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Encontrado 16 registros

  1. Qual é a melhor época para se viajar para a Patagônia fora da alta temporada (dezembro - março)?
  2. Saravá, mochileiros! Me sinto na obrigação de fazer um relato completíssimo aqui no fórum da viagem que fiz na Patagônia Argentina sozinho em dezembro de 2017, uma vez que 98% da trip foi inspirada em dois relatos aqui do Mochileiros! Esses daqui: Carol (https://www.mochileiros.com/topic/54824-trilhas-em-el-chalténel-calafate-10-dias-sozinha-na-patagônia-argentina-out2016/) e Rezzende (https://www.mochileiros.com/topic/57467-imensa-patagônia-ushuaia-el-calafate-el-chaltén-e-bsas-em-15-dias-fev17/). Vale muito e leitura além do meu relato! Antes de tudo, assistam o vídeo compilado da viagem que eu fiz! Gastos Vamos começar com os gastos, questionamento mais frequente que eu tive. Fiquei 10 dias totais, sendo dois de deslocamento e 1 de descanso (essencial!). Aqui vão: Passagem Aérea LATAM: R$ 1396,00 Seguro Viagem Assist Card: R$ 139,00 Passeio Minitreking Perito Moreno (já com entrada do Parque): R$ 738,00 Hostels EL Calafate e El Chaltén: R$ 463,00 Comidas, Cartão de Crédito e Extras: R$ 1000,00 Total com passagem aérea: R$ 3736,00 Total sem passagem aérea: R$ 2340,00 Eu ainda gastei uma grana com roupas e afins, mas nem vou contar como gastos dessa viagem porque trato como um investimento pras próximas haha! Câmbio Fiz o câmbio R$ - US$ no Brasil (300 dólares) e troquei para ARG$ no Aeroparque em Buenos Aires. Péssima ideia! Perdi uns 100 reais nessa bagunça, então o que eu recomendo, caso o real esteja forte, é trocar os R$ em espécie no aeroporto direto pra pesos! Maaas tava tudo na paz! Hostels Em El Calafate fiquei 2 dias no Bla! Guesthouse. Ele é bem centralizado, pertinho da avenida principal, com mercado perto, correios, bares e restaurantes. No geral bem confortável, com um café da manhã muito bom e bem limpo. Recomendo! Em El Chaltén, optei por retornar todos dias para o hostel ao invés de acampar, já que não tinha experiência. Foi no Condor de Los Andes, hostel bem confortável também, no entanto com um café da manhã bem mais ou menos, mas pelo menos tava incluso! Recomendo! Condicionamento Físico A história dessa minha viagem é bem legal. Um dia estava no trabalho e já estava procurando coisas pela América Latina para viajar no fim do ano. Eis que me aparece um pop-up da Laguna Los Tres, um dos lugares mais incríveis que vi nessa viagem, e cliquei. E foi batata: No dia seguinte, após passar o resto do dia inteiro lendo sobre a Patagônia estava comprando passagem aérea na loucura! A ideia era fazer as trilhas e ver o Minitrekking. Depois que me dei conta: "Será que você consegue fazer as trilhas, Victor?". Eu estava estudando pra um concurso em setembro (tudo isso foi em junho) e estava desde fevereiro paradão (sempre gostei de correr!). Então, depois do concurso, passei outubro e novembro treinando todos os dias resistência, e consegui perder 4kg e ficar com uma resistência bem boa! Fiz uma média de 21,3km diários nos 10 dias de viagem, então é uma trip que requer sim um bom condicionamento. Mas dá! Só não vá sedentário haha. Roupas Li nos relatos que me baseei que uma roupa impermeável era essencial, além de um fleeche e um anorak. E realmente foram! A Patagônia é uma loucura, então o tempo muda de pato pra ganso...do tipo tá muito calor um dia e do nada começa a ventar, ainda com sol, mas o que te faz usar um corta-vento. Não usei luvas nem cachecol, e não peguei nenhum dia de chuva! Mas sempre bom se prevenir com um anorak impermeável. Usei bastante também bandana/protetor de pescoço, pra proteger orelha de queimar, cabeça. Sobre sapatos, peguei uma bota impermeável do meu pai, que durou UM DIA. Depois a sola começou a descolar, e tive que comprar aquelas colas de sapateiro. Mas não aguentou a viagem toda! Minha última trilha em Chaltén foi com um tênis emprestado, e fiz 3km da penúltima trilha de meia! Fiquei arrrependido de não ter levado um tênis de corrida, dava total! Comprei ainda um bastão de trekking que AJUDOU MUITO, principalmente nas descidas das trilhas de Chaltén! Só coprem! Não é necessário o par, um já basta, até para deixar uma das mãos livres! Roteiro A viagem aconteceu entre 4/dez e 13/dez de 2017. Aqui vai o roteiro: Dia 1 - 4/dez/2017: Deslocamento: 08h00 Voo SP-Buenos Aires 15h40 Voo Buenos Aires-El Calafate Cheguei umas 17h30 em Calafate, e já na semana anterior à viagem, o pessoal do hostel ofereceu um serviço de transfer do aeroporto pra lá poe 150 pesos! Foi ótimo e já tinha uma plaquinha me aguardando (mór daora). Nesse dia, ainda conheci o Steffen no transfer, um alemão que falava português fluentemente, e fomos tomar uma breja e comer uma pizza de boas, já que no próximo dia ia fazer o Minitrekking em Perito Moreno. Dia 2 - 5/dez/2017: Minitrekking Perito Moreno: 10,6km andados, dia inteiro Tinha reservado o passeio com a Hielo y Aventura duas semanas antes. Li nos relatos que o passeio lota, e como são grupos pequenos, é melhor reservar sim! A empresa tem o monopólio do turismo no Glaciar, então qualquer passeio que comprar de outras agências estará comprando deles! Melhor fazer diretão então, né? E como um bom monopólio, eles levam o preço láa em cima, devem ter visto nos gastos no início do texto! Mas como sabia que não voltaria pra Calafate tão cedo, achei que valia a pena. E valeu! Andar no gelo é sensacional. O passeio dura o dia inteiro, e você fica umas 2h horas andando na geleira. Mas ainda visita o parque, fica nas passarelas vendo os gelos caírem. E é SÓ no Minitrekking que eles servem o whisky na própria geleira! Fiquei sabendo que no Big Ice eles servem no barco apenas. O passeio é muito bunito e faz um barulhão da porra todo aquele gelo escorregando montanha abaixo! Eles te buscam e te deixam no hostel, então é show de bola! No fim do dia, ao voltar pro hostel, conheci três garotas de Brasília gente finíssimas! Fomos tomar uma breja junto com o alemão lá de noite e ainda iria encontrá-las em Chaltén no dia seguinte! Em Calafate, os bares que valem a pena são os de cerveja artesanal, mesmo preço da Quilmes de supermercado! Dia 3 - 6/dez/2017 - Ida para Chaltén + Miradores de Las Águilas e de Los Condores: 18,5km andados, 40min ida e 40min volta. Comprei o busão pra Chaltén de manhã, no próprio hostel, pra sair as 13h da rodoviária de Calafate. Paguei $600 pesos. E fui enganado! Descobri que tinha van por $450 pesos na própria rodoviária. Mas o busão que eu peguei era "de elite", tinha dois andares, lugar pra deitar...foi bem confortável, mas pegaria a van de boas. Tanto que na volta peguei. A empresa van é a Las Lengas! (http://www.transportelaslengas.com/es/). Antes de ir, passei a manhã na vila, mandei uns cartões postais e o mais importante: fiz compras. Fiquei sabendo que os mercados da vila de Chaltén são caríssimos, então comprei em Calafate 1 pacote de pão de forma, uma lata de atum, cream cheese, frutas e barrinhas de cereal. Basicamente essas foram as minhas refeições nos 6 dias de Chaltén! Melhor rolê! Chegando em Chaltén, umas 16h30, o busão para no centro de visitantes para explicar as regras da cidade, como a água é potável, cuidado com os animais (inclusive pumas!), etc. Fiz o check-in no hostel e já peguei minha mochila de ataque, bastão de trekking, a GoPro e parti pros Miradores Águilas e Condores, que ficam pertinho da cidade. Como era verão e anoitecia às 23h, tava suave para ir! Achei ótimo ter um panorama do que ia ver nos próximos dias de trilha, já que além da vila dava pra ver um aperitivo do Fitz Roy e do Cerro Torre. A noite ainda encontrei as meninas de Brasília e ficamos tomando vinho barato no hostel delas! Mirador de Los Condores! Mirador de Las Águilas! Dia 4 - 7/dez/2017 - Laguna Los Tres (Fitz Roy): 40,7 km andados, 4h ida e 6h volta (me perdi e fiz um caminho mais longo haha) E chegou o dia do graande motivo de ter escolhido a Patagônia de viagem! Aquele pop-up da Laguna Los Tres virou realidade! Fiz a ida pela Hosteria El Pilar, em que você pega uma van que sai do seu hostel e te deixa na Hosteria, onde tem o início de trilha. A volta foi na trilha que chega na cidade, só que eu consegui a proeza de ME PERDER e perceber depois de uns 8km andando na trilha alternativa. Calma, detalhes virão haha. O caminho na ida da Hosteria é muito bonito, você passa pelo Glaciar de Piedras Blancas, coisa que não faz quando vai pela vila. Além disso, o caminho é bem plano em comparação com a ida pelo caminho da vila, o que é essencial já que no fim da trilha, para subir até a Laguna Los Tres, é uma subidona do baralho! Cheio de pedras e beem íngrime. Então poupe energia! Aliás, aqui que percebi o quão o bastão de trekking foi ótimo. Parabéns aos envolvidos! Chegando na Laguna vem o baque: que lugar espetacular! O azul do lago é muito mais azul que o pop-up que eu vi! O tamanho do Fitz Roy é muito maior que a tela do laptop! E o lugar é o paraíso da calma. Claramente me emocionei ao bater o olho pela primeira vez, é inacreditável. Pensar que estava realizando aquele sonho, depois de um ano tão corrido, dando um presente pra mim, viajando sozinho...sem palavras. Fiquei das 13h às 17h30 naquele lugar, não dava vontade de sair! E como um bom brasileiro, apostei com uma garota da Nova Zelândia, a Lucy, que conheci lá em cima da Laguna que ela não nadava comigo naquela água gelada. E nenhuma surpresa: CHALLENGE ACCEPTED, a moça era tão sem noção quanto eu! E láa fomos nós nadar a 0º num dos lugares mais bunitos que já vi! Fiquei trocando ideia com um povo do hostel que encontrei lá também, todos viajando sozinho e eles começaram a voltar lá pelas 16h. Quis ficar um pouco mais, e como estava planejando 4h de trilha de volta, tava tranquilo, teoricamente chegaria às 21h, de dia ainda! Mas senta que lá vem história! Fiz a primeira parte da volta tranquilo, caminho certo. Até que tem uma bifurcação: de um lado, Chaltén pelo caminho da vila, do outro uma trilha que conecta a trilha pra Laguna Torre com a da Laguna Los Tres. E o que o panguão aqui fez? Claramente entrou errado. Só fui perceber que estava completamente perdido 2h depois, no meio do caminho do Cerro Torre. E isso eram 20h30...Ou seja, tinha 2,5h a mais de sol pra fazer um trecho de trilha que demora umas 3h haha. Imagina um maluco correndo, sozinho, descida abaixo no caminho de volta do Cerro Torre, morrendo de medo que um Puma aparecesse de noite haha. Graças aos deuses patagônicos, 22h50 estava chegando em Chaltén, num pôr-do-sol espetacular, de presente pro perrengue. Aí tá a explicação dos mais de 40km andados nesse dia! Salve o verão patagônico! O legal é que, por conta desse caminho alternas que eu fiz, acabei conhecendo duas lagunas que não estava planejando visitar! A Laguna Madre e Hija! E particularmente as achei muito mais maneiras que a Laguna Capri, que conheceria no dia seguinte! A noite encontrei o povo que conheci lá no pico e ficamos tomando umas cervejas e dando risada do perrengue haha. Bora descansar que no dia seguinte também tinha trilha! Caminho pela Hosteria El Pilar! Esse é o Glaciar Piedras Blancas Mergulho a 0º! Pensem num lugar da paz! Laguna Madre e Hija, que conheci só porque me perdi! Haha Pôr-do-sol às 22h50, pós perrengue! Dia 5 - 8/dez/2017 - Chorrilho del Salto + Laguna Capri: 24,5km andados, o dia inteiro andando. Depois da aventura dos 40km rodados no dia anterior, optei por algo mais leve: Primeiro fui com o pessoal que conheci na Los Tres pra Chorrilho del Salto, uma cachoeira que fica 1,5h de trilha da vila. Foi bem de boa, a cachoeira é bunita, mas nada espetacular. Mas vale a pena, principalmente algum dia que você quer pegar leve! O pessoal só fez ela no dia, mas eu, o panguão, como errei o caminho no dia anterior, ainda não tinha conhecido a Laguna Capri! Ela normalmente se faz na volta da Los Tres, já que fica no caminho pro Fitz Roy via trilha. E lá fui eu sozinho ver a dita cuja. A subida da trilha pela vila é realmente bem íngrime no início, por isso que o povo faz pela Hosteria. A Capri fica no meio do caminho do Fitz Roy. No geral foi uma trilha tranquila, muita gente voltando do Fitz Roy, poucas indo. Na volta, lá pelas 19h, estou passando cansadíssimo na avenida que sai da trilha e ouço uma garota começar a gritar no meio da rua "Victooooorrr". Era a Lucy, a neozelandeza que nadou comigo! Ela tinha feito a cachoeira de manhã comigo e tava com o Thomas, um belga, que também conheci no pico da Los Tres tomando uma breja no happy hour de um dos bares. Fui lá com eles, ficamos um pouco e ainda passamos no mercado, compramos um macarrão e comemos no hostel os três. Mais uma vez demos bastante risada do perrengue. Chorrillo del Salto! Laguna Capri! Nada demais, mas vale o passeio! Só não se perca! Dia 6 - 9/dez/2017 - Descanso e passeio pela vila: 4,1km andados Tantos km andados até então, me dei um dia de descanso, já planejado quando estava programando a viagem. Mas como me sentiria um inútil ficar no hostel o dia inteiro, dei um passeio de 1h na vila, atrás de uns souvenirs..mas acabei comprando uma bandana do Fitz Roy e um mapa topográfico da região pra enquadrar! Melhor souvenir! Foi o único haha. De resto, hibernei a partir das 20h. Dia 7 - 10/dez/2017 - Loma del Pliegue Tumbado: 27,5km andados, 4h ida e 4h volta. Aí tava o segundo lugar que queria mais ver! Saí cedinho no domingo dia 10 pra fazer o Pliegue Tumbado, que é um vale imenso que dá pra ver a Laguna Torre de cima, além de conseguir ver todas as montanhas de Chaltén. É espetacular! E a trilha é bem legal de se fazer. A ida é constantemente íngrime, mas nada de morrer. Apenas inclinada. Mas o mais louco é que você passa por váarios ecossistemas no caminho. Saí no deserto, passa por uns lagos, uma floresta cheio de árvore, um campo de pampas e termina numa área de montanha cheia de pedra. É muito legal mesmo! Gostei mais desse caminho do que o caminho para a Laguna Los Tres! O mais engraçado que o povo não bota muita fé nessa trilha por não ter uma própria laguna, mas pra mim foi pau a pau com a Laguna Los Tres! Por conta disso, o lugar é vazio. Fiquei sentado lá um tempão, almoçando, e tava um solão de invejar! Depois de 1,5h sozinho lá em cima, quem surge? O Thomas, o belga que conheci no Fitz Roy. Ficamos trocando uma ideia até umas 16h, quando resolvemos voltar. Nesse dia, fomos comer uma carne com um americano, o Ilan e duas amigas americanas dele, a Ellie e Christine! Não é que nos demos tão bem que a Ellie e a Chris foram fazer a Laguna Torre com a gente no dia seguinte! Pliegue Tumbado! "Pulo" Tumbado! Dia 8 - 11/dez/2017 - Laguna Torre: 23,1 km andados, 4h ida e 4h volta E chegou o último dia de trilha! Fomos eu, as duas americanas e o belga fazer a Laguna Torre. O dia tava sol, mas tinha uma nuvem bem em frente ao Cerro Torre! Então não dava para ver direito. Mas tudo bem, já que tinha visto o pico com uma clareza especular no dia anterior, do Pliegue Tumbado. Fazer a trilha com eles foi engraçado, as meninas eram divertidíssimas. A Laguna Torre não é tãaao massa quanto a Laguna Los Tres, tem uma cor diferente, mais opaca, mas o lugar é muito legal! Vale o passeio. O engraçado é que já tinha feito metade do caminho no dia que me perdi haha. E pude ver o QUÃO longe eu tava quando percebi que estava perdidão. Só alegria! E ahh, mais uma vez, virei pra americana, a Ellie e a desafiei para nadar comigo na Laguna Torre! Não deu outra, assim como a Lucy, a americanazinha do Colorado era doida também e láa fomos nós pular na água, cheio de icebergs! Sim, eu zerei as lagunas nadáveis de Chaltén! A noite fiz um jantar pra todos no hostel e ficamos tomando vinho de caixinha! Melhor rolê! Laguna Torre com icebergs e nuvem no Cerro Torre! Eu e Ellie no verão patagônico de 0º! Magnífica Chaltén! Dia 9 - 12/dez/2017 - Deslocamento para o aeroporto de Calafate + Voo pra BsAs: 2,6km andados De manhã um café da manhã show com o pessoal antes de pegar a van Las Lengas direto pro aeroporto de El Calafate. O voo saiu às 17h30! Cheguei em BsAs, no Aeroparque umas 20h30. Tinha que trocar de aeroporto, já que o voo pra São Paulo saía de Ezeiza, que é o aeroporto "longeparacaraleo" da cidade. Mas foi batata: 200 pesos (o que dá uns 40 reais) o busão entre os aeroportos, demora uns 50min a viagem. A cia que usei foi a ArBus, empresa que além do translados entre aeroportos, também faz translados dos aeroportos para o centro da cidade, entre outros bairros. Achei ótimo! Sei que o Tienda Leon também faz, mas é mais caro! Viagem bem confortável, e dá pra comprar na hora! Chegando em Ezeiza, já fui pro embarque e arranjei um cantinho para dormir até o voo sair às 4h da manhã. Dica: vá para os últimos portões, depois do portão 12, que tem umas cadeiras inclinadas e com encosto grande! Perfeito pra dormir! O dia "10" foi apenas a chegada em SP, nada além disso. Conclusão Essa viagem, até agora, foi a viagem da minha vida, com absoluta certeza. Foi minha primeira viagem sozinho pra turismo apenas, de contato com a natureza a todo momento, numa paz inexplicável e com um sentimento de dever cumprido após um ano MUITO corrido. Cada momento que passei por lá foi de reflexão e autoconhecimento, de forma que voltei alguém muito mais de boas com a vida. Voltei com um sentimento de querer conhecer mais lugares de natureza (Atacama, Salar, além da própria Patagônia Chilena e o resto da Patagônia Argentina, além dos inúmeros parques nacionais aqui do Brasil). Emagreci 2kg na viagem, me sinto muito mais disposto depois de andar tanto e voltei querendo tornar o trekking um hobby na minha vida. E vai acontecer! Já estou planejando um trekking pro Pico da Bandeira pra 2018. Espero que eu tenha ajudado a dar um norte pra viagem de vocês e cara, se estão nessa vibe de fazer trilha mas estão com medo de elas não terem guias, não terem condicionamento, medo de viajar sozinho, DESCONSTÓI, TREINE e SÓ VAI! Não se arrependerá!! E responde aqui postando o relato que vou ler com certeza! Aqueele abraço pros leitores e partiu mais uma viagem! Salve a Argentina e Salve a Patagônia!
  3. Bom dia/noite, fala aí pessoal. Então, após a leitura de vários relatos decidimos fazer nossa aventura de carro até Ushuaia e retorno por El Calafate, El Chaltein, carretera austral, Bariloche. Primeiramente, agradecemos a todos os relatos postados aqui no Mochileiros que contribuíram para a realização dessa missão, possibilitando relatar e retribuir um pouco dessa aventura, apresentando nossas impressões desses 13.000 kilometros rodados em 22 dias, agora em Novembro de 2017. Preparação: Como já dito em vários relatos, efetuamos a aquisição de um cambão, segundo triangulo, kit primeiros socorros, seguro carta verde, seguro saúde, e o principal: Doletas. Roteiro: Saída de São Jose dos Campos/SP, Curitiba/PR, Rio Grande/RS, Chui/RS, Montevidéo, Colonia Del Sacramento, Buenos Aires (via Buquebus), Tres Arroyos/ARG, Puerto Madryn/ARG, Puerto San Julian/ARG, Rio Galegos/ARG, Estreito de Magalhães, Rio Grande/ARG, Ushuaia/ARG. Retorno: Ushuaia/ARG, Rio Galegos/ARG, El Calafate/ARG, El chaltein/ARG, Perito Moreno/ARG, Chile Chico/CHI, Cohialque/CHI, Futaleufú/CHI, Esquel/ARG, Bariloche/ARG, Neoquen/ARG, General Acha/ARG, Santa Rosa/ARG, Rosário/ARG, Paso de los Libres/ARG, Uruguaiana/RS, Erechim/RS, Curitiba/PR, São José dos Campos/SP. Abastecimento: Na Argentina, tem duas opcões nos postos YPF, a Super de 95 octanas a qual utilizamos na viagem inteira sem problemas nenhum, e Infinia de 98 Octanas mais cara. Em portunhol é só solicitar: Bom dia, Super, Cheno (lleno), Tarjeta, que voce vai e volta tranquilo, e paga depois, rss. Com exceção de Buenos Aires (Shell), só abastecemos na rede de postos YPF Full (tem alguns YPF sem Full, kkk), que consiste em combustível de qualidade, banheiros limpos, WIFI, loja de coveniência para café da manha e almoço. pagamento com cartão de crédito, perfeito. Alimentação: É cara, não tem muita opção. Esqueça aquelas bancas de milho verde, caldo de cana, frutas, pastel, buffet, nessas estradas que passamos, não existem. Opção de supermercado somente para bebidas, salgadinhos, bolos, o resto não compensa. Em resumo, voce vai pagar de 160 a 210 pesos em media (R$32 a 42) por pessoa pelo prato principal 50 a 80 pesos pela guarnição (R$10 a R$15), 55 pesos pela latinha de refri (R$11), e 25 a 30 pesos de cobierto (R$6) aquela cestinha de pão com manteiga que voce não pediu, tudo isso, por cabeça, e tanto faz a cara do restaurante, se simples ou luxuoso, o preço não muda (nos pratos básicos), somente a variedade e qualidade, não tem taxa de serviço, voce que colabora se quiser, a maioria aceita cartão de credito. Nos postos YPF voce vai ter a opção para o café da manha, de 55 pesos (R$11) café com leite e duas medialunas (croissant), para o almoço 160 pesos (R$32) um combo de hamburguesa, papas fritas e gaseosa 600 ml, e não adianta querer inverter a ordem, café é de manhã, e hamburguesa é no almoço. Hospedagem: Optamos a maioria pelo Booking a fim de não perder tempo com procura e ter um destino para o GPS e Aduanas (eles precisam preencher no sistema o seu próximo destino,então nas fronteiras é bom ter uma tela com endereço do hotel de seu próximo destino, e não correr o risco de ser deportado, rss). O Desayuno consiste em um café com leite, torrada com manteiga, e nos top vem um suco tipo tang, rss, então não fique dando preferencia por hotel com Desayuno incluído, não vale a pena, já na hospedagem a maioria NÃO aceita cartão de credito, tem que pesquisar bem, aproveitávamos na hora das paradas nos postos YPF. Rodovias: Agora em Dezembro estará liberado a duplicação da serra do cafezal, então até Porto Alegre tudo pista dupla, de Porto Alegre até Pelotas pista simples, Pelotas a Rio Grande pista dupla, Rio Grande a acesso punta del leste/URU pista simples, e após pista dupla até pertinho de Colonia del Sacramento/URU, ruta 3/ARG pista simples sem buracos ate Comodoro Rivadávia, após duplicação em andamento em Caleta Olivia, e após pista simples até Ushuaia (remanescem 15 km para liberar de pista asfaltada (cimentada, padrão Chile),e 25 km a fazer, de estrada no rípio na parte chilena, ou seja, falta pouquinho para 100% até Ushuaia. As rodovias são planas, rendem bem a viagem, anoitece pelas 20:00 21:00 hs, as cidades sãõ distantes umas das outras, portanto nada de deixar baixar de meio tanque de combustível, os postos só existem nas cidades, não se recomenda viajar a noite, pelas distancias das cidades e falta de apoio na rodovia (de assalto não se ouve falar nada, mas cuidado sempre é bom). Inimigo: O VENTO. o vento é extremamente forte, cruel e desumano, rss. Para se ter uma idéia, o volante fica aproximadamente 1 dedo de diferença para o lado esquerdo ou direito da centralização, dependendo do trecho, e de repente diminui o vento e voce tem corrigir rapidamente, pensa nos sustos. Quando voce para, o vento não te deixa abrir a porta ou quase arranca ela fora se não segurar. Nas aduanas guarde bem os papeis, pois ele está lá fora para voar a kilometro de distancia, sua autorização de ficar no país, rss. Ingressos: Acabou o negócio de Mercosul, ou seja, Argentino e Chileno pagam a metade em seus parques nacionais, e estrangeiros pagam o DOBRO, em resumo R$100 pila por cabeça, por parque, dinheiro em espécie. Aduanas: Basicamente há tres etapas, primeiro voce faz a sua imigração e dos passageiros (passaporte, Rg, endereço destino), depois a importação provisória de seu veiculo (DUT, carta verde, Soapex) e por último aquela vistoria para verificar a bagagem (nada de frutas, queijo, presunto, rss, e se tem mercadorias indevidas). Nas aduanas integradas, tudo isso é feito nas aduanas de entrada do pais. Então após tudo isso, certifique-se que voce tem os carimbos de entrada e saída de cada pais, e uma autorização de transitar naquele país, porque sempre tem muita gente e pode ocorrer de faltar algum detalhe. Pessoas: Todas as pessoas que conversamos, pedimos informação, sejam nas aduanas, policia, hotéis, restaurantes, supermercados, postos, ruas, sempre foram muito cordiais, educadas, prestativas, e tudo isso com nosso portunhol. O que pode-se observar na cultura, é que eles prezam pelos bons hábitos (bom dia, com licença, por favor, obrigado, sinalização, ordem de fila). Na medida do possível devo ir relatando os dias individualmente, e respondendo as dúvidas e perguntas, OK.
  4. Viagem de 27/ Fev à 12/Mar de 2017 Primeira viagem sozinha e primeira vez que sai do país. EDIT: Consegui colocar fotoss Depois de tantos relatos que me ajudaram com a viagem, resolvi postar tambem. Comprei minhas passagens direto do site da Aerolineas e todas as passagens saíram por R$1500,00. Desculpa.. mas eu não anotei todos meus custos e acabei esquecendo , portanto os valores que citei abaixo são aproximados... Mas no total, com as passagens gastei por volta de R$6.000,00 Cambio: Fiz todo o cambio de Reais para Dolar em SP e troquei 1/3 por pesos no aeroporto de Buenos Aires e o restante no hotel Antartida(?) em Ushuaia, pelas recomendações aqui do site. ( chegando no hotel vc fala na recepção que quer fazer o cambio e eles te levam pra cozinha pra fazera troca) Roteiro: 27/02 - SPO/ Buenos Aires / Ushuaia 03/03 - Ushuaia/ El Calafate 06/03 - El Calafate/ El Chalten 12/03 - El Chalten/ El Calafate/ Buenos Aires/ SPO Não precisei trocar de aeroporto em Buenos Aires na ida, sobre a volta conto depois. Ushuaia - 27/02 Hostel Antarctica (super recomendado aqui no Mochileiros): Gostei do hostel, quarto grande com 3 beliches, tem bastante tomada, porem não perto da cama. Banheiro tem secador. Cafe da manhã tinha ovos (crus), paes, geleias, doce de leite e um suco que de maçã industrializado que tem em todo lugar. E o pessoal da recepção super simpaticos e prestativos. 4 diarias ficou por volta de 1500 pesos. O ruim realmente é a distancia entre o quarto e o banheiro que tem que passar pela area externa, cozinha e lobby.. Chegando em Ushuaia, peguei um taxi do aeroporto para o Hostel. Como ja era tarde, passei no mercado pertinho do hostel pra comprar umas comidinhas. (obs: atum em lata, maçã e nuts são super baratos) 28/02 - Tour Beagle Channel À pe, fui no pier onde tem varias "casinhas" que são as agencias que vendem o passeio de barco no canal Beagle, contratei o passeio em um barco menor que o catamarã, pra ter uma turma reduzida, ficou mais ou menos 900 pesos. Os passeios tem o horario da manhã e da tarde, dizem que à tarde se o dia não estiver nublado voce pega o por do sol. Fiz o passeio de manhã, são mais ou menos 4 ou 5 horas de passeio de barco onde vemos leoes marinhos, focas, o "farol do fim do mundo" e fazemos uma curta caminhada em uma ilha. Lembrar de levar um corta vento à prova d'agua, pois na parte de fora do barco faz um vento da desgrama e pode chover/ chuviscar no caminho. Na volta eles servem um cafezinho com bolachas dentro do barco. Conheci um brasileiro que disse que fez o passeio em um veleiro, que foi mais barato do que eu paguei, são menos pessoas no barco e chega mais perto da ilhas pra ver os animais. Então parece que vale apena dar uma pesquisada antes. Ah! o carimbo de Ushuaia pro passaporte fica no centro de informações turisticas do lado do pier onde vendem os passeios do canal Beagle, e é de graça! De volta ao hostel, peguei informações sobre transfer para o Paque Nacional Tierra del Fuego, e marquei para o dia seguinte às 09hrs (primeiro horario). Passei em um lojinha de esquina no centro que parecia uma conveniência de posto (sem o posto) pra comprar um chip de celular da Movistar, que funciona como um pre pago daqui. 01/03 - Parque Nacional Tierra del Fuego O transfer (300 pesos ida e volta) sai em varios horarios, mas pra fazer as trilhas tem que sair cedinho, pois ela sao extensas. Levei umas comidinhas pra passar o dia. Chegando no parque, tem que pagar a entrada de 100 pesos (Mercosul, levar passaporte) e eles te dão o mapinha do parque, então voce tem que decidir onde vai descer, pois dentro do parque tem varios pontos de onibus, e para voltar, voce aguarda em um desses pontos antes dos horarios que o motorista informar. ( Eu me perdi no parque e quase perdi o ultimo onibus que saia às 18hrs ) Desembarquei no ponto do "correio do fim do mundo" queria ter mandado um cartão postal, mas estava fechado . De la, comecei a "Senda Costera" pela Bahia Lapataia, que tem uma vista linda do lago mesmo em dias nublados. Passei pela "Passeo pela Isla", "Laguna Negra", a Castorera, " Mirador Lapataia", "Del turbal" que ficam todas no mesmo lado. Dizem que em dias de ceu aberto, as trilhas que sobem as montanhas como " Hito XXIV" e "Cerro Guanaco" são lindas, mas exige mais esforço fisico. Depois de passar pelas trilhas, andei em circulos umas 4 vezes e nao achava de jeito nenhum os pontos de onibus.. sou bem ruim em senso de direção e ja estava quase chorando achando que teria que passar a noite no frio de matar no Parque.. kkkk Finalmente achei o ponto e aguardei o bus de volta pro hostel, mortissima. Se tivesse mais tempo, com certeza voltaria mais dias no Parque pra fazer os outros senderos. O parque é lindo, pra quem nunca viu as paisagens da patagonia. Mas a melhor coisa é começar por Ushuaia e ir subindo pois a paisagens so vão ficando melhor!! À noite, achei que merecia ir jantar em lugar especial pelos perrengues que passei de dia rs, e fui comer a centolla em um restaurante que esqueci o nome que o hostel indicou. Perguntei à garçonete qual prato de centolla ela recomendava e ela me trouxe como se fosse um "escondidinho". Se voltasse, gostaria de comer a centolla por si só, aquelas que vêm inteira no prato pra sentir melhor o sabor. Lembro que o prato saiu caro.. por volta de R$80/ 70 o prato quando fiz a conversão na hora. 02/03 - Calvalgada/ Museo do Presidio Gosto muito de andar à cavalo, e ja tinha essa ideia fixa que o faria em Ushuaia, contratei o passeio no hostel tambem, e fui pela manhã. Tambem não me lembro do nome do lugar.. se nao me engano se chama estancia alguma coisa.... e o passeio passa no Monte Olivia, e em uma pequena praia e ourtas paisagens incriveis... Me senti em filme.. tudo muito lindo.. e com um grupo de 5 pessoas mais 2 guias. O valor foi por volta de 800 pesos.. À tarde, fui visitar o Museo do Presidio que fica do lado do hostel, lembro que tinha que pagar pra entrar, mas nada muito caro.. O lugar é interessante, pricipalmente uma ala que não foi reformada, então mostra direitinho como era antigamente, da ate uma melancolia. Tem tambem uma pequena galeria de arte, lojinha ( onde comprei um fleece que mem salvou do frio! Estava na promoção por uns 70 pesos e achei de otima qualidade!) e uma pequena parte com alguns aminais empalhados da região. Nesse ultimo dia tambem fui jantar a merluza negra, que parece que so tem la em Ushuaia, fui no rest. Tia Elvira que é "famoso" e tem aquele aquario na frente dos restaurantes com as Centollas vivas. 03/03 - Voo para El Calafate Tiveram varios lugares que nao consegui visitar em Ushuaia, como o Glacial Martial e Laguna Esmeralda. Mas mesmo assim fui embora contente, com o que consegui conhecer. Pedi pro Hostel chamar um taxi e fui pro aeroporto de Ushuaia para embarvar para El Calafate. Hostel America del Sur, que tinha fotos maravilhosas no Booking, e realmente a area de convivencia do Hostel era muito bonita e nova. (3 diarias +/- 800 pesos). O cafe da manhã mais completo dos hostels que fiquei, com ovos, pães, bolos, cereais e iogurt. Para o jantar eles tambem tinham um restaurante com preços ok. Talvez um pouco caro pro meu budget. Achei os quartos um pouco apertados, secador de cabelo no banheiro, tem que pagar para alugar toalha e tambem com 3 beliches e um banheiro dentro do quarto, outro ponto ruim é que ele é um pouco afastado do centrinho, talvez uns 15 min de caminhada pro mercado mais proximo que ficava no começo da av principal. Assim que cheguei, deixei a mochila no quarto e fui no mercado. Nessa viagem vivi de macarrão com atum, maçã e sopa Vono rs. Ja tinha reservado o Big Ice (caminhada mais longa) no Glaciar Perito Moreno com o hostel meses antes da viagem pra garantir o lugar, foi bom porque garanti o preço antigo antes da atualização da tebela de preços para 2017. (3100 pesos), eu paguei tambem um Kit de lanche do hostel para levar no passeio (sanduiche, agua, maça e um alfajor) mas nada que voce mesmo não possa preparar para levar. Até vi outros passeios que pareciam interessantes no Hostel, como kayak em que diziam que passariamos entre icebergs; mas o preço dos passeios em El Calafate são muito caros, então fiz só o Big Ice mesmo. 04/03 - Big Ice Perito Moreno Logo de manhã, umas 6 ou 7 hrs o transfer me buscou no hostel. Tinha lido em varios realtos que pra fazer o Big Ice precisaria de muito preparo fisico e tal. Fui morrendo de medo de não aguentar, mas no final acabei achando bem tranquilo. A parte mais dificil é a trilha antes de chegar no Glacial, por que é so subida. O onibus te leva pro Parque, onde vc tem que descer na "portaria" e pagar uma taxa pra entrar, não lembro exato o valor.. mas nao passava de 100 pesos. Entao te levam pras passarelas, onde voce pode ficar por uns 40min observando o Perito Moreno. Realmente é uma coisa que voce não acredita. Eu achei impressionante aquela parede enooorme de gelo, eu me imaginei na muralha "the wall" de GoT kk. Peguei um dia de ceu limpo e ensolarado, e estava achando que estava com super sorte, mas dizem que quanto mais nublado o dia, mais conseguimos ver os tons de azul do Glaciar. Mais legal ainda é ver e escutar os pedaços de gelo caindo no lago. E então voce sobe de novo no onibus que te leva no pier de onde saem os catamarãs. Ele atravessa o rio e te deixa no refugio de onde os guias passam as primeiras instruçoes. Apos alguns minutos da trilha dificil, vc chega na divisa do solo de terra e o gelo, lá eles colocam os "grampones" no tenis e dividem o grupo em ingles e espanhol. Cada grupo sai com dois guias. Achei legal que não existe um caminho demarcado para seguir no glaciar, a guia foi achando os pontos seguro de passagem e vamos adentrando no glaciar. Passamos por formações de cavernas, lagos, e uns buracos formados pelo vento. Alguns momentos precisavamso saltar uns "riozinhos" ou ate fendas, e mesmo eu com minhas pernas curtas conseguia pular com ajuda dos guias e dos pessoal do grupo. Como meu primeiro contato com esse tipo de ambiente, eu achei tudo maravilhoso rs. Na volta, eles servem whiskey com gelo do Perito Moreno "pescado" no lago, um alfajor e um chaveirinho de lembrança. 05/03 - Descanço e passear no centro Neste dia aproveitei para descarregar os fotos da camera, e passear na cidade. Tomei o sorvete de Calafate, que parece um blueberry, mas mal sabia que mais pra frente ia encontrar essas frutinhas in natura em El Chalten. Fui procurar lojas de roupas tipo Columbia e North Face achando que talvez seria mais barato. E realmente, convertendo, tinha alguma diferença de preço, mas nada que valesse muito a pena.. Passei no bar/ restaurente Pub Borges Y Alvarez Librobar que é famosinho pela decoração e pelas lojinhas de souvenirs e comi umas empanadas. Usei o google maps pra achar a rodoviaria de El Calafate pra comprar a passagem de bus para El Chalten, depois de me perder um pouco como de costume, comprei o bilhete (+/- 900 pesos ida e volta) e voltei para o hostel. 06/03 - El Calafate/ El Chalten Fui pra rodoviaria e peguei o bus, +/- 3hrs de viagem, ate chegarmos no centro de informações de el Chalten, em que temos que descer para ouvir algumas instruçoes sobre as trilhas e tal. Subimos novamente no bus para ir pra rodoviaria. Chegando perto de El Chalten, do onibus, se tem aquela vista do Fitz Roy no final da estrada que aparece em varias fotos na internet. Da rodoviaria, peguei um taxi para me levar ate o hostel. Hostel Rancho Grande: +/- 1800 pesos para 6 diarias. Quartos espaçosos com duas beliches, não tem secador no banheiro, e tem um restaurante 24hrs dentro do hostel. Ah! neste, não tem cafe da manhã incluso. Planejei em ficar mais tempo possivel em El Chaten por ter as "atrações gratis" tentei me informar sobre o clima pra planejar minha ida ao Fitz Roy. E parece que um dia antes de eu ir, o clima estava perfeito e a vista pro fitz roy totalmente descoberta... e que o restante dos dias seriam de chuva.. Então ja me planejei pro dia seguinte encarar a trilha de 20km rezando para que o tempo abrisse.. 07/03 - Sendero Fitz Roy (Laguna de los tres) Acordei às 5:30hrs pra sair ate ás 6hrs. A trilha fica bem perto do Hostel Rancho Grande., e ja no começo tem umas subidas que olha... kkk no meio, a trilha fica mais plana, o que ajuda bastante, e então chegamos à area de acampamento point cenot que ja indica que vc esta proximo da reta final. E no final... aquela subida super ingreme, que tem partes que vc tem que ir se apoiando com as mãos. Não me lembro exatamente, mas se não me engano são 2 a 3 Km essa parte da ultima subida... que levei umas 2 hrs pra terminar... Conheci uma argentina muuito simpatica que estava acampando em El Chalten há alguns dias com alguns amigos brasileiros. Ela me levou por um caminho onde tinham varios arbustinhos de calafate para comermos. Ela ja tinha subido pra ver o Fitz Roy no dia anterior e tinha fotos incriveis! E mesmo assim me acompanhou novamente naquela subida horrivel kkk E chegando lá! nadaaaaaa as nuvens e a neblina estava tao densos que nao conseguia enxergar nada a 1m de distancia... até tentei aguardar um pouco la em cima pra ver se as nuvem se dissipavam, mas nada.... e o frio cortante tambem me fez ir embora.. Na volta, passei pela Laguna Capri, que é bonita, mas nada muuito espetacular. Mas essa era a vista que esperava há 1 ano.. então ja voltava a trilha pensando que nao poderia ir embora sem ver o Fitz Roy.. Minha primeira "vista" do Fitz Roy.. Laguna Capri 08/03 - Salto del Chorrillo Como a preisão do clima estava ruim para os proximos dias, fui fazer as trilhas menores das redondezas. Conheci dois americanos no hostel e fomos visitar a cachoeira Salto del Chorrillo que ficava relativamente perto do hostel tambem. Talvez 5 Km de distancia. A cachoeira é bonita sim, mas nada espetacular.. No resto do dia não fiz nada de muito interessante... 09/03 - Mirador de los Condores Neste dia, resolvi ir ao Mirador de los Condores, trilha mais curta que fica perto da entrada da cidade. Nesta entrada tem a opçao de fazer outras trilhas mais longas que tem outros angulos do Fitz Roy, porem por causa do tempo, resolvi fazer o Mirador qua da uma vista panoramica da cidade de El Chalten. Do lado oposto da vista da cidade, se tem uma vista do lago argentino (não tenho certeza se é esse o nome do lago..) Mas a vista é impressionante! è um lago enoooorme que eu não conseguia nem ver o fim dele. Na volta parei pra tirar uma foto na placa de madeira da entrada da cidade, bem bonitinha com arbustos de lavanda em volta. 10/03 - Descanso Deveria ter aproveitado o dia pra fazer outras trilhas.. como o Loma del Pliegue Tumbado ou Laguna Torre/ Cerro Torre.. mas estava me guardando para o dia seguinte em que tentaria de novo fazer o Fitz Roy. E tambem ja estava meio desanimada por causa do clima chuvoso/ nublado.. Resolvi que faria a outra trilha para o fitz Roy, onde pegamos um transfer até a a hosteria Pilar, e de la fazemos a trilha para a Laguna de los 3 (Fitz Roy). Contratei o transfer no Hostel (+/- 300 pesos) para o dia seguinte às 7hrs que era o primeiro horario. 11/03 - Fitz Roy de novo! Ultimo dia em el Chalten, e eu PRECISAVA ver o Fitz Roy... se nao, nao ia embora daquele lugar!! kkkk O transfer veio me buscar no hostel, onde conheci duas veneluelanas super simpaticas! Eu achava que a hosteria Pilar ficasse mais proxima.. mas demoramos um pouco pra chegar. A hosteria é muito bonitinha e escondida no meio do mato! Fiquei pensando que seria legal ficar hospedado la por uma noite.. Olha... eu achei o caminho pela Hosteria Pilar muito mais bonita e até mais rapida (não sei se era psicologico, passa ate por um Glacial!) Mas não consigo te afirmar qual dos dois caminhos fazer, pois tanto a trilha tradicional quanto a da Hosteria são bem diferentes. E depois de mais uma vez subir (se não escalar) aquela subida torturante.. tenho a vista MARAVILHOSA e com o ceu totalmente limpo do Fitz Roy. Mas parece que todos viram na previsão sobre a melhora do tempo, o que acabou lotando a Laguna de Los 3.. Desci a trilha ate a laguna, e se da laguna, voce ir pra esquerda e subir um morrinho, voce tem a vista de uma segunda laguna com um glaciar entre as montanhas. Não é todo mundo que vai pra esse ponto, e acaba nao sabendo da existencia dessa segunda vista. Ai sim fui embora com o sentimento de satisfação daquele lugar.. O Glaciar que tem no caminho: 12/03 - El Chalten/ Aeroporto El Calafate/ Buenos Aires/ São Paulo Dia de ir embora Fui ate a rodoviaria a pé (pois agora sabia que era uma distancia andavel) e peguei o bus de El Chalten direto pro aeroporto de El Calafate que fica no meio do caminho. A passaegem ja tinha comprado junto com a ida em El Calafate. Voei ate Buenos Aires (AEP) e tive que ir ate o outro aeroporto (EZE) para pegar o voo pra SP. Contratei o transfer (+/- 50 pesos) em uns guiches logo depois da area de desembarque. E enfim cheguei em SP Espero ter ajudado alguem com esse relato meia boca kkk Qualquer duvida, fico feliz em ajudar!!
  5. Boa noite, colegas Após muitas viagens, esse é meu primeiro relato. Estou praticamente sendo obrigado a relatar, impelido por gratidão a todos e por achar que as informações pra esse destino estão um pouco confusas. Minha tentativa é ajudar um pouco mais aqueles que buscam informações sobre essa área, El Chalten e El Calafate, e quem sabe encorajar outros viajantes! Segue abaixo o relato da viagem realizada entre 10/10 e 19/10/2017. Somos um casal de mochileiros e viajamos com a economia sempre sendo uma premissa de viagem. Não temos metas restritas de gastar 1 dólar por dia nem nada muito radical, mas evitamos gastar dinheiro desnecessariamente. O orçamento é curto e exige sacrifícios, o nosso dinheiro não dá pra viajar SEM se preocupar com despesas. Portanto, sacrificamos alguns dedos para salvar a mão. Não fazemos questão de luxo em hospedagens nem em restaurantes e sempre que possível fazemos tudo por nossa conta. As passagens Rio – El calafate foram compradas através de uma promoção divulgada no Melhores Destinos, pagamos 1130 por pessoa. Vôo com escala – longa e fora de mão – em Buenos Aires. Levamos cartões de crédito Mastercard para uso excepcional e para pagar os hotéis, uma vez que cartões internacionais são isentos de um imposto de 21% cobrados pelos hermanos, e dólares. Compramos os dólares na DG Câmbio, em Niterói – RJ. Como preparativo, compramos calçados para frio no Amazon.com, que uma amiga trouxe para a gente dos EUA. Roupas específicas para frio compramos na Decathlon e na 91 Meias e Acessórios, ambas no RJ, e algumas acabamos nem usando pois demos sorte com o clima. Programamos a viagem com alguns dias a mais que o mínimo necessário para termos algum espaço de manobra caso o clima não cooperasse. Todos os preços listados são POR PESSOA ou POR UNIDADE, ao menos que explicitado em contrário. VOU TENTAR ADICIONAR MAIS FOTOS POSTERIORMENTE! Dia 1 - Embarque Embarque no Rio às 22:00 com destino a Buenos Aires, pela Aerolíneas Argentinas. Os quatro vôos foram tranquilos e sem intercorrências ou atrasos, lanches simples e nada a destacar nem positivamente nem negativamente. Nesse primeiro deslocamento o destino final era El Chalten. Dia 2 – Ida até El Chalten Chegamos em Buenos Aires às 02:00, no Aeroparque, que é próximo ao centro de Buenos Aires. Algo como o Santos Dumont no RJ. Nosso vôo para El Calafate era às 06:15 e gastamos o tempo assistindo a filmes no computador dentro do aeroporto. Wifi disponível e tudo ridiculamente caro, apenas uma prévia do que seria ainda pior na patagônia. Compramos uma garrafinha de água que custou 45 pesos (100 pesos estavam valendo 18 reais), cerca de R$ 8,20! Nosso primeiro problema de logística ocorreu por causa desse vôo. Originalmente o vôo para El Calafate seria às 08:20, mas foi adiantado para as 06:20 pela Aerolíneas. Reduziu o tempo de conexão, mas me atrapalhou por que o Banco de La Nacion do Aeroparque fecha entre 00:00 e 06:00, o que significa que não consegui fazer o câmbio dos dólares antes de chegar em El Calafate, por que no minúsculo aeroporto de lá não há casas de câmbio. Durante as pesquisas eu descobri que havia uma agencia do La Nacion em El Calafate e com uma ligação para lá confirmamos que eles também faziam câmbio. Como o câmbio no Galeão era ridículo, chegamos em El Calafate ainda sem pesos na carteira. Chegamos em El Calafate por volta de 09:30 e já estávamos com transfer ida e volta para a cidade marcado com a VES PATAGONICA. O valor foi 240 pesos por pessoa, cerca de 45, e tudo foi arranjado por e-mail. Como eu ainda estava sem pesos, paguei esse transfer em dólar e levei uma pernadinha na cotação e no troco, mas era algo que eu já sabia que aconteceria. Inicialmente, nós iríamos alugar um carro, mas como demorei a fazer a reserva não conseguimos boas tarifas e o conforto de ter um carro acabaria saindo muito caro, cerca de 3500 a 4000 pesos além do que gastaríamos com os transportes pela região. Deixamos o conforto e as vantagens do carro de lado pela economia e tranquilidade também, pois os policiais argentinos são conhecidos por acharcar motoristas estrangeiros. Não sei se é o caso na região da Patagônia, mas esse fator entrou na balança também quando desistimos do carro. Existem um transfer direto do aeroporto de El Calafate para El Chalten, nosso destino, mas tivemos que passar no centro de El Calafate primeiro para ir ao Banco de La Nacion trocar os dólares e marcar o Mini Trekking na Hielo y Aventura. A van foi pontual e prática e o motorista muito cordial e seguro dirigindo, sempre em baixa velocidade. Essa também foi a tônica nos transportes que pegamos, uma condução extremamente cuidadosa. A van nos deixou no hotel em que nos hospedaríamos em El Calafate quando retornássemos de El Chalten, Kalken Hotel by HS. Volto a falar dele depois. Fomos ao hotel contando com a boa vontade deles em manter nossa bagagem guardada enquanto resolvíamos as pendências e eles foram extremamente receptivos. Guardaram nossas malas, nos permitiram acesso à internet e nos ajudaram com o transfer para El Chalten. Fomos ao Banco de La Nacion e trocamos dólares em uma excelente cotação e sem taxas. O único inconveniente é que é um banco, então você entra na fila como um cliente qualquer. Nesse primeiro dia levou cerca de meia hora, mas na segunda vez que precisei aguardei quase uma hora na fila. De lá seguimos para a Hielo y Aventura, que é a única empresa autorizada a realizar passeios pelo Glacier de Perito Moreno. Os dois passeios principais são o Big Ice e o Mini Trekking, optamos pelo mini trekking por ser bem menos caro e por receio com o mal tempo. A idéia de gastar quase 2 mil reais no passeio e ficar à merce do instável clima patagônico foi o que nos fez optar pelo mini trekking. Minha esposa sente muito o frio e eu receei que o passeio mais longo poderia se tornar um martírio em caso de darmos azar com o tempo. Falarei em mais detalhes do passeio depois, mas já adianto que não demos azar com o tempo mas também não ficamos com a sensação de que mais teria sido melhor, o Mini Trekking saciou plenamente nossa vontade de passear pela geleira. Passeamos um pouco pela cidade para matar o tempo e com a ajuda da recepcionista do hotel, conseguimos marcar o transfer para El Chalten, ida e volta, 1150 pesos por pessoa, com a empresa LAS LENGAS. Precisamos da ajuda do hotel por que o terminal rodoviário de El Calafate, que era próximo ao hotel, foi desativado. Meu plano era ir direto lá e comprar as passagens, mas como ele foi movido para fora do centro da cidade, criou a dificuldade de ter que arrumar um táxi para ir até lá. A empresa Las Lengas busca e leva no hotel, o que poupou esse deslocamento até a rodoviária. Chegaram pontualmente e a viagem também foi muito tranquila. Fiz o pagamento diretamente ao motorista e ele mesmo me entregou o voucher para a volta, já com dia e hora marcados para nos buscar no hotel para o retorno ao aeroporto. O veículo tem um tacógrafo que apita se atingir 90km/h, o motorista fez todo o deslocamento sem qualquer sobressalto e nos deixou no nosso hotel em El Chalten por volta de 18:30 - a viagem levou cerca de 3 horas. O hotel foi o Cabanas Cerro Torre, logo na entrada da cidade a poucos metros do Centro de Informações Turísticas. Nossa estadia no Cabanas Cerro Torres foi bem mais ou menos. As cabanas são pequenos chalés, com uma pequena cozinha. Local espaçoso e acolhedor e com cama confortável, mas já muito velho e precisando urgentemente de melhorias. O vento forte provocava muito barulho nas instalações, além de se infiltrar pelas frestas. Tivemos alguns problemas com a calefação e a água quente, mas o frio não tava tão intenso a ponto de isso nos causar um grande transtorno. A calefação deu conta de deixar o quarto apenas um pouco frio, o que é até confortável para dormir. A limpeza também é precária, embora alguém limpe o quarto todo dia, a limpeza é muito superficial. Embaixo das camas, atras da geladeira, móveis, etc, estava tudo imundo. A diária custou 42,5U$, pagamos no cartão de crédito antecipadamente para evitar os 21% do IVA. Eles só aceitam VISA. Apesar do cansaço, ainda demos uma caminhada sem destino pela cidade. O sol só se pôs por volta de 20:00, com o céu ainda claro até quase 21:00. Temperatura na média dos 5 graus e o dia todo foi ensolarado. Transfer de ida e volta do aeroporto até El Calafate – 240 pesos Transfer de ida e volta entre EL Calafate e El Chalten – 1150 pesos Minitrekking – 2400 pesos Dia 3 – El Chalten Acordamos por volta de 8 horas e o dia estava ensolarado e com pouco vento. Nos arrumamos e seguimos direto para o Centro de Informações Turísticas para buscar recomendações de trilhas. Por conta do corre-corre do dia a dia, dessa vez chegamos ao destino menos preparados do que eu gostaria, e embora eu tivesse lido algumas coisas, não havia programado o que fazer. Teríamos 3 dias inteiros em El Chalten e queríamos fazer pelo menos as duas trilhas mais importantes, a da Laguna de Los Três e da Laguna Torre. Em conversa com a atendente, ela nos orientou a começar pela mais difícil, a da Laguna de Los Três, por que a tendência para o vento era piorar nos próximos dias e essa trilha era a que tinha o trecho mais desabrigado. Ela recomendou também o uso de bastões de caminhada, que eu planejava ter comprado antes da viagem mas acabei não conseguindo. Adotamos as recomendações da guia e seguimos em direção a trilha da Laguna de Los Três. A entrada do Parque Nacional é na outra ponta da cidade, mas não dá nem 1km de distância. Alugamos os bastões de caminhada retráteis por de 100 pesos cada par e eles valeram cada centavo. Iniciamos a trilha às 10:30. Não vou ser muito detalhista sobre as trilhas pois já existem postagens muito boas aqui mesmo sobre elas, portanto vou ser sucinto. Existem duas formas de fazer essa trilha, a melhor é pegando um transfer até a Hosteria Pilar, pois partindo de lá evita uma primeira subida cansativa e faz-se um caminho em uma única direção, em vez de ida e volta como foi o nosso caso. Mas já estava tarde para ainda procuramos alguma condução até essa hosteria e portanto seguimos pelo caminho comum. De cara já tem uma subidinha um pouco puxada até um pouco depois do primeiro mirante, cerca de 1 km. Daí até o km 9, já ao pe do Fitz Roy, é bem tranquilo, relativamente plano com uma ou outra subidinha sem qualquer dificuldade, com belas paisagens e vegetações diferentes do que costumamos ver. Vimos apenas pássaros pelo local, inclusive o famoso pica-pau presente em todos os relatos que li. No final que vem a pior parte. A placa diz que a última subida leva cerca de 1 hora, mas levamos mais de 2:00h! Não somos sedentários mas estamos os dois acima do peso e a subida cansa muito, principalmente quando você pensa que depois ainda tem que voltar todo o caminho. Os bastões de caminhada ajudaram muito! Começamos às 10:30, chegamos ao pé da montanha às 14:30 e no topo dela depois de 16:30. Ficamos lá em cima por cerca de 1 hora. Embora não tenhamos passado por neve no caminho, la no alto estava nevado e a Laguna de Los Três estava congelada e coberta de neve. Iniciamos o retorno já sabendo que só chegaríamos a cidade à noite, mas já estávamos preparado pra isso com uma lanterna na mochila. Foi cansativo pra caramba, mas muito gratificante. Chegamos à cidade quase 22:00 e fomos direto pro hotel. A janta foi miojo que levamos na mochila, cozinhado no pequeno fogão da cabana, e pão. Durante toda a caminhada a trilha estava muito bem sinalizada, com placas a cada quilômetro, em um ou dois lugares tivemos alguma confusão mas rapidamente achamos o caminho. Não vimos sequer um pedaço de papel ou plástico em todos os 25km ida e volta. Lindo lugar, muito bem conservado e sinalizado e respeitado pelos mochileiros. Existem inúmeros córregos de água potável pelo local, basta levar uma garrafa vazia que sede não será um problema. Bastões de caminhada retráteis – 100 pesos o par. O rígido custava 60. Pacote com 5 pães francês (equivalente hermano) – 25 pesos Garrafa de água 1,5l – 25 pesos Dia 4 – El Chalten O tempo fechou e entrou uma forte ventania com pancadas de chuvas o dia todo. Veio a calhar pois estávamos moídos da trilha do dia anterior, então tiramos o dia para descansar e assistir uns filmes curtindo a friaca. Descansamos até mais tarde e no almoço comemos as coisas que havíamos trazido para lanche. No fim da tarde andamos pela cidade, devolvemos os bastões de caminhada, compramos algumas coisas e jantamos no Rancho Grande Hostel. Comemos um bife a milanesa com papas e ovos, que deu pra dividir pra 2 e deixar dois glutões satisfeitos. Antes da comida eles servem uma cesta com pães e um molhozinho. Bom custo benefício. Estávamos com uma garrafa de água na mão e o garçom ofereceu copos para que bebêssemos nossa própria água, sem demonstrar qualquer desconforto, além de trazer outro cesto com pães quando o primeiro acabou. O atendimento foi muito legal e acolhedor. Antes de voltar pra casa compramos algumas coisas no mercado. Milanesa com papas – 200 pesos Pote de iogurte de 1l – 60 pesos Coca cola 1,5l – 65 pesos Dia 5 – El Chalten Acordamos mais cedo dessa vez e o tempo já havia limpado novamente, embora ventasse um pouco. Não podemos reclamar do clima nessa viagem! As calças impermeáveis que comprei foram comigo na mochila pra cima e pra baixo sem serem usadas. Alugamos novamente o bastão de caminhada e fizemos a trilha para a Laguna Torre. Embora sejam quase 20km ida e volta, não cansou nem metade do que a trilha da Laguna de Los Três, pois as subidas foram bem mais suaves e menores. A Laguna de Los Tres em si própria é bem feinha, mas as montanhas ao redor são muito bonitas. O caminho também é muito bonito, belas paisagens, córregos e rios, a caminhada sem dúvida vale muito a pena. Principalmente por que você se sente seguro, sem aquele medo e preocupação com que o carioca já se habituou, lá você se sente em paz e isso te permite curtir de verdade as paisagens e a caminhada. Vale muito a pena ir até lá pra fazer as trilha. Começamos essa trilha às 09:30 e às 17:00 estávamos de volta a cidade, sem pressa e separando bastante tempo para ficar apreciando a paisagem ao fim da trilha. Estava havendo uma vaquejada na cidade, demos uma passada pela festa comemos dois hamburgueres que estavam sendo vendidos lá, assistimos por alguns minutos mas depois fomos embora. Embora seja uma tradição, vaquejadas e eventos do gênero são muito covardes com os animais, não temos nenhum prazer em ficar assistindo. Os hamburgueres eram só o pão e uma carne normal como qualquer outra que compramos nos mercados por aqui, só que assada na brasa. Só o pão e a carne e custou 50 pesos cada. E esse era um evento local, não para turistas, e mesmo assim custou o equivalente a 9 reais. De la fomos no Chê Empanadas e comemos algumas empanadas antes de voltar para o hotel. Hamburguesia – 50 pesos Empanada – 25 pesos Bastão de caminhada – 100 pesos o par Considerações sobre El Chalten. Cidade pequena e cara. No mercado, uma garrafa de 2l de Coca-cola sai pelo equivalente a uns 12 reais, empanadas custam entre 25 e 35 pesos, garrafas de água de 1,5l cerca de 25/30 pesos, refeições para uma pessoa na casa dos 200 pesos em diante. Paraíso de trilhas e com opções de caminhadas para todos os gostos e condicionamentos, áreas para campings sinalizadas e organizadas, tudo limpo e impecável. Não é uma das mecas dos trilheiros à toa. Dia 6 – El Chalten/El Calafate Retorno para El Calafate. A van da Las Lengas nos buscou pontualmente conforme combinado e a viagem foi novamente tranquila até El calafate. Chegamos no Kalken Hotel por volta de 14:00, fizemos o check-in, guardamos as coisas no quarto e saímos para almoçar. Fomos ao restaurante Dona Mecha seguindo resenhas do Tripadvisor e pedimos o sanduíche de carne a milanesa (50cm) e duas “empanadas”. Foi o suficiente para nós dois. De lá fomos ao mercado e compramos pães e algumas outras coisas para fazermos sanduíches para levarmos no passeio de amanhã. Sanduichão de ½ m - 165 Empanadas – 20 cada, 185 se comprar 10. Não consegui encontrar a nota fiscal do mercado, se eu encontrar detalho os preços aqui. Compramos presunto, pães, tomates, alface americano, maionese e algo parecido com um requeijão. Dia 7 - Minitrekking Tomamos um café da manhã reforçado e aguardamos a chegada da van da Hielo y Aventura. A Hielo y Aventura também faz muito bem seu trabalho, nada mais justo levando-se em consideração o preço do passeio. Não fugiu muito do explicado no site, uma van nos buscou no horário combinado, nos levou até um ônibus. O ônibus levou cerca de uma hora até o Parque Nacional em Perito Moreno. Saímos de El calafate com céu aberto, mas próximo ao glaciar estava nublado. Um funcionário entrou no ônibus e cobrou pelos ingressos de todos, é necessário estar com pesos para o pagamento pois não aceitam cartão. Uma dúvida que eu tinha era se ainda havia desconto para moradores do Mercosul, conforme vi em alguns relatos, mas não há mais. Brasileiro paga 500 pesos pelo ingresso. Depois seguimos para um pequeno porto onde um barco fez nossa travessia até o outro lado do estreito, de onde o grupo parte para a caminhada no glaciar. Entre explicações e caminhadas, levamos cerca de 1h até o pé da geleira, onde colocamos os grampões e iniciamos a caminhada. Levou cerca de 1:30 a 2:00h, conforme prometido, e visitamos 4 vales diferentes além de outras coisas pelo caminho como fendas, buracos poças e etc. O glaciar Perito Moreno é uma das coisas mais incríveis que já vi, e falo com a autoridade de quem já rodou um bocado. Assim como as pirâmides ou o grand canion, as fotos não fazem jus ao local, não conseguem transmitir a imensidão que é o lugar. Em sua maior altura, o paredão de gelo chega a medir 70 metros, o que equivale a um prédio de uns 30 andares. A caminhada foi tranquila e sem muitas exigências físicas. Leve um cartão de memória grande, vai tirar centenas de fotos. Depois da caminhada, outro passeio de barco e o ônibus nos leva às passarelas. Num primeiro momento, eu achei que não teria muito mais o que ver de lá, mas estava redondamente enganado. Tanto na aproximação quando na caminhada em si, só visualizamos a frente da geleira e um pequeno pedaço, como as passarelas são no alto, da pra ver a vastidão da geleira, que literalmente vai até além do horizonte. É também espetacular. O céu limpou e o sol deixou tudo ainda mais bonito. Ficamos nas passarelas por cerca de 1 hora, mas não vimos nenhum grande desprendimento de gelo, o que é uma das atrações de lá. Durante a caminhada ouvimos alguns, que soaram como trovões tamanho o volume dos pedaços que caíram. Retornamos ao ônibus e em uma hora e pouco estávamos de volta à cidade. Tudo muito profissional e organizado, prestadores de serviço muito atenciosos e cordiais. Foi caro mas o serviço prestado foi à altura. Não há comidas nem restaurantes no local, o visitante deve levar seu lanche. Pra janta comemos os pães e complementos que compramos no dia anterior. Mini trekking – 3200 (quase 600 reais) Entrada – 500 pesos (90 reais) Dia 8 – El Calafate Dia livre. Tomamos café da manhã no final do horário e depois saímos para andar à toa pela cidade. Caminhamos por fora da avenida principal e turística observando as casas dos reais moradores da cidade, os jardins e árvores, os muitos cachorros, enfim, a real vida no local. Caminhamos algumas horas sem destino pela cidade e já no fim da tarde paramos no restaurante San Pedro para jantar. Pedimos o prato que estava em promoção anunciado na vitrine, cordeiro com batatas rústicas. O cordeiro patagônico é um prato muito característico da região, mas infelizmente eu não reparei nas letrinhas menores. O cordeiro anunciado era cozido de outra forma, com molho chimichurri. Estava bom, mas como minha intenção era provar o cordeiro patagônico, que é assado na brasa, saí um pouco frustrado. Cada prato custou 195 pesos. Rodamos um pouco para comprar minha lembrança de viagem. Desde minha primeira viagem que coleciono lembranças: um coliseuzinho de gesso, um gondolazinha, uma piramidezinha, essas bugigangas. Nunca foi tão difícil achar algo pra comprar, pois tudo custa um absurdo. Simples imãs de geladeira estavam custando 100 pesos (18 reais), qualquer besteirinha mais elaborada era 200, 300 pesos. Enfim, depois de muito procurar, achei um glaciarzinho sem vergonha por 60 pesos e me contentei com ele mesmo. Dessa vez improvisei nas bugigangas de viagem: trouxe uma pedrinha de El Chalten, uma pedrinha que peguei em Perito Moreno e um pequeno pinhão que retirei de uma árvore em El Calafate. Já trouxe pequenas pedras de outros lugares importantes, como Cairo, Petra e Jerusalem, gosto de verdade das pedrinhas, mas obviamente que o fato de elas serem 0800 ajudaram! Codeiro com papas – 195 pesos Lembrancinha chinfrim – 60 pesos Considerações sobre o Kalken Hotel. Hotel simples mas muito bom. Não é hostel nem guest house, é hotel com suas formalidades e características. O quarto é bem arrumado e espaçoso, com cama confortável carpete pelo chão, café da manhã buffet muito bom e pessoas muito prestativas na recepção. Eu diria que de 10 a nota deles seria 8. Recomendo. Tivemos problema com uma falta de internet que durou mais de 24 horas, o que nos dias de hoje é algo complicadíssimo, uma vez que era nossa única fonte de comunicação com o Brasil e também indispensável para as pesquisas de viagem. O café da manhã tem algumas opções de sucos, iogurtes, cereais e sementes, pães e croissant (chamam medialunas por lá), frios e a fruta da vez era abacaxi. Eu, como mochileiro, encaro um café da manhã já incluso no preço como uma oportunidade! Costumo dizer que a refeição mais importante do dia é essa, por que já está paga! Como feito um ogro e pulo o almoço tranquilamente. Recomendo este hotel. Diárias por U$47. Considerações sobre El Calafate. Cidade caríssima e base para passeios ainda mais caros. Muito bonita e arborizada, clima frio e agradável. A cidade por si só não vale a viagem, o que justifica tudo por lá é Perito Moreno. Talvez seja um destino bom pra quem não precisa economizar, deve ter bons restaurantes e bares, mas esse não é nosso foco em viagens. Dia 9 – Buenos Aires Retorno ao Brasil. Por volta de 10:30 a van da VES PATAGONIA que estava agendada desde a chegada no buscou no hotel e nos levou ao aeroporto. Duas horas e meia de vôo e chegamos às 16:00 em Buenos Aires, com o próximo vôo para o Rio apenas às 06:25 da manhã do dia seguinte. Nunca havíamos visitado a capital argentina e também não tive tempo de fazer qualquer preparação para visitar a cidade. Pegamos um Uber até o Hostel Reina Madre, fizemos o check in e pegamos um mapinha e algumas informações com a recepcionista e saímos para caminhar pela cidade, que era o que dava pra fazer. O hostel é na Recoleta. Em nossa caminhada passamos pelo Cemitério da Recoleta e seguimos até a Flor Metálica, que efetivamente foi a única atração que visitamos. Almoçamos no MacDonalds. Seguimos caminhando e passamos pelo prédio da faculdade de direito e fomos até quase o obelisco da Avenida 9 de Julho. Relâmpagos e um tempo se revirando fizeram com que encerrássemos a caminhada e voltássemos para o Hostel. Compramos sanduíches no Subway, um pote de sorvete de doce de leite num mercado e já debaixo de muita chuva chegamos ao Hostel. Uber - 108 pesos Trio Big Mac - 140 pesos Sanduíche do dia do Subway 15cm - 60 pesos Pote de 1 l de sorvete – 99 pesos Chuva e trovoadas com as capas de chuva esquecidas no hostel – não tem preço! Hostel Reina Madre. Barato. Pegamos um quarto com banheiro compartilhado, aproveitamos que ficaríamos apenas algumas poucas horas para economizar. O quarto tem ar condicionado, mas a recepcionista ligou em 24 graus e disse que não abaixava mais. Com o quarto sem janelas, o resultado é que fora do quarto estava mais fresco que dentro. Cama com colchão muito vagabundo, toalhas e roupas de cama encardidas. É só mesmo um lugar pra dar uma cochilada e só. Recepcionistas bem prestativas. 41U$ o quarto duplo com banheiro compartilhado. Dia 10 – Rio de Janeiro Acordamos às 4:00, nos arrumamos rápido e chamamos o Uber para retornarmos ao aeroporto. O motorista fez uma volta inexplicável para chegar e não só rodou muito mais como demorou o dobro do tempo. A corrida que tava orçada em 108 ficou em quase 180 pesos. Fuçando no aplicativo do Uber durante a fila pra checagem de segurança do embarque, vi que há uma aba específica para esse tipo de queixa e com dois cliques eu reclamei e automaticamente o aplicativo estornou o valor a mais se baseando no caminho que o motorista deveria ter feito. Ou seja, o hermano tentou me dar uma vuelta mas o sistema me protegeu e resolveu meu problema em alguns poucos instantes. E tem gente que ainda quer lutar contra... Fizemos o embarque e tivemos um vôo tranquilo de retorno ao Rio, mais 3 horas e aquele lanchinho sem vergonha de sempre e chegamos em paz e realizados com o final de mais uma viagem, o melhor investimento que o dinheiro pode fazer. Espero ter ajudado aos colegas! Quem quiser alguma ajuda, me contate no e-mail [email protected], terei prazer em ajudar se puder. Quanto tiver mais tempo dou uma melhorada no relato e anexo mais fotos.
  6. Trekking e escalada no gelo - Glaciar Viedma O Glaciar Viedma fica próximo à meca dos escaladores e trilheiros da Argentina, El Chalten, e é o maior glaciar da Argentina. Nós amamos escalar, então a vontade de experimentar uma modalidade de escalada tão peculiar como a escalada no gelo nos atraiu muito. Estava decidido, escalaríamos no gelo na Patagônia! Fazer o trekking em uma geleira também estava nos planos, e durante muito tempo debatemos se seria melhor e/ou mais bonito fazer o trekking no Perito Moreno ou no Viedma. Uma das dúvidas que surgiu era com relação à estética do glaciar: o Glaciar Perito Moreno é bem branquinho, ou seja, não há partículas das rochas ao redor sendo depositadas nele. Já o Glaciar Viedma possui um acúmulo muito grande de partículas, o que dá esta aparência mais escura. Coisa boba mesmo!rsrs Já leu nosso post sobre o Glaciar Perito Moreno? Leia AQUI! Como queríamos fazer o ice-climbing (escalada no gelo) chegamos à conclusão que este seria um passeio "3 em 1" perfeito: navegação pelo Lago Viedma, trekking (afinal teríamos que caminhar até chegar nos paredões de escalada) e a escalada no gelo propriamente dita - FECHADO! Não é um passeio barato - na verdade, muito pelo contrário! Mas estava no topo de nossa lista e decidimos fazê-lo. Entramos em contato com a empresa Patagonia Aventura por e-mail para agendar nosso passeio. Em El Chaltén, fomos direto até a agência fazer o pagamento (já que eles não aceitam cartão de crédito). A próxima parada seria uma loja de aluguel de equipamentos, precisávamos de botas de sola rígida, próprias para escalada no gelo. Isso não é um equipamento obrigatório, mas queríamos fazer a coisa do jeito certo (afinal o investimento era grande). No dia seguinte, encontramos com o restante do grupo na frente da agência e seguimos de ônibus até o píer no Lago Viedma, local de saída do catamarã. A travessia do lago é espetacular, a paisagem em volta parece uma pintura. A caminhada começa direto na rocha mesmo, onde um dia foi gelo (o glaciar está em retrocesso, ou seja, perde mais massa do que acumula). Eu já comecei sofrendo, a bota rígida quase me matou - sem exageros! Caminhamos em um terreno muito irregular e a bota não tinha maleabilidade nenhuma! A cada passo aumentada a pressão no meu pé e eu era a última do grupo! Na companhia de um dos guias, que pacientemente me acompanhava. Antes de iniciarmos a caminhada no gelo propriamente dita, os guias nos ajudam a colocar os crampons de pontas frontais, que são grampos de ferro acoplados à nossa bota, que permite caminharmos e escalarmos no gelo. Os grupos são então separados - os que irão fazer o trekking e nós, que vamos procurar paredes de gelo para escalar! O grupo de escaladores é bem menor, eramos em 12 escaladores e 5 guias. Me senti muito segura o tempo todo e todos os guias era muito simpáticos e ao que parecia, muito experientes. A caminhada no gelo é uma aventura encantadora! Vi tons de azul (e branco) que jamais imaginei (e lembra minha preocupação com a deposição de sedimentos? Eles deixaram o gelo ainda mais lindo!). Chegamos na primeira parede para iniciar o treinamento, que é iniciado da base da parede. É uma parede bem fácil, onde aprendemos como nos posicionarmos, como utilizar a piqueta de escalada, como fixar os pés na parede (através de chutes com força suficiente para fixar os crampons na parece). Depois deste primeiro contato (que foi até fácil), subimos de fase e fomos para uma parede um pouco mais difícil. Desta vez não iniciamos da base da parede, mas do topo dela e descemos de "baldinho" (ser descido por alguém desde um ponto de segurança instalado mais acima) até a base da via para então subirmos escalando. A parede era mais longo (12m aproximadamente) na metade da via já senti o cansaço! É preciso de muita força! Mas foi incrível, já tinha um certo entendimento da técnica (pelo menos o suficiente para me divertir! A terceira parede era negativa! Ou seja, tarefa impossível para mim! Não entendi nem como fazia para ficar na parede, a força necessária é impressionante. O Antonio mandou muito bem nesta (e em todas as outras vias), nem parecia estar fazendo força! Almoçamos (lanche de trilha), descansamos e fomos para a última parede do dia, onde o guia montou 2 paradas (sendo uma delas muito difícil), não havia tempo para todos do grupo escalarem novamente. O Antonio quis ir na via mais difícil, claro! Ao retornar parecia uma criança! Com muita alegria descrevendo o que tinha visto lá em baixo. Disse que viu tons de azul jamais imaginados, ele estava no meio de dois paredões de gelo de um azul difícil de descrever (ainda bem que contra minha vontade ele levou a câmera e pode compartilhar com todos nós). Ele insistiu para que eu escalasse pela última vez, mesmo cansada decidi ir - e posso dizer que não me arrependi!! Foi a parede mais linda de todas e a vista daqueles blocos de gelo com tons jamais vistos! Impossível de descrever, apenas sentir e agradecer! Os guias nos serviram licor com gelo da geleira para comemorar nosso dia de aventuras. Como é bom fazer algo pela primeira vez na vida, experimentar algo que você nunca imaginou viver, sentir o novo! Já visitou a nossa galeria de fotos da escalada no Glaciar Viedma? Clique aqui. Informações - Tem idade para escalar no gelo? Não tem não! No nosso grupo havia uma família inteira: pai e mãe (por volta de seus 55 - 60 anos) e seus 3 filhos (20 e poucos anos)! Claro que os pais não escalaram todos as vias, mas sentiram o gostinho da experiência e vibraram junto com os filhos! - Empresa que faz o passeio de trekking e escalada no gelo (a única com licença para esta atividade): Patagonia Aventura - Tipos de passeio disponíveis: 1) Viedma Light – apenas a navegação para ver o Glaciar 2) Viedma Ice Trek – caminhada sobre o gelo ARS 4200 (+- R$838: transfer + catamarã + trekking no gelo + escalada no gelo + equipamentos) 3) Viedma Pro – caminhada e escalada Dicas Se puder alugar a bota de solado rígido, alugue! Mas se você não está acostumado (assim como eu) leve sua bota de trekking e somente troque de bota na hora que for andar no gelo (com os crampons) e escalar. Locação das botas de solado rígida: Patagonia Hikes (Lago del Desierto 250, 9300 El Chalten) Custo: ARS 130 (+- R$25) Quer continuar viajando com a gente? Então não deixe de nos seguir nas nossas redes sociais: Facebook, Instagram e YouTube. Precisa reservar seu hotel ou hostel? 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  7. Mochileiro ou não, todo mundo sonha em conhecer a Patagônia. E não é para menos. Se quando vemos as fotos, ficamos admirados, ir e ver com os próprios olhos e sentir na pele o vento cortante é uma das experiências mais incríveis que eu já tive. Eu estava com uma parte das minhas férias programadas para a primeira quinzena de setembro. Sempre monitorei preços de passagens aéreas para Ushuaia e El Calafate e eis que para a minha sorte, surgiu uma promoção aérea para El Calafate exatamente para o meu período das férias. Não pensei duas vezes e comprei a passagem em abril por R$1.193,76 com taxas. Depois que eu comprei e fui ler sobre roteiros, eu quase caí para trás com os preços. Sim, visitar a Patagônia é muito, mas MUITO caro. Muito mais do que eu imaginava. Mas assim como para qualquer outra conquista, você deve se planejar. Além disso, não encontrei muitos relatos de pessoas que foram no inverno. Das poucas informações que eu consegui, a maioria dos comenta´rios era de que tudo estaria fechado por causa da neve e que as temperaturas eram muito negativas no inverno. Pois bem, então aqui segue o meu relato com todos os meus perrengues, histórias e informações possíveis que possam te ajudar de alguma forma ou para que você possa viajar junto comigo. Qual a desvantagem de ir na Patagônia no final do inverno? Primeiro, o frio. Lembre-se que eu fui mais para o final do inverno do que no início, então já não estava tão rigoroso assim. No início do inverno, as temperaturas são quase todas abaixo de zero (me informaram temperaturas de até -17°C). Alguns lugares são mais frios que os outros. Em El Calafate a variação foi entre -1°C (6h da manhã e fim da noite) a +8°C (a tarde). Torres del Paine -3°C (na estrada às 9h) a +8°C (a tarde). El Chaltén -6°C a +3°C. Ushuaia -7°C a +3°C (um dos dias a máxima foi -1°C). As áreas internas dos estabelecimentos e de alguns transportes possuem aquecimento. Então toda hora você tira casaco e põe casaco (quase um treinamento do Karatê Kid! Hahaha!). Segundo, a neve. Algumas trilhas ou alguns passeios são interrompidos durante o inverno ou só abrem no verão. Mas mesmo com alguns lugares fechados, ainda há muito o que se fazer. Em El Calafate eu queria fazer a caminhada no Big Ice, mas ela só abriria a partir do dia 15 de setembro, data impossível para mim. Então fiz o minitrekking que é excelente e funciona o ano inteiro. Qual a vantagem de se visitar a Patagônia no final do inverno? Primeiro, a baixa temporada. As hospedagens e os passeios são mais baratos, além das cidades e atrações estarem mais vazias, permitindo encontrar hostels, contratar passeios diretamente nas agências de última hora e não disputar espaço nas atrações para as fotos. Li diversos relatos sobre a necessidade de se reservar o passeio do minitrekking com pelo menos 2 meses de antecedência. Até cheguei a entrar em contato com a empresa responsável alguns meses antes da minha viagem, mas como precisava pagar a reserva (e o câmbio do cartão pelo brasil + iof deixava ainda mais caro), resolvi arriscar a contratação do minitrekking na própria agência. E deu certo. O ônibus de 47 lugares estava com cerca de 30 assentos ocupados. Segundo, a neve. Ao mesmo tempo que a neve é ruim porque fecha alguns passeios, ela dá uma paisagem única. Além disso, você ainda pode pegar algum dia que vá nevar e se divertir com isso. E alguns passeios, como skis, snowboard, trenós com cães, obviamente dependem da presença de neve. Terceiro, ausência de vento. Apesar de ser muito fria, a Patagônia possui um clima temperado, e não ártico. Eu sempre fui MUITO friorenta e uma das coisas que mais me assombrava era o frio. É frio? Demais. Eu peguei entre -7 (geralmente noite/madrugada) a +8. Claro que a temperatura é problema, mas mais do que a temperatura, o maior vilão é o vento. Dói, literalmente. Principalmente as mãos. E olha que eu dei sorte de pegar pouco vento. Segundo um dos guias que eu conversei, a temporada de ventos é em outubro e novembro e no inverno (julho, agosto e setembro) venta pouco, mas quando venta, geralmente são ventos muito fortes. Praticamente todo o passeio no perito Moreno e em TDP foi zero vento. Claro que eventualmente tinha uma brisa leve, mas o vento patagônico mesmo foram poucos os momentos que vivenciei na viagem. Quando ele aparece, ele te desequilibra na caminhada de tão forte, torna a caminhada bem cansativa (pois vc precisa as vezes fazer força com o corpo) e a sensação térmica despenca muito e de uma vez só. Resumo da viagem: 02/09/17: voo BH - São Paulo 02/09/17: voo BH-Congonhas 03/09/17: voo Guarulhos - Buenos Aires 04/09/17: voo Buenos Aires - El Calafate 05/09/17: El Calafate (Minitrekking Perito Moreno) 06/09/17: Torres Del Paine (bate e volta de El Calafate) 07/09/17: El Calafate - El Chaltén (Trilhas Mirador dos Condores e das Águias) 08/09/17: El Chaltén (Trilha Laguna Los Tres-Fitz Roy) 09/09/17: El Chaltén (Trilha Laguna Torre) 10/09/17: El Chaltén - El Calafate (Museu Paleontológico e Lago Argentino) 11/09/17: El Calafate – Ushuaia (Canal do Beagle) 12/09/17: Ushuaia (Parque Tierra Del Fuego, Lago Fagnano) 13/09/17: Ushuaia (Parque Tierra Del Fuego, Trem do Fim do Mundo, Montanha Glaciar Martial, Presidio) 14/09/17: Ushuaia (Cerro Castor) 15/09/17: Ushuaia - El Calafate 16/09/17: voo El Calafate - Buenos Aires 17/09/17: voo Buenos Aires - Asunción - São Paulo - BH Mesmo no final do inverno, o dia era longo. Amanhecia por volta da 8h da manhã e anoitecia por volta das 20h. Tenha em mente que a Patagônia recebe gente do mundo inteiro. Além do espanhol, muitas pessoas falam inglês e algumas português. É fácil se virar com o portunhol (Há MUITOS brasileiros viajando por lá, então muitos restaurantes e guias falam português). Por ser um lugar muito turístico, associado à crise econônica na Argentina e serem lugares isolados para o abastecimento, as comidas também são caras. Uma comida simples você não pagará menos de 40,00 reais. Há opções de mercadinhos, padarias, sacolão e supermercado nas cidades. Uma forma de economizar bastante é você comprar as coisas e preparar sua própria comida, como eu fiz na casa das minhas CS ou nos hostels. Das vezes que eu comi fora, o valor de um prato barato era o valor do meu supermercado para 2 ou 3 dias inteiros. É imprescindível viajar com seguro viagem. Primeiro por causa de acidentes. A probabilidade de você escorregar e cair em algumas caminhadas é muito alta. Além disso o vento forte pode quebrar galhos e eles caírem em você. E segundo por causa do clima, que é muito instável e pode cancelar ou atrasar os voos (é muito comum). Não faça economia porca de menos de 200 reais e correr o risco de ter que gastar muito mais do que isso. Itens indispensáveis para se levar: Protetor solar (a incidência de UV é alta) Óculos de sol Protetor labial Gorro Protetor para pescoço Bota impermeável Luvas finas que possuam nas pontas um tecido que te permita usar o celular Luvas grossas Primeira e segunda pele (blusa e calça) Corta vento impermeável Todas as minhas roupas eu comprei na Decathlon. Por ser muito friorenta, comprei roupas superquentes, como roupas próprias para neve. Raramente as usarei novamente, mas não me arrependi em nada. Vi muita gente usando roupas mais simples e passando muito aperto. Eu não daria conta. Então depende do quão resistente ao frio você é. É importante você sempre ter várias camadas e que a maioria seja impermeável ou resistente a água para você andar na neve ou pegar neve/chuviscos sem se preocupar em ficar molhado depois. No meu caso, eu sempre estava com a primeira e segunda pele, um casaco pesado impermeável e que cortava o vento, além de segunda pele para as pernas e calça impermeável. As vezes usava mais do que isso. É importante também a primeira e segunda pele sejam respiráveis, pois em algumas caminhadas você vai suar MUITO, mesmo em temperaturas negativas (as camadas de roupa criam uma microsauna). Sobre as hospedagens, você encontra de todos os preços. Obviamente os mais baratos são os hostels (e que geralmente são incríveis!). Há vários, mas não vou listá-los pois essas informações e preços você consegue facilmente consultar na internet ou apps de reservas. O mais barato eu vi em El Calafate foi atrás da rodoviária, em que a diária pelo Booking.com estava saindo cerca de 10.00 reais! A média dos hostels era 30-50 reais e dos hotéis simples, 100 a 150 reais. Alguns com ou sem café da manhã (que geralmente era torrada, chá, suco e geleia). Meus 3 primeiros dias em El Calafate e o primeiro dia em Ushuaia eu me hospedei pelo couchsurfing. Geralmente eu sempre viajo usando o CS, especialmente quando viajo sozinha. Eu sou suspeita para falar do CS pois amo a proposta dele. E gente, tirem da cabeça que o CS serve para se viajar sem gastar com hospedagem. Claro que isso é bom, mas o CS é muito mais do que isso. O CS é uma proposta principalmente social, para se fazer novos amigos, ter companhia, apoio e boas conversas com pessoas que vivem no lugar diariamente. Isso é muito mais gratificante do que economizar 10.00 reais por diária. Eu já fiz amigos incríveis do mundo inteiro pelo CS e sempre usarei essa plataforma de troca. Domingo (03/08/17) - Sai às 13:40h de Guarulhos e meu voo estava previsto para aterrissar às 16:30h no aeroporto Newbery (mais conhecido como Aeroparque), em Buenos Aires. Porém devido ao mau tempo, tivemos que aterrissar no aeroporto Pistarini (mais conhecido por Ezeiza pelo fato de estar localizado no município de Ezeiza, região metropolitana de Buenos Aires), que fica cerca de 40km de distância. Como o meu voo para El Calafate sairia pelo Aeroparque, tive que seguir para lá de ônibus. Mas para isso acontecer, foi uma luta. Depois que aterrissamos ficamos quase uma hora presos dentro do avião porque não sabíamos se o avião voltaria para o Aeroparque ou como a Latam iria proceder. No meio da falta de informação, vários passageiros começaram a ficar nervosos e a histeria começou a ficar de tal maneira, que algumas pessoas tiveram ataques de pânico dentro do avião pensando na possibilidade de voarmos novamente para o Aeroparque (na tentativa de descer na chuva, o avião teve que arremeter e com muita turbulência. Aí a galera pirou! Foi tenso! Quando pousamos, parecia final de campeonato de tanto que as pessoas aplaudiam e comemoravam! Hahaha! Depois descobri que os argentinos sempre batem palmas depois da aterrissagem, mas nesse dia acho que comemoração foi digna de final de campeonato porque estavam todos vivos!! Hahahaha!). Enfim, decidiu-se que para passageiros em conexão, alguns teriam que ir para o Aeroparque (como é o meu caso) e alguns sairiam do Ezeiza mesmo, já que todos os voos haviam sido desviados para lá. O aeroporto estava um verdadeiro caos e os funcionários completamente perdidos. Quando desci do avião, havia somente um funcionário chamado Carlos para dar informações aos passageiros e ele me indicou procurá-lo no balcão do check-in da Latam (na verdade ele foi lá só para encontrar com uma das mulheres que deu ataque de pânico e não de fato orientar os outros passageiros, o que deixou muita gente sem saber o que fazer). Quando cheguei ao check-in, o Carlos não estava lá e os outros funcionários não sabiam quem era. Então uma funcionária falou que era para eu ir aos guichês ao lado do desembarque para pegar o ônibus que levaria ao Aeroparque, porém o ônibus custava cerca de 500 pesos! Voltei ao guichê da Latam e outro funcionário me indicou para pegar o ônibus direto para o Aeroparqie no terminal C e que era só apresentar o meu bilhete e eu não pagaria. O terminal C fica cerca de 5 min andando rápido do terminal A, onde foi meu desembarque. Fiquei lá esperando o ônibus uns 10 min. Ao conversar com o motorista, ele me disse que o ônibus custava 200 pesos. Me conformei que eu teria que pagar o ônibus, ainda que eu achasse que isso seria um problema da Latam. Fui então para o Banco Nacional (que fica no terminal A) trocar dinheiro e na fila chegaram duas aeromoças brasileiras do meu voo, que me falaram que a Latam estava levando os passageiros de graça para o Aeroparque e alguns ônibus com pessoas do meu voo já tinham saído e que o último já estava de saída. Saí correndo para o terminal 41, que era onde os passageiros deveriam se apresentar para pegar esse ônibus. Esse terminal era exatamente onde os outros dois funcionários estavam e que me mandaram pegar ônibus pagos. Fiquei completamente sem entender. Por que raios eles me mandaram pegar um ônibus pago se eu tinha direito ao ônibus da Latam e eles quem estavam organizando a fila?! Preferi não discutir e finalmente encontrei o tal do Carlos e ele me tranquilizou, me pediu para esperar e ainda conseguiu uma funcionária que falava português para conversar comigo e pegar meus dados para não haver erros de novo. Fiquei em frente ao guichê até a hora da saída do outro ônibus (previsto para às 19:30h, mas que só chegou às 19:50h - e pelo que parece eles não cumprem o horário), quando um dos funcionários me levou até o ônibus. Ao chegar ao Aeroparque, fui direto ao Banco de La Nácion trocar real: 4,37 pesos argentinos por real (dólar estava 17.00 e euro 20.50). Nem tentei trocar dinheiro em outras áreas do aeroporto (na verdade nem achei). Além do câmbio melhor no banco comparado com o comércio que aceitava pagamentos em real, o aeroporto estava lotado de policiais. Não valia a pena correr risco de trocar no câmbio negro. Não troque real por peso no Brasil. Você perderá dinheiro. Além de pagar iof, o câmbio é menor. Depois que trocar dinheiro, coma antes do embarque pois existem mais opções de restaurantes (que fecham às 22h). Achei pouquíssimos bebdouros dentro da área de embarque. A garrafa de água mais barata que achei era cerca de 40 pesos de 500 Ml (parece que assim como na Inglaterra, água se bebe diretamente da torneira, pois em toda a viagem, tirando os raros bebedouros do aeroporto, não há filtros de água). Economize bateria do telefone pois você praticamente não achará tomadas. Se achar, além de ter o padrão argentino (tão diferente quanto o brasileiro), provavelmente estará ocupada. O avião para El Cafalate não tinha tomada. É possível deitar e dormir nos bancos da área de embarque. Na imigração, você tem que fornecer o endereço de onde irá se hospedar. Então não adianta ir no mochilão no estilo mais roots de procurar hospedagem somente quando se chega à cidade de destino da primeira pernoite. Até porque é perigoso. Imagina que você chega à El Calafate e você não consegue hospedagem... você não conseguirá se abrigar em nenhum lugar e certamente vai morrer de hipotermia se dormir na rua. Segunda (04/08/17) - O voo saiu para El Calafate no horário previsto às 06h. O amanhecer obviamente ocorre no lado esquerdo do avião, mas recomendo que tente sentar do lado direito para observar a cordilheira, os lagos e as montanhas cobertas com neve. É possível ver os Cerros Torres e Fitz Roy em El Chaltén. É lindo!! Essa viagem eu não despachei mala - estava só com uma de mão (mesmo tendo comprado passagens no Brasil quando ainda existia franquia de bagagem de 23kg, o voo interno para Ushuaia exigia bagagem de até 10kg, então me virei para levar tudo o que precisava para uma viagem de 15 dias dentro desse limite de peso – e já adiantando, obvio que eu repeti muitas roupas). Assim, logo que desci do avião já fui direto para o saguão onde você pode contratar os táxis ou transfers para o centro (fica cerca de 20km). O táxi custa 480.00 pesos e carrega até 4 pessoas. Embora tenham muitas pessoas viajando sozinhas, não é tão fácil conseguir arrumar pessoas para rachar um táxi. A maioria das pessoas já vai direto para o guichê do transfer da Ves Patagônia, que é o mais barato e custa 160,00 (ou 240,00 se você comprar a ida e a volta). A vantagem de não ter que esperar a minha mala na esteira é que já fui direto para o guichê e não peguei fila (que ficou gigantesca depois), além de ter acesso fácil às roupas de frio (quando cheguei estava -1). O aeroporto de El Calafate é pequeno e muito simples. Vi somente duas lanchonetes por lá (uma dentro da área de embarque e outra fora). Aproveitei e comprei minha passagem de volta para o dia 16/09, onde a empresa me deu um voucher com o dia, local a sua escolha e horário que eles passariam para buscar (eles levam em consideração o horário do seu voo). Saindo do aeroporto, o transfer irá deixar você em algum hotel/hostel. Segui para o hotel que a minha couch me indicou como ponto de referência e de lá segui para a casa dela. Deixei as minhas coisas lá por volta de meio dia e saí para andar pela cidade. El Calafate não é uma cidade muito grande e se estiver com disposição, pode fazer tudo a pé. A rodoviária fica pelo menos a 20 min do miolo do centro. A cidade tem uma avenida principal (av. El Libertador), onde se encontra o maior número de restaurantes, agências e comércio em geral. É uma cidade completamente segura, organizada, muito limpa e na beira do Lago Argentino. Mas prepare-se para ver uma quantidade enorme de cachorros grandes soltos na rua (se vc estiver carregando comida, eles podem andar em bandos atrás de você) Na Argentina, o comércio geralmente fecha durante o horário do almoço e nos supermercados eles não fornecem sacolas (Em El Cafalte, El Chalten e Ushuaia tudo abria de 09 às 13h e depois das 17 às 21h.). Eu não peguei ônibus urbanos. Então não tenho ideia de preço das passagens. Se for alugar carro, há dois postos de gasolina. Um da Petrobrás (preço 16,40 pesos) e o YPF (preço 15,94 pesos). Ambos ficam na avenida principal. Fui direto para a agência Hielo y Aventura, que é a única que faz o passeio do minitrekking (3.200 pesos argentinos + 500 da entrada do parque) para reservar o passeio. Depois comecei orçar preços de outros passeios, como bate e volta em Torres del Paine e horários/preços de passagens para El Chaltén. Para trocar dinheiro, você pode ir ao Banco lá Nacion ou na Western Union. Não se pratica câmbio negro nos comércios e restaurante. O máximo que consegue fazer é pagar a conta com dólar, euro ou real (em El Calafate, o câmbio era o mesmo do banco). O Banco la Nácion funciona de 08 às 13h em El Calafate (Em El Chalten não tem e em Ushuaia funciona de 10 às 16h). A Western Union fechava às 18h e tinha a mesma taxa de câmbio que o banco (dólar 17.00, real 4.37, euro 20.50). Quando precisei, troquei dinheiro lá. Os Parques em El Calafate são pequenos e gratuitos. No centro tem a Intendência Parque Los Glaciares. Lá tem algumas esculturas e conta a história de quem foi o Perito Moreno e a importância do meu patrono, Charles Darwin. Segunda (05/09/17) - Há vários glaciares na Patagônia. O mais visitado e acessível é o Glaciar Perito Moreno que fica no Parque Nacional Los Glaciares, situado a 80km de El Calafate. O caminho até lá é todo asfaltado. Quando comprei o pacote do minitrekking, já estava incluso no valor o transfer (do contrário, você tem que ir até a rodoviaria e pegar um ônibus por conta própria. Se você for fazer o minitrekking, compre com o transfer. Do contrário, será muito complicado chegar ao parque a tempo do início do passeio (na verdade não sei se a agência vende o pacote do minitrekking sem o transfer, mas li na internet que sim e que não valia a pena). A comida não está inclusa e você tem que levar. Eles te buscam no hotel (embora no meu caso eu tive que ir até a agência pois não tava hospedada em nenhum hotel). Sente do lado esquerdo do ônibus para ver a paisagem do lago argentino e do glaciar quando estiver na área do parque. O minitrekking é muito tranquilo e achei pouco cansativo. Eles irão colocar os grampos no seu sapato para que você possa caminhar no gelo. Rapidamente você se acostuma a andar com eles (cada um pesa cerca de 1kg). Eles te darão instruções de segurança e te darão apoio o tempo inteiro. Eles prezam muito pela segurança dos caminhantes. Vale muito a pena fazer o passeio. A experiência é única. Ao final do minitrekking, você terá uma hora para andar pelas passarelas do parque e ver o Glaciar de frente. Assim como a agência pede, eu também sugiro que ande somente pela passarela amarela para curtir o visual com calma. As outras não darão tempo de serem feitas em apenas uma hora. Todo do passeio tem a duração de um dia inteiro. Você sai às 7h e retorna às 17h. Vá com roupas impermeáveis. O tempo é instável e pode chuviscar (quando chegamos para o minitrekking estava chuviscando e quando estávamos retornando do glaciar, voltou a chuviscar + associado ao vento que te desequilibra - foda de congelante! A temperatura caiu de +8 para a sensação de uns 0 de uma vez só). Quando cheguei em El Calafate, fechei o pacote de bate e volta para TDP pela agência Mondo Austral pelo fato deles terem folhetos mais detalhados sobre o passeio e o que incluía (como por exemplo o lanche e os valores corretos do parque). Mas pelo que parece, a Mondo Austral, assim como a Cal-Tur, é terceirizada (ou deve ser uma espécie de consórcio) por uma outra (Patagônia Extrema), que é a dona do ônibus. Além de preços iguais (2700.00 pesos argentinos), um casal que fez o passeio comigo no perito Moreno também foi para TDP comigo no dia seguinte e sei que eles fecharam pela agência Cal-Tur. Não procurei informações sobre a Patagônia Extrema. Na rodoviária, há somente uma empresa que oferece o passeio de bate e volta (Andesmar) mas custava 3000.00, além da entrada no parque (não sei se incluía comida). O bate e volta para TDP pelas empresas Mondo Austral, Cal-Tur e Patagônia Extrema saem somente às segundas, quartas e sextas (saindo às 06:45 e voltando às 21h). Não sei quais os dias da semana que a Andesmar oferecia, mas os passeios saíam em dois horários: saindo às 05:30h e retornando às 16:30h ou saindo às 11h e retornando às 22h. Quarta (06/08/17) - Como combinado com a agência Mondo Austral, o ônibus me pegou no ponto de encontro marcado (Hotel Mirador Del Lago) pontualmente às 06:45h. Era um ônibus de 32 lugares, dos quais 14 estavam ocupados. Depois que todos os passageiros foram recolhidos e pegamos a estrada, o guia entregou um mapa e explicou todos os detalhes e informações importantes. A alimentação está inclusa no pacote pois não se pode atravessar com alimentos frescos (como legumes e verduras), carnes e derivados de leite, ainda que industrializados (costumamos lembrar desse detalhe, ou eu pelo menos, somente quando viajamos de avião de um país para o outro. Mas essa regra de aplica também aos meios terrestres). Assim, se você levar algo do tipo, você tem que consumir antes da fronteira ou terá que deixar lá. A viagem é cansativa, pois anda-se no total cerca de 700km de ônibus. Saindo de Calafate, pega a ruta 11 e depois a famosa ruta 40 (que tem no total mais de 5.000km). O desnível até o parque TDP é pequeno, cerca de 500 m, que sobe-se gradativamente. A estrada é excelente e toda asfaltada, com exceção de uma parte em que o veículo anda sobre uma espécie de cascalho. É possível desviar pela ruta 5 e depois voltar para a ruta 40, mas o desvio é muito grande. Baseado no mapa, creio que aumentaria pelo menos 2 h de viagem. Não havia neve no asfalto, mas ao redor, muitos lugares tinham neve e algumas áreas da estepe estavam inteiramente cobertas por neve. Muitos carros possuem pneus adaptados para a quebra de películas de gelo que podem se formar no asfalto. Se você for alugar um carro, talvez seja interessante procurar informações sobre esse pneu (ele tem várias bolinhas de ferro ao longo da borracha), e considerar o lugar para onde irá viajar. No acostamento, haviam várias poças de água completamente congeladas (na estrada em si, eu só vi um riachinho muito estreito formado pelo escoamento de uma poça de água à outra). Embora o guia tenha falado que somente carros 4x4 passavam por lá, não é verdade. Carro comum de passeio passa normalmente e sem nenhum esforço. Acho que eles falam 4x4 só porque é cascalho. Inclusive só vi carros de passeio passando por lá. Apenas recomendo que faça seguro do parabrisas. A probabilidade de uma pedrinha acertar o vidro é grande, principalmente ao cruzar com outros veículos (muitos carros em todas as cidades que visitei tinham o parabrisas trincado). Outra recomendação é respeitar os limites de velocidade, pois o vento costuma frequentemente desviar ou balançar muito o veículo e sempre há guanacos (um animal parecido com lhama) atravessando a estrada. O guia irá te entregar o formulário da imigração para a entrada no Chile. Leve caneta para preenchê-lo no ônibus, pois o guia não fornece. Somente um passageiro tinha caneta e emprestou para todos, demorando para o preenchimento dos formulários. A primeira parada é na imigração da Argentina para pegar o carimbo de saída do país e o carro é vistoriado. No posto da imigração também funciona a aduana e o serviço de agrícola. No caso da minha excursão, nenhuma mochila foi vistoriada, mas se estiver de carro, provavelmente eles irão verificar. Eles verificaram o ônibus. Então depois você chega à imigração chilena. Lá você tem o passaporte carimbado de entrada no Chile (eles te darão um papel que você tem que guardar para entregar na saída do país), tem que entregar o formulário preenchido e passar todas as suas coisas no raio x. O ônibus foi verificado de novo. Além da imigração e aduana, lá também fica o serviço agrícola. Não arrisque entrar com os produtos proibidos que eu citei. Para se ter uma ideia, a multa para cada maçã, por exemplo, é 400 doletas. Então pense nisso se for atravessar a fronteira com alimentos para acampamentos. Caso vá viajar de carro, fique atento aos horários de funcionamento das imigrações. Não vi os horários da Argentina, mas a imigração do Chile funciona todos os dias do ano de 08 às 22h. Todo o processo nas duas imigrações demorou cerca de 40 min (considerando que só tinha o meu grupo de 14 pessoas. Na alta temporada com certeza você perderá um bom tempo lá pois não há muitos fiscais). Logo depois da imigração há uma cafeteria onde você troca dinheiro para entrar no parque TDP. A entrada é paga somente em pesos chilenos. Considerando as relações de câmbio do dólar, peso argentino e chileno e fazendo umas contas muito loucas com a minha matemática da área de biológicas (nada boa!), cheguei a conclusão que seria melhor trocar dólares (daria 18.33 dólares). A entrada custou 11.000 pesos chilenos. Porém eles não tinham troco para 100 dólares, então acabei pagando em peso argentino (440.00). Assim, leve dinheiro trocado. A cotação estava: 600 para dólar, 710 para euro, 25 para peso argentino, 170 para real (no dia seguinte quando estava na rodoviária, descobri que a empresa Andesmar também trocava dinheiro. Para pesos chilenos a cotação estava 600 para dólar e 160 para real. O câmbio de real para pesos argentinos estava 5,00, ao invés de 4,37). Além de parada para lanches e troca de dinheiro, a cafeteria também tem várias opções de lembrancinhas e alguns itens de acampamento, como coisas para higiene pessoal e gás para fogareiro. Depois da cafeteria, o guia indicou sentar do lado esquerdo para ver as paisagens. Como o ônibus estava vazio, todo mundo teve a oportunidade de sentar do lado esquerdo. Vantagens da baixa temporada! (Bem antes da fronteira é possível observar bem de longe as torres à direita por somente por uns 5 min. Então se o ônibus estiver cheio, recomendo sentar do lado esquerdo para garantir a visão quando estiver chegando no parque, que são emocionantes) A Cordilheira dos Andes é algo impressionante! E embora a previsão do tempo fosse muito ruim, não choveu dei a sorte de pegar as torres e as montanhas ao redor sem nuvens o dia todo. O tempo lá é muito variável e muito frio. Às 13h, quando paramos para almoçar estava fazendo +4 e todo mundo comeu dentro do ônibus (às 16h chegou a +8 e depois voltou a cair abuptamente. Às 18h já estava +3). Impossível comer do lado de fora, mesmo sem vento algum. Recomendo também levar um lenço de papel para enxugar o vidro para bater fotos, já que dentro do ônibus estará quente e a água irá condensar. Eles emprestam um rodinho de mão, mas não é muito bom, além de ser disputado. Na cafeteria tem Wi-Fi free, banheiro e uma tomada. O padrão é diferente do da Argentina, mas serve para aparelhos brasileiros de 2 pinos (antigo padrão). Não há banheiros nas imigrações. A primeira parada foi no mirador do Lago Sarmiento. Depois Laguna Amarga. Paramos na beira do rio para o almoço e seguimos para a entrada do parque, onde pagamos as entradas e pudemos usar banheiros. Depois passamos em mais um lago pequeno e fizemos uma caminhada de nível fácil por 1h. Embora a viagem seja cansativa, vale a pena demais para quem dispõe de pouco tempo para aproveitar o parque TDP. Chegamos em El Calafate às 20:30h. Quinta (07/09/17) – Há ônibus de El Calafate para El Chaltén todos os dias saindo da rodoviária por duas empresas. A empresa Cal-Tur oferece às 08h ou às 17h (450 pesos) e a Andesmar às 07:30 (475 pesos), 8h (475 pesos), 11:30 (475 pesos) e 18h (450 pesos). Acordei cedo para pegar o das 8h e estava chuviscando, então tive que esperar. Cheguei na rodoviária pouco antes das 10h e o atendente da empresa Andesmar me informou que havia uma van saindo do aeroporto e que eu poderia ir com eles antes das 11h. Essa empresa era a Las Lengas (não sei se a Andesmar era terceirizada por essa Las Lengas, pois não tinha nenhum guichê da Las Lengas na rodoviária de El Calafate). A viagem até El Chaltén dura cerca de 3 horas. Na ida o motorista fez algumas paradas na estrada para que pudéssemos tirar fotos das paisagens e dos lagos (por causa das paradas, gastamos quase 4h de viagem). Também foi feita uma parada no hotel La Leona na estrada. Esse hotel fica na beira de um rio, onde o célebre Perito Moreno foi atacado por um puma enquanto estudava a área e sobreviveu (e por isso o hotel é bem famoso). O hotel possui uma cafeteria, vende algumas lembrancinhas, tem várias fotos e reportagens históricas sobre a região e um minimuseu com fósseis. Eles oferecem alguns passeios também, como caiaque no rio. Cheguei em El Chaltén no início da tarde. Deixei as coisas no hostel, fui passear pela cidade e aproveitei para ir no terminal rodoviário para ver os preços e horários das passagens para El Chaltén. Lá há cerca de 5 empresas que fazem diversos trajetos (como a Cal-Tur e a Andesmar, que oferecem passagens nos mesmos horários das saídas de El Calafate) e há o guichê da Las Lengas, que é a que possui maior número de horários para transporte para El Calafate. Essa empresa também oferece transporte direto de El Chaltén para o aeroporto (ou vice e versa). Da rodoviária fui para a trilha Los Condores e Las Águilas. Ambas são bem fáceis, embora a subida seja um pouquinho cansativa. Fiz as duas em duas horas e meia. Em El Chaltén não há supermercados e sim pequenos mercadinhos. Assim, há pouca variedade de alimentos, especialmente frutas, verduras e legumes, além de serem de péssima qualidade (muitos estavam apodrecendo) e mais caros. Então a dica é levar alimentos de El Calafate, que além do supermercado La Anonima, tem um sacolão muito bom. El Chaltén tem muitos hostels. Eu me hospedei no Rancho Grande pela a indicação da minha couch em El Calafate. Fiz a reserva pelo app do Booking. O hostel é grande, muito bonito e organizado, além de possuir um bar/restaurante 24h. Os pagamentos de hospedagem em geral saem mais baratos se forem pagos pelo cartão de crédito pois sendo um cartão estrangeiro você não precisa pagar o IVA, que é um imposto argentino e que torna cerca de 20% mais caro o valor das hospedagens. Minha conta para 3 diárias ficou em 730,79 pesos (que no cartão foi convertido para 42,74 dólares + 2,73 de IOF). Não estava incluso o café da manhã. Sexta (08/09/17) – Levantei às 07h e olhei para a janela e voilá: estava nevando! Foi a primeira vez que vi! E é claro que eu comi! Hahahaha! Na noite interior, um argentino chamado Patrício chegou no meu quarto. Ele ficou apenas um dia em El Chaltén e queria fazer a trilha até a Laguna Los Tres (Sendero al Fitz Roy). Eu também estava planejando fazer essa trilha, então caminhamos juntos toda a trilha. Foi ótimo ter a companhia dele, pois além das conversas e risadas, o clima estava MUITO ruim para caminhar sozinho. Primeiro você deve evitar caminhar sozinho por causa de acidentes e segundo para evitar encontros com pumas que ocorrem na região (com mais pessoas, sua probabilidade de morrer é menor pq você pode empurrar o outro! Hahahahaha!!). Tomei um café da manhã reforçado no hostel (130.00 pesos - incluía suco, chá, torradas, geleia, manteiga e doce de leite para as torradas, 3 fatias de mussarela, salada de frutas e Sucrilhos). Saímos às 8h em ponto em uma temperatura de -4°C. Nossa sorte que não estava ventando pois o frio era intenso e a neve não parou de cair um segundo até às 13h. Então toda a trilha e todas as paisagens estavam completamente brancas. Até a laguna são cerca de 10.5km de caminhada, sendo o primeiro km uma subida forte e o último km de altíssima dificuldade. Entre os km 2 e 9 é praticamente tudo plano. Andar na neve é tão cansativo quanto andar na areia. Por causa do peso das roupas de frio e da mochila, além do frio intenso, a caminhada foi difícil. No último km o terreno era muito íngreme e a neve já estava cobrindo todo o pé. Além disso havia a formação de gelo debaixo da camada de neve, o que nos fazia escorregar demais. Faltando uns quinhentos metros para o topo, desistimos. Já estávamos praticamente engatinhando e agarrando em todos os arbustos para tentar continuar, mas o caminho estava muito perigoso. Subíamos um metro e escorregávamos dois. Seria fácil perder o controle do escorregão e despencar montanha a baixo. Praticamente todo mundo chegava no mesmo ponto que o Patricio e eu chegamos e desistia. Não vimos ninguém que conseguiu aquele dia (em dias normais esse trecho já é difícil, mas nesse dia em especial acho que só quem tinha grampos que conseguiria). Mas mesmo não conseguindo, o sentimento foi de realização. Até onde chegamos, a vista foi maravilhosa e o tempo estava começando a melhorar. Descer a parte íngreme também foi uma super diversão. Tivemos que descer de bunda em um super escorregador natural! Hahaha! Só tínhamos que tomar cuidado para não perder o controle da velocidade e sair da trilha. Na volta conhecemos algumas pessoas que nos acompanharam boa parte do caminho. A medida que o sol foi aparecendo, foi incrível ver a transformação da paisagem. A temperatura máxima foi +3°C, suficiente para derreter praticamente toda neve acumulada entre os km 0 e 8 e revelar a vegetação. Alguns lugares que passamos eram irreconhecíveis com tanta mudança. Porém o derretimento da neve deixou várias partes da trilha com muita lama, o que gerou vários escorregões também. Dicas: não leve muita água. Você pode encher a garrafinha em vários pontos ao longo da trilha. Bastões fazem muita falta para essa trilha, tendo neve ou não. Recomendo levar. Sábado (09/09/17) - O dia amanheceu lindo. Muito sol e o Fitz Roy ficou a maior parte do tempo descoberto, ao contrário das torres. Creio que a maior parte dos turistas foram para a trilha da laguna Los Tres e eu fui para a Laguna Torres. Eu achei a caminhada muito mais fácil. Dos 18km, somente o primeiro é puxado, mas particularmente eu achei menos do que o primeiro km da trilha do Fitz Roy. Os outros km são praticamente todos planos. E como o dia estava mais quente, fui com menos roupa, o facilitou muito a caminhada também. Tomei um café no hostel (80.00 pesos - incluía suco, chá, torrada e geleia, doce de leite e manteiga para as torradas) e saí às 9h com uma temperatura de -1. Alguns lugares ainda tinham neve do dia anterior, o que deixou algumas áreas escorregadias por causa do gelo e principalmente da lama. Mas foram poucas áreas. A maior parte do caminho estava seco e o acesso à água para beber também foi fácil. Não senti falta de bastão dessa vez. Ande de óculos. Por causa do vento, foi comum terra e pedrinhas caírem no olho ou rosto. Há duas entradas para a trilha: uma mais próxima ao início da trilha do Fitz Roy e uma outra mais em direção ao mirante dos condores (que é a entrada principal, com plaquinha e tudo mais). Eu comecei pela entrada mais perto da trilha do Fitz Roy e desci pela entrada principal. O primeiro km será puxado nas duas entradas, mas para mim a mais fácil foi essa mesma que eu subi, pois a entrada da subida principal tem muita escadaria de pedras e você precisa fazer força com as pernas. A que eu fui era mais uma subida constante. As trilhas em geral são bem marcadas, mas por ter muitas pedras, as vezes você pode se confundir, principalmente o primeiro km pela a entrada que eu subi. Mas é só ficar atento. Na ida eu fiz a trilha em cerca de 2 e meia e na volta 3h. O problema dessa trilha foi o vento (há muitas áreas de campo aberto). Até que na parte da manhã nem tanto, mas na volta, durante a tarde, eu literalmente lutei contra o vento nos últimos 3 km, o que me deixou extenuada e muito gelada. Cheguei no hostel às 15:30h com uma temperatura de +6°C, mas a sensação era de 0°C ou até menos. Fiquei tão cansada por causa do vento que dormi durante duas horas seguidas. A noite fui até a rodoviária comprar minha passagem para El Calafate, que custou 450.00 + 10.00 de taxa da rodoviária para às 17 do dia 10/09. Nessa trilha eu senti um problema da baixa temporada: falta de pessoas para fazer a trilha comigo. Por que? Simples. Como já comentei, em toda a região ocorrem pumas e outros animais de grande porte. A trilha estava recheada do início ao fim de marcas recentes de patas de puma, raposas e outros animais. Andei com o c* na mão o tempo inteiro pq fiz toda a trilha sozinha, ida e volta. Não havia absolutamente ninguém. Somente na volta que eu vi umas 8 pessoas, no máximo, que estavam indo em direção à Lagoa enquanto eu já estava voltando para a cidade. Domingo (10/09/17) - O dia também amanheceu lindo e com menos vento. A princípio tinha planejado de ir para a trilha Pliegue Tumbado, que dizem ser a trilha com melhor visão de todas e com vários fósseis ao longo do caminho. Porém ela é considerada de alta dificuldade e provavelmente teria neve no caminho, o que não daria para encontrar muitos fósseis. Mas resolvi não fazê-la. Estava com cansaço acumulado e eu teria que fazê-la muito rápido e preocupada com o meu horário de retorno para El Calafate às 17h (e eu não poderia perder o ônibus de jeito nenhum por causa do meu voo no dia seguinte). Então como seria um dia a toa perdido em El Chaltén uma vez que eu já tinha feito as outras trilhas do meu interesse, consegui adiantar minha passagem de ônibus para El Calafate para às 8h. Fui sozinha na van, assim o motorista só fez a parada no Hotel La Leona e chegamos em El Calafate às 11h. Ele me deixou no hostel America del Sur, que era um hostel bem recomendado aqui no fórum e pelo app do Booking. Realmente. O hostel foi demais. Café da manhã incluído, ambiente super legal, restaurante/bar disponível, ambiente legal e funcionários muito simpáticos e prestativos. Fui andando até o Lago Argentino e passei no Centro de Interpretação. A entrada custou 150 pesos. O museu é bem simples e pequeno, mas eu achei bem interessante pois além de ter alguns fósseis, réplicas de dinossauros e informações sobre eles, também tinha muita informação sobre arqueologia e geologia da região patagônica. Quando voltei para o Hostel, uma das recepcionistas entrou em contato com a Ves Patagônia para me buscar na manhã seguinte para me levar ao aeroporto, porém as passagens já estavam esgotadas. Assim, eles ficaram de ver outros hóspedes do hostel que iriam para o aeroporto também no dia seguinte para rachar um táxi. Segunda (11/09/17) – Apareceu somente uma pessoa (Dario) para rachar o táxi comigo, que ficou 150 pesos para cada um (pedindo o táxi pelo Hostel, o valor dos transportes saem mais barato. Se eu tivesse conseguido vaga no ônibus da Ves Patagônia, a passagem sairia por 100 pesos ao invés de 160 (valor individual do trecho, ou 120 caso tivesse comprado ida e volta), assim como o táxi saiu por 300 ao invés de 480). Tomei café da manhã (que incluía pão, bolos, biscoitos, geleias, doce de leite, suco, chá, leite e cereal) e peguei o táxi com o Dario às 08:30h. Ele também estava indo para Ushuaia no mesmo voo. Decolamos no horário previsto (10:10h) e pousamos em Ushuaia às 11:30h (eu tinha comprado a passagem área ainda no Brasil por R$900,00 pelo site das Aerolíneas Argentinas. Se você planejar com bastante antecedência e monitorar os preços, você pode conseguir passagens por até R$400,00. Lá em El Calafate, a única empresa que vi que fazia o trajeto terrestre foi a Andesmar, em que o ônibus saí às 08:30h e chegava às 20h (não sei se há saídas todos os dias). Preço 1360.00 pesos). Se comprar a passagem área, escolha a janela do lado direito. A paisagem é deslumbrante dos lagos e da cordilheira com neve. No aeroporto de Ushuaia não existe ônibus para o centro. Somente táxis, que custava 150 pesos para te deixar na região central (Dá pra ir andando para o centro também, mas a caminhada é de pelo menos 1h se o tempo estiver bom). Quando o Dario e eu estávamos indo pegar o táxi, escutei um outro cara (Marcos) falando com o taxista que estava sozinho e queria ir para o Centro. Então chamei ele para o nosso táxi e rachamos a corrida (50 pesos para cada) até o Hostel Torre del Sur, local onde o Dario e o Marcos ficaram hospedados nos dois primeiros dias. O meu primeiro dia em Ushuaia eu iria usar o couchsurfing. Então as meninas do Hostel me permitiram deixar minha mala lá até a noite, quando eu iria para a minha CS. O Dario e eu então saimos para andar e conhecer a cidade, além de orçar o passeio no canal do Beagle, que é um passeio de aproximadamente 3h. Diversas empresas oferecem o passeio e o preço é praticamente um cartel: 1300 pesos, mas se chorar consegue por 1200. A maioria das agências que oferecem especificamente o passei pelo canal ficam concentradas ao lado do porto em frente ao Centro de Informações ao Turista. Fomos até uma chamada, se eu não me engano, Navegando (a logomarca dela é uma gaivota alaranjada e é a primeira agência ao lado do porto), que haviam recomendado ao Dario. O vendedor, Rafael, é um senhor muito simpático e nos deu várias dicas sobre passeios mais baratos e restaurantes em Ushuaia. A empresa dele oferecia o passeio em um barco pequeno, com capacidade máxima de 12 pessoas (fuja dos catamarãs, que levam centenas de pessoas). O passeio incluía a ida até o farol e depois uma parada em uma outra ilha para uma caminhada de meia hora (uma bonita visão da cidade e das ilhas ao redor), além de incluir bebidas (água, chá, café ou achocolatado – mas é com água!! Horrível… - chop artesanal e alfajor de biscoito). A guia também foi muito boa. O Dario é um argentino muito simpático e tem uma boa lábia para negociação (ele mexe com imobiliária). Então essa habilidade dele de negociação, associado ao espanhol fluente, nos fez economizar bastante dinheiro ao longo da viagem em Ushuaia! O Rafael inicialmente nos ofereceu o passeio por 1300, depois 1200 e ao final das contas, ele fez por 1000! Hahaha! Todos os embarques são feitos pelo porto e você deve tagar uma taxa de 20 pesos. O passeio saiu às 15h e desembarcamos às 18h. Os passeios ocorrem duas vezes ao dia (manhã e tarde) e dependem da maré e dos ventos. A dica é fazer esse passeio logo que tiver a oportunidade por causa do clima. Se estiver ventando muito, chovendo e nevando, os passeios são cancelados e eles devolvem o dinheiro ou adiam o passeio para outro dia, se vc tiver disponibilidade. Quando chegamos estava ventando muito e não haveria o passeio, mas para nossa sorte o vento diminui até o horário de embarque (nos dias seguintes eu praticamente só peguei neve e estava previsto ventos muito fortes). Nas rochas há muitas aves e leões marinhos (não tem pinguins nesse época do ano lá). No barco conhecemos um casal de argentinos que estava de férias lá e havia alugado um carro de uma pessoa particular, após a indicação de outas pessoas que conheceram. Pegamos o telefone com eles e entramos em contato com o dono do carro, que nos alugou por 1000 pesos. Vale muito a pena alugar um carro. Depois do passeio, o Dario e eu rodamos o centro orçando os transfers para os locais que gostaríamos de ir e são muito caros. A média do aluguel do carro nas agências era de 1200 a 1400, sendo que algumas não tinham mais disponibilidade de veículos. A noite eu fui para a minha couch (paguei 100 pesos de taxi até lá, pois minha couch morava longe do centro e não dava pra ir andando com a mala e as compras do supermercado) e o Dario ficou de olhar pessoas no hostel interessadas em sair com a gente no dia seguinte de carro. O comércio também não pratica o câmbio negro, mas o real estava mais valorizado (5,00 ao invés de 4,00 ou 4,50) em Ushuaia caso vc quisesse pagar em real. O valor do dólar ficou entre 16,00 e 17,00 pesos. Terça (12/09/17) – Entregaram o carro para o Dario às 8h e ele foi me buscar na minha couch junto com o Marcos (o argentino do táxi no aeroporto) e o Gregor (francês) para ir para o Parque Nacional Tierra Del Fuego. Pelo fato de ser baixa temporada, a entrada no parque foi gratuita (no verão custa 130 para adultos residentes do mercosul). Na parte da manhã rodamos todo o parque de carro e fizemos algumas trilhas. No Parque é possível pegar um barco para ir até a Isla Redonda, que é onde fica a agência de correios mais austral do mundo e você pode pegar o carimbo no passaporte do “Fin del Mundo”, mas a ilha só abre no verão. Mas ainda assim é possível conseguir um outro carimbo (mais simples, mas ainda assim fantástico!) para o passaporte na entrada do parque. No Centro de Informação ao turista no centro de Ushuaia também é possível carimbar o passaporte com até 7 estampas diferentes. Dentro do Parque, não deixe de ir também ao final (que na verdade é o início) da Ruta 3, que é a rodovia mais austral do mundo também. A tarde fomos para o bonito lago Escondido (Lago Fagnano) na cidade de Tolhuin, que fica cerca de 1:30h de Ushuaia. Nessa cidade, que é super pequeninha, tem uma padaria bem movimentada e famosa entre os artistas, com uma variedade enorme de pães, rosquinhas e churros. E os preços eram bons (paguei 10 pesos no churros). Alugar o carro foi a melhor coisa que fizemos. Além de termos feito várias coisas, várias paradas para fotos, e horas de risadas garantidas, saiu MUITO mais barato que se tivéssemos contratado agências. No total, gastamos 1000 do aluguel + 380 de gasolina = 1380/4 = 345 pesos para cada. Somente o transfer para o Parque Tierra del Fuego sairia 350 pesos para cada um, sendo que gastaríamos o dia inteiro para percorrer a pé o que andamos em duas horas de carro. Nem sei quanto sairia uma excursão até o lago escondido, mas por menos de 1000 pesos para cada um, com certeza não sairia. No caminho para Tolhuin começou a nevar muito e várias partes Ruta 3 ficou com muito neblina. Quando já estávamos chegando em Ushuaia, a estrada estava muito escorregadia por causa da neve acumulada e o vento estava balançando demais o carro, mesmo pesado. Na volta, paramos nos centros de passeios de trenós com cachorros e motos para orçar passeios para o dia seguinte, já que estava nevando. Mas fomos informados que para funcionar, especialmente os das motos, o volume de neve deveria se bem grande para a formação de gelo e que naquele dia, mesmo tendo nevado bastante, ainda não seria possível falar se eles iriam funcionar no dia seguinte. Seguimos até o alto da montanha do hotel Arakur Ushuaia Resort (que possui singelas diárias a partir de 800 reais e é onde o Leonardo diCaprio ficou hospedado quando foi fazer as filmagens do filme O Regresso). Lá de cima tem-se uma visão 360° de toda cidade. Chegamos por volta das 20h e me hospedei no mesmo hostel que os meninos. Fechei 3 diárias por 852 pesos (pagamento só em dinheiro, embora eu tenha feito a reserva pelo app do Booking). O pessoal do hostel foi muito simpático, mas sinceramente me arrependi um pouco de ter ficado lá, pois eles possuiam algumas regras muito chatas. Primeiro que você não podia entrar de sapato, então vc tinha que tirar logo na entrada do hostel, sem lugar para sentar, em um lugar super apertado, e com várias pessoas transitando. Segundo, a cozinha fechava às 21h. Então você tinha que cozinhar até as 20:30h para dar tempo de limpar tudo até às 21h. Se você precisasse de qualquer coisa da cozinha, como um copo para beber água ou utensílios para comer qualquer coisa que não dependesse do fogão/microondas/geladeira, não tinha como pegar ou lavar as coisas, além de não poder comer em outras áreas do hostel. Terceiro, as tomadas elétricas só tinham na sala. Quarto e o pior de tudo: a água do banho estava fria. No primeiro dia eu tomei banho frio (na verdade a água começou quente e no meio do banho esfriou - o Gregor já tinha me falado que também tomou banho frio nos dois dias anteriores). Então reclamei sobre isso e a menina falou que iria olhar. No meu segundo dia o banho estava ótimo (mas não tinha ninguém tomando banho ao mesmo tempo), mas no terceiro dia a água esta friou de novo. Tive que colocar roupa de novo para ir na recepção reclamar. Elas arrumaram as válvulas lá, mas a temperatura da água ficou oscilando (a água só esquentava quando tinha uma pessoa só tomando banho). O café da manhã também foi super simples. Enfim, como já tinha pagado as diárias, não quis criar mais mal estar pra mim. Mas o Dario e Marcos não fecharam toda a estadia (pagavam por dia) e foram para outro hostel (mais barato e melhor). A noite, Gregor e eu conhecemos a Leila, uma francesa que tbm estava no hostel e saimos para jantar cordeiro e vinho patagônicos junto com o Dario e o Marcos (achamos um restaurante na Av. San Martin, que é a principal do Centro de Ushuaia, onde você podia comer a vontade por 380 pesos + 1 garrafa de vinho dividida para 4, ficou no total 420 pesos para cada um). Utilizamos o carro, pois estava -6 às 22h. Quarta (13/09/17) – Alugamos o carro por mais um dia por 1000 pesos. O Gregor foi embora para Ushuaia, porém a Leila assumiu sua vaga no carro e assim continuamos a dividir as despesas por 4. Saimos por volta das 10h do hostel e fomos para o Parque Tierra del Fuego novamente pois a Leila não tinha ido ainda e queríamos ver o Parque com neve, já que na manhã do dia anterior não havia neve lá (e as paisagens são muito diferentes!). Aproveitamos e visitamos pontos do parque que ainda não tínhamos ido, como alguns lagos, algumas trilhas e a estação do trem. Não fizemos o passeio do trem (que é muito caro – classe econômica: 690 ida e volta para adultos, 140 para menores de 6 a 17 anos, menores do que 5 é de graça; primeira classe: 1190 adultos, 690 menores, inclui um simples café da manhã; classe premium: 1540 adulto, 890 menores, incluindo café da manhã mais completo), mas demos a sorte de ver 2 locomotivas chegando à estação. Dentro da estação há uma ou duas cafeterias, banheiros, lojas de lembrancinhas e é possível ver, por um vidro, o pessoal da manutenção dos trens trabalhando nas ferragens ou montando peças. Vale umas fotos lá. Saindo do Parque, fomos para o Cerro Montaña, que é de onde começa a trilha para o Glaciar Martial. Porém a trilha estava fechada devido ao mau tempo e caminhamos um pouco nas áreas destinadas ao ski (que tbm estava fechada por causa do mau tempo), mas que nos deu uma visão também bem bonita da cidade. Nossa ideia era ir para o Lago Esmeralda a tarde, porém o tempo também estava muito ruim (nevando muito) e várias pessoas nos avisaram que o acesso estava muito difícil, com lama afundando pelo menos o pé todo e em alguns pontos até o joelho (o Dario e o Marcos chegaram até a alugar botas impermeáveis para fazermos a caminhada até o Lago Esmeralda. Mas como o tempo só piorava, tivemos que desitir. Retornamos para a Cidade por volta das 15:30h e fomos almoçar em um restaurante chamado Banana. Ele é bem bonito, mas não é um dos mais baratos. Comi uma pizza de 4 pedaços (que me encheu demais) por 128 pesos (+ 2 de gorjeta). Os gastos do carro totalizaram cerca de 290 pesos (1000 aluguel + 150 gasolina/4). Depois a Leila e o Marcos voltaram para os hostels e o Dario e eu fomos até o Museu de Ushuaia (entrada gratuita). Porém chegamos exatamente às 17h, horário que ele estava fechando. Então seguimos para o museu do Presídio. Confesso que não estava tão empolgada para ir e fui no espírito “já que estou aqui...”. Mas ainda bem que eu fui! Me surpreendeu demais. Aprendi muito sobre a história do presídio e histórias dos barcos das grandes explorações náuticas da patagônia e da Antártida, além de ter um minimuseu de animais empalhados. Paguei 150 pesos com minha carteirinha de estudante (o preço normal é 250 pesos). Jantei no hostel o restante das minhas do supermercado. Quinta (14/09/17) – Já estava nevando há mais de 24 horas e mesmo não sendo um tempo ideal, o Dario, o Marcos e eu fomos para o Cerro Castor, que é o maior centro para ski e snowboard. O Dario, com seu poder de negociação (hahaha!) conseguiu reduzir o aluguel para 850 pesos, que junto com a gasolina (70,00 pesos) totalizou cerca de 306 pesos para cada um. Novamente economizamos muito com isso, pois só o transfer para o cerro custava entre 350 a 500 pesos. Saimos às 9h para alugar skis e capacetes (eles alugam roupas para neve também) no centro, pois é mais barato do que alugar lá. Não lembro os preços dos alugueis dos equipamentos no Cerro Castor, mas os preços não eram tão diferentes assim e talvez compensaria alugar lá. Por que? Primeiro pela agilidade. O carro que alugamos era um Peugeot 208 e não tinha suporte para levar as pranchas de snowboard e skis no teto do carro e eles não caberiam dentro do carro. Então fomos para o Cerro e tivemos que esperar até meio dia a van da empresa levar os equipamentos para a gente (chegamos lá às 11h). Segundo pq se seus equipamentos sumirem, vc deverá pagá-los. Lá na estação tem muita gente e pode ocorrer de pessoas pegarem seus equipamentos sem querer (já que muitos se parecem) quando vc os coloca nas baias suporte em frente aos restaurantes (eu paguei o maior mico lá... é tanto equipamento estacionado, que eu olhei no lugar errado e achei que tinham pegado o meu por engano... fiquei doida e um tempão lá esperando “a suposta pessoa” se dar conta que pegou o equipamento errado e voltar. Até eu ver que eu tava enganada e meus equipamentos estavam lá em outra parte, uma funcionária já tinha ido lá, pegou as descrições no meu equipamento e passou as informações via rádio... aff... vergonha master! Ela achou que eu tava bêbada! Kkkkkk! E eu nem bebo! Enfim. Se vc alugar o equipamento lá no Cerro Castor mesmo, caso alguém pegue seus equipamentos de forma equivocada de verdade, eles te fornecem outro na hora para vc não ficar parado, pois ao final do dia a pessoa enganada obrigatoriamente entregará o seu original na saída e vc não terá que pagar por eles. Aluguei os skis+bastões por 360 pesos + capacete por 150 pesos na empresa Jumping. Os meninos alugaram pranchas de snowboard por 480 pesos cada. O Marcos tbm teve que alugar uma calça para neve, que custou 200 pesos. A entrada no Cerro Castor custa em um dia normal 1080 pesos, mas como o tempo estava muito ruim e a maioria das áreas da estação estavam fechadas, eles cobraram 750 pesos, o que foi ótimo para mim, pois fiquei só nas pistas de nível fácil. Se você quiser ir somente visitar a estação, sem praticar ski ou snowboard, vc paga 500 pesos, que te dá direito a pegar o primeiro teleférico uma única vez (ida e volta). Ainda na entrada da estação, ao lado da bilheteria há uma cafeteria muito boa, onde comi uma torta de doce de leite divina por 85 pesos. Todos os restaurantes lá, dentro ou fora da estação, possuem banheiros e wifi free. Para acessar as pistas de ski/snowboard vc precisa pegar o teleférico que te leva até o alto da primeira montanha. É muuuuuuito alto (nem sei como não morri do coração, especialmente quando a cadeirinha balançava com o vento. Pelo amorrrrr!). Logo após descer do teleférico, a pista mais fácil para iniciantes está à esquerda. Lá há muitos professores ensinando os princípios básicos (para contratar a aula é bem caro - mais de 1000 pesos). Eu aprendi mais na prática mesmo, seguindo os conselhos de um amigo meu que faz ski com regularidade e ouvindo de bico as instruções dos professores aos seus alunos. Depois de alguns tombos e ganhar confiança, fui para as pistas da direita do teleférico, que também é de nível fácil, mas com um desnível e um comprimento bem grande. Ao final dessa pista vc pega outro teleférico para ir para o topo de outra montanha, onde as trilhas são nível médio e difícil. Fazer ski foi muito, mas muito divertido. Mas também muito cansativo. Mesmo nas descidas, exige demais força nas pernas para freiar os skis. Com duas horas de brincadeira eu já estava muito cansada e ao final do dia eu comecei a sentir dor nos joelhos por sobrecarga. Tomei uma Pepsi (75 pesos) para repor um pouco a energia e desci a montanha pelo teleférico novamente (descer a montanha esquiando exigia experiência, coragem e energia!). O Cerro fechava às 17h e a van da Jumping já estava no estacionamento nos esperando para recolher os equipamentos. Curiosamente eles levavam somente as pranchas, capacetes e bastões. As botas não. Pq? Nem ideia, pois isso para mim não fazia o menor sentido. Com jeitinho, consegui convencer o motorista a abrir uma exceção e levar minhas botas, já que eu chegaria em El Calafate quase na hora do encerramento da loja (e no dia seguinte eu sairia cedo para o aeroporto antes da abertura da loja), além do desconforto de ter que ir na Jumping somente para entregar as botas. Sexta (15/09/17) – Tomei café da manhã e rachei um táxi para o aeroporto (75,00 pesos para cada) com um Japonês que estava no meu hostel. Saímos às 10h e meu voo para El Calafate estava previsto para às 12:20h. O tempo em Ushuaia estava ótimo, mas o voo atrasou mais de uma hora devido ao mau tempo em El Calafate, que estava chovendo e com muito vento. Voltei para o hostel America del Sur e por lá fiquei descansando até o dia seguinte. Lá no hostel a tarde eu comi um sanduiche (160 pesos), com uma coca (30 pesos) e a noite eu jantei legumes e salada com um copo de vinho por 290 pesos. Sábado (16/09/17) – A van da Ves Patagonia me pegou no hostel às 09:45h. Meu voo saiu atrasado em mais de uma hora do horário previsto (11:55h) para o Aeroparque, onde peguei um ônibus da empresa Arbus por 220 pesos até o Ezeiza, onde lachei, jantei e segui a viagem para conexão em Asunción (22:25h), onde madruguei e peguei o voo para Guarulhos às 05:30h, horário local. Eu queria muito ter passeado um pouco por Buenos Aires, mas devido aos atrasos dos voos, o meu tempo que já era curto, ficou menor ainda, pois vc deve levar em consideração o trânsito e que as cias aéreas solicitam para vc chegar 2 horas antes em voos internacionais (lembrem da fila na imigração que pode estar lotada e demorar muito!). Pelo pouco que eu vi de Buenos Aires de dentro do ônibus, eu achei uma cidade fantástica e não vejo a hora de ir conhecê-la! Em frente ao Aeroparque é possível caminhar um pouco pela Av. Costanera e ver o movimento das pessoas se exercitando e pescando. Cheguei a olhar um táxi para fazer uma espécie de City Tour comigo antes de me levar ao Ezeiza, mas me cobraram mais de 2000 pesos. Domingo (17/09/17) – O voo saiu de Asunción para Guarulhos no horário previsto e consegui adiantar meu voo para BH pela Azul em duas horas. Depois de mais de 24h de viagem, finalmente cheguei em casa! O que eu mudaria na viagem? Para aprimorar ainda mais o meu roteiro, o que eu mudaria: ao invés de ir para El Calafate primeiro, eu iria direto para El Chaltén. Mais para otimizar o tempo de deslocamento, pois em relação a preços é quase igual: aeroporto Calafate-Chaltén 600.00 + Chaltén-Calafate 460.00 + Calafate-aeroporto Calafate 160.00 = 1220.00 pesos/ aeroporto-Calafate 120.00 + Calafate-Chaltén 475.00 + Chaltén-Calafate 460.00 + Calafate-aeroporto 150.00 = 1205.00 pesos - dependendo do horário do seu voo na volta, você pode ir direto para o aeroporto de Calafate saindo de El Chaltén por 460.00, economizando assim 160.00 do deslocamento Calafate-aeroporto (eu paguei 150 pq não consegui vaga na Ves Patagônia e rachei um táxi com um cara do hostel). Nada no aeroporto de El Calafate funciona a noite, então não é recomendável dormir lá (Nem na área de embarque pode ficar). Então no meu caso, eu me vi obrigada a ir de Chaltén para El Calafate por causa do horário do meu voo para Ushuaia no dia seguinte. Também mudaria o meu voo de retorno para o Brasil a partir de Ushuaia. Economizaria muita grana e muito tempo. Mas como eu havia comprado as passagens de El Calafate por promoção relâmpago, só comprei a passagem e fui planejar os roteiros só depois. Então acabei dando bobeira sobre a questão da volta para o Brasil a partir Ushuaia. Além disso, o voo Ushuaia-Calafate estava previsto para às 12:20h (e com isso perdi a manhã). Pelo fato do voo ter atrasado em mais de uma hora, eu praticamente perdi a tarde também. Ou seja, gastei dinheiro com transporte e hospedagem para não fazer absolutamente nada em El Calafate no dia 15/09. Se meu voo tivesse saído de Ushuaia, eu teria mais tempo para fazer outras coisas que não tive oportunidade (como andar de moto ou com trenós de cachorros, já que esses passeios necessitavam de muita neve – e o dia 15/09 seria perfeito, já que os 3 dias anteriores haviam nevado muito e no dia 15 mesmo o tempo estava ótimo). Para uma próxima oportunidade e como dica também, eu tentaria encaixar Puerto Madryn no roteiro nem que fosse por um dia só. Setembro é o auge das baleias jubartes lá. Porém Puerto Madryn é bem longe das cidades que eu visitei. Melhor seria ir de avião para lá, mas obviamente as passagens são caras. Ainda sobre os voos, tente encontrar as opções de melhores preços o mais cedo possível e o mais tarde possível para você conseguir fazer render o dia para explorar as cidades ou passeios. Mas lembre-se sempre de deixar um tempo de segurança para possíveis imprevistos, especialmente climáticos. O tempo na Patagônia é maluco. Mesmo. Você pode sair do hostel com uma tempestade de neve e voltar com um sol parecendo verão (ou vice e versa). Você pode ver sol com chuva, sol com neve, não ver nada por causa de neblina e neve, dias muito escuros por causa de chuva, dias com ou sem vento... enfim. Nunca confie no tempo. As vezes a previsão era uma e em menos de 24h, era publicado uma previsão completamente diferente. Os meus gastos estão compactados na tabela em anexo. Claro que ela não está 100% fidedigna, mas tentei anotar o máximo dos meus gastos. Para facilitar calcular do total gasto, todas os valores em pesos eu calculei por real no câmbio a 4,37. Mas vc deve lembrar que eu comprei dólares também para levar, uma vez que nem todos os lugares aceitavam real (e dólar é aceito praticamente em qualquer lugar do mundo). Então quando o meu dinheiro em real acabou (troquei R$1850,00), comecei a trocar os dólares (comprei 600 dólares para levar ao valor de R$3,28 + IOF, mas acabei trocando na viagem somente 450). Isto é, leve isso em consideração para o cálculo do valor total gasto. Minha matemática da área de biológicas não me permite fazer um cálculo dessa magnitude! hahahaha! Daria para economizar mais? Claro. Principalmente com comida em Ushuaia, que foi o local onde eu mais comi em restaurantes. Mas também teria me privado demais de uma das melhores coisas do mundo que é o turismo gastronômico, além de conforto de se comer uma boa comida boa e sem esforço. Se vc conseguir otimizar os transportes, como eu mencionei, tbm poderá fazer uma boa economia. Já tive a oportunidade de conhecer muitos lugares paradisíacos e a Patagônia hoje situa-se no topo da minha lista de belezas que tiram o fôlego. Que região maravilhosa! Não vejo a hora de voltar, fazer passeios que não tive oportunidade e conhecer outras cidades além das que eu visitei. Não sei quando terei a oportunidade de ir novamente, mas que um dia eu volto, eu não tenho dúvidas! Gastos.xlsx
  8. Argentina 15 dias - São Paulo – Buenos Aires – Ushuaia –El Calafate – El Chalten Como a maioria das informações que vou postar aqui não encontrei aqui nos mochileiros ou em outro site, ou por estarem desatualizadas ou não corresponderem com a realidade de abril de 2017, especialmente algumas informações para quem vai mochilar mesmo, cozinhar no hostel e tentar economizar ao máximo. Viajei para Buenos Aires por milhas, então não sei o valor da passagem para lá, mas acredito que essa informação seja irrelevante, muito fácil encontrar em qualquer site. Meu planejamento foi ficar em Buenos Aires por três dias para conhecer toda cidade, depois pegar avião para Ushuaia, mais barato e mais rápido do que o transporte de ônibus. Depois de Ushuaia, subir de ônibus até El Chalten, que era o destino final e na volta de El chalten ficar por um dia El Calafate para visitar Perito Moreno. Eu decidi fazer esse trajeto, pois queria andar por boa parte da argentina, conhecer vários lugares incríveis e fazer uma parte da viagem de ônibus, mesmo sendo tantas horas, 11 horas no total e várias descidas no que ficou conhecido na viagem por “fiscalizacíon”...kkkkkkkkkkkk. Acredito que meu depoimento possa servir de base para outros que queiram fazer algo semelhante. Pensando durante e após a viagem eu não modificaria o roteiro que eu fiz. Tudo se encaixou perfeitamente no que eu tinha planejado e em nenhum lugar que eu fiquei pensei que poderia gastar mais tempo por lá, foi na medida dentro dos 15 dias que eu tinha. Na verdade pode-se fazer o mesmo trajeto em 30 dias ou mais. Vamos para o que interessa: A distribuição dos dias está no quadro abaixo: Fui com a Lan chile por milhas, mas gastei com taxa de embarque o valor de R$ 373,86. Cheguei dia 13/04 na parte da manhã, troquei um pouco de dinheiro no aeroporto, o cambio estava, 1 para 4,80 pesos, melhor cambio que encontrei. Na Rua Florida que é a rua dos cambistas não encontrei oferta melhor, só pelo mesmo preço de 4,80. Pode trocar cambio nesse lugar, mas pechinche, eles negociam e ficam gritando o tempo todo Câmbio, câmbio... Fiquei no hostel Milhouse, localizado no centro, lugar legal, cheio de gente jovem e tinha umas baladinhas. Como fui no feriado estava cheio de brasileiros. Não aproveitei a noite de Buenos porque meu foco e dinheiro estava direcionado para patagônia. Sair a noite lá sai muito caro para um mochileiro. Cozinhei todos os dias no hostel, sem problemas. 3 dias é mais do que suficiente para BA, como tem muito relato aqui no mochileiros de lá, única coisa que falaria é que compensa alugar uma bike na Ricoleta, alugamos por 160 pesos, bikes laranja do Itaú, metade do preço para clientes Itaú, e dar um super giro pelos lugares mais afastados, fiz no mesmo dia Ricoleta, o parque Reserva Costanera Sur o bairro de La Boca (não vá sozinho de bike) fui com meu irmão e mesmo assim apesar de vazio, sempre achava que alguém ia nos assaltar... talvez seja coisa de brasileiro e a parte central, além do parque onde tem a Floralis Generica. Enfim, nesse dia de bike deu pra aproveitar bastante. Ir no mercado San telmo também, lá é muito massa, bastante coisa antiga, mas tenta ir nele de domingo. No Sábado fomos para o Aeroparque de madrugada, quando chegamos lá fomos informado que a Aerolineas argentina havia mudado o vôo para o aeroporto que fica nos arredores de Buenos Aires. Sai correndo pela avenida em busca de um taxi, pagaria qualquer valor porque se eu perdesse o vôo a viagem toda iria por água abaixo e o que eu iria fazer mais 12 dias em Buenos Aires???? Entrei na frente de um taxi, quase implorei para o motorista levar e ele cobrou 600 pesos, o que aceitei na hora, faltava 50 minutos para embarque e pedi para que ele voasse na rodovia para poder dar tempo. Fiquem espertos com a Aerolineas, eles podem te foder fácil. Chegamos em tempo no aeroporto, a viagem foi tranquila e chegamos ao amanhecer em Ushuaia. Que coisa linda de se ver, aqueles picos congelados com aquela aurora, mesmo do avião foi bem bonito e eu estava no fim do mundo. Quando desembarcamos e saímos pela porta senti realmente como são os ventos patagônicos, ficamos um tempo olhando o tempo e sentindo o que é um frio de verdade. De lá peguei um taxi e fui pro hostel Yakush, lugar muito bom, super indico. Fomos passear de barco até a ilha da pinguineira, foi meio caro o passeio, mas vale a pena porque são 04 horas e é um passeio diferente, foi a coisa mais turística que fizemos. O restante fomos bem de mochilão. No mesmo dia fomos no pico Glacial Martial, fomos de taxi e voltamos a pé. No meio da estrada tem uma trilha que também chega a cidade, fomos por ela e nos perdemos. A trilha é realmente muito bonita, mas apenas vá por ela se você tiver tempo pra ficar perdido e não tiver medo de cachorros. No dia seguinte já partimos de ônibus para El calafate. Pegamos as 05 da manhã em um ponto perto do hostel (lá não tem rodoviária) e quando chegou o busão parecia esses Rural que leva a galera para trabalhar, pensei estamos fudido 11 horas dentro desse ônibus, mas assim que chegamos um uma cidade umas 02 horas depois pegamos um melhorzinho e seguimos a viagem. O saco de ir de ônibus de Ushuaia para El calafate é que você precisa descer do ônibus várias vezes para sair da argentina, entrar no Chile, sair do Chile, entrar na Argentina, subir na balsa (precisa descer), descer da balsa, trocar de ônibus, putz aí é foda a canseira. Pegamos outro ônibus na cidade de Rio Gallegos para El Calafate e outro de El calafate para El chalten que era o destino final, então imagina o role que é pra chegar lá por essa via. Em El Chaltén ficamos no hostel por 03 dias, fizemos todas as 03 principais trilhas, mas no último dia choveu, mas fomos mesmo assim. De frente com o hostel patagônia tem um pub com cerveja boa, de lá mesmo e comida melhor ainda. As trilhas judiam um pouco, eu perdi 06 kilos nessas viagem, meu irmão um pouco menos. As trilhas geralmente duravam de 08 a 13 horas, andando numa passada boa. Em El Calafate fomos no Perito Moreno, entrada $500 pesos para estrangeiros. Lugar bem massa, não compensa fazer passeio de barco, maior perda de tempo, melhor ficar nas passarelas mesmo. Depois fizemos a viagem de retorno para Ushuaia, lá comemos a tal da Merluza Negra, não achei nada de espetacular, só caro. No último dia em Ushuaia fomos a pé e voltamos do Parque Nacional e damos um giro por dentro dele nas trilhas, foi bem cansativo mas valeu a pena. Entrada $ 350,00 Basicamente é isso, curti muito a viagem, achei caro em relação aos outros países da América do Sul e com certeza voltaria para fazer um outra parte de lá. Valores de Passagem de Avião e ônibus – ida e volta. Passagem de Avião de Buenos Aires para Ushuaia R$ 1.225,99 por pessoa, Aerolíneas. Passagem de Ônibus, esse valor é para duas pessoas, no caso foi eu e meu irmão. Onibus Ushuaia - Rio Galego – 700 pesos (por pessoa) Onibus Rio Galegos – Calafete – 490 pesos (por pessoa) Onibus El calafate – El chalten – 360 (por pessoa) = 1550,00 TOTAL $3.100 pesos ida e volta. R$ 620,00 por pessoa. Valores dos hostels para duas pessoas: Valores em dólares, reais e só o primeiro em pesos, Abril 2017 Hostel em BA – u$ 12,42 + 1320 pesos = 307,47 Hostel USHUAIA YAKUSH U$ 39,10 – 122,00 Hostel CALAFATE U$ 38,00 – 145,00 Hostel CHALTEN PATAGONIA U$ 96,00 – 365,00 Hostel calafate AMERICA DEL SUR U$ 60,28 – 229,00 HOSTEL USHUAIA YAKUSH U$ 117,30 – 369,00 HOSTEL FLORIDA U$ 29,76 – 93,00 EM PESOS O VALOR TOTAL DE HOSTEL FOI DE 6.390,00 PARA DUAS PESSOAS Argentina.docx
  9. Minha esposa e eu tinhamos vontade de conhecer a patagonia, porém as férias dela seriam em Julho, inverno na América do sul. Pesquisando vimos várias coisas desmotivadoras sobre ir no inverno para a patagonia, mas algumas fotos nos convenceram e fomos com a cara e a coragem. 11/07 Sairiamos de Brasília com destino a El Calafate, o voo fez conexão em Guarulhos e em Buenos Aires, chegamos em Buenos aires 02 da manhã do dia 12 e nosso voo pra El Calafate sairia as 11 da manhã. Reservamos um hotel bem no centro pra que pudessemos cambiar cedo pela manhã na Calle Florida. Em Brasília não conseguimos cambiar nada de pesos argentinos e no aeroporto de Guarulhos as casas de câmbio cobram uma taxa de 50 reais pra trocar qualquer valor, fora o IOF. Resolvi tentar trocar no aeroporto de Buenos Aires ou achar um transporte que aceite reais. Acabou que uma das agências de Remis aceitava pagamento em reais, a corrida para o hotel ficou 75 reais (meio caro mas de madrugada e pensando bem eu ia olhar 50 reais só de taxa de câmbio em GRU hehehe). Hotel Vista Sol Buenos Aires: Chegando ao hotel tínhamos que pagar na entrada, mas ainda não tínhamos pesos. Tivemos que pagar no cartão de crédito, o que acabou sendo uma vantagem, pois nos tirou um imposto de 20% para hospedagem de estrangeiros. O hotel é bom e muuuuuito bem localizado. 12/07 Dormimos umas 4 horinhas e acordamos 07 e 30 pra irmos tomar café, cambiar, comprar um chip e um adaptador de tomada (argentina tem um padrão todo zuado). Tomamos café no próprio hotel, café OK. Quando saímos foi para encarar um dia feio com aquela chuva fininha bem chata e o pior: Aquele horário ainda estava tudo fechado. Continuamos andando pela Calle Florida quando vimos um homem anunciando "Cambio". Como já tinha lido sobre cambio paralelo não fiquei com muito pé atrás, perguntei a cotação e batia com o valor que olhei ainda no Brasil, 4.70. Fomos a uma lojinha, acho que meio de fachada, fui bem atendido, fizemos a transação e sai em busca do chip e do adaptador, depois voltamos ao hotel. Chegamos no hotel 10h, nosso voo era 11 e 50. Ligamos para a recepção pedindo um taxi e nos informaram que os taxis estavam demorando 50 minutos por conta da chuva, treta. Tentei usar o Uber, mas dava erro de conexão. Tentei o easy taxi e deu certo, ou parecia... 2 motoristas que aceitaram, Cancelaram a corrida alguns minutos depois. nisso já era 10 e 40, resolvemos encarar a rua com mala e tudo pra achar um taxi quando demos 2 passos parou um, uffa. Partiu aeroporto. Aeroparque Jorge Newbery, bom mas o ruim é que pra embarcar tem que pegar aquelas vans até a aeronave. O voo estava super cheio e por conta desse vai e vem das vans atrasou. Pegamos uma van da empresa VES, ela deixou cada passageiro no seu hotel. Custou 160 pesos. El Calafate hostel: O Recepcionista Patricio foi muito gentil e solicito. O quarto que alugamos é confortável e muito bem aquecido, inclusive o piso. Depois do checkin fomos procurar um lugar para comer. Muitos estavam fechados, acredito por ser inverno. Encontramos uma pizzaria, a pizza era ok mas o preço erq bem salgado (pizza grande com 2 bebidas deu 120 reais) Voltamos para o hotel, fechamos os passeios Perito Moreno para o dia seguinte e rios de hielo para o dia depois. 13/07 Saindo para o passeio perito moreno às 09 horas percebemos que o sol ainda não havia nascido e estava nevando. A van nos pegou pontualmente 09 e 30 e percorremos cerca de 80 km, rumo ao glaciar. Um frio tremendo e neve nos esperava mas valeu apena. Na primeira quebra de gelo ouvimos um barulho como de um trovão, realmente impressionante. Andamos nas passarelas por cerca de duas hora e voltamos para um restaurante que tem no início, tomamos um chocolate quente e esperamos a van para voltar para el calafate. Dicas: - O restaurante é caro e meio fraco, leve lanche! - É frio mas com as roupas apropriadas dá para aguentar tranquilamente. - Não fizemos o safari náutico e não nos arrependemos. O barco para muito longe do glaciar e é amontoado de gente. Voltamos ao hotel e pedimos ao Patricio para ligar para a rodoviaria e perguntar sobre os ônibus para puerto natales. Ele disse que não havia ônibus para puerto natales nesta temporada de inverno!!! Balde de agua fria, saímos para almoçar/jantar e depois passamos em algumas lojas de passeios, nenhuma oferecia torres del paine. Decidimos ir caminhando até a secretaria de turismo e a informação que nos deram foi a mesma. Andamos mais um pouco até a rodoviaria e falaram que a única opção seria pegar um ônibus até rio gallegos, de rio gallegos outro ônibus para punta arenas, e depois outro para puerto natales. Com isso perderiamos 2 dias, teriamos que arranjar um lugar para dormir em punta arenas... complicou. Olhamos passagens de avião de el calafate para ushuaia e percebemos que ficaria mais barato que a peregrinação para torres del paine. Resolvemos mudar nosso plano e deixar torres del paine para outra ocasião 14/07 A van do passeio de rios de hielo nos apanhou 08 e 30. Nos deixou no porto de punta banderas onde pagamos a entrada do parque e subimos a bordo do barco. O barco é bem confortável, tentem ser os primeiros a entrar para conseguir lugar na janela! Primeiramente o barco para na geleira upsala, para MUITO longe. Só da pra ver algo parecido com geleira no horizonte, fica a 5 km de distância, mas tem os icebergs que são bem legais. Depois o barco segue ao glaciar spegazzini, chega beeeem perto, muito legal. O barco cheio dificulta as fotos mas com paciência consegue algumas com angulo bom. Dicas: Leve lanche! Tudo que vende no barco é muito caro. A ida e a volta demoram umas 3 horas no barco, fica um pouco cansativo. É bom algo para entreter. Fora do barco é muito frio e venta bastante, quando o barco para alivia um pouco. Roupas apropriadas! Opinião geral: Achei meio turistão, curti mais as passarelas mas acredito que quem va para el calafate deve fazer ambos. Chegando do passeio queriamos ir ao bar de gelo e museu glaciarium, antes comemos empanada com chocolate quente e fomos esperar a van que leva gratuitamente ao local, um pouco afastado da cidade, no meio do nada. A van passa de hora em hora. Quando a van chegou o motorista nos informou 2 coisas chatas: A primeira era que o bar de gelo estava fechado para reforma e a segunda era que o museu fecharia em 40 minutos, ou seja,teriamos poucos minutos para a visitação. Resolvemos ir no dia seguinte, depois da estação ski. Fomos então na agência reservar o passeio para a estação de ski e outra surpresa: Não havia neve. Não nos restava fazer nada se não deixar o dia seguinte livre. Dia 15/07 Acordamos mais tarde, depois fomos cambiar e fechamos o passeio para el chaten para o dia seguinte. Por indicação de um casal de brasileiros que conhecemos fechamos na Criollos, pagamos em real e conseguimos uma boa cotação. Já no câmbio pra pesos nem tanto, trocamos em um restaurante chamado casemiro, melhor cotação que achamos. Comemos um churros com chocolate quente até dar a hora da van do glaciarium. Chegando lá... que decepção. Não chega nem perto de valer o preço da entrada (300 pesos). Ficamos uns 30 minutos e saímos com cara de arrependimento, porém brincando e rindo da situação. Quando a van chegou encontramos um outro casal de brasileiros que conhecemos no passeio rios de hielo. Eles estavam também decepcionados pois o bar de gelo estava fechado e nos perguntou se valia apena o museu, demos nossa opinião e eles decidiram voltar já na mesma van que nós. No caminho conversando eles falaram que havia um bar de gelo perto do cassino que era do mesmo dono do bar do museu. Estavamos com o dia livre e nós quatro resolvemos ir. Muuuuito legal, você paga cerca de 160 pesos e bebe a vontade vários tipos de bebida por 25 minutos a -10 graus e em um copo de gelo! Te dão luva e manta térmica e você curte lá dentro com as estátuas de gelo. Gostei tanto que ainda comprei uma camiseta do bar hahaha. Saí de lá meio boracho, nos despedimos do casal e fomos jantar no pietros, restaurante bom e com preço justo que achamos. Pedi um ojo de bife ao molho de pimenta, delicioso! 16/07 A van nos apanhou rumo a el chaten às 08 e 15. A guia e o motorista eram super simpáticos, contou tudo sobre a região da patagonia. Parou no caminho para vermos as vicuñas, depois em um bar/hotel chamado la leona que mantém a história dos antigos peregrinos viva. Até que chegando perto de el chaten o vimos pela primeira vez, o gigante flitz royz, o tempo estava ensolarado e não havia nenhuma névoa o tampando! Maravilhoso! Almoçamos na cidade (já incluído no passeio) pedi um cordeiro com purê de batata, muito bom! Depois seguimos por uma estrada de terra com neve e gelo. Paramos em uma cachoeira congelada, muito linda! Acho que se chama salto del anillo. Seguimos no carro até um ponto que fizemos uma trilha de uns 20 a 30 minutos, que termina um lago. Muito legal também. Retornamos pra el calafate por volta das 17h. 17/07 Acordamos por volta das 08, tomamos café e corremos para tentar achar alguma lembrancinha da cidade para nós (tudo muito caro, decidimos ver em ushuaia para amigos e família). Estava tudo fechado. Andamos até as 10h até as lojas começarem a abrir e então pegamos a van rumo ao aeroporto de calafate. O aeroporto não tem nada, nosso voo atrasou um pouco. Chegando em ushuaia no trecho onde tem as cordilheiras uma puta turbulência, todos com cara de medo mas deu tudo certo! Fizemos uma reserva às pressas em um hotel chamado Los Ñires, 5km da cidade mas tem uma van que leva e busca do centro de graça. Bom custo benefício, ponto negativo o wi-fi. Chegamos sem almoço e desvairados de fome na cidade umas 16h. Tudo fechado! Só abria umas 18h ou 19h. Encontramos uma lanchonete chamada banana, lanchamos lá. Meio caro e atendimento ruim mas na fome que estávamos... ok. Demos uma volta até dar hora de pegar a van. 18/07 Resolvemos conhecer o museu e a prisão. A cidade é bem diferente de El Calafate. Cidade grande e cheia de gente. Um pouco suja e cheia de carro demais pro meu gosto. Enfim, seguimos a pé ao antigo presídio, diferente do museu de el calafate super valeu apena! A parte das celas preservadas era até fria, dava pra sentir uma bad vibe pesada. Fizemos em duas partes, você pode carimbar e voltar depois seu ingresso. Almoçamos uma pizza na Dona Lupita, ótimo custo benefício, pizza boa e barata. Voltamos ao museu e depois demos uma volta para achar calça impermeável pata minha esposa, pois iriamos fazer trilha no parque nacional tierra de fuego no dia seguinte. Valeria mais apena no nosso caso comprar calça e luva do que alugar pois iriamos usar pelo menos em 3 dias. Depois das compras esperamos a hora da van no Dublin Pub. Maravilhoso o lugar, aconchegante... parece que você ta na europa hahaha. E muito barato também. É tão bom que pegamos uma filinha para entrar, olha que eu nunca havia visto fila pra entrar em um café. 19/07 Fomos para o centro 09 e 30 para pegar a Van Don Alejo que nos levaria até o parque nacional tierra del fuego. Chegando na van nos informaram que o horario de 10h já estaba cheio... iamos com o casal de baianos que conhecemos, como eles não haviam chegado informamos a eles que só teria van as 11h e fomos procurar um café para passar o tempo e o frio. No caminho vimos um taxi e resolvemos perguntar quanto custaria para nos deixar no parque, ela nos informou que ficaria 1700 pesos. Dividindo o valor por 4 ficaria mais barato que o valor da van (450 pesos). Isso por 3 horas, visitando os melhores pontos do parque (que é muito grande). Disse que falaria com o casal de amigos e ligaria para ela. O casal de amigos disse que poderia fechar e pediu para busca-los no botel. Voltamos e ela já não estava mais lá e não atendia o celular... o que seria azar se transformou em sorte, conseguimos outro taxi mais barato (1500) e super simpático. Buscamos o casal e passamos um dia muito agradável conhecendo os principais pontos do parque. Muito bonita as paisagens. Voltamos por volta de 14h e almoçamos num restaurante por indicação do taxista, valeu super apena! 270 reais prato com bebida, sobremesa e café. Continuamos o resto do dia passeando com o casal baiano, carimbamos o passaporte com os carimbos do fim do mundo e fomos fechar o passeio para o cabal de beagle pro dia seguinte. Depois fomos conhecer o hard rock café, comemos um hambúrguer (não curti muito a carne) mas ganhamos um copo! 20/07 Arrumamos as malas pois iríamos trocar de hotel hoje. Fizemos as malas mas deixamos as malas no hotel. No caminho que a van ia nos deixar, surpresa: Acabou o combustível! Caímos na gargalhada, o motorista disse pra todos pegarem taxis que o hotel iria nos reembolsar. O problema é que tinhamos que chegar até o local onde levaríamos o barco até 08 e 45, e havia muitas pessoas para pegar o taxi. Por sorte estava passando uma van de um outro hotel que parou para nos levar. Escolhemos um barco para o passeio do canal de beagle com capacidade para menos pessoas, pois ele chega mais perto das ilhas. O barco era ok, o capitão e o marinheiro/guia muito simpáticos e passeio foi muito legal, com direito a cerveja artesanal. Passamos pela ilha de lobos, ilha dos passaros e fizemos uma pequena caminhada na ilha bridge, tendo no final uma vista panoramica. Gostamos muito do passeio, valeu apena. Almoçamos e fomos trocar de hotel. De noite compramos umas lembrancinhas. Dica: Ushuaia bem melhor para lembrancinhas que el calafate. 21/07 Chamamos o remis do mesmo dia do parque para nos deixar no cerro martial. Chegando lá não havia neve, apenas gelo e o teleférico não estava funcionando... o único jeito de subir seria alugando grampones, porém na loja no pé do cerro já estava tudo alugado. Ficamos brincando um pouco no gelo, descendo de ski bunda e depois tentamos novamente ver se havia grampones: não havia. Resolvemos ir almoçar e acabamos "perdendo" esse dia. Aproveitamos de noite para alugar os equipamentos para fazermos no dia seguinte a trilha até a laguna esmeralda (grampones e bastones). 22/07 Saimos cedo eu minha esposa e o casal de baianos, 08h da manhã, até a entrada da trilha, esperavamos um pouco de neve e gelo mas não imaginavamos o que estaria por vir: MUITA neve. A paisagem era toda branca, mal acreditavamos. Logo no começo da trilha percebemos algo errado, não havia sinalização alguma no lugar que estavamos e eu havia lido que a entrada da trilha era por um centro invernal chamado valle de lobos. O taxista havia insistido que ali chegariamos na trilhs então seguimos. Depois de um certo perrengue chegamos na trilha. A verdadeira trilha realmente é bem sinalizada e você encontra com pessoas durante o caminho. Nosso caminho era pura neve, porém muito lindo. Tudo branco, inclusive a copa das arvores. Por vezes "nevava" quando o vento derrubava a neve das árvores, mas o dia era de sol. A trilha se tornou cansativa, acredito eu que por uma série de fatores: Nos perdemos no início, os grampones saiam várias vezes do pé e tinhamos que parar pra arrumar e a própria caminhada com os grampones era desconfortável. Chegamos então na laguna esmeralda e vimos ela toda branca e congelada. Fizemos um lanche na sua borda para recuperar as energias e senti que havia algo especial naquele lugar. Um gavião não parava de dar rasantes sobre nós enquanto um cachorrinho tentava pega-lo. O cachorro era uma simpatia só! Tiramos várias fotos e voltamos. O começo da trilha até a metade seguiu muito bem, ainda mais porque contavamos com a companhia do cachorro! Minha esposa e eu voltamos sem os grampones, eles eram úteis mas o preço a se pagar era muito alto. Tivemos que escorregar em algumas descidas ingremes de bunda o que foi muito legal, tirando isso valeu apena voltar sem os grampones. No meio dq trilha nos perdemos de novo... entramos em um descampado para tirar fotos e de repente percebemos qur havia algo estranho: a Neve estava até o joelho! Não poderia ter nevado então estavamos perdidos... stress e cansasso tomou conta do grupo. Resolvemos voltar a trilha até o ponto onde tinha sinalização, nisso começou a ficar muito tarde. Combinado com o taxista era 14:30 e já eram 16h. Mandamos um SMS para ele falando que nos atrasariamos. Ele entretanto disse que só poderia esperar até 17h. Apertamos o passo mas o grupo estava cansado e com a moral baixa. Eu insisti e tentei motivar todos falando que estava chegando até que bem perto do final o Luis estava muito cansado e com cãibras sugeriu que eu fosse sozinho e pedisse pro taxista esperar. Negativo, nos separar era a última coisa que deviamos fazer naquele momento. Faltando 15 pras 17h ele queria parar e eu tentando motiva-lo. Prometi que se em 10 minutos não chegassemos a gente pararia p tempo que ele quisesse. Chegamos! E o taxista ainda estava lá! Nessa hora eu senti uma gratidão imensa por esse ser humano. Retornamos para o hotel, jantamos e dormimos. 23/07 Resolvemos tirar o dia para descansar, depois da aventura do dia anterior. Domingo a cidade é bem parada, comércios todos fechados, abre apenas restaurantes. 24/07 Dia de fazer as malas e dar adeus a Ushuaia. Chegamos em mendoza por volta das 18h. Ficamos em um apart hotel que alugamos pelo airbnb. 25/07 Fechamos passeio para as vinícolas com um remis. Nos buscou pontualmente, carro novo e confortável. Conhecemos a bodega Chandon e 2 outras, além de uma olivicola. Na última almoçamos e terminamos um dia muito agradável. Foi o que mais gostei em mendoza. 26/07 Acordamos cedo e fomos procurar um loja para alugar um carro. Nossa intenção era ir para o parque provincial aconcagua e no caminho passar na estação de ski los penitentes. Tem uma rua em mendoza com várias lojas de aluguel de carro, chamada primitiva de la reta. Alugamos um up básico. Estrada: Sentido duplo e cheia de curvas, mas bem conservada. Não estava acostumado com o carro, menos potente que o meu e principalmente não estava acostumado a caminhões andando a 100km/h. Fui imprudente em uma ultrapassagem e quase nos demos mal, tive que jogar o carro para o meio de dois caminhões, me senti muito mal depois disso. Depois de uma hora dirigindo paramos em um lugar para tirar umas fotos na beira de estrada e surpresa: Dois caminhoneiros, os da ultrapassagem, vieram tirar satisfação comigo, um deles com uma chave de roda na mão! Pqp... eu mandei um lo siento e perguntei o que ele queria que eu fizesse além de me desculpar. Depois de um sermão seguimos viagem, mais na bad ainda. Como falei a estrada é cheia de curvas, cheia de caminhões e cheias de carros. Pra piorar a cada fronteira de municípios existe uma barreira policial que forma um engarrafamento de uns 20 minutos. O percusso todo é de uns 210km, não parece longe mas demora muuuuuuito por conta de estrada. Chegamos em los penitentes por volta das 14h, almoçamos um hambúrguer em um restaurante que tem na beira da estrada na frente da estação. Lá quase não havia neve. Apenas subindo o teleférico em cima da montanha tinha um pouco de neve, bem pouco. Fomos embora rumo ao aconcágua salvasse nosso dia... meio que não salvou. Fizemos a trilha inteira até a laguna horcones. A laguna estava congelada, o Aconcágua ainda parecia meio longe, pra mim não valeu a viagem. Talvez em outra época seja mais bonito, ou talvez estavamos com a expectativa alta por conta da patagonia. Voltamos por volta das 17h e tivemos que pegar a estrada maldita á noite. Chegamos em mendoza 21h. Fomos direto a um restaurante chamado azafran. Que delícia de restaurante! A melhor coisa do dia hahaha. 27/07 Nossa intenção nesse dia era ir até as thermas mas estava reservada todos os dias até 30/07. Então devolvemos o carro e compramos muitos vinhos, alfajos para levarmos pro brasil e curtimos um dia de preguiça. Á noite jantamos de novo no azafran (façam reserva). Arrumamos as malas pois voltariamos para o brasil no dia seguinte. Dica: Pode levar até 6 garrafas por pessoa na bagagem de mão. Para levar na bagagem despachada precisa enrolar a mala em plástico filme.
  10. 15 dias pela Patagonia

    Ushuaia + Calafate + Chalten + Bariloche Faremos aqui um relato na nossa viagem de 15 dias pela Patagonia Argentina em dezembro 2016/janeiro 2017. 24/12 - Embarcamos com destino a cidade de Buenos Aires as 00:25 pela Aerolineas Argentinas. Foi um voo tranquilo e chegamos na cidade as 2:20 ja que la não tem horário de verão. Quando você desembarca na parte internacional e vai pegar outro voo tem que se deslocar até a parte de voos domésticos que fica em outro prédio. As 7:25 pegamos o voo que nos levaria até a cidade de Ushuaia, aonde chegamos as 12:10. Em Ushuaia Ficamos pelo AIRBNB na casa da Tamara a qual recomendamos pois é muito atenciosa e tem um espaço bacana para alugar. O único inconveniente é que o chuveiro não é dos mais quentes então exige banhos rápidos. Quando chegamos na cidade a temperatura estava cerca de 8 graus e com uma garoa mas mesmo assim fomos nos aventurar. Nossa primeira parada foi em um hostel na rua Rivadavia bem sinistro aonde um chinês troca reais por um preço bacana. Na época 1 real = 5 pesos. Trocamos uma parte do dinheiro e fomos para o centro de informações turísticas aonde eles carimbam seu passaporte com o carimbo da cidade. A cidade é bem pequena e o seu centro tem uma infinidade de lojas, restaurantes e docerias. Nos bairros também conseguimos achar esses serviços mas dependendo de onde ficar vai ter que enfrentar subidas para chegar como foi o nosso caso. Paramos para almoçar em um restaurante de massas na Rua San Martin gastando cerca de 100 reais o casal e depois antes de voltar para o nosso apartamento passamos no mercado La Anonima para comprar queijos e vinho para nossa ceia de natal. Indicamos o vinho Dada que é muito bom e la muito barato, cerca de 20 reais a garrafa. Os mercados de todas as cidades não tem sacolas plásticas então ou vc leva a sua ou vc compra a deles daquele tipo retornável. A cidade de Ushuaia é muito segura, cheia de cachorros e gatos pela rua e no veråo tem sol até as 11hras da noite o que é ótimo pois faz nosso dia render muito. A noite no verão a temperatura baixa bastante chegando a uns 4-5 graus mas os locais tem sempre ótima calefaçåo. 25/12 - Era natal de começamos a nossa primeira aventura, subir o Glaciar Martial. Saindo do apartamento a entrada para a estrada que leva ao inicio do Glacial era perto, levamos uns 15 minutos andando mas ai começa a subida e no meio dela fomos salvos por um alemão que nos deu carona até o inicio do glacial. Então se vc pretende ir vá de taxi até o inicio da trilha pq vale a pena e vc volta a pé pq a paisagem é bem bacana. No inicio da trilha vc ja se depara com uma subida forte e a trilha em si é puxada. Demoramos cerca de 1hra e meia para conseguir subir bem agasalhados e em alguns momentos até de luva e cachecol pois tem trechos de ventos muito fortes. A descida parece mais tranquila mas não é pois se vc não tomar cuidado estraga o joelho que foi o que aconteceu comigo. No meio da descida paramos para comer um lanche que tinhamos levado (pão com frios, bolinho recheado com doce de leite e água) e terminamos todo o circuito em 2:30 hras. La no inicio da trilha tem uma casa de chá maravilhosa a qual paramos antes de retornar a cidade...vale muito a pena, é maravilhosa e cara. De volta a cidade moídos ainda paramos no centro novamente para comer em uma pizzaria na rua San martin (era uma das poucas opções ja que era dia de natal) e voltamos para nosso apartamento nos lamentando com tanta subida. 26/12 - Resolvemos conhecer o Parque Nacional. Antes de irmos atrás de um transfer passamos novamente no chinês para trocar mais reais por pesos e fomos até o local de onde saem transfers para todos os passeios da cidade na avenida Maipu. Um transfer ida e volta custou 400 pesos por pessoa. La dentro do parque vc paga uma taxa de entrada de cerca de 120 pesos por pessoa se for mercosul e escolhe qual trilha vc quer fazer. escolhemos a trilha costeira pois era a mais recomendada e realmente vale a pena. Nela vc passa por diversos lagos maravilhosos e água cristalina. O transfer nos deixou na Enseada Zaratiegui aonde antes de começar a trilha vc pode pegar outro carimbo da cidade no passaporte mas esse tem custo de cerca de 30 pesos enquanto que o do centro de informações é gratis. Dessa enseada fizemos uma trilha de 8,6Km até o Rio Lapataia aonde tem um restaurante e banheiros (cerca de 3:20hras). No meio da trilha paramos para comer nosso lanche na beira de um dos lagos e no final, quase chegando ao restaurante eu ja estava chorando de tanta dor no joelho. Por conta do dia anterior meu joelho sentiu muito a trilha e tive que parar nesse restaurante e fiquei la esperando meu marido terminar os 5 Km de trilha que faltavam(ele demorou cerca de 3hras para voltar ao restaurante). Ele continuou e foi até a Laguna negra e depois a Bahia Lapataia ja na divisa com o Chile. Assim que ele retornou ao restaurante consegui ir com ele até o lago Roca que é maravilhoso para tirar fotos e ficar descansando com aquela vista e logo depois o transfer nos pegou no restaurante e voltamos a cidade. De volta a cidade voltamos para o ape e no caminho paramos em um restaurante local chamado Dieguito, fora da zona turísticar. Uma ótima experiência com preços bem pouco menores. Gastamos os mesmos 100 reais por casal mas comemos mais. De volta ao ape foi aquele banho rápido, pijama e cama ja que ja eram quase dez da noite. 27/12 - Na manhã desse dia acordamos muito cedo a espera do nosso taxi até o aeroporto, era dia de ir para El Calafate. O taxi já tínhamos deixado agendado e no horário combinado ele estava lá para nos buscar, Nos depedimos da mãe da Tamara que foi quem nos recebeu e chegamos no aeroporto com um custo de 120 pesos. O voo foi pela Tam e demorou cerca de 1h20. Tínhamos pensado em ir de ônibus para o preço era praticamente o mesmo e eram 17 horas de viagem. Chegando em El Calafate vc ja se deparara com a linda vista do lago Argentino, maravilhoso. Pegamos um transfer da Ves Patagonia que nos custou 160 pesos por pessoa e ele nos deixou no nosso hostel bem no centro da cidade. Fora do centro tem muitas opções de hostel mas não recomendamos pois tudo que é serviço está localizado no centro. Nosso hostel foi o Calafate Hostel aonde pegamos um quarto privativo duplo que nos custou 150 dólares + taxas por 3 diárias com café da manhã. O hostel é muito bom, além de bem localizado o quarto era ótimo (só um pouco quente demais), os atendentes eram ótimos e o café era ok. Para quem pretende cozinhar, a cozinha é super pequena então vc tem que ter paciência para esperar sua vez e achar um lugar na geladeira. O hostel tem um restaurante muito bom com preços ok tendo sempre o menu do dia por 150 pesos. Ao chegar na cidade fomos atrás de cambio e para nossa surpresa ele era pior que em Ushuaia, conseguimos 1 real = 4.50 pesos o que nos deu aquele arrependimento e aquela saudade do chinês. Esse cambio é em um restaurante chamado Casimiro Bigua localizado na Avenida San Martin. A cidade de Calafate é muito fofa e ainda menor do que Ushuaia. Na rua principal San Martin vc encontra lojas, restaurantes, bares, docerias, padarias e muitos brasileiros com frio. A temperatura da cidade é mais alta chegando a uns 20 graus durante o dia e 10 graus durante a noite, mas sempre com muito vento. Depois de dar uma volta na cidade, almoçar no restaurante vera Cruz que tinha uma massa gostosinha, experimentar o famoso alfajor Koonek que realmente é muito bom (custam 25 pesos cada e o melhor era o branco de doce de leite) e ir a rodoviária para comprar nossa passagem para El Chalten (400 pesos ida e volta por pessoa), voltamos para o hostel e fomos pagar nossos passeios. Depois disso dormimos para o dia seguinte. 28/12 - Nesse dia reservamos para fazer o mini-trekking no Glacial Perito Moreno. Fechamos tudo pelo hostel e ele nos custou 2040 pesos por pessoa mais taxa do parque. É um passeio extremamente caro, como tudo em calafate, mas que vale muito a pena. Primeiro vc passa por toda a passarela tendo várias vistas diferentes do glacial e podendo ver a todo momento ele se rompendo, nessa parte do passeio vc pode fazer um lanche que vc deve levar, no final das passarelas tem um restaurante mas bem caro. Cerca de 1h30 na passarela é suficiente para ver tudo e vc volta para o ônibus que nos deixa no porto, la embarcamos em direção ao glacial e depois de uns 30 minutos iniciamos uma trilha rápida. Chegando ao Glacial vc coloca grampones nos sapatos e começa o trekking sobre o gelo. Esse percurso dura cerca de 1h30 e no final é servido uísque com gelo tirado do glacial. O trekking é fácil e autorizado para pessoas de até 65 anos e não grávidas. Terminado o passeio voltamos para o hostel, jantamos um delicioso hambúrguer no restaurante de lá e fomos dormir. 29/12 - Também pelo hostel reservamos um passeio a Torres Del Paine que é um parque situado na patagônia Chilena. Esse passeio custa cerca de 2100 pesos por pessoa e além de caro sai às 5h da manhã. Saímos do hostel e depois de 1h pegando mais pessoas pela cidade iniciamos nossa viagem. Até a fronteira com o Chile são cerca de 6h de viagem, na fronteira temos que fazer a saída da Argentina, depois a entrada no Chile e isso leva mais 1h. Ao entrar no Chile tem uma cafeteria aonde vc deve trocar sua moeda por pesos chilenos para pagar a entrada do parque, 21 mil pesos chilenos por pessoa. A partir daí o guia chileno vai explicando toda a paisagem e localização e vamos fazendo paradas para fotos em lugares exuberantes. Ja no final do passeio paramos em uma hosteria onde é servido um almoço (horrível) que já esta incluso no passeio com bebida e sobremesa. Esse lugar fica na beira de um dos lagos mais bonitos que ja vi na minha vida. De volta ao ônibus fazemos todo o percurso de volta passando novamente por todas as imigrações e chegando de volta a calafate cerca de 11h da noite. O passeio tem com ctz as paisagens mais bonitas de toda a viagem mas não sei se faríamos de novo. Além de caro, demorado, desconfortável é muito cansativo. A comida do restaurante não me caiu bem e vomitei tudo na volta. De vd não sei se vale a pena. 30/12 - As 7:30 da manhã pegamos nosso ônibus na rodoviária com a empresa Taqsa para El Chalten. São 2h30 (220 Km) de viagem e chegando na cidade, antes de ir a rodoviária paramos em um centro de informações onde nos são dadas instruções sobre as trilhas da cidade (Todas grátis e muito bem sinalizadas). Da rodoviária andamos cerca de 15 minutos até nosso Hostel que ficava na Avenida San Martin. A cidade é minúscula, tem cerca de 1600 habitantes, mas é cheia de serviços, não faltam restaurantes, hospedagens, mercadinhos e tem um cambio horrível, la encontramos 1 real = 3 pesos. Ficamos na Hospedagem Lo de Trivi em um quarto privativo com banheiro e sem café por 256 dólares + taxas 4 diárias. O hostel era bacana, limpo, a cozinha era ótima mas o wifi não pegava no quarto além do chuveiro ser feito para pessoas magras e com até 1.70m de altura. Com um cambio tão ruim resolvemos cozinhar e fomos ao mercadinho que tinha em frente. Lá compramos macarrão, molho de tomate, queijo, pão, doce de leite, requeijão, carne, cocas e vinho de caixinha e nos viramos com isso pelos dias que passamos lá. 31/12 - Último dia do ano, dia de fazer a trilha mais dífícil. Nosso destino era a Laguna de Los 3 que fica aos pés do Fitz Roy. O começo da trilha é bem tranquilo, são 9 Km super de boa de fazer. No final desses 9 Km vc chega em um acampamento selvagem para quem curte mais aventura e lá passa um rio que tem água limpa e muito boa para beber, então não precisa levar muita água da cidade. Agora o último Km é de matar, eu que sou sedentária quase desisti várias vezes pois é uma subida animal. No fim deu tudo certo, consegui mas cheguei lá no alto podre. O que compensa é a vista que é maravilhosa aonde ficamos um tempo descansando e comendo. Depois de uma meia hra tinhamos que voltar tudo, o que foi um sofrimento para mim. Além da descida de 1 Km mto íngreme (novamente cuidado com os joelhos) eu estava muito cansada da ida e não via a hra de voltar ao hostel. Na volta paramos um pouco na laguna Capri que também é maravilhosa e aonde tem outro acampamento selvagem totalmente grátis. Chegando de volta a cidade depois de 10 horas de trilha quase chorei de emoção e paramos em uma vendinha (Che empanadas) de frios bem ao lado do hostel que tinha um atendente muito peculiar. Lá compramos muitos frios com um ótimo preço para prepararmos nossa ceia, jantamos, tomamos banho, abrimos o vinho e ficamos esperando para ver como seria a virada e simplesmente nada aconteceu hahahaha. A cidade não tem fogos e nem festa, tudo o que estávamos precisando. Sendo assim dormimos feito pedras. 01/01 - Dia de descanso e voltinha pela cidade. 02/01 - Saímos rumo a Laguna Torre ( 18 Km ida e volta, aproximadamente 6 horas de trilha) que foi uma trilha bem tranquila. Mas ao chegar na laguna presenciamos um vento que nunca tinha visto na vida. É tão forte que vc não consegue ficar por lá muito tempo, mas é bem bacana de conhecer. De volta ao hostel descansar para no dia seguinte partir. 03/01 - As 11horas pegamos um ônibus de volta a El calafate. Esse ônibus passa pelo aeroporto então vc pode já ficar por lá se quiser. Mas nós voltamos ao nosso hostel de antes ( Calafate Hostel) para passar apenas uma noite. Dessa vez em um quarto compartilhado com 4 camas também muito agradável que nos custou 31 dólares + taxas sem café. Nesse dia trocamos mais dinheiro já que em Chalten foi impossível e almoçamos em um restaurante chamado San Pedro onde experimentamos uma massa recheada com o famoso cordeiro patagônico, muito boa. Saindo de lá fomos conhecer a laguna Nimez que dá pra ir andando bem facinho e é bonita, também venta muito. Se vc quiser pode fazer uma trilha por ela mas como tudo em Calafate é pago. Andamos mais pela cidade e voltamos ao hostel. 04/01 - Dia de ir pegar um voo para Bariloche mas antes passamos no restaurante do hostel e comemos outro hamburguer, dessa vez de cordeiro que também estava muito bom. Pegamos um taxi e fomos para o aeroporto. Dessa vez de Aerolineas, também tinhamos pensado em ir de ônibus mas as 24 horas de viagem nos desanimaram. Chegamos em Bariloche quase noite já e como tínhamos optado por ficar em uma pousada mais afastada da cidade um taxi ficaria muito caro, sendo assim pegamos um taxi até o centro, lá compramos um cartão de transporte público, carregamos e pegamos o ônibus 20 que nos levou até a pousada. ( Bariloche tem transporte público até que bom) A pousada se chama Hosteria Katy e é maravilhosa. Os donos são uma família de alemães e a propriedade é simplesmente fantástica e aconchegante. Essa hospedagem nos custou 214 dólares + taxas por 3 noites com café. 05/01 - Acordamos, fomos tomar nosso café bem estilo colonial em uma sala que parecia casa de boneca. Logo após saímos para conhecer a cidade. Depois de tanto tempo em cidade pequenas confesso que estranhei aquela agitação toda já que Bariloche é muito maior e cheia de carros. Pegamos o ônibus 20 e fizemos uma parada no Cerro Campanario. A subida de teleférico nos custou 100 pesos por pessoa e não é nada demais, tem uma vista bacana mas é um passeio dispensável. Saímos de lá pegamos nosso ônibus 20 novamente e fomos até o Km 1 da Avenida Bustillo aonde tem o museu do chocolate ( Bariloche é muito famosa pelo seu excelente chocolate) mas tinha fila para entrar e desistimos. Passeamos pela cidade, conhecemos seu centro, paramos nas chocolaterias da rua Mitre e compramos um mundo de chocolates maravilhosos ( Recomendo Rapa Nui, pra mim a melhor) paramos para almoçar no El Chiringuito, um restaurante simples mas muito gostoso e com um preço bacana e voltamos para a pousada felizes e repletos de chocolate. 06/01 - Dia de fazer as trilhas que era perto da nossa pousada. Como eu disse optamos por ficar longe da cidade e perto dos bosques. Foi uma ótima escolha pois a região era muito bonita. Saímos da pousada e entramos pelos bosques que são até que bem demarcados e fizemos ao todo 18, 5 Km de trilha com várias paradas em praias muito lindas e que se vc conseguir pegar boas temperaturas vc pode até arriscar um mergulho. Dizem que lá chega a 28 graus mas nós ficamos nos 20. De volta a pousada depois de 4 horas andando paramos em um restaurante em frente a pousada e comemos uma massa maravilhosa, tomamos um banho, ficamos curtindo a pousada que é cheia de gatinhos e cachorros e tem um quintal incrível, pegamos uma pizza, comemos e fomos dormir. 07/01 - Dia de voltar para SP. Pegamos o ônibus 20 até a rodoviária de Bariloche e de lá um taxi ao aeroporto. No aeroporto também tem uma loja da Rapa Nui onde fizemos uma parada e compramos mais chocolates (mesmos preços da cidade) e voltamos pra casa. Foi tudo ótimo e maravilhoso....espero poder ter te ajudado no seu roteiro.
  11. Oi, gente! Essa viagem foi feita em outubro de 2016 (de 7 a 17/10), com 7 “dias líquidos” para passear por El Chaltén e El Calafate. Foi uma viagem surreal, de tanta paisagem linda, de tirar o fôlego! O objetivo da viagem foram as trilhas que essa região espetacular oferece, que não necessitam de guia nem taxas (as que eu fiz; com exceção do icetrekking). As trilhas em El Chaltén são bem demarcadas, dificilmente alguém se perderia...não vejo como! Tem várias bases de acampamento dentro do parque, mas como eu não me organizei pra acampar, optei por voltar todos os dias e dormir em El Chaltén. Deve ser muito legal acampar lá! Vou colocar o roteiro, os gastos e, no final, o relato. Eu já havia viajado sozinha antes, então, estava bem tranquila quanto a esse fato e devido à região ser convidativa a isso também, né?! Ah, eu não falo espanhol e isso não foi um problema. Qualquer dúvida podem perguntar que eu esclarecerei o que eu souber e lembrar! ROTEIRO "Dia 0" 07/out Deslocamento: partida às 21h BSB_GRU Dia 1: 08/out Deslocamento: Chegada às 16h30 em Calafate. Dia 2: 09/out El Calafate: Ice trekking no Glaciar Perito Moreno - Big Ice (+/- 12 km ao todo, dia inteiro) Dia 3: 10/out El Calafate: caminhada pela cidade (+/- 8 km, um turno). Deslocamento: Van para El Chaltén às 18h. Dia 4: 11/out El Chaltén: trilha Laguna Torre + Mirador Maestri (22 km ao todo, dia inteiro) Dia 5: 12/out El Chaltén: passeio pela cidade + trilha Mirador de Los Condores + Mirador de Las Águilas (6 km ao todo, um turno) Dia 6: 13/out El Chaltén: trilha Laguna Capri (8 km ao todo, um turno) Dia 7: 14/out El Chaltén: Trilha Laguna de Los Tres (22 km ao todo, dia inteiro) Dia 8: 15/out El Chaltén: trilha Loma Del Pliegue Tumbado (24 km ao todo, dia inteiro) Dia 9: 16/out Deslocamento: van de El Chaltén para El Calafate às 9h. Voo às 15h20 de El Calafate para Buenos Aires Dia 10: 17/out Deslocamento: Voo GIG-BSB, chegada às 9h Quilometragem total do trekking: 105 km Condicionamento físico: já estava acostumada a fazer trilha e pratico atividades físicas diariamente. Minha mochila de ataque não estava pesada, acho que uns 3 ou 4 kg (não sei estimar bem). Não senti necessidade de parar para descansar nas trilhas, pois quando chega no “fim” (que na verdade é metade do caminho) e você para pra comer e apreciar o local, acaba descansando também. No final da volta das trilhas longas, o joelho fica sobrecarregado, principalmente quando tem descida, mas não chegou a doer de ter que parar de caminhar ou de ter que sentar. Mas quem já tem algum problema no joelho, deve sentir mais. Os bastões ajudaram muito! O que mais gostei: Big Ice, Trilha da Laguna de Los Tres e do Loma del Pliegue Tumbado GASTOS resumidos (detalhes no final): Total 10 dias Patagônia Argentina (El Calafate/El Chaltén) R$ 3.630 Sem passagem aérea R$ 1.869 • Passagem aérea BSB-GRU-AEP-FTE-AEP-GIG-BSB R$ 1.761 • Alimentação (estilo trilha) R$ 340 (ARG 1469) • Translados Aeroporto/El Calafate/El Chaltén/Aeroporto R$ 324 (ARG 1400) • Ingresso Perito Moreno (Parque Nacional Los Glaciares) R$ 58 (ARG 250) • Ice trekking BIG ICE Perito Moreno com transfer R$ 717 (ARG 3100) • Souvenir (quase não comprei) R$ 64 (ARG 278) • Hospedagem em Hostel (quarto compartilhado) R$ 366 (ARG 1600) OBS: cotação da época 1 real = +/- 4,32 pesos. Fiz o câmbio real-dólar-peso, comprando 1 dólar a R$ 3,42 no Brasil e fazendo câmbio na Argentina de 1 USD por 15 pesos (ou 14,8 ou 14,0 pesos). Não paguei nenhuma taxa adicional nos câmbios que fiz na Argentina. É bom ver os valores para estimar se é melhor trocar real-peso ou dólar-peso. Dica para escolher casas de câmbio no Brasil com boas taxas é o ranking do Banco central: https://www3.bcb.gov.br/rex/vet/index.asp. Ler primeiro o post: http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/05/26/quer-comprar-dolar-mais-barato-saiba-consultar-o-ranking-do-banco-central.htm Locais onde fiz câmbio: aeroporto AEP (Buenos Aires), hostel que fiquei em El Calafate (fez câmbio na “brotheragem” por eu ter pegado os bancos fechados por causa de um feriado lá...); Souvenir Patagônia e Casimiro Bar na Av. del Libertador Gral. San Martín. É bom levar dinheiro para El Chaltén, pois sacar lá pode não dar certo e os estabelecimentos podem não aceitar cartão. Planejamento: Antes da viagem, li sobre as trilhas que eu queria fazer (duração, distância, grau de dificuldade), mas a única coisa que necessitou reservar com antecedência foi o BIG ICE. O translado do Aeroporto para El Calafate eu havia combinado com o hostel e o resto fechei na hora. As trilhas em El Chaltén foram decididas a cada dia devido à oscilação do tempo ser muito frequente na Patagônia. Em relação à bagagem, eu já tinha várias roupas de frio, mas não tinha corta-vento/impermeável. Comprei na Decathlon e foi essencial para visitar a Patagônia com seus ventos fortes e frios, hehehe. Comprei também bastões de trekking. Sempre fiz trilhas, mas nunca havia usado bastões. Achei que viria a calhar por ser uma viagem de trilha em região montanhosa e de muitos km em poucos dias, e realmente foi super útil, tanto nas descidas/subidas como para ajudar nas partes com neve e, no final da trilha, quando o joelho já tá cansado. Reservei a hospedagem previamente também. O hostel que fiquei em El Chaltén era do lado da entrada das trilhas da Laguna Torre e da Laguna de Los Tres, então não precisei atravessar a vila ao ir para essas trilhas. Vi muita vantagem! Sites onde me informei sobre as trilhas: http://www.elchalten.com/eng/actividades/caminatas.php http://www.walkpatagonia.com/eng/destinos/el-chalten.php Sites para olhar Condições climáticas/duração do dia: http://www.timeanddate.com/worldclock/argentina/el-calafate https://www.windguru.cz/137603 (se procurar por “El Chaltén” nesse site, vai achar várias localidades pontuais). Os habitantes locais usam muito esse site para recomendar qual dia para fazer alguma trilha específica. Tem trilha que não sei se compensa fazer com nebulosidade e vento, tipo a do Loma del Pliegue ou da Laguna de Los Tres. É bom checar esse site diariamente quando estiver lá, principalmente a parte da nebulosidade e vento, e conversar com os locais, apesar do clima patagônico ser um tanto imprevisível. Informações sobre os Translados: http://taqsa.plataforma10.com http://www.transportelaslengas.com/es/ http://www.chaltentravel.com/main.php Relato Dia 0-1 (deslocamento): saí de Brasília às 21h, cheguei em São Paulo às 23h e dormi no aero. O voo para Buenos Aires saiu às 5h45 e chegou 8h10. Fiquei dormindo no aeroporto até dar a hora de ir para El Calafate (partida 13h15, chegada 16h30). Uma coisa chata foi que me informaram em Guarulhos que eu não precisaria pegar a mochila em Buenos Aires, somente no destino final. Eu vi mochila por acaso quando desembarquei, peguei e fui me informar. Imagina... Enfim. Chegando em El Calafate, fiz câmbio dos dólares que levei, comprei comida para levar para o Ice Trekking e jantei no Restaurante Isabel que todos recomendam. Gostei! Prato bem servido que me rendeu várias refeições nos outros dias (estava sozinha). Dia 2: Ice Trekking no Glaciar Perito Moreno (Big Ice). Chuto que foi uns 12 km +/- contando a trilha na margem + no glaciar. O passeio já estava pago com o transfer; é só a Hielo y Aventura que faz os ice trekkings, apesar de várias venderem. Eles buscaram no hostel por volta de 7h. A entrada no Parque Nacional Los Glaciares para habitantes do Mercosul foi 250 pesos. Fiquei nas passarelas de 9 às 10h. O grupo deve se juntar pontualmente no início das passarelas e seguir para a navegação; eu achava que a navegação chegaria perto do glaciar, mas nem chega. Deve ser porque pode cair blocos de gelo a qualquer hora, né?! Hehe. Umas 11h começou a trilha pela margem até entrar no glaciar umas 12h. A parte puxada é essa, na margem, com subidas e pedras, porque no gelo foi bem de boa, mesmo eu nunca tendo feito ice trekking, achei tranquilo de se andar com os crampones. Estava nublado e não fez muito frio, só quando ventava. Na hora da trilha pela margem, o calor foi tanto que fiquei só com a primeira camada. Deixei meu casacão na tenda, não levei ele pro glaciar e realmente nem precisei. Ficamos até umas 15h30-16h no glaciar e esperamos na Base por volta de 1h até o barco voltar; oferecem café e leite na Base. Na volta, serviram whisky no barco, achei que serviriam no glaciar... pelo que eu tinha lido. O ice trekking foi uma experiência única! Os laguinhos formados, as fendas de diversas formas, túneis! Surreais as paisagens e a experiência! Foi uma guia orientando o grupo e um outro guia, na frente, vendo os locais adequados para passar. Por mais que se passe de 3,5h a 4h no gelo, pareceu que foi muito rápido! Fiquei com vontade de fazer de novo em El Chaltén, no Glaciar Viedma (acabou que não fiz por causa do tempo). A noite fui ao Yeti Ice Bar (http://www.yetiicebar.com.ar), paguei 190 pesos por 30min dentro do Bar de Gelo com openbar. É muito frio, você mal consegue tirar a luva que eles dão para pegar direito as bebidas; é a maior correria para os bartenders te servirem; fica uma equipe do bar te convidando para tirar foto para vender depois. O espaço é pequeno e é pouco tempo, mas vale pela experiência diferenciada. Depois desse tempo, fica à disposição uma área externa de “bar normal”. Tem uma outra opção de ice bar mais afastada da cidade que é o museu/bar Glaciarium (http://glaciarium.com/). Eles sugerem passear pelas passarelas amarelas , já que é só por uma hora: Perito Moreno: BigIce: Diferença do trajeto do Big Ice e do Mini Trekking Yeti IceBar: Dia 3 (El Calafate + deslocamento): Anteriormente, tive dúvida se iria cedo para El Chatén ou se passava o dia em El Calafate. Decidi ficar e caminhei pela orla da Laguna Nimez e pela cidade, até o portal de entrada; deve ter dado uns 8 km de caminhada (aquecendo para as trilhas em El Chaltén, hehe). Fiz câmbio do que levei em reais por precaução, troquei na expectativa de fazer o ice trekking no Glaciar Viedma (que eu não tinha estimado previamente nos gastos). Comprei comida para os dias em El Chaltén; disseram que lá as coisas são mais caras, no geral. Dia 4: Laguna Torre (22km ao todo, 3h ida + 1h ao Mirador Maestri = 4h o trecho). Saída as 9h, retorno às 18h. Sai para a trilha com tempo bom, sol e céu azul, pouco vento. Cheguei lá após 3h e 9km, ao meio dia, com vento e um pouco de neve, parei por 1h na laguna para comer e ficar lá. O cerro Torre estava encoberto tanto no mirador Torre (após 1 h de trilha) como na Laguna, mas a laguna estava linda cheia de icebergs. Chegando lá foi essencial o corta-vento e proteção para os ouvidos. Após comer uns sandubas, segui para o Mirador Maestri às 13h e, após 2km, cheguei no fim da trilha às 14h (no que eu acho que era o fim da trilha). Voltei a El Chaltén, chegando às 18h. A primeira hora da trilha Laguna Torre é mais puxada por ser uma subidinha, depois é bem tranquilo e plano. Tem indicação a cada km, banheiros pelo caminho (latrina) e água potável para encher a garrafa pelo caminho. Se tiver no pique, vale a caminhada até o mirador, mas se quiser ficar só na laguna é de boa, porque você só vai ter uma vista mais de perto do glaciar (a não ser que a trilha continuasse até em baixo e eu não vi) e olhar a laguna de um outro ângulo (de lá a laguna nem parece que tem o tamanho de quando se vê de frente). Eu segui a trilha do mirador Maestri até não a ver mais. Não tem placa nessa parte. O dono do hostel que fiquei falou que antigamente tinha trilha até sobre o glaciar, mas ele tá retrocedendo e a conexão dele com a margem é instável, então não se faz mais trilha sobre ele por ser perigoso e imprevisível. Roupa: fui com duas leggings e o corta vento; usei duas camadas e vesti o corta-vento na lagoa; o casaco mais grosso que levei, usei brevemente na lagoa, quando ventava e nevava. Dia 5: Passeio pela vila + Mirador de Los Condores (1 km o trecho, 30 a 40 min) + Mirador de Las Águilas (2 km o trecho, 1h). A previsão não estava boa e acabei optando por não fazer uma das trilhas maiores, mas acabou que o tempo abriu ao longo do dia e até ficou sem nebulosidade por algumas horas e com pouco vento. Patagônia, né?! Devo ter caminhado uns 9km ao todo nesse dia. Enquanto andava pela vila, por acaso presenciei um evento na praça com a banda do exército, hino, discurso, dança. Quando perguntei a ocasião, era celebração do aniversário da cidade, legal! Essas trilhas curtas são tranquilas, apesar de ter uma subidinha no início. Tinha várias pessoas da 3ª idade ao longo delas. Do Mirador de Los Condores se vê um panorama de El Chaltén, rios, cordilheira e do Mirados de Las Águilas, se ve o Lago Viedma. Se tiver com tempo livre, vale a pena fazer essas trilhas. Mas se o tempo estiver curto, é dispensável, já que há várias outras trilhas com panoramas mais “de perto”. Passei na La Cerveceria na volta para beber um chopp e depois na padaria. Dia 6: Laguna Capri (8km ao todo, ida 2h, volta 1h). Saída às 10h, retorno às 13h40. Fiz essa trilha para não perder o dia, devido a nebulosidade/chuva/vento/neve. Eu passaria pela laguna Capri na volta do Fitz Roy, mas com o tempo ruim não tinham muitas opções e não queria ficar o dia todo no hostel. São 4km o trecho, levei 2h para chegar, com muitas paradas: tira e põe camadas, fotos, observação de pica paus, etc. e levei 1h para voltar. O mapa estima como 1h45 o trecho. Com uns 500 metros de trilha já tem o mirador Rio de Las Vueltas. Só esse início que é um pouco puxado por ser subida, o resto é principalmente plano e tranquilo. A laguna estava com muita neve, vento e visibilidade ruim, não deu para ver nada de lá, só o lago mesmo, mas a trilha em si, com neve, foi legal para não perder o dia. Fiquei uns 40 min por lá, comendo, e voltei. Meu dedinho do pé estava duro com o frio... Dia 7: Laguna de Los Tres (22 km ao todo, ida 4h, volta 4h30). Saída às 9h, Retorno às 19h40. Para essa trilha tem a opção de ir e voltar pela Laguna Capri ou fazer a ida pela Hosteria el Pilar para pegar caminhos diferentes na ida e na volta. Combinei com uma van no dia anterior (150 pesos) e buscaram no hostel às 8h10. A estrada para Hosteria El Pilar é de cascalho fino e vai beeeem devagar; o caminho tem uns 14 km e é muito bonito! Iniciei a caminhada às 9h da Hosteria, com céu azul, sol, sem vento. Passei pelo Mirador Glaciar Piedras Brancas com 1h de caminhada. Se quiser fazer um trecho adicional até ele, tem uma trilha numa bifurcação depois q atravessa o rio, tem placa indicando. Mas demandaria mais umas 2h para ir e voltar, se eu não me engano, e eu não teria esse tempo disponível... A trilha para o Fitz Roy é tranquila, no geral, com exceção dos últimos 500 metros. Cheguei no início da subida às 12h, após 3h de caminhada, e levei 1 hora para subir. Estava difícil por causa da neve do dia anterior. Pedras pequenas e médias, muito íngreme, a neve deixava tudo escorregadio, então demandava muita atenção (tem gente que, em dia “ruim”, pega vento na subida e desiste de continuar pelo perigo do vento derrubar ladeira abaixo...por isso é importante pegar um dia bom para essa trilha!). Os bastões ajudaram muito, muito mesmo. Ao longo da subida tem cotoquinhos indicando onde é para seguir. No total da ida, então, levei 4h a partir da Hosteria, é estimado em 5h. Fiquei lá em cima durante 2h, de 13h às 15h: lá de cima tem uma vista das Lagunas Madre e Hija e até do Lago Viedma; do lado esquerdo tem a Laguna Sucia. Desci até a Laguna de Los Tres e depois segui pela margem esquerda para ir ver a Sucia, depois subi para ver a Sucia de cima. Nesse caminho tem uma pedra convidativa para uma visão panorâmica das duas lagunas juntas. Ouvi que tem uma trilha não oficial para a Laguna Sucia, mas não teria tempo para fazê-la; e sozinha eu não animaria, já que li relatos (e o dono do hostel também falou) que é mal sinalizada e demanda um certo esforço para atravessar um paredão e tals. Com a neve então, nem se fala! Mas deve ser surreal essa visão de frente da Laguna Sucia. Para descer da Laguna de Los Tres, na volta, levei 70min, saí la de cima 15h10 e cheguei na base 16h20. É difícil se convencer a ir embora porque você não para de contemplar os picos! É muito, muito, muito lindo! Apesar do céu azul e sol, tinha hora que o topo do Fitz Roy ficava encoberto de nuvens e tinha hora que ficava tudo limpo. Na volta, passei na Laguna Capri, levei 80min da Base (antes da subida) até a Laguna Capri, ou se contar desde a Laguna de Los Tres, deu 2h30. Da Laguna Capri, dá para voltar pelo lado direito, passando por ela (caminho que fiz no dia anterior) ou pela esquerda para passar pelo Mirador Fitz Roy. No fim, os 2 caminhos se juntam a El Chaltén. Cheguei na Laguna Capri umas 17h40 e saí umas 18h10, parei no mirador, tirei várias fotos e cheguei em El Chaltén 1h30 depois, às 19h40 (estava anoitecendo por volta de 20h). Então, a duração da volta foi de 4h30 parando para comer na Laguna Capri e para fotografar no Mirador Fitz Roy. PS: imagino que dê para fazer a volta em umas 3h30 pois no dia anterior, gastei 1 h para voltar da Laguna Capri + o trecho de 2h30 lá de cima até a Laguna Capri, daria essas 3h30, se não ficar parando muito. Roupa: nesse dia não estava frio e praticamente não tinha vento; fui com uma legging e a calça corta-vento, blusa de 1ª camada e, depois do corpo esfriar do calor da subida, coloquei a jaqueta corta-vento só lá no topo; quando desci, tirei; no final do dia coloquei a blusa de 2ª camada. Laguna Capri na volta do Fitz Roy: Dia 8: Trilha Loma del Pliegue Tumbado (24 km ao todo = 20km da trilha + 4km ida e volta da vila). Ida 3h + volta 3h + 1h30 lá. Saída do Início da placa da trilha às 11h, com céu azul, sol, sem vento. Tem uma placa na metade do caminho avisando que faltam 2h (a trilha tem tempo estimado de 4h). Essa foi a primeira trilha que não vi marcações da quilometragem nem banheiro (latrina) e a que quase não encontrei gente; 90% do tempo era eu e o mundo! Nas outras trilhas, passava gente a todo momento. Essa trilha é só subida na maior parte do tempo, mas como é bem gradual, é uma trilha tranquila, apesar de longa. Só em poucos pontos que há subida íngreme (no início). A trilha é bem marcada apesar de não ter as indicações. Mescla região aberta com gramíneas, região de bosque e, no fim, é aberto com pedras pequenas. No bosque costuma ter troncos de árvore delimitando o caminho da trilha. Com acúmulo de neve que deve ser difícil de visualizar: tinha muita neve do dia/noite anterior mas o caminho já estava trilhado com pegadas e bem marcado, então não teve segredo. A quantidade de neve nessa última parte do bosque e das pedras dificultava a caminhada por exigir mais atenção para não escorregar. E no bosque ainda ficava enlameado. Na hora final, em direção à vista para a Laguna Torre, há cotoquinhos indicando onde é a trilha. Às 13h10 cheguei ao Mirador e às 14h10 cheguei no final, com vista para a Laguna Torre. Essa vista panorâmica é ótima, pois visualiza todos os principais picos e, de quebra, a laguna também. E, do outro lado, o Lago viedma. Tinha uma outra trilha mais para o alto, a esquerda, mas não vi os cotoquinhos indicando e disseram que é um esforço adicional “à toa”, pois é praticamente a mesma visão. Fiquei lá até 15h30, voltei e cheguei no início da trilha às 18h40 (parando para limpar a bota --entrou pedrinhas-- e para recarregar água). Dia 9 e 10: Deslocamento. OBS: Minha mochila de ataque tinha sempre câmeras + mapas + bastões de trekking + comida (1 L de água, 2 ou 3 sanduíches, chocolate, mix de castanhas e frutas secas) + “kit patagônico” com corta vento impermeável (calça e jaqueta ou capa), casaco 3ª camada, tapa ouvido, cachecol, gorro, luvas, óculos de sol (com proteção UV), protetor solar e labial + “kit precaução” com relaxante muscular, analgésico, band aid, algodão, micropore, antisséptico, lenço umedecido, meia extra. Não precisei de nada que levei por precaução. Ah, como uso lente, sempre ando com o potinho já com a solução oftalmológica e óculos de correção, caso haja a necessidade de tira-las, e colírio. PS: Bota de trekking é essencial, que cubra pelo menos o tornozelo. Não esquecer protetor solar e boné. Nos dias de sol fiquei um pimentão no rosto e nas mãos, mesmo passando protetor fps 50 . Nada mt ardido, mas um pouco. Leve sempre várias camadas, para tirar e por roupa quando precisar, pois durante a trilha passa por calor e frio em poucas horas! Não esqueça de, ao chegar em El Chaltén, passar no centro de Turismo para pegar mapa e se informar das previsões climáticas e se há alguma trilha fechada ou com recomendação. Passeios que exigem reserva com antecedência: Ice trekking no Perito Moreno: http://www.hieloyaventura.com/HIELO2015/index-port.html Ice Trekking no Glaciar Viedma http://www.walkpatagonia.com/eng/destinos/el-chalten-glaciar-viedma-ice-trekking.php ou http://www.patagonia-aventura.com/viedma-ice-trek/ acho que é só uma empresa que faz, mas várias vendem. Ice Trekking Com escalada http://www.walkpatagonia.com/eng/destinos/el-chalten-glaciar-viedma-pro.php Alguns relatos que li sobre Ice Trekking no Perito Moreno ou no Glaciar Viedma http://dicasroteirosviagens.com/2012/08/el-chalten-trekking-glaciar-viedma.html http://www.ottsworld.com/blogs/perito-moreno-viedma-glacier/ http://www.mochileiros.com/glaciar-perito-moreno-big-ice-ou-mini-trekking-t28109-240.html Curiosidade sobre os gastos (valores em pesos argentinos, outubro de 2016) o Translado do Aeroporto para o Hostel em El Calafate: 150 o Van Las Lengas de El Calafate para El Chaltén: 650 o Van Las Lengas de El Chaltén para o aeroporto de El Calafate: 450 o Van do hostel em El Chaltén para a Hosteria El Pilar: 150 o Duas diárias em El Calafate (Bla Hostel): 400 o Seis diárias em El Chaltén (Hem Herhu): 1200 o Sanduíche na barraquinha em frente do AEP: 90 (dentro do aero era uns 200) o Mercado La Anonima em El Calafate: 242 (suco, frutas, alfajor, ingredientes para sanduíche) o Restaurante Isabel em El Calafate: 400 (290 o cordeiro clássico, que dá para 2 ou 3 pessoas + 60 a taça de vinho + 20 cubiertos + tips). Me rendeu 4 refeições, hehe, sendo q nas 2 últimas fiz arroz para acompanhar. o Yeti Icebar em El Calafate: 190 (dá direito a open bar por 30 min dentro do bar de gelo) o Mercado La Anonima em El Calafate: 371 (comida para levar para El Chaltén: ingredientes para sanduíche, ovos, café, chocolate, frango, legumes, frutas, macarrão, requeijão, bolacha) o Chopp 385ml em El Chaltén (La cerveceria): 75/unid o Paes (Panaderia La Nieve): 50 (pacote de pão de forma 30 + quatro pães tipo hambúrguer 20 pesos) o Litrão Quilmes no DistriSur (mercadinho de El Chaltén): 51/unid o Gorro com extensão para os ouvidos (La Leona, comércio entre El Calafate e El Chaltén): 110 o Faixa para cabeça multiuso (La Leona): 90 o Geleia de calafate no aeroporto FTE (Mamuschka): 78 Hostels Bla Hostel em El Calafate (http://www.blahostel.com ): conhecia gente que já tinha ficado lá e recomendado. Reservei pelo próprio site deles, pois saia mais barato que pelo booking. Gostei muito de lá. Internet boa, equipe atenciosa e solícita. Localização boa. O quarto que fiquei tinha muitos beliches, mas era espaçoso e o armário cabia até a mochila (50 L). Na opção que peguei, o banheiro não era no quarto; tinha um banheiro com pias e duas duchas (água quente e ducha boa) e outro banheiro com pia, vaso sanitário e um chuveiro dentro de uma banheira (que não vi ninguém usando). Usei a cozinha para guardar alimentos na geladeira e para cozinhar. O café da manhã servido era simples, mas foi suficiente. Após o checkout deixei a mochila no hostel até a hora de partir. PS: a Marisol do Bla Hostel, que eu havia entrado em contato por email, reservou o BIG ICE para mim e eu paguei em cash para ela pessoalmente, pois a Hielo y Aventura pede o cartão de crédito para reservar e eu não queria pagar IOF hehehe, achei bacana da parte deles. Hem Herhu em El Chaltén: fiquei na dúvida onde ficar em El Chaltén e acabei optando por esse hostel por ficar perto da entrada das trilhas principais (300 m); tinha lido também muitos elogios ao dono do hostel (Hugo) e à internet de lá (dizem que é pessima a internet em El Chalten, lá no hostel estava boa). Fica a uns 500m do mercadinho DistriSur. O local parece uma mini-fazenda. Fiquei num quarto compartilhado com banheiro dentro, tinha 3 beliches; armários individuais são grandes (coube a mochila de 50L). A reserva não tinha café da manhã e isso não foi problema, pois eu já havia comprado mantimentos; sem falar que às vezes a pessoa quer sair mais cedo para uma trilha longa e não precisa ficar “preso” a horário de café da manhã. Nos primeiros dias fiquei em dúvida se o aquecedor funcionava, pois senti frio a noite. Vi q ele funcionava sim, só não era muito quente (pelo menos para o meu lado do quarto, hehe); nos outros dias peguei meu saco de dormir por debaixo do cobertor e senti foi calor! Talvez ele estivesse desregulado... A cama e travesseiro não são bons, tinha tipo um afundado no meio do colchão, o que para dormir de bruços era ruim, mas dormi bem todos os dias. Sobre a limpeza, só me incomodei quando olhei pelo chão do quarto procurando um brinco e vi bastante poeira de baixo dos beliches. Mas não tive nenhuma crise alérgica, hehe.
  12. Vou tentar detalhar as partes que quase não achei informação por aí e ser breve nas outras coisas. Todos preços são em peso argentino ($) ou real (R$). Se alguém quiser saber tudo sobre a viagem, pode ir no meu blog: http://seachandonaviagem.blogspot.com.br/search/label/Argentina Qualquer dúvida, pode perguntar aqui que eu respondo A primeira coisa que fiz foi achar a passagem Brasilia – Ushuaia com conexão em El Calafate no site da LATAM. Comprei com um stopover de 4 dias em El Calafate. Com os dias em cada cidade fechados, pesquisei o que fazer em cada lugar. O cronograma ficou mais ou menos assim: 8/11 voo saindo de Brasília 9/11 chegada em Buenos Aires (aeroporto Ezeiza) voo saindo de Buenos Aires (aeroporto aeroparque) Chegada em El Calafate Passeio 10/11 ônibus para El Chalten Trilha 11/11 Trilha 12/11 Trilha ônibus para El Calafate 13/11 voo saindo de El Calafate chegada em Ushuaia 14/11 Passeio 15/11 Passeio 16/11 Passeio voo saindo de Ushuaia Chegada em Buenos Aires (aeroporto aeroparque) 17/11 voo saindo de Buenos Aires (aeroporto Ezeiza) chegada em Brasília Para ir de um aeroporto a outro em Buenos Aires, reservei um transfer de ônibus no site Tienda Leon e paguei em dinheiro na hora ($200). Eles têm ônibus saindo a cada meia hora, durante o dia, e a cada hora durante à noite. O ônibus leva cerca de 1:20 (sem trânsito) entre um aeroporto e outro, fazendo uma parada em porto madero. Eu reservei pelo site para não correr o risco de ficar sem lugar, mas não precisava, já que o ônibus foi quase vazio (peguei de madrugada). 9/11 No aeroporto de El Calafate, que fica distante da cidade, os preços são tabelados. Taxi $480, ônibus $160. Acabei dividindo um taxi com uma americana e um alemão que também estavam viajando sozinhos. No meio do caminho, fechamos com o taxista para nos levar ao parque nacional Los Glaciares por mais $1800 ($600 para cada). A entrada do parque foi $250 (residente do Mercosul). O Parque Nacional Los Glaciares em El Calafate possui 4 passarelas de metal. As que possuem as melhores vistas do Glaciar Perito Moreno são as vermelha e amarela. A verde passa por um bosque e a azul passa pelo lago e vai até o restaurante e estacionamento. Depois de fazer o check in no hotel, fui à rodoviária para pesquisar ônibus até El Calafate. Uma empresa fazia ida e volta por $1200, com horários livres para pegar o ônibus, mas acabei fechando com a TAQSA, que fazia ida e volta por $1000, mas com horários fixos. 10/11 Saí no outro dia às 7:30 da manhã de El Calafate. Cheguei em El Chaltén por volta de 11:00. Logo antes de chegar ao terminal de El Chalten, o ônibus para no centro de visitantes do Parque Nacional (EL Chalten fica dentro do parque) e todos são obrigados a descer e escutar uma pequena palestra (inglês e espanhol) sobre o parque, as trilhas, os animais e o que pode ou não fazer. Deixei minhas coisas no hostel e fui fazer a trilha Laguna Torre. Comecei a trilha por volta do meio dia, cheguei na Laguna às 15:00, retornei às 15:30 e cheguei no hostel por volta de 18:00. Então foram praticamente 6 horas de trilha, com paradas para almoçar no mirador Torre e para apreciar as paisagens. O único tipo de infraestrutura que tem nas trilhas é uma espécie de banheiro. Na trilha da Laguna Torre há um a cada mais ou menos 3km. Para as caminhadas, aconselho a levar uma garrafa de água (não precisa mais do que isso, pois é possível enchê-la com a água dos rios e lagos do parque), lanches e um casaco para o vento. Não senti frio durante a trilha, mas ao chegar na Laguna, os ventos estavam muito fortes e só possível ficar lá porque levei um casacão. 11/11 No outro dia, estava com as pernas doendo e não tive coragem de fazer a trilha do Fitz Roy. Resolvi fazer as trilhas menores: Mirador de los condores e Salto del Chorillo. São trilhas fáceis e curtas. A primeira é excelente para se ter uma vista da cidade. De lá, pode-se ir ao mirados de las aguilas e ter uma vista do lago. A trilha para o Salto del Chorillo é a mais fácil de todas, mas a cachoeira não é lá grandes coisas (talvez por eu estar acostumada com as lindas cachoeiras aqui perto de Brasília). Só indico se você estiver com tempo sobrando ou quiser descansar das trilhas puxadas. 12/11 No dia seguinte, peguei o ônibus às 11:00 da manhã de volta para El Calafate. Simplesmente descansei. Deveria ter pego o ônibus que saía mais tarde de El Chalten, mas como já tinha comprado com horário fixo... Há muito mais o que fazer em El Chalten do que em El Calafate. 13/11 No outro dia, peguei um transfer do hostel ao aeroporto $100 e depois voei para Ushuaia. Como fechei 3 passeios com os Brasileiros em Ushuaia, eles foram me buscar no aeroporto (teve o transfer de volta também). Fiz check in no hostel e fui passear um pouco na rua principal (San Martin) e no porto. Comprei um pouco de pesos no Hotel Antartida (melhor cotação). 14/11 Fui ao porto pegar o ônibus para o passeio dos Pinguins. O ônibus leva 1:40 para chegar a estância. Lá há uma parada para ver umas árvores contorcidas pelo vento, depois o grupo é dividido em dois: um vai ao museu e depois aos pinguins e o outro faz as visitas na ordem contrária. Meu grupo foi primeiro ao museu. É um museu pequeno, basicamente com esqueletos de aves e mamíferos marinhos. Depois esperamos um pouco em uma cafeteria e pegamos um barco até a Isla Martillo. Lá caminhamos cerca de 40 minutos entre pinguins e outras aves. Chegamos em Ushuaia por volta das 15:00. Fui para o hostel descansar. À noite, saí para jantar. 15/11 Me buscaram cedo no hostel para ir ao Parque Nacional Tierra del Fuego ($130). Estava chovendo e muito frio. Não foi muito agradável ficar andando no parque. O bom é que estava em um grupo de excursão, então não precisei fazer as trilhas, a van deixava a gente já nos pontos de interesse. Falaram muito aqui no fórum e eu concordo, depois de ver as paisagens de El Chalten, as paisagens de Ushuaia não são tão impressionantes, ainda mais na chuva. Voltei para o hostel perto de 13:00. Passei numa lanchonete e comprei umas empanadas e uma cerveja e fui comer no hostel. Fiquei a tarde lá de bobeira porque estava chovendo. No final da tarde, começou a nevar! Foi lindo. À noite saí para um bar com um suíço que conheci no hostel. Dublin pub é praticamente na San Martin e foi o único bar bar que encontrei. Os preços das comidas e cervejas estavam no preço de outros lugares em ushuaia. Pedi um drink ($80) e batata frita ($100), estavam bons. O bar enche muito, então, se quiser sentar, chegue cedo. 16/11 Meu último dia de viagem. Acordei cedo, arrumei tudo e fui para o porto pegar o barco para fazer o passeio do Canal Beagle (taxa do porto $20). O passeio é muito bonito e interessante. O dia estava bonito, com sol. Vimos diversas aves, lobos marinho, o famoso farol. A tarde, peguei um taxi ($150) para o Cerro Martial que me deixou no final da pista, junto a uma casa de chá. Dá para ir a pé da cidade, mas não aconselharia (talvez a volta). Dali você tem que ir subindo a pé. O Cerro estava lindo, todo branquinho com neve. Depois de um tempo começou a nevar. Foi ótimo! Voltei para a casa de chá e tinha um casal esperando um taxi. Pedi para dividir com eles ($45). Enrolei um pouco mais na rua. Gastei meus últimos pesos no mercado (alfajors!!!) e fui para o hostel esperar meu transfer dos brasileiros em ushuaia. Peguei meu voo para Buenos Aires. Fiz o mesmo percurso de ônibus entre os aeroportos (Aeroparque – Ezeiza) ($200). E assim foi!
  13. instagram: https://www.instagram.com/fabiobs_photography/ Segue algumas dicas básicas e um relato simples do que eu e minha noiva fizemos em nossa viagem pela Patagônia Argentina em março de 2016. Fiz esse resumo durante a viagem no celular, me perdoem os erros de português e concordância, mas resolvi postar sem grandes revisões para contribuir com a comunidade. Qualquer dúvida que surgir irei esclarecendo. Foram aproximadamente 5 dias em Ushuaia, 2-3 dias em El Calafate e 5 dias em El Chalten. Como elaborar o Roteiro para a região mais ao sul da Patagônia? Ushuaia, El calafate, El chaten, torres de paine (TDP - Chile), o que fazer? Quantos dias para cada lugar? O que cortar? O que fazer? Você irá ler, ler, ler e só vai decidir depois que conhecer todos, Rs. Bom, li muito sobre os lugares, e cada um tem uma "pegada" diferente. Com 7 dias faria somente el calafate e el chalten ou TDP. Com 15 dias faria o mesmo roteiro que o nosso ou trocaria ushuaia por TDP. Com mais dias colocaria TDP. O nosso intuito era conhecer as lindas paisagens desses lugares e percebi que não queria e poderia ter a correria de dias contados, já que há grande probabilidade de mau tempo na região (pense nisso!). Outra dúvida, tinha que optar entre torres del paine ou el chalten, ja que ficaria muito pesado pra gente a quantidade de trilhas se optasse pelas duas na mesma viagem e não estávamos treinados e dispostos a isso. Após ler muito, decidimos por el chalten, primeiro pela possibilidade de fazer as trilhas mantendo o hostel como base, ja em TDP, pelas minhas pesquisas, seria mais caro que el Chalten, e para fazer o W teríamos que organizar para ficar nas hospedagens da montanha($) e não estava a fim de acampar no frio ou chuva (apesar de ter dado muita vontade com os dias de sol que pegamos). Acredito que ambas as cidades tenham potenciais parecidos de belezas naturais, sendo a combinação de sol e céu azul o segredo para a "vitória" de um sobre o outro. (Não fui a TDP). Relembro que em el chalten é possível fazer muitos circuitos acampando, na mesma pegada de tdp. (Achamos demais a pequena cidade e sua organização para o trekking - El Chalten). Em relação aos passeios: Caminhada sobre o gelo (empresa hielo y aventura). Queria muito fazer o big ice (caminhada 3horas sobre a geleira) que é mais completo e mais caro (Glacial Perito Moreno próximo a el calafate) ou combinar o minitrekking (1 hora e 30 - Perito Moreno) com icetrekking no Glacial Viedma (mais próximo a el chalten - Viva Patagônia ou Patagônia Adventure) aumentando a probabilidade de ver as cavernas de gelo e tentando gastar "menos" nos passeios. Chegando a el calafate não consegui vaga para o dia seguinte no Big Ice (vagas limitadas), não queria deixar para o final da viagem ja que tinha visto a previsão do dia seguinte e era de sol, fizemos o mini e valeu!!! Fiquei satisfeito com o minitrekking, dia de sol, perfeito, fomos o ultimo grupo a fazer a caminhada, foi tranquila e suficiente para sentir e viver o glacial Ushuaia é uma cidade muito turística, com a rua principal com Lojas e restaurantes chiques, com isso, muito mais cara. Apesar dos passeios terem sido ótimos e a cidade ser "estilosa", em nossa opinião gostamos mais de el chalten e el calafate. Em Ushuaia, vá ao centro de informações turísticas, próximo ao porto, Av Maipu, e informe-se de todos os horários e informações dos transfer para o parque, laguna esmeralda, etc. Pelas minhas pesquisas, vale a pena os transfer que são tabelados e de organização municipal (se não me engano). Ja para o Cerro Martial só taxi mesmo. Os cálculos tem como base duas pessoas. Deixe Ushuaia no inicio de seu roteiro, pois o visual de el calafate e el chalten farão as trilhas de ushuaia ficar menos grandiosas. Em ushuaia partem navegações para Antártida $$$$, imagina o visual? Em El calafate fizemos a Navegação Glacial Upsala e passeio terrestre na Estância Cristina, uma ótima surpresa!! Tinha lido sobre o passeio no trip, porém não havia visto fotos, em el calafate fizemos este passeio com a empresa Viva Patagônia ou Patagônia Adventure (talvez sejam a mesma empresa) que possuem a concessão para fazer o passeio terrestre na estancia e no glacia viedma (assim como a hielo y aventura no minitrekking perito moreno), e foi surpreendente! Vale a pena. Tanto a navegação entre pedaços de icebergs do glacial como a parte terrestre que consiste em ida de 4x4 até o mirante do glacial viedma (IMPRESSIONANTE), valeram a pena!!! O preço foi tão salgado quanto o minitrekking ou quanto seria o ice trekking! Estava muito em duvida se valeria a pena, e valeu cada centavo! Outro passeio que indico para quem esta com dinheiro para os tours pago seria o kaiak pelos glaciais upsala! Deve ser fantástico poder navegar entre os icebergs, mesmo que no estilo excursão (passeio da patagônia adventure, kaiak experience- não fiz). Não fiz e acredito que seja muito cansativo e pouco proveitoso fazer bate e volta para TDP ou para El Chalten, essas cidades devem ser vividas!!! O tempo, sol, céu, fazem toda diferença nos passeios e não podemos controla-los, então, tente programar-se com a previsão, principalmente para ida a laguna de los três em el chalten, estancia cristina e minitrekking (tops) Faça caminhadas longas antes de viajar, exercite-se! Treine em terrenos montanhosos, ou aclives e declives! Muitas pessoas chegam próximo ao final da trilha e desistem. A ida é metade do percurso, tente organizar uma trilha longa em um dia e leve em outro, ou um passeio no outro dia para se poupar, utilize bastões de trekking, ajudam muito, não compramos, utilizei cajados que achava nas trilhas, mas minha noiva foi na raça mesmo (joelho apitou), foi necessário tomar uns remédios (vale a pena levar) O que mais gostamos: - Laguna de los três: trilha mais bonita e completa, todo o percurso é bonito, a visão do conjunto fitz roy e lagunas depois de tanto esforço é recompensador. - Navegação no Glacial Upsala e Estancia Cristina: foi uma grande surpresa esse passeio , o mirante acessado na estancia em um dia de tempo aberto é algo indescritível! Não esperávamos ser surpreendidos no ultimo dia de viagem apos termos vistos tantas paisagens. O passeio é bem completo, a historia do lugar e a navegação no glacial tb foram legais - Minitrekking no Perito Moreno: tanto o visual da geleira quanto a caminhada foram fantásticos. Hotel: Reservamos a maior parte da viagem pelo booking, mas vale a pena entrar em contato com os hotéis e tirar a porcentagem do booking. Verificamos a disponibilidade pelo booking e fomos direto ao hotel nos últimos dias, sem reservar e com poder de barganha, mas ai vai do tempo e disposição e a questão se é ou não alta temporada em março tem bastante vaga nos hotéis. Ficamos em quartos duplos com banheiros privados em toda a viagem. Ushuaia: Hostal Malvinas- preço alto pelo booking, boa estadia, se entrar em contato sai mais barato El Calafate: EL CALAFATE VIEJO HOSTEL - FUJA, foi péssimo e caro. El Calafate: Hotel e Hostel Punta Norte: bom preço, otima estadia, muitas reclamcoes no booking devido ao barulho, as paredes são finas. Durante as 2 noites que estivemos por la não tivemos problemas pois não estava cheio, quarto otimo. El Chalten: Rancho Grande- Bom preço, boa estadia. Dinheiro e Câmbio na Argentina: Levamos um total de 9000 reias para duas pessoas. trocamos em BA 100 reais a $3,6 (banco de la nacion) O resto trocamos em Ushuaia com o oriental do hotel antartida, super seguro, possui a luz negra no proprio balcão, melhor taxa de cambio da cidade. Creio que ele tenha algum acordo na cidade pois ele trabalha com altas quantias. Trocamos todo o real: em 4 dias a taxa variou de 3,7 a 3,8 (trocamos aos poucos e equalizamos as perdas). Antes da viagem A cotaçao do dolar estava mais de 4 reais, agora voltou a baixar. Tanto o nosso cambio, quanto o da argentina totalmente instavel, entre em contato com o hotel antartida e pergunte a cotação, eles respondem no mesml dia! Faça o cálculo e verifique o que vale a pena, levar dolares ou real. Tentamos anotar (na medida do possivel) o dia a dia dos nossos gastos com mercado, jantar, etc. Trocamos com um brasileiro no aeroporto o que sobrou (aprox. 500 reais) Alimentação: Compre chocolates, barrinhas, carboidratos em gel e outros itens leves no Brasil! Encha a mala!!! Devido ao custo elevado na Patagônia, sempre compravamos paes, frios, frutas, sucos, snacks e afins no mercado para tentar economizar um pouco, mesmo assim era muito caro. É possivel tomar agua dos rios nas trilhas de el chalten, agua pura! A comida no geral não é boa. Comemos uma boa carne de "chorizzo" no pub estilo irlandes na san martin em ushuaia e no hostel rancho grande (as comidas e lanches do rancho são boas e bem servidas, dividiamos os pratos, vale a pena jantar por la.) O melhor da viagem e mais caro foi um prato de lagosta com king krab (caranguejo) no restaurante estilo moderno que possui um aquario de caranguejo na avenida san martin em Ushuaia. Recomendo. Experimentamos um pouco de king crab como entrada ao estilo natural. Somos fãs de frutos do mar, porém tem alguma coisa no tempero deles que não faz parte do nosso cotidiano, muito forte. (Agradecemos por não ter pedido o king crab inteiro, seria uma tortura se fosse no mesmo tempero, seria muito enjoativo), dica: experiemnte como entrada primeiro! Roupa Ha foruns específicos sobre botas, meias, blusas, etc, aqui no mochileiros, leia! Recomendo as meias de trekking, sem algodao!!!! Comprei um par das meias de caminhada sem aquecimento, as de inverno que estavam na promoção não tinham meu numero (decathlon, 40 reais). Não passeio frio nos pés, pelo contrario. Recomendo demais, os pés ficam mais secos e agradecem. Lavava no chuveiro. Levei capas de chuva da decathlon, não usamos, mas recomendo. Botas impermeaveis, recomendo, caminhar com os pés molhados não rola! As minhas são da columbia, peguei uma promoção no shopping center norte por 200 reais, e a minha noiva comprou na decathlon tb por 200 reais uma bota impermeavel da marca deles! Amaciamos antes da viagem. A media de preço das botas fica entre 500 e 800 reais, compre na decathlon. Como pegamos sol a maior parte do tempo, utilizei uma calça de trekking sem aquecimento, algumas vezes utilizei a segunda pele por baixo ( que tb comprei na decathlon por 20 reais) Utlizei uma blusa respiravel e impermeavel de neve (passava calor), apenas dois dias ventou o suficiente para passar frio... rs Segue as anotaçoes diarias da viagem: 27/02 Dia de aeroporto- chegada em Ushuaia $480 janta (chorizo e lamche) $26 agua $68 salada de fruta $60 Empanadas no aeroporto 28/02 Pegamos o transfer do parque nacional ao lado do posto de gasolina na Av. Maipu. Fizemos a Senda Costeira, no inicio da trilha há o carteiro do fim do mundo, figura, carimbamos os passaportes, selo bacana, trilha de 8km, tranquila, belo visual. Tempo mudava repentinamente de garoa e frio para sol e calor e vice versa por diversas vezes. Continuamos até a senda do lago rocca, andamos um pouco, porém decidimos voltar e ficar na "praia" do lago curtindo o visual e comendo alguma coisa que haviamos comprado, fazia muito sol ao fim do dia. $600 de transfer ate o parque nacional $200 de entrada $198 no mercado $115 de empanadas na janta $7530 hotel 29/02 Após ler relatos e refletir, decidimos fazer apenas o passeio de barco sem a Pinguinera( tudo muito caro), passando pela ilha dos passaros, ilha do farol, ilha dos lobos e Pinguinera, sem desembarcar na ilha. Valeu a pena, apesar de bastante gente no barco, todos querendo fazer fotos, foi possível curtir os lugares e ver os pinguins bem de perto, porém, se quer uma selfie com os pinguins, faça os passeios separados. Devera comprar a Pinguinera com a Piratur, e o passeio das ilhas com alguma das muitas empresas. Fechamos o nosso com a Canoeiros, consegui um desconto e o pessoal foi muito profissional. $1800 passeio barco farol $40 taxa $50 empanada e te com leche $15 mercado caneta e sabonete $53 doces $180 sopas $320 vinhos e cerveja 01/03 Pegamos o transfer na Maipu até a Laguna Esmeralda. Lugar muito bonito, caminhando pela lateral da laguna é possivel acessar uns diques em sua parte posterior, vale a pena! E se tiver na pegada subir ate o glacial na parte de traz. $500 transfer laguna esmeralda $60 empanadas $90 torta de maça $984 centolha janta 02/03 Pega os um taxi até o Glacial Martial e subimos andando até o Glacial Martial. O teleferico que tem ali até a metade do percurso não funciona ha alguns anos, então prepare-se para a subida. Muito legal o visual. $83 mercado $240 taxi ate glacial martial $80 lavanderia $410 janta $90 sorvete 03/03 Dia que iriamos para el calafate, andamos pelo centro, visitamos alguns museus, dia de curtir a cidade. $45 chocolate $95 de souvenirs $140 de empanadas $130 de taxi até aeroporto $240 de ves no aeroporto el calafate $292 de mercado $325 de pizza $740 de passagem até el chaten $3000 de mini trekking 04/03 Minitrekking Perito Moreno, visita de 2 horas nas plataformas do Perito Moreno, incrível, navegação até a lateral do glacial, caminhada de 20 minutos por terra até chegar ao glacial, grampones nos pés e 1h 30 minutos de caminhada sobre o glacial, perfeito! $400 entrada no parque U$104 de hostel $400 jantar $71 mercado 05/03 Dia de viagem, saída as 7:00 de el calate para el chalten via taqsa (empresa mais barata) . Chegamos cedo em el chaten, cidade muitooo pequena, muito agradável. Tentamos iniciar a laguna torre, porém estavamos cansados, andamos pela cidade e ficamos de bobeira para poupar os joelhos para os 20 km do dia seguinte. $60 torta e chocolate $205 empanadas $125 mercado $250 transfer hosteria pillar. $150 remedio $220 de janta e chopp 06/03 Trilha laguna de los tres via hosteria pillar, (aprox. 20km total), ida à laguna suíça que esta ao lado direito 5 minutos da laguna de los tres e retorno pela laguna Capri. Valeu o atalho pela hosteria pillar por passar pelo mirador glacial piedras blancas (lindo), e a trilha ser mais leve. Subida bem puxada no ultimo km até a laguna de los tres, coragem!!! Desça e va dar uma olhada na laguna suíça, muito perto para quem andou tanto. Escolha um dia de tempo bom!!! $250 de waffle 07/03 Ida a cachoeira chorillo del salto, 3km (6km total), tempo fechado, descanso, bonita cachoeira, trilha leve. $100 lavanderia $130 hamburguer $5472 de hotel $60 de torta e chocolate quente $80 de omelete $90 mercado 08/03 Trilha do ploma del pliegue tumbado, 12 km de subida (24km total), 4h30 ritmo lento de ida, 1000 metros de desnivel, vista 360 graus da laguna torre, torres, fitz roy e lago viedma. Necessita bom tempo. Vista do mirante antes de chegar ao topo muito parecida com topo. Linda.. Tempo aberto, muitos preferem este visual, mas em nossa opinião ficamos com a trilha da laguna de los tres sem duvida nenhuma. $305 de janta $60 de bolachinhas 09/03 Pensamos em fazer o icetrekking no glacial viedma, mas não tinha mais vaga para a tarde do mesmo dia, não fechamos antes porque queriamos garantir que seria um dia de sol. Trilha até mirante laguna torre (3km subida, total 6km), faltaram 6 km até a laguna (total de 12 ida e volta), estavamos cansados. O mirante tem um belo visual. $750 de passagem de onibus $120 de bolachinhas e lanche $340 de janta 10/03 Ida de el chaten para el calafate, de bobeira na cidade. Almoço na padaria e sorvetinho sabores dulce de leche e calafate na sorveteria aquarela (recomendo) $35 de docinhos $1200 de hotel em calafate $4540 de estancia cristina $160 de almoço la fonda! Muito bom! Na 9 de julio.. $100 de sorvete acuarela $128 de mercado $97 de cerveja no mercado $35 de hot dog. Muito bom! Na 25/05... $250 de green market 11/03 Passeio estancia cristina discovery, com 4x4. Glaciar upsala e Mirante incrível. Historia e a vida no lugar muito interessante. $398 jantar 12/03 Fimmmm dia de voltar... $260 taxi aeroporto $300 almoço aeroporto Estou postando sem revisão, caso tenha ficado algo confuso perguntem!!! Erros grotescos (rs), desconsiderem!!!
  14. El Chaltén - Guia de Informações

    [info]Este tópico é um Guia que está sendo construido com informações de viagens realizadas pela equipe do site e também com informações de usuários que foram postadas nos fóruns relacionados ao tema aqui no Mochileiros.com. Este guia é atualizado periodicamente. O Mochileiros.com é uma fonte gratuita de informações para viajantes de língua portuguesa e a contribuição de todos os membros é muito importante. Veja como contribuir : 1- Faça perguntas ou deixe suas dicas no Tópico El Chalén - Perguntas e respostas[/info] [t1]El Chaltén[/t1] Capital do Trekking da Patagônia Argentina El Chaltén, localizado na Provincia de Santa Cruz, é o povoado mais jovem da Argentina. Foi fundado em 12 de outubro de 1985 como posto fronteiço com Chile, em épocas de constantes disputas pela região do Lago del Deserto. Somente em 1987 começou a receber habitantes provenientes de todas as partes da Argentina, atraídos por incentivos dados pelo Governo, interessado em povoar a região.e O nome, "Chaltén", vem da lingua dos antigo povo Tehuelches, habitantes primitivos da região, e significa "Montanha que solta fumaça", facilmente compreendido ao se contemplar a principal atração da região, o Monte Fitzroy, também chamado de Cerro Chaltén. O povoado é o único cujo o território totalmente inserido no Parque Nacional de Los Glaciares, na seção Norte (Lago Viedma). É conhecida como a Capital do Trekking da Patagônia Argentina, atraíndo inúmeros aventureiros atraídos pela beleza e pelo desafio oferecido pelo Monte Fitzroy e por seu vizinho, Cerro Torre, que figuram entre as escaladas mais dificeis do mundo. As duas montanhas são o principal destino dos visitantes de El Chaltén; mas a cidade oferece outras atrações, como lagos e glaciares. O turismo é a principal atividade da cidade - fora de temporada, isto é, durante o inverno, sua população não ultrapassa os 600 habitantes. [linkbox]http://www.elchalten.com/'>http://www.elchalten.com/[/linkbox] este link praticamente consta tudo sobre Chaltén, Hotéis e pousadas, restaurantes, aluguel de equipamentos, transportes e passeios. http://www.elchalten.com Informações sobre caminhadas em Chaltén http://www.elchalten.com/'>http://www.elchalten.com/esp/actividades/caminatas.php Site para verificar o estado das estradas http://www.vialidad.gov.ar/partes/index [t1]Quando ir?[/t1] O melhor período para conhecer não só El Chaltén, mas a Patagônia Austral como um todo, fica entre os meses de Outubro e Maio. Final da Primavera e durante todo o Verão, as temperaturas são mais amenas , tornando principalmente Dezembro, Janeiro e Fevereiro os meses mais cheios. Entre Março e Maio, voltam a predominar temperaturas mais baixas, grande nebulosidade e nevascas. Fora desse período, as nevascas são constantes e as temperaturas extremamente baixas, o que dificulta - ou mesmo impede - qualquer possibilidade de realizar as principais atividades que a cidade tem para oferecer. Além disso, fora de temporada, quase tudo estará fechado e os ônibus ligandos El Chaltén à outras localidades são raros.
  15. Seguindo recomendações de pessoas viajadas nessa região e vendo também alguns relatos e fotos, resolvi dedicar meus escassos dias de férias no final de janeiro/2011 para conhecer essa região da Patagônia argentina: El Calafate, famosa por estar próxima ao imenso glacial "Perito Moreno", e El Chaltén, meu destino principal, também conhecido como a capital do trekking argentino, destino de muitos amantes da natureza das mais variadas idades, de diversos países e de vários estilos de vida diferentes. 24/01 - Maratona São Paulo - El Calafate Aproveitar as passagens aéreas com preços mais em conta requer algum sacrifício a mais. Saí de São Paulo no final da tarde do dia 23 para chegar as 9 da noite no aeroporto de Buenos Aires. De lá peguei um transfer até o aeroporto de Ezeiza onde passei a primeira noite, no meio de pernilongos e muito barulho, para finalmente pegar meu próximo vôo as 7 da manhã com destino a El Calafate (com uma breve escala em Bariloche). Cheguei quebrado no aeroporto em El Calafate, sem dormir, e peguei o transfer para a cidade. Foi quase um dia inteiro de vôos, esperas, transfers... mas enfim, cheguei na cidade e, após largar minhas coisas no pequeno hostel "Huemul", tratei de trocar algum dinheiro e comprar a minha passagem para El Chaltén para a manhã seguinte. Fica aqui uma dica para quem quer ir direto de El Calafate a El Chaltén: Pergunte pela rodoviária da cidade: ela fica estrategicamente escondida dos turistas e lá há várias empresas que oferecem os traslados. Se forem procurar nas empresas de turismo na avenida principal, com certeza tentarão vender algum pacote mais caro... Comprei minhas passagens El Calafate/El Chaltén/El Calafate por 150 pesos. A ida para a as 7 da manhã do dia 25, a volta deixei em aberto... Voltei pro hostel e tive uma surpresa: Havia uns 50 israelenses superlotando o hostel e fazendo aquele barulho todo que só eles sabem fazer... Gritaria, bagunça por todos os lados a noite toda... ainda bem que era só por uma noite... 25/01 El Calafate - El Chaltén - Acampamento De Agostini Apesar de não ter dormido bem na noite anterior, estava muito disposto e animado ônibus das 7 que me levará a El Chaltén, uma viagem de cerca de 220km e aproximadamente 4h30min de duração. No caminho até a rodoviária já senti o vento gelado e fortíssimo já característico dessa região. A medida que nos aproximamos de Chaltén a paisagem se torna cada vez mais bela, maegeando o belo lago Viedna com seu imenso glacial ao fundo, e de repente descortinam-se os belos maciços que fazem de El Chaltén um lugar tão procurado por turistas do mundo inteiro. Não havia uma nuvem sequer no céu então a visão do FItz Roy era perfeita... sempre eo fundo da belíssima estrada. A ansiedade vai aumentando, e perto das 11:30 chegamos na entrada do Parque, onde somos obrigados a descer do ônibus na sede dos guarda-parques para ouvir uma palestra a respeito de informações sobre o Parque, regras a serem seguidas, e principalmente conscientização ecológica, achei muito interessante ver o quanto se preocupam com o meio-ambiente. FInalmente cheguei no pequeno e simpático vilarejo El Chaltén. O clima lá não poderia ser melhor: temperaturas amenas, sem nuvens, sem vento... Tratei de ser rápido para comprar algo para comer e uma garrafa de água no mercado e reservar algumas noites no hostal "Pioneros del Vale" para quando eu voltar dos acampamentos. Em pouco mais de uma hora estava partindo do vilarejo. Mapa em mãos, parti para uma trilha de 3 horas que me levará ao primeiro acampamento em que iria pernoitar: "De Agostini". Já era 1 da tarde mas como a noite chega apenas lá pelas 22h tinha tempo de sobra para fazer a trilha com calma aproveitando a belíssima paisagem só possível de se ver com o céu totalmente limpo. Logo no início a trilha é um pouco íngreme, mas após 1:30 hora chegamos ao primeiro mirante de "las torres" com um ótimo visual, e a partir daí a trilha torna-se mais plana, sempre passando por dentro de florestas e rios onde podemos completar nossas garrafas dágua. Água fresca, gelada e totalmente pura, melhor água que essa não há! Após passar por muitas áreas verdes, ora mais fechadas ora mais abertas, cheguei ao acampamento "De Agostini" que estava bem tranquilo, pouca gente. Montei minha barraca bem próximo ao pequeno barranco com vista para o rio e fui conhecer as redondezas: Laguna Torre. Em menos de 15 minutos de trilha bem demarcada cheguei a "laguna Torre" com o cerro Torres ao fundo. Nessa hora, perto das 18h, o tempo já havia fechado e o vento gelado tomava conta do lugar. Contornei o lago inteiro, subindo cada vez mais em suas encostas, as vezes bem inclinadas, até finalmente depois de 1 hora chegar ao mirante "Maestri" com uma vista privilegiada do lago e do glacial aos pés do "Cerro Torre". Apesar do frio a vista que temos deste mirante é excelente!!! Fiquei algum tempo ainda admirando essa paisagem, tirei algumas fotos e vídeos, e desci novamente rumo ao acampamento. Comida? Hummm desta vez optei por fazer uma viagem mais "leve" com pouca carga... então nem levei meu fogareiro, gás, panela, nada... apenas barras e mais barras... de chocolate, de cereais, de proteínas, multivitamínicos, mais nada... comi uma deliciosa barra de proteínas e lá pelas 21h peguei no sono, ao som do calmo rio que estava a poucos metros da barraca. Uma noite muito tranquila e bem dormida, sem vento nem chuva. Meu primeiro dia em El Chaltén não tinha como ter começado melhor! 26/01 - De Agostini - Poincenot - laguna de Los 3 - Poincenot Apesar de fechado, o dia amanheceu sem vento e sem chuva. Rapidamente recolhi minhas coisas e me despedi do acampamento, rumo ao meu próximo destino, acampamento Poincenot. São cerca de 4h30min de trilhas. Após a bifurcação onde escolhemos voltar para o vilarjo ou seguir a Poincenot, a trilha torna-se bem mais íngreme pelo meio da floresta, até tornar-se plana novamente e aí temos um belo visual dos lagos "Hija" e "Madre". Muito raramente um turista ou outro passava por mim, e apesar da constante garôa neste trecho, fiz o caminho sem correria e curtindo bastante o visual. Quase no final do caminho ainda podemos nos abastecer de água em um agradável rio de águas límpidas. Cheguei ao acampamento Poincenot, estava bem lotado . Achei um canto para montar minha barraca e segui rumo ao famoso mirante onde podemos ver o Fitz Roy. Essa trilha sim é realmente mais empinada. Após passar por uma ponte, a trilha torna-se cada vez mais empinada, deteriorada e escorregadia. Nesse trecho, muitos turistas também querendo chegar ao famoso mirante. Após muito esforço cheguei ao mirante, e que vista linda! O que atrapalhou foram as nuvens encobrindo o Fitz Roy, uma pena! Descansei um pouco na beira do lago. Apesar de esgotado por estar o dia inteiro caminhando, percebi que ainda havia algo mais para ver, mais um lugar para subir. Foram 15 minutos a mais de subida, que me trouxeram como recompensa uma das vistas mais belas que já vi: O mirante de Los 3, de onde podemos ver a Lagura de los 3 com seus tons azulados, a laguna Sucia mais a esquerda beem mais abaixo com seus tons esverdeados, a atrás podemos ver toda a encosta que subimos com uma vista para todo o vale. Uma paisagem inesquecível!!! O vento não estava fácil e o clima também não... resolvi descer para o acampamento. As 20h estava na minha barraca. Lá pelas 22h começou a chover bastante. Para piorar as coisas, havia um grupo de uns 20 alemães fazendo um barulho absurdo, dentro das barracas, uma gritaria sem fim! Esse barulho persistiu até perto das 7 da manhã... TIve ainda mais uma surpresa: a impermeabilidade da minha barraca já era! Com a chuva começou a pingar água por todo o teto... só fui perceber isso quando me mexi e senti um "gelado" no saco de dormir", quando fui ver o que era percebi que a barraca estava inteeeira encharcada por dentro, assim como o saco de dormir... Usei até os bastões de caminhada na tentativa de desviar um pouco as goteiras, ajudou mas não resolveu meu problema. 27/01 - Poincent - glacial Piedras Blancas - Piedra del Fraile A noite não foi nada fácil! Acordei com cara de poucos amigos e, após parar de chover, lá pelas 10h, recolhi todas as minhas coisas, que agora estavam bem mais pesadas por estarem encharcadas! Próximo destino: acampamento Piedra del Fraile, um acampamento pago, fora dos limites do Parque Nacional "Los Glaciares". No caminho, passaria ainda pelo glacial "Piedras Blancas". Por causa da chuva que persistiu pela madrugada inteira, a trilha tornou-se bastante escorregadia e cheia de charcos. TIve uma nova surpresa: minhasbitas também não eram mais impereáveis. Bastou eu enfiar o pé na primeira poça para perceber isso... Peguei um desvio a esquerda e, após algumas boas escalaminhadas nas pedras (bom para testar suas habilidades!), cheguei ao glacial Piedras Blancas. Visual muito belo de um glacial com algumas avalanches, e um lago cheio de gelo. Descansei um pouco e voltei para a trilha original, rumo a Piedra del Fraile. Logo aqui temos que cruzar um rio um pouco mais complicado e trabalhoso, principalmente quando se está sozinho. Mas, deu tudo certo. A partir deste trecho a trilha torna-se monótona, e as nuvens tampavam todas as montanhas ao redor. Aparecem milhares de bifurcações neste trecho, me perdi um pouco em alguns momentos, mas após algumas longas horas encontrie as placas sinalizando o caminho e cheguei ao tal acampamento. O vento era muito forte. Chegando ao acampameto, fui assaltado: 40 pesos para passar uma noite!!! A únca vantagem é que pude tomar um banho quente (depois de 3 dias sem banho, é uma maravilha!!!). Após me informar melhor, vi que meu plano de fazer o "paso del cuadrado" já era, pois há um trecho em que temos de subir e andar em um glacial, como não tenho equipamentos de gelo e estava sozinho, acabei desistindo... Eu faria apenas um trecho intermediário! O tempo estava fechado mas nada de chuva, apenas um vento gelado... ainda bem! Consegui secar algumas coisas... 28/01 - Piedra del Fraile - El Chaltén Consegui dormir bem, sem barulho. Mas tive uma surpresa quando abri a barraca: tempo mais fechado do que nunca, começando a chover. Comi rapidamente uma deliciosa barra de cereal e guardei minhas coisas; não havia muito que fazer aqui com aquele clima. Tomaria o rumo de volta a Poincenot ou voltaria ao vilarejo... No meio da chuva, ao ver as nuvens escuras no caminho que eu faria a Poincenot, achei melhor ir para o outro lado e seguir algum caminho até a estrada para voltar ao vilarejo... O vento estava absurdo, e acabei virando o pé duas vezes no caminho de volta. A idéia de voltar a El Chaltén pela estrada não foi boa, deve ter uns 20 km monótonos e intermináveis em solo em estrada de pedras. Houve u momento em que olhei para trás na estrada e vi aquela poeira toda levantado, de longe achei que fosse algum veículo; eu pediria uma carona com certeza. Ao se aproximar, vi que não havia veículo algum, era uma rejada fortíssima de vento trazendo toda a terra e pedras possíveis... só me encolhi todo e protegi os olhos, para ser bombardeado... Até que demorou para o vento mostrar toda sua força na Patagonia! Só quem já esteve aqui sabe como é... Ao chegar em El Chaltén torci o pé novamente e aí passou a doer demais a cada novo passo... fiquei preocupado, será que eu teria de parar com as trilhas? Consegui um lugar para passar a noite: hostel del Lago. Voltar ao vilarejo foi uma ótima escolha, pois o tempo fechou de vez, chuvas e ventos fortíssimos!!! 29/01 - El Chaltén - Mirante Los Condores e Las Aquilas Logo pela manhã acordei e fui procurar outro lugar para ficar, pois não havia vagas nesse hostel. A dona do hostel me ajudou, e com algumas ligações encontrou um bom lugar para eu passar a noite seguinte: hostel "Lo de Trivy". Após mudar meus pertences para este hostel, aproveitei que o tempo estava péssimo para conhecer melhor o vilarejo e fazer algumas trilhas curtas a partir dele: Mirantes "los Condores" com vista para o vilarejo, e "Las Aquilas" com vista para o lado Viedna. São trilhas curtas, de 40 minutos de ida, e 20 de volta, mas com a força do vento não podemos brincar... Uma pisada em falso e rola morro abaixo! rsss Mas correu tudo bem, as vistas são muito boas, as trilhas tranquilas (fiz elas de papete para descansar os pés), mesmo com o vento nos desequilibrando, e foi um bom teste para o meu pé que eu havia torcido algumas vezes... com cuidado, posso fazer algo mais pesado! Caminho livre para o "Loma del Pliegue tumbado" no dia seguinte!!! Voltei ao albergue e descansei para o dia seguinte. 30/01 - Loma del pliegue tumbado Após nova migração para outro hostel (dessa vez ao Pioneros del Vale, o qual eu já havia reservado logo no início), as 9 da manhã eu já estava a caminho do "loma del pliegue tumbado", trilha bastante puxada com 12 km de ida e mais de 1000 metros de desnível... O vento soprava forte e mesmo com o tempo relativamente aberto as vezes caía uns pingos de chuva não sei de onde... A subida é constante, passando por trechos de floresta mais fechada, campos abertos com granado e vacas pastando, mais floresta, até que a mata dá lugar as intermináveis pedras e a chuva vira flocos de gelo que chegam a machucar por causa da força do vento. Quanto mais subia, mais frio, mais vento e mais difícil tornava-se o caminho. Após chegar a um belo mirante, vi que ainda havia muito mais a subir, um pico que parecia muito alto. Depois de mais 1 hora de muito, mas muuuito esforço subindo em zigue-e-zague uma escorregadia e inclinadíssima ladeira com o vento sempre jogando contra, finalmente cheguei lá em cima. Lá havia apenas uma pessoa sentada, e uma espanhola que eu encontrei muitas vezes pelo caminho. A paisagem infelizmente estava um pouco encoberta, e o vento lá em cima não nos deixava livres para caminhar. O jeito foi descansar um pouco abrigado nas pedras, e descer novamente. Uma ótima trilha! Só faltou mesmo a vista completa dos dois vales (Torres e Fitz Roy), mas de qualquer forma valeu muito a pena. Descer tudo aquilo também foi bastante cansativo... depois de alguma horas terminei a descida e voltei ao albergue.Tomei um ótimo banho, dei umas voltas pelo vilarejo as 9h da noite, e tive uma ótima de sono, apaguei na cama! Muito bom este albergue, excelente estrutura pelo preço de 60 pesos (30 reais) por dia. 31/01 Uma ótima surpresa logo quando acordei... o tempo estava ótimo! Pouquíssimas nuvens, sem vento! Dias assim são raríssimos em El Chaltén... Saí de bermuda e camiseta, sem peso nas costas, e resolvi fazer novamente o percurso de "laguna de los 3" dessa vez através da trilha "Fitz Roy" e passando pela Laguna Capri... Seria meu último dia de trilhas, então resolvi curtir tudo ao máximo, observar tudo, parar mais vezes para ver cada paisagem, aproveitar ao máximo cada momento! Esse foi o melhor dia de todos! Uma parada na bela laguna Capri para algumas fotos, mais algumas paradas pelo caminho, e lá estava eu passando pelo acampamento Poincenot e iniciando a subida até a Laguna de los 3. Essa subida cansa, mas dessa vez eu estava tranquilo, sem pressa, e quando cheguei lá em cima nada de vento, nem de nuvem encobrindo a paisagem, apenas o Sol e uma brisa fresca e suave... Tudo estava perfeito para eu poder contemplar tranquilamente a paisagem mais bela que eu já vi... fiquei mais de uma hora deitado nas pedras contemplando os lagos, o vale, o Fitz Roy... Depois desci ao lago e sua margem dele fiquei também por mais uma hora apenas observando a mudança das nuvens, o imponente maciço FItz Roy, sentindo aquela brisa suave e bebendo água do lago... Um sossego total, estava tudo perfeito, sentiuma energia muito boa. Mas, era hora de levantar e seguir meu rumo... Não era nada fácil descer tudo aquilo até a vila, ainda mais com o desgaste que eu já sentia... Mas nada parecia atrapalhar a vontade de aproveitar cada momento da volta, cada paisagem, cada rio que havia por perto... Nunca vou me esquecer desse dia! Cheguei no albergue e após um banho quente desabei na cama! 01/02 - El Chaltén - El Calafate Dia de voltar a Calafate... Como a volta seria as 18:30, aproveitei o dia para conhecer a cachoeira lá perto e dar mais uma volta pelo vilarejo... e omer alguma coisa decente, afinal estava só nas barras e mais barras desde o início da viagem... Comi um bife de chouriço delicioso e gigante, mais umas empanadas e uma cerveja caseira... Peguei o ônibus para El Calafate e, chegando lá as 21:30, fui procurar um lugar para passar a noite... Dei sorte, hostel "Che Lagarto", minha primeira tentativa... 02/02 - El Calafate - Perito Moreno Após resolver algumas coisas pela manhã, fui conhecer imenso glacial Perito Moreno a tarde... A estrutura é meio "prá turista ver" mas o glacial realmente é muito lindo, enorme, com um branco sem igual! Mas o que me complicou foi confiar no clima... saí de Calafate de bermuda e papete pois estava Sol e sem vento... ao chegar no Perito Moreno, Frio, vento gelado e tempo fechado!!! Como o ônibus só nos buscaria depois de 5 horas, passei frio a tarde inteira pela estrutura do parque esperando por algum desmoronamento do glacial, que não aconteceu. Eu nem sentia mais meus pés de tanto frio... Havia um lugar para comer lá dentro... pedi duas empanadas e fiquei mais de 1 h lá dentro... dei mais umas voltas morrendo de frio, até que o ônibus chegou e fui um dos primeiros a entrar... Ufa! Na volta, belas paisagens moldadas pelo pôr do Sol! 03/02 - Icetrek no glacial Viedna Dia de Icetrek!!! Para quem conhece a região... Sim, esse glacial fica bem ao lado de El Chaltén, mas apesar da distância maior o pacote para esse glacial estava bem mais barato do que o do glacial Perito Moreno... Ida tranquila,passando por alguns mirantes, e chegando a um pequeno portono lago Viedna pegamos uma embarcação muito agradável para chegar ao glacial. Subi na parte descoberta para tirar umas fotos dos enormes pedaços de gelo que se desprendem do glacial, alguns com uma cor azul fortíssima! Descemos da embarcação e, após subir pelas pedras, colocamos os crampons para dar uma volta em cima do glacial... Incrível, parece que estamos em outro planeta, paisagem surreal, mesmo este glacial sendo um pouco sujo por conta das pedras e terra que vem das montanhas próximas... No final do Icetrek, os guias nos fizeram um brinde co Baileys e gelo do próprio glacial, muito legal! Ao voltar, tivemos um problema com nossa embarcação (que conseguiu bater no maciço rochoso e avariar o motor) e tivemos que aguardar mais 40 minutos para pegar uma outra embarcação... Acabou sendo engraçado! Cheguei de volta ao albergue as 21h, e após um pouco de conversa com umas argentinas no quarto, fui dormir... 04/02 Dia tranquilo e chuvoso, fiz o check-out e fiquei enrolando pela cidade e pelo albergue até pegar o transfer e começar a maratona para voltar a São Paulo... Com direito a mais um pernoite no aeroporto de Buenos Aires!!! Foi tudo perfeito, a viagem foi maravilhosa, vai deixar saudades, mas... chegou ao fim! Hora de voltar prá realidade... rs! Ano que vem tem mais! Despesas: Passagem aérea SP-Buenos Aires-El Calafate: Paguei em torno de R$1100 Passagem ônibus El Calafate - El Chaltén - El Calafate: AR$ 150 no total (R$75,00) Acampamentos El Chaltén: De Agostini e Poincenot (de graça), Piedra del Fraile (AR$40) Diárias em albergue El Chaltén: Hostel del Lago (AR$50), hostel Lo de Trivy (AR$60) e Pioneros del Vale (AR$180 para ficar 3 dias) Diárias em El Calafate: Huemul (AR$30), Che Lagarto (AR$58) Visita ao Perito Moreno: AR$200 (100 para entrar no Parque + 100 de transoprte) IceTrek glacial Viedna a partir de El Calafate: cerca de AR$ 400 (não encontrei meu comprovante! Considerações: Recomendo esta viagem para todos os amantes da natureza que tenham disposição para encarar o frio e os ventos gelados da Patagonia e vontade de encarar as trilhas para conhecer paisagens fantásticas ou até mesmo curtir alguns dias de tranquilidade no pacato e simpático vilarejo de El Chaltén aos pés das belísismas montanhas nos dias de tempo ruim. Opções de hospedagem não faltam, para todos os gostos e bolsos, desde acampamentos até hotéis luxuosos. Lugar maravilhoso, que deixa saudades e aquela vontade de voltar mais uma vez para explorar um pouco mais a região.
  16. A pessoa que retorna de uma jornada não é a mesma que partiu. Provérbio Chinês Passo um relato de um trekking no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, Santa Cruz, Argentina. Planejava fazer a travessia dos vulcões, começando nas encostas do Villarica e terminando em Puesco, Chile, mas o tempo que dispunha e a logística complicavam as coisas. Lendo a lista dos destinos Top 5 dos Mochileiros (ver tópico) vi que El Chaltén aparecia duas vezes na seleção. O trekking é considerado fácil a moderado e seriam apenas ~ 4,5 horas de vôo de BsAs, mais 3,5 horas a partir de El Calafate, de ônibus. Espero que a narrativa seja útil e não cansativa. Saí de Salvador 17:30 da sexta, 05/12, chegando em BsAs às 01:00 do dia 06, usando milhagem. Fila da imigração demorada. Troquei dinheiro no Banco de La Nación. Eles sempre têm o câmbio mais favorável. Peguei o ônibus para o Aeroparque, aonde cheguei apenas 3 horas da manhã. Esperei um pouco para abrir o check in da Aerolineas Argentinas, as 04:30. Subi pra o embarque na esperança de dormir um pouco no saguão. Estava ainda fechado.O jeito foi sentar no chão e aguardar.Quando abriu, procurei logo um banco livre perto do meu portão. Mal cochilei porque o saguão estava surpreendentemente cheio para a hora. O embarque do vôo para El Calafate ocorreu no horário, 06:30. A Aerolineas está meio decadente. Aviões velhos e barulhentos. Nunca peguei avião ruim assim no Brasil. Os dois comissários de bordo, um à frente, outro no meio do corredor, começaram a fazer aquela coreografia sincronizada mostrando saídas de emergência, uso das máscaras de oxigênio etc...Só que faltou sincronização e um acabou de frente para o outro apontando para saídas de emergência em direções opostas. Um dos comissários caiu na risada quando percebeu o erro. Não pude deixar de rir, embora aquilo fosse indisciplina. Avião cheio de turistas franceses. Fez uma escala em Trelew, que fica a pouca distância da Península Valdés, famosíssima pela vida marinha, aonde orcas saem da água para pegar filhotes de leão marinho na praia e, volta e meia, se divertem atirando focas para o ar com as caudas, como se elas fossem petecas. A chegada em El Calafate foi as 10 hrs.Tem uma van (airport shuttle) que faz a ligação para El Calafate deixando-o aonde quiser por 35 pesos, bem mais barato que o táxi. Porém esperei a mochila chegar na esteira da bagagem antes de ir ao guichê. Resultado, não tinha mais lugar e a próxima van só dali à uma hora. Sorte que duas venezuelanas ficaram na mesma situação. Falaram e conseguiram outro carro. Acabamos na primeira van porque 3 passageiros, por sorte (nossa) não puderam embarcar. Macete: ao chegar, corra para o guichê das vans, compre o tckt, e pegue sua mala na esteira depois. Pedi para saltar no terminal de ônibus. Antes, a van deu uma bela volta passando por vários hotéis entregando os turistas. Bom, para conhecer um pouco da cidade. Cheguei 11 horas na estação. Comprei ida e volta para El Chaltén, na Chaltén Travel com a volta em aberto (sai mais barato: 130 pesos versus 70+70). Desci um escadaria atrás da rodoviária para a Av. San Martin onde a simpática moça do guichê disse que tinha supermercado e loja de equipamento outdoor. Comprei primeiro o gás (butano+propano) em lata com rosca para meu fogareiro (230 gr) e depois fui no supermercado La Anonima comprar pão, salame, queijo e outras coisinhas mais que não é possível trazer do Brasil. Lá eles têm um salaminho muito bom para comer no pão ou juntar na macarronada. Dizem que as coisas são mais caras em El Chaltén. Aproveitei para comprar um mapa muito bom de El Chaltén, da Aoneker. Escala muito ampla 1:125000, mas que permite ver desde o norte do Lago del Desierto até o Lago Viedma, com parte dos gelos continentais. Os mapas da Zagier & Urruty são péssimos se comparados com os da Aoneker. Voltei à rodoviária onde peguei a mochila para socar as compras. Aproveitei para comer um sanduíche. Deram 13 horas e nada do ônibus aparecer. 13:15 fui impaciente falar com a moça quando descobri que na verdade a província de Santa Cruz não tem horário de verão. Eu estava adiantado uma hora. O ônibus chegou pontualmente. Quando sentei no ônibus logo tirei bota. Usava o calçado direto desde 8 hrs do dia anterior (fui para o trabalho com ela). Estava naquele estado de quase gozo que temos ao tirar as botas quando li um aviso na dianteira do ônibus: “No te quites el calzado. Gracias”. Quando subiu o cheiro do chulé compreendi e, mais que depressa, calcei novamente as botas, sem amarrar o cadarço. Os caras sabiam o que faziam quando escreveram aquele cartaz!!! Havia uma versão em inglês. Dormi pouco depois da partida. Acordei apenas com o barulho quando chegamos num trecho de estrada de rípio, um dos poucos trechos não asfaltados naquela área da lendária rodovia 40. Pouco depois paramos na Estância La Leona, batizada com este nome por ficar diante do rio La Leona. O rio, por sua vez recebeu o nome porque ali perto Perito Moreno foi atacado por uma fêmea de puma (leona). Aquela estância é um monumento histórico. Foi construída por imigrantes dinamarqueses. Teve entre seus hóspedes ilustres Butch Cassidy e Sundance Kid. Estavam fugindo para o Chile, após assaltar um banco na Argentina. Não bastasse isto todas as primeiras expedições de montanhistas fizeram escala ali. Os equipamentos eram transportados por carros de boi até a década de 50! Aproveitei para comer uma empada, tomar um chá de erva mate e, por fim, uma fatia de torta de limão com uma cobertura enorme de algo que eles chamam de merengue. Parecia um vulcão com um enorme cone coberto de neve. Estava com muita fome. Pedi ao atendente para ele cortar a maior fatia possível sem o risco do patrão demiti-lo (li esta fala em algum lugar...). Satisfeito e acordado voltei para o ônibus. Estava um belo e quente dia de verão, uns 24 ºC (é o verão deles). Cinco minutos depois, ao retomar o asfalto, ao subirmos um morro, a primeira vista do conjunto de montanhas a noroeste. Apesar de ainda distante, já impressionava. Quando contornamos o Lago Viedma, uma hora depois, passamos a rumar diretamente para as montanhas e a grandiosidade do conjunto valia umas fotos. A estrada parece rumar direto para o Fitz Roy. A esquerda o lago Viedma e ao fundo o Glaciar de mesmo nome (um dos maiores da Argentina). Vinte minutos depois entramos num vale e chegamos a cidadezinha. Paramos na sede dos guarda parques para uma charla obrigatória para quem chega. A cidade está toda dentro do Parque Nacional Los Glaciares. Os guarda-parques uniformizados fizeram uma preleção rápida, mas interessante, sobre os cuidados no parque, especialmente quanto ao risco de incêndios. Não é possível acender fogueiras lá. Não se cobra entrada neste que é um dos mais belos parques argentinos. Silvia, passageira do ônibus, que trabalhava no posto médico, havia me dito que nesta época só 22:30 a luz some. Decidi então ir direto para o acampamento De Agostini (também conhecido por acampamento Bridwell), na Laguna Torre, ao invés de ir para o acampamento Madsen ou para o camping do outro lado da rua, em frente a sede do parque. Saltamos num albergue chamado Rancho Grande, bem movimentado. Rapidamente arrumei as coisas na mochila, estendi os bastões de trekking e comecei a caminhar. Cheguei no início da trilha para a Laguna Torre às 18 horas. Após uma pequena subida mais empinada a trilha segue ascendendo por um caminho bem batido. Muita gente no sentido inverso, já voltando da Laguna Torre. No caminho encontrei Guadalupe, uma Argentina que ia também para a Laguna, mas parecia desanimada. Acho que pensava que o tempo não dava para ir e voltar. A convenci a seguir adiante, pois pelos meus cálculos deveria estar lá 20 horas ou 20:30, sendo 2 horas suficiente para ela voltar (descendo). Resolveu me acompanhar. Conversamos um pouco. Disse que largou tudo em BsAs para trabalhar em El Chaltén num albergue chamado El Nativo. Estava lá há um ano. Quase tropeço quando ela disse que era a primeira vez que ia para a Laguna Torre! Após uma hora e meia chegamos ao mirante donde era possível ver o Cerro Torre. Depois a trilha descia para um lugar plano margeando um charco do rio Fitz Roy e logo adentra numa belíssima floresta de lengas. Guadalupe disse que no inverno amigos já avistaram um puma relativamente perto de El Chaltén. Com poucas pessoas, os pumas se aventuram mais perto do vilarejo. Contornamos um terceiro morro se aproximando mais das margens do rio Fitz Roy e uma passarela de troncos atravessados sobre um charco já indicava a proximidade do acampamento De Agostini. Chegamos num ponto onde havia um campo pedregoso e subimos um pequeno monte de pedras, que era uma velha morena terminal, e avistamos a Laguna Torre, com o glaciar logo atrás. O cerro Torre dominava a paisagem, majestoso, ao fundo. Tiramos fotos e me despedi da Guadalupe, que deveria voltar logo para não pegar escuridão. Ela me recomendou o albergue em que trabalhava. Disse que só voltaria a El Chaltén possivelmente na sexta. O “campamento” fica num bonito bosque de lengas. Uma bela coleção de tendas já armadas: MH, TNF, Vaude... As mais pebas eram as Doite chilenas. Montei meu barraco e tratei de fazer a comida. O rio Fitz Roy ficava a 10 metros. Tinha que descer um pequeno barranco para pegar água. Água muuuito mineral, ou seja, com uma suspensão cor de cimento, mas potável. Nada demais: iria repor os sais perdidos no suor. Após a janta, uma lavagem da panela e talheres, apenas com a areia do rio (não trouxe sabão para panelas: peso e anti-ecológico). Passeei pelo acampamento. Todos compenetrados, nos seus afazeres. Quase não ouvia vozes. Um silêncio, apesar de haver cerca de 20 barracas no local. Dormi cedo para recuperar parte do sono perdido na noite anterior. Domingo 07/12. Acordei tarde, por volta de 8:30, embora comece a clarear por volta de 5 horas. Durante a noite fez uns 6º C. É perto do alvorecer que a temperatura está mais baixa. Não teve vento nem chuva. Tomei meu mingau sentado num banquinho de madeira estrategicamente posicionado para avistar o Cerro Torre. O dia estava lindo. A visão da montanha entre as copas das árvores, no acampamento, faz este local muito especial. Após o café fui rumo a “letrina”. Todos os acampamentos oficiais têm uma. Só é permitido fazer necessidades nele. É um daqueles cubículos de fibra de vidro que vejo no Carnaval de Salvador ou em festivais de música. Só que não tem vaso sanitário, apenas um buraco e, em alguns, uma marca mostrando onde posicionar os pés ao se agachar (até parece que é necessária esta instrução!). O problema é que embaixo há um buraco onde caem os dejetos e, parece, só é limpo ao final da estação. Acredito que na verdade eles movem a “casinha” para outro lugar e tapam aquele buraco. Então o WC fica um cheiro e um mosqueiro só. Merda de todas as nacionalidades. Daí se vê que o bicho homem é um só. Ainda bem que estava no início da estação. Imaginem ao final do verão, com os acampamentos lotados e fila na porta. Provavelmente alguns vão fugir da “letrina” procurando seus cantos com uma pazinha. Porém a obrigação de usar o sanitário tem sua razão. Pensem como ficaria a área se fosse cada um por si. Possivelmente sofreríamos o embaraço de encontrar alguém agachado atrás de uma árvore quando fossemos buscar a “nossa” árvore! A teoria do mínimo impacto ambiental manda concentrar todas as ações humanas em um único local. Mas poderiam ao menos colocar dois WC. O acampamento De Agostini pode acomodar até 100 barracas. No momento havia no máximo 20. No caminho havia encontrado um alpinista de Madri, chamado Javier. Perguntei-lhe se subiria o Cerro Torre. Disse que não, que não tinha experiência para tal, tentaria picos mais fáceis. Perguntou se eu escalaria. Respondi que não tinha coragem para este esporte. Retrucou que a coragem vem com a experiência. Registrei a resposta, interessante! De fato, a audácia no montanhismo, sem conhecimento e preparo técnico é antes burrice e ignorância e não coragem. Falei-lhe que gostaria de fazer a Haute Route dos Pirineus. Ele passou dicas interessantes. A seção central valeria a pena. Voltei ao acampamento para em seguida partir para o mirante Maestri. Peguei a mochila vazia, soquei os agasalhos, lanche e fui. Basta rumar para a Laguna e, ao chegar, tomar a direita, seguindo a crista da morena lateral direita, com uma vista da Laguna Torre, com águas cor cimento, embaixo à esquerda. Quando tiver percorrido 2/3 da crista a trilha sai da morena lateral e sobe a direita para um bosque bonito de Lengas. Pouco depois encontramos o abrigo Maestri, utilizado pelo polêmico escalador italiano. Mais um pouco, outro abrigo abandonado (este bem rudimentar) e, em seguida, saímos do bosque e avançamos por uma encosta empedrada, onde há uma vista bonita da laguna Torre (para trás, embaixo) e do Cerro Torre, à frente. O cerro Torre é uma agulha com um paredão granítico liso, sem fendas ou diedros ou o que valha para facilitar a escalada, ao menos na face leste. Não é sem motivo que é um dos grandes desafios mundiais do alpinismo. Adicione a isto o clima patagônico, ser pego por uma tempestade escalando aqueles paredões. Diante dele o Cerro Mocho. Parece que ele foi cortado quase rente à base por uma foice gigantesca, daí seu nome. Me perguntei se o Mocho não seria maior que o Torre se não fosse cortado. Se foi, que forças gigantescas fizeram isto? A subida até o mirante dura pouco mais de uma hora. Desci após alguns minutos, pois teria de desmontar a barraca e seguir para o acampamento Poincenot. Na descida observei que os 3 morros que subimos e descemos antes de chegar a laguna, na verdade são morenas recessionais, cada uma correspondendo a uma idade do gelo. A geleira avançando é como se fosse a pá dianteira de um enorme trator levando tudo. Saí do acampamento pelas 13 hrs e voltei pela mesma trilha de ida para a Laguna Torre até chegar a uma placa indicando o atalho para o Poincenot, o caminho pelas Lagunas Madre e Hija (evita que voltemos para El Chaltén). Tomei o caminho da esquerda. Começa num terreno de vegetação baixa, mas ao chegar no pé da colina entra num bosque de grandes Lengas. Uma subida que dura cerca de 30 min. No alto, no plano, ultrapassei um grupo de trekkers franceses, pessoas na faixa dos 60 anos, todos bem equipados e bem dispostos. Com mais 20 min. chega-se na Laguna Hija. Não cheguei a ver a pequena Laguna Nieta. Talvez por ter usado um desvio a esquerda para escapar de um lamaçal. Na laguna entrei numa pequena península para sentar e lanchar. Um casal de patos chegou para fazer companhia. Um local muito aprazível. Do outro lado da lagoa uma área com deslizamento de terra mostrava que algumas encostas de montanhas eram muito instáveis. Na avalanche todo um trecho de bosque foi soterrado ou levado para o lago. Segui adiante. Muito movimento. Como não estamos distantes de El Chaltén, muita gente faz um passeio a pé desde a cidade, apenas com uma pequena mochila de ataque. As trilhas são fáceis e o dia é muito longo, o que facilita os passeios. Mas, às vezes, enche o saco toda hora bater com gente. Não dá nem para dar um pum na trilha sem o risco de ser surpreendido por alguém (no caso, uma testemunha de acusação). À medida que vc segue pela encosta, margeando por cima as Lagunas Hija e Madre, começa a aparecer o imponente Fitz Roy, a Noroeste, ainda meio encoberto pela Loma de Las Pizzaras, na outra margem do lago. Com o Cerro Torre, são as montanhas mais espetaculares da região, junto com algumas agulhas. Se nós temos o Dedo de Deus, em Teresópolis, parece que Ele aqui resolveu botar todos os dedos restantes das mãos (e das duas!). Depois de 3 horas desde a saída da laguna Torre chega-se numa baixada com pequenas pontes de madeira cruzando os meandros do Chorrillo Del Salto. Dali são mais 15-20 minutos até o Poincenot. É um acampamento bem maior que o De Agostini. Havia cerca de 40 barracas lá. Cabem 100 a 120 barracas. Uma só latrina. Pensei como seria no alto verão, janeiro-fevereiro, com o acampamento provavelmente lotado. Montei a barraca para garantir meu espaço. Em seguida segui para a laguna Súcia, pois ainda tinha pelo menos 4 horas de sol. Ao cruzar o rio Blanco vc deve subir uma escada na encosta da margem e dobrar imediatamente à esquerda para pegar uma trilha rala na margem esquerda (verdadeira) do rio Blanco. Não há sinalização. Eu segui a sinalização existente para a Laguna Los Tres e “campamento” rio Blanco achando que encontraria uma bifurcação adiante. Engano. Pelo menos visitei o acampamento exclusivo para alpinistas. Ali 4 ou 5 barracas MSR e dois abrigos de madeira, um deles um abrigo refeitório com uma longa mesa de tábuas, uma pequena mordomia para aqueles que em breve terão apenas privação ao escalar as montanhas. Um garoto me informou que o caminho para a Laguna Sucia era aquele que havia visto aos subir a escada na encosta do rio. Voltei e tomei o caminho certo. Após 5 a 10 minutos a trilha some ao descer para o leito seco do rio. Pircas a intervalos regulares indicam o caminho. Depois de 30 minutos chega-se num ponto aonde uma grande pedra afunila o Rio e não deixa leito seco para seguir. É necessária uma pequena e fácil escalaminhada para subir a pedra e descer em seguida. Logo depois um córrego fácil de atravessar (o vazadouro da laguna Los Tres que está acima), apenas precaução para não molhar a bota. Em seguida uma encosta que é um campo de boulders, exigindo algum cuidado para não pisar numa pedra instável. Pouco depois chega na laguna, que fica bem abaixo do Poincenot e do Saint Exupéry. Um pouco mais à direita o Fitz Roy. Cheguei a tempo para ver o sol se escondendo atrás do Saint Exupéry. Depois de algumas fotos voltei. Não havia ninguém nesta trilha. Apenas na volta vi pessoas na outra margem do rio. Acho que os guarda parques não querem visitas a laguna Sucia, daí não colocarem placas com a indicação. Cheguei a tempo de ver que tinha novos vizinhos, uma barraca ao lado com 4 israelenses barulhentos e no outro lado, duas americanas, cada qual com sua barraca. Ambas já dormiam, uma roncando alto. O chato do Poincenot é que o rio fica distante, se compararmos com o De Agostini. Preparei a janta. Enquanto comia observei que uma tenda na minha frente estava quase embaixo de um galho podre, caído, que estava apenas sustentado na forquilha do galho de outra Lenga. Avisei o ocupante da barraca, um jovem montanhista basco, chamado Gorka, gente boa. Ele respondeu que rezaria para o galho não cair. Realmente o tempo estava bom e desfazer e montar a barraca logo antes de escurecer é um saco. Em todos estes acampamentos, dentro de bosques de Lengas, não devemos só olhar para o chão na hora de escolher o lugar da tenda. Vale olhar também para o alto. Quando passamos por um bosque é impressionante ver a quantidade de árvores grandes derrubadas pelo forte vento patagônico. Não é bom ter a tendinha justo embaixo, nesta hora, de um galho podre. Podemos deixar as coisas na barraca numa boa e ir passear. Nós brasileiros ficamos um pouco receosos, mas é tranqüilo (em todo caso levava a carteira e o passaporte na pochete). E a consciência ecológica ali estava em alta: praticamente sem lixo apesar da área ser pesadamente usada. Sem som, sem algazarra. sem cheiro de Cannabis, (acostumado com a Chapada, eu estranhava!). Dormi cedo (22 hrs!), pois ainda tinha sono acumulado da viagem desde o Brasil e quando escurece o frio rapidamente vem junto. Segunda, 08/12. O dia amanheceu espetacular, novamente. Noite tranqüila. Tomei meu café. Conversei um pouco mais com Gorka e segui para Laguna de Los Tres com a mochila, lanche e agasalhos. Creio que a laguna tem este nome em homenagem aos 3 alpinistas italianos que escalaram o Fitz Roy. Sempre levava a mochila com agasalhos e impermeável (calça e abrigo), além de lanche, para estes side trips, porque o tempo muda muito rápido aqui. Mesmo que estejamos perto do acampamento e a mudança não represente risco, o vento frio pode obrigar-nos a recuar no passeio ou voltar mais cedo, quando poderíamos curtir mais o lugar se estivéssemos bem abrigados. É também uma recomendação dos guarda-parques. O ideal é ter uma pequena mochila para ataque, leve, só para estas coisas. Não era meu caso. Tinha de usar a 70 litros. A subida é cansativa, 1 a 1,5 horas. Trilha principal com sinalização para evitar as secundárias, provocando mais erosão. Os guarda-parques trabalham. Apesar do esforço vale a subida. A pequena laguna é muito bonita, aos pés do Fitz. Os 300 mts de desnível já fazem que esta laguna tenha placas de gelo e neve ao redor. Um espetáculo. À direita, o Cerro Madsen, em homenagem aos primeiros imigrantes dinamarqueses que eram os proprietários do local. Havia uma encosta suave de neve a direita, que acabava no lago com sinais de que alguém praticou ski bunda ou treinou self-arrest na ladeira. Porém se não freasse a tempo iria tomar um banho gelado no lago. Fui de um lado para outro. Aproveitei para matar as saudades de andar na neve. Foram chegando turistas. Alguns, como eu, aproveitaram para lanchar a beira do lago. Segui para o lado esquerdo onde podia ver a Laguna Sucia 300 metros abaixo, que visitei ontem. Mostrava o deságüe da laguna Los Tres descendo para se juntar ao deságüe da Sucia. Enquanto esta tinha uma cor verde-cimento, a Los Tres tinha uma cor azul. Passei uma hora ali por cima. Mais turistas chegaram à laguna. Alguns alpinistas com mochilas grandes Black Diamond com o capacete coroando o topo da mochila. Ao meu ver há uma hierarquia de respeito neste ambiente. Em baixo, os turistas que fazem passeios de um dia e voltam para El Chaltén antes de escurecer. No meio, os trekkers, que percorrem o parque dormindo em tendas. No topo, os escaladores. Um grupo de montanhistas subia em calmo zig-zag uma encosta com neve do Cerro Madsen. Tive a impressão que se tratava de um grupo guiado, com turistas que queriam experimentar a sensação do montanhismo, pois o Cerro não é um troféu cobiçado pelos escaladores veteranos. A Laguna de Los Tres é imperdível nesta viagem. Se não tiver tempo, esqueça a Sucia, mesmo porque vai vê-la de cima. Desci e segui para o Poincenot. Desmontei a barraca, arrumei a mochila e zarpei para Pedra del Fraile, no vale do rio Electrico. Tive de atravessar novamente o Rio Blanco, pois queria descer o rio pela margem esquerda verdadeira. Trilha bem menos batida e mais aventurosa, pois tinha de subir e descer o barranco algumas vezes e na maior parte seguir pelo leito seco do rio. A maioria prefere seguir pela fácil trilha na margem direita. Pela esquerda se ganha algum tempo além de vc poder entrar no vale da laguna Piedras Blancas. Depois de 30 min. subi um morro que na verdade é a morena lateral do Glaciar Piedras Blancas e cheguei na entrada do vale. Mais 30 minutos e estamos na laguna. O último trecho tem boulders grandes, com trepa-pedra, mas não é nada difícil. A visão é muito bonita. O pequeno lago, com alguns icebergs, um paredão atrás e logo acima, pendurada como numa prateleira, a geleira, com os seracs na beira, ameaçando cair. Presenciei uma avalanche de neve. Demorei a pegar a câmera porque sempre fico na dúvida entre olhar ou perder tempo caçando a máquina fotográfica. A verdade é que as avalanches não são tão rápidas. Dá tempo para fotografar. Apesar da demora ainda consegui filmar e fotografar o final. Voltei. Percebi que alguns grandes boulders na entrada do vale são usados para bouldering. Vários grampos fixos na rocha (bolt hanger) davam segurança para os praticantes. Para cruzar o rio que vem da laguna tive algum trabalho para achar o ponto correto da travessia. Não há ponte. Umas pircas indicam o local. Não é preciso pular pedra, apenas cuidado com o balanço na hora de passar de uma pedra para a outra no cruze. Puxe a mochila para junto de suas costas. Mais alguns metros para baixo e reencontramos o Rio Blanco por onde continuará a descer. Este último trecho é mais selvagem. Só vi um casal de trekkers na trilha. O caminho para o Piedras Blancas desde o Poincenot é bem freqüentado, mas não este trecho. Com 40 minutos vc chega numa cerca que indica o fim do parque nacional. Ao passá-la entra em propriedade privada. Segui observando trilhas entrando para a mata à esquerda, pois sabia pelo mapa que não precisaria ir até a estrada de rípio para depois dobrar a esquerda. Entrei numa trilha que depois passou a seguir numa direção oposta (Sul), por um bonito vale lateral. Concluí que estava errado e voltei ao leito do rio. Com mais uma andada achei a trilha certa e foi só seguir. Entrei na maior floresta de lengas até então. Um capim baixo parecia convidar para acampar ali mesmo, em qualquer lugar do bosque. Mais adiante, à direita, o rio Electrico corria caudaloso. É bem uma hora para chegar a Pedra Del Fraile. Apenas quando saí da floresta é que vi a pequena casa verde limão do Refúgio Los Troncos. Um casal simpático me recebeu dentro do restaurante. Mercedes e Juan. Na verdade eles são de Corrientes, província que faz divisa com o Rio Grande do Sul. Mercedes me disse que era o 2º brasileiro ali, na temporada. Levei cerca de 5 horas desde o Poincenot, considerando a entrada para o Glaciar Piedras Blancas. Paguei 25 pesos por pernoite no camping (único lugar para pernoite na região) com direito a banho quente. Era segunda à noite e desde a sexta anterior, pela manhã, não tomava banho (apenas usava baby wipes antes de dormir – atire a primeira pedra quem já tomou banho de panelinha naquela água fria – não podemos entrar direto no rio). Havia apenas uma ducha bem concorrida. Armei minha barraca, coloquei as coisas dentro e esperei vagar o chuveiro. Como demorava e tinha fila na porta decidi jantar, só que desta vez fugi da macarronada e resolvi usar o restaurante. Um bife com purê de batatas: 55 pesos. Não estava bom. O preço e a comida. Mas depois de alguns dias de macarrão, passa por um banquete. O acampamento é bem abrigado. Rodeado por uma cerca de madeira e logo atrás da Pedra Del Fraile, um imenso errático que até duvidamos que uma geleira tenha trazido até ali. O lugar é bonito. Havia cerca de 10 barracas e muitos franceses. Além das duchas, há um pequeno espaço abrigado encostado na rocha da pedra, onde cada ocupante do camping pode montar sua cozinha livre da chuva. Parecem baias de cavalo. Um casal americano já usava um destes. Quem quisesse poderia alugar um abrigo (havia 2 ou 3 bem rústicos). Tomei um bom e demorado banho quente antes de escurecer. Lavei camisa e cueca. Foi bom ser o ultimo, pois senão poderia ter gente batendo na porta pela demora. Mas se fosse um pouco mais tarde iria precisar de lanterna no banheiro, pois não havia luz elétrica no camping (o aquecimento da ducha era a gás). Outro dia lindo. Dormi o sono dos justos. Terça, 09/12. Amanheceu bonito, novamente. Acordei a tempo de ver os franceses desarmando as barracas. Parecia ser uma expedição patrocinada pela North Face pelo nº de barracas enormes do mesmo modelo no local. Depois compreendi: tratava-se de um grupo e as tendas deviam pertencer a uma firma de turismo que as incluía no pacote. Quando vi colocando-as em grandes sacolas com o logotipo TNF percebi que se tratava de um modelo não destinado ao trekking ou a escalada, mas a car camping. A bagagem foi carregada em cavalos por arrieros que aguardavam o grupo. Foi engraçado ver os franceses correndo despudoradamente para os banheiros pela manhã cedo. Parece que a incontinência vem com a idade. O americano da barraca ao lado, cuja namorada era lindíssima, veio curioso perguntar sobre a minha tenda e pediu-me para ver seu interior. Mostrei-lhe minha Ligthwave Trek t0. Ele gostou da barraca. Achou-a ideal para uma pessoa. O dono sempre fica orgulhoso quando seu barraco chama a atenção. Segui para o Cerro Electrico, pois me disseram que valia muito mais uma visita que o Lago Electrico e o Glaciar Marconi, subindo o vale. Os vaqueiros disseram que o dia estava perfeito para tentar a subida. Parece que um bom indicativo é a ausência de nuvens. A trilha começa num portãozinho na cerca do camping e ruma para a montanha. Sobe entre dois córregos (chorrillos) que descem a montanha. Reclamei da subida a laguna Los Três, mas esta é mais puxada. A encosta estava enfeitada por bonitos arbustos cheios de flores vermelhas, chamados notros. No topo passei por um errático que serve de vivac. Descobri que o “topo” na verdade é apenas um pequeno platô e devia subir mais. O lado Norte do Fitz Roy já fica visível. A trilha some num empedrado. Pircas indicam o caminho. Mais subida, com alguns manchões de neve e cheguei no glaciar. Tomei a esquerda subindo uma arista empedrada para ver de cima. A pequena laguna está quase toda coberta de neve. Só percebemos tratar-se de uma laguna porque perto do deságüe tem uma pequena faixa livre de gelo. À direita da laguna, para quem sobe, uma encosta nevada e, acima, o Paso del Quadrado. O nome vem de um grande rochedo quadrado ao lado do passo. Pegadas na neve indicavam que montanhistas haviam subido para o passo, que fica no lado direito do quadrado. De onde estava, via o topo da Aguja Pollone, atrás do passo, outro grande desafio para escaladores. Pensei em subir para o passo, pois a neve estava com uma consistência ótima (nem mole – para raquetas - nem dura – para crampons). Mas a minha bota não tinha solado espesso e não trouxe minhas polainas (deixei ambas em casa). O que mais pesou foi não ter a piqueta para um mínimo de segurança (self belay). Continuei subindo rumo ao cimo do cerro Electrico, através de um campo de boulders. Porém a subida era chata e cansativa. Até ali já havia gastado cerca de 2,5 horas. Resolvi dar meia volta porque ainda iria hoje para o campamento da Laguna Capri. Na descida encontrei um simpático casal jovem de escaladores argentinos que tb estavam acampados na Piedra del Fraile. A argentina muito bonita (só dá mulher sarada neste meio!). Disseram que iam escalar o Guillaumet. Desejei-lhes sorte e que o tempo continuasse boníssimo, ao que responderam “Oxalá”. Desci e botei tudo na mochila. Eu me despedi do pessoal do camping e segui para a estrada. Depois do bosque de lengas o caminho é chato, pois segue por um trecho arenoso, antigo leito de rio (deve encher com chuvas fortes), até chegar numa cancela e logo adiante a ponte sobre o Rio Electrico (a trilha sai ao lado da ponte, na margem direita). E estava quente. Encontrei o casal simpático de canadenses que vinha seguindo o mesmo roteiro nos últimos 3 dias. Estavam esperando o táxi contratado para os levar a El Chaltén. Dobrei a direita e segui pela estrada de rípio no sentido El Chaltén. Pouco depois cruzei uma pequena ponte sobre o Rio Blanco e, logo adiante, entrei para a Hosteria Del pilar, a direita. Adentrei no bonito e simpático hotel para perguntar onde continuava a trilha. O dono prontamente respondeu. Pedi uma Coca e perguntei o preço para uma diária de casal. Das janelinhas dos quartos dava para ver o Fitz Roy. Mas a vista tinha um preço: 400 e tantos pesos (versus 40 por pessoa num albergue em Chaltén). Quase engasgo com a Coca. Segui. A trilha no começo vai num sobe-e-desce chato pela encosta. Depois descobri que peguei uma derivação paralela. O ideal é seguir o máximo a beira do leito do Rio Blanco e só subir a encosta a esquerda quando não houver mais caminho junto ao rio. Trilha fácil e bem batida. Não é a toa que o pessoal prefira vir do Poincenot para Pedra del Fraile por aqui. Ouvi um barulho de trovão. Na verdade era uma avalanche no Glaciar Piedras Blancas, pois o barulho vinha de sudoeste. Naquela hora do dia, cerca de 16 hrs, a neve e o gelo já tinham sofrido bem com a “insolação”, um horário propenso a estas avalanches. Da Hosteria Del Pilar até o mirante do Glaciar Piedras Blancas (vc vê o glaciar de uma elevação do outro lado do rio) não tem quase movimento. Neste caso, acho que devido ao horário mais avançado da tarde. Tirei umas fotos do mirante e segui. Entre ele e o Poincenot muita gente só de mochilinha. Meia hora depois a bifurcação para o campamento Poincenot. Segui a esquerda para El Chaltén. Cerca de uma hora depois uma bifurcação à direita com placa indicando a Laguna Capri. Mais 10-15 minutos e chega-se na laguna, bonito local. Pouquíssimas barracas. Talvez cinco. Armei a barraca não longe da água. Aproveitei para examinar os calos em ambos os mindinhos dos pés. Vacilei no cuidado com os pés. No corre-corre para chegar a tempo nos acampamentos e fazer os side trips, deixei a meia molhada de suor dentro das botas. Num trekking isto é imperdoável. A água para uso é da lagoa, límpida e potável (acho). Uma gringa passou e perguntou onde havia um riacho próximo. Respondi que não havia (possivelmente o córrego que alimentava o lago deveria ser do outro lado). Era acreditar naquela água ou fervê-la. Comi minha janta num mirante a beira do lago, vendo o Fitz Roy ao entardecer. Um casal de patos com dois filhotes estavam bem junto ao acampamento e tirei fotos deles. Este acampamento, apesar de aparentemente ser o menos freqüentado entre aqueles em que fiquei, era o mais sujo. Embora a sujeira fosse pouquíssima, chamava a atenção justo porque a limpeza era regra nos demais. Talvez porque fosse o mais perto de El Chaltén, mais ao alcance dos farofeiros. Um pouco mais acima, na trilha que seguia para El Chaltén, uns barracos maiores onde parece que uma empresa de atividades outdoor guardava equipamentos, possivelmente caiaques. Tinham também um acampamento organizado com algumas barracas Doite grandes. Outro dia lindo passou. Estava começando a pensar que aquela história toda do terrível clima patagônico era um mito. Quarta, 10/12. A noite foi mais quente que nos acampamentos anteriores. Acho que quanto mais afastado dos glaciares, mais quente fica. Após o café, desmontei o acampamento e segui para El Chaltén. Pretendi passar pela cidade, telefonar para o Brasil e re-suprir alguns itens antes de seguir para a laguna Toro, meu destino neste dia. Desci as montanhas e num trecho longo avistamos o bonito vale do Rio de las Vueltas. Caminhei ouvindo MP3 e estava muito alegre. Apesar de ser muito gostoso descer uma trilha fácil ouvido música às vezes atrapalha quem vem atrás e quer ultrapassá-lo. Como ia rápido isto só aconteceu uma vez. Por precaução diminui o volume. Depois da saída do parque a esquerda uma panaderia onde comprei pão integral. Depois entrei num locutório para ouvir vozes queridas e dali eu segui para uma pequena mercearia, para comprar um pouco mais de leite em pó, queijo e café. O café vêm em sachês ! Segui então para o extremo sul da cidade para a sede do guarda parques, ao lado da ponte sobre o Fitz Roy, onde começava a trilha. Passei por um casal de jovens mochileiros comendo debaixo da sombra de uma árvore, junto a calçada. Uma loirinha linda de cachinhos comia compenetrada o seu müsli. É bonito ver que não é a grana pouca que impede as pessoas de conhecer o mundo. Na sede dos guarda parques tive de preencher meu nome e data estimada de volta da laguna Toro, num formulário, já que esta trilha é bem menos freqüentada. Registrei a volta para dali a dois dias (embora planejasse voltar amanhã mesmo). Precaução caso gostasse do local e quisesse ficar mais um dia. Fiquei triste ao saber que para ir até Paso de Los Vientos (vistas espetaculares para o gelo continental) era necessário um arnés (cadeirinha?), para cruzar numa tirolesa um canyon sobre o rio que vinha do glaciar até a laguna Toro. Paciência. Fica para outra vez. A trilha bem marcada sobe e desce uns pequenos vales com córregos, numa área sem mata, parecendo uma estepe. Uma rocha semelhante a um ovo em pé magicamente se equilibrava à direita da trilha. Começa uma subida mais empinada e, perto do topo, uma floresta de lengas. Mais alguma subida e andamos alternadamente entre bonitos campos e bosques de lengas. Os campos repletos de dentes de leão e de flores amarelas, parecendo um pouco com margaridas. Imaginei um vendaval. Deve soprar uma nuvem de dentes de leão. Levantei os bastões para não derrubar as flores ao lado da trilha. Cerca de 2,5 horas encontramos uma tabuleta numa bifurcação que indica as direções da Loma Del Pliegue Tumbado (3 horas) e do Lago Toro. Segui para o lago. Adiante um charco onde a trilha se perde, mas logo uma tabuleta do parque indica a direção. Os campos dão vez a uma floresta de lengas e a subidas. Em alguns trechos a trilha está tomada por água escorrendo e é necessário desviar. Até que finalmente saímos da floresta e chegamos num prado alpino, com pequenos bosques de lengas ali e acolá, o prado parece até um campo de golfe. E só andar um pouco que percebemos que o terreno na verdade está todo encharcado. Por isso não há trilha. Na saída da floresta há uma placa sobre um tronco sustentado por um tripé de troncos indicando que a entrada na floresta é aquele ponto de onde saí (para quem vem em sentido contrário). Segui cuidadosamente por onde parecia ser o rumo natural da trilha, ou seja, subindo um pouco à direita, pois sabia que teria que continuar a contornar a Loma Del Pliegue para entrar no vale do rio Toro, à direita. De fato, após alguns metros, avistei o mesmo tipo de indicação adiante (um tripé de troncos). Ali se vê a linha de uma antiga cerca, a trilha seguindo paralela. Mais terreno encharcado. O bastão é útil para sondar o terreno. Também botei o máximo de peso nos bastões para tirar um pouco de peso dos pés, para a bota afundar menos. À esquerda, uma linda vista do Lago Viedma, a S-SE. Pouco adiante encontrei descansando dois trekkers gringos, que vinham em sentido contrário. Perguntei quanto tempo seria até a laguna Los Toros. Informaram que levaria 2,5 horas e que eu seria o único lá, já que na noite anterior eles foram os únicos. Não pude deixar de dar um sorriso, depois de ver tanta gente nas trilhas do parque. Agradeci e segui. Começa então uma longa descida até o fundo do vale. No começo bosques baixos de lengas (ficam assim devido ao peso da neve acumulada no inverno) alternados por campos de flores. Tirei foto. Mostrando para alguém poderia dizer que eram os Alpes suíços. Ao fundo, para W, via-se o lago Toro e o glaciar. Acima, o Paso de los Vientos. Mais para baixo um cenário triste. O resquício de uma antiga floresta de lengas que queimou num incêndio, em 1910. Incrível como a recuperação é lenta! Por isso não permitem fogueiras no parque. No chão do vale permanecemos no lado esquerdo (verdadeiro) do Rio Toro e cruzamos chorrilhos que vem das montanhas à direita. Com cerca de uma hora chegamos ao acampamento Toro. Logo antes de chegar um grupo de 4 alpinistas vinha seguindo no sentido inverso, para El Chaltén. Eles estavam com os rostos bem queimados, sinal de dias passados na neve. Pelo adiantado da hora chegariam no escuro na cidade, o que não era problema com boas lanternas de cabeça. Não sei porque eles não optaram por descansar esta noite no acampamento Toro para só amanhã voltar. Descobri logo o porque. Ao chegar observei que o acampamento ficava atrás da aresta de uma montanha, muito bem abrigado dos ventos de oeste. É necessário contornar esta aresta pela esquerda para efetivamente se enxergar a laguna Toro. O local era rodeado por uma cerca de troncos, algo que não vi em nenhum dos outros acampamentos do parque. Será que há ventos fortes vindo de E, que exigem esta proteção? Dentro a área para acampar, um refúgio e, claro, a letrina. Não gostei muito do aspecto um pouco tenebroso do local. Provavelmente por ser mais escuro, na sombra da aresta, ao contrário dos outros locais para acampar, que estavam abertos para o sol à oeste, ao final da tarde. Escolhi um ponto e comecei a armar a tenda. Cedo percebi que o lugar é infestado de mosquitos (pernilongos). E não trouxe repelente. No Brasil nunca acampei num lugar tão cheio de mosquitos. Tratei de fazer logo a janta. Não podia ficar parado muito tempo por causa dos malditos insetos. Logo que a janta ficou pronta fui com a panela para as pedras junto ao rio para pegar um pouco de vento, assim não sendo incomodado pelos mosquitos enquanto comia. Água cheia de suspensão no Rio Toro. Estava bem caudaloso o deságüe. Outra coisa que percebi foi que estava com um déficit energético. Cheguei morrendo de vontade de beber alguma coisa açucarada. Procurei desesperado o Tang em pó dentro da mochila. Também, depois de beber muita água, a gente fica com uma vontade louca de beber algo diferente. Provavelmente os escaladores sabiam dos mosquitos. Além disto, depois de dias na montanha quem é que não quer ir direto para a cidade tomar um vinho ou uma cerveja gelada e comer um bom bife? Eu me descuidei no caminho para cá e molhei a bota num charco. Levei-a para a morena para deixá-la pegar os últimos raios de sol da tarde e vento seco. Fui dormir ainda com a luz do dia porque estava cansado e saturado dos mosquitos. Dentro da barraca teria paz. Antes de pegar no sono um grupo de argentinos com cadeirinhas surgiu. Acho que fizeram uma excursão de um dia para o Paso de los Vientos ou estavam escalando em rocha nas proximidades. Perguntaram-me se havia um córrego próximo. Disse-lhes que só no rio, a 200 metros. Examinaram o acampamento e depois seguiram para El Chaltén. Fora da tenda uma revoada de mosquitos. De El Chaltén (sede dos guarda parques) até o lago Toro levei 5:15, incluindo aí 15-20 minutes para lanche. A placa do parque dizia 7 horas. O pessoal de El Chaltén falou em 6 horas. Quinta, 11/12. A noite foi a mais quente até o momento. O acampamento é realmente protegido dos ventos. Não fechei sequer a porta do vestíbulo. Estava sozinho e não precisava de privacidade. Pude dormir de cueca, com o saco semi aberto. Acordei e olhei pela tela da porta. Outro dia ensolarado.Fiquei aborrecido não com o que vi através dela, mas o que estava pousado na tela: um monte mosquitos. Comecei arrumando o máximo que podia dentro da barraca para não fazê-lo do lado de fora. Tive de interromper a tarefa e sair para urinar. Corri para o meio do campo de pedras na morena terminal. Ali, com o vento, os mosquitos incomodam menos. Voltei e entrei na barraca, para terminar a arrumação. Só que neste entra e sai alguns mosquitos conseguiram entrar. Passei a caçá-los e matei-os contra o tecido da tenda.Para meu espanto alguns já estavam papudos com meu sangue e sujaram o tecido da barraca. Tive de usar o baby wipes para limpar. Saí para comer um müsli no meio das pedras, na morena, e pegar minhas meias que havia deixado lá para secar (o vento seco é muito eficiente). Voltei para o acampamento, desfiz a barraca e arrumei a mochila. Deixei-a em pé junto ao refúgio. Peguei a pochete com um lanche e fui para a Laguna Toro tirar fotos e ver se descobria o caminho para a tirolesa. Perto do final da Laguna, de onde vinha o rio do glaciar alimentar o lago, deu uma baita dor de barriga. Subi a encosta uns 80 mts acima do lago para fazer a necessidade ali mesmo. Não estava a fim de usar aquela latrina do acampamento, ainda por cima com os mosquitos fazendo a festa. Cavei um buraco com a bota no descampado. Não tive a menor preocupação em procurar me esconder atrás de uma rocha, pois era em torno de 10:30. Para alguém chegar lá neste horário teria de sair de El Chaltén as 5:30 – 06:00, algo impossível. Arriei as calças e me agachei. No instante em que “obrava” (como diria meu tio português) olhei para o lado oposto do glaciar e vi dois mochileiros vindo em minha direção. Ainda estava um pouco longe, mas o gesto de arriar as calças e se agachar é universalmente compreendido mesmo à distância. Os dois desaparecerem num vale entre duas morenas e mais que depressa terminei o serviço. Enterrei a prova do crime. Na pressa, esqueci o papel higiênico, que o vento tratou de carregar. Tive que caçá-los correndo, espetando-os com o bastão. Enterrei-os também rapidamente. Leave no trace. E temia que os turistas fossem ecochatos e me repreendessem por não ter usado a “letrina” do acampamento. Lavei as mãos com a água do cantil e em seguida eu me recostei numa pedra para fazer o lanche. O ruim é que a trilha passava bem ao lado, assim o encontro com a dupla era inevitável. Os dois se aproximaram e saíram da trilha direto na minha direção. Para meu espanto, reconheci pelos uniformes que eram rangers (guarda-parques). Deviam estar fazendo uma patrulha. - Merda! - Pensei.- Agora vou levar uma multa ou no mínimo um carão por c......r no lugar errado!! O guarda estendeu a mão e me cumprimentou amigavelmente. Perguntou se a mochila no abrigo era minha, respondi positivamente. Ficaram preocupados porque eles viram a mochila sem ninguém por perto. Perguntaram se iria para o Paso de Los Vientos. Disse que não, pois não tinha cadeirinha para usar a tirolesa. Eu comentei que era até possível atravessar o rio através do delta, pois o rio se subdividia em vários canais antes de entrar no lago. Era apenas questão de não ter receio de molhar os pés na água gelada. Disseram que estavam subindo para o Paso. Perguntei-lhes porque não deixavam as mochilas ali, já que teriam de voltar pelo mesmo lugar. Responderam que não, que seguiriam adiante, descendo pra o outro lado. Antes de chegar ao gelo continental, na encosta, virariam a esquerda e contornariam por trás o Cerro Huemul que estava na nossa frente. Belo trajeto.Deu vontade de acompanhá-los, mas seria muita cara-de-pau pedir emprestado a cadeirinha para passar a tirolesa. Despedi-me deles e desejei-lhes sorte. Ufa! Ou não viram ou não acharam nada de mais, ou ainda não queriam perder tempo com um simples ato fisiológico. Achei os guardas simpáticos e responsáveis. Não costumo ver o pessoal do Ibama patrulhando nossos parques. Ficam apenas nas bilheterias cobrando ingresso. Na Argentina eles são bem mais organizados e eficientes. Mas justiça seja feita: na Argentina a única missão deles é zelar pelos parques e pelos visitantes. No Brasil o Ibama tem pouca gente e tem de fazer de tudo: licenciamento ambiental, fiscalização, licença de importação e exportação para alguns produtos, além de administrar os Parques Nacionais. Depois, checando no mapa, vi que realmente havia uma trilha circundando o Huemul. Não sei se era aberta ao público. Era trilha para mais 2 ou 3 dias, pelo menos. Voltei ao acampamento, peguei as coisas e parti. Cruzei novamente, de volta, alguns riachos que em época de muita chuva eventualmente podem deixar alguém aprisionado no vale. Apenas uma mochileira solitária passou por mim, em sentido contrário. Uma hora e dez minutos estava no sopé do morro e iniciei a subida. No topo, na placa que indicava para a Loma del Pliegue Tumbado, fiz um lanche e escondi a mochila. Um bando de íbis passou voando baixo. Subi o morro apenas com minha pochete. Sem trilha. Algumas pircas espaçadas davam orientação, o que não era muito necessário, pois o terreno estava nu (acima da linha de árvores) e a navegação era fácil com um mapa. Achei a trilha da qual, no dia anterior, havia visto a entrada. Mais alguma subida e chegamos a um mirante com vista ampla para a Laguna Torre, o cerro Torre e os seus vizinhos. O Pliegue Tumbado fica 200 mts acima, com uma encosta mais empinada.Logo antes do topo um pequeno paredão obrigava as pessoas a subir diagonalmente para a esquerda, na encosta leste, ainda com neve. O problema é que a diagonal era um pouco exposta, uma queda de 5 a 10 metros. Dois casais estavam subindo. Observei-os. Ao chegar no trecho exposto paravam não sei se para avaliar ou para colocar crampons. E seguiam. O(a) da frente ia em pé, o(a) de trás, de quatro. Com o segundo casal a mesma coisa. Só que a pessoa de quatro congelou, não ia para frente nem para trás, na travessia. Só depois de algum tempo recuperou a coragem e seguiu. Desconhecia esta nova técnica para subir na neve, de quatro. Na descida, um dos casais fez glissading na encosta nevada. Voltei, pois ainda tinha que voltar para o local da mochila. De lá seriam mais duas horas até El Chaltén. Volta tranqüila, já ao final da tarde. Como a sede dos guarda parques estava fechada, coloquei a folha do registro por baixo da porta, para que no dia seguinte soubessem que voltei. No céu, ao entardecer, o espetáculo das nuvens. Cada formação lindíssima. Parece que aqui na patagônia as nuvens (cirrus) capricham nos tipos e formas. Segui para a avenida Lago Del Desierto, onde procurei o albergue Lago Del Desierto, recomendado por Silvia e pelas Dicas de El Chaltén, nos Mochileiros. Não deu errada. Pessoal simpático. O Toni foi muito atencioso. Pedi um quarto para ficar sozinho. Como não estavam cheios, deram-me um quarto com 6 beliches e banheiro.Sabiam que naquele horário não chegaria mais gente. Preferia ficar só para espalhar minhas coisas e ficar mais a vontade depois de 5 noites acampado. Não cobraram a mais por ficar sozinho no quarto. Paguei 40 pesos. Não precisava café da manhã, pois sobrou comida e gás no fogareiro e o quarto tinha uma mesa.Tomei um belo banho demorado. O jardim do albergue estava mais cheio que os quartos. Era também um camping. Creio que pela metade do preço ou menos oferecia chuveiros, banheiro e cozinha comunitária. Havia um grupo de tendas com jovens que pareciam formar uma confraria de escaladores hippies de todas as nacionalidades. Barracas 4 estações com sinais de muito uso. Um dos passatempos deles era comprar um garrafão de vinho e sentar nos bancos conversando e dividindo a bebida. Jantei um cordeiro patagônico delicioso no El Viejo. Acho que para carnes é o melhor que há em El Chaltén. Sexta, 12/12. Mais um amanhecer bonito. Fui para o Rancho Grande para pegar a van de 8:30 que fazia um passeio para o Lago Del Desierto. Decidi ir num esquema turistão porque senão teria de caminhar 36 km por estrada de rípio, coisa muito sem graça, ou tentar pegar carona (hacer autostop), com pouca chance de sucesso. A estrada é pouco movimentada e os poucos carros que passam são táxis e vans de turismo. Preço do passeio: 80 pesos. Parte dos passageiros era de ingleses, que saltaram na Hosteria Del Pilar. É uma opção para começar o circuito a partir de um ponto mais distante e ir voltando para El Chaltén. Todos eles com bastões de trekking, o que é regra aqui, mesmo para passeios de um dia, mostrando que entre estrangeiros o bastão é corriqueiro. Observei que os alpinistas também usam. Eles não carregam peso à toa. Afinal, para levar uma mochila de 80 a 90 litros é bom ter um apoio para manter o balanço. A Estrada que entra no vale do Lago do Desierto é bonita. Curiosidade: ela foi inaugurada por Nestor Kirchner quando era governador da Província de Santa Cruz em 1995. Depois de cerca de 1:30 de viagem, chega-se na extremidade sul do lago. Ele é estreito e comprido, no sentido Norte-Sul. Há um píer de onde parte um barco para o extremo norte. A van fica esperando as duas horas que o passeio de barco leva. Esta excursão lacustre custa 90 pesos. Não fui. Era turistão demais para um só dia. Assisti a um grupo de simpáticas ciclistas neozelandesas, de pernas saradas, embarcar suas bicicletas no barco. As bikes vinham carregadas com alforjes. Uma das bicicletas rebocava um trolley, que deveria ter o equipamento comunitário do grupo. Parece que percorriam a Patagônia daquele modo. Outra opção é um passeio ao Glaciar, cerca de meia hora distante. Deve-se pagar 16 pesos porque fica em propriedade particular. Não queria andar muito porque sentia ainda os calos. Preferi atravessar uma ponte pênsil sobre o Rio de las Vueltas e percorrer o início da trilha que vai para o extremo norte do lago. Até lá são 5 horas de caminhada. Depois de 15 minutos parei ao lado de um córrego que descia em cascata para o lago e fiz meu lanche. Deu para observar que o caminho que segue para o Norte é uma boa trilha e bem batida. Provavelmente alguns deslizamentos de terra podem tornar alguns trechos mais difíceis. Vai ficar para outra ocasião. Pelo mapa, ao Norte do lago inicia uma trilha seguindo para oeste até a Laguna Del Diablo, quase divisa com o Chile. Trilha muito pouco movimentada. O mapa sugeria um guia para fazer o trecho. O lago é bonito. Mas nada que justifique a quase guerra entre Argentina e Chile por sua causa. Depois do lanche e fotos regressei para esperar o barco e a volta para o vilarejo. O rio de las Vueltas margeia a estrada durante a maior parte do trajeto. Imaginei a classe de dificuldade que seria uma descida de caiaque naquele rio. Logo no início, após o deságüe do Lago Del Desierto (origem do rio) algumas quedas d’água e troncos atravessados tornam a descida difícil. Ao chegar à cidade, dei um pulo no Camping Center, loja que conheço de BsAs e que tem filial aqui. Comprei novas palmilhas para botas porque as minhas esqueci em laguna Toro, tal a pressa para fugir daqueles mosquitos pestilentos. Havia tirado-as do calçado para secar mais rápido, e as coloquei em outro local afastado da bota, para o vento não carregar. Comprei ainda um par de meias e um boné para frio muito bom, da Lowe Alpine. Fiquei tentado a comprar uma piqueta italiana, para montanhismo geral, de 350 pesos. Leve, me pareceu muito boa. Mas segurei a vontade. Meu sonho é outra, da Black Diamond. Passei também numa loja de atividades de montanha. Soube lá que o trekking pelos gelos continentais (algo como 5 dias) custa US$2.200!! Consegui ficar outra noite no quarto sozinho. Toni me disse que o movimento neste final de ano estava fraco, talvez devido à crise econômica mundial. Falou que houve uma temporada com muitos brasileiros, como se fosse uma moda. Jantei no Ahonikenk, preço bem justo. Restaurante cheio de nativos sempre é bom sinal. Passei na pousada El Nativo para cumprimentar a Guadalupe. Realmente acertei em ficar no albergue Lago Del Desierto. A Nativa era bem menor e estava mais muvucada. Se quisesse ficar num quarto sozinho teria de me contentar com um cubículo, por 60 pesos e com banheiro no corredor. Sábado, 13/12. Acordei 6 horas com um nascer do sol espetacular de frente para a janela do quarto. Tomei meu desayuno ainda com o que sobrou dos mantimentos. Fui para o Rancho Grande pegar o ônibus de volta à El Calafate e dali o vôo para BsAs. Após iria para o Rio de Janeiro, onde passaria o resto das férias com a família. É maravilhoso o contraste entre a Patagônia e a nossa terra tropical. Deixei para trás El Chaltén feliz por ter conhecido um dos locais mais bonitos das Américas, com o corpo mais leve (uns 2 kg) e a alma renovada.
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