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  1. TORRES DEL PAINE 15 A 24 DE NOVEMBRO 2018 Vou fazer meu relato sobre o Circuito O de Torres Del Paine, na Patagônia Chilena. Foram 9 dias de trilha, sendo 8 de caminhada. Um total de 97 km, porque não fiz algumas partes, como o Mirador Britânico ou a ascensão a Base das Torres em si, por dois motivos, que vou explicar mais pra frente no relato. Eu não tinha nenhuma experiência com trilha, ou acampamento, ou viajar sozinha. Sempre fui sedentária, não sou de praticar esportes ou exercícios físicos. Então esse é um relato de uma pessoa que foi fazer o Circuito O, sem nenhuma experiência, com praticamente nenhum treino, só com a força de vontade. Se você sonha em fazer, mas tem medo ou não tem preparação, esse relato é pra você mesmo. DIA 1 HOSTEL – TORRES DEL PAINE GUARDERIA/CAMPAMENTO CENTRAL – CAMPAMENTO SERÓN Dificuldade: Média (considerada fácil para a maioria das pessoas) Distância: 13 km Saí do Hostel em que eu estava às 6h40 da manhã, com muita pressa e quase correndo, porque teria que andar 500m de pura subida (até com escadas na calçada), com minha mochila de 12.720kg e o ônibus saía da Rodoviária às 7h! Cheguei até com tempo de sobra, acho que acabei me desesperando tanto que fui mais rápido do que precisava, peguei o ônibus. Paguei 15.000 pesos chilenos, passagem de ida e volta, eu comprei as passagem dois dias antes, assim que cheguei em Puerto Natales, justamente porque sabia que o tempo seria curto, porém comprei pela Bus Sur que tem horário fixo de volta, ou seja, se eu comprei para o ônibus das 13h, não posso embarcar no ônibus das 19h e mais tarde acabei descobrindo que outras companhias dão a possibilidade de embarcar em qualquer ônibus desde que seja no mesmo dia da passagem compra, o que é uma idéia melhor, visto que imprevistos podem (E VÃO) acontecer. Embarcada no ônibus, a caminho de Torres Del Paine, a ansiedade estava a mil, no pensamento só o medo de não conseguir completar o circuito. A paisagem é maravilhosa, muito linda, com montanhas e pastos verdes, com ovelhas e guanacos que são tão fofos quanto parecem ser pelas fotos. Chegando ao Parque desci na portaria que ia começar a trilha, a Laguna Amarga. Eu já tinha compro o ingresso do Parque online, então fiquei em uma fila para fazer meu registro, apresentar o ingresso e meu documento, e pegar minha autorização e mapa para entrar. Com essa autorização, pude pegar um transfer que paguei 3.000 pesos até a entrada da trilha (é possível já ir andando desde a portaria laguna amarga, muita gente faz isso, mas eu queria evitar a fadiga) onde tem uma recepção. Tive que mostrar as reservas de acampamentos, e preencher uma ficha com alguns dados, incluindo numero de contato de emergência, só assim pude começar na trilha. Uma informação útil: é possível se conectar ao wifi nessa recepção, desde que você tenha uma conta PayPal ou cartão de crédito, você paga por hora ou minuto. Depois de todo esse processo, as 10h30min comecei oficialmente a trilha. Nos primeiros 15 minutos caminhando, já tinha uma subida (que eu considerei terrível), não deu tempo nem de esquentar o corpo e essa subida logo de cara. Comecei a subir pensando “o que eu to fazendo? Eu deveria voltar antes que seja tarde demais! Eu não vou conseguir, isso é loucura” com esses pensamentos negativos já vem as lagrimas, dois anos de planejamento, 2 anos sonhando com isso e eu já pensando em desistir antes do primeiro quilometro. Mas continuei andando, um passo na frente do outro, sempre pensando “mais um passo, só mais um passo” e parando a cada 10 minutos. Chegou a um ponto, que a subida não acabava eu parei e pensei “chega, vou voltar”, mas então olhei para trás, e p*ta merda, já tinha andando demais. Então eu continuei, o caminho é bonito, não é lindo de tirar seu fôlego, mas é bonito, tem muitas arvores, tem SIM um sobe e desce sem fim, e o dia estava meio chuvoso como era de se esperar para essa época do ano. Andei pra caramba, e quando eu pensava “to chegando” via uma placa de localização, falando que estava na metade, eu queria morrer quando isso acontecia. Então andei e andei, passei por uns vales, por subidas e descidas, todo mundo da trilha passou por mim, passei por algumas pessoas também, que passaram por mim novamente. Tem muitos rios pelo caminho, então não precisa se preocupar com carregar peso de água. Por fim, fica plaino e você começa a caminhar em um bosque, cheio de arvores e um caminho que parece acessível de carro. AH! Também vi cavalos selvagens nesse dia, eles ficam andando no caminho, tranquilamente, como se as pessoas sequer estivessem ali, simplesmente maravilhoso. Depois de andar muito, com nada maravilhosamente especial no dia (a não ser os cavalos, e o vento patagônico que te desafia), cheguei ao acampamento, as 16h30m. Gastei 6 horas para caminhar o que no mapa e na maioria dos relatos que li, são 4 horas. Mas cheguei, que alivio. O psicológico pesa muito, depois de montar minha barraca, entrei e chorei. Me senti isolada, sem saída, pensava “para eu ir embora e desistir, tenho que andar isso tudo de novo, o que eu vou fazer?” seguindo em frente, no segundo dia seriam 18km, se eu sofri pra 13, imagina pra 18! No Serón, tem banho quente, o que pulei porque estava exausta até pra isso (risos), tem um lugar para cozinhar, e não é permitido cozinhar fora dos lugares indicados. A salvação pro psicológico é encontrar pessoas para conversar quando se está no acampamento. E nesse quesito tive sorte, encontrei um grupo de brasileiros maravilhosos, que me incentivaram, e me deram uma força gigantesca psicologicamente, falando “relaxa, você vai conseguir, é só ir com calma”. Aquilo foi ouro de se ouvir, fiquei mais tranqüila e fui dormir, porque estava extremamente cansada e o dia seguinte seria longo, literalmente, já que na patagônia nessa época amanhece as 05h30min e escurece depois das 22h! Informação útil: no acampamento Serón também tem internet wifi, mesmo esquema do da recepção, pago por hora ou minutos; você faz check in, e eles meio que sabem que você vai passar lá, isso da uma sensação de segurança maravilhosa e segue por todo o percurso; eu montei minha barraca perto de uma lixeira, no outro dia vi que tinha um ratinho lá, por sorte ele não tentou invadir minha casa rsrs mas vale a atenção; a vista do Séron já é maravilhosa e SÓ FICA MELHOR A CADA DIA, SÉRIO! Vou continuar os relatos dos outros dias nos comentários. Pode demorar um tempo. Esse é meu primeiro relato, então não deve ser muito maravilhoso, mas eu quero mesmo é ajudar com informações que eu não encontrei quando estava me planejando. Qualquer dúvida que tiverem, informações que precisarem, sintam-se a vontade para me perguntar, será um prazer ajudar com o que eu puder.
  2. Introdução Planejei uma viagem de carro saindo de São Paulo, capital, com destino ao Ushuaia, saindo do Brasil por Foz do Iguaçu, porém, para evitar a Ruta 14 com medo dos policiais corruptos, entraria no Brasil novamente em São Borja/RS para chegar em Uruguaiana/RS e assim descer até Gualeguaychu pelo Uruguai. Em seguida seguir para o lado oeste e descer a Ruta 40, entrar em Torres del Paine no Chile e continuar descendo até o Ushuaia. Na bagagem: barraca Quechua Arpenaz 4.1 Fresh & Black, duas cadeiras de praia, um fogareiro Nautika ceramik, uma mesa portátil, colchão inflável de casal, um saco de dormir, um cobertor, tapete em EVA (aqueles de montar) e manta térmica para forrar o chão da barraca. Além de utensílios de cozinha, um cooler, grelha para churrasco e uma caixa de mantimentos básicos como macarrão, miojo e alguns temperos. A barraca é grande, espaçosa e bem simples de montar (são apenas 3 varetas assim como qualquer outra). No quarto cabe o colchão de casal e sobra espaço para mais um de solteiro, como não era o caso, era usado para guardar as mochilas. O fogareiro acho que foi a melhor aquisição que fiz. Achei muito bom e a lata de gás durou por uns 3 dias com a gente. Fomos com 12 latas pra lá, porque eu não sabia o quanto rendia. Sobrou bastante e de qualquer forma, a gente encontrava facilmente em supermercados por lá. Fomos em 2 pessoas, com um Peugeot 208 1.5, suspensão esportiva (mais baixa que a original), rodas aro 17 com pneus 215/45 e insulfilm g20 em todo o carro, inclusive parabrisa. (Só mencionei isso pelo fato de ainda haver dúvidas quanto ao tipo de carro que consegue fazer esse tipo de viagem). Comprei o chip da EasySIM4U para conseguir sinal de internet no celular (somente dentro das cidades tinha sinal). O caminho todo me guiei pelo Google Maps, meu carro tem a central multimídia com Android, então bastava eu compartilhar a internet do celular e tudo certo (pelo menos quando tinha sinal). Para procurar hotéis usei o Booking.com (consegui pegar bons descontos com o Genius) e para campings usei o iOverlander. Apesar de ajudar muito, o iOverlander é um pouco desatualizado, infelizmente a colaboração não é tanta no aplicativo. Existem muitas outras opções de campings no caminho que a gente acaba encontrando só depois de ter dado entrada em algum. No total foram 14.730km em 28 dias de estrada, sem nenhum perrengue ou problemas maiores. Obs: - O tempo de viagem relatado é o total do tempo do momento em que saímos de um hotel/camping até chegarmos no próximo destino. Contando as paradas na estrada. - Os gastos coloquei na moeda local, pois fica mais fácil caso alguém precise consultar em outro momento para ter uma noção melhor de custos. - A viagem inteira abasteci com gasolina/nafta super. Se quiserem me acompanhar no instagram: @fore.jpg
  3. Fizemos esta viagem, meu namorado (Manoel Comar) e eu, por conta de umas férias forçadas e pensando que por ser basicamente um trekking e como ficaríamos em camping, seria uma viagem barata (santa ingenuidade Robin). Compramos a passagem saindo de nossa cidade, São José do Rio Preto/SP à Punta Arenas e começamos a correr atrás de informações e tentar alcançar algum preparo físico para a longa caminhada. Levamos os equipamentos para camping daqui e sentimos bastante na hora de organizar a bagagem, pois 23kg cada um era um desafio e ficamos mal acostumados, pois as últimas viagens para trekking ou montanha foram feitas de carro. O lado bom de não haver chuveiro em todo o trajeto, foi levar menos trocas de roupas rs. Desta forma, conseguimos levar toda a comida liofilizada e equipamentos dentro da franquia de bagagem. Chegamos em Punta Arenas dia 16/11 e fomos procurar uma van que havíamos lido no relato que poderia nos levar até a rodoviária da cidade pra tomarmos o bus para Puerto Natales. Nosso primeiro erro. Pegamos a Van, P$ 5.000 cada um e essa van nos deixou na garagem da Bus Sur. Compramos passagem, P$ 6000 cada. Entramos no ônibus e qual não foi a nossa surpresa ao vê-lo parar no aeroporto. Ou seja, gastamos P$ 10.000 sem necessidade, se tivéssemos informação, poderíamos ter tomado o bus no aeroporto para PN. A viagem durou cerca de 3 horas e a paisagem do caminho é a típica chilena, bastante árida. Dormimos parte do caminho, mas só parte, porque depois ficou impossível, tinha um trator ligado atrás de nós, que eu tive quase certeza que era alguém da dupla Cesar Menotti e Fabiano, só num sei qual, só sei que o ronco era altíssimo. Chegamos à rodoviária de PN e fomos tirar as mochilas dos sacos de lixo (embalamos em sacos de lixo preto para não estragar nas esteiras, ou mesmo para as tiras e correias não ficarem presas). Compramos as passagens para o Parque para o dia 18/11, ida e volta para os dois ficou em P$ 30.000, a volta não precisa ser agendada, e fomos procurar o hostel, que era perto da rodoviária. Chegamos ao HostelYemel às 10:30 (Fizemos a reserva pelo booking por causa dos comentários, e foi uma excelente opção. Muito limpo, organizado, bem familiar e confortável. Além de ter um ótimo custo x benefício tratando-se da Patagônia). No hostel deixamos nossas bagagens na recepção, pois o quarto ainda não estava pronto,e fomos comer, pois estávamos sem café da manhã. Demos uma passeada pelo centro até dar a hora do almoço e fomos ao Grey Dog, recomendação da dona do hostel. A comida veio gostosa, mas pra nossa fome foi pouco rs. Para o nosso bolso de mochileiro, a conta foi alta P$ 15.000. Depois disso passeamos mais um pouco, fomos a um mercado, compramos a sobremesa e voltamos ao hostel para o soninho da tarde. Acordamos e fomos passear na orla, aproveitara luz do pôr do sol, às 21:30 . À noite voltamos ao GreyDog e comemos a melhor empanada da nossa vida (e já foram muitas). Mais P$ 18.000. Sobre os preços dos restaurantes, entendemos que a Patagônia não é barata, e para nós que viajamos de modo econômico pode parecer mais cara ainda. Só no dia seguinte percebi que gastamos R$ 180,00 em apenas duas refeições bem simples. Dia 17/11 – Acordamos e tomamos café da manhã. Achei bom pelos padrões chilenos, tinha pão, geleia, queijo e presunto, suco, iogurte e até ovos mexidos feitos na hora. Mais um ponto a favor do Yemel. Neste dia fomos passear pela cidade, saímos do começo da orla até o final, onde fica a estátua do Milodon. Neste dia estava bem nublado, então a luz não favoreceu muito as fotos, mas foi muito gostoso. Dessa vez compramos almoço no mercado, empanadas e pastéis e comemos no hostel. À tarde fomos fazer as compras para a trilha, biscoitos, pão, nutella (pão com nutella foi nosso almoço todos os dias). Bom, fizemos mercado para trilha, já compramos o jantar no mercado e jantamos no hostel. No quarto organizamos nossas mochilas e já organizamos as mochilas que ficariam guardadas no hostel (na volta do trekking também nos hospedamos no Yemel). Dia seguinte acordamos cedo, tomamos o café da manhã e fomos para rodoviária. Saímos 7:20 e chegamos por volta das 9h na portaria Laguna Amarga, descemos, pagamos a taxa de entrada (P$ 21.000 cada) assistimos o vídeo de instrução e tomamos uma van para o camping Central (P$ 3.000 por pessoa). Dia 18/11 – dia 1 - Saída Central – Camping Serón - Saímos para o Camping Serón às 10:10, começa por uma estrada normal, subindo, subindo, e depois de uma hora entramos num bosque. Nesse dia o tempo estava nublado, começou a chover, e como havia lido muito sobre o tempo imprevisível, já fiquei preocupada, colocamos a capa na minha mochila, nessa era o Manoel viu que havia esquecido a capa da mochila dele . Logo entramos em um bosque e o barulho do vento nas árvores era assustador, parecia que estávamos perto da turbina de um avião. Andamos muito nesse bosque, e o caminho era ao lado de uma cerca de arame. Saímos do bosque, andamos por um vale, com um rio, depois entramos em outro caminho arborizado. Neste caminho vimos uma placa indicando que estávamos no meio do caminho e isso deu uma animada. Segundo relatos este dia era um dos mais fáceis, mas subimos bastante e já estávamos cansando com o peso da mochila. Fazia umas duas e meia que estávamos caminhando. Nesse tempo subimos muito, mas agora já tínhamos começado a descer para o vale. Andamos bastante e entramos numa fazendo, tinha gado, e nas cercas tínhamos que subir um tipo de escada, não tinha porteira. Depois do bosque só encontramos um casal no caminho. Haviam passado outras pessoas, mas como estávamos lentos, não vimos mais ninguém. E depois da placa sobre onde estávamos, não vimos mais indicação nenhuma do Seron. Depois da fazenda andamos num estrada e depois de algum tempo notamos que não tinha mais pau laranja ou marcação em lugar nenhum, como estávamos andando há umas cinco horas, ficamos preocupados de ter passado pelo camping. Nesse momento, vimos umas fitas amarelas penduradas em uma árvore mais à frente, felizmente, pois o caminho continuava dentro de uma propriedade, encontramos uns cavalos e seguimos em frente num caminho lamacento, uma hora depois encontramos finalmente a placa do Seron. Andamos mais uns 700 m e o avistamos, às 16:20, seis horas e dez minutos depois da saída. Nem podia mais andar com a mochila. Por um momento, achamos que estávamos perdidos e também pensando, se esse era o dia fácil, imagina os difíceis. Chegamos, fizemos nosso check in. Depois que lemos a notícia no site extremos.com sobre a exigência de reservas para acampar nos campings do CONAF, já fizemos as reservas em todos os campings que ficaríamos. Fomos armar a barraca, tomar banho quente e fazer nossa comida. Neste camping tem dois banheiros com chuveiro quente, com certo espaço, pia pra lavar louça e um lugar abrigado pra cozinhar. Tem também mercado (tudo muito caro como em todos os outros campings), refúgios e refeições pra comprar. Quem pode e quer gastar, acha jeito rs. Comemos, e fomos dormir cedo, dia seguinte seria longo. Dia 2 – 19/11 –Serón ao Dickson - Neste dia não colocamos o relógio pra despertar, acordamos umas 6:30, desmontamos as barracas, tomamos o café almoço e saímos às 9h. O Seron está rodeado por uma vegetação que parece uma savana, e foi assim que continuamos para o Dickson. Eu vendo a savana só pensava no tal puma. Não tinha nenhuma intenção de encontra-lo. Vamos deixando a savana pra trás e começamos a subir, subir e eu a ficar cansada. Logo as pessoas que estavam no Serón começaram a passar pela gente. Vencida as primeiras subidas, com vista linda de lagos, rios, savanas, montanhas, tive o panorama do que nos esperava. Muitas decidas e subidas. O sol estava implacável, muito quente, e isso foi minando minha energia, e tinha que continuar subindo, subindo. Neste momento achei que esse trekking definitivamente não era pra mim. Estava totalmente sem forças, era por volta do meio dia e parava sempre pra descansar. Manoel estava melhor, seguia na frente e eu ficava feliz quando ele parava pra fotografar as flores do caminho para eu dar uma descansada. Finalmente chegamos no final desta subida e avistamos o Lago Paine, uma visão muito bonita, do lago e das montanhas. Sabíamos que depois do lago chegaríamos à Guarderia Coirón e isso significava que era metade do caminho. Comemos uns biscoitos e continuamos. Dei uma animadinha, que durou pouco. O caminho continuou por uma encosta subindo e descendo o tempo todo e quase não havia sombra e eu quase entrando em ebulição de tão quente. E o lago, que parece não tão grande no começo, nunca mais acaba, e você começa a sentir que a metade do caminho está longe rs. Precisávamos parar para almoçar, mas queria chegar ao menos no meio do caminho, ou seja, no Coirón, mas nada de Coirón. Andamos, andamos, acabou a laguna e encontramos uma matinha com um rio e paramos lá para o almoço (pão com nutella e queijo mantecoso). Creio que era perto das 14h. Neste lugar havia uma placa indicando o Coirón. Depois disso andamos mais uns 40min e encontramos a Guarderia, assinamos o nome na lista. Segundo um quadro que estava na parede, estávamos na metade do caminho e o restante seria plano. Aleluia!! O caminho agora era de novo savana, ou seja, muito sol. Um caminho muito bonito. Algumas subidas e descidas, mas bem suaves. Encontramos outra placa daqueles que dizem que faltam tantos km... Usted esta aqui. E depois do primeiro dia, comecei a desconfiar muito dessas placas. Elas abalavam meu psicológico, só pode ter sido um espírito muito fanfarrão quem colocou essas placas pelo caminho, não correspondem à realidade. Pelo menos não a nossa. O dia estava muito bonito e o sol muito forte. Como tem pouca sombra pelo caminho, ficamos muito fatigados com o calor e isso suga energias. Enfim, andamos, andamos, andamos e andamos mais e finalmente temos uma vista espetacular de um glaciar. Nessa hora encontramos o casal que havíamos encontrado indo para o Serón, depois descobrimos que eram Holandeses. Tiramos umas fotos e seguimos em frente. Depois de uns 40 minutos, olhamos à direita e vimos um “grande buraco” lindíssimo, e lá estava o camping Dickson. Parecia uma miragem de tão lindo o lugar. Lago, montanha, glaciar, a área gramada do camping, parece as imagens que vemos da Suíça rs. Mas ainda tinha um bocadito pra descer e chegar até lá. Quando chegamos, fizemos check in e fomos informados de que não tem lugar abrigado pra cozinhar, deveríamos cozinhar nas mesas que tinham pelo camping. E estava a maior ventania. Eu mal conseguia dar um passo. Fomos os últimos a chegar, eram 18:25. Depois de 18km (medida oficial) em 9h25min chegamos ao Dickson. Estava destruída e só não desisti ali, porque tive pavor de voltar por todo aquele caminho. O trecho está previsto no mapa para ser feito em 6 horas. Apesar de sermos os últimos a chegar,muitas pessoas que haviam chegado antes não chegaram tãooo antes assim. Alguns eram trekkers experientes e mesmo assim tiveram um dia difícil. Ainda reunimos forças, calçamos os chinelos e fomos até à margem do lago Dickson. Que visão maravilhosa!! E que frio rs. Ficamos apreciando a paisagem e depois voltamos para armar a barraca, tomar banho e fazer o jantar. No Dickson, tem chuveiro quente, ousei tomar um banho, mas acho que o espaço mede 80x80, não tem onde colocar nada das coisas de banho e por baixo da porta entra um vento muito frio, mas mesmo assim é quente e é banho e um luxo num dia como este. Existe pia na área externa, perto do banheiro que serve pra tudo, escovar dente, lavar as mãos, louça, o rosto. Tem mercadinho e tem um refúgio. Tomamos uns relaxantes musculares/anti-inflamatórios/morfina rs e fomos dormir. 20/11 – dia 3 – Dickson ao Los Perros – Acordamos sem despertador às 7:40. Este dia seria mais curto. E felizmente já conseguia mexer as pernas e quadris que estavam meio enrijecidos no final do dia anterior. Desmontamos tudo, tomamos café e saímos para o Los Perros. Lembra que falei em “buraco” lindo quando avistamos o Dickson? Pois é, temos que subir pra sair dele rs. Começamos a trilha subindo às 10:10. Subimos durante uns 40 min e entramos num bosque. A maior parte da trilha é dentro desta trilha, subidas e descidas não tão ruins como a primeira parte do dia anterior. Este bosque é bem úmido e o calor estava lá pra te lembrar que Torres Del Paine não é brincadeira. Paramos pra almoçar/tomar café num lugar bem agradável, na beira de um rio. Andamos muito e saímos do bosque, e chegamos a um mirante que óbvio, tinha uma vista impressionante, (também tinha uma daquela placas enganadoras, dizendo Usted esta aqui, mas que na verdade diz, você está em algum lugar no caminho e nós não sabemos quando irá chegar até o próximo camping). Andamos mais e mais no bosque e subimos um morro de sucrilhos (aquelas pedrinhas que te levam pra trás quando você dá um passo pra cima. No final dela havia um outro mirante, era o Glaciar Los Perros, super bonito. Mas a paisagem mais bonita, ao menos pra mim, veio depois. Você continua a trilha por uma nano crista, depois desce para o vale e encontra uma lagoazinha de água transparente que eu me apaixonei. Acho que compunha um cenário mais bonito com as montanhas do que o lago anterior. Enfim, andamos por umas pedras que margeava um rio e encontramos finalmente o Camping Los Perros. Eram 17:10. Ou seja, caminhamos 7 horas, o mapa dizia 4,5h. Aceitamos o fracasso e fomos montar a barraca. Afinal, como o dia só terminava às 21:30, ficávamos felizes em chegar antes do sol se por kkk. Los Perros tem guarderia, tem banho frio, tem mercadinho e tem um lugar ótimo pra cozinhar, totalmente abrigado. Tem duas pias pra lavar a mão, louça e todo o resto, dois banheiros, os dois com o vaso entupido. Neste dia teve banho de gato (lenço umedecido), jantamos e decidimos que acordaríamos bem cedo pra enfrentarmos o El Paso. No dia que chegamos no Serón, haviam várias pessoas de mais idade (mais que a gente, que somos já de alguma idade, 34 e 37 anos). Mas tinha um casal que chegou depois da gente e que tinham por volta de 60 anos e não estavam no esquema de refúgio fullboard. Levavam sua própria barraca e comida. No dia do Dickson, o senhor disse ao Manoel que estavam procurando pela gente e tals, o Manoel disse que andávamos muito devagar ele respondeu que o importante era que chegávamos ao mesmo lugar que os outros que andavam mais rápido. Disse também que a dificuldade do Paso era mito. Depois do Los Perros não os vimos mais. Eram muito fortes, andavam rápido, e como os outros gringos, não paravam tanto pra tirar fotos e ver a paisagem como a gente. Neste grupo que começou com a gente deviam ter umas 15 pessoas no regime mais econômico. Essas pessoas mais velhas que vimos no começo, não vimos no Paso, devem ter seguido direto para o Grey.
  4. Mais uma vez graças a esse site, minha trip rumo à Patagônia Argentina saiu e foi mais que perfeito. Gostaria de compartilhar minhas experiências e mostrar a vocês um pouco do que esse canto do planeta nos reserva. É simplesmente mágico. Antes de iniciar, informo que fui no verão e nisso há uma particularidade: os dias são mais longos, ou seja, temos luz até quase 20h30. E isso foi um grande diferencial para essa viagem ser aproveitada ao extremo. Mesmo sendo verão, não significa que pegamos dias extremamente quentes, portanto, como boa mochileira que se preze, usei e abusei das roupas em camadas. Tendo roupas de boa qualidade, é possível estar confortável, quente e ao mesmo tempo fresca para curtir a trip, e principalmente, leve. O que faz toda diferença de peso numa caminhada. Declathon é nosso templo!! Itens do Mochilão: 3 fleeces; Jaqueta corta vento e à prova de água; 1 calça que vira bermuda e seca rápido; 2 calças segunda pele; 6 camisetas dry fit; 3 baby look de algodão; 8 pares de meias (diversificadas entre caminhadas leves e meias para lugares de neve); Bolsa de hidratação 2L; Toalha (daquelas que secam rápido); Higiene pessoal: sabonete, shampoo, condicionador, aerosol para pés, toalha umedecida e hidratante. Sugiro colocar na mala tb Bepantol (extremamente hidratante e não deixa a pele craquelar ou sagrar por conta dos ventos frios); Necessaire com itens de primeiros socorros: aí fica a critério de suas necessidades, na verdade, levei e não usei nada, com exceção do Dorflex e o gel para dores musculares (grandes amigos diários); Touca; Luva; Bota de trekking (a minha é da Timberland Chochorua GTX); Lanterna; Protetor para orelha de fleece (grata surpresa e aliado); Protetor auricular e venda para olhos; Óculos de sol; Carregador universal (pq as tomadas argentinas são diferentes das brasileiras); Câmeras e baterias reservas; Caderno para anotações e caneta; Bastão de caminhada (melhor parceiro da viagem). Levei tb um arsenal de mix de frutas secas, barras de cereais e um fardinho de todinho para garantir os lanchinhos. Cronograma: Dia 1: São Paulo - Buenos Aires Dia 2: Buenos Aires - El Calafate Dia 3: El Calafate: Glaciar Perito Moreno + Minitrekking Dia 4: El Calafate - El Chaltén Dia 05: El Chaltén: Chorrillo del Salto (6km) + Mirador de Los Cóndores (2km) y de las Águilas (4km) = 10 km ida e volta Dia 06: El Chaltén: Laguna Capri (8km) ida e volta Dia 07: El Chaltén: Laguna Torre (18km) + Laguna Madre y Hija (8km) = 26km ida e volta Dia 08: El Chaltén: Laguna de los Tres (18km) ida e volta Dia 09: El Chaltén: Descanso Dia 10: El Chaltén: Loma del Pliegue Tumbado (24km) ida e volta Dia 11: El Chaltén - El Calafate Dia 12: El Calafate: Ríos de Hielo Dia 13: El Calafate - Torres del Paine (Chile) Full day Dia 14: El Calafate - São Paulo Apesar de ser Patagônia, o foco principal foi conhecer com tranquilidade as trilhas que El Chaltén pode oferecer. Enfim, bora começar esse relato que é o que interessa. Dia 1: São Paulo - Buenos Aires Para quem nunca foi para o aeroporto de Guarulhos de ônibus é bem tranquilo e econômico: sai um buso da estação Tatuapé direto para GRU por R$ 6,15 num trajeto de aproximadamente 50 min. Meu vôo para BA levou umas 2h30 e como o voô para El Calafate sairia no dia seguinte pela manhã, optei em ficar num hostel na capital para tomar um banho e esticar as pernocas. Me hospedei no 7030 hostel e curti. É bem localizado no bairro de Palermo e a 9km do aeroporto. Fiz esse trajeto de transporte público: comprei um cartão SUBE (equivalente ao nosso bilhete único de SP) e paguei ARG 25 pelo cartão + ARG 10 pelo trajeto. Lá eles cobram por trecho. Depois de uma caminhada por algumas quadras, finalmente cheguei. Fiquei feliz por estar movimentado com ruas e bares cheios às 23h. Admito que estava receosa em andar sozinha à noite num país desconhecido. Mas foi tranquilo. Dia 2: Buenos Aires - El Calafate - Batendo perna + Glaciarium: Logo cedo voltei ao Aeroparque e fui rumo à El Calafate para enfim a trip começar. Contratei com a empresa Vespatagonia o transfer de ida e volta http://www.vespatagonia.com.ar/ custou ARS 280 e foram muitos responsáveis com horários e prestação de serviço. Ficam dentro do próprio aeroporto no box 6. O hostel que fiquei foi o Bla. Está muito próximo da avenida principal e tudo pode ser feito à pé. Era bem limpo e organizado, mas o staff pouco informado e não muito prestativo. Aproveitei meu dia livre para conhecer o Glaciarum http://glaciarium.com/es/ que é um centro de interpretação de Glaciares. A entrada custou ARG 330 e o transporte é gratuito a partir do centro de informações turísticas. O lugar é bem tecnológico e mostra de forma dinâmica as transformações que a terra passou, como são criados os glaciares e icebergs, a importância desses gigantes no planeta e curisidades sobre seus exploradores, que nomeam as famosas cadeias de montanhas da região. Acho válida a visita, para poder olhar com olhos mais aguçados para o gigante que iria conhecer no dia seguinte. Dia 3: El Calafate - Perito Moreno + Minitrekking: Fechei esse passeio direto no hostel por ARG 3300 com minitrekking e chegando no parque foi necessário desembolsar mais ARG 500 para entrar no parque. É meus amigos, vir para essas bandas significa desembolsar muitas moedinhas, portanto, organizem-se! Uma van nos busca no hostel e nos leva para o Parque Nacional Los Glaciares onde a guia nos explica sobre sua importância, que foi criado em 1937 e quais as razões de manutenção de flora e fauna, fora a delimitação de limites com o vizinho Chile. Dá detalhes sobre o gigante Perito Moreno e tivemos tempo livre para passear pelas passarelas, comer algo e depois marcamos um ponto de encontro para irmos ao porto para fazer o minitrekking. O dia estava nublado e chuvoso, mas não tirou a magnitude e a felicidade de conhecer pessoalmente o famoso paredão azul que eu namorava por fotos há anos. A imponência desse gigante de gelo é incrível e só estando lá percebi que ele é extremamente móvel. A água que o circunda é de uma força descomunal e isso o faz se movimentar e não é raro presenciar os famosos desprendimentos. São estrondos que impõem respeito e merecerem toda a nossa atenção. No horário combinado, nosso buso saiu rumo ao porto para nos levar ao minitrekking e do barco foi possível enxergar o glaciar de outro ângulo. Por conta da força das águas, a gelereira é constantemente modificada e formam-se cavernas e túneis. Na véspera de nossa ida, tinha uma espécie de ponte de gelo formada pelos contantes desprendimentos, mas quando foi nosso dia de visita essa ponte tinha caído, por isso na foto acima tem esse imenso vão. Fomos recebidos pela empresa Hielo y Aventura que é única autorizada a operar no minitrekking. Eles dispõe de dois passeios: minitrekking e big ice. A diferença entre eles é o tempo e a distância de percurso. Como a diferença de preço era muito grande, optamos por fazer o minitrekking mesmo, mas sem arrependimentos. Foi lindo. O passeio dura 1h30 e antes de iniciar o guia explica sobre gelos e glaciares, mas eu estava bem antenada por conta da minha pré aula no Glaciarium . Em seguida somos levados para colocar os grampones nas botas para que possamos ter uma melhor aderência no gelo. PS: Óculos de sol e luvas são obrigatórios! Depois das instruções de como andar usando os grampones com segurança e aproveitar melhor a caminhada, finalmente começa o passeio. Inicialmente é meio sujo porque muita gente passa por lá, mas depois nosso guia nos leva para partes mais altas, limpas, onde é possivel ver água cristalina (pode beber, é uma delícia) e por várias formações curiosas. Para finalizar o passeio, nos levam para uma gruta formada pela geleira onde é possível tomar água geladinha e cristalina e ver de perto a força dessa água que faz esse gigante ter a fama que tem. E o fechamento com chave de ouro é uma dose de whisky com gelo glaciar. Esse dia entrou pra história. É uma delíciar fazer "check" num lugar que estava na sua lista dos sonhos. Dia 4: El Calafate - El Chaltén Nosso buso rumo à capital nacional do trekking sairia no final da tarde, portanto, aproveitamos o dia para bater perna e conhecer um pouco El Calafate. Infelizmente Pedrão estava de torneirinha aberta e o tempo bem fechado, mas não desanimamos fotos fotografar as duas placas icônicas da cidade: Gosta de história? Passe na Intendência do Parque Nacional Los Glaciares. A entrada é gratuita: Está localizado no centro comercial, prédio construído em 1946, declarado Monumento Histórico Municipal. Você pode caminhar pela propriedade circundante, através de um caminho interpretativo, identificar a flora nativa, exótica ou introduzida. Também um caminho de interpretação histórica, amostras de máquinas antigas que foram usadas quando o Parque Nacional começou a operar, um evento que a transformou na instituição pioneira para o desenvolvimento da área. DICA DE OURO!! Seguindo dicas de outros amigos que fiz nesse site e que estavam antes de mim, fiz as compras de provisões de comida para o período em El Chaltén em El Calafate por dois motivos: preço e variedade. Compramos pacotes de pães de forma para fazermos lanches nas trilhas, mais provisões para complementar nosso café da manhã e fazermos nosso jantar, já que é extremamente caro comer fora todos os dias. Infelizmente a Argentina está passando por uma recessão violenta e mesmo nosso dinheirinho valendo 6x mais, os preços são tão inflados que nossa conta saiu mais cara que num mercado em SP. Mas quem converte não se diverte, então vamos que vamos. Depois de bater mais perna e almoçar, retornamos ao hostel para os ajustes finais e esperar o horário de nosso buso. A viagem até El Chaltén durou aproximadamente 3h sem paradas. Nossa pousada nos próximos sete dias foi o hostel Cóndor de los Andes. El Chaltén é muito pequena no quesito ocupação humana, mas é nela que fica a maior parte do Parque Nacional e diferente de El Calafate não se paga para entrar em nenhuma das trilhas. Por conta de sua extensão é que recebeu o título de Capital Nacional do Trekking. O hostel é limpo, bem climatizado, mas o café deles é bem ruinzinho, então usamos nossas compras complementares para nosso café como frutas, cereais e ovos para enriquecer nossa alimentação que seria meio prejudicada, pois sabíamos que iríamos gastar muita energia. P.S.: Sugiro colocarem na lista de comidas vindas do Brasil: cereais como aveia e linhaça (por estarmos acostumadas como nosso arroz e feijão de todos os dias, a comida dos vizinhos se baseia em carne e batata, portanto, muito seco para nós). Invistam em alimentos com fibras, é sucesso e água, muita água. Café solúvel (porque infelizmente o café de lá não tem muita cafeína). A variedade de frutas é limitada, mas dá pra se virar com o que tem por lá. Alimentação é uma das bases de sucesso de uma viagem como essa. Dia 05: El Chaltén: Chorrillo del Salto (6km) + Mirador de Los Cóndores (2km) y de las Águilas (4km) = 10 km ida e volta Nossa programação de trilhas de baseou em um formato progressivo. Iniciar com as trilhas mais tranquilas, fáceis e de pouca quilometragem para depois gradativamente aumentarmos o grau de dificuldade e exigência, e foi uma escolha bem acertada. Iniciamos com a cachoeira da região chamada Chorrillo del Salto. As trilhas são bem demarcadas e emplacadas, não tem como se perder ou se sentir insegura (no caso para nós mulheres que sempre temos que ter atenção redobrada em grandes cidades ou qualquer lugar). Essa cidade foi uma grata surpresa, pois em nenhum momento, andando pelas trilhas incríveis que vivenciei, senti minha segurança abalada. Portanto, MULHERADA, SE JOGA!!! É uma caminhada plana e tranquila e encontramos muitas pessoas da terceira idade pelo caminho. Aliás, isso é muito inspirador e estimulante. Muito bacana. Esse caminho é norteado pelo Río de las vueltas. São 3km do ponto inicial e como eu disse, bem tranquilo e sussa. A cachoeira é pequena, mas é um lugar bonito. Aproveitamos a vista para fazer nosso lanchinho. Animadas com a tranquilidade do percurso e que apesar de nublado, tínhamos aí mais tempo de luz, emendamos e fomos para a outra ponta do parque rumo às duas trilhas de nível fácil: Mirador de los Cóndores y de las Águilas. Sendo a qualidade de mirantes, o percurso era em forma de subida zigue e zague com vários pontos de paradas e para os cansados, bancos para descanso. No mirador de Los Cóndores vê-se El Chaltén em sua totalidade. E tivemos a sorte de ver um Cóndor dar show. É considerada a maior ave andina com envergadura de até 3m. Mesmo com o dia bem encoberto, a beleza de cadeia de montanhas que circunda a cidade é encantadora. Estava maravilhada com o pouco que pude ver, e torcia internamente para que os próximos dias fossem mais limpos. Esses caminhos foram nosso test drive com nossos bastões de caminhada que tiveram papel determinante para o sucesso da viagem. Já que infelizmente meus joelhos já não são tão 100%, mas esse bastão é salvador. Coloquem na lista de vocês, é um investimento mais que válido. Terminamos nossas contemplações e caminhadas bem no final da tarde, quase início de noite e foi sucesso. Dia 06: El Chaltén: Laguna Capri (8km) ida e volta O tempo infelizmente fechou de vez, mas não arruinou nossos planos de bater perna por aí. Tempo chuvoso, nublado e bem cinza. Frio, muito frio. Fomos conhecer a Laguna Capri. Durante minhas pesquisas vi fotos belíssimas desse local. Mas a neblina e o tempo fechado não nos deram essa sorte. De toda maneira, achei lindo. A vista de gelos glaciares, mesclado com o verde das árvores e o cinza das montanhas. A natureza é muito sábia. Referente ao clima isso era previsto, pois em todos os relatos nos diziam sobre essas oscilações. Fizemos uma caminhada tranquila, apesar do tempo gelado. Voltamos ao hostel para secar as roupas e ficar no quentinho. Pedrão, pregando uma peça fez questão de fechar a torneirinha e deixar o céu limpissimo. Mas aí estavamos no quentinho do hostel, bateu pregui de sair. Mas tínhamos a certeza de que o próximo dia seria mara! E foi!! Dia 07: El Chaltén: Laguna Torre (18km) + Laguna Madre y Hija (8km) = 26km ida e volta Como previsto no dia anterior, o clima estava melhorando e fomos rumo à Laguna Torre: Foi nosso primeiro longo trekking. O dia estava bem nublado, mas vimos melhoras no decorrer do dia. Essa trilha é muito bonita. Começa com uma subidinha para ver El Chaltén do alto e segue por uma reta sem fim. É um descampado margeado pelo rio e protegido pelas montanhas e seus picos nevados. Depois entra-se num bosque com árvores imensas e o rio sempre margeando. Portanto, se quiserem encher suas garrafinhas, é sucesso e água geladinha advinda dos glaciares garantida. Todas as trilhas que percorremos mostram a quantidade de km percorridos, então isso dá uma noção de espaço e tempo. Os dois km finais são de subida. Mas com nosso super bastão de caminhada, foi tranquilo. Antes de subir, se quiser, rola um banheiro. Subimos seguindo os demais grupos de pessoas que estavam por lá e antes de avistar o destino, a carinha das pessoas que lá já estavam eram de total felicidade e contemplação. Ao me virar para onde todos olhavam, tive certeza que tinham razão. É bonito. Apesar da montanha Cerro Torre estar encoberta, achei maravilhoso. Normalmente as pessoas emendam essa trilha com o Mirador Maestri que estava a 4km de lá. Mas por algum motivo minha amiga e eu não vimos placas que indicavam para lá e voltamos. No meio do retorno, o tempo abriu completamente e uma plaquinha nos chamou a atenção: Laguna Madre e Hija. Estávamos procurando por ela ontem, após a Laguna Capri, mas erramos alguma parte da trilha e voltamos para o ponto inicial. O tempo tb estava muito chatinho. Mas Pedrão como é nosso amigo, fechou torneirinha e nos proporcionou essa caminhada. Estávamos numa alegria e num pique master. Caminho reto e plano, mas para nossa alegria (SQN) vieram as subidas, que subidas!!! E diferente das outras trilhas essa não mostrava quantos km tinhamos percorrido, mas a panturrilha estava dizendo que foram muitos. Enfim, terminado o suplício das subidas sem fim, caminhamos por outra parte plana e mais fechada, de repente, abriu-se e vimos água! Todo o cansaço se foi. Era perfeito! Fizemos nossa parada para agradecimento e contemplação. Não sei precisar quanto tempo passamos por lá. Só olhando, admirando, sem pensar em nada e cumprimentando todos os viajantes que por lá passavam, já que era ponto de passagem para quem iria acampar e ficar próximo da Laguna de los tres. Voltamos muito felizes com esse dia produtivo e lindo. E finalmente pudemos ver a imponência de Cerro Torre pela primeira vez em sua totalidade. O parque nacional tem muitos moradores, fomos apresentados também a um pica pau. Esse dia foi memorável. Daqueles que nem dá vontade de ir embora. Mas lembramos que um longo trajeto de volta nos esperava, então partimos rumo à cidade. Dia 08: El Chaltén: Laguna de los Tres (18km) ida e volta Decididamente a trilha mais desafiadora de todas, e sem dúvida, uma das mais bonitas. O dia não poderia ser mais perfeito. Limpo, céu azul e o famoso mirador Fitz Roy na sua totalidade. O percurso foi bem lindo e tranquilo. Muitas montanhas, bosques, água, gente legal pelo caminho. . Cada lado que você olha, dá um encantamento sem fim. Até chegar o km final. Pensamos: 1h?! De boas!!! Mas era o senhor das subidas. Terreno íngrime e instável. Não conseguia ver o final, mas estava muito motivada a chegar logo. Foi quando vi uma parte mais plana e nevada e pensei: cheguei!!! Só que as pessoas que encontrava pelo caminho me diziam ao contrário. Mas incentivavam a continuar pq estava muito perto. 1h16 de subida depois e quase fôlego, entendi o que estava tão escondido: Finalmente a encontrei Laguna de Los Tres. Tão verde mesclada com o branco da neve. Linda!!!! Esforço que valeu a pena. Essa empreitada nos custou 9h. Sendo 5h de ida e 4h de volta. MIssão cumprida. Pela primeira vez pegamos o parque à noite, então deixem em suas mochilas uma lanterna pq ajudam nessas situações. Chegando no hostel, juntamos nossas últimas energias e fomos fazer nosso delicioso jantar regado a muita cerveja pq merecemos. Superamos totalmente nossas expectativas. Dia 09: El Chaltén: Descanso Depois da empreitada do dia anterior, decidimos tirar o dia de hoje para fazer absolutamente nada e dar ao corpo o descanso merecido. Coincidentemente o tempo virou e conhecemos os famosos ventos Patagônicos. Realmente são muito fortes e impossível fazer trilhas com eles porque desestabilizam qualquer pessoa. Dormimos até mais tarde, comemos com calma e ficamos só observando esse vento varrer tudo que vinha pelo caminho. Quando deu uma trégua, pela primeira vez fomos almoçar fora e nos demos de presente um bom churrasco e cerveja artesanal. Foi bem tranquilo e aproveitamos o dia livre para comprar nossas passagens de volta para El Calafate e fazer nossas últimas compras de mercado. Fizemos uma parada numa agência de viagens para tirar dúvidas e o dono muito prestativo nos brindou com uma boa conversa e aulas sobre diversos assuntos e tinha um programa mara que mostrava a quantidade de ventos da região e nos deu a boa notícia que o dia seguinte seria limpo, sem ventos e perfeito para um trekking e nos fez uma sugestão. Ansiosas para a chegada do dia seguinte e que a profecia do senhor da agência estivesse correta, fecharíamos El Chaltén em grande estilo. Esse day off foi essencial, necessário e produtivo. Dia 10: El Chaltén: Loma del Pliegue Tumbado (24km) ida e volta Corpo descansado e mega animada, corro para janela e tenho a seguinte visão: Era muito cedo e o sol já estava iluminando nossas queridas montanhas e a dúvida seguinte era: e os ventos?! Ficaram pra trás!! Portanto, seguindo a sugestão do dono da agência, fomos para a trilha de maior km da viagem: 24km ida e volta com uma visão 360º dos principais pontos de El Chaltén. É possível isso, produção? Vamos lá ver então com nossos próprios olhos. Antes de começar nossa empreitada, fizemos nossas provisões e alongamentos diários porque Laguna de los Tres tinha deixado nossas pernocas bem fadigadas. A entrada dessa trilha é a mesma dos miradores que fomos no primeiro dia, mas agora seguiríamos sentido contrário. Esse mirante tem uma altura de mais de 1400 metros, portanto, bora subir. Mas não há subidas íngremes pelo caminho. Aos poucos você El Chaltén se distanciando e se depara com um lindo bosque. Por conta do clima e dos ventos do dia anterior, esse bosque estava todo nevado. Muito legal. Terminado esse bosque vemos uma coisa maravilhosa e parecemos duas crianças: O mirante Loma del Pliegue Tumbado. Neve por todo canto e as montanhas em sua totalidade e céu perfeitamente limpo. Mas esse não é o fim do passeio. Afinal, a cereja do bolo é lá do alto. Tínhamos mais um tanto para caminhar. Nunca experimentamos neve na vida e foi tudo novidade e muito legal. Desse ponto até o final seriam 2km de caminhada. Os bastões foram grandes aliados, pois, apesar da neve fofa, haviam muitos pontos de gelo escorregadio e eles os deram firmeza para seguir a subida sem levar um capote, mas não nos livrou dos escorregões...rs. Esse foi o ligar que mais passei frio. Apesar da bota ser impermeável, ela não é feita pra neve, então, o frio entrava nos meu pés, isso me deixou meio desconfortável. Mas não desanimada. Corre que esquenta!! Finalmente chegamos: Que sensação, meus amigos!! Que beleza!! Vê-se a Laguna Torre de um ângulo lindo: Também é possível der o Lago Viedma: E o Río de la vueltas: Decididamente o lugar mais lindo de todas as trilhas que fizemos. Você olha pra todos os cantos e desacredita que chegou tão longe e não tem o que fazer senão agradecer, agradecer sempre pelas oportunidades que nos são dadas. Não sei por quanto tempo ficamos. Achamos um local abrigado do vento (que não era pouco), comemos e depois fizemos nosso caminho de volta com nossos melhores sorrisos: E na volta como passe de mágica, a neve tinha se desfeito. É impossível não ficar completamente apaixonada pelas montanhas que circundam o caminho. Tiramos muitas fotos, mas parece pouco. Elas são lindas demais. Não é à toa que essa cidade é a Capital Nacional do Trekking. Sabe receber muito bem viajantes de todas as partes do mundo com uma generosidade sem fim. Realmente um local que todo mochileiro se sente em casa e bem. Tudo isso foi possível por preparo no planejamento de roteiro e um preparo físico que nos foi cobrado e fizemos com louvor e não tivemos desistência em nenhuma das trilhas e nenhum acidente. Estávamos bem amparadas: Nossa última noite em El Chaltén foi nos esbaldar no happy hour com double beer e muitas empanadas para comemorar nosso feito. Cheers! Obrigada por nos proporcionar todas essas experiências, El Chaltén. Dia 11: El Chaltén - El Calafate Deixamos com muita alegria El Chaltén para fazermos a parte final de nossa viagem. Retornamos a El Calafate e tivemos um final de dia tranquilo. Nossa última hospedagem foi o America Del Sur Hostel. Definitivamente o hostel mais bonito que fiquei. Tem um deck de madeira gracinha com vista para o lago argentino e é muito arborizado e tem o melhor café da manhã ever. A galera é muito animada e toda noite tem uma temática diferente: noite da pizza, noite do churrasco, ladies night, open bar, música boa, gente bonita. Nossa última noite livre foi de caminhar tranquilamente pela orla do lago e ver o pôr do sol e conversar com as pessoas que por lá estavam. Afinal, seria a última oportunidade de contemplação plena. Os dois dias seguintes seriam de uma maneira que nos desacostumamos, mas que iríamos fazer já que estávamos tão longe: passeios estilo turistão. Daqueles que você não faz esforço de nada a não ser de estar pronto para te pegarem e te levarem de volta. Vejamos como será. Dia 12: El Calafate: Ríos de Hielo Fechamos diretamente no hostel esse passeio que custa umas boas moedas: ARG 2400 + 500 de entrada para o parque. Nós brasileiros, nunca ousaríamos pagar isso num passeio aqui no Brasil, mas quando estamos longe, fazemos cada coisa. Esse passeio consiste num passeio de barco pelo braço direito do Lago Argentino e conhecer os maiores glaciares do Parque Nacional: Spegazzini e Upsala. Disseram que há anos atrás também contemplava Perito Moreno, mas como mudou de operadora, ele hoje está fora do roteiro. É um passeio que começa bem cedo. Por volta das 7h passam no hostel para pegar o pessoal e levar até o Porto Bandeira A embarcação tem dois andares climatizados e com bancos muito confortáveis. Lá tem cafeteria e lanchonete, mas como tudo é muito caro, sugiro levar seu lanchinho e ser feliz. Para que não quer se preocupar, é só sentar e ver o passeio, mas como somos curiosas, ficamos no frio do lado de fora para ver melhor esses gigantes. A primeira parada é no glaciar Upsala: Apesar o dia cinza, a cor azul é muito prediminante e sua altura impressiona: pode ultrapassar 100 metros de altura. Em seguida entramos no braço Spegazzini e conhecemos o glaciar de mesmo nome, prestem atenção na proporção barco x altura do glaciar: E por fim o glaciar Seco: Às 15h o passeio retorna ao Porto Bandeira. Dia 13: El Calafate - Torres del Paine (Chile) Full day Durante as pesquisas de roteiros para essa viagem, apareceu em um dos posts sobre o parque do país vizinho: Torres del Paine. Fiquei encantadíssma, mas lendo os relatos para se fazer alguns dos circuitos de lá eu precisaria dispor de pelo menos quatro dias. Como priorizamos El Chaltén, infelizmente nos sobrou fazer o full day que eles oferecerem. Se me perguntarem se gostei, não vou dizer que não. Mas por ser um passeio estritamentente de ônibus com aquelas paradas de 10 minutos para ver, tirar foto correndo e sair, eu achei ruim. Quando se pega gosto por fazer coisas dentro do seu tempo e à sua maneira, fica meio difícil voltar a se encaixar nesses moldes turísticos. Falando sobre esse full day, o passeio também foi fechado no hostel por ARG 2700 e a entrada no parque era em peso chileno (não aceitam dólares e nenhuma outra moeda). A entrada custa CPL 6000. Como é uma longa viagem, eles nos buscam no hostel cedo: 5h30. Para quem não tem peso chileno, não se preocupe: eles têm um ponto de parada antes do parque onde você pode trocar dinheiro pelo valor que eles querem Mas se você não tem o raio do dinheiro deles, de nada adianta, você não entra no parque. Mas que me senti assaltada, ah, isso me senti. Então fica outra dica: se forem fazer esse passeio já levem o peso chileno daqui. O câmbio certamente será melhor. O ônibus é bem estilo turístico mesmo com um guia falando num microfone que não dava pra entender direito por conta da interferência. Logo na entrada do parque é possível se avistar de longe e com bom zoom o maciço das famosas Torres del Paine: O primeiro ponto de parada foi de frente com o Lago Sarmiento: Corre que vocês têm 15 min para fotos!! Em seguida o ônibus sobe e para no mirante Torres del Paine: E também avistamos muitos Guanacos de boas na paisagem: Ai o guia disse que desceríamos e faríamos uma trilha. Olhinhos brilharam! Finalmente uma caminhada por algum lugar. Mas para nossa tristeza era um percurso de 15 min por um caminho plano, mas do nada veio uma ventania que não deixava ninguém em pé. Resultado: tivemos que ficar sentados para não sermos levados Com a mesma rapidez que a ventania chegou, ela se foi. E então pudemos ficar em pé novamente, nossa caminhada miou e o nosso guia logo nos indicou o local onde almoçaríamos (incluso no valor do passeio com entrada + prato principal + bebida + sobremesa). Muito bonita a vista até lá com margem com Lago Pehoé: Terminado o almoço era hora de voltar para El Calafate. Chegamos no hostel depois das 23h esgotadas. Por ser final de trip as energias já estavam quase no fim, mas foi uma experiência muito boa. Mas agora revendo essa história, creio que aproveitaria muito mais dedicando dias completos e conhecer melhor esse vizinho e suas belezas. O full day dá pinceladas, mas não nos dá a oportunidade de aproveitar nada, já que todo o tempo é cronometrado. Agora é dormir, porque voltamos para casa amanhã. Considerações finais: A Patagônia é um lugar mágico e mostra o que melhor que nós temos. Nossa força, generosidade, curiosidade, amizade e a capacidade diária de aprender e ensinar algo. E, acima de tudo, a troca com os demais viajantes. Portanto, espero ter colaborado um pouco para as pessoas que colocaram esse destino em sua lista de desejos, e, qualquer dúvida, estou à disposição. Tenho as planilhas de organização e custos, caso desejem para nortearem seus planejamentos.
  5. E aí, tudo bem Estou terminando de organizar minha viagem e preciso de algumas dicas... Meu voo de ida chega em Buenos Aires dia 19.01.19 (onde já tenho reservado no HOSTAL MILLHOUSE AVENUE até dia 22.01.19) e meu voo de volta sai de Ushuaia dia 23.02.19; concluindo assim 36 dias de roteiro. Meu segundo destino depois de BNA é Bariloche (vou de ônibus, empresa: VIA BARILOCHE). A partir de Bariloche a ideia é ir para el Bolsón, el Calafate-el Chaltén, Puerto Natales (parque Torres del Paine), e por fim, Ushuaia. Pretendo fazer todos esses trajetos de bus...  Minhas duvidas são em relação da quantidade de dias que reservo para cada cidade... Pensei da seguinte maneira: BUENOS AIRES: 3-5 dias BARILOCHE: 4 dias (até pensei em ficar mais, mas devido ao preço da cidade não sei se convêm) EL BOLSON: 4 dias EL CALAFATE: 3 dias EL CHALTEN: 5 dias PUERTO NATALES (P.TOR.PAINE): 6 dias USHUAIA: 5-7 dias. *Outras duvidas: 1.devo agregar no trajeto: Villa la Angostura??... vi que tem bastante coisa legal por lá. 2. de el Calafate vou para Puerto Natales, onde o objetivo é fazer o Parque Torres del Paine, acho que vou acabar optando pelo W, alguém tem alguma dica sobre?? 3. posterior ao Parque Torres del Paine, tenho que voltar para el Calafate pra descer até Ushuaia, trajeto que pretendo fazer de ônibus, vi que tenho que ir primeiro para Rio Gallegos... seria interessante reservar 1-2 dias para conhecer está cidade? ou melhor sigo direto para Ushuaia? 4. en el Calafate, no glaciar Perito Moreno... minitrekking vs. big ice... já li tanto sobre isso que ainda não consegui decidir... alguém que fez, tendo em conta os valores, vale a pena o Big Ice? 5. el Chaltén, pode fazer camping no Fitz Roy?? 6. Estendo para 5 dias em Buenos Aires antes de descer para Bariloche, ou 3 já está de bom tamanho?? quero conhecer Tigre tb...  Desde já muito obrigado galera
  6. Pessoal, boa noite pra todos vocês!! Nesse tópico pretendo falar sobre a minha viagem para Torres del Paine para fazer o Circuito W. Estou fazendo isso porque senti um pouco de dificuldade para pesquisar mais sobre o tema na internet e pretendo ajudar os próximos mochileiros que forem para lá. Falarei sobre roupa, alimentação, clima, roteiro e dicas em geral. Bom, primeiramente eu fiz a rota com dois amigos. Depois de reservar a passagem aérea, apenas para estabelecer a data que iríamos, passamos a comprar os equipamentos e roupas necessárias para fazer a Rota W. Foram vaaarias idas a Decathlon para comprar tudo que precisávamos. Muitas pessoas falam que os itens da decathlon, quechua, não são taaao bons (e realmente não dá para comparar com marcas como North Face), mas a quechua e demais marcas da decathlon são ótimas para essa viagem, não tive problema nenhum com as coisas que eu comprei. Então recomendo que vocês passem lá para comprar as coisas. Nessas idas e vindas nas lojas, comprei tudo e fui, basicamente, com os seguintes itens: Roupas: - Jaqueta impermeável - Blusa estilo fleece (mais usada da viagem) - 3 camisetas básicas estilo Dri-Fit - Camiseta segunda pele - Calça segunda pele - Calça com secagem rápida - Calça de moletom (para dormir) - Bota (um dos itens mais importantes) - Meias normais e meias para trekking Equipamentos: - Mochila de 50 L - Mochila de ataque de 10 L - Barraca - Fiquei com muita dúvida nesse item, então vamos lá: Fui com uma da Quechua, "Quik Hiker 2", pq na descrição da barraca estava que ela aguentava ventos de até 70km/h, e realmente aguentou bastante vento. Um outro amigo foi com uma da Náutica, "Cherokee", mas no primeiro dia, que pegamos muito vento, a barraca parecia que não ia aguentar. No final, deu tudo certo, a barraca conseguiu sobreviver aos 4 dias. - Saco de dormir - Isolante térmico - como não queria despachar minha mala e não tinha mais espaço dentro, aluguei no próprio hostel que fiquei, "Carfran Hostel". Custou 4 mil pesos, tranquilo. - Capa de chuva para a mochila - Lanterna - Fogareiro e panela - alugamos no hostel - Bastão para caminhada - Algumas pessoas vieram me perguntar se não era frescura usar isso, mas digo que vale a pena cada real pago. Lógico que vc vai conseguir terminar a trilha sem um bastão de caminhada, mas ele te ajuda muito nos trajetos. Comida: Neste tópico fomos muito mal planejados. Como era a primeira viagem nossa desse estilo, não tinhamos noção nenhuma de nada, então compramos varios chocolates, bolachas, café em pó, alguns miojos e algumas comidas instantâneas que o hostel vendia. Durante a viagem, vimos que não ia dar certo e compramos um pão e algumas latas de atum. Bom, pode ser que eu tenha esquecido alguma coisa, mas aó estão pelo menos as coisas essenciais. Enfim, vamos a viagem. Saímos de São Paulo de avião com destino a Santiago (4 horas). De lá, pegamos um outro voo para Punta Arenas (4 horas). Já no aeroporto de Punta Arenas pegamos um ônibus para Puerto Natales. Dica: O ônibus para Puerto Natales para na frente do aeroporto, é só perguntar que te falam onde eles passam exatamente. Não caiam em histórias de taxistas que queiram te levar até a rodoviária de punta arenas ou coisa do tipo, pq é realmente muito tranquilo pegar esse ônibus. É praticamente falar que vai pra Puerto Natales, jogar sua mala na parte debaixo do ônibus e pagar a passagem durante o trajeto (8 mil pesos). Enfim, chegamos em Puerto Natales, uma cidade bem tranquila, com uma vista muito bonita. O lago que beira a cidade é realmente muito bonito. Da rodoviária pegamos um taxi até o hostel (acho que qualquer taxi ali dentro da cidade sai 2 mil pesos). O Hostel ficava ali perto e era tranquilo, o pessoal era receptivo e nos deu várias dicas. No dia seguinte fomos para a rodoviárria e pegamos um ônibus para Torres del Paine. Acho que era 8 mil pesos, mas não tenho certeza. Sobre horário, tinha saídas às 7h30 e as 14h30. Pegamos o das 14h30. 1º Dia - Chegada no Parque: Pegamos o ônibus e fomos até a entrada do Parque. Lá, apresentamos o comprovante de pagamento da entrada (compramos pela internet), e preenchemos um formulário simples. Depois, voltamos para o nosso ônibus e continuamos até Laguna Amarga. Fizemos isso porque o nosso trajeto era fazer o W invertido. Tem muita discussão aí nos blogs e tal sobre como fazer o W. Fazer invertido ou não, deixar as torres pro final ou começar por elas. Bom, na minha humilde opinião, fez muito mais sentido, e consegui comprovar isso durante a viagem, fazer o W invertido. As Torres são a cereja do bolo, e você caminha em direção a elas, e não para o lado contrário. Não sei, mas no penúltimo dia, o mais sofrido de caminhada, foi importante caminhar olhando para os cuernos e depois para as torres. Quando você visualiza o objetivo parece que te dá mais energia. Enfim, voltando. Pegamos o ônibus até a Laguna Amarga e de lá pegamos o Catamarã. O preço foi de 18 mil pesos, pq no nosso caso era só a ida (voltaríamos no final do W, de transfer). O Catamarã é pago no final da viagem. Uma das vistas mais bonitas é essa do Catamarã. Ele vai se afastando e, quando vc olha pra trás, o horizonte está cheio de monstanhas e tal. Bonito demais. No final da viagem, descemos no primeiro refúgio, Paine Grande. Esse Refúgio é privasdo, então pagamos 10 dólares pelo camping (como ficamos dois dias, pagamos 20 doletas). Chegando lá fizemos check-in e procuramos um lugar para montar a barraca. O vento estava muuuito forte nesse dia, então nós 3 montamos uma barraca por vez, e mesmo assim foi difícil. Qualquer levantada na barraca o vento levava. No final conseguimos. Nesse primeiro dia nos habituamos com o lugar, tomamos um banho e tomamos um vinho que havíamos levado. Descobrimos que pode fumar lá. Apesar de eles serem bem rigorosos com fogo, descobrimos que era permitido fumar em alguns refúgios. Depois disso, fomos dormir. 2º Dia - Glaciar Grey: Acordamos cedo, por volta das 8h e saímos em direção ao Refúgio Grey, apenas com a mochila de ataque com uma agua e jaqueta impermeavel dentro. Para quem fica com medo da trilha, pode ficar seguro pq ela é bem demarcada, em quase todos os lugares do parque. A caminhada foi bem tranquila para nos acostumarmos com o trekking e tal. No entanto, fomos apenas ao mirador. A paisagem é sensacional, absurdamente bonito. Como era nosso primeiro dia, voltamos para Paine Grande e não fomos até o Refúgio Grey. Minha intenção era ir, mas depois de um consenso entre nós 3, decidimos que os outros dias seriam bem pesados e guardamos um pouco de energia. Voltando para o Paine Grande, tomamos o resto do vinho que havia sobreado da noite anterior, conversamos com uns gringos que estavam lá e fomos dormir. 3º Dia - Mirador Francês e Britânico: Esse dia foi um pouco pesado, já que teríamos que caminhar com a mochila cargueira de 50L. Acordamos bem cedo, desmontamos nossa barraca, colocamos tudo na mochila e seguimos até o camping Italiano. Após algumas horas de caminhada chegamos no Italiano e nos deparamos com um camping totalmente diferente de Paine Grande. Por ser gratuito, o Italiano é bem basico. Uma casinha para fazer o check in, banheiros atrás (sinceramente, inutilizaveis), não tem água, e outra casinha para refeição. Entre tudo isso, tem um espaço para as barracas. Chegamos no Italiano, fizemos o check in, largamos nossas mochilas cargueiras, pegamos a de ataque e subimos em direção ao mirador francês e depois britânico. Sinceramente, apesar do parque levar o nome das torres e elas serem consideradas a principal atração, eu arrisco dizer que a paisagem nesse dia foi a mais bonita para mim. Já no começo da caminhada entre o camping e o mirador Francês vc já vai observando uma montanha gigante no seu caminho. Chegando no mirador Francês, a vista é surreal: uma montanha gigante na sua frente, repleta de neve, com algumas avalanches acontecendo. É indescritível aquele lugar. Após algumas fotos, continuamos a subir em direção ao britânico. A caminhada é pesada, apesar de estar com a mochila pequena, pois é apenas subida. Se eu não me engano, o camping italiano está a 270 metros de altitude, e o britânico está a 970. Apesar dessa subida, a vista continua incrível. No britânico estamos rodeados por montanhas, então vc tem uma visão panorâmica com diversas montanhas ao redor. É realmente incrível. Nessa caminhada, é preciso tomar cuidado com o horário. Chegamos lá 16h45, e fomos avisados por um guia que estava no caminho que o britânico fechava às 17h. Apesar disso, ficamos apreciando a vista tranquilamente até umas 17h20 e depois descemos. Algumas pessoas ainda estavam subindo,então imagino que tenha uma "margem de erro" nesse horário. Outra coisa que é preciso atenção é a trilha. É difícil se perder completamente ali, mas como a trilha é no meio da floresta, com muitas árvores, é preciso prestar atenção na sinalização. A sinalização que eu digo são estacas de madeira, com uma ponta laranja (nós apelidamos eles de Marlborinho, já que parece um cigarro haha). Eles que indicam que caminho seguir. Algumas vezes, a indicação do caminho está nas árvores. essas manchas laranjas são colocadas nos troncos de árvores ou em fitas penduradas em galhos. Enfim, sempre fiquem atentos a qualquer coisa colorida, pois esse é o caminho a seguir. Chegando no Italiano, montamos nossas barracas e dormimos. 4º Dia - 11 horas de caminhada: Esse foi o "pior" dia da viagem. Saímos do Camping Italiano às 10h30 (saímos tarde) e chegamos no nosso destino, Camping Central, 21h30. Foram 11 horas na caminhada com a mochila cargueira. Sem dúvida foi o dia que nós mais andamos com a mochila pesada nas costas. O caminho, desde o italiano, passa pelo camping frânces (que fica perto do italiano), e pelo camping los cuernos, antes de chegar ao central. Nós passmos pelo francês e paramos no Los Cuernos para comer. Esse refúgio parece ser bem interessante. Para quem não está afim de ficar no Italiano, que é basicão, talvez seja uma boa trocar. O caminho para o camping Central é sensacional. Passamos por um lago e sentamos um pouco para descansar, colocar o pé na água (extremamente gelada) e dar uma revigorada. A vista desse lago é sensacional. Bom, acho que não tenho muito para falar sobre esse dia. O caminho é sensacional, com paisagens absurdamente bonitas. No entanto, foi a caminhada mais longa da viagem. No fim, conseguimos chegar no camping Centrla, fazer o checkin e montar nossas barracas. Jantamos no restaurante que tem no refúgio e fomos dormir. 5º Dia - Las Torres: Finalmente, a cereja do bolo. As Torres. Nesse dia, acordamos e saímos em direção as torres por volta das 10h. No dia anterior, quando chegamos no camping, perguntamos sobre o clima do dia seguinte e se conseguiriamos ver o nascer do sol nas torres. Infelizmente, nos disseram que o tempo estaria fechado, então nao valeria a pena subir de madrugada. Assim, dormimos umas horas a mais e subimos em direção as torres. Perguntando no caminho, antes de realmente começar a subir, alguns viajantes falavam que dava pra subir em 3 horas e descer em 2 horas das torres, então estávamos tranquilos achando que seria bem mais fácil, que o pior já tinha passado. Para tristeza das nossas pernas, não foi bem assim. Nós não temos preparo de atleta, mas a subida é exaustiva. É MUITA subida logo no começo, e parece que não para. Pelo caminho, passamos pelo camping chileno, outro lugar que parecia interessante. Nessa trilha, não pegamos muito vento, mas é preciso muito cuidado, já que a trilha passa por umas encostas, e como é feita por pedra pequena, não é dificil escorregar. Esse aviso é apenas por precaução, pois a trilha me pareceu segura. Chegando nas torres, mais uma imagem surreal: O lago gigante que acaba na base das torres, e as torres gigantescas, la no fundo. É uma vista inexplicável, nenhuma foto que você procurar na internet vai conseguir demonstrar a real beleza daquele lugar. Depois de passar uns 40 minutos lá em cima, apreciando a vista, começamos a descida. Como um dos meus amigos começou a sentir a perna por causa do cansaço, fomos mais devagar. Enfim, chegamos no camping às 18h. Daí começou a correria: o nosso onibus, que tinhamos comprado ida e volta em puerto natales, ia sair as 19h30 da portaria do parque. Do camping central até a entrada do parque teriamos que pegar um transfer, que saía 18h30. Como chegamos as 18h, desmontamos a barraca e saimos correndo com nossas mochilas e algumas outras coisas na mão até o lugar do transfer, que fica atrás do refúgio. Apesar da correria, conseguimos pegar o transfer das 18h30, e chegamos na portaria tranquilamente. No final, descobrimos que nosso onibus estavam saindo 20h, acho que para esperar o transfer das 19h. Corremos a toa, mas no final foi tudo certo. Depois disso, pegamos nosso onibus para Puerto Natales (que quebrou no caminho, mas tudo bem, pq um outro onibus, de outra companhia, levou a gente hahaha) e ficamos mais uma noite no hostel antes de voltar. Pessoal, acho que é isso. Esse é o meu primeiro relato, desculpe se ficou confuso ou deixei de falar alguma coisa, mas escrevi para ajudar quem quer saber mais ou menos o que esperar dessa viagem surreal que é Torres del Paine. Qualquer dúvida que vcs ficarem em relação ao texto podem perguntar que eu respondo. Abraço. Vista do Catamarã, no início da trip. Vista do Camping Paine Grande. Vista do Glaciar Grey. Camping Italiano. Começo da subida para o Mirador Francês. Las Torres. Caminhada puxada na volta das Torres.
  7. Ana Carla de Sousa

    DICAS Patagônia, por favor!

    Amigos mochileiros, olá! Viajo neste fim de semana e aceito todas as sugestões de bons HOSTELS e AGÊNCIAS DE TURISMO em El Calafate, Ushuaia e El Chalten. Queria saber se alguém já partiu de algum desses três locais para PUERTO MADRYN e como foi o trajeto, eu gostaria muito de tentar, mas não faço ideia de por onde começar... Se alguém tiver feito o passeio "bate volta" para TORRES DEL PAINE, que sai de El Calafate, por favor, compartilhe a experiência!!! Valeu..
  8. matheusinacioca

    Help com roteiro: BNA + patagonia jan,fev2019

    E aí, tudo bem Estou terminando de organizar minha viagem e preciso de algumas dicas... Meu voo de ida chega em Buenos Aires dia 19.01.19 (onde já tenho reservado no HOSTAL MILLHOUSE AVENUE até dia 22.01.19) e meu voo de volta sai de Ushuaia dia 23.02.19; concluindo assim 36 dias de roteiro. Meu segundo destino depois de BNA é Bariloche (vou de ônibus, empresa: VIA BARILOCHE). A partir de Bariloche a ideia é ir para el Bolsón, el Calafate-el Chaltén, Puerto Natales (parque Torres del Paine), e por fim, Ushuaia. Pretendo fazer todos esses trajetos de bus... Minhas duvidas são em relação da quantidade de dias que reservo para cada cidade... Pensei da seguinte maneira: BUENOS AIRES: 3-5 dias BARILOCHE: 4 dias (até pensei em ficar mais, mas devido ao preço da cidade não sei se convêm) EL BOLSON: 4 dias EL CALAFATE: 3 dias EL CHALTEN: 5 dias PUERTO NATALES (P.TOR.PAINE): 6 dias USHUAIA: 5-7 dias. *Outras duvidas: 1.devo agregar no trajeto: Villa la Angostura??... vi que tem bastante coisa legal por lá. 2. de el Calafate vou para Puerto Natales, onde o objetivo é fazer o Parque Torres del Paine, acho que vou acabar optando pelo W, alguém tem alguma dica sobre?? 3. posterior ao Parque Torres del Paine, tenho que voltar para el Calafate pra descer até Ushuaia, trajeto que pretendo fazer de ônibus, vi que tenho que ir primeiro para Rio Gallegos... seria interessante reservar 1-2 dias para conhecer está cidade? ou melhor sigo direto para Ushuaia? 4. en el Calafate, no glaciar Perito Moreno... minitrekking vs. big ice... já li tanto sobre isso que ainda não consegui decidir... alguém que fez, tendo em conta os valores, vale a pena o Big Ice? 5. el Chaltén, pode fazer camping no Fitz Roy?? 6. Estendo para 5 dias em Buenos Aires antes de descer para Bariloche, ou 3 já está de bom tamanho?? quero conhecer Tigre tb... Desde já muito obrigado galera
  9. Gosto muito de escrever relatos de viagem (tenho alguns aqui no Mochileiros), mas como já há muitos relatos excelentes aqui e em outros sites, pretendo focar mais em dicas que não são apresentadas geralmente nesses relatos. Todas as dicas são baseadas nas minha experiências pessoais na Patagônia no período de 1 a 18 de dezembro de 2017, passando por Punta Arenas - Puerto Natales - Torres del Paine - El Calafate / Perito Moreno - El Chatén - El Calafate - Rio Gallegos - Punta Arenas. Envolverão questões relativas a planejamento de passeios, deslocamentos, compras de equipamentos, gastos durante a viagem, câmbio de moedas e outros. Espero que elas ajudem bastante no planejamento e na execução com sucesso de sua viagem. Caso queira um roteiro básico ou um mini relato da minha viagem, segue ele aqui em pdf: Viagem realizada - Patagônia.pdf DEFINIÇÃO DE ROTEIRO BÁSICO - A definição do seu roteiro vai depender da quantidade de dias que você terá na região e das suas prioridades (desafios, conhecer apenas os locais principais, conforto etc). Como é possível ver no roteiro acima, fiquei 18 dias na região e o meu roteiro incluiu: circuito O de Torres del Paine, ida ao Perito Moreno e 5 dias completos em El Chatén. Nessa quantidade de dias, eu não alteraria em nada a quantidade de dias definida para cada localidade. Agora se você tiver mais tempo, dá pra esticar pro Ushuaia ao sul ou para as Catedrais de Mármore e região de Aysén ao norte. - Se for fazer o circuito W ou o O (informações sobre os circuitos mais abaixo) ou se for pernoitar em qualquer lugar de Torres del Paine, programe a sua viagem com o máximo de antecedência possível. Isso é importante por conta da necessidade obrigatória de reserva de locais. DICAS DE BAGAGEM E COISAS A LEVAR - Se for fazer o circuito W ou O em Torres del Paine é bom levar barras de cerais, proteína, frutas desidratadas e outros alimentos energéticos de baixo volume e peso na mochila. Comprei no atacado no Brasil e saiu super em conta! < Ouvi dizer que no Chile essas coisas não são caras, mas não sei se a informação procede > - Nunca havia usado bastões próprios de caminhada (só uns improvisados com galhos), mas vou dizer que se fosse dar uma única recomendação, especialmente para quem vai fazer o circuito O, é compre bastões de caminhada! Antes da viagem, procure ver como usá-los adequadamente para não atrapalharem no seu desempenho. < Se não fosse por eles, não teria completado o circuito O de Torres e não teria depois conseguido fazer muitas coisas em El Chatén > (dicas de locais de compra no tópico Punta Arenas) - Se for fazer o W ou o O, leve uma bolsa a mais para guardar as coisas que você não vai precisar no circuito escolhido e deixá-las guardadas no hostel em Puerto Natales. < As minhas ficaram toscamente em sacolas plásticas que se rasgaram com o peso > - Se ligue nos alimentos e produtos com os quais você pode ingressar no Chile. A galera da Aduana quando resolve agir com rigor, é BASTANTE rigorosa. < Tive que abandonar com peso no coração um sanduíche na aduana terrestre entre Argentina e Chile > - IMPORTANTÍSIMO para quem vai cozinhar: leve um fogareiro à gás (lembrando que o butijão de gás não pode ir como bagagem) ou compre um modelo desses em Punta Arenas. Não invente de levar fogareiros à álcool. < Levei um modelo desses álcool e tive a maior dor de cabeça em todos os dias. Isso por que nem na Argentina nem no Chile se vende álcool líquido. Para fogareiros desse tipo, a galera vende um solvente industrial chamado Benzina Blanca. Essa porcaria além de ter um cheiro fortíssimo que fica impregnado em tudo, expele uma fumaça preta que deve ser tóxica e ainda deixa as coisas cheias de fuligem. Dor de cabeça da porra! > MOEDA/CÂMBIO - Achei muito mais vantajoso trocar dólar, ao invés de real, pela moeda local tanto no Chile quanto na Argentina. Entretanto isso só é vantajoso se você comprar bem o dólar no Brasil. Dê uma olhada no ranking de instituições com melhores câmbios no site do Banco Central e em sites de melhor cotação como o Cambiar. - Se puder troque dólares pela moeda local em casas de câmbio de Santiago ou em Buenos Aires (a depender do seu roteiro), exceto nas do aeroporto. - A casa de câmbio logo ao lado do terminal da Bus-Sur em Punta Arenas foi a que eu encontrei com a melhor cotação de pesos chilenos entre todas as que pesquisei em Punta Arenas e Puerto Natales. - É melhor ir trocar dólares ou euros por pesos argentinos em Puerto Natales e possivelmente em Punta Arenas. Em El Calafate e em El Chatén a cotação era 15-20% menos vantajosa. - Se tiver que sacar grana em El Calafate, é melhor ir no cassino local. Cotação: dólar - 17,30 / euro - $20,30. Entrada: $10. Você deve pagar o valor das fichas no cartão, jogar um jogo e depois ao trocar as fichas a casa reterá 5% do seu valor PUNTA ARENAS e PUERTO NATALES - Punta Arenas é a cidade inicial de muitos que estão chegando para conhecer a Patagônia. - Há algumas boas opções de lojas de equipamentos de trekking: La Cumbre, Andesgear, North Face, Lippi e Grado Zero. Por exemplo, na La Cumbre (localizável no Google Maps) e na Grado Zero (em frente a La Cumbre) havia ótimos bastões de caminhada da Black Mountain por aprox. $ 50 mil o par. Para chegar no centro, a opção mais em conta para grupo de 3 pessoas pelo menos é pegar um táxi no aeroporto (3 mil pesos por pessoa). Se estiver sozinho ou apenas com outra pessoa, tente achar alguém para dividir o táxi contigo ou deverá pagar 5 mil pesos para ir de van. - Puerto Natales é a cidade base para ir a Torres del Paine para quem está do lado chileno. É uma cidade bastante agradável com várias opções de restaurantes (caros, assim como tudo na Patagônia). - Tanto em Punta Arenas quanto em Puerto Natales há um grande supermercado da rede Unimarc. É uma boa opção para compras gerais mais em conta. TORRES DEL PAINE PLANEJAMENTO - As reservas deverão ser feitas no site das empresas concessionárias Fantástico Sur e Vértice e se você tiver sorte (e muita antecedência) poderá também reservas locais gratuito para acampamento no site da CONAF. <Minha experiência com a Fantástico Sur foi muito boa. Tive resposta das minhas reservas em uma semana. Porém já não posso dizer o mesmo da minha experiência com a Vértice. Só obtive resposta da empresa sobre as reservas, 25 dias depois de solicitadas e somente depois de mandar comentário público no Facebook denunciando a demora. Pouco antes de eu fazer a minha viagem, eles iniciaram um sistema de reserva online, sem a necessidade de contato por e-mail. Pode ser que agora a resposta seja rápida, porém caso você deseje realizar reservas personalizadas, fora do roteiro que aparece no site, já fica a dica de que eles podem demorar bastante para te responder. Inclusive uma amiga que foi pouco antes e reservou com bem mais antecedência que eu, conseguiu resposta, apenas na semana da viagem dela, de que não tinha conseguido vaga em alguns refúgios. > INFORMAÇÕES GERAIS - Entrada: $ 21 mil pesos - Várias empresas fazem o percurso a Torres del Paine e todas saem às 7h30 ou 14h30 e têm preço de $15 mil pesos por pessoa (ida e volta). - Tanto no caso de fazer o circuito O ou o W quanto no caso de fazer só uma ida às Torres em um dia. Recomendo fortemente pegar o transfer que sai da recepção do Parque (Laguna Amarga) até o camping central - 20 min que evita caminhada em subida monótona de 1h30 (custo $3 mil pesos). - Há três opções para dormir no Parque para quem vai fazer o W ou o O: em barraca própria (ou alugada em Puerto Natales - vi por $ 4 mil a diária), em barraca da empresa concessionária ou em refúgio. Sendo que a razão de valor é de aproximadamente 1 x 2,5 x 3 (barraca da concessionária será 2,5 x mais cara que própria e refúgio será por sua vez 3 x mais caro que barraca da concessionária e quase 8 x mais caro que barraca própria. - Percebe acima, que as diferenças de valores são muito grandes. Eu particularmente se quisesse economizar peso na mochila e dormir com conforto, não pagaria pelo refúgio. Dormiria nas barracas da operadora com tudo incluso (atenção: deverá marcar os itens que deseja quando for fazer as reservas). < Tive que dormir na barraca da concessionária, em uma noite no camping Francés, pois já havia se esgotado os lugares para barraca própria, e vou te falar: a barraca era super espaçosa, a cama super confortável (melhor do que da minha casa. hehehe) e o saco de dormir era excelente! > - É possível pagar por refeições nas bases de apoio, mas isso te custará bastante caro (aprox. R$50 em um café da manhã e mais de R$100 no almoço ou na janta). QUAL CIRCUITO ESCOLHER: O ou W? - Primeiro de tudo: caso ainda não saiba, o circuito O engloba o ciruito W. Se você tem preparo físico e tempo disponível, sugiro fortemente fazê-lo. No primeiro dia do circuito, não verá nenhuma paisagem espetacular, mas, nos dias seguintes, as paisagens serão maravilhosas. Abaixo seguem algumas fotos de paisagens exclusivas do circuito O. QUANTOS DIAS E COMO FAZER O CIRCUITO O? - Acabou que fiz em 7, mas oh considero que isso foi uma tremenda duma burrice. Jamais faria isso novamente. O conselho que dou é faça no mínimo em 8. - Programaria de uma das seguintes formas, considerando apenas os destinos por dia: 1. Para quem vai ficar em camping: a) 9 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Paso - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales b) 8 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Paso - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales c) Se tiver que fazer em 7 dias: Serón - Los Perros - Paso - Francés - Los Cuernos (neste dia também iria até o Mirador Británico) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales 2. Para quem vai ficar em refúgios: a) 9 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales b) 8 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales c) 7 dias: Serón - Los Perros - Grey - Francés - Los Cuernos (neste dia também iria até o Mirador Británico) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales - Observe que não inclui opção de Paine grande em ambos. Primeiramente por uma questão de planejamento, mas também não recomendo para quem vai ficar em barraca, pois pelo que me relataram lá o vento é muito forte, a ponto de carregar barracas bem presas ao chão. - Não há opção de refúgios no Paso e no Italiano, apenas camping. INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O CIRCUITO O (e algumas que servem para o W também) - Os primeiros dias que envolvem o caminho do camping central até Los Perros são de dificuldade mediana ou fácil (Dickson a Los Perros). Em um trecho ou outro terá um pouco mais de dificuldade. - Em todo o circuito, o dia mais pesado de todos é o que envolve a saída de Los Perros e a ida até Paso (ou até o Grey dependendo do seu roteiro) (fotos abaixo). Logo no início, tem-se uma subida inclinada que passa por dentro de um bosque. Após um tempo de caminhada a área se abre e se caminha com uma leve inclinação até uma primeira subida em terreno pouco mais inclinado. A partir daí a subida fica bastante pesada, com trechos de caminhada sobre gelo (use o bastão com o disco de neve para não correr o risco de quebrá-lo...quase quebrei o meu). A subida finaliza, após 620 m de desnível, em uma vista maravilhosa do Glaciar Grey, a partir daí é só descida bastante inclinada até chegar no acampamento Paso (725 m de desnível - 9 km no total até aqui). Depois são mais 9 km de Paso até o acampamento Grey com muitas subidas e descidas e desnível de 400 m. Pouco depois de Paso, há uma grande ponte pendular. Muito cuidado ao atravessar devido ao vento. Mais cuidado ainda logo após, pois se o vento estiver muito forte, você terá usar o bastão para jogar o corpo para o lado da encosta, fugindo do precípio. Ao longo do caminho, há mais duas pontes pendulares. < Nesse dia, especialmente por conta do impacto na descida, o meu joelho esquerdo inflamou, prejudicando todo o restante da viagem > Fotos de trechos da subida: - Outro trecho que é bem difícil, neste caso tanto para quem vai fazer o O quanto o W ou um passeio de um dia, é a subida a Torres. Bastante inclinada, mas não se compara à dificuldade do trecho de Los Perros a Grey. - Para quem vai no esquema camping com barraca própria, ficar em Paso será reconfortante após o percurso descrito anteriormente. Porém é um camping sem muita estrutura. Não tem chuveiro e o banheiro é do tipo seco, com buraco no chão. Sem contar que suas vagas costumam esgotar bastante rápido. - No campings Dickson e Los Perros há apenas duchas frias. - No trecho de Serón a Los Perros há muitos mosquitos, pelo menos nessa época que fui (possivelmente em outras também). Entenda por muitos mosquitos, muito mesmo! <Vi uma pessoa com um boné que tinha uma rede que cobria todo o rosto e fiquei com uma puta inveja. Acho que é a melhor coisa para se levar em caso de fazer o O. > EL CALAFATE / PERITO MORENO EL CALAFATE - Para chegar a El Calafate, peguei o ônibus da Cootra às 7h30 - o preço era $ 17 mil, mas paguei $ 15 mil após negociar. Só que quem chegou mais cedo conseguiu por $ 11 mil. < E eu achando que tinha me dado bem na negociação. hehehe > - A cidade é bem turística, cheia de lojinhas de lembrança, chocolaterias e sorveterias. Tudo obviamente muito caro! - A princípio fui a El Calafate para fazer o Big Ice no Perito Moreno, mas como o meu joelho ainda estava mal, as funcionárias da Hielo y Aventura acabaram cancelando a minha reserva. < Caso esteja com um probleminha físico pequeno que você tem certeza que não irá te atrapalhar, não informe nada porque a galera é bem rigorosa. Não me responsabilizo por esta ideia errada aqui > - Se você curte cerveja, recomendo fortemente ir no La Zorra (bar próximo ao posto de gasolina). Eles têm ótimas cervejas lá. Só que não são muito baratas. PERITO MORENO - Fomos ao Perito Moreno no Tour Alternativo. Pagamos $680 no hostel onde estávamos hospedados (Hospedaje del Glaciar); em outros lugares era $800. O tour consiste em um passeio guiado (muito bem, por sinal) em uma rota alternativa por estrada de chão com observação de espécies animais ao longo do caminho, parada em uma estância com uma bela localização; trilha de 45 min por um bosque que chega ao lago do glaciar pelo lado oposto à sua face norte; opção de navegação de barco opcional até o glaciar ($500, 1h de duração - pelos relatos acho que não vale a pena); e por fim, 3h para caminhar pela plataforma - retornamos às 16h30. - Outras opções: ônibus regular ($600), táxi ($340 por pessoa em carro com 4, segundo informações de uma pessoa que conheci), carro alugado (mais em conta se houver 4 ou 5 pessoas). EL CHATÉN - Chegando a El Chatén: À tarde, há opções ônibus às 18h por $600 + 10 de taxa de embarque, mas preferimos pegar o ônibus de 19h da Taqsa por $420 + 10 (ótimo ônibus, procure ir na janela para curtir as belas paisagens ao longo do caminho - TENTE NÃO DORMIR) - O principais pontos turísticos de El Chatén certamente são a Laguna de los Tres (laguna com Fitz Roy) e o Cerro Torre. A seguir sugiro duas formas para se conhecer os dois pontos que são do mesmo lado do Parque: a) Em caso de você ter barraca e desejar acampar para economizar uma diária ou mesmo para otimizar o roteiro ou pela experiência de camping, sugiro no primeiro dia ir até o Cerro Torre (com mirador Maestri) e acampar no camping DeAgostini (do lado do Cerro Torre) e no segundo dia ir a Laguna de los Tres passando pela trilha das Lagunas Hija y Madre e depois retornar a cidade pela trilha que passa pela Laguna Capri. Essa rota é preferível, pois no camping Poincenot (mais próximo do Fitz Roy) venta bastante e é mais cheio. b) Em caso de você estar interessada em bate-volta, sem pernoite em camping, recomendo em um dia ir à Laguna de los Tres e em um outro dia ir ao Cerro Torre. No primeiro dia, sugiro pegar um transfer (empresa Las Lengas - $150) até a Hosteria El Pilar e de lá seguir até a Laguna. Por esse caminho, evita-se uma subida mais inclinada que há no caminho partindo diretamente da cidade (não é tão difícil) e ainda se tem uma bela visão do Glaciar Piedras Blancas nesse caminho. Depois sugiro retornar pelo caminho que passa pela Laguna Capri No segundo dia, não há muito segredo. Há apenas um caminho direto. Recomendo ir até o Mirador Maestri para se ter uma visão melhor do Cerro Torre (foto abaixo). - Loma del Pliegue Tumbado: recomendo ir apenas se estiver com tempo sobrando depois de ir em todos outros atrativos. O caminho é longo e parte da visão que terá engloba o que poderá ver nos miradores de Los Condores e Las Aguilas e uma outra parte engloba, já no final do caminho, engloba ver o Cerro Torre de uma outra perspectiva. - Reserva Los Huemules: a reserva fica a aprox. 3 km depois da Hosteria El Pilar na ruta 23. Possui duas belas lagunas (Laguna Verde e Laguna Azul) de trilha fácil e outras duas trilhas mais longas: uma até o Rio Eléctrico e outra até a Laguna Del Diablo. Entrada na reserva: $200, que dá direito a retorno durante o período de estadia em El Chatén. Ônibus Las Lengas por $210 até a reserva (ida e volta). Retorno: saída 8h (se não me engano) e retorno 17h. - Chorrillo del Salto: só vale se você não tiver mais nada para fazer na cidade. RETORNO (de El Calafate a Punta Arenas) - Caso o seu voo de volta seja a partir do aeroporto de Punta Arenas, recomendo fortemente garantir passagem previamente de El Calafate para Puerto Natales. Pode comprar no dia em que for de El Calafate a El Chatén. - Caso aconteça de as passagens se esgotarem, como aconteceu comigo, não se desespere, há opção de uma rota alternativa que sai de El Calafate, vai a Rio Gallegos e depois vai direto a Punta Arenas. De El Calafate a Rio Gallegos: saída 3h da madruga, 4h de duração - empresa Taqsa, $640 / De Rio Gallegos a Punta Arenas (aeroporto), saída às 13h, 4h de duração - empresa El Pinguino, comprada na empresa Andesmar no terminal de El Cafalate. - Duas informações caso tenha que fazer o caminho alternativo anterior: o terminal de Rio Gallegos fica longo do centro da cidade, mas há um Carrefour ao lado, que pode servir como ponto para matar um pouco o longo tempo de espera; e no caso de ir direto ao aeroporto de Punta Arenas, sem ir ao centro da cidade antes, é preciso pedir pro motorista parar na rodovia próximo do aeroporto. Deste ponto até o aeroporto, dá quase 2 km de caminhada. Peça carona sem medo! Acho que são essas as dicas. Espero ter ajudado um pouquinho e estou aberto para qualquer questionamento. =)
  10. Desde quando fomos até o Ushuaia de carro e passamos brevemente por Torres del Paine, o parque não saiu da minha cabeça! Finalmente, depois de alguns anos conseguimos voltar para fazer o Circuito W! Com certeza uma das paisagens, se não a paisagem, mais linda que já pude presenciar. Milhas e milhas de natureza bruta, clima Patagônico, gelo, floresta, sol, neve, lagos e montanhas. Sem dúvida um “Must go” para os amantes de Trekking! Bem, vou compartilhar um pouco da minha experiência, vou tentar ser breve e certeira nas informações que mais precisei quando estava me planejando. Insta: @domizila Site: www.embarcandonatrilha.com.br 1 – Qual a melhor época para viajar? Pelas minhas pesquisas, sem dúvidas é o verão. Nós fomos em Março, fim do verão e começo do Outono. Pegamos temperaturas negativas em certos pontos, mas ainda sim foi bem tranquilo. A primeira vez que fui a passeio no parque havia sido em Julho. Me lembro que não dava para abrir a porta do carro por conta do vento fortíssimo, então inverno não é uma opção. 2 – Por onde começar? Laguna Amarga ou Pudeto? A primeira coisa que você precisa definir é por qual lado do parque começar. Você pode iniciar por Laguna Amarga, onde você verá as torres logo no início da viagem ou você poderá iniciar por Pudeto onde você deverá inicialmente pegar o Catamarã e ir para a outra ponta do parque, deixando como a cereja do bolo as torres por último. Dica: Algumas pessoas que conheci iniciaram por Pudeto, mas optaram por ficar um dia a mais. Elas ficaram hospedadas a primeira noite no Abrigo do lado das torres, para ter a oportunidade de pegar 2 janelas de tempo, uma no primeiro dia e outra no último. Para quem não sabe o clima é quase que imprevisível, muitas vezes as torres estão escondidas atrás das nuvens. Nós iniciamos por Pudeto por motivos de força maior. Decidimos viajar 5 meses antes da data escolhida e já estava tudo esgotado (Isso que fomos em Março, que já é considerado baixa temporada), os principais abrigos e melhores opções não estavam mais disponíveis, então adaptamos ao que tinha! Então, antes de mais nada: Agende o quanto antes e escolha o lado que deseja iniciar. 3 – Posso deixar a bagagem extra de viagem em algum lugar enquanto estou na trilha? Sim, e não precisa se preocupar quanto a isso. Acho que posso dizer que 100% dos Hostels em Puerto Natales tem o serviço de guardar sua bagagem extra durante a trilha. Muitos, nem cobram se você voltar e se hospedar no retorno do parque. Custo: Se te cobrarem, será uma média de 3.000 pesos o dia 4 - Como chegar no Parque? É bem simples! Considerando que você chegue de avião, o aeroporto mais próximo será o localizado em Punta Arenas. Do próprio aeroporto saem ônibus para Puerto Natales, basicamente de hora em hora. Se você ficar hospedado em Punta Arenas, na cidade tem uma rua onde estão localizadas basicamente todas as cias de bus, é só chegar e comprar. Custo: $ 16.000 pesos ida e volta Punta Arenas - Puerto Natales Chegando em na estação em Puerto Natales, você poderá comprar as passagens para o Parque. As principais cias que trabalham o trecho são: https://www.bussur.com/ http://www.busesmariajose.com/services.php Dentre outras. Existe diferença de preço entre desembarque em Laguna Amarga e Pudeto Custo: $ 18.000 pesos ida e volta Puerto Natales - Torres Fique de olho nos horários para não perder o ônibus voltando da trilha. Se você quer chegar em Puerto Natales e já ir para Punta Arenas, tem que sair cedo do parque. Nessa opção obrigatoriamente você vai para Puerto Natales e de la para Punta. 5 - Onde comprar meu ingresso do parque? Você pode comprar seu ingresso em dois lugares: Na estação de ônibus de Puerto Natales: Acho que poucas pessoas sabem dessa. Eu encontrei por acaso. No fundo da estação tem um escritório adm do Parque e lá vende os ingressos. Só pode comprar com cartão nessa opção. No parque: Chegando no Parque, obrigatoriamente todos os ônibus param na portaria para a compra de ingressos. Nessa opção só aceitam dinheiro. Custo: $ 21.000 pesos Essa foto é da estação de ônibus de Punta Arenas. Ali ao fundo, no Informacion, você pode comprar o ingresso do parque com cartão. 6 – Passa cartão no parque? Olha, em partes passa, mas eu não contaria com isso. Recomendo levar dinheiro para evitar passar perrengue. Lembre-se que você está literalmente no meio do nada, não tem como sacar dinheiro por lá e se a internet não estiver pegando bem, não tem muito o que fazer. 7 – Onde ficar hospedado dentro do parque? A primeira coisa que você precisa saber é que as hospedagens do parque são parte administradas pela: - Conaf (Campings roots): http://www.parquetorresdelpaine.cl/es - Vertice (Hospedagens do lado de Pudeto): http://www.verticepatagonia.cl/home - Fantastico Sur (Hospedagem desde o Italiano até do lado de Laguna Amarga): http://www.fantasticosur.com/mountain-lodges/ Vou colocar em ordem de barateza rs: - Pela Conaf, seriam os acampamentos roots, experiência total. Você leva sua barraca, seus equipos e paga uma taxa para uso do espaço do camping e banheiro, se não me engano é USD 10,00 por dia - Abrigos (que são bem confortáveis) ou no acampamento em que, você chega e já está tudo arrumado (barraca montada, isolante, colchão, etc). Nessa opção o custo por noite por pessoa seria na média de USD 100 e se quiser incluir o FB (Café, lanche de almoço e jantar) média de USD 150 (Levei minha comida e cozinha, fui bem feliz com essa opção) - Também existem opções dos Domos no acampamento Frances, mas pelo o que escutei eles são desconfortáveis, muitos com goteiras, mas pode ser uma saída caso não tenha mais vaga nos albergues. - E se você já é uma pessoa que está ai, bem de vida, só na alegria e curtição, pode ficar nos hotéis maravilhosos, com direito a piscina aquecida, ofuro ao ar livre, muito vinho e comida boa. Tem algumas opções, não estendi muito a minha busca mas vi que variava entre USD 200 até USD 700 por cabeça. Custo: Vai acabar dependendo de sua escolha. Os valores não permitem parcelamento, tudo à vista pelo paypall 8 – Não levei comida o suficiente, tem como comprar no parque? Se você chegou da caminhada e ficou com a fome de 10 guerreiros e não comprou o Full Board antecipado, avisando um pouco antes do horário da refeição você pode pagar na hora para se alimentar. Também tem vendinhas com chocolate, frutas, até mesmo capas de chuva, mas lembre-se: Você está em um lugar onde o principal meio de transporte são os cavalos e as costas das pessoas. As coisas não são baratas, por motivos óbvios. Inclusive os meios de reciclagem de lixo, água e dejetos são extremamente respeitosos com a natureza, porém tudo tem um custo. Tente levar tudo o que precisa, se não, você pagará R$ 15,00 por uma barra pequena de chocolate. 20180319_193404.mp4 9 – Quero beber uma breja depois da caminhada, tem como? Tem sim! Mas, mais uma vez não espere pagar pouco: Custo cerveja lata: $ 5.000 pesos (média de R$ 25,00) Custo garrafa vinho: $ 30.000 (média de R$ 160,00) – E é um Casillero del Diablo Ou, faça como eu, ignore o peso da mala e leve uns vinhos rs 10 – Quero cozinhar no parque com meu equipo. Como faz? Existem cozinhas comunitárias para fazer fogo com seu equipo e cozinhar. Fazer fogo fora dos lugares indicados é estritamente proibido. É proibido no nível de que se te pegarem, além de ser expulso do parque, você é deportado do Chile e ainda sofre um processo. Em todos os lugares de acampamento/abrigos tem espaço para cozinha, mas nem pense em fazer fogo durante a trilha, além de ser proibido, você pode colocar fogo na oitava maravilha do mundo. Acho que você não quer fazer isso, não é mesmo? Ou pelo menos não deveria querer. 11 – Preciso de Guia? Não. Você não precisa de um guia (O trabalho dos guias é maravilhoso e na grande maioria das trilhas do planeta é recomendado ir com um, porém esse parque foi projetado para ser autoguiado) As trilhas são muito bem demarcadas, o mapa é de fácil leitura. Existem inúmeras pessoas fazendo a trilha, o rastro é muito visível e você pode acompanhar o caminho pelas marcações com estacas e tintas. Claro que você precisa prestar atenção no que está fazendo, enquanto estiver na trilha esteja atento as marcações, preste atenção nas pessoas que passam por você. Enquanto eu estava lá um grupo decidiu “cortar caminho” se perdeu no meio do mato, então, não corte caminho. 12 - É fácil encontrar água durante a trilha? Sim, é muito fácil. Não precisa ficar carregando litros e litros de água. Um cantil de 750ml já basta. Você passa por muitos pontos de água a todo momento. Roteiro Pegamos o primeiro ônibus que saia de Puerto Natales, para chegar no parque a tempo de pegar o Catamarã das 11: 35. O Catamarã das 11:35 é o limite para conseguir fazer o Mirador Grey, se pegar o das 14:00 já era, tem que deixar para o dia seguinte. Mesmo assim tem que andar rápido na trilha. O sol estava se pondo por volta das 20:00 Portaria Laguna Amarga: Pudeto: Aguardando o Catamarã Vista do Catamarã Indo para o Grey Indo para o Grey Friaca indo pro Grey Primeiro Mirador do Grey Primeiro Mirador Voltando do Grey para Paine Grande (Pega na quantidade de roupa que o Gabriel esta usando kk) Chegando em Paine Grande Vista do Refugio Paine Grande Saindo da Cozinha e indo para o Refugio 20180319_193145.mp4 Sobre a Trilha: É uma trilha extensa, sem grandes desníveis. Bem no começo tem algumas subidas, mas depois é bem tranquilo. Muito bonito! Você vai margeando o lago à direita e montanhas à esquerda. Tem que apertar o passo para fazer o bate e volta, é só focar que a trilha sai! Dia 02 Paine Grande Nao da para cansar de ver essas fotos rs Dia 03 Indo para o Italiano Campamento Italiano Subindo Rumo ao Britanico Chegando no Britanico Voltando e Parando no Mirador Frances (Na realidade voce passa por ele na ida e na volta, para mim um dos pontos mais belos ) Campamento Frances Sobre a trilha: Considero o ponto mais alto, depois das Torres. O segundo dia de caminhada é belissimo do começo ao fim, as paisagens mudam constantemente, mantendo você envolvido com cada detalhe. A subida do Frances e Britanico é moderada, muitas pedras, tem que prestar atenção no caminho e onde pisa, mas não é nada extra hard. A todo momento você consegue observar o degelo da montanha formando os rios, é uma beleza indescritivel Sobre o Acampamento Frances: A estrutura é boa. Mas, se estiver chovendo a cozinha é a céu aberto e se tiverem muitas pessoas para tomar banho, você pode acabar ficando com água gelada. Foi o que aconteceu comigo. Sim, tomei banho gelado a 6cs kkk Parece que o sistema de aquecimento leva um tempo para subir a temperatura da água e se várias pessoas usam de uma vez, a água quente acaba e tem que esperar um tempão para aquecer. Mais um detalhes sobre o acampamento: Ele tem infestação de ratos. Inclusive quando entramos na barraca notamos uns buraquinhos, achamos que era normal, mas descobrimos a noite que os ratos tentam entrar na barraca atrás de comida. Então, mantenha toda a comida muito bem embalada e se prepare para escutar alguns roedores pela noite rs Dia 04 Sobre a trilha: O desnível começa a aperecer mais forte no terceiro dia. Na realidade tem muito sobe e desce. É uma trilha mais dura, pois a paisagem não muda tanto e em horas leva bastante tempo para conseguir finalizar. Nós conseguimos vaga somente no Torre Norte, em certo momento a trilha partindo do campamento frances bifurca, um lado vai para a Torre Norte/Central e o outro para o Chileno. Eu realmente recomendo ir para o Chileno. É uma subida consideravel, mas faze-la no mesmo dia de ataque as Torres foi bem pesado. Entao, vá para o Chileno. Repito, Va para o Chileno. Chileno. Dia 05 Comecinho do ultimo trecho para as torres Chegando nas Torres Tudo que sobe, tem que descer, e voltamos das Torres para o Refugio Central/Norte, pegamos um translado até Laguna Amarga e de lá demos um "Até breve" para Torres del Paine Segue uma imagem linda da despedida Sobre a Trilha: O último dia!! Ao mesmo tempo que não queríamos ir embora, foi um alívio. O cansaço começou a bater. É engraçado como muito da nossa questão de alcançar um objetivo, vem da cabeça! Até o penúltimo dia estávamos bem o último, parecia que um caminhão tinha passado por nós rs. Bem, algumas coisas aconteceram, vou colocar na linha: 1. Saímos de madrugada, para tentar chegar no nascer do sol nas torres, porém o caminho do Refugio Norte/Central até o Campamento Chileno (que seria o início da trilha para as torres) é extremamente puxado. É um caminho estreito que vai beirando o abismo, pegamos neve e muito vento. Acabamos indo lentos demais. 2. É muito importante você ter o equipamento correto, dentre eles o Anorak! Meu marido se confundiu na hora de fazer as malas e levou o errado. Compramos o que tinha na hora (capa de chuva) e ele sofreu muito com isso, até troquei de roupa com ele em certo ponto 3. A subida é forte, com muitas pedras. Os último 45 minutos de caminhada são puxados, vi muita gente com cara de desespero na trilha rsrs 4. Chegar no topo não tem preço, me arrepia só de lembrar! Só tenho a agradecer por ter tido esse momento em minha vida. 5. Infelizmente estava nevando muito, a temperatura estava negativa. Não conseguimos ficar muito mais que 10 minutos lá em cima, mas valeu cada segundo dessa trip muito louca O que não pode faltar na mala: Pessoal não vou passar um check-list completo do que precisa levar, mas vou falar do que não pode faltar de jeito nenhum: - Anorak (100% A prova de água) - Calça impermeável - Um bom tênis para caminhada - 3 Boas meias para caminhada (Cano alto, que evita bolhas, comprei na Decatlhon e foi ótima) - Pelo menos 2 blusas respiráveis, para usar como primeira pele - Capa de Chuva para a Mala - Uma mochila de ataque - Um Fleece - Um lenço para enrolar nas orelhas, venta bastante, evite dor de ouvido - Lanterna de Cabeça - Frutas Secas, Comidinhas fáceis como salaminho, levar ovo já cozido, polenguinho Bem, espero ter ajudado! Ficarei mais do que feliz em ajudar e tirar dúvidas de quem esta se preparando para ir!! Um grande beijo e bons ventos!
  11. Este post é um relato sobre o auge de nossa viagem pela Patagônia: o Parque Nacional Torres del Paine (TDP), símbolo da beleza exuberante da Patagônia Chilena e o destino dos sonhos dos amantes da natureza de todo o mundo. Vamos contar como foram os 5 dias de trekking, o famoso Circuito W. Tem muitas outras informações no meu blog: www.calangosviajantes.com.br Veja as fotos desta aventura AQUI. Tem um post com os custos desta viagem AQUI e outro sobre como fazer as reservas AQUI. Acompanhe nossas aventuras no Facebook ou Instagram Relato do trekking realizado de 12 a 16 de Janeiro de 2017. Dia 1 - atento às regras Caminhamos desde o nosso hostel em Puerto Natales até a rodoviária. Compramos a passagem no próprio hostel. Existem várias empresas que fazem este percurso e não há diferença significativa no valor. A rodoviária fica lotada de trilheiros com suas mochilas enormes! Todos muito animados para a trilha de suas vidas. Durante o percurso até a entrada do parque é possível ver os guanacos pulando as cercas e a linda cadeia de montanhas ao fundo. Na Portería Laguna Amarga enfrentamos uma longa fila para preenchermos o termo de compromisso e pagarmos a taxa de entrada. É necessário assistir um pequeno vídeo com informações gerais e as regras do parque. Uma das mais importantes: não é permitido fazer fogo fora das áreas delimitadas(!!!). Entramos em outro ônibus (valor já incluso) que nos levou até a Portería Pudeto. Fomos os últimos a pegar o catamarã que cruzou o Lago Pehoe. A viagem não poderia iniciar de melhor maneira, à nossa direita, o imponente Los Cuernos! Compramos o bilhete do catamarã durante o trajeto. Chegamos ao Refugio Paine Grande sem reservas e por sermos os últimos a chegar no camping, as meninas da recepção nos deixaram ficar. Muito obrigada, meninas! (AVISO: aconselho fortemente que você não faça isso!! Neste post falamos como fazer as reservas) Armamos a barraca, deixamos nossas mochilas e fomos apenas com a mochila de ataque até o mirante Grey. Muito cuidado com as comidas deixadas nas barracas, a raposa-colorada (Lycalopex culpaeus) adora lanchinhos fora de hora. Infelizmente, o que mais me impressionou neste percurso não foi a linda paisagem ao meu redor, mas o resultado do maior incêndio florestal do Chile em 2012: 18 000 hectares queimados. Uma tristeza ver as marcas desta grande tragédia e por isso repito: siga as regras do parque, não faça fogo nem use seu fogareiro fora das áreas destinadas. Precisamos cuidar e respeitar a natureza. Aquele lugar é espetacular e todos têm o direito de visitá-lo e apreciá-lo. Depois de quase 3 horas de caminhada e muito vento no caminho, chegamos aoMirador Grey. O tempo estava bem fechado. A geleira Grey se misturava com o céu e não dava para saber onde terminava a geleira e começava o céu. A geleira é um local impressionante! Dia 2 - café com montanha Após uma noite de muito vento (dica: monte muito bem sua barraca!), tomamos café na cozinha do acampamento com uma vista incrível, arrumamos tudo e saímos. Logo no início da trilha, na Portería Lago Pehoe, o guarda-parque pediu para ver nossa reserva impressa do acampamentoItaliano, reservas confirmadas, pé na trilha! A cadeia de montanhas Los Cuernos estava bem escondida, mas conforme nos aproximávamos dela, mais ela aparecia, e uma caminhada de 2,5 horas, fizemos em incríveis 4,5 horas. Haja foto! A alegre chegada ao acampamento Italiano é anunciada pela ponte que temos que atravessar e deu um medinho! Como venta muito, ela parece bem instável. Fizemos o check-in no acampamento, conversamos com os guardas e fomos preparar nosso jantar. Decidimos não fazer nenhuma outra trilha neste dia pois a trilha para o Mirador Britanico fecha às 17h e a do Mirador Frances às 19h. E quando digo que a trilha fecha, ela fecha mesmo, pois um dos guardas percorre a trilha até o final para garantir que não há mais ninguém na trilha (todos os dias, imagina!). Dia 3 - doce ilusão O vento faz parte da Patagônia, aceite! Eu acordei assustada a noite, pois dormíamos debaixo da copa das árvores e o vento balançava seus galhos com força. E o medo daqueles galhos caírem sobre nós? Não, nenhum galho caiu, ufa! Deixamos nossos pertences no acampamento e seguimos em direção ao Mirador Britanico com nossas mochilas de ataque. Todo mundo larga suas mochilas no acampamento, isso é bem normal (também algo que tive que aceitar me acostumar). Quando chegamos ao Mirador Frances o tempo já estava muito fechado, andamos mais um pouco e decidimos voltar, afinal não conseguiríamos ver nada mesmo. Ficamos sentados um tempo esperando por uma avalanche no topo das montanhas, que também não aconteceu... Mesmo assim estávamos só felicidade, afinal estávamos a caminho do Refugio Los Cuernos, onde passaríamos a noite em uma linda cabana de madeira na beira do lago. Sim, foi puro luxo! Não temos dinheiro para Não ligamos para luxo quando o assunto é hospedagem, mas há anos atrás vimos uma foto no Facebook de um casal em um ofurô com uma paisagem de tirar o fôlego ao fundo. Escrevemos para a pessoa que postou a tal foto perguntando onde era: Refugio Los Cuernos. Deste dia em diante, não tiramos mais aquela imagem da cabeça e estava decidido: iríamos naquele ofurô e ponto final. Não era nossa intenção ficar na cabana, mas no site estava bem claro: somente hóspedes das cabanas tinham acesso ao ofurô. Bem, com muita, mas muita dor, reservamos a tal cabana e sonhamos com este dia desde então. Parte deste valor eu havia ganho de presente de aniversário, muito obrigada Celzinha! Na trilha para o Refugio Los Cuernos, o sol finalmente resolveu aparecer de forma muito marcante, acentuando ainda mais a cor da lagoa. Para quem está fazendo o W invertido é descida na maior parte. Eu senti por quem estava subindo... Na minha opinião o trecho de trilha mais lindo! O vento intenso levantava a água da lagoa e até DOIS arcos-íris se formavam na nossa frente ao mesmo tempo, arrancando gargalhadas dos dois bobos incansáveis ao admirar tamanha beleza. Então, finalmente chegamos às cabanas e, ansiosos, vimos de longe o tal ofurô. Corremos para checar o tão sonhado ofurô de perto. Mas o que encontramos foi uma placa: MANUTENÇÃO! Mas que #@$%&! Ficamos muito putos, bravos, arrasados tristes com a notícia, afinal estávamos esperando há anos por aquele dia, mas não tinha nada que pudéssemos fazer. A cabana era linda, tinha uma lareira, toalha limpinha, cama fofinha e chuveiro gostoso! Fomos conhecer o refúgio, admirar o Los Cuernos e conversar com nossos amigos e quando retornamos encontramos uma garrafa de vinho chileno e alguns docinhos. A princípio, tive a certeza que havia sido o Antonio quem preparou aquela linda surpresa (tipo cena de filme mesmo! Imaginem que romântico: uma cabana de madeira, um vinho, lareira e aquela vista incrível). Ele perdeu a chance de ganhar muitos pontos (e na sequência perder muitos mais, é claro) ao não confirmar que havia sido ele - não foi, acreditamos que foi a forma do refúgio se desculpar por destruir nossos sonhospelo inconveniente. Após muitas risadas e desapontamento (nunca vou esquecer da cara do Antonio não conseguindo confirmar que havia sido ele o autor da ideia romântica) aproveitamos o delicioso vinho. Dia 4 - meu querido saco de dormir A noite na cabana não foi tão tranquila quanto imaginávamos, o vento era tão forte que parecia que a cabana se desmontaria. Não sobrou dinheiro para queríamos comprar a pensão completa no refúgio, fizemos nossa comida na mesma cozinha reservada para o pessoal do camping. Seguimos rumo ao acampamento El Chileno. Neste dia enfrentamos as 4 estações do ano, inclusive chuva. Existe um cruzamento, e você pode optar por ir para o Hotel Las Torres ou um atalho para o acampamento - é claro que optamos pelo atalho! No caminho vimos os bombeiros resgatando alguém em uma maca, ficamos muito assustados (depois ouvimos boatos de que a menina havia torcido o tornozelo - o que a impossibilitou de terminar a trilha, por isso todo cuidado é pouco). Chegando no refúgio, fizemos o check-in e fomos procurar uma plataforma para colocar nossa barraca. Dica: chegue o mais cedo que puder e coloque sua barraca, as plataformas estão colocadas num barranco, e se estiver chovendo (como estava) o chão molhado quase te impedirá de chegar em sua barraca sem cair alguns tombos. O jantar no refúgio foi extremamente agradável, nada de macarrão com vina, ou salsinha como vocês dizem. Entrada, prato principal e sobremesa, tudo com raio gourmetizador ativado! Não havia opção de reservar o local de camping sem todas as refeições inclusas (sim, eles são bem espertinhos). Ficamos na área de convivência do refúgio até tarde conversando, quando nossa amiga Tânia chega desesperada dizendo que estava entrando água dentro da barraca dela. Conseguimos alguns sacos de lixo e o Antonio foi ajudar o Beto com o "pequeno" problema. Logo em seguida entra outro trilheiro com seu saco de dormir completamente encharcado, eu entrei em desespero! Já imaginei meu saco de dormir molhado, seria o fim (que exagerada!). Pedi ao Antonio que conferisse se nossa barraca estava molhada, e para minha alegria, tudo estava completamente seco. Dia 5 - sonho realizado Antonio nunca havia visto neve e sempre falou que se fosse para ver neve, que fosse na montanha. Estávamos tomando café no refúgio quando vejo um ser saindo correndo gritando "Está nevando, está nevando". Parecia uma criança vendo neve pela primeira vez - e na montanha, como ele havia sonhado! Eu não fiquei assim tão feliz, afinal isso significava que o tempo estaria fechado nas Torres - e como eu queria ver aquelas meninas! Tomamos um café super reforçado (incluído em nosso pacote) e seguimos a trilha até às Torres. Ao contrário dos outros dias, neste caminhamos muito rápido e os joelhos reclamaram um tanto (DICA: se puderem fazer a trilha no seu tempo, sem correr, é melhor. Fizemos isso todos os outros dias e não sentimos dor alguma). A trilha é pesadinha, mas isso não impede que jovens, crianças e idosos a façam, cada um no seu ritmo, no seu tempo. Eu não sabia quem eu admirava mais, se as famílias com crianças ou o grupo dos mais experientes. Quando fomos chegando pertinho da lagoa o coração foi acelerando. O Antonio foi na frente e lá do alto chamou minha atenção ao gritar uma linda declaração <3. Quando finalmente meus olhos encontraram as meninas (as Torres) não pude me conter de emoção - me faltam adjetivos para descrever a beleza deste local. Encontramos nossos amigos Daniel, Daniela, Beto e Tânia lá no topo, foi uma delícia compartilhar aquele momento com nossos novos amigos. Mas foi o tempo de contemplarmos a paisagem, tirar algumas fotos (nossa e da Maiza, coitado do Antonio) que o tempo virou completamente. As nuvens encobriram o céu azul e as Torres, e a neve começou a cair - "não era neve que você queria Antonio?" Muita neve! O vale também ficou completamente encoberto. A emoção de completar o circuito W, nossa primeira travessia, foi indescritível. Sensação de superação e eterna gratidão. Veja as fotos desta aventura AQUI. Escrevi um post com os custos desta viagem AQUI. Bons ventos!
  12. RELATO – ARGENTINA DE LÉVS & TORRES DEL PAINE DE PESÁDS – OUT/NOV 2018 Amigas, vou contar meu relato aqui sabendo que, quando pesquisamos, não encontramos tanta informação e nem tantos relatos atuais de torres del paine, que foi o foco principal da viagem. Espero contribuir com outros rolês! Se quiserem perguntar algo, me procurem no instagram (perfil: _thayoba) pois eu não fico olhando o mochileiros. Lá é certeza que eu vou olhar a mensagem. Eu fui com meu companheiro, parceiro, namorado e melhor amigo Daniel, que compôs grande parte do roteiro porque ele já conhecia e porque eu tava sem condições de olhar isso a fundo na época. Dá pra ir só, mas é recomendável caminhar acompanhada pela trilha, por questões de segurança, caso aconteça acidente, coisa assim. A BASE DO ROTEIRO: 1 DIA: CHEGAR EM BUENOS AIRES (de Brasília/DF) 2 DIAS EM BUENOS AIRES (Circus Hostel) (avião) 2 DIAS EM EL CALAFATE (America Del Sur Calafate Hostel) (busão) 1 DIA EM PUERTO NATALES (Mia Loft) (busão) 5 DIAS EM TORRES DEL PAINE (grey/paine grande/francês/torre central) (busão) 1 DIA EM PUERTO NATALES (Toore Patagonia) (busão) 1 DIA EM PUNTA ARENAS (Hostel Sol de Hivierno) O QUE LEVAR: Vick vaporub – pra boca ressecada. No frio tudo resseca, pele, cabelo, etc, mas quando chega na boca ela racha, sangra, dói. Vick resolve quase instantaneamente, aprendi com um boliviano Jaqueta corta vento impermeável +capa de chuva – na patagônia chove quase todo dia e venta muuuito! Botas impermeáveis – você atravessa riacho várias vezes, e em várias delas não tem jeito de ir pulando por ciminha pelas pedras não; Luvas, meias, gorrinhos, cachecóis, fleeces, segundas peles e tudo o que protege do frio extremo que faz lá. Conheço quem só chegou ao primeiro camping e precisou voltar porque teve hipotermia. Fica esperta! Protetor solar – INDISPENSÁVEL. A incidência UV lá é altíssima, se não me engano a região às vezes fica dentro do buraco da camada de ozônio. O tanto de gringa tostada que você vê terminando a trilha não é brincadeira. Elas aparentavam quase fritas na cara, sério mesmo, a coisa é séria. Azeite/óleo, Sal, alho em flocos e pimenta – não levei e senti falta na hora de cozinhar. Comida de astronauta – arroz de saquinho, sopa de saquinho, coisas que não pesam etc. Rola de levar macarrão também! Dizem que é mais complicado você passar pela fronteira com alimentos na mochila. Se não quiser arriscar, vale a pena comprar tudo em Puerto Natales. Tem uma marca chamada “trattoria”, do rótulo preto, que faz um bom arroz de astronauta e um excelente espaguete colorido; Remédios clássicos: dor de barriga, antialérgico, analgésico, anti-inflamatório, etc Bastão de caminhada – eu diria que é indispensável, mas sei que tem gente que não gosta. Eu gosto de usar 1 só ao invés de 2, porque prefiro ter uma mão livre pra me aparar caso eu tropece, sei lá kkkk Clorin não precisa, pq a água lá é muito pura, potável e deliciosa, mas se vc for dessas, não custa nada levar né AO RELATO: BUENOS AIRES: Em 2 dias dá pra fazer muita coisa, mesmo!!! Conosco foi assim: Buenos 01 - Plaza de Mayo: casa rosada, catedral, livraria el ateneo, bond street, café tortoni, Obelisco, La bomba del tiempo. a Bond Street é equivalente à Galeria do Rock, em SP. A El Ateneo é considerada a segunda livraria mais bonita do mundo. Vou descrever só o la bomba del tiempo, que é o menos roteirão desse roteirão. É um grupo FANTÁSTICO de percussão que, segundo o pessoal do hostel, se apresenta toda segunda feira com alguma convidada diferente. Tivemos o grande privilégio de estar na cidade ao tempo da apresentação deles. Muito legal MESMOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO Claro que um vídeo gravado não tem a menor emoção perto do show ao vivo, mas lá vai: 20181022_210804.mp4 Buenos 02 – La boca, Caminito, Cemitério la Recoleta, Floralis Generica (aquela frozinha prateada), obelisco, puerto madero. No Cemitério da REcoleta, a tumba mais visitada é com certeza a da Eva Perón. A frozinha abre e fecha,simulando os movimentos de uma flor natural. Caminito EL CALAFATE: o glaciar Perito Moreno Contamos um dia pra chegar (fomos de avião) e descansar e o outro dia pra fazer um passeio ao glaciar Perito Moreno. O passeio ao perito moreno: só tem uma empresa que faz, que se chama Hielo y Aventura. O Trekking tem o nome de “Big Ice”. Dizem que é bom fazer a reserva com antecedência pela internet, e assim foi feito. Achamos um pouco estranha a forma de pagamento, em que, depois de preenchido um formulário pela internet, te enviam um email com mais formulários pra você imprimir, preencher (incluindo os dados do seu cartão de crédito), escanear e responder. Bom, até agora Daniel não identificou nenhuma compra esquisita no cartão. O passeio é proibido pra quem está grávida, quem tem problemas ou já fez cirurgia do coração e quem tem menos de 18 ou mais de 50 anos, bem como desaconselhado para quem está com sobrepeso, mas não achei pior do que torres del paine não. Dá uma cansadinha, mas acho que essas restrições são mais pra empresa se resguardar de eventuais problemas jurídicos. Afinal eles podem abrir mão desses clientes, são os únicos lá mesmo... Ah, mas esse passeio é maior caro... vale a pena? Amiguinha, esse passeio é caro pra chuchu. Pagamos o equivalente mais ou menos a 750 reais cada. Acho superfaturado sim, mas só tem uma empresa que faz e aproveita, os guias são alpinistas experientes, tudo é organizadinho e a experiência foi única também. Vou descrever e você julga se pra você vale a pena: No mirante é proibido dançar funk, mas eu sou transgressora. A gente acorda cedinho e o busão busca a gente no hostel. Leva pro mirante do el calafate (tem gente que faz o passeio versão simples e vai só pro mirante. É top, mas cara, vc já pagou passagem, já tá pagando estadia, deu trabalho pra chegar lá, faz pelo menos o minitrekking se você puder). Dão mais ou menos 1 hora pra gente caminhar, admirar, fotografar e claro, torcer pra um pedação de gelo cair na água rererererer Em seguida, a gente pega um barco, que leva a gente pro ponto de descida do trekking no gelo. As pessoas do minitrekking seguem até essa parte eu acho. A gente caminha com umas subidinhas consideráveis até um domo onde está o equipamento da empresa. No primeiro, colocamos cadeirinha (caso aconteça acidente, já fica mais fácil resgatar), no segundo, os guias medem os crampões certos pra gente carregar até a beira do glaciar. Na beirinha da neve, um bolão de luvas, que são obrigatórias nesse passeio. Quem não tem, pega com eles emprestadas. A melhor parte dos crampões é quando a gente tira ele dos pés e qualquer chão duro e pedregoso fica parecendo nuvens fofinhas. Começa o trekking! Alguns passos na neve lamacenta e chega a hora de colocar os crampões nos pés. São pesados e desconfortáveis, mas sem eles fica impossível caminhar. Os guias dividem os grupos e dão um mini tutorial de como subir, descer e caminhar em ladeira lateral na neve compactada. A paisagem, que já é incrível, vai ficando ainda mais bonita a cada hora de trekking. Lá mais pra dentro, o acúmulo de água forma lagos em vários tons de azul. Nem achei tão frio quanto parecia, porque não ventou muito enquanto estávamos lá em cima. E a trilha é meio pesada, o corpo esquenta também. Uma pausa para comer algo, tirar foto, admirar a paisagem e começamos a volta. Eu fiquei um pouquinho frustrada porque a empresa anuncia em todos os veículos umas cavernas lindíssimas azuis azuis azuis e quando chega lá, não vai ter caverna, já estamos voltando. Mas a formação do gelo é mutante, o glaciar chega a caminhar mais de 2 metros por dia, faz sentido às vezes não ter caverna pra entrar, né?. Só que eles podiam avisar isso antes, pq dá impressão que a gente foi iludida, tanto que o site da empresa anuncia “Já na geleira e com os crampons colocados, o mundo toma uma nova perspectiva: lagoas azuis, profundas falhas, enormes sumideiros, mágicas covas, e a sensação única de estar no centro da geleira.” A gente se sente uma formiguinha em uma torta de limão gigante. fotão do Daniel. Antes de ir embora a gente faz uma pausa numa casinha pra tomar um café. [ALERTA SPOILER] Você volta com todo luxo e glamour no barco, olhando o glaciar, o vento acariciando o seu rosto e soprando suavemente seus cabelos, o sol refletindo no pedaço de gelo patagônico que foi colocado no seu whisky. A vida é bela, você diz. Enfim, voltamos, cansadinhos e felizes, e compramos a passagem pra Puerto Natales (800 pesos cada) no hostel mesmo, comemos, fomos dormir. Mais detalhes sobre esse passeio no site da empresa: http://www.hieloyaventura.com/HIELO2015/bigice-glaciar-perito-moreno-port.html PUERTO NATALES – 01 dia pra chegar (de busão), comprar insumos, se preparar para o trekking A cidade é pequena e fofinha, então é possível dar umas voltinhas, tomar um café por aí, ir até o píer e assistir o por do sol, soprar milhões de dentes de leão que brotam em toda rua, em toda esquina, admirar as papoulas que as pessoas plantam em seus jardins, as casinhas de madeira, etc etc... Compramos os ingressos de ida e volta até o parque torres del paine na rodoviária mesmo. A senhorita que nos alugou o loft havia recomendado FORTEMENTE uma empresa chamada Buses maria José, que apesar de ser um titiquinho mais cara que as outras, trabalhava muito melhor. Ela relatou que vários clientes compravam a passagem pelas outras empresas e, quando ia ver, os ônibus não saíam porque estavam esperando encher mais, deixando todo mundo na mão, só pra sair no dia seguinte. Que o Maria José sai independente do número de passageiros. Não íamos arriscar não poder sair só pra economizar uns 2 mil pesos né. Buses Maria José, sem nem pensar. Deu tudo perfeitamente certo e também deu pra perceber que trabalham bem! aqui eles: http://www.busesmariajose.com/ aproveitamos para comprar os ingressos para acesso ao parque nacional torres del paine ainda na rodoviária. Lá a moça pediu pra gente mostrar todas as reservas de acampamento antes de vender os ingressos. Não sei se direto no parque eles também fazem essa exigência. Também tivemos que assistir um vídeo rapidinho de poucos minutos de “por favor não incendeie o parque”. É que houve um grande incêndio causado por negligência de humanos que queimou praticamente tudo e vai levar muito tempo para o parque se recuperar. COMEÇA TORRES DEL PAINE O mapa oficial é esse aqui: http://www.parquetorresdelpaine.cl/es/mapa-oficial-1 (eu achei que tem algo meio bagunçado e falho perto do acampamento central, mas no geral tem boas informações e dá pra usar de base sim) CONSIDERAÇÕES GERAIS: o trekking você meio que escolhe em quanto tempo faz, até onde vai, quantos dias leva... o mapa oferecido pelo CONAF indica distância entre pontos e tempo médio de caminhada entre eles. Há, porem umas falhazinhas, especialmente ao redor do camping central, onde os pontos não parecem muito bem medidos e tal. Mas deu tudo certo. Calculávamos o tempo do mapa + 30%. Não somos corredores de montanha e gostamos de parar pra tirar foto J Fizemos o circuito W invertido. Lê que você entende. Muita gente vai pra fazer o circuito O, que leva uns 10 dias, que consiste no W mais uma volta em cima. Até onde descobri por lá, o circuito O só abre em novembro. Tá, mas por que o W invertido? – porque pareceu ter menos subidas, pra deixar as torres pro último dia e pra ter uma vista melhor no caminho, especialmente do camping francês até o torre central. Reservas: foram feitas com alguma antecedência (umas 2 semanas, talvez) no site da vértice patagônia e da fantástico sur. O primeiro dia em refúgio, os outros, em camping. Sim, é caro. Tudo é pago separado, saco de dormir, café da manhã, etc etc... entra lá nos sites dessas duas empresas que vc confere. Levar barraca: pensamos, montamos, balançamos, vimos relatos por aí e optamos por não levar barraca, mas alugá-las em cada camping. Primeiro, porque qualquer 100g a mais no lombo esse tempo todo faz diferença. Segundo, porque sabíamos que os campings teriam barracas melhores e adaptadas para o frio. Foi a melhor decisão de todas, ainda que no último camping ela não era 100% vedada. Levar saco de dormir: igualmente, optamos por alugar os sacos de dormir (20 dólares em um dos campings), porque nosso saquinho véio de clima brasileiro obviamente não ia aguentar o rojão do frio patagônico. O saco que a gente alugou, se eu fosse botar dentro da minha mochila quéchua de 60 litros, com certeza ocuparia mais da metade do espaço, de tão volumoso que era. Tava lá que aguentava até -24ºC em situação extrema. Pra gente não pegar as bactérias gringas, compramos liners na decathlon. Você também pode costurar um lençol no formato de um retângulo fino pra usar dentro do saco de dormir que dá certo. Ao todo foi assim: Dia 1, parte 1: busão até pudeto. Chega umas 9, 10h 1.2: Catamarã até paine grande. Como fomos na segunda leva, chegamos perto de 13h Larga a mochila grande em paine grande (cobram 2 mil pesos pra guardar). 1.3: só com mochila de ataque, andamos até o grey. Dorme lá (aqui rolou refúgio porque tava maisem conta do que pagar o camping e alugar barraca + saco) 2.1: Subir até o glaciar Grey: valeu muito a pena! 2.2: Volta tudo até o paine grande. Dormimos no camping. Barracas TOP da north face, excelente vista, excelente estrutura, etc 3.1: Anda até o italiano, deixa as mochilas grandes largadas no chão de terra (todo mundo faz isso) (pareceu seguro porque ficava um guardaparques lá) (mas é sempre um risco) 3.2 sobe até os miradores francês e britânico. Desce, dorme no camping francês. 4 – caminhar até o Paine grande. Não parece, mas é muita coisa, chegamos umas 21h. Frio congelante. 5.1 – Subir até as torres em si. Descer. 5.2 – Busão pegou a gente em pudeto umas 19:40. Voltamos pra cidade. Mais detalhado abaixo: PUERTO - PARQUE De Puerto Natales, o ônibus sai da rodoviária às 7h. Descemos em Pudeto umas 9h, ponto de conexão com o catamaran, que, salvo engano, sairia às 11h (20 mil pesos, paga lá na hora de desembarcar, só aceita em espécie). Como chegamos muito cedo, sentamos, entramos em uma cafeteria que tem por ali, tomamos calmamente nosso cappuccino de maquininha de 2 mil pesos, usamos o banheiro... formou-se uma longa fila no píer, dava pra ver pela cafeteria. Carregamos um pouquinho os telefones, trocamos ideia... CATAMARÃ E na hora de embarcar a disgrama do catamarã deu overbooking. Então a recomendação é: pra chegar em paine grande 12h, tem que ir pra fila CEDO e ficar lá até o catamarã chegar, ou então você chega umas 13h e algo. Levou mais 1h pra ele ir, descer as pessoas, subir outras, voltar e levar a gente. Deu problema com uns gringos que marcaram rolê mas perderam a hora por conta do atraso do catamarã. O overbooking. A solução pro overbooking. Vale meditação, reiki, yoga, mindfulness e sair tirando foto dos arredores. Quando compramos o ingresso para o parque nacional, somos avisadas que o catamarã custa 20 mil pesos, que só aceitam dinheiro e que a cobrança é feita lá dentro, e assim foi. Chegamos em paine grande, largamos as mochilas grandes (2mil pesos) e fomos só com a mochila pequena até o grey. Caminho é de boas. REFÚGIO GREY O refúgio grey, como todos os outros, é bem bonitinho, de madeira, tem uma área comum com bar e várias mesas, onde são vendidos lanchinhos caros, café da manhã caro, almoço caro, essas coisas. Não sei se pode servir de índice, mas eu lembro que, convertendo para reais, uma taça de vinho custava em média 30 dinheiros. Uma lata de coca cola, uns 25. Levamos comida para cozinhar no camping, que era uma casa separada, a uns 50m de distância. Achei meio esquisito que, nos quartos, não havia cobertor, lençol, nada. As camas eram cobertas com uma espécie de lençol de elástico fofinho de microfibra e só. Sorte que levei o liner! Lá eu tomei o pior banho do rolê. Chuveiro só gotejava, e mesmo assim não esquentava de jeito nenhum. Foi um suplício! GLACIAR Vale muito a pena subir do refúgio grey até o glaciar. Há bons miradores pelo caminho, mas venta muitíssimo, a ponto de você precisar ter cuidado pra não ser derrubada, tropeçar e cair do penhasco. Há 2 pontes suspensas, mas acho que se a pessoa já está se aventurando a fazer torres del paine, não vai ter medo de altura desse jeito, né? não parece, mas venta muito forte. Tem um passeio que anda por cima desse glaciar, mas não faço idéia se vale mais a pena do que o perito moreno. o preço era parecido. PAINE GRANDE Volta-se tudo até paine grande. A caminhada é longa, mas suave, sem grandes inclinações. O camping é o maior, melhor, mais bonito e com mais estrutura do rolê. As barracas eram iglus da north face, os sacos de dormir eram também da north face, havia uma construção só para as pessoas cozinharem e jantarem, a vista era maravilhosa, os banheiros eram bons, tomei banho decente, enfim, toppsterson. Paine grande. Pagamos meio caro no aluguel do saco de dormir (20 dólares), mas não me arrependo de jeito nenhum. Dormir bem faz toda a diferença! O aluguel dos colchonetes foi 8mil pesos, salvo engano. MIRADORES FRANCÊS E BRITÂNICO A subida é forte, se você não está fitness, vai sofrer bastante. Caminhamos com mochilão até o camping italiano, onde largamos as coisas e subimos com a mochila pequena. A gente até fica com medo de largas as mochilas num canto pra subir, mas vimos que todo mundo faz a mesma coisa e que tem um guardaparques lá. Não aconteceu nada com nossas coisas na volta J Há um horário de fechamento dos mirantes. Quando chegamos ao italiano, vimos uma lousa branca com a previsão do tempo e o horário de fechamento. Saímos 12h30, algo assim. Já era meio dia e a subida demorou bastante, então, basicamente pulamos o almoço e arriscamos chegar depois do horário. Deu certo, passamos pelo francês, fizemos uma pausa rápida, continuamos, chegamos 15h40 no britânico e estava aberto, mas colega, não arrisque, agora você tem informação, acorde cedo, e se você está fatness e anda devagar, acorde mais cedo ainda. Sobe lá, é top! Desce, pega mochila, anda até o camping francês. Esse dia foi bastante cansativo, chegamos mortinhos da silva, por volta de 20h. Ainda estava claro, pois em novembro anoitece bem tarde, mas parece que todo mundo chegou em hora parecida. As barracas ficam em umas estruturas de madeira ao longo da costa da montanha. Dá preguicinha subir esses metros tão tão cansada, mas era o que tinha rerere. As barracas eram menos cabulosas e bem menores, apertadinhas eu diria, mas os colchonetes eram melhores. Camping francês. Os banheiros estavam lotados e a água quente do lugar havia acabado. Não que a água estivesse gelada, mas segundo o staff, ela não passaria de “tíbia” (morninha) enquanto as pessoas não terminassem seus banhos. Cozinhamos macarrão e uns 40 minutos depois eu arrisquei o banho. Deu certo, a água estava maravilhosamente quente, a estrutura era muito boa e deu tudo certo. Ah sim, em todos os campings existe um horário máximo de água quente (geralmente 22h, 21h) e um horário máximo de eletricidade (geralmente meia noite). do francês ao CAMPING CENTRAL Amanheceu NEVANDO. Não tivemos coragem de acordar 6h como o planejado. Esperamos o sol esquentar um pouquinho mais. Não me arrependi disso kkkkk. Essa parte do caminho é cheia de subida e descida, mas acredito que, no sentido do W invertido, havia mais descida do que subida. Fora que você vai margeando o lago Nordenskjöld, que é muito muito bonito, olhando também as montanhas ao fundo. Eu e minha Quechua de guerra. Cuidado aventureira, Quechua é porta de entrada para coisas mais perigosas. Quando você percebe, já está vendendo a TV da sua casa pra comprar as coisas da Sea2summit, mochila da osprey... enfim. O dia foi todo dedicado à caminhada, então não tivemos tanta pressa. Cozinhamos almoço no Los Cuernos e andamos, andamos, andamos... chegamos bem tarde no camping central. Na verdade, você ve umas casinhas de madeira ao longe e acha que já está chegando, mas anda infinito pra alcança-las, e quando finalmente consegue, descobre que o camping está longe pra caramba (tipo mais 1h andando). Essa parte é meio frustrante, mas o caminho é bem lindinho, tem uns cavalos, coelhos, montanha ao fundo, ainda é bonito. Esse último camping foi o menos estruturado. A barraca não era totalmente vedada, então entrava um vento frio de madrugada e isso foi ruim L. Lá pegamos temperatura negativa, tava bem bem frio mesmo, e acho que não foi só da previsão do tempo, porque o terreno é uma espécie de plano cercado pelas montanhas. Não tive coragem de tomar banho kkkkk AS TORRES EM SI Dia seguinte, acorda cedo, toma umas sopas pra esquentar (tem camping que pode cozinhar no avanço da barraca, tem camping que proíbe), arruma tudo, deixa as mochilonas no refugio , bora torres. Mais uma subida pesada, mas achei menos cabulosa do que do mirador britânico, apesar de o altímetro indicar maior inclinação. O caminho é bem pedregoso, daquelas pedras secas que tem poeira em cima, então é também perigoso, tanto de escorregar e torcer o pé, bater cabeça, etc, quanto de cair no penhasco. Recomendo subir com bastão de caminhada. Pit stop no refúgio chileno, almoçamos o sanduíche caro deles (+- 60 reais, convertendo), dos quais os insumos chegam a cavalo, mas estava bem gostosinho. Bora subir! Por favor um minuto da sua atenção para admirar meu sanduíche caro. Obrigada. Há muita gente que se hospeda no chileno (dá pra chegar a cavalo) só pra subir até as torres e ir embora no outro dia, sem fazer o trekking. Então esse é o dia mais cheio do circuito. Chegando às torres em si, havia muita, muita gente. Mas como o espaço era amplo, as pessoas se espalham e isso não atrapalha taaaaaaaaaaaanto assim na hora de tirar as fotos. Weeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee are the chaaaaaaaaaaaaaaaaaampionnnnnnnnnnnsssssssssss, my frieeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeend... Não daria tempo de conhecer o vale do silêncio, pois o tempo estava apertado, então das torres, descemos tudo, chegamos por volta de 19h, e esperamos o busão Maria José da volta, que nos buscou por volta de 20h. Volta pra cidade, comemora que deu tudo certo, que está todo mundo inteiro. Tchau, torres del paine, um dia eu volto pra te escalar! O RESTAURANTE LENGA Antes de sair, havíamos feito reserva nesse restaurante, pois a agenda deles é meio cheia e tal. A reserva foi feita pro dia da volta, às 22h30. Voltamos pra cidade, pegamos um taxi até o loft da vez (Toore patagônia. MARAVILHOSO), largamos as mochilas, atravessamos a pista e chegamos ao Lenga às 22h34. O sorriso de quem chega no restaurante chique e vê que tem menu vegetariano e vegano. ÔNIBUS ATÉ PUNTA ARENAS Quando compramos o busão Maria José até o parque nacional, demos uma olhada no traslado até punta arenas, e percebemos que havia ônibus praticamente toda hora. Então, nos demos ao luxo de dormir sem despertador. Acorda devagar, arruma as coisas devagar, rodova, compra o próximo bihete, partiu punta arenas. Dura umas 3, 4 horas a viagem. PUNTA ARENAS Queríamos conhecer uma zona franca que tem no centro da cidade, mas parece que chegamos em um feriado (finados, aparentemente) e não rolou. Ficamos no hostel Sol de Hivierno (por pouco tempo, pois o vôo de volta para o brasil sairia naquela noite), e o rapaz da recepção foi maravilhoso conosco, nos deu todas as dicas do que fazer em poucas horas na cidade e me ajudou muito na operação de resgate do meu celular que conto a seguir. Em punta arenas tem um cemitério no estilo da recoleta, em Buenos aires, mas o que é atrativo mesmo são as BARRAQUINHAS de comida que encontramos fora do cemitério. Parecia uma estrutura mais permanentezinha, estilo feira de semana. Não perca a oportunidade de comer um completo (dogão chileno) (dá pra pedir um descontinho do completo de guacamole sem a salsicha) e de experimentar uma sobremesa que já esqueci o nome, que consiste basicamente em grãos de trigo hidratados em calda de pêssego, com o próprio pêssego em cima. Suavemente doce e muito gostosinha. Na cidade há também um mirante bem bacana, de onde dá pra apreciar o por do sol e a bela vista para o mar e para a terra do fogo. De noite, comemos em uma hamburgueria chamada Bulnes, que o maps indicava ser muito perto do hostel, mas era na realidade menos perto. Tem brejas, tem pizza no metro, tem ambiente descontraído, etc. Nossa pizza estava “ok”. Na volta, eu me aventurei de deixar o celular no banco do táxi para poder testemunhar sobre a gentileza dos chilenos. Já no aeroporto, precisando fazer o check in, 3 da manhã, tempo correndo, avião se preparando, e lá estava eu, pedindo para um taxista aleatório ligar para o hostel (que havia agendado nosso táxi), para ligar para a empresa de táxi, para ligar para o taxista, pedindo que retornasse ao aeroporto com o aparelho. O taxista respondeu positivamente para a empresa, que respondeu para o hostel, que respondeu para o taxista que eu encontrei no aeroporto, que respondeu para mim que ele viria. Eu tinha 15 minutos até o horário de decolagem do vôo. Deu certo. Paguei outra corrida, lógico, mas muito feliz. É isso. Eu descrevo esse rolê de forma menos brutona, mais lúdica, talvez, no meu instagram, se quiser, vai lá: _thayoba Espero que essas informações sejam úteis e boa viagem!
  13. Alexandre Mário de Freitas

    Torres del Paine

    Pessoal, vou viajar para a Patagônia (tanto chilena quanto argentina) entre os dias 6 a 24 de janeiro e queremos fazer a trilha W. Porém não estou conseguindo reservar os campings para as Torres del Paine. Não encontrei nenhum dia disponível e eu e meus amigos (somos 4) estamos querendo muito ir lá. Vocês têm alguma ideia do que dá para ser feito? Se não conseguirmos reservar pelo site vocês acham que se a gente chegar lá na porta do parque e entrar daria para conseguir dormir nos acampamentos? Ou então se há algum acampamento fora que dê para a gente ficar.
  14. Ola mochileiros! Bom, quando eu e uma amiga decidimos fazer o Circuito W de Torres del Paine foi um pouco complicado conseguir informacoes precisas sobre como fazer esse trekking de modo beeeem barato e beeeem mochileiro, por isto resolvi deixar aqui um relato sobre como fizemos o Circuito W gastando muito pouco! Boa Leitura, bom circuito W! Informacoes gerais! O Parque Nacional Torres del Paine encontra-se a 112 km ao norte de Puerto Natales e a 312 km da cidade de Punta Arenas, no extremo sul chileno. É um dos maiores e mais importantes parques chilenos e o terceiro com mais visitas anuais. Foi também considerado uma das 8 maravilhas do mundo em 2013. O parque possui 227.297 hectares e recebe aproximadamente 155.000 pessoas por ano. A temporada inicia-se em outubro e termina em março, período de calor e preços mais elevados. Eu fui em outubro e ainda fazia muito frio, recomendo ir em finais de novembro/inicio de dezembro, quando está mais quente mas ainda não está super lotado como nos meses de janeiro e fevereiro. Eu fiz o Circuito W de Torres del Paine, uma caminhada que tem duração de 4/5 dias e aproximadamente 80 km. Aqui explico com detalhes como chegar, o que fazer, o que conhecer e outras informações, tudo do modo mais roots e barato possível, portanto, se você gosta de fazer trekkings mas prefere um pouco mais de conforto e praticidade te recomendo ler outras páginas: o site oficial de Torres del Paine: http://www.torresdelpaine.com e o site da empresa que gerencia hostels e vende passeios e traslados: http://www.fantasticosur.com Bom Circuito W! Como chegar: Saímos de Puerto Natales por volta das 8:30h da manhã, e para quem ia de carona até a entrada do Parque, saímos tarde. Para chegar ao Parque de carona a partir de Puerto Natales, vá até a costaneira da cidade e faça carona no sentido do Cerro Castor (para a direita de quem está em frente ao mar). O parque fica a 112 km de Puerto Natales (entrada pela Laguna Amarga) e foi bastante fácil fazer carona nesse trajeto. Se você não está tão na pobreza, existem milhares de transfers que fazem esse percurso, basta contratar um. De qualquer forma saia cedo de casa. Chegando no Parque pagamos 18.000 pesos chilenos de entrada, (aproximadamente 90 reais) e recemos um mapa e algumas poucas orientações. Primeiro dia! Entrada Laguna Amarga - Hotel las Torres - Camping Torres - Mirador las Torres A caminhada do primeiro dia inclui 7km da entrada do parque (Laguna Amarga) até o Hotel las Torres, caminho que também pode ser feito em automóvel (existem vans que fazem o percurso e que ficam estacionadas na entrada do Parque). A partir do Hotel Torres começa a caminhada efetivamente e são mais 8 km até o acampamento do primeiro dia, o Torres, que é grátis (para ver mais informações sobre campings grátis leia a legenda de uma foto minha com minha barraca). O ponto alto do primeiro dia é o Mirador las Torres que fica depois do acampamento. O ideal é chegar cedo no acampamento, montar a barraca, descansar e subir até lá. Entre o camping e o Mirador está a trilha mais difícil e cansativa do primeiro dia, é apenas 1 km, mas a caminhada é pesada, a vantagem é que você vai sem mochila. Total de km percorridos no primeiro dia: Entrada Laguna Amarga - Hotel las Torres: 7km Hotel las Torres - Acampamento Torres : 8 km Acampamento Torres Mirador las Torres: 2 km (ida e volta) Segundo dia! Acampamento Torres - Acampamento Italiano. Saímos cedo do acampamento Torres rumo ao acampamento Italiano, mais ou menos as 8h da manhã. O caminho é longo e difícil e gastei um total de quase 10h para percorre-lo, isso considerando umas paradinhas para tirar fotos e descansar. É um dia tão cansativo quanto o primeiro, mas com vistas mais lindas, o lago Nordernskjöld por exemplo é incrivelmente lindo! O acampamento também é grátis (leia mais sobre acampamentos grátis em minha foto com minha barraca). Total de km percorridos no segundo dia: 19 km. Terceiro dia! Acampamento Italiano - Mirador Britânico - Acampamento Italiano No terceiro dia deixamos barraca e mochila no acampamento Italiano (onde se dorme duas noites) para irmos conhecer o Mirador Britânico e depois voltar para lá. É um dos percursos mais difíceis de todo o Circuito W porque nos quilômetros finais há uma junção de pedras, areia fina e escorregadia e montanha super inclinada, dificultando a caminhada e facilitando as lesões. Foi nesse dia que lesionei os meniscos do meu joelho esquerdo. O percurso são de 10 km ida e volta, e embora seja difícil existe a vantagem de não carregar mochila. O Glaciar e o Mirador são lindos, mas depois de um treeking tão árduo eu esperava mais. Total de quilometros caminhados no terceiro dia: 10km Quarto dia! Acampamento Italiano - Guarderia Paine Grande - Mirador Glaciar Grey - Acampamento Las Carretas Seria o nosso dia de maior caminhada então acordamos por volta das 6h da manhã para seguirmos rumo a Guarderia Paine Grande. A ideia era deixar nossas mochilas aí para irmos ao Glaciar Grey sem peso, mas os guarda parques não deixaram, então fomos até a hosteria Paine Grande e nos permitiram deixar as mochilas lá (é cobrado um valor de 3000 pesos chilenos por este serviço mas não nos cobraram nada). De lá fomos ao Mirante do Glaciar Grey. A ideia era chegar até o Glaciar mesmo mas como íamos dormir no acampamento Las Carretas, que é grátis mas é muito longe dali, resolvemos ir só até o Mirante. A vista daí não é ideal mas preferimos fazer isto a pagar para dormir no acampamento Paine Grande. Depois que voltamos do Grey seguimos para o acampamento Las Carretas. A primeira parte do caminho é super pesada, mas depois é só um caminho reto e largo. Total de quilômetros caminhados no quarto dia: 21,5km Quinto dia: Acampamento Las Carretas - Sede Administrativa do Parque Dia de ir embora, chega de caminhar tanto e ficar sem banho! Do acampamento Las Carretas até a sede administrativa são aproximadamente 8km, ao contrário do que consta no mapinha que me entregaram. Somente até a estrada são 7km e até a sede um pouco mais. De qualquer forma é uma caminhada tranquila, a única de todo o Circuito W. Depois de chegar na sede administrativa conseguimos carona para a entrada Laguna Amarga e daí seguimos para Punta Arenas, onde haviamos deixado algumas coisas que não íamos usar no trekking! Acampamentos gratuitos! No Parque Nacional Torres del Paine existem três acampamentos grátis, o Torres, o Italiano e o Las Carretas. O acampamento Torres é onde se dorme a primeira noite no parque e possui basicamente uma área para você colocar sua barraca; uma cozinha (um cercado de madeira com umas prateleiras para apoiar utensilios e alguns troncos de árvores para se sentar); dois banheiros com vaso sanitário; um riacho onde se pode beber água e lavar vazilhas e uma casinha do guarda parque. Não existe chuveiro e muito menos energia elétrica. Já o acampamento Italiano é onde se dorme a segunda e terceira noite do Circuito W e tem as mesmas instalações que o acampamento Torres, a única diferença é que no Italiano faz menos frio e tem sempre mais gente, por estar no meio do Circuito. E por fim nossa sacada de mestre, o acampamento Las Carretas, onde dormimos nossa última noite. O que a maioria das pessoas faz é acampar de graça no Torres e no Italiano e no último dia acampam no Paine Grande (que é pago) e na manhã seguinte voltam pra entrada do parque de catamarã (que também é pago e é caro) para irem embora. Nós nao fizemos isso, mas sim passar direto pelo Paine Grande para acampar no Las Carretas, que tem como diferença o fato de não haver guarda parque e de quase ninguém comentar sobre ele ou acampar lá, mas nós ficamos e havia mais umas cinco barracas por lá. Portanto, é possível fazer o Circuito W de Torres del Paine sem gastar com acomodação, você só vai precisar andar uns km a mais. Galera, espero ter ajudado a mocada que estava buscando informacoes sobre o Circuito W, e principalmente a galera que viaja com pouca grana mas que nao perde uma boa mochilada por nada desse mundo! Tenho uma pagina no facebook onde conto mais sobre minha viagem e sobre as cidades e países por onde passo. Curtam la! www.facebook.com/rosadosventos1503
  15. Pessoal, fiz uma solicitação de reserva para o Refugio Grey, em TDP, para Janeiro. Recebi um email da Vertice Patagonia afirmando que receberam meu pedido e a equipe de vendas entraria em contato para dar continuidade na reserva. Já mandei email, já mandei msg no instagram e até agora nada. Fiz a solicitação dia 02/Set. Alguém sabe me dizer se essa "demora" deles é normal? Já passaram por isso? Obrigada!![emoji4]
  16. Caio Vinicius Aleixo

    Equipamentos Patagonia - Torres del paine

    Galera, pela primeira vez vou acamapar e fazer trilhas sozinho, vou para a patagonia em Out/2018 e queria um help de vocês quanto ao meu equipamento, vou listar o que pretendo comprar abaixo e gostaria de sugestões/feedbacks 1 - Saco de dormir, limite de -5 graus, quechua ( Esse saco de dormir é suficiente para o frio da patagonia em outubro) https://www.decathlon.com.br/trilha-e-trekking/equipamento-de-trekking-varios-dias-/sacos-de-dormir-de-trekking/saco-de-dormir-de-trekking-trek500-0-forclaz?skuId=2188620 2 - Bota, Quechua (A impermeabilidade é boa? a bota cobre a necessidade da trilha?) https://www.decathlon.com.br/trilha-e-trekking/homem-em-trilha-leve-de-1-dia/calcados/bota-de-trilha-intensiva-impermeavel-mh500-mid-masculina-quechua?skuId=2567125 3 - Meias, Quechua ARPENAZ WARM (Essas meias são suficientes para não passar frio nos pés?) https://www.decathlon.com.br/trilha-e-trekking/acessorios-de-vestuario-trilha-e-trekking/meias-adulto/meias-quentes-de-trilhas-arpenaz-warm-2-pares?skuId=241285 4 - Conjunto de blusas (Vou passar frio com esse conjunto?) Segunda pele https://www.decathlon.com.br/ski-e-snowboard/masculino/segunda-pele/blusa-segunda-pele-simple-warm-masculina-wedze?skuId=2302370 Segunda camada de fleece (não achei o link) Corta vento https://www.decathlon.com.br/trilha-e-trekking/homem-em-trekking-de-varios-dias/jaquetas-de-pluma-soft-shell/jaqueta-masculina-de-penas-para-trekking-x-light?skuId=392841 Qualquer ajuda é bem vinda. Valeuu!
  17. Bom pessoal, depois de deixar de relatar diversos mochilões porque demorava a escrever e esquecia muuuuitas informações, resolvi começar logo o relato dessa trip que eu e meu amigo (Diego) fizemos para esse lugar absolutamente incrível que possuímos aqui do ladinho de nossas casas!!! O objetivo desse relato não é apenas o de passar as informações, mas de tentar MOTIVAR o maior número de pessoas a irem a esse local que é FANTÁSTICO e que AINDA (mas em processo de) não é sugado pelas empresas. Fiquem a vontade para tirar QUAISQUER dúvidas. Se algo ficou meio difícil de entender, só falar que tento explicar de outra forma EDIT 1 (28/07/18): ADICIONADO MAPA DA TOPOGRAFIA E DISTÂNCIAS Nesse mapa abaixo, as estrelas vermelhas são os possíveis locais de entrada no parque. Exceto a seta que está escrito "Camp Fracês", que é um acampamento que não estava plotado no mapa! O QUE LEVAR? Pra dar um norte a alguns que não tem ideia do que levar, aqui vai a lista do que levei e do que poderia ter deixado para trás ou levado a mais: - Mochila Quechua de 75L; - Mochila de ataque levada no peito (não façam isso de levar uma mochila na frente, por favor kkkkk. Foi a pior burrice por um lado, mas por outro a câmera estava a todo momento protegida e de fácil acesso. Todavia, se eu voltasse lá, não faria isso kkkk); - 2 bastões de caminhada (ajudam ABSURDO, ainda mais para passar em determinados locais inundados ou com barro); - Comida liofilizada Moutain House (MUITO boa, mas não é fundamental), salame, chocolate, frutas secas + amendoim; - Barraca Azteq Nepal 2 (frente a outras que vimos por lá, aguentou ABSURDAMENTE bem); - Isolante inflável Thermarest; - Saco de dormir North Face Aleutian (Conforto: -3ºC, Limite: -9ºC e extremo: -28ºC. Um bom saco de dormir faz sua noite ser absurdamente agradável. O Diego usou um que não era para temperaturas tão baixas e passou algumas noites de desconforto); - Capa protetora da mochila (que se foi com o vento e é desnecessária. Como já tive vários estresses despachando mochilão, resolvi colocá-la para despachar e passei um rolo de papel filme – aqueles de comida mesmo – em volta, mas não adiantou. A proteção já chegou com alguns furos no destino); - Fogareiro JetBoil (muito bom pra economia de gás, praticidade, fazer um chá/café de forma bem rápida (e na “potência” mínima do gás), levando de 2 a 3 minutos para ferver 400ml de água com temperatura entre 0 e 5ºC); - Corta vento (superior e inferior); - Máscara facial + touca (grazadeus o Diego tinha um sobrando, pois esqueci o meu rsrs) - Luvas (nos salvou de voltar para casa com todos os dedos, mesmo que ainda não estejam 100%); - 2 Fleece (um eu nem usei e sumiu L. Ou seja, 1 dá conta do recado) - 15 cuecas (-.- ... isso se deve a um aperto que passei em uma viagem, mas TOTALMENTE desnecessário essa quantidade. Umas 5 ou 6 já está ótimo); - Calça térmica (te permite usar uma bermuda por cima, daí nos locais que começa a esquentar demais – dentro de florestas –, fica bom, não aquece muito); - Duas bermudas (aquelas de academia – uma seria o suficiente); - 6 Camisetas (3 ou 4 seriam suficientes); - Botas de caminhada (ajudou MUITO. Não faria de forma diferente); - Chinelos (ao chegar ao acampamento, ajudam a deixar o pé “respirar”); - Óculos de sol - Kit Emergência (diversos remédios, agulha e linha “cirúrgica”, tesoura, pinça, etc); - Kit Banho + creme hidratante (Isso ajuda MUITO a noite antes de dormir. A pele fica absurdamente seca devido ao vento incessante) - Protetor Solar (Não usamos muito, mas dependendo do dia pode ajudar bastante); - Chapéu pra proteger do sol (nem encostei nele, kkkk. Era o tempo todo de touca e máscara); - Lanterna de cabeça (Foi totalmente desnecessária, mas numa emergência pode ajudar. Lá temos em torno de 16h de luz, então 22:30h ainda está relativamente claro); - Kit de fotografia (T5i, 18-55mm, 70-200mm, limpa lentes – importante -, duas baterias – não foi nem metade de uma –, carregador, adaptador, 2 SD card de 16 gb cada e 1 de 32 gb. No total foram umas 1300 fotos em .RAW) - Sugiro colocar separadamente as coisas de dentro do mochilão em SACOS DE GELO, isso mesmo. Tudo ficará impermeabilizado e você não terá que se preocupar com isso pelo resto da viagem (lógico que eu não fiz isso – vacilei –, mas o Diego fez e teve uma tranquilidade absurda com relação à chuva durante todo o circuito). A MOTIVAÇÃO: Essa vontade de conhecer Torres del Paine veio depois de fazer um mochilão pela Patagônia (chilena e argentina) há 4 anos atrás. Eu e minha esposa fizemos algumas trilhas em El Chaltén, visitamos El Calafate, etc. Durante as pesquisas, me interessei por TdP, mas como estávamos com pouco tempo para esse mochilão, resolvemos deixar para outra vez, mas JUREI que iria voltar e fazer o circuito O um dia. AS EMPRESAS: Vocês não podem deixar de saber que antes de ir pra lá, vocês precisam de antecipação, planejamento e muita, mas MUITA paciência. Lá existem 3 empresas para se reservar as áreas de camping ou os “lodges”. São elas: Fantástico Sur, Vértice Patagonia e CONAF, sendo esta última governamental e responsável pela gestão de vários parques nacionais, incluindo TdP. Definidas as datas dos voos de ida e volta, começamos a correr atrás das reservas dos campings. Nesse ponto, vale um adendo: · O Circuito O só pode ser feito no sentido Anti-horário. Logo, deve-se fazer as reservas dos campings nesse mesmo sentido. Conseguimos fazer as reservas com a Fantastico Sur sem problema algum. Não havíamos decidido por nenhum acampamento da CONAF (que são de graça, todos). As reservas que faltavam eram apenas as da VERTICE PATAGONIA e é aí que começa a dor de cabeça. Um a dois meses antes da viagem, começamos a fazer as reservas. Inicialmente a Vertice estava com a página em manutenção. Ao voltar, possuía um sistema de reservas pelo próprio site, mas que desde o primeiro dia (literalmente), não funcionava. Então, a outra forma seria enviando um e-mail com o número de pessoas, data e locais que gostaria de reservar e, se eles lessem o seu e-mail, te responderiam com o passo-a-passo para realizar o pagamento. Bom, enviávamos o e-mail e nada. Como foi chegando o dia do voo de ida, começamos a procurar informações no Tripadvisor e lá uma pessoa havia informado que eles possuíam mais 7 e-mails. Começamos a bombardeá-los com e-mails, mas não obtivemos nenhuma resposta (havia a confirmação de leitura, mas não nos respondiam). Apesar de vermos várias pessoas mudando as datas da viagem ou até cancelando o voo, decidimos ir e lá procuraríamos a agência física da empresa (nem o telefone eles atendiam). Caso não conseguíssemos fazer a reserva pela Vertice, faríamos apenas o circuito W (que já estava reservado pela Fantastico Sur) e iríamos para El chaltén, uma cidadezinha argentina bem pequena e aconchegante que fica a 400km de Puerto Natales e que tem vários trekkings de dificuldade variada e de vários dias, ou seja, tem para todos os gostos! Dia 1 – Porto Alegre – Punta Arenas – Puerto Natales Embarcamos em POA para a conexão em Buenos Aires e Santiago com a ideia firmada que iríamos tentar chegar à cidade e ir à agência física da Vértice (o Google informava que estava permanentemente fechada e não atendiam o telefone. MAS, não confiem nesse tipo de informação do Google!!!). Bom, como desgraça pouca é bobagem, o voo de POA para Buenos Aires atrasou e perdemos a conexão para Santiago!!! Maravilha, que mais podia dar errado?! Maaas há males que vem para o bem! Nesse meio tempo de espera no aeroporto de Buenos Aires enviamos mais um e-mail para essa maldita empresa e embarcamos para Santiago. Eis que, ao pousar em terras chilenas, abrimos o e-mail e vimos uma resposta dizendo que nossas reservas estavam feitas mas para garanti-las teríamos que pagar em 48h. Como chegaríamos em Puerto Natales no dia seguinte, deixamos para efetuar o pagamento in loco e não ter mais nenhum estresse. Aqui vale ressaltar sobre a aduana chilena que são bem chatos com comidas e/ou qualquer coisa de origem vegetal ou animal (eu já havia sentido na pele isso alguns anos atrás). Sabendo disso, resolvemos declarar o que trazíamos e deixar que eles decidissem. Foi nessa que o Diego perdeu 5 salames que estava trazendo para o circuito. Segundo o fiscal, o salame era defumado e só poderia entrar se fosse COZIDO. Comigo ele perguntou o que eram as comidas liofilizadas e eu disse que eram como o macarrão instantâneo (vulgo miojo ahaha). Mesmo fazendo uma cara de desconfiado, deixou passar. Passamos a noite no aeroporto de Santiago e embarcamos pela SkyAirline para Punta Arenas. · Sugiro, quando forem pegar voos domésticos no Chile, procurar por esta empresa. Apesar de não darem nenhum lanchinho (kkkk), pagamos US$120,00 Santiago-Punta Arenas (ida e volta/pessoa). Ao chegar no aeroporto de Punta Arenas, havia um ônibus indo para Torres del Paine direto do aeroporto, mas não tínhamos pesos chilenos suficientes (deixamos de trocar no aeroporto de Santiago e no de Punta Arenas não tem casa de câmbio. Aquela famosa economia porca, pois poderíamos ter trocado o suficiente para o ônibus e, em Puerto Natales, trocaríamos o resto). Então, saímos perguntando o preço para ir para o centro da cidade e ouvimos dois israelenses pechinchando com um taxista. O Taxista pedia 10.000CLP. Sugerimos que dividíssemos o valor em 4 pessoas e todos aceitaram. · Em Punta Arenas não existe uma rodoviária única a todas as empresas. Cada uma possui a sua “estação”, a sua garagem e você precisa ir naquela que irá pegar o ônibus. Ao chegar à cidade, trocamos R$900,00 a 190CLP/real, uma boa cotação e que não acharíamos mais. Todavia, a cotação do dólar pouco variou de Punta Arenas para Puerto Natales (algo em torno de 5 a 10 pesos/dólar). Trocamos o dinheiro e saímos correndo para a Buses Fernandez. Por sorte, o ônibus ainda não havia saído. Acabara de fechar as portas, apenas. Pedimos pelo amor de deus para que abrissem e nos deixassem entrar kkkkk. Com cara de bravo, deixaram. Durante o trajeto havia wi-fi no ônibus, mas era pago. E caro. Nos cobraram 8.000 CLP/pessoa o trecho. Todas as empresas giram em torno disso, não tem muita diferença não. Chegamos em Puerto Natales 3 horas depois, numa viagem LINDA. Sugerimos que se mantenham acordados hehehehe. Deixamos nossas coisas no hostal Vaiora, que já estava reservado (US$20/pessoa). Um hostal bem simples, mas limpinho e aconchegante. Erramos o caminho ao chegar. Começo do treinamento. Andamos 1km para o lado errado, mais 1km para voltar, mas pelo menos vimos esse fucking Dog fotogênico hahaha · Vale lembrar que ao pagar em dólar, não existe a necessidade de pagamento de 19% do IVA (desde que mostre o papel que recebeu na entrada ao país), um imposto que eles deixam passar para incentivar o turismo e para aumentar a quantidade de dólar americano no mercado chileno. Na sequência fomos direto à Vertice fazer o pagamento da reserva (fica na Calle Manuel Bulnes, 100. Há duas, mas a certa é essa). Ao chegarmos, os atendentes estavam lá tranquilões, como se nada estivesse acontecendo. Milhares (literalmente) de pessoas desesperadas e eles super de boa, mas ok. Dissemos que queríamos fazer o pagamento da nossa reserva para o circuito O. Inicialmente a atendente não levou a sério (não acreditou que tínhamos a “autorização” daquela reserva), então mostramos o e-mail deles próprios. Pagamos e fomos fazer as compras de equipamentos que nos faltavam. Compramos um bastão, caneca com mosquetão (super indico. A caneca era FODA. Não sabemos dizer como, mas as bebidas quentes que fazíamos nela simplesmente NÃO PERDIAM CALOR hahahaha. Também pela facilidade de deixa-la pendurada e a qualquer água corrente que víamos no circuito, parávamos para beber), poncho da NTK (pelo amor de deus, não comprem isso!!! Material de péssima qualidade. Rasgou inteiro nos 20 primeiros minutos de trekking) e gás. Aproveitamos para passar no supermercado e na loja de frutas secas para comprar as guloseimas que faltavam. · A loja de frutas secas é excelente! Tem muitas variedades e num preço bem acessível. A loja chama Itahue e fica na Rua Esmeralda, 455B. Voltamos para o hostal, deixamos tudo, tomamos um banho e saímos para jantar. Mandamos uma pizza, mas cabiam duas kkkkk. Voltamos para arrumar as mochilas e dormir. Dia 2 – P. Natales – Torres Del Paine (1ª noite: Camping Serón) Pegamos o ônibus na rodoviária por volta das 07:30 e chegamos na entrada da Laguna Amarga umas 9:20. Ao chegar, todos devem desembarcar do ônibus e fazer a entrada no parque. Nessa etapa, pega-se uma fila enorme (todos os ônibus chegam juntos). Se der sorte de ser dos primeiros ônibus, ótimo, caso contrário vai esperar um pouquinho. Caminho para TdP: Após todos fazerem a entrada e o pagamento (21000CLP ou uns US$35 – aceitam os dois), todos devem assistir a um vídeo de 2 minutos aproximadamente, falando tudo o que pode e o que não pode fazer no parque, inclusive o valor e pena das transgressões. Após isso, todos voltam para os ônibus. Os que vão ficar na Laguna Amarga já podem pegar suas mochilas e iniciar o trekking ou então pagar 3000CLP para pegar outro ônibus que andará por 15 minutos (7,5km) até a área do Camping Central/Las Torres. Fora isso, o ônibus que estava lá parado espera os que vão para as outras duas entradas (Pudeto ou Sede Administrativa) voltarem para seguir viagem. Chegando à entrada da LasTorres tem uma lojinha com alguns artefatos de trekking, para aqueles que esqueceram de algo ou para os que tem muito dinheiro. Desde esse momento percebemos como as coisas seriam absurdamente caras em qualquer lugar dentro do parque!!! Por exemplo, uma coca-cola de lata de 350ml custa 2000CLP, algo em torno de 11 reais. Uma bolacha menor que Trakinas também tem o mesmo valor. A única coisa que eu vi que era RAZOÁVEL de se pagar (mas não era barato), foi no Camping Grey, que tinha um chocolate Prestígio por 500 CLP, algo em torno de 3 reais. Não comprei, me arrependi, pois não haveria outra oportunidade desse tipo kkkkk. Bom, começamos então em direção ao Camping Serón. É meio complicado de achar o caminho inicial. Não tem NENHUMA placa indicando a direção (algo que constatamos depois, foi que o Circuito O por ser menos procurado/turístico, não tem a mesma infraestrutura do W, mas essa foi a melhor coisa que poderíamos ter! J). Ficamos esperando ver se haveria algum fluxo de pessoas para algum lugar e em alguns minutos achamos o caminho. Começou uma leve subida e, nossa fiel e inseparável CHUVA. Como ainda estávamos sem experiência no que se trata de patagônia, desesperamos e começamos a colocar os anoraks e o bendito poncho (aquele que indiquei para não comprarem). Mas por que comprei essa droga? Para proteger a mochila com material fotográfico que estava no meu peito. Foi só eu colocá-lo e puxar a cordinha do capuz que começou o rasga rasga. Então peguei o que sobrou desta droga e só embrulhei a mochila (6300CLP jogados fora). No final do dia iríamos perceber que não precisa desse desespero. A chuva que cai, juntamente com o clima seco e o vento forte, não é o suficiente para molhar. O que molha já seca em segundos/minutos. E todo o resto da viagem foi usando esse aprendizado, ou seja, não colocávamos mais o anorak para proteger da chuva ou neve, mas sim do vento. O caminho do Central para o Serón é bem tranquilo. Em alguns momentos tivemos que atravancar pelo mato porque estava impossível de passar pela trilha. Muito barro! Uma das coisas que ajuda a ficar assim é que muitos cavalos vão até o Serón e isso piora absurdamente a trilha, mas nada que impeça de continuar. O tempo previsto era de 4h, mas fizemos em umas 5h, fomos bem tranquilos nesse primeiro dia. Chegando no camping, largamos as mochilas num canto, definimos onde iríamos montar a barraca, a montamos e fomos comer. Nesse camping existem algumas plataformas para se montar a barraca, mas não sabemos se era para todos ou teria algum preço diferenciado (eu particularmente não gosto. Como é em campo aberto – diferente do camping Francês que só tem plataformas mas é dentro da floresta –, facilita que o vento destrua a barraca se der uma rajada muito forte e entrar por baixo da plataforma, pois ela é como se fosse um estrado de cama). Após comermos e descansarmos um pouco, demos uma andada pela área. Há um local abrigado para cozinhar, algo que ajuda bastante!!! Os campings que não possuíam isso, juntando-se ao fato de o vento não parar um segundo, faziam com que preparar a comida se tornasse algo trabalhoso e chato, já que é um momento de socializar e descansar. Após jantarmos, fomos dormir e, algumas horas depois, começou uma chuva constante que seria nossa companheira até acordarmos. Pontos negativos desse lugar: Havia UM banheiro e UM chuveiro para mais de 20 pessoas. O banheiro estava em estado deplorável... o chuveiro não sei se era quente. Não tomamos banho esse dia. 3º Dia – Camp Serón – Camp Dickson Bom, deveríamos acordar 06:00h (depois percebemos que era desnecessário), mas ficou uma chuvinha tão boa desde a meia-noite que não conseguimos acordar. Acordamos umas 07:30h e ficamos enrolando dentro da barraca até as 08h. Esse dia andaríamos bastante, cerca de 19km (~6h), mas o nível de dificuldade era tranquilo, uma vez que a maior parte seria com pouca variação de altitude (mínimo de 170m e máximo de 330m). Levantamos, arrumamos todas as coisas e deixamos só a barraca por desmontar, torcendo pela chuva parar de cair (o que mais baixava o moral era guardar a barraca com chuva, pqp! Kkkk). Enquanto comíamos, a chuva parou! Como a barraca estava molhada da chuva e de manhã é sempre bem frio, foi difícil enrolá-la, as mãos doíam de tanto frio! Mas vamos que vamooos. Nessa parte do circuito o rio Paine nos acompanha a todo o momento pela direita e também tem umas belas montanhas no começo, mas com o tempo nublado pouco conseguimos ver. Rio Paine: É nessa trilha que fica a Guarderia Coirón que vai verificar se você possui reserva no Dickson para poder prosseguir no Circuito O. Não possuindo, o guarda parque te mandará voltar. Paramos diversas vezes para comer, descansar, observar. Como sempre, chega uma hora que o vento cansa, porque não para... então ele te obriga a pegar a trilha novamente hehehe. Esse dia foi o primeiro dia que sentimos o peso da mochila. O trapézio já estava pedindo um intervalo. Como só faltavam uns 4km fizemos uma longa parada pra descansar e tirar algumas fotos! Valeu muito a pena... O Camp dickson dá pra ver de longe. Fica num lugar bem plano, circundado pelo Rio Dickson. Quase no final da trilha tem um “mirador” que se consegue ver as construções do camping, o lago e o glaciar ao fundo, mas pra chegar lá ainda tem uma subidinha bem tranquila, mas uma descida íngreme. O bonito desse lago é que diversos icebergs se desprendem do glaciar e vem parar pertinho do camping. Com uma boa luz do sol dá pra tirar ótimas fotos! Pensamos em brincar um pouco e entrar no lago, mas nessa área o vento é bem mais forte do que havíamos pego até então e como todos sabem, o problema não é NA água, é depois de sair dela kkkkk. Assim que chegamos fomos ver se tinha água quente e... TINHA! Um lugar bem apertado, mas sem problema algum. Não batia vento!! Kkkk Tomei um banho rápido, montamos a barraca e saímos bater umas fotos e conhecer os arredores. No Camp Serón não lembro de ter nada a venda; já no Dickson tinha alguns biscoitos, chocolates, etc, coisa bem básica mesmo. Nada de refeições. Voltando das fotos fomos jantar. Era mais ou menos assim as refeições: eu fazia um pacote liofilizado pela manhã, comia metade no café e guardava a outra metade para a trilha (tem um sistema ziploc na própria embalagem). Durante a trilha comia a outra metade e algumas guloseimas. A noite fazia um outro pacote para a janta e um chá bem quente antes de dormir, elevava o moral ABSURDAMENTE! fikdik heheheh. Após isso, fomos dormir e já concluímos que a medida que íamos para traz das montanhas (pensando no sentido da chegada), a temperatura diminuía e o vento aumentava. Essa noite o vento castigou, pois é uma região com árvores num dos lados, mas de onde vem o vento não tem nenhuma barreira. Dormimos mal pra caramba, mas logo logo acostumaríamos com o vento. Detalhe: No Camping Dickson, não há local abrigado para se fazer a refeição. Existem várias mesas espalhadas, mas nenhuma construção para se abrigar do vento. 4º Dia – Camp Dickson – Camp Los Perros Bom, esse dia acordamos com uma tranquilidade absurda. Teríamos que andar apenas 9km, cerca de 4h. Começamos a rotina de arrumar tudo e guardar a barraca. Aproveitamos a manhã de sol para tirar umas fotos do lago Dickson e da geleira ao seu fundo, mas as nuvens como sempre impediam a luz do sol de deixar o lugar mais bonito. Café da manhã no Dickson: Não faz maaaaal!!! O lugar já era maravilhoso por natureza! Essa caminhada foi excelente. Só o comecinho que pega bastante, pois é uma subida relativamente íngreme e parece que não acaba nunca! 90% da trilha é dentro de bosques, ou seja, algumas horinhas sem o vento de arrancar o couro da gente! A paisagem se alterna entre muitas árvores e as montanhas nevadas ao fundo e quando as copas dão uma brechinha...fica mais ou menos assim: Quase chegando ao Camp Los Perros, começa novamente uma subida, mas o problema dessa subida é que é SÓ PEDRA!! Isso acabava cansando um pouco e forçava as articulações. A dica nesse trajeto é fazer com bastante calma e tranquilidade. Fazer algumas paradas ajuda a descansar e a aproveitar a vista! J Esse trajeto é sem vento, mas quando se chega na parte mais alta, aí segurem seus gorros, óculos ou o que tiver solto: ao subir sobre a colina para observar o glaciar Los Perros ao fundo do lago, virá uma rajada de vento que desce da ravina e passa por sobre o lago, atingindo essa colina! Já na parte mais alta e pouco antes de chegar ao acampamento, tem uma geleira ao fundo. Pequena, mas com sua beleza. Uma seta dizia que o caminho estava fechado. Fomos ao acampamento deixar as mochilas e fazer o “check-in” e foi nesse momento que o guarda-parque daquele camping falou que o Paso John Gardner estava fechado e não deveria nos deixar passar, mas como já havíamos chegado até ali, seria a mesma distância de voltar e, por fim, acabou nos deixando seguir o circuito. Glaciar: Como chegamos muito cedo no acampamento e não tinha mais o que fazer, veio o ócio e, todos sabem, “mente vazia, oficina do capiroto”. Resolvemos desconsiderar o aviso e fomos até o mirador que fica em frente ao glaciar. Perigo, na real, só tem se você der mole. Basicamente é um terreno íngreme com muitas pedras soltas, à beira de uma grande queda. Se for sempre jogando o corpo para dentro do terreno e “sentindo” o chão antes de jogar o peso todo, sem problemas. Fomos, voltamos e ficou tudo bem. Seguimos para o acampamento. Esse camping é excelente! Não bate um vento, pois fica no meio das árvores. Durante a noite você ouve o vento chegando pelo barulho das copas e espera a hora de atingir a barra (como era em qualquer outro camping), mas a melhor parte é que ele nunca chegava! Hahahah. E você pode dormir tranquilamente. A partir desse dia comecei a me “acostumar” com o vento na hora de dormir, mas mesmo assim o sono não melhorou muito. Essa era a noite que teríamos que dormir o máximo possível e com mais qualidade, pois no dia seguinte seguiríamos até o Camp Grey, que daria um total de 24km (11h de caminhada, pelo mapa), incluindo a transposição do famoso e temido Paso John Gardner. 5º dia – Camp Los Perros – Camp Grey (o dia da emoção) Acordamos depois de uma noite relativamente bem dormida. Estava bem frio e chovendo, mas as árvores seguravam um pouco a água. Arrumamos as mochilas e fomos tomar café. Nós já sabíamos que esse seria o dia mais difícil (só não sabíamos que teríamos uma surpresa: uma nevasca) de todo o circuito, então comemos bastante no café da manhã e já deixamos tudo preparado para o meio da trilha. Assim que fomos tomar o café, percebemos, em cima de uma das mesas, um verdadeiro BANQUETE, com direito a tudo que imaginarem, TUDO. Naquele momento algo chamou nossa atenção: Meu deus, como alguém resolve trazer tanta comida assim para esse circuito?!?!?!? Nós estávamos contando cada grama de comida e equipamento e eles trazem tudo isso? Bom, foi nesse momento que observamos o seguinte: · Existe uma forma de contratar uma EQUIPE para fazer esse circuito O com você (ou com um grupo). Sempre vai, junto ao grupo, um guia e um ajudante. Além disso, existem mais 3 “sherpas” (sim, o mesmo nome daqueles que carregam os equipamentos dos que querem escalar o Everest) que só são responsáveis por carregar o geralzão. Como assim? Quando o grupo sai, eles ficam para trás desmontando as barracas, sacos de dormir, etc. Quando terminam, começam a correr (LITERALMENTE) até o próximo camping, para chegarem antes do grupo e montar tudo que tiver que montar. Eles levam quilos e quilos de comida e equipamento, cozinham e preparam lanches para o dia seguinte (separados em sacos ziploc) para cada integrante do grupo. Não temos ideia do quanto se paga por isso, nem perguntamos, mas não deve ser barato... Após tomarmos café, vimos vários desses guias desmontando as barracas e as levando para dentro do refeitório para que secassem e posteriormente dobrassem. Resolvemos fazer o mesmo. Já na saída do camping começam as subidas. Estas, que seriam nossas fiéis escudeiras ao longo de todo esse dia de caminhada kkkkk. Esse comecinho é totalmente dentro de um bosque, então estava bem tranquilo. Foi aí que começamos a ver granizo no chão. Já começamos a imaginar que logo logo veríamos neve. Não deu uns 20 minutos e começou a nevar sobre a gente! Maior felicidade kkkk À medida que subíamos começamos a ver maior acúmulo de neve, o que começava a dificultar a trilha. Continuamos na trilha que estava bem sinalizada, mas em um determinado momento acabamos pulando uma estaca laranja e chegamos num lugar que passava um rio por baixo do gelo! Já viu né? Frio, água e pé não combinam NADA! Paramos e começamos a olhar em volta... a estaca que então havia sido deixada para trás, estava mais para baixo e fomos até lá para evitar esse rio. Após alguns minutos de caminhada, começamos a nos dar conta do quão difícil seria o trajeto: um vento absurdo (ainda algo em torno de 60 a 70 km/h) já dificultava o nosso progresso mesmo sobre pedras e uns 30 cm de neve. E o que acontece quando se junta neve caindo e vento forte? Você não consegue olhar para a frente! O que acabávamos fazendo era seguir a trilha do grupo que estava à nossa frente (cerca de 300m), olhando para baixo, no máximo procurando a próxima marca laranja que indicava o caminho a seguir. Continuamos subindo e subindo... Não acabava nunca!!! Víamos o grupo com o guia no topo de uma montanha. Imaginávamos que aquele local seria o Paso ou estaria muito próximo dele, mas não. E pior, toda aquela neve batendo no nosso rosto, aquele vento baixando a sensação térmica e a neve acumulada aumentando, iam deixando o trajeto mais difícil ainda! Foi a partir de uma das placas que informa a distância e a elevação daquele local que a “brincadeira” começou a ficar séria... Já não víamos mais o grupo (com guia) que estava na nossa frente. As pegadas que deixavam na neve? Já haviam sumido! As estacas alaranjadas estavam começando a ficar encobertos pela neve acumulada. O vento? Só aumentava! Foi nessa hora que a CALMA falou mais alto. Paramos atrás de uma pedra, respiramos, pensamos e comemos. Retomamos a trilha... À medida que subíamos o vento aumentava numa proporção astronômica! Só conseguíamos olhar para baixo. Ao chegar numa estaca laranja, olhávamos para o horizonte, achávamos a próxima, baixávamos o rosto e íamos olhando para baixo. Lembram da subida? Ainda estava lá!!! Kkkkkk o peso das mochilas deixava TUDO mais difícil. À medida que pisávamos na neve, afundávamos. Na maior parte do tempo eram necessários dois passos no mesmo lugar para conseguir progredir. A neve estava na altura dos joelhos já. Num determinado momento o Diego, que estava na frente, parou e me falou que estava preocupado com suas mãos. Nesse momento, me dei conta que eu também tinha mãos! Kkkkkk a partir daí, também percebi que já não sentia a ponta de todos os dedos, mesmo com a luva. Primeiramente tentei achar o problema, pensando que a luva estivesse molhada, mas não! Era a neve acumulada, juntamente com o vento, que estava baixando a temperatura. Tirei a neve, coloquei as duas mão atrás da mochila que estava no meu peito e comecei abrir e fechar as mãos. Em alguns minutos havia voltado ao normal e falei para o Diego fazer o mesmo. Entretanto, à medida que usávamos os bastões para nos ajudar na neve (e acreditem, eles fazem uma diferença ABSURDA nessa situação), as pontas dos dedos voltavam a doer absurdamente. Mantivemos o ritmo. Mais pra cima? Mais TUDO! Mais vento, mais neve... e vocês já sabem. Devido à nevasca não conseguíamos ver além de 15m e aqui deixo a minha crítica ao parque: as estacas que indicam o caminho nesse trecho (O MAIS CRÍTICO DO PARQUE) são escassas. Em alguns momentos você tem que chutar uma direção e ir. O que nos ajudou numa das situações mais críticas desse trecho foi que a neve encobria as pegadas do grupo, mas os buracos dos bastões ficavam visíveis! Seguimos os buracos e logo em seguida achamos o caminho novamente. Chegando próximo do Paso, a preocupação com as mãos aumentava, mas outra coisa estava nos tomando mais a atenção: O vento. Simplesmente não conseguíamos avançar!!! Dávamos 3 passos para a frente e o vento nos empurrava 5 para trás ou nos derrubava! Vendo que não conseguiríamos competir com ele, começamos a engatinhar até chegar próximo de uma encosta rochosa onde o vento diminuiu e conseguimos chegar ao outro lado da montanha, aonde vimos o IMENSO Glaciar Grey, em toda sua infinita extensão. Após passar pelo topo o vento diminuiu consideravelmente. Sabíamos que a partir daquele ponto seria apenas descida. A partir de então foi o inverso. Era descida que não acabava mais! Em determinado momento, não era mais possível descer caminhando, de tão escorregadio que estava. Acabamos descendo de esquibunda kkkkkk. Nesse momento, juntamos a alegria de ter sobrevivido com as brincadeiras na neve. Enquanto descansávamos, um dos sherpas estava descendo (também de esquibunda kkkk), parou e nos ofereceu um chá quentinho. Aceitamos e conversamos um pouco. Ele disse que nunca havia visto essa parte do circuito, dessa forma. Era novidade para ele, mesmo já trabalhando nisso há alguns anos. Chegamos ao Camp Paso. Tinha uma infraestrutura bem básica. Fizemos um café, dividimos uma caixinha de leite condensado inteiro e recuperamos as energias. Energia recuperada, retomamos a descida. Nesse dia meu joelho começou a gritar!! Era descida que não acabava mais... Depois de algumas horas de caminhada, chegamos às pontes que são bem conhecidas (as pessoas que fazem o W pernoitam no Grey só para poder subir até essas 3 pontes que tem entre o Camp Paso e o Camp grey). O dono do hostel que viríamos a ficar em P. Arenas trabalhou para a Vértice e disse que antigamente no lugar dessas pontes, haviam escadas. Com o derretimento do gelo, a água descia e levava a escada embora. Assim, os guarda-parques iam lá e colocavam CORDAS temporariamente. Imaginem a dificuldade de subir, através de cordas, com uns 20kg a mais de equipamento, um barranco de uns 6m. Felizmente não são mais escadas, mas 3 pontes que balançam MUITO! Como estávamos cansados da travessia, a neve não parava de cair e o vento também não parava de soprar, acabamos passando meio que batido, sem ter apreciado muito bem essa parte. Depois de algumas horas de descida chegamos ao Camp Grey. Com uma boa infraestrutura, o Grey tinha uma cozinha bem espaçosa e fechada. O banheiro masculino eram duas privadas e duas duchas (chuto que o feminino era a mesma coisa). Bem pouco, pensando que esse Camping faz parte de uma das pernas do W e fica lotado de turistas. Mirador no Camp Grey: Não saiam daí! To be continued... hahahahah
  18. Filipi Bruno

    Problemas com as reservas em Torres del Paine

    Olá, pessoal. Eu realizei as reservas do Camping Torre Central e Los Cuernos através do site Fantastico Sur, efetuei o pagamento através do PayPal, este já confirmado via mensagem. Entretanto, ao contrário do refúgio reservado pelo Vértice Patagônia, o Fantástico Sur não me enviou qualquer tipo de confirmação ou voucher. Realizei diversas tentativas de contato via e-mail, todas frustradas. Aconteceu com mais alguém? Como procederam? Desde já, os agradeço.
  19. Olá pessoal! Primeiramente, gostaria de explicar que sim, 4 dias para esse lugar é muito pouco e eu já sabia disso antes da viagem. Acontece que iríamos ao casamento de um amigo em Buenos Aires e queríamos encaixar no roteiro algum lugar da Argentina que ainda não conhecíamos e a decisão foi, claro, PATAGÔNIA! Durante as pesquisas vi que muita gente também teria poucos dias pra conhecer esse roteiro e pedia dicas de o que priorizar e como se deslocar. Que passeios priorizar em Calafate? Ir a Torres del Paine sem fazer trekking vale a pena? Contrata o passeio bate-volta para TDP ou vai por conta própria? Como ir de carro de El Calafate para Torres del Paine? Quanto vou gastar? Bem, espero que este relato ajude! 1º DIA - CHEGADA EM EL CALAFATE - 08/03/17 Como falei no início, fomos a Buenos Aires para um casamento e só depois de alguns dias fomos a El Calafate. A Capital Argentina é naturalmente onde você fará conexão caso vá para Calafate, se tiver disponibilidade claro que valerá a pena parar alguns dias pra conhecer (três dias inteiros dá pra fazer o basicão). O mais importante: fazer câmbio em Buenos Aires é muito, MUITO mais vantajoso do que no Brasil e, principalmente, na Patagônia. Em Março/17, quando viajamos, a cotação em BUENOS AIRES era US$ 1,00 = AR$17,50 Pesos, e R$ 1,00 = AR$ 5,10. Para comparar, em Calafate as cotações estavam US$ 1,00 = AR$14,00, e R$ 1,00 = AR$ 3,50. Hoje não vale mais a pena recorrer ao câmbio paralelo, fui direto às casas de câmbio, mas também ouvi dizer que o câmbio na agência do Banco de La Nacion nos aeroportos é muito bom. Bem, vamos ao que interessa: Chegada em Calafate! Partimos de Ezeiza pela Aerolíneas Argentinas num avião lotado de europeus, chegamos por volta das 14:00h. Importante informar que existe uma barreira sanitária na patagônia, ou seja, você não pode entrar com nenhum produto de origem animal ou vegetal que não esteja em uma embalagem lacrada de fábrica. (Mais infos: http://www.patagonia-argentina.com/e/content/funbapa.php). Já na saída da esteira de bagagens existe uma mini-alfândega e presenciamos uma mulher se desfazendo de uma bela quantidade de maçãs. Na saída logo procuramos o guichê do VES Patagonia, que faz o transfer entre o Aeroporto e o Hotel, ida e volta. Pagamos AR$ 240,00 por pessoa, no momento já informamos a data, horário e vôo de volta, e já somos informados do horário que nos buscarão na hospedagem na volta. O transfer é feito numa Van com um bagageiro no reboque que leva a mala de todo mundo. Esperamos ela encher por completo e, uns 20 minutos depois, partimos, num trajeto de aproximadamente 30 minutos até a cidade. Chovia bastante e a neblina bloqueou quase toda a vista. Nos hospedamos no Calafate Hostel, em um quarto privativo (AR$ 600,00 por noite), reservado pelo Booking.com. A estrutura do Calafate Hostel é muito boa, wi-fi liberado e de qualidade nos quartos, restaurante próprio, e a localização é excelente. Assim que chegamos, já reservei o passeio do MiniTrekking do dia seguinte no próprio Hostel: AR$ 2.400,00 por pessoa. Não está incluso no valor a entrada do Parque Nacional, que custa mais AR$ 500,00. Não há comidas a venda no local, então já recomendam a cada um que leve seu próprio lanche. A chuva tinha parado, então resolvi aproveitar a tarde/noite para conhecer o centro da cidade e ir ao mercado comprar as coisas pro lanche do dia seguinte e pro jantar. Na saída do mercado, surpresa: caía um TEMPORAL! Pra piorar, eu não lembrava que na Argentina não fornecem sacolas plásticas nos mercados. Tive que guardar tudo numa caixa de papelão e, quando a chuva diminuiu um pouco, resolvi correr até o hostel. Então, outra surpresa: as ruas estavam completamente alagadas! Impossível atravessar as ruas sem pisar numa poça. Lamentei profundamente não ter investido num calçado impermeável, já comecei a imaginar como seria o passeio do dia seguinte com o tênis molhado, com chuva, eu com uma bela gripe... nada mal para o primeiro dia. 2º DIA - MINITREKKING NO PERITO MORENO - 09/03/17 Fomos informados que a empresa Hielo y Aventura (a única que tem a concessão para fazer o minitrekking e o Big Ice) nos buscaria no hostel a partir das 7:00. Bem, as 7:00 já estávamos prontos, ajustamos os ultimos detalhes, verifiquei se não estava esquecendo nada (luvas, gorro, oculos, bateria da camera, lanche...), trancamos o quarto e fomos para a recepção. Perguntei ao funcionário se o transfer já havia passado e, quando que falei que seria a partir das 7:00, ele começou: "Amigo são 7:05. Se eles avisam que vão passar Às 7:00, deve estar aqui às 6:50. Se eles passaram aqui e vc não estava, eles nem te chamam no quarto, vão embora direto. Acho muito provável que vocês tenham perdido". Bateu aquele mini desespero. Me achei o cara mais idiota do mundo de ter pensado com a cabeça de brasileiro de "só mais 5 minutinhos", pensei no dinheiro que tinha perdido, na oportunidade que eu não teria de fazer este passeio outra vez... foram 10 longos minutos até a hora que, finalmente, a guia chegou e chamou nosso nome. Ufa! Entramos no ônibus às 7:15 e ele já estava bem cheio! Ou seja, de fato, eles começaram a passar nos hotéis a partir das 7:00h em ponto. Esse pessoal é bem organizado, fica a dica aí pra você ser pontual e não passar pela mesma situação rsrs. Entramos em um ônibus bem confortável, com uma guia falando em espanhol e inglês. Levamos cerca de 1:30h até a entrada do parque, onde dois guardas entram no ônibus para receber os AR$ 500,00. Depois andamos mais uns 30 minutos até as passarelas do Perito Moreno. Tivemos em torno de 1:30h para explorar as passarelas, uma vista simplesmente incrível! Não cansava de contemplar aquela paisagem surreal, o Perito Moreno, ver a geleira partindo, os blocos de gelo caindo na água e fazendo aquele som de trovão. Mesmo com o tempo fechado, a paisagem não deixa de ser espetacular. Achei o tempo curto, seria capaz de passar o dia naquele lugar. Muito bom pra meditar em quanto somos insignificantes diante da grandiosidade do Criador. Quando deu o tempo, voltamos ao ponto de encontro para pegar o ônibus e fomos para um cais, onde embarcamos numa lancha que nos levaria até o ponto de apoio para o trekking. Neste abrigo podemos deixar as bolsas e mochilas para fazer o trekking mais leve (o lugar é seguro e possui câmeras de vigilância). É ali que também paramos pra almoçar. Fomos então para a parte mais aguardada: o MiniTrekking no Perito Moreno! Após algumas explicações do guia, colocamos os "grampones" e iniciamos o trekking. Experiência espetacular! Vi muitas pessoas comentando que era um passeio caro. De fato é, mas quem valoriza experiências encara isso como investimento. Eu e a Ana Luiza estávamos simplesmente eufóricos! Nos sentíamos num cenário de filme, num programa do canal Off, num documentário do NatGeo... Algumas observações: O passeio não exige tanto preparo físico, até mesmo sedentários conseguem fazer. Você faz o trekking com 2 guias e um grupo de no máximo 16 pessoas, divididos por idioma (inglês ou espanhol). Não é necessário ter bota de trekking impermeável, eu e a Ana estávamos com tênis normais. Mas é bom ter, caso chova no dia isso poder salvar seu passeio. Com respeito a roupa, fomos com uma segunda pele e um casaco 3 em 1 (revestimento interno com fleece e revestimento externo impermeável e corta-vento). Compramos da marca Quechua na Decathlon. Para calça, fui com uma segunda pele e jeans. Levamos ainda um par de luvas e gorro. Para toda a viagem pela patagônia, foi mais do que suficiente, até senti calor algumas partes do trekking. Depois o ônibus nos levou de volta ao Hostel, chegamos por volta das 18:30h. Conversei com algumas pessoas sobre os passeios que tinham feito e cheguei à seguinte conclusão: Se estiver orçamento, faça o Big Ice (trekking de maior duração e que exige certo preparo físico). Caso não, faça o Minitrekking. É consenso geral que essa é a melhor experiência de Calafate. Conversei com pessoas que fizeram o passeio "Rios de Hielo" e acharam chato, um negócio bem turistão. Me falaram muito bem da Estância Cristina, me deu vontade de fazer se tivesse mais tempo na cidade. Também cogitaria voltar às passarelas do Perito Moreno e passar uma tarde explorando todos os setores. 3º DIA - IDA PARA TORRES DEL PAINE DE CARRO ALUGADO - 10/03/17 Queria muito incluir TDP no meu roteiro. Vi que muitos fizeram um tour no parque no mesmo dia, bate e volta de Calafate. Achei o preço muito caro e muito cansativo: 9 horas dentro do ônibus e apenas 3 no parque. Assim, achei que indo de carro e passando 1 noite dentro do parque seria a melhor forma de conhecer o básico, mas sem o ritmo alucinante de um city-tour de parque com bate-volta. Acordamos cedo, arrumamos tudo, fizemos check-out do hostel e fui retirar o carro na Álamo. Já havia reservado pelo rentalcars.com com antecedência, e lá dei graças a Deus por ser precavido: enquanto preenchia a ficha, um cara veio alugar e já estava tudo reservado pelas próximas 2 semanas! Fica a dica: reserve seu carro com antecedência para evitar surpresas. Caso vá cruzar a fronteira, não deixe de informar isso na hora da retirada. Eles preparam um documento que deverá ser apresentado na aduana, que você não pode perder de jeito nenhum! Para isso eles cobram uma taxa de US$ 90,00. Isso mesmo, em DÓLARES! Não vai se confundir... já fui sabendo dessa taxa porque liguei pra eles antes, mas não havia lido sobre isso antes em nenhum fórum. Então fica mais uma dica. Sobre o trajeto de Calafate a Torres del Paine: Eu vou a seguir contar como foi nosso trajeto de ida e de volta. Mas para resumir aqui: Sem dúvidas, o melhor trajeto é ir até Esperanza pela Ruta 40 e depois pela Ruta 5. Se você olhar no mapa verá que existe um atalho que corta um bom caminho, mas vai por mim: não vale a pena. Ele é de rípio, qualidade bem ruim, você corre alto risco de ter um problema com os pneus, no meio do nada, sem sinal de celular, e ninguém passa por lá. Embora a distância por Esperanza seja maior, o fato do caminho ser asfaltado faz o tempo de viagem ser o mesmo. Você gasta um pouco mais de combustível (só um pontinho a mais no tanque) mas a segurança e o conforto compensam (andar de carro por muito tempo no rípio é bem desconfortável). De Esperanza a Torres del Paine, aí sim, vale a pena cortar caminho. A distância no rípio é pequena, e a economia de tempo é bastante significativa. A passagem por Puerto Natales é totalmente dispensável. Muito bem, essa era a ideia de trajeto quando fomos. Logo na saída de Calafate, vimos um casal de mochileiros pedindo carona na estrada e convidamos pra irem conosco. Iam para Puerto Natales, combinamos de deixá-los na entrada de Torres del Paine, onde as opções até Puerto Natales são abundantes e muito mais baratas. Paramos em Esperanza, enchemos o tanque, fizemos um lanche e fomos. Pedi pra Ana Luiza verificar no GPS o trajeto, e ela disse: "Ta mandando ir direto". Fui... a conversa no carro era boa, apreciávamos o cenário, até que eu notei que estava levando mais tempo que o esperado. Continuei seguindo o GPS, e finalmente chegamos à fronteira. Levamos em torno de 20 minutos em cada aduana, depois seguimos viagem. Finalmente estávamos no chile, mas eu senti falta do atalho de rípio. Cadê ele? Já cruzamos a fronteira e ainda estamos no asfalto! Eis que surge uma placa: PUERTO NATALES: 3 KM! MEU DEUS! Acabamos nos distraindo com a conversa, passamos da entrada do atalho e perdemos 3 horas de viagem fazendo o desvio por Puerto Natales. Sorte do casal de mochileiros, que já ficou no seu destino final rs. Eu levei um tempo pra me recuperar desse mico... o planejamento era passar a tarde em TDP, depois curtir o dia seguinte de manhã e voltar pra Calafate de tarde. Nessa brincadeira a tarde já estava praticamente perdida, além de ter gasto muito mais gasolina. Enfim, seguimos viagem até o Parque Nacional. Durante o planejamento, vi que a maioria das pessoas se hospeda em Puerto Natales. Embora seja bem mais barato, a forma que nós visitaríamos o parque (pouco tempo e de carro) tornaria a estadia em Puerto Natales inviável. Assim, optei por ficar próximo ao Parque. Nos hospedamos no Nash Patagônia, próximo à entrada da Laguna Amarga (US$ 120,00 dólares por noite, por pessoa). A hospedagem no parque é cara, a principio ficaríamos em um quarto compartilhado mas que, por sorte, só tinha nós 2. No preço já está incluso um bom café da manhã, um EXCELENTE jantar (Sopa de entrada, uma bela carne com batatas, vinho e sobremesa, coisa fina) e um saco com lanche pro almoço (água, barras de cereais, uma salada de quinua, granola, e um sanduiche). O hostel fica a 2 minutos de carro da portaria do parque. Depois do check-in, fomos conhecer o Parque. Fizemos o cadastro na portaria e pagamos nossos tickets de entrada ($18.000 pesos chilenos por pessoa, válido por 3 dias). Seguimos a placa em direção do Lago Pehoé. No parque as estradas são de rípio, assim como o atalho, se anda em média a 50 km/h. Nosso carro era o Uno 1.0 que aguentou bem. Desde a portaria, levamos cerca de 30 minutos até a Hospedaria Pehoé, um belo hotel que fica no lago com uma pontezinha de acesso. O tempo estava fechado, a vista encoberta, mas o lugar não deixava de ser encantador. Curtimos um pouco mas o cansaço bateu forte, voltamos ao hostel para descansar e acordar bem cedo no dia seguinte. Torcia para que o tempo abrisse. 4º DIA - TORRES DEL PAINE E VOLTA PARA CALAFATE - 11/03/17 O relógio despertou às 6:00h. Levantei e fui ver o tempo lá fora. Mal pude conter a emoção quando vi que não havia uma única nuvem. Tempo totalmente limpo. Até me questionei se era digno deste presente de Deus. Todos no hostel informaram que o tempo estava assim já a mais de uma semana, e no meu único dia lá ele resolveu abrir. Ainda estava escuro, entrei para arrumar tudo rápido, tomar o banho e sair para apreciar o nascer do sol. Tomamos o café, nos despedimos e voltamos pro parque. Às 7:30h já estávamos parando o carro em um estacionamento próximo ao Mirante Pehoé (passando a Hospedaria Pehoé, existe uma placa indicando o estacionamento, é um recuo bem pequeno que não dá pra parar nem 5 carros direito rs). A partir deste mirante tem uma trilha que não sabíamos bem onde ia dar, só tínhamos certeza de que a vista seria espetacular. Depois de mais ou menos 1 hora de subida, fizemos um desvio e paramos em uma pedra. Nem precisamos ir até o fim da trilha, aquele ali seria nosso lugar. Sentamos ali e contemplamos a vida. Conversamos, lemos, oramos, tiramos foto, passamos mais de 2 horas ali. A sensação era de que, como estávamos sós e desviamos da trilha, tinhamos descoberto aquela pedra. Era um lugar só nosso. Já era hora de voltar, ainda queria conhecer o Mirador de Los Cuernos. Pegamos o carro e voltamos por uns 10 minutos, pegamos o desvio até a Cafeteria Pudeto, onde saem os barcos para o circuito W. Muitos ônibus ficam ali esperando os mochileiros chegarem para levar até Puerto Natales. Um pouco depois há um estacionamento para o mirador do Salto Grande e o Los Cuernos. Do estacionamento, andamos 10 minutos até o Salto Grande. Uma bela vista, a cor da água é incrível! Dali, seguimos a trilha por mais ou menos 45 minutos. O caminho é de nível fácil, beirando o Lago Nordenskjold. Cruzamos com alguns grupos no caminho, inclusive de idosos, até mesmo uma família com 4 crianças. No fim, chegamos ao Mirador de los Cuernos, simplesmente sensacional. Curtimos a vista por uns 30 minutos. Queria ter ficado mais, muito mais... mas infelizmente ainda precisávamos voltar a Calafate, o carro tinha que ser devolvido até as 20:00h. Então lá fomos nós, pegar a estrada de volta. Ainda paramos no caminho pra apreciar os guanacos(parentes das lhamas). Era o fim da nossa curtíssima viagem à Patagônia. A sensação era de que havia muito mais a conhecer, mas o basicão que fizemos valeu a pena demais! Caso vá nesse esquema de carro, sem fazer os circuitos W ou O, pode dedicar um dia à trilha da base das torres, e um outro ao Lago Grey. Na volta, agora sim, pegamos o atalho de rípio pela fronteira e cortamos um belo caminho. Na empolgação de cortar caminho, acabei pegando o atalho de rípio pela Ruta 40, sem passar por Esperanza, e me arrependi. A distância é longa demais, várias vezes achei que ia furar o pneu do carro, e tive a sensação de que levei mais tempo do que se fosse pelo caminho de asfalto. Por isso a dica do trajeto lá em cima. Chegamos em Calafate à noite, cansados mas realizados. Comi o tradicional cordeiro patagônico e fomos dormir. No dia seguinte, na hora combinada o transfer da VES nos pegou no hostel e nos levou ao Aeroporto. Nos despedimos da Paragônia, com a sensação de que precisamos voltar.
  20. Alguém sabe se tem empresa que aluga equipamentos para camping? Tenho interesse em fazer a trilha maior em novembro e iremos acampar. Mas me disseram que talvez seja possível alugar barraca, sacos de dormir etc pra não ter que ficar carregando tudo isso nas costas por tanto tempo rsrs
  21. Saudações, povo da mochila. O relato que segue refere-se à uma viagem realizada há um ano atrás (ontem exatos 365 dias que finalizei o Circuito O!). Devido à correria da vida e uma promessa de que parte dele sairia em uma revista de escalada e montanhismo, acabei não publicando antes. Apesar de possíveis mudanças nos preços e regras de visitação, possui uma série de informações relevantes em um texto que lembra um diário sobre essa viagem de 26 dias (de 25/12/2015 a 18/01/2016) passando por Ushuaia, Punta Arenas, Puerto Natales, El Chaltén, El Calafate e ainda uma curta passagem por Buenos Aires. Foram mais de 200 km de trilhas percorridas, sendo o objetivo principal da viagem o circuito O em Torres del Paine. Para ajudar na coleta de informações pelo amigo leitor, aquelas que considero chave ou relevantes estão em negrito. O relato está dividido em quatro partes: I- Informações Gerais; II- Ushuaia a Puerto Natales; III- Torres del Paine - Circuito O; IV- El Calafate, El Chaltén e Buenos Aires. Caso deseje informações mais objetivas ou não deseje ler a totalidade das palavras e devaneios deste que vos escreve, sugiro ler somente a Parte I e esta planilha resumo, além da Seção “Dicas”, da Parte III. PARTE I - INFORMAÇÕES GERAIS Lembro de quando ouvi sobre e vi imagens da Terra do Fogo pela primeira vez em uma reportagem do Globo Repórter. Tinha uns 12 ou 13 anos e o nome Terra do Fogo me pareceu misterioso, místico, atiçando minha curiosidade. Depois de muito tempo habitando minha mente, a viagem começou a tomar forma. Inicialmente programada para acontecer no final de 2014, uma mudança de emprego e de cidade resultou no adiamento por um ano, mas todo o roteiro já estava traçado, sendo necessário apenas atualizar o orçamento e buscar algumas informações adicionais. A essa empreitada, juntaram-se dois amigos do grupo Trekking Brasília: Luzardo Alves e João Paulo Marques Passagens Como minha família passaria o Natal em Campinas, acabei comprando diferentes trechos de voo: Brasília-São Paulo (ida e volta, Gol), São Paulo-Buenos Aires (ida e volta, TAM), Buenos Aires-Ushuaia (ida, Aerolíneas Argentinas) e El Calafate-Buenos Aires (ida). Os trechos São Paulo-Buenos Aires e El Calafate-Buenos Aires foram adquiridos por pontos, sendo o primeiro um generoso e bem-vindo presente de meu pai que estava com vários pontos acumulados e nenhuma perspectiva de usá-los no curto prazo. O trecho Buenos Aires-Ushuaia custou R$ 850,00. Dinheiro/Câmbio Optei por levar dólares, alguns reais e cartão de crédito. Quando comprei as passagens, o dólar estava na casa dos R$ 3,40 e para meu desespero começou a disparar. Atento às projeções pessimistas, e que se concretizaram, fiz questão de comprar dólares assim que possível e consegui comprar a R$ 3,80. Embora muitos recomendem realizar câmbio em Buenos Aires, essa não era uma opção viável dentro de nosso itinerário. Graças às decisões do Macri de acabar com o controle cambial, a cotação oficial do dólar estava US$ 1,00 = AR$ 13,00, nenhuma discrepância significativa da paralela. No dia 25/12 o real estava bem valorizado ante ao peso (R$ 1,00 = AR$ 4,50). Se fosse possível prever, teria levado reais e ficaria uma manhã apenas para cambiar. Nos dias seguintes, entretanto, o real começou a cair. Na região patagônica, levar dólares ou reais seria equivalente pois o câmbio era R$ 1,00 = AR$ 3,50 e US$1,00 = 12,50 a 13,50. No Chile o câmbio estava em média R$ 1,00 = CH$ 180 e US$ 1,00 = CH$ 650 a 700. Mochila Fui com minha Curtlo Mountaineer 60+15 velha de guerra. Excelente mochila. Para uma viagem como essa e para realizar o circuito O de forma autônoma recomendo no mínimo uma mochila de 60 Litros. Como fui com câmera DSLR, duas objetivas e tripé, os 15 Litros a mais foram muito úteis. Nessa viagem apliquei uma dica que li no livro Manual de Trekking e Aventura, do Guilherme Cavallari para proteger a mochila no avião: colocá-la em um saco. Eu usei um saco plástico grosso, mas pode usar um saco de fertilizante ou de batata. São leves e você pode guardá-lo dobrado na mochila. Como algumas companhias aéreas ou não fornecem mais sacos plásticos para embalar a mochila ou fornecem sacos de litragem pequena, recomendo fortemente para proteger tanto a mochila quanto a capa de chuva. Transporte Terrestre Entre as cidades, viajamos por empresas de transporte, mas é completamente possível fazer essa viagem de carona. Conheci várias pessoas que estavam viajando dessa forma e constantemente revia na próxima cidade alguns cidadãos que vi à beira da estrada. Se o amigo leitor dispuser de tempo e vontade, acredito que valha muito a pena não apenas pela economia, mas pela própria experiência em si Disponibilizo aqui link para planilha com o roteiro executado, preços, itens levados. Se tivesse mais alguns dias teria ido a Los Antiguos e a Chile Chico. PARTE II - USHUAIA A PUERTO NATALES O voo para Buenos Aires partiu de São Paulo. Antes do embarque aproveitei para passar no posto médico do aeroporto para ter um parecer sobre um calombo que surgiu na minha coxa esquerda, mas que era apenas uma inflamação dos folículos pilosos, exigindo apenas uso de um antiinflamatório (Profenid 100mg ). Esta é a segunda vez que faço uso dos serviços médicos dos postos dos aeroportos e deixo a dica ao amigo leitor. O atendimento é bom e gratuito. Na sala de embarque encontrei o Luzardo. Partimos de São Paulo no dia 25/12, às 18:30, com uma hora de atraso e chegamos às 20:10 em Buenos Aires, onde encontramos o João. Aproveitamos para fazer câmbio de US$ 100,00 no aeroporto. Luzardo e João pegaram um táxi para dar uma volta em Puerto Madero e eu fiquei no aeroporto. Comi um lanche extremamente caro no piso superior, AR$ 126,00 por uma baguete e uma sprite, e depois fui descansar. Às 4:00 fizemos o despacho das malas e às 5:35 o avião decolou. USHUAIA 26/12. Cheguei em Ushuaia às 9:10. João e Luzardo chegaram cerca de 20 minutos depois. Pegamos as malas, um mapa no balcão de informações e, após apreciar por uns minutos a bela cadeia de montanhas que guarda a cidade, tomamos um táxi para nos levar até o Hostel Antarctica ao custo de $115. Recomendo fortemente o Hostel Antarctica. Ambiente legal, equipe atenciosa e acolhedora, boa estrutura e café da manhã reforçado. Destaque para o fato de que o hostel fornece ovos e o hóspede prepara à sua maneira. A diária estava $260 e o público é variado, viajantes solitários, casais jovens e idosos, famílias, uma das quais me permitiu praticar o alemão durante uma boa conversa. Para esse dia não havíamos planejado nada. Por sugestão do recepcionista do Hostel, acabamos comprando o passeio para a Laguna Esmeralda por volta das 11h, ao custo de $250, ida e volta. Recomendo. É uma trilha leve e o lugar é realmente belo. Quando retornamos ao estacionamento, havia ainda 1h até nosso transfer chegar. Para nossa surpresa, uma senhora que realiza transfers por outra empresa nos viu e ofereceu transporte, de graça e ligou para a outra empresa, e ainda ganhamos croissant e café. De volta à cidade aproveitamos para fazer compras no mercado e garantir nossa janta e almoço para os próximos dias, por preço bem mais em conta que os dos restaurantes. 27/12. Domingo. Grande parte das lojas e mercados fechados, o que impediu-nos de comprar a passagem para Punta Arenas. Cedo pela manhã fui efetuar o pagamento do passeio do Beagle Channel (Islas de los Pájaros, Lobos, Farol e descida na Isla Carello) o qual reservei antecipadamente por email com a Canoero (http://www.catamaranescanoero.com.ar/principal.htm) para as 15:30 daquele dia. Aproveitei para pedir desconto, visto que seriam 3 pessoas e consegui baixar de $750 para $700. $50, não muito no total mas já ajudava em alguma coisa. Dei uma caminhada na cidade ainda adormecida e voltei ao Hostel para encontrar os piás e ir ao Presídio. Presídio. O ingresso custou $150. Já há bastante informação disponível sobre o Museu, me limitarei a dizer que eu gostei e acho um passeio bem válido para se conhecer a história de Ushuaia e da navegação. Detalhe para os mapas e cartas náuticas antigas e a seção dedicada aos Yamanas, povo original da região, já extinto. Beagle Channel. Escolhi o horário da 15:30 por conta da luz começar a perder intensidade nesse horário e não estourar as fotos. No fim, com o tempo nublado ficou ainda melhor. Enquanto esperávamos a partida, Luzardo resolveu brincar que seria fácil fazer novos amigos brasileiros. Ao falar alto “Brasil? Alguém?”, atrás dele havia um brasileiro, Daniel, com o qual fizemos amizade e trocamos ideias sobre os planos de viagem. Ele estava viajando solo, de moto, e iria também para Torres del Paine. Acabou que combinamos dele nos informar por email se as lojas de aluguel de equipamento estariam abertas no dia 01 de janeiro e o preço dos equipamentos. O passeio do Beagle Channel também é bem conhecido e há muita informação disponível a respeito. É um passeio bem tranquilo, padrão, mas vale a pena. O lugar é realmente bonito e instiga a imaginação. O tempo estava fechado e o vento frio. A descida na Isla Carello é interessante para se conhecer o ecossistema e imaginar como os nativos sobreviviam na região. Voltamos à Ushuaia depois das 18 horas. 28/12. Acordamos cedo para garantir as passagens para Punta Arenas. Pensamos em adiantar 1 dia e sair de Ushuaia em 29/12, para chegar em Puerto Natales no dia 31. Depois de rodar todas as agências de viagem (não existe uma rodoviária com balcões das empresas), tivemos que voltar ao planejamento original e compramos para o dia 30/12. Minha recomendação ao amigo leitor é que compre as passagens para Punta Arenas assim que chegar em Ushuaia, se seu planejamento não for flexível. Cerro Martial. Como perdemos a manhã, resolvemos deixar o Parque Nacional para o dia seguinte e fomos ao Cerro Martial. Nos juntamos a outra brasileira, Clara, e pegamos um táxi até a entrada ($135). A vista é bacana e o lugar vale uma visita se você tiver tempo, mas não consideraria um must-see. Pegamos um táxi por $120 até o centro de Ushuaia. Sinceramente, acho que teria valido mais a pena dedicar esse dia ao Parque Nacional, pernoitando lá e subindo o Cerro Guanaco, pois achei um dia pouco para o Parque. 29/12. Parque Nacional Tierra del Fuego. Tiramos o dia para o Parque. Saímos no ônibus das 10 e pouco, mas recomendo sair no primeiro transfer. O custo foi $370 ($270 transfer + $100 tarifa Mercosul). Fomos até o Correio del Fin del Mundo, para em troca de alguns dólares - 2 ou 5, não lembro ao certo - obter o carimbo no passaporte. Lá vimos a lancha sendo carregada com cartas e postais e deixando a margem do lago. Fizemos a Senda Costera, que margeia a Bahia Lapataia. Entretanto não fomos até Puerto Arias, indo somente até a Laguna Negra e retornando no penúltimo ônibus. PUNTA ARENAS 30/12. Ushuaia-Punta Arenas. Saímos cedo para pegar o ônibus para Punta Arenas. Os ônibus saem de um pátio na Av. Maipú, entre as ruas 25 de Mayo e Fadul. Nosso ônibus saiu às 5:30. Viagem longa mas com belas paisagens, clipes de músicas românticas e de sofrência que fariam Pablo sentir inveja, e passagens de fronteira com guardas mais preocupados com seu Whatasapp do que com as imagens do Raio X. Chegamos em Punta Arenas perto das 18h e fomos providenciar Câmbio. Há duas casas de câmbio próximas ao ponto de parada do ônibus. Na verdade, ficam na mesma quadra/rua (Colón) da oficina da Bus Sur. Câmbio feito, fomos providenciar a passagem para Puerto Natales na Bus Sur, ao custo de $6.000. Ao lado do balcão da BusSur há um balcão de empresa de turismo. Nosso plano era fazer a Pinguinera clássica (ilhas Marta e Magdalena), entretanto o atendente nos ofereceu o passeio do Pinguim Rei, dizendo que era mais completo, sendo possível avistar lobos marinhos e baleias. Enquanto a Pinguinera custava $35.000, o passeio do Pinguim Rei custava $60.000 ($12.000 são pagos na entrada da reserva). Com certa relutância mas confiando no vendedor, acabamos comprando o passeio do Pingüim Rei, que na verdade, se mostrou não um passeio mais completo, mas um completamente diferente da Pinguinera e da propaganda feita. Explicarei nos próximos parágrafos. Saímos da BusSur e fomos em direção ao hostel que havíamos reservado, o Samarce House. Depois de andarmos alguns bons minutos e não encontrarmos, resolvemos pedir ajuda em uma lavanderia. A dona da lavanderia foi bastante solícita, tentando inclusive ligar para o hostel, sem sucesso. Ao ver a foto da fachada do Hostel, ela percebeu que se tratava de uma casa ali perto e descobrimos que o endereço na internet estava errado. O Hostel fica, na verdade, na Av. España, 940. Ao chegarmos achamos o local com cara de abandonado, uma perfeita casa para um filme de suspense ou terror, mas o lugar é aconchegante e limpo. O café da manhã é reforçado, servido, pelo menos num dos dias que lá ficamos, pelo próprio senhor Samarce, um sujeito simpático e conversador. A diária lá custou $11,000. Recomendo! Deixamos as malas e pegamos um táxi ($2000) até a zona franca, pois pensávamos em comprar alguma coisa, mas só compramos o gás para Torres del Paine. Confesso que esperava maior variedade de marcas e produtos, mas algumas coisas realmente valem a pena lá, como por exemplo, as barracas Doitê. Aproveitamos e fomos ao mercado ao lado comprar a janta e suprimentos para Torres del Paine, e saímos de lá no fim do expediente. A essa hora há poucos táxis e poucos ônibus. Felizmente demos sorte de encontrar um taxista ainda no estacionamento e voltamos até o centro da cidade ($2350). De lá seguimos a pé até o Hostel e por lá ficamos. 31/12. Eram por volta das 7:30 quando o ônibus que nos levaria à pinguinera chegou. Fomos muito bem recepcionados pelo motorista e dono da agência, um sujeito bonachão, simpático e divertido, e o guia. Passamos buscar os demais participantes e aí seguimos. Como mencionei acima, este é um passeio completamente diferente do oferecido pelo vendedor, e completamente diferente da Pinguinera das ilhas Marta e Magdalena. O passeio foca em dois temas: a história do povo Selknam, um dos povos originais da ilha e exterminado pelos colonos, e no Pinguim Rei. É de fato interessante, mas passa-se muito mais tempo na van do que qualquer outra coisa. Cruza-se novamente o Estreito de Magalhães e retorna-se à Isla Grande de Tierra del Fuego, em direção ao município de Porvenir, onde há um pequeno mas interessante museu. Lá o guia contou sobre a história da região, realmente interessante, mas pesada e sanguinária e não consta nas páginas oficiais do Chile. O povo Selknam foi exterminado com direito à caçada e troca de orelhas, cabeças e seios por dinheiro, tendo a última representante falecido nos anos 60 ou 70. De lá segue-se para a Reserva do Pingüim-rei, com uma parada em uma panificadora, onde comprei uma deliciosa empanada por $1000. A partir daí é estrada e mais estrada, até chegar na reserva, que é privada. O pinguim-rei (Aptenodytes patagonicus) está voltando a colonizar a região da Bahia Inútil após ter sumido devido à caça e captura. Os bichos são realmente belos, sendo a segunda maior espécie de pinguins, atrás apenas do pinguim-imperador, (aquele do filme Happy Feet). Ao contrário da pinguinera clássica, aqui há cercas que delimitam a área onde o turista pode ficar, sendo impossível o contato direto com os animais, o que é positivo para não prejudicar a recolonização e não influenciar o comportamento ou saúde dos animais De lá, retorna-se para Punta Arenas, cruzando novamente o Estreito, o que dessa vez foi recompensador pelos vários golfinhos-de-commerson (Cephalorhynchus commersonii), com seus saltos e mergulhos sincronizados. Minha opinião sobre o passeio: É um passeio interessante, mas caro. Se o amigo leitor dispõe de tempo e dinheiro, ou quer muito ver essa espécie, que vá, pois é uma oportunidade única de vê-la. Caso tenha apenas um dia, como nós, e seu objetivo é chegar mais perto dos animais e tirar selfies, o passeio das ilhas Marta e Magdalena valerá mais a pena, além de ser $25.000 mais barato, um dinheiro que faz falta numa viagem. (http://www.pinguinorey.com/index.php ; http://turismoselknam.cl/) Retornamos a Punta Arenas próximo das 20 horas. Depois de tomar banho e descansar um pouco, começamos a pensar no que faríamos na noite de Reveillion. Decidimos por jantar e depois ir para a festa de virada na avenida. Entretanto, não foi fácil encontrar restaurantes aberto e com mesas disponíveis, pois os poucos necessitavam ter feito reserva. Acabamos encontrando o Submarino Amarillo, na Colón, e por lá ficamos. O local é um bar e restaurante, e também hotel, com temática rock´n´roll clássica e recebe apresentação de bandas. Pedi um salmão com purê de batatas e uma coca-cola, ao custo de $11.700. Indico o lugar. Saímos do bar rumo à concentração de pessoas. O clima no local estava agradável, bastante familiar. No microfone, o mestre de cerimônia animava o público, perguntando volte e meia quem iria “carretear hasta las 5 de la mañana”, ao que o povo respondia alegremente. Depois da contagem regressiva, dos fogos e da comemoração, uma banda local animou a festa, tocando inclusive IlarilariÊ. Para nossa surpresa e contrariando o discurso anterior, às 1h da manhã a música cessou, o mestre de cerimônia encerrou a festa e o povo foi para as suas casas. Voltamos ao hostel, arrumamos as mochilas e dormimos. PUERTO NATALES Partimos de Punta Arenas rumo a Puerto Natales no ônibus das 10 da manhã e chegamos por volta das 13:30. Assim que desembarcamos, fizemos o que todos devem fazer de imediato: providenciar o translado até o Parque Nacional. Apesar de termos planejado iniciar o circuito pela manhã do dia 02, decidimos pegar o ônibus das 14:30 para Torres del Paine, pois ainda precisávamos comprar mantimentos. Tomamos essa decisão tranquilamente pois durante a viagem de Ushuaia para Punta Arenas um holandês que havia feito o O confirmou que, mesmo indo ao parque no ônibus das 14:30, era totalmente possível completar o primeiro trecho ainda com luz. Conseguimos por $12000 negociando na Via Paine (O preço normal é $15000). Negociando desconto em outra empresa, me responderam sarcasticamente que se eu não quisesse comprar não teria problema, pois os ônibus sempre partem cheios, outros comprariam. . De lá caminhamos até nossa hospedagem, Hostal San Augustin, o qual não recomendo. A diária custa $13.500, com café da manhã fraco. O lugar não é ruim, é limpo, confortável, mas o tratamento é péssimo. Além disso, só faltava cobrar para respirar. Cobravam $500 ou $1000 pesos por dia, por mala no locker room. Existem opções melhores, como por exemplo, o Lili Patagonicos, no qual fizemos reserva para quando regressamos do Parque e o qual recomendo fortemente. O preço é $12.000 em quarto com 4 camas e banheiro, café da manhã bastante reforçado, wifi. Ótima estrutura e atendimento. Além disso, o locker room é gratuito e nos permitiram deixar o resto da bagagem lá enquanto percorriamos o Circuito O, obviamente com pagamento de 50% da diária. Lá eles também alugam e compram bons equipamentos para trekking por um bom preço. Almoçamos no Restaurante Marítimo ($9.250 o prato principal mais bebida). Lá também é servido menú completo por $4.000. Recomendo, assim como recomendo outro restaurante, o Carlitos, que serve um Menu mais saboroso e reforçado por cerca de $5.000 se não estou enganado. Depois do almoço no dia 01, fomos até a Kallpamayu, loja na qual reservamos por email a barraca que levaríamos para Paine. A loja é boa e foi uma das que me passou mais confiança. Pegamos uma Doité Aconcágua para 3 pessoas, por $ 6.500,00 o dia (depois de negociar). A barraca era grande o suficiente para nós três e seria uma boa casa para os próximos 7 dias, além de que dividiríamos o peso. No dia 02 pela manhã aproveitamos para comprar o restante dos mantimentos e eu aproveitei para comprar um capacete de escalada também na Kalpamayu, pois o preço estava compensando. Para quem está procurando equipamentos, os preços são bem convidativos. Almoçamos no Carlitos e às 14:30 partimos para o Parque. CONTINUA...
  22. Comprei as passagens em setembro/2017 e paguei R$2000,00 em SP-BUE; BUE-FTE; FTE-BUE-SP. Levei R$5000 para todos os gastos em 15 dias e voltei com R$800. DIA 01/01/2018 Saí de São Paulo bem cedo, num vôo da Copa muito tranquilo, mas sem nenhum entretenimento a bordo e com um bolo de laranja e uma barrinha de cereal como lanche. Não há suco disponível, apenas chá, café, água ou refrigerante. Chegando no Aeroparque em Buenos Aires, bem próximo ao desembarque internacional, esperei séculos na fila do Banco de La Nacion Argentina para trocar dinheiro. Nesse dia, a cotação era de R$1 = 5,7ARS. Troquei R$1000 achando que a cotação estava ótima, comprei o cartão SUBE por 25ARS, carreguei + 125ARS num quioste do open25hours (tem vários no aeroporto). No lado oposto do aeroporto, não lembro se desembarque ou embarque nacional, peguei o Arbus (arbus.com.ar) sentido centro. Custou 75ARS e foi pago com o cartão SUBE. Em menos de 25min o motorista avisou a parada do Obelisco e ali eu desci na avenida Corrientes e fui andando até o hostel. 06 Central Hostel (1375ARS por 6 noites) Hostel muito bem localizado, tem funcionários brasileiros e quartos e espaço de convivência amplos. Peca no wifi instável e no café da manhã super pobre. Recomendo pela localização que é excelente! Deixei tudo lá depois do check-in e saí sem rumo sentido Obelisco procurando um lugar para comer. Na Avenida Corrientes, 965 encontrei uma pizzaria que vendia combos de empanadas e comendo no balcão era mais barato. Paguei 75ARS em 2 empanadas + copo de refrigerante e ali perto comprei uma garrafa de 1,5L num quiosque open25h e paguei 45ARS. Vale a dica que a água da torneira é potável, só TEM sabor (no Chile é pior), o que é de se estranhar para nós. Decidi que faria diferente nessa viagem e fui andando perdida pela cidade sem nenhum destino. Passei pelo centro, Florida, Casa Rosada, Manzana de Las Luces, seguindo para San Telmo (e passando por uns lugares meio estranhos, mas felizmente policiados) e fui parar em Puerto Madero, que estava bem suja por conta da virada do ano. Decidi voltar para o hostel e dormir cedo porque tinha acordado de madrugada para o vôo. Gastos do dia: 25 pesos cartão sube 125 recarga (sendo 75 do arbus) 1375 hostel 06 central 75 empanadas + coca (corrientes 965) 45 pesos água 1,5L (open25h) Avenida 9 de Julio e entradinha da Corrientes ↑ Avenida 9 de julio ↑ Museu Fragatta Sarmiento em Puerto Madero ↑ Casa Rosada ↑ Dia 02/01/2018 Às 10h30, em frente ao Teatro Colón, saem grupos de Free Walking Tour para a Recoleta (http://www.buenosairesfreewalks.com/). Os guias ficam de camiseta laranja, não tem como errar. Começaram separando os grupos em espanhol e inglês e como tinha muita gente, foram 2 grupos só de inglês com umas 40 pessoas em cada. As paradas não são muitas, mas os guias explicam muito sobre a história da cidade, dos prédios e a cultura e o tour acabou sendo bem leve e menos cansativo do que eu imaginava só que mais longo também, finalizando no no cemitério da Recoleta (o meu acabou às 14:30, mas o previsto era 14h). A programação "Aline" era voltar para o centro e ir no City Center Tour da mesma empresa que começa às 15h. Como a caminhada de volta seria bem longa e eu estava com fome, desisti e fui andando sentido hostel. Descansei um pouco à tarde e à noite jantei no restaurante La Cabrera, indicação do taxista, porque o restaurante bem avaliado e escolhido antes estava fechado. Gastos do dia: 7ars 1maçã XXars tips free tour 139ars combo Mc Donalds 1300ars jantar para 2 no La cabrera Teatro Colon ↑ Dia 03/01/2018 Como o city tour do Centro no dia anterior não deu certo, decidi tentar com uma empresa diferente que tinha saída às 11h do Congresso Nacional (http://www.bafreetour.com/) com grupos apenas em inglês (antes passei na calle Lavalle que tem várias lojinhas de souvenirs). Foi um grupo menor com menos de 10 pessoas se não me engano, mas também muito leve. A guia era muito simpática, explicava super bem e de fato, deu dicas sobre a cidade e os portenhos. Depois do almoço que já era lanche da tarde (no mesmo restaurante do dia anterior - El Rey - Corrientes 965), fui para Puerto Madero novamente. Me apaixonei por esse contraste de novo e antigo da cidade e achei lindo o Parque de las Mujeres Argentinas. Gastos do dia: 199ars globo de neve (lavalle 969) 100ars por 2 bandeiras/patches para o mochilão 45ars sorvete XXars ba free tour 40ars água 500ml 60ars 2 pedaços pizza + refri (el rey) Congresso Nacional ↑ Obelisco ↑ Parque de las Mujeres em Puerto Madero ↑ Dia 04/01 O dia começou na caminhada até a livraria El Ateneo Gran Splendid e que coisa maravilhosa são livros dentro de um teatro! Fiquei apaixonada, nem um pouco envergonhada de tirar mil fotos e fazer vídeos porque tinham muitos turistas lá também. De lá, segui para a faculdade de direito de Buenos Aires, passei pela Floralis Generica e acabei no Museo Nacional de Bellas Artes (gratuito). Gastei umas 2horas andando ali dentro e quando bateu a fome, fui até o SanJuanino (Posadas 1515) almoçar (lanche da tarde já). Pedi uma empanada que estava deliciosa e depois uma massa, mas vi muitas pessoas que pediram apenas as empanadas, sem prato principal. À noite era dia de tango e decidi escolher um menos turístico, mais simples e optei pelo Centro Cultural Borges que fica dentro das Galerías Pacífico. Começou as 20h, com duração de 1h10, misturando o tango de 4 casais, performance de músicos e um cantor - tudo ao vivíssimo. Superou minhas expectativas! De volta ao centro (porque a Galería e a praça de alimentação fecham as 21h), jantamos no restaurante com melhor custo-benefício da viagem e porque quando eu gosto, gosto de verdade, repito muito mesmo e conto e levo todo mundo que encontro. Gastos do dia: 250ars almoço empanada + massa + Pepsi 430ars tango CC Borges 40ars pão de queijo Starbucks 147ars jantar pizza no El Rei El Ateneo ↑ Faculdade de direito de Buenos Aires ↑ Floralis Generica ↑ San Juanino Empanadas ↑ Dia 05/01 Planejamento de parques, dia incrível, ansiedade a mil e... chuva! Triste, mas estamos sujeitos a isso em qualquer viagem. O roteiro que eu deveria ter feito era esse, mas nada deu certo e junto com mais 2 brasileiros, fomos ao Malba (atente-se ao horário de abertura, porque, como nós, muitos turistas tiveram a mesma ideia e deram de cara com as portas ainda fechadas). Sobre o Museu: prefiro o Bellas Artes, mas tem quem ache incrível, então melhor ver com os próprios olhos. Saímos dali e fomos até o Il Quotidiano (Uber), restaurante de massas super aconchegante, com pratos muiiiito bons. De lá, pegamos o metrô para tentar a visita guiada do Congresso Nacional e chegando lá fomos informados que as visitas estavam suspensas até fevereiro por conta das férias. Não fez sentido algum porque a cidade estava cheia de turistas, mas enfim, eram férias dos portenhos também. Paciência, mais um negócio do roteiro que não deu para fazer. Fomos até a Calle Lavalle comprar o restante das minhas lembrancinhas e lá descobri a Bomboneria Royal Lavalle (número 951) com preços bem camaradas para alfajor (me empolguei um pouco). Das marcas que experimentei, os que mais gostei foram: Milka sabor Mousse; Negro (chocolate ao leite com recheio de doce de leite e coberto com castanhas); Jorgito da embalagem azul (chocolate branco por fora e recheio de doce de leite). À tarde/noite fomos na Florida e nas Galerías Pacífico novamente. Gastos do dia: 25ars uber 120ars Malba 18ars uber 209ars Il quotidiano 282ars alfajor 120ars 2 imãs geladeira 180ars 2 chaveiros mafalda 150ars 2 chaveiros 50ars lanche avulso mc donalds Brazucas no restaurante Il Quotidiano ↑ Dia 06/01 Impressões sobre Buenos Aires: maior do que eu pensava, mais limpa, mais bonita. A impressão que tive é de que tudo é muito grande - ruas, praças, parques e numa arquitetura linda de estilo europeu (minha sogra por ex não curtiu e achou tudo com cara de velho), com muito mais para ver do que eu tinha planejado. Fiquei 5 dias quase completos e me arrependo de não ter colocado mais 2 para ver tudo com mais calma ainda, voltar aos locais que não consegui por causa da chuva e fazer as visitas guiadas nos prédios que tinha programado. Não tive muito contato com os portenhos, mas o pouco que vi, mostraram-se bem educados, sempre simpáticos e ainda mais ao saber que eu era brasileira. Apesar de não ser o estilo de viagem que eu curto, gostei e voltaria com certeza! Esse dia foi praticamente perdido indo para El Chaltén. Saí do aeroparque às 12:50 e chegando no aeroporto de El Calafate, comprei o transfer Aeroporto FTE-Chalten e Chalten-Centro de Calafate com a empresa Las Lengas, que solicita a data de retorno, o hostel da saída e pede para confirmar um dia antes na rodoviária de El Chaltén sua partida. O transporte demorou aproximadamente 3h, com uma parada na La Leona, um hotel/restaurante/banheiro e mais duas paradas em miradores para o Fitz Roy. Cheguei já noite, deixei tudo no hostel e saí para jantar e tirar fotos no mochilão símbolo da cidadezinha. O mais impressionante foi jantar no Patagonicus com vista para as montanhas vendo o pôr-do-sol e as cores do céu depois das 22h. Incrível como os dias são longos! Gastos do dia: 110ars Uber para o Aeroparque 220ars Almoço no Hard Rock aeroparque 1300 Transfer FTE-Chalten e Chalten-calafate (las lengas) 2250ars Hostel La Luna Country 35ars kiwi e pêssego 40ars pão 120 Pizza no Patagonicus Chegando em El Chalten ↑ Parador La leona ↑ Uma das paradas que o motorista faz no caminho ↑ Mochila símbolo de El Chaltén ↑ Dia 07/01 Usei o aplicativo Windguru para a previsão do tempo porque é o mais recomendado para esse clima de montanha e o que mais acerta, pelo que eu ouvi dizer, fora que lá todo mundo usa esse. Havia previsão de chuva depois de meio-dia, então decidi acordar cedo e fazer a trilha para Laguna Torre porque tinha lido que eram só 14km e o sendero sai bem pertinho do hostel em que fiquei. Saí às 7h15 e em 2:30 cheguei na Laguna. A trilha não tem uma dificuldade alta e depois do km 5, vira praticamente uma reta só. Nos km 2, 7 e 8 você encontra pontos onde pode encher a garrafinha e no percurso vi 3 banheiros (recomendo fortemente que você fique apertado e não use, porque o cheiro é TENSO!). Chegando na Laguna (9km) e seguindo para o lado direito dela, a trilha continua por mais 3km (gastei 1h) até o Mirador Maestri, quando você chega bem mais perto do Glaciar. Essa continuação tem chão de pedrinhas soltas, uma desgraça que dificulta o percurso, mas a recompensa vale o esforço. Poucos viajantes continuam subindo até lá (encontrei apenas 2 voltando enquanto eu subia) e recomendo que você apenas faça isso se não houver ventos, porque é alto, em vários pontos estreito e fácil de escorregar. Qualquer ventinho que te desequilibre pode causar um acidente. Pausa para fotos, para contemplar aquela vista maravilhosa - SÓ PARA MIM, tempo fechando no Cerro Torre e decidi voltar. Enquanto voltava, o tempo fechou mesmo e começou a garoar um pouquinho. Essas mudanças são muito frequentes, então é importante ter um saquinho para proteger câmera, celular, passaporte e coisas de valor e um casaco de prefência impermeável. De volta ao hostel, depois de tomar banho e descansar um pouco, fui atrás de um mercado (achei 2 na cidadezinha), jantar e dormir. Gastos do dia: 55ars Frutas 84ars 3 iogurtes 270ars Jantar no La Estepa (+30ars gorjeta) Cerro Torre ao fundo ↑ Mirador para o Cerro Torre ↑ Laguna Torre ↑ Caminho para o Mirador Maestri: pirambeira de um lado e de outro também ↑ Vista do Mirador Maestri ↑ Dia 08/01 Previsão de chuva e ventos muito fortes, deixei de lado do plano de ir para Laguna de Los 3 e fui numa trilha mais de boas, sendo que cada trecho tem 3.5km. Saí umas 9h para o Chorrilo del Salto e tirando o vento forte que peguei na estrada aberta e dificultou muito a caminhada, a trilha é bem tranquila. Cachoeira linda só para olhar, com água congelante e queda muito forte para banhos. Depois do almoço, fui para outra trilha fácil que era Mirador de Los Condores (1km) e Las Aguilas (2km), que tem saída próxima da rodoviária. Começando pelo Mirador de Los Condores, a trilha é uma subida não muito íngreme que dá uma vista muito bonita para o cordão de Adela. Como ventava muito, acabei não continuando para Las Águilas mas me disseram que a vista de lá é ainda mais bonita, com alcance até o Lago Viedma. Gastos do dia: 300ars Almoço La Tapera Jantar no hostel (sobra do dia anterior) Caminhando contra o vento ↑ Chorrillo del Salto ↑ Vista de El Chaltén do Mirador de Los condores ↑ Dia 09/01 Com tempo favorável, reservei no dia anterior no próprio hostel o transfer para Hosteria Pilar, que me buscou às 8h e foi passando em outros hoteis pegando turistas. O percurso leva uns 30min, com uma parada num mirador para o Fitz Roy. Esse trajeto tem uma subida menos puxada que a trilha que sai direto da cidade e te possibilita ir e voltar por caminhos diferentes, com visões diferentes, com 10km em cada trecho. O caminho de ida é por bosques dentro da floresta que dão a sensação de filme, um cenário surreal, meio mágico, com pequenas subidas e descidas e o Fitz Roy te acompanhando do lado direito em boa parte do caminho. O brinde desse trajeto fica por conta do Glaciar Piedras Brancas - lindão lá no meio do nada. Depois ou um pouco antes do acampamento Poincenot, não me lembro bem, me deparei com umas 3 pequenas trilhas no caminho. Não reparei que uma delas tinha troncos pequenos colocados em cima e segui um pouco até perceber que tava estranho pois não havia ninguém na minha frente e nem atrás, então não pensei duas vezes e voltei. Não sei para onde elas iam, mas entravam mais na floresta, quando a trilha certa nesse ponto passava por um descampado. Minha dica então: sempre vá pela trilha mais batida e se encontrar pequenos troncos cruzados em alguma, essa não é a correta. Se estiver na dúvida, espere que algum turista vai chegar e você pode ir junto. O desespero começa mesmo no km 9 (levei umas 2h30 para chegar nesse ponto), quando você se depara com uma placa dizendo que falta 1km, com trilha de alta dificuldade desnível de 400m. Coma um alfajor, um gel de carboidrato ou qualquer coisa que dê energia e se tiver bastões de caminhada, não pense 2x e use muito! A subida é desgraçada, você começa achando que tá indo bem, aí os degraus de pedra começam a ficar cada vez maiores e mais molhados, você olha para cima achando que já andou bastante e vê umas formiguinhas se mexendo lá longe no alto. Nessa hora confesso que bateu o desespero, diminuí o ritmo, parei algumas vezes para respirar e apreciar a vista e uns 40min depois, cheguei na Laguna de los 3. Sério, nem todas as fotos da internet que eu tinha visto retratam o que é esse lugar! Pena que o Futz Roy tava meio tímido e encoberto durante todo o tempo que estive lá (e durante a trilha ele tava lindão todo se mostrando). Sentei, comi, quase chorei, continuei para o lado esquerdo e me deparei com a Laguna Sucia, do mesmo lindo tom de azul da sua vizinha maior. A volta foi punk, porque meus joelhos já podres (tenho condromalácia nos 2), resolveram que não era suficiente o problema que eu já tinha e me deram um novo no ligamento colateral lateral. Comecei a descida bem devagar, tentando não forçar muito (ilusão) e no final da descida (quase 1h depois, ou seja, mais tempo descendo que subindo esse trajeto), eu mal conseguia dobrar a perna esquerda. Continuei num ritmo tranquilo e dando graças a Deus que tudo virou uma reta quase infinita, passando por lugares lindíssimos. Depois de um determinado tempo você se depara com uma bifurcação que te dá a opção de contornar a Laguna Capri ou ir direto para Chaltén. Acredito que a distância seja a mesma, então vale a pena ir pela Laguna e ver uma paisagem linda e diferente. Nos últimos 3km mais ou menos, a reta dá lugar à descida (para o meu desespero e dor no joelho), mas nada muito íngreme. No último quilômetro temos o Mirador Rio de Las Vueltas com um visual lindíssimo que vale a parada. No final da trilha você chega no "finalzinho" do vilarejo, próximo a uma das ruas principais. Mortos de fome como estávamos (eu e mais um brasileiro), paramos no famoso restaurante Rancho Grande, com pratos bem servidos, wi-fi bom e preços bem razoáveis. Chegando no hostel, notei que meu joelho esquerdo estava muito inchado, então comecei a colocar gelo e tomar antiinflamatório torcendo para que não fosse nada sério. Gastos do dia: 150ars transfer hosteria el pilar 280ars almojanta no Rancho Grande No comecinho da trilha, perto da Hosteria Pilar ↑ Glaciar Piedras Brancas ↑ Laguna Capri vista de uma parte da trilha ↑ Finalzinho da trilha para Laguna de los 3 (quando vc acha que a subida acabou, percebe que ainda falta mais um tanto) ↑ Linda Laguna de los 3 e o Fitz Roy escondido ↑ Laguna Sucia ↑ Panorâmica da Laguna Sucia e de Los 3 ↑ Trilha de volta para EL Chalten ↑ Vista do Fitz Roy na trilha de volta (lembre de olhar para trás de vez em quando!) ↑ Laguna Capri ↑ Mirador Rio de las Vueltas ↑ Dia 10/01 O planejamento era fazer a trilha Lloma del Pliegue Tumbado, uma das mais bonitas segundo li e com aproximadamente 20km de percurso. Entretanto, nem tudo sai como planejado e ao acordar, meu joelho ainda doía muito, então decidi ficar de molho no hostel só tomando remédio e colocando gelo, já pensando em me poupar para o Big Ice que tinha reservado para fazer em Calafate. Saí apenas para almoçar, comprar frutas e alfajor. Gastos do dia: 140ars almoço (pizza) no Patagonicus 100ars 4 alfajor Milka 40ars Kiwi, banana e maçã Dia 11/01 Dia de terminar de arrumar o mochilão, fazer checkout e partir para El Calafate com o transfer que eu já tinha reservado quando cheguei no aeroporto na vinda. Logo de cara, percebe-se que El Calafate é uma cidade maior, mais bem estruturada para o turismo e com mais opções. Fiz checkin no Hostel Bla Guesthouse (recomendo pela qualidade do serviço, wifi e café-da-manhã muito bons, mas possuem poucos banheiros para a quantidade de quartos disponíveis) e fui para a avenida principal pagar pela reserva do Big Ice com a Hielo y Aventura (se você não possuir cartão de crédito ou não quiser pagar IOF, manda email para eles para reservar e pagar até 1 dia antes da data escolhida) e procurar as demais excursões que eu faria. Com o joelho ainda doendo muito e o esforço físico requerido para o Big Ice, achei melhor mudar a reserva e acabei pagando para o Mini Trekking. A única pergunta que fizeram foi porque da mudança e quando respondi, perguntaram se eu achava que estava bem o suficiente para o Mini. Na Chaltén Travel, na avenida principal, fechei o passeio Full Day para Torres del Paine e quase em frente, na própria agência da Estância Cristina, fechei o pacote Discovery. Jantei uma omelete gigante no Pietro's e depois tomei o famoso e delicioso sorvete de calafate (frutinha típica da Patagônia que parece uma blueberry) no Helados Tito. Sério, não vá embora sem experimentar o sorvete, porque a geleia não é tão boa quanto! Passei no Green Market, ao lado do Pietro's e comprei uma empanada para levar na excursão do dia seguinte. Eles tem sucos, empanadas, lanches naturais e várias opções de compra para levar aos passeios. Gastos do dia: 1412ars Hostel Bla Guesthouse 3300ars Mini trekking com Hielo y Aventura 2700ars Full day Torres del Paine com Chalten Travel 4280ars Estância Cristina Discovery 4x4 + 500ars pela entrada do Parque Nacional (cobram junto porque no local não há fiscais que recolham o dinheiro) 125ars Almojanta de omelete no Pietro's 35ars Empanada no Green Market 60ars Sorvete de calafate no Helados Tito Hostel Bla Guesthouse ↑ Dia 12/01 Dia de mini trekking no Perito Moreno! Se não me engano, eles pegam no hostel às 9h. Quase 1h de estrada até a entrada do parque nacional, onde todos os veículos param e o fiscal cobra a entrada de todos presentes no ônibus. Eu tinha lido muito que residentes do Mercosul pagam mais barato que demais estrangeiros, entretanto, isso não é mais válido e apenas argentinos tem desconto no valor. Quase 30min depois andando pelo parque vemos a imensidão de gelo que é o Perito Moreno em algumas curvas que o ônibus faz (para essa visão, sente do lado esquerdo do veículo). Quando chegamos às passarelas, uma guia nos explica o percurso e por quais deveríamos andar e ter melhor visão dos descolamentos de gelo e quais eram melhores para o tempo que tínhamos disponível. O tempo estava horrível, uma chuva grossa, muita gente abrigada na plataforma principal que tem uma pequena cobertura... mas como o clima na Patagônia é bem variável, pouco depois depois já tinha parado e um leve sol surgiu (que também não durou muito tempo). No período em que estava andando por lá e observando, vi um descolamento gigante (mas não estava com a câmera fácil para gravar) e muitos outros pequenos. Esse é o motivo porque tantos turistas esperam nas passarelas, mas é um pouco triste saber o porquê de tais rupturas acontecerem. Uma hora e meia depois, voltamos ao ônibus para ir até o porto de onde sai o barco que nos leva até a base para os trekkings. A navegação leva uns 15min e chegando lá, você encontra um abrigo com banheiros onde pode deixar seus pertences para levar apenas o essencial. Uma caminhada rápida de 5min nos leva às cabanas onde são colocados os grampones e separados os grupos por idioma (inglês ou espanhol). Daí começa o mini trekking de verdade: próximo às cabanas, já subimos no gelo onde a guia nos explica como andar, subir e descer e todas as demais recomendações. Nos informes da Hielo y Aventura, é explicado que o tempo caminhando no gelo é de 1h30, entretanto, nosso grupo ficou quase 2h, o que eu achei suficiente e nem um pouco arrependida de ter mudado do Big Ice, visto que dá trabalho caminhar com os grampones e requer um esforço dos joelhos (talvez você não sinta se não estiver com o joelho machucado, como eu estava). Durante todo o caminho, são 2 guias que dão suporte, se oferecem para tirar fotos, falam sobre os glaciares e o Perito Moreno e ao final, chegamos no famoso whisky com gelo diretamente do glaciar. Eu passei a bebida (não gosto), mas peguei uma trufa de chocolate regional que eles deram como surpresa. Um bônus: naquele mesmo dia mais cedo, uma caverna de gelo se abriu bem perto das cabanas dos grampones e nossa guia nos levou para ver. Que negócio incrível! Achei bem legal da parte dela porque já tinha passado do nosso horário e outros grupinhos do mini trekking não viram o que o meu viu. Considerações sobre o mini trekking: posso dizer apenas sobre aquilo que vivi, então aqui vai: achei o mini trekking excelente! Não fiquei com vontade de fazer o Big Ice e pelo que eu entendi e um colega brasileiro que fez me contou, a grande diferença entre os dois (além do preço, claro), é o tempo caminhando no gelo e as cavernas de gelo que se pode visitar no Big Ice. Como eu dei sorte e vi uma caverna de gelo no mini trekking, fiquei super satisfeita. Além disso, toda a estrutura e o respeito que os profissionais tem com o lugar fazem com que o preço tenha valido cada centava pago. Mais 15min de navegação de volta, quase 1h30 de ônibus e cheguei no hostel por volta das 19h. Jantei no restaurante San Pedro na avenida principal e não anotei quanto paguei, mas comi uma pizza (para variar). Comprei umas empanadas para deixar no hostel umas bolachas para levar para Torres del Paine no dia seguinte. Gastos do dia: 500ars Entrada no Parque Nacional 70ars Empanadas no Green Market 85ars Bolachas num quiosque Vista do ônibus ↑ Nas passarelas, setor azul se não me engano ↑ Observe o tamanho das pessoinhas lá embaixo perto da geleira ↑ Outro grupo lá embaixo começando o mini trekking ↑ Com os grampones nos pés (use calçado impermeável!) ↑ Toda felizinha passando frio ↑ Caverna de gelo ↑ Esperando o barco chegar para ir embora ↑ Dia 13/01 Às 5h30 da manhã a empresa Always Glaciar me pegou no hostel depois de um pequeno susto - meu nome não constava na lista e aparentemente não tinha mais lugar disponível. Os locais de parada podem ser vistos no site da Chalten Travel (http://www.chaltentravel.com/main.php) e mesmo sabendo que seria extremamente cansativo por conta do tempo dispendido no ônibus eu quis arriscar e minha opinião: não vale a pena! hahahaha As paisagens são incríveis mas o parque é imenso e de fato vale a pena perder muito mais que 1 dia por lá. Fiquei com vontade de ver mais e não recomendaria a excursão porque além dos fatores já citados, tem o clima também. Pegamos um vento absurdamente forte, não conseguimos fazer a trilha de 1h até o Mirador para os Cuernos del Paine e tivemos que voltar. Não recomendo essa empresa pois o guia que estava conosco simplesmente saiu andando sem olhar para trás enquanto todos os outros estavam sentados sem conseguir andar por causa do vento e um jovem senhor americano caiu e cortou o rosto nessa empreitada. Quando chegamos na van, o guia soltou um: "eu avisei" e foi isso! Achei muito desrespeito, sério! O almoço é o ponto alto da excursão (já incluso no preço): num restaurante lindo ao lado de um lago lindo com vista para os Cuernos, com entrada (filé de peixe empanado), prato principal (uma carne que não reconheci e purê de batata) e sobremesa (pudim de leite), além de vinho ou refrigerantes. Cheguei em Chaltén em torno de 21h (o retorno deveria ser às 23h se tivéssemos feito a pequena trilha até o mirador) e fui jantar no Pietro's novamente (porque tinha wifi, era próximo do hostel, preço bem ok e eu gostei da comida). Gastos do dia: 200ars Pizza no Pietro's Cerro Castillo ↑ Vista ainda de fora do parque ↑ Vicuñas ↑ Lago impossível de escrever o nome e Cuernos del Paine ↑ Cachoeira Salto Grande Pequena demonstração do vento patagônico (fiquei com medo de perder o celular e saiu isso aí) ↑ Dia 14/01 Não sei o que dizer sobre a Estância Cristina além de "VÁ!", SIMPLESMENTE VÁ! Uma das coisas mais incríveis que meus olhos viram até hoje foi esse lugar. Existem 3 tours diferentes e eu escolhi o 4x4 porque um era mais barato mas não via tudo e outro era mais caro e tinha um trekking de 14km, então meus joelhos decidiram por mim e escolhi o conforto do carro. O tour começa te buscando no hostel às 7h e você leva mais ou menos 1h (não lembro com certeza) para chegar no porto Punta Bandera, onde pega uma linda embarcação e navega por quase 3h pelo Lago Argentino, com muitas pausas para foto e icebergs pelo caminho. Depois de tanto tempo, parabéns! você praticamente chegou no fim do mundo (ou foi assim que me senti). A estância foi criada em 1914 pela família Masters, que veio da Inglaterra quando ouviu falar sobre um lugar inóspito onde praticamente davam terras de graça a quem se interessasse. Hoje, tudo que era da família faz parte do Parque Nacional Los Glaciares, visto que não sobraram herdeiros. O tour começou num pequeno museu onde o guia explica sobre a história da família e você pode ver itens originais usando tanto na casa principal como itens que eles utilizavam na criação das ovelhas e para retirada da lã. De lá, um pequeno passeio em torno da propriedade principal, mostrando detalhes da flora e construções da família. Depois tivemos 1h para o almoço (custa 800ars se você reservar no barco e acredito que 500ars se você comprar junto com a excursão), mas não se apavore: muita gente não compra o almoço (como eu que levei minhas empanadas e alfajor) e pode comer junto com todo o restante no restaurante, sem problemas. Pelo que eu lembro, era oferecido uma entrada, um prato principal e sobremesa, além de água diretamente do glaciar da propriedade (bebidas são cobradas a parte). A melhor parte então: o 4x4! São dois carros que fazem um percurso de mais ou menos 40min só ida e o guia vai explicando muito sobre a história, sobre a fauna e a flora. Quando você acha que viu tudo, chega-se no Mirador do Glaciar Upsala e meu Deus, quase chorei de tão bonito! Ele delimitava a parte norte da propriedade dos Masters e eu só conseguia pensar em como eles conseguiam fazer tudo que faziam há 100 anos atrás, sem a tecnologia que temos hoje e num lugar de clima tão difícil. Uns 40min depois de ficar só apreciando (dica: prendam os cabelos o máximo que puderem, porque o ventinho patagônico não dá trégua e tudo vira um bolo infinito de nós), voltamos no 4x4 e pegamos o barco de volta para Punta Bandera, que não faz paradas para foto e portanto leva umas 2h, além do ônibus do porto até Chaltén, chegando por volta das 18h, quando fui bater perna no centrinho, comprar as geleias que eu queria e tals. Não jantei, só comi uma empanada e tomei um sorvetinho para me despedir. Consideração sobre o passeio: vale cada mísero centavo. Desde a organização, até a distância percorrida, você vê que tudo é extremamente bem cuidado, bem feito e sente que vale tudo que pagou. Recomendo mil vezes e voltaria com certeza! PS: eles tem um hotel e pelo que pesquisei, as diárias custam em torno de 500 dólares (sonho meu!) Gastos do dia: 35ars Empanada no Green Market 60ars Sorvete no Helados Tito 160ars Por 2 geleias de calafate 96ars Por 3 alfajor Iceberg no Lago Argentino ↑ Iceberg diferentão no caminho (não lembro da explicação sobre a cor dele) ↑ Parte das hospedagens da Estância Cristina ↑ Pequena capelinha ↑ Moinho construído pela família Masters e rio de degelo dos glaciares ↑ Chegando no Mirador Upsala ↑ Glaciar Upsala (todo esse lago foi glaciar ainda em meados de 1950) ↑ Completamente apaixonada por esse lugar! ↑ Dia 15/01 Arrumei minhas malas e às 11h o transfer que reservei pelo próprio hostel passou para me pegar. Como fui a única passageira, o trajeto levou só uns 20min até o aeroporto. Fiz o ckeckin para o vôo que saia depois das 13h, almocei e fiquei esperando a hora de voltar para casa. Gastos do dia: 150ars transfer até o aeroporto 230ars almoço no aeroporto Sobre os hostels: Recomendo todos que eu fiquei, apesar dos pontos negativos já citados, todos tinham excelente localização e só isso já me conquista. Sobre comidas: Principalmente em Buenos Aires, existe opção para todos os gostos e bolsos. Eu comi a famosa carne argentina só uma vez porque de fato, não sou muito carnívora. As empanadas são outra coisa que você precisa comer pelo menos uma vez (e para isso, recomendo fortemente o restaurante San Juanino). Na região da Patagônia você tem que provar o cordeiro. Particularmente, achei a carne muito gordurosa e não gostei, mas valeu a experiência. Alfajor: Experimentei várias marcas e minhas preferidas foram Negro e Jorgito da embalagem azul marinho (super baratinho e me conquistou). Simplesmente esqueci de comprar doce de leite, mas tinham me recomendado a marca San Ignacio. Fim do meu relato e de mais um sonho realizado!
  23. Olá Mochileiros, Depois de meses de planejamento consegui realizar o sonho de conhecer a Patagônia e de quebra uma boa parte do Chile. Fomos eu e minha esposa numa aventura de 33 dias e com muito trekking e cultura. Fizemos a viagem em boa parte no estilo mochilão, mas mesmo economizando e preparando as refeições nos hosteis não deixa de ser um destino caro, principalmente se compararmos com nosso ultimo mochilão: Bolívia e Peru (bem mais em conta). Vou postar aos poucos sobre a viagem porque é muita informação e 8 cartões microsd de fotografias para trabalhar. Roteiro Dia 1: 21/12 Voo Rio de Janeiro x Montevideo, Montevideo x Santiago Dia 2: 22/12 Voo Santiago x Punta Arenas. Conhecer o centro histórico, visitar a Zona Franca para fazer câmbio e viajar a tarde para Puerto Natales Dia 3: 23/12 ônibus Puerto Natales x El Calafate, cambio e supermercado em El Calafate. ônibus El Calafate x El Chalten Dia 4: 24/12 El Chalten: Sendero Fitz Roy e acampamento no Camping Poincenot Dia 5: 25/12 El Chalten: Mirador Piedras Blancas e Laguna Capri, camping Poincenot Dia 6: 26/12 El Chalten: Sendero Laguna Madre y Hija e Sendero Laguna Torre, acampamento no Camping Dagostini dia 7: 27/12El Chalten: Laguna Torre, Mirador Cerro Torre e Sendero Laguna Torre a El Chalten dia 8: 28/12 El Chalten: Mirador dos Condores e Mirador Aguillas dia 9: 29/12 Ônibus El Chalten x El Calafate. E passeio nas passarelas do Perito Moreno dia 10: 30/12 El Calafate: Passeio pelo centro e Laguna Nimez dia 11: 31/12 Ônibus El Calafate x Puerto Natales. Preparar mochila para o circuito W e ceia de ano novo no Hostel. dia 12: 01/01 W 1º dia: Ônibus para o Parque Torres del Paine e acampamento no Camping Torres Central dia 13: 02/01 W 2º dia: Sendero Mirador Las Torres e Camping Torres Central dia 14: 03/01 W 3º dia: Sendero Torres Central x Los Cuerno x Camping Francês com pernoite nele. dia 15: 04/01 W 4º dia: Caping Italiano, Vale do Francês, Mirador Vale do Francês e Mirador Britânico. Acampamento no Camping Paine Grande dia 16: 05/01 W 5º dia: Catamaran até o Pehoé e volta para Puerto Natales dia 17: 06/01 Puerto Natales: passeio de bike pela cidade e Museu Municipal dia 18: 07/01: ônibus Puerto Natales x Punta Arenas. Zona Franca para compras dia 19: 08/01 Vôo Punta Arenas x Puerto Montt. Ônibus Puerto Montt x Puerto Varas dia 20: 09/01 Puerto Varas: Laguna Verde, Saltos de Petrohué, Lago de Todos os Santos e Sendero Desolación dia 21: 10/01 Quenoir Bajo: passeio para observação de passáros em uma praia deserta. dia 22: 11/01 Frutillar Bajo e Casa de Té de lavanda. ônibus Puerto Varas x Pucon. dia 23: 12/01 Pucon: Centro Mapuche, Ojos de Caburga e Playa Blanca de Bike (40 km) dia 24: 13/01 Pucon: dia de descanso dia 25: 14/01 Pucon: Centro de Pucon, Plaza de Armas e voo de Parapente dia 26: 15/01 Pucon: Passeio de bike pelos arredores de Pucon e visita ao centro Mapuche. ônibus noturno para Santiago dia 27: 16/01 Santiago: Cambio, Supermercado e Plaza de Armas dia 28: 17/01 Santiago: Plaza Quinta Normal, Museu de História Natural, MAC e Museu de Ciências e Tecnologia dia 29: 18/01 Santiago: Shopping Costanera Center dia 30: 19/01 Santiago: citytour a pé e por conta: Museu Histórico Nacional, Plaza de Armas, Cerro Santa Isabel e Cerro San Cristóbal e teleférico dia 31: 20/01 Vina del Mar e Valparaíso: Palácio Riojas, Museu Fonck, Moai, Costanera, Castillo Wolf, relógio de Flores, Museu História Natural de Valparaíso, plazas e Funicular dia 32: 21/01 Vinicola Concha y Toro e Plaza Mirador dia 33: 22/01 Arrumar as malas e voo de volta para o Rio de Janeiro. IMG_6942.tif
  24. Decidi fazer minha primeira viagem totalmente sozinho. Seria em Novembro de 2015. A Patagônia me encantou em diversos aspectos. Minha escolha foi o Parque Torres del Paine. Passei sim em Santiago, mas o objetivo principal eram os cumes do sul. A ideia era o circuito W, acampando em locais pagos e levando a própria comida. O refúgio seria ótimo, mas o dólar estava em uma alta complicada. Enfim, sou de Brasília e consegui uma passagem bem barata em milhas de São Paulo para Santiago, ida e volta. Comprei. Fui para São Paulo e fiquei de couchsurfer por uns 4 dias na casa de pessoa que já conhecia, pois tinha planos de descansar ao mesmo tempo que me preparava com corridas, mas foram muito chuvosos dessa Sampa londrina. De lá, fui para Santiago e fiquei mais alguns dias De Santiago o voo é para Punta Arenas. Demorado, turbulento e sem comida legal. A cias mais populares são LAN e Skyline. Existem ônibus que saem do aeroporto de Punta Arenas e vai direto a Porto Natales (a cidade "base" do parque). Foi a empresa Bus Sur que escolhi, porque foi a única que respondeu e-mail. A comunicação não é tão simples. Eles te passam um boleto de paypal para pagar e depois pedem que você escolha o dia e o horário do ônibus. Pronto, fica na confiança que vai dar certo, sem ticket, sem passagem, só na esperança mesmo e no e-mail, portanto, salve-o offline ou imprima. O ônibus chega e a funcionária canta o nome das pessoas. É bom prestar atenção, quase uns gringos ficam de fora porque a mulher não teria mesmo como adivinhar a pronúncia de seus nomes nórdicos. Como meu voo chegou lá pelas 02h e o ônibus foi às 07h...o jeito foi se escorar no canto. Dormir? quase impossível. O aeroporto de Punta Arenas não chega a ser ruim, mas é pequeno e meio barulhento, além dos cantinhos já serem caçados pela galera da mochilagem que estão chegando e esperando o ônibus ou indo embora. A viagem? Infelizmente dormi, mas parece que é bem bonita, nos momentos que olhei para fora. Um cenário totalmente diferente de tudo o que vi. A chegada em Porto Natales Acordei pouco antes da chegada na rodoviária de PN. O frio já começava a pegar. Quando desci do ônibus, tentei ir andando ao hostel Base Camp, apenas lembrando do mapa de cabeça, pois sabia que a cidade não é grande. Um erro, porque não lembrava muito bem do caminho. O vento era terrível e não ajudava a recordar. Me rendi e peguei um táxi para lá. Ao chegar, infelizmente fiquei sabendo apenas lá sobre uma reforma, da qual fazia o hostel não receber ninguém. Não fiz a reserva porque no site deles não foi possível também. Pedi indicações de lugares e fui afortunado na acolhedora Tin House, que fica bem próximo ao Base Camp. Lá foi possível escapar do vento e descansar um pouco. Junto ao Base Camp há o pub Erratic Rock. Todos os dias, às 15h, rola uma palestrinha e bate-papo sobre o parque Torres del Paine, em inglês. Mesmo não dominando a língua, dá para pegar muita coisa, como as opções de hospedaria, a alimentação, dicas de manuseio de equipamentos, roupas, mapas, etc. Não cobram nada, oferecem chá e a contribuição é sugestiva. Na verdade eles miram no aluguel de equipamentos, como anoraks, kits de cozinha, bastões, barracas, etc. Recomendo ir a palestra, mesmo que não queira alugar nada lá. Após a palestra, começa uma verdadeira maratona de aventureios para comprar alimentos e realizar aluguéis, porque elas já querem ir no dia seguinte. É válido, haverá luz solar até mais tarde e poderá ter tempo suficiente para buscar tudo o que precisa ainda no mesmo dia. Eu estava ainda perdido por ter chegado ali cansado e sem ter andando nada na cidade. Mas, se estiver descansado, corra ao UNIMARC, que fica na rua Baquedano (saia do Erratic, vire a esquerda e siga) com a Bulnes. Ali terá todo comércio principal da pequena cidade à disposição. Em frente ao supermercado UNIMARC, atravessando a rua após o estacionamento, há uma lojinha de produtos de frutos desidratados e uma grande rede de roupas esportivas e de trekking, a Salomon. Se pensa em comprar algo, vale a pena, mesmo com o Real enfraquecido, fica mais barato do que no Brasil e com produtos bons. Explore essas duas ruas citadas e as próximas a elas e encontrará tudo que necessita. Há farmácias, bancos, aluguéis de barraca, restaurantes, lojas de lembrancinhas, agências de viagens que fazem diversos tipos de pacotes, enfim, uma gama de opções que me surpreendeu. Quer uma dica: Faça o pedido de vaga nos campings pela Internet, junto com aluguel de barraca, mat isolante e saco de dormir. Você até economizaria dinheiro fazendo isso na cidade, mas vamos aos fatos: -Você perderá tempo indo atrás de equipamento; -Você perderá tempo montando e desmontando equipamento; -Você terá um peso muito maior já saindo da cidade e entre um camping e outro; -Você terá menos espaço na mochila, onde poderia carregar roupas, comida, etc; -Você perderá tempo retornando os equipamentos aos locais de aluguel, porque eles terão de conferir tudo; -Você perderá boa parte do valor pago caso devolva os equipamentos antecipadamente. E digo mais: se puder realizar a compra antecipada de refeição nos refúgios (mesmo quem acampar tem direito ao restaurante CASO tenha comprado refeição). Ao menos a comida principal, como almoço ou janta, ou ao menos a comida quente do dia. Assim economizará também espaço do kit cozinha e tempo na preparação. Eu sei, é caro...mas essa viagem não dá para pensar em pequenas economias assim. Se já optou por acampar a escolha já foi ótima em termos de economia. O bom do parque é isso: aceita vertentes diversas, desde campings gratuitos até hospedagem de luxo. Isso tudo é uma escolha. Eu queria muito ter pensado nisso antes, mas acabei alugando tudo e comprando toda comida para levar. No meu caso essas dicas acima seriam válidas. Eu não segui elas, mas para quem está sozinho e quer acampar, creio que seja esse o ideal. Se estiver em mais pessoas, ou ficar nos refúgios com cama ou fazer apenas passeio de um dia só, desconsiderem. Agora, uma dica geral: Alugue roupas, caso não tenha. Ao menos um anorak e um casaco bom. Pode fazer isso na cidade, já que sairá vestido para pegar o ônibus. Também tenha calça impermeável e bons tênis ou botas. Recomendo a compra, pois usar calçados desconhecidos (alugados) ou novos (sem amaciar, sem usar antes....não parece uma boa ideia). Na Rodoviária, não se preocupe, terão várias empresas que fazem o caminho para Torres del Paine (ao menos até o mês de Novembro, não precisa comprar antes). É só ir até o guichê da empresa e pegar. Já pode comprar também a volta, pois ela pode ser usada a qualquer momento (dia e horário, mas da mesma empresa, obviamente). Aqui estão os horários e demais informações: http://www.parquetorresdelpaine.cl/es/buses-regulares Se vai iniciar o trekking pelo lado do Glacial Grey ou visitará lá apenas esse dia, vá até a parada Pudeto, onde haverá um pequeno café (onde há banheiro, aproveite). Fique na fila do barco que se formará naturalmente quando ele atracar. Entre sem medo, pois a cobrança será feita durante o trajeto. Sua mochila ou equipamento mais pesado será acomodado numa parte específica do barco, talvez longe de você. A dica aqui é não deixar nada pendurado nos bolsos de fora, nem comida que queira comer ali mesmo, nem câmera; digo isso para não cair nada mesmo, pois ninguém ficará mexendo. Mais questão de logística do que segurança. Aqui vão os horários e informações do catamarã: http://www.parquetorresdelpaine.cl/es/navegaciones Atente-se para os diferentes horários nas diferentes épocas. Aproveite para apreciar o visual, se o tempo colaborar, pois aí já começa a sensação de estar no paraíso, com águas de cores incríveis. O pequeno Porto de Pehoé é belíssimo para fotografias. Ao lado dele, temos o camping e abrigos Grey, pertencente a Vertice Patagonia (http://www.verticepatagonia.com/) Bom, aqui o ideal seria, caso tenha chegado cedo, do primeiro ônibus vindo de Porto Natales, ir direto para o trekking até o Glacial. Pode também montar a barraca e depois ir para o trekking (a maioria faz isso, tente fazer também). Se não for experiente, peça ajuda para a escolha do local da barraca, assim como deixar ela montadinha. Nesse ponto, novamente evoco a dica valiosa da qual eu não pude aproveitar: alugue as barracas DELES. Já estão MONTADAS, nos MELHORES lugares e não sei, mas muito provavelmente, não precise de desmontar elas também. E parecem ótimas barracas. Não é nada divertido montar barracas com ventos patagônicos. As coisas andam, voam...enfim. Esse abrigo conta com lojinha. Há estrutura de cozinha e banheiros no camping que são até satisfatórios. Esse trecho de trekking tem bastantes pedras, alguns galhos. É bem difícil se perder, mas se achar que o caminho está estranho, volte e fique parado algum tempo, pois alguém passará por você indo ou vindo, ai terá noção das coisas. Vi o glacial de longe, mas sei que há lá também outro camping, o Grey. A ideia era voltar logo, pois estava já faminto e o vento com chuva tornou as coisas menos divertidas. A noite foi pavorosa. O efeito “chicote” dá chuva fazia um barulho chato na barraca, que parecia que em algum momento iria levantar voo. Fiquei com vontade de ir ao banheiro...lá longe. Já estava com roupa de dormir e teria de vestir todo aquele equipamento impermeável, botas... A decisão foi estranha, mas uma garrafinha serviu de banheiro naquele momento. A mesma garrafinha que tinha água quente dentro do saco de dormir (tente fazer isso, resolve pra caramba). O frio era tanto que a garrafa de urina ficou quentinha e deu até vontade colocar ela para esquentar os pés. Eca, claro que não fiz isso, mas fiquei boladíssimo com o episódio. Comida e roedores: não sei se estava impressionado ou se esse camping especificamente tem esse problema, mas estava com a neurose de escutar roedores na barraca. Ao amanhecer, isso não se confirmou, porque eu embalei tanto a comida que não acharam nada, se é que entraram lá e se é que existiam esses animais. De qualquer forma, vi essa dica em vários posts aqui no site. Cuidado com comida e animais. Foi nesse momento que eu decidi que não queria mais brincar de fazer o W completo, e que iria embora ao amanhecer, pois eu tinha visto que o tempo não tinha nenhuma tendência para melhorar nos dias que seguiam. Foi um momento de muito conflito interno...querer estar ali naquele lugar lindo e ao mesmo tempo desejar sair da situação de acampar tantas noites. Tirei algumas fotos enquanto esperava o catamarã chegar. O tempo tinha melhorado um pouquinho e deu pra pegar alguns momentos de sol, o que me fez pensar em deixar de frescura e seguir viagem. Porém, pouco antes do barco chegar, fechou tudo novamente. Era isso, minha despedida temporária do Parque. Voltei a Porto Natales desmoralizado. Tudo que eu desejava era a cama do hostel e comida quente. Satisfeita tais necessidades, fui ver como ficaria a previsão do tempo para outros dias. Haveria diminuição da chuva, mas teria mais frio. Escolhi relaxar e devolver todo equipamento alugado. Na orla de Porto Natales, há um calçadão com uma pequena ciclovia, alguns equipamentos de exercício típicos de praça, uma pista de skate, uma quadra, etc. Já que não teria muito o que fazer e estava com saudade de me exercitar, fui me acostumar ao frio. Quando não chovia, eu aproveitava correr lá. Revigorado e otimista com o clima, resolvi retornar ao parque. Mas, dessa vez, levaria apenas comida do dia. Recomendo fortemente esse trekking de dia todo para quem quer ir leve e com intenção de ver as torres. Leve dinheiro, se possível, trocado, para tudo. Saiba o que gastará para não ficar sem troco. Geralmente consiste nos ônibus e entradas do parque. Comer lá dentro é caríssimo e eles não se importam que você entre com toda a comida que quiser. A restrição mesmo é em relação a fogueiras. Tolerância quase zero, com multas e cadeia. Leve o kit cozinha permitido e faça apenas fogo nas áreas permitidas dos campings. Primeiro, pegue ônibus cedo, desça na Portaria Laguna Amarga. Lá, haverá conferência de documentos, assinatura de papéis e vídeo instrutivo. Se a galera for obediente com os guardas, não demora. Obedeça e seja educada, pois eles são bastante. Ah, esse procedimento é feito também para quem ficar em outras paradas, não importa. Já tinha feito anteriormente para ir ao Pehoé. E tem um detalhe: entrou, pagou. Não tem como usar a mesma entrada para voltar no dia seguinte. Eu acho que isso é um pouco rígido demais, deveriam pensar em fazer bilhetes que valessem por 2 ou 3 dias. Enfim, não sou cidadão chileno nem quero criar polêmica, mas fica aqui o registro que a cada dia no parque, pagará a cara entrada. Da Laguna Amarga, há uma van ou ônibus que leva até a Hosteria las Torres, baratinho. É só ficar ali perto e esperar o movimento natural das pessoas e perguntar para funcionários. Em Las Torres (destinos na van). Há refúgio e camping, além de um hotel chique. Não demore muito tempo para iniciar o seu trekking, deixa as fotos dessa base para o final do circuito de bate-volta às Torres. Haverá sol. Se não conseguir andar rápido ou achar que seria uma boa pegar o pôr do sol nas Torres, tem 2 campings no caminho: Camping Chileno (com estrutura, administrado pela Fantastico Sur, http://www.fantasticosur.com/) e o Camping Torres (zero estrutura). Olha, para não fazer confusão com os nomes, recomendo muito que estude e ame o mapa antes da viagem. Você até ganha uma versão impressa na entrada e consegue fácil na cidade, mas a organização pode te fazer aproveitar muito mais. A caminhada é tranquila e bem demarcada. Há alguns pontos onde a terra viram pequenas pedrinhas e é bom respeitar o pessoal que está no fluxo contrário ou de trás que quer passar mais rápido; a passagem é estreita e ao lado o barranco é bem ingrime. A vegetação no caminho varia, tendo pontos abertos e outros bem menos. O dia que fui, nevou, mas ao menos não choveu nem ventou tanto. Como eu adorei aquela neve caindo de forma suave. Os joelhos podem sofrer nas pedras que se aproximam das Torres, mas vi muita gente com aqueles bastões de trekking que pareciam ajudar. O visual na chegada foi impactante, mesmo com muitas nuvens. Almocei por lá, aguardando o tempo melhorar. E acabou acontecendo uma brecha legal entre as nuvens pesadas, aí sim, deu para ver porque o lugar é tudo isso que a gente pensa que é mesmo. Como vale a pena. Faça o cálculo de quantas horas levou para sair da base (na Hosteria, com estrutura) até as Torres. Leve em consideração que a volta será mais facilitada por ter mais descidas. Eu calculei que levaria o mesmo tempo, porque faria mais lentamente e tirando mais fotos. Deu bem certo, até porque o visual da volta foi mais interessante, por ter mais visão do lago Nordenskjold, ter um clima mais legal e por estar com menos pessoas. Cheguei com folga de 1 hora para o ônibus. O engraçado é que ele atrasou muito e tinham várias pessoas já abismadas, porque esse ônibus que nos levaria para a portaria do parque para pegar os vários ônibus que de fato nos levaria a Porto Natales. Mas o motorista até tirou sarro de nós, falando que estava tudo bem (claro que eles comunicam-se entre si na portaria). O medo de ficar no frio e a noite no parque levou a todos, inclusive eu, a preocupar-se com essa bobagem. Relaxa que dará tempo. O pôr-do-sol foi belíssimo lá na Hosteria. Imagino o espetáculo que é o nascer do Sol nas Torres. O sol de põe atrás delas e, quando nasce, bate direto nelas. Não tive a oportunidade de realizar esse desejo, pois demanda uma boa organização e dose extra de coragem para fazer o percurso final à noite e no horário mais frio do dia. Caso queira fazer isso, leve em consideração bastante proteção contra o frio e luzes, headlamp, etc. Escute as dicas do Erratic Rock e terás noção se quer ou não encarar. As modalidades de passeio no parque são bem distintas, mas pelo pouco que vi, considerar a subida as Torres pode ficar entre as prioridades tranquilamente. Não deixe de ir. O lugar é relativamente perto de nós e vai gente do mundo inteiro. Talvez seja mais vantajoso pegar voo do Brasil para El Calafate e conhecer a Patagônia argentina junto, com El Chatén. Muita gente faz assim. Como meu voo de volta para Santiago era em Punta Arenas, resolvi ir lá um pouco antes para conhecer os animais que eu sempre gostei e nunca tinha visto: pinguins. Fiquei em um hostel na beira do Estreito de Magalhães. Lá a cidade é mais portuária mesmo. Na praça da igreja, encontrei as melhores opções para lembrancinhas da região. São duas as empresas que fazem o circuito até a Isla Madalena. Depende muito do clima do dia. Cheque isso no hotel ou diretamente com a Solo Expediciones (http://soloexpediciones.com/en/magdalena-island-penguins-tour/). Punta Arenas também tem um cemitério dito um dos mais bonitos do mundo. As reservas de refúgio, vaga em camping, refeições, barracas, etc, podem ser feitos nos sites das Vertice Patagonia e da Fantastico Sur. São 2 empresas que atuam no parque e locais distintos de atuação. Qualquer pergunta, estou à disposição. Grato.
  25. Esta viagem teve início em NOV/2017 - Trilhas pela Patagônia, Torres Del Paine, El Calafate, El Chaltén e Ushuaia, a busca de um sonho! Este é um relato longo, que eu expresso após 11 anos sonhando com esta viagem aqui para todos vocês. Preludio Esta história começou em São Paulo, no Brasil, quando em algum momento de 2005, sim, há mais de 11 anos, eu li um relato sobre quatro amigos que em Novembro de 1998 saíram com dois veículos Renault e desceram rumo a Ushuaia de carro. Km e mais km de rutas, 3 e 40, a mítica 40, e a partir deste momento, despertava em mim o desejo de conhecer o tal fim do mundo de qualquer forma, e inspirado por este relato, e depois por outros, inclusive que aqui li, desenhei o que seria a minha aventura perfeita a esta tal de Patagonia. Eu devo ter lido e relido esta e outras histórias umas 2000 vezes, e não me cansava, a cada ano eu programava e desenhava roteiros, estudava mapas, um ano eu queria ir de carro, outro de moto, no outro carro, e com isso alguns anos se passaram e eu não havia conseguido completar esta jornada, de nenhuma forma, até então. Em 2013, ainda em SP - Brasil, ja casado então, eu e minha esposa decidimos que iriamos em algum momento de nossas supostas férias, Dez/2013 - Jan/2014. Começamos o planejamento, desenhamos rotas, compramos mapas, tínhamos o carro, minha irmã iria trazer alguns equipamentos do Canadá para nós, ou seja, tudo planejado, nada poderia dar errado, se não fosse uma “certa" jogada do destino… Resumo: Meu cunhado e minha irmã nos convidaram para morar no Canadá, indo em Fev/2014 e nós aceitamos, cancelando mais uma vez a tão sonhada viagem……….. Passa ano, vira ano e sempre falando da viagem, até que em Outubro de 2017, sentado em uma conversa com a minha esposa, chegamos em um consenso de que não conseguiremos ir juntos para a Patagonia, não até meados de Ago/2018…. E em um rompante, minha esposa diz, vai sozinho, e depois vamos de novo juntos. Isto era 21 de Outubro de 2017. Dia 22 eu comprei as passagens e sai do Canada dia 31 de outubro de 2017, exatos 9 dias após a conversa com minha esposa. Como acampamos bastante aqui no Canada, eu tinha quase tudo referente a equipamentos, e de certo, ja havia todo o planejamento mental do que eu gostaria de fazer. Como foi uma viagem sem antecedência, voei com a mente aberta, sem desenhar roteiros, sem reservas de hostel, sem nada, somente com as datas fixas dos vôos, o resto seria desenhado ao bel prazer dos ventos patagônicos, como vocês lerão abaixo. Este era o único roteiro planejado: 01/NOV - Toronto > São Paulo 04/NOV - São Paulo > El Calafate 06, 07, 08/NOV - Reserva de campings em Torres Del Paine 19/NOV - El Calafate > Ushuaia 25/NOV - Ushuaia > São Paulo Todo o resto fora acontecendo conforme meus passos eram dados, dava vontade, eu fazia, tava cansado? Descansava, dava vontade? Eu ia…. E assim começa este relato. Sábado 04/11/2017 - Dia 01 - BRA -SP - ARG BsAs - ARG El Calafate Primeiro dia de viagem, meu Pai me levou para o aeroporto GRU, despachei as malas e meu Vôo saiu de SP as 07:35am rumo a Buenos Aires, 2 horas de vôo, rápido e tranquilo com um pequeno lanche a bordo. A chegada em BsAs foi um pouco conturbada, pois o primeiro vôo saiu um pouco depois do horário programado, com 30 min de delay, que a Aerolineas já havia me notificado por e-mail um dia antes, e me deixado um pouco preocupado, pois a minha próxima conexão seria bem apertada, visto que eu deveria descer do primeiro vôo, pegar a mochila, trocar $$$, (falarei mais disso a frente), e achar o portão para o próximo vôo…. Mas no final deu tudo certo e tudo se encaixou como uma luva. Mochilinha na mão, portão de embarque localizado, mochilona despachada de novo e agora era só esperar…. Saindo de BsAs para El Calafate as 11:15am, vôo lotado, bem diferente do primeiro que veio vazio, do meu lado duas senhoras que estavam voando pela primeira vez… rsrsrs Estavam reluzentes com a novidade!!! Tirei umas 200 fotos para elas, pois eu estava na janela e elas não sabiam usar direito o celular!!! Lol O Piloto anuncia, “Srs passageiros, sugiro fotografarem e filmarem bastante, este tempo lindo e aberto, sem absolutamente nuvens não é tão comum aqui, então aproveitem!!!” Recado dado e aceito, fotos e filmagem a rodo do avião !!! Rsrsrs Chegada as 02:30pm, super tranquila, peguei a mochila, tirei a capa de proteção, embalei tudo e perdi uns 15 minutos em êxtase por ter chego a Patagônia, por estar dentro do meu sonho, e também observando o aeroporto e as pessoas sairem e pegarem taxis ou vans em sentido a cidade. Depois destes minutos de êxtase, dei-me conta que não tinha reserva de nenhum hostel ou similar, e que deveria procurar algo pra começar… kkkkkkk Tentei conexão com a internet do aeroporto de El Calafate, mas como vim a descobrir depois, a internet na Patagônia não é lá muito funcional… e a net do aeroporto não estava funcionando. Bem, pedi um taxi.... taxista: “Para onde sr?” Eu: Não sei, me leva para a cidade….. Taxista:”Como assim? Vc não sabe par onde vai? Não tem reserva?” Eu: Não, não tenho…. Me leva para a cidade q está bom… vc me indica algum hostel? Taxista:”Chê, você é doido…kkk vamos então! Batemos um papo durante os 16km de distância entre o aeroporto e a cidade e acabei parando no America del Sur Hostel, paguei os absurdos ARG$480 pelo táxi, o preço é tabelado, e fui para a porta do hostel. Recepcionista me pergunta, tem reserva? Digo, eu não, tem cama? Recepcionista, tá é doido….kkkk mas tem sim… cama comprada, lá vamos nós começar a passear pelo hostel e arrumar as coisas e pegar informações. O staff do hostel foi muito bacana, me ajudaram com todas as informações que eu necessitei, o hostel em si é muito bonito e bem infra estruturado, por sinal posso dizer que foi o mais legal/bacana que eu fiquei durante esta trip. Paguei CAD$ 20 pelo quarto, este com 4 camas beliche e locker espaçoso o suficiente para colocar a mochila inteira dentro. Você tera que usar seu próprio cadeado para tal, não se esqueça. Banheiros dentro do quarto e água quente ok! Bem, passagem para Puerto Natales no Chile comprada, agora é só curtir um pouco o hostel e descansar. Domingo 05/11/2017 - Dia 2 - ARG El Calafate - CHL Puerto Natales De acordo com o staff do Hostel o ônibus passaria na porta do hostel as 5:45am, acordei mais cedo, empacotei tudo que precisava e sai para tomar meu desajuno. Café da manhã incluso na diária, e bem completo, com direito a pães, ovos, cream cheese, dulce de leche, café leite, sucos entre outras coisinhas. Conversei um pouco com uma Californiana que também iria para TDP e pegamos o ônibus. Viagem tranquila e sem percalços, com uma parada no meio do nada para café e WC. Alfândega tranquila e sem novidades, leva um tempinho para passar para o Chile, mas nada fora do normal. Aqui, se você tem algo proibido, você será revistado, inclusive eles tem raio-x para verificar sua bagagem. Você não pode carregar nada de frutas-verduras, mel, carnes, etc… inclusive carne seca. Foram 352km rodados em 04h30m, chegada em Puerto Natales tranquila, fui caminhando até o Hostel Last Hope, uns 10 quarteirões da rodoviária… Hostel bem honesto, CHL$13.800 pagos, quartos com 4 camas tipo beliches, e locker pequeno, serve para guardar valores e pequenos itens, a mochila não cabe e ficou no chão. Banheiro e chuveiros compartilhados e fora dos quartos, banho quente ok. Larguei tudo pelo hostel e fui passear na charmosa cidade de Puerto Natales para buscar algumas coisas que eu precisava. Lembrando que, na Patagonia, tudo fecha para almoço e só abre a tarde, tipo 4:30pm…kkkkkk e par piorar, ainda chegue no Domingo!! Bem, achei um mercado aberto, comprei algumas coisas tipo amendoim e chocolates para levar, e comida para minha janta. PS: Não espere muito dos mercados de Puerto Natales, não tem muita variedade, e se você der azar como eu de chegar em um Domingo, vai pegar todas as prateleiras vazias…. Bem compras feitas, fui em busca de álcool para meu fogareiro, no mercado não tinha, então a próxima parada foi em um posto de gasolina. Bem, no chile não tem álcool combustível, mas o anti congelante para carros é basicamente álcool e serve como tal. Cheguei no posto e perguntei sobre para o frentista, e o mesmo me informou que o anti congelante estava no armário do posto, o rapaz que estava com a chave do armário so voltaria no dia seguinte… como embarco amanha as 7am não daria para esperar, fui em busca do plano C = Farmácia. Lembra que era Domingo? Pois bem, tudo fechado kkkk mas descobri que uma farmácia tem q estar sempre aberta, então me disseram para bater na porta. Foi o que fiz e alguém abriu para mim!!!! Aleluia! Fui direto na prateleira e achei a última garrafa de álcool disponível na cidade, acredito!!! Kkkkk Álcool comprado, voltei ao hostel para jantar e descansar. Comprei a passagem para TDP no Hostel mesmo, o preço é o mesmo que na rodoviária, então sem problemas. Fui jantar e descansar. Segunda-Feira 06/11/2017 - Dia 3 - CHL Puerto Natales - CHL Torres del Paine Camping Las Torres Levantei bem cedo para arrumar tudo e tomar cafe, também incluso no preço, com Paes, queijos, presunto, sucos, leite, etc. Acabei me atrasando e tive que correr 10 quarteirões de subida até a rodoviária para não perder o ônibus. Detalhe, 19.5kg de mochila!!!! Kkkkkkk Peguei o ônibus e lá fui para Torres del Paine. 116km rodados em 1h35m, viagem rápida e tranquila. O ônibus para na portaria, la pagamos as entradas e assistimos o vídeo explicativo sobre as regras, na sequência pegamos o ônibus que faz o transfer do pessoal da entrada do parque para o Camping Las Torres. Ao chegar na portaria do hotel Torres, caminhei um pouco até a entrada do camping, aonde fiz meu check in e fui procurar um spot para montar minha barraca. Barraca montada e pronta, pequei a mochila de ataque com agua e lanche, alem das roupas impermeáveis e fui a caminho “das torres”!!!!! Eu estava empolgado, muito empolgado! Empolgado ao extremo!!!! Eu ja falei que estava empolgado? Kkkkk Afinal depois de mais de 11 anos vendo fotos e lendo relatos, eu estava lá! Indo, caminhando em TDP!!! Não cabia em mim de tanta felicidade! Por isso comecei a trilha para as Torres empolgadíssimo, indo a milhão montanha acima! Primeiro erro, isso iria cobrar um preço, que logo vocês saberão. Clima perfeito, céu azul, quase sem nuvens, temperatura super agradável, calor rolando, subi a montanha como se não houvesse amanhã, parei para um brevíssimo descanso, segundo erro, no camping Italiano, tomei agua, comi um snack e continuei subindo. Como era de se esperar, cheguei no último km quase morto, cansado, e o último KM é o pior, com uma subida de pedra horrível e chata, que eu ja sabia, mas a empolgação me cegou ate este momento. Meus joelhos começaram a reclamar, e a energia havia acabado, cada pedra escalada parecia que meu coração iria sair pela boca. O que ajudou foram as pessoas que estavam descendo, te dão a maior força! “Tá chegando”, “Vai que você consegue!”, “Não desiste, você está quase” e por ai vai, te dá o maior animo, e realmente me ajudou a chegar lá! Quando cruzei a última pedra e visualizei as torres e o lago, meus olhos marejaram, não aguentei. Parei por um minuto em um choro interno. Mas um choro de conquista, de realização, da pura felicidade. É engraçado mas não me conti, passado um minuto, caminhei em direção ao lago das torres e caminhei sem sentido batendo fotos e fazendo vídeos. Me dei conta que precisava descansar um pouco, e ao mesmo tempo começou um vento forte com chuva, tive que por a roupa impermeável, sentei e descansei, comi mais um snack, tomei agua, respirei um pouco e aproveitei a vista e o momento. Bati mais fotos, filmei e comecei a me preparar para a descida, afinal no topo da montanha o clima não estava mais muito amigável. Do camping Las torres até a base do mirador foram 10.30km, 3h40m, 812m de acensão. Iniciada a volta, logo no começo da descida de pedras, tomo um belo de um escorregão e caio sentado, como se não bastasse, um dos bastões escapa da minha mão, cai, bate em um pedra e ricocheteia no meu nariz!!!!! Além de cair tomo uma bastonada no nariz!! Kkkkkkk Vou falar que ficou doendo por 3 dias essa pancada! Kkkk Me levanto e continuo, a volta ocorre sem problemas ate a barraca. No camping torres, toda a infra estrutura estava funcional, WC, chuveiros, agua quente etc, tomo um belo banho, e vou preparar minha janta, fico ainda um pouco caminhando pelo camping e vou dormir na sequencia. Desnecessário dizer que simplesmente desmaiei. Terça-Feira 07/11/2017 - Dia 04 TDP Camping Las Torres - Camping Francés Acordo cedo, não lembro a hora, mas era bem cedo, preparo meu café da manhã de ovos mexidos com bacon e café preto que eu adoro, empacoto tudo e me preparo para caminhar até o Camping Francés. Começo a caminhada empolgado, localizo o inicio da trilha e meto o pé! Bem, vocês se lembram que no dia anterior falei que pagaria um preço por um erro cometido, pois bem, o preço começou a ser cobrado aqui, a apenas 1 hora de trilha iniciada…. Começo a sentir um incomodo na minha perna direita, para ser preciso no músculo da batata da perna direita, não precisa dizer que a distensão leve chegou apenas alguns minutos depois……………… A partir dai tudo se complicou, mochila pesada, trilha de pedra com bastante partes de agua, e por ai vai…. 2 horas depois não conseguia apoiar meu pé direito completo no chão, a trilha se tornou um pesadelo. No mapa do parque, o tempo de trilha é de 6h30m do camping torres até o camping Frances, levei 8h50m para percorrer os 17.04km de trilha. Parei bastante para fotos e vídeos também! Cheguei no camping Francés morto, exausto, só cheguei pois estava com bastões de caminhada, que me permitiram caminhar sem ter que apoiar todo o pé direito no chão. Honestamente se não fossem os bastões não teria chego. Localizei o check in do camping, e corri o mais rápido que eu pude para armar a barraca e tomar banho. Banho quentinho tomado, higiene feita, fui preparar a janta. Emocional recuperado, estômago apaziguado, hora de cuidar das pernas e pés. Tomei um anti inflamatório para meu músculo distendido, cuidei dos meus pés e desmaiei pela segunda noite consecutiva. Sono dos anjos. Quarta-Feira 08/11/2017 - TDP Camping Francés - Vale Francés Acordei recuperado, energias mil, afinal eu estava na Patagonia, caminhando em TDP! E hoje o dia prometia, eu tinha reservado duas noites no camping Frances, então hoje eu caminharia leve pelo vale do Francés ate o mirador Britânico, e foi exatamente isso que eu fiz. Abro um parênteses aqui, quanto acordei, percebi que o anti inflamatório fez efeito, e eu me sentia bem melhor das dores, o que significa que eu estava sim sentindo dores ruins, mas eu conseguia caminhar sem a ajuda dos bastões. Por isso, como iria só com mochila de ataque, paguei para ver como seria o dia. E o dia foi ótimo, clima perfeito como nos outros dias, sensação a mil de estar em TDP e um incomodo em meu calcanhar esquerdo…… Percorri os 7.36km para o mirador Britânico em 3h40m, vale ressaltar aqui que o último km também é uma bela subida de pedras ao melhor estilo Mirador Torres, mas menos pior por assim dizer. Um ponto interessante é que no camping Francés voce escuta o som de avalanches, e que do mirador Frances e mirador Britanico voce com sorte conseguira ver alguma, eu vi!!!! Kkkkkk Voltei ao camping Frances e como de costume, tomei um excelente banho quente, jantei, bati um pouco de papo com os outros caminhantes, cuidei dos meus pés e capotei. Quinta-Feira 09/11/2017 TDP Camping Francés - Camping Paine Grande - Puerto Natales Lembram do incomodo no meu calcanhar esquerdo? Pois bem, levantei, WC, cafe da manha e preparação para caminhar até o Camping Paine Grande. Aqui a história tem um desfecho, eu descobri que tinha bolhas de sangue em meus calcanhares…. Sim terríveis bolhas… explico: eu nasci com as pernas tortas, e levei meus primeiros 9 anos de vida usando botas ortopédicas para tentar corrigir o problema. Por isso, tenho calos “cronicos" nos dois calcanhares, que camuflaram as bolhas!!! Como eu machuquei a perna direita, sobrecarreguei o calcanhar esquerdo, de acordo com meu amigo médico…. Aqui vale outra ressalva: Eu só tinha reserva para os campings feita até hoje, 1 noite torres, 2 noites francês, eu não havia conseguido as reservas da (Terrivelmente péssima empresa), vértice patagonico, eles não atendem telefone e muito menos respondem e-mail, eu liguei para eles mais de 200x sem brincadeiras….. e sem sucesso. Seguindo as indicações do gerente do hostel, se eu chegasse e pedisse eles são obrigados a te “liberar" para acampar, mediante pagamento em especie, lógico. Ressalva feita, eu discuti comigo mesmo e as opções seriam, caminhar ate Paine Grande e ver como minha perna + calcanhar reagiria, se estivesse ok, acampava no Paine Grande, se não, pegava o catamarã para Pudeto e consequentemente voltaria para Puerto Natales antes do previsto. Desnecessário dizer que mal consegui chegar em Paine Grande com a bendita distensão e as bolhas. 9.44km percorridos em 3h, Fui direto para a fila do catamarã e embarquei no das 11h30am sentido Pudeto > Puerto Natales. Cheguei na cidade e parei no primeiro Hostel na frente da rodoviária, não me lembro o nome, a dor não me deixava pensar muito, e paguei caro pois não tinha mais quartos compartilhados, somente single, a dona até tentava ser simpatica, a internet não funcionava e a casa toda de madeira rangia ao menor passo que você desse. Não era ruim, mas o fato de pagar caro, estar sentido dores, e não ter internet, me deixaram puto da vida e descontente, sem contar que foi o café da manha mais fraco de todos os hostels ate agora. O fato de ficar sem internet por si so não era um problema, mas como minha esposa estava em casa, falar com ela um pouco seria muito bom, visto que ela estava a 10.000km de distância, e também seria interessante pesquisar meus próximos passos/hostels durante os próximos dias. Ponto bom, ficar em um quarto sozinho me deu certa liberdade, lavei roupas no WC e sequei no aquecedor do quarto, dormi a vontade e tive a liberdade de cuidar das minhas bolhas tranquilamente. Ou seja, tudo tem o seu lado bom, e estes próximos dois dias de descanso seriam fundamentais para o resto da viagem. Sexta-Feira 10/11/2017 - CHL Puerto Natales - ARG El Calafate - El Chaltén Sábado 11/11/2017 - El Chaltén - Camping Poincenot - Laguna de Los Três Acordei cedo, fui até um café em frente ao hostel, comi um tostado de queso e jamon, café e ovos, terminei meu desajuno e fui até os guarda parques pegar mais informações e partir para trilhas, como as trilhas são relativamente mais curtas, não me preocupei em sair super ultra cedo. Após conversar com os guarda parques, decidi subir para o camping Poincenot, rumo a laguna de los três. A trilha começou e terminou super tranquila, sem graus de dificuldade, e relativamente plana e sem percalços. Como de costume, a última milha sempre é a mais difícil, pedras, subidas, mais pedras e tal, mas nada fora do padrão patagonico de ser!! Kkkk Foram 10.70km caminhados em 03h11m com 401m de ascensão até o camping Poincenot, e depois mais 2.27km caminhados em 01h19m com 351m de acénsão em pedras, do Poincenot até a laguna de los três. Voltei, armei acampamento, preparei tudo, jantei, descansei, conversei com um casal de argentinos gente boa, conheci outro argentino muito gente boa também, papeamos e entrei para a barraca para descansar. No camping Poincenot é somente uma área para acampar, não possui nada, somente uma “casinha" que nada mais é do que um buraco no chão para fazer as suas necessidades, não possui chuveiros ou qualquer outro tipo de serviço. Neste dia o banho foi de toalhinha…kkkkkkk Domingo 12/11/2017 - Camping Poincenot - Camping De Agostini - Laguna Torre Como de costume, acordei cedo, tomei café, arrumei tudo e parti rumo ao próximo acampamento. Fora uma noite muito tranquila, sem novidades, um descanso providencial. Caminhei por uma trilha transversal, que liga as trilhas da Laguna de Los Três com a Laguna Torre. Trilha calma e tranquila, 10.85km, em 03h14m com 151m de elevação, trilha super plana e sossegada, encontrei um grupo de brasileiros, conversamos um pouco e segui caminho até o camping. Como de costume, arrumei o acmpamento, fui passear até a Laguna, voltei e descansei, dia calmo e sem novidades. Segunda-Feira 13/11/2017 - Camping De Agostini - El Chaltén Acordei, como de praxe tomei café debruçado nos mapas das trilhas e desenhei o que seria os meus próximos dias. A ida a Laguna Toro e a sequencia O “Passo Del Viento” !!!! Obrigatóriamente eu deveria voltar para a cidade, não se pode fazer esta trilha sem prévia autorização dos guarda parques, sob pena de tomar uma bela e cara multa se você for pego. Foram 9.71km de caminhada descendo a montanha em direção a cidade, feitos em 2h52m. Como não era a minha intenção, planejei a volta para a cidade, e neste dia voltei para o Hostel, tomei um delicioso e merecido banho quente e cai na rua para providenciar tudo o que eu precisaria para meu próximo dia. Para fazer a trilha da Laguna toro + Paso Del viento, você necessita de uma cadeirinha de rapel, com as respectivas cordas e mosquetões, pois em um determinado ponto desta trilha, existe uma tirolesa para cruzar o rio Tunel, e você devera possuir tudo isso para faze-la, sem este equipamento, você não consegue a autorização. Já seabendo destes requisitos, fui até uma loja de aluguel de equipamentos, aluguei tudo o necessário e voltei para o hostel para arrumar tudo, jantar e descansar para a próxima trilha. Terça-Feira 14/11/2017 - El Chaltén - Laguna Toro Acordei não muito cedo, pois antes de entrar na trilha precisava da minha autorização, e os guarda parques so começavam atender as 9am. O bom é que a trilha começa atrás da casa dos guarda parques….rsrsrrsr De posse de todo o meu equipamento, me apresentei, preenchi todos os papeis necessários, você é obrigado a mostrar para eles todo o seu equipamento, como, cinto de rapel com linha da vida e mosquetões, fogareiro com comida, bastões de caminhada, mapa de papel das região, GPS (não obrigatório mas recomendado), Radio VHF, (não obrigatório mas recomendado), barraca e saco de dormir, etc. Basicamente tudo para um camping. Tudo mostrado o guarda parques me disse que não recomenda que eu fizesse esta trilha solo, mas me autorizou. Ele me explicou que legalmente não pode me proibir de fazer sozinho, mas definitivamente não é recomendado. Ele ainda me disse que provavelmente eu ficaria bem por possuir experiência anterior em rapel e resgate em cordas, mas me recomendou muita atenção e cuidado, com bastante precaução. Observação importante aqui: Você assina sobre sua responsabilidade que qualquer problema que você tenha é sua a responsabilidade, e se eles tiverem que te resgatar, você ira arcar com todos os custos necessários e pertinentes ao resgate. Lembrando que é uma região bem difícil de resgate. Burocracia cumprida, segui montanha acima em direção a Laguna Toro. 16.74km caminhados em 5h37m, 698m de elevação, com um pico de subida de 1040m de altitude. É uma bela e cansativa subida, com uma bela descida na sequencia. Nestes dois dias de descanso que antecederam o dia de hoje, eu tive uma recuperação excepcional da distensão na perna, e uma excelente melhora nos meus calcanhares, (bolhas), e extremamente motivado para fazer esta trilha, a fiz em tempo recorde, rsrsrs. Esta não é propriamente uma trilha fácil, muito barro e água, muitas de subida lisa, muita descida lisa, vacas selvagens e muito pasto, pasto até não acabar mais, e por todo este pasto, charco e turba, muito charco e muita turba encharcada. É muito fácil se perder nesta trilha, e muito fácil atolar também, em algumas partes, o pasto turba é fundo, e você pode se enrascar sozinho….rsrsrs Nada de ruim aconteceu e cheguei tranqüilamente ao acampamento Lagura Toro. Escolhi um belo spot para montar minha barraca e como a dita laguna fica um pouco depois do camping, fui caminhar um pouco. Como de praxe, jantei me arrumei e fui descansar… so que não! Rsrsrs 3:30 da madrugada, acordo ouvindo algo no arredor da minha barraca….humano? Não… Sim um animal, meio distante ele começa a circundar minha barraca, 1, 2 voltas em torno…. Minha mente calcula possibilidades: Vaca? Veado? Não, eles tem casco e o barulho é diferente, eles não são animais noturnos…. Lebre? Acho q não, elas não espreitam…. Zorro ou Puma? Talvez……. Minha mente estava a milhão… estou acordadissimo e alerta, minha faca na mão, continuo deitado em silencio completo, só pressentindo e avaliando….. O suposto animal dá mais uma volta mais perto da minha barraca e “encosta" o focinho na minha cabeça e “respira”…. Uma bela de uma fungada na qual senti até o ar quente!!!! A barraca é diminuta, minha cabeça estava encostada na parede, nesta hora com a minha faca em mãos, bati com toda força a faca em uma frigideira que eu tinha, fazendo um estridente barulho, imediatamente abri o zíper da barraca e olhei ao redor…. Como era de se esperar não vi nada…. Acabou que acordei quatro pessoas que estavam também acampando, e nada vimos. Não conseguia mais dormir, ficava pensando na sensação do animal encostando o “nariz” na minha cabeça, e um pouco depois comecei a sentir o famoso vento patagonico. Sim amigos, ele faz barulho igual ao Godzilla, e bate forte, muito forte. Depois que começou a ventar foi mais difícil ainda voltar a dormir… Quarta-Feira 15/11/2017 - Laguna Toro - El Chalten A barraca aguentou super bem toda a pressão, entortou, balançou, chacoalhou mas aguentou excepcionalmente bem!!! Mas o pior eu descobri ao amanhecer… este vento todo rugindo, levanta muita poeira, um pó extremamente fino, que entrou em tudo, barraca, mochila, roupa, saco de dormir… em resumo, tudo! Eu tinha 3mm de pó dentro de tudo!!! Kkkkkkkk Com muito custo consegui fazer um café com pó….rsrsrrr mesmo depois do vento arremessar meu fogareiro com água e tudo a mais de 200m de distancia!!! Kkkkk Sim, não estou brincando, mas no final deu tudo certo. Uma nota: Em El Chalten não tem previsão do tempo, o mais perto que existe é a previsão de El Calafate, o que torna impreciso, você pode consultar o windguru mas também não é exato, e eu sabia que o dia de hoje existia uma previsão de piora com aumento significativo de ventos e tempo fechado. Tal qual previsto, o dia amanheceu terrível, ventos fortíssimos, chuva, nuvens fechando tudo…. A idéia de ir ao passo Del viento era a de justamente ver os gelos glaciares patagonicos, um dos três campos de gelo do mundo, os outros dois estão no polo sul e na Groenlândia. No acampamento os ventos estavam na ordem de 100km/h, tudo fechado por nuvens, chuva… imagina no passo Del viento, so para chegar lá são 6 horas de caminhada em pedras para ir, e mais 6 horas para voltar…. Visto que teria 48 horas de mau tempo, eu não teria esse tempo livre, a prudência me fez abortar a ideia de visitar o passo Del Viento, o pessoal que estava no camping junto comigo até tentaram me convencer, mas não aceitei a idéia e no final todos decidiram descer comigo. Seria a melhor decisão tomada, visto o mau tempo. O tempo de fato não melhorou este dia, e voltamos para a cidade para desfrutar de um bom banho quente e descansar mais um pouco. Quinta-Feira 16/11/2017 - El Chaltén - El Calafate Acordei, arrumei tudo, almocei e embarquei para El Calafate novamente, este dia foi sem novidades, somente aproveitando para caminhar a esmo e descansar… aproveitei para caminhar pelas ruas de El Calafate, coisa que até então não havia feito ainda. Sexta-Feira 17/11/2017 El Calafate - Glaciar Perito Moreno Na noite anterior comprei um pacote no próprio hostel, America Del sur, de passeio para o Glaciar Perito Moreno, com um extra de passear em uma estancia local com apoio de guia. Foram ARG$700 pesos pelo passeio que me pegou na porta do hostel as 7am. Ida tranquila, conhecemos uma estrada de rípio muito bonita, o clima realmente ajudou aqui, céu limpo e muitas belas paisagens. Conhecemos uma bela estancia gaucha, com seus costumes e animais de criação, tomamos café, ouvimos um pouco de história, passeamos pela propriedade e voltamos para o ônibus. Durante todo o percurso, a guia e o motorista explicam coisas sobre historia local e as paisagens, inclusive parando para fotos, recomendo este passeio. Chegamos no Glaciar, ouvimos as instruções da guia e seguimos cada um para seu lado, a caminhar e apreciar o glaciar. Tínhamos basicamente 3 horas livre de passeio. Passeei, filmei, fotografei, observei, vi gelo caindo, e realmente o Glaciar é muito grande… valeu cada minuto apreciando. Não achei que vale a pena navegar. O barco não chega perto do glaciar por segurança, e em alguns pontos a plataforma fica mais perto do glaciar do que o barco, então não fiz esta parte do passeio e economizei uns pesos!!! Kkkk Na hora combinada, todos se encontraram no ônibus e voltamos para a cidade, lembrando que o glaciar fica a 80km de distancia da cidade de El Calafate. O Resto do meu tempo livre gastei passeando pela cidade. Sábado 18/11/2017 - El Calafate Aqui mais um dia aproveitando a cidade de Calafate e comprando lembranças para a família. Aproveitei o tempo para um tour gastronômico e experimentando sorveterias deliciosas! Rsrs Dia calmo e sem novidade, aproveitei para organizar muitas coisas do equipamento, falar com a família, organizar finanças e descansar mais. Para ir ao aeroporto no dia seguinte, contratei um taxi no hostel mesmo, caríssimos ARG$300, imagina? Preço tabelado… Domingo 19/11/2017 - El Calafate - Ushuaia Ushuaia é uma cidade impar, cravada no final de tudo, aonde o vento faz a curva, e os mares se encontram, ela tem um charme especial, magnético, ela é simples, cravada no pé das montanhas, mas com charme único. Como em Ushuaia decidi não fazer trilhas para acampar, mudo aqui um pouco o estilo do relato, deixando de lado o dia a dia e focando na cidade. Conheci no Hostel um brasileiro, Bruno, e dois argentinos, Nicolas e Julian, pessoal gente muito boa, fizemos amizade e combinamos um passeio os 4 no Parque Nacional Tierra ele Fuego, ARG$500 pelo transfer ida e volta + ARG$300 de entrada do parque, passamos pelo correio do fim do mundo, caminhamos pelas trilhas do parque, circundando o canal de Beagle, visitando a Laguna Roca e finalizando no “final” da Ruta 3. Quando cheguei na mitica placa do final da ruta 3, aquela mesmo que eu tinha visto tanto em fotos, um sorriso não saia do meu rosto, um misto de alegria e felicidade por tel alcançado um sonho. Nem parecia verdade, mas era… Neste mesmo dia, combinamos de jantar uma Centolla, (pronuncia-se cem-tô-ja), no Chiko Restaurant, típico carangueijo gigante da patagonia, também conhecido como King crab. Fomos ao restaurante e experimentamos um Chupe de Centolla, servido com um creme delicioso de batata e queijo parmesão, valeu cada centavo, comemos e bebemos muito bem, saiu ARG$750 para cada um dos quatro, um pouco caro mas experimentem, realmente delicioso! Em minha exclusiva opinião, eu achei a Patagônia um pouco cara, mesmo morando no Canada, e gastando em dólar, achei tudo muito caro, o que me fez optar por alguns passeios e pular outros. Caminhei muito a pé, economizando para comer outro prato que eu gostaria de experimentar, o salmão com centolla e batatas noissetes. Desnecessário dizer que estava delicioso! Experimentem. Fui visitar o Museo Marítimo y Del Presidio de Ushuaia, ARG$300 pesos e vale para dois dias se assim você quiser, basta ao final do seu passeio solicitar o carimbo para poder voltar no outro dia. Passeio tranquilo, aonde você aprenderá sobre a história local e da prisão e conhecera um pavilhão intocado, todo original, recomendo. Tambem fiz a navegação do Canal de Beagle, ARG$1700, aproximadamente 6 horas de passeio ida e volta, você sai do porto, conhece o canal de beagle, o farol do fim do mundo, pequenas ilhas pelo canal, vê muitos pinguins e lobos marinhos, para na beira de uma ilha cheia de pinguins e volta. Todo o passeio tem guias explicando tudo em espanhol e inglês. Passeio bem tranquilo e agradável. Como previsto bastante vento, chuva e frio, vá agasalhado. Eu e o Julian fizemos a trilha da Laguna Esmeralda, o Bruno e o Nicolas ja tinham partido, trilha cheia de lama e barro. A trilha em si não é difícil, o problema é escapar do barro e da lama, sem dizer dos campos de turba, terríveis. Vi muita gente afundando a perna até o joelho no barro ou na turba, inclusive ajudamos uma menina com o namorado a sair da lama, ela estava presa na lama acima do joelho. Como estávamos usando bastões, fomos tateando o terreno antes de pisar e nos demos bem!!! Fica a dica. O pessoal que não estava usando literalmente se afundou na lama…. Rsrsrs Linda Laguna, verde emeralda, dai o nome, mas voltamos logo pois o tempo não ajudou muito. Avistamos também as castoreiras, mas nenhum castor Fui passear no shopping center Passeo del fuego, visitei o Museo del Fin del Mundo, andei pelos “duty frees” da cidade, conheci todas as ruas e avenidas, fui jantar um “tenedor libre”, (rodizio) de carnes argentinas! Kkkkkk Esta foi uma atração a parte, o Julian fez questão de me levar a uma churrascaria de rodízio para que eu experimentasse todas as carnes argentinas, inclusive o tão famoso cordeiro patagonico de Ushuaia, uma delicia a parte. Provei todos os cortes e sabores, realmente uma delicia, me apaixonei por uma costela, que infelizmente não me recordo o nome, mas fica a dica, experimentem!!!! Sábado 25/11/2017 - Ushuaia - São Paulo Dia de voltar, a última parte da minha trip acabou. Ficou a vontade e acampar no parque nacional, o tempo não ajudou, mas a aventura foi maravilhosa, gosto de quero mais. Se eu planejasse não teria sido tão perfeito, tudo tão acertado. Aproveitamento máximo, agora é so planejar a volta com a esposa, quem sabe o ano que vem!!!!! Resumão de dicas Dinheiro / Cartões de Crédito Eu levei cartões de crédito e US$700, que troquei uma parte por pesos no aeroporto de Buenos Aires. As cidades pequenas não tem casa de cambio oficial, você poderá trocar dinheiro com os comerciantes, muitas vezes não vale a pena. Esteja preparado para isso. Nem todos aceitam dólares, principalmente na alta temporada, aonde tem muita oferta. Tanto no Chile quanto na Argentina, você encontrara bancos e caixas eletronicos, você poderá sacar e moeda local sem problemas, no Chile esta foi a minha única opção, precisava de peso chilenos em pleno Domingo e iria sair as 7am da segunda. Na próxima viagem levo um mínimo de dólares e saco tudo no local, não tive problemas com cotações ou taxas abusivas, na verdade foi bem prático e simples sacar no cartão. Hostel / Hotel Não reservei praticamente nada, chegava e procurava, usei o aplicativo Hostelword, magnífico e funcional, não tive nenhum problema, usei e abusei, imprecindivel para a viagem. So tome cuidado com a alta temporada, você pode não ter a mesma sorte. Dias livres Programe dias livres entre as trips/cidades/passeios, como eu expliquei acima, se algo te acontece, você tem tempo para respirar e se ajeitar, os dias de decanso foram fundamentais para a minha recuperação e aproveitamento da viagem depois. Não abra mão disso, ou diminua o numero de passeios/cidades. Não corra riscos desnecessários correndo entre cidades, deixe algo para depois, é uma excelente desculpa para voltar! Comida Não abro mão de experimentar a culinária local em minhas viagens, mas normalmente sai caro, por isso, nos outros dias usei e abusei da cozinha do hostel e comprei comida em supermercados locais, você gasta menos e tem a chance de fazer muitos amigos!!!! Segurança Em todas as cidades que visitei pela Patagonia, não me senti inseguro em nenhum momento. Andei sozinho por tudo e sempre muito tranquilo. No hostel use o locker para coisas de valor, passaporte e eletronicos. Eu deixei várias vezes celular carregando na tomada sem estar perto e não tive problemas. Inclusive todo o meu equipamento, como mochila cargueira etc, ficava sempre no chão do quarto. Aeroporto Hoje em dia voar é super tranquilo, mas a segurança no aeroporto e muito maior e rigorosa, evite itens proibidos nas malas de mão, leve uma mala pequena ou mochila pequena com você e despache a mochila maior. Leve uma garrafa de água vazia e deixe para encher no bebedouro depois do raioX. Quanto mais leve no aeroporto melhor, e sempre confuso e so piora com as pessoas demorando para embarcar com suas mochilas gigantescas que não cabem no guarda volumes do avião, evite fila, todos vão entrar na aeronave, sem excessão, normalmente quem esta no fim do avião embarca primeiro, então fila é inútil. Dica pessoal Vá leve, indepente se você esta indo para turistar, ou indo para trilhar, vá leve. O máximo que você puder. Corte peso de tudo, roupas desnecessárias, objetos sem uso para viagem, corte tudo, ainda mais se você estiver indo para trilhas, lembre-se que você vai carregar isso por todo o tempo, inclusive no aeroporto! Kkk Equipamentos que eu levei Barraca The North Face Stormbreak 2 Colchão Big Agnes Insulated AirCore Ultra 3 season Saco de dormir The North Face Aleutian -7C Mochila Deuter ACT Lite 65 +10 Mochila de ataque ultralight Fogareiro Trangia 27-4 UL (otimizado para uma pessoa só) Bastões de caminhada Black Diamond Trail Poles Aluminum 460GR Lanterna de cabeça Petzl Zipka 200 lumens Lanterna de barraca Coghlan’s Led Micro Lantern Canivete suíço Victorinox com faca, e mais algumas funções 100 metros de paracord 550 2 Sacos de compressão Outdoor Research UL (1 para saco de dormir, 1 para roupas) 1 Filtro de água Sawyer mini 2 garrafas de água flexíveis platypus 1L e 500m 1 pá cat hole 1 Powerbank 20.000 mAh Aukey Mosquetões variados para múltiplos usos Sacos plásticos diversos (lixo, etc) Fita adesiva Gorilla Tape / Silver Tape Câmeras video/foto 1 Gopro Session com SD Card de 64GB 1 Iphone SE 64GB Comida 15 pacotes variados de comida liofilizada incluindo refeições, carne seca, (Jerk beef) e cafés da manhã Café solúvel Starbucks VIA Instant, embalados individualmente Pelas cidades que passava comprava sempre algo mais, doces/chocolates, amendoins, macarrão, etc. Roupas 2 calças segunda pele, sendo uma ventilada especial para esportes 2 camisetas de manga longa, sendo uma especifica para caminhadas e transpiração 2 camisetas manga curta dry fit 1 shorts curto dry fit 1 calca/bermuda nylon Columbia 1 &nbsp;fleece fino Mountain Warehouse 1 jaqueta ultralight Columbia 1 colete ultralight Patagonia 3 pares de meia liner isocool Mountain Warehouse 1 par de meia Columbia para frio intenso 2 pares de tenis ultralight para trekking Columbia, de cano baixo 1 Chinelo 1 Boné 1 Gorro de lã 1 luva liner (Bem fina) 1 luva (mais grossa 1 óculos de sol 100% uvAB filter 1 jaqueta ultralight impermeável Columbia 1 calça ultralight impermeável Mountain Warehouse 1 Neck Gaiter/Pescoçeira de fleece Quechua 1 Neck Gaiter/Pescoçeira dry fit Nike Farmácia pessoal Antibiótico Anti inflamatorio Anti Diarreia Anti Enjoo Anti Gases Pomada antibiotica Gases + Esparadrapo Colirio Carvão ativado (Diarreia leve, intoxicação alimentar/veneno) Protetor solar (imprescindível) Super cola/Superbonder (Serve para fechar pequenos cortes na pele, sem sangue) Aquatabs (para purificar água) Alfinete de segurança e agulha Palito de dente + Pinça pequena (Meu canivete suíço tem e sempre uso) Kit de Higiene pessoal Escova de dentes Fio dental Pente Aparelho de barbear Sabonete liquido biodegradável multi uso (serve para banho, cabelo e roupas) Condicionador de cabelo Gel para cabelo Lencos humidecidos Mini espelho APPs usados no celular (Iphone) Gaia GPS - Este app merece um tópico a parte, mas resumindo, GPS com mapas topográficos e trilhas do mundo todo offline, pago a assinatura anual e foi sem dúvida o que eu mais usei para tudo. XE Currency Pro - Sem dúvida o melhor app para converter moeda offline, ele usa seu ultimo acesso a internet como ref. Bem preciso, usei muito nas confusas conversões de pesos x dolares Google Maps - Fiz o download de mapas offline das cidades que iria caminhar. Google Translate - Com línguas offline just in case Hostelword - Para reservar hostels pelo mundo Airbnb Trivago Netflix - Com uns filmes offline para assistir durante os voos kkkkkk Lastpass - Carteira de senhas digitais
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