamos a noite em uma linda cabana de madeira na beira do lago. Sim, foi puro luxo! Não temos dinheiro para Não ligamos para luxo quando o assunto é hospedagem, mas há anos atrás vimos uma foto no Facebook de um casal em um ofurô com uma paisagem de tirar o fôlego ao fundo. Escrevemos para a pessoa que postou a tal foto perguntando onde era: Refugio Los Cuernos. Deste dia em diante, não tiramos mais aquela imagem da cabeça e estava decidido: iríamos naquele ofurô e ponto final. Não era nossa intenção ficar na cabana, mas no site estava bem claro: somente hóspedes das cabanas tinham acesso ao ofurô. Bem, com muita, mas muita dor, reservamos a tal cabana e sonhamos com este dia desde então. Parte deste valor eu havia ganho de presente de aniversário, muito obrigada Celzinha! Na trilha para o Refugio Los Cuernos, o sol finalmente resolveu aparecer de forma muito marcante, acentuando ainda mais a cor da lagoa. Para quem está fazendo o W invertido é descida na maior parte. Eu senti por quem estava subindo... Na minha opinião o trecho de trilha mais lindo! O vento intenso levantava a água da lagoa e até DOIS arcos-íris se formavam na nossa frente ao mesmo tempo, arrancando gargalhadas dos dois bobos incansáveis ao admirar tamanha beleza. Então, finalmente chegamos às cabanas e, ansiosos, vimos de longe o tal ofurô. Corremos para checar o tão sonhado ofurô de perto. Mas o que encontramos foi uma placa: MANUTENÇÃO! Mas que #@$%&! Ficamos muito putos, bravos, arrasados tristes com a notícia, afinal estávamos esperando há anos por aquele dia, mas não tinha nada que pudéssemos fazer. A cabana era linda, tinha uma lareira, toalha limpinha, cama fofinha e chuveiro gostoso! Fomos conhecer o refúgio, admirar o Los Cuernos e conversar com nossos amigos e quando retornamos encontramos uma garrafa de vinho chileno e alguns docinhos. A princípio, tive a certeza que havia sido o Antonio quem preparou aquela linda surpresa (tipo cena de filme mesmo! Imaginem que romântico: uma cabana de madeira, um vinho, lareira e aquela vista incrível). Ele perdeu a chance de ganhar muitos pontos (e na sequência perder muitos mais, é claro) ao não confirmar que havia sido ele - não foi, acreditamos que foi a forma do refúgio se desculpar por destruir nossos sonhospelo inconveniente. Após muitas risadas e desapontamento (nunca vou esquecer da cara do Antonio não conseguindo confirmar que havia sido ele o autor da ideia romântica) aproveitamos o delicioso vinho. Dia 4 - meu querido saco de dormir A noite na cabana não foi tão tranquila quanto imaginávamos, o vento era tão forte que parecia que a cabana se desmontaria. Não sobrou dinheiro para queríamos comprar a pensão completa no refúgio, fizemos nossa comida na mesma cozinha reservada para o pessoal do camping. Seguimos rumo ao acampamento El Chileno. Neste dia enfrentamos as 4 estações do ano, inclusive chuva. Existe um cruzamento, e você pode optar por ir para o Hotel Las Torres ou um atalho para o acampamento - é claro que optamos pelo atalho! No caminho vimos os bombeiros resgatando alguém em uma maca, ficamos muito assustados (depois ouvimos boatos de que a menina havia torcido o tornozelo - o que a impossibilitou de terminar a trilha, por isso todo cuidado é pouco). Chegando no refúgio, fizemos o check-in e fomos procurar uma plataforma para colocar nossa barraca. Dica: chegue o mais cedo que puder e coloque sua barraca, as plataformas estão colocadas num barranco, e se estiver chovendo (como estava) o chão molhado quase te impedirá de chegar em sua barraca sem cair alguns tombos. O jantar no refúgio foi extremamente agradável, nada de macarrão com vina, ou salsinha como vocês dizem. Entrada, prato principal e sobremesa, tudo com raio gourmetizador ativado! Não havia opção de reservar o local de camping sem todas as refeições inclusas (sim, eles são bem espertinhos). Ficamos na área de convivência do refúgio até tarde conversando, quando nossa amiga Tânia chega desesperada dizendo que estava entrando água dentro da barraca dela. Conseguimos alguns sacos de lixo e o Antonio foi ajudar o Beto com o "pequeno" problema. Logo em seguida entra outro trilheiro com seu saco de dormir completamente encharcado, eu entrei em desespero! Já imaginei meu saco de dormir molhado, seria o fim (que exagerada!). Pedi ao Antonio que conferisse se nossa barraca estava molhada, e para minha alegria, tudo estava completamente seco. Dia 5 - sonho realizado Antonio nunca havia visto neve e sempre falou que se fosse para ver neve, que fosse na montanha. Estávamos tomando café no refúgio quando vejo um ser saindo correndo gritando "Está nevando, está nevando". Parecia uma criança vendo neve pela primeira vez - e na montanha, como ele havia sonhado! Eu não fiquei assim tão feliz, afinal isso significava que o tempo estaria fechado nas Torres - e como eu queria ver aquelas meninas! Tomamos um café super reforçado (incluído em nosso pacote) e seguimos a trilha até às Torres. Ao contrário dos outros dias, neste caminhamos muito rápido e os joelhos reclamaram um tanto (DICA: se puderem fazer a trilha no seu tempo, sem correr, é melhor. Fizemos isso todos os outros dias e não sentimos dor alguma). A trilha é pesadinha, mas isso não impede que jovens, crianças e idosos a façam, cada um no seu ritmo, no seu tempo. Eu não sabia quem eu admirava mais, se as famílias com crianças ou o grupo dos mais experientes. Quando fomos chegando pertinho da lagoa o coração foi acelerando. O Antonio foi na frente e lá do alto chamou minha atenção ao gritar uma linda declaração <3. Quando finalmente meus olhos encontraram as meninas (as Torres) não pude me conter de emoção - me faltam adjetivos para descrever a beleza deste local. Encontramos nossos amigos Daniel, Daniela, Beto e Tânia lá no topo, foi uma delícia compartilhar aquele momento com nossos novos amigos. Mas foi o tempo de contemplarmos a paisagem, tirar algumas fotos (nossa e da Maiza, coitado do Antonio) que o tempo virou completamente. As nuvens encobriram o céu azul e as Torres, e a neve começou a cair - "não era neve que você queria Antonio?" Muita neve! O vale também ficou completamente encoberto. A emoção de completar o circuito W, nossa primeira travessia, foi indescritível. Sensação de superação e eterna gratidão. Veja as fotos desta aventura AQUI. Escrevi um post com os custos desta viagem AQUI. Bons ventos!
  11. Saudações, galera! Estamos aqui, meu marido Diego e eu, para compartilhar com vocês a nossa experiência pela Patagonia (Argentina e Chilena) no final de Janeiro/2017. A viagem foi tomando forma uns 5 meses antes, aproximadamente, quando começamos a esboçar o que gostaríamos de conhecer. A vontade de conhecer a Patagonia vem de antes e, como para muitos, surgiu vendo as fotos das Torres del Paine . Depois de vários relatos e conversas empolgadas, decidimos que começaríamos com El Calafate, tentaríamos completar o Circuito W (TdP) e que estenderíamos a viagem por El Chalten e Ushuaia. Como tínhamos um limite de dias (e principalmente de orçamento! Hehehe!), tivemos que selecionar quais eram os passeios que iríamos priorizar e nosso roteiro ficou assim: 1º dia – 23/01: Voo Guarulhos – El Calafate. Tarde livre. 2º dia – 24/01: Mini Trekking no Perito Moreno. 3º dia – 25/01: Ônibus para Puerto Natales. Tarde livre. 4º dia – 26/01: TdP - 1º dia do Circuito W. 5º dia – 27/01: TdP - 2º dia do Circuito W. 6º dia – 28/01: TdP - 3º dia do Circuito W. 7º dia – 29/01: TdP - 4º dia do Circuito W. 8º dia – 30/01: TdP - 5º dia do Circuito W. Retorno para Puerto Natales. 9º dia – 31/01: Ônibus para El Calafate e, de lá, ônibus para El Chalten (*) 10º dia – 01/02: Fitz Roy 11º dia – 02/02: Laguna Torre. Ônibus para El Calafate. 12º dia – 03/02: Voo para Ushuaia. Tarde livre. 13º dia – 04/02: Navegação Canal Beagle + Caminhada na Pinguinera. 14º dia – 05/02: Parque Nacional Tierra del Fuego. 15º dia – 06/02: Voo Ushuaia – Guarulhos. (*) No início nossa ideia era dormir em El Calafate e seguir para El Chalten no dia seguinte, mas a viagem ocuparia a manhã toda, inviabilizaria fazer o Fitz Roy nesse primeiro dia e, se o tempo não colaborasse no dia seguinte, a principal trilha de El Chalten iria pro brejo . Decidimos encarar duas viagens no mesmo dia e ganhar o dia seguinte inteirinho em El Chalten. E, como vocês verão mais pra frente, foi uma decisão excelente! Roteiro definido, tínhamos duas grandes missões a seguir: fazer as reservas do que fosse necessário e pensar nos preparativos. RESERVAS: a) TORRES DEL PAINE – CIRCUITO W: * O Circuito W, em Torres del Paine, oferece dois modos de alojamento: camping ou refúgio. Para quem tem o hábito de acampar, os equipamentos e o costume de carregá-los nas costas durante todo o caminho, é a opção mais barata. (Os campings alugam barraca, isolante térmico e saco de dormir, mas para alugar todos os equipamentos já não fica tããããão mais em conta...). Como não temos nenhum destes e seria nosso primeiro trekking longo com mochila nas costas, decidimos pelo nível easy e optamos pelos refúgios. * É importante definir o sentido do circuito (fizemos o sentido normal: Torres → Grey), a quantidade de dias e fazer as reservas com muita antecedência. Geralmente as pessoas fazem o W em 04 dias/03 noites ou 05 dias/04 noites. Pelo mesmo motivo que escolhemos o refúgio, optamos pela segunda opção. * Os campings e refúgios são administrados por 02 empresas: a Fantastico Sur (http://www.fantasticosur.com/pt/) e a Vertice Patagonia (http://www.verticepatagonia.com/es). No site de ambas, elas oferecem o “pacote” do W completo, mas vai sair mais caro do que fechar cada noite diretamente na empresa responsável por determinado refúgio! Ou seja, entrem nos dois sites, vejam se as datas de disponibilidade para cada refúgio/camping casam e economizem uma graninha . Mais uma vez, façam isso com muita antecedência! Reservamos os refúgios em Setembro/16 e só conseguimos casar as datas em todos eles para o final de Janeiro/17! * Você só pode iniciar o Circuito W se tiver todas as reservas feitas. Caso contrário, corre o risco de ser barrado na entrada da Parque. * Preocupados com o peso da mochila e em dar conta de carregá-la sem sofrimento, fechamos a opção Full Board (jantar / café da manhã / box lunch). Nossas reservas, portanto, foram: El Chileno (Fantastico Sur) (US$ 137 / pessoa) Los Cuernos (Fantastico Sur) (US$ 137 / pessoa) Paine Grande (Vertice) (US$ 110 / pessoa) Grey (Vertice) (US$ 110 / pessoa) b) PASSAGENS AÉREAS: * Achamos a melhor opção pelas Aerolíneas Argentinas, comprando como múltiplos destinos: Guarulhos – El Calafate – Ushuaia – Guarulhos. (R$ 1.658,88/pessoa, com taxas). * Ao contrário do que pensamos no início, voar de El Calafate para Ushuaia não aumentou muito o valor gasto com as passagens e economizou boas horas de estrada. *Dica: Procure opções de passagens com tempo de escala considerável em Buenos Aires. Mais para frente falaremos sobre o câmbio e você entenderá o porquê isso é tão importante. c) HOSPEDAGENS: * A maior parte dos hostels que ficamos fechamos pelo Booking.com. Definitivamente, a hospedagem na Patagonia não é das mais baratas pelo que oferece, e quanto mais você enrolar para fechá-las mais caro e piores serão as opções (como foi o nosso caso). Mas já que quem está na chuva é pra se molhar… Os valores a seguir se tratam de quartos (casal) com banheiro privativo: El Calafate: Hostel Del Glaciar Pioneros (US$ 45 / diária) Puerto Natales: Hostel Arkya (US$ 51 / diária) El Chalten: Hotel Lago del Desierto (US$ 85 / diária) * Quando fomos procurar hospedagem em Ushuaia foi ainda pior! Tudo absurdamente caro, oferecendo ainda menos comodidade. E os mais baratos (que não eram nada baratos!) eram longe do centro e do porto. Já quase desesperados descobrimos sem querer o AirBnb. É uma plataforma onde as pessoas oferecem quartos em suas casas ou casas/apartamento para aluguel. Fechamos um studio (tipo kitnet) com a Verônica, por R$ 240,00 a diária. (https://www.airbnb.com.br/rooms/11618009) Nas próximas viagens com certeza usaremos mais o AirBnb! d) PASSEIOS: * Reservamos antes da viagem os dois passeios principais (Mini Trekking Perito Moreno e Pinguinera). Como teríamos o roteiro bastante apertado e iríamos na alta temporada, não quisemos correr o risco de perder a chance de fazê-los. * Mini Trekking Perito Moreno: A única empresa que pode realizar esse passeio é a Hielo y Aventura (http://www.hieloyaventura.com/). Eles ofertam o Mini Trekking e o Big Ice, que é a versão mais longa. Fechamos o Mini por AR$ 1800/pessoa. Contando a conversão por dólar e as taxas do cartão de crédito, saiu R$ 456,99/pessoa. * Pinguinera: Várias empresas oferecem duas opções diferentes de passeios: navegação no Canal Beagle ou Navegação Pinguinera (sem descer do barco). A única empresa autorizada a descer na Pinguinera é a PiraTour (http://www.piratour.com.ar/), que até algum tempo atrás também vendia esses dois passeios separados. A boa notícia é que a PiraTour agora juntou os dois passeios e você pode fazer a navegação no Canal Beagle (Isla de los Passaros, Isla de los Lobos e Farol Les Eclaireurs) junto com a caminhada na Pinguinera. Fizemos a reserva pela agência Brasileiros em Ushuaia (http://www.brasileirosemushuaia.com.br/), que revende o passeio da PiraTour pelo mesmo preço (fizemos contato com ambas!), mas com a comodidade de transferência em conta bancária da empresa no Brasil, em reais. Ok, a cotação que eles praticam para o Real é menor do que a oficial pelo Banco de La Nación Argentina, mas ainda assim compensa pelo fato de não converter pra dólar e não pagar o IOF do cartão de crédito. Saiu R$ 509,00/pessoa. e) ÔNIBUS: * A única passagem de ônibus que compramos com antecedência foi a de El Calafate para Puerto Natales, pois se desse alguma zica e não conseguíssemos comprar para o dia estipulado, furaria nosso roteiro inteirinho. No fim acho que nem teria sido preciso, tem muita oferta. Mas… Compramos ida e volta pela Bus-Sur por US$ 61,42/pessoa (http://bussur.com/). PREPARATIVOS: a) PREPARO FÍSICO: Para fazer esse tipo de viagem você não precisa ser maratonista ou atleta olímpico, mas isso não significa que você não precisa se preparar para a jornada. No nosso caso, ao final da viagem, foram aproximadamente 133km de trilhas, com desníveis consideráveis em alguns momentos. Meu marido tem um condicionamento melhor que o meu, que fui sedentária por muitos e muitos anos da minha vida. Mas em Maio/2016 havia começado a correr com o acompanhamento de uma assessoria esportiva e digo com toda convicção que fez toda a diferença. Comparo essa viagem da Patagonia com a subida ao Pico da Bandeira em 2013 e, uau, me sinto outra pessoa! Além dos exercícios, fizemos algumas trilhas com a bota de trekking para amaciar e fizemos uma trilha de 15km com a mochila relativamente pesada nas costas, para sentir como seria. Fica a dica: se decidir fazer uma viagem assim e não tiver o hábito de se exercitar, comece alguns meses antes a caminhar/correr, faça trilhas experimentais, carregue peso na mochila, amacie seu calçado. Vai fazer toda a diferença e vai permitir que você aproveite com muito mais satisfação a viagem! b) EQUIPAMENTOS: Se você não tem os equipamentos básicos para trekking, vai precisar investir neles antes da viagem. São itens indispensáveis: bota impermeável, meias para trekking, casaco impermeável/corta-vento, calça impermeável, segunda pele, mochila cargueira adequada e bastões de trekking. * Botas: Há várias marcas e modelos no mercado. O importante é que seja impermeável e respirável: isso vai impedir que seu pé se molhe em caso de chuva ou nas travessias de riachos/lama ao mesmo tempo em que permite que as gotículas de água/suor saiam. Pela internet geralmente você encontra melhores preços, mas é fundamental que você tenha experimentado antes. Uma bota confortável para uma pessoa não necessariamente será adequada para outra. Antes de comprar nós fomos até a Arco e Flecha, loja especializada em São Paulo, e provamos vários modelos. Diego escolheu um modelo da Salomon que no Brasil estava com o preço mais salgado, mas seu tio estava nos Estados Unidos e trouxe de lá pelo equivalente a R$500,00. Eu me adaptei à Snake Fuse Dry e achei no site Alta Montanha (https://lojaam.com.br/) por R$ 454,77, frete grátis. As duas botas foram sensacionais durante a viagem: confortáveis, impermeabilidade aprovada com sucesso, não sentíamos aquela vontade desesperadora de tirar a bota ao final do dia inteiro de caminhada e NENHUMA bolha ou machucado no pé. * Meias para trekking: Pode parecer besteira, mas não é. Também ajudarão a manter seus pés secos e evitam o atrito das costuras de meias normais. Compramos na Decathlon 2 pares por R$39,90. * Casaco impermeável e corta-vento: Esse foi um item que nos tomou bastante tempo. São várias as opções e algumas extremamente caras. Precisávamos de um casaco que suportasse um dia inteiro de chuva, se fosse o caso, e que fosse o mais respirável possível, visto que estaríamos em movimento e, portanto, iríamos suar. Em uma visita na Decathlon, o vendedor nos indicou um modelo específico para trekking e nos passou as dicas de um bom impermeável. Mas, considerando o tanto de coisas que precisávamos comprar, o valor ainda estava pegando (na faixa de R$ 280). Foi aí que comecei a fuçar opções e descobri que as jaquetas impermeáveis da seção de Vela e Esportes Náuticos tinham as mesmas características. Engraçado é que quando você pergunta pro vendedor a respeito, eles fazem uma cara de “não foi feito pra isso, não é a mais adequada...”. Mas pesquisei um montão a respeito e decidi que iria comprar (Raincoastal, da Tribord). Paguei R$ 190, uma economia de R$ 90 em cada! E obviamente funcionou! Cortava o vento suficientemente bem e pegamos vários momentos de chuva sem nos preocupar. * Calça impermeável: foi o último item que compramos, não estávamos dando muita importância mas tivemos a recomendação veemente de um casal de amigos que havia voltado do Circuito O. Comprei na Decatlhon por R$ 69,90. E vou dizer que foi bastante útil! Vimos muitas pessoas que chegavam no refúgio embaixo de chuva sem elas e, por isso, com a bota encharcada. Vale lembrar que a bota é impermeável, mas se você estiver usando uma calça normal e esta calça ficar muito molhada com a chuva, a água vai escorrer por dentro do cano da bota. Não vai adiantar nada ela ser impermeável… * Mochila: Diego já tinha uma de 78l da Trilhas e Rumos, mas eu precisava comprar uma pra mim. Se você também precisa, sugiro pesquisar fóruns específicos para saber mais. Em resumo, ela precisa ser o mais regulável possível, ter um bom costado e barrigueira, além da capa de chuva. Optei por um modelo da Kailash (58l + 23l) que achei em promoção na Orientista (http://www.orientista.com.br/) e paguei R$ 352,50. Também foi um bom investimento. A mochila é espaçosa, de qualidade e foi confortável carregá-la ao longo da viagem. Tem váááááários compartimentos menores internos e na mochila de ataque. * Bastões de trekking: Esse foi o item da discórdia. Eu batia o pé que precisava, Diego dizia que não. Eu falava que compraria pra mim e que não iria emprestar se ele precisasse e ele ria. Mas aqueles nossos amigos do Circuito O também recomendaram os bastões e no final, um pouco contrariado, Diego acabou concordando em comprar pra ele também. Na Decathlon, R$ 49,90 cada. E vou te falar uma coisa… os bastões foram os nossos melhores amigos! O Diego até deu o braço a torcer já no início da viagem… hehehehe. Além de aliviar para as articulações do joelho e ajudar (muito!) nas subidas e descidas, eles foram incríveis para atravessar os trechos de muita lama – tanto para “testar” a profundidade do rolê quanto para ajudar no equilíbrio quando o caminho possível era em cima de um pedaço de tronco. c) CÂMBIO Essa foi uma das decisões que mais nos gerou dúvidas. O que levar? Dólar? Real? Peso Argentino? Troca aqui? Troca lá? Em resumo: * Não vale a pena trocar Real por Peso Argentino no Brasil, a cotação é bem inferior. * O dólar estava alto na época da viagem, o que tornava essa opção também ruim. * A cotação de Buenos Aires (Banco de La Nación, no aeroporto) era a melhor possível, porém tínhamos receio se daria tempo de fazer o câmbio no período curto da escala (daí a dica de fazer uma escala maior em Buenos Aires...). * Se não desse tempo de fazer o câmbio em Buenos Aires, teríamos que fazer em El Calafate, porém, não chegaríamos no horário de funcionamento da agência do Banco de La Nación e não teríamos tempo nem no dia seguinte. Teríamos que trocar o dinheiro em algum hostel ou comércio (não há casas de câmbio em El Calafate) e a cotação seria pior que a do Brasil. Depois de muita pesquisa e cálculos em planilhas do Excel feitos pelo Diego ãã2::'> , decidimos que levaríamos uma parte relativamente pequena em dólar (US$ 350,00 / no câmbio de R$ 3,33) e que trocaríamos o resto lá, torcendo para dar tempo de fazer isso em Buenos Aires. d) ARRUMANDO A MOCHILA: Levamos basicamente: Roupas íntimas e meias 2 calças para trilhas 2 segundas peles 4 camisetas 2 fleeces Calça impermeável Jaqueta impermeável Calça de moleton para dormir Gorro, Luvas, Cachecol Chinelo Itens de higiente e de primeiros socorros (band-aid, antialergico, Dorflex). Castanhas (ficamos com receio de que o box lunch dos refúgios não fosse suficiente…) Antes do Circuito W, tiramos parte das roupas e deixamos em uma mochila de ataque no hostel em Puerto Natales para diminuir ainda mais o peso das mochilas. A verdade é que você vai usar a mesma roupa várias vezes. E todo mundo também usará, o que faz com que se sinta menos mal. Hahaha! Durante as trilhas não usamos o fleece nenhuma vez. Nosso “uniforme” básico era a segunda pele, camiseta e calça. No início das caminhadas (até esquentar), nos trechos de muito vento ou nos momentos de chuva, vestíamos a jaqueta impermeável e quando necessário, a calça impermeável. Em vários momentos, principalmente no Circuito W quando parávamos nos miradores, usávamos as luvas antes que as mãos congelassem! Não esqueçam do chinelo (ou crocs )! No final de cada dia eles serão bons companheiros . Reservas feitas, equipamentos comprados e mochila pronta, chegou a hora de partir! Vamos fazer um breve relato de cada dia de viagem, com algumas dicas de lugares para comer e passear, nossas impressões de cada passeio, valores atualizados e tempo gasto, ok? 1º dia – 23/01: Chegando em El Calafate Saímos 06h45 de Guarulhos e chegamos em Buenos Aires (escala) por volta de 08h40, horário local (lembrando que lá não tem horário de verão). Passamos pela imigração e enquanto o Diego foi despachar novamente as mochilas, fui na fila do Banco de La Nación para fazer o câmbio. Apesar da fila grande, tivemos tempo de trocar o dinheiro e pegamos uma ótima cotação: R$ 1,00 = AR$ 5,60. Embarcamos às 11h05 para El Calafate. Dica: Se possível, sente do lado direito do avião (de quem olha para a cabine do piloto), pois chegando em El Calafate você vai ver o lago Argentino e um rio ambos de um azul-coisa-mais-linda . Desembarcamos às 14h20. Fechamos o transfer do Aeroporto ao hostel com a Ves Patagonia no valor de AR$ 240/pessoa, ida e volta (eles já anotam a data de retorno e o horário do vôo e já deixam pré-combinado o horário aproximado que te buscarão no hostel). Check-in feito e mochilas no hostel, saímos para conhecer El Calafate. A cidade é linda! Tranquila, pequena e quase tudo acontece na rua principal, a Av. San Martin. Aproveitamos para passar na rodoviária e já comprar as passagens para El Chalten. Várias empresas oferecem esse trajeto, mas fechamos com a Taqsa por ser uma das mais em conta e que oferece o horário de retorno mais tarde. Como compramos a ida para o horário da tarde (quase todo mundo compra o horário da manhã), pagamos um pouco mais barato (AR$ 760 ida/volta). Também precisávamos fechar o transfer para o passeio no Perito Moreno do dia seguinte. Bem, a surpresa foi de que não havia mais transfer disponível. Explico: por conta do mini trekking, precisaríamos estar no local de encontro no parque às 9h45, porém já não tinham mais vagas no transfer da Hielo y Aventura, e todas as outras empresas que fazem o transfer saem em um horário mais tarde, que não chega a tempo do passeio. Portanto, se você for fechar o mini trekking com antecedência como fizemos, inclua o transfer! A única saída possível foi combinar com um taxi. Neste caso, outra dica: apesar de parecer tabelado, os preços dão uma ligeira variada quando você pergunta em lugares e taxistas diferentes. Fechamos com o Martín, que nos buscaria no hostel no dia seguinte, por AR$ 2.000. É caro, mas ele teria que esperar aproximadamente 4h enquanto estivéssemos no mini trekking e depois nos levaria às passarelas do parque por mais aproximadamente 2h. Com o final do dia livre, resolvemos passear na Laguna Nimez (entrada: AR$ 150), dica da recepcionista do hostel. Do ladinho do Lago Argentino, é um aviário natural com cerca de 80 espécies. Há um circuito de 2,5km para se percorrer e observar as aves, com alguns miradores e placas informativas. O lugar é bem bonito e nunca vimos tantas margaridinhas num mesmo lugar. Parecia que o lugar estava decorado para uma festa, com o tantão de flores que margeavam os caminhos! Lá foi nosso primeiro contato com o vento na Patagonia – pensa em um vento que não deu trégua! Esse passeio é uma opção para quem está com algumas horinhas livres e não tem outro passeio programado. Além deste existem muitas outras opções de passeios em El Calafate – passeio de caiaque, aluguel de bicicleta, outros glaciares para visitar… Maaaaas, como não tinhamos tempo nem orçamento, essa foi uma boa opção. Com fome, já que só tínhamos comido no avião, saímos da Laguna Nimez direto para o Don Diego, indicação que lemos aqui no Mochileiros. O lugar é aconchegante, boa música , chopp artesanal e um hambúrguer de cordeiro sensacional (AR$ 306/pessoa). Antes de voltar ao hostel passamos em uma lojinha na Av. San Martin e compramos um lanche já pronto (e enorme) para o passeio do dia seguinte (AR$ 120). Já era tarde, mas ainda era dia . No verão patagônico os dias são bem longos: 6h-6h30 já está claro e por volta das 22h parece ainda final de tarde. Sobre o Hostel Del Glaciar Pioneros: suficiente, porém simples. A cama não era a mais gostosa do mundo, mas confortável. Água quente, calefação funcionando, limpo. As paredes pareciam de papelão, o que dava a impressão que a pessoa do quarto ao lado estava sentada no pé da sua cama, mas tudo bem . Café da manhã simples: pão, bolo, leite, chá, café ruim, manteiga, doce de leite. Laguna Nimez by Paty Grillo, no Flickr Hamburguer de Cordeiro no Don Diego by Paty Grillo, no Flickr A noite na Patagonia by Paty Grillo, no Flickr 2º dia – 24/01: Perito Moreno Martín (o taxista) nos buscou como combinado e saímos rumo ao Perito Moreno por volta de 07h30. No caminho ele parou em um mirador do lago Argentino, nos contou algumas curiosidades sobre a geografia local e nos apresentou um arbusto de calafate, uma frutinha roxa que tem um gosto que lembra framboesa (pelo menos eu achei!). Enfim, foi um bom anfitrião! Entrada do Parque Nacional Los Glaciares paga (AR$ 250), nos aproximamos do primeiro mirador com vista para a geleira (Mirador de Los Suspiros. Imagine o motivo desse nome…) e foi nesse momento que o Perito Moreno começou a dar o ar da graça e a impressionar (e essa sensação só aumentou ao longo do dia!). Os glaciares são grandes depósitos de neve compactada, transformada em gelo e acumulada ao longo de milhares de anos. O glaciar Perito Moreno é imenso e uma das maiores reservas de água doce do mundo. Chegando ao ponto de encontro, embarcamos em um catamarã e partimos. O desembarque acontece em um local com uma estrutura legal, contendo um espaço para alimentar-se (na volta) e para você deixar suas coisas durante o mini trekking, além de banheiros (se você já foi pra Bolívia, você vai se sentir em um banheiro de hotel 5 estrelas!). A caminhada começa por passarelas, continua em terra firme, até chegar o momento mais esperado: colocar os grampões e andar no gelo! Não dá para descrever a experiência, nem o lugar: é incrível! O tamanho, a beleza, o silêncio, a textura! A sensação ao pisar pela primeira vez no gelo e perceber que os grampões funcionavam, subir, descer… E para ajudar tínhamos um céu muito azul. Para evitar pisar em lugares onde o gelo possa ceder, se caminha o tempo todo em fila indiana seguindo as orientações do guia. Em alguns trechos pisamos em partes mais “transparentes” que dão a impressão de que não suportarão o peso, mas suportam e causam curiosidade (e certo estranhamento). (Pausa para contar um “causo”: na metade do caminho, enquanto estávamos parados aguardando o guia definir por onde continuaríamos, Diego viu um desses lugares mais transparentes e foi dar um “pisãozinho”, ainda impressionado pelos lugares que caminhamos. E o que aconteceu? O gelo cedeu e ele afundou a perna até o joelho, até ter tempo de segurar na parede de gelo à frente e recuperar o equilíbrio . Pois é, a fila indiana não é à toa! Depois disso, pisávamos e-xa-ta-men-te onde a pessoa da frente pisasse também! ). Finalizamos o Mini Trekking com direito a surpresa final (nós já tínhamos lido em alguns relatos, mas se você ainda não leu, não somos nós quem vamos contar!) e a certeza de que cada centavo valeu a pena! É um passeio caro, mas na nossa opinião é um daqueles que não se deve abrir mão. De volta do catamarã, partimos para as passarelas em frente ao glaciar. São 4 circuitos possíveis, mas os principais são o amarelo e vermelho. Nas passarelas é possível se aproximar da zona de ruptura: onde você tem uma visão privilegiada do glaciar e pode acompanhar o momento em que pedaços de gelo se soltam e caem, fazendo um estrondo como se fosse um trovão. Demais! E se a altura do glaciar impressionou no começo do mini trekking, a extensão agora é o que mais vai chamar a atenção: é uma imensidão de gelo que se mistura com montanhas nevadas e um lago lindo. E você que achou durante o mini trekking que estava no meio do glaciar, se sentindo mega aventureiro, percebe que só andou na beiradinha-inha-inha-inha dele e que somos uma miniatura perto da grandeza da natureza. Voltamos a El Calafate por volta das 18h e decidimos que seria um bom dia para comer o famoso cordeiro patagônico. Pedimos indicação para o taxista e também no hostel e acabamos escolhendo a opção que a recepcionista nos deu: La Marca, “a parrilla del pueblo”. Bom… Pense em uma comida feia, onde você não conseguia identificar o pedaço de cada carne, extremamente gordurosa, com consistência de carne velha e sem gosto. Deixamos praticamente toda a comida intocada . Ficamos decepcionados e mais pobres (foi a refeição mais cara de toda a viagem! AR$ 352 / pessoa). Lição aprendida: confie nos taxistas e moradores e não nos vale-descontos de hostel. Resolvemos ir beber pra esquecer o desapontamento e fomos no La Zorra, uma cervejaria com várias opções artesanais e que também foi muito bem avaliada em outros relatos. Bem, lá recuperamos a alegria de viver . Cerveja boa, lugar legal, boa trilha sonora (cerca de AR$ 80 a 90 o pint, de acordo com o tipo da cerveja). No dia seguinte iríamos para Puerto Natales e achávamos que as coisas lá seriam mais caras. Passamos então no mercado (La Anonima, fica na Av. San Martin, como quase tudo) e compramos água, uns pacotes de batata e bolinhos. Importante: tanto na Argentina quanto no Chile não tem sacolinhas nos mercados. Se não quiser comprar uma, deixe espaço na mochila de ataque. A caminho de Perito Moreno by Paty Grillo, no Flickr Calafate by Paty Grillo, no Flickr Mini Trekking no Perito Moreno by Paty Grillo, no Flickr Mini Trekking no Perito Moreno by Paty Grillo, no Flickr Perito Moreno visto das passarelas by Paty Grillo, no Flickr 3º dia – 25/01: Puerto Natales Pagamos a taxa de embarque na rodoviária de El Calafate (AR$ 10 / pessoa) e partimos às 08h para Puerto Natales. O ônibus da Bus Sur era confortável, o funcionário simpático e recebemos um kit com suco, bolachinhas e barra de cereal para a viagem. É legal perceber a mudança da paisagem durante as viagens. Mais distante dos lagos e das montanhas nevadas a Patagônia se torna um grande deserto, com arbustos quase rasteiros e muita pedra. Passamos pela imigração do Chile (e durante toda a viagem digo que foi a mais criteriosa e demorada) e chegamos na rodoviária de Pt. Natales por volta das 13 h. Atenção: não tenha frutas ou qualquer outro alimento fresco na mala durante a passagem na imigração, ou elas ficarão de presente para os trabalhadores de lá . Puerto Natales é uma cidade pitoresca. Praticamente não há casas de alvenaria; algumas são pré fabricadas em madeira e muitas outras parecem um container. É uma cidade simples. Não sei ao certo se a achei bonita. Precisávamos trocar dinheiro, mas as casas de câmbio ficavam afastadas da rodoviária. Com preguiça de ir trocar o dinheiro e voltar na rodoviária para comprar a passagem para Torres del Paine, pagamos em pesos argentinos (e foi uma cotação justa) – compramos ida e volta pela Buses Goméz por AR$ 415. Deixamos as coisas no hostel e fomos conhecer a cidade e procurar a Câmbio Sur (todos os relatos dizem que é a que oferece a melhor cotação). Era uma quarta-feira, mas tinham muitos comércios (inclusive outras casas de câmbio) fechados. Ficamos preocupados que fosse algum feriado, mas a Câmbio Sur estava aberta e, no final da tarde, vários outros comércios que vimos fechados antes, abriram também. Não entendemos muito bem o motivo. O câmbio do dólar valia mais a pena, e trocamos US$ 1 = CH$ 640 (O Real estava R$ 1 = CH$ 160). Os principais restaurantes de Puerto Natales ficam ao redor da Plaza das Armas. Almoçamos no Espacio Nandú, um restaurante que fica “escondido” dentro de uma loja de souvenirs. Um prato e uma cerveja Austral sai por volta de CH$ 10.450. Não é uma comida deliciosa e inesquecível, mas é muito bem servida e vinha com arroz. Na Argentina/Chile o arroz é mercadoria rara, poucos lugares oferecem e vão ser sempre ruins e sem gosto. Hahahaha. Mas nosso hábito alimentar de brasileiro-que-sabe-o-que-é-comer-bem sentia falta do arroz e aproveitava quando ele estava disponível. De sobremesa entramos em uma sorveteria artesanal e pedimos um de doce de leite e outro que não lembro o nome, mas todo mundo pedia e resolvi arriscar (ruim, tinha gosto de chiclete! ) (CH$ 1.500). Há um único mercado grande na cidade, que é o Unimac. Compramos atum, queijo, tomate e pão para fazer o lanche do primeiro dia em Torres del Paine, além de Tang (mesmo sendo ruim, é uma opção bem prática para dissolver na garrafa de água e acompanhar as refeições!). Voltamos ao hostel para esvaziar o que fosse possível das mochilas e fazer os preparativos para Torres del Paine. Não estavámos com muita fome no jantar, então resolvemos ir em uma cervejaria e só pedir alguma porção pra beliscar. Fomos primeiro na Baguales. O lugar era legal, meio medieval e lotado, mas a cerveja estava em falta (só tinha a Negra) . Saímos de lá para a Cervezas Natales, outra cervejaria artesanal. Simples, o único tipo produzido era a Rubia que não era ruim, mas também não é nada de mais. Pedimos umas fritas pra acompanhar e gastamos CH$ 5.100 / pessoa. Sobre o Hostel Arkya: simples, mas os quartos eram bonitões e mais confortáveis que do hostel de El Calafate. Não podia cozinhar, mas podia usar a geladeira, microondas e os utensílios. O café da manhã poderia ser melhor: café, só solúvel. Banheiros limpos, espaçosos e com chuveiro bom. Calefação funcionava bem. Os recepcionistas eram simpáticos e deram boas dicas. Puerto Natales by Paty Grillo, no Flickr Espacio Nandú by Paty Grillo, no Flickr 4º dia – 26/01: TdP - 1º dia do Circuito W Pegamos o transfer pra Torres Del Paine às 07h30. Descemos na Laguna Amarga, onde pagamos a entrada (CH$ 21.000), assinamos um termo de compromisso informando o circuito que faríamos e assistimos um vídeo obrigatório com as regras do parque. Lemos em alguns relatos de que a entrada do parque só poderia ser paga em efetivo, porém tinha a opção de pagar com o cartão de crédito também. Como faríamos o W no sentido tradicional, da portaria do parque pagamos pelo transfer que nos levaria até o hotel Las Torres (CH$ 3.000). É uma opção interessante, pois economiza uma pernada, certa subida e uma paisagem que ainda não será nada de especial. Chegando no Las Torres foi dado início ao desafio! Comemos algumas castanhas, separamos os bastões, demos a última ajeitada na mochila e iniciamos a caminhada para o El Chileno às 10h30. O tempo estava bom e dali víamos, longe, as torres – lindonas! O caminho já vai se mostrando bonito logo de cara. Rios bem azuis, água limpíssima, montanhas deixando tudo ainda mais legal. Durante todo o circuito não faltarão lugares para encher a garrafa de água, portanto não é preciso se preocupar em sair com vários litros – e toda a água do parque é potável. Logo começamos a subir e, bem, foi um lembrete do desafio dos próximos dias: a mochila ainda era algo que se fazia perceptível e quando eu parava para recuperar o fôlego logo na primeira hora, pensava como seria dar conta de tantos km… Seguimos o caminho e quando a subida acabou estávamos em um vale lindo, com um rio abrindo caminho lá embaixo. Foi nesse momento que recebemos a segunda “boas-vindas” do vento patagônico. Ventava muito forte e, pior, na direção do barranco . Eram rajadas de vento que poderiam nos derrubar se déssemos bobeira. Quando ficava mais forte parávamos, “fincávamos” pés e bastões no chão, e quando diminuía seguíamos a caminhada. Foi um trecho curto e, passando por ele, chegamos ao refúgio El Chileno às 12h30. Lembra do tempo bonito do início? Bem, é a Patagonia. O tempo muda quantas vezes ele quiser durante o dia. Chegamos no El Chileno com o início da chuva e as torres, que deveriam ser vistas dali, já estavam boa parte encobertas. O refúgio é praticamente uma casa com quartos e banheiros compartilhados, um refeitório que também servia como espaço de convivência e uma sala com lareira onde as pessoas poderiam se esquentar ou secar o que estivesse molhado. Fizemos o check-in e a chuva lá fora apertando, as torres já totalmente encobertas. A ideia inicial era seguir naquela mesma tarde para a base das torres, mas dado o tempo abortamos a missão e decidimos deixar pro dia seguinte. Essa escolha tornaria o dia seguinte mais puxado, mas poderia nos dar alguma chance de ver as torres. Passamos o resto do dia no refúgio, sem muito o que fazer. Tomamos um banho (meu chuveiro demorou um pouco, mas esquentou. O Diego não teve a mesma sorte e tomou banho frio) e passamos a tarde jogando damas. Quando o tédio chegou no limite resolvemos beber. A cerveja no refúgio (e em todos eles) é caríssima, então compramos um litro de vinho por CH$ 7.000, que era a opção mais barata. Devo mencionar que o vinho vem uma caixa longa vida, tipo leite? Era zoado, mas pelo menos era seco – o que o tornou infinitamente melhor que qualquer Sangue de Boi . Não havíamos visto ainda nenhum brasileiro até então e reconhecemos o primeiro pela bandeira no chinelo Havaianas . Conhecemos o casal mineiro Daniel e Monica, que também fariam o W – ele estava comemorando seu aniversário de 60 e poucos anos . Os encontraríamos nos refúgios nos próximos 3 dias. A janta nos refúgios é servida em um horário pré-estipulado por eles (19h ou 20h) e vem em porções individuais. No El Chileno o menu foi uma sopa de legumes, arroz com uma carne de boi com molho tipo madeira e uma sobremesa de maçã e frutas secas. Vem em uma quantidade bem servida. Começo do W by Paty Grillo, no Flickr Indo para El Chileno by Paty Grillo, no Flickr El Chileno by Paty Grillo, no Flickr El Chileno by Paty Grillo, no Flickr 5º dia – 27/01: TdP - 2º dia do Circuito W Acordamos bem cedo, tomamos café às 07h e saímos para a subir até a base das torres às 07h40. Já não chovia e o tempo parecia que ficaria bom. O caminho até as torres é lindo. Você passa por um bosque bem legal e tem momentos em que a trilha é seguindo por um riachinho de degelo. Passando da metade do caminho o tempo voltou a fechar e a chover, mas bem menos que no dia anterior. Chegamos na placa do acampamento Torres e dali faltava pouco para começar a subida. O último km (aproximadamente) da trilha para a base das torres é só subida, em um “mar de pedras”. A trilha é bem demarcada por estacas, basta prestar um pouco de atenção e tomar cuidado para não pisar em pedras soltas. Os bastões ajudaram muito nesse momento. Li em vários relatos que essa subida era do mal, mas acho que me preparei para algo tão tão tão ruim que achei mais tranquila do que imaginava, apesar de cansativa. A neblina havia ficado bem mais intensa e quando chegamos na base das torres (às 10h)… cadê as torres? Não deu pra ver nada. Nadinha. Nem um pouquinho. Mas, ainda assim, a paisagem é espetacular: a cor da água é um tom de esmeralda incrível, mesmo com o tempo cinza. Tiramos algumas fotos e ficamos um certo tempo admirando a cor daquele lago, porém não demoramos muito pois teríamos uma loooonga viagem pela frente. Durante a decida para o El Chileno adivinha quem apareceu? Nosso grande amigo sol! Confesso que deu vontade de subir novamente às torres para ver se elas apareciam lá em cima, mas só de lembrar da subida e do quanto ainda teríamos que andar nesse dia, a vontade passou rapidinho. Chegamos de volta ao El Chileno às 12h30, descansamos um pouco e comemos o box lunch, que por sinal era bem mais caprichado do que imaginávamos. Nos box lunch de todos os refúgios que frequentamos vinham uma fruta, um lanche caprichadão, uma barrinha de cereais, um saquinho de castanhas com uva passas (eca, passas!) e um chocolate. Ou seja, na nossa opinião nem precisaríamos ter levado os alimentos a mais que levamos… era só peso extra. Saímos do refúgio às 13h20, passamos naquele vale do primeiro dia – novamente com muito vento – até encontrar a placa que nos direcionava para o Los Cuernos. A partir dali começamos a avistar o lago Nordenskjold, um lago imenso também de um tom esmeralda que impressiona. Nessa altura do dia o céu já estava bem azul e as montanhas praticamente sem nuvens, ou seja, a paisagem estava incrível. Mais adiante passamos por um trecho com muita lama, muita lama, muita lama (eu já falei muita lama?). Nessas horas era preciso se equilibrar em troncos e procurar os caminhos que afundavam menos. Esse trecho da viagem é razoavelmente tranquilo – tem algumas subidas, mas nada comparado com a subida para as torres. O que cansa realmente é a distância: do El Chileno para o Los Cuernos são cerca de 16 km. Depois de muito andar, sempre margeando o lago, chegamos ao refúgio às 18h20. Esse refúgio era mais bonitão, e dessa vez não faltou água quente para tomar banho . No jantar foram servidos uma sopa (essa era bem ruim), um salmão com purê (estava um pouco sem tempero, mas para quem andou o dia inteiro estava ótimo) e mousse de limão. Mais uma vez compramos o vinho da caixinha de leite (dessa vez CH$ 8.000) e, terminando o vinho, desmaiamos. Bosque by Paty Grillo, no Flickr Subida às Torres Del Paine by Paty Grillo, no Flickr Torres Del Paine... sem torres! by Paty Grillo, no Flickr De El Chileno para Los Cuernos by Paty Grillo, no Flickr De El Chileno para Los Cuernos by Paty Grillo, no Flickr Lama no caminho... by Paty Grillo, no Flickr 6º dia – 28/01: TdP - 3º dia do Circuito W Neste dia faríamos a “perninha” do meio do W. Saímos de Los Cuernos após o café (07h50). O inicio da trilha é ainda margeando o lago esmeralda, que estava especialmente bonito com o reflexo do sol, além de alguns trechos que formam tipo uma praia com pequenas pedras. Havíamos sido avisados por dois brasileiros que estavam fazendo o trajeto ao contrário que encontraríamos uma subida boa pela frente. De fato há um trecho bem íngreme antes de chegar no camping do Francês, mas vencida a subida, do Francês até o camping Italiano é um pulinho (chegamos às 10h). No camping Italiano há uma guarderia e, apesar da placa que dizia ser obrigatório se registrar com o guarda, o guarda apenas acenava para as pessoas que chegavam. Lá todo mundo deixa a mochila encostada em alguns troncos de árvores para poder subir o trecho do Vale do Francês sem peso. Colocamos a capa de chuva nas mochilas, achamos um lugar bom para deixá-las, comemos umas castanhas e começamos a subida às 10h20. No início da trilha o caminho é no meio das pedras e lembra um pouco a trilha de subida para a base das torres. Achei um pouco menos sinalizado: na verdade as estacas eram mais espaçadas e em alguns momentos pegávamos o caminho “errado”, tendo que procurar por onde continuar e acertar o trajeto. Depois do trecho das pedras o caminho segue por meio de um bosque, também íngreme. Chegamos ao mirador Francês às 11h50. O mirador Francês fica bem de frente a uma montanha com bastante neve e um glaciar, rodeado por outras montanhas nevadas e com uma vista bem bonita do vale do Francês. Ventava bastante ali. Tiramos algumas fotos, descansamos e acabamos decidindo (ou melhor, eu acabei decidindo...rsrs) não subir até o mirador Britânico. Achei a subida até ali mais puxada, minhas pernas doíam e teríamos novamente um longo caminho até Paine Grande. Muitas pessoas que encontramos ao longo do caminho diziam que não havia muita diferença nas duas vistas: no Britânico teoricamente você só veria o vale mais do alto. Vai saber né...?! Começamos a descer e chegamos no Italiano às 13h30. Aproveitamos o tempo de descanso da descida para almoçarmos (box lunch) e retomamos a caminhada às 14h15. Do Italiano ao Paine Grande são 7,5km, mas o trecho é tranquilo (inclusive no mapa do parque é classificado como nível fácil). No caminho há uma espécie de “cemitério de árvores”, com várias árvores cinzas (quase brancas) e sem folhas, resultado do incêndio de alguns anos atrás, e um lago mais acinzentado (Lago Sköttsberg) que também tem um visual bem bacana. Mais próximo de Paine Grande começamos a avistar o lago Pehoé, num tom de azul royal e também muito muito muito bonito. Chegamos às 17h no refúgio. O refúgio Paine Grande é enorme e o achei com a melhor estrutura de todos eles. Tem vários espaços de convivência – salas com lareira e jogos – além de um bar no mesanino com a vista linda do lago. Nos refúgios da Vertice há edredons bem gordos em vez de saco de dormir e os quartos são bem mais confortáveis. Depois do banho quente fizemos hora no bar (cerveja a CH$ 3.000 cada) até dar a hora do jantar. Achei que foi a melhor refeição do circuito W: sopa de legumes, frango com molho de mostarda, batatas e abóbora assada e strudel de maçã. Vale do Francês by Paty Grillo, no Flickr Vale do Francês by Paty Grillo, no Flickr Mirador Francês by Paty Grillo, no Flickr Vale do Francês by Paty Grillo, no Flickr Lago Sköttsberg by Paty Grillo, no Flickr Árvores cinzas by Paty Grillo, no Flickr 7º dia – 29/01: TdP - 4º dia do Circuito W Como esse seria o dia mais tranquilo de todo o circuito (o tempo previsto de caminhada era menor), estavámos exaustos e queríamos aproveitar o conforto do refúgio Paine Grande, decidimos não ter hora para acordar. Tomamos café tranquilamente e, assim como o jantar, foi o melhor café da manhã de todos os refúgios. Começamos a trilha em direção ao Grey às 09h10 e sob um tempo nublado, já logo no início tivemos que colocar os impermeáveis pois começou a chover – e não parou durante todo o percurso. O caminho até o primeiro mirador Grey é relativamente tranquilo, passando pelo lago Los Patos, e o que incomodou mais foi o vento gelado e o chuvisco no rosto . Do mirador se via parte do glaciar, muito bonito mesmo com o tempo nublado. Foi no mirador que voltamos a pegar um vento bastante forte, como o do primeiro dia, e ficar sem luvas era praticamente impossível. Dali até o refúgio o caminho começou a ficar mais cansativo: trechos de descida mais acentuadas com muitas pedras. Chegamos às 13h10 no refúgio Grey, deixamos nossas roupas para secar e comemos nosso box lunch. Dali até o segundo mirador são só mais 15 minutinhos e decidimos esperar um pouco para ver se o tempo melhorava – deu tempo de tirar até um cochilo. Como a chuva continuou durante toda a tarde, decidimos ir ao mirador debaixo de chuva mesmo. O caminho é tranquilo e curto e chegando lá tem várias trilhazinhas pequeninas para ver o glaciar de ângulos diferentes. Tiramos algumas fotos e voltamos ao refúgio. Depois do banho o sol saiu e o céu ficou azul – por 5 minutos! O jantar foi frango com batatas e mousse de pêssego (gosto de Tang!) e como nossos pesos chilenos estavam contados para o catamarã, a cerveja da noite foi em dólar mesmo (US$ 6). Aliás, em todos os refúgios era possível pagar em dólar. Indo para o Grey by Paty Grillo, no Flickr Glaciar Grey by Paty Grillo, no Flickr Glaciar Grey by Paty Grillo, no Flickr 8º dia – 30/01: TdP – Último dia do Circuito W Chegou o nosso último dia em Torres Del Paine. Há 5 opções de horários de saída do catamarã em Paine Grande, mas só 2 opções de horário de volta do ônibus em Pudeto – 13h ou 19h. Decidimos pegar o catamarã das 11h30 para depois pegar o ônibus das 13h, por isso saímos bem cedo do refúgio Grey. Lembrando das decidas que pegamos no dia anterior, estávamos cansados por antecipação pensando nas subidas daquele dia, mas até que foi menos exaustivo do que imaginamos. O tempo continuava nublado e chuvoso, mas ventava menos. Após aproximadamente 4h finalizamos o trajeto e chegamos ao Paine Grande. O horário previsto de saída do catamarã era às 11h35, mas ele saiu de fato quase 12h. Nâo é preciso comprar com antecedência e você paga o ticket lá dentro do barco mesmo (CH$ 18.000). Após cerca de meia hora o catamarã chegou em Pudeto, onde vários ônibus (de diversas empresas, inclusive o nosso) já aguardavam. Comemos nosso box lunch dentro do ônibus mesmo e aproveitamos para nos despedir das paisagens do parque: o caminho do ônibus de Pudeto até Laguna Amarga passa por lugares lindíssimos com uma visão panorâmica do parque. Chegamos em Puerto Natales por volta das 16h, voltamos ao hostel e à civilização . O jantar em Puerto Natales foi em um local indicado pela recepcionista do hostel: a pizzaria Mesita Grande (CH$ 9.700 / pessoa). Como o próprio nome diz, no lugar há uma mesa grande compartilhada e as pizzas são montadas na hora e individuais (e grandes!), além do chopp gelado. Na trilha sonora, MPB. . As pizzas eram bem gostosas e o lugar agradável, recomendamos! Além do mais, a mesa grande favorece a interação com outras pessoas. O assunto? Torres Del Paine, óbvio! Mesita Grande by Paty Grillo, no Flickr 9º dia – 31/01: Indo para El Chaltén Felizes e cansados com o término do circuito W, era hora de ir para a próxima parada da viagem: El Chaltén. Pegamos primeiro o ônibus para El Calafate (7h45) e chegamos 12h45, dentro do horário previsto, mesmo com a demora na fronteira. De lá, o ônibus para El Chaltén sairia só as 18h e tínhamos a tarde livre para nos despedir da cidade e… comer . Para não ficarmos carregando as mochilas, pagamos para deixá-las na Taqsa (a empresa de ônibus) na rodoviária (AR$ 20 cada). Almoçamos uma milanesa no La Lechuzita (AR$ 262) e fomos experimentar o tal sorvete de calafate de sobremesa na Acuarela Helados Artesanales (AR$ 70). Aproveitamos para passar no La Anonima novamente e comprar os ingredientes para fazer o lanche do dia seguinte em El Chaltén. Os ônibus na Patagônia são bem pontuais e o da Taqsa era semi-leito, espaçoso e mais confortável. Conforme o ônibus se aproximava de El Chalten avistamos o Fitz Roy, bem bonitão. Chegamos na rodoviária às 20h50, pegamos o mapa da cidade lá mesmo, no centro de informações ao turista e fomos ao hotel. El Chalten é um ovinho, mas é uma cidadezinha gostosa. Muitos bares, cervejarias, restaurantes e hoteis. E de plano de fundo, a vista do Fitz Roy. No próprio hotel reservamos o transfer para o dia seguinte que nos levaria até a hosteria Pilar (AR$ 150). *Há duas formas de chegar na Laguna de Los Tres: pela trilha principal (nesse caso você vai e volta pelo mesmo caminho) ou ida pela trilha que sai da hosteria Pilar e volta pela trilha principal. Quase todo mundo escolhe a segunda opção, pois você passa por lugares diferentes, além de economizar uma subida no começo.* Em El Chaltén não é preciso pagar nenhum tipo de entrada para as trilhas. Passeio planejado, saímos para jantar. Na esquina do hotel havia uma cervejaria que parecia um lugar legal e o recepcionista tinha dito que abriria às 22h. Resolvemos ir lá, mas ficamos esperando um pouco e nada da cervejaria abrir. Desistimos e fomos no Patagonicus, 2 quarteirões abaixo (AR$ 215 / pessoa). É uma pizzaria e tem a cerveja artesanal deles. O lugar é legal, mas tanto a cerveja quanto a pizza são ruins . Hahaha. Sobre o Hotel Lago del Desierto: ficamos em duas acomodações diferentes por conta de termos alterado o roteiro em cima da hora. A primeira parecia quarto de vó. Decoração velha e o banheiro cheirava mofo. A segunda foi mais confortável, com uma cama grande. Mas ambos os banheiros eram muito muito pequenos. Para lavar o pé você fazia a pose do flamingo, pois não conseguia se mexer no box . O café da manhã era bom. El Chalten by Paty Grillo, no Flickr 10º dia – 01/02: Fitz Roy / Laguna de Los Tres Acordamos cedinho, tomamos café e preparamos o tradicional lanche de atum para o almoço. Às 8h o transfer nos buscou, pegamos outras pessoas em outros hoteis e chegamos na hosteria Pilar às 9h. Bem, a paisagem dali já é bonita. Dali víamos o Fitz Roy de outro ângulo e várias outras montanhas legais. Iniciamos a caminhada e após algum tempo andando em meio aos bosques chegamos no mirador do Glaciar Piedras Blancas – bem bonito por sinal. Mais um tanto de caminhada e chegamos em um trecho descampado e colorido, um pouco antes do acampamento Poincenot. Até o acampamento (e pouco depois dele) o trecho foi bem tranquilo de se fazer e mal percebemos os 9km. Faltando 1km encontramos a famosa placa: a que diz que o trecho seguinte é de nível difícil, exige preparo físico e terá uma subida de 400m de altitude . A partir dali, pedras, mais pedras, subida, mais subida. Sobe mais um pouco. Pula mais pedras. Continua subindo . Para quem é do estado de SP, parece a Serra de Taubaté, versão a pé! Quando achávamos que já tínhamos subido um monte, escutamos um cara dizendo que “já foi metade” . No final, quando você acha que não tem mais onde subir e o terreno fica um pouco mais plano, é só pra descansar um pouco e continuar subindo mais a frente. Foi o km mais difícil da minha vida . Mas… foi o lugar mais incrível da minha vida também . Quando finalmente você chega na Laguna de Los Três (perto das 12h30), você mal acredita que aquela paisagem que está diante de você é real. A laguna é de um azul forte e lindo e o Fitz Roy é absolutamente incrível. Diferente das Torres del Paine, dessa vez o tempo estava perfeito, céu azul, sol e pouquíssimas nuvens – nenhuma delas em cima do Fitz Roy. Ficamos na beira da laguna por mais de 1h, admirando cada pedaço da paisagem e tirando muuuuuitas fotos. Almoçamos por ali também e o conjunto foi melhor que qualquer restaurante 5 estrelas . No caminho de volta, quando vemos o rio lá embaixo e as pessoas subindo com cara de cansaço, percebemos o quanto de fato subimos. E a descida também não é fácil, por causa das pedras: os joelhos doem, as pernas cansam muito. Passando pelo acampamento Poincenot o caminho voltou a ficar tranquilo e foi apresentando outras belezas e outras paisagens. A laguna Capri, no meio do caminho, é espetacular. Finalmente, chegando mais perto de El Chaltén, começou uma descida com a vista do vale e o Rio de Las Vueltas lá embaixo. A descida continuou por quase 2km até chegar na cidade e, depois de tanto descer, ficamos felizes em ter escolhido a opção de começar a trilha pela hosteria Pilar . Do final da trilha, cansados, até o hotel que estávamos parecia que tinha mais vários km. Aproveitamos o caminho para xeretar as opções de restaurantes e definir onde jantaríamos depois de um bom banho. Acabamos escolhendo um bar que vimos em outro relato, o Cayetano. Escolha excelente! Cerveja artesanal gostosa (Supay) e tinha happy hour, 2 pints por AR$ 100. Pedimos um hamburguer (AR$ 190) que era imenso e saboroso. Comemos tanto que no final do lanche estávamos derrotados. Voltamos nos arrastando pro hotel . Glaciar Piedras Blancas by Paty Grillo, no Flickr Subida do Fitz Roy by Paty Grillo, no Flickr Fitz Roy by Paty Grillo, no Flickr Senda Fitz Roy by Paty Grillo, no Flickr Laguna Capri by Paty Grillo, no Flickr Hamburguer do Cayetano Bar by Paty Grillo, no Flickr 11º dia – 02/02: Laguna Torre Depois do cansaço do dia anterior, decidimos que acordaríamos mais tarde e que só faríamos a trilha até o mirador del Torre. Tomamos café, preparamos novamente nosso lanche, fizemos o chekout e deixamos as mochilas guardadas no hotel. Saímos às 9h50. Até o mirador del Torre são 3km, com uma certa subida no início. Fizemos bem devagar por ser um trecho bem curto e tínhamos o dia todo à disposição. Chegamos nele em 50 minutos. O tempo estava meio nublado e o cerro Torre estava encoberto por nuvens. Ainda assim a paisagem era bonita. Tiramos algumas fotos, sentamos e… não aguentamos. Decidimos que iríamos andar os 6km que faltavam para chegar na laguna Torre. A caminhada foi bastante tranquila, a maior parte plana. Alguns trechos descampados, outros com árvores sem folhas e secas, alguns poucos trechos de bosque e mais próximo do final se margeava o rio Fitz Roy. É importante dizer que só nessa parte final é possível encher a garrafa de água, ou seja, lembre-se de enchê-la antes de começar a trilha. Completados os 9km chegamos à laguna Torre e, sinceramente, perto do Fitz Roy ela fica bastante sem graça. Mas como o caminho foi fácil, deu pra perdoar . Voltamos para El Chalten por volta das 15h30. Procuramos um bar onde o happy hour começasse às 16h e a cervejaria Don Guerra foi a escolhida (2 pints por AR$ 120 e uma porção de batata com bacon e cheddar – muito boa! - por AR$ 155). Antes de pegar o ônibus de volta para El Calafate iríamos jantar e cansados de comer lanche e pizza, procuramos um lugar que não fosse tãããão caro como quase todos de El Chaltén. Recebemos a indicação do Techado Negro, com pratos na faixa de AR$ 150 a 160. Diego escolheu um nhoque e eu comi um frango a milanesa com arroz (sem gosto, claro). Pegamos o ônibus da Taqsa às 19h30 e dormimos quase todo o trajeto. Chegamos embaixo de chuva em El Calafate, às 22h20, e fomos direto para o hostel. Caminho para a Laguna Torre by Paty Grillo, no Flickr Laguna Torre by Paty Grillo, no Flickr 12º dia – 03/02: Chegando em Ushuaia Acordamos um pouco mais tarde, tomamos café e fizemos o check out para aguardar a chegada do transfer da Ves Patagonia. Nosso vôo era 12h30 e a van iria nos buscar às 10h – na verdade ela chegou eram quase 10h40. Chegamos em Ushuaia às 13h50. Como havíamos fechado o passeio da pinguinera com a Brasileiros em Ushuaia tínhamos o transfer nos aguardando na chegada (isso é bastante comum e não foi preciso nem barganhar, eles próprios já ofereceram). Deixamos as coisas no studio que havíamos reservado no AirBnb e fomos dar uma circulada pela cidade. Ushuaia é a maior das cidades que visitamos, bastante movimentada, às margens do Canal Beagle e rodeada por montanhas nevadas. No dia em que chegamos o tempo estava nublado e chuvoso. Apesar de se vender como a cidade mais austral do mundo, Ushuaia na verdade não é. Puerto Williams (pertencente ao Chile) fica um pouco mais ao sul, mas os hermanos contam uma historinha de que “não é bem uma cidade, é uma base militar, blá-blá-blá” e não abrem mão do título de Ushuaia. Ainda assim, a sensação de estar na pontinha da América do Sul é muito legal! Fomos procurar um lugar para almoçar e acabamos escolhendo (pelo preço) o Marcopolo Freelife, um café-restaurante que fica em uma porta pequenina na Av. San Martin, no quarteirão seguinte da agência Brasileiros em Ushuaia. Lá, além das opções de café e lanches, existe o Menu do Dia. Você pode pedi-lo com bebida OU sobremesa por AR$ 180 ou com os dois por AR$ 200. Neste dia o menu era um bife (enooooorme, delicioso e muito bem feito! :'> ) acompanhado por uma salada de repolho, cenoura e maçã, com um molhinho também delicioso. A sobremesa você podia escolher entre salada de fruta, pudim de pão, flan, gelatina. Bem alimentados e felizes, fomos explorar Ushuaia. Passamos na central de informações ao turista, em frente ao porto, e pegamos um folheto com todos os horários dos “buses de linea regular”, que na verdade são vans que saem de um terminalzinho ali perto e vão para os diversos pontos turísticos, com preço tabelado. Antes de descobrirmos essa opção havíamos perguntado o preço dos taxis e, caso você consiga encher o carro, até acaba compensando. Como estava friozinho, fomos tomar um chocolate quente (tínhamos recebido um vale gratuito da agência) na Chocolates El Turista e aproveitamos para experimentar os chocolates em ramas que vimos em toda a Patagônia e pareciam super gostosos. Na verdade, eram mais bonitos que saborosos (achei muuuuito doce), além de caros. No studio que estávamos havia uma cozinha americana bem equipada, e considerando que comer na Patagônia não é barato, passamos no mercado e compramos, além dos ingredientes do tradicional lanchinho de trilha, um macarrão esperto para as nossas jantas e coisas para o café da manhã. Lá em Ushuaia tem o La Anonima e o Carrefour, fomos no La Anonima que era relativamente mais perto. Lá também compramos a cerveja Beagle por AR$ 32,50 (nas lojas da Av. San Martín você não achava por menos de AR$ 60!!!) e uns litrões da cerveja Patagônia, aquela que vende em vários mercados do Brasil, também por preços beeem baixos. Ao final do dia jantamos nosso macarrãozinho e bebemos bem! Sobre o studio: lindo, confortável, moderno, melhor chuveiro da vida. Vale muito a pena! A única coisa não tão boa é que ficava no alto e, apesar de perto da avenida principal de Ushuaia, era uma subida monstro pra voltar. Ushuaia by Paty Grillo, no Flickr 13º dia – 04/02: Navegação Canal Beagle + Caminhada na Pinguinera Acordamos cedinho e o tempo estava lindo! Depois do café e com as mochilas de ataque prontas, saímos a pé para o porto. Tínhamos que apresentar o voucher na Piratour (lembra que falamos que a Brasileiros em Ushuaia só revende o passeio?), pagar a taxa do porto (AR$ 20) e também a entrada na Estância Harberton (AR$ 240) – ambos não estavam inclusos no valor do passeio. Entramos em um barco grande e confortável (às 09h), com dois guias e a equipe de marinheiros. Durante a navegação ficávamos a maior parte do tempo dentro do barco e saíamos para a parte externa superior do barco quando chegávamos perto das diversas ilhas. Não que não pudéssemos ficar lá fora o tempo todo, mas pensem em um vento forte e um frio?! Quando o barco se afastou foi possível ter uma vista bem legal de Ushuaia e, com o tempo aberto, as montanhas ao redor estavam ainda mais bonitas. A primeira parada foi na Isla de los Pájaros, onde vemos os Cormoranes. São pássaros que de longe parecem pinguins (por conta da cor), mas que na verdade têm o pescoço bem mais comprido e voam. É impressionante a quantidade de pássaros na ilha! (E também o barulho e o cheiro de peixe!). Sempre que se aproximava das ilhas o barco desligava o motor e ficava um tempo lá, para a gente curtir. A parada seguinte foi na Isla de Los Lobos, com leões marinhos – lindos, fofos, gordos, todos amontoados uns em cima dos outros! Na ilha também fica o farol Les Eclaireurs, que alguns chamam erroneamente de farol do fim do mundo. O guia explicou que o verdadeiro farol do fim do mundo fica beeeeeeeeeeeem longe dali – e vimos no mapa depois que ele estava certo. A paisagem é incrível! Os animais, as montanhas de fundo, o reflexo na água… não é difícil tirar várias fotos sensacionais. Dali até a Estância Harberton é um bom tempinho de navegação. No caminho passamos por Puerto Williams e escutamos a história da estância Harberton, do Canal Beagle, da nevegação do comandante Fitz Roy… Estávamos mais ou menos na metade do caminho quando o guia nos convidou a sair para a parte externa e o barco desligou o motor… era uma baleia! Achei bem legal o fato do barco ter deixado de lado seu roteiro e ter desviado o caminho seguindo a baleia por algum tempo. Aliás, os guias e os marinheiros estavam tão empolgados quanto a gente. Rsrs. Parece que não é algo muito comum por ali. Chegamos na Estância Harberton e o nos dividimos em 2 grupos menores. Ficamos no grupo que iria primeiro à Pinguinera, enquanto o outro aproveitaria o tempo livre para comer. Entramos em um barquinho pequeno e lá fomos nós. No caminho o guia foi dando algumas orientações: basicamente deveríamos ficar todos juntos, não fazer barulho, não correr, não abraçar os pinguins e nem trazê-los para casa. Chegamos na ilha e, gente, é SEN-SA-CIO-NAL. São muuuuuuuuuuuuuuitos pinguins e eles não estavam nem aí pra gente. Ou seja, eles continuaram por perto e nós ficamos tão entusiasmados quanto uma criança que ganhou um presente legal. Hahaha. Lá na ilha é possível ver três espécies diferentes de pinguins: de Magalhães (em maior quantidade), Papúa (menor quantidade, mas ainda assim são vários) e Rei (de acordo com o guia, existem apenas 3 na ilha. Nós vimos 2.). Os pinguins de Magalhães são menores, branco e preto, os Papúa têm bico e pés laranjas e o Rei… Ah, o Pinguim Rei é a coisa mais linda e desengonçada do mundo! Eles são grandes (uns 90 cm?!) e tem um tom de amarelo muito intenso na penagem . Caminhamos por cerca de 1h na ilha, mas parece que durou 15 minutos. Não cansamos de vê-los e admirá-los. Esse também é um passeio beeeeeeeem caro, mas que na nossa opinião não se deve deixar de fazê-lo. A sensação e as lembranças depois são incríveis. E pinguins são… pinguins! Bichos legais! Voltamos para a Estância e, enquanto aguardávamos o segundo grupo, tivemos um tempo para comer. Lá tem um restaurante, mas nós já estávamos pobres da viagem e levamos nosso lanchinho mesmo. Com o retorno do segundo grupo da Pinguinera fomos ao Museu de Ossos de Aves e Mamíferos Marinhos Acatushún (ingresso incluso no valor do passeio). É um lugar pequeno, mas com um acervo legal e deu para aprender algumas curiosidades. Terminada a visita, entramos em um ônibus e pegamos a estrada de volta (pois é, a volta não é por navegação). No caminho ainda há uma parada para ver as árvores bandeiras, árvores que crescem para um único lado devido a força dos ventos patagônicos, que naquela região sopram sempre na mesma direção. Chegamos em Ushuaia pouco depois das 17h. Jantamos em casa e depois saímos para o Dublin Bar, para terminar o dia com uma cervejinha. O lugar é bem legal e cheeeeeeeeeeio. Chegamos e conseguimos sentar no balcão, mas uns 10 minutos depois já não tinha condições de achar um lugar. Tomamos a Beagle e experimentamos a cerveja Cape Horn de noz, beeeeeem gostosa, além de uma porção de salame para petiscar. A conta ficou AR$ 160 / pessoa. Canal Beagle by Paty Grillo, no Flickr Isla de Los Lobos by Paty Grillo, no Flickr Isla de Los Lobos by Paty Grillo, no Flickr Farol Les Eclaireurs by Paty Grillo, no Flickr Pinguinera by Paty Grillo, no Flickr Pinguinera by Paty Grillo, no Flickr 14º dia – 05/02: Parque Nacional Terra do Fogo e Laguna Esmeralda Bem, esse seria nosso último dia disponível para passeio e tínhamos reservado ele para o Parque Nacional Tierra del Fuego. Por conta dos relatos que lemos também tínhamos vontade de conhecer a Laguna Esmeralda, mas olhando os horários dos transfers achávamos que não iria dar tempo de conciliar e começamos a tentar nos convencer da nossa escolha – afinal ir à Ushuaia e não ir ao parque é tipo ir à Paris e não ver a Torre Eiffel. “Já vimos várias lagunas bonitas”. “Tudo bem, temos que priorizar o passeio”. “Não dá pra ter tudo na vida...”. Pegamos o transfer às 9h (AR$ 400 ida e volta) e uns 30 minutos depois já estávamos na portaria do parque. Pagamos a entrada (AR$ 130) e fomos para o início da trilha escolhida. No Parque Nacional Tierra del Fuego são 4 trilhas longas principais (Pampa Alta, Costera, Hito XXIV e Cerro Guanaco) e outras curtas (Paseo de la Isla, Laguna Negra, Mirador Lapataia, Del Turbal, Castorera e de la Baliza). Os transfers passam por três pontos principais dentro do parque e você pode pegá-los em qualquer um deles. Na noite anterior havíamos decidido fazer a Senda Costera, que vai da Ensenada Zaratiegui (onde fica o correio do fim do mundo) até o cruzamento da Ruta 3 com o Lago Roca. São 8km margeando a bahia Lapataia. Descemos então no primeiro ponto do transfer e antes de começar a trilha entramos no correio do fim do mundo. O lugar é muito legal, tem um ar meio mágico, mas qualquer coisa que você queira de lá obviamente você paga – inclusive para carimbar o passaporte (AR$ 30). Ok, o carimbo é tradicional e tal, mas passamos a vez. As fotos, a experiência e as histórias seriam mais lembradas que o carimbo no passaporte. Mas aí é de cada um, né?! A trilha é muito tranquila e, embora as pessoas digam que leva-se em média 4h para percorrê-la, nós fizemos em 2h30. O caminho é quase todo plano e, perto das trilhas que já havíamos feito, era quase como andar num corredor de shopping . Confesso que a paisagem me surpreendeu muito, não esperava que fosse ser tão bonita. As cores da água ao longo do caminho, as praias de pedrinhas e a paisagem no horizonte formavam um conjunto inesquecível. Mais uma vez o céu azul ajudou bastante . Terminamos a trilha perto de 12h e foi aí que olhamos um pro outro e decidimos: “vai dar tempo!” . Sim, não tínhamos conseguido superar o fato de não ir à Laguna Esmeralda. Hahaha! A questão é que, embora no papel com os horários das vans apareçam saídas de hora em hora, são empresas diferentes que oferecem o trajeto e se você fechou com uma, você só vai poder pegar o horário daquela (na teoria). Não tínhamos nos atentado a isso e a nossa empresa só sairia às 15h. Um rapaz no Centro de Visitantes Alakush sugeriu que fossemos até o outro ponto de ônibus, para tentar ver se alguém de outra empresa topava levar a gente de volta para Ushuaia. Fomos caminhando pela estrada de terra e decidimos cortar caminho pelo Paseo de La Isla, que sairia no lugar desejado e pelo menos iria tirar a gente da estrada, onde engolíamos poeira sempre que passava um carro. São 600m de trilha (aliás, um trajeto lindíssimo!) e a gente conseguiu se perder em uma bifurcação e voltar para o começo! Achamos então que seria melhor diminuir nossa expectativa e abrir mão da Laguna Esmeralda. Saímos cabisbaixos e fomos pedir carona para um micro ônibus que estava vindo. Demos um miguézinho se não poderíamos voltar para Ushuaia com ele e mostramos o ticket da outra empresa, mas o motorista num primeiro momento disse que não, mas que nos deixaria no ponto de ônibus. Masssss… ele mudou de ideia, não parou no ponto final (que não tinha ninguém esperando por ele) e começou a ir embora, com a gente. Perguntamos de novo se eles nos daria carona e então ele sorriu e disse que poderíamos ir com ele, sim . No meio do caminho ele cruzou com o motorista que havia levado a gente e que sabe-se lá por qual motivo estava no parque aquele horário e nos “devolveu” para a empresa certa. Rsrs. Chegamos no terminal de Ushuaia e acabamos fechando com o mesmo motorista para ir para a Laguna Esmeralda (AR$ 300 ida e volta). Ele saiu imediatamente com a gente e combinou que nos buscaria às 19h (não sem ficar realmente espantado que faríamos os dois passeios no mesmo dia! Rsrs). Começamos a trilha para a Laguna Esmeralda por volta das 15h. Tinham muuuuuitas pessoas na trilha, indo ou voltando, muitas crianças e muitos cachorros (!). O caminho é bem marcado e há sinalizações com plaquinhas azuis nos troncos das árvores, não tendo necessidade alguma de guia. Em relação à dificuldade do trajeto, pior que a subida com certeza é a quantidade de lama. Lembra quando falamos no Circuito W de um trecho com muita lama? Para a Laguna Esmeralda é dez vezes pior. Na primeira metade da trilha até que dava para se equilibrar em uns pedaços de troncos e raízes de árvores, mas chegamos em um trecho após a primeira subida que não tinha pra onde correr. Rsrs. Era lama suficiente para chegar na canela e só restava dobrar as calças e procurar alternativas de caminho em que o estrago não fosse tão grande . Mas nem tudo é desgraça e durante a trilha também é possível ver castoreras incríveis e andar em um solo de turba. A turba é um tipo de solo esponjoso formando pela decomposição de material orgânico e andar nela é muuuuuuuito legal! Parece que você está em um colchão de molas e tem vontade de sair pulando! Depois de 1h30 chegamos na Laguna Esmeralda. O tempo já estava nublado novamente, mas ainda assim a água é muito verdinha e vale a pena ir! As montanhas ao fundo completam a paisagem. Estávamos exaustos da correria que fizemos, fora o cansaço acumulado por ser o último dia de viagem. Ficamos cerca de 1h lá na laguna, descansando e curtindo a paisagem, para tomar coragem de voltar. Mais 1h30 de descida e estávamos prontos para aguardar o transfer, que chegou na hora certinha. Nossos pesos argentinos e dólares tinham acabado e quase ninguém aceita real por lá. Como ainda precisaríamos comer, pagar o taxi para o aeroporto e queríamos comprar alguns presentes, pedimos para o motorista nos deixar perto do final da Av. San Martín e fomos no Hotel Antartica fazer o câmbio. Dica: é Hotel mesmo. Fomos primeiro no HoStel Antartica e lá eles não trocam! O Hotel Antartica fica em uma travessa da San Martín e a cotação foi menor que a oficial, claro, mas melhor do que imaginávamos que seria: R$ 1 = AR$ 4,80. Paramos para comer um hamburguer no Banana Burger (AR$ 185. Lanche grande, mas nada de especial. Acho que não vale...), passamos em um mercadinho para comprar algumas Cape Horn (AR$ 74) e voltamos para casa, mortos. Correio do Fim do Mundo by Paty Grillo, no Flickr Parque Nacional Tierra del Fuego by Paty Grillo, no Flickr Castorera no caminho da Laguna Esmeralda by Paty Grillo, no Flickr Laguna Esmeralda by Paty Grillo, no Flickr 15º dia – 06/02: Volta para casa Enfim último dia, estávamos muito felizes por ter conseguido completar todas as trilhas e passeios que havíamos planejado, foram 14 dias de paisagens maravilhosas, experiências incríveis e uma grande sensação de dever cumprido. Nesse último dia pegaríamos o vôo de volta para casa às 15h40. Fizemos o check out às 10h e conseguimos deixar as mochilas na agência Brasileiros em Ushuaia até o horário do vôo. Aliás, o pessoal da agência é bem simpático e disponível. Indicamos! Fomos nos despedir de Ushuaia comprando alguns presentes (vinhos, alfajor, cerveja) e almoçamos novamente no Marcopolo, o lugar do almoço + sobremesa por AR$ 180. Neste dia o menu foi um bifão com molho branco e champignon, com batatas acompanhando. De novo estava deliciosamente bem preparado! Ganhou o título de melhor comida da viagem. Hora de partir e pegamos um taxi para o aeroporto por AR$ 115 (taxímetro), opção que fica mais em conta que fechar um transfer em agência (que se paga cerca de AR$ 120 por pessoa). Menu do Dia no Marcopolo by Paty Grillo, no Flickr Podemos dizer que valeu. Valeu cada paisagem, cada km andado, cada desafio cumprido e valeu até mesmo cada centavo que pagamos. A Patagônia é incrível! Voltamos cheios de lembranças e histórias. E, claro, muuuuuuuuuuuuuuitas fotos!
  12. Bom dia pessoal... Segue um relato da minha viagem pra Torres del Paine agora em Novembro/2015... Aconselho bastante fazer a viagem neste período... Por ainda ser considerado “baixa” temporada, o parque não se encontra tão cheio, então você consegue encontrar bons pontos de camping nos principais abrigos, pagando mais barato... Apenas uma consideração: reservem a hospedagem em Puerto Natales com antecedência, mesmo nesse período há bastante ocupação na cidade. EQUPAMENTOS: Estou anexando um arquivo ao Post, onde informo tudo que levei para a viagem, entre equipamentos, roupas, alimentação e diversos. A única coisa que eu não aprovei, para esta viagem, foi o saco de dormir (passei um pouco de frio... ), mas já sabia que isso poderia acontecer, pois o meu saco de dormir é para verão...então, aconselho comprar / alugar em P. Natales, um saco de dormir mais funcional para baixas temperaturas. Levei também um GPS, que é totalmente dispensável para este Circuito que eu realizei. A trilha é toda muito bem sinalizada. Outro adendo importante: foi a primeira vez que utilizei minha barraca Eureka Solitaire. Encontrei pouco material sobre ela na internet, mas li alguns reviews que falavam da fragilidade da barraca, principalmente das varetas... Fui com ela com um grande receio...Mas posso dizer que ela me atendeu perfeitamente, inclusive ficando mais de 48 horas armada direto no Camp. Paine Grande, sob a forte incidência de ventos patagônicos... A barraca realmente foi muito aprovada!!! PREPARATIVOS: Consegui minha passagem em uma promoção no site Melhores Destinos, apenas 20 dias antes da viagem, saindo de SP (eu sou do RJ), por aproximadamente Mil reais (já com as taxas), para Punta Arenas. Achei um ótimo valor, e minha viagem foi no modo econômico total... Antes de iniciar a viagem, reservei minha hospedagem em Punta Arenas (Hostel Entre Vientos) e Puerto Natales (Hostel Cuatro Estaciones) pelo Booking e o Camping em Paine Grande no site da Vertice Patagonia. Não efetuei a reserva do Hostel para o retorno do Trekking porque ainda não sabia se iria pernoitar em P. Natales ou retornaria direto para P. Arenas. - Hostel Entre Vientos: Belíssimo Hostel, todo novo e bem cuidado, com o melhor banho da viagem. Fica a 1500 mt do centro da cidade. Reserva efetuada pelo Booking, com pagamento efetuado no momento do check-in (Aceita cartão de crédito – US$ 18 ou CHP 12000). - Hostel Cuatro Estaciones: Hostel familiar, bem próximo ao centro da cidade, com ótimo atendimento e possibilidade de deixar bagagens sem custo, para pegar no trekking. Melhor café da manhã da trip. Reserva efetuada pelo Booking, com pagamento efetuado no momento do check-in (Não aceita cartão de crédito – US$ 15 ou CHP 10000). - Camping Paine Grande: Melhor estrutura de camping durante o trekking. Reserva antecipada garante desconto, por isso efetuei pelo site. Cabe salientar que o processo de compra é um pouco demorado, e deu alguns erros com o cartão até eu conseguir finalizar a compra. No momento de acampar apenas apresentei o email recebido para comprovar a minha reserva. A VIAGEM: 17/11: teve início a aventura... Peguei um vôo noturno do RJ para SP (comprado com milhas), e aguardei no aeroporto mesmo pelo vôo para Punta Arenas. 18/11: o dia foi praticamente inteiro dentro do avião, chegando em Punta Arenas às 18:40hs. OBS: Durante minha conexão no aeroporto de Santiago, aproveitei para sacar Pesos Chilenos. Efetuei o saque pelo Banco do Brasil, conseguindo uma cotação, após a inclusão de todas as taxas, de R$ 1 = CHP 159. Acotação foi muuuuuiiiito ruim, tendo em vista que no próprio aeroporto, as casas de câmbio praticavam a cotação de R$ 1 = CHP 182. Peguei um ônibus para o Hostel Entre Vientos (CHP 3000), e desci praticamente na porta do Hostel. Você pode optar também por pegar um táxi (CHP 9000). Caso você vá no mesmo dia para P. Natales, você pode entrar em contato via email com as principais viações que fazem o trajeto para que você pegue o ônibus para Puerto Natales direto no aeroporto (os ônibus saem do centro da cidade mas sempre passam pelo aeroporto). 19/11: Após o café e check out, saí do Hostel e fui conhecer um pouco do centro de P. Arenas, e tentar aclimatar um pouco. Comprei minha passagem para P. Natales na Buses Pacheco (CHP 5000 – Ida ou CHP 9000 – Ida e Volta). Peguei o ônibus às 11:00hs, chegando em P. Natales às 14:00hs. Na rodoviária aproveitei pra comprar as passagens para TDP, no dia seguinte. Você escolhe o dia e horário apenas da ida, a passagem de volta fica em aberto para você pegar o ônibus de volta conforme sua programação (mas você deve voltar na mesma empresa que vai)... Comprei com a empresa Bus Sur (CHP 15000 – Ida e Volta). Me programei para chegar esse horário em P. Natales para assistir a palestra sobre TDP no Base Camp (todos os dias, às 15:00hs). Conseguir chegar a tempo, a palestra é bem legal e fica lotada!!! Após a palestra fiz algumas compras e fui para o Hostel Cuatro Estaciones descansar para o dia seguinte, quando enfim a aventura começaria... 20/11: Acordei bem cedo, para tomar café e pegar o ônibus para TDP (os ônibus da manhã saem todos no mesmo horário, às 07:30hs). Fui andando do Hostel até a rodoviária para aquecer, entre 15 – 20 minutos de caminhada, com a mochila. A rodoviária já estava lotada quando cheguei, o parque é muito procurado por pessoas de todas as partes do mundo, principalmente da Europa... E o idioma “oficial” de lá é o inglês...até os atendentes dos campings e refúgios já te cumprimentam inicialmente em inglês....rs O trajeto de ônibus ocorreu sem problemas (achei o ônibus da Bus Sur mais aconchegante que o da Pacheco...). O ônibus para na Portaria Laguna Amarga, onde você irá pagar a taxa do parque (CHP 18000) e assistir um vídeo sobre o parque. O que eles repetem, como um mantra, é: NÃO FAÇAM FOGUEIRAS NO PARQUE!!! Infelizmente, à poucos dias saiu uma notícia que um brasileiro foi expulso do parque por causa disso... simplesmente lamentável!!! Como eu tinha um dia além do necessário para o circuito W, resolvi iniciar o trekking por um ponto bem menos usual, saindo da Administração (último ponto de parada do ônibus). Caso opte por iniciar a trilha de lá, você pode incluir mais um dia de caminhada no seu roteiro...mas eu digo que compensa muito!!! Compensa no visual, você tem uma vista de todo o maciço Paine Grande que você não terá no Circuito W ou O, e compensa financeiramente, pois você não precisará pegar o Catamarã, o que irá proporcionar uma boa economia.... Cabe ressaltar que esse trecho é muito menos frequentado que os Circuitos... você deve seguir por uma estrada de carros até encontrar a placa onde a trilha se inicia...Depois ela segue toda muito bem sinalizada e delimitada, não tem erro... Iniciei a caminhada por volta de meio dia, com o tempo um pouco fechado, tendo como companhia apenas uma alemã que vivia no Uruguai...rs... A Katja iria fazer todo o circuito Q sozinha (o Circuito Q é composto do Circuito O + esse primeiro dia de caminhada)... Fui eu tentar desenferrujar meu inglês e meu espanhol (não sei qual anda pior....rs)com a Katja (que fala 4 idiomas!!! ), mas conseguimos nos entender bem... A Katja tinha planejado acampar no camping Las Carretas (gratuito), onde chegamos após 2 hs de trilha. Nos despedimos ali, e eu continuei minha caminhada por mais 3 hs até o Camping Paine Grande, onde encontrei apenas mais uma pessoa na trilha... dia de reflexão e gratidão por estar tendo a oportunidade de conhecer aquele lugar belíssimo!!! 21/11: A noite até que foi bem dormida, apesar do frio nos pés o do vento fortíssimo desta parte do parque... Neste dia acordei cedo, pois teria um percurso longo pela frente. Foram 30km de caminhada, um bate e volta até o antigo Campamento Los Guardas. (resolvi seguir até o Los Guardas para ter um visual melhor do Glaciar Grey, em comparação com o visual do Mirante do Refúgio Grey). Neste dia a caminhada foi bem mais tranquila e relaxante, pois foi feita somente com uma mochila de ataque bem leve, o que ajudou bastante... Retornei novamente para o Campamento Paine Grande, onde mais uma vez pernoitei. 22/11: Acordei cedo, pois esse dia também é bem puxado. O dia se iniciou com uma caminhada até o Campamento Italiano (gratuito), onde é possível deixar a mochila cargueira e seguir apenas com uma mochila de ataque até o Vale do Francês. OBS: Nós, brasileiros, podemos estranhar um pouco na hora de deixar nossas mochilas com todos os nossos pertences “abandonadas” por horas, do lado de fora da casa do Guarda Parque, no momento do ataque ao Vale... Porém, posso te garantir que a prática é mais do que normal no exterior, realmente há esse respeito (coisas que o Brasil ainda precisa aprender...). Após o ataque ao Vale Francês, cheguei a um momento de decisão no meu planejamento: Eu tinha a opção de pernoitar no Campamento Italiano (gratuito) que era meu planejamento original, ou seguir até o Campamento Los Cuernos (pago) distante mais 5,5 km. Após ponderam um pouco, resolvi seguir para o Los Cuernos (e foi a melhor decisão que poderia tomar, já que o trekking no dia seguinte se mostrou muito desgastante). O Los Cuernos é outro Camping pago do parque, mas administrado por outra empresa (Fantastico Sur). O valor do Camping é de CHP 7500, mas o controle é muito ineficiente (a Katja, que eu havia reencontrado no dia anterior, saiu do camping sem pagar... e eu, mesmo pagando, não coloquei a etiqueta de comprovação na minha barraca). Neste camping as barracas ficam bem distantes umas das outras, e em muitos pontos há opção de montar a barraca sobre tablados... é bom aprender essa técnica antes de sair do Brasil!!! 23/11: Esse dia foi bem puxado, pois a trilha foi longa e bastante cansativa, com os fortes ventos patagônicos voltando com tudo, principalmente no Vale do rio Ascencio... Após a longa e desgastante caminhada, cheguei ao Campamento Torres (gratuito), novamente na companhia da Katja... Montamos nossas barracas e subimos juntos para enfim chegar a basse das Torres... Esse trecho é de subida íngreme, com um trecho final de pedras soltas, então bastante atenção!!! Mas, a recompensa.... não tem preço!!! Mais um momento de gratidão por aquela oportunidade, planejada em cima da hora, apesar do desejo de tantos anos... O sentimento de olhar aquelas Torres de perto é ímpar, passando na cabeça um filme de todos aqueles dias de frio e contemplação... com um pequeno lamento de não poder seguir caminhando e completar o “Q” (promessa que será realizada em um futuro próximo). 24/11: Último dia... A grande maioria das pessoas que pernoita no Campamento Torres acorda cedo para contemplar o nascer do Sol junto as Torres, mas confesso que fui vencido pelo cansaço (e também pela sensação de que o dia iria amanhecer encoberto, pois já dava sinais disso na noite anterior). Bom, dito e feito... Levantei mais tarde e a Katja me contou que realmente o dia amanheceu muito encoberto, e ela não teve visão nenhuma das Torres... E passou um frio desgraçado....rs Tomei café da manhã, me despedi da Katja, trilheira solitária como eu, que me acompanhou por bons momentos durante a trilha, e desci até a Hosteria Las Torres para finalizar minha viagem... Cheguei na Hosteria muito antes do horário da Van que leva até a Portaria Laguna Amarga... Devido a isso, ao frio cortante que fazia na Hosteria, e ao desejo de economizar, resolvi fazer esse trajeto andando... CONSELHO: Não faça isso!!! Rs... O trajeto não tem nenhum atrativo e, o cansaço somado ao clima de “fim de festa”, fazem esse trecho não acabar nunca!!! Após pegar o ônibus resolvi pernoitar em P. Natales mesmo (sem reserva). Segui até o Hostel Cuatro Estaciones e... estava lotado!!! Andei por quase uma hora, com frio e com a mochila que agora pesava uns 1000 quilos nas costas até encontrar outro Hostel com vaga e um preço acessível...rs... Me hospedei no W Circuit Hostel, por CHP 10000. 25/11: Dia de seguir para P. Arenas e retornar ao Brasil. GASTOS: - Passagem aérea: R$ 1050,00 + 65,00 (taxa RJ – SP)+ 10000 pontos Azul - Ônibus P. Arenas – P. Natales (Ida e volta): CHP 10000 - Ônibus P. Natales – TDP (Ida e Volta): CHP 15000 - Entrada TDP: CHP 18000 - Hostel P. Arenas: CHP 12000 - Hostel P. Natales: CHP 10000 (x2) - Camp. Paine Grande: CHP 5500 (x2) - Camp Los Cuernos: CHP 7500 E foi isso!!! Mais uma trip sensacional concluída... mais um sonho realizado!!! Gostaria de mais uma vez agradecer ao site Mochileiros.com, pois grande parte das informações que eu precisei para o meu planejamento eu encontrei aqui... A cada um dos anônimos que separa parte do seu tempo na correria do dia-a-dia para escrever relatos e responder a perguntas de pessoas que ele nunca viu.... Isso me faz ainda ter fé... Gratidão!!! Nos vemos pelas montanhas!!! CHECK LIST.doc
  13. Olá, acabo de voltar da patagônia chilena com o meu namorado e envio o meu relato do circuito W do Torres del Paine com algumas fotos. Tive muita dificuldade em achar informações antes de ir, então tentarei ser mais completa possível. A nossa jornada começou meses antes da viagem, mais precisamente 5 meses antes, quando compramos as passagens. Nesses 5 meses lemos bastante a respeito das trilhas, do parque e da prática de trekking. Não sou uma pessoa sedentária, mas também não sou acostumada com trekking (o único que fiz foi há 2 anos, subindo o pico da Bandeira, e achei super cansativo), então tive que me preparar fisicamente, psicologicamente e materialmente para isso. Foram várias idas a Decathlon e lojas de aventura para comprar o arsenal que achamos necessários. Vou falar primeiro então o que compramos em Belo Horizonte antes da nossa ida: - Bota impermeável Timberland (Centauro – Achei uma promoção muito boa comprando pelo méliuz, saiu por menos de 200 reais) – Caso não conheça o méliuz faça seu cadastro com o link: https://www.meliuz.com.br/i/ref_marinahla - Meias de trekking - Calça de trekking (Decathlon) - Equipamentos de cozinha: Fogareiro (http://www.decathlon.com.br/montanha/camping/acessorios-de-camping/fogareiro-apolo-3155_37025), kit cozinha (panelas, copo, talher: http://www.decathlon.com.br/montanha---aventura/camping-38138/acessorios-de-alimentacao-e-higiene/conjunto-cozinha-aluminio-2-p_188254?skuId=123716) - Lanterna (Quase não utilizamos pois o dia dura muito tempo no verão, mas foi necessário para ajudar a procurar as coisas na mochila nos quartos do refúgio e barraca) - Garrafa de água - Comidas (liofilizada, vapza) – Mais tarde detalho essa parte - Capa impermeável para o mochilão e a mochila de ataque Algumas coisas já tinham e não precisei comprar, mas não se esqueçam de: Canivete, cadeado, mochilão (marca boa, anatômico e leve), casaco e acessórios de frio. Óculos escuros eu levei mas usei muito pouco, não tenho o hábito, mas foi útil quando o vento apertava muito. DICA 1: Amaciar a bota antes da viagem. Sugiro fazer pequenas trilhas com a bota para acostuma-la com ela no pé, caso não seja possível fazer trilhas sugiro andar pela cidade mesmo com a bota. DICA 2: Preciosa! Comprar/alugar “trekking poles”, aqueles bastões que ajudam a equilibrar na hora da caminhada. Li um pouco sobre eles mas acabamos deixando pra lá e fomos sem eles, arrependemos muito! Todo dia antes de começar a andar íamos no mato e procurávamos um pedaço de madeira para fazer esse papel, e já ajudava bastante a estabilizar. DICA 3: Não tive problema nenhum com o clima, dei sorte! O que mais me incomodava durante as trilhas era o vento gelado no ouvido, apesar do calor por estar andando. Para resolver esse problema usei bastante a minha “head band”, pois tampa o vento da orelha mas não deixa a cabeça suando como acontece com a touquinha. DICA 4: Toalhas de camping não são extremamente necessárias, mas ajudam bastante pois são leves, ocupam pouco espaço e secam rápido. DICA 5: Levar chinelo! Chinelos são extremamente úteis não só para o banho mas para descansar o pé da bota. Até nas paradas durante a trilha tirava a bota e substituía por chinelo por algum tempo. DICA 6: Abusar do protetor solar e chapéu/boné – O buraco da camada de ozônio está bem em cima da Patagônia e a radiação é bem alta. VESTUÁRIO: Eu levei 1 calça legging, um short e uma calça de trekking. Colocava sempre ou a legging ou o short por baixo da calça, e dependendo do clima tirava a calça. Mesmo nos dias mais frios (base das torres) não senti frio só com a legging, pois meus pés estavam aquecidos (bota e meia térmica). Levei, ainda, uma blusa para cada dia, um único casaco e pijama, só. Comprei só 3 meias mas no final achei que devia ter levado 4, uma para cada dia. Dos acessórios de frio tinha 1 cachecol, uma touca, uma head band e luva. A luva só precisei usar no dia das torres, que nevava e ventava bastante. No final da viagem acho que o meu saldo foi mais de calor do que de frio, mas como dizem o clima lá é muito instável, tem que estar preparado para tudo. COMO CHEGAR: Nosso vôo saiu de BH e tivemos um longo dia de viagem até nosso destino final. Como viajamos em altíssima temporada as passagens foram mais caras que o normal, mas pesquisando bem e viajando fora de temporada pode-se achar preços bem melhores. Compramos uma passagem da GOL de BH-Santiago (1500 reais pp i/v) com escala em SP. E separadamente compramos o voo da Sky Airlines de Santiago – Punta Arenas (750 reais pp i/v) com escala em Puerto Montt. De Punta Arenas pegamos um táxi do aeroporto até o terminal de ônibus e de lá um bus para Puerto Natales. Procurei muuito antes de ir um ônibus que pegasse a gente no aeroporto e fosse para Punta Arenas, e o que descobri é o seguinte: A bussur para no aeroporto, mas você só pode embarcar lá se comprar sua passagem com antecedência pela internet. Mandei vários e-mails e liguei diversas vezes para lá tentando comprar com antecedência a passagem, mas não consegui, é muito complicado! Tivemos então que fazer o esquema de pegar táxi até o terminal (mais detalhes embaixo). Do terminal o ônibus leva 3h até a rodoviária de Puerto Natales. Nos hospedamos lá por uma noite e no dia seguinte partimos para o Torres del Paine (3h até Pudeto). Ao descrever meu dia a dia explicarei melhor a parte do transporte. CLIMA: As mudanças bruscas e extremas no clima patagônico são bem conhecidas, mas vou falar apenas da minha experiência. Peguei sol todos os dias, o que não é muito bom pois fazia bastante calor durante as caminhadas. Os momentos de sombra ou dia nublado eram bem mais agradáveis, e não interferiam na paisagem. Durante o dia era raro fazer frio, só colocava o casaco quando em pontos muito altos e com vento, na grande parte do dia ficava só com blusinha mesmo. Durante a noite fazia frio, mas nada que um casaco não resolvesse. Os lugares mais frios que achei foram no acampamento italiano e na base das torres. O vento pode ser bem intenso no parque, e ele é sempre gelado. Pegamos um vento bem forte em um dos percursos, que até me derrubou no chão (com o mochilão nas costas!), além disso era carregado de areia, o que impossibilitava a continuidade da trilha, então ficamos sentados agarrado numa pedra uns 5 minutos, até melhorar um pouco. O momento mais marcante de clima intenso para mim foi na base das torres, chegamos lá sem casaco, com calor na subida, chegando lá colocamos o casaco devido ao vento. Tiramos fotos lindas com as torres e 10 minutos depois o céu encobriu todo e começou a nevar! Nevou forte mesmo, e em poucos minutos as torres estavam todas encobertas. A duração do dia é algo que confundia muito a gente, é bom sempre andar com relógio para não perder noção do tempo. No verão o sol nascia por volta de 5 da manhã (sei de ouvir relatos, pois não presenciei o nascer do sol em nenhum dia) e o dia ficava claro até as 23h! ALIMENTAÇÃO: O que iriamos comer durante os dias no parque foi algo que me deixou bastante preocupada e ansiosa. Ainda no Brasil experimentei diversos tipos de comida mas nada me agradou muito. Experimentei as comidas liofilizadas e achei MUITO ruim, a consistência é horrível e o gosto é de ração, não achei uma boa levar para o TdP. Os alimentos da vapza são bem melhores, mas mesmo assim achei um pouco pesados, muito salgados. Resolvemos então arriscar e deixar para comprar tudo no supermercado de Puerto Natales mesmo, com exceção do arroz, atum e do caldo Knorr que comprei no Brasil. No final das contas comemos super bem todos os dias! Vou detalhar a nossa alimentação nos relatos do dia a dia. Todo dia a gente tomava um café da manhã reforçado e jantávamos muito bem. Na hora do almoço ou comíamos um sanduíche ou cozinhávamos, dependendo de onde estávamos. Durante o dia ainda comíamos snacks durante as pausas: Frutas secas, barrinha de cereal, biscoito. Nos refúgios tem-se a opção de fazer as refeições no restaurante, o que é mais cômodo e deixa a mochila mais leve, mas é caro (café da manhã: 15 $, almoço: 16 $ e jantar: 20 $)) Além disso, os refúgios têm um mini Market que vende alimentos. DICA 7: Em Puerto Natales passar na loja Itahue (Rua Esmeralda 455 B), que vende frutas secas e amendoim. Recomendo o morango e a banana, uma delícia e um ótimo snack para os dias de caminhada. Bom, agora que dei uma geral sobre os preparativos vou para o relato dia a dia: DIA 1 - 27/12/15 Saímos de BH as 21h, rumo a SP. Nossa escala era rapidinha e 00:05 saiu nosso vôo para Santiago. (Lembrar que o horário do Chile é 1h atrasado em relação a Brasília – horário de verão). DIA 2 – 28/12/15 Após 03:30 de vôo chegamos em Santiago, de madrugada. Dormimos no aeroporto mesmo. Eu achei bem tranquilo, no 1º andar do aeroporto tem umas cadeiras acolchoadas, dormi sem problema nenhum. Acordamos, lanchamos e fomos trocar nosso dinheiro no aeroporto mesmo (1 real = 164 pesos chilenos - Para facilitar a conta consideramos 1000 pesos = 6 reais). Nosso vôo saiu as 11:30, com duração de 1h45m até Puerto Montt, escala de 40 min (não descemos do avião) e mais 2h até Punta Arenas. A SKY Airlines é uma companhia bem mediana. Os bancos são menores que o normal, reclina quase nada e não servem nem vendem comida! A gente morreu de fome durante o vôo. A comissária disse que está previsto iniciar venda de lanche a bordo em breve, mas não é bom contar com isso, lembrem de comer antes de embarcar. Chegando em Punta Arenas comemos um sanduíche (4000 CLP) no aeroporto mesmo pois estávamos com muita fome, mas as opções são poucas e bem caras. Lá no aeroporto me certifiquei se não teria como mesmo pegar um ônibus direto para Puerto Natales, e realmente é só com reserva prévia pela internet. Naquela confusão de aeroporto encontramos uma chinesa que estava com o mesmo problema que a gente e dividimos um táxi até a estação do Bussur. O taxi foi 8000 CLP e o percurso dura aproximadamente 20 minutos. As vans que faz o mesmo trajeto e saem com bastante frequência custam 3000 CLP. Se tiver com mais gente vale a pena dividir um táxi, ou então catar um mochileiro com o mesmo destino que o seu (quase todos!). Chegamos na estação do bussur em cima da hora de sair o bus, compramos o ticket (6000 CLP) e embarcamos. Tem outras empresas que fazem esse trajeto também, todas tem a mesma tarifa. Os horários podem ser conferidos nos sites das companhias (Bussur, buses fernandez). A viagem Punta Arenas – Puerto Natales durou 3h e a paisagem é incrível! Chegamos em PN as 20h, com frio e fome. Pegamos um taxi até o hostel (A tarifa em PN é fixa: 1300 CLP dias úteis e 1500 CLP final de semana, feriados ou a noite). Deixamos as malas no hostel e fomos procurar um restaurante. Tudo é bem caro no sul do Chile, o restaurante que fomos era super simples, pegamos as opções mais baratas do cardápio e a conta deu 17000 CLP, ou seja, 100 reais. Voltamos mortos para o hostel e dormimos ainda na luz do dia! Hostal Morocha: Diária para o casal: 38000 CLP (só em cash). O hostel é uma casa pequena gerenciada por uma suíça super simpática. Os quartos apesar de pequenos são bem aconchegantes e limpinhos. O banheiro é grande e a ducha é ótima! O café da manhã é uma delícia e com bastante variedade. O único porém é a localização, mas como a cidade é pequena não prejudica muito (5 a 10 min a pé do centro). DICA 8: Da última vez que fui ao Chile desci em Santiago e não quis trocar o dinheiro no aeroporto achando que seria mais caro que no centro de Santiago, mas não é! No dia seguinte quando fomos ao centro não achamos nenhum lugar com tarifa tão boa quanto a do aeroporto. Não sei se é sempre assim, mas não precisa ficar com medo de trocar no aeroporto. DIA 3 – 29/12/15 Acordamos após uma ótima noite de sono e fomos para a cidade fazer as compras finais. Compramos gás para o fogareiro (levamos 2, mas o 1º só acabou no último dia, quase deu pra levar só 1), frutas secas (Loja Itahue) e passamos no supermercado para comprar os alimentos. Organizamos o mochilão e deixamos nossa mala no hostel no qual ficaríamos após voltar do TdP (o Hostal Morocha não tinha disponibilidade em janeiro). Comemos nossa última refeição antes do trekking no Restaurante El Bote, que é simples mas gostoso, o menu com entrada, prato principal e sobremesa era 4000 CLP, e o refrigerante ou suco 1500 CLP. De lá pegamos um taxi e fomos para a rodoviária. Chegamos em cima da hora da saída dos ônibus – várias empresas fazem o percurso ao TdP, e todas saem no mesmo horário (07:30 ou 14:30) e tem o mesmo preço ( 15000 pp i/v). Não precisa preocupar em comprar a passagem antes devido a essa grande oferta, chegamos em cima da hora e conseguimos passagem sem problema. A viagem até o parque tem uma paisagem lindíssima, com muitas ovelhas e alpacas, e dura cerca de 2h até Laguna Amarga, onde todos os ônibus param e todos descem para comprar o ingresso (18000 CLP – Tem que apresentar o papel que ganha na alfândega quando entra no país) e assistir uma breve instrução sobre as regras do parque. Nesse ponto, quase todo mundo do ônibus desceu para pegar o ônibus para o Hotel las Torres, mas como nós iriamos fazer o W invertido, continuamos mais 1h no ônibus até Pudeto. Em Pudeto pegamos o catamarã (15000 CLP, 20 min de viagem) até o Paine Grande. No acampamento fomos direto para o “check in”. Nessa noite o refúgio não tinha mais vaga (mesmo reservando com alguns meses de antecedência), então fomos de barraca mesmo. Alugamos tudo deles (que também precisa ser reservado com antecedência): barraca, saco de dormir e colchão (tudo saiu a 39000 CLP para nós dois). Não é barato alugar com eles, mas a praticidade contou muito na nossa decisão e não me arrependo. Alugar direto nos acampamentos tem a imensa vantagem de não precisar carregar tanto peso nem volume durante as caminhadas, além disso os equipamentos são de alta qualidade e a barraca já vem armada. Não passamos nada de frio durante a noite, a qualidade dos materiais realmente conta muito nessas horas. Após instalados fomos comer. No nosso primeiro jantar comemos sopa de tomate, miojo e bebemos vinho (levamos uma garrafa para as 2 primeiras noites pois não íamos precisar carregar o mochilão nesses dias). Em todos os acampamentos há um lugar específico para cozinhar, é proibido acender fogo fora dessas áreas. DIA 4 – 30/12/2015 Acordamos cedo para dar início ao primeiro dia de caminhada. Tomamos café da manhã reforçado (pão com queijo e peito de peru, chá, pêssego) e preparamos nosso sanduíche para comer no almoço (cream cheese e atum). Preparamos a mochila de ataque só com a comida necessária para o dia, equipamentos fotográficos e acessórios de frio caso fossem necessários (gorro, cachecol) e deixamos o mochilão no refúgio. Começamos a caminhada por volta de 08:30. Em uma hora de caminhada tranquila, com pouca subida, chegamos na Laguna los Patos. De lá andamos mais um pouco e paramos para um lanche (barra de cereais e frutas secas). As 10:30, após 2h de caminhada, chegamos no Mirador Grey. Esse mirador é um lugar espetacular, tem uma vista incrível! Ficamos mais de 30 min lá admirando a beleza do lugar e tirando muitas fotos. Seguimos viagem até o Refugio Grey, onde chegamos após 2h de caminhada com muita descida e alguns trechos difíceis (muita pedra e córregos). Nosso ritmo de caminhada era bem tranquilo, íamos no nosso tempo e parando muito para fotos - a maioria das pessoas fazem esse percurso em menos tempo. Chegamos bem cansados e fomos comer o sanduíche de atum, suco e biscoito. Ficamos mais de 2h lá no acampamento descansando e iniciamos nosso percurso de volta. Apesar das subidas em pouco mais de 1h chegamos ao mirador, mas fomos andando em um ritmo bem acelerado, sem pausas. Paramos no mirador por mais meia hora para descansar e seguimos mais 2h de trilha até o refúgio Grey. Nessa noite dormimos no refúgio mesmo. Jantamos (arroz, salsicha de frango e miojo) e tomamos o resto do vinho. Conversamos com um casal sul africano e um espanhol, os quais encontramos algumas vezes mais nos outros dias. Eles estavam fazendo o circuito “O”, e como nevou na noite do natal eles interditaram alguns trechos do circuito, então eles tiveram que voltar e continuaram no circuito W mesmo. O banho: Como estávamos hospedadas no refúgio podíamos tomar banho lá mesmo. Na hora que fui tomar banho tinha uma fila de 4 mulheres e só 3 chuveiros para o refúgio inteiro! Peguei minhas coisas e fui para o banheiro do acampamento. Em pouco tempo vagou um chuveiro e fui tomar o meu banho. O chuveiro é muito bom! Água quente e forte. O box é de um tamanho bom também, apesar de ter que fazer um malabarismo para trocar de roupa sem deixar nada encostar no chão. O banheiro estava limpinho na hora que fui, eles limpam com bastante frequência. O Otavio tomou banho no banheiro de refúgio e disse que o chuveiro era bom também. As tomadas: As tomadas para carregar as máquinas foram um motivo de bastante preocupação antes da viagem, o que nos levou a comprar algumas baterias extras. Nos acampamentos realmente é mais complicado para utilizar tomadas, mas nos refúgios não tivemos problemas. Nos corredores do refugio Grey existem algumas tomadas, e quase todas vazias. DICA 9: A vista do mirador Grey e do acampamento Grey são quase iguais, só aproxima mais das geleiras. Do acampamento você pode ir pra beirada do lago com mais uns 15 minutos de caminhada. Na minha opinião não achei que valeu a pena ir até o refúgio, teria nos poupado mais se tivesse ficado só no mirador, e como eu disse, a vista não muda muito. DICA 10: Levamos arroz em saquinhos e caldo Knorr, fica bem fácil e gostoso o arroz desse jeito. É só deixar a água ferver, colocar o saquinho de arroz e o tempero (Meu Arroz, da Knorr) e deixar ferver por 20 minutos. Depois é só tirar o saquinho e deixar escorrer e o arroz tá prontinho! Um saquinho dá tranquilo para 2 pessoas. Tanto o arroz quanto o tempero compramos no Brasil e levamos. DICA 11: Eu aproveitava para “ferventar” a salsicha na mesma água do arroz, que já estava com um tempero. Obs: Como íamos nos hospedar no refúgio a noite eles deixaram a gente guardar os mochilões em um “luggage room” dentro do refúgio. Para as pessoas que estão acampando os mochilões devem ser deixados fora do refúgio, em uma varandinha. DIA 5 – 31/12/2015 Acordamos um pouco mais tarde, por volta de 08:30, tomamos nosso café da manhã e as 10h iniciamos nossa caminhada rumo ao acampamento italiano, dessa vez com a mochila nas costas! O caminho é cheio de cachoeiras e pontes, é bem lindo. No final do percurso há uma parte queimada do incêndio que teve no parque em dezembro de 2011. Chegamos por volta de 13h no acampamento italiano, mas como já disse, nosso ritmo de caminhada era tranquilo, muita gente faz em menos tempo. Como lá tinha lugar para cozinhar resolvemos almoçar lá mesmo, comemos macarrão com molho de tomate com carne moída (compramos o potinho de molho pronto no supermercado) e ainda acrescentamos atum. As 14h, devidamente alimentados, deixamos nossos mochilões (com capa impermeável) no acampamento e iniciamos a subida rumo ao mirador britânico. O caminho inteiro é lindo, mas com muitas pedras e subida íngreme. Em 1h40m chegamos ao mirador Valle do Francês, que tem uma vista espetacular dos lagos! Ficamos um tempo sentados lá admirando a paisagens, observandos as avalanches (na montanha em frente de tempo em tempo tem pequenas avalanches, da um barulho parecido com trovão e ai você vê o gelo caindo) e fazendo um lanchinho. As 16h iniciamos a caminhada para o mirador britânico e chegamos as 17:45h. O caminho todo é lindo e bem tranquilo, vai passando por dentro da mata. No meio do caminho, antes de chegar no acampamento britânico tem um “deserto de pedras”, um lugar bem bonito. A chegada ao mirador britânico é um pouco difícil, nos últimos metros tem bastante subida e uma escalada em pedras para chegar ao topo. A vista é linda, mas faz bastante frio! Descansamos um pouco e iniciamos a descida até o acampamento italiano, que durou cerca de 3h. Chegamos no acampamento completamente destruídos, mortos de fome e com frio. Jantamos lá mesmo (arroz, salsicha e miojo) e com muita dor e cansaço pegamos os mochilões e fomos até o Domo Frances, onde iriamos dormir. São 2 km de distância, o que levamos 30 min para percorrer, chegamos bem na hora que começou a escurecer. O lugar é muito bonito, a beira de um lago e tinha bastante gente animada. Dormimos nos “domos”, um quarto bastante interessante e bem estruturado. Cada domo tem 4 beliches, com abajur e tomadas individuais em cada cama! Além disso, há 2 banheiroS em cada domo, e são bem limpos e confortáveis. Tomamos nosso banho e fomos comemorar o ano novo. Estávamos tão cansados que só tomamos uma cerveja (4000 CLP a lata!!), esperamos dar o horário do ano novo no Brasil e fomos dormir. DIA 6 – 01/01/2016 Acordamos ainda cansados e com muitas dores no corpo. O check out era as 09:30 (como em todos os refúgios), mas conversamos para ficar um pouquinho mais. Arrumamos as coisas, comemos e partimos as 11h. Caminhamos 2h até Los Cuernos, que é bem arrumado e bonito o local (tem uma praia de pedra em frente). Los Cuernos é o maior acampamento do parque, tem área de camping, refúgios, chalés e até domos. Paramos um tempo lá para descansar, almoçar (arroz com atum e frutas secas) e conversamos com um brasileiro que tinha acabado de chegar. As 14h demos início a caminhada até El Chileno. Apesar das paisagens lindas esse caminho parecia eterno! Juntou o cansaço acumulado, com mochilão pesado e muita subida. Demoramos 6h de Los Cuernos até El Chileno, com muitas pausas para fotos e descanso. Chegando em El Chileno a paisagem é maravilhosa! O El Chileno é o local mais animado de todos, tem muita gente e muitos jovens. Lá tem refugio e acampamento, nós ficamos no refúgio, num quarto de 8 pessoas. O banheiro era no corredor para todos os quartos e a ducha era bem ruim. A única tomada que achei era no saguão principal, e tinham 3 tomadas para todo mundo dividir, era bem disputado . Ah, lá é o único lugar com wifi, mas é beeem caro. A cozinha para o acampamento era grande porém imunda, bem sujo mesmo. Achei interessante que lá tem uma cestinha para deixar as comidas que sobraram ao invés de jogar fora. Deixamos lá nosso botijão, já que era nosso último dia, e pegamos um pacote fechadinho de torrada. Jantamos sopa de macarrão com molho de tomate e carne e fomos dormir. DIA 7 – 02/01/2016 Último dia no parque. Iniciamos nossa subida ao ponto mais aguardado (base das torres) por volta de 10h. O percurso até o topo durou 2h e foi o mais tranquilo de todos, tem muita subida no final mas fomos devagarzinho e sem estresse. Chegando lá tivemos 2 ótimas surpresas – A primeira foi que as torres estavam lindas, esperando para ser admiridas e fotografadas, a segunda foi que após as fotos começou a nevar!! Apesar do frio (dia mais frio da viagem) foi tudo lindo. A descida durou 2h também (a maioria das pessoas descem mais rápido que sobem, mas eu descia bem devagar com medo de machucar o joelho). Paramos no acampamento só para pegar os mochilões e descansar, em seguida iniciamos o ultimo trecho da viagem, do El Chileno até o Hotel Las Torres. Mais da metade desse percurso é uma pequena trilha com um abismo ao lado, e bem nesse trecho pegamos uma ventania muito forte. O vento me derrubou com mochilão e tudo, então, apesar do vento estar soprando do lado contrário do abismo resolvemos esperar ele diminuir um pouco antes de continuar a descida. Esse trecho foi o único que usei óculos escuros, pois o vento carregava muita areia. A descida demorou 2h. Chegamos mortos, mas super satisfeitos! Comemos uma pizza no hotel mesmo, que era bem gostosa e bem servida (19000 CLP) e esperamos o transfer, que passou as 19:30 e custou 2800 CLP por pessoa. O transfer nos deixou na portaria Laguna Amarga, onde todos os ônibus estavam esperando para voltar para Puerto Natales. De Laguna Amarga até a rodoviária de Puerto Natales são aproximadamente 2h. Chegando lá pegamos um taxi e fomos direto para o hotel tomar banho e dormir! Hotel Amerindia: 52000 CLP a diária por casal. O quarto é gigante, cama e banheiro super confortáveis. O hotel é muito bem localizado. O café da manha é gostoso mas simples, com pouca opção. As funcionarias não são muito simpáticas. DICA 12: Experimentar o restaurante “Mesita Grande” tanto em Puerto Natales quanto em Punta Arenas, é um restaurante italiano que tem massa e salada. É um dos mais baratos e vive cheio. O suco e o sorvete de framboesa são uma delícia. Conta para o casal aproximadamente 18000 CLP. Os 2 dias que sucederam o trekking passamos descansando e preparando para nossa volta ao Brasil, em Puerto Natales e Punta Arenas. Bom, a viagem foi incrível e as paisagens muito mais bonitas do que esperávamos e do que é possível retratar em fotos. A viagem apesar de relativamente cara (no final deu aproximadamente 5 mil reais para cada) valeu cada centavo e cada esforço! Espero que tenha ajudado, qualquer dúvida podem me perguntar que estarei a disposição para ajudar.
  14. Gabriel Barbosa

    Circuito W - Torres del Paine

    Olá galera. No final do ano passado (2014), fiz o W com a minha namorada. Todas as informações nós tiramos do mochileiros, porém senti falta delas num mapa, para melhor entender como a coisa funciona por lá. Pensando nisso fiz um com as informações por trecho. Fomos de El Calafate para Puerto Natales no dia 27 de dezembro e aqui vai uma dica muito importante: NÃO DEIXE PARA COMPRAR A PASSAGEM EM CIMA!!! Nós deixamos e quase ficamos sem, só conseguimos pois a dona de um hostel que ficamos em El Chalten conseguiu reservar(Um dos melhores que já fiquei viajando, a dona e seus filhos são incríveis, segue o link: http://www.thiamalu.com.ar). Chegando em Puerto Natales fomos para o Hostel BellaVista, o staff é super solicito e o lugar é bom porém a casa toda é de madeira, e range bastante quando se anda, mas era só por uma noite e foi bem barato. Outra coisa que recomendo é que quando chegar, já compre a passagem para o parque na própria rodoviária, pois na cidade é mais caro, quase todas as empresas lá vendem. Como levamos saco de dormir e isolante, fomos ao centro alugar uma barraca e bastões de caminhada, alugamos numa loja chamada Planet Patagonia, fica perto da praça, é só descer a rua do mercado. O aluguel por 4 dias saiu R$282,00. Se você quiser comprar as coisas, pois pretende usar mais vezes, também vale a pena, o preço das barracas estavam bem melhores do que no Brasil. De forma geral o preço de roupa de frio, calçados e equipamentos é quase metade do preço do Brasil a única coisa que eu achei igual é o preço da comida, que é o mesmo de são paulo. Falando nisso, recomendo um restaurante que chama La Picada de Carlitos, um jantar com um prato para cada, ambos muito bem servido, com 2 litros de cerveja saiu R$ 98,00. No dia 28 de dezembro, pegamos o ônibus das 7:30hrs e fomos ao parque, acho que demora umas duas horas até lá e o percurso é bem bonito. Chegando no parque tivemos que descer para nos registrarmos, pagarmos ($18.000 p/ pessoa) e assistir a um vídeo que fala das regras do parque. ATENÇÃO: Leve dinheiro pois eles não aceitam cartões. Segue o mapa com o Relato, espero que ajude.
  15. Preparativos Em julho de 2014 decidi que, apesar de adorar o carnaval de Santa Catarina, faria uma coisa totalmente diferente nessa data no ano seguinte. Consegui 2 amigos para ir junto comigo e emiti as passagens nas Aerolíneas Argentinas (10k milhas Smiles POA-FTE, 270 reais FTE-USH, 10k milhas Smiles USH-POA). Como a viagem seria de apenas 9 dias, não cheguei a elaborar um roteiro, apenas um esboço do que fazer, além de reservar as hospedagens e o aluguel de carro. Este último saiu caro, mas dividindo em 3 compensou a comodidade e o melhor aproveitamento do tempo. Às vésperas da viagem consegui uns guias do meu colega de trabalho Fernando, e no 13 de fevereiro de 2015 finalmente peguei meu mochilão (dessa vez não esqueci da câmera) e segui para o aeroporto, com uma carona do meu vizinho Marco e outra carona no vagão refrigerado da Trensurb. Ao chegar a Buenos Aires tive que trocar de aeroporto, do Ezeiza para o Aeroparque. Quem tem conexão pela Aerolíneas pode usar o translado da empresa Manuel Tienda León de graça, mas tem que pegar um comprovante em uma sala da companhia no próprio aeroporto. Importante salientar que os horários que estão no site não são confiáveis. 1° dia No meio de uma madrugada mal dormida no aeroporto, partiu meu voo para El Calafate. Do alto era possível ver o lindo azul contrastando com as estepes patagônicas. Cheguei no começo da manhã, dividi um táxi com uns brasileiros, já que saiu o mesmo preço do único outro transporte disponível, uma van que custava 100 pesos, e um tempo depois cheguei na locadora da Hertz, para retirar o veículo. Subi o morro para uma panorâmica da cidade. De lá fui para a Reserva Laguna Nimez, paraíso das aves na beira do Lago Argentino, que envolve a pequena cidade. Paguei a razoável taxa de entrada e depois do trajeto inicial meio sem graça e uma chuva fraca que insistiu em incomodar, comecei a ver espécie após espécie em uma diversidade de ambientes. Entre as mais de 20 fotografadas em algumas horas, constavam gaviões bastante dóceis, tanto que cheguei a ficar a menos de 3 metros de um deles. Também tive o primeiro contato com a fruta típica da região, o calafate, embora meio murcha e pouco saborosa por já estar no fim da época de frutificação. Era para eu ter encontrado ali a minha amiga Raquele, que já tinha viajado para lá antes, mas por uma falta de sincronismo nos encontramos apenas no meio da tarde no hostel em que ficaríamos, o I Keu Ken. O único ponto negativo desse lugar é para quem está a pé, pois ele fica no alto de um morro. Pegamos a estrada sentido norte até chegar ao hotel La Leona mais de uma hora depois. No caminho havia diversos cicloturistas e os primeiros bandos de guanacos e emas. Depois de um lanche e do atendente dizer que não poderíamos ir sozinhos no lugar em que queríamos, fomos para lá do mesmo jeito. Seguindo orientações vagas encontradas pela internet, chegamos ao vale em meio aos morros Los Hornos, onde segundo o site havia uma “depressão profunda”. Literalmente, entramos em depressão. Caminhando, passamos por diversas ossadas e encontramos o que eu queria, fósseis! A floresta petrificada conta com troncos fósseis de 150 milhões de anos. Só vimos poucos troncos e nenhum dinossauro, mas já foi o suficiente para ter valido a excursão. No caminho de volta o sol apenas começava a baixar, apesar de já ser quase 21 h. À noite, durante toda a semana, estava tendo uma festa com shows e inclusive a presença da presidenta, talvez por isso os preços estivessem tão inflacionados. Tanto que tivemos que jantar sanduíches comprados no supermercado, enquanto ouvíamos o show que nem era tão bom assim. 2° dia Pela manhã chegou meu outro amigo, o Vinícius. Partimos para o Parque Nacional das Torres del Paine, no Chile. Primeiro, uma pausa para foto da paisagem insólita no mirante. Fizemos uma escala na metade do caminho em Esperanza, ainda na Argentina. Depois de mais uma refeição à base de sanduíche, tentamos abastecer o carro no único posto em um raio de 50 km, ou possivelmente o dobro, como nos informou o frentista que, assim como uma fila de carros, aguardava o combustível chegar sabe-se lá dentro de quantas horas. Como não tínhamos todo esse tempo, arriscamos seguir em direção ao parque. Os passageiros babavam no carro enquanto eu dirigia pela monótona estrada, quando passamos pelo vilarejo de Tapi Aike. Milagrosamente havia uma bomba de combustível ali, onde já tinha visto num relato que estava desativada. Como a esperança é a última que morre, decidimos bater na casa para ver se alguma alma nos atendia, apesar de todos os outros carros passarem direto. E não é que deu certo? Embora consideravelmente mais cara, foi nossa salvação. No meio da tarde chegamos às aduanas de fronteira. Como havia poucos carros e nenhum ônibus naquela hora, até que foi rápida a travessia. Não levei alimento algum pensando que teria problema, mas a única coisa confiscada foi os sachês de mel do Vini. Outro detalhe importante é que precisa de uma autorização providenciada pela locadora para cruzar a fronteira, a um custo adicional. O primeiro vilarejo no Chile é Cerro Castillo. Possui uns 4 comércios de mantimentos apenas. O primeiro e mais turístico é caríssimo, só o utilize para fazer o câmbio. Indico esse amarelo da foto, ali o preço cai pela metade e aceita cartão de crédito. Não leve água, pois há disponível e puríssima durante todo o circuito, e cada kg a menos é muito precioso. Depois do estoque feito e mais uns quilômetros à frente, entramos na área do parque, cercada por lagoas de diversas cores, como a Laguna Amarga, com alta salinidade e lar dos belos flamingos. Na portaria de mesmo nome, tivemos a péssima notícia de que havíamos chegado tarde demais para escalar as Torres del Paine. Dessa forma tivemos que acampar no camping da hostería Las Torres e replanejar o roteiro para compensar as cerca de 5 h perdidas que faríamos naquele dia. Os campings do parque custam todos em torno de 8000 pesos chilenos, nada se comparado ao preço dos alimentos, então leve o seu junto, nem que seja daquela lojinha na fronteira. Havia uma quantidade impressionante de gringos espalhados entre o camping, o refúgio e o hotel. Assim como nos demais campings pagos, havia água quente e eletricidade, mas não tive tempo para carregar minha câmera. Inauguramos a barraca de luxo da Raquele, enquanto o Vini ficou com minha toca do Gugu emprestada. E ali começou a aventura de se dormir em um chão pedregoso sem um isolante, ao menos em meu caso. 3° dia Iniciada a caminhada com a subida dos belos morros. Logo percebi que o vento forte traria algum estrago. Dito e feito, ele arrebentou a solda do painel solar que tinha levado para carregar a câmera e o celular. Ali começou o primeiro racionamento, o de energia elétrica (o de energia humana viria posteriormente). Conheci as duas frutinhas vermelhas que cresciam junto ao solo e que fariam parte da minha alimentação durante essa jornada, a chaura e a murtilla, levemente doces e ácidas. Logo percebi que o ritmo de um dos integrantes não seria o mesmo do meu, ainda mais com o peso extra na respectiva mochila. Começou a preocupação com o tempo, já que percorreríamos uma distância bem maior do que a praticada por outros visitantes em um dia. Continuamos subindo, passando pelo acampamento Chileno, onde trombamos com um casal carioca e com a placa oficial de entrada. Comi um cogumelo bege que achei no chão e após passar a entrada do acampamento Torres, segui com os cariocas até a parte mais exposta ao vento, onde fiquei descansando por uns minutos até meus amigos chegarem. Ao completar o trecho mais íngreme, avistamos a incrível paisagem do lago glacial e dos pilares graníticos com neve em suas bases. Não há como expressar em fotos a grandiosidade daquela cena. Ainda tivemos sorte de presenciar outro fenômeno, uma tromba d’água, que pegou todos desprevenidos. Almoçamos por ali enquanto contemplávamos a paisagem e depois descemos pelo mesmo caminho por algumas horas até a bifurcação para ir ao acampamento Los Cuernos. A trilha de todo o circuito é razoavelmente bem sinalizada, embora as placas estejam voltadas para quem faz o trajeto em sentido contrário (a grande maioria). Assim, quando havia uma bifurcação, só sabíamos o caminho certo ao chegar ao seu final. Ainda bem que tínhamos GPS no celular, e que a bateria dele durou todo o tempo necessário. Caminhamos por longas horas durante esse trecho quase plano de 11 km. Quando o dia ameaçava terminar, cruzamos o último morro e vimos o acampamento de um lado e outra tromba d’água no lado oposto. Com o atraso em nosso itinerário, tivemos que acampar novamente em um lugar pago. Assim que terminamos de armar as barracas, a noite chegou. Meus amigos jantaram seus miojos de copo enquanto eu fiquei com as sobras e um sanduíche de queijo e presunto. Depois de um banho quente e uma contemplada num dos céus mais bonitos que já vi na vida, parti para a cama, ou melhor, saco de dormir. Vini não teve tanta sorte, preocupado acompanhando um rato que apareceu atrás de sua barraca. Distância percorrida no dia: 26 km. 4° dia Amanheceu um dia chuvoso e mais frio que o anterior. Nesse momento meus lábios já haviam ressecado o suficiente para rachar, e a situação só foi piorando, já que não tinha nada para botar neles. Em virtude de nosso atraso, decidimos que somente eu percorreria a segunda perna do circuito W, os demais seguiriam ao acampamento Paine Grande a 13 km e nos encontraríamos lá no fim do dia. Com isso, enquanto eles descansavam, tomei um litro de leite e coloquei a roupa impermeável para a caminhada. Pouco depois surgiu o sol, que me obrigou a trocar as vestimentas novamente. Continuei ao longo do belo Lago Nordenskjöld, já mirando o Cerro Paine Grande. Passei o acampamento Italiano, onde começava a subida do Vale do Francês. A difícil ascensão margeava um rio, geleiras e o cume da montanha, de impressionantes 3050 metros, ligeiramente superior à mais alta montanha brasileira. Nessa hora tive que pôr novamente uma roupa mais propícia ao frio e vento que fazia. Parei para comer uma maçã no mirante intermediário, de onde a maioria dos caminhantes e seus bastões não passam, e continuei subindo. Já estava bastante cansado e até um pouco atrasado no horário, quando fui agraciado por uma precipitação diferente. Pela primeira vez na vida presenciei a neve caindo sobre mim! O êxtase me deu forças para o trecho final mais duro, até o Mirador Británico. Infelizmente o clima frio e nublado não ajudou nas fotos e esgotou a bateria da minha câmera novamente, restando o guerreiro celular. Paciência, mas fiquei bem de boa lá no topo enquanto almoçava e admirava a paisagem sem uma viva alma em volta. A possível continuação da trilha estava fechada, então tive que descer. Atravessei a extensa floresta carbonizada, resultado de um incêndio de grande proporção causado por um israelense em 2012, fato que motivou a proibição de fogueiras no parque. Novamente no final da tarde, cheguei ao acampamento. Depois do jantar provamos o excelente licor de calafate que tínhamos comprado na fronteira, recomendo! Como não havia árvores no camping, o vento soprava mais forte, tanto que praticamente destruiu nossa outra barraca. Distância percorrida no dia: 23 km. 5° dia Esgotado das noites mal dormidas e caminhadas sem fim, partimos para o terceiro e esperado último dia de trilhas. Um aviso de amigo, não experimentem brincar com a flor da foto abaixo. Isso me custou um bocado de tempo para conseguir remover os espinhos que grudam individualmente na roupa. Continuando, avistamos belos icebergs na borda do Lago Grey, sinal de que a geleira estava se aproximando. E foi bem isso. Um pouco depois chegamos ao mirador do Glaciar Grey, onde a longuíssima geleira avança sobre o lago de mesmo nome e sobre uma ilha que a contém. Naquele momento, decidimos que não iríamos até o refúgio Grey, pois o horário do barco não era compatível com o nosso. Assim, voltamos até o Paine Grande e descemos até o acampamento Las Carretas, um dos trechos menos frequentados do parque e já fora do circuito W. Apesar das belas paisagens iniciais, a maior parte dos 17 km seguintes seria bastante monótona, uma pradaria sem fim, com poucas aves passando. Ao menos o trajeto era plano. Ao chegar ao camping desprovido de qualquer infraestrutura, a decisão mais difícil: ter outra péssima noite ali ou arriscar seguir caminho e conseguir carona para voltar à outra portaria onde estava o carro, há quase 50 km dali? Escolhemos a segunda opção. Chegamos à sede do parque onde passava a estrada, mas os poucos veículos que passavam em sentido norte naquele fim de dia eram transportes dos hotéis. Com isso, tivemos que pedir clemência ao responsável pela sede, um senhor que nos deixou acampar ao lado do prédio que fica na margem do Lago Toro. O senhor foi tão gentil que até me passou a senha do wifi, e eu pude avisar para minha mãe que ainda estava vivo. Improvisamos um conserto para que a segunda barraca pudesse passar sua última noite conosco antes de ir dessa para melhor. Os únicos ruídos dessa noite foram dos ventos uivantes e dos roncos do Vini. Distância percorrida: 29 km. Total: Cerca de 78 km, com um baita peso nas costas e elevações constantes de 50 a 850 metros! 6° dia Começamos bem o dia. O segundo carro que passou, com um simpático casal de italianos, deu carona para nós e para nossas mochilas até a portaria do parque. Uma hora depois lá estávamos de volta. Juntamos os últimos 8 dólares que tínhamos para pagar o translado até o hotel para eu retirar o carro. No caminho até a fronteira, flagramos um bando de condores andinos. Depois do almoço e e da aduana, voltamos por um atalho de estrada de chão, frequentado mais por animais do que humanos. De volta à cidade no meio da tarde, fomos direto para o Parque Nacional Los Glaciares. O parque, pago, consiste em uma estrada que costeia um rio até a principal atração de El Calafate, o Glaciar Perito Moreno. Plataformas te deixam bem próximo da geleira, a ponto de ver e ouvir com clareza os pedaços de gelo se partindo e desabando na água. As colunas de gelo de 60 m de altura que se estendem por até 5 km e que crescem e se despedaçam constantemente, são mais uma paisagem indescritível, especialmente durante o pôr-do-sol. Quando saímos do parque já anoitecia. A quantidade de lebres que passa pela estrada é surpreendente. Especialmente pela rota 60, que é de chão em meio a fazendas. Cruzamos por dezenas delas, felizmente nenhuma atropelada. Eu e Vini dormimos no mesmo hostel de antes, enquanto que Raquele, que ficaria mais um dia na cidade, foi para outro. 7° dia Cedinho pegamos o voo para Ushuaia, ou “Uçuaia”, como dizem os argentinos. Peguei umas dicas valiosas no centro de informações do aeroporto e, claro, carimbei meu passaporte com o selo do fim do mundo. Como Ushuaia é uma zona franca, as coisas custam consideravelmente mais barato que em El Calafate. Sendo assim, consegui finalmente almoçar de verdade, no restaurante El Turco, que fica na principal avenida do centro, a San Martín. Ushuaia não tem o mesmo charme de El Calafate, mas ainda assim é agradável. Dentro das construções climatizadas, claro, pois os ventos e baixas temperaturas limitavam as caminhadas, sobretudo em dias nublados e à noite. Reservamos o passeio pelo Canal de Beagle, escolhendo o de 750 pesos, que passava pelas ilhas dos passeios padrão e mais a dos pinguins. Estava um pouco receoso pelo alto custo, mas posso dizer que valeu muito a pena. O passeio de quase 7 h começa passando por ilhotas cobertas de colônias de aves, principalmente o cormorão, que à distância parece um pinguim. Além destes, há gaivotas, trinta-réis, albatrozes, entre outras espécies menos frequentes. Pouco à frente fica a Ilha dos Lobos Marinhos, que abriga algumas dezenas desses animais tranquilos. Continuando, se passa pelo Farol Les Eclaireurs e mais outro bando de aves iguais continuando por um bom trecho sem ilhas, com raros povoados no lado argentino do canal e o vilarejo de Puerto Williams, que disputa com Ushuaia o título de cidade mais austral do mundo, e talvez não o seja pelo fato da população ter menos de 3000 habitantes, sendo a maioria militares e pescadores. Em seguida a embarcação passa por uma estrutura geológica formada na glaciação, e após contorná-la, chega ao destino final, a Ilha Martillo, mais conhecida como Pinguinera. Incontáveis pinguins-de-magalhães se reúnem nesse pedaço de terra como parte do seu ciclo de vida, e nos brindam com essa exibição incrível. Junto a eles aparecem algumas aves oportunistas, como escuas e urubus, além de 2 outras espécies de pinguim: o Papua, que é a ave mais veloz na água, e o Rei, que é mais raro e maior que os outros que passam por lá. Quem tem muita sorte, como a Raquele que foi no dia seguinte, consegue ver alguma baleia pelo meio do canal. Para os demais, resta o longo retorno assistindo documentários sobre a Terra do Fogo e os pinguins na cabine climatizada, ou então babando no sofá como meu amigo. À noite, eu e Vini jantamos em um lugar animado da Av. San Martín chamado Chester. Comi eu queria muito comer queijo Roquefort, uma iguaria barata na Argentina, pedi uma pizza de 4 queijos só para mim, já que ele não queria. Enquanto comíamos e tomávamos a ótima cerveja vermelha da marca local Beagle, passava um pot-pourri de clipes de rock das décadas passadas. É um bom lugar para um esquenta. Retornamos em seguida ao bom hostel Yakush para dormir em seus colchões moles. 8° dia Às 10 h pegamos o transporte que sai de hora em hora da estação rodoviária para o Parque Nacional da Terra do Fogo. Duzentos pesos para ida e volta e mais 100 para entrada no parque. Começamos pela trilha que segue pela costa da Baía Lapataia, em meio às 3 espécies de árvore do gênero Nothofagus, as mesmas que havia em Torres del Paine. Não possuía grandes novidades, além de alguns passarinhos, chumaços de algas-pardas, mexilhões e grãos de areia acinzentados. Em meio à trilha estávamos morrendo de calor pela quase ausência de vento, mas quando fomos para as demais o tempo virou. Veio uma brisa do capeta e uma chuva bem chata. Uma das trilhas levava até um observatório de aves, embora nenhuma nova naquele dia. A outra até uma turfeira gigante, causada pela matéria orgânica lentamente sendo decomposta no frio e umidade do lugar. A última trilha nos mostrava o estrago causado pelos castores, resultado de mais uma introdução de espécie exótica desastrosa. A castoreira represa a água em um ponto e alaga uma baita área, onde morrem essas árvores de lento crescimento. Retornando, ainda tivemos sorte de observar uma raposa se alimentando. Nosso transporte de volta sairia às 19 h, como ainda tinha um bom tempo fomos até a cafeteria que ficava um pouco distante. Chegamos às 18:05 h, e para nossa surpresa, já estava fechada! Assim, tivemos que aguardar na sarjeta junto com um chinês maluco que ficava fotografando cavalos em atividade de cópula a nossa frente. No retorno ao hostel conhecemos uma dupla de brasilienses, Edgar e Conceição. Tentamos ir a um pub, mas o lugar não aceitava cartão de crédito, estava cheio e era quente demais. Com isso, eu e Vini jantamos no mesmo lugar da outra noite e depois degustamos um bom vinho que a dupla nos ofereceu no albergue, enquanto o staff reclamava o tempo todo da nossa conversa que beirava uns 50 decibéis. Apesar desse cara chato, a ruiva da manhã é bastante simpática. 9° dia Vini partiu de manhã cedo de volta ao Rio. Depois de um café-da-manhã reforçado, lamentavelmente sem frutas como no albergue anterior, saí para uma caminhada. Infelizmente escolhi o dia errado para as compras, pois no domingo a maioria das lojas, inclusive as de equipamentos de aventura, estava fechada. Consegui apenas comprar souvenires e ir ao supermercado pegar um bocado de alfajores de 4 pesos cada. Na ida para o almoço, encontrei Raquele voltando de um passeio e ela encontrou outra brasileira que tinha conhecido na viagem. Fomos os 3 almoçar no Banana Bar. O lugar também sai bem em conta, mas precisa urgentemente de mais de uma garçonete para atender todo mundo. Provei a outra marca de cerva, a Cape Horn. Boa, mas ainda fico com a Beagle. No retorno, pausa para um chocolate quente. Depois disso fiquei matando o tempo no albergue, pois estava cansado para ainda visitar o Cerro Martial, a outra atração da cidade, e sem dinheiro vivo para os museus. Peguei o táxi e quando fui embarcar descobri que tinha uma maldita taxa de 28 pesos separada da passagem para pagar em dinheiro. USH-AEP, EZE-POA e finalmente de volta direto ao trabalho! Ps: Se você curtiu as dicas, quer economizar ainda mais, conhecer outros destinos e apoiar novas relatos, não deixe de conferir meu blog! http://www.rediscoveringtheworld.com
  16. De 03/02/2012 até 13/02/2012 estive em viagem para a Patagônia chilena na companhia dos amigos Ramon, Alexandre e Juliana. Eu e Ramon queríamos conhecer o Torres del Paine, Alexandre e Jú voltaram lá conosco para matar as saudades do parque! Amigos de viagem, obrigado pela companhia, foi demais! Amigos que colaboraram com equipamentos, dicas e energias positivas, muito obrigado! A viagem foi inesquecível. Daquelas que a gente volta pra casa já fazendo planos de quando viajar de novo para lá. O roteiro: Fizemos o circuito W, sendo que um pouco diferente do tradicional. Isso porque, pretendíamos conhecer o Paso John Gardner, que apesar de pertencer ao circuito "O", também foi incluído nos nossos planos. Além disso, embarcamos para lá com o parque ainda se recuperando do grande incêndio que devastou cerca de 17 mil hectares da sua área. Com isso, alguns acampamentos estavam fechados, como o Italiano. Isso nos obrigou a atravessar do Paine até o Cuernos em um só dia, reduzindo o tempo disponível para exploração do Valle del Francês. Apesar do inconveniente de perdermos a parada no Italiano, nosso roteiro ainda poderia ter sido pior. Por sorte, re-abriram o trecho Paine - Grey (que estava interditado pelo incêndio) alguns dias antes de embarcamos. Tivemos sorte também de reabrirem o refúgio do Paine Grande durante nossa trilha. Caso contrário, precisaríamos atravessar do Grey ao Cuernos em um só dia. [align=center][/align] Dica para quem pretende acampar no Chilenos: Descobrimos que existe uma trilha que liga o Cuernos a este acampamento sem passar pela Hostelaria Torres. Ela começa no meio do trecho Cuerno-Torres e termina no meio do trecho Torres-Chileno. Não chegamos a utilizá-la, mas para quem vem do Cuernos, parece poupar uma grande caminhada até a Hostelaria e evitar uma subida puxada da Hostelaria até o Chileno. Essa trilha não aparece representada no mapa que recebemos na entrada do parque, mas existe sinalização formal para ela no meio da trilha. O clima: Não pegamos nenhum frio absurdo. Infelizmente, não tínhamos termômetro para registrar a temperatura com precisão. O maior inconveniente, na verdade foi o vento. Ele foi o fator climático que mais nos expôs a situações de insegurança e sensação térmica desconfortável. Os dias mais frios foram os no Grey. Lá pegamos temperaturas que eu compararia com as que enfrentei no inverno nas Agulhas Negras ou na Pedra do Sino. Eu chutaria cerca de 4 graus positivos à noite. Dormi em um North Face Cat's Meow (temperatura de conforto até -7C). No Grey, entrei nele com segunda pele completa e camisa por cima. Nos demais acampamentos dormi nele apenas com a calça da segunda-pele e camisa de algodão. À noite e nas primeiras horas da manhã, como era de se esperar, são os momentos mais frios. Passado o Grey, durante as caminhadas, frequentemente utilizávamos apenas uma calça convencional e camisa dry-fit. Os dias mais quentes foram no acampamento do refúgio Torres, onde chegamos a ficar de bermudas durante o dia. Seja qual for a circunstância, quando ventava, ventava gelado e diminuía bastante a temperatura percebida. O que sobrou: - Comida: Já tinha ouvido relatos de pessoas que superestimaram este item e, mesmo assim, não conseguimos evitar de levar alguns quilos de comida apenas para passear pelo Chile. Estimar comida é sempre difícil, mas lembre-se de que pela manhã certamente você estará com pressa para por o pé na trilha, dificilmente você irá parar no meio do caminho para cozinhar seu almoço (até porque no Torres é proibido fogareiro nas trilhas) e na hora da janta você estará cansado demais para preparar um banquete. - Gás e fogareiro: Calculamos 3 fogareiros e 3 cartuchos de 230g para 4 pessoas em 6 ou 7 dias de caminhada. Terminamos o circuito em 6 dias com 1 cartucho intacto e outros 2 com bastante fluido. O terceiro fogareiro nem saiu da mochila. - Segunda blusa térmica: Imaginei que acabaria caminhando com uma e precisaria de outra mais limpa para dormir e usar nos refúgios após o banho. Não tive necessidade alguma de caminhar com a blusa térmica. Ou seja, bastava apenas uma para dormir. O mesmo seria verdade para a calça térmica, se eu não a tivesse ensopado de suor utilizando-a erradamente para caminhar algumas vezes. Você sai com a calça térmica no frio da manhã, mas com alguns minutos de caminhada já se torna dispensável. O que faltou: - Specs e cordeletes adicionais: Esteja pronto para fixar sua barraca utilizando todas as amarras que ela disponibiliza. Se você só tem o conjutinho de specs para a fixação básica, vale a pena adquirir uns adicionais para prender naquelas amarras extras que aumentam a resistência ao vento. - Ajuste na capa de chuva: Usei uma Deuter Aircontact. Ela vem com uma capa de chuva de elástico, mas o elástico não é regulável. Com a ventania, minha capa e a de outros colegas que também estavam de Deuter se soltou várias vezes. A capa da Lowe Alpine permite ajuste mais rigoroso com cordinhas. Talvez de uma próxima vez eu tentasse ir com uma capa ajustável. - Luva impermeável: Menosprezei a sua necessidade e acabei com as mãos dormentes devido ao vento gelado soprando nas minhas luvas molhadas pela chuva. Recomendo, principalmente para quem vai fazer o "O" ou o Grey, as partes mais frias do percurso. Comprei um par para mim em Punta Arenas, infelizmente, apenas depois da visita ao parque. - Bastões de caminhada: Sempre tive resistência a eles por tirarem a mobilidade das mãos. Acabei recorrendo a um cajado de madeira improvisado durante a viagem. A primeira vista pode não parecer, mas os bastões aliviam muito o impacto nos joelhos nas descidas e poupam a musculatura da perna nas subidas. Além disso, serão úteis para manter o equilíbrio nas diversas travessias de rios e para servir de apoio contra as rajadas de vento. Comprei um par para mim em Punta Arenas, infelizmente, apenas depois da visita ao parque. "Item revelação": - Calça impermeável: Estava na dúvida se levaria ou não por ser mais pesada do que uma calça convencional. Acabei comprando uma Conquista Upsala no Brasil que se mostrou uma excelente aquisição. Me protegeu das chuvas frequentes, e por ser mais grossa, serviu de boa barreira contra o vento gelado e a vegetação. Usei todos os dias sem arrependimento. [t3]03/02/2012 Rio -> Santiago[/t3] Embarcamos no vôo de 18:25 rumo à Santiago. Havíamos comprado nossas passagens 3 meses antes, por R$ 1280 ida e volta. Todos os trechos operados pela LAN. Viagem chata, mas tranquila. Destaque para o sobrevoo da Cordilheira dos Andes. Estava quase anoitecendo e haviam muitas nuvens, mas ainda conseguimos admirar as montanhas geladas. Foi a primeira vez que vi "uma dessas" ao vivo. Fiquei muito feliz. Chegamos em torno das 22:00 horas em Santiago. Estávamos levando comida liofilizada na bagagem, fora os polenguinhos, geléia de mocotó e outras coisas industrializadas. Já haviam nos avisado que a fiscalização na aduana chilena costuma ser rigorosa. Preenchemos as fichas de imigração sem omitir nenhuma informação. De nós quatro, o fiscal resolveu verificar a mochila do Ramon. Pediu para ele abrir e mostrar a comida. Ramon chateado por ter que estragar a embalagem com plástico que havíamos pago no Galeão, mostrou pro fiscal um saco de comida. Foi o suficiente para ele ficar satisfeito e nos deixar prosseguir. Jantamos num restaurante no aeroporto onde conheci o típico pisco sour. Aproveitamos o caixa eletrônico do aeroporto para sacar alguns milhares de pesos chilenos. A conversão que fiz mentalmente ao longo de toda a viagem foi de 4 reais para cada mil pesos chilenos. Essa conta era rápida de ser feita, com alguma margem de segurança, ou seja, acaba resultando numa quantidade um pouco maior de reais do que a verdadeira. [t3]04/02/2012 Punta Arenas -> Puerto Natales[/t3] Nosso vôo partiu para Punta Arenas em torno de 01:30. Chegamos perto de 05:00 em Punta Arenas, depois de um pouso não muito fácil no pequeno aeroporto da cidade. O aeroporto é bem bonito e organizado, a despeito do seu tamanho. Estava vazio e fazia bastante frio do lado de fora. Um grupo grande de montanhistas dormia tranquilamente em seus isolantes térmicos e sacos de dormir aproveitando a privacidade oferecida pelo vão embaixo das escadas. Como aquela área nobre estava ocupada, nos instalamos nos bancos e no chão próximos a lanchonete. Tentamos dormir por ali entre um arrastar e outro das cadeiras de madeira da lanchonete. Deixamos o aeroporto em torno de 10:00, quando as lojas da Zona Franca começariam a se abrir. Pagamos 3.000 pesos cada por uma van que nos levou até a Zona Franca. Descobrimos depois que teria sido mais barato pegar um táxi. Depois da Zona Franca pegamos um táxi (2.500 pesos) até o shopping Espaço Urbano Pioneiro onde existiam outras lojas de equipamentos. Ao final da tarde, pagamos mais 3.000 pesos de táxi até a viação Pacheco no centro, onde embarcamos para Puerto Natales (5.000 pesos somente ida ou 8.000 pesos ida e volta). Quando chegamos no terminal não havia mais passagens. Entretanto, um funcionário aparentemente fez um "overbooking pessoal" e nos colocou pra dentro. Nos dizia ele: "no te preocupes". Por sorte, após um pequena dança das cadeiras durante a viagem, conseguimos chegar em Puerto Natales sem sermos expulsos do ônibus. Até Natales são três horas de estrada. Em Natales nos hospedamos na Casa Cecília (http://www.casaceciliahostal.com/" onclick="window.open(this.href);return false;). Pagamos 25.000 pesos por cada quarto duplo. Gostei bastante do local. Banho quente, calefação, acesso à Internet, bom café da manhã, ambiente agradável e bom atendimento. Possui mais de um banheiro de uso coletivo e estavam muito bem limpos e conservados. Pra completar, ainda pudemos deixar no armário a parte da bagagem que não utilizaríamos no parque. Logo ao chegarmos, já compramos no próprio hostel as passagens de ônibus para o parque na manhã seguinte por 6.000 pesos ida e volta. Largamos nossas coisas no quarto e fomos correndo para o supermercado, antes que ele se fechasse, para garantir alguns itens de alimentação que deixamos para comprar no Chile, como queijo e presunto. Depois das compras fomos jantar no lanchonete Baguales. Um espaço agradável, muito bom para saborear a excelente cerveja produzida na cervejaria de mesmo nome. Voltamos para o hostel ansiosos por uma boa noite de sono e por começar nossa aventura no parque. [t3]05/02/2012 Paine Grande -> Grey[/t3] Às 7:45 o ônibus nos pegou na porta do hostel. Paramos ainda na porta de outros hostels para o embarque de outros passageiros, todos montanhistas. Muito bom o clima de expectativa pelo parque. Em cada parada gente de diversas nacionalidades, com suas mochilas gigantes nas costas e agasalhados contra o frio. Mais três horas de estrada ouvindo música em Espanhol (inclusive Zezé de Camargo e Luciano, em Espanhol) e estávamos enfim chegando no Torres del Paine. Chegamos na portaria Laguna Amarga sob chuva fraca. Assim que o ônibus parou, um guarda-parque subiu para nos passar as recomendações de segurança e conservação. Foi bastante enfático sobre os campings irregulares, uso do fogo e a destinação do lixo. Ressaltou que os acampamentos Paine Grande, Italiano e Britânico estavam fechados devido ao incêndio e limitou até às 16 horas o horário de saída de qualquer acampamento, para evitar pernoites em áreas proibidas. Falou por alguns minutos e, depois, uma intérprete passou as mesmas recomendações em Inglês. Não sei se sempre fizeram isso, ou se aumentaram o cuidado após o incêndio. Já estávamos cientes dos acampamentos fechados pois estávamos acompanhando as notícias sobre o incêndio pelo twitter. Fiquei preocupado, no entanto, com a recomendação sobre as cinzas no trecho Paine Grande - Grey, por onde pretendíamos passar. Segundo o guarda, seria necessário utilizar proteção para os olhos em caso de ventos. Outro ponto foi o alerta que ele fez sobre a saída do Grey. Como o Paine Grande estava fechado, ele classificou como um "tremendo pique" a saída do Grey com destino ao próximo acampamento aberto, no caso o Cuernos. Era exatamente o "tremendo pique" o que pretendíamos fazer... Rimos bastante com essa expressão mais tarde... Como o tempo estava ruim, descartamos o início da trilha pelas Torres. Compradas as entradas (15.000 pesos para estrangeiros) retornamos ao ônibus com destino à Guarderia Pudeto, onde tomaríamos o catamarã até o Paine Grande, ponto de início da nossa caminhada. Lembro de ter avistado ovelhas, guanacos e flamingos pela janela do ônibus, acho que neste trecho do caminho. Nos aproximando do Pudeto, o ônibus começou a atravessar trechos queimados. Ao chegarmos no píer para tomar a embarcação, era possível sentir cheiro de queimado e a paisagem era desoladora. Dentro do catamarã o cheiro persistia e a chuva aumentou. Quase não conseguíamos admirar o Lago Pehoé pelas janelas. Quando a embarcação encostou no Paine Grande, todos foram logo colocando as capas de chuva nas suas cargueiras. [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221020854.jpg 288 162 Paine Grande]Desembarcamos num campo de cinzas, cercando o Refúgio Paine Grande. Ficamos impressionados com o fato do fogo ter destruído toda a área no entorno do refúgio, chegando muito próximo à construção, sem no entanto, tê-la atingido. Mais tarde, fomos informados que a brigada que se encontrava dentro da construção combateu o fogo de lá de dentro nos limites de alcançar o refúgio. Ficamos imaginando os momentos de tensão que foram vividos ali! Do lado de fora, encontramos restos de outras pequenas construções, onde apenas os alicerces, banheiras de louça e envases metálicos sobreviveram às chamas.[/picturethis] [picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221021924.jpg 288 162 Paine Grande]Fizemos um pequeno lanche na varanda do refúgio, que se encontrava completamente fechado. Partimos às 13:30 rumo ao acampamento Grey. Foi uma subida difícil. Estávamos com todo o equipamento e alimentação dos próximos dias nas costas, choveu durante toda a trilha, ventava contra a direção do nosso deslocamento e ainda pegamos granizo. A capa de chuva da minha mochila se soltou algumas vezes. Me lembro que em certo trecho, a água escorria pela calça impermeável abaixo. Foi necessário caminhar curvado para enfrentar o vento, com uma mão evitando que a capa de chuva se soltasse e a outra protegendo o rosto dos pedaços de gelo. Tentei tirar fotos no caminho e, com o vento, molhei a lente da câmera... Minha luva, que não era impermeável, ficou toda molhada, e com o vento gelado as mãos começaram a ficar dormentes. Por sorte, levei uma mais fina de backup, que foi minha salvação. A propósito, uma das escolhas mais acertadas da viagem foi comprar e levar uma calça impermeável. Comprei ainda no Brasil uma Conquista Upsala que utilizei todos os dias. Foi útil nas chuvas frequentes, e por ser mais grossa, também protegeu bem do vento frio e da vegetação. Minha Solo rip-stop era atravessada facilmente pelo vento em Punta Arenas.[/picturethis2] [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221022843.jpg 288 162 Trilha para o Grey]Apesar de todas as intempéries e do longo trecho caminhando entre cinzas, as primeiras visões do Glaciar Grey e das montanhas geladas são compensadoras. Com todas as nuvens, ainda tivemos a sorte de sermos surpreendidos com pequenas janelas de sol que iluminaram o Lago Grey, o glaciar e os icebergs. Irresistível bater algumas fotos, mesmo com lentes molhadas. Para mim, estas foram as primeiras surpresas da tão falada instabilidade climática da Patagônia.[/picturethis] [picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221022415.jpg 288 162 Trilha para o Grey]A trilha até o acampamento Grey foi fortemente afetada pelo incêndio. Em alguns cursos d'água, enchemos nossas garrafas com água salpicada de cinzas. O incêndio terminou bem próximo ao camping. Existiam alguns troncos de árvore sinalizando a proibição de montar barracas na área queimada. A área de camping é bem grande, com alguns lugares protegidos por árvores e custa 3.500 pesos por pessoa. Esperava que o acampamento ficasse bem às margens do Lago Grey, como vi nas fotos de amigos. Mas descobri que foi inaugurado um novo refúgio e que o antigo estava desativado. Chegamos no acampamento Grey às 19:00, com 5 horas e meia de trilha. Duas horas a mais do que a previsão do mapa oficial do parque. Montamos nossas barracas sob chuva fraca e bem cansados. Para compensar o esforço da subida, o refúgio Grey ofereceu um bom banho quente (embora no banheiro sempre sujo). No refúgio também existe uma área para cozinhar que foi bastante útil em função do vento e da chuva.[/picturethis2] [t3]06/02/2012 Ataque ao Paso[/t3] [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221103720.jpg 288 162 Baía no Grey]Apesar de não fazer parte do circuito W tradicional, havíamos decidido incluir no nosso roteiro um dia para ataque ao Paso John Gardner, onde é possível encontrar neve, além de permitir uma bela visão do Glaciar. Ainda estávamos cansados da viagem de avião e da subida ao Grey. Por isso, não acordamos muito cedo e saímos rumo ao Paso às 10:30. Logo na saída, passamos pelo mirante que fica próximo ao acampamento, onde é possível avistar o Glaciar ao longe e uma simpática baía repleta de icebergs. Depois, seguimos a trilha rumo ao próximo acampamento, o Los Guardas. Depois do Los Guardas, atravessamos duas grandes ravinas. A erosão do terreno já impõe, por si só, bastante respeito. Como se não fosse suficiente, ainda existem placas indicando risco de desmoronamento, deixando claro que ali não é um lugar seguro para se ficar por muito tempo.[/picturethis] [picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221104524.jpg 162 288 Ravina rumo ao Paso]Em cada uma das ravinas, existe uma parede a ser transposta à pé e outra com auxílio de uma escada de metal. Não sei qual a pior parte. Passar pela enorme escada fixada de forma não muito confiável ou transpor à pé os instáveis paredões de areia e pedras. Como voltaríamos ao acampamento Grey no mesmo dia, estávamos apenas com as mochilas de ataque. Fiquei imaginando como seria atravessar esse trecho com cargueiras gigantes nas costas, principalmente, a parede sem escadas da primeira ravina: íngreme e com pedras rolando sobre a areia. Atingimos o acampamento Paso às 14:45, depois de mais de 4 horas de trilha. Até o Paso John Gardner propriamente dito, ainda faltavam mais duas horas. Achamos então que o prudente seria retornar ao Grey. Fiquei decepcionado por não ver a neve e a vista, mas fizemos bem pois apesar de termos tido sorte com o clima na ida, a volta seria bem mais difícil. Começou a ventar forte. Além das ravinas, a trilha passa por desfiladeiros bem próximos ao glaciar. Nas passagens expostas, foi preciso nos abaixarmos diversas vezes esperando as rajadas de vento mais violentas passarem. Me lembro de, em certo ponto, ter ficado abaixado por alguns minutos me segurando a uma pedra e tentando proteger de alguma forma o meu rosto, enquanto uma grande rajada de vento soprava em direção ao abismo, jogando areia na nossa cara.[/picturethis2] [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221104815.jpg 288 162 Glaciar Grey]Bem na minha frente, um casal com mochilas cargueiras estava deitado no chão, a espera de um momento melhor para prosseguir. A menina era pequena, mas carregava uma mochila de 60 litros lotada. Quando foi possível nos levantarmos, notei que ela tentava superar os obstáculos com um cajado de madeira improvisado, fazendo grande esforço. Logo à frente havia uma escada cavada na terra. Literalmente me arrastei pelos degraus e fiquei à espera do melhor momento para "dar o bote" no corrimão de metal que se iniciava mais adiante. Continuei a subida receoso, me segurando com força no corrimão. Em uma das ravinas, meu amigo ficou sem os óculos, que foram levados pelo vento. Precisei me abaixar novamente e me segurar em outra pedra, enquanto o vento arremessava cascalho contra o meu rosto. Com certeza, o "ataque ao Paso" foi o pedaço mais perigoso do nosso roteiro. Recomendo fortemente a quem for passar por este trecho a esperar condições climáticas favoráveis no Los Guardas ou no acampamento Paso. Vento e chuva, principalmente neste trecho, podem ser fatais.[/picturethis] [picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221105324.jpg 288 162 Glaciar Grey]Passamos pelo acampamento Los Guardas às 16:45 e estávamos de volta no acampamento Grey às 17:50. Um total de 7 horas e 20 minutos de trilha, bastante cansativa. Apesar de termos abortado o ataque antes de atingirmos o objetivo final, foi um dia excelente para admirar o glaciar. A trilha segue ganhando cada vez mais altitude e avançando contra o curso da placa de gelo. As aparições do glaciar no curso da trilha vão ficando cada vez mais impressionantes. Assim que retornamos, tentamos visitar a antiga área de camping do Grey, na margem do lago. Caminhamos até bem próximo, mas a passagem estava interditada. À noite, tivemos a boa notícia de que o Paine Grande havia se aberto naquele dia para hospedagem. Não estava permitido o camping, mas seria possível alugar quartos dentro do refúgio. Ficamos muito animados porque, até então, nossa única alternativa seria fazer a travessia Grey - Cuernos, o "tremendo pique". E como a Jú estava com dor no joelho, corríamos o risco de ter que regressar para Natales, se fosse de fato necessário fazer a travessia. Tentamos reservar quartos pelo rádio do Grey, mas não deixaram. O jeito seria sair cedo no dia seguinte e contar com a sorte.[/picturethis2] [t3]07/02/2012 Grey -> Paine Grande[/t3] Acordamos às 6:00 mas chovia forte, resolvemos aproveitar para descansar mais até que a chuva diminuísse. Ela havia nos poupado no ataque ao Paso, mas desta vez não teve jeito, tivemos que levantar acampamento sob chuva fraca. Partimos 10:00 rumo ao Paine Grande. A volta foi bem mais rápida e agradável do que a vinda. Dois dias a menos de comida nas mochilas, vento a favor, pouca chuva, nada de granizo. De qualquer forma, cheguei no Paine Grande às 14:20 com o ombro direito queimando de dor. [picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221110906.jpg 162 288 Refúgio Paine]No dia anterior, durante o ataque ao Paso, acabei apelando para um cajado na tentativa de poupar joelhos e a parte frontal da coxa, que estava doendo nas subidas. Pela manhã, senti que o joelho esquerdo estava dando pequenos sinais de inflamação. Por isso, fiz toda a descida ao Paine com o cajado na mão esquerda protegendo apenas este joelho. Acredito que, de alguma forma, este desbalanceamento tenha acabado afetando o ombro. Felizmente, algumas horas após desequipar, a dor tinha sumido. O refúgio não estava cheio, conseguimos um quarto para nós quatro. A ideia era acampar todos os dias, mas como estava proibido ali, tivemos a chance de descansar com um pouco mais de conforto e torcer para a recuperação do joelho da Jú. O refúgio Paine Grande é muito bom. Nem todos os serviços estavam em operação pois era o segundo dia de funcionamento após o incêndio. De qualquer forma, ao contrário do Grey, o banho quente era permitido a qualquer horário! Uma dádiva! Melhor que isso, só a possibilidade de descartar lixo. No Grey, éramos obrigados a guardar todo o lixo nas mochilas. A decoração do lugar é bem legal, o ambiente é super agradável, gente de todo o mundo circulando pelos corredores, pelo refeitório. Possui um banheiro coletivo bem limpo e bem estruturado. O lugar é aquecido e, da janela do nosso quarto, era possível ver o Lago Pehoé bem à frente, o Cumbre Principal e os Cuernos. Fiquei imaginando como seria ainda mais maravilhosa aquela vista antes do incêndio, com aquele enorme gramado repleto de montanhistas com suas barracas coloridas. Foi bem triste ver todo aquele terreno queimado à nossa volta. Devido ao incêndio, o preço da hospedagem estava menor: 15.000 pesos por pessoa. Mais 6.000 pelo jantar. Não tivemos opção já que estava proibido cozinhar naquela região. A comida, por sua vez, foi bem fraca pro preço cobrado. Nos serviram uma sopa de tomate de entrada. O prato principal era arroz com pedaços de cebola, cenoura e, com sorte, você conseguia encontrar um ou outro pedaço de frango. De sobremesa, leite com chocolate ou chá. A única coisa realmente saborosa foi a sopa de tomate bem quente.[/picturethis2] [t3]08/02/2012 Paine Grande -> Cuernos[/t3] Como o acampamento Italiano estava fechado devido ao incêndio, os planos para o nosso quarto dia no parque foram caminhar do Paine até o Italiano, largar as mochilas por lá, fazer o ataque ao Valle del Francês e seguir viagem até o acampamento Cuernos. Antes de partir, deixamos de presente para a equipe do Paine a parte da nossa comida que não pudemos consumir na noite anterior e botamos o pé na trilha às 08:45. Foi um dia com tempo bem aberto. Saímos do Grey bem agasalhados e com poucos minutos de trilha alguns já estavam caminhando de camisa dry-fit. Aos poucos, a vegetação queimada foi sendo deixada pra trás. Por sorte, o Valle del Francês não foi afetado pelo incêndio. Difícil dizer qual o trecho mais bonito, mas este vale é um forte concorrente. Chegamos no Italiano às 11:40. Deixamos nossas cargueiras numa pilha de mochilas ao lado da guarderia do acampamento Italiano e começamos a subida do vale ao meio dia. [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221111445.jpg 288 162 Valle del Francês]A trilha no vale possui vários trechos de "trepa pedras" que podem ser vencidos sem as mãos, apenas com o auxílio dos bastões de caminhada. Também existem alguns riachos a serem atravessados. A medida que avançamos, o vento e o frio vão aumentando, até chegarmos no primeiro mirante. Lá ventava muito, mas a vista é demais. É possível admirar o Glaciar Francês, as cachoeiras formadas pelo derretimento da neve, o Rio del Francês correndo pelo vale e o Lago Nordenskjöld lá em baixo. Continuamos avançando em direção ao acampamento Britânico. Assistimos uma avalanche ao longe, nas paredes do Glaciar Francês. Ouvi pelo menos duas vezes o forte estrondo do desprendimento das placas de gelo do glaciar. Em torno das 14:00, decidimos retornar ao Italiano e continuar a caminhada até o Cuernos. Eu estava adorando o vale, fiquei decepcionado por não chegar até o seu final. Conhecer o Britânico e o mirante ao final do vale entrou para minha lista de pendências para a próxima viagem ao parque.[/picturethis] [picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221111656.jpg 288 162 Lago Nordenskjöld]Ainda admirado com a beleza do vale, eu estava prestes a chegar em um dos trechos que mais me marcaram na viagem. A trilha do Italiano para o Cuernos talvez seja a mais bonita do roteiro. Após belas visões do Lago Nordenskjöld, a trilha desce rumo às suas margens, onde às 17:45 encontramos uma bonita "praia" de pedras pequeninas e roliças. Impossível não tirar as mochilas e deitar por alguns minutos para admirar o verde daquele lago bem na nossa frente. Deu pena deixar a praia para trás, mas as paisagens não pararam de nos surpreender. Da praia até o Cuernos, agradeci diversas vezes por estar ali, tirei muitas fotos perplexo com a beleza do lugar. Simplesmente perfeito o contraste de cores das montanhas geladas, com o verde brilhante da mata e com os diversos tons de azul e verde do Lago. A margem do Lago é toda recortada por pequenas baías com praias de pedras. A sua superfície é constantemente varrida por rajadas de vento, levantando uma frente de água que percorre rasteira toda a extensão do Lago até atingir a costa. Fomos banhados por estas frentes enquanto estávamos na praia e na trilha. Frequentemente, sobre a superfície vimos pequenos tufões de água se formando e se desfazendo.[/picturethis2] [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221112056.jpg 288 162 Acampamento Los Cuernos]Chegamos no acampamento Cuernos às 18:40. Ele fica encravado em uma encosta à beira do Lago e aos pés das montanhas que o dão nome. O refúgio é bem bonito e a vista para o Lago e os Cuernos dão um charme especial ao local. Ventava muito ali, afinal, as frentes que nos atingiram na trilha também subiam por aquela encosta. Nos cobraram 6.000 pesos por pessoa para acampar. Estava lotado. Com o Italiano fechado, certamente um número muito maior de viajantes foi obrigado a pernoitar por ali. Filas para usar o banheiro, para lavar louça, para escovar os dentes, para tomar banho. Área da cozinha lotada. Não havia nenhum lugar razoável para montar barracas. Os únicos espaços vazios eram inclinados, cheios de pedras, raízes, desprotegidos do vento e de um eventual curso d'água da chuva. Eu e Ramon tentamos limpar um terreno removendo pedras com a faca e meu cajado, que foi quebrado durante este procedimento. Alexandre a Jú pegaram os dois últimos lugares dentro de um domo plástico montado pela equipe do parque na área de camping. Descobriram ao lado do domo um lugar que parecia melhor para a nossa barraca.[/picturethis] [picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221112112.jpg 288 162 Acampamento Los Cuernos]Ramon e eu fomos limpar o novo terreno. Outro desafio foi fixar os specs. Fora as pedras relativamente superficiais, descobrimos também que existiam outras mais profundas. Só foi possível encravar os specs usando pedras como martelo. Depois de fixados, ainda os cobrimos com mais pedras pois a noite prometia bastante vento. Como não haviam cordeletes e specs suficientes para utilizar todas as amarrações extra, demos preferência ao lado de onde o vento estava vindo. Estávamos cansados e preferimos nos desgastar o mínimo com as filas. A ideia do banho foi cortada de imediato. Cozinhamos em frente a nossa barraca vendo o sol descer atrás das montanhas. Depois fomos tentar dormir. No meu lado da barraca, a remoção de pedras me poupou de pontadas, mas ganhei de presentes buracos que faziam meu isolante térmico afundar em algumas partes. Enquanto tentávamos dormir, percebemos que ainda chegavam outros grupos de montanhistas. Ficamos imaginando em que lugar aquelas pessoas conseguiriam montar suas barracas...[/picturethis2] [t3]09/02/2012 Cuernos -> Torres[/t3] Acordei com o forte barulho do vento sacudindo as árvores e a nossa barraca. Ainda estava escuro. Percebi que alguns cordeletes haviam se soltado e batiam violentamente contra o sobreteto. A barraca se sacudia com força. O vento havia mudado durante a noite e soprava exatamente do lado oposto ao que protegemos com os cordeletes adicionais. Fiquei assustado com a força do vento e com o barulho dos cordeletes soltos lá fora. De repente, fui levantado do solo pelo vento. Aí tive certeza de que precisava me preocupar... Confirmei se o Ramon estava acordado e recomendei que ele vestisse o anorak. Tentei encontrar minha lanterna de cabeça mas ela não estava onde eu havia deixado. Mais tarde, descobri que ela tinha sido arremessada para o outro lado da barraca. O vento soprava constantemente e, periodicamente, uma rajada mais agressiva cruzava o camping. Percebíamos a sua chegada pelo barulho lá fora, crescendo gradativamente em nossa direção. Nestes momentos, eu me deitava bem próximo a borda da barraca tentando mantê-la grudada ao chão, enquanto o Ramon segurava as armações. Arrumamos rapidamente nossas coisas para um eventual abandono da barraca. Fiquei do lado de dentro fazendo peso para a barraca não decolar enquanto o Ramon foi para o lado de fora tentar corrigir as amarrações que se soltaram e mudar os cordeletes extra de posição. Depois de alguns minutos de briga contra o vento, começou a amanhecer e decidimos que o melhor seria levantar o acampamento e partir para as Torres. Afinal, ali estava lotado e não fazia mais sentido permanecer lutando para a barraca ficar no lugar. [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221112946.jpg 288 162 Trilha para Torres]Mastigamos algumas bobagens como café da manhã, enquanto eu sentado na varanda do refúgio, observava as latas de metal sendo empurradas e empilhadas pelo vento no canto de uma das lixeiras gradeadas. Às 7:00 deixamos o Cuernos com destino ao acampamento anexo à Hostelaria Torres. O vento não nos abandonou durante a trilha. Continuou soprando forte todo o tempo, com rajadas violentas frequentes. Fui jogado no chão duas vezes, com mochila cargueira e tudo. Na segunda vez, eu estava descendo perto de uma ribanceira. Ao ser derrubado tentei me segurar em algumas pedras e, por muita sorte, não cortei as mãos e os joelhos. Fui arrastado para fora da trilha diversas vezes. Quando percebia o som da rajada de vento vindo em nossa direção, parava, fixava o bastão de caminhada (Ramon me emprestou um dele) no chão e esperava a rajada passar. Às vezes, era melhor se abaixar. Foi o que fizemos segundos depois de pensar em colher água em um simpático laguinho no caminho. Se formou um pequeno tufão sobre o lago e o vento aumentou de repente. Nos abaixamos enquanto uma grande varrida de vento e água passou sobre nós.[/picturethis] [picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221113004.jpg 288 162 Trilha para Torres]Embora não estivéssemos numa região tão exposta quanto no ataque ao Paso, foi bem assustador o vento na trilha. Percebíamos as rajadas se aproximando de nós com o vento e o barulho ficando gradativamente mais fortes, até sermos sacudidos e arrastados pelo caminho. A Jú, que estava mais afastada de nós, nos contou que encontrou uma garota que estava sozinha e acabou desistindo do circuito por causa dos ventos. Ia voltar para Puerto Natales. Achei essa a trilha com o visual menos interessante dentre as demais. Saindo do Cuernos, ela se inicia com uma grande subida. As Torres del Paine se tornam visíveis apenas nos momentos finais, já próximo da bonita Hostelaria. Mesmo assim, percorremos um belo trecho ao longo do Lago, com sua superfície sendo constantemente varrida pelo vento e formando pequenos tufões. Depois, começamos a alcançar um agradável e amplo vale, um cenário diferente dos anteriores.[/picturethis2] [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221113020.jpg 288 162 Trilha para Torres]Cruzamos alguns córregos e dois rios, de botas, mas com cuidado ao escolher as pedras. Já cansado, ao avistar a Hostelaria me animei. Mas o vale parecia infinito até ela, e depois ainda descobri que existiam mais 2 Km de lá até a área de camping. Cruzamos o vale com o vento soprando contra nossa caminhada. A poeira e o vento contra os olhos os encheram de lágrimas, ao ponto de escorrerem pelo rosto. Apesar do vento não pegamos frio nem chuva no percurso. Chegamos às 10:40 no acampamento. Eu estava muito cansado, sujo, fraco, desidratado e com fome. Os lábios estavam ressecados e inchados. Pra completar, consegui dois arranhões na lateral da barriga durante a montagem da barraca, por conta de alguns galhos retorcidos da árvore que escolhemos como abrigo. Foi ótimo poder tomar um banho e almoçar. Para acampar, cobram 5.000 pesos por pessoa. A área de camping é bem grande, oferece várias mesas de madeira, banho quente a qualquer hora, mas não tem espaço fechado para cozinhar. Para preparar nosso almoço precisamos improvisar barreiras de pedra em torno dos fogareiros.[/picturethis] O dia estava quente, foram muito úteis as calças-bermuda. Durante a noite, porém, choveu e ventou bastante. Havíamos pensado em jantar (o que seria um luxo: um dia com direito a almoço E janta!) mas tivemos que desistir da ideia. A barraca se sacudiu novamente, mas desta vez, havíamos reforçado a segurança com cordeletes improvisados e grande pedras. Conseguimos dormir tranquilos. [t3]10/02/2012 Ataque às Torres[/t3] Amanheceu frio mas sem ventos. Partimos às 7:10 rumo ao principal cartão postal do parque. Ao caminhar pelos campos em frente a Hostelaria, cruzamos com as aves engraçadas que eu havia conhecido no dia anterior e com alguns coelhos correndo desconfiados entre os arbustos. A trilha começa com uma subida bem puxada, que se estende até o acampamento Chileno. Este acampamento é muito simpático, encravado entre montanhas e à beira do bonito Rio Ascencio. Fiquei com vontade de acampar por lá. Logo percebi que muita gente também gosta de lá, pois a área de camping estava lotada. Um mar de barracas semelhante ao que encontrei na Pedra do Sino, no Rio de Janeiro. [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221113648.jpg 288 162 Torres del Paine]A trilha fica mais tranquila no trecho entre o Chileno e o acampamento Torres (não o acampamento da Hostelaria, mas o que fica lá em cima, bem próximo a base das Torres). Cheguei no acampamento Torres esgotado pelos 5 dias anteriores e pela subida até ali. Eram 9:30. Ainda faltava uma grande ribanceira de pedras e areia fofa por onde me arrastei imaginando como seria a visão do lago aos pés das Torres e sem forças sequer para fixar o bastão de caminhada no chão. E valeu muito a pena. Às 10:12 avistei aquele cenário lindo, que até então, eu só conhecia por fotos. Estava muito feliz. Esperamos por duas horas o Sol iluminar as Torres diretamente. Ele clareou o lago algumas vezes, mas uma densa camada de nuvens insistentemente trafegava exatamente sobre as Torres. Tomamos água gelada do lago, descansamos deitados nas pedras à margem e acabamos desistindo de esperar que as nuvens dessem uma trégua. Partimos às 12:55 de volta para o nosso acampamento.[/picturethis] [picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221113707.jpg 162 288 Voltando das Torres]Quando passamos novamente pelo acampamento Chileno, lá estavam elas, as Torres iluminadas pelo sol. Mas já era tarde demais. O jeito foi colocar essa pendência na lista para o regresso ao parque, o que, se for possível, será muito bem vindo. Desci devagar a trilha de volta, poupando os joelhos e me despedindo pouco a pouco do parque. O sol já estava bem forte, iluminando as águas do Rio Ascencio que serpenteava pelo vale. Me arrependi de ter saído do acampamento com a calça térmica, que a essa altura, já estava encharcada de suor e causando muito calor. Cheguei ao acampamento às 15:30, doido para tomar um banho e almoçar. Levantamos o acampamento de bermudas sob o sol forte. Caminhamos até o abrigo para esperar a van que faz o translado até a portaria Laguna Amarga por 2.500 pesos por pessoa. Embarcamos em torno das 19:30, descemos na portaria e tomamos o ônibus até Puerto Natales. Chegamos de volta à cidade em torno das 22:30. No caminho ainda tive a sorte de ver um avestruz que cruzou a estrada em frente ao nosso ônibus e uma simpática raposa que apareceu ao lado do café onde o ônibus fez uma parada. Tentamos nos hospedar novamente na Casa Cecília, mas não havia lugares para todos. Nos recomendaram então o Hostal Los Pinos, bem próximo, na rua Phillipi 449. Pagamos 30.000 pesos pelo quarto duplo, desta vez com banheiro privativo. O lugar também é muito agradável, com todos os serviços que encontramos na Casa Cecília. Só não sei se seria possível deixar equipamentos guardados lá. Detalhe: ao lado funciona uma lavanderia. Pode ser útil quem precisar de umas roupas limpas a mais depois do parque.[/picturethis2] Deixamos nossas mochilas no quarto e saímos imediatamente para o Baguales. Precisávamos comer e beber as cervejas da região, dais quais já estávamos com bastante saudade. [t3]11/02/2012 Puerto Natales[/t3] Destinamos este dia para descansar e passear por Puerto Natales. A cidade parece ser bem pequena, possui construções simples, e é voltada para o turismo na região, em especial para o trekking no Torres del Paine. Pelas ruas se encontra inúmeros hostels, casas de câmbio, agências de turismo, lojas para compra e aluguel de equipamento de montanha. Frequentemente cruzamos com grupos cheios de equipamento nas costas, chegando ou deixando a cidade, falando em diversos idiomas diferentes. Um clima muito agradável para quem curte montanhismo. Se no seu roteiro tiver tempo, vale a pena deixar pelo menos um ou dois dias para uma relaxada em Puerto Natales. É um lugar ótimo também para quem aprecia boas cervejas. Eu não sou conhecedor, pelo contrário, no Rio nem bebo. Mas as cervejas de lá são realmente muito saborosas. Minha preferia foi a Austral Patagona. Quem passar pela região não deve deixar de experimentar uma. Existem também bons restaurantes. Comemos muito bem enquanto estivemos na cidade. Nossa única experiência ruim foi com o tal do "Pastel de Choclo", típico chileno. É uma espécie de torta de milho DOCE, mas com carne e pedaços de frango (com osso e tudo) dentro. [t3]12/02/2012 Puerto Natales -> Punta Arenas[/t3] Partimos de volta a Punta Arenas, no meio da manhã. Punta Arenas parece ser uma cidade bem maior do que Puerto Natales, e bem menos acolhedora. Era domingo quando voltamos para lá e andamos por algumas ruas desertas do centro da cidade a procura do restaurante La Luna (http://www.laluna.cl/" onclick="window.open(this.href);return false;). Um vento gelado atravessa minha calça rip-stop como se ela não existisse. Um alarme de carro soava ao longe insistentemente sem que ninguém intervisse. As placas metálicas afixadas nas fachadas dos estabelecimentos rangiam balançadas pelo vento de um lado para o outro. Enfim encontramos o La Luna e fiquei surpresos por ter gente lá dentro, em meio aquele clima de cidade fantasma. A comida estava muito boa, apesar do atendimento não ser 100%. De qualquer forma, recomendo. Depois do almoço voltamos para a Zona Franca para comprar mais alguns equipamentos e fazer hora até o nosso vôo para Santiago. Sim, este foi o dia mais chato da viagem. Passamos horas na praça de alimentação do shopping e no saguão do aeroporto de Punta Arenas. Dica: se você quiser dormir no aeroporto, tudo bem se você montar seu saco de dormir embaixo das escadas, mas não faça isso dentro do oratório. [t3]13/02/2012 Punta Arenas -> Santiago -> Rio[/t3] Próximo das 04:00 nosso avião decolou de Punta Arenas com destino a Santiago. Daí pra frente foi só o despertar de um sonho para a vida real no Rio de Janeiro...
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