Ir para conteúdo
  • Cadastre-se

Pesquisar na Comunidade

Mostrando resultados para as tags ''japão''.



Mais opções de pesquisa

  • Pesquisar por Tags

    Digite tags separadas por vírgulas
  • Pesquisar por Autor

Tipo de Conteúdo


Mochileiros.com

  • Perguntas e Respostas
    • Perguntas e Respostas
    • Destinos
  • Relatos de Viagem
    • Relatos
  • Companhia para Viajar
    • Companhia para Viajar
  • Equipamentos - Perguntas e Repostas
    • Equipamentos
  • Trilhas e Travessias
    • Trilhas e Travessias
  • Mochilão Roots
    • Mochilão Roots
  • Viagem de Carro
    • Viagem de carro
  • Viagem de Moto
    • Viagem de moto
  • Cicloturismo
    • Cicloturismo
  • Outras Tribos Viajantes
    • Outras Tribos Viajantes
  • Outros Fóruns
    • Outros Fóruns
  • Promoções
    • Passagens Aéreas
  • Work Exchange
    • Work Exchange - Troca de Trabalho por Hospedagem

Categorias

  • América do Norte
  • América do Sul
  • Ásia
  • Europa
  • Oceania
  • Oriente Médio

Encontrar resultados em...

Encontrar resultados que...


Data de Criação

  • Início

    FIM


Data de Atualização

  • Início

    FIM


Filtrar pelo número de...

Data de Registro

  • Início

    FIM


Grupo


Sobre mim


Lugares que já visitei


Próximo Destino


Tópicos que recomendo


Ocupação

Encontrado 20 registros

  1. Esse é o relato da nossa viagem pelo Japão. Fomos em casal, fizemos todas as reservas sozinhos. Pesquisamos muito antes de viajar, lemos muitos roteiros e dicas da internet e de alguns amigos que já tinham ido. Tentei ser objetiva e coloquei tudo em tópicos para facilitar. Se ainda tiverem alguma dúvida, só perguntar. Porque conhecer o Japão: país limpo, organizado, com pessoas muito simpáticas e uma cultura única. Tudo no Japão é novidade. Você não precisa ir para nenhum ponto turístico para vivenciar coisas diferentes. Sempre tive receio dos preços, mas não achei nada absurdo para fazer as coisas básicas. Também não é um local para voltar com 3 malas cheias de compras. O único problema do Japão é que ele é longe do Brasil, e como é longe! A viagem é bem cansativa, mas vale muito a pena. Dados da viagem: Partida do Rio: 28/12/2017 / Retorno do Japão: 19/01/2017 Compra da passagem aérea: sempre fazemos pesquisa pelo site do “kayak”, que eu considero um dos melhores. O bom dele é que você pode criar alertas de preço, então,quando o preço cai, você recebe um e-mail avisando. Viajar pela ANA (All Nippon Airways): essa é a segunda maior empresa aérea japonesa. Ficamos apaixonados pelo serviço de bordo. Além das comissárias serem japonesas fofas, sempre sorridentes, as comidinhas são ótimas! Para vocês terem ideia, serviram Häagen-Dazs! E foi, praticamente, um rodízio de Häagen-Dazs, porque tinha a vontade! Pena que dos 4 trechos da viagem (Rio X Houston X Tóquio X Houston X Rio) apenas um foi de ANA e os outros trechos foram operados pela United, que não chega aos pés da ANA. Viajar no INVERNO: como eu sou professora, só tenho férias no verão e no inverno, que são as piores estações, de forma geral. Acredito que não é bom nem calor e nem frio demais. Entretanto, viajar no inverno tem suas vantagens no hemisfério norte. Eles não estão de férias, então é baixa temporada e os locais estão mais vazios. Além disso, algumas paisagens incríveis e sentir neve caindo, você só vai ter no inverno. O Frio tava tranquilo, não é nada nível Canadá. A média era de 5 graus, exceto Hakone e Takayama que era negativo. Preço das coisas: ( para facilitar a conversão, corte dois zeros e tem o preço aproximado em dólar. Exemplo: 1000 JPY = 10 dólares) Garrafa de água - 100 JPY Almoço (standard) - entre 500 e 1000 JPY Cerveja - 500 JPY (sim, bebida alcoólica é bem caro) McDonald's - 600 JPY (o trio) Café da manhã no McDonald’s - 300 JPY (o trio também) Passagem de metrô - varia com a distância, mas uma média de 200 JPY Cafézinho - depende, no McDonalds’s é 100, numa cafeteria são uns 300 Curiosidades: O banco dos trens são aquecidos As privadas são muito high tech. Elas tocam música com sons de descarga (para não ouvirem barulhos), lava em diferentes ângulos com água quente, o assento esquenta Mão inglesa dos carros, das ruas, dos pedestres Todo mundo leva muito a sério usar o lado esquerdo da escada rolante Tem água de graça em todos os estabelecimentos. Inclusive, eles quase não compram bebidas para acompanhar a comida. Não vi ninguém almoçando com Coca-Cola, por exemplo. Eles tomam muito chá verde, e também é oferecido grátis nos restaurantes Não existe taxa de serviço ou gorjeta nos restaurantes As faixas de pedestres “tocam” música quando o sinal abre para atravessarmos. É fofo o som de passarinhos. Eles não falam inglês! Isso é meio chocante. Eles têm uma educação muito boa, descobrem inúmeras inovações tecnológicas, mas não aprendem outra língua. Assim, eles falam um pouquinho, e só alguns. Mesmo no hotel nos deparamos com atendentes que não falavam. Entretanto, a comunicação é fácil. Eles são extremamente solícitos e esforçados para ajudar em tudo. Comida: A essa altura, você já deve estar sabendo que o que nós denominamos de comida japonesa (sushi, sashimi..) é só uma pequeníssima parte da culinária dele e que eles pouco comem. A comida do dia a dia é arroz e suas derivações. Eles comem arroz em todas as refeições, inclusive no café da manhã. Você até encontra umas lojas francesas que fazem pães e alguns sanduíches com pão em lojas de conveniência, mas é uma comida ocidental. Fizemos duas refeições em restaurante com sushi. É bem diferente do Brasil, eles têm menor variedade, acredite. E eles usam mais atum do que salmão nos pratos. Ramem: uma coisa que se vê muito são os restaurantes de comida rápida chamados de ramem. Funciona assim, na porta do restaurante tem uma máquina, tipo máquina de comprar refrigerante. Você faz o pedido, paga na máquina e recebe um recibo na máquina. Você entrega seu recibo no balcão e rapidamente vem o seu prato. Esses locais são mais baratos, os pratos variam entre 400 e 700 ienes. Alguns pratos japoneses: Tonkatsu - costeleta de porco frita e empanada servida com salada Oyakodon - é um bowl de arroz coberto com frango frito e ovo (eu achei muito bom!) Gyudon - é um bowl de arroz coberto com carne bovina bem fininha Donburi - é um bowl de arroz com alguma carne por cima Dicas: Google maps - usava toda hora para traçar rotas de transporte público. Outra informação importante é o valor das tarifas que ele fornece. Então, você pode ver qual opção tem a tarifa mais barata, e saber o valor exato que vai precisar comprar o ticket (no caso do metrô, você compra o ticket com o valor do trecho que vai utilizar) Google translate - eu não sabia disso, mas o aplicativo faz tradução de foto. Isso é ótimo para japonês. É só tirar uma foto do "texto" em japonês. Seria complicado digitar aquele monte de tracinhos. Etiqueta japonesa: Não conversar em transporte público; nem com os amigos e nem ao celular. É sempre um silêncio sepulcral! Pegar e entregar dinheiro, cartão de crédito e etc com as duas mãos Fazer mesura para cumprimentar as pessoas JAPAN RAIL PASS: É um passe de trem de 7, 14 ou 21 dias de uso ilimitado nas linhas de trem operadas pela empresa JR. Vale muito a pena para quem vai viajar para muitas cidades. O passe é caro (14 dias = 400 dólares), então, vale a pena fazer as contas antes e avaliar. No Google maps você traça a rota e ele diz o valor da tarifa naquele trecho. É válido para os trens de alta velocidade (shinkansen) que são bem caros. Mas, é importante se atentar que não é válido para todos os shinkansens, pois existem mais de uma companhia de trens. Na cidade de Tokyo existem uma linha de trem operada pela JR, a Yamanote line, que aceita o JR pass. O JR pass não é aceito nos metrôs. O passe deve ser comprado no Brasil. É enviado um “vale passe” pelos correios. Então, tem que comprar com boa antecedência. Existem alguns pontos da cidade onde você faz a troca do passe. Trocamos no aeroporto quando chegamos. Roteiro (número de dias): Vou dar uma sugestão do mínimo de tempo em cada cidade. Mas isso vai funcionar para aqueles que curtem acordar cedo e ficar o dia todo batendo perna, tipo de 9h às 18h todo dia sem parar. Se você gosta de fazer mais devagar, coloque mais tempo para cada lugar. Mais abaixo eu comento o que fazer em cada local. Tóquio - 3 dias (+1 para Nikko, bate e volta) Hakone - 1 dia Himeji - 1 tarde Hiroshima - 1 tarde Miyajima - 1 manhã Quioto - 3 dias (+1 para Nara, bate e volta) Takayama - 2 dias Hospedagem: Vou colocar nossa hospedagem e abaixo um link com a nossa avaliação mais detalhada. Tóquio - Sotetsu Fresa Inn Ochanomizu Jimbocho (Muito bom!) https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g1066443-d7319793-Reviews-Sotetsu_Fresa_Inn_Ochanomizu_Jimbocho-Chiyoda_Tokyo_Tokyo_Prefecture_Kanto.html Hakone - Kinokuniya Ryokan (Maravilhoso!) https://www.tripadvisor.com.br/ShowUserReviews-g298171-d1103555-r557342070-Kinokuniya_Ryokan-Hakone_machi_Ashigarashimo_gun_Kanagawa_Prefecture_Kanto.html#CHECK_RATES_CONT Hiroshima 1 - Hotel Park Side Hiroshima Peace Park https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g298561-d558339-Reviews-Park_Side_Hotel-Hiroshima_Hiroshima_Prefecture_Chugoku.html Hiroshima 2 - Hotel Sunroute Hiroshima https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g298561-d320354-Reviews-Hotel_Sunroute_Hiroshima-Hiroshima_Hiroshima_Prefecture_Chugoku.html Kyoto - Sotetsu Fresa Inn Kyoto-Shijokarasuma (Excelente!) https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g298564-d12139468-Reviews-Sotetsu_Fresa_Inn_Kyoto_Shijokarasuma-Kyoto_Kyoto_Prefecture_Kinki.html Takayama - Country Hotel Takayama https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g298113-d1076693-Reviews-Country_Hotel_Takayama-Takayama_Gifu_Prefecture_Chubu.html Nagoya - Meitetsu Inn Nagoya Nishiki Seul - Won's Ville Myeongdong Hotel https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g294197-d6622670-Reviews-WON_s_Ville_Myeong_dong-Seoul.html Trocando dólares por iene: Leve dólares para o Japão. O aeroporto teve a melhor taxa, por incrível que pareça. As taxas pela cidade eram piores. Existem muitas máquinas de câmbio pela cidade, onde você mesmo troca o dinheiro. Muito rápido e fácil. Taxa do aeroporto (Travelex): 1 USD = 111 JPY Cambio de 27/12/2017: 1000 JPY = 8,80 USD 1 USD = R$ 3,40 Internet do Japão: Ficamos com receio de não ter wifi nos lugares e achamos melhor garantir um chip. Mas, acho que não teríamos sufoco sem o chip, pois tem wifi em muitos lugares. Aplicativo para buscar wifi grátis em todo o Japão: Japan connected free wifi - http://www.ntt-bp.net/jcfw/en.html CHIP - No aeroporto tem vários quiosques que vendem chip pré-pago. Compramos o chip de 5gb por 5500 JPY, válido por 30 dias. A loja só aceitava cartão de crédito. Do aeroporto até o Centro: O aeroporto de Narita é distante do Centro. Eu cheguei a dar uma olhada no preço do Uber, mas era algo surreal de caro. Há diferentes opções para chegar ao Centro. Skyliner - 2600 JPY/ 40 minutos - é a opção mais cara, mais moderna e rápida. É um trem bala. Você compra o bilhete com hora e assentos marcados. Trem - Eu usei o skyliner porque queria chegar mais rápido. Mas, se você for ativar o JR Pass no primeiro dia, esse trem é a opção que faz parte do passe. Eu chequei no Google Maps e tá dizendo que a passagem custa 2800 JPY (1h de viagem). Não faz muito sentido estar mais caro que o skyliner, então é bom verificar. Ônibus - 1000 JPY / 1h15 TOKYO (ou Tóquio, rs) Sistema ferroviário do Japão: o sistema deles é gigantesco e incrível. Existem várias empresas ferroviárias. Você consegue imaginar um mesmo trecho com duas linhas férreas paralelas? Quero dizer que não são apenas trens que pertencem a empresas diferentes. Cada empresa tem a sua linha férrea! Sistema capitalista de mercado, livre concorrencia total! Não é fácil de entender tudo, mas a gente vai entendendo a medida que vamos utilizando um trecho. O Google Maps ajuda muito. Sistema ferroviário de Tóquio é composto por: Trens da JR Metrô Metrô Tonsei (de outra empresa) Monorail Cada um com sua tarifa! É muita informação sim!! METRÔ: não é baratinho (a partir de 200 ienes) mas é extremamente pontual e eficiente. Tenta ser confortável, mas é bem cheio! Existe a opção de ticket para 24h de uso (você compra na mesma maquininha), pode sair mais em conta dependendo da sua rota do dia. O valor da tarifa é calculado de acordo com o trecho que você vai percorrer: quanto mais longe, mais caro. Fique tranquilo! Em cada estação tem um mapa do metrô e o valor da passagem para cada destino. É só olhar o seu destino e ver quanto será. As máquinas de ticket têm menu em inglês, são auto explicativas e aceitam cartão de crédito. Ela emite um ticket, que você passa quando entra e quando sai. Não se preocupe, se você tiver errado o valor da passagem, ou tenha decidido depois descer em outra estação, eles tem as máquinas de ajuste de tarifa antes da catraca, onde você paga a diferença de valor. O que visitar: “O melhor de Tokyo é estar em Tokyo!” - Bom, é claro que devemos visitar os pontos turísticos, mas tente sentir o lugar, olhar as pessoas, como elas se comportam, tudo no Japão é muito diferente. Para todos os cantos que você olha, você vê algo novo, interessante. Vou listar abaixo algumas experiências e programas legais. MAID CAFE - Recomendo muito essa experiência antropológica! Maid Cafe são restaurantes/bares com uma temática teen. São super fofos, tudo colorido. As atendentes usam roupas colegiais, são meninas novas. Os pratos são servidos com desenhos de carinha feliz, elas fazem você cantar musiquinha e fazer cara de gatinho. Bom, essa parte é no mínimo risível. Mas o que mais me surpreendeu foi ver as pessoas que frequentam e o que isso representa. Quase todos eram homens, só tinha eu e mais duas outras mesas com mulheres. Os homens eram na maioria mais velhos, alguns de ternos. Antes de entrar, além de enfrentar uma fila (e tinha 6 andares apenas nesse que eu fui), você lê as regras: não pode tirar foto delas, não pode tocar nelas, se quiser tirar foto de si próprio tem que pedir para elas pegarem seu celular e tirar, não pode ficar mais de 60 min, e precisa pagar uma taxa só pela entrada. Se quiser tirar foto com elas tem que pagar (e não é uma selfie, é uma foto de acordo com os parâmetros delas). Bom, escolhemos um combo que dava direito a uma foto ou game. Depois eu fui ver que você pode jogar com elas. Fui vendo que tinha muitos caras jogando dama, brincando de bichinho, um “jogo” mais bizarro que o outro. Outros caras ficavam lá num monólogo e elas dando atenção e rindo de coisas que não deveriam ser nada engraçadas, ou seja, só para agradar. Vi um homem dando um dinheiro para uma delas. Mas o mais estranho veio da mesa do lado onde sentaram 3 homens. Todos levavam uma maleta contendo centenas de fotos dessas meninas. Eram colecionadores. Inclusive, o chaveiro da bolsa era foto delas. Depois eu reparei pela cidade outros homens com chaveiro dessas meninas. Seriam essas meninas as novas gueixas do Japão? As gueixas não eram prostitutas. Eram moças bonitas que ficavam em casas de chá entretendo homens, conversando, dando atenção. Enfim! Acho que vale a pena ir e tirar suas conclusões. A comida custava uns 1000 ienes e a bebida uns 600 ienes. Nós fomos no "@ Home café" em Akihabara. Aqui abaixo está a fotinha que ganhei de souvenir, junto com um "member card" oficial.... Que vergonha!!! Hatsumode: ritual de ano novo de visita ao primeiro templo do ano. Viajamos no réveillon. Durante os 3 primeiros dias do ano as pessoas fazem essa primeira visita aos templos, que tem um significado forte para eles. Os templos estavam todos lotados. Japão e religião: Eu não imaginava que eles eram tão cheios de superstição ainda. Já tinha lido um pouco sobre gueixas e sabia que elas eram bastante. Mas achava que isso já tinha passado. Em todos os templos tinha sempre muitas lojas vendendo tipo amuletos, e os locais eram sempre repletos de rituais, onde as pessoas seguiam. ROTEIRO: No link abaixo, tem o mapa com a indicação de todos os pontos turísticos de Tóquio e de Kyoto. Eu tentei separar por cor cada região a ser explorada. Dá uma olhada no mapa para entender melhor onde fica cada lugar. https://drive.google.com/open?id=1jnGSCRvmxnchkjbkgiI8cTlRpJw&usp=sharing Dia 1 - Bairros: Harajuku, Shibuya, Shinjuku Para esse dia, eu coloquei no mapa o meu roteiro a pé. Fomos andando do Santuário Meiji, dentro do Parque Yoyogi até Shibuya, passando por toda Shinjuku. Deu uns 5 km de caminhada que demora 1 hora andando sem parar, é claro que demoramos muito mais porque fomos bem devagar. Só um detalhe, nesse mapa, do ponto A ao ponto B ele dá uma volta por fora do parque, acho que o Google não sabe que tem rota de pedestre por dentro do Parque... HARAJUKU Templo Meiji-jingu - um dos maiores templos de Tóquio, fica numa área verde muito bonita ao lado do Yoyogi Park. Parque Yoyogi - Ir no domingo que é dia de casamentos Rua Takeshita Dori - é uma rua estreita, confusa, lotada de loja, cheia de coisas diferentes para comprar. É também o local onde ficam os jovens fantasiados de roupas bizarras. Loja Daiso - é uma loja de 100 ienes, leia-se: tudo por 1 dólar! Tem muita coisa legal, muita mesmo! Comprei meias e luvas ótimas e até coisinhas para casa! Ah! Essa loja tem em outros lugares e cidades, mas essa foi uma das maiores que vi. Rua Omotesando - é uma rua chique, cheia de grifes, tipo uma Champs-Élysées. Essa rua começa na Harajuku Station, e o começo dela é cheio de barraquinhas de comidas bem interessantes. SHIBUYA Cruzamento de Shibuya - é um cruzamento de faixas de pedestres gigantes, com muuuuuita gente atravessando para todos os lados. Esse local também é um dos cartões postais de Tóquio e ponto de encontro para datas importantes, tipo a virada do ano. Starbucks do cruzamento - bem na frente tem um Starbucks que dá uma vista ótima. Mas, prepare-se porque é lotado! Estátua do Hachiko - é a estátua do cachorro que ficava esperando seu dono falecido na estação e que foi tema de filme. Genki Sushi - é um restaurante de sushi ótimo! Você pede a comida numa tela e recebe pela esteira. Bem interessante! Tem uma filinha básica, mas vale a pena. SHINJUKU Shinjuku, o bairro - é um bairro gostoso de andar, cheio de ruas com neons, bem típico. Kabuki-Cho - é uma área de entretenimento adulto, mas eu não vi nada demais. Até porque, esse tipo de prestação de serviço tem em todos os lugares. Golden Gai - são bares muito tradicionais, bem pequenos só cabem umas 6 pessoas dentro! Muito pitoresco, vale a pena passar lá a noite. Na noite que passamos estavam fechados (véspera de ano novo), mas ouvi dizer que alguns são tão tradicionais que não aceitam turistas, é bom olhar antes de entrar se tem menu em inglês. Shinjuku Station - é só a estação de trem mais movimentada do mundo. 2 milhões de pessoas por dia. Uma zona, mas é divertida! Jardim Gyoen - eu não fui, mas parece ser um parque bem bonito Tokyo Government - um prédio alto, bem bacana e que não cobra para subir. Uma boa opção para olhar Tóquio do alto de graça. Melhor ainda ir na hora do pôr do sol. Dia 2 - Tsukiji, Ginza e Tokyo Tower Templo budista Tsukiji hongwan-ji - quando você sair da estação em direção ao mercado de peixe vai ver esse templo bem grande. Ele é bem bonito, vale a pena dar uma passada. Mercado Tsukiji - Maior mercado de peixe. Tem leilão de peixes das 5h às 8h, mas é limitado para turistas. Fomos na hora do almoço, tem muitas opções de locais para comer. Bairro de Ginza - um bairro bem chique e bonito para andar Palácio Imperial - a nossa experiência no palácio foi bem peculiar. Apenas uma vez por ano o imperador abre os portões do palácio (você só consegue acessar o jardim nos outros dias) e dá as caras. Isso ocorre no segundo dia do ano. Tivemos a adorável ideia de ver o imperador e enfrentamos horas de fila para isso. Foi legal para ver o patriotismo e respeito da população, mas não valeu a pena. Nós erramos o portão da entrada e tivemos que dar uma mega volta em torno do palácio e, apesar de cansar as pernas, vimos paisagens muito lindas no entorno. Tokyo Tower - é uma torre que parece a Torre Eiffel, muito simbólica para a cidade. Odaiba - é a parte mais moderna e futurista de Tokyo, com shoppings e prédios modernos. O bairro avança sobre a baía e é conectado pela Ponte do Arco-Íris. As principais atrações são a enorme roda gigante, uma réplica da Estátua da Liberdade, uma praia artificial, o prédio da Fuji TV, as pirâmides invertidas do parque de exposições, shoppings e área de jogos eletrônicos. Rainbow Bridge - É uma ponte bem bonita que você passa para chegar até Odaiba. De dentro do monorail, você tem uma vista bem legal. Tem algumas pessoas que atravessam a ponte andando. Íamos fazer isso, mas no inverno não tava confortável com o vento fortíssimo na cara. Dia 3 - Asakusa, Ueno e Akihabara Bairro Akihabara - é o bairro do mundo dos jogos virtuais, o bairro nerd. Eu não entendo nada de jogo japonês mas, ainda assim, gostei de andar por lá. Tem muitos maid cafés nesse bairro. Asakusa – bairro com o mais antigo e importante templo budista de Tóquio, o Senso-ji Templo Senso-ji - também conhecido como templo Asakusa. Templo super movimentado, budista mais popular de Tóquio. LOTADO de gente! Ao chegar no templo, você desce por uma ruazinha cheia de lojas! Lá dentro tem o templo principal com o altar folheado a ouro. Parque Ueno - um parque lindo enorme. Lá dentro funciona um zoológico e alguns templos bonitos. Tokyo Sky Tree - já foi uma das maiores torres do mundo. Vale muito a pena ir, mas tá sempre bem cheia. O bilhete custa 350m (2000 ienes) ou 450m (3000 ienes). Quando eu fui a fila tava de 2 horas! Eles vendem um bilhete express, que custa o dobro do preço, mas demora apenas 20 min. Fomos perto da hora do sol se pôr e optamos por pagar mais caro. Outros locais de Tóquio que você pode pesquisar e acrescentar no seu roteiro: Parque Hibiya Tokyo Dome City - um complexo de shopping, parque de diversões, lojas, restaurantes, e tem até onsen! Shimokitazawa - um bairro vintage Piss Alley - O nome oficial é Omoide Yokocho (Memory Lane), mas a rua é mais conhecida pela sua pouco elogiosa alcunha: Piss Alley. Rua recheada de minúsculos restaurantes locais . Legal ir de noite para comer yakitori. Rappongi Hills - complexo de bares e restaurantes bem ocidental The lock up - Bar do terror Kawaii monster café Capcom Bar - bar temático da produtora de jogos como Street Fighter, Mega Man, Resident Evil, DMC, etc) - Nesse nós fomos, mas não achamos tão interessante, além de ser meio caro. NIKKO (Bate e volta a partir de Tóquio) Pode ir com os trens da JR A viagem a partir de Tóquio demora mais de 2h. Então, é bom sair bem cedo para conseguir aproveitar bem o dia Quando chegar na estação de Nikko, pegue um mapa gratuito no centro de informações turísticas. Dá pra fazer tudo a pé de boa e o caminho é bacana, cheio de lojas! Com 20 min de caminhada você já chega na Ponte Shinkyo. E dali em diante tem diversos lugares legais para visitar Existem diversos templos para serem visitados, vou colocar abaixo os pontos de interesse: Shinkyo Bridge - é a ponte vermelha belíssima onde todo mundo tira fotos. Para caminhar na ponte mesmo, você precisa pagar! Ela é uma fonte sagrada. Mas, só vale a pena andar por ela se você tem alguma misticismo. Parque de Nikko - o parque é belíssimo e é onde estão os templos abaixo Rinnoji Temple - é um dos mais importantes de Nikko. Estava em obras, e acredito que essa obra ainda demore alguns anos. Santuário Toshogu - tem vários templos lá dentro. E lá que você vai encontrar as estátuas famosas dos três macacos sábios: seus nomes são mizaru (o que cobre os olhos), kikazaru (o que tapa os ouvidos) e iwazaru (o que tapa a boca), que é traduzido como não ouça o mal, não fale o mal e não veja o mal. HAKONE É uma das cidades ótimas para conseguir ver o Monte Fugi. Entretanto, saiba que é difícil estar com boa visibilidade, mas o local é muito interessante. Algumas pessoas optam por fazer um bate e volta a partir de Tóquio. Mas, se você for visitar outras cidades, acho que vale a pena dormir em Hakone. Dá um olhadinha no mapa, Hakone fica no “meio do caminho” para outras cidades como Hiroshima ou Quioto. Só que o maior motivo para dormir em Hakone é ter a experiência de um Ryokan legítimo. HAKONE FREE PASS - Hakone possui um roteiro já preparado para os turistas. Para facilitar, você compra esse Free Pass que te dá direito a andar em todos os transportes públicos. Você pode comprar a partir de Tóquio (bom para quem não vai usar o JR pass) ou a partir de Odawara. Quem tem o JR consegue ir grátis apenas até Odawara. Preços e informações: http://www.hakonenavi.jp/english/freepass/ RYOKAN - São hospedagens japonesas legítimas. Acho que foi um dos pontos altos da viagem. É uma experiência muito diferente, vale muito a pena. A maioria tem o sistema "all inclusive", então você vai fazer as refeições no melhor estilo japonês. Não tem cama, só tem tatame e eles colocam um futon de noite para dormir. Você usa kimono dentro do hotel. Eu amei o Ryokan que fiquei. Foi um excelente custo X benefício. Leia mais no meu review de hospedagens. ONSEN - Os japoneses adoram um banho. E eles adoram o banho nessas fontes termais. Nesse Ryokan tinham onsens públicas, separadas entre homens e mulheres. E também tinha as privadas, onde podia reservar por 30 minutos. Não pode entrar com nenhuma roupa e é proibido para quem tem tatuagem (bom, na onsen privada, dá para burlar isso…). Prepare-se porque a água é muito quente! Quando eu digo muito, é muito mesmo. Eu pensei em desistir de entrar várias vezes. Para se ter ideia de como a água é quente, veja nossa experiência: fomos no inverno e nessa noite estava nevando, um frio violento. A onsen fica num local fechado, mas para chegar nela você anda por uma área externa do hotel. Na ida, imagina a gente só de kimono? Eu quase congelei! Entretanto, depois que terminou o banho, voltamos andando numa boa. Parece que esquenta o corpo todo. Eu fiquei sentindo calor ainda por um tempo no quarto. LOCAIS INTERESSANTES: Como eu disse, eles têm meio que um circuito pré programado, que você pode fazer no sentido que quiser. Olhando o mapa do local, dá para entender melhor a logística. Mapa mais didático: http://www.odakyu.jp/english/destination/hakone/images/fig-index-03.gif Mapa bem completo: http://www.hakonenavi.jp/english/traffic/rout_map/pdf/hakone_map.pdf Vou explicar como nós fizemos. Antes de tudo, saímos bem cedo de Tóquio, pegamos o trem até Odawara. Na estação de Odawara compramos o Hakone Free Pass e depois pegamos um ônibus até o nosso Ryokan. Deixamos as malas no Ryokan e pegamos um ônibus até o Lago, onde começou nosso circuito. Passeio no Lago Ashi - você pega um barco todo estiloso, bem confortável e faz um passeio de 30 minutos. O lago é bem bonito. O barco deixa na entrada do teleférico. Ver o Monte Fugi - tanto do lago quanto do teleférico tem visão do Fugi. Mas nós não tivemos sorte. Parece que no inverno tem dias melhores, apesar de não termos conseguido. Teleférico - o teleférico é dividido em 2 trechos, o primeiro até Kowakaduni. E o segundo, de Kowakaduni até Gora. Nós não andamos de teleférico porque estava fechado devido a alta concentração de gases vulcânicos. Massss, não desistimos de fazer o percurso e pegamos um ônibus. Deu trabalho, mas funcionou. Kowakaduni - é o local onde você fica bem.pertinho da emissão de gases vulcânicos. É muito interessante. E lá vendem os famosos ovos pretos. Ovos pretos - tem que comer! São ovos feitos no enxofre. Por dentro tem o sabor normal. Diz a lenda que comer um ovo prolonga a vida em 7 anos. Locais que eu não fui, mas podem ser incluídos: Hakone Open Air Museum - um museu ao ar livre perto da estação Chokoku, Gora Park - um jardim próximo da estação de Gora Gotemba Premium Outlet - um dos maiores outlets do Japão HIMEJI No trajeto de Hakone para Hiroshima, fizemos uma parada em Himeji. Deixamos as malas no locker da estação (700 ienes cada mala) e fomos andando até a principal atração: o castelo! Castelo de Himeji - é o castelo mais famoso do Japão e um dos poucos que ainda são originais. Muitos outros castelos são réplicas, porque já foram destruídos por guerras, terremotos e etc. O Castelo de Himeji é muito bonito. Mas eu gostei mais do lado de fora. Ele tá vazio por dentro. Outra coisa muito legal é o jardim. Não deixe de passear pelo jardim. Em 2, 3 horas você faz sua visita a Himeji. HIROSHIMA O que eu achei de Hiroshima - é uma cidade bem bonita, moderna e organizada. Foi atingida por uma bomba atômica, então acho que sempre dá uma curiosidade para saber como ela sobreviveu com o tempo. E é fantástico ver o poder de superação dos japoneses. Não precisa de muito tempo para conhecer os pontos turísticos da cidade, mas acho que vale a pena dormir pelo menos uma noite para ver com mais calma e dar uma passadinha na ilha de Miyajima. Muitos fazem bate e volta em Hiroshima + Miyajima a partir de Kyoto, saindo bem cedinho, tipo de madrugada mesmo. Acho que também é válido, mas mais cansativo. Dicas de Hiroshima: Comer Okonomiyaki - é um prato típico dessa região. Consiste num macarrão frito com um monte de coisas, numa chapa super quente. Não achei o prato muito gostoso, mas a experiência do local e do preparo são legais. Okonomimura - é uma instituição da cidade e o local perfeito para comer okonomiyaki. Eu quase não achei o lugar, porque você precisa entrar num prédio e pegar o elevador. Tem restaurantes no terceiro e quarto andar. Ônibus com city tour gratuito - A dica valiosa é que existe uma linha de ônibus que passa por todos os pontos turísticos da cidade incluído no passe da JR. Esse ônibus gratuito serve não só para ir nos pontos turísticos, como para chegar no seu hotel, se locomover de forma geral. Pegue o mapa da linha no guichê de informações turísticas na estação de Hiroshima. Atrações que precisam obrigatoriamente serem visitadas são: Castelo de hiroshima - Acho que vale mais a pena só ver por fora. O castelo original foi devastado pela bomba e construíram outro no lugar. Agora, dentro do castelo, tem uma exposição sobre guerreiros, samurais. Se você curtir, vale a pena entrar. O que eu achei mais interessante foi a vista da cidade lá do último andar. Museu Memorial da Paz - é o museu que conta a história da guerra. Eu sempre acho bem pesado esses museus e não fico muito tempo lá dentro. Acho muito triste e não quero ficar deprimida durante a viagem. Atomic Bomb Dome - única estrutura que restou do ataque da bomba. Você só passa na frente. Parque Memorial da Paz - é um parque muito bonito com vários elementos de memória da guerra e de clamor pela paz. MIYAJIMAGUCHI Miyajima é uma ilha bem fofa que tem um dos cartões postais do Japão: o tori vermelho dentro da água. Você vista a ilha em umas 3 horas, ou seja, uma manhã é o suficiente. Dicas: - Para quem tem o JR pass - de Hiroshima, você pega um trem para a estação Miyajimaguchi. Mas, preste atenção porque tem mais de uma linha de trem que faz esse percurso além da JR. Depois do trem, você pega o Ferry. Mesma coisa: existem diferentes ferrys, tem que verificar qual pertence a JR - Pesquisar as marés, porque fica mais bonito na Maré alta - Hight Tides -> http://www.tides4fishing.com/jp/hiroshima/itsukushima - Ir cedo porque de manhã fica mais vazio - Tirar fotos ainda do ferry - Interagir e fotografar os veados - Passear pelas ruas estreitas e lojinhas fofas do centrinho de Miyajima Pontos turísticos Visitar Itsuku-shima Jinja (templo que deu nome a ilha) o-torigate (gaste vermelho no meio da água) Five stores pagoda (templo vermelho de 5 andares) Ponte vermelha - Momijidani Park Daishointemple - dos budas de gorrinho Monte Misen -Dá pra subir caminhando pelas trilhas ou pelo teleférico. A vista lá de cima é bem bonita. KYOTO O que eu achei de Kyoto - é a cidade dos templos e das gueixas! Tem meninas vestidas de gueixas por todos os cantos, mas gueixa de verdade é dificílimo de ver. Só encontramos duas gueixas muito, muito apressadas de noite, nas ruazinhas de Gion. Tem centenas de templos, tem uma hora que fica cansativo e você acaba olhando só por olhar, sabe? Então, eu sugiro ler antes sobre os tempos da cidade e colocar no seu roteiro aqueles que lhe chamam mais a atenção. Acho que não vale a pena visitar 20 templos por dia só para tirar foto e dizer que foi. Na verdade, nunca vale a pena fazer algo só para dar "check in". As vezes somos mais felizes e curtimos mais passando uma tarde tomando uns drinks, admirando uma paisagem ou tomando um chá, do que visitando centenas de coisas que nem sabemos o real significado. Como se locomover - de ônibus! Eles têm metrô, mas para os pontos turísticos não atende. Com exceção dos portais vermelhos que dá pra chegar de trem usando o passe da JR, o restante precisa ir de ônibus. Na estação de Quioto vende o passe de 1 dia por 500 ienes. Eu comprei o passe no meu hotel, acho que vende em vários lugares. Acho que o passe vale a pena. A passagem unitária custa uns 160, 200 ienes. Roteiro Dá uma olhada no mapa que eu coloquei, naquele link acima. Eu dividi os pontos turísticos de Kyoto por cores. Olhando o mapa acho que fica mais fácil de entender. Dia 1 Floresta de bambu Templo Gio-ji Otagi Nenbutsu-ji Templo Zen (Tenryu-ji) Templo Kinkaku-ji Ryoan-ji Ninna-ji Dia 2 Kiyomizu-dera Temple - foi um dos mais bonitos que achei, mas ele estava em obras, e essas obras devem durar bastante tempo. Ele tem um terraço com uma vista incrível e também tem água da fonte santificada que fazem fila para beber Vielas de Higashiyama Ryōzen Kannon Templo Yasaka Chion-in Temple Rua Pontocho Gion Castelo Nijo Dia 3 Heian Jingu Path of philosoph Nanzenji-temple Ginkaku-ji Fushimi Inari NARA Nara é uma cidade bem bonita e super vale a pena conhecer. É tranquilo visitar Nara em uma manhã (umas 3h), então, se tiver disposição, vale a pena ir depois para Osaka. Quando chegar na estação, precisa pegar um ônibus. Os dois principais pontos turísticos ficam próximos, então só vai precisar pegar ônibus de novo para voltar para a estação. Logo quando você chegar no parque de Nara vai ver um monte de veados. Eles são super esfomeados e tentam comer tudo, plástico, papel, casaco, seu sapato, rs. Mas não é nada demais. Eles vendem comida para dar pra eles, e a experiência é muito engraçada. Todai-Ji - um templo bem famoso que tem uma escultura gigantesca de Buda. Na parte de trás do salão você vai ver um buraco pequeno na madeira, do tamanho das narinas do Daibutsu, e algumas pessoas tentando passar. Pela crença, uem conseguir atravessar esse buraco alcançará a iluminação suprema. Eu consegui passar, foi bem divertido. Templo Kasuga Taisha - fica no parque de Nara (Nara Koen). Ele é bem bonito e tem muitas lanternas. TAKAYAMA Bom, eu não sei se essa região é tão legal de ir nas outras estações do ano. Decidimos ir para Takayama ao pesquisar lugares bonitos no Japão durante o inverno. Dá uma olhada no Google imagens em “Shirakawa winter” ou “Takayama winter”. Eu me apaixonei pela paisagem. E depois fui lendo alguns relatos e reafirmei a vontade de ir. Nunca tinha visto tanta neve! O lugar é lindo demais! O que fazer: Em Takayama mesmo, não tem lá muuuuita coisa para fazer. É um lugar bonito, tem algumas lojinhas, alguns templos, mas nada demais. Você visita a cidade toda em meio período. Ir até Hida Furukawa - é uma cidade linda! Fica há 20 minutos de trem. Sugiro ficar 1 tarde ou 1 manhã lá, talvez até menos que um período inteiro... Não tem especificamente nada muito para fazer, mas é uma cidadezinha pequena e bonita. Ir até Shirakawa - sugiro deixar shirakawa por último porque é a cidade mais linda! Sério, que lugar! Nunca vi tanta neve assim, é impressionante tudo. Tem que pegar um ônibus que demora 1 hora de viagem. A passagem custa 2200 ienes cada trecho! O percurso já é o início do show, cada lugar lindo demais. Passa por muitos túneis, inclusive um dos maiores túneis do Japão com 11 km. Você também vai ficar 1 tarde ou 1 manhã por lá. Tem umas casas históricas para serem visitadas, se estiver afim. Logo quando chegar, é só pegar o mapa no centro de informações turísticas. Fotos de Shirakawa: Imagens Enviadas
  2. Viver não é relatável, como já dizia Clarisse Lispector, mas vou tentar contar um pouco do que vivemos! O relato que vem a seguir são as minhas impressões, opiniões. Vc pode concordar comigo e fazer parecido, ou discordar de mim e fazer diferente! Eu escrevo tudo, mas tuuuudo que lembro. Gosto de ler relatos assim, portanto escrevo assim tb. Se vc quiser só ver as dicas, pule a introdução, no fim de cada cidade eu faço um resumo! ESTRELANDO... Eu, marido Gui, filho João (9) e amigo e compadre Lio, padrinho do João. Olha, a gente viaja andando! A gente anda das sete da manhã as sete da noite e mais se precisar. Não temos foco na balada pq viajamos com criança, mas vivemos INTENSAMENTE cada segundo, até mesmo no bar se precisar tb. Doente, com sono, com fome, com jetlag... sempre estaremos na rua. PORQUE EMIRADOS ÁRABES UNIDOS? Não fomos por acaso pros EAU, foi de propósito. Desde que comecei a programar a viagem pro Japão só cotei passagens pela Emirates pq tínhamos decidido visitar o país. Apesar de já ter visitado país islâmico e ter gostado muito, confesso que no começo tinha preconceito da cidade (emirado) de Dubai... muita ostentação, muito urbano, coisas que geralmente não gostamos, mas depois de ler alguns relatos (valeu Tanaguchi!!) e conversar com uma amiga que mora lá decidimos que precisávamos muito conhecer Dubai e Abu Dhabi! E não nos arrependemos! PORQUE JAPÃO? Japão sempre esteve na minha interminável lista de lugares a conhecer. Sempre estive próxima da cultura por meio de amigos, alguns jogos e desenhos! Marido e filho sempre na parceria e o Lio já tinha manifestado interesse em participar tb, então nem precisamos convencer! Ano passado começamos a nos organizar pra desbravar o oriente. Há um ano o desenho da viagem já estava pronto e nós já sabíamos por onde começar... preciso de bastante tempo pra planejar viagens deste porte. #pobre DEFININDO DATA E ROTEIRO No começo eu tinha em mente ficar só uns 3 dias em Dubai e umas 2 semanas e meia no Japão, pra conhecê-lo de Tokyo pra baixo (pois no inverno é complicado ir pro Norte), mas depois fui mudando um pouco de ideia. Primeiro pq achei coisas legais demais pra fazer em só 3 dias em Dubai, queria mais. E segundo pq o deslocamento entre cidades no Japão é MUITO caro. Tipo muito HARD! Os trens são eficientes, mas bem caros... o JR Express que me serviria teria que ser o de 14 dias e meo, caro demais comprar 3 destes! Decidimos então ficar um tempo maior nos EAU e focar no centro do Japão, com cidades base de Tokyo, Kyoto e Osaka. Afinal o mundo sempre estará lá... podemos voltar. As datas tb tiveram que ser alteradas para acomodar as férias dos três adultos, João teve que matar as últimas semanas de aula... quase não gostou, rs. E tb sobre datas, nós gostamos de frio e gostamos de viajar sempre no frio! Os EAU são ótimos de se visitar no inverno tb, onde tpt chega a 32-34ºC e faz friozinho a noite. No verão é loucura, chega a 50ºC e não se anda na rua! Ficou assim: viagem entre 25 de Novembro e 15 de Dezembro na seguinte sequência – Londrina > São Paulo > Dubai (e Abu Dhabi) > Osaka > Kyoto (e Nara) > Tokyo > São Paulo > Londrina. Com isso definido pude começar a cotar passagens. MONITORAMENTO DO CLIMA E PREÇOS DE PASSAGENS Já em dezembro de 2016 eu ficava especulando passagens, rs, ansiosa ou não? Ainda não era possível cotar as minhas datas, então eu ficava fazendo exercícios pra ter ideia de preços. Vc pode ir pro Japão pela Europa (KLM e etc), Ásia (Emirados ou Qatar) ou América do Norte ou Central (México ,EUA e Canadá). Geralmente a rota das américas é mais barata, se vc já tiver visto americano é uma boa, mas pelos motivos que já expliquei, e pelo fato de não ter e não querer por hora o visto americano, foquei na Emirates. Sobre o clima, adicionei as cidades base no meu aplicativo de previsão do tempo e fiquei me divertindo vendo como seria frio quando eu fosse. Vi que poderia chover e até nevar em Kyoto... não é tão importante ficar fazendo isto, eu faço por diversão. kkkk COMPRA DAS PASSAGENS Através das pesquisas que fiz, achei que em média 4000 reais pra cada um seria o preço médio das passagens que eu queria, multidestinos, e quando chegasse neste valor eu compraria. Percebi tb que as passagens ficam no melhor preço com até 4-5 meses antes, tinha esta data como data limite em mente. Tenho datas bem amarradas, por isso uso esta estratégia e não me dou ao luxo (#inveja) de ficar esperando as mega promo! Mas lembra da ansiedade que não cabe? Não tem cura isso, kkkk... Faltando nove meses pra viagem, no fim de fevereiro, as tarifas bateram 10.500 (pra nós 3 aqui em casa)... abaixo do preço que considerei médio (~12.000 pra nós 3). O dólar tava super baixo e com dólar não se brinca... comprei! Via de regra dá pra esperar mais, eu via que datas mais próximas custavam cerca de 1000 reais a menos, mas todo mundo pirou que tinha que comprar e enfim, compramos, kk. No fim das contas foi uma boa... com a política e seu caos o dólar acabou subindo muito no meio do ano e ainda peguei as franquias de bagagem grátis! Monitorei pelo resto do ano – pq gosto de sofrer – e fiquei feliz em saber que fiz uma boa compra... só subiu. As passagens que compramos eram saindo e chegando de São Paulo, o trecho doméstico foi um caso a parte. Mas se puder, não faça isso, emita as passagens saindo da sua cidade... a franquia de malas é diferente e em caso de atrasos a responsa é da empresa. MOEDA Para os EAU eu levei dólares pra trocar lá por Dirhans. Pro Japão eu já levei Ienes mesmo. Somente hospedagens e trechos aéreos foram adquiridos com antecedência, o resto foi tudo na hora. Cartão de crédito levei para emergência. E quanto levei? Valores abaixo para três pessoas (2 adultos e 1 criança) 1.500 dólares (~5.200 reais) para 5 dias completos: média de 300 dólares por dia (~1.040 reais) – hospedagens e carro não incluso, pagamos antes. SOBROU. 350.000 ienes (~10.850 reais) para 13 dias completos: média de 27.000 ienes por dia (~837 reais) – hospedagem não inclusa, pagamos antes. DEU. Mais detalhes de grana durante o relato. DEFINIÇÃO DOS MEIOS DE TRANSPORTES Nos Emirados alugamos carro antes da viagem pela rentalcars (tipo um decolar de carros) pela empresa Thrifty, que tem guichê no terminal 3, por onde chegamos. Isso é realmente importante, poder pegar o carro no mesmo terminal que se chega, pois o aeroporto de Dubai é imeeeeensoooo. Conto da aventura de dirigir em Dubai no relato específico, mas se vc é afim, providencie a PID (= permissão internacional de direção). Optamos pelo carro pq achei que seria mais funcional. Foi a primeira vez que alugamos carro na gringa!!! Funcionou! O custo de 5 diárias do carro (um versa automático pq não existe nenhum carro manual lá) ficou 215 dólares na hora de locar, mais aquele monte de taxa que eles inventam de última hora. No total acho que deu uns 1000 reais, e mesmo assim achamos uma boa relação custo benefício. Este era o segundo carro mais barato pra alugar, atrás apenas de um pequeno demais! No Japão todos os deslocamentos entre cidades foram feitos de trem. As passagens foram compradas no dia ou no máximo no dia anterior, nas estações de trem mesmo. E dentro das cidades, dá-lhe perna e metrô. RESERVA DE HOSPEDAGENS Depois do roteiro já finamente detalhado, rs, e definidos quantos dias em cada lugar, foi hora de achar tetos para dormir. Pesquisei booking e airbnb pra ter ideia. Sempre dou prioridade pro airbnb, principalmente viajando em quatro pessoas, e no fim pegamos airbnb pra tudo. Então ficou assim: Dubai: https://www.airbnb.com.br/rooms/17551027 6 diárias 4 quatro pessoas: 1600 reais (400 para cada) Osaka: https://www.airbnb.com.br/rooms/7808510 3 diárias para 4 pessoas: 400 reais (100 para cada)* estava com crédito de viagem tive desconto de 500 reais. Kyoto: https://www.airbnb.com.br/rooms/13212939 5 diárias para 4 pessoas: 1200 reais (300 para cada) Tokyo: https://www.airbnb.com.br/rooms/8429102 5 diárias para 4 pessoas: 2000 reais (500 para cada) Como dá pra ver, gastamos cerca de 1300 reais por pessoa para passar 3 semanas em destinos carésimos! Todos os locais foram bons e o relato detalhado estará descrito em cada cidade! Mas airbnb é vida, adoro e não troco por nada. Se vc ficou interessado, faça o cadastro no site usando o link abaixo que eu e vc ganhamos crédito de viagem! www.airbnb.com.br/c/jcarneiro3 SEGURO VIAGEM Tivemos que dividir as passagens entre dois cartões e por pressa acabamos perdendo o direito ao seguro viagem do Platinum... Tivemos que contratar. Foi pela Porto Seguro e custou 350,00 para cada um, totalizando 1.050,00 reais. Não precisamos usar! VISTOS Tanto os EAU quanto o Japão exigem vistos de brasileiros. Visto Emiradense O dos EAU tiramos pelo próprio site da Emirates, depois de compradas as passagens. Dá pra tirar este visto de outras formas caso vc não compre as passagens pela Emirates, mas me pareceu meio burocrático. Eles têm alguns tipos de visto, começando pelo de 96 horas, que era o mais barato. Mas para nós não servia, pagamos 95 dólares por pessoa pelo visto de 30 dias. Achei caro. É um pouco chatinho tirar este visto, cheio das regras. Você só pode solicitar este tipo de visto (30 dias) faltando 57 dias da viagem, isso pq ele vale por 60 dias apenas. Apesar do visto ter data certa pra sair, você tem que ter passaporte válido por 6 meses, igual em outros locais. Vai precisar apresentar pelo menos a primeira e a última página do passaporte em formato jpg com no máximo 200k. A foto eles dizem que tem que ser formato passaporte, mas não é. Tem que ter no máximo 40k e no máximo 300x369pixels. Tirei do celular mesmo. Pode-se apresentar outros documentos, eu apresentei só entradas “schengen” anteriores e comprovante de residência. Depois que preenche formulários e faz o upload dos documentos, alguns e-mails vão chegando. Um de admissão do pedido, um de pagamento, um de “estamos processando” e um com o visto, que você deve imprimir e levar. Nem todos os e-mails chegaram, para meu desespero. Cheguei a escrever pro serviço de emissão... mas depois deu tudo certo. Dois dias depois da solicitação chegou o do meu filho e meu, e dias depois (já estava em pânico, kkk) o do marido. Já estava achando o que eu tinha feito de errado no dele... se é pq a foto tava sorrindo, se é pq ele ficou com cara de terrorista, hahahahahauaha, mas deu tudo certo. Do Lio solicitamos depois e chegou super rápido! Visto japonês O do Japão já consegue ser um pouco mais chato ainda pq tem que ir no consulado tirar. Não precisa ir todo mundo, pode ir um só com procuração dos demais caso tenha alguém que não seja da família (pai, mãe, filhos, etc). Eu até verifiquei a possibilidade do meu irmão tirar nossos vistos no Rio de Janeiro, mas como sou do Paraná, obrigatoriamente tinha que tirar por Curitiba. Verifiquei tb se compensava tirar por agência, mas de 97 reais (que era a taxa de visto) iam me cobrar 400 por pessoa, hahahauaha, dava pra eu ir de taxi pra Curitiba com 1600 reais, kkk. Reunida toda a papelada, fui pra Curitiba tirar os nossos vistos em outubro. Os sites dos consulados são bem organizados e os atendentes muito educados, lá tem toda a informação que vc precisa! Então não vou ficar aqui me estendendo e colocando toda a documentação necessária. Mas... nem tudo são flores, vejam o perrengue! #perrengue – depois a gente ri mas na hora... (pule esta parte se não quiser rir, é longa) Eu sou a louca da lista, a louca da planilha, psicoticamente organizada. Eu reuni toda a papelada (pq é muuuita coisa) e conferi mil vezes, afinal, tive que ir pra Curitiba só pra isso! O consulado do Japão, que funciona no prédio do Shopping Itália, no centro de Curitiba, funciona das 9-11h para a solicitação de visto e das 14-17h para a retirada do visto (sempre um dia depois). Eu tenho família em Curitiba e estava na casa de um tio, minha prima me deu carona até o consultado! Cheguei umas 9:15 de uma quinta-feira e só tinha uma pessoa na minha frente, lindo. Logo uma japa mega fofa me chamou e entreguei os kilos de papel. Cerca de 10 minutos ela volta e diz “sra Juliana, não posso aceitar sua solicitação... os formulários de pedido do sr. Guilherme (marido) e sr. João Guilherme (filho) não estão assinados! PÁRA TUDO – MEU MUNDO CAIU. Claro que pra tudo dá-se um jeito mas e o preju de ter ido até lá e não conseguir tirar a porra do visto? Eu não tinha conferido isso! A japa fofa vendo minha cara de pânico me perguntou... vc não é daqui? E eu disse quase chorando, não... sou de 400km daqui, vim só pra isso... e ela disse, péra, vamos ver o que dá pra fazer. Vai lá pra dentro e volta 10 min depois: vc pode pedir pro seu marido e filho assinar as vias e me mandar escaneado por email (e eu, SIM, SIM, agora!!), mas amanhã, na hora de retirar, vc tem que me trazer os originais... dei uma brochada, ela tentou ver se precisava mesmo com os chefões lá dentro e sim, precisava... pensei no sedex 10 e transportes rodoviários, eu ia dar um jeito. Falei com ela que blz, que eu ia ligar pro meu marido e pedir pra enviar os docs... e ela disse... tem que ser até as 11h da manhã pra eu te emitir o protocolo, senão fica pra amanhã! Não podia ficar pra amanhã... eu estava com passagem emitida pra sexta-feira as 17:30, se não desse certo só poderia ir embora na segunda e isso ia ferrar muito minha vida e meu bolso. Fui pegar meu celular pra ligar pro Gui e cade... cade a poooorraaaaa do celular... tava no carro da minha prima, deixei no console do carro! Minha prima trabalha a 1,5km de onde eu estava!! E eu nem podia ligar pra ela, primeiro pq não tinha celular e segundo pq só sei o número do meu marido! Tb não podia pegar um Uber (porque estava sem telefone) e não sabia se ia achar taxi na rua... Pedi o celular de um cara emprestado pra ligar a cobrar pro meu marido ir adiantando as coisas e ele fez cara de cú... sorte que um outro cara que tava na sala (uma hora destas já tinha chegado umas 5 pessoas) me disse que eu podia ligar e que nem precisava ser a cobrar. Fofo! Liguei pro Gui e estava dizendo que ele precisava urgente providenciar isso... ele estava na cidade vizinha da nossa mas disse que ia correr com tudo... e tinha que correr, o limite era as 11h... e antes que eu pudesse dizer pra que email ele tinha que mandar as coisas fui interrompida por um funcionário que me disse que era proibido (óbvio, tinha várias placas) falar no celular lá dentro... Morri de vergonha, pedi desculpas e devolvi o celular pro moço que me ajudou. Eu definitivamente PRECISAVA do meu, precisava falar pro Gui onde estavam os documentos, pra que email mandar, enfim! Decidi ir até o trabalho na minha prima a pé, afinal 1,5km não é nada de outro mundo. Com pressa e desesperada saí pelas calçadas de paralelepípedo da Rua João Negrão e depois de alguns tropeços é claro que eu levei maior tombo e arrebentei minha sandália! Meeeeooooo, que faaaase! Com as mãos doendo e com as canelas com câimbra, levantei cheia de orgulho, sem olhar pros lados, e segui minha jornada... acho que em 10 min cheguei na minha prima! Contei em 5 segundos meu drama, e ela disse que o carro dela estava estacionado há duas quadras dali (Puuutz) e que eu devia ir lá buscar meu celular... tb me disse que era pra eu voltar pro shopping/consulado com o carro dela... só que deixa eu contar: eu tenho um UNO... UNOOOO, e normalmente tb dirijo um Mobi e um Onix no trabalho... e ela tem um SUV Mitsubishi automático. Eu nunca dirigi carro automático, nunca dirigi carro grande e não sei andar em Curitiba! Estava decidida a ir no estacionamento e seguir a pé, mas chegando lá já era 10:30... não ia dar tempo! Liguei pro Gui, passei a senha do drive pra ele imprimir as coisas (pq chega mensagem no celular pra eu acessar). Nisto ele já tinha ligado pra minha mãe, que estava com meu filho, e pedido pra ela levar o baby pro trabalho dele pra dar tempo dele mandar até as 11... João tb tinha que assinar o papel! Olhei praquele carrão e pensei, vou ter que encarar ‘saporra! A voz da minha prima dizendo “relaxa que se bater o seguro paga” ecoavam na minha cabeça. Subi no carro, perguntei pro moço como ligava e como saía e lá fui eu dirigir um SUV automático no centro de uma cidade grande que não conheço. Tirando uma freada brusca deu tudo certo. Tb tive que ligar pra prima pra perguntar como dava ré pra estacionar o monstrão numa vaga de shopping e sem espelho, pq eu não sabia como arrumar os espelhos... ESTACIONEI! Kkkkk Subi correndo e suando no consulado e avisei que meu marido estava por mandar os docs... o que ocorreu uns 5 minutos depois. A japa fofa veio, me confirmou o recebimento e me deu o protocolo, reiterando a necessidade de apresentar os originais no outro dia (o Gui despachou por sedex 10). Voltei pro estacionamento que a minha prima deixa o carro e felizmente não bati o carro dela, kkkk... enquanto isso minha mãe contava que saiu dirigindo as pressas pra levar João no trampo do meu marido e que deu uma fechada numa moça, que a xingou de tudo que é nome! Kkkkkkkk No dia seguinte os docs chegaram pontualmente às 10 da manhã, e a tarde fui buscar os vistos... quando a japa veio sorrindo e disse vistos concedidos... aaaaffffeeee, que alívio, kk! Minha família inteira mais meio estado do Paraná ficou sabendo desta minha aventura e fui muito zuada! Mas continuemos com os preparos! POCKET WIFI Nos EAU alugamos um pocket, que é um modem portátil que vc carrega pra onde vai alimentando os celulares com internet, ainda no aeroporto, não lembro ao certo o valor mas não era baratinho não. Pegamos um pacote de 5MG e usamos tudo, foi importante pq não tínhamos GPS, então usávamos outros navegadores. Usei bastante tb pra me encontrar com a minha amiga de lá. No Japão, em Tokyo e Osaka as hospedagens disponibilizaram pocket wifi. Achei FUNDAMENTAL ter isso pra se virar, pois o japanenglish dos japa é tenso, hahauahauaha... se sua hospedagem não disponibilizar o pocket wifi tem várias formas de alugar! Em Kyoto a gente se virou com redes abertas de wifi, tem bastante. ARRUMANDO MALAS Em 2015 tínhamos viajado por um mês no inverno e levamos bastante coisa. Desta vez coloquei em prática o que aprendi na viagem à Europa e levei pouquíssima coisa, pois com 3 semanas teria que lavar roupa pelo caminho mesmo (airbnb com máquina de lavar). Viajamos de calça e levamos mais uma só. Um casaco mais forte, um calçado de inverno, um chinelo. Malhas, calcinha, cueca e meia levamos um pouco mais, umas 7-9 pra cada. Um gorro, luva e alguns lenços e cachecóis pra mudar a cor da foto, kkkkk, e pronto. Tb levei umas roupinhas mais leves pros Emirados, pq lá é sempre 40 graus! Nós aqui de casa viajamos com 2 malas de 23 kilos, mas um pouco vazias, e levei uma mala dentro da outra, então no total eu tinha 3 malas. Nossa franquia era de 2 malas pra cada um, então estávamos tranquilos. E na bagagem de mão uma mochila cada com uma troca de roupa, documentos e estas coisas. CHEGOU A HORA Ansiedade batendo a mil, no sábado, dia 25 de novembro de 2017, partimos de Londrina com direção a São Paulo, mas chegamos em Congonhas (cerca de 10 da manhã, passagem emitida com milhas) e fomos encontrar uma amiga pq nosso voo era só na madruga! Ficamos o dia todo zanzando com ela, tomamos um banho e da casa da Ari fomos pra GRU. Pontualmente à 01:25 do dia 26 de novembro, decolamos de A380 pra Dubai... No próximo post: Emirados Árabes Unidos! Chegada, aluguel do carro e a inacreditável terra dos Khalifas!
  3. Olá pessoal! Eu e minha esposa gostaríamos muito de conhecer o Japão e após algumas pesquisas montamos um rascunho de roteiro que nos pareceu excelente: (somos do interior do RS, então ignoremos a parte doméstica aqui) 6 de out. de 2018: Guarulhos > Roma, stopover de 1 dia - Alitalia 8 de out. de 2018: Roma > Tóquio - Alitalia [Ida a Kyoto e Osaka e algumas outras ainda não definidas] 16 de out. de 2018: Tóquio > Roma, stopover de 1 dia - Alitalia 18 de out. de 2018: Roma > Guarulhos - Alitalia Preço total: R$8843.66 direto do site da Alitalia Porém, sem ter o costume de viajar por conta para fora (fizemos um pacote da CVC para a Europa em outubro de 2017 e foi sensacional, mas queremos uma nova experiência, principalmente mais barata), não tinha nem ideia da situação da Alitalia. Hoje acidentalmente vi uma notícia de que eles quebraram um violino de uma artista e alguém comentou que a empresa estava falindo. Procurando mais sobre o assunto, que talvez já tenha sido falado por aqui, estavam garantidos os voos apenas até agora em abril. Caiu o mundo pois de tudo que podia dar errado eu não esperava que uma companhia aérea estivesse quebrando... Assim, a pergunta do título, quais seriam as alternativas para um stopover legal com um valor semelhante? Simulei agora há pouco pela Emirates e deu 11600 para as mesmas datas, 3 mil mais. Um detalhe, temos 500 euros que sobraram da primeira viagem à Europa e eles seriam o subsídio perfeito para não investir nada no stopover europeu. Obrigado! EDIT 26/04: Notícia de HOJE! Voltarei ao meu plano original pra fazer o stopover em Roma! O que acham? https://www.terra.com.br/noticias/mundo/governo-prorroga-prazo-para-venda-da-alitalia-ate-outubro,c08f36d304ac68f459091ca700f52052ouh1i8oo.html
  4. novoCalculoDaRota

    Japão: Hiroshima - um dia visitando a cidade

    Olá amigos Mochileiros, Replico aqui minha visita a cidade de Hiroshima, na minha segunda viagem ao Japão. O post completo fiz em: https://www.novocalculodarota.com.br/hiroshima-conhecendo-a-cidade/ Hiroshima (広 島) é mundialmente conhecida por um triste fato: em 6 de agosto de 1945 foi alvo da primeira bomba atômica. Lançada estrategicamente sobre a cidade – a princípio – como um teste. Afinal, nem os americanos criadores tinham noção exata do seu poder. Muitas pessoas relatam uma certa tristeza ao visitar a cidade. Porém, confesso que minha impressão foi totalmente diferente. Eu enxerguei: superação, reconstrução, dedicação e amor! Afinal, quem seria capaz de transformar Hiroshima no que é hoje, depois da bomba devastar quase dois quilômetros ao redor do seu epicentro? Os dedicados japoneses, é claro! Muitos relatos dizem que mesmo com as escolas destruídas, as aulas continuaram em Hiroshima ao ar livre um dia após o ataque! Educação sempre foi a base japonesa. Agora em 2017, vi estas pequenas indo pra escola numa das grandes avenidas de Hiroshima. Outro fato chocante para nós brasileiros: a segurança. As crianças pequenas vão em duplas para a escola (pelo menos). Sem a supervisão de um adulto. Uma cuida da outra. Pequenas estudantes indo para a escola em Hiroshima no Japão Os uniformes e chapéus ajudam a identificar mais facilmente os estudantes. Os menores carregam no pescoço um apito, e o tocam caso algum estranho faça uma aproximação má intencionada. Bomba atômica e a guerra: superação Esta não é uma história para ser esquecida. É para ser superada e aprendermos com ela para nunca MAIS repetirmos estes atos covardes. Durante a II Guerra Mundial os Estados Unidos desenvolveram o Projeto Manhattan: pesquisas para criação de um armamento poderoso sob a fissão do átomo. Muitos europeus de países que já tinham perdido a guerra, estavam também neste projeto que inicialmente tinha a Alemanha como alvo. Um primeiro teste desta bomba já havia sido realizado no deserto de Alamogordo no Novo México (EUA). Os Estados Unidos propuseram ao Japão uma rendição. O Japão não aceitou. E o resultado disto todos sabem. Nos jardins do Castelo de Hiroshima Em 6 de agosto de 1945 foi lançada a bomba atômica de urânio sob Hiroshima, que explodiu a 570 metros do chão. Uma imensa bola de fogo se formou no céu com uma temperatura maior do que 300.000 graus celsius que gerou a imensa nuvem no formato de cogumelo, esta nuvem alcançou mais de 18 km de altura. O resultado da bomba chamada de “little boy” lançada pelo bombardeiro B-29 apelidado de Enola Gay (que ninguém sabia o poderio até então) foi a devastação de mais de 2 km de área terrestre, causando a morte de 70.000 pessoas instantaneamente. O número total de vítimas com a radiação fez este número aumentar para mais de 200.000. Posteriormente também houve uma bomba lançada sobre Nagasaki, mais poderosa ainda. Porém, erros de cálculo para determinar o alvo a fizeram atingir uma área montanhosa (causando mesmo assim milhares de mortes). O Japão – através do seu Imperador – assinou a rendição em 2 de setembro de 1945. Irasshaimase! O que aprendemos com a Segunda Guerra Mundial? É difícil falar que houve algum aprendizado com um fato que dizimou milhares de pessoas em todo o mundo. Mas, podemos dizer que foi o último ato de destruição em massa. Com minha visita ao Japão, entendi que também se aprende com a dor. É incrível a devoção, dedicação e superação dos japoneses. Um povo que tinha de tudo para aderir ao coitadismo, e pelo contrário, tornaram-se uma potência mundial! É um povo que tem orgulho do que faz. Seja qual for a área, o japonês entra pra fazer o melhor! Desde o atendente de uma lojinha até o presidente de uma empresa. Você como cliente ou como turista percebe o prazer em ser bem recebido. Ao adentrar um comércio no Japão, você é recebido pela frase: “Irasshaimase” (いらっしゃいませ). Por TODOS os funcionários. TODOS! Em tradução livre, Irasshaimase significa “Bem vindo” ou “Prazer em recebê-lo.” Era nítida a satisfação em lhe atender bem no Japão. Apesar de óbvio, afinal, cliente feliz se torna fiel. Volta sempre, gasta mais e fica bom pra todo mundo. Num mercado cheguei até a ficar sem graça, porque todo funcionário que cruzava comigo cumprimentava-me com um Irasshaimase. E isso foi um choque, porque tinha acabado de vir do Brasil, onde a área de serviços em geral sofre. Alguns atendentes são trabalhadores temporários que estão esperando uma oportunidade para migrar para outra função. É lógico que existem exceções e já fui muito bem tratado aqui. Mas, confesso que é rara exceção. Já perdi a conta da quantidade de vezes no Brasil chego a uma caixa de supermercado, dou um boa noite e como resposta recebo uma bela cara emburrada ou ouço a pessoa se lamentando de quanto tempo falta pra encerrar seu expediente! No Japão há um orgulho. Estou aqui para fazer o meu melhor! Recebo o meu salário e vou fazer de tudo para tornar sua experiência na minha loja o melhor possível! E isso funciona! Eu AMO ouvir Irasshaimase toda vez que entro num comércio ou casa de lamen. Sua experiência começa boa desde a porta de entrada! Cidade de Hiroshima Bom, voltando ao assunto do tópico, vamos falar de Hiroshima! Uma cidade que tinha recebido o título de inabitável devido à radiação, hoje abriga mais de um milhão de habitantes. Desde a nossa chegada, achei a cidade organizada e encantadora! A reconstrução da cidade foi muito bem executada. É um lugar com muitos canais e várias pontes. Uma das principais pontes da cidade inclusive foi o alvo da bomba atômica, para cercar a população e seu exército. Alguns monumentos que haviam sido destruídos foram reconstruídos. Como é o caso do Castelo de Hiroshima que também visitamos. O bonde de Hiroshima Um meio de transporte muito comum para circular pela cidade é o bondinho, também chamado de tram. Símbolo da resignação, voltou à circulação 3 dias após o ataque da bomba atômica! Até hoje a linha e os bondes cinza, verde, azul e marrom estão em circulação em Hiroshima, já são mais de 70 anos de história. Tram – Bondinho de Hiroshima em circulação a mais de 70 anos! E não é um transporte apenas turístico. Encontramos vários executivos indo ao trabalho nestes bondes! O baixo custo também ajuda a explicar esta adoração. Você sobe no bonde e desce em qualquer estação atendida por ele, por apenas ¥ 160 (o pagamento é na saída e existe uma máquina dentro que troca suas notas por moedas dentro do bonde). Outra opção é comprar o one-day pass que custa ¥ 600 e você pode usar livremente o dia inteiro. Na saída do nosso hotel inclusive, vimos um bonde todo estilizado e comemorativo: Bonde de Hiroshima Uma das nossas primeiras paradas com o bonde, foi o parque do Memorial da Paz. Parque Memorial da Paz de Hiroshima O Hiroshima Peace Memorial (広島平和記念碑 Hiroshima Heiwa Kinenhi) é um parque construído no local onde foi lançada a criminosa bomba atômica. Hoje em dia, dezenas de esculturas, edificações e obras que remetem à paz neste parque. É um passeio que pode levar horas e horas para refletir sobre o ocorrido. Uma das pontes que foi o alvo da bomba atômica O principal destaque é o A-Bomb Dome (原爆ドーム Genbaku Dōmu), a cúpula da bomba atômica. Em 1996 foi reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO (vejas outros que já visitamos). É a única construção que resistiu ao ataque no seu epicentro e até hoje está preservada. Muitos imaginam que ela era uma construção militar, mas na verdade era um edifício da Prefeitura de Hiroshima relacionado ao conglomerado das indústrias e construído em 1915. A-Bomb Dome em Hiroshima Todos os anos, em 6 de agosto, precisamente as 08:15 hs (momento exato da detonação) é realizada uma cerimônia com um minuto de silêncio em homenagem as vítimas da bomba atômica. Ao todo, mais de 200.000 vidas foram ceifadas – incluindo as vítimas da radiação. Detalhes da cúpula do Atomic Bomb Dome em Hiroshima O Japão faz um trabalho recorrente de manutenção para manter este edifício em pé, corrigindo infiltrações e fazendo tratamento com resina. É um importante símbolo da resistência. Na mesma praça, visitantes também são convidados para tocar o Sino da Paz. Chegamos no mesmo momento de uma excursão, e os estudantes balançaram juntos o grande pendulo que batia no sino, resultando num relaxante som: Sino da Paz em Hiroshima Ao circular pelo parque, encontramos vários senhores e voluntários que contavam a história da guerra em vários idiomas. O acesso ao parque é totalmente gratuito, apenas é cobrada entrada para visitar o museu da paz. Como chegar ao Parque do Memorial da Paz Utilize o bondinho e desça na estação Genbaku-Domu Mae. É uma viagem de 15 minutos a partir da Hiroshima Station. Dias e horário de funcionamento: Parque: todos os dias, 24 horas por dia Hiroshima Peace Memorial Museum: todos os dias, 08:30 hs a 18:00 hs Taxa de visitação: Parque: totalmente gratuito Hiroshima Peace Memorial Museum: ¥ 200 Hiroshima-jo: o Castelo de Hiroshima Caminhamos para as proximidades do Castelo de Hiroshima (広島城, Hiroshimajō) num lindíssimo dia de sol. O céu de Hiroshima é surreal e fantástico. Em todos os dias da minha visita fiquei impressionado. As nuvens são diferentes. É difícil achar uma palavra para descrever. Também conhecido como o Carp Castle: Castelo da Carpa, foi construído em 1589! Porém, foi destruído pela bomba atômica e posteriormente reconstruído. Logo na chegada conhecemos o Ninomaru, esta belíssima casa de guarda e segundo círculo de defesa. Todo o terreno é protegido por um fosso que rendeu este belo reflexo: Ninomaru – A casa de guarda do Castelo de Hiroshima Assim como foi comum em alguns lugares que visitamos no Japão, o lugar estava passando por pequenas reformas. Por este motivo, decidimos não entrar e seguir nossa viagem! O exterior do Castelo de Hiroshima já pagou a visita, é impressionante! O Castelo de Hiroshima Muito próximo ao castelo (10 minutos de caminhada) vale a pena conhecer o Shukkeien Garden, também conhecido por “shrunken-scenery garden”. Um jardim com montanhas e florestas em miniatura. Outro marco da cidade é o Mazda Museum, localizado até hoje no mesmo lugar da criação da empresa em 1920. Lá existe um museu com vários carros antigos, que infelizmente não visitamos porque já estávamos de partida para a incrível ilha de Miyajima. Saindo do Castelo de Hiroshima Como chegar ao Castelo de Hiroshima Caso esteja com o bondinho, desça na estação Kamiyacho-nishi ou Kamiyacho-higashi. O castelo também está a uma caminhada de dez minutos do Shukkeien ou do Parque da Paz. Dias e horário de funcionamento: Todos os dias 09:00 hs a 17:30 hs (de abril a setembro) 09:00 hs a 16:30 hs (outubro a março) Taxa de visitação: ¥ 370 (para entrar no castelo) O jardim e os arredores são totalmente gratuitos. Veja também o site oficial do Castelo de Hiroshima. A lenda dos 1000 tsurus Para entender a lenda dos tsurus (origamis), faço um resumo da história de Sadako Sassaki (que possui uma estátua em sua homenagem no Parque da Paz). Sadako era uma criança sobrevivente da bomba atômica que nunca perdeu sua ternura e não faltou nenhum dia na sua escola primária. Chegou a tornar-se atleta no ensino médio, mas viu sua saúde diminuir com uma leucemia aos 12 anos de idade. Seus amigos então, fizeram 1000 origamis/tsuru no formato de grou (uma grande ave). Os 1000 grous em papel colorido (um pássaro que se assemelha a uma cegonha ou uma garça) enfeitaram o quarto de Sadako e então lhe foi dita a lenda: “Se fizer 1000 grous de papel, seu desejo se tornará realidade” Cheia de esperança, ela começou a dobrar os origamis. Passava noites com dor e febre, dobrando seus tsuru na esperança de sobreviver. Muito fraca, infelizmente não teve forças para dobrar seus mil pássaros. Faleceu aos 12 anos, dez anos depois da explosão da bomba atômica. Seus amigos da escola dobraram os tsuru que faltavam para que fossem enterrados com ela. Desde então, é muito comum ver tsurus por todo o Japão e especialmente em Hiroshima. Aqui vimos esta homenagem na calçada de um famoso hotel nos arredores do parque: A lenda dos 1000 Tsurus de Hiroshima Ao invés de guerra, vimos momentos de muita paz e aprendizado na visita. É sabido que a guerra tira o discernimento da pessoas. O lado japonês também estava fora de controle, você conhece a história do americano que foi enjaulado no Zoo de Ueno? Como chegar na cidade de Hiroshima no Japão? Viemos diretamente de Tokyo com o Shinkansen Nozomi / Kodama (trem bala). A distância entre Tokyo e Hiroshima é de 810 km. Mas a viagem leva em torno de 5 horas por incríveis paisagens. Você pode utilizar o JR Pass para economizar nesta viagem, que vou explicarei num tópico a parte. Outras cidades próximas: – distância entre Hiroshima e Osaka: 330 km – distância entre Hiroshima e Kyoto: 360 km Confira também o mapa da região central da cidade. Obrigado Hiroshima, por tudo que nos ensinou! Vocês serão um exemplo que carregaremos para toda vida! Arigatou gozaimasu! Hiroshima! Arigatou gozaimasu! (obrigado)
  5. Galera, abaixo meu relato da visita ao Zoo de Ueno em Tóquio (Tokyo). Foi fantástico conhecer a família de Pandas, mas também descobri 2 histórias tristes que assolam este zoo por causa do período da segunda guerra mundial. O post do blog onde vou atualizando sempre as informações está aqui: https://www.novocalculodarota.com.br/panda-zoo-ueno-tokyo/ O panda gigante de Tokyo ou melhor, a família de ursos panda gigantes que vivem no zoológico de Ueno são a principal atração deste zoo! Sou contra a exploração de qualquer tipo de animal, mas aqui a história é outra. O urso panda gigante esteve na lista de animais em risco de extinção por várias décadas e finalmente em 2016, graças a um grande esforço da China, o panda diminuiu seu real risco de extinção. Foi com o apoio dos chineses e as tentativas de procriação de pandas em cativeiro, que em 1972 os primeiros pandas gigantes vieram da China para o Ueno Zoo. O projeto é uma cooperação que envolve também o San Diego Zoo (Estados Unidos) e o Beijing Zoo (China – Pequim). Por um período, um único panda gigante habitava o Zoo de Ueno, Ling Ling viveu até seus 22 anos e foi também o mais velho panda gigante do Japão. Com sua morte em 2008, um casal de pandas passou a viver em Ueno. Ri Ri e Shin Shin chegaram ao zoológico em 2011 e são o grande charme desde então. Primeiro filhote de Panda a nascer no Zoológico de Ueno Em 12 de Junho de 2017, a população japonesa teve uma incrível notícia! O primeiro filhote de panda havia nascido e vingado no zoológico! Era uma linda filhote panda de panda que estava crescendo saudavelmente! Minha visita ao zoo foi em Agosto de 2017, então, o bebê panda ainda estava na “maternidade” numa área restrita junto com sua mãe Shin Shin. Apenas o Ri Ri, o pai orgulhoso estava na área aberta ao público: Ri Ri – O panda gigante de Ueno em Tokyo Um grande telão exibia videos e imagens da filhote para o público. Esta foi a foto que divulgaram para a imprensa da mais nova moradora: Foto da panda gigante Xiang Xiang ainda com 10 dias de vida em 2017 Shin Shin, a panda mãe, agora com 11 anos, perdeu em 2012 um filhote com apenas seis dias de vida. Foi tanta comoção com a nova filhote, que Zoo bateu recorde de visitação das últimas décadas. Houve até uma votação pública para decidir o nome da filhotinha. A bebê panda recebeu o nome de Xiang Xiang e em 2018 fará sua primeira aparição para o público. Mais sobre o Zoo de Ueno Inaugurado em 1882 é o mais antigo zoológico do Japão. Abriga hoje 3000 animais de 400 espécies diferentes. Visitei também a área dos pássaros, que é enorme e tenta recriar um espaço mais parecido possível com a natureza Pássaro azul no Zoo de Ueno Pássaro no Zoo de Ueno O panda Ri Ri é realmente um charme. Mas é um panda dos mais preguiçosos. Prepare-se para ficar horas ali torcendo para ele aparecer. Eu tirei quase 300 fotos antes de conseguir acertar esta fotografia abaixo. O panda gigante Ri Ri no Zoo de Ueno A impressão que dá é que ele fica entediado de ver tanta gente ali na frente do seu espaço. Até quando vai comer bambu o panda virava as costas pros visitantes (que nem foram convidados por ele). Será que estes bichinhos são felizes? Tenho sentimentos mistos quanto a isso. Os animais tem acompanhamento veterinário, ótimos cuidados, boa alimentação e limpeza excepcional. As jaulas ao longo do tempo foram substituídas por ambientes que tentam recriar seu habitat natural. Há muito estudo e profissionais envolvidos para cuidar do bem estar dos animais. Porém, eles não deixam de estarem presos e isso me incomoda. Não no caso do urso panda, que é criado em cativeiro na tentativa de preservação e a entidade tem um trabalho sério quanto a isso e a soltura de animais na natureza (na China). Por outro lado, se pensarmos, nós humanos também vivemos em escritórios fechados e comendo comida enlatada.. Temos nossa liberdade subtraída tendo que fugir dos bandidos que assolam as grandes metrópoles.. Não vi nenhum animal sofrendo maus tratos, como por exemplo, o absurdo do zoológico na Argentina que seda os tigres e leões para os turistas tirarem fotos. Um lugar destes eu tenho certeza que nunca visitaria – ou visitaria com o intuito de realizar um protesto. As vezes eu olhava para algum animal na sua jaula e tinha a impressão de que eram eles que tentavam observar o comportamento maluco dos humanos.. risos Ueno Zoo – De que lado da jaula estão os animais? O causo da Segunda Guerra com o Zoo de Ueno O lindo lugar que hoje abriga o panda, passou pela segunda guerra mundial e pelo menos 2 episódios tristes. Na época, por precaução os animais mais perigosos foram mortos para evitar que fugissem pelas ruas e causassem pânico na população. Mas, a tristeza não acaba aí. Como a imbecilidade humana não tem limites, em 1945 logo após o bombardeio em Tóquio, o soldado americano Ray “Hap” Halloran foi capturado e exposto nu na jaula do tigre no Zoo de Ueno. Assim, a população podia passar pela frente da jaula e ver o prisioneiro do avião B-29 utilizado nos bombardeios. Este episódio já foi superado e serviu inclusive de incentivo para a “reconciliação” entre as nações envolvidas. Ray foi devolvido para as tropas americanas e décadas depois inclusive visitou o Japão e reencontrou seus captores. Em 2011 ele faleceu aos 89 anos em sua terra natal.
  6. vmesquita

    3 semanas no Japão!

    Dessa vez uma promoção da Qatar Airways me levou pro Japão. Eu inicialmente ia sozinho, mas uma amigo se interessou pela viagem. Só que como toda promoção, os preços baratos não duraram muito, ele moscou decidindo se ia ou não, e perdeu. Então acabou comprando passagem pro Japão em outra promoção, da AeroMexico. Na verdade eu diria que pegou voos ate melhores que o meu, porque o dele chegava de manhã na cidade do Mexico e o segundo vôo saía a noite. O que eu chamaria de uma conexão amigável, pois dá para sair do aeroporto, passear um pouco e seguir viagem sem aquela sensação que você agora mora num avião. Já na Qatar, o vôo de conexão chega as 11h da noite e o próximo parte 7h da manhã no horário local, tornando inviável passear por lá. Porém, o aeroporto do Qatar é muito eficiente, tem até iMac pra usar. Mas como viajante claro que eu preferia dar uma passeadiinha em Doha. Hehe Esssa é uma viagem que exige bastante planejamento na parte de transportes (que afeta diretamente o roteiro). Transportes é o item mais caro da viagem, e se mal planejado pode acarretar gastos desnecessários significativos. Mais sobre isso abaixo. Dinheiro É possível trocar reais por ienes diretamente em Casas de Cambio do Rio de Janeiro, por uma cotação ótima. Ou ainda comprar dólares/euros e trocar no aeroporto. No Japão o Câmbio do aeroporto não é ruim (o que é extremamente incomum). E muitas vezes é até mais favorável que Casas de Câmbio na cidade. Para converter preços, a melhor maneira é dividir os preço por 100 e multiplicar por 3. Então 1000 yenes = R$ 30, por exemplo. Chip de Celular (SIM Card) Eu acredito que é importante ter um chip local em qualquer viagem. Ajuda muito a se localizar, fazer pesquisas. Porém no Japão, eu diria que é imprescindível. Fazer rotas de metro e trem em grandes cidades é uma tarefa bem complexa, se muitas vezes eu me enrolava tendo o Google Maps e Hyperdia (mais informações abaixo), não consigo nem imaginar sem. O sistema de endereçamento é totalmente diferente do nosso e maioria das ruas só tem nomes com os caracteres japoneses. Existe uma proibição para estrangeiros não residentes terem chips de voz e SMS. Somente é permitido ter chip de dados. Eu sei, não faz o menor sentido, um chip de dados tem muito mais possibilidades que um de voz e SMS, inclusive possibilitando chamadas via Skype e troca de mensagens pelo Whatsapp e outros. Eu imagino que seja alguma regulamentação antiga que nunca foi revista. A melhor opção que encontrei foi encomendar neste site: http://www.bmobile.ne.jp/english/ O preço é ótimo para os padrões japoneses (Cerca de 3000 yen por 5 Gb para usar em até 21 dias). A velocidade também é ótima. Você compra antes da viagem e manda entregar o chip na agencia dos correios do aeroporto, e retira lá na sua chegada. Cuidado que a data de ativação é definida no momento da compra e não pode ser mudada. Ou seja, os 21 dias começam a valer no dia que você especificou no momento da compra, não quando efetivamente começou a usar o chip. Também é necessário especificar o tamanho do chip (normal, micro ou nano) e já vem no tamanho certo, não vem com adaptadores. Se você errar, vai ter que correr atrás de adaptadores ou um alicate de cortar chip para tamanhos menores. Meu amigo se confundiu no tamanho que o celular dele aceitava (pediu micro e era Nano) e ficamos vários dias até encontrar um alicate de cortar chip e ele poder usar o dele, além de ter que pagar mais 1000 yen (R$ 30) na ferramenta. Transporte Como eu disse acima, é muito importante organizar seu roteiro de acordo com as opções de transporte, porque um erro ou falta de planejamento aqui pode ser a razão pra você gastar muito mais ou até desistir de ir em algum lugar porque se tornou financeiramente inviável. Use este site para pesquisar trajetos: http://www.hyperdia.com/en No Japão existem trens dentro e fora da cidade, além de metro e linhas de ônibus. Os trens pertencem a companhias diversas e muitas vezes tem mais de um trem que faz um trajeto semelhante, e além de linhas de metrô que concorrem entre si. Então se você comprou um passe de metrô/trem, não significa que serve para todos os trens e metros de uma cidade específica, ou muito menos todos do Japão inteiro. Existem também o JR Pass, que permite usar os trens da JR por 7, 14 ou 21 dias. (Nos trens da JR, tenha em mente que muitos trens não são da JR!) Vale muito a pena para viagens de longa distância e precisa ser adquirido ainda no Brasil (não tem como comprar no Japão). Por exemplo, uma viagem de 3h entre Hiroshima e Nagasaki custa 26.000 yen ida e volta. O passe de 7 dias já custa 26.000 yen. A JR também vende passes que abrangem somente uma parte do território, estes sim você pode comprar no Japão mesmo. Existem também ônibus noturnos bem baratos que vão para outras cidades. São bem confortáveis, e embora não tenham banheiro, param de 2 em 2h em postos muito limpos (como alias é padrão no Japão. Não vi um banheiros sujo a viagem toda. Alguns banheiros de paradas na estrada no Japão eram melhores que banheiros de Shopping no Brasil). Eu optei fazer o trecho Tokyo-Kyoto de ônibus justamente porque não compensava comprar o trem individualmente, e também não compensava estar com o JR Passa ainda já que teria pouca utilidade em Kyoto. Os ônibus podem ser comprados no site abaixo: http://willerexpress.com/en/ Existe outra empresa também, mas o site é somente em japonês, aí fica ruim de usar. Outro ponto a ser notado é que existe às vezes mais de uma estação com o mesmo nome de empresas diferentes. Então tem por exemplo a estação Shinjuku da JR, a do Metro, a Nankai, além de uma linha de metro chamada Shinjuku. Vejamos abaixo as melhores opções de transporte em cada cidade: Tokyo Em Tokyo o JR pass não vale a pena, eles tem uma linha de trem se não me engano mas para ir para outros lugares acaba precisando do metrô. Então organizei meu roteiro de forma a não estar com o passe em Tokyo ainda. Mas vale a pena comprar um passe de metrô que é vendido a estrangeiros no aeroporto, na estação shinjuku e em outros lugares. Este passe custa: 800 yen por 24h, 1300 por 48h ou 1800 por 72h. Permite usar todas as linhas de metrô. Para Odaiba, recomendo usar um trem suspenso, para o qual é vendido um passe especial diretamente na primeira estação de trem, que se conecta com o Metrô. Se você comprar este passe, ao traçar rotas no google maps do celular customize a busca para “apenas metrô”. (Essa opção não existe no google maps do computador). Dessa maneira ele não irá criar rotas que incluam trens, pelos quais você teria que pagar a parte. Estes passes valem pelas horas e não por dias e são ativados na primeira utilização. Ou seja o de 24h se for ativado às 20h de hoje, valerá até 20h de amanhã. De Tokyo para Lake Kawaguchi tem que ir de trem, porém não é muito caro, não compensa ter o JR Pass nestes dias a menos que você já tenha por algum outro dia próximo (neste caso use) De Tokyo para Nikko, o melhor é usar um passe combinado que vende na estação Asakusa, da Tobu. O passe inclui ida e volta de trem e ônibus pela cidade. E para chegar na estação Asakusa você pode ir de metrô se tiver o outro passe de metro. Ou seja encaixa bem. Existe mais de uma opção de passe da Tobu, tem uns que incluem entrada em parques de Nikko e outros que incluem ônibus para uma área de natureza mais afastada que eu não fui. Estude direitinho o que quer fazer e chegue lá já sabendo o passe que você precisa. O passe da Tobu é vendido diretamente na estação Asakusa. Kyoto Em Kyoto, o mais econômico é usar passes de ônibus mesmo. Por 500 yen por dia, você pode usar ônibus a vontade e eles vão na maioria dos lugares. A cidade tem trens e existem passes de ônibus e trem, mas aí já sai 1300 yen e não tem necessidade. Os passes são vendidos na estação Kyoto e em lojas de conveniência. Osaka Em Osaka, os trens da JR cobrem a maioria da cidade (que tem metrô também, que praticamente não usei). O JR Pass pode ser usado aqui, mas claro coloque Osaka no seu roteiro entre 2 lugares que realmente vão gastar o passe (como ir para Hiroshima, voltar pra Tokyo, etc) Himeji Tem um busão de 100 yen que vai até o castelo. Tem também umas bicicletas que podem ser alugadas gratuitamente (no centro de informações turísticas) Hiroshima Tem um ônibus que roda pelas atrações turísticas e está incluído no JR Pass. Nagasaki Não pesquisei a cidade a fundo porque foi uma mudança de roteiro de última hora, mas tem bondinhos e ônibus (usei os bondinhos) Hospedagem/Vida Noturna Esse é um item muito importante também. Se você gosta de sair a noite, não opte de maneira nenhuma por uma hospedagem barata porém mal localizada. Ou esteja preparado para escolher entre voltar da night apenas as 5h da manha (quando os trens voltam a funcionar) ou pagar uma fortuna de Taxi (um taxi entre Shibuya em Shinjuku, que são bairro adjacentes, custa cerca de 2.000 yen – R$ 60). Vejamos então os locais que eu escolhi: Tokyo No inicio da viagem, fiquei em um AirBNB em Shinjuku. Otimo custo benefício, saiu o preço de um hostel no mesmo bairro, com uma diferença mínima. Isso porque eu estava dividindo com um amigo, não iria compensar sozinho. No fim da viagem, fiquei no Imano Hostel. Como meu amigo iria continuar em Tokyo por mais 2 dias, escolhi desta maneira para ele não precisar mudar de lugar depois de uma noite, não teria muito sentido. As áreas de vida noturna em Tokyo são: Shinjuku, Shibuya e Ropponji. Os três são bairros adjacentes. Shinjuku tem a vantagem de ter trens e ônibus para vários lugares, é ótimo para os deslocamentos. Porém em termos de vida noturna, tem que levar em conta que não existem boates, somente uns micro bares numa região conhecida como Golden Gai. São micro mesmo, tem bares que só cabem 6 pessoas por exemplo. É legal pra ver, mas se você está querendo conhecer pessoas, não vale a pena. Shibuya e Ropponji já tem boates de verdade. Porém hospedagem em Shibuya já é bem mais caro, então acaba compensando ficar em Shinjuku pagar o taxi de volta da night ou esperar o trem começar a funcionar. Quanto a Ropponji não pesquisei hospedagem lá, então não posso comentar. Kyoto A área de Gion concentra várias boates e bares, e não é distante da estação Kyoto. Infelizmente um AirBnb aqui custa o dobro do preço do Hostel, então não compensa. Ficamos no Ayado Gion. Ótimo hostel, eles dividem os quartos com uma cortina pra cada beliche, então fica quase como um quarto privado. Além disso tem café da manha grátis. Embora seja só pão com manteiga e chá ou café, já dá uma ajuda. Osaka Ficamos em um AirBNB na região de Namba, também próximo das boates e bares. Todos os dias que saímos, voltamos a pé tranquilamente. Hiroshima Em Hiroshima ficamos hospedados no Hotel Capsule Cube, e depois em um quarto privado no Hana Hostel. O capsule cube é bem legal e confortável, mas a localização é meio ruim, cerca de 1,4km da estação de trem e aproximadamente a mesma distância do parque da bomba atômica. Eu tinha escolhido ele mais para ter a experiência de ficar em um hotel de capsula. Já o Hana Hostel recomendo, bem localizado (ao lado da estação de trem) e quarto ótimo. Não saí a noite em Hiroshima então não sei dessa parte. Na verdade não achei nenhum evento em dia de semana. Nikko Em Nikko ficamos no Nikko Guesthouse Sumica, em um quarto privado. Eles tem quartos em estilo japonês, com aquele colchonete que chamam de futon. Vale a experiência, mas é meio desconfortável para várias noites. Como foi somente 1 noite, eu recomendo. Koyasan (Monte Koya) Aqui fomos para ter a experiência de dormir em um mosteiro. A reserva é feita por este site: https://www.japaneseguesthouses.com Observe que nem todos as hospedagens disponíveis no site são mosteiros. O site somente faz a reserva e pega um cartão de credito para garantir, mas o pagamento é feito em dinheiro. Essa é a maneira mais fácil de conseguir dormir em um templo (mas não a mais barata). Existe um templo em Kyoto que hospeda não-japoneses também, mas você tem que entrar em contato pelo telefone, falando japonês (por isso não deu pra mim), ou então mandar um cartão postal pra lá e esperar chegar lá e eles entrarem em contato (também inviável porque a chance do cartão se perder no caminho é enorme). Já adianto que não curti muito a experiência, mas detalhes na parte de roteiro. Compras Eu geralmente não incluo compras no roteiro, mas algumas coisas realmente valem a pena. Vejamos: Tenis É possível encontrar tênis bem baratos de marcas japonesas, como Mizuno. De outras marcas em geral não vale a pena. Também não compre tênis genéricos: comprei um e no dia seguinte descobri que a sola era hiper vagabunda e já estava deformada. Procure lojas que colocam tênis com preço já na entrada ou na rua. Encontrei umas assim em Osaka. Roupas Existem algumas lojas que vendem roupas estilosas por um preço bom (não excelente). Também é possível comprar roupas simples bem baratos no Don Quijote (como 5 blusas pretas de algodão e gola V por 1500 yen por exemplo.) Bugingangas em geral Vale muito a pena visitar as lojas Don Quijote (especialmente o Mega Don Quijote de Shibuya) e lojas de 100 yen como as da rede Daiso. Essas de 100 yen são tipo nossas lojas de 1,99 mas com a qualidade e variedade dos produtos melhor. Eletrônicos As melhores lojas são Bic Camera e Yodobashi. Mas observe que os preços em geral não são tão bons assim. Vale a pena comprar coisas que são lançamento pra nós e já são tecnologia popularizada pra eles. Existe um esquema de Tax Free que isenta você dos impostos de cerca de 7%, mas o lojista carimba algo no seu passaporte para depois na alfandega confirmarem se você está mesmo levando o produto pra seu país. Não usei, então recomendo se informar melhor sobre como usar. Roteiro 04/06/2017 – Domingo Eu cheguei cerca de 22h no aeroporto de Haneda em Tokyo, e meu amigo chegaria somente as 6h da manhã no aeroporto de Narita. Então agendei um hotel de capsula disponível no aeroporto mesmo: http://www.first-cabin.jp.e.jr.hp.transer.com/locationlist/haneda-terminal1.html O preço fica na faixa de um hostel, ou dividir um quarto ou AirBnb numa área bem localizada de Tokyo, então é bem razoável. É importante notar que este hotel fica no terminal doméstico de Haneda, que fecha a noite, e os ônibus do terminal internacional para o doméstico também param de madrugada. Então leve isso em conta. Não tem como caminhar entre os dois terminais, ainda mais com mala, é bem longe. 05/06/2017 - segunda – Nikko Acordei cedo e peguei o primeiro trem que estava disponível para ir de um aeroporto para outro. Na verdade não é um trem só, tem que mudar ao longo do caminho. Numa dessas mudanças eu me confundi, acabei saindo da estação e tendo que pagar parte da tarifa de novo. Faz parte. Encontreu meu amigo, retiramos o chip de celular no correio, trocamos dinheiro e seguimos para Asakusa, para pegar o trem para Nikko. Mais informações sobre Nikko no link abaixo: http://www.japan-guide.com/e/e3800.html Chegando em Nikko, ainda tivemos tempo de ir no mausoléu do Tokugawa Ieyasu, e conhecer a Shinkyo Bridge. Nikko é uma cidade pequena e a noite estava tudo fechado bem cedo. Vale a pena comprar bandejinhas de refeição no mercado entre 19h e 21h: eles remarcam o preço com descontos de até 50%. Essa dica vale para o Japão inteiro, mas usamos mais em Nikko porque o mercado grande ficava do lado. 06/06/2017 – terça – Nikko Neste dia fomos no Edo Wonderland (http://edowonderland.net/en/). É um parque temático com coisas pra fazer, como a casa de um ninja para visitar e uma casa assombrada com tema de divindades maligna budistas por exemplo. Ficam uns funcionários vestidos de samurai e gueixa andando pelo parque. Tem vários shows também, o dos ninjas é especialmente impressionante. Mas nem todos valem a pena, alguns tem muito diálogo e tudo em Japonês, pra que não entende nada é meio chato. E algumas coisas são pagas a parte, como tacar aquelas estrelinhas de ninja. No geral, diria que vale muito a pena. Uma outra opção seria ir em Lake Chuzenji, que é uma região com Onsen (banho termal japonês), e um parque com cachoeira que fica especialmente bonito no outono, mas não fui lá. Depois pegamos o Trem para Tokyo, e a noite andamos pelos bares do Golden Gai. Além disso, na mesma região, existem uns negros que ficam chamando pra ir para uns bares, strip clubs e outras coisas deles. Jamais siga esses caras, existem vários casos na internet de pessoas que foram para bares que eles indicaram e chegou lá apareceram mulheres pedindo pra comprar bebida, ou até mesmo pedindo bebida no nome da pessoa. E então quando vinha a conta, as bebidas eram tipo 5 vezes o preço normal. Ou ainda colocavam drogas nas bebidas. Não é preconceito contra pessoas negras, é que infelizmente os caras que aplicam este golpe no Japão são quase sempre negros e assim fica fácil reconhecer. 07/06/2017 - Quarta– Tokyo Este dia fomos na Disneyland Tokyo. Muito divertido como todo parque da Disney. A noite fomos na boate Atom ( http://atom-tokyo.com/ ) em Shibuya. A entrada custa 1000 yen até 00h, mas depois o preço pula para 3500 yen! Perdemos a hora e pagamos caro (literalmente) por isso. A boate estava bombando, mesmo sendo uma quarta-feira! 08/06/2017 – Quinta – Tokyo Este dia fomos conhecer a Ilha de Odaiba: http://www.japan-guide.com/e/e3008.html Esta ilha totalmente artificial (feita com aterros), conta com um musem de cera Madam Tussaud, um centro da Toyota com varias novidades e protótipos, um shopping em estilo romano com céu aritifical (lembra muito o cassino venetian em Las Vegas e Macau) e um museu de carros antigos com um DeLorean, entre outras coisas. A chegada é feita por um trem suspenso, que você compra a entrada na estação de metro que faz conexão (recomendo o passe de 1 dia já que as atrações ficam distantes uma da outra). Lá tem também uma torre de TV japonesa (e você pode chegar e estarem gravando um programa ao vivo no piso térreo, eles tem uma sala de gravação de vidro!) e uma estátua da liberdade, além de um centro de tecnologias da Panasonic (este último achei meio caído, nada de novidades. Só valeu porque tinha um Nintendo Switch disponível pra jogar, que é lançamento no Japão) A noite saímos na área de Ripponji. Fomos no Jummanji ( http://jumanji55.com/). A boate tem um esquema de open bar que vai até 23h ou 01 da manha depende do dia. A entrada custa 1500 yen até 00h e já inclui este open bar. Estava vazio este dia. Também não curtimos muito a área, um monte daqueles caras chamando pra locais que eu já estava ciente que era arriscado nas ruas abordando o tempo todo. Resolvemos ir pra Shibuya. Só que pelo horário, as boates já estavam um absurdo pra entrar. Achamos por acaso o mega Don Quijotede shibuya e acabou que ficamos lá olhando as coisas por umas 3h até abrir o trem. 09/06 – Sexta – Tokyo Este dia fomos até Akihabara( http://www.japan-guide.com/e/e3003.html). Lá existem milhares de lojas de anime, mangá, eletrônicos, jogo para PC, dá pra passar uma tarde inteira olhando. A noite fomos no Club Camelot ( http://ww.clubcamelot.jp ). Tem o mesmo esquema cinderela do Atom, mas tem que entrar até 23h. Ficou bem lotado também. 10/06 – Sabado – Tokyo / Lake Kawaguchi Para ver o monte Fuji, é necessário ir até uma das cidades próximas. Existem várias opções, escolhi Lake Kawaguchi depois de algumas pesquisas. Na maioria dos dias a vista do monte Fuji é muito ruim e cheia de nuvens, então em hipótese alguma vá lá em um dia fixo. O que eu recomendo fazer é consultar de manhã a câmera apontada pra o monte: http://live.fujigoko.tv/?n=3&e=1 Se tiver dando pra ver, vá pra lá. Se não, espere o próximo dia e repita o processo. Afinal acho que seria muito frustrante 1h30 de trem pra ver só nuvem. Optamos por alugar umas bikes. Existe um teleférico que leva até um monte mais baixo, para ver o Monte Fuji. Vale a pena. Depois tentamos ir no parque de montanhas russas e animes FujiQ ( http://mtfuji-jp.com/fujiq-highland/ ). Infelimente as filas estavam de mais de 2h de espera (E só tínhamos mais umas 3h até o horário do parque fechar). Então se quiser ir neste parque de diversões, separe um dia pra isso e vá preferencialmente durante a semanas. Acabamos optando por ir em um Onsen que ficava perto. Onsen é um banho termal japonês com várias piscinas de águas quentes, algumas medicinais. As piscinas são separadas por sexo e fica todo mundo sem roupa (é proibido usar roupa de banho). Também não aceitam pessoas com tatuagens. Japoneses associam tatuagens a Yakusa (máfia japonesa) e outras coisas ruins. Algumas boates inclusive não aceitavam pessoas com tatuagens expostas. O Onsen vale muito a pena, mas recomendo ir em um com vista para o Monte Fuji que não era o caso deste. Ou ir em outra parte da viagem, já que é possível encontrar estes locais por todo o país. A melhor maneira de ir para Lake Kawaguchi é de ônibus, tem ônibus saindo de Shinjuku e Shimbuya. Porém como era fim de semana, ao chegarmos no terminal todos os ônibus até meio dia já estavam esgotados. Então tivemos que ir de trem mesmo, saiu mais caro e teve o incomodo de trocar de trem no meio do caminho (ou seja não dava pra dormir). Chegando lá já compramos o ônibus da volta, mesmo assim só tinha ônibus para Shibuya. Os japoneses vão pra lá fazer caminhadas, ir no parque e outras atividades fim de semana, mas como expliquei acima a questão das nuvens, não tem sentido comprar antecipado. Voltamos para Tokyo e a noite saímos em Ropponji, novamente para o Jumanji55 que dessa vez estava lotado até demais, mal dava pra andar. E depois achamos uma boate que tocava musica latina. 11/06 – Domingo – Tokyo Este dia acordamos tarde e como a noite tinha o Ônibus noturno pra Kyoto, fomos somente na Tokyo Tower. Vale muito a Pena, é uma visão incrível da cidade e eles ainda ficam projetando uns animes no Vidro. No shopping que dá acesso a torre tem também uma loja do Pokemon que é ótima pra fotos. 12/06 – Segunda – Kyoto Em Kyoto, a própria estação de trem já é uma atração: Tem um caminho de vidro pra olhar a cidade do alto gratuitamente. Depois fomos em 2 templos: O Fushimi Inari Shrine é um templo com 1000 torás (aquela estrutura de madeira vermelha) num caminho que vai até o alto do monte. Seguimos um pouco pelo caminho mas uma hora cansou e voltamos. Depois fomos no Kinkakuji, que é um templo cor de ouro, muito bonito também. O que incomodou um pouco nestes templos é que era mais um ponto turístico que um local realmente espiritual. Por acaso encontramos um templo na volta que não era badalado e estava vazio e lá sim, deu pra sentir uma paz. Kyoto tem mais de 1600 templos, então recomendo muito ir em um destes menos turísticos. Fomos em uma boate pela região do Gion, mas não guardei o nome do local. Pedimos indicação pra pessoas na área. 13/06 – Terça – Kyoto Fomos em dois templos: Kiyomizu-Dera (templo grandão, no alto da montanha) e Sanjusangendo (templo com 1000 estatuas de budah e outra estatuas de divindades budistas). Ambos muito bonitos. A noite saímos por Gion outra vez. 14/06 – Quarta – Kyoto (Arashiyama) Pegamos o busão até Arashiyama. É um pouco longe, leva cerca de 1 hora. Lá subimos um morro pra chegar em uma floresta de macacos. Eles ficam soltos, mas foram educados a pegar comida somente pela janela de uma construção onde você entra para alimentá-los. A subida é cansativa mas vale a pena. Ali perto tem também uma floresta de bambu onde dá pra tirar ótimas fotos. Na volta, ainda demos uma passada no Aquário de Kyoto. Foi meio corrido, mas deu para ver várias espécies marinhas locais. Os shows haviam sido mais cedo, mas tinha 2 ensaios que eles permitiam assistir. O aquário estava aberto até as 20h, ao contrário do informado no site (18h). Sem night, hoje dormimos cedo pra ir no dia seguinte pra Koyasan. 15/06 – Quinta – Mt Koya (Koyasan) Mais informações aqui: http://www.japan-guide.com/e/e4904.html A melhor maneira de ira para Koysan é usando a linha de trem Nankai, que pode ser alcançada preferencialmente a partir da estação Shin-Imamiya, em Osaka. Como estávamos em Kyoto, tivemos que ir de Kyoto a Shin-Imamiya em Osaka pra depois pegar este trem. Lá é possível comprar um passe que já inclui trem de ida e volta, o bondinho que precisa pegar no fim do trem pra chegar a cidade, e ônibus pela cidade. Vale muito a pena. Chegamos em Monte Koya a tarde. Estava rolando um evento pela cidade, tipo um desfilte típico, foi bem legal. Lá visitamos o Okonoin, um mega cemitério de monges e senhores feudais, com um mausoléu no final. Alem de vários templos. A ideia de ir em Monte Koya era para dormir em um mosteiro. Escolhi o mais barato, que não era nada barato (12.000 yen por pessoa). O mosteiro escolhido foi o Hoon-in (a cidade tem uma dúzia deles). Achei uma experiência meio turistão. Não que seja ruim, fomos muito bem tratados, mas parecia mais um hotel feito em formato de mosteiro em que eles fazem uma oraçãozinha de 15 minutos de manhã só pra constar. As comidas servidas no jantar e café da manha até que eram bem autenticas (e por isso mesmo não dei conta de comer, sabor meio ruim hehe). Monge mesmo só vi os 2 que foram fazer a oração de manhã. Acho que vale a pena ir em Koyasan porque o cemitério e os templos são bem legais, mas eu ficaria em um hotel com onsen (tem vários na região) por preço semelhante. 16/06 – Sexta – Osaka Pegamos de manhã cedo o trem para Osaka, e de tarde conseguimos visitar o Osaka Castle. O castelo é bem bonito por fora, e por dentro ele é um museu moderno que conta a história do cara que unificou o Japão. Vale muito a pena pegar o áudio guia e mergulhar na história. A noite fomos no Club Ammona. Eles tem um esquema especial pra estrangeiro que você paga somente 2000 yen com direito a 1 drink, e se curtir a página deles no facebook ainda baixa pra 1000. Tava bem cheio. 17/06 – Sabado – Osaka / Nara Comecei aqui a usar o JR Pass que tinha comprado no Brasil, para fazer uma Day trip para Nara. Nara tem vários templos, incluindo um com um Buda gigante. E uma particularidade: veados soltos por toda parte. Por acaso estavam ocorrendo 2 eventos na cidade: um show de música (eu me senti em um episódio do Jaspion) e uma Octoberfest. Sim! Uma octoberfest no Japão e em Junho. Saimos a noite para o Pure ( http://ww.clubpure.com ). A entrada é 4000 yen com open bar, começou vazio mas encheu depois. 18/06 – Domingo – Osaka Este dia meu amigo começou a sentir meio mal, com a campainha da garganta inchada. Acionamos o seguro mas eles não conseguiram indicar um local aberto que aceitasse pacientes que não falam inglês. Chegamos a ver 2 clínicas, uma estava fechada e a outra lotada de gente, teria que perder o dia todo. Resolvemos então comprar um remédio na farmácia e seguir para o Universal Studios. O trem que chega lá é pintado com o tema do parque, o que já te coloca no clima. Como entramos depois das 15h, pagamos bem mais barato (eles tem um ingresso mais barato pra quem vai a tarde). Como era fim de semana, o parque estava lotado. E encima disso ainda chegamos tarde. Então otimizamos da seguinte forma: priorizamos as atrações com single riders. Os parques da univesal no mundo inteiro tem essa funcionalidade: uma fila para pessoas que não se importam em não ir do lado dos seus amigos/família. Como a maioria das pessoas não quer se separar do seu grupo/família, as filas são muito menores. Assim perdemos muito pouco tempo em fila. O Univesal de Osaka tem atrações locais que não existem em outros parques, como um cinema 4D do Godzila que é muito legal porque a historia se passa em Osaka. Ou seja, você reconhece na tela a cidade que o Godzila está destruindo. Por volta das 20h as atrações começam a fechar mas ainda dá pra circular no parque, nesse momento aproveitamos pra tirar fotos até começarem a expulsar o pessoal do parque. Decidimos não sair este dia, até pra começar cedo o dia seguinte que seria longo. 19/06 – Segunda - Hiroshima De Osaka, pegamos um trem para Himeji (com o JR Pass). Lá alugamos bicicletas grátis e fomos até o castelo. O castelo está preservado por dentro (eles desmontaram e remontaram pra restaurar, imagina a trabalheira). Mas são 7 andares sem praticamente nenhum móvel. Ou seja você acha o primeiro andar legal, mas depois é tudo repetição. Pegamos outro trem para Hiroshima, e lá visitamos o museu da bomba atômica e vimos o prédio destruído pela bomba que foi mantido. É uma emoção diferente estar neste lugar onde tantas vidas foram arruinadas instantaneamente, e tanto sofrimento foi infligido. O pessoal do seguro conseguiu indicar um hospital em Hiroshima que por coincidência era perto do parque da bomba atômica, então fomos lá no fim da tarde. O atendimento foi ótimo e meu amigo foi diagnosticado com uma virose, o medico passou uma medicação chinesa pra ele. Achei curioso. 20/06 – Terca - Hiroshima Aqui o plano original era ir até Takayama, depois no dia seguinte para Kanazawa. Mas chegamos a conclusão que estávamos meio cansados de templo e arquitetura. Essas coisas são legais e realmente vale a pena ver, mas não são tão diferentes entre si para um leigo. Então resolvemos mudar a programação. Aproveitando o JR Pass, resolvemos ir ate Nagasaki conhecer a Gunkanjima, uma ilha fantasma abandonada desde 1974, mas que naquela data tinha a maior densidade populacional do mundo. São 3h de trem até Nagasaki (usando novamente o JR Pass). Infelizmente ao chegar lá, fomos informados que devido ao mal tempo era quase certo que o barco não poderia parar na ilha. Pagar 4300 yen pra ver a ilha a distância me pareceu meio sem graça. Então optamos por ir no museu sobre a ilha, que acabou sendo provavelmente até um passeio melhor. Pagamo 1500 yen (com um cupom de desconto). Lá tem um modelo 3d que vc pode navegar pela ilha, e vídeos feitos com câmera 360, em que você pode mexer a cabeça como se tivesse lá mesmo, caminhando pelas contruções. Como já tínhamos um passeio pro dia seguinte, não dava pra ficar em Nagasaki mesmo. Mas recomendo caso queira, planejar de forma que você tenha 2 dias pra fazer, ou pegando a saída de tarde (que era 14h) ou a saída da manhã (10h) do dia seguinte. Assim você minimiza este problema. Atente para o fato de que existem 3 empresas que fazem este passeio, mas somente uma tem áudio guias em inglês: https://www.gunkanjima-concierge.com/en/ Em Nagasaki tem um museu da bomba atômica também, que não fomos. 21/06 – Quarta - Hiroshima Neste dia fomos no museu de Mazda. É grátis, e inclui uma visita a fabrica da Mazda em funcionamento! É necessário agendar pelo site abaixo: http://ww.mazda.com/en/about/museum/reservations/ Consegui agendar no dia anterior sem problemas o tour em inglês, mas melhor não arriscar. O museu também tem Mazdas antigos e protótipos, como um carro movido a Hidrogenio de 2003 (!) Depois seguimos pra Osaka onde reservei outro AirBNB, e fomos em um Karaoke. Karaoke no Japao é muito diferente do Brasil: tem salas privadas pra cada grupo, você pode pedir bebidas e tem refrigerante liberado. Paga por hora. A variedade de musicas é enorme e achei várias brasileiras, não são michel telo, mas caetanos veloso, tom Jobim e muito mais. Em seguida fomos novamente na boate Ammona 22/06 – Quinta – Osaka Fomos no museu do Cup Noodles ( http://www.cupnoodles-museum.jp/english/) É gratuito e tem várias atividades. Infelimente é meio longe e fecha relativamente cedo (16h). Então conseguimos fazer a atividade de fazer o próprio miojo customizado (300 yen), mas não deu pra participar da atividade de fazer a massa que parecia irada (500 yen). Recomendo chegar com umas 4h de tempo pra fazer tudo com folga e sem pressa. Os vídeos tem um áudio guia em inglês que toca o áudio traduzido, mas as explicações do museu são quase todas em japonês. Vale usar a função de foto do google translate , tem muita coisa interessante lá. 23/06 – Sexta – Osaka Fomos conhecer a cervejaria Asahi, que é bem popular no Japão. As visitas são grátis, mas tem que agendar por telefone, a filial próxima de Osaka é a Suita (https://www.asahibeer.co.jp/brewery/language/english/) Eles dão um audioguia em inglês. Já fui em 2 outras cervejarias na vida (Heiniken na Alemanha e Itaipava em Petropolis, Rio de Janeiro). Em nenhuma delas você pode ver a linha de produção realmente funcionando como nesta. Alem de que os toneis de armazenar cerveja são monstruosos, do tamanho de prédios de vários andares). No final tem uma degustação de 20 minutos com todas as cervejas, refrigerantes e “ice” deles liberados. Existe um limite de 3 cervejas por pessoa mas ninguém realmente verifica. De qualquer forma acho que não seria de bom tom sair do passeio doidão. De lá pegamos um trem para Tokyo. Vale notar que deixamos as mochilas na estação Shin-Osaka que era comum entre o caminho do Hostel pra Cervejaria e para ir para Tokyo. Assim só precisamos voltar uma estação para pegar o trem bala pra Tokyo. Bem prático. Chegando em Tokyo, saímos novamente para o Atom. 24/06 – Sabado – Tokyo Como tinha o vôo a noite, este dia deixei só pra comprar coisas que pretendia levar. Não quis comprar nada antes porque teria que ficar carregando nas costas a viagem toda. Para ir de Shinjuku para o Aeroporto Narita existe uma maneira 3x mais barata que o trem Narita Express que não te informam na estação porque é da concorrência. Demora mais, mas só sair mais cedo. Ao invés de gastar 3190 yen no Narita Express, gastei somente 1280 yen. É bem simples na verdade, só pegar o trem da JR em Shinjuku para a estação Nipporo (paga 200 yen). Chegando lá, compre o trem local para aeroporto. O trajeto todo leva cerca de 1h20 minuto. Se vc quiser um meio termo, tem um trem de 2000 e poucos yen mais rápido também disponível na estação Nipporo. Fiquei o dia todo andando, e encarar 30h de vôo sem banho ia ser barra. Então descobri que o aeroporto de Narita tem duchas por 1030 yen! A do terminal 1 fica antes do embarque, enquanto a do terminal 2 fica depois. Então só se organizar que você toma uma ducha de boa antes da loooonga volta. Conclusão Foi mais uma viagem inesquecível. A ida e volta são cansativas, mas vale muito a pena. Repito novamente que o planejamento é essencial. Espero que o relato seja útil! Qualquer dúvida, só postar. Até a próxima!
  7. O Japão é uma paixão antiga, presente e futura. Eu e a minha namorada já conhecíamos o país, depois de uma viagem em 2014 às cidades mais populares (Tokyo, Kyoto e Osaka), mas quando este ano a oportunidade se voltou a colocar nem pensámos duas vezes. O destino principal era a Coreia do Sul, mas por razões de poupança voámos para Shanghai, na China, em primeiro lugar. Era um plano ambicioso. Em 12 noites já íamos conhecer duas cidades, mas a paixão pelo Japão obrigou a mais uma paragem. Afinal estavamos perto e, apesar de representar uma escorregadela no orçamento, seria mais barato do que voltar lá a partir de Portugal. Visitámos a região de Hokkaido, a ilha mais a norte do Japão. Eu documento maioritariamente as minhas viagens em video, por isso optei por partilhar as nossas experiências nesse formato. Chegada ao Aeroporto de New Chitose (1º dia no Japão) O Aeroporto é relativamente pequeno e a chegada preenche-nos com um sentimento de familiaridade. Não por já conhecermos o país, mas pela forma como formos recebidos. Passámos por dezenas de pessoas que nos cumprimentaram, quase em fila. O aeroporto tem lojas do Pokémon e uma estátua do Doraemon em grande destaque. Apanhámos as malas e seguimos em direção a Hakodate, a primeira cidade que íamos conhecer. Chegada a Hakodate (1º,2º e 3º dias no Japão) 2 noites em Hakodate Super Hotel Hakodate 2 pessoas | 1 quarto = 260 reais por noite A viagem de comboio durou cerca de 3 horas e custou à volta de 230 reais. As viagens de comboio no Japão são relativamente caras. Chegámos a Hakodate por volta das 8 da noite. Fomos para o Hotel. Deixámos as malas e fomos jantar – sushi, claro. No dia a seguir acordámos e tomamos o pequeno almoço. Logo a seguir fomos para o mercado de peixe de Hakodate. É dos mais populares no Japão, conhecido entre os japoneses por ter peixe muito bom. Sabíamos o que queríamos. Apanhar uma lula para comer no momento e experimentar o Kaisendon, uma taça com base de arroz e peixe fresco no topo - ouriço do mar, salmão, lula, caranguejo e camarão. O sashimi de lula é muito bom, mas vale acima de tudo pela experiência. O Kaisendon já tinhamos adorado na primeira viagem a Tokyo. Este tinha maior variedade de peixe. Experimentámos ouriço do mar pela primeira vez. Tem um sabor forte. Eu gostei mas a minha namorada não. Já de barriga cheia fomos conhecer a cidade. Não é muito grande e o passeio faz-se bem a pé. Vale a pena experimentar o melão da zona, que dá inclusive origem a um Kit-Kat exclusivo de Hokkaido, e os gelados de leite. A subida ao Monte Hakodate é o ponto alto. Junta centenas de pessoas que querem ver o pôr-do-sol naquele sítio. Os habitantes adoram ver o pôr-do-sol aqui, mas há também centenas de turistas e muita confusão, claro. A subida faz-se de teleférico. Na prática só tivemos um dia inteiro em Hakodate. Chegámos já de noite no primeiro dia, passeámos durante o segundo dia e no terceiro pela manhã partimos. Chegada ao Lago Toya (3º e 4º dias) 1 noite no Lago Toya Toya Sun Palace 2 pessoas | 1 quarto = 600 reais Mais uma vez, viajámos de comboio. Entre a estação e a zona principal do lago há autocarros que partem frequentemente. O Lago Toya foi o principal motivo que nos levou a Hokkaido e valeu bem a pena. Muito bonito e romântico, como queríamos. O hotel era espetacular. Os banhos públicos no exterior durante o pôr-do- sol proporcionaram uma experiência única. A estadia não é barata. Como a região ainda não é muito popular entre os turistas, a oferta é mais curta e os preços disparam. Estava tudo esgotado. Durante os meses quentes, há fogos de artificio no Lago Toya durante a noite. Em teoria tem tudo para ser bonito, mas na prática ainda é mais impressionante. Chegada a Noboribetsu (4º e 5º dias) 1 noite em Noboribetsu Takimoto Inn 2 pessoas | 1 quarto = 500 reais É mais uma cidade popular na zona da Hokkaido. Noboribetsu é uma paragem obrigatória para quem viagem entre Sapporo, Hakodate ou Toya e o Aeroporto de New Chitose. O Hell Valley, ou Vale do Inferno, é caracterizado pela sua encosta escarpada e quente. Ao lado existe uma floresta verde que lhe faz contraste. Aqui vale também a pena aproveitar os banhos públicos, que ganham uma nova dimensão graças à água com enxofre. Mais uma vez, o preço do alojamento pode ser parte do problema. Uma dica: os melhores banhos públicos são da proriedade do mesmo grupo do hotel onde ficámos e de outro mais caro, que custa quase o dobro. Dormir no hotel mais fraco dá acesso aos banhos do mais caro. Gostámos imenso da cidade. À noite todas as pessoas passeavam nas ruas com as vestes típicas fornecidas no hotel. Em conclusão Adorámos redescobrir o Japão. 4 dias é pouco para visitar toda a região de Hokkaido e a parte mais a norte ficou por conhecer. Mas em nós ficou também a vontade de lá voltar. O Inverno na região é muito rigoroso. Fomos na Primavera, em que as Sakuras em flor e as flores que também caracterizam Hokkaido estão no seu melhor. Mas o Inverno deve ser uma estação muito bonita na região. Os banhos públicos no Japão são espetaculares e aqui ainda mais - são no exterior e podem ser utilizados durante a noite. No Inverno o contraste com o frio e a neve deve ser único. O Lago Toya foi sem dúvida o ponto alto da nossa viagem.
  8. Vinicius Bandeira

    Japão + Dubai - 28 dias

    Adiei um tempo minha contribuição aqui no forum mas é aquela coisa: antes tarde do que nunca. Ao todo foram 28 dias de viagem. 24 no Japão, 2 dias em Dubai e 2 dias em trânsito. Roteiro São Paulo ⇒ Dubai (Conexão) Dubai ⇒ Tóquio Tóquio ⇒ Yokohama Yokohama ⇒ Fuji Fuji ⇒ Takayama Takayama ⇒ Kyoto Kyoto ⇒ Osaka Osaka ⇒ HIroshima Hiroshima ⇒ Tóquio Toquio ⇒ Dubai (stop over) Dubai ⇒ São Paulo Viajamos pela Emirates. Uma baita de uma Cia Aérea. Compramos as passagens numa promoção que eles lançaram em abril. Saiu uns 2.5k pra cada. Com taxas e tudo. Ou seja, um negoção.. Japão Internet Não dá pra cair na bobagem de ficar sem internet num país onde você não entende um “i” da lingua. Então um pocket wifi é um investimento obrigatório pra vc viver o Japão na sua plenitude. A internet é uma bala, ele é bem pequeninho e conecta até 10 aparelhos. Contratei a Japan-Wireless. Pedi para que eles enviassem o wifi para o meu hotel em Tóquio e devolvi enviando pelos correios no aeroporto de Narita no último dia de Japão. Dá pra resolver tudo em inglês. O site e o email vão aí embaixo. https://medium.com/japan-wireless [email protected]pan-wireless.com Grana “Show me the money.” É amigo mochileiro, amiga mochileira. No Japão, fazendo muito esforço, vc até usa cartão. Mas o negócio lá é dinheiro. grana. bufunfa. Então é trocar os realitos aqui no Brasil por yen e seguir viagem. Fui com toda grana numa doleira. Me cagando de medo, não tanto de ser roubado, mas de perder. Ia ser difícil pedir esmola em japonês. Comida Se você não se faz de rogado diante de um prato de comida, você é como eu. E você vai amar MUITO o Japão. No geral, muitos restaurantes tem cardápio em inglês. Mas na boa, é muito mais divertido pedir um troço que você não faz ideia do que seja. Na maioria das vezes eu olho o que a mesa do lado está comendo, se for com a cara do prato, peço a mesma coisa. Mas relaxa. Se vc é desses que não gosta de se aventurar pela mundo da gastronomia. O Japão também tem todas as grandes redes de fast food e restaurantes do mundo. Então vai tranquilo que vc não vai passar fome. Preços Em geral as coisas são bem mais caras. Comida, transporte e hospedagem vão sangrar bastante o seu orçamento. Mas nada como jantar um Cup Noodles um dia ou outro pra ajudar a equilibrar as finanças. Alguns preços: Garrafinha de Água - até ¥150 / R$4 Lata de cerveja - até ¥300 / R$7 Big Mac - até ¥400 / R$11 Bom Almoço - ¥1000 / R$30 Atrações - até ¥500/ R$15 Obviamente essa cotação varia. E os preços tão chutados para cima. Claro que da para encontrar esses itens por um preço mais barato. A dica é fazer sempre pequenas compras em supermercados. São sempre muito mais baratos que as konbinis e os restaurantes. Temperatura Fomos em outubro. Outono. Folhas vermelhas. Clima ótimo. Como rodamos muito pelo país, pegamos temperaturas variadas. Máxima de 30 e mínima de 9 graus. Lendo em alguns foruns, foi totalmente desaconselhado ir no verão. O calor é simplesmente insuportável. Pegamos alguns dias de muita chuva, mas nada demais. Japoneses Já falei que eles são educados? Já. Mas não custa repetir. Se vc perguntar qlq coisa a um japonês, ele vai fazer de tudo pra te atender. Mesmo não entendendo nada do que você diz. Em geral, eles trabalham MUITO. E não é difícil ver gente dormindo no metrô, em banco de praça e até caidão na calçada. Falando em metrô, tinha lido antes de viajar que os vagões costumam ser bem silenciosos. Mas eu nunca imaginaria que seria tanto. Ninguém fala nada. Todos os celulares estão em modo silenciosos. E todos fazem de tudo para não incomodar o a pessoa que está ao lado. Os próprios japoneses consideram as pessoas da região de Osaka os mais extrovertidos. E de fato são. Adoram bater papo e quando sabem que é brasileiro já mandam um Ronaldo, Pele, Neymar e cia. JR Pass Na internet tem um caminhão de informações sobre o JR Pass. Então vale dar uma lida e entender se ele é válido para vc. Como andamos milhares de quilômetros pelo pais. Saiu muito em conta. Compramos os bilhetes que eram válidos por 14 dias. Então enquanto estávamos em Tóquio e Yokohama, não validamos o nosso . Mas assim que fomos para Fuji, validamos num posto que fica dentro da Estação de Yokohama. Várias Cias. operam no metrô do Japão e o JR não vale para todas. Então eventualmente você vai ter que gastar com bilhetes e tickets de metrô. Principalmente dentro das cidade. Ah, e tb não dá para usar em todos os trem bala que operam. Comprei um na Tunibra, agência de turismo que fica na Liberdade http://www.tunibra.com.br/ e o outro nesse site: https://goo.gl/n25nxK [/b]Tóquio No começo assusta um pouco. Olhar praquele tanto de outdoor e letreiro luminoso e não entender puerra nenhuma dá uma aflição. Mas graças ao São Google. Tudo se arruma. Chegamos no aeroporto de Haneda às 3h da manhã. Uma horário de merda. Nas pesquisas, já vimos que taxi seria uma coisa inviável. Sério, é caro pra cacete. Só pra vc sentar o bumbuzinho na poltrona e dizer: konichiwa, você paga ¥700, uns 21 reais. E do aeroporto para o hotel, segundo o google, daria uns 400 reais. Então a única opção viável seria dormir no aeroporto e esperar amanhecer o metrô abrir. Mas então descobrimos o Bus Limousine. Um serviço de ônibus que passa por vários pontos importantes da cidade e que por pura sorte, passaria perto do hostel. https://www.limousinebus.co.jp/en/bus_services/haneda/index Em que região ficar? Ficamos em Asakusa. Por que? Como o transporte público abrange a cidade inteira. Decidimos ficar numa região não muito cara, mas que fosse relativamente próxima de alguns pontos turísticos interessantes. Asakusa é tudo isso. Bairro cheio de comércio. restaurantes, bares. Muita gente na rua o tempo inteiro. Recomendo muito. Ah, ficamos no Bunka Hostel. Um Hostel que também é um bar e restaurante. Novinho, com café da manhã e atendentes que falam inglês. Aqui aproveito pra fazer um comentário sobre isso. No Japão, muita gente fala inglês. Eles estudam na escola e etc. Mas acontece que eles “ajaponezam” o inglês e aí é quase impossível entender o que os caras estão tentando falar. Por sorte, eles são MEGA educados e pacientes. Então repetem mil vezes se preciso. Até você entender ou desistir. A cidade é foda. Tudo funciona. Apesar do corre-corre. Os japoneses são extremamente educados e atenciosos. Sempre que nos perdemos nas estações de metrô, sem que precisássemos pedir, alguém aparecia para ajudar. Ficamos 8 dias. Deu pra conhecer MUITA coisa. Cada bairro em Tóquio tem uma vida própria. E como a cidade é extremamente segura, dá para andar muito por lá. Tem assalto? Óbvio. Mas a gente que é formado na Escola Brasil, sente logo a diferença. Ah, e no Japão vale ir nos pontos turísticos. Eles vão estar sempre repletos de japoneses. Excursões das escolas e etc. Não tem "pega turistas". O japonês vive seu país plenamente. Museus, templos, torres, bares, restaurantes e etc. Sempre vão ter muuuuuitos japas. Ah, uma dica legal para fazer em Tóquio é alugar uma bike o dia inteiro e sair pedalando. Bunka Hostel https://goo.gl/vGr8Mv Algumas atrações que fomos: Akihabara Parque Ueno Senso-ji Temple Hoppy Street Tsukiji Fish Market 3h Palácio Imperial Shimbashi Area Ginza Area Disney World Shinjuku Station (Kabukicho) Shin-Okubo Koreatown Shinjuku Gyoen Meiji Shrine Zauo Restaurant Shinjuku Golden Gai Bar / Omoide Yokocho Harajuko Omotesando Avenue Shibuya Station Shibuya Crossing Hachiko Statue Center Gai / Grandfather's Odaiba (Miraikan Museum, DivertCity Tokyo Plaza) Tokyo Skytree Kabuki Theater Com o tempo vou postando fotos e dicas das outras cidades. Qualquer dúvida é só perguntar Abraço
  9. Dias 1 e 2 Em 9 de março de 2017, comecei a viagem por Floripa. Como usaria muitas companhias de baixo custo, precisei fazer milagre para que tudo, incluindo meu equipamento de mergulho, coubesse numa mochila média. No final da tarde, saí de Guarulhos num voo da AirChina, comprado numa promoção com vários meses de antecedência. A empresa presta um serviço razoavelmente bom em relação à alimentação e entretenimento. Antes de chegar em Seul, os intermináveis voos tiveram conexões em Madri e também em Pequim, onde a imigração levou um tempão. Vi 2 noites passarem dentro do avião, devido ao sol ir na direção contrária. Dia 3 Nesse dia, conheci a cidade de Incheon. Como não fica no Sudeste Asiático, contarei sobre essa parte na parte 2 do relato. À noite, passei com minha mochila na pesagem da AirAsia, pra voar a Cebu, nas Filipinas. O voo custou 132 mil wons, com taxas e refeição. Dia 4 Cheguei morrendo de sono às 2h da madruga, peguei um táxi branco de 250 pesos (15,65 reais), mais barato que o amarelo, até o terminal norte de ônibus de Cebu, e logo depois, por 160 pesos fui num ônibus da Ceres por 4 horas até o norte da ilha, em Maya. Cerca de 1h depois da partida ele para pra usarmos o banheiro e comprar comida. Consegui uns pãezinhos doces por 5 pesos cada! Já em Maya, embarquei pouco depois num barco até Malapascua. Como não tinha passageiros suficientes, pois eles partem a cada meia hora estando cheios ou não, o total por pessoa ficou em 220 pesos. A orla onde os barcos atracam não é muito bonita, e o tempo também estava meio feio. Almocei um pouco adentro da ilha, pagando 210 pesos num arroz frito com vegetais e camarão e mais um suco de limão. Por sorte, uma funcionária da minha hospedagem estava no mesmo local, e me ofereceu uma carona de moto até o Thresher Cove Dive Resort, um tanto distante do embarcadouro. Ali fiquei em uma cabana individual na areia de uma praia particular por menos de 1400 pesos para 3 noites. A pousada e centro de mergulho é bem bacana, o maior problema é da água ser salobra, então meu filtro foi inútil. Caí na água para um pouco de snorkeling no jardim de corais na praia da hospedagem. No começo há apenas pastagem aquática, mas de uns 50m em diante vários corais dispersos se apresentam, embora parte deles branqueados. Ainda assim, vi muitos seres vivos de pequeno porte diferentes, coloridos e bem interessantes. Foi a estreia da minha GoPro 5 Black - por sinal, muito melhor que minha antiga 3 Silver. Já estava satisfeito quando do nada surgiu um monstro a minha frente. Uma serpente marinha (Laticauda colubrina) de uns 1,5m! Fiquei com medo no início, mas como percebi que ela não estava nem aí com minha presença, fiquei a acompanhando enquanto ela procurava comida e voltava à superfície para respirar. Antes de regressar à terra, vi mais 2, mas menores. Depois disso, fiquei relaxando na pousada no resto do tempo. Dia 5 Teria tido uma ótima noite se o despertador da cabana vizinha não tivesse tocado às 4 e meia da madruga, hora que sai o primeiro mergulho do dia. Acordei de verdade às 7h, para me preparar pra pegar um barco (150 pesos) e mergulhar com meu snorkel no Evo Reef. Parte recife, onde vi um peixe-leão, parte areia, onde vi muitos seres pequenos e transparentes, entre águas-vivas, ctenóforos e tunicados, como um bizarro pirossomo (isso é um animal, e não lixo). Almocei adobo, um prato típico filipino com carne temperada. Digestão feita, resolvi fazer um mergulho com cilindro, o primeiro desde que tirei minha certificação há meio ano. O local foi a Chocolate Island, a sudoeste de Malapascua. Fomos em um grupo grande, incluindo meu dupla, o holandês Jasper. Cerca de meia hora depois chegamos. A profundidade máxima atingida foi de 18 m, mas havia um pouco de correnteza e a visibilidade estava ruim, além de meu ar só durar 33 min. Vimos corais moles, cavalos marinhos e alguns coloridos nudibrânquios pequeninos. Ao retornar, fui novamente no jardim de corais. Vi algumas coisas novas, mas pequenas. Seria bom se eu tivesse uma lente de macro. Como dessa vez estava com um traje de neoprene, alugado baratinho na hospedagem, fiquei até o sol se pôr na água. Jantamos pizza e tomamos a cerva filipina San Miguel Pale Pilsen. Não sou muito fã de pilsen, mas estava OK. Dia 6 Um grupo de brasileiros que eu conheceria no destino seguinte resolveu vir conhecer Malapascua (Ingrid, Agatha, Thalita, Camila e Rafael). Depois do meu café da manhã eles já estavam entrando no meu hotel. Com a Agatha e a Ingrid caí na água de snorkel para mostrar a praia a elas. Vi outro pirossomo e uma moreia. Em sequência, todos almoçamos no restaurante do hotel, onde pedi o kinilaw, que é o ceviche filipino. Até que não é ruim, mas ainda prefiro o peruano. À tarde eles voltaram à ilha de Bantayan, enquanto eu fui de moto-táxi até a praia do Farol, onde mergulhei com snorkel em um naufrágio. No caminho, ocorria uma briga de galo. O naufrágio está dividido em vários pedaços, a partir de uns 3 m de profundidade. É comum o mergulho noturno ali. Além do que estava aderido à carcaça, vi um monte de ctenóforos. Vi o sol se pôr e voltei pagando 50 pesos pro cara dá motoca, a tarifa máxima da ilha, por ser noite e um pouco distante. Dia 7 Tive minha última refeição no variado restaurante do hotel e deixei a ilha, dessa vez por 120 pesos. No caminho, bastante lixo flutuando. De fato, os filipinos não parecem se importar muito com a limpeza, pois os próprios barqueiros jogam suas bitucas de cigarro no mar. Como o ônibus levaria mais uma hora para sair, embarquei numa van com ar por 200 pesos. Mesmo na principal rodovia que corta o país, há apenas uma faixa de rodagem. Espere trânsito, especialmente de motos e de lentos tuk-tuks. Já vinha percebendo que o idioma oficial das Filipinas foi bastante influenciado pela ocupação espanhola. Tive certeza que os números são falados da mesma forma quando o cobrador do ônibus para Oslob me informou que a tarifa seria de “ciento y cuarenta y cinco”. Ao chegar, encontrei a mesma turma de brasileiros no Hotel Sebastian, e mais Caio. Ao redor da piscina, tomamos umas biras Red Horse por 60 pesos a garrafa de 500 ml. Pousei no Ocean View Lodging House, à beira-mar, por 1600 pesos a noite, um pouco caro pela localização, mas com um quarto de casal só pra mim. Dia 8 Fechamos um passeio no hotel para sairmos em 6 brasileiros mais eu às 5 e meia para nadarmos com os tubarões-baleia e vermos as cachoeiras Tumalog em seguida. Isso por 1800 pesos, que poderia ter sido feito pagando menos, por conta própria. Chegando no estabelecimento dos tubarões, levamos um susto com a quantidade de turistas que já havia naquele momento. As canoas entram poucos metros na água até chegarem onde ficam os bichões, que permanecem ali enquanto são alimentados. Achei meio artificial por isso, mas mesmo assim não deixa de ser incrível observar de snorkel os maiores peixes do mundo. Ficamos por quase 30 min nadando ao redor dos bichos de cerca de 6 m (juvenis). Tumalog Falls é uma cachoeira que fica lá perto, onde de uma altura bem considerável escorre um bocado de água sobre um paredão verde, culminando num lago raso verde-azulado, coloração devida ao calcário. Kawasan Falls, por sua vez, é bem maior e bem mais distante, a mais de 1 hora e meia de Oslob, em Badian. Nos custou mais 1100 pesos para ir até lá e entrar no parque, que possui infraestrutura completa e uma série de cachoeiras, com trilhas para acessá-las. Um atrativo é uma balsa de bambu que te leva embaixo das quedas principais, dando aquele cachote na cabeça. Outra é o salto de uma das quedas superiores, com uns 10 m de altura, coisa que eu fiz (me borrando de medo, mas fiz). Na volta, ficamos bebendo no hotel dos brasileiros. Apesar de eu já ter gastado bastante por lá, ainda quiseram me cobrar pra entrar na piscina por eu não ser hóspede, uma atitude ridícula. Azar o deles, porque saímos para procurar uma festa no pequeno centrinho. Como não achamos, jantamos numa pizzaria, compramos cervejas no 7Eleven por 85 pesos o litro, e tomamos no quarto do hotel dos brasileiros. Dia 9 Deveríamos ir à ilha Sumilon, mas como a maré estava muita alta não haveria faixa de areia, e com isso teríamos que ficar no resort da ilha. Isso faria o passeio passar de 2500 pesos por todo o barco para 1500 pesos por pessoa. Como alternativa, a moça da agência de turismo nos indicou a praia da cidade de Alcoy, e para lá fomos, pegando um ônibus qualquer em sentido norte. Pagamos 25 pesos e chegamos uns 45 min depois. A praia bonita tem uma faixa de areia modesta, mas maior que as demais da região. Ficamos relaxando nas águas cristalinas até a hora do almoço, quando subimos no restaurante caro de um resort com uma baita vista da barreira de corais que fica a 200m em frente à praia. Fui lá logo depois, nadando por conta própria. Se quisesse pegar um barco, custaria 100 pesos. A maioria da zona é de pasto aquático, com recifes dispersos. Há certa variedade de vida, mas não tão grande quanto Malapascua. Vi uma serpente marinha novamente. Uma coisa que me incomodou foi as várias pontadas que levei na pele no caminho, apesar de só ter visto uma água-viva. Ao retornar, me despedi da galera e segui com um casal de brasileiros num ônibus e depois táxi pra ilha do aeroporto de Cebu, onde passaria a noite antes dos voos seguintes. Dormi num simples dormitório coletivo no Mactan District Budgetel, por 450 pesos, pois ele ficava a apenas 2 km do aeroporto. Dia 10 Na madruga, voei de AirAsia por 3 mil pesos pra Kuala Lumpur, onde esperaria várias horas no aeroporto até o voo seguinte para Yangon, em Mianmar. O que eu não contava era com uma tarifa de 750 pesos que deve ser paga no embarque diretamente no terminal do aeroporto de Cebu, em dólares ou pesos. Tive o azar de molhar minha papelada quando vazou água que esqueci na garrafa do filtro durante o voo. Por sorte, o moderníssimo terminal KLIA2 da AirAsia, que inclui Wi-Fi grátis, dispunha de um serviço pago de impressão, no Sama Sama Lounge. O próximo voo, no fim da tarde, saiu por 197 ringgits. Ao desembarcar, bastou entregar à imigração a carta de recomendação do pedido de eVisa, feito antecipadamente pela internet por 50 dólares, para ingressar num dos países mais exóticos que já conheci. Até a Chinatown, onde iria me hospedar, o taxista queria me cobrar 10 mil kyats (23 reais), e não havia serviço de ônibus por lá. Encontrei um casal de brasileiros (Gleice e Renan) quando fui fazer o câmbio (necessário, já que cartão de crédito é inútil por lá, pois não é aceito em quase nenhum lugar), e por sorte eles ficariam próximos a mim; dessa forma, consegui dividir o carro. Mal cheguei e já saí pra caminhar pelas ruas movimentadas e um pouco escuras da maior cidade do país. Apesar de parecer um pouco amedrontador, a criminalidade contra turistas é baixíssima. Tentei ir a tempo ao templo que supostamente guarda um pedaço do cabelo de Buda (Botahtaung Pagoda), mas ele havia acabado de fechar. Na volta, passei pela praça da independência, onde fica a Sule Pagoda, além da prefeitura e vários prédios do período colonial britânico nas quadras ao redor. Já era 9 e meia; apenas barracas de comida de rua e alguns restaurantes chiques estavam abertos. Por apenas 8 dólares, incluindo café da manhã, hospedei-me no ótimo albergue Shwe Yo Vintage Hostel. Dormir no dormitório de 8 camas com ar condicionado foi um alívio pro calor que estaria fazendo durante os dias. Dia 11 O café da manhã foi um estranho prato de sopa de macarrão de arroz com peixe e temperos, chamado mohinga. Apesar de ser extremamente inusual ingerir isso de manhã cedo, até que não tava ruim. Junto com um sueco do albergue, peguei o trem circular por 200 kyats na estação Lanmadaw. Foi um pouco difícil saber qual o trem certo, mas algumas dezenas de minutos depois embarcamos em um dos velhos vagões britânicos ao redor da cidade. No caminho se vê bastante sujeira e pobreza; essa é a Mianmar real. A certo ponto é preciso trocar de trem, prestem atenção. Quando chega na metade, você vê agricultores e suas plantações. Num dado momento, o corredor do vagão ficou completamente cheio de vegetais a serem vendidos no centro da cidade. Saltamos próximo ao Lago Inya, o maior reservatório da cidade. Compramos 2 cachos de bananas por apenas 400 kyats e caminhamos ao redor. Tentamos ver a residência da filha do líder revolucionário, mas o acesso era proibido. Como o lago não era muito interessante e já fazia um calor de mais de 35 graus, tomamos um táxi por 3500 kyats até 2 templos budistas com estátuas gigantes, ambos gratuitos. No primeiro, Chaukhtatgyi, a estátua é reclinada, enquanto que no Ngahtatgyi ela está sentada. Como todo templo budista, é preciso entrar sem calçados e com ombros e joelhos cobertos. Pela pressa e comodidade, por 300 kyats comi uns bolinhos fritos de feijão e outros vegetais na rua. O museu Bogyoke Aung San, também próximo, conta um pouco da história do general que levou o país à independência logo após o fim da 2ª Guerra Mundial. Fica em sua última casa antes de ser assassinado, mas há tão pouco para ver que não sei se os 5 mil kyats de entrada são justos. Continuei, agora sozinho, em direção ao sul, entrando nos jardins do belo Lago Kandawgyi. Contornei ele, subindo na Utopia Tower, onde tive uma bela vista por 200 kyats. Outro ponto de interesse é o Karaweik, restaurante em formato de um barco de dragões. Corri para chegar ao pôr do sol na maior atração de Yangon, a Shwedagon Pagoda. Por 8 mil kyats se tem acesso a um complexo budista lotado de turistas, cujo maior atrativo é uma stupa de 99 metros de puro ouro. A iluminação noturna dessa stupa, bem como das outras, é incrível, então vale a pena passear de dia e à noite. Tirei uma foto na Maha Vizaya Pagoda já caminhando de volta, me sentindo seguro. No meio do trajeto jantei um curry de bode por apenas 1500 kyats, num local frequentado apenas por locais. Dia 12 Como o mercado de souvenires (Bokyoke Aung San Market) e o National Museum fecham nas segundas, tive que me contentar com o zoológico. Por 3 mil kyats peguei um táxi até lá. Paguei 3 mil também pela entrada. Para os padrões de Mianmar, até que é um zoológico decente. Há centenas de espécies de vários grupos animais, a maioria do próprio país. No entanto, à exceção da área dos veados, as outras jaulas são pequenas demais para os pobres bichos. Há também um museu de história natural, incluso no ingresso, que conta com vários animais empalhados, fósseis e rochas. Duas horas e meia foram suficientes para ver tudo. Voltei pelo trânsito caótico de Yangon, que possivelmente seria menor se motos não fossem proibidas nessa cidade. Dividi um táxi e fomos pro aeroporto, onde tomei um lanche e embarquei na Golden Myanmar Airlines. O voo foi bem salgado, 110 dólares. Fiquei apreensivo quando vi que o avião era um turbo-hélice, mas apesar das chacoalhadas cheguei a salvo. O serviço de bordo incluiu uma revista e um lanche. Ainda no aeroporto, paguei os 25 mil kyats pelo passe arqueológico dos templos da Bagan antiga. Há centenas deles, construídos ao redor do século 12, num complexo quase tão grandioso quanto o de Angkor, no Camboja. Por mais 5 mil kyats, peguei um táxi até o centro de Nyang U, no Royal Bagan Hotel. 14 dólares com café incluído, para o quarto compartilhado. É um hotel bastante bom e bonito. Caminhei aleatoriamente até a Shwezigon Pagoda, quando começou a chover. Com isso, depois de visitar brevemente o templo, parei para jantar no restaurante San Kabar. No menu havia enguias por 4500 kyats; não pude deixar de prová-las fritas em pedaços. E não é que estavam boas? Por fim, tomei um chope Myanmar com os brasileiros que havia conhecido no aeroporto de Yangon. Dia 13 Acordei ainda noite para ver o nascer do sol com os brasileiros. Aluguei uma moto elétrica, principal e mais recomendado meio de transporte para essa cidade. Paguei 7 mil pelo dia e segui a no máximo 40 km/h, a velocidade que o veículo consegue chegar. Sozinhos, vimos o esplendoroso nascer logo após às 6 horas do topo do complexo Sule, vendo os balões acompanharem o movimento do sol logo depois de sua ascensão. Voltei ao hotel pra tomar um baita café da manhã em bufê livre, antes de retomar a jornada aos muitos templos. Danificados por invasões e terremotos, mas ainda assim impressionantes. Quando fui, os maiores estavam sendo restaurados. O comércio de souvenires e comida nos arredores é tão grande que descaracteriza um pouco a importância das ruínas. Depois de ver por fora e por dentro uma dezena de lugares, parei no museu arqueológico. Custa 5 mil de entrada para estrangeiros. A construção em si é incrível, um palácio antigo. Dentro, achados das ruínas, como pedras esculpidas, pinturas, joias e estátuas. Bati um rango esperto ali perto. Depois, me mostraram a preparação e me passaram thanaka, pasta de coloração amarelo clara que as nativas usam no rosto para proteção do sol e como cosmético, que é extraída de uma árvore e elaborada esfregando um toco numa pedra com água. Paguei mais 5 mil kyats pra entrar na Golden Pagoda, uma réplica sem graça do Mandalay Golden Palace, que eu acabei conhecendo na cidade seguinte. Rodei aleatoriamente mais um pouco, e para o pôr do sol achei o complexo Sin-byu-shin, afastado e alto, com uma baita vista de 360 graus. Escalei ele e apenas alguns jovens vieram juntos. Dia 14 Peguei um dos vários micro-ônibus disponíveis diariamente para Mandalay, no meu caso o das 9h. Com ar condicionado, saiu por 9 mil kyats. No caminho, vimos basicamente a área rural. Houve uma parada para usar o banheiro e outra para almoço rápido. Quase 5 horas depois chegamos. A hospedagem compartilhada do [email protected] saiu por 21 dólares para 2 noites, incluso café. Deixei minha mochila lá e peguei um táxi com o alemão Henning que havia recém chegado também, para o Mandalay Golden Palace. Numa área de 2km por 2km, cercada por um muro e um fosso, ficam os resquícios reconstituídos do palácio bombardeado na 2ª Guerra Mundial. A maior parte da área interna pertence ao exército. Os prédios do palácio estão praticamente vazios por dentro e com falta de informação em inglês, mas a arquitetura é interessante e a vista do alto da torre só é superada pelo Mandalay Hill, logo atrás do palácio. Pra entrar nessa atração e em muitas outras na região de Mandalay, é preciso pagar 10 mil kyats por um passe turístico válido por 5 dias. Com o sol se pondo, adentramos os templos próximos: Kyauktawgyi, San Dar Muni e Kuthodaw. Neste último, fica o maior livro do mundo de 729 páginas, mas diferentemente do que se pensa, ele fica dividido em lápides, cada página em uma pedra. Às 20:30h, diariamente há um show de marionetes, arte típica de Mianmar, no Myanmar Marionettes, bem na esquina sudeste do palácio. Pagamos 10 mil kyats pra assistir o espetáculo de 1 hora, onde histórias são contadas com os bonecos, incluindo a complementação sonora de uma banda com instrumentos. Foi legalzinho. Dia 15 Comecei bem o dia com o café do albergue que incluía até Nutella! De fato, as hospedagens desse país me surpreenderam de uma forma positiva. Eu e o alemão fizemos um tour organizado pro dia todo por 18 dólares, incluso guia, transporte e refeição. A primeira parada foi a oficina e loja de carpintaria e tapeçaria. A arte da carpintaria é bem desenvolvida no país. Em seguida, Mahagandhayon Kloster, onde os monges e aprendizes moram e se alimentam. Pegamos o exato momento em que eles fazem fila com suas louças, dirigindo-se ao refeitório, para a última de suas únicas 2 refeições diárias! Depois, a fábrica de tecelagem de seda, onde se elaboram roupas com o auxílio de máquinas manuais. Sagaing, o destino seguinte, é uma cidade destinada à meditação no budismo. Há apenas templos de todos os tipos, além do comércio básico. A vista do Sagaing Hill, onde subimos, é bem bonita, podendo se ver os santuários e o rio e pontes que cortam com Mandalay. Almoçamos por ali. Continuando, visitamos diversas pagodas e mosteiros importantes, como Kyaung Lain Monastery, Bagaya Monastery, Mae Nu Oak Kyaung, Lar Hat Gyi, Pahtodawgyi e Yadana Hsemee. Os últimos são construções mais antigas em ruínas. Por fim, o pôr do sol foi na ponte de madeira U Bein Bridge. Totalmente lotada de turistas e locais, mas ainda assim com uma vista bastante interessante, tanto por cima da ponte quanto dos barquinhos que ficam à espera. Jantamos no Shan Ma Ma, um restaurante bem barato onde você pode escolher 3 entre vários pratos típicos diferentes, pagando 1500 kyats por tudo. Aproveitei o tempo livre pra lavar minhas roupas na pia. Com o ar ligado no quarto, já estavam secas antes de eu partir. Dia 16 Depois do café, dividi um táxi para o voo de Mandalay a Bangkok pela AirAsia. Como o aeroporto fica um pouco longe da cidade, custou 7500 kyats pra cada. Em seguida, encontrei o outro grupo de brasileiros com o qual havia planejado a viagem junto. Tomamos o voo a Hanói, a capital do Vietnã. Diego, Renato, Fernando, Camila, Carol, Andreia e Thais foram meus companheiros nos 12 dias seguintes. Passando a imigração com nossas cartas de aprovação processadas antes da viagem, pagamos 500 mil dongs (68,4 reais) dividido por 8 numa van do aeroporto até o See You Lily’s Hostel. Em comparação aos albergues anteriores, esse deixou a desejar, principalmente no quesito limpeza. No próprio beco do albergue há alguns estabelecimentos para se comer e beber. Foi o que fizemos em seguida. Dia 17 Saímos para conhecer a pé o centro da cidade. A quantidade de motos é absurda, sendo uma tarefa árdua atravessar as ruas. Ao menos os vendedores não são insistentes, então andar pelas calçadas é tranquilo. Passamos por construções do período colonial francês e pelo lago bem ao centro, onde os nativos relaxavam no fim de semana. Do outro lado fica o Presidential Mausoleum Park, um complexo de atrações voltadas à memória de Ho Chi Minh, o líder da independência vietnamita. Lá ficam o mausoléu, a casa, o museu, o palácio e os jardins. Depois de almoçarmos num caro restaurante na região, pagamos 40 mil dongs pelo próximo museu da história militar. A parte mais interessante são os artefatos históricos como armas, além dos veículos grandes capturados. No mais, as informações em inglês são escassas. Passamos numa loja da North Face. Os preços são ótimos, já que as roupas e mochilas são fabricadas lá mesmo. Por 89 dólares comprei um agasalho, uma calça e luvas, todos de goretex, o caro tecido que ao mesmo tempo é à prova d'água e respirável. O quão originais eles são eu nunca saberei, mas pelo menos parecem funcionar. Uma coisa interessante que notei é que, diferentemente dos países ao redor, o comércio de bens é feito em pequenas lojas, e não nas calçadas, deixando-as livres para pedestres e motos. Escolhemos assistir o espetáculo teatral tradicional Four Palaces Show no Viet Theatre. Com 2 sessões diárias (18h e 19:30h), os ingressos custam a partir de 125 mil dongs, mas como estava relativamente vazio e éramos 8, ganhamos um upgrade de assentos. A banda que toca é legal e as vestimentas bem elaboradas, mas é um pouco repetitivo e monótono. Em seguida ocorreria na frente do Opera House a Hora do Planeta, evento que ocorre anualmente em todo o mundo com o apagar de luzes por 1 hora, para alertar para a proteção de nosso planeta. Em Hanói ocorreram shows musicais e danças animadas. Quando saímos de lá, encontramos diversas rodas de música e dança espalhadas pelo centro. O que achamos estranho é que ninguém bebia nas ruas. Para terminar a noite entramos na balada animada Ball Bar. Éramos os mais velhos e os únicos gringos lá dentro, mas curtimos o som globalizado, nada vietnamita, mesmo assim. Dia 18 Conseguimos um baita desconto em grupo para fazermos na Ha Long Cast Away Tour por 90 dólares o cruzeiro de 2 dias e 1 noite em Ha Long Bay. Um ônibus nos levou por umas 3 horas e meia até o terminal onde pegamos o barco. Este tinha 2 andares e a cobertura, mas a aparência e limpeza não eram das melhores. O cruzeiro adentrou a baía, passando pelos montes rochosos verticais e pelas águas esverdeadas, enquanto almoçávamos um rango bom. Certa hora o cruzeiro parou num local onde andamos de caiaque por entre cavernas e matas com macacos. Infelizmente o tempo esteve nublado e ventoso por todo o período em que estivemos no cruzeiro, chegando a fazer um friozinho à noite. Assim que terminarmos de jantar começou a melhor parte, as 3 horas de chope liberado. Na festa regada a bebida e música, rolou altas interações com o grupo de filipinos e o de suecos. Dia 19 Com certa ressaca fizemos as refeições e voltamos, parando brevemente em Hanói antes de voar pela Vietjet Air até Da Nang por 409 mil dongs. Hachi Hostel foi a hospedagem da vez (127 mil dongs). O safado do taxista me roubou dinheiro, dizendo que não paguei quando ele tinha sacado a grana da minha mão; fiquei sabendo depois que não fui caso único, então fiquem atentos a isso. Fomos até a orla do rio para ver a Dragon Bridge. No caminho havia um monte de despachos no chão e ratos pelas ruas. Meia noite em ponto, no exato momento em que chegamos, as luzes das pontes iluminadas se apagaram. Achar comida decente aquela hora também foi bem difícil, então acabamos num mercadinho coreano. Dia 20 Pegamos um transfer até Hoi An com uma parada em uma das Marble Mountains, ao custo de 100 mil dongs por pessoa (800 mil no total). Uma hora foi pouco para subi-la a pé e visitar suas cavernas e templos. É necessário pagar uma taxa de entrada e ela é bastante visitada. Chegando em Hoi An, considerada a cidade mais bonita do Sudeste Asiático (não por mim), ficamos no Horizon Homestay, onde tivemos com 2 quartos só para nós, pagando 132,5 mil dongs cada. O melhor é que havia bicicletas para todos e de graça! Aproveitamos para pedalar aos verdejantes arrozais e à praia, essa meio sem graça. Almoçamos e fizemos câmbio no pequeno restaurante Mót, no centro da cidade. Ali provamos o prato mais típico da cidade, chamado cao lầu. A deliciosa e barata (30 mil) refeição é servida em uma tigela com macarrão, porco, vegetais verdes e tempero. Depois, assistimos um espetáculo teatral de fantoches dançando na água, o tradicional Water Puppet Show, por 80 mil dongs. Durou uns 45 min, tendo a apresentação de várias histórias de lendas e cotidiano vietnamita. Já à noite, conhecemos a pé o centro antigo de Hoi An, patrimônio histórico da UNESCO. As construções antigas ao redor do Rio Song Thu Bon ficam com lanternas iluminadas, num cenário muito bonito. Se o rio não fosse sujo de esgoto e lixo seria ainda melhor. Nas construções ao redor há uma infinidade de souvenires e comidas. O melhor de tudo é a cerveja mais barata que já vi na vida. Por 4 mil dongs (algo como 57 centavos de real!!) tomamos várias no bar e restaurante Chips & Fish, à beira do rio. Dia 21 Voltamos ao centrinho de Hoi An, zanzando aleatoriamente por suas ruas, alguns fazendo mais compras, outros comendo. O transfer na van ao aeroporto nos custou 550 mil dongs, onde voaríamos a Ho Chi Minh City (anteriormente conhecida como Saigon) pela Vietjet Air novamente. Pegamos Uber do aeroporto até Saigon Charming Hostel, a hospedagem da vez. Custou 160 mil dongs pelo dormitório. Mas com o atraso do voo, só deu tempo de dormirmos. Dia 22 Às 8 da manhã pegamos um confortável ônibus de 15 dólares a Phnom Penh no Camboja. Havia opções de até mesmo por 9 dólares em outros horários. Duas horas depois chegamos na fronteira. Ao contrário de relatos da internet, meus amigos que ainda não tinham o visto do Camboja tiveram que pagar apenas 35 dólares e não precisaram esperar tempo algum. Em uns 20 min todos cruzaram ambas fronteiras. Logo depois paramos para almoçar num restaurante estilo de caminhoneiro. Um prato com arroz, alguma carne e alguma salada saiu por 2 dólares. O gosto não tava ruim. 4 horas depois já estávamos na capital do país. Nos hospedamos num hotel de verdade, o Orussey One Hotel & Apartment (14 dólares por cada noite). Caminhamos no final da tarde pela alameda que contém os prédios do governo e monumentos, como o da independência da França. É uma zona bonita e conservada, onde os locais praticam atividades como caminhadas, futebol e peteca. Na frente do colorido templo Wat Botum, o qual adentramos, achamos umas barracas de rua com comidas diferentes, como sapos e patas de galinha. Eu e Andreia comemos lulas, cogumelos e camarões. Nos reencontramos com o português Gonçalo, que estava com minha turma antes de eu conhecê-los. Para terminar o dia fomos à cobertura do hotel, onde fica uma piscina show de bola. Lá tomamos uma e jantamos, já que o tempo estava chuvoso para sair. Enquanto a maioria da turma pediu lok lak, um dos pratos carnívoros mais típicos do país, fiquei com grilos fritos. A hora que os bichinhos chegaram eu quase joguei a toalha, mas resolvi experimentar. E não é que temperados eles eram deliciosos? Tanto que os pedi novamente na noite seguinte. Dia 23 O dia foi de tristeza. Primeiro, por 4 dólares por pessoa saímos os 9 de tuk-tuks até os campos de extermínio (Choeung Ek), resquício dos tempos do comunismo sanguinário do ditador Pol Pot. Pagamos 6 dólares para entrar nos Killing Fields. Esse local, um antigo cemitério chinês, serviu para a tortura, assassinato e desova de centenas de milhares de cidadãos cambojanos durante o regime comunista utópico de 1975 a 1979. Somando os outros campos de extermínio, foram quase 3 milhões de pessoas massacradas. Portar óculos era o suficiente para ter a pena de morte decretada, pois o regime visava abolir qualquer intelecto. Bebês e mulheres não sofreram qualquer distinção na hora de enfrentar suas penas. O passeio consiste em um caminho audio-guiado pelo antigo campo, onde se aprende sobre a triste história e se vê restos do que já esteve ali. Há também um memorial com os ossos das vítimas. Por fim, um pequeno museu com exibição de vídeo. Antes de continuarmos o passeio a pé, ficamos num mercado de souvenires e comidas, um tanto caro, assim como o restaurante que escolhemos em volta. Dali fomos ao passo anterior, a ex-escola que virou uma prisão, onde ocorria a triagem dos suspeitos. Mais 6 dólares para o caminho guiado por áudio no S21 Tuol Sleng Museum. Nesse local os edifícios continuam de pé, e há uma série de retratos e textos. O que me deixou mais indignado foi que Pol Pot, o fdp que fez tudo isso, viveu uma vida tranquila até os 82 anos, nunca tendo sido julgado, ao contrário de seu braço direito Duch, o responsável por essa cadeia, que está em prisão perpétua. Como estava tarde demais para ir ao Royal Palace e Silver Pagoda (10 dólares), pegamos um transporte até o templo erguido no monte artificial ao norte da cidade. Pagamos 1 dólar para entrar no Wat Phnom, achando que teríamos uma boa vista do pôr do sol. Ledo engano; olhamos a construção brevemente e descemos até a orla em direção sul, parando na sorveteria Gelatofix, que estava com uma promoção de compre um leve outro. Ali passamos o pôr olhando o Rio Tonle Sap, que se une ao famoso Mekong. Na volta, quebramos nosso recorde de pessoas num tuk-tuk, 7+motorista! À noite a galera foi pros bares, enquanto eu fiquei pela academia do hotel, já que meu voo seguinte seria bem antes do deles. Dia 24 Não se deixem enganar pelos 10 a 11 km do centro da cidade até o aeroporto. Graças à chuva e ao trânsito intenso, levei uma hora, chegando no momento em que o check-in deveria encerrar. O tuk-tuk ate lá custou 8 dólares só para mim. O voo até Siem Reap pela Bassaka Air levou apenas 45 min e 24 dólares. Ao desembarcar o transfer gratuito do hotel me aguardava. Como aqui seria a metade da viagem de 7 semanas e a hospedagem era barata, resolvi esbanjar um pouco, escolhendo o hotel 5 estrelas Damrei, cuja diária custou 150 reais o quarto. O ambiente espaçoso e luxuoso incluía banheira, cama gigante e TV a cabo. Como chovia, tive que almoçar ali mesmo. Com o tempo melhorando, encontrei-me com a galera no hostel deles, que seria o meu também no próximo dia (Siem Reap Pub Hostel). Saímos à noite para o Night Market, um agrupado de pequenos camelôs que vendem todo tipo de souvenir a preços justos, ainda que mais caros que no Vietnã (mas mais baratos que em Phnom Penh). Trate de negociar bem para chegar num preço bom. Na janta experimentei o amok, outro dos pratos típicos que custa cerca de 3 dólares e inclui uma preparação de frango ou peixe com curry. Eu e metade do pessoal curtimos. Por fim, eu e minha companheira dividimos um vinho no nosso quarto de luxo. Dia 25 Café da manhã incrível no hotel, com direito a pitaia, Nutella, granola e vários pratos quentes. Por 9 dólares por pessoa, negociamos um tour em Angkor com guia e van para 10 pessoas. No caminho, passamos na bilheteria para comprar o ingresso que recém havia inflacionado: 64 dólares para a entrada de 3 dias, que ao menos foi totalmente aproveitada. Há também opções de 1 ou 7 dias. O primeiro templo foi Angkor Thom, a capital murada do império Khmer, cercada também por um fosso de 3 por 3 km. No portão ficam as representativas cabeças de quatro faces. Dentro, prédios religiosos hindu-budistas construídos ao redor do século 12, como Bayon e Baphuon. Nas matas, macacos ficam à vontade. O almoço foi no caro restaurante Palmboo. Melhor levar uma marmita na próxima vez. Menções especiais: o inglês do Camboja é uma bosta e cartões de crédito raramente são aceitos, mesmo em restaurantes caros. Seguindo, paramos no mais famoso de todos, Angkor Wat. O maior monumento religioso do mundo é parecido em seu formato com Angkor Thom, mas apresenta 5 torres centrais que representam os picos do Monte Meru, montanha indiana sagrada no hinduísmo. Assim como nos demais templos, os artefatos religiosos foram retirados e parte das estruturas estão em reparação, mas isso não tira a beleza imponente da edificação sempre lotada de chineses, principalmente em frente ao espelho d'água ao nascer do sol. Já quanto ao pôr do sol, esse é mais interessante visto no morro próximo onde ficam as ruínas do século 10 de Phnom Bakheng, um dos primeiros da era Angkor. Ficamos uma hora e meia na fila até conseguirmos chegar ao topo e ver o final do pôr numa tonalidade incrível. Jantar no Khmer Taste, entre o Night Market e a Pub Street, com uma infinidade de refeições a 3 dólares, chope a 50 cents e coquetéis a 1 dólar. Voltamos lá algumas vezes, de tanto que gostamos. Por fim, conhecemos a tal Pub Street. É bastante agitada à noite com luzes, bebidas e música nas ruas. Assemelha-se à turística Khao San Road de Bangkok, mas ao contrário dela, há muitas crianças moradoras de rua pedindo dinheiro. Comidas exóticas também fazem parte da rua. Além do carrinho da fruta fedida durian, havia um com grilos, baratas d'água, aranhas, escorpiões e cobras. Fiquei com um espetinho da última, que tem o gosto de frango, mas é muito mais dura. Dia 26 Eu e as garotas tomamos um brunch e dividimos tuk-tuks para os templos Banteay Kdei, Ta Prohm, Pre Rup e Angkor Wat durante a tarde. O segundo desses é o utilizado no filme Tomb Raider. O mais legal é a vegetação e as árvores invadindo as construções de pedra, o que ocorre nos dois primeiros desses templos. Ainda assim, achei os templos um tanto mal conservados, se considerada toda a grana arrecadada. Pre Rup tem uma forma diferente que o torna atraente para o pôr do sol de seu topo. Já Angkor Wat fecha antes do pôr do sol, além do astro estar no lado oposto. No Siem Reap Pub Hostel provamos fatias da “Happy” Pizza, feita com orégano de maconha. Aguardamos o tempo necessário, mas não teve efeito em ninguém. Dia 27 Eu e Carol alugamos bicicletas por 2 dólares o dia cada. Durante a tarde atravessamos os cerca de 40 km do circuito grand tour. Apesar do calor de mais de 30 graus, a abundância de árvores altas ameniza o sofrimento. Paramos em Preah Khan, depois passamos por Krol Ko e Neak Pean, entramos também em Ta Som e por fim em East Mebon. Depois de tantos templos, as diferenças entre eles se tornam muito sutis para justificar a visita a outros. Para relaxar, aproveitamos outro dos atrativos bem baratos de Siem Reap, as massagens. Escolhemos a de corpo inteiro durante 30 min por 2,5 dólares. Minha massagista foi ótima, mas Carol não teve tanta sorte. Dia 28 Tive que me despedir da galera bacana. Sozinho novamente, fui ao Angkor National Museum de tuk-tuk (1 dólar). A entrada no grande prédio custou 12 dólares, um pouco caro. Lá dentro há uma série de galerias de exposição, focadas nos temas civilização Khmer, religiões, grandes reis Khmer, Angkor Wat, Angkor Thom, vestimentas, etc. Descrições, maquetes, estátuas, quadros e vídeos compõem o arsenal. É interessante como um complemento do que é visto nos templos, mas desconsidere a visita se lhe faltar tempo e dinheiro. À tarde peguei um tuk-tuk ao aeroporto (5 dólares), onde embarquei em seguida ao Laos, com a Vietnam Airlines. O custo do voo foi 135 dólares até Luang Prabang num turbo-hélice. Ao chegar fiz o visto. O preço varia entre 20 e 42 dólares dependendo do país, e fica pronto rapidinho. No caso do Brasil são 30 dólares + 1 de taxa e, caso não tenha foto, acrescente outro dólar. Como o táxi até a cidade custava 50 mil kip (19 reais), decidi ir caminhando os 4,5 km até o Downtown Backpackers Hostel. Só não contava com a falta de iluminação na rua, já que o sol havia ido embora. O albergue fica bem no meio do mercado de comidas de rua, que à noite continua aberto. Sem saber qual o preço normal, paguei 15 mil kip pra encher uma tigela grande de comida variada + 10 mil pra uma carne e 10 mil pra uma cerveja. A cidade é mais tranquila e limpa do que suas correspondentes da Indochina, e suas atrações estão concentradas numa área suficientemente pequena para ser percorrida a pé. Fiquei conversando um pouco com Liam, um japa de Singapura da hospedagem, e depois fui dormir no quarto refrigerado. Dia 29 Tomei um café da manhã reforçado e fui ao jardim botânico Pha Tad Ke, o primeiro do Laos. Como fica do outro lado do Rio Mekong, é necessário pegar um barco (incluso no ingresso). Esse, por sinal, é caro para os padrões do Sudeste Asiático, além do jardim ter apenas alguns meses de funcionamento e não estar completo. Ainda assim, achei bastante interessante. O paisagismo, a quantidade de informações e de espécies é suficientemente boa, e ainda inclui atividades como aula de artesanato com palmeiras, degustação de chás e caminhada até uma caverna de calcário. Apesar de ser recomendado com guia, escolhi fazer a caminhada sozinho, já que o trajeto é sinalizado e acessível. Só é um pouco cansativo pela subidas e descidas constantes. A caverna simples possui uns cristais de calcita e contém uma estátua de Buda dentro. No caminho vi apenas aves, lagartos e borboletas. Na volta do jardim passei num restaurante aleatório e provei da culinária do Laos: 15 mil kip no khao soy, uma sopa de miojo com pedaços de carne de porco e uma tigela de vegetais verde-folhosos. À tarde tomei um susto grande quando percebi que meu cartão de crédito não estava na carteira; provavelmente havia esquecido na máquina de sacar dinheiro do aeroporto! Fui correndo pra lá e tive a felicidade de eles o terem guardado! Caminhei em seguida pelas margens do Rio Mekong e o Old French Quarter, que fica entre. Essa porção apresenta arquitetura colonial francesa, além de vários templos budistas, restaurantes, hotéis, lojas e agências de turismo. A maioria dos templos da cidade são pagos, ainda que em valores simbólicos. No meio da rua abundam barraquinhas de suco natural e algumas de crepe a 10 mil kip - o de Nutella com banana é uma delícia! Com o pôr do sol chegando, subi a Phousi Mountain, morro cravado bem no centro de Luang Prabang, que inclui um santuário religioso e a melhor vista da cidade em todas as direções e principalmente para o pôr, hora em que os turistas se aglomeram em busca do melhor posto. Custa 20 mil kip o ingresso. Para o jantar, descobri um local ainda mais barato, mas ainda assim saboroso. Por apenas 10 mil kip (4 reais!) você pode encher um prato escolhendo vários tipos diferentes de comidas vegetarianas, incluso cogumelos. Fica num beco bem no meio do Night Market, mercado montado a partir do fim do dia na Sisavangvong Road. Dia 30 Ao sair do albergue, dei de cara com o mercado matutino e suas carnes expostas às moscas. Fui ao museu nacional, localizado dentro do Royal Palace. A entrada vale 30 mil kip. O museu nada mais é do que os aposentos da família real, incluindo as mobílias e artefatos. Uma hora é mais que suficiente pra ver tudo. No terreno do palácio também ficam outros prédios, inclusive o templo que guarda a estátua de Buda mais sagrada do Laos, que deu nome ao município. De lá, fui a outro museu, o Traditional Arts and Ethnology Centre. Custa 25 mil kip, e é uma pequena antiga construção francesa, que atualmente comporta informações, vestimentas e objetos das diversas etnias do Laos. Aqui também não é necessário mais que uma hora para a visita. Almocei em algum lugar no meio do caminho e em seguida fui ao último museu, o UXO Visitor’s Center, situado ao lado da praça do monumento do ex-presidente Souphanouvong. Aqui fiquei outra hora. O centro de visitantes é gratuito, mostrando de forma didática através de filmes, pôsteres e artefatos reais a tragédia causada pelas milhões de bombas lançadas principalmente pelos EUA durante a Guerra do Vietnã, apesar do Laos ser um país neutro. Isso fez com que seja a nação mais bombeada do mundo e ainda hoje tenha quase uma fatalidade por dia devido ao armamento não desarmado que continua no solo, impedindo um dos países mais pobres da Ásia de se desenvolver. A UXO LAO, detentora desse museu, é a organização que atua na educação, identificação, remoção e detonação dos explosivos, principalmente bombas de fragmentos. Continuei a caminhada pela cidade sob “agradáveis” 35 graus, fechando numa agência um passeio com elefantes e cachoeiras para o dia seguinte por 30 dólares. Foi a única vez que consegui usar cartão de crédito para pagar algo no país. Depois disso jantei e fui com o singapurense Liam ao bar Utopia, o preferido dos mochileiros. Havia bastante gente lá interagindo em um ambiente agradável, com música boa e cerveja, à beira do rio. Por lei o local tem que ser fechado quando está em seu melhor momento, às 23:30h. De lá, a galera vai em peso pro boliche (Bowling Alley), aparentemente o único lugar que fica aberto depois dessa hora. Nessa fuga em massa foi a primeira vez que vi os exageradamente grandes tuk-tuks de Luang Prabang ficarem cheios. Como tinha que acordar cedo, acabei indo embora. Dia 31 Às 8 e meia parti com a Treasure Travel para o Luang Prabang Elephant Camp, um dos sítios com elefantes, onde alimentei, passeei e banhei os bichões de pele dura. O triste é que eles ficam acorrentados boa parte do tempo. Uma vez conhecida como a terra dos milhões de elefantes, Laos perdeu quase todos durante os bombardeios das guerras recentes, quando estes fugiram para a Tailândia, ou morreram. A maior parte dos restantes está em campos como esse. Continuando, fomos até a Kuang Si Falls, um dos principais atrativos de Luang Prabang. Há alguns restaurantes no lado da portaria do parque, onde almoçamos. Um prato padrão custa 30 mil kip. Kuang Si é uma série de quedas d'água e piscinas turquesas naturais de calcário. A água geladíssima ao menos refresca o calor infernal fora das sombras. Dentro do parque fica também um centro de resgate de ursos-lua, o relativamente pequeno urso negro asiático, ameaçado devido a extração de sua bile para fins medicinais. Pelas 15h já estávamos de volta, mas não fiz nada de diferente no resto do dia quente. Dia 32 Peguei um tuk-tuk até o aeroporto por 35 mil kip. Meu voo seguinte pela AirAsia saiu às 10 e meia da noite rumo a Osaka, no Japão. No entanto, precisei fazer uma conexão interminável em Kuala Lumpur até a noite. Aproveitei para botar a leitura em dia, lendo o livro Vagabonding. Continua em filipinas-mianmar-vietna-camboja-laos-japao-e-coreia-do-sul-50-dias-em-marco-abril-de-2017-parte-2-2-t143952.html Curtiram? Então não deixem de conferir outros relatos mais detalhados no meu blog: http://rediscoveringtheworld.com
  10. Com a chegada das monções fica difícil de programar uma subida em montanha, além do risco de fortes chuvas ainda convivemos com um grande inimigo que são os raios provenientes das tempestades. Lord e eu havíamos programado uma travessia pelos montes Kama e Gozaisho, porém com o tempo ruim não pudemos levar adiante esse plano, como no dia seguinte Lord não estaria livre para a escalada decidi fazer uma solo, coisa que a muito tempo eu não fazia. Entre seguir o programa do dia anterior e troca-lo, optei por escolher uma montanha onde nunca havia pisado antes, depois de pesquisar decidi subir o Monte Oike, o ponto mais alto da cordilheira de Suzuka, porém isso ainda parecia pouco e sozinho eu poderia seguir um ritmo próprio, então tomei a decisão de atravessar para o Monte Fujiwara, por uma rota pouco frequentada, pelo fato de iniciar em uma região de difícil acesso e uma longa trilha de 20 km. Parti bem cedo rumo a montanha, porém o acesso era um pouco mais difícil do que eu imaginava, depois de rodar um bom tempo por caminhos sinuosos, emburacados e com rochas que rolaram montanha abaixo cheguei em um local que parecia um inicio de trilha, consultei o GPS e descobri estar no ponto errado, porém o acesso ao destino certo estava fechado e se quisesse manter os planos teria que seguir a pé, o que aumentaria a minha caminhada em pouco mais de 1 hora. Sem muita opção decidi seguir assim mesmo, com o intuito de acelerar o passo nos trechos menos íngremes para recuperar o tempo perdido. Estacionei o carro e encontrei uma senhora que sabendo dos meus planos me perguntou se eu conhecia essa região muito bem, diante da minha negativa ela se surpreendeu com a minha coragem, o que me deixou com o pé atras e quase me fez acompanha-la até um pico secundário, porém ela frisou que eu ainda era novo e que aquele caminho não deveria um problema. Depois daquele impasse lá estava eu na trilha, era um trecho para passagem de carro, porém fechado com corrente para impedir o avanço dos mesmos. Algumas placas alertavam para a presença de ursos e dejetos pelos caminho realmente davam a presença deles como certa, como nunca avistei nenhum e com sinos balançando na mochila não me preocupei muito com isso, porém ali sozinho em uma região pouco freqüentada um ataque tanto de ursos quanto de javalis poderia ter proporções letais. Avancei em um ritmo alucinante e quando a subida apertou eu já estava morto de cansaço, sempre sofro um pouco nesses trechos iniciais e o calor misturado a alta umidade no meio da floresta me fizeram refletir se eu conseguiria concluir aquela trilha. Continuei subindo com afinco e logo o organismo se acostumou ao ritmo melhorando a sensação de mau estar. Alcançando uma crista, e consultando o mapa verifique que seguindo por ela era possível ascender ao Monte Oike, então retracei o trajeto e rumei crista acima. A crista arborizada trazia um ar fresco e me protegeria do sol por um longo período, em um caminho sem dificuldades alcancei um pico secundário, dali se podia avistar um tartarugão que era o Monte Oike, visivelmente o caminho até o topo parecia não ser fácil, mas havia uma trilha marcada que levava até um trecho rochoso e era exatamente por ali que eu deveria seguir, nesse momento decidi que se não conseguisse alcançar o cume dessa montanha até as 10 horas abortaria atravessar para outra e retornaria pelo mesmo caminho. Cheguei ao trecho rochoso e a visão era exuberante, quando algumas pessoas me perguntam se eu não tenho medo desses trechos eu foco minha visão nessas imagens e o medo se transforma em euforia, claro o medo tem que existir, mas apenas para que você faça as coisas com prudência e não que deixe de fazê-las por conta dele, apenas fazendo essas coisas que você conhece melhor os seus limites e desta forma acaba aprendendo o que pode e não pode fazer. Passado o trecho rochoso já se alcança o topo da montanha, porém o caminho até o cume é bem longo passando por uma extensa planície com muitas rochas e vegetação rasteira. Caminhando por este trecho pude visualizar o pico do Monte Fujiwara que parecia bem distante, ao longo do horizonte montanhas ainda nevadas como os Montes Ontake e Haku davam o ar da graça, devido ao dia limpo e sem nuvens. Conforme programado as 9:55 consegui atingir os 1247 metros do Monte Oike, fiz o meu primeiro descanso do dia e observei a paisagem local que com muitas rochas e arvores secas lembraram a caatinga brasileira. Depois de 15 minutos no local resolvi retornar minha jornada pois ainda faltava muito, a retomada da trilha que seguia para o Monte Fujiwara era um pouco confusa, me perdi e tive que descer um pedaço por uma canaleta com muita lama, mas no final consegui retomar a trilha certa. A paisagem que ligava as duas montanhas era um pouco diferente do que eu havia imaginado, ao invés da vegetação rasteira uma mata fechada tomava conta de tudo, fiquei confuso em diversos trechos até encontrar a crista que liga as duas montanhas, nesse momento retomei a subida e passei a enfrentar outro problema, caibras, os meus dedos começaram a arquear para baixo e isso indicava que depois de ter forçado tanto o ritmo precisava de um descanso. Me sentei ali no meio da trilha mesmo, depois de alguns minutos um senhor passou por mim, então resolvi retomar o caminho seguindo o ritmo dele, pra minha surpresa ele era muito mais rápido do que eu imaginava e com a perna ainda meio travada tive dificuldade em o acompanhar até que ele parou pra descansar, parei e conversei com ele que me disse que já iniciaria a descida pois já havia feito cume no Monte Oike, ele se impressionou com meu longo trajeto, me desejou sorte e segui em frente. Depois de mais um tempo de subida cheguei até um ponto que eu já conhecia, o local com torres de eletricidade por onde iniciamos a descida no ultimo inverno, dali até o cume do Fujiwara eu seguiria pelo mesmo caminho que havia feito, porém dessa vez sozinho e com uma paisagem completamente diferente tive a impressão de nem conhecer aquele local, o trajeto até um pico secundário que estava na programação seguiu sem problemas e o difícil mesmo foi sair dali e rumar para o abrigo onde havia programado o almoço. O mato ficou alto e a trilha foi sumindo, rodei pra lá, pra cá e nada, consultei o GPS e resolvi fazer um caminho alternativo, segui por uma crista e cai em um vale extremamente íngreme, decidi não amolecer e encarar logo aquela subida, porém meu estado físico já não era o mesmo, o joelho direito estava com uma dor aguda, comecei a usar o bastão de caminhada mas logo o joelho esquerdo também abriu o bico, me esforcei ao máximo mas uma hora sucumbi ao desgaste físico e tive que sentar. O abrigo não estava longe e a subida já havia terminado, porém faltava perna, creio que isto tenha servido muito bem para eu estudar o meu próprio limite. Depois de alguns minutos sentado percebi pela primeira vez a presença de um ser incomodo, sanguessugas, mesmo sem muita condição peguei minhas coisas e me mandei, depois de tudo que passei ainda ter que enfrentar sangramentos era demais para um dia só. Quando saí da mata fechada soprava um forte vento, nuvens negras se formavam rapidamente e a chuva que não estava programada parecia iminente, avistei o abrigo e rapidamente disparei em sua direção, na chegada antes que eu arrastasse a pesada porta ela se abriu, um homem de meia idade já estava deixando o local que então passou a contar apenas com a minha presença. Extremamente cansado e com o estômago meio revirado me alimentei mau, não que a comida estivesse ruim, pois levei um marmitão preparado com todo carinho pela minha esposa, mas depois de consumir tanto liquido e ficar exausto, não havia nada que eu quisesse devorar. Enquanto estive no local uma fina chuva caiu de leve e logo o tempo se abriu, então decidi partir mesmo cansado pois já estava prevendo que enfrentaria dificuldades na descida. Depois de uma leve descida comecei a subir a rampa que leva ao cume do Monte Fujiwara, no caminho encontrei 3 mulheres que retornavam do mesmo, segui em um ritmo bem forte, porém tive que fazer pequenas paradas. Já passava das 13:30 quando finalmente cheguei ao topo, como programado eu havia chegado ao meu segundo objetivo, parei para fazer algumas fotos e logo retomei o caminho pois o pior ainda estava por vir, a descida. Com uma certa dificuldade consegui chegar na crista oeste, um mato muito alto tomava conta de tudo e tive que desviar o caminho andando lateralmente em um trecho extremamente íngreme, depois dali era só descer rasgando até encontrar o rio, mas não foi tão fácil, aos poucos a crista foi virando uma floresta fechada e várias bifurcações deixavam a trilha bem confusa até que finalmente errei o caminho, chequei minha posição e tomei a errada decisão de continuar descendo até chegar ao rio. As trilhas foram feitas para serem seguidas e quando tentamos inventar em uma região que desconhecemos as chances de sucesso são pequenas, apesar de logo ouvir o barulho do riacho e conseguir avista-lo, chegar até ele não foi uma tarefa das mais fáceis, porém com a ajuda de diversos troncos de pinheiro caídos pelo caminho consegui vencer aquele trecho acidentado. Devido as fortes chuvas que antecederam a travessia, as margens do riacho não apresentavam boas condições e para piorar o meu caminho errado me faria andar mais tempo marginando ele, ficou aquele pula pra lá e pra cá e minhas pernas não aquentavam mais, o riacho havia ganhado status de rio e tive que começar a adentrar na água. Muito cansado decidi entrar na mata que marginava o rio, porém sem trilha e um caminho muito difícil desisti ao avistar um enorme cervo macho descendo em minha direção, por mais que eles costumam não atacar humanos preferi não hesitar contra um animal com chifres enormes. Mais um tempo sofrendo naquelas margens e finalmente encontrei o abrigo da Universidade de Nagóia, o local estava abandonado e com garrafas de saque espalhadas pra todo lado, o que indica que os estudantes costumam fazer outra coisa além de pesquisa de campo. Me sentei na porta do abrigo e consultei minha posição, mesmo sem condições físicas decidi partir pois o relógio já passava das 15 horas, então atravessei o rio dei de frente com um barranco. Observei bem aquele trecho para achar a entrada da trilha, estava extremamente confusa e quando achei algo que parecesse uma adentrei na mata. Realmente aquela era a trilha, mas bastou andar 5 minutos e o caminho novamente se tornou confuso, diversas cristas se dividiam em uma íngreme subida, todas levariam até a crista principal que era meu objetivo, então tive que optar por uma e em um dia daqueles é claro que escolhi o caminho errado. Quando me dei por conta do erro que havia cometido eu já havia subido um longo trecho, meu raciocínio me mandou voltar, mas as pernas não deixaram, continuei subindo já em ritmo de exaustão, a cada clareada na mata eu acreditava estar chegando na crista, porém era apenas ilusão de quem esta muito cansado. Com aquele caminho eu cairia em um trecho da crista mais acima do programado, o que além de me fazer subir mais, novamente aumentaria minha jornada. Quando cheguei àquela crista parecia nem acreditar, com uma sensação de alívio comecei a descer tranquilamente, afinal já havia passado ali e nada mais poderia dar errado, leso engano. Aos poucos comecei a perceber que o caminho estava estranho, não só estava estranho como estava errado, a crista havia bifurcado sem que eu percebesse e eu estava indo em direção a um outro rio, ao invés de seguir para uma ponte que atravessaria o mesmo. Muito cansado olhei para cima e desisti de voltar, pensei em segui até o rio e margina-lo até a ponte, o objetivo não estava longe porém aquele caminho ganhou uma dificuldade que eu não havia enfrentado até então. Muitas rochas e lama em um trecho íngreme, parar em pé parecia impossível, varias rochas começavam a se soltar assim que eu me apoiava nelas, decidi voltar mas já era tarde, após uma pedra se soltar cai de cara, por sorte na lama se tivesse sido em uma rocha o final poderia ter sido diferente. Sem saber o que fazer observei que havia uma canaleta a minha direita, me arrastei até o local que deveria chegar até o rio, então comecei a me arremessar naquela fenda ganhando 3, 4 metros a cada investida. Desta forma rapidamente eu alcancei o rio, claro que com muitas escoriações mas finalmente eu poderia beber água, coisa que eu não fazia a mais de uma hora pois além da minha reserva ter acabado o outro rio estava com a água muito turva para ser coletada. Só depois de matar a sede é que me dei conta de onde eu estava, havia uma barragem e placas de perigo indicavam que o local não era amistoso, mas eu não possuía outra alternativa, subi o muro de mais de 2 metros que do outro lado devia ter uns 7 metros, consegui descer coma ajuda de rochas que estavam escoradas na margem da barragem, depois disso ainda enfrentei mais duas dessas barragens até que finalmente avistei a ponte que era meu objetivo. Retomei a trilha com muito alívio, pois afinal dali em diante era praticamente impossível se perder, então andando por um caminho suave a expressão de cansaço da lugar a um sorriso de satisfação e me fez pensar em todo o trajeto daquele dia, as dificuldades, os erros, e o que leva uma pessoa a se arriscar passar por isso, creio que isso não tenha resposta, mas uma mescla de tudo é o que alimenta o meu desejo se estar cada vez mais em cima de uma montanha. ***Mais fotos no Blog: http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/08/travessia-monte-oike-monte-fujiwara.html Vídeo
  11. Nando Silva

    Os Sete Cumes de Suzuka

    Nesta postagem vou abordar a conquista dos 7 cumes de Suzuka, uma meta alcançada 13 meses após eu estabelece-la, e que me dá força e inspiração para almejar e buscar novas conquistas. Tudo começou em março de 2012, quando comecei a pegar gosto pela coisa e buscava uma montanha em que pudesse me aventurar sozinho sem correr maiores riscos, com isso após pesquisas descobri quais eram estas montanhas e as melhores rotas para se alcançar seus cumes. A Cordilheira de Suzuka se localiza na divisa entre as províncias de Mie, Shiga e uma pequena parte no Sul da província de Gifu. Com uma área de 298 km2 , essa cadeia de montanhas não é constituída apenas de 7 montanhas, porem as "Sete" são as mais famosas e mais visitadas, tanto por esporte, quanto por turismo e religião. O seu ponto mais alto fica no topo do Monte Oike 1247m, e que curiosamente nem faz parte das 7 mais famosas montanhas. O local também é conhecido por ser um Parque Nacional de mesmo nome, que protege tanto as florestas da região quanto as várias espécies de animais que nela habitam. Um desses animais é o Kamoshika, um tipo de caprino que apesar do nome "shika", veado em japonês, mais se assemelha a um bode ou carneiro. Esse animal também influenciou a região, "Suzu-ka" que significa sino do veado, deu o nome à cordilheira e posteriormente à cidade que se tornou famosa pela Fórmula 1. As montanhas que compõem esse seleto grupo são, Monte Fujiwara 1140 m, Monte Ryu 1099 m, Monte Shaka 1092 m, Monte Gozaisho 1212 m, Monte Kama 1161 m, Monte Amagoi 1238 m e Monte Nyudo 906 m. Outros picos que merecem destaque são, Monte Ryozen 1094 m, Monte Oike 1247 m, Monte Watamuki 1110 m, Monte Nihonkoba 934 m, Monte Sen 961 m, além de dezenas de outros picos abaixo dos 900 metros. Na sequencia seguem coletâneas de imagens dessas travessias com seus respectivos relatos. Monte Gozaisho Essa foi a primeira desse grupo que me aventurei, com trilhas bem demarcadas e um movimento constante de pessoas, essa foi uma montanha que me ensinou muito, passei calor, frio e acabei culminando nela por 3 vezes, sendo uma vez acompanhado de minha filha com apenas 10 anos na época. Relatos: Monte Gozaisho - Outono http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/06/monte-gozaisho-primavera.html Monte Gozaisho - Congelando na Montanha http://nandosilvauptothelimit.blogspot.com/2012/07/monte-gozaisho-congelando-na-montanha.html Monte Gozaisho e a Princesa da Primavera http://nandosilvauptothelimit.blogspot.com/2012/11/monte-gozaisho-e-princesa-da-primavera.html Monte Kama Essa foi adrenalina pura, depois de 2 cumes no Monte Gozaisho decidi experimentar outra montanha, por acaso descobri esses tais 7 cumes e escolhi o Monte Kama, a montanha do lado, sem mapa, gps ou qualquer outro tipo de orientação adentrei na montanha apenas seguindo a trilha, é claro que me perdi, mas no final tudo acabou bem e ainda acabei retornando como debutante no Suzuka Hiking Club. Relatos: Monte Kama e as 7 Montanhas de Suzuka http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/08/monte-kama-e-as-7-montanhas-de-suzuka.html Monte Kama e as Sanguessugas http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/12/monte-kama-e-as-sanguessugas.html Monte Nyudo Essa foi uma montanha que me surpreendeu, com apenas 906 metros tudo indica que é muito fácil de escala-la, não que seja difícil mas o fato de encarar 700 metros diretos para cima deixam qualquer um com a língua nos pés. Depois de uma ascensão solo, ainda retornei com o Suzuka Hiking Club para uma subida na neve, fato que não se concretizou devido a ausência da mesma. Relatos: Monte Nyudo e as Azaléias http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/11/monte-nyudo-e-as-azaleias.html Monte Nyudo e os Deuses da Montanha http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/02/monte-nyudo-e-os-deuses-da-montanha.html Monte Amagoi Um pouco mais experiente, consegui arrastar dois malucos brasileiros para essa montanha, o desempenho foi razoável e pudemos apreciar uma exuberante paisagem de outono. Posteriormente eu retornei com o Suzuka Hiking Club para uma ascensão pelo lado inverso, com um caminho muito mais longo e mais difícil. Relatos: Monte Amagoi e os Três Montanheiros http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/01/monte-amagoi-e-os-tres-montanheiros.html Monte Amagoi e o Deus Dragão http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/04/monte-amagoi-e-o-deus-dragao.html Monte Shaka Depois de não encontrar neve no Monte Nyudo, Lord e eu decidimos escalar essa montanha no dia seguinte e encontramos toda neve que faltou no dia anterior, uma tremenda cagada, encaramos um paredão vertical de 200 metros que mais tarde descobriríamos ter sido responsável por alguns óbitos, e a montanha ganha cada vez mais fama de assassina, com mais um desaparecimento no último mês de maio. Relato: Monte Shaka - O Inferno Branco http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/02/monte-shyaka-o-inferno-branco.html Monte Fujiwara Mais cume na neve, desta vez liderado por Taro do Suzuka Hiking Club, uma travessia longa e cansativa, porém muito divertida com ótimos companheiros. Recentemente eu retornei a montanha, mas o relato fica pra depois. Relato: Monte Fujiwara - Travessia Invernal http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/03/monte-fujiwara-travessia-invernal.html Monte Ryu A última montanha que me restava veio acompanhada de ótimos parceiros, se o desempenho e o tempo não ajudarão, por outro lado a diversão foi garantida. Apesar dos contra-tempos e o risco de ter que abortar a subida, o objetivo foi alcançado e minha meta estava completa, estive com os pés nos pontos mais elevados das 7 Montanhas de Suzuka. Relato: Monte Ryu - A Montanha do Dragão http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/05/monte-ryu-montanha-do-dragao.html Novo objetivo? É claro que já tracei, alcançar o cume das 21 montanhas com mais de 3000 metros do arquipélago japonês, ainda faltam 19 mas eu não tenho pressa, pode demorar 20, 30 anos mas podem ter certeza que vou buscar essa meta.
  12. Nando Silva

    Monte Ryu - A Montanha do Dragão

    Feriadão no Japão e eu e o Lord nos preparávamos para mais ascensões, a ideia era de subir duas montanhas em dois dias, porém o tempo acabou não ajudando e ficamos apenas com 1 dia de tempo bom. Afim de concluir os 7 cumes de Suzuka, escolhi o Monte Ryu, ou Ryugatake em japonês, com 1099 metros de altitude esse era o último cume dos 7 que me faltava e com isso concluiria uma das minhas metas. Como essa montanha parecia não ser muito exigente, convidei Juquinha que outrora já havia manifestado o desejo de subir conosco, ele aceitou de imediato, então foi só passar as coordenadas para que ele se preparasse melhor e evitasse surpresas. Com a chuva do dia anterior e uma frente vinda do Norte, alertei que ele estivesse preparado para temperaturas abaixo de 5ºC e ventos de mais de 50 km/h. No dia marcado partimos logo cedo em direção ao Vale Uga na cidade de Inabe, onde a partir de um Camping se iniciam diversas rotas rumo ao topo da montanha. Tracei uma rota que seguia por um vale passando por cachoeiras, alcançando uma crista e seguindo por ela até o cume, continuando por ela para iniciar a descida, porém como imprevistos acontecem logo na entrada do Camping tive que mudar tudo que havia planejado. Conhecemos o Sr. Sakura, que cuida do Camping e orienta os montanhistas sobre as rotas, mostrei a ele o meu mapa com a rota traçada e ele me disse que estava desatualizado, a rota de subida não poderia ser seguida devido a erosão no local, a de descida ele desaconselhou, por isso aceitamos a sugestão de subir por uma crista central, perguntei sobre outra rota para a descida que também possuía cascatas, ele disse que não era uma boa devido a chuva mas também poderia ser utilizada. O ponteiro do relógio mau tinha atingido o número 8 e já estávamos com o pé na trilha, a caminhada começou leve e passamos por duas grandes pontes que facilitaram a travessia dos riachos, aliás a bela estrutura do lugar chama atenção, não é atoa que temos que pagar para entrar, porém uma pechincha de cerca de 2 dólares, bem pagos devido as facilidades que encontramos, principalmente na parte baixa da montanha. Duas mulheres haviam partido um pouco antes de nós, e viemos a encontra-las assim que a trilha ficou confusa, duvidas para todos os lados até que encontramos a placa que direcionava para a crista. Começamos a ganhar altitude rapidamente e Juquinha começou a pedir água, descansamos um pouco e partimos mas novamente ele começou a se queixar, uma das mulheres que seguiam na frente também parecia estar com o mesmo problema e as passamos e fomos ultrapassados por diversas vezes. O cara reclamou tanto em certo ponto que parou até para soltar um barrão, expondo o seu traseiro branco para os animais da floresta. Eu tentava incentivar mas ele já estava dizendo que eu queria era engana-lo, pois seria difícil até o fim. Fui puxando o ritmo com paciência, mas se dependesse dele ficaríamos uns 3 dias na montanha. Lord vinha seguindo atras sem reclamar das paradas, aliás acho até que ele começou a gostar do ritmo mais ameno. Fomos saindo da mata e com isso a crista se tornou rochosa, nada de grande dificuldade, mas pra quem já estava com a língua no pé, ficou um pouco pior. Já próximo de 1000 metros, um forte vento começou a soprar, uma névoa tomou conta do pico e indícios de que uma chuva poderia chegar. A temperatura baixou e paramos pra nos agasalhar, já não havia mais Sol e a névoa dominava a paisagem, enquanto isso as duas mulheres vinham descendo, elas estavam abortando o ataque por conta da mudança no tempo. Nessa hora combinei com meus companheiros que não era hora de corpo mole, deveríamos apertar o passo para chegar ao cume antes da chuva, pela minha experiência parecia que não choveria, mas a possibilidade existia e era bom não ignora-la. Comecei a forçar o ritmo quando alcançamos a crista que leva ao cume, nesse momento o vento era tão forte que chegava a jogar o corpo de lado, Juquinha novamente sentiu o peso nas pernas e acabou sentando em meio aquele vendaval, eu disse que o cume estava próximo, mas ele disse que eu esta dizendo isso desde que começamos. Não demorou muito e lá estava eu no topo do Monte Ryu, que significa Dragão, desta vez tive um gostinho especial, afinal eu havia alcançado os 7 cumes da cordilheira de Suzuka, alguns instantes depois e lá estavam meus companheiros juntos a mim, Juquinha estava exausto mas não dava para descansar muito ali em cima, o vento que segundo o próprio Juquinha era de 200 km/h, mas não passava de 55 km/h, fazia a sensação térmica se tornar negativa, por isso mau tivemos tempo de relaxar e já estávamos na descida. Na saída do topo com uma visibilidade muito ruim entrei em uma rota que o Sr. Sakura não havia recomendado, Juquinha ainda me alertou se era por ali mesmo, não era, porém na minha cabeça já estava programado que era e acabamos descendo pelo caminho errado. Era uma crista extremamente íngreme e aproveitei para correr para baixo fugindo do topo pois as nuvens começaram a trazer gotas de água. Esperávamos por um bom lugar para almoçar, mas o lugar era tão íngreme que tivemos que andar quase uma hora para enfim descansar. Na ausência de um local decente para parar, acabamos parando em um lugar com grandes rochas pois pelo menos era possível sentar. Ali sentados saboreando os nossos "deliciosos" cup lamen e jogando conversa fora observávamos as grandes rochas que se postavam bem acima de nós e com qualquer movimento poderiam nos esmagar, mas felizmente todas mantiveram-se quietinhas em seus lugares. Continuamos a descida e avisei a eles que faríamos apenas mais uma parada, continuamos descendo em um ritmo acelerado e logo alcançamos um vale, o caminho por ali seria longo porém sem dificuldades. Conforme o Sr. Sakura havia alertado que alguns pontos estavam meio ruins, muita erosão de rocha mas sem comprometer a trilha que ainda possuía uns paredões com grampos, em locais onde foram construídas barragens para conter o avanço da água. Ao final dessa rota eis que encontramos as 3 cascatas prometidas, além de reencontrar a rota por onde havíamos subido, assim retornando sem dificuldade ao nosso ponto inicial. Juquinha? Bom pelo tanto que ele reclamou na subida até me surpreendeu seu ótimo desempenho na descida, além do seu humor que também estava ótimo, quem sabe descobrimos um novo montanhista para nos acompanhar. Mais fotos nos Links: Blog:http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/05/monte-ryu-montanha-do-dragao.html Facebook:http://www.facebook.com/media/set/?set=a.645663342117486.1073741826.100000214779467&type=1&l=1619c5b7f1 Youtube:
  13. Uma programação de última hora incluiu no mês de abril uma escalada ao Monte Sen, ou Sengatake em japonês, com 961 metros de altitude, essa é maior elevação de cidade de Kameyama e fica localizada no Sul da Cordilheira de Suzuka. Eu já havia cogitado subir essa montanha no último outono, o que acabou não se concretizando, por isso achei uma boa oportunidade para conhece-la. Minha ideia era de levar minha filha Kaori junto, por isso consultei o líder Taro para saber se a rota era tranquila, ele me informou que a trilha era variável e se ela não tivesse medo de altura não haveria problema. Com tudo preparado, no dia anterior a escalada recebo o e-mail de confirmação onde ele informava que o terreno era íngreme, além de possuir rochas e cachoeiras. Isso me deixou um pouco com um pé atrás com relação a Kaori, porém como em montanha Taro tem a minha total confiança, imaginei que ele sabia bem o que viria pela frente, e estaria preparado para qualquer contratempo. No dia marcado nos encontramos no pé da montanha em um vilarejo de Tanada, tipo de plantação de arroz em degraus, aguardamos em um estacionamento enquanto um grupo foi levar 2 veículos para fazer o resgate de volta, nesse caminho eles acabaram se perdendo, o que nos fez aguardar por mais de uma hora sob uma brisa gelada e consequentemente acabou atrasando um pouco o inicio da subida. A trilha começou em um ritmo bem leve, praticamente um passeio no bosque, caminhamos uns 20 minutos até que saímos daquela trilha e adentramos em uma rota pouco usada, neste trecho enfrentamos uma descida íngreme e atolamos muito em uma mistura de folhas, galhos e lama. Depois daquela descidinha desagradável alcançamos uma corredeira, e era por ela que seguiríamos por um longo período. Depois de muito atravessar de um lado para o outro chegamos em uma cascata, paramos para descansar com a bela paisagem e o som da água correndo. Taro chamou Kaori e lhe colocou um cinto de escalada, daquele ponto em diante ela seguiria encordada, o problema é que logo de cara teríamos que subir a cachoeira lateralmente, Taro subiu com a corda mas desistiu e alterou um pouco a rota que continuou difícil e algumas pessoas ficaram presas no meio, no final quem já estava no meio teve que seguir e um outro grupo precisou desviar o caminho. Nós desviamos o caminho e não sei o que foi pior, demos uma volta subindo e depois tivemos que descer um trecho íngreme e escorregadio até encontrar o resto do grupo. A partir daquele ponto não tivemos mais vida fácil, a subida se tornou difícil e tive que ir puxando Kaori por uma corda, o que aos poucos foi me deixando exausto. Com os contratempos e atrasos, Taro decidiu antecipar o local do almoço e paramos assim que alcançamos um vale mais aberto, porém ele mudou de ideia e decidiu seguir mais um pouco e parar em um pico que já estava próximo. Seria perto não fosse a pirambeira que tivemos que enfrentar e assim que alcançamos a crista ainda teve um trecho com correntes para vencer as rochas que levavam ao topo do pico. Photo byTaro - Suzuhai Aquele pico não era o que se pode chamar de muito aconchegante e acomodar 10 pessoas no local não foi tarefa muito fácil. Ficamos ali por cerca de 40 minutos e apesar da temperatura agradável o Sol incomodava um pouco, a vista fantástica que se teria no local para mim foi substituída por uma enorme rocha postada a minha frente, que além de cobrir minha visão, ainda bloqueava a agradável brisa que soprava. Com baterias recarregadas veio a crista rochosa que parecia infinita, a cada nova elevação Kaori me perguntava se aquele era o topo da montanha, mas para o desanimo dela este demorou a vir. Aos poucos o grupo foi se dispersando, para ela começou a faltar perna e para mim braço para puxa-la, mas a vida na montanha é assim, você se esforça para receber um premio e ele vem em forma de cume, desta vez não foi diferente e apesar da dificuldade lá estávamos nós. Photo byTaro - Suzuhai Kaori estava feliz e exausta, paramos para descansar um pouco mas a desvantagem de seguir no pelotão de trás é que você sempre vai descansar menos que os outros. Desta vez pelo menos o caminho de volta seria mais curto, porém para alcançar os carros que fariam o resgate teríamos que atravessar para a montanha do lado. Continuamos seguindo pela crista e palavras de incentivo já não faziam mais efeito para ela que sentava cada vez que alguém parava para observar a paisagem ou fotografar. Desta vez carreguei peso dobrado e ainda fiquei com sede, pois tive que ceder toda minha água para que ela se mantivesse firme, ao final da crista nova subida para alcançar a pista, creio que pra ela foi o trecho mais difícil, tivemos que parar 3 vezes e cheguei lá em cima com a língua no pé, pois usei todo gás que me restava para ajudar ela a subir. Photo byTaro - Suzuhai Exausto fiquei largado na pista enquanto foram buscar os veículos, então me lembrei que havia um bolo de fubá que minha esposa havia preparado na mochila e carreguei desnecessariamente por toda a travessia, distribui para todos e não conseguia explicar do que era feito aquele bolo, mas isso não importa, o importante foi que acabamos fazendo um lanche da tarde ali mesmo sentados no canto da pista. Ao final seguimos para o estacionamento e Kaori indagada se voltaria para novas investidas me surpreendeu respondendo que sim, eu estava imaginando que ela nunca mais ia querer olhar para uma montanha. O mais impressionante é que no dia seguinte eu estava com dores até no cabelo enquanto ela estava inteira, sem qualquer fadiga. Que venham muitas outras montanhas pela frente! ***Mais fotos nos Links: Blog:http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/05/monte-sen-o-retorno-da-princesa-da.html Facebook:http://www.facebook.com/media/set/?set=a.637522286264925.1073741825.100000214779467&type=1&l=a633381cfc Youtube:
  14. Com a finalidade de concluir os 7 Cumes de Suzuka, eu havia prometido pra mim mesmo que não repetiria escalar a mesma montanha por pelo menos 6 meses, porem quando surgem boas oportunidades de uma nova travessia não podemos ignorar. Foi exatamente o que acabou acontecendo e o calendário do Clube acabou me empurrando para uma nova travessia no Monte Amagoi. Takeyan faria sua estréia como líder do Suzuhai e propôs uma rota bem interessante que acabou me seduzindo. A subida começaria do lado totalmente oposto ao que eu já havia subido, encarando uma grande crista e chegando ao pico sul da montanha, onde eu ainda não havia pisado antes, em seguida rumando para o pico principal, atravessando pela face norte e iniciando a descida. Durante a semana a previsão do tempo ameaçou a travessia e no sábado ainda indicava a possibilidade de chuva, porém como todos os participantes concordaram em subir com aquela previsão, todo o planejamento foi mantido. As 7 horas de domingo nos encontramos no Camping Uga e seguimos em apenas dois carros por um trajeto de serra que demorou cerca de 1 hora até a entrada da trilha, e ao contrário do que acontece com a rota do outro lado quando começamos acima dos 800 metros, dessa vez iniciaríamos abaixo dos 500 metros. Logo na entrada da trilha uma placa de ¨boas vindas¨ indica para se tomar cuidado com a presença de ursos, a trilha segue um bom trecho aberta, pouco íngreme e sem obstáculos, esse caminho era usado no período Edo (1615-1868) e fazia a ligação entre a antiga capital Kyoto até a cidade de Nagoya e o leste do arquipélago. Uma região também marcada por conflitos pois os 2 maiores clãs ninja, Iga e Kouga faziam divisa com essas montanhas. Quanto esse caminho leve termina, adentramos em uma floresta com diversas arvores centenárias gigantescas, então seguimos beirando uma pequena corredeira que com o caminho pra lá e para cá foi responsável por alguns acidentes. Quando a água termina entramos em um grande vale com um visual espetacular, mais alguns metros de caminhada e nosso sossego terminava, era hora de subir e olha que subida! Para alcançar a crista encaramos mais de 300 metros verticais, além de íngreme, sem descanso. Nesse momento a diferença física valeu muito, o pessoal mais acostumado a montanha disparou na frente, eu fiquei sozinho no meio enquanto Gabi e You vinham lá atrás com muita dificuldade sendo amparadas por Taro. Depois de muito suor a recompensa, chegamos a bela crista que possui uma paisagem exuberante, onde é possível observar diversos picos como os montes Watamuki e Kama, além claro o cume do Monte Amagoi. Depois de um breve lanche retomamos a subida seguindo a crista, encaramos um trecho de campo livre, um pouco de rocha, e de repente entramos em uma mata de capim muito alto, onde a ordem era seguir pra cima e se orientar com os gritos dos outros. A situação realmente ficou feia nesse trecho, em meio a um capim de 2 metros com lama e neve teve gente que se desesperou, mas logo alcançamos o pico Sul da montanha e fizemos nossa parada para o almoço. Ficamos cerca de 1 hora parados e depois do almoço ainda teve quem tirou um cochilo. Sem vento algum a temperatura estava agradável, porem o sol parecia querer tostar os presentes. Depois do descanso era hora de chegar ao cume e tivemos novamente aquele capim maldito como obstáculo, com a diferença que agora tínhamos muita neve mole nos pés. Depois de romper o capim ainda tivemos que vencer algumas arvores com galhos muito baixos para finalmente chegar ao cume, e lá estávamos nós nos 1238 metros da montanha. Do pico principal se tem uma bela visão do pico Leste que aliás é mais visitado, parece tão perto que quem nunca esteve presente no local sugeriu ao líder que fossemos até lá, porém Takeyan decidiu não comprometer o nosso tempo mantendo o planejamento inicial. Na saída do cume observamos o lago Amagoi, que mais parecia um mangue de gelo e neve, alias na outra ocasião que estive ali nem havia notado a presença do mesmo. Segundo uma lenda da região é ali naquele pequeno lago no topo da montanha que ¨vive¨ o Deus Dragão, ou Ryujin em Japonês, o dragão no Japão está relacionado com corredeiras e cachoeiras e em certa época de seca, foi feita uma prece pelos agricultores da região para que Ryujin mandasse água para eles, daí também saiu o nome da montanha, os ideogramas de Ama e goi representam uma prece por chuva que seria enviada pelo Deus Dragão. Depois da aula de mitologia seguimos para face norte da montanha, com neve no caminho a coisa ficou um pouco mais difícil, como não seria um trecho tão longo de neve decidi não colocar os crampons e me dei mau, depois de um escorregão tentei desviar o corpo para não atingir outra pessoa e comecei a deslizar sem parar, tentei em vão abraçar a neve que não estava tão mole assim naquele trecho, então percebi o galho de uma arvore tocar minha cabeça e por sorte consegui me agarrar a ele. Foi difícil me colocar novamente de pé e normalizar a respiração depois de um susto daquele, por sorte deslizei pouco mais de 10 metros mas poderiam ter sido mais de 100 metros e sabe-se lá quantos ossos quebrados. As pernas ficaram bambas e terminei aquele trecho com muita dificuldade, por mais que os outros repetissem exaustivamente para que eu me mantivesse mais ereto o meu corpo agora com medo parecia não querer obedecer. Com o fim do trecho de neve fizemos nova parada, em um local indicado para acampamento haviam meia dúzia de mochilas cargueiras largadas no local, seus donos provavelmente estavam rumo ao cume e imaginem largar os equipamentos dando sopa assim em alguma montanha da América do Sul. Daquele trecho em diante seguimos muito rápido pra baixo até encontrar uma corredeira e fazer uma nova parada, dessa vez com direito a chá da tarde. Seguindo novamente para baixo, encontramos o caminho de onde havíamos iniciado a subida e agora na volta aquele longo caminho parecia infinito. Aproveitei para dialogar em espanhol com Gabi que queria saber mais informações sobre o Brasil, onde ela pretende visitar um dia. Terminada a trilha era hora de voltar pra casa, mas antes paramos em uma vinícola famosa da região onde quase todos compraram vinhos e os levaram para relaxar em seus lares.
  15. Nando Silva

    Monte Fuji - A escalada solitária

    Este relato foi o que inaugurou o meu blog, http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/05/desde-que-cheguei-ao-japao-em-2007.html a aventura ocorreu em agosto de 2011, fico devendo mais fotos, quem ler o relato vai entender o porque... Desde que cheguei ao Japão em 2007, sempre tive a curiosidade de explorar o Monte Fuji, alem de ser a maior montanha do arquipélago é também uma das mais belas e famosas montanhas do mundo. Inspirado em um grupo de parentes e conhecidos que se aventuraram na montanha, eu também decidi que iria subir. Eles foram com uma turma durante um feriado e devido ao trabalho não pude ir junto, na volta muito cansaço e historias principalmente dos que foram vencidos pelo mal da montanha e não alcançaram o cume. Tudo isso me deixou muito excitado e duas semanas depois eu estava com um roteiro e a mochila pronta afim de subir a montanha sozinho. Minha esposa foi totalmente contraria a ideia, afinal nem montanhista eu era e subir sozinho uma montanha de quase 4 mil metros não é pra qualquer um. Mas eu não estaria sozinho, afinal estávamos na temporada de subida que é nos meses de Julho e Agosto e 400 mil pessoas se aventuram na montanha todos os anos, sendo que metade atinge o cume. Me programei pra ir num sábado dia 20 de agosto, subir no final da tarde, atingir o topo no começo da madrugada, esperar ao relento até o sol nascer e então iniciar a descida. Bom, como as coisas nem sempre funcionam como o previsto um dia antes a previsão apontava chuva para o Japão todo e na montanha havia possibilidade de neve. Isso me deixou muito desanimado mas como haveria somente mais um fim de semana pro fim da temporada decidi que iria assim mesmo. As 9 horas da manha de sábado iniciei a viagem, o tempo estava nublado e úmido alem do calor infernal que é o verão japonês e a media de temperatura naquela semana beirava os 35ºC. Depois de viajar 4 horas por 2 trens expressos e 1 trem bala cheguei até a estação Shinfuji, de onde parte um ônibus coletivo em direção a estação 5 na montanha. Nesse ônibus partimos eu e mais 2 corajosos, depois de mais duas paradas totalizamos 10 pessoas que chacoalharam por 2 horas naquele veiculo desconfortável por um caminho sinuoso paisagem fechada e para desanimo de todos a tão prometida chuva do fim de semana começou a cair. Chegamos a estação 5 as 15:30, me abriguei da garoa intensa que caia, almocei e comecei a descansar como programado para aclimatação e tive um mal estar intenso, afinal já estava a 2.400 metros de altitude. Nesse momento pensei que era loucura e que eu deveria desistir, não havia mais ninguém subindo e o clima não parecia que ia melhorar, então pensei que se eu já estava ali deveria subir. Comecei a me preparar, aquecer e as 18:30 iniciei a subida. A subida leva em media de 6 a 8 horas e minha ideia era de 3 pequenas paradas, comecei em um ritmo alucinante pois começara a anoitecer e eu pretendia chegar a estação 7 antes disso. Consegui chegar ainda sem lanterna mas num breu danado e parei 10 minutos para ir ao banheiro e descansar um pouco e retomei a subida. A partir dai a nevoa e a garoa tornaram a visibilidade quase nula e em um momento perdi a corda que guia até a estação seguinte, fiquei alguns minutos desorientado tentando controlar o desespero pois eu não tinha onde ir e não havia ninguém para me socorrer. Apaguei a lanterna que nesse momento mais atrapalhava do que ajudava devido a neblina e comecei feito um cego a arrastar o meu cajado até que finalmente reencontrei a corda guia e continuei a subida. Depois de 2 horas de subida parei pra me alimentar me protegendo do vento em uma estação desativada, nesse momento perdi minhas luvas e quando já havia desistido de procurar acabei encontrando justamente na direção que eu deveria seguir. Cheguei a estação 8 muito cansado, já se passavam 3.250 metros de altitude, a névoa havia diminuído e a chuva aumentado, parei pra ir ao banheiro simplesmente pra poder sentar em um lugar seco, foi nesse momento que tive noção de como a altitude afeta os seus sentidos. Perguntei ao rapaz que cuidava do banheiro qual era altitude de momento, ele me respondeu em inglês e depois de alguns instantes tentando traduzir aquilo na minha cabeça ele repetiu em japonês e ai o meu raciocínio se confundiu de vez. Perguntei a ele se havia mais gente subindo, pois até o momento eu não havia presenciado ninguém, ele respondeu que mais cedo pessoas passaram por ali, me perguntou se eu estava sozinho e me alertou que estava muito perigoso pra subir naquelas condições, eu teimoso que sou ignorei e continuei subindo. A chuva e o vento não paravam de aumentar e procurei manter o ritmo, cheguei sem dificuldades a estação 9 e deveria tomar uma decisão, parar ali e esperar a chuva passar ou seguir até o topo, até então eu não sabia da existência da estação 9,5, como minha condição física ainda eram razoável decidi seguir, afinal faltavam menos de 300 metros até o topo. Passados 10 minutos me arrependi como nunca, a chuva ganhara status de tempestade e em alguns trechos era difícil se manter de pé. A montanha toda se transformou numa enorme cachoeira e a nevoa baixa corria pelos meus pés numa velocidade espantosa. Nesses momentos em fração de segundos passa um filme pela sua cabeça e parado ali encostado a uma rocha tive pela primeira vez na vida a sensação de que minha hora havia chegado. Pedi ajuda divina para Fuujin, o deus da tempestade na mitologia japonesa, respirei fundo e decidi usar o resto de minha força no limite até onde conseguisse, afinal eu não tinha outra saída. Exausto observei uma luz, ainda não era o topo mas pra minha surpresa havia mais um abrigo, minha salvação. Arrastei a pesada porta em tom de desespero, 2 homens vieram correndo em minha direção, um me perguntou se eu estava bem e o outro perguntava insistentemente Stay?Stay?, levantei minha mão e pensei em pronunciar espere um pouco, pra que eu pudesse raciocinar, mas as palavras não saíram, quando consegui conversar eles me acolheram, recolhendo meus pertences e me secando. O abrigo não estava muito cheio, creio que umas 15 pessoas e a imagem da maioria era desanimadora, uns vomitando, outros com falta de ar, então deitei e me cobri para tentar dormir um pouco, a temperatura la fora era de 2ºC mas eu estava aquecido, porem uma tremedeira tomou conta do meu corpo e demorei pra relaxar. As 3:30 todos foram acordados pra continuar a subida e um velho da cabana deu a péssima noticia, a chuva não havia cessado. A maioria se preparou mas ninguém quis sair na frente, afinal não adiantava correr pra ver o sol nascer pois com aquele clima isso era impossível, até que duas mulheres resolveram encarar o restante, eu acompanhei pois queria alcançar o cume de qualquer forma, mas no meio do caminho elas se desesperaram com a tempestade, tive que tomar a frente e com as energias recarregadas disparei sozinho e em 15 minutos alcancei o topo do Japão, claro que não vi o sol nascente, mas naquela altura chegar ali vivo já era mais do que uma vitoria!!! Passei apenas uma hora no topo, me alimentei, carimbei o meu cajado e tentei sem sucesso chegar ao marco que indica o cume da montanha, havia muita névoa e fiquei com medo de me perder em um local onde havia uma cratera. Reencontrei as duas mulheres do abrigo em meio a névoa e juntos iniciamos a descida que sem nenhum imprevisto demorou cerca de 3 horas e meia.
  16. Aproveitando que o Brasil está na estação de outono, vou mandar 2 relatos de travessias durante o último outono japonês, abaixo segue o primeiro e mais fotos podem ser vistas nos links: Blog:http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/01/monte-ontake-mosaico-de-cores-no.html Facebook:http://www.facebook.com/media/set/?set=a.536126146404540.138905.100000214779467&type=1&l=a8135c8849 Passada minha escalada ao Monte Fuji eu já conseguia visualizar para o próximo ano novas subidas nos 3000+ japoneses, só não esperava que isso se concretizasse no mês seguinte. Depois de um cancelamento de última hora devido ao mau tempo nas montanhas de Suzuka eis que surge a oportunidade de subir o Monte Ontake, um vulcão adormecido localizado na província de Nagano na parte central do Alpes Japoneses. Como programado partimos eu e Choke da província de Mie para encontrar o pessoal da província de Aichi e seguir viagem até uma parada na estrada onde passaríamos a noite. Com poucos integrantes desta vez, éramos cinco em 2 carros e um se juntaria a nós pela manhã, pousamos no carro de forma aquecida e confortável. Madrugamos no dia seguinte e logo o 6º elemento se juntou a nós e partimos rumo ao vulcão. Subindo pela estrada avistamos alguns macacos que gritavam de forma agressiva mostrando que os visitantes não eram bem-vindos. Logo chegamos ao estacionamento que recebia um bom número de veículos, porém poucos montanhistas estavam no local. Tomamos um café da manhã as pressas, nos aquecemos, seguimos o protocolo de auto-apresentação e explicações sobre a subida e adentramos na trilha. A rota foi iniciada no 6º estágio a quase 2000 metros de altitude, no inicio a vegetação densa ainda apresentava altas árvores que foram diminuindo. Neste trecho a subida fluía tranquila com poucas pessoas pelo caminho, aos pouco a vegetação foi ficando baixa e conforme nos aproximamos do 7º estágio o fluxo de pessoas se tornou intenso devido ao fato de um teleférico chegar até aquela parte da montanha. No 7º estágio já fora da mata encaramos a bela imagem limpa do vulcão, inclusive nessa altura muito mais belo que o famoso Fuji, o lugar mais parecia um parque com centenas de pessoas variadas, idosos, crianças que iriam apenas até este ponto para observar o koyu, a vegetação tingida em tons de vermelho e amarelo. Neste trecho aproveitei para utilizar o banheiro, e na saída Chamonix me perguntou se eu havia depositado uma moeda na caixinha, respondi que nem havia reparado que o banheiro era pago, então ela me mostrou um cartaz e pasmem, o dinheiro era para que os dejetos fossem tragados via helicóptero, como um aspirador de merda gigante. A partir desse trecho a trilha fica bem parecida com a do Monte Fuji, tanto em solo quanto em dificuldade, a diferença é o belo mosaico de cores formados pelos arbustos nessa época do ano. O tempo estava meio nublado e a temperatura agradável, até que um forte vento começou a soprar e obrigou a todos a se agasalharem melhor. Desta vez novamente Taro acompanhou as mulheres mais atrás e eu e Choke puxamos o ritmo lá na frente, sempre segurando um pouco para não perder contato com os demais. Sem dificuldade chegamos ao último estágio e fiquei até surpreso com o bom preparo físico de meus companheiros. Logo avistamos o lago Nino, próximo de 3000 mil metros de altitude esse é o lago situado em um ponto mais alto do Japão, com neve perpétua em seu fundo o lago mostra uma beleza exuberante com sua cor intensa, impossível de conseguir captar com as lentes de uma câmera. Mais alguns metros pra cima e lá estávamos nós nos 3067 metros do cume. Um bom número de pessoas estavam presentes no topo que a exemplo de outras montanhas japonesas também possui um Santuário Xintoísta. Fizemos a tradicional foto do cume e nos preparamos pra almoçar ali mesmo, e assim com uma temperatura pouco agradável e um forte cheiro de enxofre fizemos nossa refeição com direito até a quiabo cru, já estou até me acostumando com a alimentação exótica desse povo na montanha. Depois de 40 minutos lá em cima iniciamos a descida, onde tomamos um desvio na rota rumo ao lago Nino, eu não resisti e mesmo sendo alertado para não fazer experimentei um pouco da água do lago, que lembrou um pouco o sabor de água de poço, Chamonix fez o mesmo e levou uma bronca do líder por beber uma quantidade demasiada, mais pra frente levou outra chamada por experimentar uma frutinha com aparência de Blueberry, que segundo ela era amargo ou seja um provável veneno. Seguimos a passos firmes para baixo e passando o 7º estágio que a essa hora estava lotado, pegamos até congestionamento na trilha, o que retardou um pouco a descida, porém não o suficiente para atrapalhar nossa previsão. Antes do regresso o tradicional banho de onsen em um hotel da região que é muito famosa pelas propriedades de suas águas termais. Na volta mesmo exausto tive que encarrar mais de 3 horas ao volante, uma vez que Choke em piores condições que eu, me pediu o favor de conduzir o seu veículo, e sem nenhum contratempo regressamos conforme o previsto.
  17. Esse é mais um relato antigo extraído do meu blog, em mais uma escalada solo me aventurei sem nenhum mapa, gps ou ferramenta de orientação. O inverno estava em seu fim e com isso as geleiras das montanhas vão desaparecendo gradativamente. Já estava ansioso para uma nova subida e de minha casa já podia visualizar que os picos já não possuíam mais neve em excesso e uma folga no meio da semana me inspirou ainda mais. Pra começar fui pesquisar sobre as montanhas da região e diversos sites e blogs contém inúmeras informações sobre essas montanhas, o difícil é conseguir entender o que está escrito. Já havia ouvido falar das 7 Montanhas de Suzuka, porém se quer sabia quais eram e por que esse nome sendo que apenas uma delas fica localizada na cidade de Suzuka. O nome se dá devido as montanhas estarem situadas em um parque nacional do mesmo nome e é comum as pessoas se referirem as montanhas apenas como Suzuka. Uma dessas montanhas era o Monte Gozaisho e como já havia feito cume duas vezes decidi escolher outra e determinar o meu modesto porém importante desafio dos "7 cumes". O escolhido foi o Monte Kama ou Kamagatake em japonês, esse monte é a primeira montanha ao sul do Gozaisho e é possivel iniciar a escalada na região do Yunoyama Onsen, de onde eu já havia iniciado minhas subidas no Gozaisho. O maior desafio era subir em uma montanha pouco movimentada e sem mapa, dependendo apenas da sinalização local. Comecei a subida as 10 horas e logo de cara acabei desviando da rota planejada e mesmo assim continuei subindo as placas que apontavam o topo da montanha. Com uma rota pouco íngreme passei por diversas cachoeiras porém se quer conseguia avistar a montanha. Depois de quase uma hora caminhando finalmente tive certeza de estar no lugar certo, avistei o belo pico e encontrei também algo que eu não desejava ver, neve. Apesar da neve no caminho a subida estava tranquila, pois o acumulo se dava somente em pequenos vales e um pouco de atenção para não escorregar ou levar um bloco na cabeça nessas partes já era suficiente. Próximo do cume a rota que eu estava se dividia em duas e uma marcava que somente montanhistas experientes deveriam segui por ali, fiquei atentado mas segui pela outra rota mesmo. Nesse caminho peguei uma pirambeira desértica de areia e rochas soltas que fizeram a temperatura subir, saindo desse trecho mata fechada ingrime e com neve dificultaram um pouco mas não impediram que eu chegasse ao cume as 11:55. O Monte Kama tem 1161 metros de altitude e mais de 700 metros de proeminência, é um verdadeiro pico com um trecho de terra bem pequeno no cume, onde possui algumas rochas e um pequeno Santuário Xintoísta. Devido a esse espaço apertado a visão do topo é fantástica podendo se visualizar boa parte dessa cordilheira. Essa foi uma subida solitária, pois não encontrei ninguém na montanha e mesmo no cume onde normalmente se encontra alguém o silêncio parecia perpétuo. Diante desse cenário, pude escolher a melhor visão para o meu lanche e desfrutar o belo sol do meio dia no fim do inverno, afinal depois de mais de 3 meses eu novamente podia ficar apenas com uma camiseta de mangas curtas. Depois de 40 minutos observando a paisagem do cume iniciei a descida com alguns escorregões e com uma coisa que estou me tornando especialista, sair da rota! Depois de um tempo caminhando já na parte baixa da montanha não tinha certeza se já havia passado ali na subida ou não, até encontrar uma torre de energia, essa eu tinha certeza de que não estava no caminho de ida. Ouvindo o barulho da água me guiei até a cachoeira e de lá segui pra baixo até encontrar uma rota de saída, o que foi razoavelmente fácil não fosse o fato de ter saído mais abaixo do lugar onde havia deixado o carro e ter de subir novamente caminhando pela pista até ele. Na volta cansado e todo suado resolvi conhecer as casas de banho do Yunoyama Onsen. As águas termais dessa região são muito populares no Japão, porém eu nunca havia ido a nenhuma e ficava meio envergonhado com o fato de ficar completamente nu com vários homens dentro de uma piscina de água quente. Tomei coragem e entrei em uma ainda receoso por ter ouvido relatos de que alguns estabelecimentos não permitem a entrada de estrangeiros. Fui super bem recebido e me explicaram direitinho como funcionava a casa. Na entrada do banho algo que eu já havia receio se comprovou, ao ver o rosto de um ocidental como eu, logo eles olham pra outra coisa que vocês sabem o que é! Não me importei com isso e procurei descansar e relaxar da melhor maneira possível, ficando totalmente satisfeito pois aquele banho me deixou zerinho novamente. As 5 montanhas restantes que me aguardem!
  18. Essa travessia ocorreu em fevereiro de 2013, mais fotos nos links do blog e facebook: http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/03/monte-fujiwara-travessia-invernal.html http://www.facebook.com/media/set/?set=a.602028183147669.150100.100000214779467&type=1&l=fcb417d63e Monte Fujiwara - Travessia Invernal Durante a grande reunião anual do Suzuka Hiking Club, ficou decido que na semana seguinte haveria uma travessia no Monte Fujiwara. Taro que seria o líder dessa travessia me perguntou se eu estava dentro, disse que ainda não sabia se participaria, ele insistiu e confesso que ainda estava com um pé atras depois do que havia passado no Monte Shyaka. Ele me tranqüilizou e disse que seria diferente, pois aquela era outra montanha e com uma rota bem diferente. O Monte Fujiwara é a primeira das 7 montanhas de Suzuka no sentido Norte/Sul, com 1144 metros de altitude no ponto mais alto, essa montanha possui um topo bem extenso com diversos picos porém sem cristas, o que no inverno torna o topo um grande maciço reluzente, atraindo milhares de montanhistas que pretendem subir montanhas nevadas porém sem grande dificuldade. No dia que antecedeu a travessia uma frente vinda do Sul trouxe muita chuva, o que chegou a ameaçar a subida, porém o tempo melhorou e recebemos a confirmação com horário e local a se encontrar. A vantagem de ter chovido é que boa parte da neve situada na parte baixa da montanha haveria derretido e isso tornaria a subida menos cansativa do que encarar neve logo na entrada da trilha, a desvantagem é que o que sobrou da neve estaria dura e escorregadia. Cheguei com antecedência no estacionamento onde parte a trilha, depois de alguns minutos percebi que poderia estar no lugar errado, como ainda não compreendo os ideogramas japoneses muito bem, muitas vezes acabo me atrapalhando, porém consultando o que estava escrito no email e no local, tive certeza de estar no lugar errado. Liguei para Taro e disse onde estava, ele me confirmou que o ponto marcado não era ali, porém que eu poderia aguardar no local pois partiríamos dali. Enquanto aguardava, encontrei outro membro do grupo que me perguntou se o local de encontro estava certo, dei a noticia que estávamos errados porém poderíamos aguardar ali, pelo menos um japonês também havia errado como eu. Depois de alguns minutos chegaram mais sete pessoas e nos juntamos a uma mulher de fora do clube que faria a sua primeira experiência. Todos prontos com suas mochilas nas costas, que alias dessa vez estava bem pesada, com os itens básicos e fogareiro, panela, crampons e ainda as raquetes de neve amarradas do lado de fora. Recebemos um mapa e orientações de Taro explicando a rota, pois com a neve dura alguém poderia escorregar e acabar se perdendo dos demais. Seriam 14 km em apenas 1 dia sendo boa parte com neve, eu achei a rota meio longa, uma vez que três participantes nunca haviam subido uma montanha nevada, porém havia um plano B. Adentramos na trilha com muita lama, a rota não apresentava dificuldades, a única coisa que torna o Monte Fujiwara severo é o fato de serem quase 1000 metros de proeminência, sem nenhum descanso, é para o alto e avante. Passados alguns minutos a maioria do grupo estava pingando suor e tiveram que eliminar camadas, eu preferi passar frio no começo a cozinhar durante a subida. Quando passamos do 6º estágio, a trilha passou a ter gelo que foi aumentando até chegarmos no 7º e ocorreram muitos escorregões. Conforme nos aproximamos do 8º estágio, a neve se tornou espessa tingindo todo o chão de branco. Fizemos uma pequena pausa para recarregar as energias e depois seguir direto para um abrigo situado no topo da montanha, onde pretendíamos fazer a nossa refeição. Seguimos por um trecho que eles chamam de rota de inverno, pois não é usada em outra época, a neve estava dura e quebradiça, o que fazia com que muitas vezes ficássemos com os pés atolados em um buraco e aumentando o risco de lesões. Quando saímos de um bosque e entramos em uma grande rampa de neve a situação melhorou, então ganhamos velocidade e rapidamente chegamos ao abrigo. O local estava lotado de gente e resolvemos retardar o almoço e seguir para o cume, calçamos as raquetes e iniciamos uma descida para depois subir outro trecho. Soraya tomou a frente e alguns o seguiram, inclusive eu, pegamos um trecho muito íngreme e com muito vento, quando estávamos na metade e exaustos ele apontou para o lado dizendo que aquela era a rota certa, ali Taro e mais dois membros do grupo subiam com tranqüilidade, sofremos um desgaste desnecessário, porém chegamos ao cume antes dos demais. No cume pudemos apreciar a belíssima paisagem de inverno, faltou uma geada, mas nem tudo é perfeito e acertar o dia com tudo perfeito é coisa rara. Os grandes vizinhos Monte Oike e Monte Ryu pareciam tão próximos que dava até vontade de seguir pra lá. Alguns minutos ali, fotos individuais, fotos com o grupo e partimos de volta para o abrigo, pois já havia gente reclamando de fome. Photo by Taro - Suzuhai Esse trecho foi o mais divertido pois a descida parecia uma pista de esqui, então todos passaram a escorregar de bunda, as mulheres mais leves e com mochilas menores obtiveram grandes performances, eu com a mochila muito pesada e aquele apetrecho gigante nos pés não obtive muito êxito, porém passados 20 minutos e lá estávamos nós de volta ao abrigo, que aliás parecia estar mais cheio ainda. Diante desta situação, resolvemos não perder mais tempo e comer ali fora mesmo, a temperatura não era muito agradável, porém o sol fazia a sensação térmica melhorar consideravelmente. O brilho solar na neve era tão intenso q mau enxergávamos as chamas do fogareiro, comemos comida quentinha, com direito a ovo cozido distribuído por Gabi e ainda uns bolinhos doce, cortesia de Choke. Ficamos ali sentados jogando conversa fora até que levantamos acampamento pois a rota inicial seria seguida. Começamos uma grande travessia até o outro lado do topo, passamos por mais dois picos até que chegamos em uma planície com uma vista privilegiada, do local pudemos avistar diversos picos nevados, alguns a centenas de quilômetros de distancia, ao Norte o Monte Ibuki e o grande Monte Haku, a leste montanhas de mais de 3000 mil metros como o Monte Ontake e os Alpes do Centro, faltou o Monte Fuji, mas eu já estava satisfeito. Iniciamos a descida pela face norte da montanha, como haviam trechos de terra a maioria de meus companheiros seguiu somente de tênis, porém uma neve extremamente dura e escorregadia anunciava o perigo em um trecho bem íngreme, foi então que Fumifumi caiu em um buraco, ao tentar sair dele acabou escorregando e seu corpo girou de cabeça para baixo começando a deslizar sem controle, disparei na direção dela e não teria obtido sucesso caso uma árvore no meio do caminho a obstruísse sem causar danos, ajudei ela a se levantar e meio grogue ela continuou a descida. Um pouco mais a frente novo contratempo, em um trecho com uma bifurcação de 2 vales, Gabi deixou sua garrafa térmica escorregar bem no caminho que não seguiríamos, eu sugeri que ela abandonasse, mas como ela queria muito aquilo eu e Choke descemos até lá pra tentar o resgate, quando já dávamos certo que não acharíamos eis que ele acabou encontrando a garrafa em um buraco junto a uma árvore, pura sorte e a partir disso o duro foi sair daquele vale já muito cansado. O sol começou a baixar e voltamos a caminhar na lama, enfrentamos trechos muito acidentados e com erosão, o que acabou retardando um pouco a descida, porém ainda com luz natural alcançamos a estrada. Caminhamos um trecho até chegar ao local onde a maioria havia deixado o carro, deixamos a carga lá e fomos tomar um café com direito a lareira e pão assado no forno a lenha, que serviu para fechar com chave de ouro esta travessia.
  19. Nando Silva

    As 48 Cachoeiras de Akame - Japão

    Mais um relato extraído do meu blog, mais imagens no link: http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2012/07/as-48-cachoeiras-de-akame.html O final do mês de janeiro se aproximava e eu estava frustrado por não poder subir montanhas por um período, afinal no ápice do inverno é quase loucura uma pessoa sozinha e inexperiente se arriscar em uma montanha de 800m que seja. Ciente dessa situação fiquei quietinho até que um colega sugeriu que eu fizesse trilha na cidade de Nabari, região montanhosa onde se encontra um parque nacional com diversas cachoeiras e uma reserva de preservação da Salamandra Gigante. Como ele havia estado no local na semana anterior me explicou que apesar de acidentada a região não possuía muitas elevações, alem de estar sem gelo e neve. Ótimo era o que eu precisava para não me arriscar muito, além do que se eu desse sorte haveria um pouco de neve para eu treinar e ganhar experiência, porém o cenário encontrado foi totalmente o oposto do imaginado. A imagem fala por si só, e fiquei tão espantado ao ver o lago congelado e quase dei meia volta. Fui caminhado até a entrada da trilha que aliás tem que pagar, e pra minha felicidade a neve cessou o sol apareceu e encontrei uma paisagem bem diferente da que vi na chegada. Na entrada recebemos um pequeno par de cordas rústicas, a indicação era para enrolar nos pés para não escorregar, agora imaginem andar mais de 8 km com isso no pé. Um tênis de inverno e um bastão de caminhada são suficientes pra encarar a camada de gelo que se forma pela trilha. O caminho tem uma beleza exuberante com diversas cascatas de varias alturas, sendo que a maior possui 30 metros. Neste dia haviam pouquíssimas pessoas no local, o que facilita as paisagens para fotógrafos que eram a maioria, em busca de cascatas congeladas que não eram muitas mas davam o ar da graça. Da metade da trilha em diante por conta da neve e do gelo em abundancia me tornei um aventureiro solitário e pude presenciar cascatas e lagos congelados que ninguém haveria de ver naquele dia pois se quer haviam pegadas na neve fofa. Na volta quis fazer aquela brincadeira que ninguém deve fazer, e agora eu tenho certeza disso, tentar caminhar sobre um lago congelado, verifiquei a parte rasa e dei 2 passos até escutar aquele barulho terrível de gelo trincando e eu ficar com os pés submersos. Os pés congelaram na hora e por muita sorte não entrou água no meu tênis e logo eles voltaram ao normal. Na saída passei para ver a área que explica um pouco sobre a Salamandra Gigante, com esqueletos, videos e aquários com os animais que aliás devem ser bem difíceis se serem vistos na natureza, pois um animal que se parece com uma rocha e vive em meio a elas é pra poucos avistarem.
  20. Nando Silva

    Monte Shyaka - O Inferno Branco

    O relato a seguir foi extraído de meu Blog, a escalada ocorreu em janeiro de 2013, mais fotos podem ser conferidas no link: http://nandosilvauptothelimit.blogspot.com/2013/02/monte-shyaka-o-inferno-branco.html Depois de uma ótima noite de sono, resultado do cansado da escalada do dia anterior, levantei bem disposto e sai para fora de casa para avaliar as condições climáticas. Uma das vantagens de viver em frente a um grande arrozal é que sem construções temos uma ampla paisagem, e a minha por sorte da de frente com as Montanhas de Suzuka. Nuvens escuras pairavam sobre as montanhas e alguns flocos de neve ainda chegavam com o forte vento, porém acima de minha cabeça o céu azul anunciava um belo dia. Consultei também as previsões do tempo via internet que indicavam um dia aberto, frio e com muito vento. Apesar de o clima em montanhas ser muito instável, com essas previsões estava claro que durante o dia não haveria nevasca. Consultei o Lord se realmente manteríamos os planos, afinal haveria muita neve por lá, ele estava doido para encarar uma montanha nevada e por isso ignorou qualquer consideração que eu fizesse. Então partimos para a montanha sem ao menos saber se conseguiríamos chegar até lá, uma vez que havia neve na pista até na cidade. Conforme fomos nos aproximando das montanhas a visibilidade melhorou e pudemos avistar diversos picos cobertos de neve desde a base, a pista estava melhor do que podíamos imaginar e sem problemas chegamos a base para começar a subir o trecho mais critico. A pista possuía apenas o espaço de um carro com pouca neve e em meio a patinadas avançamos para o nosso destino, de repente a pista acabou e tudo virou neve, por conta disso tivemos que voltar uns 100 metros para deixar o carro em um local seguro. Preparamos as mochilas e começamos a subir pela pista até a entrada da trilha, esse trecho é muito confuso, tem chalés, camping e pequenos comércios, tudo fechado durante o inverno. Uma grande placa com um mapa e uma caixa postal ao lado indicavam a entrada da trilha, porém com tanta neve ficava difícil saber pra onde seguir, Lord havia estado ali 15 dias antes com uma turma e eles acabaram errando a entrada e se perdendo, porém com a montanha naquelas condições não podíamos nos dar a esse luxo. Visualizando uma ladeira que se encontrava na minha frente disse, vamos seguir por aqui, Lord achou uma loucura mas acabou concordando, subiríamos um pouco e se não achássemos o caminho voltaríamos. Iniciamos a subida com neve até nas coxas, romper aquilo em um trecho íngreme como aquele logo nos deixou cansados, pelo caminho achamos uma construção, mas nenhuma trilha que rumasse montanha acima, começamos a descer lateralmente e acabamos voltando em nosso ponto inicial. Lord indicou que da outra vez que estivera ali eles seguiram mais para cima, então seguindo o raciocínio de que eles haviam errado a entrada sugeri que seguíssemos para baixo, descemos um pouco e lá estava a minúscula placa quase coberta de neve indicando a entrada. Seguimos com neve até o meio das canelas por uma via larga por onde passaria um caminhão, realmente haviam alguns parados mais a frente em uma obra de barragem, atravessamos um riacho e seguimos floresta a dentro. O Monte Shyaka ou Shyakagatake em japonês, tem quase 1100 metros e é dentre as 7 Montanhas de Suzuka a menos visitada, o acesso não é ruim, porém está em uma região pouco movimentada e possui poucas rotas até o cume. Na rota escolhida seguiríamos por um vale até alcançarmos uma cascata e rumar para o topo, atravessando uma crista e iniciando a descida dando a volta pelo outro lado até retornarmos ao ponto inicial. Seguindo pelo vale foi sempre aquele zig-zag e sobe e desce, romper a neve virgem que no início era divertido aos poucos foi se tornando estressante, por mais esforço que fizéssemos a subida parecia não evoluir e isso começou a me deixar desanimado. Caminhávamos as cegas por um caminho cheio de pedras e buracos, depois de mais de 2 horas conseguimos alcançar a Cascata Anza, que possui 40 metros de altura, porém parcialmente congelada não exibia toda a beleza que eu já havia constatado em fotos e vídeos. Continuamos em frente e Lord sugeriu que pegássemos um desvio que levaria para outra rota alcançando a crista, nesse momento eu já estava muito cansado, olhei para aquela subida e tomei a decisão de seguirmos direto para o cume pois já havíamos perdido muito tempo até ali. Escalamos trechos difíceis com muita neve fofa e as cordas no local nos ajudaram e muito, nesse momento ganhamos altitude rápido e já podíamos visualizar o cume, até que chegamos em um paredão. A partir daquele ponto tivemos que cramponar, enquanto estávamos sentados colocando os acessórios nos pés pensei em abortar a subida, o vento era assustador e a neve havia se tornado tipo sugar powder, comemos um onigiri, bolinho de arroz japonês, e propus ao Lord que seguíssemos ao cume e atravessássemos a crista sem parar para descansar ou comer, afinal estávamos a mais de 900 metros de altitude e uma névoa havia se formado, congelando qualquer coisa que ficasse inerte. Eu estava torcendo para que ele discordasse da minha ideia e assim seria o fim da linha, porém ele concordou e seguimos em frente. Iniciamos aquele trecho muito vertical tomando o máximo de cuidado, aquela pequena parada havia me feito bem e procurei subir em um ritmo forte para chegar logo lá em cima, porém no meio dessa subida meu gás foi novamente se esgotando e iniciando um terrível sofrimento. Naquele trecho qualquer descuido seria fatal, agarrado a uma corda olhei para baixo, Lord vinha escalando também com grande dificuldade e pude perceber que naquele momento não haveria mais volta e teríamos que nos esforçar no limite. Alcançamos o topo sabe-se lá como, creio que os Deuses da montanha deram um empurrão. Chegamos ao ponto mais alto que possui 1097 metros e atravessamos a perigosa crista até chegar no ponto que marca o cume a 1092 metros. Estávamos esgotados mas não havia como parar ali, as luvas estavam duras de gelo, o rosto também começou a formar gelo nas sobrancelhas e cílios, o que incomodava bastante, a temperatura era de -8 graus e um vento de 60 km/h, então imediatamente iniciamos a descida. Imaginávamos pegar menos neve no caminho de volta, porém continuamos atolando na neve fofa e agora ainda tínhamos o forte vento que soprava na crista desprotegida. Comecei a imaginar se teria forças para voltar e me senti como um himalaísta, os pés já não obedeciam mais, na mão direita o bastão frouxo denunciava que não servia mais de apoio nenhum, cabisbaixo começamos um trecho de descida e quando eu olho pra frente vejo um enorme pico que a esta altura parecia gigante. Lord me indicou que esse era o Monte Neko, então não haveria escapatória, teríamos que escalar ele e ainda encarar mais dois picos que viriam na sequencia. Começamos a subir e desesperado observei se não havia algum lugar para parar ao meu redor, mas não havia, então pedi para o Lord tomar a frente, ele o fez e tentou me apoiar dizendo que vencendo essa subida tudo seria mais fácil, mas infelizmente o meu corpo não respondia e assim como um bêbado chega em casa sem se lembrar como, eu cheguei ao topo dessa montanha. O sol começava a baixar e passamos a acelerar a passada na descida, mais uma subida em um pico que nem recordo o nome e continuamos descendo até alcançar o Pico Hato. Ainda faltava muito, mas ter chegado ao fim daquela crista nos dava uma sensação de vitória, até paramos e sentamos uns 2 minutos no pico rochoso, presenciar rochas sem neve parecia um alívio e o pior já havia passado, porém a iluminação natural agora era nossa inimiga. Retomamos a descida por uma canaleta que levaria a um vale, os crampons que tanto nos ajudaram agora começaram a atrapalhar, paramos para tirá-los e na sequencia não parávamos de pé. Comecei a me atirar de bunda para agilizar a descida, algo que não foi muito agradável devido ao solo rochoso e irregular. Chegamos no vale e novamente me lembrei do Himalaia, a trilha cruzava um riacho e tivemos que nos arremessar como se estivéssemos pulando uma greta, era isso ou encarar a água gelada. A trilha passou a ter pegadas humanas, provavelmente alguém passeou por ali sem adentrar a montanha, começamos a segui-las sem prestar muita atenção no caminho, até que uma hora misteriosamente as pegadas sumiram. Sem ter prestado atenção no caminho ficava difícil determinar pra onde ir, Lord indicou algumas pegadas, mas provavelmente eram de macacos, então escolhemos uma direção e continuamos descendo onde logo encontramos o caminho de saída da trilha. Já sem sol algum, minhas mãos começaram a congelar, então comecei a perceber o sentido de ser derrotado pelo frio. Você não perde para o frio somente por ter passado frio, ele nos fez não parar pra descansar, não parar para comer, fez nossas bebidas ficarem dentro da mochila para não congelar, e depois sem descansar nem comer a exaustão chega e até tirar uma garrafa de água da mochila parece ser um esforço além do possível, aí vem a desidratação, bom aí o frio já te venceu e pronto. Depois de levar alguns escorregões andando pelo asfalto congelado alcançamos nosso carro, arremessei minhas coisas no porta malas e tomei a direção, Lord ainda demorou um pouco para adentrar no veículo e quando o fez o nosso humor parecia não querer comemorar coisa alguma, estávamos exaustos, sujos e famintos, andamos um tempo em silêncio até que começamos a fazer comentários e dar algumas risadas, como conseguimos vencer aquele paredão? Acho que não tem resposta, mas tenho certeza que se fosse um exame, teríamos passado de nível. Ps.: Durante a noite eu não consegui dormir e tive um pouco de febre, o Lord ficou com febre por 3 dias e não quer ver uma montanha nevada tão cedo.
×