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  1. Quando estamos fazendo essas travessias, muitas gente pergunta se não temos medo. Claro que temos, são perigos reais: cobras venenosas, atropelamento, assaltos, hipotermia, insolação. .. mas a recompensa é muito grande, lindos visuais, ótimas comidas, ar puro, povo maravilhoso, e tudo mais. . Depois de fazer o caminho de Cora Coralina, resolvemos fazer outra parte da serra da Mantiqueira (alguns mapas informam que a serra da Mantiqueira vai até a Divinolandia), então fizemos uma parte do Caminho da Fé que também passa por essa serra. Acordar bem cedo, ouvir os pássaros, respirar ar puro e, ainda, conseguir ver e registrar uma cena dessa, não tem preço: Outra atração da serra da Mantiqueira é a pedra do Baú, subida em grampos de aço, forte subida até o topo. Recompensa: lindo visual 360° de toda região, não tem preço que paga!
  2. Este post é um relato sobre o auge de nossa viagem pela Patagônia: o Parque Nacional Torres del Paine (TDP), símbolo da beleza exuberante da Patagônia Chilena e o destino dos sonhos dos amantes da natureza de todo o mundo. Vamos contar como foram os 5 dias de trekking, o famoso Circuito W. Tem muitas outras informações no meu blog: www.calangosviajantes.com.br Veja as fotos desta aventura AQUI. Tem um post com os custos desta viagem AQUI e outro sobre como fazer as reservas AQUI. Acompanhe nossas aventuras no Facebook ou Instagram Relato do trekking realizado de 12 a 16 de Janeiro de 2017. Dia 1 - atento às regras Caminhamos desde o nosso hostel em Puerto Natales até a rodoviária. Compramos a passagem no próprio hostel. Existem várias empresas que fazem este percurso e não há diferença significativa no valor. A rodoviária fica lotada de trilheiros com suas mochilas enormes! Todos muito animados para a trilha de suas vidas. Durante o percurso até a entrada do parque é possível ver os guanacos pulando as cercas e a linda cadeia de montanhas ao fundo. Na Portería Laguna Amarga enfrentamos uma longa fila para preenchermos o termo de compromisso e pagarmos a taxa de entrada. É necessário assistir um pequeno vídeo com informações gerais e as regras do parque. Uma das mais importantes: não é permitido fazer fogo fora das áreas delimitadas(!!!). Entramos em outro ônibus (valor já incluso) que nos levou até a Portería Pudeto. Fomos os últimos a pegar o catamarã que cruzou o Lago Pehoe. A viagem não poderia iniciar de melhor maneira, à nossa direita, o imponente Los Cuernos! Compramos o bilhete do catamarã durante o trajeto. Chegamos ao Refugio Paine Grande sem reservas e por sermos os últimos a chegar no camping, as meninas da recepção nos deixaram ficar. Muito obrigada, meninas! (AVISO: aconselho fortemente que você não faça isso!! Neste post falamos como fazer as reservas) Armamos a barraca, deixamos nossas mochilas e fomos apenas com a mochila de ataque até o mirante Grey. Muito cuidado com as comidas deixadas nas barracas, a raposa-colorada (Lycalopex culpaeus) adora lanchinhos fora de hora. Infelizmente, o que mais me impressionou neste percurso não foi a linda paisagem ao meu redor, mas o resultado do maior incêndio florestal do Chile em 2012: 18 000 hectares queimados. Uma tristeza ver as marcas desta grande tragédia e por isso repito: siga as regras do parque, não faça fogo nem use seu fogareiro fora das áreas destinadas. Precisamos cuidar e respeitar a natureza. Aquele lugar é espetacular e todos têm o direito de visitá-lo e apreciá-lo. Depois de quase 3 horas de caminhada e muito vento no caminho, chegamos aoMirador Grey. O tempo estava bem fechado. A geleira Grey se misturava com o céu e não dava para saber onde terminava a geleira e começava o céu. A geleira é um local impressionante! Dia 2 - café com montanha Após uma noite de muito vento (dica: monte muito bem sua barraca!), tomamos café na cozinha do acampamento com uma vista incrível, arrumamos tudo e saímos. Logo no início da trilha, na Portería Lago Pehoe, o guarda-parque pediu para ver nossa reserva impressa do acampamentoItaliano, reservas confirmadas, pé na trilha! A cadeia de montanhas Los Cuernos estava bem escondida, mas conforme nos aproximávamos dela, mais ela aparecia, e uma caminhada de 2,5 horas, fizemos em incríveis 4,5 horas. Haja foto! A alegre chegada ao acampamento Italiano é anunciada pela ponte que temos que atravessar e deu um medinho! Como venta muito, ela parece bem instável. Fizemos o check-in no acampamento, conversamos com os guardas e fomos preparar nosso jantar. Decidimos não fazer nenhuma outra trilha neste dia pois a trilha para o Mirador Britanico fecha às 17h e a do Mirador Frances às 19h. E quando digo que a trilha fecha, ela fecha mesmo, pois um dos guardas percorre a trilha até o final para garantir que não há mais ninguém na trilha (todos os dias, imagina!). Dia 3 - doce ilusão O vento faz parte da Patagônia, aceite! Eu acordei assustada a noite, pois dormíamos debaixo da copa das árvores e o vento balançava seus galhos com força. E o medo daqueles galhos caírem sobre nós? Não, nenhum galho caiu, ufa! Deixamos nossos pertences no acampamento e seguimos em direção ao Mirador Britanico com nossas mochilas de ataque. Todo mundo larga suas mochilas no acampamento, isso é bem normal (também algo que tive que aceitar me acostumar). Quando chegamos ao Mirador Frances o tempo já estava muito fechado, andamos mais um pouco e decidimos voltar, afinal não conseguiríamos ver nada mesmo. Ficamos sentados um tempo esperando por uma avalanche no topo das montanhas, que também não aconteceu... Mesmo assim estávamos só felicidade, afinal estávamos a caminho do Refugio Los Cuernos, onde passaríamos a noite em uma linda cabana de madeira na beira do lago. Sim, foi puro luxo! Não temos dinheiro para Não ligamos para luxo quando o assunto é hospedagem, mas há anos atrás vimos uma foto no Facebook de um casal em um ofurô com uma paisagem de tirar o fôlego ao fundo. Escrevemos para a pessoa que postou a tal foto perguntando onde era: Refugio Los Cuernos. Deste dia em diante, não tiramos mais aquela imagem da cabeça e estava decidido: iríamos naquele ofurô e ponto final. Não era nossa intenção ficar na cabana, mas no site estava bem claro: somente hóspedes das cabanas tinham acesso ao ofurô. Bem, com muita, mas muita dor, reservamos a tal cabana e sonhamos com este dia desde então. Parte deste valor eu havia ganho de presente de aniversário, muito obrigada Celzinha! Na trilha para o Refugio Los Cuernos, o sol finalmente resolveu aparecer de forma muito marcante, acentuando ainda mais a cor da lagoa. Para quem está fazendo o W invertido é descida na maior parte. Eu senti por quem estava subindo... Na minha opinião o trecho de trilha mais lindo! O vento intenso levantava a água da lagoa e até DOIS arcos-íris se formavam na nossa frente ao mesmo tempo, arrancando gargalhadas dos dois bobos incansáveis ao admirar tamanha beleza. Então, finalmente chegamos às cabanas e, ansiosos, vimos de longe o tal ofurô. Corremos para checar o tão sonhado ofurô de perto. Mas o que encontramos foi uma placa: MANUTENÇÃO! Mas que #@$%&! Ficamos muito putos, bravos, arrasados tristes com a notícia, afinal estávamos esperando há anos por aquele dia, mas não tinha nada que pudéssemos fazer. A cabana era linda, tinha uma lareira, toalha limpinha, cama fofinha e chuveiro gostoso! Fomos conhecer o refúgio, admirar o Los Cuernos e conversar com nossos amigos e quando retornamos encontramos uma garrafa de vinho chileno e alguns docinhos. A princípio, tive a certeza que havia sido o Antonio quem preparou aquela linda surpresa (tipo cena de filme mesmo! Imaginem que romântico: uma cabana de madeira, um vinho, lareira e aquela vista incrível). Ele perdeu a chance de ganhar muitos pontos (e na sequência perder muitos mais, é claro) ao não confirmar que havia sido ele - não foi, acreditamos que foi a forma do refúgio se desculpar por destruir nossos sonhospelo inconveniente. Após muitas risadas e desapontamento (nunca vou esquecer da cara do Antonio não conseguindo confirmar que havia sido ele o autor da ideia romântica) aproveitamos o delicioso vinho. Dia 4 - meu querido saco de dormir A noite na cabana não foi tão tranquila quanto imaginávamos, o vento era tão forte que parecia que a cabana se desmontaria. Não sobrou dinheiro para queríamos comprar a pensão completa no refúgio, fizemos nossa comida na mesma cozinha reservada para o pessoal do camping. Seguimos rumo ao acampamento El Chileno. Neste dia enfrentamos as 4 estações do ano, inclusive chuva. Existe um cruzamento, e você pode optar por ir para o Hotel Las Torres ou um atalho para o acampamento - é claro que optamos pelo atalho! No caminho vimos os bombeiros resgatando alguém em uma maca, ficamos muito assustados (depois ouvimos boatos de que a menina havia torcido o tornozelo - o que a impossibilitou de terminar a trilha, por isso todo cuidado é pouco). Chegando no refúgio, fizemos o check-in e fomos procurar uma plataforma para colocar nossa barraca. Dica: chegue o mais cedo que puder e coloque sua barraca, as plataformas estão colocadas num barranco, e se estiver chovendo (como estava) o chão molhado quase te impedirá de chegar em sua barraca sem cair alguns tombos. O jantar no refúgio foi extremamente agradável, nada de macarrão com vina, ou salsinha como vocês dizem. Entrada, prato principal e sobremesa, tudo com raio gourmetizador ativado! Não havia opção de reservar o local de camping sem todas as refeições inclusas (sim, eles são bem espertinhos). Ficamos na área de convivência do refúgio até tarde conversando, quando nossa amiga Tânia chega desesperada dizendo que estava entrando água dentro da barraca dela. Conseguimos alguns sacos de lixo e o Antonio foi ajudar o Beto com o "pequeno" problema. Logo em seguida entra outro trilheiro com seu saco de dormir completamente encharcado, eu entrei em desespero! Já imaginei meu saco de dormir molhado, seria o fim (que exagerada!). Pedi ao Antonio que conferisse se nossa barraca estava molhada, e para minha alegria, tudo estava completamente seco. Dia 5 - sonho realizado Antonio nunca havia visto neve e sempre falou que se fosse para ver neve, que fosse na montanha. Estávamos tomando café no refúgio quando vejo um ser saindo correndo gritando "Está nevando, está nevando". Parecia uma criança vendo neve pela primeira vez - e na montanha, como ele havia sonhado! Eu não fiquei assim tão feliz, afinal isso significava que o tempo estaria fechado nas Torres - e como eu queria ver aquelas meninas! Tomamos um café super reforçado (incluído em nosso pacote) e seguimos a trilha até às Torres. Ao contrário dos outros dias, neste caminhamos muito rápido e os joelhos reclamaram um tanto (DICA: se puderem fazer a trilha no seu tempo, sem correr, é melhor. Fizemos isso todos os outros dias e não sentimos dor alguma). A trilha é pesadinha, mas isso não impede que jovens, crianças e idosos a façam, cada um no seu ritmo, no seu tempo. Eu não sabia quem eu admirava mais, se as famílias com crianças ou o grupo dos mais experientes. Quando fomos chegando pertinho da lagoa o coração foi acelerando. O Antonio foi na frente e lá do alto chamou minha atenção ao gritar uma linda declaração <3. Quando finalmente meus olhos encontraram as meninas (as Torres) não pude me conter de emoção - me faltam adjetivos para descrever a beleza deste local. Encontramos nossos amigos Daniel, Daniela, Beto e Tânia lá no topo, foi uma delícia compartilhar aquele momento com nossos novos amigos. Mas foi o tempo de contemplarmos a paisagem, tirar algumas fotos (nossa e da Maiza, coitado do Antonio) que o tempo virou completamente. As nuvens encobriram o céu azul e as Torres, e a neve começou a cair - "não era neve que você queria Antonio?" Muita neve! O vale também ficou completamente encoberto. A emoção de completar o circuito W, nossa primeira travessia, foi indescritível. Sensação de superação e eterna gratidão. Veja as fotos desta aventura AQUI. Escrevi um post com os custos desta viagem AQUI. Bons ventos!
  3. Dando continuidade à minha primeira caminhada (https://www.mochileiros.com/topic/55152-60-dias-a-pé-pelo-litoral-brasileiro/), me vi na mesma situação que a anterior (saí do emprego + férias da faculdade) e não pensei duas vezes antes de continuar de onde tinha parado. Parti em dezembro até a Paraíba, passei uns dias e logo depois do natal, fui pro Rio Grande do Norte onde dei continuidade de onde tinha parado. 1º DIA 26.12.2018, chegando na rodoviária da calorenta e ensolarada Natal, almocei bem baratinho por 8$ e peguei um coletivo com destino a Praia da Redinha. Chegando lá comprei água e uns lanches e parti pro mar pra dar uns mergulhos. Dessa praia temos uma bela vista da ponte Newton Navarro e de toda Capital potiguar, a água é verdinha e com aquela temperatura característica nordestina. Olhando a frente também é possível avistar o final da praia que já marca o início de Genipabu. Parti por volta das 15h com a maré baixinha e com trecho não muito vazio, com bastante casas. Rapidamente cheguei em Genipabu que é verdadeiro cartão postal, com dunas, maré baixa, algumas pedras e turistas por todo canto, hora de buggy hora de dromedário. Parti pra água pra dar mais uns mergulhos no mar calmo e depois subi a duna pra conhecer, esperei o sol se pôr e armei a rede no meio de uma moita. A noite foi sofrível com muito vento e com a falta de costume de dormir em rede e preparar comida nessas condições. Andei uns 8km. Genipabu-RN: 2º DIA Pra minha sorte a noite não choveu e assim que clareou levantei, comi alguma besteira e desci a duna pra começar a andança. Logo nos coqueiros dos restaurantes ao lado da duna consegui 2 cocos, os primeiros dessa viagem. Segui calmamente deixando Genipabu pra trás e uns 40 minutos depois surge a primeira barra pra atravessar, a do Rio Ceará-Mirim, que atravessei com água na cintura. Logo a frente próximo a Pitangui parei em umas das inúmeras casas abandonadas/vazias ou sei lá o que, e armei minha rede pra dar uma descansada. Minha ideia foi começar caminhando bem pouco pra tentar evitar as bolhas (funcionou!). Com as coxas assadas e os pés ardendo um pouco dei uma boa descansada (leia-se cochilada), enquanto os buggys passavam pra lá e pra cá. A orla de Pitangui é ligeiramente mais humilde, almocei um PF no restaurante da Maria por 10$ e segui, peguei mais 2 cocos antes de passar por uma lagoa com barracas vazias as margens da praia. Genipabu estava sempre a vista quando olhava pra trás, mais um pouco de caminhada vem Jacumã e mais belas praias surgem, um pouco mais a frente quase colado vem Muriú, cheguei já escurecendo e não achei um bom canto pra dormir, acabei armando a rede num quintal de uma casa que parecia vazia, ainda sem ritmo nenhum, apenas lanchei antes de dormir. Caminhei uns 18km. Sentido Jacumã-RN: 3º DIA Levantei cedinho e fui até a rua principal comprar meu café, depois de comer e chupar uns cajus que achei no caminho, parti na maré baixa e com mar agitado. Depois que acabam as casas vem uns 3km sem nada além de uma coqueiral bem ralo e uma faixa de areia bem extensa, ao fim da praia vem umas pedras e a barra do Rio Maxaranguape, que atravessei com água na coxa, do outro lado peguei a sombra de um quiosque vazio e descansei até o almoço. Única movimentação eram de poucas famílias se banhando no rio e pescadores trabalhando em seus barcos atracados. Almocei no mercado central por 10$ e voltei a descansar na orla que não tem nada de luxuosa. Da minha rede já conseguia avistar mais a frente a Árvore do Amor e o Farol de São Roque. Parti umas 15:30 com sol mais ameno e maré baixando, a esquerda a areia forma quase uma pequena falésia que esconde as casas por trás dela, uma dessas casas estava vazia e foi na varanda dela que armei minha rede pra dormir, antes ainda dei uma boa mergulhada, o dia foi bem tranquilo caminhando apenas uns 9km pra compensar o dia anterior. Sentido Maxaranguape-RN: 4º DIA No primeiro claro já levantei, comi e parti. Ao fim da praia vem uma falésia mais consistente e algumas pedras na areia, na praia seguinte a uns 200m vem a Árvore do Amor, que são duas gameleiras, árvore típica de lá, que parecem estar se abraçando. 300m depois vem o Farol de São Roque, que representa o ponto brasileiro mais próximo do continente africano. Ao fim da praia vem mais pedras e sempre um velho conhecido das praias, o lixo. Na praia seguinte já dá pra avistar a Praia de Caraúbas e mais distante Maracajaú. A caminhada segue tranquila com areia firme e maré baixa, as praias seguintes são muito bonitas, sempre com pedras, falésias e um formato bem curvado. Parei rapidamente em Caraúbas pra um lanche e continuei andando, um pouco a frente vem a Lagoa Peracabu, com muitas barracas e as típicas redes na água, que daqui pra frente são bem comuns. O trânsito de quadricículos e buggys é frenético entre a lagoa e Maracajaú. Ao final da praia surge um visual incrível com águas claríssimas e uma pequena lagoa formada pela maré. Cheguei em Maracajaú com a maré subindo e areia um pouco fofa, sem muita opção pra almoçar, acabei comendo um peixe por 18$ no restaurante Tereza Pança e descansei por lá o resto da tarde, alternando banhos de mar e chuveiro. Maracajaú não é muito grande, mas o que chamou mesmo atenção foi uma iguana gigante que circulava tranquilamente entre os moradores pela rua. Ao final das casas, encontrei uma abandonada parcialmente engolida pela areia e armei por lá minha rede, ainda consegui 3 cocos no coqueiral que tinha nos fundos, jantei e dormi muito bem aquela noite. Andei uns 14km. Maracajaú-RN: 5º DIA Saí cedo e comecei a andar aproveitando a sombra de uma imensa nuvem, mais a frente tem mais casas abandonadas boa pra um pernoite. A nuvem não durou muito e logo o sol brotou, com a maré ainda muito boa pra andar rapidamente alcançei o fim da praia, depois vem um retão de praia que ao final tem algumas pedras e uma bela vista do percurso que tem pela frente, daqui dá pra ver também a primeira grande sequência de parque eólico, que é bastante comum dali pra frente. A primeira praia é bem curvada, com bastante pescador puxando rede, depois de uma duna mediana começa Pititinga, descansei um pouco por lá e segui. Ao fim das casas, tem uma lagoa com algumas barracas, ainda vazia pelo horário, e uns coqueiros baixos espalhados, peguei 4 cocos e dei mais uma descansada. A praia dali pra frente é uma reta bem deserta, 3km a frente vem o Rio Tatu que tava bem rasinho sem problemas pra passar, um pouco mais a frente vem Zumbi, que já estava no clima de réveillon com suas ruas desordenadas. Almocei um frango na brasa com o melhor suco de graviola da viagem por 12$, depois fui mergulhar e descansar na praia que tinha muito quadricículo e a água com uma cor impecável. No fim da tarde fui até o final das casas e achei uma abandonada onde armei minha rede na varanda. O vento foi insano a noite toda e não consegui dormir muito bem, caminhei uns 13km nesse dia. Zumbi-RN: 6º DIA Pra compensar a noite mal dormida levantei um pouco mais tarde e a praia já tinha banhista caminhando. Amanheceu um pouco nublado, o que sempre ajuda na hora da caminhada, ainda na maré baixa logo cheguei no fim da praia onde tem muitas pedras e falésias, esse cenário segue praticamente até Rio do Fogo sempre com alguns catadores de marisco nas pedras. Faltando uns 2km pra chegar no centro um bugueiro me ofereceu uma carona até a cidade que gentilmente recusei, preferi ficar descansando embaixo de uma boa sombra de frente pro mar. Rio do Fogo tava com um trânsito insuportável de fim de ano, almocei um peixe num restaurante pela praia enquanto me molhava no mar e no chuveiro. Saí no fim da tarde com a maré alta, tive que ir descalço pra facilitar, peguei 2 cocos numa pequena duna antes de chegar em uma pequena vila, se não me engano se chama Perobinha de Touros. Mais à frente vem um hotel luxuoso com seguranças devidamente armados que me observavam enquanto andava. Mais pra frente achei 2 barracas de pescador onde armei a rede, porém devido aos fortes ventos, acabei inaugurando a barraca e dormindo nela, e foi como eu temia, muito abafado e quente. Realmente calor e corpo salgado não combinam com barraca de camping. Andei uns 10km. Sentido Rio do Fogo-RN: 7º DIA Acordei as 5h e me arrumei logo pra sair, a areia já estava bem durinha e a maré baixando. Caminhada bem tranquila e depois que passa por um imenso hotel em construção vem Carnaubinha, que é um lugar bem pequeno com a orla repleta de casas alugadas, algumas ainda em festa pela virada do ano. Quase colado em Carnaubinha vem Touros, que é bem maior e estava com a praia lotada do pessoal que passou a virada do ano ali. Fui até o centro comprar pão e estava saindo uma procissão da igreja, muita gente indo embora da festa e mais gente ainda já chegando pra aproveitar o feriado, achei uma sombra onde comi e descansei até o almoço. Almocei um frango na brasa por 10$ e vazei dali por volta das 14h, a praia entupida de gente me fazia lembrar Copacabana em dia de feriado, deixei toda a muvuca e lixo pra trás e segui andando embaixo do sol escaldante na maré alta, falei comigo mesmo que nunca mais andaria na maré daquele jeito. Apesar do trecho deserto sempre surgia alguma família pelo caminho, definitivamente era o dia mundial de ir à praia. Ao final da praia tem o Farol do Calcanhar, que tem esse nome por estar posicionado no “esquina” do Brasil, com 62m é o segundo maior farol de concreto do país e um dos maiores do mundo desse tipo, a partir daqui a caminhada deixa de seguir pro norte e passa a ser pro oeste. Logo a frente vem um restaurante e depois vem o marco do km0 da BR-101, chupei muito caju enquanto tirava foto das placas. Armei a rede numa espécie de coreto de um casarão abandonado onde assisti de camarote a lua cheia surgindo de dentro do mar. Dormi muito bem depois de andar 14km e compensei a noite mal dormida do dia anterior. km 0 BR-101-RN 8º DIA Acordei com o sol nascendo mas antes de sair ainda peguei 6 cajus pra completar o café e saí sem pressa esperando a maré melhorar. Uns 15 minutos dali tem um lugar chamado Cajueiro, que ainda estava amanhecendo, passei direto e uns 40 minutos depois vem uma bela praia que parece um lugarejo, mas é só uma praia de pescador, todas as cabanas existentes são pra guardar o material de pesca deles. Daqui pra frente começa um climão de deserto com solo mais avermelhado e com dunas realçam o cenário. Ao fim dessa praia começa uma sequência de falésias e pedras que só dá pra passar na maré baixa. Quando cheguei em São José uma família colombiana me ofereceu carona e aceitei, fui de carona de buggy até São Miguel do Gostoso, onde descansei numa sombra até a hora do almoço. São Miguel estava na ressaca do réveillon, na praia ainda estavam desmontando as estruturas da festa. A praia tem uma faixa de areia enorme, e na orla tem um banheiro público onde tomei uma bela ducha. Consegui almoçar por 12$ mas no geral lá é um lugar caro repleto de pousadas e restaurantes chiques. Deixei o local com o sol cozinhando e areia já ficando fofa. Ao chegar em um coqueiral baixinho bebi um coco e quando fui abri-lo arrebentei o dedo, pude então entender porque algumas pessoas chamam cortes feios de buceta. Mais a diante começa uma sequência de pedras diferente, elas se posicionam bem onde as ondas quebram te dando apenas duas opções: andar por cima delas ou por fora na areia fofa, elas se estendem por 1,5km. Mais à frente tem mais alguns coqueiros baixos, não me rendi e mesmo com o dedo arrebentado e com minha faca já quebrada, ainda bebi 3. Ao final vem a Praia de Tourinhos, pequena, bem curvada com água clarinha e muito mais bela que a vizinha famosa São Miguel, praia cheia e com algumas barracas, armei minha rede em um quiosque fechado. Nesse dia me desloquei 23km, sendo 8km de carona e 15km andados. Praia de Tourinhos-RN 9º DIA A noite foi bem clara com lua cheia e dormi muito bem, acordei cedo mas fiquei dando um tempo pra maré baixar, enquanto isso observava os turistas. Eles chegam tiram fotos, armam tripé, correm pra tirar uma foto sentado na areia como se tivessem contemplando o mar e voltam correndo pra ver como ficou a foto, porém não ficam sequer 10 segundos contemplando o mar de fato, ou então tiram fotos fazendo poses de yoga... não aguentei ficar assistindo aquilo e vazei dali. A 500m dali tem o Suspiro da Baleia, uma pedra que quando a onda bate jorra água pra cima como uma baleia, passei na maré inadequada e não vi nada acontecer. Essa primeira praia toda segue com a estradinha paralela, ao final dela começa um enorme parque eólico. Duas belas praias a frente vem uma pequena vilinha só com cabana de pescador, um pouco adiante mais uma sequência de pedras, que eu já tava aprendendo a andar sobre elas, com bastante cuidado, elas se estendem até a Praia do Marco. Tava difícil a caminhada pois foi a primeira manhã sem vento, mas por volta das 8h cheguei na Praia do Marco, uma belíssima praia de aguas claras e calmas, com algumas dunas e praticamente sem turismo. Aqui tem o primeiro marco do Brasil, e alguns estudiosos ainda defendem que o Brasil foi descoberto por lá, polêmicas à parte, descansei num restaurante até o almoço e comi um peixe cozido por 12$. A Tarde fui embora mas a calmaria do lugar dava até vontade de ficar por lá mais tmepo. Caminhar no sol da tarde é foda, dá muita sede, ainda mais naquele climão de deserto com mar. Com a maré baixa, algumas praias a frente cheguei em Enxu Queimado, que é muito pequena, típica vila pesqueira, fiquei pela praça descansando, a noite fiz um lanche no pequeno centro e armei a rede em um quiosque fechado. Andei 17km. Praia do Marco-RN 10º DIA Fiquei a manhã toda ainda em Enxu Queimado, almocei por 12$ uma carne de bode no que parece ser o único restaurante do lugar e parti depois do almoço com maré baixa. A primeira praia logo acaba e surge outra bem comprida, totalmente deserta que vai beirando o parque eólico. Pelo caminho no meio do nada tem umas barracas de pescador muito boas pra dormir, ao logo da praia não dá pra ver muito bem o que existe terra a dentro pois os morros de areia encobrem a vista. Lá pela terceira praia dá pra ver o imenso deserto que tem, ao fim da praia começam umas pedras que vão lentamente virando falésias. Na quarta praia resolvi parar armei minha rede numa pequena vegetação ao lado de um cata-vento, deixei a barraca armada caso chovesse, mas dormi na rede mesmo ao som das hélices girando, embaixo do céu estrelado. Esse trecho tem boas praias que são quase particulares, não tem banhista num raio de quilômetros, nessa tarde andei por 8km. Saindo de Enxu Queimado-RN: 11º DIA Parti não tão cedo esperando a maré baixar mais, as 2 primeiras praias são bem parecidas, são curtas e com muitas pedras que são vencidas facilmente. No início da terceira praia apenas uma casa de pescador e um mar lindo de cor verdinha, daqui já é possível avistar o farol bem distante. Mais adiante vem uns viveiros (eu acho) com cheiro terrível de esgoto, uma ou outra habitação pelo caminho e uma família vindo na direção contrária. Ao final da imensa praia tem o Farol de Santo Alberto e o início de mais uma bela praia, a Praia do Farol, que tem apenas uns restaurantes, pousadas e algumas famílias se banhando, depois vem uma bela duna e o centro de Caiçara do Norte, que é considerada a que tem o maior número de barcos pesqueiros do Brasil, em proporção ao tamanho do município, que deve ser verdade pois a praia é lotada de barcos e as ruas cheias de peixarias. Almocei por 12$ no restaurante da Maria, um dos poucos da cidade e fiquei o resto da tarde mergulhando e assistindo ao vai e vem das jangadas e barcos, embalados pelo vento furioso que veio de tarde. Jantei um espetinho de carne e dormi pelo centro mesmo, numa peixaria detonada pela maré. Andei 11km. Caiçara do Norte-RN: 12º DIA Como no dia anterior esperei pra sair depois do almoço pra pegar a maré boa, almocei no mesmo lugar e fui embora depois do almoço pra encarar o que seria um dos maiores trechos sem nada pelo caminho. Uma sequência de cabanas de pesca marca o final da cidade, a partir daí é só praia deserta, duna e muito vento. Vão surgindo dunas maiores e limpas, sem vegetação, e após uma longa praia voltam os cata-ventos do parque eólico. O vento em certos momentos me fazia andar torto, ele batia forte pelas costas e ficava o tempo todo balançando minha mochila. Tentei andar um trecho descalço pisando somente na lâmina d’água, mas não compensou, depois a sola do pé ficou pegando fogo e voltei pro chinelo pela areia seca. Nesse dia só passaram por mim dois vaqueiros que estavam seguindo pro interior das dunas pra buscar os bois que estavam pastando por lá. Vez ou outra passava alguma moto ou carro aproveitando a maré baixa, mas no geral é uma caminhada solitária pela praia deserta. Parei no que parece ser o meio do caminho, onde tem umas instalações do parque eólico, armei a rede nunca casa sem telhado e dormi sob o céu muito estrelado porém, sem lua. Andei 14km. Sentido Galinhos-RN: 13º DIA Apesar de não ter chovido a noite, acordei com a rede toda úmida do sereno, me arrumei rápido e parti já com a areia firme, e sem nenhum vento. Numa caminhada constante, em menos de uma hora, chego no final dos cata-ventos, e uns 50 minutos depois vem um lugar chamado Galos, lá tem poucas casas e uma bela praia. No final dessa praia vem Galinhos, um pouco maior e com outra praia bem bonita. Passei o resto d amanhã mergulhando nas águas claras e descansando na sombra, a essa hora o sol já estava castigando e a praia não parava de encher, afinal era um domingo ensolarado. Em Galinhos só se chega de balsa, carro 4x4 ou moto, sendo as duas últimas opções pela praia em maré baixa. É uma cidade pequena bem simpática, infelizmente devido seu isolamento é tudo bem caro, almocei a comida mais cara de toda viagem, uma frango parmegiana sem graça por 22$. Descansei o resto da tarde na praia onde ficava o vai e vem dos “uber-jegue” rsrs, boa parte da cidade não tem calçamento então existe esse serviço regulado de transporte de charrete, praticamente destinado a quem vem de fora a passeio. Jantei um espetinho que custou o olho da cara e dormi numa barraca uns 500m depois do centro em direção ao farol. Andei 12km. Galinhos-RN: 14º DIA Depois de Galinhos começa uma espécie de delta, com uma grande sequência de barras, que se estende até Porto do Mangue, aqui eu planejei meu primeiro trecho de transporte. Cheguei cedo pra pegar a balsa das 07:30, é preciso chegar cedo pra garantir uma senha de acesso, a balsa até Guamaré é gratuita, todos vão sentados, a viagem é lenta mas bem tranquilinha, chegando lá não me informei direito sobre os transportes até Macau e acabei indo nos carros alternativos que fazem lotada, paguei 15$ até Macau. Fiquei na rodoviária e de lá peguei um ônibus por 5$ até Pendências, lá eu me dirigi até a saída da cidade e fiquei esperando algum transporte ou carona. Carros de passeio passavam fingindo que nem me enxergavam, mas quando passou um caminhão caçamba, bastou eu acenar que o coroa parou na hora e me perguntou se queria carona, e assim fomos até Porto do Mangue, pelo caminho estradinha horrorosa, muita seca e muita carcaça de boi morto. Chegando na cidade, fui logo almoçar no único restaurante do mercado público, comida farta e barata. Descansei me abasteci de água e segui com o sol mais fraco, basta ir beirando a orla até o mangue e seguir margeando até o mar. A extensa faixa de areia é a maior de todas até aqui, tão grande que se perde de vista, alguns trechos repletos de conchinhas. Durante o percurso, apenas uma ou outra moto passava aproveitando a maré baixa e areia firme, da praia é possível ver as dunas do Parque de Dunas de Rosado, com suas dunas brancas e avermelhadas, resultado dos sedimentos que vem das falésias, no horizonte a frente tem mais parque eólico. Cheguei na pequena Rosado no fim da tarde, com a praia e barracas desertas, fiquei descansando e batendo papo com um pescador, e armei minha rede em uma dessas barracas vazias. Me desloquei 114km, sendo 5km de barco, 98km de estrada e 11km a pé. Orla de Porto do Mangue-RN: 15º DIA A noite foi terrível, acordei no meio da madrugada vomitando toda minha janta (miojo com sardinha era o que jantava na maioria das noites), levantei assim que clareou, o mesmo pescador do dia anterior já estava por lá, me despedi e segui. A estrada segue paralela à praia até Ponta do Mel, por coincidência, o velho que me deu carona de caminhão passou e deu uma buzinada. O sol seguia encoberto pelas nuvens e corria uma brisa agradável, pelo caminho só dunas e alguns casarões pelo caminho. No fim da primeira praia vem Pedra Grande, um lugarejo minúsculo, ao final da segunda praia surge um farol meio escondido, dali pra frente já é Ponta do Mel. Descansei o resto da manhã em um dos diversos bares da orla que estavam fechados, consegui achar um restaurante pra comer por 12$ com direito a suco da fruta e armei a rede pra descansar a tarde. O vento soprava quente, o sol tava rasgando e a terra avermelhada me fazia pensar que estava no meio de algum deserto. A praia seguinte é bem curvada, com mais dunas e cata-ventos, foram 10km de muito calor, maré baixa e pernas começando a ficar doloridas, ao final da praia vem um restaurante, muitas pedras, falésias e conchinhas. Tem uns bares abandonados na altura do cemitério, fiquei por lá e armei a rede logo cedo pra descansar mais. Andei 18km. Rosado-RN: 16º DIA Dormi bem demais, dei uma boa descansada, acordei sem pressa e fui embora. A primeira praia que surge é a principal do lugar, Cristóvão, somente com alguns barcos e pescadores na água, pela orla as casas são bem distantes, todas grandes e com varandas. A manhã toda foi de nuvens com o sol saindo de vez em quando e bem abafada, daqui já dá para ver todo o caminho restante até o Ceará. Ao fim da primeira praia tem umas pedras e uns 3km depois um pequeno lugarejo, e bem mais a frente vem Baixa Grande, outro lugar bem pequeno apenas com casas de veraneio que estavam 90% vazias, parecendo uma cidade fantasma. Seguindo a dica de um morador, fui por trás das casas pra passar pelo mangue e cruzar a barra com água na coxa, a praia depois dessa barra é típica de pescador também vazia. Depois de um trecho de praia deserta chega Upanema, a essa altura o sol já tinha saído por completo e castigava, eu estava seco de sede e parei num bar pra pedir um pouco de água e seguir até Areia Branca. Entrei em uma rua que dava acesso ao centro e um mototáxi me deu uma carona me fazendo poupar uns kms. Almocei numa churrascaria por 10$, matei minha fome e sede e como precisava lavar roupa, fiquei na Pousada Central por 50$. Andei 21km. Cristovão-RN: 17º DIA Lavei as roupas pela manhã, peguei a balsa e atravessei o Rio Mossoró ou Rio Apodi por 3$, a balsa deixa no município de Grossos a 4km da praia, estendi as roupas ainda molhadas e fiquei aguardando o sol pra secá-las. Com as roupas secas e com fome tentei uma carona até a barra do rio, mas foi uma tarefa difícil, quando você pede carona parece que ganha o super poder de ficar invisível, mas não desisti e consegui uma caroninha de carroça puxada por um burro rsrs. Foi desconfortável e lento mas cheguei na barra e matei minha fome com um PF de 15$. Chegando na praia ela estava com uma cor azulada muito bonita, com poucas crianças dali mesmo tomando banho. Passando as casas vem uma reta que se estende até Tibau, pelo caminho é comum avistar muitos grupos de cavalos andando livremente pela praia deserta e também alguns playboys de quadrículo. Cheguei em Tibau no fim da tarde, a praia estava lotada de turistas, todos uniformizados com suas ridículas blusas UV manga longa, que me olhavam meio torto ao cruzar a orla repleta de mansões. No final da praia fica a divisa de estados, mas a cidade continua do lado cearense, tomei uma bela ducha em um restaurante e armei a rede já no escuro numa varanda de uma casa vazia. Apesar da noite com muito vento, eu estava com muito ânimo por chegar no Ceará, esse dia andei 19km. Sentido Tibau-RN: 18º DIA Parti cedo de Tibau, demora um pouco até a praia ficar sem casas. Precisava chegar em São Luís-MA em até 25 dias, então estabeleci uma média de 18km por dia pra conseguir chegar a tempo. Depois que somem as casas não demora muito pra chegar em Tremembé, lugar minúsculo, com alguns restaurantes e poucas pousadas, lugar onde a tranquilidade reina. Parei na barraca do Juarez que ainda estava abrindo, dei uns mergulhos no mar quentinho e descansei até a hora do almoço. Fiquei batendo papo com o pessoal gente boa da barraca e ainda almocei uma moqueca de arraia que saiu de graça. Parti de tarde, com maré baixando e areia firme, surge mais um lugar bem pequeno chamado Quitéria, e o mar vai ficando com cara de manguezal, as casas se estendem até quase o final da praia. Chegando na barra tem um mangue enorme que afunda até o peito além do rio que não tem como passar, por sorte encontrei 3 biólogos que estudavam os passarinhos maçaricos do local, e me deram uma carona até o outro lado. Ainda percorri toda a Praia de Requenguela até o final das casas pra achar um local pra dormir, armei a rede numa cabana de pescador, muito vento a noite e uma chuva rápida que me fez trocar a rede de lugar. Andei 21km. Sol nascendo em Tibau-RN: 19º DIA Parti com o céu um pouco nublado e com a praia ainda cheia de algas, que estavam se estendendo desde Quitéria. Ao final da praia se acabam as casas e tem início uma sequência de falésias. A primeira praia é pequena e deserta, a segunda tem alguns casarões, é a bela praia de Picos, a terceira é Peroba, praia cercada pelas falésias e a mais bela da região, com alguns casarões e casas de pescador, depois vem a quarta praia, a Redonda, um pouco mais extensa e mais simples, com alguns restaurantes e chalés ao longo da orla. Descansei ali o resto da manhã, almocei um belo peixe e fiquei mergulhando na Barraca da Boneca. Parti a tarde na maré alta mas parei na sombra da falésia ao fim da praia pra descansar mais. Aqui as dunas e falésias alternam cores brancas e avermelhadas, a praia seguinte é bem pequena e ao final dela não há saída, tive que continuar por cima do morro, valeu a pena a subida pois a paisagem vista de lá é única. Mais a frente tem uma descida por uma duna gigante e muito íngreme que dá acesso a Ponta Grossa, que é uma praia bem reservada com alguns chalés. Uns metros adiante é preciso cruzar um mangue grande com um cheiro terrivelmente podre com água até a coxa, basta ir margeando as ondas que logo chega na praia seguinte. Parei logo numa cabana de pescador e armei minha rede por ali mesmo um pouco antes de Retiro Grande. Foram 17km andados. Peroba-CE ? Picos-CE ? não lembro... : 20º DIA Parti cedo, 1km a frente termina a praia, Retiro Grande fica acima das falésias. A praia seguinte é um cenário do paraíso, praia bem curvada, com apenas uma mansão, um belo mar e falésias a perder de vista. Uma manhã bem ensolarada porém com um vento fresco e areia boa pra caminhar. Uns kms a frente tem um pequeno lugarejo de pescador, depois vem Fontainha, também bem pequena com casas de pescador e algumas de veraneio, passei direto por ela. Às vezes eu me esquecia em que dia da semana estava, mas bastava ver o transito irresponsável e intenso de buggys e hilux que já entendia que era domingo. As falésias vão deixando o vermelho de lado e passam a ficar mais clarinhas e começam a surgir fontes de água doce, algumas delas infelizmente cheias de lixo. Chegando em Lagoa do Mato só tinha um restaurante na praia, acabei seguindo em frente só parei pra almoçar em Quixaba, que tava lotada, fui até o centro onde descansei e almocei uma “leve” panelada cearense (dobradinha). Só uns 30 minutos a frente fica Marjolândia, que estava igualmente lotada, andei mais e parei depois da praia numa cabana vazia, armei a rede, descansei o resto da tarde e fiquei ali mesmo pra dormir. Andei 21,5km. Partindo de Retiro Grande-CE: 21º DIA A tarde anterior teve um belo pôr do sol e o dia começou com um nascer do sol espetacular. Enquanto me arrumava para sair um pescador já chegou me oferecendo um burrinho (garrafa pequena) do elixir cearense, a famosa Ypioca, nem eram 6h e o cara já tava dando um talento na cachaça rsrs. Me despedi e segui a caminhada, bem perto dali tem um resort abandonado, meio cenário de filme de terror mas um bom local pra dormir. No fim dessa praia tem algumas pedras que marcam o início de Cano Quebrada. Com a praia ainda vazia, passei pelas falésias pintadas e subi a escadaria até o centro, providenciei meu café da manhã. O centro é todo turístico e voltado para o consumo, aquilo me deu arrepios e vazei o quanto antes. Não sei porque mas tinha nas minhas anotações que deveria contornar de Canoa Quebrada até Parajuru, talvez devido alguns rios e barras que teria pela frente, analisando hoje acho que me precipitei e acabei deixando de conhecer uns 25km do paraíso, enfim, fica pra uma próxima. Peguei uma típica Topic até Aracati por 3$ e depois outra de 6,50$ até Parajuru. Em plena segunda feira encontrei um mar azul com uma praia belíssima e vazia, que não deixa e desejar em nada a nenhum dos litorais famosos do nordeste, local ainda desconhecido do turismo da moda, que espero que continue assim, isso acabou me dando a impressão de que ali era um dos grandes achados da viagem. Parei em uma barraca onde fiquei o resto da manhã descansando na rede, e mergulhando nas piscinas formadas na maré baixa. Almocei uma carne de sol com um bom suco por 15$ e continuei a descansar. Parti umas 15h com a maré já subindo mas com areia ainda boa pra caminhar, o dia inteiro sem nenhuma nuvem no céu. Quando voltei a andar foi preciso desviar de duas casas onde as ondas já batiam nos muros, na praia seguinte tem diversas barracas de palha vazias pra dormir, muitas construções destruídas pela maré, muito lixo e um parque eólico que se estende pela praia sem fim, uns 6km tem umas barracas de pescadores vazias onde dormi, teve mais um belo pôr do sol e tive uma boa noite de sono. Me desloquei 53km sendo 40km de transporte e 13km andando. Parajuru-CE: 22º DIA Levantei cedo e parti enquanto chegavam os primeiros pescadores preparavam o material pra entrar no mar. A Prainha do Canto Verde é uma vila pesqueira bem pequena, passei direto por ela, a praia continua numa reta longa, com mar agitado e presença de lixo na areia. 8km a frente tem a Lagoa do Pequiri, com águas claras e barracas com rede na água, era terça e o lugar tava vazio, parei pra mergulhar e dar uma boa descansada. Logo 1km a frente se acaba a praia e começa outra com belas falésias brancas que vão até Barra do Sucatinga, lugar bonito demais, onde se formam piscinas na maré baixa, mas o lugar é mais conhecido mesmo por ter sido cenário das gravações da primeira versão do programa “No Limite”. Almocei peixe na barraca do Belarmino por 15$ e descansei enquanto já avistava no horizonte a Praia de Uruaú. A tarde antes de partir ainda roubei 4 cocos pelos quintais, a maré ainda não estava totalmente alta mas a areia já estava ruim pra caminhar. Em Uruaú só tem casarão e hotel, sequer tem barco de pescador por perto, passei direto, ao fim das casas tem uma lagoa que serve de parada para os passeios turísticos, lotada de farofa também passei direto. Ao final da praia começam as falésias e as bicas de água doce, em uma delas parei pra banhar e uma onda molhou a mochila e deu um banho na minha máquina fotográfica que quase me deixou na mão o resto da viagem. Parei na Praia do Diogo, na barraca Dodô do Mar, não demorou 15 minutos e o dono me chegou com 4 pastéis e uma garrafa de água geladinha, mostrando o quão gente fina é o cearense. Comprei uma cocacola e dormi na rede ali mesmo. Andei 22km. Sentido Morro Branco-CE: 23º DIA Parti cedinho, os mosquitos me perturbaram a noite mas deu pra dormir. Maré baixando, caminhada bem fácil e com uma brisa agradável, ao final da primeira praia foi preciso contornar umas casas devido as ondas. Mais a frente surgem várias bicas de água doce pelas falésias, em um momento é preciso ir andando bem devagar entre pedras que surgem na areia, depois dessas pedras já é o centro de Morro Branco, daqui até Barra Nova só tem casarão de luxo, muitas delas até vazias. Barra Nova é bem bonito, atravessei a extensa barra do Rio Choró sem problemas e descansei até o almoço, comi um farto PF de peixe e fui pra uma barraca as margens do rio pra descansar, não demorou muito e já encostou um pescador e o salva vidas local pra bater papo, aprendi mais sobre a relação lua x maré, e sobre kitesurf. Saí com a maré subindo e sol castigando, ao fim da praia tem a barra do Rio Malcozinhado, aqui já é a famosa Águas Belas do Ceará, rio e praias lotadas de banhista e kitesurf. Fiquei do outro lado e logo surgiu uma balsa que me atravessou de graça, o lugar é bem pequeno. Tomei uma ducha numa barraca e lanchei no centro a noite, voltei até as barracas onde armei minha rede as margens do rio. Andei 20km. Águas Belas-CE: 24º DIA Levantei cedo com o céu totalmente nublado e parti com a maré já baixando. Apenas 3km de Águas Belas já vem o centro de Caponga, com sua orla totalmente tomada por jangadas e pescadores. Depois de dar uma reforçada no café da manhã segui com um leve chuvisco caindo, é preciso contornar algumas casas parcialmente destruídas pelas ondas até sair numa praia que segue reto. Areia durinha clima fresco, logo vem a Praia do Balbino com alguns barcos, restaurantes fechados e poucas casas, a praia aqui tem algumas pedras que parecem lama, troncos e raízes pela areia, como se ali fosse um antigo mangue que vai até Batoque, a praia seguinte com cenário semelhante a anterior. Depois vem mais uma reta extensa e bem deserta até chegar em Barro Preto, nesse trecho uma vegetação com alguns lagos seguem junto a praia, que estava com mar agitado desde Caponga. Depois das primeiras casas de Barro Preto surgem algumas pedras e uma belíssima praia, no final dela tem uma duna que marca o início de Iguape. A essa altura o sol já tinha saído um pouco tímido e o mar estava com cor impecável, almocei um PF por 10$, armei a rede pela orla e fiquei o resto do dia descansando, dormi numa varanda das inúmeras casas abandonadas pela orla, dormi muito mal, caí 3 vezes após a corda que amarrava a rede se arrebentar, e acabei armando a barraca, na madrugada choveu algumas vezes. Caminhei 19,5km. "Caponga do Peixe-CE": 25º DIA Parti logo no amanhecer ainda um pouco nublado mas antes de sair do centro já dei de cara com um manguezal intransponível desaguando na praia, voltei até o centro e peguei um ônibus até Fortaleza por 7,50$, de lá peguei outro até Caucaia por 3,20$ onde fiquei até o almoço, um delicioso PF com churrasco de 10$. Depois do almoço peguei mais um ônibus de 2,50$ que me levou até Cumbuco, a essa altura o sol já brilhava forte. A praia é lotada de turista, hotéis e restaurantes, olhando pra trás da pra ver boa parte de Fortaleza e a frente, no fim da praia, o enorme Terminal Marítimo de Pecém. As águas de cumbuco estavam com tons de marrons e verde mais ao fundo, ao longo da praia só tem um coqueiral meio ralo, e no fim dela uma lagoinha com algumas barracas vazias. Passei pelo terminal, onde um pescador pegava um peixão jogando rede de mão, segui pela areia fofa e grossa até a orla de Pecém, que tava lotada de jogos de futebol, não me agradei do local pra dormi e continuei seguindo em frente. Depois que passa o centro, vem um pequeno manguezal e após ele muitas pousadas e casarões, já estava quase escurecendo, minhas costas estavam moídas de dor quando achei o que parecia ser uma pousada parcialmente engolida pela areia, armei minha rede nela ao lado de uma sinuca, as tomadas estavam até funcionando só faltou um chuveiro rsrs. Percorri 93km sendo 82km de ônibus e 11km andando. Cumbuco-CE: 26º DIA Dormi muito bem, parti sem pressa depois de carregar meus eletrônicos, com maré ainda um pouco alta, algumas nuvens com sol e pouco vento. Um bicho do pé que surgiu no meu dedão já começava a incomodar mas não comprometia a caminhada. Esse primeiro trecho não tem nada, só areia sem fim e mais um parque eólico que vai até Taíba. Surgem os primeiros casarões, e algumas ondas medianas bem disputadas pelos surfistas, mesmo ainda sendo bem cedo. Após contornar algumas pedras vem a belíssima praia do centro, com água na cor do paraíso, no centro tem um comércio bem barato onde tomei mais um café da manhã, voltei a praia e armei minha rede na sombra de uma casa fechada, onde rolava uma discreta boca de fumo. Descansei até a hora do almoço, comi uma galinha ensopada por 10$ e voltei a praia. Depois do centro vem mais 2 praias, uma mais bela que a outra com pedras formando pequenas piscinas, resumindo, Taíba é perfeita, é um lugar barato, com praias lindas porém bem menos agitada que outros destinos, e torço pra que continue assim. A frequência das casas vão diminuindo até na Lagoa da Barra, que tem algumas barracas boas pra pernoite todas vazias, na lagoa mesmo só havia a galera do kitesurf. Alguns rios que tinham em minhas anotações estavam tão ralos que nem localizei, pelo caminho de vez em quando surge um coqueiral, depois vem 2 casas isoladas, mais umas barracas de pescador, algumas peças metálicas gigantes vindas do terminal encalhadas na praia e muito chão depois vem o Bar do Kite, são uns restaurantes isolados na praia onde é o point do kitesurf, que tava lotada de gringo, parei pra uns mergulhos e uma chuveirada, andei mais um pouco e parei pra dormir numas barracas de pescador, a noite os mesmos surgiram pra alimentar os gatos com peixe e como sempre, me deixaram muito a vontade pra descansar e ainda insistiram pra que eu aceitasse um pouco do pescado deles. Andei 24km. Taíba-CE: 27º DIA Choveu algumas vezes na madrugada e amanheceu meio nublado, fui embora e logo a frente vem um terminal da Petrobrás com alguns restaurantes. Depois do píer, vem uma praia linda onde as ondas batem direto do paredão das dunas, as praias seguintes são uma mais bela que a outra, água esverdeada/azulada impecável. Segue nesse ritmo até a Praia do Farol, no centro, onde tomei um café enquanto descansava e observava todo o percurso dali pra gente. 9h da manhã e o sol ainda brigava pra sair, já havia chovido 2 vezes, cada chuva com menos de 1 minuto de duração, as 10h o sol saiu pra valer. Passei a manhã mergulhando e pegando as mangas que caíam na areia, tomei umas duchas nas bicas de água doce e almocei um PF de 10$. A tarde segui meio contrariado, pois Paracuru é um lugar digno de se passar 1 semana de férias somente ali. Saindo do centro vem outra sequência de praias lindas que vão até a barra do Rio Curu, que apesar da maré baixa não secou completamente formando 3 rios menores para atravessar com água no estomago. 2km a frente no meio do deserto de areia tem uma barraquinha de pescador com rede armada e tudo, dei uma parada pra descansar e botar a máquina pra secar novamente no sol. Decidi que ia andar 1h e descansar 10 minutos sempre, isso funcionou e amenizou as dores nas costas. Continuei pela praia deserta apenas com alguns coqueiros velhos até o final da praia, achei outra barraca de pescador já com rede, um balanço e até uma mesa improvisada, pernoitei ali mesmo depois de andar 17km. Paracuru-CE: 28º DIA Dormi muito bem, e parti pra Lagoinha logo cedo, logo ao fim da praia vem umas pedras e surgem as primeiras casas, nas pedras eu pude ver o mesmo Suspiro da Baleia que não consegui ver em Tourinhos, trata-se da onda batendo por baixo das pedras que faz com que jorre água por um buraco, fazendo um barulho e esguicho bem parecido com da baleia, minha câmera tava dando problema e não consegui registrar. Lagoinha é bem bonita, com uma bela praia cheia de bicas de água doce e muito casarão, além de um hotel gigantesco sendo construído. Seguindo em frente só tem kms de praia deserta e coqueiral ralo, parei em um deles pra descanso e o destino tratou de colocar justo ali um ganho de pegar coco e arranquei 1 pra beber. A frente vem o Rio Trairi, que atravessei com água na coxa, do outro lado tem algumas barracas mas todas fechadas, depois vem um pequeno lugar chamado Canabrava, e volta o deserto, pelo caminho apenas os jegues (contei mais de 25) pastando livremente. Depois vem Guajirú, lotada de mansões, hotéis e muita construção, a maré baixa deixava a praia com centenas de metros. Guajirú é lugar de barão, com tudo caro, mas consegui um PF por 15$ na rua de trás. Descansei o resto da tarde na rede que armei num restaurante fechado, fiquei o olhando o mar azulado enquanto bebia 3 cocos roubados de um quintal. No fim da tarde segui pra Flecheiras que fica a menos de 20 minutos, por lá as mansões se multiplicam e surgem os playboys com seus quadricículos. Dormi no 2º andar de uma casa abandonada na orla. Andei 22km. Guajiru-CE ? : 29º DIA Acordei quase as 7h com o tempo bem nublado, fui até o centro tomar um café. Na orla ficam as mansões e hotéis, nas rua paralelas vem as casas mais simples, comi na praça do centro junto com umas mangas que achei pelo caminho. O resto da manhã foi só chuva com raios, fiquei passando o tempo junto com o pessoal que aluga quadricículo na praia. Na hora de almoçar, tem que cruzar a rodovia, pois lá tem um centrinho onde turista não frequente, tudo com preço justo, comi um PF de 10$ mas um cara do quadricículo, o Rubens, fez questão de pagar meu almoço. Voltamos pra praia e fiquei no aguardo do sol pra poder dar uns mergulhos, como ele não saiu completamente fui assim mesmo, dei uma mergulhada nas piscinas naturais de Flecheiras e parti depois das 16h. Flecheiras vem ganhando fama de paraíso (e realmente é), e aumentando consideravelmente o turismo por lá, aos poucos vai deixando de ser uma vila pesqueira pra se tornar mais um destino da moda. Parti na maré baixa e com clima fresco, caminhada sem dificuldade até Emboaca, que é bem pequena, segui adiante sempre com a estrada paralela a praia, ambas vazias, apenas os jegues e eu. Vendo que não tinha nenhum lugar legal pra dormir embiquei pra dentro das dunas pra ver e avistei uma casa de longe que aprecia abandonada próximo a um coqueiral no meio das belas dunas e de um parque eólico, estava longe mas fui até lá e não deu outra, estava vazia e armei minha rede dentro dela. Dormi muito bem depois de andar apenas 9km. Flecheiras-CE: 30º DIA 24.01.2018, meu aniversário de 31 anos. Acordei cedo, não achei nenhum coco e fui embora. Praia boa pra caminha tempo fresco e maré baixa e em torno de 1h já estava em Mundaú. Na praça ao lado da rio peguei 1 coco e depois fui pro outro lado da duna dar uns mergulhos, chupar mais manga e descansar o corpo que tava bem dolorido. Mundaú é lindo demais, tem umas dunas bem grandes e o rio tem uma água verde incrível. Fiquei nesse ritmo o resto da manhã toda, enquanto os turistas faziam os típicos passeios de buggy. Almocei no centro e voltei, atravessei o rio na balsa por 2$ e continuei a descansar do outro lado. Parti na maré baixa e com a praia deserta, pelo caminho um pescador me ofereceu uma carona mas recusei. Cheguei em Baleia, outro belo lugar repleto de piscinas naturais e bons lugares pra pernoitar, mas acabei indo pra uma cabana de pescador meia boca. Durante a madrugada choveu 2 vezes e me molhei todo, essa foi a pior noite de todas. Andei 16km. Mundaú-CE: 31º DIA Levantei logo cedo pra arrumar as coisas molhadas, enquanto os barqueiros chegavam pra pegar os materiais na barraca, como de costume todos me deixaram bem à vontade pra ficar o quanto quisesse. Deixei a bela Baleia pra trás e parti com a maré subindo e o céu bem nublado, caminhada razoável com o corpo muito dolorido, pelo caminho apenas algum pescador ou outro e muitas jangadas entrando no mar, moradores circulando de moto também era comum. Pouco tempo depois chega Apiques, que se resume a uma fileira de casas com um cemitério no final, bem no meio da praia, dei uma descansada rápida e segui até o próximo lugarejo, os Caetanos de Cima, colado nele vem os Caetanos de Baixo, ambos bem calmos e vazios sem nada de comércio, com muito coqueiro baixo, porém com os donos de vigia rsrs, acabou que pedi informação pra um morador e o mesmo me convidou pra almoçar na sua própria casa, não recusei, comi um dos melhores peixes de todos, pescado na noite anterior, insisti com ele e paguei 15$ pelo almoço. Passei o resto do dia na rede da bodega dele descansando e tentando secar a máquina que devido a umidade deu pane novamente. O sol só ameaçou sair umas 14h, parti umas 15h, achei um coco seco que fui comendo pelo caminho até que em algum trecho de praia deserta um cara passou de quadricículo me ofereceu carona e aceitei, fui até onde começa a primeira casa de Icaraí, onde tem umas armadilhas de peixe parecidas com um cercado de madeira, dormi num barraco abandonado ao lado de uma mansão, dormi logo cedo exausto. Andei uns 20km e fui uns 5km de carona. Fiquei sem máquina esse dia. Lua cheia nascendo do mar, km 0 BR-101-RN: 32º DIA Parti sem pressa e com o céu um pouco melhor que o dia anterior, mesmo sem sol o mar aqui é absurdamente bonito, muito verdinho e com muito recifes e algumas piscinas. No centro de Icaraí a praia é bem curvada com muitos coqueiros, pousadas e mansões, caminhada fácil até chegar uma sequência de pedras no final da praia onde tem mais um cemitério a beira mar, mais um pouco adiante já começa Moitas, lugar pequeno demais com quase nada na orla, fiquei numa barraca na praia botando a máquina no sol, descansando e dando uns mergulhos, almocei o melhor peixe de toda a viagem, um verdadeiro banquete por 15$, com direito a típica “cambica” cearense, prato típico de lá. Fiquei boa parte da tarde descansando e mergulhando no mar verdinho até partir por volta das 15h. Depois de uns 800m do centro é preciso entrar nas trilhas até sair no local da travessia, basta seguir a marca dos pneus na areia, pelo caminho ainda roubei 2 cocos de um restaurante vazio. Pra atravessar um dos braços do enorme Rio Aracatiaçu, tem que pagar 5$ que só leva até o outro lado, então é preciso atravessar um longo trecho na lama do manguezal até sair num estradinha e ir direto. Pelo caminho ainda pulei uma cerca pra pegar umas frutas, saldo: 3 cocos, 3 cajus e 2 mangas. Depois de passar por alguns postes eólicos é só pegar a direita na bifurcação que sai em Morro dos Patos, outro lugar minúsculo com uma vista paradisíaca. Segui beirando o lago até sair na praia sempre com a presença dos jegues, no meio da praia deserta surgem 3 barracas de pescador vazias, dormi em uma delas depois de andar 20km. Morro dos Patos-CE: 33º DIA Levantei como de costume umas 5:30 com tudo ainda nublado e um leve chuvisco. Rapidamente cheguei em Torrões, onde atravessei outro braço do Rio Aracatiaçu com 2 pescadores que estavam chegando do mar, daqui eu resolvi logo fazer mais um contorno da sequência de barras que vinha adiante e acabei pegando um carro tipo pau de arara até Itarema por 5$, depois outro por 8$ até Acaraú, andei até o fim da cidade e peguei uma van por 3$ até Cruz, almocei no mercado popular por 8$, depois de não conseguir nenhuma carona, voltei pra rodoviária pra descansar e pegar o único ônibus pra Aranaú por 2$, que só sairia as 22h. Ao longo do dia muita chuva forte, dia totalmente perdido. Chegando em Aranaú fui direto até a praia onde dormi num restaurante fechado, dormi pouco, porém bem. Percorri 44km de transporte e 5km a pé. Fiquei sem máquina esse dia. Carona de charrete em Grossos-RN: 34º DIA Levantei cedo, comi e parti com céu tampado de nuvem mas sem nenhuma chuva. A primeira parte da praia é um mangue seco seguido de um parque eólico desativado, pois a água do mar já está encostando neles. Pela praia só alguns pescadores, o mar nessa manhã estava uma verdadeira piscina, com muito curral pra pegar peixe, e as jangadas já começam a dar lugar aos primeiros barcos com motor. Quando se acabam os cataventos começam alguns coqueiros e pequenas dunas, a praia continua com uma faixa de areia extensa e sempre dá pra avistar porcos e jegues circulando, a esquerda mais distante vão surgindo algumas dunas maiores. Muito chão depois se chega em Barrinha, que só tinha algumas barracas vazias, mais um chão a frente vem Preá, na primeira barraca que passei tava repleta de turista, escondi a mochila dei uma disfarçada e fui lá dentro nas piscinas tomar uma ducha no chuveiro. Era um dia de domingo e a praia estava insuportável, acabei almoçando um PF por 15$ e fui descansar na guarita do Parque Nacional, fiquei por lá até a polícia me convidar pra sair, fiquei o resto da tarde batendo papo com Reginaldo, um viajante pernambucano que vive em Preá a alguns anos, tomei 3 cocos na casa onde ele toma conta e no fim da tarde me dirigi até uma barraca na praia onde dormi. O trânsito irresponsável e legalizado dos carros, a maioria turístico, dão nojo e me deixaram uma má impressão do lugar. A rota Preá x Jericoacoara pela praia tem trânsito constante de veículos de deixar qualquer cidade grande com inveja. Andei 23km. Preá-CE: 35º DIA Depois de comer alguma coisa parti rumo a Jijoca de Jericocoara, pra isso é preciso embicar pra dentro do parque e seguir toda vida pra sudoeste que fatalmente vai sair na Lagoa do Paraíso. Boa parte do Parque Nacional é enorme pasto com algum gado e jegues pastando, pequenas lagoas secas e o resto é duna, depois de passar pelo limite das dunas é só seguir por dentro da vegetação que sai na lagoa, depois é só ir beirando uns 6km até chegar no centro de Jijoca, pelo caminho os funcionários já começavam a passar vassoura retirando pequenas algas pra limpar a água pros visitantes mais fresquinhos. No final da lagoa chupei muita manga e me informei sobre algum camping, descobri o Camping do Tião, talvez o mais famoso ou mesmo o único, paguei 20$ pela diária e fui direto lavar minhas roupas. Almocei um peixe de 20$ farto porém caro pro meu bolso, armei barraca e passei o resto da tarde chupando mais manga, tomando banho e deitando nas redes da lagoa que estava deserta em plena segunda feira, a noite fiz um lanche no centro e dormi todo quebrado no chão duro da barraca. Andei 12km. Lagoa do Paraíso, Jijoca-CE: 36º DIA Saí bem sem pressa lá pelas 9:30 em direção a Vila de Jericocoara, diferente dos dias anteriores o sol saiu pra valer, quando cheguei na altura das dunas o calor já judiava demais. Pra fazer o caminho da volta, chegando nas dunas basta seguir pra noroeste em direção aos morros mais alaranjados, lá onde fica a Pedra Furada. Durante o percurso muito sobe e desce cansativo e várias paradas pra descanso, chegando na praia tem mais 1 km até a Pedra, que pra variar estava cheia de turista em fila pra tirar foto. Com a maré enchendo é preciso contornar os paredões por cima até chegar no centro, almocei por 18$ pensando que estava pagando pouco mas na rua paralela à principal tem vários restaurantes a 10$, fiquei triste como se tivesse perdido dinheiro. O resto da tarde foi só mergulho no mar e chuveirada nos hotéis rsrs. No fim da tarde segui em frente, turistas e moradores já começavam a caminhada pra Duna do Pôr do Sol, sendo que os moradores estavam voltando do trabalho e seguiam até o povoado de Mangue Seco. Logo depois da duna vem uma lagoa cheia de kitesurf, e a praia aqui é bem curta e naturalmente uma divisa entre a lagoa e o mar, um cara voltava do trabalho de buggy e me deu uma carona até a altura de Mangue Seco, fiquei ali mesmo numa barraca quase engolida pela areia, mas com mesas e cadeiras de plástico, o dono surgiu e já foi mandando eu passar a noite nela. Assisti um pôr do sol particular e espetacular ao mesmo tempo que já nascia uma imensa lua cheia. Andei um 18mk e peguei 3km de buggy. Jericoacoara-CE: 37º DIA Levantei as 5:30, e parti depois de comer. Pra bela, sol tímido e céu limpo, pequenas dunas pela praia e paralelo a ela corre sempre um mangue. Até Guriú foram uns 5km, atravessei de carona na balsa e segui. Guriú é muito pequena, as ruas são de areia e mal tem comércio. Segui pela orla que tem um daqueles projetos de cavalo marinho e muita barraca, todas praticamente dentro do manguezal. Quando acaba o mangue voltam as pequenas dunas, pelo caminho somente algumas pessoas catando marisco nas pedras. Praia enorme na maré baixa, mar verdinho e sol rasgando com nuvens de vez em quando passando pra fazer uma sombra e aliviar por uns instantes. Quando surgem os primeiros coqueiros, já é Tatajuba, um lugar bem pequeno que se resume a calmaria do paraíso, descoberto apenas pela galera do kitesurf e gringos. É preciso atravessar a barra que parece um mangue com água/lama no joelho pra chegar nas barracas, almocei na orla um PF bem farto de galinha por apenas 10$. O resto da tarde passei deitado na rede do restaurante sentindo o vento e assistindo o movimento das marés. Quando parti, o sol já rasgava e o mar não formava onda nos primeiros kms, a água só vai subindo gradativamente conforme a maré vai enchendo, depois surgem dunas e vegetação, aqui as ondas já quebram nas dunas e é preciso fazer uns contornos por fora. Acabei achando um coqueiral de altura mediana e peguei 6 cocos, do lado tinha um quartinho com porquinhos e umas lacraias, acabei optando por armar a rede nela a ter que dormir na barraca. Antes ainda teve mais um pôr do sol fantástico simultâneo com lua cheia. Andei 26km. Lua cheia nascendo nos coqueiros, sentido Camocim-CE: 38º DIA Parti umas 6h entupido de água de coco, maré baixando, tempo nublado e sem vento. Com as ondas ainda batendo nas árvores, é preciso fazer alguns contornos por dentro do mangue. Quando acaba a vegetação vem uma enorme reta de praia deserta até a barra do Rio Coreaú. A travessia de balsa custou 3$, aqui as embarcações maiores do tipo traineira já são mais comum. Fui pela calçada de Camocim até chegar no Farol do Trapíá, lá começa a praia com uma faixa de areia absurdamente grande. Caminhada boa com sol já dando as caras e aquele climão de deserto dando sensação de estar em outro planeta, somente raros catadores de marisco apareciam. Ao final da primeira praia, começa mais uma e a terceira é Maceió, lugar que se resume a uma rua com coqueiros, dunas, praia, somente 1 mercadinho e muito lote a venda. Cheguei por volta de 12h na merda de fome e sede e almocei um PF de peixe por 10$. Dei uma chuveirada e armei minha rede num restaurante vazio na praia pra descansar. Quando parti, a paisagem volta a ficar deserta, o sol fritava e a maré já começava a subir lentamente sem formar ondas, mais a frente vem um lugar minúsculo chamado Barrinha, somente umas 10 casas e três restaurantes. Aqui a maré sobre de um jeito que forma uma baita lagoa e até mesmo uma ilha. Depois de Barrinha volta o deserto de areia sem fim, sem chance nenhuma de achar um bom lugar pra dormir, acabei armando a barraca ao lado de uma moita e passei uma noite sem muito desconforto. Andei 29km. Sentido Praia de Maceió-CE: 39º DIA Parti umas 6:30, céu nublado com sol saindo aos poucos maré baixando e areia boa pra caminhar. Logo começa um parque eólico e depois vem umas casinhas de pescador, colado nelas vem Xavier, vila ainda menor que Barrinha com apenas 1 casa que vendia alguns suprimentos, nem pra da chamar de mercadinho rs. Kms depois vem a Barra dos Remédios, que tem o título de a “5º praia deserta mais bela do Brasil”, depois de tanto andar por praias vazias essa fama não faz sentido nenhum pra mim, mas ainda assim é um belo lugar. Atravessei de balsa por 5$, parei numa barraca do outro lado pra dar uma descansada e esperar passar uma chuva passageira. O bicho do pé que doía no meu dedo sumiu por conta própria. Desde Jericoacoara é bem nítida a percepção de estar andando de leste para oeste numa linha reta perfeita. Mais adiante vem o vilarejo Praia Nova, com poucas casas desalinhadas e quase engolidas pela areia, muitos moradores já se mudaram de lá, em breve essa vila vai sumir, uma pena pois deu pra perceber que aqui a simplicidade e paz reinam. Vivem da pesca, só vão pescar quando precisam, no tempo livre famílias inteiras brincam tranquilamente pela praia, com crianças pequenas correndo a centenas de metros dos pais, não há celulares nem muro separando as casas, coisas que foram comuns um dia mas que precisei andar até aqui pra lembrar que ainda existem. Muita areia depois vem umas cabanas de pescador, as nuvens faziam sombra mas quando o sol vinha descontava. Somente 12h cheguei em Curimãs, lugar pequeno e bonito, almocei um PF de 10$ na barraca da Neide, que fica bem ao lado de um rio represado que forma um piscinão de água doce. Descansei de tarde e segui com sol mais fraco, depois de muita areia e uma chuva fina, cheguei em 2 barracas isoladas no meio da praia, o céu ficou preto de chuva e esfriou um pouco, dormi aqui mesmo depois de andar 28km. Praia Nova-CE: 40º DIA Dormi muito bem e acordei com o tempo ainda fechado sem previsão de melhora, andei pouco mais de 2km e cheguei em Bitupitá, o último lugar do Ceará, daqui é preciso faz um contorno pra vencer o delta dos rios Timonha e Ubatuba. Peguei uma van por 7$ até Barroquinha, daqui só consegui um ônibus pra Parnaíba as 15h, por 12$, cheguei já escurecendo e como não havia mais transporte pra Luís Correia, acabei dormindo num pulgueiro lotado de ciganos em frente a rodoviária por 30$. Fiquei sem máquina esse dia. Tatajuba-CE: 41º DIA Depois de comer tudo que tinha direito no café grátis, segui pra Luís Correia de Topic por 3$. Foi um domingo de praia vazia e tempo totalmente fechado, com chuva a todo momento, pela praia rolava um futebol, uma roda de capoeira, algumas excursões mas pouca gente mesmo dentro d’água, a orla é repleta de quiosques padronizados (preços baratos pra uma orla), casarões pra alugar e hotéis, a maioria vazio, porém é uma orla meio largada onde o lixo ainda tem presença forte, até garrafas de champanhe da virada do ano ainda tinham na areia. Depois de ir até a barra do Rio Parnaíba e ver que não ia conseguir barco barato pra atravessar, voltei até um restaurante vazio e passei o resto do domingo. Almocei um PF por 15$ e continuei na praia, dormi no restaurante da praia mesmo. Fiquei sem máquina esse dia. Em algum lugar sentido Morro dos Patos-CE: 42º DIA Acordei cedo e voltei pra Parnaíba, a ideia era pegar transporte até Pedra do Sal e talvez andar um pouco mais até a divisa do Maranhão, mas o tempo chuvoso dos 2 últimos dias me desanimaram e encerrei minha caminhada em 05.02.2018. Fiquei sem máquina esse dia. Pedra Furada-CE: Ainda continuei viajando, mas dessa vez me locomovendo de transporte. De Parnaíba parti até São Luís e de lá fui pra Santo Amaro do Maranhão onde passei o carnaval com a namorada, pra minha sorte foram todos os dias de muito sol e depois voltou a chover pra valer naquela região, tem sido um dos anos mais chuvosos e com lagoas cheias, o que não ocorreu nos anos anteriores. De São Luís peguei um trem de passageiros da Vale do Rio Doce e fui até o Pará visitar familiares, ainda voltaria ao Maranhão pra viajar mais uma semana mas tive que retornar ao RJ por motivos de força maior. A segunda caminhada foi tão boa quanto a primeira e menos sofrida, dessa vez eu fui ligeiramente mais equipado, com fogareiro a gás e barraca pra usar caso não tivesse lugar bom pra rede. Levei 2 cartuchos de gás e usei um + metade do outro, cozinhei minha janta uns 85% dos dias, sempre um miojo e depois que vomitei passei a usar mais arroz. Quanto a barraca continuo com a mesma impressão de que não combina com o calor da praia, mas foi útil quando precisei dela. Não tive bolhas dessa vez, comecei aumentando as distâncias andadas aos poucos e sempre parando pra descansar. Atravessei o litoral do nordeste no auge da zica e chicungunha em 2015 e passei pelo RN em plena crise da segurança pública e greve da polícia em 2018, mas nada disso me atrapalhou, essa parte do litoral brasileiro é linda demais, recomendo a quem tiver vontade de conhecer seja andando, de bike, ou qualquer outra coisa, que faça o quanto antes, pois as casas só aumentam e as praias diminuem. Boa caminhada a todos !
  4. Bom pessoal, depois de deixar de relatar diversos mochilões porque demorava a escrever e esquecia muuuuitas informações, resolvi começar logo o relato dessa trip que eu e meu amigo (Diego) fizemos para esse lugar absolutamente incrível que possuímos aqui do ladinho de nossas casas!!! O objetivo desse relato não é apenas o de passar as informações, mas de tentar MOTIVAR o maior número de pessoas a irem a esse local que é FANTÁSTICO e que AINDA (mas em processo de) não é sugado pelas empresas. Fiquem a vontade para tirar QUAISQUER dúvidas. Se algo ficou meio difícil de entender, só falar que tento explicar de outra forma EDIT 1 (28/07/18): ADICIONADO MAPA DA TOPOGRAFIA E DISTÂNCIAS Nesse mapa abaixo, as estrelas vermelhas são os possíveis locais de entrada no parque. Exceto a seta que está escrito "Camp Fracês", que é um acampamento que não estava plotado no mapa! O QUE LEVAR? Pra dar um norte a alguns que não tem ideia do que levar, aqui vai a lista do que levei e do que poderia ter deixado para trás ou levado a mais: - Mochila Quechua de 75L; - Mochila de ataque levada no peito (não façam isso de levar uma mochila na frente, por favor kkkkk. Foi a pior burrice por um lado, mas por outro a câmera estava a todo momento protegida e de fácil acesso. Todavia, se eu voltasse lá, não faria isso kkkk); - 2 bastões de caminhada (ajudam ABSURDO, ainda mais para passar em determinados locais inundados ou com barro); - Comida liofilizada Moutain House (MUITO boa, mas não é fundamental), salame, chocolate, frutas secas + amendoim; - Barraca Azteq Nepal 2 (frente a outras que vimos por lá, aguentou ABSURDAMENTE bem); - Isolante inflável Thermarest; - Saco de dormir North Face Aleutian (Conforto: -3ºC, Limite: -9ºC e extremo: -28ºC. Um bom saco de dormir faz sua noite ser absurdamente agradável. O Diego usou um que não era para temperaturas tão baixas e passou algumas noites de desconforto); - Capa protetora da mochila (que se foi com o vento e é desnecessária. Como já tive vários estresses despachando mochilão, resolvi colocá-la para despachar e passei um rolo de papel filme – aqueles de comida mesmo – em volta, mas não adiantou. A proteção já chegou com alguns furos no destino); - Fogareiro JetBoil (muito bom pra economia de gás, praticidade, fazer um chá/café de forma bem rápida (e na “potência” mínima do gás), levando de 2 a 3 minutos para ferver 400ml de água com temperatura entre 0 e 5ºC); - Corta vento (superior e inferior); - Máscara facial + touca (grazadeus o Diego tinha um sobrando, pois esqueci o meu rsrs) - Luvas (nos salvou de voltar para casa com todos os dedos, mesmo que ainda não estejam 100%); - 2 Fleece (um eu nem usei e sumiu L. Ou seja, 1 dá conta do recado) - 15 cuecas (-.- ... isso se deve a um aperto que passei em uma viagem, mas TOTALMENTE desnecessário essa quantidade. Umas 5 ou 6 já está ótimo); - Calça térmica (te permite usar uma bermuda por cima, daí nos locais que começa a esquentar demais – dentro de florestas –, fica bom, não aquece muito); - Duas bermudas (aquelas de academia – uma seria o suficiente); - 6 Camisetas (3 ou 4 seriam suficientes); - Botas de caminhada (ajudou MUITO. Não faria de forma diferente); - Chinelos (ao chegar ao acampamento, ajudam a deixar o pé “respirar”); - Óculos de sol - Kit Emergência (diversos remédios, agulha e linha “cirúrgica”, tesoura, pinça, etc); - Kit Banho + creme hidratante (Isso ajuda MUITO a noite antes de dormir. A pele fica absurdamente seca devido ao vento incessante) - Protetor Solar (Não usamos muito, mas dependendo do dia pode ajudar bastante); - Chapéu pra proteger do sol (nem encostei nele, kkkk. Era o tempo todo de touca e máscara); - Lanterna de cabeça (Foi totalmente desnecessária, mas numa emergência pode ajudar. Lá temos em torno de 16h de luz, então 22:30h ainda está relativamente claro); - Kit de fotografia (T5i, 18-55mm, 70-200mm, limpa lentes – importante -, duas baterias – não foi nem metade de uma –, carregador, adaptador, 2 SD card de 16 gb cada e 1 de 32 gb. No total foram umas 1300 fotos em .RAW) - Sugiro colocar separadamente as coisas de dentro do mochilão em SACOS DE GELO, isso mesmo. Tudo ficará impermeabilizado e você não terá que se preocupar com isso pelo resto da viagem (lógico que eu não fiz isso – vacilei –, mas o Diego fez e teve uma tranquilidade absurda com relação à chuva durante todo o circuito). A MOTIVAÇÃO: Essa vontade de conhecer Torres del Paine veio depois de fazer um mochilão pela Patagônia (chilena e argentina) há 4 anos atrás. Eu e minha esposa fizemos algumas trilhas em El Chaltén, visitamos El Calafate, etc. Durante as pesquisas, me interessei por TdP, mas como estávamos com pouco tempo para esse mochilão, resolvemos deixar para outra vez, mas JUREI que iria voltar e fazer o circuito O um dia. AS EMPRESAS: Vocês não podem deixar de saber que antes de ir pra lá, vocês precisam de antecipação, planejamento e muita, mas MUITA paciência. Lá existem 3 empresas para se reservar as áreas de camping ou os “lodges”. São elas: Fantástico Sur, Vértice Patagonia e CONAF, sendo esta última governamental e responsável pela gestão de vários parques nacionais, incluindo TdP. Definidas as datas dos voos de ida e volta, começamos a correr atrás das reservas dos campings. Nesse ponto, vale um adendo: · O Circuito O só pode ser feito no sentido Anti-horário. Logo, deve-se fazer as reservas dos campings nesse mesmo sentido. Conseguimos fazer as reservas com a Fantastico Sur sem problema algum. Não havíamos decidido por nenhum acampamento da CONAF (que são de graça, todos). As reservas que faltavam eram apenas as da VERTICE PATAGONIA e é aí que começa a dor de cabeça. Um a dois meses antes da viagem, começamos a fazer as reservas. Inicialmente a Vertice estava com a página em manutenção. Ao voltar, possuía um sistema de reservas pelo próprio site, mas que desde o primeiro dia (literalmente), não funcionava. Então, a outra forma seria enviando um e-mail com o número de pessoas, data e locais que gostaria de reservar e, se eles lessem o seu e-mail, te responderiam com o passo-a-passo para realizar o pagamento. Bom, enviávamos o e-mail e nada. Como foi chegando o dia do voo de ida, começamos a procurar informações no Tripadvisor e lá uma pessoa havia informado que eles possuíam mais 7 e-mails. Começamos a bombardeá-los com e-mails, mas não obtivemos nenhuma resposta (havia a confirmação de leitura, mas não nos respondiam). Apesar de vermos várias pessoas mudando as datas da viagem ou até cancelando o voo, decidimos ir e lá procuraríamos a agência física da empresa (nem o telefone eles atendiam). Caso não conseguíssemos fazer a reserva pela Vertice, faríamos apenas o circuito W (que já estava reservado pela Fantastico Sur) e iríamos para El chaltén, uma cidadezinha argentina bem pequena e aconchegante que fica a 400km de Puerto Natales e que tem vários trekkings de dificuldade variada e de vários dias, ou seja, tem para todos os gostos! Dia 1 – Porto Alegre – Punta Arenas – Puerto Natales Embarcamos em POA para a conexão em Buenos Aires e Santiago com a ideia firmada que iríamos tentar chegar à cidade e ir à agência física da Vértice (o Google informava que estava permanentemente fechada e não atendiam o telefone. MAS, não confiem nesse tipo de informação do Google!!!). Bom, como desgraça pouca é bobagem, o voo de POA para Buenos Aires atrasou e perdemos a conexão para Santiago!!! Maravilha, que mais podia dar errado?! Maaas há males que vem para o bem! Nesse meio tempo de espera no aeroporto de Buenos Aires enviamos mais um e-mail para essa maldita empresa e embarcamos para Santiago. Eis que, ao pousar em terras chilenas, abrimos o e-mail e vimos uma resposta dizendo que nossas reservas estavam feitas mas para garanti-las teríamos que pagar em 48h. Como chegaríamos em Puerto Natales no dia seguinte, deixamos para efetuar o pagamento in loco e não ter mais nenhum estresse. Aqui vale ressaltar sobre a aduana chilena que são bem chatos com comidas e/ou qualquer coisa de origem vegetal ou animal (eu já havia sentido na pele isso alguns anos atrás). Sabendo disso, resolvemos declarar o que trazíamos e deixar que eles decidissem. Foi nessa que o Diego perdeu 5 salames que estava trazendo para o circuito. Segundo o fiscal, o salame era defumado e só poderia entrar se fosse COZIDO. Comigo ele perguntou o que eram as comidas liofilizadas e eu disse que eram como o macarrão instantâneo (vulgo miojo ahaha). Mesmo fazendo uma cara de desconfiado, deixou passar. Passamos a noite no aeroporto de Santiago e embarcamos pela SkyAirline para Punta Arenas. · Sugiro, quando forem pegar voos domésticos no Chile, procurar por esta empresa. Apesar de não darem nenhum lanchinho (kkkk), pagamos US$120,00 Santiago-Punta Arenas (ida e volta/pessoa). Ao chegar no aeroporto de Punta Arenas, havia um ônibus indo para Torres del Paine direto do aeroporto, mas não tínhamos pesos chilenos suficientes (deixamos de trocar no aeroporto de Santiago e no de Punta Arenas não tem casa de câmbio. Aquela famosa economia porca, pois poderíamos ter trocado o suficiente para o ônibus e, em Puerto Natales, trocaríamos o resto). Então, saímos perguntando o preço para ir para o centro da cidade e ouvimos dois israelenses pechinchando com um taxista. O Taxista pedia 10.000CLP. Sugerimos que dividíssemos o valor em 4 pessoas e todos aceitaram. · Em Punta Arenas não existe uma rodoviária única a todas as empresas. Cada uma possui a sua “estação”, a sua garagem e você precisa ir naquela que irá pegar o ônibus. Ao chegar à cidade, trocamos R$900,00 a 190CLP/real, uma boa cotação e que não acharíamos mais. Todavia, a cotação do dólar pouco variou de Punta Arenas para Puerto Natales (algo em torno de 5 a 10 pesos/dólar). Trocamos o dinheiro e saímos correndo para a Buses Fernandez. Por sorte, o ônibus ainda não havia saído. Acabara de fechar as portas, apenas. Pedimos pelo amor de deus para que abrissem e nos deixassem entrar kkkkk. Com cara de bravo, deixaram. Durante o trajeto havia wi-fi no ônibus, mas era pago. E caro. Nos cobraram 8.000 CLP/pessoa o trecho. Todas as empresas giram em torno disso, não tem muita diferença não. Chegamos em Puerto Natales 3 horas depois, numa viagem LINDA. Sugerimos que se mantenham acordados hehehehe. Deixamos nossas coisas no hostal Vaiora, que já estava reservado (US$20/pessoa). Um hostal bem simples, mas limpinho e aconchegante. Erramos o caminho ao chegar. Começo do treinamento. Andamos 1km para o lado errado, mais 1km para voltar, mas pelo menos vimos esse fucking Dog fotogênico hahaha · Vale lembrar que ao pagar em dólar, não existe a necessidade de pagamento de 19% do IVA (desde que mostre o papel que recebeu na entrada ao país), um imposto que eles deixam passar para incentivar o turismo e para aumentar a quantidade de dólar americano no mercado chileno. Na sequência fomos direto à Vertice fazer o pagamento da reserva (fica na Calle Manuel Bulnes, 100. Há duas, mas a certa é essa). Ao chegarmos, os atendentes estavam lá tranquilões, como se nada estivesse acontecendo. Milhares (literalmente) de pessoas desesperadas e eles super de boa, mas ok. Dissemos que queríamos fazer o pagamento da nossa reserva para o circuito O. Inicialmente a atendente não levou a sério (não acreditou que tínhamos a “autorização” daquela reserva), então mostramos o e-mail deles próprios. Pagamos e fomos fazer as compras de equipamentos que nos faltavam. Compramos um bastão, caneca com mosquetão (super indico. A caneca era FODA. Não sabemos dizer como, mas as bebidas quentes que fazíamos nela simplesmente NÃO PERDIAM CALOR hahahaha. Também pela facilidade de deixa-la pendurada e a qualquer água corrente que víamos no circuito, parávamos para beber), poncho da NTK (pelo amor de deus, não comprem isso!!! Material de péssima qualidade. Rasgou inteiro nos 20 primeiros minutos de trekking) e gás. Aproveitamos para passar no supermercado e na loja de frutas secas para comprar as guloseimas que faltavam. · A loja de frutas secas é excelente! Tem muitas variedades e num preço bem acessível. A loja chama Itahue e fica na Rua Esmeralda, 455B. Voltamos para o hostal, deixamos tudo, tomamos um banho e saímos para jantar. Mandamos uma pizza, mas cabiam duas kkkkk. Voltamos para arrumar as mochilas e dormir. Dia 2 – P. Natales – Torres Del Paine (1ª noite: Camping Serón) Pegamos o ônibus na rodoviária por volta das 07:30 e chegamos na entrada da Laguna Amarga umas 9:20. Ao chegar, todos devem desembarcar do ônibus e fazer a entrada no parque. Nessa etapa, pega-se uma fila enorme (todos os ônibus chegam juntos). Se der sorte de ser dos primeiros ônibus, ótimo, caso contrário vai esperar um pouquinho. Caminho para TdP: Após todos fazerem a entrada e o pagamento (21000CLP ou uns US$35 – aceitam os dois), todos devem assistir a um vídeo de 2 minutos aproximadamente, falando tudo o que pode e o que não pode fazer no parque, inclusive o valor e pena das transgressões. Após isso, todos voltam para os ônibus. Os que vão ficar na Laguna Amarga já podem pegar suas mochilas e iniciar o trekking ou então pagar 3000CLP para pegar outro ônibus que andará por 15 minutos (7,5km) até a área do Camping Central/Las Torres. Fora isso, o ônibus que estava lá parado espera os que vão para as outras duas entradas (Pudeto ou Sede Administrativa) voltarem para seguir viagem. Chegando à entrada da LasTorres tem uma lojinha com alguns artefatos de trekking, para aqueles que esqueceram de algo ou para os que tem muito dinheiro. Desde esse momento percebemos como as coisas seriam absurdamente caras em qualquer lugar dentro do parque!!! Por exemplo, uma coca-cola de lata de 350ml custa 2000CLP, algo em torno de 11 reais. Uma bolacha menor que Trakinas também tem o mesmo valor. A única coisa que eu vi que era RAZOÁVEL de se pagar (mas não era barato), foi no Camping Grey, que tinha um chocolate Prestígio por 500 CLP, algo em torno de 3 reais. Não comprei, me arrependi, pois não haveria outra oportunidade desse tipo kkkkk. Bom, começamos então em direção ao Camping Serón. É meio complicado de achar o caminho inicial. Não tem NENHUMA placa indicando a direção (algo que constatamos depois, foi que o Circuito O por ser menos procurado/turístico, não tem a mesma infraestrutura do W, mas essa foi a melhor coisa que poderíamos ter! J). Ficamos esperando ver se haveria algum fluxo de pessoas para algum lugar e em alguns minutos achamos o caminho. Começou uma leve subida e, nossa fiel e inseparável CHUVA. Como ainda estávamos sem experiência no que se trata de patagônia, desesperamos e começamos a colocar os anoraks e o bendito poncho (aquele que indiquei para não comprarem). Mas por que comprei essa droga? Para proteger a mochila com material fotográfico que estava no meu peito. Foi só eu colocá-lo e puxar a cordinha do capuz que começou o rasga rasga. Então peguei o que sobrou desta droga e só embrulhei a mochila (6300CLP jogados fora). No final do dia iríamos perceber que não precisa desse desespero. A chuva que cai, juntamente com o clima seco e o vento forte, não é o suficiente para molhar. O que molha já seca em segundos/minutos. E todo o resto da viagem foi usando esse aprendizado, ou seja, não colocávamos mais o anorak para proteger da chuva ou neve, mas sim do vento. O caminho do Central para o Serón é bem tranquilo. Em alguns momentos tivemos que atravancar pelo mato porque estava impossível de passar pela trilha. Muito barro! Uma das coisas que ajuda a ficar assim é que muitos cavalos vão até o Serón e isso piora absurdamente a trilha, mas nada que impeça de continuar. O tempo previsto era de 4h, mas fizemos em umas 5h, fomos bem tranquilos nesse primeiro dia. Chegando no camping, largamos as mochilas num canto, definimos onde iríamos montar a barraca, a montamos e fomos comer. Nesse camping existem algumas plataformas para se montar a barraca, mas não sabemos se era para todos ou teria algum preço diferenciado (eu particularmente não gosto. Como é em campo aberto – diferente do camping Francês que só tem plataformas mas é dentro da floresta –, facilita que o vento destrua a barraca se der uma rajada muito forte e entrar por baixo da plataforma, pois ela é como se fosse um estrado de cama). Após comermos e descansarmos um pouco, demos uma andada pela área. Há um local abrigado para cozinhar, algo que ajuda bastante!!! Os campings que não possuíam isso, juntando-se ao fato de o vento não parar um segundo, faziam com que preparar a comida se tornasse algo trabalhoso e chato, já que é um momento de socializar e descansar. Após jantarmos, fomos dormir e, algumas horas depois, começou uma chuva constante que seria nossa companheira até acordarmos. Pontos negativos desse lugar: Havia UM banheiro e UM chuveiro para mais de 20 pessoas. O banheiro estava em estado deplorável... o chuveiro não sei se era quente. Não tomamos banho esse dia. 3º Dia – Camp Serón – Camp Dickson Bom, deveríamos acordar 06:00h (depois percebemos que era desnecessário), mas ficou uma chuvinha tão boa desde a meia-noite que não conseguimos acordar. Acordamos umas 07:30h e ficamos enrolando dentro da barraca até as 08h. Esse dia andaríamos bastante, cerca de 19km (~6h), mas o nível de dificuldade era tranquilo, uma vez que a maior parte seria com pouca variação de altitude (mínimo de 170m e máximo de 330m). Levantamos, arrumamos todas as coisas e deixamos só a barraca por desmontar, torcendo pela chuva parar de cair (o que mais baixava o moral era guardar a barraca com chuva, pqp! Kkkk). Enquanto comíamos, a chuva parou! Como a barraca estava molhada da chuva e de manhã é sempre bem frio, foi difícil enrolá-la, as mãos doíam de tanto frio! Mas vamos que vamooos. Nessa parte do circuito o rio Paine nos acompanha a todo o momento pela direita e também tem umas belas montanhas no começo, mas com o tempo nublado pouco conseguimos ver. Rio Paine: É nessa trilha que fica a Guarderia Coirón que vai verificar se você possui reserva no Dickson para poder prosseguir no Circuito O. Não possuindo, o guarda parque te mandará voltar. Paramos diversas vezes para comer, descansar, observar. Como sempre, chega uma hora que o vento cansa, porque não para... então ele te obriga a pegar a trilha novamente hehehe. Esse dia foi o primeiro dia que sentimos o peso da mochila. O trapézio já estava pedindo um intervalo. Como só faltavam uns 4km fizemos uma longa parada pra descansar e tirar algumas fotos! Valeu muito a pena... O Camp dickson dá pra ver de longe. Fica num lugar bem plano, circundado pelo Rio Dickson. Quase no final da trilha tem um “mirador” que se consegue ver as construções do camping, o lago e o glaciar ao fundo, mas pra chegar lá ainda tem uma subidinha bem tranquila, mas uma descida íngreme. O bonito desse lago é que diversos icebergs se desprendem do glaciar e vem parar pertinho do camping. Com uma boa luz do sol dá pra tirar ótimas fotos! Pensamos em brincar um pouco e entrar no lago, mas nessa área o vento é bem mais forte do que havíamos pego até então e como todos sabem, o problema não é NA água, é depois de sair dela kkkkk. Assim que chegamos fomos ver se tinha água quente e... TINHA! Um lugar bem apertado, mas sem problema algum. Não batia vento!! Kkkk Tomei um banho rápido, montamos a barraca e saímos bater umas fotos e conhecer os arredores. No Camp Serón não lembro de ter nada a venda; já no Dickson tinha alguns biscoitos, chocolates, etc, coisa bem básica mesmo. Nada de refeições. Voltando das fotos fomos jantar. Era mais ou menos assim as refeições: eu fazia um pacote liofilizado pela manhã, comia metade no café e guardava a outra metade para a trilha (tem um sistema ziploc na própria embalagem). Durante a trilha comia a outra metade e algumas guloseimas. A noite fazia um outro pacote para a janta e um chá bem quente antes de dormir, elevava o moral ABSURDAMENTE! fikdik heheheh. Após isso, fomos dormir e já concluímos que a medida que íamos para traz das montanhas (pensando no sentido da chegada), a temperatura diminuía e o vento aumentava. Essa noite o vento castigou, pois é uma região com árvores num dos lados, mas de onde vem o vento não tem nenhuma barreira. Dormimos mal pra caramba, mas logo logo acostumaríamos com o vento. Detalhe: No Camping Dickson, não há local abrigado para se fazer a refeição. Existem várias mesas espalhadas, mas nenhuma construção para se abrigar do vento. 4º Dia – Camp Dickson – Camp Los Perros Bom, esse dia acordamos com uma tranquilidade absurda. Teríamos que andar apenas 9km, cerca de 4h. Começamos a rotina de arrumar tudo e guardar a barraca. Aproveitamos a manhã de sol para tirar umas fotos do lago Dickson e da geleira ao seu fundo, mas as nuvens como sempre impediam a luz do sol de deixar o lugar mais bonito. Café da manhã no Dickson: Não faz maaaaal!!! O lugar já era maravilhoso por natureza! Essa caminhada foi excelente. Só o comecinho que pega bastante, pois é uma subida relativamente íngreme e parece que não acaba nunca! 90% da trilha é dentro de bosques, ou seja, algumas horinhas sem o vento de arrancar o couro da gente! A paisagem se alterna entre muitas árvores e as montanhas nevadas ao fundo e quando as copas dão uma brechinha...fica mais ou menos assim: Quase chegando ao Camp Los Perros, começa novamente uma subida, mas o problema dessa subida é que é SÓ PEDRA!! Isso acabava cansando um pouco e forçava as articulações. A dica nesse trajeto é fazer com bastante calma e tranquilidade. Fazer algumas paradas ajuda a descansar e a aproveitar a vista! J Esse trajeto é sem vento, mas quando se chega na parte mais alta, aí segurem seus gorros, óculos ou o que tiver solto: ao subir sobre a colina para observar o glaciar Los Perros ao fundo do lago, virá uma rajada de vento que desce da ravina e passa por sobre o lago, atingindo essa colina! Já na parte mais alta e pouco antes de chegar ao acampamento, tem uma geleira ao fundo. Pequena, mas com sua beleza. Uma seta dizia que o caminho estava fechado. Fomos ao acampamento deixar as mochilas e fazer o “check-in” e foi nesse momento que o guarda-parque daquele camping falou que o Paso John Gardner estava fechado e não deveria nos deixar passar, mas como já havíamos chegado até ali, seria a mesma distância de voltar e, por fim, acabou nos deixando seguir o circuito. Glaciar: Como chegamos muito cedo no acampamento e não tinha mais o que fazer, veio o ócio e, todos sabem, “mente vazia, oficina do capiroto”. Resolvemos desconsiderar o aviso e fomos até o mirador que fica em frente ao glaciar. Perigo, na real, só tem se você der mole. Basicamente é um terreno íngreme com muitas pedras soltas, à beira de uma grande queda. Se for sempre jogando o corpo para dentro do terreno e “sentindo” o chão antes de jogar o peso todo, sem problemas. Fomos, voltamos e ficou tudo bem. Seguimos para o acampamento. Esse camping é excelente! Não bate um vento, pois fica no meio das árvores. Durante a noite você ouve o vento chegando pelo barulho das copas e espera a hora de atingir a barra (como era em qualquer outro camping), mas a melhor parte é que ele nunca chegava! Hahahah. E você pode dormir tranquilamente. A partir desse dia comecei a me “acostumar” com o vento na hora de dormir, mas mesmo assim o sono não melhorou muito. Essa era a noite que teríamos que dormir o máximo possível e com mais qualidade, pois no dia seguinte seguiríamos até o Camp Grey, que daria um total de 24km (11h de caminhada, pelo mapa), incluindo a transposição do famoso e temido Paso John Gardner. 5º dia – Camp Los Perros – Camp Grey (o dia da emoção) Acordamos depois de uma noite relativamente bem dormida. Estava bem frio e chovendo, mas as árvores seguravam um pouco a água. Arrumamos as mochilas e fomos tomar café. Nós já sabíamos que esse seria o dia mais difícil (só não sabíamos que teríamos uma surpresa: uma nevasca) de todo o circuito, então comemos bastante no café da manhã e já deixamos tudo preparado para o meio da trilha. Assim que fomos tomar o café, percebemos, em cima de uma das mesas, um verdadeiro BANQUETE, com direito a tudo que imaginarem, TUDO. Naquele momento algo chamou nossa atenção: Meu deus, como alguém resolve trazer tanta comida assim para esse circuito?!?!?!? Nós estávamos contando cada grama de comida e equipamento e eles trazem tudo isso? Bom, foi nesse momento que observamos o seguinte: · Existe uma forma de contratar uma EQUIPE para fazer esse circuito O com você (ou com um grupo). Sempre vai, junto ao grupo, um guia e um ajudante. Além disso, existem mais 3 “sherpas” (sim, o mesmo nome daqueles que carregam os equipamentos dos que querem escalar o Everest) que só são responsáveis por carregar o geralzão. Como assim? Quando o grupo sai, eles ficam para trás desmontando as barracas, sacos de dormir, etc. Quando terminam, começam a correr (LITERALMENTE) até o próximo camping, para chegarem antes do grupo e montar tudo que tiver que montar. Eles levam quilos e quilos de comida e equipamento, cozinham e preparam lanches para o dia seguinte (separados em sacos ziploc) para cada integrante do grupo. Não temos ideia do quanto se paga por isso, nem perguntamos, mas não deve ser barato... Após tomarmos café, vimos vários desses guias desmontando as barracas e as levando para dentro do refeitório para que secassem e posteriormente dobrassem. Resolvemos fazer o mesmo. Já na saída do camping começam as subidas. Estas, que seriam nossas fiéis escudeiras ao longo de todo esse dia de caminhada kkkkk. Esse comecinho é totalmente dentro de um bosque, então estava bem tranquilo. Foi aí que começamos a ver granizo no chão. Já começamos a imaginar que logo logo veríamos neve. Não deu uns 20 minutos e começou a nevar sobre a gente! Maior felicidade kkkk À medida que subíamos começamos a ver maior acúmulo de neve, o que começava a dificultar a trilha. Continuamos na trilha que estava bem sinalizada, mas em um determinado momento acabamos pulando uma estaca laranja e chegamos num lugar que passava um rio por baixo do gelo! Já viu né? Frio, água e pé não combinam NADA! Paramos e começamos a olhar em volta... a estaca que então havia sido deixada para trás, estava mais para baixo e fomos até lá para evitar esse rio. Após alguns minutos de caminhada, começamos a nos dar conta do quão difícil seria o trajeto: um vento absurdo (ainda algo em torno de 60 a 70 km/h) já dificultava o nosso progresso mesmo sobre pedras e uns 30 cm de neve. E o que acontece quando se junta neve caindo e vento forte? Você não consegue olhar para a frente! O que acabávamos fazendo era seguir a trilha do grupo que estava à nossa frente (cerca de 300m), olhando para baixo, no máximo procurando a próxima marca laranja que indicava o caminho a seguir. Continuamos subindo e subindo... Não acabava nunca!!! Víamos o grupo com o guia no topo de uma montanha. Imaginávamos que aquele local seria o Paso ou estaria muito próximo dele, mas não. E pior, toda aquela neve batendo no nosso rosto, aquele vento baixando a sensação térmica e a neve acumulada aumentando, iam deixando o trajeto mais difícil ainda! Foi a partir de uma das placas que informa a distância e a elevação daquele local que a “brincadeira” começou a ficar séria... Já não víamos mais o grupo (com guia) que estava na nossa frente. As pegadas que deixavam na neve? Já haviam sumido! As estacas alaranjadas estavam começando a ficar encobertos pela neve acumulada. O vento? Só aumentava! Foi nessa hora que a CALMA falou mais alto. Paramos atrás de uma pedra, respiramos, pensamos e comemos. Retomamos a trilha... À medida que subíamos o vento aumentava numa proporção astronômica! Só conseguíamos olhar para baixo. Ao chegar numa estaca laranja, olhávamos para o horizonte, achávamos a próxima, baixávamos o rosto e íamos olhando para baixo. Lembram da subida? Ainda estava lá!!! Kkkkkk o peso das mochilas deixava TUDO mais difícil. À medida que pisávamos na neve, afundávamos. Na maior parte do tempo eram necessários dois passos no mesmo lugar para conseguir progredir. A neve estava na altura dos joelhos já. Num determinado momento o Diego, que estava na frente, parou e me falou que estava preocupado com suas mãos. Nesse momento, me dei conta que eu também tinha mãos! Kkkkkk a partir daí, também percebi que já não sentia a ponta de todos os dedos, mesmo com a luva. Primeiramente tentei achar o problema, pensando que a luva estivesse molhada, mas não! Era a neve acumulada, juntamente com o vento, que estava baixando a temperatura. Tirei a neve, coloquei as duas mão atrás da mochila que estava no meu peito e comecei abrir e fechar as mãos. Em alguns minutos havia voltado ao normal e falei para o Diego fazer o mesmo. Entretanto, à medida que usávamos os bastões para nos ajudar na neve (e acreditem, eles fazem uma diferença ABSURDA nessa situação), as pontas dos dedos voltavam a doer absurdamente. Mantivemos o ritmo. Mais pra cima? Mais TUDO! Mais vento, mais neve... e vocês já sabem. Devido à nevasca não conseguíamos ver além de 15m e aqui deixo a minha crítica ao parque: as estacas que indicam o caminho nesse trecho (O MAIS CRÍTICO DO PARQUE) são escassas. Em alguns momentos você tem que chutar uma direção e ir. O que nos ajudou numa das situações mais críticas desse trecho foi que a neve encobria as pegadas do grupo, mas os buracos dos bastões ficavam visíveis! Seguimos os buracos e logo em seguida achamos o caminho novamente. Chegando próximo do Paso, a preocupação com as mãos aumentava, mas outra coisa estava nos tomando mais a atenção: O vento. Simplesmente não conseguíamos avançar!!! Dávamos 3 passos para a frente e o vento nos empurrava 5 para trás ou nos derrubava! Vendo que não conseguiríamos competir com ele, começamos a engatinhar até chegar próximo de uma encosta rochosa onde o vento diminuiu e conseguimos chegar ao outro lado da montanha, aonde vimos o IMENSO Glaciar Grey, em toda sua infinita extensão. Após passar pelo topo o vento diminuiu consideravelmente. Sabíamos que a partir daquele ponto seria apenas descida. A partir de então foi o inverso. Era descida que não acabava mais! Em determinado momento, não era mais possível descer caminhando, de tão escorregadio que estava. Acabamos descendo de esquibunda kkkkkk. Nesse momento, juntamos a alegria de ter sobrevivido com as brincadeiras na neve. Enquanto descansávamos, um dos sherpas estava descendo (também de esquibunda kkkk), parou e nos ofereceu um chá quentinho. Aceitamos e conversamos um pouco. Ele disse que nunca havia visto essa parte do circuito, dessa forma. Era novidade para ele, mesmo já trabalhando nisso há alguns anos. Chegamos ao Camp Paso. Tinha uma infraestrutura bem básica. Fizemos um café, dividimos uma caixinha de leite condensado inteiro e recuperamos as energias. Energia recuperada, retomamos a descida. Nesse dia meu joelho começou a gritar!! Era descida que não acabava mais... Depois de algumas horas de caminhada, chegamos às pontes que são bem conhecidas (as pessoas que fazem o W pernoitam no Grey só para poder subir até essas 3 pontes que tem entre o Camp Paso e o Camp grey). O dono do hostel que viríamos a ficar em P. Arenas trabalhou para a Vértice e disse que antigamente no lugar dessas pontes, haviam escadas. Com o derretimento do gelo, a água descia e levava a escada embora. Assim, os guarda-parques iam lá e colocavam CORDAS temporariamente. Imaginem a dificuldade de subir, através de cordas, com uns 20kg a mais de equipamento, um barranco de uns 6m. Felizmente não são mais escadas, mas 3 pontes que balançam MUITO! Como estávamos cansados da travessia, a neve não parava de cair e o vento também não parava de soprar, acabamos passando meio que batido, sem ter apreciado muito bem essa parte. Depois de algumas horas de descida chegamos ao Camp Grey. Com uma boa infraestrutura, o Grey tinha uma cozinha bem espaçosa e fechada. O banheiro masculino eram duas privadas e duas duchas (chuto que o feminino era a mesma coisa). Bem pouco, pensando que esse Camping faz parte de uma das pernas do W e fica lotado de turistas. Mirador no Camp Grey: Não saiam daí! To be continued... hahahahah
  5. A vontade de sair caminhando por lugares onde nunca andei sempre esteve presente, e foi no final de 2015 que vi a possibilidade de fazer algo novo. Muito influenciado pelos relatos do Divanei (Costa dos Coqueiros: http://www.mochileiros.com/post558641.html#p558641 ) e do Jorge Soto (Costa dos Coqueiros : http://www.mochileiros.com/de-arembepe-a-mangue-seco-se-a-pe-t11941.html e Costa do Descobrimento: http://www.mochileiros.com/de-porto-seguro-ate-prado-a-pe-t12168-15.html ), decidi andar por esses lados também, porém com um diferencial, recém desempregado, ainda recebendo auxílio desemprego e de férias da faculdade, eu tinha tudo que precisava: dinheiro e outra coisa que os dois não tiveram... TEMPO! Como meu próximo compromisso era somente com a faculdade em março, decidi sair andando pela costa até onde conseguisse. Comecei pelo litoral do Espírito Santo porque eu possuía uns pontos de cartão de crédito prestes a vencer e optei por trocar por uma passagem área. Como a quantia de pontos era insignificante, só havia disponível pra mim trechos curtos, exatamente como RJ-ES. 1º DIA No tão esperado dia 15 de dezembro de 2015, parti pro aeroporto e enquanto o ônibus se arrastava no meio de um engarrafamento, minha consciência torcia pra que eu não chegasse a tempo e voltasse pra casa. Mas nada disso se concretizou eu peguei o tal avião pra Vitória, de lá tomei um coletivo direto pra rodoviária da empresa Águia Branca. Minha ideia inicial era ir até Linhares e depois descer para o litoral, mas depois da cagada que aconteceu no Rio Doce, decidi iniciar a caminhada em São Mateus. Demorei umas 3 horas pra poder chegar ao meu destino e quando passei por Linhares pude ver a péssima aparência que se encontrava o rio. Chegando na rodoviária de São Mateus, imediatamente peguei uma condução que me levou até a praia de Guriri, lá comprei um pacotinho de biscoito e uma água gelada e já caminhei em direção à praia. Era um fim de tarde agradável, por volta das 17h e em pleno horário de verão, bastante gente caminhando e voltando da praia nessa hora, o lugar já respirava o clima de férias de final de ano. Seguindo pela orla em poucos minutos passei por um parque aquático aparentemente desativado e a partir daí as residências vão se acabando, cada vez menos famílias nas areais e eu já pensando onde poderia dormir. O mar estava com ondas pequenas, a areia íngreme e fofa, depois vinha uma restinga bem rala cortada por uma estrada de barro, que leva a alguns vilarejos. Eu ainda não fazia ideia de como identificar uma maré alta ou baixa e segui andando no final das ondas onde a areia era ligeiramente mais firme. Algumas pequenas estruturas feitas com umas palhas de coqueiro que eu não entendia muito bem o significado, apareciam pelo caminho e já me faziam pensar se dava pra aproveitar como um possível abrigo. O sol já se despedindo também já me obrigava a pensar em achar um lugar pra passar a noite. Eu sabia que o começo seria o mais difícil em relação a tudo, em especial a minha dormida, pois não havia levado barraca por considerar muito quente pra uma praia, levei uma rede de polyester e um tecido de nylon para fazer uma cobertura pra chuva. Quando avistei uma cabana improvisada com uma cobertura precária com placas de madeira e lonas, não tive dúvidas que iria dormir ali embaixo e tratei de me alojar rapidamente. O vento era constante, o que me fez desistir de improvisar uma janta com o fogareiro. Sem muita fome, comi os biscoitos que havia comprado em Guriri e deitei meio sem jeito na areia forrada com meu nylon até pegar no sono. Anoiteceu com um céu impecável e muito estrelado, mas lá no meio da madrugada caiu um sereno no meu rosto e eu tive que me posicionar melhor embaixo do meu barraco. 2º DIA Meio sem sono acordei logo na primeira clareada que o céu deu. Guardei o saco de dormir e meu nylon, nem me lembro o que comi, abandonei meu par de tênis que seria inútil dali pra frente, e segui rumo ao norte. Pra minha sorte, umas nuvens bem densas cobriram o sol por bastante tempo, quando ele surgiu apareceu rasgando. O cenário ainda era o mesmo com a maré ainda ruim pra caminhar. Andava algumas centenas de metros e subia até a pequena estrada de barro pra tentar visualizar alguma coisa, não via nada adiante então descia de volta pra areia, sempre margeando pelo final das ondas. A meta dessa manhã era chegar até Conceição da barra. Um tempo depois do início da caminhada, avistei um pescador deitado na sombra do seu barco esperando um colega chegar pra iniciar sua pescaria. Perguntei se faltava muito e ele disse que mais uns 30 minutos eu chegaria. Continuei andando e duvidando do cara, porque a praia se perdia no horizonte e não conseguia ver nada, porém o cara estava certo, com aproximadamente 30 minutos de caminhada me deparo com o enorme rio Cricaré e Conceição da Barra bem do na outra margem. Os barcos passavam próximos a outra margem e não me viam, fiquei esperando passar algum barco próximo a mim pra tentar a travessia. Uma cara passou por mim de quadricíclo e disse que esperasse, pois de vez em quando aparecia alguém. Achei a sombra de uma barraca e sentei pra esperar. Cansei de esperar e comecei a acenar pros barcos menores do outro lado, pra minha sorte umas mulheres me viram acenando e avisaram a dois barqueiros que vieram ao meu encontro e me atravessaram numa boa e assim atravessei o primeiro de dezenas de rios. Me apontaram onde era o centro quando perguntei as horas me espantei como era cedo. Tinha caminhado bastante e ainda não era nem 9h da manhã. Fiquei surpreso e me dirigi até uma padaria pra tomar um merecido café da manhã, depois de encher a barriga, fui até a orla e me deitei na sombra de um quiosque e descansei até a hora do almoço. Após comer caminhei um pouco pela areia e parei embaixo de um abrigo de salva vidas, descansei por ali durante a tarde enquanto esperava o sol fortíssimo ficar mais fraco. O mar ainda não era dos mais bonitos, com ondas fracas amarronzadas e mais ao fundo com uma cor ligeiramente esverdeada. Um ou outro casal na praia e um casal namorando em uma barraca abandonada sem fazer cerimônia rs. Por volta das 16h parti, dessa vez com a areia mais firme e sol mais brando. Em menos de 1h de caminhada cheguei na foz do Rio Itaúnas, aqui aprendi que esse encontro do rio com o mar chama-se 'barra'. Perguntei a dois banhistas se dava pra passar com mochila na cabeça e eles disseram que a uns minutos atrás dava sim, mas quando tentei não obtive sucesso. Fiquei sentado esperando algum barco passar e nada, os caras foram embora e fiquei sozinho, enquanto dava uma explorada no lugar, passou um barco e perdi minha carona. Resolvi ficar por ali mesmo, tomei um banho de rio, armei minha rede nas margens do mangue e cobri com o nylon que de cara eu vi não ficou como tinha imaginado. Fiz um miojo com o fogareiro e dormi numa boa, a maré subiu consideravelmente mas não me comprometeu. Na madrugada caiu novamente uma chuva leve, mas minha cobertura deu conta. 3º DIA Amanheceu um pouco nublado, enquanto recolhia minhas coisas passou um barco e perdi novamente a carona. Depois de comer fiquei na margem da barra aguardando alguém passar, pois com aquela maré ainda não dava pra atravessar. Não demorou e passou um barco com dois pescadores que estavam saindo pra recolher a rede no mar. Pedi e mais uma vez me atravessaram numa boa. Comecei a caminhada rumo Itaúnas e as bolhas nos pés já começavam a incomodar, a areia ainda íngreme e fofa também não ajudava. Com um tempo de caminhada o sol foi surgindo e agredindo, o mar ficava menos amarronzado com um ou outro barco passando. Pela praia ninguém aparecia e depois de longos 13km cheguei na praia de Itaúnas. Uns 800m antes das barracas há uma placa que indica o início da Trilha do Tamandaré, que leva direto pra o início do centro, como eu não sabia continuei até as barracas e exausto paguei 4$ por uma água de coco e dei uma descansada. Uma das únicas duas que paguei em toda a viagem. Pra chegar ao centro tive que subir e atravessar a imensa duna que acaba em uma estrada de barro que leva ao centro. Mais 1km de caminhada, onde pude chupar bastante caju, pra chegar bem no meio da praça onde deitei em um banco na sombra e tirei um cochilo até o almoço. Itaúnas é bem agradável e minúsculo, porém tudo muito caro. Depois de comer e catar umas mangas na praça, voltei pra praia e fiquei descansando na mesma barraca onde tomei o coco, aqui me desfiz de um monte de saco de lixo grande, que pretendia cobrir a mochila pra atravessar os rios, vi que não era viável e me livrei do peso. Por volta das 16h parti rumo a Bahia. A caminhada ia em um bom ritmo, mas as dores nos pés e as bolhas me incomodavam bastante. Pouco mais de 1h cheguei no Riacho Doce, a divisa do ES com a BA, o local estava totalmente vazio, com dois quiosques fechados e uma casa. Uma bela praia, um pequeno lago e o riacho, não muito cheios devido à seca, formavam o cenário da divisa. O lugar perfeito pra dormir, em um quiosque já tinham duas redes armadas e bastante lugar coberto caso precisasse armar a minha. Arranquei um coco de um coqueiro baixinho, mas sem faca sofri pra conseguir abrir. Um tempo depois apareceu umas pessoas na casa e fui até lá conversar. Me explicaram que a casa era um restaurante que não funciona mais e estava abandonada, apenas um pescador tomava conta e me deixaram a vontade pra usar o chuveiro. Aproveitei pra tomar um banho e dormi na rede do quiosque. 4º DIA Acordei e tomei café mas não saí de imediato, fiquei enrolando por ali até que chegou o proprietário do quiosque e conversamos bastante. Ele me explicou que sua barraca era do lado capixaba, mas ali era área do Parque Estadual de Itaúnas, por isso ele se mudou pra o lado da Bahia. Papo vai papo vem, ele disse que não estava abrindo ainda, apenas aos fins de semana, somente após o natal que ia abrir diariamente. Me despedi e saí bem tarde, umas 9h com o sol rasgando, porém a sensação de já estar na Bahia me dava disposição pra continuar. Pouco mais de 1km surge um paredão com algumas pedras a serem vencidas, mas as ondas do mar não chegavam a incomodar, após esse local vem uma praia deserta com uma única casa, e ao final da praia mais um paredão de obstáculo, dessa vez com ondas batendo, segui por uma trilha que contorna toda essa falésia e retorna a praia mais à frente. Mais uma imensa praia pra percorrer e no final mais uma falésia como obstáculo, por baixo não dava pra passar, tentei subir margeando mas em certo ponto o mato se fecha, retornei e entrei num hotel que parecia vazio e me informei com um funcionário, o mesmo me indicou uma trilha que contornava o paredão e retornava para praia. Agora começava a aparecer alguns moradores, pescadores e banhistas. Parei na sombra de uma pedra e abri um coco que peguei na trilha e abri com muita dificuldade com uma faca de cozinha cega que consegui na casa de Riacho Doce. Mais uma vez peguei um desvio, dessa vez saí em uma estradinha de barro bem comprida que me levou até Costa Dourada. A essa altura já era 12h e eu já caminhava mancando devido as bolhas. Almocei e descansei o resto da tarde pensando no que fazer em relação às minhas bolhas. Por 35$ acabei ficando na pousada da Tia Fina, onde jantei e estourei as bolhas. 5º DIA Acordei cedo tomei um café da manhã e fiquei numa sombra vendo o movimento. O céu sem nuvem e um sol violento formavam um sábado perfeito pros banhistas que não demoraram a chegar. Dei um mergulho no mar e senti a bolha ardendo um pouco, então continuei a descansar. Após o almoço esperei o sol baixar um pouco e decidi partir por volta das 15h com a maré baixa e ainda andando meio torto pra evitar contato da bolha no chão. Assim que sai praia da Costa Dourada começa um paredão de falésias e somem os banhistas, caminhei sem pressa naquele belo cenário e após cerca de 1,5km cheguei na Praia do Sossego, um lugar que faz jus ao nome, uma bela praia, um rio rasinho desaguando no mar e poucos banhistas descansando. Segui em frente, agora sem falésias e com uma extensa faixa de areia devido a maré baixa. Caminhei bastante e um bom tempo depois voltaram a aparecer banhistas, perguntei a um deles onde era a Praia do Gesuel e o mesmo me informou que ficava ali mesmo. O mangue corre paralelo a praia, atravessei com água na cintura e subi um barranco pra chegar até a única rua do lugar com casas e um bar. No bar da Preta chupei um picolé bem baratinho e programei uma janta com ela, resolvi ficar por ali e não forçar muito o pé. Como essa rua fica no alto, é possível ter uma vista privilegiada de toda e praia e do mar. Matei o tempo por ali até anoitecer e depois da janta fiquei esperando o bar fechar pra armar minha rede ali mesmo com a permissão dos donos, só me arrependi um pouco porque dois cachaceiros não estavam querendo sair do bar o que me fez esperar muito pra dormir. 6º DIA Acordei nos primeiros raios de sol, desarmei a rede e logo parti, atravessei o mangue de volta a praia e parei em um barco na areia pra tomar um café com direito a um mamão que ganhei do dono do bar e um coco que retirei de um coqueiro pequeno. No meio do café me dei conta que arrumei um baita corte na sola do pé. Mais uma bela manhã com ventos agradáveis e bem fortes, caminhei pela areia firme e cheias de urubus que ficavam disputando a carcaça das tartarugas marinhas mortas. Poucas horas de caminhada cheguei na barra do Rio Mucuri, e um pescador me indicou onde eu deveria ficar esperando o barqueiro que atravessava. Mofei por lá um tempo e quando dois pescadores estavam voltando pra margem, me pegaram pra atravessar, como era domingo o tal barqueiro devia ter tirado folga. O pescador pegou umas iscas com o neto e mandou que ele me acompanhasse até a Passarela Ecológica Gigica, onde eu atravessei e saí dentro de Mucuri. No centro comprei um carregador pro meu telefone, que eu havia esquecido em casa, e descansei em um banco na praça até a hora do almoço, após comer me dirigi a saída de Mucuri e fiquei descansando em um quiosque. Era um domingo ensolarado e a cidade e suas praias estavam lotadas. Tomei um banho de mar em seguida um de chuveiro com água doce e quando ia deixando o estabelecimento a dona percebeu que eu estava viajando e me fez um convite pra trabalhar em sua bar, já que a alta temporada estava começando, agradeci e expliquei que não podia aceitar e segui meu destino. A tarde foi uma caminhada longa e agradável, areia boa de caminhar, uma brisa constante e uma enorme torre a quilômetros de distância que eu segui acreditando sem algum povoado. Chegando próximo a um condomínio dei uma parada pra pegar uns cocos bem miúdos que estavam acessível graças as dunas e continuei. Com o sol já se despedindo, os quiosques vazios eram excelentes lugares pra dormir, mas continuei andando pra procurar um comércio achando que ali havia um povoado. No meio dos caminhos de areia, já meio escuro acabei chutando um espinho que entrou exatamente dentro da minha unha. Uma dor terrível que me fez mancar mais do que eu já estava. Achei umas barracas na praia da Costa do Atlântico e o dono me falou que ali não havia nada, nem comércio nem povoado, mas tinha um cara com restaurante e pousada na pista. Fui pra estrada a procura do local, no meio do caminho muito caju e bons lugares pra dormir. Mancando e com muito medo de desistir por causa do dedo ferrado, acabei jantando e dormindo nesse local por 40$. O dono muito bacana me contava que fez uma caminhada semelhante quando era jovem, saindo de Minas Gerais até o litoral baiano e com bem menos recursos. 7º DIA Muito aliviado pelo espinho não ter ficado dentro da unha e puto por ter gasto grana pra dormir, parti mancando logo cedo pra praia, pelo caminho lá mais caju! Mais um dia ensolarado e praia bonita. Foram mais de 10km pra se aproximar do centro de Nova Viçosa. Uma embarcação que acabava de chegar do mar deixou pra trás muitos peixes pequenos, isso gerou uma aglomeração, o pessoal selecionava os peixes que ainda podiam ser aproveitados e assim formava uma enorme xepa. Após Nova Viçosa existem muitos rios e mangues desaguando na praia, meu plano era contornar essa região e continuar a caminhada em Caravelas. Um pouco mais adiante entrei pra pista e segui andando com muita dor no pé até o cais pra tentar achar uma embarcação que me levasse até Caravelas, porém esse itinerário não é frequente e eu tive que fazer esse trajeto de ônibus. No ponto de ônibus da cidade comprei uma passagem com uma atendente muito ignorante e fui pra Teixeira de Freitas e de lá peguei outro pra Caravelas. Viagem longa, durante o percurso muita seca e queimadas por todos os lados, cheguei em Caravelas somente a noite. Andar de ônibus serviu pra dar uma aliviada nos pés. Em caravelas lanchei, tomei um banho na pequena rodoviária e consegui pegar o último coletivo que iria me deixar na praia da Barra de Caravelas. Exausto, só forrei a areia e deitei embaixo de um quiosque. 8º DIA Acordei num espetacular nascer do sol, arrumei as coisas, um rápido café e segui. Areia boa, mar calmo e algumas senhoras caminhando pra lá e pra cá fazendo sua ginástica matinal. Muitos coqueiros caídos no chão derrubados pelas ondas do mar. Depois de um tempo e com sede parei na casa de um pescador e pedi um pouco de água. A casa do cara repleta de enfeites naturalmente feitos com ossos de baleia, muitos ossos e todos enormes. Me dei conta que estava bem no coração da Costa das Baleias, infelizmente na hora de registrar, a bateria da máquina me deixou na mão. Voltei a caminhar, o sol já estava rasgando e a areia nem tão agradável assim. Cansado, parei em uma sombra pra descansar, com muito sacrifício consegui derrubar um coco e com mais sacrifício ainda abri-lo com uma faca de cortar pão. Um trator passou umas duas vezes e eu perdi uma possível carona, acabei caindo no sono pesado. Voltei pra caminhada e uns 3km antes de Alcobaça, surge uns bancos de areia que formam uma imensa lagoa, eu deveria ter caminhado pela parte externa da lagoa, beirando o mar, mas fui por dentro e encontrei muitos obstáculos como mata fechada e propriedades particulares. Pelos menos arrumei mais alguns cocos pulando umas cercas. Com certa dificuldade acabei chegando na margem do rio Itanhém, ou rio Alcobaça. Um bacana atracou com uma barco motorizado e sua família pra tomar um banho, quando perguntei como faria pra atravessar e tal, ele me informou que não sabia e que também não podia me levar pois o barco estava lotado... o barco só tinha algumas crianças e 2 adultos, enfim, continuei sentado esperando e veio um pescador de canoa, mal perguntei pra ele e já mandou eu subir e me atravessou na boa. Durante o percurso falou que o barco do cara tinha capacidade pra transportar um time de futebol inteiro dentro. Na orla de Alcobaça, tomei um banho em um quiosque, e fui pro centro comer alguma coisa, já era tarde e não tinha almoçado nada. Entrei em uma loja de eletrônicos de um tal Tostão e comprei mais um carregador. Fiquei por lá carregando minhas coisas e dando risada até anoitecer. Me dirigi ao final da cidade e próximo à Praça do Farol mandei ver um espetinho de carde com um molho delicioso e uma merecida cerveja. Forrei o chão duro de um quiosque e deitei em uma péssima noite de sono. 9º DIA Levantei cedo, tomei aquele café da manhã fajuto e comecei a andar. Já estava no final de Alcobaça e segui caminhando com incomodo pela estradinha paralela à praia, depois de uns minutos desci pra areia que estava bem íngreme e fofa. Cheguei numa pequena vila de pescadores acreditando ser meu local de parada mas não era. Nessa altura por volta de 7h da matina, o sol já castigava e surgiam umas algas na praia que formavam uma espécie de lama. Chegando em Guaratiba encostei logo na única barraca da praia, pedi um refrigerante e passei o restante da manhã descansando enquanto conversava com o garçom e um cara que tomava uma pinga misturada com cerveja. Depois de umas 2 chuvas passageiras, saí da praia pra procurar um local pra almoçar e vi que Guaratiba se tratava de enormes condomínios. Apesar da vizinhança, achei um bom lugar pra almoçar com preço em conta e enchi a barriga antes de voltar pra praia. Após um mergulho e de descansar a tarde inteira, eu já planejava dormir por ali, mas percebi a movimentação do dono da barraca insatisfeito com minha presença ali, então fui procurar um outro canto pra dormir. O sol já estava se escondendo e avistei uma barraca aos pedaços ao lado de um lago. Perto dali alguns pescadores puxavam rede e quando fui pegar informação eles me incentivaram a continuar andando pois era noite de lua e a maré já estava secando. Questionei se dava mesmo pois haviam 2 barras pra atravessar e me responderam que uma eu já havia atravessado e não percebi. Me senti confiante e toquei rumo a Prado. Rapidamente escureceu e fazia a caminhada mais apressada até o momento, porém a lua e as estrelas deixavam tudo absurdamente claro, cenário lindo e único. Cheguei na segunda barra pra atravessar, bem larga por sinal, e por inexperiência saí atravessando em linha reta. A medida que avançava ia afundando aos poucos nos bancos de areia, quanto mais perto do outro lado chegava mais fundo ia ficando. Perto da outra margem, com a mochila já na cabeça, água no pescoço, corrente forte e na escuridão total, me vi a um instante de largar a mochila e nadar pra não ser arrastado. Por muito pouco deu certo a travessia, e com calma do outro lado vi que poderia ter escolhido uma trajetória melhor pra atravessar ou esperado a maré baixar um pouco mais. Continuei pela praia mais um tempo e desviei de muitas árvores que estavam perto das ondas. Percebi que o dedo estava ardendo, quando passei a mão vi que tinha um baita corte embaixo do dedão, quanto azar! Pra minha surpresa acabei saindo em uma nova barra pra atravessar, e do lado que eu estava apenas uns galpões aparentemente abandonados. Fui entrando aos poucos e achei o segurança do local, que tomou um susto e me deu uma carona de barco até o cais no centro de Prado, no caminho me explicou que aquela barra não existia uns anos atrás, que hoje é impossível atravessar mesmo na maré baixa e que o local era um hotel que fechou. Cheguei todo fudido em Prado, procurei um canto pra lanchar e fui pra praia procurar um canto pra dormir. Pernoitei num quiosque na praia lotado de mosquitos, apenas forrei o chão e tive outra noite desconfortável. 10º DIA Acordei cedo e enquanto arrumava minhas coisas, uma família também acompanhava o espetáculo do nascer do sol. Tomei um café da manhã na padaria, passei a manhã procurando um camping, mas o único ativo da cidade ainda não estava funcionando. Como era noite de Natal, acabei passando o resto do dia em Prado pra poder ligar pra família a noite. Por 40$, dormi no Restaurante e Pousada D'Ajudinha. 11º DIA Parti de manhã mas nem tão cedo assim, a praia no centro de Prado totalmente cheia, afinal era o feriado de Natal e a cidade estava repleta de turistas. A caminhada começou com o sobe e desce das ondulações na areia, o sol a pino e um belo mar de águas clarinhas ao fundo. Até a praia do Farol surgiram grandes falésias pra embelezar o cenário e foi constante a presença de banhistas. As nuvens e o céu azul formaram uma bela imagem pra se apreciar, enquanto já chegava na praia da Paixão. Passei pela praia da Amendoeira, que se trata de um pequeno rio, onde a criançada pula do pontilhão e as famílias fazem aquela farofada. Chegando na praia dos corais, muita gente, muito movimento nas barracas e uma praia bem bacana recheada de pedras e corais. Não gostei da muvuca e segui andando entre o mar e as falésias, pelo caminho algumas nascentes caiam pelos paredões e eu aproveitava pra dar uma refrescada pois o sol castigava violentamente, a essa altura eu já estava com um bronzeado típico de pescador. Passei pela praia das Ostras, que era mais um rio com um pontilhão e algumas famílias, e continuei até passar por outro rio, dessa vez vazio e com uma escada que levava até o topo da falésia, aproveitei aqui pra comer pois a fome já estava apertando. Lá em cima das falésias foi possível perceber a grandeza e a beleza do mar e das praias dessa região. Depois de dar uma descansada segui rumo à Cumuruxatiba, alguns trechos com presença de uma areia bem mole e preta o que dificultou bastante minha vida. Nos últimos metros pra entrar no centro, estava repleto de pedras e a maré já estava batendo consideravelmente no paredão, o jeito foi botar a mochila na cabeça e deixar uma galera que estava a minha frente passar pra ver qual o melhor lugar pra se pisar. Não deu outra, me molhei todo mas consegui chegar, logo na entrada vi um camping e entrei pra ver, mas a grosseria do dono me espantou e acabei achando um outro bem no centro, ainda inativo mas, a dona me acolheu. A noite procurei um lugar pra comer mas tudo era destinado ao turismo, ou seja tudo bem carinho e cheio de frescura, acabei lanchando um sanduíche numa barraca que estava cheia de moradores locais, o pé latejava de dor. 12º DIA Depois de recolher umas mangas que caíram durante a noite, deixei o camping, me sentindo um otário por ter pago 25$ pra dormir numa rede num quintal. Até hoje me pergunto porque procurei um camping pra dormir, decidi que dali pra frente não poderia ficar me dando ao luxo de gastar grana com hospedagem. Deixei Cumuruxatiba por volta de umas 7 horas da matina, o sol já prometia castigar como nos dias anteriores, mas a maré estava ao meu favor e também corria uma boa brisa que refrescava. Logo na saída do centro é possível ver o velho píer destruído pelo mar, e bem distante o final da praia que eu ia ter que percorrer. Ao final dela surgem falésias e bastante corais, essa é a praia do Moreira. Mais uns 5km de caminhada agradável, cheguei no caríssimo restaurante Barra do Cahy. Pela distância percorrida e o tempo gasto cheguei a conclusão que eu estava caminhando a uma velocidade de 4km por hora. Armei minha rede na sombra e fiquei o restante da manhã descansando ali e batendo papo com a atendente do quiosque de sorvete, que me contou bastante da história do lugar e ainda me deu um panfleto com a tábua das marés. Sem condições de almoçar por ali, comprei uns espetinhos de queijo e comi com pão. Por volta de umas 15h, após ser alertado sobre a maré, saí rápido pra poder atravessar a famosa Barra do Cahy, local onde os portugueses pisaram pela primeira vez no Brasil. A caminhada a tarde estava foi bem mais puxada que de manhã, por causa da areia fofa eu caminhei descalço até uns 2km após o rio, a partir daqui a água já estava batendo no paredão da falésia então resolvi pular a cerca e caminhar por cima da falésia, valeu a pena pois a vista lá de cima estava deslumbrante. Pouco tempo depois uma cena inusitada, um avião estava pousando e uma família desembarcou, pensei que ia tomar uns gritos mas pra minha surpresa ignoraram totalmente minha presença ali e cada um de nós seguiu seu caminho. Acabei saindo numa espécie de hotel ou mansão, quando avistei uma empregada me fingi de perdido e voltei para a praia. A caminhada seguiu puxada e surgiram muitas espreguiçadeiras de hotéis chiques que antecediam Corumbau, cheguei lá com o sol já fraco, tomei uma chuveirada e combinei uma janta num restaurante. Corumbau é uma de vila bem pobre cercada de hotéis caros. A janta teve um preço bem salgado e me ensinou e nunca mais pedir alguma coisa sem antes perguntar o preço. A noite foi de lua cheia com céu bem bacana, dormi na rede do próprio restaurante. 13º DIA Acordei cedo e parti depois de improvisar alguma coisa pra comer, logo de cara é preciso atravessar o rio Corumbau mas tem barqueiro disponível pra isso. Do outro lado é preciso pagar a viagem aos indígenas que controlam essa travessia, pra mim custou 4$, então me dei conta de que desse lado tem algumas aldeias. Enquanto andava na areia avistei alguns indígenas transitando pela estradinha paralela à praia. Depois de muito chão e muito sol, cheguei em Caraíva, que estava com as areias lotadas de turistas. Entrei pra ver como era o lugar e andei por ruas estreitas lotadas de areia fofa e pousadas. Cheguei no que parecia ser o centro, onde tem um campo de futebol (de areia rs) e descansei numa sombra de árvore chupando umas mangas. Almocei por ali e andei até o local da travessia de barco pra cruzar o rio Caraíva. O local é movimentado e a travessia é curta e cara, 5$. Do outro lado é preciso subir uma ladeira por uma estrada de barro e entrar no primeiro beco a direita, ele acaba levando pra praia da Barra, daí basta ir margeando o rio que sai novamente na praia. Do lado de Caraíva, a praia estava totalmente lotada, e eu segui meu caminho pro lado oposto. Um tempo depois encontro um pessoal banhando de um lago, mas não entrei, um pouco mais a frente outro lago, dessa vez dei uma parada para um banho doce e refrescante. Depois do lago veio um trecho de areia preta estilo lama que dificultou um pouco as passadas e então o início da trilha para a Praia do Espelho. Essa trilha contorna por cima uma enorme falésia em que as ondas batiam diretamente nela, depois de uma caminhada pelo alto e eu sem água, avistei uma casa e me aproximei pra fingir pedir informação e descolar uma água geladinha. Uma menina que trabalhava na rede hoteleira da região me explicou tudo e me deu 2 copões de água geladinha, a mais prazerosa de toda a viagem. Prossegui pela trilha, dessa vez descendo e cheguei até a praia, passei por mais umas falésias dessa vez por cima das pedras e cheguei na Praia do Espelho. Mais um pouco de caminhada e cheguei em Caraípe. Lugar de bacana, praia totalmente cheia de turistas, barracas caras e hotéis de luxo de ponta a ponta. Tomei um banho de mar e fiquei por ali, armei minha rede embaixo de uma das barracas, jantei um miojo e abri 4 cocos. 14º DIA Dexei o local na primeira luz do sol enquanto passava pelos resorts e via as mesas de café da manhã começando a serem montadas, uma verdadeira tentação. Caiaques e pranchas de StandUp espalhadas pelos quintais, redes armadas e muitas espreguiçadeiras acolchoadas me faziam questionar se era viável dormir num local desses escondido. Algumas praias depois cheguei no Rio dos Frades, enquanto esperava uma carona de barco eu completava meu café da manhã com algumas mangas. Logo apareceu minha carona e atravessei o rio, a caminhada seguiu tranquila e agradável. Entra praia sai praia e o cenário é o mesmo, maré baixando, água bem calma, um ou outro pescador de barco e alguns hotéis a beira mar, num deles uma menina arrumando as espreguiçadeiras, a mesma que havia me dado água! Dei um bom dia, fiz aquela cara de surpresa e segui rindo sozinho. Todo o luxo visto até agora é multiplicado com a aproximação de Trancoso. Barracas e hotéis que pobre não entra e turista sem dinheiro só olha. Fui direto pro centro pegar uma grana no banco pois só estava com 30$. Subi a ladeira pra chegar até o centro onde tinha comércio destinada a pessoas normais e descansei até o almoço. Depois de comer passei pelo quadrado e dei uma admirada no visual antes de descer para a praia. O mar estava ótimo, fiquei descansando enquanto observava o tempo passar. Uma cena me chamou atenção, alguns moradores dali tentavam fumar uma maconha as margens do rio e ao lado de um restaurante que parecia mais uma boate, os seguranças puxaram pistolas e deram uma revista em todos já encostados na parede, enquanto dentro da boate, onde as garçonetes trabalhavam de biquíni, um trio fumava tranquilamente seu baseado numa mesa recheada de champanhe. Passei o resto da tarde por ali trocando ideia com o pessoal que vendia queijo e tapioca. Ao anoitecer dei mais uma volta no quadrado e jantei um espetinho com uma cerveja gelada lá no centro popular, pois no centro turístico os preços são surreais. Voltei pra praia e armei minha rede embaixo de um quiosque enquanto imaginava comigo: O turista vai passear em Trancoso, almoça no restaurante do paulista, se hospeda no hotel do carioca, faz um passeio com a agência do goiano, e assim o capital gira na mão do povo de Trancoso rsrs. 15º DIA A noite choveu um pouco e amanheceu meio nublado, abri uns cocos na praia com uma certa facilidade utilizando uma faca que tinha comprado em Prado e parti. Passando pela boate deu pra ver que uma rave havia acabado a pouco tempo, pois o pessoal que vendia queijo ainda estava andando por ali, no dia anterior eles me disseram que o melhor horário pra vender era no final das raves que aconteciam naquele bar. Um pouco a frente um casal que havia virado a noite na praia me acompanhou alguns metros até o hotel onde estavam hospedados, ficaram surpresos quando falei que estava indo pra Arraial D'Ajuda e me desejaram boa sorte no meu passeio. A maré estava um pouco alta e as ondas do mar fortes, em dois trechos com falésias tive que atravessar por cima das pedras. O cenário hoteleiro era parecido com o do dia anterior, era comum passar na frente dos hotéis com diversas espreguiçadeiras expostas na praia. Nas proximidades de Arraial já era comum ver um ou outro turista dando um corrida matinal pela areia. As centenas de bares na praia começando a abrir era um aviso de que eu havia chegado. Fui até o centro comprar mais um café da manhã no mercado, a essa altura minha aparência já não era das melhores e eu não estava nem um pouco preocupado, o segurança do mercado também notou meu visual e ficava na minha cola pra lá e pra cá. Saí do centro e peguei água direto da fonte Nossa Senhora D'Ajuda, e desci ladeira abaixo até a balsa. Como não havia muitos detalhes anotados, fui pego de surpresa tendo que andar 4km no asfalto. Depois de atravessar para Porto Seguro, chupei um picolé e dei uma cochilada no banco de praça na Av. do Descobrimento. Depois de uma descansada peguei um ônibus que me deixou em Coroa Vermelha que estava bem lotada. Depois de um almoço bem baratinho fui caminhando pela praia até a Ponta da Coroa, onde dei uns mergulhos no mar clarinho enquanto observava o banco de areia que dá nome ao lugar ir desaparecendo em câmera lenta. Fiquei no bar localizado bem na extremidade, que pertence ao Maurício, ele é filho de índio e tocava o bar sozinho com alguns colegas. Fiquei por ali contando e ouvindo histórias enquanto ele trazia como cortesia umas batatas fritas e cerveja. A noite fomos lanchar e ele me mostrou e contou bastante da história do local. Pra dormir armei a rede embaixo da cabana do Maurício, é assim que eles chamam os quiosques por lá, foi uma noite refrescante e de céu limpo. 16º DIA Levantei com o sol já todo exposto, me despedi do Maurício e parti. Até o final da praia de Coroa Vermelha a areia foi bem generosa, após um pequeno córrego a areia ficou fofa pra valer, a maré estava alta e as ondas bem fortes. Desde o começo é possível ver os 6km de praia que faltam pra chegar em Cabrália, uma caminhada pesada devido sol escaldante e falta de vento, resultado: muito suor. Chegando em Santa Cruz Cabrália, depois de comprar uns pães pro café, peguei a balsa que me atravessou até Santo André, peguei um carro alternativo que me deixou mais perto da praia e quando cheguei armei minha rede e fiz o que o cenário me mandava, descansei. Após o almoço, peguei uma água de gosto terrível no lugar onde comi e voltei pra rede. Lá pro meio da tarde deixei a praia, que estava razoavelmente cheia pra um dia de semana, afinal era final de ano. Após 3km de caminhada surge um recife bem comprido que segue por 1km, bastava seguir pela esquerda andando pela areia, mas meu extinto ruim acabou escolhendo ir por cima das pedras achando que a areia não levava a lugar nenhum. Depois de uns 25 minutos conseguir sair do recife e voltar pra areia. Nesse trecho da praia surge uma ou outra mansão e dá pra ver bem a Coroa Alta, um banco de areia no meio do mar que segundo Maurício nunca é coberto. No final da praia tem uma mansão/hotel abandonado e o largo rio Santo Antônio pra atravessar. Havia apenas um pescador sozinho com uma rede no local, enquanto conversava com ele, um barco vinha do mar em direção ao rio, era minha carona! Entrei no barco que estava com água no fundo e fui logo me sentando sem perceber que o celular estava no bolso, resultado: perdi o telefone. O pescador me levou até o povoado de Sto. Antônio onde fica uma enorme estátua do santo. A comunidade cresceu ao redor da rodovia e é bem pequena com pouco comércio. A estátua fica localizada em cima de um pequeno morro, de lá a vista da região é fabulosa. Antes de escurecer comprei uns pastéis pra jantar e parti pra praia, que fica 1km dali, no meio do caminho decidi armar a rede entre os coqueiros num local onde tinha uma casa abandonada. Foi um sufoco porque essa hora os maruins são implacáveis naquela região. Dormir em local descoberto tem suas vantagens quando é uma noite de céu limpo e estrelado, apesar das picadas dos mosquitos, valeu a pena. 17º DIA Acordei no horário de costume e segui para praia que estava em boas condições pra caminhar, maré baixa com uma enorme faixa de areia durinha, uma brisa pra refrescar, mar com ondas médias, água levemente mais escura e sol rachando. Praia bem deserta, depois de pouco tempo a areia já ficou mais fofa e ondulada, dificultando a caminhada, enquanto isso pelo caminho cruzei com um cara da CTE, que verificava os piquetes das tartarugas marinhas fincadas na areia. No meio do caminho consegui ver uns coqueiros baixos e fui logo pulando a cerca pra pegar, matei minha sede e ainda enchi uma garrafa com 9 cocos. Renovado com os cocos, passei pela foz do Rio Guaiú praticamente seco na maré baixa e segui caminhando, 5kms depois mais uma barra de rio, dessa vez deu pra passar com água na barriga, logo depois já apareceu alguns banhistas, era sinal que havia chegado em Mogiquiçaba. O pequeno centro fica a 500m da praia e pra minha sorte assim que cheguei dei de cara com um chafariz comunitário, onde tomei um banho e recolhi umas mangas. Passei o resto da manhã descansando e cochilando numa sombra da praça central. Depois do almoço voltei a descansar no mesmo local antes de prosseguir em direção ao Terminal Marítmo de Belmonte. A tarde a caminhada foi muito agradável, uma faixa de areia muito extensa e firme e um bom vento pra refrescar o sol escaldante. O terminal fica a 7km de Mogiquiçaba mas não tem nada lá além disso, segui em frente e passei por uma turma que tinha escolhido a praia pra passar a virada de ano, estavam travando uma verdadeira guerra com a ventania pra poder armar uma tenda entre os coqueiros. Um tempo depois acabei descobrindo o meu local de réveillon, uma casa ainda em construção e com água já encanada. Armei a rede na boa, e fiquei tomando um banho de mar naquela praia deserta. Antes de escurecer tomei uma chuveirada e preparei minha ceia que se resumia a um miojo. E foi assim que passei a virada do ano mais calma da minha vida, sem nenhum barulho de fogos de artifício, incomunicável e num lugar sensacional. 18º DIA Acordei nos primeiros claros de 2016, e segui bem animado numa extensa faixa de areia bem durinha e molhada, o que formava um gigante espelho d'água que refletia o céu. Encontrei o primeiro ser vivo do ano, uma minúscula tartaruga marinha que se arrastava lentamente em direção ao mar, dei uma ajudinha e a soltei bem perto da água. Um tempo depois encontro novamente o cara da CTE que tinha visto no dia anterior, verificando seus piquetes com os ovos das tartarugas. Uns quilômetros depois a areia passou a ficar fofa e íngreme porém mais a frente, voltou a ficar firme. Cheguei na praia de Belmonte que ainda se recuperava da ressaca da noite anterior, e fui pra o centro procurar o local onde pegar a balsa. No calçadão da praia tem uma imagem de um guaiamum gigante, caranguejo símbolo daquela região. São quase 3km em linha reta pra chegar no centro. Fiquei esperando o barco que ia pra Canavieiras enquanto chupava umas mangas e assistia a uma procissão marítima no enorme Rio Jequitinhonha. Partimos pra Canavieiras apenas o piloto do barco, uma passageira e eu. Era uma lancha que praticamente voava pelos enormes rios e mangues. A passagem custou 30$, um pouco cara mas compensa o pelo passeio e pela distância, foram 40 minutos pra percorrer uns 30km até Canavieiras. Durante a viagem passamos por uma enorme foz de um rio, o que me desanimou, pois em minhas anotações eu teria uns 60km com enormes rios pra atravessar e nenhum vestígio de vila ou moradias. Acabei mudando os planos e pegando um ônibus até Acuípe por 15$ e desci em Lençóis de Una, um lugarejo as margens da BA-001 paralelo à praia. Acessei a praia e continuei andando com o sol já fraco. Com ondas médias e águas mais claras parei pra um rápido mergulho em seguida uma chuveirada em um restaurante. Desse trecho até Ilhéus, as praias são bem movimentadas com algumas casas de veraneio, condomínios, bares e restaurantes. Havia bastante banhista pela praia e um vai e vem irresponsável de quadriciclos. Meu dedo anelar já começava a sentir uma pequena bolha que se formava, mesmo assim continuei até chegar em Águas de Olivença. Parei na cabana Amigos do Mar, de um índio chamado Xavier, tomei mais um banho de mar, uma cerveja de litro e uma janta, tudo num preço bem camarada. Dormi ali mesmo embaixo da cabana num numa noite de céu estrelado. 19º DIA Acordei um pouco antes do sol, abri 2 cocos, me despedi do Xavier e segui. Pouco tempo de caminhada, encontrei uma pia de um bar onde havia água, parei ali pra lavar umas roupas e fiquei descansando enquanto secavam. Enquanto isso chegou um casal, uma brasileira e um americano chamado Richard, que se reuniam com um grupo pra um mutirão contra o lixo, acabei pegando um saco pra ajudá-los quando partisse. Quando segui, foi fácil encher um saco de lixo, onde tem gente não falta. Cheguei no centro de Olivença e estranhei não encontrar uma padaria, acabei comendo umas rosquinhas e seguindo. Logo saindo do centro é preciso contornar uns hotéis por cima das pedras sem muita dificuldade, depois disso a areia voltou a ficar larga e o mar verdinho. Acabei encontrando uma cabana que me serviu um saboroso PF de arraia, depois fui descansar na praia. Depois de uma mergulhada e uma chuveirada continuei andando pela praia lotada. O sol castigava durante essa tarde e quando vi que o local já estava muito urbanizado e se estendia até o centro de Ilhéus, fui pra pista pegar um ônibus até o centro, de lá tomei outro até o bairro chamado São Miguel do outro lado de Ilhéus. Já no fim da tarde apenas, combinei uma janta em uma barraca e fiquei descansando. Esse local tem um certo movimento a noite, o que dificultou na hora de achar um canto pra armar a rede, continuei andando já no escuro até o final do perímetro urbano onde armei a rede entre 2 coqueiros. 20º DIA Acordei com o sol já um pouco alto, durante a noite pra minha sorte só caiu um ligeiro sereno que não comprometeu minha dormida. A caminhada foi bem agradável com maré baixa e céu nublado boa parte da manhã. Em menos de 1 hora de caminhada já alcancei o condomínio Mar e Sol, quase colado nesse vem outro chamado Joia do Atlântico, um pouco depois vem o Barramares e Verdemares, todos esses com algumas casas de veraneio, enfim o típico lugar de "barão". Depois da parte chique vem a parte do povão, Ponta do Tulha. Descansei em uma sombra até a hora do almoço vendo o vai e vem dos banhistas e o sol que já dava uma belo tom verde ao mar. A tarde o sol saiu de vez e o mar ficou com um verde incrível. A tarde, rapidamente cheguei em Mamoã, as praias tinham uma quantidade razoável de banhistas e eu acabei avistando a terceira mulher praticando um topless. Sentei embaixo de uma barraca de palha vazia pra dar uma descansada, seco de sede e com pouca água na mochila, como um milagre do destino, avistei ao meu lado um coqueiro baixinho com um cacho de coco verdinho. Abri os 6 ali na frente de todos, matando minha sede e matando alguns banhistas de inveja. Depois de uns mergulhos segui adiante e cruzei com uma galera voltando da Praia da Barrinha, parei novamente mais à frente pra descansar e já conseguia avistar uma serra uns 3km dali, esse trecho da praia estava lindo. Com os pés já exaustos, fui até um mercadinho comprar uns pães e voltei pra praia onde descansei até anoitecer. Jantei um miojão e armei a rede embaixo de uma barraca de lona. Enfim a chuva caiu com força, infelizmente na hora errada, em plena madrugada. Quando me dei conta que tinha uma goteira bem em cima de mim, já estava com a rede e o saco de dormir bem molhados, passei boa parte da madrugada retirando a água acumulada na lona e testando novas posições pra rede, uma noite de cão. 21º DIA Levantei antes do sol sair, porém já estava acordado, guardei as coisas ainda molhadas, comi e parti. Com vento e um pouco de chuva fina, cheguei no fim da praia me deparei com a Serra Grande, tentei contornar mas acabei desistindo e me dirigi até a pista pra pegar um ônibus pra Itacaré. Acabei não visitando as belas praias da Serra Grande de Itacaré por não saber se havia trilhas ligando uma praia a outra e sem saber disso eu gastaria muito tempo. Esse pedaço é digno de uma viajem exclusiva somente pra explorar essa região. Peguei um ônibus da empresa Rota e depois de muito parar cheguei na rodoviária de Itacaré, fiquei ali pelo centro andando e descansando pelo resto da manhã. Depois do almoço fui até o barqueiro que fazia a travessia do Rio das Contas por 5$. Do outro lado da praia tem um quiosque e a praia estava somente com alguns banhistas e surfistas, comecei a andar sobre uma areia fofa e embaixo de um céu nublado. No final dessa praia a areia ficou firme e surgiu um pequeno córrego que atravessei sem problemas. Colado nesse córrego tem início uma plantação quase infinita de coqueiros baixinhos. Abri e bebi muito coco e ainda enchi uma garrafa pra levar. Caminhada tranquila por belas praias completamente desertas até encontrar um bom lugar pra dormir. Uma casa abandonada com uma boa cobertura nos fundos, enquanto arrumava minhas coisas me dei conta de que tinha perdido minha faca. Escondi as coisas e acabei voltando cerca de 2km até onde eu achava que tinha perdido, não achei e voltei, acabei andando 4km de graça. Voltei até a casa onde tomei um banho de mar e jantei um miojo. A noite choveu bastante mas não me molhei, o desconforto ficou somente pelo saco e a rede um pouco úmidos, mosquitos, e a falta de vento, que era bloqueado pela casa. 22º DIA Acordei após uma noite recheada de maruins, me arrumei e segui. O tempo ainda um pouco nublado mas com areia firme, andei um bom tempo até surgirem os primeiros casarões e hotéis e mais alguns minutos cheguei na Praia de Algodões. Somente 3 barracas nessa praia, tomei um banho no mar cheio de recifes e depois uma chuveirada, depois rumei pra Saquaíra, pois me informaram que era um pouco maior. Quase 1 hora de caminhada cheguei em Saquaíra com sua orla toda destruída pelo mar. Enquanto me dirigia para o centro, ia chupando todos os cajus que achava. No centro descansei até o almoço, comprei uma faca que não cortava nem sabão e me abasteci de manga. Depois de almoçar, voltei pra praia e achei um bom lugar pra descançar, acabei armando a rede embaixo de uma barraca de palha e fiquei por ali descansando. A tarde as mansões e os hotéis começavam a surgir com mais frequência, com o mar um pouco agitado e areia durinha eu ia caminhando e contemplando o local. Era possível ver côcos do tamanho de melancias. Em Taipú de Fora as piscinas naturais são inacreditáveis, mesmo com o céu nublado a água se mantinha com uma cor belíssima. Na orla de Taipú só tem hotel e bar. Acabei encostando em um onde tomei banho, jantei e armei minha rede. Acabei sendo devorado pelos maruins pela terceira noite seguida. 23º DIA Acordei cedo com o céu todo nublado, chupei umas mangas e parti. Caminhada bem agradável com as belas piscinas naturais ao longo de quase todo trecho. Essa caminhada tem cerca de 8km e passa por várias praias com diversos hotéis e bares chiques até chegar no píer de Barra Grande. Consegui pagar um suposto preço de morador e peguei uma lancha até Camamu por 20$. Dé lá peguei um ônibus da empresa Cidade Sol para Bom Despacho por 33$, somente as 15h depois de parar muito consegui chegar em Itaparica e então pude pegar o Ferry Boat pra Salvador. Em Salvador aproveitei pra descansar e passei a noite na casa de uma prima. 24º DIA Depois de um café da manhã na padaria, me despedi de minha prima e peguei o coletivo até Arembepe. Fiquei toda a manhã descansando enquanto chupava uns geladinhos, observando o mar, que explodia suas ondas nas pedras enquanto a maré ia subindo e uma discreta boca de fumo que rolava no acesso à praia. Almocei num lugar que vende uma macaxeira sensacional acompanhado de suco de cupuaçu, tudo por um preço bem generoso e voltei pra praia pra outro descanso. Quando comecei a caminhar a areia estava bem fofa e o mar com ondas bem fortes, mas o que mais me chamou a atenção foram as construções que estavam sendo erguidas. Talvez 1 ou 2 anos antes, eu estive em Arembepe e não havia nada entre o centro e o Projeto Tamar, agora já existe marcações de condomínio e construções em andamento. 4km depois do centro cheguei no Emissário de Arembepe, o mar ainda com ondas fortes e muitas pessoas por lá admirando a vista e também pescando de vara. Mais 5km de praia com enormes coqueiros e ondas fortes cheguei na Barra do Jacuípe, com a maré ainda alta não pude atravessar mas consegui uma carona na lancha do pessoal que praticava KiteSurf. Já do outro lado experimentei uma pamonha de carimã, é saborosa mas não supera a de milho. Já no escuro desci até a praia pra achar um canto pra deitar mas um louco estranhou minha movimentação e quis crescer pra cima de mim me expulsando do local. A galera do artesanato me perguntou o que houve e após explicar me convidaram pra passar a noite ali com eles, armei minha rede na boa e dormi. Me disseram tanto que o que eu estava fazendo era perigoso, mas esse episódio foi o mais próximo de perigo que passei rsrs. 25º DIA Acordei com o sol enquanto o pessoal ainda dormia, guardei minhas coisas e me dirigi até a praia, lá comi alguma coisa e comecei a andar. A manhã quase toda foi nublada, o que facilitou a caminhada junto com a maré baixa. Na praia muitas pessoas caminhando e alguns pescadores de luxo, todo esse trecho de Jacuípe até Guarajuba é lotado de condomínio, o que deixa a caminhada meio sem graça. Ao chegar em Itacimirim me sentei num coqueiro e descansei, o sol já começava a sair e eu caí no sono. Na hora do almoço entrei pelas ruas de Itacimirim, que também é recheado de casarão, e achei um lugar pra comer um PF e reabastecer minha água. Continuei andando depois do almoço logo acabei parando na Barra do Rio Pojuca, com a maré já alta, armei minha rede e fiquei esperando a maré baixar novamente, a essa altura o sol já estava rasgando e o belo local repleto de banhista. Após ver o primeiro banhista atravessar andando, armei minhas coisas e parti. A partir daqui residências somem e o cenário volta a ficar bonito. Desde Itacimirim já era possível avistar a Praia do Forte no horizonte. Pouquíssimo tempo depois já surgem os primeiros hotéis, e a movimentação aumenta bastante, é a Praia do Forte. Fiquei pelo centro onde jantei e descansei, armei minha rede numa cobertura ao lado do Projeto Tamar e dormi. 26º DIA Acordei cedo mas não parti, esperei o comércio abrir pra tomar um café e aí sim, prosseguir. Ao partir pude ver as belas piscinas naturais com um mar verde clarinho ao fundo. Ao deixar a Praia do Forte pra trás o cenário voltou a ser como no sul da Bahia com belas praias desertas a se perder de vista. Perto de chegar em Imbassaí, o tempo virou e o céu ficou preto, consegui entrar em uma barraca pra me abrigar mas era tarde demais, já estava todo ensopado. Após passar a chuva entrei nas ruas de Imbassaí e até encontrei umas mangas e uns cajus pra chupar, almocei por lá e a tarde voltei a caminhar. Caminhada bem puxada na areia fofa, mas a ausência do sol ajudava. 5km depois, na Praia de Santo Antônio, a chuva ameaçou voltar e eu dei uma parada numa barraca pra esperar. Aqui é a porta de entrada para a Vila Diogo. Após a rápida chuva segui e após uns 2,5km passei pela famosa Praia de Sauípe. Após passar pelo luxuoso hotel repleto de gringo, a praia voltou a ficar deserta, porém mas um chuva rápida, dessa vez pesada, me fez parar em uma barraca de um condomínio e esperar. Tinha uma família tomando banho e um senhor conversava comigo a respeito do avanço das moradias nas praias da região. Ao passar a chuva segui adiante e a essa altura já entendia muito melhor como funcionava a maré. Chegando na Praia da Barra do Sauípe, esbarrei mais uma vez no rio cheio, enquanto esperava do outro lado sozinho, o salva vidas local veio me oferecer ajuda na travessia. Ele levou minha mochila no caiaque e eu fui remando em cima da prancha, acabei deixando 5$ pro refrigerante. Mais 2km de caminhada e cheguei em Porto do Sauípe. Fiquei por lá até anoitecer onde pude ver uma autêntica roda de capoeira baiana de sair faísca. Pra dormir, armei a rede em um quiosque fechado mas a noite foi ruim, quando não eram os bêbados curiosos era o vento forte que jogava a chuva em mim. Ao mudar a rede de local até choque levei. 27º DIA Esse dia amanheceu ainda nublado e minha garganta um pouco dolorida. Depois de comer segui viagem e não demorou muito para as casas sumirem de vez e dar lugar a praia deserta. De um lado o mar bem agitado, do outro uma sequência de enormes coqueiros e a frente uma praia com maré baixa a se perder de vista, pra completar o cenário, o sol resolveu dar as caras pra valer. Caminhava meio preocupado sobre como ia fazer pra cruzar a praia de nudismo mas pra minha sorte passei por lá ainda cedo, apenas umas 3 barracas de praia ainda botando as cadeiras pra fora. Até Massarandupió foram exaustos 10km de caminhada. Quase que colado na praia naturista tem umas barracas de praia destinada a banhistas tradicionais, e um pouco mais a frente rolava uma espécie de campeonato de pesca, cada equipe devidamente uniformizada com seus carrões invadindo a areia. Mais uns 6km pra frente cheguei na pequena Barra do Crumaí, onde os primeiros banhistas começavam a chegar. Daqui já conseguia ver o farol de Subaúma, e quanto mais andava mais via banhista vindo no sentido contrário sempre em seus quadricículos. Chegando em Subaúma era domingo, a praia estava lotada e eu exausto, até aqui são 20km desde Sauípe. Descansei em uma sombra até a hora do almoço, ao lado de uma barraca de pescadores que vendia peixe. Depois de comer voltei pro mesmo lugar e consegui uns baldes pra lavar roupa. Um pescador gostou de uma camisa minha e troquei por um facão. A tarde toda fiquei ali descansando enquanto ouvia as histórias de pescador deles e via as excursões que vinham de Alagoinha deixando a praia. No fim da tarde parti, logo 1km a frente tem 2 barras pra atravessar, a primeira passei sem problemas, na segunda, do Rio Subaúma, não consegui e fiquei esperando. Um grupo tentava atravessar no sentido contrário e pediram carona a um playboy de jetski. O cara atravessou apenas 1 pessoa e simplesmente deu as costas e foi embora enquanto o restante do grupo pedia ajuda. Como também não consegui carona acabei dormindo em uma casa abandonada que tem bem ao lado. 28º DIA Levantei com o sol e com uma bando de maruís devoradores, guardei logo tudo e fui tomar café na beira do rio. Enquanto esperava a maré baixar pensei em pegar um barco que estava atracado e levar a mochila mas no primeiro metro o barco começou a rodar e desisti na mesma hora. Passaram uns surfistas atravessando de prancha e logo depois veio um pescador que me levou até o outro lado. Caminhada parecida com a do dia anterior, muito coqueiro grande, maré baixa, alguns recifes e o surgimento das primeiras águas vivas do tipo arredondada e transparente, antes só tinha aparecido do tipo caravela. No caminho avistei um coqueiro que estava meio torto e consegui pegar 7 cocos. Durante o percurso passou um cara de cavalo, uma moto do Tamar e um ou outro quadriciclo. Ao chegar em Baixios vi o quanto o lugar era pequeno, descansei até a hora do almoço e em seguida parti pra atravessar logo a barra do Rio Inhambupe. Conseguir passar com a água no peito, fiquei dando uns mergulhos do outro lado e descansei na sombra de um coqueiro o resto da tarde. Com o sol mais fraco continuei, mas não conseguia ver nada muito adiante, subindo o morro de areia pra ver o que tinha do outro lado me deparei com coqueiros de todo tamanho e um imenso lago. Continuei pela praia e passei por uma cabana onde uma velha morava com uns cachorros e me indicou umas barracas de um hotel pra dormir mais a frente, não levei fé nela e acabei armando a rede no coqueiral mesmo. Esse trecho da caminhada tem umas marcações de quilometragem que podem servir pra orientação. Antes de dormir, ainda tomei um banho na lagoa, abri mais uns cocos e fiquei na rede olhando aviões que passavam pelo céu bem estrelado. 29º DIA Levantei no primeiro claro, tomei um café com direito a muita água de coco e voltei pra areia. A caminhada começou com a areia bem fofa mas aos poucos foi melhorando. Logo mais à frente encontrei as barracas que a velha mencionou, e era mesmo um bom lugar pra passar a noite, continuei pela praia que ainda contava com as marcações quilométricas e um lixo considerável, e então cheguei na Barra do Itariri. Do meu lado não havia ninguém e do outro as barracas ainda estavam arrumando suas cadeiras na areia. Ao entrar na água sem mochila pra verificar a maré, a forte correnteza me arrastou e só consegui parar ao me segurar nas pedras que pareciam umas navalhas, resultado: mãos todas raladas e uma unha quase arrebentada. Fui cochilar enquanto aguardava a maré baixar mais um pouco e me questionava se estava valendo a pena essa jornada. O rio baixou e atravessei, continuei descansando do outro lado enquanto a criançada nadava no rio, pareciam verdadeiros peixes, nadavam muito. A tarde continuei numa imensa reta que se perdia de vista, as marcações quilométricas continuaram até um armário fechado do Tamar. Cheguei em Sítio do Conde no finalzinho da tarde e tomei uma boa ducha na primeira barraca que achei. O lugar é bem agradável, com inúmeras pousadas, jantei e armei a rede nas barracas da praia depois de driblar os cachorros que guardavam o local. Pra completar meu dia de azar, meu chinelo arrebentou e nenhum mercado tinha o número 40. 30º DIA Deixei Sítio do Conde somente depois de comprar uns pães no mercado e procurar chinelo novamente, acabei não achando e parti descalço mesmo. Em pouco tempo de caminhada a areia já estava cozinhando de quente e fofa, de uma lado era areia e do outro pedras tão quentes quanto. Andei sempre procurando pisar na parte mais molhada das pedras e areia. Cheguei já na hora do almoço num lugarejo bem pequeno chamado Poças, consegui comprar um chinelo, almocei um pesado sarapatel e me abasteci de água. A tarde continuei caminhando, agora com areia mais firme e pés calçados. Cheguei em Siribinha onde as ondas traziam uma grande quantidade de algas, que pareciam até bagaço de cana de açúcar, mas passei direto até a barra que fica a menos de 3km de lá. As barracas estavam cheias de banhistas que já se arrumavam pra pegar os barcos de volta pra Siribinha. Enquanto tomava banho perguntei se uns pescadores podiam me levar ao outro lado e me aconselharam a dormir onde estava que me atravessariam 5h da manhã seguinte, foi o que fiz. 31º DIA Levantei ainda no escuro as 4:30, e logo os pescadores passaram como prometido. Eles me atravessaram pelo enorme Rio Itapicuru e tomei um café do outro lado ainda com o sol saindo. O mar ainda estava bem agitado e a água um pouco escurecida devido à proximidade com o rio, no céu algumas nuvens e tempo abafado mas a caminhada foi agradável. 8km depois chego em Costa Azul, um lugar muito pequeno com poucas barracas na praia. Entrei pra reconhecer o lugar e não achei muita coisa, subi uma ladeira e acabei parando em um bar onde lavei umas roupas e tomei banho, lá de cima a vista fazia valer a pena subir a ladeira, um mar imenso que se confundia no horizonte com o azul do céu. Achei um lugar pra almoçar e depois armei a rede pra dar um descanso. Continuei a tarde por volta de 14:30, um tempo de caminhada depois passei por uma espécie de hotel desativado, onde consegui pegar muito coco. Daqui já era possível avistar o final da praia onde se localizava Mangue Seco, com umas 2h de caminhada tinham uma molecada no mar, que me disseram que ali ainda era Costa Azul e que mais pra frente eu encontraria barracas na praia. Continuei pela praia sem nenhum sinal de vida, apenas com as marcações do Tamar, que agora estavam com bandeirinhas amarradas. Com o sol já perto de sumir, achei um bom lugar pra pernoitar, uma estrutura em ruínas que parecia ser uma casa mas resolvi seguir adiante onde um pescador puxava uma rede pra me informar sobre as tais barracas. Ele confirmou mas disse que eram em Coqueiros, lugar ainda bem distante dali. Continuei andando até escurecer, mas o claridade do céu era suficiente pra iluminar tudo. Muito chão depois achei uma barraca, não sei ao certo se era na altura de Coqueiros ou não, fui logo armando a rede e de tão cansado deitei sem sequer jantar, dormi com o céu absurdamente estrelado. 32º DIA Dormi bem na noite anterior e só levantei as 7h. Após comer parti pra finalmente acabar a caminhada dentro da Bahia. A partir daqui o cenário fica diferente, as dunas avançaram pra cima dos coqueiros e deixam os cocos ao alcance das mãos. Abasteci minha garrafa com coco e segui. Um pouco a frente já apareciam bugueiros indo trabalhar em Mangue Seco e um deles me ofereceu carona, apesar do cansaço recusei, sem chance chegar de carona na reta final. Chegando na praia onde ficam as barracas, entrei pra esquerda em direção a torre, seguindo nessa direção e sempre margeando a água cheguei na vila, onde turistas não paravam de chegar. Esperei um pouco e consegui um barco que atravessou a enorme foz do Rio Real e me levou pra Praia do Saco em Sergipe por 15$. Fiquei descansando até depois do almoço pra começar a andar em terras sergipanas. Ao entrar no início da praia o cenário muda um pouco, a praia fica imensamente ampla, com faixas de areia quase infinitas e bem durinhas. Olhar pra trás e ver que havia saído da Bahia dava um novo ânimo. Andando rumo ao norte logo se acabam as casas e fico andando sozinho na imensa praia, com pequenas dunas a esquerda, maré baixa, água um pouco amarronzada e sol rachando, apenas um quadriciclo passando hora ou outra. Ainda dei uma parada pra pegar uns cocos mas estavam todos azedos, continuei e não demorei muito até chegar em Abaís que está com sua orla parcialmente destruída devido à proximidade com a água. Fiquei vendo o final da tarde na praia, depois jantei com direito a uma cerveja gelada e armei minha rede numa barraca montada na praia. Noite de céu limpo e muito vento. 33º DIA Um pequeno chuvisco com o forte vento me fizeram levantar bem cedo, arrumei as coisas e parti depois de comer. Meu novo chinelo já começava a fazer novas bolhas. As casas de Abaís logo ficaram pra trás e o único movimento que havia na imensa praia eram uns passarinhos cinzas que aproveitavam pra caçar comida sempre que as ondas recuavam. No meio do caminho avistei uma casa abandonada onde parei pra beber uma água. Algumas horas depois chego em Caueiras, lugar com belas casas mas pouco comércio. 5km adiante eu teria uma imensa barra do Rio Vaza Barris pra atravessar e logo começaria um trecho muito urbano, então resolvi partir direto pra Aracaju. Depois de uma ducha no banheiro público do local, peguei uma van pra Itaporanga por 5$ e em seguida outra pra Aracaju por 3,20$. Almocei pelo centro e fui até a orla de Atalaia beber cerveja e tomar caldinho de sururu, tudo muito barato, depois retornei ao centro onde peguei um coletivo até Atalaia Nova. Desci na Praia da Costa. Tentei armar minha rede num coqueiral mas o vento fortíssimo não deixava, acabei indo deitar no comércio da praia e rapidamente os seguranças chegaram me questionando mas depois de conversar me deixaram bem à vontade. No meio da noite surgiu uma água não sei de onde e molhou todo meu saco de dormir... péssima noite. 34º DIA Levantei antes do sol, arrumei tudo, comi, tomei uma chuveirada e parti logo as 5:30. Ainda quase no escuro era possível ver a iluminada Aracaju pra trás e algumas plataformas no mar a frente. Menos de 2km tem um enorme hotel e ao lado dele uma turma já jogava uma animada pelada, não demorou muito e começou o transito de carros 4x4 e comuns, que andavam bem devido a maré baixa e areia durinha. Um pouquinho mais à frente começa um enorme coqueiral com coqueiros baixinhos, dei uma pulada na cerca e abasteci minha garrafa. O mar um pouco amarronzado, maré baixa com areia dura, coqueiral sem fim, enorme faixa de areia e um sol razoável, esse era o cenário. Passei por um torneio de pescaria, era aqui que todos os carros estavam vindo mais cedo, ao passá-los a praia volta a ficar deserta somente com o Terminal Marítmo mais a frente. Chegando próximo ao terminal, algumas poucas casas onde um cara domava um cavalo. Embaixo do acesso ao terminal, várias famílias aproveitavam sua sombra e armavam ali sua farofa. Logo após o terminal vem a Praia de Jatobá, que tem uma fileira de casas, alguns mercadinhos e muitos cataventos de energia eólica. Parei em uma das barracas pra descansar enquanto botava meu saco de dormir pra secar. Parti a tarde com o sol já queimando pra valer, depois que acabam as casas volta a paisagem deserta, de um lado o mar ainda um pouco escuro, do outro uma enorme cerca com alguns coqueiros e mais adiante dunas medianas tomadas pela vegetação. Desde a Praia da Costa há troncos de coqueiros como marcos quilométricos, embora esteja faltando alguns as medidas parecem estar precisas. Pra chegar em Pirambú ainda é preciso atravessar a barra do Rio Japaratuba, que estava apenas batendo no joelho, Pirambú é um lugar simpático, e estava com praias cheias e comércio fechado pois era domingo. Armei minha rede embaixo da barraca Pirambeleza, indicado pelo próprio garçom do lugar, apaguei logo cedo mas acabei acordando com as goteiras durante uma chuva, acabei migrando pro outro canto e tive mais uma péssima noite de sono. 35º DIA Levantei logos nos primeiros claros, comi e tomei uma boa ducha enquanto as primeiras pessoas já começavam a se exercitar pela areia. Ainda voltei ao centro pra tomar um segundo café enquanto esperava uma chuva forte passar, acabei ficando até a hora do almoço e partindo em seguida. O sol não me atrapalhava mas o tempo estava bem abafado sem brisa alguma. Com a areia ainda em boas condições e sem o incômodo das bolhas, andei bem pra compensar a manhã parada. A partir de Pirambú as marcações do Tamar, ainda em troncos de coqueiro, seguem em ordem crescente. Por não ter vento o mar estava bem calmo, com ondas bem suaves e pequenas, a esquerda muita vegetação rasteira sobre pequenas dunas, mais pra dentro dunas maiores com vegetação também maior e ainda adiante um morro acompanhava a praia até a altura de Lagoa Redonda. No caminho apenas alguns pescadores puxando rede, no km 11 tem início um pequeno córrego a esquerda e no km 12 uma pequena cabana do ICMBio com um coqueiral desordenado ao fundo, que é na verdade o acesso à Lagoa Redonda. Armei a rede pra secar enquanto dei uma descansada. Fui conhecer Lagoa Redonda, passando 700m pelo coqueiral tem o córrego com inúmeros quiosques fechados, do outro lado do córrego uma fábrica da Petrobras e em seguida Lagoa Redonda que se resume a uma única rua. Combinei uma janta no que pareceu ser o único restaurante do lugar e desci pra ver as lagoas do lugar. São pequenas lagoas formadas pelo córrego aos pés de belas dunas alaranjadas. Já perto do fim do dia armei a rede em um dos quiosques repletos de mosquitos e subi pra jantar. A noite foi um pouco complicado pois não havia vento e os mosquitos estavam pegando. 36º DIA Levantei logo as 4h da madruga, e parti cedo, chegando na praia voltei sem mochila pra buscar a porra do facão que havia esquecido. Da praia ainda é possível avistar muito longe o Terminal e os cataventos da Praia de Jatobá e pra frente uma imensidão de areia e o mar com uma plataforma solitária muito distante. O sol apareceu como de costume por volta das 5:10 num céu bastante limpo. O mar parecia uma lagoa com pouquíssimas ondas e sem ventania. Esse era o dia que eu mais temia em toda a caminhada porque as imagens do GEarth estavam defasadas e não tinha certeza de onde seria meu próximo ponto de patada. Às 9:00 eu já conseguia avistar uma torre que indicava um povoado, minhas anotações de distâncias estavam precisas mas os nomes das localidades nesse trecho estavam bem equivocadas. Em alguns momentos é possível ver o interiorzão sergipano a oeste e até mesmo as águas do Velho Chico. Chegando próximo a um coqueiral cercado parei pra descansar e arranquei quase todos os cocos da plantação e todos estavam sem água. Voltando a andar me deparei com uma barra pra atravessar e fui margeando até me informar com uns caras que trabalhavam numa obra perto, me falaram que ali se chamava Boca da Barra e que não ia passar ninguém de barco e que era melhor eu ir por dentro, e aí sairia em Ponta dos Mangues, foi o que fiz. No caminho muitas construções sendo erguidas e o cara me falou que tudo seria hotel futuramente. 4km de caminhada por uma estrada de chão bem arborizada repleta de mangueiras e coqueiros cheguei a Ponta dos Mangues e fui logo procurando um canto pra comer. Apenas 3 bares no local perguntei 2 vezes e informaram que não tinha lugar ali que servisse almoço. Acabei indo perguntar em outro bar, o da Marleide e ela me explicou que ali ninguém serve almoço, muito menos a gente desconhecida, então depois de uma conversa ela me intitulou "Viajante do Tempo" e me serviu um almoço gratuito. Passei parte da tarde ali descansando e ouvindo as histórias da velha que contou como o lugar surgiu a partir de 3 famílias e que vez ou outra também apareciam pessoas viajando de barco ou bicicleta, porém nunca a pé. Saí de lá abastecido de água, manga e chupando 2 geladinhos que custaram apenas 25 centavos cada. Seguindo a principal e pegando a direita saí numa espécie de porto, onde consegui uma carona para o outro lado do rio que na verdade acaba sendo uma ilha bem comprida, isolada pelo mar de um lado e o rio do outro. O mar agora estava bem diferente, bem agitado e com uma cor impecável, fui dar uns mergulhos e depois retornei pra o lado do rio onde tinham 2 cabanas desertas e até uma fonte de água adoce. Acabei ficando por ali, lavando umas roupas e tomando banho de rio. A noite jantei um miojão e dormi tranquilamente ali isolado. 37º DIA Acordei muito bem e parti depois de comer. Logo acompanhei um cara do Tamar até próximo a um lugar chamado Barra do Cabecinha, no caminho me explicou muito sobre o trabalho do Tamar e que os passarinhos que ficam na praia se chamam "Maçarico". A manhã estava nublada com sol agradável quando aparecia. 12km e 3h depois cheguei numa barra de rio que acaba sendo um braço do imenso São Francisco. O lugar tem algumas construções destruídas pelo tempo mas nenhuma pessoa por perto. Levei um tempo até descobrir uma rota pra atravessar o rio sem mochila e depois voltei pra buscá-la. Mais pra frente vem um trecho de mangue que foi engolido pela maré e hoje só ficaram as árvores secas. A chuva também acabou caindo e cobri a mochila com sacos de lixo e segui na chuva mesmo já que não tinha onde se abrigar, mas a chuva não dura nem 10 minutos. Fartura de caju nesse trecho até chegar numa Croa, onde era possível avistar um farol quase totalmente engolido pelo mar, aqui é o antigo povoado Cabeço que foi extinto pela maré. Daqui já dá pra avistar a bela foz do São Francisco, continuei margeando até a extremidade e ao chegar a decepção, só tem movimento do lado alagoano, do meu lado absolutamente ninguém. Voltei até umas poucas casas que sobrou do Cabeço e um pescador me levou ao outro lado na boa, ou mal intencionado esperando uma gorjeta sei lá. Acabei cruzando o imenso e belo Rio São Francisco numa pequena canoa, dei 5$ pra gasolina do cara. Do lado alagoano é onde os barcos chegam cheios de turistas de todo canto, aí tem os passeios de buggy, barracas de cocada e souvenirs. Acabei comendo um espetinho de robalo com farofa, que foi meu almoço, fui até uns coqueiros pra descansar, acabei subindo no coqueiro pra derrubar mais 2 cocos sem água. Cenário único aqui, apenas o local onde os turistas ficam, uns poucos coqueiros, e uma torre de telefonia, muita duna, o mar e umas lagoas, mas não tinha lugar pra comer nem pra dormir, decidi me mandar. Desde a travessia do rio que o sol já botava pra fuder, pra piorar a maré estava cheia e a areia ruim pra caminhar. No início da caminhada alguns pescadores puxando rede e rindo de mim quando disse que ia andar até Pontal do Peba, logo depois surge o climão de deserto. O sol fervia as dunas a esquerda enquanto eu ia pela parte molhada da areia desviando do lixo que o mar cuspia de volta pra terra firme. Eu havia me transformado numa máquina de caminhar, seguia sempre adiante exaustivamente a medida que já conseguia ver Pontal do Peba bem distante. Nos quilômetros finais cheguei na merda com as pernas e principalmente a solda dos pés realmente doloridos como ainda não havia sentido. Merecia um descanso e acabei pagando uma pousada por 50$ com direito até a café da manhã. Não consegui janta, comi um xtudo e fui pro quarto desabar. Nunca caminhei tanto em um único dia na minha vida, foram 40km de andança. 38º DIA Não consegui levantar muito tarde, mas fiquei deitado até a hora do café, comi como se fosse a última refeição da minha vida e parti. O cansaço do dia anterior não me deixou perceber como Pontal do Peba é bacana. Uma verdadeira vila de pescador lotada de pequenos barcos atracados no mar clarinho e cheio de piscinas naturais. A areia na altura do centro estava tão firme que até um ônibus circulava por lá sem dificuldade. A partir daqui começa a maior sequência de coqueiros de todos, com coqueiros de todos os tipos, também já dava pra avistar a entrada para Feliz Deserto, a exatos 7km a frente. A caminhada foi tranquila, tempo nublado, a maré baixa formava uma extensa faixa de areia e o mar parecia uma piscina de tão calmo, ao longo da caminhada aparecem diversos pequenos cursos d'agua pra atravessar sem dificuldade, que saem de um riacho paralelo a praia. Ainda mandei ver um coco do tipo amarelo antes de chegar no acesso a Feliz Deserto. O centro fica a quase 2km da praia, e ao chegar a chuva desabou de vez e tive que me abrigar até a hora do almoço. Voltei a andar a tarde embaixo de uma fina chuva. Ao longo dos coqueirais há várias barracas montadas que são excelentes pra uma dormida, aqui é onde o pessoal se junta pra descascar os cocos pra vende-los secos. A chuva desabou mas continuei dessa vez com uma capa de chuva e um saco protegendo a mochila que funcionaram muito bem. Após a primeira ponta no final da praia já dá pra avistar Miaí de Baixo, por onde passei direto e na ponta do final dessa praia já começam as casas de Miaí de Cima, onde descansei o resto do dia até o café da noite, é assim que chamam a janta por aqui, que na maioria das vezes é um cuscuz ou macaxeira acompanhada de café e algum tipo de carne. Alguns moradores desconfiados e curiosos ficavam me observando na praia. Ao anoitecer armei a rede numa barraca de pescador onde não batia vento e tinha muito mosquito, pra piorar algumas goteiras na hora da chuva, noite ruim. 39º DIA Fiquei de pé logo as 4:40h e parti logo após uma ducha e um café. Pela praia os pescadores já começavam a entrar no mar que parecia mais uma lagoa de tão calmo. Desde o centro é possível avistar Pontal do Coruripe ao final da praia. Caminhada fácil com a maré baixa e o tempo nublado, apenas o coqueiral e alguns cavalos soltos ao longo do caminho. Ao final da praia dá pra perceber Barreias, um outro vilarejo que estava escondido por trás do coqueiral e a Barra do Rio Coruripe que apesar da maré baixa não me deixou atravessar. Pra minha sorte uma jangada vinha chegando do mar e me atravessou. Do outro lado a chuva caiu pesada e novamente puxei a capa até chegar no centro de Coruripe. Aqui é mais uma vila pesqueira pequena e muito bonita, comprei um bolo de mandioca numa feira e fui até o farol dar uma descansada (leia-se cochilada) até o almoço. O mar dispensa comentários, cheio de piscinas naturais e uma cor verde clara espetacular apesar do tempo totalmente fechado. Depois de comer uma bela posta de peixe voltei a caminhar a tarde, pra acessar a praia tive que dar uma volta em um quarteirão pois as ondas já estavam batendo nos muros de umas pousadas/casas que duvido muito que irão resistir por muito tempo. A caminhada de uns 4km até Lagoa do Pau foi de dificuldade mediana pois a areia já não estava tão firme pra pisar. Ao passar por um pequeno córrego, já surgem os primeiros casarões de veraneio e pousadas. Com o tempo bastante abafado, fiquei descansando na praia enquanto bebia água de coco. A noite fui até o centro onde rolava uma festa do padroeiro da região, jantei e voltei a praia pra armar a rede em um quiosque. Aqui é tão calmo que as barracas sequer recolhem suas cadeiras e mesas ao fechar, tomei uma ducha e tive uma boa noite de sono. 40º DIA Parti depois de comer com o tempo nublado mas sem chuva. Ao deixar Lagoa do Pau enchi uma garrafinha de 500ml de coco, um pouco mais a frente voltei a encher mais 500ml, coqueiro aqui tem em abundância. Ao final da praia aparecem belíssimas piscinas naturais, ainda achei um chuveirão num local gramado e com bancos que pareciam ser de alguma propriedade bem chique, acabei indo tomar banho no mar que mais uma vez estava com uma cor impressionante apesar do tempo fechado. Mais umas praias a frente aparece a Barra do Poxim, que foi possível atravessar com água no joelho, mais 3km a frente se chega em Dunas de Marapé, mais uma barra pra atravessar sem dificuldades, descansei por ali e vi que se eu fosse almoçar no centro não conseguiria atravessar o Rio Jequiá de volta, pois a maré já estava subindo. O fato de estar chegando um ônibus turistas atrás do outro me ajudou a decidir sair dali logo. A partir daqui o mar começa a ficar mais agitado e surgem algumas pedras pela praia, com meia hora de caminhada também começam a surgir as falésias e logo dá pra avistar de longe Lagoa Azeda, meu local de parada. O sol deu as caras pra valer cheguei lá bem na hora do almoço. Lagoa Azeda é mais uma vila pesqueira que se resume a duas fileiras de casas que cresceram ao redor da única rua paralela à praia. Do lado do mar, praticamente todas as casas já estão com seus muros quase caindo devido as ondas. O lugar é tão pequeno que não tem onde comer, tive que correr até um mercadinho, que já estava fechando pro almoço e comprei uma sardinha pra comer com miojo. Almocei e descansei numa barraca de praia que estava sendo construída próximo ao acesso à rodovia. A tarde fui até um depósito e bebi umas cervejas cracudinhas bem baratas a 2,50$, conversando sobre o lugar o dono ria e me falava que se Lagoa Azeda fosse um corpo humano, certamente seria o cú, rs. A noite consegui lanchar um hambúrguer e armei a rede no mesmo lugar do almoço com os mosquitos me comendo. 41º DIA Domingo, 24 de janeiro de 2016, meu aniversário de 29 anos. Levantei cedo, comi e saí sem pressa, ainda em Lagoa Azeda pedi pra uma senhora pra abastecer minha garrafa de água e deixei o local. Mar com ondas leves, o sol saindo pra valer e maré baixando aos poucos com areia fácil de andar. Desde o início a presença das falésias é uma constante, algumas simplesmente gigantes onde era fácil diferenciar no mínimo sete cores distintas. Pouco menos de 1h andando cheguei em um lago com alguns cartazes sobre os benefícios da argila, aqui aparenta ter muita movimentação turística, porém devido o horário, apenas 2 pescadores de fim de semana no local, banhei e dei uma descansada rápida e segui. A medida que caminhava, os buggys passavam por mim lotados em direção as falésias e o lago. Com o término das falésias logo voltam os coqueirais e não pensei nem 2 vezes antes de pular uma cerca e me abastecer de coco. Chegando na bela Praia do Gunga a farofada turística rola solta. O mar é disputado por lanchas, jetski, pequenos barcos e banhistas e o céu por helicópteros, paramotor e pasmem, barcos voadores! Passei o dia por ali tomando banho e deitando na rede, almocei um sarapatel nos restaurantes baratos que ficam escondidos por trás dos restaurantes caros e ainda me dei de presente uma caríssimo açaí de 300ml por 10$. Ao fim da tarde quando já me arrumava pra dormir chegou o chefe da segurança explicando que ali não podia ficar e tal que era uma área particular, todo aquele blá blá blá, Contei o porquê de estar ali e apesar dele não ter entendido me deu uma carona até Barra do São Miguel, onde lanchei um sanduíche e armei a rede em um quiosque. 42º DIA Acordei cedo, comi alguma coisa e fui logo pegando um ônibus até Maceió pois a partir daqui tudo é muito urbanizado. Da capital peguei uma van que me levou até Paripueira, onde decidi continuar andar. Depois de comprar uns pães pro meu segundo café da manhã, fui até a praia que estava com uma cor claríssima e maré extremamente baixa. Ainda na primeira praia já apareceram pequenos coqueiros me convidaram pra pular a cerca e pegá-los. Paripueira estava bem tranquila, praia magnífica com praticamente nenhum turista, apenas poucos pescadores tentando pegar alguma coisa nos recifes bem distantes da praia. Ainda teve uma rápida chuva lá pelas 9h mas logo o sol saiu e ficou até o fim do dia. Aqui quase não tem praias retas como as que andei, elas são mais curtas e a cada final de praia o cenário muda não deixando o tédio tomar conta, uma hora aparecem praias lotadas de recifes, outra hora aparecem muitos catadores de mariscos e assim a caminhada passa rápido. Cruzei uma pequena barra com água na canela sem problemas mas umas 3 praias a frente surge a imensa Barra do Rio Santo Antônio que não dá pra atravessar, é preciso ir margeando o rio até acessar a rua e depois cruzá-lo pela ponte. Já na hora do almoço, acabei comendo um PF no bar do Píu, que tem uma vista espetacular pro mar. Aqui o mar tem cor escura devido à proximidade com o rio, mas é possível ver adiante o mar com aquela cor digna de photoshop. Depois de comer voltei a andar com a maré já subindo mas com a areia ainda boa pra pisar. Os coqueirais passaram a ficar mais altos e a água cada vez mais azulada. Chegando na Praia de Carro Quebrado só tinha um vendedor de picolé, uma família argentina e uma carcaça de fusca. Entrei no mar mas as águas vivas me expulsaram rapidamente. Com a maré alta não é possível prosseguir muito pois as ondas ficam batendo na enorme falésia que tem mais a frente, andei mais uns metros pra achar um lugar pra dormir e acabei parando em uma barraca onde um velhinho tomava conta, antes que eu abrisse a boca ele já foi logo mandando eu dormir ali na barraca, armei minha rede por lá e dormi muito bem. 43º DIA Acordei com um belo nascer do sol, arrumei as coisas comi uma besteira e parti. Passei por mais umas 3 barracas, todas com uma carcaça de carro quebrado pra enfeitar, e uns 2km de caminhada depois cheguei no final da praia, aqui tive que esperar a maré baixar mais um pouco pois as ondas ainda batiam na enorme falésia. Depois de uns 20 minutos consegui passar e no final do trecho em pedras fui recompensado com uma fonte de água nem tão doce assim, mas que deu pra me abastecer. A próxima praia é lindíssima, possui apenas uns dois hotéis e mais nada, na praia somente alguns pescadores puxando rede e um belo coqueiral do outro lado. No final dessa praia surge a o Rio Camaragibe, sem lugar raso, porém com uma balsa que faz a travessia por 2$. Barra de Camaragibe se resume a uma curta rua principal e algumas outras ao redor, na praia dezenas de barcos e viveiros montados na água, ainda consegui pegar 4 cocos e prossegui. As praias seguintes continuam lindas, o sol torrando a cabeça e o mar calmo e manso bem no fundo. Chegando em São Miguel dos Milagres, peguei o acesso de 800m até o centro onde almocei, depois voltei a praia onde armei minha rede e passei o resto da tarde cochilando e tomando banho de mar em um dos cenários mais incríveis até então. No fim da tarde segui viagem. Passei por vários hotéis de luxo, muitos coqueirais baixinhos e muitos argentinos até chegar em Porto de Rua que tinha muito barco pesqueiro e água mais escura pela presença de uns mangues mais a frente. Para contornar esse mangue segui pela pista por 3km e quando cheguei em Tatuamunha, entrei para direita onde atravessei o rio por uma sequência de 3 passarelas de madeira. Ao voltar a praia ainda tive que driblar a maré que já batia nos muros das pousadas mas logo melhorou. Depois do manguezal a água imediatamente volta a ficar verdinha mesmo com o sol já indo embora. Andei mais um pouco e pernoitei numa cabana que abrigava uns barcos, jantei um miojo e dormi bem. 44º DIA Acordei antes do sol, comi uns biscoitos e comecei a andar. Com a maré alta, tive que driblar novamente as ondas que batiam nas pousadas escalando pelas telas de proteção do muro, mas logo melhorou. Pouco tempo depois cheguei em Porto de Pedra, lá tomei café e peguei uma balsa gratuita pra atravessar o Rio Manguaba e chegar no Pontal do Boqueirão, onde é lotado de casarões de veraneio e hotéis. Passo por diversos córregos que batem no tornozelo e chego na Barreira do Boqueirão, praia com água de cor única e uma bela falésia dando charme ao fundo. Exatos 5km e 3 cocos depois cheguei em Japaratinga, tomei logo uma ducha no chuveirão da praia e descansei até o almoço. Após comer fui procurar um bom canto pra armar a rede mas só encontrei em São Bento 4km a frente, pelo caminho há muita construção sendo erguida e a presença do Rio Salgado com água no joelho pra atravessar. Armei a rede pra descansar e já conseguia ver Maragogi mais à frente e as últimas terras de Alagoas. Descansei a tarde toda e achei um lugar pra jantar um “café”, com cuscuz, carne e um delicioso suco de caju. Não achei um bom lugar pra dormir e continuei andando até encontrar, no escuro não achei nada e acabei saindo em Maragogi, ainda tive uma tentativa frustrada de armar a rede em uma propriedade particular mas os cachorros me expulsaram. Pra chegar até a praia ainda foi preciso acessar a estrada pra atravessar o rio pela ponte. Só no centro achei uma boa barraca pra armar a rede, lá pelas 21:30. 45º DIA Acordei cedo, tomei uma ducha na barraca, comi e fiquei descansando na orla. Em um quiosque que estava em reforma aproveitei e pedi uns baldes pra lar minha roupa e tirei o resto do dia pra descansar. Aqui eu tinha tudo a disposição, café, almoço, janta, banho, dormida e uma praia sensacional. Passei o dia por ali observando o vai e vem dos turistas que gastam minutos posando pra fotos com o mar ao fundo mas sequer param pra admirá-lo por um instante. No fim da tarde chegou um pessoal de um coletivo de cinema que pela 4º vez estava no mesmo lugar que eu em Alagoas. Eu os vi na foz do São Francisco, Carro Quebrado, São Miguel dos Milagres e agora em Maragogi. Fiquei por ali matando o tempo até anoitecer e dormir pela orla mesmo. 46º DIA Acordei cedo mas não saí de imediato, com minha tábua das marés em mãos, esperei um tempo pra partir pois logo teria um rio pra atravessar mais à frente. Após atravessar o Rio dos Paus com água baixinha começa Barra Grande, a presença de casas ainda é grande e chega um momento que é necessário caminhar pelas ruas pra fugir das ondas batendo nos muros, mas logo é possível voltar a praia. As nuvens esconderam o sol no meio da manhã mas nem isso foi capaz de escurecer a água do mar que estava com uma cor surreal, um azul que nunca vi na minha vida. Depois de Barra Grande vem Ponta do Mangue e alguns outros lugarejos, pelo caminho pequenos riachos rasos e muito buggy levando turistas até a divisa e até as lanchas que vão para as piscinas naturais. Por volta das 12:00 depois de algumas chuvas cheguei no Rio Jacuípe que faz a divisa entre Alagoas e Pernambuco, almocei em São José da Coroa Grande e depois segui. Ao deixar o centro as casas vão lentamente sumindo e o céu ficando cada vez mais preto, pela praia, apenas poucos pescadores. Não demorou muito e a chuva caiu pesada e continuei com a capa de chuva e o saco pra proteger a mochila, dessa vez ela não vinha do mar e sim do oeste. Ao chegar à foz do Rio Una não tinha nada de movimento apenas 3 crianças tentando pescar em sua jangada, logo me ofereceram a carona que eu aceitei desconfiado. A jangada era pequena mas coube os 4 com muito balanço e depois de vencer a desconfiança conseguimos atravessar, dei 4$ pra eles dividirem entre si. A chuva continuava caindo com muito trovão e raio, o mar bastante agitado com ondas enormes. Ao longo da praia tinha algumas barracas mas nenhuma delas legal pra armar a rede, continuei andando até o final da praia onde tinha bastante pedra, que pra minha surpresa morava um cara que parecia mais o Robinson Crusoé brasileiro. É preciso subir pra contornar as pedras e sair na praia do outro lado, 1km a frente chega na Ilha do Coqueiro Solitário, onde tinha uma boa barraca pra dormir, mas fui adiante onde tinha uma espécie de hotel, que ao lado dele tinha uma bar aparentemente abandonado. Era o bar Mamucabinha, onde armei a rede e fiz um miojo pra janta, com um funcionário do hotel consegui água. Noite de chuva com muitos mosquitos e o cachorro do hotel latindo a noite toda, pelo menos não molhei nada. 47º DIA Acordei cedo mas quis tomar café na rede e continuei descansando um bom tempo nela, quando parti o céu ainda estava nublado mas sem nenhum sinal de chuva, o mar bem agitado e o clima muito abafado. A 1,3km, no final da praia, foi preciso contornar uma casa onde as ondas ainda batiam, mais 1km a frente tem o Rio Mamucabas, onde atravessei nadando e perguntei ao pessoal de umas barracas o melhor lugar pra atravessar andando. Retornei e atravessei novamente com a mochila na cabeça e a água no pescoço. Mais um pouquinho de caminhada e lentamente as casas vão surgindo e logo chego no centro de Tamandaré. Comprei uns mantimentos e descansei até o almoço. A tarde parti rumo a Praia dos Carneiros, a caminhada é praticamente toda urbanizada e a medida que avanço mais chiques vão ficando as edificações. No início da praia tem umas piscinas naturais que estavam totalmente lotadas de banhistas, afinal era um sábado. A partir daqui o ambiente se torna o mais escroto possível, restaurantes e resorts caríssimos destinado a turista e com segurança particular devidamente armada. Enquanto era atentamente observado pelos seguranças, segui margeando a praia até chegar as margens do Rio Formoso, onde tem uma capelinha do século 18 ainda erguida. Consegui pechinchar uma travessia por 15$ até o outro lado na Praia de Guadalupe, que só tinha algumas barracas de drinks e espetinhos. Ao fim da tarde todos os barraqueiros e banhistas que estavam do meu lado se foram e fiquei sozinho lá, armei minha rede entre as árvores, fiz um estoque de mangas e descansei até a noite observando o agito do lado oposto. 48º DIA Acordei as 05:40, comi, arrumei tudo, coletei mais manga e segui. Logo a frente tem umas estruturas abandonadas que eram ideias pra um pernoite e mangas muito mais saborosas, refiz todo o meu estoque de manga. Com a maré ainda alta, tive que desviar por trás de algumas casas e só consegui sair na Praia da Gamela, onde também possui barracas boas pra pernoite. A seguir vem uma enorme praia com um imenso coqueiral a esquerda, essa longa caminhada fez a correia do chinelo incomodar um pouco durante a manhã que teve de tudo: tempo abafado, nublado, saiu sol e chuviscou. Chegando em Barra do Sirinhaém, basta ir pela margem que se chega no porto local, pra atravessar o Rio Sirinhaém peguei um barco por 2,50$ até Coqueirinho, do outro lado. Na praia, apesar de ser domingo, quase ninguém nessa praia, afinal aqui é praticamente um condomínio fechado, ao fim da praia é preciso sair do condomínio pra contornar a maré, na primeira oportunidade que tive entrei em outro condomínio e voltei a praia. Bela praia, recheada de mansões e seguranças pra lá e pra cá de moto. Ao chegar em Serrambi, alguns recifes formam belas piscinas naturais, segui em direção ao centro onde achei um almoço baratinho de 10$. A tarde voltei a praia que continuava repleta de mansão, hotel e seguranças que iam discretamente me escoltando até o final da parte rica. Após andar mais um chão, dessa vez sem escolta, cheguei no Pontal de Maracaípe, onde atravessei sem problemas com água na canela. Em Maracaípe parei pra descansar tomando banho de mar e uma chuveirada, na Palhoça da Cris parei pra tomar 3 geladas com caldinho de sururu enquanto assistia ao fim da tarde. Ainda jantei uma macaxeira em um outro bar da Cris e retornei à praia pra armar a rede na palhoça dela. Daqui já era possível avista Porto de Galinhas poucos km a frente. 49º DIA Acordei logo com o sol, comi arrumei as coisa e parti andando pela ruazinha de barro paralela à praia. Ainda passei por uns bares que começavam a abrir uma espécie de camping no início do coqueiral que se estende até Porto de Galinhas. Com o tempo parcialmente nublado demorei apenas uns 30 minutos pra chegar ao centro e avistar as inúmeras jangadas com velas patrocinadas por marcas famosas. O centro de Porto de Galinhas é praticamente uma irmã da Praia do Forte na Bahia, repleta de pousadas e restaurantes destinados a turistas. Fiquei por ali somente enquanto esperava a farmácia abrir pra comprar uma pinça e retirar um bicho do pé que estava me incomodando, pois no final da caminhada eu voltaria pra lá. Peguei o ônibus pra Recife por 13,70$ e cheguei 2h depois. No centro de Recife o comércio pegava fogo, e rapidamente me dirigi ao ponto do ônibus que me levaria até o litoral norte em Ponta de Pedras por 12$. Mais 2h de viagem e cheguei e fui logo almoçando. O lugarejo é bem tranquilo, com o mar verdinho e muitos barcos na praia. Após dar uma boa descansada na orla, enchi minha garrafa de água num posto de saúde e segui. As casas simples do centro vão sendo substituídas por casas de veraneio a medida que me distancio. No que parecia ser um hotel pouquíssimo movimentado, peguei 3 cocos na altura da mão pra dar uma refrescada. Ao longo da caminhada é comum a presença de pequenas contenções de madeira e pedra feitas pra tentar segurar a maré. Ainda passo por uma região de mangue e um pequeno coqueiral até chegar em Carne de Vaca, lugarejo ainda menor. Passei o resto da tarde na praia vendo uma galera jogar vôlei de praia e olhando os pescadores no fundo do mar com água batendo apenas na cintura, aqui a água já é um pouco mais escura devido à proximidade com o rio. Fiquei batendo papo com a dona de um bar enquanto ela arrumava pra abrir e acabei ganhando uma janta de graça, na barraca ao lado que estava vazia armei minha rede e dormi muito bem. 50º DIA Acordei cedo e fui comprar pão na padaria, como eu só tinha 50$ inteiro, não sei a mulher não tinha troco ou ficou com pena pela minha aparência mas ela me deixou levar os pães sem pagar. Segui até o final da praia onde atracam os barcos que atravessam o rio, enquanto esperava tomava meu café da manhã. Caso não haja barco disponível, o macete é levantar um pau com uma sacola na ponta que o barco vem do outro lado te buscar, e foi assim que aconteceu, o barco veio da Paraíba me buscar e atravessamos o imenso Rio Goiana por 10$. Ao atravessar cheguei em Acaú do lado paraibano, e peguei uma van até Alhandra onde fui rever um camarada que se mudou pra lá alguns anos atrás. 51º DIA Retornei pra Acaú por volta das 10h e depois de um café na padaria, continuei a caminhar. Praticamente todo o trecho até Pitimbú é cheio de casas, o que torna a caminhada não muito interessante. A praia com mar calmo, cheio de algas e lixo, a areia estava repleta de minúsculas conchas quebradas mas ainda boa pra andar. Acaú e Pitimbú são lugares mais simples com pouca presença de casarões. Em Pitimbú almocei e passei um bom tempo descansando, o chinelo já não incomodavam meus pés em nada e eu já considerava a possibilidade de andar até o Ceará. Depois de uma boa descansada, voltei a caminhar e em alguns minutos já era possível ver a barra do Abiaí ao fundo, apenas com algumas moradias de palha e uns coqueiros. Confirmei com os moradores qual seria o melhor ponto pra travessia e fiquei as margens da barra chupando manga enquanto aguardava a maré baixar mais um pouco. Esperei um bom tempo pois a água voltava pro mar com força e velocidade consideráveis. Fiz a primeira travessia sem nada e depois voltei com a mochila e passei com água no peito e o sol já perto de se pôr, os poucos moradores do lado oposto já me observavam com certa desconfiança, provavelmente esse pedaço do litoral não é tão frequentado por turistas muito menos por caminhantes como eu. A cara de poucos amigos dos moradores me tiraram qualquer vontade de armar rede por ali, mas 700m a frente já achei uma barraca isolada na praia onde providenciei meu pernoite. Organizei meu miojo com sardinha e dormi muito bem sob um céu incrivelmente iluminado. 52º DIA Após uma boa noite de sono, levantei com o sol, comi e saí cedinho. Com o sol rasgando como de costume, passei por um pequeno lugarejo e 1km a frente falésias cinzentas e avermelhadas surgem, mais 1,5km chego na Praia Bela, de um lado o mar clarinho, no meio centenas de mesas e cadeiras dos restaurantes e do outro lado as águas doces do Rio Macatu completam o cenário. Mais alguns minutos atravessei a Barra do Graú com água no joelho, exatos 2km a frente surgem muitas pedras e uma placa anunciando que dali pra frente era nudez total, pois começava a famosa praia naturista de Tambaba. Fui desviando das pedras enquanto imaginava o que viria pela frente, a primeira vista era apenas uma praia vazia, mas logo notei um senhor pelado a minha direita e sua senhora a esquerda, onde acampavam. Baixei a cabeça e segui naturalmente até o fim da praia, onde tinha mais uma turma acampando, porém vestidos. Novamente pra sair da praia é preciso passar por mais pedras que dão na praia de Tambaba “normal”. Esse lado é a porta de entrada e cartão postal de Tambaba. Armei minha rede, dei uns mergulhos e descansei, na hora do almoço recorri a um miojo com 2 espetinhos, pois ali os preços são salgados. O vai e vem na parte naturista é constante, tanto pelos banhistas como pelos vendedores que tem autorização para entrarem vestidos. Por volta das 15h parti, pra seguir até a próxima praia é preciso contornar as pedras por uma pequena trilha, enquanto passava avistei um casal dando uma trepada entre as árvores, novamente ignorei e cheguei na praia seguinte onde poucos surfistas se aventuravam na imensas ondas. Aqui a caminhada volta a ficar bem agradável, são quilômetros de falésias e praia deserta com uma bela brisa. O clima só foi quebrado com a presença de uma gigante restaurante que dá início a Praia de Coqueirinho e alguns casarões de veraneio. Com o fim da tarde as barracas já estavam sendo desmontadas e os banhistas se retiravam da praia. Ao fim da praia já é possível avistar Carapibus e Jacumã, mais à frente na Praia de Tabatinga, achei um bom local pra armar a rede nas árvores dentro de uma falésia gigante, ainda passei o final da tarde no mar calmo e esverdeado antes de jantar e dormir. 53º DIA Após partir, foi preciso andar somente umas 2 praias pra chegar na parte urbanizada de Carapibus, lotada de belas casas, pousadas e restaurantes. Ao fim de Carapibus, algumas pedras me obrigaram a passar por um desvio pelo mato que tem bem ao lado, daí pra frente já começa a praia de Jacumã, com urbanização bem semelhante a praia anterior. Ao final de Jacumã mais uma vez são as pedras que fazem o limite, com destaque pra Pedra Furada ou Túnel do Amor, que marca a passagem pra Praia do Amor, novamente por uma trilha adjacente, pois as ondas batem forte nas pedras. Ao descer o barranco apenas algumas barracas bem simples, uma praia bem curva e com águas calmas e claras. Daqui já avistava a imensa Barra do Gramame uns 3km a frente e segui embaixo do sol escaldante até ela. Chegando na barra, após ter um pedido de água negado, apenas peguei uma dica de onde era o melhor lugar pra atravessar e segui. A barra é imensa mas atravessei numa boa com a maré baixa. Na praia seguinte volta aquele cenário bacana: imensas falésias a minha esquerda, uma extensa faixa de areia a perder de vista e o mar quebrando a minha direita. Pra minha surpresa me deparei com um casal namorando escondidinho entre umas pedras, passei direto e mais à frente cheguei na Praia do Sol, onde consegui uma boa água gelada pra beber, nessa praia os preços me chamaram atenção por serem muito em conta em relação a outras. 1km a frente passei pela discreta barra do Rio Cuiá e cheguei na Praia de Jacarapé, uma típica praia de pescador repleta de barco e casas de taipo. A partir dela vem mais um trecho de praia deserta e um pequeno lago a esquerda com poucas barracas que marcam o início de um belo coqueiral, tudo que eu precisava! Esse dia estava com pouca água então na primeira chance que tive pulei a cerca e mandei ver, estava seco de sede. Hidratado, porém cansado, continuei a andar e a presença de banhista e casas aumentou um pouco, mas logo sumiu dando lugar a enormes falésias. Minha ideia era caminhar até a Ponta do Seixas mas como o local se encontrava acima das falésias passei direto sem ver, continuei caminhando entre falésias e pedras até chegar num local onde avistei toda João Pessoa. Continuei andando até a Praia de Cabo Branco e em seguida até a ensolarada Praia de Tambaú, que estava bem vazia apesar de ser uma sexta feira de carnaval. Exausto depois de caminhar por 26km, relógio marcava 12h, parei pra almoçar e em seguida fui visitar familiares que moram lá, onde passei os 4 dias seguintes. 58º DIA Após uma péssima noite de sono, tomei café e parti da Praia de Lucena, já no litoral norte da Paraíba. Aqui já vejo o sol nascendo ligeiramente mais a sudoeste, as águas nas margens ligeiramente escurecidas devido à proximidade com o imenso Rio Paraíba e mais ao fundo o típico verde claro. 2km são suficientes pra sumirem todas as casas e a praia ficar deserta, mais 2km andando pela Praia de Bonsucesso chego na barra do Rio Miriri, ainda eram 7h e a maré estava baixando, aguardei tirando um cochilo, mas logo fui interrompido por uns farofeiros que chegaram tocando um som ensurdecedor. Continuei aguardando e quando vi um cara atravessando no sentido contrário, fui também. A caminhada é agradável, praia deserta com areia bem firme, brisa e o mar cada vez mais verdinho. Depois de uns 5km chego em Campina, lugar de belos casarões com um minúsculo centro mais popular, decidi só parar pra almoçar em Barra do Mamanguape, pelo meio do caminho em cima de uma duna, parei pra dar uma descansada em uma casa em construção abandonada onde a vista é belíssima, se não fosse a fome poderia ficar por ali o resto do dia. Pela praia acessei o centro quando vi uma cabine/armário verde que parece ser de algum pescador ou do Projeto Peixe Boi, daqui também já é possível avista a Baía da Traição. Após almoçar encontrei um pescador que me ofereceu um passeio, expliquei que só queria atravessar e com muita conversa consegui a travessia por 15$. Fiquei em uns lagos que parecem ser criadouros de alguma coisa, mas ainda bem distante da praia. Tive que seguir até uma barraca na estrada de barro e pegar a direita, poucos metros à frente entrar a esquerda e seguir até o final, onde encontra outra estrada principal que pega a direita até o fim. Pelo caminho ainda achei uma mangueira carregada e fiz um estoque. Depois surgiu um surfista que me deu uma carona até a aldeia indígena de Camurupim, chegando lá atravessei de carona no barco do colega dele até o outro lado, daí bastou uma caminhada de uns 300m pela areia fofa até chegar a Praia de Coqueirinho que fica dentro de uma reserva indígena e área de preservação do peixe boi. Parei em uma barraca pra tomar um banho e bebi uma cerveja geladíssima por apenas 5$ enquanto tentava avistar algum peixe boi. Aqui dá pra ter ideia de como é grande o recife que se estende desde a Barra de Mamanguape até a Baía da Traição. Após uma boa chuveirada, voltei em direção ao rio, onde achei uma boa árvore pra armar a rede e passar a noite. Quando escureceu um rato gigante ainda ficou fuçando minha mochila e só sossegou quando deixei alguns biscoitos de cortesia pra ele. 59º DIA Chupei no café 5 mangas que peguei no dia anterior e voltei a praia pra caminhar. A maré ainda estava alta mas a areia bem firme pra pisar, o sol rasgando e nenhum vento pra refrescar. Ao fim da primeira praia já surgem as primeiras casas, porém tudo sem movimento, de fato tinha acabado a farra, os turistas haviam sumido e o lugar ainda respirava a ressaca do carnaval. Com as barracas ainda fechadas, parei em uma delas na Ponta da Prainha e arranquei 2 cocos com ajuda de uma mesa da barraca. Subi até o centro pra tomar um café e usar uma lan house pra fazer umas anotações que não tinha do caminho até Natal. Da orla é possível ver a imensa baía e a Barra de Camaratuba 12km a frente. Seguindo pela praia, casas mais simples vão surgindo ao longo da orla parcialmente destruída pelas ondas. A caminhada é das melhores, com mar claro, céu azul, maré baixa com areia firme e uma brisa pra refrescar. 6km do centro surge um bloqueio de pedras que fazem nem motos nem buggys passarem, aí sim vira um desertão. Na próxima praia alguns surfistas se preparavam pra entrar no mar e me chamaram pra tomar um refrigerante que aceitei na hora. O percurso inteiro é recheado de falésias misturadas com mato até chegar em mais um bloqueio de pedra, onde tem o Rio Camaratuba, que atravessei com água na cintura. O lugar é extraordinário de tão bonito. A 800m tem um centro muito pequeno com apenas 1 lugar pra comer, nas paredes ainda tinham os preços caros do carnaval mas paguei apenas 15$ no PF. Após o almoço armei a rede numa sombra de barraca de barco e tirei um bom cochilo, que só acordei com meu próprio ronco. Lá pras 15h com sol mais ameno votei a andar. Começa o Parque Eólico Vale dos Ventos, que segue até a divisa com RN e surgem pequenos morrinhos de dunas com vegetação rasteira. Em uma barraca isolada, na Lagoa da Pavuna, o dono já estava fechando e me esperava desconfiado com um facão na cintura, peguei uma informação rápida e segui. Mais à frente apareceu uma barraca bem equipada com cordas pra rede, panelas, mesa, bancos e até um banheiro improvisado, tudo ao lado de um laguinho com água doce. Ao fundo, máquinas ainda trabalhavam em uma espécie de jazida. Fiquei tomando banho até anoitecer e tive uma excelente noite de sono, com céu estrelado e os cataventos iluminados. 60º DIA Acordei cedo, comi, e saí sem pressa e com 1h de caminhada cheguei até a divisa de estado, um outro lugar muito bonito com rio, dunas e mar. Tentei atravessar mas a maré ainda estava alta, tentei ir por uma trilha que tinha no mangue mas andei em círculo e voltei ao mesmo lugar, acabei desistindo armei a rede e esperei. Depois de um tempo, atravessei com água na barriga, do lado potiguar as marcações do Tamar ressurgem. Ao fim da praia, antes de Sagi, alguns surfistas pegavam onda enquanto eu trepei em um coqueiro e consegui pegar 2 cocos que me salvaram pois já estava seco sem água e o sol pra variar estava escaldante. Mais uns metros à frente parei nos recifes pra um banho no mar que estava com cor impecável. Percebi que ali só havia restaurante destinado a turistas, ou seja, caros. Parti rumo a Baía Formosa uns 12km a frente pra poder almoçar. Esse trecho é espetacular, uma praia mais bonita que a outra diversos corais, no mar de cor clarinha, apenas um ou outro pescador pegando alguma coisa nas pedras. Embaixo do sol escaldante os buggys passavam freneticamente rumo a Praia do Sagi. Ao virar a praia onde tem o Farol de Bacupari, já dá pra avistar o centro. Nessa última praia, diversas barracas dos pescadores e no fim dela começa a cidade, subi a primeira ladeira a esquerda e fui procurar um canto pra comer e não achei nada, fui perguntar um casal de velhos onde eu achava um lugar pra comer, e a senhora me perguntou se eu comia algo especial, falei que não e ela me colocou dentro da sua casa e me serviu um almoço, fiquei impressionado. No fim tentei pagar mas claro que ela recusou, agradeci e segui em frente. A cidade fica localizada no alto, o que proporciona uma vista única, desci até a praia e fiquei o resto da tarde ali tomando banho no mar. Ao anoitecer, voltei ao centro pra lanchar e armei minha rede nas barracas dos pescadores. Durante a madrugada eles se reuniram pra pescar mas me deixaram deitado lá numa boa. 61º DIA Acordei cedo e fui na padaria comprar café, e fiquei comendo sem pressa pois pela tábua das marés teria que esperar um pouco mais pra atravessar a Barra do Cunhaú, que fica 8km a frente mas pode ser vista do alto do centro. O caminho começa na Praia do Porto, com mar calmo e dezenas de barcos atracados, logo começam as falésias mas em 30 minutos de caminhada elas dão lugar a pequenas dunas. Um pouco mais a frente começa um enorme coqueiral, entrei nele e derrubei uns cocos que pro meu azar estava com um gosto terrível. Uns quilômetros à frente cheguei no rio e pra minha surpresa ele é enorme. Não adiantou nada ficar esperando a maré baixar, tive que pagar 3$ e atravessar na balsa. Na praia vazia, vi em um quintal um coqueiro anão e fui matar minha vontade de beber coco, arranquei 9, me dei conta que esqueci o facão no coqueiral anterior, mas mesmo assim abri com certa dificuldade os cocos com uma faquinha cega, matei minha sede e enchi minha garrafa. Andando por mais umas praias cheguei até o Rio Catu, atravessei na boa e fiquei tomando banho. A noite fui até o centro de Sibaúma e jantei um PF, depois desci até a praia e armei a rede em uma varanda de uma casa parcialmente tomada pela areia da praia. 62º DIA Levantei um pouco tarde, por volta de 6:20h, com o tempo meio nublado e bastante vendo. Depois de comer uns biscoitos com água de coco segui viagem até a Praia de Pipa. Logo no começo da caminhada foi preciso subir um barranco pra descer em seguida até a praia. Até Pipa são muitos paredões de falésias e muita areia fofa. No fim da praia, tem início uma subida que leva até o Chapadão, um enorme platô que tem uma vista bem bacana do lugar, com destaque pra Praia do Amor que fica logo abaixo. Ainda roubei uns cocos de um casarão/hotel que estava em construção, em seguida peguei uma rua a esquerda que me levou até o centro. Fiquei na praia principal tomando banho na maré baixa, ainda fui conhecer a parte baixa da Praia do Amor e depois fui almoçar. Apesar de ser lotada de comércio e turistas, muitos deles gringos, Pipa tem uma atmosfera muito bacana. Parti a tarde com a maré já subindo, logo na primeira praia as casas vão sumindo e dando lugar a falésias desertas. Pra acessar a Baía dos Golfinhos é preciso desviar por muitas pedras até chegar, a praia lotada de gringos, nela tem muitas barracas destinadas a quem tem dinheiro, pois tinham bastante espreguiçadeiras e vendiam bastante longneck verdinha. Ao fim da praia mais um bloqueio de pedras, dessa vez foi preciso ir pulando sobre elas até chegar na Praia do Madeiro, que é muito semelhante a anterior em todos os aspectos. Um pouco adiante tem mais umas pedras que basta desviar pra chegar em uma enorme praia dessa vez em linha reta, toda ela com enormes paredões de falésias, tão altas que me faziam caminhar na sombra. Ao final da reta mais uma vez surgem pedras, basta desviá-las e andar mais um pouco que chega a uma rua que sobe até o centro de Tibau do Sul. Jantei uma saborosa macarronada e desci, armei a rede em uma barraca de praia e dormi muito bem. 63º DIA Acordei cedinho, tomei café e fui até outra barraca onde tomei uma ducha. Fiquei aguardando a balsa pra atravessar a foz da Lagoa dos Guaraíras. Deitei na sombra, comi novamente, vi as barracas todas se arrumarem pra abrir, vi os gringos chegarem pra passear de caiaque, vi até um timbú que morava na copa de um coqueiro até que a balsa chegasse as 10h. Segundo o barraqueiro ela demorou porque a maré ainda estava alta e não teria lugar pra atracar do outro lado. Paguei 3$ pela travessia, todos os buggys e quadriciclos ficaram na areia ainda aguardando a maré baixar mais um pouco enquanto eu segui andando. Logo começa o trecho das Dunas de Malembá e algumas marcações do Tamar. No km5 é o início do lugarejo chamado Barreta, onde a praia é cheia de pedras. As casas da orla praticamente todas estavam vazias, o clima era de deserto total. Em certo momento entrei nas ruas onde achei o único lugar que tinha almoço, comi e voltei até a praia onde armei a rede numa varanda de uma casa e cochilei, ainda tomei uma ducha antes de partir. A praia continuava cheia de piscinas naturais e cenário deserto, somente em alguns restaurantes era notada a presença de turistas, muito deles gringos. Praticamente colado a Barreta vem Tabatinga que é lotado de hotéis e casarões. Ao fim da praia é preciso ir por trás das casas para descer em seguida na praia seguinte, que tem um paredão imenso de falésia que logo dão lugar as dunas. Após o trecho das dunas já começa a parte urbanizada da Praia de Búzios. Próximo ao final da praia continuei andando pela pista pra encontrar uma tal padaria que me indicaram, que só fui achar no bairro de Pirambúzios. Depois de comer uma típica tapioca, voltei a praia e cruzei o Riacho Taborda enquanto a maré estava baixa, acabei armando minha rede embaixo de uma árvore nas barracas da Praia de Pirangi, logo depois do píer, exatamente onde fica o maior cajueiro do mundo. Ainda fiz um miojo antes de deitar e tive uma péssima noite de sono com uns 3 chuviscos me incomodando, um segurança da orla ainda apareceu pra me abordar mas me deixou ficar ali na boa. 64º DIA Acordei cedo, com o sol totalmente nublado e logo fui partindo. No fim da primeira praia é cheio de pedras, mas deu pra passar sem dificuldade, em seguida vem uma praia menor, novamente com pedras no final, mas dessa vez tive que ir por cima delas e bem devagar. A praia seguinte é um pouco maior, apenas algumas barracas de pescadores e mais pedras pra passar no final, dessa vez segui por uma trilha que contorna a falésia, entra em uma estradinha e sai na Praia do Cotovelo, que ainda estava totalmente vazia. No final dessa praia uma placa avisa que é proibida a passagem a partir dali, pois é área militar. Só pra desencargo de consciência perguntei a um cara que pescava com vara na areia se podia prosseguir, o mesmo me disse que sim, isso bastou pra que eu continuasse andando. O trecho começa com várias dunas que logo se acabam e dão lugar a uma imensa sequência de falésias, que formam a famosa Barreira do Inferno. No início é preciso desviar de algumas erosões mas depois surge uma trilha bem demarcada que segue margeando o precipício. Lá de cima a vista é única. Quando já ia descendo a falésia pra acessar a praia seguinte, uma viatura já me esperava do outro lado, me explicaram que o trânsito de civis ali é proibido e me levaram até a base, onde depois de uma conversa, o militar gente fina Araújo acabou me liberando. Dali até Ponta Negra eu tinha 2 opções: ir de ônibus ou a pé. Foram 4km exaustivos pela estrada até a primeira rua a direita, fui pegando informações até chegar a Praia de Ponta Negra, fiquei tomando banho o resto da manhã e por fim paguei minha segunda e última água de coco por 3$. 16 de fevereiro de 2016 dei fim a minha caminhada, almocei e segui pra casa de parentes meus, ainda fiquei pelo nordeste por mais um mês fazendo um turismo convencional, acabei retornando ainda em João Pessoa, Porto de Galinhas e Maragogi antes de voltar pra casa. A caminhada foi muito cansativa e prazerosa ao mesmo tempo, cada lugar tem sua beleza própria, seus prós e contras, recomendo a quem tiver vontade de fazer algo semelhante caminhando por algum desses trechos, que faça o quanto antes, pois o crescimento imobiliário em todo o litoral está frenético, daqui um tempo será cada vez mais difícil encontrar praias desertas e pequenos vilarejos de pescadores. Meus pés demoraram algumas semanas pra ficarem 100% sem dor, fiz toda essa caminhada com equipamento básico e precário: uma rede de nylon, um outro tecido de nylon pra cobrir a rede em caso de chuva (que não funcionou muito), um saco de dormir, fogareiro espiriteira que só fazia miojo, pouca roupa e pouco dinheiro. Voltar a caminhar a partir de onde parei é apenas questão de tempo.
  6. Biografia de Cora Coralina: https://www.ebiografia.com/cora_coralina/ Terminamos ontem, domingo 24.06.2018, o mais novo Caminho do Brasil (Cora Coralina), situa-se no estado de Goiás, inicia na cidade de Corumbá de Goiás terminando no município de Goiás(antiga Goiás velho), terra da escritora que dá nome ao caminho. São aproximadamente 300 quilômetros de extensão, passando por alguns municípios e distritos do interior Goiano. Obs.: Paisagens magníficas, trilhas bem demarcadas(algumas difíceis), rica culinária, visualização de pássaros (destaco a quantidade de Araras e tucanos), receptividade incrível do povo Goiano, riquíssima cultura, muita histórias e estórias, foram 11 dias de muita alegria e tranquilidade, nenhum problema. Apesar desse caminho ter sido inaugurado a somente 2 meses, destaco que, pela quantidade de atrações, sinalização, apoio dos idealizadores, recebimento dos peregrinos, esse caminho, sem dúvida está entre os 5 melhores caminhos do Brasil. SHOW DE BOLA. Site do caminho: http://caminhodecoracoralina.com.br Alguns relatos: https://descobertasbarbaras.com.br/como-e-fazer-o-caminho-de-cora-de-coralina-trecho-a-trecho/ http://www.mtbbrasilia.com.br/2018/04/24/caminho-de-cora-coralina-trecho-2-de-salto-de-corumba-a-pico-dos-pireneus/ Pura e cristalina verdade!
  7. Saudações, povo da mochila. O relato que segue refere-se à uma viagem realizada há um ano atrás (ontem exatos 365 dias que finalizei o Circuito O!). Devido à correria da vida e uma promessa de que parte dele sairia em uma revista de escalada e montanhismo, acabei não publicando antes. Apesar de possíveis mudanças nos preços e regras de visitação, possui uma série de informações relevantes em um texto que lembra um diário sobre essa viagem de 26 dias (de 25/12/2015 a 18/01/2016) passando por Ushuaia, Punta Arenas, Puerto Natales, El Chaltén, El Calafate e ainda uma curta passagem por Buenos Aires. Foram mais de 200 km de trilhas percorridas, sendo o objetivo principal da viagem o circuito O em Torres del Paine. Para ajudar na coleta de informações pelo amigo leitor, aquelas que considero chave ou relevantes estão em negrito. O relato está dividido em quatro partes: I- Informações Gerais; II- Ushuaia a Puerto Natales; III- Torres del Paine - Circuito O; IV- El Calafate, El Chaltén e Buenos Aires. Caso deseje informações mais objetivas ou não deseje ler a totalidade das palavras e devaneios deste que vos escreve, sugiro ler somente a Parte I e esta planilha resumo, além da Seção “Dicas”, da Parte III. PARTE I - INFORMAÇÕES GERAIS Lembro de quando ouvi sobre e vi imagens da Terra do Fogo pela primeira vez em uma reportagem do Globo Repórter. Tinha uns 12 ou 13 anos e o nome Terra do Fogo me pareceu misterioso, místico, atiçando minha curiosidade. Depois de muito tempo habitando minha mente, a viagem começou a tomar forma. Inicialmente programada para acontecer no final de 2014, uma mudança de emprego e de cidade resultou no adiamento por um ano, mas todo o roteiro já estava traçado, sendo necessário apenas atualizar o orçamento e buscar algumas informações adicionais. A essa empreitada, juntaram-se dois amigos do grupo Trekking Brasília: Luzardo Alves e João Paulo Marques Passagens Como minha família passaria o Natal em Campinas, acabei comprando diferentes trechos de voo: Brasília-São Paulo (ida e volta, Gol), São Paulo-Buenos Aires (ida e volta, TAM), Buenos Aires-Ushuaia (ida, Aerolíneas Argentinas) e El Calafate-Buenos Aires (ida). Os trechos São Paulo-Buenos Aires e El Calafate-Buenos Aires foram adquiridos por pontos, sendo o primeiro um generoso e bem-vindo presente de meu pai que estava com vários pontos acumulados e nenhuma perspectiva de usá-los no curto prazo. O trecho Buenos Aires-Ushuaia custou R$ 850,00. Dinheiro/Câmbio Optei por levar dólares, alguns reais e cartão de crédito. Quando comprei as passagens, o dólar estava na casa dos R$ 3,40 e para meu desespero começou a disparar. Atento às projeções pessimistas, e que se concretizaram, fiz questão de comprar dólares assim que possível e consegui comprar a R$ 3,80. Embora muitos recomendem realizar câmbio em Buenos Aires, essa não era uma opção viável dentro de nosso itinerário. Graças às decisões do Macri de acabar com o controle cambial, a cotação oficial do dólar estava US$ 1,00 = AR$ 13,00, nenhuma discrepância significativa da paralela. No dia 25/12 o real estava bem valorizado ante ao peso (R$ 1,00 = AR$ 4,50). Se fosse possível prever, teria levado reais e ficaria uma manhã apenas para cambiar. Nos dias seguintes, entretanto, o real começou a cair. Na região patagônica, levar dólares ou reais seria equivalente pois o câmbio era R$ 1,00 = AR$ 3,50 e US$1,00 = 12,50 a 13,50. No Chile o câmbio estava em média R$ 1,00 = CH$ 180 e US$ 1,00 = CH$ 650 a 700. Mochila Fui com minha Curtlo Mountaineer 60+15 velha de guerra. Excelente mochila. Para uma viagem como essa e para realizar o circuito O de forma autônoma recomendo no mínimo uma mochila de 60 Litros. Como fui com câmera DSLR, duas objetivas e tripé, os 15 Litros a mais foram muito úteis. Nessa viagem apliquei uma dica que li no livro Manual de Trekking e Aventura, do Guilherme Cavallari para proteger a mochila no avião: colocá-la em um saco. Eu usei um saco plástico grosso, mas pode usar um saco de fertilizante ou de batata. São leves e você pode guardá-lo dobrado na mochila. Como algumas companhias aéreas ou não fornecem mais sacos plásticos para embalar a mochila ou fornecem sacos de litragem pequena, recomendo fortemente para proteger tanto a mochila quanto a capa de chuva. Transporte Terrestre Entre as cidades, viajamos por empresas de transporte, mas é completamente possível fazer essa viagem de carona. Conheci várias pessoas que estavam viajando dessa forma e constantemente revia na próxima cidade alguns cidadãos que vi à beira da estrada. Se o amigo leitor dispuser de tempo e vontade, acredito que valha muito a pena não apenas pela economia, mas pela própria experiência em si Disponibilizo aqui link para planilha com o roteiro executado, preços, itens levados. Se tivesse mais alguns dias teria ido a Los Antiguos e a Chile Chico. PARTE II - USHUAIA A PUERTO NATALES O voo para Buenos Aires partiu de São Paulo. Antes do embarque aproveitei para passar no posto médico do aeroporto para ter um parecer sobre um calombo que surgiu na minha coxa esquerda, mas que era apenas uma inflamação dos folículos pilosos, exigindo apenas uso de um antiinflamatório (Profenid 100mg ). Esta é a segunda vez que faço uso dos serviços médicos dos postos dos aeroportos e deixo a dica ao amigo leitor. O atendimento é bom e gratuito. Na sala de embarque encontrei o Luzardo. Partimos de São Paulo no dia 25/12, às 18:30, com uma hora de atraso e chegamos às 20:10 em Buenos Aires, onde encontramos o João. Aproveitamos para fazer câmbio de US$ 100,00 no aeroporto. Luzardo e João pegaram um táxi para dar uma volta em Puerto Madero e eu fiquei no aeroporto. Comi um lanche extremamente caro no piso superior, AR$ 126,00 por uma baguete e uma sprite, e depois fui descansar. Às 4:00 fizemos o despacho das malas e às 5:35 o avião decolou. USHUAIA 26/12. Cheguei em Ushuaia às 9:10. João e Luzardo chegaram cerca de 20 minutos depois. Pegamos as malas, um mapa no balcão de informações e, após apreciar por uns minutos a bela cadeia de montanhas que guarda a cidade, tomamos um táxi para nos levar até o Hostel Antarctica ao custo de $115. Recomendo fortemente o Hostel Antarctica. Ambiente legal, equipe atenciosa e acolhedora, boa estrutura e café da manhã reforçado. Destaque para o fato de que o hostel fornece ovos e o hóspede prepara à sua maneira. A diária estava $260 e o público é variado, viajantes solitários, casais jovens e idosos, famílias, uma das quais me permitiu praticar o alemão durante uma boa conversa. Para esse dia não havíamos planejado nada. Por sugestão do recepcionista do Hostel, acabamos comprando o passeio para a Laguna Esmeralda por volta das 11h, ao custo de $250, ida e volta. Recomendo. É uma trilha leve e o lugar é realmente belo. Quando retornamos ao estacionamento, havia ainda 1h até nosso transfer chegar. Para nossa surpresa, uma senhora que realiza transfers por outra empresa nos viu e ofereceu transporte, de graça e ligou para a outra empresa, e ainda ganhamos croissant e café. De volta à cidade aproveitamos para fazer compras no mercado e garantir nossa janta e almoço para os próximos dias, por preço bem mais em conta que os dos restaurantes. 27/12. Domingo. Grande parte das lojas e mercados fechados, o que impediu-nos de comprar a passagem para Punta Arenas. Cedo pela manhã fui efetuar o pagamento do passeio do Beagle Channel (Islas de los Pájaros, Lobos, Farol e descida na Isla Carello) o qual reservei antecipadamente por email com a Canoero (http://www.catamaranescanoero.com.ar/principal.htm) para as 15:30 daquele dia. Aproveitei para pedir desconto, visto que seriam 3 pessoas e consegui baixar de $750 para $700. $50, não muito no total mas já ajudava em alguma coisa. Dei uma caminhada na cidade ainda adormecida e voltei ao Hostel para encontrar os piás e ir ao Presídio. Presídio. O ingresso custou $150. Já há bastante informação disponível sobre o Museu, me limitarei a dizer que eu gostei e acho um passeio bem válido para se conhecer a história de Ushuaia e da navegação. Detalhe para os mapas e cartas náuticas antigas e a seção dedicada aos Yamanas, povo original da região, já extinto. Beagle Channel. Escolhi o horário da 15:30 por conta da luz começar a perder intensidade nesse horário e não estourar as fotos. No fim, com o tempo nublado ficou ainda melhor. Enquanto esperávamos a partida, Luzardo resolveu brincar que seria fácil fazer novos amigos brasileiros. Ao falar alto “Brasil? Alguém?”, atrás dele havia um brasileiro, Daniel, com o qual fizemos amizade e trocamos ideias sobre os planos de viagem. Ele estava viajando solo, de moto, e iria também para Torres del Paine. Acabou que combinamos dele nos informar por email se as lojas de aluguel de equipamento estariam abertas no dia 01 de janeiro e o preço dos equipamentos. O passeio do Beagle Channel também é bem conhecido e há muita informação disponível a respeito. É um passeio bem tranquilo, padrão, mas vale a pena. O lugar é realmente bonito e instiga a imaginação. O tempo estava fechado e o vento frio. A descida na Isla Carello é interessante para se conhecer o ecossistema e imaginar como os nativos sobreviviam na região. Voltamos à Ushuaia depois das 18 horas. 28/12. Acordamos cedo para garantir as passagens para Punta Arenas. Pensamos em adiantar 1 dia e sair de Ushuaia em 29/12, para chegar em Puerto Natales no dia 31. Depois de rodar todas as agências de viagem (não existe uma rodoviária com balcões das empresas), tivemos que voltar ao planejamento original e compramos para o dia 30/12. Minha recomendação ao amigo leitor é que compre as passagens para Punta Arenas assim que chegar em Ushuaia, se seu planejamento não for flexível. Cerro Martial. Como perdemos a manhã, resolvemos deixar o Parque Nacional para o dia seguinte e fomos ao Cerro Martial. Nos juntamos a outra brasileira, Clara, e pegamos um táxi até a entrada ($135). A vista é bacana e o lugar vale uma visita se você tiver tempo, mas não consideraria um must-see. Pegamos um táxi por $120 até o centro de Ushuaia. Sinceramente, acho que teria valido mais a pena dedicar esse dia ao Parque Nacional, pernoitando lá e subindo o Cerro Guanaco, pois achei um dia pouco para o Parque. 29/12. Parque Nacional Tierra del Fuego. Tiramos o dia para o Parque. Saímos no ônibus das 10 e pouco, mas recomendo sair no primeiro transfer. O custo foi $370 ($270 transfer + $100 tarifa Mercosul). Fomos até o Correio del Fin del Mundo, para em troca de alguns dólares - 2 ou 5, não lembro ao certo - obter o carimbo no passaporte. Lá vimos a lancha sendo carregada com cartas e postais e deixando a margem do lago. Fizemos a Senda Costera, que margeia a Bahia Lapataia. Entretanto não fomos até Puerto Arias, indo somente até a Laguna Negra e retornando no penúltimo ônibus. PUNTA ARENAS 30/12. Ushuaia-Punta Arenas. Saímos cedo para pegar o ônibus para Punta Arenas. Os ônibus saem de um pátio na Av. Maipú, entre as ruas 25 de Mayo e Fadul. Nosso ônibus saiu às 5:30. Viagem longa mas com belas paisagens, clipes de músicas românticas e de sofrência que fariam Pablo sentir inveja, e passagens de fronteira com guardas mais preocupados com seu Whatasapp do que com as imagens do Raio X. Chegamos em Punta Arenas perto das 18h e fomos providenciar Câmbio. Há duas casas de câmbio próximas ao ponto de parada do ônibus. Na verdade, ficam na mesma quadra/rua (Colón) da oficina da Bus Sur. Câmbio feito, fomos providenciar a passagem para Puerto Natales na Bus Sur, ao custo de $6.000. Ao lado do balcão da BusSur há um balcão de empresa de turismo. Nosso plano era fazer a Pinguinera clássica (ilhas Marta e Magdalena), entretanto o atendente nos ofereceu o passeio do Pinguim Rei, dizendo que era mais completo, sendo possível avistar lobos marinhos e baleias. Enquanto a Pinguinera custava $35.000, o passeio do Pinguim Rei custava $60.000 ($12.000 são pagos na entrada da reserva). Com certa relutância mas confiando no vendedor, acabamos comprando o passeio do Pingüim Rei, que na verdade, se mostrou não um passeio mais completo, mas um completamente diferente da Pinguinera e da propaganda feita. Explicarei nos próximos parágrafos. Saímos da BusSur e fomos em direção ao hostel que havíamos reservado, o Samarce House. Depois de andarmos alguns bons minutos e não encontrarmos, resolvemos pedir ajuda em uma lavanderia. A dona da lavanderia foi bastante solícita, tentando inclusive ligar para o hostel, sem sucesso. Ao ver a foto da fachada do Hostel, ela percebeu que se tratava de uma casa ali perto e descobrimos que o endereço na internet estava errado. O Hostel fica, na verdade, na Av. España, 940. Ao chegarmos achamos o local com cara de abandonado, uma perfeita casa para um filme de suspense ou terror, mas o lugar é aconchegante e limpo. O café da manhã é reforçado, servido, pelo menos num dos dias que lá ficamos, pelo próprio senhor Samarce, um sujeito simpático e conversador. A diária lá custou $11,000. Recomendo! Deixamos as malas e pegamos um táxi ($2000) até a zona franca, pois pensávamos em comprar alguma coisa, mas só compramos o gás para Torres del Paine. Confesso que esperava maior variedade de marcas e produtos, mas algumas coisas realmente valem a pena lá, como por exemplo, as barracas Doitê. Aproveitamos e fomos ao mercado ao lado comprar a janta e suprimentos para Torres del Paine, e saímos de lá no fim do expediente. A essa hora há poucos táxis e poucos ônibus. Felizmente demos sorte de encontrar um taxista ainda no estacionamento e voltamos até o centro da cidade ($2350). De lá seguimos a pé até o Hostel e por lá ficamos. 31/12. Eram por volta das 7:30 quando o ônibus que nos levaria à pinguinera chegou. Fomos muito bem recepcionados pelo motorista e dono da agência, um sujeito bonachão, simpático e divertido, e o guia. Passamos buscar os demais participantes e aí seguimos. Como mencionei acima, este é um passeio completamente diferente do oferecido pelo vendedor, e completamente diferente da Pinguinera das ilhas Marta e Magdalena. O passeio foca em dois temas: a história do povo Selknam, um dos povos originais da ilha e exterminado pelos colonos, e no Pinguim Rei. É de fato interessante, mas passa-se muito mais tempo na van do que qualquer outra coisa. Cruza-se novamente o Estreito de Magalhães e retorna-se à Isla Grande de Tierra del Fuego, em direção ao município de Porvenir, onde há um pequeno mas interessante museu. Lá o guia contou sobre a história da região, realmente interessante, mas pesada e sanguinária e não consta nas páginas oficiais do Chile. O povo Selknam foi exterminado com direito à caçada e troca de orelhas, cabeças e seios por dinheiro, tendo a última representante falecido nos anos 60 ou 70. De lá segue-se para a Reserva do Pingüim-rei, com uma parada em uma panificadora, onde comprei uma deliciosa empanada por $1000. A partir daí é estrada e mais estrada, até chegar na reserva, que é privada. O pinguim-rei (Aptenodytes patagonicus) está voltando a colonizar a região da Bahia Inútil após ter sumido devido à caça e captura. Os bichos são realmente belos, sendo a segunda maior espécie de pinguins, atrás apenas do pinguim-imperador, (aquele do filme Happy Feet). Ao contrário da pinguinera clássica, aqui há cercas que delimitam a área onde o turista pode ficar, sendo impossível o contato direto com os animais, o que é positivo para não prejudicar a recolonização e não influenciar o comportamento ou saúde dos animais De lá, retorna-se para Punta Arenas, cruzando novamente o Estreito, o que dessa vez foi recompensador pelos vários golfinhos-de-commerson (Cephalorhynchus commersonii), com seus saltos e mergulhos sincronizados. Minha opinião sobre o passeio: É um passeio interessante, mas caro. Se o amigo leitor dispõe de tempo e dinheiro, ou quer muito ver essa espécie, que vá, pois é uma oportunidade única de vê-la. Caso tenha apenas um dia, como nós, e seu objetivo é chegar mais perto dos animais e tirar selfies, o passeio das ilhas Marta e Magdalena valerá mais a pena, além de ser $25.000 mais barato, um dinheiro que faz falta numa viagem. (http://www.pinguinorey.com/index.php ; http://turismoselknam.cl/) Retornamos a Punta Arenas próximo das 20 horas. Depois de tomar banho e descansar um pouco, começamos a pensar no que faríamos na noite de Reveillion. Decidimos por jantar e depois ir para a festa de virada na avenida. Entretanto, não foi fácil encontrar restaurantes aberto e com mesas disponíveis, pois os poucos necessitavam ter feito reserva. Acabamos encontrando o Submarino Amarillo, na Colón, e por lá ficamos. O local é um bar e restaurante, e também hotel, com temática rock´n´roll clássica e recebe apresentação de bandas. Pedi um salmão com purê de batatas e uma coca-cola, ao custo de $11.700. Indico o lugar. Saímos do bar rumo à concentração de pessoas. O clima no local estava agradável, bastante familiar. No microfone, o mestre de cerimônia animava o público, perguntando volte e meia quem iria “carretear hasta las 5 de la mañana”, ao que o povo respondia alegremente. Depois da contagem regressiva, dos fogos e da comemoração, uma banda local animou a festa, tocando inclusive IlarilariÊ. Para nossa surpresa e contrariando o discurso anterior, às 1h da manhã a música cessou, o mestre de cerimônia encerrou a festa e o povo foi para as suas casas. Voltamos ao hostel, arrumamos as mochilas e dormimos. PUERTO NATALES Partimos de Punta Arenas rumo a Puerto Natales no ônibus das 10 da manhã e chegamos por volta das 13:30. Assim que desembarcamos, fizemos o que todos devem fazer de imediato: providenciar o translado até o Parque Nacional. Apesar de termos planejado iniciar o circuito pela manhã do dia 02, decidimos pegar o ônibus das 14:30 para Torres del Paine, pois ainda precisávamos comprar mantimentos. Tomamos essa decisão tranquilamente pois durante a viagem de Ushuaia para Punta Arenas um holandês que havia feito o O confirmou que, mesmo indo ao parque no ônibus das 14:30, era totalmente possível completar o primeiro trecho ainda com luz. Conseguimos por $12000 negociando na Via Paine (O preço normal é $15000). Negociando desconto em outra empresa, me responderam sarcasticamente que se eu não quisesse comprar não teria problema, pois os ônibus sempre partem cheios, outros comprariam. . De lá caminhamos até nossa hospedagem, Hostal San Augustin, o qual não recomendo. A diária custa $13.500, com café da manhã fraco. O lugar não é ruim, é limpo, confortável, mas o tratamento é péssimo. Além disso, só faltava cobrar para respirar. Cobravam $500 ou $1000 pesos por dia, por mala no locker room. Existem opções melhores, como por exemplo, o Lili Patagonicos, no qual fizemos reserva para quando regressamos do Parque e o qual recomendo fortemente. O preço é $12.000 em quarto com 4 camas e banheiro, café da manhã bastante reforçado, wifi. Ótima estrutura e atendimento. Além disso, o locker room é gratuito e nos permitiram deixar o resto da bagagem lá enquanto percorriamos o Circuito O, obviamente com pagamento de 50% da diária. Lá eles também alugam e compram bons equipamentos para trekking por um bom preço. Almoçamos no Restaurante Marítimo ($9.250 o prato principal mais bebida). Lá também é servido menú completo por $4.000. Recomendo, assim como recomendo outro restaurante, o Carlitos, que serve um Menu mais saboroso e reforçado por cerca de $5.000 se não estou enganado. Depois do almoço no dia 01, fomos até a Kallpamayu, loja na qual reservamos por email a barraca que levaríamos para Paine. A loja é boa e foi uma das que me passou mais confiança. Pegamos uma Doité Aconcágua para 3 pessoas, por $ 6.500,00 o dia (depois de negociar). A barraca era grande o suficiente para nós três e seria uma boa casa para os próximos 7 dias, além de que dividiríamos o peso. No dia 02 pela manhã aproveitamos para comprar o restante dos mantimentos e eu aproveitei para comprar um capacete de escalada também na Kalpamayu, pois o preço estava compensando. Para quem está procurando equipamentos, os preços são bem convidativos. Almoçamos no Carlitos e às 14:30 partimos para o Parque. CONTINUA...
  8. Desde quando fomos até o Ushuaia de carro e passamos brevemente por Torres del Paine, o parque não saiu da minha cabeça! Finalmente, depois de alguns anos conseguimos voltar para fazer o Circuito W! Com certeza uma das paisagens, se não a paisagem, mais linda que já pude presenciar. Milhas e milhas de natureza bruta, clima Patagônico, gelo, floresta, sol, neve, lagos e montanhas. Sem dúvida um “Must go” para os amantes de Trekking! Bem, vou compartilhar um pouco da minha experiência, vou tentar ser breve e certeira nas informações que mais precisei quando estava me planejando. Insta: @domizila Site: www.embarcandonatrilha.com.br 1 – Qual a melhor época para viajar? Pelas minhas pesquisas, sem dúvidas é o verão. Nós fomos em Março, fim do verão e começo do Outono. Pegamos temperaturas negativas em certos pontos, mas ainda sim foi bem tranquilo. A primeira vez que fui a passeio no parque havia sido em Julho. Me lembro que não dava para abrir a porta do carro por conta do vento fortíssimo, então inverno não é uma opção. 2 – Por onde começar? Laguna Amarga ou Pudeto? A primeira coisa que você precisa definir é por qual lado do parque começar. Você pode iniciar por Laguna Amarga, onde você verá as torres logo no início da viagem ou você poderá iniciar por Pudeto onde você deverá inicialmente pegar o Catamarã e ir para a outra ponta do parque, deixando como a cereja do bolo as torres por último. Dica: Algumas pessoas que conheci iniciaram por Pudeto, mas optaram por ficar um dia a mais. Elas ficaram hospedadas a primeira noite no Abrigo do lado das torres, para ter a oportunidade de pegar 2 janelas de tempo, uma no primeiro dia e outra no último. Para quem não sabe o clima é quase que imprevisível, muitas vezes as torres estão escondidas atrás das nuvens. Nós iniciamos por Pudeto por motivos de força maior. Decidimos viajar 5 meses antes da data escolhida e já estava tudo esgotado (Isso que fomos em Março, que já é considerado baixa temporada), os principais abrigos e melhores opções não estavam mais disponíveis, então adaptamos ao que tinha! Então, antes de mais nada: Agende o quanto antes e escolha o lado que deseja iniciar. 3 – Posso deixar a bagagem extra de viagem em algum lugar enquanto estou na trilha? Sim, e não precisa se preocupar quanto a isso. Acho que posso dizer que 100% dos Hostels em Puerto Natales tem o serviço de guardar sua bagagem extra durante a trilha. Muitos, nem cobram se você voltar e se hospedar no retorno do parque. Custo: Se te cobrarem, será uma média de 3.000 pesos o dia 4 - Como chegar no Parque? É bem simples! Considerando que você chegue de avião, o aeroporto mais próximo será o localizado em Punta Arenas. Do próprio aeroporto saem ônibus para Puerto Natales, basicamente de hora em hora. Se você ficar hospedado em Punta Arenas, na cidade tem uma rua onde estão localizadas basicamente todas as cias de bus, é só chegar e comprar. Custo: $ 16.000 pesos ida e volta Punta Arenas - Puerto Natales Chegando em na estação em Puerto Natales, você poderá comprar as passagens para o Parque. As principais cias que trabalham o trecho são: https://www.bussur.com/ http://www.busesmariajose.com/services.php Dentre outras. Existe diferença de preço entre desembarque em Laguna Amarga e Pudeto Custo: $ 18.000 pesos ida e volta Puerto Natales - Torres Fique de olho nos horários para não perder o ônibus voltando da trilha. Se você quer chegar em Puerto Natales e já ir para Punta Arenas, tem que sair cedo do parque. Nessa opção obrigatoriamente você vai para Puerto Natales e de la para Punta. 5 - Onde comprar meu ingresso do parque? Você pode comprar seu ingresso em dois lugares: Na estação de ônibus de Puerto Natales: Acho que poucas pessoas sabem dessa. Eu encontrei por acaso. No fundo da estação tem um escritório adm do Parque e lá vende os ingressos. Só pode comprar com cartão nessa opção. No parque: Chegando no Parque, obrigatoriamente todos os ônibus param na portaria para a compra de ingressos. Nessa opção só aceitam dinheiro. Custo: $ 21.000 pesos Essa foto é da estação de ônibus de Punta Arenas. Ali ao fundo, no Informacion, você pode comprar o ingresso do parque com cartão. 6 – Passa cartão no parque? Olha, em partes passa, mas eu não contaria com isso. Recomendo levar dinheiro para evitar passar perrengue. Lembre-se que você está literalmente no meio do nada, não tem como sacar dinheiro por lá e se a internet não estiver pegando bem, não tem muito o que fazer. 7 – Onde ficar hospedado dentro do parque? A primeira coisa que você precisa saber é que as hospedagens do parque são parte administradas pela: - Conaf (Campings roots): http://www.parquetorresdelpaine.cl/es - Vertice (Hospedagens do lado de Pudeto): http://www.verticepatagonia.cl/home - Fantastico Sur (Hospedagem desde o Italiano até do lado de Laguna Amarga): http://www.fantasticosur.com/mountain-lodges/ Vou colocar em ordem de barateza rs: - Pela Conaf, seriam os acampamentos roots, experiência total. Você leva sua barraca, seus equipos e paga uma taxa para uso do espaço do camping e banheiro, se não me engano é USD 10,00 por dia - Abrigos (que são bem confortáveis) ou no acampamento em que, você chega e já está tudo arrumado (barraca montada, isolante, colchão, etc). Nessa opção o custo por noite por pessoa seria na média de USD 100 e se quiser incluir o FB (Café, lanche de almoço e jantar) média de USD 150 (Levei minha comida e cozinha, fui bem feliz com essa opção) - Também existem opções dos Domos no acampamento Frances, mas pelo o que escutei eles são desconfortáveis, muitos com goteiras, mas pode ser uma saída caso não tenha mais vaga nos albergues. - E se você já é uma pessoa que está ai, bem de vida, só na alegria e curtição, pode ficar nos hotéis maravilhosos, com direito a piscina aquecida, ofuro ao ar livre, muito vinho e comida boa. Tem algumas opções, não estendi muito a minha busca mas vi que variava entre USD 200 até USD 700 por cabeça. Custo: Vai acabar dependendo de sua escolha. Os valores não permitem parcelamento, tudo à vista pelo paypall 8 – Não levei comida o suficiente, tem como comprar no parque? Se você chegou da caminhada e ficou com a fome de 10 guerreiros e não comprou o Full Board antecipado, avisando um pouco antes do horário da refeição você pode pagar na hora para se alimentar. Também tem vendinhas com chocolate, frutas, até mesmo capas de chuva, mas lembre-se: Você está em um lugar onde o principal meio de transporte são os cavalos e as costas das pessoas. As coisas não são baratas, por motivos óbvios. Inclusive os meios de reciclagem de lixo, água e dejetos são extremamente respeitosos com a natureza, porém tudo tem um custo. Tente levar tudo o que precisa, se não, você pagará R$ 15,00 por uma barra pequena de chocolate. 20180319_193404.mp4 9 – Quero beber uma breja depois da caminhada, tem como? Tem sim! Mas, mais uma vez não espere pagar pouco: Custo cerveja lata: $ 5.000 pesos (média de R$ 25,00) Custo garrafa vinho: $ 30.000 (média de R$ 160,00) – E é um Casillero del Diablo Ou, faça como eu, ignore o peso da mala e leve uns vinhos rs 10 – Quero cozinhar no parque com meu equipo. Como faz? Existem cozinhas comunitárias para fazer fogo com seu equipo e cozinhar. Fazer fogo fora dos lugares indicados é estritamente proibido. É proibido no nível de que se te pegarem, além de ser expulso do parque, você é deportado do Chile e ainda sofre um processo. Em todos os lugares de acampamento/abrigos tem espaço para cozinha, mas nem pense em fazer fogo durante a trilha, além de ser proibido, você pode colocar fogo na oitava maravilha do mundo. Acho que você não quer fazer isso, não é mesmo? Ou pelo menos não deveria querer. 11 – Preciso de Guia? Não. Você não precisa de um guia (O trabalho dos guias é maravilhoso e na grande maioria das trilhas do planeta é recomendado ir com um, porém esse parque foi projetado para ser autoguiado) As trilhas são muito bem demarcadas, o mapa é de fácil leitura. Existem inúmeras pessoas fazendo a trilha, o rastro é muito visível e você pode acompanhar o caminho pelas marcações com estacas e tintas. Claro que você precisa prestar atenção no que está fazendo, enquanto estiver na trilha esteja atento as marcações, preste atenção nas pessoas que passam por você. Enquanto eu estava lá um grupo decidiu “cortar caminho” se perdeu no meio do mato, então, não corte caminho. 12 - É fácil encontrar água durante a trilha? Sim, é muito fácil. Não precisa ficar carregando litros e litros de água. Um cantil de 750ml já basta. Você passa por muitos pontos de água a todo momento. Roteiro Pegamos o primeiro ônibus que saia de Puerto Natales, para chegar no parque a tempo de pegar o Catamarã das 11: 35. O Catamarã das 11:35 é o limite para conseguir fazer o Mirador Grey, se pegar o das 14:00 já era, tem que deixar para o dia seguinte. Mesmo assim tem que andar rápido na trilha. O sol estava se pondo por volta das 20:00 Portaria Laguna Amarga: Pudeto: Aguardando o Catamarã Vista do Catamarã Indo para o Grey Indo para o Grey Friaca indo pro Grey Primeiro Mirador do Grey Primeiro Mirador Voltando do Grey para Paine Grande (Pega na quantidade de roupa que o Gabriel esta usando kk) Chegando em Paine Grande Vista do Refugio Paine Grande Saindo da Cozinha e indo para o Refugio 20180319_193145.mp4 Sobre a Trilha: É uma trilha extensa, sem grandes desníveis. Bem no começo tem algumas subidas, mas depois é bem tranquilo. Muito bonito! Você vai margeando o lago à direita e montanhas à esquerda. Tem que apertar o passo para fazer o bate e volta, é só focar que a trilha sai! Dia 02 Paine Grande Nao da para cansar de ver essas fotos rs Dia 03 Indo para o Italiano Campamento Italiano Subindo Rumo ao Britanico Chegando no Britanico Voltando e Parando no Mirador Frances (Na realidade voce passa por ele na ida e na volta, para mim um dos pontos mais belos ) Campamento Frances Sobre a trilha: Considero o ponto mais alto, depois das Torres. O segundo dia de caminhada é belissimo do começo ao fim, as paisagens mudam constantemente, mantendo você envolvido com cada detalhe. A subida do Frances e Britanico é moderada, muitas pedras, tem que prestar atenção no caminho e onde pisa, mas não é nada extra hard. A todo momento você consegue observar o degelo da montanha formando os rios, é uma beleza indescritivel Sobre o Acampamento Frances: A estrutura é boa. Mas, se estiver chovendo a cozinha é a céu aberto e se tiverem muitas pessoas para tomar banho, você pode acabar ficando com água gelada. Foi o que aconteceu comigo. Sim, tomei banho gelado a 6cs kkk Parece que o sistema de aquecimento leva um tempo para subir a temperatura da água e se várias pessoas usam de uma vez, a água quente acaba e tem que esperar um tempão para aquecer. Mais um detalhes sobre o acampamento: Ele tem infestação de ratos. Inclusive quando entramos na barraca notamos uns buraquinhos, achamos que era normal, mas descobrimos a noite que os ratos tentam entrar na barraca atrás de comida. Então, mantenha toda a comida muito bem embalada e se prepare para escutar alguns roedores pela noite rs Dia 04 Sobre a trilha: O desnível começa a aperecer mais forte no terceiro dia. Na realidade tem muito sobe e desce. É uma trilha mais dura, pois a paisagem não muda tanto e em horas leva bastante tempo para conseguir finalizar. Nós conseguimos vaga somente no Torre Norte, em certo momento a trilha partindo do campamento frances bifurca, um lado vai para a Torre Norte/Central e o outro para o Chileno. Eu realmente recomendo ir para o Chileno. É uma subida consideravel, mas faze-la no mesmo dia de ataque as Torres foi bem pesado. Entao, vá para o Chileno. Repito, Va para o Chileno. Chileno. Dia 05 Comecinho do ultimo trecho para as torres Chegando nas Torres Tudo que sobe, tem que descer, e voltamos das Torres para o Refugio Central/Norte, pegamos um translado até Laguna Amarga e de lá demos um "Até breve" para Torres del Paine Segue uma imagem linda da despedida Sobre a Trilha: O último dia!! Ao mesmo tempo que não queríamos ir embora, foi um alívio. O cansaço começou a bater. É engraçado como muito da nossa questão de alcançar um objetivo, vem da cabeça! Até o penúltimo dia estávamos bem o último, parecia que um caminhão tinha passado por nós rs. Bem, algumas coisas aconteceram, vou colocar na linha: 1. Saímos de madrugada, para tentar chegar no nascer do sol nas torres, porém o caminho do Refugio Norte/Central até o Campamento Chileno (que seria o início da trilha para as torres) é extremamente puxado. É um caminho estreito que vai beirando o abismo, pegamos neve e muito vento. Acabamos indo lentos demais. 2. É muito importante você ter o equipamento correto, dentre eles o Anorak! Meu marido se confundiu na hora de fazer as malas e levou o errado. Compramos o que tinha na hora (capa de chuva) e ele sofreu muito com isso, até troquei de roupa com ele em certo ponto 3. A subida é forte, com muitas pedras. Os último 45 minutos de caminhada são puxados, vi muita gente com cara de desespero na trilha rsrs 4. Chegar no topo não tem preço, me arrepia só de lembrar! Só tenho a agradecer por ter tido esse momento em minha vida. 5. Infelizmente estava nevando muito, a temperatura estava negativa. Não conseguimos ficar muito mais que 10 minutos lá em cima, mas valeu cada segundo dessa trip muito louca O que não pode faltar na mala: Pessoal não vou passar um check-list completo do que precisa levar, mas vou falar do que não pode faltar de jeito nenhum: - Anorak (100% A prova de água) - Calça impermeável - Um bom tênis para caminhada - 3 Boas meias para caminhada (Cano alto, que evita bolhas, comprei na Decatlhon e foi ótima) - Pelo menos 2 blusas respiráveis, para usar como primeira pele - Capa de Chuva para a Mala - Uma mochila de ataque - Um Fleece - Um lenço para enrolar nas orelhas, venta bastante, evite dor de ouvido - Lanterna de Cabeça - Frutas Secas, Comidinhas fáceis como salaminho, levar ovo já cozido, polenguinho Bem, espero ter ajudado! Ficarei mais do que feliz em ajudar e tirar dúvidas de quem esta se preparando para ir!! Um grande beijo e bons ventos!
  9. Olá pessoal, A anos venho sonhando em fazer o Caminho de Santiago de Compostela, sonho de adolescente mesmo mas nunca me preparei a sério para isso. Porém depois de rodar um pouco por este mundo Portugal se tornou um dos meus lugares preferidos, por isso agora estou pensando em fazer o chamado Caminho Português. Sei que pouca gente conhece esta rota, mas ano após ano vem atraindo mais peregrinos e já chegou a 35 mil ano passado. Alguém mochileiro ai já fez? Ou tem vontade? A rota sai de Lisboa, passando por alguns locais famosos como Santarém, Tomar, Coimbra, Porto, Barcelos e Ponte de Lima, são aproximadamente 640 km, contra 800 km do Caminho Francês.
  10. Fizemos a maioria dos caminhos que passam pela Serra da Mantiqueira(Estrada Real, Caminho da Fé, Crer....), alguns mais de 1 vez. É quase unanimidade entre os caminhantes que, indiscutivelmente, a Serra da Mantiqueira têm as mais bonitas paisagens e, nós concordamos integralmente. São caminhos que proporcionam lindas fotos, clima agradabilíssimo, povo acolhedor e simpático, ingredientes que definiram esse roteiro. Foram quase 50 dias e mais de 1.100 quilômetros de muitas alegrias, felicidade e paz, poucas tristezas e decepções. Começamos e terminamos na MAGNÍFICA cidade de Campos do Jordão-SP, depois de rever vários lugares (passei alguns invernos nesta bela cidade, quando eu era "bacana"). A cidade se transformou, criaram vários roteiros turísticos, belas e caras casas dos novos e velhos "bacanas", ótimos restaurantes, atrações mil, pousadas e hotéis de todo tipo e preço, tem até o refúgio do peregrino, comércio bom, povo hospitaleiro, clima perfeito e, ainda por cima fomos no verão, baixa temporada, onde com facilidade encontramos boa hospedagem com preços menores que muitas hospedagem em cidades pequenas. Outra coisa que pesou em escolher fazer essa travessia é que a região se assemelha muito com um projeto que temos em mente, que é a travessia entre Punta Arenas x Arica no Chile, então serviu como treinamento.
  11. A Trilha Transcarioca Inicialmente idealizada pelo diplomata Pedro Cunha e Menezes em seu livro “Todos os Passo de Um Sonho” (2000), a ideia da trilha Transcarioca foi a de implantar no Brasil um circuito de caminhos naturais de longo curso e sinalizado. Inspirado em casos de sucesso internacionais, como a Appalachian Trail (E.U.A), Huella Andina (Argentina), Hoerikwaggo Trail (África do Sul) e Te Araroa Trail ( Nova Zelândia), a ideia era criar um longo percurso de trilhas sinalizadas que interligasse as áreas de proteção natural do Município do Rio de Janeiro, estimulando deste modo a visitação à estes parques. Depois de alguns avanços e muitos retrocessos, a Trilha Transcarioca finalmente saiu do papel e foi implantada e inaugurada em fevereiro de 2017. Com 180 Km. de trilhas sinalizadas pelo trabalho de centenas de voluntários, o circuito atravessa grandes áreas de preservação ambiental do Rio de Janeiro, tais como: Parque Municipal de Grumari Parque Estadual da Pedra Branca (Maior Floresta Urbana do Mundo) Parque Nacional da Tijuca Parque Municipal da Catacumba Parque Natural Paisagem Carioca Monumento Natural do Pão de Açúcar Hoje o circuito é uma das grandes atrações e programas dos cariocas amantes de Hiking e Trekking. É ideal para quem mora numa grande cidade e não deseja realizar uma grande viagem para completar um grande circuito de trekking. Ele pode ser completado de uma só vez só ou aos poucos, como eu fiz, dando um intervalo de descanso de alguns dias entre um trecho e outro. Também pode ser feito no sentido Guaratiba – Urca ou no contrário. Os intrépidos excursionistas que completam o percurso no primeiro sentido são conhecidos como Guarurcas, enquanto os segundos atendem pelo apelido de Urcibas. Comecei minha empreitada logo depois da inauguração da supertrilha, e relato todos os detalhes desta aventura no meu blog Saga Transcarioca. Vou resumir aqui um pouquinho da aventura e todos seus principais atrativos. Percorri a trilha em 23 etapas, fazendo uma adaptação pessoal no roteiro recomendado pela organizadora do circuito, de modo que não deixasse de lado as badaladas Pedras da Gávea e Bonita. Já no primeiro dia da aventura, visitei uma das maiores atrações naturais do Rio: a famosa Pedra do Telégrafo, que passou a ser bem procurada depois que passaram a circular nas redes sociais fotos de aventureiros pendurados na ponta da pedra que se projeta sobre o abismo. Mas a sensação de perigo, não passa de uma ilusão de ótica, já que a base da pedra está situada poucos metros abaixo, e uma queda dali não causa mais do que alguns arranhões. Nos finais de semana, chega a se formar até uma fila de trilheiros que buscam tirar fotos ali em posições criativas. Ainda no primeiro dia, visitei as belíssimas praias selvagens que são avistadas do alto da pedra, como as praias do Perigoso, do Meio, Funda e do Inferno. No segundo dia, iniciei a caminhada na Praia de Grumari e retomei a caminhada feita pelos piratas franceses que desemcarcaram ali no longínquo ano de 1710 e adentraram a mata, para sair na Baixada de Jacarepaguá e atacar a cidade do Rio pela retaguarda. No dia 3, começo a adentrar o coração do Maior Parque Natural Urbano do Mundo, percorrendo o sobe e desce da selvagem Serra Geral de Guaratiba. O quarto dia é reservado para mais alguns mirantes e a visitação da zona rural de Campo Grande. O alto do Mangalarga com sua vista magnífica é atingido no dia 5 e o Pico da Pedra Branca, que é o mais alto do Rio com 1021 mts. é conquistado no dia 6. O sétimo dia é um dos mais intensos com a visita à duas das maiores atrações da Transacarioca, o belíssimo Açude do Camorim e a Pedra do Quilombo. O dia seguinte é o mais cansativo de todos, pois uma subida extenuante e feita debaixo de Sol durante boa parte do tempo, é o que espera o excursionista que deseja atingir a Pedra do Ponto, que tem uma visão ímpar do Município. Altitudes baixas e caminhadas leves com poucas sombras prevalecem nos dias 9 e 10. Deixei o pouco conhecido Parque da Pedra Branca, para adentrar a famosa Floresta da Tijuca pelos fundos no dia 11. Atravessa-se um vale muito selvagem com belas cachoeiras até se atingir os cumes de alguns dos picos mais altos do Parque como o Andaraí Maior, o Tijuca-Mirim e o Tijuca. Grandes altitudes são a norma também do dia seguinte, quando visitei pelo menos quatro grandes picos: o da Coruja, do Papagaio, do Cocanha e da Taquara. O roteiro oficial recomenda que a partir daí se atravesse para a Serra da Carioca do outro lado do parque, mas resolvi fazer um looping completo para conquistar as Pedras do Conde, da Caixa e do Anhanguera e visitar a Cachoeira das Almas, o circuito das Grutas, as ruínas do Humaitá, a Fazenda, o Alto do Cruzeiro, o Museu do Açude e o Mirante da Cascatinha, não deixando de fora nenhuma grande atração da floresta. Assim me senti satisfeito o suficiente para atravessar o vale e visitar alguns dos mirantes mais espetaculares de todo o circuito como o da Freira e do Morro Queimado. Descendo deste morro, resolvi fazer mais um desvio para visitar as Pedras da Gávea e Bonita. No meio do caminho passei pelas imponentes ruínas da Fazenda Van Moke, que foi uma das maiores produtoras de café do Brasil, durante o século XIX. A Pedra Bonita, que é um dos morros mais visitados do Rio, foi conquistada no dia 16 e a imponente e misteriosa Pedra da Gávea no dia 17. Por ser a trilha mais difícil, e pela vista incrível que proporciona, a conquista da Gávea, representa um dos momentos culminantes da Transcarioca. No dia 18 volto para a rampa de voo livre da Pedra Bonita e de lá inicio uma árdua caminhada em mata muito fechada, passando por trilhas de traçado muito indefinido que interligam os Picos da Agulhinha, Morro do Cochrane e Ponta das Andorinhas. No final do dia reencontro com o traçado oficial da Transcarioca, saindo logo adiante na famosa Vista Chinesa. E de lá pego uma trilha que sai no Solar da Imperatriz no bairro do Jardim Botânico. Lá retomo a caminhada no dia 19, que reservado para o banho nas várias cachoeiras do Horto, como as do Jequitibá, do Chuveiro e da Gruta. Começo o dia seguinte com o banho em mais uma cachoeira: a dos Primatas, mas a atração principal do dia, também é a principal de todo o circuito: o topo do Corcovado, que é alcançado depois de vencida trilha bem sinuosa e cansativa. A vista única do alto do Cristo, justifica o título de ponto turístico mais visitado do Brasil. Do alto do Corcovado vislumbro minhas próximas e últimas metas: os morrinhos de Sacopã, São João e Babilônia, que os destinos dos dias 22 e 23. Suas baixas altitudes não apequenam em nada as visões grandiosas e inusitadas que proporcionam de Botafogo e de Copacabana. A Transcarioca é finalizada com a fácil subida do Morro da Urca, seguida da descida até a praça de fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Nenhum lugar seria mais apropriado para terminar esta épica jornada de 23 dias, e que ficará para sempre na memória.
  12. Oi pessoal. Este é um relato dessa caminhada saindo de Tambaú (SP) até a Basílica de Aparecida com algumas dicas, informações e depoimentos em vídeo que fui fazendo ao longo do percurso. Iniciei sozinho a caminhada no dia 27 de Maio e fui terminar no dia 10 de Junho. Passei no meio de plantações de café, cana de açúcar, trilhas na mata, trilhos de uma linha férrea e no asfalto. Atualmente o Caminho sai de 3 lugares diferentes e sempre estão acrescentando mais cidades. Seguindo sempre as setas amarelas, o Caminho passa por mais de 20 cidades e vilas. Até a cidade de Paraisópolis fui caminhando sozinho e a partir dali continuei a caminhada com a minha esposa Márcia. Ao longo do Caminho encontrei outros peregrinos, alguns de bike e outros caminhando. Tem um trecho de uma música do Gilberto Gil que diz: “Andá com fé eu vou que a fé não costuma faiá”. Acho que reflete bem sobre o que eu passei em toda essa caminhada, que me fez reunir forças para caminhar 429 Km. Os primeiros dias foram os mais difíceis (muitas dores musculares). Começou a melhorar lá pelo 4º dia, quando caminhei 50 Km em 15 horas direto. Na maioria dos trechos eu saia por volta das 08:00 hrs e chegava na outra cidade no final de tarde. Alguns trechos cheguei já escurecendo. Para quem usa GPS, no wikiloc eu plotei toda essa caminhada: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=945495 As fotos eu dividi em vários álbuns, sendo que para cada dia eu fiz um. No final de cada trecho eu também fazia uma filmagem em vídeo relatando sobre os problemas que passei, como foi o percurso e uma descrição de como é a pousada. O tempo médio de cada vídeo ficou entre 5 a 9 minutos. Aqui estão todos os vídeos: http://www.youtube.com/view_play_list?p=BEB6909BA9522A51 Abaixo um pequeno resumo dessa caminhada 1º dia: Tambaú/SP até Casa Branca/SP - 35 Km Trecho dos mais tranquilos, por ser plano e com poucas subidas e descidas. Ideal levar uns 2 litros de água (apesar de haver indicações e lugares onde pegar água pouco antes da divisa). Ao longo do trecho, o caminho passará por plantações de café, cana de açúcar, batata, feijão, laranjas e tangerinas. Ao passar pelo cemitério de Tambaú, logo à frente o Caminho sai da Rodovia à direita e segue por estradas de terra até chegar em Casa Branca. A divisa de municípios você chega depois de 11 Km, umas 3 horas depois. Cheguei em Casa Branca depois de pouco menos de 9 horas de caminhada. A Pousada na cidade fica em uma área da Igreja Nossa Senhora do Desterro e com café da manhã simples. Fornece jantar, mas é necessário reservar antecipadamente. Os quartos são coletivos e enormes (sem TV), mas um local bastante tranquilo. Fotos desse dia: Vídeo: 2º dia: Casa Branca/SP até Vargem Grande do Sul/SP - 31 Km Trecho bem desgastante e cansativo, sempre com o Sol incidindo. Leve água da pousada ou compre em algum bar da cidade, pois ao longo do trecho eu não achei. Só nos Kms finais. Logo que estiver saindo da cidade e passar embaixo da Rodovia, fique atento que o Caminho pega uma bifurcação à direita e segue cruzando outras Rodovias até chegar no acostamento de uma delas e aí seguir por 6 Km até um desvio à esquerda (fique atento a isso) que agora segue por inúmeros sítios e fazendas. Com varias paradas para descanso fui chegar em Vargem Grande do Sul depois de 10 horas de caminhada. Existe somente um Hotel na cidade para receber os caminhantes: Príncipe Hotel que fornece café da manhã. Melhor lugar para jantar na cidade é no Varanda´s Restaurante (próximo da Igreja Matriz). Existe outra Pousada a cerca de 10 Km da cidade, que o Caminho passa ao lado: é a Pousada Da. Cidinha. Fotos desse dia: Vídeo 3º dia: Vargem Grande do Sul/SP até São Roque da Fartura/SP - 27 Km Trecho inicialmente no plano com subidas leves e depois de passados uns 12 Km se iniciará a árdua e íngreme subida da Serra da Fartura (existe a Pousada da Da. Cidinha no início dessa subida). Já do outro lado da serra, o Caminho segue por um pequeno trecho de asfalto, de onde já se consegue ver São Roque da Fartura ao fundo e depois volta a subir a Serra da Fartura, como se fosse um desvio. É um trecho bem desgastante, pois é só subida (o visual lá da crista vale a pena). Levei 8 horas de Vargem Grande do Sul até São Roque da Fartura. A Pousada Cachoeira (que pertence Da. Cida) fica depois da Vila, cruzando a Rodovia e se localiza numa subida bem íngreme e oferece jantar. Se quiser fornece café da manhã também. Fotos desse dia:https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658134415908 Vídeo 4º dia: São Roque da Fartura/SP até Andradas/MG - 50 Km O trecho mais longo de todos - caminhei durante 15 horas direto até Andradas. Até o início da descida da serra em direção a Águas da Prata é quase todo no plano, passando por inúmeras nascentes e no meio de plantações de café. Saí de São Roque da Fartura pouco antes das 05:00 hrs e cheguei em Águas da Prata pouco depois das 09:00 hrs. Como encontrei a Pousada do Peregrino fechada, passei direto pela cidade. De Águas da Prata até Andradas o trecho segue por um imenso vale inicialmente no plano para depois só subida. Andradas se localiza em um grande vale entre 2 serras, por isso o trecho final é de descida íngreme e longa. Fiquei no Hotel Pastre, mas na cidade existe outro Hotel que é melhor: o Hotel Palace. Os dois fornecem café da manhã. Melhor lugar para comer é no Restaurante União. Fotos desse dia: Vídeo 5º dia: Andradas/MG até Crisólia/MG - 36 Km Esse trecho é dividido em vários outros: de Andradas a Serra dos Limas e depois até Barra e depois até Crisólia. O trecho de Andradas até a Serra dos Lima lembra um pouco a subida da Serra da Fartura por ser muito íngreme. De Serra dos Lima até distrito da Barra é plano e depois descida íngreme até o fundo do vale. Já de Barra até Crisólia é uma subida íngreme muito forte, uma parte plana e pequenas descidas. Na parte final é um longo trecho plano que parece nunca terminar. Não se vê Crisólia do Caminho. Ela aparece de repente, escondida entre os morros. Saí de Andradas por volta das 07h30min, chegando na Barra pouco depois das 12:00 hrs e por volta das 18:00 hrs em Crisólia. Na Serra dos Lima, a cerca de 10 km de Andradas fica a Pousada da Da. Natalina. No distrito da Barra, a cerca de 20 km de Andradas se localiza a Pousada do Tio João. Em Crisólia fiquei na Pousada da Da. Adelaide e que fornecia café da manhã. Atualmente em Crisólia só funciona a Pousada do Peregrino, que pertence a Da. Maria. Melhor lugar para comer em Crisólia é no Bar da Zéti. Fotos desse dia: Vídeo 6º dia: Crisólia/MG até Borda da Mata/MG - 38 Km Crisólia está próxima de Ouro Fino (7 Km). Esse trecho passa por dentro dessa cidade (passe no Supermercado Peg Pag e visite a Gruta de Nossa Sa. Aparecida) e depois chega a Inconfidentes (pare no Bar do Maurão – fica na entrada da cidade). Depois o Caminho segue por uns 2 Km pela Rodovia e logo sai para a esquerda, junto a um ponto de ônibus. Passa ao lado da Pousada Águas Livres e segue ora no plano, ora subidas leves. Nesse trecho, talvez você encontre o Seu Joaquim, ao lado da bica que ele fez (tem uma enorme placa em frente). O lugar é perfeito para descanso. O trecho final, de onde se enxerga a cidade de Borda da Mata é de descida e algumas partes planas, mas bem tranquilo. Saí de Crisólia as 07h30min e cheguei as 19:00 hrs em Borda da Mata. Se puder visite a Igreja Matriz de Borda da Mata, pois os vitrais internos são lindos. Fiquei no Hotel Village com café da manhã. Melhor lugar para comer em Borda da Mata: Restaurante San Diego onde também funciona um Hotel. Fotos desse dia: Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=TyTeRQK1N5A 7º dia: Borda da Mata/MG até Tocos do Mogi/MG - 16 Km Um dos trechos mais tranquilos dessa caminhada. Saí de Borda da Mata por volta das 10:00 hrs e cheguei em Tocos do Moji por volta das 15h30min. Alguns aclives e declives bem fáceis e muita plantação de morango ao longo do Caminho (isso se estiver na época). Não deixe de ir à Pastelaria Zé Bastião, que vende pastel de fubá. Pouco antes de chegar na cidade encontrei o Ronald (colega de uma lista de trekking da qual eu participo) e que me acompanhou até Estiva (de lá ele retornou para São Paulo). Fiquei na Pousada do Peregrino (Da. Terezinha) que não oferece café da manhã e nem refeição. Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157656209632074 Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=zrHN79M3ntY 8º dia: Tocos do Mogi/MG até Estiva/MG - 22 Km Li em alguns relatos de que esse trecho seria um dos mais difíceis, mas não chegou a ser. Depois de uma subida inicial, o Caminho passa pelo distrito de Fazenda Velha e depois uma longa descida e subida pelo Vale dos Teodoros. É um dos trechos mais bonitos de todo o Caminho. Muita plantação de morango também. Saí de Tocos do Moji as 08h30min e cheguei em Estiva pouco antes das 15:00 hrs. Fiquei na Pousada do Póka que se localiza sobre Padaria Santa Edwiges e ao lado da Igreja Matriz. Melhor lugar para comer: Nélios Restaurante Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157656220156963 Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=9RLl3q9kO00 9º dia: Estiva/MG até Consolação/MG - 20 Km Trecho também bem tranquilo. Saí de Estiva as 09:00 hrs e cheguei em Consolação por volta das 15h30min. Depois de cruzar a Rodovia Fernão Dias, o Caminho segue no plano a sua maior parte. Cerca de 2 horas depois da cidade se inicia uma longa subida da Serra do Caçador por quase 1 hora. Chegando ao topo o trecho é todo no plano com descidas até chegar em Consolação. Fiquei na Pousada da Da. Elza, que oferece jantar e café da manhã. A cidade é bem pequena e não oferece muita coisa. Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658131337630 Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=zPyrn6FpCcc 10º dia: Consolação/MG até Paraisópolis/MG - 22 Km Trecho também bastante tranquilo. Saí as 08h30min de Consolação e cheguei em Paraisópolis as 15h30min. O inicio dele é com leves descidas e todo no plano com uma ou outra subida leve. A longa subida não tão íngreme já tá quase no final, depois que o Caminho segue por uma estrada secundária. Chegando no topo é só descida até Paraisópolis, onde já se avista a Pedra do Baú de ângulo bem diferente. Fiquei no Hotel Central que oferece café da manhã. Melhor lugar para comer: Restaurante Choupana (simples, mas de qualidade) Fotos desse dia:https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157656209731114 Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=26TQDEioe6U 11º dia: Paraisópolis/MG até Campista/MG - 41 Km Sem dúvida nenhuma um dos trechos mais difíceis de todos. Aqui eu já estava com a Márcia que se juntou a mim até a Basílica de Aparecida. Por não saber como era o trecho e não encontrar relatos de outros peregrinos, já que ele foi inserido em substituição ao trecho de São Bento do Sapucaí, Sapucaí Mirim e Santo Antônio do Pinhal, caminhamos cerca de 14 horas direto. Ao chegarmos ao Distrito de Luminosa, que fica em um imenso vale, imaginávamos que a subida da serra não fosse tão extensa. Foi um desnível de 1000 metros, tendo de subir um trecho muito íngreme e extremamente cansativo no final. Não recomendo fazer esse trecho se você não está preparado para uma longa subida. Já quem for fazer esse trecho, deverá estar passando por Luminosa no máximo até 12:00 hrs, para chegar no asfalto antes do anoitecer, senão terá problemas - sugiro ficar na Pousada N. Sra das Candeias (Da. Ditinha) que fica ao lado da Igreja de Luminosa ou na Pousada da Da. Inez, uns 4 Km depois de Luminosa, já na subida da serra. No final da subida da serra, o Caminho segue por um trecho de mata e sem qualquer vestígio de vida humana (só com lanterna para fazer esse trecho no escuro). A Pousada Barão Montês fica na Estrada do Campista (que liga Campos do Jordão à São Bento do Sapucaí) e tá no meio do nada. Por não saber onde ficava a Pousada, cometemos vários erros nesse trecho. Nem imaginávamos que a Pousada ficava longe de tudo. E para piorar nem avisamos ao proprietário da Pousada que íamos chegar durante a noite. Por isso avise com antecedência que você vai pernoitar na Pousada para ele preparar o jantar. Fornece café da manhã. Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658134904928 Vídeo 1 http://www.youtube.com/watch?v=lhWUQKTpd_8 Vídeo 2 http://www.youtube.com/watch?v=yjXA9ErDFWg Vídeo 3 http://www.youtube.com/watch?v=OBkPI-AHOoM 12º dia: Campista/MG até Campos do Jordão/SP - 21 Km Saímos de Campista as 09:00 hrs e chegamos em Campos do Jordão por volta das 15h30min. O trecho é tranquilo e segue descendo pelo asfalto durante uns 30 minutos e ao chegar na divisa São Bento do Sapucaí/Campos do Jordão, o Caminho segue por estradas de terra à direita, agora em aclive. Chegando na crista o visual compensa, mostrando alguns bairros de Campos do Jordão e passando próximo da Pedra do Baú, à direita. Existe um pequeno bar à esquerda, pouco depois de se avistar a Pedra do Baú. O ideal é parar aqui, pois ainda tem um longo trecho até a Pousada Refúgio do Peregrino, que oferece café da manhã. Campos do Jordão oferece inúmeras opções de alimentação, mas dependendo da época se tornam muito cara. Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658478799316 Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=gxLkCskaDCM 13º dia: Campos do Jordão/SP até Pindamonhangaba/SP - 42 Km O trecho inicial ainda é pelo asfalto com algumas subidas e descidas, passando pelo ponto culminante ferroviário do país. O trecho mais chato é quando você caminha pela linha do trem (cuidado com o trenzinho, pois sempre tem algum descendo ou subindo). Chegando na Estação Eugênio Lefreve, em Santo Antônio do Pinhal, aqui é ponto final dos trenzinhos que saem de Campos do Jordão, por isso está sempre cheia - dizem que o bolinho de bacalhau do barzinho da estação é um dos melhores. No local tem um belo mirante de todo o vale e agora o Caminho sai da linha do trem e segue por uma trilha no meio da mata - tem a opção de continuar pela linha do trem, mas é bem mais cansativo. Terminando a descida chegamos no Bairro de Piracuama, onde existe uma estação de trem e 2 Pousadas, mas no dia nenhuma tinha vaga. Se quiser pernoitar por aqui em qualquer das pousadas é necessário reservar antecipadamente. Até o centro de Pindamonhangaba são uns 20 Km e lá existem mais 3 pousadas. Saímos de Campos do Jordão as 08h30min e chegamos no centro de Pindamonhangaba por volta das 20:00 hrs. Tivemos um pequeno problema nesse trecho. Veja no vídeo. Ficamos no Hotel Comendador, que oferece café da manhã. Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658134964888 Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=O_2Kc4BSmqc 14º dia: Pindamonhangaba/SP até a Pousada Jovimar (Aparecida)/SP - 27 Km Saímos por volta das 08h30min e chegamos na Pousada Jovimar as 17:00 hrs. O percurso foi todo no asfalto, ao lado da Rodovia que segue para Aparecida. É bem entediante, monótono e barulhento e para piorar não existem trechos de sombra (foi Sol na cabeça o tempo todo). Como não pretendíamos chegar no final de tarde na Basílica ficamos em uma Pousada a 3 Km antes, de onde ainda não se consegue ver a Basílica. O legal é que durante todo percurso sempre vão passando bikers ou peregrinos de outras cidades e ao verem eu e a Márcia de mochilas passam incentivando. Fotos desse dia:https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658478853556 Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=6o8_9wGcKpw 15º dia: Pousada Jovimar até Basílica - 3Km Saímos da Pousada pouco antes das 09:00 hrs, já que pretendíamos participar da Missa das 10:00 hrs. Assim que nos aproximávamos da Basílica, percebíamos que estaria lotada, haja vista o número impressionante de ônibus de turismo. Fomos subir as escadas da Basílica as 09h40min e depois da Missa fomos pegar nossa Mariana (certificado de quem conclui o Caminho da Fé) e no final da tarde voltamos para São Paulo. Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157656220376453 Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=jZnqML264mg Por hora é isso. Abcs
  13. Gosto muito de escrever relatos de viagem (tenho alguns aqui no Mochileiros), mas como já há muitos relatos excelentes aqui e em outros sites, pretendo focar mais em dicas que não são apresentadas geralmente nesses relatos. Todas as dicas são baseadas nas minha experiências pessoais na Patagônia no período de 1 a 18 de dezembro de 2017, passando por Punta Arenas - Puerto Natales - Torres del Paine - El Calafate / Perito Moreno - El Chatén - El Calafate - Rio Gallegos - Punta Arenas. Envolverão questões relativas a planejamento de passeios, deslocamentos, compras de equipamentos, gastos durante a viagem, câmbio de moedas e outros. Espero que elas ajudem bastante no planejamento e na execução com sucesso de sua viagem. Caso queira um roteiro básico ou um mini relato da minha viagem, segue ele aqui em pdf: Viagem realizada - Patagônia.pdf DEFINIÇÃO DE ROTEIRO BÁSICO - A definição do seu roteiro vai depender da quantidade de dias que você terá na região e das suas prioridades (desafios, conhecer apenas os locais principais, conforto etc). Como é possível ver no roteiro acima, fiquei 18 dias na região e o meu roteiro incluiu: circuito O de Torres del Paine, ida ao Perito Moreno e 5 dias completos em El Chatén. Nessa quantidade de dias, eu não alteraria em nada a quantidade de dias definida para cada localidade. Agora se você tiver mais tempo, dá pra esticar pro Ushuaia ao sul ou para as Catedrais de Mármore e região de Aysén ao norte. - Se for fazer o circuito W ou o O (informações sobre os circuitos mais abaixo) ou se for pernoitar em qualquer lugar de Torres del Paine, programe a sua viagem com o máximo de antecedência possível. Isso é importante por conta da necessidade obrigatória de reserva de locais. DICAS DE BAGAGEM E COISAS A LEVAR - Se for fazer o circuito W ou O em Torres del Paine é bom levar barras de cerais, proteína, frutas desidratadas e outros alimentos energéticos de baixo volume e peso na mochila. Comprei no atacado no Brasil e saiu super em conta! < Ouvi dizer que no Chile essas coisas não são caras, mas não sei se a informação procede > - Nunca havia usado bastões próprios de caminhada (só uns improvisados com galhos), mas vou dizer que se fosse dar uma única recomendação, especialmente para quem vai fazer o circuito O, é compre bastões de caminhada! Antes da viagem, procure ver como usá-los adequadamente para não atrapalharem no seu desempenho. < Se não fosse por eles, não teria completado o circuito O de Torres e não teria depois conseguido fazer muitas coisas em El Chatén > (dicas de locais de compra no tópico Punta Arenas) - Se for fazer o W ou o O, leve uma bolsa a mais para guardar as coisas que você não vai precisar no circuito escolhido e deixá-las guardadas no hostel em Puerto Natales. < As minhas ficaram toscamente em sacolas plásticas que se rasgaram com o peso > - Se ligue nos alimentos e produtos com os quais você pode ingressar no Chile. A galera da Aduana quando resolve agir com rigor, é BASTANTE rigorosa. < Tive que abandonar com peso no coração um sanduíche na aduana terrestre entre Argentina e Chile > - IMPORTANTÍSIMO para quem vai cozinhar: leve um fogareiro à gás (lembrando que o butijão de gás não pode ir como bagagem) ou compre um modelo desses em Punta Arenas. Não invente de levar fogareiros à álcool. < Levei um modelo desses álcool e tive a maior dor de cabeça em todos os dias. Isso por que nem na Argentina nem no Chile se vende álcool líquido. Para fogareiros desse tipo, a galera vende um solvente industrial chamado Benzina Blanca. Essa porcaria além de ter um cheiro fortíssimo que fica impregnado em tudo, expele uma fumaça preta que deve ser tóxica e ainda deixa as coisas cheias de fuligem. Dor de cabeça da porra! > MOEDA/CÂMBIO - Achei muito mais vantajoso trocar dólar, ao invés de real, pela moeda local tanto no Chile quanto na Argentina. Entretanto isso só é vantajoso se você comprar bem o dólar no Brasil. Dê uma olhada no ranking de instituições com melhores câmbios no site do Banco Central e em sites de melhor cotação como o Cambiar. - Se puder troque dólares pela moeda local em casas de câmbio de Santiago ou em Buenos Aires (a depender do seu roteiro), exceto nas do aeroporto. - A casa de câmbio logo ao lado do terminal da Bus-Sur em Punta Arenas foi a que eu encontrei com a melhor cotação de pesos chilenos entre todas as que pesquisei em Punta Arenas e Puerto Natales. - É melhor ir trocar dólares ou euros por pesos argentinos em Puerto Natales e possivelmente em Punta Arenas. Em El Calafate e em El Chatén a cotação era 15-20% menos vantajosa. - Se tiver que sacar grana em El Calafate, é melhor ir no cassino local. Cotação: dólar - 17,30 / euro - $20,30. Entrada: $10. Você deve pagar o valor das fichas no cartão, jogar um jogo e depois ao trocar as fichas a casa reterá 5% do seu valor PUNTA ARENAS e PUERTO NATALES - Punta Arenas é a cidade inicial de muitos que estão chegando para conhecer a Patagônia. - Há algumas boas opções de lojas de equipamentos de trekking: La Cumbre, Andesgear, North Face, Lippi e Grado Zero. Por exemplo, na La Cumbre (localizável no Google Maps) e na Grado Zero (em frente a La Cumbre) havia ótimos bastões de caminhada da Black Mountain por aprox. $ 50 mil o par. Para chegar no centro, a opção mais em conta para grupo de 3 pessoas pelo menos é pegar um táxi no aeroporto (3 mil pesos por pessoa). Se estiver sozinho ou apenas com outra pessoa, tente achar alguém para dividir o táxi contigo ou deverá pagar 5 mil pesos para ir de van. - Puerto Natales é a cidade base para ir a Torres del Paine para quem está do lado chileno. É uma cidade bastante agradável com várias opções de restaurantes (caros, assim como tudo na Patagônia). - Tanto em Punta Arenas quanto em Puerto Natales há um grande supermercado da rede Unimarc. É uma boa opção para compras gerais mais em conta. TORRES DEL PAINE PLANEJAMENTO - As reservas deverão ser feitas no site das empresas concessionárias Fantástico Sur e Vértice e se você tiver sorte (e muita antecedência) poderá também reservas locais gratuito para acampamento no site da CONAF. <Minha experiência com a Fantástico Sur foi muito boa. Tive resposta das minhas reservas em uma semana. Porém já não posso dizer o mesmo da minha experiência com a Vértice. Só obtive resposta da empresa sobre as reservas, 25 dias depois de solicitadas e somente depois de mandar comentário público no Facebook denunciando a demora. Pouco antes de eu fazer a minha viagem, eles iniciaram um sistema de reserva online, sem a necessidade de contato por e-mail. Pode ser que agora a resposta seja rápida, porém caso você deseje realizar reservas personalizadas, fora do roteiro que aparece no site, já fica a dica de que eles podem demorar bastante para te responder. Inclusive uma amiga que foi pouco antes e reservou com bem mais antecedência que eu, conseguiu resposta, apenas na semana da viagem dela, de que não tinha conseguido vaga em alguns refúgios. > INFORMAÇÕES GERAIS - Entrada: $ 21 mil pesos - Várias empresas fazem o percurso a Torres del Paine e todas saem às 7h30 ou 14h30 e têm preço de $15 mil pesos por pessoa (ida e volta). - Tanto no caso de fazer o circuito O ou o W quanto no caso de fazer só uma ida às Torres em um dia. Recomendo fortemente pegar o transfer que sai da recepção do Parque (Laguna Amarga) até o camping central - 20 min que evita caminhada em subida monótona de 1h30 (custo $3 mil pesos). - Há três opções para dormir no Parque para quem vai fazer o W ou o O: em barraca própria (ou alugada em Puerto Natales - vi por $ 4 mil a diária), em barraca da empresa concessionária ou em refúgio. Sendo que a razão de valor é de aproximadamente 1 x 2,5 x 3 (barraca da concessionária será 2,5 x mais cara que própria e refúgio será por sua vez 3 x mais caro que barraca da concessionária e quase 8 x mais caro que barraca própria. - Percebe acima, que as diferenças de valores são muito grandes. Eu particularmente se quisesse economizar peso na mochila e dormir com conforto, não pagaria pelo refúgio. Dormiria nas barracas da operadora com tudo incluso (atenção: deverá marcar os itens que deseja quando for fazer as reservas). < Tive que dormir na barraca da concessionária, em uma noite no camping Francés, pois já havia se esgotado os lugares para barraca própria, e vou te falar: a barraca era super espaçosa, a cama super confortável (melhor do que da minha casa. hehehe) e o saco de dormir era excelente! > - É possível pagar por refeições nas bases de apoio, mas isso te custará bastante caro (aprox. R$50 em um café da manhã e mais de R$100 no almoço ou na janta). QUAL CIRCUITO ESCOLHER: O ou W? - Primeiro de tudo: caso ainda não saiba, o circuito O engloba o ciruito W. Se você tem preparo físico e tempo disponível, sugiro fortemente fazê-lo. No primeiro dia do circuito, não verá nenhuma paisagem espetacular, mas, nos dias seguintes, as paisagens serão maravilhosas. Abaixo seguem algumas fotos de paisagens exclusivas do circuito O. QUANTOS DIAS E COMO FAZER O CIRCUITO O? - Acabou que fiz em 7, mas oh considero que isso foi uma tremenda duma burrice. Jamais faria isso novamente. O conselho que dou é faça no mínimo em 8. - Programaria de uma das seguintes formas, considerando apenas os destinos por dia: 1. Para quem vai ficar em camping: a) 9 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Paso - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales b) 8 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Paso - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales c) Se tiver que fazer em 7 dias: Serón - Los Perros - Paso - Francés - Los Cuernos (neste dia também iria até o Mirador Británico) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales 2. Para quem vai ficar em refúgios: a) 9 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales b) 8 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales c) 7 dias: Serón - Los Perros - Grey - Francés - Los Cuernos (neste dia também iria até o Mirador Británico) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales - Observe que não inclui opção de Paine grande em ambos. Primeiramente por uma questão de planejamento, mas também não recomendo para quem vai ficar em barraca, pois pelo que me relataram lá o vento é muito forte, a ponto de carregar barracas bem presas ao chão. - Não há opção de refúgios no Paso e no Italiano, apenas camping. INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O CIRCUITO O (e algumas que servem para o W também) - Os primeiros dias que envolvem o caminho do camping central até Los Perros são de dificuldade mediana ou fácil (Dickson a Los Perros). Em um trecho ou outro terá um pouco mais de dificuldade. - Em todo o circuito, o dia mais pesado de todos é o que envolve a saída de Los Perros e a ida até Paso (ou até o Grey dependendo do seu roteiro) (fotos abaixo). Logo no início, tem-se uma subida inclinada que passa por dentro de um bosque. Após um tempo de caminhada a área se abre e se caminha com uma leve inclinação até uma primeira subida em terreno pouco mais inclinado. A partir daí a subida fica bastante pesada, com trechos de caminhada sobre gelo (use o bastão com o disco de neve para não correr o risco de quebrá-lo...quase quebrei o meu). A subida finaliza, após 620 m de desnível, em uma vista maravilhosa do Glaciar Grey, a partir daí é só descida bastante inclinada até chegar no acampamento Paso (725 m de desnível - 9 km no total até aqui). Depois são mais 9 km de Paso até o acampamento Grey com muitas subidas e descidas e desnível de 400 m. Pouco depois de Paso, há uma grande ponte pendular. Muito cuidado ao atravessar devido ao vento. Mais cuidado ainda logo após, pois se o vento estiver muito forte, você terá usar o bastão para jogar o corpo para o lado da encosta, fugindo do precípio. Ao longo do caminho, há mais duas pontes pendulares. < Nesse dia, especialmente por conta do impacto na descida, o meu joelho esquerdo inflamou, prejudicando todo o restante da viagem > Fotos de trechos da subida: - Outro trecho que é bem difícil, neste caso tanto para quem vai fazer o O quanto o W ou um passeio de um dia, é a subida a Torres. Bastante inclinada, mas não se compara à dificuldade do trecho de Los Perros a Grey. - Para quem vai no esquema camping com barraca própria, ficar em Paso será reconfortante após o percurso descrito anteriormente. Porém é um camping sem muita estrutura. Não tem chuveiro e o banheiro é do tipo seco, com buraco no chão. Sem contar que suas vagas costumam esgotar bastante rápido. - No campings Dickson e Los Perros há apenas duchas frias. - No trecho de Serón a Los Perros há muitos mosquitos, pelo menos nessa época que fui (possivelmente em outras também). Entenda por muitos mosquitos, muito mesmo! <Vi uma pessoa com um boné que tinha uma rede que cobria todo o rosto e fiquei com uma puta inveja. Acho que é a melhor coisa para se levar em caso de fazer o O. > EL CALAFATE / PERITO MORENO EL CALAFATE - Para chegar a El Calafate, peguei o ônibus da Cootra às 7h30 - o preço era $ 17 mil, mas paguei $ 15 mil após negociar. Só que quem chegou mais cedo conseguiu por $ 11 mil. < E eu achando que tinha me dado bem na negociação. hehehe > - A cidade é bem turística, cheia de lojinhas de lembrança, chocolaterias e sorveterias. Tudo obviamente muito caro! - A princípio fui a El Calafate para fazer o Big Ice no Perito Moreno, mas como o meu joelho ainda estava mal, as funcionárias da Hielo y Aventura acabaram cancelando a minha reserva. < Caso esteja com um probleminha físico pequeno que você tem certeza que não irá te atrapalhar, não informe nada porque a galera é bem rigorosa. Não me responsabilizo por esta ideia errada aqui > - Se você curte cerveja, recomendo fortemente ir no La Zorra (bar próximo ao posto de gasolina). Eles têm ótimas cervejas lá. Só que não são muito baratas. PERITO MORENO - Fomos ao Perito Moreno no Tour Alternativo. Pagamos $680 no hostel onde estávamos hospedados (Hospedaje del Glaciar); em outros lugares era $800. O tour consiste em um passeio guiado (muito bem, por sinal) em uma rota alternativa por estrada de chão com observação de espécies animais ao longo do caminho, parada em uma estância com uma bela localização; trilha de 45 min por um bosque que chega ao lago do glaciar pelo lado oposto à sua face norte; opção de navegação de barco opcional até o glaciar ($500, 1h de duração - pelos relatos acho que não vale a pena); e por fim, 3h para caminhar pela plataforma - retornamos às 16h30. - Outras opções: ônibus regular ($600), táxi ($340 por pessoa em carro com 4, segundo informações de uma pessoa que conheci), carro alugado (mais em conta se houver 4 ou 5 pessoas). EL CHATÉN - Chegando a El Chatén: À tarde, há opções ônibus às 18h por $600 + 10 de taxa de embarque, mas preferimos pegar o ônibus de 19h da Taqsa por $420 + 10 (ótimo ônibus, procure ir na janela para curtir as belas paisagens ao longo do caminho - TENTE NÃO DORMIR) - O principais pontos turísticos de El Chatén certamente são a Laguna de los Tres (laguna com Fitz Roy) e o Cerro Torre. A seguir sugiro duas formas para se conhecer os dois pontos que são do mesmo lado do Parque: a) Em caso de você ter barraca e desejar acampar para economizar uma diária ou mesmo para otimizar o roteiro ou pela experiência de camping, sugiro no primeiro dia ir até o Cerro Torre (com mirador Maestri) e acampar no camping DeAgostini (do lado do Cerro Torre) e no segundo dia ir a Laguna de los Tres passando pela trilha das Lagunas Hija y Madre e depois retornar a cidade pela trilha que passa pela Laguna Capri. Essa rota é preferível, pois no camping Poincenot (mais próximo do Fitz Roy) venta bastante e é mais cheio. b) Em caso de você estar interessada em bate-volta, sem pernoite em camping, recomendo em um dia ir à Laguna de los Tres e em um outro dia ir ao Cerro Torre. No primeiro dia, sugiro pegar um transfer (empresa Las Lengas - $150) até a Hosteria El Pilar e de lá seguir até a Laguna. Por esse caminho, evita-se uma subida mais inclinada que há no caminho partindo diretamente da cidade (não é tão difícil) e ainda se tem uma bela visão do Glaciar Piedras Blancas nesse caminho. Depois sugiro retornar pelo caminho que passa pela Laguna Capri No segundo dia, não há muito segredo. Há apenas um caminho direto. Recomendo ir até o Mirador Maestri para se ter uma visão melhor do Cerro Torre (foto abaixo). - Loma del Pliegue Tumbado: recomendo ir apenas se estiver com tempo sobrando depois de ir em todos outros atrativos. O caminho é longo e parte da visão que terá engloba o que poderá ver nos miradores de Los Condores e Las Aguilas e uma outra parte engloba, já no final do caminho, engloba ver o Cerro Torre de uma outra perspectiva. - Reserva Los Huemules: a reserva fica a aprox. 3 km depois da Hosteria El Pilar na ruta 23. Possui duas belas lagunas (Laguna Verde e Laguna Azul) de trilha fácil e outras duas trilhas mais longas: uma até o Rio Eléctrico e outra até a Laguna Del Diablo. Entrada na reserva: $200, que dá direito a retorno durante o período de estadia em El Chatén. Ônibus Las Lengas por $210 até a reserva (ida e volta). Retorno: saída 8h (se não me engano) e retorno 17h. - Chorrillo del Salto: só vale se você não tiver mais nada para fazer na cidade. RETORNO (de El Calafate a Punta Arenas) - Caso o seu voo de volta seja a partir do aeroporto de Punta Arenas, recomendo fortemente garantir passagem previamente de El Calafate para Puerto Natales. Pode comprar no dia em que for de El Calafate a El Chatén. - Caso aconteça de as passagens se esgotarem, como aconteceu comigo, não se desespere, há opção de uma rota alternativa que sai de El Calafate, vai a Rio Gallegos e depois vai direto a Punta Arenas. De El Calafate a Rio Gallegos: saída 3h da madruga, 4h de duração - empresa Taqsa, $640 / De Rio Gallegos a Punta Arenas (aeroporto), saída às 13h, 4h de duração - empresa El Pinguino, comprada na empresa Andesmar no terminal de El Cafalate. - Duas informações caso tenha que fazer o caminho alternativo anterior: o terminal de Rio Gallegos fica longo do centro da cidade, mas há um Carrefour ao lado, que pode servir como ponto para matar um pouco o longo tempo de espera; e no caso de ir direto ao aeroporto de Punta Arenas, sem ir ao centro da cidade antes, é preciso pedir pro motorista parar na rodovia próximo do aeroporto. Deste ponto até o aeroporto, dá quase 2 km de caminhada. Peça carona sem medo! Acho que são essas as dicas. Espero ter ajudado um pouquinho e estou aberto para qualquer questionamento. =)
  14. A idade vai chegando, os sonhos vão ficando mais difíceis de serem realizados, se não tomarmos decisões inteligentes, podemos nunca atingir nossos objetivos. Daqui 1 ano e 04 meses, passo para a turma dos IDOSOS, terei vagas reservadas para mim nas filas dos bancos, nos estacionamentos, poderei até viajar de graça em alguns estados, sem contar outros "benefícios " que o "sistema" vai me oferecer. EU insisto a não ficar velho, luto a cada dia para continuar ser produtivo, não me vejo furando a fila nos bancos, enquanto os trabalhadores esperam ser atendidos, NÃO MESMO! Eu quero viver. Eu vou viver, se eu morrer numa viagem, EU MORREREI FELIZ! Nas minhas orações diárias, peço que o dia que o grande mestre resolver me levar, que me leve durante uma viagem. AMO VIAJAR, AMO CAMINHAR. Resumindo: estamos iniciando o planejamento de uma grande travessia (ainda não temos idéia de onde começar, só sabemos que será no máximo até julho do ano que vem), pode ser contornar a América do Sul, ou Ushuaia a Cartagena, ou atravessar a europa (Portugal a Rússia)....ou nunca mais voltar. Essa viagem será totalmente feita a pé. Não costumamos fazer nenum plenejamento de nossas viagens, decidimos,as vezes um dia ante, ou até horas. Mas agora é diferente, temos que tomar alguns cuidados. https://m.facebook.com/CaminataLas3Americas/
  15. Saudações mochileiros, Voltamos recentemente de um trekking de dezoito dias pela Patagônia (El Calafate, El Chaltén e Circuito W em Torres del Paine) e deixarei aqui um breve relato sobre a viagem. Falarei um pouco sobre o que levar, quais os lugares que visitamos e outras dicas sobre o nosso planejamento. Espero que, de alguma forma, a leitura possa ajudar / inspirar vocês no planejamento de um mochilão pelo Chile e pela Argentina. Boa leitura! Itinerário: 07/01 – El Calafate 08/01 - Deslocamento até El Chaltén. 09/01 - El Chaltén 10/01 - El Chaltén 11/01 - El Chaltén 12/01 - El Chaltén 13/01 - El Chaltén 14/01 - El Chaltén 15/01 – El Chaltén 16/01 - Deslocamento El Chaltén – El Calafate - Puerto Natales 17/01 – Puerto Natales 18/01 – Torres del Paine 19/01 - Torres del Paine 20/01 - Torres del Paine 21/01 - Torres del Paine 22/01 - Saída do Parque. Volta a Puerto Natales 23/01 – Deslocamento Puerto Natales – El Calafate 24/01 - El Calafate (minitrekking) Sobre a viagem: Embora muitos preferem conhecer a Patagônia de carro, moto, bicicleta, trailer…, esse tipo de viagem infelizmente demanda tempo de deslocamento e geralmente é feita por quem tem mais tempo para viajar. No nosso caso, tínhamos vinte dias e optamos por viajar de avião até El Calafate, fazendo conexão em Buenos Aires. Alguns preferem visitar a Patagônia vindo de avião pelo Chile, a partir de Santiago e depois Punta Arenas, mas, pelas pesquisas que fizemos, o preço da passagem aérea pela Argentina estava mais em conta. Como o valor das passagens costuma mudar, sugiro pesquisar as passagens pelos dois países. Planejando a nossa viagem, optamos por priorizar as cidades de El Chaltén e o Circuito W de Torres del Paine, principalmente porque são os lugares onde estão as trilhas mais conhecidas da Patagônia (apesar de haver vários outros lugares não tão famosos entre os mochileiros e que são tão bonitos quanto). Também reservamos dois dias em El Calafate e decidimos deixar Ushuaia para um outro momento. Como a nossa programação era acampar durante parte do roteiro, compramos os itens essenciais para a viagem ainda no Brasil, merecendo destaque para: - Barraca resistente ao vento: compramos uma Quickhiker 3 da Quechua, a qual suportou o vento da Patagônia, apesar de termos sentido frio em dois dias acampados. Não é a barraca mais indicada para esse tipo de lugar, mas ela tem uma boa relação custo-benefício; - Bastões de caminhada: fundamentais para quem vai caminhar por terrenos íngremes com aproximadamente quinze quilos nas costas; - Saco estanque: usamos ele para enchê-lo de água quando estávamos acampados, não precisando se deslocar toda hora até o rio para buscar água potável; - Roupas de frio e resistente ao vento. Sobre dinheiro, trocamos reais por pesos argentinos ainda no Brasil e levamos todo o nosso dinheiro em espécie (usamos o cartão apenas para reservar os hosteis). A maior parte da quantia que levamos já era em pesos argentinos, sendo que deixamos para comprar pesos chilenos apenas quando chegamos em Puerto Natales. A conversão foi de aproximadamente: AR$ 1 = R$ 0,15 R$ 1 = CLP 180 Dia 07 de Janeiro – El Calafate: Pousamos em El Calafate às 12:30 e pagamos AR$ 180 cada um no transfer do aeroporto até o nosso hostel. A cidade conta com diversos hostels e nos hospedamos no Nakel Yenu. Logo que chegamos na recepção e fizemos o check-in, o recepcionista quando soube que iríamos acampar nos ofereceu três cartuchos de gás para acampar que outros viajantes tinham deixado no hostel. Ele nos disse que é normal que os viajantes quando terminam seus acampamentos decidem não levar parte dos equipamentos que sobraram da viagem e acabam deixando na recepção. Como ainda não tínhamos comprado cartucho de gás para o nosso acampamento, acabamos aceitando dois dos três cartuchos que o recepcionista nos ofereceu e já economizamos alguns pesos argentinos logo no começo da viagem (fica a dica para aqueles que forem acampar: pesquisem na recepção do hostel se tem algum cartucho de gás sobrando). Feito o check-in, compramos nossa passagem de ônibus para El Chaltén para o dia seguinte (AR$ 600 por pessoa), fomos caminhar pelo centro da cidade e aproveitamos para passar no mercado comprar o que faltava para viagem. Dia 08 de Janeiro – Deslocamento para El Chaltén e caminhada até o mirador do Fitz Roy e Laguna Capri Saímos às 08:40 de El Calafate rumo a El Chaltén. O bom da viagem é que ao longo do trajeto de ônibus você já tem um pouco da noção das paisagens que vai encontrar quando chegar. Antes de desembarcar na rodoviária, o ônibus fez uma parada no centro administrativo do Parque, onde recebemos algumas recomendações sobre as trilhas. Ônibus chegou na rodoviária às 11:50, saímos procurar hostel e acabamos ficando no hostel Lago del Desierto por AR$ 320 por pessoa. Como tínhamos a tarde inteira livre, decidimos fazer uma caminhada por um trajeto que não estava incluído no nosso roteiro de acampamento e fomos até o Mirador Fitz Roy. Esse é um dos trajetos para quem vai até a Laguna de los Tres (base do Fitz Roy) e a trilha tem início onde termina a área urbana de El Chaltén. Nesse trajeto, os dois primeiros kms são de uma subida bastante íngreme, o que, em compensação, fornece um bom visual da cidade e das montanhas ao redor dela. Passados esses kms iniciais, a trilha se mostra menos inclinada e a caminhada começa a render mais. O mirador possui uma vista muito boa e já dá uma noção para o mochileiro da paisagem que ele vai encontrar pela frente. Continuamos nossa caminhada até a bifurcação que vai para a Laguna de los Tres e pegamos a esquerda indo em direção à Laguna Capri (a ida até a base do Fitz Roy estava programada para outro dia). O visual da Laguna Capri também é muito bom, mas se tivesse que escolher entre ir ao Fitz Roy passando pelo Mirador ou pela Laguna, eu escolheria o primeiro por fornecer uma vista panorâmica bem maior que a da Laguna Capri. Após quatro horas e meia de caminhada e 10 kms percorridos, estávamos de volta à cidade com uma boa noção do que nos esperava (em questão de trilha e vento) para os próximos dias. Tempo de caminhada: 4:30. Distância: 10 km com a mochila pequena. Desnível: 350 metros. Dia 09 de Janeiro – Laguna Torre e Camping Agostini Apesar de termos acordado cedo, o tempo em El Chaltén geralmente amanhece nublado e não costuma melhorar antes das dez horas da manhã. Com isso, tomamos nosso café com calma, fizemos o check-out do hostel (como tínhamos alguns itens que não usaríamos nos acampamentos, o hostel permitiu que deixássemos parte de nossa bagagem no depósito deles) e iniciamos a trilha às 11:00. O destino do dia era a Laguna Torre e dormir no Camping Agostini, trajeto esse que se inicia em El Chaltén, tem 10,5 kms de distância e que fizemos em quatro horas e meia de caminhada. O trecho inicial da caminhada é inclinado até o Mirador Cerro Torre, sendo que volta a ficar mais plano da metade do trajeto em diante. Em compensação, apesar de ser uma caminhada que demanda certo esforço físico, o visual compensa: ao longo da caminhada você terá uma boa visão das montanhas e do rio Fitz Roy que corre lá embaixo e também, nos últimos kms de caminhada, atravessará um bosque com uma típica paisagem patagônica. Chegamos no camping às 15:30 e, depois de montada a barraca, caminhamos mais dez minutos até chegarmos à Laguna Torre. Apesar de um vento bastante forte, o visual que se tem vale a pena. Após um tempo contemplando a paisagem do lugar, decidi caminhar mais 5 kms (ida e volta) por uma trilha inclinada e não muito bem demarcada e ir até o Mirador Maestri, onde se tem uma visão panorâmica das montanhas e principalmente do Glaciar Grande. A paisagem, sem dúvida, não é melhor do que aquela que encontramos ao longo do dia, mas, caso você não esteja cansado da trilha até a Laguna Torre e tenha tempo de sobra, é uma caminhada de uma hora e quarenta minutos que recomendo. Tempo de caminhada: 04:30 até o Camping Agostini + 01:40 até o Mirador Maestri. Distância: 10,5 kms até o Camping Agostini com a mochila grande + 5 kms até o Mirador com a mochila de ataque. Desnível até a Laguna Torre: 250 metros. Dia 10 de Janeiro – Camping Agostini – Laguna Madre e Hija – Camping Poincenot: Comentando um pouco sobre os campings de El Chaltén: os três campings (Agostini, Poincenot e Capri) são gratuitos e você não precisa pedir permissão / preencher algum documento para acampar nesses lugares, basta chegar, escolher o melhor lugar e montar sua barraca. A estrutura é bem simples: os campings são localizados dentro de bosques para proteger melhor do vento, possuem um banheiro químico e rios com água potável a poucos metros de distância, nada muito além disso. Nossa primeira noite acampando foi de muito frio. Apesar de ser verão, a temperatura a noite atingiu aproximadamente zero graus e não foram poucas as vezes que tivemos que acordar para colocar uma peça de roupa a mais (nada que não estava dentro do esperado para uma viagem à Patagônia). Com relação à barraca, ela aguentou bem o vento que fez de noite e, apesar de não ser tão resistente ao frio e à chuva, mostrou ter uma boa relação custo/benefício. Nesse dia, acordamos às 07:30 e mais uma vez o tempo não se mostrava propício para iniciarmos nossa caminhada tão cedo. Assim, fizemos nosso café e desarmamos o acampamento sem pressa e só iniciamos nossa caminhada às 10:00. A caminhada se iniciou percorrendo o trajeto que fizemos no dia anterior, até a bifurcação entre a trilha que vai em direção às Lagunas Hija e Madre e o trecho que passamos no dia anterior, que leva de volta à El Chaltén. Pegamos o primeiro trajeto e logo de cara uma subida razoavelmente íngreme e de aproximadamente uma hora de caminhada. Para quem está caminhando apenas com uma mochila de ataque talvez não é um grande desafio, mas o discurso muda quando você está levando quinze quilos de equipamento nas costas. Nessa hora, posso dizer que senti bastante a diferença de caminhar com bastões de caminhada. Em trechos inclinados eles se mostram uma boa ferramenta para os mochileiros e recomendo ele para quem for fazer esses trajetos, principalmente se for carregar todo o equipamento nas costas. Após esse primeiro trecho, deixamos a inclinação e a trilha em meio aos bosques para iniciarmos uma caminhada num trajeto mais plano e bastante aberto, trecho esse que margeia as Lagunas Madre e Hija e termina no Camping Poincenot. Posso dizer que a paisagem com as lagoas, o Fitz Roy ao fundo, somados com o dia de sol, nos proporcionou um dos melhores visuais de toda a nossa viagem. Depois que passamos pelo trecho que costeia as lagoas, o Arroyo del Salto continua acompanhando o mochileiro pela trilha até alcançar a bifurcação de quem vem da Laguna Capri e quem vai em direção a Laguna de los Tres. Pegamos o segundo trecho e depois de poucos minutos estávamos, às 15:20, no Poincenot. Barraca devidamente montada e saco estanque cheio de água mais uma vez, fizemos um carreteiro de charque e seleta de legumes para recompor as energias. O camping Poincenot fica próximo à subida que leva à Laguna de los Três, o que nos proporcionou um bom visual no final do dia. Tempo de caminhada: 05:20. Distância: 10,5 kms com a mochila grande. Desnível: 100 metros. Dia 11 de Janeiro – Poincenot – Laguna de los Tres: Como optamos por ficar mais tempo em El Chaltén e por termos sentido um pouco o cansaço dos três dias de caminhada, decidimos que dormiríamos mais um dia no Poincenot e que nesse dia faríamos apenas a subida até a Laguna de los Tres. Acordei um pouco depois das quatro da manhã e às quatro e meia iniciei minha subida à base do Fitz Roy para ver o nascer do sol, já que alguns mochileiros tinham comentado que o visual valia a pena. Coloquei minha headlamp e já no início da caminhada avistei ao longo da subida as luzes das headlamps de outros mochileiros, alguns quase no final do trajeto, o que indicava que eu provavelmente estava começando a caminhada com um pouco de atraso. Após caminhar quase quinhentos metros do camping, você chega numa cabana que os “guardaparques” costumam utilizar e ali se inicia a caminhada de um quilômetro até a base do Fitz Roy. Talvez essa tenha sido a caminhada mais exigente de todas, afinal é um quilômetro de trilha que é feito em aproximadamente uma hora e quinze minutos de caminhada num desnível de quatrocentos metros, ou seja, um trecho bastante inclinado num terreno com bastante pedra. Mesmo assim, fiz a caminhada no meu tempo, sem me apressar para chegar ao topo, caminhando no meu ritmo e sempre cuidando onde pisava. Com o passar o do tempo, a alvorada aparecia no horizonte e a claridade mostrou que já não era mais necessário o uso da lanterna para caminhar. Por volta das cinco e meia da manhã, com bastante vento e um clima que não parecia ser dos mais amigáveis, cheguei à Laguna de los Tres, procurei uma pedra para me abrigar do vento e aguardei o nascer do sol. Infelizmente o clima estava um pouco nublado e não pude ver o Fitz Roy naquele momento. Após vinte ou trinta minutos apreciando a paisagem, percebi que o clima realmente não estava disposto a colaborar naquela manhã (como falei, o tempo em El Chaltén costuma melhorar depois das dez da manhã, isso não é uma regra, mas na maior parte das vezes foi o que aconteceu) e com isso fiquei num dilema: esperar até o tempo melhorar ou então voltar para o camping e fazer uma segunda tentativa mais tarde. Percebi que o vento passou a soprar mais forte, o que no começo era uma garoa de leve começava a piorar e as nuvens negras davam a entender que vinha chuva pela frente, sem contar que, após o corpo esfriar da caminhada, a temperatura se mostrou outro inconveniente. Não tive escolha senão retornar ao camping. Depois de descansar mais um pouco na barraca e de um reforçado café da manhã, iniciamos nossa subida às onze horas da manhã. Fizemos o trajeto com várias paradas para descansar e depois de uma hora e quinze de caminhada estava novamente na Laguna de los Tres. A diferença do clima era gritante, o céu com algumas nuvens, mas sem nenhuma indicação de tempo ruim (na verdade, quase não dava para se dizer que aquele clima de chuva foi apenas a algumas horas atrás). Apenas o vento que tinha ficado ainda mais forte, o que fez com que muitos (inclusive nós) buscassem abrigo ao lado das pedras ou então ajoelhassem para não correr o risco de ser derrubado pelo vento (mais uma situação na qual os bastões de caminhada se mostraram indispensáveis). Ficamos mais de uma hora observando a paisagem. Além da Laguna de los Tres, o mochileiro pode caminhar aproximadamente cinco minutos a esquerda da lagoa onde encontrará outro ponto de observação o qual permite que se observe também a Laguna Sucia. Apesar do vento, o cenário vale a pena. Quando voltamos ao acampamento e estávamos quase dando os exercícios do dia por encerrados, eis que surge uma situação pela qual não esperávamos: todo o vento que pegamos lá em cima na base do Fitz Roy também passou pelo acampamento Poincenot e a nossa barraca, apesar de estar fechada, não conseguiu evitar que toda a poeira ao redor do camping entrasse dentro dela. O resultado: todos os equipamentos e roupas empoeirados, o que resultou em mais uma hora e meia limpando a barraca e lavando algumas roupas. Por sorte, muita coisa, inclusive a comida, estava bem fechada, o que nos rendeu um bom prato de macarrão com atum como janta antes que fossemos dormir. Tempo de caminhada: aprox. 01:15 até a Laguna de los Tres. Distância: 5,5 kms (duas subidas até a base do Fitz Roy) com a mochila pequena. Desnível: 400 metros. Dia 12 de janeiro – Poincenot – Hosteria Pilar – El Chaltén: Essa noite sim eu posso dizer que foi a noite mais fria de todo o mochilão. A temperatura facilmente alcançou zero graus, além do vento e de um pouco de chuva. Diferentemente da noite no camping Agostini em que, apesar do frio, o fato de termos colocado várias mudas de roupa ter sido o suficiente para dormirmos razoavelmente bem, nessa segunda noite no camping Poincenot não teve o que nos salvasse de uma noite de muito frio. Quando acordamos a chuva tinha dado uma trégua, o que nos permitiu “levantar” o acampamento e tomarmos um bom café da manhã. Contudo, foi só iniciarmos nossa caminhada rumo à Hosteria El Pilar que voltou a chover, não uma chuva forte, mas sim com muito vento e frio, a ponto de chover gelo fino durante parte do trajeto e até mesmo nevar, mesmo que por pouco tempo. Nessa hora uma boa jaqueta corta-vento, touca, capa de chuva e luvas impermeáveis fazem toda a diferença. Durante a caminhada, o tempo nublado não permitiu que avistássemos o Glaciar Piedras Blancas. Nosso objetivo nesse dia era caminhar até a Hosteria Pilar e, de lá, fazer a trilha que margeia o Rio Electrico e vai até o Camping Piedra del Fraile. Porém, após três dias acampando, uma noite mal dormida e com o tempo dando a entender que choveria por boa parte do dia, chegamos na Hosteria Pilar e optamos por chamar um transfer que nos levasse de volta até El Chaltén. Esperamos meia hora, dividimos (eu, meu pai e mais um casal de brasileiros) os AR$ 600 e depois de mais meia hora, estávamos em Chaltén. A trilha até Piedras del Fraile ficaria para outro dia. Aqui vai outra sugestão para quem vai para El Chaltén na alta temporada: se possível, reserve os hostels com antecedência. Sentimos isso na pele quando chegamos na cidade, fomos até o hostel no qual deixamos parte de nossa bagagem e fomos informados que não tinha vaga disponível. Nós não tínhamos feito reserva nesse dia porque nosso objetivo era ter ido até o Camping Piedras del Fraile mas, como imprevistos acontecem, tivemos que dar uma boa caminhada por El Chaltén até conseguirmos vaga no hostel La Comarca, próximo à rodoviária. Na verdade, o hostel tinha apenas uma vaga disponível, mas o recepcionista abriu uma exceção e disse que um de nós poderia dormir na sala de TV que tinha no hostel. A janta ficou por conta do restaurante Pancho Grande, que é um lugar com preço acessível e com uma janta considerável para quem caminhou bastante nos últimos dias. Outra informação: existem duas trilhas que levam ao Fitz Roy. Uma delas é a que começa pela cidade, passando pela Laguna Capri ou pelo Mirador Fitz Roy, chegando no camping Poincenot, enquanto que, para fazer a outra trilha, que sai da Hosteria Pilar, é necessário pagar por um transfer e se deslocar por pouco mais de meia hora. Ambas tem seus prós e contras: na primeira trilha a distância é um pouco maior e ela é mais íngreme, principalmente no início, em compensação, não é necessário pagar pelo deslocamento. Já a segunda trilha, o mochileiro vai gastar em deslocamento, mas, por outro lado, o nível de exigência é menor. Vai da escolha de cada um. Tempo de caminhada: não marquei o tempo, mas estimo que fizemos a caminhada do camping Poincenot até a Hosteria Pilar em pouco mais de duas horas. Distância: 7 kms com a mochila grande. Dia 13 de janeiro – Loma del Pliegue Tumbado: O objetivo desse dia foi fazer a trilha da Loma del Pliegue Tumbado, percurso que exige um pouco mais de preparo físico, uma vez que são dez quilômetros de ida e mais dez de volta, num trecho inclinado, com desnível de mil metros, ou seja, vá sem pressa e com bastante comida porque o dia será bastante longo. Saímos da cidade às 10:00 da manhã e retornamos às 17:30, ou seja, sete horas e meia de caminhada. O trajeto dessa trilha varia, inicia com um trecho de subida mais íngreme, depois mescla um pouco de caminhada dentro de bosques com terrenos de campos e com poucas árvores, mas sempre subindo, variando apenas a intensidade da inclinação. Por fim, o final da trilha passa a ser em terreno com pedras e chão batido. Depois de oito quilômetros de caminhada você chegará ao mirador Loma del Pliegue Tumbado, que tem uma vista panorâmica muito boa. Contudo, a melhor paisagem estará reservada àqueles que estiverem dispostos a caminhar os dois quilômetros finas da trilha. Esse último trecho de caminhada é feito por uma subida muito íngreme e com pouca sinalização. Minha sugestão é dar uma boa descansada no mirador antes de iniciar essa última parte. Depois, é só pegar a trilha, baixar a cabeça para não ver o quanto de caminhada terá pela frente e seguir no seu ritmo. O trecho é realmente cansativo de se fazer, mas o visual lá de cima vale a pena. Você estará a mil metros acima da cidade de El Chaltén e terá uma vista panorâmica de todo a região, avistando desde o Lago Viedma, até a cidade de El Chaltén ao fundo, Laguna Torre, Laguna Capri e as montanhas ao redor. Tempo de caminhada: 07:30 horas. Distância: 20 kms com a mochila de ataque. Desnível: 1000 metros. Dia 14 de Janeiro – Camping Piedra del Fraile e Lago Electrico: Agora sim, depois de sermos impedidos pelo tempo de continuarmos nossa trilha do camping Poincenot até o camping Piedra del Fraile no dia 12, saímos às 09:00 da manhã de El Chaltén, fomos até a estrada que dá acesso à trilha que vai até o Lago Electrico e, às 10:00, iniciamos nossa caminhada. Como sugestão, eu diria que essa trilha só deve ser feita depois que você já foi até a Laguna Torre, Laguna de los Tres e Loma del Pliegue Tumbado, ou seja, já tenha feito as três principais caminhadas de El Chaltén. Não que o visual dessa trilha não valha a pena, mas é aquele tipo de caminhada que a paisagem ao longo do percurso é que faz o passeio se tornar interessante e não o destino final. Ao longo do trajeto você caminhará num bosque que margeia o rio Electrico e que também permite que você veja as montanhas ao fundo. O terreno e a inclinação também são bem tranquilos, o que faz dessa trilha um passeio mais leve se comparado com as três principais trilhas de El Chaltén. São seis quilômetros e meio até o camping Piedra del Fraile. Esse camping está numa área particular, fora do parque, é pago e possui uma infraestrutura melhor que os demais campings de El Chaltén. Infelizmente não dormiríamos ali naquele dia, então continuamos a caminhada por mais dois quilômetros em direção ao Lago Electrico. Nesse trajeto, você terá uma vista para o Fitz Roy por outro ângulo, que sem dúvida alguma não se compara àquela da Laguna de los Tres, mas que mesmo assim não deixa de valer a pena. Chegamos no trecho final da caminhada e nos deparamos com uma bifurcação que não está sinalizada na trilha. Enquanto o Maps Me e um relato que eu li me diziam para a pegar a esquerda e iniciar uma subida pelo morro, o trajeto dava a entender que o correto seria pegar pela direita e contornar o morro. Fomos pela primeira opção, iniciamos uma subida e logo encontramos uma marcação do trajeto a percorrer. Mesmo estando mal sinalizado, com a ajuda do aplicativo é possível chegar até um lugar onde você terá uma boa visão do Lago Electrico. Após sete horas de caminhada, estávamos de volta à entrada da trilha, aguardamos nosso transfer por vinte minutos e depois de mais quarenta minutos estávamos de volta em El Chaltén. Conforme eu falei, essa trilha vale a pena caso você já tenha feito os principais trajetos de El Chaltén, ela é menos exigente e o principal atrativo dela é a paisagem ao longo da trilha entre a entrada e o camping Piedra del Fraile. Pode-se dizer que a ida até o Lago Electrico é apenas um complemento da viagem, de modo que caso o mochileiro opte por não fazê-la não perderá nada de formidável. Tempo de caminhada: 07:00. Distância: 13 kms até o camping + 4 kms até o Lago Electrico, ambos com a mochila de ataque. Dia 15 de Janeiro – Lago del Desierto: Por fim, após alguns quilômetros percorridos ao longo dos dias em El Chaltén, nos rendemos a um dia sem caminhadas e optamos por fazer o passeio de barco pelo Lago del Desierto. Não lembro do valor do passeio, mas sei que não foi um preço muito amigável, então deixo como sugestão mais para que já fez os outros passeios e queira um dia de descanso. Nosso transfer nos buscou às 07:30 no hostel para percorrer um trecho de aproximadamente uma hora de carro até a Punta Sur, lugar onde saem os barcos que fazem o passeio. De lá, nosso barco percorreu o lago por aproximadamente quarenta minutos até chegarmos a outra extremidade, lugar que tem uma aduana argentina, uma vez que a Punta Norte é local de entrada na Argentina de mochileiros que vieram do Chile, mais precisamente do parque O´Higgins. Depois de um tempo na Punta Norte, nosso barco se deslocou até a metade do lago e parou num refúgio, onde descemos e pudemos fazer uma caminhada de trinta minutos até um mirador para observar o Glaciar Vespignani. Às 14:30, já de volta à Punta Sur, pegamos nosso transfer de volta à cidade e assim demos por encerrado nossa estadia em El Chaltén. Partiríamos para Puerto Natales no dia seguinte. Resumo e dicas de El Chaltén: El Chaltén sem dúvida alguma é ponto de parada obrigatório para quem visita a Patagônia. A menos que você tenha um roteiro com poucos dias, que prioriza apenas uma cidade (fazer apenas algum dos circuitos em Torres del Paine, por exemplo), essa cidade deve estar no seu roteiro. Primeiramente, ela é uma cidade que se deve reservar pelo menos quatro dias nela para poder fazer as três principais caminhadas (Laguna Torre, Laguna de los Tres e Loma del Pliegue Tumbado), além de um dia de sobra por garantia em caso de mau tempo. Digo isso porque o clima em El Chaltén é muito imprevisível, o viajante pode ter a sorte de pegar uma semana inteira só de sol, assim como o contrário e passar todos os dias na cidade abaixo de chuva. Infelizmente é uma loteria. Com isso, ter um dia de sobra pode ser uma boa solução caso aquele dia que você se programou para ir para a base do Fitz Roy amanhecer chuvoso, uma vez que o passeio poderá ser remarcado para o dia seguinte. Além disso, lendo alguns relatos e também ouvindo alguns viajantes, a impressão que tive é que Ushuaia é uma cidade que conta com um perfil de turismo menos voltado para trilhas. Com isso, caso o seu roteiro não tenha tantos dias, deixo como sugestão deixar Ushuaia de lado (até mesmo por ser mais longe e envolver um tempo maior de deslocamento de ônibus ou então comprar uma passagem aérea) e passar alguns dias a mais em Chaltén. As trilhas de Chaltén (com exceção da Loma del Pliegue Tumbado) possuem a opção de você fazer bate e volta, dormindo todos os dias na cidade, ou então ficar nos acampamentos, o que envolve se programar mais e levar mais peso nas costas, mas que, em compensação, não obrigará o viajante a fazer os trajetos de ida e volta no mesmo dia. Outra dica com relação ao clima: as trilhas são afastadas umas das outras e a região é cercada por montanhas, ou seja, o tempo e as condições climáticas podem mudar conforme o local onde você estiver. O tempo costuma melhorar depois das dez horas da manhã, então, se possível, programe-se para começar os percursos depois desse horário. Além disso, consulte sempre a previsão do tempo, principalmente se você ficará alguns dias sem internet. Com relação à subida até a Laguna de los Tres, que é o atrativo principal da cidade, se você não estiver com tanta sorte e o tempo não estiver bom no dia que você fizer essa trilha, deixo como sugestão aguardar o tempo melhorar na cabana onde é ocupada pelos guardaparques no nono quilômetro de caminhada (comentei sobre ela no relato do dia 11 de janeiro), antes de começar o último quilômetro de subida. Pode ser que o tempo esteja ruim no momento que você esteja terminando o trajeto de ida para a base do Fitz Roy, o que não significa que ele não pode mudar dali uma ou duas horas. Então, caso você chegue quase ao final da trilha, quer subir até a Laguna de los Tres, mas não quer se frustrar, encontrar um tempo fechado e ter que voltar logo depois de chegar ao fim da trilha, sugiro esperar o tempo melhorar ali nessa área onde fica a cabana dos guardaparques, pois é um local que, apesar de ser bem simples, pega menos vento e que você poderá esperar o tempo melhorar. O camping Bonanza (entre a El Chaltén e a Hosteria Pilar) nos chamou a atenção por possuir uma infraestrutura melhor para receber casais com crianças. Caso seja esse o seu caso, talvez esse camping seja uma boa opção. Optamos por não fazer as caminhadas para o Chorrillo del Salto, Mirador de los Condores e Mirador de las Aguilas. Caso você tenha tempo sobrando, talvez elas sejam uma boa opção. Por fim, não só os destinos das trilhas de El Chaltén são bonitos de se ver, mas as próprias trilhas em si possuem uma paisagem que vale a pena apreciar. Com isso, programe-se para caminhar com calma, com várias paradas para descansar e sem pressa de chegar ao final do percurso. Dia 16 de Janeiro – Deslocamento El Chaltén – El Calafate – Puerto Natales: No dia anterior, pagamos AR$ 1100 por duas passagens de El Chaltén para El Calafate, saindo às 07:30 e chegando às 10:30. O problema foi que não conseguimos comprar em El Chaltén uma passagem de ônibus de El Calafate até Puerto Natales. O jeito foi chegar de viagem em El Calafate e sair pela rodoviária a procura de passagens para Puerto Natales. Apesar da preocupação de não encontrarmos mais passagens para aquele dia, não foi difícil encontrar empresas com horários disponíveis e compramos, por AR$ 1180, duas passagens de El Calafate para Puerto Natales saindo às 16:30. Após esperar seis horas na rodoviária e mais seis horas de viagem, nosso ônibus chegou em Puerto Natales às 22:30. Depois dez minutos de caminhada, estávamos no hostel que reservamos na noite anterior. Dia 17 de Janeiro – Puerto Natales: Quando ainda estávamos em El Chaltén, nós tentamos sem sucesso reservar por celular uma noite no camping do Lago Pehoe para o dia 17. Tentamos então encaminhar um e-mail para a empresa, e até hoje estamos esperando a resposta. Como não conseguimos reservar o camping para esse dia, estávamos programados para entrar no parque de Torres del Paine apenas no dia 18 e o tempo estava entre nublado e chuvoso, optamos por tirarmos mais um dia de descanso e fomos caminhar um pouco pelas ruas de Puerto Natales. A cidade é bastante simples e sem muitos atrativos. A região do porto é um lugar que valha a pena dar uma caminhada, mas com nada muito significativo. O dia se resumiu em caminhar pela cidade, comprar pesos chilenos, escolher um restaurante com uma boa refeição, descansar e brincar com o perro do hostel. Iniciaríamos o Circuito W no dia seguinte. Dia 18 de Janeiro – Torres del Paine – Paine Grande – Mirador Grey: Tomamos café bem cedo no hostel e às 07:20 nosso ônibus saiu da rodoviária em direção ao parque Torres del Paine. Pagamos CLP 13000 por pessoa para fazer o trajeto de ida e volta de Puerto Natales até o Parque, mais CLP 21000 por pessoa para a entrada. Após descermos na administração para pagar a entrada e assistirmos um vídeo com algumas recomendações, nosso ônibus se dirigiu até a Guarderia Pudeto, onde pagamos mais CLP 18000 por pessoa no catamarã que nos levaria até o camping Paine Grande. Nosso barco saiu às onze da manhã, mas ele tem outros horários, alguns mais cedo e outros ao longo da tarde. Às 13:00 já estávamos de barraca montada no camping e saímos em direção ao mirador do Lago Grey. Esse percurso começa com uma caminhada entre dois morros próximos um do outro, o que faz com que tenha uma corrente de vento nos quilômetros iniciais da trilha. Após um trecho caminhando em terreno plano, inicia-se uma subida, passando pela Lagoa Los Patos, terminando, após aproximadamente cinco quilômetros e meio num mirador voltado para o Glaciar e Lago Grey. Ali foi o lugar onde encontramos o vento mais forte em toda a viagem, o qual ultrapassou os 100 km/h, segundo informações do Parque. Como não tínhamos conseguido reserva para o camping Grey, fizemos mais cinco quilômetros e meio de volta em direção ao camping Paine Grande, chegando um pouco antes das 18:00. Sobre o camping, podemos dizer que ele tem uma boa estrutura, bons banheiros, chuveiros com água quente e uma área comum para cozinhar. Costuma ventar bastante no Paine Grande, então escolha um bom lugar para armar sua barraca. Tempo de caminhada: aproximadamente 05:00. Distância: 11 kms com a mochila de ataque. Dia 19 de Janeiro – Paine Grande – Camping Italiano – Mirador Britânico – Camping Francês: Tomamos o café da manhã e levantamos acampamento para, às 10:50, iniciarmos nossa caminhada rumo ao camping Francês. Logo no começo da caminhada, nos demos conta que esquecemos nosso fogareiro com o cartucho de gás na área comum do camping, onde as pessoas usam para cozinhar. Após alguns minutos de espera e já cogitando a possibilidade de ter que se virar sem fogareiro no resto do circuito, para a nossa sorte, o fogareiro estava lá, intocável, mesmo passadas duas horas que tínhamos esquecido ele. Retomada a caminhada, nosso trajeto se mostrou bastante tranquilo nos quilômetros iniciais, que margeiam o Lago Skottsberg, apenas com leves inclinações no terreno. Por volta da metade do trajeto entre o camping Paine Grande e o Italiano, decido por acelerar meu ritmo de caminhada e deixar meu pai para trás, uma vez que do camping Italiano eu subiria até o Mirador Britânico, enquanto que ele iria do Italiano direto para o camping Francês. Cheguei no camping Italiano por volta das 13:00, deixei minha mochila ao lado da cabana dos guardaparques (eles permitem que quem for fazer a subida até o Mirador Britânico deixe sua mochila cargueira no camping) e subi apenas com a mochila de ataque em direção ao mirador. Talvez esse tenha sido o dia mais cansativo de todo o trekking e isso se deve bastante aos 12 kms de trecho íngreme de ida e volta do camping Italiano ao mirador Britânico. Desnecessário dizer que é uma paisagem que compensa o esforço. Conforme você vai ganhando altura, surgem mais montanhas ao seu redor e a vista para o Lago Nordenskjöld fica cada vez melhor. Após aproximadamente um quilômetro e meio de caminhada a partir do camping Italiano, você chegará num mirador para o Glaciar Francês cuja vista é impressionante. Por isso, sugiro que, caso você não queira ir até o Mirador Britânico, pelo menos vá até o mirador para o Glaciar Francês para apreciar o visual. Continuando a caminhada, a paisagem vai ficando cada vez melhor até que, após algumas horas de subida, você chegará ao Mirador Britânico. Mais uma vez digo que o visual é indescritível e que você poderá desfrutar de uma bela paisagem enquanto descansa para a caminhada de volta. Às 18:00 estava novamente no camping Italiano, peguei minha mochila cargueira e fiz mais 2 kms até o Camping Francês. Nesse dia não conseguimos reservar apenas o espaço para acampar, então tivemos que pagar mais para reservar o camping com barraca da própria empresa, o que nos rendeu um gasto elevado, mas que, em contrapartida, nos proporcionou uma noite num colchão maior e numa barraca e saco de dormir mais resistentes ao vento e ao frio. Sobre o camping, ele também tem uma estrutura boa. A área para cozinhar é bem pequena, mas é coberta então você não correrá o risco de pegar chuva enquanto cozinha. Os banheiros e chuveiros também são bons. Acredito que as vagas para conseguir acampar nesse camping sem precisar reservar uma barraca são poucas, pois não observamos muitos lugares para armar uma barraca, de modo que a maior parte dos lugares disponíveis são em barracas da própria empresa, o que torna a estadia nesse camping uma opção cara e recomendável apenas caso você não tenha conseguido vaga no Camping Los Cuernos ou no Italianos. Tempo de caminhada: 08:00. Distância: 7,6 kms de mochila cargueira até o camping Italiano + 12 kms ida e volta do camping Italiano ao Mirador Britânico com a mochila pequena + 2 kms do Italiano ao Camping Francês com a mochila cargueira. Total: 21,6 kms. VID_20180119_141237727.mp4 Dia 20 de Janeiro – Camping Francês – Camping Central: Iniciamos a caminhada às 09:50 margeando o Lago Nordenskjöld rumo ao camping Central. Após 2 kms com descidas bastante inclinadas, chegamos ao camping Los Cuernos, o que nos rendeu apenas uma rápida parada para descansar e tirar fotos antes de retomar a caminhada. Percorremos mais 11 kms até chegarmos numa bifurcação que serve de atalho para quem vai ao Camping Chileno ou então para aqueles que irão ao Camping Central. Escolhemos a segunda opção e, após mais um quilômetro e meio estávamos no Camping. A paisagem desse dia é muito boa pois de um lado você margeia o Lago Nordenskjöld enquanto que do outro observa as montanhas Cuernos del Paine. Da metade em diante do trecho do Camping Los Cuernos a trilha começa a ficar menos íngreme e mais aberta. Mesmo assim, foi mais um dia puxado carregando a mochila cargueira nas costas durante todo o tempo. Após sete horas e quarenta minutos de caminhada, chegamos ao Camping Central. Esse camping se mostrou com uma estrutura mais simples que os outros, apesar de possuir um espaço bastante grande para escolher onde armar sua barraca. Tem bons banheiros e chuveiros, mas não dispõe de uma área comum para cozinhar, de modo que os mochileiros cozinham suas refeições nas mesas espalhadas ao longo do camping. Tempo de caminhada: 07:30. Distância: 14,5 kms com mochila cargueira. Dia 21 de Janeiro – Subida ao Mirador de Las Torres: Enfim, chegou o dia de subirmos o trecho até a base das Torres. Iniciamos o trajeto às 09:30 e durante quase todo o percurso caminhamos por um terreno acidentado. As subidas são constantes e apenas antes de chegar ao Camping Chileno é que tem um trecho de descida. Passando o Camping Chileno, o trajeto volta a ficar inclinado e, no momento que o mochileiro chega num trecho que dá acesso ao Camping Torres, inicia-se uma verdadeira subida com bastantes pedras ao longo do caminho até a base das Torres, ou seja, é subida atrás de subida. Por outro lado, o tempo estava bom e não havia previsão de chuva ou vento muito forte para aquele dia (sempre bom consultar com os guardaparques qual a previsão do tempo para o dia), o que nos permitiu que fizéssemos o percurso no nosso ritmo, sem pressa para chegar ao destino. Passadas mais de quatro horas e meia de trilha, chegamos à base das Torres. A partir daí foi só descansar e, mais uma vez, apreciar a paisagem. Como era nosso último dia em Torres del Paine, não tínhamos nenhuma pressa de ir embora. Até que o tempo começou a ventar mais forte e a nublar o topo das Torres. Com isso, decidimos que era hora de iniciar o percurso de volta até o Camping Central. Voltamos às 18:30. Tempo de caminhada: 09:00. Distância: 16 kms com a mochila de ataque. Dia 22 de Janeiro – Saída do Parque – Puerto Natales: Apenas no nosso quarto e último dia acampando em Torres del Paine é que tivemos uma noite com bastante frio e chuva. Acordamos com uma chuva leve tomando conta de boa parte do Parque e decidimos esperar o tempo melhorar para desmontarmos a barraca. Com isso, nosso café da manhã dessa vez foi dentro da barraca. Às onze horas, quando vimos que o tempo realmente não pretendia mudar pelas próximas horas, colocamos nossas capas de chuva e tivemos que desmontar a barraca embaixo de chuva. Acampamento devidamente levantado, fomos até o local de saída dos ônibus. Pagamos CLP 3000 para ir até o local de entrada e saída do Parque, onde aguardamos até as 14:30 para pegar nosso ônibus de volta a Puerto Natales. De volta à cidade, a dona do nosso hostel deixou que abríssemos a barraca no quintal do hostel e usássemos o varal para pôr algumas roupas para secar. Mais tarde saberíamos que nesse dia nevou na base das Torres e que a temperatura ficou abaixo de zero em alguns lugares, fato que, somado ao vento patagônico, não deve ser das melhores sensações. Tiramos o resto do dia para descansar. Partiríamos cedo para El Calafate na manhã seguinte. Distância total (El Chaltén + Circuito W em Torres del Paine): 148,6 kms. Resumo e Dicas Torres del Paine: Para fazer algum dos circuitos em Torres del Paine é preciso ter bastante planejamento com relação à reserva dos campings. Infelizmente, o turismo no Parque é grande e as vagas nos campings são limitadas. Com isso, as reservas nos campings devem ser feitas com bastante antecedência para que você não precise ficar tendo que adaptar o roteiro. No nosso caso, não tivemos escolha com relação aos dias que iríamos ficar em Torres del Paine. Os únicos dias que encontramos vagas nos acampamentos que nos permitiria fazer o Circuito W foi entre os dias 18 e 21 de janeiro. Os demais dias ou já estavam reservados ou então tinham vagas disponíveis em algum camping de forma isolada (que nos permitiria ficar num camping específico num dia, mas que não encontraríamos vagas no próximo camping do circuito no dia seguinte). Para reservar os campings, o mochileiro deve acessar os sites das empresas responsáveis pelos campings do parque (valendo lembrar que cada camping é gerido por apenas uma empresa): http://www.verticepatagonia.cl http://www.fantasticosur.com http://www.parquetorresdelpaine.cl Com relação aos valores dos campings, pagamos: - Paine Grande: US$ 20, para duas pessoas; - Francês: US$ 80, para duas pessoas (camping + barraca); - Central: US$ 42, para duas pessoas e por duas noites. Sobre as possibilidades de se fazer o Circuito O ou W, o mochileiro poderá optar por: - Levar uma mochila menor, sem barraca e/ou comida, carregando basicamente apenas roupas, sendo que a comida e a hospedagem em barracas ou cabanas ficarão por conta das empresas que gerenciam os campings. Essa hipótese é para aqueles que preferem carregar menos peso. Por outro lado, pela pesquisa que fiz nos sites das empresas, os valores que elas cobram para lhe fornecer comida e hospedagem são elevados e em dólares, o que faz dessa primeira opção viável apenas àqueles que estão dispostos a desembolsar uma razoável quantia em dinheiro. - Carregar a mochila com comida e equipamento para acampar, além da roupa para passar os dias no circuito. O ruim dessa opção é que o mochileiro carregará mais peso ao longo do circuito, terá que armar sua própria barraca e fazer sua comida. Por outro lado, o valor gasto no circuito será apenas aquele gasto para reservar um espaço no camping para acampar, fazendo dessa opção uma escolha viável em termos econômicos. Além disso, caso você escolha levar sua própria comida para as refeições ao longo do circuito, não deixe para comprar nada dentro do Parque. Isso porque, apesar de cada camping dispor de um minimercado, os valores que cobrados são muito altos (CLP 5000 por um pão caseiro e CLP 15000 por uma garrafa de vinho, por exemplo). Infelizmente o clima em Torres del Paine também costuma variar bastante. Talvez ele seja menos imprevisível que o de El Chaltén mas, mesmo assim, encontrar tempo bom ou ruim no Parque é uma questão de sorte e que não depende do mochileiro. Comparado à Argentina, o Chile é um país mais caro, então procure comprar sua comida para fazer os circuitos em Torres del Paine ainda na Argentina (não tivemos problemas para atravessar a aduana com produtos industrializados) e deixar para comprar no Chile apenas o necessário. Dia 23 de Janeiro – Deslocamento Puerto Natales – El Calafate: Nos despedimos cedo de Puerto Natales e do Chile e no começo da tarde estávamos fazendo o check-in no Hostel Inn Calafate, o qual recomendo para os futuros mochileiros. Fomos para o centro reservar o passeio do Minitrekking no Glaciar Perito Moreno para o dia seguinte e fechamos na Hielo y Aventura pelo valor de AR$ 3300 por pessoa. Tínhamos o resto do dia livre, então aproveitamos para caminhar um pouco pela cidade e nesse dia nos recolhemos cedo no hostel. Dia 24 de Janeiro – Minitrekking Perito Moreno: Por volta das nove horas da manhã a van da empresa veio ao nosso hostel para nos levar até o centro. De lá, com um ônibus, percorremos os oitenta quilômetros até o Parque Nacional Los Glaciares. Chegando ao Parque, pagamos uma taxa no valor de AR$ 500 para ingressar e, após alguns minutos, estávamos no mirador do Glaciar Perito Morento. Tivemos duas horas de tempo livre para caminhar pelas passarelas que ligam os diversos miradores do Glaciar. Depois, pegamos um barco que nos levou ao local onde faríamos o minitrekking. O trajeto de barco não chega a ser igual àquele do passeio que leva as pessoas bem próximas do Glaciar, mas durante o deslocamento no barco se pode ter uma noção do tamanho dos blocos de gelo a sua frente. Mais uma vez em terra firme, agora já próximo ao Glaciar, colocamos os grampones no calçado, recebemos algumas instruções dos guias da empresa e iniciamos nossa caminhada pelo gelo. Apesar de o preço ser elevado, posso dizer que fazer o minitrekking foi uma experiência bastante interessante. O guia nos levou glaciar adentro e quando você vê, está praticamente cercado de gelo. Alguns optam por fazer o Big Ice, que é um passeio em que as pessoas ficam mais tempo caminhando pelo Glaciar, mas o minitrekking para mim já foi o suficiente. Após uma hora e meia de subidas e descidas pelo gelo, nos despedimos do Perito Moreno, retiraram nossos grampones do calçado e tomamos o barco rumo ao ônibus que nos levaria de volta a El Calafate. Resumo e Dicas de El Calafate: De modo geral, El Calafate é a cidade que tem um pouco mais de infraestrutura com relação a lojas e restaurantes. Ela também é um pouco mais barata que El Chaltén, então talvez seja melhor comprar boa parte da comida e equipamento nessa cidade. Por outro lado nos limitamos a fazer apenas o passeio pelo Glaciar do Perito Moreno, de modo que não saberia dizer se a cidade possui alguma outra atração que valeria a pena de se conhecer. Dia 25 de Janeiro – El Calafate – Buenos Aires – Brasil: No dia anterior reservamos por AR$ 150 um transfer que nos levaria do hostel até o aeroporto de El Calafate. Meu voo de volta ainda fez escala em Ushuaia apenas como forma de me fazer passar vontade por não ter conhecido o lugar. De qualquer forma, não nos arrependemos do roteiro que fizemos. Pelo tempo que tínhamos, optamos por ficar mais tempo em menos lugares e Ushuaia infelizmente foi a cidade que decidimos deixar para, quem sabe, uma futura viagem. Deixo aqui os relatos que serviram de base para elaborar o meu roteiro: https://mydestinationanywhere.com/2014/11/09/torres-del-paine-como-chegar-visitar-trekking-hospedagem/ https://www.mochileiros.com/topic/55423-patag%C3%B4nia-em-26-dias-dez2015jan2016-circuito-o-em-7-planilha-de-custos/ https://www.mochileiros.com/blog/torres-del-paine-tudo-que-voce-precisa-saber-antes-de-iniciar-o-trekking http://paraondefomos.com.br/torres-del-paine-o-que-levar-para-o-trekking/ http://paraondefomos.com.br/torres-del-paine-quanto-custa/ http://paraondefomos.com.br/torres-del-paine-nosso-roteiro-circuito-o/ http://anaturezahumana.com/el-chalten/ Espero que tenham gostado da leitura e, qualquer dúvida que tiverem, não deixem de perguntar. Grande abraço.
  16. Ola pessoal. Este aqui é um relato da volta completa de Ilha Grande que eu e a Márcia fizemos na segunda semana de Janeiro/2008. Caminhamos durante 11 dias, mas ficamos 2 dias na Praia de Parnaioca e mais 2 dias na Praia de Palmas. O relato é muito longo e detalhado. Coloquei também inúmeras dicas e informações úteis para quem pretende repetir essa caminhada. Pegamos dias de muito Sol, mas quando estávamos saindo da Praia de Parnaioca choveu muito. As fotos são mais de 500 e as dividi por dias. De cada dia eu criei um álbum e acrescentei imagens do google earth com a trilha plotada, apesar de que a trilha é muito tranquila, sem problemas de navegação. Eu e minha esposa Márcia coincidimos de em 2008 tirarmos férias juntos e para aproveitar melhor, resolvemos ir para Ilha Grande. Nossa intenção era conhecer todas as praias e como tínhamos mais de 2 semanas de férias, resolvemos dar a volta completa a pé por toda a ilha. Saímos de São Paulo no Domingo (13/01/08) no ônibus das 21:00 hrs (ônibus extra, pois os outros horários estavam todos lotados), chegando em Angra ainda de madrugada e lá esperamos amanhecer para só então procurar uma padaria para tomar o café da manhã, pois nossa intenção era tomar a barca para Ilha só as 15h30min (único horário saindo de Angra dos Reis). Existe a opção de pegar algum barco ou escuna no cais de Santa Luzia, mas tínhamos que pegar a Autorização na TURISANGRA para acampar na Praia do Aventureiro (exigem essa autorização na alta temporada). Uma boa opção era pegar a Barca em Mangaratiba com saída para as 08:00 hrs, mas de novo o problema da Autorização. # 1º dia (14/01) – Algumas praias de Angra dos Reis e chegada na Vila de Abraão Fotos desse dia: Ainda na parte da manhã em Angra dos Reis, resolvemos conhecer algumas praias próximas ao Colégio Naval e lá fomos para o centro da cidade para pegar o circular Vila Velha que nos deixou pouco depois do Vila Galé Eco Resort (antigo Blue Tree Park). Próximo ao Resort chegamos às praias do Tanguá, Tanguazinho e Praia da Gruta, sendo essas 2 últimas, desertas. Como tínhamos muito tempo até as 15h30min, ficamos nessas praias cochilando, já que não dormimos quase nada no ônibus e pouco depois das 10:00 hrs voltamos para a estrada e fomos para o centro da cidade pegar a Autorização para acampar na Praia do Aventureiro. Essa autorização se consegue na TurisAngra e lá fizemos o cadastro e tivemos que dizer em qual camping iríamos ficar e por quantos dias, pois existe um limite de campistas na praia. De posse da Autorização e depois de almoçado, seguimos para o cais onde a barca estava. Saiu lotada e isso em plena Segunda-feira, levando cerca de 1h30min para chegar na Praia de Abraão. O que achamos engraçado foi que ao chegarmos em Abraão havia uma multidão que tomava conta de todo o cais. Lembrava a Rua 25 de Março de São Paulo, em época de fim de ano. Tivemos até certa dificuldade para sair dali. Depois disso fomos logo procurar o Camping do Bicão - já tínhamos lido ótimas recomendações do lugar e lá quem nos recebeu foi a Claudia - responsável pelo local. Não tínhamos feito reservas, mas encontramos o camping com algumas vagas. O lugar é bem tranquilo e sossegado com lonas azuis cobrindo todas as barracas, uma cozinha coletiva com fogão e geladeira e um banheiro de dar inveja. A energia da Ilha é trazida por cabos submarinos vindo de Angra dos Reis que chegam até a distante Vila de Provetá (Praias do Aventureiro, Parnaioca e Palmas não possuem e nesses lugares só com geradores). Naquela noite fomos conhecer a Vila de Abraão e surpreendemos com a quantidade de turistas estrangeiros, em sua maioria argentinos, chilenos e europeus em geral. Brasileiro mesmo estava em menor número. A Vila de Abraão é bem urbanizada com inúmeros restaurantes, algumas padarias, mercearias, algumas lojas de roupas, campings e muitas pousadas. Na Vila tem até uma antena da Vivo Celular. Voltamos para o camping e após analisar as subidas e descidas que iríamos encarar no dia seguinte, resolvemos seguir no sentido anti-horário, o que no final se mostrou a melhor opção. # 2º dia (15/01) – Saída da Vila de Abraão até o Saco do Céu, passando pela Cachoeira da Feiticeira Fotos desse dia: Na manhã seguinte (Terça-feira) saímos do camping por volta das 10:00 hrs em direção ao Saco do Céu, pois já tínhamos a informação que no local se permite acampar em quintais de alguns moradores. Logo que saímos de Abraão já chegamos na primeira bifurcação (seguindo em frente chega-se na Praia Preta e Ruínas do Lazareto) e aqui pegamos a bifurcação da esquerda que passa pelo Poção e pelo Aqueduto (incrível ver como ele está intacto mesmo depois de uns 200 anos), aonde chegamos as 10h30min. Continuamos subindo e subindo, parando várias vezes para retomar o fôlego, pois estávamos com mochilas cargueiras cheias e assim que chegamos na altitude de pouco mais de 200 metros, a trilha começou a descer até chegar na bifurcação, à esquerda para a Cachoeira da Feiticeira - aqui encontramos uma pequena placa indicando. O início dessa trilha é bem íngreme e depois de uns 10 minutos de subida se chega em um local plano que tem uma descida à direita que leva até o rio dessa cachoeira. Mais alguns minutos margeando o rio até chegar na cachoeira, juntamente com um grupo de umas 30 pessoas que tinham ido com um guia. Depois de aguardar algum tempo "na fila" conseguimos chegar perto da queda da água de uns 15 metros de altura e entrar embaixo para relaxar. Tiramos algumas fotos e depois subimos por uma trilha à direita que leva ao topo da cachoeira e a um tobogã bem legal, que termina em um pequeno poço. Ficamos aqui por um bom tempo se divertindo escorregando pela pedra. Depois resolvemos que já era hora de irmos embora, pois tínhamos uma longa caminhada pela frente. Saímos de lá por volta das 13h20min e voltamos até a bifurcação na trilha principal e de lá seguimos em frente. Uns 10 minutos depois a trilha bifurca novamente e a da esquerda segue para o Saco do Céu e a da direita leva até a Praia da Feiticeira. Queríamos conhecer a praia, por isso seguimos para a direita. A trilha é bem demarcada e segue quase sempre no plano com algumas descidas leves e as 13:40min chegamos na praia. Logo que pisamos na areia um barqueiro já veio nos abordar para saber se queríamos retornar para Abraão de barco, pois em caso positivo seriam $10,00/pessoa. Junto com a gente chegou também uma família com umas 8 pessoas e a cara do pai demonstrava que ele estava bem cansado - acho que o barqueiro conseguiu encher o barco. A praia é deserta, com uns 50 metros de extensão, mas estava cheia de turistas. Além de barqueiros que ficam no canto da praia aguardando quem queria voltar para Abraão, encontramos também uma vendedora de refri/cerveja e mais umas 15 pessoas que tinham desembarcado de uma escuna que estava na praia (com certeza essa é uma praia bastante visitada, para quem quer ir além da Praia Preta, que fica a poucos minutos de Abraão). Saímos da Praia da Feiticeira pouco antes das 14:00 hrs e voltamos até o ponto onde a trilha se bifurca e ali continuamos na trilha principal. No caminho ainda encontramos um casal que voltava do Saco do Céu e perguntando para eles, vimos que não faltava muito, então resolvemos voltar alguns minutos até a bifurcação para a Praia do Iguaçú que tínhamos passado direto. Deixamos as mochilas escondidas na mata e pegamos uma trilha que começa a descer com trechos planos e outros com descida íngreme. Uns 10 minutos depois, já perto da praia, chegamos em uma cerca e a trilha segue ao lado dela até a areia. O que encontramos é quase que uma praia particular. Aqui existe uma casa com um enorme quintal e apenas 4 pessoas na areia da praia. Tinha também uma familia de patos passeando na areia. Mais fotos e voltamos para a trilha principal e continuamos seguindo passando agora pela Praia da Camiranga as 14h40min. Aqui já é considerado a Enseada das Estrelas, com as Praias da Camiranga, de Fora e Perequê. Seguindo pela areia da praia chegamos na Praia de Fora, onde a trilha agora sai da areia e segue pela mata - é bem fácil visualizar a entrada da trilha. A partir daqui ela vai seguindo próxima aos quintais das casas e logo chegamos na Ponte sobre o Rio Perequê. Esse rio tem + - 15 metros de extensão, bem rasinho, mas cheio de pedras (aqui paramos por uns 30 minutos para comermos alguma coisa). Seguindo a trilha ainda passamos ao lado de um pequeno bar e chegamos a uma região de mangue do lado direito. Aqui existem algumas pontes de madeira que cruzamos e uns 20 minutos desde o Rio Perequê chegamos em uma bifurcação com um extensa ponte de madeira do lado direito e uma trilha em frente. Como não sabíamos qual era a trilha certa, seguimos em frente subindo, mas logo tivemos que voltar, pois ela terminava em algumas casas. Voltando até a extensa ponte de madeira e seguimos para a direita, chegando no Saco do Céu com a trilha sempre se distanciando da praia e passando ao lado de alguns restaurantes com saída para o mar. Aqui novamente a trilha segue próximo aos quintais e sem bifurcações. Quando perguntamos da casa da Dona Nereide e Sr. Nanandez (tínhamos a informação que o casal permitia acampar no quintal da casa) disseram que ficava no final da praia, próxima a uma Igreja Católica. Chegamos na casa do casal por volta das 16:00 hrs e quem nos recebeu foi a D. Nereide (senhora muito simpática e atenciosa) que nos deixou acampar em um área de gramado bem ao lado da casa. Ela nos disse que até tentou colocar um camping no local, mas devido ao manguezal próximo, o Instituto Florestal proibiu. Ela disse que só aceitava que montássemos a barraca para dormir, já que era proibido o camping e já que iríamos ficar só aquela noite, ela resolveu não cobrar nada. Do lado de fora da casa existem 2 banheiros que provavelmente seriam do futuro camping e nos fundos da casa, o irmão de D. Nereide mantém uma criação de gansos e algumas galinhas. Montamos nossa barraca próxima a placa da Trilha T3 (do Saco do Céu até Freguesia de Santana). O que atrapalhou um pouco foi o barulho dos gansos e galinhas, mas no geral, tivemos uma noite tranquila. # 3º dia (16/01) – Saco do Céu até a Praia Grande de Araçatiba Fotos desse dia: No dia seguinte (Quarta-feira) por volta das 07h50min nos despedimos da D. Nereide, agradecendo-a e seguimos em frente com a firme intenção de chegar na Praia Grande de Araçatiba. Aqui tínhamos 2 opções: a primeira delas seria pegar um atalho direto para a Praia do Bananal, subindo um morro de uns 250 metros de altitude, levando em média umas 2 horas até Bananal. A outra opção seria seguir pela trilha principal até Freguesia de Santana e de lá chegar até Bananal. Como tínhamos tempo de sobra para conhecer várias praias, resolvemos pela segunda opção (quem quiser seguir direto pelo atalho até Bananal é só perguntar para os moradores - todos sabem informar). A trilha principal vai seguindo morro acima por uns 15 minutos e depois quando se inicia a descida, passamos ao lado de uma bifurcação do lado direito que leva até a Praia da Guaxuma. Deixamos novamente as mochilas escondidas e fomos conhecer a praia que estava deserta (só encontramos alguns gansos passeando na areia). Ela está localizada em uma pequena enseada e ficamos só alguns minutos; logo voltamos para a trilha principal. Mais uns 10 minutos descendo pela trilha principal, chegamos na Praia do Funil (muito pequena), marcada por um campo de futebol do lado esquerdo. Nesse local pudemos observar alguns fios de energia que vêm do continente e que chegam a Ilha próxima a essa praia (aqui existe uma divisão - uma parte dos fios segue para Vila de Abraão e a outra para a Vila de Provetá). Mais fotos e seguimos em frente e uns 10 minutos depois, por volta das 09h30min estávamos chegando na Praia do Japariz, muito usada por escunas que levam turistas para a Lagoa Azul (não muito longe daqui). No local existe um restaurante e em frente, um pequeno cais (trapiche) para atracar as escunas. Passamos direto pela praia e a trilha daqui para frente vai seguindo próxima do costão até Freguesia de Santana, aonde chegamos as 10h30min. Aqui é um sucessão de 2 praias (Freguesia e Baleia). O que nos chamou bastante a atenção foram 2 teiús (espécie de lagarto) que estavam comendo 1 jaca no meio da trilha (engraçado foi ver os dois saírem correndo todo desengonçados pela trilha no sentido contrário). Se distanciando da praia, a trilha segue por entre uma área de bambuzal, como se fosse uma espécie de túnel (muito legal) e as 10h40min chegamos na bifurcação para a Praia de Baixo e Praia da Grumixama. Desse ponto pudemos visualizar uma pequena parte da Lagoa Azul com suas inúmeras escunas (aqui ficamos um certo tempo admirando a paisagem, pois o local tem um visual muito bonito). Pouco depois das 11:00 hrs voltamos para a trilha e iniciamos outra subida e descida de morro até chegarmos na Praia do Bananal Pequeno. Essa praia tem uma pequena faixa de areia monazítica e um único morador (Seu Zeca) e daqui já dá para ver quase todas as outras praias por onde iríamos passar. Seguindo por uns 10 minutos chegamos na Praia do Bananal, onde paramos embaixo de uma árvore para descansar e comer alguma coisa. Na praia existem algumas pousadas; quase todas pertencentes a japoneses e a trilha passa por detrás de quase todas elas. Seguindo por outro morro acima, a trilha chega a + - 100 metros de altitude e depois disso descemos em direção a Praia da Matariz, aonde chegamos as 13h40min. A praia possui alguns bares e no final existe uma antiga indústria de pescado que funcionou a muitos anos atrás e logo que termina o muro da antiga fábrica, a trilha segue para a esquerda, atravessando mais um pequeno trecho de mangue. Depois de atravessarmos uma pequena ponte de concreto, algumas casas aparecem à esquerda e à direita da trilha e quando íamos iniciar mais uma subida de morro, paramos para pegar água em uma bifurcação que sai à esquerda da trilha principal, já que nossos cantis estavam quase vazios. Com cantis cheios, iniciamos mais outra subida de morro, chegando a pouco mais de 100 metros de altitude e o que nos chamou a atenção foi uma enorme figueira que fixou suas raízes em cima de uma rocha (no local até existe uma placa indicando a figueira branca). Seguindo em frente, alguns trechos da trilha se abrem e é possível visualizar todo o mar ao redor e o continente. Às 15h15min chegamos em mais uma praia tranquila (Praia de Passaterra) e em mais uns 5 minutos chega-se na Praia de Maguariquessaba (aqui existem alguns bares e restaurantes e encontramos escunas atracadas na praia com vários turistas). Essas praias são muito bonitas, mas o problema delas é que a areia é muito fofa, o que dificulta muito a caminhada. Mais uns 30 minutos de subida morro acima (seguindo os cabos de energia), passamos ao lado de um cafezal, onde alguns cachorros não nos deixaram em paz e queriam porque queriam que a gente brincasse com eles. Nesse trecho existe uma bifurcação próxima a um bambuzal que leva até a pequenina Praia do Marinheiro, que é deserta e uma boa opção para acampar em selvagem só durante a noite (nem chegamos a ir até a praia). Às 16h20min chegamos em Sítio Forte, onde marca o fim da Trilha T5. Essa praia possui imensos coqueirais, mas a região é de mangue, o que torna difícil aproveitar a praia (a areia é monazítica - um pouco escura). Atravessando a praia e mais uns 15 minutos chegamos na Praia da Tapera, onde encontramos algumas lanchas e barcos atracados em frente. O início da trilha para a próxima praia (Ubatubinha) é um pouco mais confusa e para não tomar a trilha errada procure os cabos de energia elétrica que é por ali que a trilha segue. Nesse trecho de Tapera a Ubatubinha o visual que se tem é muito bonito (aproveitamos nas fotos). A praia de Ubatubinha tem uma imensa casa em frente da areia que possui até um pequeno trator (não deve ter sido fácil trazê-lo de barco até aqui). Chegamos nessa praia pouco depois das 17:00 hrs e ainda tínhamos uma longa subida de mais outro morro pela frente e depois de atravessarmos toda a praia, caminhamos por mais uns 3 minutos e chegamos a um bambuzal, onde bem ao lado existe uma placa apontando Praia Grande de Araçatiba morro acima e foi uma longa e extenuante subida por mais de 200 mts de altitude. Quando chegamos no topo, paramos para descansar e retomar o fôlego próximo de um pequeno riacho onde é possível se reabastecer de água (perdi meus óculos aqui e levou algum tempo até encontrá-lo) e daqui para frente a trilha seguia descendo até a Praia da Longa, onde chegamos às 18h45min. Aqui também é um pouco difícil para encontrar a continuação da trilha para Araçatiba, mas é só perguntar para os moradores que eles indicam (novamente é só seguir os cabos de energia). A trilha, na verdade é um antiga estrada de pedras com uns 5 metros de largura e que segue morro acima (o último do dia, graças a Deus). Assim que a estrada termina, a trilha continua subindo, mas pelo menos não foi tão extensa e por volta das 19:30 hrs chegamos nas areias da Praia Grande de Araçatiba. Ainda com Sol, seguimos pela areia da praia até o final dela, já que o camping onde iríamos ficar está localizado no outro extremo. A praia é de areia muito fofa e muito extensa e só chegamos no camping as 20h20min, exaustos, mas satisfeitos pela longa caminhada de mais de 12 horas. Uma coisa que nos chamou a atenção quando estávamos passando pela Praia Grande de Araçatiba foi termos encontrado algumas barracas no quintal de uma casa (pode ser que seja permitido acampar em alguns quintais e com a vantagem de ficar de frente para a areia da praia). Já o camping onde ficaríamos (Camping Bem Natural) está localizado junto da trilha que segue para a pequena Praia de Araçatiba e com isso tivemos que atravessar toda a praia (não foi fácil). Para se chegar no camping é só seguir a trilha no final da Praia Grande de Araçatiba e em + - 10 minutos haverá uma placa de identificação do camping à esquerda (aqui é só subir as escadas morro acima). Aqui tivemos algumas decepções: ao chegarmos, uma mulher estava falando no telefone e pediu para a gente aguardar ela terminar a conversa e logo nos atenderia (p. sacanagem). A outra foi quando perguntamos o valor do camping: ela nos disse primeiramente que era $45,00/pessoa e na mesma hora falamos que iríamos embora, mas aí a mulher (que não me lembro do nome) nos disse que esse valor incluía o café da manhã ($20,00) e o camping em lugar coberto ($5,00). Dissemos que não queríamos nada disso e o valor ficou em $20,00/pessoa (só ficamos pensando que café da manhã é esse de $20,00 – deve ser só com produtos importados). Perguntamos também sobre o valor do PF e nos disse que era $12,00, mas que faria por $10,00, o que aceitamos e combinamos que montaríamos a barraca primeiro e depois iríamos tomar banho e ela nos disse para fazermos isso em até 30 minutos, porque sua cozinheira estava indo embora. Quando nós dois já estávamos tomando banho não é que a mulher veio bater na janela dos banheiros para a gente tomar banho mais rápido porque a comida já estava na mesa (e olhe que ainda não havia completado os 30 minutos). É....decepção atrás de decepção, mas como já estávamos ali, deixamos para lá. Naquela noite nem fomos conhecer a praia, pois estávamos bem cansados. Tínhamos a pretensão de ficarmos 2 dias no camping, para que pudéssemos visitar a Gruta do Acaiá, mas depois do que aconteceu, resolvemos ficar só aquela noite e seguirmos para a Praia Vermelha, logo na manhã seguinte. Outra coisa que nos chamou a atenção foi o tamanho da cozinha disponibilizada para os campistas (mini-cozinha), enquanto que o tamanho da cozinha para quem paga pelo café da manhã é enorme. Uma sugestão que eu deixo aqui é tentar arrumar uma opção de hospedagem melhor (quintais de algumas casas ou pousadas mesmo, pois dependendo da época os valores de algumas são bem baixos). # 4º dia (17/01) – Praia Grande de Araçatiba até a Praia de Itaguaçú, com Gruta do Acaiá Fotos desse dia: No dia seguinte, quando já estávamos fazendo o café da manhã na mini-cozinha, um grupo de escoteiros estava por lá e comentaram que estavam indo visitar a Gruta do Acaiá também, mas saíram bem antes da gente (só os encontraríamos próximo da Gruta). Desmontada a barraca e mochilas nas costas saímos do camping às 09h40min em direção à Praia Vermelha, mas ao chegarmos na próxima praia (a de Araçatiba - conhecida também como Pequena Araçatiba ou Araçatibinha) vimos que o costão era muito propício para mergulho com mascara e snorkel (tínhamos trazido) e foi o que fizemos. Deixamos nossas mochilas em cima de algumas pedras e ficamos ali por quase 1 hora mergulhando (encontramos muito peixe palhaço). Às 10h40min seguimos para a próxima praia e uns 15 minutos de caminhada já encontramos a bifurcação para a Gruta do Acaiá (à direita) e Praia de Provetá (à esquerda) onde planejamos chegar só no dia seguinte, pois nossa intenção agora era acampar na Praia Vermelha, devido a desistência da Praia Grande de Araçatiba. A trilha para a Praia Vermelha segue próxima ao costão e com algumas subidas e descidas leves (me chamou a atenção 2 ou 3 casa semi-demolidas, próximas da trilha, à esquerda). Às 11h10min chegamos na bifurcação para a Praia do Itaguaçú e uns 10 minutos depois na Praia Vermelha. Aqui é uma praia pequena com alguns restaurantes e bares junto da areia e perguntando onde existia um camping nos indicaram o de uma mulher que era a dona do restaurante, mas havia um problema: o banheiro do camping estava em reforma e o camping era uma casa onde as pessoas acampavam no quintal. Resolvemos não ficar aqui e agora nossa alternativa era visitar a Gruta e seguir para a Praia de Provetá, praia esta onde havia um camping estruturado de frente para a praia (Camping da D. Cleuza). Depois da desistência, deixamos nossas mochilas em um dos restaurantes e seguimos para a Gruta só com um pequeno cantil. Saindo da Praia Vermelha o início da trilha para a Gruta é um pouco confuso (existem bifurcações que levam a algumas casas). Tem uma pequena placa indicando a trilha, mas ela está um pouco escondida e a vantagem é que essas bifurcações estão ao lado de inúmeras casas, então é só sair perguntando se não encontrar a trilha certa. Da Praia Vermelha até a Gruta do Acaiá foram + - 1 hora de caminhada e o início da trilha é uma longa subida íngreme com a paisagem se abrindo conforme você vai subindo, mostrando todo o visual ao redor. A trilha vai subindo até chegar + - 150 metros de altitude e sempre passando por áreas descampadas (aqui o Sol castigou muito nós dois). Quando a trilha começou a se estabilizar já começamos a passar por áreas com mata fechada e desse ponto em diante cruzamos com os escoteiros que estavam no mesmo camping que a gente. Diziam que estavam retornando da Gruta, mas não tinham entrado porque estavam cobrando $10,00/pessoa. Tinham tentando até reduzir o valor, mas não conseguiram. O grupo era formado por umas 10 pessoas e com isso eu e a Márcia já pensávamos em gastar uns $20,00 reais. A trilha seguia com leve inclinação, passando por uma nascente do lado esquerdo e às 14:00 hrs chegamos ao portão de acesso da propriedade da Gruta. Nessa entrada o portão estava fechado com cadeado e bem ao lado uma placa bem grande de “Propriedade Particular”. Nesse momento 3 pessoas estavam saindo e com isso a senhora que cuida de propriedade pediu que fechássemos o portão com o cadeado. Ainda caminhamos uns 50 metros até chegar a casa onde é feita a cobrança. Lá a senhora queria cobrar $10,00/pessoa se quiséssemos visitar a gruta e conversa daqui e dali reduzimos o valor pela metade. Bom para ambas as partes, ainda tínhamos que caminhar um pequeno trecho até a entrada da Gruta, passando antes por algumas casas e ficamos surpresos por ver como a entrada da gruta era bem diferente de todas as que conhecíamos. É como se estivesse entrando num buraco no chão com algumas pedras em volta. Depois de conversar com senhor responsável por guardar a entrada, que não deixou de se certificar se tínhamos mesmo pago antes a senhora. Iniciamos a descida por uma escada de madeira de + - 5 metros de profundidade e aqui uma lanterna é essencial, mas como não tínhamos, usamos a lanterna do celular. Conforme íamos descendo o buraco ia ficando mais estreito e apertado e só chegamos ao salão interno depois de passar arrastados por entre as pedras. O salão é uma coisa magnífica e olhando para o fundo da gruta se vê uma luz azul ou verde fluorescente (depende da intensidade da luz solar), que na verdade é o sol que reflete no fundo do mar e aparece no fundo da Gruta. O salão tem uma altura de pouco mais de meio metro e mais ou menos 20 metros de largura (isso foi até onde podíamos enxergar; talvez seja até maior que isso). Depois de se arrastar até próximo ao fundo da gruta chegamos a uma local até onde a água do mar chega e aqui ficamos por um bom tempo admirando o fundo da gruta com aquela luz fluorescente. Desse ponto até a superfície do mar existe uma fenda submarina e somente com cilindro de oxigênio para atravessá-la. Depois de sairmos da gruta ainda fomos conhecer o costão por onde começa a fenda submarina e por onde passa a água para o interior da gruta. Aqui também é o local onde os barcos e escunas ficam ancorados. Pouco depois das 15:00 hrs iniciamos o retorno para a Praia Vermelha e depois de pegarmos nossas mochilas no restaurante seguimos para o camping da Praia de Provetá. No caminho ficamos pensando em outra alternativa: ficar em uma das casas semi-demolidas que encontramos pela trilha, próximo da Praia do Itaguaçú e nessa praia paramos um pouco para mergulhar nos costões, mas não ficamos muito tempo porque encontramos algumas águas-vivas na praia e logo seguimos pela trilha. Cerca de 20 minutos depois já estávamos nessas casas semi-demolidas e chegamos a conclusão que ali era uma boa opção, pois água potável nós tínhamos encontrado alguns metros antes. As casas haviam sido abandonadas há muitos anos, pois o mato tinha crescido em volta e tinha muito entulho ao lado. Montamos nossa barraca na sala da antiga casa e bem ao lado de um dormitório onde tinham 2 morcegos. Demos uma p. sorte, pois logo que montamos nossa barraca, começou a chover forte e foi assim o resto da noite. # 5º dia (18/01) – Praia de Itaguaçú até a Praia do Aventureiro Fotos desse dia: Logo pela manhã (Sexta-feira) acordamos com o dia nublado e as 08h20min seguimos pela trilha para a Praia de Provetá, mas como tinha chovido bastante a noite, ela estava um pouco escorregadia. Ao passar pela bifurcação, a trilha vai seguindo por mais uma subida de morro até chegar a pouco menos de 200 metros de altitude e quando começamos a descida cruzamos com um rio onde paramos para tomar o café da manhã. Seguindo pela trilha o que não nos agradou foi que ao chegarmos próximo da Vila encontramos toda a mata ao redor desmatada. É uma coisa que choca para quem só estava vendo mata fechada próximo das praias e antes de chegar lá, por pouco a Márcia não pisa em uma cobra que estava atravessando a trilha e pela cor e desenhos, parecia ser um filhote de jararaca (peçonhenta). Fomos chegar na Praia de Provetá as 11:00 hrs e lá paramos para descansar ao lado da Igreja Assembléia de Deus (bem imponente e que se destacava), pois a Vila em sua maioria é formada por evangélicos. Encontramos bem ao lado um orelhão e uma pequena mercearia onde compramos algumas coisas. A trilha para Aventureiro se inicia bem no canto esquerdo da praia e lá fomos nós caminhando pela areia, passando ao lado do Camping da D. Cleuza que está em frente da praia. Ao chegarmos ao lado de uma enorme bica de água (conhecida como Bicão), a trilha segue novamente morro acima em mais uma subida bastante íngreme. Logo que se inicia a subida tomamos uma bifurcação da esquerda (na dúvida e só perguntar aos moradores, pois existem várias casas ao lado). Depois de + - 10 minutos a trilha se bifurca novamente e seguindo em frente provavelmente vai chegar em algumas casas, mas a trilha correta é pegando a bifurcação da esquerda (nesse local até existe uma placa apontando Aventureiro para a esquerda). Aqui chegamos em um mirante que permite ótimas fotos da praia e de toda a Vila. Nesse momento chegaram 2 homens (pai e filho) que passaram pela gente seguindo pela trilha e disseram que tinham vindo de Araçatiba e pretendiam retornar no mesmo dia, mas pelo horário avançado (12:00 hrs) iriam aproveitar pouco a Praia do Aventureiro. Daqui pra frente a trilha segue em aclive suave sempre em linha reta passando por várias nascentes, porém o trecho final é bem íngreme o que nos fez parar em vários momentos para descansar, até chegarmos a altitude de + - 350 metros (o ponto mais alto de todos que tínhamos subido). Daqui já conseguíamos ver a Praia do Sul bem à esquerda, mas Aventureiro estava escondida pela mata. A descida até a praia é uma pirambeira daquelas (muito íngreme) e tivemos que tomar muito cuidado para não escorregar, pois tinha chovido muito a noite passada (aqui tivemos a certeza que tínhamos acertado em fazer a volta no sentido anti-horário, pois para quem sai de Aventureiro e segue para Provetá com uma mochila cargueira vai sofrer muito na subida desse trecho). A descida foi rápida e as 14:00 hrs chegamos na Praia do Aventureiro. Aqui existem inúmeros campings (mais de 15), próximos da areia da praia, mas primeiramente tínhamos que deixar nossa autorização no quiosque da Associação de Moradores que fica do lado direito da praia junto ao coqueiro caído que é o cartão postal de Aventureiro. No cadastro em Angra tínhamos escolhido um camping próximo da areia sendo que o valor ficaria em $20,00/pessoa sendo que $5,00 seriam para a taxa de permanência na praia. No quiosque ficamos sabendo que existia um camping no morro bem ao lado e que era um lugar bem mais sossegado e tranquilo. Não pensamos 2x e escolhemos esse (ele é o Camping de número 1 e o valor era de $17,00/pessoa). Depois de montada a barraca, fomos conhecer a Praia do Aventureiro e a do Demo que fica ao lado, mas antes fomos comer um arroz com mexilhão (foi nosso almoço e jantar). Entrar na água no canto direito estava fora de questão, pois uma quantidade muito grande de algas estava sendo trazida pelas ondas, mas a praia é um paraíso com areia branquíssima e várias áreas de sombra. A Praia do Demo que é separada do Aventureiro por algumas pedras é também uma dádiva (algumas árvores que formam sombra na areia e também um pequeno riacho junto ao costão). Aqui vimos uma quantidade muito grande de coqueiros na mata e até conseguimos pegar alguns cocos. Seguimos para o Costão do Demo, que separa a Praia do Sul da Praia do Demo e aqui ficamos até o anoitecer vendo o pôr do Sol e as ondas quebrarem no costão. Observamos também que várias pessoas vinham da Praia do Sul e do Leste e ficamos sabendo que os fiscais do Instituto Florestal só ficam ali para proibir o acesso em feriados prolongados ou alguns fins de semana, pois a região é uma Reserva Biológica. Por volta das 20:00 hrs voltamos para o camping e nesse momento começou a chover, mas o local onde estávamos era embaixo de uma árvore. Tínhamos colocado também uma lona em cima da nossa barraca e a chuva até ajudou a dormirmos melhor. # 6º dia (19/01) – Praia do Aventureiro até a Praia de Parnaioca Fotos desse dia: Às 08h30min do dia seguinte (Sábado) acordamos. Naquele dia ainda não tínhamos decidido se iríamos ficar mais um dia ou seguiríamos para Parnaioca. Ficamos a manhã toda na Praia do Demo e lá decidimos seguir para Parnaioca naquele dia mesmo. Depois de desmontada a barraca, deixamos o camping por volta das 13:00 hrs e seguimos para a Praia do Leste (ainda cruzamos com 2 garotos com cargueira que provavelmente estavam fazendo a volta da Ilha, no sentido contrário ao nosso). A travessia do Costão do Demo exige certo cuidado, pois a pedra é um pouco inclinada e em dias de chuva é arriscado passar por aqui. Chegamos na Praia do Sul às 14:00 hrs e encontramos algumas pessoas na areia da praia e aqui tivemos que ficar descalços, pois a areia é muito fofa e a praia muito extensa. Chegando ao final dela, existe uma trilha que sai para a esquerda em direção ao manguezal e nesse local a água chega a bater um pouco acima dos joelhos. Depois de atravessado a região do manguezal, chegamos na Praia do Leste que é um pouco menor, mas no final da praia tivemos uma noticia desagradável: um grupo de 3 garotos estava voltando de Parnaioca e dizia que tinham sido barrados por um fiscal do IF que estava no começo da Praia de Parnaioca e com isso ficamos decidindo o que fazer. Já que estávamos ali, nem valeria a pena voltar para Aventureiro para pegar um barco em direção a Parnaioca. Se continuássemos pela trilha e ao chegar na Praia, o que o fiscal poderia fazer com a gente? Fazer a gente voltar? Talvez sim ou talvez não. Paramos para pensar e então decidimos esperar um pouco mais e chegar no final da tarde na praia. De repente chegam 2 garotos de mochilas cargueiras que tinham vindo de Parnaioca e estavam fazendo a volta da ilha também, mas no sentido inverso ao nosso. Perguntamos a eles sobre o fiscal e disseram que não tinham encontrado ninguém e pensamos se o fiscal não tinha ido tomar um café, ao banheiro ou tinha ido embora mesmo. Com essa dúvida saímos da Praia do Leste as 17:00 hrs em direção a Parnaioca; estávamos inseguros, mas não tínhamos opção. Por volta das 18:00 hrs, quando chegamos na praia, não encontramos nenhum fiscal. Ao cruzarmos o rio, encontramos 4 rapazes acampados na mata, ao lado do rio em camping selvagem e conversando com eles decidimos ficar por ali também. Eles disseram que o fiscal do IF tinha ficado na praia até as 15h30min e pediu a eles que não ficassem acampados na areia e que desmontassem as barracas durante o dia. Atualmente nessa praia existem 3 campings estruturados, que são boas opções para quem quiser ficar por alguns dias nessa praia. Com a barraca montada, ainda fomos dar uma volta pela praia e depois fomos fazer nosso jantar e dormir. A chuva que chegava sempre no início da noite, nesse dia não veio. # 7º dia (20/01) – Praia de Parnaioca Fotos dessa praia: No dia seguinte (Domingo) acordamos com um Sol muito forte e decidimos lavar algumas roupas e colocá-las para secar. Depois de desmontar a barraca, colocar na mochila e escondê-la na mata fomos caminhar pela praia, que era muito extensa e só achamos 4 casas próximas da areia e mais 2 um pouco longe da praia. Na praia sempre estavam chegando alguma escuna com turistas que ficavam por um certo tempo lá. Encontramos também uma pequena Capela e um Cemitério bem ao lado. Logo depois seguimos rio acima para conhecer as cachoeiras, mas antes fomos na casa da Marta (ao lado do Camping do Silvio) encomendar 2 pfs para o final da tarde. O rio é cheio de pedras com inúmeros poços para tomar banho, mas as cachoeiras não passam de 1 metro. Voltamos para montar a barraca e nessa hora começou a chover muito forte e para irmos à casa da Marta precisamos colocar nossas capas de chuva. Quando estávamos comendo e conversando com a Marta e o seu marido sobre como é a vida naquele lugar chegou o Silvio (o do Camping). Ele mora ao lado e nos disseram que teve épocas piores do que as de hoje, pois quando existia o Presídio em Dois Rios e ocorriam fugas, os presos se dirigiam para essa praia. As famílias da época eram muito humildes e só viviam da pesca e hoje com o fechamento do presídio, o turismo trouxe mais visitantes para a praia e os moradores vivem da rendo do turismo. O Silvio (um dos moradores mais antigos da praia) nos deu uma verdadeira aula de história sobre o lugar. Ficamos conversando sobre os primeiros moradores da ilha e a época dos escravos, quando existiam imensas plantações de café na região. Saciados da fome voltamos para a barraca e decididos que no dia seguinte seguiríamos em direção à Praia do Caxadaço. Durante a noite choveu muito e o rio ao lado, onde estávamos, ficou muito cheio. Conversando com os outros 4 garotos, eles decidiram voltar para Abraão com a gente e um deles decidiu ficar para tentar uma carona de barco. # 8º dia (21/01) – Praia de Parnaioca até a Praia do Caxadaço Fotos desse dia: Na manhã do dia seguinte (Segunda-feira) saímos de Parnaioca as 09:00 hrs pensando que a continuação da trilha fosse no final da praia, mas o Silvio nos encontrou e disse que a trilha para Dois Rios saía atrás da casa da Janete. Refeitos do erro, seguimos pela trilha correta, começando com uma subida de morro até chegar a uma altitude de + - 150 metros e na subida os 3 garotos passaram por nós e seguiram na frente. A trilha não tem como errar, pois está bem demarcada e sem bifurcações. Só a vegetação que estava molhada e um pouco de lama na trilha. Às 11:00 hrs passamos ao lado de uma imensa figueira e um pouco mais a frente ao lado da Toca das Cinzas, que segundo a lenda, era usada como prisão para escravos ladrões que eram deixados para morrer aos poucos (que coisa mais sinistra!). A trilha de Parnaioca para Dois Rios é a mais longa de toda a ilha e depois de 2h30min de caminhada chegamos na praia as 11h30min. Nesse lugar existia o Presídio que foi demolido em 1994, mas que ainda restaram os muros e as casas dos funcionários. Entramos na parte interna do presídio, mas saímos de lá cheios de pulgas nas pernas. Depois disso fomos em um barzinho da Vila (Bar da Tereza) onde almoçamos um PF e um lanche. No lugar encontramos um grupo com umas 8 pessoas que tinha acampado na Praia do Caxadaço na noite anterior e disseram que passaram por dificuldade, pois tinha chovido muito e com isso o saco de dormir de alguns deles tinham molhado. A intenção deles era fazer a volta da ilha no sentido contrário ao nosso, mas depois desse problema e sem perspectiva do tempo melhor, desistiram da ideia. Foi uma pena vê-los com mochilas cargueiras e desistindo da volta por causa desses pequenos problemas - felizmente para a gente tinha dado tudo certo até agora. As 15:00 hrs resolvemos seguir para a Praia do Caxadaço e quando já estávamos saindo da vila um PM nos abordou querendo saber de onde tínhamos vindo e para onde íamos e se conhecíamos a trilha para o Caxadaço (provavelmente a função dele é anotar o destino de todos que passam por ali. Por que? eu não sei). Seguimos pela estrada de terra em direção a Abraão por cerca de 10 minutos e logo encontramos a bifurcação para a Praia do Caxadaço à direita. A trilha entra na mata fechada e segue na direção leste passando por alguns vestígios de construções e pelo Caminho das Pedras que tinha sido construído pelos escravos na época em que chegavam por essa praia. O final da trilha, próximo da praia, é bastante íngreme e um lugar bom para acampar na trilha é próxima a um bambuzal, cerca de 10 minutos antes de chegar na praia, aonde chegamos as 16:00 hrs. Próximo a um riacho existe também um descampado onde cabem algumas barracas, mas seguimos em frente. Já na praia existem poucos lugares para montar barracas e encontramos ela totalmente deserta, possuindo uma faixa de areia de uns 15 metros de largura. Uma peculiaridade da praia é que ela se localiza em uma enseada que fica escondida de quem passa em alto mar, por isso foi usada para desembarque de escravos na época do tráfico negreiro. Montamos nossa barraca no descampado de frente para a praia, mas com a desvantagem do local ser um pouco inclinado. Até pensamos em ficar no local mais plano, próximo ao rio, mas queríamos acampar ali mesmo, de frente para a praia. Imaginávamos que iria chover a noite, por isso cavamos em volta da barraca para que a água da chuva escorresse, mas de nada serviu, porque a chuva não veio. A praia eu achei a melhor de todas (a Márcia preferiu Aventureiro) e do costão se consegue ver as Praias de Santo Antônio e Lopes Mendes. Depois de banho tomado no rio fomos fazer o jantar e dormir ouvindo as ondas chegarem na praia. Aqui o camping é proibido, mas naquela noite não tínhamos opção, porque em Dois Rios não existe camping e caminhar para Abraão estava fora dos planos, porque ainda tínhamos outras praias para conhecer. # 9º dia (22/01) – Praia do Caxadaço até a Praia de Palmas Fotos desse dia: No dia seguinte (Terça-feira) iríamos seguir pela trilha mais difícil de toda a volta da Ilha (em direção à Praia de Santo Antônio). Levamos algumas anotações do livro do José Bernardo (Caminhos e Trilhas de Ilha Grande) e elas foram a nossa referência, pois a trilha possui várias bifurcações que chegam a confundir e quem não tem experiência em trilha na mata fechada não recomendo fazê-la de maneira nenhuma. As bifurcações são semelhantes a da trilha principal e por isso usamos as anotações. Saímos da Praia do Caxadaço as 09:00 hrs e pegamos uma trilha que sai atrás da placa indicativa da Trilha T15 - Caxadaço-Dois Rios (sentido nordeste). Mais alguns metros e a trilha chega em uma vala a esquerda e daqui para frente segue rente a ela, morro acima. Uns 10 minutos depois chegamos a uma área de samambaias onde a descida é bastante íngreme e já no final dela começam a aparecer as bifurcações para a direita; a trilha principal segue para a esquerda subindo para mais outro morro e depois segue no plano por um bom tempo passando por outras bifurcações. Depois de um bom tempo passamos ao lado de uma imensa rocha do lado esquerdo onde escorre um riacho e aqui foi colocada uma pequena corda para ajudar na travessia dessa pedra. Depois de passar ao lado de um imenso bambuzal e cerca de 1hr30min de caminhada, terminamos a trilha em uma outra bem mais demarcada que leva até a Praia de Santo Antônio e aqui viramos para direita chegando na praia pouco antes das 11:00 hrs. O lugar possui um rio que deságua no canto da praia, mas a água não é confiável e se quiser água de qualidade e só seguir no costão à direita por uns 5 minutos. A areia da praia não é fofa e acampar aqui também é proibido. A praia tem + - 100 metros de largura e do lado esquerdo se consegue visualizar a Praia de Lopes Mendes que está bem próxima. De vez em quando ameaçava cair uma garoa, mas a chuva não veio, então ficamos aqui por cerca de 1 hora. Em seguida voltamos para a trilha e seguimos para Lopes Mendes onde chegamos + - 30 minutos depois e aqui alguns consideram uma das 10 melhores praias do país, mas não achamos tudo isso. Sua extensão é de quase 3 kms de areia fofa e inúmeras amendoeiras que fornecem sombra por toda a praia. Existe também uma mata com alguns descampados antes de chegar na areia e várias trilhas que conduzem até a praia. Nem entramos na água porque o tempo não estava ajudando e as 14h15min saímos em direção à Praia de Palmas onde acamparíamos naquele dia. A trilha é bem nítida, quase uma estrada e ainda passamos pela praia do Pouso (onde os barcos de Abraão para Lopes Mendes atracam) e a Praia de Mangues. Caminhando mais uns 10 minutos chegamos em Palmas, onde existem uns 3 campings e como já tínhamos lido algumas recomendações ficamos no Camping dos Coqueiros (cujos proprietários Tunico e Carla são pessoas excelentes). Ele está + - no meio da praia e não nos arrependemos, pois o lugar é muito bom. A praia não tem energia elétrica, mas os chuveiros quentes são aquecidos a gás (o gerador para a energia elétrica fica ligado das 18:00 às 00:00 hrs). O camping estava relativamente vazio e resolvemos comer um PF no bar ao lado, com preço de $9,00. A chuva no fim da tarde ia a voltava e ficamos planejando o que faríamos no dia seguinte. O que faltava para a gente era subir o Pico do Papagaio e conhecer as praias próximas de Abraão (Júlia, Crena e Abraãozinho) e na volta para a barraca decidimos fazer as duas coisas. Só torcíamos para que o tempo ajudasse e amanhecesse um dia de muito Sol. # 10º dia (23/01) – Praia de Palmas até a Praia de Abraão Fotos desse dia: No dia seguinte (Quarta-feira) acordamos com o tempo nublado e com poucas esperanças dele melhorar, mas ainda assim saímos do camping em direção à Abraão para tentar chegar no topo do Pico do Papagaio. Saindo da praia, iniciamos mais uma subida de morro até chegar a + - 200 metros de altitude e lá no topo já vimos que o tempo não tinha melhorado mesmo, pois estava tudo encoberto. Iniciamos a descida e chegamos na Vila de Abraão cerca de 1 hora depois e dali seguimos pela estrada de terra em direção à Praia de Dois Rios e não demorou muito começou a chover forte, mas seguimos em frente. Chegando na bifurcação do Pico, começamos outra subida forte pela trilha em direção ao topo (como a chuva não parava de cair decidimos voltar depois de uns 20 minutos de trilha). Pensamos que não adiantaria nada chegar no topo se não conseguiríamos ver nada ao redor. Voltamos para a Vila onde chegamos por volta do 12:00 hrs e de lá seguimos para as Ruínas do Lazareto e para a Praia Preta (praia de areia monazítica que possui propriedades medicinais). Depois voltamos para a Vila e fomos conhecer as prainhas do lado direito de Abraão (em Abraãozinho existe um pequeno bar de frente para a areia da praia). Às 15:00 hrs voltamos para Abraão para comer e as 17:00 hrs seguimos para Palmas. Estávamos um pouco tristes, pois esse era nosso último dia em Ilha Grande, mas como o tempo não colaborava e ficar na Ilha com chuva não valia a pena, resolvemos ir embora. Já no Camping em Palmas arrumamos as mochilas e deixamos tudo pronto para sair cedo no dia seguinte, pois a Barca para Angra dos Reis saía as 10:00 hrs. # 11º dia (24/01) – Praia de Palmas e retorno para São Paulo Fotos desse dia: Na manhã seguinte, o camping ficou em $10,00/pessoa e depois de pagar para a Carla seguimos para Abraão onde chegamos as 09:00 hrs e as 10:00 hrs em ponto a Barca saiu de Abraão em direção à Angra dos Reis e com ela estávamos levando ótimas recordações. Pouco antes das 12:00 hrs chegávamos em Angra dos Reis e as 15:00 hrs embarcamos em direção a São Paulo um pouco tristes. Era hora de voltar para o batente e a correria de Sampa, mas contentes porque em nossas lembranças iriam ficar lindas imagens de lugares como Gruta do Acaiá, Praia do Aventureiro, do Leste, do Caxadaço, Santo Antônio e muitas outras. Muitas ficarão nas nossas lembranças por muito tempo. Ufa.............finalmente. Terminei............... Depois eu coloco algumas dicas. Abcs
  17. Realizamos no periodo de 05 a 17 de Julho de 2015 a Volta completa da ilha de florianopolis a pé. Foram 12 dias e 251 quilometros. Somente a trilha entre ponta de canas e lagoinha que estava fechada, as outras estavam abertas. Em breve relato completo.
  18. Resolvemos, dessa vez, fazer alguns roteiros distintos: beira-Mar, trilhas em montanhas e travessia. Começamos por Ubatuba, foram 10 dias de caminhada, por algumas das principais praias; depois pegamos nosso veículo e fomos fazer alguns roteiros em Extrema-MG e, por último, a grata surpresa: TRAVESSIA DA SERRA DA CANASTRA-MG, que lugar maravilhoso: belas cachoeiras, trilhas fortes, flora e fauna exuberante, povo amigável, queijos deliciosos(alguns entre os melhores do mundo na sua categoria) sem contar a culinária mineira. Tudo de bom.
  19. Organizei essa travessia um mês antes de pegar a estrada definitiva que me conduzia para mais uma aventura. Como normalmente sou um viajante solitário, nada me prendia, como o tempo, clima, calendário em fim nada mesmo, só eu e minha mochila.Sabia que ia ser uma travessia árdua e cansativa, porem minha curiosidade pelo desconhecido foi maior que meu medo. Bem, minha longa caminhada começou em uma cidadezinha pitoresca e histórica chamada São José do Barreiro. Cheguei bem tarde, ás 8:00 da noite, pois fiquei esperando o ônibus em Guaratinguetá por longas horas na rodoviária. Chegando em São José do Barreiro, logo fui procurar uma pousada para descanar. Fiquei no da dona Maria, por um preço camarada, tomei um longo banho e sai para comer algo e explorar a cidade a noite. Somente três bares estavam abertos beirando a praça central e que também eram o ponto de encontro do pessoal. Percebi que todos se conheciam, e que eu era o forasteiro na cidade. Sentei, pedi uma cerveja e alguns petiscos para comer e lá fiquei por algumas horas observando aquelas pessoas e do que elas falavam. Paguei a conta e sai para andar um pouco pela cidade, lógico acompanhado sempre pela minha inseparável câmera. Passei pela praça, onde haviam várias pessoas por lá, algumas fantasiadas de festa junina e outras com roupas pesadas de inverno e eu de bermudão e camiseta perambulando pela praça. Eu acho que era o único turista daquele dia. Sobe ladeira e desce ladeira dei de cara com o histórico cemitério dos escravos em uma ruela sem saída. Dei uma volta ao redor do muro e encontrei uma passagem perfeita para explorar aquele lugar ás 11:30 da noite. Pulei o muro e dei de cara com um túmulo meio aberto, onde quase caí dentro dele. Bem tirando o susto, adentrei no cemitério para fazer uma matéria. Com uma lanterna na mão e a câmera em outra comecei minha excursão por lá. E um verdadeiro cenário de terror.Voltei para a pousada umas 2:00 h da manhã, sendo que pretendia sair bem cedo, mas só pretendia, pois acordei ás 10:00 h.Pulei da cama, reorganizei minha mochila e deixei a pousada ás pressas. Tomei um rápido café em um bar e parti para a empreitada. A minha intenção logo de início era subir a serra á pé, que até o parque são 27 km de subida, e muita subida. No começo é tudo flores, mas depois de duas horas em uma subida que não tem fim, seu corpo começa a reclamar e cada placa de quilometragem te avisa o quanto ainda tem que andar. A música fazia me esquecer um pouco do cansaço e a beleza da serra me extasiava de prazer e felicidade e uma paz que invade a alma. Em cada curva um cenário diferente. Já eram 4:00 h da tarde, precisava parar, escançar, na verdade repousar. Meu corpo já estava esgotado e no Km 6 estava louco procurando um lugar para montar acampamento, o que era difícil. Em uma região onde havia morro e algumas fazendas cercadas, eu tinha que procurar muito.Quando estava descendo a estrada, bem do alto, pude visualizar a região e encontrar um possível lugar para acampar, foi quando eu vi uma área plana em cima de um barranco. Mas ainda tinha que chegar lá e trinta minutos depois me deparei com esse barranco, que tinha uns dois metros de altura e ficava bem em uma curva. Soltei a mochila e circulei o barranco para encontrar alguma parte mais baixa. Nada feito, mas tinha uma árvore em cima e algumas raízes que me ajudaram a subir. Amarrei uma corda na mochila e lá de cima puxei, já quase sem forças. Quando eu olhei para esse plano, percebi que na verdade era um pasto, um imenso pasto. Não tinha gado, mas sua marca estava em quase todo lugar. Procurei um lugar mais limpo e realmente consegui montar a barraca e cair dentro, onde dormi até ás 10:00, com um frio de congelar e com uma chuva fina que não dava trégua. Fiz a minha janta e tomei um copo de vinho tinto e voltei a dormir até ás duas da manhã, quando um mugido alto veio me acordar. Eu pensei: isso são horas de vacas pastarem e eu lá bem no meio do quintal delas. Levantei, peguei minha lanterna e sai para fora da barraca para ver onde elas estavam. Nada vi, e o som abafado não parava nunca e nada de vacas, bois e nem bezerros.Entrei na barraca e consegui dormir. Ás 6:00 h levantei no meio da forte neblina e um frio cortante, comecei desmontar acampamento para prosseguir e quando estava tudo pronto dei uma última olhada no lugar e descobri de onde estava vindo aquele som de vacas.Em uma fazendinha bem distante onde eu estava, lá estavam elas, berrando feito doidas.Serra da Bocaina Quando cheguei no Km 7 encontrei minha companheira de trilha, parece que ela estava lá me esperando. Parei para descansar, abri um pacote de bolacha e ela acanhada me olhando devorar aqueles biscoitos. Ofereci alguns para ela, que não fez cerimônia alguma, até que finalmente terminamos aquele pacote, mas eu precisava prosseguir minha jornada. Peguei minha mochila e segui.Essa cadela me acompanhou até o Km 25 Não estava nem na metade do caminho e já estava precisando descansar mais uma vez. Quando o trajeto é longo e em subida ingrime, sua velocidade é lenta, e com uma mochila pesada, se torna mais árduo e cansativo. Tive que fazer mais um pernoite na estrada. Desta vez peguei um terreno acidentado, mas era o que tinha e lá montei mais uma vez a barraca e dormi no Km 18. Ao amanhecer me senti mais disposto, eu já estava bem no alto da serra, mas tinha mais subida pela frente, até o Km 25, depois é suave até a entrada do parque. A subida continua, e a vontade de chegar lá, aumentava em cada passo. Cada quilômetro percorrido já era uma vitória, uma conquista. Mas o prazer de estar lá, lá em cima era imenso. Todo meu esforço foi compensado. Porque fazer o trajeto do modo mais fácil, alugar um carro e subir aquela imensa serra, deixando tudo passar pelo retrovisor ou apenas sentir o vento frio entrando pela janela, se pode sentir isso e muito mais subindo em companhia dela, da natureza. E assim fui eu caminhando no meio do nada, ou melhor de tudo, tudo que é belo e magnífico, que com certeza jamais esquecerei, e lógico, voltarei a passar pelo mesmo caminho, onde que do cansaço e exaustão extraiu minha perseverança e coragem de prosseguir o meu caminho no parque, que irei atravessar. 27 Km a menos. Agora eu prossigo o caminho do ouro até o final da trilha. Será o próximo relato de um caminhante solitário.
  20. Boa noite.. Ansiedade comendo aqui, 2:35 da manhã Amanhã, dia 17 de outubro, pego trem 6:30 da manhã de Bh (terra natal) até vila velha. 14 horas de viagem, primeira vez de irei andar nesse trem. A trip andando começa por la. Sao praticamente 1200km pelo litoral. Minha ideia é fazer pela areia. Cheguei a fazer a 3 semanas atras uma de Barra do Pojuca até Mangue seco, 120km, que foi linda e já me deu a experiência para saber de possibilidades dessa maior ser feita. Meu orçamento eu planejei ser de 20 reais por dia. Ja que estarei levando barraca e o propósito é acampar na beira da praia mesmo. Minha idéia ainda é fazer escambo nas barracas de praia oferencendo minha mão de obra em troca de comida e água para beber e tomar um bom banho. Que ja tive essa abertura com alguns nativos que conheci nessa outra viagem. Tenho até dia 25 para chegar em Pratigi, cidade onde acontecerá a UP, que irei trabalhar. Ela fica praticamente na Península de marau, abaixo de morro de sao paulo. Me cronograma tem base em até 6 da manhã começar a caminhar, andar durante por volta de 7,8 horas por dia, que varia entre 30 a 40km. Acabando de montar o mochilao. E melhor, montar pra desmontar e montar novamente. Ganhei um outro mochilao de um grande amigo de infância e ele mora em Vila Velha.
  21. Bom Dia, Alguém já fez a PCT? Ou alguém que tenha planos para fazer? Gabi
  22. Realizamos no período de 01 a 30 de janeiro de 2016 o CRER, foram mais de 800 quilômetros de caminhada. O circuito começa no morro da piedade a uns 15 kms de Caeté -MG e termina no santuário de Aparecida no estado de São Paulo. Esse circuito ainda está em fase de implantação, no escritório da igreja da piedade não disponibilizam nenhuma informação sobre o roteiro. Fornecem somente um pequeno mapa de uma parte do roteiro, não consta nele nenhuma informação sobre hospedagem, refeições, quilometragem....... Tem que seguir os marcos , que em alguns lugares foram destruídos dificultando sobremaneira o prosseguimento. Mais de 80% deste roteiro seguem o mesmo percurso da Estrada Real, no nosso caso ajudou bastante, pois em caso de dúvida seguíamos os da ER. Esse é uma demonstração de parte do CRER. Em algumas cidades tem essas placas informativa sobre o caminho CRER Essas placas informam as distâncias entre cidades.. O morro da piedade é aquele morro no fundo da foto, é ali que oficialmente começa do caminho CRER Essa é a portaria que dá acesso a igreja da Piedade início oficial do CRER
  23. Realizamos no período de 31.01 a 19.02.2016 o caminho da fé invertido (de Aparecida a São Carlos a pé ), foram aproximadamente 540 kms Breve relato completo! No nosso relato focaremos em informações sobre pessoas, pousadas, dificuldades, histórias e estórias. Para aquelas pessoas que querem informações mais detalhadas melhor ler o excepcional relato do Augusto abaixo. Disparado o melhor relato sobre o MELHOR caminho do Brasil : caminho-da-fe-429-km-em-15-dias-de-caminhada-relato-dic-t29158.html
  24. ROTEIRO À PÉ: RIO GRANDE DO SUL: Portão Bom Princípio Carlos Barbosa Garibaldi Bento Gonçalves - Vale dos vinhedos Bento Gonçalves - Pinto Bandeira Bento Gonçalves - pela cidade Bento Gonçalves - caminho de Pedras Caxias do Sul - flores da Cunha Caxias do Sul - estrada dos imigrantes Nova Petropolis Gramado - Natal de Luz Canela - Cachoeira do Caracol Gramado - pela cidade (parques, centro) Santa Maria Herval Picada Café Ivoti Sapiranga Três Coroas São Francisco de Paula São Francisco de Paula (parques, lagos e pela cidade) Tainhas Cambará do Sul Cambará do Sul - Canyon Itambezinho Cambará do sul - canyon Fortaleza Torres - praia SANTA CATARINA: Praia Grande - descida Serra do faxinal Balneário Gaivota - Praia Balneário arroio do Silva - Praia Balneário Rincão - Praia Balneário corrente - Praia Farol de Santa Marta - Praia Laguna - cidade histórica + Praia Orleans Guatá (distrito de Lauro Muller) pé da serra do Rio do Rastro Bom Jardim da Serra ROTEIRO DE ÔNIBUS : São Joaquim Urubici Bom Retiro Lages Fraiburgo CONTINUAÇÃO À PÉ SANTA CATARINA: Videira Treze Tílias Água Doce Jaborá Concórdia Seara Chapecó PARANÁ (ÔNIBUS): Curitiba Paranagua Morretes QUILÔMETROS /DIAS: +- 1.300 kms em 53 dias PESSOAS: No planejamento da viagem nossa preocupação era de como seríamos recebidos nas pequenas cidades, visto que algumas delas não tinham vocação turística, e "mochileiros"poderiam ser "novidade". Mas, essa preocupação foi rapidamente deixada de lado. Fomos recebidos muito bem em todos os lugares (exceto dois episódios, que não afetou em nada nossa caminhada). Ficamos impressionados com a educação e o acolhimento da população do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, sempre solícitos às nossas demandas. Poxa, que saudade de tudo aquilo, em breve voltaremos. CIDADES: Praticamente todas as cidades desse roteiro tinham pousada ou hotel, somente o distrito de tainhas-SC não tem, somente restaurante (mas esse trecho tem serviço de ônibus intermunicipal). ESTRADAS: Optamos em fazer pelas estradas asfaltadas(alguns trechos fizemos em estrada de terra), pois não conseguimos informações sobre estradas secundárias nesta região. COBRAS: Nunca vimos tantas cobras como na serra Gaúcha, teve dia que vimos umas 5, quase minha esposa pisou numa em uma rodovia asfaltada. Elas ficam enroladas na pista de rolamento, é normal vê-las todas esmagadas por veículos, ficam parecendo um desenho no chão (pois vários veículos passam por cima). ANIMAIS SELVAGENS: Outra coisa que nos chamou atenção, vimos muitas espécies(raposa, cobras, tatu, macacos, roedores, porco espinho etc) passando lentamente perto de nós. PRECONCEITO: Tivemos um fato lamentável num hotel fazenda. O gerente nos recebeu num descaso tremendo, nem respondia nossas perguntas, foi preciso a intervenção de uma funcionária para resolver a situação (quase mandei o cara a pqp), o infeliz está no lugar errado. O outro caso foi mais leve, mas fiquei puto. Tirando isso, foi muito tranquilo ser mochileiro naquela região, muito tranquilo mesmo. PREÇOS HOTÉIS: Variou de $25 a 95 por pessoa (mas a crise pegou todo mundo ), em alguns lugares priorizamos ficar em lugares melhores, Sempre pechinchamos os preços, na maioria dos casos conseguimos descontos, principalmente à vista. Não fizemos nenhuma reserva, foi muito tranquilo. PREÇOS REFEIÇÕES: variou de $10 a $35 por pessoa à vontade. Peso : de $20 a $44 o quilo. Obs.: em média coloque $22 por refeição sem bebidas. ABUSO CONTRA TURISTA: Só tivemos alguns casos de abuso, mas nada gritante: Você chega em duas pessoas e pede somente um cafezinho pequeno, o cara trás dois grandes (claro, mais caro) e na maior cara de pau diz que pedimos dois. Isso aconteceu nuns 5 lugares na serra gaúcha, lamentável! Obs.: para nos proteger disso, fazíamos assim: chegávamos nos caixas do estabelecimento e pagava antecipadamente, acabou o problema. CARONA: precisamos pegar carona em algumas oportunidades, e foi até tranquilo conseguir. .fomos ao canyon Itambezinho e no Fortaleza à pé, e voltamos de carona, foi tranquilo. .quando visitamos uma cachoeira em Cambará do sul, fomos à pé e voltamos de carona ( neste dia pegamos três, cada um nos levou num pequeno trecho). .dividimos o trecho entre Seara e Chapecó-SC em dois, como o ônibus demoraria muito, resolvemos ir de carona, demorou uns 40 minutos para aparecer. SEGURANÇA: Em momento algum tivemos problema, somente em Porto Alegre (visita ao mercado central que nos orientaram a ter cuidado), mas os moradores de PA estão preocupados. .na saída de Caxias do Sul, saída para estrada dos imigrantes tem um lugar que me pareceu inseguro, mas nada complicado. NEGOCIAÇÃO HOSPEDAGEM: Sempre negocie, em alguns casos conseguimos descontos de 10% abaixo dos sites de hospedagem. Principmente nesta crise, em alguns casos somente nós dois estavam hospedados no hotel.
  25. Primeiramente quero agradecer o apoio e a disposição do Voluntário RODRIGO em Alfenas - MG. Por não conseguir baixar o livro guia do caminho, ele (Rodrigo) nos auxiliou muito nas muitas dúvidas que apareciam diariamente, principalmente nas saídas das cidades. Na minha opinião o mais bem sinalizado caminho do Brasil, visto que disponibilizaram um LIVRO GUIA, no site deles, o que torna impossível se perder. Esse caminho liga as cidade de Alfenas-MG até o Santuário de Aparecida no estado de São Paulo, um percurso de uns 270 kms . http://www.caminhodeaparecida.com.br/?act=default
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