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  1. Biografia de Cora Coralina: https://www.ebiografia.com/cora_coralina/ Terminamos ontem, domingo 24.06.2018, o mais novo Caminho do Brasil (Cora Coralina), situa-se no estado de Goiás, inicia na cidade de Corumbá de Goiás terminando no município de Goiás(antiga Goiás velho), terra da escritora que dá nome ao caminho. São aproximadamente 300 quilômetros de extensão, passando por alguns municípios e distritos do interior Goiano. Obs.: Paisagens magníficas, trilhas bem demarcadas(algumas difíceis), rica culinária, visualização de pássaros (destaco a quantidade de Araras e tucanos), receptividade incrível do povo Goiano, riquíssima cultura, muita histórias e estórias, foram 11 dias de muita alegria e tranquilidade, nenhum problema. Apesar desse caminho ter sido inaugurado a somente 2 meses, destaco que, pela quantidade de atrações, sinalização, apoio dos idealizadores, recebimento dos peregrinos, esse caminho, sem dúvida está entre os 5 melhores caminhos do Brasil. SHOW DE BOLA.
  2. Esse é um relato de uma volta quase completa por Ilha Grande. Primeiramente, queria agradecer o @Augusto por fazer o guia definitivo das trilhas de Ilha Grande (https://www.mochileiros.com/topic/1171-volta-completa-de-ilha-granderj-uma-caminhada-inesquec%C3%ADvel/). Salvei o relato e não tivemos problemas em realizar as trilhas. Então, esse relato não tem nenhuma pretensão em ser mais preciso ou descrever minuciosamente as trilhas, isso já foi muito bem feito pelo @Augusto . A ideia aqui é tentar transmitir as sensações que tive ao realizar a minha volta por Ilha Grande e tentar acrescentar algumas informações. Na minha visão, é possível realizar a volta (isso falando apenas da orientação no percurso) pela Ilha Grande tendo em mente apenas três coisas. A primeira é levar o relato do @Augusto , ele descreve muito bem as passadas das trilhas, os lugares e tudo mais. No meu caso, salvei o relato no celular e foi muito útil, principalmente nos dois primeiros dias, quando ainda não estávamos familiarizados com as trilhas. A segunda dica: no caso de dúvida siga à rede elétrica. A terceira, a mais importante, é interaja com as pessoas locais, em todas as comunidades da ilha haverá pessoas e todas elas conhecem as trilhas de acesso a comunidade em questão. Todas as pessoas que tivemos contato ajudaram-nos com informações e detalhes valiosos sobre as trilhas. Agora vamos ao relato! Desde a minha última viagem vinha pensando em qual seria o meu próximo destino, pois a data da viagem iria ser pelo final de ano. Queria algo não muito longe. Pensei na Serra da Canastra, Serra da Bocaina, Parque do Itatiaia e Paraty. Confesso que estava pendendo pelo Itatiaia, mas algumas lembranças vieram a tona e fizeram-me mudar de decisão. Agora estava decidido, seria Ilha Grande o destino e iria dar a volta na ilha. Das lembranças que alteraram o rumo da viagem, foram apenas vozes de uma amiga que sempre dizia-me para fazer a volta na ilha e naquele momento essas vozes me soavam como um chamado. Fazia alguns anos que eu viajava sozinho e mal planejava minhas viagens, apenas me deixava ir. Porém, final de ano é complicado, todos os destinos são invadidos por centenas/ milhares de pessoas, tudo fica mais escasso e os preços são todos mais altos. Ano passado já tinha me frustrado por não me organizar nessa data do ano e tive que mudar de última hora o meu destino. Dessa vez não cometeria o mesmo erro e teria que voltar a fazer algum planejamento antes de sair de casa. Como teria que me planejar porque não ter companhia? Fiz-me essa pergunta. A primeira pessoa que conversei sobre a viagem foi com o Vinicius, amigo que conheci no mestrado, e logo percebi que ele estava afim de fazer esse rolê por Ilha Grande. Depois entrei em contato com duas amigas que no primeiro momento tiveram interesse, mas com o tempo e outros planos não iriam conseguir embarcar nessa. Matheus é um velho amigo e está fazendo um mochilão de longa data pelo Brasil, falei com ele sobre a viagem e ele também animou de fazer parte da trupe. Assim, estava fechado o grupo: Eu, Vinicius e o Matheus. Dias antes de embarcar, pesquisei (no mochileiros.com) se haveria mais alguém fazendo a volta na mesma data e meio sem querer encontrei a Jordana. Ela estaria na ilha nas mesmas datas e estava procurando companhia para dar a volta na ilha. Entrei em contato com ela e consequentemente o grupo tinha mais uma nova integrante. Agora, éramos quatro. Confesso que não houve um super planejamento. O plano resumiu-se a levar comida para os primeiros dias, comprar as passagens para Angra com antecedência e ler alguns relatos. No entanto, é importante comentar que a decisão de fazer a volta na semana do Natal foi a mais acertada de todas, pois na semana entre o Natal e Ano Novo a maioria dos campings estavam trabalhando com pacotes e os preços aumentavam substancialmente devido a grande procura. Em questão de economia acho que o maior acerto da volta foi ser realizada entre os dias 20-27 de dezembro e não dos dias 27-02 como pensado inicialmente. Era uma terça-feira. Acordei cedo. Organizei minhas coisas, aprontei minha mochila e o relógio ainda marcava 09:00. A passagem para São Paulo era só para as 16:00. A ansiedade para mais um trekking era grande. Ouvi música, vi televisão e o tempo passava devagar. Às 13:30 decidi que era hora de partir, caminhei até a rodoviária. Lá fiquei esperando o tempo que restava. Sentei no ônibus que estava praticamente vazio. Li um pedaço do livro que eu levava comigo. Cochilei. Quando a marginal Tietê se tornou a paisagem na janela do ônibus percebi que, enfim, a viagem tinha começado. Na rodoviária de Sampa, logo encontrei o Vinicius. Vinícius é um amigo que conheci no meu mestrado. Ele faz parte do mesmo laboratório no qual eu trabalho e já está no final do seu mestrado. Essa viagem seria a primeira dele nesse estilo. Ficamos esperando e conversando até o Matheus chegar. O Vinícius e o Matheus não se conheciam até então. Foi feita as formalidades e saímos para achar algum lugar para jantar. Matheus é um amigo de longa data. Fizemos graduação, estágio e nossos primeiros mochilões juntos. Hoje em dia ele está em um período sabático viajando pelo Brasil e relata suas aventuras em seu blog (http://fazeraquelasuaviagem.com.br/). Às 22:00 embarcamos no ônibus. Eu, como sempre, levei um livro que eu sabia que não iria ler durante o percurso na ilha. Comecei a lê-lo e dez minutos depois desisti. Estava ansioso. Tentei dormir e não consegui. Depois me senti em viagem escolar, por causa que quase todos os outros passageiros do ônibus se conheciam e a viagem foi seguindo com música e violão. Isso até despertar a ira dos passageiros restantes. Enfim, mal dormi naquela noite. Quando consegui cochilar o ônibus tinha adentrado Angra dos Reis. Ficamos um tempo na rodoviária. Depois seguimos para TurisAngra e assim conseguimos a autorização para acampar na praia de Aventureiro. Logo em seguida pegamos um barco e navegamos até a ilha de codinome grande. Informação 1 - A TurisAngra fica no caminho para o porto. Saindo da rodoviária é só virar a esquerda e seguir caminhando na calçada até chegar na TurisAngra e depois no porto. Angra dos Reis Indo para Ilha Grande Já no barco ficamos fascinados pela cor da água, um verde bem escuro. Logo depois fomos margeando o trajeto de Saco do Céu até Abraão, que seria o percurso inverso do nosso primeiro dia. Atracamos no cais. A nossa espera estava a Jordana que havia chegado um dia antes. Antes da nossa chegada ela havia tentado a autorização no Inea para cruzarmos as praias do Sul e Leste para conseguirmos sair de Aventureiro e chegar em Parnaioca caminhando. Ela não havia conseguido a autorização e isso deu uma desanimada na hora. Jordana é uma guria tocantinense, estudante de medicina em Brasília e seria o seu primeiro trekking. Até aqui era tudo que eu sabia sobre ela. Conhecemos a Jordana e jogamos algumas conversas fora. Tomamos um café coado e logo seguimos para iniciar as trilhas (T01 e T02) até o Saco do Céu, onde iriamos dormir naquela primeira noite. O sentido do percurso foi determinado pelos relatos que consultamos antes de ir, pois todos falavam que o sentido anti-horário era mais tranquilo. Na minha opinião não existe muita diferença não, o principal ponto é entre Aventureiro e Provetá, onde no sentido horário a subida é numa tacada só, mas em compensação a maior parte do trajeto é descida. Enfim, acho que o sentido da volta não faz muita diferença na dificuldade do percurso. Informação 2 - Site com as informações oficiais das trilhas e suas nomenclaturas (http://www.ilhagrande.com.br/atrativos/atividades/trilhas-da-ilha-grande/) Bem-vindo a Abraão Nos primeiros metros vimos que seria difícil completar o dia. Levamos muita comida, o suficiente para uns quatro/cinco dias e assim, economizar o máximo com alimentação. Pra piorar fui na frente e segui a passos largos, sem perceber que estava forçando a passada do restante do pessoal que faziam algo do tipo pela primeira vez. Até o Aqueduto tudo estava tranquilo. Depois no caminho para a Cachoeira da Feiticeira o pessoal foi desanimando, até que o Matheus passou mal. Descansamos e depois fomos devagarinho. O clima entre nós era pesado, creio eu que ninguém além de mim estava curtindo caminhar naquele momento. A umidade também maltratava-nos. Quando chegamos na cachoeira da Feiticeira tudo mudou. Banhar naquelas águas renovou a energia de toda a trupe. Foi bom demais. À partir daí, começamos interagir como um grupo. Seguimos para a Praia da Feiticeira. A praia é bem bonita e muito movimentada. Tirei minha camiseta, torci ela e jorrou suor, parecia que havia acabado de lavar a camiseta. Ficamos por ali por um tempo, tomamos o primeiro banho de mar da viagem e depois seguimos caminhada. Aqui é importante ressaltar, voltando na trilha até uma bifurcação siga para onde continua a rede elétrica. Enfim, sempre siga a rede elétrica. A primeira foto do grupo - Matheus, Eu, Jordana e Vinicius Abraão Abraão Aqueduto Trilha T2 Mirante antes de chegar na Cachoeira da Feiticeira Cachoeira da Feiticeira Praia da Feiticeira Continuamos a caminhada. No meio do caminho tinha a indicação da Praia do Iguaçu, não fomos e seguimos adiante. A trilha desembocou na primeira praia da Enseada das Estrelas, a Praia da Camiranga. Já era final de tarde e a maré estava alta. Descansamos um pouco. Ao passar num trecho que a areia era toda coberta pelo mar, achei que conseguiria passar ileso (sem molhar o tênis) no momento em que a onda do mar recuasse, ledo engano, o trecho era grande demais para passar dessa forma. O resultado foi todos os tênis encharcados. Caminhamos descalços pelas praias de Fora e Perequê. A ansiedade de chegar logo no Saco do Céu era grande, caminhávamos lentamente e todas previsões de tempo que os nativos indicavam nunca confirmava-se em nossa passada. Chegar na Pousada Gata Russa foi um alívio. Próximo de Saco do Céu Eu tinha feito um pré contato com a Rilma, dona do lugar. O valor do camping é R$60 com café da manhã e R$40 sem café da manhã, logicamente ficamos sem o café e ainda demos aquela chorada básica e reduzimos o valor para R$35. Destruídos armamos as barracas e tomamos o merecido banho. Depois, como seria de praxe, cozinhamos bastante comida. Convidamos a Rilma para o jantar. Deitamos por um tempo nas redes. Fomos no cais tentar ver o céu, mas o tempo nublado não deixou as estrelas aparecerem. Logo depois fui para a barraca e desmaiei de sono. Gata Russa Gata Russa Na trilha até o Saco do Céu encontramos um bugio preto morto no meio da trilha. Foi meio chocante, nunca tinha visto um bugio e na primeira vez que vejo, vejo um morto. O Vinícius achou que era uma cobra que havia matado ele, mais especificamente uma jararaca. Eu fiquei preocupado com febre amarela. No entanto, comentei sobre isso com a Rilma e ela disse que o pessoal da comunidade havia falado que o bugio havia morrido eletrocutado. Isso deu um certo alívio. Não sou perito em coisa nenhuma, mas o bugio estava muito perfeitinho para ter morrido eletrocutado. Enfim, o que eu sei que foi triste ver aquela cena. Saco do Céu Na manhã seguinte, tomamos um café da manhã reforçado e assim aliviamos nossas costas com menos peso pra caminhada. Alongamos. Um pouco atrasado partimos, pois já tinha passado metade da manhã. Seguimos pela trilha T03 rumo a Freguesia de Santana. No início da trilha, do lado do campo de futebol, avistamos a diferente Praia do Funil. Particularmente, eu gostei bastante dessa praia, pois nunca tinha visto nada do tipo até então. O restante do pessoal não se encantou muito por ela. Acho que com a maré mais alta e o sol de fundo essa mini praia iria ficar demais. Praia do Funil Matheus e a Praia do Funil Depois seguimos para a Praia do Japariz e logo em seguida para a Praia de Freguesia de Santana. E assim, acabamos a trilha T03 que foi das mais tranquilas do percurso. Ficamos um tempo na praia. Mergulhamos. Tomamos uma coca gelada e descansamos. Praia de Japariz Praia de Japariz Trilha T03 Beleza de vista Trilha T03 Trilha T03 Trilha T03 Praia de Freguesia de Santana Preparando-se para partir de Freguesia Seguimos por detrás da igrejinha. Caminhamos um pouco e logo avistamos a placa indicando a trilha T04 sentido Bananal. A trilha começa com uma subida forte, porém nessa subida encontrei com a Dona Maria, ela mora na subida, e pedi algumas informações que ela prontamente respondeu e depois ela me disse que vendia sucos. Compramos os sucos. Escolhemos o de acerola. Cada um era R$5 e veio estupidamente gelado. Naquele momento senti que era o melhor suco que havia tomado na vida, era incrivelmente bom. Eu com minha mania de supor coisas, supus que haveria diversas Dona Maria pela volta da Ilha Grande, grande inocência a minha. Não surgiu em nenhum momento mais uma Dona Maria com seus sucos milagrosos. Não teve um dia que em nossas conversas não lembrássemos daquele suco de acerola gelado. Continuamos a caminhar. A trilha é cansativa. Quando avistamos o mar a nossa frente achamos que havíamos chegado em Bananal, mas era Bananal Pequeno. Paramos e descansamos um pouco. A praia de Bananal Pequeno é muito bonita e deserta. Voltamos a caminhar e depois de uns cinco minutos chegamos em Bananal, final da trilha T04. A igrejinha A Trilha T04 Bananal Pequeno Bananal Pequeno Chegando em Bananal Chegamos em Bananal - Na vendinha Bananal era um ponto de interrogação. Não sabíamos se passaríamos a noite aqui ou se seguiríamos para Matariz ou até mesmo para Maguariqueçaba. Resolvemos olhar o camping da Cristina, o espaço que ela tem no quintal da casa é bem bacana, mas o senhor que nos atendeu parecia meio confuso, dava informações contraditórias e resolvemos não ficar ali. Paramos numa casa para pedir informações e o dono da casa disse que poderíamos acampar no quintal da sua casa por R$30 (mesmo preço do camping da Cristina), ele com sua filha pareciam bem receptivos e então ficamos ali na casa do Juca Bala, na companhia do próprio e de sua filha Josi. Nos livramos das mochilas e fomos logo cozinhar o almoço. Pela primeira vez comi macarrão, molho de tomate e bacon. A fome é um bom tempero, mas estava muito bom esse rango. Depois fomos a beira mar. O Vinicius ficou no mar sozinho, como se fosse a primeira vez dele e o mar. Juntamos-se a ele e ficamos até a chuva nos expulsar do mar. Ficamos abrigado na vendinha. A chuva não cessava. A Jordana foi até a casa do Juca Bala e fez pipoca. Ficamos assistindo a chuva, que não tinha fim, debaixo da vendinha, de frente pro mar, comendo pipoca e bebendo as primeiras cervejas da viagem. Bananal Bananal Bananal A noite foi boa. Conversamos sobre tudo. Rimos demais. A Josi fez companhia por toda noite. Ela jantou conosco e a janta foi arroz com seleta de legumes, farofa e calabresa frita. A chuva não parou. Pedimos ao Juca se podíamos estender os sacos de dormir na área e dormir por ali mesmo, no relento. O Vinicius que estava sem saco de dormir montou a barraca na área e nós outros estendemos o sacos de dormir e dormimos com aquele ventinho frio que fazia na noite. Diferentemente do primeiro dia, nesse dia conseguimos desfrutar de todo o percurso, das praias, da comunidade, da nossa amizade e tudo mais. Esse dia foi um ótimo dia. A varanda Levantamos às 06:00. Tomamos o café e partimos para a trilha T05 rumo a Sítio Forte. A primeira parada seria a Praia de Matariz. Não sei ao certo o que aconteceu nesse percurso, foi o único no qual nos perdemos por um instante maior, apesar de ser pouco tempo. Seguíamos pela trilha e depois o caminho começou margear um mangue. O chão cada vez mais tinha buracos com ninhos de cobra. Quando os ninhos eram muitos decidimos voltar. Fomos voltando pela trilha e depois de uns cinco minutos avistamos uma ponte e a orla de Matariz. Creio que foi uma cegueira de olhar apenas pro chão que não nos deixou ver aquela ponte que estava logo ao nosso lado. Aliviados paramos um pouco em Matariz que estava deserta naquela hora do dia. Saindo de Bananal Rumo a trilha T05 Rumo a trilha T05 Trilha T05 Praia de Matariz Seguimos rumo a Praia de Passaterra. Cruzamos com uma gangue de cachorros. Quando chegou na bifurcação não fomos para a Praia de Jaconema e seguimos pela trilha principal. Chegamos em Passaterra e descansamos um pouco. O dia hoje seria o de maior quilometragem até então. Não perdemos tempo e seguimos a caminhada até Sítio Forte. Passamos pela Praia de Maguariqueçaba que estava vazia. Para mim Passaterra e Maguariqueçaba são praias bem parecidas. No final da praia seguimos pela trilha. Caminhamos por mais algum bom tempo e chegamos no final da trilha T05. Enfim, Sítio Forte. O lugar me agradou bastante, com um gramado amplo, alguns poucos moradores, um mar tranquilo, mas o melhor é o contorno da serra o fundo a quilômetros de distância. Ficamos abrigados em um sombra. Comemos, descansamos e enchemos as garrafas de água. O tempo parado ali foi grande. Trilha T05 Trilha T05 Praia de Passaterra Trilha T05 Trilha T05 Sítio Forte Sítio Forte Com as energias renovadas partimos para a trilha T06 com destino Araçatiba. Logo no início cruza-se a Praia da Tapera. Seguimos em frente. Caminhamos por mais uns trinta minutos e chegamos na Praia de Ubatubinha. Paramos só um pouco para descansar as costas e continuamos a caminhada que estava muito agradável. O dia estava nublado, em alguns momentos saiu algumas chuvas finas, mas sempre por pouco tempo. O clima facilitava a caminhada. O trecho entre as praias de Ubatubinha e do Longa é bem mais extenso e mais chato de caminhar. Porém, nada muito complicado. A trilha desemboca numa vendinha. Sentamos na vendinha e tomamos uma Coca 2 litros (R$10) bem gelada. Uma fato na Ilha Grande é que todas as bebidas, em qualquer lugar, vem muito gelada e isso me agradou muito. Ficamos descansando e vendo a bela Praia do Longa. Tínhamos combinado que de acordo com o horário e o clima seguiríamos ou não para a Lagoa Verde. Creio que era umas 13:00, portanto, tínhamos tempo de sobra e as nuvens de chuva tinham dado uma trégua. Resolvemos ir para a Lagoa Verde antes de ir para Araçatiba. Vendinha na Praia do Longa A trilha para a Lagoa Verde é tranquila. Acho que levamos uns quarenta minutos saindo da Praia do Longa. Chegar na Lagoa Verde é chegar em um paraíso. Desde do início do trekking já havíamos passados por muitos lugares de belezas ímpares, lugares muitos bonitos, mas agora a percepção de beleza estava num nível mais elevado, enfim, a Lagoa Verde é um paraíso. O verde da lagoa, principalmente pelo alto é encantador. Dentro de suas águas límpidas é possível ver cardumes e cardumes de peixes tão nitidamente como se estivessem em nossa palma da mão. Os peixes por lá são tão coloridos. Uma belezura de momento. Apesar de haver algumas pessoas no local somente nós estávamos nadando, portanto, por alguns minutos a lagoa foi nossa. Em certo momento fui queimado por uma água viva e o Vinicius pisou em um espinho. Assim, eu, ele e o Matheus resolvemos sair um pouco da lagoa enquanto a Jordana mergulhava com seu snorkel. Na saída, caminhando distraído eu pisei numa pedra. No ínicio achei que não havia cortado, mas depois de ver a poça de sangue que se formava debaixo de mim fiquei preocupado. Nesse momento surge o anjo, um anjo de dreadlocks, de nome Mari. Antes de eu esboçar qualquer reação ela já estava com o algodão na mão pressionando o machucado. Foi um corte bem grande na sola do pé. Com toda a paciência do mundo ela ficou ali esperando o sangue estancar. Ela me contou que é de São Paulo e sempre vem com seu pai e seu simpático irmãozinho para a Ilha Grande, mais especificamente a Praia do Longa. A Ilha Grande é sua segunda casa. Limpou o ferimento com álcool, aplicou os remédios que o Vinicius havia levado, fez o curativo e ainda ficou um tempo conversando conosco. Quanta gratidão. Fiquei tão feliz com aquela situação que nem mesmo lembrava do ferimento. Nunca irei esquecer a prontidão, a solidariedade e a doçura da Mari. Nunca é demais agradecer: Mari, muito obrigado! Lagoa Verde Lagoa Verde Lagoa Verde Lagoa Verde Depois de todo o ocorrido e a presença de nuvens carregadas decidimos partir. Ao colocar o tênis vi que seria difícil caminhar daquele jeito, mas seria suportável. Nos despedimos da Mari e fomos embora. Voltamos a trilha e na bifurcação subimos rumo a Araçatiba. Esse trecho de trilha é tranquila, porém pra mim foi difícil. A cada pisada do meu pé direito uma pontada de dor subia no corpo. O andar era complicado. Chegamos em Araçatiba. Iriamos ficar no camping Bem Natural. A praia de Araçatiba é bem grande e o camping fica no final da praia. Assim, caminhamos por mais uns vinte minutos debaixo de uma chuva forte até chegar no camping. O preço do camping é R$45 (caro!) sem café da manhã, mas é a melhor estrutura que encontramos em toda viagem. Ótima cozinha, muitos banheiros, alguns chuveiros quentes, locais cobertos para armar a barraca e tudo muito limpo. Conseguimos reduzir o valor para R$40. Montamos nossas barracas. Tomei o melhor banho da viagem. Chuveiro a gás com uma boa regulagem de temperatura, consegui massagear bem as costas. A Jordana refez o curativo do meu pé. Preparamos macarrão com molho de tomate, atum, bacon, milho e ervilha, fizemos suco e ainda ganhamos queijo parmesão ralado do Alexandre, um cara gente boa demais que estava acampado por lá também. Foi uma boa janta. Conversamos bastante com o Alexandre. Depois o Vinicius foi dormir. Eu, Matheus e a Jordana fomos beber umas cervejas num bar suspenso no mar. Antes das onze da noite estávamos de volta ao camping. Acordamos bem cedo porque queríamos chegar em Aventureiro o mais cedo possível. Fizemos café da manhã. Conversamos mais um pouco com o Alexandre e partimos para a trilha T08 rumo a Provetá. A trilha é bem agradável e as mochilas nesse momento já estavam bem leves em relação ao primeiro dia. Fomos em um bom ritmo. Chegamos em Provetá. Aqui é uma autêntica vila de pescadores. Não lembro de nenhum turista por lá. Paramos numa vendinha perto da igreja e compramos muitas frutas, destaque para a melancia que devoramos em instantes. Depois de uma dieta sem frutas era hora de comer frutas por todos os outros dias. Descansamos em uma sombra e por lá ficamos por quase uma hora. Finalzinho da trilha T08 Foto do grupo Provetá Provetá Provetá Provetá De Abraão até Araçatiba, caminhamos pela parte oeste da ilha que está voltada para o continente. O mar nesse trecho é caracterizado por suas águas plácidas e de coloração verde escura. Ao chegar em Provetá esse cenário muda drasticamente, pois agora inicia-se a caminhada pelo lado leste da ilha que está voltada diretamente ao mar aberto. O mar de Provetá até Lopes Mendes é mais bravo, com muitas ondas e sua coloração pende mais para o azul clarinho. Esse é um dos encantos de dar a volta na Ilha Grande conhecer dois tipos distintos de mar em um trecho tão pequeno de terra. Provetá Vinicius em Provetá Das muitas histórias que já ouvi nessa vida, talvez a melhor seja do João, morador de Provetá. João, um pescador com brilho no olhar e de fala mansa salvou um pinguim-de-magalhães, na qual deu o nome de Din Din, que encontrava-se machucado na orla de Provetá. Depois de meses juntos, Din Din partiu rumo a Patagônia. Depois disso, todo ano Din Din volta a Provetá para visitar o João pela gratidão e amizade, isso já ocorre por seis anos. Não tive o prazer de conhecer o João, mas teria sido imensamente gratificante dar um abraço nesse grande homem. Vou deixar o vídeo com ele contando a história que é muito melhor que minhas palavras: Gostamos bastante da Praia de Provetá, o clima menos turístico favorecia isso. Queria ter ficado mais tempo, talvez pernoitado, mas naquele dia queríamos chegar em Aventureiro. Pegamos a trilha T09 e seguimos a caminhada. No início da trilha é uma subida bem chata e sem vegetação, então há outro castigo aqui, além da subida, que é o sol. Difícil aquele trecho, e justo nesse dia o sol apareceu com toda a sua cara. Depois a trilha volta para a mata mais fechada, mas a subida nunca cessa. Sempre subindo. Com toda certeza, essa trilha é a mais pesada de todas. No final da subida, tem uns quatros bancos de madeira que de longe parecem troféus. Ficamos ali deitados por algum tempo. Resolvemos acabar logo com aquela caminhada e partimos para a descida. Nesse momento se desce em zigue-zague. Alguns escorregões e tombos. Descida até o fim. Víamos o mar, a descida estava no final e no fim estavam nossas energias. Depois de Abraãozinho, Bananal Pequeno e Araçatibinha, só faltava haver a praia de Aventureirinho antes de Aventureiro, falava o Vinicius enquanto dávamos risada, mas aquela risada com responsabilidade pois tínhamos um certo medo de haver mesmo uma praia de Aventureirinho. Pra nossa sorte não havia e pra melhorar o camping do Luís ficava bem do lado do final da trilha. Jogamos as mochilas no chão e pela primeira vez nos permitimos não cozinhar. Pedimos um PF (R$30) no camping. Início da T09 - Vista para Provetá Início da T09 - Vista para Provetá O fim da subida e a cara da derrota O início da descida Camping do Luís Camping do Luís Camping do Luís Camping do Luís Caminhei em direção ao coqueiro deitado que é o cartão postal da Ilha Grande. Não sei, coqueiro deitado não me parece um bom nome, o coqueiro está mais para sentado do que para deitado. Prefiro chamá-lo de coqueiro degrau. Entretanto, uma coisa que não tem como discordar que ele é lindo demais, merece o título de cartão postal. Aquele pequeno trecho de praia onde ele se esconde é de uma beleza ímpar. O coqueiro deitado O coqueiro deitado O coqueiro deitado Eu eu o coqueiro Jordana e o coqueiro Depois do almoço o Vinicius se sentiu mal. Ele ficou pelo resto do dia amoitado tentado recuperar-se. Fomos pro mar, ficamos nos divertindo com as ondas do mar que até então era novidade nessa viagem. O Matheus desfilou seu estilo de nado que mais parecia com um afogamento. A tarde naquele mar foi gostosa. Eu estava com certo receio de pisar em algo e abrir o pé novamente. Com isso sai do mar mais cedo que gostaria. Tomei banho. No resto do dia me encostei numa rede. Que delicia. Ficar de bobeira deitado numa rede me lembrava os dias viajando de barco pela amazônia. A noite veio e o lual em Aventureiro não aconteceu. O vento chegou e deixou a noite na rede mais delicia ainda. Só o Vinicius montou a barraca. De resto ficamos todos pelas redes do camping. Dormir na rede naquele cenário foi bom demais. No fim, até o Vinicius desistiu da barraca e se arranjou numa rede para dormir. Aventureiro Aventureiro Aventureiro Matheus e Aventureiro Matheus e Aventureiro Acordei, ainda tudo tava escuro. Caminhei a beira mar e fiquei ali a espera do nascer do sol. A Jordana juntou-se a mim. Pouco a pouco o sol ia erguendo-se e dando brilho aquela praia tão especial e de um mar de cor tão peculiar. Eu e o nascer do sol O nascer do sol em Aventureiro Jordana e o sol Senti muita vontade de passar o resto da viagem em Aventureiro. Desistir da volta e ficar ali em paz. Se algum dia eu voltar para Ilha Grande, será para ir direto rumo Aventureiro e ficar uma semana inteira ali, acampado à beira mar. Entre o céu, o mar, a areia da praia e uma sombra pra descansar. Que saudades de Aventureiro. Que saudades. Aventureiro O resumo de Aventureiro O Vinicius tinha acordado renovado. Tomamos um café da manhã reforçado com direito a pão e queijo deixado por um família que conhecemos no dia anterior. Tentamos uma conexão de internet (no camping tem wifi) para antecipar os votos natalinos com nossas famílias. Tentativa bem sucedida. Saímos era tarde da manhã. Fomos querendo ficar. Não tínhamos a permissão do Inea para atravessar as praias do Sul e Leste, mas fomos mesmo assim. Afinal, não tinha barcos para Parnaioca naquele dia. Logo no inicio da caminhada, no trecho em que caminha-se entre rochas até a Praia do Sul o momento de maior tensão da viagem. O Matheus distraído pisou na parte da pedra que tinha tipo uma cachoerinha, portanto estava molhado. E assim, foi descendo em direção do mar, escorregando pelo pedra que parecia um tobogã. Na hora que olhei bateu um desespero grande. Já estava tirando a mochila pra pular no mar quando o Matheus milagrosamente conseguiu travar-se num trecho inclinado da rocha. Fomos em sua direção, pegamos sua mochila. Ele saiu tranquilo, na visão dele ele nem tinha passado por nenhum perigo. Porém, eu e o restante do grupo ficamos em choque. Foi um grande susto. A caminhada infinita pelas também infinitas praias do Sul e do Leste foi de tensão inicialmente, mas a beleza do lugar logo nos fez esquecer do ocorrido. O Matheus ganhou o apelido de Quase Morte e a sobrevida que ele ganhou nesse dia fez ele disparar no percurso. Ele caminhou na nossa frente pela primeira vez e assim foi até não ser mais visível aos nossos olhos. Esse trecho judia, pois só se caminha pela areia e o sol estava forte demais. Eu me encantei pela travessia entre a praia do Sul e do Leste, na parte que atravessa-se pelo mangue. É de uma lindeza indescritível. Depois foi caminhar e caminhar debaixo de um sol escaldante, mas a beleza do lugar tornava tudo mais fácil. O trecho de pedra Praia do Sul Praia do Sul Belezura O Mangue O Mangue Praia do Leste Praia do Leste Fim de caminhada Praia do Leste Beleza é relativo. Direto eu digo que esse ou aquele lugar é o mais bonito que já vi em minha vida, para mudar de opinião cinco minutos depois. Sobre as praias de Ilha Grande isso também era uma verdade. Toda hora falava que essa ou aquela era a praia mais bonita da ilha. Porém, a verdade que para mim as praias do Sul e do Leste são as mais bonitas. Areia branquinha e mar límpido. Enquanto caminhávamos molhando os pés consegui ver uma raia que nos acompanhou por instantes nadando no rasinho. Lindeza. Naquela situação fiquei feliz demais em ver uma raia. A parte final da Praia do Leste em contraste com a vegetação é lindo demais e é a imagem que eu lembro quando recordo da ilha. Matheus no paraíso A imagem que grudou na retina - Praia do Leste Todas as trilhas que fizemos em nenhuma tivemos problemas com água, exceto essa. O trecho que caminha-se pelas praias do Sul e Leste era de se esperar que não haveria água. São quase duas horas exposto ao sol, então o consumo de água é alto. Ao chegar no trecho que liga a Praia do Leste a Parnaioca volta-se a caminhar em vegetação fechada. Entretanto, nesse trecho não há rios para encher as garrafas. No ínicio da trilha já estávamos sem água. Completar esse percurso foi um martírio, perdíamos muito água pelo suor e a boca estava seca. Quando avistamos o fim da trilha foi um alívio. Chegamos em Parnaioca não era nem uma hora da tarde, tínhamos todo o resto do dia para nós. Nesse dia era véspera de Natal. Seguimos para o camping do Silvio. Não tivemos o prazer de conhecer o Silvio que estava no hospital se recuperando de alguma enfermidade. Fomos recepcionados por seu filho Célio e sua família. Almoçamos. Organizamos nossas coisas e levantamos acampamento. Descansamos nos colchonetes do camping. Depois ficamos na praia. O dia estava ensolarado e Parnaioca estava linda demais. Pena que quase não registramos Parnaioca em fotos. No descer do sol voltamos ao camping. Tomamos banho e pedimos um PF para nossa ceia de Natal. Depois fomos convidados para uma fogueira à beira mar. Aceitamos. Ficamos pouco tempo, não entramos em sintonia com o outro grupo que estava em outra vibe. Voltamos para o camping e ficamos o resto da noite conversando e rindo. Foi boa demais aquela noite. Antes de irmos dormir, como um presente de Natal, o céu se abriu pela primeira vez durante a noite nessa viagem. Curto demais ver o céu estrelado e naquela noite o céu estava bonito de se ver. Fiquei admirando as estrelas até o cansaço me dominar. Parnaioca Parnaioca Acordamos cedo. Alongamos. Tomamos um café da manhã fraquinho, pois já não havia muitas coisas nas mochilas. Seguimos para a trilha T16 rumo a Dois Rios. No caminho para a trilha tirei as únicas fotos de Parnaioca que naquela hora do dia não estava nada bonita em comparação com a tarde anterior, na qual aproveitamos a Praia de Parnaioca. Essa trilha é chatinha apenas nos primeiros vinte minutos, mas depois é quase toda plana. Delicia de caminhar assim. A T16 é a trilha mais longa de Ilha Grande. Porém, nem de longe é a mais difícil. A trilha é cheia de bugios e ao atravessar algumas áreas de posse deles, eles gritam para espantar os invasores e os gritos de um bando de bugios é assustador, principalmente a primeira vez. Não consigo nem fazer um paralelo ou comparação. Acredite é assustador. Na terceira ou quarta invasão no territórios deles você acostuma com o barulho e começa até aproveitar aquele som peculiar. Quando avista-se a Toca das Cinzas a trilha está no final. Essa toca diz a lenda que era usada para deixar os presos mal vistos do presídio de Dois Rios apodrecendo até a morte. O final da trilha é em uma vegetação rasteira diferente de toda vegetação vista na ilha, não consegui identificar qual era essa vegetação, mas era bem bonita. O fim da T16 anuncia-se no mesmo momento que avista-se o presídio de Dois Rios. A trilha T16 A trilha T16 A Trilha T16 A Trilha T16 A Trilha T16 Comunidade de Dois Rios Dois Rios O presídio de Dois Rios é uma tentativa de isolamento e de dificultar a fuga dos detentos, como feito na ilha de Alcatraz nos Estados Unidos. Esse presídio abrigou alguns célebres prisioneiros. O caso mais famoso foi do traficante Escadinha que fugiu de helicóptero do presídio no seu banho de sol. O presídio era de segurança máxima e tal fuga vive até hoje no imaginário da sociedade, inspirando contos, livros e filmes. Porém, o preso mais famoso com toda certeza foi, o fora de série, Graciliano Ramos. Graciliano foi preso por subversão acusado de ser comunista no ano de 1936 no governo Vargas, que na época namorava com os regimes fascistas da europa. Como admitiu posteriormente, Graciliano na época não tinha afinidade com o comunismo, algo que foi só acontecer no pós guerra em 1945. Em Dois Rios, Graciliano terminou de revisar, que para muitos é seu melhor livro, o livro Angústia. Quinze anos depois (e pouco tempo antes de falecer) da sua prisão ele publicou Memórias do Cárcere em que conta seus dias na prisão em Dois Rios. Eu curto demais literatura e antes de embarcar nessa viagem li atentamente o livro Angústia do qual ainda não sei se gosto. Graciliano entrou na minha vida na época que eu prestava vestibular. Tive que ler pela primeira vez Vidas Secas nessa época. Esse foi dos melhores livros que já li. O livro foi muito importante na formação do meu caráter e na minha forma de ver e conceber o mundo em que vivemos. Portanto, estar de frente aquele presídio era estar de frente com uma parte da história de alguém que é importante em minha vida. Não foi especial estar ali, mas tinha que estar naquele lugar e ver um pouco da história. Hoje, resta apenas o paredão da entrada principal do presídio que foi implodido em 1994. O presídio O presídio Desde da caminhada até Aventureiro tomar uma água de coco gelada virou nossa obsessão. Não encontramos em Aventureiro e nem em Parnaioca. Chegamos em Dois Rios e tínhamos a certeza que naquele lugar conseguiríamos, por fim, tomar o coco gelado. Não rolou, nos lugares em que procuramos nada de coco. A comunidade estava meio deserta, afinal era dia de Natal. Tomamos outra Coca de dois litros estupidamente gelada e estupidamente cara, R$14. A comunidade de Dois Rios é bem estilo vilinha de cidade de interior. Eu gostei bastante, porque as casas ficam bem distante das praias. A comunidade é cheia de gramados, isolando a overdose de areia de todas as outras praias, areia que fica apenas na orla. Fomos pra praia e encontramos uma boa sombra. Ficamos na sombra. Dormimos. Almoçamos por ali. Passamos toda a tarde naquele lugar. Surgiu a ideia de montar acampamento, afinal aquela paisagem era demais. Mais uma vez o mar surpreendia por sua cor. Dois Rios não deve em nada em questão de beleza para nenhuma outra praia da ilha. No fim da tarde, o tempo já anunciava chuva. Já havíamos desanimado da ideia de seguir a volta da ilha por Caxadaço, Santo Antônio e Lopes Mendes e com aquele tempo decidimos cortar a pontinha norte da ilha e seguimos para a trilha T14 rumo a Abraão. Praia de Dois Rios Praia de Dois Rios Praia de Dois Rios Descanso na Praia de Dois Rios O almoço Cozinhando O contorno da Ilha Grande seria completo se seguíssemos pela T15 rumo a Caxadaço e terminasse a volta pela ponta norte da ilha. Para fazer isso teríamos que fazer um camping selvagem em Caxadaço. Não tínhamos informação de como era o reabastecimento de água por lá, a chuva viria muito forte naquela noite, tinha a questão da trilha entre Caxadaço e Santo Antônio que parece ser confusa e nossos corpos já começavam dar sinais de esgotamento. Decidimos assim, seguir a trilha T14 e ir direto para Abraão, e no dia seguinte faríamos esse trecho sem mochilas. E assim, partimos para nosso último trecho com nossos mochilões. A T14 na verdade é uma pista, a única que transita carros autorizados na ilha. A primeira metade é de subida e a outra metade é só descida. Já na descida tem um mirante bem bonito. A alegria do sucesso já dominava-nos e o cansaço parecia secundário. Demos bastante risada nesse trecho de caminhada. A maior parte dos assuntos eram recordações da volta. Quando chegamos em Abraão o alívio era o sentimento da vez. Agora era hora de comemorarmos. Fomos até o camping Cachoeira. Eu tinha feito contato, antecipadamente, com a Noé e conseguimos a diária de R$25 no camping, um achado por ser a semana dos preços caros. Arrumamos nossas coisas no camping e logo começou a chover. Chuva forte. Chuva que impediu de sairmos das barracas. Chuva que impediu nossa comemoração do final da volta. A chuva ficou até a manhã do dia seguinte, de maneira intensa. O que fez que a nossa decisão de cortar a ponta norte da ilha fosse acertada. O Vinicius nessa noite resolveu antecipar sua partida. Logo ao amanhecer ele partiu. A trilha T14 O mirante O grupo no mirante Abraão Abraão Volta completada O dia amanheceu chuvoso. Agora éramos três. Demoramos mais que o normal para sairmos das barracas, afinal, a volta estava dada e o descanso era merecido. Tomamos o café da manhã reforçado preparado pela Jordana e saímos caminhar por Abraão. O sonhado coco gelado surgiu nessa manhã, mas de forma melancólica veio em um copo plástico e não diretamente da fruta. Enfim, estava bom demais. Ficamos a olhar o finito mar com Angra ao fundo. De chinelos nos pés resolvemos ir até Lopes Mendes. Vinte minutos depois de entrar na trilha T10 bateu o arrependimento de ir, pois começou a chover e toda hora meu chinelo se desfazia, e ainda tinha a preocupação em machucar o machucado novamente (ou seria remachucar o ferimento existente?). Caminhamos em frente. Depois de uma hora de caminhada estávamos na praia de Palmas. A chuva cessou com a nossa chegada, avistamos umas espreguiçadeiras e ficamos por lá. As espreguiçadeiras em Palmas Almoçamos. Decidimos não mais avançar até Lopes Mendes, o tempo estava fechado e o sol já estava baixo. Ficamos por ali o resto da tarde. Quando a chuva iniciou-se, novamente, partimos rumo a Abraão. Apesar da chuva, essa trilha foi a mais tranquila, sem peso nas costas e por ser o último trecho de trilha que eu iria fazer naquele ano que se encerrava. Tive prazer em cada passo que dei nos últimos sessenta minutos de caminhada. A trilha escorregadia e a chuva incessante não atrapalhava em nada. E assim que avistei os primeiros telhados na enseada de Abraão a sensação de missão cumprida me dominou juntamente com a felicidade. Praia de Palmas Praia de Palmas O Pico do Papagaio é o segundo ponto mais alto da Ilha Grande com 982 metros. O ponto mais alto é o Pico da Pedra D’Água com 1035 metros. Porém, o Pico do Papagaio é acessível por trilha (T13) e sua vista é incrível. A trilha é considerada a mais difícil da ilha em questão de preparo físico. Queria fazer a trilha de madrugada para ver o nascer do sol de cima do pico. Não sei explicar a minha relação com as montanhas. Quando digo montanha, excluo a definição literal e jogo no mesmo significado morros, serras, pedras ou qualquer elevação territorial que se destaca no horizonte. Nasci numa cidade plana e por isso, que até onde eu saiba, tinha dos maiores índices de bicicleta per capita do país. Fui conhecer montanhas tardiamente, talvez isso fez eu ter essa fascinação. Só sei que do alto de algum pico, de onde a imensidão domina a paisagem, d'onde faça eu ver o quão pequeno sou é onde sinto-me melhor. Ali do alto é que eu acho o meu equilíbrio de tempos em tempos. Entre o mar e a montanha sempre irei ficar com a montanha. Por isso, o Pico do Papagaio para mim era o ponto alto dessa viagem. No início do dia quando tive a certeza que não daria para subir o pico naquele dia e nem no próximo (por causa das chuvas e da falta de visibilidade), achei que iria ficar frustado. A frustração não veio. Os dias a beira mar haviam compensado e de certa forma o mar me trouxe esse equilíbrio. Inicialmente iria partir no próximo dia no final da noite, mas com o tempo ruim decidi partir no início do próximo dia. Com ressalvas tinha conquistado o objetivo de dar a volta na Ilha Grande, estava satisfeito com tudo que eu havia vivido. Agora sobrava uma noite e era hora de comemorar. Saímos prum bar, comemos bem e bebemos até o inicio da madrugada. As recordações e as risadas deram o tom da despedida. A comemoração No outro dia acordei cedo. No escuro caminhei por Abraão rumo ao cais. O relógio marcava 06:00, sentei no cais e esperei. Na outra ponta havia um grupo - que imagino eu - que havia pernoitado lá e tocava alguma música. Me aproximei. Não reconheci a música. No momento que o sol se levantava acabei dormindo. Dois caras me acordaram e um deles me perguntou se eu estava procurando hospedagem, eu disse que estava partindo. Corri e consegui alcançar o barco que já estava saindo. Sentei no barco e dormi de novo. Acordei no porto. Novamente com pressa fui até a rodoviária. Subi no ônibus e mais uma vez dormi. Assim, me despedi de Angra e sua Ilha Grande, que facilmente poderia ser chamada de Ilha Bela ou, para evitar o plágio, melhor seria Ilha Linda. A última foto da ilha Para mim essa viagem foi muito especial. Reencontrar o Matheus foi muito bom, amigo que dividiu comigo tantas experiências, desde das aulas da época da universidade, passando pelo companheirismo nos projetos sociais nos quais nos envolvemos, nos dias de estágio no qual também dividimos o mesmo teto até chegar na nossa iniciação em mochilões, no mochilão pela América do Sul. Passar dias com o Vinícius fora do ambiente, por muitas vezes carregado, do laboratório e conhecê-lo de uma forma mais real também foi legal demais. Conhecer a Jordana de uma forma tão casual também foi muito bom, ela deu o toque feminino que faltava no grupo. Acho que formamos um belo grupo. Contornar cada canto da ilha foi surpreendente. Cada nova praia era uma beleza diferente. As trilhas são todas cheias de charme. Beleza não falta nesse trekking. Claro que existem os pontos altos como Lagoa Verde, Aventureiro e Parnaioca em que as belezas são mais gritantes e a paz prepondera nesses lugares tornando-os mais especiais ainda. Porém, caminhar esses dias sem a companhia da Jordana, Matheus e Vinicius fariam com que esses lugares não fossem tão belos. A soma dos lugares, do nosso grupo e das pessoas que cruzaram nosso caminho nessa jornada fizeram dessa viagem, uma grande viagem. Só tenho agradecer aos céus por mais essa oportunidade. Jordana, Matheus e Vinicius obrigado pela companhia e, principalmente, pelas boas memórias que teremos desses cansativos, porém incríveis dias. Muito Obrigado! E agradeço também os pacientes leitores que conseguiram chegar ao fim desse longo relato. Obrigado! Nos vemos pela estrada. Abraços, Diego Minatel
  3. A Trilha Transcarioca Inicialmente idealizada pelo diplomata Pedro Cunha e Menezes em seu livro “Todos os Passo de Um Sonho” (2000), a ideia da trilha Transcarioca foi a de implantar no Brasil um circuito de caminhos naturais de longo curso e sinalizado. Inspirado em casos de sucesso internacionais, como a Appalachian Trail (E.U.A), Huella Andina (Argentina), Hoerikwaggo Trail (África do Sul) e Te Araroa Trail ( Nova Zelândia), a ideia era criar um longo percurso de trilhas sinalizadas que interligasse as áreas de proteção natural do Município do Rio de Janeiro, estimulando deste modo a visitação à estes parques. Depois de alguns avanços e muitos retrocessos, a Trilha Transcarioca finalmente saiu do papel e foi implantada e inaugurada em fevereiro de 2017. Com 180 Km. de trilhas sinalizadas pelo trabalho de centenas de voluntários, o circuito atravessa grandes áreas de preservação ambiental do Rio de Janeiro, tais como: Parque Municipal de Grumari Parque Estadual da Pedra Branca (Maior Floresta Urbana do Mundo) Parque Nacional da Tijuca Parque Municipal da Catacumba Parque Natural Paisagem Carioca Monumento Natural do Pão de Açúcar Hoje o circuito é uma das grandes atrações e programas dos cariocas amantes de Hiking e Trekking. É ideal para quem mora numa grande cidade e não deseja realizar uma grande viagem para completar um grande circuito de trekking. Ele pode ser completado de uma só vez só ou aos poucos, como eu fiz, dando um intervalo de descanso de alguns dias entre um trecho e outro. Também pode ser feito no sentido Guaratiba – Urca ou no contrário. Os intrépidos excursionistas que completam o percurso no primeiro sentido são conhecidos como Guarurcas, enquanto os segundos atendem pelo apelido de Urcibas. Comecei minha empreitada logo depois da inauguração da supertrilha, e relato todos os detalhes desta aventura no meu blog Saga Transcarioca. Vou resumir aqui um pouquinho da aventura e todos seus principais atrativos. Percorri a trilha em 23 etapas, fazendo uma adaptação pessoal no roteiro recomendado pela organizadora do circuito, de modo que não deixasse de lado as badaladas Pedras da Gávea e Bonita. Já no primeiro dia da aventura, visitei uma das maiores atrações naturais do Rio: a famosa Pedra do Telégrafo, que passou a ser bem procurada depois que passaram a circular nas redes sociais fotos de aventureiros pendurados na ponta da pedra que se projeta sobre o abismo. Mas a sensação de perigo, não passa de uma ilusão de ótica, já que a base da pedra está situada poucos metros abaixo, e uma queda dali não causa mais do que alguns arranhões. Nos finais de semana, chega a se formar até uma fila de trilheiros que buscam tirar fotos ali em posições criativas. Ainda no primeiro dia, visitei as belíssimas praias selvagens que são avistadas do alto da pedra, como as praias do Perigoso, do Meio, Funda e do Inferno. No segundo dia, iniciei a caminhada na Praia de Grumari e retomei a caminhada feita pelos piratas franceses que desemcarcaram ali no longínquo ano de 1710 e adentraram a mata, para sair na Baixada de Jacarepaguá e atacar a cidade do Rio pela retaguarda. No dia 3, começo a adentrar o coração do Maior Parque Natural Urbano do Mundo, percorrendo o sobe e desce da selvagem Serra Geral de Guaratiba. O quarto dia é reservado para mais alguns mirantes e a visitação da zona rural de Campo Grande. O alto do Mangalarga com sua vista magnífica é atingido no dia 5 e o Pico da Pedra Branca, que é o mais alto do Rio com 1021 mts. é conquistado no dia 6. O sétimo dia é um dos mais intensos com a visita à duas das maiores atrações da Transacarioca, o belíssimo Açude do Camorim e a Pedra do Quilombo. O dia seguinte é o mais cansativo de todos, pois uma subida extenuante e feita debaixo de Sol durante boa parte do tempo, é o que espera o excursionista que deseja atingir a Pedra do Ponto, que tem uma visão ímpar do Município. Altitudes baixas e caminhadas leves com poucas sombras prevalecem nos dias 9 e 10. Deixei o pouco conhecido Parque da Pedra Branca, para adentrar a famosa Floresta da Tijuca pelos fundos no dia 11. Atravessa-se um vale muito selvagem com belas cachoeiras até se atingir os cumes de alguns dos picos mais altos do Parque como o Andaraí Maior, o Tijuca-Mirim e o Tijuca. Grandes altitudes são a norma também do dia seguinte, quando visitei pelo menos quatro grandes picos: o da Coruja, do Papagaio, do Cocanha e da Taquara. O roteiro oficial recomenda que a partir daí se atravesse para a Serra da Carioca do outro lado do parque, mas resolvi fazer um looping completo para conquistar as Pedras do Conde, da Caixa e do Anhanguera e visitar a Cachoeira das Almas, o circuito das Grutas, as ruínas do Humaitá, a Fazenda, o Alto do Cruzeiro, o Museu do Açude e o Mirante da Cascatinha, não deixando de fora nenhuma grande atração da floresta. Assim me senti satisfeito o suficiente para atravessar o vale e visitar alguns dos mirantes mais espetaculares de todo o circuito como o da Freira e do Morro Queimado. Descendo deste morro, resolvi fazer mais um desvio para visitar as Pedras da Gávea e Bonita. No meio do caminho passei pelas imponentes ruínas da Fazenda Van Moke, que foi uma das maiores produtoras de café do Brasil, durante o século XIX. A Pedra Bonita, que é um dos morros mais visitados do Rio, foi conquistada no dia 16 e a imponente e misteriosa Pedra da Gávea no dia 17. Por ser a trilha mais difícil, e pela vista incrível que proporciona, a conquista da Gávea, representa um dos momentos culminantes da Transcarioca. No dia 18 volto para a rampa de voo livre da Pedra Bonita e de lá inicio uma árdua caminhada em mata muito fechada, passando por trilhas de traçado muito indefinido que interligam os Picos da Agulhinha, Morro do Cochrane e Ponta das Andorinhas. No final do dia reencontro com o traçado oficial da Transcarioca, saindo logo adiante na famosa Vista Chinesa. E de lá pego uma trilha que sai no Solar da Imperatriz no bairro do Jardim Botânico. Lá retomo a caminhada no dia 19, que reservado para o banho nas várias cachoeiras do Horto, como as do Jequitibá, do Chuveiro e da Gruta. Começo o dia seguinte com o banho em mais uma cachoeira: a dos Primatas, mas a atração principal do dia, também é a principal de todo o circuito: o topo do Corcovado, que é alcançado depois de vencida trilha bem sinuosa e cansativa. A vista única do alto do Cristo, justifica o título de ponto turístico mais visitado do Brasil. Do alto do Corcovado vislumbro minhas próximas e últimas metas: os morrinhos de Sacopã, São João e Babilônia, que os destinos dos dias 22 e 23. Suas baixas altitudes não apequenam em nada as visões grandiosas e inusitadas que proporcionam de Botafogo e de Copacabana. A Transcarioca é finalizada com a fácil subida do Morro da Urca, seguida da descida até a praça de fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Nenhum lugar seria mais apropriado para terminar esta épica jornada de 23 dias, e que ficará para sempre na memória.
  4. Oi, meus confrades Mochileiros de todo o Brasil. Pra mim é uma felicidade, uma enorme satisfação tá tendo a vontade de vir aqui novamente fazendo um post de uma aventura. A última vez que fiz isso foi em 2015, quando percorri a Bolívia de norte a sul. Hoje começo mais uma loucura de ir até Portugal e fazer o caminho de Santiago de Compostela...
  5. 1) - Jan/fev de 2013 - estrada real caminho velho. Foram aprox. 710 kms no total + 100 kms entre Paraty x aparecida + PN Itatiaia + visconde de mauá 2) - Julho/2013 - estrada real caminho diamantres (diamantina x Ouro Preto); 3) - Julho/2013 - Estrada Real caminho Sabarabuçu(Ouro preto x Glaura x Cocais) 4) - Janeiro/2014 - Estrada Real caminho Novo (Ouro Preto x Rio de Janeiro). Informações Básicas e Resumo geral: No final da postagem desse relato, informarei nesse post , todas as principais dicas sobre esse maravilhoso roteiro, bem como o resumão. Muitas pessoas já fizeram a E.R. à pé, mas pouquíssimas fizeram relatos sobre a viagem, com dicas, sugestões....... Procurarei dar dicas sobre: tempo de viagem em cada roteiro, locais de hospedagem e seus respectivos preços..... fotos, roubadas, ..... Alguns sites importantes da região: Ouro preto e os distritos: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_distritos_de_Ouro_Preto Estrada Real(planilhas e informações diversas): http://www.institutoestradareal.com.br/
  6. Hej, hej !! Minha mulher me propôs um cruzeiro pelo Báltico. Não gosto de cruzeiros, mas casamento, entre outras coisas, é conciliação de interesses. Vi a oportunidade de fazer uma trilha famosa, sobre a qual havia lido fazia algum tempo. O cruzeiro foi bom, com visitas a cidades históricas lindas do mar Báltico. Deixamos o navio em Stockholm, ao invés de voltarmos ao início do roteiro, em Kiel (Alemanha). Ficamos dois dias e meio nesta maravilhosa capital da Suécia. De lá minha esposa regressou ao Brasil. Eu tinha férias maiores e ficaria mais uma semana na Escandinávia. Segui para Kiruna e de lá para Abisko, bem dentro do círculo polar ártico, para iniciar a trilha. A Kungsleden (Trilha do Rei, em sueco) tem 450 km no total e percorre de Norte a Sul parte da Suécia, começando em Abisko. É bem antiga, foi criada em 1905 e é considerada a trilha mais selvagem da Europa. Entretanto eu só tinha 6 dias e assim resolvi percorrer o trecho mais popular (e um dos mais bonitos), de Abisko até Nikkaluokta, num total de 105 km. No trecho que iria percorrer ocorre a Fjällraven, um evento anual que reúne cerca de 1.600 trekkers em meados de agosto. 05/09/2014 Quando o avião iniciou o procedimento de pouso e atravessou as nuvens, apareceu uma extensa tundra com pequenas lagunas e bosques isolados de árvores baixas. Em seguida surgiu a cidade de Kiruna. Não gostei do que vi: uma cidade grande, mineira, com enormes montanhas de minério de ferro (ore) e um grande pátio ferroviário para transportar o minério até um porto na Noruega (Narvik) ou para outro na costa do Báltico. Ao saltar do avião 13 hr, no pequeno aeroporto, o termômetro indicava 10ºC e chuviscava. Bela recepção. Peguei um ônibus (shuttle service) até a estação de ônibus da cidade. Lá parti no último ônibus para Abisko, as 14:20. Uma hora e meia de viagem e saltei na Abisko Turiststation, onde começa a Kungsleden. Comprei gás para meu fogareiro, pão, um mapa da trilha e um sanduíche, que seria meu almoço. Saí do mercadinho apenas às 16 horas. Tirei uma foto do grande lago Torneträsk. Sabia que anoitece tarde assim não estava apressado. No portal de entrada da trilha um casal de velhinhos tirou minha foto, pose tradicional para quem começa a fazer a trilha. Ao partir, um corvo grasnou. M.....! Sinal de azar, pensei. Mas a beleza da trilha rapidamente me fez esquecer isto. Um rio bonito de águas geladas e cristalinas surgiu à direita, o Abiskojåkka. Peguei água e tirei fotos. A trilha seguia através de um bosque pequeno de folhas já amareladas e caindo. Segui apressado porque até Abiskojaure, primeiro refúgio de montanha, seriam 14 km. No caminho, as margens do rio, um local para acampar com sanitários. Um casal de idosos assava lingüiças numa fogueira e uma linda sueca fazia tricô, sentada numa rocha. Lá vi duas tendas da famosa marca sueca Hilleberg: uma Akto e uma Nallo. Não fiquei ali porque achei muito perto e cedo para acampar. Porém as 18:30 resolvi parar. Ainda faltava uma hora e meia até o refúgio. Achei um local bonito a beira do rio. Armei a barraca e usei a toalhinha molhada para um banho de gato. Só escureceu às 21 horas. 06/09/2014 O dia clareou as 4:30 hr. Permaneci deitado até seis e meia. A noite foi agradável. Dentro da barraca ficou entre 9 e 10°C. Já peguei frio maior na Patagônia e nos Andes. Comi um müsli com leite e chá verde e parti 7:40. Hoje teria que compensar o que não fiz ontem (chegar ao refúgio Abiskojaure) e alcançar o seguinte, o Alesjaure. Cheguei ao lago Ábeskojávri, onde havia umas casas fechadas do povo Saami, provavelmente só usadas no inverno. O refúgio tradicional é um cone feito com troncos de árvores recobertos com cascas e tundra, garantindo o isolamento térmico. Uma hora depois cheguei ao Abiskojaure, mas não entrei no refúgio porque ficava meio fora do caminho. Comecei a encontrar outras pessoas desmontando acampamento e tomando café da manhã. Neste ponto, a trilha, que seguia deste Abisko rumo SO, passa a tomar o rumo Sul, em seguida SE e sobe um vale entre as montanhas Giron e Gärddenvárri. Ali, perto do topo, um meditationplats, com vista bonita. Ao longo da trilha há vários destes pontos de meditação. Neste vale avistei as primeiras renas, numa crista. Elas eram ariscas. Ao avistarem gente subiam mais a montanha, se afastando. Alcancei um altiplano acima da linha das árvores, a 800 metros de altura. Uma altitude baixa, mas como estamos dentro do círculo polar, nesta altura já não existem árvores. Ao longe, a NO, quase fronteira com a Noruega, os maciços nevados do Vuóidoasriida e do Vássencohkka. No altiplano uma sucessão de lagunas e um pequeno acampamento Saami. Uma hora adiante um grupo de pessoas lanchando atrás de uma crista, protegidas do frio vento SO. Resolvi parar ali também para almoçar. Puxei conversa com um casal de velhinhos e descobri que todo aquele grupo de idosos era da Austrália. A única jovem era uma bonita guia sueca com cabelo rastafari. Ela estava com uma faca e um salame na mão e oferecia para o grupo. Aproximou-se e ofereceu. Agradeci, mas disse que já tinha meu salame (estava comendo ele). Mas ela, com um jeito viking decidido, disse: "Mas o meu é bem melhor que o seu". Cortou um pedaço e estendeu para mim. Uma delícia, exclamei. Ela orgulhosa explicou que o salame era de carne de rena seca, defumada e temperada, feita na aldeia onde vivia. E me passou outro pedaço. Em seguida ela e o grupo partiram, indo em sentido contrário. Pouco depois eu parti. Uma espécie de perdigão (grouse) apareceu na trilha. Ainda tinha um longo caminho até Alesjaure. Do lado esquerdo, o belo lago Rádujávri e o glaciar Godu, entre as montanhas Kåtotjåkka e a Njuikkostak. Uma das vistas mais bonitas do trekking. Um vento SO bateu de frente até chegar ao refúgio Alesjaure às 16 horas. Fui logo para o refeitório onde tomei dois capuccinos para reanimar. Andar com um vento frio e forte na cara é cansativo. E minha mochila estava com 19 kg. O refúgio consiste de meia dúzia de casas, uma delas é uma sauna. Fica no extremo sul do lago Alisjávri, junto ao desaguadouro deste lago. Tomei uma sauna deliciosa (50 SEK). O problema é que fiquei sozinho com um grupo de alemães. Ainda bem que não perguntaram de onde vinha. Poderia vir uma gozação pelo sete a um na semifinal da Copa. Depois fui para o refeitório escrever o diário e estudar o mapa. Amanhã teria uns 25 km até Sälka, cruzando o ponto mais alto da trilha, o passo Tjäktja, com 1.100 metros de altura. Hoje calculo que percorri cerca de 29 km. No final da estação podemos acampar ao lado dos refúgios sem pagar por isto. Porém se usarmos os alojamentos, toaletes, a cozinha e sauna, devemos pagar. A sauna pode se pagar em separado. Tem um mercadinho razoavelmente provisionado. Se soubesse não traria toda a comida (e o peso) desde o inicio da trilha. Continua...
  7. Olá pessoal, A anos venho sonhando em fazer o Caminho de Santiago de Compostela, sonho de adolescente mesmo mas nunca me preparei a sério para isso. Porém depois de rodar um pouco por este mundo Portugal se tornou um dos meus lugares preferidos, por isso agora estou pensando em fazer o chamado Caminho Português. Sei que pouca gente conhece esta rota, mas ano após ano vem atraindo mais peregrinos e já chegou a 35 mil ano passado. Alguém mochileiro ai já fez? Ou tem vontade? A rota sai de Lisboa, passando por alguns locais famosos como Santarém, Tomar, Coimbra, Porto, Barcelos e Ponte de Lima, são aproximadamente 640 km, contra 800 km do Caminho Francês.
  8. Descobrindo as maravilhas, histórias e superação pessoal na travessia a pé de 316 km - Cora Coralina Novembro de 2018. Mauro César Vieira Vitor Entrada do museu de Cora Coralina Inspirado em Santiago de Compostela, trajeto passa por oito cidades de Goiás. Pensando em reviver os passos de uma das maiores poetas brasileiras, pirei, hora de equipar o mochilão e rasgar trilha adentro, foi à proposta imposta por mim para a realização do Caminho de Cora Coralina. Aberto ao público em abril de 2018, atravessando cerca de 316 km, oito cidades históricas, três parques estaduais, sete vilarejos em Goiás. O primeiro caminhante com a tentativa de fazer o percurso completo sem hospedagem, apenas com modalidade de camping. (Vide observação no relato). Diante da curiosidade, resolvi pesquisar, me preparar e então, dar inicio a um propósito mais que especial. Acompanhem essa aventura: Data marcada. É hora de se aprontar, 03/11/2018. Saindo de Brasília-DF em direção a Corumbá de Goiás-GO, passagem baratinha, apenas R$23,00, onde pernoitei. Dia seguinte, hora de dar inicio, mas antes... Interessante àquela voltinha na cidade e apreciação do lugar. 1° dia – Corumbá de Goiás x Cocalzinho, 04/11 Domingo Com inicio ás 09:00 do dia 04/11 comecei a trilha bastante empolgado. Feito algumas vezes de mountain bike, já conhecia o percurso com chegada até Pirenópolis. Clima agradável, bastões firmes e mochilão lotado, 22kg para alegria das minhas costas e pernas, entretanto, a emoção contida me dava forças. Passando pelo portal dando inicio a trilha fechada, bastante sombra, em seguida pegando o asfalto, foi percorrida neste dia 23 km até Cocalzinho onde pernoitei, a caminhada foi de 12 horas, sinalização ótima. Momento de montar camping e relaxar, acampei as margens do parque logo na saída da cidade, antes passei em um Hotel (SÃO JORGE) para higiene pessoal, o que era feito em paradas antes de dormir ao longo do percurso, isso quando não havia possibilidades de me lavar em lugares nas proximidades ao local escolhido para acampar... Muita fome! Portal – Início da trilha Cidade de Corumbá de Goiás Frutas no caminho 2° dia – Cocalzinho x Pirenópolis, 05/11 Segunda–Feira Descanso para dar inicio a subida Sai ás 06h00 da manhã, tomei café reforçado e o tempo indicando que seria um dia favorável, em direção ao pico do Pireneus, lugar maravilhoso. Um dos trechos mais ricos em paisagens e o mais bem estruturado em apoios aos caminhantes, foi possível ver o espetáculo da natureza, são exemplos os cachorros do mato, tucanos, araras, varias espécies de aves e seus cantos, somado à vista sendo apreciada da capela Santíssima Trindade dos Pirineus, próximo de 1340m de altitude. O maior pico de todo caminho. Uma parcela deste percurso não faz parte do trajeto de Cora, o desvio foi feito devido minha ida à Cocalzinho, percorrido em média 11Km a mais do previsto. Dando continuidade a trilha segui sentido a Pirenópolis, um banho na cachoeira (Abade) e descanso no morro com vista à cidade, foi uma caminhada tranquila apesar da chuva no final do trecho, seguindo as sinalizações que ainda estavam muito bem orientadas, cheguei por volta das 17h40, um percurso de 24km um banho de rio para refrescar um pouco e encontrar repouso. Acampei em uma das margens do rio, lugar muito seguro para camping, muito seguro e bonito. Hora do jantar, imagine uma sopa gostosa! Obs: Dentro do parque não tem hospedagem, pode acampar, mas antes é preciso fazer contato com a administração. Frase de Cora Acampamento em Cocalzinho de Goiás Chegando ao Pico dos Pireneus Pico dos Pireneus Vista para a Cidade de Pirenópolis 3° dia – Pirenópolis x Caxambú, 06/11 Terça – Feira Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário Outras Até aquele momento o caminho era desconhecido, dando a sensação de que a trilha havia começado naquele instante, grandes fazendas, trecho de muita mata, entre outros. O percurso desse trecho exige umpouco de cuidado, até por que próximo à passagem tem um rio em que a água é forte, acredito que em toda época do ano, mais a frente há sinalização mostrando o sentido, porém deve-se atravessar saltando à cerca e dar continuidade a estrada de terra. “Que morro é esse?” Parte final até a chegada a cidade de Caxambu, nível de subida difícil, exigiu muito de mim até chegar ao topo, sensação de alivio ao ver a vista da cidade, muito cuidado com a descida também, trata-se de um terreno muito íngreme, se tornando pesada a descida. Dando sequência e com o dia próximo de escurecer, a caminho da cidade para cuidar do corpo, dei de frente com um carro onde o condutor me parou, mas que alegria! Sr.Kinzinho, o que dizer dessa pessoa? Feito o convite para me hospedar em sua casa, não tinha como não aceitar, a forma em que fui abordado foi irrecusável, naquela noite estava muito cansado e fraco, foram percorridos 28 km de percurso bem difíceis. Então aquele convite veio em um bom momento, em meio a muitas conversas, o jantar então, estava maravilhoso, feito à lenha tudo muito fresquinho e muito bem temperado, a cama muito aconchegante e quentinha, ao acordar aquele delicioso café da manhã feito pela dona Cleusa. Se recomendo? Super-recomendo. Casa do Sr. Kinzinho O percurso de Pirenópolis ao povoado de Caxambu é o último trecho de relevo mais acentuado, cruza remanescentes de mata primária e transpõe as serras Paraíso e Caxambu esta última com mais de mil metros de altitude. Percorre partes do antigo caminho dos escravos, que ligava a Fazenda Babilônia (1800) a Pirenópolis. 4° dia Caxambu x Radiolândia 07/11 Quarta – feira O percurso de Caxambu a Radiolândia cruza a BR-153 (Belém-PA – Brasília-DF), até atingir a Rodovia Bernardo Sayão, próximo ao povoado de Radiolândia. Acordei por volta das 05h00, sai ás 06h00, trilha adentro, em média 5 km o povoado de Caxambu, na saída da cidade à esquerda, sinalização muito boa, sem chances de erro, trecho onde passa por meio de muitas fazendas, tornando o acesso mais curioso e atrativo, decidi então fazer o percurso até Radiolândia, dia seguinte já sabia o grau de dificuldades para chegar até Jaraguá. Era melhor evitar esforços. O caminho foi tranquilo, completei em 09h40 até a cidade, caminhei em média 14 km depois do povoado a procura de um lugar para o camping, com o total de 32 km neste dia, estava formando chuva, o lugar de escolha para acampamento era aberto, a situação piorava a cada instante, muito vento e para completar veio àquela chuva das mais pesadas, nada que um bom material pra este fim não suprisse a situação. Dormi que foi uma beleza. Interessante visitar o principal atrativo desse trecho, fazenda Babilônia, não conheci, porem, segundo relatos vale muito a pena. 5° dia Radiolândia /São Francisco x Jaraguá, 08/11 Quinta-Feira Um dos dias mais difíceis da caminhada, sai do quilômetro 14 depois de Radiolândia até Jaraguá ás 04h00 da manhã com chegada ás 20h10 na cidade em destino, percorri 52 km passando por centro de produtores, por trechos de matas, inúmeras fazendas. A sinalização para este trecho ajudou muito. Em sequencia segue-se passando por estradas rurais até chegar à cidade de São Francisco. No caminho oportunidade para ver as Serras de Loredo e Chibio. O trecho entre São Francisco e Jaraguá de Goiás começa com aproximadamente 6,5 km todo em asfalto, quando entram na trilha as margens do Rio Pari, para deslumbrar a vista de um gigante chamado SERRA DO JARAGUAR, um monstro de morro, com mais de 610m de altitude, local para pratica de voo livre. A trilha cruza-se a BR-070, Os últimos quilômetros são feitos por uma trilha antiga que transpõe a porção Norte, o caminhante é contemplado de um maravilhoso visual da cidade de Jaraguá, uma pena o clima não está favorável para esta ocasião, finalizando o percurso na Igreja Nossa Senhora do Rosário. Hora do almoço Confesso que estava em uma situação complicada, muita chuva, cansado, exausto. Pensei em desistir, tinha que reabastecer com mantimentos, organizar a mochila e lavar umas mudas de roupas, depois de tudo organizado os ânimos e forças reaparecem, vou continuar, era só o que pensava, não poderia desistir, era questão de honra. Descansei o suficiente para dar continuidade, minha moral estava altíssima. Serra + Chuva 6° dia Jaraguá x Vila Aparecida, 09/11 Sexta–Feira Tudo ok, equipamento, mantimentos e muita energia, sai de Jaraguá ás 09h00, peguei o trecho sentido Vila Aparecida pelo asfalto, foram apenas 21 km neste dia. Atentar para a saída, dando inicio da Igreja Nossa Senhora do Rosário, contornando a serra percorrendo 1,5 km pela cidade até tomar a saída em estrada de terra em volta da serra com 3,2 km até o ponto mais baixo do trajeto no cruzamento da ponte sobre o rio Pari. Em seguida vira à esquerda, retornando pelo mesmo traçado sentido a São Francisco de Goiás, após 4,3 km da travessia da ponte, segue-se à direita sentido ao povoado de Vila Aparecida. Tive um pouco de dificuldade, pois no ponto de partida não existe sinalização ao longo de 2km. Região de grande cultivo de bananas, muitos pássaros, retorna a boa sinalização, bem tranquilas para prosseguir, acampei em um lugar fantástico, uma pequena serra a 3 km da cidade, queria ver o sol nascer, mais uma vez não fui contemplado com o mesmo, muita neblina e a danada da chuva continuava, fiquei encharcado, mais deu para aproveitar. Percorridos 21 km, cheguei à região por volta de 16h50 da tarde. 7° dia Vila Aparecida x Itaguari, 10/11 Sábado Coisas de lá Passando por Alvelândia e Palestina sentido a Itaguari, Região forte em agricultura e pecuária, destacando-se áreas de cultivo de bananeiras. Um trajeto curto e bem sinalizado até chegar ao povoado de Alvelândia nas margens BR-070. As vistas de grandes áreas e túneis de árvores entre as matas tornam um lugar surpreendente. Destacando a Fazenda Estaca, de valor histórico grandíssimo, diversos viajantes cruzaram essa região nos séculos XVIII e XIX. Acordei cedo esse dia, por volta das 04h00 da manhã, não consegui dormir direito, sai ás 05h00 mata adentro, O tempo estava nublado, mas sem chuva, os pássaros mais uma vez deram um show. O sol resolveu aparecer, estava bem animado, já havia completado mais da metade do caminho e queria muito chegar ao destino final. Levei algumas carreiras de bois e vacas nesse caminho hehe, correr com mochila nas costas não é tão agradável. O acesso passa por muitos currais e propriedades particulares onde tem criação de gados e outros. 48 km em 15h30 em movimento, acampamento montado a 2 km da cidade em uma propriedade de um novo amigo, Sr.Gumercindo, uma pessoa de muita graça. Achei esse trecho bem tranquilo com algumas subidas e descidas bem leves. Itaguari - GO 8° dia Itaguari x São Benedito, 10/11 Domingo Com saída ás 07h00, sem sinal de chuva para me abençoar, sentido a terra do polvilho. Os pés estavam bem judiados neste dia. Tudo estava perfeito, o sol radiante e muito barulho de Quero-quero. Trajeto feito em 14h00, com o total de 44 km. Tive um pouco de estorvo neste percurso, o cansaço voltou a incomodar, cheguei um momento em que dormi caminhando, nada melhor que um banho para relaxar em um pequeno córrego nas imediações, mas que valeu muito a pena, resolvi aproveitar e preparar o almoço ali mesmo, sem contar que em todos os dias pós almoço o cafezinho era preparado. Nesta parte passei por varias fazendas, trecho de muitas retas, o sol escaldante, região sem muita sombra, de volta a estrada, ânimo renovado continuei a trilha seguindo sempre a direção, bom ressaltar que não tive nenhum problema com sinalização nesse caminho, somente com os cachorros e a boiada novamente. ? Cheguei à cidade em plena tarde de domingo e por sinal não encontrei comércio aberto e comprar alguns mantimentos. Nenhuma pousada para coleta de informações e programar posteriores vindas, acredito que somente em casas de moradores, nenhumas das pessoas em que perguntei souberam responder. Percorri cerca de 5 a 6 km de asfalto, deve-se tomar bastante cuidado, foi um dos trechos que achei mais perigoso (em asfalto) devido ao grande fluxo de veículos, depois do asfalto a esquerda uns 400 m cheguei em um lugar, um bar, bem simples próximo a uma ponte, segundo o proprietário, os organizadores do caminho de Cora tiveram no local e informou que pode ser um lugar para repouso, o forte deles será o camping, até por que o lugar é muito confortável para este fim, esta passando por algumas reformas, mas que já comporta uma boa dormida. Acampei no local, próximo a esta ponte citada anteriormente, o barulho da água descendo rio abaixo foi uma maravilha, banho tomado, a água estava uma delicia, preparei o jantar e logo era hora de dormir. Coisas do Lugar 9° dia, São Benedito x Calcilândia x Ferreiro, 11/11 Segunda –feira Penúltimo dia de travessia, 36 km percorridos, a trilha passa por fazendas com poucas porteiras comparando com outras em que passei, muito estradão de terra batida e mais uma vez a natureza fez seu papel, o nível desse percurso foi muito puxado, tive dificuldades devido ao inchaço no pé esquerdo, mais era parte final e nada tirava mais a minha vontade de chegar, veio a chuva, não tão forte assim. Um dia bem agradável, por mais uma vez a receptividade do povo goiano me cativou, em parada não programada, tive o prazer de conhecer Dona Madalena em Calcilândia, onde me recebeu com bastante alegria, aproveitei para descansar, me serviu um almoço delicioso, café e um bom bate papo. Pé na trilha, saindo de Calcilândia. À direita, é possível visualizar a Serra de São Pedro que guarda muito de suas características naturais cheio de histórias e mitos. Percorri uns 2,4 km de asfalto até chegar na estrada e pegar sentido à esquerda estrada rural de terra. Nesse pequeno trecho, há um tráfego de caminhões considerável e por isso importante redobrar a atenção. Seguindo em media uns 7,5 km até chegar a uma pousada, aparentemente muito confortável. Com mais 10 km, passando por várias fazendas e paisagens perfeitas com vista da Serra Dourada, chega-se as ruínas de Ouro Fino. Foi uma das etapas em que a sinalização mais cooperou, lugar passa por matas fechadas e desertas. Passando pelas serras, fiquei encantado pela beleza rara do ambiente. Na reta final desse percurso veio uma pancada de chuva, porem, passageiras. Estava chegando à fase final da travessia, emoção e o sentimento de gratidão me deixavam mais forte. Chegando às proximidades de Ferreiro, acampei em uma serra pequena naquela noite. Tudo parecia muito calmo, até que o barulho e ruídos dos animais noturnos me intimidaram, sono chegou bem tarde por volta das 02h00, próximo à hora de levantar e concluir o percurso. Onde faltava apenas 8 km. 10° dia Ferreiro x Goiás Velho, 12/11 Terça–feira Museu da Cidade de Goiás O grande dia, reta final, trilha fácil, com algumas subidinhas de leve a passagem toma conta do lugar entre histórias de filhos ocultos e suas particularidades. Foram os quilômetros mais envolventes de toda travessia, comecei bem cedo em menos de 02h00, tinha que retornar a Brasília ainda aquele dia, pegando o asfalto a vista da cidade começa a aparecer anunciando que estava próximo de concluir. Enfim, a chegada depois de 8 km de muita emoção. Cidade maravilhosa, restaurada, cheia de encantos e suas histórias. Visitei dois museus, centro histórico, algumas igrejas e por fim uma casa em restauração. Considerações finais: · A intenção era de fazer o percurso todo com a modalidade de camping; · Foram coletados contatos para apoio, porém não publicados, entrar em contato caso tenham interesse; · As marcações em quilômetros foram marcadas não exatamente como os registros entre cidades, mas sempre próximas às imediações; · Alimentação foi transportada toda na mochila. Agradecimentos: · Familiares; · Filhos – João Vitor Neves, Mayara Neves; · Amigos, em especial Andreia Olivo, Nara Niuma, Aline, Gary, Etiene e Lidiano Pereira. · Workshop Trekking Brasília. · Aos apoiadores ao longo do Percurso Para maiores esclarecimentos entre em contato: E-mail – [email protected] https://www.facebook.com/profile.php?id=100004813188325&ref=bookmarks https://www.instagram.com/mauro_cesar_trekker/?hl=pt-br Fone: (61) 99100-3001 https://documentcloud.adobe.com/link/track?uri=urn%3Aaaid%3Ascds%3AUS%3A6d592790-a29d-4c62-b959-dd2a232c443f “Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade.” “O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.” Cora Coralina
  9. Dando continuidade à minha primeira caminhada (https://www.mochileiros.com/topic/55152-60-dias-a-pé-pelo-litoral-brasileiro/), me vi na mesma situação que a anterior (saí do emprego + férias da faculdade) e não pensei duas vezes antes de continuar de onde tinha parado. Parti em dezembro até a Paraíba, passei uns dias e logo depois do natal, fui pro Rio Grande do Norte onde dei continuidade de onde tinha parado. 1º DIA 26.12.2018, chegando na rodoviária da calorenta e ensolarada Natal, almocei bem baratinho por 8$ e peguei um coletivo com destino a Praia da Redinha. Chegando lá comprei água e uns lanches e parti pro mar pra dar uns mergulhos. Dessa praia temos uma bela vista da ponte Newton Navarro e de toda Capital potiguar, a água é verdinha e com aquela temperatura característica nordestina. Olhando a frente também é possível avistar o final da praia que já marca o início de Genipabu. Parti por volta das 15h com a maré baixinha e com trecho não muito vazio, com bastante casas. Rapidamente cheguei em Genipabu que é verdadeiro cartão postal, com dunas, maré baixa, algumas pedras e turistas por todo canto, hora de buggy hora de dromedário. Parti pra água pra dar mais uns mergulhos no mar calmo e depois subi a duna pra conhecer, esperei o sol se pôr e armei a rede no meio de uma moita. A noite foi sofrível com muito vento e com a falta de costume de dormir em rede e preparar comida nessas condições. Andei uns 8km. Genipabu-RN: 2º DIA Pra minha sorte a noite não choveu e assim que clareou levantei, comi alguma besteira e desci a duna pra começar a andança. Logo nos coqueiros dos restaurantes ao lado da duna consegui 2 cocos, os primeiros dessa viagem. Segui calmamente deixando Genipabu pra trás e uns 40 minutos depois surge a primeira barra pra atravessar, a do Rio Ceará-Mirim, que atravessei com água na cintura. Logo a frente próximo a Pitangui parei em umas das inúmeras casas abandonadas/vazias ou sei lá o que, e armei minha rede pra dar uma descansada. Minha ideia foi começar caminhando bem pouco pra tentar evitar as bolhas (funcionou!). Com as coxas assadas e os pés ardendo um pouco dei uma boa descansada (leia-se cochilada), enquanto os buggys passavam pra lá e pra cá. A orla de Pitangui é ligeiramente mais humilde, almocei um PF no restaurante da Maria por 10$ e segui, peguei mais 2 cocos antes de passar por uma lagoa com barracas vazias as margens da praia. Genipabu estava sempre a vista quando olhava pra trás, mais um pouco de caminhada vem Jacumã e mais belas praias surgem, um pouco mais a frente quase colado vem Muriú, cheguei já escurecendo e não achei um bom canto pra dormir, acabei armando a rede num quintal de uma casa que parecia vazia, ainda sem ritmo nenhum, apenas lanchei antes de dormir. Caminhei uns 18km. Sentido Jacumã-RN: 3º DIA Levantei cedinho e fui até a rua principal comprar meu café, depois de comer e chupar uns cajus que achei no caminho, parti na maré baixa e com mar agitado. Depois que acabam as casas vem uns 3km sem nada além de uma coqueiral bem ralo e uma faixa de areia bem extensa, ao fim da praia vem umas pedras e a barra do Rio Maxaranguape, que atravessei com água na coxa, do outro lado peguei a sombra de um quiosque vazio e descansei até o almoço. Única movimentação eram de poucas famílias se banhando no rio e pescadores trabalhando em seus barcos atracados. Almocei no mercado central por 10$ e voltei a descansar na orla que não tem nada de luxuosa. Da minha rede já conseguia avistar mais a frente a Árvore do Amor e o Farol de São Roque. Parti umas 15:30 com sol mais ameno e maré baixando, a esquerda a areia forma quase uma pequena falésia que esconde as casas por trás dela, uma dessas casas estava vazia e foi na varanda dela que armei minha rede pra dormir, antes ainda dei uma boa mergulhada, o dia foi bem tranquilo caminhando apenas uns 9km pra compensar o dia anterior. Sentido Maxaranguape-RN: 4º DIA No primeiro claro já levantei, comi e parti. Ao fim da praia vem uma falésia mais consistente e algumas pedras na areia, na praia seguinte a uns 200m vem a Árvore do Amor, que são duas gameleiras, árvore típica de lá, que parecem estar se abraçando. 300m depois vem o Farol de São Roque, que representa o ponto brasileiro mais próximo do continente africano. Ao fim da praia vem mais pedras e sempre um velho conhecido das praias, o lixo. Na praia seguinte já dá pra avistar a Praia de Caraúbas e mais distante Maracajaú. A caminhada segue tranquila com areia firme e maré baixa, as praias seguintes são muito bonitas, sempre com pedras, falésias e um formato bem curvado. Parei rapidamente em Caraúbas pra um lanche e continuei andando, um pouco a frente vem a Lagoa Peracabu, com muitas barracas e as típicas redes na água, que daqui pra frente são bem comuns. O trânsito de quadricículos e buggys é frenético entre a lagoa e Maracajaú. Ao final da praia surge um visual incrível com águas claríssimas e uma pequena lagoa formada pela maré. Cheguei em Maracajaú com a maré subindo e areia um pouco fofa, sem muita opção pra almoçar, acabei comendo um peixe por 18$ no restaurante Tereza Pança e descansei por lá o resto da tarde, alternando banhos de mar e chuveiro. Maracajaú não é muito grande, mas o que chamou mesmo atenção foi uma iguana gigante que circulava tranquilamente entre os moradores pela rua. Ao final das casas, encontrei uma abandonada parcialmente engolida pela areia e armei por lá minha rede, ainda consegui 3 cocos no coqueiral que tinha nos fundos, jantei e dormi muito bem aquela noite. Andei uns 14km. Maracajaú-RN: 5º DIA Saí cedo e comecei a andar aproveitando a sombra de uma imensa nuvem, mais a frente tem mais casas abandonadas boa pra um pernoite. A nuvem não durou muito e logo o sol brotou, com a maré ainda muito boa pra andar rapidamente alcançei o fim da praia, depois vem um retão de praia que ao final tem algumas pedras e uma bela vista do percurso que tem pela frente, daqui dá pra ver também a primeira grande sequência de parque eólico, que é bastante comum dali pra frente. A primeira praia é bem curvada, com bastante pescador puxando rede, depois de uma duna mediana começa Pititinga, descansei um pouco por lá e segui. Ao fim das casas, tem uma lagoa com algumas barracas, ainda vazia pelo horário, e uns coqueiros baixos espalhados, peguei 4 cocos e dei mais uma descansada. A praia dali pra frente é uma reta bem deserta, 3km a frente vem o Rio Tatu que tava bem rasinho sem problemas pra passar, um pouco mais a frente vem Zumbi, que já estava no clima de réveillon com suas ruas desordenadas. Almocei um frango na brasa com o melhor suco de graviola da viagem por 12$, depois fui mergulhar e descansar na praia que tinha muito quadricículo e a água com uma cor impecável. No fim da tarde fui até o final das casas e achei uma abandonada onde armei minha rede na varanda. O vento foi insano a noite toda e não consegui dormir muito bem, caminhei uns 13km nesse dia. Zumbi-RN: 6º DIA Pra compensar a noite mal dormida levantei um pouco mais tarde e a praia já tinha banhista caminhando. Amanheceu um pouco nublado, o que sempre ajuda na hora da caminhada, ainda na maré baixa logo cheguei no fim da praia onde tem muitas pedras e falésias, esse cenário segue praticamente até Rio do Fogo sempre com alguns catadores de marisco nas pedras. Faltando uns 2km pra chegar no centro um bugueiro me ofereceu uma carona até a cidade que gentilmente recusei, preferi ficar descansando embaixo de uma boa sombra de frente pro mar. Rio do Fogo tava com um trânsito insuportável de fim de ano, almocei um peixe num restaurante pela praia enquanto me molhava no mar e no chuveiro. Saí no fim da tarde com a maré alta, tive que ir descalço pra facilitar, peguei 2 cocos numa pequena duna antes de chegar em uma pequena vila, se não me engano se chama Perobinha de Touros. Mais à frente vem um hotel luxuoso com seguranças devidamente armados que me observavam enquanto andava. Mais pra frente achei 2 barracas de pescador onde armei a rede, porém devido aos fortes ventos, acabei inaugurando a barraca e dormindo nela, e foi como eu temia, muito abafado e quente. Realmente calor e corpo salgado não combinam com barraca de camping. Andei uns 10km. Sentido Rio do Fogo-RN: 7º DIA Acordei as 5h e me arrumei logo pra sair, a areia já estava bem durinha e a maré baixando. Caminhada bem tranquila e depois que passa por um imenso hotel em construção vem Carnaubinha, que é um lugar bem pequeno com a orla repleta de casas alugadas, algumas ainda em festa pela virada do ano. Quase colado em Carnaubinha vem Touros, que é bem maior e estava com a praia lotada do pessoal que passou a virada do ano ali. Fui até o centro comprar pão e estava saindo uma procissão da igreja, muita gente indo embora da festa e mais gente ainda já chegando pra aproveitar o feriado, achei uma sombra onde comi e descansei até o almoço. Almocei um frango na brasa por 10$ e vazei dali por volta das 14h, a praia entupida de gente me fazia lembrar Copacabana em dia de feriado, deixei toda a muvuca e lixo pra trás e segui andando embaixo do sol escaldante na maré alta, falei comigo mesmo que nunca mais andaria na maré daquele jeito. Apesar do trecho deserto sempre surgia alguma família pelo caminho, definitivamente era o dia mundial de ir à praia. Ao final da praia tem o Farol do Calcanhar, que tem esse nome por estar posicionado no “esquina” do Brasil, com 62m é o segundo maior farol de concreto do país e um dos maiores do mundo desse tipo, a partir daqui a caminhada deixa de seguir pro norte e passa a ser pro oeste. Logo a frente vem um restaurante e depois vem o marco do km0 da BR-101, chupei muito caju enquanto tirava foto das placas. Armei a rede numa espécie de coreto de um casarão abandonado onde assisti de camarote a lua cheia surgindo de dentro do mar. Dormi muito bem depois de andar 14km e compensei a noite mal dormida do dia anterior. km 0 BR-101-RN 8º DIA Acordei com o sol nascendo mas antes de sair ainda peguei 6 cajus pra completar o café e saí sem pressa esperando a maré melhorar. Uns 15 minutos dali tem um lugar chamado Cajueiro, que ainda estava amanhecendo, passei direto e uns 40 minutos depois vem uma bela praia que parece um lugarejo, mas é só uma praia de pescador, todas as cabanas existentes são pra guardar o material de pesca deles. Daqui pra frente começa um climão de deserto com solo mais avermelhado e com dunas realçam o cenário. Ao fim dessa praia começa uma sequência de falésias e pedras que só dá pra passar na maré baixa. Quando cheguei em São José uma família colombiana me ofereceu carona e aceitei, fui de carona de buggy até São Miguel do Gostoso, onde descansei numa sombra até a hora do almoço. São Miguel estava na ressaca do réveillon, na praia ainda estavam desmontando as estruturas da festa. A praia tem uma faixa de areia enorme, e na orla tem um banheiro público onde tomei uma bela ducha. Consegui almoçar por 12$ mas no geral lá é um lugar caro repleto de pousadas e restaurantes chiques. Deixei o local com o sol cozinhando e areia já ficando fofa. Ao chegar em um coqueiral baixinho bebi um coco e quando fui abri-lo arrebentei o dedo, pude então entender porque algumas pessoas chamam cortes feios de buceta. Mais a diante começa uma sequência de pedras diferente, elas se posicionam bem onde as ondas quebram te dando apenas duas opções: andar por cima delas ou por fora na areia fofa, elas se estendem por 1,5km. Mais à frente tem mais alguns coqueiros baixos, não me rendi e mesmo com o dedo arrebentado e com minha faca já quebrada, ainda bebi 3. Ao final vem a Praia de Tourinhos, pequena, bem curvada com água clarinha e muito mais bela que a vizinha famosa São Miguel, praia cheia e com algumas barracas, armei minha rede em um quiosque fechado. Nesse dia me desloquei 23km, sendo 8km de carona e 15km andados. Praia de Tourinhos-RN 9º DIA A noite foi bem clara com lua cheia e dormi muito bem, acordei cedo mas fiquei dando um tempo pra maré baixar, enquanto isso observava os turistas. Eles chegam tiram fotos, armam tripé, correm pra tirar uma foto sentado na areia como se tivessem contemplando o mar e voltam correndo pra ver como ficou a foto, porém não ficam sequer 10 segundos contemplando o mar de fato, ou então tiram fotos fazendo poses de yoga... não aguentei ficar assistindo aquilo e vazei dali. A 500m dali tem o Suspiro da Baleia, uma pedra que quando a onda bate jorra água pra cima como uma baleia, passei na maré inadequada e não vi nada acontecer. Essa primeira praia toda segue com a estradinha paralela, ao final dela começa um enorme parque eólico. Duas belas praias a frente vem uma pequena vilinha só com cabana de pescador, um pouco adiante mais uma sequência de pedras, que eu já tava aprendendo a andar sobre elas, com bastante cuidado, elas se estendem até a Praia do Marco. Tava difícil a caminhada pois foi a primeira manhã sem vento, mas por volta das 8h cheguei na Praia do Marco, uma belíssima praia de aguas claras e calmas, com algumas dunas e praticamente sem turismo. Aqui tem o primeiro marco do Brasil, e alguns estudiosos ainda defendem que o Brasil foi descoberto por lá, polêmicas à parte, descansei num restaurante até o almoço e comi um peixe cozido por 12$. A Tarde fui embora mas a calmaria do lugar dava até vontade de ficar por lá mais tmepo. Caminhar no sol da tarde é foda, dá muita sede, ainda mais naquele climão de deserto com mar. Com a maré baixa, algumas praias a frente cheguei em Enxu Queimado, que é muito pequena, típica vila pesqueira, fiquei pela praça descansando, a noite fiz um lanche no pequeno centro e armei a rede em um quiosque fechado. Andei 17km. Praia do Marco-RN 10º DIA Fiquei a manhã toda ainda em Enxu Queimado, almocei por 12$ uma carne de bode no que parece ser o único restaurante do lugar e parti depois do almoço com maré baixa. A primeira praia logo acaba e surge outra bem comprida, totalmente deserta que vai beirando o parque eólico. Pelo caminho no meio do nada tem umas barracas de pescador muito boas pra dormir, ao logo da praia não dá pra ver muito bem o que existe terra a dentro pois os morros de areia encobrem a vista. Lá pela terceira praia dá pra ver o imenso deserto que tem, ao fim da praia começam umas pedras que vão lentamente virando falésias. Na quarta praia resolvi parar armei minha rede numa pequena vegetação ao lado de um cata-vento, deixei a barraca armada caso chovesse, mas dormi na rede mesmo ao som das hélices girando, embaixo do céu estrelado. Esse trecho tem boas praias que são quase particulares, não tem banhista num raio de quilômetros, nessa tarde andei por 8km. Saindo de Enxu Queimado-RN: 11º DIA Parti não tão cedo esperando a maré baixar mais, as 2 primeiras praias são bem parecidas, são curtas e com muitas pedras que são vencidas facilmente. No início da terceira praia apenas uma casa de pescador e um mar lindo de cor verdinha, daqui já é possível avistar o farol bem distante. Mais adiante vem uns viveiros (eu acho) com cheiro terrível de esgoto, uma ou outra habitação pelo caminho e uma família vindo na direção contrária. Ao final da imensa praia tem o Farol de Santo Alberto e o início de mais uma bela praia, a Praia do Farol, que tem apenas uns restaurantes, pousadas e algumas famílias se banhando, depois vem uma bela duna e o centro de Caiçara do Norte, que é considerada a que tem o maior número de barcos pesqueiros do Brasil, em proporção ao tamanho do município, que deve ser verdade pois a praia é lotada de barcos e as ruas cheias de peixarias. Almocei por 12$ no restaurante da Maria, um dos poucos da cidade e fiquei o resto da tarde mergulhando e assistindo ao vai e vem das jangadas e barcos, embalados pelo vento furioso que veio de tarde. Jantei um espetinho de carne e dormi pelo centro mesmo, numa peixaria detonada pela maré. Andei 11km. Caiçara do Norte-RN: 12º DIA Como no dia anterior esperei pra sair depois do almoço pra pegar a maré boa, almocei no mesmo lugar e fui embora depois do almoço pra encarar o que seria um dos maiores trechos sem nada pelo caminho. Uma sequência de cabanas de pesca marca o final da cidade, a partir daí é só praia deserta, duna e muito vento. Vão surgindo dunas maiores e limpas, sem vegetação, e após uma longa praia voltam os cata-ventos do parque eólico. O vento em certos momentos me fazia andar torto, ele batia forte pelas costas e ficava o tempo todo balançando minha mochila. Tentei andar um trecho descalço pisando somente na lâmina d’água, mas não compensou, depois a sola do pé ficou pegando fogo e voltei pro chinelo pela areia seca. Nesse dia só passaram por mim dois vaqueiros que estavam seguindo pro interior das dunas pra buscar os bois que estavam pastando por lá. Vez ou outra passava alguma moto ou carro aproveitando a maré baixa, mas no geral é uma caminhada solitária pela praia deserta. Parei no que parece ser o meio do caminho, onde tem umas instalações do parque eólico, armei a rede nunca casa sem telhado e dormi sob o céu muito estrelado porém, sem lua. Andei 14km. Sentido Galinhos-RN: 13º DIA Apesar de não ter chovido a noite, acordei com a rede toda úmida do sereno, me arrumei rápido e parti já com a areia firme, e sem nenhum vento. Numa caminhada constante, em menos de uma hora, chego no final dos cata-ventos, e uns 50 minutos depois vem um lugar chamado Galos, lá tem poucas casas e uma bela praia. No final dessa praia vem Galinhos, um pouco maior e com outra praia bem bonita. Passei o resto d amanhã mergulhando nas águas claras e descansando na sombra, a essa hora o sol já estava castigando e a praia não parava de encher, afinal era um domingo ensolarado. Em Galinhos só se chega de balsa, carro 4x4 ou moto, sendo as duas últimas opções pela praia em maré baixa. É uma cidade pequena bem simpática, infelizmente devido seu isolamento é tudo bem caro, almocei a comida mais cara de toda viagem, uma frango parmegiana sem graça por 22$. Descansei o resto da tarde na praia onde ficava o vai e vem dos “uber-jegue” rsrs, boa parte da cidade não tem calçamento então existe esse serviço regulado de transporte de charrete, praticamente destinado a quem vem de fora a passeio. Jantei um espetinho que custou o olho da cara e dormi numa barraca uns 500m depois do centro em direção ao farol. Andei 12km. Galinhos-RN: 14º DIA Depois de Galinhos começa uma espécie de delta, com uma grande sequência de barras, que se estende até Porto do Mangue, aqui eu planejei meu primeiro trecho de transporte. Cheguei cedo pra pegar a balsa das 07:30, é preciso chegar cedo pra garantir uma senha de acesso, a balsa até Guamaré é gratuita, todos vão sentados, a viagem é lenta mas bem tranquilinha, chegando lá não me informei direito sobre os transportes até Macau e acabei indo nos carros alternativos que fazem lotada, paguei 15$ até Macau. Fiquei na rodoviária e de lá peguei um ônibus por 5$ até Pendências, lá eu me dirigi até a saída da cidade e fiquei esperando algum transporte ou carona. Carros de passeio passavam fingindo que nem me enxergavam, mas quando passou um caminhão caçamba, bastou eu acenar que o coroa parou na hora e me perguntou se queria carona, e assim fomos até Porto do Mangue, pelo caminho estradinha horrorosa, muita seca e muita carcaça de boi morto. Chegando na cidade, fui logo almoçar no único restaurante do mercado público, comida farta e barata. Descansei me abasteci de água e segui com o sol mais fraco, basta ir beirando a orla até o mangue e seguir margeando até o mar. A extensa faixa de areia é a maior de todas até aqui, tão grande que se perde de vista, alguns trechos repletos de conchinhas. Durante o percurso, apenas uma ou outra moto passava aproveitando a maré baixa e areia firme, da praia é possível ver as dunas do Parque de Dunas de Rosado, com suas dunas brancas e avermelhadas, resultado dos sedimentos que vem das falésias, no horizonte a frente tem mais parque eólico. Cheguei na pequena Rosado no fim da tarde, com a praia e barracas desertas, fiquei descansando e batendo papo com um pescador, e armei minha rede em uma dessas barracas vazias. Me desloquei 114km, sendo 5km de barco, 98km de estrada e 11km a pé. Orla de Porto do Mangue-RN: 15º DIA A noite foi terrível, acordei no meio da madrugada vomitando toda minha janta (miojo com sardinha era o que jantava na maioria das noites), levantei assim que clareou, o mesmo pescador do dia anterior já estava por lá, me despedi e segui. A estrada segue paralela à praia até Ponta do Mel, por coincidência, o velho que me deu carona de caminhão passou e deu uma buzinada. O sol seguia encoberto pelas nuvens e corria uma brisa agradável, pelo caminho só dunas e alguns casarões pelo caminho. No fim da primeira praia vem Pedra Grande, um lugarejo minúsculo, ao final da segunda praia surge um farol meio escondido, dali pra frente já é Ponta do Mel. Descansei o resto da manhã em um dos diversos bares da orla que estavam fechados, consegui achar um restaurante pra comer por 12$ com direito a suco da fruta e armei a rede pra descansar a tarde. O vento soprava quente, o sol tava rasgando e a terra avermelhada me fazia pensar que estava no meio de algum deserto. A praia seguinte é bem curvada, com mais dunas e cata-ventos, foram 10km de muito calor, maré baixa e pernas começando a ficar doloridas, ao final da praia vem um restaurante, muitas pedras, falésias e conchinhas. Tem uns bares abandonados na altura do cemitério, fiquei por lá e armei a rede logo cedo pra descansar mais. Andei 18km. Rosado-RN: 16º DIA Dormi bem demais, dei uma boa descansada, acordei sem pressa e fui embora. A primeira praia que surge é a principal do lugar, Cristóvão, somente com alguns barcos e pescadores na água, pela orla as casas são bem distantes, todas grandes e com varandas. A manhã toda foi de nuvens com o sol saindo de vez em quando e bem abafada, daqui já dá para ver todo o caminho restante até o Ceará. Ao fim da primeira praia tem umas pedras e uns 3km depois um pequeno lugarejo, e bem mais a frente vem Baixa Grande, outro lugar bem pequeno apenas com casas de veraneio que estavam 90% vazias, parecendo uma cidade fantasma. Seguindo a dica de um morador, fui por trás das casas pra passar pelo mangue e cruzar a barra com água na coxa, a praia depois dessa barra é típica de pescador também vazia. Depois de um trecho de praia deserta chega Upanema, a essa altura o sol já tinha saído por completo e castigava, eu estava seco de sede e parei num bar pra pedir um pouco de água e seguir até Areia Branca. Entrei em uma rua que dava acesso ao centro e um mototáxi me deu uma carona me fazendo poupar uns kms. Almocei numa churrascaria por 10$, matei minha fome e sede e como precisava lavar roupa, fiquei na Pousada Central por 50$. Andei 21km. Cristovão-RN: 17º DIA Lavei as roupas pela manhã, peguei a balsa e atravessei o Rio Mossoró ou Rio Apodi por 3$, a balsa deixa no município de Grossos a 4km da praia, estendi as roupas ainda molhadas e fiquei aguardando o sol pra secá-las. Com as roupas secas e com fome tentei uma carona até a barra do rio, mas foi uma tarefa difícil, quando você pede carona parece que ganha o super poder de ficar invisível, mas não desisti e consegui uma caroninha de carroça puxada por um burro rsrs. Foi desconfortável e lento mas cheguei na barra e matei minha fome com um PF de 15$. Chegando na praia ela estava com uma cor azulada muito bonita, com poucas crianças dali mesmo tomando banho. Passando as casas vem uma reta que se estende até Tibau, pelo caminho é comum avistar muitos grupos de cavalos andando livremente pela praia deserta e também alguns playboys de quadrículo. Cheguei em Tibau no fim da tarde, a praia estava lotada de turistas, todos uniformizados com suas ridículas blusas UV manga longa, que me olhavam meio torto ao cruzar a orla repleta de mansões. No final da praia fica a divisa de estados, mas a cidade continua do lado cearense, tomei uma bela ducha em um restaurante e armei a rede já no escuro numa varanda de uma casa vazia. Apesar da noite com muito vento, eu estava com muito ânimo por chegar no Ceará, esse dia andei 19km. Sentido Tibau-RN: 18º DIA Parti cedo de Tibau, demora um pouco até a praia ficar sem casas. Precisava chegar em São Luís-MA em até 25 dias, então estabeleci uma média de 18km por dia pra conseguir chegar a tempo. Depois que somem as casas não demora muito pra chegar em Tremembé, lugar minúsculo, com alguns restaurantes e poucas pousadas, lugar onde a tranquilidade reina. Parei na barraca do Juarez que ainda estava abrindo, dei uns mergulhos no mar quentinho e descansei até a hora do almoço. Fiquei batendo papo com o pessoal gente boa da barraca e ainda almocei uma moqueca de arraia que saiu de graça. Parti de tarde, com maré baixando e areia firme, surge mais um lugar bem pequeno chamado Quitéria, e o mar vai ficando com cara de manguezal, as casas se estendem até quase o final da praia. Chegando na barra tem um mangue enorme que afunda até o peito além do rio que não tem como passar, por sorte encontrei 3 biólogos que estudavam os passarinhos maçaricos do local, e me deram uma carona até o outro lado. Ainda percorri toda a Praia de Requenguela até o final das casas pra achar um local pra dormir, armei a rede numa cabana de pescador, muito vento a noite e uma chuva rápida que me fez trocar a rede de lugar. Andei 21km. Sol nascendo em Tibau-RN: 19º DIA Parti com o céu um pouco nublado e com a praia ainda cheia de algas, que estavam se estendendo desde Quitéria. Ao final da praia se acabam as casas e tem início uma sequência de falésias. A primeira praia é pequena e deserta, a segunda tem alguns casarões, é a bela praia de Picos, a terceira é Peroba, praia cercada pelas falésias e a mais bela da região, com alguns casarões e casas de pescador, depois vem a quarta praia, a Redonda, um pouco mais extensa e mais simples, com alguns restaurantes e chalés ao longo da orla. Descansei ali o resto da manhã, almocei um belo peixe e fiquei mergulhando na Barraca da Boneca. Parti a tarde na maré alta mas parei na sombra da falésia ao fim da praia pra descansar mais. Aqui as dunas e falésias alternam cores brancas e avermelhadas, a praia seguinte é bem pequena e ao final dela não há saída, tive que continuar por cima do morro, valeu a pena a subida pois a paisagem vista de lá é única. Mais a frente tem uma descida por uma duna gigante e muito íngreme que dá acesso a Ponta Grossa, que é uma praia bem reservada com alguns chalés. Uns metros adiante é preciso cruzar um mangue grande com um cheiro terrivelmente podre com água até a coxa, basta ir margeando as ondas que logo chega na praia seguinte. Parei logo numa cabana de pescador e armei minha rede por ali mesmo um pouco antes de Retiro Grande. Foram 17km andados. Peroba-CE ? Picos-CE ? não lembro... : 20º DIA Parti cedo, 1km a frente termina a praia, Retiro Grande fica acima das falésias. A praia seguinte é um cenário do paraíso, praia bem curvada, com apenas uma mansão, um belo mar e falésias a perder de vista. Uma manhã bem ensolarada porém com um vento fresco e areia boa pra caminhar. Uns kms a frente tem um pequeno lugarejo de pescador, depois vem Fontainha, também bem pequena com casas de pescador e algumas de veraneio, passei direto por ela. Às vezes eu me esquecia em que dia da semana estava, mas bastava ver o transito irresponsável e intenso de buggys e hilux que já entendia que era domingo. As falésias vão deixando o vermelho de lado e passam a ficar mais clarinhas e começam a surgir fontes de água doce, algumas delas infelizmente cheias de lixo. Chegando em Lagoa do Mato só tinha um restaurante na praia, acabei seguindo em frente só parei pra almoçar em Quixaba, que tava lotada, fui até o centro onde descansei e almocei uma “leve” panelada cearense (dobradinha). Só uns 30 minutos a frente fica Marjolândia, que estava igualmente lotada, andei mais e parei depois da praia numa cabana vazia, armei a rede, descansei o resto da tarde e fiquei ali mesmo pra dormir. Andei 21,5km. Partindo de Retiro Grande-CE: 21º DIA A tarde anterior teve um belo pôr do sol e o dia começou com um nascer do sol espetacular. Enquanto me arrumava para sair um pescador já chegou me oferecendo um burrinho (garrafa pequena) do elixir cearense, a famosa Ypioca, nem eram 6h e o cara já tava dando um talento na cachaça rsrs. Me despedi e segui a caminhada, bem perto dali tem um resort abandonado, meio cenário de filme de terror mas um bom local pra dormir. No fim dessa praia tem algumas pedras que marcam o início de Cano Quebrada. Com a praia ainda vazia, passei pelas falésias pintadas e subi a escadaria até o centro, providenciei meu café da manhã. O centro é todo turístico e voltado para o consumo, aquilo me deu arrepios e vazei o quanto antes. Não sei porque mas tinha nas minhas anotações que deveria contornar de Canoa Quebrada até Parajuru, talvez devido alguns rios e barras que teria pela frente, analisando hoje acho que me precipitei e acabei deixando de conhecer uns 25km do paraíso, enfim, fica pra uma próxima. Peguei uma típica Topic até Aracati por 3$ e depois outra de 6,50$ até Parajuru. Em plena segunda feira encontrei um mar azul com uma praia belíssima e vazia, que não deixa e desejar em nada a nenhum dos litorais famosos do nordeste, local ainda desconhecido do turismo da moda, que espero que continue assim, isso acabou me dando a impressão de que ali era um dos grandes achados da viagem. Parei em uma barraca onde fiquei o resto da manhã descansando na rede, e mergulhando nas piscinas formadas na maré baixa. Almocei uma carne de sol com um bom suco por 15$ e continuei a descansar. Parti umas 15h com a maré já subindo mas com areia ainda boa pra caminhar, o dia inteiro sem nenhuma nuvem no céu. Quando voltei a andar foi preciso desviar de duas casas onde as ondas já batiam nos muros, na praia seguinte tem diversas barracas de palha vazias pra dormir, muitas construções destruídas pela maré, muito lixo e um parque eólico que se estende pela praia sem fim, uns 6km tem umas barracas de pescadores vazias onde dormi, teve mais um belo pôr do sol e tive uma boa noite de sono. Me desloquei 53km sendo 40km de transporte e 13km andando. Parajuru-CE: 22º DIA Levantei cedo e parti enquanto chegavam os primeiros pescadores preparavam o material pra entrar no mar. A Prainha do Canto Verde é uma vila pesqueira bem pequena, passei direto por ela, a praia continua numa reta longa, com mar agitado e presença de lixo na areia. 8km a frente tem a Lagoa do Pequiri, com águas claras e barracas com rede na água, era terça e o lugar tava vazio, parei pra mergulhar e dar uma boa descansada. Logo 1km a frente se acaba a praia e começa outra com belas falésias brancas que vão até Barra do Sucatinga, lugar bonito demais, onde se formam piscinas na maré baixa, mas o lugar é mais conhecido mesmo por ter sido cenário das gravações da primeira versão do programa “No Limite”. Almocei peixe na barraca do Belarmino por 15$ e descansei enquanto já avistava no horizonte a Praia de Uruaú. A tarde antes de partir ainda roubei 4 cocos pelos quintais, a maré ainda não estava totalmente alta mas a areia já estava ruim pra caminhar. Em Uruaú só tem casarão e hotel, sequer tem barco de pescador por perto, passei direto, ao fim das casas tem uma lagoa que serve de parada para os passeios turísticos, lotada de farofa também passei direto. Ao final da praia começam as falésias e as bicas de água doce, em uma delas parei pra banhar e uma onda molhou a mochila e deu um banho na minha máquina fotográfica que quase me deixou na mão o resto da viagem. Parei na Praia do Diogo, na barraca Dodô do Mar, não demorou 15 minutos e o dono me chegou com 4 pastéis e uma garrafa de água geladinha, mostrando o quão gente fina é o cearense. Comprei uma cocacola e dormi na rede ali mesmo. Andei 22km. Sentido Morro Branco-CE: 23º DIA Parti cedinho, os mosquitos me perturbaram a noite mas deu pra dormir. Maré baixando, caminhada bem fácil e com uma brisa agradável, ao final da primeira praia foi preciso contornar umas casas devido as ondas. Mais a frente surgem várias bicas de água doce pelas falésias, em um momento é preciso ir andando bem devagar entre pedras que surgem na areia, depois dessas pedras já é o centro de Morro Branco, daqui até Barra Nova só tem casarão de luxo, muitas delas até vazias. Barra Nova é bem bonito, atravessei a extensa barra do Rio Choró sem problemas e descansei até o almoço, comi um farto PF de peixe e fui pra uma barraca as margens do rio pra descansar, não demorou muito e já encostou um pescador e o salva vidas local pra bater papo, aprendi mais sobre a relação lua x maré, e sobre kitesurf. Saí com a maré subindo e sol castigando, ao fim da praia tem a barra do Rio Malcozinhado, aqui já é a famosa Águas Belas do Ceará, rio e praias lotadas de banhista e kitesurf. Fiquei do outro lado e logo surgiu uma balsa que me atravessou de graça, o lugar é bem pequeno. Tomei uma ducha numa barraca e lanchei no centro a noite, voltei até as barracas onde armei minha rede as margens do rio. Andei 20km. Águas Belas-CE: 24º DIA Levantei cedo com o céu totalmente nublado e parti com a maré já baixando. Apenas 3km de Águas Belas já vem o centro de Caponga, com sua orla totalmente tomada por jangadas e pescadores. Depois de dar uma reforçada no café da manhã segui com um leve chuvisco caindo, é preciso contornar algumas casas parcialmente destruídas pelas ondas até sair numa praia que segue reto. Areia durinha clima fresco, logo vem a Praia do Balbino com alguns barcos, restaurantes fechados e poucas casas, a praia aqui tem algumas pedras que parecem lama, troncos e raízes pela areia, como se ali fosse um antigo mangue que vai até Batoque, a praia seguinte com cenário semelhante a anterior. Depois vem mais uma reta extensa e bem deserta até chegar em Barro Preto, nesse trecho uma vegetação com alguns lagos seguem junto a praia, que estava com mar agitado desde Caponga. Depois das primeiras casas de Barro Preto surgem algumas pedras e uma belíssima praia, no final dela tem uma duna que marca o início de Iguape. A essa altura o sol já tinha saído um pouco tímido e o mar estava com cor impecável, almocei um PF por 10$, armei a rede pela orla e fiquei o resto do dia descansando, dormi numa varanda das inúmeras casas abandonadas pela orla, dormi muito mal, caí 3 vezes após a corda que amarrava a rede se arrebentar, e acabei armando a barraca, na madrugada choveu algumas vezes. Caminhei 19,5km. "Caponga do Peixe-CE": 25º DIA Parti logo no amanhecer ainda um pouco nublado mas antes de sair do centro já dei de cara com um manguezal intransponível desaguando na praia, voltei até o centro e peguei um ônibus até Fortaleza por 7,50$, de lá peguei outro até Caucaia por 3,20$ onde fiquei até o almoço, um delicioso PF com churrasco de 10$. Depois do almoço peguei mais um ônibus de 2,50$ que me levou até Cumbuco, a essa altura o sol já brilhava forte. A praia é lotada de turista, hotéis e restaurantes, olhando pra trás da pra ver boa parte de Fortaleza e a frente, no fim da praia, o enorme Terminal Marítimo de Pecém. As águas de cumbuco estavam com tons de marrons e verde mais ao fundo, ao longo da praia só tem um coqueiral meio ralo, e no fim dela uma lagoinha com algumas barracas vazias. Passei pelo terminal, onde um pescador pegava um peixão jogando rede de mão, segui pela areia fofa e grossa até a orla de Pecém, que tava lotada de jogos de futebol, não me agradei do local pra dormi e continuei seguindo em frente. Depois que passa o centro, vem um pequeno manguezal e após ele muitas pousadas e casarões, já estava quase escurecendo, minhas costas estavam moídas de dor quando achei o que parecia ser uma pousada parcialmente engolida pela areia, armei minha rede nela ao lado de uma sinuca, as tomadas estavam até funcionando só faltou um chuveiro rsrs. Percorri 93km sendo 82km de ônibus e 11km andando. Cumbuco-CE: 26º DIA Dormi muito bem, parti sem pressa depois de carregar meus eletrônicos, com maré ainda um pouco alta, algumas nuvens com sol e pouco vento. Um bicho do pé que surgiu no meu dedão já começava a incomodar mas não comprometia a caminhada. Esse primeiro trecho não tem nada, só areia sem fim e mais um parque eólico que vai até Taíba. Surgem os primeiros casarões, e algumas ondas medianas bem disputadas pelos surfistas, mesmo ainda sendo bem cedo. Após contornar algumas pedras vem a belíssima praia do centro, com água na cor do paraíso, no centro tem um comércio bem barato onde tomei mais um café da manhã, voltei a praia e armei minha rede na sombra de uma casa fechada, onde rolava uma discreta boca de fumo. Descansei até a hora do almoço, comi uma galinha ensopada por 10$ e voltei a praia. Depois do centro vem mais 2 praias, uma mais bela que a outra com pedras formando pequenas piscinas, resumindo, Taíba é perfeita, é um lugar barato, com praias lindas porém bem menos agitada que outros destinos, e torço pra que continue assim. A frequência das casas vão diminuindo até na Lagoa da Barra, que tem algumas barracas boas pra pernoite todas vazias, na lagoa mesmo só havia a galera do kitesurf. Alguns rios que tinham em minhas anotações estavam tão ralos que nem localizei, pelo caminho de vez em quando surge um coqueiral, depois vem 2 casas isoladas, mais umas barracas de pescador, algumas peças metálicas gigantes vindas do terminal encalhadas na praia e muito chão depois vem o Bar do Kite, são uns restaurantes isolados na praia onde é o point do kitesurf, que tava lotada de gringo, parei pra uns mergulhos e uma chuveirada, andei mais um pouco e parei pra dormir numas barracas de pescador, a noite os mesmos surgiram pra alimentar os gatos com peixe e como sempre, me deixaram muito a vontade pra descansar e ainda insistiram pra que eu aceitasse um pouco do pescado deles. Andei 24km. Taíba-CE: 27º DIA Choveu algumas vezes na madrugada e amanheceu meio nublado, fui embora e logo a frente vem um terminal da Petrobrás com alguns restaurantes. Depois do píer, vem uma praia linda onde as ondas batem direto do paredão das dunas, as praias seguintes são uma mais bela que a outra, água esverdeada/azulada impecável. Segue nesse ritmo até a Praia do Farol, no centro, onde tomei um café enquanto descansava e observava todo o percurso dali pra gente. 9h da manhã e o sol ainda brigava pra sair, já havia chovido 2 vezes, cada chuva com menos de 1 minuto de duração, as 10h o sol saiu pra valer. Passei a manhã mergulhando e pegando as mangas que caíam na areia, tomei umas duchas nas bicas de água doce e almocei um PF de 10$. A tarde segui meio contrariado, pois Paracuru é um lugar digno de se passar 1 semana de férias somente ali. Saindo do centro vem outra sequência de praias lindas que vão até a barra do Rio Curu, que apesar da maré baixa não secou completamente formando 3 rios menores para atravessar com água no estomago. 2km a frente no meio do deserto de areia tem uma barraquinha de pescador com rede armada e tudo, dei uma parada pra descansar e botar a máquina pra secar novamente no sol. Decidi que ia andar 1h e descansar 10 minutos sempre, isso funcionou e amenizou as dores nas costas. Continuei pela praia deserta apenas com alguns coqueiros velhos até o final da praia, achei outra barraca de pescador já com rede, um balanço e até uma mesa improvisada, pernoitei ali mesmo depois de andar 17km. Paracuru-CE: 28º DIA Dormi muito bem, e parti pra Lagoinha logo cedo, logo ao fim da praia vem umas pedras e surgem as primeiras casas, nas pedras eu pude ver o mesmo Suspiro da Baleia que não consegui ver em Tourinhos, trata-se da onda batendo por baixo das pedras que faz com que jorre água por um buraco, fazendo um barulho e esguicho bem parecido com da baleia, minha câmera tava dando problema e não consegui registrar. Lagoinha é bem bonita, com uma bela praia cheia de bicas de água doce e muito casarão, além de um hotel gigantesco sendo construído. Seguindo em frente só tem kms de praia deserta e coqueiral ralo, parei em um deles pra descanso e o destino tratou de colocar justo ali um ganho de pegar coco e arranquei 1 pra beber. A frente vem o Rio Trairi, que atravessei com água na coxa, do outro lado tem algumas barracas mas todas fechadas, depois vem um pequeno lugar chamado Canabrava, e volta o deserto, pelo caminho apenas os jegues (contei mais de 25) pastando livremente. Depois vem Guajirú, lotada de mansões, hotéis e muita construção, a maré baixa deixava a praia com centenas de metros. Guajirú é lugar de barão, com tudo caro, mas consegui um PF por 15$ na rua de trás. Descansei o resto da tarde na rede que armei num restaurante fechado, fiquei o olhando o mar azulado enquanto bebia 3 cocos roubados de um quintal. No fim da tarde segui pra Flecheiras que fica a menos de 20 minutos, por lá as mansões se multiplicam e surgem os playboys com seus quadricículos. Dormi no 2º andar de uma casa abandonada na orla. Andei 22km. Guajiru-CE ? : 29º DIA Acordei quase as 7h com o tempo bem nublado, fui até o centro tomar um café. Na orla ficam as mansões e hotéis, nas rua paralelas vem as casas mais simples, comi na praça do centro junto com umas mangas que achei pelo caminho. O resto da manhã foi só chuva com raios, fiquei passando o tempo junto com o pessoal que aluga quadricículo na praia. Na hora de almoçar, tem que cruzar a rodovia, pois lá tem um centrinho onde turista não frequente, tudo com preço justo, comi um PF de 10$ mas um cara do quadricículo, o Rubens, fez questão de pagar meu almoço. Voltamos pra praia e fiquei no aguardo do sol pra poder dar uns mergulhos, como ele não saiu completamente fui assim mesmo, dei uma mergulhada nas piscinas naturais de Flecheiras e parti depois das 16h. Flecheiras vem ganhando fama de paraíso (e realmente é), e aumentando consideravelmente o turismo por lá, aos poucos vai deixando de ser uma vila pesqueira pra se tornar mais um destino da moda. Parti na maré baixa e com clima fresco, caminhada sem dificuldade até Emboaca, que é bem pequena, segui adiante sempre com a estrada paralela a praia, ambas vazias, apenas os jegues e eu. Vendo que não tinha nenhum lugar legal pra dormir embiquei pra dentro das dunas pra ver e avistei uma casa de longe que aprecia abandonada próximo a um coqueiral no meio das belas dunas e de um parque eólico, estava longe mas fui até lá e não deu outra, estava vazia e armei minha rede dentro dela. Dormi muito bem depois de andar apenas 9km. Flecheiras-CE: 30º DIA 24.01.2018, meu aniversário de 31 anos. Acordei cedo, não achei nenhum coco e fui embora. Praia boa pra caminha tempo fresco e maré baixa e em torno de 1h já estava em Mundaú. Na praça ao lado da rio peguei 1 coco e depois fui pro outro lado da duna dar uns mergulhos, chupar mais manga e descansar o corpo que tava bem dolorido. Mundaú é lindo demais, tem umas dunas bem grandes e o rio tem uma água verde incrível. Fiquei nesse ritmo o resto da manhã toda, enquanto os turistas faziam os típicos passeios de buggy. Almocei no centro e voltei, atravessei o rio na balsa por 2$ e continuei a descansar do outro lado. Parti na maré baixa e com a praia deserta, pelo caminho um pescador me ofereceu uma carona mas recusei. Cheguei em Baleia, outro belo lugar repleto de piscinas naturais e bons lugares pra pernoitar, mas acabei indo pra uma cabana de pescador meia boca. Durante a madrugada choveu 2 vezes e me molhei todo, essa foi a pior noite de todas. Andei 16km. Mundaú-CE: 31º DIA Levantei logo cedo pra arrumar as coisas molhadas, enquanto os barqueiros chegavam pra pegar os materiais na barraca, como de costume todos me deixaram bem à vontade pra ficar o quanto quisesse. Deixei a bela Baleia pra trás e parti com a maré subindo e o céu bem nublado, caminhada razoável com o corpo muito dolorido, pelo caminho apenas algum pescador ou outro e muitas jangadas entrando no mar, moradores circulando de moto também era comum. Pouco tempo depois chega Apiques, que se resume a uma fileira de casas com um cemitério no final, bem no meio da praia, dei uma descansada rápida e segui até o próximo lugarejo, os Caetanos de Cima, colado nele vem os Caetanos de Baixo, ambos bem calmos e vazios sem nada de comércio, com muito coqueiro baixo, porém com os donos de vigia rsrs, acabou que pedi informação pra um morador e o mesmo me convidou pra almoçar na sua própria casa, não recusei, comi um dos melhores peixes de todos, pescado na noite anterior, insisti com ele e paguei 15$ pelo almoço. Passei o resto do dia na rede da bodega dele descansando e tentando secar a máquina que devido a umidade deu pane novamente. O sol só ameaçou sair umas 14h, parti umas 15h, achei um coco seco que fui comendo pelo caminho até que em algum trecho de praia deserta um cara passou de quadricículo me ofereceu carona e aceitei, fui até onde começa a primeira casa de Icaraí, onde tem umas armadilhas de peixe parecidas com um cercado de madeira, dormi num barraco abandonado ao lado de uma mansão, dormi logo cedo exausto. Andei uns 20km e fui uns 5km de carona. Fiquei sem máquina esse dia. Lua cheia nascendo do mar, km 0 BR-101-RN: 32º DIA Parti sem pressa e com o céu um pouco melhor que o dia anterior, mesmo sem sol o mar aqui é absurdamente bonito, muito verdinho e com muito recifes e algumas piscinas. No centro de Icaraí a praia é bem curvada com muitos coqueiros, pousadas e mansões, caminhada fácil até chegar uma sequência de pedras no final da praia onde tem mais um cemitério a beira mar, mais um pouco adiante já começa Moitas, lugar pequeno demais com quase nada na orla, fiquei numa barraca na praia botando a máquina no sol, descansando e dando uns mergulhos, almocei o melhor peixe de toda a viagem, um verdadeiro banquete por 15$, com direito a típica “cambica” cearense, prato típico de lá. Fiquei boa parte da tarde descansando e mergulhando no mar verdinho até partir por volta das 15h. Depois de uns 800m do centro é preciso entrar nas trilhas até sair no local da travessia, basta seguir a marca dos pneus na areia, pelo caminho ainda roubei 2 cocos de um restaurante vazio. Pra atravessar um dos braços do enorme Rio Aracatiaçu, tem que pagar 5$ que só leva até o outro lado, então é preciso atravessar um longo trecho na lama do manguezal até sair num estradinha e ir direto. Pelo caminho ainda pulei uma cerca pra pegar umas frutas, saldo: 3 cocos, 3 cajus e 2 mangas. Depois de passar por alguns postes eólicos é só pegar a direita na bifurcação que sai em Morro dos Patos, outro lugar minúsculo com uma vista paradisíaca. Segui beirando o lago até sair na praia sempre com a presença dos jegues, no meio da praia deserta surgem 3 barracas de pescador vazias, dormi em uma delas depois de andar 20km. Morro dos Patos-CE: 33º DIA Levantei como de costume umas 5:30 com tudo ainda nublado e um leve chuvisco. Rapidamente cheguei em Torrões, onde atravessei outro braço do Rio Aracatiaçu com 2 pescadores que estavam chegando do mar, daqui eu resolvi logo fazer mais um contorno da sequência de barras que vinha adiante e acabei pegando um carro tipo pau de arara até Itarema por 5$, depois outro por 8$ até Acaraú, andei até o fim da cidade e peguei uma van por 3$ até Cruz, almocei no mercado popular por 8$, depois de não conseguir nenhuma carona, voltei pra rodoviária pra descansar e pegar o único ônibus pra Aranaú por 2$, que só sairia as 22h. Ao longo do dia muita chuva forte, dia totalmente perdido. Chegando em Aranaú fui direto até a praia onde dormi num restaurante fechado, dormi pouco, porém bem. Percorri 44km de transporte e 5km a pé. Fiquei sem máquina esse dia. Carona de charrete em Grossos-RN: 34º DIA Levantei cedo, comi e parti com céu tampado de nuvem mas sem nenhuma chuva. A primeira parte da praia é um mangue seco seguido de um parque eólico desativado, pois a água do mar já está encostando neles. Pela praia só alguns pescadores, o mar nessa manhã estava uma verdadeira piscina, com muito curral pra pegar peixe, e as jangadas já começam a dar lugar aos primeiros barcos com motor. Quando se acabam os cataventos começam alguns coqueiros e pequenas dunas, a praia continua com uma faixa de areia extensa e sempre dá pra avistar porcos e jegues circulando, a esquerda mais distante vão surgindo algumas dunas maiores. Muito chão depois se chega em Barrinha, que só tinha algumas barracas vazias, mais um chão a frente vem Preá, na primeira barraca que passei tava repleta de turista, escondi a mochila dei uma disfarçada e fui lá dentro nas piscinas tomar uma ducha no chuveiro. Era um dia de domingo e a praia estava insuportável, acabei almoçando um PF por 15$ e fui descansar na guarita do Parque Nacional, fiquei por lá até a polícia me convidar pra sair, fiquei o resto da tarde batendo papo com Reginaldo, um viajante pernambucano que vive em Preá a alguns anos, tomei 3 cocos na casa onde ele toma conta e no fim da tarde me dirigi até uma barraca na praia onde dormi. O trânsito irresponsável e legalizado dos carros, a maioria turístico, dão nojo e me deixaram uma má impressão do lugar. A rota Preá x Jericoacoara pela praia tem trânsito constante de veículos de deixar qualquer cidade grande com inveja. Andei 23km. Preá-CE: 35º DIA Depois de comer alguma coisa parti rumo a Jijoca de Jericocoara, pra isso é preciso embicar pra dentro do parque e seguir toda vida pra sudoeste que fatalmente vai sair na Lagoa do Paraíso. Boa parte do Parque Nacional é enorme pasto com algum gado e jegues pastando, pequenas lagoas secas e o resto é duna, depois de passar pelo limite das dunas é só seguir por dentro da vegetação que sai na lagoa, depois é só ir beirando uns 6km até chegar no centro de Jijoca, pelo caminho os funcionários já começavam a passar vassoura retirando pequenas algas pra limpar a água pros visitantes mais fresquinhos. No final da lagoa chupei muita manga e me informei sobre algum camping, descobri o Camping do Tião, talvez o mais famoso ou mesmo o único, paguei 20$ pela diária e fui direto lavar minhas roupas. Almocei um peixe de 20$ farto porém caro pro meu bolso, armei barraca e passei o resto da tarde chupando mais manga, tomando banho e deitando nas redes da lagoa que estava deserta em plena segunda feira, a noite fiz um lanche no centro e dormi todo quebrado no chão duro da barraca. Andei 12km. Lagoa do Paraíso, Jijoca-CE: 36º DIA Saí bem sem pressa lá pelas 9:30 em direção a Vila de Jericocoara, diferente dos dias anteriores o sol saiu pra valer, quando cheguei na altura das dunas o calor já judiava demais. Pra fazer o caminho da volta, chegando nas dunas basta seguir pra noroeste em direção aos morros mais alaranjados, lá onde fica a Pedra Furada. Durante o percurso muito sobe e desce cansativo e várias paradas pra descanso, chegando na praia tem mais 1 km até a Pedra, que pra variar estava cheia de turista em fila pra tirar foto. Com a maré enchendo é preciso contornar os paredões por cima até chegar no centro, almocei por 18$ pensando que estava pagando pouco mas na rua paralela à principal tem vários restaurantes a 10$, fiquei triste como se tivesse perdido dinheiro. O resto da tarde foi só mergulho no mar e chuveirada nos hotéis rsrs. No fim da tarde segui em frente, turistas e moradores já começavam a caminhada pra Duna do Pôr do Sol, sendo que os moradores estavam voltando do trabalho e seguiam até o povoado de Mangue Seco. Logo depois da duna vem uma lagoa cheia de kitesurf, e a praia aqui é bem curta e naturalmente uma divisa entre a lagoa e o mar, um cara voltava do trabalho de buggy e me deu uma carona até a altura de Mangue Seco, fiquei ali mesmo numa barraca quase engolida pela areia, mas com mesas e cadeiras de plástico, o dono surgiu e já foi mandando eu passar a noite nela. Assisti um pôr do sol particular e espetacular ao mesmo tempo que já nascia uma imensa lua cheia. Andei um 18mk e peguei 3km de buggy. Jericoacoara-CE: 37º DIA Levantei as 5:30, e parti depois de comer. Pra bela, sol tímido e céu limpo, pequenas dunas pela praia e paralelo a ela corre sempre um mangue. Até Guriú foram uns 5km, atravessei de carona na balsa e segui. Guriú é muito pequena, as ruas são de areia e mal tem comércio. Segui pela orla que tem um daqueles projetos de cavalo marinho e muita barraca, todas praticamente dentro do manguezal. Quando acaba o mangue voltam as pequenas dunas, pelo caminho somente algumas pessoas catando marisco nas pedras. Praia enorme na maré baixa, mar verdinho e sol rasgando com nuvens de vez em quando passando pra fazer uma sombra e aliviar por uns instantes. Quando surgem os primeiros coqueiros, já é Tatajuba, um lugar bem pequeno que se resume a calmaria do paraíso, descoberto apenas pela galera do kitesurf e gringos. É preciso atravessar a barra que parece um mangue com água/lama no joelho pra chegar nas barracas, almocei na orla um PF bem farto de galinha por apenas 10$. O resto da tarde passei deitado na rede do restaurante sentindo o vento e assistindo o movimento das marés. Quando parti, o sol já rasgava e o mar não formava onda nos primeiros kms, a água só vai subindo gradativamente conforme a maré vai enchendo, depois surgem dunas e vegetação, aqui as ondas já quebram nas dunas e é preciso fazer uns contornos por fora. Acabei achando um coqueiral de altura mediana e peguei 6 cocos, do lado tinha um quartinho com porquinhos e umas lacraias, acabei optando por armar a rede nela a ter que dormir na barraca. Antes ainda teve mais um pôr do sol fantástico simultâneo com lua cheia. Andei 26km. Lua cheia nascendo nos coqueiros, sentido Camocim-CE: 38º DIA Parti umas 6h entupido de água de coco, maré baixando, tempo nublado e sem vento. Com as ondas ainda batendo nas árvores, é preciso fazer alguns contornos por dentro do mangue. Quando acaba a vegetação vem uma enorme reta de praia deserta até a barra do Rio Coreaú. A travessia de balsa custou 3$, aqui as embarcações maiores do tipo traineira já são mais comum. Fui pela calçada de Camocim até chegar no Farol do Trapíá, lá começa a praia com uma faixa de areia absurdamente grande. Caminhada boa com sol já dando as caras e aquele climão de deserto dando sensação de estar em outro planeta, somente raros catadores de marisco apareciam. Ao final da primeira praia, começa mais uma e a terceira é Maceió, lugar que se resume a uma rua com coqueiros, dunas, praia, somente 1 mercadinho e muito lote a venda. Cheguei por volta de 12h na merda de fome e sede e almocei um PF de peixe por 10$. Dei uma chuveirada e armei minha rede num restaurante vazio na praia pra descansar. Quando parti, a paisagem volta a ficar deserta, o sol fritava e a maré já começava a subir lentamente sem formar ondas, mais a frente vem um lugar minúsculo chamado Barrinha, somente umas 10 casas e três restaurantes. Aqui a maré sobre de um jeito que forma uma baita lagoa e até mesmo uma ilha. Depois de Barrinha volta o deserto de areia sem fim, sem chance nenhuma de achar um bom lugar pra dormir, acabei armando a barraca ao lado de uma moita e passei uma noite sem muito desconforto. Andei 29km. Sentido Praia de Maceió-CE: 39º DIA Parti umas 6:30, céu nublado com sol saindo aos poucos maré baixando e areia boa pra caminhar. Logo começa um parque eólico e depois vem umas casinhas de pescador, colado nelas vem Xavier, vila ainda menor que Barrinha com apenas 1 casa que vendia alguns suprimentos, nem pra da chamar de mercadinho rs. Kms depois vem a Barra dos Remédios, que tem o título de a “5º praia deserta mais bela do Brasil”, depois de tanto andar por praias vazias essa fama não faz sentido nenhum pra mim, mas ainda assim é um belo lugar. Atravessei de balsa por 5$, parei numa barraca do outro lado pra dar uma descansada e esperar passar uma chuva passageira. O bicho do pé que doía no meu dedo sumiu por conta própria. Desde Jericoacoara é bem nítida a percepção de estar andando de leste para oeste numa linha reta perfeita. Mais adiante vem o vilarejo Praia Nova, com poucas casas desalinhadas e quase engolidas pela areia, muitos moradores já se mudaram de lá, em breve essa vila vai sumir, uma pena pois deu pra perceber que aqui a simplicidade e paz reinam. Vivem da pesca, só vão pescar quando precisam, no tempo livre famílias inteiras brincam tranquilamente pela praia, com crianças pequenas correndo a centenas de metros dos pais, não há celulares nem muro separando as casas, coisas que foram comuns um dia mas que precisei andar até aqui pra lembrar que ainda existem. Muita areia depois vem umas cabanas de pescador, as nuvens faziam sombra mas quando o sol vinha descontava. Somente 12h cheguei em Curimãs, lugar pequeno e bonito, almocei um PF de 10$ na barraca da Neide, que fica bem ao lado de um rio represado que forma um piscinão de água doce. Descansei de tarde e segui com sol mais fraco, depois de muita areia e uma chuva fina, cheguei em 2 barracas isoladas no meio da praia, o céu ficou preto de chuva e esfriou um pouco, dormi aqui mesmo depois de andar 28km. Praia Nova-CE: 40º DIA Dormi muito bem e acordei com o tempo ainda fechado sem previsão de melhora, andei pouco mais de 2km e cheguei em Bitupitá, o último lugar do Ceará, daqui é preciso faz um contorno pra vencer o delta dos rios Timonha e Ubatuba. Peguei uma van por 7$ até Barroquinha, daqui só consegui um ônibus pra Parnaíba as 15h, por 12$, cheguei já escurecendo e como não havia mais transporte pra Luís Correia, acabei dormindo num pulgueiro lotado de ciganos em frente a rodoviária por 30$. Fiquei sem máquina esse dia. Tatajuba-CE: 41º DIA Depois de comer tudo que tinha direito no café grátis, segui pra Luís Correia de Topic por 3$. Foi um domingo de praia vazia e tempo totalmente fechado, com chuva a todo momento, pela praia rolava um futebol, uma roda de capoeira, algumas excursões mas pouca gente mesmo dentro d’água, a orla é repleta de quiosques padronizados (preços baratos pra uma orla), casarões pra alugar e hotéis, a maioria vazio, porém é uma orla meio largada onde o lixo ainda tem presença forte, até garrafas de champanhe da virada do ano ainda tinham na areia. Depois de ir até a barra do Rio Parnaíba e ver que não ia conseguir barco barato pra atravessar, voltei até um restaurante vazio e passei o resto do domingo. Almocei um PF por 15$ e continuei na praia, dormi no restaurante da praia mesmo. Fiquei sem máquina esse dia. Em algum lugar sentido Morro dos Patos-CE: 42º DIA Acordei cedo e voltei pra Parnaíba, a ideia era pegar transporte até Pedra do Sal e talvez andar um pouco mais até a divisa do Maranhão, mas o tempo chuvoso dos 2 últimos dias me desanimaram e encerrei minha caminhada em 05.02.2018. Fiquei sem máquina esse dia. Pedra Furada-CE: Ainda continuei viajando, mas dessa vez me locomovendo de transporte. De Parnaíba parti até São Luís e de lá fui pra Santo Amaro do Maranhão onde passei o carnaval com a namorada, pra minha sorte foram todos os dias de muito sol e depois voltou a chover pra valer naquela região, tem sido um dos anos mais chuvosos e com lagoas cheias, o que não ocorreu nos anos anteriores. De São Luís peguei um trem de passageiros da Vale do Rio Doce e fui até o Pará visitar familiares, ainda voltaria ao Maranhão pra viajar mais uma semana mas tive que retornar ao RJ por motivos de força maior. A segunda caminhada foi tão boa quanto a primeira e menos sofrida, dessa vez eu fui ligeiramente mais equipado, com fogareiro a gás e barraca pra usar caso não tivesse lugar bom pra rede. Levei 2 cartuchos de gás e usei um + metade do outro, cozinhei minha janta uns 85% dos dias, sempre um miojo e depois que vomitei passei a usar mais arroz. Quanto a barraca continuo com a mesma impressão de que não combina com o calor da praia, mas foi útil quando precisei dela. Não tive bolhas dessa vez, comecei aumentando as distâncias andadas aos poucos e sempre parando pra descansar. Atravessei o litoral do nordeste no auge da zica e chicungunha em 2015 e passei pelo RN em plena crise da segurança pública e greve da polícia em 2018, mas nada disso me atrapalhou, essa parte do litoral brasileiro é linda demais, recomendo a quem tiver vontade de conhecer seja andando, de bike, ou qualquer outra coisa, que faça o quanto antes, pois as casas só aumentam e as praias diminuem. Boa caminhada a todos !
  10. Quando estamos fazendo essas travessias, muitas gente pergunta se não temos medo. Claro que temos, são perigos reais: cobras venenosas, atropelamento, assaltos, hipotermia, insolação. .. mas a recompensa é muito grande, lindos visuais, ótimas comidas, ar puro, povo maravilhoso, e tudo mais. . Depois de fazer o caminho de Cora Coralina, resolvemos fazer outra parte da serra da Mantiqueira (alguns mapas informam que a serra da Mantiqueira vai até a Divinolandia), então fizemos uma parte do Caminho da Fé que também passa por essa serra. Acordar bem cedo, ouvir os pássaros, respirar ar puro e, ainda, conseguir ver e registrar uma cena dessa, não tem preço: Outra atração da serra da Mantiqueira é a pedra do Baú, subida em grampos de aço, forte subida até o topo. Recompensa: lindo visual 360° de toda região, não tem preço que paga!
  11. Fizemos a maioria dos caminhos que passam pela Serra da Mantiqueira(Estrada Real, Caminho da Fé, Crer....), alguns mais de 1 vez. É quase unanimidade entre os caminhantes que, indiscutivelmente, a Serra da Mantiqueira têm as mais bonitas paisagens e, nós concordamos integralmente. São caminhos que proporcionam lindas fotos, clima agradabilíssimo, povo acolhedor e simpático, ingredientes que definiram esse roteiro. Foram quase 50 dias e mais de 1.100 quilômetros de muitas alegrias, felicidade e paz, poucas tristezas e decepções. Começamos e terminamos na MAGNÍFICA cidade de Campos do Jordão-SP, depois de rever vários lugares (passei alguns invernos nesta bela cidade, quando eu era "bacana"). A cidade se transformou, criaram vários roteiros turísticos, belas e caras casas dos novos e velhos "bacanas", ótimos restaurantes, atrações mil, pousadas e hotéis de todo tipo e preço, tem até o refúgio do peregrino, comércio bom, povo hospitaleiro, clima perfeito e, ainda por cima fomos no verão, baixa temporada, onde com facilidade encontramos boa hospedagem com preços menores que muitas hospedagem em cidades pequenas. Outra coisa que pesou em escolher fazer essa travessia é que a região se assemelha muito com um projeto que temos em mente, que é a travessia entre Punta Arenas x Arica no Chile, então serviu como treinamento.
  12. Realizamos no periodo de 05 a 17 de Julho de 2015 a Volta completa da ilha de florianopolis a pé. Foram 12 dias e 251 quilometros. Somente a trilha entre ponta de canas e lagoinha que estava fechada, as outras estavam abertas. Em breve relato completo.
  13. Resolvemos, dessa vez, fazer alguns roteiros distintos: beira-Mar, trilhas em montanhas e travessia. Começamos por Ubatuba, foram 10 dias de caminhada, por algumas das principais praias; depois pegamos nosso veículo e fomos fazer alguns roteiros em Extrema-MG e, por último, a grata surpresa: TRAVESSIA DA SERRA DA CANASTRA-MG, que lugar maravilhoso: belas cachoeiras, trilhas fortes, flora e fauna exuberante, povo amigável, queijos deliciosos(alguns entre os melhores do mundo na sua categoria) sem contar a culinária mineira. Tudo de bom.
  14. Boa noite.. Ansiedade comendo aqui, 2:35 da manhã Amanhã, dia 17 de outubro, pego trem 6:30 da manhã de Bh (terra natal) até vila velha. 14 horas de viagem, primeira vez de irei andar nesse trem. A trip andando começa por la. Sao praticamente 1200km pelo litoral. Minha ideia é fazer pela areia. Cheguei a fazer a 3 semanas atras uma de Barra do Pojuca até Mangue seco, 120km, que foi linda e já me deu a experiência para saber de possibilidades dessa maior ser feita. Meu orçamento eu planejei ser de 20 reais por dia. Ja que estarei levando barraca e o propósito é acampar na beira da praia mesmo. Minha idéia ainda é fazer escambo nas barracas de praia oferencendo minha mão de obra em troca de comida e água para beber e tomar um bom banho. Que ja tive essa abertura com alguns nativos que conheci nessa outra viagem. Tenho até dia 25 para chegar em Pratigi, cidade onde acontecerá a UP, que irei trabalhar. Ela fica praticamente na Península de marau, abaixo de morro de sao paulo. Me cronograma tem base em até 6 da manhã começar a caminhar, andar durante por volta de 7,8 horas por dia, que varia entre 30 a 40km. Acabando de montar o mochilao. E melhor, montar pra desmontar e montar novamente. Ganhei um outro mochilao de um grande amigo de infância e ele mora em Vila Velha.
  15. Realizamos no período de 01 a 30 de janeiro de 2016 o CRER, foram mais de 800 quilômetros de caminhada. O circuito começa no morro da piedade a uns 15 kms de Caeté -MG e termina no santuário de Aparecida no estado de São Paulo. Esse circuito ainda está em fase de implantação, no escritório da igreja da piedade não disponibilizam nenhuma informação sobre o roteiro. Fornecem somente um pequeno mapa de uma parte do roteiro, não consta nele nenhuma informação sobre hospedagem, refeições, quilometragem....... Tem que seguir os marcos , que em alguns lugares foram destruídos dificultando sobremaneira o prosseguimento. Mais de 80% deste roteiro seguem o mesmo percurso da Estrada Real, no nosso caso ajudou bastante, pois em caso de dúvida seguíamos os da ER. Esse é uma demonstração de parte do CRER. Em algumas cidades tem essas placas informativa sobre o caminho CRER Essas placas informam as distâncias entre cidades.. O morro da piedade é aquele morro no fundo da foto, é ali que oficialmente começa do caminho CRER Essa é a portaria que dá acesso a igreja da Piedade início oficial do CRER
  16. Realizamos no período de 31.01 a 19.02.2016 o caminho da fé invertido (de Aparecida a São Carlos a pé ), foram aproximadamente 540 kms Breve relato completo! No nosso relato focaremos em informações sobre pessoas, pousadas, dificuldades, histórias e estórias. Para aquelas pessoas que querem informações mais detalhadas melhor ler o excepcional relato do Augusto abaixo. Disparado o melhor relato sobre o MELHOR caminho do Brasil : caminho-da-fe-429-km-em-15-dias-de-caminhada-relato-dic-t29158.html
  17. ROTEIRO À PÉ: RIO GRANDE DO SUL: Portão Bom Princípio Carlos Barbosa Garibaldi Bento Gonçalves - Vale dos vinhedos Bento Gonçalves - Pinto Bandeira Bento Gonçalves - pela cidade Bento Gonçalves - caminho de Pedras Caxias do Sul - flores da Cunha Caxias do Sul - estrada dos imigrantes Nova Petropolis Gramado - Natal de Luz Canela - Cachoeira do Caracol Gramado - pela cidade (parques, centro) Santa Maria Herval Picada Café Ivoti Sapiranga Três Coroas São Francisco de Paula São Francisco de Paula (parques, lagos e pela cidade) Tainhas Cambará do Sul Cambará do Sul - Canyon Itambezinho Cambará do sul - canyon Fortaleza Torres - praia SANTA CATARINA: Praia Grande - descida Serra do faxinal Balneário Gaivota - Praia Balneário arroio do Silva - Praia Balneário Rincão - Praia Balneário corrente - Praia Farol de Santa Marta - Praia Laguna - cidade histórica + Praia Orleans Guatá (distrito de Lauro Muller) pé da serra do Rio do Rastro Bom Jardim da Serra ROTEIRO DE ÔNIBUS : São Joaquim Urubici Bom Retiro Lages Fraiburgo CONTINUAÇÃO À PÉ SANTA CATARINA: Videira Treze Tílias Água Doce Jaborá Concórdia Seara Chapecó PARANÁ (ÔNIBUS): Curitiba Paranagua Morretes QUILÔMETROS /DIAS: +- 1.300 kms em 53 dias PESSOAS: No planejamento da viagem nossa preocupação era de como seríamos recebidos nas pequenas cidades, visto que algumas delas não tinham vocação turística, e "mochileiros"poderiam ser "novidade". Mas, essa preocupação foi rapidamente deixada de lado. Fomos recebidos muito bem em todos os lugares (exceto dois episódios, que não afetou em nada nossa caminhada). Ficamos impressionados com a educação e o acolhimento da população do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, sempre solícitos às nossas demandas. Poxa, que saudade de tudo aquilo, em breve voltaremos. CIDADES: Praticamente todas as cidades desse roteiro tinham pousada ou hotel, somente o distrito de tainhas-SC não tem, somente restaurante (mas esse trecho tem serviço de ônibus intermunicipal). ESTRADAS: Optamos em fazer pelas estradas asfaltadas(alguns trechos fizemos em estrada de terra), pois não conseguimos informações sobre estradas secundárias nesta região. COBRAS: Nunca vimos tantas cobras como na serra Gaúcha, teve dia que vimos umas 5, quase minha esposa pisou numa em uma rodovia asfaltada. Elas ficam enroladas na pista de rolamento, é normal vê-las todas esmagadas por veículos, ficam parecendo um desenho no chão (pois vários veículos passam por cima). ANIMAIS SELVAGENS: Outra coisa que nos chamou atenção, vimos muitas espécies(raposa, cobras, tatu, macacos, roedores, porco espinho etc) passando lentamente perto de nós. PRECONCEITO: Tivemos um fato lamentável num hotel fazenda. O gerente nos recebeu num descaso tremendo, nem respondia nossas perguntas, foi preciso a intervenção de uma funcionária para resolver a situação (quase mandei o cara a pqp), o infeliz está no lugar errado. O outro caso foi mais leve, mas fiquei puto. Tirando isso, foi muito tranquilo ser mochileiro naquela região, muito tranquilo mesmo. PREÇOS HOTÉIS: Variou de $25 a 95 por pessoa (mas a crise pegou todo mundo ), em alguns lugares priorizamos ficar em lugares melhores, Sempre pechinchamos os preços, na maioria dos casos conseguimos descontos, principalmente à vista. Não fizemos nenhuma reserva, foi muito tranquilo. PREÇOS REFEIÇÕES: variou de $10 a $35 por pessoa à vontade. Peso : de $20 a $44 o quilo. Obs.: em média coloque $22 por refeição sem bebidas. ABUSO CONTRA TURISTA: Só tivemos alguns casos de abuso, mas nada gritante: Você chega em duas pessoas e pede somente um cafezinho pequeno, o cara trás dois grandes (claro, mais caro) e na maior cara de pau diz que pedimos dois. Isso aconteceu nuns 5 lugares na serra gaúcha, lamentável! Obs.: para nos proteger disso, fazíamos assim: chegávamos nos caixas do estabelecimento e pagava antecipadamente, acabou o problema. CARONA: precisamos pegar carona em algumas oportunidades, e foi até tranquilo conseguir. .fomos ao canyon Itambezinho e no Fortaleza à pé, e voltamos de carona, foi tranquilo. .quando visitamos uma cachoeira em Cambará do sul, fomos à pé e voltamos de carona ( neste dia pegamos três, cada um nos levou num pequeno trecho). .dividimos o trecho entre Seara e Chapecó-SC em dois, como o ônibus demoraria muito, resolvemos ir de carona, demorou uns 40 minutos para aparecer. SEGURANÇA: Em momento algum tivemos problema, somente em Porto Alegre (visita ao mercado central que nos orientaram a ter cuidado), mas os moradores de PA estão preocupados. .na saída de Caxias do Sul, saída para estrada dos imigrantes tem um lugar que me pareceu inseguro, mas nada complicado. NEGOCIAÇÃO HOSPEDAGEM: Sempre negocie, em alguns casos conseguimos descontos de 10% abaixo dos sites de hospedagem. Principmente nesta crise, em alguns casos somente nós dois estavam hospedados no hotel.
  18. Primeiramente quero agradecer o apoio e a disposição do Voluntário RODRIGO em Alfenas - MG. Por não conseguir baixar o livro guia do caminho, ele (Rodrigo) nos auxiliou muito nas muitas dúvidas que apareciam diariamente, principalmente nas saídas das cidades. Na minha opinião o mais bem sinalizado caminho do Brasil, visto que disponibilizaram um LIVRO GUIA, no site deles, o que torna impossível se perder. Esse caminho liga as cidade de Alfenas-MG até o Santuário de Aparecida no estado de São Paulo, um percurso de uns 270 kms . http://www.caminhodeaparecida.com.br/?act=default
  19. Realizamos no período de 19 a 28 de julho de 2015, o circuito completo do Vale europeu em Santa Catarina. Foram 10 dias contemplando e vivienciando lugares, pessoas maravilhosas. Destaco alguns locais incriveis: Pomerode, blumemau, fazenda campo do zinco e sua maravilhosa cachoeira, lindos mirantes, estradas encantadoras, pessoas hospitaleiras e cordiais. Nāo tivemos nenhum incidente. Começamos antes do circuito, fazendo o caminho entre blumenau e pomerode a pé, e no final fizemos do mesmo modo a rota enxaimel em Pomerode, por isso o roteiro foi concluido em 10 dias. Brevemente relato completo.
  20. Após conclusão da volta a ilha de florianópolis e logo a seguir o caminho do vale Europeu, decidimos fazer a pé todo o norte de santa catarina. De bombinhas-SC até praias do Paraná. em breve relato detalhado.
  21. Salve galera! Fiz a John Muir Trail em agosto desse ano e recomendo para todo mundo. Foram 389 km em 17 dias, com uma subida acumulada de mais de 16.400 metros. Fiz esse pequeno vídeo para mostrar um pouco de trilha e assim animar mais brasileiros a fazerem ela. Pelo que eu pesquisei, fui o segundo a fazer ela completa. Em breve irei postar um relato por escrito com todas as informações. Valeu!
  22. Pessoal, acho que podiamos começar uns relatos de peregrinações. Afinal muita gente fala do Caminho de Saniago, bem como, os daqui no Brasil, o Caminho da Fé até Aparecida com uns 15 dias e os Passos de Anchieta nas praias do Espirito Santo, entre outros.
  23. ótimo texto sobre como é possível as travessias auxiliarem na gestão das Unidades de Conservação O papel das trilhas de longo curso na gestão de UCs Francisco da Motta Schnoor* - 08/12/14 No ano de 2013, quando me tornei conselheiro do Mosaico Carioca de áreas Protegidas, comecei a refletir sobre a importância dos mosaicos de áreas protegidas enquanto poderosas ferramentas para trazer os conflitos socioambientais da região para o centro do debate, e transformar estes debates em possíveis soluções. Esta perspectiva vem muito ao encontro de minha atuação como educador ambiental no Instituto Moleque Mateiro. Segundo Isabel Carvalho (MMA, 2004, 19): "... sem reduzir as "educações ambientais", nem desconhecer a disputa pelos sentidos atribuídos ao ambiental numa esfera de relações em que há lutas de poder, a educação ambiental segue o traçado da ação emancipatória no campo ambiental, encontrando na tematização dos conflitos e da justiça ambientais um espaço para aspirações de cidadania que se constituem na convergência entre as reivindicações sociais e ambientais." Segundo a lei no 9.985, de 18 de julho de 2000, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, um Mosaico de Áreas Protegidas é "um conjunto de unidades de conservação de categorias diferentes ou não, próximas, justapostas ou sobrepostas, e outras áreas protegidas públicas ou privadas, constituindo um mosaico, a gestão do conjunto deverá ser feita de forma integrada e participativa, considerando-se os seus distintos objetivos de conservação, de forma a compatibilizar a presença da biodiversidade, a valorização da sociodiversidade e o desenvolvimento sustentável no contexto regional." Logo se observa em sua concepção teórica um campo para debates e reivindicações de diversos atores sociais, pois visa compatibilizar a preservação da biodiversidade com a preservação cultural e econômica da região onde se encontra. Se observarmos o decreto Nº 4.340, de 22 de agosto de 2002, que regulamenta artigos da lei acima mencionada, veremos que os mosaicos têm, entre outros, os atributos de propor diretrizes e ações para compatibilizar, integrar e otimizar, as atividades desenvolvidas em cada unidade de conservação e a relação com a população residente na área do mosaico. Mosaicos integrados A ferramenta formal de gestão dos mosaicos de áreas protegidas é um conselho gestor, formado por diversos atores sociais de um território amplo, em que se inserem diversas categorias de áreas protegidas (não só UC) e que possuem diversos atores com vulnerabilidades ou conflitos socioambientais, alguns em comum, outros dizendo respeito a apenas alguns atores, mas todos afetando a área do mosaico. Trazer os conflitos para o centro do debate e uma boa estratégia para achar as respostas mais adequadas para soluciona-los. Segundo Pisatto et al: (2012, 85) "A educação ambiental direcionada à comunidade tem como objetivo o desenvolvimento de atividades e práticas educativas ao longo de toda a vida do indivíduo, que o sensibilize sobre as questões ambientais e as consequências destas sobre a qualidade de vida da comunidade, constituindo um processo permanente de formação, para que os indivíduos atuem como formadores de opinião em suas comunidades." "A educação ambiental direcionada à comunidade tem como objetivo o desenvolvimento de atividades e práticas educativas ao longo de toda a vida do indivíduo, que o sensibilize sobre as questões ambientais e as consequências destas sobre a qualidade de vida da comunidade, constituindo um processo permanente de formação, para que os indivíduos atuem como formadores de opinião em suas comunidades." Com isso a educação ambiental pode e deve ser uma ferramenta de fortalecimento dos mosaicos, ao propor projetos e atividades de curto, médio e longo prazo dentro da área de atuação de seu conselho gestor que, segundo o mesmo decreto já citado tem "caráter consultivo e a função de atuar como instância de gestão integrada das unidades de conservação que o compõem." As trilhas de longo curso são um ótimo exemplo de ferramenta de gestão territorial que podem se tornar palco de diversas ações de educação ambiental. Segundo Loureiro, Azaziel e Franca, 2007: "O mais importante na administração de UC é que o conjunto da socieda­de possa ter benefícios com elas e meios para fiscalizar e decidir sobre seu uso, num planejamento participativo de fato, e não apenas de direito." Uma trilha de longo curso vem auxiliar exatamente por ser um elemento "tangível" do território, em que todos conseguem perceber os seus benefícios e atuar junto ao Mosaico para que estes sejam efetivados e potencializados. As Trilhas de Longo Curso como Elemento de Fortalecimento do Mosaico Ao se pensar em educação ambiental como ferramenta para o fortalecimento de mosaicos, as trilhas de longo curso são uma possível estratégia de união de todas as UC do Mosaico e de emponderamento e fortalecimento dos atores sociais envolvidos nas mesmas. Ao fazer uma trilha que pode chegar a milhares de quilômetros, passando por diversas UC, conseguimos que seus gestores pensem juntos em estratégias de uso público nas mesmas e dessa maneira o debate sobre estas estratégias perpasse para o conselho, que obrigatoriamente tem representatividade de lideranças das comunidades do entorno do mosaico. Assim unimos a participação comunitária e a articulação institucional através de um projeto que fortalece a pesquisa, a educação ambiental, a geração de renda e a construção de um relacionamento saudável com as comunidades e as UC integrantes do mosaico. Segundo Ernesto Viveiros de Castro, atual gestor do Parque Nacional da Tijuca: "Entre as diversas iniciativas internacionais que buscam viabilizar a conexão entre áreas protegidas, uma se destaca pelo envolvimento da sociedade e resultados concretos de proteção e recuperação de corredores: são as trilhas de longo curso. Às vezes com milhares de quilômetros, essas trilhas permitem que uma pessoa percorra a pé grandes trechos em ambiente natural, conectando diversas áreas protegidas e conquistando milhares de parceiros para os esforços de conservação." (Castro,2014). Em uma trilha de longo curso conseguimos, de maneira democrática trazer recursos para a região, priorizando o fortalecimento da economia local. A partir do aumento do turismo, podemos aumentar a pressão popular pela conexão de áreas desconectadas, fortalecendo assim os corredores ecológicos e auxiliar a fiscalização das UC presentes no mosaico pelos próprios visitantes desta trilha. A trilha como UC Este é um ponto importante de ser citado: No decreto nº 4.340, de 22 de agosto de 2002, ele afirma, no seu artigo 11, que "os corredores ecológicos, reconhecidos em ato do Ministério do Meio Ambiente, integram os mosaicos para fins de sua gestão." Logo, no caso de UC desconectadas, podemos pensar na trilha de longo curso como uma UC específica, na categoria de um corredor ecológico, com governança própria e sobrepondo e conectando as UC do mosaico e sendo parte deste como as outras UC. A partir desta perspectiva, uma trilha pode cruzar uma área inicialmente sem UC, priorizando áreas protegidas, e tornando-se ela própria uma UC, com sua legislação, governança e plano de manejo próprio, respeitando, claro, as superposições com outras UC. Nos Estados Unidos, onde diversas trilhas como esta já existem, elas foram consideradas, em 1968, uma categoria de área protegidas regida pelo decreto National Trail System Act. Este sistema prevê a possibilidade de 4 diferentes trilhas: históricas, recreativas, cênicas e de conectividade entre outras trilhas de longo curso. Em Portugal temos o exemplo da Rota Vicentina, que, segundo Marta Cabral "Em estreita parceria com as entidades públicas do ambiente, do turismo e de gestão local, a trilha de longo curso "Rota Vicentina" foi lançada em 2012; é ainda um projeto recente e em plena afirmação, mas já com a certeza de que veio para ficar. Hoje reúne mais de 100 micro-empresas familiares numa rede de trabalho que pretende afirmar o Sudoeste de Portugal como destino internacional de turismo de natureza, garantindo a sua sustentabilidade econômica, social, cultural e, sobretudo, ambiental." Portanto, a elaboração de possíveis ações de educação ambiental que visem o empoderamento dos diversos atores sociais presentes na área de um mosaico de áreas protegidas, para que os mesmos sejam presenças atuantes nas decisões políticas e econômicas que afetam a todos é um caminho possível para almejar o fortalecimento econômico e cultural das comunidades e municípios. Uma trilha de longo curso vem fortalecer este movimento ao permitir um olhar geral sobre o território do mosaico, para além das UC, e o envolvimento direto e efetivo dos diversos atores sociais presentes em sua área. *Francisco Schnoor é diretor do Instituto Moleque Mateiro de Educação Ambiental. Referências Bibliográficas Loureiro, Carlos Frederico B; Azaziel, Marcus; Franca, Nahyda; Educação ambiental e conselho em unidades de conservação : aspectos teóricos e metodológicos. Ibase: Instituto TerrAzul : Parque Nacional da Tijuca, 2007 Pissatto, Mônica; Merck, Ana Maria Thielen; Gracioli. Cibele Rosa. Ações de educação ambiental realizadas no âmbito de três unidades de conservação do Rio Grande do Sul, Revista Eletrônica em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental: REGET/UFSM. Carvalho, Isabel. Educação Ambiental Crítica: nomes e endereçamentos da educação. In: MMA, Identidades da Educação Ambiental Brasileira, Brasil, 2004. Castro, Ernesto Viveiro de. Caminho da Serra do Mar, o sonho de uma trilha de 2 mil km. Disponível em www.oeco.com.br, acesso em 10/09/14. Cabral, Marta. Rota Vicentina: Turismo e Cultura no sudoeste de Portugal. Disponível em www.oeco.com.br, acesso em 20/09/14. Brasil, 2000, disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9985.htm, acesso em 20/09/2014. fonte: http://www.oeco.org.br/convidados/28820-o-papel-das-trilhas-de-longo-curso-na-gestao-de-ucs
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